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A Era da Razão

Em meados do século XVIII, um novo amanhecer criativo raiava na
Europa, com intelectuais determinados a mudar a sociedade pela
disseminação do conhecimento, sob a luz da ciência e da lógica.
Nova ênfase foi dada à estrutura e à clareza das artes, entre elas a
música.

Antes A música barroca do século XVII e início do XVIII era decorativa e complexa, com
várias partes soando em contraponto.

Música para a elite Durante séculos, a corte e a igreja ditaram a vida musical, encomendando
obras que eram tocadas por músicos profissionais. Com os novos grupos de música de câmara, era
mais comum amadores executarem música doméstica.

Sons raros Os instrumentos eram caros. Os grupos musicais, portanto, tocavam nas
cortes e raramente eram ouvidos pelo público.

A era da razão, ou Iluminismo, transformou a cultura europeia. Varrendo a
superstição e as crenças antigas, promove a ideia que a educação baseada na
razão, na verdade e na lógica poderia melhorar a humanidade.

O momento certo aflorava: a Igreja e a aristocracia perdiam influência, as
descobertas científicas de Isaac Newton (1643-1727) eram amplamente aceitas; o
interesse pela arquitetura clássica era revivido; e surgia a Revolução Industrial. A
classe média emergente, com maior riqueza e tempo livre, já não se contentava em
ver passivamente a vida e as experiências dos outros.

28 Número de volumes da “Enciclopédia”, editada por Diderot. Outros
sete volumes foram adicionados mais tarde.

Espalhando o conhecimento

Desde o Renascimento, os filósofos e teóricos europeus estavam cada vez mais
preocupados com uma nova perspectiva humanitária. Isso era mais forte na França,
onde um grupo de intelectuais liderados por Denis Diderot (1713-1784) criou a
Enciclopédia, dicionário inovador com informações sobre a ciência e as artes, como
a música, de modo claro e sistemático. Os enciclopedistas, como ficaram
conhecidos os compiladores, queriam mudar a maneira de pensar das pessoas e
acreditavam que sua obra difundisse o conhecimento para as massas.

Embora as artes fossem consideradas fundamentais na evolução humana, a
música não era tida como a mais importante. Na verdade, em Crítica da Razão Pura
(1781), o filósofo Immanuel Kant (1724-1804) comparou a música a um lenço
perfumado que, sendo puxado do bolso, obriga os outros a fruir a escolha do dono
do perfume.

Transformação musical

Na música, os princípios iluministas levaram à rejeição do complexo e
ornamentado estilo barroco. Equilíbrio, lógica, estrutura, clareza de pensamento e
simplicidade de expressão tornaram-se as novas normas. Os compositores estavam
ansiosos por atrair os ouvintes com uma música agradável e expressiva, sem ser
emotiva em demasia, melodias simples com acompanhamentos despojados.

As novas formas de sonata, de sinfonia, e de concerto foram definidas, com
estrutura clara, lógica e regras que tornavam a música mais inteligível ao ouvinte e
aos intérpretes amadores. Em vez de apresentar música mais complexa, os

suas composições são expressivas e emocionais. na intimidade e no equilíbrio. que colaborou com o compositor Baldassare Galuppi (1706-1785) em mais de vinte de suas 109 óperas. de Rameau. captava perfeitamente o espírito da era da razão. de Mozart. A partir de 1776. Instalou-se me Paris em 1722 e. Também as tramas labirínticas da ópera barroca italiana foram simplificadas para se concentrar em experiências e emoções humanas – mais comumente amor. ciúme e traição – em vez de depender de intervenções dos deuses. a melancolia e o terror. o compositor francês Jean Philippe Rameau também foi teórico musical influente. Depois Os princípios e as formas clássicas foram postos de lado com a crescente influência do Romantismo. se relacionava com aristocratas e intelectuais. parecia uma arte mais ‘humana’. em especial as do compositor francês Jean-Philippe Rameau. achava que as crenças racionalistas do Iluminismo não conseguiam captar as emoções e os sentidos violentos da condição humana. zombavam da arrogância. . Trevas e luz Alguns. Promovendo o pessimismo. de Mozart – traziam narrativas de liderança esclarecida e triunfo da razão. uma vez que o Classicismo alçou novas alturas de beleza expressiva na música de Mozart e seus contemporâneos. em que jovens amantes unem-se após o conselho de um adivinho. que exalta o papel das artes na libertação da alma humana. anterior de Jean-Baptiste Lully. a graça leve e arejada do estilo rococó. como o poeta alemão Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832). as tramas complicadas baseadas na mitologia clássica foram abandonadas em favor de narrativas focadas em traços mais humanos. com sua ênfase no jocoso. em comparação com o rigor antiquado do Barroco. apesar de sua reputação negativa – era tido como ganancioso e insensível -. da peça homônima de Friedrich Klinger. Nas elegantes encenações de balé do período. as forças do mal e a magia representadas pela Rainha da Noite são superadas pelos princípios iluministas de justiça e sabedoria exibidos por Sarastro. A ópera As festas de Hebe (1739). em 1791. Embora seus tratados teóricos concebessem a música como ciência. que estreou apenas dez semanas antes de sua morte. em Le devim do vil Lage. seu movimento ficou conhecido como Sturm und DragI (tempestade e ímpeto). O mérito de uma ópera começou a ser julgado não pelo canto floreado ou pelo virtuosismo. Nova ópera francesa e italiana Na França.compositores queriam agradar ao público com estruturas de composição mais acessíveis. Mas essa foi uma reação breve. essa perspectiva quase romântica atraiu a atenção de compositores como Haydn e Gluck. As harmonias revolucionárias de suas primeiras óperas foram consideradas surpreendentemente modernas. enquanto os de Carlo Goldoni (1707-1793). da intolerância e do abuso de poder. em um ato. recebendo críticas dos que preferiam o estilo barroco francês. o que se avaliava era se o compositor tinha realmente incorporado o drama humano no palco. Na ópera A Flauta Mágica. Ideias Românticos prevalecem Expressar emoções pessoais tornou-se mais importante do que celebram a melhora coletiva da humanidade. Os libretos do poeta Pietro Metasio (1698-1782) – como o da ópera A clemência de Tito. Até Rousseau recorreu a ópera. Compositor: Jean-Philippe Rameau Embora seja mais lembrado pelas óperas. Outras formas de arte começaram a inspirar os compositores a criar uma música “pragmática” descritiva.

os instrumentos tornaram-se mais baratos e acessíveis. . e a sede do público pela música resultou n abertura de salas de concerto. Criaram-se orquestras.Maior acesso a música No século XIX.