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Volume IV

CADERNOS DE APONTAMENTOS Nº 23 – 29
Documentos para a história de

SALVATERRA DE MAGOS
Séc. XIII – Séc. XXI
Património:
Geográfico, Monumental, Cultural, Social, Político,
Económico e Desportivo

O Autor

Autor
JOSÉ GAMEIRO
( José Rodrigues Gameiro )

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Primeira Edição
Indice :
COLECÇÃO RECORDAR, TAMBÉM É RECONSTRUIR !..
Cadernos/ Livros :
23 – Usos e Costumes do Povo do Concelho Salvaterra de Magos
24 – Jogos e Provérbios Populares
25 – Ser Autarca – Servir a coisa Pública
26 – Os dias que seguiram ao 25 de Abril de 1974
27 – A Casa do Povo e o seu Rancho Folclórico
28 – Sociedade Columbófila Salvaterrense
29 – Os Cemitérios da Freguesia ao Longo dos Tempos!
************
Tipo de Encadernação: Papel A5 Brochado
Edição: 100 exemplares – Março 2007
Autor: Gameiro – José
Editor: Gameiro – José Rodrigues
Morada: Bº Pinhal da Vila – Rua Padre Cruz, Lote 49
Localidade: Salvaterra de Magos
Código Postal: 2120 – 059 SALVATERRA DE MAGOS

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Fotos da Capa – Grupo Trabalhadores Rurais – Exposição em
Santarém – 1935 * Costureira – Rua de Água 1967
*Campino e Camponesa * Rancho – Monda Arroz

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2ª Edição Revista e Aumentada – Março 2015
`++++++++++++++++++++
Contactos: Telef. 263 505 178 * Telem. 918 905 704
*E-mail : josergameiro@sapo.pt
Os Textos destes Cadernos não acompanham o Acordo Ortográfico de 1990

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CADERNO DE APONTAMENTOS Nº 23
Documentos para a história de

SALVATERRA DE MAGOS
Séc. XIII – Séc. XXI
Património:
Geográfico, Monumental, Cultural,
Político, Económico e Desportivo

Social,

USOS E COSTUMES DO POVO

DO

USOS E COSTUMES DO POVO DO CONCELHO
Autor
José Gameiro

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Primeira Edição
FICHA TECNICA:
Titulo:
USOS E COSTUMES DO POVO DO CONCELHO – (SUAS RAÍZES
Tipo de Encadernação: Brochado – Papel A5
Autor: Gameiro, José
Colecção: RECORDAR, TAMBÉM É RECONSTRUIR
Editor Gameiro, José Rodrigues
Morada: Bº Pinhal da Vila – Rua Padre Cruz, Lote 49
Localidade: Salvaterra de Magos
Código Postal: 2120- 059 SALVATERRA DE MAGOS
ISBN:
978– 989 – 8071 – 23 – 1
Depósito Legal: 256475 /07
Edição: 100 exemplares – Março 2007

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Capa Povo do Granho * Várgea Fresca (Foros Salvaterra) * Povo
De Marinhais * Povo da Glória do Ribatejo * Jovem Campino
Salvaterra de Magos

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**********************************
2ª Edição em PDF Revista e Aumentada – Março 2015
**********************************
O Autor deste texto não segue o acordo ortográfico 1990
Contactos: Tel. 263 504 458 * Fax: 263 505

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O MEU CONTRIBUTO
Quando se tem ao dispor, um “punhado” de
documentos, fruto de uma recolha iniciada na
década de cinquenta do século que agora findou,
tudo se torna mais fácil. No ano de 1997,
integrado no “Jornal Vale do Tejo”, foi marcante a
minha já longa colaboração na comunicação social
Nesta fase, dei à letra alguns assuntos, que
guardava sobre a história do povo do concelho de
Salvaterra de Magos. Uns anos antes já tinha
usado alguns deles, nas minhas crónicas, na
Rádio Marinhais. Nos artigos publicados, no JVT,
tinham um formato jornalístico, agora neste
Apontamento, sob um conteúdo literário com fotos
de acompanhamento, tento unir todo o concelho,
pensando dar a conhecer melhor as povoações de
Marinhais, Muge, Glória e Granho, nas suas raízes
Demográficas e Geográficas. Foros de Salvaterra,
tem um Apontamento apropriado nesta colecção.
As origens e formas de vida, incluindo as suas
próprias culinárias que, os fazem povos diferentes,
influenciados alguns por viverem próximo da
borda-d’água, outros nas terras de charneca.
Decerto, por ser um assunto de grande
importância para o concelho. Este conjunto de
Apontamento, depois de alguns anos publicado,
chegou agora a altura de uma segunda e nova
edição revista e aumentada.
Março: 2015

JOSÉ GAMEIRO

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SEU POVO, SUA CULTURA !
A comunidade, que faz o concelho de Salvaterra de Magos, é
predominantemente rural, havendo de premeio três outras que
do rio Tejo tiravam o seu sustento – Os Fragateiros, os
Cagaréus/ou Varinos e finalmente os que ainda existem no sítio
do Escaroupim, os Avieiros.
Nos dois últimos dois milénios, o homem que aqui se fixou, teve
necessidade de trabalhar as terras, nesta bela planície da bacia
do Tejo, com as suas terras de Aluvião e Areno-Anerosas, que dá
às povoações do concelho uma riqueza agrícola permanente.
Registos existem que à cerca de 7.000 anos, o homem do
Paleolítico Superior aqui viveu, nestas terras, tal era a riqueza
das suas entranhas.
Na idade média, com a permissão para as povoarem, famílias
vindas das terras da Flandres, aqui se radicaram trazendo seus
usos e costumes, como consta em alguns anais, pois as leis da
época, os forais de 1295, eram convidativos para atrair o homem
sedente de espaço e liberdade.
No seu início, a povoação de Salvaterra de Magos, com poucos
habitantes depressa se expandiu e, séculos depois, chegou aos
300 vizinhos, onde a lagoa da Ameixoeira e outras zonas
pantanosas, foram aproveitadas para terras de semeadora, em
desfavor das áreas de charneca, cujo matagal deu origem à
famosa Coutada Real de Salvaterra.

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Vivendo muito pobremente, até porque o ter de quebrar e
preparar terras, para cultivo do seu sustento, trouxe ao primitivo
homem salvaterreano, grandes humilhações como ser humano.
Não eram as pessoas totalmente livres, as leis que sucederam,
como: “As Sesmarias” de 1375, assinado pelo rei D. Fernando,
tinham origem nos costumes germânicos.
A criação do seu concelho municipal, por ter origem numa
doação real, na idade média, nos inventários mais tarde
realizados, foi incluída nos títulos de concessão de terras,
classificados: de imperfeitos e revolucionários típico.
O homem ribatejano desde o seu vestuário à alimentação, mais
não fez que adaptar-se a uma região, ora rica, ora pobre,
consoante estivesse no Verão ou no Inverno, pois as terras

ficavam ricas de nateiros, quando alagadas.

Também as suas danças e cantares, eram fortes e viris e, o
que chegou aos nossos dias e que se vai conservando através do
folclore, divulgado pelos agrupamentos ainda existentes no
concelho, dão-nos disso conhecimento.
O Fandango, é forma de desafio usada pelos homens campinos,
para seduziderm as moças, mostrando o sem porte garboso. Nos
cantares e danças o “ Passo Largo”, como outras de menor
vivacidade, mostram-nos a alegria ou o choro, quer da riqueza
das terras no Verão, e do Inverno, com as cheias alagando e
destruindo as sementeiras. (1)
***********
(1) – Ver: Apontamentos Nº 35

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SALVATERRA DE MAGOS

Ainda não está longe o tempo em que o trabalhador quando
dirigia a palavra ao “patrão” tinha como sinal respeitoso, de
destapar a cabeça, enquanto a mulher nas mesmas condições
fazia-o ajeitando o lenço.
Como criança de 4/5 anos de idade, acompanhava muitas
vezes minha mãe, quer no Domingo à tarde, quer ainda na
Segunda-feira, de manhã à “praça da jorna” aguardando a oferta
de trabalho.
As mulheres tinham este local de encontro na zona junto ao
armazém (taberna grande) de vinho do Dr. José Lino, entre a
avenida principal e, a rua Dr. Gregório Fernandes. Os homens,
esses juntavam-se um pouco mais distantes no local onde hoje se
encontram os edifícios das duas caixas bancárias nesta vila.
Muitas vezes declinavam uma oferta de trabalho, na esperança
que daí a pouco alguém viesse oferecer mais um ou dois tostões,
no salário diário.
No final da semana, trabalhando ainda no Sábado de manhã,
depois do almoço, comido à pressa, esperavam muitas vezes toda
a tarde até ao cair da noite junto à casa dos patrões pelo
pagamento da jorna.
O trabalho de sol-a-sol, nos finais dos anos 50, estava já em
declínio em favor das 8 horas diárias, resultado das lutas
iniciadas pelos camponeses que, se fizeram sentir em todo o
Ribatejo, por volta de 1930.

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Dessa revolta, tiveram como consequência algumas prisões,
culminando com acções policiais e cargas de cavalaria da GNR,
vindos de Santarém para percorrerem a campina. As prisões
foram muitas !
A meio do século passado, ainda era manifesta a procura de
“trabalhadores de enxada”, que os seareiros utilizavam na
cultura de grandes áreas de produção de melão, nas terras
húmidas de Salvaterra e Vila Franca, juntas das margens do Tejo.
Salvaterra, tinha mãos especialistas neste tipo de actividade.
Outras culturas agrícolas vieram transformar o panorama da
agricultura até aí usados, os terrenos de searas de sequeiro,
deram lugar ao regadio, com grandes produções de batata,
tomate e recentemente a cultura da cenoura.
A obra literária, da respeitada escritora Angela Sarmento “Os
dias longos”, editado em 1968, retracta fielmente o drama deste
povo naqueles tempos.
As idas e vindas, percorrendo alguns kms a pé, até ao local de
trabalho, onde as mulheres se faziam acompanhar dos filhos,
meninos (ao colo ou a pé) - eu ainda o fiz - passou a ser uma
recordação do passado.
Madrugada fora, ainda mal cantava o galo e, o dia não era
nada, já as mulheres gritavam nas esquinas das ruas, chamandose umas às outras, para em grupo se dirigirem ao campo. Ao
nascer do sol, já o trabalho estava iniciado!

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Pelas 10 horas da manhã, havia o almoço, pelas 2 horas da
tarde, o jantar, com uma sesta de uma hora, nos dias de Verão.
De regresso, quando chegavam a casa, já noite dentro, ainda iam
fazer a ceia para a família.
Tudo isto depois de um dia de trabalho intenso, muitas vezes
dentro de um canteiro de água, na cultura do arroz, no Paul de
Magos. Como era penosa aquela vida !
MUGE

A povoação de Muge, não fora as descobertas arqueológicas do
“Homem Taganus ” e, mostradas no Congresso Mundial em 1880,
na cidade do Porto, não registava qualquer manifestação que
reagisse ao progresso, durante décadas no séc. XX
Conhece-se que em 1301, pertencia aos frades de Alcobaça e
depois em 1304, foi povoado “servil” à casa de Cadaval, sua
donatária.
Com os primeiros achados arqueológicos, em 1863, por Carlos
Ribeiro, várias campanhas arqueológicas foram feitas, que
culminaram naquele congresso do Porto, figurando assim como
referência na história de Portugal e, mesmo na história da
humanidade.
A época romana, também está muito bem demonstrada, nos
vários achados, encontrados nas suas terras, que vai do séc.I, a.
C, ao séc. V, d.C

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A sua primeira carta de Foral data de 6 de Dezembro de 1304,
assinada por D. Dinis, data que passou a vila e com seu termo,
igual a quando pertencia aos frades de Alcobaça, sendo então
povoada. Recebeu segundo foral, em 1307.
Outros acontecimentos, marcam a sua história, em 1496,
estando D. Manuel I, no Paço de Muge, ali assinou a ordem de
expulsão de Portugal, de Judeus e Muçulmanos
D. Nuno Alvares Pereira (1º Duque de Cadaval), no séc. XVII,
passou a donatário de Muge e seu termo.
Em 1837, a rainha D. Maria II, decretou a extinção do concelho
de Muge, passando a pertencer ao de Salvaterra de Magos.
Dos seus terrenos, “nasceram” as povoações de Marinhais,
Glória e Granho, tendo em 1991, uma população de 1163 habitantes,
e uma área geográfica de 50,79 K ms2. A sua culinária, tem as
duas misturas: a do rio à base do peixe e a da charneca, onde
entrava a carne do cabrito e caneiro.
GLORIA DO RIBATEJO

Primitivamente conhecida por: Santa Maria da Glória, em 1362
recebeu como oferta do Rei D. Pedro, uma capela, para a missão
religiosa dos tementes a Deus.
Povoação de poucas almas dependentes da lavoura e da
pastorícia, por estar durante largos séculos isolada, passou a
estar muito marcada no campo linguístico, o que deu origem a
vários estudos.

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Foi criada freguesia em 29 de Agosto de 1966, com uma área
de 53,56 Kms2, pelo censo de 1991, tinha 3250 habitantes.
O artesanato, vestuário, danças, e outros valores sociais,
associaram-se e marcam uma grande originalidade do seu povo.
Na culinária, o povo usava com assiduidade, o cabrito e o
borrego.
MARINHAIS

Povoação nascida nos terrenos da “Charneca do Concelho” foi
mais tarde conhecida por Foros de Muge, pois a história
esclarece-nos que, passou a ser habitada, depois que o povo
tomou posse e aforou os seus baldios.
No entanto o povo de Marinhais, aceita que os seus hábitos
culturais, são originários nos trabalhadores que vinham da
região centro: Figueira da Foz, Cantanhede e Pombal, para aqui
trabalhar, na época Primavera / Verão, e que ali se fixaram.
O santo S. Miguel, é o padroeiro do povo e orago da sua Capela,
que foi construída em 1875, sendo freguesia desde 23 de Março
de 1928. Nos últimos anos do século passado, registou um
grande desenvolvimento demográfico, depressa teve condições
para ser elevada a vila, passando a ser a terceira do concelho,
depois de Salvaterra de Magos (sede do concelho) e Muge.
Para além do comércio, muitas pequenas e médias empresas,
na área da construção civil ali se localizaram devido aos baixos
preços dos terrenos.

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Na sua culinária, entrava a alimentação usada na charneca,
completada com a carne do porco.

GRANHO

É um povoado recente, com uma urbanização dispersa, pois é
constituído por terras aforadas, que vêm do século XIX, que
pertenciam à Casa Cadaval (Muge). Passou a freguesia em 23 de
Maio de 1998, ocupado a extrema mais elevada do concelho, junto
à ribeira de Muge.
Em 1981, tinha a área de 26,21 Kms2 e um conjunto de
habitantes, na ordem das 882 almas. Por estar no interior das
terras da charneca, a sua culinária era também à base de carne.
A GASTRONOMIA NO CONCELHO

Aqueles que ao rio Tejo, e outras ribeiras, tiveram acesso, na
sua alimentação incluíam nos seus cozinhados o peixe, como o
sável, fataça e barbo. Estes pratos, são agora aproveitados, na
restauração como oferta ao turismo, especialmente a enguia e a
sopa de feijão, esta apresentada como sopa da pedra.
O torricado (pão seco assado na brasa) pelo homem do campo,
depois untado com azeite, ou outra gordura, como o toucinho de
porco.

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ARTESANATO

As populações rurais, desenvolveram artes de fazer; Esteiras,
Capachos, através de uma herbácea, que extraiam das zonas
húmidas, arte que que ainda se conserva em produtos turísticos,
O que se conserva genuínos são os bordados da Glória, os Vimes
de Marinhais e o barro de Muge.

O RIO TEJO E A SUA RIQUEZA

No Inverno, até meados do séc. XX, eram cíclicas as cheias
com as suas águas impetuosas, que traziam a desilusão, e o
choro às gentes ribeirinhas, tal era a devastação provocadas.
A sua bacia rica em terras de aluvião e húmus, ajuda a sua
fertilização, e são de uma riqueza tal que em plena Primavera
(meados de Março) davam trabalho a todo o povo rural e não
chegavam.
OS RANCHOS DAS BARROAS

Da procura de braços de trabalho, que os lavradores tinham de
fazer, alguns eram “falados” no Sul do país, mormente da zona de
Évora, vindo a maioria desde Viseu a terras da Beira Baixa.
Nesses ranchos de muitas dezenas de mulheres, que vinham
fazer os trabalhos do campo desde Março até ao fim das
vindimas, algumas moças acabavam por ficar aqui casadas, todos
os anos.

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O namorico desenrolava-se, quer no convívio dos trabalhos do
campo, quer nos “quartéis” das “barroas”, onde todos os fins-desemana haviam bailes.
As danças e cantares daquele povo beirão misturavam com as
dos naturais da Lezíria, e daí hoje se encontrarem aqui as suas
influências .
OS AVIEIROS
No leito do rio Tejo, outras populações viviam o seu dia-a-dia,
eram os pescadores que se radicaram no Escaroupim, que
trouxeram os seus usos e costumes de Vieira de Leiria, daí o
serem conhecidos por ciganos do Tejo. Mais tarde os “Avieiros”
do Tejo. As suas danças características da Nazaré, a par da sua
culinária ainda hoje são um marco nas suas raízes.
O sável, peixe que existiu em abundância no rio Tejo, até
meados dos anos 50, deu origem, a um prato da sua cozinha,
mais tarde muito procurado, nos restaurantes locais, tal como a
Açorda de Sável e o Ensopado de Enguia. Tal como aconteceu ao
longo das margens do Rio, também o Escaroupim, foi lugar
seguro para a fixação de um núcleo daquele povo, primitivamente
vivendo em casas de madeira, assentes em estacaria de madeira,
para estarem fora da alçada das águas do rio.
OS MARITIMOS/ OU FRAGATEIROS
Os marítimos, homens que em 1951, viram a sua profissão
“morrer”, com a construção da ponte de Vila Franca de Xira,

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aberta ao tráfego rodoviário, desde tempos que se perdem na
memória. Aportavam ao cais da Vala Real, de Salvaterra de
Magos, nas suas fragatas e faluas, para o transporte de
abastecimento a Lisboa.
Muitos deles vindos das
povoações a montante do
rio como: Barquinha, Tancos
e Constância, a par de
outros que chegavam de
Setúbal, Montijo e Alcochete,
acabando por aqui se
radicarem, constituindo família. Tinham na sua gastronomia um
prato, ainda hoje muito consumido nesta zona; a Caldeirada à

Fragateiro.

OS VARINOS / OU CAGARÉUS
Os Varinos ou Cagaréus, eram pescadores vindos do norte do
país, após o terramoto de 1755, povoaram em Lisboa, o bairro da

Madragoa. No último quartel do século XIX, chegavam a
Salvaterra, de Aveiro, Murtosa e Estarreja, vinham fazer a safra
de Inverno/Primavera, na pesca do sável.
Alugavam casa, e com o passar dos anos, muitos se fixaram,
tendo habitação própria.

Nas embarcações, as pequenas bateiras varinas, tiravam o seu
sustento na faina da pesca, nas águas Tejo, com um jovem, aquém
chamavam “camarada”, e às vezes da mulher e filhos mais

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velhos, aproveitando as marés, para a pesca na vala real de
Salvaterra. A mulher, tinha a seu cargo além da casa a educação
dos filhos, a venda do pescado na
vila, muitas vezes afastava-se
percorrendo as terras vizinhas
com a canastra à cabeça.
Até ao primeiro quartel do século
passado, a venda de uma parte do
pescado, tinha como destino o
norte do país.
O seu transporte fazia-se por
caminho-de-ferro a partir da
estação de Muge.
As embalagens eram cestos de
verga, o peixe acondicionado em
espadanas (planta herbácea palustre), que
as crianças apanhavam nos baldios, junto
à ponte da vala real, a troco de um ou
outro peixe.
Sendo um povo com falar próprio, eram
tementes a Deus, e tinham hábitos,
conhecidos por alcunhas, como os
“Carrascos” e os “Preguiças”. Daqui
partiram para a emigração famílias
inteiras com destino ao Brasil, Canadá,

Austrália e países da América do Sul,
incluindo os EUA.

Os Cagaréus/Varinos, não eram uma comunidade fechada
com os seus usos e costumes, a introdução de outras culturas

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nas suas famílias ao longo dos tempos, aconteceu e, ainda nos
dias que correm temos: Os Cadórios, Os Pereiras, Os Lagouchas,
Os Naias entre outros. Nas iguarias da sua alimentação, que
agora servem de pratos na restauração do concelho como: o
“ensopado de enguias” e a “fataça assada” (1). Não há dúvidas
que Salvaterra de Magos, foi um cruzamento de várias culturas!
AGRO-PECUÁRIA EM SALVATERRA DE MAGOS
( SÉC XIX – SÉC XX) )

O mês de Dezembro chegou ao fim e, as datas dignas de
registo efeméride já foram realçadas. Agora, em momento de
pausa, será digno de realçar as formas
de riqueza que a sua terra teve na economia quer local quer
distrital, ou mesmo ainda a nível nacional.

Tractor lavrando – inicio séc., XXI
*************

(1)

– Ver: Apontamento N.º 11 – Onde se descreve em pormenor os
pratos confeccionados pelas comunidades: Marítimas, Varinos e
Avieiros

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Como sabemos Salvaterra de Magos como população sempre foi
de raiz rural, era da terra que provinha o seu sustento.
A
actividade agrícola até ao dobrar do século passado, sempre teve
como suporte a agro-pecuária e, como tal assim foi até à total
mecanização naqueles anos.
O animal, as alfaias agrícolas e todos os outros acessórios que
trabalhavam a terra a par de grandes ranchos de pessoas eram
a base da agricultura local.
Num trabalho publicado num boletim distrital em 1936, verificase que desde 1870, o concelho de Salvaterra de Magos ocupava
posição cimeira na economia do distrito de Santarém,
contribuindo assim para que este ocupa-se o lugar privilegiado
entre os 17 distritos que então compunham o país.
Nesse estudo analítico de 1870
verifica-se que o concelho de Salvaterra,
com apenas duas povoações (Salvaterra
e Muge) tinha agregados à área agrícola
1690 cabeças de gado cavalar para um
distrito com 11387 e onde o concelho de
Mação registava apenas 22 cabeças.
No campo económico detinha o 1.º lugar com o valor global de
68.797.920 reis e uma média 40.708 reis, na última posição
registava-se Constância com 659.040 reis e 18.899 reis.
Num outro estudo efectuado 30 anos depois (1900) calculava-se
que o país detinha cerca de 90.000 cabeças de equídeos,

24

contribuindo o distrito com 12.000 e neste Salvaterra tinha um
efectivo de 13,3%. Em 1925 novo arrolamento é efectuado e
verifica-se que o número destes animais continuava a descer
sendo o seu número de 80.078, tendo o distrito de Santarém
registado 11.774 cabeças e novamente Salvaterra ocupa o lugar
cimeiro com a 3.ª posição com o número 1530 cabeças, estando
o Sardoal na 18.ª posição com 19 cabeças.
A mecanização que desde a década de 20 vem sendo mais
intensa na agricultura ribatejana e mesmo a nível nacional
começa a partir de 1950 a fazer a total cobertura,
desaconselhando a utilização dos animais nos trabalhos
agrícolas.
Em 1934 verifica-se que Santarém
detêm no distrito o 1.º lugar com 2730
cavalos e Salvaterra, ocupa a 3.ª
posição com 1339 cabeças desta espécie
animal.
Quanto ao gado Muar e voltando ao ano
1870, Salvaterra tem 42 cabeças, e em
1925 regista 116 passando para 141 em
1934. O gado assino (burros) tem grande aproveitamento a par
dos muares como animais de carga - de puxar à carroça,
registando-se a existência de 482, 1244 e 1416 cabeças naqueles
anos.

