VOLUME VI

CADERNOS DE APONTAMENTOS N.º 36 - 41

Documentos para a História
de

SALVATERRA DE MAGOS

Séc. XIII – Séc. XXIArtesãos
Património:
Geográfico, Monumental, Cultural, Social,
Político, Económico e Desportivo

Autor
JOSÉ GAMEIRO

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Capa: Volume 37 – Parodiantes de Lisboa
Volume 43 Falcoaria Real Salvaterra de Magos

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Volume VI

Cadernos de Apontamentos Nº 36 – 41
2ª Edição Revista e Aumentada

Indice:
36 – Parodiantes de Lisboa (Ruy e José Andrade)
37 – A Morte do Conde dos Arcos
38 – A Origem das Festas do Foral, dos Toiros e do
Fandango de Salvaterra de Magos
39– Os Escuteiros de Salvaterra de Magos
40 – A Origem dos Bombeiros Voluntários,
e da Banda de Música – Salvaterra de Magos
41 - A Falcoaria Real de Salvaterra de Magos

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Primeira Edição - Tipo de Encadernação: Papel A5 Brochado
Edição: 100 exemplares – Março 2007
Autor: Gameiro – José
Editor: Gameiro – José Rodrigues
Morada: Bº Pinhal da Vila – Rua Padre Cruz, Lote 49
Localidade: Salvaterra de Magos
Código Postal: 2120 – 059 SALVATERRA DE MAGOS

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2ª Edição Revista e Aumentada – Março 2015
`++++++++++++++++++++
Contactos: Telef. 263 505 178 * Telem. 918 905 704
E mail : josergameiro@sapo.pt
Os Textos destes Cadernos não acompanham o Acordo Ortográfico de 1990

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CADERNO DE APONTAMENTOS Nº 36
Documentos para a História
De

SALVATERRA DE MAGOS

* SEC. XIII – SEC. XXI *
Património:
Geográfico, Monumental, Cultural, Social,
Político, Económico e Desportivo

Ruy e José Andrade )

“50 Anos de Rádio!”
O Autor

JOSÉ GAMEIRO

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Fotos da Capa: Ruy e José Andrade - Grupo ( Os Parodiantes de Lisboa)

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Primeira Edição

Titulo:
OS PARODIANTES DE LISBOA (Ruy e José Andrade)
“50 na Rádio”
Colecção: RECORDAR, TAMBÉM É RECONSTRUIR !
Tipo de Encadernação: Brochado - Papel A5
Autor: Gameiro, José
Editor: Gameiro, José Rodrigues
Morada: B.º Pinhal da Vila – Rua Padre Cruz, Lote 49

Localidade: Salvaterra de Magos
Código Postal: 2120-059 SALVATERRA DE MAGOS
ISBN: 978– 989 – 8071 – 38 – 5
Depósito Legal: 256486 /07
Edição – 100 Exemplares - Março 2007

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**************************

2ª EDIÇÃO REVISTA E ACTUALIZADA
**************************

* Contactos: Tel. 263 504 458 * Telem. 918905 704

* e-mail: josergameiro@sapo.pt

O autor deste texto não segue o Acordo Ortográfico de 1990

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O MEU CONTRIBUTO

O tempo passa,
as gerações
nascidas depois daquele dia
maravilhoso que, foi o 25 de Abril
de 1974, vieram encontrar um
tempo de liberdade, onde cada um
pode
exprimir
os
seus
pensamentos, sem repressões.
Decerto quererão saber quem
foi os obreiros da famosa equipa
dos “Parodiantes de Lisboa”, que fez os portugueses
“encostarem o ouvido” à rádio portuguesa, durante
meio século. O séc. XX tinha 20 anos, na vila de
Salvaterra Magos, existiam várias famílias com o nome:
Andrade. Numa delas, um ramo genealógico, tinha a
alcunha de “Os Charutos” e, nele nasceram três irmãos
rapazes; o Eduardo, o João e o Fernando Filipe
Andrade. Este veio a casar com Zulmira Fernandes.
O casal teve uma prole de seis filhos: quatro
rapazes e duas raparigas. Deles destacaram-se o José
Andrade (1920 -2002), e Ruy Andrade (1921-2006).
O pai, Fernando Andrade, sendo Padeiro, por volta
de 1936/37, um dia estabeleceu-se na vila, como
Comerciante na rua Machado Santos, com uma
pastelaria e Mercearia. A casa ficava ao lado da
Farmácia Martins e, uns meses depois, o espaço foi
dividido com o seu filho, José Andrade, que entretanto
já aprendera o ofício de barbeiro e, ali se instalou.
Agora que passaram alguns anos da primeira edição
deste Caderno, vamos fazer uma 2ª edição revista e
aumentada.
Março: 2015

JOSÉ GAMEIRO

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RUY E JOSÉ ANDRADE
(Os Parodiantes de Lisboa)

O Ruy Andrade, ainda jovem foi até
Lisboa, para os balcões dos famosos
armazéns Grandela. O José Andrade,
andava aprendendo o ofício de
barbeiro, pouco tempo depois, já
mestre feito, abriu oficina, num espaço
cedido pelo pai, onde a clientela afluía.
Poucos anos depois também foi de abalada até à capital do país,
Contou-nos esta passagem de vida, Fernando dos Santos,
barbeiro, na rua Dr. Gregório Fernandes, e também aprendiz
daquela arte nos tempos de José Andrade.
A ARTE DE FAZER RIR !

Fazer rir era tão perigoso, que o jornal semanal humorístico “A
Bomba”, lançado pelos dois irmãos Andrade, de parceria com
Manuel de Menezes Santos e Manuel Puga “explodiu”, após pouco
tempo de vida.
A censura não lhe deu tréguas, e foi
uma das causas do seu
desaparecimento. Com uma primeira
experiência na área do teatro amador,
no Clube Estefânia, em Lisboa, onde
criaram um grupo “Conjunto Teatral

Pró-Arte”, nele participava também um outro seu irmão, o
Eduardo Andrade.

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Depois do desaire, do jornal a “Bomba”, Ruy e José Andrade,
criaram em 13 de Março de 1947, – “Os Parodiantes de Lisboa” entram nas ondas da rádio, com o seu programa “Parada da
Paródia”,
sendo
as
emissões
transmitidos às 20 horas, na então rádio
Peninsular.
.Acompanharam
este
projecto;
Ferro Rodrigues, Santos
Fernando, Mário de Meneses, Mário Ceia,
Manuel Puga, e outros que
periodicamente foram dando o seu
contributo.
O humor, e a piada, eram a chama das
rústicas, dos seus programas como: “Vira o Disco”, “RadioNovelo”, “Teatro-Trágico”, “Entre as Dez e as Onze”, “PBX”,
“Piadinhas e Torradinhas”, e ”Compadre Alentejano”.
Fazendo rir, mesmo a quem não tivesse vontade, foram
programas que, os Parodiantes de Lisboa, passaram ao longo de
meio século, nas emissoras fazendo humorismo, ouvido por
milhões de portugueses – no país e no e estrangeiro. Em 1968,
as vozes, dos personagens que passaram nos seus programas,
eram “emprestadas “ por: Maria Cristina, António Callaty, Vasco

Fernandes, Maria Helena Silva, Daniel Garcia, Virgílio de Barros,
Maria Eduarda de Freitas Caldas, Duarte Ferreira, Maria
Fernanda Cordeiro, João Capela, Jorge Mendes, Eduardo Andrade,
Maria Eva Cardoso e Fernando de Almeida.

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O APOIO ÁS INICIATIVAS
EM SALVATERRA DE MAGOS
Um dia de 1954, foi criado o Grupo Dramático dos Bombeiros
Voluntários de Salvaterra de Magos, para os ensaios da peça “Os
Campinos”, pediram a Ruy Andrade, devido à sua experiência
teatral, ajuda na direcção e encenação. A peça subiu ao palco e
em três espetáculos teve casa cheia, logo os convites de
Instituições das terras vizinhas, para actuações. O grupo ainda
durou algum tempo acabando motivos vários.

Os manos Andrade, grandes adeptos do “seu” Benfica, também
deram alguma ajuda, pelo menos simbólica, ao Clube Desportivo
Salvaterrense, A prática do futebol em Salvaterra, estava parada,
o campo junto à Praça de Toiros, tinha deixado de ser usado, em
1957, com a instalação do novo campo de jogos, nos terrenos do
Loureiro, em terreno cedido pela misericórdia local, foi
solicitada aos irmãos Andrade a sua ajuda nas conversações com
a HEAA, para a retirada de um posto de alta pensão – cabos que
atravessavam o espaço. Pela colaboração , a nova direcção do

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CDS, ainda foi sondada por alguns sócios para que aquele
recinto, tivesse os seus nomes em sinal de agradecimento.
A Câmara municipal, acedeu à proposta do seu presidente; José
Matias Pinto de Figueiredo, para a realização de umas festas
anuais em Salvaterra de Magos. Para a comissão, foram
convidados; Ruy e José Andrade, e em 1976, teve lugar a primeira
edição das Festas dos Toiros e do Fandango de Salvaterra de
Magos.
OS 40 ANOS NA RÁDIO
Ao comemorarem 40 anos na rádio, os “Parodiantes de Lisboa”
tinham no ar uma hora do programa
“ Graça com Todos ” em
horário nobre, ouvido no continente e ilhas, Angola e Moçambique,
e muitas estações estrangeiras, destinadas aos emigrantes
portugueses.
Entretanto foi criada, a empresa “

Parodiantes de Lisboa – Publicidade e
Artes Gráficas, Lda.”, laborava num
último andar de uma nova urbanização,
na Av. Estados Unidos da América, em
Lisboa, e dela dependiam meia centena
de colaboradores, o irmão Eduardo Andrade, também passou a
ter lugar naquela empresa. Tendo uma “carteira” de cerca de
duzentos clientes, com uma lista na ordem dos cinquenta
anunciantes, em espera.

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Em 1990, quando do seu 43º aniversário, “Os Parodiantes de
Lisboa”, num protocolo com a câmara municipal de Lisboa,
inauguraram com a sua participação durante anos, a Casa do
Humor, que funcionou num espaço cedido no Museu Rafael
Bordalo Pinheiro, no Campo Grande. Nos primeiros anos da
televisão em Portugal, os Parodiantes animaram muitas noites
televisivas.
A par dos programas que já emitiam em várias estações de
rádio, tinham lançaram um jornal, com o título “Parada da
Paródia” semanário humorístico, onde o “carton” era a piada,
chegou a uma tiragem de 70 mil exemplares, em cada edição.
AS OBRAS NA PASTELARIA DE SALVATERRA
Quando das obras de remodelação da antiga Pastelaria “Sol da
Leziria”,, na década 70, que passou a usar o nome “A Cabana dos
Parodiantes”, tinha as paredes forradas com cartons e o tecto
com caniço – um palco para teatro revisteiro. Era o salão de chá,
muitos daqueles desenhos, eram do mestre Martins .
O irmão Rafael Andrade, passou a gerir aquele espaço
renovado, sendo a especialidade da pastelaria os pastéis; “Os
Barretes”, são um doce regional, original da “Cabana dos
Parodiantes”, de Salvaterra de Magos - Ribatejo, de Portugal,
Trata-se de uns pastéis de laranja, amêndoa, ovos e açúcar, que
são uma autêntica especialidade. Sendo uma fabrico exclusivo,
desta pastelaria desde 1946, e tornados famosos pela publicidade
passada nos programas de rádio dos Parodiantes de Lisboa.

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Ainda nos dias que passam, quem passar por Salvaterra de
Magos - Enfiar um Barrete na cabana dos Parodiantes é uma
experiência deveras estimulante, não deixando de levar como
recordação, e um presente para familiares e amigos.
As Vozes dos Parodiantes
Em 1968, as vozes, dos personagens que passaram nos seus
programas, eram “emprestadas “ por: Maria Cristina, António
Callaty, Vasco Fernandes, Maria Helena Silva, Daniel Garcia,
Virgílio de Barros, Maria Eduarda de Freitas Caldas, Duarte
Ferreira, Maria Fernanda Cordeiro, João Capela, Jorge Mendes,
Eduardo Andrade, Maria Eva Cardoso e Fernando de Almeida.
Ao longo da sua actividade radiofónica, foram alvo de preitos
de gratidão, uma delas a grande homenagem da Casa do Ribatejo,
que decorreu no restaurante “Filtejo”, nas instalações da Feira
Internacional de Lisboa.

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Muitos deles estiveram, até ao último minuto, nos Parodiantes,
que no dia 18 de Março de 1997, deixou de emitir a sua última
emissão, fazendo 50 anos de actividade, José Andrade, veio a
falecer em 2002, com 82 anos de idade, e no dia 24 de Janeiro de
2006, os Telejornais davam-nos a infausta notícia, da morte do
Ruy Andrade, aos 84 anos de idade.
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Bibliografia / fotos usados:

* - Apontamentos biográficos recolhida pelo autor
* - Revista “Magazine” – 1967
* - Revista “Vida Mundial” – 1968
* - Jornal “O Ribatejo” – 1984
* - Jornal Vale do Tejo – JVT

Fotos Usados:
Pág. 2 – Ruy Andrade * José Andrade
Pág. 3 - José Andrade, recebendo um prémio atribuído
aos “Parodiantes de Lisboa ” – Primeira página de uma
edição do jornal “Parada da Paródia”
Pág. 4 – Fernando, irmão de Ruy e José Andrade,
também ele membro dos “Parodiantes de Lisboa”
Fotos extraídas do vídeo do Programa “Parabéns” –
Herman José . TV “Memória”
Pág. 5 – Grupo de trabalho, que emprestavam as vozes
nos diversos programas dos “Parodiantes de Lisboa”
* Embalagem dos bolos “Barretes”, fabricados na
Pastelaria dos “Parodiantes”, em Salvaterra de Magos

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CADERNO DE APONTAMENTOS Nº 37
Documentos para a História
De

SALVATERRA DE MAGOS
Séc. XIII – Séc.

Património:
Geográfico, Monumental, Cultural, Social,
Político, Económico e Desportivo

(Uma Certeza nesta Vila)
O Autor
JOSÉ GAMEIRO

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Capa: Cena pintada e usada na capa do livro “Contos e Lendas “
edição “Colecção Civilização” * Rebello da Silva
(Quadro moldura do autor desse Caderno de Apontamentos)

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Primeira Edição
FICHA TECNICA:
Titulo:
A MORTE DO CONDE DOS ARCOS
“ Uma certeza nesta terra ! “
Colecção: RECORDAR, TAMBÉM É RECONSTRUIR !
Tipo de Encadernação: Brochado – Papel A5
Autor: Gameiro, José
Editor: Gameiro, José Rodrigues
Morada: B.º Pinhal da Vila – Rua Padre Cruz, Lote 49
Localidade: Salvaterra de Magos
Código Postal: 2120- 059 SALVATERRA DE MAGOS

ISBN: 978– 989 – 8071 – 39 – 7
Depósito Legal: 256487 / 07
Edição: 100 exemplares - Março de: 2007

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2ª Edição Revista e Aumentada – Março 2017
***************************
Contactos: Tel. 263 504 458 * Telem. 918 905 704
e-mail: josergameiro@sapo.pt

O Autor deste texto não segue o Acordo Ortográfico de 1990

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O MEU CONTRIBUTO
Porque a morte do jovem Conde
dos Arcos, na presença do rei D.
José, num “brinco” de toiros, nesta
vila de Salvaterra de Magos, foi
motivo para Rebello da Silva,
cerca de meio século depois, dela
fizesse uma narração romanceada
nos seus contos e lendas: “A última corrida de toiros
em Salvaterra”. obra, marcante na literatura do séc.
XIX, época do romantismo português, onde o escritor
realça a passagem da corte, pelo paço real de
Salvaterra. Aquela edição em livro, deu origem às
mais variadas interpretações, no meio literário e
artístico, onde a pintura, é a mais relevante.
A tauromaquia, especialmente os cavaleiros,
receberam a sua influência do séc. XVIII, que ainda é
usada nos nossos dias, o traje completa-se usando um
laço negro, na gola da casaca, caindo para as costas,
junto à nuca, em sinal de luto, pela morte do conde. O
local da tragédia, muitas e acérrimas discussões tem
causado, ao longo dos tempos, pois iminentes
interessados na causa taurina, e não só, ainda afirmam
que a mesma aconteceu, mas, não em Salvaterra de
Magos. Assim, reuni alguma documentação sobre o
assunto e, nas páginas deste Apontamento, também dou
o meu contributo, para se compreender melhor a obra
de Luiz Rebello da Silva.
Março: 2015

JOSÉ GAMEIRO

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A ORIGEM CONDE DOS ARCOS,
(Cronologia)
O Titulo foi criado pelo rei Filipe II de Portugal, (III de Espanha),
pela carta real de 2 de Fevereiro de 1620 sendo, pela primeira se
fala deste titulo – Conde dos Arcos, em conotação à povoação de
Arcos de Valdevez.
1.
2.
3.
4.
5.
6.
7.
8.
9.
10.
11.
12.

13.

D II. Luís de Lima Brito e Nogueira
D. Lourenço Maria de Lima Brito Nogueira
D. Tomás de Noronha
D. Marcos de Noronha, casado com Maria Josefa de Távora
D. Tomás de Noronha (1 de maio de 1679 - 8 de
setembro de 1760), casado com Madalena Bruna de Castro
D. Marcos José de Noronha e Brito (4.5.8 1768) * casado
com Maria Xavier de Lencastre * (Vice-rei do Estado do
Brasil - Salvador de 1755-1760)
D. Juliana Xavier de Lencastre * Casada com Manuel de
Menezes e Noronha
D. Marcos de Noronha e Brito * último Vice-rei do Brasil e
Capitão General de Mar e Terra dos Estados do Brasil (18061808)
D. Manuel de Noronha e Brito
D. Nuno de Noronha e Brito
D. Maria do Carmo Giraldes Barba Noronha e Brito
D. José Manuel de Noronha e Brito de Menezes de Alarcão
D. Pedro José Wagner de Noronha de Alarcão

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O CONDE DOS ARCOS E A HISTÓRIA
Alguns cronistas deixaram escrito ao longo dos séculos nas
páginas de vários registos, informações que ainda vem servindo
de fonte, neste séc. XXI, mas é atribuída a Alexandre Herculano, a
primeira edição da História de Portugal, que depois de começar
em 1830, e os primeiros anos de 1840, a reunir documentação,
que deu origem à primeira edição entre 1846 e 1853, mas não
passando da época do rei D. Afonso III. Quanto ao Conde dos
Arcos, são dispares a data da morte de Manuel Noronha e
Menezes, que terá sido o 7º daquela cronologia, mas por
casamento. Outros sustentam, que aquele Conde, sendo filho do
Marquês de Marialva, terá sido o 4º donatário daquele titulo.
Outros ainda, escreveram que Manuel de Menezes, nasceu em
Lisboa, e faleceu na zona de Marvila, naquela cidade, e que terá
desejado vir descansar no sono eterno em Salvaterra de Magos.
A Gazeta de Lisboa, jornal que acompanhou a época josefina, não
deixa de registar, que o rei D. José, ao passar períodos de férias
em Salvaterra, com jornadas da prática de caça e outros
divertimentos, na área da cultura – para isso mandou construir
uma Casa da Ópera, não deixando de assistir a outros
espectáculos, como corridas de touros. Terá sido, numa dessas
estadias em Salvaterra,, que no ano de 1772, a corte do rei D.
José I, depois de uma caçada, houve uma corrida taurina (*) na
vila

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mas há quem detenha a afirmação que foi ali perto, nas terras
da Murteira (Samora Correia), que tal aconteceu. O registo da
morte do jovem Conde dos Arcos, sabe-se que, foi feito nos
serviços da secretaria do paço real de Salvaterra, e do mesmo,
fez notícia a“ Gazeta de Lisboa”., jornal da época.
***********

*************

Quadro pintado por A. Figueiredo –
frente pavilhão do concelho de Salvaterra,
na exposição de Santarém - 1936
***********

(*) De acordo com o registo cronológico dos titulares “Conde dos Arcos”, regista-se a
sua morte em 1779, mas em documentos conhecidos posteriormente, como: “certidão
de óbito”, a sua morte ocorreu em 10 de Fevereiro de 1778, em Marvila (Lisboa), tendo
sido enterrado em Salvaterra. * Em registos controversos há afirmações do seu
contrário. O que sempre persistiu como certa, foi a narrativa romanceada do escritor,
Rebello da Silva que lhe a data de 1772, mesmo tendo este vivido no séc. XIX.

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A MORTE TRÁGICA DO CONDE, NUNCA ACONTECEU !..
O controverso investigador da temática taurina portuguesa,
Eduardo Pizarro Monteiro, falecido em 1991, em diversas
conferências, fez a análise sobre a morte do Conde dos Arcos,
Deixou escrito um seu trabalho publicado em 1982,,a Miscelânea
,História de Portuga, II, com o titulo: “A Última Corrida de Toiros
Real de Salvaterra de Magos”, nunca aconteceu, desmontando
assim o romance de Rebello da Silva.
No entanto outras fontes, como: Dicionários e Enciclopédias,
fazem alusão à sua morte, em Salvaterra. Outros ainda davam a
conhecer uma oração fúnebre escrita em 1778, onde consta que a
sua morte foi natural.
A 3ª INVASÃO FRANCESA
Quando da 3ª e última Invasão francesa, segundo registos,
uma parte daquele exército, esteve aquartelado, em Valada do
Ribatejo (Cartaxo), no palácio que foi da família Brito Seabra, e
usou as débeis instalações existentes do que antes era o Paço
Real de Salvaterra. Um encontro entre as tropas portuguesas e
as invasoras, aconteceu em terrenos de Lezíria no termo desta
vila com ao rio Tejo. Do confronto, o exército português, com a
ajuda da população local, deu-lhe boa réplica, fazendo-o
destroçar.

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Com tal encontro à vista, muitas famílias conseguiram pôr-se
a salvo, especialmente navegando até ao Brasil, com os seus
bens, pois sabia-se, que haveria saque nas vivendas e palacetes,
como aconteceu nas invasões anteriores. Entre os bens do
palacete da família Brito Seabra, encontravam-se alguns
documentos alusivos à tragédia ocorrida com o Conde dos Arcos,
disso nos dá conta uma nota, inserta na cronologia, da sua
árvore genealógica.
AS PEDRAS TUMULARES NO CONVENTO
Tal como no adro da Igreja Matriz de Salvaterra, nos terrenos
do Convento de Jericó, existia um espaço que servia de
cemitério. No convento, para além dos seus frades Arrábidos,
eram sepultados outros corpos, que recebiam bênçãos para ali
ficarem num descanso eterno. Muitos daqueles túmulos térreos
foram saqueados, outros retirados a tempo de tal profanação da
horda da 3ª invasão francesa.
Este episódio, ainda era contado, pelas gerações antigas, no
início do século XX, dizendo-se que, os restos mortais do Conde
dos Arcos, vieram do Convento, para a vila de Salvaterra de
Magos. Com a venda daquele antigo templo religioso, algumas
pedras tumulares, foram empilhadas, junto ao que restava da sua
capela destinada ao culto de Nª Senhora da Piedade, estando nela
em sítio apropriado, a imagem do mártir S. Bacco.

