RECEITA PÚBLICA

Sumário:
1. Atividade financeira do Estado
1.1 Receita pública
1.2 Manual da receita
2. Classificações doutrinárias da receita
2.1 Classificação quanto ao GRUPO
2.2 Classificação da receita quanto à AFETAÇÃO
PATRIMONIAL
2.3 Classificação da receita quanto ao PODER DE
TRIBUTAR
2.4 Classificação da receita quanto à REGULARIDADE
ou PERIODICIDADE
2.5 Classificação da receita quanto ao SENTIDO
2.6 Classificação da receita quanto à ORIGEM,
COERCITIVIDADE ou PROCEDÊNCIA
3. Classificação orçamentária da receita pública
pelo Manual da Receita
4. Renúncia de receita pública
4.1 Conceito
4.2 Exemplos
4.3 Requisitos para a concessão de renúncia de
receita (e subsídios)
5. A polêmica do empréstimo compulsório como
receita pública

1. Atividade financeira do Estado
Direito financeiro é o ramo do direito público que estuda a
atividade financeira do Estado, sob o ponto de vista jurídico.
A atividade financeira do Estado é regulada, basicamente, pela
CF, pela LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal – LC 10/2000) e 4.320/64
(traça as normas gerais de Direito Financeiro). Esta última Lei, assim
como o CTN, adveio como Lei ordinária, na época da Constituição
Federal de 1946. Com a Constituição de 1967, este diploma foi
recepcionado com status de Lei Complementar, devido à exigência
constitucional de Lei Complementar para tratar de direito financeiro e
tributário. Com a Constituição de 1988, esse status de Lei
Complementar se manteve.
O art. 165, § 9º, da CRFB/88, dispõe que cabe à Lei
Complementar: I - dispor sobre o exercício financeiro, a vigência, os
prazos, a elaboração e a organização do plano plurianual, da lei de
diretrizes orçamentárias e da lei orçamentária anual; II - estabelecer
normas de gestão financeira e patrimonial da administração direta e
indireta bem como condições para a instituição e funcionamento de
fundos.
Essa Lei Complementar a que alude o art. 165 da CRFB ainda não
existe. Existe um projeto de Lei no Congresso (Lei de Responsabilidade
Orçamentária) para tratar desses temas, o que resultará na revogação
da Lei n. 4.320/64.

Com efeito, são quatro os campos de atuação do Estado na
atividade financeira:
• Receita pública;
• Despesa pública;
• Orçamento e;
• Crédito público.
Segundo Tathiane Piscitelli, a atividade financeira decorre do
exercício da soberania do Estado nos casos em que este realiza
atividades próprias e indelegáveis. Sendo assim, os órgãos da
administração indireta sob regime de direito privado
(empresas públicas e sociedades de economia mista) não
realizam atividade financeira.
Via de regra, o controle pelo Tribunal de Contas e submissão às
normas de direito financeiro dependem: (i) do manejo do dinheiro
público e (ii) da realização de tal atividade por entes submetidos ao
regime jurídico de direito público.
EXCEÇÃO: a jurisprudência do STF somente admite a
fiscalização das contas de entes da Administração Indireta de
direito privado nos casos específicos de dano ao Erário. No MS
23.627-2, o Supremo consignou não fazer sentido a prestação de
contas ao Tribunal de Contas da União de operação bancária realizada
por gerente do Banco do Brasil, a não ser quando se trate de questões
“a envolver dinheiro, bens e valores púbicos e atos de administração
que causem prejuízo ao Tesouro, e não simples atividades bancárias”.
Questão (PGE/PA): estão obrigados a observar a LRF todos os
entes da federação, nele compreendidos o Poder Legislativo, os
Tribunais de Contas, o Poder Judiciário, o Ministério Público e, no
Poder Executivo, a Administração Direta, bem como as
fundações, autarquias e empresas estatais dependentes. CERTO.

1.1 Receita pública
Receita pública consiste em tudo aquilo que entra nos cofres
públicos para ficar. Há recursos que adentram com data certa para
sair, não sendo considerados receitas públicas, mas sim ingressos.
Há, portanto, dois tipos de entrada:
• Receita Entrada definitiva de bens/dinheiro nos cofres públicos
(Régis Fernandes de Oliveira).
• Ingresso ou Fluxo de Caixa Entrada provisória de bens/dinheiro
nos cofres públicos.
Segundo Aliomar Baleeiro, receita é a entrada que,
integrando-se no patrimônio público sem quaisquer reservas,
condições ou correspondências no passivo, vem acrescer o seu vulto
como elemento novo e positivo.
1.2 Manual da receita

O Manual da Receita Pública Nacional visa proporcionar maior
transparência às receitas públicas como parte do esforço de padronizar
os procedimentos contábeis nos 3 níveis de governo, de forma a
garantir a consolidação das contas exigidas na LRF. Assim, o Manual
da Receita Nacional passou a ser aplicado à União, Estados,
Municípios e DF a partir da elaboração e execução da lei
orçamentária de 2009.
A Secretaria do Tesouro Nacional – STN, na qualidade de órgão
central do Sistema de Contabilidade Federal, vem emitindo normas
gerais para atender à LC 101/00, de forma a padronizar
procedimentos.
Atualmente, há dois enfoques para a receita e despesa
pública: orçamentário e patrimonial. A contabilidade pública
aplicada ao setor público está focada no setor patrimonial. Assim, a
receita e despesa serão trabalhadas também visando esse enfoque.
Pelo enfoque patrimonial, a referência sempre será o FATO GERADOR.
Pelo enfoque orçamentário, a referência será o que está na lei
4.320/64.
2. Classificações doutrinárias da receita
2.1 Classificação quanto ao GRUPO
A Lei nº 4.320/64 regulamenta os ingressos de disponibilidades
de todos os entes da federação, classificando-os em dois grupos:
orçamentários e extraorçamentários. Obs: Ingresso, para o direito
financeiro, é receita.
I. Receita Orçamentária
A receita orçamentária é a receita pública. Sua principal
característica é ser uma renda que pertence ao Estado, a quem
estiver arrecadando. Ela não será devolvida, se incorporando ao
patrimônio em caráter permanente.
O ente poderá utilizar a receita orçamentária para financiar a
despesa pública (orçamentária).
São disponibilidades de recursos financeiros que ingressam
durante o exercício orçamentário e constituem elemento novo para o
patrimônio público.
A receita orçamentária é instrumento por meio do qual se
viabiliza a execução das políticas públicas, fonte de recursos utilizada
pelo Estado em programas e ações cuja finalidade precípua é atender
às necessidades públicas e demandas da sociedade.
Essas receitas pertencem ao Estado e integram o patrimônio do
poder público, aumentam-lhe o saldo financeiro, e via de regra, por
força do princípio orçamentário da universalidade, estão previstas na
LOA.
Veja: ela não é classificada como orçamentária simplesmente por
estar no orçamento, pois há receita orçamentária que não está
prevista no orçamento. O que a diferencia é o fato de pertencer ao

etc. ATIVO PASSIVO . que não se incorporam ao patrimônio público e não estão previstas na LOA. as restituições de receita extraorçamentária não dependem de autorização legislativa. a receita orçamentária poderá ser EFETIVA ou NÃO EFETIVA.Estado. devendo ser devolvidos posteriormente. surge uma obrigação de devolver. Esses dois grupos. 2. são recursos arrecadados pelo Estado que. não pertencem a ele. A obrigação que surge com a arrecadação de despesa extraorçamentária será classificação da DÍVIDA FLUTUANTE ou PASSIVO FINANCEIRO. operações de crédito por antecipação de receita orçamentária – ARO. O Estado é mero depositário desses recursos. Atenção: o ente só poderá utilizar a receita extraorçamentária para pagar despesa extraorçamentária (dívida flutuante ou passivo financeiro). A classificação quanto à afetação patrimonial foca o patrimônio líquido. o ativo do orçamento será dividido em ativo financeiro e ativo permanente. o ingresso extraorçamentário não constitui fonte de recursos para financiamento da despesa pública. retenções. Por isso. mas serão ingressos orçamentários (não aplica o princípio da anualidade no direito tributário. distinguindo as receitas em efetivas ou não efetivas. quando somados. A diferença entre o ativo e o passivo resulta no patrimônio líquido. II. que constituem passivos exigíveis. não devendo ser devolvida. saldo patrimonial ou situação líquida. Assim. Exemplo: o tributo criado após a elaboração do orçamento não estará na LOA.320/64. Toda receita prevista na LOA é orçamentária. Receita extraorçamentária São recursos financeiros de caráter temporário. analisando o que o patrimônio líquido altera quando há a arrecadação da receita. Quanto à afetação patrimonial. obrigatoriamente devem apresentar os mesmo valores. igualdade que resulta na equação fundamental da contabilidade. Da mesma forma. Exemplos: depósitos em caução (garantias em contratos administrativos). Ou seja. embora aumentem a disponibilidade. mas apenas no financeiro).2 Classificação da receita quanto à AFETAÇÃO PATRIMONIAL Essa classificação aborda o impacto da arrecadação no patrimônio. o passivo também poderá ser financeiro ou permanente. fianças. Relembrando: pela lei 4. mas nem toda receita orçamentária estará prevista na LOA. emissão de moeda e outras entradas compensatórias no ativo e passivo financeiros. No mesmo momento em que o ingresso entra no caixa do estado. Já a receita extra-orçamentária somente poderá ser NÃO-EFETIVA.

