3.

2 PROPRIEDADES FÍSICOQUÍMICAS DA ÁGUA DO MAR
 Água do mar = água pura + gases e sólidos dissolvidos
 Quatro classes de elementos:
• Conservativos  ocorrem em altas concentrações (>1
mg/k – Cloro, Sódio, Sulfato, Magnésio, Cálcio,
Potássio)
• Nutrientes  essenciais para o crescimento dos
vegetais (fosfatos, nitratos, silicatos)
• Elementos-traço  concentrações muito pequenas
(Carbono, Lítio, Rubídio, etc.);
• Gases dissolvidos  nitrogênio, oxigênio, argônio, gás
carbônico, neônio, hélio, hidrogênio, etc.

 TEMPERATURA:

• Distribuição horizontal  latitude
• Distribuição vertical  profundidade
– Camada de mistura  até cerca de 500m
– Termoclina  diminuição abrupta da temperatura
com a profundidade (500 a 1000m de espessura)
– Camada de fundo  temperatura diminui
lentamente (1 e 3ºC abaixo de 4.000 m)
• Distribuição sazonal

Distribuição horizontal da temperatura

Temperatura superficial dos oceanos

Distribuição vertical da temperatura

 SALINIDADE:
• Peso em gramas dos sais dissolvidos em 1 kg de
água do mar depois que todo o brometo tiver sido
substituído pelo cloreto, todo o carbonato for
convertido a óxido e toda a matéria orgânica for
destruída
• Água do mar = 96,5% de água pura + 3,5% de sais
• Variação em oceano aberto  34 a 37 (35) PSU
• Distribuição horizontal:
– Equador  menor (P > E)
– Trópicos  mais alta (E > P)
– Pólos  menor (degelo)

Distribuição horizontal da salinidade

Salinidade média anual superficial dos oceanos

Evaporação (E) e precipitação (P) em função da latitude e
salinidade superficial em função da latitude.

 DENSIDADE:
• Razão entre a massa e o volume de uma substância
(g/cm3)
• Oceano  média de 1025 g/cm3
• Depende da temperatura, da salinidade e da pressão
• Aumenta com o aumento da salinidade e com a
diminuição da temperatura

Distribuição global da densidade média anual à superfície (a)
e aos 500m de profundidade (b)

 PRESSÃO:
• É função do peso da coluna d’água, portanto da
profundidade e densidade
• Aumenta 1 atmosfera (atm) a cada 10 metros.

Distribuição vertical da temperatura, salinidade
e densidade no oceano

Clina  região de forte gradiente vertical
Picnoclina  separa a região superficial (camada de
mistura) do oceano profundo.

3.3 CORRENTES OCEÂNICAS E
MASSAS D’ÁGUA
 Os oceanos e a atmosfera são ambos fluídos e estão
em mútuo contato físico
 Há um balanço energético que transfere o calor (ou a
energia) recebido pelo equador para os pólos, através
da atmosfera e dos oceanos
 Este equilíbrio térmico é fator muito importante na
geração dos principais cinturões de vento e das
grandes correntes oceânicas no planeta
 Através das correntes marinhas, os oceanos também
levam energia do equador para os pólos, contribuindo
com 10% à 20% da distribuição de calor no planeta

Calor recebido do Sol e reirradiado
pela Terra em função da latitude

3.3.1 Pressão atmosférica
 Diferenças de temperatura causam diferenças de
pressão atmosférica
 Direção dos ventos: regiões de alta
(anticiclones)  baixa pressão (ciclones)

pressão

• Centros de baixa pressão  o ar se aquece,
torna-se mais leve e sobe
• Centros de alta pressão  o ar se resfria, tornase mais denso e desce

Produção
de
brisa
em
regiões costeiras causadas
por
diferenças
de
temperatura entre o dia e a
noite.

3.3.2 Força de coriolis
 Os ventos são defletidos ou desviados em forma de
curva devido à rotação da Terra;

Devido ao fenômeno de Coriolis, no Hemisfério Sul os ventos são
defletidos para a esquerda e no Hemisfério Norte a deflexão ocorre
para a direita.

3.3.3 Cinturões de vento
 Existem
na
atmosfera
feições
relativamente
permanentes:
• Centros de alta pressão  sobre os pólos e em
latitudes tropicais
• Centros de baixa pressão  em regiões equatoriais
e temperadas
 Esses gradientes de pressão geram três sistemas gerais
de ventos  principais responsáveis pelo equilíbrio de
calor no planeta:
• Ventos alísios  sopram do leste para o oeste entre
0º e 30º de latitude
• Ventos do oeste  sopram do oeste para o leste
entre 30º e 60º de latitude
• Vento do leste  sopram do leste para o oeste nas
regiões polares

Sistema de ventos para uma Terra hipoteticamente recoberta
inteiramente por oceanos, mostrando os maiores cinturões
de ventos e regiões de elevação e descida de ar.

Modelo de circulação atmosférica da Terra real, incluindo os
cinturões de ar, ventos e centros de alta e baixa pressão.