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O CONDE DOS ARCOS, ESTARÁ NA IGREJA MATRIZ
A Igreja Matriz de Salvaterra, no dobrar do séc. XX, sofreu
obras de conservação no interior do edifício, Ao ser retirado,
junto ao altar um gradeamento em ferro ali existente, vieram a
ser identificadas, algumas pedras tumulares; uma das quais,
seria do seu fundador; D. João Martins de Soalhães, mas segundo
documentos credíveis, este morreu, em 1325, quando Arcebispo
de Braga, e aí foi sepultado na Sé. Naquelas obras de 1958, era
pároco da freguesia, o Padre José Rodrigues Diogo, perante tal
achado mostrou-os a alguns paroquianos, mais íntimos,
Segundo ele, a outra seria de Manuel de Menezes e Noronha,
falecido em Lisboa, em 1778, mas nos arquivos da paróquia
também existia documentação guardada, que incluía uma cópia
do assento do óbito do Conde dos Arcos, e um outro com a
autorização de receber a transladação da pedra tumular do
Convento dos Arrábidos para aquele edifício religioso, na vila,
quando da 3ª Invasão Francesa, sob o comando de Massena.
-

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*****************

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MANUEL DE MENEZES E NORONHA
( Conde dos Arcos)
CERTIDÃO DE ÓBITO

Aos vinte e um dias do mez de Fevereiro
de mil setecentos e setenta e oito faleceu
o IIImº e Excmº Conde dos Arcos, Manuel
de Menezes e Noronha, casado com a
IIImª 7ª Condeça dos Arcos, D. Juliana
Xavier de Noronha, Morador no Largo da
Antigua Igr.ª do Salvador, Districto desta
freguesia de S. Thomé. Não fez test.to,e foi
sepultado em Salvaterra de Magos, no
Conv.to dos Religiosos Arrábidos de Jericó;
de que fiz êste assento que assinei.
– Pe. Pedro Francisco Caneva

*********
Registos Paroquiais, Freguesia de Santo André * Instituto dos
Arquivos Nacionais/Torre do Tombo

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MNAUEL JOSÉ DE NORONHA E MENEZES
( Conde dos Arcos)
Pedro de Alcântara de Menezes Noronha Coutinho (4º Marquês
de Marialva) * irmão de; Diogo José Vito de Menezes Noronha
Coutinho (5º Marquês de Marialva), António Luís de Menezes,
Joaquina José Bento de Menezes, Ana José Mónica de Menezes e
Noronha, Rodrigo José António de Menezes (1º Conde de
Cavaleiros (titulo doado por D. Maria I – 1802)
Casado com: D. Eugénia de Assis * Pai de: Manuel José Noronha e
Menezes, Conde dos Arcos (Lisboa; 3.6.1740 – Salvaterra de
Magos; 1770, casado com Juliana Xavier de Lencastre (Caparica:
29 de Março de 1732 – Lisboa: 19 de Janeiro de 1814, 7ª Condessa
dos Arcos): Maria Benedita de Noronha, e Marcos de Noronha e
Brito ( 8º Conde dos Arcos)

*******
https.//pt.wwwikipedia.org/hiki/Maequês_de_Marialva

34

RECORDAÇÕES DO ACONTECIMENTO
Para além da obra escrita de Luiz Augusto Rebello da Silva, no
séc. XIX, onde artistas no campo
das artes plásticas, têm dado azo
à sua imaginação pintando
quadros
alegóricos
à
preservação
deste
acontecimento histórico. Quando
da inauguração da Biblioteca
Municipal de Salvaterra de Magos,
em 1985, num espaço ajardinado foi colocado numa parede um
grande painel em azulejos, de cor azul, a imortalizar a cena da
morte do jovem Conde dos Arcos. Um texto escrito em pedra de
lioz, serve de legenda. No ano 2003, os autarcas da freguesia
local, num espaço do largo da praça de toiros da vila,
construíram um pequeno suporte, com a esfinge de Rebello da
Silva, e um quadro em azulejos, alusivo ao acontecimento, - “A
morte do Conde dos Arcos e seu pai, o Marquês de Marialva,
matando o touro na arena” e, um texto homenageando o escritor.

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“ULTIMA CORRIDA REAL DE TOUROS EM SALVATERRA”
Transcrição do Livro “Contos e Lendas”
Colecção Civilização Nº 11 * Livraria Civilização - Porto

“ O Sr. D. José, primeiro de nome, era em Salvaterra um rei
em férias. A verdade é que os maldizentes notavam, em segredo,
que Sua Majestade em Lisboa estava sempre ao torno e o
marques de Pombal, no trono. O prolóquio fundava-se na
habilidade mecânica do monarca como torneiro. E no caracter
dominador do marquês como ministro.
Vicejavam os campos em plena primavera. A amendoeira
cobria-se de flores, os bosques enfolhavam-se , as veigas
vestiam-se e matizavam-se , e a brisa doudejava indiscreta
arregaçando o lenço à donzela que passava, ou roubando um
beijo à rosa perfumada. Tudo eram alegrias e cânticos… os
rouxinóis nas moutas, o coração nos amores, e a natureza nos
sorrisos ao sol esplendido que a dourava, Uma tourada real
chamara a corte a Salvaterra. Os fidalgos respiravam nestas
ocasiões menos oprimidos.
Não os assombrava tão de perto a privança do ministro. Ao
touros eram bravos, os cavaleiros destros, o anfiteatro pomposo
e o cortejo das damas adorável. O prazer ria na boca de todos.
Por cumulo de venturas p marquês de Pombal ficara em Lisboa,
retido pelo conflito com o embaixador de Espanha. Contava-se

36

em segredo nos recantos do palácio o diálogo travado entre o
enviado castelhano e o secretário de estado português,
louvando-o uns em alta voz, para os ecos daquelas paredes
repetirem o elogio, crucificando-o outros sem piedade, para
saciarem os ódios. As devotas e os fidalgos puritanos eram pelo
espanhol, e pediam a Deus que os rebates da guerra próxima
despenhassem o plebeu nobilizado.

Os magistrados e os homens de capa e volta defendiam o
marquês e respondiam com meios sorrisos às fogosas
jaculatórias dos zelosos do trono e do altar. O marquês de
Pombal tinha-se negado com firmeza às concessões exigidas
imperiosamente pelo governo castelhano.
- Muito bem, - atalhou o embaixador - um exército de sessenta
mil homens entrará em Portugal e fará…
- O quê? – perguntara o marquês ,sorrindo-se, com a tremenda
luneta assestada e no tom mais indiferente.

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- Fará entender a rezão e a justiça de el-rei, meu amo, a Sua
Majestade e a vossa excelência ! - redarguiu meia oitava acima
o espanhol, supondo o ministro fulminado.
Sebastião José de Carvalho franziu as sobrancelhas, carregou
a viseira, e cravando a vista e a luneta no diplomata, retorquiulhe friamente: - Sessenta mil homens muita gente é para casa
tão pequena; mas, querendo Deus, el-rei, meu amo e meu senhor,
sempre há-de achar onde hospedá-la. Mais pequena era
Aljubarrota e lá couberam e lá couberam os que D. João de
Castela trouxe.
Vossa excelência pode responder isso ao seu governo. E,
levantando-se para despedir o embaixador, acrescentou: - Bem
sabe vossa excelência que pode tanto cada um em sua casa ,que
mesmo depois de morto são precisos quatro homens para o
tirarem!
O embaixador saiu jurando por Dyos y la Virgen Santíssima e o
marquês preparou-se para a guerra. O caso é, como dizia o
nosso Zeferino na Sobrinha do Marquês , que Sebastião José de
Carvalho foi um grande ministro e que fez muito pela nação. Hoje
há menos quem responda assim à letra às ameaças dos
estrangeiros. Berra-se muito, dorme-se a sono solto ao som dos
hinos patrióticos, e depois salva o castelo de madrugada e está
salva a pátria. O marquês de Pombal prezava as artes e protegia
e animava as classes médias.

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Êsse pouco que o reino progrediu deveu-se a êle.. Se a
industria nunca acabou de sair da infância, a culpa quási toda foi
dos mais governos que sucederam ao seu, e também do povo que
não quis trabalhar de-veras Mas vamos aos touros reais Dêsses
é que o ministro não gostava nada. Queria-os ao arado e não à
farpa, e parecia-lhe melhor, que os toureadores, sendo fidalgos,
servissem o Estado com a pena ou com a espada, e, e, sendo
mecânicos, que lavrassem, tecessem e ganhassem
honradamente a vida, enriquecendo-se a si e à nação.
Mas el-rei D. José, cedendo em tudo ao marquês, quanto aos
touros não admitia reflexões.
Nisto era rei a valor e Bragança legitimo. Os fidalgos sabiamno e por isso disfrutavam doces prazeres – a satisfação do gosto
nacional e a contradição da vontade do ministro.
Desatendê-la sem perigo e pela mão do soberano era para êles
um deleite e um triunfo. Nestas funções não vigorava a
severidade das últimas pragmáticas. Outro motivo de júbilo.
Quem queria podia arruinar-se em luxuosos vestidos, enfeites e
toucados. As bordaduras e os recamos de ouro, os veludos e
sêdas de fora, talhados à francesa, resplandeciam constelados
de pérolas e diamantes. Por cima dos mais ricos trajos e das
mais vistosas côres desenrolavam-se os anéis ondeados das
empoadas cabeleiras .
As damas ostentavam as graças de seus donaires e tufados,
e emoldurando o belo oval dos rostos nos penteados caprichosos,
sorriam-se para os gentis campeadores, e os seus olhos cheios
de luz e de ,promessas estimulavam até os tímidos.

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Correram-se as cortinas da tribuna real. Rompem as músicas.
Chegou el-rei, e logo depois entra pelos camarotes o vistoso
cortejo, e vê-se ondear um oceano de cabeças e de plumas. Na
praça ressoam brava alegria as trombetas, as charamelas e os
timbales. Aparecem os cavaleiros, fidalgos distintos todos, com o
conto das lanças nos estribos e os brazões bordados no veludo
das gualdrapas dos cavalos.
As plumas dos chapéus debruçam-se em matizados cocares, e
as espadas em bainhas lavradas pendem de soberbos talins

Os capinhas e forcados vestem com garbo à castelhana antiga.
No semblante de todos brilha o ardor e o entusiasmo. O conde
de Arcos, entre os cavaleiros, era quem dava mais na vista. O
seu trajo, cortado à moda da côrte de Luiz XV de veludo prêto,
fazia realçar a elegância do corpo. Na gola da capa e no corpete
sobressaíam as finas rendas da gravata e dos punhos.

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Nos joelhos as ligas bordadas deixavam escapar com artifício os
tufos de cambraieta alvíssima.
O conde não excedia a estatura ordinária; mas, esbelto e
proporcionado, todos os seus movimentos eram graciosos. As
faces eram talvez pálidas de mais, porém animadas de grande
expressão, e o fulgor das pupilas negras fuzilava tão vivo e por
vezes tão recobrado, que se tornava irresistível.
Filho do Maquês de Marialva e discípulo querido de seu pai, do
melhor cavaleiro de Portugal, e talvez da Europa, a cavalo, a
nobreza e a naturalidade do seu porte enlevavam os olhos. Êle e
o corcel, como que ajustados em uma só peça, realizavam a
imagem de centauro antigo. A bizarria com que percorreu a
praça domando sem esfôrço o fogoso corcel, arrancou
prolongados e repetidos aplausos. Na terceira volta, obrigando o
cavalo quási a ajoelhar-se diante de um camarote, fê que uma
dama escondesse turvada no lenço as rosas vivíssimas do rosto,
que de-certo descobriram o melindroso segrêdo da sua alma, se
em momentos rápidos como o faícar do relâmpago pudesse
alguém adivinhar o que só os dois sabiam. El-rei, quando o
mancebo o cumprimentou pela última vez, sorriu-se, e disse
voltando-se:
- Porque virá o conde quase de luto à festa?
Principiou o combate.
Não é propósito nosso descrevermos uma corrida de touros.
Todos teem assistido a elas e sabem de memória o que o
espetáculo oferece de notável. Diremos só que a raça dos bois

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era apurada, e que os touros se corriam desembolados, à
espanhola. Nada diminuía, portanto, as possibilidades o perigo e
a poesia da luta. Tinham-se picado alguns bois. Abriu-se de novo
a porta do curro, e um touro prêto investiu com a praça.
Era um verdadeiro boi de circo, Armas compridas e reviradas
nas pontas pernas delgadas e nervosas, indicio de grande
ligeireza, e movimentos rápidos e bruscos, sinal de fôrça
prodigiosa. Apenas tocara o centro da praça, estacou como que
deslumbrado, sacudiu a fronte e, escarvando a terra impaciente,
soltou um mugido feroz no meio do silêncio, que sucedera às
palmas e gritos dos espectadores. Dentro em pouco oe capinhas,
salvando a pulos as trincheiras, fugiam à velocidade espantosa
do animal, e dois ou três cavalos expirantes, denunciavam a sua
fúria. Nenhum dos cavaleiros se atreveu a sair contra êle.
Fêz-se uma pausa. O touro pisava a arena ameaçador e parecia
desafiar em vão um contentor. De-repente viu-se o conde dos
Arcos firme na sela provocar o ímpeto da fera e a hástea flexível
do rojão ranger e estalar, embebendo o ferro no pescoço
musculoso do boi. Um rugido tremendo, uma aclamação imensa
do anfiteatro inteiro, e as vozes triunfais das trombetas a
charamelas encerraram esta sorte brilhante. Quando o nobre
mancebo passou a galope por baixo do camarote, diante do qual
pouco antes fizera ajoelhar o cavalo, a mão alva e breve de uma
dama deixou cair uma rosa, e o conde, curvando-se com donaire
sôbre os arções, apanhou a flor do chão sem afrouxar a carreira,
levando-a aos lábios e meteu-a no peito. Investindo depois com
o touro, tornado imóvel com a raiva concentrada, rodeou-o

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estreitando em volta dêle os círculos até chegar quási a pôr-lhe
a mão na anca.
O mancebo desprezava o perigo e pago até da morte pelos
sorrisos , que seus olhos furtavam de longe, levou o arrojo a
arripiar a testa do touro com a pontada lança. Precipitou-se
então o animal com fúria cega e irresistível. O cavalo baqueou
traspassado e o cavaleiro, ferido na perna, não pôde levantar-se.
Voltando sôbre êle o boi enraivecido arremessou-o aos ares,
esperou-lhe a queda nas armas, e não se arredou senão quando,
assentando-lhe a pata sôbre o peito, conheceu que o seu inimigo
era um cadáver.
Êste doloroso lance ocorreu com a velocidade do raio. Estava
já consumada a tragédia e não havia expirando ainda o eco dos
últimos aplausos. De repente um silêncio, em que se conglobavam
milhares de agonias, emmudeceu o circo.
Rei, vassalos e damas, meio corpo fora dos camarotes, fitavam
a praça sem respirar e erguiam logo depois a vista ao céu como
para seguir a alma que para lá voava envolta em sangue. Quando
o mancebo, dobrado no ar, exalava a vida antes de tocar o chão,
um gemido agudo, composto de soluços e chôro, caiu sobre o
cadáver como uma lágrima de fogo. Uma dama desmaiada nos
braços de outras senhoras soltara aquêle grito estridente,
derradeiro ai do coração no peito. ao rebentar. El-rei D. José,
com as mãos no rosto, parecia petrificado. A côrte desta vez
acompanhava-o sinceramente na sua dor. Mas o drama ainda
não tinha concluído. Quem sabe ?! O terror e a piedade iam
cortar de novo mágoas o peito a todos.

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O marquês de Marialva assistira a tudo do seu lugar. Revendose na gentileza do filho, seus olhos seguiam-lhe os movimentos
brilhando radiosos a cada sorte feliz. Logo que entrou o touro
prêto, carregou-se de uma nuvem o semblante do ancião.
Quando o conde dos Arcos saiu a farpeá-lo, as feições do pai
contraíram-se e a sua vista não se despregou mais da arriscada
luta. De-repente o vélho soltou um grito sufocado e cobriu os
olhos, apertando depois as mãos na cabeça. Os seus receios
haviam-se realizados. Cavalo e cavaleiro rolam na arena, e a
esperança pendia de um fio ténue !
Cortou-lhe rapidamente a morte, e o marquês perdido o filho,
luz da sua alma e ufania de suas câs não, proferiu uma palavra,
não derramou uma lágrima; mas os joelhos fugiam-lhe trémulos ,
e a elevada estatura inclinou-se vergando ao pêso da mágoa
excruciante. Volveu, porém, em si, decorridos momentos.
A lívida palidez do rosto tingiu-se de vermelhidão febril
subitamente. Os cabelos desgrenhados e hirtos revolveram-selhe na fronte inundada de suor frio como as sêdas da juba de um
leão irritado. Nos olhos amortecidos faíscou instantâneo, mas
terrível, o sombrio clarão de uma cólera, em que todas as ânsias
insofridas da vingança se acumulavam. Em um ímpeto a presença
reassumiu as porções majestosas e erectas como se lhe
corresse nas veias o sangue do mancebo que perdera. Levando
por acto instintivo a mão ao lado, para arrancar da espada,
meneou tristemente a cabeça.

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A sua boa espada, cingira-a êle próprio ao filho neste dia que
se convertera para sua casa em dia de eterno luto. Sem querer
ouvir nada, desceu os degraus do anfiteatro, seguro e resoluto
como se as neves de setenta anos lhe não branqueassem a
cabeça.
- Sua majestade ordena ao marquês de Marialva, que aguarde as
suas ordens ! - disse um camarista, detendo-o pelo braço.
O vélho estremeceu como se acordasse sobressaltado e cravou
no interlocutor os olhos desvairados, em que reluzia o fulgor
concentrado dum pensamento imutável. Desviando depois a mão
que o suspendia, baixou mais dois degraus.
- Sua majestade entende que êste dia foi já bastante desgraçado
e não quere perder nêle dois vassalos … O marquês desobedece
às ordens de el-rei ?!...
- El-rei manda nos vivos e eu vou morrer !.... atalhou o ancião,
em voz áspera, mas sumida - Aquêle é o corpo do meu filho ! - e
apontava para o cadáver – Está ali ! Sua majestade pode tudo
menos desarmar o braço do pai, menos deshonrar os cabelos
brancos do criado que o serve há tantos anos. Deixe-me passar,
e diga isto. D. José vira o marquês levantar-se e percebera a
sua resolução. Amava no estribeiro-mor as virtudes e a lealdade
nunca desmentidas. Sabia que da sua bôca não ouvira senão a
verdade, e a edea de o perder assim era-lhe insuportável. Apenas
lhe constou que êle não acedia à sua vontade, fêz-se branco,
cerrou os dentes convulso, e. debruçado para fora da tribuna

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Aguardou em ansioso silêncio o desfecho da catástrofe. A esse
tempo já o marquês pisava a praça, firme intrépido como os
antigos romanos diante da morte. Dentro do peito o seu cotação
chorava, mas os olhos áridos queimavam as lágrimas quando
subiam a rebentar por êles. Primeiro que tudo que a vingança.
Por impulso instantâneo, todo o ajuntamento se pôs de pé. Os
semblantes consternados e os olhos arrasados de água,
exprimiam aquela contensão de espirito, em que um sentido
parece concentrado todos.
- Deixai-o ir ao vêlho fidalgo ! A mágoa que o traspassa, não
tem igual. O fogo, que lhe presta vida e forças, e a desesperação,
Deixai-o ir, e de joelhos ! Saúdai a majestade do infortúnio !
O pai angustiado ajoelhou junto do corpo do filho e pousou-lhe
depois um ósculo na fonte. Desabrochou-lhe o talim e cingiu-o ,
levantou-lhe do chão a espada e correu-lhe a vista pelo fio e pela
ponta de dois gumes. Passou depois a capa no braço e cobriu-se.
Decorridos instantes estava no meio da praça e devorava o touro
com a vista chamejante, provocando-o para o combate.
Cortado de comoções tão cruéis, não lhe tremia os braços e os
pés arraigavam-se como se um poder oculto e superior lhos
tivesse ligado repentinamente à terra. Fêz no circo um siêncio
gélido, tremendo e tão profundo que poderiam ouvir-se até as
pulsações do coração do marquês naquela alma de bronze valese mais que a vontade. O touro arremete contra ele … Uma e
muitas vezes o investe cego e irado, mas a destreza do marquês

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esquiva sempre a pancada. Os ilhais da fera arfam de fadiga, a
espuma franja-lhe a bôca, as pernas vergam e resvalam, e os
olhos amortecem de cansaço. O ancião zumba da sua fúria.
Calculando as distâncias, frutra-lhe todo d golpes sem recuar um
passo. O combate demora-se. A vida dos espectadores resumese nos olhos. Nenhum ousa desviar a vista de cima da praça.
A imensidade da catástrofe imobiliza todos.
De súbito sôlta el-rei um grito e recolhe-se para dentro da
tribuna. O vélho aparava a peito descoberto a marrada do touro,
e quási todos para rezarem por alma do último marquês e
Marialva. A aflitiva pausa apenas durou momentos.
Por entre as névoas, de que a pupila trémula se embaciava,
viu-se o homem crescer para a fera, a espada fuzilar nos ares e
logo após sumir-se até aos copos entre a nuca do animal.
Um bramido, que atroou o circo, e o baque do corpo agigantado
na arena, encerraram o extremo acto do funesto drama.
Clamores uníssonos saúdaram a vitória. O marquês tinha
dobrado o joelho com a fôrça do golpe, levantava-se mais branco
do que um cadáver.
Sem fazer caso dos que o rodeavam, tornou a abraçar-se com
o corpo do filho, banhando-o de lágrimas e cobrindo-o de beijos.
O touro ergueu-se, e, cambaleando com a sezão da morte, veio
apalpar o sítio onde queria expirar. Ajuntou ali os membros e
deixou-se cair sem vida ao lado do cavalo do conde dos Arcos.

