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E n trev ista co m G u ta R o im co n ced id a a R o sa n a S tefa n o n i em 0 8 /0 2 /2 0 1 4

R o sa n a : C o m o v o cê en tro u n o fo ley?

G u ta : E n trei n o cu rso d o au d io v isu al d a u sp em 2 0 0 5 , e q u an d o estav a n o terceiro an o , em ab ril, acab ei

ten d o a o p o rtu n id ad e d e ter u m a en trev ista d e em p reg o co m o L u iz A d elm o lá n a C asab lan ca. E u era d a

tu rm a d e so m , q u em era n o sso p ro fesso r era o E d u M en d es, q u e tam b ém fo i p ro fesso r d o L u iz A d elm o .

Eu acabei en tran d o na facu ld ad e p en san d o em fazer d ireção de arte, tin h a certeza que ia fazer isso ,

p en sav a m u ito m ais em trab alh ar em TV do que em cin em a, e acab ei g o stan d o m u ito d e so m , n o sso s

p ro fesso res eram m u ito b o n s, e m e in screv i n a esp ecialização d e so m , p o rq u e lá a g en te acab a esco lh en d o

áreas e eu m e in screv i n as esp ecializaçõ es d e so m e d e m o n tag em . E u tiv e au la co m o E d u M en d es, q u e

foi p ro fesso r do L u iz A d elm o , e eles trab alh aram ju n to s, in clu siv e, d ep o is. E acabou ro lan d o um a

en trev ista co m o L u iz A d elm o e ach o q u e ele g o sto u e eu fiq u ei, fiq u ei até h o je!

R o sa n a : V o cê já en tro u lá fa zen d o fo ley?

G u ta : S im . E x istia u m a d u p la q u e fazia fo ley lá, eles eram estu d an tes d a U F S car, e eles estav am f azendo

co m o se fo sse u m estág io e, assim q u e as au las v o ltaram , p o rq u e era n as férias, eu acab ei en tran d o n o

lu g ar d eles, eu e o E ric. M esm o sem sab er o q u e eu estav a fazen d o lá, eu sab ia q u e ex istia fo ley, m as n ão

c o m o f a z i a , p o r o n d e i r , c o m o s e o r g a n i z a r ... N ã o f a z i a a m e n o r i d e i a , m a s a c a b e i e n c a r a n d o a b u c h a e

com o p o u co q u e eles já tin h am o rg an izad o a g en te seg u iu .

R o sa n a : E a fa cu ld a d e m esm o n ã o tin h a d a d o u m a b a se d e fo ley, certo ?

G u ta : E u n ão tin h a tid o n en h u m a au la d e fo ley.

R o s a n a : P o r q u e e u l e m b r o q u e q u a n d o a g e n t e f o i f a z e r f o l e y , v o c ê j á e s t a v a t r a b a l h a n d o ...

G u ta : S im ! A cab ei eu d an d o a p rim eira au la d e fo ley d a n o ssa tu rm a ! E m ab ril d e 2 0 0 7 . D ia 4 d e ab ril .

R o sa n a : Q u e ca ra cterística s su a s fizera m v o cê v ira r u m a b o a a rtista e técn ica d e g ra v a çã o d e fo ley?

G u ta : E u ach o q u e eu n ão g o sto d e m o n o to n ia, p rim eiro , eu m e sin to m u ito b em n o m eio d aq u ele cao s,

que pra um m o n te de g en te é um cao s, m as pra m im é tran q u ilo ficar n aq u ele esp aço , to talm en te

d eso rg an izad o , co m as co isas d ev id am en te sep arad as, m as d eso rg an izad as ao m esm o tem p o . E eu g o sto

de m e m exer. E n tão ficar parada m u ito tem p o no co m p u tad o r, num a s a l a ... Eu não m e im ag in o

trab alh an d o num escritó rio n o rm al, n u m trab alh o m ais p ad rão . C h eg ar, sen tar, trab alh ar, lev an tar e ir

e m b o r a ... L á e u m e m e x o o t e m p o t o d o , e u m e m o v i m e n t o , b r i n c o , e u c r i o o d i a i n t e i r o . E u t e n h o u m

pouco de d ificu ld ad e de ed itar efe ito , p o rq u e eu ten h o que ir lá e ficar procurando e t e s t a n d o ... E m

co m p en sação n o fo ley eu v o u lá p o n h o a m ão e faço . S e n ão d eu certo eu v o u lá e p o n h o a m ão d e n o v o .

É um trab alh o m u ito m ais físico d o q u e o s o u tro s, e eu g o sto d isso .
R o sa n a : E u sei q u e v c fez b a lé, ca p o eira , essa s co isa s. V c a ch a q u e isso a ju d o u ?

G u t a : E u n ã o a c h o q u e t e n h a a j u d a d o o u a t r a p a l h a d o , é m a i s u m a .. . E u a c h o q u e q u e m g o sta d e se m ex er

acab a se id en tifican d o . E n tão eu ach o q u e é u m a característica. E u n ão co n h eço m u ito s o u tro s a rtistas d e

fo ley, en tão n ão p o sso d izer se isso é co m u m a to d o s, m as a g en te tev e a d elícia d e co n h ecer a Jan a, e ela

é um a p esso a que p raticav a b astan te esp o rte, tam b ém é u m a p esso a q u e se m ex ia m u ito . E u ach o q u e

essas co isas talv ez ten h am m e d ad o alg u m a ag ilid ad e em m e m ex er e co o rd en ação m o to ra, m as n ão ach o

q u e ten h am sid o essen ciais.

R o s a n : A p e r g u n t a é : h á q u a n t o t e m p o v o c ê s s ã o u m a d u p l a d e f o l e y ...

