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E n trev ista co m L u iz A d elm o M a n za n o co n ced id a a R o sa n a S tefa n o n i em 2 7 /0 6 /2 0 1 4

L u iz: S ó u m a p rim eira o b serv ação q u an to ao term o “F u n d ad o res”. T alv ez seja p reten são m u ito g ran d e d a

m in h a p arte m e co n sid erar fu n d ad o r d e alg u m a co isa. H o n estam en te, ap ro v eitei u m a o p o rtu n id ad e q u e

m e foi o ferecid a e, en ten d en d o que o fo ley era p arte im p o rtan te d aq u ilo que estav a sen d o p r o p o sto ,

b u sq u ei en caix á -lo d en tro d a estru tu ra. E m v erd ad e n u n ca fo i m in h a in ten ção ab rir u m estú d io , ao m en o s

até p o r v o lta d e 2 0 0 4 , em b o ra tiv esse tid o u m a p rim eira ex p eriên cia d e C ru g F ilm es co m o estú d io (u m a

sala, onde ed itei “O H om em que C o p iav a”, d e Jo rg e F u rtad o , en tre o u tro s film es, so b retu d o cu rtas).

T alv ez a in o v ação n a C a sa b la n ca S o u n d , ex p eriên cia d a q u al tratam o s p rim o rd ialm en te aq u i, ten h a sid o

so b retu d o ap licar um a filo so fia (que tam b ém não é in éd ita, em b o ra no cin em a talv ez n ão seja m u ito

rep etid a) de b u scar em facu ld ad es de cin em a p esso as com en ten d im en to de cin em a, co m bagagem de

h istó ria, d e ter v isto film es, v alo rizan d o essa fo rm ação m u ito m ais d o q u e o co n h ecim en to técn ico . T rata -

se d e alg o q u e m esm o n a C a sa b la n ca , m ais asso ciad a ao m ercad o p u b licitário , n ão aco n tecia m u ito .

R o sa n a : Q u a n d o v o cê a b riu o estú d io d e fo ley?

L u iz: E n tão estam o s falan d o d a ex p eriên cia C a sa b la n ca S o u n d . A id eia d e u m estú d io d e fo ley aco n teceu

m eio que p o r acid en te. N o fin al d e 2 0 1 3 , h o u v e u m a p rim eira co n v ersa d a T eleim ag e (p arte d o g ru p o

C a sa b la n ca , sen d o a T eleim ag e m ais v o ltad a p ara film es e, p o sterio rm en te, séries d e T V ) so b re o estú d io

d e so m q u e estav am fazen d o e q u e p lan e jav am aten d er u m a v aried ad e d e p ro d u çõ es (film es, T V , séries,

p u b licid ad e, d e tu d o u m p o u co ). D e im ed iato falei d a n ecessid ad e d e se fo rm ar u m a eq u ip e e, q u an d o fu i

v isitar as o b ras, v i q u e estas já estav am em estág io ad ian tad o . A estru tu ra estav a p raticam en te p ro n ta, era

m eio co n fu sa, tin h a u m as id eias u m p o u co eq u iv o cad as. E n isso o fo ley su rg iu p o r acid en te. Q u an d o m e

m o straram o lad o d ireito d o estú d io , tin h a ali u m esp aço q u e n ão sab iam ex atam en te c o m o a p r o v e ita r.

T in h a u m a sala m eio p erd id a (q u e v iria a ser a técn ica d o fo ley) e o esp aço o n d e é h o je o estú d io d e fo ley,

q u e d e certa fo rm a so b rav a, n ão sab iam o q u e f a z e r. D e i m e d i a t o p e n se i n o f o l e y e su g e r i p r o M a r c e l o

S iq u eira. F alei dos p iso s d iferen tes, da n ecessid ad e de um tan q u e, ele to p o u . Só que d ep o is d essa

co n v ersa e d essa v isita, a n eg o ciação da T eleim ag e co m ig o esfrio u . D o nada su rg iu a n o v ela

“M etam o rp h o sis” e só fui reto m ar a co n v ersa e rever o estú d io (já p ro n to , um tan to abandonado)

p raticam en te u m an o e m eio d ep o is.

