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Sobre A Nação Jeje

Os deuses africanos vieram para esse continente através dos negros escravos, que aqui chegando
estabeleceram uma grande legião de seguidores, da cultura e religião Afro. A internet por ser um
veículo de grande penetração e informação, tem ajudado a divulgar e esclarecer os verdadeiros
objetivos e dogmas do Candomblé, até então mal compreendidos e interpretados. Com isso, novos
adeptos de todas as camadas sociais vem sendo atraídos a esse maravilhoso mundo dos deuses
africanos. O Candomblé é uma religião brasileira, oficialmente reconhecida, que presta culto aos
deuses que nos legaram os africanos que para aqui vieram no séc. XVI. É o termo genérico que
define o coletivo de nações (tribos) africanas, no Brasil. Em nosso país, essas nações foram
denominadas como; Jeje, Ketu, Angola, Nagôs, Xambá, Igexá, etc. Apesar de ser divididos em
diversas nações, o Candomblé mantém uma unidade no âmago de sua originalidade, que acredito
ser da época pré-histórica. A finalidade dessa home page é dar uma parcela de contribuição para o
melhor conhecimento da cultura dos povos africanos que deram origem ao culto dos Voduns no
Brasil, colocando para os leitores e pesquisadores o resultados das minhas pesquisas investigativas
para achar minhas raízes, histórias e tradições no Brasil e na África. Graças a Deus e aos deuses,
tive oportunidade de entrar em contato com algumas pessoas do Benin e EUA que se tornaram meus
amigos e têm me ajudado muito nesse trabalho enviando-me material de pesquisas e respondendo as
minhas indagações. Também no Brasil, encontrei pessoas de conhecimento e boa vontade, que
deram sua contribuição. Penso que é chegada à hora do povo Jeje se unir e começar a SOMAR. A
divisão quase extinguiu nossa nação. Vamos aprender juntos a lindíssima cultura dos Voduns.
Agradeço a todos que de alguma forma me forneceram subsídios para que essa home page se
tornasse uma realidade. Peço que me auxiliem enviando suas críticas e sugestões através de um e-
mail ou assinando meu bookmark.
O Jeje Na África
A história do desenvolvimento do império crescente do Dahomey é indispensável para
compreendermos os Voduns, precisamente a quebra e a migração do Ewe/Fon. Alguns estudiosos da
cultura africana achavam que todos os Voduns cultuados em Dahomey eram deuses originários dos
yorubanos. Um equívoco! Trata-se simplesmente de uma troca de atributos culturais de cada região.
Em todas as regiões, os deuses africanos são louvados, sejam ancestrais ou vindos de outras regiões,
mas preferencialmente cada região cultua seus próprios deuses, os ancestrais. Os deuses
estrangeiros podem ser aceitos inteiramente nos santuários dos Voduns locais, embora permaneçam
sempre como estrangeiros. O mesmo tratamento é dado em terras yorubanas aos Voduns originários
de outras regiões. Dahomey, cuja capital era Abomey, foi o principal reino da história do atual
Benin. Seu poderio militar formado por bravos guerreiros e amazonas era temido por todos os
reinos vizinhos que foram sendo conquistados. O exército do rei era dividido em duas partes: o
regimento permanente e o regimento das coletas tribais (prisioneiro). Esses prisioneiros eram
treinados para serem guerreiros do rei e as mulheres, em especial, eram enviadas ao regimento das
amazonas onde aprendiam a lutar. Os prisioneiros que se negavam a aderir as causas do rei eram
sumariamente executados ou vendidos como escravos. Os chefes das tribos conquistadas ficavam
reservados para serem executados durante o festival anual de ancestrais, em memória dos reis
mortos. Suas cabeças eram decapitadas e seu sangue oferecido aos falecidos reis. Essa pratica
aconteceu do séc. XVI até o séc. XVII. O reino de Dahomey foi o maior exportador de escravos

para o nome mundo. Adja-Tado foi quem começou esse grande império de Dahomey. Primeiro
conquistou a cidade de Adja onde se tornou rei, casou e teve 3 filhos. Quando seus filhos já eram
guerreiros, Adja-Tado foi a Allada junto com eles e estabeleceu o reino de Allada. Seus filhos se
dividiram e estabeleceram reinos separados e tornaram-se reis. O primogênito Zozergbe foi rei de
Porto Novo, o segundo filho foi sucessor de Adja-Tado no trono de Allada e o terceiro filho, Aklim
fundou o que mais tarde seria o principal reino da região. Aklin foi para Ghana e Bahicon (agora
Benin, sul-central), com seu exército, e estabeleceu uma outra dinastia, a cidade de Abomey, que foi
a capital do império militar, conhecida como Dahomey. Dahomey foi governada por um total de
treze reis divinizados, por quase dois séculos. Agassu, que era um dos líderes do império, dizia ser
filho de um leopardo com a princesa de Tado, Aligbonon. Ela teria sido encantada por esse leopardo
originando o nascimento de Agassou. Agassou teve três filhos e deu início a uma linhagem de
homens leopardo
O Jeje No Brasil
Djedje (jeje) é uma palavra de origem yoruba que significa estrangeiro, forasteiro e estranho; que
recebeu uma conotação pejorativa como "inimigo", por parte dos povos conquistados pelos reis de
Dahomey e seu exército. Quando os conquistadores eram avistados pelos nativos de uma aldeia,
muitos gritavam dando o alarme "Pou okan, djedje hum wa!" (olhem, os jejes estão chegando!).
Quando os primeiros daomeanos chegaram ao Brasil como escravos, aqueles que já estavam aqui
reconheceram o inimigo e gritaram "Pou okan, djedje hum wa!"; e assim ficou conhecido o culto
dos Voduns no Brasil "nação Jeje". Dentre os daomeanos escravizados, uma mulher chamada
Ludovina Pessoa, natural da cidade Mahi (marri), foi escolhida pelos Voduns para fundar três
templos na Bahia. Ela fundou: um templo para Dan; "Ceja Hundê", mais conhecido como o
"terreiro do Ventura" ou "Axé Pó Zehen" (pó zerrêm) em Cachoeira de São Felix; um templo para
Hevioso "Zoogodo Bogun Male Hundô" em Salvador e um templo para Ajunsun que não se sabe
porque não foi fundado. Esse é o segmento jeje-mahi do povo Fon. O templo de Ajunsun/Sakpata
foi fundado mais tarde pela africana Gaiacu Satu, em Cachoeira de São Felix e recebeu o nome de
Axé Pó Egi, mais conhecido por Corcunda de Ayá. São os Jejes Savalu ou Savaluno. Sakpata era rei
da cidade Savalu/África, segundo alguns historiadores, Sakpata foi o único rei que preferiu o exílio
a se render aos conquistadores de Dahomey. O dialeto dos savalus também é o Fon. No Maranhão
encontramos a Casa das Minas fundada por Maria Jesuína, segundo informação de Sergio Ferreti.
Creio que esta casa dispensa comentários, pois é com certeza a mais conhecida casa de jeje do
Brasil. Esse é o segmento do povo Jeje-Mina.
Ainda no Maranhão encontramos a casa Fanti-Ashanti fundada por Euclides Menezes Ferreira. Esse
é o segmento jeje-Fanti-Ashanti do povo Akan vindo de Ghana.
No Rio de Janeiro, foi fundado pela africana Gaiaku Rosena, natural de Allada, o "Terreiro do Pó
Dabá" no bairro da Saúde, que foi herdado por sua filha Adelaide do Espírito Santo, mais conhecida
como Mejitó que transferiu a casa de santo para o bairro Coelho da Rocha. Depois veio
Antonio.Pinto de Oliveira. "Tata Fomutinho" que fundou o Ceja Nassó, no bairro de Santo Cristo,
depois mudou-se para Madureira na Estrada do Portela, depois para São João de Meriti onde
finalmente se estabeleceu na Rua Paraíba. Dizem os mais velhos, que Mejitó, ajudou muito Tata
Fomutinho no começo de sua vida de santo aqui no Rio de Janeiro. Tata Fomutinho deixou uma
legião de filhos, netos e bisnetos. Dentre esses, meu pai Jorge de Yemanja que fundou o Kwe Ceja

Tessi, Pai Zezinho da Boa Viagem que fundou o Terreiro de Nossa Senhora dos Navegantes, Tia
Belinha que fundou a Colina de Oxosse e Amaro de Xangô que é aquele tio que está sempre
disposto a nos atender e nos ajudar com suas memórias e conhecimentos.
Vodum
Vodou - Vodoun - Vodum - Voodoo - Voudun - Vodu - Vudu - Hoodoo - etc. A palavra vodou é de
origem Ewe/Fon e significa força divina, espírito, força espiritual. É usada pelo povo do oeste da
África para designar os deuses e ancestrais divinizados. No século XVIII o rei Agajá consolidou as
crenças de vários clãs e aldeias, formando um "sistema espiritual dos Voduns". Isso gerou uma
enorme variação do termo, devido a quantidade de dialetos usados por esses clãs e aldeias, que
somado a influência francesa, passaram a falar como entendiam. Essa diversificação fonética dá-se
também por conta dos idiomas de pesquisadores que "invadiram" a África, em busca de
conhecimento sobre o Vodou. No Brasil, por exemplo, usamos o fonema Vodum.
A palavra Hoodoo não é uma variante de Vodou. O Hoodoo é uma sociedade haitiana similar as que
existem no Benin (Sociedade do Bo) e Ghana (Sociedade Jou-Jou), onde pessoas são preparadas
para ler oráculos e fazer fórmulas mágicas usando elementos da flora, da fauna e do mineral. Como
sou brasileira usarei daqui por diante o termo "Vodum". Quando foi estabelecido o grande reino de
Dahomey, lá não existia o culto de Voduns. Nessa época, o atual rei sentia a necessidade de uma
assistência espiritual que o ajudasse a combater os problemas que o atormentava. Mandou chamar
um bokono (adivinho) e pediu que esse consultasse os oráculos.
A conselho dos oráculos mandou vir de diversas regiões os Voduns e construiu seus templos. Com
isso Dahomey passou a sitiar diversos clãs e aldeias de Voduns. Anos mais tarde, o rei Agajá fez a
consolidação, como já foi dito. No período da escravidão, muitos daomeanos foram levados para o
novo mundo e com eles a cultura e o culto dos Voduns. Os Voduns cultuados no Brasil são
originário da África, sua práticas e tradições se mantiveram intacta como era no Dahomey (atual
Benin) desde o começo dos tempos.
A nação Jeje sofreu por alguns anos uma queda em seus cultos, devido a falta de informações. Os
mais antigos preferiram levar para o túmulo seus conhecimentos a passá-los aos que poderiam
perpetuar os Voduns no Brasil. Dos filhos de Jeje que ficaram perdidos, sem conhecimento sobre
Voduns, uns mudaram de nação e outros resolveram investigar, buscar, pesquisar suas origens e
levantar a bandeira da nação. Hoje, graças a essas pessoas, a nação Jeje voltou a crescer e a seguir a
cultura que foi deixada pelos escravos. Hoje, encontramos kwes e pessoas que realmente sabem o
Culto dos Voduns, esses aprenderam na "própria carne" a passar seus conhecimentos e não deixar
que nossa nação venha a sofrer novos abalos ou quedas.
Com a proliferação de estudos e pesquisas sobre os Voduns, alguns dos mais velhos que ainda estão
vivos resolveram colaborar e nos passar alguns conhecimentos. A primeira coisa que os adeptos do
Jeje devem aprender é a diferença entre Voduns e Orixás, (esse assunto vocês encontram no tópico
Jeje África). Vodum é Vodum, Orixá é Orixá; Oya não é Vodum Jô. Aziri não é Oxum, Naetê não é
Yemanja, etc. Assim como na África, também fazemos Orixás dentro dos templos de Vodum, mas
isso não os transforma em Voduns, eles são considerados deuses estrangeiros, aceitos em nossos
templos. Esses Orixás são tão respeitados e venerados quanto os Voduns.

Em minhas pesquisas encontrei mais de 450 Voduns. . que tinham desaparecido devido a falta de informações. os Voduns são interligados entre si com comportamentos. A sociedade organiza-se em sibs. Na África esse Vodum é conhecido como DA. filhos da nação Jeje. DAN YEWA FA TOGUN TOHOSSOU NOHÊ AIKUNGUMAN TOBOSSI SAKPATA VODUNS DA RIQUEZA HEVIOSO AVEJI DA NANÃ NAES DAS AGUAS OCEANICAS NAES DAS AGUAS DOCES EKU E AVUN Vodum Dan/Bessen Aido Wedo(aidô uêdô) e Dambala são para o povo Jeje os maiores deuses. alguns cultuados no Brasil outros não. somado as minhas pesquisas e estudos. assim como admitir em nossos templos esses Voduns encontrados. fazê-lo ou assentá-lo temos que cuidar sempre do casal. porém. grupos de irmãos que têm a mesma mãe e o mesmo pai. Os Voduns são agrupados por famílias. Aido Wedo é o arco-íris e Dambala a sua imagem refletida nas águas oceânicas. Savaluno. isto é. por exemplo. também encontramos Voduns feitos. O Brasil herdou vastos panteões de divindades que ficaram regionalizados de maneira que somente alguns Voduns tiveram domínio nacional A cultura dos Voduns é belíssima. seu parceiro esta sempre por perto". costumes. Esse diferença também é registrada na Nigéria. então. etc. dá-se por linha paterna. Yansã. Dambirá. Yansã são conhecida exatamente como Oya.Não existe discriminação nenhuma em relação aos dois deuses (Voduns/Orixás). O Dangbé é a serpente sagrada que representa o espírito de Vodum Dan. as casas de santo cultuam todas as famílias. o homem é casado com diversas mulheres. Já os Voduns em templos de Orixás mudam de nome. penso que todos nós. A coroa de Dan é chamada de Coroa de Dada.. Sakpata recebe o nome de Omolu. Vodum Dan/Bessen recebe o nome de Oxumarê. que se subdividem em linhagens. não é "coisa de brasileiro". a única diferença é que no Jeje. Para nós Oya. Como dizem os antigos "cobra não anda sozinha. gostos e atitudes sempre gerados pelo ancestre ou chefe de da casa. Hevioso. Em templos de Orixás. Dan tanto pode ser um Vodum masculino quanto pode ser um Vodum feminino. devemos procurar aprender cada dia mais. Davice.Termo pelo qual o Vodum Dan é louvado. Comprovem!. sem base territorial própria e subdividem-se em famílias. A sociedade daomeana é patrilinear e polígena. Afirmo que. No meu caso é o resultado de 30 anos vividos dentro do culto. Falar sobre os Voduns é uma tarefa de muita responsabilidade. porém para tratá-lo. Acredito que com esse resgate poderemos ampliar nossos cultos e voltar a reverenciar Voduns.. No Brasil. os maiores fundamentos de Voduns estão embutidos nessa cultura. não mudamos os nomes dos Orixás. Dada .

por vezes confundida. Eles fazem parte da criação do mundo. a . Vodum Dan é muito fiel a casa e a mãe/pai de santo que o fez. dá tudo aos seus filhos e a casa de santo. ou tecido liso com o arco-íris estampado. Em uma outra versão. o traken ou draka. serpentes. Ao se iniciar um filho de Dan. mas se tratado de maneira errada ou se for esquecido castiga severamente.masculino. prateado. Na forma de serpente torna-se muito perigoso. bo boy = Dans.Dambala também é conhecida como Daidah (daídar) . são importantissimas em seus assetamentos e atinsas. como Oxalá. Essa Vodum não pode ser feita em mais de duas pessoas num mesmo país. Conhecida no Brasil como Dan Inkó. encontramos Daidah como Lilith.A "Cobra-Mãe". Dan usa muitos brajás feitos de búzios. é ele junto com Vodum Fa. a primeira mulher de Adão. Alguns usam cores verde bem clarinho.esposa de Aido-Wedo. São muito dedicados ao santo e dificilmente saem da casa onde foram feitos. seu reflexo nas águas. Ojiku . Os símbolos de Dan. De modo geral os filhos de Dan são muito chegado a doenças. Dan-Ko . Dan é um Vodum muito exigente em seus preceitos. assim como deu a Yewa e a Legba. Os velhos vodunos contam que ela é originária da Palestina. Para nós. espertas e inteligentes. principalmente de olhos. Vestem branco em sua grande maioria. Nos arcos-íris da lua e do sol também encontramos Voduns Dan. podendo assim atender suas necessidades e suprí-las. o dahun . patokwe. Aido Wedo e Dambala são quem sustentam o mundo e quando eles se agitam provocam catástrofes como os terremotos.muito ligada e. na África encontramos muito mais que isso. pois entendemos que na forma humana ele é menos perigoso e entende melhor os homens. Vodum Aido Wedo é o verdadeiro deus da vidência. "perigosas".takara. preceitos são feitos para que esse Vodum venha sempre em forma humana e nunca em forma de serpente. mora junto com Yewa na parte branca do arco-íris e reina no . Essa família é muito grande.Deus do Arco-íris Dambala . a serpente pithon. Sua louvação principal é: A Hho bo boy = "Salve o rei cobra" ( Hho = rei. Aido Wedo . São pessoas vaidosas. No Brasil encontramos cerca de 48 Voduns Dans. pois vieram ajudar Nana Buluku nessa tarefa. Abaixo citarei alguns Voduns Dans. que é onde o arco-íris se encontra com a terra ("panela lendária do tesouro!"). Quando tratado corretamente. cobras). ambiciosas. Seus fios de conta variam de acordo com cada Vodum. e o ason (assôm). são: o arco-íris. não existe um modelo padrão. Seu principal atinsa (atinsá) dentro de uma casa de Santo é denominado Dan-gbi ..(encontramos várias formas de escrever o nome dele) . quem dá aos bakonos o poder do oráculo. As aighy (aigri). muito orgulhoso e teimoso.

considerado o pai de muitos Dans. também junto com Yewa. mora nas águas doce. Muito confundida com Oxum. silencioso e concentrado. ason (assôm) . mora nas enseadas. A primeira vista. 1 .pedras que representam o excremento de Dan e são deixadas por ele no chão. toqueno.ferramenta pequena que Dan tras nas mãos dahun . Mas a serpente de que se trata aqui é um espírito que habita o espaço e cujo deslocação determina os ciclones.masculino. Frekwen . parecendo um pequena espada. Dan apreende- se do princípio vital do qual depende os seres humanos para manterem-se vivos e a terra em equilíbrio. representado por uma serprente (python) ou um arco-íris. freqüentemente. Eles acreditam que a picada da python traz imunidade contra qualquer veneno Dan é.feminina. também conhecida como Vodum Bosa (bôssá).Dan no Benin . Bosuko . Muito alegre e faceira. à sua passagem. onde está seu templo até os dias de hoje.Ouidah O culto de Dangbé conheceu seu apogeu em Ouidah. feminina. mora no rio. Bosalabe . cabritos e frangos para a python. Um mito nos conta que os excrementos de Dan transformam os grãos de milho em búzios. faziam sacrifícios de bois. devido à escassez de animais para sacrifício. os adeptos arriscam-se caçando roedores Logo que um não adepto descobre uma Dangbé em sua casa. guardiã do arco-íris em volta do sol. gêmeo com Bosa Akotokwen . anualmente. irmã gêmea de Bosuko. Também conhecida como Frekenda.masculino.chocalho feito com uma cabaça e com as vertebras de cobra aigry (aigri) .conjunto de 3 tambores brancos paramentados com rafia lilás takara . até o templo. Muito confundida com Yewa. arco-íris da lua. alguns historiadores comentam tratar-se de ofiolatria. Ijykun . irmã de Yewa. Vocabulário traken ou draka . seus adeptos.arma que Dan tras nas mãos. previne o sacerdote Dangbénon ou a uma pessoa que conheça os costumes deste réptil.feminina. dizem que elas valem peso de ouro. Atualmente.toqüeno. com feitio próprio.masculino. Eles pegam a cobra como um fetiche em sua mãos ou ao redor do pescoço e levam-na. . Os Dadas. Afronotoy .

geralmente. E toda a rota dos escravos é demarcada por esculturas de pedra. transparente ao ar. Vodum Dan (Haiti) O Haiti pertenceu ao índios de Taino. Meus comentários: (Yatemi Jurema de Yansã) Alguns segmentos Jeje no Brasil. o patriarca dos dez mandamentos cristão. é amaldiçoado. silencioso. mesmo que só consigamos ver um. Muitas representações desta divindade incluem o . grande apreciador de bananas e óleo de palma. Para os haitianos. quem o afasta. Dan protege nomeadamente o Danson. realizado como um deus Afro-Taino. Conta-se que há dois arco-íris. Recebe estas oferendas na frente de um pequeno par de assentamentos que representam Dan macho e Dan fêmea Sua morada é o firmamento. A pessoa consagrada ao Dangbé é um Dangbési.Para escapar de Dan. vestígios de sua estada remota. Danbala é sincretizada com St. E também os Voduns reais como Dâguessou. conduzem-no por uma força invisível ao local onde é chamado o rabo do arco-íris e são induzidos a tocarem na terra. Dan. uma bacia com água é permanentemente mantida para este Lwa. podemos constatar que o correto é tratar do casal realmente. com sua esposa Ayida Wedo. Heviosso. é um espírito antigo da água associado com a chuva. Aprece entrelaçado. protetor do rei Ghézo. e que antes de sua ascensão. Ouidah. onde fizeram um círculo mágico. não concordam que se deva tratar do casal de Dans. Pelo que aprendi e pelo que lemos sobre o culto de Dan no Benin. são os vestígios de sua estada prévia em nosso mundo e o arco-íris. Danbala. teria vivido 41 anos no nosso mundo. Os homens (sobretudo os caçadores) que Dan quer enriquecer. como mostra o retrato místico do panteão da serpente. Ainda sob a forma humana. vales). à Vodou. o grande Legba figura numa expressão profana sob os irokos centenários. À entrada. outras vezes com Moisés. fetiches em forma de bracelete. pérolas. Tokougagba conta com os irmãos e todo o panteão dos Voduns. Muito da cultura (filosofia e prática) do povo Taino. Os que o acolhem são recompensados com tesouros mas. limite de uma memória fascinante e triste. toda sorte de tesouros.A Floresta Sagrada A floresta foi consagrada pelo rei Kpassé. a divina serpente patriarcal. antes do encontro com Columbus. o arco-íris. Não se mostra nunca sem sua fêmea. um desejo de fazerem uma profunda escavação no que acham ouro. Os grandes deuses fixam seus duros olhos. Outros usam esse procedimento somente para alguns Dans. Dan é muito guloso. com seus poderes contidos em pequenas cabaças. A configuração dos países. Patrick (quem dominou as serpentes). 2 . Em muitos templos. o lugar das cidades. mas tarde. basta friccionar o corpo com boldos de cebola ou xingá-lo com palavras bem grosseiras. onde se encontra sob a forma de arco-íris (Aido Wedo). o Dansi e o Dannou. a sabedoria e a fertilidade. os acidentes geográficos (montes. Os homens têm como efeito desta força invisível. Dan pode entrar em casas. foram absorvidos. Sakpata.

