BC0003 - Bases Matem´aticas - Armando Caputi e Daniel Miranda

Armando Caputi e Daniel Miranda

Pr
el

im
in
ar

Notas de aula - vers˜ao preliminar

BC0003 - Bases Matem´aticas

Ve
rs
a˜ o

UFABC - Universidade Federal do ABC
Santo Andr´e
http://hostel.ufabc.edu.br/˜daniel.miranda

Vers˜ao compilada em: 26 de maio de 2010

Escrito em LATEX.

BC0003 - Bases Matem´aticas - Armando Caputi e Daniel Miranda

´ RIO
SUMA

iii

S´ımbolos e notac¸oes
˜ gerais

vii

im
in
ar

Apresentac¸a˜ o

1 Elementos de Logica
e Linguagem Matem´atica
´
1.1 Proposic¸oes
1
˜
1.1.1 Proposic¸oes Universais e Particulares
1.1.2 Proposic¸oes
˜ Compostas: e, ou, n˜ao
1.1.3 Implicac¸a˜ o
12
1.2 Demonstrac¸oes
16
˜
1.2.1 Inferˆencias
18
1.2.2 M´etodos de Demonstrac¸a˜ o
20
29

2

8

Pr
el

2 Generalidades sobre Conjuntos
2.1 Conceitos b´asicos
29
2.2 Relac¸oes
31
˜ elementares
2.3 Operac¸oes
33
˜

1

Ve
rs
a˜ o

3 Conjuntos Num´ericos
41
3.1 Numeros
naturais, inteiros e racionais
41
´
3.1.1 Soma e multiplicac¸a˜ o
41
3.1.2 Potenciac¸a˜ o
42
3.2 Princ´ıpio de Induc¸a˜ o Finita
43
3.3 Numeros
reais
49
´
3.3.1 Apresentac¸a˜ o axiom´atica dos numeros
reais
´
3.3.2 Potenciac¸a˜ o de numeros
reais
58
´
3.3.3 Representac¸oes
reais
60
˜ dos numeros
´
3.3.4 O Plano Cartesiano
64
3.3.5 Valor absoluto de um numero
real
65
´
3.3.6 Topologia da reta
68
4 Complementos sobre Conjuntos
4.1 Familias de Conjuntos
73
4.1.1 Sobre ´ındices
73

50

73

i

BC0003 - Bases Matem´aticas - Armando Caputi e Daniel Miranda

4.1.2

Operac¸oes
˜ com fam´ılias de conjuntos

74

´Indice Remissivo

Ve
rs
a˜ o

Pr
el

im
in
ar

77

ii

BC0003 - Bases Matem´aticas - Armando Caputi e Daniel Miranda

˜O
A P R E S E N TA C
¸A

im
in
ar

O curso de Bases Matem´aticas nasceu da necessidade de suprir algumas dificuldades
recorrentemente apresentadas por uma parcela significativa dos nossos alunos nesses
primeiros anos do Bacharelado em Ciˆencia e Tecnologia da UFABC. Trata-se, essencialmente, de dificuldades conceituais e de dificuldades advindas de uma formac¸a˜ o mais
voltada ao treinamento, t´ıpica do ensino m´edio.

Pr
el

Quando falamos em dificuldades conceituais, a primeira coisa que vem em mente e´ o
desconhecimento de conceitos b´asicos desenvolvidos no ensino m´edio. Esse e´ , evidentemente, um dos problemas verificados, mas n˜ao e´ o principal (mesmo porque a ignorˆancia
e´ facilmente suprida com o estudo). H´a outras dificuldades conceituais ainda mais essenciais e que devem merecer nossa atenc¸a˜ o, tanto dos docentes quanto, principalmente,
dos alunos. Para ficar no aˆ mbito da Matem´atica, essas dificuldades podem ser resumidas como segue:
• desconhecimento de regras b´asicas da a´ lgebra

• mau uso (ou at´e mesmo incompreens˜ao) da linguagem matem´atica
• fragilidade do racioc´ınio logico
´

Ve
rs
a˜ o

A primeira dessas dificuldades envolve desde o desconhecimento de conceitos alg´ebricos,
at´e a manipulac¸a˜ o erronea
de expressoes
m´agicas e
ˆ
˜ alg´ebricas atrav´es de “operac¸oes”
˜
mirabolantes que podem aliviar momentaneamente a ansiedade de encontrar uma resposta ao problema em quest˜ao, mas que, infelizmente, n˜ao fazem sentido algum.
A incompreens˜ao da linguagem matem´atica se d´a nos dois sentidos: ao ler um texto matem´atico e ao tentar expressar uma id´eia matem´atica. Ao inv´es de ser vista como uma
l´ıngua, com sua propria
sint´atica e sua propria
semˆantica, a linguagem matem´atica e´ em
´
´
geral tratada como um conjunto confuso de s´ımbolos misteriosamente combinados. O
que acaba prevalecendo e´ algo do tipo “fac¸a desse jeito que funciona”, o que, na maioria
das vezes, n˜ao funciona.
O racioc´ınio logico
e´ a espinha dorsal de qualquer ciˆencia, particularmente da Ma´
´
tem´atica. E o que nos garante a confiabilidade de conclusoes
˜ que tiramos a partir de

n˜ao possui todos os t´ıtulos necess´arios para esse curso. na reproduc¸a˜ o de m´etodos e algoritmos para resolver determinados problemas. ´ im in ar Al´em das dificuldades de tipo conceitual. Sem preju´ızo do salutar h´abito de se consultar ampla bibliografia.Bases Matem´aticas . Pergunte-se com frequˆencia: sei explicar isso? Enquanto n˜ao souber. Desde os primeiros cursos. aquela do senso comum (se e´ que podemos chamar de l´ogica uma mera concatenac¸a˜ o de id´eias mais ou menos claras inspiradas na experiˆencia individual e coletiva). Pr el A passagem do “treinamento” para a “autonomia” e´ uma das mais dif´ıceis de serem transpostas. motiva a redac¸a˜ o destas notas. mas para colocar a superac¸a˜ o dessas dificuldades (ou. parte dos esforc¸os devem ser voltados ao proprio m´etodo de estudo e a` postura que se tem ´ diante dos conhecimentos aprendidos. essa logica e´ insuficiente para fins cient´ıficos. em um futuro n˜ao muito distante. assim como de qualquer a´ rea profissional que requer autonomia e criatividade de quem nela atua. mas muitas delas. Infelizmente. como o de Bases Matem´aticas. Isso. adotar inumeros li´ vros como referˆencias principais deste curso nos pareceu fora de proposito nesse mo´ mento inicial da vida acadˆemica. n˜ao e´ para criar algum tipo de desconforto inicial ou inseguranc¸a. E´ bem verdade que cada um dos topicos tratados nesse ´ curso pode ser encontrado em algum bom livro. A logica que vem na bagagem do aluno do ensino m´edio ´ e´ .BC0003 . E´ importante ter em mente que esta e´ uma vers˜ao apenas preliminar de um texto que pretende vir a ser. os primeiros passos para tal superac¸a˜ o) como um dos objetivos prim´arios deste curso. mas n˜ao de forma coesa e conjunta. ainda em formac¸a˜ o. mais realisticamente. Se chamamos a atenc¸a˜ o para essas dificuldades. isto e´ . neste primeiro iv . uma das principais referˆencias bibliogr´aficas para este curso.Armando Caputi e Daniel Miranda fatos previamente conhecidos. ainda mais tratando-se de topicos t˜ao elementares. Isso induz uma atitude passiva do estudante diante do conhecimento. h´a as dificuldades decorrentes de um ensino secund´ario muito centrado no treinamento. Por isso deixamos aqui um convite expresso para que se dˆe particular atenc¸a˜ o a esse processo. Ve rs a˜ o Sobre estas notas O principal objetivo destas notas e´ suprir a falta de bibliografia espec´ıfica para um curso como o de Bases Matem´aticas. ´ aliado ao fato de que nossa biblioteca. n˜ao se dˆe por satisfeito. em geral. uma postura incompat´ıvel com os objetivos do ensino superior. H´a ainda muitas lacunas.

BC0003 . ´ e´ importante que se diga. Ve rs a˜ o Pr el im in ar Diante do exposto. v . Principalmente. as entrelinhas estejam repletas de premissas e princ´ıpios dessa natureza.Armando Caputi e Daniel Miranda momento. Simplesmente. ser˜ao preenchidas em sala de aula. quanto dos profes˜ sores dessa disciplina que optarem por usar total ou parcialmente estas notas. H´a tamb´em uma certa carˆencia de estilo ou at´e mesmo de algum tipo de escolha de formatac¸a˜ o est´etica e/ou funcional. embora. tanto por parte dos alunos do curso de Bases Matem´aticas. os autores vˆeem com muitos bons olhos o apontamento de cr´ıticas e sugestoes. ainda n˜ao e´ o momento para uma estruturac¸a˜ o desse tipo.Bases Matem´aticas . n˜ao h´a nenhuma estruturac¸a˜ o expl´ıcita de natureza did´atico-pedagogica.

Bases Matem´aticas .Ve rs a˜ o Pr el im in ar BC0003 .Armando Caputi e Daniel Miranda .

e somente se portanto pois tal que definic¸a˜ o (o termo a` esquerda de := e´ definido pelo termo ou express˜ao a` direita) id est (em portuguˆes.e.Bases Matem´aticas .  : : existe qualquer que seja ou para todo(s) implica se.BC0003 .Armando Caputi e Daniel Miranda ˜ ES GERAIS S ´I M B O L O S E N O TA C ¸O i. isto e´) indica o final de uma demonstrac¸a˜ o Pr el : : : : : : : : Ve rs a˜ o ∃ ∀ ⇒ ⇔ ∴ ∵ | := im in ar Ao longo do curso ser˜ao adotados os seguintes s´ımbolos e notac¸oes ˜ (sem preju´ızo de outros s´ımbolos e notac¸oes ˜ que ir˜ao sendo introduzidos ao longo destas notas): .

Alguns desses princ´ıpios s˜ao apresentados na sec¸a˜ o 1. Esse e´ um dos objetivos desse capitulo.2 As seguintes frases s˜ao exemplos de proposic¸oes.nem mais nem menos. ela significa exatamente o que eu quiser que ela signifique . Exemplos 1. em tom bastante desdenhoso. e mesmo de explicac¸a˜ o. • “A func¸a˜ o f(x) = −x e´ uma func¸a˜ o crescente”.BC0003 . ˜ Definic¸a˜ o 1. Tamb´em a concepc¸a˜ o de argumento. na qual os termos possuem significados precisos e muitas vezes distintos do usual. ˜ • “2 + 5 = 7”. 1 . Nesse caso. Comec¸aremos definindo as frases mais simples de nossa linguagem: as proposic¸oes.” Atrav´es do Espelho . temos um exemplo de uma proposic¸a˜ o falsa. mas n˜ao simultaneamente ambas. Assim e´ necess´ario que conhec¸amos o sentido de alguns termos e expressoes ˜ matem´aticas. para ser correto. disse Humpty Dumpty. princ´ıpios que garantam a confiabilidade do ´ conhecimento matem´atico. ao apresentar de modo sucinto e intuitivo os aspectos fundamentais da linguagem matem´atica. enfatizando principalmente aqueles termos que s˜ao usados em contextos e com significados diversos daqueles em que costumamos empreg´a-los normalmente.Armando Caputi e Daniel Miranda 1 ´ G I C A E L I N G U A G E M M AT E M A ´ TICA ELEMENTOS DE LO im in ar “Quando eu uso uma palavra. deve seguir princ´ıpios estritos de logica. de justificativa. Mas n˜ao e´ somente o vocabul´ario e a linguagem que s˜ao distintos na matem´atica. Um argumento matem´atico.2.Bases Matem´aticas .1 proposic ¸o Pr el A matem´atica utiliza uma linguagem espec´ıfica.1 Uma proposic¸a˜ o e´ uma sentenc¸a declarativa que e´ verdadeira ou falsa. tamb´em conhecido como demonstrac¸a˜ o ou prova.Lewis Carroll Ve rs a˜ o ˜ es 1.

ou ainda. Note. Essa frase pode ser vista como uma proposic¸a˜ o desde que especifiquemos precisamente o que significa quente. Ve rs a˜ o Pelos exemplos anteriores deve ser claro o fato de uma sentenc¸a poder ser vista como uma proposic¸a˜ o depende do contexto. Exemplos 1. No que se segue denotaremos uma proposic¸a˜ o qualquer por p. Dentro desse contexto. etc. 1.1 Proposi¸coes Universais e Particulares Em diversas situac¸oes ˜ precisamos que o “sujeito“ das proposic¸oes ˜ seja uma vari´avel que possa ser substitu´ıda por um elemento qualquer dentre uma colec¸a˜ o de objetos U em considerac¸a˜ o. como por exemplo se definirmos que est´a quente se a temperatura e´ maior que 26o C. O conjunto U neste caso ser´a denominado universo do discurso.1. que esse n˜ao e´ o uso cotidiano da frase. uma sensac¸a˜ o e nesse sentido n˜ao e´ uma proposic¸a˜ o. por´em. Assim. ˜ ou n˜ao podemos atribuir um unico ´ • “Como vocˆe est´a?”. dom´ınio de discurso . n˜ao havendo outra possibilidade (esse ultimo fato e´ conhecido como Princ´ıpio do Terceiro ´ Exclu´ıdo). porque ou n˜ao s˜ao declarac¸oes valor verdadeiro ou falso. verdadeiro ou falso. as proposic¸oes ˜ devem ser suficientemente claras e objetivas para que possamos atribuir um e somente um valor verdade. Essa frase n˜ao pode ser verdadeira pois isto implicaria que ela e´ falsa. 2 . x < 3”. por exemplo. q. E´ uma proposic¸a˜ o pois apesar de n˜ao ser f´acil decidir se a proposic¸a˜ o e´ verdadeira ou falsa.BC0003 . E n˜ao pode ser falsa pois implicaria que e´ verdadeira. A definic¸a˜ o inicial do que e´ uma proposic¸a˜ o tem consequˆencia importantes para a matem´atica: todas as afirmac¸oes ˜ matem´aticas ser˜ao necessariamente verdadeiras ou falsas. x e´ a vari´avel e R e´ o universo do discurso.Armando Caputi e Daniel Miranda 9876 • “225 + 34576 e´ primo”. pois somente assim podemos atribuir um valor de verdade a frase.3 Nenhuma das frases seguintes e´ uma proposic¸a˜ o.e. i.Bases Matem´aticas . claramente so´ uma dessas opc¸oes ˜ pode ocorrer. r. O uso cotidiano expressa uma impress˜ao. im in ar • “Vamos danc¸ar!” • “Esta sentenc¸a e´ falsa”. na sentenc¸a “x ∈ R. Pr el • “Est´a quente hoje”.

∃x ∈ R | q(x).. com a 6= 0.5 • O conjunto verdade de p(x) =”x e´ primo e 3 < x < 14” e´ {5. Ou ainda. 2} Ve rs a˜ o Atrav´es de proposic¸oes ˜ abertas podemos fazer afirmac¸oes ˜ sobre todos os elementos de um conjunto usando o quantificador universal ∀ que e´ lido como “para todo”ou ”qualquer que seja”. p(x. . 11.e. p(n). se denotarmos como q(x) = “ax + b = 0 ′′ podemos reescrever a afirmac¸a˜ o anterior como: Se a 6= 0. Note que o valor verdade de uma proposic¸a˜ o aberta depende do valor atribu´ıdo a` vari´avel x.Bases Matem´aticas . 3 .BC0003 . que e´ lido como “existe”. Definic¸a˜ o 1. 2n + 1 e´ ´ımpar ou ainda como ∀n ∈ N. q(x). Exemplos 1. Elas s˜ao indicadas por uma letra seguida da vari´avel ou das vari´aveis entre parˆenteses. Desta forma a proposic¸a˜ o “a equac¸a˜ o linear ax + b = 0. admite soluc¸a˜ o real” pode ser escrita como : Se a 6= 0. y). Tamb´em e´ poss´ıvel fazer afirmac¸oes ˜ sobre a existˆencia de um elemento de um conjunto usando o quantificador existencial ∃.4 O conjunto dos valores de x para os quais a proposic¸a˜ o aberta p(x) verdadeira e´ denominado conjunto verdade de p(x). Assim a proposic¸a˜ o “para todo numero natural n temos que 2n + 1 e´ ´ımpar” pode ser ´ escrita como ∀n ∈ N. ∃x ∈ R | ax + b = 0. p(x). Se x = 2 ent˜ao p(2) =“2 < 3” tem valor verdade verdadeiro. 7.. por outro lado se considerarmos x = 4 temos que p(4) =“4 < 3 ” tem valor verdade falso. i. im in ar Assim temos por exemplo a func¸a˜ o proposicional p(x) =“x < 3”. sendo que p(n) denota a proposic¸a˜ o aberta “2n + 1 e´ ´ımpar”. 13} Pr el • O conjunto verdade de p(x) =”x e´ real e x2 + 1 = 5” e´ {−2.Armando Caputi e Daniel Miranda ˜ Proposic¸oes ˜ que dependam de uma ou mais vari´aveis s˜ao denominadas proposic¸oes abertas.

nos reais. | : Se a 6= 0. Vejamos alguns exemplos. e´ dita particular . ´ 5. 11. 10. “n < n + 1 ∀ n ∈ N” e´ uma proposic¸a˜ o universal. 9. Algumas observac¸oes ˜ importantes: • O fato de uma proposic¸a˜ o ser universal ou particular n˜ao tem nenhuma relac¸a˜ o com o fato de ser verdadeira ou falsa. que se lˆe “existe e e´ unico x tal que p(x)”. 6. ´ ´ Assim por exemplo. No que se segue. ´ Pr el 4. ´ 1. “Nenhum numero natural e´ primo” e´ uma proposic¸a˜ o universal. ∃xq(x) im in ar Ressaltamos que ∃x | p(x) significa que existe pelo menos um elemento no dom´ınio de discurso tal que para esse elemento vale p(x). “H´a numeros naturais pares” e´ uma proposic¸a˜ o particular. “O quadrado de todo numero natural e´ maior do que 4” e´ uma proposic¸a˜ o univer´ sal. “∃n ∈ N | n2 = n” e´ uma proposic¸a˜ o particular. uma proposic¸a˜ o e´ dita universal se faz referˆencia a todos os objetos do universo U. assuma que o universo e´ o conjunto dos numeros naturais. ´ 3. deixando subentendido o dom´ınio do discurso e o s´ımbolo de tal que. 4 . “O numero 2 e´ par” e´ uma proposic¸a˜ o particular. Caso contr´ario. “Todos os numeros naturais s˜ao ´ımpares” e´ uma proposic¸a˜ o universal. Ve rs a˜ o 7. “H´a numeros naturais cujo dobro ainda e´ um numero natural” e´ uma proposic¸a˜ o ´ ´ particular. Nesse contexto. pois equivale a ´ dizer que ”todo numero natural tem a propriedade de n˜ao ser primo. ´ 2. ∃!x ∈ R | (x − 1) = 0. denotaremos esse fato por ∃!x | p(x).Armando Caputi e Daniel Miranda Ou de modo mais resumido. “Ao menos dois numeros naturais s˜ao pares” e´ uma proposic¸a˜ o particular. Em diversas situac¸oes ˜ esse elemento e´ unico. “Todo numero natural e´ maior ou igual do que o numero natural 0” e´ uma proposic¸a˜ o ´ ´ universal. ´ 8.Bases Matem´aticas . “O numero natural 0 e´ menor ou igual do que qualquer numero natural” e´ uma ´ ´ proposic¸a˜ o particular. denotado por N.BC0003 .

Neste caso 1 e´ um exemplo. Por outro lado. m2 − m + 41 e´ primo. e´ que a proposic¸a˜ o se refere a alguns numeros. ´ • A proposic¸a˜ o do exemplo 5 e´ particular. O que importa. (n + 1)2 e´ ´ımpar”. pois 41 ∈ N e 412 − 41 + 41 = 412 n˜ao e´ primo. ´ Exemplos e Contra-exemplos Exemplos 1. ´ 5 . Neste caso o numero 2 e´ um exemplo dessa proposic¸a˜ o. a proposic¸a˜ o do exemplo 8 afirma uma propriedade do numero 0 e por isso e´ particular. 3. Um contra-exemplo para essa proposic¸a˜ o e´ um elemento do universo U que n˜ao satisfaz a propriedade p.6 Pr el Quando lidamos com proposic¸oes ˜ universais. pois refere-se a alguns numeros naturais. Ve rs a˜ o 2. entram em cena os exemplos e contra-exemplos. sob ´ o ponto de vista formal. im in ar • As proposic¸oes ˜ dos exemplos 8 e 9 acima dizem a mesma coisa. Pode-se verificar facilmente que todos os numeros ´ naturais entre 1 e 40 s˜ao exemplos dessa afirmac¸a˜ o. Um exemplo para essa proposic¸a˜ o e´ um elemento do universo U que satisfaz a propriedade p. 1. ´ ´ enquanto que o numero 2 e´ um contra-exemplo. pois ´ n˜ao pertence ao dom´ınio de discurso. Considere a proposic¸a˜ o “para todo n ∈ N par. pois 2 ∈ N ´ 2 e 2 − 2 + 41 = 43 e´ primo. ´ 4. Considere uma proposic¸a˜ o universal do tipo todo elemento de U satisfaz a propriedade p. n˜ao a ´ todos. Entretanto.BC0003 .Bases Matem´aticas . que 0 e´ o menor dos numeros naturais (de fato. Para todo m ∈ N. O numero 2 tamb´em e´ um exemplo.Armando Caputi e Daniel Miranda • A proposic¸a˜ o do exemplo 4 e´ particular. nesse caso. pois est´a no dom´ınio do discurso e ´ 2 (2 + 1) = 9 e´ impar. que a proprie´ dade universal alegada pela proposic¸a˜ o e´ n˜ao ser primo). ´ ´ enquanto que o numero 3 e´ um contra-exemplo (lembre. enquanto a proposic¸a˜ o do exemplo 9 afirma uma ´ propriedade de todos os numeros naturais (por isso e´ universal). O numero 4 e´ um exemplo para a proposic¸a˜ o ”Nenhum numero natural e´ primo”. 5. mesmo se e´ satisfeita por todos os numeros ´ naturais. s˜ao ambas verdadeiras). O numero 5 e´ um exemplo para a proposic¸a˜ o ”Todo numero natural e´ ´ımpar”. J´a o numero 3 n˜ao e´ nem exemplo nem contra-exemplo. 41 e´ contraexemplo. isto e´ . O numero 8 e´ um exemplo para a proposic¸a˜ o ”O quadrado de todo natural e´ maior ´ do que 4”. enquanto que o numero 1 e´ um contra-exemplo. pois 1 ∈ N e 12 − 1 + 41 = 41 e´ primo.

