You are on page 1of 206

VOLUME I

CADERNOS DE APONTAMENTOS Nº 0 - 6

SALVATERRA DE MAGOS
Documentos para a História
de
Séc. XIII – Séc. XXI
Património Geográfico, Monumental, Cultural,
Social, Político, Económico e Desportivo

Autor
JOSÉ GAMEIRO
(José Rodrigues Gameiro)

2

Aos leitores:

Tudo começou na adolescência.
Foi um desejo sabermos a verdade da
terra onde nascemos - Salvaterra de Magos.
Foram anos a fio de trabalho e canseira,
que nos deu encanto e prazer,
Do que lemos e vimos, “nasceu” o gosto de
comunicar o que encontrámos.
Agora, modestamente aqui mostramos,
damos a conhecer; é simples “é pouca coisa”
Sempre são seis volumes da história do povo,
Será a lembrança, de que um dia vivemos !..

3

Fotos da Capa do Volume I - Fonte de Santo António, Construção
conhecida antes de 1788, destruída em 1951, no Antigo Largo Santo
*António, junto à Câmara Municipal * Edifícios que serviram de
Cinema e Teatro

4

VOLUME I
Colecção de Cadernos de Apontamentos
Recordar, Também é Reconstruir !

********

Autor: Gameiro, José
Editor: Gameiro, José Rodrigues
Edição: Março 2015
Capas e composição do Autor
Morada: B.º Pinhal da Vila – Rua Padre Cruz, 64-1º
Localidade: Salvaterra de Magos
Código Postal: 2120-059 SALVATERRA DE MAGOS
********

5

************************

2ª Edição Revista e Aumentada
************************
Contactos: Tel. 263 504 458 * Telem. 918 905 704
e-mail: josergameiro@sapo.pt
*******
O autor deste volume não segue o acordo ortográfico de 1990

6
JOSÉ RODRIGUES GAMEIRO

Indíce:
COLECÇÃO - RECORDAR, TAMBÉM É RECONSTRUIR !

Cadernos/ Livros:
0 - Apresentação
1 – Monumentos e Edifícios de Interesse Público
2 – Foros de Salvaterra (Uma terra que já foi Coutada Real)
3 – A Propósito de Toiros em Salvaterra de Magos
4 – Restaurante Típico Ribatejano
5 – A Misericórdia de Salvaterra de Magos
6 – Os Teatros e Cinemas que existiram na Vila

7

Caderno de Apontamentos Nº 0

SALVATERRA DE MAGOS
Documentos para a História
de
Séc. XIII – Séc. XXI
Património Geográfico, Monumental, Cultural,
Social, Político, Económico e Desportivo

8
Primeira Edição

FICHA TECNICA:
Titulo: O PORQUÊ DESTA EDIÇÃO
Tipo de Encadernação: Papel A5 Brochado
Autor: Gameiro, José
Editor: Gameiro, José Rodrigues
Morada: B.º Pinhal da Vila – Rua Padre Cruz, Lote 49
Localidade: Salvaterra de Magos
Código Postal: 2120-059 SALVATERRA DE MAGOS
ISBN: 978– 989 – 8071 – 00 – 1
Depósito Legal: 256452 /07
Edição: 100 exemplares * Março: 2007
*************************
Capa:
Foto da extinta Fonte de Santo António - 1930

9

*****************************

2ª edição Revista e Aumentada * Março 2015
*******************************
Contactos * Tel. 263 504 458 * Telem. 918 905 704
e-mail: josergameiro@sapo.pt
**************
O autor deste texto não segue o acordo ortográfico de 1990

10

O MEU CONTRIBUTO
Ao longo de muitos anos, estudamos e guardamos
documentos, fazendo um arquivo documental e fotográfico, que
para nós é um pequeno espólio. da história da terra onde
nascemos – Salvaterra de Magos. São documentos originais ou
cópias que vem do séc. XIII, até
aos nossos dias. Algumas
famílias com raízes profundas
nesta
terra,
possuem
documentos e peças importantes
que, podem ajudar a conhecer e
compreender melhor o passado
desta vila, Um dia tomamos boa
nota disso quando me facultaram o seu acesso.
A feitura desta colecção de Apontamentos – “Recordar,
Também é Reconstruir!”, foi a melhor forma encontrada de
divulgar vários temas como: Património Geográfico,
Monumental, Cultural, Social, Político, Económico
e Desportivo. O caderno tem (tamanho de bolso) com poucas
páginas cada um, sabendo que o leitor gosta de ter ao seu
alcance uma rápida e fácil informação, que começa neste
Apontamento Nº 0, e termina no Nº 45.

11

Professores e estudantes, até o simples visitante, sempre
curiosos das coisas desta terra, quando nos procuram nunca
deixam de “beber” neste pequeno arquivo, sabendo de antemão,
que estão perante um trabalho de carolice. que decerto fará
cobiça a um qualquer investigador na área da história deste
concelho. O titulo, já o tínhamos usado numa série de artigos
publicados nas páginas do Jornal Vale do Tejo, semanário de que
fomos seu secretário de redacção. Deste espólio, documental e
fotográfico, já fizemos muitas utilizações, conforme as
necessidades; desde o campo jornalístico, à feitura da
monografia, editada com o título: SALVATERRA DE MAGOS – UMA
VILA NO CORAÇÃO DO RIBATEJO, em 1985 e 1992, ambas com
edições esgotadas. Uma outra edição – a 3ª também teve lugar
em setembro de 2014, quando da homenagem pública que o
município de Salvaterra nos prestou. Porque muito do
património monumental da vila, que enriquecia a sua urbanização
que vinha de séculos, desapareceu por causas diversas: fogos
(Paço Real e Casa da Ópera), terramoto (1909), que destruiu o
Hospita,l e a Casa da Gafaria, anexa à Capela da Misericórdia, que
durante séculos serviu para dar aposentadoria a pobres e
peregrinos. As mazelas, que durante anos estiveram à vista no
Palácio da Falcoaria por usos indevidos, cujas culpas terão de ser
imputadas aos cidadãos, seus proprietários daquele tempo, e
serão também assacadas aos que serviram as autarcas locais –
Junta de Freguesia e Câmara Municipal, que em devido tempo não
tomaram as decisões adequadas. Todas elas não as deixamos de

12
aqui registar, nas páginas desta edição para que constem como
por exemplo: Pelourinho, Fontes e Fontanários entre outros.
De tudo, deles só nos resta a sua recordação na leitura das
muitas páginas dos livros ao nosso dispor. Nos dias que correm,
veja-se o estado lastimável, das Chaminés das antigas Cozinhas
do extinto Palácio Real de Salvaterra de Magos, que sendo de
particulares, no inicio da década de 20 do séc. XXI, sofreu graves
danos, depois da autarquia ter autorizado uma nova urbanização
ao lado. A comunicação social, em tempo oportuno, sobre o
assunto fez notícia.
No decorrer deste trabalho, decerto o leitor, vai encontrar a
nossa presença, com uma ou outra descrição pessoal em alguns
temas, tal justifica-se, porque neles participamos pessoalmente,
vivendo-os, ou andamos por lá perto. Os jovens sempre
vulneráveis aos Contos e Lendas, são eles muitas vezes
confrontados com informações pouco precisas em casos
ocorridos na vila e, que agora fazem parte dos fólios da sua
história.
Estes, são levados a considerar toda essa informação como
verdadeira, até porque são prestadas por entidades e
publicações públicas, que deveriam ter mais recato nelas
. Por nós, desejamos que isso não aconteça! Decerto o leitor, vai
encontrar nesta trabalho, alguns erros e omissões, pois não
sendo uma obra requintada em palavras bonitas e pomposas, que
aliás as não sabemos escrever, notando-se ao longo da edição a
minha falta de formação académica, especialmente na literacia

13
usada. Em muitos números, o leitor vai encontrar, talvez um
excesso, de referências à vida rural de Salvaterra de Magos e do
seu concelho, mas tal não deverá estranhar-se, pois são daí as
raízes profundas da sua população. “Recordar, Também é
Reconstruir” sendo uma obra, em 42 Cadernos agrupados do
volume I ao volume VI, que são editados em sistema brochado –
em tamanho papel A5, sem aquele cuidado gráfico desejado, por
isso, aqui fica desde já o nosso pedido de benevolência, dos
leitores.
MARÇO: 2015

O Autor
José Gameiro

14

CADERNO DE APONTAMENTOS * Nº 1
DOCUMENTOS PARA A HISTÓRIA
de

SALVATERRA DE MAGOS
Séc. XIII – Séc. XIX

Património:
Geográfico, Monumental, Cultural, Social,
Político, Económico e Desportivo

15

Fotos da Capa: - Fonte do Arneiro * Palácio da Falcoaria * Antiga
Capela do Paço Real da Vila * Chaminé das Cozinhas do extinto Paço
Real – Séc. XIX

16

Primeira Edição
FICHA TECNICA:
Titulo: MONUMENTOS E EDIFICIOS DE
INTERESSE PÚBLICO
Tipo de Encadernação: Papel A5 Brochado
Autor: Gameiro, José
Editor Gameiro, José Rodrigues
Capa: Editor
Morada: B.º Pinhal da Vila – Rua Padre Cruz, L 49
Localidade: Salvaterra de Magos
Código Postal: 2120- 059 SALVATERRA DE MAGOS
ISBN 978– 989 – 8071 – 01 – X
Depósito Legal: 256453 /07
Edição: 100 exemplares * Março de 2007

*****************

17

*****************************

2ª edição Revista e Aumentada * Março 2015
*******************************
Contactos * Tel. 263 504 458 * Telem. 918 905 704
e-mail: josergameiro@sapo.pt
**************
O autor deste texto não segue o acordo ortográfico de 1990

*****************************

18

O MEU CONTRIBUTO

Eramos uma turma de mais de 40 alunos, repetentes da 3ª
classe da instrução primária, que transitara
para a profª Natércia Assunção. Para nos
aproximar dos seus primitivos alunos, davanos aulas na sua casa, uma hora por dia à
tarde. Foi de ver aquela rapaziada
espalhada pelo espaço ajardinado. Em
frente, pequenas habitações, com telhado
de meia-aba, rodeavam um edifício de construção redonda,
caiado de branco, era o Pombal, da Falcoaria, Esta última
apresentava um estado de muita degradação, ambos vinham do
séc. XVIII.
A curiosidade entre nós era tanta, que pedimos à Professora,
que fizéssemos uma visita .Obtida a autorização ao Pombal, lá no
seu interior apreciamos na parede redonda, 310 buracos, que
eram os ninhos onde os pombos criavam, para alimentarem e,
servirem de treino os falcões,, no entanto estava cheio de
mobílias velhas. À antiga falcoaria real de Salvaterra de Magos,
não foi permitida, pois servia de Armazém e Celeiro, o seu
exterior, mostrava alguma transformação.

19

O pouco património monumental, da época manuelina, ainda
existente na vila, tinha acabado de ser considerado de “interesse
público” num lote que incluía a Igreja Matriz, do séc. XIII, onde a
pedra de lioz, não polida nos portais e janelas sobressai na sua
construção, a antiga Capela e as grandes Chaminés ainda
existentes, que foram das cozinhas, construções que restavam
do paço real de Salvaterra de Magos. Nós tínhamos nascido, por
ali, em menino brincamos dentro daquelas chaminés, uns anos
mais tarde, já zagalote interessamo-nos da origem da vila, pois
esta tinha três ou quatro prédios, tipo palacete, com suas
frontarias forradas a azulejos, e numa delas encimava no telhado
umas caixas em madeira, com janelas envidraçadas – os
miradouros. Estas construções estavam em contraste, com as
moradias existentes na vila, que eram rasteiras e pintadas a cal
com barras de azul. Dois Fontanários vindos de séculos; um junto
à câmara, e que o povo conhecia como; Fonte de Santo António e
uma outra conhecida por Fonte do Arneiro. A partir de 1968, já
colaborador assíduo, no jornal “Aurora do Ribatejo” não deixava
de dar a conhecer a riqueza do passado histórico de Salvaterra
de Magos.
MARÇO 2015

O Autor
José Gameiro

20

AS CONSTRUÇÕES
A vila, passou por vários contratempos, no campo urbanístico,
especialmente com os terramotos de Lisboa, em 1755, e os
outros de 1855 e 1909.
A mão humana, também não está isenta de culpas da
desvalorização do património local. No dobrar do séc. XX, apenas
alguns vestígios de “monumentos” foi resguardado, através de
leis públicas de 1958. Viam-se, algumas casas de grandes
dimensões, tipo solarenga que vinham do séc. XIX, mas a
construção de habitações já assentava em imóveis de andares,
especialmente um fogo acima do rés-do-chão.
As habitações do povo, de parcos recursos mantiveram-se na
pequena construção de uma casa, com porta de entrada em
madeira, por vezes incluía um pequeno postigo, ou na fachada
uma janela. Duas, ou três divisões, com um sótão, por cima de
uma delas com acesso através de escada de madeira, no espaço
que servia de cozinha, onde nesta se encontrava a chaminé de
grande boca,
Nas paredes exteriores era usado os adobes, com uma barra
de tijolo a intercalar, sendo o reboco de cal. A maioria tinha a
configuração de meia-água, para o exterior (rua), coberta de
telha de canudo, ficando a outra parte, menos visível, pois dava
para um quintal. A pintura com cal, conjugava-se com a barra de

21
cor azul ou amarelo. O tipo de decoração das frontarias, em
azulejo, vieram juntar-se-lhes, já no dobrar do seculo XX,
juntando-se ao palacete da família Costa Ramalho, na rua Alm.
Cândido dos Reis, família Roberto, no Largo da Igreja Matriz, após
a morte dos tios beneméritos, e uma outra na av. José Luiz Brito
Seabra, que pertenceu a António Jorge de Carvalho e a moradia
da família Oliveira e Sousa, junto à capela da Misericórdia.
Estas eram grandes construções, onde os seus proprietários,
absorveram a “grandeza” mostrada no país, pelos novos-ricos
vindo do Brasil e África.
A REAL FALCOARIA EM PORTUGAL
Já em 1210, mais propriamente a 28 de Dezembro daquele ano,
pode ler-se um correio sobre a arte de caçar com aves de
rapina, desde os primeiros séculos da nacionalidade portuguesa.
Sabe-se que esta prática de caçar, à muito era usada pelo povo
“Mouro” que vivia nas terras, que deram origem a Portugal, como
país. Baeta Neves, que se socorreu das pesquisas efectuadas por
Rui de Azevedo, P. Avelino de Jesus da Costa e Marcelino
Rodrigues Pereira, publica parte desse documento na Separata
do Boletim da Sociedade de Geografia de Lisboa.
“A dhuc concedo ut nunquam teneatis in domibus nestris meos
aztorarios neque falcoanarios neque blistarios neque detis eciam
bestias meis aztoraiis neque falconariis quod ducant illas ad
ripariam”

22

A tradução para o português actual poderá ser o seguinte:
“..... Além disso proíbo que dês aposentadoria aos
meus açoreiros, falcoeiros e balistários e também
que dês os vossos animais aos açoreiros e
falcoeiros para os levarem ao rio....”
Este documento, é parte da correspondência que o rei enviou
ao Bispo de Coimbra, onde isentava todo o clero de irem ao
fossado, e a qualquer outras expedições, a não ser contra os
mouros que invadem o país.
D. Pedro I, cento e cinquenta anos depois, numa sua carta de 22
de Fevereiro de 1366, faz doação a Luiz Anes, Falcoeiro do rei em
Salvaterra de Magos, de duas casas, uma olaria e um barreiro, e
ainda uma terra de bacelo, na região de Beja e em seu termo.
Esta doação engloba também seus filhos – demonstrando
assim o seu apreço por quem tem apreço, em quem desempenha
tal cargo. Com o decorrer dos séculos, cada vez é mais forte o
gosto pela caça de Altanaria em Portugal, onde os monarcas vão
assinando leis de protecção às aves de rapina e dando novas
regalias a quem delas tratava com desvelo e carinho.

23

PALÁCIO DA FALCOARIA REAL
Nas extremas com o concelho de Benavente, para Poente da
vila, foi construído o edifício apalaçado, da Falcoaria de
Salvaterra de Magos, e seus anexos, como casas de habitação
dos falcoeiros e pombal. Todo este conjunto de construções vem
do séc. XVIII, e alguns historiadores dizem que o rei D. José,
iniciou tal obra, que chegou aos nossos dias, mesmo que, em
grande parte adulteradas na sua traça original.
Segundo, Joaquim Silva Correia e sua filha, Natália Correia
Guedes, no livro, O PAÇO REAL DE SALVATERRA DE MAGOS, editado
de parceria com a câmara municipal local, encontraram
documentos que a construção do Palácio da Falcoaria, remonta à
época do reinado de D. João IV Aquele rei, sendo um grande
amante da caça, aproveitou a Coutada de Salvaterra, para tal
prática, no entanto teve o seu apogeu com o rei D. José.
Nos anos de 90, do século passado, os autarcas; António
Moreira e José Gameiro dos Santos, dedicaram grande empenho
quer na recuperação daqueles velhos edifícios que mostravam
os telhados a caídos (1), quer na volta da tradição da arte da caça
de altanaria, o que levou à feitura de projectos para destiná-los
ao turismo local, desejado ali albergar um Museu de Falcoaria.
.

24

Anos 70 séc. XX – estado de conservação Palácio Falcoaria
Fotos de José Gameiro

O Pombal
Uma bonita e original construção, suporta nas paredes do seu
interior 310 “buracos”, onde os pombos criavam, para servirem
de alimentação e treino às aves de caça, como : Falcões, Açores e
Gaviões. Para a concretização de tal empreendimento, levou a
uma geminação de boa amizade cultural, com Valkansuard, vila
holandesa com afinidades com Salvaterra, pois daí vieram alguns
falcoeiros.

25

Tal irmandade, foi concretizada com assinatura de protocolos,
havendo troca de festejos nas duas povoações,. Em Salvaterra,
na ocasião foi inaugurada uma estatueta de um falcão num
conjunto de fontanário, num Largo da vila. Desde 1997, as obras
da Falcoaria em Salvaterra, continuam num projecto de
recuperação em aberto, pois o turismo local, muito tem a lucrar
com tal concretização.

Anos 70 séc. XX * Foto José Gameiro

A FONTE DO ARNEIRO
O século XIX, estava nos últimos anos, os terrenos que
pertenciam ao Arneiro da vila, ainda recebiam as águas pluviais,
encaminhadas através da Azinhaga da vila, com destino à vala
real, através do campo. A Fonte do Arneiro, fornecia a população,
a par de muitas outrs nascentes na povoação O mapa da vila de
Salvaterra de Magos, de 1788, dava conta da existência daquela

26
“Fonte”, até porque nas suas pedras abobadadas da entrada,
ainda agora se pode ler, o ano de 1711. É de uma arquitectura
pesada, onde lhe foi mais tarde fixado reboco a cal e, as pedras
da sua escadaria, são de lioz, não polido. Do interior, na frente,
sai água numa corrente constante através, de dois tubos em
ferro, para uma pequena caixa no chão, que estando sempre
cheia, esgota depois através do campo para a vala real.
Na frente, junto às bicas, existe
uma porta de ferro, parecendo não
ser a original, que dá acesso a uma
conduta em forma de túnel - trás a
água da nascente/ ou mãe d’ água
que, segundo informações remotas
vem das terras junto ao convento de Jericó que, fica a alguma
distância do local. (1) A esta fonte, estão ligadas algumas
histórias da vila, especialmente as da roda de pedra. (2)

****************
******************1–
Em 1988, José Caleiro, homem que viveu em 2 séculos, informou o
autor, que enquanto jovem entrava dentro do túnel para fazer a sua
limpeza de ervas aquáticas * 2 - Em 1983 foi colocada no local uma
rosa em pedra (simbolizava a que existiu onde os
Ferreiros/Carpinteiros trabalhavam as rodas dos carros)
****************
*****************

27

A FONTE DA PETEJA (*)
Mina/ Nascente já referenciada, antes da delimitação do
concelho de Salvaterra de Magos, com o vizinho de Benavente,
séc. XVIII De uma construção em tijoleira, situando-se numa
barreira, nos terrenos com o mesmo nome, próximo do palácio
da Falcoaria. A entrada bordada a pedra, apresenta agora no
seu interior, uma água esverdeada, pela falta de uso à muitos
anos, e pela sombra a que está sujeita. A escassos metros existe
uma ponte de acesso ao Tejo, que pela sua construção é atribuída
à época romana.

*********
Na Foto; 1983 - Junto à Fonte
/Mina de água da Peteja,
Ângelo Gameiro – Foto de
José Gameiro
*******

A FONTE DE SANTO ANTÓNIO
A sua construção vinha de séculos, larga de espaço, talvez em
meia-lua, com as paredes forradas a pedra de mármore rosado.

28
A sua nascente vinha de um terreno ainda distante através de
um subterrâneo/túnel, com a água a correr constantemente por
duas bicas de pedra. Tinha na parede frontal ao meio uma porta
em madeira para visitas de limpeza. Por volta de 1936, no seu
espaço livre foi construído um depósito, que recebia água de uma
bomba movida a motor – para abastecer as habitações que
incluía também a zona da Igreja Matriz. No dobrar do séc. XX,
ainda se via o excedente da água correndo a céu aberto, por um
pequeno regato pela Trav. do Secretário, enchendo um grande
bebedouro em pedra, para as manadas de animais beberem
Com a inauguração da rede de água à vila de Salvaterra , em 1951,
o depósito foi destruído por volta de 1955, tal sorte coube
também ao fontanário em 1957.

