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UNIVERSIDADE TECNOLOGICA ´
FEDERAL DO PARANA
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PROGRAMA DE MESTRADO PROFISSIONAL EM MATEMATICA EM
REDE NACIONAL - PROFMAT

LEANDRO GASPARETI

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O SANTO GRAAL DA MATEMATICA: ´
A HIPOTESE DE RIEMANN

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DISSERTAC¸AO

CURITIBA

2014

LEANDRO GASPARETI

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O SANTO GRAAL DA MATEMATICA: ´
A HIPOTESE DE RIEMANN

Dissertac¸a˜ o apresentada ao Programa de Mestrado
Profissional em Matem´atica em Rede Nacional -
PROFMAT da Universidade Tecnol´ogica Federal do
Paran´a como requisito parcial para obtenc¸a˜ o do grau
de “Mestre em Matem´atica”.

Orientador: Roy Wilhelm Probst, Dr.

CURITIBA
2014

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação

G249s Gaspareti, Leandro
2014 O Santo Graal da matemática : a hipótese de Riemann /
Leandro Gaspareti.-- 2014.
50 f.: il.; 30 cm

Texto em português, com resumo em inglês.
Dissertação (Mestrado) - Universidade Tecnológica
Federal do Paraná. Programa de Mestrado Profissional em
Matemática em Rede Nacional, Curitiba, 2014.
Bibliografia: f. 50.

1. Matemática - História. 2. Riemann-Hilbert, Problemas
de. 3. Matemática – Pesquisa. 4. Matemática - Problemas,
exercícios, etc.. 5. Professores de matemática - Formação.
6. Prática de ensino. 7. Matemática - Dissertações. I.
Probst, Roy Wilhelm, orient. II. Universidade Tecnológica
Federal do Paraná - Programa de Mestrado Profissional em
Matemática em Rede Nacional. III. Título.

CDD 22 -- 510

Biblioteca Central da UTFPR, Câmpus Curitiba

Título da Dissertação No. 019

“O Santo Graal da Matemática:
a Hipótese de Riemann”
por

Leandro Gaspareti
Esta dissertação foi apresentada como requisito parcial à obtenção do
grau de Mestre, pelo Programa de Mestrado em Matemática em Rede Nacional -
PROFMAT - da Universidade Tecnológica Federal do Paraná - UTFPR - Câmpus
Curitiba, às 15h do dia 10 de outubro de 2014. O trabalho foi aprovado pela Banca
Examinadora, composta pelos doutores:

________________________________ ________________________________
Prof. Roy Wilhelm Probst, Dr. Prof. Luiz Rafael dos Santo, Dr.
(Presidente - UTFPR/Curitiba) (UFSC/Blumenau)

________________________________
Prof. Márcio Rostirolla Adames, Dr.
(UTFPR/Curitiba)

Visto da coordenação: _______________________________
Prof. Ronie Peterson Dario, Dr.
(Coordenador do PROFMAT/UTFPR)

“A Folha de Aprovação assinada encontra-se na Coordenação do PROFMAT/UTFPR”

A todas as pessoas que contribu´ıram direta ou indiretamente na
construc¸a˜ o deste trabalho. E principalmente a` s pessoas que o usar˜ao
na luta por uma educac¸a˜ o de qualidade.

e se tornasse uma oportu- nidade para que professores da educac¸a˜ o b´asica retornassem a` universidade. ` CAPES pelo incentivo financeiro recebido. Roy Wilhelm Probst pelas s´abias contribuic¸o˜ es para que este trabalho ocorresse. e A a todos os envolvidos para que o programa PROFMAT acontecesse. atrav´es da bolsa de estudos concedida. AGRADECIMENTOS Aos familiares e amigos por terem entendido os diversos n˜aos recebidos. . para que eu pudesse me dedicar na realizac¸a˜ o deste sonho. Ao meu orientador Professor Dr.

” Bernhard Riemann. em v˜ao. uma vez que parece desnecess´aria para o objetivo se- guinte da minha investigac¸a˜ o. entretanto. pus de parte temporariamente a procura de uma demonstrac¸a˜ o. .“Claro que seria desej´avel ter uma demonstrac¸a˜ o rigorosa deste fato [a Hip´otese de Riemann]. ap´os algumas tentativas n˜ao muito s´erias.

Palavras-chave: Hist´oria da Matem´atica. Dissertac¸a˜ o – Programa de Mestrado Profissional em Matem´atica em Rede Na- cional . em especial da Hip´otese de Riemann. apoiada em sua grande parte em textos de Hist´oria da Matem´atica.PROFMAT. com o objetivo de tornar os conceitos referentes a esse problema acess´ıveis ao professor da educac¸a˜ o b´asica. Este trabalho traz um relato a respeito da Hip´otese de Riemann. que pretenda abord´a-los em sala de aula quando tratar de conte´udos a ele relacionados. A pesquisa foi inteira bibliogr´afica. Leandro. RESUMO GASPARETI. 2014. O SANTO GRAAL DA MATEMATICA: ´ ´ A HIPOTESE DE RIE- MANN. 50 f. Curitiba. Universidade Tecnol´ogica Federal do Paran´a. tornando este trabalho divulgador dos problemas que ocupam parte das pesquisas matem´aticas deste s´eculo. Problemas do Milˆenio. . Hip´otese de Riemann.

The literature review was based mainly on History of Mathematics texts.PROFMAT. Leandro. 50 f. THE HOLY GRAIL OF MATHEMATICS: THE RIEMANN HY- POTHESIS . Riemann Hypothesis . Keywords: History of Mathematics. leaving the underlying concepts behind this problem more accessible to a high school teacher. This research aims to study significant topics of mathe- matical research throughout this century. Curitiba. Millennium Problems. This study presents a report about the Riemann Hypothesis. particularly to popularize the Riemann Hypothesis. Dissertac¸a˜ o – Programa de Mestrado Profissional em Matem´atica em Rede Nacional . ABSTRACT GASPARETI. Universidade Tecnol´ogica Federal do Paran´a. 2014.

.. .. . .... ... . .. .1 A LISTA DOS 23 PROBLEMAS DE HILBERT ..1 UM POUCO DE HISTORIA ´ . ... . ... . ... .... .. . .. ... . .... . ... .. ... . .... ..... ..... .. . .... 14 3 OS PROBLEMAS DO MILENIO ˆ . . .. ... ... . .. . ... 12 2. . ... . . . . 9 2 OS PROBLEMAS DE HILBERT . ...... .. . 50 .... ... .. . .. ... . .. . . . . . . . . ´ SUMARIO 1 INTRODUC ˜ ¸ AO . . . .... . .. .... . . .... 48 ˆ REFERENCIAS .. . ... . .... . . . . .... ........ . . . . .. . .. ..... . .. 19 ´ 4 A HIPOTESE DE RIEMANN .. . .... .... .. .. . . . .. 27 4... . .. .. ...... . ... .. . . . . ... . . . .... . . .. .. . . ... .. . . . . . .. ... .. .. . .. . ... . ... .... .. . . ....2 FUNDAMENTOS MATEMATICOS ´ DA HIPOTESE ´ DE RIEMANN . .. . .. .......... ..... ... . 27 4.... ... . ... .... .. . .. ... . .. .. 37 ˜ 5 CONCLUSAO ... ... .. . .. .. ..... .. .. .. . . . ....... . . . . . . ... .. . . .. .... .. . . . .. . .. . ..

permanecendo seis deles sem resposta. e. Questionando se o desenvolvimento de nossa sociedade n˜ao poderia ser melhor. A Matem´atica de maneira mais conservadora teve seu avanc¸o pautado na soluc¸a˜ o direta de problemas (SAUTOY. mesmo vivendo na era da informac¸a˜ o. em todas as a´ reas. teve seu surgimento nas universidade a mais de dois s´eculos. o Instituto Clay de Matem´atica. Na virada do s´eculo XX para o s´eculo XXI. Foi oferecido como prˆemio. a Conjectura de Poincar´e. um dos grandes matem´aticos do s´eculo XIX. A Matem´atica estudada atualmente pouco e´ conhecida pela sociedade. tanto na dos 23 problemas de Hilbert. um milh˜ao de d´olar para cada problema resolvido. 9 1 INTRODUC ˜ ¸ AO Nos dias atuais. pois falta adequac¸a˜ o da linguagem cient´ıfica para que os assuntos pesquisados se tornem acess´ıveis a` populac¸a˜ o. ainda n˜ao resol- vidos. propˆos uma lista com 23 problemas. ou seja. Pode-se indagar se o fato de ter aparecido tantos bons matem´aticos n˜ao est´a ligado a divulgac¸a˜ o feita nessa e´ poca. quanto na dos . Essa e´ poca foi marcada por grande divulgac¸a˜ o da Matem´atica. envolvendo assuntos da Matem´atica pesquisados a` e´ poca. 2004). a Matem´atica que nos e´ familiar hoje. Dos desafios lanc¸ados nas viradas dos u´ ltimos s´eculos. apenas um problema aparece em ambas as listas. seguindo os passos de Hilbert. 2008). e afirmou que tais problemas ocupariam as mentes dos matem´aticos pelos pr´oximos anos. para quem os resolvesse. sendo que alguns deles continuam sem respostas atualmente. o matem´atico alem˜ao David Hilbert. criou uma lista com sete problemas intitulada Os Problemas do Milˆenio. o n´umero de matem´aticos produtivos tornou-se muito grande (BOYER. sediado em Massachusetts nos Estados Unidos. EVES. com isso. Como apontado por (DEVLIN. sete milh˜oes de d´olares. tendo sido muitos dos principais Departamentos de Matem´atica criados naquele momento. Na virada do s´eculo XIX para o s´eculo XX. 2007). apenas um foi solucionado. Atualmente. 2010. h´a pouca divulgac¸a˜ o acerca do que e´ pesquisado nas universidades. se os conhecimentos cient´ıficos que hoje s˜ao desenvolvidos no interior das universidades pudessem ser amplamente socializados.

as ideias e os assuntos que permeiam a Hip´otese de Riemann. a Hip´otese de Riemann. este pode ser um texto de base para que professores possam cit´a-lo quando forem abordar assuntos como: n´umeros primos. 10 Problemas dos Milˆenio. De tempos em tempos. No cap´ıtulo 2 ser´a apresentado um breve relato hist´orico sobre como estavam as pes- quisas Matem´aticas na e´ poca em que. a distˆancia daquilo que e´ pesquisado no interior das universidades e do que se ensina nas escolas. Ser´a feito um relato sobre as ideias matem´aticas existentes na Hip´otese de Riemann. probabilidade. a Hip´otese de Riemann foi proposta em uma lista para ser resolvida. a respeito do matem´atico David Hilbert. fazer despertar nos alunos o interesse de aprofundarem seus estudos acerca desses temas. reduzindo. 2007). que s˜ao os professores de Matem´atica. Diante disso. tratado por (SAUTOY. ou mesmo pensando nos temas tratados nas capacitac¸o˜ es para profes- sores de Matem´atica da Educac¸a˜ o B´asica. podem ser abordadas nas formac¸o˜ es com o intuito de ampliar o conhecimento dos professores da educac¸a˜ o b´asica. pela primeira vez. Sendo assim. No cap´ıtulo 4 aprofundaremos a Hip´otese de Riemann. . faremos breve relato da evoluc¸a˜ o hist´orica desse problema. este trabalho se coloca como fonte de divulgac¸a˜ o. Fala-se-´a da criac¸a˜ o do Instituto Clay de Matem´atica. Percebe-se. que quest˜oes t˜ao importantes para o desenvolvimento dessa ciˆencia poderiam ser melhor divulgadas para aqueles que transmitem a Matem´atica no dia a dia. pretendendo colocar o p´ublico alvo. func¸o˜ es. No cap´ıtulo 3 ser´a relatado como foi organizada a lista dos sete Problemas do Milˆenio. Mesmo sabendo da inviabilidade de aplicar alguns conceitos mais avanc¸ados da Ma- tem´atica no curr´ıculo escolar. com isso. nota-se a escassez de publicac¸o˜ es nesse sentido. e usado no t´ıtulo desse traba- lho como o “Santo Graal da Matem´atica”. apresentando-se os demais seis Problemas do Milˆenio. e´ noticiado na grande m´ıdia a soluc¸a˜ o de alguma dessas quest˜oes de grande importˆancia para a Matem´atica. e. Falaremos. em contato com a Matem´atica avanc¸ada que vem sendo pesquisada nas universidades. devido a` relac¸a˜ o que essa Hip´otese tem com a busca do padr˜ao na sequˆencia dos n´umeros primos. e tamb´em dos demais problemas. ao consultar livros did´aticos ou artigos rela- tivos a esses problemas. assim. tamb´em neste cap´ıtulo. entre outros. Por´em. comentando sobre o prˆemio para quem vier a resolver um desses enigmas da Matem´atica. Em princ´ıpio. abordando de maneira bem sucinta os 23 problemas por ele propostos. qual seja. na qual a Hip´otese de Riemann foi o u´ nico problema repetido em relac¸a˜ o a` lista dos 23 pro- blemas de Hilbert. com a grande participac¸a˜ o de Carl Friedrich Gauss. por conseguinte.

