História

11 de junho de 2012

História do PMDB

Pelos registros da nossa história recente, surpreende que o PMDB tenha resistido a tantas
pressões de governos ditatoriais, divisões internas, esvaziamento, crescimento, novas
divisões e se mantenha como a legenda de maior base no território nacional. É possível
explicar.
Sofrida, com maus e bons momentos, a história do PMDB é a história do Brasil que continuou
pulsando a partir de 1964. Se manteve em movimento, com contradições, abrigou vários
tipos de ideologias e tendências políticas, instigou, gestou outros partidos, mas se manteve
no centro das discussões durante, na queda e após o regime militar. Hoje, para contar um
pouco da história do PMDB é preciso não só falar da história do Brasil, mas de praticamente
de todos os partidos, à sua esquerda, ou à sua direita.
Oficialmente o PMDB, que nasceu do MDB, teve sua fundação em 24 de março de 1966, com
o registro na Justiça Eleitoral. Era um dos resultados da extinção dos partidos imposta pelo
AI-2 e a instalação do bipartidarismo logo em seguida. Uma tentativa de imitar a bipolaridade
norte-americana, democratas versus republicanos. A diferença, que se evidenciou antes
mesmo do registro do MDB, é que o papel destinado pelos militares à oposição se resumia a
isto: o de opositor, mas inofensivo ao poder. E muito menos que ambicionasse ao poder.
O PRINCÍPIO
Na verdade, o Movimento Democrático Brasileiro constitui-se informalmente em 4 de
dezembro de 1965, como oposição a Arena. Quem o batizou foi Tancredo Neves. Venceu ali a
primeira queda de braço com o “prosador da arcadas” do Largo de São Francisco, deputado
Ulysses Guimarães, um pessedista que preferia o termo Ação a Movimento. Nesse mesmo
ano, quando ocorreram eleições diretas para governador em onze estados, os militares já
haviam demonstrado quais eram os limites da oposição evitando, através de “oportunas”
mudanças nas regras do jogo, que dois oposicionistas – Hélio de Almeida, ex-ministro de
Goulart, e Sebastião Pais de Almeida, ex-ministro de JK – disputassem os governos da
Guanabara e de Minas Gerais. Eram francos favoritos. JK e Goulart estavam no exílio.
Permitiram Negrão de Lima, ligado ao PSP de Adhemar de Barros, e Israel Pinheiro,
pessedista próximo a JK. Dois oposicionistas pouco ortodoxos que rapidamente aderiram ao
poder central. Mesmo assim, essas duas vitórias provocaram sobressaltos nos meios
militares que desaguariam no AI-2. Além de obrigar o País ao bipartidarismo, tornaram as
eleições indiretas nos onze estados restantes. De qualquer maneira, o então presidente
Castelo Branco garantiu a posse dos eleitos, o que lhe valeu um desgaste definitivo entre os
colegas de caserna. Ele não faria o sucessor.

