You are on page 1of 1

As cavernas, ao longo da trajetória da evolução humana, foram tidas como espaços de

função importante nas relações que o homem criara com a natureza. Nelas abrigavam-
se, relacionavam-se, imprimiam seus traços culturais etc. Por outro lado, as cavernas, no
imaginário humano, sempre estiveram alocadas em uma concepção mística ou
filosófica, ou seja, por serem espaços sombrios, isolados e misteriosos, tais espaços logo
foram associados à forma do homem compreender o mundo. Em outras palavras, os
deuses e heróis, por exemplo, tinham uma ligação com os locais cavernosos, em geral,
era onde nasciam.

As referências às cavernas são plurais. A filosofia, como já mencionado, também
debruça-se sobre este lugar. Platão é um dentre tantos que fazem referência às cavernas
– em sua Alegoria da caverna, encontra-se a referência mais antiga. A religião também
tem sua contribuição no que diz respeito ao legado sobre a visão que as cavidades
rochosas possuíam – as imagens deixadas nas cavernas indicam uma relação que as põe
como espaço central nos cultos à diferentes divindades. A Bíblia traça uma imagem das
cavernas como espaço de refúgio, desespero, súplica, vingança, entre outros. Na
literatura, é comum encontrar referências a tesouros escondidos.

Ao longo do tempo, a relação dos homens com as cavernas foi sendo alterada. Apesar
da ainda residência de pessoas em tais espaços, as cavernas são muito mais conhecidas,
atualmente, por seu aspecto histórico e os legados que abrigam em seu interior.

O termo espeleologia nasceu a partir da compreensão acerca de diferentes atividades
empreendidas nas cavernas. A despontar desta área de estudos deu-se na França, nos
anos finais do século XIX, com Édouard-Alfred Martel. À Martel importava entender
acerca dos processos de formação dos ambientes cavernícolas, assim, o objetivo era
criar uma disciplina científica que fosse capaz de cumprir tal tarefa. Portanto, a
espeleologia é a ciência que estuda as cavidades naturais e os fenômenos cársticos.

As atividades realizadas em cavernas, atualmente, apontam para uma quebra no
imaginário negativo sobre as cavernas, revelando novas relações entre o homem, seu
corpo, sua mente e a natureza.