func¸o˜ es. . 11 cujos estudos motivaram Bernhard Riemann a enunciar tal hip´otese. probabilidade. ser˜ao tratados os conceitos de n´umeros primos. quando da abordagem matem´atica da Hip´otese. Ainda neste cap´ıtulo. s´eries e sequˆencias.

ela era ampliada atrav´es dos encontros internacionais de matem´aticos ocorridos nesse s´eculo. mostrando que al´em da tradicional comunicac¸a˜ o entre os matem´aticos ser mantida. de grandes eventos de divulgac¸a˜ o da Matem´atica. anunciou uma lista com pro- blemas da An´alise Matem´atica e da Geometria.] n˜ao s´o o conte´udo da Matem´atica mas o seu enquadramento institucional e interpessoal tinham mudado radicalmente desde o comec¸o do s´eculo. fundados respectiva- mente nos anos de 1865 e 1872. Antes de relatar. Naquele contexto hist´orico. mesmo que restrita a um grupo espec´ıfico da sociedade. chamado de “Pr´ıncipe da Matem´atica”. 2004.. Segundo (EVES. em um congresso em Paris. David Hilbert. p. com isso. que na grande maioria se resumia aos colegiados das universidade. no in´ıcio do s´eculo XX. a criac¸a˜ o de grande quantidade de departamentos matem´aticos em v´arios pa´ıses diferentes. abriram caminho para a criac¸a˜ o de outros tantos.. .. 12 2 OS PROBLEMAS DE HILBERT O problema que este trabalho se prop˜oe a apresentar um relato e´ parte de uma lista de problemas proposta por David Hilbert (1862-1943) em um congresso no comec¸o do s´eculo XX.] no s´eculo XIX. A Hip´otese de Riemann foi formulada pelo alem˜ao Bernhard Riemann em 1859. o n´umero de matem´aticos competentes e produtivos torna-se t˜ao grande que so- mos obrigados a selecionar apenas umas poucas das estrelas de maior brilho no deslumbrante firmamento matem´atico”. David Hilbert. a divulgac¸a˜ o da pesquisa cient´ıfica na a´ rea da Matem´atica mostrou um avanc¸o significativo. como apontado em (BOYER.526) “[. tais problemas e a situac¸a˜ o de cada um deles. e a pesquisa em Matem´atica teve um grande avanc¸o naquele s´eculo. primeiramente e´ importante conhecer um pouco da vida e obra desse grande divulgador da Matem´atica. Nota-se que atrav´es da criac¸a˜ o dos departamentos de Matem´atica por toda Europa. 2010. No s´eculo XIX.. um dos grandes matem´aticos da e´ poca. No s´eculo XIX.” Houve. fo- ram tamb´em organizados v´arios congressos internacionais. como a London Mathematical Society na Inglaterra e a Soci´et´e Math´ematique de France na Franc¸a. Esses dois departamentos.417) “[. sucintamente. p. e ainda e´ con- siderado como um dos problemas mais dif´ıceis e significativos na virada do Terceiro Milˆenio.

e cursou seu doutorado da universidade local em 1885. e em 1895. em 1888. tornou-se professor da Universidade de Gottingen. A Matem´atica dada pela vis˜ao do formalismo carece de conte´udo concreto. como. na Alemanha. do chamado “Teorema de Base”. universidade em que continuou seus trabalhos at´e sua aposentadoria em 1930. A contribuic¸a˜ o de Hilbert ao tema se resume na publicac¸a˜ o de um resultado. 2010).. 2004). 13 David Hilbert nasceu em Konigsberg. Equac¸o˜ es Integrais... p. para um n´umero arbitr´ario de vari´aveis. ainda segundo essa linha. O “Teorema de Base” mostra a existˆencia de um sistema finito completo de invariantes. onde lecionou entre os anos de 1886-1894. entre outras (EVES. 2009. A Figura 1 e´ uma fotografia de Hilbert. Hilbert foi um matem´atico excepcionalmente talentoso. contribuic¸o˜ es em F´ısica-Matem´atica a` Teoria Cin´etica dos Gases e Teoria da Relati- vidade.. Hilbert ficou focado nesse assunto at´e o ano de 1892. aos Fundamentos da Geometria. Antes desse resultado. dando diversas contribuic¸o˜ es a v´arios campos da Matem´atica. as demonstrac¸o˜ es simb´olicas d˜ao consistˆencia aos v´arios ramos da . e afirmava “[.190) Na sua fase de doutoramento em 1885. investigac¸o˜ es cr´ıticas dos Fundamentos da Matem´atica e da L´ogica Matem´atica. Figura 1: David Hilbert (O’SHEA. Hilbert se dedicou a Teoria dos invariantes. Por´em.]”(EVES.] o formalismo con- sidera a Matem´atica como uma colec¸a˜ o de desenvolvimentos abstratos em que os termos s˜ao meros s´ımbolos e as afirmac¸o˜ es s˜ao apenas f´ormulas envolvendo esses s´ımbolos [. em 1862. 2004). por exemplo. David Hilbert foi o criador da escola formalista. foram gastas trˆes d´ecadas calculando-se invariantes espec´ıficos. e´ poca que ainda trabalhava na universidade local de Konigsberg (BOYER.

1902). HIL- BERT. chamado de Fundamentos da Geometria. bem como a conex˜ao entre a Teoria dos N´umeros e Teoria das Func¸o˜ es. no ano de 1900 na cidade de Paris. pois. e alguns ainda movem matem´aticos at´e os dias atuais. 2010. futuramente publicada na sua vers˜ao completa. dentro desse sistema existem problemas “indecid´ıveis” (EVES. era a Geometria. e publicou nos anos de 1898-1899 um volume pequeno. As ideias relacionadas ao formalismo foram fadadas ao fracasso. 2010). 2. Foi em uma dessas participac¸o˜ es. e que logo foi traduzida e publicada em v´arios pa´ıses. 2010). com 23 no total. em 1894 fez uma conferˆencia sobre Geometria N˜ao-Euclidina. O problema foi resolvido . Segundo ele. divulgada no ano de 2000 (BOYER. colocada como a mais famosa. T´ıpico de sua obra. 2004). ne- cess´arios para formalizar teorias de determinadas a´ reas da Matem´atica (BOYER. 14 Matem´atica. al´em de ser um frequentador ass´ıduo de congressos internacionais. Esse programa mostra que um sistema era dado como consistente quando um determinado conjunto de f´ormulas e´ aceito como verdade e nunca poderia ocorrer nenhuma f´ormula contradit´oria. sendo que um deles comp˜oem a lista dos Problemas do Milˆenio. como a Algebra e a An´alise. deu car´ater puramente dedutivo e formal a Geometria (BOYER. Mais precisamente questiona se n˜ao existe conjunto cuja cardinalidade esteja estritamente entre a cardinalidade dos inteiros e a dos reais. Hilbert consegue mostrar as ligac¸o˜ es entre a Teoria dos N´umeros e Algebra. Sua obra e´ marcada pelo formalismo e nessa e´ poca a a´ rea da Matem´atica que ainda ´ carecia de uma roupagem formal. que fez em sua palestra a leitura de 10 problemas de uma lista. mas famoso. Ao publicar uma obra pioneira chamada de “Axiomas de Hilbert”. como dar eˆ nfase a inter-relac¸a˜ o entre ramos antes considerados ´ distintos. esses problemas eram de muita importˆancia para a Matem´atica. na conferˆencia intitulada de “Problemas Matem´aticos”. Uma caracter´ıstica atribu´ıda a Hilbert era sua sociabilidade. Muitas vezes era encon- trado em mesas de bares com alunos e colegas de trabalho discutindo sobre suas pesquisas. 1 Hip´otese do Continuum E´ uma conjectura proposta por Georg Cantor em 1878 sobre o tamanho dos conjuntos infinitos.1 A LISTA DOS 23 PROBLEMAS DE HILBERT Os 23 Problemas de Hilbert s˜ao na sua grande maioria de ordem conceitual. Ao se concentrar na Geometria.

que descrevem simetrias cont´ınuas na Matem´atica. desenvolvido por Russel e Whitehead. dados dois poliedros de mesmo volume. mas que. Paul Cohen mostrou ser imposs´ıvel provar que a Hip´otese do Continuum e´ verdadeira. Kurt G¨odel mostrou ser imposs´ıvel provar que a Hip´otese do Continuum e´ falsa e. Esse foi o primeiro problema da lista de Hilbert a ser resolvido. chamado Max Dehn. O problema foi resolvido por um aluno de Hilbert.as mais elabo- radas tentativas feitas para se desenvolver noc¸o˜ es fundamentais da aritm´etica. existem enunciados precisos que n˜ao podem ser provados nem negados. que provou que a resposta para o caso geral e´ n˜ao. se conservados os axiomas de ordem e incidˆencia. partindo de um conjunto preciso de axiomas -. pois Hilbert n˜ao tinha uma noc¸a˜ o precisa da definic¸a˜ o de variedade na e´ poca. A formulac¸a˜ o do problema e´ considerada muito vaga. 4 Construir todos os espac¸os m´etricos em que as linhas s˜ao geod´esicas O problema e´ a procura por geometrias cujos axiomas sejam os mais pr´oximos dos que sustentam a Geometria Euclidiana. em 1963. ou seja. Foi dada uma resposta ao problema ainda por um aluno de Hilbert. verificou que dentro de um sistema l´ogico r´ıgido como esse. se e´ sempre poss´ıvel decompor um deles em uma quantidade finita de pec¸as e rearranjar essas pec¸as para for- mar o segundo poliedro. Assim. baseado nas obras de Bertrand Russel e Alfred North Whitehead .no entanto. Em 1931. 2 Consistˆencia dos axiomas da Aritm´etica Esse problema questiona se e´ poss´ıvel provar que os axiomas da Aritm´etica s˜ao consis- tentes. chamado Georg Hamel. negando assim a veracidade do segundo problema proposto por Hilbert. 15 de forma surpreendente. 5 Existe alguma diferenc¸a se uma restric¸a˜ o a variedades diferenci´aveis n˜ao e´ imposta? Esse problema trata da caracterizac¸a˜ o dos grupos de Lie. Em 1940. 3 Igualdade de poliedros de mesmo volume Esse problema busca saber. mas esse problema e´ considerado vago demais para dizer algo com relac¸a˜ o a sua soluc¸a˜ o. Uma formulac¸a˜ o alternativa foi resolvida por um grupo de matem´aticos americanos em 1952. enfraquecem os axiomas de congruˆencia e que omite o axioma das paralelas. . um n´umero finito de passos l´ogicos baseados nele nunca podem levar a resultados contradit´orios. este e´ um exemplo de quest˜ao indecid´ıvel na Matem´atica. um jovem matem´atico austr´ıaco chamado Kurt G¨odel. mostrando um contra-exemplo. em 1900.

sendo considerado tamb´em como n˜ao matem´atico. Um caso particular desse importante problema da Teoria dos N´umeros foi resolvido por Emil Artin. 11 Formas quadr´aticas com qualquer coeficiente num´erico alg´ebrico O problema. o caso geral continua em aberto e est´a relacionado com o Problema 12. uma equac¸a˜ o diofantina pode ser resolvida. parcialmente resolvido. a Teoria dos N´umeros. no entanto. 8 Hip´otese de Riemann Esse problema ser´a abordado no quarto cap´ıtulo. pertence ao corpo alg´ebrico determinado pelos coeficientes. atrav´es de um n´umero finito de operac¸o˜ es. hoje resolvido. continua sem ser resolvido. por Alekasander Osipovich Gelfond. em qualquer n´umero de vari´aveis de n´umeros inteiros ou fracion´arios. 9 Achar a lei de reciprocidade mais geral em um corpo num´erico Parcialmente resolvido. e b e´ irracional e alg´ebrico e´ transcendente. Esse problema foi resolvido em 1934. posto que ´ transita entre trˆes ramos da Matem´atica. 12 Extens˜ao do Teorema de Kronecker-Weber para os corpos n˜ao abelianos Apontado por Hilbert como um dos problemas de maior relevˆancia dessa lista. esse problema questiona se a lei da reciprocidade vale para um determinado corpo num´erico. questionava se. classifica as formas quadr´aticas questionando se a soluc¸a˜ o de uma determinada equac¸a˜ o quadr´atica com coeficientes num´ericos alg´ebricos. Algebra e Teoria das Func¸o˜ es. 7 Irracionalidade e transcendˆencia de certos n´umeros Esse problema questiona se a potˆencia entre dois n´umeros ab em que a e´ alg´ebrico di- ferente de zero e um. sendo o objeto central deste trabalho. 10 Determinar se uma equac¸a˜ o diofantina tem soluc¸a˜ o nos inteiros Esse problema. Em 1970. por´em as conclus˜oes que foram encontradas e´ de que muitas verdades matem´aticas algu- mas vezes n˜ao s˜ao correspondidas na F´ısica e vice-versa. O resultado ficou conhecido com Teorema de Gelfond e o resultado foi verificado verdadeiro. o problema ainda hoje n˜ao foi resolvido de forma Matem´atica. por´em. . Yuri Matiyasevich mostrou que tal algoritmo n˜ao existe. 16 6 Transformar toda F´ısica em axiomas Esse problema e´ uma tentativa de transformar a F´ısica em forma de axiomas matem´aticos. O pr´oprio Hilbert fez algum esforc¸o nessa tentativa. em 1927.

