VOLUME III

Cadernos de Apontamentos – Nº 14 - 22

Documentos para a história
de

SALVATERRA DE MAGOS
Património:
Geográfico, Monumental, Cultural, Social, Político,
Económico e Desportivo
Séc. .XIII – Séc. XXI

O Autor
JOSÉ GAMEIRO
(José Rodrigues Gameiro)

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Fotos da Capa: Procissão Senhor dos Passos 2012
* Estatueta S. Baco (Capela do antigo Convento de Jericó)

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Primeira Edição

Indíce:
COLECÇÃO RECORDAR, TAMBÉM É RECONSTRUIR !
Cadernos/ Apontamentos Livros: Nº 14 - 21

* 14 - AS FESTAS RELIGIOSAS E ROMARIAS POPULARES
15 - CONTOS E LENDAS ( MEMÓRIAS DO POVO )
* 16 - FONTES E FONTANÁRIOS
* 17 - 0S DIAS QUE SE SEGUIRAM AO TERRAMOTO DE 1909
* 18 - HOMENAGENS E INAUGURAÇÕES
* 19 - O PAÇO REAL, A CAPELA, AS CHAMINÉS DAS COZINHAS E
A CASA DA ÓPERA
* 20 - AS SUAS GEMINAÇÕES (As alianças dos novos tempos)
* 21 - CHESAL – Cooperativa de Habitação Económica
*22 - O CONVENTO DE JERICÓ / ou JENICÓ

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O autor dos textos destes Cadernos não seguem o
Acordo Ortográfico de 1990
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Contactos: Tel. 263 504 458 * Telem. 918 905 704
e-mail: josergameiro@sapo.pt

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CADERNOS DE APONTAMENTOS Nº 14

Documentos para a história
de

SALVATERRA DE MAGOS
Séc. XIII – Séc. XXI

Património:
Geográfico, Monumental, Cultural, Social, Político,
Económico e Desportivo

O Autor:
JOSE GAMEIRO

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Foto da Capa – Procissão Senhor dos Passos – 2012
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Primeira Edição
FICHA TECNICA:
Titulo:
AS FESTAS RELIGIOSAS E ROMARIAS POPULARES !
Tipo de Encadernação: Brochado (Papel A5)
Autor: Gameiro. José
Colecção: RECORDAR, TAMBÉM É RECONSTRUIR !
Editor Gameiro, José Rodrigues
Morada: Bº Pinhal da Vila – Rua Padre Cruz, Lote 49
Localidade: Salvaterra de Magos
Código Postal: 2120- 059 SALVATERRA DE MAGOS
Depósito do Original:
ISBN:
978– 989 – 8071 – 14 – 9
Depósito Legal: 256466 /07
Edição: 100 exemplares – Março 2007
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2ª Edição em PDF Revista e Aumentada – Março 2015
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Contactos: Tel. 263 504 458 * Telem. 918 905 704
e-mail: josergameiro@sapo.pt
O autor deste texto não segue o acordo ortográfico de 1990

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2ª Edição Revista e Aumentada – Março 2015
*****************************
Contactos: Tel. 263 504 458 * Telem. 918 905 704
e-mail: josergameiro@sapo.pt

O autor deste texto não segue o acordo ortográfico de 1990

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O MEU CONTRIBUTO
Quando menino, assistia sempre entusiasmado
logo após o 1º de Dezembro, de cada ano, à
decoração da zona baixa da vila, junto da
capela, ali ao lado do Botaréu, pois
aproximava-se o dia da Procissão da Nossa
Senhora da Conceição.
O ritual era o mesmo todos os anos, mas aquele povo da bordade-água, tentava que a decoração fosse sempre diferente, e na
minha memória, retenho uma das suas últimas decorações, que se
fizeram naquele espaço. Naquele ano de 1953, a decoração
compunha-se de dois arcos, um pouco distanciados um do outros,
construídos com varas de eucalipto, revestidas com flores., e entre
eles uma bateira de cada lado., com o chão revestido de rosmaninho
e flores. No dia 8, logo pela manhã, aquele povo, fazia estalar no
céu alguns foguetes, manifestando assim o seu contentamento, pois
a festa iria terminar, com a santa de regresso a casa - a Capela da
Misericórdia, depois de um procissão noturna, uma semana antes,
que a leva-a até à Igreja Matriz, onde se realizavam, durante oito
dias novenas, com oratória.
Nas três ruas de passagem da procissão, janelas e varandas,
estavam decoradas com colchas, que faziam um bonito colorido.
Meio século já se passou, a festa da Nossa Senhora da
Conceição, ainda se realiza, mas agora sem pescadores e os
marítimos, pois foram artes que deixaram de existir na vala real.
Quanto soa festejos de crendice pagã, o dia de Quinta-feira de
Ascensão, já não tem o luzimento de outrora, sendo no entanto
ainda o feriado municipal do concelho.
MARÇO:: 2015

O Autor:
JOSÉ GAMEIRO
(José Rodrigues Gameiro)

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A FÉ RELIGIOSA DO POVO !...
Muitos séculos antes da idade média, a crendice popular caminhava
para a fé em Cristo. O povo português já aceitava os ditames da sua
Igreja, instituída a partir de Roma, muitas terras adoptaram vários
santos para seus padroeiros.
Saulo nasceu em Tarso, na Cilícia, oriundo duma família judaica, no ano
36, que gozava de privilégios Romanos e tinha dupla nacionalidade, com
o nome de Paulo, perseguia os cristãos novos, mas a caminho de
Damasco, teve um encontro com Jesus Ressuscitado, encontro que
estando três dias cego, Ananias voltou a dar-lhe a visão, assim tornouse um apaixonado crente na fé cristã, considerado um Apostolo.
Durante 30 anos, fundou inúmeras Igrejas, consolidando as jovens
cristandades com as suas cartas pastorais. Ajudou a abrir a Igreja
cristã, às dimensões do mundo, promovendo a sua expansão
missionária, S. Paulo, cujo carácter tinha uma vocação excepcional da fé
em Cristo, que nos assegura ser autêntica, pois recorda-se que na
verdade, a sua pregação deriva da revelação de Jesus Cristo.
Preso em Roma, preparado para o martírio, S. Paulo dirige a sua
última mensagem ao seu discípulo Timóteo, é o testamento de um
Apóstolo prestes a morrer, não soltando lamentos de vítima.
É um cântico de vitória que entoa, pois a sua missão na terra está
concluída, e já apresentou ao senhor a oferta, regada com os seus
suores e sangue, que são os fiéis conquistados para Cristo (Fil.2,17; e
Roma. 12,1).

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É a hora da alegria e da esperança, o tempo do seu encontro com
Cristo Ressuscitado, tinha chegado e a sua missão na terra tinha
terminado, Muitos séculos depois com o povo de Portugal crente na fé e
sendo maioritariamente cristão, a população de Salvaterra de Magos,
vendo o seu exemplo, aceita-o como Padroeiro, para a sua Igreja Matriz.
PROCISSÃO DO SENHOR DOS PASSOS !
Corria o ano de 1920, no mês de
Abril, em plena semana pascal, o
povo de Salvaterra de Magos,
participava com elevada crendice,
na procissão do Senhor Morto,
festejos que estavam bem
vincados nos seus hábitos
religiosas.
Iniciado o percurso na Capela da Misericórdia, junto à vala real, eram
percorridas algumas ruas da vila que, aqui e ali, estavam revestidas de
pétalas de flores e, as varandas revestidas de bonitas colchas.
O préstito religioso, com várias imagens de santos e estandartes,
compunha-se sempre de muitas centenas de crentes.
As alas de crianças, vestidas de anjinhos, acompanhados das mães, os
homens com suas capas vermelhas, cantavam hinos, ao seu Deus.
O pároco da vila, acompanhado de outros vigários, debaixo do pálio,
levava o crucifixo, em permanente silêncio.

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No final da procissão, uma oratória, de um padre de conhecidas
vocações prédicas, no púlpito da Igreja Matriz, culminava o dia festivo
para a comunidade religiosa, de Salvaterra de Magos.

As paragens eram feitas em frente de edifícios que, ostentavam nas
suas fachadas, Frontões em pedra de lioz, que á época tinham imagens
de santos, simbolizando a caminhada que levou Jesus ao seu calvário,
como: Capela Real, rua Cândido dos Reis (antiga rua de Santo António)
e edifício do Celeiro da Vala, entre outros. No início da década de 40,
esta procissão, entrou em desuso entre a comunidade cristã de
Salvaterra de Magos.
PROCISSÃO DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO
O préstito religioso, é realizado todos os anos, nesta vila, no dia 8 de
Dezembro, feriado nacional, dia alusivo a Nossa Senhora da Conceição,
padroeira de Portugal.
Prova de fé religiosa, vivida com grande intensidade pelo povo, da
terra, após uma semana de novenas, onde era hábito a vinda de um
Frade da Irmandade dos Franciscanos, fazer a sua prelecção religiosa,,
cativando o povo que enchia a Igreja Matriz, situação ainda vivida no
dobrar do século XX.

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Os pescadores/varinos e fragateiros , naquele tempo, ainda viviam
das artes da pesca e do transporte marítimo no rio Tejo, eram o suporte
desta religiosidade com a gente urbana gente urbana, a que se juntava o
povo rural, que naquele dia deixava os trabalhos do campo.
Com o regresso do andor com a imagem à sua casa - a Capela da
Misericórdia, acompanhada de uma multidão de fiéis, com os bombeiros
e sua banda de música, os foguetes rebentavam no ar, enquanto a
procissão percorria as ruas Cândido dos Reis, Machado Santos (antiga

rua S. Paulo) e, rua Luís de Camões (antiga rua Direita).

O rosmaninho, espalhado pelo chão, as colchas de várias cores,
pendentes nas janelas e varandas, davam o colorido necessário à
cerimónia, onde os cânticos religiosas, eram ordenados por um coro de
fiéis. Antes da recolha do andor, ao cair da tarde, o Padre da Paróquia, e
o Frade Franciscanos faziam uma homilia à virgem, o que se seguia a
despedida do povo, com seus lenços brancos, acenando no ar. Nos dias
que correm, ainda se realiza esta festa, mas já sem o luzimento de
outros tempos, pois a falta dos marítimos e pescadores, é uma ausência
marcante, nesta procissão, dizem os mais antigos, pois agora
incorporam-se no cortejo levando o andor, os seus descendentes.

14

Nota: No ano de 1981, estando a imagem de Nossa Senhora da Conceição, na
Igreja Matriz, em tempo da reconstrução da Capela da Misericórdia, após o

15

temporal de 1979, sofreu um grave acidente provocado por um incêndio que se
pegou ao manto e vestido, que ficou destruído
tendo ainda ficado com danos na mão esquerda e na cabeça, com a perca da
sua apreciada cabeleira. A população, logo que o acidente foi conhecido,
acorreu à Igreja, havendo cenas de choro devido à perda da venerada imagem
da Padroeira da Freguesia. A imagem, depressa seguiu para uma oficina
credenciada em restauros religiosos de Braga, que a recuperou.
A imagem de Nossa Senhora da Conceição, data de 1646, em pleno reinado de
D. João IV, em Portugal , que a coroou como “Padroeira do reino”, e em
Salvaterra de Magos passou a estar recolhida naquela templo, pelo que se
presume ter mais de 335 anos., sendo talhada em madeira e estando na altura
vestida, segundo vozes mais avisadas do povo, com um fato, do vasto espólio,
onde consta um que é emblemático oferecido pelas quatro Infantas; filhas do
rei D. José, de nome próprio Maria e Francisca
*O jornal “Aurora do Ribatejo” ,fez sair a noticia, na sua edição de 25 de
Fevereiro, feita pelo seu colaborador, autor deste trabalho
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Em 2012, Nossa senhora com
novo Vestido e
Manto, coberto de flores (rosas
vermelhas e brancas) que o
povo adquiriu

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16

QUINTA - FEIRA DE ASCENÇÃO
(OU DA ESPIGA)

É festejo ainda preservado em Portugal, em Salvaterra e arredores
tem um acentuado paganismo, onde S. Baco é o ponto de ligação, de uma
certa crença enraizada na celebração do calendário religiosa cristão
romano.
Conta o calendário a história que, quarenta dias após ter sido
crucificado, Jesus Cristo, subiu ao céu, depois de ter aparecido pela
última vez aos seus discípulos no Monte das Oliveiras.

A Tradição:
Vem de séculos, pela manhã ainda o dia não era nada, as gentes
urbanas juntavam-se aos rurais, em romaria a caminho do campo, onde
especialmente os rapazes e raparigas ao fim da tarde apanhavam um
ramo de espigas que se compunha; de flores campestres, como:
Malmequeres, Margaridas de várias cores, Papoilas, folhagem de
oliveira, ficando completo com espigas de trigo, centeio, cevada, aveia e
pampilhos O ramo de espiga, simbolizava um desejo, (ou seja; que
nunca falta-se o pão em cada lar); a oliveira, simbolizava a paz entre os
homens. A pomba da paz trás no bico um ramo de oliveira e que a luz
divina nunca falte. As flores, expressava nas suas cores, especialmente
entre os jovens casadoiros, muita alegria e fertilidade nos novos lares O
malmequer, representava riqueza (ouro e prata), enquanto a papoila
amor e vida e o alecrim; saúde e força. O ramo da espiga era guardado
até aos festejos do ano seguinte pendurado nas costa da porta de casa.
Acreditava-se que neste costume com raízes pagãs, esteja associado às
festas da deusa Flora, que decorriam nesta altura do ano, fim da

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Primavera, início do Verão. Em algumas concelho da Lezíria ribatejana,
ainda é Feriado Municipal, no dobrar do séc. XX, ainda era um dia muito
comemorado, com uma festa de convívio no campo, vivido com grande
alegria e participação das famílias urbanas, com os rurais,
O tempo passou, este tipo de convívio caiu em desuso pelas novas
gerações, e nos últimos anos, o que resta daquele convívio leva a
realizar-se, naquele dia, uma missa, no espaço que foi do antigo
Convento de Jericó, onde ainda existe uma capela, com a imagem de S.
Baco, santo ainda muito venerado das gentes dos concelhos de
Salvaterra e Benavente, onde os crentes vão pagar as suas promessas,
com azeite e velas para estar sempre iluminado.

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– Ver Apontamentos N.º 15

18

OS SANTOS POPULARES
Esperados com grande ansiedade depois da festa da Páscoa, os
festejos aos três santos populares, Santo António, São João e São
Pedro, ainda eram praticados nesta vila, com grande entusiasmo, nos
meados do século XX, onde as fogueiras com a queima de rosmaninho,
nas ruas, davam luz, e serviam para o salto à fogueira.
Todo o género de música e cantares alusivos aos santos serviam para
alegrar os bailes, onde as rodas, e o salto às fogueiras duravam até
altas horas da madrugada, todo o povo se divertia, especialmente
os jovens, que até ali arranjavam namorico.
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S. António

S. João

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S. Pedro

19

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BIBLIOGRAFIA USADA: Documentos de recolha do autor,
* Jornal Ilustrado “ A Hora” – edição de 1966

FOTOS USADAS: Autor

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20

2006 – Procissão Nª Sª da Conceição

21

CADERNOS DE APONTAMENTOS N.º 15

Documentos para a história
de

SALVATERRA DE MAGOS
Séc. XIII - Séc. XXI
Património:
Geográfico, Monumental, Cultural, Social, Político,
Económico e Desportivo

(MEMÓRIAS DO POVO)
O Autor:
José Gameiro

22

Primeira Edição
FICHA TECNICA:
Titulo:
CONTOS E LENDAS !
( Uma Riqueza da terra)
Tipo de Encadernação: Brochado (Papel A5)
Autor: Gameiro, José
Colecção: RECORDAR, TAMBÉM É RECONSTRUIR
Editor Gameiro, José Rodrigues
Morada: Bº Pinhal da Vila – Rua Padre Cruz, 64-1º
Localidade: Salvaterra de Magos
Código Postal: 2120- 059 SALVATERRA DE MAGOS
ISBN:
978– 989 – 8071 – 15 – 6
Depósito Legal: 256467 /07
Edição: 100 exemplares - MARÇO DE 2007

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Fotos da Capa – Imagem de S. Baco existente ca Capela do ex-Conventos de Jericó
Aquedutos de Água que basteciam algumas Fontes da vila * Lobo, que simboliza o
Conto o “Último dia do Lobo em Salvaterra” * Quadro (Pintura) da cena da morte do
Conde dos Arcos
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Primeira Edição
FICHA TECNICA:
Titulo:
CONTOS E LENDAS !
( Uma Riqueza da terra)
Tipo de Encadernação: Brochado (Papel A5)
Autor: Gameiro, José
Colecção: RECORDAR, TAMBÉM É RECONSTRUIR
Editor Gameiro, José Rodrigues
Morada: Bº Pinhal da Vila – Rua Padre Cruz, 64-1º
Localidade: Salvaterra de Magos
Código Postal: 2120- 059 SALVATERRA DE MAGOS
ISBN:
978– 989 – 8071 – 15 – 6
Depósito Legal: 256467 /07
Edição: 100 exemplares - MARÇO DE 2007

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2ª Edição Revista e Aumentada – Março 2015
******************************
Contactos: Tel. 263 504 458 * Telem. 918 905 704
E-mail: josergameiro@sapo.pt

O autor não segue o acordo ortográfico de 1990
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O MEU CONTRIBUTO
Muito antes de frequentar a escola, já
ouvia contar, “coisas” que se tinham
passado há muitos anos na minha terra –
Salvaterra de Magos. Afinal não passavam
de “Contos ou Lendas” que as gerações
mais velhas já tinham ouvido, a outros
nascidos antes delas.
Na idade escolar, com a imaginação fértil própria das crianças,
esses Contos e Lendas, eram contados de mil formas.

“Os subterrâneos da vila, por onde os reis que aqui
viveram, usavam para fugirem dos inimigos; os milagres de S.
Baco: a morte do Conde dos Arcos; o Milagre da Horta Real,:
a Roda da Fonte da Peteja ”, despertaram em mim o desejo, em
conhecer melhor as suas origens e, essa oportunidade chegou
alguns anos depois. A própria origem da povoação de Salvaterra,
confunde os menos prevenidos, pois aceitam à partida que, foi por
terem sido enviados para estas terras, os degredados que
praticavam feitiçaria.
Durante anos, além de ter acesso à informação escrita, sobre
aquelas historietas, “bebi” de pessoas idosas da vila, bem
informadas sobre estes assuntos e, de alguns ainda guardo os seus
testemunhos, em gravação áudio. Para mim, o tempo mostrou-me
através dos documentos que, existe muita fantasia tão ao gosto do
povo, sobre a origem de Salvaterra de Magos.
MARÇO: 2015

O Autor

JOSÉ GAMEIRO

(José Rodrigues Gameiro)

26

SALVATERRA DE MAGOS
CONTOS, E LENDAS !

Todas as povoações, têm os seus contos, e as suas lendas.
A opinião de alguns cronistas, ainda é tida em conta, que a povoação
de Salvaterra, era sítio montanhoso, local certo para desterro dos que
praticavam a bruxaria, ou feitiçaria, e assim para aqui vinham
condenados pelas leis da Inquisição.

LOCALIZAÇÃO DA VILA
Uma certeza existe, Salvaterra de Magos está localizada na margem
esquerda do rio Tejo, em plena Lezíria ribatejana.
São da época Dinisina os primeiros Forais; um sem data e um outro
de 1295, No seu início, como povoação concelhia, existiam no seu termo
seis lugares: Culmieiro, Misericórdia, Coelhos, Cabides, Figueiras, Bilrete
de Cima.
No sítio do Escaroupim, a exemplo de Leiria e Marinha Grande, o Rei D.
Dinis, mandou plantar um grande pinhal, Este por estar junto do Rio Tejo,
cujas madeiras seguiam o curso das marés, abastecendo a cidade de
Lisboa.

27

OS CONTOS !...
Para os menos interessados na pesquisa, é mais cómodo, mais
certeiro, porventura até mais fácil, conhecerem as urbes pelo seu
imaginário do que propriamente pela sua geografia e cultura, daí as
lendas criadas. Assim sendo, a origem do nome de Salvaterra de Magos,
para alguns continua nas brumas de uma lenda !
(*) – Também não é de desprezar alguma opinião que, se encontra
impressa, que a origem do nome primitivo esteja ligado a uma erva
selvagem – SALVA, nome vulgar da Salvina Officinaiis Lin, tal como o
BRUCO, e a erva de SÃO ROBERTO, que há época eram abundantes nestes
terrenos da bacia do rio Tejo.
A ABERTURA DO PAUL
Próximo da vila, no sítio de Magos, os seus pântanos, passavam a
maior parte do ano alagados, e as suas terras eram necessárias para
cultivo. O rei D. Dinis, no Foral exigiu a criação de um Paul naquelas
terras, cuja vala, ou sangria (1), leva-se até ao Tejo, as águas vindas de
uma bacia que as armazenava em quantidade, no sítio conhecido por
Ameixoeira Quando do Foral de D. Manuel, em 20 de Agosto de 1517, tal
obra ainda estava por concluir.

****************
(1 ) – Ver Apontamentos Nº 35

28

S. BACO
EM TERRAS MOVEDIÇAS
Não fora o príncipe D. Luiz, a
construir em terreno do vizinho
concelho de Benavente, nas
extremas com Salvaterra, um
convento que doou aos frades
Arrábidos, e teve como
padroeira Nossa Senhora da
Piedade, e nele passava muito
tempo, junto dos Frades, como
se tivesse professado. vivendo a
sua fé, não fora ele o povo
desta região não viveria na sua
crendice religiosa, Sendo Baco/
ou Baacus, militar no exército
romano sob o comando de
Galério, a sua hagiografia dános conta que viveu no séc.
IV/ou século V, e a sua conversão ao cristianismo é descoberta por não
querer fazer perseguição aos Cristãos novos, destituído da sua alta
patente de militar, foi enviado com um outro militar de nome Sérgio para
Barbalissios, na Mesopotâmia, para ser julgado por Antíoco, autoridade
naquela zona. Morreu torturado, tendo aparecido a sua imagem dias
depois a Sérgio, dando-lhe coragem para manter a sua fé.

