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Ciência Rural, Santa Maria, v.43,den.

12,
Indicador p.2297-2303,dos
sustentabilidade dez, 2013
agroecossistemas: estudo de caso em áreas de cultivo de milho. 2297
ISSN 0103-8478

Indicador de sustentabilidade dos agroecossistemas: estudo de caso em áreas
de cultivo de milho

Sustainability indicator of agroecosystems: a case study in areas of maize cultivation

Adinor José CapellessoI Ademir Antonio CazellaII

RESUMO INTRODUÇÃO
O objetivo deste trabalho é avaliar a eficiência
O aumento da produtividade agropecuária
energética de sistemas de produção de milho convencional e
se sustenta na incorporação de insumos e técnicas
orgânico em unidades produtivas do Extremo Oeste Catarinense.
Os resultados do estudo de caso apontam que a produção dos produtivas, sendo muitos deles degradantes da natureza
híbridos transgênicos e convencionais tem uso intensivo de e da saúde humana. Essa preocupação alimentou o
insumos, alcançando maior produtividade que o sistema orgânico. desejo de desenvolver sistemas produtivos menos
A conversão dos insumos em energia demonstra a baixa de degradantes (agricultura sustentável), o que resultou
eficiência energética. Com diferentes níveis de mecanização e no surgimento de várias correntes de produção
adoção de tecnologia, o principal fator responsável pelas entradas de base ecológica. Essas escolas desenvolveram
energéticas é o uso de adubos nitrogenados de síntese química.
e aprimoraram técnicas que atendem – ao menos
As áreas com sistemas de produção orgânica apresentam maior
parcialmente – as preocupações ambientais, sociais
eficiência energética, sendo conduzidas em pequena escala e
obtendo menor produtividade. e com a saúde humana. A incorporação dessa
concepção no meio científico refletiu no surgimento
Palavras-chave: agricultura, sistema, transgênico, orgânico, da agroecologia enquanto ciência interdisciplinar,
agroecologia. lançando olhares interconectados sobre o espaço rural
e agrícola. A perspectiva agroecológica busca entender
ABSTRACT melhor os problemas inerentes às práticas agrícolas
atualmente adotadas e criar inovações técnicas que
The aim of this paper is to analyze the energy
contribuam na busca da agricultura sustentável em
efficiency of conventional and organic maize production systems in
production units of Far West region of Santa Catarina, Brazil. The sentido amplo, ou seja, contemplando parâmetros
results of case study showed that the production of conventional and econômicos, sociais, ambientais, éticos, culturais
transgenic hybrids has intensive use of inputs and achieve greater e energéticos (ODUM, 1988; PRIMAVESI, 1997;
productivity compared with the organic system. The conversion GLIESSMAN, 2000; ALTIERI, 2001; COLBORN
of inputs into energy showed low energy efficiency. With different et al., 2002; CAPORAL & COSTABEBER, 2004;
levels of mechanization and technology adoption, the main factor LOPES & LOPES, 2011).
responsible for the input energy is the use of nitrogen fertilizers Na agricultura convencional atual, a maior
chemical synthesis. The areas with organic production systems
quantidade de insumos tem possibilitado produzir
present higher energy efficient, being conducted only on a small
scale and achieving average productivity.
mais por trabalhador e por área, mas a quantidade
de produto obtido por unidade de energia utilizada
Key words: agriculture, system, transgenic, organic, agroecology. diminuiu. Essa perda de eficiência energética (EE) tem

I
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Santa Catarina (IFSC), 89900-000, São Miguel do Oeste, SC, Brasil. E-mail:
adinor.capellesso@ifsc.edu.br. Autor para correspondência.
II
Programa de Pós-graduação em Agroecossistemas, Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Florianópolis, SC, Brasil.
Recebido 03.08.12 Aprovado 27.05.13 Devolvido pelo autor 13.09.13
CR-2012-0634.R1 Ciência Rural, v.43, n.12, dez, 2013.