Togum conta sempre com Legbá. gerando a vida. foram usadas em muitas culturas. farim. Ao mesmo tempo que é gentil. Danbala O espírito de Danbala é a serpente e o arco-íris. textos traduzidos de Sites do Haiti. como as serpentes. mas algum tipo de mineral simbolizado pelos pontos de ferro. Não se pode afirmar que tenha sido o ferro o gerador desse fenômeno. Desta forma. Por ser um guerreiro muito afoito. gerou bactérias de onde surgiram os primeiros seres no começo da evolução. principalmente o ferro e o aço além de todos os objetos cortantes: akiriké. conectando a terra acima com as águas abaixo. Togum/Gum/Gu. Togum não tem fronteiras. Danbala move-se assim. fica bravo e chama a atenção. Entretanto. é descrito às vezes. Danbala Hwedo e seu marido se fundiram e foram consagrados um deus superior na hierarquia espiritual. uma força de vida. um macho. entra em qualquer lugar em busca do inimigo e da vitória. Nessas investidas. exigindo que tudo esteja corretamente em seus lugares. onde os ritos ancestrais e os cultos público se fundiram. anda por todo o kwe e se encontrar alguma coisa fora do lugar. magoge. em sua natureza. de expansão e de agressividade. nas grandes batalhas. Juntos. serpente e arco-íris. sempre pela sobrevivência. hajam ahuinhas. de vigor. Tem.um ovo. que engole sua própria cauda. um sentido de competição. Alternadamente. movimentos urobóricos. Togum Togum. É dono de todos os metais. é um ToVodum masculino guerreiro que usa um pó vermelho extraído de uma árvore que simboliza a procriação primordial para a sobrevivência e essa é uma das razões dele não gostar que. seus seguidores oferecem-lhe sacrifícios. Danbala cava túneis também através da terra. que o ajuda nos combates mas que se diverte com a fúria de Togum. É muito severo com seus filhos no cumprimento de suas obrigações. veio do orum para fazer a ligação com o aiye através do mistério do ferro. As bonecas de Voodoo Um objeto simpático. ele mesmo faz tudo. Togum é muito impaciente e quer tudo a tempo e a hora. Alguns dizem que Danbala tem um pé firmado no fim do arco-íris. etc. que fazem o movimento de giro em um círculo. entre os opostos da terra e da água. seu companheiro e amigo incansável. O homem pré-histórico foi conhecido criando bonecas que representavam sua caça. a evolução com o desenvolvimento da tecnologia do metal Há um estudo científico que diz que a oxidação do ferro no fundo do oceano. Algumas vezes. e o outro pé plantado firmemente nas montanhas do Haiti. para enfraquecê-las antes de saírem para caça-las. Os reis e antigos guerreiros também usavam a "força" destas bonecas antes de irem ao encontro de seus inimigos. formam o grande arco-íris que cobre o oceano. unido-os em sua rotação. Aido Hwedo.principal alimento sacrificial de Danbala . colocando as coisas em ordem . Quando Togum chega. pode criar cidades na selva. Transformou-se no mais velho e respeitado de todos os Lwas. Antes de se casarem. os praticantes de Voodoo e as bruxas utilizam este objeto mágico e obtêm resultados rápidos e eficazes para uma variedade de finalidades. elas são usadas como uma ferramenta para canalizar energias pessoais para um objetivo específico. No Haiti. como uma criatura. na umidade da água. o arco-íris e seu reflexo na água. Hoje. as bonecas Voodoo não possuem nenhuma mágica. em seus assentamentos. como as serpentes. desde os primórdios tempos.

não se irritavam. no seio de uma guerra. As Tobossis têm cânticos próprios. diferente dos Voduns adultos. em volta do pá de ginja delas. o que dificultava muito entendê-los. femininas. Togum mostra toda a sua fúria e poder de luta. A chefe das Tobossis é Nochê Naé. Eram cultuadas na Casa das Minas. É um número fudamental universalmente. comiam e depois dançavam.Togum toma para si a guarda do kwe onde mora. Seus dias de culto são: segunda ou terça-feira. Podem ser: azulão. neste caso. Togum é quem abre o portal para o desenvolvimento da nossa verdadeiro As Tobossis As Tobossis são Voduns infantis. Exprime uma ordem intelectual e espiritual. Existem vários Voduns pertencentes a linhagem de Togum. Em uma ahuan(guerra). . até a década de 60. saindo-se sempre vitorioso. tomavam banho. podendo sofrer mudanças se o Vodum feito assim desejar.Luiz/Maranhão. Dificilmente um kwe de Jeje perde uma ahuan. é considerada a mãe de TODOS os Voduns. como todas as crianças. Por serem crianças puras. a grande matriarca da família Davice. As cores das contas de Togum. quando tinha festas grandes. manifestam-se através de três rugas que se formam na testa: então. como os demais Voduns. de energia mais pura que os demais Voduns. O número três está intimamente ligado à Togum. dourada ou estampada. atual Benin. Sintetiza a triunidade do ser vivo ou resulta da conjunção de um e de dois. do antigo Dahome. Pertenciam à nobreza africana. Elas vinham três vezes por ano. Na África. Sentavam-se em esteiras. Sem contar que. pois Togum. somente os vodunos de Togum podem oficiar o ritual de narruno. variam de acordo com o Vodum. Pela manhã. no cosmo ou no homem. que duravam vários dias. adoravam ganhar presentes e brincarem com bonecas e panelinhas. garantem a vitória. junto com todos e tinham o costume de dar doces e comidas às pessoas. Comiam comidas igual às nossas. As Tobossis gostavam de brincar como todas crianças e falavam em dialeto africano. azulão e branco.ancestral da família real de Dahome. tinham mais afinidade com o corpo permitindo assim. que são adultos. azul. Gostavam de dançar no quintal. muitas das palavras elas falavam pela metade. O mais velho deles é o Vodum Guyugu que. vermelho. dependendo do Vodum. em AvieVodum. em S. A cólera e a irritação de um guerreiro. Não tinham falhas. produzindo. verde e branco. a união do orum e do aiye. Sua folha predileta é a abre- caminho. sem os tambores e.dançavam na sala grande ou no quintal. sendo que existem muitas folhas para Togum. apenas algumas casas tradicionais seguem o modelo africano. disputando com Legba a segurança. Suas vestimentas podem ser: branca. ninguém ousa aproximar-se ou falar. uma ligação mais direta que os Voduns. No Brasil. com todo o seu humpayme. que é a sua preferencia. participou de várias batalhas. Todos os narrunos são regidos por Togum.

Essas voduncirrês tornam-se noviches. pano-da-costa colorido. exclusivamente. quando esta morria. batendo palmas e acordando a Casa. normalmente. por volta dos anos 70. um novo rito de passagem na graduação da iniciada no Mina Jeje. é que davam seus nomes africanos. as Tobossis não vieram mais. No Peji.Seu papel no culto era só "brincadeira". É uma feitura própria. uma manta de miçangas coloridas. pelo comportamento infantil. O último barco que se tem conhecimento foi realizado em 1913-1914. VESTIMENTAS E APETRECHOS DAS TOBOSSIS Os trajes e apetrechos das Tobossis são muito elaborados. prontas para receberem suas Tobossis. os Erês apresentam-se tanto com características femininas quanto masculinas e as Tobossis são. O barco composto dessas voduncirrês é chamado de Barco das Novidades. objeto de grande valor e significado. As voduncirrês passam por uma fase de iniciação que tem a duração de quinze dias. porém os Voduns são mais importantes por terem mais obrigações. Passavam até nove dias incorporadas em suas gonjaí. Elas chegavam alegres. passando a serem chamadas gonjaí. nos quais há algumas festas. diferente dos Voduns que deixavam as filhas muito cansadas. sua missão ali se encerrava. Barco das Meninas ou Rama. Tinham um tratamento melhor do que o dos Voduns por serem mais delicadas. Os Voduns podem ter falhas. somente ao fim das feituras. usavam pulseiras chamadas dalsas. Eram espíritos perfeitos e mais elevados. Podemos observar similaridade entre as Tobossis do Mina Jeje e os Erês dos Candomblés da Bahia e dos Xangôs de Pernambuco. Cada Tobossi só vinha em uma gonjaí e. dengosas e mimadas. as voduncirrês. sobre os seios. No entanto. há um lugar para as obrigações das Tobossis. No processo de iniciação. as Tobossis eram chamadas de sinhazinhas e. presa no pescoço. Esses nomes eram escolhidos pelas Tobossis junto com os Voduns e esses nomes eram divulgados no dia da "Festa de dar o Nome". as meninas não. feitas com búzios e coral. As Tobossis vestiam-se com saias coloridas. . Desde a morte das últimas gonjaí. femininas. deixando o colo e os ombros livres para o ahungelê. As Tobossis só incorporam em suas gonjaí após os Voduns terem "subido". que é uma feitura muito fina e especial. já iniciadas anteriormente. FEITURA DAS TOBOSSIS O processo de feitura das Tobossis inicia-se. elas não vinham mais. para a feitura de Tobossi. o agadome. Também eram por nomes africanos que elas chamavam as filhas da Casa. As Tobossis só são recebidas pelas voduncirrês gonjaí. com o Vodum principal da Casa apontando um grupo de filhas.

gonjaí. entre os dias de dança.O ahungelê também era chamado de tarrafa de contas. Distribuiam acarajé em folhas de "cuinha" e depois despachadas. ainda com o alimento. nos intervalos de descanso. Hevioso . compõe a divindade. Ele conta a história particular da Tobossi vinculada ao Vodum. uma forma de comunicação com os iniciados. colar de miçangas curto. Durante as grandes festas de Nochê Naé. sua família e a iniciada. alguns Voduns vinham visitá-las.No Carnaval As grandes festas duravam vários dias. cantavam suas cantigas próprias. No Carnaval. elas ficavam desde a noite do domingo até as 14 hs da quarta-feira de cinzas. dançavam em volta da cajuazeira. Os trajes das Tobossis são muito elaborados. as Tobossis vestem-se com saias muito vistosas. as Tobossis vinham cumprir certas obrigações. dançavam na sala grande e no quintal e brincavam com seus brinquedos. suas características no contexto da ligação com os deuses e estabelecendo. junto ao pescoço como uma gargantilha. gola das Tobossis ou manta das Tobossis. O reconhecimento de cada festa/obrigação está no vestuário e nos alimentos. Na terça-feira à tarde. A PARTICIPAÇÃO DAS TOBOSSIS NAS FESTAS Quando apareciam publicamente. cuja cores variam de acordo com seus Voduns. dançavam na grande sala e na quarta. O Carnaval é uma comemoração da qual participavam os membros do Barracão e visitantes. Durante o Carnaval. elas vinham durante nove dias. vários rosários.em junho e no fim do ano . que segue com rigor uma linguagem cromática. As frutas ficavam no Peji para serem distribuídas na quarta-feira de cinzas.Nas festas de Nochê Naé . semelhante ao quelê dos terreiros de Candomblé. aparecendo o agadome que envolve o colo nu e os pés são calçados em sandálias finas. obrigação também conhecida como bancada. Eram recebidos pelas outras filhas da Casa. pela manhã. seu papel. lembra a quitanda dos terreiros de Candomblé. As Tobossis vinham três vezes por ano: . As Tobossis usavam ainda. Era das Tobossis a tarefa de tomarem conta das frutas do arrambam. de uma construção artesanal. fios-de-contas e o cocre. própria e do domínio das Tobossis. as voduncirrês. Ficavam durante o dia. No Carnaval. sendo considerado um distintivo étnico-cultural do Jeje. as Tobossis brincavam com pó e confete mas tinham medo de bêbados e mascarados. usado pelas Tobossis e pelas gonjaí durante o ano de feitura. destacando-se a festa do Carnaval. visitantes e amigos do Barracão. O alimento é uma marca identificadora. Na segunda- feira.

Dizem que quando em luta ele cospe fogo sobre os inimigos. mãe de todos os Voduns So e irmã de Hevioso. o culto dos dois panteões se fundiram nos cultos. Dizem os Hunos que é preciso oferecer sacrifícios ao deus do trovão para aplacar sua fúria. que quer dizer raio. . Nesta mesma cidade. quando chegou trazido por uma nativa da aldeia de Hevie. Agbe e Naete foram designadas a se estabelecerem no mar junto ao grande Vodum Hun e que a partir daí.Guerreiro que defende as aldeias e ou casas de santo onde é cultuado.As informações mais antigas que encontrei sobre os Voduns do panteão do trovão.Seus raios rasgam os céus acompanhados dos trovões. Quando esta. A tradução de seu nome é barreira. Ao nível de Brasil. não vi muita diferença entre nosso culto e o dos africanos. para o povo daometanos a grande deusa. Hevioso dá a chuva e o calor que tornam férteis a terra e o homem. Sogbo (sobo) . visto a sua tradução ser: hevi: nome da cidade e oso ou so: raio = raio de Hevie). Com essa expansão. destruindo cidades inteiras e fulminando os inimigos. Quando Setohoun chegou a aldeia de Hevie (reviê). Djakata-so (djacatásô) . Vejamos alguns deles: Adantohun (adantôrrum) (seria o que conhecemos como Soboadan?!) Ahuangan (arruangam) Alansan (alansam) Kasu Kasu (cassu cassu) Saho (sarrô) Aden (feminina) Gbwesu (buêssu) Akele (aquêlé) Besu (bêssu) Ozo (ôzô) Kunte (cuntê) feminina Naete (naêtê) feminina) Beyongbo (beionbó) (feminina) Avehekete (averequéte) Dawhi (dauri) Hungbo (rumbó) Salile (salilê) Agbe (abê) (feminina) Ahuangbe (arruambé) Contam os vodunos e Hunos que devido as tribos litorâneas que prestavam culto aos xwala-yun (deuses do mar) adotarem o culto a So. No Brasil é comum as pessoas chamarem todos os Voduns do panteão do fogo de "Sobo". Defende seus filhos mesmo que eles estejam errados. A maioria dos So que existem no Benin existe aqui também. Em sua ira arranca as árvores e as joga sobre os inimigos e aldeias. Em Dahomey ele recebeu o nome de Xevioso. A partir do meado do séc. Nas aldeias lacustres. também eram cultuados os Voduns: Gbame-so (bamé-sô) que tudo indica ser o mesmo Bade que conhecemos no Brasil. Akhombe-so (acrombé sô). Ele odeia ladrões e malfeitores e os mata.Vodum feminina considerada a mãe de todos os So. Hevioso (reviossô) . Vale assinalar que em toda a região do Dahomey atual Benin. XV e princípio do séc XVI. novos Voduns foram surgindo. Sogbo era e ainda é. Quando em guerras. datam do final do séc. Kasu coloca-se a frente da aldeia e ou casa de santo e abre seus braços criando assim um obstáculo que impede os inimigos de atacar. Faz trovejar para alertar os homens que os deuses julgadores e da justiça estão insatisfeitos e que o trovejar é sinal do castigo que está por vir. Na cidade de Mahi era cultuado o Vodum Djiso (djisô) na tribo Djétovi. era cultuado o Vodum Setohoun (espírito da laguna). Junto com seu irmão lidera a família. todos esses Voduns inclusive o Orixá Shango são chamados de SO (sô). XVI o culto desses Voduns se espalhou por todas as regiões do Dahomey. os nativos o batizaram com o nome de Hevioso ou Hebyoso (na minha opinião Hevioso seria o mais correto. por tudo que pude constatar em minhas pesquisas. nos arredores do atual Allada. até os dias de hoje. Ahoute-so (aroutêsô) e Djakata-so (djacatá- sô).Muito forte. Os inimigos têm pavor de Kasu. só não podem errar com ele. satisfeito. Vejamos alguns Voduns e suas características: Kasu Kasu (cassucassu) .

Sua mãe Sogbo ralha com ela dizendo: . Em um combate. Gbade (badé) . Sua principal dança é o hundose (rundôssé (Brasil)) e o dogbahun (dôbarrum ( África)).Vodum masculino do panteão do trovão.Ataca os inimigos ou castiga o homem enviando granizo. Ahuanga (arruanga) . Sosiovi (sôssiôvi) é nome do chocalho de So ou Sobo. ajuda o homem dando-lhe bons movimentos financeiros. É ele quem controla a temperatura do mundo. depois disso desaparece numa moringa. não a traição. Somente ele possui as chaves que permite a entrada dos homens nos céus. No trovão ouve-se sua voz gritando para que os homens consertem o que está errado.Vodum masculino do panteão do trovão. mas eles também não gostam muitos dos mesmo. Os akututos (eguns) não constituem um beko para esses Voduns. guerreiro. brigão. Pela descrição dessa ultima.Ahunevi anabahanlan! (não mate as pessoas). Adora beber e quando o faz arruma bastante confusão deixando todos atordoados. é guardião das árvores frutíferas. Em um salto transforma-se em fogo para proteger seus adeptos e queimar seus inimigos. que veste roupa branca. Suas águas engolem os ladrões. Os So ou Sobos não gostam de malfeitores e ladrões de um modo geral eles se irritam e matam esses elementos.Akholongbe (acrolombé) . Ajakata (ajacatá) . Tudo que é seu é enterrado. Adora esconder as coisa (pertences) e se diverte em ver as pessoas procurando. feito com pedras de raio. acredito que seja o mesmo hundose que conhecemos no Brasil. Sokpe (sopé) é o machado de Hevioso. em conseqüência.Talvez o mais velho de todos. ë faz os rios transbordarem. Quanto aborrecido envia as chuvas torrenciais.É ela quem faz escurecer os céus e envia os relâmpagos que fulminam. mata os inimigos pelas costas. Ensinou ao homem o culto de So. filho de Saho. Alasan (alassam) . Akele (aquêlé) . Habita as lagunas marinha. Também não gostam de feiticeiros e bruxos e se esses se meterem com seus protegidos Ele os fulmina. Todo cuidado é pouco para lidar com esse Vodum.Vodum masculino muito velho e grande feiticeiro do panteão do trovão. Quando está calmo e satisfeito. irmão de Avehekete.Jovem. se fazem presente e com muita energia os afugentam. muito barulhento. É o mesmo Vodum Adaen conhecido no Brasil. Dá as chuvas finas que faz as árvores frutificarem e. implicante. Adeen (adêêm) . Aden (adêm) . Auanga (auangá) . .É quem puxa as águas do mar para o céu e a transforma em chuva. Sua morada são os vulcões.É uma das mais calmas. Quando é necessária a presença de um deles para afastar esses espíritos.O grande guardião dos céus. São muitos os Voduns desse panteão. Gbwesu (buêssu) . é o murmúrio dos trovões no horizonte. pois a primeira vista ele não demonstra seus desagrados. A água da chuva depositada nos telhados é um dos seus maiores beko (becó (kisilas)).

às divindades marítimas e aos homens. Vodum Hou desbrava todas as regiões e dá a cada Vodum suas tarefas. Considerada como uma sereia Vodum Tokpodun (tópôdum) . Foi expulsa do oceano por seus irmãos por seu caráter forte indo então. prosperidade e vitórias. o sal. Para os adeptos do culto Vodum o oceano é o grande Hu-Non (ru-nom).Vodum do panteão do trovão que habita o mar. dentre estas. esposa de Vodum Hou. Depois disso sai e pede a uma vodunsi que recolha água do mar. Fontes de pesquisa. Símbolo de beleza. pai de Aveheketi. Naete (naêtê) . Para falarmos sobre as Naês (mães) que habitam o oceano. habita a arrebentação marinha. É o grande guardião que habita em todo o oceano. Filha de Naete deusa do oceano.Vodum masculino do panteão do trovão. Centro cultural Ceja Neji Voduns das Águas Oceânicas O oceano abriga uma variedade imensa de entidades. O resultado disso é o huladje. Adorado pelos pescadores e por todos que trabalham no mar. morar no rio. Habita as ondas do mar que fazem o nível do oceano subir. Vodum Tchahe (tchárrê) . Cada Vodum habita uma região do oceano e têm uma função.Vodum feminina do panteão do trovão. É quem leva as mensagens de seu pai. coloque em um ponte e a esquente. Enquanto Naete fica nas águas calmas. deusa do rio.Vodum feminino do panteão do trovão que habita as águas calmas antes da arrebentação.Vodum feminina do panteão do trovão. Hou (rou) . fertilidade.muito agitado. Costuma roubas as chaves de sua mãe para da-las aos homens. irmã de Avhekete. . Sua morada são as volutas bramantes das ondas que arrebentam no litoral. Habita o marulhar das ondas das águas oceânicas. Naete (naêtê) e seu esposo Vodum Hou (rou) são os deuses que reinam esse universo oceânico. o mar.Vodum feminina.Vodum masculino do panteão do trovão casado com Naetê. torna-se necessário falarmos dos Voduns masculinos que moram com elas. irmã de Avhekete. Dança com muito vigor. encontramos muitos Voduns masculinos e femininas. Vodum Hou. trindade muito cultuada e honrada nos templos do Trovão. Seu frescor traz claridade para as cabeças e sua tranqüilidade traz a paz. filho de Saho. Sayo (saíô) . Vodum Avehekete (averequéte) . mar e praias. Assim vamos encontrar: Vodum Nate (natê) .Os Sos ou Sobos representam vida. irmã de Avhekete.Vodum masculino do panteão do trovão. Realiza tudo através de um talismã que preparou junto com seu pai. considerado o maior de todos os Voduns. saúde. feminilidade. Vodum Agboê (abôê) . gira em torno de si mesmo e transforma-se na água que é Hu. graça e caráter.

Dôtse nasceu à noite e Saho de manhã. pois está sempre tentando levar toda a humanidade para habitar o oceano. Vodum Yedomekwe (iêdômêqüê) . suas contas são amarelo pálido. Quando Goreji resolve passear em águas oceânicas.Vodum feminina irmã de Bade. nunca afunda. Panteão da terra.habita as águas doces profundas que desembocam no mar. . Habita na evaporação das águas oceânicas. poderosa conhecedora da alta magia. Em momento de afogamento devemos chamar por Vodum Abe (abê) e Vodum Sayo para que essas convençam Erzulie que nosso lugar é na terra. Panteão do trovão. Sempre que acontece um naufrágio é ela junto com Vodum Sayo que tentam salvar os náufragos. Goheji (gôrêji) . Essa mãe gosta muito de passear pelas lagoas e lagos misturando-se com os patos d'água em seu bailado e fica muito aborrecida se algum caçador mata ou fere uma dessas aves. Alguns acreditam que é um Vodum andrógino.Vodum feminina que faz chover. Esse Vodum é sempre muito confundido com Lisa (lissá) ou Oxala. Veste branco com detalhes prateado ou dourado. Abe Gelede (abé geledê). Veste roupas azul. Vodum Aboto . azul muito clarinho. Considerada uma das mais velhas mães do mar. Considerados os Voduns que olham o mundo. Os gêmeos Dazodje (dázôdjê) e Nyohuewe Ananu (niôrruêuê ananú) . É sempre confundida tanto como Oxum quanto como Yemanja. Oulisa (oulissá) . Abe Afefe (abé afêfê) que são Voduns guerreiras dos raios. tempestades e ventos. Pertence ao panteão da terra. Existe uma grande confusão entre o nome desta Vodum com as Voduns Abe Huno (abé runô). dizem os antigos que o ditado "A verdade sempre anda sobre as águas. Não são feitos na cabeça de ninguém. Abe é conhecedora de alta magia. Gosta de adornos dourados e perfume. Dizem os bakonos que ela se assemelha a Netuno. Ela tem um olho em um lado da terra e Saho no outro lado. Assim como Erzulie.Vodum masculino que habita as águas claras e frias do oceano. verde água. Habita as águas revoltas do oceano. habitam sobre o mar. Essa Vodum também é conhecida como Erzulie-Dantor.Vodum jovem muito alegre e falante.habitam nas riquezas depositadas no fundo do mar e são considerados os Voduns da Riqueza. É considerada a mãe de Agué e Olokwe. Em seu assentamento podemos colocar bonecas coloridas e outros brinquedos de menina. Gosta de adornos prateados. os cavalos marinhos que a adoram ficam ao seu dispor para transportá-la e passear com ela. Ela diz que todos os humanos têm a capacidade dos anfíbios e que todos se originaram do fundo do mar. Abe (abê) . habita o encontro das águas das lagoas com o mar. panteão do trovão. pérolas e perfumes suave.Voduns gêmeos Dôtsê e Saho (dôtissê e Sarrô) . É um Guerreiro dos Mares. Noche Abe é considerada a palmatória do mundo. Uma das Voduns mais velha do panteão da terra. Não gosta de muito barulho perto dela. sempre substitui Naete. cabe a ela mostrar as verdades e não deixar que essas sumam nas águas. Erzulie (erzúliê) . branco com amarelo. quando essa precisa se ausentar do reino. Fica fascinada com o barulho dos búzios em movimento com as águas e faz desses seu oráculo. Veste branco. prateado com rosa clarinho ou azul. Veste branco. um dia ela aparecerá na praia" foi dito por Abe.Vodum feminino que habita o reino abissal. pertence ao panteão da terra. amarelo clarinho.