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Nesse momento os espectadores olhando para a tribuna real
estremeceram. El-rei, de pé e muito pálido, tinha junto de si o
marquês de Pombal, coberto de pó e com sinais de ter viajado de
pressa. Sebastião José de Carvalho voltava de propósito as
costas à praça falando com o monarca.. Punia assim a
barbaridade do circo.
- Temos guerra com a Espanha, senhor. É incrível.
Vossa majestade não pode não pode consentir que os touros lhe
matem o tempo e os vassalos.
Se continuássemos neste caminho … cedo iria Portugal à vela.
- Foi a última corrida marquês. A morte do conde dos Arcos
acabou os touros reais enquanto eu reinar.
- Assim o espero da sabedoria de vossa majestade. Não há tanta
gente nos seus reinos, que possa dar-se um homem por um
touro. El-rei consente que vá em seu nome consolar o marquês
de Marialva ?
- Vá, É pai. Sabe o que há-de dizer-lhe ….
- O mesmo quê ele me diria a mim, se Henrique estivesse como
está o conde. El-rei saiu da tribuna, e o marquês de Pombal,
entrando na praça em tôda a majestade da sua elevada estatura ,
levantou nos braços o vêlho fidalgo, dizendo-lhe com voz meiga e
triste: - Sr.. Marquês ! Os portugueses como v. ex.ª., são para
darem exemplos de grandeza de alma e não para os receberem..
Tinha um filho e Deus levou-o. Altos juízos seus. A Espanha
declarou-nos a guerra e el-rei, meu amo e meu senhor, precisa
do conselho e da espada de v.exª., E travando da mão, levou-o
quási nos braços até o meterem na carruagem. D. José cumpriu
a palavra dada ao seu ministro. No seu reinado nunca mais se
picaram touros reais em Salvaterra. “ In Rebello da Silva

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Biografia:
Luís Augusto Rebelo da Silva
(Rebello da Silva)
(Lisboa; 2.4.1822 — Lisboa; 19.Serembro 1871
foi um jornalista, historiador, romancista e político
português, colaborador activo de múltiplos
periódicos e membro das tertúlias intelectuais e
políticas lisboetas da última metade do séc. XIX.
Foi um dos primeiros professores do Curso
Superior de Letras, fundado em 1859 por D. Pedro
IV, leccionando a cadeira de História. Colaborando
em múltiplos jornais e revistas, Rebelo da Silva
afirmou-se como o mais prolífico dos escritores
românticos portugueses, distinguindo-se ainda
como orador e político, tendo exercido, entre
outros, os cargos de deputado do reino, e ministro.
Foi pai de Luís António Rebelo da Silva, cientista e
professor de Agronomia, que lhe sucedeu na
Câmara dos Pares.
**********

https://pt.wikipedia.org/wiki/Luís_Augusto_Rebelo_da
_Silva
1.

49

********

Bibliografia usada:
Pasta documental do Autor: “ A Morte do Conde
D`Arcos na Última Corrida Real em Salvaterra de
Magos” * O Convento de Jericó:- Livro Alfredo Betâmio
de Almeida – 1990 *Última Corrida de Touros em
Salvaterra: Rebello da Silva * Tip. Adolpho de
Mendonça, Ldª - Lisboa, 1920 *Dos ” Contos” de Eça
de Queiroz * Jornal “ O Correio da Manhã” –
17/7/1991 * Jornal “O Ribatejo” – 3/6/1988 * Jornal
Vale do Tejo – 9/7/1997 * 17/4/2003 * Revista
“Equitação Nº 10 – 1997
Fotos usados:
Foto: Pintura, de Marqin Maqueda - cena da Morte
do Conde dos Arcos * Quadro sobre a morte do Conde
dos Arcos – Pintura da entrada do Pavilhão do concelho
de Salvaterra de Magos, na Exposição de Santarém, em
1936 * Pág. 5 – Pedra tumular, na Igreja Matriz de
Salvaterra de Magos * Estrado em madeira tapando as
pedras tumulares * Cópia do texto da Certidão de
Óbito da morte do Conde dos Arcos - documento
publicado na Revista “Equitação” Nº 10 de Mai/Jun1997 * Painel (quadro) em Azulejo na parede do Jardim
da Biblioteca Municipal; 1985 * Largo Rebelo da Silva
(Junto à Praça de Toiros) * Pintura – capa da
embalagem de bolos, fabricados em Salvaterra; 1958
*

50

**********

Nota - Ver; Apontamentos Nº 03 * A Propósito de
Toiros em Salvaterra de Magos ” Nº 15 “ Contos e
Lendas ” e Nº 18 “ Homenagens e Inaugurações ”
***********

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CADERNO DE APONTAMENTOS N.º 38
Documentos para a História
de

SALVATERRA DE MAGOS
Séc. XIII - Séc. XXI
Património:
Geográfico, Monumental, Cultural, Social,
Político, Económico e Desportivo

O Autor:

JOSE GAMEIRO

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Primeira Edição

FICHA TECNICA:
Titulo:
A ORIGEM DAS FESTAS DO FORAL, DOS TOIROS
E DO FANDANGO
Colecção: RECORDAR, TAMBÉM É RECONSTRUIR !
Tipo de Encadernação: Brochado – Papel A5
Autor:
Gameiro, José
Editor:
Gameiro, José Rodrigues
ISBN: 978– 989 – 8071 – 41 – 5
Depósito Legal: 256489 /07

Edição: 100 Exemplares – Março de 2007
Morada: B.º Pinhal da Vila – Rua Padre Cruz, Lote 49
Localidade: Salvaterra de Magos
Código Postal: 2120-059 SALVATERRA DE MAGOS

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**************************
2ª EDIÇÃO REVISTA E AUMENTADA – MARÇO 2015
**************************

* Contactos: Tel. 263 505 178 * Telem.: 918 905 704

O Autor deste texto não segue o Acordo Ortográfico 1990

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O MEU CONTRIBUTO !

As festas do FORAL DOS TOIROS E DO
FANDANGO, passaram há muitos anos, a fazer
parte do calendário dos festejos de Salvaterra
de Magos.
É um cartaz de promoção turística, onde a
grande carolice de dezenas de pessoas, ao
longo da sua existência, têm dado muito do seu tempo, para que elas
anualmente se continuem a realizar. Os poderes autárquicos da terra,
câmara municipal e junta de freguesia, desde a primeira hora têm
apoiado a sua concretização, na dispensa de trabalhadores, maquinaria
e no campo financeiro.
Naquele ano de 1969, seria a terceira edição do que se pretendia
uma iniciativa para mostrar o que de melhor se produzia no concelho
na área agro-pecuária. Uma grande contrariedade tinha “ensombrado”
os festejos do ano anterior - a PIDE esteve, a fiscalizar a actuação dos
estudantes de Coimbra, e os seus primitivos responsáveis, deixaram
caminho aberto aos mais novos.
Convidado que fui, por Manuel Joaquim Parracho e José Manuel Cabaço,
entre outros para fazer parte do grupo, que levou à organização
daquelas que foram as últimas “FESTAS DOS TOIROS E DO FANDANGO DE
SALVATERRA DE MAGOS”.- ano de 1969. Voltei em 1984, onde estive até
1995, nas Comissões que organizaram as FESTAS DO FORAL DOS TOIROS
E DO FANDANGO e, em 1996 e 97, Além de outras tarefas comprometime com a edição do livro da sua publicidade, para a angariação de mais
alguns fundos. Depois de alguns passados, sobre a primeira edição
deste Caderno, chegou o momento de uma 2ª edição revista e
aumentada.
MARÇO: 2015

O Autor:
JOSE GAMEIRO

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A ORIGEM DAS FESTAS DOS TOIROS E DO
FANDANGO
DE
SALVATERRA DE MAGOS

Foi em 1930, que a população de Salvaterra de Magos, tinha
assistido pela primeira vez a uma exposição Agro-industrial,
realizada por um grupo de homens de boa vontade.
O êxito foi grande, mas o que para alguns parecia ser a melhor
forma de divulgar o que se fabricava no concelho, não teve
continuidade Anualmente, em Maio, apenas a feira de
divertimentos e quinquilharias, era a única forma de juntar
famílias e alegrar a população. Alguns anos depois, em 1936, o
concelho esteve representado na Exposição - Feira de Santarém,
onde foram mostrados todo o potencial, da cultura do povo,
especialmente a rural.
Para isso, muito contribuíram: José Seabra Ferreira Roquette,
Dr. Alberto Fernandes Barreiros, José Eugénio de Menezes,
Armindo Filipe Biscaia de Jesus, José Adelino Fernandes , Rafael
dos Santos Gonçalves, entre outros.
O Pavilhão do concelho instalado naquele certame, que durou
alguns dias, tinha na sua frente uma pintura alusiva à última
tourada real em Salvaterra.
Há muitos anos, que a venda de gado, tinha sido transferido para
a Freguesia de Marinhais, lugar onde se justificava, pois a sua
população criava várias espécies de animais, onde predominava, o gado suíno.

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Muitos anos depois, em 1966, o então presidente da câmara
municipal, José Matias Pinto de Figueiredo, agregando um valioso
grupo de pessoas, levou a cabo a realização das “FESTAS DOS
TOIROS E DO FANDANGO”, que ocupou os dias daquela feira, tendo
os festejos lugar de 7 a 15 de Maio.
Voltava a estar no espirito daquele gente, mostrar os produtos
da agro-pecuária, com gado exposto, produzidos e criado no
concelho. Aderiram à iniciativa do autarca; Joaquim da Conceição

Lopes, Prof. Armando Duarte Miranda, Eng.º Romeu Fortes Pina,
Dr. José Asseiceira Cardador, Manuel Augusto Silva Valente,
José Teodoro Amaro, João Vicente Santos da Fonseca, António
José da Silva, Eugénio das Neves, João Sabino de Assis e José
Lopes Ferreira Lino.

Mário da Silva Antão e José Manuel Torroais, convidados por
aqueles, tiveram trabalho de grande mérito que, na altura foi
também reconhecido pela autarquia. O terreno escolhido para as
festas, foi junto à praça de toiros, local onde se realizava
anualmente a feira de Maio e tinha servido de campo de futebol,
espaço agora ocupado pela Jardim Infantil da vila.
Uma conferência de imprensa, realizada no Restaurante
Ribatejano, levou à divulgação do programa, com um banquete
oferecido pelo seu proprietário. Nas boas vindas aos convidados,
encarregaram-se, os filhos da terra, Ruy e José Andrade, dos
Parodiantes de Lisboa, que animaram o repasto.

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O dia aprazado da inauguração chegou cheio de sol, a multidão
radiante começou a juntar-se à entrada do recinto das festas, o
governador civil e outros convidados estavam a chegar, os
aplausos e entusiasmo depressa se apossou de todos os
presente.
O povo de Salvaterra, sabia e sabe receber !
Os bombeiros locais e a sua banda de música, duas filas de
campinos a cavalo, em traje de festa, estavam perfilados, os
foguetes começaram a estalar no ar, uma solta de pombos
completavam o cenário.
D. Bernardo Mesquitela, governador civil de Santarém, José
Pinto Figueiredo, presidente do município de Salvaterra de Magos
e, todos os membros da comissão da Feira - Exposição, depois
de uma breve alocução, deram início aos festejos, com uma
visita, aos pavilhões do gado, onde predominava o de engorda e
leiteiro
Também estiveram presentes, entre outros convidais, os
presidentes das câmaras vizinhas, de Benavente e Coruche.
A muita maquinaria exposta, destinada à lavoura era uma
novidade, pois a agricultura estava em transformação.
O certame, com o seu vasto programa de divertimentos, foi um
bom cartaz turístico para a vila. Nos anos seguintes, as festas
continuaram, mas em 1968, uma aborrecida participação da Tuna
Académica de Coimbra, que na sua actuação no palco, fez uma

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declarada afronta ao governo, levou a que muitos outros
espectáculos do programa fossem anulados. A polícia política
(PIDE), estava presente entre a assistência e no ano seguinte, em
1969, a organização encontrava-se muito debilitada. Tal como em
1968, um grupo de jovens assumiu levar a cabo tal evento, com
várias actividades que, integraram no seu programa, as largadas
de toiros tiveram lugar na Av., José Luís Brito Seara, junto à
escola primária. As provas de campinos e cabrestos, decorreu
na Av. principal da vila. No entanto foi o fim daqueles festejos !
AS ENTRADAS DE TOIROS
Certo é, a grandiosidade da Lezíria ribatejana, as manadas de
toiros bravos e o campino –o seu cartaz com as entradas de
toiros, já pertenciam a um passado do primeiro quartel do século
XX, Os curros eram encabrestados e conduzidos pelos campinos,
desde o campo, muitas vezes com várias dias de viagem, e só
entravam na praça pelas horas da madrugada, um dia antes da
corrida. Os percursos, obrigavam à passagem pelo meio das
localidades. Então aconteciam as esperas de toiros !

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Aí sim, era de ver o povo, os mais afoitos, tirarem os toiros do
meio dos bois cabrestos, e a brincadeira com o gado era um
prato forte, porque mostrava a coragem do homem do Ribatejo.
Em algumas povoações, ainda se mantinha a tradição, realçandose os festejos de Vila Franca de Xira, até porque Santarém capital
do distrito, há muito tinha entrado em decadência.

14 ANOS DEPOIS

Em 1983, o executivo camarário de António Moreira, através do
Vereador da Cultura; Joaquim Mário Antão, aproveitando o
entusiasmo que, grassava pelo país, nos primeiros anos que se
seguiram ao dia da liberdade – 25 de Abril de 1974; levou a cabo a
realização das primeiras Festas do Foral de Salvaterra,
comemorando o 688º aniversário da vila. Os Escuteiros de
Salvaterra, deram o seu contributo, e o programa teve lugar nos
dias 3, 4 e 5 de Junho. Um pequeno folheto, inseria o programa
de pequenas actividades, especialmente do âmbito cultural, e
uma breve resenha informativa da história da vila de Salvaterra
de Magos.
No ano seguinte, em 1984, os festejos foram mais
desenvolvidos, até porque um vasto grupo de salvaterenses
sentiram o sinal dado pelos Escuteiros, na promoção daquelas
festas, nasceram assim; as FESTAS DO FORAL DOS TOIROS E DO
FANDANGO, e no dia 6 de Junho tiveram o seu início. Os festejos,
ocupavam duas semanas, sendo a primeira para a parte cultural.

61

Estava dado o mote, para se iniciar a outra parte que seria mais
virada para a vertente dos festejos tradicionais, e aí entravam os
toiros e os campinos. Não foi esquecida a noite da sardinha
assada, onde vinho, oferecido pelos vinicultores da terra e, da
região, dava para ser distribuído por muitos barris de madeira,
de 100 litros, ao longo da Avenida principal da vila.
O pão, uma oferta dos padeiros, era cortado aos pedaços pelos
jovens escuteiros. As sardinhas, eram oferecidas ao povo pela
comissão de festas. Nos anos seguintes as exposições e mostras
de artesanato, mesmo as danças e cantares dos ranchos
folclóricos, passaram a ter dia certo no programa das festas, e
decorriam no palco instalado no Largo dos Combatentes.
Os agrupamentos estrangeiros que, se exibiam no palco de
Salvaterra de Magos, eram os mesmos que se deslocavam à
Feira do Ribatejo, em Santarém. As picarias à vara larga, e
outras provas de competição, recordavam a arte dos campinos
no seu quotidiano laboral, passaram a ter lugar, nos terrenos de
Trás-Monturos, e o fogo de artificio, encerrava os festejos.
Naquele ano de 1984, as “FESTAS DO FORAL DOS TOIROS E DO
FANDANDO” de SALVATERRA DE MAGOS , foram realizadas pela
comissão composta por: António da Silva Ferreira Moreira,

Joaquim Mário da Silva Antão, Vidaúl Sílvio Cabaço, Mário
Maymone Madeira, Manuel Santana Silva Lobo, Armando Rafael de
Oliveira, Ana Maria Pessoa de Oliveira Antunes, Mário Duarte
Travessa, José Rodrigues Gameiro, Manuel Ferreira, António
Gonçalves, Fernanda Policarpo Lobo, Carlos Eugénio Machado das
Neves, Joaquim Mendes, Maria Elisa Viana, Miguel Viegas, Maria

62

Leonor Cadório Silva, Cláudia Machado das Neves, Carlos Manuel
Henriques Duarte, Helena Isabel Henriques, Paula Cristina Felício,
Mafalda Conceição Lopes Silva, Brioletes Pessoa de Oliveira,
Maria Júlia Ramalho Neves Faro, Iolanda Maria Moreira Neto
Ferreira Magalhães, Maria Fernanda Roquette Cabaço Oliveira,
José Rafael Doutor Sabino Assis, Maria do Carmo Taveira Antunes
Martins, Manuel Loureço Policarpo, António Pita Rabita, e José
Manuel Torroais. O membro da comissão, João Manuel Ferreira
Monteiro, assumiu a responsabilidade do secretariado, para os
contactos das várias actividades do programa.
Nas edições dos anos seguintes, que ocuparam um espaço dos
anos de 1985 a 1988, a sua comissão esteve assim composta:

António da Silva Ferreira Moreira, Cassiano Manuel Rodrigues
Gameiro, Vidaúl Sílvio Cabaço, Joaquim Mário Silva Cardoso
Antão, Iolanda Maria Moreira Neto Ferreira Magalhães, Maria
Júlia Ramalho Neves Faro, Dr.ª Maria Leonor Cadório Silva,
Manuel Fernandes Travessa, Manuel Santana Silva Lobo, Mário
Maymone Madeira, Carlos Eugénio Machado das Neves, António
Miguel Rodrigues Gameiro, José Manuel Torroais, Armando
Rafael de Oliveira, Mário Duarte Travessa, Maria Fernanda
Policarpo Lobo, Maria Fernanda Roquette Cabaço Oliveira, Dr.ª
Ana Maria Pessoa de Oliveira Antunes, António Gonçalves, José
Rodrigues Gameiro, Francisco Manuel Ferreira Gomes, Acácio
Santa Bárbara, Miguel Viegas, Maria Elisa Viana, Joaquim Mendes,
José Manuel Jorge, Brioletes Pessoa Oliveira, secretariado por
João Manuel Ferreira Monteiro.
Alguns, para organizarem as actividades que estavam sob a
sua responsabilidade, faziam deslocações, sendo estas e outras
despesas, pagas do seu bolso. Mesmo a aquisição das flores e,

63

prendas oferecidas, aos convidados e artistas, eram por si
adquiridas., sendo algumas oferta de floristas.
A Comissão, depois começou a empenhar-se na feitura de um
pequeno emblema de lapela, e uma placa, que simbolizava as
festas, era uma forma de angariação de fundos.
Uma Quermesse, foi instalada em pavilhão construído para tal
efeito, e passou a ser uma referência nas Festas de Salvaterra
de Magos, a venda de rifas, sorteavam pequenas peças utilitárias,
que a população oferecia em vários peditórios, ao longo do ano,
ou que se compravam na indústria vidreira e da louça.
Em 1985, Manuel Fernandes Travessa, então encarregado na
organização taurina, levou a cabo uma entrada de toiros pela Av.
principal da vila, até à praça de toiros. No dia do desfile dos
campinos, o mesmo Fernandes Travessa, teve a ideia de se
integrar no cortejo, montado a cavalo, com trajes de lavrador, a
partir daí passou a existir no programa das festas, um desfile de
cavaleiros, amazonas e carros aparelhados que percorrendo a
avenida principal da vila, terminavam com os cabrestos
assistindo à missa campal, no palco das festas.
Neste cenário, uma figura ligada à vida do campo, passou a ser
homenageada. Em 1987, as largadas de toiros, restringiam-se a
um espaço do lado norte da Av., Roberto da Fonseca, pois os seus
lindos canteiros de flores, não se compadeciam com os estragos
causado naqueles dias festivos. Os moradores, continuaram a
engalanar com colchas e mantas antigas, as varandas.

64

As mantas lembravam as “Lombeira”, que a campinagem ainda no
primeiro quartel do séc. XX, usava por cima das costas quando
pastava o gado em dias de inverno. As montras dos
estabelecimentos, mostravam utensílios e fotos, que eram
memórias antigas, ligadas ao mundo rural.

65

Festas dos Toiros e do Fandango - 1976

66

Festas dos Toiros e do Fandango – 1976

67
A carolice dos festeiros, patenteava-se no amor à sua terra,
mas diversas diferenças de opinião sobre a forma de levar a
cabo a concretização de um vasto programa de duas semanas,
levava muitos a sair. Os que ainda teimavam em ficar, eram
também já um elo de segurança, perante os compromissos
assumidos, e uma garantia para as entidades contactadas.
As Tasquinhas, passaram também a dar outra alegria ao
espaço das festas, as instituições da terra, aderiram para aí
tirarem alguns proventos financeiros. Um ano houve que
estavam “emsombradas” pela chuva que não deixava de cair
havia vários dias, uma entusiasta da comissão, e grande devota
de um santo, querido na terra, lhe fez preces, e os restantes dias
foi de um sol, que muito abrilhantou os festejos.
Os anos foram passando, a comissão de festas, tinha
necessidade de renovação de novos membros todos os anos,
alguns não conseguiam levar a sério a sua missão, deixando o
resto dos companheiros em grandes dificuldades, na
concretização de um vasto programa de duas semanas.
Em 1987, as largadas de toiros, restringiam-se a um espaço do
lado norte da Av., Roberto da Fonseca, pois os seus lindos
canteiros de flores, não se compadeciam com os estragos
causados, naqueles dias de festa taurina ribatejana. As festas do
Foral dos Toiros e do Fandango – Salvaterra de Magos passaram a ser um período de tempo, para as famílias se
encontrarem ! Nesse ano, quando da publicação do relatório das
contas, a comissão deixou um saldo de cerca de 600 mil escudos.