esse problema foi resolvido em 1959. 14 Prova de que certas a´ lgebras s˜ao finitamente geradas Atrav´es de um contra-exemplo. em 1939. todas resolvidas. por Bartel Leendert van der Waerden. Em 1927. atrav´es de uma justaposic¸a˜ o de um n´umero de c´opias de poliedros congruentes. Esse problema foi muito estudado no s´eculo XIX por estar diretamente relacionado a problemas f´ısicos. Nesse problema. No entanto. queria-se mostrar que todas as func¸o˜ es racionais constituem um corpo finito. 19 As soluc¸o˜ es de problemas no c´alculo de variac¸o˜ es s˜ao sempre anal´ıticas? O problema foi parcialmente resolvido em 1904. por Masayoshi Na- gata. esse problema requer seja desenvolvida uma topologia para as curvas e superf´ıcies alg´ebricas. utilizando m´etodos diferentes. 17 Express˜oes de formas definidas por quadrados Esse problema questionava se uma func¸a˜ o polinomial real positiva pode ser escrita como a soma de quadrado de func¸o˜ es racionais. ele quer saber se e´ poss´ıvel. de forma independente. e seu trabalho foi melhorado por Ivan Petrovsky. mostrando assim a falsidade da conjectura. 18 Construc¸a˜ o do espac¸o com poliedros congruentes Esse problema est´a dividido em trˆes perguntas. Em resumo. por Sergei Bernstein. . que e´ um ramo da Geometria Alg´ebrica. preencher todo o espac¸o. ainda resta d´uvida sobre a formulac¸a˜ o original de Hilbert e o problema e´ considerado em aberto por alguns autores. Emil Artin mostrou que era verdadeira a afirmac¸a˜ o. 17 13 Soluc¸a˜ o de uma equac¸a˜ o de s´etimo grau usando func¸o˜ es cont´ınuas de duas vari´aveis Uma formulac¸a˜ o alternativa foi respondida de forma positiva. e requeria uma base s´olida para o c´alculo enumerativo de Schubert. Soluc¸o˜ es diferentes foram apresentadas em 1957. baseado no trabalho de Andrei Kolmogorov. de forma mais simples. 20 Todos os problemas de valor de contorno tˆem soluc¸a˜ o? A existˆencia de uma soluc¸a˜ o n˜ao pode ser garantida em todos os casos. por Ennio de Giorgi e John Forbes Nash. em 1957 por Vladimir Ar- nold. 16 Problema de Topologia de curvas e superf´ıcies alg´ebricas Ainda em aberto. 15 Desenvolver uma fundamentac¸a˜ o rigorosa para o c´alculo enumerativo de Schubert O problema foi parcialmente resolvido em 1930.

trata de uma extens˜ao do c´alculo diferencial e integral. Muitos dos problemas da lista de Hilbert possuem enunciados vagos. esse problema trata de expandir as ideias de uniformi- zar uma dada regi˜ao alg´ebrica de duas vari´aveis atrav´es de uma func¸a˜ o automorfa de uma vari´avel. dependendo da formulac¸a˜ o. para o caso de dimens˜ao um. mas um incentivo para continuar a desenvolver o c´alculo das variac¸o˜ es. por Poincar´e. mas com algumas condic¸o˜ es adicionais. esse problema. v´arios deles po- dem ser considerados resolvidos ou n˜ao. Ao contr´ario dos outros 22 problemas. J´a a lista dos Problemas do Milˆenio teve uma preocupac¸a˜ o maior com a clareza dos enunciados. A formulac¸a˜ o para sistemas de equac¸o˜ es diferenciais lineares ficou conhecido como problemas de Riemann-Hilbert e continua em aberto. 18 Por haver resultados em muitos casos. 21 Prova da existˆencia de equac¸o˜ es diferenciais lineares tendo um determinado grupo mo- nodrˆomico Resolvido parcialmente com diferentes enunciados por v´arios matem´aticos. o problema pode ser considerado resolvido e est´a intimamente ligado ao problema 19. Assim. 23 Desenvolver um m´etodo geral do c´alculo de variac¸o˜ es Sem soluc¸a˜ o at´e hoje. . para n˜ao deixar d´uvida na formulac¸a˜ o. como apontado por Hilbert. 22 Uniformizar curvas anal´ıticas atrav´es de func¸o˜ es automorfas Resolvido em 1907. esse n˜ao e´ um problema espec´ıfico.

essa nova lista com sete problemas e´ composta por seis novos e um u´ nico que aparecera na lista de Hilbert. 1998). Clay (DEVLIN. 2007). Clay. da Gr˜a-Bretanha. p. “[. dos Estados Unidos.23). David Hilbert tinha proferido o discurso no qual relatou os 23 problemas que ocupariam os matem´aticos durante o s´eculo XX. Ele tamb´em dedicou uma grande demanda de pensamentos e energia para causas filantr´opicas. O Instituto Clay de Matem´atica (ICM) foi fundado em setembro de 1998. Landon Clay foi graduado na faculdade de Harvard e teve uma carreira distinta como um homem de neg´ocios.] como se a gl´oria da descoberta j´a n˜ao fosse suficiente”(SAUTOY. O Teorema de Fermat (SAUTOY. dois matem´aticos de renome mundial. Clay. O objetivo primordial do ICM e´ desenvolver e difundir o conhecimento matem´atico para informar os matem´aticos e outros cientistas sobre as novas descobertas no campo da Matem´atica. a Hip´otese de Riemann. que permaneceu sem ser resolvido por 330 anos.. Andrew Wiles. h´a 100 anos. Astronomia. um empres´ario de Boston. os matem´aticos e a imprensa se reuniram em um congresso.. 2008). Para a soluc¸a˜ o de cada um desses problemas foi oferecida uma recompensa de um milh˜ao de d´olares. e John Tate. Essa reuni˜ao foi organizada para anunciar uma nova s´erie de problemas que desafia- riam a comunidade Matem´atica no novo s´eculo. Esse prˆemio em dinheiro e´ um incentivo dado pelo Institudo Clay de Matem´atica idealizado por Landon T. e a nova lista de sete problemas foi sugerida por um pequeno grupo composto pelos mais conceituados matem´aticos da atualidade. 19 3 ˆ OS PROBLEMAS DO MILENIO Em 24 de maio de 2000. Biologia e Matem´atica. Dentre eles. e incentivar os alunos a seguirem carreiras como matem´aticos e reconhecer realizac¸o˜ es extraordin´arias e avanc¸os na investigac¸a˜ o matem´atica (CMI. 2007. por Landon T. Ele acredita que a Ciˆencia e a Matem´atica fizeram enormes contribuic¸o˜ es para o bem-estar e a . In- titulada de Os Problemas do Milˆenio. Lavinia D. lugar escolhido justamente pelo fato de que neste mesmo local. e sua esposa. que tinha provado em 1994 um dos mais famosos problemas da Matem´atica. dentre elas Arqueologia. em Paris. no Coll`ege de France. prˆemio anunciado por Sir Michael Atiyah.

1998). pelo fato dos enunciados serem mais claros e diretos. fogo. como sendo as pec¸as associadas a cada um dos quatro . 20 compreens˜ao do mundo e da humanidade. Em caso satisfat´orio ir´a indicar aos diretores do ICM o(s) nome(s) do(s) que ir˜ao receber o prˆemio. Caso haja necessidade de incluir outras referˆencias. Os antigos acreditavam que tudo era gerado a partir de quatro elementos b´asicos: terra. Plat˜ao associou os cinco s´olidos regulares da geometria grega cl´assica. 2007). quem apresentar uma soluc¸a˜ o para um desses problemas ter´a que pu- blicar em um meio de publicac¸a˜ o cient´ıfica de Matem´atica que a qualifica. Ap´os dois anos da publicac¸a˜ o. octaedro dodecaedro e icosaedro. o tetraedro. A pessoa que solucionar um desses problemas ter´a que obedecer a algumas regras impostas pelo Instituto Clay de Matem´atica e pelo Conselho Cient´ıfico Consultivo (CCC) para conseguir receber o prˆemio. As ideias e a enumerac¸a˜ o da lista dos Problemas do Milˆenio aparecer˜ao neste texto conforme (DEVLIN. Responder a pergunta referente a` s origens da mat´eria desde muito cedo fez com que pessoas se dedicassem nesse intuito. Apenas os diretores do ICM ser˜ao capazes de fazer o pagamento do prˆemio. Segue a lista: 1 Hip´otese de Riemann Esse problema ser´a abordado no quarto cap´ıtulo. a´ gua e ar. No caso da soluc¸a˜ o ser apresentada atrav´es de contra-exemplos. 2008). n˜ao priorizando f´ormulas e equac¸o˜ es e lidando com ideias e teoria abstrata. estas ser˜ao citadas no decorrer do texto. o CCC ir´a investigar atrav´es de um comite espec´ıfico. outras regras espec´ıficas dever˜ao ser obedecidas (INSTITUTE. essa nova lista foi mais conservadora. para assim conceder o prˆemio de um milh˜ao de d´olares ao descobridor (SAUTOY. que tratavam de situac¸o˜ es mais conceituais. e ser aceita pela comunidade matem´atica. e que o papel da Matem´atica ser´a cada vez mais importante para o futuro (CMI. 2006). Diferentemente da lista dos 23 problemas de Hilbert. cubo. Primeiramente. na busca de resposta para uma das mais an- tigas pergunta: de que mat´eria somos feitos? Essa busca em compreender o universo e suas origens faz da soluc¸a˜ o do segundo problema do milˆenio um grande passo no enten- dimento e na resposta dessa quest˜ao. sendo o objeto central de estudo deste trabalho. 2 A teoria de Yang-Mills e a hip´otese do intervalo de massa Diz respeito aos recentes avanc¸os da F´ısica.

A teoria que substituiu a imagem do a´ tomo como sis- temas solares foi a Teoria Quˆantica. surgida em 1920. que descreve o universo em escala astronˆomica. Com isso. New Jersey. e lamenta que muitas das leis usadas pelos f´ısicos para compreender o . nem mesmo escrever uma soluc¸a˜ o geral. Muitas das teorias que nascem na F´ısica s˜ao explicadas atrav´es da Matem´atica. mostrando que o comportamento da mat´eria s´o pode ser descrito matematicamente pela Teoria das Probabilidades. de Einstein. a compreens˜ao das ciˆencias da natureza sempre foi um grande desafio para a Matem´atica. Ningu´em ainda foi capaz de resolver as equac¸o˜ es de Yang-Mills. no aˆ mbito cient´ıfico teve vida curta. No final do s´eculo XIX surge uma teoria referente a` composic¸a˜ o da mat´eria composta de a´ tomos. e a Teoria Quˆantica que faz a mesma coisa. De in´ıcio.A Teoria de Yang-Mills . mas possui equac¸o˜ es que ningu´em consegue escrever ou resolver matema- ticamente. sendo que essa busca permanece at´e os dias de hoje. por´em a Matem´atica que permeia tais ideias permanece muito incompleta. Essas ideias traziam a imagem do a´ tomo como sendo pequenos sistemas solares em que o n´ucleo representava o sol e os el´etrons seriam os planetas. Na busca pelo entendimento das origens e funcionamento do universo surgem duas teo- rias. por´em em escala subatˆomica. Witten acredita que as respostas referentes a` unificac¸a˜ o das teorias e o entendimento da origem do universo dependem da Matem´atica. Ambas as teo- rias funcionam muito bem. entretanto se contradizem. que disse que “Deus n˜ao joga aos dados com o universo”. Tem-se ent˜ao uma teoria mais precisa j´a desenvolvida. Atualmente a Teoria Quˆantica vem revelando que tudo no universo consiste em min´usculas dobras e ondulac¸o˜ es no espac¸o-tempo. Embora tal representac¸a˜ o do a´ tomo seja usada didaticamente at´e os dias de hoje. do Instituto de Estudos Avanc¸ados. deixando o dodecaedro como a forma do universo inteiro.e´ um passo inicial para compreens˜ao da GTU. Para Witten. Isso aconteceu com os estudos de Newton referen- tes ao C´alculo Diferencial e Integral. o segundo Problema do Milˆenio . em Princenton. 21 elementos da natureza. com relac¸a˜ o a esse assunto. em que a Hip´otese do Intervalo de Massa e´ um problema matem´atico particular dentro da Teoria de Yang-Mills. em relac¸a˜ o ao qual a Matem´atica demorou mais de duzentos anos para se colocar em dia. a Teoria da Relatividade. O Santo Graal da F´ısica est´a em desenvolver uma Grande Teoria Unificada (GTU) que una essas duas teorias. foi criticada por Albert Einstein. Um dos mais conceituados f´ısicos da atualidade nessa pesquisa e´ Edward Witten.