mas sai um bem do ativo permanente). 2. de receita orçamentária: alienação de bens (entra um numerário no ativo financeiro. pelo menos. Ex. Nos dois exemplos. É a renda do Estado que aumenta o patrimônio líquido. Receita EXTRAORDINÁRIA é aquela arrecadada esporadicamente. será classificada como receita EFETIVA. a classificação da receita depende da COMPETÊNCIA para arrecadação. o patrimônio líquido permanece igual. ao ser arrecadada. provoque um aumento na situação líquida. Questão: a receita orçamentária nem sempre causa um impacto no patrimônio. que poderá ser federal. Receita EFETIVA Toda receita orçamentária que. inconstante e. o Estado não teve de contrair qualquer obrigação. II. Ex: os impostos periódicos (IPTU. excepcional. Receita NÃO EFETIVA A receita NÃO EFETIVA é a que não altera o patrimônio líquido. A banca só cobra isso. estadual ou municipal. Ex. IR). Para a arrecadação do ICMS. É a arrecadada regularmente em cada período financeiro. não raro.3 Classificação da receita quanto ao PODER DE TRIBUTAR Quanto ao poder de tributar. operação de crédito (entre um numerário no ativo financeiro. 2. A receita ORDINÁRIA é aquele que é arrecadada periodicamente. EX: arrecadação do tributo – gera aumento da disponibilidade. pois uma não tem nada a ver com a outra. SEM CONTINUIDADE. São as receitas periódicas previstas no orçamento público. as que representam ingressos de caráter acidental de natureza transitória ou. mas entra também uma obrigação no passivo permanente).Ativo Financeiro Passivo Financeiro Ativo Permanente Passivo Permanente I. Cuidado para não confundir a receita extraordinária com a receita extraorçamentária. de receita extraorçamentária: caução em contratos (entra um ativo financeiro. ou seja. .4 Classificação da receita quanto à REGULARIDADE ou PERIODICIDADE A receita será classificada como ordinária e extraordinária. Ela pode ser orçamentária ou extraorçamentária. mas também entre um passivo financeiro). CERTO.

Segundo a maioria da doutrina. de uma atuação subsidiária. Ou seja. 2. A receita pública transferida se subdivide em obrigatória e voluntária. Cuidado. pois em provas pode-se pedir a classificação de um ou de outro. tendo em vista que. Em sentido ESTRITO. Apesar disso. . segundo o art. de maneira excepcional. Para que isso seja possível. atividades econômicas. ou extra-orçamentárias. chamam-se públicas apenas às receitas orçamentárias. quando representam disponibilidades de recursos financeiros para o erário público. 173 da CRFB/88: imperativo de segurança nacional ou relevante interesse coletivo. catalogadas como orçamentárias. seja quando ele desempenha. industriais e comerciais. num momento inicial. COERCITIVIDADE OU PROCEDÊNCIA Essa classificação possui uso acadêmico e não é normatizada. parágrafo único. a receita será DERIVADA ou ORIGINÁRIA. quanto à procedência.6. não é utilizada como classificador oficial da receita pelo Poder Público. é necessária a presença de um dos requisitos do art. pois é resultante da atividade do Estado como agente particular. é a mais cobrada em concursos.6 Classificação da receita quanto à ORIGEM. coercitividade ou origem. 170. É aquela que advém do próprio patrimônio do Estado.1. portanto. financeiras. o Estado atua de forma excepcional. Quando desempenha essas atividades (econômicas. mas Vanessa Siqueira e Tathiane Piscitelli afirmam que a receita também pode ser TRANSFERIDA. submetida ao direito privado. financeiras. seja quando ele explora esse patrimônio. industriais e comerciais). aos ingressos de recursos financeiros nos cofres do Estado denominam-se receitas públicas. a receita poderá ter sentido amplo ou restrito. Em sentido AMPLO. A maioria da doutrina encara a receita quanto à origem apenas em duas espécies (originária e derivada) porque inclui a receita transferida no bojo da receita derivada. a atividade econômica é entregue à iniciativa privada. quando não representam disponibilidades de recursos para o erário.5 Classificação da receita quanto ao SENTIDO Quanto ao sentido.2. Cuida-se.6. portanto. da CRFB/88. 2. o Estado não poderia intervir no domínio econômico através de exploração direta de atividade econômica.1 Conceito A receita pública originária é também chamada de receita pública de economia privada.1 Receita pública originária 2.

. essa receita também é chamada receita pública de economia pública. Para a maioria da doutrina e STF. minerais. 20. o particular não tem escolha. sob um regime de direito público. eles são receitas originárias. obrigatória. parágrafo primeiro da CRFB/88). o Estado não atua dotado de poder de império/soberania. trabalhistas e tributários. através de um constrangimento legal. da CRFB/88.1. sendo compelido a transferir recursos para o Estado. esgoto. Segundo dispõe o art. §1º. Aqui. inclusive quanto aos direitos e obrigações civis. ainda que. a receita derivada é cogente. preço público e tarifa são conceitos sinônimos. o Estado age em pé de igualdade com o particular. inciso II.7. energia etc. os royalties sejam da União.1 Conceito A receita pública derivada é aquela que advém do patrimônio do particular.6. ainda que sob prisma dos Estados e municípios (que os recebem via repasse). a União deve dividir aquilo que recebeu a este título com os Estados e municípios (art.2 Características A receita pública originária é voluntária e contratual. Royalties são compensações financeiras devidas à União. as empresas estatais ficam sujeitas ao regime jurídico próprio das empresas privadas. Assim. Por determinação constitucional. Originariamente. luz. telefonia. Essas tarifas possuem natureza contratual e consistem em receita pública originária.: água. 2. serviços comerciais e de venda de produtos industriais ou agropecuários Ex. 173.2 Receita pública derivada 2.2. ainda que os Estados e municípios recebam royalties por transferência da União. • Dividendos auferidos pelas empresas públicas e sociedades de economia mista.2. eles também configuram receita originária própria desses entes federativos. a princípio. por meio de transferências. • Rendas do patrimônio mobiliário e imobiliário do Estado (receita de aluguel). Aqui se respeita fundamentalmente a autonomia de vontade do particular. nesses casos. devidos em razão à exploração de recursos minerais. comerciais. • Preços públicos Receita obtida com a contraprestação pela prestação de serviços públicos por concessionários. São exemplos de receita pública originária: • Royalties do petróleo. os royalties são devidos à União. Vale dizer.6. Justamente por isso. coercitiva ou compulsória sendo auferida pelo Estado. gás naturais. tendo em vista que. que se investe em poder de império. Justamente por isso. Segundo o STF.

Ora. São exemplos de receita derivada: • Todos os tributos Atualmente. que também consiste em cláusula pétrea. nada obstante advinda do patrimônio do particular a título de tributo. • A repartição de receitas é um instrumento diferente. se o Estado obtém receita pública derivada. Essa lei revela consentimento do povo sobre a carga tributária que recairá sobre o seu patrimônio. tendo em vista que. Essa técnica é de fundamental importância para a concretização da autonomia dos entes políticos. ela não é uma garantia de arrecadação de receita plausível. taxas. Esse conceito é importante na seara do direito tributário e financeiro. duas técnicas: atribuição de competência e repartição de receitas (que vem a ser a receita transferida obrigatoriamente). não ocorrem fatos geradores suficientes. a um só tempo. a . Neste ponto. a Constituição também prevê a repartição de receitas. Justamente por isso.1 Transferência obrigatória (transferências constitucionais) A receita transferida de transferência obrigatória é aquela que. Muito embora haja essa divisão. entendida como o poder que a população tem de deliberar sobre a carga tributária que recairá sobre seu patrimônio. Opõe-se à corrente tripartida adotada pelo CTN. • Multas. Questão prévia ao entendimento do tema é a questão das transferências constitucionais. Essa técnica é matéria de direito financeiro. contribuições de melhoria. condizente com sua despesa. 2. seus bens. fazendo essa divisão.6. é a Constituição. A discriminação de rendas abarca. no âmbito de alguns entes. sendo objeto de estudo do direito tributário.3.3 Receita transferida São duas as modalidades de receita transferida: 2.6. ele o faz por meio de legitimação legal. A lei legitima o poder de império do Estado.2 Características Questão prévia ao tema é o conceito de autoimposição. que descentraliza o poder político. contribuições sociais e empréstimos compulsórios.2.6. • Atribuir competência significa dividir o poder de instituir os tributos entre os entes políticos. tendo em vista que se trata de uma divisão intergovernamental.2. prevalece no STF a existência de 5 (cinco) espécies tributárias: impostos. e não direito tributário. Quem leva a efeito essa atribuição de competência. não é arrecadada pelo ente político que vai utilizá-la. É o caso de um ente com altíssimo índice de desemprego.

