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VOLUME II Cadernos de Apontamentos – Nº 7 - 13 Documentos para a história de

VOLUME II

VOLUME II Cadernos de Apontamentos – Nº 7 - 13 Documentos para a história de SALVATERRA

Cadernos de Apontamentos Nº 7 - 13

Documentos para a história de

SALVATERRA DE MAGOS

Património:

Geográfico, Monumental, Cultural,

Social, Político, Económico e Desportivo

Séc.

.XIII Séc. XXI

Social, Político, Económico e Desportivo Séc. .XIII – Séc. XXI O Autor JOSÉ GAMEIRO (José Rodrigues

O Autor JOSÉ GAMEIRO (José Rodrigues Gameiro)

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2 2ª Edição Revista e Aumentada Indíce: COLECÇÃO RECORDAR, TAMBÉM É RECONSTRUIR ! Cadernoss / Livros:
2 2ª Edição Revista e Aumentada Indíce: COLECÇÃO RECORDAR, TAMBÉM É RECONSTRUIR ! Cadernoss / Livros:

Edição Revista e Aumentada

Indíce:

COLECÇÃO RECORDAR, TAMBÉM É RECONSTRUIR !

Cadernoss / Livros:

7 A Escola Obrigatória ( Um Marco na mudança da cultura do Povo)

8 Honra ao Mérito (Servir para além da coisa pública)

9 Quando Vindimar, Era uma Festa !

10 Uma Zona Industrial (Um desejo que vem do passado)

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Fragateiros, Cagaréus e Avieiros (Gente que viveu do Tejo)

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O Parque Infantil, e as suas Piscinas (Um sonho uma realidade)

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Os seus Transportes Públicos de Passageiros ( Da Diligência ao Automóvel, viagens até ao Cabo)

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Autor: Gameiro, José Editor: Gameiro, José Rodrigues Edição: 100 volumes Brochado (Papel) Morada: B.º Pinhal da Vila Rua Padre Cruz, 49 Localidade: Salvaterra de Magos Código Postal: 2120-059 SALVATERRA DE MAGOS

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Tipo Publicação: Versão PDF * Revista e Aumentada * Março 2015

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Contactos: Tel. 263 505 178 * Telem. 918 905 704

e-mail:

josergameiro@sapo.pt

O Autor desde texto não segue o acordo aográfico de 1990 Fotos da Capa: Escola Primária inaugurada em 1913 * Chegada do Carro para a da Empresa Viação Salvaterrense Alfredo Rodrigues Piedade ( Alfredo Calafate)

3 CADERNO DE APONTAMENTOS Nº 7 Documentos para a história de SALVATERRA DE MAGOS Património:

3

3 CADERNO DE APONTAMENTOS Nº 7 Documentos para a história de SALVATERRA DE MAGOS Património: Geográfico,

CADERNO DE APONTAMENTOS Nº 7

Documentos para a história de

SALVATERRA DE MAGOS

Património:

Geográfico, Monumental, Cultural, Social, Político, Económico e Desportivo

Séc.

.XIII Séc. XXI

Económico e Desportivo Séc. .XIII – Séc. XXI Um marco na mudança da cultura do povo

Um marco na mudança da cultura do povo !

Económico e Desportivo Séc. .XIII – Séc. XXI Um marco na mudança da cultura do povo

O Autor JOSÉ GAMEIRO

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Primeira Edição

FICHA TECNICA:

Titulo:

A ESCOLA OBRIGATÓRIA :

Um marco na mudança da cultura do povo !

Colecção: RECORDAR, TAMBÉM É RECONSTRUIR !

Autor: Gameiro, José Editor Gameiro, José Rodrigues Edição: 100 exemplares (brochado papel)

Morada: Bº Pinhal da Vila Rua Padre Cruz, 94 Localidade: Salvaterra de Magos Código Postal: 2120- 059 SALVATERRA DE MAGOS

ISBN:

978989 8071 07 1 Depósito Legal 756459/07 Edição: 100 exemplares Março 2007 ******************** 2ª edição em PDF - Revista e Aumentada 2015 ******************** Contactos: Tel. 263 504 458 * Telem. 918905704 e-mail: josergameiro@sapo.pt

O autor desta edição não segue o Acordo ortográfico de 1990

Foto da Capa: Escola Primária “ O Século” inaugurada em 1913

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O MEU CONTRIBUTO

5 O MEU CONTRIBUTO Certo é, que o professor primário, em tempos remotos, tinha no seu

Certo é, que o professor primário, em tempos remotos, tinha no seu contacto diário com os educandos, uma influência que mais tarde se reflectia na personalidade destes, na vida privada, social e até laboral.

É justo aqui recordar homens e mulheres, que à causa da instrução, nas escolas desta freguesia de Salvaterra de Magos, instruíram gerações de alunos, nestes últimos 70 anos. De uma escola de professores, como: o casal Pinhão, que no inicio da República aqui se fixou, um outro; Manuel Duarte Assunção e sua esposa, Natércia Rita, chegados após o segundo conflito mundial, vindos de Rabat (Marrocos), onde tinham iniciados as suas carreiras, numa escola portuguesa.

Outros como: Armando Duarte Miranda, Júlia Barata, Prazeres Estudante, Maria de Lourdes Henriques (Fontes Pina), Maria Cecília (Antão), Fernando Assunção, deixaram marcas profundas nos seus alunos que, ainda hoje não os esquecem, até porque alguns deles já “saborearam” o obrigado, que lhes prestaram em homenagens os seus antigos alunos. Estão “arrolados” neste estudo os nomes de outros mestres-escola, até porque os seus alunos, ainda falam deles “embevecidos”. Agora volvidos alguns anos nota- se a necessidade de publicar estes Cadernos, devidamente revistos e aumentados, nesta segunda edição.

ABRIL: 2015

O Autor

JOSE GAMEIRO

(José Rodrigues Gameiro)

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A ESCOLA, NA MUDANÇA DA CULTURA DO POVO !

Quando da revolução de Outubro de 1910, o novo sistema político republicano, recebeu a pesada herança de um povo demasiado analfabeto. No campo da educação, poucas escolas existiam, o mestre- escola, era uma prática generalizada no ensino em Portugal que, só os filhos dos mais abastados tinham acesso.

Com uma população maioritariamente ignorante, o país recebeu das novas leis republicanas, uma obrigação, em que o estado fizesse delas um benefício para o povo, nos campos da instrução e sociocultural.

Ao longo dos anos, os esforços legislativos tem tido dificuldades em se implantar no país na sua plenitude, o que mostra ainda, sucessivas gerações com um elevado grau de analfabetismo, ou mesmo de pouca literacia.

A INSTRUÇÃO E AS ESCOLAS PRIMÁRIAS

No dobrar do século XX, tinha a vila de Salvaterra de Magos, três edifícios escolares do ensino primário.

Um, construído após o terramoto de 1909, com uma subscrição pública levada a cabo pelo jornal “O Século”, no antigo Largo do Palácio, agora conhecido por Largo dos Combatentes

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O outro, veio a ser edificado uns anos mais tarde, no início de 1934, nos terrenos que foram do Largo de S.Sebastião, que estava devoluto, pois ali também tinham ocorrido estragos provocados por aquele sismo, a escola com o nome “Presidente Carmona”, destinava-se a alunos dos sexo masculino. O velho hábito de algumas crianças, filhas de gente abastada terem aulas escolares, com mestre-escola, num edifício público, teve grandes dificuldades em se “abrir” aos novos processos do ensino obrigatório.

se “abrir” aos novos processos do ensino obrigatório. 1950 – Edifício escolar “O Século” Tinha ficado

1950– Edifício escolar “O Século”

Tinha ficado a recordação e saudades do casal de professores de apelido Pinhão, tinham deixado nesta vila, por volta de 1925. A professora Cármen Marques Ferreira Pinhão, veio a faleceu em Dezembro de 1983, em Lisboa. (1) A matriz literária: “Cartilha de João de Deus”. Tinha sido o primeiro contacto das crianças da terra, especialmente os filhos da gente urbana.

Os rapazes do meio rural, tinham como escola a faina da grade, enquanto as raparigas encontravam nos canteiros, a monda do arroz, ou

a sacha do milho, vida que iniciavam aos 7/8 anos de idade.

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8 Os primeiros alunos a inaugurarem as salas de aulas da escola “ O Século” em

Os primeiros alunos a inaugurarem as salas de aulas da escola “ O Século” em 1913

Já na juventude, os homens, escolhiam a arte braçal de trabalhar a terra, ou da campinagem, como modo de vida, para seu sustento e da família, depois de casados. As raparigas, essas, eram encaminhadas,

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(1)-Algumas aulas escolares funcionaram, no edifício Pombalino próximo da Câmara Municipal e Capela Real

para outras actividades agrícolas, ou então passavam a trabalhar como serviçais em casa de pessoas que, precisavam de uma criada de servir. Ainda nos anos 50, a ama, a mestra e a creche da Igreja, eram locais

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9 1940 – Escola Presidente Óscar Carmona Ano: 2000 – Escola Primária Carmona Para os bebés

1940 Escola Presidente Óscar Carmona

9 1940 – Escola Presidente Óscar Carmona Ano: 2000 – Escola Primária Carmona Para os bebés

Ano: 2000 Escola Primária Carmona

Para os bebés e as crianças serem recolhidas , enquanto os pais trabalhavam. Os casais que, não tivessem algumas posses económicas, no caso dos trabalhadores rurais , levavam seus pequenos filhos de madrugada, para os campos, regressando com eles pela noite dentro. Na juventude, os homens, escolhiam a arte braçal de trabalhar a terra, ou da campinagem, como modo de vida, para seu sustento e da família, depois de casados.

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AS MESTRAS

No início dos anos 20, uma senhora, tinha na sua habitação na Trav. do Forno de Vidro, uma sala onde ministrava a sua escola particular, era conhecida “Mestra da Varandas” ,ainda durou alguns anos e por lá passaram muitos alunos. Por volta de 1950, terminada a segunda guerra mundial, uma jovem teve a ideia, na habitação dos pais, na rua Cândido dos Reis, aproveitar uma sala, e abriu a sua mestra, a troco de uma remuneração mensal era a Mestra da Moíses. Depressa, aquele espaço de ensino, ganhou fama de tal modo, que os alunos, passaram a ficar inscritos a aguardar vez de entrada. Durante muitos anos, foi local de ensino, onde as crianças rapazes e raparigas aprendiam até entrarem, nas escolas do sistema público Além da sacola dos livros, um pequeno banco de madeira, eram apetrechos que levavam e traziam diariamente daquele local de ensino. Foi ali, que aprendi pela primeira vez a “escrevinhar” e, sendo canhoto, muito bofetão levei para alinhar com todos os outros alunos que escreviam à direita, pois só se podia escrever com aquela mão. A escolaridade era obrigatória, nas escolas públicas mas a sua normalização nesta terra, levou alguns anos, com dois edifícios escolares.

Profª Carmem Pinhão

públicas mas a sua normalização nesta terra, levou alguns anos, com dois edifícios escolares. Profª Carmem

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BIBLIOTECA MUNICIPAL

Nos anos 60, o gosto pela leitura, apossava-se da juventude salvaterrense, incentivo dado pelo exemplo de muitos adultos que, na biblioteca da Fundação Gulbenkian “bebiam” cultura num carro biblioteca que, visitava a vila uma vez por mês, e estacionava em frente à Igreja matriz. Muitos foram os anos da presença daquela biblioteca em Salvaterra. Em 1985 após vários esforços do então vereador do pelouro da cultura, da Câmara Municipal de Salvaterra de Magos, Joaquim Mário Antão, reuniu algumas boas vontades e até da Gulbenkian, que se disponibilizou para apoiar a criação de uma biblioteca fixa na terra.

para apoiar a criação de uma biblioteca fixa na terra. A 10 de Junho daquele ano,

A 10 de Junho daquele ano, foi inaugurada a biblioteca municipal de Salvaterra de Magos, aproveitando-se a velha escola primária que vinha do após Terramoto de 1909, e, ali foi instalado um vasto património literário que, incluiu muitas obras, da biblioteca itinerante daquela Fundação, que foram oferecidas pondo assim à disposição dos leitores cerca de 4.000 livros. O autor deste texto, sendo funcionário público, esteve no “amanho” da sua funcionalidade e sendo uma novidade depressa as novas gerações, se juntaram aos leitores mais antigos, que ali procuravam uma nova forma de cultura.

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Outros eventos culturais preenchiam constantemente as suas salas, com a presença de escritores convidados, dando um novo dinamismo à vila,.

ESCOLA DO PARQUE

Ainda na década de 50 aqueles terrenos eram usados, para a realização da Feira Anual e Campo de Futebol. No início dos anos 60, ali perto tinha sido edificado um grande pavilhão gimnodesportivo da

tinha sido edificado um grande pavilhão gimnodesportivo da INATEL, mesmo ali ao lado dos Celeiros da
tinha sido edificado um grande pavilhão gimnodesportivo da INATEL, mesmo ali ao lado dos Celeiros da

INATEL, mesmo ali ao lado dos Celeiros da FNPT, no terreno da Casa do Povo. A câmara municipal, cedeu mais um espaço, ao Ministério das Obras Públicas MOP, para construção de um conjunto de dois edifícios, um escolar de dois pisos, com várias salas de aula e, outro destinado a cantina.

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ESCOLA SECUNDÁRIA DR. GREGÓRIO FERNANDES

Eram onze horas da manhã do dia 15 de Outubro, de 1985, estava inaugurada a escola secundária, em Salvaterra de Magos, terminava assim um vasto e complexo processo que, anos antes o então vereador, José Teodoro Amaro, dera inicio em 1980, tendo sido publicado o valor do seu preço base, em 51.285.622$00, conforme anúncio publicado no Jornal “Diário de Notícias” de 29 de Outubro. Como era uso, procurou-se que aquele edifício tivesse a simbolizá-lo, uma figura de destaque, nascida na terra, para tal foi solicitada a minha ajuda na procura, a escolha recaiu no nome do médico,- cirurgião Dr. Gregório Fernandes. Já na fase da construção, o então presidente da câmara municipal, António Moreira e o vereador, António Gonçalves Lopes, tiveram papel preponderante na concretização da obra, levando-a à sua inauguração.

António Gonçalves Lopes, tiveram papel preponderante na concretização da obra, levando-a à sua inauguração.
António Gonçalves Lopes, tiveram papel preponderante na concretização da obra, levando-a à sua inauguração.
António Gonçalves Lopes, tiveram papel preponderante na concretização da obra, levando-a à sua inauguração.

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ESCOLA PROFISSIONAL

Uma Escola Profissional, era uma velha aspiração da população. O então presidente da câmara municipal, António Moreira e, o seu vereador, Joaquim Mário Antão, encetaram esforços e numa parceria com privados, criaram a “ESCOLA PROFISSIONAL DE SALVATERRA DE MAGOS”, que viria a ser uma emblemática escola de profissionalização dos jovens estudantes do concelho até mesmo da região ribatejana. Oficializada, através do Dec. - lei 26/89, de 21 de Janeiro, instala-se na rua Heróis de Chaves, abrindo a suas portas, no dia 24 de Agosto de 1990, com os cursos:

a suas portas, no dia 24 de Agosto de 1990, com os cursos: Cozinha * Foto

Cozinha * Foto José Gameiro

portas, no dia 24 de Agosto de 1990, com os cursos: Cozinha * Foto José Gameiro

Gestão, Informática e Artes e Ofícios

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A Escola Profissional de Salvaterra de Magos, depressa se impôs pelo seu elevado grau de ensino, e em poucos anos passou a ser frequentada por centenas de alunos, nas mais diversificadas áreas educativas da formação profissional.

A procura na área da Restauração, levou à abertura de um Polo de ensino em Lisboa. Outros cursos se seguiram, como Artes-Gráficas, dando origem à instalação de um Parque Gráfico, sendo convidado a administrá-lo, António Pepe, profissional com grande experiência nesta área. No ano 2000, com uma nova denominação, passou a Instituto de Educação do Sorraia, Ldª, continuando com a sede nas primitivas instalações.

Todos os anos, após os cursos ali ministrados, os alunos têm vindo a enriquecer o sector laboral nas áreas da restauração, indústria dos serviços., onde se destaca a informática. No seu grande e moderno auditório, ao longo dos anos, têm sido apresentadas as mais variadas “comunicações”, por entidades oficiais e privadas.

ESCOLA DO CICLO PREPARATÓRIO - PROF. ANTÓNIO LOPES

Muitas dezenas de anos se passaram desde o tempo, em que os primeiros alunos foram à primária, na escola no Largo dos Combatentes rapazes e raparigas

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Agora a população estudantil do concelho, tinha necessidade de uma outra unidade escolar, para além da escola secundária, construída em Salvaterra de Magos.

O professor, António Gonçalves Lopes, então vereador da câmara municipal, empenhou-se no projecto da construção de um moderno edifício para o Ciclo Preparatório.

Quando da sua inauguração, havia pouco tempo que se tinha registado o seu falecimento, aquela estrutura escolar, recebeu o seu nome, como homenagem ao seu interesse pela causa do ensino, na sua terra natal. Enquanto durou a construção da obra, um antigo edifício, que tinha servido de unidade fabril, na área do arroz, junto à EN 118, foi local escolhido para algumas salas de aulas e serviços administrativos.

para algumas salas de aulas e serviços administrativos. O então presidente da câmara, José Gameiro dos

O então presidente da câmara, José Gameiro dos Santos, em 1996, adquiriu para o município, uma construção de pré- fabricados, em madeira que, foram instalados, a título provisório, em terreno próximo do GAT.

uma construção de pré- fabricados, em madeira que, foram instalados, a título provisório, em terreno próximo

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Desde esse tempo é local de ensino do ciclo primário e local de apoio ao ensino de crianças com problemas na aprendizagem, com técnicos especializados. Por todo o concelho de Salvaterra de Magos, quando o século passado estava a meio, muitas escolas primárias já tinham sido construídas no concelho, através do plano há muito em curso no país, levado a cabo pelo Ministério das Obra Públicas MOP.

HOMENAGENS A PROFESSORES

Professores, houve que dedicaram uma vida ao ensino primário nesta terra, alguns têm recebido a homenagem merecida dos seus ex-alunos. Natércia Rita (Assunção), foi uma das contempladas, viu-se rodeada em dia festivo, por mais de duas centenas de antigos alunos sentiu quanto eles lhe estavam gratos, pelo ensino ministrado e formas de cultura social que lhes ensinou, que muito os beneficiou pela vida fora.

Os poderes públicos de Salvaterra de Magos, reconhecendo os seus méritos, associaram-se à festa e uma rua da vila, passou a recordá-la na toponímia local. Alguns anos depois, uma outra festa de homenagem teve lugar, alguns antigos alunos de Lurdes Pina, promoveram um bonito convívio entre professora e antigos alunos, então retirada após 40 anos de actividade.

antigos alunos, então retirada após 40 anos de actividade. A Profª. Natércia Assunção, acompanhada dos seus

A Profª. Natércia Assunção, acompanhada dos seus antigos alunos, em dia que lhe prestaram homenagem

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19 A Profª Lurdes Pina acompanhada dos seus ex-alunos, que lhe prestaram homenagem A CÃMARA MUNICIPAL,

A Profª Lurdes Pina acompanhada dos seus ex-alunos, que lhe prestaram homenagem

A CÃMARA MUNICIPAL, INAUGURA NOVOS ESPAÇOS PARA O ESTUDO

A nova tecnologia informática, tem vindo a ocupar espaço na vida das pessoas passando a ser um instrumento de trabalho e de acesso ao estudo, das novas gerações. O executivo autárquico de Salvaterra de Magos, nos últimos anos depois de ter construído e inaugurado um vasto edifício, no antigo espaço do cais da vala real, onde a população jovem passou ter acesso a novos conhecimentos e contactos através da Internet, a par de se poder ver periodicamente algumas exposições sobre vários temas do passado da terra e mesmo do concelho.