3.3.4 Correntes superficiais
 Os três sistemas de vento descritos geram, por atrito na
superfície do mar, as principais correntes superficiais
marinhas:

Correntes brasileiras

Principais correntes
superficiais que banham as
costas brasileiras

Convergência Subtropical
do Atlântico Sul

3.3.5 Massas d’água
 Grande porção de água com características físicas
(temperatura e salinidade), movimentos e origens
independentes:
• Águas de profundidade  altas latitudes
• Águas mais próximas à superfície  baixas
latitudes

Sistema de circulação
profunda
do Oceano Atlântico

Esquema da
distribuição vertical das
massas de água no sul
do Brasil

Ressurgência
O fenômeno da ressurgência ou upwelling é caracterizado pelo
afloramento de águas profundas, geralmente frias e ricas em
nutrientes, em determinadas regiões dos oceanos. Essas regiões têm,
em geral, alta produtividade primária e importância comercial para a
pesca.

Zonas de ressurgência de alta produtividade ocorrem onde os ventos
movimentam as águas da superfície para longe das plataformas
continentais.

Ressurgência Costeira de Cabo Frio
• Na região norte da plataforma continental entre Cabo Frio e Cabo de
Santa Marta, a orientação da linha costeira muda abruptamente de NE
–SW para E –W.
• Ocorre com maior frequência no verão
• A massa de água que aflora é a Água Central do Atlântico Sul (ACAS)

3.4 ONDAS
 São causadas pelos ventos, que no contato transferem
energia para a superfície da água
 As partículas de água movem-se em órbitas circulares,
que diminuem de diâmetro com a profundidade
 Movem-se apenas em sua forma, não impulsionam
massas de água  transportam energia, mas não a
água adjacente

Base da onda

Movimento orbital das partículas de água à medida que uma onda
avança.

Principais parâmetros

amplitude

• Crista  Porção mais superior da onda

• Vale  Depressão entre duas cristas (calha ou cava)
• Altura  Distância vertical entre a crista de uma onda e
a base do vale da onda adjacente
• Comprimento  Distância horizontal entre qualquer
ponto de uma onda e o ponto correspondente da
próxima onda

• Amplitude  Distância vertical máxima da superfície do
mar a partir do nível da água em repouso (metade da
altura)
• Agudez  Relação entre a altura e o comprimento da
onda
• Período  O tempo que leva para uma onda completar
um comprimento de onda para passar por um ponto
estacionário
• Velocidade  Velocidade na qual uma onda individual
avança sobre a superfície da água
• Base da onda 
movimentação da água

profundidade

máxima

de

 VELOCIDADE DA ONDA

• É função do comprimento
 DESENVOLVIMENTO DAS ONDAS NO MAR

• É complexo em águas profundas, sendo causado
principalmente por três fatores:
– Velocidade do vento
– Duração do vento
– Área de geração

Área de geração do vento. Ao sair desta área, as ondas
com pequenos comprimentos dão origem a ondas com
grandes comprimentos de onda.

Desenvolvimento total do mar  quando a velocidade
do vento persiste o bastante e tem suficiente área de
geração para produzir a máxima altura de onda.
 FORÇAS RESTAURADORAS  fazem retornar as
ondulações das ondas em nível normal do mar:
• tensão superficial  é insignificante, porém é a força
dominante para ondas pequenas (< 2cm de
comprimento)
• força da gravidade

 COMO AS ONDAS SE ROMPEM:
• Refração  função da diminuição da profundidade

Fenômeno da refração das ondas ao se aproximarem da linha
de costa. Esse fenômeno faz com que as ondas tendam a se
alinharem paralelas à costa.

Com a redução na profundidade  atrito das
partículas da água com o fundo  diminuição da
velocidade e do comprimento de onda e aumento da
altura.

• Profundidade de quebra  1,3 vezes a altura da onda
(onda de 1,5m deve quebrar-se quando a profundidade
atinja cerca de 2m);
Redução da velocidade
Redução do comprimento
Aumento da altura

Prof. < ½
comp. de
onda

Aproximação das ondas em uma praia.

Zonas da praia em função da hidrodinâmica

• Quebra em águas profundas:

Quando o ângulo da crista da onda alcança 120º e o
comprimento da onda excede sete vezes a altura, a
configuração da onda torna-se instável e ela se quebra.

Tipos de arrebentação

(em espiral)

(em derrame)

(em vagalhão)

• Tipos de arrebentação:
– Em derrame (ou deslizante)  Em praias muito
planas, as ondas se quebram lentamente a partir da
crista, continuando o processo por longas distâncias
enquanto se aproximam da praia.

Onda em derrame

– Em espiral (ou mergulhante)  Se a praia é
relativamente inclinada, a crista da onda se rompe com
relativa rapidez após enrolar-se em espiral (tubo).

Onda em espiral

– Em vagalhão (ou ascendente)  quando o fundo é
muito inclinado, a onda não se quebrará até que alcance
a praia (praias de tombo).