Quando "gritamos" Agoki-Agoka (agôqui-agôcá) podemos perceber a chegada de cada um deles. Do nascimento a fase adulta Yewa viveu na família de Dan onde representava a faixa branca do arco-íris onde também mora Ojiku.Vodum das águas doces que muito se assemelha ao Orixa Oxum. habita em todo o oceano. São tantos os Voduns que habitam as águas oceânicas que torna-se impraticável descrever todos aqui nesse espaço. está sempre atenta as necessidade alimentares do homem e os ajuda a prover sua mesa. reina na areia branca que cobre o chão das praias e oceanos.Naê Aziri . Filha de Toy Azonze e Dambala. guardando os mares. um pescoço longo. animal do tamanho de um elefante. Agoen (agôêm) .Vodum feminina do panteão da terra que habita sobre as águas oceânicas. Quando vê uma embarcação pirata. Certo dia. um único chifre e uma enorme calda envolada que ataca as embarcações. quando uma galinha. Panteão da terra. Yewa adorava ver o por do sol e sempre saía a passear pelos campos floridos acompanhada por dois bravos guardiões que não permitiam que ninguém se aproximasse dela. mas essa nunca se encantava com ninguém pois era o símbolo da virgindade e da pureza. de uma energia indescritível. lindos e majestosos. Junto com Nate(natê) desempenha o papel de Legba. irmã de Boçalabê nasceu para ser o símbolo da pureza e da beleza dos deuses. Agwe (agüê) . Aouanga (auangá) . Recebeu de Dan Wedo o poder da vidência.é a mais jovem e mimada Vodum do panteão do trovão. e todos os corais que existiam no mar que ela pegava com seu arpão. E na Hou nule ye! (Ê ná rou nûlê iê!) (Que os deuses do oceâno abençoem vocês!) Voduns Yewa Yewa é um vodum feminino da família Dambirá. Protege os pescadores e pune todos aqueles que insultam os deuses e habitantes do mar. se . agita as águas para que essa naufrague e após esse. a dam (rede). Temos em nosso culto uma linda cerimônia denominada GOZIN (gozim) onde fazemos oferendas à todas as divindades que habitam as águas. Muito temido e respeitado em todo o Dahomey até os dias de hoje. entrega todo o tesouro encontrado aos Voduns da riqueza e os mortos à Abe Gelede (abé). usando sua arma principal. Suas águas engolem os ladrões . estava Yewa a apreciar o por do sol.Vodum filho de Saho. Era um casal de gansos branco. irmão de Avehekete. Muito afetuosa. Afrekete (afrequéte) . Habita as lagunas marinha.Vodum masculino do panteão do trovão. Essa Vodum é muito confundida com a Vodum Azihi-Tobosi (aziri-tobossi) que habita o alto mar e é a protetora de todas as embarcações que navegam no oceano. Não poderia deixar de citar o mito do monstro marinho Mokele-Mbenbe (môquêlêbêmbê). da riqueza. Muitos homens se apaixonaram por ela e todos foram punidos pelos deuses pois sabiam que era proibido amar a grande Virgem. A beleza física de Yewa encantava a todos que olhassem em seus olhos. É um momento muito sublime.

. Mandou que ela a coloca-se. em terras yorubanas. Yewa avistou um belo homem. Passado um tempo. assim ninguém se aproximaria dela com medo das dans e as folhas desfiadas da palmeira esconderiam sua beleza contagiante. Em sua primeira fuga. Com o uso dessa coroa Yewa pode sair da escuridão das matas e ir apreciar o que mais ela amava e representava . E assim. Azonze embrenhou-se nas matas a procura de sua filha e a encontrou junto a Odé. Durante seu exílio. "Isso é Yewa" dizem os antigos. Certo dia. Yewa enfrentou e desafiou todos os deuses por amor a esse homem e teve como castigo o exílio. onde o por do sol faz o encontro dos dois mundos e o céu se encontra com a terra. Odé. Yewa teve que fugir e esconder-se da fúrias dos deuses. o por do sol.aproveitando da distração dos gansos.. Toy Azonze foi aos deuses pedir por sua filha Yewa que já tinha sido por demais castigada. pois eles sabiam que não podiam se apaixonar por ela. um guerreiro e se encantou por ele. Foi expulsa da família de Dan e considerada a cobra má. Vendo-se em um lugar sombrio e sem recursos de sobrevivência a sua disposição. Quem sabe cuidar desse Vodum. Yewa contou com a ajuda de um grande caçador e guerreiro. Por ter o poder da vidência. se livra facilmente dos invejosos. Toy Azonze deu a Odé um par de chifres e o poder de chamá-lo e aos espíritos da caça quando assim precisasse. fez para Yewa uma coroa de dans e folhas de palmeiras desfiadas. que a escondeu nas profundeza das matas escuras. Sempre que possível.. aproximou-se e ciscou muita terra sobre as vestes brancas de Yewa. Yewa foi morar no reino dos mortos junto com Azonze e com esse passou a exigir o cumprimento da moral e dos bons costumes. Faltava-lhe seus guardiões. Em sua nova morada Yewa recebeu o caracolo/aracolê onde guarda os segredos dos ancestrais e os invoca quando é necessário. temiam a fúrias dos deuses. A feitura de Yewa deve ser sempre em TA de virgens e nunca em TA de homens. Aprendeu a caçar junto com ele e com os demais caçadores. esses concederam a Azonze a guarda de Yewa que deveria morar com ele. mas seu local preferido é sempre o horizonte. Depois de muitos pedidos e oferendas aos deuses. Yewa aceitou um ofá que Odé ofereceu-lhe. Encontramos Yewa tanto nas águas quanto nas matas e mundos subterrâneos (aquático e terrestre). Yewa engana Eku e salva uma vida. Yewa passou a ver e a viver o por do sol novamente em seu exílio. a possibilidade de esconder-se dos deuses e livrar-se de sua fúria. pediu ajuda a Odé e esse caçou para ela um casal de gansos negros. essa se enfureceu e amaldiçoou a galinha e daí para frente nunca mais quis ver uma em sua frente como também resolveu mudar suas roupas para as cores do por do sol. pois foram os únicos que encontrara. e o eruxim com o qual espanta os egum para o caminho de Oya. Yewa gostou do presente pois viu nesse. Yewa é um Vodum raríssimo de ser encontrado no TA (cabeça) de alguém. Odé então. Yewa tem o poder de nos livrar do "olho grande" e das invejas. Como agradecimento por tudo que fez por Yewa. A beleza de Yewa encantava e perturbava Odé e aos demais que viviam nas matas.

Eram conhecidos como "as crianças e o guardião dos três rios". nomeou Tohossou para encarregar-se de mudar essa situação. Zomadonu é quem comanda este poderoso grupo de Trowo (espíritos ancestrais) . era chamado para batalhas quando tudo já havia falhado. até que um Vodum especial. O mais significativo. as crianças nascidas em circunstâncias especiais. nos corpos dos adultos fisicamente mal formados e começaram a destruição. assim como Boçalabê que é sua irmã. mas os reis se recusavam veementemente. Os Tohossous são congregados de antepassados reais que surgiram durante o reinado do Rei Akaba. então esses antepassados se tornaram enfurecidos. . Infelizmente. Em muitas pesquisas e entrevistas que fizemos pudemos constatar a confusão e controvérsias que as pessoas fazem em relação a Yewa e esses dois Voduns. Um dia. irritados. Para este grupo eram feitos sacrifícios e honras especiais. A primeira criança nascida com má formação física e a fazer parte desse grupo foi Zomadonu. para serem poupados de uma vida com olhares fixos e rejeições sociais. hoje conhecido como "Loko". filho mais velho Acoicinacaba. é que esses antepassados reais eram. pois era um vencedor certo com uma rajada de sua poderosa espada. conforme estabelecido pelo grupo. muito confundida com Oxum. Este Tohossou foi considerado muito poderoso e. acima de tudo. frequentemente. Esta situação também estava presente na cultura dahomeana.Ojiku é um Vodum Dam que sempre é muito confundido com Yewa. a devastação e a exalarem um cheiro forte e desagradável e. o segundo rei do Dahomey (1685-1708). Eles eram assassinados. Elas eram sacrificadas afim de poupar o reinado e suas famílias. ignorados e negligenciados pelos próprios reis. grupo da maioria dos mais antigos antepassados. muita confusão e desespero. eram mortas pois eram segregadas e rotuladas como seres de mau agouro. Não havia nenhuma recompensa em sacrificar uma vida familiar cuidando dessas crianças carregadas de circunstâncias tão especiais. O Tohossou é agrupado com o "Neusewe" dahomeano. um estôrvo para seus pais. tornando-se assim. Voduns Tohossou Vodum Protetor dos Deficientes Físicos e Mentais Por séculos. Ojiku é considerado a Cobra branca e Boçalabê é uma Vodum das água doces. foi durante o reinado do rei Glele que deu-se a maior perseguição às famílias dessas crianças. diabos ou que perpetuavam a miséria e o sofrimento de suas famílias. Muitas tentativas foram feitas por esses antepassados para atrairem a atenção dos reis em incentivá-los a dar-lhes as homenagens como era a tradição. frequentemente. um lugar onde todos os antepassados viviam. e todos que morriam passavam a viver neste sagrado reino subaquático. destruindo a corte e vilas inteiras. desceram na corte real. em todo o mundo.

suas famílias deveriam erguer um pequeno santuário em suas casas e. Além de exigirem que todos os reis erguessem um santuário ao Vodum maior. É Toy Azonce quem sempre faz todas as honras para seu irmão Toy Akossu. seriam recompensados e abençoados com prosperidades especiais. sendo proibido tocá-lo. vindo da cidade de Dassa Zoumé. Sakpatá usa todas as cores e o estampado. Todos os Voduns. filha de Toy Azonce. filho de Toy Akossu. O mais velho que se tem notícia é Toy Akossu. para que eles lhes pagassem as devidas homenagens. Símbolo fortemente ligado a Sakpatá. Por último. Aqueles que ficam incapacitados devido a idade. no transe. são da família Dambirá. que Toy Akossu é o patrono dos cientistas. Após um consulta cuidadosa. . Somente UMA pessoa designada por ele mesmo pode tratar desse assentamento. as crianças que nascem com má formação física ou deficiências mental têm uma cerimônia especial e. Seu assentamento fica em local bem isolado do Kwe. trazem bençãos. em suas casas. a palha da costa é a fibra da ráfia. Zomadonu. Dizem os mais velhos. ele se mantém deitado na azan (esteira). sempre com a presença das cores escuras. mais precisamente. no século XVIII. Declarou ainda que daquele momento em diante eles eram os seus guardiões protetores. As cores de contas e roupas usadas por esses Voduns podem variar de acordo com o gosto de cada um. Toy Azonce é um outro Vodum velho. Sakpatá foi trazido para o Dahomey. A palmeira é considerada a "esteira da Terra". em vez de trazerem desgraças financeira e emocional às suas famílias. Esses Voduns são rigorosos no que tange a moral e os bons costumes. pertencentes ao panteão de Sakpatá. porém mais novo que Toy Akossu. ele dá à eles inspirações para a descoberta das fórmulas mágicas que curarão as doenças e as pestes. recebe o nome de Jupati. São tantos Voduns desse panteão que seria praticamente impossível descrever cada um aqui. um pequeno altar é consegrado aos Tohossous. Toy Abrogevi gosta muito de Badé e se tornou muito amigo dele. aqueles que nascessem naquelas condições. quem faz essa fiscalização para eles é Ewá. extraídas de uma palmeira cujo nome científico é raphia vinifera.Imediatamente o rei chamou os bakonons de Fa para verificarem qual era o problema e o que poderia ser feito para acalmar esses espíritos poderosos e irritados. quando ele está em terra. propôs que. Foi com Badé que aprendeu a comer e a gostar de quiabo. exigiram também que a repercussão da "fama" que os física e mentalmente abalados tinham fosse cessada. No Brasil. que gosta de comer quiabo com dendê. Assim. ferimentos ou doenças. Ele é a própria "doença e cura". como também um excelente conselheiro. paçoca de gergelim e fumar cachimbo de barro. Tohossou começou a falar. Toy Abrogevi é um Vodum velho. da aldeia de Pingine Vedji. Voduns Sakpatá Para o povo Jeje. também ficam sob a proteção dos Tohossous. Hoje. Todos usam roupas feitas de palha da costa sendo umas mais curtas e outras mais compridas. no Benin e em Togo. por Agajá. Nesse panteão temos vários Voduns. obtida de palmas novas. os que assim fizessem. Nunca admitem falhas morais dentro dos kwes e.

a calma. um emblema divino. Por extensão. a capacidade de trabalho e de sacrifício pacífica do chifre do búfalo. da ambivalência. adverte da sua aproximação. ao mesmo tempo. ganha o simbolismo universal de ascensão. Muitas vezes têm por objetivo fazer perceber o som das leis a serem cumpridas. Devemos lembrar que chifre. de modo consciente ou inconsciente.A palha da costa. Simboliza o ouvido e aquilo que o ouvido percebe. outros gostam de mostrar o rosto. O búzio. da criação periódica. tendo também o poder de entrar em relação com o mundo subterrâneo. é feito do chifre do búfalo. poder e força. Ele também contém a bondade. chifre. Além de proteger a vulnerabilidade do iniciado. pelo menos. O lakidibá. fio de conta de Sakpatá. O chaorô (guizo). em hebraico "querem". tem um poder de exorcismo e de purificação. de regenerescência e da certeza da imortalidade da alma e da ressurreição dos mortos. que é reflexo da vibração primordial. ou o bastão. É associado as divindades ctonianas. Tem o sentido de eminência. deuses do interior da terra. é considerado um animal sagrado. A maioria deles gostam de manter o rosto coberto pela palha da costa. pesado e selvagem. O lakidibá não sugere apenas a potência. sua utilização também é reservada aos deuses ancestrais. o búfalo é também considerado divindade da morte. um animal sagrado. o som. A repercussão do chaorô é o som sutil da revelação. quer dizer. das quatro direções do espaço. numa reafirmação de sua ancestralidade. Sem dúvida. sempre uma comunicação entre o céu e a terra. a obediência à palavra divina. destreza e resistência. tendo sua origem na palmeira. oferecido em sacrifício. a lança. da exaltação. simboliza a origem da manifestação. da força. o que é confirmado pela sua relação com as águas e seu desenvolvimento espiralóide a partir de um ponto central. Na conjunção do lakidibá e do deus Sakpatá. a repercussão do Poder divino na existência. da fecundidade. Presença certa em tudo ligado a Sakpatá. o duburu (pipoca) representaria as doenças de pele eruptivas. uma pequena espada. de elevação. um significado de ordem espiritual. descobrimos um processo de anexação da potência. afasta as influências malignas ou. cujo aspecto lembra os grãos se abrindo. é a própria imagem do poder que Sakpatá tem sobre a vida e a morte. da vida inesgotável. Os Sakpatás podem trazer nas mãos o xaxará. símbolo de poder. simboliza o apelo divino ao estudo da lei. a força. as grandes evoluções. Jogar o duburu assumi o valor e o aspecto de uma oferenda. sobretudo pela percepção do som. Ele evoca o prestígio da força vital. o illewo ou ainda. o búfalo (assim como o boi). Simboliza as grandes viagens. Um símbolo da alma. Rústico. de onde origina-se. Encontramos o lakidibá em duas cores: preto e branco. tem simbologia aproximada a do sino. eternização e transcendência. Universalmente. Tem por alvo firmar . ligado a todos os ritos de lavoura e fecundação da terra. como uma das formas de diálogo do homem com o invisível. Na África. Todos gostam muito de usar búzios e chaorôs (guizos). interiores e exteriores. O lakidibá é entregue ao adepto somente na obrigação de sete anos. o búzio simboliza o mundo subterrâneo e suas divindades. O ato de jogar se mostra sempre .

dançam e cantam. é fundamentalmente um símbolo de luta. encontramos várias bibliografias relatando origens. não são os mesmos deuses que os Voduns da família Dambirá. as testemunhas de uma feitura. Quando entram na Sala. junto com a comunidade que os aguardam. os Kwes fazem um banquete para as Divindades do Panteão de Sakpatá. Suas danças e cânticos lembram sempre os doentes. todas as Voduns guerreiras são conhecidas como Aveji da. Algumas falam das lutas que esses Voduns enfrentaram com a rejeição das comunidades com sua presença e outras falam das vitórias que tiveram sobre todas as comunidades que a eles vieram pedir ajuda. Os narrunos para esses Voduns devem sempre ser feitos com o sol forte e cada um deles especifica o que querem comer. redemoinhos. Eles são. Os jejes acreditam que. Eles não gostam de barulho de fogos de artifícios. sempre são convidados a compartilhar desse banquete. mantendo o bom andamento. se um filho negar alguma coisa que tenha sido feita. as doenças e a cura das mesmas. Todas as folhas refrescantes para ferimentos. ciclones. raios. Uma vez por ano. Os Sakpatás trabalham muito e têm um importantíssimo papel nas feituras de Voduns. Sakpatá e os demais Voduns. Vale alertar que existem Orixás e Inkices também ligados a cura e doenças porém. Do início ao fim de uma ahama (barco de yaô). é servido o banquete para todos os presentes. Isso quer dizer que. todos gritam louvores à eles. ali mesmo. erupções vulcânicas. Toda a comunidade vêm saudar o Deus da varíola e seus descendentes. furacões. louvando o Deus da varíola. assim como também cobram a quebra de segredos. dançar e cantar junto com os Voduns. contra si mesmo. na verdade. contra a morte. . tufões. com essa cerimônia oferecida a essas divindades. eles são os primeiros a cobrarem desse vodunci a mentira que ele está dizendo. aos ancestrais e a guerra. especificações e costumes que nada têm a ver com o Vodum Sakpatá. comer e dançar junto com eles e. Após essa cerimônia. que traz a cura de todas as doenças. todas as doenças são despachadas do caminho do Kwe e de seus filhos. vestem suas roupas de festa e vão para a Sala (barracão) comemorarem seu grande dia. onde devemos comer.uma atmosfera sagrada e restabelecer a ordem habitual das coisas. Até mesmo Oya dos yorubanos. não existe uma única maneira de agradá-los. Após a feitura. principalmente dos bons costumes morais e. é assim denominada em território daometano. eles atuam com rigidez e vigor. Voduns Aveji Da Ligadas as tempestades. maremotos. contra os elementos hostis. Muitas confusões são feitas e. da nação Jeje. cobram "feio" caso alguém cometa alguma falha. Esse banquete é colocado dentro do peji ou do quarto onde mora Sakpatá e os demais Voduns de seu panteão. pertencem a esses Voduns. Os demais Voduns do panteão da terra.

outras no hou.essas. Elas têm todos os poderes sobre o reino dos mortos e junto com Sakpata e Nae Nana. onde os eguns recém desencarnados nesses fenômeno são encaminhados imediatamente por elas as Guerreiras dos cultos de akututòs. Nessas ocasiões é que devemos recorrer a Velha Vodum Guerreira que com sua sabedoria e magia sabe aplacar a fúria dos deuses e acalma-los. a quem de direito e tentam trazer as soluções para cada um . junto com Exu. Somente através de Baba Egum se consegue chegar a ela para aplacar sua fúria. no Brasil.. Todas essas Voduns. são temidas e respeitadas por akututòs. Enfim. gostam do belo. controlam a vida e a morte. ciclone. "talvez". outras nos ekúchomê. Algumas reinam na fronteira do djenukom com o aikungúmã. não gostam de receber ordem de ninguém principalmente dos homens. São todas muito vaidosas e autoritárias. como o furacão. sejam as que mais trabalham (opinião minha) - outras se encarregam. As Aveji-da. As Aveji-da comem cabra ou cabrito. dessa forma o trabalho delas tem que ser rápido e eficiente. São muito maternais. perdoam com facilidade seus filhos e os defende com toda a garra de guerreiras. algumas pessoas feita de Oya se intitulam filhas de Vodum Jò. outras junto com Naê Nana. Ela é um velha Aveji-da que se esconde nas sombras e adora a noite. para não contrariar o grande Heviosso. As Aveji-da da família Heviosso. Aveji-da é o Deus/Deusa das tempestades e dos ventos. da família Dambirà estão ligadas diretamente ao cultos dos akututos. de levar os ebós e pedidos feitos pelo povo encarnado e desencarnados. sendo que cada uma tem sua função. mas quando fazem suas vontades e caprichos tornam-se dócies e carinhosas. outras junto aos kpame e "possuídos" . estão mais ligadas aos fenômenos da natureza.Erroneamente. maremotos. Essa Velha Vodum Guerreira mora junto com as demais Yamis e todas as Aveji-da prestam culto a mesma e tomam seus conselhos e usam sua magia quando precisam. As Aveji-da são mulheres muito vaidosas. Gostam de disputar com os Voduns Guerreiros quem luta melhor e esses sempre acabam cedendo aos encantos dessas mulheres que os encantam com sua magia e beleza. etc. outras em humahuan. Contam os velhos Vodunos e Bakonos que a fúria de Aveji-da e de Heviosso contra as heresias humanas é que provocam esses fenômeno onde muitos sucumbem.normalmente conseguem. pombo e outros bichos. Podemos encontrar as Aveji-da tanto na família Dambirà quanto na família Heviosso. adoram a natureza. Digo erroneamente porque Oya é um Orixá yorubano e Vodum Jò é um ToVodum do panteão de Aveji-da. é uma infinidade de atribuições que essas Voduns têm. Os pássaros são seu encanto. . erupções vulcânicas. galo. d'angola. galinha. Junto com Ágüe visita os kwes em sua rondam noturna e se encontrar demandas ela ai se detem nos para ajudar ou cobrar. sejam encarnados ou desencarnados. Dificilmente um kwe fechado por ela consegue se reerguer. apreciam quando suas filhas imitam suas vaidades. A fúria dessa Vodum destrói os inimigos e fecha um kwe. pois Heviosso e demais Sobos não abrem suas portas para ekùs. assim como Jò Massahundo também. todas sempre em prol daqueles que pedem e precisam do auxílio delas. ôtan e tódôum.

temos que entender que existem Oxum e Naês. são da família Dambirá. Nesse habitat não existe separação de nações. são todas as Voduns femininas das ezins jeçuçu.vestimentas e fios de contas são determinados pelas próprias Voduns. portanto não existe uma "receita" para esses itens. Aqui falaremos. uma pessoa é feita de Oxum. porém recebem também o que lhes são de direito dentro de suas origens. acarajés recheado com quiabo . Oxum é um Orixá da nação Ijexá. Vale ressaltar que a confecção de apetrechos. acarajé. dizemos que ela é feita de Orixá.cemitério tódôum -rio hou . jevivi e salobres.lago. dizemos que ela é feita de Vodum. peixe. fogareiro de ferro. Naês ou Mami Wata. lagoa ahuan . Vocabulário: djenukom . . sendo que..eguns Voduns Tobossis / Naês / Mami Wata Tobossis. Seus colares ou fios de conta são das mais variadas cores e formato. Como a maioria dos adeptos do Candomblé sabem. acredita-se que foi daí que o brasileiro passou a chamar Oxum de Tobossi. Tobossis são Voduns femininos. Em todas as famílias de Voduns encontramos Naês.Gostam de abara. abano confeccionado em tecidos finos ou pena (leque). egungum ekùs . dentro da nação Jeje. bonecas(fetiche). As Oyas feitas dentro do culto de Voduns aderem todas as características das nativas. alapadá. chifre de búfalo e de boi. faca. sendo que o ferro. enfermos akututòs .terra (aiye) ekúchomê . inclusive o Jeje mas. panteão da terra. especificamente . convencionou-se chamar Oxum. No Brasil.doentes.céu (orum) aikungúmã . infantis e.guerra.Seus apetrechos são o erugim. quiabada. inhame. batalha humahuan .existe um infinidade de comidas para elas . de Tobossi. dentro das casas Jeje. a maioria delas. Quando.campo de batalha (guerra) kpame . abano de palha. adaga. muito cultuada por todas as nações.das belas Naês das ezins doces e salobres. maruo. As Naês vivem em plena harmonia com toda e qualquer entidade que mora nas ezins..mar ôtan . espada de lança curta com a ponta em forma de meia lua. como elas tem muito a ver com as Naês.ancestrais. Gostam de todos os metais. quando a pessoa é feita de Naê. Usam todas as cores em suas vestimentas. o cobre e a prata são seus preferidos. abanos confeccionados em madeira. chicote.

