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Suzi Silva Resende

Didática

Jouberto Uchôa de Mendonça
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1. Didática I. Universidade Tiradentes
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tudo é válido para o seu aprendizado. A modernidade anda cada vez mais atrelada ao tempo. sobretudo. chats. onde quer que você esteja. Prova disso são as nossas disciplinas on-line. prática e eficiente. sem perder a qualidade do conteúdo. Fóruns on-line. e a educação não pode ficar para trás. a nossa preocupação em garantir o seu acesso ao conhecimento. podcasts. Mesmo com tantas opções. MSN. Desejo a você bom aprendizado e muito sucesso! Professor Jouberto Uchôa de Mendonça Reitor da Universidade Tiradentes . a Universidade Tiradentes optou por criar a coleção de livros Série Bibliográfica Unit como mais uma opção de acesso ao conhecimento.Apresentação Prezado(a) estudante. livespace. como deve ser a sua forma de comunicação e interação com o mundo na modernidade. vídeos. Por meio do nosso programa de disciplinas on-line você pode ter acesso ao conhecimento de forma rápida. a obra contém todo o conteúdo da disciplina que você está cursando na modalidade EAD e representa. Escrita por nossos professores. que possibilitam a você estudar com o maior conforto e comodidade possível.

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46 Tema 2: Planejamentos e Projetos Educacionais . . . 14 1. . . . . . . . . . . . . Instrução e Ensino e sua Evolução Histórica . . . . . . . . . . . . . 143 Resumo . . . . . . . .1 Educação. . . . . . . . . . .135 4. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 120 4. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .21 1. . . . . . . . . . . instrução e ensino . . . . . . . . . 55 2. . . .127 4. . . . . . 72 Resumo . . . . . . . .47 2. . . . . . 29 1. . . . 92 3. . .Sumário Parte 1: A Didática na Educação. . . . . . . . . . . . . . . . 48 2. . . . .4 Metodologia e recursos no processo de ensino/aprendizagem. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 As concepções de ensino. . . . .2 Objetivos de ensino . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 81 Tema 3: Plano de Ensino e suas Especificidades . . . .3 A organização dos conteúdos curriculares na estrutura escolar . . . .1 Planejamento de ensino: plano de curso. . . . . . . . . . . . História e Evolução Didática . . . . . . . . . .1 Definição de planejamento e planos. . . . . 84 3. . . . . . . . . . . . . . . . . 151 . . . . . .2 O valor pedagógico da relação professor-aluno . . . . . . . . . . . . .4 Projeto escolar e curricular . . . . . . . . . . .3 Elaboração e procedimentos de projetos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 150 Referências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3 A ação didática . . . . . . . . . . . . . . . . . . Avaliação e Práticas de Docentes . . . . .4 A prática da regência de classe . . . . . . . . . . .3 Avaliação no processo de ensino e aprendizagem . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 109 Resumo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . plano de unidade e plano de aula . . . . . . . .101 3. . . . . . . . . . . . . .83 3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 Os tipos de planejamentos didáticos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 64 2. . . . . 79 Parte 2: Processo Ensino Aprendizagem: Os sujeitos do processo . . . . . .1 A Formação do profissional docente . . . . . . . . . . 119 4. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .4 Evolução histórica da Didática .. . . . . . . . . . . . . . . . . 117 Tema 4: Formação Docente. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13 1. . 38 Resumo . . . . . . . . . . 11 Tema 1: Educação. . . . . . . . . . .

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plano de unidade e de aula. As concepções de ensino. Específicos • Reconhecer o processo de ensino na sua função de assegurar.Concepção da Disciplina Ementa Educação. Objetivos de ensino. o encontro ativo do aluno com as matérias escolares. Os tipos de planejamento didático. Plano de Ensino e suas especificidades: planejamento de ensino: plano de curso. Planejamento e Projetos Educacionais: Definição de Planejamento e Planos. Elaboração e procedimentos de Projetos. avaliação e práticas do docente: A formação do profissional docente. história evolução: Educação. no seu contexto histórico. • Compreender a importância da Didática para o de- senvolvimento da prática pedagógica. Avaliação do Processo Ensino Aprendizagem. Organização dos conteúdos curriculares na estrutura esco- lar. Projeto Escolar e curricular. . com eficácia. A prática da regência de classe. • Entender a Didática no contexto histórico. A ação da Didática. A evolução histórica da Didática. Metodologia e recursos no processo de ensino aprendi- zagem. Instrução e Ensino. Formação docente. O valor pedagógico da relação professor-aluno. Objetivos Geral Proporcionar conhecimentos teóricos e práticos que possibilitem aos professores a compreensão reflexiva e crítica das situações didáticas.

Organize-se de tal forma para que você possa dedicar tempo suficiente para leitura e reflexão. Orientação para Estudo A disciplina propõe orientá-lo em seus procedimentos de estudo e na produção de trabalhos científicos. possibi- litando que você desenvolva em seus trabalhos pesquisas. • Esforce-se para alcançar os objetivos propostos na disciplina. o rigor metodológico e o espírito crítico necessários ao estudo. Tendo em vista que a experiência de estudar a distância é algo novo. Estamos nos referindo ao contato permanente com o professor e com os colegas a partir dos fóruns. é importante que você observe algumas orientações: • Cuide do seu tempo de estudo! Defina um horário regular para acessar todo o conteúdo da sua disciplina disponível neste material impresso e no Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA). . • Compreender o valor da interação professor-aluno. • Analisar os processos teórico-metodológicos da Didática. chats e encontros presenciais. • Analisar o processo de avaliação para a formação do professor reflexivo. • Utilize-se dos recursos técnicos e humanos que estão ao seu dispor para buscar esclarecimentos e para aprofundar as suas reflexões. Além dos recursos disponíveis no Ambiente Virtual de Aprendizagem – AVA.

você deve realizar as atividades propostas e estar sempre em contato com o professor. Para que sua trajetória no curso ocorra de forma tranquila. . você contará com o apoio das equipes pedagógica e técnica envolvidas na operacionalização do curso. além de acessar o AVA. Por isso. o que requer uma nova postura do aluno e uma nova forma de concepção de educação. Para se estudar num curso a distância deve-se ter a clareza que a área da Educação a Distância pauta-se na autonomia. responsabilidade. cooperação e colaboração por parte dos envolvidos. além dos recursos tecnológicos que contribuirão na mediação entre você e o professor.

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INSTRUÇÃO E ENSINO E SUA EVOLUÇÃO HISTÓRICA Parte 1 .A DIDÁTICA NA EDUCAÇÃO.

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1 Educação. espero que esse momento seja de suma importância para sua vida acadêmica. trataremos de assuntos envolvendo conceitos básicos sobre educação e como esta tem grande importância na agregação de valores da espécie humana. os objetivos da educação. para. fala- remos dos diversos tipos de educação inserida no contexto social a partir da evolução histórica da humanidade e de como essa educação cresceu consideravelmente mediante o aperfeiçoamento histórico da Didática. . ajudar o docente a escolher as alternativas mais adequadas para cada situação. História e Evolução Didática Caro aluno. faremos reflexões sobre a ação da didática. pois. neste tema I. Continuando com o estudo. Diante disso. a partir desse contexto.

do ponto de vista social. ou seja. pelas gerações adultas. costumes. de valores. como surge a escola? . Se a educação. educação é algo externo. conhecimento às gerações mais jovens. a tal ponto que. a educação vai tornando-se cada vez mais relevante. p. preparar o indivíduo exercida por gerações adultas sobre as gerações não para o mundo.14 Didática 1. criar. Se colocarmos esse conceito no ponto de vista social. Dessa forma. normas. Assim. uma vez que esta também é transmitida em ambientes onde não há escolas. a educação está sempre presente em lugar de destaque. na sociedade contemporânea. usos. O termo educação tem sua origem no verbo latino 1 EDUCARE: educare1. existe educação. mesmo nos lugares onde não há sequer a sombra de algum modelo de ensino formal. instrução e ensino Nesse momento vamos falar sobre educação e como essa palavra tem sido utilizada ao longo do tempo com dois sentidos distintos: formal e informal. + ducere ‘conduzir Segundo Durkheim (1981. é a trans- missão. valores. Em todo lugar existem redes e estruturas sociais de transferência do saber de uma geração para outra. que tem o significado de alimentar. através da transmissão do conjunto de conhecimentos. a educação é fundamental na manutenção da vida de um grupo ou mesmo da sociedade. crenças. concedido por alguém. as gerações adultas acabam norteando a conduta dos mais jovens. Nesse verbo composto do prefixo ex (fora) sentido. amadurecidas. normas.1 Educação. pois a escola não é o único lugar onde a educação acontece. usos e costumes aceitos pelo grupo social. a educação é ação para fora’. 25). Você sabe a diferença entre educação e escolarização? É imprescindível que o aluno tenha discernimento de que educação não se confunde com escolarização. À medida que vai aumentando a complexidade da vida de um grupo.

p. as crianças e os jovens que partici- pam das atividades dos adultos. as normas que regulam a conduta. Assim. as técnicas de trabalho. a escola instituição social criada. etc. achada mais conveniente naquele momento histórico dentro daquele quadro cultural. em um certo espaço de tempo e dentro de uma deter- minada sistemática. essa se realiza de forma assistemática. então. História e Evolução Didática 15 Numa sociedade onde a educação é rudimentar. Nas sociedades mais complexas. existem lugares onde ela se processa de forma assistemática. surge. os mitos. aprendem as lendas. as formas de convívio e de recreação. 1981). Tema 1 | Educação. Entre esses lugares podemos citar: a família. . para garantir sua transmissão às no- vas gerações. e pela experiência direta.11). as empresas. os sindica- tos. 2006. que além dos lugares onde a educação se processa de forma sistemática. especificamente para educar e ensinar. Diante do que é posto pelo autor. podemos responder a pergunta feita anteriormente. (WALTER e GARCIA. os meios de comunicação de massa. A escola sendo instituída e regulamentada pelo grupo reflete seus valores e seu nível cultural. (MELLO. dentro desse contexto. em que o acervo é muito vasto. torna-se necessário sistematizar uma parte significativa desse patrimônio cultural. também. Convém lembrar. Dessa forma. a igreja.

Neste sentido. como visto. que são repassados por profissionais preparados e dentro de um planejamento. político e cultural. refere-se ao desencadeamento das capacidades e potencialidades de cada indivíduo. . nesse caso. assistemática ou difusa – são os conhecimentos adquiridos pela prática diária e observância do modo de agir de pessoas mais velhas e convivência nos diferentes grupos sociais. Nessa modalidade o educador deverá encontrar caminhos que o levarão a compreender seus alunos. O que você entende por educação do ponto de vista individual? Partindo do pressuposto do termo educare. Educação informal. tendo sensibilidade o suficiente para descobrir dons especiais de cada um e também suas dificuldades em relação a certas matérias. A aplicação da educação individual busca métodos para permitir a mani- festação e individualidade de cada um. do ponto de vista individu- al. algo que parte da liberação de tornar externo algo que se manifesta interiormen- te. que. tendo como princípio o aprimoramento de sua personalidade. conduzir para fora. o verbo latino expressa.16 Didática Educação sistemática ou formal – é um modo de trans- missão de conhecimentos organizados dentro de um contexto histórico-social. significa fazer sair. a educação.

a instrução me- diante o ensino tem resultados formativos quando con- verge para o objetivo educativo. . edição. isto é. Por exemplo. Assim sendo. e uma vez inteirado. que nos dois sen- tidos. individual e coletivo. facilitando assim a sua forma de linguagem. É formado em Filosofia pela Pon- e essa deverá ser explorada pelo educador. Mestre em que o faça ter vontade de aprender. pois. Segundo Libâneo2 (1994. uma ligação entre instrução e educação. fazendo com que o educando sinta-se mais familiarizado na escola. Diante disso. cada indivíduo tem um tipo de habilidade. Uma delas seria a aproximação do professor do ambiente social onde vivem seus alunos. Didática. Uma questão muito relevante quando se trata de educação individual é a grande necessidade de conci- liar os interesses de uma educação centrada no indivíduo com a importância da educação social. cação e Doutor em Filosofia e História trução no que se refere à formação intelectual. tifica Universidade um aluno que não demonstra muita aptidão por matemática Católica de São Paulo. ou seja. a palavra educação está ligada ao aspecto formativo. cação. História e Evolução Didática 17 Podemos observar. nos. já que o resultado da instrução é orientado para Uma das suas principais obra é: o desenvolvimento de características peculiares da perso. quando os co- nhecimentos. Católica de Goiás. que hoje nalidade do indivíduo. ele irá desenvolver suas aptidões e po- tencialidades. para dar maior ênfase à manifes- tação da individualidade. concluída em deverá ser estimulado pelo professor através de atividades 1996. p. da Educação. habilidades e capacidades propiciados pelo ensino se tornam princípios reguladores da ação huma- na. Existe. Filosofia da Edu- Existe uma forte relação de subordinação da ins. no entanto. faz-se necessário implantar metodologias pedagógicas de um sis- tema de ensino coletivo. podemos afirmar que ensino de modo 2 José Carlos Libâneo é professor coletivo deve prevalecer. à edu. já que cada um tem um tipo de se encontra na 20ª competência diferente. Daí a importância dos educadores estarem atentos às tendências dos aspectos sociais. no entanto. muito embora sejam processos diferentes: pode-se instruir sem educar e educar sem instruir.23). o professor deverá da Universidade ficar sempre atento às inteligências múltiplas de seus alu. Tema 1 | Educação.