1987 – Mãe-de água * Fotos de uma Reportagem fotográfica – José Gameiro

29

Fontanário S. António – foto 1936 (Alex. Cunha)

A CAPELA DA MISERICÓRDIA
Templo que foi entregue à Misericórdia de Salvaterra de
Magos, mas tempos houve que servia para a realeza rezar,
quando das suas viagens de e para Lisboa, através da vala real
pelo rio Tejo.
A capela, tinha um anexo, uma Albergaria (pequeno hospital), que
servia de apoio aos rejeitados pela sorte e peregrinos, cujo
caminho destino era Santiago, em Espanha. O Albergue como
espaço de assistência,i perdeu actividade ao longo dos séculos e
foi-se degradando, até que quando da venda dos bens da casa

30
real, a Misericórdia deixou de encontrar ali, os apoios que
recebia da

1960 - Capela Misericórdia (Foto: José Cardador)
1990 Pedra do Portal antigo edifício – Recolha de Peregrinos
Foto de José Gameiro

corte para acudir aos seus doentes. O terramoto de 1909, foi o
golpe final na sua existência, pois a estrutura do telhado e demais
divisões ruíram. No interior do templo a imagem da Senhora da
Conceição, ali permanece ao longo do ano tal como o senhor dos
passos, este abrigado no interior de uma pequena capela, saindo
este por ocasião da Procissão da Páscoa, e o andor de Nossa
senhora, no dia 8 de Dezembro Nos anos seguintes, o espaço
esteve arrendado a particulares, sendo a sua serventia, feita
através da porta existente no Botaréu – lado da rua Cândido dos
Reis.
Depois de limpo o espaço interior, os muros eram agora a sua
recordação, além da pedra em mármore, que encimava a porta

31
principal. Por volta de 1960 ali foi construído um pequeno
jardim. por iniciativa do abastado lavrador, João Oliveira e Sousa
que morava junto ao local. a pedra em mármore foi colocada ao
fundo, junto à porta que deixou de estar em uso, e nela colocado
um gradeamento em ferro A porta que antes dava acesso da
capela ao anexo, uma construção suportada pela Infante, filha de
D. Pedro II, que era devota de Nossa Senhora, ficou ali à vista no
espaço daquele novo jardim. A capela, que também foi atingida
por aquele sismo, tal como os de 1755 e 1858, ainda tem no seu
interior, nas paredes painéis de azulejos, do séc. XVIII, com
episódios da vida de Cristo e da Virgem. O seu tecto, até 1979,
era forrado com painéis de telas com pinturas (retábulos)
alusiva à misericórdia e à vida mariana, são.de um valor
incalculável.

Andor Nossa Senhora – Foto José Gameiro

O temporal daquele ano de 1979, danificou-as, e retiradas
estiveram alguns anos na capela real, recebendo por vezes
recuperação, por alunos, da Fundação Espírito Santo, de Tomar

32
que aqui vinham fazer algum estágio. A Misericórdia local, tendo
a responsabilidade de zelar pela sua recuperação e paradeiro. (1),
depressa os resguardou, numa arrecadação do seu Lar/Cendro
de Dia para Idosos. Procurámos durante muitos anos ter-lhes
acesso, em 2015 lá conseguiu, com a anuência do novo Provedor
– Francisco Viegas, lá estavam guardados numa arrecadação, na
esperança de melhores dias para a sua recuperação e colocados
no seu lugar natural a Capela da Misericórdia.
***********

(1)– Uma reportagem sobre este edifício religioso, publicada no Jornal Vale do
Tejo, em 2000, preocupava-se com o seu paradeiro e a sua recuperação como
obra de arte. – Fotos de José Gameiro

Fotos do Tecto da Capela – antes e depois 1979, e 30 anos
depois os Quadros estavam guardados no Lar da
Misericórdia

33

A CAPELA DO ANTIGO PALÁCIO REAL
Segundo a opinião de especialistas é um edifício maneirista,
construído em meados do séc. XVI, o seu interior divide-se em
duas secções distintas.
Uma delas é constituída pelo
corpo do templo de configuração
quadrada, onde sobressaem três
pequenas naves, de pequenas
colunas clássicas adoçadas às
paredes. Em outras duas colunas
, assenta uma cúpula octogonal, na outra secção, pode-se
admirar o Altar-mor, com dois corredores laterais, cuja abóbada
de berço surge de um entablamento longitudinal apoiado em c À
abóbada central e a cúpula, irrompem de fortes entablamentos,
um pouco desfigurados pela saliência, que apresentam no apoio
dos arcos-testas, possivelmente de um enxerto posterior “
Este templo no séc. XVII fazia parte do conjunto do Paço real,
tendo “sobrevivido” além de permanecer sem uso litúrgico teve
por vezes a presença dos fiéis enquanto duraram as obras de
recuperação da Igreja Matriz, que sofreu danos na sua torre e
fachada como o sismo de 1858, e também por volta de 1897,

34

ocasião em que se realizou ali a cerimónia do batizado do nosso
avô materno Neste edifício existia um bonito armário com um
pequeno orgão de tubos, que vinha de 1819, este instrumento
musical sofreu sofreu danos irreparáveis na década de 60 do
séc. XX, com a retirada dos tubos, pelas jovens crianças que
iniciavam ali o seu percurso de escuteiros. Agora para
recordação apenas se vê ali um móvel esventrado.
Fotos usadas no livro ”O Paço Real de Salvaterra de Magos”

Móvel desprovido dos tubos musicais
- Foto José Gameiro

35

PAÇO REAL
Segundo alguns cronistas o pequeno paço real, que mais
parecia uma casa de campo, existente em Salvaterra de Magos, o
seu conhecimento vem antes do contrato de casamento de D.
Brites com o rei de Castela, sucedeu-lhe um longo período de
donatários da vila, muitos deles através de trocas, até que D.
João III, em 1542, fez doação de Salvaterra ao Infante D. Luis
(1506-1555), que de seguida mandou fazer o Convento de Jericó
e, além de custear a recuperação do pequeno Paço medieval,
com ampliação, depressa este tinha um movimento de mais de
meio milhar de criados, mas com a morte do Infante, a obra que
estava a cargo do Arquitecto Miguel Arruda, ficou por concluir.
Outros reis passaram a trazer a corte para Salvaterra,
aproveitando os prazer da caça. Por volta de 1565, com D.
Sebastião a obra foi continuada, esteve aqui uma longa estadia
antes da partida para Ceuta.
Com a passagem do rei Filipe I, o edifício foi aformoseado tal
como os jardins, pois o monarca estaria uns dias em Salvaterra,
para caçar e pescar. As obras do Paço Real, prosseguem com D.
Pedro II. O seu período de grande procura, foi no reinado de D.
José, que teve a sua época áurea, com grandes estadias aqui da

36
corte, aproveitando a recuperação de Lisboa após o terramoto
de 1755. A vila de Salvaterra, também foi muito beneficiada,
muitos dos seus edifícios foram reparados de causas provocadas
por aquele sismo. Aqui aconteceu o episódio da morte do Conde
dos Arcos, num “brinco” de toiros, onde estava presente a corte
com o rei D. José, e muitos embaixadores/homens de negócios.
Uns anos depois o escritor/politico; Rebelo da Silva, deu-lhe um
cariz romanceado, que esgotava os jornais da época
.CASA DA ÓPERA
O teatro da Ópera, foi o primeiro a ser concluído de um grupo de
três. O rei D. José manteve grande empenho na construção da
Casa da Ópera de Salvaterra, visto a corte fazer aqui grandes
estadias, muitas vezes até ao Carnaval (1), ,um seu desenho de
implantação junto ao palácio, foi encontrado numa biblioteca do
Rio de Janeiro, Brasil, (2), da autoria de Carlos Mardel, cuja
arquitectura seria do italiano Bibiena. A sua inauguração
aconteceu em 21 de Janeiro de 1753, mesmo com D. Maria I, ainda
era muito usado, tendo ali num espetáculo a monarca, os seus
primeiros sinais de loucura, Com a fuga da corte para o Brasil,
após a 3ªI invasão francesa, o declínio tanto do palácio e da
Casa da Ópera, começou a notar-se.
No séc. XIX, o edifício mostrava progressiva ruína depois de
vitimizado por um incêndio, e com sinais de grande vandalismo
**********
(1)O Paço Real de Salvaterra de Magos; Joaquim Manuel Correia, e
Natália Brito Correia Guedes * (2) O Real Teatro de Salvaterra de
Magos; Aline Gallasch-Hall de Beuvink

37

com a presença das tropas da invasão francesa, e mau uso que
recebeu segundo alguns registos. Anexado ao Paço, contavam-se
cerca de uma dezena de casas, uma delas de grande vista, com
dois pisos, contando muitas portas e janelas de serventia às
Divisões interiores. Esta grande construção desembocava numa
pequena travessa, onde o secretário do paço estava instalado,
entre os arquivos, outras serviam de quartel da cavalaria. Ainda
em 1818, na noite de 27 para 28 de setembro, novo fogo de
madrugada acorda a população da vila – ouvem-se gritos; Há
fogo, há fogo no palácio !...

Mesmo com várias obras no edifício ao longo dos anos, para
acabar o seu restauro, também se contava em alguns anexos
como o que servia de enfermaria dos cavalos. Em tal sorte se
achava o telhado da Casa da Ópera, que sucumbiu com um
paredão da fachada do palácio, com o terramoto de 1858. Em 10
setembro de 1849 todas aquelas ruinas já tinham sido vendidas
em haste pública num decreto assinado pela rainha D. Maria II.

38

apenas sobrou a capela, e as chaminés das cozinhas
construções que ainda se conservam nos dias que correm.
Alguns anos depois do terramoto de 1909, o que restava da
existência do Paço Real, foi destruído com cargas de explosivos,
servindo muita da sua pedra para empedrar as ruas da vila.
Relatos de populares que colhemos, em 1989, nas entrevistas que
guardamos num DVD, com o titulo “ Em busca do Teatro da Ópera
de Salvaterra de Magos”.
CHAMINÉS DAS COZINHAS DO EXTINTO PAÇO REAL

As três chaminés que pertenceram às cozinhas do Paço de
Salvaterra, depois da venda pública, estiveram ao longo dos anos
na posse de vários particulares Manuel Vieira Lopes, por volta de
1920, foi comprar aquela propriedade num litigio judicial, no
tribunal de Coruche. Em 1958, seus filhos incluíram algumas
partes, especialmente as Chaminés no novo Restaurante Típico
Ribatejano, que estava no prolongamento do Café Ribatejano.
Durante cerca de 30 anos aqueles grandes espaço interiores,
serviram de salas, sendo muito apreciadas a sua conservação
pela clientela, com o fecho daquela unidade de restauração típica
ribatejana, os descendentes da família Vieira Lopes, ainda
conservação tudo nos seus lugares, como esperar-se voltar um
dia a laborar.

39

:

1968 e 2003 Fotos José Gameiro

40

Em 2003, uma nova urbanização foi autorizada para se instalar
junto àquelas Chaminés, com os trabalhos das máquinas as
velhas construções ficaram num estado de péssima conservação,
o que levou os seus proprietários a litigio judicial com a autarquia
de Salvaterra de Magos – visto as chaminés estarem sob a
alçada da lei, como monumentos.
A IGREJA MATRIZ
Templo religioso evocativo a S. Paulo, orago da freguesia de
Salvaterra de Magos, foi construído em 1296, um ano depois da
fundação oficial da sua vila e concelho., a pedido do Bispo de
Lisboa; João de Soalhães.
Situada no então centro da vila, é um edifício grande e bem
conservado, tem no seu interior digno de ser visto: Na Capela –
Mor, o altar de boa talha dourada onde sobressai Cristo na sua
cruz, As suas laterais, estão decoradas grandes telas, última
metade do séc. XVIII, talvez de 1761 – atribuídas a Joaquim Manuel
Rocha, como uma outra de enrolar que tapava o altar do mesmo
pintor,, também é atribuída a Bento Coelho da Silveira. Existem
dois cilhares de azulejos azuis e branco da mesma centúria com
cenas decorrentes da bíblia, que veem das reparações (1758)

41
após terramoto de Lisboa. A pia batismal, de traça vulgar é
referenciada do séc. XVI.
. Quando das obras na
segunda metade da
década de 50 séc. XX,
esta ainda existia
aquuela tela(1), de
resguardo do altar, e
um separador em grade
de ferro(2) entre este e
assembleia de fiéis..
O espaço do tecto do templo, de cor azul, onde uma linda
pintura do santo Paulo, está rodeada de anjos “voando”.
À entrada, num primeiro andar (falso) construído em madeira,
encontra-se um móvel com um órgão de tubos, construído no
séc. XVIII, foi recentemente recuperado. Numa das suas capelas
interiores, está bem resguardado, uma figura do senhor morto, e

**********
(1) - Obras vigiadas pelo Pároco da vila, Pe. José Diogo, que
também retirou o gradeamento em ferro, entre a Capela-mor e o
espaço da assembleia de fiéis (*) No chão do altar foram encontradas
algumas pedras tumulares (**) Em 1980, Na posse da família Costa
Freire, existia uma foto que nos foi mostrada, via-se a tela de enrolar

(2) - Foto publicada no Jornal Vida Ribatejana (Revista
Anual) de 1957 (*) Foto Reparação do telhado com retirada
da pintura/palavra “Salvaterra” - 1991

42

numa sala, que serve de Museu, encontra-se uma Pietá em
madeira, com boa policromia, da virgem com Cristo nos braços
após a decida da cruz – era espólio da capela real.
Quando do sismo de 1858, que muito abalou este templo, tendo
necessidade de ajuda real, a sua torre em bico, foi revestida de
azulejo azul muito usado na época. Também foi colocado um
relógio, com mostradores em três lados com números romanos e
as setas com efeitos terminando em bico, Estes foram colocados
antes das janelas dos sinos, Na obra de conservação da década
de 50 do séc. XX, o município de Salvaterra, ofereceu um outro
relógio, adquirido a uma casa da especialidade, de Almada. Um
grande adro em pedra, junto à Igreja (lado norte), deu lugar a um
acrescento, com mais divisões da Igreja.

1957 – Vedação em ferro e tela de Enrolar tapando o Altar
1999 – Obras com limpeza do telhado * Foto José Gameiro

43

Nos anos 80,, com a caída de alguns azulejos da torre, o
vereador municipal; Cassiano Oliveira, propôs a substituição de
toda a cobertura por outros iguais, que foi aceite. O Orgão de
tubos existente no coro alto, construído em madeira, ao fundo do
edifício, estava desde há muito parado, necessitava de grande
reparação, foi construído pelo organeiro; António Xavier Machado
e Cerveira, em 1825, um padre estagiário; António José Ferreira,
apreciador destes órgãos, fez um grande peditório para a sua
recuperação, que esteve a cargo da oficina e Escola Organeira,
de Esmoriz. A reconstrução da pintura do móvel, foi efectuada
pelo DRCEAAIP - Tomar
FRONTÕES RELIGIOSOS
A religiosidade da comunidade salvaterrense, perde-se nos
tempos da sua fundação, no entanto foi volta do séc. XVI, que as
manifestações se tornaram mais evidentes.

Casa Solarenga – Família Menezes – final séc. XIX
* Fotos José Gameiro – 1995 *

44
Para comemorar, os festejos que, anualmente se realizavam na
vila, e talvez por uma questão de fobia religiosa da época, muitas
das residências tinham nas suas fachadas, um FRONTÃO, que
quase sempre era ocupado por uma imagem da crendice do
proprietário. Ainda existem em Salvaterra de Magos, vários
edifícios com esse tipo de construção. Na rua Cândido dos Reis,
uma residência ainda suporta uma dessas peças alegóricas, com
uma estatueta de Santo António, com o filho nos braços, que
desapareceu, após o 25 de Abril de 1974.
PALÁCIOS E PALACETES BRASONADOS
Ao longo dos séculos, na vila de Salvaterra de Magos, viveram
famílias, que possuindo brasão, eram autorizadas a ostentá-lo,
em forma de ”Pedra de Armas ”, sendo as suas residências, local
ideal para colocar o símbolo de sangue ou doação, fruto de uma
benemerência real. As casas solarengas, um pouco apalaçadas
ainda exisrentes em Salvaterra de Magos, mostravam a opulência
dos seus proprietários, que foram lavradores bem conceituados
na terra, pela riqueza que tinham na área da agricultura. Alguns
deles além, das habitações possuíam por toda a vila vários
celeiros e adega, e albergarias e currais para manadas de gado.

45

PALACETE DOS ALMADAS

A encimar o portão, do velho Palacete, encontra-se a “Pedra de
Armas” dos Condes de Almada É uma bonita construção, bem
conservada ao longo dos tempos, está situada entre a Av. António
Viana Roquette e Av. José Luís Brito Seabra, no antigo Largo
Mártires de S. Sebastião, espaço muito flagelado com o
terramoto de 1909. Segundo alguns registos, foi construído nos
meados do séc. XIX, como Casa de Campo, sendo de realçar a sua
fachada cheia de janelas. No primeiro quartel do séc. XX, a
família Roquette tinha adquirido o imóvel, mais tarde nos anos 70,
foi comprado por Armando Leitão Cabaço que tinha, habitação e
oficina de mecânica, ali junto.

1995 Fotos de
José Gameiro

46

Pela configuração dos seus terrenos anexos com jardim, que
dão acesso a uma outra entrada à Rua Gen. Humberto Delgado,
através de um grande portão, que tem a encimar a inscrição
1846, No dobrar do séc. XX, as gerações mais antigas diziam, que
tinham ouvido aos seus avós que ali se realizaram “brincos
reais”, e tudo levando a supor que assim tenha ocorrido pela
apresentação do espaço..
PALÁCIO DO BARÃO DE SALVATERRA
Na actual rua Cândido dos Reis, ainda existe o palacete do
“Barão de Salvaterra”, que deu origem à família Viana Roquette,
ostenta numa das suas paredes (no interior), a sua “Pedra de
Armas”. Edifício mandado construir pelo 1º Barão de Salvaterra,
Luiz Ferreira Roquette Pestana de Melo Travassos, ainda ostenta
uma grande beleza, que são as suas varandas, cuja ferraria é
digna de apreciar.

47

PALACETE DA FAMÍLIA COSTA FEIRE
Na rua João Gomes, uma grande construção, ainda é
residência de descendentes da família Costa Freire, que ostenta
no seu interior, o seu brasão e, tem cópia nos museus de Sintra,
descendendo esta família do Desembargador da Corte, António da
Costa Freire, homem de grande prestigio no séc.XVIII

´

1995 - Casa solarenga – Família Costa Freire * Foto José Gameiro

48

PALACETE DA FAMILIA CONDE MONTE REAL
Construção primitiva feita pela família de José Luís de Brito
Seabra, nos primeiros anos do séc. XX, passou a pertencer a
Jorge de Melo e Faro, II Conde de Monte Real. Esta construção foi
da família de José Luis Brito Seabra, que por compromissos de
negócios financeiros, a entregou, como outros terrenos, ao I
Conde Monte Real (Artur Porto de Melo e Faro), que tinha
recebido o titulo nobiliárquico (Conde Monte Real) por decreto do
rei D. Carlos I, em 21 de Outubro de 1907, vivendo no seu palacete
em Lisboa. Por sua morte, o filho Jorge Cardoso Pereira da Silva
de Melo e Faro (II Conde de Monte Real), já na posse das
propriedades agrícolas na Lezíria ribatejana, no concelho de
Salvaterra de Magos, ao longo dos anos foi recebendo obras de
conservação. Jorge de Melo e Faro, e a Condessa, sua esposa,
passaram a fazer grandes estadias no palacete de Salvaterra.
Com a morte de ambos, o palacete continua na posse da família.

49

PALACETE DA FAMILIA OLIVEIRA E SOUSA
É uma construção que vem do final do séc. XIX, primeiros anos
do século XX, onde os azulejos sobressaem a forrar as suas
paredes exteriores. Construído, junto à Capela da Misericórdia,
ainda conservava, em 1936 no cimo do seu telhado, os Mirantes
que, dali se podia observar uma vista sobre o campo, o Tejo e em
dias limpos, as vilas da Azambuja, Cartaxo e Valada. Com o
decorrer dos anos recebeu algumas obras de conservação, os
Mirantes foram retirados, e na frente lado norte, foi construído
um muro com grade em ferro

Fotos: Anos 1936 e 1999

50
SOLAR DA FAMÍLIA ROBERTO
Casa de grande beleza para o tempo da sua construção no
largo da Igreja Matriz, ocupando espaço nas antiga rua Direita
(Rua Luís de Camões) e a Trav. do Bilbau. Em relação às outras
existentes na vila, tem a diferença de mostrar as suas paredes
exteriores, um azulejo de cor verde, foi construída com opolência
para dar guarida à família Roberto. Depois da herança recebida
dos dois irmãos: Vicente e Roberto (Bandarilheiros), quando em
actividade, adquiriram fortuna, e tiveram habitação em outras
construções nas, rua Direita e rua Cândido dos Reis (antiga rua
de S. António).