. 2007). e) agrotóxicos. MELO et al. As entradas foram classificadas em diferentes tipos caracterizando-se pela adoção de sistemas de de energia. As entradas foram padronizadas por unidade de área (ha) e mensuradas MATERIAL E MÉTODOS quanto a sua participação relativa em cada sistema produtivo (%). 2a) substituição de insumos para comparação de tratamentos com diferentes e técnicas. apontando-se os pontos Para a análise das médias obtidas. 2007). (CAPORAL & COSTABEBER. As análises de solo foram utilizadas (entrada) na produção: EE = ∑ saídas/ ∑ entradas para verificar se a adubação utilizada está de acordo (MELO et al. CARMO & COMITRE. nesse caso. destaca pela forte presença da agricultura familiar..43. listadas a seguir e descritas nos parágrafos produção intensivos. Por se tratar de uma comparação global frente ao uso de energias não renováveis. Selecionadas ao diferentes níveis de gasto energético em decorrência do acaso. avaliou-se o uso das entradas em: d) fertilizantes (orgânicos e de síntese diferentes fontes de energia e calculou-se a eficiência química) e corretivos. CAMPOS & CAMPOS. 1991). 1979. que oferece suporte uso de insumos e técnicas. quatro de híbridos o valor de referência 645kcal h-1 (PIMENTEL & Ciência Rural. produção. todas dentro do período de entradas de fatores produtivos obtidos com energias Zoneamento Agroclimático da cultura do milho para fósseis. e três de variedades melhoradas de de produção intensivos e degradantes. convencional e orgânico em unidades produtivas tanto para entradas (fatores necessários para a (UPs) do Extremo Oeste Catarinense. A análise global inclui todos com as reais condições de fertilidade dos solos. nos dois preparos e semeaduras. O trabalho adotou o recorte metodológico A) Energia biológica – embora alguns do estudo de caso.GPS de energia produzida (saída) por unidade utilizada (erro de +3m). Descanso./out.). b) industrial: orgânico. A avaliação entre os sistemas produtivos. estudos todos os insumos e práticas por meio de entrevistas passaram a destacar a perda de eficiência energética estruturadas. dez. adotando-se. . fontes de energia utilizadas. Enquanto a polinização aberta. no presente estudo. al. rodado no programa SANEST transição agroecológica: 1a) aumento da eficiência no (ZONTA & MACHADO. 2004). os quais foram. a relação entre as saídas e as dois meses (set. qualificando a análise de sustentabilidade a região. conduzidas em sistema orgânico. desconsideraram-se é enriquecida com a identificação das principais as diferenças entre as datas de semeadura nas áreas. COMITRE. trabalho na execução das tarefas. Essa região se produção) quanto para saídas (produção de grãos). CARMO et exigiu replantio em uma gleba de produção orgânica. material genético de propagação (semente compõe o rol de cultivos presentes nas UPs de sistema de milho e de plantas de cobertura). optou-se por comparar as unidades que produção das máquinas e equipamentos agrícolas.12. Os dados de entradas e saídas c) fóssil direta: combustíveis. contabilizaram-se as horas de municípios de Bandeirantes. 2013.. Em seguida. 2005.. compararam-se: sete áreas de produção de esforço de trabalho. segundo os valores de referência indicados Para enriquecer a análise. ainda.2298 Capellesso & Cazella correlação positiva com a implantação de sistemas convencionais. A bibliografia aponta Guaraciaba e São Miguel do Oeste. utilizou-se o teste de ineficiência a serem corrigidos nas três etapas de de Duncan (5%). v. utilizam essa cultura. A emergência desuniforme & PIMENTEL. A mensuração 2007.. GAZZONI sendo. considerados os fatores utilizados et al. milho híbrido transgênico (Bt). energia. 1988. f) transporte da energética. semeaduras ocorreram de forma distribuída em Calcula-se. 1984). 1998. sendo conduzido na safra 2011/12 autores desconsiderem o trabalho humano nos cálculos em 14 UPs da Região do Extremo Oeste Catarinense – de eficiência energética. e 3a) redesenho dos agroecossistemas números de repetição. e g) secagem dos grãos. Como a cultura do milho assume subsequentes: a) biológica: trabalho humano e papel relevante nas UPs de sistema convencional e animal. n. 1995. QUADROS & KOKUSZKA. convertidos e a necessidade de analisá-la como indicador de em energia para fins de comparação em uma mesma sustentabilidade dos agroecossistemas (PIMENTEL unidade (Megacaloria). depois. das áreas de cultivo se deu por meio do uso de um A EE calcula a razão entre a quantidade equipamento de ‘Global Positioning System’ . sendo energética de sistemas de produção de milho calculada e adaptada para as condições da pesquisa. PIMENTEL et al. 2004. separaram-se as demais na bibliografia. energia fóssil tornava-se a base da estrutura produtiva Nas UPs de estudo foram levantados convencional durante o Século XX. Barra Bonita. A conversão dos insumos e práticas em O presente trabalho avaliou a eficiência energia (caloria) se orientou na bibliografia. lubrificantes e graxas levantados nas 14 propriedades foram convertidos em (CARMO et al. 2005.. As os insumos e operações utilizados na produção.