68
AS DISISTÊNCIAS

Todos os anos, o cenário era o mesmo, alguns entravam na
Comissão das Festas, nas primeiras reuniões, apresentavam as
suas propostas e ideias, confrontados em desenvolverem-nas e
concretizarem-nas, para a sua integração no calendário festivo,
desistiam deixavam de aparecer e, cá fora passavam a comentar,
que a Comissão das Festa era dominada por alguns.
******************
************

69

70

71

.
AS COMISSÕES DE FESTAS

Para organizar as festas do ano de 1990, e segundo
documentação disponível na época, comprometeram-se
inicialmente: António da Silva Ferreira Moreira, Vidaúl Silvio

Cabaço, José Rodrigues Gameiro, Joaquim Mário Antão, Manuel
Fernandes Travessa, Acácio Silva Santa Bárbara (*), Mário
Maymone Madeira (*), Manuel Santana Silva Lobo, Armando Rafael
Oliveira, Dr. Ana Maria Pessoa Oliveira Antunes, Mário Duarte
Travessa, Manuel Ferreira (*), António Gonçalves, Fernanda
Policarpo Silva Lobo, Carlos Eugénio Machado das Neves (*),
Miguel Viegas, Carlos Matias, Dr.ª Maria Leonor Cadório da Silva,
Cláudia Machado das Neves (*), Maria Elisa Viana, Carlos Manuel
Henriques Duarte, Helena Isabel Henriques Duarte, Paula Cristina
Felício (*), Mafalfa da Conceição Lopes Lopes da Silva (*),
Brioletes Pessoa Oliveira, Maria Júlia Ramalho Neves Faro,
Iolanda Maria Moreira Neto Ferreira Magalhães, Maria Fernanda
Roquette Cabaço Oliveira (*), José Rafael Doutor Sabino Assis
(*), António de Jesus Cardoso, João António Aleluia (*), António
Francisco Almeida Morais (*), Eugénio Manuel Fernandes Gomes,
Mariana da Conceição Guerreiro Militão (*), Ana Cristina Silva
Ferreira Ramalho e José Manuel Figueiredo Torroais.
O saldo deixado após publicação das contas, para o ano
seguinte, foi de cerca de 78 mil escudos.
A qualidade, atingida pelas “FESTAS DO FORAL, DOS TOIROS E DO
FANDANGO”, em Salvaterra de Magos, levou a mesma a ser

72
recomendada, no Boletim Nacional da Secretaria de Estado do
Turismo. Para a angariação de publicidade, a grande suporte do
seu custo, as festas passou a contar com um livro editado, que
também mostrava fotos de tempos idos.
Em 3 de Fevereiro de 1992, a população foi alertada e convidada
para uma reunião, pois a falta de elementos, colocava em risco a
sua organização naquele ano e nos seguintes. .A resposta foi boa
por parte de muitos jovens, que integrados num grupo de antigos
festeiros, foi possível dar continuidade a um projecto, que já era
da população salvaterrense

************
(*) – Elementos que não acabaram o elenco da comissão das festas

No ano de 1993, a noite da “SARDINHA ASSADA”, atingiu a
oferta, na ordem de uma tonelada e, para tal muito contribuiu a
vinda a Salvaterra, do XXIV Cruzeiro do Tejo, uma iniciativa da
secção de vela do ALHANDRA SPORTING CLUB. Uma prova fluvial,
que a comissão das festas e a autarquia apoiavam, pelo elevado
número de visitantes que trazia a Salvaterra de Magos.
Os barcos aportavam no cais da vala real, e o tão elevado
número de forasteiros, acampavam nos terrenos próximos, por
uma noite. Neste ano, editado em livro apropriado, nas suas
páginas na Comissão de Honra, constavam os salvaterrenses:
António da Silva Moreira (Presidente da Câmara Municipal de

Salvaterra de Magos) e José Rodrigues Gameiro (Presidente da
Assembleia de Freguesia de Salvaterra de Magos.

73

Em 1996, verificava-se a saída de alguns festeiros, e após uma
convocação, um grupo de três dezenas de pessoas, parte delas
relacionadas com antigas comissões, reuniu-se, e após discussão
foi deliberado continuar com as festas e constituir a Associação
de Amigos de Salvaterra - AMIMAGOS, com escritura pública.
Mais foi decidido, que a partir daquela data as festas,
funcionassem autonomamente em relação aos poderes
autárquicos. O corte, tinha em mente dar continuidade às
iniciativas há muito implementadas e apenas receber daqueles
poderes, os apoios logísticos e financeiros.
Naquele encontro, não foram esquecidos de apontar nomes,
como: Armando Maymone Madeira, Vidaúl Cabaço, Armando

Rafael de Oliveira, Joaquim Mário Antão, Fernanda Policarpo Lobo,
José Manuel Torroais, José Rodrigues Gameiro, Manuel Santana
Lobo, e muitos outros, que empenhadamente, desde 1984, e
durante muitos anos, disseram sim, às festas da sua terra.
A nova estrutura, que tomou a seu cargo a realização das
festas de 1996 e 1997, no ano seguinte publicou as contas, onde
se podia verificar a sua amplitude, pois já movimentavam os 9 mil
contos.

No final do ano de 1997, concelho de Salvaterra de Magos, após
eleições autárquicas, viu alterado a sua composição
Politica/partidária. As festas, começaram aí a sentir a sua
influência.

74

Uma associação cívica, foi criada e passou a gerir a Comissão
de Festas, os festejos passaram a ter um novo formato. O
espectáculo taurino, passou a ter maior predominância no seu
programa, com as largadas de toiros a terem lugar desde a
praça de toiros, ocupando um espaço da Av. Roberto da Fonseca.
Em 2001, toda a sua organização dava mostras de um figurino
onde os colaboradores, estavam conotados com os executivos
quer da Câmara, quer da Junta de Freguesia, muitos deles na
esperança de angariar um emprego naquelas autarquias.
COMISSÃO EXECUTIVA

Armando Ferreira, Miguel Viegas, Cláudia Neves,
Sónia Bacatelo, Carlos Abreu, Graça de Almeida,
Euprépria Oliveira, Elisa Cantador, Helena
Duarte, Isabel Romana, João Nunes Santos,
Manuel Vasco Catarriça, José Gaspar da Silva,
Julieta Hipólito, Maria Fátima Cipriano, Lisete
Fiel, José Nunes, António Maria e Guilhermina
Duarte
COLABORADORES

Francisco Monteiro, José Anacleto, Francisco
Duarte, José Miguel Ferreira, Manuel Bacatelo,
Manuel Carlos, Manuel Cantador, Manuel Caniço,
João Rafael Caleiro Narciso, Custódio Caniço e
Joaquim Pedro Fernando
*********

75

FOTOS USADAS:

Pág. 8 – Entrada do Recinto das Festas dos Toiros e do
Fandango “ de Salvaterra de Magos – 1966
Pág.9 - Comissão de Honra das Festas, espera chegada
do Governador Civil de Santarém
* Chegada do Governador Civil de Santarém
Pág.10 - Menina, entrega as chaves do recinto das
Festas, ao Governador Civil e Presidente da Câmara –
1996* Desfile dos Bombeiro a caminho do recinto das
Festas * Desfile da Banda de Música, a caminho do
recinto das Festas – 1966 * Parada de Campinos,
fazendo a Guarda de Honra – 1966 * Recinto das
Exposição das Máquinas Agrícolas – Festas 1996
Pág. 11 – Reportagem do Jornal “Correio da Manhã”,
sobre o regresso das Festas – 1984 * Programa das
primeiras Festa do Foral dos Toiros e do Fandango –
1984 *Inicio do cortejo de Campinos e Cabrestos – Av.
Dr. Roberto Fonseca * Prova de Campinos da Casa
Agrícola José Lino, na Av. Principal da vila - 1988
Pág. 12 - Largada de Toiros, junto da Praça de Toiros
* Largada de Toiros, na Av., Principal de Salvaterra *
Homenagem ao Campino, Manuel Fernandes (Manuel
Paleão) está junto José Gameiro, na reportagem – 1998
* Missa Campal – Festas 1998 * Entrada de toiros, nos
festejos da inauguração da Praça de Toiros em 1920
BIBLIOGRAFIA USADA:

* Revista a Hora, edição de 1936, e edição de
1966 * Revista “ Salvaterra de Magos, Através dos
Tempos “ * Comunicação Social - Diversa
* Documentação do autor * Livros, Programas e
outros documentos das Festas

76

77

COLECÇÃO DE APONTAMENTOS N.º 39
Documentos para a História
de

SALVATERRA DE MAGOS
Séc. XIII – Séc. XXI

Património:
Geográfico, Monumental, Cultural, Social,
Político, Económico e Desportivo

( UMA ESCOLA DE SOLIDARIEDADE )
O Autor:
JOSÉ GAMEIRO

78

Primeira Edição
FICHA TECNICA:
Titulo:

OS ESCUTEIROS DA VILA

( Uma Escola de Solidariedade )
Colecção: RECORDAR, TAMBÉM É RECONSTRUIR !
Tipo de Encadernação: Brochado – Papel A5
Autor: Gameiro, José
Editor:
Gameiro, José Rodrigues
ISBN: 978– 989 – 8071 – 42 – 2
Depósito Legal: 256490 /07
Edição 100 exemplares – Março de 2007
Morada: B.º Pinhal da Vila – Rua Padre Cruz, Lote 49
Localidade: Salvaterra de Magos
Código Postal: 2120-059 SALVATERRA DE MAGOS

79

*******************

2ª Edição Revista e Aumentada
********************

* Contactos: Tel. 263 505 178 * Tem. 918 905 704
E-mail: Josergameiro@sapo.pt
Este texto não segue o Acordo Ortográfico de 1990

80

O MEU CONTRIBUTO
Os meus irmãos, foram da
primeira leva, e pertenceram
durante anos aos Escuteiros de
Salvaterra de Magos.
Eles sabiam do meu interesse
pelas coisas da história da nossa
terra. Um dia, alertaram-me quando
tinham acabado de limpar o vasto
matagal, de um espaço anexo à
capela real, sua sede, ali existiam e foram postas a
descoberto pedras tumulares e jazigos.
Delas fiz fotografias e notícia nos jornais!.
Aquela juventude, não deixou no entanto de danificar
um velho armário, que continha um órgão de tubos –
veio a saber-se, os tubos, andavam a servir de
brincadeira, e acabaram por desaparecer.
De perto, fui vivendo a existência do escutismo,
nesta vila, os seus encontros, os grandes movimentos
de solidariedade, a azafama dos preparativos para os
acampamentos, com estadias durante vários dias fora
foram organizados em ambiente famíliar. A mudança
da sua sede para o edifício da antiga creche paroquial,
levou a sonharem de um dia terem instalações próprias
de raiz, o que veio a concretizar-se, eles, os escuteiros,
bem o merecia. Estavam organizados pertencendo a
organizações nacionais, e as causas humanitárias a
que se entregavam eram relevantes, fazendo do
escutismo uma escola de solidariedade.

Março: 2007

JOSE GAMEIRO
(José Rodrigues Gameiro)

81

O APARECIMENTO DO ESCUTISMO
A história do escutismo vem do século XIX, e está
intimamente ligada a um cidadão inglês, o 1º Barão de Ban-Powell
(Robert Stephenson Smyth Baden – Powell), nascido em Londres,
em 1857.
Quando jovem e depois dos estudos, ingressou no exército
inglês, onde usou os conhecimentos adquiridos, enquanto criança,
na companhia dos seus doze irmãos.
Na guerra do Transvaal, em 1899, durante 217 dias e enquanto
aguardava a chegada de reforços, treinou crianças e jovens
adolescentes, no desempenho de tarefas como: cozinha,
comunicações, primeiros-socorros, etc. Anos mais tarde, em
1907, sendo já general do exercito inglês, na ilha de Brownsea,
organizou um acampamento com 20 jovens dos 12 aos 16 anos de
idade. Em 1908, na qual teve a ajuda de sua irmã, Miss Agnes
Baden-Powell,, fundou os “Boy Scouts”, tendo em 1910, criado as
“Girl Guides”.
Das experiências adquiridas com os jovens ingleses, Baden
Powell, escreveu um livro “Escutismo para Rapazes” publicado
em 1918.
Era um método de educação de carácter, pelo desenvolvimento
das virtudes cívicas e de espírito humanitária, depressa atraiu os
jovens em todo o mundo civilizado, pois era como o autor definia
“ uma escola da mocidade que tem por fim a formação a
formação do homem, moralmente, intelectualmente e fisicamente
perfeito”.

82

O ESCUTISMO EM PORTUGAL
O escutismo em Portugal, data de 1911, com algumas
experiências efectuadas em Macau, mas a sua legalização vem
com a “Associação dos Escuteiros de Portugal” em 1913, na
cidade Braga, era uma prática que se cria independente de
credos religiosos e políticos, aliás como a original inglesa.
Depressa as suas boas práticas, vieram ao encontro da igreja
católica, que deu abrigo ao Corpo Nacional de Escutas, fundado
em 27 de Maio de 1923, daí nasceram muitos agrupamentos,
então criados pelo país.
OS ESCUTEIROS EM SALVATERRA
Um dia, naquele ano de 1964, vieram até
Salvaterra de Magos, os jovens: José Barata
e João Rodrigues Azevedo, escuteiros, que
se tinham “aborrecido” no agrupamento da
sua terra, Benavente, Ofereceram os seus
préstimos de escutas, e foram ouvidos, pelo padre José
Rodrigues Diogo, que acarinhando a ideia, a que aderiram um
largo número de jovens. O novo Agrupamento de Escutas de
Portugal, recebeu o Nº 68º e, foi instalado com sua sede
provisória, numa divisão da antiga capela real da vila.

83

José Luís Serra Borrego e Maria da Conceição Quitério,
passaram a ser os chefes do novo Agrupamento de Salvaterra de
Magos. O padre José Diogo, assumiu o cargo de responsável
máximo pela sua organização e desenvolvimento, no seio da
juventude da terra.
Os irmãos: Cassiano e António
Miguel Gameiro; os irmãos:
Miguel Casimiro e João:
Casimiro, os irmãos: João
Catarino de Freitas e António,
José Hipólito Ramalho, Júlio
Pereira, Carlos Torroais
Albuquerque, João Coutinho,
Manuel João Videira Morais, são nomes que a memória guardou,
como os primeiros aderentes, pois a falta de registos, obriga a
falhas involuntárias.
O compromisso oficial,
teve lugar, meses depois,
na igreja matriz da
paróquia de Salvaterra de
Magos, e o culminar desta
cerimónia, logo levou à
adesão de mais jovens
(rapazes e raparigas).
Estavam assim criadas, várias secções, onde os Exploradores
e Lobitos, davam vida ao Agrupamento.

84
Amiúdas vezes faziam acampamentos, aproveitando as
condições naturais da Barragem de Magos, passando a
confraternizar com outras organizações escutistas, a serem uma
prática por eles usada em Portugal, e no estrangeiro.
A vida do escutismo em Salvaterra, ao longo do tempo, tem
tido o apoio de, António José Narciso e de Ana Cadório, a Nocas,
que desde muito jovens se entregaram à causa escutista.
Depois daquela instalação na Capela, onde estiveram poucos
meses, saíram e foram ocupar uma pequena casa na avenida
principal da vila, regressando novamente à capela real. Uma das
suas grandes necessidades, sempre realçadas, era uma sede em
condições, pois a sua instalação agora no edifício da antiga
creche, na rua Cândido dos Reis, não satisfazia a modernização
que se pretendia naquele agrupamento. Várias gerações de
crianças jovens, passando pelo 68º Agrupamento Escuteiros de
Salvaterra, encontraram nos chefes do Agrupamento; José
António Narciso, Maria Leonor Cadório da Silva, e Paulo Jorge,
têm dado, grandes exemplos no escutismo de como se deve estar
em comonidade. Este Agrupamento, sendo um baluarte antigo, na
Diocese de Santarém, que tendo uma vasta área, a adesão a esta
prática é muito fraca. No concelho de Salvaterra, existem dois. O
1012, na Gloria do Ribatejo e o 698 em Marinhais.

*************

85

A NOVA SEDE

Com o apoio do padre, Agostinho de Sousa, responsável pela
paróquia, em 1979, o então presidente da Câmara, Gameiro dos
Santos, e o Secretariado para a Juventude, assumiram o encargo
da construção de uma nova sede., que ocupou um espaço na
retaguarda do edifício paroquial (anos atrás ali funcionou um
centro de apoio aos pobres com fornecimento de alimentação,
uma creche e por último um centro de formação juvenil - obras
levadas a cabo pela fábrica da Igreja Paroquial, da freguesia)
O edifício, com entrada pela rua do Rossio, foi solenemente
inaugurado, em 1997, e veio dar novas condições para uma nova
etapa, na vida do 68º Agrupamento de Salvaterra de Magos, cujos
componentes continuam, colaborando em apoios humanitários.
Especialmente no peditório nacional, organizado pela Cruz
Vermelha Portuguesa.

86

********************

Escuteiros, após a Cerimónia de Compromisso,

frente à Igreja Matriz de Salvaterra de Magos

Escuteiros num Acampamento – Barragem de Magos

Um Grupo de Escuteiros – Lobitos

87

António Miguel Rodrigues Gameiro – 1964
Foto: José Gameiro
José Manuel Rodrigues Oliveira – 1964
Foto: José Gameiro

António Miguel Rodrigues Gameiro – 1964
Foto: José Gameiro

António Miguel Rodrigues Gameiro - 1964
Foto: José Gameiro

88

Notícia dos Jornais
Notícia publicada no JVT

18.12.1997 * José Gameiro

89

****************
*********

BIBLIOGRAFIA USADA:
* Grande Enciclopédia Portuguesa – Brasileira
* Documentos do Autor
* Jornal Vale do Tejo – 18.12.1997

FOTOS USADAS:
* Pág. 1 – Padre, José R. Diogo
* Pág. 2 – Escuteiros: António Miguel Rodrigues
Gameiro e seu irmão, Cassiano Manuel
Rodrigues Gameiro
* Pág. 3 – Edifício da antiga capela real de Salvaterra
de Magos, 1º local sede dos Escuteiros do 68º
Agrupamento de Escuteiros de Salvaterra de Magos
* Pág. 3 - Edifício da antiga Creche Paroquial - local da
sede dos Escuteiros
* Pág. 4 – Obras para a construção da nova sede
Edifício sede dos Escuteiros, em dia de inauguração.

***************

90

91

CADERNO DE APONTAMENTOS Nº 40
Documentos para a História
de

SALVATERRA DE MAGOS
Séc. XIII – Séc. XXI
Património:
Geográfico, Monumental, Cultural, Social,
Político, Económico e Desportivo

:

92

Fotos da Capa: Bombeiro, apagando um incêndio no Pinhal dos
Morros* Banda de Música dos Bombeiros Voluntários de Salvaterra de
Magos

93

Primeira Edição
FICHA TECNICA:

Titulo:
A ORIGEM DOS BOMBEIROS
VOLUNTÁRIOS,
E DA SUA BANDA DE MÚSICA
Colecção: RECORDAR, TAMBÉM É
RECONSTRUIR !
Tipo de Encadernação: Brochado – Papel A5
Autor: Gameiro, José
Editor:
Gameiro, José Rodrigues
Morada: B.º Pinhal da Vila – Rua Padre Cruz,
Lote 49
Localidade: Salvaterra de Magos
Código Postal:
2120-059 SALVATERRA DE MAGOS
ISBN : 978– 989 – 8071 – 43 – 9
Depósito Legal: 256491 /07
Edição: 100 Exemplares - Março de: 2007

94

*********************

2ª Edição Revista e Aumentada
**************************
* Contactos: Tel. 263 504 458 * Telem. 918 905 704
Josérgameiro@sapo.pt

O Autor deste texto não segue o Acordo Ortográfico de 1990

95

O MEU CONTRIBUTO !
É chegada a hora de fazer-se um
balanço e, registar o que foi o passado
desta Associação Humanitária, com o seu
corpo activo de bombeiros voluntários, e
da banda de música, desde o já distante
ano de 1935. Uma exposição documental e
fotográfica, sobre a instituição, esteve
patente na Capela real, no ano de 2005,
durante o período das Festas do Foral. Colaboramos em tal evento,
disponibilizando o arquivo documental e fotográfico, de muitos anos,
que guardamos sobre os Bombeiros e da sua Banda de Música. Agora é
tempo de os dar a conhecer a um público mais numeroso. Num tempo
recente, ciente das grandes dificuldades financeiras em que vivia os
Bombeiros de Salvaterra, cuja origem incidia na construção de um
novo quartel, decidi oferecer em 2007, um texto já preparado para uma
eventual publicação em livro, do seu historial, afim da instituição obter
algumas receitas, tal trabalho foi entregue. O tempo passou, da
publicação dessa edição, registei total desinteresse, reformulando o
texto, dei origem à edição em sistema online. Neste trabalho,
“Recordar, Também é Reconstruir”, sendo um pequeno Caderno de
Apontamentos, lembro, dirigentes, bombeiros e músicos, haverá lugar
de destaque para os seus muitos benfeitores, sendo justo ficar
registado a contribuição do filantropo salvaterriano; Gaspar da Costa
Ramalho, pois merece uma referência especial, em jeito de
homenagem. A tantos outros, aqui também lhes deixo a mesma
lembrança, pois sem a divulgação dos seus nomes a memória dos
homens é sempre injusta.
2015

José Gameiro

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A INSTITUIÇÃO !
Associação dos Bombeiros Voluntários de
Salvaterra de Magos, foi constituída para servir a
população de Salvaterra de Magos e seu concelho.
Já com uma existência de oitenta anos, graves
crises “abalaram” o seu longo percurso que, no
entanto sempre foi ultrapassando, porque homens
de boa vontade responderam a esses momentos
de grande aflição.
A sua história, mesmo que simples, está repleta
de situações que, valerá a pena contar, não só
pelos actos de grande humanismo, e heroísmo
que, fez escola no seu corpo activo.
No campo cultural, a sua banda, soube estar à
altura, desde que foi formada dentro da
Associação. Os seus executantes deliciaram o
povo, transmitindo a arte da música, tocando
obras que, celebrizaram muitos compositores ao
longo dos séculos, até que acabou em 2010
Assim em três capítulos, tentamos divulgar as
suas histórias, para que constem !

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Capitulo I
CORPO ACTIVO

Naquele ano de 1935, da vizinha vila de Benavente, chegaram os
bombeiros para ajudar o povo a combater um incêndio que se
arrastava à muitas horas numa arrecadação de palha, pois a
bomba, tipo cilindro, e uns quantos metros de mangueira,
material muito antiquado, pertença do município não chegavam
para vencer as chamas.
Em casos extremos, em
Salvaterra de Magos, ainda se
usavam, as duas filas; do balde
cheio, balde vazio. Trabalho que
mobilizava homens e mulheres,
em extensas filas até ao poço
mais próximo, chegando muitas
vezes a ser usada a água da vala
real. Na vila de Salvaterra de Magos, na sua urbanização
habitacional predominavam as construções com telhado de meiacana, com infraestruturas de madeiramento que, estavam
sujeitas ao “aliciamento” das chamas, provocadas pelas chamas
nas chaminés das habitações.

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Os incêndios, quando aconteciam eram pavorosos, os grandes
celeiros e palheiros construídos juntos às habitações, davam azo
a isso, e assim nos dizem alguns relatos deixados nas páginas
destes ou daquele documento que, nos vai servindo de memória.
Naquele incêndio, em que se teve de pedir o auxilio dos
bombeiros de Benavente, mesmo com a prontidão da sua
chegada, levou mais de hora e meia. A sua acção ficou-se

pelo rescaldo, ajudando os poucos bombeiros da vila. O povo,
socorreu-se mais uma vez do balde. O armazém e a palha,
estavam perdidos pela acção do fogo e da água, não sendo a
desgraça tão grande como se esperava, como se ouvia na
gritaria, do povo que ajudava a combater as chamas. Perante
aquele quadro impressionante, o Dr. José António Vieira,

secundado por José Sabino de Assis e Justiniano Ferreira
Estudante, tomaram a iniciativa da criação de uma comissão

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para a constituição de uma Corporação de Bombeiros
Voluntários. O povo aderiu à subscrição pública, levada a cabo,
tendo sido apurados, 17.133$50, com a inclusão de uma verba da
câmara municipal do valor de 5.000$00.