G u t a : E n t a o ... E u n ã o t e n h o ... E s s a é u m a p e r g u n t a b e m c o m p l e x a ... E u e n t r e i n a C a s a b l a n c a e m 2008 e

saí em 2 0 1 2 ... E u a c h o q u e e u f i q u e i u m ano e pouco com o E ric (R ib eiro ) , u n s m eses co m a F ernanda

(N ascim en to ), d ep o is 4 an o s e m eio co m a R o san a (S tefan o n i) , d ep o is q u ase u m ano com a L ia (T o sh ci) ,

e ag o ra h á alg u n s m eses co m o C aio (G o n çalv es) .

R o sa n a : E co m o é a d u p la d e v o cês? C o m o v o cês se d iv id em ?

G uta: É d iferen te de com o a g en te trab alh o u ju n to , a g en te acabava fazendo tu d o as duas e

d esen v o lv en d o h ab ilid ad es cada um a (num a p arte). A s arm as e os p ap éis eram sem p re seu s, eu o d eio

p ap éis até h o je! M as co m o o C aio acab o u d e en trar e ele n u n ca tin h a feito fo ley, p o r en q u an to eu só faço a

arte e ele fica d e técn ico . E n a ed ição a g en te d iv id e em ro lo s, cad a u m pega um ro lo . P ro d ia a d ia ele é

técn ico e eu faço a arte o d ia to d o .

R o sa n a : V o cês m esm o s ed ita m o fo ley q u e v o cês g ra v a m ?

G u ta : S im . D a m esm a m an eira q u e era co m v o cê a g en te co n tin u a fazen d o . N ó s n ão tem o s u m ed ito r, lá

a g en te faz tu d o .

R o sa n a : N in g u ém en sin o u vocês a fazer fo ley, m a s q u em v o cê a ch a q u e fo i im p o rta n te p ra v o cê

a p ren d er a fa zer o seu fo ley?

G uta: O L u iz (A d elm o ) fo i essen cial, n é? P o rq u e era o o u v id o d ele q u e fu n cio n av a. O o u v id o d ele era o

bom g o sto , o b o m sen so , o v ale o u n ão v ale. E n tão eu fazia d e alg u m a m an eir a e m o strav a p ro L u iz e ele

falav a: n ão , tá h o rrív el! E le u sav a p alav ras m elh o res d o q u e h o rrív el, m as resu m in d o , tav a h o rrív el! A í eu

ia lá e ten tav a d e n o v o , ten tav a d e n o v o , até q u e ele d izia: P u tz! F ico u leg al! C o n tin u a fazen d o assim !

E n tão ele era o b o m sen so p ra g en te, o o u v id o d ecen te, p o rq u e q u an d o v o cê ch eg a lá v o cê n ão en ten d e o

q u e é, é m u ita in fo rm ação , é m u ita co isa, e a g en te n ão ch eg a co m o o u v id o trein ad o ain d a en tre o b o m e

o ru im , n a v erd ad e o aceitáv el e o ru im ! E u n ão sab ia n em o q u e er a aceitáv el n aq u ela ép o ca! A A na

L u iza (P ereira) tam b ém n o c o m e ç o ... A s s i m q u e eu en trei n a C asab lan ca, eu e o E ric acab am o s fazen d o

m ais arte e gravação e a A na ed itav a, e A na tin h a o o u v id o m u ito b o m , en tão ela tam b ém foi um

p arâm etro im p o rtan te e p resen te p ra g en te, m as o o u v id o d o L u iz fo i essen cial.
R o sa n a : Q u a l v o cê a ch a q u e é a fu n çã o d o fo ley d en tro d a trilh a ? E m lin h a s g era is.

G u ta : A ch o q u e tu d o d ep en d e d o film e. S e é u m film e d e n arrativ a p ad rão realista, ele acab a trazen d o

alg u m realism o . S ão essen ciais o s p asso s e alg u n s so n s q u e fazem falta. E u ach o q u e o fo ley d á m ais v id a

p ro p erso n ag em , o fo ley acab a trazen d o características d e alg u m p erso n ag em , p o r ex em p lo , se o d ireto r

p ed e p ra esse p erso n ag em ter u m an d ar m ais arrastad o , p o rq u e ela é u m a p esso a can sad a, o u se a p esso a é

m ais fo rte, vam os fazer alg u m as co isas m ais p esad as pra ela, en tão eu ach o que o fo ley acaba

caracterizan d o alg u n s p erso n ag en s. P rin cip alm en te se fo r d e an im ação , u m a co isa n ão m u ito realista, aí

sim d á to d a a característica. A g en te fez u m a an im ação q u e ch am a “A s av en tu ras d o A v ião V erm elh o ”, e

pro u rsin h o e pro ch o co late a g en te acabou d esen v o lv en d o m u ito s so n s pra eles e eles são aq u ilo : o

u rsin h o fico u fo fin h o , o ch o co late fico u d u rin h o e to d o articu lad o , en tão acho que a g en te acaba

caracterizan d o e d an d o p erso n alid ad e.

R o sa n a : C o m o é o tra b a lh o d o fo ley co m o so m d ireto ? E d o fo ley co m d u b la g em ?