R o sa n a : Q u a l fo i o p rim eiro fo ley d e lo n g a g ra v a d o n esse estú d io ?

L u iz: O estú d io dem orou alg u n s m eses pra ser u sad o (quando cheguei na T eleim ag e, era u sad o para

recreação d o p esso al d a im ag em , d ep o is p u seram um A v id lá, d u ro u p o u co ). F izem o s u m p o u q u in h o d e

fo ley, eram alg u n s so n s ap en as, co m p lem en tação , p ro “M u n d o em 2 V o ltas”, d o D av id S ch u rm an n , em

2006. Logo em seg u id a, fizem o s b astan te fo ley para um cu rta do S elto n M ello , tam b ém em 2006,

ch am ad o “Q u an d o o T em p o C air”. N o fin al d e 2 0 0 6 é q u e co m eça a v in g ar a id eia d e m o n tar eq u ip e, em

face d e v ário s lo n g as q u e estav am program ados para 2007. O p rim eiro , u m tan to p resu n ço so d e n o ssa
p arte, fo i u m film e p o rtu g u ês, “O M istério d a E strad a d e S in tra”, d ireção d e Jo rg e P aix ão d a C o sta . E ra

um a co-produção com a T eleim ag e. P resu n ço so porque n o ssa eq u ip e de fo ley era in ex p erien te. E de

rep en te estáv am o s fazen d o u m film e d e ép o ca, co m n ecessid ad e d e u m fo ley req u in tad o , a ser m ix ad o em

L isb o a, p elo m ix ad o r B ranko N esk o v. C om form ação nos p rin cip ais ce n tro s eu ro p eu s, B ranko tev e

m arcan te p assag em p ela F ran ça, u m d o s p aíses m ais ex ig en tes em relação a fo ley. E n ão b astasse isso ,

B ranko m esm o adora fo ley, a p o n to de ter um estú d io esp ecífico p ara fo ley n a S érv ia, seu p aís n atal.

A in d a assim n ão fizem o s fe io , tu d o co rreu b em .

R o sa n a : P o r q u e a b rir u m estú d io d e fo ley n o B ra sil?

L u iz: P ra m e resp o n d er isso , v alh o -m e d o q u e escrev i n a o b serv ação in icial e n o q u e co m en tei d a h istó ria

d o estú d io . A in ten ção d a T eleim ag e era aten d er u m a en o rm e v aried ad e d e p ro d u çõ es, film e, T V e sab e -se

lá m ais o q u e. M in h a p ro jeção in icial era ter ao m en o s 11 p esso as f ix as n o estú d io , d ad o o v o lu m e d e

p ro d u ção im ag in ad o . N isso , p en sei em ter u m estú d io d e fo ley p o is sem p re fo i p en o so ficar n o esq u em a

d e so licitar fo ley d e o u tras p esso as, n o rm alm en te d e o u tro s E stad o s. N o s m eu s an o s d e co lab o ração co m a

JL S , ou m esm o an tes acom panhando o jeito que se fazia na Á lam o ou m esm o m in h as ex p eriên cias

E can as d e fo ley, sem p re fico u claro q u e a ex p erim en tação era m u ito im p o rtan te e ter p esso as fo cad as e

ev en tu alm en te b ito lad as n isso seria m u ito p ro d u tiv o . M eu p rim eiro p rêm io d e so m (F estiv al d e B rasília,