Esse problema e´ encontrado na Complexidade Computacional. Por´em. a dependˆencia do tempo for exponencial o programa e´ considerado lento. o programa e´ considerado r´apido. Se. sem se ter um candidato a` soluc¸a˜ o em tempo polinomial. ACBDA. ABDCA. 3 O Problema P versus NP O P versus NP trata de problemas cujas respostas podem ser verificadas em tempo poli- nomial.” Para entender o contexto em que surgem os problemas de dependˆencia exponencial ser´a relatado o Problema do Caixeiro Viajante. e hoje s˜ao conhecidos milhares. 22 universo ainda permanecem inacess´ıveis matematicamente. introduzido na d´ecada de 1930 pelo matem´atico Karl Menger. PITAGORAS. para visitar 25 cidades. que nada mais e´ que 3!. ´ Temos ent˜ao (MALAGUTTI. . na e´ poca diretor do Instituto Clay. Este c´alculo e´ feito associando-se uma unidade de tempo para cada operac¸a˜ o b´asica que o procedimento executa. que n˜ao possam ser resolvidos diretamente. entretanto. 55 · 1025 casos. que e´ um ramo da Ma- tem´atica Computacional que estuda a eficiˆencia de algoritmos. o que n˜ao e´ um n´umero muito grande de cidades. ADBCA e ADCBA. tornando ineficiente para qualquer computador executar esse tipo de tarefa devido a` demanda de tempo muito grande. 2002): “Para medir a eficiˆencia de um algoritmo frequentemente usamos o tempo te´orico que o programa leva para encontrar uma resposta em func¸a˜ o dos da- dos de entrada. sendo um n´umero assom- broso. Arthur Jaffe. O Problema do Caixeiro Viajante e´ apenas um exemplo cl´assico desse tipo de problema. Em resumo. ele ter´a que verificar seis casos poss´ıveis ABCDA. o problema trata de um vendedor que sai de uma cidade A para visitar outras n cidades e volta para cidade A utilizando o menor caminho poss´ıvel. se forem resolvidos atrav´es de um algoritmo computacional. disse que escolheram esse problema para a lista dos Problemas do Milˆenio porque a soluc¸a˜ o marcar´a o in´ıcio de uma nova Matem´atica com ligac¸o˜ es no entendimento do universo. C e D s˜ao as cidades a serem visitadas. Diante disso. Para visitar trˆes cidades. em que B. que surgem dentro de v´arios contextos. Existem alguns proble- mas que. demoram anos. Isso mostra que o algoritmo e´ ineficiente. ACDBA. o Cai- xeiro Viajante ter´a aproximadamente 25! ' 1. Se a dependˆencia do tempo com relac¸a˜ o aos dados de entrada for polinomial.

PITAGORAS.059 s.19 min. classificou uma grande quan- tidade de problemas NP em completos. em 1971. operando por algoritmos polinomiais n˜ao ir´a obter o mesmo desempenho de um computador n˜ao determin´ıstico.5 anos 3855 s´eculos 2 · 108 s´eculos Tabela 1: Tempo necess´ario para um computador resolver um problema E para compreender melhor esse problema. no caso da prova de que P=NP. 17. 2. 6. 12. N3 1 · 10 s. ´ 2002. ou seja. 3 · 10 s.7 anos 3n 0. 8 · 10 s.2 dias 35. Uma das aplicac¸o˜ es da demonstrac¸a˜ o desse terceiro problema do milˆenio. 4 · 10−4 s. o problema P versus NP surge da impossibilidade de mostrar que um computador comum. Ap´os a publicac¸a˜ o de um artigo. 58 min. 1 s. 2. 2n 0. Stephen Cook. pois eles devem verificar caso a caso.001 s. 6. mas nada foi provado ainda. Visto que os computadores comuns s˜ao tratados por determin´ısticos. 1. e mostrou que se um problema NP-completo pudesse ser resolvido por um algoritmo em tempo polinomial. 6 · 10−3 s. . 5 · 10−5 s. ser´a na seguranc¸a das transac¸o˜ es feitas pela in- ternet. 2008). 5 · 10−3 s. 23 A Tabela 1 a seguir faz um comparativo de tempo necess´ario para resolver problemas de dependˆencia polinomial e de dependˆencia exponencial. N2 1 · 10−4 s. −3 −3 −2 1. 2014): Definic¸a˜ o: A classe de algoritmos P e´ formada pelos procedimentos para os quais existe um polinˆomio p(n) que limita o n´umero de passos do processa- mento se este for iniciado com uma entrada de tamanho n. 9 · 10−4 s. necess´ario se faz abordar as definic¸o˜ es da ´ classe P e NP (MALAGUTTI. pois trabalha atrav´es da ideia de resolver o pro- blema usando um computador n˜ao-determin´ısticos. Dep. 2 · 10 s. O conceito de NP e´ puramente te´orico. que parte da soluc¸a˜ o correta do problema e verifica em tempo polinomial que a soluc¸a˜ o e´ a verdadeira. WIKIPEDIA. todos os problemas NP tamb´em poderiam. −5 4 · 10−5 s. pois o que garante essa seguranc¸a e´ a criptografia e est´a constru´ıda em cima de um problema NP (DEVLIN. sendo resolvidos por um compu- tador capaz de executar um milh˜ao de operac¸o˜ es aritm´eticas elementares por segundo. Muitos acreditaram que P e NP s˜ao classes distintas de problemas. 7 · 10 s. 4 · 10−2 s. Tamanho dos dados: N 10 20 30 40 50 N −5 −5 1 · 10 s. 25 · 10−1 s. Definic¸a˜ o: A classe dos problemas NP e´ aquela composta por problemas que podem ser verificados em tempo polinomial por uma m´aquina de Turing deter- min´ıstica.

Finalmente. com a publicac¸a˜ o das chamadas equac¸o˜ es de Navier-Stokes. 24 4 As equac¸o˜ es de Navier-Stokes Na busca pela compreens˜ao da Mecˆanica dos Fluidos. . O problema de Navier-Stokes foi resolvido. tornando as equac¸o˜ es mais real´ısticas. 2008.. Os matem´aticos se quer conseguiram mostrar que elas possuem soluc¸a˜ o. na Franc¸a. com relac¸a˜ o ao sistema circulat´orio. Proveniente de uma fam´ılia um tanto quanto distinta. 2008. fazendo alguns matem´aticos acreditarem que a soluc¸a˜ o depende de t´ecnicas genuinamente novas. com o trabalho do matem´atico irlandˆes George Gabriel Stokes. formulou um conjunto de equac¸o˜ es que descrevem o movimento de um flu´ıdo sem levar em considerac¸a˜ o a viscosidade. mas como relatado por (DEVLIN. “a natureza resolve as equac¸o˜ es cada vez que um flu´ıdo se move. Ocupou. em Sorbonne. Leonhard Euler. Um de seus feitos foi criar sozinho a Topologia Alg´ebrica. Claude-Louis-Marie-Henri Navier. F´ısica. Geogra- fia e Navegac¸a˜ o (DEVLIN. Mecˆanica. no caso reduzido de duas dimens˜oes e at´e mesmo uma parte restrita para trˆes dimens˜oes foi resolvida. 5 A conjectura de Poincar´e Henri Poincar´e nasceu em Nancy. A preferˆencia pela Matem´atica e F´ısica o colocou como um dos maiores e mais inovadores que o mundo j´a conheceu. avi˜oes e at´e mesmo na Medicina. ele muitas vezes e´ tido como o u´ ltimo grande universalista da ciˆencia. lapidou as equac¸o˜ es de Euler acrescentando a vari´avel viscosidade. as suas equac¸o˜ es estavam corretas. desde cedo teve contato com cientistas e intelectuais da e´ poca. onde permaneceu at´e a sua morte precoce. . famoso construtor de pontes e conselheiro governa- mental. Embora o racioc´ınio de Navier estivesse errado. no final do s´eculo XIX. sendo a u´ nica pessoa eleita para todas as cinco sec¸o˜ es da Academia das Ciˆencias Francesa: Geometria. por´em o caso mais geral est´a resistindo ao tempo. Em 1922. Muitas aplicac¸o˜ es surgiriam com esses resultados. 2009).180).. p. pois resultaria no melhoramento no desenho de barcos. O’SHEA.”. baseando-se nas ideias pertencentes aos trabalhos de Daniel Bernoulli. o engenheiro francˆes. aos 58 anos. Devido a sua grande contribuic¸a˜ o em diversas a´ reas das ciˆencias. a c´atedra de F´ısica Matem´atica e Teoria da Probabilidade. os estudos referentes ao movimento do flu´ıdos estavam pr´oximos de serem conclu´ıdos. em 1854. O problema e´ que ningu´em conseguiu encontrar uma soluc¸a˜ o geral dessas equac¸o˜ es.

2008). e superf´ıcies mais complexas como a garrafa de Klein. esfera. Poincar´e questionou sobre uma propriedade chamada de contratibilidade dos lac¸os. essa hipersuperf´ıcie e´ equivalente topologicamente a uma hiperesfera de dimens˜ao trˆes? (DEVLIN. Qualquer pessoa teria comec¸ado dizendo que tinha resolvido um dos Problemas do Milˆenio. ou seja. fez a demonstrac¸a˜ o em 1981. continuava em aberto. na cidade de Madri. A demonstrac¸a˜ o para dimens˜oes maiores que quatro foi feita pelo matem´atico americano Stephen Smale. que era para dimens˜ao trˆes. Na Topologia bidimensional e´ necess´aria a compreens˜ao e o estudo de superf´ıcies como o toro. Michael Freed- man. No entanto. mas Perelman re- cusou o dinheiro. O mais interessante desse artigo e´ que nessa demonstrac¸a˜ o estava entrelac¸ada a demons- trac¸a˜ o da Conjectura de Poincar´e. e´ ne- cess´ario o entendimento da Topologia bidimensional para compreender o que se encontra por tr´as dessa conjectura. A pergunta de Poincar´e foi a seguinte: Ser´a que o mesmo acontece para hipersuperf´ıcies. honra equivalente . Para a dimens˜ao quatro outro americano. Depois de alguns anos de avaliac¸o˜ es e durante um congresso. a quem o Instituto Clay premiou com um milh˜ao de d´olares. Por´em. e por isso foi inclu´ıda na lista dos Problemas do Milˆenio pelo Instituto Clay. a conjectura original. e superf´ıcies de maiores dimens˜oes. esta u´ ltima. que nasceu com estudos de Carl Friedrich Gauss (1777-1855). na qual colocava a demonstrac¸a˜ o da conjectura de Poincar´e em segundo plano. Eis que em 11 de novembro de 2002. no ano de 1960. A Topologia trata principalmente de objetos de trˆes ou mais dimens˜oes. se uma hipersuperf´ıcie de dimens˜ao trˆes tiver a propriedade contratibilidade dos lac¸os. em agosto de 2006. Essa proprie- dade diz que toda superf´ıcie de duas dimens˜oes que possui essa caracter´ıstica e´ topologi- camente equivalente a uma esfera. origin´aria da Faixa de M¨obius. mas foram os trabalhos de Poincar´e que deram os conceitos e m´etodos que guiariam essa disciplina pelos anos seguintes. 25 O quinto problema do milˆenio teve origem no ramo da Topologia. Este tamb´em foi premiado com a medalha Fields. foi dado o anuncio que Perelman demonstrou a conjectura de Poin- car´e. Na busca por classificar essas superf´ıcies. o russo Grigory Perelman disponibilizou um artigo no qual afirmava ter demonstrado tudo sobre o que teria sido conjecturado anteriormente sobre o Fluxo de Ricci. mas as palavras de Grigory Perelman formavam uma mistura de aud´acia e mod´estia.