este m´etodo de demonstrac¸a˜ o so´ se aplica a conjuntos finitos e e´ denominado m´etodo de demonstrac¸a˜ o por exaust˜ao. 1. para que essas afirmac¸oes sejam verdadeiras. Vide as proposic¸oes ˜ do exemplo anterior: cada uma delas afirmava que uma propriedade se aplicava a um numero infinito de elementos e assim ´ n˜ao podem ser demonstradas por exaust˜ao. se o dom´ınio de discurso tiver mais que um elememento.Armando Caputi e Daniel Miranda 6. Essa e´ uma das maneiras mais simples de provar que uma afirmac¸a˜ o dessa forma e´ falsa. p(x)”.Bases Matem´aticas . Ex. podemos tentar ve´ rificar um a um que cada elemento e´ um exemplo. mas n˜ao possui exemplos. que admite contra-exemplos e´ falsa. De modo an´alogo. chamaremos esse elemento de exemplo da proposic¸a˜ o.1 — Transcreva as seguintes proposic¸oes ˜ para a forma simbolica: ´ a) Existe um numero real x tal que x2 = 2. ´ 6 . A proposic¸a˜ o “Todo numero natural e´ maior ou igual a zero” possui inumeros ´ ´ exemplos. 7. atrav´es de um contra-exemplo. Por outro lado. a existˆencia de exemplo n˜ao implica na verdade uma afirmac¸a˜ o da forma “para todo x em U. J´a uma afirmac¸a˜ o da forma “existe x em U | p(x)” e´ verdadeira se existir pelo menos um elemento x no dom´ınio do discurso U tal que para esse elemento a proposic¸a˜ o p(x) e´ verdadeira. Ve rs a˜ o Pr el im in ar Uma proposic¸a˜ o universal. Ressaltamos por´em que para a maior partes das proposic¸oes ˜ universais esse m´etodo geralmente n˜ao se aplica. A proposic¸a˜ o “Todo numero natural e´ menor que zero” possui inumeros contra´ ´ exemplos.BC0003 .1: Comportamento geral do valor verdade de uma proposic¸a˜ o quantificada em func¸a˜ o da existˆencia/inexistˆencia de exemplos ou contraexemplos Exerc´ıcios. Pois. existem exemplos n˜ao existem exemplos existem contraexemplos n˜ao existem contraexemplo “para todo“ inconclusivo inconclusivo falsa verdadeira ∀ ”existe“ ∃ verdadeira falsa inconclusivo inconclusivo Tabela 1. mas n˜ao possui contra-exemplos. todos os poss´ıveis elementos do ˜ dom´ınio devem satisfazer p(x). No caso em que o numero de elementos do discurso e´ pequeno. proposic¸oes ˜ sobre existˆencia podem ser demonstradas exibindo um exemplo. E assim.

b) Todas as letras da palavra “banana” s˜ao vogais.2 — Para todas as afirmac¸oes natural. se existirem. Ve rs a˜ o d) Para todos numeros naturais pares m. x + 1 > 2. existe δ(ǫ) tal que se < 0 |x − a| < δ ent˜ao |f(x) − f(l))| < ε. 1.BC0003 .Armando Caputi e Daniel Miranda b) N˜ao existe numero racional x tal que x2 = 2. ´ Ex. temos que n + m e´ par. n denota um numero ´ conjunto verdade das seguintes afirmac¸oes: ˜ a) n2 < 12 b) 3n + 1 < 25 c) 3n + 1 < 25 e n + 1 > 4 d) n < 5 ou n > 3 e) n e´ primo e n˜ao e´ verdade que n > 17 Pr el f) (n − 2)(n − 3)(n − 4)(n − 5) = 0 Ex. 1. n.Bases Matem´aticas . para as seguintes afirmac¸oes: ˜ a) Para todo x ∈ R. ´ c) Existe um numero natural n tal que n2 e´ par e divis´ıvel por 3. O universo de discurso em todos os casos e´ os numeros naturais. im in ar g) Todo elemento de um conjunto A e´ elemento do conjunto B. Ex. Determine o ˜ a seguir.3 — Dˆe exemplos ou contra-exemplos. d) N˜ao existe numero inteiro m tal que m2 e´ um numero ´ ´ e) Para cada numero real x existe um numero real y tal que x + y = 0. ´ primo ou m2 e´ negativo.4 — O que as seguintes afirmac¸oes ˜ significam? Elas s˜ao universais ou particulares? Elas s˜ao verdadeiras? Dˆe exemplos e contra-exemplos quando poss´ıvel. ´ a) ∀x∃y(x < y) b) ∃y∀x(x < y) c) ∃x∀y(x < y) d) ∀y∃x(x < y) e) ∃x∃y(x < y) f) ∀x∀y(x < y) 7 . c) Para todo x ∈ R. ´ ´ f) Para todo ǫ. 1. x2 < x.

n˜ao im in ar c) ∃y∃z(y + z = 100) Podemos expandir nossa linguagem construindo novas proposic¸oes ˜ atrav´es da combinac¸a˜ o de proposic¸oes ˜ mais simples de modo a obter proposic¸oes ˜ mais elaboradas.BC0003 . o sentido usual da express˜ao “Pedro estava estudando ou Pedro estava numa festa” n˜ao inclui a possibilidade que ele estivesse estudando numa festa. 8 . Caso contr´ario o valor verdade de p e q e´ falso.2 Proposi¸c˜oes Compostas: e. por exemplo. e´ falsa somente quando ambas as proposic¸oes ˜ p e q forem falsas. Por outro lado o sentido da conjunc¸a˜ o e se aproxima do sentido usual do “e” em portuguˆes. em matem´atica o conectivo ou e´ sempre usado de modo inclusivo. assim a proposic¸a˜ o p e q e´ verdadeira somente quando ambas as proposic¸oes ˜ p e q forem verdadeiras. A disjunc¸a˜ o p ou q e´ verdadeira quando pelo menos uma das proposic¸oes ˜ p ou q forem verdadeiras. Faremos a combinac¸a˜ o de proposic¸oes ˜ atrav´es de conectivos. dentre os quais “e”.7 Dadas duas proposic¸oes ˜ p. enquanto que o conectivo ou em matem´atica inclui essa possibilidade.1. ou. Ve rs a˜ o • a proposic¸a˜ o composta p e q e´ chamada conjunc¸a˜ o das proposic¸oes p e q. q: • a proposic¸a˜ o composta p ou q e´ chamada disjunc¸a˜ o de p e q. “ou” e “implica” e do modificador “n˜ao”. ´ a) ∀x∃y(2x − y = 0) b) ∃y∀x(2x − y = 0) 1. pela definic¸a˜ o anterior. 1. Assim. Ou seja.5 — O que as seguintes afirmac¸oes ˜ significam? Elas s˜ao verdadeiras? Dˆe exemplos e contra-exemplos quando poss´ıvel. Desta forma o uso do conectivo ou em matem´atica n˜ao e´ o mesmo que o uso cotidiano do termo.Bases Matem´aticas . Caso contr´ario o valor verdade de p ou q e´ falso. A proposic¸a˜ o p ou q. O universo de discurso em todos os casos e´ os numeros naturais.Armando Caputi e Daniel Miranda Ex. Pr el Definic¸a˜ o 1. A ˜ conjunc¸a˜ o p e q e´ verdadeira somente quando as proposic¸oes ˜ p e q forem ambas verdadeiras.

denotada n˜ao p e que pode ser lida como “n˜ao p” ou “n˜ao e´ verdade p”. im in ar A seguinte proposic¸a˜ o nos diz como negar a conjunc¸a˜ o e a disjunc¸a˜ o de duas proposic¸oes. • A negac¸a˜ o da proposic¸a˜ o “x e´ maior que 2 ou x e´ menor igual que −1 ” e´ a proposic¸a˜ o “ x e´ menor igual a 2 e x e´ maior que −1.9 • A negac¸a˜ o da proposic¸a˜ o Pr el 3. • A negac¸a˜ o da proposic¸a˜ o “b e´ soma de quadrados ou b e´ primo” e´ a afirmac¸a˜ o que “b n˜ao e´ soma de quadrados e b n˜ao e´ primo”. ˜ Negac¸a˜ o da Disjunc¸a˜ o e da Conjunc¸a˜ o e Dupla Negac¸a˜ o Sejam p. • A negac¸a˜ o da proposic¸a˜ o “x e´ ´ımpar” e´ a afirmac¸a˜ o “x n˜ao e´ impar”. • A negac¸a˜ o da proposic¸a˜ o “x e´ divis´ıvel por 2 ou 3” e´ “x n˜ao e´ divis´ıvel por 2 e x n˜ao e´ divis´ıvel por 3”. chamada de negac¸a˜ o de p. Ent˜ao s˜ao v´alidas as seguintes regras de negac¸a˜ o ˜ 1. q proposic¸oes. 2. a negac¸a˜ o de p e´ uma proposic¸a˜ o com valor verdade invertido. Exemplos 1. A negac¸a˜ o da proposic¸a˜ o n˜ao p e´ p. ou equivalentemente “x e´ par” √ √ • A negac¸a˜ o da proposic¸a˜ o “ 2 n˜ao e´ racional” e´ “ 2 e´ racional” Ve rs a˜ o • A negac¸a˜ o da proposic¸a˜ o “x e´ divis´ıvel por 2 e 3” e´ “x n˜ao e´ divis´ıvel por 2 ou x n˜ao e´ divis´ıvel por 3”.Armando Caputi e Daniel Miranda Definic¸a˜ o 1.” Para proposic¸oes ˜ quantificadas temos ainda as seguintes regras de negac¸a˜ o: 9 . A negac¸a˜ o da proposic¸a˜ o p ou q e´ n˜ao p e n˜ao q.BC0003 .Bases Matem´aticas . A negac¸a˜ o da proposic¸a˜ o p e q e´ (n˜ao p) ou(n˜ao q).8 Dado uma proposic¸a˜ o p.

´ Soluc¸a˜ o: Pr el b) Existe inteiro n tal que n + 3 = 4. Ent˜ao s˜ao v´alidas as seguintes regras de negac¸a˜ o: • A negac¸a˜ o da proposic¸a˜ o “para todo x em D e´ verdade p(x)” e´ a proposic¸a˜ o “existe pelo menos um x em D tal que n˜ao e´ verdade p(x)”. • Todos os numeros naturais podem ser decompostos como produtos de primos.Bases Matem´aticas . im in ar • A negac¸a˜ o da proposic¸a˜ o “existe x em D tal que e´ verdade p(x)” e´ a proposic¸a˜ o “para todo x em D n˜ao e´ verdade p(x)”. 1. Exerc´ıcio.Armando Caputi e Daniel Miranda Negac¸a˜ o do Quantificador Seja p(x) um proposic¸a˜ o aberta. A negac¸a˜ o de “Existe um numero ´ 10 . Observe que ´ essa afirmac¸a˜ o e´ verdadeira pois 1 satisfaz p(1).BC0003 . ´ A negac¸a˜ o da proposic¸a˜ o e´ “ Existe um numero natural que n˜ao pode ser decom´ posto em primos” ou simbolicamente ∃x ∈ N | n˜ao m(x) • Existe inteiro n tal que n + 3 = 4. Se denotarmos por p(n) = “n + 3 = 4 ′′ ent˜ao a proposic¸a˜ o pode ser rescrita em forma simbolica como ´ ∃n ∈ N | p(n) Para essa proposic¸a˜ o o dom´ınio do discurso s˜ao os numeros naturais. deixando impl´ıcito que o dom´ınio da vari´avel e´ o conjunto dos numeros naturais. ´ ent˜ao a proposic¸a˜ o acima pode ser reescrita na forma simbolica como: ´ (∀x ∈ N)m(x) Ve rs a˜ o ou mais resumidamente (∀x)m(x). ´ Se denotarmos m(x) = “x pode ser decomposto como produto de numeros primos”.6 — Converta as seguintes afirmac¸oes e diga quais s˜ao as ˜ para a forma simbolica ´ suas negac¸oes: ˜ a) Todos os numeros naturais podem ser decompostos como produtos de primos. Ex.

Ex. c) x > 2 ou ( x < 5 e x > 3). f) 2 e´ numero par e n˜ao e´ verdade que 3 e´ um numero ´ ´ ´ımpar. ˜ ´ de cada uma delas. Pr el c) 4 > 2 ou (∃k)(k < 3 e k > 5). Ve rs a˜ o Ex. b) 5 e´ um numero primo ou 4 e´ um numero ´ ´ ´ımpar. d) n˜ao e´ verdade que (x > 2 e x < 4).10 — Para as seguintes proposic¸oes. ´ b) 4 > 2 ou 3 > 5. 1. im in ar Ex.8 — Negue as seguintes proposic¸oes: ˜ a) 3 > 4 e 2 e´ um numero par. b) x > 2 ou x < 3. 1. ou simplificando “para todo numero inteiro n temos que n + 3 6= 4” ´  Exerc´ıcios. 1.BC0003 .Bases Matem´aticas . c) N˜ao e´ verdade que (5 e´ um numero primo e 4 e´ um numero ´ ´ ´ımpar. g) N˜ao e´ verdade que (5 e´ um numero primo e 4 e´ um numero ´ ´ ´ımpar. ´ ´ e) 2 e´ um numero par e 3k + 1 e´ um numero ´ ´ ´ımpar. 1. Para essas proposic¸oes ´ ˜ determine e esboce na reta real o seu conjunto verdade. d) N˜ao e´ verdade que 3 e´ um numero par ou que 5 e´ um numero impar. ´ 11 .) h) ( N˜ao e´ verdade que 5 e´ um numero primo) ou 4 e´ um numero ´ ´ ´ımpar. ) d) ( N˜ao e´ verdade que 5 e´ um numero primo) ou 4 e´ um numero ´ ´ ´ımpar. Ex.Armando Caputi e Daniel Miranda inteiro n tal que n + 3 = 4” e´ “para todo inteiro n temos que n˜ao e´ verdade que n + 3 = 4”. em portuguˆes e simbolica.7 — Atribua um valor verdade a` cada uma das seguintes proposic¸oes: ˜ a) 5 e´ um numero primo e 4 e´ um numero ´ ´ ´ımpar. escreva a negac¸a˜ o. a) Existe um numero real x tal que x2 = 2.9 — Nas seguintes proposic¸oes ˜ abertas o dom´ınio do discurso e´ o conjunto dos numeros reais. a) x > 2 e x < 4.

´ ´ 1. Pr el Definic¸a˜ o 1.BC0003 .2: Valores verdade da implicac¸a˜ o em func¸a˜ o dos valores verdades de p e q. e) N˜ao existe numero inteiro m tal que m2 e´ um numero ´ ´ f) Para cada numero real x existe um numero real y tal que x + y = 0.10 Dadas duas proposic¸oes ˜ p e q ent˜ao podemos construir a proposic¸a˜ o “se p ent˜ao q” que tamb´em pode ser lida como “p implica q”. c) N˜ao existe numero racional x tal que x2 = 2. a proposic¸a˜ o p e´ denominada hipotese ou premissa e a proposic¸a˜ o q e´ denominada tese. conclus˜ao ou consequente da implicac¸a˜ o. ´ primo ou m2 e´ negativo. p ⇒ q. p ⇒ q.Bases Matem´aticas . existe δ(ǫ) tal que se < 0 |x − a| < δ ent˜ao |f(x) − f(l))| < ε. A tabela a seguir apresenta o valor verdade de p ⇒ q em func¸a˜ o dos valores verdades de p e q. Implica¸c˜ao Um dos conectivos de maior importˆancia na matem´atica e´ a implicac¸a˜ o ou condicional. ´ d) Existe um numero natural n tal que n2 e´ par e divis´ıvel por 3.Armando Caputi e Daniel Miranda b) Para todo ǫ.1. Comparando a tabela verdade da implicac¸a˜ o com o uso cotidiano de “se p ent˜ao q” as duas primeiras linhas s˜ao auto-evidentes e as duas ultimas linhas devem provocar um ´ 12 .3 im in ar g) Todo elemento de um conjunto A e´ elemento do conjunto B. Ve rs a˜ o ´ Numa implicac¸a˜ o. que denotaremos por A implicac¸a˜ o p ⇒ q e´ falsa somente no caso que a proposic¸a˜ o p e´ verdadeira e a proposic¸a˜ o q e´ falsa. p q verdadeiro verdadeiro falso falso verdadeiro falso verdadeiro falso p⇒q verdadeiro falso verdadeiro verdadeiro Tabela 1.

Pr el • “Se 2 e´ um numero par. ent˜ao 3 e´ um numero ´ pois a premissa e´ falsa. ent˜ao 3 e´ um numero ´ ´ ´ımpar.” e´ uma implicac¸a˜ o falsa. O unico modo de ´ desobedecer a lei e´ estar dirigindo um fusca (premissa verdadeira) e n˜ao estiver usando gravata vermelha (conclus˜ao falsa). Quando um motorista estar´a desobedecendo a lei? Se ele n˜ao estiver dirigindo fusca (ou seja premissa falsa) ent˜ao n˜ao importa se ele est´a ou n˜ao usando gravata vermelha pois nesse caso a lei n˜ao se aplica a ele.” e´ uma implicac¸a˜ o verdadeira. pois elas nos dizem que se a premissa e´ falsa ent˜ao o valor verdade de p ⇒ q e´ verdadeiro. Esse e´ o comportamento da implicac¸a˜ o. • a proposic¸a˜ o n˜ao q ⇒ n˜ao p e´ chamado de contrapositiva. • “Se 2 e´ um numero par. ´ ´ımpar. ela so´ e´ falsa se a premissa for verdadeira e o consequente falso.Armando Caputi e Daniel Miranda im in ar estranhamento. Imagine uma lei que diz que todos os motoristas de fusca devem usar gravatas vermelhas. ent˜ao 4 e´ um numero ´ ´ ´ımpar. • A negac¸a˜ o de “Se f(x) e´ uma func¸a˜ o derivavel ent˜ao ela e´ uma func¸a˜ o cont´ınua” e´ ”f(x) e´ deriv´avel e n˜ao-cont´ınua“ Dada uma proposic¸a˜ o p ⇒ q ent˜ao: • a proposic¸a˜ o q ⇒ p e´ chamada de rec´ıproca da proposic¸a˜ o. pois a hipotese e a tese da implicac¸a˜ o s˜ao verdadeiras.11 • “Se 2 e´ um numero par. Esse comportamento “n˜ao-usual” da implicac¸a˜ o pode ser melhor entendido atrav´es de uma analogia.BC0003 .Bases Matem´aticas . Exemplos 1.12 • A negac¸a˜ o de “Se a e´ par.” e´ uma implicac¸a˜ o verdadeira. • a proposic¸a˜ o n˜ao p ⇒ n˜ao q e´ chamado de inversa da proposic¸a˜ o.” e´ uma implicac¸a˜ o verdadeira. Ve rs a˜ o Negac¸a˜ o da implicac¸a˜ o A negac¸a˜ o da implicac¸a˜ o p implica q e´ a proposic¸a˜ o p e n˜ao q Exemplos 1. pois a hipotese e´ verdadeira e a tese e´ falsa. • “Se a m˜ae de Pedro e´ um trator ent˜ao Pedro e´ uma moto-serra. pois a premissa e´ falsa. 13 . ent˜ao a2 e´ par” e´ “a e´ par e a2 e´ ´ımpar”.

Ter nascido em Minas Gerais e´ condic¸a˜ o suficiente para ser brasileiro. se p implica q.15 1. mas o seu quadrado. e assim pelas razoes ˜ apresentadas no paragrafo anterior a reciproca e a inversa s˜ao equivalentes . s˜ao usuais: ˜ Ve rs a˜ o Definic¸a˜ o 1. As seguintes denominac¸oes.Bases Matem´aticas . Essa rec´ıproca e´ falsa pois 2 n˜ao e´ um numero raci´ onal. 3. como veremos no exerc´ıcio 2. Para um numero real.2. Ressaltamos que um erro logico muito comum e´ confundir uma proposic¸a˜ o com a sua ´ rec´ıproca. ´ racional ent˜ao x e´ um numero racional” e´ a • a proposic¸a˜ o “se x2 e´ um numero ´ ´ √ rec´ıproca dessa proposic¸a˜ o. o numero 2. Exemplos 1. e´ racional ´ Pr el • a proposic¸a˜ o “se x2 n˜ao e´ um numero racional. Exemplos 1. ou ambas s˜ao simultaneamente verdadeiras ou ambas s˜ao simultaneamente falsas. Essa implicac¸a˜ o e´ verdadeira.c. pois existem pares que n˜ao s˜ao divis´ıveis por 4. essa equivalˆencia nos fornece uma t´ecnica de demonstrac¸a˜ o: no lugar de demonstrarmos uma implicac¸a˜ o podemos demonstrar sua contrapositiva. mas n˜ao necess´aria.14 Uma proposic¸a˜ o p e´ dita condic¸a˜ o suficiente para uma proposic¸a˜ o q. 14 .1. mas claramente n˜ao necess´aria.Armando Caputi e Daniel Miranda im in ar Destacamos que uma implicac¸a˜ o e sua contrapositiva s˜ao equivalentes.13 Considere a seguinte proposic¸a˜ o “se x e´ um numero racional ent˜ao x2 e´ ´ um numero racional”. ser maior que 2 e´ uma condic¸a˜ o suficiente para ser maior ´ que 1. Por outro lado. se q implica p. O proximo exemplo ilustra que uma implicac¸a˜ o verdadeira pode ter a reci´ proca falsa. derivadas da noc¸a˜ o de implicac¸a˜ o. • a proposic¸a˜ o “se x n˜ao e´ um numero racional ent˜ao x2 n˜ao e´ um numero racional” ´ ´ e´ a inversa dessa proposic¸a˜ o. Uma proposic¸a˜ o p e´ uma condic¸a˜ o necess´aria para uma proposic¸a˜ o q.BC0003 . ou seja.2).14). essa afirmac¸a˜ o e´ falsa. ser par e´ uma condic¸a˜ o necess´aria para ser divis´ıvel por ´ 4. Sendo equivalente a reciproca. ser par n˜ao e´ condic¸a˜ o ´ suficiente para ser divis´ıvel por 4. pois todo numero divis´ıvel por 4 e´ par. e assim verdadeira. 2. Tamb´em observamos que a contrapositiva da rec´ıproca e´ a inversa (veja exerc´ıcio 1. Para um numero natural. ent˜ao x n˜ao e´ um numero racional” ´ ´ e´ a contrapositiva da proposic¸a˜ o inicial. Como veremos posteriormente (na sec¸a˜ o 1.