1993) d ev e -se a um b elo trab alh o de fo ley, que fizem o s num estú d io pequeno na EC A (no p r éd io

p rin cip al). P ro m eu cu rta E can o ( C a ixa d e P a n d o ra , 1 9 9 2 ), fizem o s u m a estru tu ra esp ecial n esse m esm o

estú d io , com m ad eiras ran gendo, pra fazer os p asso s. O resu ltad o era bem leg al , fico u tão bom que

receb eu elo g io s d e Jo sé L u iz S asso (d aí m eu p rim eiro co n tato co m ele) . M as afo ra isso , o m ais u su al é

q u e a g en te co n se g u isse 1 o u 2 d iárias d e Á lam o (n u m estú d io flex ív el, tam b ém u sa d o p ra d u b lag em ) p ra

fazer fo ley, e n o rm alm en te co m p lem en tação . P ra lo n g as, sem p re d ep en d íam o s d o A n tô n io C ésar , e era

sem p re u m tan to im p esso al: m an d áv am o s u m a lista, ro lav a u m a co n v ersa ráp id a p o r telefo n e so b re alg o

esp ecífico , e n a m ix ag em era aq u ela c o isa fria d e u m o u d o is d ias (n o m áx im o ) d e p ré-m ix , ab rin d o -se o

fo ley so m en te quando tin h a “b u raco s” na trilh a. D e vez em q u an d o , até co n seg u íam o s q u e o A n tô n io

C ésar v iesse a S ão P au lo , aco m p an h áv am o s um pouco m ais, m as m esm o assim co n seg u íam o s apenas

alg u n s m o m en to s m ais criativ o s, o g ro sso d o p ro cesso tin h a q u e aco n tecer rap id am en te e se p en sav a m ais

em b an d a in tern acio n al.

A m in h a in ten ção em ter o estú d io de fo ley e um a eq u ip e esp ecífica vem d a n ecessid ad e d a

T eleim ag e d e d isp o r d e to d o s o s serv iço s q u e co m p õ em a realização d e u m a ed ição d e so m . E ter tu d o n o

m esm o esp aço , o que era (e ain d a é) de grande im p o rtân cia. A lém d isso , sab ed o r do q u an to o fo ley

p o d eria co n trib u ir n o m eu trab alh o d e co n cep ção d e so m (tem film es q u e lem b ro co m m u ito carin h o d a

co n trib u ição do fo ley, m esm o n o p erío d o an terio r à T eleim ag e), ter u m a eq u ip e p ró p ria d e fo ley sem p re

fo i d esejo d e m u itas p esso as, m as p o u cas efetiv am en te se av en tu rav am . M ais o u m en o s n essa ép o ca, em

2 0 0 4 p ra ser m ais p reciso , o K ik o F erraz fo i d o s p rim eiro s a se av en tu rar e p ro p o r u m a eq u ip e p ró p ria,

in v estin d o n u m estú d io ad eq u ad o , ten d o o F elip e co m o p arceiro e co m ex p eriên cia . P o r fim , sab ia q u e

alg o a av an çar n o m eu trab alh o era ex p lo rar m ais o fo ley, trab alh á-lo m ais, ap ro v eitá -lo m ais, sain d o d a
id eia q u e fo ley era p ara b an d a in tern acio n al. Isso v em tam b ém d e co n v ersas e trab alh o s co m A rm an do

T o r r e s J r., q u e n a é p o c a c o m e ç a v a a f a z e r i s s o c o m o A lessan d ro L aro ca (h av íam o s feito o “A q u ária”, em

2003, com fo ley do L aroca), e o A rm ando co n seg u ia ap ro v eitar bem o m aterial do fo ley. A ssim ,

co n clu in d o , q u an d o apareceu a o p o rtu n id ad e de estru tu rar o estú d io da T eleim ag e / C a sa b la n ca , n ad a

m ais n atu ral d o q u e eu p en sar em ter estú d io e eq u ip e.

R o sa n a : V o cê a p lico u q u a is técn ica s n a co n cep çã o d o seu fo ley? Q u a l era a in sp ira çã o ?

L u iz: N a v erd ad e n u n ca tiv e m u ita referê n cia, fo i n a b ase d a ten ta tiv a e erro . T in h a co m o refereê cia o

fato d e ter v isto “d u p las” q u e se av en tu rav am a fazer fo ley, co m o E d u S an to s M en d es e M ich ael R u m an ,

o u E d u e Jo ão G o d o y. E m esm o assim , tiv e co n tato co m eles já n o p erío d o p ó s -E C A . A n tô n io C ésar fo i

alg u ém que só fui conhecer tam b ém já quando trab alh av a p ro fissio n alm en te, era alg u ém do m ercado.