As Naês ou Mami Watas, são mulheres vaidosas, exigentes, caridosas, algumas são guerreiras,
outras caçadoras. Gostam do brilho das pedras e do ouro, adoram se enfeitar com colares, pequenas
conchas e caramujos, pulseiras, pequenas penas coloridas. Normalmente, seus adornos são feitos
por elas mesmas, caso alguém queira fazer para elas, essas exigem que seja feito exatamente como
elas fariam.
Algumas Naês gostam de ficar a beira dos tódôum, sentindo e recebendo a energia do guhê, das
atinçá, do djóom, da sum, etc.. Essas são muito falantes, gostam de dançar, cantar, caçar junto com
Otolu, pescar junto com Ajaunsi, macerar folhas junto com Agué, comer amalá com Sobo,
Aveheketi e Ahevessul, etc. Gostam de caminhar pelas matas, praias e lagoas, ondem residem outras
Naês.
Outras Naes preferem as profundezas das ezins onde a paz reina com toda a plenitude da natureza,
essas não gostam de se expor aos olhos de curiosos e são de falar muito pouco.
As Naês que moram nas ezim salobres, são as mais guerreiras, cultuam os ancestrais, lidam com
eguns e a magia é seu forte. Dizem os antigos, que é nas lagoas que se escondem os grandes
mistérios da magia das Naês, pois ali se encontram as duas energias, a das ezins jeçuçu e a das ezins
jevivi. Fá sempre aconselha seus bakonos a irem à lagoa conversarem com as Naês quando existe a
necessidade da magia ser usada.
As Naês usam roupas de várias cores sendo que, algumas delas, adoram o dourado, daí
confeccionar-se roupas com tecido amarelo, o que não está totalmente correto. As roupas das Naês
devem obedecer a uma série de exigências das mesmas. Podemos até fazer uma roupa amarela ou
dourada, mas nunca podemos esquecer os detalhes que virão complementar a simbologia da roupa a
ser usada.
Seus assentamentos podem ser feitos em louças, em bustos de madeira, argila ou cô, dependendo da
Vodum que se está assentando.
Comem: bò, catraio, marreca, kôkôlo, uhui, caças, eché.
Dependendo da Naê, ela traz nas mãos: ezuzu (abebê), pena, ofá, lira, eché (de preferência vivo),
cobra, espada ou adaga.
Em todos os estudos que fizemos na África, encontramos a SEREIA simbolizando as Mami
Wata/Naês, tanto das água doces quanto das águas salgadas e salobre. É comum encontrarmos, em
qualquer estabelecimento comercial e residencial, a figura de uma sereia cultuada (podemos
comparar com os santinhos católicos que os brasileiros cultuam aqui em pequenos altares em seus
estabelecimentos).
Vocabulário
kôkôlo - galinha
bò - cabra ou cabrito
có - barro
eché - pássaro
uhui - peixe

ezim - água
atinçá - árvores, folhas
sum - lua
djóom - vento
tódoum - rio
catraio - galinha da angola
guhê - sol
jevivi - salgada
jeçuçu - doce

A Orige de Fa
A ORIGEM DE FA - O SISTEMA DAHOMEANO DE ADVINHAÇÃO
Gbadu nasceu após os gêmeos Agbe e Naete. Possui dezesseis olhos e é um deus andrógino.
Mawu designou-o a viver no alto de uma árvore de palma, no Orum, a fim de observar os reinos do
mar, da terra e do céu. Mais tarde, Mawu lhe diria os deveres que deveria executar.
Gbadu está sempre na árvore.
A noite, quando dorme, seus olhos se fecham e depois não pode abri-los sozinho. Legba foi
encarregado por Mawu, para escalar a árvore de palma, a cada manhã, para abrir os olhos de seu
irmão.
Quando Legba escala a árvore de palma, pergunta primeiro a Gbadu que olhos deseja ter aberto, se
os detrás, da frente, da direita ou da esquerda. Ao ouvir a pergunta, Gabdu presta atenção ao reino
do mar, da terra e do céu; não quer falar porque outros podem ouvir.
Em resposta a Legba, põe semente da palma em sua mão. Se colocar uma semente, significa que
deseja abrir um de seus olhos e se forem duas sementes, Gabdu deseja que dois de seus olhos sejam
abertos.
Quando Legba abre seus olhos, ele mesmo olha bem de perto o que está acontecendo no mar e na
terra e prometeu a Gbadu, a quem nós também chamamos de Fa, que relataria tudo à ele, inclusive o
que acontece no domínio de Mawu, o Orum. E dests maneira aconteceu.
Depois de um tempo, Gbadu começou a gerar crianças. A primeira criança era Minona, uma filha. A
segunda criança também era uma filha. Todas as outras crianças eram filhos e foram chamados de:
Aovi, Abi, Duwo, Kiti, Agbankwe e Zose.
Um dia, Gabadu confidenciou a Legba que estava incomodado porque Mawu ainda não tinha lhe
designado seu trabalho.
O único que conhecia a língua de Mawu era Legba e este prometeu a Gbadu que o ensinaria.

Algum tempo após isto, Legba disse a Mawu que havia uma grande guerra na terra, no mar e no céu
e que, se Gbadu ficasse apenas olhando do alto, esses três reinos seriam logo destruídos.
A água do mar não sabia seu lugar e a chuva não soube cair.
Isto estava acontecendo porque os donos daqueles reinos não compreendiam a língua de Mawu.
Mawu perguntou: "O que deve ser feito?". Legba disse que o melhor seria enviar Gbadu à terra.
Mas Mawu respondeu: "Não, deixe Gbadu permanecer aqui, mas darei a compreensão de minha
língua à alguns homens na terra, dessa maneira, os homens saberão o futuro e como comportarem-
se".
Mawu mandou Legba encontrar três filhos de Gabdu.
Antes que essas crianças de Gabdu fossem para a terra, Mawu entregou as chaves do futuro para
Gabdu. Disse-lhe que aquela era uma casa com dezesseis portas e que cada uma correspondia aos
olhos de Gabdu.
A árvore de palma em que Gbadu descansou foi chamada de Fa. Assim, quando Gbadu recebeu as
chaves, Mawu disse que Legba era o "inspetor" do mundo e que desejava que Gbadu fosse o
intermediário entre os três reinos e ela mesma.
Quando os homens desejarem saber o futuro a fim de guiarem suas ações, deveriam pegar as
sementes e jogá-las aleatoriamente e isto abriria os olhos de Gbadu que corresponde ao número de
sementes e a ordem em que caíram. Porque as sementes abririam o olho que correspondesse a uma
porta na casa do futuro, o destino para quem fossem jogadas poderia ser visto.
O que cada casa do futuro continha foi ensinado às três crianças que foram enviadas à terra.
As crianças escolhidas para ligarem a terra Gbadu e Legba, consequentemente a Mawu, foram
Duwo, Kiti e Zose.
Trouxeram sementes da palma com elas, mostrando aos homens como usá-las. Ensinaram e
disseram a cada homem o que era seu sekpoli (destino). Disseram que o sekpoli é a alma que Mawu
deu a tudo, mas antes de chamar esta alma, deve-se abrir os olhos de Gbadu. É necessário saber o
número de olhos de Gbadu que estão abertos antes de chamar esta alma, de modo que se um homem
souber o número de linhas que o Fa seguiu para ele, sabia seu sekpoli.
Foi dito que nenhum santuário era necessário para a adoração de sekpoli porque o próprio corpo
humano já é seu santuário.
Quando os três tinham terminado de ensinar aos homens, voltaram ao céu.
Mais tarde, Mawu enviou todas as crianças de Gbadu à terra. Foram conduzidos por Legba, que os
instalou.
Quando voltaram, Zose recebeu o título de Faluwono, também conhecido como Bakonon, que quer
dizer "possuidor dos segredos de Fa", que Gbadu tinha lhe dado.
Minona tornou-se uma deusa e reside na casa das mulheres, onde ela tece algodão em seu eixo.
Duwo recebeu o nome de Bokodaho. Reside nas casas de Pa (crianças de Agbadu), enquanto Kiti e
Duwo foram ajudar Zose, que é Faluwono, fazer seu trabalho.

o culto do Fa espalhou-se em toda parte. . que quando na cerâmica é ateado fogo está se chamando Abi. Quando uma mulher cozinha e Minona está irritada com ela. Abi foi chamado para dar a Minona a mesma função que Aovi tem para o Fa. Dependendo do que se pretende fazer. levar a mesma ao mercado e lá fazer os mlenmlen (orikis) e oferendas à Aizan. Temos vários Voduns que pertencem ao panteão de Aikunguman. Entretanto. Nohê Aikunguman (Mãe terra) No culto dos Voduns. são abundantes. ordenando que seu pênis ficasse ereto para sempre. quando nasce uma criança. combustão. Hoje. Quando estava nú.Ë costume em todo Benin. tarde da noite. compartilharam da mesma esteira para dormir. invocamos o Vodum correspondente. no começo.considerada a patrona dos grandes mercados. o fogo queima-a ou sua casa pega fogo. porque as cinzas. Pouco a pouco as pessoas começaram a compreender o "novo sistema" e porque Aovi é muito severo. Seu irmão. Ele tem somente um pé e. veio na terra visitar o culto do Fa com Gbadu. Mawu viu que seu pênis estava ereto e disse: "Você me enganou e deitou-se com sua irmã. o azarado. tentando-se ver o que toda mulher tem na mão. Acreditamos que somente Aikunguman pode sustentar uma base sólida para apoiar e firmar um templo de Voduns. Gbadu acordou e descobriu que Legba o tinha enganado com sua própria filha. as pessoas não acreditavam nele. assim já sabia o que ia acontecer. É por esta razão.Zose joga as sementes da palma. Como era seu hábito. a combustão. Legba mostrou indiferença a esta punição porque jogou com Gbadu antes que Mawu o repreendesse. . E é por esta razão. Assim. o culto passou a ser respeitado. Nohê Aikunguman é a base de tudo que é fundamento. Então você deve respeitar o Fa. se o Fa disser algo e você não fizer. mandou que se despisse. que as danças de Legba são semelhantes a este acontecimento. É isso que faz com que as mulheres respeitem Minona. Mawu então. Aghannukwe. porém existem aqueles cuja a tarefa primordial é o culto a mesma. Mas. Como exemplo podemos citar: Vodum Aizam . Discutiram e foram para o Orum levar o caso a Mawu. Por este motivo eu ordeno que seu pênis será sempre ereto e você não poderá mais saciar-se". Abi é cinzas. levantou-se secretamente e foi à Minona. quando traçava linhas do destino. Aovi. Um dia. Pa fez uma figura pequena de argila de Legba e colocou-a de um lado de sua casa . chama-se Aovi para puni-lo. Legba não admitiu que tinha dormido com Minona. foi encarregado de fazer com que as pessoas respeitassem o culto.

açougue. assim como Aizan. este Vodum tem um papel importantíssimo dentro do culto Aikunguman pois é ele quem a fertiliza e a alimenta com suas sementes e magias. a lama une o princípio receptivo e matricial (a terra) ao princípio dinâmico da mutação e das transformações.feira-livre. cachoeira.O dono da faka (faca) e das grandes guerras. no seu renascimento. Os familiares das duas partes ser reúnem e vão juntos com os noivos ao mercado. Nanã representa a dogbê (vida) e a doku (morte). ela é a própria terra. foi tirado. cemitérios.Dono de todos os segredos das folhas. Senhora da lama. buluku). Seu papel é importantíssimo no culto de Aikunguman. tanto a criança quanto os noivos trazem para casa um pouco de terra e a coloca no solo de suas casas para que a fartura e a prosperidade façam sempre parte de suas vidas. cada membro da família de Aizam. Guiogu garante que o kun humano não será derramado dentro daquela casa. na cidade de Domê onde está localizado seu principal templo.É um Sakpata que não é feito no Ori de ninguém. Vodum Aizam tem uma grande família e cada um dos membros reina em uma parte da terra. Vodum Intoto . Nanã tem os mais variados nomes de acordo com o dialeto usado: Bouclou. Nanã Nanã é considera por todos os adeptos do Culto Vodum como a grande Mãe Universal que criou o mundo e deu vida aos Voduns. Em Dahomey. Sua ligação com a água e a lama. Vodum Agué .retorno. Para nós filhos do Culto Vodum. inclusive o mundo ctônico (subterrâneo) e abissal (subterrâneo aquático). etc. Ela recebe em seu seio os ghedes (mortos) e os prepara para o leko (lêcô . Buukun. zelar esse Vodum é "garantir a vida" dentro da casa de santo. etc. Ela é conhecida como Nanã Buruku (lê-se. é ele quem dá à mesma o kun (sangue) dos animais sacrificados. estradas. Intoto é responsável pela putrefação das carnes e dos alimentos em geral. Aizan é a principal deusa da terra. rege um local . rios. cuidar. Como eu disse. Buruku. "terras" de determinados lugares para fazermos assentamentos de Santos e Legbas. Naê Naité. matéria primordial e fecunda da qual o homem em especial. isso é. podemos entender o porquê de usarmos "poeiras". por essa razão temos que saber cultuá-lo abaixo do solo para que essa atribuição dele só ocorra em seu mundo e nunca no nosso. Esse procedimento também se dá aos casais de noivos. Saber plantar. Em uma casa de santo cabe a ele levar o "sabor" de cada vodunci e o apresentar à Aikunguman na passagem de sua vida profana para a religiosa. Mistura de água e terra. É chamada carinhosamente de vó Misan (missam). renascimento) . mar. bancos. No Brasil. Vodum Guiogu . também existem variações de nomes para Nanã: Buruku. associa Nanã à agricultura. Baseados nessa pequena explanação.pois acreditam que esse ritual dará muito boa sorte à vida da criança. Yabainha. a fertilidade e aos grãos (vide simbologia dos grãos e favas). Naê. Nos dois casos. mercados. Junto com Vodum Yian. etc. Anabiocô.

fica com o compromisso de oferecer um membro da família ao culto de Nanã e esse. Se durante o processo de iniciação a vodunsi ficar menstruada. tanto na África.menstruação) é outro beko de Nanã. pelo menos dois meses antes (na África são exigidos 3 meses). receberá na frente de seu nome a palavra Nanã. recorre a Nanã que ensina a "fórmula mágica". Jamaica e Haiti encontramos essa prática. os ebós e oferendas que devem ser feitos. de todos que irão participar do processo de renascimento do iniciado.Quando uma mulher não consegue engravidar. que são feitos nos iniciados. é exigido a abstinência de sexo. A bogami (bôgâmi . deve ser afastada imediatamente de Nanã e ficar reclusa em um lugar especial. para que nenhuma exigência da Grande Mãe seja desobedecida. tranqüilidade e segurança nos rituais e preceitos.. não é permitido a sua presença. sua função será tomar conta de todos. Todos os sacerdotes e sacerdotisas de Nanã têm na frente de seus nomes a palavra Nanã. o remédio de ervas que deve tomar. mas. assim como a criança que nasce com a ajuda da Grande Mãe também. Para mim. Nessas sociedades as pessoas escolhidas são preparadas para a prática da medicina através das ervas. Legba Aghamasa (agramassá) devem ser tratados corretamente para garantir a paz. principalmente a abstinência de sexo. do iniciado. são feitos vários ebós no iniciado e alguns poucos nos participantes e na casa de santo. Os ancestrais dos Voduns. esse é o mais difícil culto de Vodum. Se um doente recorre a Nanã. como no Brasil. Ebós e oferendas específicas devem ser feitos para essas duas entidades. bebidas alcoolicas e outros prazeres carnais. Para iniciar um processo de feitura de uma Nanã. até que cesse esse período. Na África quando uma família ou alguém obtém um favor de Nanã. para que a cura seja concretizada. Todos esses Voduns seguem a tradição de Nanã Buruku e são tão exigentes quanto Ela. Existem vários Voduns da linhagem de Nanã Buruku. Nanã diz que além do uso terapêutico das folhas e de alguns produtos animais. imediatamente obtém o remédio curador. Por ter muita ligação com egungum é necessário saber tratar muito bem de Buku. fora do templo. Nanã é a maior conhecedora do uso terapêutico das ervas. etc. as doenças devem que ser tratadas em sua origem espiritual. Assim como Buku. Na África as mulheres menstruada são proibidas de entrar no Templo de Nanã ou de participar de qualquer preceito. Nanã Buruku não é feita na cabeça de ninguém. Canadá. É lastimável que no Brasil essa parte do culto a Nanã não tenha sido trazida. Em uma feitura. ele deve ficar aposto. Em outros países como Estados Unidos. dos participantes e da casa de santo não podem ser esquecidos em hipótese alguma! . após sua iniciação. O Culto de iniciação de uma filha ou filho de Nanã requer uma série de cuidados especiais. Alguns de seus sacerdotes e sacerdotisas são preparados para serem curandeiros. em Allada e Dahomey a Sociedade do Bo. Nanã diz que a bogami é um sangue impuro e aconselha as mulheres não cozinharem para seus maridos nesse período. Nesse período. Em Ghana existe a Sociedade dos Jou-Jou. entidade assistente de Nanã e Sakpata. seja de rituais ou simplesmente fazer uma comida de santo.

Costuma presentear seus adeptos com suas riquezas. Protege e ajuda os kuhatô (pobres) e os azon (doentes). O sacrifício de carneiro é o maior beko (kisila) de Nanã. e algumas curiosidade ligadas a Grande Mãe. durante e depois da iniciação de uma Nanã devemos fazer muitos ebós.bruxarias) ou qualquer mau a um ser humano. Por seu caráter conservador. se comerá bichos macho ou fêmea. Nanã Densu ou apenas Densu . Nanã Esi Ketewa (êssi quetêuá) . veremos que se trata de cabra e cabritos. por exemplo. De acordo com a Vodum Nanã que está sento feita ou cultuada é que se determina. Esse Vodum pediu aos seus sacerdotes que o levasse para os países onde os africanos foram escravizados afim de que pudesse resgatar suas crianças. etc. Para essa Vodum. que habita os rios. Detesta quem faz aze (azê . Ele já foi assentado em templos de Akonedi nos Estados Unidos e no Canadá. Nanã Obo Kwesi (obó cuêssi) . Muito alegre e faceira. Dizem os mais velhos que essa Vodum morreu de parto e que por isso a missão dela é proteger e tratar as mulheres grávidas assim como seus filhos Nanã Adade Kofi (adadê côfi) . Cotonou. Uma Nanã bem feita é caminho de prosperidade e crescimento para a casa de santo. quando o ferro e outros metais apareceram. cultuada em Ghana. Existem Voduns dessa linhagem que não comem bicho de quatro pés.Vodum masculino.Vodum feminina guerreira. se observarmos as fotos que acompanham esses texto. É muito cultuado nos rituais de Mami Wata onde é considerado o maior de todos os deuses. É um Vodum guerreiro. gosta de dançar e cantar. . Muitos antropólogos têm atribuído erronêamente Densu a um deus hindu. Nanã Tegahe (têgarê) . Não é feito na cabeça de ninguém. submissão e devoção a Grande Mãe. Sua espada é usada pelos adeptos de Nanã. mas fica muito séria e aborrecida quando encontra malfeitores e ladrões.Vodum feminina muito velha. Muito popular em Ghana e tido como o protetor das crianças africanas que foram escravizadas. do iniciado e dos participantes. Vejamos abaixo alguns dos Voduns da linhagem de Buruku. Nanã Buruku. Tem o poder de tirar feitíços das pessoas e lugares.Antes. É o Vodum da força e perseverança. ela preferiu manter o que já conhecia em seus ritos. cultuada em Ghana.Vodum masculino velho. Allada. cultuada na região Fanti em Ghana. os Fons o compara a Olokun. ligado ao ferro e outros metais. tem a função de proteger e defender todos os templos de Nanã. ela os mata. o carneiro é um bicho sagrado e não deve ser sacrificado. outros preferem comer somente o Igby. Esse Vodum é muito rico e farto. oferendas e preceitos. Cotonou e Allada. O não uso da faca e outros metais nos nahunos e preceitos de Nanã devem-se ao fato de Ela ser muito mais velha que esses metais. devido seus fetíches e assentamentos apresentarem três cabeças. Porto Novo. Tem grande conhecimento no uso terapêuticos e ritualísticos das ervas. mas. Nanã Asuo Gyebi (assuô giêbi) . para prestarem juramentos de obediência. citando o carneiro como o bicho oferecido a Nanã. não gosta de muito kun (sangue) Vários textos têm sido publicados.Segundo os Fons esse Vodum é um deus andrógino e seria o lado macho ou marido de Buruku.Vodum feminina jovem. Cultuado em Ghana.

cidade de Ghana.Deusa da criação dos homens e receptadora dos mesmos na morte. Formam uma sociedade secreta especializada no uso das ervas para diversos fins. Desenvolveram a capacidade de curar qualquer doença física. no corpo muitos brajás e nas mãos trás um feixe de lenha. ebós e gri-gris. . Os sacerdote e adeptos de Akonedi carregam-na nos ombros numa espécie de desfile. fazendo libações e curando os doentes. Sua dança é selvagem e desenvolve-se dentro de um quadrado divino. sua sacerdotisa pede um galo a cada um dos queixosos. reina nos portais da morte onde reside Nanã Buruku. corujas são atadas às árvores. Quem levou o culto de Akonedi para o novo mundo foi a maior autoridade religiosa do culto. (Seria a mesma Buruku?!) Atori (atôli) .Aldeia de pigmeus que vivem nas florestas de Ghana. (teria alguma coisa a ver com Nanã?!!) Asase (assassê) . assim permanecem até que Wango incorpore em um deles e os ressuscite. Nessa bolsa são colocados os gris-gris venenoso e não venenoso que decidem uma questão de justiça. Buku . outros segredos de Nanã são guardados na Odom. esses gris-gris são oferecido aos animais. São grandes curandeiros e poderosos feiticeiros. trata das pessoas com ervas. Abuk (abuquê) . enfeitada com búzios. penas e sangue.Assistente de Nanã e Sakpata que mata os doentes infectados pela varíola. "Toma conta e presta conta" do comportamento moral das pessoas durante os cultos de Nanã e Sakpata. Nanã Tongo dança com muita alegria.feiticeira) e seu culto talvez seja um dos mais complexo. Cultura Ashanti. Seu assentamento fica em um buraco dentro da terra. ficando somente a tampa deste aparecendo. Atende os moradores locais. Além desses gri-gris. Nanã Akonedi Abena .Nanã Tongo ou Nanã Wango (tongô/uangô) . os bicho são suspensos e preparados. Legba Aghamasa . Todos levantam. Em Ghana é considerada a Deusa da Justiça Seu corpo é coberto com um pó branco sagrado.Vodum Legba masculino. falecida em 1995.Vodum feminina jovem.Bolsa feita com pele de cabra não curtida. mental e espiritual. Os espíritos da floresta deram aos Mmoeta o poder de ler a mente dos homens e dos animais.Vara ou haste simbólica de Nanã. quando esses animais chegam. vestida em suas roupas confeccionadas com as peles dos bichos sacrificados para ela. feiticeiros e malfeitores. enfeites. Mmoetea .Vodum feminina. A Odom fica sempre nos pés do assentamento de Nanã. os sacerdotes prostam-se no chão ao lado dos bichos mortos e fingem estarem mortos também. seu rosto é descoberto. Seus adeptos costumam presentear Wango com muitas jóias. Antes de começar os nahunos para Wango. o dono dele perde a causa. dividido em outros quadrados menores feito com riscos do mesmo pó que cobre seu corpo. usa saia de palha. roupas e talismãs que a agradam. nunca vai a público e não pode jamais ser tocada por homens. Grande curandeira. na cabeça usa um torço. Trabalham com os espíritos da natureza e seu maior deus é Nanã. foi a primeira mulher a surgir. representa seus filhos mortos e os ancestrais. Quando duas pessoas brigam pela mesma "coisa" e recorrem a Nanã para saber quem tem razão. esconde-se em arbustos e sobe em telhados à procura de feitíços. Terça- feira é o dia consagrado a essa Vodum. seu fetíche é uma pequena serpente. para que todos possam admirar e louvar a grande deusa da Justiça. Esse conjunto de quadrado também é usado por suas sacerdotisas durante as danças. a pedido dos governantes desses. Odom . Quando Akonedi chega ela percorre a vila. cultuada em diversas partes da África. Nanã Oparebea Akua Okomfohemma. O Culto de Akonedi foi levado para alguns países. Patrona das mulheres e dos jardins.De acordo com a cultura Fon. Seu principal templo fica em Later. É uma grande Azeto (azétó . O galo que comer o venenoso. cultuada em Togo. Em seus nahunos.