1999 - Rua Luís de Camões e Trav do Bilbau
Fotos: José Gameiro

51
EDIFICIO DA CÃMARA MUNICIPAL
Alguns documentos dizem-nos que o eedifício pertencente ao
património da rainha D. Maria II, foi doado por esta para
instalação do município. Ao longo dos tempos, poucas alterações

sofreu, para o seu acesso existia uma escadaria (deu origem a
uma rua, no final do séc. XIX). Na sua fachada, apenas se lhe
juntou uma construção existente, no seu lado esquerdo, por volta
de 1935, que tinha servido de talho municipal. Ainda mantém o
salão nobre, já com alterações à traça primitiva(1) Ao longo dos
anos nele já estiveram instalados serviços das Finanças, e posto
da GNR, que ocupou o rés-do-chão quando da sua instalação na
década de 30 do séc. XX. O Telhado e os rebocos das paredes
exteriores, nos últimos anos daquele século foram substituídos.
********
(1)No mandato de Ana Ribeiro, o tecto foi pintado de azul, voltando
A ter cor branco, em 2014, no mandato de Helder Esménio

52

PRAÇA DE TOIROS DE SALVATERRA

Um Ex – Libris

Construída num terreno oferecido pela câmara, à época
devoluto, para os lados sul da vila, na área onde ainda existiam
restos de um dos três moinhos de vento, que houve no local.
Uma ”Comissão” de homens de boa vontade, levou avante a sua
iniciativa, e a inauguração foi em 1 de Agosto de 1920, entre os
festejos houve também duas corridas de toiros, sendo depois
entregue por doação à Santa Casa da Misericórdia local. A
construção parecida com o Campo Pequeno, mesmo depois de
ter sofrido grandes danos com o Ciclone, foi recuperada em 1942,
e com festejos de uma corrida, onde esteve presente o
Presidente da República, Oscar Carmona, conserva muitos
desses traços originais. Especialistas dizem ser uma obra de
valor, para os naturais da terra é um ex-libris da vila. Com a
construção da EN 118, em 1942/43, e devido à sua localização, ao
longo dos anos o espaço que, a circunda tem sido alvo das mais
variedades obras de urbanização, levadas a cabo pelos
executivos que têm passado pela autarquia mesmo com Dr. José
Gameiro dos Santos, em 1976 e Ana Cristina Ribeiro (1997-2013)

53

1942 - Festejos depois das Obras após Ciclone – Chegada Presidente
da República – Óscar Carmona * Fotos A/d

Pracetas EN 118 e Praça de Toiros * Fotos José Gameiro (1979 e 2010)

54

PALACETE TIPO INGLÊS
A família Lapa, lavradores importantes nesta terra, tendo
comprado terrenos devolutos ali nas redondezas das ruínas do
Paço Real da vila, quando da venda pública da casa real por
decreto de D. Maria II,
António Lapa, aproveitou a nova
urbanização que a vila de Salvaterra de Magos, estava a receber
após o terramoto de 1909, e ali junto aos celeiros da familia
Roquette, na nova rua Heróis de Chaves (antiga rua dos Arcos)
mandou construir para um seu descendente – Alberto Lapa, uma
habitação. A casa tinha uma edificação algo estranha, pois
contrastava com a urbanização que a vila conservada. O povo
passou depressa a chamava-lhe a casa inglesa, do Alberto Lapa.

1999 –Rua Heróis Chaves * Foto José Gameiro

55

*********

Bibliografia usada:
*Jornal Ilustrado Português a “Hora” – 1939
* Salvaterra de Magos – Vila Histórica no Coração do Ribatejo
*José Gameiro, Edições 1985 e 1992 (Esgotadas) * 2014
* O Foral Nº. 1 (1996) –Revista/ Edição Câmara Municipal de
Salvaterra de Magos
* Jornal Vale do Tejo – JVT (2001) e outros documentos
recolhidos pelo autor.
* Anais de Salvaterra de Magos (1959) – José Estevam
*O Paço Real de Salvaterra – De: Joaquim Correia da Silva e
Natália Correia Guedes, Edição: Câmara Municipal de Salvaterra
de Magos
*

O Real Teatro de Salvaterra de Magos- Aline Gallasch-Hall

* O Sismo de 1909 Salvaterra de Magos – Livro edição CMSM

56

Edição – José Rodrigues Gameiro

57

CADERNO DE APONTAMENTOS Nº 2
Documentos para a história
de

SALVATERRA DE MAGOS

Séc. XIII – Séc. XXI
Património:
Geográfico, Monumental, Cultural, Social,
Político, Económico e Desportivo

Uma terra que já foi Coutada Real

58

Fotos da Capa:
Cortejo de Casamento em Carroça * Casal depois do
casamento – Anos 50/60 séc. XX * Folclore – Rancho da
Várgea Fresca - Autor

59

Primeira Edição
FICHA TECNICA:
Titulo:
FOROS DE SALVATERRA:
“ Uma Terra que já foi Coutada Real ! ”
Colecção: RECORDAR, TAMBÉM É RECONSTRUIR
Tipo de Encadernação: Papel A5 Brochado
Autor: Gameiro. José
Editor Gameiro, José Rodrigues
Morada: Bº Pinhal da Vila – Rua Padre Cruz, Lote 49
Localidade: Salvaterra de Magos
Código Postal: 2120- 059 SALVATERRA DE MAGOS
ISBN: 978– 989 – 8071 – 02 – 8
Depósito Legal: 256454 /07
Edição 100 exemplares * Março 2007

60

********************
2ª Edição - Revista e Aumentada * 2015
********************
Contactos: Tel. 263 504 458 * Telem. 918 704 704
e-mail: josergameiro@sapo.pt
O Autor deste texto não segue o acordo ortográfico de 1990

61

O MEU CONTRIBUTO
No dobrar do século XX, todo o rapazio da vila de Salvaterra de
Magos, já sabia que, aos sábados de manhã, se realizava um
casamento na Igreja Matriz.
Era de ver, as longas filas de carroças,
que chegavam ao Largo e, logo os animais
eram “amarrados” às árvores que ali
existiam. A música, acabava os seus últimos
toques, e os noivos acompanhados dos pais,
padrinhos, familiares e convidados,
ajeitavam-se para a entrada naquele templo religioso.
Muitos dos convidados não entravam, aproveitavam o tempo da
cerimónia, para se dispersarem, pelas tabernas, a mais próxima
à Igreja era a do Morais, e aí ofereciam copos de vinho e
cigarros, aos homens da vila ali presentes. Algumas mulheres,
iam às lojas, do José Inácio, Pedro Santos, Celestina e outras, de
quem eram clientes anuais, comprar amêndoas e rebuçados.
Quando a cerimónia religiosa terminava, a comitiva, logo se
ajeitava para o regresso, os rapazes, andavam de volta dos
carros e recebiam a oferta daquelas doçarias, tiradas dos
“talegos” de pano bem guarnecidos de desenhos. Porque vivi
esse tempo, mais tarde, para uma pesquisa jornalística, fiz a
recolha dos usos e costumes daquelas gentes, contactei com os

62
filhos e netos, dos que iniciaram o desbravar das terras que,
agora são os Foros de Salvaterra. Da terra-mãe, Salvaterra de
Magos, conservavam muitas raízes, nos seus usos e costumes,
que iam para além da indumentária, e da comida.
Os “ditos populares”, que na origem já se iam perdendo,
estavam bem vivos, nas gentes Foreira, de mais de 70 anos.
MARÇO: 2015

O Autor
JOSE GAMEIRO

63

FOROS DE SALVATERRA
Uma terra que já foi Coutada Real !

Foi terra outrora pertença de reis, com seus pauis e lagoas,
num solo deveras favorável onde nas várzeas e, zonas ribeirinhas
húmidas, formadas de terras de aluvião e areno-arenosas,
poisavam aves como,o cisne, o pato, e grou. Mais para o seu
interior, nas terras de charneca, o mato, abrigava caça
abundante de animais de pelo, o javali, o coelho e lebre. O faisão,
a coderniz e o pombo, tinham tempo próprio para ser
encontrado. Os uivos de lobos, eram ouvidos por quem se
embrenhava dentro daquela terra de coutada em dias de
montaria.
A Coutada Real de
Salvaterra, em 1520, com
estremas, até Benavente,
Coruche e Almeirim, tinha
como pertença, entre
outros, os lugares de Moita
Paredes, Ameixoeiro e
Magos, nomes que em 1295, já vinham descritos no Foral de D.
Dinis.

64

Alí, era proibido apanhar qualquer peça de caça, especialmente
animais de pelo, como: o Javali, Coelho e a Lebre, além das de
pena, como: O Grou Pato e Faisão. Para estes delitos, o povo
recebia penalizações que, iam até à deportação para outras
terras, como as colónias portuguesas.
Num estudo, de 1758, do padre, da vila de Salvaterra de Magos,
Miguel Cerqueira, nos diz: “Naquela planície de charneca, onde os
vizinhos se dispersam pelos sítios do Culmieiro; com nove
residentes. Misericórdia; com um, Coelhos; com cinco, Cabides;
com dois, Figueiras; com seis, vendo-se um conjunto de 23
habitações. Tal estudo completava a informação, que junto a um
grande braço de água vindo de outras terras, existe, um vale de
terras húmidas (1), com o lugar de Bilrete de Cima; com nove
vizinhos.
Também aquelas terras eram conhecidas como “Milagrosas”,
das suas profundezas nasciam águas e plantas que, o homem
vinha aproveitando para curar os seus males, segundo
informações de boticários da época.
No Paul de Magos, existia o “Vale de Unheiros” onde numa
nascente com um pequeno olho de água, brotava um líquido que,
************
(1) - Durante muitos anos, foi conhecido por Vale do Grou

65

o povo dizia substituir o chá. A voz popular, dizia; “Quem Bebese daquela água, passaria a ter mais vontade de comer “
O bruco, uma outra erva de grande poder curativo das vias
urinárias, além das terras do Paul, se colhia em outros sítios do
termo da vila de Salvaterra de Magos.
Com a extinção das Coutadas Reais em 1821,a Junta da Paróquia
de Salvaterra de Magos, “aforou”, em 1845 aqueles terrenos que,
viriam a dar lugar às povoações que, hoje fazem parte do
concelho. O povo que,” colonizou” aquelas terras não sabia que
estava debaixo da alçada de leis anteriores à época romana.
Em Portugal, ainda se praticava o sistema do enfiteuse, um
modo de usar as terras, pelos senhorios, já conhecido dois
séculos a. C.
A POSSE DA TERRA
Quando do aforamento daquelas terras, os modelos usados
pelos novos donos, foi de origem espontânea, sendo utilizados
alguns sistemas de pequena “Exploração directa, Parceria ou o
Arrendamento”.

66

As primeiras parcelas de terreno, em licitação pública foram
vendidas a 250$000 réis, sendo as seguintes em preços, entre
os 1.000 e 3.000$000 réis.
Os anos foram passando, a segunda geração de Foreiros,
iniciava, a luta pela posse da terra por si trabalhada, foram
confrontos, que levou muitas famílias perante as decisões dos
tribunais, prolongando-se muitas causas para além da 4ª
geração de rendeiros.
A saída do decreto-lei n.º 39.917, de 1954, não contemplou por
inteiro os seus direitos, nem um outro de 1976, e só muitos anos
mais tarde, existiu a discussão do projecto de lei 343/IV que, foi
aprovado, e saiu como lei contemplando a legalização da Várgea

Fresca e Califórnia.

O povo dos Foros de Salvaterra, conquistava assim um desejo
que, durava à muitas dezenas de anos. O progresso vinha
chegando, e o primeiro ramal de electrificação de algumas zonas,
aconteceu no dia 24 de Outubro de 1981, para comemorar o
acontecimento o executivo da Junta de Freguesia, promoveu um
programa com muitos festejos.

67

1968 - Mulheres Foreiras, aos sábados, entrando nas
carreiras (transportes públicos), de regresso a casa
depois das compras * Foto José Gameiro

FREGUESIA
Com o decreto Nº 73/84 de 31 de Dezembro de 1984, subiu à
categoria de freguesia, e no campo territorial, deixava agora de
pertencer à sua terra - mãe, Salvaterra de Magos, passando a
ocupar uma área de terreno de 35,60 Kms2, com cerca de 5.000
habitantes.
A BARRAGEM DE MAGOS
No grande Vale do Ameixoeiro, onde as águas das chuvas e,
algumas nascentes tinham lugar, aconselharam a construção da
Barragem de Magos. Teve assim inicio, em 1934, a primeira obra
de engenharia hidráulica, com reservatório hídrico, a ser
construída em Portugal, num projecto de arquitectura, do Prof.

68
Eng.º Agrónomo, Ruy F. Mayer, e construção de engenharia do
Engº José Queirós Vaz Guedes

A obra em 1936, era tornada pública pela primeira vez ,e grande
parte das terras daquela zona de Charneca, poderia ser agora,
premiada com a rega, no Verão, através de um sistema de
bombagem.
Toda sua vasta área estava agora identificada para a faina
agrícola, com: terrenos arenosos com calhau, terrenos areno-

arenosos, terrenos areno-arenosos fortes e terrenos argilosos.

Esta construção, segundo textos da época, servia de ensaio para
a construção da Barragem de Castelo de Bode.
A AGRICULTURA
No início do século XX, as manchas de pinhal e eucaliptal,
ocupavam já grandes áreas, onde o sobreiro, vivia em espaços
bem localizados

69
Nas suas décadas seguintes, as vinhas, já ocupavam um vasto
espaço das suas terras, substituindo assim aquelas plantações
de árvores que, entretanto davam mostras, num futuro próximo,
desaparecer daqueles sítios.
Os poços de água, inicialmente ajudavam nas searas de
regadio, mais tarde foram os furos artesianos, muitas vezes a
grandes profundidades, deram àquelas terras aptidões para as
grande colheitas. O vinho, das suas terras areno-arenosas, tem
uma qualidade e sabor, muito apreciado que, o mercado
identifica” Vinhos dos Foros de Salvaterra”
Uma nova etapa, começou com o regadio, nos anos 50,
terrenos que, durante centenas de anos, davam sementes de
sequeiro como: o Trigo, Milho Centeio, Cevada, vinha e Pomar
Com o regadio, através de furos artesianos, vieram as culturas
da batata e cenoura e tomate. Estas três culturas agrícolas nos
últimos anos, da segunda metade do séc. XX, passaram o
sustento da maioria dos habitantes de Foros de Salvaterra.

1999 – Sementeira de Batatas e Cenouras – Foto José Gameiro

70

1935 – Homem Foreiro, lavrando a terra com junta de vacas

.1936 - Homens na vindima - Foros Salvaterra

71

RELIGIÃO/ FESTAS POPULARES
O povo na sua religiosidade, tem em Nossa Senhora da
Conceição “Imaculado Coração de Maria”, a sua padroeira, festa
que se realiza em plena época de Verão. No lugar da Várgea
Fresca, a Festa da Amizade, tem lugar na 3ª semana de Julho.
Nos anos 70, as gerações mais antigas de Foros Salvaterra,
conservavam ainda no seu rico vocabulário, “hinos à natureza”,
como:
* As terras da Lezíria, são uma beleza * Na Primavera, a formiga

em carreiro, sua mesa começa a juntar ! Tempo quente, Verão,
de queimar, Vejo, trigo loiro, pronto a debulhar!
Cearas de tomate, a vermelhar,
O melão, madura a adocicar!
No Outono, a uva está pronta a vindimar,
Chuvas no Inverno, são de tragar !
Canto e choro a trabalhar,
Que, mais, a terra nos há-de dar!
* E eu, assim vivo desta natureza *

72

A CASA DOS FOREIROS

Uma habitação típica da Lezíria ribatejana !
A arroteia daqueles terrenos de charneca, foi um longo e lento
trabalho de homens e animais que, ocupou famílias, durante anos
e anos, ali instaladas desde o seu aforamento.

Habitação família Foreira – primeira metade séc. XX
Foto 1995 – José Gameiro

De Salvaterra de Magos, a terra-mãe, saíram os seus primeiros
“colonos”, com seus usos e costumes - danças e cantares da
planície ribatejana - Assim, nasceu o lugar de Foros de
Salvaterra Os novos foreiros, depressa começaram a construir
pequenas casas que, sendo destinadas à sua habitação, também
tinham agregadas divisões, servindo de espaços para armazém

73

de viveres e adega. Na habitação, muito pobre de construção,
era usado o adobe (terra negra de aluvião e palha) com o reboco
das paredes em massa de cal. Por perto viviam os animais de
trabalho, aquartelados em estábulos precários. O burro, era a
besta mais utilizada, como meio de transporte, enquanto o gado
vacum, além do leite dava a força para o amanho da terra.

1967 – Homens foreiros na vila de Salvaterra

1960 - Rancho Folclórico dos Foros de Salvaterra

74

Um pequeno forno de adobes alimentado a lenha, e um poço de
água, tirada a balde. também tinha lugar nas redondezas,
enquanto as árvores de fruto com hortado, serviam para
alimentar a família. Num espaço, aramado em rede feita à mão,
viviam as galinhas e patos, enquanto na pocilga, um porco de
engorda, era alimentado para a matança anual.
A casa com divisões pequenas, cujo estilo de construção, ainda
durava nos anos 50, deste século agora a findar, deu-lhes um
lugar típico na Lezíria ribatejana. O telhado com telha de canudo
(a chamada telha portuguesa), era a cobertura primitiva, dando
lugar anos depois, a uma outra de desenho plano, a Marselha.

Quarto e Cama de casal - 1950

A entrada da casa, com espaço largo, servia de sala de
receber as visitas e funcionava como cozinha e lugar das
refeições.

75
No fundo uma chaminé de construção junto ao chão, com uma
grande boca, onde durante o dia uma fogueira de lenha se
mantinha acesa. Panelas grandes, de ferro fundido com tripé, ali
eram colocadas, para a cozedura das refeições familiares e
também dos animais. A meia altura da empena da chaminé, um
suporte (prateleira), construída em cimento ou madeira,
suportava os potes de barro, com água potável, para a bebida da
família. Na chaminé no início do fecho do pescoço, no interior,
algumas peças em ferro, suportavam os enchidos, na sua cura de
fumeiro.
Uma outra divisão, usada como quarto do casal, tinha a
completar, um outro mais pequeno, para agrupar as camas dos
filhos, enquanto pequenos, consoante os sexos. No campo do
mobiliário, as peças em madeira eram de grande rusticidade,
com um revestimento de uma laca, a que chamavam “vioxene”.
As mesas e cadeiras da cozinha, muitas vezes apresentavam-se
pintadas de azul ou verde.
Nos quartos, viam-se camas de ferro, com algumas peças em
metal que, eram limpas periodicamente, para conservarem o
brilho. Na primeira metade do século passado, ainda era muito
usual, no chão, uma massa negra, a que chamavam “pavimento
de salão” (1) , sendo semanalmente “borrifado com água”, ficando
***********

(1)- Solão = Saibro de Aluvião

76

macio e brilhante durante algum tempo, dando estes espaços
lugar ao cimento, nas novas construções.
Nas pequenas janelas, no interior das divisões de maior
privacidade, pendiam peças de tecido transparente, a que
chamavam cortinados.
AS TRADIÇÕES NO CASAMENTO
Apesar do período de grande transformação, onde o exotismo
dos casais já terem dificuldades em constituir e manter uma
família consistente, os foreiros, até à bem poucos anos,
conservavam nos seus tradicionais costumes, o casamento como
um bem digno de registo.

1950 – Jovem casal de Foreiros
A povoação de Foros de Salvaterra, situada entre Coruche e
Salvaterra de Magos, nos finais da década de 20, do século

77
passado, ainda tinha, talvez como inéditas em Portugal, uma
tradição nas suas festas de casamento do seu povo.
Por necessidade de deslocação à Igreja Matriz da vila, os
noivos e padrinhos e restantes convidados eram transportados
em vistoso cortejo, como escreveu famoso cronista dos
costumes ribatejanos , nas primeiras décadas do séc. XX.
“Tem colorido e graça um casamento nos Foros. Os noivos e os
seus convidados montam em burros, cujas albardas vão cobertas
de colchas de algodão de cores vistosas, lembrando uma
cavalgada da Idade Média, numa imitação quixotesca.
A noiva, traz um largo e comprido vestido azul com requifes
brancos, mantilha branca na cabeça, onde a laranjeira abunda. O
requife faz nos vestidos os mais inéditos desenhos, que enchem
de graça este trajar simples. O noivo, de preto, jaleca, chapeirão
de aba larga, com pena de pavão espetada no chapéu e, junto à
fita e no feito, ramos de flores de laranjeira”
No ano de 1968, o autor, ao tempo colaborador no Jornal
“Aurora do Ribatejo”, recebeu uma carta com pedido de
publicação, do leitor – João Pereira, natural de Salvaterra de
Magos, mas vivendo lá para as bandas da Azinhaga (Santarém),
veio a um casamento de uma familiar da esposa, na Várgea
Fresca. .Descreveu assim, a experiência vivida, num casamento
dos Foros de Salvaterra. “No meio da vasta fila de carroças, um

78
acordeonista, contratado para os dias da festa, tocava as mais
diversas modas, como: Corridinhos e marchas.
O som da música, misturado com a alegre vozearia do enorme
trotar dos animais que, por vezes percorria muitos quilómetros,
por terras de areia, onde o estridente guizalhar dos seus
ornamentos que, puxavam as carroças em grande fila. Um ou
outro grito “depressa sua besta” do condutor, com a ajuda do
inseparável chicote, que volteava no ar.”
Era um casamento igual a tantos outros da gente foreira,
mostrando os hábitos ancestrais nas suas festas de boda.
Todas as cerimónias religiosas tinham lugar em Salvaterra de
Magos. Já na vila, os animais eram presos às arvores no Largo
da Igreja Matriz, e no Largo do Lopes, ali perto da tabernas do
“Maceira” e do “Leopoldino”. Os convidados que não entraram no
templo, entretinham-se na taberna do Morais, ali mesmo ao lado
do templo religioso, onde ofereciam cigarros e copos de bebida.