29

Ao morrer como santo mártir, tal como Sérgio, foi-lhe atribuído alguns
templos religiosos em Constantinopla e Roma. O Infante D. Luis, grande
devoto de S. Baco, guardava religiosamente um pedaço do osso da sua
cabeça, que adquiriu em Roma. Com a extinção das ordens religiosas e
conventos, em Portugal, no ano de 1834, o pequeno convento de Jericó,
foi destruído, ficando apenas a sua capela, onde existia uma estatueta
daquele santo, já muito venerado nos pais. Muitos Contos e Lendas,
contadas de várias formas, quanto a uma saída da imagem daquela
santo, que tendo cerca de um metro de altura, foi tentada levar para
Benavente num carro de bois, os animais pararam e o carro ficou
enterrado na terra, regressado o carro à sua origem, a viagem
decorreu sem problemas, tal situação aconteceu numa outra tentativa ,
mas para Salvaterra.
Pedir ao Frade Mártir – Os Cristãos Novos, após a morte de S. Baco,
pediam-lhe com as súplicas ajuda para chegar à divindade cristã
pretendida, Tal como ocorreu naquele tempo, no decorrer dos séculos
as súplicas dos seus crentes, suplicam-lhe na esperança dos seus males
serem atendidos e resolvidos. Os milagres realizados. Um conto – Uma
Lenda, passa de geração em geração, e os seus devotos não deixam de
lhe manifestar a sua fé para interceder junto de Jesus Cristo. Para
mostrarem a sua devoção. pagam os seus pedidos com azeite e velas,
para que se mantenha iluminado dia e noite. Grupos de senhoras
voluntárias/devotas, todas as quartas-feiras, providenciam o acesso,
mesmo em dia de Quinta-feira de Ascensão, é realizada uma festa
campestre, com missa.
****************

30

A MORTE DO CONDE DOS ARCOS
Luís Augusto Rebello da Silva, viveu no séc. XIX entre outros atributos,
foi historiador, que usou na sua qualidade de escritor, no ano de 1848,
cerca de meio seculo depois da
morte do jovem Conde dos Arcos,
na presença do rei D. José, numa
corrida de toiros, na vila de
Salvaterra de Magos, foi motivo
para
descrever
aquele
acontecimento fazendo dele uma
narração romanceada, no seu livro
de contos e lendas: “A última
corrida de toiros real em

Salvaterra “

: A última corrida de toiros real em Salvaterra “ Obra, marcante na
literatura portuguesa na época do romantismo, realça a passagem da
corte, pelo palácio real de Salvaterra, passando a ser um marco da
história desta vila, daí sendo um Conto, não deixa desde aquela data da
primeira edição, de ser ao longo dos tempos usado em várias
publicações e até transformado em letra musical.

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31

O MILAGRE NA HORTA DO PALÁCIO
O Paço Real de Salvaterra, tinha no séc. XVIII, para além dos seus
aposentos, instalações anexas como: A Capela e Teatro da Ópera, um
Horta que servia as hortícolas e frutas para consumo naquele paço
régio. O Hortelão, com sua família vivia naquele campo, onde existia um
grande tanque de água para rega. O Conto que vai passando de geração
em geração, que um “acidente” com a filha daquele encarregado da
horta, passou a ser um “Milagre”, visto ter caído naquele recinto de água
profundo, e manter-se a boiar com vida durante várias horas, até que
alguém atendendo aos pedidos de socorro da mãe da menina, apareceu
com uma escada salvando a criança. Pintado um quadro sobre o
acontecimento, passou a ser um ex-voto. Numa parede da antiga capela
do paço real de Salvaterra, esteve exposto durante anos aquele painel
como um Conto ocorrida em 1746 , passando nos últimos tempos a estar
guardado num pequeno Museu da Igreja Matriz da vila.

***********
(*) - Pintura a óleo sobre tela, com as
último restauro em 1992

dimensões, 99 x 71, 2 cm, recebeu o

32

O ÚLTIMO DIA DO LOBO EM SALVATERRA
Na década de 30 do séc. XX, um dia ainda menino, acabo de sair da
escola, José Amaro D`Almeida, veio de Almeirim, até Salvaterra de
Magos, para que seu tio-avô, José Amaro – mestre Ferreiro, lhe ensinase aquela profissão. Instalado para dormir na oficina, mesmo ali a
escassos metros do edifício da Capela Real, o tio destinou-lhe uma
enxerga bem perto do pequeno lobo, que estava criando e ensinado
como um cão.
O animal tinha sido encontrado num pinhal, que tinha pertencido à
Coutada de Salvaterra, nos arredores da vila e num dia de caça, onde
levou alguns cães que encontraram num buraco uma ninhada de
pequenos lobos com poucos dias de vida.
O Tempo correu, e José Amaro em
1972, já enverado por outro caminho
de vida – tinha-se licenciado e era
professor no Instituto de Hidrologia,
escreveu e publicou em livro editado
em Lisboa, com o titulo “Contos do
Ribatejo”, na página 51, abre-a com um
“Conto” sobre a sua vivência e
convívio com o animal de raça Canis
Lupus, a que deu o titulo “ O Último Dia
do Lobo em Salvaterra”, sendo um episódio de rara invulgaridade
passado nesta vila, passou a pertencer a um pedaço sua história
sociocultural.

33

OS SUBTERRÃNEOS DA VILA
Vinha de séculos, o aproveitamento das nascentes naturais de água,
nas terras de Salvaterra de Magos, muitas delas foram aproveitadas
através de Fontes, onde o meio
encontrado, foi através de
aquedutos/ou
/ou tuneis construídos em pedra
e taipa. Através das sucessivas
gerações, foi construída a Lenda,
que aqueles Aquedutos, serviam
para a família real, se refugiar,
em caso de ataques de
inimigos, ao Paço Real da vila.
No ano de 1938, quando da
edificação do quartel dos
bombeiros de Salvaterra de
Magos, no centro urbano da
povoação foi posto a
descoberto um aqueduto de
água, construído em pedra e
taipa que transportava uma linha de água, que segundo referências
vinha de 1788, j abastecia o fontanário do Largo de S. António.
O aqueduto encontrado, foi interrompido e foi a sua linha de água
aproveitada para um “poço” de abastecimento àquela corporação. Anos
mais tarde em 1987, quando das obras, do edifício da Caixa Crédito
Agrícola, (CCAM), a nascente - mãe-d’água, daquela linha de água foi
posta a descoberto, dias depois após várias visitas ao seu interior foi

34

fechado. O seu percurso passava no antigo arruamento do palácio real
(hoje rua 25 de Abril), e dos terrenos onde foi edificada uma Escola
Primária, terminava após passagem no jardim público com seu mercado
diário, abastecia um Fontanário, junto à câmara municipal – A Fonte S.
António.
A FONTE DO ARNEIRO
- UMA LENDA/ ou HISTÓRIA –
A Fonte vem do séc. XVIII, com o ano 1711, esculpido na sua pedra, a sua
construção exterior mostra um desenho abobadado, na entrada um
desenho tipo oval, com escadaria em pedra, dando acesso a duas bicas a
deixarem água correndo constantemente. Visitas ao seu interior através
de um Aqueduto/Túnel, construído em pedra e taipa, mostram que a sua
mãe-de-água, está situada em terrenos que foram do antigo Convento
de Jericó. Grande parte da população, ali ia encher os seus potes de
água, também os carros de bois com grandes barris, ali se abasteciam
através de baldes, transportados por duas carreiras de homens – uma
com balde cheio, outra com balde vazio. As raparigas namoradeiras,
estavam sempre desejosas de ir à fonte, os remorados ali as
esperavam, para uns minutos de conversa.
No primeiro quartel do século XX, a Azinhaga da vila, ainda escoava
as águas pluviais para o Tejo, junto à fonte do Arneiro, já ali existia uma
roda em pedra. Com água abundante os mestres: ferreiros e
carpinteiros, usavam-na como molde, para a construção das rodas dos
carros, especialmente carroças e carros de bois.

35

A RODA DE PEDRA
Uma outra história se ouvia contar, sobre a Roda dos Enjeitados !
Nos primeiros anos era hábito, a miúdas vezes, na roda de pedra, pela
calada da noite, bebés serem ali abandonados, e entregues à
Misericórdia local, depois encaminhados para a Casa Pia e Misericórdia
de Lisboa, eram registados com
um nome próprio e um sobrenome
de “expostos”, acabando por
crescer e educados naquelas
instituições.
Para recordar, tal época o
executivo municipal, em 1985, sob
proposta do seu Vereador – Joaquim Mário Antão, quando do arranjo
urbanístico da zona, ali mandou colocar aquela roda em pedra, que há
muito se encontrava em sítio menos resguardado.

*************

36

AS LENDAS !....
( ou a história do passado)
Um dia o Prof. Dr. Justino Lopes de Almeida, natural da vila de
Benavente, pessoa muito interessada no estudo das raízes histórias dos
dois concelhos vizinhos, tinha entre mãos um precioso trabalho de
recolha de dados sobre Salvaterra de Magos, que aproveitou divulga-lo,
quando foi convidado em 2004, a estar aqui presente num colóquio
“Jornadas históricas”, acompanhado do Prof. Dr. Veríssimo Serrão.
O estudo tinha como titulo: Salvaterra de Magos “Um Topónimo
Auspicioso?”
“Sobre Salvaterra de Magos não há uma bibliografia abundante. Há, no
entanto, alguns trabalhos publicados, a que não recusamos valor, mas
sobre Salvaterra há uma imensidade de documentação no Instituto dos
Arquivos Nacionais / Torre do Tombo. Sobre os elementos informativos
existentes, foi-me possível redigir um extenso trabalho, insusceptível de
ser apresentado como comunicação, mas que publicarei na íntegra, num
outro momento. Aqui, por escassez de tempo, darei apenas um sumário,
que vou distribuir para mais fácil acompanhamento da exposição.

37

1. Devo, antes de mais, explicar a razão do uso do qualificativo
«auspicioso», no título. Para mais, com uma interrogação: porquê?
«Auspicioso» significa «que se apresenta como bom, prometedor,
promissor». O uso deste adjectivo aplicado a Salvaterra tem a ver com a
convicção, que se criou e se afirmou, pelo menos no meu espírito, de que
para a vila estava destinado um futuro próspero, como que divinizado
pela fixação da palavra «Magos».
2. Ninguém até hoje, que eu saiba se ocupou completamente da origem e
significado do nome de Salvaterra de Magos. Há pequenas abordagens
em dicionários antigos, e em enciclopédias actuais, com leves alusões
em trabalhos de investigação histórica, mas que não satisfazem as
exigências da ciência linguística. Para aumentar as dificuldades, o nome
nem sequer vem mencionado no Onomástico Medieval, de A. A. Cortesão,
que regista as formas mais antigas dos antropónimos e topónimos
portugueses.

Porquê «Salvaterra»? E porquê «de Magos»?
3. É conhecido como, à medida que se procedia à reconquista cristã, os
monarcas portugueses distribuíam as terras a arrotear por colonos
estrangeiros. Para Benavente, uma vila aqui ao lado, vieram colonos da

38

Benevento italiana. Uma forma de genitivo ( vila Beneventi ) está na
origem do nome actual, cuja evolução fonética já expliquei em outras
oportunidades.
Para Salvaterra, vieram colonos francos (povos que ocupavam a
antiga Gália romana), e aqui deram a um local já existente, o nome da
sua terra: em francês Sauterre evolução do latim salva terra « terra

salva» por qualquer acontecimento, porventura de natureza histórica.
Os naturais ou habitantes deste lugar adoptaram a designação mais
conforme com o original. E não foi esta a única: outras Salvaterras
nasceram no território hispânico, todas com uma génese francesa.
4. ..«de Magos», o que vem a ser? É também palavra latina « plural de

mago, proveniente de magus, com o sentido de «mago, mágico,
feiticeiro» Esta palavra tem uma história linguística curiosa: deveria ter
evoluído para majo, como Tagus evoluiu para Tejo, Pace para Beja . A
manutenção de magus só se compreende por um uso moçarábico (do
árabe musta’rib «arabizado»: cristão que vivia na Península Ibérica sob
a dominação muçulmana, conservando as suas crenças a sua língua e o
direito de praticar a sua religião), como me explicou oralmente o Prof
José Pedro Machado.
Temos, portanto, em Magos uma palavra grega uayos, de origem
persa, que chegou até nós por intermédio do latim magus, com o
significado primitivo que já indicámos. Pensa ainda o Prof, José Pedro

39

Machado que a palavra magus era muito usada pelos moçárabes e que é
provável que ali existisse um templo que deu o nome ao lugar, designado
Magos.
5. Que Salvaterra conviveu com Magos, e que Magos precedeu
Salvaterra, são conclusões que se tiram da leitura do início do foral
concedido por D. Dinis, em boa hora divulgado pela Câmara Municipal de
Salvaterra de Magos, sob a responsabilidade científica do saudoso Prof.
Borges de Macedo. Diga-se, no entanto, que, em verdade, o foral então
publicado não era destinado a Salvaterra de Magos, mas a Salvaterra
próxima do lugar de Magos, depois Salvaterra de Magos. Isto está na
origem da confusão existente em alguns autores, ao julgarem que o foral
de Salvaterra, publicado por Alexandre Herculano nos Portugaliae
Monumenta Historica, se referia a Salvaterra de Magos, quando afinal é

o foral de outra Salvaterra, depois designada por Salvaterra do Extremo,
em terras egitanienses .
6. Mas, afinal, como prevalece um nome que contém em si um vocábulo
de sentido anticristão, e que eu, no título da comunicação, considerei
«auspicioso»?
O significado primitivo de Magos desvanece-se com os tempos.
E sobretudo a partir do séc. XVI, mais exactamente desde a fundação do
Convento de Jenicó pelo infante D. Luís, a quem se deve o mais

40

majestoso palácio real construído – ou reconstruído em Salvaterra, que
se radica a convicção de que Magos mais não era do que uma evocação
dos Reis Magos, do episódio bíblico.
Não é difícil reconstruir a imagem: assim como os Reis Magos tinham
vindo do Oriente para adorar o Deus Menino, assim os monarcas
portugueses demandavam a Salvaterra - que rivalizava então com
Almeirim. Aquele nome de Magos, de Salvaterra não poderia ser senão
uma lembrança dos Reis Magos, como se Salvaterra se identificasse
com Salvaterra dos Reis Portugueses, de significação idêntica a
Salvaterra dos Reis Magos, na sua expressão mais simples Salvaterra de
(por dos) Magos. Assim acreditavam, e assim ficou para sempre. Não se
creia porém como alguns disseram, que Salvaterra foi buscar a segunda
parte do nome à designação de Paul de Magos. A documentação regista a
existência de muitos pauis na região, e o que veio a ser designado por
Paul de Magos só teria sido aberto em tempos de D. João IV.
7. Com a invocação, e não apenas evocação, dos Reis Magos na sua
designação, a vila ficava por assim dizer, divinizada, assegurando-lhe um
futuro promissor, como de facto aconteceu.
Entendam-se estas minhas palavras como uma homenagem a Salvaterra
de Magos.” Salvaterra de Magos, 8 de Maio de 2004

41

Nota: Justino Mendes de Almeida, Licenciou-se em Filologia Clássica, na
Universidade de Coimbra, e Doutorou-se em Filologia Clássica, na
Faculdade
de
Letras,
na
Universidade de Lisboa,
ensinou Grego e Latim.

onde

Teve um percurso académico
invejável ao longo da sua vida. Foi
fundador; e seu vice-reitor (19871992) e reitor (1986-1987 e 19922012), Foi 1º Vice-Presidente da Academia Portuguesa da História, e
preparava-se para ser galardoado com o titulo – Magnifico Reitor
Emérito da Universidade Autónoma de Lisboa, quando se deu o seu
falecimento em 2012
OUTRAS DEFESAS DA ORIGEM DE SALVATERRA

No final do século XIX, alguns colaboradores de Jornais e Revistas
portuguesas, já sustentavam existirem mistérios, onde entravam contos
e lendas na origem de Salvaterra de Magos. “Que serviu de guarida a
“Bruxos” e “Adivinhos” que por ser terra de muitos relevos para aqui
vinham expiar as suas culpas, depois de julgados pela Inquisição.

42

Outros no decorrer do século XX, escreviam que Salvaterra, recebeu
o nome porque nos seus primórdios, era fértil em ervas para chás como
- Salva e S. Roberto, que nasciam a esmo nos campos dai “Salva+terra”
e ali próximo existam terrenos pantanosos no lugar de Magos.
Outros ainda, mesmo no século XXI, não deixam de sustentar que

acreditam e ser a mais verdadeira, que a origem atribuída a Salvaterra
de Magos, “É sabido, que o termo Magos, trata-se de uma palavra de
origem céltica, significativa de “campo” e, os do estudo da ciência
etimológica se apressaram a conotar Salvaterra, como uma expressão
equivalente aos “Campos Elísios ” da antiguidade, campos esses
precedidos de portas, a fim de impedir a entrada dos espíritos
malfazejos”, assim escreveu um colaborador do Jornal “O Diabo” em
1985, fruto de uma reflexão que vinha de vários anos,

43

***************************
Bibliografia usada
* O Convento de Jericó – Dr. Betâmio de Almeida 1990
* O Abastecimento de água a Salvaterra de Magos,
e os seus Fontanários – do autor
* Salvaterra de Magos “Seu povo sua cultura”
- do Autor
* O Último dia do Lobo em Salvaterra – Dr. José
Amaro * edição Contos do Ribatejo - 1972
* História de Portugal (Dicionário), Alexandre
Herculano * Portugal Antigo e Moderno (Dic.), edição
de 1878 * Obra Ilustrada (Portuga Dic.), edição 1900
* Grande Enciclopédia Portuguesa Brasileira
* Boletim da Junta Geral do Distrito de Santarém –
1936
* Estudo Etimológico s/ Salvaterra, do Prof. Dr.
Justino Mendes Almeida – 2004
*Texto “ Reflexão sobre a Origem de Salvaterra”
publicado no Jornal “O Diabo” 1985
*******************

44

***********************

Fotos usadas:
* Pág. 4 – Estatueta do Santo S. Baco ( Do Autor)
* Pág. 5 - Quadro, da morte do Conde dos Arcos,
( pintura de Martim Maqueda )
* Pág. 6 - Quadro (pintura) do milagre da horta do
paço real * Reprodução ( Do Autor)
* Pág. 7 – Interior do Subterrâneo, que conduzia a
água para a Fonte de S. António, destruída em 1951
( Do Autor)
* Pág. 9 - Roda de Pedra nos terrenos juntos à Fonte
do Arneiro ( Do Autor)

******************

45

CADERNOS DE APONTAMENTOS Nº 16

Documentos para a História
De

SALVATERA DE MAGOS
Séc. XIII – Séc. XXI

Património:
Geográfico, Monumental, Cultural, Social, Político,
Económico e Desportivo

O ANTIGO ABASTECIMENTO DE ÁGUA
Autor
José Gameiro

46

Fotos da Capa: - Antiga Fonte S. António – destruída em 1951

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Primeira Edição
Titulo:
FONTES E FONTANÁRIOS
- O Antigo Abastecimento de Água da Vila –
Tipo de Encadernação: Brochado (Papel A5)
Autor: Gameiro. José
Colecção: RECORDAR, TAMBÉM É RECONSTRUIR !
Data: MARÇO DE 2007 – Primeira edição
Editor Gameiro, José Rodrigues
Morada: Bº Pinhal da Vila – Rua Padre Cruz, Lote 49
Localidade: Salvaterra de Magos
Código Postal: 2120- 059 SALVATERRA DE MAGOS
ISBN:
978– 989 – 8071 – 16 – 3
Depósito Legal: 256468 /07
Edição: 100 exemplares – Março 2007

48

***************************

Segunda edição Revista e Aumentada - Março 2015
***************************
Contactos: Tel. 263 505 178 * Telem. 918905704
E-mail: josergameiro@sapo.pt

O Autor deste texto não segue o acordo otográfico de 1990

49

O MEU CONTRIBUTO
lembro-me quando menino, naquele ano
de 1951, um dia, minha mãe comigo
arrastado pelo braço, em grande correria,
entre a multidão, que se dirigia para o novo
Depósito de Água, na estrada 114-3 que vai
para Coruche. Era dia de festa em Salvaterra,
algumas
ruas
estavam
engalanadas,
campinos, e bombeiros fizeram uma parada
junto ao edifício dos paços do concelho, onde o povo assistiu à
sessão de boas vindas aos convidados. A cerimónia terminou junto
aquele Depósito, pois estava-se perante uma das maiores
inaugurações do séc. XX, em Salvaterra de Magos, que era o
abastecimento e distribuição de água ao domicílio. Uns anos antes,
já as ruas da vila estavam a receber canalização de “ canos de
lusalite”, de grande dimensão, em valas previamente abertas, à
força braçal de muitos homens. As maiorias das habitações já
estavam prontas a receber o tão precioso líquido, que até ali era
retirado em muitas Fontes naturais ou Fontanários, construídos e
providos de furos artesianos. Após algumas palavras de
circunstância, a cerimónia festiva findou com a ligação dos motores,
e os furos a jorrarem água para o depósito, horas depois as
habitações da vila estavam abastecidos.

MARÇO: 2015
O Autor:
José Rodrigues Gameiro

50

A ÁGUA NO RIBATEJO

Um estudo dado a conhecer, em 1936, dava como certo que, uma grande
parte do Ribatejo Sul, nas suas terras de Bordadura do Tejo e do
Sorraia, tinham camadas subterrâneas de água, que suportavam a
planície da Lezíria dando-lhe frescura para o cultivo das sementeiras de
sequeiro, que se juntava também ao tempo de invernia que alagava os
campos, dando-lhes frescura que se conservava durante meses.
Em certas zonas os seus subsolos, mostravam que a poucos metros de
profundidade as camadas hídricas eram constantes e daí brotava água
doce. Aquele estudo, dava também a conhecer com mais detalhe o
potencial da vasta Bacia do Rio Tejo, e a influência recebida de uma
outra, a Bacia do Sado, que sendo banhada por águas de origem salgada,
provoca sabores diferentes em várias captações nas terras do Ribatejo
já em áreas de Charneca. A Bacia do Tejo, com as suas terras de
aluvião, então ricas em Pântanos, davam origem a águas salobras.
Esta situação segundo os autores (1) vem do período QUATERNÁRIO, com
ramificações mais profundas do período anterior, o TERCEÁRIO.
Assim, através dos milénios, o caudal hídrico tem vindo a fragilizar o
rio, provocando-lhe as insuficiências que cada vez será mais notórias.
A vivência das espécies, incluindo o homem, terá dificuldades numa
vida normal, pois as linhas de água doce, são um bem que não é
inesgotável. A predominância constante da salgação da Bacia do Tejo, é
fruto do jogo das marés que, o rio sofre do mar e, que cada vez mais se
verifica na extensão do seu percurso para nascente.
*************

(1) – António F. Salgado e P. Choffat * Boletim da Junta Geral
Distrito Santarém * 1936

51

O ABASTECIMENTO DA ÁGUA A SALVATERRA
A vila de Salvaterra de Magos é referenciada em certos mapas, como
tendo no séc. XVIII, por volta de 1788, algumas nascentes de água no seu
espaço urbano, uma junto ao Botaréu na entrada da Capela da
Misericórdia, e uma outra ao fundo do edifício da Capela real.
A juntar a estas existiam duas fontes construídas pelo mão do homem,
Uma no Largo de Santo António (próximo do edifício da câmara
municipal), uma outra no Arneiro da vila, ambas, recebendo a água
através de subterrâneos construídos em pedra e tijolo de taipa. Uma
mãe-de-água, nos terrenos pertencentes ao Paço real, usados como
Matadouro e Galinheiro, junto à rua do Calvário, transportava o líquido
até à Fonte de S. António, e uma outra em terras do Convento de Jericó,
abastecia a do Arneiro. Quando da construção do edifício escolar “O
Século”, foram encontrados no seu terreno, vários respiradores do

Em 1993 – Francisco Costa, indica a existência em 1930,
da Nascente junto à Capela Real conhecida pela
“Fonte dos Passarinhos”

52

subterrâneo, para entrada de oxigénio, na corrente de água, que
passava por debaixo do Jardim até à Fonte de S. António. Este túnel,
anos mais tarde sofreu outros danos, quando da construção do Quartel
dos Bombeiros, sendo em parte bloqueado, servindo para no edifício ser
construído um poço, que abastecia as viaturas. Uma bomba de água com
roda de ferro, foi instalada, em 1925,no inicio da Rua Dr. Miguel
Bombarda para retirar água do subterrâneo e por volta de 1940, foi

retirada para um Páteo da Família Roquette, onde mais tarde estiveram
instalados os celeiros da Federação Produtores de Trigo (FNPT), ali ainda
existe a sua roda em ferro, como simbolismo, onde se instalou a Escola
Profissional de Salvaterra de Magos.