G uta: A g en te acab a assistin d o to d o o film e e esp era o p esso al fazer a lista d e d u b lag em , p o rq u e as cen as

d u b lad as a g en te v ai trab alh ar b em m ais, p ra d ar essa sen sação d o d iálo g o n ão ficar p erd id o e v azio , en tão

a g en te p en sa m ais n a ro u p a, p en sa em m ais d etalh es q u e a g en te acab aria n ão p en san d o p o rq u e o so m

d ireto v ai co b rir. A n tes d e g rav ar a cen a a g en te escu ta, p ra v er q u al é o so m d aq u ele p asso , p ra v er q u al é

o so m d aq u ele o b jeto , p ra ten tar fazer ig u alzin h o , p ra n ão ficar u m a crise ali d e so n s b rig an d o , a g en te em

g eral acab a fazen d o tu d o m esm o p o r cau sa d a b an d a (in tern acio n al), m as a g en te o u v e o so m d ireto p ra

ten tar fazer ex atam en te aq u ilo e tu d o ficar fech ad in h o b o n itin h o , sen d o u m so m m ais u n ifo rm e, p o rq u e se

tiv er b rig an d o , a g en te v ai acab ar p erd en d o , e eu n ão g o sto d e ficar p erd en d o !

R o sa n a : O fo ley p o d e ser n a rra tiv o ?

G u ta : S im , q u an d o falo d essas co isas eu acab o sem p re p en san d o em an im ação , q u e fu n cio n a m u ito m ais

pra ver o fo ley do que um film e (liv e actio n ) p ad rão realista, sem m u ita p iração . E u ach o q o fo ley,

p rin cip alm en te n a an im ação , acab a d an d o to d a a carin h a d a co isa, a p erso n alid ad e, o d estaq u e, ch am a a

aten ção p ro q u e d ev e ch am ar. S e é u m film e d e terro r, tem o s p assin h o s, as b ag u n cin h as. N u m a b rig a, a

g en te acab a d eix an d o as b rig as m ais fo rtes, m ais p esad as, o u n ão . A ch o q u e a g en te aju d a b astan te.

R o sa n a : Q u a l é a su a estru tu ra d e g ra v a çã o ?

G uta: A g en te u sa o P ro T o o ls, u m a 003 da D ig id esig n , m icro fo n e a g en te n o rm alm en te u sa o 4 1 6

(S en n h eiser). A g en te já ten to u trab alh ar com d o is m icro fo n es, m as n a n o ssa sala n ão d eu certo . N ó s

tiv em o s o 414 (A K G ) alg u m as v ezes, m as in felizm en te n o ssa sala é m u ito ú m id a e ele so fre m u ito ,

acab o u in d o p ara o co n serto três v ezes, en tão ele é só u sad o em m o m en to s esp eciais. É u m a estru tu ra b em

sim p les, a g en te tem u m a sala co m m u ita co isa, m u ita b ag u n ça, o q u e to d o m u n d o fala q u e é lix o , m as

n ad a ali é lix o , são d o açõ es d e co ração a m aio ria! M as é u m a estru tu ra sim p les, a g en te te m ali o sistem a

d e g rav ação e é a m ais a criação , n ão faz tan ta d iferen ça o q u e v o cê u sa co m o estru tu ra d e eq u ip am en to , e

sim o s o b jeto s q u e tem e a criativ id ad e.
R o sa n a : E co m o é a sa la ?

G u ta : N o ssa sala eu acred ito q u e ela ten h a u n s 1 2 m etro s q u ad rad o s, ela tem um ch ão d e m ad eira, taco ,

um p iso frio , u m ch ão q u e a g en te ch am a d e calçad in h a e q u e eu n ão faço id eia d o q u e é aq u ele m aterial,

um esp aço co m carp ete, e d o is caix o tes p ro fu n d o s q u e a g en te acab a d eix an d o b astan te p o rcaria lá, u m tá

d iv id id o em q u atro e fica u m p ed acin h o co m p ed rin h as, o u tro co m terra e su jeirin h as, o o u tro só terra, e o

o u tro está v azio n o m o m en to . O o u tro caix o te a g en te d eix a p ra fazer co isas n o v as, a u ltim a co isa fo i a

neve. E aí no m eio d isso a g en te acab a en caix an d o to d o o r esto d a b ag u n ça, as cad eiras, as m esas, as

ro u p as, é b em u m a ten tativ a d e o rg an ização fru strad a.

R o sa a n : E co m o v o cês d iv id em o fo ley p ra g ra v a çã o ?

G u ta : B asicam en te em p asso s, esp ecífico s e m u m u n h as, q u e são m ão s e ro u p as. A g en te acab a p rim eiro

gravando ro u p as e m ão s p ra v er o q u e tem em to d o o film e, d ep o is a g en te v o lta p ro co m eço . A g en te

d iv id e o film e em ro lo s, v ai g rav an d o p o r ro lo , v o lta p ro co m eço e g rav a tu d o q u e fo r esp ecífico fácil, q u e

a g en te tiv er à m ão , d ep o is a g en te g rav a to d o s o s esp ecí fico s m ais d ifíceis, co m o m ex er co m água, que

faz m u ita b ag u n ça, m u ita su jeira, e por ú ltim o a g en te acaba guardando o que a g en te não tem , p ra

p ro cu rar, e faz o s p asso s.

R o sa n a : N a h o ra d e o rg a n iza r a s p ista s?

G u ta : A s p istas são d iv id id as d essa m an eira t am b ém . A g en te até d iv id e p o r co rezin h as, p ra ficar b em

o rg an izad o . S e o p erso n ag em 1 fico u n a p ista d e m ão s 1 , ele v ai ficar etern am en te n a p ista d e m ão s 1 p ra

n in g u ém ter q u e p ro cu rar. A g en te ten ta tam b ém m an ter u m a ló g ica d e: T em p ap el n o esp ecífico 1 ? V ai

ter até o ú ltim o ro lo p ap el n o esp ecifico 1 . N o s p asso s d o s p erso n ag en s, o s p rin cip ais a g en te p õ e até o

n o m e (n a p ista) p ra m an ter. P o rq u e eu n ão ach o q u e o ed ito r o u o m ix ad o r ten h am q u e ficar p ro cu ran d o

as co isas, en tão eu ten to m an ter o m ais o rg an izad o p o ssív el.