1950 – Igreja Matriz Salvaterra – Taberna ao lado

79

Após o matrimónio, os padrinhos, também não deixaram de
fazer a mesma oferta. Naqueles sábados, dias de casamento das
gentes foreiras, era decerto ver os mirones juntarem-se por ali
perto, pois sabiam que naqueles dias era um fartote para eles.
O rapazio, esses também não faltavam. As mulheres, e as
moças já “graúdas” depois da cerimónia, davam uma “saltada” às
lojas onde tinham “creto” (1) anual, e lá compravam doces para
os rapazes. As amêndoas e rebuçados, eram o que dava mais
jeito para atirarem ao ar. Os rapazes em grande correria,
acompanhavam o cortejo, já no regresso, até à estrada das
“cavalhariças ” (2), lá andavam pelo chão de areia
Ao iniciarem o caminho de regresso, os nubentes tomavam o
lugar na última carroça do cortejo, de costas voltadas para o
condutor, e acenavam alegremente para a assistência que no
percurso lhes desejavam muitas felicidades.
Pelos mesmos caminhos difíceis, onde os valados cobertos de
silvas e outro mato daninho, mostravam ao fundo, entre pinhais,
algumas casas caiadas de branco, Aqui e ali grupos de famílias
que “amanhavam” as suas terras, não deixavam de dar parabéns,
aos noivos, através dos acenos de mãos das mulheres, e os
barretes e bonés dos homens a voltearem no ar.
********
(1)-Crédito, que tinham no comercio da vila, onde faziam as suas
compras anuais
(2)-“Cavalariças” / Cruzamento na EN 118 * No local existia um
velho edifício, que no séc. XIX, serviu de cavalariças .

80

Por vezes, algumas amigas da noiva, muito antes do termo da
viagem, esperavam o cortejo e, com arcos engalanados de flores
naturais e de papel, obrigavam os participantes no casamento a
percorrer o espaço que faltava até ao local da boda,
acompanhados de músicas e cantares da região.
À chegada ao local, era sempre um ancião (homem ou mulher)
que, dizia os versos seguintes:
“Vou dar os parabéns aos noivos !
Que por Deus já estão casados !
Se forem muito amiguinhos !
Por Deus serão ajudados !
Foram hoje à Igreja !
Encruzar as mãos em cruz !
Deus queira que se dêem tão bem !
Como a virgem Maria com Jesus !
Antes da entrada no espaço da boda, uma boa mesa de vários
pratos, à base de carnes e doces, os esperava, com algumas
garrafas de vinhos licorosos.
O acordeonista, tocava algumas modas, onde todos os
convivas dançavam durante alguns minutos. Durante a tarde, até
à hora de jantar, novamente a dança ocupava o tempo dos
convidados, especial dos mais novos.

81

Os mais velhotes, os homens, entretinham-se a comenta o
tempo e o ano agrícola, e as anedotas sempre picantes de
premeio, chegavam assim à noite, já com uns bons copitos no
bucho. As mulheres, essas em grupo, entretinham-se a saber e
contar das novidades locais!
Pela noite dentro e, com o jantar a decorrer, as músicas não
paravam, a convidar sempre um pé de dança, num baile que,
durava até sol fora do dia seguinte. Os noivos, não arredavam
pé e, de vez enquanto a pedido, tinham de dar a sua graça no
bailarico.
No dia seguinte, após o almoço, depois da tarde ser passada em
convívio com os convidados, depois de receberem a chave da sua
nova habitação, ficam enfim a sós.
A ENTREGA DA CHAVE
Na cerimónia da entrega da chave, os padrinhos e os pais dos
noivos e, estes caminhando a pé até à nova residência, abriam a
porta, e após uma dança (uma última modinha), recebendo a
chave das mãos dos padrinhos:
Dizia o noivo para a já sua mulher:
Toma lá esta chave !
Já que és minha mulher !
Para me abris a porta ! A toda a hora que eu vier !

82

A noiva ao abrir a porta, aos presentes respondia:
Meu padrinho, minha madrinha, e
todo o acompanhamento;
Se meu marido der licença,
façam favor de entrar para dentro !
Era então o momento de uma pequena visita aos novos
aposentos dos noivos, e depressa mulheres “cochichavam”, entre
dentes as novidades da casa. Na segunda-feira, dia de irem ao
Estanqueiro, “apanhar trabalho”, os comentários tinham lugar e
davam para toda a semana.

1967- Mulher foreira,
Viúva, e filha, em dias
de luto.
(estrada EN 118
– lado Maçapez )

83

O PROGRESSO
Depois de Abril de 1974, o comercio cresceu, a população
deixou de se abastecer na vila, deixando hábitos que vinham dos
seus avós. A bomba de água, do furo construído no Estanqueiro
em 1936, há muito que não trabalhava, e a população foi deixando
de usar água dos poços, pois o executivo municipal, teve em
mãos um projecto para o abastecimento de água ao domicilio.
Numa primeira fase, foram enterrados cerca de 70 Kms de
canalização
No campo da saúde, foi construída uma Delegação um Posto
Médico para apoio à população. As vias de comunicação,
modernizaram-se com a pavimentação de muitas delas. No
entanto a sua melhor conquista, foi a elevação a freguesia, que
ocorreu no ano de 1984. A Barragem de Magos, construída em
1936, para reservatório de água para rega, e apoio à agricultura,
com escoamento de água através da Vala real de Salvaterra, com
destino o rio Tejo, foi sendo aproveitada pata local de turismo,
tendo sofrido grandes arranjos sendo agora um espaço de
grande procura.
***************

84
**********

A TRANSFORMAÇÃO ATRAVÉS DOS TEMPOS !
Quando da venda, em 1845, pela Junta da Paróquia de
Salvaterra de Magos, dos terrenos que, foram da Coutada real,
estes em grande parte adquiridos por lavradores e proprietários
agrícolas de boas posses, da Salvaterra e mesmo dos arredores
como: Casa Cadaval, Roquette, Costa Freire, Roberto, Porfírio
Neves da Silva, Rebello de Andrade, Sousa Vinagre, Eugénio de
Menezes, entre outros.
A maioria destes terrenos foi sujeita, após a compra a uma
colonização espontânea, por famílias que, ali se instalaram, m
maioria vindos da terra-mãe, Salvaterra para transformarem
solos bravios, em terras produtivas, de regime de cultura
intensiva. Para a exploração directa, foram usados os sistemas;
Aforamento, Venda, Arrendamento, e numa pequena escala a
Parceria.
Os primeiros Foreiros instalaram-se e construíram habitações
para as suas famílias, na situação de ilegalmente, ou autorizados
verbalmente, e nas partilhas dos seus bens, para com as
gerações descendestes, eram usada a repartição de parcelas,
onde usavam a sorte do barrete, hábito ainda usado até a
meados do séc. XX., e ainda no dobrar daquele século vários
foram os Dec.Leis, publicados, autorizando a então criada, Junta

85
de Colonização Interna, a comprar em vário pontos do país,
terrenos aos primitivos donos, para uma colonização intensiva,
sorte que também usaram muitos foreiros e de modo à sua
posse pelos usuários, fosse menos penosa na aquisição, a
entrega aos “colonos/foreiros”, dos terrenos era feita através
de escritura de venda/compra, com pagamentos mensais e
durante vários anos, tempo que não podia ser “vendida” até
estar totalmente paga, ou então co a anuência daquela entidade
estatal. Nos Foros de Salvaterra, alguns terrenos foram assim
transaccionados, ao abrigo daquelas primeiras leis, e só muitos
anos depois, em 1987, alguns casos foram solucionados, entre
eles os terrenos da “Califórnia”, na zona da Várzea Fresca, nome
que recentemente tinha aparecido na linguagem do povo.

Folclore – (Várzea Fresca) Foros Salvaterra

86
*************
BIBLIOGRAFIA USADA
Documentos do Autor :
* SALVATERRA DE MAGOS E O SEU CONCELHO:
Freguesia de Foros de Salvaterra
* OS FOREIROS DA CALIFÓRNIA E VÁRGEA FRESCA
Uma Luta de muitos anos ! Revista o Século)

* FOROS DE SALVATERRA “HISTÓRIAL”
* (Texto oferecido pelo autor, e usado no livro de publicidade das
Festas dos Foros de Salvaterra, no ano 1994, pela sua Comissão.)
* Também foi usado, pela Câmara Municipal, no livro: “Salvaterra,
Paladares Antigos ”
*FOROS DE SALVATERRA
“Uma terra abençoada pela natureza (Texto da rubrica: Já sabia, Que ! )
(Rubrica semanal, que o autor, tinha na rádio de Marinhais1990)

87

CADERNO DE APONTAMENTOS Nº 3
Documentos para a história
de

SALVATERRA DE MAGOS
Séc. XIII – Séc. XXI
Património:
Geográfico, Monumental, Cultural, Social,
Político, Económico e Desportivo

88

Foto da Capa:
Motivo Alegórico ao Campino – Retunda E.N.118/Praça de Toiros
- o Autor

89

Primeira Edição
FICHA TECNICA:
Titulo:
A PROPÓSITO DE TOIROS EM SALVATERRA !..
Tipo de Encadernação: Papel A5 Brochado
Autor: Gameiro. José
Colecção: RECORDAR, TAMBÉM É RECONSTRUIR
Editor Gameiro, José Rodrigues
Autor da Capa: O Autor
Morada: Bº Pinhal da Vila – Rua Padre Cruz, Lote 49
Localidade: Salvaterra de Magos
Código Postal: 2120- 059 SALVATERRA DE MAGOS
ISBN: 978– 989 – 8071 – 03 – 3
Depósito Legal: 256455 /07
Edição: 100 exemplares * Março 2007

90

****************************

2ª Edição - Revista e Aumentada * Março 2015
***************************
Contactos: Tel. 263 504 458 * Telem. 918 905 704

e-mail: josergameiro@sapo.pt

O Autor deste texto não segue o acordo ortográfico de 1990

91

O MEU CONTRIBUTO
Salvaterra de Magos, tinha no seu povo
primitivo as raízes de uma cultura rural, e
sua etnografia disso nos dá mostras. O rio
Tejo, os campos de toda a Lezíria muito
contribuíram na forma de viver destas
gentes da campina ribatejana, desde a
Chamusca a Vila Franca e Azambuja. No primeiro quartel do
século séc. XX, as transformações ainda que lentas, mas
notórias, mostravam o mítico campino, senhor da Lezíria, a dar
lugar a um outro tipo de homem rural., o tractorista. As grandes
manadas de gado – cavalar e bovino – foram deixando a
intimidade, dos seus terrenos de pasto, passando a estar
“acantonados” em espaços restritos com a manjedoura sempre
cheia de uma comida, que não foi a dos seus antepassados. .O
Gado bravo, agora apenas vive três a quatro anos, com um
destino certo, ser corrido nas arenas e o matadouro. Antes ainda
tinham a terminar os seus dias de vida, o trabalho do campo
depois de “ bruxados ”, coisa normal por volta de 1950. Nesse
tempo, era eu, era menino, já do meu avô paterno, que foi
campino, como foram seus três irmãos (João Galricho, José e
Manuel), ouvi maravilhosas histórias, de como se campinava, pois
eles chegaram a trabalhar nas mais famosas ganadarias da

92
terra. Mesmo assim, o encanto do mundo da tauromaquia, com
suas corridas, não me seduziu, mas achei que, o mais importante
era deixar algo escrito sobre esta forma de vida, que fez parte
Lezíria, estando agora em grande decadência em todo o Ribatejo..
MARÇO: 2007
O Autor
JOSE GAMEIRO

93

A ORIGEM DE TOIROS EM SALVATERRA !
Consta no Foral desta vila concelhia - Salvaterra de Magos, os
benefícios, que recebeu do rei D. Dinis, em 1295,, está situada
junto à margem esquerda, do Tejo, em plena Lezíria ribatejana, os
terrenos verdejantes ga grande bacia deste rio. Para povoar
estas terras, o rei D. Sancho I, deu privilégios a colonos, vindos
da Flandres (zona hoje pertencente ao Sul da França), aqui se
fixaram com seus usos e costumes.

O seu povo com séculos de convivência, com as agruras e
alegrias extraídas da terra, sempre tiveram por companhia os
animais, usando-os para trabalharem o campo.

94
Alguns bovinos apresentavam-se bravios, após vários
cruzamentos aproveitavam-se alguns, foi mais um elemento para
o suporte dos festejos pagãos do povo – os brincos taurinos.
De hábito do povo em dias de festa, depressa a realeza que
aqui fazia grandes estadias no Paço da vila, não deixava de
partilhá-lo como mostra da sua beleza, que partilhava-o com
seus convidados. No séc. XVII, estando o Rei D. José e a sua corte
em férias nesta terra, existia um Picadeiro, onde o Marquez de
Marialva, afamado mestre na arte de bem montar a cavalo, ali
ensinava os jovens fidalgos. Num dia aprazado, realizou-se um
brinco de toiros, o rei estava presente, entre os participantes
toureava a cavalo o jovem Conde dos Arcos (Arcos de Valdevez),
o que lá se passou está descrito nas ricas páginas do conto do
escritor, Rebello da Silva. Este deu-lhe o titulo “ A Última Corrida
Real em Salvaterra”
UMA NOVA PRAÇA DE TOUROS
O povo, todavia,
mesmo depois da
tragédia, que ligou a vila
para todo o sempre, ao
longo
dos séculos
seguintes não deixou
de realizar as suas corridas de toiros. Umas tiveram lugar, nos

95
terrenos da Palacete dos Almadas, outras no Canto da
Ferrugenta/ou do Pardalada, outras na Quinta do Massapez, Pátio
das Vacas, outras ainda em espaços de ocasião.
No séc. XIX, existia em Salvaterra de Magos, uma Praça em
madeira, explorada pela misericórdia de Portalegre, até que
desapareceu. Anos passaram, até que em 1920, um novo edifício
construído no lado sul, à entrada da vila. Foi uma obra fruto do
trabalho de um grupo de jovens aficcionados, constituído em
Comissão Construtora , que levou a cabo um desejo, que pairava
em muitas bocas, durante muitas décadas de esperanças.
Foi uma construção considerada na época uma novidade no
campo arquitectónico, no mundo da tauromaquia. Tinha de início
alguns traços extraídos do Praça do Campo Pequeno, Lisboa,
passou a propriedade da Misericórdia local, por doação, da tal
Comissão, após a sua inauguração, não deixando de ser um
um ex-libris da vila, tendo no seu historial, momentos que
importa conhecer:

96

1976 Inauguração sistema Electrica – Praça Toiros
– 1996 Nova Rotunda EN 118 * Fotos José Gameiro

*********

TOUREIROS
António Roberto, um dia veio dos Açores, com os pais, e os
irmãos Luiz e Antão, com destino a Salvaterra de Magos,
nesta vila, casou com Maria Gertrudes (Fonseca), e do casamento
nasceram: Vicente Roberto, João Roberto e Roberto da Fonseca.
Bem cedo, foi notado
que os três irmãos,
estavam
Predestinados
para a arte de tourear.
Como bandarilheiros, ganharam fama e proveito. Do seu vasto
pecúlio, angariado nas arenas, foram beneméritos para com
algumas instituições, especialmente as misericórdias de
Santarém, Figueira da Foz, Coruche e Salvaterra de Magos.
Durante muitos anosos três irmãos actuaram em praças de
toiros de Portugal e Espanha, fazendo parte de um grupo de

97
toureiros que, impulgou as arenas no final do séc. XIX e, nos
primeiros anos do séc. XX. Roberto da Fonseca, em 1892, esteve
presente, na inauguração da monumental praça de toiros do
Campo Pequeno, em Lisboa, e foi em 1920 director da corrida
inaugural, da praça de toiros de Salvaterra de Magos.
Quando já retirados das arenas, dedicaram-se à sua casa
agrícola, em Salvaterra de Magos, formando uma ganadaria de
toiros bravos a que, deram em 1923, o ferro, Robeiro & Roberto.
A ganadaria, fazia pastoreio no Verão, nos campos dos
Salgados, junto ao rio Tejo e, no Inverno se acomodavam na sua
Herdade do “Monte dos Coelhos”,na zona da Várgea Fresca/Foros
de Salvaterra. Naquele tempo, a fama do seu passado artístico,
motivou outros filhos da terra, tentarem o caminho daquela arte.
Os aplausos das arenas foram ouvidos por Rogério Amaro
que, chegou a bandarilheiro, função que desempenhou durante
dezenas de anos.

Toureiros – Irmãos Roberto – Séc XIX

98

Rogério Amaro
Quando nasceu a 13 de Abril de 1920,
ainda estava bem fresca na memória de
várias gerações do povo as narrativas
das actuações empolgantes nas arenas
dos seus conterrâneos, os irmãos
Roberto, a praça de toiros da sua terra,
estava em construção. Ainda jovem Rogério Amaro, já dava
mostras de despertar para o mundo da tauromaquia, e depressa
dominava toda aquela arte, queria ser toureiro. Entrou em vários
espectáculos festivos, pois era muito solicitada a sua presença
em praças da região. Depressa estava apto para fazer provas,
foi aprovado em 23 de Abril de 1943, como bandarilheiro. foi
solicitado pelas maiores figuras do toureiro da época, quer a pé,
quer a cavalo, especialmente Simão da Veiga, e durante anos fez
parte das suas “quadrilhas”.

99
Por volta de 1954, já o toureiro; Manuel dos Santos, não
deixava de o ter como homem de confiança, quando actuava nas
arenas, em Portugal e Espanha. Retirado das lides, foi Director de
corridas por largos anos. Depois de uma vida dedicada ao
toureio, um dos seus grandes amores, veio a falecer a 23 de
Novembro de 2002, quando estava hospitalizado em Cascais.

Joaquim da Conceição,
Nasceu em 1932, conhecido como o
“Joaquim Ruço”, ainda jovem foi
aprender o oficio numa barbearia da
vila, na época aqueles espaços tal
como as oficinas de sapateiros,
organizavam-se em tertúlias, aí
discutia-se com entusiasmo o apoio
aos seus ídolos, do mundo taurino.
Trabalhando naquele ambiente, depressa foi atraído por aquela
arte sonhou vir a ser toureiro. Entrou em vários festivais
realizados na sua terra natal – Salvaterra de Magos, e aqui no dia
10 de Maio de 1953. vestiu o traje de luces, com a categoria de
Praticante, desejava vir a ser Bandarilheiro. Foram
bandarilheiros deste festival: Rogério Amaro, Júlio Procópio,
Manuel Alemão, Carlos Pereira e João Inácio. A sorte e o
engenho não o acompanharam, ficou-se por um sonho que nunca
concretizou.

100

António Cadório
Conhecido pelo “Mestiço”, desde
menino aprendeu o ofício de sapateiro,
gostava das lides taurinas a pé,
aprendeu todos os seus métodos, não teve sorte, acabou por se
fixar em Vila Franca de Xira, trabalhando no ofício e ensinando a
arte que tanto queria abraçar. Alguns artistas que singraram nas
arenas portuguesas, especialmente o toureiro José Falcão foram
seus alunos. Já no declinar da vida, para ver alguma corrida de
toiros, esperava junto da porta das praças, pela oferta de um
bilhete.

Francisco Silva, “El-Palhota”

Ainda menino de escola, já os seus
dotes eram um reparo dos seus
companheiros de brincadeiras, e assim
ficou o “El-Palhota” , pois vivia com seus
pais, no sítio da “Palhota”– Salvaterra de
Magos, Francisco Silva, nasceu em 1947,
foi aprender o ofício de Ferreiro, e depressa com o trabalhar o
ferro e o arame, lhe dava o ensejo de fazer pequenas coisas, que
lembravam aquela arte de tourear

101
O desejo de ser toureiro, acompanhava-o dia-a-dia, assim foi
de abalada até Vila Franca de Xira, aí o ambiente taurino era
respirado por tudo quanto era sítio. Na terra ainda vivia, gente
grande do mundo do toureio nacional e mundial. Francisco Silva
“El-Palhota”,
depressa chegou a
Bandarilheiro em
1975, e integrou as
várias equipas de
cavaleiros
e
toureiros da época.
Sempre ligado ao
seu gosto em fazer artesanato taurino, em ferro e arame, foi
divulgando o mesmo, que agora se encontra espalhado pelo
mundo. Sempre quis ter uma escola de toureio, naquela terra
adoptiva, mas dificuldades várias impediam-no de concretizar o
seu sonho, Um dia, o seu entusiasmo foi espicaçado, andava
eufórico, deram-lhe esperanças na concretização do seu sonho,
foi-lhe prometido, pelo autarca da Freguesia da sua terra – João
Nunes dos Santos, que o apoio não faltaria, “Palhota” encetou
contactos com a Misericórdia local, para a cedência de um
espaço na praça de toiros. O tempo passou, amargurado, um dia
disse aos amigos, ficou-se pela homenagem que recebeu da
Comissão de Festas de Salvaterra de Magos,

Vítor Mendes,

102
Nascido na freguesia de Marinhais, no concelho de
Salvaterra de Magos, dia 4 de Fevereiro de 1989, em Marinhais,
mas foi em Vila Franca de Xira, terra onde vivia com os pais, que
despontou para o toureio, e chegou
a figura mundial do toureio,
mostrando a sua arte entre os seus
pares. Tirou a alternativa de
Matador de Toiros, em Barcelona,
no dia 13 de Setembro de 1981, sob
o apadrinhamento de Palomo
Linares e José Manzanares.
Paralelo ao seu tempo de toureiro famoso em todo o mundo,
onde se aprecia a corrida de toiros, com a morte deste, através
da estocada fatal,, especialmente em Espanha e países da
América do Sul, foi estudando e Licenciou-se em advogacia.
Em 1992, na praça de Salvaterra, foi-lhe descerrada uma placa
de homenagem, promovido por um grupo de aficionados, tendo
cortado a coleta, no ano de 1998.