53

A Casa Agrícola – Costa Freire, possuidora do espaço onde nascia aquela
mãe-de-água (onde por volta de 1980, deu lugar a um edifício onde
existe a Caixa Agrícola) não deixou de abrir um furo artesiano, com
bomba e roda em ferro, numa outra instalação de gado, situada em
frente

atravessando
a rua (onde
agora
está
instalado um
balcão
da
Caixa Geral de
Depósito), ali a
população não
deixava de se bastecer de água, tal como o faziam os moradores da
redondeza do Páteo, da rua Heróis de Chaves. A Fonte de Santo António,
deixou de abastecer a população da zona centro da vila, visto ter sido
construído no seu espaço, um Depósito, que era cheio de água captada
de um furo, aberto debaixo do Jardim Público, movido com um motor a
gasóleo. A Fonte e o Depósito foram destruídos por desnecessários,
tinha-se inaugurado o abastecimento de água ao domicilio a Salvaterra
de Magos.
*********

54

A FONTE DO ARNEIRO
O século XIX, estava nos últimos anos, os
terrenos que pertenciam ao Arneiro, ainda
recebiam as águas pluviais, encaminhadas
através da Azinhaga, com destino à vala
real.
O arranjo da rua que terminava junto
ao palácio da falcoaria, acabava de
receber obras no seu pavimento, o que interrompeu aquele forma de
escoar a água a céu aberto. As Fonte do Arneiro a par de um Fontanário
de S. António, junto ao edifício dos paços do concelho, eram as únicas
fontes de água que forneciam a população da vila.

O mapa da vila de
Salvaterra de Magos, de
1788,
vinha dando conta da
existência daquela Fonte,
no Arneiro, até porque
nas pedras abobadadas,
ainda se pode ler, como
data da sua construção o ano de 1711. A Fonte, de construção pesada, tem
nos rebocos a cal e, as pedras da sua escadaria, são de lioz não polida,

55

mostrando grande desarranjo, estando ligada aos acontecimentos da
roda de pedra (2). No interior, na frente, sai água numa corrente
constante através, de dois tubos em ferro, para duas pequenas caixas
em pedra que, estando sempre cheias, esgota através do campo para a
vala real.
Em cima numa abertura de visita, ou de limpeza, existe uma porta de
ferro que, parece não ser a original.
Uma conduta em forma de túnel, trás a água da nascente – ou mãed’água - que, segundo informações remotas vem das terras junto ao
convento de Jericó que, fica a alguma distância.
FONTE DA PETEJA
(Mina/Nascente)

Nascente, já referenciada, em
1788, com uma construção em
tijoleira, situando-se numa
barreira dos terrenos agrícolas
da Peteja, a escassos metros do
Palácio da Falcoaria.

56

DEPOSITO DE ÁGUA

Construído quando da rede de
distribuição de água ao domicilio à
vila de Salvaterra de Magos, em
1951, tem um desenho muito usado
na época.

FONTE S. SEBASTIÃO
(Fontanário)

Com a limpeza e nova urbanização do espaço, em 1933/34, após o
terramoto de 1909 que destruiu a Albergaria (Hospital) no Largo de S.
Sebastião, foi construída uma fonte naquele local, com uma outra igual,
na rua Av. do Calvário.
Esta última viria a se
demolida por volta de
1948, quando da nova
urbanização
de
prédios, em terrenos
próximo. O Fontanário,
no Largo S. Sebastião, poucos anos depois, deixou de utilizar o sistema
de bomba motorizada, passando a usar a rede de abastecimento de
água, no sistema domiciliário publico que, foi instalado na vila, a partir

57

de 1951. é uma peça de desenho arquitetónico, pouco usado na época
que, estando enquadrada no património local, é referenciada pelos
especialistas . Durante mais de 50 anos, foi conservada a sua beleza no
estado original. Com uma construção sóbria em cimento “vivo”, segundo
o mestre-pedreiro; Luís Palma, que foi servente na obra, construída pelo
seu avô e por seu pai. A família Palma, foi durante largas dezenas de
anos, pedreiros na câmara municipal
Em 1998, a DOMSU, um departamento camarário, a cargo do vereador
João Abrantes, mandou proceder à sua pintura de cor branco e amarelo.
O povo chamou-lhe uma aberração !.....

Em 1998 - O idoso mestre-pedreiro; Luís Palma
junto à Fonte * Foto José Gameiro

58

********************

FONTE DO LARGO S. ANTÓNIO
Foi uma construção emblemática durante muitos séculos Encontravase construída no largo do mesmo nome, junto ao edifício dos paços do
concelho e, de outros edifícios que foram pertença do paço real.
Em forma de meia lua, a sua frente
estava embutida na parede do muro, do
então mercado diário e jardim público tinha alguns mármores de cor rosado,
era já uma referência antes de 1788.
As suas duas bicas até 1938,
recebiam água da nascente (mãe de água) localizada no canto da
Ferrugenta, em propriedade da família Costa Freire, fazendo um
percurso pela rua 31 de Janeiro, passando pelos terrenos do jardim da
Praça da República.

59

A construção do quartel dos bombeiros, interrompeu o subterrâneo
condutor da água, passando a Fonte a ser abastecida por uma captação
próxima, cujo sistema motorizado, bombeava a água para um grande
depósito em cimento construído para o efeito de abastecer também as
residências próximas. A água excedente, era aproveitada e, conduzida
originalmente a céu aberto, através da Trav. do Secretário, abastecendo
um grande tanque – (construção em pedra de lioz) onde os animais
diariamente bebiam na rua do Rossio.

Por decisão da vereação municipal, em 1951, o depósito foi demolido e,
o fontanário foi tapado no muro existente, bem como a escadaria
paralela existente, que ainda são visíveis os restos da sua colunata.

***********

60

PLANTAS DA VILA
************

Planta de localização da Fonte do Arneiro

Planta da construção de novas ruas, substituindo as escadarias,
junto à Câmara Municipal e Capela Real, mostrando a nova estrada do Rossio e o
Jardim Público, com a localização da Fonte de S. António – Final do séc. XIX

61

Subterrâneo/ou Conduta de Água, posta a descoberto quando das obras do edifício da
Caixa Agrícola de Salvaterra de Magos – 1987

* O autor deste Apontamento, à entrada do “buraco” na mãe-d’água tirando algumas
fotos – 1987
* O funcionário da câmara, João Monteiro, fazendo buscas, no interior do
subterrâneo, que conduzia água para a Fonte de S António, junto ao Quartel dos
Bombeiros - 1987

62

Interior do subterrâneo/ ou Aqueduto, que fazia
a condução das águas para a Fonte de S.António - 1987

Regulamento “Serviço de Abastecimento de Água à vila de Salvaterra de Magos”,
datado de 1949, distribuído em 1951, quando da feitura dos contratos de ligação * As
normas quanto à parte técnica ainda estão em vigor, sofrendo ao longo dos anos,
alterações apenas no capítulo das taxas e outros pagamentos.

*************************

63

Bibliografia usada:
Documentos do Autor:
* Jornal “ O Ribatejo/1987 “ * “Jornal do Vale do Tejo/2001”
* Regulamento de Abastecimento de Água a Salvaterra de
Magos/1949


Fotos usadas:
Do Autor
Alexandre V. Cunha ( Fonte e Depósito de Água- Largo S.
António) *
1951 Pintura do espaço da Fonte já sem o Depósito de Água Autor Anónimo –

******

64

CADERNO DE APONTAMENTOS Nº 17

Documentos para a História

de

SALVATERRA DE MAGOS
Séc. XIII – Séc. XXI
Património:
Geográfico, Monumental, Cultural, Social, Político,
Económico e Desportivo

O Autor:

José Gameiro
(José Rodrigues Gameiro)

65

Primeira Edição
FICHA TECNICA:
Titulo:
0S DIAS QUE SE SEGUIRAM AO TERRAMOTO DE 1909 !
Tipo de Encadernação: Brochado (Papel A5)
Autor: Gameiro. José
Colecção: RECORDAR, TAMBÉM É RECONSTRUIR !
Data: MARÇO DE 2007 – Primeira edição
Editor Gameiro, José Rodrigues
Morada: Bº Pinhal da Vila – Rua Padre Cruz, Lote 49
Localidade: Salvaterra de Magos
Código Postal: 2120- 059 SALVATERRA DE MAGOS
ISBN:
978– 989 – 8071 – 17 – 0
Depósito Legal: 256469 /07
Edição 100 exemplares – Março 2007

66

Fotos da Capa:: Habitações destruídas * Construção de Barracas, no Largo
Dr. Oliveira Feijão ( actual Praça da República)
Escola construída pelo Jornal “O Século” Largo 5 de Outubro (actual Largo
dos Combatentes) * Sala de Aulas 1913

67

************************
2ª edição Revista e Aumentada - Março 2015
************************
Contactos: Tel. 263 504 458 * Telem. 918 905 704
E-mail: josergameiro@sapo.pt

O Autor deste Caderno não segue o Acordo otográfico de 1990

68

O MEU CONTRIBUTO
Quando criança ocasionalmente ouvia falar
do terramoto, pois já perto de meio século se
tinha passado, os estragos causados na
povoação estavam recuperados. No entanto a
curiosidade era muita, existia um marco
daquela época, uma escola primária na vila,
tinha alguma informação.
Os traumas, esses não, mas a geração, que o viveu estava em
declínio, os que ainda se lembravam, como José Caleiro, homem
que rondava os 90 anos de idade e, do terror vivido me fez algum
relato., quando o abordamos em 1986, para mais viveu a chegada a
esta vila, do rei D. Manuel II, que aqui veio visitar os seus estragos.
A emoção espelhada nas palavras, quando descrevia as cenas de
pânico que a população viveu., especialmente a urbana, a rural,
àquela hora ainda trabalhava no nas lavouras.
. Foi uma descrição tão pormenorizada quanto possível, até porque
veios do campo, a pé, chegando uma hora e meia depois, à vila,
quando do acontecimento sismológico, encontrando as muitas
habitações destruídas, como constam descritas em documentação
que consultamos sobre o assunto. Guardo, as suas informações em
gravação áudio, bem como de outro idososs que, outra visão sobre o
assunto tinham,. nas suas memórias.

O Autor:
MARÇO: 2015

JOSÉ GAMEIRO
(José Rodrigues Gameiro)

69

23 ABRIL DE 1909 – O DIA DO TERRAMOTO
O ano de 1909, estava no seu quarto mês, e o país ainda se
encontrava de luto chorando a morte da família real, vítima de regicídio,
ocorrido em Lisboa, na Praça do Comércio quando regressava de Vila
Viçosa. O Príncipe D. Manuel, que viria a ser chamado de II rei de
Portugal, era filho do rei D. Carlos e, de D. Carlota, tinha subido ao trono
havia poucos meses quando Portugal foi alertado para uma nova e
infausta notícia.

No dia 23 de Abril de 1909, eram 5 horas da tarde a terra tremeu no
coração do Ribatejo. As vilas de Samora Correia, Benavente, e
Salvaterra de Magos, acabavam de sofrer uma catástrofe - Um

terramoto.

Em Salvaterra de Magos, àquela hora a maioria da população
encontravam-se fora das suas casas, trabalhando no campo, daí o
cataclismo produzir apenas duas mortes, mas os feridos foram muitos,

70

Ficando destruídas 15 prédios de habitação, sendo o prejuízo calculado
em 92.547$000 réis, segundo o relato dos autarcas que, de imediato
reuniram para apuramento dos primeiros danos, segundo reza as actas
camarárias,

”.... os tremores de terra continuaram nos dias seguintes, mas com
menos intensidade ...”.
Nos dias que se seguiram toda uma onda de solidariedade chegou a
Salvaterra, a autarquia desde logo não parou de receber, quer
telegramas de apoio, quer ofertas da mais variada ordem. A Cruz
Vermelha, pôs ao dispor a instalação de “barracas” em vários locais da
vila, sendo o mais significativo o grupo que foi instalado no Largo do
Mártir S. Sebastião, onde existia a antiga Albergaria (hospital) da vila
que foi destruída - local onde depois foram construídas: uma escola
primária e uma fonte, (novas Av. Brito Seabra e Av. António Viana
Roquette - esta uma pequena artéria de meia dúzia de metros ! ).

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A população desalojada, nesse mesmo dia recebeu o apoio do
governo, este fez deslocar para o local, uma guarnição de soldados do
Regimento de Sapadores. À disposição da câmara, foi colocado um
contingente de militares da Cavalaria e Infantaria, afim de ser mantida a
ordem pública.
Através do ministro das obras públicas, foi considerado fazer um
estudo no local, para reconstrução das habitações que, oferecessem
garantias de recuperação e demolição total das outras. Em 30 de Abril,
em virtude do edifício da câmara, não oferecer segurança, a reunião dos
autarcas, foi efectuada num celeiro pertença do Lavrador Gaspar
Ramalho, no Largo do Palácio, (Largo esse, que depois se chamaria de 5
de Outubro, e por último dos Combatentes),
Nesta reunião estiveram presentes por
convocatória, grande número de cavalheiros,
pessoas respeitadas no concelho, afim de
darem a sua opinião sobre a catástrofe. Entre
os convocados, encontrava-se o lavrador/
benemérito Gaspar da Costa Ramalho que, foi
ouvido com muita atenção e, as suas propostas foram aceites.
Da sua iniciativa foi constituída uma comissão local, onde integrava
além dele, o Conde de Mangualde, Luiz Ferreira Roquette, Porfírio Neves
da Silva (Presidente da Câmara) e Vergílio Roquette Costa que, se
responsabilizaram por contactar os jornais e instituições para
angariação de fundos.

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Nas resoluções que foram tomadas, foi resolvido mandar construir 18
lanternas de iluminação, para serem usadas nas zonas da instalação das
barracas e, cada uma custou 1.150 réis. Em 17 de Junho, contavam-se já
instaladas 180 barracas das 325 que, foram consideradas necessárias.
Fazendo face à desgraça que se abateu sobre as 3 povoações
vizinhas, logo o governo disponibilizou para Salvaterra, a verba de “CEM
CONTOS DE RÉIS” para as primeiras necessidades. Nas reuniões que se
seguiram, a câmara e, o administrador do concelho, Luiz Filipe Valente,
analisaram propostas de ofertas de créditos postos à disposição da
população salvaterriana, muitas delas vindas do estrangeiro.
A 19 de Agosto, foi aceite uma exigência do oficial que comandava a
guarnição que, mantinha a lei e a ordem na vila. Propunha, aquele
comandante das tropas que, a sineta do edifício da câmara, passa-se a
dar as horas, em virtude do relógio da torre se encontrar ainda
avariado, o que seria feito pelo soldado de serviço, puxando o seu cordel,
tantas vezes quantas as horas a marcar. No dia 11 de Novembro, foi
deliberado que, o entulho da limpeza das casas destruídas, na zona da
Trav. do Martins, fosse colocado nos baldios próximo do antigo moinho
de arroz, na vala real.
O jornal “O Século” que, nas suas páginas tinha aberto uma
subscrição pública de donativos, conseguiu que o país se solidariza-se
com o sofrimento a que estavam passando as 3 povoações vizinhas, e
entre algumas que receberam, foi a construção de um edifício escolar.
A autarquia de Salvaterra de Magos, disponibilizou um terreno à
comissão encabeçada por Gaspar Ramalho, para esta aceitar o valor de

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“CENTO E SETE MIL TREZENTOS E NOVENTA E CINCO RÉIS”, verba entregue
ao município local. Em Dezembro, no dia 25, foi deliberado mandar
reparar o telhado da câmara municipal, bem como enviar para Londres
um telegrama a felicitar el-rei D. Manuel II, pela passagem do seu
aniversário.
Em outras reuniões de câmara estiveram presentes o Dr. Augusto de
Castro e Anacoreta, e o Prof. Ginestal Machado, vindos de Santarém que,
representando uma comissão, daquela cidade, vinham trazer o apoio dos
escalabitanos às vítimas do sismo.
O Jornal “Diário de Notícias”, guarda na sua edição de 25 de 1909, uma
reportagem feita em Salvaterra, sendo a primeira das três visitas
programadas - a Benavente e Samora Correia, por ilustres visitantes,
que eram aguardados pelo Administrador do Concelho; Luís Filipe
Valente, Secretário; António Garrido, Prior da Freguesia; Rev. Fernandes
de Castro e o Presidente da Câmara; Porphyrio Neves da Silva. O grupo
de visitantes, encabeçado por D. Luís de Castro, acompanhado pelas
autoridades da terra e por muito povo percorreu as ruas da vila, vendose espelhados nos rostos de alguns lágrimas, de horror e compaixão
pelos habitantes de Salvaterra, que rondava para cima de dois mil
habitantes.
No início de 1910, El-Rei D. Manuel, veio a
Salvaterra visitar a população, e os estragos
causados pelo terramoto.
A sua viagem processara-se através do rio
Tejo, em bergantim real, e o povo esperou-o
no cais da vala, com vivas ao rei !!!
Em desfile, e entre alas, D. Manuel, deslocou-se aos vários locais da
vila, onde tinham sido instaladas barracas, há já alguns meses com as

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vítimas da catástrofe sísmica. Nos meses seguintes, a recuperação das
casas foi decorrendo, e outras se foram erguendo, em novos
arruamentos aproveitando-se para tal terrenos devolutos por detrás
das ruínas do palácio, até às antigas cavalariças reais. Para fazer face
à fome, que grassava, foi construído naquela zona um hortado, para
alimentar o povo, em terreno livre a sul da vila .(1)
A 7 de Outubro de 1910,
com a implantação do
Regime Republicano, em
Portugal, foi nomeada uma
comissão administrativa,
no concelho de Salvaterra
de Magos, constituída por:

António Jorge de Carvalho
(Presidente) e, José de Vasconcelos, João Ferreira Vasco, Carlos de
Novais Rodrigues, Vital Justino e João Pereira Rodrigues - este último

do lugar de Marinhais.
Para administrador interino do concelho; foi nomeado António Marcos
da Silva. Na sua primeira reunião estes autarcas republicanos,
deliberaram aprovar um requerimento de “aforamento” do Curral do
Concelho”, a Luiz Ferreira Roquette, que se dizia seu proprietário. Há já
alguns anos, e um outro apresentado por António Marcos da Silva, que
mostrou ser dono dum terreno no “Largo do Cafarro”.
************
(1) . O Hortelão, tinha a alcunha de “O Sopas”, assim ficou conhecida
ao longo dos tempos, com muro em volta foi descativada nos anos
70, o seu desaparecimento verificou-se já no séc .XXI dando lugar
a uma nova urbanização na vila.

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Ficando aqueles terrenos defronte ao Palácio da Falcoaria, foi ainda,
naquela reunião aprovado, mudar os nomes a algumas ruas da vila; A rua
Santo António, mudou para Alm. Cândido dos Reis , a rua do Pinheiro para
Dr.Miguel Bombarda, a praça Dr. Oliveira Feijão, para Praça da Republica,
a rua Porfírio Neves da Silva, para Teófilo Braga e, o Largo do Palácio
para 5 de Outubro.

A 27 de Outubro de 1910, cerca de 18 meses após o terramoto,
começaram os trabalhos de desmontagem das barracas, já não
necessárias ao abrigo dos carenciados.

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As instalações provisórias colocadas no Largo 5 de Outubro, Praça da
Republica, Av. do Calvário (hoje: Av. Dr. Roberto Ferreira da Fonseca),
Rua do Jogo da Bola, Largo do Cafarro, Canto da Ferrugenta e, Largo de
S. Sebastião, foram desmontadas, ficando apenas as que se
encontravam na zona das Areias.
Foi ainda deliberado distribuir roupas que, foram encontradas num
armazém da câmara municipal. Por último foi tomado conhecimento
que, a República do Uruguai, oferecia duzentas libras, para a construção
de uma escola em solidariedade para com as povoações, que sofreram
as terríveis consequências do terramoto.
OUTRAS CALAMIDADES
Salvaterra de Magos, ao longo dos séculos tem sido vítima de outras
“convulsões” geológicas e atmosféricas, como o terramoto de 1755, que
ao destruir a cidade de Lisboa, aqui muitos estragos provocou.
Também segundo consta, em alguma documentação, um outro sismo,
em 1858, aqui sentido, provocou estragos de algumas habitações, na
Igreja Matriz, Palácio Real, ficando este num estado de muita
degradação..
CHEIAS E TEMPORAIS
Quanto às cheias anuais, os campos de Salvaterra, sofriam com as
águas das chuvas de Inverno, drama cíclico para as populações rurais,
com perdas de gados, e perdas de sementeiras, pois ficavam alagados
muitas vezes meses seguidos.