Q). o problema mais dif´ıcil de compreens˜ao dessa lista. Q)alg ⊂ H 2p (X. Durante a sua vida foi eleito presidente da Sociedade Matem´atica de Londres em 1952. novamente n˜ao compareceu para receber o prˆemio (O’SHEA. As contribuic¸o˜ es para Matem´atica deram no desenvolvimento da relac¸a˜ o entre a Geometria. Esc´ocia. especificamente.287): Seja X uma variedade alg´ebrica projetiva n˜ao singular e p um n´umero inteiro positivo. A conjectura de Birch e Swinnerton-Dyer trata de curvas el´ıpticas. An´alise e To- pologia. isto e´ . e em 1959 foi feito cavaleiro pela Rainha.p (X) ∩ H 2p (X. Geome- tria e a Criptografia. que H 2p (X. Segue a Conjectura de Hodge (DEVLIN. Uma das aplicac¸o˜ es est´a em estabelecer uma ligac¸a˜ o fundamental entre a Geometria Alg´ebrica. 6 A conjectura de Birch e Swinnerton-Dyer Fazendo uso na d´ecada de 1960 do computador mais poderoso da e´ poca. Quem for se aventurar na soluc¸a˜ o desse problema ter´a que se debruc¸ar e dominar assun- tos que poucos matem´aticos profissionais no mundo conhec¸am. entretanto. o espac¸o vetorial sobre Q gerado pelas classes fundamentais de sub- variedades alg´ebricas de codimens˜ao p em X. An´alise e Topologia. os matem´aticos britˆanicos Brian Bich e Peter Swinnerton-Dyer formularam a conjectura que. 2008. de longe. p. Q)alg usando teoria de Hodge. . A Conjectura de Hodge se encontra imersa em um emaranhado de abstrac¸o˜ es matem´aticas. Q)alg = H p. 2009). como muitas vezes essas soluc¸o˜ es s˜ao infinitas. A conjectura de Hodge afirma que podemos “‘calcular”o subespac¸o H 2p (X. pouco se tem registrado sobre a vida de Wil- liam Hodge. 26 ao prˆemio Nobel da Matem´atica. Q) o subespac¸o dos cociclos alg´ebricos. se verda- deira sua soluc¸a˜ o. mas. Nessa tarefa. ter´a ramificac¸o˜ es por v´arias a´ reas da Matem´atica. Birch e Swinnerton-Dyer comec¸aram a indagar sobre certas curvas el´ıpticas e encontrar pontos cujos coeficientes s˜ao n´umeros racionais. tornando a Conjectura de Hodge. Seja H 2p (X. o matem´atico que formulou o s´etimo Problema do Milˆenio. Desde 1950. Esse problema se encontra debaixo de uma grande quantidade de Matem´atica avanc¸ada. o contar se remete em muitos casos a certo n´umero de subcontagens finitas. 7 A Conjectura de Hodge Nascido em 1903 em Edimburgo. tentaram um modo de contar o n´umero de pontos racionais sobre uma curva el´ıptica. De uma maneira bem geral. os ma- tem´aticos perceberam a relac¸a˜ o que tais curvas tem com a Teoria dos N´umeros.

5. outras referˆencias usadas ser˜ao citadas ao longo do texto. por´em e´ no m´ınimo curioso. Ao observar a sequˆencia de primos 2. Os chineses deixaram ind´ıcios de que. a pessoa que resolver a Hip´otese de Riemann ser´a lembrado n˜ao s´o por ter ganhado o prˆemio de um milh˜ao de d´olares.C. matem´aticos dedicassem a vida estudando esses n´umeros. Por isso. 17 e 19. Muitos dos relatos desse cap´ıtulo seguem apoiados nas ideias de (SAUTOY. N˜ao se sabe ao certo se esse registro representa o conhecimento sobre o conceito de n´umeros primos. conhecido como osso de Ishango que foi encontrado na Africa Central Equatorial..10). vˆe-se que para uma ciˆencia que busca encontrar padr˜oes.C. 7. .47) “Como poder´ıamos mapear um cami- . p. que o matem´atico Erat´ostenes desenvolveu e registrou um mecanismo. em 1960. 2007. por volta de 1000 a. uma coluna com os n´umeros 11. por volta do s´eculo III a. Tal pedac¸o cont´em entre as colunas de entalhes. Somente com os gregos. 3.. 2007). .1 ´ UM POUCO DE HISTORIA Os n´umeros primos despertaram a curiosidade humana desde muito cedo... 17. a Hip´otese de Riemann tamb´em e´ chamada de “o C´alice Sagrado da Matem´atica”(SAUTOY. pois existe uma estreita ligac¸a˜ o entre a resposta e o comportamento dos n´umeros primos.C. 2007. 13. por mais de 2000 anos. j´a tinham desenvolvido um m´etodo f´ısico de entender o que torna esses n´umeros diferentes dos compostos. . 19. p. como tamb´em por apresentar uma soluc¸a˜ o para o problema mais importante da hist´oria dessa ciˆencia. ter at´e ent˜ao uma lista ca´otica de n´umeros primos fez com que. Como questionado por (SAUTOY. 11. O registro mais antigo referente ao conjunto de n´umeros e´ um pedac¸o de osso que data de cerca de 6500 ´ a. 27 4 ´ A HIPOTESE DE RIEMANN Sem d´uvida. 4. chamado de Crivo de Erat´ostenes. 13. ainda hoje muito usado de forma did´atica.

ficou formalizado que o conjunto dos primos e´ infinito. em uma de suas correspondˆencias com Chistian Goldbach. p. Euclides mostrou que o conjunto dos n´umeros primos e´ infinito. Nos estudos de Euler surge uma func¸a˜ o que ir´a desempenhar um papel muito impor- tante. Euclides notou que esse n´umero teria que ser primo.. Na e´ poca. Tomando o n´umero N + 1 > p . Leonhard Euler (1707-1783). e afirmou que se n fosse primo essa f´ormula teria uma quanti- dade infinita de resultados primos. 2007... preferiu em 1726 aceitar a oferta e se juntou a Academia de Ciˆencias de S˜ao Petesburgo na R´ussia. pois o quinto n´umero de Fermat e´ divis´ıvel por 641. em III a. · p um n´umero obtido pela multiplicac¸a˜ o de todos os primos at´e p. Muitos s´eculos se passaram sem muitos avanc¸os sobre o entendimento com relac¸a˜ o aos n´umeros primos. por´em hoje a reformulac¸a˜ o do problema e´ “todo n´umero inteiro par maior que cinco pode ser escrito como a soma de trˆes n´umero pri- mos”. 2n − 1. e que com isso existiria um n´umero p que seria o maior n´umero primo. 100 anos depois. O in´ıcio do s´eculo XVIII e´ marcado com o nascimento de um ilustre matem´atico su´ıc¸o. que mantinha contato com Fermat atrav´es de cartas. Outro que nessa e´ poca se dedicou a` Matem´atica foi um monge francˆes.. 28 nho por esse emaranhado ca´otico. mesmo n˜ao sabendo como seriam gerados (DEVLIN. Seja N = 2 · 3 · 5 · . Tal conjectura permanece sem resposta at´e hoje. nos trabalhos de Riemann. Com esse brilhante ar- gumento. conhecido hoje como a Conjectura forte de Goldbach e ainda n˜ao foi resolvido.. Marin Mer- senne (1588-1648). Tal suposic¸a˜ o e´ errada. Euler. Desde muito cedo disputado pelas academias de toda Europa. encontrando algum padr˜ao que pudesse prever seu com- portamento?”Alguns matem´aticos chegam a acreditar que “[.] essa prociss˜ao dos primos se assemelha muito mais a uma sucess˜ao de n´umeros aleat´orios que a um belo padr˜ao orde- nado.C. Nos trabalhos de Pierre de Fermat (1601-1665) chegou-se a conjecturar n que a f´ormula 22 + 1 sempre geraria n´umeros primos. Desde Euclides de Alexandria. Mersenne tamb´em chegou a uma f´ormula. consideravam-se o n´umero 1 como sendo primo.”(SAUTOY. foi desafiado a pro- var que todo n´umero par pode ser expresso pela soma de dois n´umeros primos. pois deixaria resto ao dividir por qualquer um dos primos conhecidos.15). . Para demonstrar esse fato ele supˆos que a quantidade de n´umeros pri- mos era finita. deu a Teoria dos N´umeros uma contribuic¸a˜ o muito grande a qual culminou em novas janelas sobre o entendimento dos n´umeros primos. Dando eˆ nfase ao valor da prova e apoiado em seus m´etodos. 2008).

devido ao seu brilhantismo. Nos anos seguintes Gauss recebeu ofertas de trabalho e. A criac¸a˜ o da calculadora-rel´ogio contribuiu muito para o entendimento sobre os n´umeros. Teve seus estudos financiados por nobres da regi˜ao. recebendo o equivalente hoje a bolsas de estudos. Figura 2: Carl Friedrich Gauss . e hoje. A vida universit´aria de Gottingen era autossuficiente. mesmo que de in´ıcio a universidade tivesse o estudo de Teo- logia como principal. aceitou trabalhar na Universidade de Gottingen. a qual gostava de chamar de “Rainha da Matem´atica”. Frequentou a Academia de Ciˆencias de Elite em Brunswick (1792-1795) e posteriormente a Universidade de Gottingen (1795-1798). 29 Um grande contribuidor para a Matem´atica e Astronomia foi Carl Friedrich Gauss (1777-1855). 2009. defendeu sua tese de doutorado no ano de 1799. temos essa teoria estudada em Aritm´etica com o nome de classes modulares. Ele considerava os n´umeros primos com papel principal. 2009). Logo ocorrem mudanc¸as no cen´ario acadˆemico. p. 2007). na Universidade de Helmstedt. em 1805. contendo uma vila medieval cercada de muralhas que ainda hoje mant´em aspectos originais. no reino de Hˆanover. Nascido em uma fam´ılia de trabalhadores na Alemanha. que subsidiava seus estudos. Uma das grandes contribuic¸o˜ es de Gauss est´a na criac¸a˜ o da Teoria dos N´umeros como disciplina pr´opria. A cidade se torna famosa tamb´em pelo estudo de ciˆencia (SAUTOY. desde crianc¸a tinha uma grande habilidade no trato com os n´umeros. Gottingen e´ uma cidade pacata nas colinas da Baixada Saxˆonica.94). Alguns t´ıtulos foram dados a ele. quando Gauss assume o observat´orio e os cargos de professor de Astronomia. a qual prometeu construir para ele um observat´orio e lhe foi oferecido um assistente talentoso (O’SHEA. “menino- prod´ıgio”e “gˆenio matem´atico”. A Figura 2 e´ uma fografia de Gauss (O’SHEA. A pedido do duque de Brunswick-Wolfenbuttel.

5 102 25 4. as func¸o˜ es que transformam multiplicac¸o˜ es em somas s˜ao as logar´ıtmicas. ganhou de presente um livro sobre logaritmos. E fez isso ao construir e analisar uma tabela semelhante a essa. de uma linha para a outra. 3 na terceira coluna. pois a medida que multiplicava por 10 os n´umeros da primeira coluna ele aumentava aproximadamente 2.7 107 664 579 15. Coincidˆencia ou n˜ao. Gauss sabia que a base da func¸a˜ o logar´ıtmica candidata a estar relacionada com a sequˆencia de n´umeros primos n˜ao seria 10. A ideia de Gauss n˜ao buscava uma f´ormula que resultasse na sequˆencia dos primos. Como Gauss havia feito recentes estudos. percebeu que os n´umeros primos e os logaritmos pareciam estar relacionados.0 ´ Tabela 2: M´edia de numeros primos que deve-se contar at´e encontrar o pr´oximo primo. Ele usou a func¸a˜ o π(N). pois existem 25 n´umeros primos menores que 100. conhecida como base dos logaritmos naturais.7 1010 455 052 511 22. que fornece a quantidade de n´umeros primos menores que N. cuja capa era es- tampada com n´umeros primos. Os logaritmos naturais tamb´em s˜ao nomeados logaritmo neperiano em homenagem a John Napier (1550-1617). 2008).0 103 168 6. Por exemplo. Gauss observou que na terceira coluna que se trata da m´edia.4 106 78 498 12. 2007): N π(N) M´edia 10 4 2. matem´atico que inseriu esse . π(100) = 25. 30 Gauss. mas sim em observar de como esse padr˜ao acontece.4 109 50 847 534 19. que fornece a m´edia de n´umeros primos que se deve contar at´e encontrar o pr´oximo n´umero primo (SAUTOY.0 104 1 229 8. Estudos a respeito dos logaritmos fizeram com que Gauss percebesse que a base era e.0 108 5 761 455 17. aos 15 anos. Assim. ele percebeu a relac¸a˜ o existente entre os n´umeros primos e tais func¸o˜ es.1 105 9 592 10. Ao fazer um estudo dessa tabela. 3 a medida que au- mentamos uma unidade no expoente das potˆencias da primeira coluna. O passo seguinte foi analisar a densidade Dn = π(N)/N com que os n´umeros primos surgem. tende a somar sempre aproximadamente 2. como a Tabela 3 (DEVLIN.