******************
***********

103

GRUPOS DE FORCADOS

No reinado de D. José, os brincos taurinos, eram um
espectáculo que ocupava algum tempo dos folguedos da corte.
Em Salvaterra de Magos, nas grandes temporadas que aqui
passavam anualmente também os realizavam, aproveitando para
satisfazer a curiosidades dos Embaixadores das cortes
europeias que visitavam Portugal, nem sempre em negócios.
Nos espetáculos, havia a actuação dos Jovens cavaleiros
fidalgos, que perante as plateias cheias de damas, ofereciam as
suas sortes. Em redor do redondel, os Monteiros da Choca, um
grupo de com bastões, que tinham na ponta uma forquilha, ou
forcado, defendiam a assistência, do toiro que na arena era
lidado. Uns anos depois do acontecimento da morte do Jovem
Conde dos Arcos, os fidalgos mais aguerridos nestas festanças,
tentavam reatar aquele espectáculo, só no reinado de D. Maria II,
em 1836, aparece com novas alterações, o toiro passou a ser
proibido de ser morte pelo cavaleiro, após a faena, e em seu
lugar, os então Moços da Choca, pegavam o animal.
Foi assim, que nas alterações verificadas, no séc. XIX, teve
formalmente origem a existência dos Moços Forcados como os
conhecemos até agora.
“Depois da reunião do primeiro elemento com o touro, cabe aos
ajudas a tarefa de imobilizar o touro para que a pega se

104
considere realizada. Aquele que segura o rabo é o responsável
por rematar a pega”
Em Salvaterra de Magos, quando da inauguração da Praça de
toiros, em 1920, estes grupos apareciam em festivais, mesmo em
corridas, especialmente em Maio, quando da Feira anual da terra.

1957 – Grupo Forcados de Salvaterra

0000 – Grupo Forcados Salvaterra – Feira Maio

105

Alguns mais afoitos, mostrando grande poder de braços, para
encaixe, como se dizia na época, apareceu Manuel Vicente dos
Reis – o Manuel Ferrador ( por ser o seu ofício), que logo foi
convidado a integrar outros grupos de forcados amadores.
Também ao longo séc. XX e XXI, João Ramalho, Mário Marques,
Joaquim Mendes, entre muitos outros.
José Carlos Hipólito “ O Timpanas” foi no dobrar do séc. XX,
onde as corridas de toiros eram quase diárias em todo o pais,
que deu nas vistas.
“ O Timpanas” desde miúdo pela sua traquinice, e graciosidade
perante os toiros, sendo homem pequeno, mas de braço rijo, foi
aplaudido em todas as arenas, empolgava o público com suas
pegas.
Esteve no grupo de profissionais de
Adelino de Carvalho (Lisboa), Amadores
de Tomar (Manuel Faia), sendo muito
solicitado também esteve em Roma
(Itália), no Coliseu onde fez algumas
pegas, para umas cenas de filme épico.
Manuel dos Santos, que foi Matador de toiros, já retirado e na
condição de empresário, levou até Macau, o espectáculo de
toiros, todo o agrupamento (toureiros, cavaleiros, forcados e os
toiros) foram de vários pontos de Portugal

106
António Lapa, como se relacionava
no mundo dos toiros, foi um grande
ajuda, nos vários grupos de forcados a
que deu a sua colaboração contam-se:
Coruche, Tomar, Lisboa, Ribatejo,
Lusitanos e naturalmente o de
Salvaterra, de que foi também Cabo.
Ainda Jovem, veio a falecer no dia 11 de Março de 2013, com 56
anos, vitima de problemas cardíacos. Os órgãos e críticos da
tauromaquia não deixaram de se referir ao António Lapa, sendo
por alguns considerado o melhor Ajuda, neste tempo do séc. XXI.
Uns meses mais tarde, na sua terra natal – Salvaterra de
Magos, amigos e gente do mundo taurino, prestou-lhe uma
homenagem realizada no Cabana dos Parodiantes de Lisboa, no 11
de Julho de 2013.
António Rogério Amaro (Rogério Amaro,
como era conhecido no mundo taurino),
ainda criança sentiu o ambiente que se
vivia em casa, através de seu pai, Rogério
Amaro, que era Bandarilheiro afamado.
Rogério Amaro, depressa ingressou nos
grupos de forcados do Montijo. Em 2012, esteve numa corrida
realizada na terra natal – Salvaterra de Magos, por ocasião de
Feira Anual, integrando o Grupo dos Forcados locais, tendo obtido
um prémio numa bonita pega. Mais tarde foi Apoderado das

107
grandes figuras do toureio nacional, e Empresário, em quase
todas a Praças existentes no pais.

CRIADORES DE TOIROS DE LIDE
Segundo alguns historiadores desta temática, os toiros de lide,
tiveram origem na ganadaria Solar nas terras de Espanha. Os
campos de Salvaterra, em plena Lezíria, com terras de aluvião, e
de charneca, são locais de boa pastagem para este animal, que
tem necessidade de campo e espaço aberto para pascentar.
Perdem-se nas páginas da tauromaquia, as muitas informações
quanto às ganadarias existentes nesta vila.
José Luís Brito Seabra, além de criador
de toiros de lide, foi presidente da
câmara municipal de Salvaterra de
Magos, e também um dos sócios
fundadores do Real Clube Tauromáquico
Português.

Dr. Rodrigo da Costa, sendo médico nesta vila, em 1878,
explorava a agricultura, e como pequeno criador de toiros,
forneceu curros para a praça de Sant’ana, em Lisboa.

108

António José Ferreira da Silva, Nasceu em Salvaterra de
Magos , a 19 de Setembro de 1887, era filho do Ganadero do
mesmo nome que forneceu curros de toiros para as mais
importantes praças do país, no último terço do séc. XIX.

O início do séc. XX,
foi uma época em
que muitos
agricultores, enveredaram pela criação do toiro bravo, em várias
zonas do país, em Salvaterra existiram as ganadarias; José

Ferreira Roquette, António Ferreira Roquette, José Ferreira da
Silva, Irmãos Roberto, Gaspar Costa Ramalho, seu filho José
Vicente Ramalho e Roberto & Roberto.

Todas foram fornecedoras de curros, para praças de Portugal e
Espanha. Nestes últimos tempos, em Salvaterra de Magos, ainda
existem sedeadas as ganadarias com o ferro de: João Sarmento

Ramalho, Tereza Ramalho, José Dias, Felicidade Dias e Irmãos
Dias.

109

CRIADORES DE CAVALOS
A Casa, Menezes & Irmão, Ldª, pertença dos dois irmãos
lavradores, José e António Menezes, dedicou-se por volta de
1930, na reprodução, e cultura do cavalo lusitano, com uma
eguada e três garanhões desta raça.
António Lapa, Proprietário agrícola, nos primeiros anos
do séc. XX, tirou grandes
proveitos na criação de
uma
afamada
raça
espanhola, a seu filho
Alberto dos Santos Lapa,
deixou o gosto pela criação
deste género de animais,
que ainda continua na família.
Oliveira e Sousa (Casa Agrícola) - João Oliveira e Sousa,
antigo oficial do exército, recebeu do sogro, o lavrador e
proprietário, Porfírio Neves da Silva, a casa agrícola que,
conservou e enriqueceu com novas espécies de equídeos
lusitano. Anos depois, foram seus filhos, são agora os netos, que
continuam a manter a raça na reputada coudelaria “Oliveira e
Sousa” com procura a nível mundial. A coudelaria, contino-ou
através de seus filhos e netos.

110

CAVALEIROS TAUROMÁQUICOS

CLÁUDIO JOSÉ
(Cláudio José Silva
Fernandes Travessa)

Tal como seu irmão Rogério, depois de
muitas actuações em praças de Portugal,
EUA (Califórnia) e Espanha, passou pelo
escalão de praticante.
Em 30 de Agosto de 1998, recebeu a alternativa de Cavaleiro
Tauromáquico na praça de toiros de Salvaterra de Magos, sua
terra-natal, sendo apadrinhado pela grande figura do toureio,
Joaquim Bastinhas.

TRAVESSA FERNANDES

(Rogério Manuel
Silva Fernandes Travessa)
Depois de algumas corridas, em praças
de Portugal e em Espanha, como praticante, tirou alternativa de

111

cavaleiro tauromáquico, na Monumental Cascais, em 24 de Julho
de 1994, sendo seu padrinho de alternativo o cavaleiro, José
Maldonado Cortes. Como cavaleiro de alternativa, esteve em
praças de países hispânicos, com seu irmão Cláudio José. Com
actividade muita curta, dedicou na companhia de seu irmão, a
explorar uma escola de toureio, na sua quinta em Salvaterra de
Magos- sua terra natal.
ANA BATISTA
Ainda menina, aos 10 anos,
toureou na praça de
Salvaterra, pela primeira
vez. Tomou a alternativa de
cavaleira, no ano 2000, em
Coruche, sendo apadrinhada
por Joaquim Bastinhas, com o
decorrer dos anos tornou-se
figura do toureiroa cavalo, em Portugal.

112

Mónica Monteiro
Ainda prestou provas de Praticante, em
Lagos, no Algarve, no ano de 1994. Mais
tarde (quando montava), sofreu grave
acidente, perdendo - se para o mundo do
toureio a cavalo.

************
DIRECTORES DE CORRIDAS

José Ferreira Estudante e, Rogério Amaro
CRÍTICOS TAUROMÁQUICOS:
* RUI DE SALVATERRA *
(Rui Ferreira Estudante)
-1932 –
* D. PACO *
( Roberto Fernandes )

*************

113

OS CAMPINOS
A necessidade de trabalhar as terras, o gado bovino passou a
ser um instrumento de trabalho, e depressa a arte da
campinagem, teve abrigo na Lezíria
.Nesta função,
nas primeiras
décadas
do
século passado,
nomes ficaram
famosos, pela
sua forma de
conduzir os toiros nas famosas entradas, e encabrestá-los nas
arenas, ou simplesmente trabalhar as manadas com arte, nos
campos.
Foram
“grandes varas”
nomes
conhecidos por:

Joaquim
Cortilho, Lino
Bastos (Lino

Garoto), Fernando Almeida, João Vitorino e, os seus primos, os
irmãos: João e José Galricho, para além de um outro conhecido
por “José da Moira”. E os mais novos, Manuel Luís e Miguel
Viegas.

114

*****************

EMBOLADORES /FARPEADORES

José Caçador, conhecido por José Venceslau, já no início do
século XX, esmerava-se na feitura de farpas e embolas que usava
nos toiros. Aquela arte, transmitiu-a a seus filhos; António e
Gastão Aleluia, seus ajudantes, no embolar dos toiros nas
corridas. António Aleluia, trabalhou mais tempo com o pai,
durante muitas dezenas de anos a difícil maneira de ornamentar
os ferros (farpas), acessórios necessários para as lides
taurinas.
João Aleluia, desde o falecimento
de seu falecimento de seu pai,
António Aleluia vem mantendo a
tradição familiar,iniciada pelo seu
avô, completando assim três
gerações dedicadas à arte de
fazer farpas e embolar os toiros.

115

116

117

DATAS HISTÓRICAS
1920 – 1 de Agosto * Na inauguração da Praça de Toiros de
Salvaterra de Magos, realizaram-se duas corridas de toiros, no
2º dia, houve entrada de toiros.
1921 – Na sua arena, o bandarilheiro, de nome Faculdades, quando
actuava, matou um toiro, contrariando a lei existente de 1837.
1941 – Neste ano, após um violento ciclone que “varreu” grande
parte do país, a praça de toiros de Salvaterra, sofreu graves
danos. A família Monte Real e, o benemérito Gaspar Costa
Ramalho, suportaram o custo das obras da reconstrução. Uma
corrida foi realizada, após os trabalhos de restauro, nela esteve
presente o presidente da república, Marechal Oscar Carmona,
como convidado oficial.
* Actuaram graciosamente, os famosos toureiros, estrangeiros:
Domingos Ortega e Luís Miguel Dominguim e, os portugueses;
Manuel dos Santos e Diamantino Vizeu. Os cavaleiros, mestres;
Simão da Veiga, João Branco Núncio e David Ribeiro Teles,
também deram o seu contributo.
1965 – No dia 6 de Junho, teve aqui lugar uma vacada, depois de
um lauto almoço, uma iniciativa da Casa do Pessoal da RTP. Foi o
início de outros convívios, aqui realizados, onde para além de
Missa ao ar livre, assistiu-se a corridas de toiros.
1970 – No dia 1 de Agosto, o jornal “Aurora do Ribatejo”, publica
por ocasião dos 50 anos da praça, uma entrevista conduzida por

118
José Gameiro e José A. Amaro, a José Luís das Neves, na ocasião
único membro vivo da ”Comissão Construtora da Praça”.
1976 – No dia 23 de Outubro, foi inaugurado o sistema eléctrico,
com iluminação da arena, com uma corrida nocturna, onde
actuaram: José João Zoio, Luís Miguel da Veiga e Emídio Pinto.
1977 – No dia 15, quando da Feira de Maio, na 2ª corrida, os
matadores; Armando Soares, e o espanhol “El-Macareno“,
estoquearam os quatro toiros da lide, infringindo assim as leis
existentes no país. Neste mesmo ano, foi aproveitada uma
corrida de fim de época, para “testar”, a nova marcação de
lugares, tendo sido aproveitados espaços mortos, nas bancadas,
o que rentabilizou mais 900 lugares sentados.
1978 – Mais uma corrida à antiga portuguesa, realizada a 30 de
Setembro, se juntou ao vasto rol das já efectuadas até então, nas
arenas desta praça. Foi procedida de um desfile de cerca de 100
figurantes, pelas ruas da vila, onde foram incorporados os
timbaleiros da GNR, e coches que, transportavam os cavaleiros
artistas.
***********

Chegada Presidente Carmona, Festejos da Praça Toiros
depois das obras, quando do Ciclone 1941

119

“ORIGEM DO TOIRO DE LIDE”
Segundo alguns estudiosos da causa taurina e,
outros no campo da zootecnia, dão-nos pistas para
se entender a existência do boi no terceiro milénio
antes de Cristo. Fazendo fé, nas pinturas rupestres
e naquela linha de informação, a fauna
predominante nos terrenos que viriam a ser da
Península Ibérica, durante o Paleolítico era
composta por cavalos,
bois, veados, javalis e
outras espécies de
instinto violento.
A
Península, com seu
clima
ameno
e
acolhedor, poderá ter recebido migrações do Uro
ou Toiro Selvagem, já domesticado no Oriente,
sendo a porta de entrada o Norte de África. O
romano Júlio César, à 2000 anos, segundo alguns
documentos, introduziu na língua latina a
expressão TAURO, pois o animal era usado pelas

120
várias culturas mediterrâneas. O boi Apis, no
Egipto era adorado como o deus da fecundidade e
da abundância. A construção de um bezerro de
oiro, para os Hebreus, o toiro alado na Babilónia e
até na mitologia grega, aparece na forma de
minitauro, eram testemunhos das crenças destes
povos. Na Europa, o Uro que, terá sido introduzido
pelo povo Celta, será o antepassado de todas as
raças bovinas existentes neste continente, foi
extinto na idade média. Do cruzamento destes
animais, para fins taurinos, é dado como sendo a
Espanha o seu berço, até porque no Séc. XVII,
neste país, como em Portugal e em terras da
Flandres (França) era utilizado pela nobreza nos
”embates” com cavalo.
A Salvado – Jornal Vale do Tejo
*************
Cabeça Toiro Ganadaria
Irmãos Roberto – 1950
Guarda em sala de troféus
Casa da Família

121

BIBLIOGRAFIA USADA
:* Subsídios para a História da Tauromaquia Salvaterra de
Magos- séc. XIX, séc. XX - José Gameiro
* Salvaterra de Magos - Seu Povo sua Cultura! “ – José Gameiro
* Jornal Vale do Tejo – 1997/2002
* Subsídios para a História da Misericórdia de Salvaterra de
Magos – José Asseiceira Cardador
Fotos do Autor e A/d

*************************************

122

123

Cadernos de Apontamentos Nº 4
Para a História
Séc. XIII – Séc. XXI
Património Geográfico, Monumental, Cultural,
Social, Político, Económico e Desportivo
Séc. XIX - Séc. XXI

Uma Referência no Turismo Local e Regional

124

Foto da Capa:
1980- Entrada do Restaurante Típico Ribatejano

125

Primeira Edição

FICHA TECNICA:
Titulo:
RESTAURANTE TÍPICO RIBATEJO !
( Uma referência no Turismo Local e Regional )
Tipo de Encadernação: Papel A5 Brochado
Autor: Gameiro. José
Colecção: RECORDAR, TAMBÉM É RECONSTRUIR
Editor Gameiro, José Rodrigues
Morada: Bº Pinhal da Vila – Rua Padre Cruz, Lote 49
Localidade: Salvaterra de Magos
Código Postal: 2120- 059 SALVATERRA DE MAGOS
ISBN:
978– 989 – 8071 – 04 – 0
Depósito Legal: 256456 /07
Edição: 100 exemplares * Março de 2007

126

******************************

2ª Edição Revista e Aumentada * Março 2015
******************************
Contactos: Tel. 263 504 458 * Telem. 918 905 704

e-mail: josergameiro@sapo.pt

O Autor deste texto não segue o acordo ortográfico de 1990

127

O MEU CONTRIBUTO
(Recordações)
Meu pai era um pouco mais velho que o
Joaquim Lopes, mas davam-se bem. Tendo
casado, precisava de casa a passou a ser
rendeiro numa pequena casa da família restos do Paço Real de Salvaterra, foi aí
onde nasci e vivi até aos 7 anos de idade.
Na minha meninice, de 4/5 anos brincava na vasta propriedade
da família Lopes, onde estava instalado o Café Ribatejano. Não
deixei mesmo de subir para os ferros das antigas chaminés, que
foram das cozinhas do palácio real. As brincadeiras e relações
de amizade com a Maria Irene Lopes Pinto e seus primos; Idalina
e António Manuel Gonçalves Lopes começaram aí, sempre debaixo
de olho da avó deles, a D. Irene. O mesmo aconteceu com a
Manuela Marques Lopes, que cheguei a levar pela mão para a
mestre-escola Moisés. Com metade do séc. XX, bem adiantado,
já rapazola entrei no mundo do trabalho na Central das Carreiras,
na mesma casa onde tinha nascido, e aí vi crescer o António
Joaquim Marques Lopes.
Março 2015

José Gameiro

128
OS NEGÓCIOS
DA FAMILIA VIEIRA LOPES
Manuel Vieira Lopes, foi militar em França na I Guerra Mundial,
quando do seu regresso a casa voltou ao ser mister – fazer
rodas em ferro para carros. Recomeçou a vida com sua esposa
D. Maria Irene da Conceição, filha do velho Sebastiana, zelador
municipal na câmara, e Instalou-se como ferreiro, junto aos
armazéns do comerciante Gomes Leite, para ter água no grande
tanque dos animais, para moldar o ferro em brasa. Foi por pouco
tempo, um dia foi de abalada até Coruche, ao Tribunal e num
leilão comprou a propriedade, que incluía alguns os restos do que
foi o Paço Real de Salvaterra.