Lei Complementar n° 62/1989. na ADI 875. A transferência indireta de receitas. ADI n.987/DF. Se a divisão fosse exatamente igual. é materializada através dos fundos (Fundo de Participação dos Estados e Fundo de Participação dos Município).Constituição determina que o ente político maior transfira par aos entes políticos menores aquilo que arrecadou a título de impostos.: os critérios de repartição do FPM não foram declarados inconstitucionais pelo STF porque já passaram por renovação. não sendo dividida de maneira exatamente igual para todos Estados e Municípios. Isso porque tais critérios deveriam ter sido renovados.727/DF e ADI n. Descumprimento do mandamento constitucional constante do art. são os impostos (conforme previsto nos arts. não sendo necessário repassar para a União. A título de exemplo. 62/1989 é quem regula esses critérios de transferência. haveria desequilíbrio do pacto federativo. o art.° 3. Ações julgadas procedentes para declarar a . até o ano de 2012. uma transferência direta. por sua vez.° 1. A União só transfere parte daquilo que arrecadou a título de impostos e CIDE-combustível. o STF declarou a inconstitucionalida dos critérios de repartição do FPE (Fundo de Participação dos Estados). os Estados deve transferir 25% do que recebeu desse tributo da União para os Municípios. ADI n. Vale a pena ressaltar que.° 875/DF. Essas receitas transferidas a título obrigatório (transferência intergovernamental) podem ser objeto de transferência direta ou indireta. o que impõe a observância de alguns critérios de divisão. 157 a 162 da CRFB/88).° 2. Os fundos foram concebidos de forma a equilibrar o pacto federativo. Fungibilidade entre as ações diretas de inconstitucionalidade por ação e por omissão. da Constituição). segundo o qual lei complementar deve estabelecer os critérios de rateio do Fundo de Participação dos Estados. EMENTA: Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADI n. Omissão inconstitucional de caráter parcial. por exceção. Há. a transferência da CIDE-combustíveis pela União aos Estados (29%). O substrato dessa repartição. A LC n. O Supremo fixou ao Congresso um prazo para que esses critérios sejam renovados. via de regra. Por sua vez. A repartição entre os entes não é equânime. da Constituição. a CFRB/88 prevê que o dinheiro retido a título de imposto de renda dos servidores estaduais e municipais devem permanecer nos cofres estaduais e municipais respectivamente. Fundo de Participação dos Estados . Obs.243/DF). inciso II. II. Não se transfere aquilo que foi arrecado a título de contribuição para a seguridade social.FPE (art. 161. 159 prevê. com a finalidade de promover o equilíbrio socioeconômico entre os entes federativos. de sorte a dar equilíbrio ao pacto federativo. 161. Contudo. portanto.

2º e 3º. 158. Confira-se como a Constituição organiza as transferências obrigatórias: União Estados e DF IRPF 100% (arts. Um substitutivo quanto à repartição de receitas do pré-sal foi apresentado e aprovado. §§ 1º. caso o Estado realize renúncia de receita no âmbito de seu território. por conta de um programa de benefícios fiscais deflagrado no âmbito de seu território. II) E fiscalizado e cobrado pelo Município 25% 50% 100% . 2º. ocorreu um repasse muito pequeno aos seus Municípios. II) 29% ITR Se fiscalizado e cobrado pela União (art. isso não pode gerar prejuízo aos Municípios. 153. de sorte a equilibrar o pacto federativo. Diante disso. do art. 157. sem a pronúncia da nulidade. e do Anexo Único. devendo o Estado repassar os valores de maneira “cheia”. o STF analisou a questão do Estado de Santa Catarina. Por isso. 157. Entendimento contrário resultaria afronta à repartição de receitas prevista na Constituição. da Lei Complementar n. Por conta da renúncia de receita. como se não tivesse havido nenhuma renúncia fiscal.762. § 1º) Impostos da competência residual (art. Nesse Estado. e está à esperada da sanção da Presidente Dilma. se baseou numa base de cálculo menor.inconstitucionalidade. incisos I e II. I e 158. I) IOF-ouro 100% 30% (art. o veto ainda não havia sido votado pelo Congresso. (ii) os critérios foram declarados inconstitucionais pelo STF. No RE 562. o que acabou gerando um prejuízo a estes. o STF entendeu que. II) Municípios 70% 20% CIDE-combustível (art. Até dezembro de 2011. Lula vetou a adoção desses critérios na lei do Pré-sal. 157. ao fazer as transferência obrigatórias aos Municípios. Problema relacionado à divisão dos royalties da camada do Présal: o projeto de lei baseou a divisão da compensação financeira pela camada do Pré-sal nos critérios de repartição de receitas que integram o FPE.º 62/1989. assegurada a sua aplicação até 31 de dezembro de 2012. o estado de Santa Catarina. Ocorreram dois equívocos: (i) o FPE reparte receitas tributárias e os royalties configuram receita derivada.

159. mas transferências “a fundo perdido”. em regra. se o ente que as receber não aportar seus créditos às finalidades e condições definidas no convênio. no art.6. 159. é requerida pelo ente menor ao ente maior. terá que devolver o dinheiro acrescido de juros e correção monetária. salvo em duas situações: (i) na eventualidade de o ente político menor ter uma dívida para com o ente maior e não pagar no vencimento. devendo ser atendidas as finalidades previstas no convênios. III) 50% ICMS IR + IPI (art. não são empréstimos. 158. As transferências voluntárias são geralmente condicionadas. 160. a Constituição prevê. a proibição de transferências condicionadas. É vedada a retenção ou qualquer restrição à entrega e ao emprego dos recursos atribuídos. II) 10% 25% IPVA (art.IPI (art. 25. A vedação prevista neste artigo não impede a .FPE 22. prevista na Constituição. §2º da LRF. Art.5% . Isso não se aplica às transferências voluntárias. IV) 25% 21. materializada através de convênio. I) (art.5% .FPM 1% . segurança pública etc. tratada acima. que afirma: “é vedada a utilização de recursos transferidos em finalidade diversa da pactuada”. ao Distrito Federal e aos Municípios. sendo as transferências voluntárias condicionadas. 160 da CRFB/88. (ii) inobservância da aplicação mínima dos recursos em saúde. Veja que. educação. que deve ser devolvido e geralmente não possui condições. Vale ressaltar que as transferências voluntárias não se confundem com operações de crédito.3. Com relação às transferências obrigatórias. que podem ser condicionadas. Ou seja. Esse óbice só existe para a transferência obrigatória. Diversa é a hipótese de operação de crédito.FPM (13º) 3% para regiões N. para auxílio nas áreas de saúde. 158.2 Transferência voluntária É aquela que. convém não confundir transferências voluntárias com empréstimos públicos. Atente: não há óbice constitucional ou legal a que a receita voluntária seja transferida do ente menor ao maior. neles compreendidos adicionais e acréscimos relativos a impostos. aos Estados. NE e CO 2. Parágrafo único. nesta seção [transferências obrigatórias]. Isso é extraído do art. Assim.

