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E n trev ista co m F elip e B u rg er e R en a to G a lim b ert co n ced id a a R o sa n a S tefa n o n i em 0 2 /0 6 /2 0 1 4

R o sa n a : R en a to , co m o v o cê en tro u n o fo ley e q u a l a su a h istó ria a té v o cê v ira r a rtista ?

R en a to : E u so u fo rm ad o em u m a facu ld ad e, ad m in istração , q u e n ão tem nada a ver com o q u e eu faço h o je, co m fo ley, só

q u e eu sem p re fu i m ú sico . A n tes d e fazer essa facu l d ad e eu já to cav a n a n o ite. P o r u m a cu rio sid ad e m in h a, d e sab er u m

p o u co so b re estú d io , g rav ação d e m ú sica, p ro d u ção m u sical, eu d esco b ri q u e n a facu ld ad e o n d e eu fazia ad m in istração na

ép o ca tin h a u m estú d io . E stiv e lá, co n v ersei co m o en carreg ad o d o estú d io n a ép o ca, q u e era u m fu n cio n ário d a facu ld ad e, o

C assian o , co n v ersei u m pouco com e le, m e in teressei p elo lan ce, e ele d isse q u e sem p re p eg av am um alu n o d a facu ld ad e p ra

d ar su p o rte, p ra ficar d e estag iário e tal. E u falei q u e m e in teressav a e fu i lá. C o m ecei a trab alh ar lá co m o estag iário d o

estú d io d a facu ld ad e, e lá p in tav a u m m o n te d e tip o s d e film es, trab a lh o s d a cad eira d e m u ltim íd ia, o n d e eu tin h a q u e fazer

um m o n te d e co isas: fazia a ed ição d e d iálo g o , co lav a a trilh a, en fim , a g en te fazia to d a essa p ro d u ção só q u e n u m n ív el

m u i t o m e n o r, m u i t o m a i s i n t e r n o d a f a c u l d a d e , u m trab alh o d e áu d i o e v íd eo q u e tu d av a u m a m ão p ra g alera. E tin h am

alg u n s trab alh o s q u e, p o r ex em p lo , eu n ão ach av a o so m p ra ser ro u b ad o , o u tav a ru im o so m d ireto d o trab alh o d eles, e a

g en te g rav av a n a h o ra. E n tão eu co m ecei a fazer fo ley d e u m a fo rm a m ais n atu ral, fazen d o m eio q u e sem sa b e r. E u v i a q u e

n aq u ele film e tin h a um b ald e q u e caía n o ch ão , o n d e é q u e eu v o u ach ar u m b ald e? U m c a r a n o v ã o a i n d a ... P r o c u r a v a ,

p r o c u r a v a , p r o c u r a v a , m a s n ã o e n c o n t r a v a , e r a m u i t o m a i s f á c i l e u g r a v a r. E n t ã o e u c o m e c e i a v e r q u e e r a m a i s f a c i l c e r t a s

co isas eu g rav ar d o q u e q u erer p ro cu rar em b a n c o , d o q u e e u e n c o n t r a r. N u m d esses trab alh o s q u e ro lo u , ach o q u e era até

um v íd eo q u e tin h a, se n ão m e en g an o , u m m arem o to , u m tsu n am i in v ad in d o u m h o tel. E esse tsu n am i m eio q u e v arria u m a

sala, eu n ão lem b ro se era u m trem o r d e terra, eu sei q u e a sala to d a b alan çav a. E eu g rav ei isso p ro s caras e eu m e lem b ro

q u e o K ik o o u v iu , o K ik o era p ro fesso r d eles, e eu já co n h ecia o K ik o d ali d e d en tro , m as até en tão eu era só u m cara que

tav a in teressad o , co m o v ário s o u tro s q u e já tin h am p assad o p o r ali. O K ik o o u v iu aq u ilo e cu rtiu , v eio co n v ersar co m ig o , ele

v iu m eu in teresse n a área, e ele arru m o u u m tram p o p ra m im n u m a p ro d u to ra d e v id eo , m as m ais p u b licid ad e, faz p o u ca

co isa p ra cin em a, q u e é a Z ep ellin , q u e é b em g ran d e aq u i n o S u l, n o B rasil tam b ém , é b em g ran d e, tem um nom e. E eu

en trei, co m ecei a trab alh ar lá , m as tin h a p o u co v o lu m e d e trab alh o , e acab o u q u e eu n ão tav a fazen d o m u ita co isa d e so m ,

tav a m ais d e c ab eça d e lata, tiran d o x eró x , fazen d o aq u elas co isas, e trab alh an d o m esm o em áu d io n ão ro lav a. E u lig u ei d e

n o v o p ro K ik o d ep o is d e q u ase u m ano e falei: P ô , K ik o , to aq u i, é assim a m in h a situ ação , n ão tem um esp aço p ra m im aí

d en tro , cara? E ele d isse: en tão v em p ra cá. A í eu co m ecei a ir p ra lá, co n h eci o F elip e, co n h eci o S érg io , q u e trab alh av a

an tes com o F e l i p e , q u e g r a v a v a e d e c u p a v a , e n f i m , c o n h e c i a g a l e r a d o e st ú d i o m e l h o r, a l g u n s e u j á c o n h e c i a d e v i st a .

A com panhei um film e in teiro , p raticam en te , m ais até, sem estar fazendo efetiv am en te alg u m a co isa, só ali d en tro ,

co n v ersan d o co m o F elip e, v en d o ele fazer alg u m as co isas, e d ep o is sen tav a lá co m o S é r g i o ... A c a b o u q u e o S é r g i o t e v e

q u e se a u se n t a r, o u sa i u , n ã o se i q u a l o m o t i v o p o r q u e i sso a c o n t e c e u , m a s e u c o m e c e i a g r a v a r o F e l i p e , e d e sd e e n t ã o e u t ô

n essa d aí. C o m eçaram a su rg ir trab alh o s m en o res tam b ém , q u e o u p elo F elip e n ão p o d er fazer o u p o r q u estão d e o rçam en to ,

f a ç o e u ...

R o sa n a : H o je em d ia v o cê é a rtista ta m b ém ?

R en a to : S im , so u tam b é m . H o je em d ia a g en te trab alh a b em ju n to , ap esar d o F elip ão fazer p raticam en te to d o s o s trab alh o s

co m o artista d e fo ley q u an d o a g en te trab alh a ju n to , a g en te trab alh a b em ju n to , ele lev a m u ito em co n ta m in h a o p in ião , eu
tam b ém lev o m u ito em co n ta a o p in i ão d ele q u an to a cap tação , a g en te se aju d a b astan te.

R o sa n a : E v o cê, F elip e? C o m o v o cê ch eg o u a o fo ley?

F elip e: E u trab alh o co m áu d io d esd e 1 9 9 1 , trab alh ei co m p r o d u t o r a d e á u d i o ... E u f u i t r a b a l h a r c o m áu d io , aí p arei, reso lv i

ten tar cu rsar ag ro n o m ia, u m n eg ó cio co m p letam en te d iferen te, aí v i q u e a m in h a p raia era so m m esm o , v o ltei p ra trab alh ar

em um estú d io , era u m estú d io d e en saio , d e u m am ig o m eu . D aí fu i p ra S ão P au lo , fiz u m cu rso n o IA V , d e fu n d am en to s

b ásico s d e áu d io e acú stica. V o ltei e co m ecei a trab alh ar co m p ro d u to ra, trab alh ei u m ano em u m a p ro d u to ra d ep o is eu fu i

p ra “S o cied ad e A cú stica”, q u e é u m a p ro d u to ra o n d e eu trab alh ei cin co an o s, e lá eu co n h eci o K ik o , em 2 0 0 1 ele p asso u

p o r lá. O K ik o era estu d an te d e p u b licid ad e, se fo rm o u , d ep o i s fo i p ra L o s A n g eles, fez u m cu r so , e v o lto u e m o n to u o

estú d io e, sain d o da “S o cied ad e A cú stica”, ele m e cham ou pra trab alh ar com ele. C o m ecei ed itan d o , ed itan d o efeito ,

