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MERLEAU-PONTY, Maurice. O Metafísico no Homem. In: O s Pensadores: Merleau-Ponty.

São Paulo: Abril Cultural, 1980.

Nas primeiras páginas do texto, Merleau-Ponty vai discorrer sobre a proposta de ciências a
partir do método científico, baseado em resultados quantitativos e que transformam os
fenômenos em coisas, para destas coisas extrair leis invariáveis. Depois, ele discorre sobre as
contribuições da Psicologia da Gestalt, o trabalho de Koehler em relação aos primatas, como
uma possibilidade de uma ciência descritiva e não apenas quantitativa. Juntamente a isso, há o
apontamento de que a ciência moderna, ao fazer dos fenômenos “coisas”, criavam o problema
de uma separação entre sujeito e objeto. A partir daí, ele vai apontar que as ciências humanas,
após a tentativa de produzir uma ciência nos padrões do método científico, se encaminham para
uma proposta de produção de conhecimento que revisem as relações do subjetivo e objetivo.
Na pág, 183-184, MP vai trazer a sociologia e apontar que “Durkheim tratou o social como uma
realidade exterior ao indivíduo e encarregou-o de explicar tudo o que se apresenta ao indivíduo
como um dever-ser.” (p. 184). Mas o filósofo afirma que o social não pode resumir-se a algo
externo, antes ele afirma que “o social só pode prestar esse serviço se não for uma coisa, se
investir o indivíduo, solicitá-lo e ameaçá-lo ao mesmo tempo, se cada consciência, ao mesmo
tempo, se perder e se reencontrar na relação com as outras consciências, enfim, se o social não
for ‘consciência coletiva’, mas intersubjetividade, relação viva e tensão entre os indivíduos” (p.
184).
E prossegue afirmando uma compreensão dos fatos sociais pautada em uma totalidade/Gestalt e,
ao que me parece, uma intencionalidade. Coloca que os fatos sociais não podem ser
compreendidos como partes extra partes, separados uns dos outros, mas que são uma “totalidade
onde os fenômenos se exprimem mutuamente e admitem uma mesmo tema fundamental”. Para
corroborá-lo, cita Mauss: “O espírito de uma civilização compõe de um todo de funções; é uma
integração diferente da soma da totalidade das partes”. E também afirma que os fatos sociais são
soluções singulares para o problema da relação do homem com a natureza e com os outros
homens. (p. 184-185).
Ao longo do texto, o argumento do filósofo é a crítica de uma ciência (e de uma moral) e de um
saber construído como uma absoluto e de uma compreensão de metafísica como uma sistema
absoluto de verdade. Para Merleau-Ponty, a metafísica é, antes “o reconhecimento e a descrição
do paradoxo da alteridade e da identidade fundantes da experiência e do pensamento. A
metafísica é, pois, o subsolo permanente não-tematizado da atitude natural e da ciência”
(nota do