atuando como intermediário quando . Não há. é a de guia do homem na noite da iku. reino dos okus. a imagem daquilo que a criação comporta de mais vil. Todos os adeptos do Culto Vodum. Atribui-se também ao avun como intercessor entre este mundo e o outro. Aveheketi estava pescando e enchendo um balaio com muitos uhui.Todos esses Voduns usam muitos kpolis (quipôlis . 2 . aos infernos. Desse dia em diante. dentro dos Templos de Voduns. a entrada desse animal é proibida. devoraram todos os uhui. sem dúvida. das divindades celestes ou do Grande-Espírito para trazê-lo na ponta de sua husi. O avun. além de sempre tentar desviá-lo de seu caminho.búzios) e palha. participar dessa parte que na África é reservada somente aos seus sacerdotes e sacerdotisas. acreditam que os deuses jamais entram em um Templo onde se encontra um avun. pois são tantas as história a ser contadas. onde esses animais são criados para que sejam os guardiões das almas. é proibido a presença de avuns. nenhum membro da família Heviosso comparece. Ahougans. os avuns vieram e sem que ele os visse. Vemos. que levaria para sua aldeia. os Voduns têm pavor de avuns. principalmente aqueles regidos por Heviosso ou mesmo Xangô. aqui no Brasil. Eles fazem do avun. Falar ou escrever sobre Nanã é uma tarefa das mais difíceis. após ter sido seu companheiro no dia da vida. Aho bo boy Naê!! Eku e a Avun No culto dos Voduns. acreditam que Vodum Ewa sempre espreita o temido Deus Eku para que esse nunca pegue ninguém desprevenido. Vodunsis e outros. ato esse que foi seguido por toda a sua família que é a de Heviosso. Bokonos. que somente um livro poderia caber. Sofós. Os Vodunos. e por isso. povo que muito influenciou a cultura africana. é a interdição implacável sofrida por esse animal. Nos kwes de Jeje. aos impérios invisíveis regidos pelas divindades ctonianas ou selênicas. impedindo-as de entrarem nos Templos além de encaminhá-las. país de gelo e de trevas. Essa é uma das razões que. Aveheketi diz que em Kwes que tem avuns.Um avun roubou o fogo de Dan. para saciar a fome dos seus. em muitas culturas. devem prestar muita reverência a Nanã. A primeira função mítica do avun universalmente atestada. Em seus cânticos e danças devemos nos alegrar e nos sentirmos honrados em poder. dificilmente cobrem seus rostos. Por essa razão também. 3 . devorador de oku é um animal impuro. pelos muçulmanos. o avun emprestar seu rosto a todos os grandes guias de almas. Daí. Eku é visto como um Deus acompanhado sempre de um avun. enquanto ele estava distraído em sua pescaria. de Dan Wedo. Porém.A repulsa ao avun nos Templos dos Voduns. Têm por missão aprisionar ou destruir os inimigos da luz e guardar as Portas dos locais sagrados. Vejamos algumas delas: 1 . ao mundo subterrâneo. Os velhos Vodunos contam-nos várias histórias para justificar a proibição de avuns em Templos Voduns. mitologia alguma que não tenha associado o avun à morte. Quando Aveheketi terminou sua pescaria e voltou-se para o balaio. Algumas tradições chegam a criar avuns especialmente destinados a acompanhar e a guiar os okus no Além. Aveheketi proibiu a presença de avuns em seus domínios. os sacerdotes reservam uma área fora dos templos. o encontrou vazio e ainda pode avistar os avuns se afastando com seus uhui.Um dia.

os vivos querem interrogar os okus e as divindades subterrâneas do país dos okus. o que mostra o poder divinatório outorgado a esse animal. em seus banquetes funerários. • Klamklamle . Maupoil. ele o deixaria enterrado durante alguns dias dentro da barriga de um avun que imolara especialmente com essa finalidade. a feitiçaria e as forças invisíveis.feitos de Voduns (yao) Avun . seu conhecimento do mundo do Além.sacerdotisa feita de Vodum vodunsis . Estaremos sempre disponibilizando nesta página esta cultura tão rica que a todos encanta. Na África. conta que um de seus informantes.cão Eku . morto Itãns A Nação Jeje possui. é considerado um grande feiticeiro.sacerdote feito de Vodum Sofó . Mas agora que estás morto. Enfim. faz do avun senhor e conquistador do fogo.As Borboletas • Os Primeiros Voduns • Hevioso Salva Dahomey • Mito da Serpente . arco-íris Oku . é tua alma que come!" Também na cultura africana. oferecerem aos avuns a parte que caberia ao oku. além de sua familiaridade com iku e com as forças invisíveis da noite.sacerdotes Bakonos .Deus da Morte Iku . em sua cultura.Visão do Fim • Não Devemos Quebrar Promessas Feitas aos Voduns • O Macaco e a Tartaruga • Anansi • A Árvore da Vida • A Colheita de Estrelas . bem como do mundo em que vivem os seres humanos. num de seus relatos. Colocaremos também belíssimos Mitos Africanos. encontramos feiticeiros com trajes feitos de peles curtidas de avun. É um costume africano.sacerdote de Fá Ahougan . confiou-lhe o seguinte: a fim de reforçar o poder de seu oráculo divinatório. o avun possui a dom da clarividência e. após ter pronunciado estas palavras: "A heaiye hesóa iwo ho hebo Ébe ti eke oku sòa tiwo hoho ti bo" "Quando vivias.Deus do arco-íris. sempre ligado a iku. Em Porto Novo. a clarividência. eras tu mesmo quem comia.cadáver. Vocabulário Vodunos . itans belíssimos que não poderíamos deixar de divulgar.peixe Dan Wedo .cauda Uhui .morte Husi .

assim como todas as deusas do fogo. se transforma em uma linda klamklam e sai pelos mundos a voar para observar melhor o djenukom e o aikungumã. • A Árvore Que Não Tinha Medo do Céu Klamklamle As Borboletas Contam-nos os velhos Vodunos que Aveji-da tem. de suas cores e do bater de suas asas tal qual a duwe de Aveji-da. Dizem que a própria Aveji-da. todos saúdam a bela Deusa do degi. o ciclo da klamklam. ao mesmo tempo. dos johon. ligeira e inconstante. Uma ligeireza sutil. Há uma associação analógica da klamklam e da chama. uma grande lagarta na sua maturidade. É então a klamklam. associadas à morte. A deusa acompanha o guhê na primeira metade de seu curso visível. e por essa razão da alma dos achólupêle. Em seguida.A alma que deixa o corpo dos mortos tem a forma de uma borboleta) Quando uma klamklam aparece no templo dos Voduns. e das djizônukon num só grito "Ahoboboi. a klamklam é também um símbolo do guhê-du.Ekùs ete jo nhû oku do bochiô na klamklam! (. quando está muito preocupada. A postura de ovos dessa klamklam é a expressão de sua reencarnação.reino . em seu touboumé. de espírito viajante. A klamklam é como Aveji-da. um exército de klamklamle que sobrevoam os mundos e voltam para contar-lhes seus feitos ao mesmo tempo que trazem outras klamklamle que nada mais são do que as almas que ali irão residir.borboletas Touboumé . Ela ilustra. uma kpe-izó. a analogia alma-borboleta e a passagem do símbolo à imagem. seu túmulo é o casulo de onde sai a sua alma que voa sob a forma de uma klamklam. atributo das divindades ctonianas. Vocabulário klamklam . ligado a noção de sacrifício. Dizem os velhos Vodunos: . A klamklam brincando entre as flores é a alma da deusa nos humahuan. seu emblema. atravessando os mundos subterrâneos durante o seu curso noturno. O homem segue. na sua infância. da vida à morte. mikan Aveji-da!!!". associa-se a obsidiana. Ele é. Aveji-da. ele se transforma em crisálida na sua velhice. desce de volta à aikungumã sobe a forma de uma klamklam. uma pequena lagarta. Fá disse a um bakono que sempre que uma Aveji-da recebe uma oferenda. uma klamklam aparece para confirmar a presença dela. É assim.borboleta (pronuncia-se kunlamkunlam) Klamklamle . símbolo do fogo ctoniano oculto. de morte e de ressurreição. Símbolo do fogo solar e diurno. até o guhemê.

como feroz e áspero. gêmeos.pedra de fogo achólupê .deixar Nhû . sinônimo de sabedoria e idade.dança Guhê-du . guerreiros Oku .sol Guhemê .forma.tempestade Os Primeiros Voduns De acordo com os povos Fon de Abomey. E conceberam. os povos de Fon acreditam que Mawu e Lisá estão fazendo amor. que sua parte feminina é Mawu e a parte masculina é Lisá. guerreiro achólupêle .soldados.que Ekùs .terra (aiye) Humahuane . Reside no oeste e é descrita como uma velha fria e indiferente o que é considerado pelos povos Fon.. no mundo africano. As primeiras crianças a nascerem.uma (artigo) Degi .sol negro kpe-izó . representa o sol. encontramos que se trata de um deus andrógino. em outros.salve! djizônukon . residente no leste. Mawu e Lisá são considerados como uma unidade inseparável na base do universo. que criou o mundo. cadáver Ete . egum jo .soldado. campo de batalha Guhê .ar Johon .morto.vento Mikan .meio-dia Duwe .alma. pelos povos africanos. representantes do uno e da ordem.guerra. Lisá é tido. foi um menino chamado Da Zodji . Dahomey. Alguns itans contam que Mawu tem um irmão gêmeo chamado Lisá. escultura Na . Quando há um eclipse do sol ou da lua.Djenukom .. Foram trazidos por Nanã. Mawu representa a lua que traz a noite e a temperatura fresca.corpo físico Bochiô . Mawu é um deus supremo e criador.céu (orum) aikungumã .

comandar as águas. o ar. Um dia. o necessário para criar os homens. também era um homem. deve dar a mensagem a Legba. disse a Legba. era Sobo. E é também por isso que encontramos Legba na porta de todas as casas de Vodum. teve a mesma característica de seus pais. deu o comando de todos os animais e pássaros. O sétimo a nascer tinha chifre. Naete. para o mais velho e para Gu. Aos gemeos Agbe e Naete. não posso transformá-lo como a seus irmãos. Legba sabe todas as línguas faladas por seus irmãos e a língua de Mawu. e era assim porque não foi lhe dado uma cabeça como aos outros. Seu trabalho será visitar todos os reinos governados por seus irmãos e dar-me ciência do que acontece. Era o preferido de Mawu. Gu. por ser o mais novo. porque todos os seres humanos e deuses devem dirigir-se a ele antes que possam se aproximarem dos deuses. e removeu de sua memória a linguagem do céu. Mawu-Lisá reuniu todas as crianças a fim de dividir seus reinos. Disse-lhes que a terra era para eles. foi um menino. era Legba. uma enorme espada saía de sua garganta e seu tronco era uma pedra. e disse-lhe para viver no arbusto como um caçador. Legba é lingüísta de Mawu. a atmosfera. Agbe e uma menina. velho e experiente. não tinha cabeça. Todo em forma de corpo. Deu a Hevioso a língua que ele falaria e tirou de sua memória a língua falada pelo pai. O mesmo foi feito para Agbe e Naete. Mawu disse que devia permanecer no céu porque era homem e mulher como seu pai. Por isso. Mawu disse-lhe que era sua força. também gemeos. Mawu disse-lhe para viver no espaço. O sexto nascimento não foi de um ser. Agora. No lugar da cabeça.e uma menina chamada Nyohwe Ananu. Era ele quem ensinaria os homens a serem felizes. O terceiro nascimento. andrógeno. À Sobo. Hevioso Salva Dahomey . Assim. A Gu. porque nenhum deles sabe mais dirigir-se a Mawu-Lisa. disse-lhes para irem habitar o mar. O quinto. À Djo. Ficarás sempre comigo. a terra não permaneceria para sempre só com arbustos selvagens. Era Djo. Por isso que Legba está em toda parte. O segundo a nascer. ela deu aos gemeos de Sagbata a língua que devia ser usada na terra. entre a terra e o céu. Seus irmãos seriam invisíveis e a ele cabia vesti-los. Depois que Mawu disse isso às crianças. Se um dos irmãos desejar falar com Mawu-Lisá. O quarto a nascer era velho e experiente. Aos primeiros gemeos deu todas as riquezas e disse-lhes para irem habitar a terra. você é a minha criança mais nova e como você é levado e nunca soube o que é punição. A ele confiaria o livre arbítrio do homem. Para o quarto filho.

Hunuon por ordem de Hevioso casou-se com Huenu que se tornou uma grande sacerdotisa de Hevioso. mandou um mensageiro a Hevie contar ao Hunon o sucedido e pedindo que esse viesse a Dahomey assentar toda a família de Hevioso. Hunon chegou a Dahomey trazendo consigo os assentamentos dos demais membros da família de Hevioso. que se tornaria esposa do rei tão logo a chuva chegasse. o rei colocou Hevioso em seu palácio e mandou preparar oferendas conforme a sacerdotisa havia indicado. ela respondeu que tivera um sonho com um deus muito poderoso e que trazia um recado ao rei. o povo desesperado fazia junto com o rei. Um grande templo foi construído para Hevioso e uma grande festa que durou seis dias e seis noites. O rei já não sabia mais o que fazer. Encontrou sua noiva lutando com os soldados que não a deixam passar para acordar o rei. mas. Ao chegar em Hevie. parecia que os deuses não aceitavam as ofertas. depois mandou que todo o povo viesse conhecer o novo deus e prestar homenagens. Os sacerdotes do rei não sabiam como fazer para tratar e cultuar o novo deus. Naquela mesma noite raios e trovões rasgaram os céus de Dahomey e a chuva caiu em abundância fertilizando o solo. Fá mandou que o rei fizesse ebó para Elegba e viajasse para Hevie onde ele encontraria Hevioso e aprenderia sobre seu culto. Ele envia a chuva e sol que fertilizam a terra. Huenu contou ao rei que sonhará com um deus muito alto e forte que cuspia fogo e lançava raios e trovões com suas mãos. Este deus disse a Huenu que se o rei erguesse um templo para ele em Dahomey e passasse a cultuá-lo. O rei viajou com seus sacerdotes. Hevioso prometeu e cumpriu. interpelou-a. o bakono disse tratar-se de Hevioso o deus do trovão e que o rei deveria obedecê-lo. resolveram consultar o bakono que vivia afastado da cidade. Após ouvir atentamente o relato da noiva. Após consultar ao oráculo de Fá.Houve uma grande seca no reino de Dahomey. todos os recursos já tinham sido usados sem nenhum sucesso. o rei considerou que era uma resposta de seus ancestrais. O rei mandou o buscá-lo. O rei não cabia em si de contentamento. quase quatro anos sem chover. Depois desse período nunca mais Dahomey conheceu a fome. Quando estavam prontos. oferendas aos deuses pedindo que enviassem a chuva. foi feita para saudar aqueles novos deuses. Mito da Serpente Visão do Fim . Huenu era uma jovem e bela virgem portadora de poderes mágicos. teriam que levar consigo uma sacerdotisa de Hevioso e essa levaria para Dahomey o assentamento do deus do trovão que deveria ser estabelecido no reino. mas nada funcionava. mandou chamar os sacerdotes do reino e contou o sonho de Huenu. foram recebidos por um Hunon que já os aguardava. Um dia o rei acordou com gritos de uma de suas noiva e foi ver o que acontecia. os sacerdotes admitiram que não sabiam quem era esse deus. assim foi feito. pediram auxilio novamente ao bakono que fez nova consulta a Fá. A fome assolava a região. O rei e seus sacerdotes foram iniciados no culto de Hevioso e aprenderam seu culto. Em seu desespero o rei rogou aos seus ancestrais que mostrassem o que ele deveria fazer para salvar seu povo e o reino. Ao chegarem a Dahomey. o Hunon avisou que já poderiam partir. traria a chuva e o sol que iriam fertilizar o solo e que nunca mais a seca voltaria a castigar o reino. Após varias conversas.

O mundo foi criado por Nana Buluku. acha riquezas. montanhas surgiam de esterco da Serpente. a Serpente do arco-íris já existia. criada para servir a Nana-Buluku.Sim! Loko deu-lhe sete das pequenas cabaças duplas e disse-lhe: . Dangbe e Tohwivo. Mais cedo ou mais tarde o suprimento de ferro irá se esgotar e Da não vai ter nada o que comer. quem modelou o mundo com a ajuda de seus quatorze filhos. respondeu o homem. Antes de Mawu ter dado vida à seus filhos. Aquele lugar onde o pobre homem quebrou a primeira cabaça tinha se tornado sagrado. . exatamente o movimento circular da Serpente. deuses menores. bancos e almofadas apareceram. Um dia. um deus que não é macho e nem fêmea. Para que Da não permanecesse no calor. o que causa os terremotos. os Voduns. tudo que era necessário à um rei.Vire-se para mim. Quando Nana acabou de criar o mundo. Há três Voduns que vivem na árvore de Loko: Dan. Havia um homem pobre que trabalhava com o machado. entre os vales e curvas. Da precisa manter-se alimentada. Nenhum homem deve me cortar.Não me corte. encontrou uma árvore boa para cortar. Não Devemos Quebrar Promessas Feitas Aos Voduns Está é a história de um homem pobre que se chamava Kakpo. montanhas. o que obriga a Nana e aos ferreiros forjarem barras de ferro para mantê-la alimentada. redes. Loko era uma árvore sagrada. Se eu der as riquezas você me dará um boi anualmente? . montanhas.Sim. Levava o criador por toda a parte em sua boca. é óbvio que a terra não podia suportar o peso de tudo. você fará tudo que eu mandar? O homem lhe respondeu: . Há muito tempo. Mawu e Lisa. ela vai comer sua cauda. uma vila em Abomey. Nana Buluku gerou dois gêmeos. Quebrou então a segunda. E lá Da permanecem desde o início dos tempos. Com a quarta. Rios. pela sobrecarga de coisas e pessoas. suas convulsões serão terríveis. com sua cauda na boca. árvores. amortecê-lo. as vezes se desloca em torno de si mesma tentando ficar confortável. Loko lhe disse: . Loko disse ao homem: . O criador designou que Da envolvesse o mundo para mantê-lo. Com fome. Esse fato aconteceu em Tendji. Daí o costume africano do uso do torso quando estão levando uma carga pesada. do clã de Ayato. A terra vai ser engolida pelo mar. Mesmo a água mantendo-a fresca. seres humanos e animais. Mawu criou o oceano para ele. Onde eles paravam pela noite.Encontre um bom lugar e quebre uma na terra. quando você escava profundamente as montanhas. Muitas casas apareceram. Loko tem sete tipos de pequenas cabaças duplas. Ele cortava árvores para conseguir madeira. Se eu lhe der riquezas. Ele foi cortar Loko. Quando quebrou a terceira cabaça as casas foram cercadas por paredes. Por este motivo. toda a Terra vai inclinar.

Disse: . Os dois não eram amigos. Assim. Se você quiser algo. A tartaruga disse: . Voltou uma segunda vez. mas a tartaruga não pode. Fa retornou ao seu reino. Desta vez. Bateram em Loko novamente. enquanto cantou.Quebrou a quinta cabaça e viu muitas pessoas nas casas. durante uma escassez. Os aldeões estavam ocupados em cultivar para o chefe. Loko se transforma em um homem pobre. Yatemi Jurema de Yansã Não Se Deve Enganar Um Bakonon O Macado e a Tartaruga O macaco pode subir em árvores. deu meio-dia e a tartaruga não tinha nada para comer. e vai pedir água a Kakpo. porque sabes subir em árvores e eu não. Quando quebrou a sétima cabaça encontrou Fa e Legba. Seu tivesse ido com você. Uma vez. que se tornou rei. Loko cantava assim e. Kakpo ficou pobre outra vez. para todos aqueles que precisem de algo.Eu sou um grande bakonon. Voltou uma terceira vez. Loko deixou-o somente com um pano de ráfia. o macaco começou a comer. e não apenas as coisas para adorá-los. venham aqui e dancem para mim. Mas Kakpo não deu a Loko o boi que lhe tinha prometido. Encontrou o Minga de Kakpo. o macaco foi a um bakonon para perguntar o que ele podia fazer. finalmente. Loko foi embora. Loko começou a cantar uma canção: . Assim. O Minga disse: . Kakpo foi outra vez à Loko. Quando chegaram ao milharal. Disse a tartaruga que esperasse por ele mas não deu nada à ela. A tartaruga não queria ir mas o macaco tanto insistiu até que. Ele não podia comer o milho porque as pessoas sempre expulsavam os macacos dali. o macaco encontrou um milharal onde a colheita estava muito boa."Ponham aqui as sementes. Diante dele. ela foi com ele. . mas eu não saio de minha casa. todas as pessoas que cultivavam desapareceram. usando roupas de ráfia. seus dançarino que dançam bem". O Minga surrou-o com um chicote. Ela consultou o Fa por longo tempo. deve vir à minha casa. Estou aqui para os pobres.Sai daqui! Que tipo de homem é você que veste-se com roupa de ráfia? E Loko foi afastado.Eu lhe darei o boi que havia prometido. Montou um cavalo. Mas Loko recusou. Kakpo e sua vila viveram o resto de suas vidas pobremente. Com a sexta surgiram cavalos. tu não me alimentarias. encostou sua testa na terra e implorou que Loko o perdoasse.