Desta forma. embora não o único e. constituem. o indi- víduo educado não se torna instruído porque não pratica seu conhecimento. passando a receber e das regras de sua evolução histórica diversas críticas que. o objetivo educativo não é um resultado espontâneo do ensino.wikipedia. por isso. dentro da educação.18 Didática Assim. conduz a aprendizagem. Ensi- nar é a atividade na qual o professor. fazendo com que o movimento da . De acordo com o conceito etimológico3. ele se destaca como fundamental fator da instrução e educação. Como vocês podem perceber. Essa ciência sobre determinado assunto. onde ensinar resume-se a transmitir e da explicação conhecimentos e a função do professor é apenas de do significado de transmissor. Por outras palavras. é viável ressaltar que a educação pode ser pautada de forma sistemática e assistemática.org/wiki/ tomando maior dimensão e deram origem a uma nova Etimologia teoria da educação. antes de começarmos a falar propriamente sobre ensino. a partir do final do século XX. ensinar composto de µ e -“-logia”[1]) é a parte (do latim signare) é colocar para dentro. é uma ação composta de organização. com sua metodologia 3 Etimologia (do adequada à realidade do seu aluno. o ensino é o principal elemento. foram http://pt. é o Em função de ter como base essa visão do ensino. estudo da composi. Em grupo. grego antigo µ . por sua vez. o método tradicional de ensino foi se mostrando. Dessa etimologia originou-se o conceito tradi- trata da história ou origem das palavras cional de ensino. gravar no da gramática que espírito. se não empregada às dificuldades da realidade não se tornarão experiências. Contudo. o fato de um indivíduo ter conhecimento sobre tal matéria não implica dizer que ele irá praticá-lo. ao longo ção dos vocábulos do tempo. existe uma rela- ção entre instruir e educar. cada vez mais ineficiente. que palavras através da análise dos simplesmente absorve esse conhecimento sem maiores elementos que as indagações. discu- tam outras formas práticas ligadas a esse campo. O ensino. e a do aluno. um receptor passivo. Sendo assim. É importante salientar que. Deve-se propor ao edu- cador que crie um objetivo intencional e claro para mediar à instrução aos fins educacionais.

a Instituição escolar tem um papel fundamental em unificar os princípios que se situam entre a educação for- mal e as finalidades sociais para a formação humana. auxiliando professores a mas aprender a se constituirem de elementos básicos. sibilidade e técnicas de atividades interpessoais. compreende-se que ele também se apoia em outras informações. Neste con- texto. os recursos e as teoria pedagógica tecnologias utilizadas que considera que o importante Do ponto de vista pedagógico essa nova modalidade não é aprender. História e Evolução Didática 19 Escola Nova4 gradativamente ganhasse espaço. o ambiente social no qual o aluno está inserido. não mais se limitando Históricos da Edu- somente aos elementos constituintes da prática pedagógica: cação. Assim. como por exemplo. p. em diversas áreas de conhecimentos que relatam relações entre finalidades da educação e a prática social mais extensa. Tema 1 | Educação. num sistema submetido a controles técnicos que mascaram seu caráter ideológico. Diante disto. o profissional de ensino. os projetos e os planos. os procedimentos. como referências à transformação da prática escolar. Escola Nova parte de uma docentes. também. 10). 95. levando em consideração que o tra- balho do docente fundamenta-se em elementos organi- zados. ultrapassa conceitos obsoletos. por intermédio de técnicas e recursos pedagógicos. aprender. o ensino corresponde à transferência de informações passadas aos alunos. e mais do que ser um fiel servidor de diretrizes das mais variadas tendências. p. mas do ponto de vis- ta pedagógico a arte de ensinar é disposta. tais como sen. antes de ser um técnico eficaz. . bem como as previsíveis consequências de sua prática. segundo Sacristán e Gomez (1998. Essas 4 Como foi explanado no mudanças permitiram que hoje a arte de ensinar seja livro Fundamentos vista como algo bem mais amplo. buscando a aprendizagem de um saber do alu- no de modo sistematizado. discentes. deve ser alguém responsável que fundamenta sua prática numa opção de valores e em ideias que lhe ajudam a esclarecer as situações. Assim.

VALDEMARIN. Campinas-SP: Autores Associados. SOUZA. faça uma analogia entre ensino e educação. C. caracterizando-os. de modo que enfatiza fatores determinantes para abordar pontos específicos para integração a um quadro mais amplo que lhes dê significação. 1997. sendo o seu objeto o fenômeno educativo em seu conjunto. Vera Tereza. Educação: pedagogia e didática – Cortez: São Paulo. O autor inicia abordando a problemática da identidade no campo do conhecimento pedagógico. 2005. Compartilhe em sala de aula com colegas e tutores a sua conclusão. defendendo que a Pedagogia seja uma das “ciências da educação” que busca integrar e dar coerência a todas elas. PARA REFLETIR Agora. após a leitura do texto.20 Didática INDICAÇÃO DE LEITURA COMPLEMENTAR LIBÂNEO. . Rosa Fátima. A cultura escolar em debate. J. Aponta a necessidade de se buscar uma identidade epistemológica para esse campo e procura diferenciar o “pedagógico” do “didático”. Libâneo faz uma retrospectiva histórica dos estudos teóricos da Pedagogia no Brasil. A seguir. dos jesuítas à década de noventa do século passado. A obra retrata o uso do conceito de cultura escolar evidenciando sua fertilidade para explicar a complexidade da educação moderna e contemporânea.

principalmente na relação professor-aluno. -atis)s.x?pal=c tente na transmissão/assimilação das informações e capa. também deve ocorrer no ambiente escolar. o ensino pode ser entendido como uma atividade da qual a maior finalidade é a realização da aprendizagem. Neste sentido. Assim. destacam-se fatores cruciais que ajudaram e ajudam nesse processo: o ato de ensinar e aprender. Os costumes e hábitos fazem parte de uma transmissão de conhecimentos. Tema 1 | Educação. Assim 5 (latim reciprocitas. História e Evolução Didática 21 1. em frente a esses acontecimentos evolutivos da humanização. Faremos dessa defini- ção um apoio para concepções de ensino na projeção evolu- tiva da educação. 1. aracter%u00edsticas . torna-se inseparável a afinidade exis. caminhos para que tais necessidades fossem sanadas. Mutualidade. f.2 As concepções de ensino Foi conceituado no conteúdo anterior que ensino é uma ação composta de organização. Há uma reciprocidade5 existente entre a ação do professor (considerada como ensino) e a ação dos alunos 2.pribe- ram. Fonte: http://www. (aprendizagem). condicionando o homem a buscar mé- todos. Ao logo do tempo essas necessidades tomaram uma proporção bem maior. O ensino e a aprendizagem são tão antigos quanto a própria natureza humana. Sendo assim. Os povos primitivos aprendiam com os seus pais a arte da caça e da pesca por uma necessidade existencial. Caráter do que é recíproco. sendo organizado de maneira a respei- tar as características cognitivas do indivíduo e as competências em formar os seus próprios conceitos.pt/dlpo/default.

teremos basicamente um professor que transmite o que sabe. Ele é sustenta- do pela ideia de que o professor é o detentor do co- . Essas especificidades de cada situação didática defi- nem que o professor (aquele que ensina) deve ser capaz de se colocar no lugar do aluno (o que aprende) e entender suas condições mentais. conforme já vimos no conteúdo 1. do tema 1. que mais tarde foram questio- nadas e deram lugar a novos métodos de ensino. Na situação de validação. Já na situação de institucionalização são abordados pelo professor assuntos relacionados às questões culturais de um modo geral. fórmulas matemáticas. o conceito etimológico de ensino baseia-se em instruir alguém sobre aquilo que não sabe ou que sabe de forma inadequada. formulação. este método evidencia a memorização de conceitos. Foi a partir desta premissa que o método tradicional de ensino construiu suas bases. Se aplicarmos essa definição à sala de aula. enquanto na situação de formulação é utilizada uma fonte de pesquisa já estudada. Contudo.1. Assim. realizando a chamada Teoria da Mente.22 Didática cidades. que afirma que o ser humano conta com a capacidade de se inferir na mente das outras pessoas. Vamos compreender melhor essa questão? São quatro os tipos de situações didáticas: de ação. Na situação de ação. Mas em que se fundamenta basicamente o ensino? Assim. a partir das especificidades existentes nas situações didáticas. e espera que o aluno descreva o que lhe foi passado. atividades repetitivas. validação e institucionalização. que ocorrem quando existe o propósito da aprendi- zagem. para entendermos como esse movimento de mudança se deu é importante primeiro conhecermos os princípios do método tradicional de ensino. o aluno se predispõe a realizar suas próprias pesquisas. o aluno precisará utilizar técnicas que comprovem suas afirma- ções.

• Os conteúdos passados não têm ligação com a realidade dos alunos. não haven- do na verificação o cuidado de se identificar se os alunos estão aptos a enfrentar nova matéria. e o aluno agente passivo das informações trans- mitidas a eles. Sobre o ensino tradicional destacam-se ainda as seguintes características: • Os alunos reproduzem mecanicamente o que aprenderam. • O ensino é somente transmissivo. • Repetir as informações transmitidas. • O professor fica preso somente na sala de aula. sem se preocupar com a prática de vida dos alunos. Tema 1 | Educação. • Subestima a capacidade intelectual do aluno. . tirando dele a possibilidade de desenvolvi- mento de suas ideias. Na maioria das escolas públicas e particulares ainda encontramos profissionais que usam métodos tradicionais em sala de aula e nas suas práticas docentes. dissociados da experiência do alu- no e fora do contexto da realidade social. Assim. História e Evolução Didática 23 nhecimento a ser transmitido aos alunos. dando ênfase ao professor. • O professor age como dono do saber. podemos perceber que os aspectos que funda- mentam o ensino tradicionalista baseiam-se em conteúdos de ensino que fazem imposições.

para a prática de professores. ganhou vando a discussão pedagógica interna autonomia em relação à aprendizagem. Neste sentido. como objetivo. ainda encontramos profissionais que usam métodos tradicionais em sala de aula e nas suas práticas docentes.klickeducacao. o método de ensino tra- dicional passou a ser criticado. 6 Os Parâmetros Curriculares Nacio- nais são referências para o trabalho dos professores das diversas disciplinas e áreas do ensino fundamental e médio. os Parâmetros Curriculares Nacionais6 (PCN) nicípios. Hoje sabe-se que é necessário ressignificar a como servir de unidade entre aprendizagem e ensino. tóricos da Educação.24 Didática Em função do que foi posto. hou- html ve uma grande ascensão na educação promovendo mudan- . uma vez que. apesar das críticas e do surgimento de novos métodos.br/conteudo/ pagina/0. [Muitos professores ainda acreditam que ensinar é depositar conhecimentos Os PCN têm como na cabeça do aluno] função subsidiar a elaboração ou a Sobre esta mudança de paradigma com relação ao revisão curricular dos Estados e Mu. conteúdo 2.POR-187-. métodos e o processo de aprendizagem ficou relegado a boração de projetos educativos. tendo.6313. você no Tema II. do livro de Fundamentos His- com. garantir que todas as crianças e jovens brasileiros possam usufruir dos conhecimentos básicos necessários para o exercício da cidadania. conforme os conceitos estudados por http://www. como decorrência. assim. assim segundo plano. método de ensino. estaria valorizando o conhecimento. existentes. Contudo. já que o mesmo não atendia as expectativas e necessidades da sociedade. pois passou-se a acreditar que era ineficiente. dialogando colocam que por muito tempo a pedagogia focou o proces- com as propostas e experiências já so de ensino no professor. criou seus próprios das escolas e a ela. a partir do final do século passado. supondo que.00. incenti. O ensino.4. em ultima material de reflexão instância. sem aprendizagem o ensino não alcança seu objetivo. em escolas públicas e par- ticulares.

assim cada um de vós deve ter a sua própria compreensão de Deus e sua própria compreensão das coisas da terra. De for. “E assim como cada um de vós se mantém só no co- nhecimento de Deus. Manifesto da Escola É justamente diante dessa percepção. mas não vos poderá levar até lá. de que era ne. org/wiki/Escola_Nova E ele disse: “Nenhum homem poderá revelar-vos nada senão o que já está meio adormecido na aurora do vosso entendimento. mas sim de sua fé e sua ternura. dos fundamentos lógicos para os psicológicos. tivo a Renovação Pedagógico-didática. Além disso. O astrônomo poderá falar-vos de sua compreensão do es- paço. do movimento ganhou docente para o discente. História e Evolução Didática 25 ças na ação pedagógica passando do tradicionalismo para o 7 Denominado de Escola Nova. da quantidade para qualidade. Porque a visão de um homem não empresta suas asas a outro homem. não dá de sua sabedoria.wikipedia. nada de Escola Nova7. Esse movimento cessário mudar a forma como o conhecimento era passado tinha como obje- nas escolas. denomi. O mestre que caminha à sombra do templo. após ma sucinta. 53. impulso na década de 1930. uma O ENSINO visão de homem e de mundo. K. procede-se de uma teoria educativa que promove a divulgação do a importância de aprender a aprender. . 1978. Nova (1932). mas antes vos conduzirá ao limiar de vossa própria mente. G. Tema 1 | Educação. ). rodeado de discípu- los. trazia es- sencialmente. um professor disse: “Fala-nos do ensino” Fonte: http://pt. mas não vos poderá dar sua compreensão. Então. não vos convidará a entrar na mansão do seu saber. fazendo com que a prática educacional fosse voltada para o comportamento TEXTO COMPLEMENTAR humano. que nasceu uma nova teoria de ensino. O músico poderá contar para vós o ritmo que existe em todo o universo. O profeta.” Fonte: GIBRAN. Se ele for verdadeiramente sábio. p. Rio de Janeiro: Mansour Challita. o sentimento.

qual a visão predominante de ensino nas colocações do autor? Apesar da ideia escolanovista de renovar a prática educacional unificando as escolas públicas e particulares. Sua função a priori é de construir indivíduos aptos para o mercado de trabalho. • Professor e aluno são banidos às condições de realizadores de processos cujos conceitos. o sucesso só foi obtido nas redes de ensino destinadas às elites. Esse modelo pedagógico inspira nos princípios da racionalidade e capacidade para produzir. objetivos e rápidos.26 Didática PARA REFLETIR De acordo com o texto. vigente na ciência da mudança comportamental. por ser um projeto de alto custo. objetivos. neutros e imparciais. então. As diretrizes que fundamentam essa tendência devem ser úteis e necessárias para que o sujeito se adapte ao sistema global. fazendo surgir. Para Libâneo (1989. coordenação e execução ficam sob responsabilidade de especialistas preparados. 290) a educação tecnicista discute diretamente com o sistema produtivo. pois o sistema técnico é elemento fundamental na estrutura da aula. Vejamos logo a seguir o que caracteriza o método tecnicista: • O professor e o aluno são vistos como agentes se- cundários nesse processo. a Concepção Tecnicista surgiu na segunda metade do século XX e se efetivou no Brasil entre 1960-1970. . o que provocou um sentimento de desilusão no meio educacional. uma nova concepção de ensino: o tecnicista. p. Originada no norte da América. transportando de forma eficaz conhecimentos precisos.

as demonstrações da pedagogia aprendo. p. Serei seu amigo O processo de ensino é uma junção de atividades eterno. 79-80): Visite o site: http:// sitedepoesias. sido bastante utilizado pelas entidades burocráticas do Debato. ensino e ministério da educação. MENTE PARA O MERCADO DE TRABALHO Nasci da necessi- dade Da integração do Muito embora o modelo tecnicista tenha povo À sua sociedade. e sua aplicação. Sou INTERACIO- NISTA! mentos e progressos das aptidões cognitivas. ou seja. 8 DISCUSSÃO DO ENSINO ANTIGO fazendo uso de sistemas audiovisuais dando COM O ENSINO ênfase ao ensino moderno8. O ensino é um processo. buscando alcançar finalidades na aquisição de conheci. dimensionalizando as proporções educacionais e Em jornal. Vamos sobre essa discussão analisar alguns aspectos envolvidos nesse processo de sobre os ensinos.Eu venho dos opressores. MODERNO. ensino definidos por Libâneo (1994. visando à Para saber mais capacidade de aprendizagem de cada indivíduo. • A escola organiza-se como precursora da proce.com. . Me chamo ENSINO sistemáticas fundamentadas pelo professor e alunos. Eu sou o ENSINO ANTIGO.Eu sou ONDE O ALUNO É PREPARADO DIRETA. Sou mestre e não sou amigo. direcionada a técnicas Com cediços que apontam para a produção de indivíduos professores Venho ensinar o que aptos e qualificados para o mundo do trabalho. MODERNO ANTIGO . eu quero. livro ou revista. Pesquiso em vídeos tecnicista ainda se fazem presentes nas entidades de ou lendo ensino. Me chamo TRADI- CIONAL! MODERNO .br/ poesias/48599 1. Tiro do livro a lição E imponho uma • educação • Puramente radical. os recursos tecnológicos de âmbito educacional. História e Evolução Didática 27 • Utilização excessiva de recursos tecnológicos. Tema 1 | Educação. caracteri- za-se pelo desenvolvimento e transformação progressiva das capacidades intelectuias dos alunos em direção ao domínio dos conheci- mentos e habilidades. Nasci de um regime austero! dência do ser humano. um ensino novo.

de Matthew Lipman.Ensino: as abordagens do processo. INDICAÇÃO DE LEITURA COMPLEMENTAR Para se aprofundar mais sobre concepções de ensino. 3. A filosofia vai a escola? Campinas-SP: Autores Associados. pedagógicos e envolvimentos político-ideológicos do Programa de Filosofia para crianças. Abordagem comportamentalista. . convicções e de desenvolvimento cogni- tivo dos alunos. O ensino tem caráter bilateral. o professor organiza e os torna di- daticamente assimiláveis.U. Livros em Inglês. Assim. Abordagem sócio-cultural. atitu- des. diferente da Escola Nova. habilidades. SILVEIRA. Abordagem sociocultural. estabelecendo as condições e os meios de aprendizagem. Abordagem cognitivita. Ensino: as abordagens do processo. 1986. 2001.P. São Paulo:-E. que se funda- menta na importância de aprender a aprender. Aborda- gem humanista. Mizukami. hábitos. Renê José Tretin. O autor escreve o livro problematizando pressupostos filosó- ficos. Maria da G. O progresso de ensino visa alcançar determi- nados resultados em termos de dominio de conhecimentos. As abordagens do processo ensino-aprendizagem e o professor. onde na trans- missão. O livro trata de conceitos em todos os processos de abor- dagens tradicional. NICOLETTI. o método tecnicista tem como base aprender a fazer. con- trolando e avaliando.28 Didática 2. ler o livro .

