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09/02/2016

Evite os "verbos de pensamento": o conselho de Chuck Palahniuk para novos escritores | Oxford Comma

Evite os “verbos de pensamento”:
o conselho de Chuck Palahniuk
para novos escritores
10  DE   A GOS TO  DE   2015  /   NA TÁ LI A   B E CA TTI NI   /   62  COM M E NTS

Há alguns anos, eu esbarrei nesse ótimo conselho de Chuck Palahniunk, um escritor
que  por  acaso  eu  admiro  pacas,  mas  tinha  me  esquecido  completamente  dele  no
fundo do meuarquivo de roubos. O interessante é que, ao contrário de muitas outras
dicas  para  escritores  que  a  gente  vê  por  aí,  esse  artigo  não  é  sobre  questões
metafísicas ou de bloqueio ou conselhos abstratos que a gente gosta de ler mas não
sabe  ao  certo  como  seguir.  É  uma  dica  prática,  do  tipo  “pegue  papel  e  caneta  e
comece agora” e eu acredito que, aplicando­a na nossa escrita, realmente pode nos
ajudar a lapidar nosso estilo.
Em seis segundos, você vai me odiar. Mas em seis meses, será um escritor melhor. 
De  agora  em  diante  –  pelo  menos  pelo  próximo  meio  ano  –  você  não  poderá  usar
“verbos  de  pensamento”,  incluindo:  pensar,  saber,  entender,  perceber,  acreditar,
querer, lembrar, imaginar, desejar e centenas de outros que você ama. 
Essa lista também deve incluir: amar e odiar. E pode se estender a ser e ter, mas nós
vamos chegar nesse mais tarde. 
http://www.oxfordcomma.com.br/2015/08/conselhos­de­chuck­palahniuk/
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”  Pensar é abstrato.  Por  exemplo:  “Brenda  sabia  que  ela  nunca  cumpriria  o  prazo. mas também seu perfume.” Em vez disso. sons e sensações.  você  pode  chamá­los  de  “afirmação  de  tese”.  ela  sempre  colocava  apenas  sua  xícara  de  café  no  microondas.br/2015/08/conselhos­de­chuck­palahniuk/ .  Apresente cada evidência.  quando  ele teria que pegar uma carona ou pagar por um carro para chegar em casa e encontrar Mônica  fingindo  dormir  –  porque  ela  nunca  dormia  daquela  forma  tão  tranquila  – naquelas  manhãs. caso  contrário  haveria  uma  grande  bagunça  para  limpar  depois. E. no próximo intervalo.  Além  disso. ilustra essa intenção. detalhe por detalhe.  naquele  momento  antes  que  ele  respondesse.  você  não  poderá  escrever:  “Kenny  se  perguntou  se Mônica não gostava que ele saísse à noite…”  Em  vez  disso. E ame e odeie. Sua história sempre vai ser mais forte se você mostrar apenas as ações físicas e os detalhes dos seus personagens e permitir que seu leitor pense e saiba. outra vez. Nunca a dele.  Gwen  se  encostava  no  armário  de  Adam  quando  ele  se aproximava para abrí­lo. o que se segue.  De  certo  modo. Ela rolava os olhos e partia.  você  terá  que  dizer:  “No intervalo  entre  as  aulas. mude para: “Brenda nunca cumpriria o prazo. Em casa.  você  deve  agora apresentar  detalhes  que  permitam  que  o  leitor  os  conheça.  A  bateria  do celular havia se esgotado. bem  naquele  instante. Apenas detalhes sensoriais específicos: ações.  Até  mais  ou  menos  o  natal. Gwen estaria encostada ali.  Em  vez  de  dizer:  “Adam  sabia  que  Gwen  gostava  dele.  Um  dos  erros  mais  comuns  de  escritores  iniciantes  é  deixar  seus  personagens2/4 http://www.  você  deve  agora  descrever  a  coisa  para  que seus leitores passem a querê­la também. cheiros. deixando uma marca negra no metal. Melhor ainda. Saber e acreditar são intangíveis. no instante logo após a  professora  dizer  o  nome  de  Tom.  você  terá  de  desmembrar  isso  em  algo  como:  “Nas  manhãs  que  se seguiam  às  noites  em  que  Kenny  estava  fora  depois  do  último  ônibus. gostos.  e  eu  vou protestar  contra  eles  mais  tarde).  Se  não  tiver  jeito.”.com.  passadas  as  primeiras  oito  ou  nove  saídas.  Em  vez  de  fazer  seus  personagens  saberem  qualquer  coisa. pare de utilizar atalhos. E.  ela prometeu que aguaria as plantas para o vizinho…”  Você percebe como essa “afirmação de tese” tira o brilho do que se segue? Não faça isso. Por exemplo: “Durante a chamada.  Não diga ao leitor: “Lisa odiava Tom. construa seu caso como um advogado na corte.  O  trânsito  estava terrível  desde  a  ponte.”  Para resumir.  os  escritores  usam  esses  “verbos  de  pensamento”  no  início  dos parágrafos  (dessa  forma.  eles  afirmam  a  intenção  daquele parágrafo.09/02/2016 Evite os "verbos de pensamento": o conselho de Chuck Palahniuk para novos escritores | Oxford Comma vamos chegar nesse mais tarde.  corte  a  sentença  de  abertura  e  coloque­a  depois  de  todas  as outras.  Em  vez  de  fazer  seus personagens  quererem  alguma  coisa. os cachorros precisariam sair para um passeio.  Lisa  sussurrava  “seu  merda”  justo  quando  Tom  respondia “Presente”.  Normalmente. O cadeado ainda estava quente pelo contato com suas nádegas.oxfordcomma.