§ 2º O disposto no caput não impede Estados e Municípios de comprar títulos da dívida da União como aplicação de suas disponibilidades. fundação ou empresa estatal dependente.União e os Estados de condicionarem a entrega de recursos: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 29. 198.financiar. 101/2000) proíbe sejam realizadas operações de crédito entre entes. Rememoremos as principais diferenças entre a transferência obrigatória e a voluntária: Transferência obrigatória É obrigatória. em razão dos índices agressivos praticados. Assim. ainda que sob forma de renegociação. mas isso ocorre em relação a empréstimos anteriores à LC n. § 1º Excetuam-se da vedação a que se refere o caput as operações entre instituição financeira estatal e outro ente da Federação. Nos dias atuais. refinanciamento ou postergação de dívida contraída anteriormente. que não se destinem a: I . diretamente ou por intermédio de fundo. . autarquia. Pergunta-se: é possível a atual renegociação de dívidas oriundas de empréstimos entre entes políticos anteriores à LC 101/2000? Não.ao pagamento de seus créditos. 101/2000. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 29. 35 da LC n. novação ou postergação da dívida anteriormente contraída. de 2000) Serviço público de saúde (a CF não trata do ensino público aqui). inclusive suas entidades da administração indireta.ao cumprimento do disposto no art. incisos II e III. de 2000) II . Isso gera muitos inconvenientes para os Estados.refinanciar dívidas não contraídas junto à própria instituição concedente. Vale ressaltar que a LRF (LC. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 29. direta ou indiretamente. inexistindo determinação legal. e outro. despesas correntes. Alguns Estados ainda pagam dívidas à União. efeito Transferência voluntária por É uma questão de conveniência do ente político respectivo. data em que ainda era possível esse tipo de operação. um ente político não pode emprestar dinheiro a outro ente político. de 2000) I . II . inclusive de suas autarquias. levada a determinação constitucional. 101/2000. § 2º. que objetivam renegociar suas dívidas. Art. ainda que sob a forma de novação. um ente político não pode emprestar dinheiro a outro ente. É vedada a realização de operação de crédito entre um ente da Federação. inclusive suas entidades da administração indireta.

os artigos.Sempre advém do ente maior para o menor. por parte do beneficiário. IV . de inscrição em Restos a Pagar e de despesa total com pessoal. de: a) que se acha em dia quanto ao pagamento de tributos. empréstimos e financiamentos devidos ao ente transferidor. previsão e efetiva arrecadação de todos os tributos da competência constitucional do ente da Federação. c) observância dos limites das dívidas consolidada e mobiliária. 167 da Constituição. 11. entende-se por transferência voluntária a entrega de recursos correntes ou de capital a outro ente da Federação. É vedada a realização de transferências voluntárias para o ente que não observe o disposto no caput. Para finalizar. já tratadas (cumprimento das obrigações de crédito e aplicação do mínimo na saúde). bem como quanto à prestação de contas de recursos anteriormente dele recebidos. Veda-se o condicionamento. Em regra. auxílio ou assistência financeira. no que se refere aos impostos. Constituem requisitos essenciais da responsabilidade na gestão fiscal a instituição. que prevê duas exceções. d) previsão orçamentária de contrapartida. b) cumprimento dos limites constitucionais relativos à educação e à saúde. legal ou os destinados ao Sistema Único de Saúde. inclusive por antecipação de receita. Parágrafo único. quais sejam. ainda em relação às transferências voluntárias. .comprovação. 11 e 25: Art.existência de dotação específica. Geralmente. 160 da CRFB/88. II . dois artigos da LRF devem ser analisados. O ente menor pode transferir para o maior. além das estabelecidas na lei de diretrizes orçamentárias: I . 25. de operações de crédito. contanto que ostente condições financeiras.(VETADO) III . Para efeito desta Lei Complementar. § 2º É vedada a utilização de recursos transferidos em finalidade diversa da pactuada. são condicionadas. de acordo com o art.observância do disposto no inciso X do art. que não decorra de determinação constitucional. o ente político beneficiário deve verter os recursos para as finalidades previstas no convênio. § 1º São exigências para a realização de transferência voluntária. a título de cooperação. Art.

desconhecem as diferenças mais básicas entre as transferências obrigatórias e as voluntárias. Essa corrente não prevalece. sendo vedado o condicionamento apenas às transferências obrigatórias. Em atenção às necessidades do povo. excetuam-se aquelas relativas a ações de educação. em realidade. ele não ficará impedido de receber transferências voluntárias. para muitos. a União não pode receber transferências voluntárias de nenhum ente (embora isso dificilmente viesse a ocorrer). É preciso entender que. Ou seja. prevê a arrecada os impostos de sua competência fica impedido de receber transferências voluntárias. não há vedação de transferência voluntária nessas três áreas. 160 prevê a impossibilidade de condicionamento das transferências obrigatórias. saúde e previdência social. refere-se aos impostos. já que a COSIP não é um imposto. 11 LRF as transferências voluntárias relacionadas à assistência. Essa livre prerrogativa de que dispõem os entes políticos não foi esvaziada pela LRF. Esta ADI contesta. mais especificamente nas mãos do Executivo Federal (centralização horizontal). a LRF teria transformado a competência tributária em um poder-dever. Essa arrecadação deve ser efetiva. prever e arrecadar todos os tributos de sua competência. De acordo com a corrente majoritária. o ente pode deixar de instituir um dos seus impostos. De acordo com o art. dentre outros. 11 da LRF. no presente momento. Observe-se. por sua vez. prever e efetivamente arrecadar seus impostos. à luz da jurisprudência do STF. ainda que o ente deixe de instituir. Vale comentar também a ADI 2238. Para alguns autores. O parágrafo único do art. o ente político é obrigado a instituir. muitas vezes. retirando-lhe a facultatividade prevista no CTN. a título de exemplo. que questionou alguns dispositivos da LRF. o art. tema diverso das transferências voluntárias. Por esta razão. 11. causa algumas consequências nefastas. Por outro lado. §3º da LRF retirou da sanção prevista no art. 11 da LRF. sobretudo em municípios pequenos. 160 da CRFB/88. o parágrafo único do art. o que.§ 3º Para fins da aplicação das sanções de suspensão de transferências voluntárias constantes desta Lei Complementar. sustentando a sua inconstitucionalidade. portanto. sobretudo a centralização exacerbada nas mãos do Governo Federal (centralização vertical). pois o art. 25. A despeito do que dispõe o parágrafo único do art. O aludido diploma copia o modelo da LRF da Nova Zelândia. tendo em vista que ainda não instituiu o imposto sobre grandes fortunas. 11 da LRF. que um Município deixe de instituir a COSIP. a competência tributária é facultativa. para que seja considerado responsável. Neste caso. Isso parece estranho. por violação frontal ao art. saúde e assistência social. que é um estado unitário. dispondo que o ente que não institui. . ficando apenas sujeito às consequências do parágrafo único do art. a administração tributária é muito custosa. Os autores da ADI. 11. mas uma contribuição.

o STF já decidiu pela inexistência de plausibilidade jurídica da tese levantada pelos autores. 11. as restrições impostas aos entes beneficiários que se revelem negligentes na instituição. são receitas correntes aquelas voltadas a custear despesas .939. esta classificação é formada por um código numérico de 8 dígitos que a subdividide em 6 níveis. MEDIDA CAUTELAR EM AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. A apresentação do código poderá assumir duas formas diferentes. Classificação orçamentária da receita pública pelo Manual da Receita A classificação da receita por natureza visa a identificar a origem do recurso segundo o FATO GERADOR. Art.] X .320/64 que criou as categorias econômicas receitas correntes e de capital. essas categorias econômicas foram detalhadas em Receitas Correntes Intraorçamentárias e Receitas de Capital Intra-orçamentárias. de 20. LEI COMPLEMENTAR Nº 101. 160 da CRFB/88 nada diz sobre as transferências voluntárias. 11 da lei 4.A receita classificar-se-á nas seguintes categorias econômicas: Receitas Correntes e Receitas de Capital.Art. Lei Complementar nº 101/2000. previsão e arrecadação de seus próprios tributos não são incompatíveis com o art. 11 . EMENTA: CONSTITUCIONAL.. 3.980-22/2000. O art. Manual da Receita (COERAS) Portaria Interministerial 163/01 • Categoria Econômica • Categoria Econômica • Origem • Fonte • Espécie • Subfonte • Rubrica • Rubrica • Alínea • Alínea • Sub-alínea • Sub-alínea I. Com a Portaria Interministerial STN/SOF n° 338 de 26 de abril de 2006. A fim de possibilitar identificação detalhada dos recursos que ingressam nos cofres públicos. por meio de classificação de considera o motivo de entrada da receita. [. 160 da Constituição Federal. genericamente. DE 04 DE MAIO DE 2000 (LEI DE RESPONSABILIDADE FISCAL).5. a depender de sua referência: se o Manual da Receita ou Portaria Interministerial 163/01.1982) • Receita CORRENTE Segundo Piscitelli. (Redação dada pelo Decreto Lei nº 1. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 1. parágrafo único: por se tratar de transferências voluntárias.. Categoria Econômica (classificação econômica da receita pública) Foi o art.