1. d) Se chove ent˜ao eu n˜ao vou trabalhar. ent˜ao 3 e´ um numero par.12 — Atribua um valor verdade as seguintes proposic¸oes: ˜ a) Se 2 e´ um numero par. Exerc´ıcios.11 — Ache a contrapositiva. ent˜ao 4 e´ um numero ´ ´ ´ımpar. o conectivo p ⇔ q e´ chamado de bicondicional. Ex. ´ j) Se x2 + y2 = 0 ent˜ao x e y s˜ao iguais a 0. ent˜ao 5 n˜ao e´ ´ımpar. b) p=“n e´ maior igual a 2” q =“n e´ maior que 2”. im in ar Finalmente.BC0003 .13 — Para os pares de proposic¸oes ˜ p e q diga se p e´ condic¸a˜ o necess´aria. Para um numero real. Nesse caso dizemos ainda que p e´ uma condic¸a˜ o necess´aria e suficiente para q. 1. ent˜ao 3 e´ um numero ´ ´ ´ımpar. f) Se m e´ um numero par. Em todos os exemplos considere n como sendo um numero natural. Ex. ´ a) p= “n e´ maior que 2” q =“n e´ maior que 3”. c) p=“n e´ maior que 0 e n e´ menor que 2” q =“n e´ menor que 2”. A express˜ao p ⇔ q e´ lida como “p se e somente se q”. i) Se 2k + 1 e´ um numero primo. d) p=“n e´ maior que 0 e n e´ menor que 2” q =“n = 1”. ent˜ao 2x + 1 e´ um numero ´ ´ ´ımpar. 15 . suficiente ou ambas para q. 1. ent˜ao 2x + 1 n˜ao e´ um numero ´ ´ ´ımpar. b) Se 2 e´ um numero par. ´ ´ d) Se 3 n˜ao e´ par nem primo. A express˜ao e´ equivalente a (p ⇒ q) e(q ⇒ p). Ex. g) Se x n˜ao e´ um numero par. a rec´ıproca e a inversa das seguintes frases: a) n˜ao p ⇒ q. Ve rs a˜ o c) Se 2 n˜ao e´ um numero par. b) n˜ao p ⇒ n˜ao q. ser distinto de 0 e´ condic¸a˜ o necess´aria e suficiente para ´ possuir um inverso.Bases Matem´aticas . e) Se n˜ao chover amanh˜a ent˜ao eu vou caminhar. c) p ⇒ n˜ao q. e) Se minha m˜ae e´ um trator ent˜ao eu sou uma moto-serra. Pr el h) Se minha m˜ae e´ um trator ent˜ao eu sou uma moto-serra. ent˜ao k e´ uma potˆencia de 2.Armando Caputi e Daniel Miranda 4.

de descric¸a˜ o e de precis˜ao invej´aveis. como a mecˆanica newtoniana. Ele est´a escrito em l´ıngua matem´atica. b) A contrapositiva da reciproca de p implica q. grac¸as a uma relac¸a˜ o intricada entre o conhecimento natural entre esses campos de saber e uma matem´atica sofisticada. Grandes teorias cientificas. “ Hermann Weyl Ve rs a˜ o Nas sec¸oes que ˜ anteriores apresentamos alguns elementos da linguagem e da logica ´ sustentam a matem´atica. os caracteres s˜ao triˆangulos.2 demonstrac ¸o im in ar c) A contrapositiva da inversa de p implica q Pr el “A l´ogica e´ a higiene que o matem´atico pratica para manter as suas ideias saud´aveis e fortes. S˜ao essas teorias cientificas. Comec¸aremos com uma breve discuss˜ao sobre o papel das demonstrac¸oes ˜ no conhecimento matem´atico. Como enfaticamente expresso pelo f´ısico Galileu Galilei: “A filosofia encontra-se escrita neste grande livro que continuamente se abre perante nossos olhos (isto e´ . o eletromagnetismo.Bases Matem´aticas . 1. sem eles nos ´ vagamos perdidos dentro de um obs- 16 .14 — Determine: a) A contrapositiva da contrapositiva de p implica q. que n˜ao se pode compreender antes de entender a l´ıngua e conhecer os caracteres com os quais est´a escrito. ´ Ex. essas teorias s˜ao capazes de um poder de expressividade. circunferˆencias e outras figuras geom´etricas. o universo). A importˆancia do conhecimento matem´atico para as ciˆencias e´ ineg´avel. e assim tamb´em a matem´atica envolvida nessas descric¸oes. d) A contrapositiva de p implica n˜ao q e) A rec´ıproca de p implica n˜ao q ˜ es 1. a relatitivade geral e quˆantica s˜ao expressas elegantemente em termos matem´aticos.Armando Caputi e Daniel Miranda e) p=“∆ e´ um triˆangulo isosceles” q =“∆ e´ um triˆangulo equil´atero”. que sustentam os avanc¸os tecnologicos de nossa ˜ ´ sociedade.BC0003 . e mais. sem cujos meios e´ imposs´ıvel entender humanamente as palavras. J´a nesta sec¸a˜ o apresentaremos algumas ideias sobre demonstrac¸oes ˜ matem´aticas.

BC0003 - Bases Matem´aticas - Armando Caputi e Daniel Miranda

curo labirinto”
Galileo Galilei, O Ensaiador

Ve
rs
a˜ o

Pr
el

im
in
ar

Se por um lado essa vis˜ao utilitarista da matem´atica como ferramenta, seria suficiente para justificar a importˆancia do estudo da matem´atica, essa vis˜ao e´ insuficiente
para levar a` compreens˜ao profunda da matem´atica em si. A matem´atica, como a´ rea do
conhecimento, tem um proposito
muito mais amplo que ser a l´ıngua da ciˆencia.
´
A matem´atica tem objetivos e m´etodos proprios.
E talvez o m´etodo seja uma das mar´
cas que distinguem fundamentalmente a matem´atica das outras a´ reas do conhecimento.
Nessa linha podemos dizer que a matem´atica, pelo menos nos ultimos
23 s´eculos, se ca´
racteriza pelo m´etodo axiom´atico, que simplificadamente pode ser descrito como tomar
alguns fatos como verdadeiros (as hipoteses,
os axiomas) e demonstrar todo o restante a
´
partir desses fatos, utilizando as regras da logica.
´
Vale ressaltar que, claramente, a matem´atica se estende muito al´em do pensamento
racional-dedutivo e a intuic¸a˜ o e a percepc¸a˜ o inconsciente s˜ao chaves para a criatividade matem´atica, e a sede de descobrir novas verdades, de expandir o conhecimento
e´ a motivac¸a˜ o do esforc¸o matem´atico. Por´em , embora estes sejam realmente elementos essenciais na explorac¸a˜ o cont´ınua e no desenvolvimento da matem´atica, o racioc´ınio
´
logico
e´ imprescind´ıvel para a determinac¸a˜ o da verdade matem´atica.
Assim a quest˜ao natural e´ : porque as demonstrac¸oes
˜ s˜ao importantes? Porque a supremacia do racioc´ınio logico
e da deduc¸a˜ o?
´
O principal motivo e´ que nossa intuic¸a˜ o falha. E na historia
da matem´atica, centenas de
´
exemplos demonstraram e convenceram os matem´aticos que so´ a intuic¸a˜ o e´ insuficiente
para compreender os fatos matem´aticos.
Para ilustrar esse ponto, um exemplo t´ıpico da falibilidade da nossa intuic¸a˜ o e´ o fato
que para equac¸oes
fechadas
˜ polinomiais de grau maior igual que 5 n˜ao existem formulas
´
ao estilo da formula
de Baskara que expressam as soluc¸oes
Dito de
´
˜ desses polinomios.
ˆ
outra forma, as soluc¸oes
de grau maior que 5 em geral n˜ao podem
˜ de um polinomio
ˆ
ser expressas como um numero
finito de somas, produtos, quocientes e ra´ızes dos coe´
ficientes do polinomio.
Desde que as expressoes
ˆ
˜ descobertas por Baskara Akaria (11141185), Girolamo Cardano (1501-1576) e Niccolo` Tartaglia (1499-1557), mostraram como
representar as soluc¸oes
de grau at´e 4 atrav´es de operac¸oes
˜ de um polinomio
ˆ
˜ aritm´eticas
e radicais dos coeficientes, o desconhecimento das expressoes
˜ para graus maiores foi
atribu´ıdo a uma falta de t´ecnica que seria superada e gerac¸oes
˜ de matem´aticos se dedicaram a encontrar expressoes
de graus maiores. Por´em,
˜ para as soluc¸oes
˜ de polinomios
ˆ
contrariando a intuic¸a˜ o inicial, em 1824, Niels Henrik Abel provou que tal formula
n˜ao
´
poderia existir e mostrou que as tentativas tinham sido em v˜ao.

17

BC0003 - Bases Matem´aticas - Armando Caputi e Daniel Miranda

1.2.1

Inferˆencias

Pr
el

im
in
ar

Prosseguindo nessa linha, outro exemplo da necessidade de rigor, cuidado conceitual
e do valor das demonstrac¸oes
˜ e´ a noc¸a˜ o de limites (e a noc¸a˜ o de infinito) que trataremos
no cap´ıtulo ??. A manipulac¸a˜ o descuidada desses objetos levou a uma quantidade gigantesca de erros e falhas conceituais em toda a matem´atica, que so´ foram resolvidas com
definic¸oes
˜ precisas e demonstrac¸oes
˜ rigorosas.
Ainda sobre a limitac¸a˜ o da intuic¸a˜ o como crivo unico
para a verdade matem´atica, des´
tacamos que conforme o conhecimento matem´atico se expandiu, expandiu-se tamb´em a
generalidade e a abstrac¸a˜ o desse conhecimento, que assim se afastou cada vez mais do
restrito numero
de ideias sobre as quais temos alguma intuic¸a˜ o naturalmente.
´
Outro ponto para justificar a necessidade das demonstrac¸oes,
˜ e´ que em geral as afirmac¸oes
˜
matem´aticas versam sobre uma infinidade de objetos, como a afirmac¸a˜ o “Existem infi10
nitos primos”. Por mais que verifiquemos atrav´es de computac¸oes
˜ que existam 1010
primos. Isso n˜ao termina com a inquietac¸a˜ o e nem nos fornece razoes
para acre˜ solidas
´
ditarmos nesse fato. A matem´atica est´a repleta de exemplos de afirmac¸oes
˜ que valem
para um grande numero
de casos iniciais, mas que mesmo assim admitem contraexem´
plos.

Ve
rs
a˜ o

Uma regra de inferˆencia e´ uma regra (sint´atica) que aceita hipoteses
e retorna a uma
´
conclus˜ao. A regra e´ dita v´alida se as premissas s˜ao verdadeiras, ent˜ao tamb´em e´ a
conclus˜ao. As regras de inferˆencia v´alidas, de modo simplificado, nos permitem obter
conclusoes
constituindo o encadeamento logico
entre os
˜ a partir de nossas hipoteses,
´
´
argumentos.
As regras de inferˆencia podem ser apresentadas como uma lista de hipoteses,
uma por
´
linha, seguida de uma barra separadora e a conclus˜ao.
hipotese
1
´
hipotese
2
´
..
.
conclus˜ao

Segue uma lista das regras de inferˆencia v´alidas e usuais, seguidas de alguns exemplos:
1. Simplificac¸a˜ o:

18

peq
p

BC0003 - Bases Matem´aticas - Armando Caputi e Daniel Miranda

2. Uni˜ao

6. Silogismo Hipot´etico
p⇒q
q⇒r
p⇒r

p
q
qeq

7. Inferˆencia por Casos
p1 ⇒ q
p2 ⇒ q
(p1 ou p2 ) ⇒ q

im
in
ar

3. Adic¸a˜ o
p
p ou q

8. Inferˆencia por Eliminac¸a˜ o
4. Modus Ponens

p ⇒ (q ou r)
n˜ao r
p⇒q

p
p⇒q
q

9. Separac¸a˜ o

p ou q
n˜ao p
q

p⇒q
n˜ao q
n˜ao p

Exemplos 1.16

Pr
el

5. Modus Tollens

10. Reduc¸a˜ o ao Absurdo
p⇒q
p ⇒ n˜ao q
n˜ao p

Ve
rs
a˜ o

• Simplificac¸a˜ o

Pedro e´ feio e gordo.

Logo, Pedro e´ gordo.

• Uni˜ao

O numero
5 e´ impar.
´
O numero
5 e´ primo.
´

Ent˜ao o numero
5 e´ impar e primo.
´

• Adic¸a˜ o

204 e´ par.

Logo, 204 e´ par ou 2 + 2 = 5.

• Modus Ponens

19

BC0003 - Bases Matem´aticas - Armando Caputi e Daniel Miranda

O numero
2 e´ natural.
´
Se um numero
e´ natural ent˜ao esse numero
e´ real
´
´
Logo, o numero
2 e´ real.
´
• Modus Tollens

Logo, n˜ao bebi muito ontem.
• Silogismo Hipot´etico

im
in
ar

Se eu bebo muito tenho ressaca no dia seguinte.
N˜ao tenho ressaca hoje.

Se um numero
e´ natural ent˜ao ele e´ inteiro.
´
Se um numero
e´ inteiro ent˜ao ele e´ real
´
Se um numero
e´ natural ent˜ao ele e´ real.
´

1.2.2

M´etodos de Demonstra¸c˜ao

Pr
el

Rigor e´ para o matem´atico o que a moral e´ para os homens.
Andr´e Weyl

Vamos ilustrar algumas t´ecnicas de demonstrac¸a˜ o utilizando alguns resultados de
numeros
naturais. Para isso recordamos algumas definic¸oes
´
˜ que utilizaremos:

Ve
rs
a˜ o

• Um numero
inteiro n˜ao nulo a divide um numero
inteiro b se existe um inteiro k,
´
´
tal que: b = ak. Se a divide b, b e´ dito multiplo
de a ou de modo equivalente a e´
´
dito divisor de b.
• Um numero
inteiro a e´ dito par se 2 divide a, ou seja, se existe numero
inteiro k
´
´
tal que a = 2k.
• Um numero
inteiro b e´ dito impar se 2 n˜ao divide b, nesse caso pode-se provar
´
que existe um numero
inteiro k tal que b = 2k + 1.
´
• Um numero
real r e´ dito racional se existirem numeros
inteiros p, q tal que r =
´
´

p
q.

• Um numero
real r e´ dito irrracional se n˜ao for racional, i.e, se n˜ao existirem inteiros
´
p
p, q tal que r = q
.

20

e colocando em evidˆencia o 2 teremos: p + q = 2(k1 + k2) = 2k3 onde k3 = k1 + k2 e´ um numero inteiro. ´ ´  Exemplo 1. Exemplo 1. De modo an´alogo. Hipotese 2: m e´ par. ´  21 . Feito isso vamos a demonstrac¸a˜ o: Pr el Demonstrac¸a˜ o: Como n. Substituindo a primeira express˜ao na segunda teremos: c = bk2 = (ak1 )k2 = a(k1 k2 ) = ak3 onde k3 = k1 k2 e´ um numero inteiro. conclui-se q. temos que existe um inteiro k1 tal ´ que n = 2k1 .17 Se n. O que prova que a divide c. Ve rs a˜ o Novamente comec¸aremos identificando as hipoteses e a tese e esclarecendo os seus ´ significados: Hipotese 1: a divide b. m s˜ao pares existem inteiros k1 . temos pela definic¸a˜ o de numero par que existe ´ (possivelmente outro) inteiro k2 tal que m = 2k2 . Por definic¸a˜ o de numero par. Desta forma temos que n + m = 2k1 + 2k2 . e o significado dos termos envolvidos: Hipotese 1: n e´ par. ´ Hipotese 2: b divide c. e ´ atrav´es de uma s´erie de etapas.Armando Caputi e Daniel Miranda Demonstra¸c˜ao Direta A demonstrac¸a˜ o direta e´ a forma mais simples de demonstrac¸a˜ o que nos ´ tratamos nesta sec¸a˜ o. k2 tais que n = 2k1 e m = 2k2 .Bases Matem´aticas . ou seja. Tese: Queremos provar que n + m e´ par. ent˜ao a divide c.k2 . ´ ´ im in ar Um bom modo de iniciar uma demonstrac¸a˜ o e´ identificando as hipoteses e a tese e ´ esclarecendo os seus significados.k1 e ´ c = b. Isso significa que existe um numero inteiro k2 tal que c = bk2 .BC0003 . que existe um inteiro k3 tal que n + m = 2k3 . ´ Tese: Queremos provar que a divide c. queremos mostrar que existe um numero inteiro k3 tal que c = ak3 ´ Demonstrac¸a˜ o: Pelas hipoteses temos que existem inteiros k1 . Isso significa que existe um numero inteiro k1 tal que b = ak1 . n s˜ao numeros pares ent˜ao n + m tamb´em e´ um numero par. E assim n + m e´ um numero par. cada uma seguinte das anteriores. k2 tais que b = a. e e´ a mais obvia: para demonstrar que p ⇒ q suponha que p e´ verdadeiro. ou seja.18 Se a divide b e b divide c.

.20 Existem infinitos numeros primos. existe um inteiro k1 tal que n = 2k1 + 1 e ´ assim: im in ar n2 = (2k1 + 1)2 = 4k21 + 4k1 + 1 ⇒ n2 = 2(2k21 + 2k1 ) + 1 Como 2k21 + 2k1 e´ um numero inteiro. . Demonstra¸c˜ao por Redu¸c˜ao ao Absurdo Ve rs a˜ o Uma demonstrac¸a˜ o por reduc¸a˜ o ao absurdo (tamb´em conhecida como demonstrac¸a˜ o por contradic¸a˜ o ou ainda por reductio ad absurdum) e´ uma t´ecnica de demonstrac¸a˜ o no qual se demonstra que se algum enunciado fosse verdadeiro. que denotaremos por p1 .pn + 1. Exemplo 1.19 Se n e´ um numero impar ent˜ao n2 e´ um numero ´ ´ Hipotese: n e´ um numero impar. Logo. i. ent˜ao a2 + b2 > 2ab. Logo existem infinitos numeros primos  ´ ´ 22 . ´ ´ d) Se a e b s˜ao numeros reais. b) Se p. temos pela definic¸a˜ o que n2 e´ impar. q s˜ao numeros racionais. ´ Exerc´ıcios. ocorreria uma contradic¸a˜ o logica. ent˜ao p · q e´ um numero racional. Desta forma suponha que existem finitos numeros primos. ent˜ao p + q e´ um numero racional.  Ex. . ´ ´ c) Se p.Bases Matem´aticas .Armando Caputi e Daniel Miranda impar. O numero q n˜ao e´ divis´ıvel por nenhum dos ´ ´ numeros p1 . ∃k1 ∈ Z tal que n = 2k1 + 1 ´ 2 impar.. ´ Exemplo 1. . pn . ´ Pr el * e) Se r1 e r2 s˜ao ra´ızes distintas de p(x) = x2 + bx + c. q s˜ao numeros racionais. p2 . e portanto o enunciado deve ser falso. i.. . ´ Demonstrac¸a˜ o: Vamos demonstrar essa proposic¸a˜ o por reduc¸a˜ o ao absurdo. q e´ um ´ numero primo distinto de p1 .1 — Demonstre as seguintes afirmac¸oes: ˜ a) Se a divide b e a divide c ent˜ao a divide b + c. Con´ sidere ent˜ao o numero q = p1 p2 . . pn . ent˜ao r1 + r2 = −b e r1 r2 = c. . 2... Isto contradiz a nossa hipotese inicial de que ´ ´ existem apenas n numeros primos. Absurdo. . p2 .e. ∃k2 ∈ Z tal que n2 = 2k2 + 1 Tese: n e´ um numero ´ Demonstrac¸a˜ o: Como n e´ um numero impar.BC0003 . p2 . pn (o resto da divis˜ao de q pelo primo pi e´ sempre 1). ..e.

2 em 1. 2 tem que ser um numero irracional. Como ´ ´ quer´ıamos demonstrar.Armando Caputi e Daniel Miranda Exemplo 1.1) par.22 N˜ao existem soluc¸oes ˜ inteiras positivas para a equac¸a˜ o x2 − y2 = 1.3) De modo an´alogo. que existem numeros inteiros positivos a e ´ ´ b tais que: ou. Portanto. O que e´ absurdo pois a e b ´ √ n˜ao s˜ao ambos numeros pares. e´ o dobro de algum numero inteiro.2) Substituindo 1. Demonstrac¸a˜ o: Faremos a demonstrac¸a˜ o pelo m´etodo de reduc¸a˜ o ao absurdo. √ supomos que 2 e´ um numero racional. Temos ent˜ao que a e´ um numero par e. Agora.  Exemplo 1. escrevemos: Ent˜ao: a2 = 2b2 Pr el b a2 =2 b2 (1.e. 23 . portanto.1 temos: (2k)2 = 2b2 ⇒ 4k2 = 2b2 ⇒ 2l2 = b2 (1. equivalentemente:  a 2 =2  a 2 = b im in ar a √ = 2 b Podemos supor que a e b n˜ao s˜ao ambos numeros pares. ´ ´ digamos k: Ve rs a˜ o a = 2k (1. pois se fossem. poder´ıamos ´ simplificar a frac¸a˜ o at´e termos que pelo menos um dos termos da frac¸a˜ o seja impar.Bases Matem´aticas ..21 √ 2 e´ irracional. Logo a tamb´em deve Conclu´ımos ent˜ao que a2 e´ um numero ´ ser par. Ou seja.BC0003 . i. temos que b deve ser um numero par. pois e´ dobro de b2 . pois se a fosse impar o o seu quadrado tamb´em seria ´ımpar.

Desta forma. ˜ √ 3 a) 2 e´ irracional. Pr el b) N˜ao existem soluc¸oes ˜ inteiras positivas para a equac¸a˜ o x2 − y2 = 10. No primeiro caso. c) N˜ao existem soluc¸oes ˜ racionais para a equac¸a˜ o x5 + x4 + x3 + x2 + 1 = 0.  Exerc´ıcios. No segundo caso de modo semelhante. im in ar Como a + b e a − b s˜ao inteiros cujo produto e´ 1.Armando Caputi e Daniel Miranda Demonstrac¸a˜ o: Vamos realizar a demonstrac¸a˜ o por reduc¸a˜ o ao absurdo. Ex. contradizendo o nosso pressuposto inicial de que a e b s˜ao positivos. ent˜ao a n˜ao divide ´ b. podemos adicionar as duas equac¸oes ˜ para obter a = 1 e y = 0. Ent˜ao fatorando temos: a2 − b2 = (a − b)(a + b) = 1. Para a vers˜ao contrapositiva temos: 24 . ent˜ao sua soma n + m deve ser impar”.BC0003 .Bases Matem´aticas . obtemos que a = −1 e b = 0. Logo por reduc¸a˜ o ao absurdo.2 — Use o m´etodo de reduc¸a˜ o ao absurdo para provar cada um das seguintes proposic¸oes.23 Se n e m s˜ao numeros inteiros para os quais n + m e´ par. demonstra-se que n˜ao q implica n˜ao p. b. satisfazendo a2 − b2 = 1. Vamos provar essa proposic¸a˜ o usando o m´etodo de demonstrac¸a˜ o por contraposic¸a˜ o. no m´etodo de demonstrac¸a˜ o por contraposic¸a˜ o ao inv´es de se demonstrar a implicac¸a˜ o p implica q. 2. Assim. b) com a e b inteiros positivos. Ve rs a˜ o Demonstra¸c˜ao por Contraposi¸c˜ao O m´etodo de demonstrac¸a˜ o por contraposic¸a˜ o baseia-se no fato que uma implicac¸a˜ o p implica q e´ equivalente a sua contrapositiva n˜ao q implica n˜ao p. temos que ou a + b = a − b = 1 ou a + b = a − b = −1. Vejamos alguns exemplos. Exemplo 1. novamente contrariando a nossa hipotese. ent˜ao n e m tem ´ a mesma paridade. c numeros inteiros. d) Dados a. Mostre que se a n˜ao divide bc. Observe que a vers˜ao contrapositiva deste teorema e´ : ”Se n e m s˜ao dois numeros inteiros ´ com paridades opostas. temos que n˜ao existem soluc¸oes ´ ˜ inteiras positivas 2 2 para a equac¸a˜ o x − y = 1. vamos supor que existe uma soluc¸a˜ o (a.

por ´ definic¸a˜ o.24 Se n2 e´ impar. Calculando a soma n + m = 2k1 + 2k2 + 1 = 2(k1 + k2 ) + 1 e observando que k1 + k2 e´ um numero inteiro. 2. Ve rs a˜ o Exemplo 1. 25 . O m´etodo de contraposic¸a˜ o tem a vantagem de que seu objetivo e´ claro. Suponha ent˜ao que n e´ par. logo existe um numero inteiro k ´ tal que n = 2k.  Exerc´ıcios. e assim: n2 = (2k)2 = 4k2 = 2(2k2 ) Como 2k2 e´ um inteiro. Logo.Armando Caputi e Daniel Miranda ´ • Hipotese: “n e m s˜ao dois numeros inteiros com paridades opostas”. o objetivo e´ demonstrar uma contradic¸a˜ o logica. por´em nem sempre e´ claro qual e´ a contradic¸a˜ o que vamos ´ encontrar. ´ • Tese “soma n + m deve ser impar” im in ar Demonstrac¸a˜ o: Faremos a demonstrac¸a˜ o por contraposic¸a˜ o. n2 e´ par. temos que n + m e´ um inteiro ´ımpar. e assim n˜ao h´a perda de generalidade em supor que n e´ par e m e´ ´ımpar. ´ ´ • M´etodo de contraposic¸a˜ o: assuma n˜ao q e ent˜ao devemos provar n˜ao p. um deles e´ par e o outro ´ımpar. Por outro lado. ou seja. ent˜ao n e´ impar Demonstrac¸a˜ o: Nesse caso a contrapositiva e´ : “se n e´ par ent˜ao n2 e´ par” Assim por contraposic¸a˜ o.  Qual a diferenc¸a entre uma demonstrac¸a˜ o por contraposic¸a˜ o de uma demonstrac¸a˜ o por reduc¸a˜ o ao absurdo? Vamos analisar como os dois m´etodos de trabalho ao tentar provar ”Se p.BC0003 . Pr el • M´etodo de reduc¸a˜ o ao absurdo: assuma p e n˜ao q e ent˜ao devemos provar que estas duas hipoteses levam a algum tipo de contradic¸a˜ o logica. no m´etodo da contradic¸a˜ o. Ex. existem inteiros k1 e k1 tais que n = 2k1 e m = 2k2 + 1.3 — Prove cada uma das seguintes proposic¸oes ˜ pelo m´etodo de contraposic¸a˜ o. Desta forma supomos que n e m tem paridades opostas. ent˜ao q”.Bases Matem´aticas . temos que demonstrar n˜ao p.