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Um exemplo se retira de uma notícia da imprensa da época, em
situação ocorrida em 1876.
“ Em Salvaterra, a enchente chegou até ao meio da rua de S. Paulo,
invadiu a igreja da misericórdia, e muitas casas”
“ Um homem chamado José Zeco, apontava chorando para o celeiro
onde tinha 4 moios de trigo, únicos haveres da sua pobre família, que a
água começava a invadir” Uma outra cheia, em 1887, deu notícia no
jornal “Correio da Tarde ”de 9 de Janeiro.
“ …. À Casa Cadaval, terem-lhe morrido, segundo consta, 40 e tantas
cabeças de gado cavalar, e note-se que esta casa, sendo a mais opulenta
do distrito, as suas melhores pastagens estão inundadas”
Em 1941, uma forte ventania, que assolou o país, que foi chamado de
“Ciclone”, provocou grandes estragos em edifícios da vila, especialmente
na sua Praça de Toiros, que teve de receber profundas reparações.
Em Fevereiro de 1979, o autor fez sair em vários jornais a notícia que
a águas da cheia, entre os dias 11 e 14, muitos estragos causou nos
campos, vento forte e constante, naquele último dia, provocou graves
prejuízos na Capela da Misericórdia, com a queda das suas paredes e
tecto,Os quadros (retábulos a óleo) que forravam o tecto foram salvos.

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Em Fevereiro de 1979, o autor fez sair em vários jornais a notícia que
a águas da cheia, entre os dias 11 e 14, muitos estragos causou nos
campos, vento forte e constante, naquele último dia, provocou graves
prejuízos na Capela da Misericórdia, com a queda das suas paredes e
tecto , Os quadros (retábulos a óleo) que forravam o tecto foram salvos.
Uma tromba de
água,
em
1987,
provocou
tais
prejuízos,
em
Salvaterra, e terras
vizinhas, conforme se
pode ver nas notícias
do dia seguinte,
especialmente
no
“Correio da Manhã” de 23 de Setembro, onde o autor, colaborou na
recolha para o seu noticiário. Outra forma de sinistralidade provocada
pelo mau tempo, foi no dia 10 de Maio de 1998, onde uma grande e forte
trovoada, fez cair na zona do Bairro do Pinhal da Vila, algumas faíscas,
tendo uma delas entrado num prédio de habitação do autor destas
linhas, através de uma antena de televisão, fazendo um grande buraco
no telhado e provocando grandes prejuízos no seu recheio.

*******************

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80

*****************
Bibliografia usada:
* Documentos de pesquisa, publicados nos
periódicos da época, “Aurora do Ribatejo” “Jornal
Vale do Tejo “Jornal O Século” e ”Diário de Noticias 1909 e outros,

Fotos usados sem Legenda
* Pág. 59 – Setembro de 1909, uma tenda com famílias
refugiadas, no Largo do Cafarro (Falcoaria) após o
Terramoto * Pág. 60 – Casas destruídas, pelo terramoto
de 1909 Trav. do Martins * Pág. 61 - Gaspar da Costa
Ramalho * Pág. 63 – Rei D. Manuel II * Pág. 64 Edifício escolar, construído após o terramoto de 1909,
através de uma subscrição pública do jornal “ O
Século” – inaugurado em 1913
* Pág. 65 – 1909 – Várias famílias desalojadas, após o
terramoto, no Largo em frente à Câmara Municipal *
1913 - Primeira turma escolar na Escola “O Século” *
Pág. 68 Casa de José Gameiro, vítima de uma Faísca *
Pág. 69 - A zona de Trás-de-Monturos (Rossio) alagada
com água da cheia *Estrada do Convento, e casas
alagadas pelo temporal -1997 *

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CADERNO DE APONTAMENTOS Nº 18
Documentos para a história
de

SALVATERRA DE MAGOS
séc. .XIII – séc. XXI
Património:
Geográfico, Monumental, Cultural, Social, Político,
Económico e Desportivo

Autor

José Gameiro

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Fotos da Capa: 1) - Homenagem, - Alexandre Varanda da Cunha
2) – Homenagem Prof. Fernando Duarte Assunção
3) – (Depósito) Inauguração Rede Abastecimento de Água
4) – Inauguração Estação CTT

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***************************************
2ª Edição Revista e Aumentada - Março 2015
***************************************
Contactos: Tel. 263 504 458 * Telem, 918 905 704
E-mail: josergameiro@sapo.pt

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Primeira Edição

FICHA TECNICA:
Titulo:
HOMENAGENS E INAUGURAÇÕES !
Tipo de Encadernação: Brochado (A5)
Autor: Gameiro. José
Colecção: RECORDAR, TAMBÉM É RECONSTRUIR !
Editor Gameiro, José Rodrigues
Morada: Bº Pinhal da Vila – Rua Padre Cruz, Lote 49
Localidade: Salvaterra de Magos
Código Postal: 2120- 059 SALVATERRA DE MAGOS
ISBN:
978– 989 – 8071 – 18 – 7
Depósito Legal: 256470 /07
Edição: 100 exemplares - Março 2007

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O MEU CONTRIBUTO
Ao longo da nossa vida, fomos assistindo a inaugurações
e homenagens, umas mais do que outras, organizadas com
pompa e circunstância, sendo os momentos e os
protagonistas, o espelho das mesmas. O ser humano, por
vezes manifesta-se parco em agradecer, tem dificuldade
mesmo no reconhecer o mérito das obras, de um seu
semelhante que, às vezes até é um seu conterrâneo. Nesta
terra, quantos estão ainda à espera do reconhecimento público, pelas obras que
prestaram à comunidade onde estão inseridas. Decerto no nosso caso damo-nos por
compensados, em 2014, o executivo municipal, sob a chefia do Engº Helder Esménio,
deu-nos o prazer de ainda em vida vivermos uma Honrosa Homenagem, para além de
ser reconhecido publicamente o contributo que demos na divulgação de Salvaterra de
Magos, em mais de 50 anos em Jornais e Revistas. Foi uma cerimónia, onde os
familiares e muitos amigos estiveram presentes, neste dia único da nossa vida. A
entrega de uma salva com texto expressivo do reconhecimento do Município da minha
terra-mãe, foi deveras salientada a minha pesquiza no campo da História local,
especialmente destacada a minha presença na área da Crónica durante 50 Anos. Uma
Exposição, com uma vasta e notória expressão da nossa vida, esteve patente ao
público. Outros decerto também merecedores dos reconhecimentos públicos até
porque se empenharam no campo da filantropia, como é os casos dos Irmãos
Roberto(s); Vicente e Roberto da Fonseca e de Gaspar da Costa Ramalho, têm sido
esquecidos ao longos dos anos por uma homenagem, mesma que singela.

Março: 2015

O Autor

José Gameiro
(José Rodrigues Gameiro)

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INAUGURAÇÕES
A CONSTRUÇÃO DE UM HOSPITAL
O terramoto de 1909, deixou a vila em situação de grandes carências,
sendo notória no campo da assistência médica e hospitalar, a antiga
Albergaria (1), tinha desaparecido e a população da vila de Salvaterra de
Magos, lamentava aquela necessidade.
Um homem bom da terra - Gaspar da Costa Ramalho - fez recair sobre
si, as despesas da construção de um novo edifício hospitalar e, no
decorrer do empreendimento, foi secundado por um outro benemérito –

Francisco Lino.

Os esforços levaram à sua inauguração no ano de 1912, e a população
do concelho, passou a utilizar uma moderna unidade de cuidados
médicos hospitalares, que depois da solenidade da ocasião, foi oferecida
à Misericórdia local.

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Os festejos, especialmente as sessões de agradecimento,
decorreram sempre sem a presença do homenageado, pessoa que tudo
fazia para não estar presente, nos actos onde tivesse tido a
oportunidade de colaborar.
PRAÇA DE TOIROS
O povo continuava a não encontrar sítio onde realizar, os
espectáculos que mais adorava – as corridas de toiros. Um grupo de
homens de boa vontade, um dia, reuniu e uma Comissão foi constituída
para levar por diante a construção de uma Praça de Toiros.
As obras decorreram num terreno cedido pela câmara municipal,
local registado, onde tinham existido alguns moinhos da vila.

O dia escolhido para a inauguração do belo tauródromo, recaiu no dia 1
de Agosto de 1920. A solenidade dos festejos foi de monta, culminando
na realização de duas corridas de toiros. Assistiu e foi director da
primeira corrida, o antigo bandarilheiro Vicente Roberto, uma glória das

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arenas, natural desta vila. Vinte anos depois, quando do ciclone, fortes
ventos que se fizeram sentir nesta zona, destruíram muitas das
infraestruturas deste belo edifício taurino. A família Monte Real e Gaspar
Costa Ramalho, tomaram a iniciativa de suportar os custos das obras da
sua reconstrução. Nos festejos, houve uma grande corrida de toiros,
onde esteve presente, o presidente da república, Óscar Carmona
LUZ ELÉCTRICA
No ano de 1948, deliberou a vereação camarária, em reunião
pública, apoiar uma proposta do presidente, para que os festejos da
inauguração da luz eléctrica, projectada
para o dia 28 de Novembro, fossem levados
a efeito com o maior brilho possível.
Convidadas
entidades
oficiais
que,
foram recebidas
nos paços do
concelho com um Porto de Honra, extensivo
ao povo que os recebeu.
Aos indigentes e pobres, foi distribuído um
bodo, até ao valor de quinhentos escudos, suportados pela
municipalidade, conforme constava no programa da festa. Naquele dia,
uma cabina em cimento, construída pela Hidro Eléctrica do Alto Alentejo
(HEAA), instalada na E.N.118, junto ao matadouro municipal, forneceu luz
eléctrica à vila de Salvaterra de Magos, eram onze horas da manhã. Nas
cerimónias, onde o povo acorreu, estiveram os bombeiros, com a sua
banda de música e, fez-se uma largada de pombos-correio

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ABASTECIMENTO DE ÁGUA
O dia 24 de Junho de 1951, tinha um programa cheio de actividades
socioculturais.
Entre elas, pelas 16,30 horas inauguração
oficial, da rede do abastecimento público de
água à vila - Um depósito elevatório e um
furo de captação, eram o rosto daquele dia
festivo. Era o culminar de uma obra, cujo
trabalho durante anos, teve necessidade de
abrir valas e ligações às moradias.

Estação dos correios – CTT
Inaugurada no dia 4 de Outubro de 1960, o novo edifício situado na rua
dos bombeiros, teve a “mão” do
Eng.º. Gama Prazeres, ao tempo
responsável pelas obras dos
CTT, vivendo na terra, sitia as
grandes necessidades da
população. Era um imóvel
recheado de técnicas de
primeira linha para a época, tapava assim uma lacuna, que se vinha
sentindo há muitas décadas. A estação dos correios, então encerrada,
funcionava num edifício municipal, da época manuelina, no Largo da
República, sucedendo esta a uma outra que, existiu na rua de S. Paulo,
onde ali foi instalada a rede local de Telégrafos.

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MUSEU DA MISERICÓRDIA
Construído numa dependência da Capela daquela instituição, foi
inaugurada a 4 de Julho de 1981. Os seus promotores tinham na feliz
iniciativa levar acabo a divulgação de algum património cultural e
literário. O seu maior espólio recaía em fotos antigas, oferecidos pela
população que via a iniciativa com carinho, visto na terra - Salvaterra de
Magos, neste campo apenas eram vistas a escassas e periódicas
exposições. O Museu foi cedendo os seus frenéticos entusiasmo, a um
marasmo total, que acabou no seu encerramento, verificando-se o
desaparecimento total daquele requisito espólio, que marcava uma
época sociocultural do povo.
BIBLIOTECA MUNICIPAL
Duas décadas antes a Fundação C. Gulbenkian, fazia chegar a
Salvaterra de Magos, uma
viatura biblioteca, onde os
muitos leitores tinham ali
espaço para a sua ânsia de
mais aprender.
O executivo de António
Moreira, através do Vereador
da Cultura, Joaquim Mário
Antão, para além das muitas iniciativas que levou acabo, na área do
turismo, o apoio à cultura não perdeu o seu entusiasmo e daí a criação
de uma Biblioteca Municipal.

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Estava-se em 1985, o antigo edifício escolar “O Século”, no Largo dos
Combatentes, foi adaptado e assim, nasceu no dia 10 de Junho, um
espaço de cultura, onde passou também a estar exposto o património
bibliotecário ambulante da Gulbenkian.
Os visitantes/leitores passaram a ter ao dispor nas estantes, cerca
de 4.000 livros., o que para a época foi realçado quando dos discursos
das entidades oficiais convidadas. No seu interior uma placa assiná-la, a
solenidade.
NOVA BIBLIOTECA
Um projecto e o início das obras, para novas instalações da Biblioteca
Municipal, foi feito no tempo do executivo de Dr. José Gameiro dos
Santos, num grande e velho edifício da época manuelina. A mudança
teve lugar, com a conclusão da obra no mandato de Ana Cristina Ribeiro,
conforme consta de uma placa, na sua entrada.
“ Biblioteca Municipal, foi inaugurada pelo Secretário de Estado Cultura,
Prof. Dr. Mário Vieira de Carvalho, com a presença, de Ana Cristina
Ribeiro, Presidente da Câmara * 9/Setembro/2005 ”
CENTRO DE SAÚDE
Depois de muitos anos a população do concelho de Salvaterra de
Magos, receber assistência médica e internamentos, no antigo hospital
da Misericórdia local, em situações precárias, visto aquela unidade vir
de 1913, A Casa do Povo local mantinha no seu edifício, um gabinete para

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consultas médicas aos associados. Com a implementação do Serviço
Nacional de Saúde (SNS), através do Dec Lei Nº56/79 de 15 de
Setembro, algumas transformações
se verificaram na vila, com a
requisição oficial daquela edifício,
algumas para as consultas médicas.
A Casa do Povo deixou de dar apoio
aos seus associados e alguns anos
depois, após negociações para um
terreno
entre
o
Município,
Misericórdia e Serviços de Saúde, um projecto teve inicio para dar lugar
a um “Centro de Saúde”, em Salvaterra de Magos, que foi inaugurado em
1985
INAUGURAÇÃO
DA ESCOLA SECUNDARIA
( Escola Dr. Gregório Fernandes)
A notícia nos jornais publicavam “ Ontem pelas 11 horas da manhã, do
dia 15 de Outubro, o sol já aquecia, fazendo lembrar os verões idos de S.
Martinho, quando os serões convidavam ao escarolar do milho, e ele o
santo, no calendário religioso, está de chegada daqui a dias. Houve festa
em Salvaterra de Magos – foi inaugurada a sua Escola Secundária”
Com os convidados oficiais; Ministro da Educação; Prof. Dr. José
Augusto Seabra, Secretário de Estado das Obras Públicas e do
Equipamento Social, Eng.º Eugénio Nobre e ainda o Governador Civil de
Santarém, Eng.º José Frazão, chegaram os autarcas do concelho de
Salvaterra de Magos. Os Presidentes da Câmara Municipal, António

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Moreira e, o Dr. Alexandre Monteiro, da Assembleia Municipal,
acabaram momentos antes, no salão nobre dos paços do concelho, de
lhes dar as boas vindas, em nome da população do concelho.
Não deixaram de também estar presentes, os deputados na
Assembleia da República, pelo distrito de Santarém; Silvério Marques e
Jorge Lacão, PS, e Fernando Condesso, PSD, e outras autoridades
militares e religiosas. Junto aos portões da nova escola que, dentro de
momentos ia ser inaugurada, uma multidão, preparava-se para se juntar
à comitiva, assistindo aos actos oficiais.

Uma força em parada dos Bombeiros Voluntários locais, e sua Banda
de Música, fizeram a guarda de honra com a execução do hino nacional,
quando no momento se fazia uma grande solta de pombos-correio.
Antes da visita às novas instalações, o ministro da educação, descerrou

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uma lápide, onde o seu nome constava na efeméride, pois era uma obra
custeada pelo estado e orçou em 51.285.622$00.
O corpo directivo da nova escola, acompanhando os convidados, ia
mostrando as várias salas de aulas, cantina, pavilhão polivalente,
biblioteca e muitas outras dependências do foro sócio-administrativo.
António Lopes, professor e membro da comissão administrativa da
escola, não deixou de prestar os necessários esclarecimentos,
seguindo-se os discursos de inauguração.

Usaram da palavra, a Dr.ª Maria Irene Lopes Pinto, em nome da
Comissão Directiva, e o Secretário de Estado, Eugénio Nobre. António
Moreira, presidente da municipalidade salvaterrense, começou por
lembrar, quanto o concelho de Salvaterra de Magos, ficava a dever por
esta obra, a Leonardo Cardoso e, ao seu executivo de 1976/17979, pelo
muito esforço e carinho, quando iniciou a resolução deste problema do
foro escolar, e a escolha de terrenos da Ómnia, pertencentes à família

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Lino. Ao representante máximo da educação em Portugal, ali presente,
agradeceu o apoio dado à concretização de um sonho de à muito da
população.

A terminar a cerimónia , discursou o ministro, José Augusto Seabra,
que agradeceu as atenções de que foi rodeado pela população agora em
festa e, enalteceu o trabalho, persistência, dedicação e esforço junto
do seu ministério, do presidente Moreira, para a concretização da obra,
agora posta ao serviço da classe estudantil de Salvaterra de Magos.
Mais disse, estar o seu ministério, atento aos actuais problemas da
educação no país, mormente o da família/escola/trabalho, e que dentro
em breve uma lei, sairia, para os estudantes, além das horas de estudo,
fizessem prática profissional. Por último informou os presentes, que o
estado, passou nos últimos três anos, de uma média de construção de
escolas, de 10 escolas/ano, para 50 escolas/ano. Após uma breve

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reunião de trabalho, com os representantes da nova escola e da câmara
municipal, a comitiva deslocou-se aos Foros, onde durante o almoço, no
Pavilhão das Festas locais, actuou o Rancho Típico dos Foros de
Salvaterra.

* ) - Reportagem/ notícia – JVT – 16.10.1983 * José Gameiro
************************
Nota: Quando da iniciativa do processo da construção,
desta Escola Secundária, José Teodoro Amaro, vereador
municipal foi um dos seus entusiastas, e por ele foi-me
pedido qual o nome de uma figura pública - filha desta
terra - Salvaterra de Magos que, merecesse pelo seu
comportamento cívico, ser perpetuado, através daquela
escola. Usando o seu nome, era um sinal de gratidão
pelos seus concidadãos. Entre outros, sugeri o do Dr.
Gregório Fernandes, que, foi aceite e usado.
Anos depois, ao contrário de outras escolas que, por
esse país fora conservaram o seu patrono, a Escola
Secundária de Salvaterra de Magos, deixou de ostentar
o de Dr. Gregório Fernandes.
****************

97

AUDITÓRIO DA CAPELA REAL
Há séculos atrás, quando da feitura d obra do palácio real de
Salvaterra de Magos, nela foi incluída uma capela.
Num terreno junto a si, na sua fachada Sul, teve várias utilizações com o
decorrer dos anos. Uma delas, foi de Picadeiro, função que ficou
registada, em alguns mapas da terra, durante várias épocas.
A última foi usada de cemitério público, no século XIX, quando das
Reformas Liberais , porquanto até ali o povo era enterrado nos adros das
igrejas, e os senhores, podiam optar pela sepultura em espaços seus.

Depressa, aquele pequeno espaço estava esgotado, por sepulturas
térreas, que tinham pedras tumulares, e alguns jazigos.
Com
construção de um novo campo santo, na freguesia de Salvaterra de
Magos, nos últimos anos daquele século, ficou aquele terreno na
situação de “espera”, na base dos 50 anos que a lei lhe conferia para

98

suportar as campas dos falecidos ali enterrados. Durante anos, ficou
um pouco ao abandono, o Corpo de Escuteiros de Salvaterra de Magos,
acabado de ser formado, em 1964, no âmbito da igreja católica, ali
instalou a sua sede provisoriamente numa sala dependente da capela.
Os jovens escuteiros, ao limparem aquele terreno do vasto matagal,
que ali foi nascendo, depressa trouxeram à luz aquelas pedras
tumulares e jazigos. Os anos passaram, em 1997, o Dr. José Gameiro
dos Santos, então presidente da câmara municipal, aproveitando um
projecto do jovem arquitecto italiano, Flávio Barbini, estagiário no

município, propôs para aquele espaço a construção de um Auditório ao
ar livre, que a concretizar-se em pleno tinha uma panorâmica da época
romana. Com início das obras, na limpeza do terreno, algumas ossadas
vieram à luz do dia, logo um grupo de jovens estudantes da escola
secundária, apoiados por um ou outro professor, que não simpatizava
com a ideia, vieram para a praça pública denunciar a situação.

99

Reposta a normalidade, os trabalhos, foram decorrendo e quando
Gameiro dos Santos deixou o executivo camarário, no final de 1997, as
obras já estavam praticamente concluídas.
No entanto, foi no mandato de Ana Ribeiro, em 1999, que foram feitos
os últimos trabalhos - colocação de sanitários, os acessos com o
pavimento em calçada e a instalação da iluminação. Foi inaugurado,
aquém do projecto inicialmente previsto.
a) JOSE GAMEIRO
************

*********

******************

Nota: Bibliografia usada: Livro “ Salvaterra de Magos
“ Uma Vila no Coração do Ribatejo, de José Gameiro
“ O Foral” N.º 1 (1996) * Notícia publicada no JVT – 1997
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100

CELEIRO DA VALA
Este edifício, sendo primitivamente pertença do vasto espólio da casa
real de Salvaterra de Magos, com a venda desta, ainda no século XIX, em
1836, passou para as mãos da Companhia da Lezíria do Tejo e Sado,
criada nesse ano. Na época da sua construção, era usual, a feitura de
um “Frontão” religioso nas fachadas, simbolismo que chegou aos nossos
dias Na primeira metade do século passado, o seu espaço interior foi
modificado, e ali instalado um secador de cereais.
Com pouca utilização, no dobrar do séc. XX, mesmo assim aquele
celeiro conservava no seu interior alguns utensílios, onde se destacava
um grande secador de cereais Este edifício, ao longo dos tempos, era
conhecido junto da população local como o Celeiro da Vala.
A câmara municipal, em 1997, sob a presidência do Dr. José Gameiro
dos Santos, vislumbrou para aquele espaço um destino para utilização
pública, como exposições e colóquios, na área cultural
Assim, que as condições foram favoráveis, celebrou um Protocolo, com
vista à aquisição daquela construção, com a entidade proprietária, a
Companhia das Lezírias. A autarquia, assumiu um “Compromisso de
Compra e venda”, orçado em 10 mil contos,
Em, 1999, na cerimónia oficial da conclusão do acordo de compra, o
Município, já sob a presidência de Ana Cristina Ribeiro, foi assinado o
contrato, onde esteve presente o Secretário de Estado da Agricultura,
Dr. Capoulas Santos, acto que decorreu no salão nobre dos paços do
concelho.
O valor comprometido na transacção, foi o que antes tinha sido
acordado. Após assinatura, foi divulgado, pela responsável da autarquia,

101

que brevemente as obras de recuperação daquele celeiro, teriam lugar,
pois permitia a concretização de uma velha aspiração da população de
Salvaterra de Magos, usá-lo como espaço de cultura.
Com o ano de 2000, a decorrer, foi
noticiado que a autarquia e a

Associação
Arqueologia

Portuguesa
de
Industrial
(APAI)

assinaram um protocolo para a
recuperação
dos
secadores
existentes no Celeiro, pois eram do
início do século XX, e seriam únicos
exemplares no país.
Em 2002, algumas obras de
urbanização, foram levadas a cabo
nos terrenos próximos do celeiro e mesmo da limpeza do leito da vala,,
que foram promovidos pelo INAG (Instituto da Água), orçando os cerca
de 200 mil contos. Para simbolizar, o início daqueles trabalhos,
estiveram presentes, o presidente daquele organismo oficial, Dr. Orlando
Borges, para além de outros convidados. Terminados as obras de
recuperação e adaptação, a inauguração teve lugar no dia 14 de Outubro
do ano 2000.