NOVA BIBLIOTECA MUNICIPAL

Em 2005 após grandes obras de recuperação no antigo edifício manuelino, na praça da República, ali foi instalado a nova biblioteca

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municipal. O espaço existente na primitiva biblioteca, no antigo edifício escolar da vila (construído após o terramoto de 1909), já não suportava o vasto espólio bibliotecário municipal e, as visitas diárias de utentes Uma vasta rede informática também ali foi instada, dando agora novas oportunidades ao povo de ter acesso a novos conhecimentos.

oportunidades ao povo de ter acesso a novos conhecimentos. NOVO PARQUE ESCOLAR . O concelho de

NOVO PARQUE ESCOLAR

. O concelho de Salvaterra de Magos, foi dotado de novos Parques

Escolares. O primeiro, foi na sede do concelho, inaugurado em 5 de Outubro 2010, concentrando o ensino secundário e básico, para albergar

todos os 232 alunos do ensino, que estavam dispersos pelas suas escolas primárias - do parque, escola da avenida e pinhal da vila (provisória). O de Marinhais, foi inaugurado em 2014.

escolas primárias - do parque, escola da avenida e pinhal da vila (provisória). O de Marinhais,
escolas primárias - do parque, escola da avenida e pinhal da vila (provisória). O de Marinhais,
escolas primárias - do parque, escola da avenida e pinhal da vila (provisória). O de Marinhais,
escolas primárias - do parque, escola da avenida e pinhal da vila (provisória). O de Marinhais,

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21 Inauguração da Nova Escola Secundária e Básica, com creche Fotos José Gameiro UM SÉCULO DEPOIS
21 Inauguração da Nova Escola Secundária e Básica, com creche Fotos José Gameiro UM SÉCULO DEPOIS
21 Inauguração da Nova Escola Secundária e Básica, com creche Fotos José Gameiro UM SÉCULO DEPOIS
21 Inauguração da Nova Escola Secundária e Básica, com creche Fotos José Gameiro UM SÉCULO DEPOIS

Inauguração da Nova Escola Secundária e Básica, com creche Fotos José Gameiro

UM SÉCULO DEPOIS

Entre o ensino escolar de alguns, nos finais do séc. XIX e, a exigência da escolaridade obrigatória nos meados do séc. XX, esperou a população de Salvaterra de Magos, para ter melhores condições e, meios para adquirir mais cultura escolar, mesmo assim, nos dias que correm as gerações nascidas antes dos anos 50, ainda apresentam grandes índices de analfabetismo, ou de pouca literacia

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Os filhos de uma camada socialmente mais abastada, passou a mandar os filhos ao colégio, muitos houve que chegaram aos estudos universitários. Nos dias que correm, não se nota a diferença dos que frequentam os estudos superiores, para tal muito tem contribuído o estado socioeconómico das famílias, que fazendo grandes sacrifícios, não quiseram que os seus filhos tivessem a mesma sorte da sua !

quiseram que os seus filhos tivessem a mesma sorte da sua ! Comemoração do centenário da

Comemoração do centenário da inauguração “Escola o Século”

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Bibliografia Usada:

* Revista “ A Hora” - 1936

* Jornal “Aurora do Ribatejo” – 25.9.78, 15.9.1982 (Nº343)

* Jornal “Ribatejo” – 31.12.87

* Jornal Vale do Tejo Out.1999

* Documentação recolhida pelo autor

* Jornal “ Correio da Manhã”

(1) - Jornal “Diário de Notícias” de 21.12.1983 * Carmen Marques Ferreira Pinhão

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Fotos usadas: Do autor e A/D

Página 14 Inauguração da Escola Dr. Gregório Fernandes, Prof José Augusto Seabra, Ministro da Educação, recebe explicações do Prof. António Lopes

*No grupo dos convidados, o autor (fato cinzento à esquerda) esteve presente na inauguração, da Escola Secundária de Salvaterra de Magos ouvindo as explicações do Vereador, Prof. António Lopes

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24 CADERNO DE APONTAMENTOS Nº 8 Documentos para a história de SALVATERRA DE MAGOS S

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24 CADERNO DE APONTAMENTOS Nº 8 Documentos para a história de SALVATERRA DE MAGOS S éc.

CADERNO DE APONTAMENTOS Nº 8

Documentos para a história de

SALVATERRA DE MAGOS

Séc.

.XIII Séc. XXI

de SALVATERRA DE MAGOS S éc. .XIII – Séc. XXI “SERVIR PARA ALÉM DA COISA PÚBLICA”

“SERVIR PARA ALÉM DA COISA PÚBLICA”

Património:

Geográfico, Monumental, Cultural, Social, Político, Económico e Desportivo

Geográfico, Monumental, Cultural, Social, Político, Económico e Desportivo Autor JOSÉ GAMEIRO Primeira Edição

Autor

JOSÉ GAMEIRO

Primeira Edição

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FICHA TECNICA:

Titulo:

HONRA AO MÉRITO ! “Servir para além da coisa pública”

Tipo de Encadernação: Papel A5 Brochado

Autor: Gameiro, José Colecção: RECORDAR, TAMBÉM É RECONSTRUIR !

Edição: 100 exemplares Março 2007

Editor Gameiro, José Rodrigues Morada: Bº Pinhal da Vila Rua Padre Cruz, 64-1º Localidade: Salvaterra de Magos Código Postal: 2120- 059 SALVATERRA DE MAGOS

ISBN:

978989 8071 08 8 Depósito Legal: 256460 /07 Edição: 100 exemplares Março 2007

******************************** 2ª edição em PDF Revista e Aumentada Março 2015 ********************************* Contactos: Tel. 263 504 458 * Telem. 918905704 e-mail: josergameiro@sapo.pt

O autor desta edição não segue o acordo ortográfico de 1990

*Fotos da Capa: - Gaspar da Costa Ramalho* Dr. Gregório Fernandes * Pe José Rodrigues Diogo * João Manuel Santa Bárbara

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O MEU CONTRIBUTO

HONRA AO MÉRITO SERVIR PARA ALÉM DA COISA PÚBLICA

Com tantos documentos aqui reunidos, especialmente sobre a vida de algumas pessoas, não pretendo que seja uma bibliografia de cada um deles, mas decerto muito vai ajudar os interessados por este tipo de estudos. Certo, que também devem ser lembradas, as instituições, pelos seus serviços prestados à população do concelho de Salvaterra de Magos, como: a Santa Casa da Misericórdia, Bombeiros Voluntários, Centro Paroquial, e Grupo de Escuteiros, entre muitas outras, como a já extinta Casa do Povo e Montepio.

muitas outras, como a já extinta Casa do Povo e Montepio. No caso individual, existem os

No caso individual, existem os de rosto visível, como os que à coisa pública - Órgãos Autárquicos se entregaram de alma e coração, mas a memória do povo nem sempre os guarda, por ser um desempenho político. Outros há, que se enobreceram no anonimato, são eles os dirigentes das instituições, muitas vezes anos a fio, sempre sujeitos à ingratidão dos seus concidadãos. Outros tantos ainda, praticando a benemerência, oferecendo devotadamente os seus bens, era uma forma de estar na vida, ensoberbeceram-se a si, suas famílias e amigos - são exemplos a seguir ! Em todos as áreas, os vamos encontrar, especialmente no campo da assistência médica social - não podemos deixar de registar, a colaboração benemérita, que foi praticada, pelos já desaparecidos médicos: Armando dos

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Santos Calado, José António Vieira e: Dr. Roberto Ferreira da Fonseca Na tão nobre oferta dos seus actos médicos, não posso deixar de aqui registar, e divulgar, mesmo que fira a sua modéstia, o Dr. Fernão Marçal Correia da Silva, que há anos devotadamente vem também dando graciosamente, assistência aos idosos da Misericórdia local, na continuação do exemplo que os seus pares anteriores fizeram. Muitos certamente, não tiveram a sorte, mesmo merecendo-o de ficarem na memória dos documentos. Neste campo das homenagens, certo é que, ao longo dos tempos, a história regista a ingratidão, especialmente dos poderes públicos. Neste espaço, não deixamos mesmo que modestamente de aqui registar a homenagem pública que recebemos, em 2014 do Município desta vila, pelos 50 anos que aproveitamos a nossa colaboração na comunicação social, para divulgarmos os valores da terra

Por isso, aqui registamos nós, a vida e obra de alguns dos que ficaram nesta galaria “ Honra ao Mérito!”

ABRIL: 2015

O Autor:

JOSE GAMEIRO (José Rodrigues Gameiro)

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I

GASPAR COSTA RAMALHO

A Homenagem publica, que teima em não chegar. Pedir tão pouco, para quem deu tanto !

Quase sempre, nunca, ou tardiamente, as pessoas sabem ser agradecidas porque os seus preconceitos ultrapassam os desejos. Na população de Salvaterra de Magos, ainda existe uma geração que o conheceu e, beneficiou da benemerência que, ele soube distribuir dos haveres que tinha, pelos pobres seus concidadãos.

dos haveres que tinha, pelos pobres seus concidadãos. Até agora o poder político da nossa terra,

Até agora o poder político da nossa terra, não soube, ou não quis prestar-lhe a merecida homenagem pública.

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Gaspar da Costa Ramalho, nasceu no dia 20 de Outubro de 1868, em Salvaterra de Magos, viveu na actual rua Alm. Cândido dos Reis antiga rua de S. António onde construiu duas moradias para a família.

Foram seus pais; José de Sousa Ramalho e Joaquina Victoria. Uma vida de 94 anos, onde uma fortuna recebida de seu tio e sogro, José Vicente da Costa, fez dele um grande lavrador, com propriedades nos concelhos de Azambuja, Vila Franca, Benavente, e na sua terra natal - Salvaterra. de Magos. A sua imensa riqueza foi gerida com sabedoria e benemerência humilde. Quando do terramoto de 1909, as populações de Samora Correia, Benavente e Salvaterra, sentiram os seus efeitos devastadores, mas Gaspar Ramalho, chamou a si um grupo de pessoas de boa vontade e, depressa se deu inicio, ao necessário apoio ao povo carecido.

Dez anos depois, em 1919, na construção da Praça de Toiros, quando a “Comissão Construtora” se debatia com dificuldades financeiras para concretizar o que esperava ser uma realidade, logo um “anónimosuportou os valores em falta. Soube-se mais tarde que com mais este acto generoso, contribuiu ajudando aqueles que estavam empenhados na construção do belo edifício tauromáquico, que Salvaterra tem à entrada da vila, hoje considerado um ex-libris da terra.

Não ficou por aqui o seu apoio, pois quando do ciclone, de 15 de Fevereiro de 1941, logo chamou a si o encargo das despesas da construção das novas bancadas em cimento, tendo Jorge de Melo e Faro (Conde de Monte Real), e sua esposa, suportado a reconstrução das paredes daquela praça Com o seu coração sempre preocupado com o bem-estar dos desprotegidos da sorte, no início dos anos 30, o espaço

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cultural da vila, foi enriquecido com a construção de um Cine-Teatro. Foi uma obra que, utilizando alguns dos seus celeiros, na rua Machado Santos antiga rua S. Paulo a ofereceu aos Bombeiros Voluntários de Salvaterra de Magos.

Já muitos anos antes, por volta de 1900, construiu uma grande adega e armazéns, aproveitando as ruínas do que foi o Palácio das Damas, com frente para o actual Largo dos Combatentes.

Continuando a pugnar pelo bem estar da população, nunca esquecendo os mais necessitados, em 1935, cria a “Casa do Povo de Salvaterra de Magos”, onde tomou lugar de Presidente da Comissão organizadora e, depois da sua legalização foi Presidente da Assembleia Geral, durante alguns anos.

Para o efeito utilizou uma sua casa na Rua Cândido Reis, junto ao palácio do Barão, e ofereceu à Instituição durante anos o valor de renda que, na altura era de 600$00 anuais, e os encargos de um funcionário administrativo.

Como a sua maneira de estar na vida era de grande humildade e descrição, todos os anos conseguia retirar da sua imensa fortuna os valores que pudessem minorar as carências dos mais aflitos. Aos cortejos de oferendas promovidos pela Misericórdia, local, que na década de 1950 ainda se realizavam, Gaspar Ramalho assumia a sua responsabilidade de cidadão, ofertando grandes quantidades de produtos agrícolas para o respectivo leilão.

31

Uma outra oferta, também ficou emblemática, na obra filantrópica de

Gaspar Ramalho, por volta de 1936, mandou construir e ofertou aos Bombeiros Voluntários de Salvaterra, um grande edifício de primeiro andar que, viria a servir de quartel e sede à corporação

.

Espaço grande e moderno para a época, onde as viaturas do corpo activo tinham o seu estacionamento e, a Banda de Música, lugar para o seus ensaios.

Gaspar Ramalho, faleceu a 13 de Junho de 1962 e, o seu corpo recolheu ao repouso de um jazigo da família no cemitério da terra que o viu nascer - Salvaterra de Magos. Deixando testamento, repartiu benesses pelas instituições, que em vida já vinha apoiando. Quando se registaram 131 anos do seu nascimento, e 37 após o falecimento, o autor deste texto, que ainda conheceu este insigne filantropo, uma campanha abriu na comunicação social, lembrou aos autarcas da terra, que tinha chegada a hora (algo tarde), de deixar-mos de ser ingratos, pois nem uma rua ostentava o seu nome, foi preciso esperar mais de duas vintenas de anos, para a autarquia local, atribuir o seu nome a uma rua que, vai da rua Padre Cruz até às instalações da Misericórdia local.

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II

DR. GREGÓRIO FERNANDES

Nasceu em Salvaterra de Magos, no dia 4 de Janeiro de 1849, na casa onde se encontra uma lápida que, os seus conterrâneos, em preito de homenagem, ali mandaram colocar em 1913.

em preito de homenagem, ali mandaram colocar em 1913. Outra homenagem para recordar este vulto da

Outra homenagem para recordar este vulto da ciência portuguesa, foi feita em 1971, numa proposta do então vereador da câmara de Salvaterra de Magos, José Teodoro Amaro, em atribuir o seu nome, á Escola Secundária inaugurada naquele ano. Gregório Fernandes, muito jovem foi para Lisboa, onde fez os primeiros estudos no Colégio de Santo Agostinho.

Seguidamente no Porto, fez os preparatórios na Academia Politécnica, voltando a Lisboa, para Escola Médica, onde concluiu o seu

33

curso, com grande brilho e distinção, defendendo tese no ano de 1873, tendo então 24 anos de idade.

Estudioso e inteligente, andou sempre na vanguarda da ciência médica praticada na época e, publicou vários trabalhos, entre os quais, a

“Patogenia da Febre Traumática” Glaucoma” e “ Recessão do Joelho”.

Este último trabalho relatando uma intervenção altamente apreciada, pois foi ele o primeiro cirurgião a realizar em Portugal, mas o seu maior êxito foi alcançado em 1892, com uma extração Útero ovariana“, operação cirúrgica que, nunca até aquela data se tinha feito.

Operação, que lhe mereceu os maiores louvores, tanto dos seus colegas portugueses, como do resto da Ciência Médica Mundial.

portugueses, como do resto da Ciência Médica Mundial. Semelhantes operações, feitas em Viana (Áustria), Paris

Semelhantes operações, feitas em Viana (Áustria), Paris e Londres, não lograram tão bons resultados.

Este ilustre mestre da ciência médica, que foi incontestavelmente um figura luminária da cirurgia portuguesa desempenhou o cargo de cirurgião extraordinário do hospital de S. José e, foi director da

enfermaria de S. Francisco que, tem hoje o seu nome.

Acumulou o cargo de delegado de Saúde de Lisboa e, o de presidente da Sociedade das Ciências Médicas. Sob a sua orientação foi construído

34

o Sanatório de Santa Ana (Parede/Oeiras), para 60 crianças afectadas

pela tuberculose óssea. Naquele edifício também foi construído um espaço para albergar 20 idosos afectados por doenças cardiovasculares, bem como, igual número de camas para cancerosos, de harmonia com as prescrições testamenteiras da grande benemérita, a sua doente D. Amélia Biester. No decorrer da construção recebeu grandes dissabores, mas acabou por ver realizada a obra consoante a vontade daquela ilustre senhora.

a obra consoante a vontade daquela ilustre senhora. Dotado de grande probidade de carácter moral, aliada

Dotado de grande probidade de carácter moral, aliada a uma bondade sem limites, Gregório Fernandes,

a todos os a que a ele recorriam, sem distinção de classes, tratava com

a maior solicitude, sem nunca olhar a retribuição. Os seus conterrâneos,

os pobres em especial, encontravam sempre nele, um amigo prestável e generoso, até porque se privava dos dias de folga, e todas as quintas- feiras, vinha de Lisboa, até Salvaterra, consultava-os graciosamente.

Muitos dos mais ilustres médicos da sua geração, como: Sousa

Martins, Boaventura Martins Pereira, Serrano, Bombarda e outros, lhe

pediam conselho para os casos mais graves dos seus doentes. Este homem, modesto que, foi um espelho de virtudes, faleceu aos 57 anos de idade, no dia 24 de Junho de 1906 na sua casa de Lisboa após, uma intervenção cirúrgica. Pena é que, a ingratidão dos novos tempos em plena democracia - tenha retirado o seu nome do edifício escolar que, foi inaugurado com o seu nome, nesta vila ribatejana, quando outras terras continuam mantendo o nome daqueles que são suas referências.

35

III

HENRIQUE XAVIER BAETA

* Henrique Xavier Baeta, nasceu em Salvaterra de Magos, em 22 de Fevereiro de 1776 filho de: José Dias Baeta e Ana Rosa Joaquina. * Frequentou a Faculdade de Filosofia de Lisboa, tendo concluído o Bacharel em 1795.

Em 10 de Julho de 1797, receoso da perseguição que se fazia sentir em Coimbra, aos estudantes, acusados de partilharem as doutrinas da Revolução Francesa, emigrou para Inglaterra, tendo-se doutorado em medicina pela Universidade de Edimburgo, em 1800. Nesse mesmo ano regressou a Lisboa onde exerceu a sua profissão.

mesmo ano regressou a Lisboa onde exerceu a sua profissão. de Outubro de 1821, foi e

de Outubro de 1821, foi

e

Constituintes, num grupo onde se encontrava também, Luiz Rebello da

apresentado como Deputado por Santarém, às Cortes Gerais

*

Na

sessão de

12

36

Silva (1821-1822) .Contava entre os seus amigos, com; Francisco Xavier Monteiro de Barros, Cosmógrafo-Mor, da Comarca de Santarém, que lhe

dedicou uma poesia “ Hino ao Sol ” Entre os seus trabalhos, registaram merecimento, em 1806, duas obras médicas sobre a sintomatologia e tratamento da febre, uma sobre medicina o “Resumo do Sistema de

Medicina”, e uma dedicada ao “Belo Sexo Português”

Escreveu “Uma Memória”, sobre o desenvolvimento de uma Febre Contagiosa em Lisboa, que ocorreu entre o fim de 1810 e Agosto de 1811:

indicou as razões para a combater Pelágica.

* Por ser Liberal, foi preso em 1831 e solto em 1833, voltou a ser eleito Deputado às Cortes, em 1834, e nomeado “Recebedor da Fazenda Pública”, cargo que exercer até 1836. * Faleceu em 21 de Novembro de

1854

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37

IV

OS TOUREIROS IRMÃOS ROBERTO (s)

Nascidos em Salvaterra de Magos, na primeira metade do século XIX, os três irmãos: Vicente, Roberto e João, oriundos da família Jacob da Fonseca, muito cedo iniciaram a prática do toureiro a pé, continuando assim a arte de seu pai, António Roberto da Fonseca.

assim a arte de seu pai, António Roberto da Fonseca. 1801, ainda menino, veio com seus

1801,

ainda menino, veio com seus pais para

juventude

começou a lidar com toiros e, a fama de bom praticante lhe deu oportunidade de tourear em várias praças do país.

Este,

nascido

onde

nos

na

Açores

sua

em

Salvaterra,

Esteve como toureiro, em Lisboa, na inauguração da extinta praça do Campo Sant’ Ana, em 1831, mandada construir por D. Miguel.

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Em 1849, como lhe começassem a escassear as faculdades para o toureiro a pé, dedicou-se à arte de praticante a cavalo. Retirou-se das arenas, definitivamente, dez anos mais tarde, tendo falecido nesta vila em 1882.

Dos seus filhos, João Roberto da Fonseca, menos

à

agricultura.

Os outros dois, o Vicente e o Roberto, formando uma dupla de bandarilheiros, que se tornou afamada e logo a sua arte foi reconhecida nas praças de toiros de Portugal, sendo solicitados a actuar durante vários anos na vizinha Espanha.

dotado,

cedo

se

retirou

das

arenas,

dedicando-se

Espanha. dotado, cedo se retirou das arenas, dedicando-se Um ano após a morte de Vicente Roberto

Um

ano

após

a

morte

de

Vicente

Roberto

da

Fonseca,

em

1897,

foi

publicado

num

semanário

da

época

“Branco

e

Negro”,

um

trabalho

jornalístico de autoria de António Vale de Sousa, que descreve os méritos destes dois afamados irmãos que, muito

honraram e engrandeceram a sua terra - Salvaterra de Magos.