Vamos provar a implicac¸a˜ o: se a e b possuem paridades diferentes ent˜ao a + b e´ ´ımpar. a + b e´ um numero ´ ´ımpar Demonstrac¸a˜ o: Temos que provar duas implicac¸oes: ˜ • Se a e b possuem paridades diferentes ent˜ao a + b e´ um ´ımpar. devemos demonstrar duas implicac¸oes ˜ separadamente. 2. e somente se. q”. q”.Armando Caputi e Daniel Miranda a) Se x e y s˜ao dois numeros inteiros cujo produto e´ par.4 — Mostre que o produto de um numero racional n˜ao nulo com um numero ´ ´ irracional e´ um numero irracional. ´ podemos assumir que a e´ par e que b e´ impar. e somente se. ent˜ao pelo menos um dos ´ dois deve ser par. possuem paridades diferentes se. ent˜ao ambos tˆem de ser ´ impares.6 — Mostre que um numero inteiro de 4 d´ıgitos e´ divis´ıvel por 3 se a soma dos ´ seus d´ıgitos for divis´ıvel por 3. ent˜ao p”. ´ Ex. Essa afirmac¸a˜ o e´ equivalente a ”se p. e assim: a + b = 2k1 + 2k2 + 1 = 2(k1 + k2 ) + 1 26 . k2 tais que a = 2k1 e b = 2k2 + 1.25 Dois inteiros a e b. Logo. ent˜ao a + b e´ um numero racional. 2. im in ar c) Se a e b s˜ao numeros reais tais que o produto ab e´ um numero irracional.5 — Mostre que se a e b s˜ao numeros racionais. ´ Ex. ´ ´ Pr el Ex. ent˜ao q e se q. • Se a + b e´ ´ımpar ent˜ao a e b possuem paridades diferentes. e somente se. ent˜ao ´ ´ ou a ou b deve ser um numero irracional. b) Se x e y s˜ao dois numeros inteiros cujo produto e´ ´ımpar.BC0003 . Sem perda de generalidade como por hipotese a e b possuem paridades diferentes. Desta forma existem inteiros k1 . Ve rs a˜ o Exemplo 1. para demonstrar uma afirmac¸a˜ o da forma ”p se.Bases Matem´aticas . Demonstra¸c˜oes de “se e somente se” Muitos teoremas na matem´atica s˜ao apresentados sob a forma ”p se. 2.

Armando Caputi e Daniel Miranda a + b = 2(k1 + k2) im in ar e assim a + b e´ impar. 27 . c inteiros com c 6= 0. Mostre que a divide b se e somente se ac divide bc. se e somente se. Temos dois casos a considerar ambos a e b pares e ambos a e b impares. pelo ´ menos um dos numeros inteiros. Se a e b s˜ao ambos impares ent˜ao existem k1 . 2. Na verdade provaremos a contrapositiva dessa afirmac¸a˜ o: se a e b possuem paridades iguais ent˜ao a + b e´ par. b. k2 tal que a = 2k1 e b = 2k2 e desta forma e assim a + b e´ par. 2. Ex. demonstraremos a implicac¸a˜ o: se a + b e´ ´ımpar ent˜ao a e b possuem paridades diferentes. k2 tal que a = 2k1 + 1 e b = 2k2 + 1 e desta forma a + b = 2k1 + 1 + 2k2 + 1 = 2(k1 + k2 + 1) e assim a + b e´ par. Agora. ´ Ve rs a˜ o Ex.  Pr el Exerc´ıcios. a ou b.BC0003 . Se a e b s˜ao ambos pares ent˜ao existem k1 .Bases Matem´aticas . o produto ab e´ um numero par.8 — Dados a.7 — Dado dois inteiros a e b. for par.

Ve rs a˜ o Pr el im in ar BC0003 .Bases Matem´aticas .Armando Caputi e Daniel Miranda .

que e´ um elemento desse conjunto. um elemento de outro conjunto. . c. . x ∈ / C (x n˜ao e´ um elemento do conjunto C). enquanto para seus elementos usam-se letras minusculas a. conjuntos tamb´em. b. por sua vez. Z. A relac¸a˜ o de pertinˆencia e´ denotada pelo s´ımbolo ∈. 1 Note que os elementos deste conjunto s˜ao. Dado um conjunto.1 conceitos b a im in ar 2 Defini¸c˜ ao ingˆ enua de conjunto. ´ Ve rs a˜ o ˜ Notac¸oes. • o conjunto dos conjuntos dos times de futebol de um estado. z (atenc¸a˜ o: ´ essa e´ somente uma notac¸a˜ o comum.Bases Matem´aticas . • o conjunto dos numeros naturais. Um conjunto e´ uma qualquer colec¸a˜ o de objetos. 29 . usam-se normalmente letras maiusculas ´ A. Pr el • o conjunto das letras desta frase. diz-se que cada um destes objetos pertence ao conjunto dado ou. . concretos ou abstratos. • o conjunto dos times de futebol de um estado 1 .1 • o conjunto das disciplinas do primeiro trimestre do BC&T. . • o conjunto das id´eias que Leonardo da Vinci nunca teve. caso em que a notac¸a˜ o n˜ao poderia ser respeitada). Para denotar um conjunto gen´erico. B.BC0003 . . C. n˜ao uma regra. Exemplos 2. J´a o s´ımbolo ∈ / e´ usado para denotar a n˜ao-pertinˆencia (quando isso fizer sentido). at´e mesmo porque um conjunto pode ser. uma colec¸a˜ o de objetos. . equivalentemente. por sua vez. Exemplos: a ∈ A (o objeto a pertence ao conjunto A).Armando Caputi e Daniel Miranda GENERALIDADES SOBRE CONJUNTOS ´ sicos 2. isto e´ .

g} • {0. e somente por eles. f. 2. O modo matem´atico de descrever um conjunto lanc¸a m˜ao das chaves { }. O formato geral (em notac¸a˜ o matem´atica) da descric¸a˜ o predicativa e´ {x ∈ U | x satisfaz P} Ve rs a˜ o onde U denota o conjunto universo e P a propriedade que caracteriza os elementos do conjunto. em seu lugar. alguns exemplos desse modo predicativo (para esses exemplos. N denota o conjunto dos numeros naturais e R denota o conjunto dos numeros reais): Exemplos ´ ´ 2. e. 30 .2 J´a na descric¸a˜ o predicativa. ´ Abaixo. caetano} im in ar H´a uma sutil mas importante diferenc¸a entre descrever os elementos de um conjunto (o que ser´a chamado de descric¸a˜ o enumerativa) ou descrever as propriedades desses elementos (o que ser´a chamado de descric¸a˜ o predicativa). • { palavras da l´ıngua portuguesa } • { alunos desta turma } • {1. como nos exemplos abaixo: Exemplos 2. 2. Na descric¸a˜ o enumerativa. Por enquanto.Armando Caputi e Daniel Miranda Formas de descrever um conjunto. A barra vertical ”|”´e lida como ”tal que”(ou ”tais que”. . }2 Pr el • {andr´e. 3} • {a. . dependendo da concordˆancia de numero) e. os elementos s˜ao apresentados explicita ou implicitamente. h´a a concorrˆencia de duas condic¸oes: i) h´a um ”conjunto uni˜ verso”3 . tomado como referˆencia para descrever subconjuntos dele. c. mas falaremos disso mais adiante. ao qual pertencem os elementos do conjunto que se quer descrever. sendo usadas no formato gen´erico { descric¸a˜ o dos elementos ou de suas propriedades }. segundo uma regra que fica implicitamente clara observando-se os primeiros elementos apresentados.BC0003 . e´ tamb´em comum empregar os s´ımbolo ”:”. 1. assuma-se que se trata simplesmente de um conjunto pr´e-fixado. 3 H´a que se tomar alguns cuidados ao se falar em ”conjunto universo”. bernardo. d.Bases Matem´aticas . .3 • { alunos desta turma que usam o trem como meio de transporte } 2 Note que neste exemplo lanc¸a-se m˜ao das reticˆencias para indicar que o elenco dos elementos do conjunto continua indefinidamente. mais simples (mas nem sempre poss´ıvel). ii) h´a uma propriedade que e´ satisfeita por todos os elementos do conjunto que se quer descrever. b.

que B est´a contido em A) se todo elemento de B e´ tamb´em elemento de A. Nesse caso. como mostra o paradoxo abaixo.BC0003 . estamos livres de tomar qualquer colec¸a˜ o imagin´avel. pois trata-se evidentemente de um conjunto imagin´avel (acabamos de imagin´a-lo). o conjunto dos alunos desta turma n˜ao e´ um aluno desta turma. ao falar em descric¸a˜ o predicativa de conjuntos. como o que usamos acima. H´a conjuntos que s˜ao elementos de si mesmos: o conjunto de todos os conjuntos imagin´aveis e´ um elemento de si mesmo. logo e´ um elemento de si mesmo. H´a tamb´em os conjuntos que n˜ao s˜ao elementos de si mesmos: o conjunto dos mam´ıferos n˜ao e´ um mam´ıfero. o conjunto de todas as coisas que n˜ao s˜ao comest´ıveis n˜ao e´ comest´ıvel. Entretanto. o conjunto universo desempenha o papel de conter todos os elementos que s˜ao naturais no contexto espec´ıfico em estudo. e´ a propria criatividade da mente humana. chamemos de endol´ogicos os conjuntos que s˜ao elementos de si mesmos e de exol´ogicos os conjuntos que n˜ao s˜ao elementos de si mesmos. Dizemos que um conjunto B e´ um subconjunto do conjunto A (ou. e´ usual adotar a noc¸a˜ o de conjunto universo em um sentido relativo. dizemos tamb´em que A e´ um superconjunto de B ou. ˜ es elementares 2. que 31 . De agora em diante. denotando-se tal situac¸a˜ o por B ⊂ A. por exemplo.Bases Matem´aticas . e´ nesse sentido relativo que deve ser entendida a express˜ao ”conjunto universo”. Nesse mesmo caso. Mas desse modo ´ podem aparecer problemas logicos irremedi´aveis. Seja dado um conjunto A. A qual classe pertence o conjunto C? ´ ´E um conjunto endologico? ´ E exologico? [Soluc¸a˜ o no Apˆendice] ´ ´ Ve rs a˜ o Um dos problemas ilustrados pelo paradoxo acima e´ que n˜ao faz sentido falar em conjunto universo num sentido absoluto. o conjunto de todos os conjuntos poss´ıveis e imagin´aveis. Ao tratarmos os conjuntos como meras colec¸oes ˜ de objetos. Para distinguir uma classe de conjuntos da outra.2 relac ¸o Subconjuntos e superconjuntos. ´ Pr el Paradoxo de Russell. O limite para tal.Armando Caputi e Daniel Miranda • { numeros ´ ´ımpares que tamb´em s˜ao primos } • {n ∈ N | n + 1 e´ um multiplo de 10} ´ • {x ∈ R : x2 + 2x − 1 > 0} im in ar Alguns cuidados com essa noc¸a˜ o ingˆenua dos conjuntos. como sendo. mais comumente. se existir. equivalentemente. Denote por C o conjunto de todos os conjuntos exologicos.

de fato.Armando Caputi e Daniel Miranda A cont´em B. estamos afirmando duas coisas: i) todo elemento de B e´ elemento de A. quando dizemos que B est´a contido propriamente em A (ou que B e´ um subconjunto pr´oprio de A). Tal conjunto e´ chamado de conjunto vazio e denotado por ∅. Em s´ımbolos. isto e´ . ent˜ao dizemos que tais conjuntos s˜ao iguais. im in ar Definic¸a˜ o 2. ´ Assim.4 Se dois conjuntos A e B satisfazem as relac¸oes ˜ A ⊂ B e B ⊂ A simultaneamente. B ⊂ A (ou A ⊃ B) se. para qualquer conjunto X). Se quisermos evitar tal possibilidade. )). uma observac¸a˜ o an´aloga cabe para a inclus˜ao propria A ) B. Assumimos a existˆencia de um conjunto que n˜ao possui nenhum elemento. o s´ımbolo ⊂ (ou ⊃) e´ usado com o mesmo significado que demos ao s´ımbolo ( (respectivamente.e. Nesse caso. 32 ∅ ⊂ A. Prove a afirmac¸a˜ o acima. para indicar a inclus˜ao gen´erica (i. ii) existe ao menos um elemento de A que n˜ao pertence a B. A = B se. x ∈ B ⇒ x ∈ A. tais textos usam o s´ımbolo ⊆ (respectivamente ⊇). Dado qualquer conjunto A. a relac¸a˜ o X ⊂ X e´ sempre v´alida. Evidentemente. falamos em inclus˜ao pr´opria (ou estrita). vale sempre a relac¸a˜ o de inclus˜ao Exerc´ıcio. x ∈ A ⇔ x ∈ B. Conjunto vazio. A = B. E´ comum encontrar um uso diferente para o s´ımbolo ⊂ (ou ⊃) na literatura. Note que uma relac¸a˜ o de inclus˜ao do tipo B ⊂ A inclui a possibilidade que os conjuntos A e B sejam iguais (em outras palavras. Em s´ımbolos. Em s´ımbolos. n˜ao propria). denotando por B ( A. Em alguns textos ou artigos. denotando-se tal relac¸a˜ o por A ⊃ B. B ( A ⇔ B ⊂ A e B 6= A. Pr el Assim. e´ salutar verificar qual o significado ali adotado para os s´ımbolos de inclus˜ao. ´ Ve rs a˜ o Sobre notac¸o˜ es. e somente se.Bases Matem´aticas . e somente se. ao se consultar outras referˆencias bibliogr´aficas. .BC0003 .

z}. vale a relac¸a˜ o X ∈ ℘(A) ⇔ X ⊂ A. Dados dois conjuntos A e B. Tomemos o conjunto A do exemplo acima. Em suma. {x. z}. 4. Seja dado um conjunto A. y. 3. {z}. O conjunto de todos os subconjuntos de A e´ chamado de conjunto potˆencia de A (ou tamb´em conjunto das partes de A) e e´ denotado por ℘(A). y. {2}. 2} e B = {x. tem-se: • A ∪ B = {1. 2. isto e´ Ve rs a˜ o x ∈ A ∪ B ⇔ x ∈ A ou x ∈ B. pelo menos. o conjunto potˆencia ℘(A) sempre cont´em. Exerc´ıcio. {1}. 2. z}. Exemplos 2. Sejam dados os conjuntos A = {1. z}} E´ importante destacar um erro comum quando se fala em conjunto das partes. 2. 6} 33 .Armando Caputi e Daniel Miranda Conjunto potˆencia. 5} e C = {4.BC0003 . 3.Bases Matem´aticas .5. 6} • A∩C = ∅ • B ∪ C = {1. y}. 3.3 operac ¸o Uni˜ao e intersecc¸a˜ o. O conjunto intersecc¸a˜ o A ∩ B e´ formado pelos elementos que pertencem simultaneamente a A e B. O correto e´ {1} ∈ ℘(A) (o que equivale a dizer que {1} ⊂ A). Exemplos 2. o conjunto uni˜ao A ∪ B e´ o conjunto formado pelos elementos que pertencem a A ou a B. Note que. 5. B = {1. 2}} Pr eli m in ar • ℘(B) = {∅. Ent˜ao: • ℘(A) = {∅. que 1 ⊂ A). {y}. 3. 5. E´ falso afirmar que 1 ∈ ℘(A) (ou pior. qualquer que seja o conjunto A. 4. {1. {x. os elementos ∅ e A. Dados os conjuntos A = {1. isto e´ x ∈ A ∩ B ⇔ x ∈ A e x ∈ B. {y. {x}. 5} • A ∩ B = {1. 5. 3} • A ∪ C = {1. {x. Se A e´ um conjunto com n elementos. 3}. 6}. quantos elementos possui o conjunto potˆencia ℘(A)? ˜ es 2.6.

Bases Matem´aticas . 4 Dizemos que uma proposic¸a˜ o do tipo p ⇒ q e´ verdadeira por vacuidade. A ⊂ A ∪ B. Suponhamos ent˜ao que A ∩ B 6= ∅. seguem imediatamente as seguintes propriedades: 2. mesmo n˜ao disjuntos. i. quando A ∩ B = ∅.7 Sejam dados dois conjuntos A e B. A ∩ B ⊂ B ⊂ A ∪ B im in ar 1. Em particular. os eventuais elementos da intersecc¸a˜ o dos conjuntos passam a ser considerados distintos. a id´eia e´ similar. ´ Quando dois conjuntos A e B n˜ao tˆem nenhum elemento em comum. ent˜ao x pertence tanto ao conjunto A quanto ao conjunto B. Nesse caso. deve satisfazer a ao menos uma das condic¸oes: x ∈ A ou x ∈ B. vamos provar a terceira dessas propriedades: A∩B ⊂ A ⊂ A∪B Na verdade. Mas a primeira condic¸a˜ o ˜ e´ garantida pela hipotese acima. Novamente. quando a h´ıpotese p nunca e´ ´ satisfeita. Logo. Precisamos provar a implicac¸a˜ o: x ∈ A ⇒ x ∈ A ∪ B. precisamos verificar a implicac¸a˜ o: x ∈ A ∩ B ⇒ x ∈ A.e. ent˜ao a implicac¸a˜ o acima e´ verdadeira por vacuidade4 (isso equivale ao fato. o que se obt´em indexando os elementos de cada conjunto. Ve rs a˜ o Pr el Vejamos uma de cada vez. se x pertence a` intersecc¸a˜ o de A e B. Para que x seja um elemento da uni˜ao A ∪ B. Se for A ∩ B = ∅. Para provar a primeira. A ∩ B ⊂ A ⊂ A ∪ B 4. J´a no caso A 6= ∅. logo e´ verdadeira a inclus˜ao A ∩ B ⊂ A.e.Armando Caputi e Daniel Miranda • B ∩ C = {5} Propriedade 2. Das definic¸o˜ es acima. i. tomemos x ∈ A. Com relac¸a˜ o a` segunda inclus˜ao. 5 A rigor. o que nos interessa nesse caso e´ que x pertence ao conjunto A. dizemos que estes conjuntos s˜ao disjuntos. a implicac¸a˜ o e´ v´alida (por vacuidade). Isso e´ exatamente o que afirma a implicac¸a˜ o acima. j´a conhecido. de que o conjunto vazio e´ subconjunto de qualquer conjunto). 34 . A ∪ ∅ = A e A ∩ ∅ = ∅ 3. pode-se falar em uni˜ao disjunta de conjuntos quaisquer. A ∪ A = A = A ∩ A A t´ıtulo de exemplo. trata-se de duas inclusoes ˜ de conjuntos: A∩B ⊂ A e A ⊂ A ∪ B. se A = ∅. A uni˜ao de dois conjuntos disjun◦ tos e´ tamb´em chamada de uni˜ao disjunta e pode ser denotada pelo s´ımbolo ∪ 5 .BC0003 . Nesse caso. x tamb´em e´ elemento da uni˜ao .

2. 6} • B\C = {1. A △ ∅ = A 6. im in ar Define-se tamb´em a diferenc¸a sim´etrica A △ B como sendo a uni˜ao das diferenc¸as A\B e B\A. 5. define-se a diferenc¸a A\B (tamb´em denotada por A−B) como sendo o conjunto formado pelos elementos de A que n˜ao pertencem a B. A △ A = ∅ 5.BC0003 . 3. 2. 6} Pr el • C\A = C Ve rs a˜ o Propriedade 2. 5} e C = {4.Armando Caputi e Daniel Miranda Diferenc¸a e diferenc¸a sim´etrica. isto e´ A\B := {a ∈ A | a ∈ / B}. A\A = ∅ 2.Bases Matem´aticas . 3} • C △ B = {1.8 Dados os conjuntos A = {1. tem-se: • A\B = {2} • B\A = {5} • A △ B = {2. 3. seguem imediatamente as seguintes propriedades: 1. A △ B = B △ A 35 . 5. Dados dois conjuntos A e B. 5} • A\C = A • A △ C = {1. 3}. ∅\A = ∅ 4. 6} • C\B = {4. 6}.9 Sejam dados dois conjuntos A e B. Exemplos 2. 4. isto e´ A △ B := (A\B) ∪ (B\A). 3. 4. B = {1. A\∅ = A 3. Das definic¸o˜ es acima.