ed itan d o am b iên cia, d an d o u m a fo rça, e ch eg o u u m film e, “O cárcere e a ru a” d a L ilian a S u lzb ach , q u e era u m film e so b re

as p resid iárias d e u m p resíd io fem in in o q u e tem aq u i, e eu tav a ed itan d o , tin h a q u e fazer o s p asso s, as co isas to d as, e tin h a

ch in elo d e d ed o , H av aian as, q u e n ão tin h a n o S o u n d Id eas, e d aí: “V o u ter q u e fazer”. E e u e o K ik o g rav am o s, co m um

m i c r o f o n e n o c o r r e d o r, n ã o t i n h a n e m referên cia d e áu d io o u d e v íd eo , o lh av a co m o era: p a sh p a sh p a, p ap a. E d aí fazia:

pa sh pa sh p a, p ap a. S in co u ? S in co u !E aí co m eçam o s a fazer isso p ras o u tras co isas q u e n ão ach av am o s n o s b an co s, e

q u an d o a g en te fo i m ix ar n a JL S , ch eg o u o P ed ro S érg io e v iu aq u ilo , d ep o is o Z é L u iz S asso , e d isseram : N o ssa! V o cês

fazem f o l e y ! E a g e n t e : “ É ... É ? A g e n t e f a z ... E a í c o m e ç a m o s a f a z e r f o l e y ... E u f a z i a m e i o q u e i n s t i t i v a m e n t e ( r i s o s ) , t i n h a

q u e f a z e r, v a m o s f a z e r...E c o m e ç o u a s s i m , o Z é a n o s i n d i c a r p r o s f i l m e s e j á e s t o u a g o r a c o m m ais d e 4 0 lo n g as m etrag en s

n as co stas d esd e 2 0 0 4 .

R o sa n a : H á q u a n to tem p o v o cês d o is sã o a d u p la ?

F elip e: Q u atro , q u ase cin co .

R o sa n a : C o m o é a d in â m ica d e v o c ês n o tra b a lh o ? Q u a l a fu n çã o d e ca d a u m ?

R en ato: Eu falo do F elip e en tão : o F elip ão é o artista d e fo ley, ele é q u em p ro d u z esses ru íd o s q u e são n ecessário s n a

co b ertu ra d o film e, alg u m as v ezes alg u n s clien tes m an d am lista, o q u e o au x ilia ele em certo as p ecto , em o u tro s tam b ém

n ã o ... P o r q u e a c r e d i t o q u e d e r e p e n t e s e m lista ele p u d esse v iajar m ais, en tão é m ais o u m en o s isso : o artista d e fo ley d a

d u p la é o F elip e, a g en te tem um co n tato d ireto en q u an to eu to fazen d o as fu n çõ es q u e ele v ai d escrev er d aq u i a pouco, a

g e n t e v a i se f a l a n d o so b r e o q u e e l e p r e c i sa f a z e r.

F e l i p e : B o m , o G a l i m b a é o c a r a q u e q u a n d o c h e g a o f i l m e e l e d e c u p a , j á v ê m a i s o u m e n o s o t e m p o q u e a g e n t e v a i l e v a r.

G r a v a n d o e l e é m e u o u t r o p a r d e o r e l h a s, l á d e n t r o d o e st ú d i o , n o s m o n i t o r e s b a c a n a s. É o c a r a q u e v a i d e c u p a r, v a i d i z e r

o n d e e st á a c e n a , o n d e é q u e e u t e n h o q u e g r a v a r, se f i c o u b o m , se n ã o f i c o u b o m , se f a z d e n o v o . A g e n t e a t é a s v e z e s e n t r a

n u m as b rig as d e: m as tá b o m ! O u tá b o m , m as eu q u ero fazer d e n o v o ! F ica u m p u x an d o o o u tro o tem p o to d o . E u ach o q u e

é o b raço d ireito .

R o sa n a : Q u a n d o v o cê é o a rtista q u em g ra v a é o F elip e o u tem m a is g en te?

R en a to : Q u an d o eu so u o artista, g eralm en te são trab alh o s o u q u e o F elip e n ão p o d e fa zer p o r tem p o o u p o r alg u m o u tro
co m p ro m isso q u e ele ten h a, o u d e rep en te p o r u m a q u estão até d e o rçam en to , en tão q u an d o eu faço , g eralm en te é u m a o u tra

p esso a q u e g rav a. L á n o estú d io a n o ssa eq u ip e é g ran d e. E n tão ao m esm o tem p o q u e tem eu e o F elip e g ra v an d o fo ley, e

preocupados com essa p arte d o fo ley, a g en te tem m ais d o is, ag o ra três, q u e fazem a p arte d e ed ição d e am b iên cia e F X , e

d ep o is a g en te tem o u tra p arte d o estú d io q u e faz m ú sica, e tam b ém tem o u tro s m ix ad o res q u e trab alh am com a g en te lá, a

eq u ip e é b em g ran d e, en tão o q u e m ais tem é g e n t e q u e r e n d o a p r e n d e r c o i sa s p r a f a z e r, e n o b o m sen tid o q u erer ro u b ar o

lu g ar do cara, en tão g eralm en te tem g e n t e p r a g r a v a r, q u e r e n d o a p r e n d e r, e e u f a ç o p a r c e r i a c o m quem está m ais n esse

in tu ito .

R o sa n a : Q u em ed ita o fo ley d e v o cês?

R en ato: E m p rin cip io a g en te tem u m a p esso a lá, q u e é a W alesca, m as ao m esm o tem p o ela tem a aju d a d e d o is estag iário s,

o M an u el e o G ab riel, claro q u e eles estão ap ren d en d o , en tão tem sem p re u m em cim a, a g en te n ão d eix a so lto p ra eles,

p o rq u e a g en te p recisa d e u m a co n fian ça q u e se d á n atu ralm en te co m o tem p o . M as q u an d o p recisa eu tam b ém ed ito fo ley,

ed itei m u ito fo ley an tes d e g rav ar o F elip e. E u faço u m p o u q u in h o d e tu d o , n a v erd ad e, o q u e d erem p ra m im eu to fazen d o .

R o sa n a : F elip e, co m q u em v o cê a p ren d eu a fa zer fo ley?

F elip e: A ch o q u e co m ig o ! (riso s)E u n u n ca tin h a v isto , a g en te co m eço u a fazer fo i n u m n eg ó cio m u ito esp o n tân eo , tin h a

u m a c o i s a q u e t i n h a o e s t ú d i o p r a g r a v a r t a m b é m ... E u s e m p r e f u i m e i o m a l u q u i n h o , d e c r i a n ç a a n d a r c o m g rav ad o r e fitas

cassete, saía g rav an d o as co isas n a ru a, fazia u m as rád io n o v elas, fazia u m as co isas d e m ix ag em , o v erd u b b in g , b o tav a d e

u m a fita p ra o u tra, sem p re fu i m eio m alu co d o so m . E d ep o is a g en te d esco b riu o q u e é F o ley, q u em fo i o Jack F o ley e o

q u e ele fez, e aí o y o u tu b e já aju d o u tam b é m em m u ita co isa. T em tam b ém o s v elh o s q u e trab alh av am em rád io aq u i, q u e eu

co n h eci m u ita g en te atrav és d e p ro d u to ra, e o s caras en sin an d o co m o é q u e fazia ran g id o , sab e o s an tig o s so n o p lastas? M eu

tio trab alh o u em p ro d u to ra, trab alh a até h o je, faz trilh a s, e ele já fez m u ita co isa d e so n o p lastia, en tão ele m eio q u e sab ia e

m e dava uns to q u es. E o u tras co isas a g en te vai aprendendo o u v in d o m esm o , ten tan d o , errando, su jan d o o estú d io ,

q u eim an d o o estú d io .

R en a to : E u m e lem b ro d e u m a co isa q u e a Jan a falo u , q u e é b em o q u e é m esm o , tev e u m a p erg u n ta: “co m o é p ra fazer u m

p asso so ar n atu ral? C o m o ela faz? C o m o ela trein a?” E ela d isse: E u an d o , escu to eu an d an d o , co m eço a an d ar n o m esm o

l u g a r, p r a n ã o m e d e sl o c a r, e t e n t o c h e g a r n o m e sm o so m ” . É i sso , n é ? O ca ra escu ta co m o é o n atu ral, e é assim q u e tem

q u e se r, n ã o p o d e se r d i f e r e n t e d i sso .