De fato. 31 N π(N) Dn 10 4 0. mas pelo francˆes Jacques Hadamard e o belga Charles de la Vall´ee.0455052511 ´ Tabela 3: Densidade de numeros primos base.60). usando m´etodos matem´aticos um tanto quanto sofisticados (DEVLIN. O resultado enunciado e´ conhecido hoje como o Teorema dos N´umeros Primos. 2006): 1 n   e = lim 1 + .050847534 1010 455 052 511 0. n→∞ n Voltado para a descoberta sobre a poss´ıvel ligac¸a˜ o entre os logaritmos naturais e os n´umeros primos. A definic¸a˜ o do n´umero e pode ser dado pelo seguinte limite (SBM. 2008).C.078498 107 664 579 0. se torna visualmente uma curva um ..25 103 168 0.1229 105 9 592 0. necessitou-se da ast´ucia desse matem´atico em perceber a relac¸a˜ o existente entre a sequˆencia dos n´umeros primos e os logaritmos. Gauss notou que a probabilidade com que se tem primos menores que N e´ o n´umero irracional 1/ ln N. como aparece na Figura 4 (SAUTOY. 2007. e foi demonstrado n˜ao por Gauss. 2008). 2011):   π(N) lim =1 N→∞ N/ ln N Como aparece em (DEVLIN. atrav´es dos saltos.05761455 109 50 847 534 0.0664579 108 5 761 455 0.168 104 1 229 0. Gauss pode conjecturar que a medida que aumentamos o n´umero N a densi- dade com que se tem primos tende a 1/ ln N. p. Ao tomar uma escala maior. No entanto o primeiro teorema a respeito da distribuic¸a˜ o dos n´umeros primos surge apenas depois dos trabalhos de Gauss. evidˆenciando o aspecto aleat´orio com que surgem os n´umeros primos.09592 106 78 498 0. Segue um dos enunciados do Teorema dos N´umeros Primos dado pelo limite (OBM. A figura 3 mostra o gr´afico da func¸a˜ o π(N) em uma escala menor.4 102 25 0. e para que esse resultado fosse enunciado. em trabalhos independentes. a ideia de n´umeros inteiros surge entre cerca de 5000 a 8000 a.

se assemelha a uma curva que lembra a func¸a˜ o ln(x). a . Seis anos ap´os os estudos iniciais de Gauss. Embora fosse uma estimativa pr´oxima. p. havia aproximadamente N/ ln N primos at´e N. 2007. “Segundo a previs˜ao de Gauss. Embora o resultado sobre a densidade dos n´umeros primos conjecturado por Gauss estivesse certo. descobriu-se que ela se desvia gradualmente do n´umero real de primos a` medida que o valor de N se eleva”(SAUTOY. representada pela Figura 4.62). ele mesmo percebeu que necessitava de aprimoramentos. Figura 3: Gr´afico da func¸a˜ o π(N) Figura 4: Gr´afico da func¸a˜ o π(N) ampliado O interessante tamb´em est´a na aparˆencia com que a representac¸a˜ o gr´afica da func¸a˜ o π(N). 32 tanto quanto suave. com a qual Gauss conjecturou ter relac¸o˜ es. Um dos matem´aticos da e´ poca a fazer estudos referentes a` Teoria do N´umeros foi o francˆes Adrien-Marie Legendre (1752-1833).

08366. os matem´aticos achavam que existiria algo mais est´etico que esse n´umero para descrever o comportamento do primos. tem-se que a esperanc¸a de se obter cara no lanc¸amento de uma moeda. Gauss consegue uma nova estimativa bem mais pr´oxima da quantidade verdadeira de n´umeros primos at´e N. p. N/ ln N e Li(N) para valores entre 108 e 1020 (RIBENBOIM. a chance de um n´umero ser primo at´e 100 corresponde a 1/ ln 100. Com isso. durante N lanc¸amentos e´ dado por: 1 1 1 1 1 + + + . ap´os analisados seus artigos e correspondˆencias. 1. 33 respeito da relac¸a˜ o entre os n´umeros primos e os logaritmos. Legendre fez o seguinte aperfeic¸oamento: Estimativa de Gauss Estimativa de Legendre N N ln N ln N − 1.. Gauss refinou ainda mais sua estimativa com relac¸a˜ o a` quantidade exata de n´umeros primos. 2001. Legendre tamb´em mostra essa conex˜ao.] o termo de correlac¸a˜ o.. a previs˜ao de se ter n´umeros primos at´e um n´umero N e´ : 1 1 1 1 + + + . isso j´a ap´os a sua morte. fazendo com que os ma- tem´aticos acreditassem que deveria existir algo mais natural para apreender o comportamento dos n´umeros primos”(SAUTOY. 08366 s˜ao aceitos com facilidade em outras ciˆencias. era um tanto feio. O cr´edito sobre a descoberta da relac¸a˜ o acabou sendo dada a Gauss.. + = N · |2 2 2{z 2} 2 N vezes Por´em. tendo como resultado favor´avel a probabilidade de 1/ ln N. 2001): .64). Partindo do racioc´ınio do c´alculo de probabilidades. pois para os c´alculos feitos na e´ poca davam um resultado aparentemente mais preciso. a moeda lanc¸ada para se obter n´umeros primos e´ viciada. Na busca por encontrar uma estimativa mais pr´oxima a respeito da verdadeira quanti- dade de n´umeros primos... que e´ aproximadamente 1/5. Embora n´umeros como 1.. em 1849. uma func¸a˜ o conhecida como integral logar´ıtmica. Por exemplo.. 2007. + ln 2 ln 3 ln 4 ln N Gauss criou assim. 08366 Esse n´umero incorporado por Legendre deu uma aproximac¸a˜ o melhor a` estimativa de Gauss.. denotada por Li(N) e como aparece definida em (RIBENBOIM.139) por: Z x dt Li(x) = 2 lnt Com essa nova abordagem. p. A Tabela 4 mostra o comparativo entre π(N). “[.

para todo n´umero N vale Li(N) > π(N). Pela primeira vez uma . 34   N N π(N) − π(N) [Li(N)] − π(N) ln N 108 5 761 455 -332 774 754 109 50 847 534 -2 592 592 1 701 1010 455 052 511 -20 758 030 3 104 1011 4 118 054 813 -169 923 160 11 588 1012 37 607 912 018 -1 416 705 193 38 263 1013 346 065 536 839 -11 992 858 452 108 971 1014 3 204 941 750 802 -102 838 308 636 314 890 1015 29 844 570 422 669 -891 604 962 453 1 052 619 1016 279 238 341 033 925 -7 804 289 844 393 3 214 632 1017 2 623 557 157 654 233 -68 883 734 693 929 7 956 589 1018 24 739 954 287 740 860 -612 483 070 893 537 21 949 555 1019 234 057 667 276 344 607 -5 481 624 169 369 961 99 877 775 1020 2 220 819 602 560 918 840 -49 347 193 044 659 702 222 744 643 Tabela 4: Comparativo entre π(N). como mostra o gr´afico representado pela Figura 5 (SANTOS. p. Li(N) (verde) e N/ ln N (azul) Esse comportamento levou Gauss a conjecturar que. 2009. que a func¸a˜ o Li(N) sempre iria ultrapassar a func¸a˜ o π(N). N/ ln N e Li(N) O interessante com relac¸a˜ o a` func¸a˜ o Li(N) e´ que at´e quantidades bem elevadas de n´umeros N. Figura 5: Gr´aficos π(N) (vermelho). ou seja.3). a quantidade de n´umeros primos que ela gera parece ser sempre maior que a de π(N).

. Mais tarde. deixando para as futuras gerac¸o˜ es con- jecturar o que seria o cume dessa subida. atrav´es das tentativas em entender o caos aparente na sequˆencia dos n´umeros primos. nasce Bernhard Riemann. 2008). Pelas tabelas conhecidas na e´ poca. foi educado pelo pai devido a morte da m˜ae. Riemann e Gauss acreditavam que Li(N) > π(N) para N suficiente- mente grande. frequentou o colegial numa cidade pr´oxima de sua casa (O’SHEA. p. diferente das outras ciˆencias. p. Uma das poucas pessoas que ganhou sua confianc¸a e que participou de sua vida foi Richard Dedekind.. Na Figura 6 segue a imagem de Riemann (O’SHEA. deu um passo muito importante nessa direc¸a˜ o. decorei-o”(DEVLIN. a Matem´atica n˜ao se satisfaz com resultados obtidos atrav´es de repetic¸o˜ es ou mesmo por generalizac¸o˜ es precipitadas (SAUTOY.41). em 1914. a desigualdade valeria. Foi uma pessoa sossegada. no vilarejo de Quickborn. (RIBENBOIM. t´ımida e com v´arios problemas de sa´ude. quando ele tinha seis anos. Isso mostra um dos motivos pelos quais. Littlewood mostrou que a diferenc¸a Li(N) − π(N) mudava de sinal uma infinidade de vezes nos pontos No < N1 < . 2008. 2009). 2007). Gauss. O diretor do col´egio em que Riemann estudou o encorajou a se dedicar a Matem´atica dando o livro “Teoria do N´umeros de Legendre‘”de 900 p´aginas... que escreveu uma biografia sobre sua vida dez anos ap´os a sua morte (DEVLIN. .. resultou estar equivocada.137). reino de Hanˆover na Alemanha. Da infˆancia at´e os quatorze anos estudou em Hanˆover. 35 conjectura feita por ele embasado na an´alise intuitiva de valores at´e 3000000. Figura 6: Bernhard Riemann Filho de um pastor luterano de fam´ılia pobre. Logo ap´os. dizendo: Este livro e´ espantoso. “Riemann devolve-o em menos de uma semana. 2009. < Nn < . e Nn tende para o infinito. 2001): Por outro lado. Em 1826.

Riemann voltou a` Gottingen para elaborar e defender sua tese de doutorado. com o intuito de estudar Teologia seguindo a vontade do pai. . Nessa e´ poca. publicou um artigo intitulado (DEVLIN. 2008).46): Claro que seria desej´avel ter uma demonstrac¸a˜ o rigorosa deste fato [a Hip´otese de Riemann]. no que foi autorizado nesse mesmo ano. Em uma carta a Karl Weierstrass (1815-1887) ele reconhece a necessidade de amadurecer o artigo. Logo de in´ıcio. Em 1849. 36 Vinte anos decorreram entre o nascimento e a formac¸a˜ o de Riemann. mais especificamente a respeito da Teoria dos N´umeros Anal´ıtica. Riemann matriculou-se tamb´em em cursos de Matem´atica. Riemann dominou a An´alise Complexa e aprendeu muita coisa nova em Matem´atica”. Ali permanecera um ano. em v˜ao. onde passou os anos acadˆemicos de 1847 a 1849 (O’SHEA. 2009). 2009. com originalidade e verdadeiramente Matem´atica. Na sua u´ nica passagem pela Teoria dos N´umeros em 1859. pus de parte temporariamente a procura de uma demonstrac¸a˜ o. ap´os algumas tentativas n˜ao muito s´erias. 2008). p. e comenta sobre os resultados de uma equac¸a˜ o que afirma ter sido incapaz de resolver. no ano de 1846. at´e esgotar todos os recursos que pudera aproveitar em Gottingen. Riemann discute v´arios m´etodos a serem utilizados na compreens˜ao dos n´umeros primos. Segue um trecho da carta (DEVLIN. Mudou-se para Berlim. 2008. Acredita-se ter escrito em honras a` Gauss que e´ considerado o pai da Teoria dos N´umeros (DEVLIN. pois tinha famosos profes- sores de Matem´atica. que usa ferramentas do C´alculo Infinitesimal para resolver situac¸o˜ es a cerca dos n´umeros inteiros e positivos. Gauss escreveu uma carta a um amigo sobre a des- coberta da relac¸a˜ o entre os n´umeros primos e os logaritmos. e como aponta (O’SHEA.46) “Sobre o n´umero de primos menores que uma dada quantidade”. p. p. Foi quando pediu a seu pai para mudar de curso e se dedicar a Matem´atica. Nesse artigo. Ali. com resultados extraordin´arios. 2008. Berlim atra´ıa estudantes de Matem´atica de toda a Europa. uma vez que parece desnecess´aria para o objetivo seguinte da minha investigac¸a˜ o. entretanto. Riemann baseando-se nos trabalhos de Johann Diri- chlet. Gauss classificou a tese de Riemann em 1851 como a demonstrac¸a˜ o de uma mente criativa. Foi para a uni- versidade de Gottingen.106) “O c´alculo havia sido aplicado a v´arios novos sistemas. mas Riemann na ocasi˜ao pensava escrever uma tese seguindo a revoluc¸a˜ o Matem´atica que vinha chegando em seu auge. sob a orientac¸a˜ o de Gauss. Parecia que cada dia se descobriam novas func¸o˜ es com admir´aveis propriedades. pen- sando de maneira mais conceitual e deixando um pouco de lado as equac¸o˜ es e a manipulac¸a˜ o de f´ormulas (SAUTOY. 2007. DEVLIN.