**********
“ O Foral” N.º 3 (1997) * Boletins Municipal N.º 5 (2000), N.º 6 (2001) e N.º 7 (2002)

102

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PISCINAS MUNICIPAIS
Sendo uma obra de grande “propaganda” política, desde as primeiras
eleições autárquicas, de 1976, era incluída nos programas dos vários
candidatos à eleição para a presidência da município de Salvaterra de
Magos. Alguns anos, em 1997, quando António Moreira, deixou a
presidência do município, os projectos, e algumas infra-estruturas
estavam delineadas no terreno.
Com José Gameiro dos Santos , a
terminar o mandato daquele ano,
as obras eram já visíveis, e as
condições para a sua rápida
conclusão estavam nos planos
deste presidente, não fora ter
perdido as eleições entretanto
realizadas. Ana Ribeiro, que viria a
conquistar o lugar de Presidente da
Câmara, teve como um dos temas
emblemáticos da sua campanha eleitoral, a conclusão das Piscinas
Municipais de Salvaterra de Magos. Quando como vereadora, na
oposição, fez desta obra, uma arma de contestação, até pela ida dos
presidentes antecessores a alguns países, para se inteirarem dos
“meandros” do funcionamento e da construção de tão importante
empreendimento público.

103

Agora a gerir o concelho, continuou com o projecto, e o ritmo da
construção. No Boletim Municipal, órgão informativo da câmara, saiu
em 2000, a notícia da colocação do madeiramento nas infra-estruturas,
e que foram abertos
concursos para a aquisição
de alguns apetrechamentos
indispensáveis ao seu
funcionamento, e que a
conclusão da obra estava
para
breve,
sendo
prometida
a
sua
inauguração no final
daquele ano.
A inauguração, com pompa e circunstância, veio a verificar-se no dia 7
de Abril do ano de 2001, sendo divulgado na altura que o custo da obra
rondou os cerca de 300.000 mil contos.

INAUGURAÇÃO DO PAVILHÃO
DESPORTIVO
Há muito anos que, o Pavilhão Gimnodesportivo do INATEL, estava
desajustado às modalidades e ao conforto do público.
Inaugurado, às perto de meio século, esteve à disposição da antiga
Casa do Povo e, nos últimos tempos era gerido pelo município da terra.
Havia necessidade de um novo espaço, para a prática das várias
modalidades que a juventude agora pratica. A Câmara Municipal, investiu

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num novo edifício desportivo uma verba que custou cerca de dois
milhões de euros, tendo uma capacidade para 650 lugares sentados.

Esteve na inauguração, a presidente da câmara municipal, Cristina
Ribeiro e o Secretário de Estado da Juventude e do Desporto, Laurentino
Dias .Foi um dia festivo, com a presença de muito público, e praticou-se
ali as modalidades de: Trampolins, Futsal, Andebol, Kempo, Shorinji

Kempo e Judo

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105

NOVA BIBLIOTECA MUNICIPAL
Com um património de milhares de livros, e com as novas tecnologias a
exigirem novos espaços, a biblioteca instalada no antigo edifício escolar,
estava a precisar de ser substituída. Era um projecto que já vinha de
muitos anos, foi aproveitado um antigo e grande edifício, construído no
tempo em que a traça arquitetónica era o Manuelino.

Depois das necessárias obras de adaptação, foi inaugurado no dia 9
de Julho, com pompa e circunstância, pois a obra assim o justificava.
É uma obra moderna, que se junta às cerca de 137 que existem na rede
nacional de bibliotecas. O seu custo foi partilhado entre a câmara
municipal de Salvaterra de Magos e o Instituto Português do Livro e das
Bibliotecas Na inauguração, para além do executivo camarário, sob a
presidência de Ana Cristina Ribeiro, contou com a presença do
Secretário de Estado da Cultura, Prof. Doutor Mário Vieira de Carvalho,
Governador Civil de Santarém e, o Presidente da Junta de Freguesia de
Salvaterra de Magos.
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* HOMENAGENS *
MÓNICA MONTEIRO
Mónica Ferreira Monteiro, nasceu entre o mundo da tauromaquia,
especialmente dos cavalos, por intermédio de seu pai, Edmundo Nestório
Monteiro (Edmundo Borrego) e por volta
dos cinco anos já ia montando, gosto que
se acentuou quando jodem de 18 anos, e
quis ser cavaleira tauromáquica, pois uma
sua tia materna, dezenas de anos antes, já
tinha dado ares da sua graça na arena da
praça da vila.
Aprendeu a arte de bem cavalgar, e com
os conselhos da família Ribeiro Telles, de
Coruche, lá ia progredindo no sonho que
desejava alcançar, tira a alternativa
naquela arte, começou pelo desbaste e ensino de cavalos
Esteve várias vezes, em festivais na praça de Salvaterra de Magos,
terra onde nasceu, lidando novilhos, com o fim de se aperfeiçoar. Num
dos habituais passeios a cavalo, o acidente aconteceu, foi vítima de
atropelamento por um autocarro de passageiros na EN 118, que lhe
destruiu-lhe a carreira dos seus sonhos – ser cavaleira tauromáquica.

107

Hospitalizada durante muitos meses, não mais voltou ao mundo dos
seus sonhos, sofrera graves lesões. A sua dificuldade na recuperação,
apenas apoiada pelos pais, levou ao aparecimento de uma onda de
solidariedade para ajudar
estes economicamente, e
fazer-lhe
uma
justa
homenagem que lhe desse
ânimo em continuar a sua
recuperação como ser
humano. A empresa que, na
época explorava a praça de
toiros de Salvaterra de Magos, acedeu ao pedido de uma comissão que
se constituiu, encabeçada pelo
grande aficcionado da terra,
Manuel Fernandes Travessa. A
festa de homenagem aconteceu
com a realização de uma corrida
de toiros, que teve lugar no dia 15
de Julho de 1999
O tempo passava a sua grande vontade de vencer levou-a a frequentar
para além do Centro de Alcoitão, outros ginásios, uma grave lesão na
zona da coluna cervical, impedia-a de movimentos do pescoço para
baixo. Um dia aparece em cadeira de rodas, e dez anos depois já apoiada
em muletas andava, subindo aquela ingreme rampa em frente à Capela
real, desde a casa dos pais, que ficava ao fundo, no início do Rossio da
Vila, Levava horas, é certo a fazer tal percurso.

108

Lutadora que era, voltou a sonhar, uma nova fase na sua vida estava
nos seus horizontes encetou uma segunda batalha e venceu de novo.
Com a ajuda dos cavalos que tanto adorava voltou a montar numa sela e
agora dá aulas de Hipoterapia, uma forma de equitação para deficientes,
método que aprendeu e desenvolveu o seu conhecimento, quando esteve
em Toledo (Espanha), em tratamento naquela especialidade. O Município
de Seia, acreditou nela, e prestou-lhe os apoios necessários para a
instalação de uma escola. Sónia Monteiro, deu os primeiros passos para
a criação de uma Associação Equestre Entre Amigos “Eu, os cavalos e os
cães” – uma organização sem fins criativos.
Em 2003, publicou o livro “Voltar a Nascer”, uma autobiografia, que
mostra toda a sua longa experiência de doente até a ser professora.
**********************************

A Monitora Mónica Monteiro, numa aula de Hipoterapia

109

HOMENAGEM À PROFª D. NATÉRCIA ASSUNÇÃO
Depois de ensinar, o ensino primário escolar, durante mais de 40
anos na vila de Salvaterra de Magos. um grupo de ex-alunos, após
dois anos de preparativos, conseguiu a presença de cerca de duas
centenas, que dedicaram à antiga Prof.
Natercia Rita ( Duarte Assunção)uma festa
de homenagem e agradecimento.
A Junta de Freguesia local, sob a
presidência de Armando Rafael de Oliveira,
associou-se à festa e atribui-lhe a toponímia
de uma rua que, passou a usar, junto à
antiga Casa do Povo, passando pelo Parque
Infantil e terminando no Parque escolar da vila.

110

HOMENGEM E INAUGURAÇÃO DA RUA
ANTONIO PAULO CORDEIRO
António Paulo Cordeiro, nasceu nesta vila de Salvaterra de Magos,
em 1876, onde veio a falecer em 1965. Desde menino, foi-lhe
encontrada grande vocação para a música e, depressa aprendeu o
sulfejo, na escola da banda de música da terra, sendo o seu
instrumento proferido, o Cornetim.
Paulo Cordeiro, depois de um
longo percurso como músico,
maestro e compositor, foi alvo de
merecida homenagem, a título
póstumo, em 1987, na sua terra,
com a inauguração de uma rua com
o seu nome.
Entre as várias peças que compôs, destaca-se a marcha fúnebre
“Coroa de Espinhos” e o “Passe Doble Faculdades”, esta em
homenagem ao toureiro com o mesmo nome.
*******************

111

HOMENAGENS AO CAMPINO
Durante tempos sem fim, o homem emblemático do Ribatejo – O
Campino – tinha sido esquecido. Desde 1991, no decorrer das festas
do Foral, dos Toiros e do Fandango, desta terra, tem sido o alvo
deste preito público
Todos os anos, um é lembrado e
homenageado como foram; Manuel
Luís, António Guilherme, Miguel
Viegas, Aníbal Ganhão, Manuel
Bernardo, Acácio Santa Bárbara,
Manuel Paulo Fernandes, Manuel
Luís Cantador e Manuel Leandro,
José Carlos Figueiredo e Ana Baptista (cavaleira tauromáquica). Outras
homenagens houve, nesta terra a gente ligada ao mundo dos toiros (1)

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112

ALEXANDRE VARANDA DA CUNHA

(Barbeiro e Fotografo Amador)

Alexandre Cunha, desde menino foi encaminhado pelos pais para a
profissão de Barbeiro, pois sendo aqueles trabalhadores rurais, sabiam
quanto era penosa a vida no campo.
O Alexandre, “Barbeiro”, como
carinhosamente era tratado, anos
mais tarde, quando prestou serviço
militar, foi enfermeiro. Naquela
actividade, teve oportunidade de lidar
com produtos químicos, e veio a
interessar-se pela fotografia.
De regresso a casa, estabelecido na sua profissão, comprou uma
maquina fotográfica daí ao fazer fotos, desde motivos da terra, aos
necessários para o Bilhetes de Identidade e Casamentos. Mais tarde
adquiri, uma “Kodak”, e com ela intensificou o seu hobby das fotografias
O seu espólio era deveras grande. Recuperado em parte, pelo
Departamento da Cultura da Câmara Municipal, quando lhe prestou uma
merecida homenagem, tendo sido editado muitos dos seus trabalhados
guardados em negativos, muitos deles ainda por si feitos, em vidro.
Enquanto jovem, muito se interessou pelas actividades socioculturais da
sua terra-mãe Salvaterra de Magos. O Clube Desportivo Salvaterrense
,mereceu-lhe particular atenção, foi seu dirigente durante anos, e até
pintou o seu emblema original, ainda usado pela colectividade.

113

UM BUSTO
EM HOMENAGEM A D. DINIS
Salvaterra de Magos, estava a comemorar os seus 700 de vila e
concelho, e a solenidade do dia 1 de Junho de 1995, foi aproveitada para
a autarquia local, sob a presidência Do Dr. José Gameiro dos Santos,
homenagear o rei D. Dinis, “O Lavrador”., pois foi dele que recebeu o seu
primeiro Foral. Neste documento régio, estava espalmado a sua
primeira configuração concelhia. Grandes benefícios, foi recendo
através dele, como a plantação de um Pinhal no sitio do Escaroupim,
imigrantes vindos das terras de Flandes, que engrossaram o seu pobre
e pequeno povoamento, onde a agricultura, recebeu grandes benefícios
para a época.
Num
pequeno
espaço
ajardinado, na Praça da
República foi colocado um
trabalho em pedra de lioz,
encimando o busto do rei, um
desenho do arqtº italiano, Flávio
Bárbini, ao tempo técnico da
câmara, e obra executada pelo
escultor, Rogério Timóteo. Inaugurado com a presença das forças vivas
do concelho, que acompanharam o governador civil de Santarém, Silvino
Sequeira, sob o hino nacional tocado pela Banda de Música dos
Bombeiros de Salvaterra de Magos.

114

HOMENAGEM A REBELLO DA SILVA

(Luiz Augusto Rebello da Silva)

Rebello da Silva, viveu no século XIX, Nasceu em 2 de Abril de 1822,
falecendo no dia 19 de Setembro de 1871, foi Jornalista ,Historiador,
Romancista e Politico, Escreveu alguns livros que dedicou a Alexandre
Hercuano, ainda como escritor, teve no campo
da investigação histórica, muitos dos seus
trabalhos, publicou um livro de Contos e Lendas,
onde nas suas páginas romanceia e dramatiza
a morte do Conde dos Arcos, ocorrida nesta
vila, num brinco com toiros, no séc. XVIIII, no
reinado de D. José I.
Dando o título à sua obra “A Última
corrida de Touros em Salvaterra”,
imortalizou aquela ocorrência e deu
origem que ao longo dos tempos,
muitos artistas na área da pintura e da
música tenham feito as mais diversas
pinturas e letras de música daquela cena. Em 2003, foi-lhe prestada
homenagem, dando agora o seu nome ao largo da praça de toiros da vila.
Ali foi construída um pequeno suporte, mostrando uma esfinge do
escritor, e um quadro de azulejos, esboçando alguns passos da sua obra
sobre a morte do Jovem Conde dos Arcos, nesta vila.

115

FERNANDO DUARTE ASSUNÇÃO
Estávamos em 1997, Fernando Rita Duarte Assunção, tinha passado à
situação de aposentado, como professor, a câmara municipal, sob a
presidência do Dr. José Gameiro dos Santos, deliberou prestar-lhe uma
singela mas justa homenagem. No início dos 60 do século passado, além
de praticante foi o grande obreiro da chegada do Andebol, a Salvaterra
de Magos.
A Casa do Povo, acolheu-o
com grande entusiasmo e,
depressa várias escalões de
praticantes, treinavam no
Pavilhão da vila.
Mais tarde, para a disputa
de campeonatos federativos,
o Andebol, passou para o
Clube Desportivo Salvaterrense, onde chegou ao mais alto topo da
modalidade. Da sua escola desportiva, saíram atletas, que na época
foram disputados por vários grandes clubes do país, pois alguns
chegaram a vestir várias vezes a camisola da selecção nacional da
modalidade. O Presidente da Câmara Municipal, depois de enaltecer o
caracter pessoal e profissional do Prof. Fernando Assunção não deixou
de focar o que deu no campo desportivo à vila de Salvaterra de Magos
Por fim fez a entrega do Diploma de Agradecimento, sob uma grande
salva de palmas, de muita gente que enchia o salão dos Paços do
Concelho.
************************

116

HOMENAGEM A JOSÉ GAMEIRO,
O Município de Salvaterra de Magos, sob a presidência de Helder
Esménio, reconheceu o mérito de José Gameiro, pela dedicação
prestada no trabalho, estudo e divulgação da História e Património
Cultural da sua terra- mãe, Salvaterra de Magos.
José Gameiro, celebrava 50 anos (1964-2014), que iniciou tal
divulgação, em vários Jornais e Revistas existentes à época no pais.
Ao homenageado – José Gameiro, foi dedicada uma cerimónia pública de
reconhecimento pelo seu elevado espirito filantrópico de partilha, do
legado histórico de Salvaterra de Magos, ampliada com uma exposição
da sua de vida, que ocorreu no Edifício Municipal da Vala.
Em 21 de Setembro de 2014,naquela festa foi-lhe atribuída uma Salva
com dedicatória, “Que o seu exemplo persista no tempo e seja seguido
pelas gerações mais jovens”

****************************

117

****************
Bibliografia usada:
“ O Foral” N.º 2 – Ano II (1997) * “ O Foral” N.º 3 – Ano II (1997) * “Boletim
Municipal” N.º 5 (2000) * “Boletim Municipal” N.º 7 (2002) * JVT * Internet –
Mónica Monteiro
Fotos Usados:
Pág. 2 - Hospital da Misericórdia – Foto do Autor: 1979
Pág. 3 - Praça de Toiros de Salvaterra de Magos . Foto do Autor: 2000
Pág. 4 – Cabina de Transformação de Energia Eléctrica – Foto do Autor: 2000
Pág. 5 – Depósito de Abastecimento de Água à vila de Salvaterra de Magos –
Foto do Autor: 2000 * Edifício dos CTT, no dia da inauguração: Foto do Autor
Pág. 6 - Antigo edifício, adaptado para Biblioteca Municipal – Foto do Autor:
1985
Pág. 7 – Edifício do novo Centro de Saúde, no dia da inauguração – 1985 – Foto
do Autor
Pág. 15 – Piscinas municipais – Dia da Inauguração – Foto extraída com a
devida vénia do Boletim Municipal
Pág. 18 – Mónica Monteiro
Pág. 19 – Profª. Natércia Assunção, no dia da homenagem, que os seus ex alunos lhe prestaram – Foto do Autor
Pág.20 – Acácio Santa Bárbara, no dia em que foi homenageado – Foto do Autor
* Alexandre V. Cunha, no dia de homenagem – Foto extraída do Boletim
Municipal, com a devida vénia.Ag. 23 . Fernando Assunção, homenageado pela
Câmara Municipal – Foto extraída do B.M. com a devida vénia.

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Caderno de Apontamentos Nº 19
Documentos para a história
de

SALVATERRA DE MAGOS
Séc. XIII – Séc. XXI
Património:
Geográfico, Monumental, Cultural, Social, Político,
Económico e Desportivo

119

Fotos da Capa:
1- Paço Real de Salvaterra – desenho extraído a partir do quadro ex-voto do Milagre,
por Manuel Arriaga – 1989 ( O Paço Real de Salvaterra) – Livros Horizonte
* 2 - Edifício da Capela real, que pertenceu ao Paço Real de Salvaterra – 1957 (Autor)
* 3 – Desenho de Carlos Madel – inserido no Trabalho de Aline Gallasch (O Palácio de
Salvaterra de Magos e a sua iconografia (Revista Magos II – CMSM)

120

Primeira Edição

FICHA TECNICA:
Titulo:
O PAÇO REAL , A CAPELA, A CASA DA ÓPERA,
E CHAMINÉS
Tipo de Encadernação: Brochado (Papel A5)
Autor: Gameiro. José
Colecção: RECORDAR, TAMBÉM É RECONSTRUIR !
Caderno de Apontamentos Nº19
Editor Gameiro, José Rodrigues
Morada: Bº Pinhal da Vila – Rua Padre Cruz, Lote 64-1º
Localidade: Salvaterra de Magos
Código Postal: 2120- 059 SALVATERRA DE MAGOS
ISBN:
978– 989 – 8071 – 19 – 4
Depósito Legal: 256471 /07

121

***********************************
2ª Edição Revista e Aumentada: - Março 2015
***********************************

Contactos: Tel. 263 504 458 * Telem. 918905704
E-mail: josergameiro@sapo.pt

O Autor deste texto não segue o acordo otográfico de 1990

122

O MEU CONTRIBUTO

Quando criança, a escola ainda não era uma
preocupação, brincávamos algumas vezes pendurados
nos seus grandes ferros, uma escada de madeira estava
ali à mão de semear !...
Na brincadeira, eramos os
dois, o António Lopes, filho
do Joaquim Conceição Lopes,
de um dos irmãos donos, da
propriedade, que tinham o
café. D. Irene, avó do
Toninho, andava sempre de
olho em nós, qual acidente nos espreitava. Estávamos
em 1949, havia obras no local, o Restaurante Ribatejano
estava em construção e, afinal aquelas grandes espaços
onde brincávamos, eram as três chaminés das cozinhas
do antigo palácio real de Salvaterra de Magos que ali
existiu. Os anos passaram, já acabada a escolaridade
estive uns meses na câmara municipal, entre algumas
funções, era enviado para o sótão do edifício, arrumando
os muitos documentos que por li estavam a esmo. Abria,
fechava muitos livros antigos que me despertavam
grande curiosidade, até pelos seus selos de chumbo e
lacre nas capas de couro. Muitos deles vinham de séculos
e tinha haver com o passado histórico de Salvaterra de
Magos. Como parte de uma cópia de uma carta do

123

Presidente da Câmara ao Infante D. Miguel, que tive a
ousadia de transcrever do que me foi percetível ler e
sempre guardei, até que desapareceu quando em 1965,
fui militar. (“….. Ao muito Alto e Sereníssimo Senhor
Infante. É inexplicável o contentamento de que se acham
possuídos os habitantes Esperando há longo tempo ……
desta vila. ….. Vossa Alteza Real estava destinado para
abater a insolência dos malvados, que ……. Deus e
contra o melhor dos seus delegados na terra tenham
conspirado ……)” Julho de 1823
Anos mais tarde, ao ler o livro “Anais de Salvaterra de
Salvaterra de Magos” da autoria de José Estevam – 1959,
lá estava transcrita na sua integra
Foi nestes moldes, o início do meu gosto pelas “coisas”
históricas da mina terra.
Muitos livros, contendo documentos com a descrição
das memórias deste concelho levaram chumiço de vez.
As calamidades, a incúria dos homens ao longo dos
tempos, foram factores que contribuíram para o
desaparecimento descontrolado de um vasto património
monumental, que a vila de Salvaterra de Magos possuía e
agora a sua riqueza se pode contar nos dedos de uma
mão. Os que restam, estão desde 1958, classificados de
monumentos de utilidade pública, protegidos por lei –
saibam as actuais e futuras gerações, conservá-los.
Março: 2015

O Autor:
JOSE GAMEIRO

124

O PAÇO REAL DE SALVATERRA
Os reis medievais, um dia passaram por Salvaterra gostaram da
generosidade do seu clima, e da riqueza das terras. Os benefícios
tirados no campo agrícola, para alimento e bem estar do povo, que
governavam também não caíram em desdém. Sabe-se que D. Sancho I,
apreciava esta vasta planície que se desenhava a partir da margem sul
do Rio Tejo, e que se distanciava a perder de terras a dentro vista ao
Alen –Tejo. Este rei, pernoitava numa bela Casa de Campo Apalaçada,
sempre que fazia a jornada entre Lisboa e Santarém. Anos mais tarde,
seu Bisneto D. Dinis, não deixou também de lhe seguir o gosto por esta
vila, e em 1 de Junho de 1295, estando em Coimbra assinou o Foral que
lhe destinou, igual ao que tinha doado a Santarém, cidade onde veio a
falecer em 1325. Consta nos pergaminhos que foi no seu reinado que se
iniciou a escrita em português, e providenciou a vinda de emigrantes de
Flandres para Portugal, tendo as terras a sul do Tejo recebido grande
quantidade famílias.
A comunidade indígena da grande Lezíria depressa aceitou e passou a
usar os usos e costumes daquelas gentes. As grandes referências ao
Paço Real de Salvaterra, consta em 1383, onde foi assinado o contrato
de casamento da Infanta D. Beatriz/ou Brites, com o rei de D. João I de
Castela. Através dos séculos, o conteúdo daquele importante documento
para a época, não deixa de ser transcrito: “ dientro em los palacios

Reales del dicho Lugar de Salvaterra estando hi presentes el muj alto
claro Principe Sñor D. Fernando por la gracia de Dios Rej de Portugal e
del Algarbe e la muj alta e nobre Sñra D. Leonor su mujer Reina de los
dichos Rejnos”; a cerimónia realizou-se “dentro en la Camara del dicho

125

Sñr Rej de Portiugal” . Existia nessa época um Paço digno de receber as
mais importantes entidades - Embaixadores de negócios, Embaixadores
Religiosos, e Castas de Nobres, são mencionados.
.

