Porto Alegre, 13 de abril de 2015

À coordenação do PPGCol
O coletivo de alunos do Mestrado em Saúde Coletiva, abaixo assinados, vem
por meio deste, publicamente manifestar apoio ao Programa de Pós-Graduação em
Saúde Coletiva (PPGcol/UFRGS), no momento em que o mesmo é citado na
reportagem veiculada no Jornal Zero Hora, deste domingo (12/04), intitulada
“Universidade S/A”.
A matéria é absolutamente contraditória e frágil, em total desacordo como
nossa avaliação e apreciação sobre o Programa que escolhemos e frequentamos.
Reiteramos a importância do Projeto Político e Pedagógico do Programa, seu caráter
inovador naquilo que corresponde a metodologias de ensino e pesquisa, voltado a
novas formas de construção do conhecimento, enorme capacidade de contribuição
para além do campo da saúde, com função pública de produção de conhecimentos
com relevância para a sociedade e para e o desenvolvimento da ciência. Refutamos
com veemência as denúncias, com as quais, sendo alunos, não nos identificamos.
É notória a necessidade de aprofundamento, dedicação e construção dos
enfoques de ensino e pesquisa da Saúde Coletiva na UFRGS, reunindo pesquisadores
até então dispersos ou recém-chegados ou em colaboração interinstitucional pelos
laços de estudo e compartilhamento científico-tecnológico com outras instituições.
Embora embasados e/ou transversalizados pela Epidemiologia (a subárea de base, que
sustenta e dá rigor ao conceito de Saúde Coletiva), um volume expressivo de domínios
em Ciências Sociais e Humanas na Saúde, em Política, Planejamento e Gestão em
Saúde e em Informação e Comunicação Científica e Tecnológica na Saúde requer
estudo científico, como a pesquisa em avaliação da saúde; economia da saúde;
sistemas instituintes e institucionalização de ações, serviços, sistemas e redes de
saúde; intersetorialidade e promoção da saúde; vigilâncias em saúde (epidemiológica,
sanitária, em saúde ambiental, em saúde do trabalhador etc.); informação e
comunicação em saúde; história, memória e documentação da saúde, entre outros.
Há uma potencialidade visível e uma expressiva e relevante demanda por orientação à

1

pesquisa, produção de conhecimento e desenvolvimento de recursos tecnológicos,
que justificam e reforçam o caráter inovador do Programa.
A natureza interdisciplinar do campo da Saúde Coletiva tem requerido
iniciativas e inovações substanciais, tanto em termos de formação, quanto de atuação
profissional. A criação de cursos de graduação e pós-graduação em Saúde Coletiva é
uma inovação de várias universidades públicas, o que as coloca fortemente parceiras
dos órgãos de gestão da política federal de saúde e naturalmente atrai fortemente a
parceria dos gestores do Sistema Único de Saúde para o enfrentamento dos desafios
do campo. A UFRGS, além disso, vem constituindo uma pedagogia em saúde coletiva,
geradora de mais autonomia e responsabilidade para com o interesse público.
Nesses três anos de atividades, o Programa tem selecionado pessoas com
trajetórias de trabalho e de vida no campo da saúde coletiva, que produzem
intelectualmente no campo, a partir de suas inserções no mundo do trabalho da Saúde
Coletiva, permitindo o acesso a um Programa de Mestrado Acadêmico a trabalhadores
de serviços, o que é possibilitado pela oferta de disciplinas em horários alternativos ou
atividades condensadas, em formatos variados. Diante de uma pluralidade de
estudantes, vindos das mais diferentes áreas, bem como para acolher profissionais que
atuam diretamente nos serviços e na gestão da Saúde pública, o curso,
atenciosamente, buscou alternativas para acolher a todos os interessados em
qualificação voltada para as necessidades do Sistema Único de Saúde, sem abandonar
suas funções, nos diferentes municípios do país, de onde estes estudantes são
oriundos, e cumprem funções estratégias para o atendimento à população.
A possibilidade de uma trajetória singular, construída por cada acadêmico,
torna a formação ainda mais rica e plural, permitindo adequar suas temáticas (muitas
vezes interdisciplinares, dialogando com diferentes campos), bem como permitir que
fosse possível realizar todos requisitos necessários à formação, sem comprometer a
qualidade de ensino e da reflexão compatível com a Pós-Graduação. Por isso,
repudiamos as declarações anônimas de que tenha havido favorecimento ou
flexibilidade por parte do curso, pois a qualidade e potência das produções e
discussões tanto em sala de aula quanto nas publicações em periódicos e congressos
2