Sem isso não posso fazer nada.nós devemos encontrar um macaco para curar sua criança.Olhe acima de minha cabeça e verá um macaco. amarre-o! Assim o leopardo fez. Ela disse: . em grandes inundações. o macaco fugiu. que comanda Anansi para levar chuva para apagar o fogo em florestas e determina os lugares que Anansi deve "fazer" barreiras em oceanos e rios. povo de Ghana. A tartaruga chamou o leopardo para baixo da árvore onde estava o macaco.Um leopardo chegou ao local onde a tartaruga estava. O macaco correu e o leopardo foi atrás dele.Você não está me ouvindo? Está de macaquice comigo? Um macaco não é mais que meu filho! O Fa disse que você é a solução. O que você me dá se eu lhe disser onde encontrar o que precisa? Pediu mil cauris. Disse à tartaruga: . Preciso de sua cabeça e sua cauda. também chamado "O Aranha".Devo encontrar um macaco? E onde posso encontrar um? A tartaruga respondeu: . Por essa razão. Lá jogarei o Fa para você. O macaco. O leopardo indagou: . Quando lá chegaram começou a jogar. alguns dizem que o camaleão roubou as funções de Anansi. você está tão perto! O macaco não quis descer porque tinha ouvido toda a conversa. Você é forte.Eu estou com uma criança doente em minha casa. Eu sei onde encontrar um macaco. prestava atenção na conversa do leopardo com a tartaruga. Anansi Anansi ou Ananse. O leopardo começou a se irritar e gritava: . seu pai. Ouvindo essas palavras.Ah! venha já aqui. ninguém deve enganar um bakonon. Já fui a sua casa duas vezes mas não a encontrei. A tartaruga disse: . Então a tartaruga teve descanso para comer e a criança doente foi curada.Eu não estou aqui para dar-lhe minha cabeça e minha cauda. disse a tartaruga. O leopardo deu-lhe os mil cauris. O leopardo conseguiu alcançá-lo e trouxe-o para a tartaruga.Bem. amarrou o macaco. Disse: . o resto deixo com você. . é um heroi da cultura Ashanti. É o intermediário do deus do Céu Nyame. O leopardo falou para o macaco: . Estas funções de Anansi se aproximam com as do camaleão. . de cima da árvore. disse a tartaruga.Oh! não é difícil.

e um rio que atravessava estas terras desoladas. Anansi é astucioso e matreiro. que nadam.. E dou os animais que caminham. . bem que podia nos dar uma floresta.Nós somos tão pequeninos. os pigmeus estarão em casa.Os gigantes receberam a força. erguia-se a casa de Khmvum. Os menores dos menores.. . Ensinou a humanidade como semear grãos e como usar a pá nos campos.. o fogo.não havia floresta. livres..E colados aos troncos enormes . onde a terra era branca.E por que os meus filhos pigmeus estão querendo isso? . para vocês não terem mais frio. Asase Ya. da Lua e das Estrelas..Podíamos nos esconder na sombra das árvores. no reino dela. a criadora do Sol.Khmvum Bali. E lhes dou todas as árvores. Anansi é o mito africano mais popular.. .pediuMbere. Eles. vermelha e preta. por ter tido sua performance caricaturada a uma aranha infantil. com a impressão de estarem vivendo um sonho. como abrigo e como amigas. por favor. para que jamais a fome entre na barriga de vocês. com seus olhos escuros como a noite. . tu que dás a vida.. que conta histórias. com o coração cheio de esperança. Foi lá que Mbere e Nkwa foram encontrá-lo um belo dia. civilizações e culturas africana. com o coração cheio de sonhos.Khmvum Kka. na divisão. . Hoje.. . mas vou dar algo muito melhor aos pigmeus. povoada por milhares de árvores.. E o Criador ergueu a mão. Khmvum ouviu em silêncio. ..pediu Nkwa. para lhe suplicar que criasse uma grande floresta. o Criador de todas as coisas.continuou Nkwa . A Árvore da Vida Naquele tempo . por vezes. .podíamos escapar dos nossos inimigos gigantes. é considerada. . Perto do rio..Sua mãe. Mbere e Nkwa ouviam as palavras de Khmvum boquiabertos.Dou a vocês a coisa vermelha. os menores entre os homens. iam se tornar os reis da floresta! . mitos e fábulas dos diversos lugares. bem como aquela que instituiu a sucessão do dia e da noite..e faz tempo que ninguém sabe quando foi e nunca soube . tu que és o mais forte entre os fortes.começou Mbere. que voam.. apenas colinas e planaltos a perder de vista. . nos dê uma floresta povoada por milhares de animais. a figura de Anansi tornou-se muito conhecida entre as crianças e jovens. e depois alisou a barba. Diz-se que Asase Ya também criou o primeiro homem e que Nyame deu o sopro de vida. que pulam.... Vocês serão os senhores da floresta e. olhando firme para eles.

dava sinais de cansaço. não era uma floresta. Tii começava a crescer com uma velocidade prodigiosa. com os braços cruzados.. fascinados. Logo que a envergadura de seus galhos se estendeu pelo quatro cantos do horizonte. uma floresta profunda. aproximou-se e tocou a árvore com a palma da mão. pensando que os animais não nasciam em árvores. Bem ali. . sempre houve dias menos bonitos que outros. a saltar. . mas. E toda a vida da floresta nasceu da árvore Tii.. Mbere e Nkwa assistiram então. O Todo-Poderoso tinha fechado os olhos. tartarugas. diante de seus olhos.. mesmo se crescesse muito. A Colheita de Estrelas Já havia algum tempo que Bako. Depois de uma árvore. . aquele que dá a vida. Depois de uma nuvem. o dia.. . esfregando dois pedaços de pau. Depois. rezavam para Khmvum. em elefante. não era motivo para ninguém se apavorar.. É a guardiã da coisa vermelha que esquenta. plantou a arvorezinha na margem de três cores e foi se sentar. outra árvore. Khmvum Kka.. E Khvum lhes ensinou a fazer o fogo nascer. o Sol. O sol do meio-dia desaparecera por trás da folhagem espessa que já enchia de sombra as duas margens do rio. nascia agora um mundo ao redor deles. seguramente fazia menos calor que antes. seu tronco estava tão grande que seis pigmeus não bastariam para rodeá-lo com os braços. Os dois pigmeus não perguntaram mais nada. outra nuvem. Khmvum Vali.Esta aqui é Tii..Depois da noite. Onde antes não havia nada. que acabara de se formar. afinal de contas. a andar . que crescia a olhos vistos! Depois.Ardendo de impaciência e devorados pela curiosidade. ao nascimento do mundo animal: assim que uma folha tocava o solo.. maravilhados. Talvez estivesse um pouco menos claro.. crocodilos. Mbere e Nkwa caíram de joelhos. Em pouco tempo.. e as que caíam no rio tornavam-se peixes. os pigmeus não prestaram muita atenção. quando um barulho estranho estranho os fez levantar a cabeça. Tii tremeu com o choque e fez cair sobre a planície um dilúvio de grãos. e ia crescendo e se transformando em serpente. E a árvore continuava crescendo. trazendo uma árvore minúscula.repetiu Nkwa. .Só isso? .Só isso? . viram o Criador entrar em casa e voltar em seguida. a ancestral da floresta. Curvados. pensando que uma única árvore. sacudiu com as mãos o tronco da grande ancestral e as folhas começaram a cair de uma a uma. o mais forte entre os fortes. em macaco. com a testa apoiada no chão. cada grão dava vida a uma nova árvore. No começo. que cozinha e que ilumina. começava a se arrastar. As que ficavam dando voltas no ar logo viravam pássaros de todo tipo.perguntou Mbere. Num instante.

nunca o Sol deixara de brilhar. mas não deve ser nada grave.. . Como o dia demorava a aparecer! Com um atraso angustiante. em sinal de impotência. .perguntaram seus irmãos. A vida era inconcebível sem Bako para iluminar e aquecer os humanos. Horrorizados. . . os sintomas preocupantes se multiplicavam: o calor era cada vez menor. foi o pânico. Aliás.. mal conseguindo dardejar seus grandes raios. como se estivesse sem fôlego! . O Sol morria no horizonte! Jamais teria a força de subir novamente ao firmamento se sua chama não fosse reavivada. Nessa noite.Só um pouco de cansaço. Só ele pode curar Bako.. lívido. . já que era o advinho e curandeiro.murmurou um pigmeu.. a luz enfraquecia a olhos vistos. alguma coisa anormal está acontecendo. mesmo os pigmeus mais otimistas tinham que reconhecer que o fenômeno estava continuando de uma forma anormal. essa idéia lançou o terror nos espíritos. .sussurraram outros.. . como se quisesse se proteger e proteger sua tribo de uma grande desgraça.Rezemos a Khmvoum. . nem haveria amanhã. O que leu nele não devia ser muito animador. e depois outro.. isso passa. mas o que? Intimado a encontrar uma solução.E se ele apagasse? Mal foi formulada.. que foi consultar seu espelho de vidência. No entanto. depois de uma semana. afogueado.Entretanto. o pobre Nzrox ergueu as mãos para o Céu.. Desta vez. subia penosamente pelo céu. Bako era velho e robusto como o mundo. pois com toda certeza o dia não nasceria nunca mais. mas em que estado! Irreconhecível.Está tão pálido. os pigmeus ficaram esperando o alvorecer e tremendo: se o Sol não comparecesse ao encontro. Era absolutamente indispensável que se tentasse alguma coisa logo.Na certa é uma febrezinha. gasto.. Com um sorriso forçado.. e mais outro. o astro levantou-se mais uma vez..E então? O que foi que o espelho de vidência revelou? .Mas não dá para negar que Bako não anda com um aspecto muito bom . Consultaram então o Nzorx. seria simplesmente o fim do mundo.insistiu um pigmeu.. esperando o pior. Bako cada dia deitava-se mais cedo..Hum. porque apertou as mãos sobre o seu talismã de chifre de antílope.. .Bako só é a sombra do que era . não havia nenhuma razão para que de repente adoecesse. como se estivesse esmagado pelo peso de um trabalho que ficara pesado demais para ele.E no fim do dia está vermelho. o Nzorx quis tranquilizá-los: desde que existia a memória dos homens. . os pigmeus finalmente o viram desaparecer numa luz crepuscular de muito mau agouro.. o advinho curandeiro. . Então o pressentimento virou certeza: o estado do Sol piorava de maneira catastrófica. com a voz preocupada..

Em sinal de aliança com seu povo. . agarrou um cometa que passava voando e mais duas ou três estrelas cadentes. um monstro da mata. Em sua mão direita.. enveredou pela Via Láctea..o ogro Ngoogounogumbar vai devorar nossos filhos. o espírito da Floresta! Só ele poderia achar graça num momento daqueles. Pouco lhe importava que a luz abandonasse o mundo. Khmvoum calculou o peso da sacola. uma risada sinistra rasgou o silêncio da noite: era Tore. de manhã. é nossa desgraça! É nossa desgraça. Khmvoum penetrou nas grandes florestas do Céu.. mas não era fácil escapar ao Grande Semeador. o caminho todo pavimentado de estrelas.. tentavam fugir..balbuciou um pigmeu . Khmvoum ouviu a voz de seus filhos e siu seu desespero.. Bastava que ele ouvisse o pedido de socorro de seus filhos: tudo voltaria à ordem e. para completar! Khmvoum prestou atenção. assustadas. A chama vai se apagar. Isso mesmo. . os pigmeus dirigiram ao céu um olhar de súplica. diria que os belos dias tinham voltado e que não havia mais nada a temer. onde normalmente Bako deveria reaparecer. mais um punhado de estrelas e pronto. os pigmeus readquiriram confiança. Unindo o gesto ao pensamento. Oh! Khmvoum! A morte já vem. A morte vem. colhê-los aos punhados e guardá-los na sacola. À simples evocação do Deus supremo. o fim vai chegando. ele era um pássaro noturno. tão rapidamente quanto haviam se desesperado.. Depois. Sem perder um minuto..Se a luz não voltar . de todo lado. Oh! Khmvoum! Do alto do céu. Já era quase o suficiente.. De repente.E o anão Ogrigwabibikwa vai se transformar em réptil para nos morder no escuro! Tremendo. com passos decididos. brilhava o Arco- íris. Por cima da tempestade que rugia lá embaixo. Ó Sol. que era só esticar a mão. que lançou sobre os ombros: a colheita do Grande Semeador celeste ia começar. e elas logo eram aprisionadas. O astro cai e morre. pôs-se a caminho em direção ao Sol. tinha uma sacola enorme.Khmvoum. a mata fica negra.. todos muito brilhantes. que se alegrava com as trevas. Na esquerda. lá no fim do mundo.. apenas o Grande Caçador celeste poderia impedir o desastre. distinguiu o coro de seus filhos desesperados. o fim já chega.. Khmvoum deteve-se numa região celeste rica em milhões de astros.. Bem que as estrelas.... .. Havia tantos. plantou lá o Arco- íris que. Dirigiu-se para o oriente. Entrecortada pelas risadas de Tore. O fogo escurece. sua prece subiu ao Céu: Ó Sol.. suplicando: É nossa desgraça .

as risadas cruéis de Tore. O alvorecer já devia estar ali. Gor dirigiu a tromba para a Terra. os pigmeus recitavam sua prece com fervor crescente. Na mesma hora. de explicar aos pigmeus que o fim do mundo não viria nesse dia. Tu que brilhas no alto bem alto. Arco poderoso do Grande Caçador celeste. Bako não se apagaria . A longa noite acabava de ter fim. dissipou os medos. Diz a ele que agradecemos! Não.A chama vai se apagar! Para tranquilizá-los.Arco-íris! O Arco-íris! . Bem a leste do mundo. encantados. não restava mais muito tempo para salvar Bako. e lançado o conteúdo de sua sacola na fogueira quase extinta do Sol. com o rosto encharcado de chuva. Texto . encarrega o elefante Gor. que não parava de cair sobre ele. para mandar a mensagem de esperança.. Mas o Nzorx apontou um dedo inspirado em direção ao céu. o regenerou. . explodiram em centelhas que se transformaram em chamas gigantescas. E no oriente houve uma ebulição de calor.exultou.E nos diz que Khmvoum está à cabeceira de Bako.entoaram os pigmeus. acreditaram que a hora de seu fim tinha chegado. inflamou-se. Saudado pelos pigmeus entusiasmados. uma luz ofuscante! Lá embaixo na floresta. Ele embrasou-se. quando o trovão estourou com sua força assustadora.É a voz de Gor! . explodiu e resplandeceu no dia nascente. a hora do grande declínio ainda não chegara.. Mais brilhante do que nunca. A chuva de estrelas. estrangularam-se em sua garganta. tinha encontrado o astro moribundo. Bako foi ficando cada vez mais vermelho. . . atingidos por uma chuva diluviana. descobrindo o sinal de Khmvoum a leste do céu.. furou as nuvens negras. . As estrelas crepitaram. reencontrou seu esplendor original. Acima da floresta tão grande. Khmvoum atravessara o espaço com grandes passadas.Franck Jouve e Michael Welply Tradução . Então. o Sol levantou-se no horizonte. mais pálido que a Lua..Ana Maria Machado Yatemi Jurema de Yansã A Árvore Que Não TInha Medo do Céu O Céu não foi sempre alto assim. o mensageiro celeste que fala na tempestade. rasgou o manto das trevas. como uma brasa incandescente. nem a floresta tão bonita e cheia de vida.não enquanto houvesse estrelas no céu e enquanto Khmvoum velasse sobre seu povo. o espírito da Floresta.

ficaram imóveis. para testar se era firme. descobriram a flecha e a lança fincadas no meio daquele oceano esquisito. o Céu ficava muito perto da Terra e pesava sobre ela como se fosse uma grande tampa. Não precisou dizer duas vezes. Em volta da sumaúna. Os órfãos não acreditaram no que viam: não apenas tinham errado o alvo. Pousou o pé num galho da sumaúma. do outro lado do Céu. até pisarem em terra firme.mas que prodígio! . não tivesse forçado seu destino. aproximaram-se da abertura. seus brotos se amarrotavam e secavam.sugeriu a moça. O que seria então? . tiveram de se render às evidências: não havia viv'alma naquele lugar.. Um lagarto grande . O caçador ergueu sua azagaia. Debaixo do assoalho do Céu. Deu um ao companheiro. Mesmo que eles se alimentassem apenas de frutas e bagas. exploraram cada recanto da floresta. lançando seus galhos para o alto. Era assim desde o começo dos tempos . cansada de viver apertada. Enquanto isso. em pouco tempo a Terra era uma vasta floresta virgem... O lagarto deu um salto e rolou sobre si mesmo. suas folhas varriam o chão tristemente. guardou o outro . fascinada. sonhava ela.. a fim de ajudá- la.E se nós descêssemos? . Então seus galhos ficavam uns por cima dos outros.No começo.e seria até hoje se uma sumaúma. mas mudou de idéia e a cortou em três pedaços.o Céu recuou alguns metros! Era o que bastava para que a valente sumaúma se endireitasse em todo o seu tamanho e passasse lá para cima. Olhando mais de perto.. preguiçoso. E como começavam a ter fome. De galho em galho.. maravilhados com sua beleza e com o frescor que nela reinava. Muito desapontados. Durante todo o dia. no instante em que os dois projéteis fendiam o ar. para aspirar o ar das alturas. A mesma idéia lhes ocorreu. enquanto sua companheira punha uma flecha no arco. mas seus tiros haviam desaparecido num buraco! Esquecendo a presa. que finalmente começava a respirar. tomava sol estendido sobre uma nuvem. os brotos atrofiados se desdobraram. morreriam de tédio e solidão. penetraram assim no coração daquele reino verde. "Quem sabe se não há mais espaço do outro lado do teto do mundo?".. Era isso mesmo o que ele queria. as outras árvores aproveitaram para se sacudir e se esticar. a árvore tentou furar um buraco e então . Os troncos se firmaram. Nem um animal nos ocos. Firmando bem sua copa. Ia dividi-la ao meio. as raízes ancoraram majestosamente no solo. e deixaram assim nascer milhares de folhas. ao mesmo tempo: por que não se mudavam para viver ali embaixo? O entusiasmo deles diminuiu quando. um estranho mar verde ondulava a perder de vista. os órfãos se sentaram num tronco de árvore para pensar. Não era um mar líquido. Ao avistar o que tanto procuravam. depois de muitas horas de buscas inúteis. de tal modo que as árvores só conseguiam crescer para os lados. um jovem casal de órfãos avançava cautelosamente pelas grandes pradarias celestes.. nem ao menos um inseto! Um silêncio mortal planava sobre a floresta desabitada. embriagados de felicidade. a moça de repente se lembrou de que tinha no bolso uma espiga de migo celeste. e depois estendeu os braços para a companheira. Espantadas ao verem que se afastava o tirano que as oprimia desde sempre. Consultaram-se com um olhar e fizeram pontaria.

indo parar no lugar onde está até hoje. É uma série de três tambores de tamanhos diferentes sendo o maior chamado de hounon. de qualquer jeito. tiveram de esperar que os órfãos fossem buscá-los.. Curvou-se todo para resistir ao ataque daquela insolente. foi o primeiro a iniciar um ogan para tocar seu instrumento de adoração. mal tinham se metido pelo meio da folhagem. de fato. pelo troco da sumaúma e foram viver na floresta. contamos um pouco de sua história e utilização. apenas tocados por adeptos preparados (ogans) e sua melodia só pode ser dançada por pessoas feitas. Até que enfim. uma viagem no tempo e na história da cultura afro-brasileira. quando o Céu resolveu de uma só vez se afastar para bem longe da sumaúma. sentindo-se presos numa armadilha. Eles são cobertos com ráfia tingida.. a sumaúna continuava a crescer. Texto de Franck Jouve Tradução de Ana Maria Machado Yatemi Jurema de Yansã Instrumentos A cultura africana é muito rica. lá nas alturas. empurrando o Céu. fascinado pelo danhoun. Foi assim que o mudou o mundo todo. Até que chegou um momento em que o Céu se cansou e não quis mais chegar para trás. o médio o sanga e o menor o alekle.para grande alegria dos animais que lá viviam e que vieram correndo se abrigar dentro dela. mas a árvore acabou conseguindo transpassá-lo e sair do outro lado. A intensidade do ritmo do danhoun proporciona o transe aos voduncis. Nestas cerimônias os adeptos também usam roupas de ráfia tingidas de roxo. DANHOUN O danhoun pertence a família dos instrumentos de percussão. um a um. Este instrumento só é tocado durante as cerimônias em honra ao deus Dan. É. para as Tovoduns das águas doces ou para Legba. os animais não tiveram outro remédio: trataram de descer. num sinal de que pudessem ficar lá embaixo. a cobra python. Foi assim que uma copa gloriosa e triunfante irrompeu bem no meio da pradaria do céu . graças a uma árvore que não tinha medo do Céu. aparecia um lugar fresco e sombreado! Porém. Enquanto as primeiras folhinhas do pé de milho apontavam timidamente em busca da luz. Neste espaço disponibilizaremos alguns dos instrumentos musicais usados em rituais e comemorações de nossa nação. Abandonados. Talvez surgisse um campo de milho daquela terra semeada.para si e plantou o último na beirada do bosque. deus dos caminhos. representado pelo arco- íris ou por Dangbe. Para cada um deles. . nem sabiam voar. Os que não conseguiram. O deus Aziza.

Este ritmo é dançado por mulheres ágeis por ser um ritmo muito rápido. outras duas cabaças menores. usualmente. O tatchoota também é utilizado pelos betamaribes (caçadores). Outro momento importante onde o tatchoota é tocado é no sacrifício de animais e na entrega das oferendas aos deuses. que sinalizam um animal abatido aos outros betamaribes pedindo ajuda.Na África. Juntamente com este instrumento principal. Depois foi introduzido em Savalou onde era tocado quando haviam inimigos na cidade. o difoni. com batidas firmes. música tocada pelos antepassados que vieram de Tado. o tohoun. Na cerimônia de passagem da infância para a maturidade. . Ele difere dos outros gongos por seu tamanho e forma especiais. O material principal utilizado para confeccionar o gota é produzido pelo cabaceiro. funerais e para acalmar os espíritos dos mortos. uma aldeia Mahi. O ritmo produzido pelo tatchoota é chamado tipenti. E é aí que o som é produzido. é considerado sacrilégio. Seu caráter altamente religioso faz deste tambor um instrumento muito especial . possui 8 cm de diâmetro e 20 cm de comprimento. GOTA O gota. também conhecido como kago. emborcadas em recipientes cheios de água. Este instrumento musical é usado. TATCHOOTA tatchoota é uma espécie de gongo. circular. principalmente durantes os rituais fúnebres e celebrações. no polegar. onde nasceu o gota. que é a base do ritmo tchinkoume. O gota é tocado principalmente nas cerimônias em homenagem aos voduns. É um instrumento misterioso e maravilhoso. eram muito maiores. O tatchoota é confeccionado em ferro e. Inicialmente foi chamado de zin e era uma peça redonda de cerâmica. tocar o danhoun para outros deuses que não os citados. utilizado para fornecer o ritmo zinli. os jovens Fon recebem um tatchoota para simbolizar esta nova etapa de vida e saem em procissão. tocando o instrumento. É composto de duas peças independentes sendo a primeira sempre usada no dedo indicador e a segunda. chamado katin na língua Fon. proporcionam um som diferente. muito apreciado e dançado nas cerimônias em homenagem aos Voduns e também no fim da estação das chuvas. Uma pele animal seca é esticada cobrindo a abertura depois das sementes terem sido removidas. Daí nasceu o ritmo particular do zin. Os primeiros tatchootas a serem confeccionados pelos antigos ferreiros reais.

confeccionado em latão com aproximadamente 1. kakati. bem fino e brilhante. O adjalin tem em média 65 cm de comprimento por 25 cm de largura. ALOUNLOUN O instrumento é chamado de alounloun e seu ritmo adjogan. o adjalin é muito mais que isso. kakasi. Elas são atraídas pela melodia suave e fascinante. Normalmente. ele é tocado como um mensageiro sagrado. O kankangui é um instrumento de sopro. Ele era tocado para agradar os reis e a aristocracia durante suas grandes cerimônias e procissões religiosas. É. Normalmente é tocado apenas por mulheres. Ainda hoje é tocado nas procissões. Nas noites de quinta-feira. É um instrumento que exemplifica a grande imaginação e genialidade de um povo. encantadora. no antigo Dahomey. É um instrumento sagrado e só pode ser tocado por pessoas iniciadas. Tem uma forma retangular. É uma herança cultural do reino Nikki. O alounloun é uma barra de ferro comprida. Seu som oco e fundo representa o outro mundo para os Mahis. Quando tocado junto com os tambores. KANKANGUI É também chamado de kankank. kakake. Ainda hoje. festivais e cerimônias em homenagem aos Voduns. Confeccionado apenas de hastes de bambu. que são o primeiro e segundo estágios. do ritual dos mortos na tradição Mahi. sem dúvida. agradando à muitas pessoas. sua parte central é de cobre e argolas deslizam para cima e para baixo para produzir a harmonia de sua música. toda trabalhada. respectivamente. quinze hastes de bambu são dispostas horizontalmente. e as hastes de bambu são amarradas por fibras de legumes. criado pelo grupo étnico Goun.Durante as cerimônias funerais toca o ritmo tchinkoume além do yonoutcho e o ahidjekpe. de um metro de comprimento. ao olharmos o adjalin temos a impressão de estarmos vendo uma pilha de lenha mas. símbolo de Kokpon. levando aos deuses todos os pedidos dos adeptos ao culto dos Voduns. Tem um cabo na forma de um pássaro. O kankangui é especial.95 cm de comprimento. um verdadeiro som mágico. ADJALIN O adjalin é um instrumento muito antigo. O som deste instrumento é muito harmonioso. O iniciado que toca este instrumento é chamado de kiriku e usa um bácom (espécie de chapéu) na cabeça. um dos melhores instrumentos oriundos do antigo Dahomey. este instrumento é tocado em quase todas as cerimônias e rituais em homenagem aos Voduns. . com um alongamento. não só por sua forma mas também pelo seu tamanho além de produzir um som completamente diferente dos instrumentos de sopro conhecidos. são os Gouns mais velhos que o tocam. não há quem resista a dançar.