• Difração:

Concentração de ondas refratadas em
um promontório na ilha de costa (a) e
dissipação de ondas difratadas em
uma baía (b).

 TIPOS DE ONDAS
• Variação quanto ao comprimento e período:
– capilares  menores, com comprimento de poucos centímetros
e período de frações de segundos
– marés  maiores, cujo comprimento alcança a circunferência
da Terra com períodos de até 24 horas
– swell ou marulho  mais comuns; deslocam-se por milhares
de quilômetros; tornam-se muito uniformes, com grandes
comprimentos de onda e pequenas amplitudes; em oceano
aberto seu período situa-se em torno de 13 segundos
– Sea  muito irregular, com diversos períodos e várias direções;
encontra-se em locais onde são geradas.

Ondas capilares

Ondas swell

• TSUNAMI
– Onda gerada por distúrbios sísmicos;
– São ondas grandes e destrutivas em linhas de costa;
– Ocorrem principalmente em áreas de atividades
tectônicas  Oceano Pacífico;
– Características:
comprimento de onda  130 a 160 km (até 1000
km);
período  15 minutos a 2 horas;
velocidade  > 650 km/h até 890 km/h.

Duas possíveis situações que originam um tsunami:
deslizamento submarino(a) e movimentação de placas
tectônicas(b).

3.5 MARÉS
• São movimentos periódicos e verticais das águas
oceânicas, provocados pela atração da Lua e do Sol
sobre a Terra
• São fenômenos dos mais regulares e importantes do
meio marinho
• São as ondas mais longas dos oceanos
• Periodicidade:
– Duas preamares (maré enchente)
– Duas baixa-mares (maré vazante)
Mudança do nível da
água em um ponto da
Terra num período de
24 horas.

• Alternância no sentido das correntes
– Estofa de preamar  momento em que a maré está
alta e começa a descer
– Estofa de baixa-mar  momento em que a maré está
baixa e começa a subir.

• Alcance da maré:
– Macro-maré  > 4m (até 16m)
– Micro-maré  < 2m (S e SE do Brasil)
– Meso-maré  entre 2 e 4 m (litoral leste)

Sistema marés / declive praial

Macro-maré

Micro-maré

Amplitudes de maré na costa brasileira (Fonte:UERJ).
Linha pontilhada azul - limites de micro, meso, macro e hipermaré;
Linha vermelha contínua - faixas de latitude onde ocorrem as principais
mudanças.

 FUNCIONAMENTO

Forças envolvidas:
• Lei da Atração Gravitacional  força de atração entre
os astros (Lua e Sol)
• Força centrifuga  movimento Terra-Lua em torno de
um centro comum de massa.

• Tipos de marés:
Marés de sizígia  águas vivas;
Marés de quadratura  águas mortas.

Marés de sizígia

Marés de quadratura

 CLASSIFICAÇÃO
Três tipos:
– Maré diurna  uma preamar e uma
baixa-mar aproximadamente iguais em
cada dia lunar
– Maré semidiurna  (mais comum) duas
preamares
e
2
baixa-mares
aproximadamente iguais em cada dia
lunar
– Maré mista  duas preamares e duas
baixa-mares de diferenças significativas
de altura

• Marés no Brasil:
– Predominantemente semidiurnas
– Semidiurnas com desigualdades  SE a S
– Mistas  extremo sul
– Amplitude da maré  0,5m (S) a 7m (N); ocorrência
máxima  12m (Ilha de Maracá-AP)
– Regime predominante  meso-maré

 PREVISÃO:
• Horário e amplitude  modificações no ritmo devido a:
– Forma da bacia
– Posição relativa da lua e do sol
– Distância dos dois astros em relação à Terra e suas
declinações
• Marégrafo  equipamento para registro da altura da
maré em determinado ponto

• Tábua de marés (DHN)  são calculadas as previsões
das marés com horas e alturas das preamares e baixamares.

MARÉGRAFOS

 NÍVEL DO MAR:
• Variação em função de: marés; ventos; pressão
atmosférica; movimentos verticais da crosta, etc.
PSMSL  Serviço Permanente para o Nível do Mar
(Inglaterra)
INPH  Instituto de Pesquisas Hidroviárias
BNDO  Banco Nacional de Dados Oceanográficos
(DHN)
PBMNM  Programa Brasileiro para o Monitoramento do
Nível do Mar (Sociedade Brasileira de Cartografia)

Distribuição das estações permanentes, onde são feitas as medições do
nível relativo do mar, em forma de séries de tempo, ao longo de todos os
continentes e ilhas do globo, colecionadas pelo Serviço Permanente para o
Nível do Mar (PSMSL), serviço criado em 1933 pela Associação
Internacional para a Física dos Oceanos (IAPSO).

Variações recentes do nível médio do mar em 23
marégrafos localizados em ambientes geológicos
estáveis.

Curvas de flutuações de nível
relativo do mar de 7.000 anos
A.P. até hoje, construídas
através de indicadores
diversos (geológicos,
biológicos e pré-históricos)
para vários setores do litoral
brasileiro (SUGUIO et al.,
1985ª)