R o sa n a : E q u a l v o cês a ch a m q u e é a fu n çã o d o fo ley d en tro d a trilh a ? P ra q u e serv e o tra b a lh o d e v o cês n o film e?

F elip e: B o m aí d ep en d e p rim eiro d o q u an to q u erem d o n o sso fo ley, se q u erem u m a co isa h íp er realista, se q u erem um a

co isa p ra tap ar b u raco , d ep en d e d e o rça m en to , d e tem p o q u e a g en te tem em estú d io , e an tes tin h a aq u ele n eg ó cio d e ser p ra

tv e p ra cin em a, m as co m a tecn o lo g ia h o je b em d esen v o lv id a, n ão se d iferen c ia essa co isa d e tv e cin em a, tu faz m ais o u

m en o s o m esm o p ara o s d o is.

R o sa n a : E a fu n çã o n a rra tiv a ?

R en a to : E u v ejo o fo ley co m o se fo sse aq u ela lim p eza d e casa, se n ão tem a lim p eza, to d o m u n d o n o ta, to d o m u n d o d iz q u e
tá su jo , to d o m u n d o d iz q u e está errad o , m as se tem aq u ilo , e tá b em , tá p erfeito , n in g u ém n o ta, ele p assa d esap erceb id o . É

m ais co m o u m a o b rig ação q u e aq u ilo so e d aq u ela fo rm a, q u e a lim p eza seja feita, d a casa. E n tão eu co n co rd o co m o F elip e

q u a n d o e l e d i z q u e d e p e n d e d o q u e o m i x a d o r, p r i n c i p a l m e n t e , q u e r d o f o l e y , d o q u e o f i l m e p e d e . E u a c h o , p o r e x e m p l o ,

film es q u e são b astan te d e p ele, o n d e n ão se tem m u ito d iálo g o , o n d e a cro n o lo g ia d o s fato s, o u a fo to g rafia d e rep en te, e

p rin cip alm en te a in terp retação d o s ato res é n arrativ a, o fo ley só tem a a g r e g a r, só t e m a d ar fo rça p ra essa v isão , e n u m film e

b aru lh en to , n o sen tid o p o sitiv o d a co isa, co m m u ita co isa ro lan d o , m u ita co isa alta, o fo ley te traz m ais p ara a realid ad e, te

carca m ais o p é n o ch ão . E u e o F e l i p e , q u a n d o a g e n t e t r a b a l h a , a g e n t e v a i m u i t o n a i n t e n ç ã o d o a t o r, p o r e x e m p l o , o

F elip e m arco u u m ch iclete, fez e fico u b o m , m as é o seg u in te, ag o ra ele tá n erv o so , m asca n erv o so . E la ta an d an d o , m as ela

tá ap ressad a, en tão ela v em m eio q u e tro p eçan d o , u m p asso n ão so o u tão b em co m o a g en te q u eria, saiu até m eio fo ra, m as

b eleza, se n arrativ am en te está b o m .

R o sa n a : C o m o é o tra b a lh o d e fo ley d e v o cês co m o so m d ireto e co m a d u b la g em ?

F elip e: A g en te ten ta ap ro x im ar ao m áx im o d o so m d i r e t o , a n ã o se r, c l a r o , q u a n d o o d i r e t o r c o n t a q u e e l e s e st ã o p i sa n d o

em p raticáv eis n o p lan o am erican o , m as o p iso ali é, sei lá, m árm o re. A s v ezes até é d ifícil, tu n ão ten d o u m a lista, as v eze s

tu n ão v ê o ch ão , tu o u v e o p raticáv el, tu ta fazen d o isso n o ro lo d o is e tu v ai v er n u m a cen a d e cim a lá d o ro lo cin co q u e era

u m p iso d e terra. E tem q u e fazer tu d o d e n o v o .

R o sa n a : E co isa s d u b la d a s?

R en ato: É b asicam en te isso q u e o F elip ão falo u , a g en te p ro cu ra sem p re ser fiel ao so m d ireto , o m ais fiel p o ssív el, m as

q u an d o n ão tá v alen d o o so m d ireto .

F elip e: Vo cê tem u m a referên cia d e so m d ireto .

R en a to : É tu d o em cim a d o so m d ireto . E m d u b lad o o cu id ad o é o m esm o , n ão ach o q u e a g en te ten h a alg u m a d iferen ça.

F elip e: P o rq u e n o rm alm en te n o d u b lad o tu tem o so m d ireto tam b ém p r a g r u d a r.

R en a to : O cu id ad o é o m esm o , d e p recisão .

R o sa n a : Q u a l a estru tu ra d e g ra v a çã o d e v o cês? Q u a is o s eq u ip a m en to s?

F elip e: u m S en n h eiser 4 1 6 , co m um sh o ck m o u n t, fica n u m p ed estal, e u m N eu m an T L M 1 0 3 , q u e a g en te u sa as v ezes p ra

ro u p a e co isas assim .

R en ato: é, com um d i a f r a g m a m a i o r. O p ré, g eralm en te, u m fo cu srite q u e tem q u atro , aq u ele azu l, silen cio so , o G race a

g en te u so u alg u m as v ezes já, a p referen cia é p o r p rés q u e n ão d eem m u i t a c o r, q u e n ã o d e e m m u ita id en tid ad e, q u e n ão

ten h am m u ita p erso n alid ad e, a g en te ten ta p eg ar alg u m a co isa m ais b ran d a, m ais n eu tra, p ra n ão in terferir tan to n o q u e a

g en te está fazen d o . É isso .

R o sa n a : E a m o n ito ra çã o ? V o cês fica m d e fo n e o tem p o to d o ? Tem ca ix a s?
F elip e: E u fico d e fo n e, ten h o u m a tv co m u m a tela d e 5 4 p o leg ad as. V ario s tip o s d e p iso , tem m ad eira, m ad eira o ca, o

cim en to q u e é n o sso co rin g a, tem p araq u ê , tem p iso frio , tem m árm o re, tem areia, tem p ed ra, tem b rita, tem fita cassete

d esm an ch ad a pra fazer gram a.

R en a to : E u fico n a técn ica co m c aix as, u m p ar d e A lesis, M K 2 , ach o q u e é o m o d elo .

R o sa n a : M esm o d u ra n te a g ra v a çã o ?

R en a to : D u ran te a g rav ação eu escu to n as caix as e ten h o p o r co stu m e escu tar tam b ém com um p o u q u in h o d o so m d ireto ,

ro lan d o n u m p lan o m ais b aix o , p o rq u e eu g o sto d e v er co m o se co m p o rta n a cen a, se aq u ilo ali tá ro lan d o o u n ão tá ro lan d o ,

eu g o sto d isso .

R o sa n a : V o lta n d o à sa la , q u a l o ta m a n h o d a sa la m a is o u m en o s?

R e n a t o : 4 p o r 3 a c h o , d e v e se r, p r a m a i s. T o d a i r r e g u l a r, n ã o é u m q u a d r a d o ... E u c h u t a n d o , é c o m o s e f o s s e u m a p a r e d e d e

4 m e t r o s e u m a o u t r a d e 3 , só q u e é u m a sa l a t o d a i r r e g u l a r, e l a n ã o é u m retân g u lo . E n a técn ica é p raticam en te a m esm a

c o i s a , u m p o u c o m e n o r, d e r e p e n t e ...

R o sa n a : C o m o v o cês d iv id em o fo ley p a ra a g ra v a çã o ? Q u a is sã o a s ca teg o ria s q u a n d o v o cês m o n ta m a s p ista s?

F elip e: P asso s, m um unhas e esp ecífico s, e agora a g en te tá d iv id in d o os esp ecífico s em esp ecífico corpo e esp ecífico

esp ecífico .

R e n a t o : M a i s o b j e t o s ... E s p e c í f i c o o b j e t o

R o sa n a : E u v i q u e n a sessã o d e v o cês v o cês n o m eia m co m o “ o b jeto s” .