Vimos hoje, com a alma alanceada por uma profunda saudade, registar o primeiro aniversário do falecimento dessa simpática individualidade que se chamou Vicente, prestando a devida homenagem a esse incomparável amigo que soube conquistar um nome imorredoiro no toureio português, onde é contado entre os seus grandes mestres,

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notabilizando-se por actos de filantropia em que se reflectiu a bondade da sua alma

Amigo delicado galgava por cima das maiores dificuldades e sacrifícios para servir os seus amigos, fazendo um perfeito contraste com a sociedade actual, tão degenerada; filantropo benemérito, via na felicidade dos outros a sua própria felicidade; era assim que despendia uma grande parte da sua fortuna, angariada nas arenas de Portugal e Espanha.

Protegeu hospitais, montepios e outras casas de beneficência, e em socorrer muita pobreza ignorada, fazendo renascer a esperança no peito dos desgraçados.

Como bandarilheiro Vicente Roberto ocupou desde muito novo um dos

tauromaquia

primeiros lugares entre os mais portuguesa.

ilustres artistas da

Vicente Roberto, nasceu em Salvaterra de Magos em 1836, sua mãe Maria Gestrudes, preocupada com o seu futuro, ainda o recomendou a um alfaiate de Vila Franca de Xira, onde aprendeu o ofício.

Com 13 anos, de idade, toureou em Almada, onde o Conde de Vimioso, estando presente, desceu à arena abraçando-o, e lhe ofereceu um fato completo de bandarilheiro. Aos 18 anos começou a apresentar-se como toureiro de profissão, juntamente com seu pai e seu irmão Vicente, que foi igualmente um excelente artista.

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Em 1858, estreou-se na praça do Campo de Sant’ Ana, e estão bem vivas na memória de todos as ovações que ali alcançou, como também no ano de 1865, correndo toiros desembolados, toureou com seu irmão Roberto na corrida à portuguesa que inaugurou a praça do Campo Pequeno. Quando toureava, em 1888, na praça da Figueira da Foz ficou gravemente ferido e, teve que recolher ao hospital da Misericórdia local. Durante vários dias, esteve entre a vida e a morte, acabando por se recompor com grande carinho e cuidados médicos daquele estabelecimento hospitalar.

Já recomposto doou àquela instituição um importante donativo, e no seu testamento deixou-lhe um legado, manifestando assim a sua gratidão. Depois deste lamentável desastre, agravou-se cada vez mais a sua saúde e após um doloroso e prolongado martírio, que suportou com paciência dum mártir. Faleceu às 11horas da manhã do dia 1 de Junho de

1896. A lúgubre notícia do seu falecimento, se bem que há muito

esperada, trouxe a Salvaterra de Magos, uma multidão de admiradores e amigos, que na companhia do povo da terra desfilaram perante o féretro, espargindo mil bênçãos sobre aquele que foi um dos seus filhos mais dilectos e, um dos seus mais devotados protectores. Vicente Roberto, foi repousar no jazigo do cemitério da sua terra que, entretanto já tinha mandado construir para a família. Em testamento deixou vários legados à Misericórdia de Salvaterra de Magos, Figueira da

Foz, Coruche, e ao Montepio da terra que, o viu nascer, evidenciando mais uma vez, os seus sentidos piedosos”

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V

DR. ANTÓNIO VIANA FERREIRA ROQUETTE

António Viana Ferreira Roquette, nasceu em Salvaterra de Magos, Filho de José Ferreira Roquette, neto do primeiro Barão de Salvaterra de Magos; Luiz Ferreira Roquette Pestana de Melo Travassos.

de Magos; Luiz Ferreira Roquette Pestana de Melo Travassos. Roquette, estudou em Coimbra, Direito, tendo concluído

Roquette, estudou em

Coimbra, Direito, tendo concluído o curso de Bacharel, com 20 anos de idade, e classificação de grande registo.

António

Viana

Como advogado, estabeleceu escritório, em Lisboa e Salvaterra de Magos, terra onde vinha uma vez por semana, e assistia graciosamente aos seus conterrâneos pobres, nas suas dificuldades com os tribunais. Algum tempo depois foi até Moçambique, onde esteve cerca de 20 anos.

Já em Lourenço Marques, exerceu a sua actividade, fez parte do antigo Conselho do Governo., como Vogal eleito pelo Distrito de Quelimane.

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Neste Distrito, exerceu também o cargo de Delegado do Ministério Público e Conservador do registo Predial. Ocupou também o cargo, por eleição, Presidente da Associação dos Proprietários, com representação no Conselho Legislativo daquela então colónia portuguesa, com desempenhou o cargo de Vogal do Tribunal Administrativo, Fiscal e de Contas. Em 1925, regressa ao Distrito de Moçambique, onde instala escritório de advocacia, e tomou conta da Direcção de várias empresas. Em 1929, voltou a fazer parte do Conselho do Governo da Colónia moçambicana, como Vogal eleito pelos Distritos de Nyassa e Cabo Delgado. Após a reforma administrativa, em 1935, foi eleito pelo Distrito de Moçambique, Vogal da Junta Provincial do Nyassa, lugar que ocupou até 1936, ano em que regressou ao continente, por falecimento de seu irmão Luiz Ferreira Roquette, dedicando-se exclusivamente à administração da casa agrícola da família. Em 15 de Novembro 1938, tomou posse do cargo de Presidente da câmara de Salvaterra de Magos.

Por andar sempre acompanhado, de um varapau (Cajado), nas visitas ao campo, a população rural com carinho, passou a conhecê-lo, como o Dr. Cajado. Após a sua morte, a municipalidade de Salvaterra, atribuiu a um pequeno arruamento da vila, uma toponímia com o seu nome, a que deu a designação de Avenida.

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VI

José Maria Rita Vasconcellos e Sousa

(José Maria Rita de Castelo Branco Correia da Cunha Vasconcellos e Sousa)

Fevereiro de 1788 * Filho

José Maria Rita Vasconcellos e Sousa, foi Nobre, Militar e Politico. A carta régia de 30 de Abril de 1826 elegeu-o par do reino, prestando juramento com tomada de posse na sessão da respectiva câmara, a 31 de Outubro do mesmo ano. Era igualmente grande de Espanha, de 1.ª classe, sendo Marquês de Olias e Zursial, na Catalunha, e Marquês de Mortara, no Ducado de Milão.

Nasceu em Salvaterra de Magos, em 5 de

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Em 1817, fez parte da expedição portuguesa a Pernambuco, tendo ocupado o cargo de Governador de Capitania de São Pedro do Rio Grande do Sul, de 19 de outubro de 1818 a 22 de setembro de 1820. Em 1833 serviu o infante D. Miguel, como Ajudante de Campo e desempenhou o cargo de comandante em chefe, foi um fidalgo sempre dedicado ao Partido Miguelista.

Obteve, no dia 6 de Fevereiro de 1818 a da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, e em 1820 a grã-cruz da Ordem da Torre e Espada José Maria Rita Vasconcelos e Sousa, casou duas vezes: O 1.º Casamento foi com: Maria José de Melo Menezes e Silva, não teve descendência. Casou 2ª vez com: Maria Amália Machado Eça Castro e Vasconcelos Magalhães Orosco e Ribera. Filha de Luís Machado de Mendonça Eça Castro e Vasconcelos e de Maria Ana de Saldanha de Oliveira e Daun. Do casal são conhecidos 9 filhos:

D. Ana Maria de Jesus Machado de Castelo-Branco Correia Cunha Vasconcelos Sousa * D. Maria Rita da Conceição Machado de Castello- Branco Mendonça e Vasconcellos casada com D. Lourenço José Maria Boaventura de Almada Cyrne Peixoto, conde de Almada.

Mendoça Eça Castro Vasconcelos de Castelo- Branco, 2º conde da Figueira, casado com Isabel Maria de

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da França * D. Maria Ana Isabel Apolónia Machado de Mendonça Eça Castelo-Branco casada com António Pereira da Cunha e Castro * D. Maria Amália Machado de Castelo-Branco casada com Duarte Taveira Pimentel Carvalho Meneses * D. Maria da Santíssima Trindade Machado de Castelo-Branco. D. Maria de Jesus Bárbara Machado de Castelo- Branco casada com An tónio Augusto de Almeida Portugal Correia de Lacerda (governador de Moçambique), e Luís Paulino de Oliveira Pinto da França, conde da Fonte Nova * D. Maria das Dores Machado de Castelo-Branco * D. Maria da Conceição Machado Castelo-Branco casada com José Correia de Sá e Benevides Velasco da Câmara, filho do 6º visconde de Asseca. José Maria Rita Vasconcellos e Sousa, faleceu em Lisboa 16 de Março 1872.

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VII

José Carlos Hipólito “O Tímpanas”

(Figura típica da nossa terra)

As saudades das suas traquinices

“ As festas do Foral dos Toiros e do Fandango de Salvaterra de Magos, terminaram à pouco dias, teve a sua Comissão, a feliz ideia de este ano fazer-lhe uma homenagem. O “Timpanas”, desde à muito que merecia um reconhecimento público.

desde à muito que merecia um reconhecimento público. Há 18 anos, quando ele contava com 53

Há 18 anos, quando ele contava com 53 anos de idade, fizemos-lhe uma entrevista que, foi publicada no extinto jornal regional “Aurora do Ribatejo” de onde vamos recordar algumas passagens.

“Homem pequeno dotado de traquinice que o faz estar constantemente bem disposto, levando-o todos os anos pelo carnaval, ou o entrudo com antes se dizia, sempre arranjávamos

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imaginação e talento nas figuras por si encarnadas que, ainda hoje deixam saudades.”

Muitos anos antes, foi bombeiro voluntário de Salvaterra, sempre vigilante e activo, todos contavam com ele nas horas difíceis. Quando da entrevista, o seu grande “martírio” que o corroía eram as saudades, da festa brava. Ao falar de tauromaquia, todo o seu pequeno corpo se modificava, notando-se na sua face os seus nervos de aço com que empolgou multidões nas praças de toiros, ficavam fluídos - era um homem, cheio de saudades !

Tivemos ocasião de verificar estas situações naquela pequena conversa que mantivemos. Exercendo a profissão de metalúrgico, foi na vida de campo que, começou os seus primeiros contactos com os toiros, pois naquele tempo, ainda havia a grade - uma forma de trabalhar a terra- onde se utilizava alguns toiros bravos que, depois de “bruxedos,” tornavam-se dóceis. Mas voltando à tauromaquia foi-nos dizendo:

“Tenho muita estima pelo Sebastião Nabiço e, também pelo Manuel Faia,

ainda vivos.

O Albino Fróis Marques, e o seu irmão Manuel – “o Manel

Lazão”, a eles devo muito do que sei da difícil arte de pegar toiros. Uma das salas da sua casa estava repleta de quadros, onde se podia apreciar várias sequências de pegas de caras, por si efetuadas em várias actuações nas praças de toiros tanto no país como no estrangeiro.

No entanto não me posso esquecer do já falecido, Manuel Ferrador, pois com ele tive tardes inesquecíveis, bom companheiro! Ao vermos uma fotografia onde José C. Hipólito estava na cabeça de um possante toiro (510 Kg), diz-nos que esta pega se realizou na Nazaré.

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Este pigmeu com braços de aço, era a legenda de uma notícia, onde o Timpanas era enaltecido por ter pegado um “bicho,” de 600 Kg, da ganadaria da Casa Roberto numa corrida realizada aqui em Salvaterra sua terra natal. “Olhe, aqui nesta foto, foi quando o Manuel dos Santos a sua festa de despedida no Campo Pequeno. Neste grupo - o de Adelino Carvalho estou eu e o Manuel Ferrador, tem uma dedicatória do Manuel dos Santos, a mim.” “Numa digressão que fiz à China, a convite de Manuel dos Santos, éramos três forcados, e pegamos toiros ainda em Hon- Kong. As praças de toiros eram construídas em canas de bambu, e comportavam cerca de 8 mil espectadores.

Numa dessas corridas, actuei nas pegas com as costelas partidas. Em cerca de cinco meses que lá estive peguei 36 toiros, que foram levados enjaulados em navios”. E assim deixámos, o “Timpanas” de Salvaterra, esperançado no reconhecimento do povo da sua terra pelo menos com uma palavra amiga. Que a sua ambição se realize, dissemos-lhe! Já em 2016, aproveitando uma exposição de vida, cerimónia levada a cabo pelo Município de Salvaterra de Magos, à cavaleira tauromáquica; Ana Batista, um espaço foi destinado para mostrar os valores deste salvaterrense, que se enalteceu nas arenas, levando o nome da sua terra a alguns cantos do mundo.

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VIII

PROF. ANTONIO GONÇALVES LOPES (A saudade começou a 9 de Julho)

Cada geração tem destas coisas. Na minha meninice, as crianças não conheciam o que é uma creche, nem sonhavam com a pré-primária, a rua essa, era toda nossa !

sonhavam com a pré-primária, a rua essa, era toda nossa ! O “Mosquito” e, o “Mundo

O “Mosquito” e, o “Mundo de Aventuras”,

eram jornais de banda desenhada, que serviam de inspiração às brincadeiras da juventude da década de cinquenta.

Um exemplar custava 2$50 na época, e muito choro dava a quem os queria comprar. Com a GNR à perna, as brincadeiras noturnas terminavam com o recolher das crianças por volta das 10 da noite., e se alguma fosse apanhada, os pais eram multados.

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Aos 4/5 anos de idade, o convívio com o António Lopes, foi o início de uma amizade duradoira. O Largo dos Combatentes (também conhecido pelo largo do Manuel Lopes, avô paterno deste meu amigo), local térreo onde as nossas brincadeiras ingénuas nos levavam ao desenvolvimento físico. Mais tarde, na escola primária, a nossa amizade fortaleceu-se, apesar de termos professores diferentes.

O António Lopes, nascido em 12 de Julho de 1943, de uma família economicamente florescente para a época, continuou os seus estudos em Santarém e, eu fico-me pelo mundo do trabalho logo aos treze anos de idade, sendo o nosso convívio a ser mais limitado.

anos de idade, sendo o nosso convívio a ser mais limitado. O meu amigo António Lopes

O

meu

amigo

António

Lopes

evoluiu

na sua carreira académica no Instituto Superior Técnico, no curso de engenharia, que interrompeu quando as várias frentes da guerra ultramarina nos “apanha” na idade das sortes, e da tropa. Em 1964, presta serviço militar com o posto de alferes miliciano. De regresso à vida civil, no Instituto Superior de Educação Física, frequentou o curso de educação física, o desporto foi a sua actividade no ensino, como professor, nas escolas da sua terra. Contraiu matrimónio com a professora; Maria Elisa Lázaro Ferreira (Lopes), do

qual nasceram os filhos; Pedro Jorge, e o António Miguel Ferreira Lopes.

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Pessoa dotada de grande espírito de colaboração, no ano de 1976, quando das primeiras eleições autárquicas foi eleito pelo partido

socialista, como vereador na câmara municipal de Salvaterra de Magos. No desempenho do cargo mostrou grande interesse em dotar a população com novos edifícios escolares.

Mais tarde, no cargo de membro do conselho directivo, lá estava o António Lopes a assistir, em 15 de Outubro de 1983, à inauguração da escola secundária da vila que recebeu o nome de um outro ilustre salvaterriano, Gregório Fernandes. Numa experiência de grande inovação para a terra, com uns amigos instala na rua Luís de Camões, um ginásio com várias actividades de manutenção, destacando-se um método que aplica para os problemas respiratórios.

Infelizmente esta experiência empresarial dura pouco tempo, em meados do ano de 1973, quando se encontra na companhia da família em Sevilha (Espanha), a gozar um curto período de férias, é confrontado com uma nova mobilização militar para Moçambique. Ali, foi prestar serviço militar, com o posto de capitão, regressando em Dezembro daquele ano, após mais seis meses de presença nas fileiras do exército português. Faleceu a 9 Julho de 1990, com 47 anos de idade e desde então, a saudade tem sido sentida pela família e pelo grande número de amigos Em 1991 o edifício escolar, do ciclo preparatório, de Salvaterra de Magos, quando aberto ao ensino recebe o seu nome, como homenagem a título póstumo.

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XIX

PADRE, JOSÉ RODRIGUES DIOGO Um Homem, uma Obra !

Naquele ano de 1945, era um dia de Verão, chegou a Salvaterra de Magos, um jovem padre que vinha ocupar o cargo da paróquia local.

Tinha pouca experiência paroquiana, pois havia deixado o seminário, onde foi educado sobe as mais rígidas regras usadas nos finais do séc. XIX.

sobe as mais rígidas regras usadas nos finais do séc. XIX. O entusiasmo era grande, depressa

O entusiasmo era grande, depressa como pastor, ao serviço da sua causa, a Igreja Católica, apercebeu-se das grandes carências do seu “rebanho”, pois a guerra tinha deixado ficar as suas mazelas.

O padre José Rodrigues Diogo, nascido em Seiça (Ourém) lá para os

chegado à freguesia foi viveu para um

lados de Torres Novas, em 1919,

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espaço, na Igreja Matriz, há muito destinado a residência dos sacerdotes. Depressa foi com algum desespero que viu a forma de viver destas gentes da Lezíria ribatejana. Os seus 26 anos de idade, deram-lhe muitas forças e com a sua fé, começou a pensar em dar melhores condições de vida às famílias, especialmente do povo rural, que na sua maioria vivia em barracas, num terreno arenoso, junto ao cemitério da vila e, que nos finais do séc. XIX, ainda pertencia ao pinhal da vila, restos da que foi sua Coutada Real.

A fome acompanhada de uma forma de viver, onde as crianças na sua maioria não iam à escola, pois eram encaminhadas param os trabalhos do campo, logo nos primeiros anos de vida o trabalho da grade. Entretanto com o dinamismo próprio de quem sonha consegue inicia a construção de uma nova residência Paroquial, na Praça da República, conseguindo da câmara municipal a doação do respectivo terreno.

da câmara municipal a doação do respectivo terreno. Edifício da Casa Paroquial de Salvaterra de Magos

Edifício da Casa Paroquial de Salvaterra de Magos Foto de José Gameiro

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Em 1947, o padre José Diogo, iniciava a sua obra social, com a criação do Centro de Assistência que, o governo legaliza através de um despacho da secretaria de estado da segurança social. Recebeu de D.

Maria Carolina Rebelo de Andrade, a oferta de um edifício, na rua

Cândido dos Reis, onde é instalado aquele centro, com a sua creche. Depressa conseguiu o apoio de algumas pessoas castas da terra e, mesmo do concelho, para a oferta de cereais destinados às refeições, que começou a distribuir, através da recém criada “Sopa dos Pobres”. Para residência Paroquial

criada “Sopa dos Pobres”. Para residência Paroquial No entanto o seu grande objectivo era a construção

No entanto o seu grande objectivo era a construção de um bairro social, afim de acabar com as barracas - uma forma de habitação, considerada desumana para as famílias pobres da terra

poderem viver com dignidade. Quem se debruçar no estudo, da actividade do Centro Paroquial de

Bem-estar Social, entidade que sucedeu à Sopa dos Pobres, e Centro de

Assistência Social, poderá encontrar um trabalho

Lançamento 1ª Pedra - local escolhido para a construção do Bairro Social

Social, poderá encontrar um trabalho Lançamento 1ª Pedra - local escolhido para a construção do Bairro

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Cerimónia do Lançamento da 1ª Pedra, no primeiro terreno escolhido para a construção do Bairro, uma obra da Igreja

escolhido para a construção do Bairro, uma obra da Igreja Primeiras casa construídas no bairro social

Primeiras casa construídas no bairro social Foto José Gameiro

de grande humanismo, onde muitos paroquianos colaboraram ao longo dos anos, através da Fábrica da Igreja de Salvaterra de Magos. Em 1956, uma nova obra social dá os primeiros passos - O Património dos Pobres.

O Património dos Pobres. O seu aparecimento, cria um fundo de doações e legados destinados à construção de habitações sociais na Paróquia de Salvaterra de Magos, que veio a comportar 150 casas, em dois bairros a que foram dados os nomes de: S. Paulo. e S. José, com

rendas de valor social

O médico veterinário, José de Menezes e sua esposa, Maria de Lurdes Vinagre, grandes proprietários na terra, e Manuel da Silva Valente, oferecem terrenos, para tão importante obra social.