• Receita de CAPITAL Segundo Piscitelli. 4. são despesas correntes. Receitas orçamentárias correntes são arrecadadas dentro do exercício financeiro. As despesas correntes podem ser despesas de custeio (ex: despesas de pessoal) e transferências correntes (ex: despesa com pensionistas e inativos). a classificação econômica das receitas é feita de maneira diretamente relacionada às despesas. que as transferências voluntárias. as despesas também são divididas em correntes e de capital.correntes. Assim. portanto.g. são instrumentos de financiamento dos programas e ações orçamentários. deverá ser classificada como efetiva. salvo a arrecadação da dívida ativa.. Observe-se. Já as despesas de capital são divididas em investimentos. são vinculadas às despesas correntes). as Receitas de Capital não provocam efeito sobre o patrimônio líquido. devendo financiar. Ex. Questão: Toda receita corrente. Justamente por isso. nos quadros abaixo. ou seja. representa um aumento no patrimônio público (pois é uma renda que pertence ao Estado). aumentam as disponibilidades financeiras do Estado com efeitos positivos sobre o patrimônio líquido e constituem instrumento para financiar os objetivos definidos nos programas e ações orçamentários. É uma receita operacional. Porém. Ao ser arrecada. Toda receita de capital é NÃO EFETIVA. a fim de se atingirem as finalidades públicas. à parte das suas finalidades ordinárias. as despesas de capital. são as entradas resultantes de operações nas quais O ESTADO BUSCA A CAPTAÇÃO EXTERNA DE RECURSOS e. Assim. Assim como as receitas correntes.320/64 é mais simples que a classificação das receitas. Observe-se. tais como: • Obtenção de recursos pelas vias da tributação. v. É uma receita que aumenta a disponibilidade financeira do Estado. Exceção: transferências de capital. de forma diversa das Receitas Correntes. em regra. a sua feição é a feição dos gastos (as receitas correntes. sendo RESULTANTES DE ATIVIDADES PRÓPRIAS DO ESTADO. com vistas a satisfazer finalidades públicas. e . Exceção: arrecadação da dívida ativa é uma receita corrente que é não efetiva. quanto à afetação patrimonial.: receitas provenientes das operações de endividamento. por não constituírem operações produtivas. CERTO. a receita corrente é EFETIVA. A receita varia ao sabor dos gastos. inversões financeiras e transferências de capital. também. que a classificação das despesas prevista na Lei n. • Entrada de receita por conta das transferências obrigatórias ou voluntárias realizadas entre os entes. • Cobrança de preços públicos dos particulares e outros valores decorrentes da exploração do patrimônio do Estado nos moldes do direito privado.

de 20. ainda.1982) § 4º . quando destinadas a atender despesas classificáveis em Despesas Correntes. de serviços e outras e. agropecuária.939.5. de 20. (Redação dada pelo Decreto Lei nº 1. da conversão. sem reverter riquezas ao Estado. de contribuições. de 20.1982) § 2º . de 20. as provenientes de recursos financeiros recebidos de outras pessoas de direito público ou privado.5.5. (Redação dada pelo Decreto Lei nº 1. 11 .A receita classificar-se-á nas seguintes categorias econômicas: Receitas Correntes e Receitas de Capital. patrimonial. que geram frutos para o patrimônio do Estado.939.939.1982) § 3º .939.não de capital: Dicas: as receitas/despesas produtivas são as de capital.São Receitas Correntes as receitas tributária. sendo realizadas apenas para a manutenção e continuidade da máquina estatal. sendo necessária a sua memorização.5. os recursos recebidos de outras pessoas de direito público ou privado. apurado na demonstração a que se refere o Anexo nº 1.1982) RECEITAS CORRENTES RECEITA TRIBUTÁRIA Impostos Taxas Contribuições de Melhoria RECEITA DE CONTRIBUIÇOES RECEITA PATRIMONIAL RECEITA AGROPECUÁRIA . industrial.São Receitas de Capital as provenientes da realização de recursos financeiros oriundos de constituição de dívidas. o superávit do Orçamento Corrente.O superávit do Orçamento Corrente resultante do balanceamento dos totais das receitas e despesas correntes. Essa classificação está delineada de maneira minudente nos artigos 11 e 12 da Lei 4.5.A classificação da receita obedecerá ao seguinte esquema: (Redação dada pelo Decreto Lei nº 1. de 20. (Redação dada pelo Decreto Lei nº 1. (Redação dada pelo Decreto Lei nº 1.1982) § 1º . Confira-se: Art. de bens e direitos. Já as receitas/despesas improdutivas são as correntes.320/64. não constituirá item de receita orçamentária. destinados a atender despesas classificáveis em Despesas de Capital e. ainda. em espécie.939.

de serviços e outras e. II. Já as receitas de capital são produtivas. • Receita agropecuária • Alienação de bens • Receita industrial • Amortização de empréstimos concedidos • Receita de serviços • Transferência de capital Ou seja.São receitas correntes as receitas tributária. totalmente imprescindíveis ao andamento da máquina estatal. de bens e direitos [alienação de bens]. § 1º . com vistas a identificar a natureza da procedência das receitas no momento em que ingressam no Orçamento Público. realizadas pelo Estado para que possa ter frutos no futuro.São receitas de capital as provenientes da realização de recursos financeiros oriundos de constituição de dívidas [operações de crédito]. § 2º . em espécie.5. (Redação dada pelo Decreto Lei nº 1. industrial. são origens: . agropecuária.RECEITA INDUSTRIAL RECEITA DE SERVIÇOS TRANSFERÊNCIAS CORRENTES OUTRAS RECEITAS CORRENTES RECEITAS DE CAPITAL OPERAÇÕES DE CRÉDITO ALIENAÇÃO DE BENS AMORTIZAÇÃO DE EMPRÉSTIMOS TRANSFERÊNCIAS DE CAPITAL OUTRAS RECEITAS DE CAPITAL As despesas correntes são a fundo perdido. são origens: • Receita patrimonial • Operação de crédito. ainda. de 20. As origens das categorias econômicas são os exemplos das categorias econômicas corrente e de capital dispostos nos §§ 1º e 2º do art. destinados a atender despesas classificáveis em Despesas de Capital e. Origem A origem é o detalhamento das categorias econômicas “Receitas Correntes” e “Receitas de Capital”. quando destinadas a atender despesas classificáveis em Despesas Correntes. (Redação dada pelo Decreto Lei nº 1. patrimonial.939. de 20. 11.320/64 (DECORAR!): Origens da categoria econômica corrente Origens da categoria econômica de capital Art.1982) • Receita de contribuições Ou seja. o superávit do Orçamento Corrente. de contribuições.939. os recursos recebidos de outras pessoas de direito público ou privado.1982) • Receita Tributária. ainda.5. as provenientes de recursos financeiros recebidos de outras pessoas de direito público ou privado. da conversão. 11 da lei 4.

• Espécies de origens da categoria econômica CORRENTE Espécies da origem tributária São os ingressos provenientes da arrecadação de IMPOSTOS. . uma vez que financia o déficit de capital (gerando o equilíbrio). § 3º . de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas. pois o superávit do orçamento corrente é receita de capital.5. ele estará equilibrado. não constituirá item receita orçamentária. (Redação dada pelo Decreto Lei nº 1. Explicando: O superávit é a diferença entre a receita corrente (que já é um item) com a despesa corrente. Estados. dentro da origem Receita Tributária. Espécies da origem de contribuições É o ingresso proveniente de contribuições sociais. do na de de O superávit não constitui item de receita orçamentária porque geraria a contagem em duplicidade do mesmo item. Assim. Na análise do total do orçamento. 11. Espécie Na espécie é que ocorre a maior qualificação do fato gerador. TAXAS E CONTRIBUIÇÕES DE MELHORIA. Distrito Federal e os Municípios. apurado demonstração a que se refere o Anexo nº 1. Por exemplo.939. ERRADO. 11. Dessa forma. O art. Na categoria econômica de capital. Questão: O superávit do orçamento extraorçamentária de capital.O superávit do Orçamento Corrente resultante balanceamento dos totais das receitas e despesas correntes. CERTO. corrente é receita III. CERTO. Questão: São espécies da origem tributária as contribuições sociais. O superávit corrente ocorre quando a previsão de arrecadação da receita corrente é maior que a despesa fixada corrente. Art. identificam-se as espécies “Impostos”. As espécies são o nível de classificação vinculado à Origem que permite qualificar com maior detalhe o fato gerador das receitas. §3º da lei 4320/64 tentou explicar o que seja superávit do orçamento corrente.1982). “Taxas” e “Contribuições de Melhoria”. haverá déficit de capital. como instrumento de intervenção nas respectivas áreas. se há previsão de arrecadação menor que a despesa de capital fixada. é uma receita privativa das entidades investidas do poder de tributar: União. 20. a receita prevista total corresponde à despesa fixada total do orçamento.• Transferências correntes • Outras receitas de capital • Outras receitas correntes • Superávit do orçamento corrente Questão: Contribuições industriais são origens da categoria econômica corrente. Em suma: a origem contribuições apresenta as espécies CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS e CONTRIBUIÇÕES ECONÔMICAS.