e depois golpeando novamente com determinadas frac¸o˜ es de a´ gua. Nos cursos de graduac¸a˜ o em matem´atica trabalha-se as s´eries.2 ´ FUNDAMENTOS MATEMATICOS ´ DA HIPOTESE DE RIEMANN Para entender a Hip´otese de Riemann. 1998). que recebe esse nome por estar relacionada a harmonia da m´usica descoberta por Pit´agoras ao golpear uma urna vazia. A equac¸a˜ o que Riemann a que se referiu comec¸a com conceitos matem´aticos da e´ poca de Pit´agoras. A Figura 7 mostra a primeira das oito p´aginas do artigo original de Riemann (CMI. 37 Na soluc¸a˜ o dessa equac¸a˜ o que surge o problema que hoje vale um milh˜ao de d´olares. ´ Figura 7: Sobre o numero de primos menores que uma dada quantidade 4. em especial a s´erie harmˆonica. Essa s´erie e´ a da soma dos inversos dos n´umeros inteiros positivos. ou seja: 1 1 1 1 1 1 1+ + + + + +···+ +··· 2 3 4 5 6 n . precisa-se conhecer os conceitos matem´aticos surgidos a priori.

com trabalhos de Pietro Mengoli e de Jacob Bernoulli. chamando-a de func¸a˜ o zeta (DEVLIN. dando origem ao problema conhecido como O Problema de Basileia (GAYO. Quando x = 2. 38 Essa s´erie e´ divergente pelo seguinte fato:       1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1+ + + + + + + + + +···+ +··· 2 3 4 5 6 7 8 9 10 16       1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 > 1+ + + + + + + + + +···+ +··· 2 4 4 8 8 8 8 16 16 16 1 1 1 1 = 1+ + + + +··· . n=1 Na busca por calcular ζ (2). Assim motrou que ∞ 1 1 1 1 1 1 π2 ζ (2) = ∑ 2 = 1 + + + + + + · · · = . a soma dos inversos dos n´umeros inteiros positivo aumenta infinitamente. pergunta-se qual o resultado de. n=1 n 4 9 16 25 36 6 . 2009): ∞ 1 1 1 1 1 1 ∑ nx = 1 + 2x + 3x + 4x + 5x + 6x + · · · n=1 Para x = 1 tem-se a s´erie harmˆonica. Para qualquer x > 1. que se comec¸a a estudar a s´erie (SANTOS. ∞ 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 ζ (2) = ∑ n2 = 1 + 22 + 32 + 42 + 52 + 62 + · · · = 1 + 4 + 9 + 16 + 25 + 36 + · · · n=1 chegou a dizer que s´o conseguir valores aproximados para ζ (2). 2 2 2 2 Ou seja. Em 1735. e a relac¸a˜ o com o valor de π. a s´erie converge. Eis que Euler percebe no caos resultante da soma dessa s´erie. isto e´ . ∞ 1 1 1 1 1 1 ∑ n2 = 1 + 22 + 32 + 42 + 52 + 62 + · · · n=1 j´a que a s´erie e´ convergente. 2008): ∞ 1 ζ (x) = ∑ nx . 2013). Euler trata a s´erie como uma func¸a˜ o. No s´eculo XVII.

cada um sendo contado somente uma vez. . 2007. r. 2013). n=0 Multiplicando. Nos trabalhos de Euler (RIBENBOIM. k2 ≥ 0 e inteiros). Suponha que p1 . . n=0 p p p 1 − 1/p As primeiras dessas s´eries s˜ao ∞ 1 1 1 1 ∑ 2n = 1 + 2 + 22 + · · · = 1 − 1/2 n=0 e ∞ 1 1 1 1 ∑ 3n = 1 + 3 + 32 + · · · = 1 − 1/3 . dado p um n´umero primo qualquer. Primeiramente. . . pr sejam todos os n´umeros primos. 2001). 2 3 2 2·3 3 1 − 1/2 1 − 1/3 O primeiro termo e´ a soma dos inversos de todos os n´umeros naturais da forma 2k1 3k2 (com k1 . . para todo inteiro k ≥ 1. tamb´em encontram-se os resultados de ζ (2k). . tem-se ∞ 1 1 ∑ n = . tem-se 1 1 1 1 1 1 1 1+ + + 2 + + 2 +··· = · . “[. essas u´ ltimas duas igualdades. todas essas s´eries s˜ao convergentes: ∞ 1 1 1 1 ∑ n = 1+ + 2 +··· = .. Como 1/p < 1. como produto de primos. . e ela encantou inteiramente a comunidade da e´ poca”(SAUTOY. 39 Esse resultado que Euler descobriu de forma criativa (GAYO.] um dos c´alculos mais intrigantes de toda a Matem´atica. 2.. = n=1 n Qual a relac¸a˜ o entre a func¸a˜ o ζ (x) e os n´umeros primos? Para responder essa per- gunta e´ necess´ario entender como Euler demonstrou que existem infinitos n´umeros primos (RI- BENBOIM.89). Euler analisou o comportamento das s´eries geom´etricas de raz˜ao 1/p e primeiro termo 1. pois a express˜ao de cada n´umero natural.. n=0 pi 1 − 1/pi . 1999). p. Por exemplo: ∞ 1 π4 ζ (4) = ∑ 4 90 . . membro a membro. e´ u´ nica. Essas ideias est˜ao descritas a seguir. 2001) e como reescreveu a func¸a˜ o ζ (x) dependendo apenas dos n´umeros primos (AGUILERA-NARRAVO et al. A demonstrac¸a˜ o de Euler para a infinitude dos n´umeros primos est´a baseada nessa ideia. Para cada i = 1. p2 .

kr ≥ 0 e inteiros). 40 Multiplicando. . . logo ∞ r 1 1 ∑ n ∏ 1 − 1/pi . pkr r (com k1 . ao tomar os r primeiros n´umeros primos. o resultado implica o segundo termo n˜ao pode ser finito. Usando essa mesma ideia. Isso mostra que o conjunto dos n´umeros primos e´ infinito. i=1 i Por exemplo. Mas. k2 . o Teorema Funda- mental da Aritm´etica garante que todo n´umero natural pode ser expresso como esse produto de fatores primos de maneira u´ nica (a menos de permutac¸o˜ es). ∞ 1 1 ∑ nx = . Assim. pois e´ uma s´erie geom´etrica de raz˜ao 1/px < 1. e´ a soma dos inversos dos n´umeros que podem ser expressos na forma pk11 pk22 . n=0 p 1 − 1/px Agora. para r = 2 tem-se    1 1 1 1 1 1 1 x x = 1+ x+ x+ 2 x + x+ x + · · · . membro a membro. 1 − 1/p1 1 − 1/p2 (p1 ) (p2 ) p1 (p1 p2 ) p22 ou seja    1 1 1 = ∑ x . . ap´os efetuadas as operac¸o˜ es. . para x > 1. Euler mostrou a relac¸a˜ o entre a func¸a˜ o ζ (x) e os n´umeros primos. obt´em-se ! r ∞ r 1 1 = ∏ ∑ pn ∏ 1 − 1/pi i=1 n=0 i i=1 e o primeiro termo. considerou o produto a seguir: r 1 ∏ 1 − 1/px . 1 − 1/px1 1 − 1/px2  k1 .k2 ≥0 pk11 pk22 . . = n=1 i=1 Como o primeiro termo da igualdade e´ infinito (pois a s´erie harmˆonica e´ divergente). a s´erie ∞ 1 ∑ nx n=0 p e´ convergente. . essas r igualdades. Primeiramente.

. Riemann. se m for o produto de k primos distintos. . p∈P k j ≥0 pk11 pk22 . Na buscar por melhorar a aproximac¸a˜ o da integral logar´ıtmica Li(N) de Gauss da ver- dadeira quantidade de n´umeros primos π(N). . qualquer n´umero natural pode ser decomposto em produto de fatores primos na forma pk11 pk22 . k2 . . . µ(m) = (−1)k . pkr r Finalmente. . 41 Por induc¸a˜ o. . 2008). exprimiu uma nova func¸a˜ o conhecida como a func¸a˜ o de Riemann (RIBENBOIM. . Euler mostrou que ∞ 1 1 ∏ 1 − 1/px = ∑ nx . ≥ 0 e inteiros). devido a Euler. .kr ≥0 pk11 pk22 . seu trabalho trouxe as ferramentas necess´arias para a demonstrac¸a˜ o desse teorema por Hadamard e de la Vall´ee Poussin em 1896 (DEVLIN. pkmm . Por´em. (1) n=1 p∈P 1 − 1 px Este resultado. mostra a not´avel relac¸a˜ o entre a func¸a˜ o ζ (x) e os n´umeros primos. (com k1 .. .. . ∞ 1 1 ζ (x) = ∑ nx = ∏ . . (2) m=1 m em que µ(m) e´ a func¸a˜ o de M¨obius. p.. definida por:  0. . Euler mostrou que 1 1 ∏ 1 − 1/px = ∑  x . . pkr r . O artigo que Riemann escreve e´ uma tentativa em demonstrar o Teorema dos N´umeros Primos. . . se m tiver algum fator primo repetido na sua fatorac¸a˜ o. pelo Teorema Fundamental da Aritm´etica. Assim. Embora nesse artigo Riemann n˜ao tenha conse- guido seu objetivo. ao considerar todos os n´umeros primos (r → ∞). Euler obteve o seguinte produto: r 1 1 ∏ 1 − 1/px = ∑  x . .k2 . conjecturado por Gauss e Legendre. p∈P n=1 ou seja. em seu artigo.. i=1 i k1 . onde P e´ o conjunto dos n´umeros primos. km . .143): ∞ µ(m) R(N) = ∑ Li(N 1/m ). 2001.

Seja a s´erie de potˆencias definida para todo n´umero complexo z ∞ f (z) = ∑ = zn = 1 + z + z2 + z3 + z4 + · · · n=0 A s´erie e´ convergente para todo n´umero complexo pertencente ao conjunto D = {z ∈ C : |z| < 1}. Riemann. SANTOS. uma nova maneira de investigar a func¸a˜ o ζ (x).0022 %. consegue. ao estudar o comportamento da func¸a˜ o zeta definida para todo n´umero com- plexo z . 2008. Li(N) e R(N) Para a quantidade de n´umeros primos at´e 1020 . o erro apresentado pela equac¸a˜ o de Riemann e´ de 0. O processo para chegar e essa equac¸a˜ o funcional est´a al´em do escopo deste trabalho. no entanto. como mostra a Tabela 5 (RIBENBOIM. atrav´es de um mecanismo conhecido hoje como extens˜ao anal´ıtica. enquanto o erro dado pela equac¸a˜ o de Li(N) e´ de 1 %. 2007). 2001. um exemplo de como e´ feita a extens˜ao anal´ıtica de func¸o˜ es. usando as descobertas feitas durante seu anos de estudos em Berlim. p. Mesmo assim. teve seu in´ıcio na e´ poca de Euler (DEVLIN. Essa ideia de inserir n´umeros complexos em func¸o˜ es reais. ambas ainda apresentam erros. definir uma equac¸a˜ o funcional de ζ (z) para todo o n´umeros complexo z 6= 1(SAUTOY.152) N π(N) [Li(N)] − π(N) [R(N)] − π(N) 108 5 761 455 754 97 109 50 847 534 1 701 -79 1010 455 052 511 3 104 -1828 1011 4 118 054 813 11 588 -2318 1012 37 607 912 018 38 263 -1476 1013 346 065 536 839 108 971 -5773 1014 3 204 941 750 802 314 890 -19 200 1015 29 844 570 422 669 1 052 619 73 218 1016 279 238 341 033 925 3 214 632 327 052 1017 2 623 557 157 654 233 7 956 589 -598 255 1018 24 739 954 287 740 860 21 949 555 -3 501 366 1019 234 057 667 276 344 607 99 877 775 23 884 333 1020 2 220 819 602 560 918 840 222 744 643 -4 891 825 Tabela 5: Comparativo entre π(N). definindo uma func¸a˜ o real de vari´avel complexa. com z 6= 1. 2009). Segue. nesse artigo. . ao definir essa func¸a˜ o para todo n´umero complexo z = a + bi em que a e b s˜ao n´umeros reais e √ i = −1. 42 Essa nova aproximac¸a˜ o apresenta uma diferenc¸a ainda menor da verdadeira quantidade de n´umeros primos. Riemann trouxe tamb´em.