Tema I | Introdução à Economia 29 PARA REFLETIR Após a leitura sobre os diversos tipos de abordagens de ensino. faça um paralelo entre as mesmas.3 A ação didática Começaremos este conteúdo fazendo diversas indagações sobre alguns problemas enfrentados por muitos professores. Trata-se. Quais as que mais predominam nas escolas da comuni- dade de cada um de vocês? 1. tais como: o que fazer para ajudar o aluno a resolver problemas matemáticos envolvendo as quatro operações? Quais os critérios que devem ser usados para que os estudantes leiam e interpretem textos de forma correta? O que propor aos alunos que têm dificuldades em entender uma fórmula de Física? Perguntas como essas são feitas rotineiramente por professores do mundo inteiro. então. . da Didática específica que veremos com mais precisão no decorrer desse capítulo.

quando falamos em Didática nos re- ferimos aos aspectos através dos quais essa é com- preendida e analisada na concepção do ato de ensinar. vale ressaltar que esse de organização campo na educação é de suma importância para orientações de situações problema. das metodologias e recursos usados para melhor assimilação dos conteúdos por parte dos mesmos. podemos analisar que ela trata do estudo das técni- cas de ensino em todos os âmbitos práticos. Há uma ligação lógica com a aprendizagem contendo como agente principal o aluno. transformando ca- desse livro. a didática é con- ceituada como um conjunto de regras que visam assegurar aos futuros professores as orientações necessárias ao trabalho docente. racterísticas sociais e políticas em propriedades de en- trução reúne fatos. . Desta forma. no entanto. Neste sentido. direcionar e guiar o conhecimento do homem no convívio social e educacional. a Didática não trata somente do âmbito do ensino envolvendo exclusivamente o professor.30 Didática Assim. Muito embora as definições sobre o real papel da tulo . buscando forma de estimular. Portanto. na forma de comportamento e na atuação do docente. Trata-se de uma disciplina técnica que tem como objeto específico a direção da aprendizagem. uma vez que ela desenvolve os pro- cessos de ensino-aprendizagem para favorecer principalmente a função cognitiva. que o estudo da dinâmica da aprendizagem é fundamental para uma Didáti- ca ativa na construção do conhecimento. educação formal e as determinações sociais necessárias à formação humana. conhecimentos sino. a ins. como vimos no início desse capítulo. 10 No mesmo capí. pois é através dela que se buscam respostas plausíveis para a solução dos mesmos. Constata-se. Essas técnicas evidenciam a instrução9 e o ensino10 9 Pela definição do primeiro capítulo como recursos principais na ação escolar.1 o ensino é uma ação composta Didática sejam vastas e pertinentes. de acordo com o que foi colocado sobre Didática. p.23). sistematizando ligações entre os fins específicos de sistemáticos. por meio das diversas maneiras como este passa o conhe- cimento para o seu aluno. segundo Candau (1984.

o instrumento). Por isso. Dessa forma. além desse prático e sabe domínio. O estudo da dinâmica da aprendizagem reporta a didática à atividade do aluno. Tema 1 | Educação. (CANDAU. engana-se o professor que acha com a ação ou que dominar o assunto a ser abordado nas suas aulas é com a eficiência. ser tratada como um componente isolado. o bastante para a transmissão eficaz do conhecimento. ela nos mostra nessa colocação. A didática não pode tratar do ensino relacionado ao professor sem salientar de modo simultâneo a apren- dizagem por parte de aluno. enfatizamos aqui que. podemos afirmar que a Didática é a análise . ções relacionadas Neste sentido. = prático. também afirma que o êxito dos procedimentos didáticos não lhe confere um valor absoluto a não ser que nos deixemos levar por uma con- 11 Que auxilia a cepção instrumentalista11 e pragmática12 de educação. ape- sar da pretensão da neutralidade que toda técnica advoga para si enquanto decorrente de teorias científicas às quais serve inclusive de critérios de validação pela veri- ficação de sua eficácia constatada nas observações dos resultados obtidos. 2009. por conseguinte. ação (servindo de Em outras palavras. Esses acabam se tornando “escravos” da sua própria b) Que ou quem revela um sentido sabedoria. pois ela não se justifica a si mesma. como algo em si mesmo. o docente deve fazer uso dos procedimentos ou quer agir com eficácia.25). a didática não pode. sem levar em conta considerações da ordem dos valores e dos fins. verdadeiro valor da aplicabilidade dos processos didáti- cos enquanto ciência que auxilia a ação do professor na 12 a) Que tem motiva- eficiência da sua prática em sala de aula. História e Evolução Didática 31 Enquanto instrumentalização téc- nica.(1990. didáticos para garantir maior eficácia na transmissão do conteúdo abordado no ambiente educacional. p.42) Candau. p.

52) entre a docência e a aprendizagem. ou seja. p. Nesse momento abordaremos alguns conceitos sobre Didática e o ponto de vista de diversos autores a respeito do assunto. políticos.30) te.32 Didática da situação instrucional. podemos fazer comparações entre os diversos conceitos de Didática e os pontos de vista de cada autor citado no quadro acima. psicossocial) condicionantes (1992. Diz que a pesquisa Didática deve adaptar os métodos e as técnicas de maneira a obter um máximo de resultado Laeng com o mínimo de esforço (princípio comeniano da Didáti- (1973. 44) e os estudantes aprendam mais. “tendo em conta quer os requisitos objetivos da matéria de ensino e da sua lógica interna quer as ca- pacidades subjetivas do aluno e da sua psicologia”. p. p. que ex- Villar plica a estrutura do processo de instrução metodicamen- (1990. . 128) ca Magna). dos procedimentos de ensino e aprendizagem. e aí se pode enfatizar a relação professor-aluno. Quadro demonstrativo sobre acepções de didática AUTOR CONCEITOS DE DIDÁTICA Refere-se à didática como “ciência da educação. ao mesmo tempo. dando lugar a diferentes modelos de currículos” Diz que a didática investiga as condições e formas que vigoram no ensino e. Afirma que o papel da Didática será investigar e descobrir Comênio o método segundo o qual os professores ensinem menos (1976. os fatores reais Libâneo (sociais. p. 117) servem à formação do indivíduo em estreita dependência da educação integral. p. Assim. culturais. Didática é a ciência que tem por objetivo a organização Escudero e a orientação de situações de ensino-aprendizagem que (1981.

enfatizando que ainda são inacessíveis livros no ensino da Didática que façam um apanhado sobre funções da ação do professor desenvolvidas em nossas escolas. 46) tornou-se frequente no ensino de didática o estudo dessa ou daquela teoria instru- cional e sua respectiva decorrência metodológica. sem uma análise questionadora de seus fins pedagógicos e sociais. referente à forma de organização. as técnicas usadas pelos docentes na maioria das vezes fogem totalmente do contexto social em que as nossas escolas estão inseridas. Contudo. essa deficiên- cia de materiais motiva os docentes a buscarem. o educacional e o social em detrimento exclusivo da dimensão técnica do ensino. p. desenvolvimento e a avaliação das maneiras de transmissão desses conteúdos. Para Candau (2009. Por isso. para um bom êxito educacional.72) retra- ta ainda a realidade do ensino brasileiro. Ao tratar deste assunto. Esquece-se. métodos e técnicas provenientes de países mais de- senvolvidos educacionalmente do que o nosso. História e Evolução Didática 33 O que vem ser a Didática e qual a sua importância? Tratando-se da dimensão técnica. Entretanto. mas deve ter também consciência de que o seu aluno . assim. Tema 1 | Educação. Mas você dever estar se perguntando: o que fazer para sanar e superar os problemas cau- sados que estão figurados em muitas técnicas didáticas que sucedem os modelos de ensino? Deve existir uma relação mútua entre os interes- ses educativos e sociais. a Didática é considerada como ponte fundamental para ensinar tudo a todos. p. em outras fontes. o professor deve levar em consideração não só o conhecimento que ele leva para sala de aula. Candau (1990. Para Comênio. essa está direciona- da aos conteúdos do ensino.

trabalham-se técnicas que são aplicadas em qualquer matéria ou disciplina. adequando os conteúdos a esse meio o professor de certa forma superará alguns problemas que limitam o desenvolvimento do educador. . que estuda procedimentos práticos e operacio- nais do ensino e pode ser determinada como: Didática Geral – essa trata diretamente da instrução do ensino e da prática em sala de aula. As escolas do seu município adequam os conteúdos à realidade do aluno que a com- põe? Acesse o ambiente virtual de aprendiza- gem (AVA) e discuta sobre o assunto. A Didática Especial tem como base a análise de problemas ligados ao ensino de cada disciplina. relatando se estão ou não condizentes ao meio do aluno. ajudando no bom desempenho da aprendizagem. de modo geral. expondo soluções e organizando métodos e sugestões para solucioná-los. Didática Especial – essa estuda aspectos mais limitados no campo educacional. Como já sabemos. Determina princípios e normas em torno do trabalho docente. Examina os programas voltados ao ensino. assim como analisa os objetivos dos métodos de ensino de cada escola e de cada disciplina. Isso le- vará o discente a ter mais interesse pelo meio em que está inserido e. com os amigos e com o ambiente em que ele vive. de como esse profissio- nal adequará os conteúdos de ensino aos seus alunos e o meio em que está inserido. consequentemente.34 Didática leva uma bagagem de conhecimentos adquiridos na família. Faz uso das normas da Didática Geral em determinadas disciplinas de maneira específica. Convém ressaltar que os métodos de ensino va- riam de docente para docente. a Didática é uma disciplina técnica.

essas duas Did%C3%A1tica posições educativas. espelha bem o seu pensamento sobre educação. mas de criá-las e recriá-las. estudar não é ato de consumir O educador Jan ideias. em 1997. as técnicas. onde se pode ler no artigo Papel da Educação na do século XVII. História e Evolução Didática 35 Assim. Esta afirmação Amos Komensk . os conteúdos. duzir como arte ou ender melhor o quanto a Didática ajuda na orientação técnica de ensinar. A concepção bancária – ao não superar a contradição educador-educando. considerando os objetivos da educação e instrução. grega racterísticas. mas pelo contrário. A didática é a parte ao docente adotando uma atitude crítica e reflexiva no da pedagogia que sentido de aperfeiçoar sua prática docente. façamos uma leitura do texto complementar (techné didaktiké).wikipedia. é tornou mundialmente famoso. Ato no qual o depositante é o “educador” e o depositário é o “educando”. ainda que brevemente. Assim poderemos compre. podemos levar em consideração que a Didática oferece subsídios fundamentais para a construção do ensino. em alguns dos seus pressupostos. se ocupa dos mé- todos e técnicas de ensino destinados a colocar em prática TEXTO COMPLEMENTAR as diretrizes da teoria pedagógica. Daqui por diante. leiro) ou didática Nesse momento. não pode servir senão à “domesticação” do homem. A didática estuda os O PAPEL DA EDUCAÇÃO processos de ensino e aprendizagem. ao enfatizá-la. pois ela faz do processo educativo um ato permanente de depositar conteúdos. uma. a assimilação do conhecimento. essa visão chamaremos de concepção “bancária” da educação. Iniciemos pela apresentação e crítica da segunda concepção. . Tema 1 | Educação. após uma análise sobre as (português europeu) vem da expressão concepções da Didática e suas principais funções e ca. uma edição de homenagem a Paulo maiores educadores Freire. outra.org/wiki/ “Analisemos. que o mais conhecido por Comenius. que respeita o homem como pessoa. que o transforma em “coisa”. métodos e a forma de organização da ação 13 A palavra didática (português brasi- didática13. que se pode tra- sobre o papel da educação. e um dos publicou. reconhecido como A Revista da Faculdade de Educação do Estado da Bahia o pai da didática moderna. Humanização: http://pt. Segundo Paulo Freire.

Uma distorcida concepção de sua consciência. o educando. que vai sendo preenchido com pedaços de mundo que se vão transformando em conteúdos de consciência. o que escuta. o educando é como se fosse uma “caixa” na qual o “educador” vai fazendo seus “depósitos”. Uma “caixa” que se vai enchendo de “conhecimentos”. o educando seu objeto.wordpress. o educando segue a prescrição. “Para a concepção “bancária”. b) que o educador é quem disciplina. o educando. a cons- ciência do homem é algo espacializado. Fonte: http://blogdaformacao. que torna o edu- cando passivo e o adapta. c) que o educador é quem fala. vazio. o disciplinado. como se o conhecer fosse o resultado de um ato passivo de receber doações ou imposições de outros. o que não sabe. g) que o educador é o sujeito do processo. o educando o recebe na forma de “depósito”. e) que o educador escolhe o conteúdo dos programas. Segundo essa concepção. o que é educado. d) que o educador prescreve. repousa numa igualmente fal- sa concepção do homem.36 Didática Da não superação dessa contradição decorre: a) que o educador é sempre quem educa. o educando. o educando. Essa falsa concepção de educação. f ) que o educador é sempre quem sabe.com/2006/11/06/o-papel-da- educacao/ .

e como essa didática exercerá o seu papel espe- cífico na junção entre teoria e prática. O livro trata de contribuir para a ampliação e o aprofun- damento das reflexões já realizadas e estimular a busca de uma proposta didática voltada para a efetivação da prática pedagógica crítica. O livro estuda as práticas de organização e de gestão da escola e se torna indispensável para a construção de uma instituição democrática e participativa. Organização e gestão da escola – teoria e prática. 2004. 5. São Paulo-SP: Cortez. LIBÂNEO. – Campinas. . Tema 1 | Educação. SP: Papirus. atual. 21. Repensando a didática. 2006. PARA REFLETIR Faça uma reflexão sobre a ação didática no papel edu- cativo. Ver. ed. História e Evolução Didática 37 INDICAÇÃO DE LEITURA COMPLEMENTAR VEIGA. José Carlos. ed. que prepare os alunos para a cidadania plena. Ilma Passos Alencastro.

considerando a importância da educação no progresso humano e o papel de destaque que a didática tem no processo de ensino.c). os jovens passam por um “ritual de iniciação” para. Neste sentido. Nossa retrospectiva começa então na idade antiga com Sócrates (469 – 399 a.4 Evolução histórica da Didática Vivemos atualmente em constante avanço tec- nológico e científico. Esse pode ser considerado um método de educação. seja no âmbito econômico. utilizando-se também de aspectos socioeconômicos. para que tenhamos uma visão geral da Didática ao longo do tempo. só assim.38 Didática 1. Em algumas comunidades mais primitivas. tomando como base a retrospectiva histórica da didática. Assim. através da elaboração de teorias que repercutiram nos métodos de ensino. apontando como essa desenvolve critérios indispensáveis para o processo educacional. a história da didática está vinculada ao surgimento do ensino simultaneamente com o desen- volvimento da sociedade. Desde os primeiros tempos existem sinais de formas rudimentares de instrução e aprendizagem. Nesse aspecto a educação tem um papel fundamental para o acompanhamento de tais modifi- cações. muito embora não esteja ligado à Didática como processo de ensino. políticos e culturais que servem de alicerce para uma visão geral da atividade docente. Este filósofo considerava que o saber não é algo que alguém (o mestre) transmite . faremos um apanhado geral sobre a evolução da mesma. Estamos em meio a um processo muito dinâmico de mudanças em todos os sentidos. veremos alguns educadores e filósofos que foram de suma importância para a pedagogia. a partir de agora. comprometendo-se em atender e subsidiar as reais necessidades que induzem as transformações desejadas. Desta forma. social ou cultural da nossa civilização. entrarem no mundo adulto.