As barras são dispostas paralelamente e sob ele coloca-se cabaças de vários tamanhos para criar um sistema de amplificação do som. incorretamente chamado de balafon. formaram então os reinos de Allada e Dahomey. BALAFON O verdadeiro nome deste instrumento é balan.Para falar das origens deste instrumento devemos voltar na história. Sua forma é trapezóide e seu som melódico. DJEMBE O djembe ou jeme. De-Gbeyon. . de uma geração para a outra. As barras são feitas de uma madeira dura chamada gouene-yori. na língua bambara e koyehoun. O balafon é tocado em cerimônias festivas em homenagem aos deuses. segura por argolas de ferro anexadas por nós de corda. em Fon. era usado para acompanhar canções que elogiavam o rei. transformou o cajado em um instrumento musical. entre os dois irmãos. Ele pegou o alounloun durante a migração e veio para o sul do Benin onde criou o reino de Hogbonou (atual Porto Novo). O topo do djembe é coberto com uma pele de cabra curtida. fornecendo o tom baixo. ativo e excitante. no século dezessete. durante seu reinado (1765-1775). o alounloun era um cajado que simbolizava a força do rei de Allada. Era tocado unicamente por mulheres. palavra francesa que indica quem toca o instrumento: balan é o instrumento. é um tambor com uma cabaça atada. Hoje é tocado em muitas cerimônias em homenagem aos voduns. respectivamente. o alounloun sofreu várias transformações contando com o gosto e aspirações de cada rei. O alounloun foi tocado durante cinco dinastias de Porto Novo. tocado com a mão e junto com o doudoumba. para as ahossis (rainhas) e na consagração dos ministros do rei. Ele é confeccionado de barras de madeira que produzem notas quando tocadas. Quando ele morreu. nos ritos fúnebres. procissões e festivais. No início. outro instrumento de percussão. Este cajado foi herdado por Te-Agdanlin de seu pai Kokpon quando da disputa. Um descendente de Te-Agdanlin. que é mais resistente. acompanhado de outros instrumentos. Naquela época ele não era tocado só para homenagear os reis mortos mas também para os reis vivos. Podemos encontrar o balafon em vários modelos. Foi realmente transformado em um instrumento musical pelo rei De-Gbeyon para homenagear seus antepassados. Naquele tempo. fo o tocador. Os fios que seguram as barras são feitos de pele de cabra ou cervo.

desafia o tempo e é imutável.75 cm de altura. É tocado em diversas cerimônias e rituais em homenagem aos voduns. Alguns dizem que seu nome vem do som do instrumento quando vibra. sua forma e tamanho são variáveis. Com a palma da mão esquerda é tocado. Ele é confeccionado de uma cabaça e revestido por uma rede de pérolas ou sementes de frutas. É composto de uma parte semelhante a um prato fundo e uma margem com buracos onde aparecem argolas de ferro. . iniciações. Pode ser acompanhado por um gongo de uma ou duas câmpulas. ahlomidon. Mahi. etc. exibindo seus atributos sexuais na maneira de se tocar. Este tambor é tocado com pequenas varas curvas. todos dançam o ritmo sato. Yoruba. É um dos raros instrumentos tocados exclusivamente por mulheres. funerais de idosos e festivais.Tem um som agradável e puro. Mina. ainda podemos encontrar uma forma hermafrodita. É um instrumento muito expressivo. Ele emite um som muito agradável. O tambor sato participa da passagem do morto do mundo visível para o invisível e é por isso que é tocado nos ritos funerais. Nesta ocasião. O djembe deve estar sempre em um local seco e limpo. Goun. O tambor maior mede cerca de 1. tocado pelo tambor de mesmo nome acompanhado de outros instrumentos musicais: gbehoun. KPANOUHOUN O kpanouhoun é uma espécie de tamborim tocado por vários grupos étnicos: Fon. SATO O sato é um instrumento sagrado de percussão. É um instrumento de percussão. durante os festivais anuais em homenagem aos antepassados. para garantir a separação da alma deste mundo e sua transição para o outro mundo. YABARA O yabara também é chamado de mayabara (a cabaça da humanidade). Este instrumento é fantástico. Não se pode dizer com exatidão onde este instrumento se originou. feito de madeira e coberto de couro. A ninguém é permitido olhar dentro do sato pois lá estão os espíritos dos mortos e é por isso que ele é guardado em posição ereta e só pode ser transportado a noite. falicitador de nossos sonhos. Uma parte da margem não contém buracos e é aí que deve ser segurado com a mão direita. Ele possui duas formas: uma masculina e outra feminina sendo que. em cerimônias de casamentos. alangandan e o gongo. envolvendo a cabaça até o pescoço. e emite um ritmo do mesmo nome.

A base do kpezin. KPEZIN O kpezin é um instrumento importante na vida cultural e religiosa do Benin. Este é outro instrumento bastante utilizado nas cerimônias e rituais dos Voduns. como um funil. já tocado pelos adjohoun (da cidade de Adja). os Ogans tocam o kpezin sob uma árvore. A base é revestida com vime trançado e o instrumento é assentado em uma "almofada" de casca de bananeira seca e enrolada. 30 ou 50 cm de comprimento. Esta cerimônia confere grande força aos instrumentos. redondas e finas ao longo. moléstias e ofensas. . A maior parte do tempo. pode ser batida no centro ou nas margens para produzir sons diferentes durante as cerimônias especiais. O pescoço do instrumento é encurvado e os tocadores dão batidinhas com uma peça de madeira. unidos no fim com um espaço entre elas. O kpezin é frequentemente colocado em uma peça de madeira quando é tocado para que as forças dos deuses sejam "armazenadas" nos assentamentos. exigindo muita habilidade de seus tocadores. inclusive para consertos em frente ao palácio. primeiro rei do Dahomey. formando um cabo onde o tocador segura o instrumento. Ele produz um som agradável. Também é utilizado em rituais agrícolas e de purificação. de onde sai seu nome. morto em 1645. Este maior é tocado especialmente nas cerimônias fúnebres. acrescido de gan. o kpezin é um instrumento sagrado. Na cerimônia do aziza honou (Aziza é o Deus da canção. dos caminhos musicais). Da mesma maneira. 'kay' 'kay' 'kay'. feito em duas peças de ferro. o kpezin também foi utilizado. uma caixa de som com um longo pescoço e uma base redonda. coberta de pele. Também encontramos gankeke com apenas uma câmpula. Nos rituais fúnebres ele é tocado acompanhado pelo zinli. No reinado de Glele. trazido de Allada pelo rei Dakodonou. Há dois tipos de kpezin: o maior chamado de kpezinnon e o menor kpezinvi. da música.Para se tocar o yabara. é tocado na madrugada. GANKEKE O gankeke é uma espécie de sino duplo sem nenhum pêndulo em seu interior. para afastar as aflições. ele é tocado para os assentamentos destes tambores que são guardados sob eles quando não estão sendo tocados. que quer dizer ferro. Ele também é tocado em cerimônias e rituais aos voduns e funerais. Tradicionalmente. É um tambor em forma de pote. O topo tem um diâmetro de 73 cm e é coberto por pele de antílope. que podem ser tocados ao mesmo tempo. presa no instrumento por fios de fibra de folhas de bananeira. Existem gankekes de 20. pega-se o pescoço da cabaça com uma das mãos e com a outra a ponta da rede para permitir que o som das pérolas ou sementes seja amplificado. O kpezin é um instrumento muito antigo.

para saúde ou culto de adoração à esses deuses. secreto. Por vezes ela é comparada com o olho: ela vê. de onde vem o ritmo de mesmo nome. O kpalingan também era responsável por cantar sobre toda a genealogia dos reis do Dahomey. à visão. que é um outro instrumento musical. Seu propósito está em garantir a segurança do reino. Nas comunidades e cerimônias dos Voduns. As Mãos A mão exprime as idéias de atividade. É uma interpretação que a psicánalise reteve. Assim. a mão do rigor e a da maleabilidade.Este instrumento é tocado principalmente por homens que. considerando que a mão que aparece nos sonhos é equivalente ao olho. exclusivo da sociedade do Zangbeto. cada reverência cantada tem um significado. nos templos de Doudoua e de Dan. o gankeke era utilizado para que as ordens do rei fossem comunicadas por um músico chamado kpalingan. A mão esquerda é tradicionalmente associada com a justiça e a direita com a misericórdia. cada cantiga. As mãos têm uma "transferência" e também uma "troca" de energia. o equilíbrio quando juntas. vigias da noite. também é uma espécie de gongo utilizado pelos Zangbeto. quando os Zangbeto. A mão serve. Além de instrumento musical. numa mão têm o gankeke e na outra o zangbetohoun. cantando para todo o reino as ordens e notícias do rei. O gankeke também toca o ritmo gangbo. além de procissões. as mãos do homem estão ligadas ao conhecimento. uma mensagem precisa que pode ser compreendida apenas pelos iniciados. A mão fechada é o símbolo do segredo. a segunda à não intervenção ao livre desenvolvimento da experiência interior dentro de um microcosmo que escapa ao condicionamento espacial e temporal. É preciso lembrar ainda que a palavra manifestação tem a mesma raiz que mão: manifesta-se aquilo que pode ser seguro ou alcançado pela mão. Segundo Gregorio de Nissa. à invocação. O instrumento gangbo. saem em patrulha. ao mesmo tempo que as de poder e de dominação. . Daí o belo título: "O cego com dedos de luz". enfim. uma espécie de repentista que vagueava pelo humpayme. pois elas têm como fim a linguagem. Era também com o gankeke que as sacerdotizas "espantavam" a má sorte e os espíritos ruins dos palácio reais. o gankeke é um instrumento tocado pelas sacerdotizas pela manhã e a noite. hoje. Certos escritos taoístas dão à elas o sentindo do alquimista de coagulação e de dissolução. A palavra em hebreu iad significa ao mesmo tempo mão e poder. correspondendo a primeira fase ao esforço de concentração espiritual.

Aguiar ao dissertar sobre as capacidades humanas afirma que o Homem diferencia-se das demais espécies animais. a visão e o equilíbrio. "informações sobre a fauna e o gênero de vida das populações representadas". visto que só o Homem é dotado de imaginação e inteligência simbólicas. mas também do momento. como muitos pesquisadores como Brézillon. Garcia. além de muito estudadas em nossos dias. superpostos ao longo da coluna vertebral até o topo da cabeça. presságios positivos em suas empreitadas. onde as imagens ali presentes representavam. Esses centros de consciência. Uma delas. Comentaremos sobre as mais antigas representações conhecidas. uma vez que se encontram em salas ocultas.O Homem é considerado como uma das últimas espécies a surgir no planeta. não tinham nenhuma intenção ornamental estética. a concentração espiritual. feitas nas paredes das cavernas. refere-se à dificuldade de precisar a idade desses desenhos. o poder. e sim um caráter místico. As mãos possuem milhares de pontos ocultos de canais sutis por onde circula a energia vital. exclusivamente humana. liberando e trocando energia. trazem algumas incógnitas que ainda não foram plenamente elucidadas. de difícil acesso. O Espaço Sagrado Ataliba Fernando Costa* A sacralização do espaço remonta. alguns pesquisadores afirmam que desenhos como esses datam de períodos anteriores ao Neolítico. a invocação. para termos como fim a "linguagem" da leitura dos búzios. Relevando os problemas de exatidão da idade dessas representações. e na sua curta trajetória sobre a superfície deste planeta apenas ele possui as ideais condições e capacidade para agir sobre o meio e manipular objetos. Estas formas primitivas de representação. para o Homem pré-histórico. No entanto. a manifestação. representações conhecidas como arte rupestre. período quaternário. do masculina e do feminino. a arte rupestre prima por nos fornecer. como salienta Brézillon. aos primórdios do aparecimento na Terra dos seres humanos modernos (Homo sapiens) isso na era Cenozóica. nunca em lugares expostos à apreciação. Hauser. o segredo. como mostra Hauser. usando de pigmentos extraídos da natureza e entalhes feitos com ferramentas de pedra. Trataremos então a seguir de manipulações do Homem sobre o meio. podem ser qualificados de "turbilhões de matéria etérea". e a sacralização não só do espaço.A mão é como uma síntese. é certo. Motes e outros puderam observar. de um certo momento que capturado e representado pode trazer presságios para um ato ou uma vida. Se todos os pais/mães de santo procurassem entender mais sobre o significado de tudo que fazem e manipulam. . com certeza o "poder" que têm em suas mãos seria muito melhor explorado e aplicado em beneficío de seus filhos. estamos ativando esses pontos. ela é passiva naquilo que contêm e ativa no que segura. as gravadas nas paredes das cavernas. de si próprio e da humanidade. o conhecimento. amuletos. Ao friccionar as mãos com os búzios (jogo) dentro.

locais onde tais imagens eram impressas. Com essas informações podemos concluir que as representações primitivas são parte das conquistas do Homem. evoluindo. De posse destas afirmações exemplificadas podemos então. o local representado também continha a energia sagrada. Ainda buscando subsídios nas informações de Hauser. concluir que poderiam ser estes ambientes os primeiros templos. El amontonamiento de una figura sobre outra indica claramente que las pinturas no eran creadas com la inteción de proporcionar a los ojos un goce estético. ou seja. na forma de representar o espaço à sua volta. que tais câmaras eram na realidade a captura de espaços especiais que deviam ser transformados e sacralizados.Sobre todo el hecho de que las pinturas estén a menudo completamente escondidas en rincones inaccesibles y totalmente oscuros de las cavernas. e. Dizer que as câmaras das cavernas utilizadas pelo homem como templo. lugares sacralizados. debía conocer los animales y sus características. 1 pintor paleolítico era cazador y debia. pues el pintor disponía de espacio suficiente. necesaria. conseqüentemente. esta superposición no era. superposición que destruye de antemano toda función decorativa. um local sacro santo. na realidade do outro lado daquelas paredes de pedra. sino persiguiendo un propósito en el que lo más importante era que as pinturas estuviesen situadas en ciertas cavernas y en ciertas partes específicas de las cavernas. ser um buen observador. Ainda citando Hauser. são representações do espaço no qual ele age. podemos também dizer que se o templo. quando este fala das classificações do espaço. sin embargo. Tambien habla contra semejante explicación el hecho de su superposición a la manera de los palimpsestos. Citando HARVEY. o sagrado estava. e quem transforma e dá caráter profano ou sagrado a um ambiente é o homem que o manipula ao se bel prazer. Finalizando essa questão da sacralização do espaço podemos afirmar que a categoria Espaço. está cheio de elementos emocionais. que manipulados pelo homem estavam prenhes de magia e energia possibilitadora de presságios positivos. portanto o profano e o sagrado coexistem. en los que hubieram podido de ninguna manera ser una "decoración. como tal. um espaço relacionado com as necessidades e interesses do Homem pré-histórico. Paisagem e até mesmo Lugar (unidade elementar) servem como pano de fundo para as atividades humanas. este escreve: . Concluímos sim. indudablemente en determinados lugares considerados como especialmente convenientes para la magia. seria o primeiro templo seria um pouco incoerente uma vez que o divino. debía tener una vista aguda para distinguir semejanzas y diferencias. que lenta e gradativamente foi se intelectualizando e criando condições de agir sobre o meio. quando este disserta sobre os autores das tais pinturas rupestres podemos apreender que os executores dessas obras deveriam possuir além das posições de caçador e até mesmo de geógrafo o título de sacerdote. sus habituales paradas y sus emigraciones a través de las más leves huellas y rastros. aquele eu distinguia e prendia mentalmente todas as particularidades de um lugar para assim pender no templo de seu clã toda a mítica do lugar. Os desenhos impressos pelo Homem primitivo. como não poderia deixar de ser.

Tese de Doutorado. Arnold. São Paulo: Pioneira/Edusp. P. o nome atribuído à criança pode ser baseado no dia da semana que a criança nasceu. 5. a criança nasce para realizar seu destino aqui na terra. Atlas Geográfico Escolar. onde quer que vá. B. todos os eventos são marcas significativas na vida daquele novo Ser. As respostas estão na prática humana. relativo ou relacional em si mesmo. eles acreditam que a alma da criança se iguala à do antepassado escolhido. Yatemi Jurema de Yansã O A Escolha do Nome de Uma Criança no Benin Cultura Ewe/Fon/Mina A escolha do nome a ser dado à uma criança para o povo Ewe/Fon/Mina. HAUSER. que acompanhará está criança em seu nascimento. Marca o início do destino da criança aqui na terra. HARVEY. O problema da correta conceituação do espaço é resolvido através da prática humana em relação a ele.em curso. é um dos eventos social e espiritual dos mais importantes. A criança é também cuidadosamente examinada por dzoto (alma ancestral). 1981. pescoço e quadril. A. A Arte Rupestre Pós-glacial. D. Rio Claro: UNESP. 298-307. Outras situações bem observadas são: de que forma esta criança sai do ventre de sua mãe. 29. p. pertencente à cosmologia Ewe. São Paulo: Hucitec. Desta forma. AGUIAR. Em outras palavras. 1996. a criança é orientada a evitar comer determinados alimentos e lhe é dado amuletos que devem ser usados em seus braços. et al. IN: LEROI-GOURHA. Michel. É o que podemos chamar de arte ou escrita primitiva e indígena. A Justiça Social e a Cidade. São motivos geométricos representações zoomorfas e antropomorfas. com especialização em geografia e Gestão do território . marcas de nascimento (sinais). quando a mãe descobre que está grávida. Está água é oferecida à uma personalidade importante e. p. V. Esta pequena. T. Do momento em que toma conhecimento deste sagrado momento. * Ataliba Fernando Costa é Geógrafo. Pré História. os maus espíritos não a perturbarão. é a escolha do nome.O espaço não é nem absoluto. Todas . não há respostas filosóficas para questões filosóficas que surgem sobre natureza do espaço. que muito influenciarão sua passagem neste planeta Diariamente.. mas pode tornar-se em um ou em outro. se possuem má formação. desta forma. etc. História Social de la Literatura e la Arte . tamanho do corpo. revela o "Se" (alma/espírito) da criança que está para nascer. Por exemplo. até seu nascimento. como choram. porém sutil atividade tem um significado grande. pegar pequenas poções de água. P. BRÉZILLON. desta forma. o nascimento da criança. 1980. 95. licenciado pela UFJF. sua mãe vai caminhando ao mercado. dependendo das circunstâncias. Do momento da concepção. A culminância destes importantes momentos. totalmente assistida e acompanhada por seu dzoto..

Finalmente. Centro Cultural Ceja Neji Yatemi Jurema de Yansã Comidas de Santo Explorando o assunto Comida de Santo. "Agosi" ou "Agosivi" se for uma menina. espíritos de antigos ancestrais de Dahomey. se for menino pode se chamar "Alifoe" (homem do caminho) ou "Aliposi" (mulher do caminho) se for uma menina. Se a criança for filha de pais muito pobres pode ser chamada "Lavagnon" (as coisas vão melhorar) ou "Agbsi" (nas mãos de Deus). já tem um nome do espírito (família totem) de sua família sanguínea. ou ainda "Agbebavi" (você compensa toda a vida que choramos). Se o pai da criança morrer antes de seu nascimento. na falta desses. na cultura Ewe. se for menino pode ser chamado "Apedo" (a casa está vazia) ou "Apedomesi" se for uma menina. que apresentavam as mesmas deficiências. dias da semana. devido ao estado atual dos costumes. Se for o último a nascer pode ser nomeado "Agosu" e "Agosa" se for uma menino. etc. quando a criança é apresentada ao bokono. Fazendo-se agora um resumo e algumas colocações. Tradicionalmente. para ele é muito importante e significativo para todo cumprimento de sua vida espiritual e material na Terra. é a avó ou o avô quem escolhe o nome da criança. Atualmente. circunstâncias incomuns. Nina Rodrigues. um menino que tenha sido o terceiro a nascer em uma família poderá ser chamado "Mensah" ou se for o quinto "Anani". Mesmo as crianças nascida em circunstâncias excepcionais ou inferiores. devido a grande mortalidade infantil. Crianças que nascem com uma propensão a atrair espíritos negativos devem ser chamadas "Abalo" ou "Aboki" que significa. à quais grupos . se uma mãe esta trabalhando em uma estrada. anões. Por exemplo. também recebem o nome de seu Vodum. "Masa" se for a quarta a nascer ou "Mansa Abla".estas características também contribuem para determinar a personalidade da criança ou mesmo podem revelar sugestões para o seu futuro destino. ou a caminho do mercado. de sua família e de sua comunidade. os beninenses esperam suas criança completarem três meses de vida para dar início as cerimônias na qual a criança se tornará um membro oficial da família. pode-se encontrar na literatura alguns textos. em seus estudos. achou difícil precisar. A menina poderá ser chamada de "Mania". outra pessoa poderá dar os nomes desde que receba uma inspiração e mantenha a tradição de nomes. mover os espíritos ruins para longe. A todas as crianças é dado o nome de seu Vodum. também podiam ser nomeadas de acordo com as circunstâncias. O nome da criança também pode ser dado baseado na ordem de seu nascimento. Crianças nascidas de maneira incomum. Por exemplo. ao abordar à arte da culinária africana. de sua linhagem. algumas de vezes até "engraçadas". são chamados "Tohosou". aquele que o acompanhou em seu nascimento ou de quem sua natureza mais assemelha. as crianças nascidas com má formação física ou mental. Por exemplo.

o português ao lado das caças e muitos frutos. dendê e outros foram entrando aos poucos no Brasil de acordo com as exigências do tráfico ou da população aqui estabelecida. com quem. esse negros modificaram as refeições do reino como já exposto. Esse próprio fato obedece a uma certa ordem inscrita nos mais remotos tempos. se dando.pertenceriam determinadas comidas. entendendo esta como algo parado. ante as novas condições suscitadas pelo processo histórico. arroz. . Elas vão acontecendo. esta comida dentro da dinâmica dos terreiros é um dos veículos de vital importância para a transmissão e distribuição de axé. gengibre. escravos ou livres. o inhame. até quando pôde. O processo de criação das comidas africanas também se deve a importância dos jejuns e das festas regulados pelas igrejas ( outra questão complexa que não cabe abrir aqui). Assim. contrariando a tese dos que insistiam na sua predominância. no entanto. erva-doce. só pôde aproveitar a mandioca e o milho que eram alimentos básicos para o sustento e o qual era oferecido aos negros. como tais. participam de um todo integrado que diz respeito a códigos imprescindíveis dentro da culinária dos deuses. Cascudo (1970) diz que ao fim do séc XVIII os produtos americanos já estavam tão difundidos na África portuguesa que participavam das refeições nos negros. dendê. o que não se come. desde o primeiro momento em que dividiu a cozinha com as africanas cozinheiras. foi à solução encontrada pelos portugueses para suprir a falta de alimentos. a hora e quantidade que se podia comer impostas pela igreja. E mais ainda. marcada por uma série de preceitos e interdições. cada um deles irá receber em dias especiais (ou não) pratos de sua preferência. variando. Nos terreiros. já somadas a tantas outras. Todavia. O que dá identidade à determinada comida não é a origem dos vários ingredientes combinados. Não se trata. coco. Outro fato que deve ser considerado é a falta de mantimentos num país desde o começo assolado pela fome. Os ingredientes africanos vindos da áfrica. E estas maneiras obedecem a determinados ritos que lhe dão sentido e. apresentam-se como algo criativo. As condições de possibilidade para se pensar uma cozinha africana não podem ser pensadas em nível cronológico. de acordo com o tipo de situação servil ou livre e o lugar em que vivia o africano. quando se come. como o quiabo. porém só de comer e sim o que se come. fazendo com que a comida não perca seu sentido nem se afaste da visão do mundo que ela representa. esta cozinha. por exemplo. amendoim. Já Manuel Querino assinalava que a contribuição dos grupos bantos. o gengibre. Não é possível. Seja essa comida reelaborada a partir de técnicas e maneiras predominantemente banto. Da nova terra. fechado. mas a maneira como estes elementos são combinados. inhame. é completamente arbitrário buscar precisar datas para essa culinária. melancia. Ela é mais do que um conjunto de matérias naturais que podem ser adaptados e substituídos. assim como não podem prescindir desse tempo. gergelim. Adotar os mantimentos da terra. jeje ou yorubá. negociar um tabuleiro. quando puderam providenciar seus próprios alimentos. banana. angolanos e jejes eram maiores que as dos nagôs. é muito provável que tenham lançado mão do conhecimento acumulado e das várias experiências trazidas de suas terras. ao lado de importar tantos outros como. se o próprio tempo se incumbiu de dinamizá-la. se pensar nesta cozinha e nem em uma outra somente a partir de tais elementos. Assim. Os africanos tiveram também que adaptar às vezes sua alimentação. vai aparecer relacionada diretamente aos deuses através das chamadas comidas do santo.

quando variam desde o tamanho. as criaturas humanas não valorizem o conhecido . novamente as ervas foram inseridas em todo o processo histórico. Desta forma. Ervas: História e Rito Wanda de Otolu Vem dos tempos mais primórdios. ou seja. mudam o tratamento que estes recebem. tanto é que os próprios animais. E Oxossi por se ligar a terra. ou gueto. Dentro desta visão. A partir dos rituais desenvolvidos. que. Visões de mundo juntadas a inúmeras outras experiências históricas constituídas no Novo Mundo. através dos historidadores. Outra é preparar esse mesmo inhame para Oxalá. em cada tribo. constituíram as cidades e criaram os diferentes grupos. Também o ser humano assim o fez. Junto com isso. mas fazer com que comida se faça africana. Gonzegan Carla de Tobosi FONTE: Faces da Tradição Afro-Brasileira . já se descobriu até a "aura" de cada planta. Assim. Inclusive. princípios universais ou antepassados. haviam os denominados hoje "curandeiros". se escolhe bem os grãos. para se concluir que as plantas sempre acompanharam o ser humano. A comida de santo diferencia-se. a história da utilização das plantas. pois Oxun liga-se à fecundidade. É este fazer que faz com que tal comida seja comida de santo. Com todos esses elementos reunidos. buscam ervas para auto-tratamento. remonte a histórias e passagens. como é de conhecimento histórico. É certo que doenças sempre existiram. daquela do dia a dia. Embora os ingredientes sejam os mesmos. uma vez que as carnes gordas lhe pertencem. foram sendo divididas em outras tantas. é impossível que. não se precisa ir tão longe. quanto no tratamento de suas doenças. Fazer um feijão no azeite não é o mesmo que preparar um Omolocum. as tribos.CNPq Santo Também Come . cientificamente. Ogun pode receber feijoada. através de equipamentos especiais que captam até as diferenças vibracionais de cada erva. senão pela utilização das ervas existentes? Partindo-se deste raciocínio. como os seres primórdios curavam suas doenças. seja na alimentação (auto- subsistência). visões de mundo associadas aos ancestrais. Uma coisa é cozinhar um inhame e dividi-lo em pedaços e come-lo no café da manhã. e que. ainda hoje.Raul Lody. cientificamente. os guetos. Exu pode comer de tudo com já dizia um de seus mitos. foram surgindo. Baseando-se neste conhecimento. as palavras ditas para encantar a comida. Os deuses comem comida mais elaborada. Neste nada pode se escapar. aos primórdios dos tempos quando estes fundaram a humanidade. Certo também que a alopatia (medicina convencional) não nasceu junto com o primeiro "homus sapiens" a habitar o Planeta. E a forma como estes são tratados expressa seu sentido através de um ritual onde nada é por acaso. quando apresentam alguma enfermidade. a forma das raízes. sabe-se também.Tudo isso que foi colocado pelos autores não se trata de um retorno à África. desde sempre. tem-se conhecimento hoje de que a vida humana surgiu mesmo no Continente Africano. os procedimentos observados para sua feitura e por fim. que buscam resgatar a história humana no seu princípio. ao longo do tempo. assim. recebe todos os frutos dados pelo Novo Mundo. já que. tem-se a idéia exata da dimensão da importância de todas as plantas.