E n t ã o , n ã o t i n h a m u i t a t é c n i c a p a r a se e sp e l h a r. E lem b ran d o q u e estam o s falan d o d e u m p erío d o p ré -

In tern et, n ão ex istia essa facilid ad e e esse in tercâm b io .

O que eu tin h a sim era ref erên cia au d itiv a, q u e ju lg o ser d e ex trem a im p o rtân cia. Já n o m eu

p erío d o in icial d e ed ição d e so m , lem b ro d e u m d i a i r à Á l a m o e t e r a o p o r t u n i d a d e d e o u v i r, n o e st ú d i o 6

(a fam o sa sala H ugo G am a) d iálo g o s e, em sep arad o , a b an d a in tern acio n al d o film e “J u rassic P ark ”.

M ais ou m enos na m esm a época, ouvi o so m d ireto do C h ris N ew m an para o film e “B rin can d o n o s

C am pos do S en h o r”. Isso foi m arcan te pra m im , d eu clara id eia d e co m o era b o n ito , b em feito , b em

g r a v a d o e d e q u a l so n o r i d a d e d e v e r í a m o s b u sc a r. E sse t i p o d e r e f e r ê n c i a , c r e i o e u , f o i o m a i s v a l i o so n o

trab alh o co m fo ley. M esm o n o s cu rtas E can o s d e q u e falei, n ão tin h a técn ica su p er -ap u rad a, tin h a alg u m as

d icas d o E d u e a so n o rid ad e q u e se b u scav a. Ju n tav a m -se a isso o s o u tro s elem en to s d a eq u ação : co m o

g r a v a r, a e x p e r i ê n c i a e m cap tar so m ( eu fazia b astan te so m d ireto , tin h a cap tad o so m em um lo n g a lo g o

d e cara, p assad o u m m ês m ex en d o e ex p erim en tan d o co m N ag ra), ex p erim en taçõ es, p o r aí v ai.

D ep o is isso fu i m e ap erfeiço an d o , a p artir d o m o m en to q u e fiz fo ley em lo n g a, co m E du, com

Jo ão G o d o y, pegando fo ley do A n tô n io C é sa r, en ten d en d o com o isso era (ou não) trab alh ad o na

m ix ag em . E n o m eu p erío d o JL S , trab alh ei p o r u m bom tem p o ju n to (o u m esm o d en tro ) d e u m a sala q u e

u sáv am o s p ra fazer fo ley. F iz co m o E d u S an to s M en d es fo ley d e lo n g as in teiro s (“S erv a P ad ro n a”, d a

C arla C am u ratti, u m film e d o W alter H u g o K h o u ri, u m d o D el R an g el), além d o “C in d erela B aian a”, co m

D an iel S asso .

R o sa n a : C o m q u a is eq u ip a m en to s v o cê co m eça a fa zer fo ley?

L u iz: N a época E can a, ain d a na m o v io la, o fo ley era gravado em N ag ra. D ep o is se tran screv ia para

m ag n ético e ed itav a -se n a m o v io la. M esm o em alg u n s cu rtas, fo ra d a E C A , fazíam o s d essa fo rm a. C o m a

in tro d u ção das w o rk statio n s d ig itais, d ev id o ao fato das w o rk statio n s serem caras in icialm en te (o q u e

to rn av a d ifícil ter u m a w o rk statio n to talm en te d ed icad a a u m estú d io d e fo ley), até fazíam o s a g rav ação

com au x ílio d e u m a w o rk statio n m as a ru id ag em era gravada em fita H i -8 . T al fato até aju d a a en ten d er a

ev o lu ção d o fo ley: h o je tem o s o s so n s g rav ad o s e ed itad o s / trab alh ad o s in icialm en te n a w o rk statio n ; h á
cerca de 15 an o s, o fo ley v in h a em fitas H i-8, que eram rep ro d u zid as em gravador D A -88 da Sony

d iretam en te no m o m en to da m ix ag em . O u seja, nem sem p re se carregava esse fo ley para um a pré-

sin cro n ização , esp erav a -se q u e já v iesse em sin cro n ism o . S ó m ais p ra fren te (2 0 0 4 , 2 0 0 5 ) é q u e o fo ley

p asso u a ser g rav ad o d ireta m en te n a w o rk statio n e ali trab alh ad o (g eralm en te em P ro T o o ls, q u e se to rn o u

q u ase p ad rão ) .