é uma desco- berta que a própria pessoa realiza. Neste sentido. No método da ironia. assim fazendo o seu discípulo a conhecer. Tema 1 | Educação. História e Evolução Didática 39 à pessoa que aprende (discípulo). criticar e a formular suas próprias perguntas e desta forma chegar a respostas plausíveis. é embasado em duas vertentes: a ironia e a maiêutica. própria ignorância era o caminho para a verdade. Em todos eles. Apesar de nunca ter ca de escrito uma obra. es. de os discípulos acabavam por admitir que estavam errados rebater com êxito em suas colocações e que não tinham total conhecimento os argumentos do adversário. o “Fédon” on” e “Um Banquete”. ele colocava que o saber. o conhecimento. Sócrates enfatiza a objeção às concepções que os discípulos tinham sobre algumas verdades. Sócrates aparece como personagem. também conhecido como método dialógico de Sócrates. De acordo com Sócrates. Já o método da maiêutica.c). pensar. parte do preceito da ciência conhecida para o desconhecido. A função do mestre. a atividade filosófica Sócrates está documentada nos livros ros do também filósofo grego Platão. por si mesmo. a arte de ajudar a dar à luz. segundo Sócrates. essa consciência sentando provas que o discípulo adquiria com o reconhecimento da sua convincentes. Foi daí que o filósofo grego nomeou a arte de dar luz as ideias (maiêutica). . conhecer é um ato que se dá no interior do indivíduo. do fácil para o difícil. Nessa técnica. é apenas ajudar o discípulo a descobrir.] m. o “Critão”. Os célebres diálogos de Platão incluem em o “Êutifron”. Com essas refutações14 levantadas por Sócrates. Assim. apre- do assunto. Sócrates faz uma comparação com o trabalho de sua mãe. a verdade. [Sócrates (469 – 399 a.] Partindo desse pressuposto o método socrático. 14 Ato ou efeito de refutar. que era parteira.

Aquaviva. dimento pedagógico dos jesuítas diante da explosão do número de colégios confiados à Compa- nhia de Jesus como base de uma ex- pansão missionária. fundamentada Entre 1549 e 1759. a prática pedagógica dos jesuítas diferenciou-se novo superior geral da Ordem com facilidade das outras Instituições existentes na mesma jesuíta. os jesuítas em experiências eram os principais educadores do país. . nomeia uma época. A educação dada acontecidas no Colégio Romano e por eles era marcada por preceitos religiosos e contrária adicionada a obser. conhecido como Ratio Studiorum15. centravam-se (pronuncia-se rácio. focando principalmente instruir rapidamente todo jesuíta docente a formação do caráter e psicológica para conhecimento sobre a natureza.40 Didática 15 Uma espécie de Avançando na história. mesmo assim os jesuítas não pretende- gada de codificar as observações ram infringir as tradições escolares existentes. Constituiu-se numa sistematização da pedagogia jesuítica contendo 467 regras cobrindo todas as atividades dos agentes diretamente ligados ao ensino e recomendava que o professor nunca se afastasse em matéria filosófica de Aristóteles. Mas. Assim. época do Brasil colonial. A mesma dava ênfase à memori- vações pedagógicas de diversos outros zação e ao desenvolvimento do raciocínio e dedicava-se colégios. Tomás de Aquino. se posicionando no lado comissão encarre- psicológico. A Ratio jesuítas. a extensão e as As ideias definidas no código de ensino dos obrigações do seu cargo. palavra feminina latina da terceira onde predominava o espírito “escolástico” compreendido declinação) surgiu em livros que focavam a Suma Teológica de São Tomás com a necessidade de unificar o proce. por ter traços singulares. coletânea privada. muito menos que foram reunidas dar contribuições inovadoras. chegamos ao século XVI. que busca à formação de padres-mestres. e teológica de Santo [Imagem da obra original do código do ensino dos jesuítas. “Ratio Studiorum”]. e a obra filosófica de Aristóteles. o Pe. ao pensamento crítico. basicamente em instrumentos e regras metodológicas. de si e do aluno. Em 1584.

deixar de destacar na evolução histórica da Didática está redigido em 1586. Ele foi um idealizador http://pt. relacionado a João Amos Comenius16 (1592 – 1670). O ante- projeto motivado. História e Evolução Didática 41 O próximo passo importante e que não podemos em Roma. (1667). formulou pedagógica essen- cial de Comenius a Teoria Didática com o intuito de analisar a relação entre é Didactica Magna aprendizagem e ensino. Para depois de haver sido submetido às ele. Comenius coloca que o professor seria um profissional e não mais um missionário.org/wiki/ que racionalizou todas as práticas educativas. promulgada em 8 espécies de vida: a primeira é a vegetati- de janeiro de 1599. Tema 1 | Educação. O papel de Comenius neste contexto é de funda. por nova comissão. . escolas pela igreja católica.15 Mas você deve estar se perguntando: Qual o de novembro papel de Comenius na evolução da Didática? de 1670) foi um professor. em sua principal obra (Didática definitiva na famosa M Magna). A obra obra clássica sobre Didática: a Didática Magna. va.que nunca deixa o corpo. a segunda a animal – entende as coisas por meios http://pt. Considerado um dos maiores educadores e torna-se o texto de 1591 e toma forma pedagogos do século XVII. ao escrever sua primeira Moderna. Vale destacar ainda que João Amos Comenius foi o primeiro educador que estabeleceu o conceito da transmissão dos conhecimentos e a criação dos princípios das regras do ensino. Comenius crê também que tudo tores e de haver sido remanejado o que nos seja dado nesta vida não será o suficiente. críticas dos execu- mano é a mais perfeita.wikipedia. uma vez que. org/wiki/Ratio_Stu- materiais e sensoriais e a terceira é a inte.wikipedia. Comenius tindo da teoria didática até as questões em sala de aula. considerado o fun- dador da Didática mental importância. que utiliza a educação como forma de condução à felicidade eterna com Deus. Comenius afirma que vivemos três Ratio studiorum. Marca a sistemática da Assim. diorum lectual – essa pode existir separadamente. mas ressalta que esse supremo grau da vida é ignorado pelos precedentes. Desta forma. de todas as obras concebidas por Deus. este pensador promoveu uma ruptura pedagogia e da radical com os costumes e modelos pregados nas didática. par. cientista e escritor checo. o ser hu. 16 Jan Amos Komensk (28 de março de 1592 .

é importante destacarmos a contri- buição de John Dewey (1859–1952). Uma das suas gogo alemão João Heinrich Pestalozzi18 (1746 – 1827) principais obras foi: acreditava na tese de que o caráter do ser humano era Discurso sobre as ciências e as artes. Em desempenho dessas capacidades. dando muita importância ao ensino como via em Zurique-Suiça de educação transformadora de capacidades humanas. Estudou contexto da história da Didática. de forma necessária ao prolongou até aos nossos dias. Defendia que antes de pensar e conhecer o homem age. foram responsáveis pela formação de ideias para muitos outros pedagogos. Professor e filósofo. que se de experiências ordenadas. nascido educação. Dentre estes se destaca John Frede- http://www. outro educador se destacará no Rousseau (1712- 1778). constituído pelo ambiente do qual fazia parte. br/teoriaspedagogicas/ rick Herbart (1776 – 1841). 1782. pios naturalistas. XVIII (1746).htm grande influência e participação no mundo da didática. Dewey defendia a ação antecedendo o conhecimento e o pensamento. Por fim.42 Didática 17 Jean-Jacques No século seguinte. Defendendo os princí- filosofia. no séc. ele escreveu Os conceitos de Comenius. já chegando ao final do século XVIII e início do século XX. o principal propósito e pedagogo. Inicialmente Herbart seguiu alguns trabalhos de Pesta- lozzi. Considerado um grande humanista Na compreensão de Pestalozzi.fae. defendia que a boa instrução era aquela que introduzia conceitos corretos na mente do homem. história. Dentro da Didática a sua maior contribuição está no trabalho laboral e a ligação do ensino com a vida. em particular o de Rousseau17. Ele acreditava que a transformação da sociedade era dada através da 18 João Henrique Pestalozzi. o peda- literatura e música. para ele o conceito de Herbart da educação através da instrução não era o mais correto. Dewey destacou . Assegurava que o maior propósito da educação é a reflexão moral. Foi um dos precursores da democratização da escola.ufmg. Rosseau e Pestalozzi seu livro mais erudito. logo depois formulou seus próprios princípios educacionais. cognitivo e Filosofia contribuiu para a educação moral da criança e do jovem por meio da vivência e moderna. um pedagogo alemão com Pestalozzi. embasado na ideia da unidade de desen- volvimento e da vida mental. e essa era decorrente da educação intelectual. cuja da educação é o desenvolvimento físico.

com duração de um ano. Muitos educadores questionavam se a Didática era uma disciplina técnica de outras ciências ou se era de fato uma ciência. eles pregavam. e o curso deixa de ser uma disciplina técnica e passa a ser considerado um curso independente. Só em 1934 aconteceu a inclusão da Didática como disciplina em curso de formação de professores para o ensino médio.190/39 diz que a Didática foi ins- tituída como curso e disciplina. pois a maior característica comum a todos eles. fazendo com que o professor ensine. em 1941. Ele defendia a democra- cia no campo institucional e no interior da escola. Tema 1 | Educação. O decreto lei 1. mediante compreensão e sistematização de conhecimentos do seu objetivo de estudo. que a qualidade e a quantidade podiam andar juntas. História e Evolução Didática 43 que os alunos aprendem melhor realizando tarefas liga- das aos conteúdos ensinados. é evidente que a Didática hoje assume novas configurações direcionadas para o progresso teórico . existiram muitos outros educadores e filósofos que levantaram teses sobre a necessidade de se rever as téc- nicas do processo de ensino. a Didática assume novas margens que direcio- nam para o avanço teórico e metodológico. enfatizamos que os acima citados foram aqueles que fizeram maior dife- rença no âmbito da Didática. Os novos parâmetros da Didática buscam. Logo depois. É relevante salientar ainda que. Dessa forma. a legislação educacional formulou alterações. além dos destacados aqui. e não apenas à elite. O princípio da Didática como disciplina na formação de professores em nível superior está ligado à criação da faculdade também nes- se mesmo período. o aluno aprenda e o conhecimento seja produzido e repassado. foi a tentativa de expandir a reforma do ensino para todas as classes. que é o ensino. Assim. Contudo. modificar o quadro da ação peda- gógica. a partir de observações e investi- gações qualitativas. em tempos diferentes. Hoje.

Significa. a es- trutura do sistema. Uma mudança educacional nas inovações implica. o equipamento. As reformas tradicionais caracterizam-se. .44 Didática na problematização. que atuam de forma sistêmica. etc. equipamentos. infraestrutura. que se passe de um enfoque de mudança centra- do na oferta para um enfoque baseado no papel ativo da demanda. As mudanças educacionais dependem da interação de múltiplos fatores. além disso. é preciso mencionar que outro traço importan- te das estratégias de reforma aplicadas no passado foi sua concentração na mudança de determinado elemento considerado fator-chave da reforma educacional: aumen- to dos salários dos docentes. reforma institucional. E como essas mudanças tiveram parceria na reforma educacional de forma sistemática. Faremos a seguir a leitura de um texto que trata das mudanças educacionais no contexto social. o pessoal docente. sim. A avaliação dessas mudanças permite observar que um dos principais fatores que explicam seus modestos resul- tados é o enfoque unidimensional com que foram aplica- das. Mas reconhecer o caráter sistêmico não significa que seja necessário ou possível modificar tudo ao mesmo tempo. que em determinado momento é preciso levar em conta as consequências da modificação de um elemento específico sobre os demais fatores. pela tentativa de mudar sempre algum aspecto específico da oferta educacional: os conteúdos. na concepção e na regulação dos conhecimentos de seu elemento de estudo: o ensino como prática social concreta. TEXTO COMPLEMENTAR As estratégias de mudança educacional têm um caráter sistêmico. reforma dos conteúdos. assim. Por fim.

Esse livro inclui a contribuição de vários autores sobre a articulação entre os saberes pedagógicos e a prática do- . História e Evolução Didática 45 O problema central das reformas é. Maria Rita Oliveira de Oliveira defende que a Didática rompa com o tecnicismo e volte-se a uma prática educativa transformadora da realidade social.). S. Juan Carlos. Indicação de Leitura Complementar OLIVEIRA. O novo pacto educativo. Fonte: TEDESCO. (org. destinadas a oferecer às instituições maior grau de autonomia para definir sua própria estratégia de melhoramento. É prati- camente impossível determinar uma sequência similar para contextos sociais. ideológica. p. 1999.metodológicos. antro- pológica e epistemológica) delineariam os elementos teórico. como uma “totalidade concreta”.metodológicos do campo da Didática. Tema 1 | Educação. A reconstrução da didática: elementos teóricos. São Paulo – SP: Ática. PIMENTA.G. São Paulo: Cortez. M. S. Essa é mais uma razão pela qual se defende atualmente a necessidade de dar prioridade às mudanças institucionais. geográficos e culturais muito diferentes. As diversas dimen- sões do fenômeno ensino (histórica. R. Saberes pedagógicos e atividades docentes. A experiência indica que esses aspectos (sequência e medida) podem ser definidos mais facil- mente no âmbito local do que no nível central. Partindo de uma concepção dialético-materialista do ensino. portanto. Campinas. A autora pensa o ensino na perspectiva da prática social. 2004.137. estabelecer a sequência e a medida que deve cada um dos componentes do sistema. 1992.SP: Papirus.

. estudamos as passagens sobre a evolução da Didática e seus precursores e como essa revolução tem ajudado a moldar os aspectos sociopolíticos da nos- sa sociedade. sociais e organizacionais no âmbito da Didática. Na mesma linha de raciocínio. Além disso. PARA REFLETIR Após o estudo sobre a Evolução histórica da Didática. quais as contribuições que esse desenvolvimento trouxe para a Didática contemporânea? RESUMO Nesse tema vimos os conceitos sobre: educação. discutimos os preceitos da ação didática em face de conceitos de vários autores e estudiosos. que pode ser modelado a todo instante.46 Didática cente. Vimos ainda que a forma de ensino baseava-se na con- cepção de que o ser humano era semelhante a um pe- daço de cerca ou argila úmida. Os temas abordados são identidades do profes- sor na sociedade contemporânea e autonomia na escola. Textos relacionados à compreensão de contextos histó- ricos. ensino e instrução. relatando minuciosamente elos existentes entre essas três esferas e como a sociedade pode ser instruída sem ser educada e vice-versa.