Sossa se apresenta em praças públicas.Cada elemento é atribuído à determinada natureza. como verdes. Diante desses altares. os homens tocam os mais variados instrumentos musicais emitindo ritmos divinos e cantigas regionais que falam da tradição dos Voduns. Dia Nacional dos Voduns O Dia Nacional dos Voduns no Benin/África é comemorado em 10 de janeiro. as folhas e os frutos. o povo entusiasmado se aglomeram nas portas dos templos executando rítmos. etc. tanto que existem as árvores sagradas. Começa a festa. ou até. Os principais templos aguardam a chegada de Sossa para dar início os rituais culminantes de comemoraçao ao Dia Nacional dos Voduns. as folhas. cânticos e danças em louvor aos Voduns. Em Ouidah os adeptos de Mami Wata (mães das águas) improvisam altares nas areias das praias. onde os adoradores de Vodum o aguardam para saudá-lo por sua luta em prol da religião. não utilizem as cascas. o povo acompanha todo esse movimento com gritos frenéticos e louvores. Orixá ou Inkice. rios e córregos onde são oferecidos balaios enfeitados com fitas. A raiz é direcionada em cada fim ritualístico. Sua urna mortuária viajou por quase toda a África. ou mesmo as flores e as raízes. As folhas podem ser utilizadas. O ritual das ervas é importante como elemento nos trabalhos espirituais. até o caule. com seus elementos vitais. O dia 10 de janeiro é o marco de uma grande vitória religiosa e Sossa sempre será . flores e presentes para os Voduns das águas. o povo canta e dança louvando os deuses. não seria possível o mínimo trabalho dentro de uma Casa de Santo."chazinho". O ponto culminante dessa comemoração é a hora em que esses presentes são colocados em pequenas embarcações e levados para alto mar onde serão oferecidos aos deuses. os frutos. Nas primeiras horas da madrugada os sacerdotes e sacerdotisas saúdam e homenageiam Legba. em outras atividades. acompanhados pelo povo. trazem a essência para o crescimento espiritual. oficializando assim a religião. O governo constituído por beninenses elegeu Sossa Guedehouhoungue como Presidente Nacional do Culto aos Voduns. que serão degustados no decorrer das festividades. As ervas. Sagbeto e os Ancestrais. Sem os rituais das ervas. desde a raiz. Durante todo o dia em várias regiões do Benin. a árvore em si é de suma importância. Em tudo. O caule é utilizado como marco numa Casa de Santo e como sustentação em tenda. quem sabe. tanto secas. Todas as ruas e vilas são decoradas com motivos que lembram os ancestrais e os Voduns. de acordo com a essência de cada Vodum. onde o grande líder recebeu rituais fúnebres como a ultima homenagem de um povo que tanto lutou para que seus direitos religiosos fossem respeitados. Os vegetais são imprescindíveis na prática religiosa. a erva sempre presente. aproximando a essência de cada Ser Espiritual. As mulheres usam suas melhores roupas nativas e se enfeitam para agradar os deuses. Essa data foi estabelecida após ser proclamada a independência do Benin. No Candomblé. Sossa Guedehouhoungue faleceu em 27/01/2001 e foi sepultado em 25/02/2001 na cidade de Dotou. No amanhecer oferecem sacrifícios e presentes aos Voduns. As mulheres fazem as melhores iguarias e os homens preparam o vinho de palma.

O Vodun une seres humanos. Legba. Estes deuses parecem ser confusos.Arte e Deuses A arte tradicional de Vodun é a pedra fundamental desta religião. o mensageiro dos deuses. Dois dos mais célebres destes artistas são o pintor Hyppolite e o escultor Georges Liautaud. são capazes de incitar um espírito em modelos esculpidos e. O significado dos objetos usados nos cultos de Vodun é explicado geralmente desta maneira: Os seguidores de Vodun procuram imagens dos deuses e dos sinais de mistérios divinos. desencadeia seu inacreditável poder quando transforma-se literalmente em dois deuses durante um cerimonial. assim sendo. as figuras gigantescas do deus Legba dão aos dançarinos uma nova energia e os espetáculos naturais como o trovão e o relâmpago são interpretados como expressões da vontade ou da punição divina. os templos e os cerimoniais que são descritos nestes relatos estão até hoje quase que inalterados. Os deuses tentam incorporar em seus seguidores humanos. sabem que trará graças aos seres humanos também. Nenhum dos deuses são semelhantes. Neste caso. contraditórios e criativos. todas as imagens moldadas possuem penis eretos como símbolos da vitalidade e potência. Outros artistas da atual geração são . por exemplo em Heviosso e em Shango. os corpos dos dançarinos servem como mediadores para os deuses de Vodun. Em alguns casos. é uma prática natural para o povo Fon. Os realtos dos comerciantes e dos viajantes europeus que visitaram Benin no primeiro século também atestam a existência destes deuses. O Vodou é mais do que uma religião. Vodou . um sacerdote retorna da dança em um dançarino mascarado grande e outro pequeno que se põe a girar. estes trabalhos chamaram atenção de negociantes estrangeiros que comentaram o renascimento do Haiti. Ao contrário das religiões monoteístas como o islamismo ou o cristianismo. é uma maneira de vida que inspirou artistas do Haiti em muitos trabalhos.lembrado como o grande Sacerdote de Vodum. vai além de muitos séculos. Fiéis. Para comprovação disto. matéria e natureza em um contexto orgânico de uma vista coerente do mundo. o metal e a madeira aparentemente brutos são transformados em um meio de comunicação com os deuses e seus antepassados. o Vodun tem um santuário de deuses povoado por numerosas divindades. Depois da segunda guerra mundial. os dançarinos mascarados são mensageiros que carregam sinais divinos. Alguns são relacionados ou têm crianças. Fez-se uma criança? É o comentário alegre de todos os participantes do ceremonial para este sinal da fertilidade divina. Se observarmos cuidadosamente estes objetos. Por exemplo. Pode-se dizer com certeza que a tradição local. As escavações arqueológicas na costa ocidental africana mostraram que a religião e suas divindades tem mais de quatro mil anos. é a encarnação das idéias religiosas mantidas por seguidores de Vodun. como por exemplo o templo Dangbe em Ouidah. com nenhuma hierarquia aparente. Comemorar e honrar os antepassados e Voduns. cada um tem um papel diferente . certamente nos aproximaremos do poder irradiado pelos cultos e cerimoniais. outros são bi sexuados ou podem mudar seu sexo à vontade. são passíveis de estar irados em um momento e dóceis no momento seguinte .

Cada humgebe confeccionado pertence àquele vodunsi e. nos traz o orum e nos leva de volta ao orum. Quando o inciado torna-se um vodunsi. não é fixa. algumas casas de Jeje darem o humgebê aos seus filhos somente na obrigação de sete anos. traduzido e condensado pelos webmasters de Luiá. ao contrário que muitos pensam. A voz do humgebê está num grande segredo da nação Jeje. A quantidade de corais que compõem um humgebê. como temos visto em alguns candomblés. inclui obrigações."Oxente!!!! Vocês no Rio só nascem aos sete anos?". atitude que quebra todo o seu significado sagrado. Quando o vodunsi morre. É o fio de conta da vida e da morte. etc. ele recebe o humgebê pois acaba de nascer no mundo do santo. ele tem que passar por todo um processo especial para ser reenfiado. no Rio de Janeiro. aqui apresentado fazem parte do acervo do American Museum of Natural History. Ele representa o elo entre o orum e o aiye. Ele sempre nos avisa quando vai acontece algo de muito grave na vida daquele vodunsi ou no kwe. Deve ter a quantidade certa de miçangas entre os corais e seu fechamento também é um só. O renascimento do Haiti é expresso nas modernas telas de Edouard Duval Carrie. . um no fechamento e outro no meio. com a colaboração de sua esposa Marie Cassaise criam fantasias de Vodou com sucatas recicladas.Antoine Oleyant cujas bandeiras foram inspiradas pelos sonhos e visões de Vodou e Pierrot Barra que. Não se fecha humgebê com contas na cor do santo do yao e sim como um segui. o que também é correto. Ele nos liga ao orum. Há necessidade também. Em alguns segmentos Jeje encontramos o humgebê composto por dois seguis. o humgebê o acompanha. símbolo do próprio céu. O céu cósmico particularmente em suas relações com a terra. O poder do humgebê ultrapassa a mente humana. erroneamente. do mundo espiritual. Temos observado. em hipótese alguma. Temos visto ogans e ekedis usando erradamente o humgebê. currans. pode ser usado por outra pessoa ou tocado. O comprimento de um humgebê varia de acordo com a altura da pessoa. devendo sempre estar um pouco abaixo do umbigo. Somente vodunsis recebem o humgebê. A preparação de um humgebê é igual ou maior que a feitura de um Vodum. Também observamos humgebês enrolados no pescoço. de alguns preceitos de humdemê. A confecção de um humgebê segue características rígidas. zandros. O conteúdo escrito desta página. invisível e transcendente. Quando um humgebê arrebenta. Cabe aqui uma pergunta de uma velha Doné de Salvador ao relatarmos esse fato: . O Humgebê O humgebê é o fio de contas sagrado da nação Jeje. cujo surrealismo captura perfeitamente características do recente pesadelo político recente do Haiti.

Há também um simbolismo de castração. Devemos lembrar também. no mercado. Este é. Aplicada a um objeto. O simbolismo do coral tem tando a ver com sua cor quanto com a rara particularidade que tem de fazer coincidir. A rainha conduz e organiza as mulheres em atividades sociais como irem ao mercado. do simbolismo guerreiro da cor vermelha. espalhado significa a morte. participa do simbolismo da árvore (eixo do mundo) e do simbolismo das águas profundas (origem do mundo). desmaterializa tudo aquilo que dele se empregna. imposição e de um longo sacrifício. manterem tudo limpo e organizado. a morte e os deuses andam sempre juntos e é por isso que. os três reinos: animal. a ambivalência do vermelho do sangue profundo: escondido ele é a condição da vida. incita à vigilância. faz o elo entre a vida e a morte. a rainha mãe orienta as mulheres a irem ao mercado mesmo que apenas socialmente. Como símbolo da árvore da vida e das águas profundas. O azul do segui. elegem a sucessora antes da atual rainha morrer e nomeiam-na somente após a sua morte. Como podemos observar. em seu valor absoluto. embutido no azul do segui. vegetal e mineral. seu poder e seu brilho. Quando os homens vão guerrear. Hoje. corais e segui. Sua cor vermelha aparenta com o sangue. sugere uma idéia de eternidade tranquila e altaneira que é sobre-humana. do Além. É também a cor mais imaterial e fria e. Um lado seduz. como era freqüente no passado. São tarefas importantes porque o mercado é um centro social vital para a comunidade. o mercado é também um lugar de reunião comum. Sua cor vermelha é o símbolo universal do princípio de vida. na sua natureza. nomeiam a mulher mais velha do clã. encoraja. o outro lado alerta. fatores como a instrução e a influência nacional podem vir a frente da antigüidade. Representa não a expressão. detém. O azul não é deste mundo. Fora ser um lugar onde os bens são "trocados".O humgebê é composto de contas. Geralmente. há uma enorme simbologia religiosa e cósmica no nosso Hungebê Mulheres Na Sociedade Jeje As mulheres na sociedade Jeje são representadas pela Mãe. É o caminho do infinito. um pouco como passar para o outro lado do espelho. com nome de alguma rainha antepassada muito respeitada. a cor azul suaviza as formas. o olhar mergulha sem encontrar qualquer obstáculo. perdendo até o infinito. etc. seu destino. abrindo-as e desfazendo-as. com sua força. ou pela Rainha. ou quando iam em visitas à corte real do Duque. A verdade. Os futuros noivos encontram-se pela primeira vez. provoca. à exceção do vazio total do branco neutro. Os ministros. onde o real se torna imaginário. O coral é a "árvore das águas". é a mais profunda das cores: nele. Em tempos de crises. mas o mistério da vida e da morte. cor do fogo e do sangue. homens que elevam ao trono. um certo heroísmo. com efeito. a mais pura. o coral teria surgido das gotas de sangue derramado pela Medusa. o que . O conjunto de suas aplicações simbólicas depende dessas qualidades fundamentais. É também a cor da verdade. Segundo uma lenda grega. a cor azul também é o limiar que separa os homens daqueles que o governam.

algumas casas tradicionais fecham suas portas. até mesmo físicas. infelizmente. Oscilando entre o prazer. Este arquétipo da mulher. afetivas. não é diferente. não brotam plantas. Maior destaque devemos dar quando observamos que a mulher. não é apenas um complemento da indumentária da mulher. No candomblé. sem o princípio de criação. a responsabilidade e os conflitos. o pano-da-costa. (Helena Theodoro). "No contexto africano. tem o encargo maior de ajudar aos aflitos que lhe procuram. a rainha organiza as mulheres para trabalhos administrativos. assim pensou Mawu-Lissa e assim se fez". Essa responsabilidade e valor feminino remontam à formação do mundo. embora haja a participação masculina. até pela sua própria natureza. foi trazido para o Brasil. Política e interesses passaram a frente da religiosidade. sempre enfrentando agressões. Pano da Costa Presença e distintivo do posicionamento feminino nas comunidades religiosas afro-brasileira. razão pela qual.fazem ainda hoje. desempenhando papéis dos mais significativos e necessários para a sobrevivencia dos rituais africano. fartos de amor e leite. visualizadas em sua fertilidade. (Jaime Sodré) Ela é a política e o cotidiano. a sucessão de mulheres nas lideranças dos cultos. é a marca do sentido religioso nas ações da mulher como iniciada ou dirigente dos terreiros. enfim a matrilinearidade personificada no poder de criar vidas e conduzi-las até a ancestralidade". que jogam e "anunciam" a nova líder do clã. pedindo proteção para que os homens voltem em segurança. (Jaime Sodré) "Podemos ainda acrescentar que. Muito mais que simples influências biológicas. vive com sua vida pessoal comprometida pelas responsabilidade com o clã. dá-se através de um conselho de Bakonons. etc. pela maternidade. Na África. Na África as mulheres reúnem-se em sociedades secretas de prestígio e poder. culinárias. devendo. poucas são as casas que preservam o modelo cultural africano de sucessão. "As mulheres do candomblé são o exercício da liderança religiosa-cultural e civil a serviço da vida. o princípio feminino é o princípio da criação e da preservação do mundo: sem a mulher não existe vida. segundo os mitos. escolhida pelos Voduns. os animais não se reproduzem. na esperança de solucionarem problemas dos mais diversos. Assim. preparadas e escolhidas para amar. No Brasil. ora símbolos de sociedades secretas. Pela manhã e a noite dirige uma cerimônia religiosa. um exemplo da soberania feminina africana. sem o poder feminino. tem participação restrita ou proibida. com desacatos morais mas. Extremamente dedicada. ora seios volumosos. a mulher tem a responsabilidade maior na formação e postura religiosa no candomblé. lutar e servir. Posição difícil ocupa a rainha. O pano-da costa é assim chamado por ter sido um tipo de tecido . em outras religiões. a humanidade não tem continuidade. é delas os mais importantes cargos para a realização corretas dos cultos sagrados. No Brasil. o matriarcado é predominante. O cargo maior na herarquia religiosa é perfeito para mulheres. Exerce um papel misto que vai desde a doçura maternal até o rigor característico de uma líder. as mulheres merecem atenção especial quando da realização das formas artísticas. que atua em tão diversificadas situações. ora o ventre protetor. Observemos a profunda conotação sócioreligiosa desse simples pedaço de tecido. ser reverenciada e respeitada pelos Voduns e pelos homens'.

Amigos. O pano-da-costa é de uso exclusivo da mulher nos cultos africanos. aparece guardando as mulheres das presenças de egum.vindo da costa dos escravos. Agora vamos aos meus comentarios. Primeiro se tem que ser usado na cintura. envolvendo praticamente todo o seu corpo no grande pano-da-costa. porque uma das principais funções do mesmo é proteger os orgão reprodutores das mulheres. O pano-da-costa deve ter no minino 60 cm de largura para que possa proteger os orgãos que necessitam de proteção. Aqui no Rio de Janeiro convencionou-se que o pano-da-costa deve ser usado de acordo com a idade de santo. A situação do pano-da-costa é de maior importância. isto é. que representa o prolongamento do Ala de Oxala. . As Yaos. Nos rituais de sirrum/axexe as mulheres usam dois panos-da-costas branco: um protegendo seus ventres e outro sobre os ombros como uma capa que envolve todo o seu colo e seios. só usa preso acima dos seios aquelas que ainda são yaos. o que não diminui em nada as funções do pano-da-costa. ou simplesmente ficam com o peito nu adornados pelas conta e brajas. a mesma proteção do pano-da-costa. De alguns anos para cá os homem aderiram o pano-da-costa. O sentido protetor do pano-da-costa é outro aspecto que merece atenção.da -costa na cintura nunca. Costa do Ouro. mas coloco-o aberto e não enrolado e nunca o uso assim em candomble. Concordo com toda essa parte a cima transcrita do livro. As famosas mães de santo não usam o pano. Observem que as santas mulheres usam o pano-da-costa. então que seja um pano-da-costa enrolado e não uma tira de pano como muitas usam. O tecido original foi substituido por outros tipos de tecidos. Bem ai eu discordo. os santos homens usam o pano-da costa amarrados no ombro lembrando um Alaka (esse sim pertence ao homem) ou amarrado para tras. procura manter os valores religiosos de sua feitura quando em contato com os valores profanos encontrados extramuros dos terreiros Nos sirruns/axexes. Eu mesmo muita vezes coloco meu pano-da-costa na cintura. se voces podem encontrar mais informações sobre o pano-da-costa no livros O Povo do Santo de Raul Lody da PALLAS-Editora e Distribuidora Ltda. mas nenhum deles até agora explicou o porque de usa-lo e nem podem explicar pois o mesmo é de uso exclusivamente feminino. das Yamis. ateado como capa envolvente mágica. mesmo que ela naum esteja de roupa de santo completa. pano-da-costa é para ser usado dessa forma mesmo independente da idade de feitura. isso motivado pelas formas anatômicas características da mulher. O pano-da-costa identifica a mulher feita. O autor fala sobre o uso de tiras amarradas na cintura pelas mulheres com obrigações de 7 anos e pelas ekedes. quando muito. Costa Mina. se colocarmos a presença da mulher como símbolo do poder sócioreligioso e arquétipo dos valores mágicos da fertilidade. ao terminar o período de feitura começam a travar seus primeiros contatos com o mundo exterior protegidas pelo pano-da-costa branco. Esta errado. pode-se enrolar até abaixo dos seios.

também encontramos a cura para doenças e a solução para vários problemas. nhifo (nifô) e nhijou(nijou) . é que aqui são usadas somente durante os rituais interno e na África são usadas em público. São preparados pelos sacerdo-tes e adivinhos que os usam para afastar pessoas. essa palavra é usada para definir porções mágicas usadas pelos vários segmentos do Candomblé. Finalizando. durante os rituais e festas é colocado um recipiente contendo porções mágicas que os vodunsis passam com abundância em seus corpos quando os Voduns começam a manifestar-se em seus filho. Consiste em uma pasta feita com farinha de milho. desocupar casas. tem como finalidade purificar o corpo físico do iniciado e ao mesmo tempo facilitar o transe. A diferença no uso dessas porções no Brasil e na África. mais aumenta a força de seu Vodum no transe. atakim (ataquim) . makun (mácum (sementes)). desmanchar feitiços. nhijou toubome (nrijou-toubômê (manteiga do reino)). etc. . óleo de palma e ervas sagradas. Devemos lembrar que. portanto as mesmas não necessitam dessa proteção ainda. os Akpagans (apagans) e as Dehes (dérés) são alguns(as) dos sacerdotes responsáveis pela fabricação dessas porções mágicas. yicca (iicá (mandioca ralada e seca)) e o zume (zumê (matos e folhas)). usadas para várias finalidades. feitiço. esse procedimento esta errado. O djasi é muito usado em algumas regiões do Benin. Essas porções mágicas são mais uma das heranças que nos deixaram os africanos que trouxeram seus deuses para o novo mundo.Em algumsa casa encontramos abians usando pano da costa. nhizou (nizou )chifre)). A zorra é um poderoso elemento quando bem feito e usado. nhido [(nidô). O Akpagan é uma espécie de médico curandeiro que conhece as propriedades terapêutica de todos os gris-gris. isto é. Os Ata (atá (gengibre)). concluímos que os chamados atins são mais um recurso utilizados por nós e por nossos deuses para um intercâmbios maior entre nós e eles. São compostas de ingredientes vegetais. As abians ainda não tiveram seus pontos de energias abertos durante uma feitura. pós mágicos usados para feitiços. Os chamados "atins de feitura".elementos animais]. minerais e animais. não é sinônimo de maldade ou coisa ruim. Atins Atim no dialeto Ewe/Fongbe quer dizer árvore ou madeira. Existem ainda aos porções mágicas denominadas "Zoha (zorra)". quanto mais djasi(djassi) eles passarem no corpo. No feitiço. são alguns dos gris-gris(glisglis (ingredientes para pós mágico e amuletos)) vendidos nos mercados de todas as cidades no Benin. No Brasil. Os Gbokonans(bôcônãs). como também para a solução de vários problemas. Os africanos acreditam que.

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