Em term o s de m icro fo n ação , tam b ém im p era a p r e f e r ê n c i a p e l o M K H - 4 1 6 , d a S e n n h e i se r. R a r a m e n t e

u sam o s 2 m icro fo n es sim u ltân eo s. N um d eterm in ad o m o m en to da h istó ria da C a sa b la n ca Sound

com eçam os a u sar o m icro fo n e A K G -4 1 4 C , ex p erim en tam o s u sá -lo co m o p rin cip al o u em co m b in a ção

com o 4 1 6 , m as o m ais u sad o co n tin u a sen d o o 4 1 6 .

R o sa n a : Q u em já p a sso u p elo fo ley q u e v o cê fu n d o u ?

L u iz: A p r i m e i r a p e sso a q u e c h a m e i e sp e c i f i c a m e n t e p a r a f o l e y f o i A n a L u i z a P e r e i r a ., e m fev ereiro d e

2007. A na com eçou trab alh an d o co m L u c i a n a R o ç a e F r a n c i sc o G a sp a r, q u e e n t ã o f a z i a m estág io , m as

lo g o em m arço de 2007 foram co n tratad o s E ric R ib eiro C h ristan i e M aria A u g u sta R o im (G u ta). A na

fazia su p erv isão d e fo ley, a p rática (arte e g rav ação ) ficav a co m E ric e G u ta. A o s p o u co s, co m a v iv ên cia

d o estú d io e tam b ém p erceb en d o afin id ad es e ap tid õ es, acab ei ap ro v eitan d o A n a L u ísa co m o ed ito ra d e

efeito s, alg o que ela g o stav a m ais. A té que, em ju n h o d e 2 0 0 8 , en tra n o estú d io u m a talen to sa fu tu ra

ed ito ra, ch am ad a R o san a S tefa n o n i Iw am izu . S u a en trad a para o estú d io está lig ad a à n ecessid ad e d o

e st ú d i o f a z e r, e m tem p o reco rd e, b an d a in tern acio n al d e n o v elas p ro d u zid as p ela C asab lan ca, já ex ib id as,

en tão v e n d i d a s p a r a o e x t e r i o r. A n o v a d u p l a d o f o l e y , G u t a e R o sa n a , a p r o v e i t a b e m a ch an ce d e u sar a

ex p eriên cia com n o v elas pra pegar p rática e en tro sam en to , su rg in d o daí um a d u p la e tan to de fo ley,

b astan te reco n h ecid a n o m ercad o . F izeram fo ley p ara film es n ão ap en as d o estú d io , m as tam b ém o u tras

p ro d u çõ es. O au g e d essa co lab o raç ão talv ez ten h a sid o d ar co n ta d e u m a co -p ro d u ção m ix ad a n a F ran ça

(o film e “A n o th er S ilen ce” , d e S an tiag o A m ig o ren a ) e p rin cip alm en te com o film e “O P alh aço ” (de

S elto n M ello , 2 0 1 2 ) , q u e v iria a g an h ar P rêm io d e M elh o r F o ley n o F estiv al d e C in em a e M ú sica em

C o n serv ató ria / R J.

In felizm en te para o estú d io , em o u tu b ro de 2012, R o san a sai u do estú d io , in ician d o -se um

p ro cesso d e b u sca d e n o v a p arceria p ara trab alh ar co m G u ta n o fo ley. Por um p erío d o d e q u ase u m ano

essa função é d esem p en h ad a por L ia B araçal T o sch i, d ep o is por C aio G o n çalv es. A co n tin u ação d essa

h i st ó r i a n ã o p o sso d i z e r, p o i s e u m e sm o d e i x e i a C a sa b l a n c a S o u n d e m f e v e r e i r o d e 2 0 1 4 .