R o sa n a : E a d in â m ica d e eq u ip e? A lg u ém lista o s q u e v o cês v ã o g ra v a r? A p esso a q u e g ra v a fica

resp o n sá v el p o r m a rca r?

G u t a : N o r m a l m e n t e a g e n t e a s s i s t e j á p e n s a n d o . É q u e h o j e t á t ã o d i f e r e n t e ... C a d a p r o c e s s o t e m sid o u m

p o r q u e e u t r o q u e i b a s t a n t e d e d u p l a ...

R o sa n a : M a s v o cê fa z u m a lista a n tes?

G u ta: N ão, não faço. O C aio tem feito , ele tem assistid o e m arcad o b astan te, m as q u an d o éram os nós

d u as, a g en te acab av a g rav an d o e m arcan d o o q u e fico u p ra trás, o q u e p recisav a. L istav a d u ran te. (as

m ão s e as ro u p as)

R o sa n a : E m q u an to tem p o vocês fazem um lo n g a d e 1 0 0 m in u to s?

G u ta : A m in h a resp o sta h o je é: n ão ten h o a m en o r id eia.
R o sa n a : A g en te fa zia em q u an to tem p o?

G u ta : 4 sem an as? 3 ? G rav ad o e ed itad o

R o sa n a : C o m o v o cê d ecid e o q u e g ra v a r e o q u e n ã o g ra v a r? V o cê está v en d o a cen a e a í p recisa

b o ta r o fo ley, v o cê g ra v a a b so lu ta m en te tu d o ?

G uta: N ão , an tig am en te a g en te acab av a g rav an d o tu d o , e v ia q u e m etad e se p erd ia. N ão q u e h o je eu

ten h a d eix ad o d e g rav ar m u ita co isa, m as eu já ap ren d i q u e alg u m as co isas são realm en te b o b ag em . E stá

n u m a b rig a, n u m cao s, u m m o n te d e g en te falan d o , p o r q u e p erd e r tem p o fazen d o alg u m as m ão zin h as

b o b as? A li d e to q u ezin h o s q u e ele s n ão v ão n u n ca ap arecer? H o je eu fico p en san d o q u e so m em o ff o u

so m em q u e n ão é ó b v io em q u e a p esso a tá m ex en d o , rep en sar o q u e fazer o u n ão fazer. P o rq u e o u ele

tem um so m m u ito carac terístico o u esq u ece , p o rq u e aq u ilo ali v ai ficar p erd id o e n in g u ém v ai en ten d er o

q u e é aq u ele so m . M as eu ach o q u e cad a cen a é u m a cen a, n ão d á p ra eu te falar isso faz o u isso n ão faz.

O s p asso s ó b v io s, as co isas q u e estão n a cara q u e estão m ex en d o , q u e estão to can d o , m as tu d o q u e é m eio

o ff o u o n d e h á co n flito d e so n s, eu acab o rep en san d o . S e tem d u as co isas aco n tecen d o ao m esm o tem p o , é

feita a m ais im p o rtan te, talv ez se faça a o u tra, talv ez n ão .

R o sa n a : O q u e v o cê lev a em co n ta n a h o ra d e esco lh er o m a teria l?

G uta: C ara, eu to h á sete an o s n aq u ela sala, ach o q u e eu acab ei m e aco stu m an d o tan to co m o que eu

ten h o , q u e eu acab o n ão p en san d o m u ito n o q u e eu lev o em co n ta.

R o sa n a : V a m o s p en sa r a g o ra ?

G u ta : (riso s) T em alg u m as co isas q u e são tão ó b v ias, q u e eu n em p en so , eu já p eg o e faço .

R o sa n a : É a in tim id a d e q u e v o cê tem co m o m a teria l?

G u ta : É . E u já to tão aco stu m ad a co m aq u ilo tu d o q u e eu n em sei te resp o n d er isso . Q u al q u e é a m in h a

s e l e ç ã o ...

R o sa n a : O q u e te fa z lem b ra r d e u m o b jeto seu q u a n d o v o cê o lh a a lg u m a co isa n a tela ?

G u ta : C o m o o fo ley n ão é u m a co isa v isu al, n o sen tid o d e eu p recisar ter aq u ilo q u e eu esto u v en d o , eu

realm en te faço asso ciaçõ es m u ito ráp id as d o q u e eu v ejo co m o so m d as co is as q u e eu ten h o . E n tão eu

n ão p reciso ter aq u ela cad eira (d a im ag em ) p ra ter o so m , às v ezes u m a m ad eira b aten d o n o ch ão seja o

so m d aq u ela cad eira p ra m im . E n tão eu esto u m u ito aco stu m ad a co m o q u e eu ten h o . O d ia em que eu

tro car d e sala e tro car d e m ate rial, eu v o u so frer m u ito ! P o rq u e eu v o u ter q u e red esco b rir tu d o . N ão q u e

e u n ã o d e s c u b r a c o i s a s t o d o s o s d i a s ... P o r q u e às v ezes v o cê esta cu tu can d o (u m o b jeto ) e fala: N o ssa!

Q u e b o n itin h o isso aq u i to rcid o d e p o n ta cab eça e ch aco alh ad o !

R o sa n a : E q u an d o tem a lg u m so m a li q u e n ã o co m b in a co m n ad a d o q u e você tem lá d en tro , o q u e

você faz?
G u ta : E u saio cu tu can d o tu d o , p en san d o n o m u n d o , p o r o n d e eu já p assei q u e ten h a isso ? O q u e eu ten h o

em casa q u e tem esse so m ? P ra q u em eu p o sso lig ar? P eço p ra a lg u ém assistir e m e aju d ar a p en sar co m o

é q u e eu faço aq u ilo .