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Os bovinos em idêntico recenseamento e igual período de
tempo, no concelho de Salvaterra têm uma existência de 3332,
3344 e 1959 cabeças.
Com tão acentuado peso na economia distrital, o concelho de
Salvaterra ainda tem no campo alimentar, uma posição invejável.
Em 1935 manifesta como valor pecuário expresso em peso vivo,
de animais para abate, como caprinos (1281 cabeças) e suínos
(3.583 cabeças) na quantidade de 1.533.079 quilos.
Como curiosidade refere-se que uma porca de criação custava
no distrito um valor médio de 448$00 por cabeça, e o chamado
porco cevado tinha a cotação de 703$00 por unidade, quanto
bácoro ou leitão custava 100$00 por unidade
USOS E COSTUMES
DE UM POVO RURAL
O povo foreiro, que em 1845 se instalou “aforando” os campos
de charneca e mato, que até 1821 era pertença da Coutada Real,
transformando os mesmos em terras de pão. Conservaram os
modos de vida da sua terra-mãe.
Mais tarde por volta de 1975/77 quando em Foros de
Salvaterra, fiz um trabalho de recolha de provérbios e contos
populares, compreendi melhor a razão de tais recomendações
daquele meu avô.

26
Na população rural de Salvaterra que contactei naqueles anos
já há muito tinham deixado o trabalho do campo, eram pessoas a
rondar os 70/80 anos de idade
Folclore, uma cultura a preservar!
Todas as comunidades têm tendências para preservar as suas
origens, desde o artesanato à cozinha tradicional tenta-se
divulgá-lo no seu estado primitivo.
Nesta vila as tradições, são divulgadas
desde os anos 40 do século passado. Como
tudo tem sofrido grandes “mazelas”, e se
as pesquisas não tiveram continuidade,
decerto às novas gerações, apenas iria
restar
um
ténua
lembrança.Os
agrupamentos de Folclore, existentes no nosso concelho, vão
tentando transmitir num trabalho de grande carolice, a
divulgação, do que ainda temos no campo dos trajes, da música e

da dança. Em 1936, com a realização em Santarém da parada e
cortejo do trabalho, a freguesia de Salvaterra, enviou um grupo
de rapazes e raparigas trabalhadores rurais

27
afim de integrar o desfile folclórico, onde se mostrou os trajes
usados nos campos de Salvaterra no início do século.
Os trajes domingueiros, característicos das trabalhadoras
rurais de Salvaterra eram feitos com o tecido conhecido por
“chita”, sendo a saia de “Castor”
Durante anos foi sua costureira;
Elvira Santana, uma das últimas
artesãs de Salvaterra que,
confeccionavam este tipo de
vestuário naquele tempo. A saía
da mulher tinha uma roda (4
panos), franzida na cintura por
um cós. A saía de castor, de cor
vermelha, era usada por debaixo, na segunda posição.
Nos anos seguintes, já a entrar na década de 50, passou a
usar-se nos dias festivos a saia de castor (hoje, conhecido como
feltro de 15), como também foi reduzido para três panos
O rodado da saia, mais tarde, já em 1960, era usual ver-se o
tecido de nome “riscado”, e na confecção das blusas das
mulheres e camisas dos homens entrava a “populine”. Em 15 de
Maio de 1981 o já desaparecido rancho infantil dos trabalhadores
de Salvaterra de Magos, vinha à luz do dia usando aqueles trajes.
Agora, temos no rancho folclórico da Casa do Povo de
Salvaterra de Magos o garante da preservação e divulgação
desta forma de vestir do nosso povo, conforme divulgação uma
sua componente, Elisa Viana.

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Traje da mulher camponesa
- Lenço de algodão com ramagens.
A camisa de piqué, com espigas e papoilas bordadas à mão,
colarinho redondo e justa ao corpo.
A saia é de tecido de baeta vermelha, com barra bordada a
ponto cruz com linha algodão preto, é toda pregueada.
Normalmente quando é despida alinhava-se as pregas ao meio e
em baixo, e é colocada de seguida debaixo do colchão para que
ficasse sempre direita sem ter de ser passado a ferro.
O avental é de tecido de merino preto, bordado à mão em tons
de amarelo e azul para sobressair sobre a saia vermelha. As
meias são compridas, feitas de fio de algodão branco, feitas à
mão e usadas apenas com o traje de gala. Os sapatos,
confeccionados em cabedal preto, têm salto de prateleira,

embora mais pequeno, que o do homem. Toda a roupa interior de
pano branco, sendo a saía franzida com o folho, e bordado que é
também franzido para dar mais roda à saía.
Traje do campino em dia de Festa

Barrete verde, com cercadura vermelha * Colete vermelho,
atado com cordões na frente enfeitados com botões metálicos,
mostrando nas costas o ferro da casa agrícola (de que é

29
trabalhador), bordado a preto. A cinta vermelha, de lã com
franjas, que tinha a função de apertar o corpo para proteger o
campino
.* A camisa branca é
justa de colarinho
redondo
* O calção, de fazenda
rapada azul-escuro, é
enfeitado com botões metálicos do lado de fora da perna.* A meia
branca é usada por cima do joelho, é arrendada feita à mão.
* Os sapatos de salto de prateleira são usados com fivelas e
espora
Roupa de trabalho

* O traje de trabalho é de calça e colete de cotim cinzento,
camisa azul, barrete e cinta preta.
O sapato é de cabedal preto, sendo usado também a bota grossa,
cardada para o trabalho..

Nota: Na foto, a 3ª mulher e o
homem, são os pais do autor

30

Salvaterra de Magos - A sua riqueza florestal

Nas duas últimas décadas temos vindo a assistir ao regresso
do povo às suas origens.
Nos fins do século XIX, até meados dos anos 40 deste que
terminou, o homem que habitava as terras do interior foi de
abalada até ao litoral, zonas mais aliciantes para o seu bem estar
social e económico.
Já em 1936, o agricultor salvaterrense, Engenheiro-agrónomo e
professor da Escola de Regentes Agrícolas de Santarém, José
Henriques Lino, num artigo sobre a floresta escrevia:

-“ O concelho de Salvaterra tem uma das suas fontes de riqueza,
a exploração florestal que é escoada pelo cais fluvial da vila”
”Dos 270 quilómetros quadrados, tal era a área do concelho, de
solos aluvisionais e areias soltas, podendo calcular-se que quatro
quintas partes pertencem a terrenos desta última natureza.
Retirando aqueles tractos arenosos, que por mercê de condições
especiais, constituem os “Foros” de Salvaterra, Muge e
Marinhais, todo o resto é revestido por matas de sobreiros,
eucaliptos e pinheiros, com acentuada predominância destes
últimos. O sobreiro prospera principalmente nas partes norte e
nascente do concelho formando povoamentos de boa densidade,
sendo as cortiças como as suas vizinhas do vale do Sorraia, da
melhor qualidade entre todas as portuguesas.

31

O eucalipto é uma essência de recente introdução neste meio;
os seus maciços datam de há duas décadas, aquando do grande
desbaste feito nos pinhais no período da guerra.
De rápido desenvolvimento rebentando facilmente de touca, têm
as suas madeiras longo emprego como combustível, e na
indústria do papel.
Além de lenhas emprega-se igualmente para as vedações
rurais, e na confecção de material agrícola, exportando-se ainda
grande parte em “faxina”
.O pinheiro manso e bravo, com predomínio deste último, é,
como disse, a essência disseminada e mais antiga, existindo
exemplares dignos de nota pelo seu porte, a atestar a idade e o
vigor que esta árvore desfruta nestes terrenos.
Constitui o pinhal uma fonte de receita inesgotável,
principalmente explorado pelas lenhas cujos tipos mais vulgares
são: o “metano”, que é o molho formado pelas braças dos
pinheiros que se reúnem em feixe com as bases voltadas para o
mesmo lado, atando-se o molho com junco.
A atada, faz-se à maneira que se procede à desrama, operação
esta que consiste em encurtar os ramos a machado ou à pedôa,
encabada numa vara comprida, para os ramos mais altos. Se o
metano não sai imediatamente do pinhal, é empilhado de modo a
evitar uma secagem muito rápida que provocaria a queda da
agulha. É medido às “talhas” que são grupos de 60 molhos, com
largo consumo nos fornos de pão, cal, tijolo, etc. que, se exporta
em larga escala para a capital e para os telhais na outra
margem, nomeadamente Alhandra. Como foi afirmado pelo
saudoso silvicultor Sousa Pimentel, o mercado de Lisboa, só

32

recebe bem o “metano” do pinheiro bravo, e despensa o de
manso porque a folhagem deste, sendo mais curta e basta, não
levando a chama tão alta, por isso aquece menos uniformemente
os fornos.
O “metano” feito com pinheiros novedios tem menos valor
porque míngua muito, quando bem seco tem menos força
calorífica.

A “faxina” resulta do corte dos pinheiros sendo em seguida
torados (toros) aproveitando-se os troncos e braças mais
direitos que em seguida são descascados fazendo-se a medida
por “correias” com o comprimento de um metro. Os troncos
grossos demais para metano, e tortos constituem a trambolhia.

33

A exploração dos pinhais é geralmente feita por proprietários
que mandam proceder às desramas e cortes debaixo da sua
orientação, havendo, porém, nas pequenas explorações quem
entregue os cortes ao “cuidado” dos compradores” (1)
A MUDANÇA

Os anos passaram, o valor daqueles produtos pesava imenso
na economia quer dos que viviam da terra, quer de quem os
transportava – Os Marítimos/ou Fragateiros, que operavam no
cais fluvial. Por ter procurado melhor sustento a população de
Salvaterra, foi de abalada às áreas industriais, próximas de
Lisboa, tais como Alhandra, Sacavém, Setúbal e Barreiro.
As terras começaram a ficar sem
“braços” para as trabalharem, as
modificações introduzidas passou
para uma agricultura de maior
rendimento tais como: a batata, o
tomate e ultimamente aposta-se na
cenoura.
Os espaços vazios deixados pela floresta e vinha, estão agora
a ser ocupados por segundas habitações dos que vivem nas
áreas urbanas e industriais, que as ocupam apenas nos fins-desemana, ou épocas de férias. O pinhal e a vinha, são agora meras
recordações!
*********
(1)-Parte do Artigo de José Henriques Lino (Engenheiro-Agrónomo e Prof.
Da Escola de Regentes Agrícolas de Santarém, publicado no Boletim da
Junta Geral do Distrito de Santarém – Nº 43 * Ano 1936

34

*********************
BIBLIOGRAFIA USADA:

* Artigos do Autor, publicados, no Jornal Vale do
Tejo – JVT
* N.º I - O Concelho de Salvaterra de Magos –
Seu Povo, sua cultura !
JVT N.º 129 –
1997/10/23 * Nº II - Salvaterra de Magos – O Rio
Tejo na sua rota cultural
- JVT
N.º 130
1997/11/06 * N.º III - O Trabalhador rural, e a sua
condição sócio económica !
JVT N.º 131 1997/11/20 * N.º IV - O Povo Salvaterrense em
busca da sua cultura JVT Nº 133 -1997/12/18 *
N.º V - A Agro-pecuária em Salvaterra de Magos
(1870-1935) - JVT N.º 134 * Nº VIUsos e
costumes de um povo rural ! - JVT N.º 135 1998/01/15 * N.º VII – Ditos Populares ! JVT Nº
136 – 1998/01/29* N.º VIII –
Folclore, uma
cultura a preservar ! - JVT N.º 137 – 1998/02/1*
N.º XIX – Salvaterra de Magos – Sua riqueza
florestal! - JVT N.º 140 – 1998/03/26 * Anais de
Salvaterra “José Estevam – 1959, Edições Couto
Martins
Fotos publicadas neste número:
Pág. 13 – Irmãos Roberto (s), em companhia de
outros toureiros famosos da sua época * Pág. 16 –
Tractor lavrando a terra, década de 50, a Lezíria
estava em transformação * Pág. 19 – Edmundo
Nestório Borrego, com traje de campino em dia de
festa * Pág. 19 – Campino, vestido com roupa de
trabalho, nos tempos modernos * Rapaz, ajudante
de campino, vestido a rigor em dia de festa *

35
Pág. 18 – Rancho Folclórico dos Trabalhadores
Rurais de Salvaterra de Magos
(Ensaiador: Núncio Costa) – 1950 * Pág. 18 –
Rancho Folclórico da Casa do Povo de Salvaterra
Origem das Fotos s/ Legenda:
As fotos, que não são do autor, foram usadas
com a devida vénia da edição: Boletim Junta Geral
do Distrito de Santrém-1936 * Edição: Um olhar
sobre o Concelho de Salvaterra de Magos-CMSM2001, e Turismo do Ribatejo * Olhares do Passado
– Glória do Ribatejo-2001

36

37

CADERNO DE APONTAMENTOS N.º 24
Documentos para a História
de

SALVATERRA DE MAGOS
Séc. XIII – Séc. XXI
Património:
Geográfico, Monumental, Cultural,
Político, Económico e Desportivo

Social,

UMA CULTURA AINDA VISTA NO SÉC. XX
Autor
JOSÉ GAMEIRO

38
Primeira Edição

FICHA TECNICA:
Titulo:
JOGOS E PROVERBIOS POPULARES!
Tipo de Encadernação: Brochado – Papel A5
Autor: Gameiro. José
Colecção:
RECORDAR,
TAMBÉM
É
RECONSTRUIR
Editor Gameiro, José Rodrigues
Morada: Bº Pinhal da Vila – Rua Padre Cruz, Lote
49
Localidade: Salvaterra de Magos
Código Postal: 2120- 059 SALVATERRA DE
MAGOS
ISBN:
978– 989 – 8071 – 24 – 8
Depósito Legal: 256476 /07
Emissão: 100 exemplares – Março 2007

39

Capa: Jogo do Pau ensebado – Festas de Foros Salvaterra

********************
2ª Edição em PDF Revista e Aumentada – Março 2015

********************
O autor deste texto não segue o acordo ortográfico 1990
Contactos: Tel. 263 504 458 * Tele. 918 704 904
e-mail: josergameiro@sapo.pt

40

O MEU CONTRIBUTO
A geração que, viveu a sua infância
no após a segunda guerra mundial,
aquela a pertenço, ainda conheceu
muitas formas de brincadeiras e jogos,
como: o pião, o arco, a cabra cega
etc.,
Eram divertimentos populares.
Os Provérbios, cantigas de bem e mal dizer., a par
das benzeduras e superstições, ainda eram usados
pelas gerações mais antigas. A prática dos jogos era
na rua, era aí o local de encontro do rapazio da vila.
Os descendentes da população rural, esses já andando
no campo, outros jogos aprendiam, como o jogo do Pau
e o da burricada. O jogo do Pote, tinha um tempo
próprio, efectuava-se nos dias de Entrudo (Carnaval).,
sendo praticando pelos adultos.
Com o decorrer dos tempos, foram entrando em
desuso, e outros divertimentos como forma de brincar
passaram a ocupar o seu lugar, pois cada geração, tem
as suas próprias brincadeiras. Nas páginas a seguir
tento dar uma pequena amostra dos muitos jogos e
divertimentos que o povo usava nesta terra . Outros por
já estarem esquecidos, houve necessidade de os
recuperar, junto de quem os praticou um dia e assim
algumas populações do concelho, como: na Glória do
Ribatejo e Foros de Salvaterra ainda hoje praticam o
Jogo da Malha. Quanto aos Provérbios Populares,
quando fiz a recolha de alguns, em 1957, junto de
pessoas idosas - eram as últimas gerações que os
diziam por necessidade - sendo analfabetas, deles
faziam uso para seu governo.
MARÇO: 2015

o Autor:
JOSÉ GAMEIRO

41

JOGOS TRADICIONAIS
(Os Divertimentos do Povo)
Longe vão os tempos em que as crianças e adolescentes,
tinham por brincadeira, alguns jogos e divertimentos, mesmo que
ingénuos os entretinham nas suas poucas horas de brincadeira.
Todos eles de uma prática ingénua, uns seriam mais violentos,
como o Jogo do Pau.
Este uso tinha as suas raízes no trabalhador rural,
especialmente o campino, pois o cajado era um companheiro
inseparável., na guarda do gado.
No Século XVIII, houve em Salvaterra de Magos, uma rua, com o
nome do Jogo da Bola, era o espaço consentido, para a
brincadeira da Pelota, pela fidalguia.
As feiras anuais, muitas vezes eram o único lugar, em que as
novidades de alguns jogos e divertimentos se viam e praticavam
pela primeira vez, trazidos pelos feirantes. A concessão da
realização das feiras, fazia parte do estatuto municipal,
concedido pelos forais, e uma outra, a carta de feira, de 1434, deu
a Salvaterra de Magos, autorização para o início de uma feirafranca, com duração de 15 dias. Aquela feira, tinha lugar no
caminho que ligava as povoações de Salvaterra de Magos e
Benavente, em frente ao Convento de Jenicó (ou Jericó).

42

Aquele tempo, aí apareceram entre muitos jogos e
divertimentos, a Corrida dos Sacos, do Pau Ensebado, jogos
vistos tempos antes em, Leipzig, cidade da Alemanha central.

O DERRUBE DO BONECO
Nos meados do séc. XIX, era já muito conhecido e praticado nas
feiras do país. Uma prateleira com uma fila de pequenos
bonecos confeccionados em barro, teriam de ser derrubados,
com uma bola de lã (tamanho de encher a mão), com um seixo lá
dentro, para fazer peso, no lançamento.
O boneco ao ser derrubado, devia partia-se e dentro tinha um
papel com o nome do prémio que, ia desde uma Queijada (bolo),
um conjunto de três Naprons, um Charuto, além de utilidades
caseiras usadas na época, como a Colher de Pau.
O JOGO DO POTE
(ou da Enfusa)
Recebido do século anterior, o jogo do Pote, ainda foi de
grande uso até ao dobrar do século XX, na época carnavalesca.
Um grupo de vários rapazes, entre si juntavam algumas moedas
e, compravam um Pote de barro. Começado o lançado do Pote
pelo ar, de uns para os outros e agarrado com as duas mãos.

43
Se alguém o deixa-se cair teria de ir logo comprar um outro, e
o jogo continuava, pelas ruas da vila. Era uma forma de agradar
às moças, pela destreza mostrada pelos lançadores Amiúdas
vezes, vinham até Salvaterra de Magos, Grupos de Saltimbancos,
na sua vida de gente ligada às acrobacias do circo, onde
mostravam cenas e jogos burlescos.
Muitos desses
divertimentos, ficaram ligados às gentes do povo, que através
dos tempos os consideram seus.
O PAU ENSEBADO
Um grosso poste liso, previamente ensebado com gordura
fresca, fazia-o escorregadio, e no seu topo, era colocado um
saco, com um animal caseiro (prémio surpresa), para quem o
conseguisse alcançar.
Com o pagamento de uma moeda, o
jogador, tinha de o subir, sem a ajuda de
qualquer objecto estranho ao calçado,
roupa e mãos.
Para o primeiro impulso da subida,
podia receber a ajuda de um grupo de
dois amigos.
O tempo da subida era limitado, vigiado pelo encarregado do
jogo, que também procedia à vista de alguma “malandrice” usada
pelo subidor do pau.

44

O JOGO DA CORDA
Usado nas festas na Inglaterra, já era conhecido em Portugal,
no final do séc. XIX.

Naquelas terras inglesas, em dias de mau tempo, usava-se a
variante, um ribeiro, como meio de fazer cair os competidores no
meio da água.
Sendo um jogo onde 12 membros de cada grupo, puxavam uma
corda, para fazerem cai “desmembrando” o outro grupo, ou
ultrapassarem um risco previamente feito no chão.

45

O grupo (ou grupos), que perdiam ficava sujeito ao pagamento de
uma refeição de convívio
.
O JOGO DO BURRO
Este jogo, actualmente também conhecido pelo jogo do “saltar
ao eixo”, tinha um componente que necessitava de um primeiro
voluntário, para fazer de “burro”. Este, dobrado com as mãos
nos joelhos, com os pés em cima de uma linha (risco) no chão,
aguardava que os dois grupos em competição saltassem por
cima de si e, aqueles que não conseguissem, na primeira ronda,
eram eliminados, tendo acabado os primeiros saltos,
recomeçavam uma nova ronda.
O jogo continuava assim por diante, e o “burro” ai distanciando
os pés na mesma medida, e os últimos que conseguissem saltar,
deviam receber um prémio, que seria pago pelo grupo de
perdedores.
O JOGO DAS CAVALITAS
( ou do Derrube)
Jogo, que as gerações fizeram chegar, aos jovens e, no início
do século XX, sendo praticado na rua - que era deles - faziam
vários grupos de jogadores, às cavalitas nos ombros de uns dos
outros, faziam o derrube dos seus opositores.

46
Num espaço demarcado, e com o tempo limitado, por um
vigilante, que dava inicio ao jogo através de um assobio, ia
“olhando” para evitar alguma infracção às regras estabelecidas.
O JOGO DO ARCO
( ou da Roda )
Com área demarcada, o grupo de
jogadores apresentava-se com um
arco e uma gancheta, em ferro (ou
arame), para o fazer deslizar.
Num tempo limitado, e em
espaço demarcado, um vigilante
depois de um assobio, confirmava
se os vários jogadores procediam de maneira a que o arco (roda)
não cai-se ( deixar de rolar).
No final do tempo, eram conhecidos como vencedores aqueles,
que terminassem sem deixar cair, ou menos vezes o arco.
O JOGO DAS ANDAS
(Pernas de Pau)

Pernas de pau, ou Andas, sendo dois paus compridos, com um
apoio no meio, para os pés, servia para o andar apoiado com os
pés e mãos. Num percurso demarcado, os detentores da “perna
de Pau”, faziam por andar não caindo, aquele que conseguisse

47

andar o mais tempo em cima, seria o vencedor e recebia como
prémio a bebida de um “pirolito”. Esta gasosa, era comprada, na
Taberna mais próxima da brincadeira, depois de uma colecta
entre os jogadores.
O CINQUILHO
Pela natureza deste jogo, em tempos idos, estava proibidos à
prática dos rapazes e jovens.

Uma lei saída na época do Liberalismo, decretou a seu uso fora
dos “olhares públicos”, sendo praticado nas Tabernas, em sítios
recatados ao ar livre, mas sujeitos à repressão policial, pelas
discussões causadas, que iam mesmo à agressão.
Registos existem, que em Salvaterra de Magos, também eram
praticados No Conto “O Último dia do lobo em Salvaterra”, a
Taberna da Anunciada, era um desses locais (1)

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Em época de feiras e festas, era autorizado a sua livre pratica.
No concelho de Salvaterra de Magos, o hábito de jogar o
Cinquinlho, ou Malha, ainda se vê, entre a população da Glória do
Ribatejo e Foros de Salvaterra.
É um jogo muito popular, em Portugal, que consiste no
lançamento de malhas (discos em ferro) de encontro a um
pequeno paulito (toro) de madeira, colocado no solo a uma certa
distância, previamente acordada entre os jogadores.
Cada “malhada” fará parte de um somatório de pontos
“tentos”, que os jogadores vão acumulando, e o final será
concretizado com uma bebida, que em tempos eram jarros de
vinho, nas Tabernas.
O JOGO DA LARANJINHA (2)
Sendo um entretêm muito antigo, já conhecido nos séculos XV e
XVI, era usado apenas entre-muros palacianos. Nos séculos
seguintes, converteu-se em jogo popular, passando também a
fazer parte nas festas locais.
*********
(1)- Na Trav. da Azinhaga, nos anos 30, existia a “Taberna da
Anunciada”, onde se praticava este jogo.
(2) – Sendo agora pouco praticado, nesta zona do Ribatejo, desde
meados do século passado, em Portugal foi conservado por algumas
colectividades recreativa

49

Para o praticar será necessário uma prancha (calha) em
madeira - ensebada – para deslizar uma bola em madeira, com
um diâmetro nunca inferior a 20 /30 cm.
A bola deverá ter vários furos, para serem colocados os
dedos, para o lançamento. no fundo será colocada uma outra bola
(imóvel), ou um certo número de palitos em madeira em posição
paralela, para serem derrubados.
O jogo pode ser praticado por um grupo, de vários jogadores
em competição, que vão contando pontos “tentos”, conforme os
derrubes alcançados.
O JOGO DA APANHADA
( ou da cabra-cega)
Até aos anos 40, do século passado, as crianças da classe
social mais abastada, tinham como entretenimento, vários jogos
florais.
Desses jogos, a Cabra-cega, era o mais praticado.
Dois grupos de meninos, ou meninas, na hora de grande lazer,
antes da hora do lanche, depois de um sorteio, iniciava-se, com
um membro do grupo a levar os olhos cobertos com um lenço, e
uma flor presa na cintura.