R o sa n a : C o m o se d eu a ev o lu çã o d a técn ica d e g ra v a çã o d e fo ley n o estú d io ? F o i sem p re d ig ita l co m

p ro to o ls?

L u iz: N o estú d io C a sa b la n ca Sound sem p re foi d ig ital e sem p re com Pro T o o ls. A o lo n g o d o s an o s

avançam os com a ev o lu ção d o P ro T o o ls, co m eçam o s co m u m a in terface 8 8 2 , d ep o is ten tam o s co m M B ox

e v im o s q u e n ão fu n cio n av a, d e p o is co m a 003.
R o sa n a : Q u a l a fu n çã o d o fo ley n a trilh a so n o ra ?

L u iz: C o stu m o d izer q u e o fo ley d á v id a ao film e, tem o p o ten cial d e d ar m ais em o ção à cen a. P en san d o

n o s elem en to s so n o ro s q u e o fo ley rep resen ta d en tro d a trilh a (e q u e seriam o s ru íd o s / e feito s so n o ro s,

p rin cip alm en te os que seriam asso ciad o s à p resen ça hum ana, esten d en d o -se a efeito s an tes de um

sig n ificativ o p ro cessam en to ), ele o ferece a p o ssib ilid ad e d e rev elar alg o m ais, d e in fo rm ar d etalh es q u e

n ão p en sáv am o s. T am b ém p o d e t e r a f u n ç ã o d e r e i t e r a r, a l é m d e d ar tex tu ra às co isas, asso cian d o (o u n ão )

em o ção ao s o b jeto s e ao s m o v im en to s. O fo ley p o d e n o s d ar id eia d e p eso , ex p an d ir o esp aço , d ar g raça,

criar em o ção .

R o sa n a : Q ual a im p o rtâ n cia que se dá ao fo ley num a trilh a b ra sileira h oje? O s p rod u tores

p rocu ram fo ley?

L u i z : A i m p o r t â n c i a q u e se d á a o f o l e y é c a d a v e z m a i o r, a p o n t o d e a t é se o u v i r r e c l a m a ç õ e s d e q u e e m

alg u n s film es o fo ley está ex ag erad o , q u e está m u ito p resen te n o co n ju n to d a trilh a. A o m esm o tem p o ,

cada vez m ais vem os p esso as in teressad as em fo ley, q u eren d o cap rich ar n o d etalh es d e so n s p eq u en o s,

com o são g rav ad o s, d esejan d o o u v ir tais so n s em p rim eiro p lan o . E n ten d o co m o u m p ro cesso n atu ral,

tem o s m ais p esso as fazen d o , aten tan d o p ara o fo ley, d isso resu lta m ais tro ca d e ex p eriên cias, ain d a m ais

na época da in tern et. A v in d a da Jan a V an ce, artista n o rte -am erican a d e fo ley q u e trab alh a n o estú d io

S kyw a lker S o u n d , p ara falar n a S em an a A B C e tam b ém d ar au las n a E sco la In sp irato riu m , em 2013, é um

d o s g ran d es ex em p lo s d isso . E la se sen sib ilizo u co m o co n v ite, ach o u m u ito b acan a as p esso as estarem

in teressad as em fo ley, ain d a m ais n a p arte d ela, q u e é a d a arte d o fo ley, d e fazer o s m o v im en to s. A cab o u

sen d o u m a g ran d e su rp resa v er a sala d a C in em ateca co m lo taç ão to tal, p esso as d o lad o d e fo ra, e ter q u e

co n v en cer a Jan a a u m cu rso ex tra, p o is as v ag as p ara o cu rso p ro g ram ad o se esg o taram em 1 5 m in u to s.

S om ando a isso o ex p o sto an terio rm en te, q u e o s p rin cip ais estú d io s m an d aram seu s artistas e técn ico s

p ara p articip ar d e au las e p alestra, refo rça a im p o rtân cia q u e o fo ley tem ad q u irid o . E o m ais relev an te

n esse p ro cesso to d o é v er o s film es e p ro g ram as d e T V ( sé r i e s) e p e r c e b e r o c u i d a d o m a i o r, a p r e se n ç a

m ais co n stan te do fo ley na trilh a. E na m ix ag em é fato , q u an d o o fo ley é b o m , u sam o s m ais, o q u e

sig n ifica d ar m ais aten ção ao fo ley, ap ro v eitá-lo m ais.