R en a to : É , tá d en tro d o s esp ecífico s. F ico u p asso s, m u m u n h a, e d en tro d o s esp ecífico s a g en te tem co rp o e o b jeto . M as

d ep en d e tam b ém , às v ezes a g en te p eg a u m film e q u e tem m u ito s p asso s d e cav alo , en tão a g en te acab a ab rin d o d o is o u três

can ais p ro film e to d o q u e o n o m e é “p asso s d e cav alo ”. E n tão q u an d o tem co isas m u ito esp ecíficas, q u e a ex ecu ção n ão é

d a s m a i s si m p l e s e i sso p e r d u r a p e l o f i l m e t o d o , a g e n t e a b r e d o i s, t r ê s c a n a i s, o u o n ú m e r o q u e f o r, e m a n t é m isso . Isso v ai

m u i t o d o m i x a d o r, é u m a c o i sa q u e a g e n t e f o i p e g a n d o c o m eles. P o r ex em p lo , tem m ix ad o r q u e g o sta d essa co isa b em

sep arad in h a, o u tro s já n ão , p referem alg u m a co isa m ais ju n ta, m ais n atu ral, aí d ep en d e, v ai u m pouco de cada um .

R o sa n a : V o cês já fa la ra m d isso , m a s reto m a n d o : v o cês já en tra m p ara gravar com a lista p ro n ta , d ecu p a d a já ?

R e n a t o : E u a b r o u m a s e s s ã o d e P ro T o o l s q u a n d o e u r e c e b o o f i l m e , g e r a l m e n t e é l e g a l q u e v e n h a o f i l m e n o c o r t e f i n a l j á ,

com os bounces de so m d ireto , tim eco d e ap aren te, ed ição de d iálo g o se já estiv er p ro n to , o m áx im o q u e o p esso al d a

p ro d u ção p u d er m e m an d ar q u e ten h a d e m aterial v alen d o

F elip e: S e tiv er d iálo g o , F X , m e l h o r...

R en a to : S en ão d e rep en te a g en te p erd e m u ito tem p o n u m a co isa q u e n ão v ai ser n ecessária, q u e n ão tem tan ta im p o rtân cia
F elip e: N u m a cen a q u e tá so zin h a, sem d iálo g o , o so m d ireto su p er b o m , n ão tem q u e fazer fo ley a p rin cíp io , o u só faz u m

refo rço o u alg u m as co isas

R e n a t o : E n t ã o a p r i n c i p i o e u r e c e b o e s s e f i l m e , a b r o u m a s e s s ã o e c o m e ç o a f a z e r re g i o n g ro u p s , o u “ r e g i õ e s f a n t a s m a s ” ,

c o m o s e f o s s e u m a m a r c a d 'a g u a q u e f i c a n o P ro To o l s , e a l i e u c o l o c o u m sin al d e ig u al, isso é u m p ro cesso n o sso , eu

co lo co um sin al de ig u al e d en tro d essas categ o rias q u e a g en te já cito u an tes, q u e é m u m u n h a p asso s e esp ecífico s, eu

escrev o o n o m e. P o r ex em p lo : se o F elip e en tra aq u i n a sala e sen ta n a cad eira, eu v o u co lo car n essa reg ião d e o n d e ele

en tro u n a sala até ele se n tar o “= P S F elip e alp arg ata m ad eira ”, p o rq u e é a situ ação em q u e ele se en co n tra, se ele ch eg a a

tro car d e p iso , se ele v em p ro tap ete, eu v o u até o fim d a m ad eira, e p artir d esse m o m en to eu faço co m o se fo sse u m canal

A /B , u m a co isa u sad a em m ú sica, e co lo co ali “= P S F elip e A lp arg ata tap ete ”. E n tão eu faço isso co m to d as as reg iõ es. S e

ele v em an d an d o d e lá, eu v o u fazer u m a trip a d e m u m u n h as, v o u v ir n o esp ecífico e v o u b o tar: “ch av e fech ad u ra”, “range

p o rta”, se ele está seg u ran d o um a b o lsa, “b o lsa na m ão” , e assim por d ian te. E u sep aro cad a m o v im en to , cad a cam ad a

so n o ra é sep arad a, se d ep o is, lá d en tro , o F elip e v ai g rav ar alg u m a co isa ju n to , o u ao co n trário , ele p recisa d iv id ir alg u m a

co isa q u e já fo i p o sta, aí a g en te tem to d a a lib erd ad e p ra fazer isso , en ten d e?

R o sa n a : Q u a n to tem p o v o cês lev a m p ra fa zer u m lo n g a d e 1 0 0 m in u to s, em m éd ia ?

F e l i p e : A g e n t e f a z p o r r o l o ...

R o sa n a : M a s q u a n ta s sem a n a s lev a u m film e?

F elip e: D ep en d e d o film e, tem film e q u e a g en te d em o ra três d ias p o r ro lo , d o is d ias e m eio p o r ro lo , tem film e q u e a g en te

d em o ra cin co d ias p o r ro lo .

R en a to : u m a m éd ia, tá? A ch o q u e p ra cad a 2 0 m in u to s, u m as 1 8 h o ras.

F e l i p e : u m a m é d i a ... A c a d a 1 8 h o r a s , 2 0 m i n u t o s d e f i l m e .

R en a to : v aria b astan te isso

F elip e: é u m p r a u m ... Q u a s e u m p ra u m . À s v ezes tem cen a q u e v o cê p assa q u atro v ezes fazen d o o trab alh o , tem cena em

q u e só faz o s p asso s.

R en a to : m as n a m éd ia seria isso .

R o sa n a : Q uando vocês a ssistem a cen a, você vai d ecu p ar e vocês v ã o g r a v a r, v o c ê s f a z e m a b so lu ta m en te tu d o o u

v o c ê s d e c i d e m : “ i s s o e u v o u g r a v a r, i s s o e u n ã o v o u g r a v a r ” ? Q u a l é o c r i t é r i o ?

F elip e: A g en te d ecu p a tu d o .

R en a to : co m o o F elip e falo u , tu d o d ep e n d e. A p rin cíp io v em o b ri e f i n g d o e d i t o r d e so m , d o m i x a d o r, e n f i m , d o d i r e t o r, d o

resp o n sáv el. E q u an d o ele d iz isso é m u ito b o m , au x ilia b astan te: “o q u e ele q u er d a cen a, esp ecialm en te d o fo ley?” S e isso

não vem , eu decupo tu d o o que eu v ejo , o que eu acho que tem que ter e o que eu escu to , e d ep o is nós sen tam o s e
co n v ersam o s: “Isso aq u i ach o q u e n ão é leg al fazer n ão , isso aq u i tá m ais p ra efeito , v am o s m an d ar u m e -m ail, o u v am o s

fazer um refo rço ”. M as a p rin cip io , se n ão v em n ad a d e b riefin g , a g en te d ecu p a tu d o .

R o sa n a : M esm o q u a n d o p a ssa u m p a ssa n te lá n o fu n d o ?

F elip e: D ep en d e d a o rien tação , d ep en d e d o o rçam en to q u e se tem ,

R en a to : D ep en d e d a cen a, se tem aq u ele p assan te lá n o fu n d o , m as n arrativ am en te aq u ilo é im p o rtan te, v ai. A h , n ão , p asso u

um cam in h ão atrás, é u m film e d e d iálo g o , m u n d an o , n ão tem p o r q u e t e r... M a s s e d e r e p e n t e e l e p a s s a r c o m u m a saco la n a

m ã o , a sa c o l a e u q u e r o o u v i r, m a s n ã o o s p a sso s, e n t e n d e ? U m a sa c o l a p l á st i c a , u m a c o i sa b a r u l h e n t a , e n t ã o é u m pouco de

critério n o sso tam b ém , m as d ep en d e da cena.

F e l i p e : E à s v e z e s e u j á f a ç o a m u m u n h a r e v i s a n d o o f i l m e d e c a b o a r a b o : “ I s s o d a q u i e u f i z ? V a m o s v e r.”