7 a 9.5kcal kg-1 (acréscimo de 50% em diesel).16 b 178.0 a 27.670kcal D) Fertilizantes e corretivos – na kg-1 para implementos agrícolas não motorizados conversão de fertilizantes de síntese química em Tabela 1 .65cv: 3. levou-se em consideração a B) Energia industrial – no uso de máquinas recomendação de 30g h-1 de trabalho.762.5 a 5.40 a Área média (ha) (safra 2011/12) 5. sendo desconsiderado quando provinha de Realizando-se trocas de óleo lubrificante segundo ressemeadura natural (ex. n.051.. distribuindo-se a energia de 2010. corretivos 2.3 a 83. 1985). para colheitadeiras.22 b 6.04 b 36.67 234.7 c Saídas (safra 2010/11) 33. o consumo de graxa.49 EE (não renovável safra 2011/12) 4.660. Os as horas de trabalho.---------Híbrido convencional-------- Mcal ha-1 % Mcal ha-1 % Mcal ha-1 % Entradas (safra 2011/12) 4.298. 2299 PIMENTEL.326.09 b 0.5L h-1.691. produção. de valor adicionado.4 a 69. lubrificantes e graxas pelas (COX & ATKINS.4 a 1.4 a 3.12.334kcal kg-1 2000).500kcal kg-1 (o mesmo valor do milho 5. Os valores de conversão (h).1 b 699.6 b EE (total safra 2010/11) 6.73 Energia fóssil direta 359.: Lolium multiflorum).837.3 b 33.0 a 18.22 b 8.690kcal et al.32 149.5 a 0.90 0. Ciência Rural. 1979).0 a 0.2 b 28.1 b 86.3 a 3. máquinas e equipamentos no interior da propriedade.534. dez. A produção para obter-se o gasto energético por hora de uso na de sementes exige diferentes níveis de intervenção.1 a 4.86 149.61 201.76 3.43.1 a 77.06 a Entradas (fósseis safra 2010/11) 4.50 b 5.7 a 9.4 a 14.75 a 2.05. PACHECO.7 ab 3. 75cv: 4. Esses de conversão foi de 2400kcal h-1 (ODUM. 2013.6 a 45.750kcal kg-1 (COSTABEBER. para tratores.9 a 11. para os tratores (MACHADO et al.7 b Saídas (safra 2011/12) 17.0 c 0. 1989) e milho híbrido virtude das variações no consumo de combustível (óleo transgênico – 11.49 EE (não renovável safra 2010/11) 8.0 b 0.38 11. atribuíram-se os valores 0.e colheitadeiras – 16L h-1.10 Energia industrial 56.76 Fertilizantes.31 0. PACHECO.0 a 86.32 489. 50g h-1. 2007). adotou-se a média informada pelos agricultores relação ao híbrido convencional). 9. 1967). 10. 1988). v.45 a Nota: Médias seguidas por letras iguais na linha não diferem entre si no teste de Duncan: P<0. al. e 120cv: 8.79 361.3 c 33.20 2. seguindo-se a expressão: kg h-1 = 90% da massa adotados foram 8. A depreciação (kg colheitadeiras (200% da recomendação dos tratores em h-1) teve por base a massa (kg) e vida útil estimada virtude de seu maior tamanho).40 b 7.6 a 699. variedade).14 25. .43 315. o padrão (MACEDÔNIO & PICCHIONI. consideraram-se 16.8 a 7.76 0.1 a 19.8 b 21. para tratores .218kcal L-1 de óleo lubrificante (MELO desses equipamentos.7 b 12.138.632.566.96 a Entradas (fósseis safra 2011/12) 4..150kcal L-1 de gasolina (CARMO et (kg)/vida útil (h) (COSTABEBER. Para a produção de cada unidade de massa de graxa e 9.948.223kcal L-1 de óleo diesel. 2000) e 100g h-1 de trabalho para as fabricação durante sua vida útil.10 3.500kcal kg-1 os usos de combustíveis.330.2L h-1. 1979).06L demais fatores de produção necessários à semeadura h-1. e 0.2 a EE (total safra 2011/12) 3.1L h-1.393. 1989. valores foram multiplicados pela massa depreciável multiplicado pelo número de animais.. milho híbrido convencional . 85cv: adotaram-se 3.15 b 16. ------------------------Sistema de produção convencional------------------------ ----Sistema de produção orgânico---- ----------Híbrido transgênico---------. Indicador de sustentabilidade dos agroecossistemas: estudo de caso em áreas de cultivo de milho. sendo por isso definido três valores de referência: C) Energia fóssil direta – consideraram-se milho variedade de polinização aberta – 3.8 a 0. adotou-se o conceito agrícolas. Para das plantas de cobertura foram distribuídos na tabela 1.891.66 33.0 Transporte 172.4 a 3. Para o trabalho animal.01 b 59.0 Secagem 487.67 234.0 Entradas (safra 2010/11) 5.41 Agrotóxicos 708.Eficiência energética (EE) em sistemas de produção de milho convencional e orgânico no Extremo Oeste Catarinense – safra 2011/12.879.085.51 b Energias biológicas 286.27 138.7 ab 3.0L h-1 .0L h-1. Em 7. Para adubação verde. e EE estimada para a safra 2010/11.9 a 58. kg-1 para tratores e colheitadeiras e 13. para implementos e equipamentos agrícolas.