Muitos jovens da terra, passaram a pertencer às fileiras da
corporação dos bombeiros, que entretanto tinha sido oficializada.
Tinha sido oficializada a Associação Humanitária dos Bombeiros
Voluntários de Salvaterra de Magos.
Um orçamento para a compra de material e fardamento, dava
conta que a despesa seria de 34.600$00, a comissão
administrativa da Associação, após vários tentativas para
ultrapassar, a falta da restante verba, foi com desgosto que pôs
o seu mandato à disposição das entidades oficiais da terra.
Ultrapassado este percalço, pois a câmara municipal, sob a
presidência de José Luiz Ferreira Roquette , em reunião, deliberou
elevar a quantia do município para mais 23.600$00.

O corpo activo dos bombeiros, depressa encontrou espaço para
o seu aquartelamento, num edifício na nova Av. José Luís Brito

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Seabra. De noite, num trabalho árduo e incessante que, durou
alguns meses, os membros do corpo activo construíam um
pronto-socorro, fruto de um desenho de
um deles – António Henriques
Alexandre, onde foi aproveitada uma
camioneta de carga. No dia da sua
apresentação em cerimónia pública, foi
prestada homenagem ao Dr. José
Vieira, sendo madrinha da viatura, sua
filha, a menina, Maria Alice Rocha Brito
Vieira, estando acompanhada das Srªs. D. Ana Ferreira Gomes e
D. Maria Adelaide Madeira da Mata, colocou as fitas
comemorativas no estandarte da Corporação.

Alguns anos passaram, a presença dos voluntários de
Salvaterra, quer nos fogos, quer nos serviços de socorro em
ambulância, passa Um novo quartel, era uma necessidade
premente, Gaspar da Costa Ramalho, em 1936, no seu espírito de
grande benemerência, mandou construir, em terrenos seus, um

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novo edifício moderno para a época cada vez mais solicitado,
oferecendo-o à instituição, onde mais tarde albergou também a
sua Banda de Música, entretanto criada..

Alguns comandantes, tiveram a generosidade de permanecer
durante anos à frente de um corpo activo, formado por gente que
devotadamente ali prestou, ou vem prestando o seu voluntariado,
dando assim do melhor que tem para com o seu semelhante –
num grande espírito de magnanimidade
Amiúdas vezes a instituição, passou por crises de
administração – os seus associados - nem sempre estavam
disponíveis para a servir, criando situações difíceis, que eram
ultrapassadas, por homens bons, detentoras de grande espírito
de empenho, pondo assim muito dos seus tempos livres, ao
serviço da comunidade. Com o decorrer dos anos, novas
exigências foram criadas à Corporação, dos Bombeiros
Voluntários de Salvaterra de Magos, com a sua inserção em
associações regionais, e nacionais de bombeiros , foram

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originando a constante renovação de meios e aprendizagem de
técnicas novas.
Aos seus homens, para combater fogos em plena época estival
e, nas calamidades invernosas, são periodicamente ministrados
cursos, estando na mesma situação o socorrismo para
ambulâncias.
A corporação mantinha um número de voluntários, que se
renovava constantemente, até porque se compunha na maioria de
pedreiros e profissões afins.
Ao toque de alarme, num constante bater do sino, largava-se
tudo – havia fogo. Quanto ao chamamento da ambulância, o toque
era espaçado, até porque os acidentes de trabalho ou de viação
eram poucos.

Um caso digno de registo, por volta de 1956, andando um
menino, na escola primária, foi ao médico da vila, Dr. Joaquim
Carvalho, pois seus pais foram alertados, pela professora, que
algo de saúde, não estava bem, com a criança. O médico,
prescreveu-lhe um internamento de urgência no hospital do Rego
(Curri Cabral)., em Lisboa. Era uma sexta-feira. Contactado o
bombeiro responsável pelas saídas da única ambulância, dos
voluntários de Salvaterra, foi recomendado a espera até à

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próxima terça-feira, dia em que a viatura se deslocava a Lisboa,
com outros doentes.
A criança, foi internada, esteve cerca de 15 dias naquela unidade
hospitalar
– “o doente, era o autor destas linhas.”

UM DIA DE FESTA, UM DIA DE LUTO !

Mais um aniversário da instituição se comemorava naquele ano
de 1968, o dia solarengo de Verão, convidava a um passeio e o
acidente aconteceu, conforme consta na notícia publicada em
vários jornais. Uma delas saiu no jornal O Século.
BOMBEIROS DE SALVATERRA MORREM
EM ACIDENTE NA RECTA DO CABO

“Ontem, dia 25 de Agosto, dois bombeiros voluntários de
Salvaterra de Magos, morreram num grave acidente na estrada
recta do cabo. Era dia de aniversário da corporação, e os
voluntários após um almoço de confraternização, pensaram dar
um passeio, visitando outras corporações como: Almeirim,
Cartaxo, Azambuja e Benavente seria o fim da jornada de convívio
com um cumprimento, aos colegas da vila vizinha. A tarde já ia
alta na estrada da recta do cabo, sofreram um grave acidente.
Do embate, resultou a morte de dois bombeiros, Ezequiel
Jorge, o mais velho da corporação, e João Luís Castanheira,
natural de Benavente, estabelecido na vila de Salvaterra, com um
café junto ao quartel e, que dava a sua colaboração, como
motorista, quando necessário. Muitos dos ocupantes da viaturas

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ficaram gravemente feridos, e a viatura ficou sem recuperação,
segundo se pensa ! “
* In Jornal “ O século ” 26/8/1968 *

NOVA VIDA

Tendo os bombeiros, como dogma “VIDA POR VIDA”, a crise
instalada, após o acidente de viação, em 1968, os bombeiros
estavam desmotivados com o abandono de alguns activos, a
situação começou a ser sanada, com uma iniciativa, do então
presidente da câmara municipal, José Pinto de Figueiredo, que
convidou uma nova equipa de dirigentes.. Segundo, relato de um
dos membros da equipa convidada, Mário Silva Antão; o autarca
convidou o Eng.º Romeu Fortes Pina que, tomasse conta da
corporação dos bombeiros.

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O Egº Romeu, formou uma “comissão administrativa” com Mário
Silva Antão e António Viegas , a que viriam a juntarem-se outros.
O primeiro passo foi a compra de uma viatura-cisterna, de
grande capacidade de armazenamento de água, para incêndios,
que foi encontrada em bom estado numa outra congénere na
zona de Lisboa. Um carro para o transporte dos voluntários e,
duas ambulância, passaram a ser as quatro viaturas do parque
automóvel.
O antigo e degradado material, especialmente o de combate a
incêndios, foi lentamente substituído - escadas e mangueiras – a
par do trabalho de recuperação do edifício-sede da instituição
que, durou alguns meses. Uma sirene de grande alcance sonoro,
foi instalada, no quartel, substituindo assim o velho sinal de
pedido de socorros aos bombeiros, instalado na torre da igreja
matriz. usando os sinos da igreja matriz da vila, ,sinal que vinha
desde 1935.
O corpo-activo, foi renovado, com a entrada de novos
voluntários, especialmente de jovens que aderiram à iniciativa.
Após este período doloroso, para a história dos bombeiros
voluntários de Salvaterra de Magos, com muitas carências, e
dificuldades ultrapassadas, os cargos de directores, eleitos em
actos eleitorais, passou a ter o seu ciclo normal.
Uma placa em pedra, colocada no edifício do quartel, recorda e
agradece, ao Eng. Romeu Fortes Pina, a sua colaboração.

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As Assembleias - gerais
Na já longa vida, da Associação dos Bombeiros Voluntários de
Salvaterra de Magos, verifica-se uma situação comum a muitas
outras instituições. Os associados desinteressam-se pela vida
das suas colectividades, não aparecendo, nos seus dias mais
nobres; as suas Assembleias-gerais. Por vezes, com o calor e
entusiasmo próprio daqueles debates associativos, em que a vida
das instituições está em causa, situações existem, em que a
intriga e maledicência, se “esforça” por denegrir, o trabalho, de
quem se devotou afanosamente em servi-las, em contraste com
outras onde é “apetecível”, ouvir louvores pelo zelo empenhado.
Veja-se uma Assembleia Geral, realizada em Janeiro de 1960,
na sua acta consta a presença, 32 sócios - incluindo os
directores, e na sua ordem de trabalhos,
discutiu-se a “venda” do alvará da
exploração do cinema que era sua
pertença.
Numa outra, em Dezembro de 1999,
convocados para se pronunciarem,
quanto à actualização dos seusEstatutos.
A presença era escassa, para além dos
membros da mesa da Assembleia Geral,
composta por:

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José Manuel da Luz Ferreira, Manuel Luís de Oliveira e Francisco
Santos Travessa., estavam os membros da Direcção e Conselho
Fiscal.
No lugar de associados, podiam -se ver: António Manuel Pires
Gomes, Vasco Manique, Mário da Silva Antão, António Carlos
Costa Paiva, Carlos Cantador Duarte, José Porfírio Morais,
Armando Rafael Oliveira, Joaquim Mário Antão, João Mendes da
Silva e Carlos Leonel Duarte.
Em duas outras mais recentes, até porque se realizavam
eleições, por serem actos que, estavam envoltos em polémica, e
a coberto da comunicação social, verificou-se a afluência de um
número de associados nunca antes registado, Na realizada no dia
4 de Janeiro de 2001, registou-se a presença de 179 sócios,
enquanto um ano depois estiveram a votar cerca de meio milhar
sócios. Entre os 494 associados, muitos era pela primeira vez
que estavam presentes num acto eleitoral daquela instituição,
mesmo sendo associados à muitos anos. A causa era motivada
por uma grande polémica, entre as duas
listas que se apresentaram a eleições, tendo uma delas andado a
motivar pessoalmente os seus correligionários a estarem
presentes.

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OS FESTEJOS DE ANIVERSÁRIO

Mesmo que modestamente, os responsáveis pela associação,
ao longo da sua existência, não deixavam de registar aquela data
que simboliza o “nascimento” da corporação de bombeiros, muito
acarinhada pelo povo do concelho.

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RECEBER PREMIO EM TEMPO DE ANIVERSÁRIO

No dia da comemoração dos seus 46 anos de vida, muitos dos
seus voluntários são galardoados com a medalha de ouro de duas
estrelas, assim nos dá conta a notícia seguinte: “Com dois dias de
antecedência da data, segundo foi justificado para ser em dia de
descanso. Comemorava-se o 38º aniversário da Associação
Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Salvaterra de Magos.

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Na oportunidade, toda a Direcção presente recebeu um justo
galardão que, foi atribuído à corporação – A Medalha de Ouro de
duas Estrelas. Em formatura frente ao quartel, na rua 25 de
Abril, com o corpo activo, encontravam-se os voluntários da
secção de Muge, recentemente criada para servir a população
daquela vila e freguesia do concelho. Nestes festejos, honraram
com a sua presença, os bombeiros vizinhos de Benavente. Feita
continência aos visitantes: Presidente da Federação Distrital de
Santarém e conselheiro da Inspecção do Serviço Nacional de
Bombeiros e ao presidente da Liga dos Bombeiros de Portugal.
O presidente da Direcção, Dr. José
Gameiro dos Santos, deu inicio às
cerimónias, começando por fazer um
breve historial da associação,
finalizando dizendo que os actuais
dirigentes, tiveram como especial
prioridade “arrumar a casa”, o que
em parte já estava conseguido.
Fez severas criticas aos CTT, pois à muito estava requisitada
uma nova linha de telefone, e até à data não tinham obtido
resposta daquela empresa. Seguidamente, o Comandante, Carlos
Leonel Duarte, informou que os bombeiros de Salvaterra, durante
o último ano, prestaram entre outros serviços, 7909 horas de
ambulância, 93 assistências a acidente de viação, acudiram a 33
acidentes

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Tiveram presentes em 8 fogos de habitação, socorreram 71
parturientes, foram chamados a combater 3 fogos em searas,
tendo as viaturas percorridos cerca de 10.110 km. Usando de
seguida a palavra, o presidente da Federação Distrital dos
Bombeiros de Santarém, deu os parabéns à Associação
Humanitária de Salvaterra de Magos, através da sua direcção.
Com um contacto assíduo com estes, teve ensejo de verificar o
dinamismo e carolice que, manifestavam nos desejos de
conseguirem mais e melhor para os seus bombeiros, assim era
seu dever registá-lo publicamente, disse.

Seguidamente, o presidente da Liga dos Bombeiros de Portugal,
depois de salientar o que este ano se vem passando em todo o
país, onde os pinhais e florestas, estão em chamas, vitimas na
sua maior parte de mãos criminosas, segundo se está a apurar, é
de ver a presença dos bombeiros que não regateando esforços e
sacrifícios, ali chegam a andar dias a

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fio. Mais disse: A minha presença em Salvaterra de Magos, devese ao facto da sua Corporação de Bombeiros, ter sido galardoada
com a “MEDALHA DE OURO DE DUAS ESTRELAS” – prémio
instituído a nível nacional e, este ano ser a escolhida com tal
distinção honorifica que, certamente enriquecerá o seu historial.
De seguida com a ajuda do comandante do corpo activo, colocou
tão significativo galardão, no estandarte da instituição. O último
orador da cerimónia, foi o Dr. Alexandre António Monteiro, ali
presente na qualidade de vice-presidente da câmara municipal,
destacando o trabalho feito por esta direcção, especialmente
com a criação de uma secção de bombeiros voluntários, na vila e
freguesia de Muge. A finalizar a cerimónia, foram distribuídos os
diplomas atribuídos pela Cruz Vermelha Portuguesa, aos
bombeiros que dias antes tinham terminado um curso de
socorrismo, ministrado naquela instituição de solidariedade.
Fechou a cerimónia, o Padre, José Diogo, pároco da freguesia,
benzendo duas viaturas; um Jeep e uma ambulância com a
matricula, NO-74-61. O primeiro veiculo, recebeu o nome
“Bombeiros Fundadores”, estando presentes a representá-los e
foram padrinhos, os ex-voluntários, José Teodoro Amaro, os
irmãos Sebastião e Augusto Cabaço, João Feliciano Gil e João
Miguel Oliveira (João Capadão).
A segunda viatura, recebeu o nome “António Pedro Ferreira”,
estando presentes, sua viúva e filhos.
23/08/1981 * Reportagem de: José Gameiro

**********

113

114

UM NOVO TEMPO NA
ASSOCIAÇÃO DOS BOMBEIROS !

Os tempos são outros!
A época da benemerência passou, até porque o homem moderno,
é diferente, está distanciado e pouco afectivo na solidarização
para com a comunidade onde vive. Passou a exigir dos poderes
públicos a resolução das suas necessidades básicas, deixou de
praticar a filantropia para com os seus semelhantes mais
necessitados.

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UM SONHO, UM NOVO QUARTEL !

Construir, um novo edifício para quartel-sede, foi o lema da
direcção eleita para o mandato – 1999/2000 “As velhas
instalações à muito se tornaram insuficientes para a prestação
dos socorros que a população do concelho merece”, Joaquim
Mário Antão, foi o porta-voz deste desejo, e com empenho, deu
inicio ao processo. Logo um projecto deu entrada em muitas
secretarias oficiais, e a homologação da construção foi
concedida e comparticipada. Entre as várias entidades, foi a
câmara municipal e a Associação dos Bombeiros, que mais se
responsabilizaram em suportar os custos da obra, assim foi
noticiado na comunicação social.
No ano de 2003, a direcção recém-eleita, tinha no seu
programa eleitoral, a promessa: * RECUPERAR A BOA RELAÇÃO ENTRE A
DIRECÇÃO E OS BOMBEIROS - DIGNIFICAR A INSTITUIÇÃO *. A direcção não
se ficou pelo apaziguamento do mal estar que reinava no corpo
activo, mobilizou – se, também para a construção de um novo
aquartelamento, visto o edifício que ocupavam já não reunir as
condições suficientes para o seu trabalho – estar ao serviço da
população do concelho.

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PROJECTO PARA UM NOVO EDIFICIO
DOS BOMBEIROS

CONCURSO PÚBLICO

Algum tempo depois, nos jornais foi publicada a
notícia do acordo que foi possível encontrar entre
o executivo camarário e os membros da direcção,
a nível institucional, já que o relacionamento
existente tinha um clima de alguma crispação, que
a comunicação social da região, servia para
constantemente publicar, os pontos de vista sobre
vários assuntos, em que a discórdia era mais
latente.

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A DETENÇÃO POLICIAL DOS SEUS
DIRIGENTES

O conflito instalou-se entre a presidência da câmara, e a
AHBVSM, logo após a tomada de posse do novo executivo
autárquico. As notícias passaram a ser notórias em 1999, com
os bombeiros a queixarem-se que os subsídios lhes tinham sido
retirados(1). O distanciamento entre as duas entidades era cada
vez mais, questionando-se o presidente da direcção; Carlos
Marques, que via com preocupação que o foco de todo aquele
diferendo era com o comandante da corporação; Carlos Leonel
Duarte, que seria a ponte para o ataque a outros dirigentes, que
já tinham pertencido ao executivo camarário.

Momento da detenção policial,
do Comandante dos Bombeiros, Carlos Leonel
–Foto publicada no Jornal “Correio da Manhã”
************
(1)-Jornal O Mirante; 25 de Dezembro de 2003; pág. 26

118

Em 2004, culminou uma investigaão que durava há ano e meio;
por; “peculato, apropriação ilegítima, favorecimento pessoal e
económico” de um processo entrado no tribunal em 2002,
contra; Carlos Leonel, Joaquim Mário Antão e Dr. José Gameiro
dos Santos, Na operação policial de detenção; “Sirene Oculta”,
interveio o Núcleo de Investigação da GNR, Coruche, e no dia 23
de Maio, pela manhã junto ao edifício dos Bombeiros (era dia de
festa), o seu comandante foi detido. A presença do jornal
“Correio da Manhã” (1), foi de imediato comentada pela população,
como muito estranha, tal, decerto já estava avisado do que iria
acontecer.

Momento em que os ex-dirigentes dos Bombeiros,
deixavam o Tribunal *Foto Jornal Vale do Tejo
***********
(1)http://www.correiomanha.pt/noticia.asp?id=110886&idselect=9&
idCanal=9&p=94 24/05/2004 Página Web 2 e 3

119

Joaquim Antão, também foi detido, o que não aconteceu com
Gameiro dos Santos, que estava ausente em Espanha, tendo-se
colocado às ordens da policia, logo que chega-se a Portugal.
Ainda nesse dia, Jornais e televisões, encheram as suas páginas
e noticiários, o que aconteceu nos dias seguintes. Os filhos do
antigo edil Gameiro dos Santos, numa conferência de imprensa,
deram a conhecer uma carta que o pai recebeu, em 1997,
remetida por: João Casimiro com ameaças.
Tempos depois, com nova eleição na
AHBVSM, João Casimiro, está à frente
dos novos dirigentes, e segundo a voz
do povo eram “porta-voz” e zelavam
pelos desígnios dos autarcas em
exercício – câmara e junta de
freguesia de Salvaterra de Magos.
Novas suspeitas passaram a circular,
os visados, estes teriam feito uma gestão ruinosa, onde incluíam
compras e seguros. Entretanto, João Casimiro, desdobrava-se
em entrevistas à televisão e jornais O Ribatejo e o Mirante (1),
entre outros deram grande relevo às suas palavras. A AHBVSM,
distribuíram um comunicado sobre o assunto, onde convocavam
uma conferência de imprensa. Meses depois o tribunal não lhes
imputou quaisquer responsabilidades nos processos de que eram
acusados, pelo que o mesmo foi arquivado, e os suspeitos saíram
em liberdade.
**********
(1)-O Ribatejo; edição27.05.2004; Pág.13

120
*O Mirante; 03.2004; Pág. 23

ANÚNCIO DO CONCURSO:

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* Recortes de Jornais:
NOTICIAS DE SALVATERRA !

Acidente
Salvaterra de Magos, hoje, dia 4, pelas 9,30 horas,
na ocasião em que a Corporação dos Bombeiros
Voluntários desta vila se dirigia para o local onde
costuma fazer os seus exercícios, encontrava-se
parado, na avenida do Calvário; um carro de bois,
pertencente a Luiz Roquette (Herdeiros).
Sobre o carro encontrava-se uma criança de 7
anos. Os bois assustaram-se por qualquer motivo
e fugiram em louca correria, levando atrelado o
carro, levando em cima uma pobre criança.
Graças à rápida intervenção de alguns bombeiros
que seguiram correndo atrás do carro e em
especial ao voluntário, Sebastião Augusto Cabaço,
que conseguiu saltar, para dentro do veiculo, a
criança foi salva de um desastre, pois já se
preparava para saltar para a estrada. Os bois só
pararam a grande distância desta vila. Era de
maior justiça que o bombeiro, Sebastião Cabaço
fosse louvado, obtendo, assim o prémio da sua
nobre acção – C.
**************

122
Nota: Mais tarde, em 1990 – O autor deste texto, recebeu a
informação, junto do Sr. Gastão Caçador Aleluia, nascido em
1936 – era ele a criança que em 1943, foi alvo da notícia
publicado no jornal “ O

Nova Crise de Dirigentes
Esta Associação Humanitária, periodicamente tem o condão de
sofrer de graves crises de dirigentes. A comunidade de
Salvaterra, parece não entender que Instituições como estas,
precisam de homens de boa vontade, para gerir o seu corpo
directivo para subsistir, já que no campo operacional, vão
aparecendo jovens de ambos os sexos.

Por volta de 2010, estava ao serviço da Instituição um
funcionário, que na falta de dirigentes “assumiu” o encargo de
dirigi-la, depressa com as suas directrizes impostas, muitos
sócios afastaram-se, além de outras situações no campo
financeiro, serem encontradas, o que levou à realização de uma
Assembleia Geral extraordinária, para normalizar a actividade da
Associação.

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Oferta de material
Os organismos oficiais, devido ao grande
desgaste do material, especialmente das viaturas
vão periodicamente ofertando outras, suprindo as
suas substituições. Em 2013, o executivo da junta
de freguesia de Salvaterra, de João Nunes dos
Santos, ao deixar as suas funções - para deixar as
suas contas saldadas, em desfavor dos seguintes,
ofereceu algumas viaturas com cerimónia festiva.
Em 2014, o novo executivo camarário, atendendo
às solicitações fez a oferta de algum material e
fatos, que foi entregue em dia da Missa Campal,
das festas da terra.