. curricular e de ensino. Abordaremos neste tema análises sobre os tipos de planejamentos e projetos. esse se faz necessário e constante em todas as áreas da vida do ser huma- no. conceituando-os e caracterizando-os de modo que todos tenham uma relação entre si. eviden- ciando as formas e princípios para elaboração do Planejamento educacional.2 Planejamentos e Projetos Educacionais Nesse momento trataremos da grande importância do planejamento. pois sistematiza e organiza a ação docente. É importante ressaltar que planejar também é característica inerente ao trabalho do educador. escolar.

e pedir aos alunos que façam uma análise sobre as classes gramaticais existentes naquela receita. Na grade curricular existem conteúdos definidos a cada série. o que acaba muitas vezes dificultando o fazer dos docentes na seleção e organização de alguns temas que possam ter ligações entre si. mas o professor pode e deve planejá-la e organizá-la visando uma junção entre esses conteúdos. numa aula de português poderá usar uma receita de bolo. O professor. gerando no aluno interesse e perspectiva de uma aprendizagem satisfatória. É de suma importância que o professor promova em sua aula um ambiente de pesquisa. de descobertas. visa logo algumas sugestões bem interessantes para dinamizar sua aula.1 Definição de planejamento e planos.48 Didática 2. e discussão em grupo. quando pensa na sala de aula. usando a interdisciplinaridade. tornando a sala de aula um espaço de trocas de informações e interesse dos discentes. ou objetivando o interesse dos alunos. Talvez essa relação ainda seja um tanto difícil. ou até mesmo estudar assuntos relacionados à ciência. por exemplo. A maioria dos profissionais da educação. . pedindo que destaquem as vitaminas existentes nos produtos que serão usados para fazer o bolo.

quem terá direito ao voto. quem é “o Povo”. A distinção mais importante acon- o planejamento é uma tarefa vital. ticular. rentes tipos baseados em um número de nhe a participação. nome daqueles que os elegeram. está com os cidadãos seleção.org/ do planejamento. visando eficácia na execução do que foi usado para a eleição de representantes ou pretendido. Tema 2 | Planejamentos e Projetos Educacionais 49 Mas. a democracia19. como Os planejamentos e planos tornam-se peças proteger os direitos fundamentais na busca de eficiência. atividades humanas: é a compreensão do processo de republicano ou monár- planejamento como um processo educativo. e a democracia representativa (algu- mas vezes chamada Podemos citar alguns exemplos práticos “democracia indireta”). busca meios para curá-la. eleitos — forma mais usual. O intuito central do ato de planejar é wiki/Democracia . outros executivos. onde o poder de se faz necessário que o professor trabalhe um processo de tomar importantes decisões políticas operações mentais envolvendo: análise. na qual o povo sobre eficiência: expressa sua vontade através da eleição de representantes que • O médico é eficiente quando. estruturação e distribuição de conteúdos. portanto.wikipedia. isto é. a libertação. por meio busca de retornos significativos para aprendizagem dos de representantes alunos. definição. a primeira coisa pura”). na qual o povo que pensamos sobre o seu principal objetivo é a eficiência. Outros itens impor- • O motorista é eficiente quando é prudente tantes na democracia incluem exatamente no trânsito. direta (algumas vezes chamada “democracia Quando falamos em planejamento. expressa a sua von- tade por voto direto E quando pensamos em eficiência. Então distinções. ao elaborar de minorias contra a “tirania da maioria” e planos são estabelecidos procedimentos ligados a qual sistema deve ser planejamento. logo chegamos a um em cada assunto par- conceito que é a capacidade para produzir. direta ou indi- retamente. união entre a vida tece entre democracia e técnica para o bem estar do homem e da sociedade. reflexão. que eficiência é a principal finalidade http://pt. Uma democracia Gandin (1983) afirma que o processo educativo pode existir num sis- deveria ocupar um status obrigatório em todas as tema presidencialista ou parlamentarista. em (povo). É evidente quico. Na verdade. ao descobrir a tomam decisões em doença. As Democracias podem que esta finalidade só é alcançada quando o processo ser divididas em dife- de planejamento é concebido como prática que subli. para que esse espaço em sala de aula torne-se 19 (“demo+kratos”) é um regime de governo de fato um ambiente atrativo para descobertas educativas.

. podemos chegar a uma conclusão de que esse transforma a realidade em um encaminhamento pretendido. Você deve estar se perguntando: o que são planejamento e plano? O planejamento parte da análise de uma condição da realidade. É importante saber que a principal função do planejamento não é se preocupar somente com o “fazer bem” no processo educacional. organização e coordenação das suas ações. e organiza a própria ação.50 Didática a constante busca da melhoria do funcionamento do sis- tema educacional. O planeja- mento nesse caso dá ao educador capacidade de racio- nalização. mas vale lembrar que mais importante do que os planos é todo o processo de desmembrá-lo. tornando o professor mais bem pre- parado para as adversidades. uma vez que a realidade educacional é bastante dinâmica e nunca será possível presumir quando o problema irá acontecer. Já o plano é a conclusão. introduzindo procedimentos de intervenção da realidade e aproxi- mando-a de um ideal. o que a sociedade precisa e deseja. Contudo. possíveis resoluções e alternativas para vencer as dificuldades e almejar os objetivos propostos. o ponto mais alto do processo mental e organizacional do planejamento. mas que se façam as coisas que realmente importa fazer. Em consequência das definições em torno de planejamento. busca-se através dele. esse é muito importante no processo de planejamento.

po. ou seja. A que distância estamos daquilo que queremos alcançar? . praemissa) os quais fazem parte de uma tomada de decisão quando http://www. um raciocínio ou um estudo. constitui-se em cap.html tação de maneira correta do que se procura praticar. Tema 2 | Planejamentos e Projetos Educacionais 51 O processo de planejamento deve ser destacado através de indagações que direcionam o ato de planejar. enfim.br/premissa. Essas indagações podem ser: • O que queremos alcançar? • A que distância estamos daquilo que queremos alcançar? • O que faremos concretamente (no tempo previsto) para sanar essa distância? Existem diversas formas e meios de alcançar es- sas premissas20. parte para formar demos dizer. queremos alcançar algo. Cada uma das O que queremos alcançar? duas proposições. se não forem seguidas de 20 Ideia ou fato inicial de que se forma lógica e que uma tenha relação com a outra. no entanto. Lóg. estabelece parâmetros para a consecução das metas que foram traçadas. que não houve planejamento. com. a maior e a menor.dicionarioweb. Essa pergunta baseia-se em prospecção de fatos. (Do lat. de um silogismo.

A isso chamaremos de programação.priberam. tar caminhos entre a distância existente no que se faz 1.x?pal=consecu sultados desejados. a verdadeira essência dessa pergunta está basicamente na comparação entre as coisas que fazemos e as que esperávamos que fossem feitas. e as políticas de ação responsáveis pelos %u00e7%u00e3o princípios que guiarão nossa ação no período determinado pelo plano. quais as ações educacionais que devem ser tomadas para chegar a resultados satisfatórios. 2 gén. Indispensável. e o que deveria estar fazendo. De que se não pode prescindir. assim como os docu- mentos que regem cada um desses procedimentos. No mesmo contexto sobre as diretrizes do plane- jamento ainda temos a execução (ação de acordo com o que foi previsto) e avaliação (análise contínua sobre aspecto e característica do projeto). Então.pt/ dlpo/default. Essa ação é chamada de diagnóstico. onde são incluídos objetivos que visam ações 2. . O que faremos concretamente (no tempo previsto) para sanar essa distância? Uma vez respondidas as questões anteriores. que estabelecemos realizar em certo período para alcançar re- http://www. devemos agora fazer um levantamento de informações relacionando com a realidade do que estamos fazendo. transformando essa relação com aquilo que queríamos que fosse. Em suma.52 Didática Tendo ciência de onde queremos chegar e o que falta para tal. Executar – agir sempre em semelhança com o que foi proposto. planejar é: Elaborar – tomar decisões em torno da concepção de sociedade que queremos e pretendemos formar. Avaliar – examinar todo o processo de planeja- mento e cada uma das ações. estabelece uma fundamentação no planejamento: o que é imprescindível21 e possível concretamente para estrei- 21 adj.

26). p. Tema 2 | Planejamentos e Projetos Educacionais 53 PARA REFLETIR Como vocês perceberam. Nesse momento vamos analisar um panorama sobre a representação básica dos processos de planejamento feito por Gandin (1983. O ato de planejar é fundamental também para evitar alguns problemas no campo da educação. políti. Discutam em grupo sobre esse tema. Façam um levantamento dos tipos de planejamentos existentes nas escolas das cidades de vocês. C). indica uma correspondência entre os tópicos. B. res. visando alcançar objetivos concretos em um determinado tempo. A presença da mesma letra (A. PARTES SIGNIFICADO QUESTÕES FUNDAMENTAIS MARCO REFERENCIAL É o ideal Como é a realidade global? a)Marco Situacional O que pretendemos alcançar b)Marco Doutrinal nesse texto? Como deve ser c)Marco Operativo nossa ação para atingir o que pretendemos? DIAGNÓSTICO É a comparação entre o b) Até que ponto estamos con- ideal e o real tribuindo para que o mundo seja como pretendemos que fosse? c) A que distância está nossa instituição do ideal que dela fizemos? PROGRAMAÇÃO É a proposta de ação O que faremos no decorrer do Inclui: objetivos. o planejamento é um processo de previsão de necessidades. plano (orientações da ação e cas e estratégias. e demais ins. buir mais na direção do que trumentos de execução pretendemos alcançar e para diminuir a distância entre o ideal e o real de nossa ins- tituição? . ações concretas) para contri- ponsáveis.

São Paulo: Edições Loyola. 3. . ler: GANDIN.54 Didática Desse modo. Teoria e prática do planejamento educacional. INDICAÇÃO DE LEITURA COMPLEMENTAR Para se aprofundar mais sobre o assunto. É necessário salientar que existem vários níveis de planejamento. Faz relatos sobre os diversos tipos de planejamentos e planos educacionais. Osvaldo Ferreira. O panorama acima permite a sua utilização para diversos tipos de planejamento. 2000. vários livros especificando esse assunto. Rio Grande do Sul: Globo. e é possível encontrar dentro do âmbito da literatura especializada em educação e educação escolar. ed. enfatizando os procedimentos e diretrizes que devem ser tomadas como base para de- senvolvimento educacional. Nesta obra. e admite uma captura de maneira coesa e correta do que se procura fazer. 1979. 11. fizemos uma análise sobre os processos de elaboração de Planejamento. seu alcance é denso e abrangente. o autor destaca doutrinas educacionais e Metodologia na educação. Planejamento como prática educativa. O autor faz ressalvas sobre a Pedagogia e a Educação. Danilo. ed. MELO. Salienta também planejamento educacional com ênfase em teoria e prática.

estadual e muni- cipal. Para tanto. Façam uma reflexão em torno dessa afirmação e discutam em grupo. E resume-se no processo de avaliação e reflexão das várias fases do sistema educacional. Em se tratando da educação não é dife- rente. uma vez que a elaboração desse tipo de plane- jamento necessita da posição de objetivos em longo prazo que definam uma política da educação. vamos destacar os tipos de planejamento didáti- cos. Tema 2 | Planejamentos e Projetos Educacionais 55 PARA REFLETIR Os planejamentos são importantes no contexto educa- cional. O planejamento educacional consiste num proces- so sistêmico. a nível nacional. alguns objetivos precisam ser estabelecidos. é necessário que haja planejamento. Em consequência da importância adquirida pela educação no nosso dia a dia como fator de desenvolvi- mento. ou seja. . Planejamento Educacional Qualquer atividade que desenvolvemos exige planejamento. 2. para denomi- nar as suas objeções e antecipar os meios de solução.2 Os tipos de planejamentos didáticos Agora que já sabemos as definições de planeja- mento. destacando características de cada um deles. e levando-se em consideração diversas variáveis que o atinge.

O processo educacional de sua história .79) os objetivos estabelecidos do planejamento educacional são: • Relacionar o desenvolvimento do sistema educacional com o desenvolvimento econômico. percebendo a importância de um planejamento voltado para o sistema importância e social. social. à medida que atenda Segunda Grande Guerra Mundial. obten- de experimentar a maior catástrofe do desta uma série de influências.56 Didática Para Coaracy (1972. membros. a algumas solicitações da sociedade. conteúdo. • Estabelecer as condições necessárias para o aperfeiçoamento dos fatores que influem diretamente sobre a eficiência do sistema 21 A UNESCO foi criada em 16 de educacional (estrutura. em geral e de cada comunidade. político e cultural do país. Organização para ser um sistema de segundo a conclusão do Seminário Interamericano realizado vigilância e alerta. . pela UNESCO21. 1958: em defesa da paz. paz e os direitos humanos com base na “solidariedade • Alcançar maior coerência interna na deter- intelectual e moral minação de objetivos e nos meios mais da humanidade”. finan- novembro de 1945. p. • Aplicação do método científico na investigação da realidade educativa. ciamento. procedimentos para promover a e instrumentos). usp. a grande dos países aliados. em particular. social e eco- http://www. É uma das agências adequados para atingi-los. visando oferecer instrumentos para melhorias na o alcance da cooperação intelec. da solidariedade e da justiça.direitoshumanos. Para cumprir com o que lhe é designado.br nômica do país. das Nações Unidas para incentivar a • Conciliar e aperfeiçoar a eficiência interna e cooperação técnica entre os Estados externa do sistema. o sistema decidiram criar uma educacional deve ter alguns requisitos indispensáveis.a é sistematizado de tal forma que. tual entre os povos. Ao tempo de sua criação. sociedade. cultural. Por isso. o A educação como fator de mudanças está em fre- mundo acabara quente transformação de acordo com a sociedade. contribui também Os representantes para aprimoramento da mesma. administração. pessoal.

médio e longo prazo. para satisfazê-las a curto. estamos nos referindo a Planejamento Escolar. As ações pedagógicas que o envolve devem ser realizadas por todos os membros pertencentes à escola. mas o ponto de partida para o . • Previsão dos fatores mais significativos que intervêm no desenvolvimento. Tema 2 | Planejamentos e Projetos Educacionais 57 • Apreciação objetiva das necessidades. • Coordenação dos serviços da educação e des- tes com os demais serviços do Estado. em todos os níveis da administração pública. • Formulação e apresentação do plano como iniciativa e esforços nacionais. • Flexibilidade que permita a adaptação do plano às situações imprevistas ou imprevisí- veis. Sabemos que o planejamento não é somente uma atividade sistematizada exigida pela entidade administrativa escolar. • Avaliação periódica dos planos e adaptação constante destes mesmos às novas necessi- dades e circunstâncias. • Apreciação realista das possibilidades de re- cursos humanos e financeiros a fim de asse- gurar a eficácia das soluções propostas. e não como esforço de determinadas pessoas. Planejamento Escolar Quando se trata de planejamento geral de atividades de uma escola. grupos ou setores.