O novo sistema precisava de um partido de oposição para não caracterizar a ditadura de partido único. e dois grupos apelidados de “pastosos”. as eleições diretas. de 120 deputados e 20 senadores necessários para registrar a legenda. tanto antes como depois de 1964. como um “voto de confiança”. Com uma economia centralizada no Estado e regras eleitorais mutantes. Era comentário de bastidores na época que o próprio presidente Castelo Branco havia convencido alguns senadores a se integrarem ao MDB para possibilitar o seu registro. Entre os que procuravam evitar o confronto mais duro que. A experiência demonstra que. OPOSIÇÃO NECESSÁRIA O primeiro presidente do MDB foi um general. mas pedia atenção ao “aceno de liberalização do Presidente Médici e cooperação para que seu desejo de redemocratização se realize”. Alguns apostavam nos bons propósitos expressos por Médici antes da eleição. o partido passa a ser mais combativo. empurram boa parte do eleitorado oposicionista para o voto nulo. a Arena dominava a cena política. inclusive para presidente. A partir de dezembro de 1968.CAUTELA Rever a história é abrir baús que. podem conter momentos estranhos. O segundo grupo pregava o comparecimento sem votar em ninguém. resultaria em mais atos institucionais e mais repressão naquele cinzento final da década de 60. Oscar Passos. que simplesmente não queriam comparecer ao Colégio Eleitoral em protesto aberto. vistos fora do ambiente político e social da época. As representações do MDB nas assembleias legislativas dos estados sofriam pressões do poder central disseminado nas administrações estaduais. Foi o majoritário. Com as eleições transformadas em indiretas após 1966. Na eleição indireta do general Garrastazu Médici. alterando as regras do jogo a nível nacional e local. Para um partido com o tamanho e a história do PMDB não é diferente. os “moles”. o partido se dividiu em quatro. Montoro dizia: “A oposição que estamos fazendo é a mesma de sempre e ela se pauta pelo realismo político. Seria um protesto. duas figuras marcariam de forma definitiva os futuros passos do MDB: Ulysses Guimarães e Franco Montoro. Bandeiras que permearam todo o caminho do partido. a justiça civil para os civis e as eleições diretas. que não queriam apenas comparecer. que teve como pretexto o discurso do medebista Márcio Moreira Alves. como forma de protesto contra o regime. diziam na época. Os integrantes do primeiro grupo queriam comparecer e votar em candidato próprio. Ulysses já pregava o restabelecimento das prerrogativas do Congresso. mas votar em Médici. mês e ano do AI 5. Entre os duros destacava-se o deputado Caruso da Rocha que considerava impossível o partido renunciar ou mesmo adiar bandeiras de seu programa como a anistia. o senador pelo Acre. No MDB tínhamos os “duros”. toda vez que a oposição quis queimar etapas. que fez vítimas no MDB. Mas a agitação estudantil e a luta armada. não foi fácil para o MDB conseguir a adesão. o habeas corpus . mas legitimaria o Colégio Eleitoral. ela nada conseguiu e as conseqüências sempre representaram um retrocesso político”. o MDB só conseguiria eleger seu primeiro governador . contra o próprio AI-5. sempre lembrado como o mais duro do regime militar. mesmo que momentânea. Como a Arena era o braço auxiliar de um regime que prometia longos anos no poder.

também deu seu salto significativo neste ano de 1974. Ele resolveu ir até o fim. o que lhe garantia a eleição indireta dos governadores destes estados. mas era o “nosso exército”. Ganha espaço na mídia interna e alcança grande repercussão no exterior. Nem todos gostavam dessa brincadeira. tomada pelos lacerdistas (que sonhavam fazer do seu líder ministro da Educação). Além da linha mais combativa que abria espaço para lideranças populares. Ulysses percorre as capitais do País com a pregação das idéias oposicionistas. Torna-se uma frente oposicionista. o anti-candidato Ulysses Guimarães em campanha só não foi ao Rio de Janeiro. nasceu em 1971 num seminário do partido em Recife. no Rio de Janeiro. que se mostrara um terreno estéril para o partido na sua fundação. que só vingaria no distante ano de 1985. Nenhuma surpresa. governador eleito pelo próprio MDB. 1974: O GRANDE SALTO A década de 70 marcaria o grande salto do MDB. Chagas já havia impedido o acesso de candidatos do grupo “autêntico” do MDB no horário de TV do partido. ou os militares. Chico Pinto o “marechal”. Alceu Collares o “sargento”. SUSTO E REAÇÃO MILITAR Ironicamente. o que mais irrita os militares. No grupo cada um tinha uma patente: Fernando Lyra era o “cabo Lyra”. barrado por Chagas Freitas. O timoneiro desta arrancada foi Ulysses Guimarães. lembra Chico Pinto.em 1970: Chagas Freitas. o vice. do que por vocação oposicionista. o que deu legitimidade ao Colégio Eleitoral e à eleição do general Ernesto Geisel. três em 1970 para 16 em 1974. que já vinha amadurecendo a ideia no início de 70. No Senado. Entre os autênticos que orbitavam em torno de Ulysses contra os “moderados” de Tancredo Neves. A ideia era que renunciasse no dia da eleição. A semente estava lançada. Alencar Furtado o “coronel”. Brotou ali também a ideia de uma anticandidatura para dar projeção ao partido. Marcos Freire o “almirante”. resolveram montar também a sua hierarquia de caserna. O Grupo Autêntico do MDB. mas desuniu e deixou descontentes. mas Ulysses foi além do combinando com os autênticos. Franco Montoro. . Passou de quatro senadores em 1966. E mais: elegeu neste ano 44 por cento dos deputados federais e a maioria de deputados estaduais em seis assembleias legislativas. Apesar do clima de chumbo da época – que obrigou Ulysses a enfrentar literalmente os cachorros da polícia baiana do governador Roberto Santos em visita a Salvador – os autênticos tinham lá o seu humor. Lysâneas Maciel. Como o adversário era um militar. outros fatores contribuíram de forma significativa para o crescimento do MDB: a crise do petróleo provocou o fim do milagre econômico e o esfacelamento da luta armada. resolveu lançar Ulysses como anticandidato na passagem do governo Garrastazu Médici para Ernesto Geisel. Ela vingou. O MDB assumiu definitivamente o papel de escoadouro das insatisfações em todos os níveis. A ideia da convocação de uma Assembléia Nacional Constituinte. Em companhia de Barbosa Lima Sobrinho. Chagas acabou no MDB mais por falta de espaço na Arena. destacavam-se ainda Mário Covas.

manteve a maioria na Câmara (55%) e no Senado (62%). jurista respeitado pela oratória. na medida do possível para a época. com novo avanço emedebista. que a luta a favor da anistia e dos presos políticos ganharia um novo patamar nas pressões populares pela abertura. Ele já votava com a oposição em todas as matérias no Senado.“Ninguém mais se ilude com essas promessas feitas por Costa e Silva. No pleito seguinte cresceu para 189. O MDB perde poucos deputados. também se valeu da alternativa de baixar nova reforma política. o MDB havia dobrado sua representação na Câmara: de 87 para 165 deputados. é eleito. As eleições estavam se transformando em verdadeiros plebiscitos. DO MDB PARA O PMDB Em vez de conciliação e diante do quadro eleitoral com a oposição avançando ano a ano. Na V Convenção Extraordinária do MDB. visceralmente democrático. Reeleito líder na Câmara. indicados pelo governo central e eleitos pelas assembleias legislativas. Médici. Embalado pelo sucesso eleitoral e pelas movimentações nas ruas. No horário da propaganda eleitoral o País passou a assistir o desfilar de retratos dos candidatos com apenas um fundo musical. Não se sabia a que vinham ou propunham. deputado Tancredo Neves saudou o general: “O MDB a partir de hoje é uma legião de homens livres sob o seu comando. que faria dobradinha com o senador Paulo Brossard. rebateu o deputado Jarbas Vasconcelos. o líder do partido na Câmara. Mas seria com ele no MDB. Como se evidenciavam algumas divisões entre os militares. percorrendo o País. A reação dos militares foi o pacote de abril de 1977 baixado pelo presidente Ernesto Geisel. o MDB resolve dar sua cartada mais ousada e concorrer com candidatura própria à Presidência da República dentro do Colégio Eleitoral. As regras para existência de uma oposição sem opção de poder estavam sendo derrubadas. visitando os presídios. O eleitorado era cada vez mais urbano e. E novo susto nas capitais com as eleições municipais de 1976. Geisel e agora o general Figueiredo”. A CANDIDATURA DO GENERAL O jogo virava lenta e persistentemente. melhor informado e mais independente. em 1978. o “menestrel das Alagoas”. ele faz um apelo à conciliação nacional. Tancredo reagiu com simpatia: “O MDB. Na posse. Ele não indica caminho algum e sua candidatura murcha. De 1970 a 1974. do Rio Grande do Sul. não pode ser insensível ao apelo do general Figueiredo”. que destinou um terço das cadeiras do Senado para os “biônicos”. Não surpreendeu ninguém. Com tanto esforço “revolucionário”. Evidentemente provocou desabafos dos autênticos. Mas o governo perde um aliando que história ao trocar a Arena pelo MDB na reforma partidária: Teotônio Vilela. . o partido foi buscar no general Euler Bentes o seu candidato. o sucessor do general Geisel.O governo militar tomou um susto. a Arena. candidato do regime. Aponte o caminho e nós o seguiremos”. manteve as eleições indiretas para os governos estaduais e ofereceu ao País a Lei Falcão. O general Figueiredo.