Sepulcro – Convento S. Francisco Toledo (Espanha)

Ainda meio século não tinha passado daquele importante pacto entre
Portugal e Espanha, estando a reinar em Portugal D. João I, em 1429, fez
doação a seu filho, o Infante. Fernando, com extensão a seus herdeiros
todas as “graças e mercês” da vila de Salvaterra, incluíndo riquezas e
benesses . Morrendo o rei seu pai D. Fernando não tendo casado nem
descendência, depressa vendeu o senhorio de Salvaterra de Magos, a
Rodrigo Afonso, tendo este depressa transmitido a sua posse a seu
filho Pedro Correia. Reinava em 1497, em Portugal D. Manuel, quando
em 16 de Junho passou carta de privilégios a 40 Lavradores, que
estabelecessem residência em Salvaterra de Magos.
O tempo correu e já nos anos de Quinhentos a vila foi de novo
transacionada a D. Nuno Manuel, Guarda-Mor do rei. Este passou carta
em 1507, a favor de D. Nuno (Neto do antigo rei D. Duarte), neste alvará,
não deixa de focar que a cedência consta todos os direitos da vila ,

126

incluindo a Lezíria de S. Romão. A casa real, não deixa de continuar a
possuir a propriedade do Paul de Magos.
O rei tendo nascido em Alcochete, em 1469, não deixa de
mostrar grande gosto pelas terras banhadas a sul do Tejo, escolhia
Salvaterra para aqui fazer algumas temporadas de caça de animais de
pelo, Não deixou de presentear esta vila com um novo Foral, em 1517,
onde privilegiava também o comercio, feito a través da Vala, onde
navegavam “barcas e batéis”. Salvaterra de Magos, em 1532 tinha uma
confrontação de termo, com Santarém, Coruche, Benavente e Azambuja,
e os seus moradores tinham crescido na vila para 150
Novo senhorio é encontrado para Salvaterra, em 1534, D. Fradique
Manuel, filho primogénito de D. Nuno Manuel, a vila já possuía uma grande
“Horta e casa”, este depressa contraiu dívidas, dando Salvaterra como
penhora,
Em 1542, o rei D. João III, sabendo do que se passava, levou D.
Fradique a ceder a vila ao Infante D. Luiz, por contrato que foi assinado
em Lisboa. Na escritura, constava a cedência a El-Rei de Salvaterra de
Magos, com todos os seus termos. A renda das barca do Escaroupim, e
os todos os usos frutos do Paul de Magos, Cortes, Lezeirão e Romão
Grande. Mais ficou outorgado naquele negócio jurídico, que a parte
agora perdedora daqueles bens receberia as vilas de Tancos. Atalaia e
Aceiceira. Também foi descriminado que receberia o Castelo e Fortaleza
de Marvão. Não deixou o rei de mencionar que daria certa quantia em
dinheiro, pelo Casal de Santa Maria e seus bens de rendimentos.

127

De posse de tão afortunadas terras de Salvaterra de Magos, logo
nesse ano mandou o Infante D. Luiz (1506-1555), edificar entre
Benavente e Salvaterra, o convento de Jericó, com o assentimento dos
Frades Arrábidos, com o pedido do Frei Martinho de Santa Maria, que
fosse de construção modesta. O Infante por vezes dormia naquelas
instalações, onde existiam as imagens de Nossa Senhora da Piedade e de
S. Baco, do qual possuía relíquias, adquiridas em Roma.

Já de posse de Salvaterra de Magos, o Príncipe D. Luiz, mandou
aformosear o antigo Paço, dando-lhe mais espaço num edifício
sumptuoso, tendo na orientação da obra o Arquitecto do reino; Miguel de
Arruda, e pinturas do mestre Francisco de Holanda, que lhe deram
enfase da época Medieval. O Infante morreu sem ver acabada a sua obra.
Já na posse de D. António Prior de Crato (1531-1595), que era filho do
Infante D. Luiz, foi o seu herdeiro natural, passando depois o Paço para
Casa Real. Com a época Renascentista à porta em Portugal, coube à
Dinastia Filipina a sua conservação, sem que antes D. Sebastião a tenha
iniciado. Com as obras ali efectudas, foi acrescentado um anexo, que
era conhecido pelo Paço das Damas.

128

A CAPELA REAL
Sendo um edifício maneirista, construído em meados do séc. XVI, o
seu interior divide-se em duas secções distintas.
Uma delas é constituída pelo corpo do
templo de configuração quadrada, onde
sobressaem três pequenas naves, de
pequenas colunas clássicas adoçadas às
paredes.
Em outras duas colunas, assenta uma cúpula octogonal, na outra
secção, pode-se admirar o Altarmor, com dois
corredores
laterais, cuja abóbada de berço
surge de um entablamento
longitudinal apoiado em colunas

toscanas

À abóbada central e a cúpula,
irrompem
de
fortes
entablamentos,
um
pouco
desfigurados pela saliência, que apresentam no apoio dos arcos-testas,
possivelmente de um enxerto posterior. “
*********************

129

AS CHAMINÉS DAS COZINHAS DO
ANTIGO PALÁCIO REAL

No paço real de Salvaterra de Magos. se passava muito tempo do ano,
especialmente, na época que ia até ao carnaval, Com os campos férteis
em caça, as caçadas de Montaria e Altenaria eram os passatempos

predilectos da realeza, e dos convidados. Com tão prolongada
permanência em Salvaterra obrigavam à deslocação de muitos serviços
de cozinha e outros trastes vindos de Lisboa, que muitas vezes vinham
em carros de bois durante semanas através o Barreiro/ ou do Montigo.
A sua época áurea, terá acontecido no séc. XVI, XVII, culminando no séc.
XVIII, no reinado de D. José. Daquele palácio, agora só nos resta
apreciar a sua Capela, e três enormes Chaminés, que foram das suas
cozinhas. Terramotos, incêndios e devassa dos homens, ao longo dos
tempos, são agora a prova documental das vicissitudes da grandeza que
Salvaterra teve um dia.

130

No interior daquelas chaminés das cozinhas, ainda se podem apreciar
grandes barras de ferro, que segundo alguns, fazem parte da sua
estrutura,. outros historiadores, inclinam-se para o seu uso no fumeiro
de enchidos, e no assar de grandes peças de carne.
Sabe-se que em 1849, a
10 de Setembro, a rainha
D. Maria II, despachou
autorização para que os
prédios
da
Coroa,
existentes em Salvaterra
de
Magos,
fossem
integrados no património
do Estado.
Poucos anos depois, “foram retalhados” pela Fazenda Pública e
vendidos em leilão, apenas se conservou a Capela Real, na posse do
Estado. Por volta de 1920, Manuel Vieira Lopes, recentemente
regressado da I guerra mundial, em leilão efectuado no tribunal de
Coruche, comprou algumas instalações do que ainda restava, ou que já
tinham pertencido a outros em primeira mão, incluindo o pequeno
casario .no espaço que o povo, depois chamava rua dos Arcos (hoje,
Heróis de Chaves). Eram pequenas moradias, de telhado de meia-água,
e estavam muito próximas das chaminés, tinham sido os aposentos em
tempos idos do pessoal afecto ao Palácio.
Conservadas as três chaminés, os seus herdeiros, através do filho
mais velho de nome Joaquim, homem de grande espirito empresarial,
aproveitou toda aquela vasta área, dedicando-a ao turismo, no dobrar do
séc. passado.

131

Tal forma de divulgar aquelas grandes construções, que restavam do
palácio de Salvaterra, durou mais de 30 anos, foram construídas salas
de um restaurante. A Portaria de 1958, considerou monumentos de
utilidade pública, as Chaminés, o
Edifício da Falcoaria com seu Pombal,
e a Capela Real.
Um dia, acompanhamos Joaquim
Correia nosso contemporâneo na
colaboração do Jornal “Aurora do
Ribatejo”, em várias visitas a
Salvaterra, tinha entre mãos um grande estudo sobre o passado desta
vila, trabalho que deixou por acabar em arquivo familiar. Em 1989, a
Câmara Municipal, apoiou a edição do livro “ O Paço Real de Salvaterra
de Magos”, dos autores; Joaquim Manuel da Silva Correia e Natália Brito
Correia Guedes, sua filha. Na ultimação daquele trabalho,
acompanhamos de muito perto, a recolha fotográfica do interior da
Capela Real.
No ano de 2004, a paredes-meias, com as Chaminés, uma nova
urbanização, estava a iniciar-se num espaço que já tinha sido
anteriormente aproveitado para uma grande adega, e cujo terreno um
dia pertenceu ao Palácio de Salvaterra, cujos restos desapareceram
após trabalhos com explosivos, assim testemunhou algumas gentes do
povo, que um dia entrevistamos, e apontavam para o ano de 1901, que
aquele Celeiro/Adega tinha na sua construção pedra do antigo palácio.
Quando dos trabalhos da sua demolição, para dar lugar a nova
urbanização, as máquinas puseram em sérios riscos, a edificação das
três chaminés, tendo o seu interior, sofridas grandes mazelas., além das

132

rachas serem visíveis nas paredes no exterior., era previsível a sua
queda a qualquer momento. A comunicação social na altura alertou,
para a situação da grande fragilidade porque passava a existência das
Chaminés.

António Joaquim Marques Lopes, actual proprietário e descendente da
família Lopes, que há mais de 80 anos, vem conservando aquele
património, teve de recorrer aos serviços da Direcção Geral de Edifícios
e Monumentos Nacionais, dando conta da ocorrência. que enviou um
arquitecto visitar o local, confirmando tal risco. Um pedido de estudo
sobre a fragilidade porque passavam as chaminés, foi pedido pelo
proprietário, a uma empresa independente de consulta de estudos e
projectos. Tal estudo recomendou, que aquelas construções com mais
de 400 anos, estavam em perigo, caso não se tomassem as devidas
providências.
Um litígio veio a verificar-se, entre as três partes - proprietário,
empreiteiro e câmara municipal “ Desde que foram feiras as escavações
para alicerçar uma urbanização de três andares, as Chaminés ameaçam
ruir”

133

O tempo passou ainda se aguarda qualquer decisão judicial, mesmo ao
embargo que foi solicitado ao executivo na época – sob a chefia de Ana
Cristina Ribeiro, e que este “Dossier” não fique no esquecimento da
Direcção Geral de Monumentos Nacionais

*****************

134

A CASA DA ÓPERA

O séc. XVIII, foi um tempo de grande agitação de vida em Salvaterra,,
considerado um tempo de ouro, o reinado de D. José. A construção de
um Teatro em Salvaterra, completava o património real da vila, e era
mais um que vinha enriquecer o reino, juntando-o aos de Lisboa. O
Teatro de Salvaterra foi inaugurado em 21 de Janeiro 1753, com a Ópera
“Didone Abandonata”
, D. José teve um reinado faustoso, as
caçadas com pomba onde por vezes
incorporavam cerca de 900 participantes,, os
brincos de toiros traziam ao Palácio de
Salvaterra, toda a realeza de Portugal,
visitantes (mesmo estrangeiros), que aqui
passavam temporadas.
No seu reinado passou por grandes
desgostos e sobressaltos, como o Terramoto de lisboa (1755) e a morte
dos Távoras, em 1758 e a morte do Jovem Conde dos Arcos, num brinco
de toiros. Com a morte deste soberano, sucedeu-lhe primeira filha, a
rainha D. Maria I (1734-1816), esta estando de férias em Salvaterra, numa
noite assistindo na Casa da Ópera a uma representação, manifestou os
primeiros sinais de loucura, que se vieram agravar já no Rio de Janeiro
(Brasil), para onde fugiu a corte depois da invasão Francesa. Ali foi
conhecida por a “Rainha Louca”. Os invasores de Junot estiveram
aquartelados no Palácio de Salvaterra, que ao retirarem-se em fuga
depois de derrotados o, deixaram num estado lastimoso, segundo rezam
algumas crónicas. Com o decorrer dos anos, o palácio ainda foi

135

residência de tempo de caçadas no Rei D. Miguel, tendo mesmo o povo da
vila tomado o seu partido na guerra que este travou contra o seu irmão
D. Pedro. Os pavores de dois incêndios que destruiu o Palácio Real de
Salvaterra, com o seu Teatro da Ópera, são agora uma recordação nas
páginas da história nacional e local – Chegou até aos dias em pleno,
séc. XXI apenas o edifício da Capela, e algumas chaminés das cozinhas
daquele palácio, e um outro Palácio, que pertenceu à época do
esplendor da Falcoaria em Salvaterra de Magos
****************

Casa da Ópera de Salvaterra – Desenho Carlos Mardel

Cenário de uma Ópera representada no Teatro Ópera Salvaterra

136

***********************

Bibliografia Usada:
- BRANCO E NEGRO (Semanário Ilustrado)
Encadernado em Livro – Ano de 1897
- OS ANAIS DE SALVATERRA DE MAGOS
( Dados Históricos desde o século XIV)
Autor: José Estevam – Edição de Couto Martins – 1959
- SALVATERRA DE MAGOS
“uma vila no coração do Ribatejo”
– Autor José Gameiro – Edição Câmara Municipal de
Salvaterra de Magos – Edições 1985, 1992 e 2014
- O CONVENTO DE JERICÓ ( 1542-1834)
Autor Alfredo Betâmio de Almeida
–Edição: Câmara Municipal de Benavente – 1990
- O PAÇO REAL DE SALVATERRA DE MAGOS
(A Corte* A Ópera * A Falcoartia)
Autores: Joaquim Manuel da Silva Correia e Natália Brito
Correia Guedes – Edição: Livros Horizonte – Ano: 1989
- O PALACIO DE SALVATERRA DE MAGOS
E A SUA ICONOGRAFIA
Aline Gallas-Hall de Beuvink
Edição Revista Magos II – Câmara Salvaterra 2015

**********************

137

Fotos usados:
- Autor
- O livro o Paço Real de Salvaterra de Magos
- O Palácio de Salvaterra de Magos
e a sua iconografia
- Faceboock (Google – Hikipédia)

138

***************
CADERNO DE APONTAMENTOS Nº 20
Documentos para a história
de

SALVATERRA DE MAGOS
séc. .XIII – séc. XXI
Património:
Geográfico, Monumental, Cultural, Social, Político,
Económico e Desportivo

“UMA ALIANÇA DOS NOVOS TEMPOS”
O Autor
JOSÉ GAMEIRO

139

Fotos da Capa: - O Presidente de Vankenwaard (Holanda) na Câmara
Municipal de Salvaterra de Magos, quando da assinatura do protocolo de
geminação, em 1997 * Os Autarcas de Salvaterra de Magos, em visita a Vieira
de Leiria , assinaram protocolo de Geminação na Marinha Grande - 2000

140

Primeira Edição
FICHA TECNICA:
Titulo:
AS SUAS GEMINAÇÕES!
“ uma aliança dos novos tempos”
Tipo de Encadernação: Brochado (Papel A5)
Autor: Gameiro. José
Colecção: RECORDAR, TAMBÉM É RECONSTRUIR !
Editor Gameiro, José Rodrigues
Morada: Bº Pinhal da Vila – Rua Padre Cruz, Lote 64 -1º
Localidade: Salvaterra de Magos
Código Postal: 2120 - 059 SALVATERRA DE MAGOS
ISBN:
978– 989 – 8071 – 20 – 0
Depósito Legal: 256472 /07
Edição: 100 exemplares – Março 2007

141

***************************
2ª Edição Revista e Aumentada - Março 2015
****************************
Contactos: Tel. 263 504 458 * Telem 918 905 704
e-mail: josergameiro@sapo.pt
O Autor deste texto não segue o acordo ortográfico de 1990

142

O MEU CONTRIBUTO
O séc. XIII, foi um tempo que
população de Salvaterra de Magos, viu a
sua administração socioeconómica, e até
cultural normalizada, através da lei
concedida no Foral, assinada por D.
Dinis
Além das obrigações, os privilégios que o povo recebeu
formaram condições para os séculos futuros
Com a
denominação de Salvaterra, existe uma outra em Portugal,
Salvaterra do Estremo, em Espanha, Salvatierra, e outra
ainda Salvaterre em (França). Nos três forais, que lhe foram
doados, teve ocasião, de ver contemplado o seu
repovoamento, e a vinda de colonos das terras de Flandres,
foi um facto, até porque o seu negócio de exportações já lá
chegava. Séculos depois, outros migrantes chegaram da
Holanda, foram os Falcoeiros. Nos séculos XIX e XX, os
cagaréus/varinos e avieiros, vindos da Murtosa (Aveiro), e de
Vieira de Leiria, como pescadores que eram, formaram duas
comunidades distintas uma da outra, que enriqueceram o
património cultural e etnográfico da vila.
Nos tempos modernos, ter Gémino, com os povos onde as
suas raízes se entrelaçavam, foi uma forma de continuar
aprofundar, os conhecimentos das várias raízes do povo
salvaterriano. Disso, se têm encarregado os seus autarcas,
assinando vários “contratos” de geminação.

Março: 2015

O Autor
JOSÉ GAMEIRO
(José Rodrigues Gameiro)

143

A GEMINAÇÃO COM VALKENSWAARD

Foi o exercício da Falcoaria, que, decorreu nos séculos VXII e VXIII, que
juntou em Salvaterra, famílias vindas da Holanda, das terras de
Valkenswaard. No séc, XIII,
já D. Dinis, e o seu
antepassado D. Sancho
tinham experimentado um
povoamento com gente
vinda da Flandres, para
desbravarem as terras, no
uso
da
agricultura,
aproveitando os seus conhecimentos e influências para o envio de sal,
azeite e vinho até à grande feira de Champagne, que servia para
negócios com outros comércios e outras rotas.
Os falcoeiros que, adestravam as aves – Falcões e Açores – vindos
até Salvaterra de Magos, traziam para além da sua técnica de ensinar as
aves, uma cultura alheia ao homem do sul. Os seus usos e costumes,
depressa foram absorvidos pelos autóctones. As vastas terras de
Lezíria, na margem sul do Tejo, foi uma porta aberta para, nos séculos
que se seguiram, o Homem, viver criando o cavalo o toiro
Depressa a sua presença no pequeno povoado se enraizou, - os
casamentos com o povo local – foram uma das muitas formas que,
uniram os fortes laços culturais, hoje tratados como históricos e únicos,
entre as duas povoações.

144

Nos anos 80, o executivo camarário, sabedor de um bom exemplo, que
Salvaterra de Magos poderia vir a receber de Valkenswaard, é que esta
ainda tinha as suas instalações falcoeiras bem conservadas., servindo o
turismo local. Três séculos tinham passado, um dia o então presidente
da câmara municipal de Salvaterra de Magos, António Moreira, e o seu
vereador da cultura, Joaquim Mário Antão intensificaram esforços de
aproximação com aquela localidade holandesa.
Contactos esses concretizados, em 1995, sob os auspícios do
presidente José Gameiro dos Santos , que teve o privilégio de se
deslocar a Valkenswaard, acompanhado de uma vasta comitiva cultural,
especialmente na vertente musical.

As gentes do concelho de Salvaterra, ficaram a ser melhor conhecidos,
as acções de cooperação intensificaram-se, com o apoio da Comissão
Europeia que, até atribuiu um prémio ao trabalho desenvolvido pelos
autarcas das duas povoações.
Receberam a “Estrela de Ouro da Geminação”, um prémio atribuído
naquele ano de 1995, a outras 10 geminações, entre 1500 candidatas .
O povo de Salvaterra de Magos, tendo algo em comum com os
holandeses, um laço histórico e cultural, foi aproveitado pelos autarcas
portugueses, para divulgação da sua terra.

145

O intercâmbio, poderia ser o elo, para a chegada ao concelho de
Salvaterra de Magos, de alguma indústria com nova tecnologia.
O tempo decorreu, mais
tarde com a presença de
três dias - 6 a 9 de Junho,
em 1997, uma delegação da
autarquia e do povo, de
Valkenswaard, presidida
pelo seu presidente,
estiveram presentes nas Festas do Foral dos Toiros e do Fandango de
Salvaterra de Magos, daquele ano.

Aproveitando a estadia de tão ilustres convidados, com alguns
festejos, foi inaugurada no Largo dos Combatentes, uma Fonte com
repuxos de água, encimada com uma estatueta de um Falcão, poisado
num tronco de pedra mármore. A geminação histórica e cultural, entre
os dois povos estava consumada !..