R o sa n a : V o cê p a rte d a su a ex p eriên cia p esso a l?

G u ta : D a v iv ên cia d e m u n d o ! P en sa n o q u e tem em casa, n o q u e tem n o m u n d o . A té q u e u m a h o ra acab a

achando. E nem s e m p r e p r o c u r a r o q u e s e v ê d á c e r t o ... À s v e z e s t e m um m o ed o r d e carn e (n a im ag em ) e

o so m d o m o ed o r d e carn e n ão é tão l eg al q u an to seria u m in v en tad o .

R o sa n a : C o m o v o cê tra b a lh a o p o sicio n a m en to d o m icro fo n e?

G uta: U ltim am en te eu ten h o v ariad o a p o sição m ais d o q u e n u n ca. E u d eix o sem p re b em d irecio n al,

porque por m ais que n o ssa sala seja boa, ain d a tem m u ita in terferên cia ex tern a, a g en te está num a

lo calização d a cid ad e o n d e p assa m u ito av ião , p ass am alg u m as m o to s ex trem am en te b aru lh en tas, alg u m as

co isas m u ito b aru lh en tas, en tão eu d eix o b em d irecio n al. E u ten to ev itar d eix ar m u ito p erto , h o je em d ia

eu ten h o au m en tad o m ais a d istan cia d o s p asso s, co n fo rm e está o p erso n ag em n a tela, eu ten h o ten tad o

fazer co m o se fo sse u m so m d ireto n o d ia. M as co isas p eq u en as o u m u ito su tis n ão , eu d eix o p ró x im o

p o rq u e n o ssa sala ain d a n ão p erm ite q u e eu seja tão ab erta a ex p eriên cias.

R o sa n a : C o m o é o rela cio n a m en to co m o su p erv iso r d e so m e/o u co m o d ireto r d o fi lm e?

G u ta : C ad a p ro jeto é u m p ro jeto , cad a d ireto r é u m d ire to r, e o L u iz co n tin u a o m esm o (riso s). A g en te

tem o co stu m e d e assistir o film e in teiro ju n to s, às v ezes d a tem p o , à s v ezes tá tão caó tico q u e a g en te n ão

co n seg u e, m as o p ad rão é assistir o film e in teiro ju n to s e o L u iz, se ele já co n v erso u co m o d ireto r, ele

acaba fazendo alg u n s co m en tário s, rep assan d o o q u e o d ireto r tá p en san d o , ta q u eren d o . M as ach o q u e

d ep o is d e sete an o s lá, p rin cip alm en te q u an d o éram o s n ó s d u as, o L u iz n ão falav a n ad a, a g en te só ia lá e

fazia e trazia p ra ele, p o rq u e já tav a tu d o tão “m en te co m m en te”, sin to n izad o s, q u e a g en te n em d iscu tia

m u ita co isa, às v ezes ele p ed ia co isas d iretas, “p recisa fazer isso assim ”.

R o sa n a : E d u ra n te o p ro cesso ? N o co m eço n ã o , m a s d ep o is d e g ra v a r o p rim eiro ro lo , o seg u n d o

ro lo , e en treg a r p ra ele?

G uta: A g en te tin h a o h áb ito d e m o strar p ra ele p ra p ed ir o p in ião e refaçõ es, e co m o tem p o ele acab o u

até d esistin d o d e assistir ro lo p o r ro lo , ele assistia u m o u o u tro , p rin cip alm en te o p rim eiro , e d izia: v o cês

tão n o cam in h o , v ai lá. O u : Isso aq u i n ão tá leg al. A cab am o s crian d o u m a situ ação d e co n v iv ên cia e d e

c o n f i a n ç a o n d e a g e n t e j á s e e n t e n d i a , e n t ã o n ã o e r a m u i t o ... E r a m a i s p e l o s o f r i m e n t o d e : “ i s s o a q u i t á

leg al? Isso aq u i tá aceitáv el? P o sso escu tar n a sala d e m ix ag em ?”. C o p iáv am o s a sessão d e fo ley n a sala

d e m ix , ele escu tav a, d av a u n s to q u es, d izia se tav a b o m o u se n ão tav a, e a g en te v o ltav a e refazia. M a s

n o rm alm en te ele tem alg u m as o b serv açõ es d o d ireto r e d o q u e ele p en sa d o film e.

R o sa n a : O q u e v o cê b u sca d u ra n te a g ra v a çã o ? Q u a l a ca ra cterística d e u m b o m fo ley?
G uta: O fo ley é o m o m en to d o d esap eg o , n o fu n d o . Q u an d o v o cê v ai assistir o film e n ão so b r o u n em

10% d o q u e v o cê fez, en tão eu ten to fazer o m ais b o n ito p o ssív el p o rq u e eu q u ero q u e aq u ilo so b rev iv a.

R o sa n a : O q u e é b o n ito ? O q u e v a i fa zer ele so b rev iv er?

G uta: V am os p en sar em p asso s. O p asso não pode ser um a co isa m arch ad a, n ão p o d e ser u m a c o isa

esfreg ad a d em ais, não pode ser rep etitiv o . E n tão eu ten to v ariar os p asso s de um a m an eira que eles

fiq u em com um so m q u e rep resen te aq u ele p erso n ag em e a o m e s m o t e m p o ... C a r a , c o m o e u v o u d i z e r o

que é um p asso b o n ito ? É u m p a s s o b o n i t o ! D á o p l a y ! ( r i s o s ) . N o s s a ... Q u e d i f í c i l i s s o ... E u n ã o s o u b o a

com as p alav ras.