50

Todo o grupo lhe dirigia piropos, como:
És uma Cabra-cega !
Que tens uma flor
Depois de a “roubar”.
Vou dá-la ao meu amor !
A Cabra-cega, jogo andando às voltas, em direcção das vozes,
procurando com as mãos agarrar alguma das “provocadoras”
quando o conseguia, seria substituída pela agarrada. Por vezes,
viam-se jovens adolescentes, também na prática deste
divertimento.
OUTROS JOGOS
Tal como os jogos do Botão, e do Berlinde, o
Pião, era no dobrar do século XX, um entretém
das crianças, após as horas escolares.
O Pião sendo um pequeno brinquedo, feito em
madeira, tem na ponta um prego (ferro), que o
conserva a rodar no chão.
Depois de ser lançado, com a mão, por um cordel, previamente
enrolado na parte de baixo, fica a rodar em grande rotação.

51

Para o apanhar ainda a “rodar”, é necessário aproveitar a sua
velocidade, e metê-lo através do 2º e 3º dedo da mão, até
conservá-lo a rodar na palma da mão.
PROVÉRBIOS POPULARES !
Cantar as Janeiras
1 – Por uma estrela guiados , 2 – Também nós aqui vimos,
Os três Reis do Oriente,
Reunidos, bem juntinhos,
Já partiram para Belém,
P``ra saudar alegremente
Cada um, com seu presente
Todos os nossos vizinhos
REFRÃO
3 - Adoremos nós também,
A Jesus, o Salvador,
Domo-lhes aqueles presentes
Que nos manda a lei do Amor

REFRÃO
5 – Viva lá esta família
(casal, senhor, senhora)
Que bom coração que tem,
Vai abrir as suas mãos,
E largar algum vintém
7 – Hoje, vimos cá pedir-vos

4- Natal é dia da vida
De paz, d` amor e de bem,
O dia que ensina a gente,
A dar o melhor que tem

6 – A Igreja esteve em obras,
Temos muito que pagar,
Não nos dê as suas sobras,
Pois isso não vai chegar
8 – Não queremos ir embora,

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Que nos deis uma notinha
Uma notinha de quinhentos
Ou outra mais grandinha

Com as mãos a abanar,
Venham ver e abram a bolsa
E depois venham cantar

REFRÃO
9 – Não estamos a pedir muito 10 – Deus vos dê Festas Felizes
Não somos muito exigentes
Estimados moradores
Aceitamos o que nos derdes
A benção de Deus vos cubra
E ficamos contentes
De virtudes e Louvores
Quadra Cantada no início e fim !
REFRÃO
As Janeiras são cantadas
Do Natal até aos Reis
Olhai lá por vossa casa
Se há “notas” que nos deis !
Nota: Um cantar de Janeiras a propósito das obras efectuadas na
Igreja da vila * Podem-se adaptar a qualquer situação !!!
A PROPÓSITO DA AGRICULTURA,
E SEMENTEIRAS NA HORTA !
APANHA DA FAVA (1)
Nos fins de Março * Vai ao campo e prova * Prova e Come !!
Já não te fará mal * Em Maio, ceifa e enche o celeiro
Todo o ano há comida para o animal !!

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TEMPO, EM RELAÇÃO Á VINHA (1)
No São Tiago, pinta o Bago * Vai à vinha, e em São Lourenço, e
enche o lenço * No São Miguel, o vinho está no túnel * No São
Martinho, vai à adega e prova o vinho !

TEMPO DE SEMEAR O ALHO e A SUA VENDA ! (1)
* Se o queres no bacalhau, não tardes em semeá-lo * Pois, no
Natal já deve ter bico de pardal ! * Alho cresce, Alho, Alho *
Mata Caracol, cura couve e Alho * Vende:r; Quem quer Alho, Quem
quer Alho
O GRÃO PAR A ACOMPANHAR O BACALHAU (1)
- Se o queres no bacalhau, não tardes em semeá-lo * Cuida dele,
que no Natal, deve ter bico de pardal
MUDANÇA DO IVERVO PARA A PRIMAVERA ! (1)
- Huga, a noite com o dia * O Calendário a 22 de Março
* Antes por serem pequenos, não podia * Juntar o pão, com a
vinha, fazer bagaço !
-

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QUANDO O ANIMAL, MOSTRA FORÇA
( O Homem ! )
* Muita força, tem a Besta ! * Por ter dinheiro ou Faladora !
* Animal, que mostra a testa !
* O Cordeiro, esse fala brandura ! * Berra, sua aflição modesta !
* É Forte, mas só em Candura !
FALECIMENTOS AO FIM DE SEMANA ! (1)
Se na sexta há mortes * No Sábado outras vêm para o ninho
No Domingo, não há descanso * Decerto, outras vêm a caminho
VAI CHUVER TODA A SEMANA ! (1)
Se ao Domingo chove, antes da Missa * Resguarda-te, toda a
semana, pois missinga (chove)
ARREMETIDAS MALICIOSAS ! (1)
(Apanhar Sol, em conversa)
* Quem tem tempo e vagar * Faz Bonecas, ou Colheres *
Se não tem , decerto está * De má língua, com as mulheres !”
* Quem água não bebe * Papas não come * Não sabe * Aquilo
que perde

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* Nem todos têm em baixo , Dois badadalos * Nem em cima,
seios no coração * Aos de cima, Dá prazer beijá-los * Aos
debiaxo, Dá dor ao bater no chão
* Morre o pobre, vai para a vala * O rico, vai de caixão * Na
morte, são iguais * Só no enterro, é que não
* As raparigas novas, de 20 anos * À noite gostam, de beijinhos *
As velhas, de 40 anos * De manhã gostam, de dar peidinhos
* Uns têm trabalho e tristeza * Outros glória e fortuna * A morte
é igual para todos * Não à nada, que nos una* Será cego, ou tolo
* Quem parte, e reparte ( o bolo ), e não fica, com a maior
parte,
* Vive as glórias, do tempo presente * Viver as agruras do futuro
* Ficar ligado ao passado, deve ser mais penoso * Será ter um
tudo, na mente
A MULHER SEM LEITE !
* A mulher, ainda jovem mãe quando não tinha leite para o filho,
era uso, durante três noites, por o corpete, ou o segura mamas,
ao relento e na terceira noite, pela meia-noite, uma mulher mais
velha, batia-lhe com um pau. Sendo recolhido, ainda de
madrugada, molhado do orvalho da noite, dava sempre resultado,
pois o leite aparecia.

56
* Quando a criança tinha seis meses, era posta com o c... no
chão, e pão na mão. Começava a comer sopa e pão embebido em
leite.
RECOMENDAÇÕES:
- Eu, te ensino filho meu * Porque à escola não fui, não sejas
“parvo” como eu * Muito literado e culto queria ser * Meus livros
foi o campo, onde vi o Sol; por e nascer
- Nos trabalhos da Grade, aos 7 anos já lá andava * Mil lágrimas,
chorei * Hoje, são lembranças de quem não brincava
- Não culpo meus pais, teus avós * Não tiveram a Candeia, que a
uns “Alumia” e a outros queima, como a nós !
Toma bem nota destas lembranças * Na tua vida, boa falta fará *
Olha bem, os meses pequenos e os grandes * Todos eles te darão
grandes e pequenas emoções !
Os meses pequenos, com frio e chuva * Lágrimas e luto, te vão
dar * Os grandes, além de canseiras * Sonhos e alegrias te
fazem suar !
Os nomes deles te ensino * Janeiro, Fevereiro, Março, Abril e
Maio crescendo vão * São os tais meses de pequenino * São
meses, onde a lareira aquece o coração !
A crescer seguem outros, como o São João (junho), onde a
sardinha já pinga no pão * Há um outro, que tal de calor (Julho)
* Dá lugar ao de São Tiago (Agosto) * Um já pequeno vem, é o de
São Tiago (Setembro) * Um outro a seguir vem, com chuva e

57
calor, é o da Piedade (Outubro) * Mas o de todos os Santos, dias
de Primavera tem (Novembro) * O mais pequeno enfim chega, é
o mais desejado e trás o Natal (Dezembro)
- Fevereiro quente, trás o Diabo no ventre
- Com vento Nordeste, não vá ao mato, nem pesque
- Quem não cuida do que é seu * E se fia na vizinha * Ou perde o
falar * Ou fica a doidar
- O namoro dos rapazes * É como o da Cotovia * Acaba-se o
tempo da azeitona * Vou-me embora Maria
- Janeiro fora, há uma hora ( a mais) * Mas quem bem contar,
hora e meia, há-de achar !
- Na Primavera, se a Páscoa for soalheira * No Verão, vai à lenha
limpar o pinhal * No Outono, Choverá até à soleira * No Inverno, é
de borralheira até ao Natal
No Verão:
- Foi carreando, carreando * Lágrimas de suor chorou * Mas viu
o celeiro alargando * Das sementeiras, que trabalhou
No Inverno:
- Não carreou, carreou * Viu o celeiro minguando * Com
lágrimas, nos olhos ficou * Da fome que ia passando
JANEIRO:
- o LUAR DE Janeiro; Não tem parceiro * Mas lá virá o de Agosto;
Que lhe dá pelo rosto
FEVEREIRO:
- Sobe o Outeiro; Se vires verdejar; Põe-te a cantar * Se vires
branquear; Põe-te a chorar

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MARÇO
- Março, Marçagão; Manhã de Inverno * Tarde de Verão; É à
noite cara de cão
- Em Março; Já se queimou a Dama no Paço * Mas lá virá os diias
* Que se apanham; Rosas no Regaço
- Mais vale uma trovoada de água * Entre Março e Abril * Do que
um carro de oiro * De campo e carril
- Lá virá o mês de Maio * Com agua fresca, guardas o cantil *
Não te esqueças do Verão, que tem dias de vivermos senil
(Morrinhentos)
ABRIL
- Dias pequenos já passaram * Já vai a velha, se pôs ao
casminho * Agora vai, vê bem o caminho * Ao luar, pode
começar a dormir
AS ABELHAS
Em Abril * Deixa-as sair * Em Maio * Arrecadai-as * Se tudo bem
fizeres no Verão * No Inverno tens mel
- Neste mês, ainda se queima carro e carril * E o resto que ficar
* Em Maio, se há-de queimar
MAIO
- Antes de Maio, ainda com sono e fome caio * Depois de Maio,
vou e venho do trabalho

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- Neste mês já cedo me levanto * O galo me desperta * O sol
não nasceu e trabalho * É noite, e não descanso * A pé, vou para
casa, que a fome aperta (+)
- QUINTA-FEIRA DE ASCENÇÃO (Maio)
Oração Popular:
Da Páscoa, à Ascenção, Quem bem contar, Quarenta dias vão !
* 5ª-feira de Ascensão, seca-se a raiz ao pão.
No dia de Ascensão, não ponhas o pé no chão.
Se os passarinhos soubessem.
Quando era a Ascensão. Não comiam, nem bebiam.
Nem punham os pés no chão.
- Nesse dia as Moçoilas + Ao campo vão + Desde a Espiga, às
Papoilas * Outras flores lhe enchem a mão !
Quando chove em dia de Ascensão até as pedrinhas dão pãp !
Dia da Espiga:
Hoje é dia Da espiga. Para festejar esse dia fomos ao campo
colher um raminho de flores:
Uma flor branca simboliza a paz; Uma amarela, o ouro; Uma
espega, o pão; Uma papoila, o amor e um raminho de oliveira, o
azeite.
Agora vamos guardá-lo em casa durante todo o ano, para termos
sempre alegria, dinheiro, paz e pão !
JUNHO
* Se no São João (junho) pinga a sardinha, no pão, também neste
mês devem os Cegonitos, estar no chão !
JULHO
- Neste mês, vai à vinha, ver se pinta a baginha * Mas como é
Santiago, não te esqueças de provar o bago

60

*************
(*) – Nos meados dos anos 50, do século passado, os trabalhos
do campo, ainda eram de sol a sol, e os trabalhadores faziam a
deslocação a pé.
No Inverno, faz boa poda * Para no Verão, boa árvore te
aconchega * Se não tens calor e nem a sombra te acolhe !
AGOSTO
- Vai embora, mês de Agosto * Deixa vir o São Miguel * Lá virá os
Palheireiros, que terão uma vida cruel (Ceifa e Separar o grão
da palha – Eira)
Nota: Aqui nestas terras do Ribatejo, o mês de Setembro era
conhecido por S. Miguel
- As Ceifas e Eiras estavam no fim, os homens que faziam este
serviço de separar a palha do grão, eram conhecidos por
Palheireiros.
- Começavam a preparar as Palhas, em “Pirâmides” para as
camas e comida dos gados, no Inverno- As “Pirâmides de Palha” eram cobertas, com Carracil
(Caniço), que nascia nas margens do Tejo, junto a Salvaterra de
Magos
*************
(1)– Rita da Silva (Rita Chaparrana), em 1965, sendo analfabeta, e uma vida
passada nos trabalhos do campo, era filha, dos primeiros Foreiros, de Foros
de Salvaterra. Sendo minha sogra, me transmitiu alguma riqueza da cultura
do povo de Salvaterra de Magos, que guardo.

61

***************
********

LEMBRANÇAS DOS TEMPOS
DO REI D. MIGUEL
- D. Miguel, subiu ao trono * Com suas esporas de prata *
Cavalgando em seu cavalo branco * Com os “Malhados” à arreata
!
- Venha cá seu “Malhado” * Sente-se bem nesta cadeira * Dê
vivas ao rei D. Miguel * Se o não fizer, parto-lhe a caveira !
- Os de Samora, são “Mesquitos” * Os de Benavente,
“Chichareiros” * Da Ribeira, são “Abóboras” * Os de Salvaterra,
são “Vinagreiros”
D. PEDRO E D. MIGUEL
A Fonte de El-Rei, na Lagôa (*)
- Andando um velhinho, próximo da Fonte de El-Rei, pastoreando o
seu gado, viu um cavaleiro, montado em seu cavalo branco e,
mais atrás um outro, em seu cavalo cinzento. (Eram D. Miguel e

seu Irmão D. Pedro II, que vinham da caça)

- Pedindo um pouco de água ao velho, logo um deles perguntou:
Quem vive !.... D. Pedro ou D. Miguel !.......

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- Viva D. Miguel e D. Pedro, logo respondeu de pronto o velho, e
disse: O povo tantos martírios sofre, por uma pele que anda em

dois!

- A mim dai-me lágrimas e desgostos, porque velho ainda não
sou, e desavindos não queria vê-los, porque a vossa pele é do
meu corpo !
******** (O pastor:, Era o pai dos dois reis de Portugal, que
estava disfarçado ) *********
(*) – Conto que me foi transmitido, por Maria da Piedade
(conhecida por Maria Mendes), senhora de avançada idade,
empregada da família Vinagre.
ERMIDA DA SENHORA DE ALCAMÉ (**)
A Ermida de Alcamé está caiada de branco, até ao chão; Por
causa das raparigas; É que os rapazes lá vão !
- Ermida de Alcamé; Está rodeada de urtigas;
- Agora fica viúva; Vão-se embora as raparigas !!
- Ermida de Alcamé; Está virada ao Norte; Está fazendo
ramalhetes; Ao senhor da Boa Morte !
(**) – Versos de Maria da Conceição ( Maria Inês), que os cedeu ao autor
deste Apontamento, em 1987, pois durante muitos anos viveu junto à capela de
Alcamé, na companhia de seu marido o campino João Nobre

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A MULHER E O VENTO
- Se ele, embirra e faz novela * A menina já tem pêlo na venta !
- Se ele, faz estragos em dia de vendaval * A moça e já tem coisa
debaixo do avental !
- Se ele, corre de manso e não tenso * A mulher tem criança no
berço !
******** ( Popular- Contado por: Maria Inês) **********

QUANDO SE ESTAVA ZANGADO !
Um dia a D. Custódia de Jesus, nascida nas terras da Freguesia
do Granho, ensinou-me um vocabulário, ainda muito usado, na
primeira metade do séc. XX, especialmente pelas mulheres,
quando zangadas:
* CARVALHO; FELHUDOS E MARALHUDOS!
* DIGO E DIRALHO, FORMOSO E CARVALHO!
**** (Toda a gente sabia, onde e a quem queria atingir, com o
desabafo.) ****

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REZAS E AS BENZEDURAS
Naquele ano de 1958, certo dia quando pesquisava junto de
pessoas idosas da minha terra “Contos e Lendas Populares”,
também contactei (talvez a última geração), que curava com
rezas e benzeduras;
“Os mal Olhares”, “Dores no Corpo” e “Enjoos”
Um rolo feito de várias meias velhas, servia para nele
introduzir agulha e linha - fazer cozedura, enquanto faziam a sua
ladainha, em reza.
O azeite, num prato e escaldões de água quente completavam a
receita, conforme a situação dos pacientes, o que dava também
para as entorses.
Muitas vezes, as mães apresentavam-se com as filhas ainda
jovens, que sofriam de enjoos.
A curandeira, tinha dificuldade em encontrar a causa, mesmo
com o azeite separado na água, em três olhos.
Afinal nove meses depois, a “doente” aparecia curada!

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BIBLIOGRAFIA USADA:
(1) “O ÚLTIMO DIA DO LOBO EM SALVATERRA DE
MAGOS * (José Amaro)
O CONVENTO DE JERICÒ * Autor: Álvaro Betâmio
Almeida - Edição1990
SALVATERRA DE MAGOS, VILA HISTÓRICA
NO CORAÇÃO DO RIBATEJO * edições; 1985 e 1992
(Esgotadas)
(Autor: José Gameiro)
* Notas de Um Ribatejano * Francisco Câncio –1956
FOTOS USADAS:
“ OLHARES DO PASSADO ” – GLORIA DO RIBATEJO
“ NORTHANMPTONSHIRE “ (1924-1974)
( Roland Holloway’s)
* Do Autor:

********************

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CADERNO DE APONTAMENTOS Nº 25
Documentos para a história
De

SALVATERRA DE MAGOS
séc. .XIII – séc. XXI
Património:
Geográfico, Monumental, Cultural, Social,
Político, Económico e Desportivo

“ SER AUTARCA – SERVIR A COISA PÚBLICA “

Autor
José Gameiro

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Primeira Edição
FICHA TECNICA:
Titulo:
SER AUTARCA
“ Servir a coisa pública “
Tipo de Encadernação: Brochado – Papel A5
Autor: Gameiro, José
Colecção: RECORDAR, TAMBÉM É RECONSTRUIR
Editor Gameiro, José Rodrigues
Morada: Bº Pinhal da Vila – Rua Padre Cruz, Lote 49
Localidade: Salvaterra de Magos
Código Postal: 2120- 059 SALVATERRA DE MAGOS
ISBN:
978– 989 – 8071 – 25 – 5
Depósito Legal: 256477 /07
Edição – 100 exemplares – Março 2007

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Fotos Capa:
Edifícios Câmara Municipal e Junta de Freguesia
de Salvaterra de Magos

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*****************

2ªEdição em PDF Revista e Aumentada – Março 2015
*****************

Contactos: Tel. 263 505 178 * Telem. 918905704
O autor deste texto não segue o acordo ortográfico de 1990

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O MEU CONTRIBUTO
Um dia dei comigo a ser autarca, tinha aceite estar ao serviço do meu
concelho, na Assembleia Municipal.
Eram as primeiras eleições livres no ano de 1976, após cerca de meio século,
de um regime de ditadura que, o golpe militar de Abril de 1974, pós cobro
integrado na lista partidária, do Partido Socialista – PS, fui eleito pelo povo.
Assumi o compromisso de servir, nos melhores princípios dos ditames
republicanos. Naquele tempo, o concelho estava
muito carente de infractuturas básicas, que
servissem a sua população. As sessões
municipais, tiveram lugar inicialmente no salão da
Casa do Povo e, decorriam dias e horas a fio, pois
o concelho bem precisava de grandes decisões
para o seu desenvolvimento socio-económico, patrimonial e cultural A
presença dos autarcas neste órgão deliberativo e fiscalizador, não era
remunerado, mesmo assim, todos sob pontos divergentes programáticos e
partidários, tinham em comum dar o seu melhor, pois o desenvolvimento do
concelho, estava em situação prioritária. Os princípios republicanos, fixados
em 1910, exigiam que o povo, mais claramente os seus melhores filhos, fossem
os dirigentes com a inteligência e dedicação para a resolução dos seus
problemas da comunidade municipal. Assim, ser autarca era desempenhar
uma função – era servir a coisa pública - embaído dos melhores valores
cívicos, sem olhar a causas remuneratórias e poder político, que o
beneficiassem pessoalmente. Foram cerca de 20 anos, estive disponível, ao
serviço da minha comunidade, quer na Assembleia Municipal, quer na
presidência da Assembleia de Freguesa de Salvaterra de Magos. Esta edição
passados nove anos, tem agora depois de revista e aumentada uma nova
publicação
Março. 2015

JOSÉ GAMEIRO

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SER AUTARCA
“SERVIR A COISA PÚBLICA”

Os finais do séc. XV, são um tempo que nos convida a ter
contacto com a história das autarquias.
Foi na Idade Média, que são criados os concelhos, cidades,
vilas, coutos e terras, onde as câmaras municipais, envolviam no
seu sistema administrativo, heranças medievais relevantes.
Anos depois já no séc. XVI (1527-1532), são descritos, em
documentação camarária, cargos políticos/públicos, que tinham
o nome de ofícios como: Juiz-Presidente (ordinário ou de fora),
Vereador, Procurador e Tesoureiro.
Eram cargos eleitos localmente, para as câmaras concelhias,
ou o chamado “Senado”, sendo os participantes pessoas não
remuneradas.
As Paróquias, também tinham lugar no seu ordenamento
jurídico, desempenhados pelo pároco local, que se fazia acercar
de alguns paroquianos para o exercício dos registos paroquiais
(baptismos, casamentos, óbitos, etc.).
No séc. XVIII, a governança dos concelhos, no Antigo Regime,
ainda era acometida aos ligados à nobreza.
A legislação sobre o estado-nação, foi-se consolidando como se
impunha, e a sua prática teve grandes desenvolvimentos nesta
área politica/administrativa de Portugal.

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As alterações, foram lentas na área do municipalismo, ao longo
dos séculos, e só com Liberalismo, em 1836, as grandes reformas
foram introduzidas na legislação do país.
Muito desse trabalho foi atribuída a Mouzinho da Silveira, onde
se encontram novas denominações administrativas, como a
Província, e a Comarca, permanecendo o Concelho.
Eram instrumento, que visavam modernizar Portugal, nesta
área organizativa., que detinham órgãos, compostos; por: JuntaGeral de Província, Junta de Comarca e Câmara Municipal do
Concelho. Os detentores destes cargos, eram conhecidos por:
Perfeito, Subprefeito e Provedor.
O Provedor do concelho, para além de fazer respeitar as
decisões administrativas, “era o único e exclusivo depositário da
autoridade local”, e tal como o Perfeito e Subprefeito, eram todos
nomeados pelo rei, mas pouco tempo durou este sistema
organizativo.
José da Silva Passos, foi encarregado de estudar um outro
novo código para a administração pública local.
Deste documento, saiu, que em Portugal, tivesse Distritos,
Concelhos e Freguesias (Junta da Paróquia), com os principais
dirigentes políticos: Administrador-Geral do Distrito,
Administrador do Concelho e Regedor de Freguesia. O séc. XIX,
foi fértil em alterações políticas ou constitucionais, o campo
administrativo estava constantemente a sofrer mudanças, nos

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seus órgãos, com incidência nos cargos dos seus
representantes.
No regime republicado, nascido em 1910, nova legislação foi
discutida e José Jacinto Nunes, teve ampla participação nos
debates, na Assembleia Constituinte, de 1911, a lei que foi mais
defendida, encorpava, um regresso ao sistema monárquico:
Distritos, Concelhos e Paróquias Civis (ou freguesias).
No entanto dois anos depois, em 1913, uma novidade é
introduzida, no seu código eleitoral, determinando que só tinham
capacidade eleitoral, “os cidadãos portugueses do sexo
masculino, maiores de 21 anos, que soubessem ler e escrever”,
os chefes de família que fossem analfabetos estavam inibidos
daquele acto cívico.
O novo sistema, prometia aos municípios mais autonomia, e
mais poder político, mas na prática as leis, apenas foram
sentidas ao nível administrativo, verificando-se continuar
“apertados” os seus meios de financiamento.
Mais tarde, em 1928, António de Oliveira Salazar, quando do
discurso da tomada de posse, como Ministro das Finanças:
corporizou o sistema do Estado Novo, com a célebre frase: “Sei

muito bem o quero e para onde vou”

Estava assim instalado o sistema corporativo, que levaria
Portugal a quase meio século de ausências mais elementares dos
direitos cívicos dos cidadãos.