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A obra social, do Padre José Diogo, chegou ao fim em Salvaterra de Magos, com o arranque dos trabalhos da construção de um moderno edifício materno-infantil (creche).

O autor deste Apontamento, convidado em 1969, pelo padre Diogo para

integrar a direcção da Fábrica da Igreja (Centro Paroquial), com Refino

Morais Andrade, depressa sabem das grandes dificuldade porque passa a Fábrica da Igreja, em levar a bom termo as suas obras em curso.

da Igreja, em levar a bom termo as suas obras em curso. O padre Diogo, viu-se

O padre Diogo, viu-se na necessidade de fazer várias deslocações ao estrangeiro, para junto das comunidades religiosos e não só, angariar algumas verbas para satisfazer compromissos financeiros assumidos. Em outros projectos esteve empenhado, como: A construção de Igrejas Foros de Salvaterra, Marinhais, Glória do Ribatejo e Granho.

Uma área que, que também o atraiu, o Escutismo, levou-o a juntar a juventude da terra, e fazer nascer em 1964, o Agrupamento local. Anos antes da sua morte, o executivo da câmara municipal, prestou justa homenagem a este homem que, tudo fez em prol do bem-estar do povo de Salvaterra, dando o seu nome, a uma rua de acesso aos bairros sociais da vila. A população de Foros de Salvaterra, incluindo o lugar da Várgea Fresca, em preito de homenagem, rogaram-lhe em 27 de Março de 1989, que após a sua morte viesse a repousar no cemitério local, o que

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aceitou. Aos 77 anos de idade, veio a falecer em Fátima, onde estava

recolhido, e ali junto aos Foreiros foi sepultado em campa rasa no dia 25 de Abril de 1987.

.

50 ANOS DO CENTRO PAROQUIAL

Para comemorar o 50º aniversário do Centro Paroquial de Salvaterra de Magos, entendeu o município, atribuir-lhe o galardão máximo do concelho; A Medalha de Mérito Municipal “Grau Ouro”, pelos serviços prestados com diploma aprovado em deliberação de câmara municipal, no dia 8 de Outubro de 1997, além de ser atribuído o seu nome a uma artéria da urbanização do pinhal da vila que, passou a ”Rua Centro Paroquial”, mesmo ali junto àquela grande obra social que iniciou - a Creche.

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X

DR. JOAQUIM GOMES DE CARVALHO

(Um Benemérito na Misericórdia Local)

Joaquim Gomes de Carvalho, nasceu no Brasil, filho de pais imigrantes, atingindo a idade dos estudos, veio para Portugal, estudar medicina, acabando por se licenciar. Casou com D. Mariana Calado, oriunda de uma abastada família alentejana, vindo para Salvaterra de Magos, onde abriu consultório. Com a medicina praticada com o decorrer dos tempos, era um respeitado médico na época. Durante anos foi

era um respeitado médico na época. Durante anos foi No Almoço comemorativo, dos 100 anos da

No Almoço comemorativo, dos 100 anos da Farmácia Carvalho, o , Dr. Joaquim Gomes de Carvalho, é o 4º (lado direito) *O autor também esteve nesta comemoração (5º lado esquerdo)

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Delegado de Saúde Pública, no concelho e fez oferta dos seus serviços clínicos, à Santa Casa da Misericórdia de Salvaterra de Magos, durante largo tempo. Um dia, por volta 1939, sonhou, com um Parque Infantil para as crianças na terra, e disso deu conta escrevendo num artigo, com o titulo “A Obra de Protecção á Infância em Salvaterra de Magos que ocupou a página 184, do Jornal Ilustrado Português “A Hora”, de 1939, que dedicava a sua edição ao concelho, no entanto foi uma obra que outros viriam a concretizar só em 1975.

A Misericórdia local, em devido tempo, prestou-lhe uma homenagem, agradecendo os favores recebidos, de tão grande benemerência para com os pobres doentes daquela casa. Também o Ministério dos Assuntos Sociais, em 3 de Abril de 1979, através do seu ministro, Acácio Manuel Pereira Magro, fez sair em Diário da República daquele ano, o despacho ministerial:

“ Por relevantes serviços prestados à saúde pública, ao longo de quarenta anos, como Delegado de Saúde no Centro de Saúde do Concelho de Salvaterra de Magos, condecoro o Dr. Joaquim Gomes de Carvalho, com a medalha de prata de comportamento exemplar do Ministério”

Nos últimos anos do mandato autárquico, da Junta de Freguesia de Salvaterra de Magos, chefiado por João Nunes dos Santos, algumas ruas da freguesia, receberam novos nomes toponímicos, onde calhou também uma ao Dr. Joaquim Gomes de Carvalho

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XI

JOSE LUÍS SERRA BORREGO, e JOSÉ TEODORO AMARO

( homens de boas causas)

Cada sonho, cada realização, torna o ser humano mais digno de si mesmo. Nas boas causas que abraça, o homem liberta-se !

A dignidade, está também visível na forma de vida que em união de esforços consegue buscar para si, ou para o bem estar da comunidade onde está inserido. Em Portugal, os lares para idosos não eram e, ainda não são bem aceites pelas gerações, que foram educadas onde o dogma é a família e, a sua respeitabilidade indelével.

Aqui em Salvaterra, “os velhos” sempre viveram e acabaram os seus últimos dias de vida, dependendo das disponibilidades e carinhos dos filhos, ou familiares mais próximos.

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Na década de 70, as instituições de solidariedade social, mormente as misericórdias levaram a cabo no nosso país, a implementação dos Centros de Dia para Idosos, ou mesmo a criação de lares com internamento.

No mês de Maio de 1980, no programa “As cidades e as Serras” da Rádio Comercial, foi dado a conhecer ao público português, uma notícia cujo original o autor deste trabalho, fez publicar no já extinto jornal “Aurora do Ribatejo”.

Uma iniciativa levada a cabo, em Salvaterra de Magos, por um grupo de amigos da Santa Casa da Misericórdia local que, constava do esforço para tornar realidade a criação de um Centro de Dia para Idosos.

realidade a criação de um Centro de Dia para Idosos. Grupo de amigos da Misericórdia, em

Grupo de amigos da Misericórdia, em dia de Peditório, para a construção do novo Centro Dia Praça da República * Foto José Gameiro

Grupo que iniciou fundou o Centro de Dia em Salvaterra de Magos, - Praça da República * José R Gameiro, José Luis Borrego, Armando

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Oliveira, José Teodoro Amaro, José da Silva, João Castanheira, Eurico Borrego, João Nunes da Silva. A chamada terceira idade, tem dado assunto para páginas e páginas de literatura, horas de conferências, onde ficaram registadas sábias lições sobre gerontologia.

Naquela iniciativa, de boa vontade, lá estava o grupo de oito amigos de boas causas. Sendo um peditório feito à população da vila, previamente anunciado, não teve a recetividade esperada, o povo alheou-se de comparticipar, e magros proventos foram contabilizados após tão cansativa missão.

proventos foram contabilizados após tão cansativa missão. José Teodoro Amaro, junto das funcionários juntos do carro

José Teodoro Amaro, junto das funcionários juntos do carro (novo meio de transporte), para recolha de idosos para o Centro de Dia * Foto José Gameiro

No entanto, o Centro de Dia, foi inaugurado no dia 3 de Junho de 1985., e as inscrições passaram a pertencer a uma lista de espera. Os dirigentes, mais activos: José Teodoro Amaro e José Luís Serra Borrego, promoveram um serviço de apoio aos idosos no seu domicílio, foi uma iniciativa que viria a servir de projecto para levar a cabo a nível nacional, pois as visitas de outras instituições eram periódicas.

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LAR DE IDOSOS E CENTRO DE DIA DA MISERICÓRDIA

No dia 15 de Abril de 1992, a comunicação social, noticiava a inauguração do edifício do Lar para Idosos com Centro de Dia, construído pela Misericórdia de Salvaterra de Magos, uma iniciativa do mesmo grupo de amigos da instituição que anos antes já tinha criado o Centro de Dia, na Praça da República da vila. Ao acto solene da inauguração, esteve presente o Secretario de Estado da Segurança Social, Dr. Vieira de Castro.

Entre a multidão anónima lá estava, alguns dos oito obreiros do projecto que, desde 1997, esperaram a aprovação no Departamento de Equipamento Social, do Ministério da Segurança Social que veio apoiar a sua construção.

O então provedor da Santa Casa, Armando Rafael Oliveira naquele dia memorável, para a história da Santa Casa de Salvaterra de Magos, fez da sua intervenção, as palavras que decerto seriam de todos, mesmo daqueles ausentes e que se tinham empenhado na concretização daquela obra.

mas sim um continuar da vida,

onde o amor e fraternidade são postos ao serviço do seu semelhante - seja tudo isto o que damos aos outros, faz-nos mais humildes e felizes, segundo disse: Rafael Oliveira”.

“Para que a velhice não seja um peso,

Chorar de emoção, em dia de alegria !

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Naquele momento, muitos de nós, os poucos obreiros ali presentes, não deixaram de ver uma lágrima de emoção, lembrando o entusiasmo e esforço denodado que o José Luís, José Teodoro Amaro, se tinham empenhado, naquela obra. O José Luís Borrego, foi músico, durante dezenas de anos na banda de música dos bombeiros, empenhou-se naquilo que gostava. Nas instituições, por onde passou foi um homem que defendeu o bem da sua terra, aceitando ocupar os cargos com espírito de solidariedade e bem servir, como foi ocupar a presidência da Junta de Freguesia da terra onde nasceu. O José Luís, tinha-nos deixado há pouco, após uma doença prolongada que, o vinha apoquentando há anos. O José Teodoro Amaro, nasceu em Salvaterra de Magos, na juventude aprendeu o ofício de carpinteiro civil, depressa não deixou de prestar apoio às instituições da terra, os bombeiros foi uma delas. Já como comerciante, empenhou-se na fundação de uma Associação de Comerciantes do concelho de Salvaterra de Magos, que teve associada uma outra do concelho de Coruche. Como autarca, empenhou-se e deu o seu contributo no aparecimento da Escola Secundária “Dr. Gregório Fernandes”. A família, os amigos e, as instituições da vila sentiram a perda destes dois homens que em vida foram solidários, com a comunidade onde viveram.

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XII

JOÃO MANUEL SANTA BÁRBARA DOS SANTOS

(UMA GLORIA NO ANDEBOL PORTUGUÊS)

O desporto levou-o aos píncaros da fama ! O Andebol, ainda não é uma modalidade muito antiga praticada em Portugal, documentos informam-nos que uma variante onze jogadores, foi praticada na cidade do Porto, em 1929.

onze jogadores, foi praticada na cidade do Porto, em 1929. Nos anos 1967/68, em Salvaterra de

Nos anos 1967/68, em Salvaterra de Magos, a modalidade tinha sido implementada e, poucos anos depois, era já uma referência para a juventude da terra. Todos os jovens, especialmente os rapazes, procuravam praticar o andebol, o pavilhão desportivo da casa do povo, tornava-se já pequeno para tanta procura.

De uns tantos que singraram na prática deste desporto, alguns foram “cobiçados” por clubes credenciados no panorama desportivo português.

Caso, de Vitor Cabaço, Júlio Piçarra, António Figueiredo e João Santa Bárbara.

Este último, pela sua excecional carreira de atleta, representando vários clubes e, a selecção nacional, veio a ser galardoado com a medalha de mérito desportivo, em documento oficial onde consta o seguinte:

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MEDALHA DE MERITO DESPORTIVO, ATRUIBUIDA A JOÃO SANTA BARBARA

“Considerando a excecional carreira de João Manuel Santa Bárbara dos Santos, como praticante de andebol; e tendo em atenção que é considerado o atleta mais internacional na modalidade de andebol. Considerando que representou a selecção nacional por 108 vezes, tendo sido capitão por 49 vezes; Considerando que, ao lado destes números, assumiu sempre uma postura ética; Considerando que foi várias vezes distinguido com o prémio de melhor guarda- redes, e melhor jogador.” Determina-se:

“ É concedida a João Manuel Santa Bárbara dos Santos, a medalha de mérito desportivo, nos termos dos art.º 3º e 6º do decreto-lei 55/86, de 15-3 ”

08 de Janeiro de 1993 O Ministro da Educação,

António Fernando Couto dos Santos

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XIII

JOSÉ ANTÓNIO DAMÁSIO LAPA “ O Dezoito”

Em criança, andou comigo

na escola, pouco aprendeu.

brincamos as mesmas brincadeiras.

Na

rua,

pouco aprendeu. brincamos as mesmas brincadeiras. Na rua, Um dia, ainda jovens rapaz, como tantos outros

Um dia, ainda jovens rapaz, como tantos outros membros da sua família - os Lapas; já

o

tinham

feito,

foi

aprender

o

ofício

da

construção

civil,

e

Pedreiro

foi

a

sua

profissão.

 

As suas dificuldades de perceber a escrita, levava -o quando disso carecia, a procurar-me.

O seu espirito altruísta, começou a revelar-se ainda jovem, ao entrar como voluntário, nos bombeiros de Salvaterra, onde seu irmão Eugênio já “militava”. Foi-lhe atribuído o número 18, na corporação, que veio a ajustar-se à sua traquinice. Depressa, passou a ser uma pessoa muito solicitada, pois a sua disponibilidade em ajudar os outros era constante. O José António “o dezoito “ , raro era o mês que não fosse dar sangue para alguém que estivesse hospitalizado e, precisa-se daquele bem tão preciso para a vida humana.

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No entanto foi essa mesma vida, muito madrasta para com ele, pois vários infortúnios familiares, levaram-no a procurar a bebida, o álcool era o seu refúgio.

Ainda novo, ficou sem duas companheiras queridas, as mortes da mulher e da mãe, foi o inicio de uma pesada caminhada que, pelo rumo da sua desdita culminou com a morte do filho, ainda na pujança da juventude.

com a morte do filho, ainda na pujança da juventude. O Dezoito na escadaria de uma
com a morte do filho, ainda na pujança da juventude. O Dezoito na escadaria de uma

O Dezoito na escadaria de uma Instituição Bancária

Na rua, as escadas e bancos dos jardins, eram os lugares onde o encontrávamos, sempre brincalhão e, por vezes conflituoso, servindo de bobo as jovens e adultos, quando em estando de embriaguez. Ainda, e

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sempre disponível, para a sua jornada de bem-fazer, continuava a dar

sangue, a quem dele precisava.

como era habitual em mim se socorreu para a sua leitura.

Um dia de 1979, recebeu uma carta, e

Estava nervoso, era uma carta do Estado, e tinha razão para isso;

O

Instituto Português do Sangue (IPS), tinha-o galardoado, recebeu o

diploma e medalha de mérito daquela instituição, pelas suas 70 vezes, como dador benévolo de sangue, mas a sua vida de boémio, continuou na mesma, passou a viver de pequenos “biscates” de trabalhos de pedreiro. Alguns anos passaram, agora após uma trombose, que lhe tolheu parte do corpo, aos 60 anos de idade está recolhido no Lar da Santa Casa da Misericórdia de Salvaterra de Magos, onde vive sossegadamente amparado a uma bengala, e sem beber álcool, esquecido pela comunidade, especialmente, de quem dele muito precisou.

**************

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BIBLIOGRAFIA USADA:

* I - Pág 17 Gaspar Costa Ramalho: Artigo Jornal Vale do Tejo - JVT 139 12/3/98 * JVT 196 28/10/1999 * II Pág 31 Dr. Gregório Fernandes: Pág. 35 * JVT 144 21/5/1998* III Henrique Xavier Baeta (Internet) * IV Pág 34 Irmãos Roberto(s), Semanário “Branco e Negro” N.º 66 de 4/7/1897 – Jornal “ O Ribatejo” - JVT 154 5/11/1998 * V Pág 41 Dr. António Viana Ferreira Roquette Revista A Hora edição 1939 * VI Pág.43 José Maria Vasconcellos e Sousa - Internet *VII Pág.46 José Carlos Hipólito “O Timpanas” -: Aurora do Ribatejo 25/12/1 * JVT 146 18/6/1998 * VIII Pág 49 António Manuel Gonçalves Lopes,: JVT 1983 * JVT 147 2/7/98 * XIX Pág 52 Pe José Rodrigues Diogo:, JVT 7/7/1995 * JVT 30/4/97 * JVT 15/12/1987 ( Creche do Centro Paroquial) * X Pág 58 - Dr. Joaquim Gomes de Carvalho:

Revista a “Hora” –1939 * DR - 3/4/1998 * XI Pág 60 - José Luís Serra Borrego e José Teodoro Amaro JVT 148 16/7/1898 * XII Pág 67 João Manuel Santa Bárbara dos Santos * XIII - Pág.70 José António Damásio Lapa “O Dezoito”, JVT 336 4/7/00

FOTOS USADAS:

Autor e a/d

71
71

COLECÇÃO DE APONTAMENTOS nº 9

CADERNO DE APONTAMENTOS

Nº 9

Documentos para a história de

SALVATERRA DE MAGOS

Património:

Geográfico, Monumental, Cultural, Social, Político, Económico e Desportivo

Séc.

.XIII Séc. XXI

QUANDO VINDIMAR ERA UMA FESTA

Social, Político, Económico e Desportivo Séc. .XIII – Séc. XXI QUANDO VINDIMAR ERA UMA FESTA Autor

Autor

JOSÉ GAMEIRO

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Primeira Edição

FICHA TECNICA:

Titulo:

QUANDO VINDIMAR ERA UMA FESTA

Tipo de Encadernação: Brochado (Papel A5)

Autor: Gameiro, José Colecção: RECORDAR, TAMBÉM É RECONSTRUIR !

Editor Gameiro, José Rodrigues Edição: 100 exemplares Março 2007

Morada: Bº Pinhal da Vila Rua Padre Cruz, 64-1º Localidade: Salvaterra de Magos Código Postal: 2120- 059 SALVATERRA DE MAGOS

ISBN:

978989 8071 09 5

Depósito Legal: 256461/ 07

************* *******

73

Fotos da Capa: - Em dia de Vindima, mulher com cesto de uvas à cabeça - 1970

74

************* *******

2ª edição Revista e Aumentada Março 2015

*****************************

Contactos: Tel. 263 504 458

* Telem. 918 905 704

e-mail: josergameiro@sapo.pt ******************

O texto desta edição não segue o acordo ortográfico de 1990

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O MEU CONTRIBUTO

Não só pelos meus companheiros de meninice, onde

as brincadeiras diárias na rua, que era nossa -

nunca tinham fim - mas para que toda aquela cambada de rapazes, do tempo da escola, não seja esquecida, é dedicado este trabalho! Uma boa meia dúzia de anos, não tinha ainda passado, do após guerra, entre outras coisas, a penúria da fome e, o andar descalço, que para a maioria das crianças, não era um desejo, mas um sofrimento, também existia nesta terra. Quando chegavam as vindimas, todos os anos, corria-mos desesperados, à velha ponte da vala real, atrás dos carros, para o “roubo” de um cacho

de uvas. O “assalto”, se fosse bem sucedido, seria ali

a única oportunidade do ano, para alguns

provarem aquele fruto, mas normalmente era acompanhado por uma varada, ou o chicote que zurziam no ar. “Grande Cambada! Rapazes dum corno” que, me estragam a carrada toda”, gritavam os carroceiros, ou os condutores das juntas de bois que pachorrentos faziam a caminhada transportando as dornas de uva, do campo até às adegas. na vila.

transportando as dornas de uva, do campo até às adegas. na vila. Março: 2015 JOSE GAMEIRO

Março: 2015

JOSE GAMEIRO (José Rodrigues Gameiro)

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QUANDO VINDIMAR ERA UMA FESTA!

Em 1953, naquela tarde, já com Verão a dar sinais de dar lugar ao Outono, ainda a mulher rural à soleira da porta, aproveitava a sombra, e o silêncio que envolvia a sua casa, para passajar algumas roupas, “sonhando” com o mês de S. Miguel, setembro era mês das vindimas.

tempos antes com o

calor a fazer correr o suor na

cara, tinham terminado, as ceifas e as eiras, ocupando grandes ranchos de homens e mulheres.