Característica da comunidade. ao realizar o processo de planejamento geral de suas atividades cada escola segue um esquema de ação.). O planejamento escolar deve ser elaborado com a participação de todos os envolvidos no âmbito escolar (alunos. porcentagem. professores. como também a conclusão desse planejamento. pp. .Levantamentos dos recursos humanos e materiais disponíveis.Avaliação da escola como um todo no ano anterior (evasão. repetência. .Característica da clientela escolar. Vejamos as etapas a serem seguidas: • Sondagem e diagnóstico da realidade da escola: . que é o que chamamos de plano escolar. etc. .96-97). funcionários e pais de alunos). Ele não é algo provisório e sim um processo que se estende durante o decorrer de todo ano letivo. . Segundo Haidt (2006. qualidade do ensino ministrado.58 Didática desenvolvimento da prática pedagógica.

• Elaboração do plano de curso contendo as programações das atividades curriculares. • Proporção da organização geral da escola no que se refere a: . equipe de limpeza e outros. .Quadro curricular e carga horária dos diversos componentes do currículo. com a participação de todos os membros da escola. inclusive do corpo discente. equipe pedagógica. recuperação.Critérios de agrupamentos dos grupos. Tema 2 | Planejamentos e Projetos Educacionais 59 • Definição dos objetivos e qualidades da escola. A primeira medida a ser tomada ao elaborar o planejamento curricular é a transparência da concepção filosófica acerca dos objetivos da ação pedagógica. cor- po discente. Planejamento Curricular Habitualmente costuma-se conceituar currículo como conjunto de disciplinas cada uma organizada numa sequência lógica em relação aos conteúdos.Definição do sistema de avaliação.Calendário escolar. compensação de ausência e promoção dos alunos. contendo normas para a adaptação. . equipe admi- nistrativa. • Atribuições de funções a todos os participantes da equipe escolar: direção. . . reposição de aulas. corpo docente. • Elaboração do sistema curricular da escola.

todas as disciplinas devem tendenciar para uma reorganização no aluno. Mediante os conceitos de planejamento curricular. Dessa forma. Em síntese.Seleção de conteúdos. adequando-os a situações reais.Avaliação. mencionado por Traldi (1984. p. as atividades de aprendizagem e os meios de avaliação. tais como: . Para Taba o planejamento do currículo segue uma linha de etapas. p. ou seja. 37). . os conteúdos. É papel dela interpretar e concretizar esses currículos. as escolas não devem sim- plesmente realizar o que é determinado pelos órgãos oficiais. essencialmente para o conheci- mento humano. 34). Sendo organizado e produzido pela escola. os vários componentes curriculares. escolhendo experiências e costumes que poderão cooperar para atingir os objetivos dos alunos. . visando favorecer ao máximo o processo ensino-aprendizagem. o planejamento curricular consiste na atividade que envolve as disciplinas com o objetivo de organizar um sistema de relações lógicas dentro de um ou vários campos de conhecimento.Seleção de experiências ou atividades de aprendizagem. Segundo Sarubbi (1971. de onde serão determinados os objetivos. nota-se que esse merece minuciosos cuidados sobre a elaboração do mesmo pela escola. .60 Didática Segundo Taba. o planejamento do currículo deve partir de uma pesquisa das necessidades socioculturais dos educandos. É importante lembrar que no ato da elaboração do planejamento curricular. o currículo pode então ser conceituado como a totalidade de experiência.

b) Capacidade para aproveitar os novos meios e as novas técnicas a serviço da escola. das artes e da tecnologia. • Incentivar. • Facilitar o estabelecimento de objetivos pelos docentes da escola. d) Visão prospectiva das mudanças que rapida- mente ocorrem na sociedade. Tema 2 | Planejamentos e Projetos Educacionais 61 O autor destaca os seguintes objetivos do planejamento curricular: • Selecionar experiências que atendam simulta- neamente aos interesses. o desenvol- vimento das atividades educativas. • Organizar as experiências numa sequência lógica e psicológica que favoreça o desenvol- vimento integral do educando. às necessidades e aspirações do educando e da sociedade. Ainda seguindo essa lógica em função dos objetivos. mediante ambiente próprio criado entre os componentes da escola. e) Capacidade de aperfeiçoar recursos humanos e materiais . estabelece dos planejadores: a) Atualização em relação aos processos alcança- dos nos campos das ciências. c) Percepção e a sensibilidade para com os pro- blemas constatados numa realidade escolar e habilidade para a escolha das melhores solu- ções para os mesmos.

o professor precisa conhecer minuciosamente a realidade em que irá operar. E em linhas gerais. estudaremos os tipos de planejamento de ensino. para alcançar tudo que foi traçado no planejamento curricular.Orientar os alunos a buscarem os objetivos do ensino. considerando as necessidades dos alunos. então. de modo a tornar o ensino seguro. . que são: . Uma forte característica do planejamento de ensino é o bom relacionamento que deve existir entre o professor e o aluno. cabe agora ao professor planejar as tarefas que serão desenvolvidas com seus alunos. e fundamenta-se em explanar de forma mais detalhada e sólida o que o educador realizará em sala de aula para que os discentes possam atingir os objetivos educacionais almejados.Orientar racionalmente. .62 Didática Planejamento de ensino Uma vez organizado o planejamento curricular. No terceiro tema desse livro.” Podemos dizer. Mattos (1968. de acordo com o seu nível de especificidade crescente. Importante ressaltar que para planejar. que planejamento de ensino é na verdade uma descrição do planejamento curricular.140) assim conceitua planejamento de ensino: “Previsão inteligente e bem calculada de todas as etapas do trabalho que envolvem as atividades docentes e discentes.Averiguar o desenvolvimento do processo educacional. as especialidades da comunidade e as diretrizes da escola. . p. econômico e eficiente. segue três objetivos.

ENRICONE. Porto Alegre: Sagra / DC Luzzatto. sobretudo. L. Por dentro da sala de aula: con- versando sobre a prática.. conteúdos. Indica sugestões concretas para a elaboração de planos de ensino. procedimentos. 1997. Tema 2 | Planejamentos e Projetos Educacionais 63 INDICAÇÃO DE LEITURA COMPLEMENTAR NEIRA. o planejamento educacional é feito em nível de sistema educacional. Distribuídos em diversos textos que afligem a todos os atores da nova escola. 84). SANT’ANNA. para rede de escolas oficiais de uma cidade.este livro apresenta os conceitos básicos. D. os recursos. ANDRÉ. C. M. 2004.. por exemplo. M. . TURRA. Para Martins (1988.como ensinar a planejar e a avaliar? . as estratégias de ação. Marcos Garcia. estabelecendo a política educacional. além de trazer outras opções existentes que podem interessar educa- dores e planejadores da educação PARA REFLETIR Você concorda que para o método do planejamento é útil e. Planejamento de ensino e avaliação. recursos de ensino e avalia- ção do ensino-aprendizagem. Propõe um estudo sobre objetivos. O livro traz um novo olhar sobre a prática pedagógica. p. São Paulo: Phorte. as etapas e a estrutura do planejamento. ed. Surgido de uma pergunta comum a professores de di- dática . o cronograma das atividades. 11. muito importante o conhecimento que se tenha do aspecto da realidade? Faça uma reflexão e discu- ta no fórum do AVA sobre o assunto com os seus colegas. F..

64 Didática

2.3 Elaboração e procedimentos de projetos

Projeto é uma palavra que ouvimos com muita
frequência em todos os aspectos da nossa vida, seja nos
jornais, revistas, televisão, sempre nos deparamos com
a expressão ligada a projetos.
Segundo Machado (1997), projeto vem do latim
projectu, particípio passado de projicere, cujo significado é
“Lançar para diante”. Vamos verificar ainda que pode
também significar plano, intento, empreendedorismo.
De acordo com as palavras do autor, Projeto é
algo relacionado à antecipação de ideias que poste-
riormente poderão ser concretizadas.
Dessa forma, projetos desenvolvidos no âmbito
escolar são na verdade procedimentos que buscam uma
melhor dinâmica e desafia os alunos a encontrar
melhores soluções para velhos e novos problemas.
Assim como faz o bom professor ao lançar um projeto
para a classe, todo educador compartilha com o educan-
do a importância de agir coletivamente.
O desejo de todo professor envolvido no processo
educacional é trabalhar em função do mesmo, visando
o conhecimento de sua história, para que, consequente-
mente, possa fazer intervenções futuras. Essa ação pode
ser classificada Projetos educacionais.
Os projetos ligados à educação têm função trans-
formadora e subsidiam a ação pedagógica, fazendo
com que o professor realize uma reflexão sobre o cotidiano
escolar e como direcionar a prática docente e discente de
forma conjunta, fortalecendo assim o sucesso de ambos
no sistema de desenvolvimento do conhecimento.
A proposta de trabalhar com projetos é essen-
cialmente para proporcionar aos professores e alunos
ambientes favoráveis ao ensino e aprendizagem. Por
isso a grande importância da elaboração das temáticas
em conjunto com os alunos. Ela estimulará os mesmos
e fará com que eles sintam-se valorizados, uma vez que

Tema 2 | Planejamentos e Projetos Educacionais 65

as suas opiniões foram levadas em consideração, e que 22 Ligeiro, rápido.
http://www.
servirá de produto fundamental para aprendizagem. priberam.pt/dlpo/default.
aspx?pal=célere
De forma célere22, somos tomados a cada momento
pela evolução e transformação de processo por parte
educacional, essa constante mudança deve também ser
adotada pelos professores.
As inovações feitas embasadas em Projetos, sem
sombra de dúvidas, foram um salto para o acompanha-
mento da globalização. Parte das instituições preocupa-
rem-se com a forma de planejamento, mediante a reali-
dade de cada escola. Hoje os projetos são utilizados
para dar forma e conteúdo ao processo de ensino em
sala de aula.
De acordo com a demonstração a seguir, podemos
analisar o ciclo do contexto de introdução de projetos.

O termo Projeto tem sido comumente usado no
cotidiano escolar. Esse tópico, assim como outros refe-
rentes aos conhecimentos da humanidade, estará em
permutação constante.
Diversas são as atividades humanas desenvolvidas
através de projetos, assim busca-se uma nova forma de
organizar e realizar as atividades desenvolvidas.

66 Didática

Tipologia de Projetos na área educacional, e suas
definições.

Projetos de Intervenção – esses são desenvolvidos
no sistema educacional, promovendo intervenções, no
contexto estudado. Fazendo modificações positivas na
organização e na operação do sistema.

Projetos de Pesquisa – têm como objetivo obter
conhecimentos em torno de algum problema, funda-
mentados em realização experimental.

Projetos de Desenvolvimento – responsáveis pela
elaboração de novos sistemas e atividades. Como por
exemplo, a implantação de disciplinas na grade curricular.

Projetos de ensino – são elaborados dentro de
uma (ou mais) disciplina(s), regido a melhoria do processo
ensino-aprendizagem.
23 Fernando Her-
nandez é Doutor em
Psicologia e Profes- Projetos de Trabalho – são projetos desenvolvidos
sor de História da por alunos, no contexto escolar, onde o professor orienta,
Educação Artística
e Psicologia da Arte e tem como finalidade a aprendizagem de definições
na Universidade de
Barcelona.
e desenvolvimento das competências e habilidades.
Segundo a Revista Especialmente por serem desenvolvidos pelos próprios
Nova Escola, o
autor baseia suas discentes, é um projeto mais comumente empregado,
ideias em John pois tem uma aplicabilidade onde o conhecimento se
Dewey (1859-1952),
filósofo e pedagogo torna parte integrante do projeto, que o aluno aprende
norte-americano enquanto desenvolve.
que defendia a
relação da escola
com a vida e com
Dessa forma, convém ressaltar que Hernandez23 &
a sociedade, dos
meios com os fins Ventura (1998, p.28) dizem que a introdução dos Projetos
e da teoria com a
prática. de Trabalho nas instituições de ensino pode ser elaborada
como meio de atrelar a teoria com a prática e com a
http://educarparacrescer.
abril.com.br/aprendizagem/ finalidade de alcançar os seguintes objetivos:
materias_296380.shtml

b) Cada tema se estabelece como um problema Com isso. O processo de Globalização diz a) Na sala de aula é possível trabalhar qualquer respeito à forma como os países interagem e tema. grupo de alunos e em especificar o que se ou seja. social. É um fenômeno gerado pela sobre a prática fosse a pauta que permitisse ir necessidade da dinâ- tornando significativa a relação entre ensinar e mica do capitalismo aprender. tem um alto nível de implicação. sociais. como acontece nos enfoques impulsionado pelo barateamento dos interdisciplinares. Gerar uma série de mudanças na organização os países centrais (ditos desenvolvidos) dos conhecimentos escolares. fossem levados adiante pelos alunos e não política. que teria sido pelo professor. pois a comunicação únicos responsáveis pela atividade que se realiza no mundo globalizado em sala de aula. de caráter procedimental e gira atuação para mercados em torno do tratamento da informação. Introduzir a nova maneira do fazer do professor. Tema 2 | Planejamentos e Projetos Educacionais 67 I. interliga o mundo. expandir seu negócio até então restrito c) A ênfase na relação entre ensino e aprendizagem ao seu mercado de é. cultural. meios de transporte e comunicação dos paí- ses do mundo no final II. obtém-se como consequência o que todos estão aprendendo e compartilhando aumento acirrado da o que aprende. do século XX e início na qual o processo de reflexão e interpretação do século XXI. Abordar um sentido da globalização24 em que 24 A globalização é um dos processos de as relações entre as fontes de informação e os aprofundamento da procedimentos para compreendê-la e utilizá-la integração econômica. gerando que deve ser resolvido. sobretudo. mas também o grupo-classe permite tal expansão. sem necessariamente um investimento alto d) O docente ou equipe de professores não são os de capital financeiro. a fase da expansão tura que deve ser desenvolvida e que pode capitalista. . levando em pode aprender dele. a partir de uma estru. de formar uma aldeia global que permita maiores mercados para III. onde é possível realizar encontrar-se em outros temas ou problemas. o desafio está em abordá-lo com cada aproximam pessoas. transações financeiras. concorrência. culturais e políticos. consideração aspectos econômicos. distantes e emergentes. na medida em porém. tomando como cujos mercados ponto de partida as seguintes hipóteses: internos já estão saturados.

• Uma problemática geral ou particular. Percebemos. e como os mesmos contribuem para a criação de estratégias no tocante à organização dos conhecimentos escolares em relação à forma que a informação é tratada. à ligação entre os diferentes conteúdos em volta dos problemas e às su- posições que ajudem aos alunos na construção de seus conhecimentos. estabele- cem-se formas de organização as atividades no processo de ensino e aprendizagem. • Uma temática que busque interesse por parte do aluno.68 Didática e) Podem ser trabalhados as diferentes possibilida- des e interesses dos alunos em sala de aula. onde se possa trabalhar de forma prazerosa. Devemos levar em consideração os benefícios proporcionados pelos projetos. . Quando se articula esses conhecimentos aos escolares. A asserção de Projetos de Trabalho está ligada à previsão do conhecimento globalizado. então. • Uma série de perguntas inter-relacionadas. Um projeto pode ser constituído pelos seguintes critérios: • A exposição de conceitos. que nessa relação entre a teoria e prática os projetos são fundamentados mais em algo concreto do que em desenvolvimento. de forma que ninguém fique desconectado e cada um encontre um lugar para sua implicação e participação na aprendizagem.