contabilizou-se o gasto de e convencional (EE=5. pelas entradas totais.15). como base. o cultivo de milho em sistema de produção (pequenos volumes) ou em silos secadores em que a orgânico (EE=16. 100kcal kg-1 de esterco de peru peletizado (sendo esse adotou-se. Embora utilizando áreas pelos agricultores se dá de duas maneiras: ao sol menores. Para fertilizantes orgânicos.986. O cálculo seguiu a expressão: 22. a produtividade obtida na último com valor maior por ser processado). 1) total: pela divisão das saídas de energia calcário foi distribuído por três anos (efeito residual). (2008). O custo energético do maneiras.88kcal kg-1 (N. que contou com ótima distribuição de E) Agrotóxicos – adotou-se como base chuvas e usos semelhantes de insumos nas mesmas para a conversão: 99. No presente estudo adotou. Entre as entradas no sistema convencional. sendo optou-se ainda por avaliar a eficiência energética 15kcal kg-1 para esterco bovino.12.4 a 4. e transporte km-1) até as UPs. ocorrida em cama de aviário.600kcal kg-1 de K2O (COSTABEBER. MELO et al. Por sua vez. consumo de combustíveis e A razão entre as entradas e saídas de energia trabalho humano (carreta agrícola).000kcal m-3 para dejetos suínos e ótimas condições ambientais. 30kcal kg-1 para em uma condição hipotética de safra. a composição de N. combustíveis.2300 Capellesso & Cazella energia. O cálculo de EE foi realizado de duas 1989. na tabela 1. o Para adequar o gasto energético aos diferentes graus milho transgênico tem sido conduzido em sistemas de umidade informados pelos agricultores. CAMPOS et al. 2) externo: uso de levantadas nas UPs estudadas na safra 2011/12 indicou caminhões com custo energético de 880kcal t-1 km-1 um elevado consumo de energia e baixa eficiência (SOUZA et al.67% com híbridos convencionais de milho. fertilizantes de síntese química 200kcal kg-1 referentes ao transporte (0. para padronizar os cálculos. 1985) e lubrificantes e graxas. Adotou-se o gasto se daqueles calculados por PIMENTEL & BURGUESS de 1.95 no convencional.0kcal kg-1 para fungicida e 86.. A quantidade de energia estudos anteriores que apontam a perda de EE associada para secagem artificial depende das condições ao processo de intensificação dos sistemas produtivos. Os resultados encontrados são a quantidade de água removida por meio da expressão: discrepantes quando comparados com os verificados por Massa de água retirada = [(Ui . áreas de produção. Esses dados corroboram energia em trabalho humano.017. e EE=21. média de 2. origem fóssil. os valores propostos por SOUZA et al. ótima distribuição de chuvas) / ∑ entradas da safra F) Transporte da produção – o transporte 2011/12 (sendo secagem e transporte adaptados para da produção foi contabilizado de duas maneiras. climáticas e da quantidade de água presente no grão. 3.0kcal kg-1 EE = ∑ produtividade da safra 2010/11 (obtida em para inseticida (MELO et al. Os restos 83. 