R en a to : E p o r ex em p lo , n u m co rred o r lo n g o , o n d e o ato r está em p rim eiro p lan o ab rin d o u m a p o rta, m as p assa u m a m u lh er

l á n o f u n d o d e sa l t o a l t o , n a v i d a r e a l se e sc u t a i sso , n ã o se e sc u t a ? E n t ã o v a m o s f a z e r, n é ? A g o r a , é n a r u a , se p a ssa u m a

p esso a m u ito lo n g e, n ão se escu ta. É isso aí.

R o sa n a : F elip e, o q u e v o cê lev a em co n ta n a h o ra d e esco lh er o m a teria l p ra g ra v a r u m o b jeto ?

F e l i p e : p r i m e i r o é o q u e é o o b j e t o . A í t u v a i v e r, v a i t e n t a r c o m o o b jeto real, e se n ão fu n cio n ar o o b jeto real, tu v ai ter q u e

p e g a r... T e m q u e fazer! É u m a co isa q u e fo i m u ito en g raçad a n o “M eu n o m e n ão é Jo h n n y ”, q u e tin h a u m a cen a d e arm as.

E les p ed iram e eu fui com um am ig o m eu , q u e é cap itão d o ex ército , co m v árias arm as, e g rav am o s co m arm a real, e co isa e

tal, só q u e arm a n ão faz b aru lh o . M as tão aí, tão as arm as, as en g atilh ad as, tá tu d o aí. C h eg o u lá n o R io p ra m ix ar e eles

q u iseram u m a co isa m ais real, m ais fo rte, m ais real. A í eu saí n a in tern et p ro cu ran d o co m o é q u e o s caras fazem , e eu

reso lv i com um gram peador e com um cab o de guarda chuva, que era co m p letam en te su rreal, e fu n cio n o u , o s caras

ad o raram , fico u b em n a cen a.

R o sa n a : V o cês fa zem p ro d u çã o d e o b jeto s? Q u a n d o n ã o tem n a d a n o estú d io q u e d ê co n ta d o q u e v o cê p recisa ?

F elip e: S im , p o r isso eu assisto an tes, o G alim b a, co m o ele tam b ém é artista, ele tá lig ad o n o q u e tem q u e f a z e r, p o r

ex em p lo , tem u m a m en in a co m en d o alface. T em q u e c o m p r a r o a l f a c e , n ã o a d i a n t a ...T e m q u e ter alface, n ão d á p ra m en tir

alface. T em , sei lá, u m as fo lh as, co isas m ais o rg ân icas assim , tu te m q u e t r a z e r. P l a n t a v e r d e , f o l h a g e m , n ã o t e m com o

m en tir a tex tu ra, tu tem q u e t r a z e r. E n t ã o p r a i sso t o e u q u e a ssi st o , o G a l i m b a t a m b é m , e d a í e u j á a n o t o , j á p a sso p r o

G alim b a, p ra ele v er se p recisa fazer aq u ilo ali e tal. N esse film e ag o ra, o q u e é?

R en a to : n esse film e é a p o rta d e p lástico , aq u ela d o b an h eiro .

F elip e: u m a p o rtin h a d e treliça, san fo n ad a. E a g en te n ão tem .

R en a to : tem q u e arru m ar u m a p o rta d aq u ela.

R o sa n a : E v o cês m esm o s co m p ra m ? É resp o n sa b ilid a d e d e v o cês?
F elip e: A g en te ten ta g rav ar n u m lu g ar q u e ten h a

R o sa n a : V o cês ch eg a m a g ra v a r a sa ir p ra g ra v a r fo ra ?

R en a to : d ep en d e d a situ ação , u m a b icicleta frean d o n u m ch ão d e terra, d e m ad ru g ad a a g en te tem q u e sair e fazer p o rq u e

n ão tem jeito .

F e l i p e : À s v e z e s t e m q u e sa i r p r a f a z e r, t e m u m m o n t e d e c o i s a q u e ...

R en a to : T ev e u m a v ez u n s sk ates q u e a g en te tev e q u e fazer

F elip e: era o p esso al d o S k ate D o w n R io

R en a to : n esse film e d o sk ate, p recisam en te, a g en te fez as d u as co isas, fo ram feito s ta kes so n o ro s d e ru a, q u e fo i o C ristian

q u e fez, e a g en te fez d ep o is o s refo rço s d en tro d o estú d io , q u e é o sk ate v ib ran d o , co isas q u e p o d iam ser feitas d en tro d o

estú d io , as p ed alad as, m as o sk ate em si, a ro d a, o m o v im en to , tev e q u e ser feito n a ru a.

R o sa n a : C o m o v o cês tra b a lh a m p o sicio n a m en to d e m icro fo n e?

F elip e: D o jeito que so a m e l h o r...P a s s o s eu procuro gravar em um a d iag o n al, a uns d o is ou três p alm o s, d aí depende

tam b ém d o p lan o , n é? S e é m ais lo n g e, d eix a u m p o u co m ais lo n g e.

R en a to : a g en te u tiliz a d as p ro p ried ad es físicas d o m icro fo n e.

F elip e: À s v ezes tu p recisa d e u m efeito d e p ro x im id ad e, tu v ai fazer u m fó sfo ro riscan d o em p rim eiro p lan o , tem q u e ter

aq u ele “cro o w ”, risca o fó sfo ro ali, d ep o is ain d a faz m ais u m a cam ad a, so p ra n o p ró p rio m ic p r a d ar u m b aru lh ão , aí filtra.

R en a to : e essa co isa tam b ém d o tip o d e m icro fo n e: ro u p a, ág u a, é leg al ter u m m icro fo n e co m um d iafrag m a g ran d e. S e u m

ran g id o tem q u e ser g ran d e e tem q u e ser g rav e, v am o s ap ro x im ar o m ic, v am o s u sa u m m ic co m o d iafrag m a g r an d e,

v am o s u tilizar o q u e a g en te tem .

R o sa n a : V o cês fa zem p ersp ectiv a ?

F elip e: u m pouco.

R o sa n a : G ra v a tu d o n u m p la n o e d eix a p ra m ix a g em ?

F elip e: D eix a m ais p ra m ix .

R o sa n a : C o m o é a rela çã o d e v o cês co m o su p erv io r? É o K ik o o su p erv iso r?

R en a to : é o C ristian e o K ik o , m as é m ais o C ristian até.
R o sa n a : P rim eiro n o co m eço d o p ro jeto . V o cês v ã o receb er e ro la u m a co n v ersa ? C om o é?

R e n a t o : D e p e n d e . D e p e n d e d o p r a z o q u e a g e n t e t e m . A p r i n c í p i o , o c e r t o , v a m o s d i z e r a s s i m ..

F e l i p e : Q u a n d o e n t r a o j o b a g e n t e f a z u m a r e u n i ã o , o i d e a l é f a z e r u m a r e u n i ã o v i a S k y p e ... C o m o W ald ir X av ier ro la

m u ito isso , ele m an d a u m a lista, a g en te assiste o film e, e d ep o is a g en te faz u m a reu n ião v ia S kyp e co m ele p ra esclarecer

d ú v id as e co isas assim , e sem p re ab ert o à co isa d a tro ca, d e p erg u n tar se tá leg al

R en a to : D ep o is q u e a g en te fez essa reu n ião , n o certo , d e v o cê p eg ar o film e e v er e fazer essa reu n ião co m o clien te, seja

p r e s e n c i a l s e j a v i a S k y p e , a n o s s a r e l a ç ã o f i c a m u i t o m a i s ... A p ó s a d e c u p a g e m , e u f a ç o u m a lista d e d ú v id as q u e eu ten h o ,

se p recisa ser feito aq u ilo , o u se já está v alen d o , p o r ex em p lo u m a p o rta d e p lástico , co m o a g en te falo u ag o ra aí, a g en te

en tra em co n tato , isso é resp o n d id o , ou n ã o ... E a n o ssa relação com o C ristian é m u ito m ais ass im : o fu lan o pede

'c o m p r i m i d o c a i n u m a g a r r a f a g r a n d e s u p e r g r a n d e ', e a g e n t e g r a v a e e u j á e d i t o a l i n a h o r a p r a g e n t e t e r u m a i d e i a d o q u e

está aco n tecen d o , aí eu ch am o o C ristian , o u o K ik o , m as é m ais o C ris, p ra ele o u v ir e ele d iz se é isso , o u se t em m ais

alg u m a co isa.