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JUSTA HOMENAGEM, QUE SE AGUARDA !
Gaspar da Costa Ramalho
A direcção da Associação Humanitária dos Bombeiros
Voluntários de Salvaterra de Magos, de 1998, manifestou intenção
de reparar uma injustiça pública, que também seria da
Instituição, para com quem lhe prestou tanta benemerência,
Sabendo desta preocupação, fizemos sair um artigo no JVT –
Jornal Vale do Tejo.
PARA QUANDO UMA RUA PARA
GASPAR DA COSTA RAMALHO

“No passado dia 20 de Outubro, mais um aniversário passou da
data do seu nascimento. Quase sempre tardiamente, ou nunca, as
pessoas sabem ser agradecidas. Umas vezes por preconceitos
que ultrapassam os desejos. Na população de Salvaterra de
Magos, ainda existe uma geração que, conheceu e, beneficiou da
benemerência que, ele soube distribuir dos haveres que tinha,
pelos pobres seus concidadãos. Depois de alguns anos a
“pesquisar” as várias formas da sua benemerência, sobressaem,
as instituições da sua terra, as mais contempladas.
“Gaspar Ramalho, nasceu em Salvaterra de Magos no dia 20 de
Outubro de 1868, filho de José de Sousa Ramalho e de Joaquina
Victoria. Ao longo de uma vida de 94 anos, foi um grande
lavrador, com propriedades nos concelhos

125

de Azambuja, Vila Franca, Benavente e Salvaterra, a sua imensa
riqueza foi gerida com benemerência humilde. Quando do
terramoto de 1909, onde as populações de Samora Correia,
Benavente e Salvaterra de Magos sentiram os seus efeitos
devastadores mais de perto, logo a mão amiga de Costa Ramalho
se manifestou dizendo presente.
O seu grande “martírio” eram sempre
os necessitados, especialmente das
crianças. Para tornar realidade um sonho
da população Salvaterrense, em 1912
acompanhado de um outro lavrador,
Francisco Ferreira Lino, construiu o edifício
que viria a servir de hospital e, o ofertou à
Misericórdia local. No entanto e porque os Invernos eram
rigorosos e devastadores, a classe rural sofria na carne essa
tremenda calamidade. No ano de 1900, construiu uma grande
adega e armazéns, aproveitando as ruínas do que ficou conhecido
pelo paço novo/ou Palácio das Damas, situado no agora Largo
dos Combatentes.

126

Obra que serviu para dar trabalho, durante meses tanto a
gente da construção civil, como rurais que no campo não
encontravam trabalho, especialmente no tempo de inverno.
Durante décadas foi local para muitos postos de trabalho –
mesmo na posse de outro proprietário, até à sua destruição para
dar lugar a uma nova urbanização naquele local.
Quando da construção da Praça de Toiros em 1920, a “Comissão
Construtora” se debatia com dificuldades financeiras para
concretizar o que esperava ser uma realidade, logo um
“anónimo” suportou os valores, em falta, realizando assim os
desejos daqueles que estavam empenhados na construção do
belo edifício tauromáquico, que hoje Salvaterra tem à entrada da
vila. Não ficou por aqui o seu apoio, pois quando do ciclone de 15
de Fevereiro de 1941, logo construiu bancadas em cimento, tendo
o Conde de Monte Real –Jorge de Melo e Faro - e sua esposa,
suportado a (re)construção das paredes da praça.

127

Com o seu coração sempre preocupado com o bem estar dos
desprotegidos da sorte, o campo cultural foi enriquecido com a
construção de um cine-teatro - nos anos 20,
Para tal transforou alguns dos seus celeiros que possuía na
Rua Machado Santos. Depois da obra concluída ofertou-a aos
Bombeiros Voluntários de Salvaterra, situação mais tarde
também acontecida, com a construção do edifício do quartel.

Continuando a pugnar pelo bem-estar da população, nunca
esquecendo os mais necessitados, em 1935 cria a “Casa do Povo
de Salvaterra de Magos”, onde tomou lugar de Presidente da
Comissão organizadora e, depois da sua legalização foi
Presidente da Assembleia-geral.

128

Para o efeito cedeu uma sua casa na Rua Cândido Reis, junto
ao solar da família Roquette e, ofereceu à Instituição durante
anos o valor de renda, que na altura era de 600$00 anuais,
ajudando depois a erguer o edifício definitivo. num terreno cedido
pelo município local. Como a sua maneira de estar na vida era de
grande descrição, teve sempre a humildade de nunca estar
presente aos festejos inaugurativos, onde a sua mão bafejou os
necessitados. A presença da sua benemerência aparecia quando
se apercebia das dificuldades das instituições da terra; que o
diga a Santa Casa de Misericórdia e, os Bombeiros, entre outras
tantas, sempre que nos fechos das contas as várias gerências
estavam em apuros com saldos negativos, logo um “anónimo”
repunha as importâncias em falta. Aos cortejos de oferendas
promovidos pela Misericórdia, que na década de 1950 ainda se
realizavam, Gaspar Ramalho, assumia a sua responsabilidade de
cidadão salvaterrense, ofertando grandes quantidades de
produtos agrícolas para o respectivo leilão de angariação de
fundos. Faleceu a 13 de Junho de 1962, na terra que o viu nascer,
Salvaterra de Magos. Agora que se registam 130 anos do seu
nascimento, e 36 após o seu falecimento, parece-me chegada a
hora de deixar-mos de ser ingratos. As instituições à muito já
prestaram o seu reconhecimento, as autarquias locais – câmara
e junta de freguesia, continuam a ignorá-lo ! Vamos colocar o
seu nome uma rua.! (*)
************
Nota: Aos mais tarde, em 2005, uma rua por detrás do cemitério da
vila, recebeu a sua toponímia – artéria, que dá acesso à Misericórdia
de Salvaterra de Magos.

129

************************

130

CAPITULO II
COMO NASCEU A BANDA DE MÚSICA DOS
BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS
DE SALVATERRA DE MAGOS
Naquele ano de 1965, João Pereira (Jope),
estava mais uma vez, de visita a Salvaterra de
Magos e, como habitualmente procurou-me para
saber coisas da terra ! Aproveitou a sua estadia e
não deixou de fez-nos a oferta das suas memórias,
um trabalho sobre a origem da Banda de Música,
solicitando-me com grande empenho que as
divulga-se, no Jornal “Aurora do Ribatejo”, no
espaço que detínhamos naquele semanário.
Seria para conhecimento das gerações vindouras,
recomendou-nos !
“ Todas as bandas de música, por mais modestas
que sejam, têm a sua história; porém, porque a
Banda dos Bombeiros Voluntários de Salvaterra de
Magos se relaciona com uma das mais
interessantes passagens dos meus tempos de
rapaz, julgo conveniente e interessante esta
narrativa, para que os antigos não esqueçam e os
novos conheçam, como de um grupo de modestos
e simples rapazes, nasceu uma obra digna da
corporação e da terra a que pertence. Nesse

131
tempo ainda Salvaterra não gozava dos benefícios
da luz eléctrica, sendo os locais de mais
movimento iluminados por candeeiros a gás
calcário.
Numa noite de Agosto, à luz de um
desses velhos candeeiros colocado à esquina da
rua Direita, sentados num poial de uma das portas
do estabelecimento do Sr. Pedro dos Santos, um
grupo de rapazes discutia: não assuntos de
futebol, como certamente hoje faria, mas a forma
de conseguir organizar algo de útil e agradável, ao
seu espirito e a terra que lhes serviu de berço.
Pensavam uns em formar um grupo folclórico;
outros num grupo cénico; outros ainda, alvitravam
a formação de um grupo coral. Todas estas ideias,
eram discutidas sob inúmeras hipóteses,
arrastando-se até bastante tarde. Já passava da
meia-noite, quando me assaltou o cérebro uma
feliz ideia.
Haviam uns antigos executantes de bandas de
música outrora existentes na vila, que tiveram
influência na construção de um Coreto em
Alvenaria, dentro do Jardim, quando este sofreu
obras de urbanização. Estes antigos músicos
conservavam ainda em seu poder velhos
instrumentos, como relíquia do passado, alguns
dos quais eu conhecia, o que me levou a ter o
seguinte desabafo:
Éh, rapaziada, se fossemos pedir alguns desses
velhos instrumentos que se encontram em poder
dos músicos antigos para fazer a surpresa de

132
tocarmos o Hino da Restauração no dia 1 de
Dezembro ?!
Todos concordaram com esta ideia, ficando
desde logo combinado ir no dia seguinte, falar aos
antigos músicos, expondo-lhes as nossas
intenções.

No outro dia, à hora do almoço, já se
encontravam na nossa posse alguns instrumentos:
o Cornetim do Manuel Doutor, o Contrabaixo do
João Borrego.

133

O Velho Sebastiana, também tinha um Barítono,
tal como o sapateiro; Roberto Serra, possuía um
Saxofone.
Enfim tudo o que fora possível
descobrir !
Começaram então a fervilhar os comentários,
como não podia deixar de ser; favoráveis uns,
desfavoráveis outros. Havia quem nos encorajasse
a prosseguir, indicando até alguns benéficos
pormenores e, havia os que não acreditavam em
rapazes – detractores sempre existiram, dizendo a
quem lhes abordava o assunto: - Vocês ainda
acreditam em qualquer coisa feita por rapazes?!
- Tenham mas é juízo, eles não conseguem nada
!...

134

Entretanto a notícia espalhava-se por toda a
localidade e a rapaziada salvaterrense, tomando
conhecimento desta resolução, acorria ao nosso
encontro inscrevendo-se com entusiasmo numa já
então longa lista de candidatos a futuros
filarmónicos. No grupo existia um elemento que
já conhecia muito bem a música, era o “Zé Carlos”
- José Carlos Augusto Cabaço - foram dele as
primeiras lições de solfejo recebi. Embora a
intenção inicial fosse resumida apenas ao Hino
tocado pelos seis ou sete iniciadores de tão genial
ideia, a verdade é que em poucos dias já se
encontravam inscritos uns 38 rapazes desejosos de
tocarem quaisquer instrumentos.
Começou então um verdadeiro assalto ao velho
instrumental, elucidados por alguns velhotes,
especialmente pelos que sempre acreditaram no
êxito do nosso empreendimento, descobrimos:
Bombardinos, Clarinetes, Saxofones, Trombones,
Trompas, etc Alguns deixaram de ver a luz do dia
à dezenas de anos, em consequência de que se
encontravam lindamente “ornamentados” com
enormes teias de aranha e bonitas manchas
verdes.
Um Contrabaixo, que me veio parar às mãos,
para limpar, tinha dentro um ninho com oito
inocentes ratinhos !

135

Para conseguir tirar dele algum som, tive de o
lavar com sete panelas de água quente e cerca de
dois quilos de potassa. Isto prova bem o estado
em que se encontravam alguns desgraçados
instrumentos, cujo estado de conservação era igual
ou parecido, originando a todos tarefas idênticas
ao meu. Depois de tudo isto à força de
entusiásticas canseiras, começaram as primeiras
lições que, como não podia deixar de ser, tiveram
início nas respectivas escalas, tiradas com muitos
assopros e algumas bochechas.

O solfejo ministrado a cada executante foi
apenas o indispensável para compreender o Hino
da Restauração, pois faltavam só 3 meses e de
qualquer maneira o grupo sairia a tocar. Os que
já conheciam algumas notazinhas de música
ensinavam os outros,

136

facilitando assim a tarefa do incansável “Zé Carlos”
que por ser o mais habilitado, era na altura o nosso
“Maestro”.
Algumas semanas antes do ambicionado dia, já
todos – ou quase todos – sabiam tocar o hino,
embora a maioria o fizesse de ouvido, porquanto o
solfejo tornava-se difícil e complicado em tão
pouco tempo. Já então alguns dos incrédulos,
reparando na

Maestro
– António Paulo Cordeiro

azafama da rapaziada, começaram a acreditar na
possibilidade de se poder organizar qualquer coisa
de jeito, tal não era o louco entusiasmo com que a
mocidade salvaterrense se entregava ao seu sonho
!
Agora não era apenas o desejo de tocar o Hino da
Restauração, não senhor; havia já uma ambição
mais forte, a de poder formar uma filarmónica,

137

preenchendo uma falta existente há dezenas de
anos !
Praticamente os dias de descanso não
existiam: o tempo passava-se velozmente e era
necessário que o grupo saísse o melhor possível,
ainda mesmo que a maioria tocasse de ouvido.
Todos os dias se ensaiava e muitas vezes ouvi
ralhar minha mãe:
- Oh rapaz, tu não tens assento para nada; mal
chegas a casa, jantas à pressa e sais, parece que
andas maluco com o diabo da música, ora esta !
E era verdade, ela tinha razão coitada, como
quase sempre a têm todas as mães que advertem
os filhos quando lhes notam quaisquer
anormalidade. Eu andava numa autêntica loucura;
quase que não comia e trazia os lábios vermelhos e
inchados devido ao bocal do contrabaixo: era este
o instrumento que eu tocava. O Jacinto Hipólito, o
“Lagarto”, comprometera-se a tocá-lo mas, ao ver
o estado como o pobre instrumento saíra do sótão
da casa do João Borrego, cheio de teias de aranha,
de manchas negras, e com um fofinho ninho de
ratitos dentro da campânula, não quis tocar nele;
foi então que o levei para casa e o lavei, como já
disse.
Para melhor poder afinar o conjunto, começámos
a compreender que seria necessário o auxilio de

138
alguém mais velho e de mais competência, pois a
boa vontade e os conhecimentos do “Zé Carlos”
não eram já suficientes. Conhecedor desta nossa
intenção, o Sr. Roberto Júnior,(vulgo Roberto da
Ferradora), músico competente e homem já de
certa idade, ofereceu os seus préstimos como
orientador e ensaiador, não desdenhando pôr a
sua calva rodeada de cabelos brancos ao serviço
dum grupo de irrequietos rapazes, cujas idades se
cifravam entre os quinze e os vinte e três anos.
Num amplo celeiro da Companhia das Lezírias
que, para o efeito nos emprestaram, começaram
os ensaios sobre a nova orientação. Tocando e
marchando horas sem fim, nunca houve entre o
numeroso grupo um queixume, um desânimo, ou
qualquer sinal de aversão.
Na noite que antecedeu o dia 1º de Dezembro
desse ano, nenhum de nós dormiu em casa. O
grande benemérito, Sr. Gaspar da Costa Ramalho,
pôs à nossa disposição uma casa, nesse tempo
ainda desabitada, para nela passarmos essa noite
e onde organizámos uma ceia, finda a qual
ninguém mais dormiu: as horas pareciam ter o
dobro dos minutos o que, na ânsia de ver chegar a
madrugada, dava a todos a ilusão de horas mais
compridas.
Um foguete, logo seguido de um morteiro,
ambos lançados pelo velho empregado da Câmara,

139

Sr. Vitorino (dos Candeeiros), deu a indicação de
que eram já cinco horas da manhã.
Faltava a penas uma hora para que o sonho de
toda a rapaziada se tornasse realidade ! Às cinco
e meia, cada um com o seu instrumento debaixo
do braço, todo o grupo se dirigiu para o Largo da
Câmara Municipal, em cuja frente se tocaria pela
primeira vez.
Todos formados, a postos, esperámos que o
relógio da torre da Igreja Matriz, desse as seis
badaladas. Logo que a primeira ecoou, rompeu o
Hino da Restauração, tocado (?) por trinta e tal
rapazes cheios de alegria por verem enfim
satisfeita a sua ambição.
Muito povo se aglomerou também em frente aos
paços do concelho e, ao verificarem a alegria, o
entusiasmo, e até a comoção daqueles
endiabrados rapazes, não puderam conter-se e em
muitas faces se viram lágrimas de comovida
satisfação.
A todas a ruas, travessas e becos, foi levado o
“Hino da Restauração”, tocado repetidas vezes,
entre o estralejar dos foguetes, a vozearia do
rapazio, o ladrar dos cães e o cantar dos galos que,
habituadas habituados a serem só deles os únicos
sons ouvidos àquela hora, pareciam cantar de
maneira diferente, certamente irritados por

140
notarem que algo de estranho tirava a primazia do
despertar da “Aurora” naquele dia.
À medida que o grupo avançava ia engrossando
a comitiva de admiradores, pois à nossa passagem
não havia quem resistisse ao desejo de se levantar
e seguir atrás da música.
Ao meio-dia, repetiu-se as volta, o mesmo
sucedendo à noite: Salvaterra, encontrava-se
então entusiasmadíssima com a proeza dos seus
moços, cujo feito mais parecia um sonho que uma
realidade !
Terminada a tarefa daquele dia,
alguém lembrou a conveniência em continuarmos,
aproveitando o entusiasmo inicial para a formação
de uma filarmónica na terra, preconizando até
uma reunião para discutir o assunto.
Durante um jantar de homenagem preparado
para o efeito, ficou combinado a formação do
agrupamento que a partir daquele momento
passou a denominar-se GRUPO MUSICAL
SALVATERRENSE, ficando o Sr Roberto Júnior,
como director artístico. Alugou-se um celeiro onde
foram montadas as respectivas instalações e,
aproveitando a boa vontade de muitos amigos, foi
lançada uma pequena cotização mensal que,
juntamente com o produto de algumas festas,
nomeadamente bailes, servia para suprir as
despesas. Embora o grupo musical, fosse formado
com grande entusiasmo e ficasse sob a orientação
de boas vontades, a sua existência foi curta (cerca

141
de um ano apenas), e pouco brilhante porquanto não
começou da melhor maneira.
Conforme já lhes contei, a grande maioria dos
componentes não sabia solfejar, pelo que não haveria
muito a esperar do seu valor como filarmónicos: a
prova é que durante um ano conseguiram apenas
ensaiar e tocar duas marchas bastantes simples.
Começaram então a aparecer algumas discordâncias,
pela forma decorria a orientação do agrupamento, pois
alguns, com justificada razão, insistiam para que
fossem ministradas lições de solfejo aos executantes
antes de serem postos à estante.

O senhor Justiniano Ferreira Estudante, saudoso
comandante dos bombeiros voluntários, notando
talvez os pontos de discórdia existentes na rapaziada,
pediu a comparência dos principais obreiros do Musical
no seu gabinete, a quem expôs, com palavras bastante
elucidativas, as vantagens que adviriam da
transferência do Grupo para aquela Corporação.

142
Como nem todos concordassem com a referida
transferência, havendo até alguns que afirmavam não
querer entregar à Corporação dos Bombeiros uma obra
que tanto trabalho dera, ficou deliberado efectuar-se
uma reunião entre todos, onde cada um, por escrutínio
secreto, se manifestaria consoante a sua vontade,
resolvendo assim o futuro da música em Salvaterra.
Setenta por cento da rapaziada, mais ou menos, se
manifestou favorável à dissolução do Grupo Musical,
cuja resolução encheu de júbilo o Sr. Justiniano, porque
viu possível formar o que tanto entusiasticamente
idealizara – uma banda de música dentro da
corporação que tanto adorava. Se havia elementos
orgulhosos da sua obra, satisfeitos por pertencerem ao
número dos que tornaram possível a formação de um
grupo musical em Salvaterra, eu era dos mais
entusiastas, tanto mais que me pertencia, além dos
outros, a honra da iniciativa. Todavia não concordava
com a existência do agrupamento dentro daquela
orientação, por me parecer impossível a sua
manutenção sem ordem e sem preparação artística, o
que equivaleria a um bom cavalo sem pernas, um bom
relógio sem ponteiros, etc..
Daquele dissolvido grupo nunca Salvaterra poderia
esperar quais quer acções que a dignificassem. Os que
me acompanharam nestas passagens poderão justificar
se tenho ou não razão !

Que se poderia esperar de músicos (?) sem
saberem solfejar?
Alguns, quando se lhes dizia que os instrumentos
deveriam dar lugar ao solfejo por uns tempos,

143
respondiam de mau humor: Solfejo para quê?
Isto a poder do tempo toca-se; vocês nunca
ouviram dizer que água mole em pedra dura tanto
bate até que fura ?... Por discordar destas
disparatadas opiniões, perdi a amizade de alguns
amigos, inclusivamente a do próprio Zé Carlos
Cabaço que até então fora um dos mais dedicados
! Como a consciência me diz ainda hoje que
procedi de forma a não ter de arrepender-me,
sinto satisfação por ter também contribuído para a
formação da Banda dos Bombeiros. Não julguem,
que foi fácil organizar devidamente a banda
dentro da Corporação dos Bombeiros; algumas
dificuldades surgiram de princípio, pois lá também
havia quem pretendesse fazer caminhar o
conjunto tal como entrara, com músicos artificiais,
levando ainda mais um ano, talvez, a encontrar o
verdadeiro caminho.
Foi então que a respectiva direcção, dando
crédito às nossas insistências, o maestro e
compositor, António Paulo Cordeiro, para formar a
futura banda, o que todos encheu de entusiasmo e
esperança, dada a sua reconhecida competência.
Este senhor, depois de observar individualmente
todo o conjunto, ordenou que alguns colocassem
os instrumentos na prateleira, sendo durante
algumas semanas substituídos pelos livros de
solfejo, passando em seguida diversas lições,
exercitando cada um no seu instrumento. O
entusiasmo recrudesceu, registando-se a entrada

144
de um bom número de aprendizes, e quando pela
primeira vez, depois desta orientação, os
salvaterrenses viram e ouviram o novo conjunto, já
não lhe chamaram o “Grupo dos Rapazes”, como
anteriormente, mas sim a nossa Banda dos
Bombeiros!...
Embora sem grandes aspirações, a minha Banda
– como orgulhosamente lhe chamo – tem vindo a
caminhar através dos tempos, umas vezes melhor
outras pior, como sucede com todas, até mesmo
algumas com grandes aspirações, mas sempre
afinadinha e gritando “presente” em todos os
festejos que a sua terra realize.”
******************
“Esta é a verdadeira história, da banda de
Música dos Bombeiros Voluntários de Salvaterra
de Magos, contada por quem viveu as suas
primeiras alegrias e tristezas, sempre animado do
mais sincero desejo de contribuir para algo de útil
à sua terra. “
In – João Pereira (Jope)

145

A vida, esse “fantasma” que nos encaminha para onde quer,
obriga-me a viver longe de Salvaterra; porém isso não obsta a
que siga apaixonadamente o seu rodar, interessando-me por tudo
que lhe diz respeito, e muito especialmente pela sua Banda, de
cujo caminhar me informo sempre que a visite.”
O documento, tinha agora divulgação pública, no entanto João
Pereira, distribuiu alguns exemplares por amigos de longa data.
UMA OUTRA VERSÃO
* O carteiro da vila, Henrique da Graça, também um dos que
iniciaram aquela aventura, dias depois, encontrou-nos e dissenos: “ Olha, que naquela história da Banda, do João Pereira, faltalhe lá uns permeares. Eu um dia conto-te ! “

146

* Joaquim Conceição Damásio, também me deu a conhecer, um
pouco da sua versão. Na história da banda, existem umas trocas
de situações ! “
Os anos passaram, deles e de muitos mais, nada veio a público,
sobre outros pontos de vista, quanto ao aparecimento, da que
viria a ser a Banda de Música dos bombeiros Voluntários de
Salvaterra de Magos Um dia, José Henrique Serra da Graça,
entregou-me uma brochura, onde era contada a versão do seu
pai; Henrique da Graça.
O SEU PERCURSO !
Desde aquele já longínquo ano de 1938, esta casa, por via da
cultura musical, foi uma escola de virtudes, não só pelo
companheirismo ali encontrado, como pelas dezenas de mestres
que, ali passaram e, souberem incutir nos jovens alunos, o
respeito por esta sublime arte que é a música.
Envelheceu, teve uma vida com alguns percalços que muitas
vezes foram de “agonia”, mas sempre foram ultrapassados,
apareciam sempre alguns ”carolas” prontos a dirigi-la.
A sua escola funcionava, a juventude aderia e, todos os anos
saia uma fornada de músicos, uns ingressavam no agrupamento
e aprendiam a marchar, outros seguiam caminhos diferentes,
iam mais enriquecidos – a cultura musical, era agora sua
companheira. Depois de muitos anos em que o entusiasmo era
tanto que em 1950, levou à constituição de grupo teatral, a que
foi dado o nome: GRUPO DRAMATICO DA BANDA DOS BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS DE

147

Este agrupamento levou à cena, no então Cineteatro dos Bombeiros, uma peça em três actos, da autoria
SALVATERRA DE MAGOS.