Os núcleos do MDB. UDN e PDC. Franco Montoro. transformado em PMDB. pulsando principalmente no ABC paulista. com os autênticos. e os moderados. Ele deveria abrigar a provável candidatura Petrônio Portella. O PMDB também perdeu quase metade de sua bancada. Em 1982 o PMDB ganharia nove estados elegendo. A abertura lenta e gradual. alternativa civil do regime. Com isto o PP se inviabilizou. levaria o Governo central a argumentar que a democracia que se avizinhava não suportaria as duas amarras políticas do bipartidarismo. com Tancredo Neves à frente – o que esvaziava o PMDB e apresentava uma saída possível para o regime. que se coligou à maioria governista e garantiu oxigênio ao governo. de vários matizes. Promoveu-se a reforma política através do Congresso extinguindo o bipartidarismo. normalmente circulando em torno de Tancredo Neves. com o claro objetivo de matar a força da legenda MDB. Tancredo Neves. quase retirando a maioria do PDS. que também possuía os seus rebeldes de ocasião. e José Richa. Parte retornou ao ninho peemedebista. entre outros. depois repartido em PDT – e os sindicalistas do Sul e Sudeste liderados pelos líderes sindicais do ABC paulista. o PT. entregando a sigla a Ivete Vargas. Mas a morte de Petrônio Portella fez o partido refluir para menos de 70 deputados. O PP se aglutinou rapidamente em torno de 90 deputados. Como se esperava. e o MDB. com o nome de PDS. no Paraná. o governo João Baptista Figueiredo tratou de proteger o PDS. em São Paulo.E com o artifício adicional de exigir o termo partido à frente das siglas. o governo tratou de rachar o PTB de Leonel Brizola. A estratégia de manter o poder. Esta tendência resultaria em 1988 no PSDB. Mas desenhava-se sobretudo a estratégia de abrir espaço para grande trunfo civil do governo na época: Petrônio Portella – piauiense com bom trânsito em todas as correntes – alçado ao Ministério da Justiça. foram mantidos. Recrudesceram também as pressões sociais com um sindicalismo cada vez mais atuante. Como o PDS perdeu sua maioria absoluta na Câmara. orbitariam dois outros partidos criados para abrigar os trabalhistas. As novas normas eleitorais traziam o voto vinculado e a proibição de coligações para evitar que o partido de sustentação do governo perdesse a maioria. o caldeirão político alimentado pela crise econômica e a pressão política promoveram o retorno dos exilados. Mas a mudança que mais agitou os meios políticos foi a criação de um novo partido o PP. preferiram ficar sob o guarda chuva do PMDB ou PDS. e Arena. outros partidos que possuíam alguma história antes do regime militar como PSD. em Minas Gerais. a Arena de um lado. que mal se continham dentro do MDB com o retorno de Leonel Brizola – do histórico PTB. mesmo acomodando uma tendência social democrata que ganhou força com a volta dos exilados. ALIANÇA TANCREDO/SARNEY . Com a morte de Petrônio. ou de promover a abertura lenta e gradual. Em torno desses três. Evidentemente ganhou cargos.