Uns

as eiras, ocupando grandes ranchos de homens e mulheres. Uns A mecanização dos trabalhos do campo,

A mecanização dos trabalhos do campo, já se fazia notar com a presença de algumas máquinas agrícolas, como; tractores, debulhadoras e enfardadeiras. O uso do gado por sua vez estava a ser substituído progressivamente nos trabalhos da grade e, no lavrar das terras, as tralhoadas, era agora mais escasso, deixavam de existir. A lavoura tradicional de muitos séculos, estava em transformação, os campos da Lezíria Ribatejana, desde o século anterior que estavam estudados, e até se escreveu “Terrenos com bacias aluvionares de espaços lodosos férteis, chegam a atingir os 30 metros de profundidade nos campos de Vila Franca e, 50 no mar da Palha”, “estas profundezas, que vêm desde o período;

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Quaternário,

confina com uma outra a do Sado.”

acentuaram

a actual bordadura do Vale do rio Tejo que,

As vinhas plantadas em grandes arroteamentos, nos meados do séc. XIX, foi um trabalho lento, em terrenos junto à imensa margem do leito do rio e, naquele ano de 1953, um manto pardo escuro prometia dar uma grande produção de uva. A fama dos vinhos do Ribatejo é anterior à fundação da nacionalidade, referiu-se a eles D. Afonso Henriques, em 1170, no foro da cidade de

Santarém. Também Gil Vicente, no auto “ Pranto de Maria Parda”, alguns séculos depois continuam a ser procurados

O clima do Ribatejo mediterrâneo, temperado dada a proximidade da bacia do rio que a banha, com uma queda anual pluviométrica, verificada nos últimos 50 anos em cerca de 500-600 mm.

A moderna nomenclatura, que agrega os vários padrões agrícolas na área da vinicultura, exis te regiões como a “Lezíria, ou borda-d’água”, o “Bairro” e a Charneca”. Terras que são contempladas pela riqueza da bacia hídrica do rio Tejo. Na planície ribatejana com suas terras de Lezíria, onde os terrenos de aluvião, sendo inundáveis, têm no seu solo a humidade necessária para a cultura da vinha e dos cereais.

O “Bairro”, são terras localizadas na margem direita do rio Tejo, tem nos seus solos arenitos, calcários e argilosos, onde a vinha não tem a importância que é dada à oliveira e outras culturas arbustivas e arbóreas.

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A “Charneca”, são terrenos que se estendem desde a margem esquerda do rio até ao Alentejo, detentores de solos pobres, como os areno-arenosos, são revestidos de floresta que a enriquecem, onde predomina o sobreiro.

As suas areias quentes pelo sol, têm uma grande importância no grau alcoólico dos vinhos ali produzidos.

Por volta de 1950, os tradicionais carros de bois e carroças, com as dornas de madeira, davam lugar aos transportes motorizados. Camionetas de carga e, tractores com reboques, eram agora a grande novidade nos trabalhos agrícolas.

As adegas também tinham sofrido as necessárias adaptações para este género de transportes e cargas, agora mais rápidas, em relação à tradicional descarga das dornas, onde o homem usava a forquilha (ou gadanho), o esmagar das uvas é agora em modernas adegas e, em muitas já com sistema eletrónico e computorizado.

Sabia o agricultor/vinicultor de Salvaterra, da baixa graduação do vinho dali extraído, em contraste com os dos terrenos areno-arenosos da charneca. Destes provinha um grau alcoólico, de grande qualidade que, juntos dava bons lotes de vinho para comercializar, especialmente para Lisboa. O inicio do Outono, estava próximo, havia nos agricultores, quem deixasse para o mês Outubro, por todos conhecido por - Piedade, para “arrumar o campo” das terras baixas, frescas férteis, recolher o gado às terras altas da charneca. Na linguagem do calendário do homem rural, o ano era conhecido e

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repartido por alguns meses sem santos: Assim tinham: Janeiro, Fevereiro, Março, Abril, Maio, S. João, S. Tiago, Agosto, S. Miguel, Piedade, Santos e Natal.

AS PRAÇAS DA JORNA

Ao Domingo, após o almoço, as mulheres, algumas com os filhos pequenos, iam à praça da jorna, na Av. junto ao armazém (taberna) do Dr. Lino. Em pequenos grupos algumas sentadas no chão, porque a tarde era longa, esperavam que fossem “faladas”, para a semana seguinte. Os homens por sua vez preferiam juntarem-se junto aos muros dos currais da Casa Freire. Estes mercados de “apanhar” trabalho, estavam também a sofrer algumas mudanças, após muitas e muitas dezenas de anos de uso (2).

mudanças, após muitas e muitas dezenas de anos de uso (2). ********* (2)- Os mais antigos

********* (2)- Os mais antigos ainda se lembravam da Praça da Jorna, ser junto ao Cruzeiro, na rua do Calvário, este depois transferido para o cemitério da freguesia, por volta de 1925.

*********

*******

********

Os agricultores, ou os seareiros sazonais, utilizavam as rainhas para as mulheres e, os capatazes para os homens que, se encarregavam de contratar (falar) aos trabalhadores necessários para a faina semanal.

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O homem rural, esse, estava também a mudar os seus hábitos de transporte, a bicicleta era agora o seu meio de deslocação pelos caminhos do campo, enquanto a mulher ainda se deslocava a pé, percorrendo grandes distâncias, muitas vezes com os filhos à ilharga.

grandes distâncias, muitas vezes com os filhos à ilharga. O esmagamento da uva ainda era feito

O esmagamento da uva ainda era feito à moda antiga, num pisar leve e suave, por um grupo de homens jovens que, no lagar da adega iam dando voltas sem fim, em posição de alinhamento, com as mãos nos ombros, uns dos outros, para que o passo fosse certo e cadenciado.

Todo aquele mundo de prensas e lagares na antiga adega do Gaspar

Ramalho, mais tarde vendida a Francisco Ribeiro “Ribeiro Minhoto”,

estava sempre numa grande azáfama.

No campo, as mulheres usavam a entretenga das cantigas, com o cortar dos cachos de uva, passando o tempo - utilizando o verso no verbo de dizer mal e bem, até mesmo o escárnio. Se no grupo estivesse alguém, passando um mau bocado, na sua vida privada, logo era alvo de cantigas de mal dizer:

Se no grupo estivesse alguém, passando um mau bocado, na sua vida privada, logo era alvo

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1935 - Pisando a uva, nos lagares da antiga Adega de Gaspar Costa Ramalho

Para quem no seu, o olho alivia ! Tarde ou cedo, o saco no ombro pesará ! Foi-se a riqueza que teria ! Pedindo aqui e ali, comerá !

As raparigas solteiras, que se descuidavam, no namorico, sofriam com o escárnio de uma cantadeira mais afoita.

Nos dias grandes, para comer à melão ! Tomate quente, nem vê-lo ! Tens a barriga cheia, que nem um leão ! Quem teria sido o gajo a mete-lo !

Muitas destes escárnios e cantigas, são agora ranchos folclóricos !

AS VINHAS

conservadas pelos

O segundo e terceiro quartel foram de intensa actividade vinícola, mas chegados ao dobrar do século XX, era notório o abrandamento desta actividade, até porque a produção já estava regulada pela Junta Nacional dos Vinhos JNV, mais tarde substituída pelo Instituto do Vinho.

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Nos campos de Salvaterra, dos antigos vinicultores como: Irmãos Roberto, António Jorge Carvalho, Roquette (Barão de Salvaterra), Gaspar Costa Ramalho e José de Menezes e Irmão, à muito tinham deixado a vinicultura.

Ainda persistiam e tinhas as adegas abertas, Dr. José Henriques Lino, José Adelino Fernandes, Dr. José Cardador, Alberto Lapa, Virgolino Torroaes, Conde Monte Real, António H. Antunes,

A grande adega e vinhedos de Gaspar Ramalho, à muitos anos já era pertença de Francisco Ribeiro, um conceituado agricultor do Cartaxo.

Devido à natureza do fruto, a vindima tinha que ser rápida, cerca de três semanas, mobilizava muita gente, especialmente mulheres

.

semanas, mobilizava muita gente, especialmente mulheres . Vinha no campo de Salvaterra - Lezíria ribatejana, junto

Vinha no campo de Salvaterra - Lezíria ribatejana, junto ao Rio Tejo

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A ENTREGA DA BANDEIRA !

Quando estava prestes a terminar a faina, as vindimadoras, especialmente as jovens raparigas, nos últimos dias, era com grande entusiasmo que faziam a “Bandeira”, colocada na última dorna de uvas, depois era acompanhada pelo rancho e, em cânticos percorriam as ruas da vila até à adega, fazendo a entrega ao patrão.

Por fim metia um pé de dança, com os pisadores da uva, junto à adega e, era esperar até ao ano seguinte ! Entre outras cantigas, ouviam-se os versos:

A vindima do nosso patrão, já terminou ! Deus lhe dê boa aguardente e vinho ! A nós ter trabalho, muito ajudou ! Agora é esperar até ao S. Martinho !

Os trabalhadores mais endinheirados, lá compravam um garrafão de Água-pé, pelo São Martinho, pois também era a época das castanhas assadas. Os tempos mudaram, nos anos da década de 90, com imposições vindas da

, na

nos anos da década de 90, com imposições vindas da , na 1950 - Trabalhadores entregam

1950 - Trabalhadores entregam a bandeira Adega da Casa Henriques Lino

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comunidade europeia, Portugal viu muitos terrenos deixarem de ter vinhedos, que passaram a ser utilizados para outro tipo de agricultura, especialmente a de regadio, onde a cultura da

cenoura e tomate passou a ter lugar de destaque, nos campos de Salvaterra de Magos Nas poucas vindimas que ainda existem, nem se dá pela presença da mão-de-obra feminina, até a do homem é escassa. Vindimar é agora triste como um funeral, frio e silencioso !

O ASSALTO ÁS DORNAS !

Aquela espera, muitas vezes de horas, era alertada pelo grito de “lá vem um ! Logo o rapazio que descalço estava jogando a bola no caia da vala, depois do horário escolar, depressa preparavam os “ganchos de arame”, (as ganchetas / ou fateixas) para o assalto às

arame”, (as ganchetas / ou fateixas) para o assalto às Rapazes (descalços), sentados na Ponte, esperando

Rapazes (descalços), sentados na Ponte, esperando a chegada dos carros com uvas, o autor é o penúltimo da fila

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dornas de uvas, nos carros de bois, ou carroças que se aproximavam da ponte.

Tal desejo de comer algumas uvas era muitas vezes infrutífero, pois o condutor do carro já preparado dificultava a investida dos mais afoitos,

pois a vara e, o chicote zumbiam no ar. O pouco tempo que se tinha para actuar - no atravessar da ponte levava a que muitos, desistissem de tamanha ousadia. Os rapazes mais lestos de lançamento das armas, “esses terríveis instrumentos”, quando tinham a sorte de “ferrar”, a maior parte das vezes, deixavam cair por terra o fruto tão apetecido, que se resumia afinal a um pequeno e “esfarelado” cacho de uvas sendo logo comido numa sofreguice.

cacho de uvas sendo logo comido numa sofreguice. Um ou outro, ainda lá ia à Fonte

Um ou outro, ainda

ia

à Fonte

do Celeiro da Companhia, junto à

taberna do Camilo Espanhol, lavar do mostro, aqueles poucos bagos, pois

eram muitas vezes os únicos que, comiam durante o ano.

86

ADEGAS E VINICULTORES DE OUTROS TEMPOS !

A moderna nomenclatura, que agrega os vários padrões agrícolas na área da vinicultura, do Ribatejo, regista regiões como a “Lezíria, ou borda-d’água”, o “Bairro” e a Charneca”. Terras que são contempladas pela riqueza da bacia hídrica do rio Tejo. Na planície ribatejana com suas terras de Lezíria, onde os terrenos de aluvião, sendo inundáveis, têm no seu solo a humidade necessária para a cultura da vinha e dos cereais.

O “Bairro”, são terras localizadas na margem direita do rio Tejo, tem nos seus solos arenitos, calcários e argilosos, onde a vinha não tem a importância que é dada à oliveira e outras culturas arbustivas e arbóreas.

A “Charneca”, são terrenos que se estendem desde a margem esquerda do rio até ao Alentejo, detentores de solos pobres, como os areno-arenosos, são revestidos de floresta que a enriquecem, onde predomina o sobreiro.

As suas areias quentes pelo sol, têm uma grande importância no grau alcoólico dos vinhos ali produzidos. Algumas publicações guardam a quantidade de vinho produzido e registado em Salvaterra de Magos

* 1933 35.017.840 (litros)

* 1936 * 1939

2.366.220 (litros)

3.707.000 (litros)

87

VITIVINICULTORES

GASPAR COSTA RAMALHO

Abastado Lavrador/Vinicultor, com três grandes edifícios, de adegas, num deles com caldeira para a destilação da aguardente. Durante a sua vida não deixou de praticar filantropia às gentes e instituições da sua terra.

filantropia às gentes e instituições da sua terra. Quando da sua construção, já foram usados os

Quando da sua construção, já foram usados os depósitos em cimento que, vinham substituir os antigos túneis de madeira e, ali guardavam milhares de hl de vinho, ainda por trânsfuga.

A adega de Gaspar Ramalho, construída por volta de 1900, no espaço onde existiu o novo edifício das damas, e dele usou a pedra A adega foi demolida no ano de 1988, para dar lugar a uma nova área de urbanização de habitação e comercio.

a uma nova área de urbanização de habitação e comercio. Largo dos Combatentes – Edifício da

Largo dos Combatentes Edifício da Adega Que um dia foi construída por Gaspar Ramalho, em tempo de destruição

88

88 CASA AGRICOLA FRANCISCO FERREIRA LINO Agricultor/vinicultor: Francisco Ferreira Lino, foi um grande benemérito da sua

CASA AGRICOLA FRANCISCO FERREIRA LINO

Agricultor/vinicultor: Francisco Ferreira Lino, foi um grande benemérito da sua terra natal, Salvaterra de Magos. Em 1858, mandou construir a sua adega em terreno limpo, na rua do Calvário,

próximo dos moinhos da vila. Anos depois, por volta de 1912, com a nova urbanização na zona, após o terramoto de 1909, a existência do edifício ajudou a “alindar” os arruamentos ali abertos.

Marquês de Pombal, uma moderna

pela

O

acesso

nova

rua

caldeira

de

destilação

de

aguardente, foi

instalada.

O

edifício

foi

demolido

em

2000,

dando o seu espaço lugar à construção de uma nova urbanização de habitações e áreas comerciais. Mais tarde, seu filho Dr. José Henriques Lino, especializado em Agronomia, foi professor na Escola Agrícola de Santarém,

Agronomia, foi professor na Escola Agrícola de Santarém, Edifício que foi Adega da Família Henriques Lino,
Agronomia, foi professor na Escola Agrícola de Santarém, Edifício que foi Adega da Família Henriques Lino,

Edifício que foi Adega da Família Henriques Lino, em fase desmantelamento

89

continuou a tradicional “Faina Agrícola” da casa Lino, tendo a sua habitação Omina. O bisneto, José Durão Lino, neste início do séc. XXI, sucedeu a seu pai, o Eng.º Francisco Manuel Lino, na responsabilidade de continuar a atividade desta secular e afamada casa agrícola. (*)

a atividade desta secular e afamada casa agrícola. (*) ******* José Durão Lino ******** 1950 Adegueiro

*******

José Durão Lino

********

atividade desta secular e afamada casa agrícola. (*) ******* José Durão Lino ******** 1950 Adegueiro –

1950 Adegueiro José Rato

90

*******

******

(*) - Um seu adegueiro, de nome José Rato, durante anos ajudou a afamar os vinhos e aguardentes desta casa agrícola, pela arte e saber que tinha neste género de trabalhos, usando nos transportes dos barris uma carroça construída em ferro

*******

******

CASA AGRÍCOLA DO BARÃO DE SALVATERRA DE MAGOS

(Luiz Ferreira Roquette de Melo Travassos)

Vinha muito detrás a árvore genealógica da família Roquette, mas foi em 1770, que Luiz Ferreira Roquette de Melo Travassos, recebeu o título de Barão.

Roquette de Melo Travassos, recebeu o título de Barão. A família muito investiu na compra de

A família muito investiu na compra de grandes manchas de terrenos em propriedades que estavam espalhadas pelo novo ordenamento do concelho de Salvaterra de Magos, após a venda da casa real. Os vinhedos, especialmente os dos campos de Salvaterra, eram a principal fonte dos vinhos desta casa agrícola.

A grande adega Instalada nos seus terrenos na Av. do Calvário, (mais

Dr. Roberto

Ferreira da Fonseca), era para a época, uma referência em todo o Ribatejo, deixou de trabalhar, por volta de 1940, com o progressivo

tarde; Vicente Lucas de

Aguiar,

agora com o nome

do

91

abandono da actividade agrícola da família

seu estado de ruína era um facto, sendo mais visível

com o telhado a cair

para dar lugar a uma nova urbanização de habitações e comércio.

Com o decorrer dos anos o

Em Novembro de 2002, foi totalmente demolido,

dos anos o Em Novembro de 2002, foi totalmente demolido, 1996 - As ruínas da antiga

1996 - As ruínas da antiga adega ,família Roquette (Avª Dr. Roberto da Fonseca)

adega ,família Roquette (Avª Dr. Roberto da Fonseca) urbanização no espaço onde existiu a Adega da

urbanização no espaço onde existiu a Adega da Família Roquette

92

CASA AGRÍCOLA COSTA FREIRE

92 CASA AGRÍCOLA COSTA FREIRE Esta família tendo sido brasonada, em 1749, através de José dos

Esta família tendo sido brasonada, em 1749, através de José dos Santos Freire, homem da casa real de Salvaterra, ao longo dos séculos teve na agricultora a sua forma de actividade.

Propriedades

que

foram

terras

desta

casa, como: Fazendas da Lezíria de Sacra Botão, Cortes da Pardaleira dos Cavalos, D. Verdeana, Cágados, Sesmarias de D. Maria, Nogueira, Chaparral de Pêro Galego e Boinheiras, eram muitas entre a mais

importante, a Corredora da Caldeira, conhecida pelo nome do “Marquez dos Freiras” Com seu solar, na rua João Gomes, além de vários palheiros e armazéns na vila, a adega estava instalada nos antigas cocheiras do palácio real, hoje junto à EN 118.

CASA AGRÍCOLA IRMÃOS ROBERTO

Na casa agrícola Roberto, as searas de sequeiro, a par da criação de gado, especialmente o toiro bravo., foram sempre a sua maior actividade agrícola, desde os irmãos Roberto, Jacob e Vicente, até aos seus sobrinhos. Uns anos antes de 1940, a zona sul de Salvaterra de Magos, passou a comportar a passagem da EN 118. Uma outra pequena via, a 118- 2, foi construída fazendo a ligação da vila, até a um cruzamento, que o povo

93

chamava sitio das cavalariças. Antes era um caminho aberto, no início do séc. XX, que tinha num dos lados um valado. No outro lado ainda existiam velhas construções que foram antigas instalações que vinham do tempo do palácio real. Era aí que a casa agrícola dos irmãos Roberto, tinha a sua antiga adega. No dobrar daquele século já a estrada se apresentava ladeada de celeiro.

século já a estrada se apresentava ladeada de celeiro. ANTONIO JORGE DE CARVALHO Homem dotado de

ANTONIO JORGE DE CARVALHO

se apresentava ladeada de celeiro. ANTONIO JORGE DE CARVALHO Homem dotado de grande espírito de iniciativa,

Homem dotado de grande espírito de iniciativa, no campo empresarial e comercial, onde se destacava uma farmácia. Na agricultura manifestou grande empenho, tendo no campo de Salvaterra, alguns terrenos de vinhedos, que lhe deram fama no produto final- o vinho.

No

início do século XX,

fama no produto final- o vinho. No início do século XX, para além da Loja de

para além da Loja de

Drogas/Mercearia, e da

Farmácia,

construir um grande edifício, para adega nos restos do que foi o palácio real, no Largo dos Combatentes.

mandou

94

Nos primeiros tempos serviu de garagem para as camionetas da carreiras, depois já transformado em adega, com grandes lagares e tonéis em madeira, recebiam os primeiros líquidos da uva. Uma grande e moderna caldeira, fazia aguardente. Depois da sua morte, seu genro António Henriques de Sousa Antunes, continuou com a vitivinicultura, e também aproveitou para Armazém de vinhos um outro edifício, que em tempos tinha servido para a realização de peças teatrais de um grupo existente na vila

de peças teatrais de um grupo existente na vila ALBERTO DOS SANTOS LAPA A entrada da

ALBERTO DOS SANTOS LAPA

A entrada da sua adega, era pela EN 118, as janelas na rua Heróis de Chaves, recebiam as descargas da uva, no interior além dos lagares existiam filas de túneis de madeira, albergando muitos hl de vinho.

no interior além dos lagares existiam filas de túneis de madeira, albergando muitos hl de vinho.