Soluc¸a˜ o: Em geral. Ve rs a˜ o Passemos a` segunda inclus˜ao: (A ∪ B)\(A ∩ B) ⊂ A △ B. mas x ∈ / A ∩ B. Se A △ B = ∅. x ∈ A\B. para provarmos uma igualdade de conjuntos do tipo X = Y. Se n˜ao for vazio.BC0003 .  Complementar de um conjunto.Armando Caputi e Daniel Miranda Exerc´ıcio resolvido. devemos provar as inclusoes: ˜ e (A ∪ B)\(A ∩ B) ⊂ A △ B. a inclus˜ao e´ trivialmente v´alida. tem-se que A △ B = (A ∪ B)\(A ∩ B). Isto e´ . Suponhamos ent˜ao A △ B 6= ∅. Como feito anteriormente. a inclus˜ao e´ v´alida. se o conjunto a` esquerda for vazio. define-se o complementar de A relativamente a U. sem perda de generalidade. Temos: x ∈ A △ B ⇒ x ∈ (A\B) ∪ (B\A) x ∈ (A\B) ∪ (B\A) ⇒ x ∈ (A\B) ou x ∈ (B\A) Suponha. Dessas ultimas duas. Assim. Tomemos x ∈ A △ B e provemos que x ∈ (A ∪ B)\(A ∩ B). conclu´ımos que x ∈ A ∪ B. que x ∈ A (o caso x ∈ B e´ an´alogo).Bases Matem´aticas . e´ necess´ario provarmos duas inclus˜oes: X ⊂ Y e Y ⊂ X. Pr el x ∈ A\B ⇒ x ∈ A e x ∈ /B Como x ∈ A e A ⊂ A ∪ B. Mostre que. tomemos x ∈ (A ∪ B)\(A ∩ B) e provemos que x ∈ A △ B. Temos: x ∈ (A ∪ B)\(A ∩ B) ⇒ x ∈ A ∪ B e x ∈ / A∩B x ∈ A ∪ B ⇒ x ∈ A ou x ∈ B Suponha. como sendo o conjunto U\A. x ∈ A\B (o caso x ∈ B\A e´ an´alogo). resulta x ∈ / B. Assim. o que significa que ´ x ∈ (A ∪ B)\(A ∩ B). Como x ∈ / A ∩ B e x ∈ A. podemos concluir que x ∈ A △ B. no caso desse exerc´ıcio. e como A\B ⊂ (A\B) ∪ (B\A). im in ar A △ B ⊂ (A ∪ B)\(A ∩ B) Comecemos pela primeira inclus˜ao. dados quaisquer conjuntos A e B. ent˜ao x ∈ / A ∩ B. E como A ∩ B ⊂ B e x ∈ / B. denotado por ∁U A. 36 . ∁U A = {x ∈ U | x ∈ / A}. Dado um subconjunto qualquer A ⊂ U. sem perda de generalidade. Seja fixado um conjunto U. ent˜ao x ∈ A ∪ B.

Da definic¸a˜ o.Bases Matem´aticas . 2. Durante o curso. A figura abaixo ilustra alguns exemplos: ˜ 37 . 6} • BC = {2. denotaremos o complementar de um conjunto A simplesmente por AC . (AC )C = A 4. o qual atua como um conjunto universo. B e C do exemplo anterior. 5. seguem imediatamente as seguintes propriedades: 1. Exemplos 2. A ∩ AC = ∅ Diagramas de Venn-Euler. 4. atrav´es dos quais cada conjunto e´ representado por uma regi˜ao plana limitada e a relac¸a˜ o entre tais conjuntos e´ representada pela posic¸a˜ o relativa dessas regioes. adotaremos uma notac¸a˜ o simplificada para o complementar de um conjunto.Armando Caputi e Daniel Miranda Num certo sentido.BC0003 . Em outras palavras. 5. 2. a operac¸a˜ o do complementar age sobre os subconjuntos de um conjunto universo. 6} Pr el • CC = {1. Uma forma gr´afica para representar conjuntos e´ dada pelos diagramas de Venn-Euler. Assim. enquanto a operac¸a˜ o de diferenc¸a opera sobre dois conjuntos quaisquer. UC = ∅ Ve rs a˜ o 3. Ent˜ao: • AC = {4. nesses casos. Seja dado um conjunto U e seja A ⊂ U. ∅C = U 2. O que pode distinguir uma da outra e´ o papel desempenhado pelo conjunto U.10. ao inv´es da notac¸a˜ o acima. Fixemos o conjunto universo U = {1. toda vez que o conjunto universo estiver implicitamente fixado.11 . a operac¸a˜ o do complementar e´ idˆentica a` operac¸a˜ o diferenc¸a. 4. im in ar Observac¸a˜ o. A ∪ AC = U 5. 3. 6} e tomemos os subconjuntos A. 3} Propriedade 2.

5). 6)} • B × C = {(1. y). Sejam dados dois conjuntos n˜ao vazios A e B. b} = {b. 4). isto e´ A × B := {(a. b) impoe ˜ uma ordem entre os elementos. tomemos os conjuntos A. (2. b}. 3). (3. 5). b) | a ∈ A. 6).BC0003 . B e C dos exemplos acima. 5). Define-se o produto cartesiano de A e B. 1). 4). 6). denotado por A × B como sendo o conjunto formado pelos pares ordenados (x. b) 6= (b. ˜ Pr el Produto cartesiano. no mais das vezes. b). 1). (2. (3. tem-se que {a. n˜ao devendo ser identificados com os mesmos. 5). (5. (1. (2. a) (excec¸a˜ o feita. (1. (3. como objeto matem´atico. (1. (2. (3. Ve rs a˜ o Nunca e´ demais lembrar que um par ordenado (a. evidentemente. Em breve. (5. (1. (5. 5). Este ultimo caracteriza-se unicamente por conter os elementos a ´ e b. enquanto que o par ordenado (a. (3. 4).12 Mais uma vez. e´ diferente do conjunto {a. 3). (3. 5)} • A × C = {(1. a}. 4). b ∈ B}. 4). 5). a bizarras conclusoes. onde o primeiro elemento pertence a A e o segundo a B. 6). 1).Armando Caputi e Daniel Miranda B A\B A∩B B A B A U im in ar A A∁ A∪B A Note que os diagramas acima s˜ao meras representac¸o˜ es dos conjuntos. (3. Exemplos 2. ao caso em que a = b). (1. 6)} 38 . (1. (2. 4). mas (a. (2. 5).Bases Matem´aticas . (3. 5). 3). Tem-se: • A × B = {(1. confus˜ao comum que leva. (3. 6).

¨ as seguintes operac¸oes ˜ com uma terna de conjuntos A. seja U um superconjunto de A.Bases Matem´aticas . A ∪ (B ∩ C) = (A ∪ B) ∩ (A ∪ C) 7. A ∩ (B ∪ C) = (A ∩ B) ∪ (A ∩ C) 8. C n˜ao vazios. (A ∩ B) ∩ C = A ∩ (B ∩ C) 5. B e C e considere a operac¸a˜ o de complementar relativo a U. (A △ B) △ C = A △ (B △ C) 6. (A ∩ B)C = AC ∪ BC Exerc´ıcio. ent˜ao A × (B ∩ C) = (A × B) ∩ (A × C) 12. C\(A ∪ B) = (C\A) ∩ (C\B) im in ar 3. 4 e 5 acima. suponha A. A ∩ B = B ∩ A 4. Se B ∩ C 6= ∅. Ent˜ao: Ve rs a˜ o 13. Sejam dados conjuntos quaisquer A. Valem as seguintes propriedades: 1. A ∪ B = B ∪ A 2.BC0003 . (A ∪ B) ∪ C = A ∪ (B ∪ C) Pr el Nas proximas trˆes propriedades. (A ∪ B)C = AC ∩ BC 14. sem incorrer em ambiguidade. Das propriedades 3. ´ 10. B e C: • A∪B∪C • A∩B∩C • A△B△C 39 . C\(A ∩ B) = (C\A) ∪ (C\B) 9. A × (B ∪ C) = (A × B) ∪ (A × C) 11. podemos considerar. Se B\C 6= ∅. Prove as propriedades acima.Armando Caputi e Daniel Miranda ˜ Propriedades das operac¸oes. ent˜ao A × (B\C) = (A × B)\(A × C) Al´em disso. B e C. B.

primeiramente. Dˆe um exemplo de conjuntos A e B de modo que n˜ao valha a inclus˜ao ℘(A ∪ B) ⊂ ℘(A) ∪ ℘(B) 5. provou a inclus˜ao (A △ B) △ C ⊂ A △ (B △ C) Em seguida. sejam A e B subconjuntos quaisquer de U. um estudante.Armando Caputi e Daniel Miranda Exerc´ıcios 1. Ao tentar provar a propriedade (A △ B) △ C = A △ (B △ C) (veja Propriedade 5 acima). B e C.BC0003 . Tomando o complementar relativamente a U. Dado um conjunto U. mostre que: a) A ⊂ B ⇔ A ∪ B = B c) C ⊂ A ∩ B ⇔ C ⊂ A e C ⊂ B d) C\(B\A) = (A ∩ C) ∪ (C\B) e) A\(A\B) = A ∩ B f) A ∩ (B\C) = (A ∩ B)\(A ∩ C) g) A ⊂ B ⇔ A\B = ∅ h) A ∩ B = ∅ ⇔ B\A = B im in ar b) A ⊂ B ⇔ A ∩ B = A 2. mostre que: a) A ⊂ B ⇔ BC ⊂ AC Pr el b) AC ∩ B = B\A c) A ∪ BC = (B\A)C 3. procedeu do seguinte modo: A △ (B △ C) = (B △ C) △ A = = (C △ B) △ A ⊂ C △ (B △ A) = = (B △ A) △ C = (A △ B) △ C Est´a correto o argumento do estudante? 40 . Dados quaisquer conjuntos A.Bases Matem´aticas . para provar a outra inclus˜ao. Mostre que: a) ℘(A ∩ B) = ℘(A) ∩ ℘(B) b) ℘(A ∪ B) ⊃ ℘(A) ∪ ℘(B) Ve rs a˜ o 4. Sejam dados dois conjuntos quaisquer A e B.

Z (inteiros) e Q (racionais). b e c denotam numeros ´ naturais. Algumas propriedades b´asicas dessas operac¸oes ˜ s˜ao apresentadas abaixo (onde a. inteiros e racionais 3. . 3. tratamos dos conjuntos dos numeros naturais. ´ ´ meros naturais.1 Soma e multiplica¸c˜ao Em N. Q− . n˜ao ser˜ao definidos tais conjuntos. 1. −2. . usa-se a notac¸a˜ o N∗ .Bases Matem´aticas . descritos ˜ abaixo: N = {0. Apenas destacam-se suas principais propriedades.Armando Caputi e Daniel Miranda 3 ´ RICOS CONJUNTOS NUME im in ar Nesta sec¸a˜ o. isto e´ . Q∗+ e Q∗− . . q ∈ Z. racionais e reais.1 n u Pr el Supoem-se conhecidos os conjuntos N (naturais). q 6= 0} E´ de uso comum a seguinte notac¸a˜ o para alguns subconjuntos de Z: Ve rs a˜ o Z∗ = {x ∈ Z | x 6= 0} Z+ = {x ∈ Z | x > 0} Z− = {x ∈ Z | x 6 0} Z∗+ = Z∗ ∩ Z+ = {x ∈ Z | x > 0} Z∗− = Z∗ ∩ Z− = {x ∈ Z | x < 0} Com significado an´alogo. . 2. 3.BC0003 . O ´ enfoque n˜ao e´ construtivo. 1. 2. . inteiros. −3. Q∗ . com particular atenc¸a˜ o a` s propriedades dos numeros natu´ rais e dos numeros reais. } Z = {0.1. −1. inteiros ou racionais): 41 . Q+ . . Z e Q est˜ao bem definidas as operac¸oes ˜ de soma e multiplicac¸a˜ o. } p Q = {q | p.

∃ −z ∈ Z | z + (−z) = 0. dependendo de qual conjunto num´erico estamos falando. No caso do conjunto dos naturais. Pr el Evidentemente.q−1 = 1 3.a = a a. mas em compensac¸a˜ o.2 Potencia¸c˜ao Se a e n s˜ao numeros naturais. as afirmac¸oes ˜ acima podem ser verdadeiras ou falsas. As propriedades acima s˜ao importantes para a manipulac¸a˜ o alg´ebrica de equac¸oes ˜ que envolvem numeros ou vari´aveis num´ericas. isto e´ . ambas as afirmac¸oes ´ ˜ s˜ao verdadeiras: ∀ q ∈ Q. 5.1. possuem elementos opostos: ∀ z ∈ Z. se n 6= 0 n a = 1 se n = 0 e a 6= 0 Note que a ”operac¸a˜ o” 00 n˜ao e´ definida. isto e´ . possivelmente. existe o oposto de a.a.c) 0+a = a 1. um numero que multiplicado ´ ´ por a resulta no elemento neutro 1. no conjunto dos numeros racionais. ∃ −q ∈ Q | q + (−q) = 0 ∀ q ∈ Q∗ . fica bem definida a operac¸a˜ o de potˆencia ´  a.b). h´a mais uma propriedade ne´ cess´aria para o c´alculo alg´ebrico que n˜ao tem o mesmo comportamento nos trˆes conjuntos acima. ∃ q−1 ∈ Q | q. Os inteiros tampouco possuem elementos inversos.b + a. 3. Entretanto.Armando Caputi e Daniel Miranda a+b = b+a a. Ve rs a˜ o Por fim. um numero que somado a a resulta ´ ´ no elemento neutro 0. 4. nenhuma das afirmac¸oes natural possui oposto (a ˜ e´ verdadeira. existe o inverso de a. ˜ 42 .BC0003 .(b + c) = a. 7.a (a + b) + c = a + (b + c) (a. na sec¸a˜ o dedicada a limites de func¸oes.a (n vezes). 6.(b. O motivo disso ser´a visto.Bases Matem´aticas . uma vez que nenhum numero ´ excec¸a˜ o do elemento neutro 0) nem inverso (a excec¸a˜ o do elemento neutro 1). 2. Trata-se da existˆencia de elementos inversos: (+) Para cada numero a. ( · ) Para cada numero a 6= 0.c = a. · · · .c (comutatividade da soma) (comutatividade da multiplicac¸a˜ o) (associatividade da soma) (associatividade da multiplicac¸a˜ o) (elemento neutro da soma) (elemento neutro da multiplicac¸a˜ o) (distributiva) im in ar 1.b = b.

P(n) denota uma propriedade gen´erica. observe que as mesmas definic¸oes ˜ acima fazem sentido para o caso da base ser um numero racional. o numero a e´ chamado de base. Na express˜ao an . que e´ falsa). Mas isso so´ ser´a poss´ıvel. Mais adiante.BC0003 . al´em das anteriores. para todo a ∈ N∗ e todo n ∈ N. tomando a ∈ N∗ e n. ´ ˜ o finita 3. de modo adequado. juntamente com a seguinte propriedade (onde a. dizemos que P(n) e´ verdadeira (caso contr´ario. Nesta sec¸a˜ o.bn im in ar 2. b ∈ N∗ e n. de modo a manter as propriedades acima.2 princ´ıpio de induc ¸a Uma propriedade particularmente importante dos numeros naturais e´ expressa pelo ´ Princ´ıpio de Induc¸a˜ o Finita (PIF). as quatro propriedades j´a enunciadas continuam ´ valendo para esse caso. an . no contexto dos numeros reais.b)n = an . b ∈ Q∗+ e n ∈ Z): n an = bn 5. Assim. m ∈ N): 1. Al´em disso. (an )m = anm Para estender a potenciac¸a˜ o para expoentes inteiros. Se n satisfaz a propriedade P(n). an−m = an am Pr el Por fim. poderemos definir a operac¸a˜ o de potˆencia para expoentes racionais. 43 . ser˜ao formulados dois enunciados diferentes (mas equivalentes) para o PIF. a seguinte propriedade: 4. enquanto n e´ chamado ´ de expoente. O objetivo de se ter duas versoes ˜ diferentes para um mesmo princ´ıpio e´ poder escolher qual delas mais se presta a cada caso estudado. define-se: a−n = 1 an . E´ imediato verificar as propriedades abaixo (onde a. temos.Armando Caputi e Daniel Miranda Nomenclatura. a b Ve rs a˜ o Observac¸a˜ o. atribu´ıvel ao numero natural gen´erico ´ n. (a. No que se segue.am = an+m 3. m ∈ Z.Bases Matem´aticas .

´ 1 N˜ao custa lembrar que ao dizer que o numero e´ gen´erico. o sucessor de k) tamb´em satisfaz a propriedade P. e´ o ”primeiro numero da fila”). (ii) assumir que a propriedade P vale ´ para esse numero. im in ar (PIF 2) Para todo k ∈ N. e isso corresponde a` segunda condic¸a˜ o do PIF (claro que.Armando Caputi e Daniel Miranda Princ´ıpio de Induc¸a˜ o Finita (1a vers˜ao) Seja P(n) uma propriedade gen´erica que satisfaz as seguintes condic¸oes: ˜ (PIF 1) P(no ) e´ verdadeira para um certo no ∈ N. ´ Segundo o PIF. devemos imaginar uma colec¸a˜ o infinita de pec¸as de domino). inevitavelmente. todas as pec¸as ser˜ao derrubadas. i.e.BC0003 . deve-se: (i) tomar um numero natural gen´erico1 k. e´ a mais simples. Ent˜ao. Pr el Pode ser comodo.e.Bases Matem´aticas . pois tratase somente de acharmos um numero natural que satisfaz a propriedade. ´ 44 . A segunda. tem-se: se P(k) e´ verdadeira. P(n) e´ verdadeira para todo natural n > no . ter em mente a seguinte analogia do doˆ min´o. para provarmos a validade de uma propriedade. ent˜ao P(k + 1) e´ verdadeira. que P(k) e´ verdadeira (nos referimos a isso como sendo a hip´otese ´ indutiva). n˜ao devendo assumir um valor espec´ıfico. A primeira delas.e. Ve rs a˜ o A analogia com o PIF e´ clara: a primeira pec¸a do domino´ a ser empurrada corresponde ao numero natural no da primeira condic¸a˜ o do PIF (em geral. Imagine que possu´ımos um certo numero de pec¸as de domino´ e que resolvemos ´ dispo-las em p´e (i. ´ normalmente.e. a seguinte tamb´em cai”. para que a analogia funcione bem. com k > no . para compreender o PIF. (iii) usando a hipotese indutiva (e eventualmente outras propriedades j´a conhe´ cidas). Para verificar a validade da condic¸a˜ o PIF 2. Se empurrarmos a ˆ primeira pec¸a da fila (na direc¸a˜ o da pec¸a que lhe segue) e se a distˆancia entre cada pec¸a e a seguinte for suficientemente pequena. queremos dizer que ele deve representar qualquer ´ numero poss´ıvel. e´ o cerne da demonstrac¸a˜ o. em geral. provar que o numero k + 1 (i. ent˜ao. apoiadas em suas faces menores) e enfileiradas. no e´ o primeiro numero ´ ´ natural para o qual a propriedade P e´ verdadeira. i. a ´ condic¸a˜ o de que a distˆancia entre cada pec¸a e a seguinte seja suficientemente pequena pode ser expressa na forma ”se uma pec¸a cai. devemos verificar as duas condic¸oes ˜ PIF 1 e PIF 2.

tomemos qualquer k ∈ N e assumamos a hipotese indutiva ´ 2k > 1 + k Queremos mostrar que P(k + 1) e´ v´alida. devemos tomar um numero ´ natural positivo qualquer k ∈ N e mostrar que vale a implicac¸a˜ o P(k) ⇒ P(k + 1).1.Bases Matem´aticas . pois 20 = 1 > 1 + 0. Em s´ımbolos: n(n + 1) 2 im in ar P(n) : 1 + 2 + · · · + n = Soluc¸a˜ o: Comecemos com verificar a condic¸a˜ o PIF 1.2k > 2. P(1) e´ verdadeira.  Exemplo 3. basta encontrar um numero positivo n que torne a propriedade P(n) verdadeira. Basta tomar n = 1. e´ satisfeita condic¸a˜ o 1 do PIF. Donde. Para isso. Para verificar a condic¸a˜ o PIF 2. Ve rs a˜ o = Soluc¸a˜ o: Para n = 0 a propriedade e´ verdadeira.Armando Caputi e Daniel Miranda ou seja. pelo PIF. verificamos que. tamb´em o e´ P(k + 1).(1 + k) (usamos a hipotese ´ indutiva) 45 .e. para todo natural positivo. que 2k+1 > 1 + (k + 1). Em outras palavras. i. Temos 2k+1 = 2.e. De ´ fato. Considere a seguinte propriedade: a soma dos primeiros n numeros natu´ rais positivos e´ n(n + 1)/2. Assim. Logo. Exemplo 3. que P(k + 1) tamb´em e´ verdadeira. devemos supor que P(k) e´ verdadeira (hipotese indutiva) e mostrar que ´ P(k + 1) e´ verdadeira. Para provar a condic¸a˜ o 2.2 Mostrar por induc¸a˜ o a propriedade P(n) : 2n > 1 + n.BC0003 . a soma a` esquerda na express˜ao acima e´ 1. enquanto o termo a` direita e´ 1(1 + 1) =1 2 Pr el Logo. i. conclu´ımos que P(n) e´ verdadeira para todo natural n > 1. a nossa hipotese indutiva e´ ´ P(k) : 1 + 2 + · · · + k = Temos ent˜ao 1 + 2 + · · · + k + (k + 1) = k(k + 1) 2 k(k + 1) k(k + 1) + 2(k + 1) + (k + 1) = 2 2 (k + 1)(k + 2) (k + 1) ((k + 1) + 1) = 2 2 Assim. se P(k) e´ verdadeira.