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Salazar, reforçou a sua ditadura, com outra reforma
administrativa, levada a cabo em 1933, que transformou a vida
económica e social de Portugal.
Para além de mais poder para os governadores civis, os
presidentes de câmara, tinham agora um outro grande papel a
desempenhar, o seu poder político sobre o povo era maior.
O povo rural, continuava a sentir as agruras de uma vida
miserável, enquanto os operários fabris, por serem uma classe
mais esclarecida, viam sem satisfação os seus mais elementares
direitos satisfeitos.
As novas leis de 1933, outorgavam aos municípios, receitas
próprias, destinadas a pequenas reparações e conservação do
seu património, pois os grandes investimentos, em obras
públicas, tinham origem apenas no estado, através dos
Ministérios das Finanças e Obras Públicas.
As grandes construções, como estradas e escolas uma
iniciativa do Estado Novo,, passavam ao lado dos executivos
camarários, até porque apenas lhe eram cometidas
responsabilidades na sua conservação nas estradas municipais.
O próprio orçamento anual de estado, previa uma grande “fatia”,
para ser consumida pelos encargos do funcionalismo das
autarquias, que eram considerados funcionários públicos.
Os cargos políticos, das autarquias continuavam a ser
preenchidos, através de convite. Sendo o governador civil, um

75

representante do governo em cada distrito, este convidava o
presidente da câmara, para um mandato de três anos e este por
sua vez convidada os seus vereadores, que teriam que ter o aval
do representante governamental no distrito.
Os ocupastes dos cargos, tendiam a perpetuarem-se, no
direito adquirido, de autoridade local. Era uma tendência natural,
com hábitos de um passado de muitos séculos, só atenuados com
as eleições, nascidas com a revolução de Abril, de 1974.
O sistema republicano, de início tinha criado cargos como:
Administrador, Regedor, Presidente da Paróquia, e Cabo-chefe,
mas a reforma de 1933, aligeirou os cargos aos de; Presidente do
executivo da Câmara Municipal e Presidente da Junta de
Freguesia e pouco mais.
Da nova constituição portuguesa, após o golpe militar de 1974,
saíram novas normas para a primeira eleição democrática de
1976, para as autarquias. Um Presidente da Câmara Municipal, e
seus Vereadores. Uma Assembleia Municipal, com um número de
Vogais (deputados municipais), de onde se escolhe o seu
Presidente.
As Juntas de Freguesias, por estarem ainda mais próximas das
populações, passaram a ter um executivo, composto por um
Presidente, um Tesoureiro e um Secretário, uma Assembleia de
Freguesia, com os respectivos Vogais locais.

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Com este novo sistema político encontrado, após sufragados
nas urnas, por uma legislatura de quatro anos, onde os partidos
políticos são o seu suporte.
A lei actual não estabelece o número de mandatos, que os
autarcas podem estar nos cargos, mas amiúdas vezes a
comunicação social, dá conta, que no país, se verifica nestes
órgãos municipais, graves irregularidades, e tendências são
detectadas para governar o povo sob coacção, pois são-lhe
mostradas “obra feita”, onde nunca foram chamados a dar a sua
opinião se precisavam dela, ou não.
É uma nova forma de granjear votos, que conduzem certamente
à permanência no apetecido cargo político. Decerto continuam a
ser hábitos e vícios, acumulados ao longo da história de Portugal,
que ainda permanecem, na raiz de muitas mentalidades humanas.
Muitos especialistas em direito/político, e ciências humanas,
reflectem que, desempenhar um cargo de autarca, é um dever
cívico de cada cidadão, que não é imposto, e assim deve ser
desempenhado.
O povo deve ser ouvido nas grandes decisões politicas a tomar,
até porque muitas das vezes, não são para a comunidade, as mais
prioritárias. Os autarcas devem ser desprendidos do poder, e
estar ao serviço da coisa pública !

**********

77

A ÚLTIMA CRISE AUTÁRQUICA,
AINDA NO ESTADO NOVO

Com a saída de José Pinto Figueiredo, em 1969, uma crise na
administração da Câmara do Concelho de Salvaterra de Magos,
se instalou, pois foi moroso encontrar pessoa indicada para a
substituição. O Vereador, António Pombeiro Fevereiro, ocupou o
cargo a título provisório, sendo empossado definitivamente, em
1973, após despacho e concordância, do Governador Civil de
Santarém. Em título de página o jornal “Aurora do Ribatejo”, na
sua edição de 15 de Abril daquele ano, o autor assinava a notícia,
dada por aquele quinzenário regional, com sede em Benavente.
“ Após morosa crise que chegou a despertar interesse entre
todas as camadas sociais do concelho de Salvaterra de Magos,
foi finalmente promovido no cargo de Presidente da Câmara
Municipal, António Filipe Pombeiro Fevereiro. Empossado a titulo
definitivo, após despacho e concordância, do Governador Civil de
Santarém, em 1973. Homem, simples e de trato fácil, este
Pombeiro Fevereiro, vinha de uma geração que entrou ao serviço
da RARET e, primava pela clara educação. Quer, ainda como
Vereador, quer depois como Presidente, para si todas as horas
estavam disponíveis para atender os munícipes, que acalentavam
a resolução dos seus problemas. Depressa passou a estar no
goto da população, pois entendia que o cargo ocupado, era para
servir o povo, e não dele serve-se.

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Pouco tempo teve de mandato, um ano depois, da sua posse,
Pombeiro Fevereiro, viu-se substituído, tinha acontecido a
revolução dos cravos, em Abril de 1974”
NOVA GERAÇÃO DE AUTARCAS

Nos dias que se seguiram à revolta dos capitães de Abril de
1974, Portugal vivia novos tempos de liberdade.
Os Governadores Civis, tinham sido substituídos, por
representantes da Junta Militar, que entretanto dava os
primeiros passos para entregar a governação do país aos civis.
Os cargos autárquicos, foram ocupados, por aderentes àquele
movimento militar, que acabava de sair vitorioso.
Em Salvaterra de Magos, Leonardo Ramalho Cardoso, tomou
posse como presidente de uma Comissão Administrativa que,
devia gerir os destinos do município, até às primeiras eleições
livres, o que aconteceu em 1976.
Leonardo Cardoso, em eleições livres, concorrendo em lista do
Partido Socialista (PS), recebeu um mandato do povo do
concelho, para gerir o município 4 anos.
Tempos depois, em 1979, sendo vítima de um acidente de
viação, viria a ser substituído por Rafael Pereira Júnior, (CDU),
então Vereador em exercício de mandato, mas uns meses
volvidos, o executivo caiu.

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Para terminar a legislatura, foi nomeada uma Comissão
Administrativa, presidida por, Rafael João Alcântara Ferreira da
Silva, (PS), onde esteve de 1 de Agosto de 1979 a 9 de Janeiro de
1980. Sujeito a eleições nesse ano, foi eleito nas listas do PS,
tomando posse em 9 de Janeiro de 1980, cumprindo o resto da
legislatura até 1982
Naquele ano de 1982, um novo candidato pelo PS, se perfilou na
agenda política do concelho, António da Silva Ferreira Moreira,
ganhou as eleições e, o mandato terminou em 1985. António
Moreira, com uma recandidatura, nesse ano para um novo
mandato (1985-1989), situação que se verificou no mandato
seguinte (1989-1993) em que foi novamente eleito. Candidata-se,
novamente para os quatro anos seguintes (1994-1997), e volta a
ganhar, mas no decorrer do mandato, em 1997 abdicou por
motivo de doença, em favor do Vereador, o antigo Deputado na
Assembleia da República (PS), Dr. José Manuel Oliveira Gameiro

dos Santos.
Gameiro dos Santos , sujeita-se às eleições, para o mandato

(1997-2001), perde em favor de Ana Cristina Ribeiro Pardal,
cabeça de lista da CDU. Esta autarca, no decorrer da legislatura
municipal, entrou em litígio com a representação politica que a
elegeu (CDU-PCP) e afasta-se da orientação partidária desta
coligação. Recandidata-se, para o mandato (2001/2005), em
nome de uma nova coligação, o Bloco de Esquerda (BE), e
ganhando a eleições, continuou à frente dos destinos do
município do concelho de Salvaterra de Magos, nas outras

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eleições até terminar o seu mandato no final de 2013, sempre
numa maioria absoluta.
Logo ao iniciar o seu primeiro mandato, não deixou de causar
grande polémica, entre outras decisões o afrontamento com os
seus adversários políticos, casos que a comunicação social foi
dando conta, pois enchiam as páginas dos jornais regionais.
Os funcionários da autarquia, também sentiram o peso da sua
presença, não deixou de colocar vários funcionários em situação
de desobrigação funcional, o que depressa levou a vários
processos judiciais, entrepostos por estes. Foi um tempo que
ficou conhecido “mais um para a prateleira”. Algumas das
funcionárias atingidas depressa entraram em grandes
depressões, que as levou ao acompanhamento médico durante
largos meses. Os anos dos seus mandatos com executivos
folgados, foram cheios de decisões que parte da população
considerava de grande arrogância, no “eu, quero posso e
mando”, que envolveu também os vereadores como: João
Abrantes, ao tomar a aberrante decisão de mandar pintar um
Fontanário considerado um património urbanístico da vila,
levando-o à sua descaractização original, Os confrontos verbais
nas reuniões, levaram muitas vezes ao ataque pessoal, como
numa Assembleia Municipal, um Deputado autarca da oposição,
chegou ao ponto de lhe dizer “se os meus olhos fossem balas,
decerto estaria morta!....”
Cristina Ribeiro, no entanto manifestava um notório carisma
de simpatia, especialmente no contacto público, onde o eleitorado
feminino era preferencial, o que lhe davam o trato da
“Presidente Anita”, o que a levou sempre a ser reeleita com

81

maiorias absolutas, até esgotar o seu ciclo politico na autarquia
do concelho de Salvaterra de Magos.
Nas eleições para o mandato (2013-2017), o Engº Helder
Esménio, como Independente nas listas do PS, foi eleito.

******************

**************

82

ACTIVIDADE DA NOVA JUNTA DE FREGUESIA

A junta de freguesia de S. Paulo de Salvaterra de Magos,
empossada provisoriamente depois da implantação do Regime
Republicado de 1910, teve a árdua tarefa de dar provimento ao
conteúdo da Portaria, assinada pelo Ministro da Justiça e Cultos,
que confiscava a Igreja Paroquial, e seus bens, e ainda o edifício
da antiga Capela, que foi do extinto Paço Real da Vila e seus
pertences. Já os registos paroquiais, tinham transitado para os
recém instituídos Registos Civis. Alguns anos depois, em 1918,
procedeu-se ao Inventário daqueles bens da Igreja Católica,
Com a sua restituição, em 1928 dando procedimento à Portaria
4978, de 19 de Agosto, foi constituída uma Comissão de Entrega
encabeçada pelo Administrador do Concelho; José Eugénio de
Menezes, e o Presidente da Corporação Fabriqueira da Igreja de
Salvaterra de Magos. Estiveram presentes, para conferirem o
Inventário da Entrega, por parte da Junta de Freguesia, o seu
Presidente, José Ferreira Estudante, os Vogais; António
Henriques Alexandre e José Sabino Assis. Por parte da Igreja, O
seu Presidente; Pe. Manuel Lopes Dias, e os Vogais; Francisco
Porfirio Albano Gonçalves e Ezequiel Augusto Gonçalves daquele
ano. A Acta da entrega daqueles pertences, foi escrita por José
Sabino Assis,
****************

83

UMA OBRA DO EXECUTIVO
DA JUNTA DE FREGUESIA
A sede da Junta de Freguesia de Salvaterra de Magos,
ocupava um espaço, no edifício camarário, onde anos antes
esteve instalado o Talho Municipal, na rua Cândido dos Reis (rua
S. António). O povo da Freguesia, especialmente a rural, que
vivia em habitações precárias, muitas das famílias em
construções abarracas, numa nova zona que após a implantação
do novo Regime Republicano, tinha sido aforada, como o
“Cafarro” entre outras. Na frente da Igreja Matriz, existia uma
construção em madeira que servia de urinol, tal coo uma outra
num recanto da frente do edifício da antiga Capela Real. Para
terminar com tal situação, resolveu o executivo da Junta de
Freguesia, mandar construir, um edifício que viesse a servir de
sanitários e balneários públicos, e nova sede da Freguesia. A
Câmara Municipal, colaborou doando um terreno, na nova rua
“Trás da Igreja”. A nova obra, com sanitários novos e azulejos
forrando as paredes dos balneários, ficou pronta, em 1938, sendo
seu pedreiro; João Antão. A mulher salvaterriana, ainda debaixo
de fortes preconceitos não usava aquela melhoria comunitária.

84

ADMINISTRADORES DA CÂMARA MUNICPAL
DE SALVATERRA DE MAGOS
(1867-1935)
1867 – Luiz Ferreira Roquette de Melo Travassos
1871 – António Elizeo da Costa Freire
1871 – Rodrigo Ferreira da Costa
1872 – Luiz Ferreira Roquette de Melo Travassos
1873 – António Elizeo da Costa Freire
1879 – Joaquim Pedro da Costa Freire * Adm. Substituto
1879 – Joaquim Thomé D`Almeida Balthazar
1880 – Marcelino Augusto da Costa Monteiro
1881 – António Júlio da Costa, (Bacharel)
1882 – Bruno António Cardozo de Menezes de Abreu
de Lima, ( Bacharel)
1887 – Ignácio Rebello D`Andrade
1890 – Daniel José Ferreira Dias
1898 – António José da Silva * Adm. Substituto
1900 – Joaquim Pedro da Costa Freire
1900 – D. João Costa Macedo
1903 – Ignácio Rebello D`Andrade * Adm. Substituto
1904 – José Clemente Ribeiro
1907 – Porfírio Neves da Silva * Adm. Interino

85

1907 – Luiz Filipe Valente
1909 – Luís Filipe Valente
1910 – Ignácio Rebello D`Andrade * Adm. Substituto
1910 – António Marcos da Silva * Adm. Interino
1912 – Afonso Augusto Rodes Sérgio * Adm. Interino
1913 – António Bernardo * Adm. Interino
1914 – Sílvio Augusto Figueiredo * Adm. Interino
1914 – Joaquim Augusto Galvão
( Major/ Reformado) * Adm. Interino
1914 – Manuel António D`Almeida * Adm. Interino
1915 – Manuel Henriques Pereira * Adm. Interino
1915 – Sílvio Augusto Figueiredo * Adm. Interino
1916 – Álvaro da Cruz Barbosa * Adm. Interino
1918 – António Marcos da Silva * Adm. Interino
1918 – Ezequiel Augusto Gonçalves
1918 – Álvaro Maximiano Betâmino de Almeida
(Alferes Milº) * Adm. Interino
1818 Alfredo Quintino Lopes de Macedo * Adm. Interino
1919 – João valente de Sousa Varela * Adm. Interino
1919 – Sílvio Augusto Figueiredo * Adm. Interino
1920 – José Filipe Portugal * Adm. Interino
1924 – João Nunes Vasco
1926 – Henrique José Ferreira Martins
1927 – António Sousa Vinagre
1932 – Ignácio Rebello D`Andrade
1933 – José Eugénio de Menezes
1935 – Luiz Ferreira Roquette

86

PRESIDENTES DA CÃMARA MUNICIPAL
(1855 – 1974)

1855 – António Joaquim Peixoto da Fonseca
1892 – José Luiz de Brito Seabra
1911 – José de Vasconcellos * Presidente Com. Administrativa
1912 – José Eugénio de Menezes* Vice – Presi. Com.
Administrativa
1913 – José Eugénio de Menezes * Presid. Com. Adm.
1914 – António Marcos da Silva * Presid .Com. Adm.
1916 – Francisco Almeida Henriques * Pres. Com- Adm.
1917 – Manuel Apolinário Ribeiro * Presid. Com. Adm.
1917 – Joaquim Pedro Cardoso
1919 – António Paulo Cordeiro * Presid. Com .Adm.
1926 (1/10-30/12) – Henrique José Ferreira Martins
1927 (1/1-14/3) – António Sousa Vinagre
1927/33 (15/3/27-2/3/33) – José Eugénio Menzes
1935/37 (21/1/35-31/12737) José Luís Seabra Ferreira Roquette
1938/40 – Dr. António Viana Ferreira Roquette
1944/54 – Dr. Roberto Ferreira da Fonseca
1954/57 – José Luís Seabra Ferreira Roquette
1957 – Lúcio Martins de Sousa
1965/69 – José Matias Pinto de Figueiredo
1969/1973 – José Pinto de Figueiredo
1973/1974 – António Filipe Pombeiro Fevereiro

87

ALGUNS ADMINISTRADORES E PRESIDENTES
DA CÂMARA MUNICIPAL

SALVATERRA DE MAGOS

Luiz Ferreira Melo
Travassos

Luiz Ferreira Roquette

Henrique José
Ferreira Martins

Roberto Ferreira
da Fonseca (Dr)

Lúcio Martins
de Sousa

José Matias
Pinto Figueiredo

Joaquim Pedro
Costa Freire

José Luis Seabra
Ferreira Roquette

António Pombeiro
Fevereiro

88

Leonardo Ramalho Rafael PereiraJúnior Rafael João A
Cardoso
Ferreira.Silva

António da Silva José Manuel Oliveira Ana Cristina
FerreiraMoreira GameirodosSantos (Dr.) Ribeiro Pardal

Helder Manuel Esménio
(Engº)

89
VOTAÇÕES EM ELEIÇÕES PARA A CÃMARA
MUNICIPAL
DE SALVATERRA DE MAGOS
1976*
CDS
PCP PS
PSD
Valores em %

-

30,7 % 48, 1 %

14,9 %

1979**
INSCRITOS
UDP
13088

VOTANTES
8956

ABTS. CDS
31,6%

-

APU

PS

32,4% 46,1%

PSD
-

AD

18,5%

-

1982
12864
0,5%

8898

30,8%

- 36,4% 43,7%

-

14,3%

14580

9070

1985 ***
PRD
37,7% - 18,2% 55,5% 10,1% 13,2% -

15492

9383

39,4%

1989
- 26,8% 50,4% 18,9%

1983
16140

9411

41,7%

- 23,5% 48,7% 20,2%

******************

* Em 1976 – O PCP, concorre como: APU ou FEPU
** Em 1979 – a AD, integrava o PSD , CDS e o PPM
*** Em 1985 – O PRD, só é considerado neste ano.
********
Fonte: D.R. Nº 52 I Série B, de 3 de Março de 1994

-

90

91

*****************************
BIBLIOGRAFIA USADA:
-

O Foral de D .Dinis, datado de 1295,
Fernão Lopes, cronista do rei D. Fernando
A. Pimentel “Portugal Restaurado”
Revista Anual Jornal “Vida Ribatejana” - 1957
Boletim da Junta Geral do Distrito de Santarém,
Ano 6, nº 43 – 1936
- Anais de Salvaterra de Magos “Dados Históricos
desde o séc. XIV” – José Estevam - 1959
- Salvaterra de Magos “ Vila Histórica no Coração
do Ribatejo” – Edições de 1985 e 1992 - Autor
- Boletins (Revistas) da Câmara Municipal
de Salvaterra de Magos
- Revista Ilustrada “A Hora” - 1936
FOTOS USADOS:
- Revista Ilustrada “ Hora” – 1936
- Revista Ilustrada “ Concelhos de Portugal” 1989
- Boletins (Revistas) da Câmara Municipal
de Salvaterra de Magos
- Revista Anual do Jornal “Vida Ribatejana” 1957
- Autor
**************************

92

93

CADERNO DE APONTAMENTOS Nº 26
Documentos para a História
de

SALVATERRA DE MAGOS
Séc. XIII – Séc. XXI
Património:
Geográfico, Monumental, Cultural,
Político, Económico e Desportivo

O Autor:
JOSÉ GAMEIRO

Social,

94

Fotos da Capa: - Delegação do Partido Socialista (PS), de
Salvaterra de Magos, numa Manifestação de Lisboa – 1975
*João Firmo Monteiro Ramalho, Joaquim Mário Antão,
António Joaquim Ramalho, João Almeida, A. Banha
(Coruche) e Mário Silva Antão.

95

Primeira Edição
FICHA TECNICA:
Titulo:
0S DIAS QUE SE SEGUIRAM AO 25 DE ABRIL
DE 1974 !

Tipo de Encadernação: Brochado - Papel A5
Autor: Gameiro, José
Colecção:
RECORDAR, TAMBÉM É RECONSTRUIR

Editor Gameiro, José Rodrigues
Morada: Bº Pinhal da Vila – Rua Padre Cruz, Lote
49
Localidade: Salvaterra de Magos
Código Postal: 2120- 059 SALVATERRA DE
MAGOS
ISBN:
978– 989 – 8071 – 27 – 9
Depósito Legal: 256479 /07
Edição: 100 exemplares – Março 2007

96

***********************
2ª Edição em PDF Revista e Aumentada – Março 2015
***********************
O autor deste texto não segue o acordo ortográfico 1990
Contactos: Tel. 263 504 458 * Telem.91905704
e-mail: josergameiro@sapo.pt

97

O MEU CONTRIBUTO
O país foi alertado. A rádio e televisão, davam
as primeiras notícias naquela manhã de 25 de Abril
de 1974, o país estava sob um golpe militar. Os
jornais fizeram várias edições nesse dia. Eu, então
jovem, levava uma vida social
sossegada,
arredado
na
contestação ao governo, por
tudo quanto ele legislava e
actuava, com a ditadura sobre
o povo português, há cerca de
meio século. Com 20 anos de
idade, foi-me imposto servir o pais, 38 meses como
militar no exército, existia uma guerra desde 1961,
que tinha várias frentes e mobilizava toda a
juventude portuguesa. Votei a primeira vez, aos 24
anos, com uma carta fechada, que me foi entregue
através da autarquia. Naquela madrugada do dia 25,
tão ansiosamente esperado pelos mais esclarecidos
e, assumidos politicamente, mesmo que na
clandestinidade, estava encontrada a luz no
caminhar para a vida democrática do país. Na tarde
e noite daquele dia, a população deu largas à sua
imensurável alegria, foi tema de assunto nas ruas e
nos cafés, muitos locais de trabalho fecharam nesse
dia. O Primeiro de

98

Maio, foi comemorado poucos dias depois, onde o
povo se juntou como nunca se tinha visto, em
várias capitais distritais, sendo Lisboa palco de uma
manifestação com milhares e milhares de
participantes.
Nos dias seguintes, até mesmo meses, me fui
apercebendo do que era realmente toda aquela
felicidade, espelhada nos rostos das gerações mais
idosas, pelo muito que já tinham sofrido, alguns
com as agruras de anos de prisão. Os comícios dos
partidos políticos, “realizavam-se diariamente”
aqui em Salvaterra, esclarecendo o povo. Assisti
praticamente a todos, a minha inclinação levou-me
a seguir os ditames do programa do Partido
Socialista (PS).
Igualdade, Fraternidade e Solidariedade.!!