Preparação e planejamento – nesse processo desenvolve-se o planejamento com as atividades principais. ao desenvolver um projeto de trabalho. uma vez que é preciso estimular o trabalho com a intenção de que se torne convidati- vo e interessante para o grupo e não apenas para alguns alunos ou professor. Para tanto. a partir da qual o docente estabelece e organiza seus objetivos. O elemento principal para se trabalhar com projetos não é a origem do tema e sim o tratamento que é dado a ele. o tempo de duração. as estra- tégias. como uma ajuda. o projeto deve ser considerado como subsídio. Contudo. Tema 2 | Planejamentos e Projetos Educacionais 69 PARA REFLETIR Pesquisem nas escolas de sua comunidade quais os projetos aplicados durante o ano letivo. visando às neces- sidades do seu alunado para posteriormente problematizar o assunto que será abordado. levantamento do material . ? Será que as escolas aplicam de fato esses projetos? Discutam em grupo as respostas obtidas. transformando a escola em um ambiente atraente. Deve-se desenvol- ver uma concepção de conhecimentos como produção em conjunto. instigando a curiosidade do aluno para elaboração do projeto. ao desenvolver um projeto devemos saber que esses são processos contínuos que não devem ser reduzidos a um esquema com objetivos e etapas. os docentes devem saber que algumas etapas de- vem ser seguidas: A intenção é a primeira delas. Muito embora tenham sido destacados os critérios acima. uma me- todologia de trabalho direcionada a dar vida ao conteúdo.

o professor deve elaborar junto aos alunos o diagnóstico do projeto. no campo da ação cognitiva e social. Ainda nessa fase. isso significa que esses influenciarão na transfor- mação da realidade global. é fundamental que se tenha propostas de mudança da realidade. Porto Alegre: Artmed. saberes que provocam crescimento. Realização ou desenvolvimento – é nessa etapa que su- cede a realização das atividades planejadas. Ao formular um projeto. com a par- ticipação ativa do alunado. cuja função é registrar os conhecimentos prévios sobre o tema (o que já sabemos). dando oportunidade ao aluno de expressar os seus conceitos sobre a elaboração do projeto. assim.70 Didática de pesquisa. as curiosidades a respeito do tema (o que queremos saber). A última etapa é a Análise final – aqui acontece a avaliação dos trabalhos que foram elaborados e desen- volvidos. O livro trata de Planejamento de Trabalhos realizados por professores. 5. INDICAÇÃO DE LEITURA COMPLEMENTAR HERNÁNDEZ Fernando. e como será a conclusão do estudo do mesmo. A organização do currículo por projetos de trabalho. Montserrat. VENTURA. . trad. Quando os agentes que compõem a escola se propõem à mudança dentro de si. relatando os procedimentos relacionados aos tipos de projetos e planos. Jussara Haubert Rodrigues. 1998. ed. e onde pesquisar (como descobrir). Construindo.

Tema 2 | Planejamentos e Projetos Educacionais 71 DIEGO. PARA REFLETIR Levando-se em consideração a importância da elabora- ção de projetos educacionais no desenvolvimento cog- nitivo e social. façam uma reflexão sobre elaboração e desenvolvimento de Projetos educacionais. Portugal: Porto Codex. 1994. Por um projeto educativo de rede. . E como os mesmos consistem numa mudança de postura na prática docente. O livro aborda os diversos tipos de projetos educacionais. Fala das unidades de ensino básico e exigência de articulação interescolar. ressaltando também sobre o sucesso educativo e cultura escolar. Fernando.

de áreas temáticas trabalhadas. devem ser percebidas pelo professor. Projeto escolar e projeto curricular andam juntos numa parceria que tem como finalidade criar recursos atraentes e possíveis. p. Esse tem o papel de intercessor na sala de aula. o que está provocando o interesse dos mesmos. tais necessidades. verificando. que propiciem aos alunos o interesse de participar ativamente das aulas. Os temas escolhidos partem das necessidades existentes na realidade dos alunos.72 Didática 2. promovendo a cooperação e a interdisciplinaridade num contexto de jogo.4 Projeto escolar e curricular O propósito de se trabalhar com projetos é inten- cionalmente de proporcionar aos discentes uma atmos- fera educacional mais propícia ao saber. tornando possível a frequente meditação sobre a prática pedagógica.” (HOFFMANN. unindo as experiências realizadas com o contexto em que os alunos estão inseridos. assim. Vários projetos podem se desenvolver ao mesmo tempo. tem por fundamento uma aprendizagem significativa. de necessidades ob- servadas quanto ao desenvolvi- mento cognitivo do aluno. 43) . tornando viável o trabalho por meio de frequentes observações da turma. “O planejamento desenvolvido através de projetos pedagógi- cos. Eles podem se originar de brincadei- ras. de even- tos culturais. 1999. de leitura de livros. O trabalho com projetos escolares viabilizam um grande envolvimento na prática do dia a dia. trabalho e lazer. de tal forma que se dê a articulação entre o conheci- mento científico e a realidade es- pontânea do aluno.

para incentivar e reviver o conteúdo explanado. São atividades de incentivo agregadas à grade curricular que. resultando na execução de vários projetos: sociopolítico. Partindo de alguns aspectos metodológicos que podem ser acentuados nos currículos gerando ações de totalidade. são capazes de mobilizar os alunos de forma intensa. Projeto curricular são as atividades desenvolvidas de forma interdisciplinar. A partir do projeto escolar originou-se o projeto curricular. 72) sintetiza a necessidade desse encontro de projetos quando se refere à escola como lugar do entrecruzamento do projeto coletivo e político da sociedade com os planos educadores. O alicerce desse projeto é favorecer o apren- dizado se utilizando da diversidade e não se baseando nas deficiências do alunado. O projeto curricular designa principalmente a função de preencher os conteúdos relacionando a teoria e a prática educativa na escola. fazendo-os ter mais interesse pela ma- téria. O projeto escolar é composto de ferramentas educacionais baseadas na relação entre ensino e apren- dizagem. se compõe dos conteúdos moldados a cada série. a teoria virando prática. conservando as características sobre o espírito humano das áreas de conhecimento e das disciplinas. Tema 2 | Planejamentos e Projetos Educacionais 73 Outro fato muito importante que deve ser levado em consideração é a realização do trabalho coletivo. Fusari (1993. . São eles que viabilizam a possibilidade de as ações pedagógicas tor- narem-se educacionais. ou seja. também chamadas de atividades extracurriculares. na medida em que as impregna das finalidades políticas da cidadania que interessa ao educando. Exemplos desse tipo de projeto são as práticas de incentivo à leitura e os vários tipos de recursos didáticos utilizados em sala de aula. educacional escolar e os planos de ensino de cada com- ponente dos currículos. por sua vez. p. Essas atividades.

• Considerar a cultura global. dos discentes e da região. parques da cidade. expo- sição. como opção de estimular o interesse cultural dos alunos. • Explorar materiais fora do contexto escolar. social e político. como: visitas a bibliotecas. constituídos de ideias práticas. museus. elaborando projetos operacionais. respeitando os costumes. bem como os aspectos históricos socioculturais que viabilizam o conhecimento científico. servindo como ponte de ligação para aprendizagem. . fazendo ligação com os procedimentos da cultura local. fazendo uso de livros didáticos e leituras de publicações de diversos tipos. • Fazer uso de diversos recursos pedagógicos oferecidos pelas escolas. econômico. superando os aspectos sistemáticos e homogêneos contidos nos livros didáticos. • Gerar trabalhos de acordo com a identidade escolar. possibilitan- do aos alunos conhecer infinitas ferramentas de ensino. interesses dos alunos. crenças. hábitos. • Fazer análises das problemáticas existentes no contexto histórico. no qual o processo pedagógico tenha como princípio: • Selecionar assuntos e desenvolver objetos de estudos adequados à integração de conhe- cimentos trabalhados nos referentes campos de conhecimento interdisciplinar. cinemas.74 Didática é interessante propor ideias através do planejamento curricular.

Executar um projeto é como se fôssemos fazer uma viagem: . deixando as escolas e organizações educacionais aptas para o desenvolvimento das funções que lhes cabem. Fazendo. concretas e criativas. Tema 2 | Planejamentos e Projetos Educacionais 75 Quando é desenvolvido um bom projeto curricular nas entidades de ensino. O trabalho de melhoria do nosso sistema educa- cional exige atuação em diversas dimensões e deter- minações fundamentadas. Como percebemos. no aspecto físico e recursos materiais e humanos. no entanto. o projeto curricular vai além da sala de aula. onde todos (sujeitos envolvidos na educação) desempenhem suas tarefas e responsabilidades. estimula-se o interesse do alunado. a essencialidade para a elaboração desse está basicamente no trabalho em conjunto. Na outra face. há melhorias nas instituições. Os projetos escolares e curriculares baseiam-se na busca de novos caminhos reais e concretos. existem me- lhorias nas condições de atendimento às novas práticas escolares. Numa face. abordagens a partir de posições de qualidade significativa é preciso esclarecer dúvidas em definições e também na elaboração de situações de aprendizagem.

enfim. Os projetos ligados às escolas desenvolvem perspectivas políticas. Percebe-se então que trabalhar embasado nos conhecimentos prévios e experiência dos alunos motiva-os a entender com mais intimidade as complexas relações que existem no mundo. Um projeto nesse aspecto envolve diversos processos cognitivos. discutir. Percebemos. Faz-se necessário um conhecimento prévio da escola que temos. no ato da viagem teremos que tomar novas decisões. para que o saber tenha significado de valores humanos. que as temáticas que envolvem tanto os projetos escolares quanto os curriculares não impõem limites para instruírem-se. que fundamenta a elaboração do “Plano da escola”. A apren- dizagem se dá durante todo o processo e não envolve somente conteúdos. fazendo uma reflexão coletiva a respeito da escola que queremos e viabilizar meios para vencer a discrepância entre o real comprovado e o real almejado. desde que relacione fun- damentos da vida em sociedade. buscar e avaliar todo o processo. nos posicionar. pois nesses deverão ser explanados os objetivos gerais e específicos e métodos para o alcance da eficiência. Desenvol- vemos a capacidade de conviver. em contrapartida. os docentes precisam de extensão do seu trabalho para que sua manifestação promova uma mediação mais humanista nos educandos. O registro e a documentação que concretiza esses propósitos sobre a escola é chamado de “Projeto Pedagógico”. afetivas e tecnológicas. esclarecendo as cores e sabores no âmbito escolar. São essas as perspectivas que moldam a realidade. Esse tipo de trabalho enaltece a construção de conhecimentos. A sociedade necessita da ação docente para realização dos seus fins. Assim.76 Didática Exemplo prático: Estamos em Aracaju (o que sabemos) e que- remos ir a Maceió (o percurso significa o que vamos aprender). .

No primeiro caso. Cesar Coll propõe concretizar as intenções educativas tendo como fonte (via de acesso) os resultados esperados e os conteúdos (matérias). .as características individuais dos alunos. É o que alguns autores chamam de “mo- delo fechado”. contendo matérias didáticas e métodos de ensino. consideram-se duas posturas extremas em relação aos currículos: uma postura centralizadora e uma descentralizadora. Tais princípios. No segundo caso. Tema 2 | Planejamentos e Projetos Educacionais 77 TEXTO COMPLEMENTAR Elaboração do Projeto Curricular De um modo geral. a responsabilidade na formulação do currículo recai sobre o professor ou equipe de professores. os professores apenas executam o currículo. enquanto que no “modelo aberto” concede-se grande importância às diferenças individuais e os objetivos são definidos em termos gerais para permitir sucessivas modificações. É o “modelo aberto”. Nesse contexto. sobretudo.o que o aluno é capaz de aprender depende. com inteira liberdade. leva-se em consi- deração a questão da ajuda pedagógica que o professor pode dar ao aluno. o que leva a formular uma série de princípios relativos à maneira de ministrar o ensino. O Projeto Curricular. . da ajuda pedagógica. Optando pelo “modelo aberto”.as características individuais estão sujeitas à evolução. como minúcias de objetivo. devem considerar: . No primeiro caso o ensino é idêntico para todos os alunos. . temos o currículo completo e acabado. incluindo no Projeto Curricular.

78 Didática

- a verdadeira individualização consiste em ajustar o tipo
de ajuda pedagógica às características e necessidades
dos alunos.

- O Projeto Curricular deve incluir critérios gerais e exem-
plificá-los, mas não deve recomendar um método de
ensino determinado.

Fonte: http://www.maxpagesplus.com/elias/Uma_nova_proposta_curricular

INDICAÇÃO DE LEITURA COMPLEMENTAR

BARBIER, Jean-Marie. Trad. Isabel Mota. Elaboração de
projetos de ação e planificação. Porto Codex – Portugal:
Porto editora, 1993.

O livro desenvolve ideias em torno da elaboração de
projetos educacionais, bem como etapas para elaboração
do mesmo. Conceitua Projetos, elucidando objetivos
que devem ser explanados, na hipótese de que esse é
o meio mais direto de chegar aos resultados previstos
e desejados.

GANDIN, Danilo; GANDIN, Luiz Armando. Temas para um
projeto político-pedagógico. 4. ed. Petrópolis, RJ: Vozes,
1999.

Esse livro situa duas vertentes que englobam as tomadas
de decisões importantes, que afetam a vida de todos,
sendo que essas são tomadas pela minoria. Traz ideias
que ajudam a compreender a pluralidade existente em
nossa sociedade e propõe teoria e doutrina pra enfrentar
as diferenças e conviver com elas. Esclarece processos
que se constituem em ferramentas para que grupos
possam realizar seus projetos políticos pedagógicos

Tema 2 | Planejamentos e Projetos Educacionais 79

PARA REFLETIR

Nesse momento, reflitam sobre a importância de se tra-
balhar projetos nas escolas e salas de aula. O ponto de
partida para tal é a proposta: Em vez de abrir o caminho
para os alunos, explorar a trilha junto com eles. Comente
no fórum do AVA com os seus colegas sobre essa
passagem.

RESUMO

Após estudarmos esse tema podemos perceber quão im-
portantes são os planejamentos na vida do ser humano,
e que esses são processos mentais que supõem análises,
reflexões e previsões. Destacando a importância do traba-
lho planejado que: evita a improvisação, ajuda a prever
e superar dificuldades. O plano é o resultado do planeja-
mento. Destacamos também as características que envol-
vem os projetos educacionais, constituídos de coerência,
continuidade e sequência, flexibilidade, objetividade e
funcionalidade. Didaticamente falando, planejar é prever
os conhecimentos a serem trabalhados e organizados
nas atividades e experiências de ensino/aprendizagem.

PROCESSO ENSINO APRENDIZAGEM: OS SUJEITOS DO PROCESSO Parte 2 .

.

proporcionando ao professor diretrizes fundamentais para atingir os resultados previstos. os objetivos educacionais. a importância da didática no contexto educativo evidenciando contribuições para o desenvolvimento significativo no âmbito educacional e sua evolução histórica até os dias atuais. . colocaremos em foco os conteúdos curriculares e as metodologias de ensino como ponte para direcionar métodos de ensino viabilizando uma assimilação da realidade. Aprendemos também que é preciso que o professor se fundamente em planejamento e que este seja uma linha de direcionamento na sua conduta em sala de aula. instrução e ensino. Juntamente a esses objetivos.3 Plano Ensino e suas Especificidades Começaremos aqui mais um tema e espero que os temas anteriores tenham ajudado a esclarecer dúvidas sobre as diferenças existentes entre educação. Nesse momento destacaremos a importância do planejamento de ensino no processo de ensino-aprendizagem e. também.