de transformação. de madeira. Espécies da origem patrimonial Decorre da exploração do patrimônio do Estado. e não da exploração do patrimônio estatal. armazenagem. de aplicações de disponibilidades em operações de mercado e outros rendimentos oriundos de renda de ativos permanentes. Laudêmio. que são classificadas como industriais. Ex: Aluguéis. • Outras Espécies da origem serviços É o ingresso proveniente da prestação de serviços de transporte. Os juros de aplicação financeira são espécie da origem patrimonial porque decorrem da exploração do patrimônio do Estado (correspondem à diferença entre o valor aplicado – patrimônio estatal – e o valor arrecadado). animal e derivados e outros. judiciário. processamento de dados. juros de títulos de renda. pois não configura aumento do patrimônio líquido. vendas de mercadorias e produtos inerentes à atividade da entidade e outros serviços. • Atividades de beneficiamento ou transformação de produtos agropecuários em instalações existentes nos próprios. • Receita da Indústria Química. saúde. recriação ou engorda de gado e de animais de pequeno porte). É o ingresso proveniente de rendimentos sobre investimentos do ativo permanente. dividendos recebidos da PETROBRAS. Os juros de aplicação financeira classificam-se como receita orçamentária. • Pecuária (criação. ERRADO. Espécies da origem industrial É o ingresso proveniente da atividade industrial de extração mineral. econômicas e de melhoria. portuário. provenientes das atividades industriais definidas como tal pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE. Receitas decorrentes das seguintes atividades ou explorações agropecuárias: • Agricultura (cultivo do solo). Exemplo: • Receita da Indústria de Transformação. • Receita da Indústria Mecânica. serrarias e unidades industriais com produção licenciada. • Receita da Indústria de Produtos • Farmacêuticos e Veterinários. JUROS DE APLICAÇÃO FINANCEIRA. de inspeção e fiscalização. corrente.Questão: São espécies da origem contribuições as contribuições sociais. efetiva. ATENÇÃO: Excetuam-se as usinas de açúcar. arrendamentos. etc. Essa espécie é cobrada em provas! Os juros arrecadados sobre empréstimos concedidos são espécie da origem serviço porque a receita decorre do serviço de empréstimo. fábricas de polpa. comunicação. foros. originária. de construção e outras. Espécies da origem agropecuária Registra o valor total da arrecadação da receita de produção vegetal. . Mas ATENÇÃO: O principal resgatado da aplicação financeira não é uma receita orçamentária. inclusive hortaliças e flores.

não classificáveis nas anteriores. desde que o objetivo seja a aplicação em despesas correntes. Espécies da origem outras receitas de capital. ATENÇÃO: Especificação das Interministerial STN/SOF 3382006) categorias econômicas É (Portaria Operações INTRA-ORÇAMENTÁRIAS são aquelas realizadas entre órgãos e demais entidades da Administração Pública integrantes do orçamento fiscal e do orçamento da seguridade social do mesmo ente federativo. mas apenas remanejamento de receitas entre eles. por isso. . Exemplos: Multas e JUROS DE MORA. • Espécies de origens da categoria econômica DE CAPITAL Espécies da origem operação de crédito Não se deve confundir com a operação de crédito por antecipação de receita orçamentária (que é uma receita extraorçamentária). Espécies da origem alienação de bens Os bens alienados podem ser móveis ou imóveis. Espécies da origem superávit do orçamento corrente extraorçamentária. Ex: se uma entidade arrecada um receita qualquer e a transfere para outra entidade por imposição legal/constitucional ou não. Os juros de mora não se confundem com os juros de aplicação financeira nem com os juros arrecadados sobre empréstimos concedidos. A entidade recebedora só poderá aplicar a receita recebido por transferências correntes em despesas correntes. produtos de depósitos abandonados de dinheiro ou objetos de valor.Espécies da origem transferências correntes É o ingresso proveniente de outros entes/entidades. efetivado mediante condições preestabelecidas ou mesmo sem qualquer exigência. indenizações e restituições. referente a recursos pertencentes ao ente/entidade recebedora ou ao ente/entidade transferidora. Espécies da origem amortização de empréstimos concedidos Muita atenção aqui: O valor do PRINCIPAL ORÇAMENTÁRIA DE CAPITAL. Espécies da origem transferência de capital Obriga às entidades recebedoras a aplicação das transferências em despesas de capital. Será classificado como RECEITA Os JUROS sobre os empréstimos São RECEITA CORRENTE DE SERVIÇOS. Espécies da origem outras receitas correntes São os ingressos correntes provenientes de outras origens. receitas diversas. não representam novas entradas de recursos nos cofres públicos (não há aumento da disponibilidade). alienação de bens apreendidos. receitas de cobrança da dívida ativa (principal + acessório).

1 Conceito Segundo Ricardo Lobo Torres. no Brasil. incluiu as “Receitas Correntes Intra-Orçamentárias” e “Receitas de Capital Intra-Orçamentárias”. a Portaria Interministerial STN/SOF 338/2006. a fim de se evitar a dupla contagem dos valores financeiros objeto de operações intraorçamentárias na consolidação das contas públicas. por meio da especificação dos recursos financeiros que lhe são correlatos. Exemplo: A alínea “Impostos sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza” é o detalhamento da rubrica “Impostos sobre o Patrimônio e a Renda”. e não para a receita extraorçamentária. Rubrica Agrega determinadas espécies de receitas cujas características próprias sejam semelhantes entre si. ERRADO. detalha a espécie. ATENÇÃO: essa estrutura que vimos agora só vale para a receita orçamentária. Dessa forma. a renúncia de receita nada mais é do que um privilégio financeiro empregado na vertente da receita pública. IV. Sub-alínea Constitui o nível mais analítico da receita. mas apenas especificações das categorias econômicas “Receita Corrente” e “Receita de Capital”. Exemplo: A rubrica “Impostos sobre o Patrimônio e a Renda” é detalhamento da espécie “Impostos”.As receitas intra-orçamentárias são contrapartida (uma anula outra) de despesas catalogadas na Modalidade de Aplicação “91 – Aplicação Direta Decorrente de Operação entre Órgãos. utilizado quando há necessidade de se detalhar a Alínea com maior especificidade. a renúncia da receita. V. Fundos e Entidades Integrantes do Orçamento Fiscal e do Orçamento da Seguridade Social” que. NÃO constituem novas categorias econômicas de receita. Dessa forma. 4. Alínea A alínea é o detalhamento da rubrica e exterioriza o “nome” da receita que receberá o registro pela entrada de recursos financeiros. possibilitam anulação do efeito da dupla contagem na consolidação das contas governamentais. Renúncia de receita 4. Questão: é a rubrica que exterioriza o nome da receita. VI. Exemplo: A subalínea “Pessoas Físicas” é detalhamento da alínea “Impostos sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza”. segundo disposto pela Portaria que as criou. Essas classificações. se aproxima muito do gasto público (embora com ele não se . Inspirada no direito norte-americano. devidamente identificadas.

e não da receita. São vertentes da despesa. Já as subvenções podem ostentar índole social ou econômica. Mas atente: subsídios são privilégios operantes na vertente da despesa. remissões. tendo em vista que. De acordo com o art. não se enquadrariam propriamente no conceito de renúncia. sob o prisma tributário. sendo desnecessária qualquer contrapartida dos destinatários. mas não pode ser confundida com ele. da LRF. no momento em que deveria existir a receita. Ostentam índole social ou econômica. §1º. 14. anistias.confunda). ela não ocorre). Sobre subvenções. A mesma observação vale para as subvenções.320/64: LRF. deverão passar pelos mesmos requisitos exigidos para a concessão de renúncias de receitas (é por isso que há a confusão relatada). Sob o prisma do direito financeiro. confiram-se o art. sem finalidade lucrativa. consistentes em dinheiro vertido para particulares ou pessoas jurídicas de direito público. tocam neste instituto. 12 a 16 da Lei 4. atender às condições estabelecidas na lei diretrizes orçamentárias e estar prevista no orçamento ou seus créditos adicionais. São vertidos para particulares e dependem de uma performance econômica favorável do beneficiário. cobrir necessidades de pessoas físicas déficits de pessoas jurídicas deverá ser autorizada por específica. A destinação de recursos para. 26 da LRF e arts.2 Exemplos São exemplos de renúncias de receita as isenções. que não se confundem com subsídios. Os subsídios são vertidos geralmente para particulares (pessoas jurídicas de direito privado) e dependem de uma performance econômica favorável do beneficiário. direta indiretamente. ao tratar da renúncia das receitas. Art. embora tenham os mesmos requisitos. 26. isenções parciais (deduções). Subsídios Subvenções Não consistem em exemplos de renúncia de receita. tecnicamente. para que sejam concedidos. A renúncia de receita produz o mesmo resultado econômico do gasto. Muitos confundem os subsídios com receitas. Contudo. não consistem em exemplo de renúncia de receita. tendo em vista que constituem mero diferimento do pagamento do tributo. 4. haverá renúncia de receita sempre que se fizer presente algum benefício de natureza fiscal ou tributária cujo resultado seja a redução dos ingressos nos cofres públicos. moratórias (estas. Isso porque a tanto a LRF quanto a CRFB/88. recaindo sobre si um controle mais minudente. ou ou lei de em . sendo desnecessária qualquer contrapartida dos destinatários. Assim sendo. a moratória é sim uma renúncia de receita. contudo.