Adega de Alberto Lapa

no interior além dos lagares existiam filas de túneis de madeira, albergando muitos hl de vinho.

95

Seguindo as pisadas do pai, António Lapa, também se dedicou com afinco à criação do gado cavalar. A cultura da vinha e do vinho, promovido por este agricultor, no último quartel do séc. XIX e primeira metade do séc. XX, muito contribuiu na área da economia de Salvaterra.

CASA AGRICOLA MONTE REAL

Há mais de 100 anos que a vinicultura existiam nas propriedades, hoje da casa Monte Real, registos existem que desde os finais do século XX, a família Brito Seabra, tinha terras de aluvião, na margem Sul do rio Tejo.

Jorge de Melo e Faro, II Conde Monte Real, no primeiro quartel deste

século, já na posse daquelas propriedades de José Luís incluindo

Brito Seabra,

daquelas propriedades de José Luís incluindo Brito Seabra, A residência solarenga, por volta de 1930, continuou

A residência solarenga, por volta de 1930, continuou a actividade agrícola aumentando até a área da vinha plantada.

96

A família Brito Seabra Roquette, tinha uma Adega situada na antiga rua “Jogo da Bola”, agora incluída na Av. José Luís Brito Seabra. O

Conde de Monte Real, no mesmo espaço mandou construir um novo e grande edifício, para adega dotada de nova tecnologia para a época.

.

Mais tarde, na década de 1950, a casa agrícola, Monte Real, devido à grande quantidade de vinho produzido abriu um posto de venda “ Taberna do

Conde”,

principal

venda

a

po sto de venda “ Taberna do Conde”, principal venda a na da retalho. avenida com

na

da

retalho.

avenida

com

A

vila,

modernização da adega “Monte Real”, fruto do dinamismo do detentor daquele titulo, era constante, procurando sempre estar a par das últimas tecnologias.

Depois da sua morte, a “empresa” foi herdada pela filha, Madalena, única herdeira que por sua vez entregou aos seus três filhos a responsabilidade de administrar os negócios. O autor destas páginas, num artigo que publicou no jornal Vale do Tejo, com sede em Salvaterra, recolheu informações junto dos novos administradores, agora como sociedade agrícola Moena, que decidiram então desenvolver o engarrafamento, e nova comercialização dos vinhos, não só em Portugal, mas também no estrangeiro. Escreveu o autor: “com o objectivo em

97

divulgar este vinho ribatejano, um pouco por todo o mundo. Neste

momento, a casa Monte Real, utiliza 50 hectares de terreno de uva tinta

e, 35 hectares de uva branca. As vinhas estão divididas em talhões,

cada talhão tem a sua casta, cuja idade oscila entre os 20 e os 25 anos.

O vinho branco, produzido para o engarrafamento, é seleccionado a

partir das castas Fernão Pires, Vital e Tália.

No vinho tinto são usadas as castas Trincadeira Preta e Piriquita. Depois de vindimadas, as uvas são rapidamente levadas para a adega, onde se procedia à maceração a baixa temperatura. No caso das uvas brancas, o mosto é centrifugado, limpo e arrefecido, sendo depois as leveduras escolhidas. A temperatura é controlada a 16º C Nas uvas tintas, são “desengaçadas” e fermentadas à temperatura de 22º C. Depois da fermentação alcoólica, procede-se à maceração, e posteriormente à fermentação malo-láctica. Para o vinho tinto é feito um único lote, do qual é retirada uma porção que estagia em casco novo de carvalho francês, num período de seis meses. ” “ As castas brancas

são vindimadas e vinificadas separadamente e só posteriormente são misturadas, cabendo à melhor mistura o engarrafamento “Conde Monte Real” e à mistura dos restantes o engarrafamento “D. Sofia”, isto no caso do vinho branco. Ainda comercializa um outro lote de vinho com a marca “Bico da Goiva”.

O vinho tinto é feito num único lote, do qual é retirada uma porção que estagia em casco novo de carvalho francês, num período de seis meses.

A este vinho cozido em madeira, cabe o rótulo “D. Sofia” é o que resulta

do

resto do lote que não passa pelos cascos de carvalho. Nos concursos

de

provas de vinho realizadas, no país, apresentou os seus vinho

98

CONDE MONTE REAL

Colheita de 1996

98 “ CONDE MONTE REAL ” – Colheita de 1996 BRANCO - Aroma fino, com alguma

BRANCO - Aroma fino, com alguma distinção mas no fundo um pouco ligeiro. Bem na boca, boa acidez, conjunto agradável TINTO - Muito ligeiro na cor e no aroma. Delgado e demasiado simples para ser levado a sério. T ** ¾.

VINHOS E AGUARDENTES TORROAES

Entre a qualidade de vinhos produzidos nas Adegas de Salvaterra, muitos estiveram na 1ª exposição Agro-industrial, realizada nesta vila em de 1930. Os da pequena Adega de Virgolino José Torraes, na rua Cândido dos Reis, depressa ganharam fama, estiveram por vezes nalguns certames, em vários pontos do país. obtendo bons prémio,

dos Reis, depressa ganharam fama, estiveram por vezes nalguns certames, em vários pontos do país. obtendo

99

Com o inicio da Feira do Ribatejo em Santarém, passou ali a ter espaço permanente para a colocação de um stand, onde o filho José Manuel Torroais, não deixava de ser procurado para contratos na sua comercialização, em garrafas e garrafões, tinto e branco com a marca Botelhas. Depressa as suas aguardentes vinícolas S. Baco, Toiro Real, e vinho licoroso Torroaes, passaram a ter grande procura no país.

***** Nota: Das muitas adegas, que se identificam neste “Apontamento” outras existiram que, vale a pena localizar a sua existência, pelos proprietários referenciados nestas páginas: Dr. José Cardador (Rua Gago Coutinho), José Adelino Fernandes (Trav. do Forno Vidro). *******

******

*******

José Adelino Fernandes (Trav. do Forno Vidro). ******* ****** ******* Casa Habitação com Depósitos Rua Gago

Casa Habitação com Depósitos Rua Gago Coutinho

100

OS LICORES E AGUARDENTES LOPES ROSA

Foi em 1930, na Exposição agro - industrial, realizado em Salvaterra de Magos, que ALVARO LOPES ROSA, viu as suas bebidas premiadas. Álvaro Lopes, uns anos antes, já tinha os seus produtos bem aceites no mercado, fora de Salvaterra, pois os seus licores eram fabricados em moldes de uma pequena empresa, de âmbito familiar, o que lhes dava um cunho de grande qualidade e originalidade. Um século depois, ainda estão no mercado, comercializadas, pelos descendentes do seu filho José Lopes Rosa. Entre as muitas bebidas fabricadas, a Aguardente Especial Velha 1910, continua a ter um lugar de destaque, pois vem desde o início da sua actividade.

a Aguardente Especial Velha 1910, continua a ter um lugar de destaque, pois vem desde o
a Aguardente Especial Velha 1910, continua a ter um lugar de destaque, pois vem desde o

101

Anexo:

A VINICULTURA UMA RIQUEZA NA ACTIVIDADE AGRICOLA DE SALVATERRA DE MAGOS

A fama dos vinhos do Ribatejo é anterior à fundação da nacionalidade, referindo-se a eles D. Afonso Henriques, em 1170, no foro da cidade de Santarém. Gil Vicente, a eles se referiu um dia, no auto Pranto de Maria

Parda”, alguns séculos depois continuam a ser procurados

O clima do Ribatejo mediterrâneo, temperado dada a proximidade da bacia do rio que a banha, com uma queda anual pluviométrica, verificada nos últimos 50 anos em cerca de 500-600 mm.

A moderna nomenclatura, que agrega os vários padrões agrícolas na área da vinicultura, existe regiões como a “Lezíria, ou borda-d’água”, o “Bairro” e a Charneca”. Terras que são contempladas pela riqueza da bacia hídrica do rio Tejo. Na planície ribatejana com suas terras de Lezíria, onde os terrenos de aluvião, sendo inundáveis, têm no seu solo a humidade necessária para a cultura da vinha e dos cereais.

O “Bairro”, são terras localizadas na margem direita do rio Tejo, tem nos seus solos arenitos, calcários e argilosos, onde a vinha não tem a importância que é dada à oliveira e outras culturas arbustivas e arbóreas. A “Charneca”, são terrenos que se estendem desde a margem esquerda do rio até ao Alentejo, detentores de solos pobres, como os areno-arenosos, são revestidos de floresta que a enriquecem, onde predomina o sobreiro.

102

As suas areias quentes pelo sol, têm uma grande importância no grau alcoólico dos vinhos ali produzidos.

importância no grau alcoólico dos vinhos ali produzidos. CASA CADAVAL – Colheita de 1996 – FERNÃO

CASA CADAVAL

Colheita de 1996

FERNÃO PIRES: BRANCO Não são evidentes as notas aromáticas da casta, havendo alguns aromas de feno que se mostram muito. Atraente na boca, boa acidez e boa leveza. É menos típico mas pode ganhar com isso. B **, 5

PADRE PEDRO: TINTO 1996 * Muito novo, muito verde, boa concentração de cor e revelando saúde. Bastante vinoso, redondo na boca e com boas características de um vinho jovem. T *** 4/5

Casa Agrícola Vieira da Cruz Propriedade na Palhota Salvaterra de Magos

103

VINHO AREIAS GORDAS 1996

Produzido na propriedade junto à margem Sul do rio Tejo, apresenta boa presença na boca, com uma acidez um pouco baixa, mas que aguenta o vinho. Precisa de ganhar elegância em próximas colheitas. B ***

VINHO PEPINOS: Branco e Tinto:

Produzido e engarrafado pela Sociedade Agrícola Henriques &Henriques, com sede em Marinhais - uma empresa com características de âmbito familiar.

*********************

******

de âmbito familiar. ********************* ****** Dias a fio com cestas às costas, por aquelas terras muitos

Dias a fio com cestas às costas, por aquelas terras muitos sacrifícios eram vividos, para que o vinho Ilumina-se os espíritos!

104

Bibliografia usada:

Salvaterra de Magos,” Seus usos e costumes” José Gameiro

Salvaterra de Magos Actividades Económicas:

Agrícola/Florestal, Pesca/Comércio, Indústria/Turismo * José Gameiro

Os Avieiros “Nos Finais da Década de Cinquenta” Maria Salvado

* Fotos inseridas nesta publicação *

Pág. 2 – Mulher à sombra “cozendo” roupa” * Pág. 4 – Edifício da antiga taberna Dr. Lino (Local da Praça da Jorna das mulheres rurais (1953) * Latada de videiras junto a um poço de água * Pág. 5 - Mulheres em dia de Vindima nos campos de Salvaterra * Pág. 7 Vinhas no campo de Salvaterra * Pág. 8 - Um grupo de rapazes esperam os carros com as dornas de uvas (O 3º a contar da esquerda é o autor) * Pág. 9 - Carro de bois, transportando uma dorna com uvas * Pág. 10 - Lavrador, Gaspar Costa Ramalho-1939 * Edifício da Adega construída por Gaspar Costa Ramalho-1900 (Largo Combatentes), mais tarde do Vinicultor, Francisco Ribeiro (Minhoto), em 1988, em trabalhos de demolição * Pág. 11 - O Lavrador, Francisco Ferreira Lino-1939 * Edifício da Adega, “Casa Agrícola Família Henriques Lino”, no dia do início da sua demolição-2000 * Pág. 11 Lavrador, José Durão Lino, 1998 * Pág. 12 - Barão

105

de Salvaterra, 1º donatário da Casa Agrícola Roquette, 1939 * Adega do Barão (Casa Roquette) demolida em Nov. /2002 * Pág. 13 - Lavrador, Ernesto Costa

Freire-1939

* Pág. 14 - Lavrador, Vicente Roberto, Casa Agrícola, Irmãos Roberto * O Autor, no ano 2000, mostra a janela da entrada da uva, na antiga Adega da Casa Roberto, na EN 118/2 * Pág. 15 - António Jorge de Carvalho (1939), antigo proprietário da Adega que, foi de (seu genro) António Henriques de Sousa Antunes * Armazém de Vinhos (Largo dos Combatentes) da mesma família * Pág. 16 Alberto Santos Lapa, Lavrador/Vinicultor-1939 * Pág. 17 - Interior da Adega, Alberto Lapa – 1935 * Rotulo da “Ginja” uma das muitas bebidas fabricadas pela firma José Lopes Rosa & Filhos, Ldª * Pág. 21 Solar da família Monte Real * Pág. 22 - Garrafas de vinho “Conde Monte Real” e “D. Sofia” * Adega Monte Real “Casa do Alambique” *Pág. 27 – No campos de Salvaterra homens transportam cestos com uva, em dia vindima - 1935

**************

106

********* Obs. Algumas fotografias, com a devida vénia foram utilizadas “O Distrito de Santarém-1939 * Um Olhar Sobre o Concelho de Salvaterra de Magos - Edição da CMSM **************

**********

**********

107

*************

RECORDAÇÕES

O autor, quando menino, viu pesados carros de madeira, puxados por juntas de 2 bois, a descarregar dornas de uvas para a adega da casa agrícola Irmãos Roberto(s). O tempo passou, muitos anos depois, em 1995, visitou o local, a pedra que servia de suporte aos homens, na descarga, ainda se encontrava no edifício, situado na EN 118/2

Ainda em 2010, na antiga adega, depois de ter servido a oficina de carros e carpintaria, na rua se mantinha umas pedras de lioz que, serviu de suporte à descarga da uva, onde os homens se apoiavam com os pés.

Em

2010,

José

Gameiro,

mostra a pedra que servia de acesso às descargas das dornas com uvas

para os lagares

os pés. Em 2010, José Gameiro, mostra a pedra que servia de acesso às descargas das
CADERNO DE APONTAMENTOS CADERNO Nº 10 Documentos para a história de SALVATERRA DE MAGOS S
CADERNO DE APONTAMENTOS CADERNO Nº 10 Documentos para a história de SALVATERRA DE MAGOS S
CADERNO DE APONTAMENTOS CADERNO Nº 10 Documentos para a história de SALVATERRA DE MAGOS S

CADERNO DE APONTAMENTOS CADERNO Nº 10

Documentos para a história de

SALVATERRA DE MAGOS

Séc.

.XIII Séc. XXI

UMA ZONA INDUSTRIAL

(Um Desejo que vem do Passado)

Património:

Geográfico, Monumental, Cultural, Social, Político, Económico e Desportivo

Monumental, Cultural, Social, Político, Económico e Desportivo O Autor JOSÉ GAMEIRO (José Rodrigues Gameiro)

O Autor

JOSÉ GAMEIRO

(José Rodrigues Gameiro)

109

FICHA TÉCNICA:

Titulo:

Primeira Edição

UMA ZONA INDUSTRIAL: “ UM DESEJO DO PASSADO”

Tipo de Encadernação: Brochado (Papel A5)

Autor: Gameiro. José Colecção: RECORDAR, TAMBÉM É RECONSTRUIR !

Editor Gameiro, José Rodrigues Morada: Bº Pinhal da Vila Rua Padre Cruz, 64-1º Localidade: Salvaterra de Magos Código Postal: 2120- 059 SALVATERRA DE MAGOS

ISBN:

978989 8071 10 1 * 1ª edição Depósito Legal: 256462/07 Edição: 100 exemplares * Março 2007

**********************

2ª edição Revista e Aumentada Março 2015

**********************

Contactos: Tel. 263 504 458 * Fax: 910 905 704

O texto desta edição não segue o acordo ortográfico de 1990

Foto da Capa: 1960 * Edifício do Descasque de Arroz EN 118

110

O MEU CONTRIBUTO

110 O MEU CONTRIBUTO O século XX estava a meio, a população do concelho de Salvaterra

O século XX estava a meio, a população do concelho de Salvaterra de Magos, ainda maioritariamente rural, para aí continuava encaminhando os filhos; rapazes e raparigas. Aqueles que descendiam dos mestres; Carpinteiros, Pedreiros, ou Ferreiros, logo iniciavam a sua aprendizagem naqueles ofícios, após a saída da escola. Notava-se algo que mexia na vida das famílias, a imigração interna, já uma década antes, lentamente vinha “convidando” os homens jovens, de abalada para as fábricas de Alhandra, Azambuja Sacavém, e Setúbal. As indústrias, que aí se

instalavam, abriam novos horizontes, “roubando” mão-de-obra ao campo. As raparigas, tinham ainda uma outra porta de saída, serem criadas de servir, ou a costura Naquela época,

a população de Salvaterra de Magos, andava agitada com as novas notícias que corriam, as fábricas, mesmo que pequenas empresas estavam de chegada.

Na vila, a sua economia dependia há séculos, das Lojas de Mercearia, Tabernas, Fazendas e Ferragens com Drogas ( nestas últimas estavam incluídas as tintas ). Do movimento no rio Tejo, através do cais da vala real, era o tráfico de

produtos agrícolas e industriais que, provinham receitas para

o erário público. Para que se recorde aquele tempo, aqui

ficam registados algumas instalações da pequena indústria em Salvaterra de Magos.

Março 2015

JOSÉ GAMEIRO

(José Rodrigues Gameiro)

111

O COMERCIO TRADICIONAL, À ESPERA DA INDUSTRIA

Por volta de 1940, exista em Salvaterra de Magos; um Descasque com Secador de Arroz, junto à estrada E.N.118, onde a família de Manuel da Silva Valente, tinha os seus interesses económicos.

da Silva Valente, tinha os seus interesses económicos. Esta unidade industrial, tinha vindo juntar-se a uma

Esta unidade industrial, tinha vindo juntar-se a uma outra, uma Moagem de farinhas que, António Henriques Sousa Antunes, explorava na Av. José Luís Brito Seabra, herdada do sogro, o empresário António

Jorge de Carvalho. Era uma actividade, que vinha dos primeiros anos do século, que o empresário juntou à exploração que tinha de uma Farmácia e de uma Drogaria.

exploração que tinha de uma Farmácia e de uma Drogaria. Era no comércio, nas artes e

Era no comércio,

nas

artes

e

nos

ofícios,

que

a

população urbana retirava o seu sustento. O balcão

do

venda dos produtos

alimentares, dava trabalho ao agregado familiar, e

numa

clientela, alguns

comércio,

outra

com

a

loja

de

maior

112

empregados aí obtinham o vencimento mensal. Os ofícios, tinham nos mestres como os Carpinteiros de limpos, Ferreiros e Barbeiros, uma classe social acima dos Sapateiros, que eram considerados, artesãos.

A Farmácia Carvalho, vinha de 1891, e era um novo e moderno espaço de apoio à população, antes prestado pela antiga Botica, do senhor Albano Gonçalves, com porta aberta na rua Direita.

senhor Albano Gonçalves, com porta aberta na rua Direita. Salvaterra de Magos Esta casa, festejou o

Salvaterra de Magos

Esta casa, festejou o seu centenário no dia 25 de Maio de 1991, em ambiente familiar, com um almoço, onde estiveram alguns convidados, no Restaurante - Bar “Casa Branca” em

convidados, no Restaurante - Bar “Casa Branca ” em Manoel Joaquim Ferreira Gomes , acompanhado dos

Manoel Joaquim Ferreira Gomes, acompanhado dos actuais proprietários, os seus dois filhos, na companhia das noras e netos, nesta data festiva, dos 100 anos da que foi a sua farmácia, agora o estabelecimento mais antigo no concelho.

113

O alvará do estabelecimento, está na posse da família, há mais de 70 anos, pois Manuel Joaquim Gomes, adquiriu-o ao seu fundador e patrão, António Jorge de Carvalho, em 1920.

seu fundador e patrão, António Jorge de Carvalho, em 1920. Uns anos depois, repartiu a sua

Uns

anos

depois,

repartiu

a

sua

administração, com a Dr.ª.

Florescia

Fernandes

Gomes,

sua

esposa,

especializada

naquela

área, que passou a Directora-Técnica, que tendo falecido em 1988, foi lembrada na festa, como:

esposa, mãe e avó. Para o repasto foram convidados, os distintos médicos, Joaquim Gomes de Carvalho e Fernão Marçal Correia. da Silva., o então director

farmacêutico da

Farmácia,

Vitorino, e sua esposa Maria Luísa, e o autor destas linhas.