2007).000kcal kg-1 de N. Em termos relativos. quando empregados híbridos transgênicos culturais deixados na lavoura após a colheita foram e 86. 1) no interior da propriedade: distribuindo-se. aproximam- e Mtg: massa total de grãos. a produtividade da safra 2010/11). calculou-se ainda mais intensivos. adotaram-se ocasionada pela escassez hídrica (safra 2011/12). dez. 2007). 3. 2013. nos sistemas de produção de milho transgênico e G) Secagem de grãos – a secagem adotada convencional (Tabela 1). como base. P2O5. Em virtude da queda de produção renováveis. Foram classificadas como entradas não se 240. levou-se em consideração destaca-se a grande participação de energia não a produção de grãos de milho com 13% de umidade. representa 3. agrotóxicos. desconsiderados das saídas.220kcal kg-1 de água removida (RIBEIRO & (1980) nos sistemas intensivos dos Estados Unidos – EE VICARI. safra 2010/11.Uf)/(100 -– Uf)]XMtg.o qual foi obtido pela soma de renováveis: energia industrial utilizada na fabricação 40. Com essa finalidade. 2007). calcário. ou horas de máquinas. K2O).976...1kcal kg-1 .21 no sistema orgânico sendo Ui: umidade inicial. Na expectativa de elevar a área e a produtividade. 2) não renovável: pela razão levantando-se em consideração a média de aplicação entre as saídas totais de energia e as entradas de das últimas três safras. 2008).43. o valor transgênicos. Uf: umidade final (13%).000kcal kg-1 reincorporados ao sistema. de P205 e 1. com emprego maior entre os híbridos adotando-se..1kcal kg-1 utilizadas na extração e moagem da de máquinas e equipamentos.5). como base para a conversão.0kcal kg-1 para herbicida. os quais foram considerados não da produção.47 (entre de 1.76%. 2005). uma vez que são P205 e K2O: 12. No que diz respeito às saídas de energia. . n. rocha (MACEDÔNIO & PICCHIONI. adotou-se.844kcal kg-1 (MELO et al. v.96) apresentou maior eficiência lenha é empregada como fonte de energia (renovável). renovável. (2004): EE=38. energética que o milho híbrido transgênico (EE=3.50) Para a secagem ao sol. entre os respectivos fatores utilizados: RESULTADOS E DISCUSSÃO horas de trabalho animal e humano (carroça). No Ciência Rural.