Discuta a afirmac¸a˜ o: P(n) e´ verdadeira para todo n ∈ N. P(n) : n = 1 (isto e´ . P(n + 1) e´ falsa. observar´ıamos que a propriedade Q(n) n˜ao satisfaz a condic¸a˜ o PIF 1. vale a express˜ao ! n X n (a + b)n = an−i bi i i=0 Sugest˜ao: ser´a necess´ario usar a formula ´ ! ! n n + = k k−1 n+1 k ! Muitas vezes. ent˜ao. tamb´em e´ v´alida. resulta n + 1 > n + 2).BC0003 .  ´ im in ar Nunca e´ demais ressaltar que. portanto. todo numero natural e´ igual ao numero 1) ´ ´ 2. pois P(1) e´ verdadeira. somando 1 a cada membro. Lembrando a definic¸a˜ o de coeficiente binomial: ! n n! := k!(n − k)! k Ve rs a˜ o prove o Teorema Binomial : para cada n ∈ N∗ . ao usar o PIF para demonstrar a validade de uma propriedade. mas n˜ao satisfaz a condic¸a˜ o PIF 2. considere as propriedades abaixo: 1. consequentemente. A t´ıtulo de exemplo. Se fossemos tentar prov´a-las usando o PIF. Considere a propriedade P(n) : n2 + n e´ ´ımpar.Bases Matem´aticas . Q(n) : n > n + 1 (isto e´ . pelo PIF. Mostre que a propriedade P verifica a condic¸a˜ o PIF 2. ent˜ao n = 1 e. mas satisfaz a condic¸a˜ o PIF 2 (se n > n + 1. Pr el Exerc´ıcio. e´ util ´ ter a` disposic¸a˜ o a seguinte vers˜ao do PIF: 46 .Armando Caputi e Daniel Miranda = 2 + 2k > 2 + k = 1 + (k + 1) A condic¸a˜ o PIF 2. Desse modo.e. e´ necess´ario cumprir ambas as condic¸oes ˜ 1 e 2. i. tentar mostrar uma implicac¸a˜ o do tipo P(k) e´ verdadeira ⇒ P(k + 1) e´ verdadeira n˜ao e´ t˜ao simples. ˆ observar´ıamos que a propriedade P(n) satisfaz a condic¸a˜ o PIF 1. pois se P(n) e´ verdadeira. ou at´e mesmo imposs´ıvel. todo numero natural e´ maior que seu sucessor) ´ Tais propriedades s˜ao evidentemente falsas. a propriedade P vale para todo numero natural. n + 1 = 2 6= 1. Logo. Al´em disso. Exerc´ıcio.

n e´ primo ou n˜ao e´ . a hipotese indutiva e´ ´ ´ ”a propriedade e´ v´alida para todos os numeros que antecedem n”. P(n) e´ verdadeira. a propriedade P vale para todo natural maior que 1. Assim. ent˜ao P(n) e´ verdadeira. ent˜ao deve existir um numero primo p que divide n. ent˜ao P(n) e´ verdadeira. 47 .2a vers˜ao Seja P(n) uma propriedade gen´erica que satisfaz as seguintes condic¸oes: ˜ (PIF 1) P(no ) e´ verdadeira para um certo no ∈ N. a hipotese indutiva pode ser reformulada como ”a pro´ ´ priedade e´ v´alida para o antecessor do numero n”.BC0003 .k para um certo k ∈ N. com no 6 k < n.  Exerc´ıcio. podemos usar a hipotese indutiva para o numero k: k e´ primo ou e´ produto de primos. Fixado n ∈ N (n > 2).k e´ um produto de primos. Adotando a segunda vers˜ao do PIF. pois P(2) e´ verdadeira. vamos verificar a condic¸a˜ o 2. como k > 1 (pois p 6= n) e k < n (pois p > 1).Armando Caputi e Daniel Miranda Princ´ıpio de Induc¸a˜ o Finita . Ve rs a˜ o Soluc¸a˜ o: Queremos mostrar que n e´ primo ou e´ produto de primos. J´a na vers˜ao 2.3 Considere a propriedade P(n): n e´ primo ou e´ produto de numeros primos. na hipotese indutiva. nossa hipotese indutiva e´ : ´ se 2 6 k < n. Consequente´ ´ mente.Bases Matem´aticas . ´ Pr el Exemplo 3. A condic¸a˜ o ´ ´ PIF e´ trivialmente satisfeita. Na vers˜ao 1. tem-se: se P(k) e´ verdadeira para todo k ∈ N. ´ n = p. n = p. ´ Vamos provar que P(n) e´ verdadeira para todo n > 1 (isto e´ . P(n) e´ verdadeira para todo natural n > no . isto e´ . A diferenc¸a dessa vers˜ao para a primeira est´a na condic¸a˜ o 2. Evidentemente. vamos provar que todo numero natural maior que 1 e´ primo ou e´ produto de numeros primos). com n > no . Ora. Se for primo. ent˜ao k e´ primo ou e´ produto de primos. Se n n˜ao e´ primo. ou seja. im in ar (PIF 2) Para todo n ∈ N. pelo PIF (2a vers˜ao). Ent˜ao. mais especificamente. Tente perceber a dificuldade em se provar a propriedade acima usando a primeira vers˜ao do PIF.

coloca-se no tanque o conteudo desse gal˜ao. Ex. h´a duas possibilidades: o carro completa ´ a volta ou para em pane seca em algum lugar da pista antes de completar a volta. com o tanque vazio. e n˜ao em como fazer tal escolha) [Soluc¸a˜ o no Apˆendice]. 2. 2. O piloto escolhe. Em seguida. com essa quantidade de gasolina. uma pista de corrida).BC0003 . O carro e´ colocado nesse ponto. um certo numero de galoes ´ ˜ de gasolina. A quest˜ao e´ : ser´a sempre poss´ıvel escolher um oportuno gal˜ao inicial de modo a completar a volta da pista? (Atenc¸a˜ o: o problema consiste em decidir se e´ poss´ıvel fazer tal escolha. se for o caso). ´ a.3 — Prove que para todo inteiro positivo n vale: 1 2 + 2 2 + 3 2 + · · · + n2 = 48 n(2n + 1)(n + 1) . ao menos em princ´ıpio. Em um circuito fechado (por exemplo. A seguir. ´ em qualquer contexto. s˜ao distribu´ıdos. se uma propriedade (verdadeira) puder ser formulada em termos de numeros naturais. qualquer ponto do circuito onde se encontra um gal˜ao. falamos somente em propriedades dos numeros naturais. 2. mesmo quando os objetos considerados n˜ao s˜ao num´ericos. a3 = r2 a.4 — (Soma dos termos de uma progress˜ao geom´etrica) Sejam a e r dois Ex. aleatoriamente.1 — Calcule a soma dos n primeiros numeros inteiros. Pr el Problema do Circuito. Ex. an = rn−1 a. mas sabe-se que a quantidade total de gasolina e´ suficiente para efetuar exatamente uma volta nesse circuito (e cada gal˜ao tem capacidade para conter toda essa quantidade de gasolina. ele para em pane seca. o carro n˜ao chegar ´ ao proximo gal˜ao. 2.Bases Matem´aticas . desde que devidamente formuladas em termos de numeros naturais. Ex. a2 = ra. N˜ao se conhece a quantidade de gasolina em cada gal˜ao (pode at´e haver galoes ˜ vazios). · · · diz-se uma progress˜ao geom´etrica de raz˜ao r. de uma progress˜ao geom´etrica e´ : Sn = rn a−a r−1 . Ex. ´ ´ acrescenta ao tanque o conteudo desse novo gal˜ao e prossegue na pista em direc¸a˜ o ao ´ proximo gal˜ao. · · · . 1 1·2 + 1 2·3 + ··· + . At´e agora. Mas se conseguir chegar ao proximo gal˜ao. 2. Ve rs a˜ o Exerc´ıcios. Seguindo esse procedimento. Na verdade.5 — Provar que 6 1 n n(n+1) = n+1 . A sequˆencia a1 = ´ numeros pares. Mas ´ pode-se usar o PIF para provar propriedades dos numeros inteiros ou at´e mesmo racio´ nais.Armando Caputi e Daniel Miranda im in ar Observac¸a˜ o. ´ ent˜ao ela pode. um exemplo interessante que pode ser resolvido com o PIF. ser demonstrada atrav´es do PIF.2 — Calcule a soma dos n primeiros Prove que a soma dos n primeiros termos numeros ´ ´ımpares. como ponto de partida. r 6= 1. Se.

foco de nossa discuss˜ao. b) Prove por induc¸a˜ o que (X1 ∪ X2 ∪ C · · · Xn )C = (XC 1 ) ∩ (X2 ) ∩ · · · ∩ (Xn )C .3 n u Como dissemos anteriormente. de modo a facilitar a apreciac¸a˜ o de sua estrutura. 1 n+1 ) = 1 n+1 .Bases Matem´aticas . para todo n > 6.8 — Demonstre que para todo inteiro positivo n valem as seguintes afirmac¸oes: ˜ a) 13 + 23 + · · · + n3 = [ 12 n(n + 1)]2 .10 — Sejam X. isso sim. Nesse sentido. Ex. 2. 2. as representac¸oes ˜ mais comuns s˜ao a representac¸a˜ o decimal e a reta real. para todo m. Xn conjuntos com relac¸a˜ o a um conjunto universo U fixado. ´ Entretanto. e) n < 2n . Ex. para todo n > 2. Ex. 2. X1 . aprofundarmos o conhecimento das ´ suas propriedades. nosso enfoque ser´a voltado a` estrutura do conjunto dos numeros reais. a) Prove por induc¸a˜ o que X ∩ (X1 ∪ X2 ∪ · · · ∪ Xn ) = (X ∩ X1 ) ∪ (X ∩ X2 ) ∪ · · · ∪ (X ∩ Xn ). para todo n > 3. para todo n > 4.Armando Caputi e Daniel Miranda Ex.BC0003 . · · · . n > 1. pode ser comodo ter em mente algum modelo ou representac¸a˜ o dos numeros ˆ ´ reais. para todo Ex. c) (1 − 21 )(1 − 13 ) · · · (1 − im in ar (1 + x)n > 1 + nx. Demonstrar que: m. Em outras palavras.6 — Decida se as afirmac¸oes ˜ abaixo s˜ao verdadeiras ou falsas: f) 12 − 22 + 32 − 42 + · · · + (−1)n+1 n2 = (−1)n+1 n(n+1) .9 — Seja x um inteiro positivo. 2. b) (m + n)! = m! + n!. 2 a) (mn)! = m!n!. est´a fora de nossos propositos fazer uma construc¸a˜ o do ´ conjunto dos numeros reais. 2. Ve rs a˜ o ´ meros reais 3. Interessa-nos. 2. c) n! > 2n . d) 1 + 2 + · · · + 2n−1 = 2n − 1.11 — Use induc¸a˜ o para mostrar que um conjunto finito com n elementos possui 2n subconjuntos. X2 .7 — Provar que: a) n! > n2 . Ex. n > 1. b) n! > n3 . qual- 49 . Pr el b) 1 + 2( 21 ) + 3( 21 )2 + · · · + n( 12 )n−1 = 4 − 2n+2 n−1 .

Por ora.Bases Matem´aticas . denotadas respectiva˜ mente pelos s´ımbolos ”+” e ”. A seguir. Apresenta¸c˜ao axiom´atica dos n´ umeros reais im in ar 3. Propriedade comutativa da soma a+b = b+a ∀ a. Tudo o que se segue e´ independente de tais representac¸oes ˜ e estas n˜ao ser˜ao novamente mencionadas no desenrolar desta sec¸a˜ o. Propriedade associativa da multiplicac¸a˜ o (ab)c = a(bc) ∀ a. e´ um conjunto que satisfaz os assim ´ chamados axiomas de corpo.BC0003 . satisfazendo as seguintes propriedades3 : Pr el A1.b ser´a. supomos que sejam conhecidas. por´em. Propriedade associativa da soma (a + b) + c = a + (b + c) ∀ a. denotado por R. ∃(−a) ∈ R | a + (−a) = 0 A5. 3 Como j´a e´ costume. ∈ R Ve rs a˜ o A3. c ∈ R 2 Voltaremos a falar dessas representac¸oes ˜ mais adiante. Existˆencia do elemento neutro da soma Existe 0 ∈ R | a + 0 = a ∀a ∈ R A4. Ali´as. em geral. trataremos cada grupo de axiomas separadamente. n˜ao ter˜ao nenhuma valia nesta sec¸a˜ o. de ordem e de completude. b. b.1 O conjunto dos numeros reais. Existˆencia de oposto Para todo a ∈ R. que essas ou quaisquer outras representac¸oes ˜ servem somente como suporte a` compreens˜ao da estrutura dos reais. Destaque-se. simplesmente denotada por ab. b. mais uma vez. a multiplicac¸a˜ o a.3. c ∈ R A2. soma e multiplicac¸a˜ o. 50 . se n˜ao o forem. Axiomas de Corpo O conjunto R e´ dotado de duas operac¸oes.Armando Caputi e Daniel Miranda quer uma delas pode servir ao escopo2 .”. uma vez que e´ justamente a intimidade com tais representac¸oes ˜ o fator que pode ajudar a compreender a descric¸a˜ o da estrutura que aqui ser´a feita.

c ∈ R Pr el Observac¸a˜ o. tem-se que: ´ ab = 0 ⇒ a = 0 ou b = 0. O inverso de um numero real (n˜ao nulo) e´ unico. Dado qualquer a ∈ R.0 = 0 Ve rs a˜ o 4. sejam a ′ .Armando Caputi e Daniel Miranda A6. E´ o caso. A t´ıtulo de exemplo. satisfazendo as propriedades acima. O oposto de um numero real e´ unico. ´ ´ 2. usando oportunamente os axiomas acima. . por exemplo. Comecemos ´ pela quarta propriedade. resulta a(−b) = −ab. Propriedade comutativa da multiplicac¸a˜ o ab = ba ∀ a. 7. o conjunto ´ ´ de axiomas acima e´ insuficiente para caracterizar univocamente o conjunto dos numeros ´ reais. Propriedade distributiva da multiplicac¸a˜ o em relac¸a˜ o a` soma a(b + c) = ab + ac ∀ a. Exerc´ıcios. A partir dos axiomas A1.. O numero 0 (zero) e´ o unico elemento neutro da soma. ´ ´ 6. ∃a−1 ∈ R | a. do conjunto dos numeros racionais e do conjunto dos numeros complexos. ´ ´ 3.a−1 = 1 A9. prove as seguintes propriedades: 1. Ent˜ao. A9 acima. Existˆencia do elemento neutro da multiplicac¸a˜ o Existe 1 ∈ R | a. H´a outros conjuntos num´ericos que tamb´em possuem operac¸oes ˜ de soma e multiplicac¸a˜ o. O numero 1 e´ o unico elemento neutro da multiplicac¸a˜ o. provemos a quarta e a ultima dessas propriedades. resulta a. b.Bases Matem´aticas . b ∈ R. Existˆencia de inverso ∀a ∈ R Para todo a ∈ R∗ . Para quaisquer numeros reais a e b. a ′′ ∈ R numeros tais que ´ ´ ′ ′′ a + a = 0 e a + a = 0.. Nesse sentido.BC0003 .. Dados quaisquer a. temos a ′ = a ′ + 0 = a ′ + (a + a ′′ ) = (a ′ + a) + a ′′ = 0 + a ′′ = a ′′ 51 .1 = a im in ar A8. b ∈ R A7. Dado um numero real a. ´ ´ 5.

Compatibilidade com a soma ∀ a. Dados quaisquer a. A11 e A124 . Se ´ a = 0. Suponhamos ent˜ao que a 6= 0. Se a 6 b e b 6 a. Sejam dados a. existe a−1 tal que a.b = b Logo. b. c ∈ R. e´ igual a 0.BC0003 . Deve´ mos mostrar que. Assim. A12 continuam sendo insuficientes para caracterizar de modo un´ıvoco o conjunto 4 O conjunto C dos numeros complexos tamb´em pode ser dotado de uma relac¸a˜ o de ordem total. tem-se 1. ent˜ao a 6 c (transitiva) Ve rs a˜ o 4. provamos que so´ h´a um unico numero real que cumpre o papel de ´ ´ oposto de a. ´ n˜ao e´ poss´ıvel definir tal ordem de modo a satisfazer as condic¸oes ˜ de compatibilidade com a soma e a multiplicac¸a˜ o. b ∈ R quaisquer. b. Assim. n˜ao temos nada a provar. c ∈ R.Bases Matem´aticas . Ent˜ao.a−1 = 1. de ab = 0. a 6 b e 0 6 c ⇒ ac 6 bc Observac¸a˜ o. denotada por 6 (que se lˆe ”menor ou igual”). obtemos a−1 (ab) = a−1 .0 O lado direito. pela propriedade 3 do exerc´ıcio acima (que supomos j´a ter sido provada). satisfazendo as seguintes propriedades: A10. pela propriedade A8. Compatibilidade com a multiplicac¸a˜ o ∀ a. temos: a−1 (ab) = (a−1 a)b = 1. A8 e A7. multiplicando ambos os membros por a−1 . usando A5. im in ar Provemos agora a ultima das propriedades acima. 52 . ent˜ao ao menos um dos numeros a e b deve ser igual a 0. a 6 b ⇒ a + c 6 b + c A12. c ∈ R. Necessariamente. Quanto ao lado direito. voltando a juntar os lados direito e esquerdo.. se ab = 0. os axiomas A1. b. . ent˜ao a = b (anti-sim´etrica) 3.. O conjunto Q ainda satisfaz os axiomas A10.Armando Caputi e Daniel Miranda Em outras palavras.. a 6 a (reflexiva) 2. Entretanto. temos que b = 0.  Axiomas de Ordem Pr el Em R est´a definida uma relac¸a˜ o de ordem total. e´ a 6 b ou b 6 a (ordem total) A11. Se a 6 b e b 6 c.

b.e. c ∈ R. A12. Para todo a ∈ R. . a>b⇔b6a Al´em disso.BC0003 . tem-se a 6 0 ⇔ 0 6 −a 2.. Usando o axioma A12.Armando Caputi e Daniel Miranda dos numeros reais.. a > b) ⇔ a 6 b(resp. podemos somar a ambos os membros o numero ac + bc. prove as seguintes propriedades relativas a` s desigualdades: 1. b.Bases Matem´aticas . Dados a. i. i. satisfazendo as hipoteses ´ a6b e c 6 0. mantendo a ´ desigualdade. d ∈ R. tamb´em utiliza-se o s´ımbolo < (resp. ´ Notac¸a˜ o. Com base nos axiomas A1.e. obtemos a(−c) 6 b(−c) ou seja (usando um dos itens do exerc´ıcio anterior) −ac 6 −bc Pelo axioma A11. Para facilitar a leitura. Pelo item 1 deste exerc´ıcio (que supomos j´a ter sido demonstrado). Dados quaisquer a. b. c ∈ R como no enunci´ ado.. temos que 0 6 −c. c. Suponhamos dados a. Dados a. e´ comum adotar o s´ımbolo > (”maior ou igual”) no sentido oposto ao de 6.e. >) para denotar a desigualdade estrita: im in ar a < b(resp. b ∈ R a > 0 e b > 0 ⇒ ab > 0 Pr el 3. Exerc´ıcios. ent˜ao a 6 ceb 6 d ⇒ a+b 6 c+d 4. i. tem-se a 6 b e c 6 0 ⇒ ac > bc Ve rs a˜ o Provemos a ultima dessas propriedades. −ac + (ac + bc) 6 −bc + (ac + bc) 53 . a > b) e a 6= b.

os doze axiomas introduzidos n˜ao d˜ao conta de diferenciar o conjunto dos numeros racionais daquele dos numeros reais. Evidentemente. comecemos por ver a ausˆencia dessa propriedade em Q. ´ At´e agora. como exemplo. o numero ´ e´ um divisor comum de n e m. Os conjuntos Q e R s˜ao exemplos de corpos ordenados.BC0003 . O que falta.  im in ar Discuss˜ao pr´evia a respeito da necessidade do Axioma de Completude . m ∈ Z. Para apreciar ao menos em parte o significado disso. Provemos. parece v´alido delinear algumas questoes (e ultimo) axioma que intro˜ motivadoras do proximo ´ ´ duziremos para poder finalmente caracterizar univocamente os numeros reais. O conteudo ´ desta sec¸a˜ o e´ objeto de vasta literatura. longe disso. ´ ´ 5 por´em. primos entre si6 . Um ´ numero racional sempre pode ser expresso como raz˜ao de dois inteiros primos entre si. a seguinte proposic¸a˜ o: Pr el Proposic¸a˜ o 3. h´a o fato de que um corpo ordenado n˜ao constitui um instrumento adequado a` s necessidades do c´alculo diferencial e integral (ou. como observamos acima. obtemos bc 6 ac. 6 Dois inteiros s˜ao primos entre si quando n˜ao possuem nenhum divisor comum. assim deve ser n2 . usando oportunamente os axiomas. Mais do que isso. Como o membro a` direita e´ par. chegamos a uma contradic¸a˜ o. Entretanto. est´a fora de nossos propositos ´ tratar este tema com o mesmo grau de profundidade. Logo. ac > bc. e portanto m tamb´em e´ par. Logo.4 N˜ao existe nenhum numero racional q tal que q2 = 2.. e´ a propriedade da continuidade. devem ´ ´ existir numero inteiros n. n e´ par (∵ um numero inteiro e seu quadrado tˆem a mesma paridade). seguiremos a ”reduc¸a˜ o ao absurdo”: negando a tese. dito de modo ainda impreciso. Tomemos ent˜ao um numero racional q tal que q2 = 2 (note que estamos ´ negando a tese de que tal numero n˜ao existe). Resumindo: a hipotese de existˆencia de um numero racional q cujo quadrado e´ ´ ´ 5 Denomina-se assim um conjunto que satisfac¸a os axiomas A1. a` An´alise). tais que ´ Ve rs a˜ o q= n m Como q2 = 2. a` excec¸a˜ o do numero 1. obtendo 2m2 = (2k)2 = 4k2 2 Mas isso significa que m2 = 2k2 e´ par. de modo mais apropriado. o que nos permite concluir que a tese deve ser de fato verdadeira.. A12. .Bases Matem´aticas . ´ 54 . tem-se que n2 = 2m2 . i. ´ Demonstrac¸a˜ o: Para demonstrar isso.. Podemos ´ ent˜ao escrever n = 2k para um certo inteiro k. contradizendo o fato de que tais numeros s˜ao primos ´ entre si.Armando Caputi e Daniel Miranda donde. Como q e´ um numero racional.e.

No que se segue. Disso. • O conjunto B n˜ao possui nem minorantes nem majorantes (n˜ao e´ limitado). se existe um numero real x tal que ´ ∀a∈A Pr el a6x Caso exista tal numero x.. e´ chamado de minorante . ´ possuir´a infinitos minorantes.e. . i. mas n˜ao superiormente. Caso A possua algum minorante. O Axioma de Completude vir´a fornecer a resposta adequada a essa quest˜ao da continuidade. nos parece mais efetivo. qualquer numero maior ou igual a 3 e´ um majorante) ´ 55 . C = {x ∈ R | 1 < x 6 3}. este e´ chamado de majorante do conjunto A. Dizemos que A e´ limitado superiormente .. Apesar de ser poss´ıvel enunciar o Axioma de Completude com o que j´a temos a` disposic¸a˜ o.  Axioma de Completude im in ar A proposic¸a˜ o acima e´ um exemplo de como os axiomas A1. possuir´a infinitos majorantes. sob o ponto de vista did´atico. Exemplos 3.BC0003 .. • O conjunto A possui minorantes (qualquer numero n˜ao positivo e´ um minorante de ´ A). apresentar alguns conceitos preliminares intimamente ligados a tal axioma. A e´ um conjunto limitado inferiormente. De modo similar. • J´a o conjunto C e´ limitado inferiormente e superiormente (qualquer numero menor ´ ou igual a 1 e´ um minorante. caso exista. Tome os conjuntos A = N ⊂ R. fazendo com que o conjunto dos numeros reais ”preencha as lacunas deixadas ´ pelos racionais”. conclu´ımos que tal racional n˜ao existe. B = Z ⊂ R.Armando Caputi e Daniel Miranda igual a 2 leva a uma contradic¸a˜ o. seja A ⊂ R um subconjunto n˜ao vazio. A12 n˜ao d˜ao conta sequer de permitir uma operac¸a˜ o alg´ebrica t˜ao simples quanto a extrac¸a˜ o de raiz quadrada.5. provando assim a proposic¸a˜ o.Bases Matem´aticas . dizemos que A e´ limitado inferiormente se existir algum numero real ´ y tal que y6a ∀a∈A Ve rs a˜ o Tal numero y. mas n˜ao possui majorantes. Note que no caso ´ em que A possua algum majorante.