Salvador Marques, cujo nome e situação focava a vida dos CAMPINOS,
ensaiada por Ruy Andrade.
(Parodiantes de Lisboa),
naturais desta terra.
O êxito foi tal, que ouve
necessidade de o representar,
pelo menos mais uma vez, para
a população de Salvaterra,
sendo convidados em terras
vizinhas. Por vários motivos
Teve vida curta !.....
A presença da Banda, era solicitada para estar presente em
tudo quanto eram festas populares e cerimónias oficiais, No final
do séc. XIX, foi construído um Coreto, dentro do Jardim público,
para os grupos de música existentes na vila actuarem. Em 1957,
levou a mesma volta que grande parte daquela urbanização, com
as obras ali efectuadas. A câmara municipal, construiu um
grande em madeira ( foi seu carpinteiro; um mestre do ofício
conhecido por; José Batata). Quando era necessário para os
concertos, era instalado no Largo dos Combatentes. Os
empréstimos deste Coreto para as povoações vozinhas eram
muito solicitados, com o passar do tempo ficou degradado e
desapareceu.

148

NOVOS EXECUTANTES
D grupo mais antigo, persistiam em continuar, passando por cima
das crises que amiúdas vezes apoquentava o grupamento; falta
de executantes e mesmo de dirigentes. António Travessa, Ezequiel
Inácio, Manuel Joaquim Travessa, Hernâni Arroz Damásio, Manuel
Sebastião Catarino, José Luís Borrego, Fernando Santos,
LuísGonçalves, Emílio Coelho, Florentino Viana, e alguns mais que
a memória dos registos teima em esconder.
No ano de 1970, a banda de música dos bombeiros, tinha a
dirigi-la o muito saudoso entre os executantes. o maestre,
Mendes Soldado, exímio sabedor da arte, de Bethoven e Josephe
Verdi. Um grupo de jovens, entre eles, meninas, que seria a
primeira vez a acontecer. Desejavam aprender música, e o
maestre, após uma conversa com o grupo, disse-lhes:
“ Saberão música, e até tocar um instrumento ! Mas gostaria
de ver todos, a tocar na banda de música dos bombeiros
voluntários de Salvaterra de Magos. Naquele mesmo ano, em dia
festivo, o primeiro grupo de jovens músicas sai, integrando os
seus novos companheiros de estante. O povo viu-os marchar e
tocar, pelas ruas de Salvaterra. Em algumas faces, correram
lágrimas, a banda dos bombeiros, era uma das iniciadoras deste
novo feito, em que as mulheres, passaram a tocar nas bandas de
Música de Bombeiros e Filarmónicas de Portugal. O sonho de
Pedro dos Santos, Justiniano Ferreira Estudante, Paulo Cordeiro,
entre outros. Pena nossa, não poder encontrar registos de todos

149
os músicos e directores que, se empenharam e viveram a vida da
Banda de Música dos Bombeiros, ao longo da sua existência.
****************
Notas de Reportagem, na Comunicação Social !
A BANDA DE MUSICA DOS
BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS DE
SALVATERRA DE MAGOS
COMEMORA O SEU 43º
ANIVERSÁRIO NA IGREJA
MATRIZ

A Banda dos Bombeiros estava
em festa. Comemorava o seu
43º aniversário, no dia 6 de
Novembro, um concerto, na
Igreja matriz, com um vasto
programa foi atentamente
apreciada por um público que, a encheu por completo a Igreja
Matriz de Salvaterra.. Entre a assistência, notava-se a presença
de grande número de visitantes que, vieram expressamente da
Azambuja, afim de assistirem ao espectáculo musical. A banda
apresentou-se ao público, reforçada com elementos da
Filarmónica daquela vila, que também trouxe para a actuarem
um Coro de crianças (Infantil), num total de 60 vozes.
Era uma presença inédita nesta vila, aguardada com uma certa
expectativa, pois os sons ouvidos naquele templo religioso
decerto patenteavam um êxito dos 110 executantes presentes.

150

A abrir a sessão, o Jovem director João António Hipólito, em
breves palavras, disse dos anseios e potencialidades da banda de
música dos bombeiros e, num comovente apelo aos exexecutantes que, por motivos diversos se tinham afastado que
regressassem, a banda precisava de todos.

151

Também dirigiu a palavra aos pais e encarregados de algumas
instituições, que encaminhassem as crianças ao encontro da
música, pois a banda de música é uma escola de arte e, os
compensaria no enriquecimento da sua cultura.
Incluídos no vasto programa, foram executadas as peças: Dr.

Vieira de Carvalho, Camélia, No Jardim dum Templo Chinés,
Canções e Cantigas, Dallas, Coimbra, Baile dos Passarinhos, Hino
da Alegria, Aleluia e Coro dos Escravos “Nabucco”
Antes de finalizar o concerto, foi anunciado à assistência que,
mais um músico iria abandonar a banda, o executante – José Luiz
Serra Borrego, após uma permanência de 43 anos, motivos de
saúde o impediam de continuar. A assistência, que enchia por
completo aquele templo religioso, de pé atribuiu-lhe demorada
salva de palmas. O José Luís, levantando-se, comovido, e com as
lágrimas nos olhos, agradeceu.
Naquela estante, verificou-se que, valeu a pena tantos anos de
dedicação à “nossa” Banda de Música.
A terminar o espectáculo, o Coro e Banda, cantaram e tocaram
o “CORO DOS ESCRAVOS”, com a assistência envolvida numa prolon gada ovação, pedindo uma repetição. Este encontro, foi um
reatar de tradições, onde os povos de Salvaterra e Azambuja,
fizeram lembrar, outros encontros que, aconteceram nos
primeiros anos do século.
6/ Novembro/ 1982 * José Gameiro

152

************

DATAS MEMORÁVEIS

ACTUAÇÃO NO II FESTIVAL DA FNAT

A Banda de Música da AHBVSM, estava francamente num
período de grande estabilidade, com os músicos motivados
para dignificar a comunidade a que pertencem. O grupo
recebeu com alegria o convite para participar no II Grande
Concurso Nacional de Bandas de Músicas Civis, que teve a
duração de dois anos; 1968-1971. Participou e foi
ultrapassando várias eliminatórias, Esteve presente em
Évora, no Teatro Garcia de
Resende, um dos seus executantes,
o saxofone-tenor; Luís António
Almeida, apresentou-se a actuar,
com uma perna engessada e em
maca. Dessa presença naquele
estado, recebeu ele, e a Banda um
fervoroso Louvor, a enaltecer o sentido de responsabilidade
e dedicação, servindo a sua comonidade.
Presença no estrangeiro
Os emigrantes de Salvaterra, com uma grande
comunidade no Luxemburgo, fizeram o convite e receberam
a visita da sua Banda de Música. Esta actuou, num Jardim

153

público, em privado para eles numa Associação Cultural, e
por último estiveram num programa da Tv daquele país.
A geminação entre o povo de Salvaterra de Magos e, de
Valkansuaard (Holanda), levou à actuação naquela vila, no dia
festivo da assinatura do processo de grande amizade, com
aquela comunidade. Esta assim dada continuidade ao que
aconteceu já no séc. XIII, em vinham para Salvaterra de
Magos, Falcoeiros. Os festejos naquela localidade holandesa,
vieram mais tarde aqueles a retribuir a visita com uma
comitiva e assinando um novo protocolo.
O MEIO SÉCULO DA BANDA
Estiveram presentes, naquele dia festivo do ano de 1989, os
poucos músicos fundadores da banda de música, a receber as
medalhas comemorativas. Mário da Silva Antão, Joaquim da

Conceição Damásio e Carlos da Costa Paiva, foram
acompanhados por uns quantos, como: António Travessa,
Fernando Santos, Ezequiel Inácio, executantes que já “marcavam

154

presença” há muitos anos na banda e, receberam também tão
merecida homenagem.

O jovem músico Luís Andrade – faz continência a D. Dinis, estatueta
acabada de ser inaugurada * Fotos José Gameiro

No local, em frente ao edifício-sede dos bombeiros, muito
público assistia aquele acto comemorativo e, enquanto nós,
tomávamos notas para uma notícia, vimos em sítio de grande
descrição, um homem já de idade avançada, com o lenço
limpando uma lágrima, o incomodo era de certo grande,
manifestava assim, a grande alegria de todos, A banda de
música, já tinha 50 anos, Era o João Pereira !
****************************

155

OS DIRECTORES DA BANDA !
Pena nossa não poder, aqui fazer justa e merecida
identificação de todos os dirigentes, que passaram pela banda de
música., mas os registos disso nos impedem, mas não ficará mal,
em nomear: Pedro dos Santos, Eurico dos Santos Borrego,

Alexandre Varanda da Cunha, José Martins dos Santos, José
Manuel Cabaço, João Almeida da Silva, José Teodoro Amaro,

Manuel Santana Lobo, João Pinto Oliveira, Carlos Cantador Duarte
e João Hipólito Viegas.

*************************
********************

156

AS CRISES
Durante a sua existência, de vez enquanto, a banda de música,
tem sofrido algumas crises, quer de dirigentes, quer de
executantes. Em 1970, inicia-se um novo e grave período de vida
naquela Banda de Música que, levou alguns anos a debelar e, só
em 1976, foi totalmente sanada, após um grupo de 6 jovens
dirigentes, com alguns dos antigos músicos que regressaram.
Muitos que pertenceram à sua “raiz”, já a tinham deixado, a
morte de uns e a velhice de outros, eram algumas das causas de
tão mau momento que agora passava a banda.
Dos mais antigos, persistiam em continuar: António Travessa,

Ezequiel Inácio, Manuel Joaquim Travessa, Manuel Sebastião
Catarino, Hernâni Arroz Damásio, com mais um pequeno punhado
de novos executantes que entretanto se tinham preparado na
escola musical da instituição.

Não seria justo deixarmos de registar a dedicação de
Diamantino Jacob, pelo seu empenho, até mesmo sacrifício que
dedicou por largo tempo ao sector da cultura musical, em
Salvaterra. Este dirigente desenvolveu, grandes esforços, para
manter bem alto o espírito da Banda de Música dos Bombeiros
Voluntários de Salvaterra de Magos.

157

A BANDA DE MÚSICA ACABOU !....
A crise vinha persistindo nos Bombeiros, no seu sector
económico e financeiro, havia algum tempo. Um funcionário geria
a Associação na falta de eleitos para a sua responsabilização. Os
sócios estavam em debandada, com os novos critérios impostos
na sua administração, o que também trazia grandes dificuldades
no relacionamento com a “Comissão” responsável pela gerência
da Banda de Música, na área financeira.

Em 1958 – A Banda de Música nas Festas de Glória do Ribatejo

Para resolver este problema que parecia insolúvel, os poucos
músicos já existentes, em 2011, criaram a Academia de Música
Salvaterrense–onde a principal actividade seria a Filarmónica.
Hernâni Arroz o Damásio, e seu filho José António Soares

158

Foto José Gameir

Damásio, trataram de reunir os músicos dissidentes, e com
outros novos elementos, deram corpo à criação da Filarmónica
Salvaterrense, Continuaram a utilizar o espaço que desde
sempre foi destinado à música, no antigo edifício do quartel dos
bombeiros, dentro da vila. Outros valores no campo da música,
foram dando lugar à oferta da Academia. Em 2012, no seu folheto
de ofertas, podia-se ver a expressão Musical (crianças de 3 a 6
anos de idade) e iniciação musical (6 a 8 anos), para além da
guitarra e piano.
Anualmente apresentação a escola de alunos, e vão estando
presentes nas festas da terra. Já promoveu o I encontro de
Bandas em Salvaterra de Magos, onde estiveram presentes, no
Celeiro da Vala, onde esteve presente com a Associação Cultural
e Musical, Recreativa e Humanitária de Negrelo do Douro;
Sociedade Filarmónica Benaventense, festival realizado num dia
1º de Maio.

159

A FANFARRA DOS BOMBEIROS
Desde o início da corporação, em 1935, um terno de clarins
ajustava-se à representação da instituição, com seu estandarte,
nos dias festivos. Com o decorrer dos anos, por volta de 1948,
chegou a existir mais de uma dúzia, que tocavam: clarins,
tambores e caixas. Uma ou outra vez, a crise era notória, por
falta de componentes, porque os ensaios requeriam muitas horas
de grande dedicação. Em 1968, um jovem bombeiro, Vítor Soares
(Diogo), que no exército tinha pertencido a uma das suas
fanfarras, teimava em recrutar camaradas para aquela prática e,
à noite nos treinos, era ele o fio de ligação com os ensaiados. Em
2001, Joaquim Carvalho, José Narciso, Vítor Diogo e Luís Silva,
eram os seus grandes entusiastas Um ano houve, pela saída do
1º de Dezembro, que o músico do bombo grande, depois de tantas
“marteladas” o rebentou num dos lados, passando a fazer o
esforço de “bater” no lado que estava disponível. Este grupo, não
parou, e em Setembro de 2003, fizeram um grande ensaio pelas
ruas de Salvaterra de Magos, que a comunicação social noticiou.

160

ELA ESTÁ DE VOLTA A FANFARRA DOS BOMBEIROS !
“No passado dia 13, a noite estava quente, mas
calma, os telejornais mostravam-nos medonhos
incêndios, que lavram no país, especialmente em
Mafra – os bombeiro, esses soldados da paz,
andavam lá.
Aqui, ao longe, sons de grandes
tambores, entrou-nos por casa dentro, o povo veio
à rua, era a Fanfarra dos Bombeiros da nossa
terra, que estava de volta. Depois da última vez,
que tocou num 1º de Dezembro, já lá vão uns
meses, volta agora mais alegre, com mais energia,
a nova Fanfarra, composta por um grupo de cerca
de 40 elementos, onde entre os jovens se viam
meninas e crianças, no seu primeiro ensaio,
animarem as ruas da vila de Salvaterra.Os
tambores, as caixas e os clarins, tocavam já em
grande harmonia, neste preparar para o dia da
apresentação pública (espero seja breve), nos
“envaideça”
deles,
do
muito
brilho
e
enriquecimento, que certamente vêm dar à sua
“nossa” corporação – os bombeiros voluntários de
Salvaterra de Magos. Porque a Fanfarra, está de
volta, o povo da terra, certamente os vai apoiar, e
eles merecem-no Aqui dou conta, da imensa
alegria, que foi ver aquela “rapaziada” que não
desiste.”
Como eles marchavam, foi bom de ver !
In) – Jornal “O Mirante”

JOSE GAMEIRO

161

Dos Jornais:

O PRIMEIRO DE DEZEMBRO DE 2006

Uma tradição comemorada nesta terra, conhecida pelo menos
desde o século XIX, o primeiro de Dezembro era lembrado pelos
vários grupos musicais que, percorriam as ruas da vila, tocando
o “Hino da Restauração” pela madrugada daquele dia, até o sol
nascer – Depois era dia de trabalho! A tradição manteve-se com
a Banda de Música dos Bombeiros, disso se encarregou sozinha
até ao aparecimento da Fanfarra daquela Associação.

A Banda no ano de 2006, serviu para que seis meninas
tocassem pela primeira vez em público, pois marchavam
garbosamente pelas ruas da vila, fazendo parte dos 21 jovens
elementos que, engrossavam a Banda de Música. Como sempre
foi tocando o “Hino da Restauração”.
Um grande entusiasta, Diamantino Jacob, dedicado dirigente,
também os teve à sua porta e, uma música especial foi tocada
para António Armando Sousa Pinheiro, como retribuição do apoio

162
que presta, desde há anos ao agrupamento,, especialmente, neste
dia 1º de Dezembro. Foram dois momentos muito bonitos!
Naquele grupo de jovens músicos, lá continuavam a marchar e
tocar, dois “sobreviventes” de uma outra geração mais antiga;
Manuel Sebastião Catarino e Hernâni Arroz Damásio, sob a
direcção do maestro; Luís Silva. Umas horas antes, ainda era
noite, já a Fanfarra dos Bombeiros, alegrava as ruas da vila, com
um enorme cortejo de participantes, onde se via a juventude,
mesmo crianças que tocavam os seus tambores.
Os clarins davam o mote !
In José Gameiro

****************
****************************
****************

163

*****************
BIBLIOGRAFIA USADA: * Revista: A Hora – 1936 *
Jornal Aurora do Ribatejo * Jornal O Ribatejo * Jornal
Correio da Manhã * Jornal Vale do Tejo * História da
Origem da Banda de Música, dos Bombeiros de
Salvaterra de Magos – JOPE * Livro: A Origem da
Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de
Salvaterra de Magos - JOSE GAMEIRO *
FOTOS USADOS: * Pág. 3 – Carreta dos bombeiros
voluntários, usada, para apagar os fogos, antes de
1935, a bomba de água, depois foi incorporada no
pronto-socorro * Pág. 4 - Fotografia “histórica” da
Comissão Fundadora, * Primeiro corpo activo dos
bombeiros * Pág. 5 – Justiniano Ferreira Estudante, um
dos fundadores e 1º comandante dos bombeiros.
* Alguns bombeiros, que construírem a viatura de
pronto-socorro para incêndios. * Pág. 6 - Em 1936, o
quartel dos bombeiros em construção, oferta do
benemérito Gaspar da Costa Ramalho * Pág. 7 – Em
1939, um mapa de estatísticas, da Província do
Ribatejo, com a existência de bombeiros. * 1ª Viatura –
Ambulância dos Bombeiros – 1950
* Pág. 8 - A velha viatura, construída pelos bombeiros,
durante vários meses, envolvida no acidente na Recta
do Cabo, em 1964 * Pág. 9 – Primeiros Estatutos da
Associação dos Bombeiro S. Magos * Pág. 11 - 1939,
Folheto divulgando festejos do 5º aniversário dos
bombeiros.

164

* Pág. 12 – Notícia publicada no Jornal sobre 38º
aniversário dos Bombeiros
* Pág. 13 – Carlos Leonel Duarte, actual Comandante
dos Bombeiros Voluntários de Salvaterra de Magos *
Logótipo do autocolante 50 anos de existência dos
bombeiros * Pág.14 - Noticia dos festejos, do 50º
aniversário dos bombeiros
* Pág. 15 – Bombeiros desfilando nas ruas de
Salvaterra – 1960 * Fanfarra, em 1966 * Local do
primeiro Quartel dos Bombeiros, foto de 1980 * Pág,
17 – Celebração do compromisso entre a câmara
municipal e os bombeiros, para a construção de um
novo Quartel * Desenho da Fachada, do Projecto da
Obra do novo quartel
* Pág. 19 - Anúncio do concurso para a construção do
novo Quartel * Pág. 20 – Foto do Benemérito – Gaspar
Costa Ramalho * Pág. 22 – Antigo Cine-teatro
Salvaterrense, na rua Machado Santos, construção de
Gaspar Ramalho e oferta aos Bombeiros
* Pág. 25 - A Banda de Música, Mestre: Pedro Sotero
Sesmaria e Director: Pedro dos Santos* Pág. 26 - Á
frente da Banda, os músicos: Luís Almeida e Luís
Gonçalves, nas festas da Glória * Pág. 27 – Notícia da
Homenagem ao mestre/músico, António Paulo Cordeiro
* Pág. 28 – A Banda no dia 1º de Dezembro – 1999,
com jovens executantes, saídos da sua escola * Pág.
33 – Emílio e o seu Conjunto (Grupo de músicos: Emílio
Coelho, Raul Marques Damásio, Porfírio ...., Eugénio
...., e Ernesto ......
* Pág. 35 – A Banda com o Maestro João Teófilo,
tocando na escadaria da Igreja Matriz * Pág. 37 – Em
1970,apresentação pública, executantes saídos d
escola Banda dos Bombeiros * Pág. 38 – Programa do
aniversário, informando da sua actuação dentro da
Igreja Matriz de Salv. Magos

165
s * Pág. 39 – Notícia publicada, do concerto na Igreja
Matriz, onde o músico José Luís Borrego, anunciou a
sua saída * Pág. 40 – Actuação, na Igreja Matriz *
Notícia do Jornal sobre a actuação da Banda no
Luxemburgo – 1986
* Pág. 42 – O Maestro, João Teófilo, junto a novos
músicos saídos da escola da Banda de Música , que
tocaram na apresentação de um produto comercia
l * Pág. 43 - A Banda actuando num programa para
Televisão, no lançamento de um produto comercial * O
jovem músico Luís Travessa, na homenagem a D.
Dinis *
* Pág. 44 – A Fanfarra dos Bombeiros, em dia de
desfile pelas ruas da vila.
* Pág. 46 – Banda de Música, e Fanfarra dos
Bombeiros – 1º Dezembro, 2006

*

************************

166

167

CADERNO DE APONTAMENTOS Nº 41
Documentos para a história
De

SALVATERRA DE MAGOS
Séc. XIII – Séc- XXI

Património:
Geográfico, Monumental, Cultural, Social,
Político, Económico e Desportivo

(Uma Arte de caçar na Coutada da Vila)
O Autor:

José Gameiro
(José Rodrigues Gameiro)

168

Fotos da Capa: - Fachada do Edifício
“ Palácio da Falcoaria de Salvaterra”, Foto do Autor: Ano 1983

169
Primeira Edição

FICHA TECNICA:
Titulo:
A FALCOARIA REAL DE SALVATERRA

( Uma Arte de Caçar na Coutada da Vila)
Tipo de Encadernação: Brochado – Papel A5
Autor: Gameiro, José
Colecção: RECORDAR, TAMBÉM É RECONSTRUIR !
Editor Gameiro, José Rodrigues
Morada: Bº Pinhal da Vila – Rua Padre Cruz, Lote 49
Localidade: Salvaterra de Magos
Código Postal: 2120- 059 SALVATERRA DE MAGOS
ISBN: 978– 989 – 8071 – 45 – 3
Depósito Legal: 256493 /07
Edição: 100 exemplares - Março de 2007

170

**********************************
2ª EDIÇÃO REVISTA E AUMENTADA
**********************************

Contactos: * Tel. 263 504 458 * Telem: 918 905 704
e-mail: josergameiro @sapo.pt
O Autor deste texto não segue o acordo autográfico de 1990

171

O MEU CONTRIBUTO
Tínhamos talvez os 10 anos de idade
quando entramos pela primeira vez no
Pombal da Falcoaria.
Estávamos em tempo de exame da 3ª
classe, éramos para aí uns 25 repetentes,
de um professor que no ano anterior, só
levou uma meia dúzia de alunos a
passarem de classe. A professora, Natércia Assunção,
desdobrava-se em sua casa, todas as tardes a prepara-nos,
ensinando-nos para ficarmos num plano igual aos da sua
turma. de três dezenas de educandos.
A sua casa, era o local do ajuntamento de tanto rapazio.
Naquela tarde de início de verão, a redacção era sobre
história local, e como o local do ensino em situação de
prolongamento, era “pegado” ao antigo edifício da Falcoaria e
seu Pombal, lá fomos visitar as instalações. Alguém, morador
nas pequenas habitações, facultou a chave, e de “ranchada”
entramos num espaço onde ainda havia vestígios de ter sido
armazém de palha. Quanto ao Pombal, estava cheio de
mobílias e cadeiras velhas, restos de mudanças nas
instalações municipais. Em grupo junto à porta, fomos
contando, para aí três centenas de buracos na parede
arredondada do edifício de construção que vinha do séc.
XVIII. Aqueles buracos serviram de ninhos para os pombos
criarem. Completamos esta visita, com informações que a
professora, conseguiu através da ajuda preciosa, das
famílias, Lapa, Freire e Roquette.
Para o nosso trabalho escolar, visitamos ainda, uns dias depois a Capela
da Misericórdia (antiga Capela de Santo António), e a Igreja Matriz.”