Março:. 2015

JOSE GAMEIRO
(José Rodrigues Gameiro)

99

OS DIAS QUE SE SEGUIRAM AO 25 DE
ABRIL DE 1974
EM SALVATERRA DE MAGOS
Já em 1933, em Salvaterra de Magos, alguns rurais desta
terra, tinham experimentado o pesadelo de estar preso, por
terem intervindo numa greve nacional, que teve a sua grande
relevância no meio industrial, na Marinha Grande.
Na década de 60, um outro grupo de pessoas, foram presas
pela polícia política, a PIDE, cujos relatos da sua experiência,
foram mais tarde, editados em livro, pela Câmara Municipal de
Salvaterra de Magos.
Na madrugada do dia, 25 de Abril de 1974, aquela liberdade de
se exprimir, dando voz aos seus desejos e convicções, seria de
agora em diante uma realidade para o povo, segundo o
Movimento das Forças Armadas - MFA, no seu programa, que
seria repor entre outras coisas, a liberdade de expressão,
Enfim, a democracia..!
O país esteve em festa, quatro dias depois, no dia 1º de Maio,
data há muitos anos não comemorada em liberdade.
A população de Salvaterra, também preparou os seus festejos,
sem qualquer restrição.
Daí em diante, os partidos e organizações partidárias, davam
agora início a um vasto trabalho, de comícios e sessões de
esclarecimento, na ânsia de “arregimentar” militantes e

100
simpatizantes para aderirem aos seus programas e propostas
políticas.
Praticamente todos os dias, e durante muitos meses, as novas
forças políticas, promoviam os seus comícios em todo o
concelho. Em qualquer espaço, bastava, colocar um atrelado, e
logo um palco era concebido, para duas ou mais horas de
propaganda política, o povo estava ansioso de tais
conhecimentos, e as sessões estavam diariamente cheias.
O Cinema, a par da sala da Casa do Povo e Praça de Toiros,
também eram espaços disponíveis, para as muitas sessões
políticas realizadas.
Na freguesia de Glória do Ribatejo., a população aderiu com
entusiasmo, e muitos responsáveis políticos nacionais, ali se
deslocaram, Maria Barroso, foi lá várias vezes.
Os panfletos, e a informação sonora diariamente completavam
a presença de muitas individualidades, que faziam o
esclarecimento do que era viver em democracia, dando como
exemplo outros países europeus.
No concelho de Salvaterra de Magos, com maior aderentes
vingaram: o Partido Comunista Português (PCP) Partido
Socialista (PS), e o Partido Social-democrata (PSD).
O tempo decorria, a prática usada por cada uma das forças
partidárias, foi-se estabilizando, mas actividade organizativa do
PCP, era uma constante motivação entre trabalhadores,
especialmente nas fábricas e nos campos. Tinham em mente a

101
luta na conquista do país, que chegou mesmo à ocupação de
terras e saneamentos nas empresas em todo o território,
estávamos nos anos 1975/76.
Essas situações também aqui se verificaram, foram criadas
comissões de trabalhadores , que passaram a ter um potencial
poder, ultrapassando por vezes o patronato.
O poder do estado, através da Junta de Salvação Nacional –
JSN, tinha muitas vezes de intervir., com a força militar, através
do COMCON.
As forças extremistas de esquerda, queriam ainda mais, e
depressa criaram, comissões de moradores .
Em Salvaterra, estas estiveram prestes a formarem-se pois a
influencia política do PCP, na população especialmente rural era
determinante para isso existiram várias convocatórias de
reuniões.. A actividade política no país, não abrandava, e em
1975, dá-se o PREC, onde o método golpista, estava a caminho do
colectivismo, uma situação que levou a maioria do povo a fazerlhe barreira, e os confrontos foram inevitáveis, estava-se à beira
de uma guerra civil.
Os comícios instigando as classes trabalhadoras mais
vulneráveis, passam a estar na ordem do dia, os operários e
camponeses de Salvaterra, também não escaparam à sua
manipulação. Naquele ano, em plena campanha agrícola, levou
muitos agricultores da região, a organizarem-se numa
Confederação - CAP, até porque em Setembro, é convocada uma
greve, nesta zona. Disso deu conta o jornal o “Século”, na edição
do dia 9, que aqui transcrevemos, até porque fomos nós o autor
do texto.

102

SALVATERRA DE MAGOS - Os trabalhadores agrícolas deste
concelho entraram às 6,30 horas de hoje em greve.
Esta decisão, tomada no plenário que se realizou ontem à tarde
na Casa do Povo, assenta, fundamentalmente na não existência de
assinatura do contrato colectivo de trabalho, que seria igual ao já
celebrado para o concelho de Benavente, após um mês de
conversações entre os trabalhadores e a comissão
representativa dos agricultores.
No plenário em que se tomou a decisão, estavam presentes
trabalhadores das freguesias de Salvaterra de Magos, Muge,
Glória e Marinhais e, foi ainda discutido o desemprego que se
está a verificar na região e focada a manobra dos patrões que
estão a dar trabalho a homens vindos de outros concelhos, nas
vindimas e no tomate. Situação que está a acarretar problemas
para os trabalhadores locais.
Referiu-se que nos últimos dias, cerca de 700 pessoas
vieram de concelhos diferentes, e estão a trabalhar nos campos.
Acrescente-se, que a comissão pró-sindical, não apoiou esta
greve., mas a verdade é que ela foi deliberada em plenário. Nesta
conformidade, ela começou às 6,30, e foram formados piquetes
para impedir que haja qualquer reacção ou perturbação.”
Nos dias que se seguiram, numa manifestação levada a cabo, na
capital do distrito, Santarém, os trabalhadores agrícolas,
entraram em confrontos físicos com uma outra organizada dos
agricultores da região.

103

Na contenda, saiu morto um jovem, filho de um agricultor de
Coruche, e naqueles encontros encontravam-se trabalhadores
rurais do concelho de Salvaterra de Magos.
Ainda em 1975, com as primeiras eleições, já no horizonte,
mesmo assim, aqui um prédio foi ocupado, na rua Cândido dos
Reis, notícia que saiu em vários jornais, entre eles o “Diário do
Ribatejo”.
Casas agrícolas, foram coagidas a defenderem-se com armas,
pois andava no ar, a notícia, que pela mesma via, as suas terras
seriam ocupadas, para uma posterior nacionalização, em favor
das cooperativas agrícolas.

Esta era uma nova organização revolucionária promovida
pelos trabalhadores, com o apoio do partido comunista, em
muitas partes do país, com mais incidência, no Alentejo.
O mesmo se passava nas fábricas, vindo mesmo algumas a
fechar, por falta de condições de laborarem., muitas mesmo por
sabotagem, como aconteceu em Salvaterra de Magos, com
destaque na Organização Industrial de Cartões – ORINCA, SA,
mais conhecida pela fábrica do papel, se viu forçada a fechar a

104
sua laboração. Nesta unidade fabril, além do autor destas linhas,
saíram perdendo o seu ganha-pão, mais 60 chefes de família.
Na altura foi referenciado um trabalhador, que estava muito
activo, no PCP, aliás era uma política perfilhada pelo partido a
nível nacional., conforme a comunicação social divulgava.
Nas eleições de 1976, o primeiro governo constitucional, após a
revolução de Abril de 74, em que o Partido Socialista (PS) foi o
vencedor, entre outras medidas, concebeu no seu programa a
levar a cabo uma política de desocupação das terras.
A LUTA CONTRA A REFORMA AGRÁRIA
Para uma cabal informação da população, o governo (PS), fez
várias sessões de esclarecimento, das suas novas políticas para
a reforma agrária.
Para o dia 14 de Abril de 1977, foi anunciado um grande comício
em Salvaterra de Magos, onde
estariam presentes os ministro da
agricultura; António Barreto, Manuel
Alegre, António Reis e Jaime Gama. À
hora marcada, o cinema local,
encontrava-se totalmente esgotado,
com muito povo na rua e, quando o
ministro António Barreto, iniciava a sua
intervenção, em vários locais da sala, começaram-se a ouvir
palavras de ordem, que mais não eram do que provocações para
destabilizar a reunião. Militantes, com responsabilidades no PCP.
Alguns conhecidos de Alpiarça e Benavente, tentavam levar acabo
o seu boicote.

105
Militantes do PS, de Salvaterra, e de outras concelhias de
terras vizinhas, foram alvos de provocações e agressões, como:
Arnaldo Serrão, António Fernandes e A. Banha, entre outros. O
primeiro tendo um papel enrolando na mão, foi identificado como
usando uma faca. Tudo serviu, para provocar a confusão. Estes
factos, foram presenciados por jornalistas, nacionais e
estrangeiros, que chegaram mesmo a transcreverem em
pormenor gravações dos insultos.
Nos dias que, se seguiram a troca de
comunicados, a nível nacional e local,
ocupou as páginas de toda a imprensa
nacional e estrangeira, que não deixaram
de analisar e condenar tão grave
ocorrência.
Naquela sessão, o ministro, António Barreto, reagindo às
graves provocações, afirmou: “A hora da conquista acabou, meus
senhores. Isto é Portugal, isto não é a Sibéria, isto não é uma
Colónia”
Este, e outros factos, ocorridos à época, foram o estalar do
verniz, título usado na primeira página de um jornal diário. Tal
episódio, pesou muito na normalização das relações partidárias
entre o PS e o PCP, a nível local e mesmo nacional.
Passados tantos anos, as mazelas. causadas, ainda têm
resíduos, nessas gerações. A nível autárquico, a situação
também era de grande complexidade, pois os eleitos tinham
grandes dificuldades em exercer o seu mandato.

106

Logo no dia 24 de Abril de 1977, para comemorar o 3º
aniversário da revolução, uma grande delegação do PS, de
Salvaterra de Magos, deslocou-se a Lisboa, para a manifestação
que, teve lugar na praça de toiros do Campo Pequeno, tendo
alguns jornais, publicado a sua foto na primeira página.

O país em 1978, continuava inseguro, e aqui em Salvaterra de
Magos, na noite de 25/26 de Novembro, num muro, foram
totalmente pintados com cal, um série de cartazes, que faziam o
anúncio do aparecimento de uma nova central sindical, a União
Geral dos Trabalhadores - UGT.
Álvaro Cunhal e Mário Soares, figuras, mais representativas dos
principais partidos políticos, estiveram várias vezes em comícios
neste concelho.
O Jornal “Aurora do Ribatejo”, na sua edição de 25 de
Novembro de 1979, publica a notícia, que MÁRIO SOARES e,
Candidatos do PS, iam à Glória do Ribatejo, no decurso da sua
visita que fez ao distrito de Santarém.

107

A MARCHA PARA A LIBERDADE !

( Do Largo do Rato ao Rossio )
Devido à grande tensão que o povo português vivia, e que
poderia levar a iminência de um confronto civil, o Partido
Socialista – PS, apelou à mobilização do povo para uma grande
manifestação nacional, que teve lugar em Lisboa, em Novembro
de 1979. A secção concelhia do PS em Salvaterra de Magos e, o
núcleo da Glória do Ribatejo, mobilizaram a população do
concelho a estar presente naquela marcha/manifestação.
Devido à grande afluência de inscritos, viu-se a organização
local, na necessidade de alugar alguns autocarros, para além das
dezenas viaturas particulares, que também transportaram

manifestantes. A concentração, com descida pela Av. da
Liberdade, culminou com um comício, na Fonte Luminosa, que a
comunicação social da época, calculou em cerca de 100 mil
presenças. Saliente-se que nos vários percursos do acesso a
Lisboa barreiras, foram feitas, para impedir a deslocação de tal
presença. Os carros ligeiros, foram os mais danificados e os
seus ocupantes molestados fisicamente.
Na ponte de Vila Franca de Xira, uma barreira impedia a
passagem, e os confrontos ocorreram, com feridos graves.

108

Mesmo naquele estado, não deixaram de marcar presença, na
capital do país, alguns muitas horas depois.
MANIFESTAÇÕES DE TRABALAHORES

Em 1983, na manhã do dia 5 de Fevereiro, um elevado grupo de
seareiros e trabalhadores rurais, afectos a uma nova
Confederação de Agricultores - CNA, onde estava presente o
dirigente, Amândio de Freitas, a reunião foi junto à praça de
toiros de Salvaterra de Magos, para uma manifestação.

De imediato, apareceu uma força policial da GNR, que tentou e
conseguiu desmobiliza-los, alegando que aquele encontro não
estava oficializado, pelo governo civil do distrito. A polícia de
choque, com cães estava por perto. Em plena governação da

109

coligação (Aliança Democrática) - AD, com os partidos PSD e
CDS, o povo manifestava-se em todo o país, descontente, pois o
nível de vida estava insuportável, o desemprego era uma
constante.

Nota: O autor destas linhas, publicou no jornal partidário (Acção
Socialista) um carton, onde fazia alusão a essa situação sócio- económica.
Tal colaboração deu azo, que na Assembleia da República o assunto
fosse glosado e, alguns jornais estrangeiros dele deram destaque.

110

A GUERRA DOS COMUNICADOS

Com projectos diferentes para o concelho, as relações
democráticas continuavam algo tensas, especialmente entre os
dois partidos mais representados na autarquia de Salvaterra de
Magos: PS e PC/ CDU Raro era o dia em que não eram emitidos
Comunicados, onde se acusavam mutuamente, por aquilo que não
faziam ou deixavam de fazer !
******************

111

BILIOGRAFIA CONSULTADA:
* Jornal “Diário do Ribatejo” * Jornal Diário “
O Século “
* Jornal “Semanário “Aurora do Ribatejo” *
Jornal “ Acção Socialista” * Jornal Diário “
Jornal Novo” * Jornal “ O Diário”
* Comunicados do PCP e do PS * Documentação
recolhida pelo autor
FOTOS USADAS
Pág.6- Os componentes da mesa, na Sessão de
Esclarecimento “O Fim da Reforma Agrária;: *
Joaquim Mário Antão, António Reis, Manuel
Alegre, Jaime Gama, Leonardo Ramalho Cardoso e
outros * Pág. 7 – Jaime Gama e Leonardo Ramalho
Cardoso (Presidente da Câmara de Salvaterra de
Magos) * Olímpia Cardoso, foto publicada em
diversos jornais, após agressão sofrida, na Sessão s/
a Reforma Agrária * Pág. 8 – Muro da “Horta do
Sopas”, na EN 118, em Salvaterra de Magos, com
os cartazes da nova Central Sindical – UGT,
pintados a cal * Pág. 9 – Os manifestantes, em
Salvaterra, ocupando os lugares nos autocarros (na
frente o autor) * Em Lisboa, a delegação do PS,
ocupando lugar no desfile da manifestação até ao
Rossio – Fonte Luminosa * Pág. 10 – Manifestação
junto à Praça de Toiros de Salvaterra de Magos –

112
No uso da palavra o dirigente político, Amândio de
Freitas
(Sindicalista)*
Oficial
da
GNR,
desmobilizando o comício * Amândio de Freitas,
muitas anos depois, ainda ligado ao associativismo
patronal agrícola * Pág. 11 – Carton do autor,
publicado em diversos jornais.

113

114

CADERNO DE APONTAMENTOS N.º 27
Documentos para a História
de

SALVATERRA DE MAGOS
Séc. XIII – Séc. XXI
Património:
Geográfico, Monumental, Cultural,
Político, Económico e Desportivo

Autor:
JOSÉ GAMEIRO

Social,

115

Primeira Edição
FICHA TECNICA:
Titulo:
A ORIGEM DA CASA DO POVO,
E O SEU RANCHO FOLCLÓRICO

Tipo de Encadernação: Brochado Papel A5
Autor: Gameiro, José
Colecção:
RECORDAR,
TAMBÉM
RECONSTRUIR!
Editor Gameiro, José Rodrigues
Morada: Bº Pinhal da Vila – Rua Padre Cruz,
Lote 49
Localidade: Salvaterra de Magos
Código Postal:
2120- 059 SALVATERRA DE MAGOS
Edição – 100 exemplares – Março 2007
ISBN:
978– 989 – 8071 – 28 – 6
Depósito Legal: 256480 /07

É

116

Fotos da Capa: Edifício da Casa do Povo- 1960
*Rancho Folclórico Casa do Povo – 1980
(Apresentação Pública)

117

********************
2ª Edição em PDF Revista e Aumentada – Março 2015
**************************
O Autor deste texto não segue o acordo ortográfo de 1990
Contactos: Tel. 263 504 458 * Tem. 918 905 704
E-mail – josergameiro@sapo.pt

118

O MEU CONTRIBUTO
Em 1951, quando entrei na escola primária, recebi o apoio
social da Casa do Povo de Salvaterra de Magos. Foi distribuído
gratuitamente pelos filhos dos sócios – os livros escolares.
Outras Associações, estavam actuantes na terra, caso da
Associação de Socorros Mutuo, e Caixa de Crédito Mutuo Agrícola
e Grémio da Lavoura.
Os Sindicatos dos Marítimos de
Salvaterra de Magos, e o dos
Trabalhadores
Rurais
do
Concelho de Salvaterra de
Magos, já tinham tido o seu
tempo, foram extintos, em 1933. A Caixa Mútua Agrícola, resistiu
ao tempo, funcionando agora também como instituição bancária,
em grandes instalações numa avenida da vila.
A oferta de dois livros escolares - um livro de leitura de
português, e um de geografia de Portugal, eram o inicio dos
apoios sociais daquela Instituição. Nem todas tiveram acesso a
tal “brinde”, apenas os filhos dos associados com a quota em dia,
o que era muito difícil naquele tempo. Era uma vaidade mostrar
aquela preciosa oferta, aos colegas de escola.
Pouco depois, foram alargadas as actividades sociais da Casa
do Povo, um médico da terra, passou a fazer consultas médicas
num pequeno gabinete preparado para o efeito. Na área
desportiva, passou a apoiar algumas tentativas, para a
organização de uma equipa de futebol, que a representa-se. A

119
Casa do Povo, inaugurada em 1935. numa instalação precária, 34
anos depois em Julho de 1969, viu-se alargada com um Pavilhão
Desportivo, uma colaboração da FNAT
Depressa um grupo de jovens que estavam interessados, na
prática do Andebol, modalidade, que trouxe alegrias para a massa
associativa da terra, através da Casa do Povo, durante os anos
da sua passagem pelo desporto cooperativo. No campo cultural,
também vincou a sua presença, com a passagem de filmes
didácticos, uma forma de entretinimento e ajuda a erradicar o
grande analfabetismo existente, na sua camada associativa.

Março: 2015

JOSÉ GAMEIRO
(José Rodrigues Gameiro)

120

A ORIGEM DA CASA DO POVO
DE SALVATERRA DE MAGOS
A implantação da República, tinha ocorrido havia já 20 anos, a
população de Portugal continuava a viver uma pobreza
desoladora, o povo de Salvaterra de Magos, a ela também não
tinha escapado.
Na terra não existiam instituições de apoio social e económico,
apenas o Montepio Geral, tinha aqui uma Delegação de Lisboa.
A população na sua maioria vivia do sustento do trabalho no
campo.
Os Invernos todos os anos deixavam
grandes marcas de devastação, pois o
tempo chuvoso muitas vezes começava
por volta do S. Martinho e só em Março do
ano seguinte levantava, era quando os
campos começavam a ficar secos das
cheias, e se iniciava um novo ano
agrícola. Os comerciantes locais, vendiam a crédito durante
aqueles meses, às famílias de menores posses que, só na
plenitude do Verão satisfaziam toda a sua dívida., pois os
trabalhos duravam até às vindimas. O Estado, naquele tempo
estava a implementar o aparecimento de Casas do Povo, na base
de uma nova reforma administrativa e social no país, onde o
trabalhador rural teria de ser associado, para terem direito a
algumas regalias.

121
As últimas greves, que assolaram o país, na indústria e no
campo, tinham deixado marcas profundas, nas classes rural e
operária. Os benefícios esperados nas Casas do Povo, tinham
por base, o auxílio na doença, no desemprego e velhice.
Na área cultural, a escolaridade obrigatória para crianças no
país, dava os primeiros passos. Os adultos recebiam apoios da
câmara municipal, nas diversões, especialmente na reliazação
nos bailes.
Um homem bom da terra, o benemérito, Gaspar da Costa
Ramalho, proprietário e lavrador, pensou ajudar aquela gente das
misérias que, ia passando e após grandes insistências junto do
poder político central, em 15 de Agosto de 1935, foi concedido
alvará, para criação de uma Casa do Povo, em Salvaterra de
Magos.
Em 6 de Outubro daquele ano, mobilizando boas vontades de
outros lavradores, fundou aquela instituição. Para tal
disponibilizou um seu edifício, na rua Cândido dos Reis, e
suportou o custo da renda no valor de 600$00 por ano, bem
como o ordenado de um funcionário.
Foi o seu primeiro presidente da Assembleia-geral, com
Francisco Ferreira Lino e Augusto Dias
A Direcção, ficou a cargo do: Presidente; António Neto,
Tesoureiro; Caetano Ferreira Vasco e José da Silva Sardinha,
como Secretário. Em 27 de Março de 1938, quando de novo
mandato, os seus órgãos estatutários, ficam constituídos assim:
Mesa da Assembleia-geral; José Adelino Fernandes da Silva,
Ernesto Avelar da Costa Freire e Augusto Dias.

122

Direcção: António Carriço, Jerónimo Ferreira Tabaco e Jerónimo
Duarte da Fonseca. Em Junho daquele ano de 1938, a instituição,
iniciou a sua actividade na assistência aos seus sócios
desvalidos, sobressaindo os apoios na doença.
Ainda mesmo fase do inicio da sua criação deu o contributo no
recrutamento de alguns jovens rurais para estarem presentes na
grande Exposição-Feira a realizar, naquele ano na cidade
Santarém. A delegação presente naquele evento ribatejano,
mobilizou campinos a cavalo, vestindo a preceito que estiveram
na parada de abertura. No cortejo etnográfico os trabalhadores
rurais do concelho de Salvaterra, incorporaram outros
representantes das freguesias, especialmente de Muge,
mostrando estes a forma da actividade de valadores. Quanto
aos da sede do concelho, mostraram alguns passes de dança,
com cantares e música apropriada como os Viras. Estes foram
ensaiados durante algumas semanas pelo membro da Comissão
de Salvaterra credenciada naquele certame – Rafael dos Santos
Gonçalves.
No campo do desemprego, a sua acção foi logo de início posta à
prova, confirmada no final do ano de 1937, onde 354
trabalhadores tinham sido apoiados, com distribuição por
diversos serviços, nas reparações de valados.
Nesta área de apoio, à criação da Casa do Povo à população
teve mais uma vez grande acção, Gaspar Costa Ramalho, que se
juntou à Junta Autónoma das Obras da Hidráulica Agrícola, e à
Junta. da Hidráulica do Tejo, que requisitaram trabalhadores da
vila, então considerados. os melhores Valadaros da região, para
recuperarem os valados junto ao Rio Tejo e Vala Real.

123

O Primeiro curso de ensino escolar para adultos, foi em
Novembro, com a ajuda do professor primário, Manuel Pinhão
Júnior, e teve a frequência de 36 alunos.

O EDIFICIO DA CASA DO POVO
Conhecendo a benemerência, que o lavrador Gaspar da Costa
Ramalho e outros lavradores, levavam a cabo junto dos

124
trabalhadores agrícolas, do concelho de Salvaterra de Magos,
pesou na decisão do ministro das Obras Públicas, em construir
um novo edifício para sede da Casa do Povo de Salvaterra de
Magos, que contou com o apoio da câmara municipal,
disponibilizando um terreno.
A obra, foi construída pelo estado, tendo o contributo de um
valioso auxílio do Grémio dos Armazenistas de Mercearias.
Nesta nova e moderna construção, passaram os sócios a terem
assistência médica e enfermagem, no campo desportivo, criou-se
uma equipa de futebol,
Mais tarde, um outro salvaterrense, Dr. Manuel Rebelo de
Andrade, que exercia a função governativa, de Subsecretário de
Estado das Corporações e Previdência Social, promulgou o DL
30710, que reformulou as obrigações das Casas do Povo
Deste documento, publicado em 1941, os dirigentes da Casa do
Povo de Salvaterra, retiraram grandes dividendos, passando a
uma nova fase da sua obra assistencial ao povo rural.
Tempos depois, aquele político, foi convidado e aceitou exercer o
cargo de Presidente da Assembleia-geral, e com o seu
desempenho mobilizou os outros dirigentes, a porem ao dispor
dos associados outras formas de auxílio, como: Auxilio na compra
de medicamentos, assistência nos Partos e Livros escolares aos
filhos. Em 1964, novos associados tomaram posse, nos cargos:
Assembleia-geral – José Lopes Ferreira Lino, Joaquim Pinto de
Figueiredo e Augusto Dias, Direcção – Francisco Ferreira Geada,
Jerónimo da Silva e Manuel Braga. Este grupo, deu andamento a
um projecto vindo de dirigentes anteriores, para a construção de
um pequeno bairro social., nos seus terrenos. O documento,

125
esteve em apreciação na câmara municipal, mas encontrou
dificuldades nas decisões do executivo municipal e, acabou por
não se concretizar.
Ainda naquele ano, nas traseiras do edifício sede, foi
construído um balneário que, os sócios usavam especialmente ao
fim de semana, para tomarem banho
O PAVILHÃO DESPORTIVO
Utilizando algum terreno ainda devoluto, a Federação Nacional
para a Alegria no Trabalho – FNAT, construiu e inaugurou no dia
20 de Julho de 1969, um pavilhão desportivo, conhecido pelo

1968 – Equipa de Andebol da Casa do Povo de Salvaterra de
Magos

126
Pavilhão do INATEL, nesta obra, como uma outra em Muge
muito se empenhou para a sua concretização, José Matias Pinto
Figueiredo, presidente da câmara municipal. No salão nobre do
edifício da Casa do Povo, todas a semanas, e para promover a
cultura através do conhecimento, os sócios tinham agora direito
a uma sessão de cinema, cujos filmes eram escolhidos e
fornecidos, pelos serviços da Secretaria de Estado da Assistência

Social.