Depressa, além da sua profissão de ferreiro abriu uma
taberna, onde vendia ferragem (charruas), de uma metalúrgica
do Tramagal. Vendeu mobílias em madeira. Experimentou o

129
fabrico de gasosas e pirolitos, concorrendo com a firma Tito &
Irmão, Ldª, depressa ambos deixaram esta actividade. Com os
filhos bem crescidos: Hortense, Joaquim, Maria Rosa, António e
Alexandrina Lopes. O mais velho; Joaquim Conceição Lopes
manifestou jeito para a gerência dos negócios
O ALUGUER DE BICICLETAS
As rivalidades clubistas vividas, por causa dos ciclistas;
Nicolau e Trindade, representando o Sporting e Benfica, nas
corridas da volta a Portugal, punham em delírio os seus adeptos,
tiveram alguma influência noutras modalidades daqueles clubes,
especialmente o futebol.
Aproveitando o momento, por iniciativa do filho Joaquim
Lopes, a casa já vendia e alugava bicicletas. O Aluguer era à
hora, e foi aí onde muitos adultos, e o rapazio aprendeu a andar
de bicicleta, dando voltas à vila. A morte de Manuel Vieira Lopes,
em 1945, no dia do nascimento de sua neta, Alexandrina, levou a
viúva, e os filhos; a tomaram conta dos negócios da família. Por
volta de 1949, que ainda explorava a taberna instalada no Largo
dos Combatentes, que por força dos hábitos populares, ainda
agora é conhecido pelo Largo do Lopes, Depressa o
estabelecimento foi fechado e aberto o Café Ribatejano

130

O ALUGUER DE PATINS

A equipa portuguesa, de Hoquey em Patins mobilizava a
população junto da telefonia (rádio), a ouvir os relatos dos jogos,
,especialmente entre as selecções de Portugal e Espanha. Mais
uma vez, Joaquim Lopes, viu ali a evolução no negócio,
Aproveitou um espaço que foi adaptado a ringue de patinagem,
passou a alugar patins, para a aprendizagem. Ali, com o piso
cimentado, foi local onde algumas revistas teatrais, que
percorriam o país, mostraram os seus espectáculos, Igrejas
Caeiro, com os seus companheiros da alegria, e a Companhia
teatral Rafael de Oliveira, entre outros, utilizaram o espaço
O CAFÉ RIBATEJANO

O Café Ribatejano, abriu as suas portas, em 1950, junto da velha
taberna, que fechou O Ribatejano, com instalações para Pensão
e pernoita, para os caixeiros-viajantes, que naquela época
visitavam o comércio, com muitas malas dos produtos a vender
Uma mesa de bilhar, passou a ser usada pela juventude daquele
tempo. Com um grande balcão-frigorífico, servia cerveja a copo

131

(Imperial), bebida que dava os primeiros passos no comércio,
sendo servida acompanhada de um prato de tremoços, oferta da

casa. Existindo ,em Salvaterra de Magos, o Café Progresso, mais
antigo e instalado na zona velha da vila. Na rua, o Ribatejano
tinha instalada uma esplanada, delimitada com uma construção
em ripas de madeira. Na Av. Dr. Roberto Ferreira da Fonseca (Av.
Vicente Lucas de Aguiar), abriu portas a Pastelaria Sol da Lezíria
(Futuro–Parodiantes de Lisboa). A nova Pastelaria Salvaterrense,
de Francisco Fonseca (conhecido por Xico Vassoura), logo de
parceria com o Ribatejano, passou a fabricar uns pequenos
pastéis de feijão, vendidos numa caixa de 6 unidades ( a tampa
tinha a cena da morte do Conde dos Arcos

132

1962/63? – sentados (2ª Manuel João Gomes – 3º José Gameiro – 4º Augusto
Saraiva * 5º - Henrique Magalhães) ** Em pé: (Cabeça de) Mário Maymone e
Francisco Mendes * Foto de: Manuel João Gomes

133

A PENSÃO

As instalações dos quartos, estavam no primeiro andar, e ali
estiveram acomodados, figuras públicas como: os Toureiros,
Manuel dos Santos, Diamantino Vizeu, e o nadador Baptista
Pereira, entre muitas outras. Entretanto, nomeados agentes de
cervejas e refrigerantes com o exclusivo da venda e distribuição
na zona, o irmão António Vieira Lopes, começa num pequeno
carro de caixa aberta, os seus carregamentos semanais, no
abastecimento aos estabelecimentos comerciais, chegando a
entrar no Alentejo, até Mora.
A TELEVISÃO EM PORTUGAL

A televisão chega a Portugal, em 7 Março de 1957, o povo,
acorre, às janelas dos estabelecimentos, ou aos cafés para ver a
televisão. Mais uma vês o Café Ribatejano, tem a primazia na vila
de instalar um aparelho de televisão, tendo como clientes todas
as noites a melhor classe social da terra. A despesas, pela
clientela; pelo menos uma cerveja e tremoços (oferecidos), e um
chá oferecido às senhoras (um bolo comprado). No entanto o
Restaurante Típico Ribatejano, está aberto todos os dias para
festas de grupos e congressos, cuja estadia em Lisboa é de dias,
mas um dia é destinado a viajarem até Salvaterra, onde têm
contacto com a forma de viver do povo ribatejano – a recepção
é feita à entrada da vila, com foguetes no ar e música e ranchos,
além de acompanhamento por campinos.

134

*************
RESTAURANTE TIPICO RIBATEJANO

1953 - 1980

O INICIO DO RESTAURANTE
TIPICO RIBATEJANO

Com o Café Ribatejano a
funcionar, Joaquim da
Conceição Lopes, toma a
iniciativa de formar a
firma Manuel Vieira
Lopes & Filhos, LDª, com
seus irmãos; onde a mãe
D. Maria Irene, entra no
negócio, ficando de fora a irmã mais velha, a Hortense Lopes. A
firma assenta numa sociedade familiar, onde os quatro irmãos e
a mãe, laboravam com tarefas definidas, sendo o Joaquim Lopes,
gerente da firma.
O que restava, das três chaminés das antigas cozinhas do
palácio real de Salvaterra de Magos, foram aproveitadas, e
incluídas nas salas do novo Restaurante Típico Ribatejano, cuja
entrada principal tinha a porta dentro de uma decoração que
parecia um grande tonel de vinho, pintado de cor verde.

135
No interior das salas, uma construção de um lagar de vinho, e
nas paredes a simulação de grandes túneis de vinho (branco e
Tinto), deram ao local, uma aparência de uma Adega Ribatejana,
em laboração, no início do século séc. XX.
As paredes foram ilustradas com quadros de artistas e fadistas
da época, onde entre outros se podiam ver os retratos de Amália
Rodrigues e Vasco Santana, e alguns cartazes de corridas de
toiros, realizadas em tempos idos, nesta terra. Barretes verdes,
a par de algumas alfaias agrícolas e, candeeiros em barro,
suspensos do tecto, com iluminação “fingindo velas”,
completavam o cenário. Nas mesas, os pratos e jarros de barro
de vinho eram de trabalho artesanal, de um oleiro do concelho.
A mãe D. Irene, que sabia e tinha dedo para a culinária antiga
da terra, transmitiu a sua filha Maria Rosa, que passou a
cozinheira de serviço, alargando os pratos das ementas do
Ribatejano, às receitas da comida do povo da região.
Na
ementa, tinham significado especial, a Açorda de Sável, e
Caldeirada de Enguias , peixes do rio Tejo, pescado pelos
pescadores do Escaroupim. Nas carnes; os pratos de Borrego e
o Cabrito, eram servidas as ementas das gentes das terras da
Charneca de Salvaterra.

******************************
*********** *********** **********

136

TOTOBOLA

A Misericórdia de Lisboa, detentora da exploração das lotarias
em Portugal, lança um novo jogo de apostas no mercado, o
Totobola, e mais uma vez em Salvaterra, a primeira agência
chega ao Café Ribatejano.

137

UMA NOVA FORMA DE RECEBER

Entretanto, o Restaurante Ribatejano, é provido de uma outra
sala de refeições que foi construída no local, que a voz popular,
dizia ser do espaço que foi do teatro da asa da Ópera de
Salvaterra. Sempre no seu espírito inovador, Joaquim Lopes,
construiu um pequeno tentadero (pequena praça de toiros), com
a entrada dos animais, pela rua Marquês de Pombal, junto à
cozinha do seu já grande empreendimento turístico,
enriquecendo com esta iniciativa as instalações que, à muito
anos, se esgotavam em dias solenes como: Pelo Carnaval (três
dias), Páscoa, Natal e Ano Novo. As organizações sociais, e de
pessoal de empresas, organizavam os seus encontros para
passar o dia nestas instalações.

000 – Na traseira do autocarro, entre o povo
o pai e o autor assistem à chegada dos visitantes

.

138

Os Congressistas que vinham a Portugal, não deixavam de
passar um dia no Restaurante Ribatejano, usufruindo além da
gastronomia, das festas que lhes eram destinadas logo à entrada
da vila, com ranchos folclóricos, alas de campinos trajados a
rigor, e os foguetes a estalar no ar
.Aos domingos e feriados, o grupo de empregados de mesa, de
camisa branca e calça preta, com barrete ao ombro, iam
servindo as refeições. Os ranchos folclóricos da terra,
especialmente dos Pescadores do Escaroupim, com outros da
região, actuavam num grande palco, com artistas da área da

música ligeira e do fado. Na apresentação e, divulgação dos
usos e costumes do folclore da região, encarregava-se o
colaborador, Manuel Carlos Nunes, grande conhecedor das
realidades da etnografia da Lezíria Ribatejana.

139
UMA TRANSMISSÃO EM DIRECTO DA RTP

Estávamos no ano de 1960, talvez em Setembro, a RTP utiliza o
Restaurante Ribatejano, para uma transmissão em directo de
programa, Actuava naquela noite de fados a fadista Amália
Rodrigues. Decorria a manhã, vi chegar e estacionar na rua Luís
de Camões, junto às suas cozinhas, um grande carro de estúdio
de exteriores (tipo autocarro de passageiros), e logo um grupo
de electricistas, em pouco tempo liga o veículo com vários cabos
de corrente eléctrica, recebida de um poste de iluminação
pública, mesmo ali à mão.
Outros cabos são estendidos através do espaço do Tentadero, e
entram na sala grande, onde já uma outra equipa faz ensaios com
as máquinas de filmar. Eu, a tudo assisti um pouco confuso,
tendo mesmo estado dentro do carro estúdio, que iria fazer a
transmissão. No seu interior, tantas televisões, e milhares de
botões em outras máquinas, em cima de balcões, era por demais
fascinante, ver tais coisas. A meio da tarde, outros membros da
equipa da televisão, se juntaram, como o realizador, e o
apresentador do programa. Ao cair da noite, a gerência ofereceu
um jantar a toda a equipa da RTP, e a alguns convidados, pessoas
da terra. Tal como a outros “mirones” deixaram-me ficar pelos
bastidores da sala. O apresentador do programa, (julgo que:
Manuel Caetano), cumprimentou-me, quando foi sentar-se junto a
umas senhoras, que o preparam com tintas na cara e lacas no
cabelo. Os guitarristas, afinaram os sons, foi pedido grande
silêncio aos presentes, e a emissão começou. Quando terminou o

140
programa, uma grande azáfama de técnicos desmontaram
máquinas e projectores. Nessa mesma noite, e em pouco tempo
tudo ficou deserto e calmo de tanta confusão. Na manhã do dia
seguinte, o grande carro da RTP, abalou, rumo a outras paragens.
O CINEMA “CONDE DE ARCOS”

O Cine – Teatro dos Bombeiros, na rua Machado Santos estava
inactivo havia algum tempo Joaquim Lopes, sempre com espirito
inovador, tenta comprar o seu alvará, pois quer transformar o
antigo espaço de patinagem, instalando o Cinema Conde de Arcos,
mas a iniciativa saiu gorado o proprietário – os Bombeiros da
terra, não tinham ainda aquele documento, mesmo volvidos
tantos anos ( existia sim um provisório ), Logo após muitas
andanças pelos locais oficiais, conseguiu o tal documento e, na
noite da inauguração foi exibido o filme “Os Miseráveis ”, com o
actor francês Jean Gabin. (Vrs)

***********
(Vrs)– Teatro e Cinemas que existiram na vila – Caderno nº 6

141

A CONSTRUÇÃO CIVIL

Em 1962, a “onda” que, atravessava o país na área da
construção civil., no início da década dos anos 60, é
aproveitada pela firma Manuel Vieira Lopes, que constrói na
margem sul do Tejo, especialmente no Barreiro, aproveitando
os conhecimentos do seu cunhado, Manuel Ferreira Pinto Em
1964, inicia uma outra obra de grande investimento na sua
propriedade, na rua Heróis de Chaves (Rua dos Arcos), no
espaço das suas pequenas casas de habitação (restos de
anexos de casas do palácio real), ali faz a construção de uma
nova urbanização de três pisos, para habitação, com o résdo-chão, destinado a estabelecimentos comerciais.
ESTAÇÃO DE CAMIONAGEM

Já em 1957, na rua Heróis de Chaves, nas pequenas casas de
habitação, numa delas (1), tinha sido instalada a Central de
despachos dos caminhos-de-ferro, e das camionetas da carreira,
exploração da empresa de camionagem “A Setubalense” - Belos.

142
Uns anos depois, a firma Vieira Lopes, proprietária, remodelou
todo aquele antigo casario, por uma nova urbanização., onde foi
(re) instalado os serviços da rodoviária. (Vrs)

*********
(1) Casa onde José Gameiro o autor deste texto

A HORTA D`REI
(último empreendimento no turismo local)

Para completar, o grande empreendimento criado na área da
Restauração e Turismo de Salvaterra de Magos, a firma Viera
Lopes, negociou a aquisição da Horta d`Rei (séc. XIII) com vasto
terreno, que incluía uma grande Casa de Campo, ali se construiu
túneis de vinho, uma grande piscina, e num alpendre passaram a
existir assadores para churrascos de frango e outras carnes.
Tudo ao dispor da clientela que em grupos ali faziam os seus
encontros, Os muitos congressos que Lisboa recebia, não
deixavam de trazer até Salvaterra muitas e muitas dezenas de
participantes que aproveitavam, levando como recordação toda
uma beleza ribatejana que tiveram ao seu dispor.
***********
(Vrs) – O Transporte Público de Passageiros – Caderno 13

143

O INICIO DO FIM DO CAFÉ E DO RESTAURANTE

A morte de Joaquim Lopes, em Agosto de 1980, quando se
encontrava nas Termas de Castelo de Vide, trouxe o inicio do fim
de toda uma estrutura empresarial familiar, que assentava na
sua gerência. O Restaurante Típico Ribatejano, ainda esteve
aberto durante mais três anos, sob a administração do irmão;
António Vieira Lopes, tendo em 1983, encerrado definitivamente
as suas portas. Terminou assim, em Salvaterra de Magos, um
estandarte na divulgação do turismo ribatejano. A família, ali
tudo vai conservando como se estivesse à espera da clientela,
chegar um dia. Após a morte do irmão António Vieira, Lopes , a
acabou a firma, e os descendentes entraram no campo das
partilhas por herança O Café Ribatejano, ainda tem a porta
aberta com arrendamentos sucessivos.

144

145

BIOBLIOGRAFIA USADA:
Autor
- Salvaterra de Magos;
“Urbanização e Toponímia da Vila”
- O Passar dos Anos –
“Os dias que se seguiram ao Terramoto de 1909”
Caderno Apontamentos Nº. 17 *
“Os Transportes Públicos de Passageiros - Através dos Tempos
( Caderno Apontamento Nº 13 )
“ Os Cinemas e os Teatros em Salvaterra

146
( Caderno Apontamento Nº 7)
* Salvaterra de Magos “ Uma Vila no Coração do Ribatejo “
Edições: 1985 e 1990 (Esgotadas) e 2014 – Do Autor
Fotos Usados:

Do Autor e outros de origem desconhecida.

Caderno Apontamentos Nº 5
Documentos para a História de Salvaterra de Magos
Séc. XIII – Séc. XXI

SALVATERRA DE MAGOS
Património:
Geográfico, Monumental, Cultural, Social,
Político, Económico e Desportivo

147

UMA INSTITUIÇÃO DE CARIDADE
ATRAVÉS DOS TEMPO
O Autor
JOSÉ GAMEIRO

148

Foto da Capa:
Edifício do Hospital – Quando Inaugurado 1913

Primeira Edição
FICHA TECNICA:
Titulo:
Colecção: RECORDAR, TAMBÉM É RECONSTRUIR
Caderno Apontamentos Nº 5

A MISERICÓRDIA DE SALVATERRA DE MAGOS !
( Uma Instituição de caridade Através dos Tempos )

Tipo de Encadernação: Papel A5 - Brochado
Autor: Gameiro. José
Editor Gameiro, José Rodrigues
Morada: Bº Pinhal da Vila – Rua Padre Cruz, Lote 49

149
Localidade: Salvaterra de Magos
Código Postal: 2120- 059 SALVATERRA DE MAGOS
ISBN:
978– 989 – 8071 – 05 – 7
Depósito Legal: 256456 /07
Edição 100 exemplares * Março 2007

********************************

2ª Edição - Revista e Aumentada * Março 2015
*********************************

Contactos: Tel. 263 504 458 * Telem. 918 905 704
e-mail: josergameiro@sapo.pt

150

O autor deste texto não segue o acordo ortográfico de 1990

O MEU CONTRIBUTO
Um dia, José de Carvalho Asseiceira
Cardador,
ofereceu-me o livro
“SUBSÍDIOS PARA O ESTUDO DA SANTA
CASA DA MISERICÓRDIA DE SALVATERRA
DE MAGOS”.,trabalho de longa e única
pesquisa sobre esta instituição de
caridade. Era uma edição limitada em
quantidade, foi um trabalho de por si
efectuado, para a sua licenciatura, em 1974, na Universidade de Coimbra. O
gosto da oferta, foi retribuir-me o convite que lhe fiz para a responsabilidade
editorial na página “Jornal de Salvaterra”, do “Aurora do Ribatejo”, com
redacção em Benavente. Tal convite, tinha-me sido endereçado pelo Director
daquele periódico mas achando-me eu, sem condições académicas para tal,
encontrei no Dr. Cardador a pessoa indicada. Anos depois, estive integrado
num grupo de amigos da Santa Casa, onde fizemos na vila de Salvaterra, um
peditório, para a construção do Centro de Dia para Idosos. um primeiro passo
para a construção do edifício - sede, Lar e Centro de Dia para Idosos, uma
obra que era um sonho de décadas, e que se tornou realidade, sendo um dos

151
mais modernos no género em todo o país. Com a leitura deste Caderno,
publicado em 2007, agora revisto e aumentado, voltamos a aconselhar a
leitura do livro do dr. José Cardador, para melhor entendimento do passado
da Misericórdia de Salvaterra de Magos.
MARÇO: 2007

JOSE GAMEIRO

UMA INSTITUIÇÃO DE CARIDADE,
ATRAVÉS DOS TEMPOS !

“A Assistência nas terras, hoje território ocupado por Portugal
era exercida não só nos Mosteiros, Presbíteros, Residências
Episcopais e, dos Senhores, como em Albergues, Albergarias,
Hospícios, Hospitais, Gafarias e Mercearias..”
Estava-se em 1418 e o povo de Salvaterra de Magos, fazia
humildemente parte desta oferta humanitária para curar as
maleitas físicas e espirituais na Albergaria, junto à Capela (Igreja
da Nossa Senhora da Conceição). Além dos necessitados de boca
e roupa, era aí que os peregrinos, especialmente aqueles que
tinham como destino Santiago de Compostela (Espanha). Na vila
de Salvaterra de Magos, também existia uma outra pequena
Albergaria (hospital), que recolhia esses caminhantes tementes a
Deus. Os doentes da terra, que necessitavam de assistência
médica, encontravam no pequeno “hospital da vila”, existente no
Largo de S. Sebastião, algumas referências dão-no a conhecer já
no séc. XVIII.

152

PRESTAR ASSISTÊNCIA LEGALIZADA !

A diferença dos hospitais medievais, era serem fundados por
particulares, como obra de misericórdia. A lei que, regulava a
prática da assistência, resumia-se na síntese das “Obras da
Misericórdia”, com o “Direito Canónico” (Igreja Católica), nas
suas disposições, a fiscalizar a fundação das instituições com
caracter assistencial, tais como Mercearias e Albergarias.
O poder civil, ou as ordens religiosas, porém cedo começaram
a intervir na sua construção e administração e, aí temos no
último quartel do séc. XV, a rainha D. Leonor, a instituir em
Portugal, a lei das Misericórdias e, assim em 1498, nasceu a
Misericórdia de Lisboa, seguindo-se de outras pelo país.

A MISERICÓRDIA DE SALVATERRA !

153
Fazendo fé em alguma documentação oficial, a fundação da
Santa Casa da Misericórdia de Salvaterra de Magos, data de 1660.
Ao longo da sua existência, a Santa Casa, teve já vários
“Compromissos” (Estatutos). No primeiro, constavam 36
capítulos de obrigações e deveres, como era prática no séc. XV.
Um outro de 1912, regulava a instituição, dando-lhe o nome:
“Associação de Beneficência - Misericórdia de Salvaterra de
Magos”. Mais tarde, em 20 de Fevereiro de 1961, é aprovado pelo
Ministério da Saúde e Assistência, um “Estatuto”, com o título:
“ Santa Casa de Misericórdia de Salvaterra de Magos “
AS ALBERGARIAS
EM SALVATERRA DESAPARECERAM

Tal como muitas habitações da vila, foi o terramoto de 1909,
que ditou o desaparecimento da Albergaria e do Hospital, certo é
que já tinham sofrido danos com os sismos de 1755 (Lisboa),
1858, Como a falta de assistência médica hospitalar, passou a
ser uma necessidade premente na vila, especialmente da camada
populacional mais empobrecida, mesmo existindo o Montepio de
Salvaterra, que dava apoio aos socialmente menos carenciados,

154
pois pagavam um quota mensal. O espaço da antiga Albergaria
junto à capela, deu lugar à construção de um Jardim, obra
custeada, em 1964, pelo agricultor – João Oliveira e Sousa que
vivia ali na Rua Direita (rua Luís de Camões). Uma das paredes,
ainda ostenta uma das portas, que mostra agora por cima a
pedra mármore a recordar aquela Albergaria. Do Jardim, é
visível a porta (acesso da Capela à Albergaria) cuja construção
foi oferecida por uma das Infantas, filhas de rei D. Pedro II.

O NOVO HOSPITAL
O Terramoto de 1909, ainda estava bem patente na memória de
quantos viveram a aquela tragédia, mas as lágrimas já tinham
secado da face dos que perderam bens e familiares, pois os anos
que decorreram já disso se tinham encarregado.

155
Os “homens bons” da terra, esses continuavam a angariar
fundos para a construção de um novo hospital que a população de
Salvaterra, dele bem precisava, e dessa iniciativa se tinha
encarregado, o então provedor da Misericórdia, Gaspar da Costa
Ramalho. Os donativos angariados pelo provedor, foram de
7.011.955$000 (réis), onde já constava uma sua oferta. No final
das obras, verificada ainda a falta de 2.083.505$000 (réis),
Gaspar Ramalho, fez a oferta de outro óbolo e saldou as contas.