146

SALVATERRA DE MAGOS,
GEMINAÇÃO COM A MARINHA GRANDE
(Vieira de Leiria)
Em 11 de Agosto de 2001, já tinham decorrido dois anos, desde que em
1999, uma delegação municipal, de Salvaterra de Magos, na presidência
de Ana Cristina Ribeiro, foi até à Marinha Grande, dar inicio a uma
primeira parte de um protocolo de Geminação, do povo salvaterrense,
com a terra e suas gentes de Vieira de Leiria
Na primeira visita a comitiva de Salvaterra, não deixou de estar
presente a representação dos pescadores do Escaroupim,, que ali
levaram as suas culturas tradicionais, especialmente a folclórica, que ali
actuaram.

1957 – Grupo de Mulheres , reparando as redes,
enquanto a comida está ao lume

Chegada a vez da retribuição, uma delegação de autarcas da Marinha
Grande, com um vasto grupo de representantes de Vieira de Leiria, terra
de pescadores, virem até Salvaterra de Magos, assinar a última parte do
protocolo iniciado em 17 de Julho de 1999, em Vieira de Leiria.

147

Tal cerimónia, teve lugar no Escaroupim, no meio de uma população de
pescadores avieiros. Alguns documentos ali expostos, registavam o que
era a sua faina nos finais do século XIX, com a sua chegada ao rio Tejo
daquela comunidade piscatória e, desde aí a sua fixação nas suas
margens, desde Alfange ao Conchoso, em pequenas casas abarracadas,
depois de viverem dentro das bateiras, sendo que aos poucos vinham
deixando de ser nómadas, com lhes chamou um dia Alves Redol.
A Geminação com Marinha
Grande, foi levada a cabo, pelos
autarcas de salvaterra, decerto
por preceitos socioculturais,
porque no Escaroupim, foi
construído e existe uma pequena
comunidade, que ali arribaram ao longo naquela margem do rio.

Ano 1957 – Barracas em madeira

2001 - convívio na Festa de Geminação

148

UM PROTOCOLO COM S. NICOLAU

(Cabo Verde)

Estávamos em 1997, já alguns anos alunos oriundos de Cabo Verde,
vinham frequentar a Escola Profissional de Salvaterra de Magos.
Um mútuo acordo entre a direcção da escola e o executivo municipal,
nasceu a garantia de se criar um protocolo cultural com São Nicolau
(Cabo Verde), pois a procura de estudantes daquele país, obrigava
intercâmbio a um intercâmbio entre as três partes.
O processo foi-se arrastando na sua formalização, até que em 8 de
Julho de 1999, o executivo camarário, informou a Assembleia Municipal;

“A geminação está normalizada, apenas tem sido difícil encontrar uma
data para se encontrarem todos os interessados, no processo em
Salvaterra”

Os alunos daquele país africano, ao frequentarem a escola, ficavam a
residir em instalações apropriadas, daquela unidade escolar.
Desde aí, o concelho de Salvaterra de Magos, mantém ligações de
irmandade com S. Nicolau, onde pretende desenvolver com mais
profundidade outros laços socioculturais com aquele país africano, até
na ida de algumas turmas visitarem aquela ilha montanhosa, onde
predomina a agricultura.
*************

149

Bibliografia Usada:


Documentação do autor
Comunicação Social
Os Avieiros – Nos Finais da Década de Cinquenta
(Maria Adelaide Neto Salgado – 1958)

Trajes de Portugal: Avieiros dos Tejo * Maria Micaela
Soares,In Boletim Cultural da Assembleia Distrital de
Lisboa * Facebook

Fotos usadas:
 do autor
 do boletim municipal de Salvaterra de Magos,
* Pág. 2 – Palácio da Falcoaria
de Salvaterra de Magos ,1985
* Pág. 3 – Os Presidentes das Câmaras Municipais de
Salvaterra de Magos e de Valkenswaard, naquela localidade
holandesa. * Delegação holandesa de Valkenswaard, nos
Paços do Concelho de Salvaterra de Magos
* Pág. 5 – Mulheres avieiras, no Escaroupim * Praia de
Vieira de Leiria * - Pescador, numa exposição sobre a vida
dos Avieiros do Escaroupim
* Pág. 6 - (habitações dos Avieiros do Escaroupim) – 1958
( Foto de Maria Adelaide Neto Salvado) * Cerimónia de
assinatura oficial de geminação: Salvaterra – Marinha Grande
(Vieira de Leiria)

150

CADERNO DE APONTAMENTOS Nº 21
Documentos para a história
de

SALVATERRA DE MAGOS
Séc. .XIII – Séc. XXI
Património:
Geográfico, Monumental, Cultural, Social, Político,
Económico e Desportivo

Autor
JOSÉ GAMEIRO

151

Fotos da Capa: - 1ª Fase Bairro Chesal * 1987

152

Primeira Edição
FICHA TECNICA:
Titulo:
CHESAL
“ COOPERATIVA DE HABITAÇÃO ECONÓMICA”
Tipo de Encadernação: Brochado (Papel A5)
Autor: Gameiro. José
Colecção: RECORDAR, TAMBÉM É RECONSTRUIR !
Editor Gameiro, José Rodrigues
Morada: Bº Pinhal da Vila – Rua Padre Cruz, Lote 49
Localidade: Salvaterra de Magos
Código Postal: 2120- 059 SALVATERRA DE MAGOS
ISBN:
978– 989 – 8071 – 21 – 7
Depósito Legal: 256473 /07
Edição: 100 exemplares – Março 2007

153

**************************************

2ª Edição Revista e Aumentada – Março 2015
**************************************

O autor deste texto não segue o acordo ortográficos de 1990
Contactos: Tel. 263 504 458 * Telem 918 905 704
E-mail: josergameiro@sapo.pt

154

O MEU CONTRIBUTO
Nos meus tempos de criança, talvez de 4/5 anos, ia de madrugada para casa
dos meus avós maternos, para os Quartos, pois meus pais já estavam a
caminho dos trabalhos do campo.
Os Quartos, eram pequenas habitações,
de telhado com telha de canudo (telha
portuguesa), onde algumas tinham apenas
duas divisões. Algumas eram divididas
com “paredes”, feitas com sacos, que
tinham servido para batatas, ou adubo,
depois de abertas e cosidas umas às
outras, recebiam várias camadas de cal,
ficavam espessas. Aí, viviam casais com filhos de ambos os sexos. Um dia,
apercebi-me que minha avó, foi à mercearia pedir papel e jornais velhos, pois
tinha de calafetar tudo quanto era sítio, onde não pudesse entrar uma nesga de
luz. Comentava-se entre a população, foram ordens da câmara, pois a vila
seria sobrevoada por aviões militares, um exercício nocturno, desde Tancos
até Alverca do Ribatejo.
Estávamos no começo da aviação, integrada no exército português. Os
Quartos, aquelas pequenas casinhas, perduram ainda nos dias que correm. Um
quarto de século depois, tive o privilégio como dirigente, no Centro Paroquial,
ajudar o padre José Diogo, que ao construir bairros sociais em Salvaterra de
Magos, deu um forte contributo, para acabar com as muitas barracas, que
existiam na vila.
Março: 2015

O Autor:
JOSÉ GAMEIRO

155

I
O TEMPO DAS BARRACAS
Estávamos em 1944, o executivo camarário, tinha autorizado, que as
famílias de escassos recursos económicos, fossem construir a sua
habitação (barraca), no areal, que ainda mostrava uma réstia de pinhal,
nos terrenos junto ao cemitério da freguesia. Desde a década dos anos
30, que era notório a falta de habitação, um drama para a população,
especialmente a rural, que sofria a penúria de viver com faltas de casa
na vila, várias famílias viviam amontoadas, onde tudo servia, mesmo os
anexos abarracados construídos nos quintais.

Nas traseiras daquele campo santo, as pocilgas dos porcos, e a lixeira
camarária tinham ali o seu lugar, já se desenhando uma rua no areal,
onde as barracas construídas de ambos os lados com velhas madeiras e
tecto de folhas de zinco. mostravam uma porta e uma pequena janela na
frontaria. Nas traseiras, com espaços vedados com rede de arame
queimado (aproveitados do uso nos fardos de palha), servia a
delimitação do seu terreno, e as galinhas e os patos ali tinham lugar.
À entrada daquele aglomerado no lado esquerdo, numa grande elevação
de terreno, ainda laborava um antigo forno de cal, pertença de Manuel
Gonçalves, fabricante do ramo. Aqui e ali

156

.
O cheiro nauseabundo, especialmente em dias quentes de Verão,
sentia-se no ar - a areia estava podre da urina das cabras e ovelhas.
O viver daquela gente, chocou
o jovem padre - José Rodrigues
Diogo da paróquia da vila.

Desde a sua chegada Entre
outras iniciativas, que levou a
cabo, foi o começo de um trabalho
de grande perseverança, que
levou alguns anos. A construção
de três bairros sociais, onde foram alojadas todas aquelas famílias,
muitas delas, já em segunda geração. Tinham-se acabado as barracas,
na vila e freguesia de Salvaterra de Magos !
*************************

157

II
A CHESAL - O COOPERATIVISMO
NA HABITAÇÃO SOCIAL
Enquanto durava a odisseia do Pe José Diogo, surgiu em 1977, um
grupo de pessoas com a iniciativa de constituir uma “Cooperativa de
Habitação”. Ainda se estava a viver o entusiasmo, da Revolução de Abril
de 1974, foi constituída uma Comissão Pró-Cooperativa de Habitação e
fizeram circular um comunicado convidando a população (especialmente
os necessitados de casa) a inscreverem-se na Cooperativa. “A todos os
interessados, convidamos a inscreverem-se na sede da Comissão
Venatória, onde funcionam provisoriamente, os serviços desta
Cooperativa, em constituição” – foi o teor de um comunicado emitido.
Diversos contactos já havidos com o presidente da câmara, levam a
crer que haverá êxito na iniciativa. No ano seguinte, em 21 de Julho de
1978, no notário da vila de Salvaterra de Magos, é assinada a escritura
da constituição da CHESAL - Cooperativa de Habitação Económica de
Salvaterra de Magos, SCARL.
Foram seus outorgantes: Mário Ferreira Duarte, José António Ferreira

da Silva e Manuel Pedro Pinto Pereira, que depressa passaram a uma

Comissão Instaladora, realizando poucos dias depois a Assembleia-geral
para eleição dos Corpos Directivos, onde foram eleitos, os associados
seguintes:

158

Assembleia-geral – Presidente: José Manuel Gameiro dos Santos,
Maria Manuela Gonçalves Cheney e Maria Otília Assunção.
Direcção – Presidente, Mário Ferreira Duarte; Secretário, Fernando
Garcia Conde; Tesoureiro, José António Ferreira Silva.
Vogais – Maria José Viegas Hipólito; Elias Manuel Guerreiro; Manuel
Silva Caniço e José Manuel Ferreira.
Conselho Fiscal – João Alfredo Oliveira; Arménio Andrade; Maria José
Rita de Assunção.
Depressa
a
Cooperativa tinha
cerca de 100
associados,
e
depois de uma fase
de
difícil
implantação,
o
dinamismo
de
alguns
elementos
da
Comissão
Instaladora,
ultrapassou obstáculos de
monta. (2)
No dia 19 de Junho,
realizou-se num Celeiro, uma
reunião geral de sócios, para
apreciação e aprovação do projecto de loteamento, do que seria o
património da Chesal, Cooperativa de habitação.

159

Abriu a sessão o presidente, Mário Duarte, que começou por fazer uma
análise do que foi a evolução da Cooperativa, desde o seu início até
aquele momento. Mostrado o projecto , que ficaria localizado numa vasta
área de terreno, cerca de 4 hectares em terrenos da
“Coutadinha”, foi aprovado por unanimidade pelos 50 sócios ali
presentes.
Os esclarecimentos do eng.º arq. Esteves do GAT, que também esteve
presente foram deveras elucidativos, pois é seu o trabalho de estudo, e
tem acompanhado o problema de perto, tendo divulgado que a obra
nesta fase de arranque ficará com 156 casas de habitação, com zonas
verdes, incluindo uma área arborizada, zonas comerciais e parques para
automóveis, além de instalações sociais, bem como 175 garagens.
Na ocasião, foi divulgado que para a resolução de muitos problemas
burocráticos e jurídicos, tinha-se recorrido aos apoios prestados pela
Fundação Antero de Quental, onde o Vereador da autarquia, Joaquim
Mário Antão, teve um papel deveras meritório, nos respectivos
contactos.
A terminar, aquela reunião, mais foi informado, que dentro de dias
seria apresentado o estudo, em fase de acabamento, sobre a
configuração e divisão das moradias.” (3)

160

III
DISTRIBUIÇÃO DAS PRIMEIRAS HABITAÇÕES

“Com a presença de membros do governo, realizou-se no dia 11 de
Julho, a distribuição de 32 casas a associados da COOPERATIVA DE
HABITAÇÂO ECONÒMICA DE SALVATERRA DE MAGOS - CHESAL, levada a
efeito pela sua actual Direcção. Antes desta entrega, realizou-se um
programa simples, mas sugestivo, foi aquele dia comemorado com
várias cerimónias: Da parte da manhã, realizaram-se provas
desportivas, que abrangeram todos os escalões etários, de ambos os
sexos. Logo de seguida, pelas 11 horas, nos paços do concelho foram
recebidos os membros do governo; O secretário de estado da habitação,
e o Eng.º. Bento Gonçalves, secretário de estado para o cooperativismo,
bem como o governador civil de Santarém. À recepção estavam
presentes, para além do Presidente da Câmara Municipal de Salvaterra
de Magos, Rafael João A. Ferreira da Silva, e seus Vereadores, e o
representante da Chesal: Mário Duarte, presidente da direcção, que se
fazia acompanhar de todos os restantes membros daquele órgão da
cooperativa. Os membros do governo, de seguida passaram revista a
uma guarda de honra, e a uma formatura dos bombeiros voluntários de
Salvaterra, que se encontravam perfilados, sob as ordens do seu
comandante, Carlos Leonel Duarte.
Na sessão de boas vindas, que teve lugar na sala das sessões
daquele edifício camarário, usaram da palavra, em primeiro lugar, as

161

entidades anfitriãs; O presidente da câmara, e o representante da
Chesal.
Por último o Sr. Secretário para o Cooperativismo, agradeceu o
convite, e disse estar honrado, por estar presente, e mais ainda, por
naquele dia se comemorar o dia do cooperativismo.
Pelas 13 horas, num restaurante da vila, teve lugar um almoço, que
reuniu cerca de 400 presenças, entre cooperativistas e convidados.

A imprensa, também esteve presente, vendo-se a RDP 1, e o jornal
Portugal Hoje, que fizeram a cobertura do acontecimento.
Cerca das 16 horas, depois de uma breve sessão de trabalhos, já no
vasto complexo habitacional da Chesal, os membros do governo, e o
representante do distrito, tiveram ocasião de trocar impressões sobre
as actuais formas de apoio que o governo, que ali representavam, estava
a dar às cooperativas de habitação do país, e as dificuldades
encontradas por estas.

Mário Duarte , e o Dr. José Gameiro dos Santos, directores da Chesal,
no final pediram outros esclarecimentos, e apontados alguns alvitres
aos membros do governo ali presentes.

162

Por último, e o sob um calor intenso, foram visitar algumas casas já
acabadas, e que dentro de alguns momentos iriam ser distribuídas.
Com a presença de muito público, que se associou à festa, onde a
banda música, e o rancho folclórico da casa do povo, deram o seu
contributo, foram por fim entregues as 32 casas, num acto simbólico de
entrega das chaves.

Foi um momento de grande emoção, algumas lágrimas rolaram na face
de muitas pessoas, pois ali estava a consumar-se um sonho de uma vida.
Nos momentos, que antecederam ao acto da entrega das habitações,
quer Mário Duarte, quer Gameiro dos Santos, emocionados, não
deixaram de registar as boas vontades encontradas, para a resolução
que agora ali se concretizava dos trabalhos da 1ª fase de outras
iniciativas programadas pela Chesal.” (4)
Algum tempo passou daquele momento marcante na habitação social,
de Salvaterra de Magos, originando um grande projecto, que era a
Chesal, passaram a gerir os seus destinos, em 23 de Janeiro de 1987,
Helder Esménio; Dr. José Gameiro dos Santos e Mário Duarte.

163

Este novo executivo, ultimou a 2ª fase, de uma construção de 55 novas
habitações, que foram entregues aos associados, na antiga estrada da
Peteja, tomando ainda a decisão de iniciar a 3ª fase, com a construção
de cerca de 100 fogos, que previa a aquisição de terrenos próximos do
Convento. (5)
Na altura numa visita, que o Eng.º. Vaz Costa do INH (Instituto
Nacional de Habitação), entidade governativa, que vinha a acompanhar
as obras levadas a cabo por aquela instituição cooperativa, foi divulgado,
que a instituição já tinha distribuído 15 moradias, e que tinha cerca de
400 associados inscritos em lista de espera. “ (6)
********************************

2ª Fase da Construção – Chesal

164

IV
PRÉMIO DO INH PARA A CHESAL

Dez anos se tinham passado, da assinatura da escritura pública, da
constituição da Cooperativa Económica de Habitação de Salvaterra de
Magos – Chesal, no seu boletim de 1990, o Instituto Nacional de
Habitação, ao fazer uma apresentação dos últimos empreendimentos
naquela área, no país, faz a divulgação da atribuição de uma “Menção
Honrosa de Promoção Cooperativa”, concedida à Chesal, pelo seu
empenhamento na resolução da habitação económica em Portugal.
Tal prémio, era a compensação, o tributo prestado, não só a um grupo
de pessoas, que iniciaram um sonho, mas sim a muitos outros, que se
lhes juntaram, e durante anos contribuíram, tomaram decisões muitas
vezes controversas e penosas, pela compreensão ausente de quem viria
a beneficiar daquelas construções sociais. (7)
A Chesal, é hoje uma realidade marcante na vida sócio habitacional da
vila e freguesia de Salvaterra de Magos.

*******
****

165

BIBLIOGRFIA USADA:
* Do Autor
* Comunicação Social
(1) – Noticia do Jornal: “Diário do Ribatejo” – Nº 2592 de
18/7/1977 * “Aurora do Ribatejo” de 25/7/1977 *
“Ribatejo Ilustrado” de 26/7/1977
(2) - Noticia publicada no Jornal “Aurora do Ribatejo” de
5/7/1979
(3) * - Noticia publicada no Jornal “ Portugal Hoje ”
12/7/1982
(4) – Notícia publicado Jornal “ Correio da manhã”, 23/2/1988
(5) - Jornal “ O Ribatejo” 23/1/1987
(6) - Extractos da notícia publicada no Jornal “O Ribatejo” –
12/7/1990
(7) - Boletim do INHabitação
(8) – Respeitar o Passado – Construir o Futuro * Partido
Socialista

Fotos S/ Legenda: do Autor:
Foto :Pág. 4 – Inicio das obras, da Chesal, nos terrenos da
Coutadinha, ano de 1980
* Fotos: Pág. 5 – O Director da Chesal, José A. Ferreira,
fazendo a distribuição das chaves das primeiras habitações,
1987
* Fotos Pág. 6 – Desfile Bombeiros na Festa da Chesal,
distribuição de casas. 1987
* Fotos: Pág. 7 - Recepção aos convidados, à festa da Chesal,
junto aos paços do concelho de Salvaterra de Magos
Pág. 12 - Rua principal do Bairro da Chesal * Quintais das
moradias

166

FOTOS ANEXOS:

11/7/1982 - Prova desportiva, em dia Inauguração
da Chesal

Zona destinada a Jardim no bairro da Chesal

167

A Direcção da Chesal, acompanha o Eng.º Vaz Costa
do INH, quando do começo de mais uma fase
de novas construções

168

CADERNO DE APONTAMENTOS Nº 22
Documentos para a história
de

SALVATERRA DE MAGOS
séc. .XIII – séc. XXI
Património:
Geográfico, Monumental, Cultural, Social, Político,
Económico e Desportivo

O Autor
JOSÉ GAMEIRO

169

Fotos da Capa: Capela do Antigo Convento de Jericó / ou dos Arrábidos – 1985
* Imagem do Santo S. Bacco, existente na Capela do antigo Convento de Jericó

170

Primeira Edição
FICHA TECNICA:
Titulo:
0 CONVENTO DE JERICÓ / OU DE JENICÓ !
Tipo de Encadernação: Brochado - Papel A 5
Autor: Gameiro, José
Colecção: RECORDAR, TAMBÉM É RECONSTRUIR !
Editor Gameiro, José Rodrigues
Morada: Bº Pinhal da Vila – Rua Padre Cruz, Lote 64 -1º
Localidade: Salvaterra de Magos
Código Postal: 2120- 059 SALVATERRA DE MAGOS
ISBN:
978– 989 – 8071 – 22 – 4
Depósito Legal: 256474 /07
Edição: 100 exemplares – Março 2007

171

****************************************
2ª Edição Revista e Aumentada – Março 2015
**********************************
Contactos: Tel. 263 504 458 * Telem 918 905 704
E-mail: josergameiro@sapo.pt

O autor deste texto não segue o acordo ortográfico de 1990

172

O MEU CONTRIBUTO

No ano de 1985, depois de muitos anos a reunir documentos e, outras informações
colhidas ao vivo, em Outubro, estava a autografar na Biblioteca Municipal de Salvaterra
de Magos, o livro “SALVATERRA DE MAGOS – UMA VILA NO CORAÇÃO DO RIBATEJO”,
trabalho que recebeu a colaboração da câmara municipal para a sua edição, e, nele
inclui o tema do Convento de Jericó.
Este Apontamento é dedicado ao Convento
de Jericó, que tinha como patrono: Nossa
Senhora da Piedade, foi construído sob a égide
dos Frades Ar rábidos. Um tema religioso que
pertence ao povo de Salvaterra de Magos,
estendendo-se mesmo ao longo da Lezíria
ribatejana. Quando do aparecimento do novo
diário lisboeta, “O Correio da Manhã” – CM, nas
bancas, acedemos a colaborar com os seus jovens jornalistas, Adriano Oliveira, e

Hermínio Clemente, numa série de reportagens., sobre esta zona ribeirinha do Tejo.
Um foi responsável pela escrita, o outro pela fotografia, ambos foram inexcedíveis, no
seu carinho com este povo de Salvaterra de Magos., pois tudo queriam saber, do seu
passado e do presente. A primeira reportagem saída no dia 3, do Novembro de 1985,
esgotou, mesmo o reforçado número de exemplares para os leitores desta vila. Sabese, que a existência do convento Jericó, foi de: 1542-1834, e a sua construção foi
custeada pelo Infante D .Luiz, filho do rei D. Manuel I., sendo vendido os seus pertences
em 1843.
Mais tarde, em 2001, uma outra reportagem, sobre o mesmo Convento, foi levada a
cabo pelo jornalista, Mário Gonçalves, do já extinto Jornal do Vale do Tejo - J VT, com
redacção nesta terra, a que também dei a minha colaboração.
Março: 2015

JOSÉ GAMEIRO
(José Rodrigues Gameiro)

173

O CONVENTO DE JENICÓ/ OU JERICÓ
(Ou de Nossa Senhora da Piedade,
ou ainda dos Frades Arrábidos)

Um dia, era uma quarta-feira, veio até Salvaterra de Magos, uma
equipa de repórteres (1 de escrita e outro de fotografia) do Jornal
Correio da Manhã. Este diário, estava sando sando os primeiros passos
para se impor no vasto parque jornalístico de Lisboa e do país. Desde há
uns tempos, tínhamos sido convidados para seu correspondente nesta
vila. Tínhamos aprazado aquele dia, em que se realizavam as visitais ao
Santo, para pagamento das promessas. Os crentes, acreditando que ele
intercedia junto de Jesus Cristo (foi um dos seus Apóstolos novos),
quando aflitos dos males que os afligiam, lhe rezavam, entre outras
promessas, estava o azeita e velas, para que estivesse iluminado dia e
noite. Era uma crença que vinha de séculos, o povo desta região era seu
devoto. Feitos muitos registos, com algumas entrevistas, o CM , publicou
umas páginas dedicado a S. Baco e ao antigo convento de Jericó.
a) José Gameiro

174

“ SÃO BACCO DE BENAVENTE,
CURA A VIDEIRA E O HOMEM”
Quem lá for com fé é servido,
mas de contrário sai pior !

