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PROCEDIMENTO ARBITRAL

O procedimento arbitral é determinado pelas partes na convenção de
arbitragem, caso não o façam a lei presume a delegação de tal mister aos árbitros,
conforme art. 21, da Lei de Arbitragem (LA) - Lei 9.307/96, respeitados os limites
impostos pelos princípios impositivos.
A ata de missão, ou aditivo à convenção de arbitragem é uma faculdade do
árbitro de esclarecer algum dispositivo da convenção, não invibializando-a.
Os princípios impositivos devem ser observados, pois decorrentes da
Constituição consubstanciam garantia mínima aos litigantes em qualquer espécie de
processo (art. 5º, LV, CF/88). O art. 21, §2º, LA impõe: contraditório, igualdade (de
oportunidades) das partes, imparcialidade do árbitro (art. 14, §1.º, LA e livre
convencimento (através da produção de provas pertinentes, sejam ou não os meios
previstos no CPC e inversão do ônus da prova).
Logo no início do procedimento é obrigatória a tentativa de conciliação das
partes (art. 21, §4.º) dividindo-se a doutrina quanto a sua ausência em nulidade ou
mera irregularidade. Já a representação por advogado, ou preposto é facultativa (art.
21, §3.º) tendo em vista a informalidade e ausência de atos judiciais.
A arbitragem é instituída quando aceita a incumbência pelo árbitro ou
comissão arbitral (art. 19), a partir do qual estabelece-se o termo inicial para
emissão da sentença arbitral, 6 meses em caso de ausência de previsão
convencionada. A lei é omissa quanto à contagem da prescrição, devendo-se aplicar
a analogia para suprir a lacuna, para Scavone a interrupção “se dará com a
aceitação da árbitro que terá efeito retroativo a data da provocação”, ou seja, do
protocolo de convocação do árbitro.
Exceção de impedimento, suspeição ou arguição de nulidade devem ser
feitas na primeira oportunidade (art. 20).
Se durante o procedimento arbitral houver necessidade de alguma
providência cautelar, a parte interessada requer ao árbitro que, por sua vez, defere
ou não o pedido. Deferido o pedido, o árbitro requisita, ao juiz togado competente
para julgar a ação, caso não houvesse arbitragem, o seu cumprimento. (art. 22, §4.º,
LA).
Esclarece Scavone (2014) que:
Se a necessidade de medida cautelar não se apresenta de forma incidental
– no curso do procedimento arbitral já instalado – mas antes da instalação

poderá ser adotado o procedimento do órgão árbitral ou qualquer outra forma. . 806 do CPC. se não existir convenção prévia. REFERÊNCIA SCAVONE Jr. O procedimento adotado para as medidas cautelares é também aplicado a antecipação de tutela. principalmente. a comunicação ao árbitro ou à entidade arbitral e notificação da parte contrária. nada obsta que a parte solicite ao juiz togado. desde que haja a comprovação do recebimento.Mediação e Conciliação. declinando que no prazo de trinta dias do art. É possível a formulação de pedido contraposto na mesma peça processual utilizada para a defesa.. ou seja. tomará as medidas necessárias para instalação da arbitragem como. pois na arbitragem. será válida a sentença proferida. por exemplo. 5ª edição. judicialmente. a revelia significa tanto a completa ausência das partes como a ausência em qualquer ato processual. Luiz Antonio. instituída a arbitragem. 2014. mesmo sem a participação do demandado no caso de cláusula arbitral cheia ou compromisso arbitral. A previsão de revelia na Lei de Arbitragem tem conotação diversa do CPC. esclarecendo a necessidade (periculum in mora) e.Forense. da arbitragem – cautelar preparatória –. a existência de convenção de arbitragem. Manual de Arbitragem . Quanto à comunicação dos atos processuais as partes.

