A judicialização da política de assistência farmacêutica no DF se inicia com

ações por medicamentos antiretrovirais, impetradas por pacientes de aids
contra o SUS-DF, nos anos finais da década passada, cujo julgamento
conformou a jurisprudência sobre a matéria, que se consolidou. A partir de
2001, ela alcançou um número crescente e diversificado de medicamentos
incluindo, principalmente, aqueles para a atenção básica e de média
complexidade. A política de assistência farmacêutica implementada pelo
sistema público de saúde no Distrito Federal foi profundamente afetada, nos
primeiros anos da década, pela intervenção do Poder Judiciário. As principais
alterações promovidas consistiram na ampliação de cobertura; na
redefinição de prioridades – em decorrência do necessário remanejamento
de recursos para atendimento das demandas judiciais; e na limitação da
adoção e do emprego de determinados instrumentos e processos técnicos –
como a seleção/padronização de medicamentos e a adoção de protocolos
clínico-terapêuticos, entendidos pelos julgadores como meras tratativas
burocratizantes. A insuficiência da atenção à saúde prestada no âmbito do
SUS-DF – e não apenas da assistência farmacêutica – é, provavelmente,
importante fator explicativo do aumento das demandas judiciais.
O crescente aumento de demandas judiciais, para fins de atendimento do
artigo 196 da Constituição Brasileira, se faz necessário devida a ineficiência
da prestação dos serviços de saúde pelos entes Públicos, principalmente o
SUS.
Embora se tenha vivenciado arrecadações recordes, observa-se a falta ou
má aplicação dos recursos públicos, para a concretização das políticas em
relação ao SUS.
Mesmo considerando as dimensões regionais haveria de padronizar o
modelo, de forma que o estado fiscalizasse a aplicação das verbas, assim
que fossem disponibilizadas aos programas, não após anos através de
denúncias ou descobrimento de fraudes, onde o prejuízo já foi causado e a
população privou-se do serviço, isso cabe também à sociedade civil, pois o
dever de fiscalizar não é restrito somente ao estado.
Agravam-se a esses fatores o interesse financeiro de entidades privadas,
que ficam com as partes rentáveis do sistema, como por exemplo, o de
diagnósticos, beneficiando a formalização, ou seja, o comercio de
medicamentos, quando se poderia investir em prevenção que ao final
reduziria e aumentaria os recursos para aplicar nas políticas sociais do
sistema.
Essa ineficiência do estado possibilitou o aumento significativo de cidadãos
marginalizados, que exigem maior demanda de direitos dos serviços
públicos, os quais não são capazes atender conforme a Constituição.
Assim sendo o direito à saúde do cidadão e o dever do estado em cumpri-lo,
passa por uma restruturação no modelo de gestão para a distribuição e
fiscalização de recursos, através de políticas eficientes que atendam ao
interesse público ao invés do político partidário, principalmente em
programas que visem à prevenção, pois o modelo atual mostra-se incapaz e
injusto com os que mais necessitam dos serviços, que por lei são
garantidos, privilegiando os usuários das entidades privadas.