acadêmicos demonstram a relevância dos processos desenvolvidos ao longo do curso
para a devida qualificação dos acadêmicos e o avanço do campo da Saúde Coletiva e
suas respectivas áreas de contato.
É notório o esforço pelo aprofundamento, dedicação e construção dos
enfoques de ensino e pesquisa em Saúde Coletiva na UFRGS, reunindo pesquisadores
até então dispersos ou recém-chegados ou em colaboração interinstitucional pelos
laços de estudo e compartilhamento científico-tecnológico com outras instituições.
Sabemos que o Programa que escolhemos atrai profissionais ocupados em postos de
poder e liderança, o que traduz a qualidade e destaque de seu corpo docente e de
pesquisa.
Ressaltamos assim, a qualidade, credibilidade, competência, expertise do corpo
docente do Programa, composta por professores e pesquisadores, em sua maioria,
com carreiras consolidadas e respeitada produção acadêmica no campo da Saúde
Coletiva.
Expressamos nossa solidariedade aos docentes citados na referida reportagem
e nossa concordância com suas posições apresentadas, são Pesquisadores, Docentes e
profissionais com larga e reconhecida trajetória na construção, qualificação

e

fortalecimento do SUS, do ensino em Saúde, o que por mérito os torna referências
bibliográficas, tanto no mundo acadêmico como nos serviços de saúde e gestão, na
utilização de suas produções como eixos para elaboração e produção de políticas,
programas e estratégias públicas de saúde, educação em saúde, educação
permanente, enfim, no consumo público de suas produções acadêmicas.
Dessa forma, o coletivo de mestrandos, reafirma através dessa manifestação,
seu apoio ao Programa de Pós-graduação em Saúde Coletiva (PPGCOL /UFRGS), por
todas as considerações contidas nesse documento e reforça o caráter inovador,
contra-hegemônico, relevância do mesmo no contexto da qualificação de profissionais
para os serviços de saúde, formação, pesquisa e tecnologia em saúde.
Nos colocamos solidários, e reforçamos que exercemos, com o acolhimento da
coordenação, o nosso protagonismo na construção conjunta das atividades
3

desenvolvidas

pelo

Programa.

Nos

disponibilizamos

a

prestar

quaisquer

esclarecimentos à parcela da sociedade que apresente alguma dúvida quanto à
qualidade, à ética e à relevância social de nossa formação de pesquisa acadêmica na
área da Saúde Coletiva.
Fraternamente, assinam a carta:
Coletivo de Alunos do Mestrado em Saúde Coletiva da UFRGS (PPGCOL)
turma (2012/2014)
Ana Celina de Souza
Binô Mauirá Zwetsch
Camila Noguez
Carmem Bagatini
Carolina Pommer
Cassio Lamas Pires
Clarice Coelho
Fernanda Maria Wolff Baldi
João Ricardo Hass Massena
Heloisa Alencar
Igor Fangueiro da Silva
Lidiele Berriel de Medeiros
Liese Gomes Serpa
Márcia Falcão Fabrício
Thais Maranhão
turma (2013/2015)
Anderson dos Santos Machado
Ane Freitas Margarites
Elisandro Rodrigues
Fernando Feijó
Márcia Fernanda Mendes
Mayna Yaçanã Borges de Ávila
Mirceli Goulart Barbosa
Paula Gomide Haurich
Renata Gusmão
Rita Nugem
Silvia Daniela Pinto Macedo
turma (2014/2016)
Andrea Canini
Carla Felix dos Santos
Franciele Moletta
Kátia Mottin Tedesch
Julia Monteiro Schenkel
Inaiara Kersting
Mariana Santiago Siqueira
Patrícia Pires
Régis Cunha de Oliveira
Thais Bennemann
Thais Botelho da Silva
Vivian Costa da Silva

4