F elip e: E d ep o is é cu m p rir o s p razo s.

R en a to : é, a n o ssa relação é d e p razo , m ais q u e q u alq u er co isa.

F elip e: P razo e h o ra d o estú d io , se tem p razo cu rto e a g en te g rav a só d e m an h ã, d as sete d a m an h ã até u m a h o ra d a tard e,

m eio d ia a g en te já tá q u eb rad o , m o rto d e fo m e, en tão a g en te v ai até m eio d ia e m eia, p o r aí, e p recisa g rav ar d e tard e,

en tão tem q u e d esco lar m ais u m as h o ras d e es tú d io aí.

R en ato: e essa co m u n icação que a g en te tem com o n o sso su p erv iso r tam b ém aco n tece com os n o sso s p arceiro s de

trab alh o , co m o o p esso al da ed ição . E u saí da técn ica, fu i pegar um cafezin h o n a co zin h a, to v o ltan d o p ra c o n tin u ar a

g rav ação , e n isso a W al já m e v ê, m e m o stra alg u m a co isa, m e fala o q u e tá faltan d o , e a g en te já g rav a sep arad o , já ex p o rta

p ra ela. O u av isa p ra ela o lh ar n o p la ylist q u e tem o p ção . E n tão a n o ssa co m u n icação é b em ab erta.

R o sa n a : Q u a l v o cês a ch a m q u e é a ca ra cterística d e u m b o m fo ley? O q u e v o cês p ro cu ra m d e q u a lid a d e d e so m ?

F elip e: P arecer o m ais “real” p o ssív el, e p ra m im é n ão p arecer fo ley. N ão ap arecer q u e é fo ley, sab e? T u v er o so m , ch eg ar

isso n u m a tela g ran d e, im ag in ar isso n u m a tela g ran d e, tu v ê o so m .

R en a to : N atu ralid ad e, é q u e tam b ém tu d o d ep en d e, se o cara lá q u er u m fo ley g ran d io so , h ip er real, q u e ele v ai u sar rev erb s

e v ai q u erer fazer d isso q u ase u m efeito , a g en te tem q u e d esap eg ar u m p o u co d isso tam b ém , d e q u erer q u e tu d o p areça

n a t u r a l e c o m o é . M a s a p r i n c í p i o , o f o l e y é l e g a l d e se o u v i r e b o n i t o d e v e r, e e u c o n c o r d o c o m o F elip e, é a n atu ralid ad e. É

tu n ão sab er se aq u ilo fo i g rav ad o n o so m d ireto o u d ep o is n o estú d io .

F elip e: co m a ex p eriên cia, a g en te v ai v en d o o q u e é fo ley, o q u e n ão , u m fo ley q u e está su p er b em feito

R en a to : eu ach o q u e a co isa m ais feia é ju stam en te isso , é tu escu tar u m a co isa e v er q u e n ão é d a cen a, v er q u e n ão co la.

Tam bém tem m u ito a m ão d a m ix n isso , n é? T u v ê e sab e q u e aq u ilo ali é fo ley, n ão co la.
R o sa n a : R en a to , q u a l o seu p ro jeto fa v o rito ? Tem a lg u m ?

R en a to : D e film e? T em alg u n s sim . F av o rito , fav o rito , eu g o sto b astan te d o film e “H elen o ” q u e a g en te fez. P elo film e e

p elo so m aq u e a g en te ch eg o u . E u ach ei ele m u ito m assa, fo i u m ap ren d izad o m u ito g ran d e p ra g en t e, u m a p o rq u e é esp o rte,

q u e é u m a co isa d ifícil d e se fazer em fo ley, p o r v ário s asp ecto s, p o r m o v im en tação , p o r n ão ser u m a co isa tão n atu ral,

porque o cara é um atleta, ele tá fazen d o alg u m esfo rço n aq u ilo , n ão é sim p lesm en te u m a n d a r, u m se n t a r, u m coç ar a

cab eça. E n tão um film e que eu g o sto m u ito de ter feito , q u e eu fiq u ei m u ito o rg u lh o so do resu ltad o , fo i “H elen o ”, e

tam b ém , sem p u x ar o saco , o trab alh o q u e a g en te fez p ra O 2 , q u e era o cu rtin h a “P reto o u B ran co ! ”, ach ei m u ito leg al o

trab alh o q u e a g en te fez lá, o trab alh o p ro p iciav a isso , q u an d o o trab alh o aju d a eu ach o q u e só tem a c r e sc e r. M a s t e m v árias

co isas q u e a g en te fez q u e eu g o sto , o s trab alh o s d a C asa d e C in em a eu ach o q u e a g en te faz b em , m u ito leg ais d e fazer e a

g en te tem u m a sin to n ia co m eles. O “D o ce d e M ãe ” fico u m u ito leg al, “M u lh er d e F ases” fo i m u ito leg al ter feito . A g en te

fez um o u tro film e q u e eu tam b ém ach ei m u ito leg al, em term o s d e so m , p rin cip alm en te n o s p asso s, o “D eserto N u ”, q u e a

g en te fez an o p assad o . A V irg in ia F lo r es é q u e m ix o u .

R o sa n a : A g o ra v o cê , F elip e.

F elip e: b o m , ao “M eu n o m e n ão é Jo h n n y ” eu so u ap eg ad o p o rq u e fo i u m d o s p rim eiro s M ain fram es q u e eu fiz, fo i m u ito

leg al, ap esar d e q u e eu estav a sem v id a n aq u ela ép o ca. E ra u m estú d io b em m en o r e eu tin h a q u e f azer d e n o ite, p o r cau sa

d o ru íd o , en tão eu p assei m u ito tem p o g rav an d o , tro can d o o d ia p ela n o ite, eu en trav a as 8 d a n o ite e saía as 8 d a m an h ã.

D ep o is, tam b ém n esse estú d io , a g en te fez o “R eflex õ es d e u m L iq u id ificad o r ”, d o A n d ré K lo tzel, q u e é m u ito leg al a cen a

d a v elh a serran d o o cara, a g en te p eg o u u m m elão , b o to u d en tro d e u m a calça d e b rim e serram o s a calça d e b rim com um

m elão d en tro , e fico u u m a n o jeira aq u ele estú d io . N o o u tro d ia tin h a g rav ação , en tão além d e tu d o , além d e v irar u m a n o ite

fazen d o , ain d a tev e q u e lim p ar tu d o ,

R en a to : u m q u e eu n ão falei, q u e n ão é p reto e b ran co , o “E ra u m a v ez eu , Vero n ica ”. F o i até p rem iad o

F elip e: G an h am o s p rêm io , é.

R e n a t o : t e v e b a st a n t e c o i sa d e á g u a , d e m a r, f o i b e m l e g a l .

F elip e: O “D o ssiê R ê B o rd o sa ”, a an im ação , fo i b em leg al d e fazer

R o sa n a : V o cê fa lo u d o m elã o , esse fo i o m a is d ifícil? O u tem m a is h istó ria s d esse tip o

F elip e: E sse fo i u m d o s. N o “S alv e G eral” tem u m a cen a q u e o cara en fia u m a ch av e d e fen d a n o o u v id o d e u m p reso e p á,

b ate co m o sa p a t o , q u e a g e n t e t e v e q u e f a z e r, m a s n o “ R e f l e x õ e s d e u m L iq u id ificad o r ” ela m ata o m arid o assim tam b ém ,

ela en fia u m n eg ó cio n o o u v id o d ele e p am ! É lin d o o so m !

R o sa n a : C o m o v o cê fez?

F e l i p e : U m m o n t e d e c a m a d a s d e g o s m i n h a s e b a t i d a e m a i s ... O “ H e l e n o ” f o i m u i t o l e g a l d e f a z e r t a m b é m .