1969 –As equipas de Andebol
na Inauguração do Pavilhão

Construção Pavilhão do
INTEL – Salvaterra de
Magos

127
Também uma equipa de Andebol, passou a vestir as cores da
sua camisola, pois um grupo de jovens tinha-se mobilizado para
tal fim, passando a competir no desporto corporativo. Com as
transformações verificada no país, após o golpe militar, ocorrido
em 25 de Abril de 1974, nas suas instalações foram realizadas as
primeiras Assembleias Municipais, que chegavam a durar dias e
horas a fio.
Um tempo depois, foram “requisitadas” e passaram a estar ao
serviço do novo sistema da Segurança Social. A estrutura inicial
da Casa do Povo de Salvaterra de Magos, estava assim
condenada a desaparecer, como instituição de apoio ao
trabalhador rural. Agora para recordação da Casa do Povo de
Salvaterra de Magos, apenas existem a fachada do edifício, foi
conservada, tendo no seu interior, para decoração, a telefonia,
um antigo relógio de parede, para além de alguns troféus,
conquistas gloriosas dos seus atletas de Andebol.
Nos anos que se seguiram o edifício, passou a ser adaptado
conforme as necessidades dos novos serviços ali instalados, as
salas e gabinetes existentes deram lugar a um amplo espaço., no
seu interior. Nos dias que correm, para recordação do que foi a
Casa do Povo de Salvaterra de Magos, apenas a fachada do
edifício, foi conservada e, no seu interior, ainda bem pouco tempo
ali se conservam, uma telefonia, um antigo relógio de parede
para além de alguns troféus, conquistas gloriosas dos seus
atletas de Andebol.
O RANCHO FOLCLÓRICO DA CASA DO POVO

128

Em 1980, o Rancho Folclórico da Casa do Povo de Salvaterra
de Magos, depois de muitos ensaios, desfilou pela principal
avenida da vila, e fez a sua apresentação pública, na praça de
toiros local, no dia 1 de Maio. Um dos seus primeiros dirigentes,
resistiu a muitas vicissitudes próprias destes agrupamentos,
como foi o caso de António Feliciano da Costa Jorge (António da
Micaela), mais tarde ajudado por João Manuel Ferreira Monteiro
(João Monteiro), que só deixaram de estar presentes quando a
morte os levou,
De inicio e durante alguns anos o Rancho mostrava a
indumentária do campino e da camponesa, em dias de festa.
divulgando a música e cantares do povo rural desta terra, que
viveu em plena Lezíria Ribatejana, e que foi entrando em
decadência com a entrada da mecanização no mundo rural no
dobrar do séc. XX, Era um cenário, que encantava o espectador,

129

mas mostrava apenas uma parcela do grande universo na
questão da cultura do povo da Lezíria ribatejana.
A indumentária, danças e cantares, mesmo que lentamente não
ia resistindo à entrada de novo hábitos, especialmente do povo da
Beira Litoral (Barrões) que em grandes ranchos, especialmente
de mulheres (jovens moças) vinha para as terras da borda
d`água trabalhar, por períodos de seis meses muito antes dos
finais do séc. XIX, e ainda requisitada a sua presença no dobrar
do séc. XX
Com a sua filiação na Federação do Folclore Português, para
daí obter os necessários apoios, teve o Rancho Folclore da Casa
do Povo de Salvaterra de se sujeitar a mostrar todo esse
potencial de riqueza etnográfica.

130
Durante o seu já longo historial, vai o Rancho da Casa do Povo,
anualmente satisfazendo os convites para actuações no país e no
estrangeiro, ostentando orgulhosamente prémios obtidos, mesmo
em competições europeias.

Ainda com a presença daqueles dois colaboradores, que a
morte levou prematuramente, os componentes do Rancho
viveram a alegria de verem a construção de um edifício, que
alberga a sua sede e espaço para os ensaios, uma obra que
recebeu grande contributo do executivo camarário, chefiado por
Ana Ribeiro.
As Costureiras
Em Salvaterra de Magos, na primeira metade do séc. XX, uma
mão cheia de mulheres costureiras existiam a fazer roupas dos
rurais, através de modelos que vinham do século anterior. O seu
corte era a prática que lhe foi transmitido pelas gerações

131
passadas, através de roupa usada pela clientela para servir de
tamanho e feitio
Algumas ajeitavam-se para a feitura do calção, colete e jaqueta,
traje de festa na terra. e até sabiam bordar as lindas ramagens
(desenhos) nas costas destas últimas. As meias de lã, das
Camponesas e dos Campinos, para aqueles dias domingueiros,
eram feitas pelas esposas e filhas já maduras de idade. As
raparigas mais novas enquanto namoradeiras também as
ofereciam ao namorado campino
. Na sua feitura, usavam duas agulhas e não deixavam de fazer
bonitos desenhos, sendo os novelos de lã comprados nas lojas de
retrosaria da vila.
Nos anos de 70, já eram poucas as costureiras especializadas,
uma ou outras dedicavam-se à roupa interior Homem e Mulher)),
caso de Edla da Silva, que morava na rua de Água,, muitas vezes
vista costurando à porta..

Edla da Silva – costurando à porta – rua d`água – 1967

132
*Foto de Eduardo Gageiro (Revista Seculo Ilustrado)

1970 - Mulher à soalheira – costurando
* Foto José Gameiro ( Rua dos Quartos)

OS TRAJES USADOS
Quando do aparecimento do rancho folclórico da Casa do Povo
de Salvaterra de Magos, em 1980, recorreu-se a uma das últimas
costureira, que ainda sabia fazer este tipo de roupa, a idosa
Elvira Santana. Era um vestuário do início
do século XX, e ainda muito vestido até ao
dobrar do século. A saia da mulher tinha
uma roda (4 panos), franzida na cintura por
um cós. A saia de castor, de cor vermelha,
era usada por debaixo, na segunda posição.
Nos anos seguintes já depois da segunda
metade só se usava nos dias festivos.

133
A famosa saia de castor (hoje, conhecido como feltro de 15),
tinha sido reduzido para três panos.
No rodado da saia, mais tarde, já em 1960, era usual ver-se o
tecido de nome “riscado”, na confecção das blusas (camisas),
das mulheres e camisas dos homens, entrava a “populina”.
O rancho folclórico da Casa do Povo, sendo o garante da
preservação e divulgação desta forma de vestir do nosso povo,
usa-as nas suas actuações,
A mulher camponesa vestia assim: * Lenço de algodão com
ramagens. * A camisa de piqué, com espigas e papoilas bordadas
à mão, colarinho redondo e justa ao corpo. * A saia era de tecido
de baeta vermelha, com barra bordada a ponto cruz com linha
algodão preto, era toda pregueada.

Traje Domingueiro da Mulher,
em Dia de Festa
* Normalmente a
camisa quando era
despida as pregas
alinhavavam-se com os
dedos, ao meio e em
baixo,
colocada de
seguida debaixo do
colchão para que
ficasse sempre direita sem ter de ser passado a ferro.

134
O avental era de tecido de marino preto, bordado à mão em tons
de amarelo e azul, para sobressair sobre a saia vermelha. * As
meias eram compridas, com canhão até ao joelho, de fio de
algodão branco, feitas à mão e usadas apenas com o traje de
gala. * Os sapatos, feitos em cabedal de cor preta, tinham salto
de prateleira, embora mais pequeno, que o do homem.

Toda a roupa interior de pano branco, sendo a saia franzida com
o folho, e bordado que era também franzido para dar mais roda à
saia * O avental era de tecido de marino preto, bordado à mão
em tons de amarelo e azul, para sobressair sobre a saia
vermelha. * As meias eram compridas, com canhão até ao joelho,
de fio de algodão branco, feitas à mão e usadas apenas com o
traje de gala. * Os sapatos, feitos em cabedal de cor preta,
tinham salto de prateleira, embora mais pequeno, que o do
homem * Toda a roupa interior de pano branco, sendo a saia
franzida com o folho, e bordado que era também franzido para
dar mais roda à saia.

135

*******************
**********
A REPRESENTAÇÃO DO CONCELHO DE SALVATRRA

NA EXPOSIÇÃO DE SANTARÉM - 1935

Naquele tempo era usual o tecido conhecido por “chita”, no
vestuário da mulher, e o homem, no Verão Cotim
(cinzento/militar), e no Inverno usava calça de tecido grosso
(Sarrobeque / ou Xarrobeque – no dizer do povo)), de cintura
alta, camisa de colarinho alto, barrete preto e colete branco/ou
preto. A calça e camisa eram apertadas por uma cinta de cor
preta, bem como na mulher, cuja cinta fazia levantar um pouco o
rodado da saia junto ao chão.

136

1) –
A mulher
que antecede, o
Homem são os
pais do autor
(Felisbela Lopes
Rodrigues e José
Gameiro
Cantante), e a que
está a seguir é
sua tia/Madrinha
(Maria
Lopes
Rodrigue(Maria
Ferreirinha)

O RANCHO FOLCLÓRICO TRABALHADORES
DE SALVATERRA

O entusiasmo pelos usos e costumes ficou nos participantes do
Cortejo de Santarém, de 1935, - Núncio Costa e sua mulher, e
por diversas vezes tentaram organizar agrupamentos folclóricos,
que mostrassem a sua terra – Salvaterra de Magos. Por volta
de 1959, a sua iniciativa teve êxito apareceu, o Rancho Folclórico
dos Trabalhadores Rurais de Salvaterra de Magos, que durou
alguns anos
Mais tarde em 15 de Maio de 1981, apresentou ao público, num
espaço do Jardim Infantil da vila, um novo agrupamento de
jovens, a que deu o nome - Rancho Infantil dos Trabalhadores de

137

Salvaterra de Magos. Após o seu 11º festival, realizado em 8 de
Agosto de 1992, não resistiram e ambos acabaram

**************************
Traje do Campino
* Barrete verde, com cercadura vermelha.
* Colete vermelho, ou azul, atado com cordões na frente
enfeitados com botões metálicos, mostrando nas costas,
desenhos genuínos, feitos muitas vezes por familiares O ferro da
casa agrícola (de que era trabalhador) era usado, no peito (lado
esquerdo), em ferragem latão/cobre, em forma de brasão ou
emblema. * A cinta vermelha, de lã com franjas, tinha a função

138

de apertar o corpo para proteger o campino. * A camisa branca
era justa de colarinho redondo * O calção, de fazenda rapada
azul-escuro, era enfeitado com botões metálicos do lado de fora
da perna. A meia era feita em algodão, tendo no canhão, desenhos
feitos por familiares.

***************************************

139

ALGUMAS QUADRAS DO REPORTÓRIO
DO RANCHO DA CADA DO POVO
Lindos são os campos
*Bebendo no rio como s empre o vejo !
* Tão belos os prados, que eu fico pensando,
Lindos são os campos do meu Ribatejo !
Campina Chorando

* Eu vi o meu bem chorando, Com alegria sem par !
Com graça fiquei pensando, Não sabe rir sem chorar !
* Vi a videira vestida, O cacho a ela se agarra !
Tiram-lhe o fruto em seguida, O vento lhe leva a parra !
Eu sempre tive saudades, Das horas que vão passando !
Desta vida, da verdade, Desta campina chorando
Ver o Ribatejo
* És para mim tão lindo, * Hó meu Ribatejo !
* Lindas as verduras, * Que tens Léz a Léz !
* Vai passando o tempo, Mas sempre o teu Tejo !
* Vai beijando as margens, Com suas marés !
* Esse lindo gado, no campo pastando,
* Bebendo no rio, como sempre o vejo !
* Tão belos os prados, que fico pensando,
* Lindos são os campos do meu Ribatejo !
Aguadeira
* Se fores à fonte, conta comigo!

140
* Se lá não vais sofro castigo!
* Aí que castigo tu vais sofrer!
* Pois Aguadeira eu não volto mais a ser !
Cheias no Ribatejo
* Mulher, a cheia não vaza, Temos água em casa,
o que vai ser de nós !
Eu sei, tu vais para a rambóia, Digo que, ando à bóia,
e levantas-me a voz !
* Tu vês, tudo isto passa, E sempre com graça a Primavera
vêm !
São lindas papoilas garridas, De dia floridas a graça que tem
(Bis)
* São belas, são lindas e não me causam dor, São sempre
bem vindas, na Primavera em flor !
* Com a cheia em casa, te digo meu bem* Se a maré não
vaza, daqui bato a asa ! * E a graça que tem !
* Tu vês, a cheia vazou,* Já tudo passou eu tinha razão !
Pois é só que tu não vês * Mas eu desta vez deixo o
casarão !* Tu vês tudo isto passa, * E sempre com graça
que Primavera vem !
São tão lindas papoilas garridas, De dia floridas a graça que
tem ( Bis )
Olha o Melro
*Plantei um milho no relvado Veio um Melro se
assentou (bis) *O Melro sai de cima Que meu milho
desfolhou (bis) Passaram-se os sete dias Mudei-me
prá outro lugar Junto ao rio eu semeei * Mas o
Melro quis voltar

141

BIBLIOGRAFIA USADA:
* Artigos do Autor, publicados, no Jornal Vale do
Tejo – JVT
* N.º I - O Concelho de Salvaterra de Magos – Seu
Povo, sua cultura! JVT N.º 129 – 1997/10/23
* Nº II - Salvaterra de Magos – O Rio Tejo na sua
rota cultural - JVT N.º 130 1997/11/06
* N.º III - O Trabalhador rural, e a sua condição
sócio económica! JVT N.º 131 - 1997/11/20
* N.º IV - O Povo Salvaterrense em busca da sua
cultura JVT Nº 133 -1997/12/18
* N.º V - A Agropecuária em Salvaterra de Magos
(1870-1935) - JVT N.º 134 * Nº VI- Usos e costumes
de um povo rural ! - JVT N.º 135 - 1998/01/15
* N.º VII – Ditos Populares !
JVT Nº 136 –
1998/01/29
* N.º VIII – Folclore, uma cultura a preservar! JVT N.º 137 – 1998/02/1
* N.º XIX – Salvaterra de Magos – Sua riqueza
florestal - JVT N.º 140 – 1998/03/26
* Anais de Salvaterra “José Estevam – 1959,
Edições Couto Martins
Fotos publicadas neste número:
Do Autor * Autor Desconhecido (A/D) * Eduardo
Gageiro (Revista Seculo Ilustrado) * Boletim da
Junta Geral do Distrito de Santarém - 1936

142

143

CADERNO DE APONTAMENTOS N.º 28
Documentos para a História
da
SALVATERRA DE MAGOS
Séc. XIII – Séc. XXI
Património:
Geográfico, Monumental, Cultural,
Político, Económico e Desportivo

Social,

144
O Autor:
JOSÉ GAMEIRO
(José Rodrigues Gameiro)

Primeira Edição
FICHA TECNICA:
Titulo:
A ORIGEM DA SOCIEDADE COLUMBÓFILA SALVATERRENSE !
Tipo de Encadernação: Brochado – Papel A5
Autor: Gameiro, José
Colecção: RECORDAR,TAMBÉM É RECONSTRUIR
Editor: Gameiro, José Rodrigues
Morada: B.º Pinhal da Vila – Rua Padre Cruz, Lote 49
Localidade: Salvaterra de Magos
Código Postal: 2120-059 SALVATERRA DE MAGOS
ISBN:
978– 989 – 8071 – 29 – 3
Depósito Legal: 256494 /07
Edição 100 exemplares – Março 2007

***********************
2ª Edição em PDF Revista e Aumentada Março 2015
***********************
O Autor não segue neste texto o acordo ortográfico 1990
Contactos: Tel. 263 504 458 * Tem. 918 905 704

145
E-mail – josergameiro@sapo.pt
Fotos da Capa: Ano: 2000 * Fachada do Edifício da
Sociedade Columbófilas Salvaterrense

O Meu Contributo
A Columbofilia como desporto,
na sua já longa existência em
Salvaterra de Magos, viveu uma
das suas mais notórias fases de
vida associativa, a partir da
segunda metade do século agora a findar. Nesse
tempo, houve necessidade de motivar entre a
população, novos adeptos para este hobby, e nos
muitos que entraram, encontrava-se o meu pai, José
Gameiro Cantante. Assim, na minha infância, tendo um
pombal em casa, passei a conviver com os pombos e,
muitas vezes para além da limpeza das instalações,
também fiz de estafeta. O meu gosto pelas aves e pelo
hobby columbófilo ficou !
De muito cedo, colaborei em publicações da
especialidade, divulgando os resultados obtidos pelos
pombos. nos concursos, semanais e seus donos –
foram muitas horas e sono e de escrita consumidas
nesta causa. Por volta de 1968, fiz-me columbófilo,
pratica que durou longos anos, assumindo até o papel
de dirigente columbófilo local, onde fiz a edição e
publicação de um BOLETIM INFORMATIVO, da
colectividade, que era distribuído aos sócios
gratuitamente
Vários jornais, dele se serviram pelos
temas focados, como o Jornal de Gaia, em Julho de
1985. Um outro hobby, em 1991, a Ornitologia passou

146
a ter mais um praticante – desisti da Columbofilia.
Agora sete anos passaram é altura de uma nova edição
revista e aumentada.
Março: 2015
JOSE GAMEIRO

SOCIEDADE COLUMBÓFILA
SALVATERRENSE
Historial
O Pombo é, das aves mais antigas que o homem domesticou,
sendo da família dos columbinos, foi no pombo das rochas, que
se encontrou aquele com maior resistência e sentido de
orientação. Já no ano 1.000 a.C. se utilizava o pombo para
comunicar a longas distâncias.
Na Grécia antiga, quando da
realização dos seus jogos
olímpicos, ele era utilizado para
levar as notícias dos vencedores,
desde os locais das disputas. Na
guerra, quando da derrota de
Napoleão em Waterloo, a notícia
chegou a Londres. através desta ave, o que também aconteceu
com os jornalistas, que o utilizaram para fazer chegar aos
jornais, os acontecimentos ocorridos nas I e II guerra mundial.
A columbofilia, como desporto tem as suas raízes conhecidas
na Bélgica, tanto em Antuérpia, como em Liege, se utilizava o
pombo-correio,
como
hobby,
em
competições
desportivas/concursos, nos finais do séc. XIX. Sendo um
desporto, onde o virtual praticante é o pombo, o homem na
qualidade de “manager”, tem um papel preponderante, o que o
obriga a conhecer um pouco de zoologia.

147

****
Na foto – Em 1955 * José Gameiro, recebe os prémios de seu pai – José Gameiro
Cantante

O pombo-correio, é uma ave de pequeno porte, pesando entre
450 a 500 gramas, consegue no entanto e, com tempo de feição,
fazer percursos de fundo e grande fundo na linguagem
desportiva.
Um pombo de um praticante desta colectividade, na década de
70, fez um voo de 600 Kms, num concurso, à velocidade média de
1.250.630 metros, por minuto.
O pombo, ao longo dos tempos sofreu constantes cruzamentos,
tendo-se conseguido uma ave potencialmente mais veloz e, com
um poder de orientação mais evoluído., estando a prática da
columbofilia ramificada por todo o mundo

II
A ORIGEM
No princípio deste século, consta que alguns portugueses de
posses mais abastadas, fizeram a introdução de alguns pomboscorreio, em Portugal, vindos da Bélgica, sendo destinados à
reprodução, dando origem às primeiras colónias em pombais
particulares.

148
Depressa é adoptado por todas as camadas sociais, e nos
maiores núcleos populacionais do país, são constituídas
colectividade/grupos columbófilos.
Em Lisboa, em 1927, é constituída a Sociedade Columbofilia do
Centro de Portugal, e é aí que José Vicente da Costa Ramalho,
abastado lavrador nesta terra, foi-se inscrever como associado
para voar os seus pombos-correio.
Costa Ramalho, fazia chegar os seus pombos a Lisboa, por
caminho-de-ferro, via estação de Muge.
Às sextas-feiras, fazia deslocar àquela estação, um carro
atrelado a um cavalo, transportando os cestos de verga, com as.
aves Recebidas naquela colectividade, eram registadas e depois
de serem portadoras de uma anilha de borracha numerada,
seguiam viagem para várias localidades do país, servidas por
caminho-de-ferro, onde eram soltas no domingo de manhã.

Nesta segunda fase, o entusiasmo por este desporto,
depressa fez “nascer” muitos pombais nesta zona do Ribatejo, e
uma delegação daquela colectividade lisboeta, foi instalada em
Salvaterra de Magos, conforme se pode apreciar numa acta de
reunião, de 13 de Maio de 1932.
“Às vinte e duas horas no dia treze de Maio de mil novecentos e
trinta e dois, reuniram-se em assembleia geral, na sede do
Grémio Salvaterrense, devidamente sedida para este fim, e pela
nomeação dos sócios gerentes foi “nomeada” uma comissão dos
digo nomeados os seguintes sócios senhores Justiniano Ferreira
Estudante, José Vicente Costa Ramalho, João Roberto Ferreira

149
da Fonseca, afim de procederem à eleição dos corpos gerentes
que hão de gerir os destinos da Delegação, durante o presente
ano, bem como a aprovação seguinte: quota da sociedade; foi
junto aprovado o seguinte: Procedendo à eleição foi dado o
seguinte resultado: Concelho Executivo; Presidente, João Roberto
da Fonseca, Secretário; Silvio de Figueiredo, Tesoureiro
Justiniano Ferreira. Concelho Técnico, Presidente José Vicente
Costa Ramalho, Secretário: António Mendes; Vogal, Jacinto Lopes
Magalhães. Assembleia Geral; Presidente, José Sabino d`Assis; 1º
Secretário, Joaquim Nunes; 2º Secretário, José Luis Mendes:
Mais foi aprovado que a quota da Delegação ... de 2.50, e a joia
de entrada de 5.00, foi autorizado a confecção de um carimbo de
borracha e o aluguer de casa para a Delegação. Nada mais
havendo a tratar, foi pelo presente encerrada a sessão, pelo que
vai ser assinada pela comissão que presidirá à reunião e por
todos os sócios presentes.* Justiniano Ferreira Estudante * José
Vicente Costa Ramalho * João Roberto Ferreira da Fonseca*
João Ferreira Vasco * António Augusto Cabaço * José Luís
Pinheiro * José Luís Mendes * Jacinto Lopes Magalhães *
Fernando de Sousa Marques * Joaquim Luis Nunes * Fernando
Luiz Neves * Beningo Gonçalves * Manuel Lopes Gonçalves Júnior
* Rafael Fernandes Roquette * António Mendes dos Santos”
Nos concursos elaborados, pela Delegação de Salvaterra, para
além dos muitos nomes atrás referidos, um outro se lhes tinha
juntado, Gonzaga Ribeiro, acabado de aqui se instalar como fiscal
das obras da Barragem de Magos. De terras vizinhas, vieram:
Carlos Sabino Paim, Vitor Caratão, José Rico Raio, de Benavente,
João Figueiredo Tomás, de Coruche, Domingos Teodoro, e Lúcio
David, Muge. O desporto Columbófilo, depressa passou a ser um
desporto de massas, sendo a terceira grande modalidade
desportiva implantada no nosso País. Não foi por acaso, que o

150
pombo-correio passou a ter no Dec.-Lei nº36.767 de 28/02/48,
a necessária protecção

III
Com o progresso constante, houve necessidade de modificar
as infra-estruturas existentes, a Delegação, existente da
Sociedade Columbofilia do Centro de Portugal (Lisboa), trazia
grandes dificuldades, quer no alinhar e encestamento dos
pombos, quer na obtenção dos resultados classificativos em
tempo útil. Em 10 de Dezembro de 1949, é criada a Secção
Columbofilia, no Clube Desportivo Salvaterrense, e filiada na
Distrital de Évora..