se não houver regra a respeito. equidistância das partes. nas arbitragem realizadas no Brasil restringiria o interesse por foro neutro em arbitragem estrangeiras. 229). bem como o que seja justo segundo o bom senso no momento em que surgiu a disputa. CARMONA (2012. ou envolver mais de uma língua. A escolha do árbitro presidente. problema encontrado quando os árbitros são indicados pelas partes. completar o negócio jurídico que encontra- se incompleto.” (HUNTER citado por CARMONA. aceito o encargo. institui-se a arbitragem. é comum ser ocupado por pessoas com formação jurídica. caso haja impasse. 13. Tal precisão na linguagem é necessária em virtude de desempenharem funções e atividades diferentes. não decidindo controvérsia e compositor amigável. será feita por eleição. árbitro investido com poderes de julgar por equidade. aquele que soluciona uma controvérsia que envolva direito disponível. 228) ao comentar tal artigo faz distinção entre árbitro. ao decidir “procurará refletir as expectativas das partes à época em que contrataram. .307/96 – Lei de Arbitragem (LA) cuida da designação de um ou mais árbitros para a solução da controvérsia. os árbitros escolhem o terceiro a desempatar. competência. O cargo importa em decisões a serem tomadas sozinho como a concessão de prazos. Os árbitros devem ter qualidades como: imparcialidade. ou havendo impasse a lei determina que o mais idoso exercerá a função. quanto ao último a arbitragem poderá ocorrer em língua estrangeira. ou seja. audiências. é objetiva. A função exige capacidade civil. já com o árbitro busca-se uma decisão com os mesmo requisitos e atributos daquela proferida pelo Estado. Havendo designação em número par. O número de árbitros deverá ser ímpar. mas sim. A lei não veda árbitro analfabeto e estrangeiro que não conhece o idioma nacional. da Lei 9. com o arbitrador não se almeja a substituição da jurisdição estatal pela privada. nomeação de peritos etc. p. p. o juiz de direito intervirá nomeando o último. ademais. Na prática. podendo os litigantes escolherem entre árbitro único ou colégio arbitral. de caráter econômico ou financeiro. DOS ÁRBITROS O art. A exigência de utilização do “vernáculo nacional”. assim estão excluídos os relativamente e absolutamente incapazes. arbitrador indicado para colaborar na formação de um negócio jurídico. independência.

3. 2009. de não revelar os atos e fatos ligados à arbitragem. São Paulo: Atlas. com empenho na busca das provas. isto é.. Arbitragem e processo: um comentário à Lei nº 9.. REFERÊNCIA CARMONA. rev. Carlos Alberto. com interesse pela causa. . com zelo na decisão e discrição na condução do procedimento arbitral.307/96. diligência. com esforço na busca da verdade. e ampl.competente. que tenha conhecimento. ou seja. ed. aptidão e capacidade que o habilitem a dirimir a controvérsia que lhe será submetida. atual. de sorte que façam constar no compromisso arbitral obrigação de não fazer. as partes podem exigir dele verdadeiro segredo. isto é.

aplica-se o termo legal de seis meses. também aquela arbitral deve apresentar-se estruturada em relatório. como formar de ressalvar sua postura profissional. por maioria. dispositivo e local e data. A decisão deverá ser proferida na forma escrita. Tal qual a sentença estatal. As atividades inerentes a arbitragem findam com a intimação das partes da decisão proferida. 32) da sentença os quais devem ser manejados no prazo de 90 dias (art. §1. no mesmo prazo do CPC – 5 dias. Não sendo manejados embargos de declaração (art. assim como no processo judicial. do juiz togado não se poderá exigir a execução de títulos nebulosos e esdrúxulos. fundamentação. homologar acordo entre as partes a qual terá os mesmos efeitos da sentença arbitral (art. cessando os poderes que as partes lhe conferiram. (art. O árbitro pode. não necessita ser unanime. que passa a fluir a partir do instante em que é instituída a arbitragem. SENTENÇA ARBITRAL A sentença arbitral. A sentença arbitral tem os mesmos efeitos daquela emanada do Poder Judiciário (art. o árbitro vencido pode declarar seu voto. 24). permitindo aferir integralmente o trabalho dos árbitros na causa. deixando clara a equiparação de efeitos entre sentença estatal e sentença arbitral. LA.º. 30). sendo interrompido o prazo em questão se algum dos árbitros tornar-se impedido de prosseguir em sua função. Nada tendo sido estipulado na convenção arbitral a respeito do prazo para sentenciar. é o ato através do qual o julgador põe fim ao processo. A mudança de terminologia de laudo para sentença foi ocasionada por dois motivos: reconhecimento da natureza jurisdicional da arbitragem e político. caso convencionado. LA). de fortalecer o resultado prático da atividade arbitral. 33. por ser atividade sigilosa. a lei também previu causas de nulidade e anulabilidade (art. não há publicação da sentença arbitral. . sem acordo qualitativo o presidente do tribunal tem voto de minerva. limitando-se o julgador a informar as partes acerca do resultado do processo. art. 28). está terminada a função do árbitro. pois caso seja necessária a execução. 31). 23.