R en ato: O “H elen o ” d eu b astan te trab alh o n a q u estão p asso s, p o r ser u m film e d e ép o ca, p o r ter m u ito esp o rte, e p o r ter
m u ito esp o rte n a ch u v a, n é, cara? F o ram u m as d u as o u três cam ad as d e p asso s, fo i trab alh o so , m as o resu ltad o fico u m u ito

leg al.

R o sa n a : V o cê lem b ra q u a is era m essa s ca m a d a s?

R en a to : P rin cip alm en te n o fu teb o l n a ch u v a, a g en te fez, e co m o era d e ép o ca, era u m cam p o m eio terro so , n ão era u m a

co isa co m o é h o je, u m tap ete d e g ram a, en tão a g en te fez g ram a, d ep o is a g en te fez u m a o u tra so m a q u e era m ais terra,

d ep o is a g en te fez u m a o p ção m ais m o lh ad a, m ais g ru d en ta, e eu m e lem b ro tam b ém q u e ele p assav a em p o ç as, u m as p o ças

v o lu m o sas, en tão tam b ém t e v e á g u a . E n t ã o i m a g i n a i sso : n u m a c o r r i d a d o j o g a d o r, q u e e l e a r r a n c a v a d o m e i o d e c a m p o e i a

até o ataq u e, ele p assav a p o r esses q u atro tip o d e p iso , isso n u m jo g o q u e tem 11 . F o i tr ab alh o so m as f o i m u ito b o n ito o

resu ltad o . M eu p ai v iu esse film e h á u m m ês e m e falo u : “tu fez o film e? O so m é in crív el m esm o ! ”. E le g o sto u m u ito d o

so m .

F elip e: E esse q u e a g en te fez ag o ra, esse co m o a V lad m ir B rich ta, o “M u ito s h o m en s em um só ”, fico u b em leg al. F ilm e

d e ép o ca tam b ém .

R en a to : M as esse lan ce d e cam ad as n ó s n ão tem o s reg ras, v am o s o u v in d o e v am o s v en d o , tá b o m o u falta g rav ar? N ão tem

reg ra. P o r ex em p lo h o je, n u m b o d y fa ll, u m cara dá com a cab eça n o v aso e m o rre, e tev e cin co o u seis so n s, até m ais, tev e

co rp o b aten d o , b o d y fa ll a g en te sep ara, a g en te faz tan to o p eso q u an to essa p arte m ais d e m em b ro s, q u e q u an d o v o cê o u v e

p arece até u m s a c o d e b a t a t a ... À s v e z e s a t é s u r r e a l , m a s é b o m q u e ten h a a m ais até p ra p o d er tirar.

R o sa n a : V o cês m a n tém b an co?

F elip e: B an co , sim . P ra lid ar com água, por ex em p lo , o que puder roubar do m eu banco do “E lian a e o S eg red o d o s

G o l f i n h o s ” ... P o r q u e q u e f o i u m a d a s c o i s a s m a i s a r r i s c a d a s q u e e u f i z , e n c h e r u m a p i s c i n i n h a d a T u r m a d a M ô n i c a d e n t r o

d o estú d io , q u e era o p rim eiro estú d io , era d e m ad eira co m lã d e v id ro em b aix o . M o lh o u , d esm o n ta o estú d io e p assa u m

m ês sem gravar. A m aio ria d as ág u as q u e a g en te u sa, claro q u e as ág u as su p erfici ais a g en te faz co m um b acião , u m a

b an h eira d e crian ça, e aí m istu ra tu d o , m as ág u a é u m a co isa q u e eu g o sto d e fazer, a ág u a é u m flu id o , co m um so m bem

b o n ito , m as é d ifícil e p erig o so p o r tu tá co m o eq u ip am en to eletrô n ico , e p o r tu tá co m lã d e v id ro , se m o lh ar, d e rep en te tu

d eto n a u m p iso .

R en a to : o s b an co s são m ais u tilizad o s em situ açõ es d e em erg ên cia, a p rin cí p io a g en te g rav a tu d o .

R o sa n a : Q u a l a rela çã o d e v o cês co m a s eta p a s p o sterio res? E d içã o , p ré m ix e m ix fin a l?

F elip e: A ed ição a g en te o lh a, se alg u ém p r e c i s a d e a l g u m a a j u d a a g e n t e v a i c h i a r , m a s v a i f a z e r d e n o v o ... A g e n t e e n t r e g a

o u p ré-m ix ad o o u a sessão ab erta.

R en a to : Q u an to a q u estão d e m ix fin al, q u an d o a m ix é lá d en tro a g en te tem um co n tato m u ito m ais ín tim o , q u an d o o

R icard in h o (R icard o C o sta d a S ilv a) tá m ix an d o a g en te alm o ça ju n to até, e aí a g en te co n v ersa, se fico u leg al, se n ão v aleu .

E q u an d o a m ix ag em é n o R io , S ão P au lo , o u o u tro lu g ar, g eralm en te v ai u m rep resen tan te n o sso , g eralm en te é o C ristian ,

p o rq u e ele é o su p erv iso r d o trab alh o to d o , ele q u e fica n esse m eio cam p o en tre n ó s e o clien te, já aco n teceu d e ir o F elip e
tam b ém . A g en te fica n essa d a resp o sta d o clien te, a g en te g o sta d e sab er se o cara ab riu o ro lo 0 1 e fico u p erfeito , n ão tev e

que m exer em q u ase n ad a.

R o sa n a : V o cês en treg a m m u ita s o p çõ es p ra ed içã o o u v o cês m esm o s já p ré -selecio n a m ?

R en ato: A id eia é sem p re m an d ar u m a co isa só v alen d o , p ra n ão cau sar m u ito tran sto rn o lá, m as a g en te tem p la ylist, p ra

u s a r u m c o m e ç o q u e f i c o u b o m ...

F elip e: m as se fico u b o m , já sai p ro n to .

R en ato: em p asso s, se eu v ejo q u e fico u b o m um p ed aço eu já co p io aq u ele p ed aço e já d eix o n a tra ck q u e tá v alen d o , en tão

a id eia é sem p re d eix ar as co isas v alen d o sim .

R o sa n a : V o cês já m u d a ra m o jeito d e g ra v a r d ep o is d e o u v ir u m a m ix fin a l?

R en ato: m um unhas acho que um p o u c o ... M u m u n h a s a g e n t e q u e r i a f a z e r d e u m a f o r m a b e m n atu ral, só o q u e a g en te v iu ,

e é a m in h a o p in ião , fo i que os m ix ad o res trab alh am a m um unha de um a o u tra form a, os m ix ad o res g o stam d aq u ela

m u m u n h a q u e está ali, m as n ão in co m o d a, e q u an d o tem q u e p in tar ela salta e d á aq u ele p ico , en tão a g en te g rav an d o ela d e

u m a fo rm a m ais n atu ral, v am o s d izer, ela tin h a u m co m p o rtam en to m ais h o m o g ên eo , n ão tin h a tan ta v ariação , e q u an d o se

co m p rim ia isso v in h a m u ito ru íd o , e n ão ficav a u m a co isa in telig ív el q u an to ao m o v im en to , en tão a g en te m u d o u , a g en te

faz a co isa m ais fo rte já p en san d o n isso , já v en d o q u e o m ix ad o r p ro v av elm en te v ai ter essa atitu d e n a m ix .

R o sa n a : D en tro d o estú d io , q u em estr u tu ro u o fo ley?

F elip e: A ch o q u e m u ito eu , p o r ter co m eçad o lá e estar lá d esd e o in ício d o estú d io , e p o r ap ren d izad o , essa co isa d e sep arar

as co isas, o terceiro film e q u e eu fiz, q u e fo i o “E lian a e o S eg red o d o s G o lfin h o s”, eu n ão sab ia q u e tin h a q u e sep arar

p asso s, m u m u n h as e esp ecífico s, en tão era eu fazen d o a F ern an d a S o u za co rren d o co m um m o n te d e co lar e u m a b o lsa, era

eu de saltin h o com um m o n te de co lar e um a b o lsa ten tan d o fazer tu d o ju n to , e d ep o is o p esso al fo i d izen d o , a g en te

ap ren d eu m u ito n a raça.