§1o O disposto no caput aplica-se a toda a administração indireta. II . inclusive fundações públicas e empresas estatais. inclusive as respectivas prorrogações e a composição de dívidas.subvenções sociais.aquisição de imóveis. financiamentos e refinanciamentos. aquisição de instalações.320/64. ou de bens de capital já em utilização. as transferências destinadas a cobrir despesas de custeio das entidades beneficiadas. sem finalidade lucrativa. agrícola ou pastoril. II . 12. equipamentos e material permanente e constituição ou aumento do capital de empresas que não sejam de caráter comercial ou financeiro. inclusive as destinadas à aquisição de imóveis considerados necessários à realização destas últimas.805. inclusive as destinadas a atender a obras de conservação e adaptação de bens imóveis. as que se destinem a empresas públicas ou privadas de caráter industrial. exceto. inclusive para contribuições e subvenções destinadas a atender à manifestação de outras entidades de direito público ou privado. as que se destinem a instituições públicas ou privadas de caráter assistencial ou cultural.aquisição de títulos representativos do capital de empresas ou entidades de qualquer espécie. Lei 4. . §2o Compreende-se incluída a concessão de empréstimos. já constituídas. a concessão de subvenções e a participação em constituição ou aumento de capital. as instituições financeiras e o Banco Central do Brasil. § 4º Classificam-se como investimentos as dotações para o planejamento e a execução de obras. comercial. para os efeitos desta lei. Inversões Financeiras e Transferências de Capital § 1º Classificam-se como Despesas de Custeio as dotações para manutenção de serviços anteriormente criados. no exercício de suas atribuições precípuas. quando a operação não importe aumento do capital. § 2º Classificam-se como Transferências Correntes as dotações para despesas as quais não corresponda contraprestação direta em bens ou serviços. § 5º Classificam-se como Inversões Financeiras as dotações destinadas a: I . bem como para os programas especiais de trabalho. § 3º Consideram-se subvenções.subvenções econômicas. Art. de 1980) Despesas Correntes Despesas de Custeio e Transferências Correntes Despesas de Capital Investimentos. distinguindo-se como: I . A despesa será classificada nas seguintes categorias econômicas: (Vide Decreto-lei nº 1.

Serviços em Regime de Programação Especial. Salário Família e Abono Familiar. Material de Consumo. serão consignadas dotações a unidades administrativas subordinadas ao mesmo órgão. Na Lei de Orçamento a discriminação da despesa far-se-á no mínimo por elementos. (Veto rejeitado no D. Observadas as categorias econômicas do art.III . Art. bem como as dotações para amortização da dívida pública. independentemente de contraprestação direta em bens ou serviços. 05/05/1964) Parágrafo único. segundo derivem diretamente da Lei de Orçamento ou de lei especialmente anterior. 12. Participação em Constituição ou Aumento de Capital de Empresas ou Entidades Industriais ou Agrícolas Inversões Financeiras Aquisição de Imóveis. Diversas Transferências Correntes. Encargos Diversos Transferências Correntes Subvenções Sociais. Inativos. 13. (Veto rejeitado no D. DESPESAS DE CAPITAL Investimentos Obras Públicas.O.constituição ou aumento do capital de entidades ou empresas que visem a objetivos comerciais ou financeiros.O. a discriminação ou especificação da despesa por elementos. Auxílios para Obras Públicas. 15. inclusive operações bancárias ou de seguros. Pensionistas. Em casos excepcionais. 05/05/1964) . Constituição de Fundos Rotativos. Pessoal Militar. 14. Subvenções Econômicas. obedecerá ao seguinte esquema: DESPESAS CORRENTES Despesas de Custeio Pessoa Civil. Contribuições de Previdência Social. Material Permanente. § 6º São Transferências de Capital as dotações para investimentos ou inversões financeiras que outras pessoas de direito público ou privado devam realizar. Constitui unidade orçamentária o agrupamento de serviços subordinados ao mesmo órgão ou repartição a que serão consignadas dotações próprias. Equipamentos e Instalações. Auxílios para Inversões Financeiras e Outras Contribuições. Art. em cada unidade administrativa ou órgão de govêrno. Art. Auxílios para Equipamentos e Instalações. constituindo essas transferências auxílios ou contribuições. Aquisição de Títulos Representativos de Capital de Empresa em Funcionamento. Juros da Dívida Pública. Participação em Constituição ou Aumento de Capital de Empresas ou Entidades Comerciais ou Financeiras. Concessão de Empréstimos e Diversas Inversões Financeiras Transferências de Capital Amortização da Dívida Pública. Serviços de Terceiros.

05/05/1964) § 2º Para efeito de classificação da despesa. somados com o princípio do planejamento. só poderá ser concedido mediante lei específica. sempre que possível. §6º. Cuida-se de norma que valoriza o princípio da indisponibilidade de bens públicos. será calculado com base em unidades de serviços efetivamente prestados ou postos à disposição dos interessados obedecidos os padrões mínimos de eficiência prèviamente fixados. § 6º. I. relativos a impostos. o primeiro requisito para a renúncia de receita é a existência de lei específica. SEÇÃO I Das Despesas Correntes SUBSEÇÃO ÚNICA Das Transferências Correntes I) Das Subvenções Sociais Art. Requisitos constitucionais Segundo dispõe o art. e 165. 150. Parágrafo único. considerase material permanente o de duração superior a dois anos. Esse artigo. sem . ou seja. dentre eles. 150. CRFB/88. O valor das subvenções. é sede implícita de dois princípios orçamentários: equilíbrio e transparência. redução de base de cálculo. ambos da CRFB/88) e requisitos legais. material. 165. (Veto rejeitado no D. sempre que a suplementação de recursos de origem privada aplicados a êsses objetivos. 4. há requisitos constitucionais (arts. que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição. concessão de crédito presumido. Eles. 16. Fundamentalmente e nos limites das possibilidades financeiras a concessão de subvenções sociais visará a prestação de serviços essenciais de assistência social. Esses dois princípios são implícitos. serviços. não existindo nenhum dispositivo da Constituição que trate deles diretamente. estadual ou municipal. § 6.§ 1º Entende-se por elementos o desdobramento da despesa com pessoal. Art. taxas ou contribuições. lei que deve versar apenas sobre aquele assunto. § 6º. médica e educacional. anistia ou remissão. obras e outros meios de que se serve a administração publica para consecução dos seus fins.º Qualquer subsídio ou isenção. federal. 150.3 Requisitos para a concessão de renúncia de receita (e subsídios) Sobre este tema. norteiam a Lei de Responsabilidade Fiscal (mas. revelar-se mais econômica.O. apenas o princípio do planejamento está expresso na CRFB/88). assim como o art.