este grupo criou a Frente Liberal que. De quebra o PMDB possuía ainda as presidências da Câmara e do Senado. entre outros. o PMDB agigantou-se. que foi comandada por Ulysses Guimarães. Mas um ano depois. Resultado: Tancredo e Sarney venceram Maluf e Flávio Marcílio com uma diferença de 300 votos. futuro PFL. Mas o país ficou em suspenso com a doença de morte do presidente eleito. que reunia. PRONTO PARA A CONSTITUINTE Mesmo perdendo políticos para os partidos de esquerda. junto com o PMDB. PC do B e PSB). em meio a profusão de partidos que se habilitaram para disputar a sucessão de José Sarney. O temor de que a redemocratização fosse frustrada após a luta de anos. A principal vertente estava aglutinada em torno do Movimento de Unidade Progressista – MPU – que em 1988 resultaria no PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira). assumiu José Sarney. o PMDB tornou-se hegemônico no Congresso para fincar a sua grande bandeira: a Assembléia Nacional Constituinte. com 10. Elegeu 22 dos 23 governadores de estado. venceu fácil as eleições de 1986. queria evitar a convenção partidária que indicaria o candidato do partido no Colégio Eleitoral na sucessão de Figueiredo. A campanha das Diretas Já iniciada com base na emenda do deputado Dante de Oliveira incendiou o país. o senador Marco Maciel e o vice-presidente Aureliano Chaves. Mas após a morte de Tancredo. O STF interpretou que a lei da fidelidade partidária vigente à época não se aplicava no Colégio Eleitoral. A sua facção liberal. Se em 1985 amargou a derrota de Fernando Henrique Cardoso para Jânio Quadros na Prefeitura de São Paulo. as divisões internas foram inevitáveis. do berço peemedebista (PCB. Embora tivessem candidatos indiretos. Ele não era nem mesmo o candidato do próprio Figueiredo. Com 260 deputados federais e 44 senadores. viu surgirem dois candidatos que iriam para o segundo turno com a estratégia quase única de bater no governo: Fernando Collor e Luiz Ignácio Lula da Silva. o próprio presidente do partido José Sarney. levou o PMDB a sofrer um esvaziamento em 1989. Das 75 prefeituras nas maiores cidades brasileiras ficou com apenas 20. Divisões que se agravam muito quando o partido apoiou mandato de cinco anos para o presidente Sarney. resultaria na Aliança Democrática e na candidatura de Tancredo Neves e José Sarney. que em 1985 saíram da clandestinidade. O fracasso do Plano Cruzado e a perda desta ala a esquerda. Embora as ruas fossem tomadas pelas pregações de eleições diretas. Mesmo dividido. foi uma interpretação jurídica do Supremo Tribunal Federal que jogou a última pá de cal no regime militar e o seu possível sucedâneo civil. . Contudo. as oposições reunidas em torno do PMDB pediam as urnas. agora no PMDB.7 % na Assembléia Nacional Constituinte. Comícios com milhares e milhares de pessoas embalavam o ressurgimento das manifestações públicas e fortaleciam a luta pelo retorno da democracia brasileira. Procuravam evitar Paulo Maluf. o partido havia chegado ao poder. Vencido. empurrado em boa dose pelo sucesso inicial do Plano Cruzado.O afloramento de novas tendências e ambições em todos os partidos não excluiu o PDS. E. 55 deles do próprio PDS e outros 113 da Frente Liberal.