- Pombal Costa Ramalho e Pombos Fabry
Tratador: Francisco Santa Bárbara –

151
Armando Oliveira, junto ao novo Pombal – 1968

Pombal: João António Nunes da Silva – 1974

Pombal de José Gameiro,
com novo sistema de entrada livre - 1978

João José Naia, no seu pombal

152

1)- Pombo, Lilás, de António Monteiro (António Borrego),
campeão Olímpico em Inglaterra, ganhou Anilha de Ouro
para Portugal – 1999
2– Pombo Azul Listado, do mesmo criador, premiado nas
mesmas Olimpíadas
3) – António Monteiro, orgulhosamente mostra o seu pombo
Lilás, campeão Olímpico
4) – Nelson Caleiro, com um seu pombo campeão na
colectividade Salvaterrense

153

1983 - O Presidente da Câmara de Salvaterra, entrega
medalhas do concelho, aos antigos columbófilos – Ezequiel
Inácioe Manuel António Morais
José
Sardinha,
Vida Columbófila
da

Reportagem Revista
com o autor, na sede

Columbófila

Salvaterrense

154
Irmãos, José Manuel e João Silva Ferreira, marcaram um
tempo de grande actividade, na Sociedade Columbófila
Salvaterrense

Nesta fase de mudança, tiveram papel de relevo, os Eng. Carlos
Costa Freire, Jacinto Lopes Magalhães, Joaquim Damásio, João
Ferreira Vasco, Dr., Inácio Sequeira Nazaré, Alfredo Lopes
Magalhães, Silvio Augusto Cabaço, Victor Cabaço e Carlos Santos
Borrego. O primeiro, trazia de Inglaterra, um novo sistema de
treino diário, das aves, sobre o pombal.
Amiúdas vezes, o pombal de Costa Ramalho, recebia comitivas
de columbófilos, para apreciarem os seus pombos e instalações
que, na época eram um atractivo. Os grupos, aproveitavam a
visita, para confraternizarem e desfrutarem das iguarias
culinárias e vinhos da terra
Foi neste tempo que o Coronel; Óscar Morta militar na
carreira de transmissões e columbófilo teve grande influência do
começo da columbofilia nos quartéis militares. Os concursos de
grande distância, como: Madrid e Marrocos, também tiveram a
sua experiência, sendo acompanhados de perto pelo columbófilo,
o Capitão Fontes Veiga. O então famoso criador belga, George
Fabry, vindo a Lisboa, promover alguns produtos destinados aos
pombos, produzidos na sua farmácia, deslocou-se a Salvaterra
de Magos, para conhecer pessoalmente Costa Ramalho, onde foi
com afectiva simpatia recebido, por este e pelos columbófilos da
terra. Reconhecendo tal estadia, alguns meses depois envia a
José Ramalho, alguns borrachos e ovos, da sua vasta colónia de
pombos.

155

IV
A NOVA COLECTIVIDADE
Em 19 de Janeiro de 1951 (acta nº2), em Assembleia Geral, os
Columbófilos de Salvaterra de Magos, deram mais um importante
passo neste desporto, foi criada a Sociedade Columbofilia
Salvaterrense que, concretizaram em 9 de Outubro de 1952, com
a escritura pública dos seus estatutos.
Nesta nova fase e rejuvenescimento entram para sócios da
colectividade entre outros, José Gameiro Cantante, seu irmão
Manuel Galricho, Manuel da Graça, António José Damásio, José
Maria Soares (José Diogo) e José Manuel Damásio Cabaço.
.
Durante o seu já longo historial do meio século, tem nos muitos
praticantes que nela passaram, pessoas que a souberam honrar
e dignificar, quer pelos seus resultados desportivos, quer pelo
empenho, que sempre demonstraram neste hobby e, não será
demais aqui divulgar o nome de muitos deles:

José Miguel Borrego, Manuel Nunes, Fernando Sousa Marques,
António Mendes dos Santos, Jacinto Lopes Magalhães, José
Vicente da Costa Ramalho, Eng. Carlos Costa Freire, Dr. Roberto
Ferreira da Fonseca, João Ferreira Vasco (o Varolas), Virgolino
Gonçalves Castanheira, Rafael Roquette, Manuel António Morais,
Ezequiel Inácio, Armando Rafael Oliveira, Luís Gameiro, Manuel
José Gonçalves, as duplas Soares e Suissas, Ferreira e Monteiro,
os Irmãos Ferreira (José António e João Manuel Ferreira), Júlio
Pratas do Peso, José Rafael Oliveira e João António Nunes da

156

Silva, entre outros que a memória tem dificuldades em mostrar à
luz do dia.
Anos depois, António Monteiro (António Borrego), praticante
da modalidade desde a sua juventude, ainda mais se destacou,
conseguindo em 1999, com as suas aves estar presente, nas
Olimpíadas Europeias, realizadas em Blackpool, na Inglaterra, e
trazer para Portugal uma medalha de Ouro. Com o passar dos
anos, amiúdas vezes um ou outro praticante se destacaram, caso de
Nelson Caleiro, José António Travessa e Pedro Lopes.

V
A NOVA SEDE
Desde o inicio, a sede da colectividade, foi ocupar uma
dependência cedida pela Legião Portuguesa, na rua Machado
Santos, passando para outras alugadas que não satisfaziam o seu
desenvolvimento, assim começou a fervilhar entre dirigentes e
associados o desejo de
um edifício próprio, o
que veio a acontecer
com a aquisição de
uma velha casa na
Trav. João Gomes.
Depressa, foi pedido
um
empréstimo
bancário, e a obra começou, com o apoio de muitos sócios,
especialmente de jovens, que se juntaram aos colegas pedreiros,

157
Foi um período de grande euforia esta que se viveu na construção
do novo edifício, o entusiasmo era tanto que uns meses depois a
obra estava concluída.
Era o orgulho de todos, aquela moderna sede não deixou de ser
visitada por gente columbófila de todo o lado. Alguns encargos
financeiros ficaram por saldar, e novamente foi de por mãos à
obra, e um grupo dos mais afoitos esteve a explorar um pavilhão
que serviu de “Tasquinha”, nas festas da terra.

Num determinado tempo, um grupo de associados, que
praticavam a pesca desportiva,juntaram-se com outros não
afectos à colectividade, e nesta foi criada uma secção daquela
modalidade. Foi uma experiência pouco duradoira, dois anos
depois estava dissolvida.
No seu activo, a SCS, além de muitas exposições e leilões, tem
o orgulho de ter sido escolhida para no ano de 1974, realizar uma
Exposição Nacional, o que lhe mereceu receber os maiores
elogios pelo esforço e dedicação dos seus dirigentes na
realização da mesma. o autor também participou na organização
deste evento na parte”Administrativa”, culminando o evento com

158
a presença de um representante do governo, e além da
Federação da columbofilia nacional juntaram-se convidados num
almoço realizado no Restaurante Típico Ribatejano, onde foram
distribuídas lembranças aos responsáveis pela concretização da
exposição.

159

VI
A SUA DIVULGAÇÃO
Desde muito cedo, quando jovem, o autor começou a
divulgação os feitos dos pombos, e dos columbófilos de
Salvaterra de Magos, nas páginas de jornais como: Aurora do
Ribatejo, e outros órgão da zona ribatejana. As revistas da
especialidade, também passaram a contar com a nossa
colaboração. Foram horas e horas de escrita, muitas vezes à
mão, com os portes do correio por nós suportados. Aí, tomei
contacto com José Sardinha, columbófilo e respeitado cronista
que, me confidenciou nutrir por Salvaterra, e seus columbófilos,
uma especial simpatia, desde a visita que tinha feito ao pombal de
José Ramalho, no ano 1948, integrado na comitiva que Fabry ali
tinha feito. Devido à sua fácil escrita não tive dúvidas em
recomendá-lo ao Jornal “Correio da Manhã”, que estava dando os
primeiros passos no parque jornalístico de Lisboa.
Tempos depois, em 1982, convidei este credenciado cronista a
visitar novamente esta vila, e o seu meio columbófilo, pois era o
responsável pela revista “Columbofilia”, grande meio de
comunicação deste desporto alar, na época. Da sua estadia, os
sócios da colectividade salvaterrense, viram publicadas nas

160
páginas do número 6 do mês de Julho, da Revista Vida
Columbófila, uma reportagem com entrevistas.
Não quis no entanto, José Reis Sardinha, de num gesto de
simpatia, num espaço da sua crónica, de nos dirigir algumas
palavras que muito nos confortou.

UMA PALRAVA AMIGA:
“AO ZÉ GAMEIRO – COM UM ABRAÇO “

“ Se existem campeões mercê do
exclusivo feito dos seus pombos –
também os clubes estão cheios de
outros “campeões” que não subindo ao
podium, nem por isso são menos dignos
da consideração.
São aqueles que enamorados pelo feitiço columbófilo, enquanto
entretenimento dão tudo o que têm lá dentro em dedicação,
esquecendo quase sempre os seus próprios interesses.
Os campeões desportivos recebem taças, medalhas, dinheiro –
tudo isso embrulhado em jubilosos abraços e aplausos de quem
sobe a ladeira da glória; os outros, os cabouqueiros dos clubes,
aqueles que endireitam as veredas por onde os outros passam,
remetem-se ao anonimato e, muitas vezes, a sua recompensa
final é um cruel e sonoro pontapé no sítio onde as costas
acabam.
Cremos (e desejamos) que, Salvaterra seja neste aspecto, um
oásis no deserto, onde moram essas mais que frequentes

161
ingratidões. De qualquer modo não podemos deixar de registar o
nome de um HOMEM – José Gameiro – que hoje, a entrar nos
quarenta, e desde os 16 anos um “campeão” na divulgação
Columbófila, levando a toda a parte, pela palavra escrita, a voz
dos columbófilos seus conterrâneos.
Em mil sítios e por mil formas essa voz está gravada. Filho de
um velho columbófilo, José Gameiro Cantante, que chegou a ser
sócio número 4 da Sociedade Columbófila local.
José Gameiro, possui um pequeno pombal com 20 pombos e
joga-os sem qualquer preocupação de resultados. Enamorado
das coisas da sua terra, possui uma rica e numerosa biblioteca,
guião da história, de ontem e de hoje, das terras de Salvaterra.
Correspondente de vários jornais – quando era difícil sê-lo incluindo está bem de ver, a nossa Revista Columbófila.
A RDP e a TV, já se têm aproveitado dos seus conhecimentos,
para saber coisas lá do burgo. Sendo um autodidacta, é como
empregado de escritório, que no trabalho e pelo trabalho ganhou
as esporas do traquejo jornalístico, José Gameiro, tem dedicado
um grande carinho à divulgação do ideário columbófilo.
Saber reconhecer, estar pronto a dizer um OBRIGADO, AMIGO !
não fica mal a ninguém.
Assim – e só assim! – Entendemos a vivência desportiva.
É por isso com um sonoro HURRA!.... HURRA!....
de amizade, aqui deixamos uma muita singela homenagem ao Zé
Gameiro, faxemos votos para que o seu “namoro” com a
columbofilia e, com as coisas da sua terra, continue por muitos e
muitos anos ....”

162

**************
***************

BIBLIOGRAFIA USADA:
Jornal “Aurora do Ribatejo”
Jornal “Diário do Ribatejo”
Jornal “Mundo Columbófilo”
Revista “Causa Columbófila”
Revista “Desporto Columbófilo”
Jornal Militar “Motores em Marcha”
Revista “Vida Columbófila”
Jornal “O Século”
Jornal “Mundo Columbófilo”
Jornal “Correio da Manhã”
Jornal Vale do Tejo
Pesquisa em documentação avulsa

Nota: Os trabalhos sobre a divulgação deste hobby
em Salvaterra de Magos, inseridos nos títulos da
comunicação social, acima mencionados, são do
autor.
Fotos: Causa Columbófila – Revista
Vida Columbófila – Revista

163
Columbófila - Revista
Do Autor
**********

164

CADERNO DE APONTAMENTOS Nº 29
Documentos para a História
de

SALVATERRA DE MAGOS
Séc. XIII – Séc. XXI

Património:
Geográfico, Monumental, Cultural,
Político, Económico e Desportivo

O Autor :
JOSÉ GAMEIRO

Social,

165

Primeira Edição
FICHA TECNICA:
Titulo:
A ORIGEM DOS BRASÕES NO CONCELHO
Tipo de Encadernação: Brochado – Papel A5
Autor: Gameiro, José
Colecção: RECORDAR, TAMBÉM É RECONSTRUIR !
Editor: Gameiro, José Rodrigues
Morada: B.º Pinhal da Vila – Rua Padre Cruz, Lote 49
Localidade: Salvaterra de Magos
Código Postal: 2120-059 SALVATERRA DE MAGOS
ISBN:
978– 989 – 8071 – 30 – 9
Depósito Legal: 256495 /07
Edição 100 exemplares – Março 2007

***********************

166

Fotos da Capa: - Fachada dos Paços do Concelho de Salvaterra
de Magos, com o Brasão Pedra da rainha D. Maria II

167

*********************
2ª Edição Revista e Aumentada – Março 2015
***************************
Contactos: Tel. 263 504 458 * Telem. 918 905 704
E-mail: josergameiro@sapo.pt

***************************
O Autor deste texto não segue o acordo ortográfico – 1990

168

O MEU CONTRIBUTO
Entre os meus 8 a 12 anos de idade, morava no Botaréu da Capela da
Misericórdia e muitas vezes entrei num Palacete ali próximo.
Era um grande edifício, que foi Solar do
barão de Salvaterra, de que descende a
família Viana Roquette. Na parede exterior
do edifício, encontrava-se um brasão de
pedra, que me fascinava, demorando tempos
sem fim, a tentar dele fazer uma leitura. Em
1956, era tempo de Verão, na fachada dos
Paços do Concelho, por ali andava em arranjos de conservação do
edifício, o pedreiro, Luís Palma, descendente de Mestres-Pedreiros;
família Palma, que me informou que, seu avô talvez, uns 30 anos antes,
fez a (re)colocação do Brasão em Pedra na fachada do edifício, pois
tinha estado numa arrecadação municipal, depois de retirado (também
por ele, seu avô), logo após a implantação da República, em 1910.
Segundo alguns documentos aquela construção integrava o património
pessoal da Rainha D. Maria II, em 1836. O Brasão é uma peça
trabalhada em quatro blocos, disse-me aquele pedreiro. Foi uma
curiosidade, que juntei à informação que o lavrador, Ernesto Costa
Freire, me deu anos mais tarde, sobre o brasão da sua família, de que
tem cópia num palácio em Sintra. Todo este trabalho de 2007, é agora
passados alguns anos novamente editado revisto e aumentado.
Março: 2015

JOSÉ GAMEIRO

169

O EDIFICIO DOS PAÇOS DO CONCELHO
DE SALVATERRA DE MAGOS
Salvaterra de Magos, no séc. XIII através do Foral de D. Dinis,
recebeu usos e costumes da monarquia feudal, com um sistema
socio-económico que, lhe trouxe importância de concelho (1)
Já no séc, XVIII, o Marquês de Pombal, na sua organização
administrativa do país, conservou as antigas Comarcas Medievais
e o sistema concelhio. O concelho de Salvaterra de Magos, só na
década de 30 do séc. XX ,passou a usar estandarte e brasão de
armas
i A vila de Salvaterra
de Magos, como
freguesia, só no séc.
XXI possui o seu
estandante e brasão
de armas No séc. XIX,
com o processo da
classificação
da
história de Portugal,
iniciada por Alexandre
Herculano, foi-lhe dado um dos dois termos históricos: “Concelho
Imperfeito”, e “Concelho Perfeito”. Os Concelhos Perfeitos, era a
designação dada àqueles cuja construção das povoações, foi por
iniciativa do homem. Os Imperfeitos, estavam na área dos que
apareceram por imposição, e Salvaterra de Magos, estava
incluído nestes. Era uma povoação, pertencente à Província da

170

Estremadura. Os seus serviços de administração pública de
concelho, ocupavam num grande edifício construído no centro da
vila, e pertencente à Casa Real, foi doado pela Rainha D. Maria II
(1819 - 1852), porque a velha construção, que vinha servindo de
município, ao longo dos séculos mostrava mau estado de
conservação provocado pelos danos do terramoto de 1755 em
Lisboa.
********
.

********
A casa continuou com o brasão de pedra na fachada, daquela
rainha, que atesta a época daquele edifício público. Já um século
antes o rei D. Pedro II (1648-1716), vinha com regularidade com a
corte a Salvaterra, especialmente nos dois meses de Janeiro e
Fevereiro, aproveitando para os seus passeios a cavalo.

171

Nesta época, custeou melhoramentos no palácio da vila, na
capela e Igreja Matriz. Uma das suas filhas, grande devota de
Nossa Senhora da Conceição, instalada na Capela da
Misericórdia, foi sua protectora vestindo-a com fatos bordados a
oiro, que saiam nos dias de procissão. Custeou a construção de
uma porta de acesso do edifício religioso ao Albergue.
Registos existem, que uma outra calamidade sísmica –
ocorrida em 1850 - danificou em parte o edifício autárquico, e
com as obras realizadas foi alterado o modelo original, com mais
divisões no interior, com o tecto do salão nobre trabalhado a
gesso, ficando o rés-do-chão,
servindo de arrecadações. O
terramoto em Abril de 1909,
mais uma vez, destruiu as
habitações de Salvaterra, com
o edifício camarário, fechado
o durante meses para obras
de restauro.
Durante muito tempo a
sineta que, está instalada no
lado Norte do edifício dos Paços do Concelho, serviu para o tocar
das horas diárias, em virtude de a torre da igreja, estar também
em recuperação. Por volta de 1892, naquele vasto largo
camarário, mesmo em frente ao seu edifício, existia uma
escadaria, em pedra de lioz, que ligava o acesso da Igreja Matriz,
com a Fonte de S. António, tal como uma outra igual de acesso à
Capela foram demolidas, para darem lugar a uma via onde o
transito de veículos passava a ter lugar.

172

1982 – Obras de conservação com novo telhado * Foto José Gameiro

Com a vitória do regime republicano, em Outubro de 1910, os
novos autarcas, de Salvaterra de Magos, aderentes ao
movimento, retiraram o brasão (escudo real), ficando guardado
numa arrecadação camarária, sendo reposto cerca de 20 anos
depois, no mesmo local.
Terminada a II guerra mundial, o espaço do talho municipal
que funcionava junto ao edifício da administração pública, (Rua S.
António/Rua Cândido dos Reis) foi desactivado e, anexado aos
edifício concelhio, com a abertura de uma porta, dando a este
maior dimensão, sendo conservada a fachada exterior, que é
diferente Na primeira metade do séc. XX, devido a algumas
greves que, ocorreram no país, no rés-do-chão daquele edifício
foi instalada um posto da guarda nacional republicana - GNR,
força militar e policial., com um espaço para os detidos, até
serem levados a tribunal. O primeiro andar recebeu alterações,
e uma repartição do ministério das finanças, foi ali instalada., que
permaneceu até à sua mudança para uma nova urbanização na

173
vila. Nos anos de 1982/83, o edifício, volta a receber obras de
conservação, com uma grande remodelação no seu interior, com
novo reboco na fachada, e mudança de telhado. Agora com novas
salas, foi construída uma escada em ferro, que passava a dar
acesso entre os dois pisos, pelo interior do edifício. A sala mor/
ou o salão nobre foi conservado.
Novas obras recebeu cerca de 20 anos depois, o interior do
edifício é adaptado às novas exigências dos serviços, e no espaço
da escada de acesso entre os dois pisos, foi instalado um
elevador. Na frente do edifício, são efectuadas algumas
alterações, com destino aos deficientes motores, parque de
estacionamento para veículos., e a colocação de uma pequena
construção em ferro, em frente à porta do rés-do-chão.

A ORIGEM DO BRASÃO DA VILA
E DO CONCELHO
Em 1936, não tinha ainda o concelho de Salvaterra de Magos,
um símbolo heráldico, igual ao conjunto de todo o sistema do
poder local concelhio, existente em Portugal.
Mesmo quando, das agitadas
reformas do séc. XIX, Salvaterra
perdeu o concelho que foi instalado na
vila de Muge, oito anos depois o rei D.
Luiz, pelo Decreto de 24 de Outubro de
1855, fez a sua restituição não deixou
de focar a legitimidade de concelho.

174
No ano de 1935, o então presidente do concelho de Salvaterra
de Magos, José de Menezes, homem culto, mandou fazer um
estudo sério que, leva-se à feitura para a sua terra mãe, de uma
bandeira e um selo, enfim uma identificação heráldica, para que
Salvaterra de Magos, volta - se a ter dignidade. De vila e
concelho, do trabalho de investigação se encarregou Afonso de
Ornelas.
O concelho, naquele tempo, era composto apenas, por duas
freguesias (vilas) Salvaterra de Magos e Muge.
Muge, continuava sob a protecção senhoril da Casa Cadaval,
para breve estava o aparecimento da freguesia de Marinhais,
nos seus terrenos. O brasão, então escolhido não só identificava
a vila de Salvaterra de Magos, mas tinha uma abrangência
concelhia, pois a sua população era de origem rural.
De acordo com o trabalho encomendado e apreciado, pela
Associação do Arqueólogos, na sua Secção de Heráldica, em 1936
a vila e concelho de Salvaterra de Magos, passou a ter o seu
brasão heráldico, conforme o decreto-lei publicado no Diário do
Governo, da época. BANDEIRA – Esquartelada de azul e amarelo.
Cordões e borlas de ouro e de azul. Haste e lança douradas.
ARMAS: -De azul (*), com um touro possante de ouro. Em chefe
um cacho de uvas de púrpura folhado de ouro., acompanhado de
dois molhos de três espigas cada um, do mesmo metal.
Coroa de prata de quatro torres. Por debaixo uma fita branca
com os dizeres: “Vila de Salvaterra de Magos” de negro.

*************

*************

175
(*) – O azul para o campo das armas é esmalte que mais se
coaduna com a história local, onde a lealdade sempre existiu.
O azul em heráldica representa a lealdade.
As peças em ouro, é o metal que, em heráldica, representa
poder e liberdade, nobreza e constância.
SELO: - Circular, tendo ao centro as peças de armas, sem
indicação dos esmaltes. Em volta, dentro dos círculos
concêntricos, os dizeres: Câmara Municipal de Salvaterra de
Magos.

*****************

******************

OS BRASÕES DAS FREGUESIAS
A Freguesia de Marinhais, sendo a terceira a “nascer” no
concelho de Salvaterra de Magos, sucedendo a Muge, foi a
iniciadora de um longo processo que, culminou no aparecimento
de outras três, como: Glória do Ribatejo, Foros de Salvaterra e
Granho.

176
Após as eleições autárquicas 2001/2005, todas as seis
freguesias do concelho, estavam agora providas do seu símbolo
heráldico, As suas raízes históricas estavam ali contadas.

(*) – O azul para o campo das armas é esmalte que mais se
coaduna com a história local, onde a lealdade sempre existiu.
O azul em heráldica representa a lealdade.
As peças em ouro, é o metal que, em heráldica, representa
poder e liberdade, nobreza e constância.
SELO: - Circular, tendo ao centro as peças de armas, sem
indicação dos esmaltes. Em volta, dentro dos círculos
concêntricos, os dizeres: Câmara Municipal de Salvaterra de
Magos.

.