R o sa n a : V o cê p ro cu ra en tã o u m a n a tu ra lid a d e n a in terp reta çã o . E o tim b re?

G u ta: T em q u e ter u m tim b re q u e n ão lu te com as o u tras co isas d a cen a. E u n ão q u ero co m p etir co m

n in g u ém p o rq u e à s v ezes a g en te acab a p erd en d o . E q u e ele seja u m so m característico d aq u ela p esso a,

p o rq u e aí v ai ser essen cial p ro film e, sab e? F azer so n s q u e sejam essen ciais, q u e n ão b rig u em e q u e sejam

um tan to q u an to ó b v io s: isso é u m p asso , n ão é u m a esfreg ad a o u u m a m arch a q u alq u er, en tão ele v ai

so b rar, ele v ai ap arecer. A s co isas q u e n ão são m u ito b em d efin id as, q u e ficam m eio ch o ch as, m eio v ag as,

acabam m orrendo porque a p esso a vai estar o u v in d o e ela não p o d e p erd er a aten ção d o q u e ela está

assistin d o p o r cau sa d e u m so m esq u isito . E en tão ele cai.

R o sa n a : V o cê tem a lg u m p ro jeto fa v o rito ?

G uta: Eu ten h o a l g u n s ...E u ten h o três por en q u an to q u e e u c o n s i g o p e n s a r ... 4 v a i ... P o s s o p e n s a r e m

q u atro ?

R o sa n a : N ã o . T rês!

G u ta: L onga foi “O P alh aço ”, p o rq u e a g en te tev e m u ito tem p o e fo i ex trem am en te d iv ertid o . A g en te

tev e tem p o , tev e ap o io p ra se d iv ertir, tev e ap o io p ra criar e p ra im ag in ar co isas q u e a g en te n o rm alm en te

n ão teria. O q u e to d o m u n d o fala: ai q u e b o b ag em aq u ele “fiu m fiu m ”! M as a g en te n u n ca tin h a u sad o ! A

g en te pôde ex p erim en tar! P o d ia fazer os “fiu m fiu m s” porque tu d o era cab ív el!

A í tev e a an im ação “A s av en tu ras d o av ião v erm elh o ”, q u e fo i m ág ico fazer u m u rsin h o e u m b o n eq u in h o

d e m a d e i r a c u r t i n d o a v i d a l o c a . E a í ... E u p o s s o f a l a r d o i s c u r t a s ! P o r q u e e u f a l e i d o i s l o n g a s !

R o s a n a : T a ...

G uta: O o u tro cu rta q u e a g en te fez fo i o “T em p estad e”, q u e é lin d o e tam b ém fo i u m a an im ação em que

a g en te tev e esp aço p ro fo ley so b rev iv er p o rq u e n ão tem nem d iálo g o , en tão fo i m u ito leg al. E o o u tro fo i

o “A m o res P assag eiro s”, q u e fo i b em d iv ertid o fazer. A g en te fez p asso s n o esg o to d en tro d e u m a b acia

d e ág u a, o o lh in h o d e u m a m o rta ab rin d o .

R o sa n a : Q u a l o so m m a is d ifícil o u in teressa n te q u e v o cê d esen v o lv eu até h oje?
G u ta : F o i a n ev e, n é? P o rq u e a g en te n u n ca tin h a id o a alg u m lu g ar, n u n ca tin h a escu tad o o so m da neve,

en tão fo i: v am o s o u v ir o q u e é u m so m d e n ev e d e b an co d e so m , v am o s o u v ir o q u e é o so m de neve de

o u tro s f ilm es, e v am o s p erg u n tar p ara as p esso as q u e co n h eciam n ev e se aq u ilo q u e a g en te fez tin h a so m

de neve. A cho que sem d ú v id a fo i a n ev e, p o rq u e tin h a a d ificu ld ad e d e n u n ca ter o u v id o a n ev e. Eu

nunca ouvi um ET, m as q u alq u er co isa que eu fizer é cab ív el p ra um ET. A neve ex iste.

O u rsin h o tam b ém fo i d ifícil m as o u rsin h o fo i b o m . N ão tin h a n en h u m tip o d e co b ran ça d e “tem q u e ser

assim ”, fo i d ifícil, m as era o q u e a g en te q u isesse, p o rq u e o so m d o u rsin h o an d an d o n ão ex istia.

R o sa n a : V o cê p o ssu i a lg u m ca so so n o ro in teressa n te? C u rio sid a d es d e b a stid o r?

G u ta: T em o cau so “Jean C h arles”. O d ireto r p ed iu o s so n s d o Jean s C h arles escu tan d o o s tiro s en tran d o

d en tro d ele. E n tão fo i o d ia d a feira. U m d ia em q u e ex istia eu , a R o san a e a F ern an d a (N ascim en to ) lá n o

fo ley. O L u iz co m p ro u m elan cia, co m p ro u erv a d o ce, a g en te co zin h o u m acarrão , fez g elatin a, co m p r o u

um frango. F oi bem d iv ertid o . A g en te foi testan d o o so m d e cad a co isa, o so m d a faca en tran d o n a

m elan cia d ep en d e d a larg u ra e d e q u ão p esad a é a faca , o fran g o v o cê n ão d ev e e sm u rrar, p o rq u e ele tem

p eq u en o s o sso s q u e p o d em fu rar su a m ão , o m acarrão v o a n a h o ra q u e v o cê b ate n ele.

R o sa n a : E esses so n s v o cê g u a rd o u ?