O Axioma de Completude diz que isso so´ poder´a ocorrer com conjuntos ilimitados. casos existam. possui supremo. Nos exemplos acima. h´a casos em que o supremo (ou o ´ınfimo) pode n˜ao existir. Ve rs a˜ o E´ poss´ıvel provar (fac¸a-o como exerc´ıcio) que tanto o supremo quanto o ´ınfimo de um conjunto. ent˜ao y 6 r Em outras palavras.6 Um numero s ∈ R e´ chamado de supremo de A se valem as seguintes ´ condic¸oes: ˜ S1.7 Um numero r ∈ R e´ chamado de ´ınfimo de A se valem as seguintes ´ condic¸oes: ˜ ∀a∈A Pr el I1. temos: inf A = 0. ent˜ao s 6 x Em outras palavras. Todo subconjunto de R. definimos o conceito de ´ınfimo. n˜ao vazio e limitado inferiormente. um modo simples de colocar a definic¸a˜ o acima e´ : o supremo de um conjunto A e´ o menor dos majorantes de A. inf C = 1 e sup C = 3 (note que A n˜ao possui supremo e B n˜ao possui nem ´ınfimo nem supremo). Se y e´ um minorante de A. n˜ao vazio e limitado superiormente. Isso justifica adotar uma notac¸a˜ o para cada um deles: ´ sup A para o supremo de A e inf A para o ´ınfimo de A. possui ´ınfimo. Todo subconjunto de R. r 6 a I2. Apesar de n˜ao fazer menc¸a˜ o ao ´ınfimo. Definic¸a˜ o 3. De modo totalmente similar.Bases Matem´aticas . Assim.Armando Caputi e Daniel Miranda Definic¸a˜ o 3.BC0003 . Axioma de Completude: A13. o Axioma de Completude e´ equivalente a` seguinte propriedade: A13’. 56 . s˜ao unicos. a 6 s ∀a∈A im in ar S2. o ´ınfimo de um conjunto A e´ o maior dos minorantes de A. Se x e´ um majorante de A.

se fosse a2 < b. tomando o numero c = a + 1/n. uma propriedade mais geral.4). A id´eia.Armando Caputi e Daniel Miranda Exerc´ıcio. poderemos concluir que p n˜ao pode ser racional (em func¸a˜ o da Proposic¸a˜ o 3. Ent˜ao existe um unico numero real positivo a ´ ´ ´ √ 2 tal que a = b. ´ Demonstrac¸a˜ o: Considere o conjunto A = {x ∈ R+ | x2 < b} Ve rs a˜ o O conjunto A e´ n˜ao vazio. poder´ıamos tomar um numero natural n > 1 tal ´ que 2a + 1 n> b − a2 donde obtemos 2a + 1 < b − a2 n Assim. considere o conjunto B = {−a | a ∈ A} e mostre que: i) B e´ limitado superiormente.BC0003 . Mostremos que de fato isso ocorre. Para descartar cada uma dessas duas desigualdades. so´ restando a possibilidade que nos interessa. O numero a e´ chamado de raiz quadrada de b e e´ denotado por b. uma vez que 0 ∈ A. 3 e´ um majorante de A). (ii) supor que a2 > b contradiz o fato de a ser o menor dos majorantes (condic¸a˜ o S2 do supremo). Se provarmos que para tal p. verificaremos que: (i) supor que a2 < b contradiz o fato de a ser um majorante (condic¸a˜ o S1 do supremo). tomando y ∈ R tal que y > 1 e y > b. nem a2 > b. Se o axioma A13 fosse v´alido em Q. E´ evidente que a > 0. resulta y2 > y > b. na verdade. para tanto. Considere o seguinte conjunto: A = {q ∈ Q+ | q2 < 2} Note que A 6= ∅ (por exemplo.Bases Matem´aticas . Pois bem. deveria existir p ∈ Q tal que p = sup A. [Sugest˜ao: dado um conjunto A limitado inferiormente. seguiria: ´ c2 = (a + 2a 1 1 2 ) = a2 + + 2 < n n n 57 . teremos conclu´ıdo que n˜ao existe o supremo de A em Q. existe a = sup A. Pelo Axioma de Completude.8 Seja b ∈ R um numero positivo. Consequentemente. Al´em disso. Prove a propriedade A13’. da qual poderemos concluir a afirmac¸a˜ o acima. e´ mostrar que n˜ao pode ocorrer nem a2 < b. 0 ∈ A) e e´ um conjunto limitado superiormente (por exemplo. Queremos mostrar que a2 = b. ii) sup B = inf A] im in ar Pela apresentac¸a˜ o que demos ao Axioma de Completude. logo A possui majorantes. deve valer p2 = 2. Mostraremos. Referimo-nos a` existˆencia da raiz quadrada de um numero real positivo: ´ Pr el Proposic¸a˜ o 3. ficou claro que tal axioma n˜ao seria satisfeito pelo conjunto Q.

est´a descartada a possibilidade de ser a2 < b. ent˜ao a potˆencia am e´ definida em termos da operac¸a˜ o de multiplicac¸a˜ o: 7 Na verdade. assim. . No que se segue. ´ 58 . Descartamos. poder´ıamos tomar c = a − 1/n.. Ve rs a˜ o O fato de R satisfazer os axiomas A1. contrariando a condic¸a˜ o S1 do supremo. Logo. c seria um majorante de A com c < a. segue que im in ar < a2 + 2an 2a 2an − 1 < 2 = < a2 − b 2 n n n donde obtemos c2 = (a − 1 2 2a 1 1 − 2an ) = a2 − + 2 = a2 + > a2 + b − a2 = b n n n n2 Pr el Desse modo.Bases Matem´aticas . ent˜ao p2 = 2.8. A13 e´ expresso dizendo que R e´ um corpo ordenado completo. contrariando a condic¸a˜ o S2 do supremo. tratamos da operac¸a˜ o de potenciac¸a˜ o com base racional positiva e expoente inteiro.2. Se m ∈ Z. podemos agora dizer que os axiomas A1. ent˜ao m tem que ser o ´ supremo de A (prove por exerc´ıcio).3. tamb´em a possibilidade de ser a2 > b.  Voltando a` quest˜ao formulada antes da Proposic¸a˜ o 3.2 Potencia¸c˜ao de n´ umeros reais Na Sec¸a˜ o 3. conclu´ımos que o conjunto dos racionais n˜ao satisfaz o Axioma de Completude.Armando Caputi e Daniel Miranda 2a + 1 2a 1 + = a2 + < a2 + b − a2 = b n n n Isso significa que c ∈ A e a < c. basta observar que se um numero positivo m ∈ R e´ tal que m2 = b. e´ imediato agora verificar que se p ∈ Q e´ tal que p = sup A. pelo que j´a foi dito anteriormente. mas o que foi dito at´e aqui e´ suficiente para os propositos deste curso. para provarmos a unicidade da raiz quadrada. Por fim. deve ser m = a. seja a um numero ´ ´ ´ real positivo fixado. De modo semelhante ao que foi feito acima.. que a2 = b. A13 caracterizam o conjunto dos numeros reais7 .1. Pela unicidade do supremo.. n˜ao e´ completo. apesar de ser um corpo ordenado. Suponhamos agora que valha a2 > b....BC0003 . onde n e´ um inteiro tal que 2a n> 2 a −b Da desigualdade acima. caberia aprofundar tal ”caracterizac¸a˜ o”. Acabamos de ver que Q. ´ 3. . podendo concluir. Queremos agora estender tal operac¸a˜ o para os casos em que a base e´ um numero real positivo e o expoente e´ um numero real. Dessa forma. Portanto. portanto.

De fato. seguida pela potˆencia por m) j´a foram definidas anteriormente.BC0003 . seja x ∈ R. definamos antes a operac¸a˜ o a n quando 1 n ∈ N∗ .e. o resultado da operac¸a˜ o de potˆencia n˜ao se altera? Felizmente.a (m vezes) • Se m < 0. Pr el Observac¸a˜ o. a0 = 1 1 im in ar Para definir a potˆencia com expoente racional. Definimos. omitida). i. ser´a que existe tal numero real b? A resposta a essa quest˜ao e´ similar ao caso da existˆencia da raiz ´ quadrada de um numero real positivo. b > 0 e bn = a). ´ 1 b = a n ⇔ b > 0 e bn = a A definic¸a˜ o acima parece boa. de fato. a frac¸a˜ o m/n e´ somente uma das infinitas ´ representac¸oes ˜ poss´ıveis de q. • Se a > 1. podemos escrever √ n a e chamada de raiz n-´esima de a.Armando Caputi e Daniel Miranda • Se m > 0. se tomarmos qualquer outra. 1 Se q ∈ Q. De fato. ent˜ao 1 aq := (a n )m Ve rs a˜ o Note que cada uma das operac¸oes ˜ acima (primeiro a potˆencia por 1/n. am = 1 a−m • Por fim. Isto e´ feito dizendo que a n e´ o numero real positivo cuja n-´esima potˆencia e´ ´ igual ao numero a. O problema que poderia aparecer aqui tem a ver com a falta de unicidade da representac¸a˜ o do numero racional q como ´ sendo uma raz˜ao de numeros inteiros. independente da particular raz˜ao m/n que tomarmos para representar o numero racional q (tal prova ser´a. ´ Finalmente. ´ pode-se provar que tal numero real satisfaz as condic¸oes ´ ˜ desejadas (i. am = a. e´ poss´ıvel provar que a potˆencia aq acima definida e´ . tal numero b existe e e´ definido por ´ ´ b = sup{x ∈ R+ | xn 6 a} De modo an´alogo ao que foi feito no caso da raiz quadrada de um numero real positivo.e. mas esconde uma quest˜ao: fixados a e n.Bases Matem´aticas . ent˜ao ax := sup{aq | q ∈ Q e q 6 x} 59 . · · · . A potˆencia a n tamb´em e´ denotada por q= m n com m ∈ Z e n ∈ N∗ . por´em. Como garantir que.

estendemos a operac¸a˜ o de potˆencia ao conjunto dos numeros ´ reais. Representa¸c˜oes dos n´ umeros reais Pr el 3. evidentemente de modo a satisfazer os axiomas. (a b)x = ax bx x a 4. Nesta e na proxima sec¸oes. faremos menc¸a˜ o a todos esses elementos da representac¸a˜ o. satisfazendo os treze axiomas A1. b > 0. continua satisfazendo as propriedades j´a vistas na Sec¸a˜ o 3. voltaremos ´ ˜ nossa atenc¸a˜ o para duas dessas representac¸oes. a =a b bx im in ar 1. Na discuss˜ao que se segue sobre a representac¸a˜ o decimal e a reta real n˜ao descreveremos todos esses elementos em detalhes. 60 . Dados quaisquer a. ´ sempre lanc¸amos m˜ao de alguma representac¸a˜ o. (ax )y = axy 3.3 Como dissemos anteriormente.”e uma relac¸a˜ o de ordem total 6.”)) e uma relac¸a˜ o de ordem total (”6”).2. pois optamos por dar destaque aos aspectos que nos parecem mais importantes no contexto deste curso. uma operac¸a˜ o +.Armando Caputi e Daniel Miranda • Se 0 < a < 1. Tal operac¸a˜ o.BC0003 . definimos R como um conjunto dotado de duas operac¸oes ˜ (”+” e ”. uma operac¸a˜ o ”. al´em disso. de tratar cada uma delas em sua especificidade. b. uma representac¸a˜ o de R deve conter todos esses elementos: um conjunto. a representac¸a˜ o decimal e a reta real..1. que aqui reproduzimos. Entretanto.. de um modo ou de outro. Assim. ent˜ao ax := inf{aq | q ∈ Q e q 6 x} Com as definic¸oes ˜ acima. tem-se: 2. y ∈ R.3. a estrutura do conjunto dos numeros reais e´ indepen´ dente da forma que usamos para representar tais numeros.. Mas. com a. Na sec¸a˜ o anterior. x. vale a pena gastar algumas palavras sobre o que queremos dizer quando falamos em ”representac¸a˜ o”dos numeros ´ reais. ao lidar com eles. ax+y = ax ay A demonstrac¸a˜ o de tais propriedades foge aos escopos deste texto e ser´a portanto omitida. ˜ Ve rs a˜ o Antes. . A13.Bases Matem´aticas . por´em. ax−y = a y  x x 5.

Vamos interpretar a soma infinita representada pela representac¸a˜ o decimal seguindo um m´etodo de aproximac¸a˜ o. Mas o que significa isso. ´ i..102 + 0. as reticˆencias fazem com que n˜ao saibamos exatamente de que numero se ´ trata.e. o que so´ ser´a visto na sec¸a˜ o dedicada a` s Sequˆencias.. mas isso n˜ao importa para nosso exemplo). precisamos lanc¸ar m˜ao das ”casas decimais”. 23... o que significa que cada posic¸a˜ o corresponde a uma dada potˆencia de 10: a unidade e´ a potˆencia 100 . tomemos x = 1.101 + 2. de subtrac¸a˜ o e quociente) seguem os algoritmos cl´assicos para operar com numeros inteiros. (na verdade. com a unica diferenc¸a de que as casas a` direita da v´ırgula referem´ se a potˆencia negativas de 10. 14302 = 1. precisaremos do conceito de s´erie num´erica. 2385757204765736885692.. de algarismos a` direita da v´ırgula.103 + 3. 496 = 2. Comecemos tomando x = 1. 61 . 2385757204765736885692. A diferenc¸a desse novo valor de x para r caiu para 0.100 + 4. Por exemplo. as operac¸oes ˜ de soma e multiplicac¸a˜ o (logo.10−3 Pr el Enquanto lidamos com numeros que possuem um numero finito de casas decimais (n˜ao ´ ´ nulas). Qual o signifi´ cado de tal soma? Para uma resposta adequada.BC0003 . Tomemos o numero ´ Ve rs a˜ o r = 1.Armando Caputi e Daniel Miranda ´ Representac¸a˜ o decimal dos numeros reais im in ar E´ comum dizer-se que os numeros reais s˜ao os numeros que podem ser escritos em forma ´ ´ decimal. 0385757204765736885692.10−1 + 9. para interpretarmos uma representac¸a˜ o decimal com um numero infinito de casas decimais n˜ao nulas. Ent˜ao x e´ um numero proximo de r e a diferenc¸a8 entre eles e´ ´ ´ r − x = 0.101 + 3.104 + 4. realmente? Quando trabalhamos com numeros inteiros. 2. Similarmente. Entretanto.10−2 + 6.. Mas podemos desde j´a tentar dar uma interpretac¸a˜ o aceit´avel por ora. ´ usamos a notac¸a˜ o posicional em base 10. a dezena e´ a potˆencia 101 . a express˜ao acima n˜ao causa nenhuma estranheza. a relac¸a˜ o de ´ ordem tamb´em deriva da ordem natural entre inteiros. Em seguida.. Por exemplo.100 J´a para representar numeros n˜ao inteiros. 8 Quando falamos em representac¸a˜ o decimal.Bases Matem´aticas . ´ nos deparamos com um soma infinita de (multiplos) de potˆencias de 10. a centena e´ 102 e assim por diante. Mas aqui tamb´em a notac¸a˜ o posicional se relaciona com as potˆencias de 10.

23857 1. ao mesmo numero real (i..BC0003 . 238 1.. 9999 . 999999999999. tais diferenc¸as s˜ao 0. 001 0..e. 23. referem-se. Nesse sentido.. vamos tomando para x valores ”truncados” de r: 1. veremos que essa diferenc¸a vai se aproximando de zero. Conforme nos aproximamos do valor real de 0. i. 999. Como veremos no momento oportuno. essa interpretac¸a˜ o n˜ao est´a ´ longe daquela formalmente mais correta.. somos obrigados a concluir que tais representac¸oes ˜ decimais. Assim. Mas se observarmos a diferenc¸a entre esses ´ valores e o numero original r. se observarmos as diferenc¸as entre 1 e esses valores ´ truncados de 0.. Ser´a que s˜ao mesmo? Usando mais uma vez uma linguagem informal (deixando a resposta formal para quando tratarmos das s´eries num´ericas). Assim.. im in ar Nenhum desses valores de x coincide efetivamente com r (a menos que r possua um numero finito de casas decimais n˜ao nulas). representam aproximac¸oes ´ ˜ cada vez melhores do numero 0. E assim por diante. apesar de diferentes. podemos comparar o numero 1 com os numeros ´ ´ 0.. . no sentido que vimos acima. .Armando Caputi e Daniel Miranda Continuamos tomando agora x = 1. 9 0.. 999 0.Bases Matem´aticas .. a diferenc¸a com o numero 1 vai se ´ aproximando de zero.. o numero ´ ´ 62 . 01 0. pode-se ler a representac¸a˜ o decimal como um ”processo de aproximac¸a˜ o” de numero real r. Pois bem.. 0001 .. 1 0. vendo a diferenc¸a novamente cair para 0.. Ve rs a˜ o Por um lado. 999. 0085757204765736885692. 238575.e. 2385 1. podemos chegar a` resposta correta da quest˜ao acima.. Esses ultimos.. ´ Em outras palavras.. n˜ao h´a duvidas quanto ao fato de que as representac¸oes ´ ˜ decimais acima s˜ao diferentes. Mas isso pode levar o leitor incauto a afirmar que os numeros que tais ´ expressoes ˜ representam tamb´em s˜ao diferentes.. na verdade. Pr el Outra dificuldade que se encontra quando lidamos com representac¸a˜ o decimal de um numero real est´a relacionada com a seguinte quest˜ao: os numeros ´ ´ 1 s˜ao diferentes? e 0. podemos aproximar o valor real de r com o erro que quisermos. um erro t˜ao pequeno quanto desejarmos.. 999. 99 0.

N˜ao nos parece necess´ario entrar em maiores detalhes nesses casos. Vocˆe consegue ´ escrever na forma decimal tal numero? ´ 63 . se P e A est˜ao do mesmo lado relativamente ao ponto O. diremos que P est´a a` esquerda de O. e marque tamb´em o ponto Y. Representac¸a˜ o geom´etrica de R: a reta real im in ar A representac¸a˜ o geom´etrica de R consiste na identificac¸a˜ o da reta geom´etrica com o conjunto dos numeros reais. Um ponto P a` direita de O e´ identificado com ´ o numero real positivo x tal que ´ OP x= OA Um ponto P a` esquerda de O e´ identificado com o numero real negativo x tal que ´ OP OA Pr el x=− Ve rs a˜ o Desse modo. seria poss´ıvel encontrarmos um outro numero real que estivesse entre eles. em somar comprimentos de segmentos).BC0003 . correspondente a` mesma ”unidade de medida” usada para a reta r. A relac¸a˜ o de ordem e´ bastante na´ tural (est´a. por´em. essencialmente. Nesta reta. diremos que um ponto P da reta r (distinto de O) est´a a` direita de O. Na reta r. J´a a operac¸a˜ o de multiplicac¸a˜ o n˜ao e´ t˜ao natural como os demais elementos da representac¸a˜ o. Sejam dados dois numeros reais x e y (podemos supor que sejam ambos positivos. de modo a satisfazer os axiomas dos numeros reais. assim como uma relac¸a˜ o de ordem total. e´ f´acil adaptar a ´ construc¸a˜ o abaixo aos outros casos). tome uma reta s que intercepte a reta r no ´ ponto O. correspondente ao numero real x. marque o ponto X. n˜ao esgota a representac¸a˜ o de R. na verdade. Caso contr´ario. todo ponto da reta geom´etrica r est´a associado a um unico numero real e ´ ´ vice-versa (omitiremos aqui a demonstrac¸a˜ o dessa afirmac¸a˜ o). embutida nas expressoes ˜ ”`a direita de O” e ”`a esquerda de O”). Para auxiliar a construc¸a˜ o. um tanto ingˆenua mas funcional. Trace ´ 9 Uma outra maneira de perceber isso. Por simplicidade. O ponto O e´ identificado ao numero real 0. e´ a seguinte: se tais numeros fos´ sem diferentes.Bases Matem´aticas . e´ necess´ario definir operac¸oes ˜ de soma e multiplicac¸a˜ o na reta geom´etrica r. Como efetuar a multiplicac¸a˜ o na reta geom´etrica? A operac¸a˜ o de multiplicac¸a˜ o e´ baseada no cl´assico Teorema de Tales. correspondente ao numero real y.Armando Caputi e Daniel Miranda 1)9 . marque o ponto A. Como j´a observamos acima. Em uma reta r tomemos dois pontos distintos O e A (o ´ segmento OA ser´a usado como unidade de medida). Essa identificac¸a˜ o. assim como a operac¸a˜ o de soma (que se traduz.

procedemos como segue (acompanhe o procedimento na figura abaixo): Ve rs a˜ o s (eixo y) Y b P (x.3. • Construa a reta r ′ paralela a r. portanto.Bases Matem´aticas .Armando Caputi e Daniel Miranda pelo ponto Y a reta paralela ao segmento AX e obtenha o ponto P de intersecc¸a˜ o dessa reta com a reta r. Y b A b b X 3. O plano cartesiano e´ constitu´ıdo por duas retas reais que se encontram perpendicularmente na origem (que e´ . 64 r (eixo x) . que nada mais e´ do que uma representac¸a˜ o geom´etrica do produto cartesiano R × R. O Teorema de Tales garante que o ponto P corresponde ao numero real ´ xy. comum a ambas as retas). A figura abaixo ilustra essa construc¸a˜ o. passando por P. Para identificar o plano geom´etrico com o produto cartesiano R × R.BC0003 .4 O Plano Cartesiano im in ar s b r P Pr el Um modelo que ser´a muito util ´ no estudo de func¸oes ˜ reais de uma vari´avel real e´ o 2 plano cartesiano R .y) b r’ y x b X s’ • Tome um ponto P qualquer do plano.

e´ tamb´em pouco util ´ em problemas que envolvem direta ou indiretamente o conceito de modulo.3. ˜ A menos de pontos pertencentes aos eixos. ´ ´ ´ Essa caracterizac¸a˜ o. De modo mais apropriado. y ∈ R os numeros reais associados. • Sejam x. o numero x e´ chamado de abscissa do ponto P ´ e o numero y e´ chamado de ordenada do ponto P. respectivamente. Ambos s˜ao chamados de coordenadas ´ de P. Esses eixos s˜ao chamados tamb´em de eixos coordenados. A reta r e´ chamada de eixo das abscissas (ou mais popularmente ”eixo x”) e a reta s de eixo das ordenadas (ou popularmente ”eixo y”). • Chame de Y o ponto de intersecc¸a˜ o de r ′ com s. temos: Pr el • Primeiro quadrante: pontos com ambas as coordenadas positivas • Segundo quadrante: pontos com abscissa negativa e ordenada positiva • Terceiro quadrante: pontos com ambas as coordenadas negativas • Quarto quadrante: pontos com abscissa positiva e ordenada negativa 3. chamadas quadrantes. y). Tendo em mente o procedimento acima. tamb´em chamado de m´odulo de x.Armando Caputi e Daniel Miranda • Construa a reta s ′ paralela a s.9 O valor absoluto de um numero real x. ´ im in ar • Identifique o ponto P com o par ordenado (x.Bases Matem´aticas . passando por P. aos pontos X e Y.BC0003 .5 Valor absoluto de um n´ umero real Ve rs a˜ o E´ comum identificar o modulo de um numero real como sendo um ”numero sem sinal”. • Chame de X o ponto de intersecc¸a˜ o de s ′ com r. al´em de ser imprecisa. temos ´ a seguinte definic¸a˜ o: Definic¸a˜ o 3. ´ e´ denotado por |x| e dado por  x se x > 0 |x| := −x se x < 0 65 . Os dois eixos coordenados dividem o plano em quatro regioes.