“ S. Bacco mártir e santo milagreiro muito venerado na antiguidade no
Oriente, está novamente a despertar a fé
junto das gentes ribatejanas que, todas as
quartas-feiras (único dia da abertura da
capela) acorrem em romaria ao Convento
de Jericó, no concelho de Benavente.
Ressalve-se, desde já, o S. Bacco a que nos
referimos nada tem a ver com o nome do
Baco, considerado o deus do vinho da
mitologia grega. A história de S. Bacco, que o oráculo diz ser “advogado
contra todas as maleitas, pulgão das vinhas e outras doenças das
árvores”, data do Séc. XI e, está resumida num papel emoldurado e
pendurado numa das paredes da pequena capela do Convento de Jericó.
A luz das dezenas de velas que todas as semanas as crentes ali vão
deixar, “para alumiar o santinho», deixa perceber na pequena moldura
que “S. Bacco era um oficial romano, da corte do Imperador Maximiano,
mas cristão. Por não querer abjurar a sua fé em Cristo, Nosso Senhor,
nem com promessas, nem com ameaças terríveis, foi destituído das
honras militares e, carregado de cadeias, levado preso por toda a cidade
de Roma». «Como nada o demovia do seu propósito» - refere-se ainda
acerca de S. Bacco - «0 Imperador, irritado mandou encarcerá-lo e
açoitá-lo ferozmente, até que o mártir entregou o espírito a Deus.

175

O seu corpo, lançado num campo para que as aves o devorassem, foi
posteriormente recolhido pelos cristãos que, secretamente o
enterraram, e mais tarde, o transladaram para sepultura em sítio mais
digno e honroso, juntamente com o corpo de S. Sérgio, seu companheiro
de martírio».
O TERCEIRO CONVENTO DOS ARRÁBIDOS
O culto do mártir S. Bacco teria sido trazido para Portugal, em data
não precisa, pelos frades da Ordem de S. Francisco de Assis.
No entanto, a sua divulgação só começou a ser feita em meados do Séc.
XVII, após a construção de um convento para Frades Arrábidos, na
região de Salvaterra de Magos. Trata-se, efectivamente, do Convento de
Jericó, ou de Jenicó, assim conhecido por se situar em terrenos vizinhos
ao do casal de Jenicó, cujo dono tinha o nome de João, e era de baixa
estatura. Este convento, o terceiro dos frades Arrábidos, assim
chamados por o seu primeiro e principal convento ser na Serra da
Arrábida, foi mandado construir no ano de 1542, pelo Infante D. Luiz,
irmão de D. João III, filho do rei D. Manuel I, inicialmente junto à vila de
Salvaterra de Magos.
Todavia, como o local era insalubre, segundo afirmam os
historiadores, os arrábidos trataram de fazer nova construção noutro
sítio, tendo conseguido para o efeito de Filipe II de Portugal, a esmola de
quatro mil cruzados. O novo convento de Jericó veio assim a nascer em
terrenos situados a cerca de três quilómetros para Oeste de Salvaterra
de Magos, e que pertenceram a este concelho até há bem pouco tempo.

176

No entanto, nova demarcação dos limites geográficos dos concelhos
de Salvaterra de Magos e de Benavente, na década de 60, do passado
século, vieram colocar o Convento de Jericó na jurisdição desta última
autarquia. Do primitivo convento dos Arrábidos não há qualquer traça,
resta apenas a cantaria cimeira do portal, com a indicação do ano para
a nova construção, por representar na pedra a continuidade da
congregação.

Crentes de S. Bacco- em peregrinação
fazendo as suas preces e pagamento
das suas promessas - 1983

*************************
**************

177

FUNDADOR DA CAPELA MORREU EM 1767

A capela com a imagem de S. Bacco data também de altura da nova
construção do Convento de Jericó, ou seja, dos finais do Séc. XVII. O
fundador da capela morreu em 1767 e, encontrava-se sepultado no pátio
fronteiro ao templo.
Com o correr dos anos essa e outras sepulturas foram levantadas,
delas restando agora unicamente as pedras tumulares, que estão
depositadas no exterior junto à capela.
Esta capela, segundo refere o padre Inácio da Piedade e Vasconcelos;
no Tomo II da história de Santarém Edificada, era exclusivamente
dedicada a S. Bacco, existindo mesmo no convento parte do crânio do
santo mártir. Esta preciosa relíquia, que obrava maravilhas em doentes
de febre, desapareceu com a extinção dos conventos em Portugal, em
1834. Mas nem por isso a devoção a S. Bacco diminuiu.
Nem sequer por a capela do convento ter sido encerrada aos crentes,
assim permanecendo até princípios do nosso século.
Mais recentemente, os herdeiros da família Vinagre, donos do terreno
onde se situa o Convento de Jericó, e do qual ainda restam a pequena
capela de S. Bacco, os muros que circundam a propriedade e uma fonte
de água muito saborosa, permitiram de novo o acesso dos fiéis ao
templo, mas apenas às quartas-feiras.
Daí a verdadeira romaria que naquele dia se verifica em direcção a
Jenicó. Romaria que se repete na quinta – feira da Ascensão, e no dia 7
de Outubro de cada ano, dia dos dois santos mártires S. Bacco e S.
Sérgio.

178

DOENTES OU AUSENTES PEDEM PROTECÇÃO
Esta romaria tem vindo a crescer nos últimos anos, devido,
sobretudo, à divulgação dos milagres que o santo opera. A prova desses
milagres, embora desnecessária para os crentes, está patente na
própria capela do Convento de Jericó.
Ali, a um canto do templo, em cima de uma mesa de madeira, vão-se
amontoando dezenas de fotografias, em molduras ou num álbum, de
pessoas doentes ou ausentes, que pediram a protecção do santo.

Protecção que teria sido satisfeita e que continua a arrastar até
Jenicó muitos homens e mulheres, novos e velhos, vindo por vezes, de
muito longe. Enquanto isso, as oferendas a S. Bacco sucedem-se.
É o azeite, o vinho, as esmolas e até já houve quem oferecesse um
porco ao santo milagreiro, todas essas oferendas são recolhidas para a
caridade por uma irmã de Lisboa.

179

O SANTO NÃO PERDOA A QUEM BRINCA!
“Quem aqui vier com fé é servido; mas se vierem para brincar, S.
Bacco não perdoa”
Quem assim fala é Mariana Cândido, uma salvaterrense que todas as
semanas se deslocam a Jericó, porque “ a fé que temos alumia o
santinho, aqui sentimo-nos bem”
De braços cruzados, Mariana Cândido
fala baixinho para não incomodar outros
crentes nas suas orações.
De vez em quando interrompe a sua
conversa para saudar uma ou outra
amiga que vem trazer uma vela a S.
Bacco. E logo diz: “Esta veio de
Benavente, a pé, com o filho.
Eu também vim nove dias a fio, quando o
meu filho esteve na Guiné.
Pedi para ele regressar são e salvo e S. Bacco satisfez o meu pedido”
Muitas das fotografias que decoram o interior do pequeno templo são,
com efeito, de militares que cumpriram o seu serviço nas ex-colónias
em África e cujos familiares ansiavam por um rápido regresso.
Mas também as há de doentes, invisuais, paralíticos a quem B. Bacco
deu novas esperanças de vida. Uma outra devota, de nome Amélia,
acompanhou a equipa do nosso jornal numa breve visita à propriedade
do Convento de Jericó onde, num dos extremos, se situa um tanque com
uma cruz e um nicho onde em tempos existiu a imagem de Santo António,
entretanto desaparecida

180

MISTERIOSOS SUBTERRÃNEOS
E contou-nos das lendas que a crendice popular criou em torno dos
Frades Arrábidos de Jericó. Lendas, muitas delas apoiadas em
testemunhos vivos que resistiram ao progresso.
D. Amélia, fala-nos por exemplo, dos subterrâneos que os frades
teriam aberto desde o Convento de Jericó até Salvaterra de Magos, a
cerca de três quilómetros.
Ninguém sabe para que serviam os
túneis; há quem diga que os frades viviam
debaixo do chão, outros falam de saídas
de emergência, outros ainda de simples
passagens para zonas de abastecimento
de água.
Desses misteriosos
subterrâneos têm aparecido em
Salvaterra de Magos alguns indícios.
Segundo José Gameiro, homem muito
dedicado ao passado histórico de Salvaterra de Magos, e que nos
acompanhou neste deambular diz-nos; quando foram feitas obras de
saneamento, nalgumas zonas apareceram construções em tijoleira, com
cerca de 80 a 90 centímetros de altura, cuja serventia ninguém soube
precisar mas tudo indica sejam construções do tempo dos frades
Arrábidos.
Ainda há meses, quando a edilidade fez canalizações na vila, entradas
desses túneis voltaram a aparecer.

181

No local onde hoje está instalada a Biblioteca Municipal existe também
aquilo que se julga ser um respiradouro dos túneis (*), dos frades do
Convento de Jenicó. No próprio convento, mais precisamente na capela
dedicada a S. Bacco, existe à entrada, à esquerda, uma porta em
madeira que os mais velhos se recordam dar acesso a um desses
subterrâneos. Os proprietários da propriedade emparedaram
recentemente essa entrada.
Também na Fonte do Arneiro, já dentro da vila existe a entrada de um
subterrâneo, fechado com grades de ferro desde que sofreu obras de
beneficiação, e de molde a evitar acidentes com pessoas que nele
tentassem penetrar. Onde este túnel em tijoleira vai dar ninguém sabe
ao certo, prevalecendo assim a voz do povo de Salvaterra de Magos que
o atribui a mais uma obra dos ar rábidos.
Passaram-se entretanto quase quatro séculos e meio sobre o ano de
1542 em que o Infante D. Luiz escolheu Salvaterra de Magos para instalar
os frades arrábidos.
E a si próprio, afinal, porque o Infante D. Luiz tinha ali, segundo as
suas próprias palavras “uma casinha”, segundo descrição em “OS ANAIS
DE SALVATERRA”(**).
Hoje, desse passado histórico pouco ou nada resta !
A nova demarcação geográfica dos concelhos de Benavente e de
Salvaterra de Magos veio (***), por seu turno, acelerar a destruição do
Convento de Jericó, já que enquanto uma autarquia considera não ter
responsabilidade na sua conservação, a outra, a quem cabe zelar por
esse património, só o tem há tão pouco tempo que o interesse pelo
templo ainda nem sequer surgiu. O santo milagreiro, S. Bacco, só vai
mesmo conseguir salvar-se com a ajuda dos próprios crentes que afinal,
a ele acorrem a pedir protecção.”

182

***********
(*) - Eram três casas muito pequenas por debaixo das nove celas
no pavimento do coro, fruto de uma planta, acordada previamente,
com os seus confessores de Palhães (Arrábida). Nelas existiam uma
Capela, Celas de Vivença Individual, uma Oficina e Dormitórios...
Uma sala de grande espaço, servia de côro, para as missas
cantadas, e uma pequena cópia da Capela do Palácio Real de
Salvaterra, onde também existia uma replica da imagem da Nossa
Senhora da Piedade. Este espaço, estava ornamentado, com belas
telas, suportando uma pintura da Sagrada Paixão de Cristo (pensase que serão as que se encontram na Igreja da Misericórdia da vila
de Benavente).

***********

183

“CONVENTO DE JERICÓ CARECE DE RESTAURO MAS
NÃO FALTAM VISITANTES A S. BACCO”
“ UM SANTO QUE SATISFAZ PEDIDOS
E É LAVADO COM VINHO “

Reportagem do Jornal Vale do Tejo
- Mário Gonçalves e José Gameiro “ As gentes do Ribatejo continuam a venerar, quase diariamente, S.
Bacco, um mártir e santo milagreiro da antiguidade oriental, amado por
centenas de pessoas que vêm de vários pontos do país para as habituais
orações e ofertas semanais. As romarias ao célebre Convento de
Jericó, ou Jenicó como preferem apelidar alguns especialistas em
história local, intensificam-se normalmente às quartas-feiras.
Aquele que é considerado um dos locais sagrados da região, situa-se
entre Benavente e Salvaterra de Magos. Aliás, à entrada do Convento
pode ler-se numa lápide um verso que refere: “Salvaterra e Benavente,
Jericó fica no meio, as meninas de Samora bailam com todo o anseio”
Segundo José Rodrigues Gameiro, um especialista nos factos e feitos
da terra, tal como antigamente, ainda nos dias de hoje centenas de
pessoas vêm oferecer a São Bacco – que nada tem a ver com Baco,
deus do vinho da mitologia grega – garrafas de azeite. Embora, seja
com vinho branco que o santo é lavado pelas suas zeladoras.
Ao longo dos tempos as peregrinações ao local têm aumentado. Os
peregrinos acendem umas velas e fazem as habituais orações.
As oferendas acabam por ser levadas por freiras para algumas

184

instituições de caridade de Lisboa nomeadamente, para o Lar da 3ª
Idade de Campolide. As freiras são conhecidas por “irmãzinhas da
caridade” e uma das suas tarefas é deslocarem-se, ao Convento de
Jericó buscar as garrafas de azeite e distribuí-las de seguida aos mais
necessitados da capital.
“EU VI O SANTO”
Maria Teresa Vinagre, é provavelmente, uma das pessoas que mais
venera São Bacco. Segundo relatou à nossa reportagem, as suas idas
ao Convento de Jericó sucedem-se há dezenas de anos. Quando ainda
era criança, assegura com convicção que um dia viu a imagem de São
Bacco numa antiga figueira situada mesmo em frente ao Convento.
Na altura tinha apenas seis anos e quando arriscou relatar a imagem
que viu na figueira os responsáveis pela manutenção do local
asseguraram que a imagem do São Bacco nunca saiu do interior do
Convento. Por isso, só poderia sido um milagre. Mas a devoção não se
limita apenas a Maria Teresa Vinagre, pois sempre que desloca ao local,
leva a filha, Maria Sousa Cabral, e as três netas.
Esta crença familiar é classificada por Maria Teresa Vinagre como “fé
e não fanatismo”, como infelizmente se ouve falar todos os dias na
televisão. Maria Teresa, diz que é uma verdadeira fé . “isto para que o
Céu nos ouça”. E quando existe uma verdadeira fé, “ela passa de
gerações em gerações”, explica.
“Por isso trago a minha família comigo”.

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A suposta vidente é muito religiosa e, quando regressa a casa, leva
sempre consigo algumas velas que acende num pequeno oratório que na
residência. Mas quando fala do Convento de Jericó, a sua preocupação
não são apenas as orações. Ao VALE DO TEJO, fez questão de salientar
que o convento precisa urgentemente de um restauro.
Apesar de ser propriedade privada, as entidades públicas deviam de
apostar numa intervenção de restauro, sobretudo no tecto que está
quase a cair.
É um habito todas as quartas – feiras, o convento receber centenas
de pessoas, este número multiplica-se várias vezes na célebre quinta –
feira da Ascensão, feriado municipal em muitos concelhos da região e
também chamado dia da espiga.
Nessa altura, os visitantes podem assistir a uma missa no local e
participar num almoço convívio que reúne pessoas oriundas de todo o
país. Carlos Ferreira, é outra das habituais presenças semanais no
convento. Vem de Alhandra acompanhado de sua mulher, Cassilda Maria.
E quando lhe perguntámos o motivo destas deslocações, rapidamente
revelou que desde que se desloca ao local sente-se muito melhor. Diz
que nota “uma verdadeira paz de espírito”.
Maria de Lurdes, Rita Ferreira, Adelaide Pintassilgo e Celeste Cadório,
são as quatro responsáveis pela manutenção de Jericó.
Todas as Terças-feiras, de manhã cedo, deslocam-se ao local para
fazerem limpezas gerais ao convento e zonas limítrofes. O objectivo,
segundo explicam, é que tudo esteja limpo para receber as
peregrinações das quartas – feiras.

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TRÊS DESEJOS AO SANTO,
QUE GOSTA DE PEDIDOS

Ainda a equipa de reportagem, não tinha entrado no convento, já Maria
de Lurdes confessava que ao longo dos últimos anos tem tido uma
benção do santo nos momentos mais difíceis da sua vida.
Por isso, recomendou à nossa equipa de reportagem que, quando
entrasse na capela, pedisse a São Bacco três desejos, garantindo que o
santo gosta que lhe façam alguns pedidos.
Desde há mais de duas décadas que Maria de Lurdes está todas as
semanas no convento. Por isso também ela vive o dia-a-dia religioso de
Jericó. Diz que esta veneração se intensificou desde a altura em que um
dos seus filhos, esteve quase à morte devido a um gravíssimo acidente
de viação, e que depois de vários pedidos a S. Bacco, acabou por
sobreviver, isto apesar de ter ficado com uma perna amputada.
Dona Rita, como é conhecida na região. Diz que este trabalho de
manutenção gratuito no convento é feito por gosto.
Mas que a sua
crença em São Bacco reforçou-se quando, depois de umas orações, viu
o seu neto curar-se de uma doença respiratória que, não conseguia ser
tratada pelos médicos, isto apesar de muitos internamentos
hospitalares. A mesma senhora explica que aparecem em Jericó todo o
tipo de pessoas. Os que vêm de muito longe ou os que são da terra,
aqueles que ficam apenas cinco minutos, ou aqueles que passam horas
seguidas no convento.
Há também quem ofereça frutas e legumes.

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Quando isso acontece, as responsáveis entregam as oferendas a
instituições de caridade da região. Quando se entra na capela, além da
imagem de São Bacco, devidamente iluminada por múltiplas velas, salta
à vista uma grande estante repleta de retratos, alguns com mais de
30 anos, do tempo da guerra
colonial. Foram ali deixados por
pessoas que se deslocavam a Jericó
para pedir a Bacco que zelasse pela
sua segurança.
Apesar de não ser o deus do vinho,
curiosamente São Bacco é lavado
com vinho branco.
Dizem as responsáveis pela manutenção que o vinho branco não
danifica a imagem.

Uma das grandes figuras nacionais do mundo da tauromaquia com
grande devoção a Bacco é a cavaleira tauromáquica Ana Baptista, que
além de se deslocar quase todas as semanas ao Convento, até tem um
cavalo que se chama Jericó.
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Nota final do autor: Estas duas reportagens, têm no seu espaço de
publicação cerca de 15 anos, de distância, e em ambas fiz o seu
acompanhamento. No entanto, talvez por volta de 1960, em outros
trabalhos de investigação, contactei, Maria da Piedade, conhecida
na vila, por Maria Mendes, senhora idosa, empregada de confiança
da família Vinagre, desta terra que, na época fazia a limpeza da
capela e da imagem do S. Bacco, incumbência e preceitos, tal como
sempre foi usado ao longo dos séculos,. e que passou de gerações.
JOSÉ GAMEIRO

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Da edição “ Convento de Jericó “, de: Alfredo
Betâmio de Almeida, com a devida vénia retirados a
passagem seguinte: “....... Gostaríamos de dizer
mais sobre o convento, é possível que haja ainda
algum resto do arquivo da Provìncia da Arrábida na
posse da casa Palmeia, mas nós, confessamos,
mais não conseguimos saber.
O local onde se
ergueu o primeiro convento era insalubre. Os Pauis
vizinhos retinham durante o ano águas estagnadas, e
pelo verão as sezões não faltavam.
Os frades
eram, no espaço, as primeiras vítimas. Doentes de
terçãs, muitos foram morrer às enfermarias de
Santarém ou de Lisboa.
No Verão de 1598, quase no fim do reinado do rei
Filipe I, foi passado um alvará que determinava que
os frades arrábidos fizessem, no hospital de
Santarém, uma enfermaria particular onde se
pudessem curar. Decerto que os frades de Jenicó
beneficiaram desta provisão filipina,
Apesar do local ser bastante doentio, não queria
contudo a ordem abandonar este convento, que
perpetuava a memória de D. Luís, Infante muito
devoto de S. Francisco e “coluna principal da
custódia”, como lhe chamavam os primeiros
arrábidos.”
Caminho primitiva de ligação
entre Salvaterra de Magos e Benavente

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BIBLIOGRADIA USADA:

* “SALVATERRA DE MAGOS – UMA VILA NO CORAÇÃO DO
RIBATEJO. – José Gameiro e Câmara Municipal de Salvaterra
de Magos – 1985, 2ª edição; 1992 * “O CONVENTO DE
JENICÓ” – Alfredo Betâmio de Almeida e Câmara Municipal
de Benavente – 1990 * “O PAÇO REAL DE SALVATERRA” Joaquim Correia e Natália Correia Guedes e câmara
Municipal de Salvaterra de Magos - 1999
* DOCUNENTOS AVULSO:
Em 1957 – Joaquim Câncio, artigos publicados no Jornal “Vida
Ribatejana” - Em 1.4. 1992 * José Gameiro, artigo “Igrejas –
“Templos nos Tempos !” - Jornal do Vale do Tejo –JVT *
Jornal Correio da Manhã – 3.11.1985
* DOCUMENTOS OFICIAIS: Carta de Lei - Processo da Venda
do Convento de Jericó / ou dos Arrábidos, 1835 * Comissão
Interna da Junta do Crédito Público - Decreto – Avaliação do
património do entinto Convento de Jericó, 1835 * Venda do
Extinto Convento de Jericó – 1843

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