, e sua esposa Maria Luísa, e o autor destas linhas. Dr. .José Os quatro empregados;

Dr.

.José

Os

quatro

empregados;

Cassiano

Manuel

Rodrigues Gameiro e António Manuel Pires Gomes, Joaquim Maria Gomes Silva e João Luís Aleluia Travessa, também ali foram, na companhia de suas esposas.

114

Ainda se encontravam, presentes a D. Joana F. Gomes, senhora de idade avançada, irmã de Manuel Joaquim Gomes, e que foi durante anos, sua colaboradora, na venda ao balcão e um cunhado, destes, agora viúvo, Mário Barroso. No final do festim, Manuel Joaquim Gomes foi convidado, pelos seus dois filhos, Francisco e Manuel João Ferreira Gomes e netos, a apagar as velas do bolo comiserativo dos 100 anos de existência da FARMÁCIA CARVALHO(*), em Salvaterra de Magos.

A EXPOSIÇÃO AGRO-INDUSTRIAL

Em 1930, a Câmara Municipal, quando da Feira- Anual, promoveu a Exposição Agro-industrial, onde as pequenas indústrias caseiras, e viticultores tiveram oportunidade de mostrar os seus produtos. Nela foram premiados, além de outros produtos, os vinhos de mesa; Paul e as Aguardentes “Toiro Real” e “Botelhas”, o vinho licoroso velho “Torroaes”, da adega de Virgolino José Torroaes. (1), Os licores e Xaropes da pequena fábrica artesanal de âmbito familiar de Álvaro Lopes, Rosa

(1) Ver Apontamentos N.º 9

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estiveram presentes, e foram premiados, tal como a Aguardente 1910, envelhecida.

INDUSTRIA DE TANSFORMAÇÃO DO TOMATE

No ano de 1963, nas Fontes das Somas, ou das Sombras, a IDAL, tinha começado a construção do seu complexo industrial, para a transformação do tomate aproveitando a via rodoviária, que por volta de 1938, uniu os dois concelhos vizinhos., Salvaterra e Benavente, a EN 118. A agricultura, com a instalação na zona, desta moderna unidade industrial, teve que se adaptar às novas técnicas agrícolas, mesmo a de regadio.

adaptar às novas técnicas agrícolas, mesmo a de regadio. Os campos depressa passaram da vinha e

Os campos depressa passaram da vinha e do pinhal, para a nova cultura, que era o tomate em grande escala, e novos seareiros, vieram dar lugar aos tradicionais agricultores da Lezíria ribatejana.

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UMA UNIDADE NA TRANSFORMAÇÃO DA MADEIRA

Estava-se no início da década de 60, a Serração Central de Salvaterra, Lda., tinha acabado de comprar um bom pedaço de terreno, ao agricultor e veterinário, Dr. José de Menezes, mesmo junto ao depósito da água, que abastecia a rede da vila. Há muito com a chegada dos tractores e outras máquinas agrícolas, no amanho das terras, a dispensa dos animais, até aqui tradicionais, e o trabalhador braçal, era cada vez mais excedentários, nos campos.

braçal, era cada vez mais excedentários, nos campos. A população estava ansiosa, com este empreendimento, na

A população estava ansiosa, com este empreendimento, na área da indústria das madeiras esperava- se algum espaço laboral para homens e mulheres, especialmente dos jovens. Algum tempo passou, e em 1961, a Serração Central, iniciou a sua actividade, dando trabalho a uma boa dúzia de trabalhadores.

.As grandes dificuldades económicas que, o povo português estava a passar, também a população de Salvaterra de Magos, não ficou

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imune ao novo surto que, foi a emigração, até porque havia notícias do início da guerra colonial. A Emigração passou a ser efectuada na maioria clandestina, para a Europa: O Luxemburgo, França e Alemanha, foram os países de acolhimento de muitas dezenas de famílias salvaterrianas

FABRICA DE ALIMENTAÇÃO ANIMAL “GALÚ”

salvaterrianas FABRICA DE ALIMENTAÇÃO ANIMAL “GALÚ” Aproveitadas umas velhas instalações da Casa Agrícola,

Aproveitadas umas velhas instalações da Casa Agrícola, Irmãos Roberto, na estrada da Peteja, ali foi instalada uma fábrica de farinhas para aves.

Estávamos em 1968, e a produção em grande escala de frangos em aviários, dava os primeiros passos em Portugal.

A GALÚ, nome da empresa fabricante, depressa deu emprego a meia dúzia de trabalhadores, mas pouco tempo esteve em actividade, após um violento incêndio nas velhas instalações, deixou de existir.

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PRODUTOS ALIMENTARES

Na Ómnía de S. José, em terreno da família, João Rocha e Melo, iniciou uma construção industrial, no início de 1960, implementando em Salvaterra de Magos, uma unidade fabril, cujos produtos, ali produzidos, eram desidratados (farináceos e hortícolas secos), técnica à muitos anos já usados na alimentação americana. Embalados em pequenos sacos de papel, foi bem aceite na área comercial, e o seu consumo augurava vida longa, mas poucos anos depois teve de fechar as suas portas e, algumas dezenas de trabalhadores ficaram no desemprego.

e, algumas dezenas de trabalhadores ficaram no desemprego. INTEXTA CONFECÇÕES, LDº. Empresa de capitais e técnica

INTEXTA CONFECÇÕES, LDº.

Empresa de capitais e técnica alemã, aqui acabada de chegar, situada na área das confecções têxteis, aproveitou as instalações desactivadas, de uma antiga fábrica de produtos alimentares, que existiu nos arredores da vila de

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Salvaterra de Magos. Esta unidade fabril, durante as décadas de 60 e 70, foi uma fonte de trabalho para muitas dezenas de trabalhadores, especialmente mulheres, do concelho, recrutando também. mão-de-obra. nos concelhos vizinhos.

Após a revolução de Abril de 1974,os trabalhadores, apoiados pelos sindicatos, entraram num constante processo reivindicativo, com greves constantes, na busca de melhores condições de trabalho e salários, tais pretensões levaram a Intexta a encerrar as portas dois anos depois, deslocalizando-se.

A ORINCA FÁBRICA DE COURO ARTIFICIAL

Estávamos nos primeiros anos da década de 60, um grupo empresarial, vinha desde há algum tempo procurando terreno para a instalação de uma unidade fabril, em Salvaterra de Magos. A procura foi facilitada, com a ajuda do pároco da vila, Padre José Diogo, que levou a família proprietária dos terrenos da antiga Coutadinha Real, junto à estrada do Convento, à venda de uma parcela.

a família proprietária dos terrenos da antiga Coutadinha Real , junto à estrada do Convento, à

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A Organização Industrial de Cartões, Orinca, Sarl, depressa começou a construção da sua unidade fabril. No terreno um pequeno poço foi aberto para o abastecimento de água à obra.

poço foi aberto para o abastecimento de água à obra. A fábrica do papel, como então

A fábrica do papel, como então ficou a ser conhecida, logo foi uma nuvem de esperança naquela agitada procura de trabalho, na indústria que, teimava em não aparecer na terra. O edifício com uma única

agitada procura de trabalho, na indústria que, teimava em não aparecer na terra. O edifício com
agitada procura de trabalho, na indústria que, teimava em não aparecer na terra. O edifício com

grande

agitada procura de trabalho, na indústria que, teimava em não aparecer na terra. O edifício com

nave,

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destinada à produção, tinha alguns espaços no seu interior, como os tanques para “demolhar o papel e o couro”, suas principais matérias-primas, do produto ali produzido.

A ORINCA, já com as instalações prontas, foi aberto um furo artesiano, para o fornecimento de toda água necessária, incluindo uma caldeira a vapor, que consumia lenha e óleos. O seu armazém de papelejo, era abastecido por empresa especializada (papel de jornais, sacos de cimento, etc), e os pedaços de couro, vinham das várias indústrias de curtumes, da zona de Minde e Mira de Aire.

Junto à fachada, próximo da entrada principal, foi instalada uma balança (tipo basculante) para a pesagem de carros de grandes tonelagens.

O Couro Artificial, ali produzido foi colocado no mercado, por volta de 1968, era um produto que se apresentava em aglomerado (placa), levando na sua composição; papel, couro, corantes e óleos, sendo este último de baleia, que lhe dava o cheiro a couro natural. De início com um quadro de pessoal reduzido, mas em 1974, dava já trabalho a cerca de 30 operários (homens e mulheres), mais 1 técnico, 1

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gerente, 1 Fogueiro e Ajudante e 2 Escriturários. O produto, foi bem recebido no mercado afecto à indústria do calçado, e depressa enveredou para o sistema de trabalhos

por turnos, tendo em 1973/74, chegado a fornecer o mercado

ultramarino português.

se

seguiram à revolução de Abril de 1974, em pleno PREC, as greves e saneamentos das fábricas e nos campos agrícolas, trouxe graves problemas à economia do país. Nesta empresa, as perturbações foram graves, especialmente no fabrico do produto, chegando mesmo a ser adulterado, por um grupo de operários. Tal situação trouxe uma grande instabilidade à firma e, em Outubro de 1978, a Orinca, uma promissora unidade industrial, construída em Salvaterra de Magos, encerrou as suas portas.

a Orinca, uma promissora unidade industrial, construída em Salvaterra de Magos, encerrou as suas portas. Nos

Nos

anos

que

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A COMPRA DA ANTIGA FÁBRICA DO PAPEL

Em 1997, as antigas instalações, da Orinca, estavam em franca degradação, o então Presidente da Câmara Municipal de Salvaterra de Magos, José Gameiro dos Santos, diligenciou a compra daquele importante imóvel industrial, para a autarquia, conforme foi dado conhecimento à população, através do Boletim Municipal, N.º 2 do Ano II, e do “ O FORAL”, do 1º Trimestre de 1997.

DELIBERAÇÕES MUNICIPAIS

Diversos

* Foi deliberado apresentar á Assembleia Municipal a aquisição da antiga fábrica do papel situada nas Gatinheiras para instalação de serviços municipais Oficinas de mecânica, Carpintaria, Electricidade, Águas. (14.2.97)

de mecânica, Carpintaria, Electricidade, Águas. (14.2.97) Por não ter continuado, à frente dos destinos do

Por não ter continuado, à frente dos destinos do município, o processo foi retomado pelo novo executivo, de Ana Ribeiro,

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no seu mandato, 1997-2001, após as necessárias negociações, a câmara municipal adquiriu o imóvel e o terreno da antiga fábrica de Couro Artificial (Fábrica de Papel), o que foi amplamente notícia na comunicação social

OUTRAS INDÚSTRIA EM SALVATERRA

E NO SEU CONCELHO

Em plena década de 80, algumas pequenas unidades fabris, estavam instaladas no concelho de Salvaterra de Magos, fruto de um processo implementado uns anos antes na autarquia, que visava o aproveitamento de terrenos na Freguesia de Muge, e outros entre Salvaterra e Foros de Salvaterra, caso da Quinta do Pinheiro.O processo, conheceu atrasos e dificuldades, mesmo sendo promovido a sua divulgação em terras estrangeiras, como a Holanda. Lento tem sido a sua concretização, mas pequenas unidades de Artefactos de Alumínio, Electricidade, Plástico, Fibrocimento, Farinhas para bebés, Carpintarias Mecânicas de Móveis, aqui se instalaram. Algumas destas unidades fabris, uns meses após as suas inaugurações com pompa e circunstância, pois ali foram investidas verbas vindas do Fundo Europeu, a falência foi o caminho encontrado.

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**************************

Fotos inseridas:

* Página 2 * 1- António Henriques Antunes, Industrial e Agricultor *. A Moagem de Farinhas (1950) * Pág. 3 Manuel Joaquim Gomes, antigo proprietário da Farmácia Carvalho * Manuel João Ferreira Gomes * Dr. José Vitorino, Director Técnico da Farmácia Carvalho * Pág. 4, Cassiano Gameiro, empregado mais antigo da Farmácia Carvalho * Pág. 5 Publicidade da Idal (1967)* Pág. 6 Publicidade da Serração Central de Salvaterra, Lda. *- Logótipo das Farinhas “Galú”* * Pág. 7 Pub. Indústria Alimentar de Salvaterra * Pág. 8 * Construção das instalações da fábrica “Orinca”* Pág. 9 *Grupo de três operárias da Orinca, junto ao poço de água, na hora de almoço (Maria Gertrudes Pessoa Peste, Fátima Cavaleiro e Lurdes Fróis Marques

1973) * As duas fotos mostram operárias, nas instalações da caldeira a vapor (1973).* Pág. 10 - O autor, empregado escritório da Orinca (1974)* Pág. 11 Assinatura de Compra/Venda: Fábrica do papel 2003

Bibliografia usada:

* Documentos do autor * Comunicação social * Boletins editados, pela Câmara Municipal de Salvaterra de Magos

CADERNO DE APONTAMENTOS Nº 11 Documentos para a História De SALVATERRA DE MAGOS Séc. XIII
CADERNO DE APONTAMENTOS Nº 11 Documentos para a História De SALVATERRA DE MAGOS Séc. XIII

CADERNO DE APONTAMENTOS Nº 11 Documentos para a História De

SALVATERRA DE MAGOS

Séc. XIII Séc. XXI

Património:

Geográfico, Monumental, Cultural, Social, Político, Económico e Desportivo

GENTE QUE VIVEU DO TEJO

Político, Económico e Desportivo GENTE QUE VIVEU DO TEJO FRAGATEIROS, CAGARÉUS AVIEIROS O Autor JOSÉ GAMEIRO

FRAGATEIROS, CAGARÉUS AVIEIROS

O Autor JOSÉ GAMEIRO (José Rodrigues Gameiro

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FICHA TECNICA:

Primeira Edição

Titulo:

CAGARÉUS, FRAGATEIROS E AVIEIROS ( Gente que veio do mar ! )

Tipo de Encadernação: Brochado

Autor: Gameiro. José Colecção: RECORDAR, TAMBÉM É RECONSTRUIR !

Editor Gameiro, José Rodrigues Morada: Bº Pinhal da Vila Rua Padre Cruz, Lote 49 Localidade: Salvaterra de Magos Código Postal: 2120 - 059 SALVATERRA DE MAGOS

ISBN:

978989 8071 118 Depósito Legal: 256463 /07 1ª edição 100 exemplares editados Março 2007

128

Fotos da Capa: - Fragatas aportadas ao cais da Vala real * Maria e Antónia Rosa; Irmãs da família Naia, oriundas das Gentes da Murtosa * Rancho Folclórico dos Avieiros (Escaroupim)

129

******************************* 2ª Edição Revista e Aumentada - Março 2015 *******************************

Contactos: * Tel. 263 504 458 * Telem. 910 905 704

O texto desta edição não segue o acordo ortográfico de 1990

130

O MEU CONTRIBUTO

130 O MEU CONTRIBUTO Ainda menino de escola, fui com os meus pais viver para o

Ainda menino de escola, fui com os meus pais viver para o Botaréu, junto à Capela da Misericórdia, e depressa o convívio com as gentes que, viviam dos proventos da vala e do rio Tejo, se estabeleceu. Nos seus barcos e nas suas casas, comi das suas ementas, como também na rua brinquei com os seus filhos. Aquele convívio, foi para mim uma oportunidade de ouvir aos mais velhos, muitas histórias dos Fragateiros e dos Varinos/ ou Cagaréus e Avieiros . Estas duas comunidades, há muitos séculos, que o rio Tejo as conhece. Os pescadores desceram lá muito de cima, do norte, e em Lisboa, até existe um dos seus bairros, junto à ribeira. Aqueles que viviam em Salvaterra, eram dos mesmos sítios, das mesmas famílias, vindas também da Murtosa, Estarreja, Ovar, Aveiro, e há muitas gerações que andavam rio abaixo, rio acima, na faina do peixe, para depois ser enviado, para muitos lados, inclusive o Porto. Primeiramente era em carros puxados a animais, até que o advento do caminho-de-ferro. em Portugal, lhes facilitou mais a vida, enviavam o pescado, em cestas de verga, através da estação de Muge. Antes deles, os Fragateiros já eram “donos” do cais da vala real, pois movimentavam nas suas Faluas e Fragatas, as mercadorias, com destino a Lisboa, e outros portos, então navegáveis àquelas embarcações à vela. Quanto aos Avieiros, a sua presença no Tejo, é posterior, são pescadores vindos de Vieira de Leiria., cujos registos da sua presença se notou no séc. XVI. Para estes, o Escaroupim, foi um sítio de aporto, como muitos outros ao longo do rio. No local, existia uma vasta plantação de Pinhal, do tempo de D. Dinis o comércio e a indústria, especialmente a naval, requeriam muita madeira e, Lisboa ficava mesmo ali a meia centena de km de Salvaterra, com um curso de água, para o seu transporte no rio Tejo.

ABRIL 2015

JOSÉ GAMEIRO

( José Rodrigues Gameiro)

131

***********************

Introdução

*****

DO MAR DESCERAM AO RIO !

Os Pescadores Cagaréus e Avieiros

” Desço a praia – ao fio da areia enconchada, cheia de

mulheres que carregam peixe ou que o despejam ainda vivo nas grandes chalavaras,

por entre barcos agrupados, onde se encontram , chatas e lanchas de galeões, alguns com lindos nomes :

, chatas e lanchas de galeões, alguns com lindos nomes : Formosa, Ana, Luz do Sol,

Formosa, Ana, Luz do Sol, Senhora da Memória, Mar

patrão

Joaquim Lobo, de grandes barbas brancas, afirma que esta gente veio de Ílhavo Algumas teimas: Somos de Ílhavo

viemos de Ílhavo

Cagaréus que povoaram os melhores e mais piscosos pontos da costa portuguesa ” “Descendo, acompanhando o crescer de Portugal chegando à ponta de Sagres”

também tenho a ideia de que foram os

da

Vida

O

(In – Pescadores)

“Raul Brandão

132

I

OS AVIEIROS

Remonta ao século XVI, as primeiras notícias da presença do homem/pescador, de Vieira de Leiria, no Ribatejo. Pescava em águas do rio Tejo e, fazia periodicamente algumas incursões para descanso, nas suas margens. Por estes tipos de vida, eram conhecidos, por “Ciganos do rio”, estas famílias, buscavam o seu sustento aqui nas águas menos agrestes e revoltosas do que no mar, em época invernosa. No Inverno e Primavera, a abundância de pescado, especialmente do Sável, Fataça e Saboga, no Tejo, fazia-os primitivamente pescar e, viver nas suas bateiras.

, no Tejo, fazia-os primitivamente pescar e, viver nas suas bateiras. 1950 – Família Avieira, vivendo

1950 Família Avieira, vivendo no Rio Tejo

133

O APARECIMENTO DAS ALDEIAS

vê-los em terra firme, onde

arribaram em vários núcleos habitacionais como: no Alfange, na Caneira,

Com o decorrer dos

anos, era

de

Valada,

Conchocho.

Reguengo,

Escaroupim,

Casa

Branca,

Vau,

Vila

Franca

e

século XX, ainda com fartura de

peixe no rio, os Avieiros, recorriam ao trabalho do homem rural, que estando parado na sua laboração campestre, nos meses de invernia,

puxavam as redes cheias de sável e fataça, para as margens do rio.

Aqui, em Salvaterra, nos meados

meses de invernia, puxavam as redes cheias de sável e fataça , para as margens do
meses de invernia, puxavam as redes cheias de sável e fataça , para as margens do

134

A mulher avieira, ajudava o marido, e tratava dos filhos no barco, logo a seguir, lá ia sempre a pé com a canastra do peixe à cabeça, horas a fio, dias inteiros por terras do concelho, vendendo o produto de uma faina dolorosa que, os fazia ciganos do rio.