14. de planejamento tributário. trata-se de princípio implícito. II. g. O segundo requisito constitucional é previsto no art. 155. caput). de 1993). os prejuízos suplantarem os benefícios de uma renúncia de receita. 14. este dispositivo exige uma estimativa de impacto regionalizado da renúncia de receita na tríade orçamentária (PPA. 14 da LRF.prejuízo do disposto no art. e de que não afetará as metas de resultados fiscais previstas no anexo próprio da lei de diretrizes orçamentárias (inciso I do art. 165. bem como o princípio da transparência. na forma do art. LDO e LOA). pelo menos. Esse pensamento silogístico é construção da jurisprudência do STF. §6º da CRFB. deve provir também de lei de iniciativa do Chefe do Executivo. porventura. tributária e creditícia. isso significa que ela não é viável. Art. sobre as receitas e despesas. Se. uma das seguintes condições [alternativamente]: • demonstração pelo proponente [chefe do Poder Executivo] de que a renúncia foi considerada na estimativa de receita da lei orçamentária.O projeto de lei orçamentária será acompanhado de demonstrativo regionalizado do efeito. perpassa pela viabilidade da renúncia de receita. como a renúncia de receita integra o planejamento.º. remissões. todos previstos no art. caput). anistias. 150. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3. decorrente de isenções. 165. A questão que se põe é saber se as leis orçamentárias têm condições de absorver o impacto causado pela renúncia de uma receita. • Atendimento a. induzido pelo art. subsídios e benefícios de natureza financeira. 14). Atenção: o STF entende que o proponente da renúncia de receita deve ser o Chefe do Executivo porque é ele quem detém a iniciativa de leis orçamentárias. § 2. e. Justamente por isso. § 6º . São eles: • Estimativa de impacto orçamentário-financeiro no exercício em que deva iniciar sua vigência e nos dois seguintes (art. §6º. Este dispositivo também é sede implícita dos princípios do equilíbrio e transparência. Pergunta-se: o princípio do equilíbrio é expresso na Constituição Federal? Não. Requisitos legais Três são os requisitos legais para a renúncia de receitas e concessão de subsídios. O Chefe do Poder Executivo tem que demonstrar que a previsão de receitas feita na LOA considerou a renúncia de receita que pretende conceder. no . 12 da LRF. XII. • Atendimento ao disposto na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) (art. • estar acompanhada de medidas de compensação.

majoração ou criação de tributo ou contribuição (inciso II do art. O art. Muita atenção: nem sempre será necessária a existência de uma medida de compensação para que seja efetivada uma renúncia de receita. §3º da LRF prescreve duas EXCEÇÕES em que será possível haver renúncia de receita sem atendimento dos requisitos acima descritos: • Alteração de alíquotas de impostos extrafiscais.período mencionado no caput. 14. 14. 153. Vale ressaltar que a lei que concede alguma forma de renúncia de receita ou prevê a medida compensatória não precisa observar os princípios da anterioridade de exercício e anterioridade nonagesimal. Questão interessante (PGE): A lei que criou o tributo (ex: implementou a COSIP no Município) foi posterior à lei orçamentária do ente federativo (ex: a lei orçamentária do município já foi aprovada e posteriormente o município cria um tributo). Contudo. Por causa disso. a renúncia de receita só ocorre quando o tributo é criado anteriormente à lei orçamentária. • Cancelamento de débitos cujo montante seja inferior ao dos respectivos custos de cobrança. ampliação da base de cálculo. Se o ato de concessão ou ampliação do incentivo ou benefício de que trata o caput deste artigo decorrer da condição contida no inciso II. 14 da LRF? Resposta: a redução de imposto é considerada uma renúncia de receita pelo art. 14 da LRF. não houve renúncia de receita. e. o benefício só entrará em vigor quando implementadas as medidas referidas no mencionado inciso. uma outra lei reduz o valor do tributo. conforme art. na forma do art. o tributo foi criado após a aprovação da LOA. posteriormente. desde que a redução das alíquotas tenha sido operada por ato do Poder Executivo. proveniente da elevação de alíquotas. 14). § 2º da LRF. de modo que não foi considerado na estimativa de receita. Uma eventual redução do valor desse tributo. por meio do aumento de receita. não será necessária uma medida de compensação. A polêmica do empréstimo compulsório como receita pública . Caso o chefe do Executivo demonstre que a renúncia foi considerada na estimativa da receita e que ela não afetará as metas dos resultados fiscais. §1º da CRFB/88. sua arrecadação é considerada na estimativa de receita. 14 da LRF. 5. Art. consistiria renúncia de receita. In casu. Só será necessária uma medida compensatória se o chefe do Executivo não observar o inciso I do art. instituída por iniciativa do Chefe do Executivo através de novo projeto de lei orçamentária. Esse tema é objeto de estudo pelo direito tributário.

há uma vinculação mediata ao contribuinte.para atender a despesas extraordinárias. II . no que for aplicável.Os empréstimos compulsórios são caracterizados pela vinculação do produto arrecadado. não há compulsório perpétuo. ainda que esse não seja definido quanto à data certa. É possível que o prazo de duração do empréstimo compulsório marque um prazo vinculado ao fim da guerra. O término das situações excepcionais resulta na extinção do empréstimo compulsório. A própria Lei instituidora deve prever a data em que o empréstimo deve ser tornado ao contribuinte. Parágrafo único. tendo como fato gerador o fato gerador de qualquer imposto federal. de guerra externa ou sua iminência. sendo destinados aos gastos oriundos de uma calamidade pública. A Lei que cria o empréstimo compulsório já estabelece esse prazo (no Brasil. mediante lei complementar. observando. 150. observado o disposto no art. 148 da CRFB/88) e outra vinculação mediata (significa que a destinação dos empréstimos compulsórios está vinculada ao contribuinte). Entende a doutrina que. A União. de um tributo cuja arrecadação é vinculada/afetada (o seu fato gerador não é vinculado. 15 do CTN. Sendo ele extinto. o disposto nesta Lei. guerra e investimento público de caráter urgente e relevante. poderá instituir empréstimos compulsórios: I . Essa restituição dos valores excedentes decorrentes dos empréstimos compulsório será feita no prazo estabelecido em Lei Complementar e em dinheiro/moeda corrente. A lei fixará obrigatoriamente o prazo do empréstimo e as condições de seu resgate. . nas situações de calamidade pública. O essencial é que haja prazo determinado. após supridas as despesas. tendo em vista que o valor deve ser devolvido ao contribuinte. haverá a restituição dos valores arrecadados aos contribuintes. decorrentes de calamidade pública. sob pena de inconstitucionalidade): Art. parágrafo único. mas apenas o produto arrecadado – não confundir com as taxas).no caso de investimento público de caráter urgente e de relevante interesse nacional. Trata-se. 148. Ex: empréstimo a ser cobrado durante a duração da 2ª guerra mundial. A aplicação dos recursos provenientes de empréstimo compulsório será vinculada à despesa que fundamentou sua instituição. portanto. sem definir uma data certa. "b". A grande questão é que o empréstimo compulsório abrange uma vinculação imediata (o produto de sua arrecadação é vinculado às finalidades de sua instituição previstas no art. poderá a União criar o empréstimo compulsório. iminência de uma guerra externa ou investimento nacional de caráter relevante ou urgente. Ou seja. III. Assim entende o STF e assim dispõe a Constituição: Art.

e com correção monetária (segundo o STF. para o cargo de Procurador da República). exclusivamente com determinadas atividades).DecretoLei n. Deste modo. deverá ser restituído em moeda). e não como receita. inclusive. emissão de títulos da dívida pública). 121. há aqui receita derivada. havendo atuação estatal sob a ótica do poder de império. pois o Governo pretendeu devolver os valores em títulos da dívida pública. Atente: não é correto enquadrar os empréstimos compulsórios na categoria empréstimo público. Julgado: RE 175385. observa-se que os empréstimos compulsórios adentram nos cofres públicos com data certa para sair. O contribuinte não tem a faculdade de pagar ou não este tributo. O crédito público respeita autonomia de vontade do particular. embora não sejam tributos vinculados (já que não dependem de qualquer atividade específica relativa ao sujeito passivo para legitimar sua cobrança – exigência que não tem correlação com a destinação da arrecadação). 2. Voltando à problemática.Em relação à restituição ser em dinheiro ou em moeda corrente.288/86 mostra-se inconstitucional tendo em conta a forma de devolução .ao invés de operar-se na mesma espécie em que recolhido Precedente: recurso extraordinário n.: contrato de empréstimo. Nessa oportunidade. Resumindo: EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO = RECEITA PÚBLICA (nesse sentido. o STF decidiu que a restituição deve ocorrer na mesma forma/modalidade do empréstimo (se foi feito é moeda.336-CE. enquadravam os empréstimos compulsórios no quarto campo da atividade financeira (o crédito público). O empréstimo compulsório alusivo a aquisição de combustíveis . foi a recente prova do MPF. bem como as operações em que o Poder Público pede dinheiro emprestado ao particular. já cobrado pelo CESPE: EMPRESTIMO COMPULSORIO . já houve uma discussão. . equivocadamente. tendo em vista que não há escolha por parte do contribuinte. muitos autores. Justamente por isso.quotas do Fundo Nacional de Desenvolvimento .AQUISIÇÃO DE COMBUSTIVEIS. se o empréstimo for pago sem correção monetária é como se não houvesse sido devolvido). O crédito público abarca as operações em relações às quais o Poder Público empresta dinheiro ao particular. que tem a faculdade de pagar ou não (ex. Conclui-se que os empréstimos compulsórios são tributos de ARRECADAÇÃO VINCULADA (necessidade de utilização da receita obtida. que consiste nos recursos particulares que adentram nos cofres públicos em razão de uma constrição patrimonial.