NO PODER COM ITAMAR Sem base parlamentar e envolvido em inúmeros casos de corrupção. do PT. o sociólogo Fernando Henrique Cardoso. com destaque para Orestes Quércia e José Sarney. Mas é na Presidência da Câmara dos Deputados que o partido tirará seus melhores frutos. através do pequeno PSC.Com 103 deputados. quem domina a convenção é Orestes Quércia. Franco . que batia recordes históricos. o PMDB ocupa um espaço importante. uma ala do partido resolve apoiar a reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso. Já não havia prazo para uma nova filiação partidária. esta decisão provoca enormes desagrados em algumas áreas. No entanto. Antônio Britto (35 %). Ele ganha no primeiro turno com mais de 50% dos votos válidos. a sua sucessão é que movimenta o partido. ministro da Fazenda do governo Itamar Franco. A melhor prova da divisão seria dada logo no ano seguinte com a eleição de Paes de Andrade para a Presidência do partido por 76 a 75 votos. A cúpula quer Britto.O candidato do partido e seu maior líder. Ulysses Guimarães. Uma enquete interna mostra que a cúpula prefere como candidato à sucessão de Itamar Franco o governador do Rio Grande do Sul. Assim. Por dois mandatos consecutivos foi eleito o deputado Michel Temer. um jurista e professor universitário que chegou à política pelas mãos e administração do ex-governador de São Paulo. Com o impeachement de Collor. Lula. o senador Itamar Franco. o mandato de Collor foi encurtado rapidamente. mesmo que mantenha um certo distanciamento e inicialmente oscile entre apoio e oposição. ficou em sétimo lugar com menos de 5 % dos votos. Sarney é que tem as preferências nas pesquisas de opinião pública. A decisão é tardia. então no PRN. um deputado próximo a Fernando Henrique Cardoso. particularmente nos setores que apostavam em possíveis candidatos os dois ex-presidentes Itamar Franco e José Sarney. Collor venceu as eleições com um egresso do PMDB ao lado. embora a aliança que elegeu Fernando Henrique fosse constituída basicamente pelo PSDB. o PMDB ganha algum espaço no poder através de Itamar. Ao final de mais de seis meses de discussão. A SURPRESA DO REAL Mas o quadro sucessório sofre um solavanco com a chegada do Real. Mas surgem várias candidaturas internas. Fernando Henrique Cardoso é reeleito. A ESPERA DE 2002 Na eleição presidencial de 1998. PFL e PTB. Ele ganha a indicação. Sarney ainda ensaiaria uma candidatura fora do PMDB. o partido não apoia a reeleição mas também não lança candidato. 23 senadores e 9 governadores. o PMDB continua um partido de peso suficiente para ajudar muito ou atrapalhar muito. desgastado pelo intenso trabalho de não permitir que o governo desse uma guinada a direita e pelos inevitáveis respingos de uma inflação avassaladora. Outro ex-peemedebista e um dos fundadores do tucanato. que havia atingido de morte a hiperinflação. No entanto. Como de outras vezes. consegue atrair para si os benefícios eleitorais da nova moeda. As divisões dentro do partido levam a substituição de Paes de Andrade pelo senador Jader Barbalho na Presidência do partido. Seu adversário era Alberto Goldman. vindo logo a seguir do primeiro colocado.

Geddel Vieira Lima. No Senado. entre outros. Nele está o princípio que o partido passou a cobrar de qualquer eventual aliado: investimento sério e continuado do próximo governo para reverter o cenário de injustiças sociais cultivado durante 500 anos no Brasil. no Senado. Itamar Franco. Michel Temer deixa a Presidência da Câmara com o nome cotado para vários postos. PMDB e PSDB se unem afastando momentaneamente o PFL: o senador Jader Barbalho é eleito Presidente do Senado e o deputado Aécio Neves. Mas o primeiro passo ele dá dentro do partido: é eleito seu novo Presidente. Neste posto cabe ao deputado o gerenciamento de mais uma fermentação dentro do PMDB diante das opções de alianças ou de candidato próprio à Presidência da República. O projeto encontra eco na sociedade. Diante da inanição eleitoral de seus pretensos candidatos. o secretário-geral do PMDB. Esse grupo era composto dos líderes do partido na Câmara. João Henrique. deu norte ao PMDB. Sem uma candidatura própria aglutinadora. das comissões