ou para um n´umero complexo. Riemann define a func¸a˜ o zeta. conhecida a partir de ent˜ao como func¸a˜ o zeta de Riemann (SANTOS. (3) n=1 em que Re(z) e´ a parte real de um n´umero complexo z. 2001). 2009. 1999. 2009.4): ∞ 1 ζ (z) = ∑ nz para Re(z) > 1. p. p. A func¸a˜ o zeta definida para um n´umero real..40):  πz  ζ (z) = 2(2π)z−1 ζ (1 − z)Γ(1 − z)sen . Seja g(z) a func¸a˜ o dada por: 1 g(z) = 1−z em que g(z) e´ definida para todo n´umero complexo pertencente ao conjunto E = {z ∈ C : z 6= 1}. RI- BENBOIM. Ent˜ao g(z) e´ uma extens˜ao de f (z). embora uma func¸a˜ o possa ter muitas extens˜oes diferentes. Nesse exemplo cl´assico de extens˜ao anal´ıtica. e´ uma extens˜ao anal´ıtica de f (z) para todo n´umero complexo z pertencente a` E − D (AVILA. “Isto e´ importante pois. Atrav´es dessa equac¸a˜ o funcional e´ poss´ıvel analisar os resultados da func¸a˜ o zeta para valores que antes n˜ao eram poss´ıveis pela func¸a˜ o dada pela equac¸a˜ o (3) (SANTOS. . com a seguinte equac¸a˜ o funcional (AGUILERA-NARRAVO et al.179). 2013. 1−z Tem-se que f (z) e g(z) coincidem na intersec¸a˜ o entre D e E. 2013). e´ um exemplo de s´erie cuja soma n˜ao e´ conhecida facilmente. pois essa s´erie tem a soma determinada de maneira simples. essa extens˜ao e´ u´ nica quando preserva a analiticidade [. 43 definindo ent˜ao uma func¸a˜ o anal´ıtica no disco |z| < 1. p. Neste caso ∞ 1 f (z) = ∑ = zn = 1 + z + z2 + z3 + z4 + · · · = 1 − z em D n=0 e 1 g(z) = em E. Mais do que isso. No seu artigo de oito p´aginas.]”(AVILA. o que n˜ao acontece em muitos casos. no disco de convergˆencia |z| < 1. 2 em que Γ(1 − z) e´ a func¸a˜ o gama calculada para o n´umero complexo 1 − z.. a extens˜ao anal´ıtica de f (z) e´ facilmente feita.. Riemann tamb´em encontra uma extens˜ao anal´ıtica para a func¸a˜ o zeta ζ (z) para todo n´umero complexo z 6= 1.

2008): “todos os zeros n˜ao triviais de ζ (z) tˆem a forma z = 1/2 + bi. mas pela func¸a˜ o definida pela equac¸a˜ o (3) isso n˜ao acontece. 2008). Em termos geom´etricos. ou seja.. Riemann mostrou ainda que a func¸a˜ o ζ (z) tem infinitos zeros complexos diferentes dos zeros triviais e fez a seguinte conjectura (DEVLIN.. est˜ao sobre a linha cr´ıtica (DEVLIN. = 0 e esses s˜ao chamados de zeros triviais. Pode-se pensar que ζ (z) = 0 para todo n´umero par e positivo. Tal afirmac¸a˜ o continua sem ser provada at´e hoje e vale um milh˜ao de d´olares para quem demonstr´a-la(DEVLIN. com b real” e essa e´ a Hip´otese de Riemann. como mostra a representac¸a˜ o gr´afica Figura 8: Figura 8: Linha cr´ıtica de Riemann Os primeiros 1. tal que ζ (z) = 0. ζ (−2) = ζ (−4) = ζ (−6) = . Por curiosidade. ζ (z) = 0 para todo n´umero inteiro par e negativo. Riemann conjectura tamb´em que todos os zeros n˜ao triviais da func¸a˜ o ζ (z) est˜ao sobre uma regi˜ao denominada faixa cr´ıtica dada por 0 < Re(z) < 1. 2008). 44 Analisando os zeros da func¸a˜ o zeta. Com isso. a Hip´otese de Riemann diz que todos os zeros n˜ao triviais da func¸a˜ o zeta est˜ao localizados na reta em que Re(z) = 1/2. calculados com o uso de computador.5 trilh˜oes de zeros n˜ao triviais da func¸a˜ o ζ (z). Jacques Hadamard foi a primeiro a provar a veracidade dessa afirmac¸a˜ o. Riemann descobre uma estreita ligac¸a˜ o entre os resultados dessa equac¸a˜ o e a func¸a˜ o densidade dos n´umeros primos Dn .. conhecida como linha cr´ıtica. a Tabela 6 apresenta . em 1893.. = ζ (−2n) = .

022040 . . 12 56. 15 65. . . 30 101. . . 20 77. . . . . 23 84. . . 704691 . . 6 37. 3 25. . 9 48. primeiros no sentido de estarem mais pr´oximo do eixo real. . . . 337375 . . 831779 . . 809111 . . 14 60. . 28 95. . 425275 . . . 005151 . 831194 . 910381 . . . . . 8 43. . . . . . 2 21. 21 79. Assim (RIBENBOIM. . . . Seja ρn o n-´esimo zero n˜ao trivial da func¸a˜ o ζ (z). 327073 . 26 92. 2 n tn n tn n tn 1 14. 735493 . 29 98. 19 75. . 870634 . . . 18 72. 317851 . . . 5 32. 651344 . . 446248 . 2001): 1 ρn = + itn . . . 491899 . 586178 . . 918719 . 773832 . 079811 . 010858 . 347044 . 067158 . 25 88. 17 69. . 10 49. 424876 . . 24 87. . 112544 . . . 13 59. . 27 94. . 134725 . 970321 . 144840 . 7 40. . . tn > 0. Tabela 6: Primeiros 30 zeros n˜ao triviais da func¸a˜ o ζ (z) . 11 52. . 45 os primeiros 30 zeros n˜ao triviais da func¸a˜ o ζ (z). . 22 82. . 546402 . 935062 . 4 30. . . . . 16 67.

Acredita-se que os erros ser˜ao eliminados ap´os o conhecimento das regi˜oes sem ze- ros da func¸a˜ o ζ (z). constru´ıdo de duas maneiras diferentes. como mostra a Tabela 5. A func¸a˜ o de Riemann R(N) e´ representada por um gr´afico liso. encontra a func¸a˜ o R(N) j´a relatada e dada pela Equac¸a˜ o (2) determinando uma grande melhoria. Riemann encontra n˜ao somente uma maneira de prever quantos primos existem entre os n´umeros de 1 at´e N. o aspecto cont´ınuo do gr´afico da func¸a˜ o de Riemann e´ perdido e tende a ficar semelhante ao gr´afico da func¸a˜ o π(x). Por outro lado. como relatado em (SAUTOY. Riemann percebeu que se fosse acrescido todos os zeros. e descobre o padr˜ao nos n´umeros primos. . A genialidade de Riemann revelara que esses elementos eram os dois lados da mesma equac¸a˜ o. far´a no gr´afico uma nova ondulac¸a˜ o. e inseridos esses resultados na func¸a˜ o de Riemann. Ao fazer essa an´alise. gerando assim melhores estimativas de func¸o˜ es ligadas a` distribuic¸a˜ o dos n´umeros primos. Essa paisagem vista por ele e´ criada ao inserir n´umeros imagin´arios na vari´avel da func¸a˜ o ζ (z) e descobre-se uma ligac¸a˜ o entre os pontos em que a func¸a˜ o ζ (z) = 0 e os n´umeros que foram objetos iniciais estudados atrav´es da Equac¸a˜ o (1) de Euler. 2001). 46 Riemann consegue. por´em esse func¸a˜ o ainda cont´em erros.99): Se esses dois elementos. os n´umeros primos. que s´o poderia ser representada na quarta dimens˜ao. A Figura 3 representa o gr´afico que conta os n´umeros de primos π(N). geravam a mesma paisagem. 2007. o conhecimento dos zeros da func¸a˜ o zeta sobre a linha cr´ıtica conduz a melhores estimativas do termo erro (RIBENBOIM. com isso o erro apresentado no refinamento de sua func¸a˜ o e´ extinto. e fez isso usando os zeros n˜ao triviais da func¸a˜ o zeta. usando os zeros n˜ao triviais da func¸a˜ o ζ (z). os n´umeros primos e os zeros. Ele percebe uma maneira exata para determinar a quantidade de n´umeros primos at´e N. Riemann sabia que deveria haver alguma conex˜ao entre eles. A Figura 9 apresenta essas duas func¸o˜ es: O desafio de Riemann foi em passar de um gr´afico cont´ınuo para uma func¸a˜ o escalo- nada. quando busca por diminuir a diferenc¸a entre Li(N) de Gauss e a verdadeira quantidade de n´umeros primos. Riemann. atrav´es de uma an´alise intuitiva da paisagem geom´etrica. como apresentado pela Figura 10: A descoberta de cada novo zero da func¸a˜ o zeta. ou seja. o gr´afico de R(x) ter´a exatamente o mesmo aspecto de π(x). Era o mesmo objeto. Com o conhecimento dos primeiros 30 zeros de ζ usados na func¸a˜ o R(x). p. como feito por Gauss. perceber que esses zeros n˜ao triviais e os n´umeros primos tem uma ligac¸a˜ o.

47 Figura 9: π(x) e R(x) Figura 10: Inserc¸a˜ o dos primeiros 30 zeros na func¸a˜ o R(x) .

Assim. livros e artigos que falassem a respeito do problema. Algo amplamente divulgado recentemente. O m´etodo usado foi a busca de textos. ao questionar um grupo de professores da Educac¸a˜ o b´asica sobre a existˆencia desses problemas. para que a explanac¸a˜ o n˜ao fosse muito densa nem muito resumida. no qual pudessem ser usados como referˆencia na elaborac¸a˜ o deste estudo. em especial a Hip´otese de Riemann. poder˜ao. tornando os conceitos que envolvem esse problema acess´ıveis a professores de Ma- tem´atica da Educac¸a˜ o B´asica. Sabe- se que a disciplina de Matem´atica faz a divulgac¸a˜ o dessa ciˆencia atrav´es do curr´ıculo escolar. A divulgac¸a˜ o da Matem´atica e´ um ponto interessante para despertar o interesse de estudantes desde cedo. e o ponto chave desse trabalho. ou mesmo verificar os temas abordados em momentos de formac¸a˜ o continuada. mesmo que de maneira sucinta. relatar . e outras de maneira acadˆemica. Tamb´em e´ anunciado a soluc¸a˜ o de algum problema importante. foi fazer com que essas duas abordagens pudessem ser aproveitadas. nenhum texto que trate desses temas e´ encontrado. foi a premiac¸a˜ o de um brasileiro com a medalha Fields. foi proposto por este trabalho fazer um relato sobre os pro- blemas da Matem´atica. tamb´em n˜ao resolvido. entretanto. escrito tamb´em por um professor da Educac¸a˜ o B´asica. Parte das referˆencias encontradas tratavam o problema de maneira bem superficial. 48 5 ˜ CONCLUSAO De tempos em tempos. quando professores conhecerem um pouco a respeito de problemas que de certa forma movem as pesquisas nos dias atuais. e que se tornasse acess´ıvel a um professor da Educac¸a˜ o b´asica. resolvidos ou n˜ao. afim de contribuir na construc¸a˜ o de um texto que divulgasse a Matem´atica por tr´as desse problema. Diante do apresentado. para que possam divulgar as ideias nas suas classes quando forem trabalhar alguns conte´udos relacionados. A maior dificuldade sentida. por isso e´ necess´ario que isso seja feito na Educac¸a˜ o B´asica. por´em todos os conte´udos trabalhados nesse n´ıvel de ensino foram constru´ıdos a alguns s´eculos atr´as. s˜ao repercutidos fatos de grande relevˆancia para Matem´atica nos mais diversos meios de comunicac¸a˜ o.

foi necess´ario delimitar em um u´ nico problema. Fica como sugest˜ao para quem quiser se aventurar por esse tema de divulgar a Matem´atica fazer o mesmo com esses e com outros problemas da Matem´atica atual. o prˆemio para quem solucionar esse problema. e´ um incentivo a mais. 49 aos estudantes temas da Matem´atica atual. Al´em disso. pelo tema ser extenso. a Hip´otese de Riemann. A ideia inicial desse trabalho era fazer a divulgac¸a˜ o de todos os Sete Problemas do Milˆenio. mas que pouco se sabe a respeito deles na Educac¸a˜ o B´asica. que s˜ao t˜ao interessantes quanto a Hip´otese de Riemann. . mas.

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