O novo hospital, foi solenemente inaugurado a 9 de Março de
1913, sem a presença do benemérito provedor, aliás desejo e
prática manifestada em todas as suas iniciativas na vila.
O hospital considerado na época um edifício modelo de
construção, naquela área, em todo o Ribatejo, durante anos
serviu a população do concelho de Salvaterra de Magos, nas
várias situações de internamento e partos difíceis.
AGRADECIMENTOS AOS BENEMÉRITOS

Desde os primórdios da sua existência a Misericórdia de
Salvaterra de Magos, sempre soube ser humilde nos
agradecimentos, para quem a serviu, na sua obra de
beneficência, mesmo para com aqueles que lhe deixaram legados.

156

Homenagem às Irmãs Sousa Vinagre – está presente sua prima Lurdes
Menezes * Fotos de José Gameiro

157

Algumas homenagens foram assinaladas e constam gravadas
em pedra, para a memória dos tempos, a homens que lhe
prestaram benemerência, como os doutores; Armando dos
Santos Caiado, José António Vieira, Roberto Ferreira da Fonseca
e Joaquim Gomes de Carvalho, que durante muitas décadas,
ofereceram aos protegidos da instituição os seus actos médicos.
Seguindo os mesmos ditames da filantropia, um outro distinto
médico, Fernão Marçal Correia da Silva, foi um dos últimos,
deixando tal prática graciosa já com o peso da idade..
UM CENTRO DE DIA PARA IDOSOS

A chamada terceira idade, tem dado assunto para páginas e
páginas de literatura, horas de conferências, onde ficaram

158
registadas sábias lições sobre gerontologia, mas pouco se tinha
feita até aquela data em benefício dos necessitados.

Em 1980, fizemos publicar no semanário “Aurora do Ribatejo”,
uma notícia onde destacava a iniciativa de um grupo de 8 amigos
da Misericórdia, em construir um Centro de Dia para Idosos, com
o fito do apoio ao domicílio, o que era raro no país. Aquela
original iniciativa teve eco nos meios de comunicação, que
passaram a reproduzi-la e foi assunto daquela semana.
Um deles, foi a rádio comercial no seu programa “As Cidades e as
Serras”, em Maio de 1980, que não deixou de dar eco ao peditório
que foi feito à população da vila. Mesmo previamente anunciado,
não teve o acolhimento esperada, rendendo uma soma
insignificante, mas os oito promotores não desanimaram.
O Centro de Dia, foi inaugurado em 21 de Junho de 1985, usando
um espaço num velho edifício do séc. XVIII, na Praça da República
(antigo Largo Fonte S. António) cedido provisoriamente pela

159
câmara municipal, Depressa acolheu grande número de idosos,
que passaram a ficar lá todo o dia, libertando assim as suas
famílias, para os seus afazeres profissionais.

Os doentes, e idosos acamados nas suas residências,
diariamente eram visitados e tratados, o que era uma novidade,
pois tinha sido uma aposta bem sucedida dos seus fundadores
que não desistiram, e continuaram a sonhar - com um espaço
novo e moderno – Um Lar e Centro de Dia, que passou ser um
novo emblema na solidariedade, da Santa Casa local.

UMA PRÁTICA DA CARIDADE!
Houve-se muitas vezes os especialistas, quanto se encontra
alguém a viver num lamentável estado de falta de higiene - entre
animais .que é um problema de saúde pública Em Salvaterra,
existia a idosa, “Emilia dos cães” como era conhecida, vivendo
entre uma matilha de cães, e onde a limpeza não existia, a velha

160
construção de madeira com tecto de folhas de zinco, era o
espaço onde vivia, ali nas traseiras do cemitério – paredes meias
com as pocilgas dos porcos da população da terra. A solução foi
encontrada: entre levar a Emília, para um Lar, e os animais para
um Canil, ou abatê-los – ali encontrava-se, um problema de
saúde pública Uma ideia pairou no ar, e ficou resolvido o
assunto. Um dos membros do grupo; José Teodoro Amaro,
construiu nas traseiras uma barraca em madeira (num espaço
também pertencente ao município, que tinha uma porta de acesso
ao Centro de Dia), Ali, passou a viver a idosa os seus últimos
tempos de vida, na companhia dos seus animais.

**********

161

Emília, com um cachorro ao colo –
a mãe Cadela espreita
Foto – José Gameiro

Dos Jornais:
“ Na sua edição de 15 de Abril de 1992, o JVT noticiava a
inauguração do edifício do Lar para Idosos, pela Misericórdia
Lar e Centro Dia”

CENTRO DE DIA PARA IDOSOS
Alguns anos se tinham passado, desde aquela iniciativa de um
grupo de oito homens que muito se empenharam na construção
de Centro de Dia para Idosos em Salvaterra de Magos, depois de
um percurso cheio de contratempos com vários pedidos de apoio,

162
a obra começou e levou alguns meses a finalizar a sua
construção, até que chegou o dia !....
“ A Misericórdia de Salvaterra de Magos estava em festa, foi
construído nos seus terrenos. um novo edifício para acolher os
idosos e os mais carenciados. Houve, uma sessão solene ao acto
esteve presente o secretário de estado da segurança social, Dr.
Vieira de Castro. Entre outros convidados oficiais, encontrava-se
o Bispo da Diocese de Santarém, D. Manuel Pelino e, entre a
multidão anónima presente à inauguração, encontravam-se
aqueles que um dia levaram a cabo a iniciativa da construção do
Centro de Dia e, mais tarde o Lar de Idosos, agora a receber as
honras festivas da sua fundação.
Edifício moderno, contou desde a primeira hora, do projecto,
com a “carolice” de oito incansáveis da primeira hora, que, desde
1977 esperavam a aprovação no Departamento e Equipamento
Social, do Ministério da Segurança Social que, apoiou a sua
construção. Armando Oliveira, já investido de Provedor, naquele
dia memorável, para esta vila, fez das suas as palavras de todos
quanto se tinham empenhado na concretização daquela obra.

163

“ Para que a velhice não seja um peso, mas sim um continuar da
vida, onde o amor e fraternidade do ser humano, são postos ao
serviço do seu semelhante – Seja tudo isto o que damos aos
outros, faz-nos mais humildes e felizes”. Foram parte das suas
palavras. No rosto de alguns amigos daquela obra, uma lágrima
de emoção rolou, ali já não estavam presentes o José Teodoro,
José Luis Borrego, João Castanheiro, a morte tinha-os levado
algum tempo antes. Foi relembrado, José Teodoro Amaro, era
um homem que, sempre se dedicou à criatividade e espirito de
iniciativa com empenho de grande solidariedade às instituições
da sua terra. Em 1989, arrastou alguns voluntários para darem a
sua colaboração como; Fortunato Ferreira Hortelão. que se
encarregava do provisionamento dos géneros alimentícios
Um Artigo de Jornal:

164
CHORAR DE EMOÇÃO, EM DIA DE ALEGRIA
(Uma obra dos amigos da Santa Casa)

O homem liberta-se, ao chorar de emoção, em dia de alegria!
Cada sonho, cada realização, torna o ser humano, mais digno
de si mesmo. A dignidade, está também visível na forma de vida
que, em união de esforços consegue buscar para si, ou para o
bem-estar da comunidade onde está inserido.
Em Portugal, os lares para idosos, não eram e, ainda não são
bem aceites pelas gerações que, foram educadas onde o dogma é
a família. Em Salvaterra, como hábito de séculos, enraizado na
cultura familiar das gerações mais antigas, “os velhos”, sempre
viveram e acabaram os seus últimos dias de vida, dependendo
das disponibilidades e carinhos dos filhos, ou familiares mais
próximos. Na década de 70, as instituições de solidariedade
social, mormente as misericórdias, levaram a cabo no nosso país
a implementação de Lares para Idosos , e daí nasceu uma outra
forma de assistência, os Centros de Dia.
Neste projecto empenharam-se: José Teodoro Amaro, José Luís
Serra Borreiro, Armando Rafael Oliveira, João Castanheiro, José
António da Silva, Eurico Norberto Borrego, José Rodrigues
Gameiro e João da Silva Nunes

******
Jornal Vale do Tejo – 16.07. 1998 * Texto José Gameiro

165

166

OS NASCIMENTOS EM CASA
Os partos das crianças em casa mantinha as parturientes do
concelho de Salvaterra, agarradas ao velho hábito, mas no
dobrar do séc .XX, os médicos da terra insistiam a recorrerem
aos serviços do hospital da Misericórdia local, onde existia
serviços de enfermagem aptas a prestar tal trabalho, Esta e
outras formas de assistência terminaram de vez nesta unidade
hospitalar por volta de Maio de 1970, com o encerramento total
do edifício. As enfermarias do hospital da Misericórdia de
Benavente, passaram a dar apoio devido e quando não havia
camas vagas, chegou a ser Almeirim o seu destino. Nas
situações mais complicadas as grávidas encontravam no hospital
de Santarém, e na Maternidade Alfredo da Costa em Lisboa o
acolhimento necessário. O grande inconveniente, estava na letra
da lei, os nascimentos dos bebés, tinham de ser registados nos
Registos Civis nas freguesias onde estavam situadas aquelas
unidades hospitalares, situação que afectava os índices de
natalidade das povoações originárias. Depois da Revolução de
Abril de 1974, foi encontrada uma solução para utilização do
antigo hospital de Salvaterra, passaram a ter aí lugar as
consultas e serviços administraticos das Caixas de Previdência.
Estas deram lugar à Segurança Social, e em 1979, Ministro da
Saúde, dr. António Arnaut, empenhou-se no processo da criação
de um novo Serviço de Saúde para Portugal.

167

Com a publicação da Lei n.º 56/79, de 15 de Setembro, foi
criado o Serviço Nacional de Saúde (SNS). Este novo serviço veio
marcar o “nascimento” do sistema nacional de saúde português,
assegurando o acesso universal, compreensivo e gratuito a
cuidados de saúde ao povo português.
Desde este ano que o sistema de cuidados de saúde, tem sido
então baseado na estrutura de um Serviço Nacional de Saúde
(SNS), com seguro público, cobertura universal, acesso quase
livre no ponto de utilização de serviços e de financiamento
através de impostos. Ao longo dos anos o sistema tem sofrido
algumas alterações na forma de o melhorar. No início foi
necessário, recorrer à conversão de muitas misericórdias, com
a utilização dos seus serviços médico-sociais. O velho hospital de
Santarém, em 1986, fechou, tal como o de Benavente, sendo o
primeiro substituído por um novo e moderno Hospital Distrital,
acabado de ser inaugurado. Para a criação de um Centro de
Saúde concelhio em Salvaterra, (até à construção de um novo
edifício) a Santa Casa e a autarquia, num processo de negociação
de uma permuta de terreno a destacar do antigo hospital. As
obras foram suportadas pelo estado e em 3 de Agosto de 1995,
foi inaugurado o edifício do Centro de Saúde, onde esteve
presente o Ministro da Saúde; dr. Paulo Mendo o seu primeiro
Director, foi o dr. José Emídio Mineiro, que manifestou grande
empenho e dedicação, sendo reconhecido o seu trabalho. O
antigo edifício hospitalar foi devolvido à Misericórdia, depois das
necessárias obras de conservação.

168

OS CUIDADOS MÉDICOS EM SALVATERRA
NOS SÉC. XIX E XX

Em Salvaterra de Magos, existem relatos que o acesso aos
hospitais da capital, e mesmo em Santarém, na primeira metade
do séc. XX, os médicos; Roberto Ferreira da Fonseca, José Vieira,
Joaquim Gomes de Carvalho, muito se empenharam junto dos
seus colegas, para consultas de especialidade e até internamento
para cirurgias dos seus doentes Também é de realçar o
empenho do Dr. Gregório Fernandes, nascido em Salvaterra,
deslocava-se de Lisboa para atender os seus conterrâneos,
levando muitos deles até ao hospital de S. José, onde era interno
e os operava, disso atenta a homenagem prestada – registada
numa placa, na casa onde nasceu. Tal empenhamento acontecia
junto dos médicos amigos de outras especialidades como:
Custódio Cabeças, Sousa Martins Oliveira Feijão e Alfredo da
Costa (no caso de situações de partos difíceis) entre outros.
Diligenciava os seus internamentos nos hospitais Curry Cabral,
D. Estefânia, Arroios, Santa Marta entre outros, que não deixavam
de atender os seus pedidos, pois era considerado e respeitado no
hospitalar. A partir da década de 70 do séc. XX, os doentes
encontraram no médico; Marçal Correia da Silva, grande
empenho para o atendimento dos seus doentes nos hospitais da
Misericórdia de Benavente e Coruche, necessitados de
intervenções cirúrgicas.

169

UM CATEI NO EDIFICIO DO ANTIGO HOSPITAL
Fechado o edifício do antigo hospital da Misericórdia, o seu
Provedor, Armando de Oliveira, procurou encontrar nova
ocupação para o seu espaço, houve sondagens com empresas de
prestação de serviços na área médica. Mas em 1999, foi-lhe
destinado o acolhimento de algumas famílias Kosovares, que
fugidas da guerra naquelas paragens, foram recolhidas por
Portugal.

1999 - O jornal Vale do Tejo, de Salvaterra, noticia a chegada –
Um grupo de crianças acolhidas * Foto José Gameiro

Dias depois alguns refugiados, “fugiram” de Salvaterra, constou
que o seu destino foi a Alemanha, Uns meses depois todos
deixaram Salvaterra, foram embarcados no aeroporto de Lisboa.

170

De seguida um contracto foi efectuado, em 1999, com a
Segurança Social, seria ali instalado um Centro de Acolhimento
Temporário de Emergência a Idosos – C.A.T.E.I., acompanhados de
uma equipa técnica. O edifício foi preparado e nesse mesmo ano
foi inaugurado com cerimónia solene.

1999 – Armando Oliveira na inauguração do CATEI
* Fotos José Gameiro – Jornal Vale do Tejo

***********************
************

171

**************
ARMADO OLIVEIRA
Armando Rafael Oliveira, esteve à frente da Misericórdia de
Salvaterra de Magos, cerca de 35 anos, Ao longo do tempo,
Armando Oliveira, iniciou os seus contactos com a Santa Casa,
quando presidiu ao executivo da Junta de Freguesia, esteve a
direcção dos Bombeiros, e integrou o grupo que se interessou
pela aparecimento de um Centro de Dia, que culminou com a
construção de um Centro de Dia e Lar, que enriqueceu o
património daquela Instituição de caridade de Salvaterra de
Magos, que estava carente de uma provedoria completa.
Os promotores da obra, viram com bom agrado a
disponibilidade de Armando Oliveira, para ocupar o cargo de
Provedor, e foi promovida uma Assembleia Geral, que aceitou o
executivo por ele apresentado.

172

Quando da inauguração do edifício, alguns dos que se tinham
empenhado, já tinham falecido. Na cerimónia da inauguração não
deixou de os lembrar. Para este apontamento socorremo-nos de
alguma informação que foi saindo na comunicação social.
A construção de uma Capela, em 1999, para apoiar os serviços
religiosos do Lar e Centro Dia. Obras de conservação de grande
vulto no edifício da Praça de Toiros. Um contracto com a
segurança social, para a instalação de um CATEI, no antigo
hospital. Um projecto de construção de pequenas habitações
individuais, dando satisfação aos pedidos de casais idosos/ ou

Habitações sociais – Misericórdia Salvaterra * Fotos José Gameiro

pessoa individual que pretendiam viver no Lar, mas com reserva
de espaço intimo, para isso suportavam o custo da construção, e
ali viveriam até ao falecimento do último membro da família,
revertendo a construção para a Misericórdia. Nos actos

173
eleitorais, apresentava-se às eleições com a equipas renovadas,
No seu último mandato (2012-2014), apresentou a lista seguinte:
ASSEMBLEIA GERAL: Presidente; Ana Maria Pessoa de Oliveira
Antunes * Vice-Presidente; Manuel Sebastião Catarino da Silva *
Secretário; António Eduardo Morais Andrade * Secretário; José
Carlos Viegas Ferreirinha * Suplente; Mário Duarte Ferreira *
Suplente: João António Nunes da Silva. MESA ADMINISTRATIVA:
Provedor; Armando Rafael Pinto de Oliveira * Vice-Provedor;
Francisco Miguel Mira Nunes Viegas * Secretário; Maria
Conceição Esperança Duarte Serafim * Tesoureiro; Arlindo
Ferreira da Cunha * 1º Vogal; Rogério Paulo Saraiva Marques
Francisco * 2º Vogal; Victor Cardoso Oliveira Silva * 3º Vogal;
Óscar Manuel da Silva Romão * 4º Vogal; José Martins dos
Santos. CONSELHO FISCAL: Presidente; António José Soares Damásio
* 1º Vogal; Rui Pedro Oliveira Antunes * 2º Vogal; Joana Isabel
Martinho da Silva Viegas * 3º Vogal; António Manuel Elias Cipriano
* 4º Vogal; Manuel Marques Francisco.

Capela do Lar/Centro Dia da Misericórdia * Foto José Gameiro

174

FRANCISCO MIGUEL VIEGAS

Com o falecimento, em 9 de Janeiro de 2013, do Provedor
Armando Oliveira, a gerência da Santa Casa de Salvaterra de
Magos, passou para o Vice-Provedor; Francisco Viegas, e assim
terminou o mandato (2012-2014). No ano seguinte, candidatou-se
e foi eleito para o mandato (20152018), apresentando a lista
seguinte: ASSEMBLEIA GERAL:
Presidente; Ana Pessoa de
Oliveira Antunes * VicePresidente; José Carlos Viegas
Ferreirinha * Secretário; Manuel
Marques Francisco * Secretário;
Manuel Luis de Oliveira *
Suplente; Manuel Sebastião Catarino da Silva * Suplente; António
Luís Rijo Milho. * MESA ADMINISTRATIVA; Francisco Miguel Mira Nunes
Viegas * Vice-Provedor; Arlindo Ferreira da Cunha * Secretário;
Maria Conceição Esperança Duarte Serafim * Tesoureiro; Rogério
Paulo Saraiva Marques Francisco * 1º Vogal; Vitor Cardoso
Oliveira Silva * Suplente; Rui Pedro Oliveira Antunes * Suplente;
Óscar Manuel da Silva Romão * Suplente; Luis Alberto Pessoa
Fonseca Marques * CONSELHO FISCAL: Presidente; António José
Soares Damásio * 1º Vogal; Joana Isabel Martinho da Silva Viegas
* 2º Vogal; António Manuel Elias Cipriano * Suplente; Sílvio

175

Augusto Roquete Cabaço * Suplente: Rafael Alexandre Oliveira
Antunes * Suplente: António Carvalho Filipe.
Logo de inicio da sua administração, tomou conta de um
processo que já levava alguns anos de negociação: Levou em
conta os interesses da Santa Casa, e com os seus colegas da
Mesa Administrativa, foi tomada a decisão de doar uma parte do
seu terreno do Loureiro, e no dia 19 de Junho de 2014, foi
assinada a escritura nos paços do concelho de Salvaterra de
Magos, a câmara municipal era uma das partes interessadas.

Cerimónia do contracto do terreno * Foto de Helder Esménio

O velho campo de futebol, aberto no dobrar do séc. XX, e agora
em desuso por falta de condições, seria substituído por um novo
Parque de Jogos.

176

Um outro processo lhe caiu em mãos, o encerramento do
CATEI, no antigo hospital, chegou ao fim, o seu financiamento pela
segurança social, tinha terminado com aquela valência. Os idosos
ali internados passaram a ser instalados no Lar/Centro de Dia
da Santa Casa. O velho edifício, vai continuar fechado até melhor
aproveitamento.

1995 Sala de encontro dos Idosos – Hospital * Fotos José Gameiro

Um grande desejo de Francisco Viegas, e da sua equipa, no
acto de eleição, foi manifestado: Encontrar no seu mandato,
alguns benfeitores, que aceitem fazer doações, para a reparação
dos quadros (retábulos) que forravam o tecto da Capela da
Misericórdia, que cairam com a destruição daquele edifício em
1979. Passados cerca de 35 anos, aguardam num armazém do
Lar/Centro de Dia da Santa Casa, que venha esse tempo tão
desejado pela equipa de Francisco Miguel.