AS MUDANÇAS
UM BRASÃO PARA A FREGUESIA
DE SALVATERRA DE MAGOS

Também a freguesia de Salvaterra de Magos, não escapou, a
este processo de mudança, após uma decisão dos seus autarcas,
recebendo parecer favorável, da Comissão de Heráldica, em 19 de
Março de 2002, é criado um brasão.
Entre os símbolos usados, encontra-se “Burelas Onduladas”,
identificadas como um símbolo da principal ligação da vila ao
Tejo, para além de ter permitido uma ligação estreita á
comunidade avieira, vinda da Praia de Vieira” (*)

177

No folheto distribuído quando da sua
apresentação pública, as justificações que
deram origem ao símbolo do Brasão,
destacava-se estas: “Após aturado estudo
e diversos contactos, não descortinamos
mais do que uma comunidade oriunda
“dos mares do Lis” dos lados de Vieira de Leiria, a ser vista, no
rio e a instalar-se no concelho, no sítio do Escaroupim.”
Decerto, que os autarcas da freguesia, não descuraram um
estudo exaustivo, apoiado por alguma Associação local, que tenha
algum material histórico sobre esta matéria, - isto é a Geografia
da Mobilidade Humana - uma das ciências que estuda as causas
“imigração do homem”..
***********
(*) - Segundo vários especialistas, em Geografia Humana, são
quatro as comunidades, que deram raiz ao povo da freguesia de
Salvaterra de Magos. A mais antiga é a Rural, seguindo-lhes os
Marítimos, pela sua longa e conhecida história, ligada à povoação
e ao rio Tejo. Uma outra, a dos Varinos, ou Cagaréus, sendo a
mais antiga comunidade de pescadores em Salvaterra, também
foi esquecida naquele estudo, que deu origem às já referidas
“Burelas”. Os últimos, vivendo da faina da pesca do rio, usavam
realmente a vala de Salvaterra, aportando ao seu cais, fazendo
ali lota do pescado. Era uma comunidade de pescadores, vindos
da Murtosa, Estarreja, mesmo até de Aveiro e Ovar, que fizeram a

178
sua migração até Lisboa, onde existe um seu bairro habitacional,
conhecido desde o séc. XVIII. Um século depois, por volta de
1890., são já conhecidas as primeiras chegadas, dos seus
primitivos ramos genealógicos, que ainda engrossam a antiga
população pescadora da Freguesia de Salvaterra de Magos. Por
outro lado, os Avieiros, vindos de Vieira de Leiria, são a
comunidade mais recente que se instalou nestas terras.
NOVA IDENTIFICAÇÃO NO BRASÃO DA VILA
E CONCELHO
DE SALVATERRA DE MAGOS

Os autarcas vereadores do concelho de Salvaterra de Magos,
em Abril de 2005, aprovaram em decisão camarária que, o Listel,
do Brasão da Vila de Salvaterra de Magos/ou Concelho, fossa
alterada. (1) Entre as várias escolhas, recaiu em: ”Município de
Salvaterra de Magos” ou “Salvaterra de Magos”, deixando a
decisão final aos heráldicos nacionais.Desde logo, aqui dá para
reflectir sobre a decisão tomada:. As alterações verificadas no
Código Administrativo do país, a partir do Antigo Regime (D. João
VI), até às muitas modificações que o mesmo sofreu, no séc. XIX,
o espirito territorial de “Concelho” prevaleceu. Mesmo quando,
no Código Reformista de 1878, Rodrigues Sampaio, dizia no seu
preâmbulo.: “O concelho, é um espaço próprio e digno da
identidade do povo, está sujeito às suas raízes, à conveniência da
história Geográfica” “ O conceito de Município, é uma associação
natural, para a sua vida. administrativa “ Quando da publicação
em 18 de Março de 1942, de um outro código administrativo, volta
a confirmar-se o que ainda se verifica, nos muitos brasões que,
ostentam a figura de vila, não deixando no entanto de serem sede
de concelho.

179

*********
– Ver Apontamentos N.º 15

DIRECÇÃO GERAL DE
ADMINISTRAÇÃO CIVIL

2ª Repartição * 1ª Secção
Decreto – Lei N.º 160 de 10 de Julho de 1860
Dom Luiz por graça de Deus, Rei de Portugal e dos
Algarves, etc. Fazemos saber a todos os nossos súbditos, que
as Cortes Gerais decretaram, e nós queremos a lei seja a
seguinte:
Artigo 1º - É restituído, para todos os effeitos, o extincto
concelho e julgado de Salvaterra de Magos, tal como se
achava na data da lei de 24 de octubro de 1855, é revogada
respectivamente esta mesma lei.
Art.º 2º Fica revogada a legislação em contrário.
*****
Mandamos portanto a todas as aoctoridades aquém o
conhecimento e execução da referida lei pertencer, que a
compram e façam cumprir e guardar Tão inteiramente
como n`ellase contém. Os ministros e secretários d` estado
dos negócios do reino e dos negócio eclesiásticos e de justiça
a façam imprimir, publicar e correr. Dada no paço de Mafra,
aos 10 de julho de 1863 = El Rei, com rubrica e guarda =
Anselmo José Braamcamp = Gaspar Pereira da Silva

180
****
Carta de lei, pela qual Vossa Majestade, tendo sancionado o
decreto das cortes geraes de 27 de junho de ultimo, que
restitui o extincto e julgado cocelho de Salvaterra de Magos,
ficando tal como se achava anteriormente à data da lei de 24
de outubro de 1855. Manda cumprir e guardar pela forma
recto declara. – Para Vossa Magestade ver – Agostinho José
Morais do Valle, a fez
********
Decreto –Lei que restituiu o concelho a Salvaterra de Magos,
após 8 anos em Muge

*********************
*********
*********************

181

CADERNO DE APONTAMENTOS N.º 27
Documentos para a História
de

SALVATERRA DE MAGOS
Séc. XIII – Séc. XXI

Património:
Geográfico, Monumental, Cultural,
Político, Económico e Desportivo

Autor :
José Gameiro

Social,

182

~~~~
Primeira Edição
FICHA TECNICA:
Titulo:
OS CEMITÉRIOS DA FREGUESIA,
AO LONGO DOS TEMPOS !!

Tipo de Encadernação: Brochado – Papel A 5
Colecção: RECORDAR,TAMBÉM É
RECONSTRUIR!
Autor: Gameiro. José
Gameiro, José Rodrigues
Morada: B.º Pinhal da Vila – Rua Padre Cruz, Lote
49 * Localidade: Salvaterra de Magos
Código Postal: 2120-059 Salvaterra de Magos
ISBN: 978– 989 – 8071 – 31 – 6
Depósito Legal: 256496 /07
Edição: 100 exemplares – Março 2007

183

184

Capa: Jazigos do antigo Cemitério, junto à Capela Real

185

**********************************
2ª Edição em PDF Revista e Aumentada – Março 2015
*********************************
Contactos: Tel. 263 505 178 * Telem. 918 905 704
E-mail: josergameiro@sapo.po.pt

O Autor deste texto não segue o acordo ortográfico de 1990

186

O MEU CONTRIBUTO
Um dia, em 1999,a população da freguesia de
Salvaterra de Magos - terra onde nasci, foi
alertada com notícias na comunicação social
que, o cemitério da freguesia seria ampliado,
pois o seu espaço estava esgotado. Os
executivos da Junta de freguesia e da câmara
municipal, em conjunto estavam determinados
nesse objectivo, e para isso já tinham tomado as
decisões politicas adequadas. Ás vozes da discordância dos moradores
das habitações daquele espaço, juntei a minha, pois o
descontentamento estava latente, até pela forma como o processo foi
desenvolvido, ao arrepio do conhecimento dos fregueses locais. Os
primeiros executivos eleitos democraticamente, em 1976, disso já
tinham dado conta, especialmente José Luis Borrego, que andou
procurando, e teve conversações, para a compra de um terreno nos
arredores da vila, O tempo passou, nada mais se soube sobre esta
necessidade, os autarcas quando no poder tomam decisões ao arrepio
do seu povo. Assim, o executivo de João Nunes dos Santos da Freguesia
de Salvaterra de Magos, tomou a decisão de alarga o campo sagrado,
existente desde 1885, para isso foi destruído o espaço do Jardim
público, urbanizado na década de 80, séc. XX. Os autarcas infelizmente,
mais uma vez (como tantas vezes acontece), não ouviram a população
e não contemplaram, as suas opiniões, em tamanha decisão politica
que, serviu apenas um interesse em época eleitoral, argumentaram os
lesados!
MARÇO: 2015

JOSÉ GAMEIRO
(José Rodrigues Gameiro)

187

A FREGUESIA DE SALVATERRA DE MAGOS
Os terrenos de planície da bacia do rio Tejo, remontam
muito para além da época segundo a cronologia usada
“mesolítica”, e nesta fase de vida na terra que, se calcula nos
10.000 anos a.C., tendo o homem primitivo, vivido nas suas
margens. Vestígios dessa permanência, foram encontrados nos
últimos anos do séc. XIX, em terrenos da Quinta da Sardinha, na
vasta área do Paul de Magos, e outros em terrenos de Muge
Para os seus estudos, foi designada primeira ”estação” préhistórica do Vale do Tejo.
Seguiram-se as de Muge (1) e, pelos esqueletos ali
encontrados, foi possível também reflectir sobre os seus modos
de vida e ritual fúnebre. No século XIII, Salvaterra de Magos, já
debaixo da influência dos novos colonos, segundo se julga saber,
vindos da região da Flandres, com seus hábitos culturais,
perverteram o que ainda restava do modo de vida, conservado
dos primitivos.
Enterrar os seus mortos, passou a ter rituais pagãos, com um
misto de alguma cultura religiosa usada na época. Em Portugal
teria sido o Bispo de Lisboa, o Cardeal Infante D. Afonso, filho do
rei D. Manuel I, quem tomou as primeiras decisões quanto aos
registos paroquiais.
***********
(1)– Concheiros de Muge

188

As Igrejas deveriam ter um livro escrito, sob a custódia do
prior, onde consta-se os baptizados e óbitos. No entanto, existe
informação, que os registos mais antigos pertencem à freguesia
de Santiago, de Coimbra, com início em 1510, até 1596.

Para os óbitos, devia constar o nome do falecido, a sua
naturalidade e estado civil; se
viúvo ou viúva, ou ainda sem
compromissos.
Os enterros,
faziam-se em terrenos no adro da
Igreja, mas os “senhoris” podiam
“descansar” em terras suas, após
pagamento de bulas.
Também naquele tempo os
hábitos conventuais, tinham por
norma enterrar os seus

189
servidores - padres ou frades - em terra batida, nos terrenos
anexos ao resguardo das capelas e igrejas.
No convento de Jericó, ainda hoje se podem ver algumas pedras
tumulares, dos seus frades “empilhadas” junto à capela, onde se
encontra a imagem de S. Bacco, Naquelas pedras tumulares,
existem nomes de pessoas que, tendo nascido em Salvaterra, se
converteram ao cristianismo de Roma, ali serviram, morreram e
foram sepultados.
PICADEIRO E CEMITÉRIO
Mais tarde, um terreno anexo à capela real que, já tinha
servido de picadeiro real, foi destinado a cemitério da freguesia.
Naquele espaço mortuário, foram sepultados pessoas que
pertenceram a famílias castas da terra, conforme registos em
seus jazigos e campas tumulares, que chegaram aos nossos dias.
Com o Liberalismo e, de acordo com as suas leis, foi
construído um cemitério municipal, em terrenos devolutos, a Sul
da vila, numa zona que, ainda mantinha uma réstia de pinhal que
no séc. XIX, se estendia até Coruche, visto ter pertencido à
Coutada Real de Salvaterra. O novo cemitério, inaugurado em
1885, murado em volta, levou uma vedação em ferro, com um
grande portão na sua frente, ladeado por duas pequenas
instalações para uso fúnebres, tinha terminado assim para tal
uso os terrenos da Capela Real.

190

No novo campo santo, ano após ano, muitas covas passaram
a vitalícias, especialmente das famílias abastadas da terra. A sua
“venda” passou a ter ali uma fonte de receitas para a Junta da
Paróquia local. Cerca de 90 anos depois, em 1977, aquele espaço
foi alvo de uma ampliação e arranjos urbanísticos no seu interior,
verificavam os autarcas da época, que o mesmo estava em vias
de esgotamento a curto prazo. Foram tomadas previdências,
pelo autarca da Freguesia; José Luís Serra Borrego, fazebdo os
primeiros contactos informais, a proprietários de vários
terrenos agrícolas que possuíssem aptidões para o fim em vista
– a construção de um novo cemitério da Freguesia.
Quando da decisão do seu acrescento, o então executivo da
freguesia, de José Luís Borrego, atendeu e respeitou, o pedido
dos moradores próximos, procedendo ao alargamento, para
terrenos que, em nada prejudicaram, as muitas habitações já ali
existentes nas redondezas.
UM SECULO DEPOIS !

Um século tinha já passado, o que tinha sido um cemitério
construído para largos anos, tornou-se cada vez mais
insuficiente, até porque a freguesia incluía o então lugar dos
Foros de Salvaterra, a população tinha aumentado.

191

A SOLUÇÃO FÁCIL !
Os autarcas no mandato, 1998/2001, tendo na presidência do
executivo camarário, Ana Cristina Pardal Ribeiro e João Nunes
da Silva Santos , na Junta de Freguesia de Salvaterra de Magos,
levaram à aprovação de decisões que, culminaram num novo
alargamento daquele campo santo da vila.
Deliberações que, foram contestadas, por meios legais, por
elevado número de cidadãos “munícipes e fregueses”, que se
socorreram especialmente de um abaixo-assinado.
Aqueles executivos, estavam em maioria, nos seus mandatos,
alguns vereadores da câmara, não vivendo na freguesia, pouco
sensibilizados para as necessidades da população e, das suas
características culturais e religiosas, logo se apressaram a dar o
seu aval ao projecto político.
A pretensão do executivo da Junta local, estava assim
consumada, era o comentado no dia-a-dia.

192
A falta de informação no local da obra, como é exigido na lei,
do seu custo e entidade promotora, foi comentada durante vários
dias, a comunicação social, disso deu conta na altura, pois
interessou-se pela causa, dos fregueses de Salvaterra de Magos.
Logo apareceu o necessário painel com a respectiva informação

UM ALARGAMENTO
DE 10 MIL CONTOS

Para calar as contestações mais activas, dos que sobre o
problema se tinham empenhado – aqueles autarcas - em
diversos actos públicos e, à comunicação social, argumentaram
da necessidade daquelas obras, o espaço encontrava-se
esgotado. A obra seria dotado de acessórios modernos, nas
práticas fúnebres, e informação vindas a público, o seu custo
orçava em cerca de 10 mil contos. Comprometeram-se no
empenhamento, da construção futura de um novo campo-santo,
para a freguesia de Salvaterra de Magos. O compromisso então
assumido, ainda continua por concretizar até esta data, pois não
existe qualquer parcela de terreno negociada, para a construção
de um novo cemitério na freguesia de Salvaterra de Magos.
Os prometidos acessórios modernos, inerentes ao seu bom
funcionamento, ainda continuam por instalar no cemitério.
O ABATE DAS ÁRVORES
No corte das árvores, plantadas no local cerca de 20
anos antes, numa zona então destinada para espaço ajardinado,
os trabalhos decorreram, a horas incertas e,

193

aos olhos de quem viu, demonstrava “ fugir à contestação do
povo”. Foram usadas moto-serras, para o corte e maquinaria
pesada para o arranque das raízes. Uma firma empreiteira, que
recuperava o Celeiro da Vala, num contrato com a câmara, fazia
o serviço no cemitério. Os trabalhadores, estavam nos dois
sítios ao mesmo tempo e com situação ilegal, no país, tal facto
era comentado entre a população!
No começo das obras de alargamento, uma parede em tijolo, foi
derrubada, na noite de 3 de Dezembro de 1999, por mão
desconhecida, conforme foi notícia nos jornais. O autarca,
presidente da Junta de Freguesia, João Nunes dos Santos, em
declarações à comunicação social, desdramatizou o acontecido,
dizendo que tal “desarranjo” foi fruto de mãos de crianças.

194

Os trabalhos continuaram em ritmo acelerado, os dias de
folga semanais, sábados e domingos e até os feriados nacionais,
eram aproveitados, na concretização da obra, como aconteceu
no dia 1º de Dezembro. Tal era a pressa !....
Quando a “lide”, estava na fase das pinturas da vedação em
chapa metálica, o município concelhio, tinha no local um grupo de
trabalhadores, em grande azáfama, nos arranjos urbanísticos
circundantes. Quem passa agora na rua Padre Cruz, fica sem
qualquer visão do interior do cemitério, com a colocação de tal
material metálico, pintado na cor verde. No começo das obras de
alargamento, uma parede em tijolo, foi derrubada, na noite de 3
de Dezembro de 1998

HABITANTES NA FREGUESIA:
Curiosidades:
Ano: 1527
Ano: 1788
Ano: 1864
Ano: 1981
Ano; 1991

600
2143
2329
8123
4791

Habitantes
Habitantes (a)
Habitantes
Habitantes (b)
Habitantes

(a) – 1788 * 1100 Homens, 1043 mulheres, tendo-se verificado a
morte de 40 crianças e de 48 adultos.
(b) - Incluía a população de Foros de Salvaterra

195

CEMITÉRIO DA CAPELA REAL
Num pequeno espaço de terreno, junto da capela, funcionou
até finais do séc. XIX, o cemitério de Salvaterra de Magos, sendo
desactivado, quando da entrada em vigor da lei, que determinava
que as freguesias passariam a contar com um espaço próprio
para guardar os corpos da sua comunidade. Jazigo e Campas
Tumulares no antigo cemitério da Capela real de Salvaterra de
Magos 1885, ainda vistas em 1964, e depois retiradas para parte
incerta, no executivo camarário de José Gameiro dos Santos,
quando das obras, em 1996, do novo Auditório ao Ar Livre.
Inscrições no Jazigo
FRENTE
D. MARIA JOANNA DA SILVA E BRITO
Mandou Erigir à Saudoza Memória de
Seus Queridos Pais e Espozos no Anno
1858
(Lado Direito)
Aqui jaz João Jacinto Seabra
Falecido A 5 de Novembro 1945
Brito
Tendo 47 annos d`Edade
1853
Fazendo 75 annos d`Edade
BAIXO

( Lado Esquerdo)
CIMA
Aqui Jaz Joze Luiz da Silva
Falecido A 31 de Junho de

196

PEDRA TUMULAR Campa rasa)
Aqui Jaz Francisco Ferreira Roquette
(Falecido A 31 d`Abril de 1854 * À Saudosa Memória
Tendo 35 annos d`Edade * De Minha Estremosa Esposa
D. Laura Adelina Fernandes e Silva
PEDRA TUMULAR
Nasceu a 19 de Maio de 1869 * A Saudosa Memória
Faleceu a 26 de Janeiro de 1889
De António Marcos da Silva
Nosso Presado, Marido Pai e Sogro
PEDRA TUMULAR
Vicente Lucas d` Aguiar
Sua Mulher, Filhas e Genros
13 de Setembro de 1889

************************
*****************

197

*********
**********************

Cruzeiro em pedra de Lioz, ainda existe, em 1922, na rua do
Calvário, com a sua urbanização na década de 40, para Avenida,
foi-lhe dado o nome de Vicente Luvas de Aguiar, antigo presidente
da Câmara Municipal, e já por volta de 1983, o executivo de
António Moreira, passou a Av. Dr. Roberto Ferreira da Fonseca
**********
Nota: segundo alguns registos, a crus, foi mudada para
o cemitério, já incompleta, porque parte da base, a pedra
foi usada na construção do Hospital da Vila.

****************
**********

198

**********************************

EXECUTIVO CAMARÁRIO:
Ana Cristina Ribeiro Pardal, João António Abrantes Silva, Vasco
Monteiro Feijão, António Charrua, José Carlos Ferreirinha e Ana
Maria Pessoa Oliveira Antunes
EXECUTIVO JUNTA DA FREGUESIA:
João Nunes Silva Santos, António Eduardo Andrade e João
Damásio Vieira
********************************

199

Documentos anexos:
JUNTA DE FREGUESIA
DE SALVATERRA DE MAGOS
ACTA Nº 035/08/1998
31/08/1998
Ponto 3 – Ofº nº 3662, de 20/07/98
Entidade: Município de Salvaterra de Magos
Assunto: Envio do Projecto, trabalhos de medição
e orçamento para a ampliação do cemitério de
Salvaterra de Magos. Análise e discussão do
mesmo,
DELIBERAÇÃO: Tomou-se conhecimento. Foi
deliberado por unanimidade aprovar o projecto.
………………………………………………………………………………
…..
………………………………………………………………………………
…..
………………………………………………………………………………
….

200
Pedido da Junta de Freguesia `a Câmara Municipal,
que recebeu o Nº Procº 04.11/99 – Desafectação
do Domínio Público Privado

ACTA Nº 004/ 09/ 1998

REUNIÃO ORDINÁRIA
DA ASSEMBLEIA FREGUESIA DE
SALVATERRA DE MAGOS
Aos trinta dias do mês de Setembro de mil
novecentos e noventa e oito, nesta vila de
Salvaterra de magos, e na sala de reuniões da sede
da Junta de Freguesia de Salvaterra de magos, após
convocatórias individuais e edital afixado no dia 16
de Setembro nos lugares públicos da freguesia, em
que se anunciava o dia e a hora e local da sessão e
respectiva ordem de trabalhos que abaixo se indica,
realizou-se a 3ª sessão ordinária da Assembleia de
Freguesia.
Aberta a sessão pelo senhor Presidente da Mesa
da Assembleia, e feita a respectiva chamada,

201
verificou as seguintes presenças, ou as seguintes
faltas, que abaixo descriminamos:

Presidente; José Manuel da Luz Ferreira CDU *
Presente
1º Secretário; Eugénio Vieira Tapada
CDU * Presente
2º Secretário; Júlio Dias Precatado
PSD
* Presente
Vogal; Rui Ferreira Monteiro PS
* Presente
Vogal; Rui Calos da Silva Antão CDU
* Presente #
Vogal; Pedro Jorge Ferreira Lopes PSD
* Faltou &
Vogal; Luís Manuel Duarte Oliveira Cabaço PS *
Faltou
Vogal; José Carlos Botas Silva Aleluia CDU
* Presente
Vogal;Júlio Fernando Jesus Jacob PS
* Faltou
# - Entrou às 21 horas e cinquenta minutos
& - Justificou por escrito a sua ausência

202

ORDEM DO DIA
- PONTO ASSUNTO -

Apreciação, discussão e votação do projecto do
cemitério Salvaterrra
……………………………………………………
……….
Ponto 1 – Apreciação, discussão e votação do
projecto de ampliação do cemitério de Salvaterra
de Magos
DELIBERAÇÃO: Foi aprovado por unanimidade,
depois de apreciado e discutido.

***********************

203

******************
Nota: Comunicado/panfleto que, foi distribuído em Salvaterra
de Magos, desmentindo os autarcas que utilizaram a
comunicação social, dando informações incorrectas à
população, sobre a obra do alargamento do cemitério da
freguesia

204

Pág. 1/1

205

Pág. 1/2

Nota: Certidão da Acta da Sessão de Câmara
de 03/ 02/ 1999

206

Nota: Acta da Aprovação, em que a parcela de terreno, com a área
de 2105 m2, fosse considerado de finito a sua desafectação ao
domínio público para o privado do Município

207

Uma Opinião:

208

Bibliografia e outros documentos usados:
* Comunicação Social: * Rádio Marinhais, JVT e Correio da
Manhã * Salvaterra de Magos, O alargamento do Cemitério da sua
Freguesia: * A Solução fácil ! - Artigo do autor, publicado no
Jornal Vale do Tejo, * O Convento de Jericó * Alfredo B. Almeida
Fotos usados:
* Pág. 158 – Igreja Matriz de Salvaterra, No séc. XIII, os mortos
era enterrada em seu redor – Do Autor * Pág. 158 – Desenho de
pedra tumular campa rasa), no Convento de Jericó (Frades
Arrábidos) de Alfredo B. Almeida – 1986 * Pág. 159 - Terreno da
Capela Real, lado Sul - Depois de ter servido de Picadeiro, foi até
1885, usado como Cemitério * Pág. 160 - Jazigo no terreno
antiga da Capela Real * Pág. 161, 162 – 1999, Máquinas, nos
trabalhos de arrancar raízes, quando do corte das árvores, no
terreno destinado a zona de jardim, e ocupada pelo alargamento
do cemitério de Salvaterra de Magos.* Pág. 163 – Muro
derrubado, quando se procedia à vedação do novo espaço de
alargamento do cemitério
* Pág. 165 - Jazigo, no antigo cemitério da Capela Real, na frente
as suas inscrições tumulares dos sepultados, Fotos do Autor –
1996
*Pág 166 – Cruzeiro em Pedra, na Rua do Calvário, 1922
******************************

209