R o sa n a : C o m o v o cê p erceb e a ev o lu çã o d o m erca d o d e fo ley n o B ra sil?

L u iz: A té 2 0 0 5 , 2 0 0 6 , v ira e m ex e o u v ia p esso as falan d o d o an seio em ab rir estú d io d e fo ley, p en san d o

em ap ro v eitar u m cam p o até en tão p o u co ap ro v eitad o , co m p o u ca m ão d e o b ra esp ecializad a. D e lá p ra

cá, esse cen ário m u d o u . In feliz a co in cid ên cia d e q u e isso co in cid a co m a “saíd a” d o A n tô n io C ésar d o

m ercado, que v iria a falecer recen tem en te. M as é fato que com eçaram a su rg ir estú d io s e eq u ip es q u e

aten taram para o fo ley, p ro cu raram reserv ar u m esp aço p ara u m estú d io ain d a q u e p eq u en o , ao m esm o

tem p o q u e alg u n s se av en tu rav am n u m a e st r u t u r a m a i o r. T a l v e z a n o ç ã o d e q u e a s o p ç õ e s n o i n í c i o d o s

an o s 2 0 0 0 se restrin g iam ao A n tô n io C ésar n o R J o u en tão o C h ile (co m reco n h ecid a q u alid ad e) ten h a

lev ad o a essa m u d an ça. E tan to m u d o u esse p an o ram a q u e tem o s p esso as q u e seg u em co m o artistas d e

fo ley (G u ta R o im , F elip e B u rg u er) e alg u n s estú d io s m an têm essa estru tu ra. U m d ad o q u e co m p ro v a tal
in fo rm ação e m e o rg u lh a n esse sen tid o é ter p erceb id o q u e, n o s cu rso s q u e o ferecem o s q u an d o d a v in d a

de Jan a Vance a S P para a S em ana A B C (com lo tação esg o tad a d a sala, tev e g en te q u e n ão co n seg u iu

en trar), tín h am o s co m o p articip an tes eq u ip es d e fo ley d e d iferen tes lu g ares d o B rasil: a eq u ip e d o K ik o

F erraz, a eq u ip e d o A lessan d ro L aro ca, p ro fissio n ais d a R ed e G lo b o , a eq u ip e d a E F X , além o b v iam en te

d a eq u ip e q u e m e aco m p an h av a n a C asab lan ca.

R o sa n a : E x iste fu tu ro p a ra o fo ley n o B ra sil? C o m o está o m erca d o d e fo ley a tu a lm en te?

L u iz: C reio q u e sim , em b o ra o m ercad o au d io v isu al b rasileiro sem p re p asse p o r flu tu açõ es, p erío d o s d e

m aio r p ro d u ção , p erío d o s em q u e p o u co se faz. M as v ejo co m o fato p esso as q u e se ap eg aram ao fo ley,

q u e b u scam trab alh ar e v iv er co m o artistas d e fo ley. E essas p esso as v ão ser p ro cu rad as, in ev itav elm en te.

O m ercad o certam en te é m ais am p lo , o q u e fav o rece a ex istên cia d e u m m ercad o p ara fo ley: séries d e T V ,

g am es, além dos trad icio n ais film es e program as de T V . E x istin d o esse m ercad o , fo rtalecen d o -se por

ex em p lo a p ro d u ção d e séries d e T V , a p resen ça d e u m fo ley d e q u alid ad e to rn a -se o b rig ató ria, até p o rq u e

as em isso ras p assam a se to rn ar m ais ex ig en tes, p o is acabam m u itas vezes sen d o co -p ro d u to ras. E as

em p resas p ro d u to ras se v êem n a o b rig ação d e p ro cu rar q u em saib a fazer d ireito .

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