177

***********
OS DOCUMENTOS DA INSTITUIÇÃO
Os documentos, para usar por qualquer interessado numa
investigação sobre a história da Santa Casa da Misericórdia de
Salvaterra de Magos,, são de difícil acesso – talvez por
desaparecimento. Já nos anos 60/70, do séc. XX, o Dr. José
Asseiceira Cardador, que por vezes assumiu encargos de
Mesário, na Administração daquela Instituição teve grande
dificuldade na sua pesquiza - segundo ele, eram parcos devido à
longa vida da instituição, e em diversas datas esta esteve sujeita
a alguns percalços (terremoto de Lisboa 1755, sismos de 1858 e
1909). Este último destruiu o edifício do hospital, no Largo de S.
Sebastião, onde se guardavam alguns documentos nos seus
serviços. Outras faltas devem imputar-se à pouca guarda dos
homens, tal quando o edifício do hospital esteve fechado
Agora só nos resta, a edição do livro de José Cardador,
“ Subsídios para o Estudo da História da isericórdia de Salvaterra
de Magos
**************************

178

Ano 2000 - José Lopes Ferreira Lino * Irmão (sócio) Nº 1 no dia de

Aniversário da Misericórdia * Foto José Gameiro

José Gameiro * em dia de anos do Lar

179

***************************
UM NOVO CENTRO E SAÚDE
A par do que estava a acontecer em todo o país, o Ministério da
Saúde, veio também a instalar em Salvaterra de Magos, o serviço
nacional de saúde – SNS, na falta de local apropriado na sede do
concelho a câmara municipal de Salvaterra, cedeu a titulo
provisório um espaço no piso térreo do antigo edifício, ali ao lado
da Trav. do Secretário, no Depois das obras terminarem, foi
inaugurado o edifício em 3 de Agosto de 1995, onde esteve
presente o Ministro da Saúde; Dr. Paulo Mendo, o novo Centro de
Saúde de Salvaterra, que daí à vante teria delegações nas
freguesias do concelho. No seu início, e na fase da instalação
dos serviços foi seu Director, o médico José Mineiro (José Emídio
Mineiro), que manifestou grande empenho e dedicação, o que
levou o seu trabalho realizado a ser muito reconhecido foi
reconhecido.
*************************

180

181

Bibliografia usada:
* Livro - Salvaterra de Magos “Vila Histórica no
Coração do Ribatejo” e outra documentação avulsa
do autor
* Livro Centro Paroquial – 50 Anos de Acção
Social (1947-1997)
* Livro Subsídio para o estudo da história da
Misericórdia de
Salvaterra de Magos – José Asseiceira Cardador
(Dr.)
*Livro Freguesia da Várgea (Concelho de
Santarém) - Pág 385 *Autor: António Miguel
Ascensão Nunes (José Vargeano) – edição 2005
(Junta Freguesia da Várgea)
* Gregório Fernandes, e seus Filhos (Referências
na história da Medicina Portuguesa dos séc. XIX e
XX) * Biografia Familiar * Autor: José Gameiro
FOTOS INSERIDAS NESTE NÚMERO – Do Autor

182

CADERNO APONTAMENTOS Nº 6
Documentos para a história
de

SALVATERRA DE MAGOS
séc. .XIII – séc. XXI
Património:
Geográfico, Monumental, Cultural, Social,
Político, Económico e Desportivo

O Autor
JOSÉ GAMEIRO

183

O MEU CONTRIBUTO

Um dia, no ano de 1988, tentei
pesquisar onde teria existido
o edifício da Casa da Opera de
Salvaterra de Magos.
Nas minhas deambulações, fui encontrar
idosos que, tinham já uma vida vivida em
dois séculos. As suas informações, muito
me ajudaram no que pretendia e, foram
preciosas para compreender o gosto do
Teatro Amador, pela população de
Salvaterra no início do século passado,
confirmadas por alguns textos publicados
em publicações desgarradas.
Se nos apoiarmos na letra da história, vamos ao
tempo vivido pelo rei D. Pedro II (1648-1716), que
já ocupava muito do seu tempo em jornadas com
passeios a cavalo, nos campos de Salvaterra, onde
trazia a corte nos meses de Janeiro e Fevereiro.

184
Para melhor acomodação da corte continuou as
obras de ampliação do Palácio e seus Jardins, não
deixando de se interessar pela conservação da
Capela, e do edifício da Igreja Matriz. Tempos
passaram, veio a época da presença de D. José
(1714 -1777), monarca que se interessava pelas
caçadas de falcoaria e cetraria, não desprezando os
“brincos” de touros para deleite da corte e alguma
aristocracia, que da Europa vinha até Salvaterra,
para tratar de negócios. Foi no seu reinado que a
cultura
sofreu
grande
desenvolvimento,
especialmente na arte de representar em palco, para
isso mandou construir mais dois Teatros de Ópera,
a juntar ao já existente em Lisboa. Um desses
teatros, foi o de Salvaterra. Alguns séculos
passaram, mesmo com o desaparecimento das
estruturas que pudessem mostrar a presença real
nesta vila ribatejana, naquela minha investigação,
não deixei de constatar que o gosto pelo canto da
Ópera ainda se mantinha, no primeiro quartel do
séc. XX, no seio de algumas famílias abastadas,
que estando recatadas, em ambiente de festa não
deixavam de cantarolar algumas árias, para prazer
dos seus convivas.
2015

José Gameiro

185

I

OS TEATROS
Talvez a existência do teatro real da ópera, em Salvaterra de
Magos, tenha originado o gosto do povo pela canto de Ópera, que
no dobrar do séc. XIX, ouvia-se amiúdas vezes entre os grupos
que se juntavam na tasca existente junto à Igreja Matriz,
Certo é, que periodicamente nos anos 20/30 do século XX,
algumas companhias de teatro por aqui passavam, como foi o
caso da Companhia Rafael de Oliveira, que entre a representação
não se deixava de ouvir algumas cantigas de raiz popular, que o
povo muito gostava.

186

No ano de 1929, um grupo de pessoas de boa vontade, reuniu
alguns jovens rapazes e raparigas, cujas profissões vinham do
Ferreiro, Carpinteiro, Pedreiro, até à Costureira, apoiados por
músicos da terra, fundaram o grupo teatral, a que deram o nome
GRUPO DE BENEFICIENCIA
SALVATERRENSE” Para os seus ensaios e apresentação das
peças, serviu uma construção perto da Capela Real, e que o povo
dizia ser restos do antigo paço real da vila, Por estar pintado de
amarelo, logo começou a chamar-se teatro “ Os Amarelos”.
Naquele tempo acabava de ser construído, na rua Machado
Santos, um edifício para Cine-Teatro que, o benemérito; Gaspar
Ramalho ofereceu aos bombeiros locais, além dos filmes as
representações dos grupos teatrais, vindos de Lisboa traziam
actores como: Eurico Braga e Cecília Simões , entre outros de
fama nacional.
O grupo teatral “Os Amarelos”, como passou a ser conhecido,
representou peças com assinalável êxito, quer em Salvaterra,
quer nas terras vizinhas como: Benavente, Vila Franca de Xira,
Valada e Azambuja.
Peças como: “A PROCURA DO PROGRESSO” (1929) * NO PARAÍSO
(1929) * “ O CAMPINO (1930) * PAZ E SUCEGO (1930) * CANTIGA
NOVA (1930) * INTRIGAS NO BAIRRO (1931) * FERRO VELHO (1931) *

187
TOUROS E FADO (1931), fizeram parte do seu repertório.. Deste
grupo teatral destacaram-se como actores: Carlos Almeida,

Maria Josefina Vidigal, Beatriz Barroso, Manuel das Neves, Maria
Carlota Serra, Laura Antão, Joaquim Ferreira Estudante, João
Antão, José Miguel Borrego e as suas irmãs; Isabel e Adelaide e
muitos outros.
Álvaro Lopes Rosa, António Paulo Cordeiro e Roberto da
Fonseca Júnior, também deram o seu contributo na área musical.

Pouco tempo depois, com a morte de uma jovem que actuava
no grupo, este começou a sentir na sua organização, um malestar, pois muitos dos seus componentes, eram
familiares.

Assim, terminou uma experiência, que durante alguns anos
empolgou o povo de Salvaterra de Magos, que sempre esgotava
os espectáculos.
Na Taberna da Anunciada (1), na Azinhaga pequena, lá se
encontrava todas as noites um grupo, para jogar cartas e
chinquilho. Depois de bem bebidos, não deixavam em jeito de
desafio, uma ou outra cantiga atirando para o estilo da Ópera.
Anos depois, em 1958, uma nova experiência yeatral outro grupo
veio a aparecer, com o nome “GRUPO DRAMÁTICO DA BANDA DE
MÚSICA DOS BOMBEIROS DE SALVATERRA DE MAGOS”, tendo uma
actividade curta, pois apenas representou a peça “OS
CAMPINOS”. Para os ensaios deste agrupamento foi solicitado
,

188

a colaboração do conterrâneo Ruy Andrade, que já tendo
experiência na representação teatral, também tinha
responsabilidades

no

programa

radiofónico

“Os

Parodiantes de Lisboa”, de que era proprietário, com seu José

Andrade. Quando da construção do Parque Infantil, em 1974, foi
criado um grupo teatral, para ajudar à recolha de fundo para
aquela obra, que o povo muito apoiou dos “Amarelos”
Depois dos ensaios, o “Grupo de Teatro Pró - Parque Infantil ”,
com muita juventude a representar, levou à cena, tanto em
Salvaterra, como em terras vizinhas, duas peças: “O AMOR
VENCE”, com um drama em dois actos, que tinha o título: “POR
SER TÃO BELA”, e “ÓDIO TAMBÉM MORRE”

**********
(1)A Taberna da Anunciada, foi cenário de algumas passagens do
conto verdadeiro “O Último Dia do Lobo em Salvaterra” incluído
na pág 49 do livro “Contos do Ribatejo” – Lisboa 1979 (José
Amaro

189

Mais tarde, nos primeiros anos, das FESTAS DO FORAL DE
SALVATERRA, um conjunto de jovens de ambos os sexos, muito se
empenhou no aparecimento do “GRUPO DE TEATRO AMADOR DE
SALVATERRA”, tendo representado no palco do Cinema Conde
Arcos, a peça “OS CAMPINOS”, que era uma reposição em cena
passados tantos anos.
Uma última iniciativa nesta área teatral, veio a acontecer uns
tempos depois, com o aparecimento do “GRUPO AMADOR DE
TEATRO DE SALVATERRA DE AMGOS – GATSM”, este agrupamento,
mesmo com escritura de oficialização pública, teve vida efémera.
Depressa tudo passou para o esquecimento, no entanto, o idoso
Francisco Costa, não deixava de nos alertar as saudades para o
seu tempo da sua juventude em que a Ópera era cantada à
“desgarrada”, na taberna, Terminando as minhas pesquisas para
a recolha de elementos para o meu Caderno “EM BUSCA DO
TEATRO REAL DA ÓERA DE SALVATERRA DE MAGOS”, ,nada
encontrei que me levassem ao local onde poderia ter existido o
edifício, Entre os meus informadores, devo destacar; José
Caleiro, Joaquina Mendes, Rosa Mendonça, todos eles foram
unanimes em afirmar que viram derrubar com cargas de
explosivos, as paredes do que restava do Paço Real e da Casa da
Ópera, sendo alguma da sua pedra usava nas ruas da vila.
Um dia de Outubro de 2010, fomos contactados pela escritora;
Aline –Gallasch, que pretendia saber a localização onde teria

190
existido a Casa da Opera de Salvaterra seriam documentos para
a sua licenciatura.
Agora só nos resta recordar o que os livros nos contam !....

1930 - Grupo de Teatro Beneficência Salvaterrense

191

192

II
OS CINEMAS
O Séc. XIX, estava a terminar, o cinema por sua vez estava a
iniciar uma actividade que, poucos anos depois já mobilizava
milhões de participantes e figurantes, passando a ser uma
indústria em todo o mundo.
Com a primeira sessão cinematográfica na Europa, em 1895,
por Luiz Lumière, logo esta forma de divertimento se espalhou no
velho continente.

As salas de cinema e, as esplanadas para exibições ao ar livre,
pareciam “cogumelos” a nascer em Portugal.
Com o sismo, de 1909, e
sendo a vila de Benavente a
mais afectada, das outras

193

suas vizinhas, logo os dois cineastas portugueses, Correia e
Cardoso, vêem àquela povoação recolher imagens da catástrofe
e, no dia seguinte. Os vários cinemas de Lisboa exibiram em
várias sessões diárias os destroços das habitações, e outros
danos ali causadas, com narração em viva voz, e em simultâneo,
onde também era dado a conhecer ao povo lisboeta, o que tinha
acontecido em Samora Correia e Salvaterra de Magos.
Estava-se ainda na época do cinema mudo!

1998 – Acesso ao espaço onde foi o Canto da Ferrugenta –
foi construído um Mercado Municipal * Foto José Gameiro

Naquele tempo, as vilas recebiam a visita periódica de
empresários ambulantes que, faziam passar vários filmes, de
alguns minutos cada.
Em Salvaterra de Magos, existiram vários locais, onde eram
passadas as fitas cinematográficas, como se dizia na época.
Por volta de 1929, no espaço que, servia para a representação
do grupo teatral, conhecida entre o povo por “Os Amarelos”, no
Largo dos Combatentes, a energia eléctrica para as sessões, era

194

recebida de um motor instalado numa oficina, dali distante, ao
fundo da Capela Real.

O Canto da Ferrugenta, terreno antigo da vila, ficando junto ao
novo Quartel dos Bombeiros, também foi sítio para a projecção
de filmes, nos dias de Verão, como esplanada, sendo as entras
cobradas pela instituição.

A entrada daquele espaço, quando da instalação do Mercado
Diário Municipal, em 1956, ainda mostrava um muro a meia altura,
com tijoleiras em desenhos, de barro vermelho. Eram os restos
de um recinto que, marcou uma geração de cinéfilos em
Salvaterra de Magos
Na necessidade de uma sala própria, para cinema e teatro, o
benemérito, Gaspar Costa Ramalho, por volta de 1925, mandou
adaptar um seu celeiro, na antiga rua de S. Paulo, ofereceu-o aos
Bombeiros Voluntários da terra, para fins de poder angariar mais
receitas para a Instituição. Ao longo da sua existência, o CineTeatro, teve vários interessados na sua exploração comercial,

195

para além dos seus proprietários, os bombeiros. Era mecânico da
máquina de projectar os filmes, o jovem Hélio Mendes da Silva
.

Um empresário de Marinhais, Joaquim Martins Madeira, já com
um cinema instalado naquela povoação, durante anos explorou
esta actividade, em Salvaterra de Magos.
No dobrar do séc. passado, nos dias quentes de Verão, utilizava
um largo espaço, numa propriedade da família Henriques Lino, na
rua João Gomes, onde funcionava a “Esplanada do Cinema”.
Foi num destes anos que, ali construiu um novo ecrã de
grandes dimensões, numa parede de tijolo e reboco de cimento,
pintado a branco pois tinha chegado o formato Cinema-scope, era
uma nova forma de visionar filmes
Por volta de 1958, uma sociedade, entre Anselmo Goulão e
Horácio Costa, funcionários da Raret, também explorou o CineTeatro, dos bombeiros.

196
A firma Manuel Vieira Lopes & Filhos, Sucrs, estando
interessada neste campo empresarial, inicia a construção de
uma nova sala de espectáculos e Inicia conversações com os
bombeiros, para celebrar um contrato de cedência anual de todo
o material existente no Cine -Teatro, além do respectivo alvará,
pelo preço de quarenta mil escudos.
Estando a máquina de projectar e outros acessórios do CineTeatro, já obsoletos, compromete-se a comprar novos aparelhos
para a projecção dos filmes A Direcção dos Bombeiros, reunida
para deliberar o aluguer, com cedência das responsabilidades
para os novos interessados, veio a verificar que, não existia
nenhum Alvará de exploração para exibição de filmes.
Na documentação existente, na Instituição, apenas um
licenciamento provisório, estava registado através da
autorização do Governo Civil de Santarém. Verificou-se assim,
que o seu cinema, nunca possuiu a autorização definitiva por
meio de um Alvará, documento necessário à época para a
exploração daquele ramo de actividade.
Perante aquela situação, avançou a firma Vieira Lopes, para a
construção de uma sala em Salvaterra de Magos, na sua
propriedade, e a população não ficou privada do “seu” cinema.
Entretanto a juventude deslocava-se a Benavente, Marinhais e
Samora Correia, aos fins-de-semana para assistir a este género
de espectáculos, onde por vezes no final se realizavam bailes.

197

O “Cine-Esplanada Conde d`Arcos ”, abre as suas portas ao
público, em 31 DE Maio de 1959, com a exibição do filme, com o
título: “OS MISERÁVEIS” uma superprodução que, utilizou além
dos artistas principais, Jean Gabin e Daniele Delorme, e cerca de
30 mil figurantes.
Aquele novo espaço de diversão, tinha como tecto, uma
cobertura, em tecido/plástico, onde se podia ver um enorme
“céu”, cheio de estrelas, sendo recolhido nos dias de Verão,
funcionava assim como esplanada.
Com o uso, depressa se veio a verificar, quanto era perigoso
aquele sistema de cobertura e, foi substituído por uma cobertura
em telha de fibrocimento. O seu tempo de vida como sala de
cinema e, de outros espectáculos, durou apenas cerca de dez
anos, exibindo nos seus últimos tempos, alguns filmes
pornográficos, um género de filmes que invadiu todo o país.
estávamos nos dias a seguir ao 25 de Abril de 74,
A televisão, e o novo sistema de visionar filmes, que foram os
Vídeos, levaram ao encerramento do cinema “Conde d`Arcos”,
pois a sua manutenção, era um pesado encargo, pelas despesas
dali ocorridas.
Ainda no início da exploração desta nova acção empresarial, a
firma Vieira Lopes, construiu uma esplanada, para exibição de
filmes, no Estanqueiro, em Foros de Salvaterra.

198

Foi um empreendimento que teve vida curta, os espectadores
locais, não eram muito receptivos a este género de espectáculos
culturais. Depois, de cerca de 40 anos, após a sua abertura ao
público, o Conde d` Arcos , é agora uma saudade nesta terra, pois
está fechado, mantendo todo o seu recheio de uma sala de
cinema!
Mais tarde, no ano 2000, parte da fachada, e algum espaço do
edifício foi adaptada, par um estabelecimento de Pisaria,
exploração de um descendente da família Vieira Lopes.

***************************
******************

199

III
RECINTOS PÚBLICOS
AUDITÓRIO DA CAPELA REAL
A antiga capela do palácio real de Salvaterra de Magos, tem um
terreno junto a si, no lado Sul, que teve várias utilizações, no
decorrer dos séculos.
Uma delas, foi de Picadeiro
real, função que ficou registada,
em mapas de várias épocas, e
nele foi figura de destaque o
Marquês de Marialva, que ali
tinha a responsabilidade do
ensino equestre.
Já no século XIX, quando das muitas reformas do estado, sob a
doutrina liberal, foi aquele espaço aproveitado para ser usado
como cemitério público.
Até ali o povo, era enterrado nos adros das igrejas, e os
senhores da terra, podiam optar pela sepultura em terrenos de
propriedade própria.

200
.Depressa, aquele pequeno cemitério público, ficou esgotado, por
sepulturas térreas, e construções em jazigos em mármore.
Com a construção de um novo campo santo, na Paroquia de
Salvaterra de Magos, nos últimos anos daquele século (1885),
ficou aquele terreno na situação de “espera”, na base dos 50
anos, que a lei então lhe conferia para suportar as campas dos
falecidoenterrados até ficar disponível
Maqueta do Auditório municipal, da autoria do Arquitecto,
italiano, Flávio Barbini Em 1964, estando pouco cuidado, a erva
que entretanto tinha crescido ao longo dos anos, estava
transformada em mato, ofuscava tanto as campas rasas como os
Jazigos. Naquele ano, o Corpo de Escuteiros , acabado de ser
formado, Naquele ano, o Corpo de Escuteiros , acabado de ser
formado, no âmbito da igreja católica, ali instalaram
provisoriamente a sua sede social, usando uma dependência do
edifício.

Jovens
escutas,
ao
limparem o terreno do vasto matagal depressa trouxeram à vista
aquelas pedras tumulares e jazigos – achado que foi muito
comentado na época.
Os anos passaram e em 1997, o Dr. José Gameiro dos Santos,
então presidente da câmara municipal, aproveitando um projecto

201
do jovem arquitecto italiano, Flávio Barbini, estagiário no
município, propôs para aquele espaço a construção de um
Auditório Municipal ao ar livre.

1997 Rampa de acesso aos trabalhos, na instalação do Palco do Auditório

Aceite o projecto pela vereação, quando do início das obras, nos
trabalhos de primeira limpeza do terreno, algumas ossadas
vieram à luz do dia, e logo um grupo de jovens estudantes da
escola secundária da vila, apoiados por um ou outro professor
que, não simpatizava com a ideia autárquica, vieram para a praça
pública denunciar a situação.
Reposta a normalidade, os trabalhos foram decorrendo, e
quando Gameiro dos Santos deixou o executivo camarário, no
final de 1997, as obras já estavam numa fase adiantada de
construção. No entanto foi em 1999, já no mandato de Ana
Ribeiro, como presidente da câmara, que a obra ficou concluída,
e a sua inauguração aconteceu pouco tempo depois !
O auditório, um pequeno recinto para espectáculos em dias de
Verão, pouco uso vem tendo nos seus poucos anos de existência.

202

***************
*******

203

Bibliografia usada:






Livro “ Salvaterra de Magos “ Uma Vila no Coração
do Ribatejo, de José Gameiro *
As Origens dos Bombeiros Voluntários e Banda de
Música de Salvaterra de Magos – Do Autor
Boletim informativo Municipal - “O Foral” N.º 1
(1996
Jornal Vale do Tejo – JVT, notícia da Contestação
ao Alargamento do Cemitério da Freguesia – 2001
Livro Contos do Ribatejo – “O Último Dia do Lobo
em Salvaterra” . Pág 49 – Autor José Amaro, Dr.
Revista Magos II – CMSM, editado em 2015 * Pág
119 *
“ O Palácio de Salvaterra de Magos, e a sua
iconografia” – texto de Aline Gallasch – Hall de
Beuvink

Fotos Usados
Do Autor e A/d

Interior do antigo Cinema Conde Arco * Fotos do
Autor - 2000

204

A

205
ESCRITORA ALINE GALLASCH – HALL
DE BEUVINK
VISITOU SALKVATERRA DE MAGOS

206

Edição – José Rodrigues Gameiro - 2015