A ALDEIA DO ESCAROUPIM

No primeiro quartel do século passado, no Escaroupim, já era visível, algumas famílias viverem na borda de água, dando origem a uma pequena aldeia de casas abarracadas, em madeira, assentes em estacas, onde algumas famílias já se começavam a fixar. Por volta de 1950, a escolaridade chegou aos jovens pescadores, o alfabeto era coisa desconhecida naquela comunidade, recordo que nas aulas, em Salvaterra comigo andaram, o José Moreira, o Rabita, o Antão e o Botas.

andaram, o José Moreira, o Rabita, o Antão e o Botas . 1950 Escaroupim - Construções

1950 Escaroupim - Construções em madeira * Foto Maria Adelaide Salvado

Vinham e regressavam todos os dias ao Escaroupim. que fica a uma boa meia dúzia de Kms, de Salvaterra, naquele andar de solidão,

135

trazendo para além do saco escolar, um outro mais pequeno, com uma “bucha”, que muitos dias intercalava o peixe frito, com uma omelete de ovos, num pedaço de pão. Os jovens continuaram com os usos e costumes daquele povo que, um dia deixou o mar em Vieira de Leiria, e por volta de 1958, as suas danças eram divulgadas num rancho folclórico, que actuava na vila, no Restaurante Típico Ribatejano. Nos anos 70, a mulher avieira moderna, já trabalhava no campo, as pequenas casas de madeira, foram dando lugar às de alvenaria, até porque duas dezenas de anos antes já os rapazes encontraram na construção civil uma nova profissionalização iam deixando as artes do rio, sendo uma comunidade muito religiosa, tiveram na igreja da freguesia, sempre o apoio necessário.

tiveram na igreja da freguesia, sempre o apoio necessário. 1950 – Escaroupim * Foto Maria Adelaide

1950 Escaroupim * Foto Maria Adelaide Salvado

Na década de 90, estando o Padre Agostinho de Sousa, à frente da Paróquia de Salvaterra de Magos, foi construída uma pequena capela na aldeia do Escaroupim.

***********

136

II

OS VARINOS

(Cagaréus)

Nos últimos anos que antecederam o findar do século XIX, vinham da vasta zona de Aveiro; especialmente de Estarreja, Torreira, Pardelha e Murtosa, pescar no rio Tejo, eram Varinos. aqui o povo chamava - lhes Cagaréus. O tempo de inverno e primavera era mais fértil para a sua faina em contraste com a pouca actividade nas águas revoltosas da Ria.

Uma ou outra família, ainda tinha parentes em Lisboa, na Madragoa. Sabe-se que a partir do século XVIII, quando do repovoamento de Lisboa, após o terramoto de 1755, vieram famílias inteiras de pescadores da região de Ovar e Aveiro. Ali, naquele bairro, as mulheres dedicavam-se à venda de legumes e peixe, não deixando estas de serem conhecidas de varinas, pela “algazarra” que faziam no apregoar dos produtos, de canastra à cabeça. Por volta de 1930, esta comunidade já tinha casa em Salvaterra, vivia em casa própria, ou alugada, ali próximo do cais da vala, onde funcionava a lota. A azáfama diária era grande, com o peixe vendido sob a vigilância da Guarda-fiscal, e do empregado municipal. Estas autoridades também tinham a tutela das cargas e descargas das Fragatas ali aportadas.

e do empregado municipal. Estas autoridades também tinham a tutela das cargas e descargas das Fragatas

137

Entre esta comunidade

de Varinos, imbuída do legado cultural e

histórico da sua origem, conservava em muitas famílias de gerações antigas alcunhas como: Carrasco, Rabuço, Aresta, Regateiro, Preguiça, Calafate, Carramila, que deixaram aos seus descendentes.

Calafate, Carramila, que deixaram aos seus descendentes. Muito do seu negócio da venda do peixe,

Muito

do

seu

que deixaram aos seus descendentes. Muito do seu negócio da venda do peixe, especialmente do sável,

negócio da venda do peixe, especialmente do sável, fataça, barbo, tinha um destino: o norte do país, especialmente nas zonas do Porto e Coimbra. O pescado, era enviado através do comboio, a partir da estação de Muge, em cestas de vime, enrolado em espadanas frescas. Os pescadores cagaréus, na sua actividade piscatória usavam uma pequena bateira (barcos de calado liso) e tinham um camarada quase sempre um homem da família, se fosse estranho pagavam e davam sustento, especialmente jovens que traziam das suas terras de origem. Quando a safra era grande, a mulher lá iam, a pé, de canastra à cabeça, percorrendo as areias de Foros de Salvaterra. Com o passar dos anos já no dobrar do séc. XX, a faina no Tejo por falta de peixe, já não atraía os mais jovens que na esperança de melhor sustento, e tendo grande espirito emigratório, foram de abalada até ao Canadá, Austrália e América. Os que ficaram depressa procuraram outras profissões, e volvido 50 anos, por aqui ainda vivem descendentes das famílias dos Lagouncha, Carramila, Carinhas, Pereira, Naia e Tavares da Cunha, que

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entre si são muito aparentados. Vimos o velho pescador João José Soares Carinhas; entretinha-se a coser em fogueiras de lume, as cordas (para as amarras dos barcos) com casca de pinheiro. Assistimos seu genro António Miranda “O Preguiça”, calafate de profissão, homem que bebia demais um dia construiu uma bateira, dentro da pequena oficina, depois teve dificuldade em a tirar de lá pela porta, teve de remodelar o seu formato.

a tirar de lá pela porta, teve de remodelar o seu formato. Ruas de Salvaterra de
a tirar de lá pela porta, teve de remodelar o seu formato. Ruas de Salvaterra de
a tirar de lá pela porta, teve de remodelar o seu formato. Ruas de Salvaterra de

Ruas de Salvaterra de Magos *No dobrar do séc. XX , habitações de Fragateiros e Pescadores “Cagaréus” Fotos: José Gameiro

139

III

OS FRAGATEIROS

Não se pode ignorar uma comunidade que eram ”Os Fragateiros”, homens marítimos que fazendo parte de uma actividade primitiva, que laborava no rio Tejo, no escoamento dos produtos necessários ao abastecimento do povo. Agora já não existem na vila de Salvaterra de Magos, e um ou outro descendente recorda com saudade uma profissão já extinta, na sua vala real. Das muitas dezenas de barcos que aportavam ao cais, dois houve com especiais funções: a Falua, e a Fragata. Do primeiro barco, havia dois em Salvaterra, o

de José Damásio e do seu filho, João Luís, e um outro de José Paulino e do filho Carlos, homens que conhecemos bem quando rapaz brincávamos por ali, na borda de água. As Faluas, de calado chato (quando de vela aberta e vento de feição parecia que voava por cima da água), transportavam de e para Lisboa duas

vezes por semana a carreira do transporte

destinadas ao comércio da vila, chegando mesmo a Coruche, e ao Alentejo dentro.

Na foto: Arrais Vicente Francisco

ao Alentejo dentro. Na foto: Arrais – Vicente Francisco das mercadorias, O cais da vala, servia

das mercadorias,

O cais da vala, servia de ancoradouro, para As fragatas - barcos de grande porte, que vinham de muitas partes do Tejo, para angariarem os mais diversos transportes de produtos e delas guardou boas

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recordações nas suas memórias, o Arrais Vicente Francisco, nas suas memórias em dois livros editados pela Câmara Municipal de Salvaterra de Magos. Vicente Francisco, dá-nos conta em fabulosas narrações escritas desta faina marítima, que pertence a um passado da vida diária nas águas do rio, e que terminou por volta de 1951, quando da construção da ponte de Vila Franca de Xira.

quando da construção da ponte de Vila Franca de Xira. 1950 – Fragatas No cais da
quando da construção da ponte de Vila Franca de Xira. 1950 – Fragatas No cais da

1950 Fragatas No cais da Vala Real Salvaterra de Magos Fotos: Alex. Cunha

Várias gerações de Fragateiros, passaram por Salvaterra, algumas deixaram nome de grandes navegantes, caso dos Soares, também

Estes navegantes, em parceria com

os pescadores “Varinos”, não deixavam de ter a seu encargo a decoração do largo vizinho da Capela, quando das procissões de Nossa Senhora, transportando mesmo o seu andor pelas ruas da vila.

conhecidos pela família Diogo

das procissões de Nossa Senhora, transportando mesmo o seu andor pelas ruas da vila. conhecidos pela

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IV

A GASTRONOMIA

No dobrar do século XX, a actividade no cais da vala de Salvaterra, entra em declínio, após a construção da ponte sobre o rio Tejo, em Vila Franca de Xira, até ai, os fragateiros na sua alimentação, tinham um prato que ficou famoso “A Caldeirada à Fragateiro” para além de ser uma refeição entre a faina do dia-a-dia, quantas vezes convivas não foram recebidos a bordo daquelas embarcações para uma boa almoçarada, em passeios nas águas calmas do rio, em plena época de Verão. Fragateiros como: João Maria Côdea, João Tapada e Manuel Galvão, homens que tinham “dedo” para a culinária, deixaram nome, que ainda vai perdurando, e são agora percursores destes modernos cozidos, encontrados na restauração do concelho de Salvaterra de Magos Entre as comunidades pescadoras que viviam no rio Tejo (Varinos e Avieiros), na feitura do mesmo prato usando os mesmos peixes do rio, tinham sabores/ paladares diferentes.

ENSOPADO DE ENGUIAS

(Fragateiros)

As enguias depois de bem lavadas abertas e limpas, são levadas ao lume num tacho, ou panela. Para uma mesa de 4 pessoas, 2/3 Kgs deve chegar, onde entra os seguintes ingredientes: Pimentos encarnados,

142

Louro, Colorau, Piri-piri, Cebola, Alho, Coentros, Pimentos verdes, Salsa, Tomate (maduro) e Sal - q.b. A preparação do refogado, faz-se com os produtos acima descritos sem esquecer de juntar o vinho branco que é o liquido principal e, de grande importância. Quando este estiver cozido, passa-se o molho por cima das enguias, e estas são cozidas, temperadas com sal e piri- piri. O pão torrado em pedaços grandes, ou fatias (também se usa frito), deve estar em descanso (frio). Depois de estar pronto, serve-se em pequenos tachos de barro, onde previamente no fundo foram inseridos pedaços, ou fatias de pão torrado (ou frito), a fechar o ensopado salpica-se com coentros.

(ou frito), a fechar o ensopado salpica-se com coentros. A CALDEIRADA DE ENGUIA (Pescadores Cagaréus) Os

A CALDEIRADA DE ENGUIA (Pescadores Cagaréus)

Os Pescadores, oriundos da Murtosa, que em Salvaterra, vinham fazer a sua pesca sazonal, em tempo de Inverno/Primavera, utilizavam a Enguia, como um prato de grande requinte para a família, ou mesmo em dias de receberem visitas. A Caldeirada era um prato simples de confecção que em tempo de fartura estava sempre na mesa. Numa refeição para 4 pessoas usava-se cerca de 2/3 Kgs, de enguia que estando aberta e bem lavada (algumas famílias temperavam algumas

143

horas com vinagre/ou limão), recebia a cosedura. Ingredientes Água, Azeite, Sal, Alho, Louro, Cebolas e batatas (às rodelas) e hortelã q.b.

Louro, Cebolas e batatas (às rodelas) e hortelã – q.b. *Algumas vezes (por ser mais barato)

*Algumas vezes (por ser mais barato) eram usadas o molho do toucinho (unto), em substituição do azeite. * No caso do colorau e pimenta, também se usava a pimenta de açafrão (Amarela).

Preparação No fundo de um tacho de barro ou de alumínio de boca larga e com tampa, eram colocadas as cebolas às rodelas, por cima uma camada de batatas. Em cima destas, uma camada de enguias que recebiam uma outra de batatas que, fecha com uma ou duas cebolas às rodelas.

AÇORDA DE SÁVEL

(Avieiros do Escaroupim)

Ingredientes: - Sável, Azeite, Alho, Água, Salsa, Sal, Pimenta. Piri-piri, Pão e Óleo para fritar o peixe. q. b. para 4 pessoas. Confecção: - Cozem-se as ovas, com a cabeça e o fígado do sável, em água temperada com sal. Depois da cozedura, o caldo é “passado e limpo” para ensopar o pão cortado às fatias finas, já colado num tacho.

O pão depois de “embebedado” é mexido para ser desfeito. Em frigideira tapada, o azeite com o alho esmagado, ou cortado, vai ao lume e depois de fritos os alhos são retirados.

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Com o azeite rega-se a açorda, que volta ao lume e para não pegar vai-se mexendo. A pimenta, o piri-piri, e a salsa picada são agora introduzidas. O Prato serve-se ainda quente em tacho de barro apropriado. O sável cortado às postas finas, depois de frito em óleo, é servido em recipiente próprio.

depois de frito em óleo, é servido em recipiente próprio. ************ ********* * segundo hábitos primitivos

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* segundo hábitos primitivos e conservados no tempo, algumas famílias

pescadoras da área da Murtosa, faziam; no fritar do peixe e da enguia,

em vez do azeite/ ou óleo, usava o toucinho de porco derretido em frigideira, com lume brando um pouco salgado,.

*No tempo da sardinha assada, via-se em algumas famílias, escamarem

a sardinha, e quando limpa (marinavam) em vinagre/ ou limão, depois eram assadas em lume baixo

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a sardinha, e quando limpa (marinavam) em vinagre/ ou limão, depois eram assadas em lume baixo
a sardinha, e quando limpa (marinavam) em vinagre/ ou limão, depois eram assadas em lume baixo

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Nota: As fotos acima publicadas: Pescador Varino Manuel José Pereira entrevistado para a Revista “O Seculo Ilustrado” * Maria Naia da Silva e sua irmã Rosa Antónia Naia filhos de Pescadores de origem Da Murtosa

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V

O MÊS DA ENGUIA EM SALVATERRA!

O Restaurante Típico Ribatejano, já em 1955, punha à disposição da sua clientela, o famoso prato “Açorda de Sável”, a sua procura durou cerca de 30 anos, data em que a empresa fechou a actividade.

Em Março de 1996, numa iniciativa e patrocínio da câmara municipal de Salvaterra de Magos, o então presidente José Gameiro dos Santos, deu início ao mês da enguia, como tema gastronómico e turístico no concelho. Para o primeiro evento demos a nossa colaboração, com a ajuda de alguma informação que guardávamos.

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em atribuir Março, o mês da Enguia ficou, e este

acontecimento turístico, com a participação da restauração local, faz chegar ao concelho milhares de visitantes, em busca destes pratos, que um dia foram alimentação das gentes da borda de água

O

hábito

foram alimentação das gentes da borda de água O hábito VI A CASA MUSEU DO PESCADOR

VI

A CASA MUSEU DO PESCADOR AVIEIRO

borda de água O hábito VI A CASA MUSEU DO PESCADOR AVIEIRO Na década de 80,

Na década de 80, do séc. XX, das primitivas casa abarracadas, construídas em madeira, já poucas existiam, e para conservar a memória deste povo que, um dia veio do mar até ao rio, sob proposta do vereador, Joaquim Mário Antão, a câmara municipal, comprou uma para Casa Museu e

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iniciou um projecto para aproveitamento turístico de toda aquela zona ribeirinha ao Tejo.

turístico de toda aquela zona ribeirinha ao Tejo. Nos dias que passam, no Escaroupim, uma meia

Nos dias que passam, no Escaroupim, uma meia dúzia de pescadores avieiros ainda tiram o seu sustento da pesca, no Tejo, pois o peixe como: Sável, Fataça, Saboga, Barbo e Enguia, que um dia levou os seus antepassados ali a fixarem-se, já pouca abunda naquelas águas.

VI

EXPLORAÇÃO TURÍSTICA

No ano de 1999, notícias corriam que, várias zonas do rio Tejo, seriam arranjadas no campo urbanístico, com um programa apropriado, onde a intervenção do estado e das câmaras municipais, seria proporcionar para além das obras de recuperação, há muito identificadas nas suas margens, poderiam dar lugar a locais de atracção turística.

poderiam dar lugar a locais de atracção turística. O Escaroupim, e a Vala Real, estavam planos!

O Escaroupim, e a Vala Real, estavam planos!

incluídos nesses

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Em 2003, o programa foi executado, e os espaços, que receberam as obras, foram transformados, sendo agora diariamente mais visitados, deseja-se que o turismo os descubra.

No Escaroupim, na Praia Doce, ou no Cais da Vala real, foram colocadas novas “Casotas em Madeira”, que pela sua construção, nada têm a ver com as originárias que um dia por ali foram construídas pelos avieiros.

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Alves Redol e os Pescadores Avieiros

Andas tola, andas vaidosa, em namorares um varino; também eu tenho vaidade Em namorar um campino.

!

Eu, não quero ir ao campo, que lá faz muito calor ! Eu, não quero ser campina, Quero o meu bem, que é pescador

(In - “Cancioneiro do Ribatejo”

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AO RIO TEJO

Primavera tem várias flores, Mas nenhumas são iguais, Primavera vai e vem com flores A mocidade, não volta mais ! A mocidade não volta mais

Já o vi com a maré subir, E com água dos montes a descer ! Mas só deixa de existir Quando o que é, deixar de ser !

Meus pais, foram-se embora Teve barcos varinos nas margens

(In) Vicente Francisco “ Arrais Vicente”

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BIBLIOGRAFIA USADA:

Os Avieiros Alves Redol

“In Cancioneiro do Ribatejo” – Alves Redol

Recordações de Navegação, e Cantos do Tejo

- Vicente Francisco

Francisco Câncio 1957 – “Vida Ribatejana”

Cantos do Tejo Vicente Francisco (2ª Edição)

Salvaterra de Magos “Uma Vila no Coração do Ribatejo” Monografia 1ª, 2 e 3ª Edição do Autor

Anais de Salvaterra de Magos José Estevam 1959

Os Avieiros (Nos Finais da Década de Cinquenta) Maria Adelaide Neto Salvado 1985

* Boletim Municipal da Câmara Municipal de Salvaterra de Magos

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FOTOS USADOS:

* Maria Adelaide Neto Salvado (1950) * Alexandre Varanda da Cunha (1945/50. * Autor (José Gameiro) - 1968

Pág. 133 Família de Pescadores Avieiros, no barco * Pág. 134 Rancho Folclórico dos Avieiros do Escaroupim 1950 * Grupo de mulheres Avieiras, no Escaroupim, junto ao lume, fazendo a comida e reparando as redes * Pág. 135 Conjunto de habitações em madeira, dos pescadores do Escaroupim 1950 * * Pág. 137 Calafate Pintado Bateira, Vala real (1950) * Pág. 138 Mulher Varina, com Canastra à Cabeça * Pescador Varino:Manuel Pereira, pescando na Vala real Pág. 148 Habitação de uma família de Avieiros, construída em madeira (com o seu varandim), adquirida pela câmara municipal de Salvaterra de Magos, para Casa Museu do povo do Escaroupim, em 1980 * A mesma casa já recuperada e pintada * Pág. 149 - Casotas em madeira instaladas no Escaroupim, Praia Doce e Cais da Vala de Salvaterra, em 2003.

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INDICE:

I – OS AVIEIROS …… ……………….

Pág. 133

II

- OS PESCADORES VARINOS/CAGARÉUS …

Pág. 137

III OS FRAGATEIROS ………………

Pág. 140

IV – GASTRONOMIA ……

Pág. 142

- Pág. 143 ………Ensopado de Enguia (Fragateiros)

- Pág. 144 ……

Caldeira de Enguias (Pescador Varino/Cagaréu)

- Pág. 145 ……

Açorda de Sável (Pescadores Avieiros)

V A CASA MUSEU DOS PESCADORES AVIEIROS Pág. 148

VI EXPLORAÇÃO TURISTICA ……

Pág. 149

CADERNO DE APONTAMENTOS N.º 12 Documentos para a história de SALVATERRA DE MAGOS * Séc.
CADERNO DE APONTAMENTOS N.º 12 Documentos para a história de SALVATERRA DE MAGOS * Séc.

CADERNO DE APONTAMENTOS N.º 12 Documentos para a história de

SALVATERRA DE MAGOS

* Séc. XIII Séc. XXI *

de SALVATERRA DE MAGOS * Séc. XIII – Séc. XXI * UM SONHO, UMA REALIDADE Património:

UM SONHO, UMA REALIDADE

Património:

Geográfico, Monumental, Cultural, Social, Político, Económico e Desportivo

Monumental, Cultural, Social, Político, Económico e Desportivo O Autor JOSÈ GAMEIRO ( José Rodrigues Gameiro)

O Autor JOSÈ GAMEIRO (José Rodrigues Gameiro)

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Primeira Edição

FICHA TECNICA:

Titulo:

O PARQUE INFANTIL, E AS SUAS PISCINAS ! “ Um sonho que se tornou realidade !” *****

Edição revista e aumentada ****

Tipo de Encadernação: Brochado

Autor: Gameiro. José Colecção: RECORDAR, TAMBÉM É RECONSTRUIR ! Editor Gameiro, José Rodrigues Edição: 100 exemplares A5 (Brochado) * Março 2007 Morada: Bº Pinhal da Vila