Por exemplo: “Enquanto esperava pelo ônibus.  http://www. me odeie com todas as suas forças. olhos azuis.  Mas  seus  personagens  devem  passar  muito  pouco  tempo  sozinhos.  até  o  shopping.  Outra vez: desmembre.  você pode estar sozinhos.  Nada  de  frases como “Wanda lembrou­se de como Nelson costumava escovar seu cabelo”.  bêbado. Dali dava para ver até o fim da rua. sua audiência vai estar  sozinha.com. antes de sorrir…”  Em  vez  de  usar  os  sem  graça  “ser”  e  “ter”. mas o relógio de Mark dizia que já eram 11:57.  tente  enterrar  esses  detalhes  dos personagens em suas ações ou gestos. Saia da cabeça deles.  e  ele  não  via  nenhum  ônibus  vindo. Mark começou a se perguntar quanto tempo a viagem tomaria…”. Para simplificar. quando  ele  parasse  ali. você  vai  odiar  os  escritores  preguiçosos  que  se  contentam  com:  “Jim  sentou­se  ao lado de seu telefone. espantando a fumaça de cigarro de seus olhos.  E.”  Um  personagem  sozinho  deve  mergulhar  em  fantasia  em  memória.  diga:  “Quando  estavam  no  segundo  ano  da  faculdade.  Por exemplo: “Os olhos de Ann eram azuis” ou “Ana tinha olhos azuis” versus “Ann tossiu e sacudiu uma mão em frente seu rosto.  O  motorista estava  dormindo  e  Mark  estava  atrasado. Ao ler.  Uma construção melhor seira: “A programação dizia que o ônibus chegaria ao meio dia.  Nelson costumava arrumar o cabelo dela com escovadas suaves e longas”.  tirando  uma  soneca.  Ah.  mas  mesmo nesses casos você não pode usar “verbos de pensamento” ou qualquer um de seus parentes abstratos. Ao escrever.  Melhor ainda.  Sem  dúvidas.”  Por favor.  cobraria  setenta  e  cinco  centavos  por  uma  morte horrível em um acidente de trânsito. Em  vez  disso.09/02/2016 Evite os "verbos de pensamento": o conselho de Chuck Palahniuk para novos escritores | Oxford Comma Um  dos  erros  mais  comuns  de  escritores  iniciantes  é  deixar  seus  personagens desacompanhados.br/2015/08/conselhos­de­chuck­palahniuk/ 3/4 . isso é mostrar sua história. mas não use “verbos de pensamento”.  E  daqui  para  frente.  o  motorista  estava  bebendo  e. Não utilize atalhos.  depois  que  você  aprender  a  desmembrar  seus  personagens.  seja  muito  cauteloso  ao utilizar os verbos ser e estar. em vez de contar. Depois do natal.  Ou  pior. sinta­se livre. coloque o seu personagem junto com outro personagem rapidamente. Coloque­os  juntos  e  deixe  a  ação  começar. a se preocupar ou a se perguntar. perguntando­se se Amanda não ligaria.  o  motorista estava  parado  em  algum  retorno  no  fim  da  linha.oxfordcomma.  Deixe  a  ação  e  as  palavras  mostrarem seus pensamentos. Por enquanto.  enquanto  estiver  evitando  os  “verbos  de  pensamento”. Porque um personagem desacompanhado começa a pensar.  e  você  não  pode  se  esquecer  dos  verbos  lembrar  e  esquecer. mas eu apostaria dinheiro que você não vai voltar atrás.

  – Chuck Palahniuk http://www. Depois. Mate­os através do desmembramento. Seja impiedoso.com.oxfordcomma. vasculhe algum livro de ficção e faça o mesmo.09/02/2016 Evite os "verbos de pensamento": o conselho de Chuck Palahniuk para novos escritores | Oxford Comma vai voltar atrás. encontre uma forma de eliminá­los. Depois. descubra um jeito de reescrevê­los.br/2015/08/conselhos­de­chuck­palahniuk/ 4/4 .  “Marty imaginou um peixe saltando sob a luz da lua…”  “Nancy lembrou­se do sabor do vinho…”  “Larry sabia que ele era um homem morto…”  Encontre­os.  vasculhe  suas  escritas  e  circule  cada  “verbo  de  pensamento” que você encontrar.  (…) Como  tarefa  do  mês. Torne­os mais fortes.  Em seguida.

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