G u ta : S im , esses so n s to d o s n ó s g u ard am o s p o rq u e fez m u ita su jeira, tin h a san g u e p e la sala, m acarrão ,

s e m e n t e s ... P a r e c i a q u e t i n h a a c o n t e c i d o a l g u m a d e s g r a ç a n a f e i r a ! E a s f a x i n e i r a s n ã o g o s t a r a m m u ito d e

lim p ar e n em a g en te, en tão a m aio ria d esses so n s a g en te g rav o u e u sa u m p o u co , a g en te acab a ro u b an d o

um a co isin h a ou o u tra d aq u ela bag unça to d a porque não é v iáv el sem p re fazer isso . Q u em dera que

f o s s e ...

R o sa n a : T em m a is co isa s q u e v o cê g u a rd a ?

G u ta : A g en te tem um b an co d e co isas sim p les p ra caso alg u ém q u e esteja trab alh an d o em alg u m p ro jeto ,

esteja fazendo alg u m a co isa ráp id a, p recise. P o r ex em p lo : u m m o n te d e g en te b aten d o p alm a, b aten d o

p alm a em ritm o d e an iv ersario , alg u n s p assin h o s d e m u ltid ão , g elad eira, u m a g arrafa ab rin d o , essas co isa

q u e são sim p les e q u e p recisa ter a m ão , a g en te m an tém esse b an co p ra q u em estiv er faze n d o o u tra co isa

n ão p recisar p arar a g en te p ra g rav ar aq u ilo

R o sa n a : E co m o é a su a rela çã o co m a s eta p a s p o sterio res?

G u ta : E u p ro cu ro assistir p elo m en o s u m ro lo d a p ré -m ix d o fo ley o u to d a se tiv er tem p o . E p elo m en o s ir

em um d ia d a m ix ag em d o fo ley. À s v ezes d a tem p o d e aco m p an h ar as o u tras co isas tam b ém , ir em v ário s

d ias d a m ix ag em . M as eu p ro cu ro ir p elo m en o s u m d ia, n ão só p ra ficar p alp itan d o p ro fo ley so b rev iv er,

m as tam b ém p ra v er co m o fico u . C o m o u m ap ren d izad o m eu . P ra v er o q u e so b ra o q u e n ão so b ra, o q u e

tá b o n ito o q u e n ão tá b o n ito , o q u e eu ten h o q u e m elh o rar, o q u e já está co m um so m b o n ito . M as é m ais

pra um ap ren d izad o d o q u e p ara p alp itar.

R o sa n a : V o cê já m u d o u o jeito d e g ra v a r d ep o is d e ter id o a u m a m ix a g em ?
G u ta : M u ita co isa eu acab o ach an d o ru im e rep en so em co m o fazer. N ão sei te d izer o q u e eu já m u d ei,

m as com o tem p o eu rep en sei b astan te co isa, d e co m o eu tav a fazen d o e co m o estav a so an d o . M as n ão sei

t e d i z e r o q u e e u f i z o u n ã o f i z ... S e i l á , m ã o ! A n t e s s o b r a v a m ã o ! P r a q u e t a n t a m ã o ? E n t ã o m e n o s m ã o ,

era um a bobagem fazer tu d o aq u ilo d e m ão s,

R o sa n a : E a ed içã o ? C o m o v o cê tra b a lh a a ed içã o q u a n d o v o cê p eg a o m a teria l q u e v o cê m esm a

gravou ? V em m u ita co isa ? M u ita o p çã o ?

G uta: A g en te n ão co stu m a d eix ar m u ita o p ção n ão . S e d eix ar alg u m a o p ção ela fica m u tad a, p ra caso d e

co isas m u ito d ifíceis d e ter sin cro n ia, co isas m u ito ráp id as , en tão a g en te acab a d eix an d o u m a o p ção n o

m á x i m o . E s s e n e g ó c i o d e o p t a r m u i t o ... S ã o m u i t o s s o n s , é u m a s e s s ã o m u i t o g r a n d e , e s e v o c ê f i c a r c o m

m il opções você fica lo u co e n ão term in a aq u ilo nunca. S em co n tar q u e m u itas v ezes v o cê acab o u d e

ed itar u m so m e só en tão v o cê v ê q u e lá em b aix o , esco n d id o n o ab ism o , tin h a m ais u m a o p ção e tav a

b o n i t a ... E n t ã o p r a n ã o p e r d e r t e m p o , n ã o t e m tan ta o p ção . É v aleu o u v aleu . É m elh o r refazer n a h o ra d o

q u e d eix ar “n ” so n zin h o s: esse o sin c d o co m eço d a m elh o r e esse é o fin al q u e é b o m . N ão . O u v ale o u

n ão v ale. T em m u ito so m , e eu acab ad o d eletan d o alg u n s q u an d o d o u o p la y, q u an d o v ejo a b ag u n ça q u e

tá aq u ilo . H o je eu já m ex o u m pouco em v o lu m e, já m an d o alg u m as co isas m ais b aix as o u m ais altas,

so n s co m p lex o s tem v árias p istas, u m a b rig a tem um m ilh ão d e p istas, e a g en te ten ta o rg an izar, já n iv e la

em v o lu m e p ra v er q u em so b rev iv e m ais q u e o o u tro . A n tig am en te m eu sin c era d e 3 o u 4 fram es, h o je eu

n ão tô tão p recisa assim .

R o sa n a : C o m o q u e v o cê se p reo cu p a p ra en treg a r p ra m ix a g em a su a sessã o ed ita d a ?