e do plenário através da Internet. o PMDB lançou o documento “Tirando o atraso. Depois da primeira eleição apertada. mas o partido mantém o posto de presidente do Senado e do Congresso com o senador Ramez Tebet (MS). combater as desigualdades já”. Moreira Franco. quando substituiu o deputado Luís Eduardo Magalhães na Presidência da Câmara. foi com ele que os trabalhos da Câmara dos Deputados tornaram-se transparentes para toda a nação. e o presidente do Senado. Ramez Tebet. Esse texto base se tornou o suporte para a discussão eleitoral do PMDB. Renan Calheiros. jornal e redes de acesso a todos os trabalhos dos deputados. não conseguem que as ruas ecoem suas candidaturas. o presidente da Fundação Ulysses Guimarães.A partir de então. O reflexo desta aproximação com o Governo rebate diretamente dentro do Congresso. Nas suas duas gestões – entre 1997 e 2001 – a casa revolucionou sua comunicação social com TV. Temer reúne em torno de si as principais lideranças peemedebistas para definir o rumo do PMDB na disputa presidencial. agência de notícias. Os índices de Itamar e Simon nas pesquisas de intenção de votos resvalaram no traço da indiferença popular. Envolvido numa série de acusações que poderiam levá-lo a um processo de cassação por quebra do decoro parlamentar. É um programa de governo com um norte para o país. o partido passou a avaliar outras alternativas. morreu a tese da candidatura própria a presidente. o senador Pedro Simon (RS) e o governador de Minas. Depois de um trabalho de ampla discussão.Montoro. Nomes lançados na pré-temporada eleitoral. O PMDB passa a ser cortejado por várias . O PMDB lançou um programa de governo com todas as propostas a serem implementadas para mudar o país. A primeira providência de Temer foi dar um norte nas discussões. a reforma tributária e a limitação das medidas provisórias. Jader assumiu com um discurso a favor de mobilizar o Congresso para garantir a estabilidade da moeda apoiando ainda o governo em dois pontos prioritários: a conclusão da reforma da previdência e a reforma tributária. Presidente da Câmara. do PSDB. Além de desengavetar e dar novos impulsos a projetos como o código civil. Ao mesmo tempo. Jader renuncia. Temer foi praticamente aclamado na reeleição. Hoje esta malha de informação permite ao eleitor acompanhar passo a passo os trabalhos do Legislativo. rádio.

br/institucional/historia/ Acesso em: 16/08/2016 . O candidato adota o mesmo discurso. 433 aprovaram a união com o PSDB. mas como um parceiro. Um desses peemedebistas que apoiou Lula foi o senador José Sarney (AP). Mas é na candidatura do senador José Serra. No Senado. E não como um coadjuvante. o partido ratifica em Convenção Nacional a decisão de se coligar com o PSDB para disputar a Presidência da República. A candidatura do senador Roberto Requião conseguiu 218 votos. Os laços se estreitam. Franco Montoro e Mário Covas na luta pela redemocratização. um dos parlamentares cearenses mais votados em 2002. Rita é uma parlamentar com história na luta pelas crianças. Em 15 de junho de 2002. que foi eleito presidente ao fim da disputa pelo cargo mais importante do país.org. O PMDB se projeta de novo rumo ao poder central do país. a tese da coligação ganhou ampla acolhida: dos 622 votos. O PMDB rumou para as eleições defendendo o combate às desigualdades sociais do país. adota a mesma plataforma e o mesmo tom na defesa da área social.outras legendas. pelas mulheres e pelos menos favorecidos da sociedade brasileira. afinal Serra é um velho peemedebista que esteve ao lado de Ulysses Guimarães. Entre os peemedebistas. E para demonstrar todo o compromisso com o resgate social. Durante o processo eleitoral. Na liderança da bancada da Câmara dos Deputados despontou Eunício Oliveira. com alguns peemedebistas apoiando o petista Luiz Inácio Lula da Silva. em 2003. indica a deputa federal Rita Camata (ES) para ser a candidata a vice de Serra. a divisão do partido se manifestou. http://pmdb. presidente do Senado Federal. como um igual. que acabou eleito. que as sementes do programa peemedebista começam a dar frutos. do PSDB de São Paulo. o alagoano Renan Calheiros foi mantido no comando da bancada.