***********
Nota: elementos extraídos do caderno escolar – ano de 1955, que guardamos.

Março: 2015

JOSE GAMEIRO
( José Rodrigues Gameiro )

172

A ORIGEM

Salvaterra, nasceu em terrenos arenosos, fazem parte da bacia
do rio Tejo, que banha a povoação no seu lado sul, a caminho do
mar, sendo ferteis na cultura de produtos frescos. A vinha é
disso testemunha. As terras da charneca, além do arvoredo daí
dependente, também produz culturas de sequeiro. Segundo
alguns escritos, a sua povoação sofreu grandes influências,
quando Portugal recebeu imigrações do sul de França.
“Salvaterra, em 1295, era um pequeno povoado de pouco mais
de uma centena de habitantes, recebeu do rei D. Dinis, o seu
primeiro foral, onde lhe foram atribuídas regalias, que sendo
município feudal, também conhecido na idade média, de concelho
imperfeito. Com a abertura do Paul, em Magos, para escuar as
àguas que nasciam lá para os lados da Ameixoeira, dando origem
à cultura do arroz.
Salvaterra de Magos, povoação, muito abalada com o
terramoto de Lisboa, de 1755 e, um outro em 11 de Novembro de
1858, com dois incêndios no Paço Real, acabou por completo com
a sua vida palaciana. Os restos que, ficaram do palácio foram
convertidos em pedra e aproveitados para outros fins, incluindo o
pavimento das poucas ruas, existentes então na vila. Com a
venda de todo o património da casa real, no séc. XIX, incluindo os
terrenos da sua coutada real, que ocupavam quase todo o
território concelhio. A vida social e económica da vila de
Salvaterra de Magos, desde aí aconchegou-se à pacatez de uma
vida humilde e despercebida, que teve os seus tempos áureos nos
meados do século XIII.

173

Dos poucos edifícios que daquela época ficaram, até ao século
XX, a sua existência passou a estar protegida por lei, entre eles
conta-se o edifício que foi da Falcoaria Real e o seu Pombal, as
Chaminés, do antigo Paço Real, e o bonito edifício da Capela Real.
Para o nosso trabalho escolar, visitamos ainda, uns dias depois
a Capela da Misericórdia (antiga Capela de Santo António), e a
Igreja Matriz.”

***********

174

A REAL FALCOARIA EM PORTUGAL
Já em 1210, mais propriamente a 28 de Dezembro daquele
ano, D. Sancho II, despachava correio sobre a arte de caçar com
aves de rapina, pois só a classe nobre os poderia possuir e usar.
Se o jogo de pêla, era antigo no país, as cavalhadas e as justas
praticadas no Ribatejo Sul, também eram animadas, pois
mostravam a arte e destreza de montar a cavalo.
Outros divertimentos, exigiam algum aparato e elegância dos
nobres como, os brincos com toiros e as caçadas.
Quanto à caça de altenaria, sabe-se que esta forma de caçar,
era usada pelos Árabes, que viveram aqui nas terras que deram
origem a Portugal, e que transmitiram a sua prática ao povo.
Naquela correspondência real, enviada ao Bispo de Coimbra,
isentava todo o clero de irem ao fossado e a qualquer outras
expedições, a não ser contra os mouros que invadissem o país,
se denunciassem quem tivesse a posse e caça-se com aves de
rapina. Baeta Neves, que se socorreu das pesquisas efectuadas
por Rui de Azevedo, P. Avelino de Jesus da Costa e Marcelo
Rodrigues Pereira, publica parte daquele documento na Separata
do Boletim da Sociedade de Geografia de Lisboa, com o título
“SUBSÍDIOS PARA A HISTÓRIA DA FALCOARIA EM PORTUGAL”
“Adhuc concedo ut nunquam teneatis in domibus notris
meos aztorarios neque falcoanarios neque blistarios neque
detis eciam bestias meis aztoraiis neque falconariis quod
ducant illas ad ripariam”

175

A tradução para o português actual, seria o seguinte:
“ Ainda determino que nunca retenhais nas nossas casas os meus
açoreiros nem os falcoeiros nem os balistários, nem entregueis também
os animais aos meus açoreiros nem aos falcoeiros para os conduzirem
ao rio” (1)
Em outro documento (António Gomes Ramalho, Volume I) a lei de
25 de Dezembro de 1255, de D. Afonso III – Dizendo respeito aos
preços de géneros e salários na Província do Minho” faz mais de
uma referência, a Açores, Gaviões e Falcões:
“ Et mando firmiter et defendo, quod nullus sit ausus
filiare ova de azores, nec de gavianis, neque de falconibus,
et ille qui filiaverit pectabit mihi pró quolibet ovo decem
libras, et corpus et habere suum remanebit in meã
protestare. Et nullus sit ausus filiare azorem nisi
quindecim diebus ante festum saneti Johanis baptiste: Et
quicumque filiaverit pertabit mihi pró quolibet azore decem
morabitinos, et remanebit corpus et havere suum in meã
protestate: Et nullus sit ausus filiare gavianum nec
falconem nisi de tribus unum et quicumque filiaverit
pectabit mihi pro quolibet centum sólidos…”
Este texto corresponde à seguinte tradução livre:
( Proíbo firmemente que se apanhem ovos de açores,
de gaviões ou de falcões e quem os apanhar, pagarme-á dez libras por cada ovo e a sua aprensão.
Ninguém pode apanhar açores senão 15 dias antes da
festa de S. João Batista, mas se alguém o fizer pagarme-á por cada açor dez morabitinos e a sua apreensão.
***************
(1)

– Tradução para o português actual – Pe. Prof. Doutor: Manuel
Naia

Ninguém pode apanhar gaviões ou falcões a ser de
três um e o que o apanhar pagar-me-á cem soldos ).

176
E mais adiante “ … Et luva de meliori corzo, vel meliori
gamo de azor valeat viginrt denários: Et melhor luva de
gaviano valeat quindecim denários: Et luva de azor vel
gaviano de carnario scodado valeat decem denários, et si
fuerit carnario, qui non fuerit scudado, valeat sex denários,
et melhor cascavel de azor valeat unum solidum: Et melor
cascavel de gaviano valeat octo denários: Et meliores
peyos de azor sin.sírico valeat três denários. Et meliores
peyos de gaviano valeat duos denários…” a que
corresponde da mesma forma;

( E a melhor luva de gavião custe quinze dinheiros. A luva de
açor ou de gavião de carneira endurecida (?) custe 10 dinheiros e
se for de carneira, não endurecida custe 6 dinheiros e a melhor
cascavel de açor custe um soldo. O melhor cascavel de de gavião
custe 8 dinheiros. E as melhores piós de açor sin. sirico (?)
custem 3 dinheiros. E as melhores piós de gavião custem 2
dinheiros )
A primeira lei sobre Coutadas, que atinge o espaço entre o Tejo
e o Guadiana, data de 1 de Março de 1362, e tem a ordem de D.
Pedro I (1) Com o decorrer dos séculos cada vez era mais forte o
gosto pela caça de Altanaria em Portugal, onde os monarcas vão
assinando leis, de protecção às aves de rapina, dando novas
regalias a quem delas tratava ou possuía, especialmente os
fidalgos da corte.
**************
(1) – Livro único da Chancelaria do rei D. Pedro I, fls..68-v (Torre do
Tombo)

177

PALACIO DA FALCOARIA
EM SALVATERRA DE MAGOS
No lado Poente de Salvaterra de Magos, nas extremas com o
concelho de Benavente, o infante D. Luiz, irmão do rei D. João III,
mandou construir um edifício apalaçado para a Falcoaria da vila,
onde anexava as habitações dos falcoeiros, que lhe custou mil 50
cruzados

Todo este conjunto de construções chegou aos nossos dias
mesmo, que em grande parte adulteradas na sua traça original.
Recomenda-se a leitura de
um estudo de J. Silva
Correia, editado em 1958,
que se socorreu de
escritos
de
Diogo
Fernandez
Ferreira,
datados de 1616 e, de informações colhidas junto de Nuno
Sepulveda Veloso, considerado o único caçador, ou antes o único
praticante em Portugal, na nobre arte de caçar com Gaviões,
Açores e Falcões.

178

O já referenciado, Nuno Veloso, visitou Salvaterra de Magos, em
1987, onde iniciou os preparativos, a uma demonstração de caça
com aquelas aves, que se efectuou no ano seguinte.
O POMBAL

É uma bonita e original construção, suporta nas paredes do
seu interior cerca de 310 “buracos”, onde os pombos criavam,
para servirem de alimentação e treino às aves de caça, como:
Falcões, Açores e Gaviões.
Nos últimos anos do séc. XIX, foi todo o
património da casa real, aqui existente,
vendido em haste pública, levando
praticamente ao seu desaparecimento, e o
que ficou foi adulterado na sua riqueza
arquitectural, como é o caso da Falcoaria,
que chegou aos nossos dias em estado
lastimoso.
Os responsáveis que durante todos esses anos, estiveram na
governação da câmara municipal, devem merecer a crítica das
gerações presentes e futuras, que agora terão que os recuperar,
se a isso ainda forem a tempo !.

No mandato camarário de António
Ferreira Moreira, em 1995, conseguiuse a compra deste património, que
estava na posse de, Jorge de Melo e
Faro - II Conde de Monte Real

179
António Moreira e Gameiro dos Santos, foram grandes
entusiastas pela recuperação do palácio, e seus anexos, levando
mesmo à feitura de projectos, para um museu nacional da
Falcoaria, aqui fosse instalado.
Estes
autarcas,
levaram
Salvaterra de Magos, a uma
geminação de boa amizade cultural,
com Valkansuard, vila holandesa,
com afinidades muitos próximas,
concretizada com assinatura de
protocolos, pois eram de lá que vieram os falcoeiros., no séc. XVI
e XVII. Houve troca de festejos nas duas povoações, em
Salvaterra, na ocasião foi inaugurada uma estatueta de um
falcão, num Largo da vila
A Falcoaria em Salvaterra, é um desejo em aberto para o
turismo local, que muito teria a lucrar com tal concretização.
Num programa de televisão, José Hermano Saraiva, emitido pela
RTP, já registou o estado do edifício, e a necessidade da sua
recuperação.
No Inverno de 2004, mais
uma vez a desatenção do
poder local, que teima em não
reparar o que os nossos
antepassados nos deixaram,
levou a que o telhado daquele
património acabou por cair (*)

**********

180
(*) – Notícia publicada no Jornal Vale do Tejo – edição de 26 de
Fevereiro de 2004
Nota: Maqueta feita nos mandatos de António Moreira e Gameiro dos
Santos, Para a recuperação do palácio da falcoaria – Aguardando
subsídios, para dar início às obras.

DESCRIÇÃO DE UMA CAÇADA REAL

“ Começaram no dia 19 de Fevereiro de 1755, as
memoráveis caçadas no sítio de Paredes, na coutada de
Salvaterra, e no dia 20 a batida efectuou-se no sítio da
Mesa dos Negros, entre o Monte do Conde e o terreno das
Figueiras, onde apareceram alguns Javalis, que Suas
Majestades e Altezas correram. Houve caçada,

no
dia
21 às Adens e aos Patos, no Paul de Trezoito,; e no dia 22
no Paul de Magos em que se abateram muitas daquelas
aves, após o que a família real foi de passeio à grande
Tapada das Rezes, propriedade de D. Pedro. No dia 23,
em Escaroupim, com luzida pompa teve lugar uma caçada
às lebres, onde trabalharam Falcões e Açores. Saíram
primeiro doze Falcoeiros, vestidos de pano carmesim, com
muitos galões de ouro, vestias azuis e canhões com galões
de prata e todos de cabelos atados na nuca debaixo do
chapéu tricórnio. Outros Falcoeiros, também a cavalo, iam
com os Falcões no pulso enluvado, e dois levavam duas

181
galgas cada um atada pela coleira, com seus cordões de
seda.
Os Falcões que, já tinham trabalhado, metiam-se a
descansar em magnifica liteira de veludo forrada a
carmesim, com galões de ouro;. Um conjunto de músicos a
cavalo, vestidos de veludo verde e ouro.
Um conjunto de músicos a cavalo, vestidos de veludo
verde, com galões de prata., tocava os seus instrumentos de
metal.
A encerrar, o cortejo, um outro coro de músicos, era
chamado o “Coro do Monteiro-Mor” – Francisco de Melo o qual também envergava vestimenta principesca.”,tocando
suas trompas e trombetas. “ Fechavam o brilhante cortejo,
os infantes D. Pedro e D. António, a Corte, os Criados,
Moços da Estribaria e alguns estrangeiros convidados,
atraídos pelo fausto das caçadas reais em Salvaterra “
**************

Da autoria de Baeta Neves, nos “SUBSÍDIOS PARA A HISTÓRIA
DA FALCOARIA EM PORTUGAL”, publicado na separata do
boletim, da Sociedade de Geografia de Lisboa – 1983, retiramos do
seu conteúdo:
* Documento Nº 4 *
Real Falcoaria de Salvaterra de Magos
Anno de 1821
“Relação dos Empregados na Real Falcoaria da Villa de
Salvaterra de Magos, dos ordemnados, que percebem, dos
títulos porque recebem , e dos annos de Serviço, de cada
hum dos mesmos, formalizada na conformidade da Portaria
da Regência do Reyno, de 31 de Março, e ordem da
Montaria-Mór, de 2 de Abril, ambas do corrente anno; pelo
Doutor Juiz de Fora, e Coutadas da sobreditta Villa
MESTRES

182
* Henrique Waymans, de setenta e sette annos de idade, de
sessenta annos de serviço, serve por Portaria do
Excelentíssimo Monteiro-Mór do Reyno, de 15 de Maio de
1801, com o ordenado annual de duzentos e outtenta e outto
mil reis” * Jacome Grima, de sessenta e cinco annos de
idade. Não tem tempo algum de serviço; foi elevado ao dito
emprego, por Portaria do Exllmº Monteiro-Mór, de 5 de
Março de1802, referida ao Aviso Régio de 24 de Fevereiro
do ditto anno, com o ordenado annual de duzentos e outenta e
outto mil reis”
OFFECIAIS
* João Guilherme, de sesenta e três annos de idade, com
trinta e nove annos de serviço; serve por Portaria de 15 de
Maio de 1801, com o ordenado annual de duzentos trinta mil
e quatro centos reis”
* Joze Huberto Verúven, de cincoenta e três annos de idade,
com trinta e hum annos de serviço; serve por Portaria do
Exllmº Monteiro-Mór, de 13 de Abril de 1804, com o
ordemnado annual de duzentos trinta mil e quatro centos
reis” * Manoel Faria, de quarenta annos de idade, sem
tempo de serviço; foi elevado ao ditto Emprego, por avizo de
S.M.F., de 12 de 7brº de 1803, com o ordemnado annual de
duzentos trinta mil, e quatro centos reis”
AJUDANTES
* Manoel Nogueira, de sesenta annos de idade, com trinta e
dois annos de serviço, serve por Avizo Régio de 15 de Março
de 1794, com 0rdemnado annual de cento quarenta e quatro
annos, digo e quatro mil reis” * Eloi Joaquim , de cincoenta
e cinco annos de idade, com vinte e outto annos de serviço;
serve por Portaria do Exllmº Monteiro-Mór, de 10 de Janeiro
de 1797, com o ordemnado annual de cento quarenta e
quatro mil reis” * João Hertrois, de trinta e nove annos de
idade, com dezoutto annos de serviço, serve por Portaria do
Exllmº Monteiro-Mór, que não apresentou; por estar auzente
desta Villa com o ordemnado annual de cento e quarenta e
quatro mil reis” * António Ricardo, de quarenta annos de
idade, com vinte e hum annos de serviço; serve por Portaria

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de 21 de Março de 1806; com ordemnado annual de cento
quarenta e quatro mil reis”
APRENDIZES
* Francisco Guilherme, de trinta e hum annos de idade, com
dezenove annos de serviço, serve por Portaria do Exllmº
Monteiro-Mór, de 10 de 9brº de 1802, com o ordemnado
annual de setenta e dois mil reis” * Joze Joaquim Moraes, de
vinte e outto annos de idade, com quatorze annos de serviço,
serve por Portaria do Exllmº Monteiro-Mór, de 22 de Abril
de 1807, com o ordemnado annual de setenta e dois mil reis”
TENÇAS DE VIUVAS E FILHAS DE FALCOEIROS
* Anna Maria da Conceição, viúva de offecial, vence a tença
annual de cento quinze mil e duzentos reis; por Portaria do
Exllmº Monteiro-Mór, que não aprezentou; por estar ausente
da Villa”* Anna Joaquina Barbosa, viúva de Ajudante, vence
por Portaria do Exllmº Monteiro-Mór, que não apresentou
por estar auzente da Villa, a tença annual de seenta e dois
mil reis” * Gertrudes Roza Nogueira, filha de Ajudante,
vence por Avizo Régio de 21 de Junho de 1794 a tença annual
de trinta e seis mil reis” * Maria dos Anjos, filha de Mestre,
vence por Portaria do Exllmº Monteiro-Mór, que não
aprezentou, a tença annual de setenta e dois mil reis” *
Margarida Isabel, filha de Mestre, vence por Portaria do
Exllmº Monteiro-Mór, que não aprezentou por estar auzente
desta Villa, a tença annual de setenta e dois mil reis”*
Joanna Isabel, filha de Mestre, vence por Portaria do Exllmº
Monteiro-Mór, que não aprezentou por estar auzente desta
Villa, a tença annual de cento quarenta e quatro mil reis” *
Anna Patronilha, Maria Fortunatta, e Ritta Catharina, todas
três filhas de Mestre, vencem por Portaria do Exllmº
Monteiro-Mór, de 5 de 7br.º de 1806, referida ao Avizo
Régio de 3 de 7br.º do ditto anno, a tença annual de cento
quarenta e quatro mil reis”

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MEDICOS E CIRURGIÕES DA FALCOARIA
* O Bacharel João António de Leão, médico, vence por
Portaria do Exllmº Monteiro-Mór, o partido de quarenta mil
reis, annual, “datada de a Portaria em 10 de Abril de 1805”
* Joaquim António da Fonseca, cirurgião, vence por hum
despacho do Exllmº Monteiro-Mór ,proferido em hum
requerimento, em o anno de 1805; o partido annual, de
dezanove mil e duzentos reis”
Somando os sobreditos Ordemnados, e Tenças, a total
quantia de dois contos sette centos, hum mil e seis centos
reis”. Além dos sobredittos vencimentos, vencem os mesmos
Empregados também quando estão doentes, duzentos reis
diários, para galinha, e remédios, pago tudo pela Real
Fazenda.
E por não haver mais, que declarar ouve o sobreditto
Ministro esta relação por concluída; e Eu Joze Joaquim
Sabinno Lucas Escrivão do Judicial, e Coutadas, a escrevi e
asignei aos cinco de Abril de mil outto centos, e vinte e hum”
O Juiz de Fora

Thomaz de Freitas Coelho Machado Torres
Joze Joaquim Sabinno Lucas
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BIBLIOGRAFIA USADA:
* Subsídios para a história da Falcoaria em
Portugal (Separata do Boletim da Sociedade de
Geografia de Lisboa * Baeta Neves)-1983
* A Propósito de Caça * (A Real Falcoaria de
Salvaterra de Magos) - João Maria Bravo, Dr. * O
Paço Real de Salvaterra de Magos * Joaquim M.
Correia Silva, e Natália Brito Correia Guedes *
Salvaterra de Magos – Vila Histórica no Coração
do Ribatejo – José Gameiro * Francisco Câncio –
Instituto de Coimbra e do Instituto Português de
Arqueologia, Histórico e Etnográfico “ Síntese
fotográfica e Documental – Exposição em
Salvaterra de Magos – 1983 * Comunicação Social
– Jornal Vale do Tejo – Edição de 24/2/2004
FOTOS USADAS:
* Pág. 4 – Palácio da Falcoaria, Ano: 1983 – Do
Autor * Palácio da Falcoaria, ano 2000 – Jornal
Vale do Tejo * Pág. 5 - Interior do Palácio da
Falcoaria – lado Norte * Interior do Palácio da
Falcoaria – lado Sul * Pombal, edifício único na
Península Ibérica * Pág. 6 – Nuno Sepúlveda,
Amante da Falcoaria, treinando o seu Falcão de
nome: “Walkiria” * Pág, 7 – Edifício onde se
instalava o “ Monteiro - Mor ” da vila, junto à Igreja
Matriz – Foto de: A. Cunha, Ano:1944

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