R en a to : D ev id o ao v o lu m e d e trab alh o q u e o estú d io já tem , a g en te v ai p eg an d o , g en te q u e p asso u p o r lá, co m o S érg io

K alil, eu ach o q u e aju d o u b astan te n esse p ro cesso .

F elip e: d e d ecu p ag em , o S érg io q u e tro u x e u m as co isas. P o rq u e q u an d o eu fazia a d ecu p ag em e v ia o film e, eu b o tav a tu d o

em m a rkers, e d aí tin h a aq u elas co isas d o P ro T o o ls an tig o q u e tin h a só 1 9 9 m a rkers, en tão às v ezes tu tin h a q u e fazer u n s

cin co de um a vez. E a g en te foi se o rg an izan d o e crian d o um m éto d o que q u e cad a v ez a g en te tá fazen d o co m m ais

q u alid ad e e m ais ráp id o .

R en a to : o m éto d o se d eu p ela p rática, e d esd e q u e eu en trei, v ai fazer cin co an o s, ele v em m u d an d o b astan te, se a g en te v ê

q u e é m elh o r, q u e é m ais fácil, o u q u e d á m ais resu ltad o , a g en te m u d a.

R o sa n a : D en tro d o ro lo , v o cês g ra v a m em q u e ord em ?
F elip e: P asso , esp ecífico co rp o , esp ecífico o b jeto e m u m u n h a, q u e é m ais o u m en o s u m a rev isão .

R en a to : m u m u n h a a g en te co n seg u e g rav ar m ais ráp id o , en tão a g en te já u sa co m o rev isão .

F elip e: e v ê a cen a d e cab o a rab o . E u p eg o , p o r ex em p lo , p asso d a fu lan a n o p iso frio , eu faço to d o s o s p asso s q u e tem no

p iso frio , se tem m u ita g en te n aq u ela cen a n o p iso frio , eu faço to d o s o s p asso s n o p iso frio , d ep o i s v ai p ra m ad eira, d ep o is

p ra sei lá o q u e .

R en ato: A g en te não grava lin earm en te o film e, a g en te não tem esse p ro cesso de g rav ação , só na decupagem . S e a

F ern an d a M o n ten eg ro an d a n o p iso frio n o in icio d o ro lo , n o m eio e n o fim , a g en te g rav a n essa p arte d o in ício , n essa p arte

d o m eio , e n a p arte d o fim , m as tu d o u m a n a seq u ên cia d a o u tra. A g en te n ão esp era o fim d o ro lo p ra g rav ar n o v am en te ela.

R o sa n a : Q u a is a s su a s p ersp ectiv a s d e fu tu ro d a p ro fissã o ? É p o ssív el v iv er d e fo ley?

F elip e: E u ach o q u e so u a p ro v a, p o rq u e v iv o d isso , m as as v ezes é co m p licad o , é u m trab alh o m u ito sazo n al, m u d o u m u ita

co isa, n esses d ez an o s d e fo ley, an tes era u m a co isa assim : a p ro d u ção era m en o r, n ão se tin h a a lei d a tv p ag a, q u e tá ten d o

m u ita p ro d u ção p ra tv , é u m a d em an d a m u ito g ran d e. A n tes tu ficav a en g essad o n o s festiv ais, faz p ra G ram ad o , faz p ra

B rasília, faz p ro R io , faz p ra R ecife, e d eu . H o je em d ia o cin em a, eu ach o q u e está se p ro fissio n alizan d o , tá u m a co isa m ais

lin ear, m as eu p assei já d o is m eses sem ter u m film e p ra fazer, e tu d o o q u e eu tin h a ju n tad o n o s o u tro s film es eu tiv e q u e

seg u rar a o n d a p ra ag u en tar. o q u e m e seg u ra n o fo ley n a real é a p aix ão p elo q u e faço , m eu cach ê n ão so b e faz m ais d e 5

an o s, o q u e eu co n seg u i fo i fazer o s tr ab alh o s cad a v ez m ais ráp id o sem p erd er a q u alid ad e e assim , co m m aio r v o lu m e d e

trab alh o co n sig o g an h ar m ais.

R o sa n a : V o cê sen te q u e a s co isa s m u d a ra m p ra m elh o r?

F elip e: D ig am o s q u e esse an o está m u ito b o m , an o p assad o fo i b o m , m as tev e u m as p arad as, m as ach o q u e co m a lei d a tv

p ag a tá alav an can d o m ais.

R en ato: eu acho que é p o ssív el v iv er de fo ley sim se tu tem u m a carteira d e clien tes leg al o u , d e rep en te, q u e eu n ão

co n h eço aq u i em P o rto A leg re, fazer p ra p u b licid ad e.

R o sa n a : Q u a l a rela çã o d e tra b a lh o d e v o cês co m estú d io ?

F elip e: n ó s so m o s freela .

R o sa n a : V o cês a ch a m q u e tem ca ra cterística s p esso a is d e v o cês q u e fizera m v o cês se to rn a rem a rtista s d e fo ley?

F elip e: C o m certeza é escu tar o m u n d o d e u m a fo rm a d iferen te, eu ia p ro s sh o w s e eu ficav a p restan d o aten ção n o s so n s

q u e saíam d e trás d o p alco , ficav a d o lad o d a m esa. E u so u m u ito g u iad o p elo s m eu s o u v id o s, escu to co m o se fo ssem duas

p arab ó licas.

R en ato: com certeza, eu sem p re fu i aq u ele alu n o in q u ieto em classe, q u e sem p re b ateu , b atu co u , can to u , im itav a b ich o ,

sem p re fu i d e fazer b aru lh o , sem p re b aru lh en to . S em p re tiv e u m a relação co m m ú sica tam b ém , d esd e p eq u en o , to can d o em
fan farra d e co lég io , d ep o is v im a ser b aterista, h o je estu d o v io lão , u m p o u co d e teclad o , en tão ach o q u e v eio m u ito a calh ar.

O p ercu ssio n ista, eu d iria, é u m artista d e fo ley em p o ten cial, p o rq u e se tu fo r v er a p ercu ssão n ad a m ais é d o q u e isso ,

trab alh ar co m ritm o , co m tim b res, d e tu fazer o s teu s p ró p rio s in stru m en to s, a p ercu ssão te p o ssib ilita m u ito isso , d e tu criar

teu set, d e p eg ar co isas q u e n ão são in stru m en to s, v am o s d izer assim , e fazer so m , en tão eu ach o q u e o p ercu ssio n ista tem

u m a cap acid ad e im en sa p ra artista d e fo ley, é só q u erer. A ch o q u e a p esso a tem q u e ser lig ad a n ão só co m m ú sica, m as co m

so m , tem q u e g o star d isso , o so m é u m a lo u cu ra p o rq u e ele se m an ifesta, é aq u ilo q u e a g en te co n v erso u an tes d e: ela v em

co rren d o ap ressad o , o u ela está co n tan d o d in h eiro ap ressa d a, o u ela ta b aten d o co m o m artelo n u m prego com raiv a, eu n o to

m u ito isso , eu v ejo m u ito sen tim en to em so m , sab e? S e v o cê tá em casa d eitad o e o cara te ch am a n a ru a, só n o jeito d e

ch am ar tu já sab e, n a h o ra tu b ate o sen tim en to d o cara, e n ão só co m vo z, porque com v o z é m u ito m ais, p o rq u e é assim

que a g en te se co m u n ica, m as co m b aru lh o tam b ém , eu m e lem b ro d e eu d eitad o em casa d o rm in d o e aco rd ar co m um

b aru lh o d e u m m o to r q u e era u m b aru lh o fren ético , n ão era u m b aru lh o n o rm al d e m o to r, aí eu lev an te i e b o tei a cab eça n a

jan ela e fu i sab er d ep o is q u e o s caras tav am ten tan d o assaltar u m cara q u e m o rav a u m as d u as o u três q u ad ras a d ireita. Q u er

d izer, eu v ejo q u e a v ib ração se tran sm ite m u ito , é b em essa p alav ra, a v ib ração m esm o , ela tran sm ite m u ito o sen tim en to d o

q u e está aco n tecen d o .