(ii) x + 1 < 0. dependendo do sinal de x + 2. obtemos o conjunto-soluc¸a˜ o S = {−4. ´ im in ar Uma leitura mais adequada da definic¸a˜ o acima leva a ter em mente que ela abre. n˜ao h´a problema nenhum em adotar essa vis˜ao ingˆenua. a equac¸a˜ o que queremos estudar se torna x+1 = 3 Note. em geral. seguindo a definic¸a˜ o de valor absoluto. a equac¸a˜ o original torna-se −x − 1 = 3 A soluc¸a˜ o para essa equac¸a˜ o (procurada no conjunto dos numeros reais que satisfazem ´ a condic¸a˜ o x + 1 < 0) e´ x = −4. Seguindo a definic¸a˜ o acima. ´ Ve rs a˜ o Caso (ii): suponha agora x + 1 < 0. por´em. Logo.  Problema: Determine os numeros reais que satisfazem a desigualdade ´ |x + 2| 6 2x + 3 Soluc¸a˜ o: Mais uma vez.Bases Matem´aticas . essa concepc¸a˜ o e´ insuficiente e pode at´e levar a co´ meter deslizes do tipo ”o modulo de x e −x e´ sempre x”. Mas quando h´a quantidades incognitas ou vari´aveis envolvidas. Ent˜ao |x + 1| = x + 1. que agora buscamos uma soluc¸a˜ o para essa equac¸a˜ o somente dentre os numeros reais que satisfazem a condic¸a˜ o x + 1 > 0. Vejamos como se d´a essa leitura atrav´es de alguns exemplos. dois casos a serem analisados. tem-se.Armando Caputi e Daniel Miranda Uma primeira leitura da definic¸a˜ o acima corrobora a interpretac¸a˜ o ingˆenua do modulo ´ como sendo um ”numero sem sinal”. os casos: (i) x + 1 > 0. consideremos. consideraremos dois casos. dependendo do sinal da quantidade encerrada dentro do modulo. Enquanto lidamos com quantidades conhecidas. por exemplo: |2| = 2 e | − 2| = ´ −(−2) = 2. ´ Problema: Determine os numeros reais que satisfazem a igualdade abaixo ´ |x + 1| = 3 Soluc¸a˜ o: Note que n˜ao se pode determinar a priori se o numero x + 1 e´ ou n˜ao negativo. Nesse caso. E encontramos a soluc¸a˜ o x = 2. Pr el Caso (i): suponha x + 1 > 0. 2}. Afinal. 66 . Assim. ´ Isso significa que devemos considerar ambas as possibilidades.BC0003 . Dos dois casos analisados. como no exemplo anterior. tem-se |x + 1| = −(x + 1) = −x − 1. separadamente.

−x − 2 6 2x + 3 im in ar Caso (ii): suponha agora x + 2 < 0. Logo. Ao fazer isso . |x| = x2 3. tivemos que estudar a equac¸a˜ o (no primeiro problema) e a desigualdade (no segundo) em dois casos separados. ao analisar o caso em que x + 2 < 0 (segundo caso).BC0003 . Encontramos o conjunto-soluc¸a˜ o {x ∈ R | x > −1}. esse segundo caso n˜ao possui soluc¸a˜ o. Esse cuidado se fez sentir. |x| = 0 ⇔ x = 0 4. E´ importante destacar um cuidado que tivemos ao resolver os problemas acima e que talvez passe despercebido. portanto. x e y s˜ao numeros reais quaisquer) ´ 1. Tem-se. em cada um dos casos analisados. estamos restringindo o universo no qual se busca a soluc¸a˜ o do problema. no segundo problema.Bases Matem´aticas . | − x| = |x| 5. devem satisfazer tanto a condic¸a˜ o x + 2 > 0 quanto a desigualdade x + 2 6 2x + 3. |x| > 0 √ 2. particularmente. En´ ´ tretanto. ent˜ao. pois estas se encontravam fora do universo considerado naquele caso.Armando Caputi e Daniel Miranda Caso (i): suponha x + 2 > 0. Pela natureza da definic¸a˜ o de valor absoluto. |xy| = |x| |y| 67 . fomos obrigados a descartar as soluc¸oes ˜ da desigualdade −x − 2 6 2x + 3. deveria valer x > −5/3. Com base nas duas an´alises acima. quando. Ent˜ao |x + 2| = −x − 2 e a desigualdade passa a ser Para que um numero x satisfac¸a essa ultima desigualdade.e aqui est´a o cuidado ao qual nos referimos devemos perceber que. para tal x n˜ao valeria a condic¸a˜ o x + 2 < 0.  Ve rs a˜ o Pr el Observac¸a˜ o. Propriedades (No que se segue. obtemos o conjunto-soluc¸a˜ o para o problema inicial: S = {x ∈ R | x > −1}. −|x| 6 x 6 |x| 6. |x + 2| = x + 2 e a desigualdade assume a forma x + 2 6 2x + 3 As soluc¸oes ˜ que nos interessam.

2. se d˜ao em contextos bem mais gerais ˜ cont´ınuas. n˜ao aprofundaremos o significado da express˜ao ”topologia da reta”.Bases Matem´aticas .Armando Caputi e Daniel Miranda 7. y) := |x − y| Note que. Se c > 0. que e´ o que nos interessa aqui. refere-se a propriedades dos numeros ´ 10 reais (ou das func¸oes ˜ reais) que se expressam nessa linguagem . 9 e 10 acima. trata-se de linguagem e notac¸a˜ o conhecidas. e´ disso que esta sec¸a˜ o trata? 68 . 8. Tais func¸oes. Na verdade. mas explorar essa interrelac¸a˜ o foge ao nosso escopo). vista na reta real. |x + y| 6 |x| + |y| (Desigualdade Triangular) 8. a noc¸a˜ o de distˆancia corresponde ao comprimento do segmento de reta cujos extremos s˜ao os pontos com abscissas x e y. mas por que fazˆe-lo se. Na representac¸a˜ o geom´etrica dos numeros reais como a reta real.6 Topologia da reta Pr el O objetivo desta sec¸a˜ o e´ o de introduzir uma linguagem e uma notac¸a˜ o que ser˜ao uteis. como e´ o caso dos intervalos abertos e fechados. eles est˜ao interrelacionados. Discuta se vale ou n˜ao a seguinte desigualdade (para um numero real arbitr´ario x): ´ −x 6 |x| 6 x 3. Se c > 0.3. de fato. ||x| − |y|| 6 |x − y| 9. Em boa parte. e´ uma a´ rea ampla da Matem´atica que se ocupa. 10 A Topologia. Por tal motivo. A distˆancia entre dois numeros reais x e y e´ dada por ´ d(x.BC0003 . poder´ıamos mesmo ter omitido tal referˆencia a` Topologia. ent˜ao: Exerc´ıcios im in ar |x| > c ⇔ x 6 −c ou x > c 1. A express˜ao ”topologia da reta”. de certo modo. no estudo das func¸oes ˜ reais de uma vari´avel real. ´ mais adiante. do estudo das func¸oes e consequentemente seu estudo. na verdade. Ve rs a˜ o S˜ao dois os conceitos que est˜ao na base do que se entende por topologia da reta: distˆancia e intervalo (na verdade. dentre outras coisas. Prove as propriedades 7. am´ bos os conceitos est˜ao relacionados com aquele de segmento. ˜ do que aquele das func¸oes ˜ reais de uma vari´avel real. ent˜ao: |x| 6 c ⇔ −c 6 x 6 c 10.

Assim.e. na reta real. uma notac¸a˜ o particularmente util ´ e´ aquela de intervalo centrado em um dado numero real. o intervalo ´ centrado em a com raio r e´ o intervalo (a − r. b) = {x ∈ R | a < x < b} (intervalo aberto) • [a. a + r) ⇔ |x − a| < r Isso significa. |a − b|. Dito de outra forma. tem-se • (a. Note que um intervalo de extremos a e b corresponde. a + r) Ve rs a˜ o Nesse caso. dado a ∈ R. b] = {x ∈ R | a < x 6 b} A medida de um intervalo de extremos a e b e´ a distˆancia entre esses extremos. mas somente aquela do parˆenteses. a notac¸a˜ o para intervalos abertos (ou semi-abertos) usa o colchete invertido. Em alguns textos. +∞) := {x ∈ R | x > a} 69 . Pr el Sobre notac¸a˜ o. Quando falamos em intervalos. lanc¸ando m˜ao tamb´em dos s´ımbolos +∞ e −∞. N˜ao adotaremos essa notac¸a˜ o do colchete invertido. b) = {x ∈ R | a 6 x < b} im in ar • (a. b). b[ denota o que. i. A medida desse intervalo e´ a medida (comprimento) do segmento correspondente. denotamos por (a. aqui. +∞) := {x ∈ R | x > a} • [a. em particular. com um ”erro” ´ ´ menor do que r. que os numeros desse intervalo s˜ao aqueles que distam de ´ a menos do que r. Por exemplo. Dado qualquer a ∈ R e dado r > 0.Armando Caputi e Daniel Miranda Dados dois numeros reais a < b.Bases Matem´aticas . ao segmento cujos extremos tˆem abscissas a e b. ]a. dizemos que a e´ o centro desse intervalo. a + r) pode ser interpretado como o conjunto dos numeros que ”aproximam” o numero a. Observe que vale a seguinte propriedade (prove-a por exerc´ıcio): x ∈ (a − r. Uma notac¸a˜ o semelhante a` quela de intervalo e´ usada para denotar semi-retas.BC0003 . um intervalo do tipo (a − r. explicitada acima. b] = {x ∈ R | a 6 x 6 b} (intervalo fechado) • [a. um intervalo de extremos a e b e´ um dos subconjuntos ´ abaixo: • (a.

Exemplos 3. 70 . x + r) est´a contido na semi-reta considerada. b). resulta que (x − r.BC0003 . Seja A ⊂ R um subconjunto qualquer de numeros reais.10 Pr el B e´ fechado ⇔ R\B e´ aberto • Qualquer intervalo aberto (a. i. +∞). • A uni˜ao de conjuntos abertos e´ um conjunto aberto. • Qualquer intervalo do tipo (−∞. dado qualquer x ∈ (a.e. pois seus complementares s˜ao semi-retas abertas. que e´ aberto (pois e´ uni˜ao de dois conjuntos abertos).Armando Caputi e Daniel Miranda • (−∞. b). tomando r = |x − a|. seu complementar e´ (−∞. a) ou (a. uma vez que nem −∞ nem +∞ s˜ao numeros reais. um conjunto B ⊂ R e´ fechado se o seu complementar (relativamente ao conjunto R) e´ aberto. b) e´ um conjunto aberto. dado qualquer x em uma dessas semi-retas. a] ou [a. • O conjunto R e´ aberto. De fato. tomando r como sendo a menor das distˆancias |x − a| e |x − b|. Ve rs a˜ o • Qualquer intervalo do tipo (−∞. a) := {x ∈ R | x < a} • (−∞. +∞) e´ aberto. x + r) ⊂ A Por outro lado. Com linguagem formal. a` s vezes usaremos o termo ”intervalo” tamb´em ´ para semi-retas como as acima. x + r) ⊂ (a. temos: A e´ aberto ⇔ para todo x ∈ A existe r > 0 tal que (x − r. a) ∪ (b. +∞) e´ fechado. variac¸oes ˜ suficientemente pequenas dele continuam dentro do conjunto A. resulta que (x − r. Dizemos que A e´ aberto ´ se vale a seguinte propriedade: todo ponto x ∈ A e´ centro de um intervalo contido em A. podemos falar em conjunto aberto e conjunto fechado. Dito de modo menos preciso (mas talvez mais significativo): para todo numero ´ pertencente ao conjunto A. Por simplicidade. De fato. a] := {x ∈ R | x 6 a} Note que n˜ao faz sentido usar o colchete no extremo infinito. De fato. b] e´ um conjunto fechado.Bases Matem´aticas . im in ar De modo semelhante ao feito para intervalos. [Prove por exerc´ıcio] • Qualquer intervalo fechado [a.

temos que seu complementar e´ fechado. Isso significa. R e´ aberto e tamb´em fechado. que o seu complementar e´ fechado. nem fechado. nenhum intervalo centrado em a est´a contido em [a. Ve rs a˜ o Pr el Observac¸a˜ o.Armando Caputi e Daniel Miranda • Um intervalo do tipo [a. Isto e´ . E sendo R aberto. o conjunto vazio satisfaz a condic¸a˜ o de ser aberto. n˜ao se pode concluir que o outro atributo deve ser v´alido para esse conjunto. Esses s˜ao os unicos conjuntos simultaneamente abertos e fechados. se um dos atributos n˜ao vale para um dado conjunto. um intervalo do tipo (a.e. b) seja fechado). conv´em atribuir ao conjunto vazio a propriedade de ser um conjunto aberto (na verdade. o conjunto vazio ∅ tamb´em e´ aberto e fechado.BC0003 . im in ar Os dois ultimos exemplos mostram que os conceitos de ”aberto” e ”fechado” n˜ao s˜ao ´ conceitos opostos. b) (descartando que [a. por vacuidade). acima definida. i. b) n˜ao e´ nem aberto. Sob o ponto de vista formal.Bases Matem´aticas . nem fechado. tamb´em. Logo. • De modo an´alogo. ´ 71 . b) (descartando que este seja aberto) e nenhum intervalo centrado em b est´a contido no complementar de [a. Mas o complementar de ∅ e´ R. b] n˜ao e´ nem aberto. De fato.

Armando Caputi e Daniel Miranda .Ve rs a˜ o Pr el im in ar BC0003 .Bases Matem´aticas .

. . t Pr el mas seria muito melhor denot´a-los com uma unica letra (digamos a) e 20 ´ındices ´ a1 . a2 .. b... . x2 . se A e´ um conjunto cujos elementos queremos indexar com um certo conjunto de ´ındices J.1.1 Sobre ´ındices im in ar 4 O uso de ´ındices e´ bastante comum em matem´atica. Ent˜ao. s. considere os conjuntos J = {1..Armando Caputi e Daniel Miranda COMPLEMENTOS SOBRE CONJUNTOS 4. m... d. . Para isso.1 familias de conjuntos 4. 73 .. a20 } e {xı }ı∈N∗ = {x1 . j. f. xn . sem exigir uma grande ˆ variedade de s´ımbolos. Os dois exemplos acima podem ser expressos de um modo mais sint´etico.. pois proporciona um modo eficaz e economico de descrever uma determinada colec¸a˜ o de objetos. a2 . a20 . n.. Por exemplo.... Ve rs a˜ o Nesse caso. p.. poder´ıamos descrever um elenco de 20 objetos usando letras distintas a. r. o. indicamos isso com a notac¸a˜ o A = {aı }ı∈J . 2. como por exemplo uma sequˆ ¨ encia de numeros ´ x1 . k. . q..} Em outras palavras. x2 .. podemos escrever: {aı }ı∈J = {a1 .. . e. seria imposs´ıvel usar letras ou qualquer outro conjunto finito de s´ımbolos para descrever tal sequˆ ¨ encia. A validade do uso de ´ındices fica ainda mais evidente quando lidamos com conjuntos infinitos.Bases Matem´aticas . c. xn . 20} e N∗ . g.. i.. l. .BC0003 . h..

e.Bases Matem´aticas .BC0003 . i.Armando Caputi e Daniel Miranda im in ar Uma caracter´ıstica importante desse processo de indexac¸a˜ o e´ a seguinte: o uso de ´ındices pode ser descrito atrav´es da linguagem de func¸oes. por sua vez. simplesmente. Se quisermos que elementos distintos de A tenham ´ındices distintos. adotando o ponto de vista acima. n−1 . conjuntos cujos elementos s˜ao. assim como descrever algumas propriedades. 4. Se quisermos ambas as propriedades. i. i. n2 . Note que. Queremos estender a essa situac¸a˜ o algumas operac¸oes ˜ entre conjuntos.e. como um conjunto de ´ındices. considere a func¸a˜ o f : Z → N dada por  2z se z > 0 f(z) = −2z − 1 se z < 0 Desse modo. potencialmente. A uni˜ao dos conjuntos da fam´ılia F e´ o conjunto formado pelos elementos que pertencem a ao menos um dos conjuntos de F. Seja dada uma fam´ılia F de conjuntos. escolher uma func¸a˜ o f : J → A. n1 .2 Opera¸c˜oes com fam´ılias de conjuntos Ve rs a˜ o Nesta sec¸a˜ o. indexar os elementos de um ˜ conjunto A atrav´es de um conjunto de ´ındices J significa. lidaremos com fam´ılias (ou classes) de conjuntos. tamb´em conjuntos.e. Exerc´ıcio. ´ N = {nı }ı∈Z Pr el onde nı = f(ı). F = {Aı }ı∈J onde J e´ um qualquer conjunto de ´ındices e cada Aı e´ um conjunto. Observac¸a˜ o. [ Aı = {x | x ∈ A para algum  ∈ J} ı∈J 74 . Usando a indexac¸a˜ o acima de N por Z. isto e´ . n−2 . ent˜ao a func¸a˜ o f deve ser injetora. fica claro que todo conjunto pode ser usado. Se quisermos indexar todos os elementos de A. De fato. a func¸a˜ o f deve ser sobrejetora. determine os elementos n0 .1. o conjunto Z dos inteiros est´a sendo usado para indexar o conjunto N dos numeros naturais. para cada ı ∈ Z. a func¸a˜ o deve ser bijetora. Para vermos um exemplo pouco usual de uso de ´ındices.

xn ) | xı ∈ Aı . xn ) s˜ao chamados de n-upla ordenada (que se lˆe ”ˆenupla”ordenada). destacamos as seguintes: dada uma fam´ılia F = {Aı }ı∈J de conjuntos e dado um conjunto qualquer B. An . i. x2 . A t´ıtulo de contemplar os mais curiosos. xn ). Em s´ımbolos: A1 × A2 × · · · × An = {(x1 . . citamos aqui outra operac¸a˜ o que pode ser estendida a qualquer fam´ılia de conjuntos: o produto cartesiano. . so´ diferindo. Note-se que o produto cartesiano de n conjuntos e´ muito semelhante ao produto cartesiano de dois conjuntos.Bases Matem´aticas . . tem-se: [ \ ( Aı )C = ACı ı∈J ı∈J Aı )C = [ ACı Pr el ( \ ı∈J ı∈J Ve rs a˜ o Complemento. . Como primeiro passo.Armando Caputi e Daniel Miranda A intersecc¸a˜ o dos conjuntos da fam´ılia F e´ o conjunto formado pelos elementos que pertencem a todos os conjuntos de F. boa leitura. Os elementos na forma (x1 . . pelo numero de conjuntos envolvidos. . 1 6 ı 6 n}. ´ 75 . . . de fato. \ Aı = {x | x ∈ A para todo  ∈ J} ı∈J ı∈J B∪ \ ı∈J ı∈J Aı ! = \ ı∈J im in ar Dentre as propriedades mais importantes. . ent˜ao. podendo ser sumariamente ignorada pelos mais ”pragm´aticos”. . tem-se: ! [ [ B∩ Aı = (B ∩ Aı ) (B ∪ Aı ) Al´em disso. A2 . Tal operac¸a˜ o vai muito al´em do que qualquer curso de c´alculo exige. . . vejamos como definir o produto cartesiano de uma quantidade qualquer (mas finita) de conjuntos. . tomando o complementar relativamente a U. Aos que n˜ao resistem a` beleza do pensamento abstrato. .BC0003 . .e. x2 . o produto cartesiano A1 × A2 × · · · × An e´ o conjunto dos elementos na forma (x1 . x2 . Dados n conjuntos n˜ao vazios A1 . se U e´ um conjunto que cont´em todos os conjuntos Aı . onde para cada 1 6 ı 6 n tem-se que xı ∈ Aı . .

podemos identificar um par ordenado (x1 . De fato. ∀  ∈ J}. com somente dois conjuntos). 2} → (A1 ∪ A2 ) dada por f(2) = x2 Pode parecer um modo exageradamente complicado para descrever um par ordenado e. O produto cartesiano dos conjuntos da fam´ılia F e´ o conjunto das func¸oes ˜ [ f:J→ Aı ı∈J tais que f() ∈ A para todo  ∈ J. ´ Mas essa linguagem apenas traduz a id´eia de que um par ordenado nada mais e´ do que uma particular escolha. de um elemento de um conjunto e um de outro.Bases Matem´aticas . Dados dois conjuntos n˜ao vazios A1 e A2 (o uso de ´ındices aqui e´ proposital). sob outro olhar. Em s´ımbolos: Aı = {f : J ∈ Ve rs a˜ o Y ı∈J 76 [ ı∈J Aı | f() ∈ A .BC0003 . simultˆanea. pode ser util ´ revermos. Para tanto. E cada func¸a˜ o f como aquela acima descreve exatamente uma particular escolha desse tipo.Armando Caputi e Daniel Miranda f(1) = x1 e im in ar Nosso proposito. . seria realmente algo despropositado. e´ contemplar fam´ılias quaisquer de conjuntos. x2 ) do produto cartesiano A1 × A2 com a func¸a˜ o f : {1. Para chegar a um outro modo de tratar o produto cartesiano. est´a no fato de permitir que se defina o produto cartesiano para uma fam´ılia qualquer de conjuntos. Pr el A vantagem dessa linguagem. agora. por´em. n˜ao e´ dif´ıcil perceber que a descric¸a˜ o acima n˜ao e´ adequada. se fosse esse o unico objetivo dessa descric¸a˜ o. eventualmente ´ infinitas. o produto cartesiano que nos e´ j´a conhecido (vamos considerar o caso mais simples. seja dada uma fam´ılia de conjuntos F = {Aı }ı∈J onde J e´ um qualquer conjunto de ´ındices.

33 diferenc¸a sim´etrica. 53 majorante. 17 inteiros. 32 potˆencia. 3 conjuntos iguais. 12 irracional. 39 intersecc¸a˜ o. 19 limitado superiormente. 53 minorante. 19 dom´ınio de discurso. 31 inversa. 32 elemento. 8 conjunto. 33 disjunc¸a˜ o. 86 de probabilidade. 30 contido. 5 existe. 19 implicac¸a˜ o. 13 condicional. 31 conjunto intersecc¸a˜ o. 12 Pr el base. 27 equac¸oes ˜ lineares com coeficientes unit´arios.BC0003 . 34 condic¸a˜ o suficiente. 5 contrapositiva. 54 arranjo. 8 disjuntos. 53 limitado inferiormente. 3 existe e e´ unico. 52 Ve rs a˜ o combinac¸a˜ o. 31 uni˜ao. 41 bicondicional. 13 condic¸a˜ o necess´aria. 13 diagramas de Venn-Euler. 29 contra-exemplos.Armando Caputi e Daniel Miranda ´I N D I C E R E M I S S I V O divide. 31 vazio. 4 ´ expoente. 12 impar. 53 numero ´ 77 . 86 exemplos. 41 hipotese. 82 complementar. 31 conjunto verdade.Bases Matem´aticas . 79 axioma de completude. 11 inferencias. 30 conjunto das partes. 84 espac¸o amostral. 34 disjuntos. 11 conjunc¸a˜ o. 87 evento. 2 im in ar ´ınfimo. 27 complementar. 35 diferenc¸a. 86 eventos elemetares.

54 quantificador universal. 19 racional. 19 para todo. 47 axiomas. 12 princ´ıpio fundamental da contagem. 27 potˆencia. 30 ´ superconjunto. 58 reta real. 12 particular. 80 pertence. 36 proposic¸a˜ o.BC0003 . 19 naturais. 3 paradoxo de Russel. 42. 39 racional. 48 completude. 19 irracional. 75 princ´ıpio de induc¸a˜ o finita. 61 im in ar teorema binomial. 12 inversa. 61 rec´ıproca. 12 universal. 12 regra de inferˆencia. 40 premissa.Armando Caputi e Daniel Miranda impar.Bases Matem´aticas . 32 universo do discurso. 13 subconjunto. 19 par. 29 proprio. 2 Ve rs a˜ o Pr el par. 88 produto cartesiano. 45 multiplicativo. 31 disjunta. 3 racionais. 29 supremo. 17 78 . 19 reais. 75 probabilidade. 12 uni˜ao. 39 negac¸a˜ o. 4 rec´ıproca. 29 permutac¸a˜ o. 4 se e somente se. 52 reta. 1 contrapositiva. 44 tese. 9 representac¸a˜ o decimal.