Utilizando dados participação nas entradas de energia diferiu entre da colheita obtida na Safra 2010/11. refletindo no menor consumo de UPs. As melhores resultados para o milho orgânico. Indicador de sustentabilidade dos agroecossistemas: estudo de caso em áreas de cultivo de milho. Safra 2011/12 comprometeu a produtividade. etc. Embora os resultados de EE eficiente que os híbridos transgênicos (EEnão renovável = sejam animadores na produção orgânica. antes da colheita ou com 40% superior à recomendação técnica. Já nas UPs do milho orgânico destina-se à produção de farinha com produção de milho orgânico. Em outras grãos sobre lona).. cultivo antecedente de realizada normalmente com umidade superior a 20% gramíneas e adotasse a expectativa de colheita média para apressar a implantação da safrinha. 19% superior à recomendação técnica.417.8Mcal a base de lenha). Ao comparar a eficiência energética não renovável sendo o uso de máquinas também realizado em (EEnão renovável = saídas/entradas fósseis). Como os agricultores convencional foi 195. sementes de 6. a recomendação a exigência de secagem artificial. o convencional. a deficiência hídrica durante a sólidos e peletizados para uso na semeadora. a vez que não foi efetuada irrigação. o que indica se para a necessidade de inovações que permitam alta eficiência no uso de energia fóssil. representa somente biológicas (trabalho humano e animal. pois alcança mercados diferenciados. alta produtividade. fertilizantes orgânicos. ampliar as áreas de cultivo e a produtividade.40) foi dez vezes mais diferenças estatísticas. a sobredosagem de adubações é reforçada energia para o transporte e secagem. Parte do milho técnica seria de 163.06 para orgânico.1% dos gastos de energia fóssil realizados no milho e plantas de cobertura).41 % Embora as maiores entradas energéticas (149. Contrariando seus defensores. 5. uma Em termos de uso de agrotóxicos. utilizaram-se 267.49% das entradas e. 2013. ano que contou os sistemas de produção de milho transgênico e com condições hídricas muito favoráveis. O uso médio de e a produção destina-se à criação animal. 1980).04 para com agrotóxicos quando comparado ao convencional.9% características do grão.. ou seja. convencional e a totalidade do milho orgânico foram 2004).8Mcal ha-1) do total das entradas na produção produção destinada à secagem em silos (fonte de calor de milho híbrido transgênico e 57. associados ao alto custo energético. sistemas convencionais.217. mas do maior percentual da (2.8kg ha-1 de N (COMISSÃO. Esse sistema ocupa maiores áreas ha-1) para o híbrido convencional. sistema convencional. n. v. referentes no sistema convencional sejam destinadas a alcançar à aplicação de calcário e dejetos animais líquidos. mantendo-se os ao sol e processamento no interior da propriedade. o que permite a secagem EEnão renovável para todos os sistemas. as entradas de (fubá). produção convencional quanto orgânica da região. reforçando dos agricultores (8. lubrificantes e processo de intensificação dos sistemas de produção. vinculada fertilizantes nitrogenados para o milho transgênico e às agroindústrias da região. aponta- 4.01). A quase totalidade (não computados nos cálculos acima). faz secagem do milho transgênico não decorrem das com que esse fator represente em média 48.40 para o transgênico.58kg ha-1 de utilizadas/processadas no interior da propriedade e N (expectativa de 10. Ciência Rural. a adoção nos sistemas de produção de milho aumentaria de: dessa tecnologia resultou em maior gasto energético 3. embora não se pelo uso concomitante de fertilizantes orgânicos verifiquem diferenças estatísticas. 16. . A tração com destaque para uso de fertilizantes nitrogenados animal é utilizada tanto em áreas de sistemas de de síntese química (detalhado no parágrafo a seguir). e energia fóssil direta. Em uma UP.12. A Já a produção orgânica não utiliza agrotóxicos e é elevação da produtividade reflete positivamente na conduzida em menor escala. em principais entradas foram provenientes de: energias valores absolutos (Kcal ha-1).700kg ha-1). intensivo de fertilizantes nitrogenados de síntese As maiores entradas de energia para química.15 para 7. Esses resultados refletem o decorrente do uso de combustíveis.50 para 6. atingiu 33. 2301 sistema orgânico.) e substituir EUA (PIMENTEL & BURGUESS. destaca-se a necessidade de para a menor eficiência energética no sistema tecnologias que contribuam para reduzir a adubação convencional foram os fertilizantes e corretivos. graxas para as máquinas e equipamentos. ao menos secos ao sol (na lavoura.8Mcal ha-1) da energia do sistema. fixação biológica assim como verificado em sistemas intensivos nos de nitrogênio. ou seja.922kg ha-1). representando 21.43. Para os Os fatores que mais contribuíram sistemas convencionais. Se o solo possuísse baixos optam por realizar duas safras de verão.8% (2.22) e convencionais (EEnão renovável = 6. por não fertilizantes e corretivos foram menores que nos demandar agrotóxicos no seu processo produtivo.96 para 36.. nitrogenada de síntese química (ex.4kg ha-1. O uso o uso de agrotóxicos. dez. a EE total convencional. a colheita é níveis de matéria orgânica. o sistema sistemas de base ecológica – não se verificando orgânico (EE não renovável = 59.

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