G u ta : O rg an ização é a p rim eira co isa, m e in co m o d a m u ito sessão co m cad a co isa n u m a p ista, co isas q u e

n ão tem nada ver um a com a o u tra, eu ach o q u e se o m ix ad o r co m eça a o u v ir, q u er m ex er em alg o e n ão

a c h a , e e l e j á m i x o u d i á l o g o , j á m i x o u a m b i e n t e , j á m i x o u e f e i t o s ... C a r a ... T a n o f i m do p ro cesso , as

co isas estão com pouco tem p o , ele não vai ficar procurando u m a m ão zin h a o u u m p ezin h o . T em que

d eix ar tu d o o m ais o rg an izad o p o ssív el. N a ed ição m esm o eu acabo rem arcando alg u m as co isas pra

refazer, q u e eu ach e o so m ru im e eu q u ero en treg ar e sse so m m ais b o n ito . E d o u u m tap in h a h o je em d ia

em v o lu m e.

R o sa n a : V o cê co n so lid a o u b o u n ceia co isa s?

G u ta : N ão , n ad a. N ão co lo co n en h u m p lu g -in , n ão p ro cesso n ad a, v ai tu d o cru . N o m áx im o o v o lu m e, é a

ú n ica m ex id a.

R o sa n a : D en tro d o seu estú d io , q u em fo i o resp o n sá v el p o r estru tu ra r o fo ley?

G uta: O L u iz A d elm o . E le ch eg o u n a C a sa b la n ca e p ed iu p ra ter u m esp aço p ro fo ley, e refo rm aram e

fizeram to d o o ch ão e a n o ssa salin h a d a b ag u n ça. E u ach o q u e ele fo i m u ito co n fian te em d eix ar tu d o

aq u ilo n a n o ssa m ão , ele ap o sto u n a g en te b astan te, p o rq u e aq u i em são P au lo são p o u co s estú d io s, aq u i

no B rasil são q u ase n ad a d e estú d io s, en tão ele fo i b em co rajo so e ele co n fio u m u ito n a g en te p ra ter

aq u ele esp aço .
R o sa n a : A lém d o s lo n g a s e d o s cu rta s, em q u e p ro jeto s v o cê tem tra b a lh a d o ?

G u ta : H o je ap arecem m u itas séries d e T V , q u e é o q u e está n a m o d a aq u i n o B rasil, p o r cau sa d e lei s d e

in cen tiv o e tu d o m ais, eu a t é f a ç o ... À s v e z e s e u e d i t o a m b i e n t e , e f e i t o e d i á l o g o , n ã o q u e e u a d o r e ...

V árias v ezes ap areceram cu rtas p ra g en te fazer d o co m eço ao fim , tiran d o a p arte d e m ix ag em q u e a g en te

n ão fazia, n em a m ú sica. M as são m ais p ro je to s d e tv , séries d e tv q u e acab am ten d o p o u co fo ley, m as

tem .

R o sa n a : Q u a is a s su a s p ersp ectiv a s p a ra o fu tu ro d a p ro fissã o ?

G uta: D ifícil. E u m al v ejo um p resen te n isso ! (riso s) D e quando eu en trei n a C asab lan ca até ag o ra,

parece que as co isas estão aco n tecen d o ao co n trario , p o r m ais q u e ap areçam m u ito m ais p ro d u çõ es, as

v erb as são m u ito m en o res e tem ap arecid o m u ito p ro g ram a d e tv , e as séries n ão in v estem tan to n o so m ,

co n seq u en tem en te tem p o u co fo ley. E u n ão sei q u al é o ru m o d isso , q u al é o esp aço q u e a g en te tem , m as

eu co n tin u o b aten d o cab eça, in sistin d o , eu esp ero q u e tu d o m elh o re e q u e a g en te ten h a m ais v isib ilid ad e.

G en te, p recisa d o fo ley! É m u ito co m u m chegar um d ireto r d e u m lo n g a lá e p erg u n ta r: m as o q u e é fo ley?

M as eu esp ero q u e a g en te ten h a m ais esp aço , p o rq u e d e q u an d o eu co m ecei até h o je já d esco b ri m u ito

m ais co isas, já apareceram m u ito m ais co isas, as p esso as têm m u ito m ais in teresse. E eu esp ero estar

trab alh an d o n o S kyw a lker d aq u i a alg u n s m eses. M as essa p arte a g en te co rta.

R o sa n a : É p o ssív el v iv er d e fo ley n o B ra sil?

G uta: É p o ssív el so b rev iv er d e fo ley n o B r a s i l , m a s v i v e r ... A c h o q u e v i v e n d o d e s o m , v o c ê n u n c a v a i

ficar rico , se v o cê q u er ficar rico n ão v ai fazer so m , v ai fazer fo to , v ai fazer q u alq u er o u tra co isa. N ão é

u m a área p ra se ficar rico . M as p o r en q u an to eu ach o q u e d á p ra so b rev iv er.

R o sa n a : C o m o é a su a rela çã o d e tra b a lh o co m a C a sa b la n ca ?

G uta: Eu so u p restad o ra de serv iço , m as não recebo por p ro jeto . Eu acabo recebendo por m ês,

in d ep en d en te d o q u e ap arecer, se n ão tiv er n ad a p ra fazer o u se tiv er u m b ilh ão d e co isas p ra fazer. E u

ten h o u m a ren d a fix a. T an to q u e q u an d o ap arecem co isas p r a ed itar efeito , eu acab o fazen d o se n ã o ten h o

fo ley p ra fazer. E u n ão so u u m a fu n cio n ária , m as v iv o co m o .

R o sa n a : E v c p eg a freela ta m b ém ?

G u ta : S em p re q u e tem tem p o . A g en te acab a ten d o am o r p elo s p ro jeto s d o s am ig o s, q u e às v ezes n em

s ã o f r e e l a , é s ó a q u e l a a j u d i n h a . S e a p a r e c e a l g u m a a n i m a ç ã o b o n i t i n h a ... T u d o p r a a u m e n t a r a r e n d a , n é ?