84 Didática

3.1 Planejamento de ensino: plano de curso,
plano de unidade e plano de aula

No cotidiano enfrentamos diversas situações que
exigem planejamento, muito embora esses nem sempre
25 s. m. sejam formalizados. Neste contexto, considerando que
1. Faculdade de vivemos constantes descobertas e que a realidade se
discernir.
2. Critério. torna mais complexa a cada dia, deparamo-nos cada vez
3. Juízo. mais com a necessidade crescente de sistematização do
4. Escolha.
5. Distinção.
pensamento e de manifestação, para poder alcançar ou
6. Apreciação. alterar os objetivos quando for preciso.
http://www.priberam.pt/ Assim, como pudemos ver na ilustração, planejar
dlpo/Default.aspx
é prever as alternativas de ação para ultrapassar as difi-
culdades ou conseguir os objetivos almejados. Assim, o
planejamento é um segmento intelectual que envolve
discernimento25, compreensão e julgamento da realidade.

Tema 3 | Planejamento de Ensino e suas Especificidades 85

É em função do conceito apresentado acima que
no contexto educacional o ato de planejar é importante.
Neste sentido, o planejamento escolar é uma tarefa
docente que inclui tanto a previsão das atividades
didáticas em termos da sua organização e coorde-
nação em face dos objetivos propostos, quanto a
sua revisão e adequação no decorrer do processo de
ensino. Assim, o planejamento é um meio para se pro-
gramar as ações docentes, mas também um momento
de pesquisa e reflexão intimamente ligado à avaliação
(LIBÂNEO, 1994, p. 221).
Assim, sabendo que o ato de planejar é constituí-
do de procedimentos que envolvem critérios intelectuais
como analisar, refletir, organizar e praticar, é interessante
ressaltar que o plano é um instrumento para ser tomado
como base para a realização de atividades em sala de
aula, uma vez que através dele o professor busca caminhos
para a realização de sua prática26 docente. 26 Para saber
mais sobre Prática
Com o conceito e a importância do planejamento Docente, você
reavivados em nossa memória, antes de seguirmos em pode ler o livro
de FREIRE, Paulo.
frente nos nossos estudos, é importante ainda reforçarmos Saberes necessários
o conceito sobre planejamento de ensino que foi explanado à prática educativa.
São Paulo: Paz e
no Tema II, conteúdo 2.2. Assim sendo, destacamos que Terra.
esse tipo de planejamento é o que mais diretamente
está unido ao ensino, buscando concretizá-lo de forma
objetiva. Representa um trabalho de reflexão sobre o
modo como direcionar o ensino para que o educando de
fato alcance os objetivos da educação.
Desta forma, o planejamento de ensino serve
como direcionamento das ações e métodos que o
professor realizará em conjunto com seus alunos. Ele é,
na verdade, a especificação do planejamento do currículo.
Resume-se, então, de forma mais concreta e funcional
no que o docente utilizará na sala de aula para levar
os alunos a atingirem os objetivos educacionais pre-
viamente estabelecidos.

86 Didática

Analisemos as etapas relacionadas ao planejamento
de ensino:

• Conhecer a realidade do seu aluno, dando ên-
fase aos seus anseios e necessidades educa-
cionais;

• Determinar os objetivos para direcionar o tra-
balho do professor, tendo em vista a aprendi-
zagem do aluno;

• Organização dos procedimentos do professor.
Essa metodologia dará vida aos objetivos tra-
çados de uma aula ou de um conjunto de aulas;

• Execução do plano de ensino. Essa é a fase de
assimilação, consiste no desenvolvimento das ati-
vidades que antes já foram estabelecidas, buscan-
do o máximo de compreensão do alunado;

• Desenvolver as etapas de avaliação mais ade-
quadas aos objetivos lançados pelo professor.

Visualizaremos de forma esquematizada todo pro-
cedimento do plano de ensino.

A partir disso podemos perceber o quanto é im-
portante o planejamento de ensino na vida profissional
do professor, pois é através dele que o docente pla-

Tema 3 | Planejamento de Ensino e suas Especificidades 87

neja as etapas de suas aulas e consegue evitar alguns
contratempos que poderiam eventualmente prejudicar o
aprendizado do aluno.

Agora que você já conhece os procedimentos
do planejamento de ensino, quais as vanta-
gens que ele proporciona para o professor e
para o aluno?

Podemos concluir, então, que o planejamento de
ensino engloba uma série de procedimentos elaborados
para aperfeiçoar o trabalho do professor em sala de
aula, possibilitando a ele uma ação docente repensada,
onde será possível, para ambas as partes: docentes e
discentes, um melhor aproveitamento da matéria, além
de um melhor desempenho do aluno e do uso de técnicas
mais direcionadas pelo professor.
No planejamento de ensino existem três tipos de
planos, que mudam de acordo com o âmbito e a exigência.
Estudaremos nesse momento essas três modalidades:

• Plano de curso;
• Plano de unidade;
• Plano de aula.

Plano de curso

O plano de curso é um pré-estabelecimento das
atividades que serão desenvolvidas em classe, que serve
como referência nas realizações do ensino-aprendizagem.
Ele define-se também como um instrumento de trabalho a
ser executado enquanto durar o curso, seja este bimestral,
semestral ou anual. Assim, o planejamento de curso é
uma previsão de todo o trabalho a ser realizado em um
determinado período de tempo.

• Permitir uma ação conjunta dos agentes in- teressados na sua organização. facilitando o alcance dos objetivos traçados pelo professor.88 Didática O plano de curso caracteriza-se de modo geral pela seguinte sistemática: • Possibilitar ao professor o conhecimento prévio da realidade de sua clientela (aluno). Não existe uma forma padronizada a ser seguida na formulação dos planos. • Oferecer objetivos gerais e determinar os específicos a serem alcançados no período letivo estabelecido. adequar as capacidades e potencialidades dos alunos. • Eleger e definir os métodos de avaliação mais lógicos com os objetivos definidos e os conteúdos que serão desenvolvidos. nas metodologias detalhadas para o seu fim. no plano de curso os processos devem ser organizados em uma ordem que garanta uma sucessão coerente no processo de ensino-aprendizagem. • Definir objetivos que permitam uma melhor interação da aprendizagem. assegurando conexão nas ações das escolas. • Tomar como base a execução de cada objetivo e. gerando oportunidades de adequação dos conteúdos previamente estabelecidos. . Entretanto. • Manter uma ligação intima com o plano curricular.

aspx?pal=precaver curso. projetos. exposição de material alusivo para introdução dos assuntos. conversação com a classe. contexto plano de unidade consiste basi. valorizando o conhecimento prévio de cada um.71) o plano de ensino divide-se em três etapas: Apresentação – Busca-se nessa fase reconhecer e estimular o desejo de aprender dos alunos.pt/dlpo/default. O professor nessa etapa poderá proceder da seguinte forma: resolução de problemas. p. prevenir. trabalhos em grupo. Tema 3 | Planejamento de Ensino e suas Especificidades 89 Plano de Unidade Como vimos anteriormente. buscando a participação ativa do aluno. na execução dos objetivos previstos. erros do professor. Desenvolvimento – Nessa etapa o docente sistematiza e explana situações de ensino-aprendizagem. de forma a alcançar os objetivos específicos propostos. Este 2. camente em especificar o planejamento de priberam. Acautelar. o pla- nejamento tende a precaver27 eventuais 27 1. http://www. . possi- bilitando a síntese das situações mais importantes da unidade. ordenando-o em partes. é necessário que o professor desenvolva os seguintes procedimentos: pré-teste para sondar as experiências e conhecimentos dos alunos. e adequá-los aos conteúdos da unidade. Para a realização da integração. Segundo Claudino Piletti (2007. Contudo. pron. desenvolve-se a seguinte atividade: organização de resumos. Integração – Através dessa etapa os alunos poderão chegar a uma análise dos conteúdos estudados na unidade. dando maior segurança v. estudo dirigido. Acautelar-se.

possibilitando uma melhor compreensão do assunto. • Seguir uma sequência lógica. mas também para aperfeiçoamento e melhoramento das atividades do docente de ano para ano. mente. Escola. levar em consideração o nível intelectual de cada aluno. exercícios. Isso porque o procedimento de ensino é qualificado por uma continuidade de fases tais como: estabilidade. É fundamental assim. ao iniciar cada tópico. • Concretizar os objetivos propostos. recapitulação. 1972. • Identificar o assunto que será abordado. . Nesse momento colocam-se em prática consultar o livro os procedimentos diários que foram previstos anterior- de CAPPELLETI. Isabel Franchi.90 Didática Plano de aula 28 Para saber mais O plano de aula28 é uma extensão detalhada do sobre o assunto. deve-se seguir a sequência após o que foi finalizado. (5). você poderá plano de ensino. Esse deve resultar num trabalho escrito e sistematizado. não esque- cendo que. não somente para facilitar as orientações do professor. demonstrando organização e clareza das ideias em torno do conteúdo abordado. ensino. tendo consciência que raramente comple- tamos em apenas uma aula o progresso de uma unidade. Ao planejar uma aula o professor deverá levar em consideração os seguintes aspectos: • Saber que a aula é um período de tempo variável. aplicabilidade e avaliação. A preparação da aula é algo inerente ao trabalho Planejamento de do professor. abril. bem como o plano de curso e de unidade. sistematização.

apesar da comprovada necessidade do planejamento de cada etapa do processo de ensino. MEC/ Saraiva. para manter uma qualidade na aula e êxito no processo de ensino-apren- dizagem. não devemos encarar a educação como um processo inalterável ou acabado. Carlos E. al. A flexibilidade do plano de aula faz parte do roteiro de adaptações. ANTUNES. muito menos o ensino. revistas e recursos áudio-visuais). Tema 3 | Planejamento de Ensino e suas Especificidades 91 • Esboçar recursos (cartazes. Campinas. Maria Josefina. INDICAÇÃO DE LEITURA COMPLEMENTAR MARTINEZ. A obra traz relatos sobre como educadores têm lutado para entender por que alguns alunos não se desenvol- . destacando aulas com fins específicos: aula expositiva. jornais. SP: Papirus. M.A et. indispensáveis ao professor. Retrata os tipos de Planejamento da Educação em Ge- ral. LAHORE. 1997. estimulando-o para a participação ativa nas aulas. mapas. Oliveira. Com base nesta afirmação reforçamos que. frisando a escola como instituição social. D. Fazendo uso desses materiais o professor desperta no aluno mais interesse pelo assunto. No entanto. E. aula de discussão ou trabalho em grupo. Alternativas do Ensino de Didática. aula de exercício e aula de verificação para avaliação. O livro ressalta também o processo de planejamento ao nível das escolas. • Indicar os processos metodológicos. 1977. Planejamento escolar. o plano em ação deverá ser alterado e revisto quando os resultados não forem tão satisfatórios. aula de estudo dirigido.

anseios e desejos. descreva a importância político- pedagógica do Planejamento de ensino. e como esse processo forma instrumentos que possibilitam a superação das práticas constantes no nosso convívio em sociedade. sobre a importância do planejamento em nosso dia a dia. Neste conteúdo estudaremos minuciosamente componentes ligados ao processo de ensino e os componentes relacionados aos objetivos-conteúdos. Discuta com os seus colegas. Embasado nisso. onde fizemos uma análise através dos conceitos explícitos sobre os tipos de planejamentos e os aspectos formadores da didática como fundamento da orientação docente. verificamos o quanto é importante para o educador um planejamento de ensino para explanação e realização de suas práticas pedagógicas.2 Objetivos de ensino Vimos nos conteúdos anteriores métodos e técnicas que organizam o sistema de ensino.92 Didática vem na sala de aula. O ser humano vive em constantes buscas. é . Mas. PARA REFLETIR Após o estudo do tema. enfatizando problemas no ambiente escolar e no ensino. 3. no fórum do AVA. oferecendo recursos metodológicos de como resolver esses problemas. onde predomina o ensino tradicional. e são impulsionados a descobrir caminhos e praticar ações para que essas possam sanar nossas necessidades. em paralelo à ação humana.

sem perder o foco principal.org/wiki/ Ideologia 30 O termo utopia significa algo que está somente em pensamento. que é a melhoria do a consciência contínua do processo ensino-aprendizagem. desenvolvendo assim caminhos valiosos convencimento no procedimento de ensino. havendo (persuasão ou dissuasão. possui diferentes Essas ações e objetivos que cercam o ser humano. O professor precisa ter consciência ao definir o de doutrinas ou de aluno que ele quer formar. desenvolvimento do alunado. Contudo. Tema 3 | Planejamento de Ensino e suas Especificidades 93 fundamental a importância dos objetivos traçados para 29 Ideologia é um termo que alcançar determinados fins. políticas. que ainda não foi posto em prática. sinônimo ao termo fazendo com que. Para Assim. principalmente. objetivos proporcionam estimativas do desenvolvi. a partir dessas estimativas. Neste sentido. http://pt. No senso comum o termo ideologia é mento esperado por parte do educador e educando. tomar uma posição ideológica29 visões de mundo para que suas ações possam ser fundamentadas em de um indivíduo ou de um grupo.org/wiki/ Utopia . mas não necessidades de reformulação e reconstrução das técnicas. o professor ideário (em portu- guês).wikipedia. que deve ser compreendida e inclinada orientado para para os objetivos que são construídos com fins no suas ações sociais e. de pensamentos. contendo o busque fundamentos essenciais para a assimilação da sentido neutro de aprendizagem. é fundamental termos autores que utilizam o termo sob uma clareza dos objetivos almejados. humana. isso não quer concepção crítica. por meio da força o professor deverá se adequar e acompanhar essas física) de forma prescritiva. Os neutra e a crítica. conjunto de ideias. significados e duas concepções: a também estão introduzidos no contexto escolar. pois um instrumento esse percurso vai sendo reformulado com as utopias30 de dominação que age por meio de educacionais. como educadores. uma personalidade. alienan- mudanças.wikipedia. dizer que a princípio esse seja o único caminho a ser ideologia pode ser considerado percorrido para atingir o aperfeiçoamento do ensino. http://pt.

isso não significa que devemos cruzar os braços e deixar que esses problemas se dimensionem sem fazermos nada para que sejam resolvidos. no entanto. mas principalmente. bem como que os professores têm participação ativa nesse processo. assim como a estrutura educacional direciona seus fundamentos de acordo com as necessidades que a sociedade demanda. como observador das necessidades. . fica claro que quando todos estão envolvidos. uma vez que estes são grandes e estru- turais? O que é preciso mudar.94 Didática Esse processo de reestruturação do ensino está ro- deado de muitos outros elementos que envolvem as- pectos políticos. não partindo somente do âmbito escolar. a probabilidade de o objetivo ser alcançado é maior. além de uma grande parcela de falta de contribuição estrutural em volta da edu- cação. partindo da análise de que o conhe- cimento do sistema social conduz ao sistema educacional e fazendo um elo entre esses dois sistemas. Existem grandes pro- blemas que permeiam esse processo. Como vamos mudar esse quadro de proble- mas. levando em conta as propostas que devem ser mantidas e as que serão reformuladas em sua prática em sala de aula. é importante falar que os objetivos educacionais direcionam propósitos com a finalidade de capacitar as pessoas para a transformação social. que a sociedade tomou consciência que ela tem o poder de mudar tais questões. Mediante essas afirmações podemos concluir que. Isso faz com que haja um melhoramento na finalidade do processo educacional. não apenas como executor. sociais. econômicos e até culturais. O professor. afinal? Partindo dos pressupostos que os problemas em torno da educação também são um problema social. está contribuindo bastante para o alcance dos objetivos do sistema educacional.

ele mantém conexão entre a técnica e a prática. Para que possamos entender de forma mais clara sobre objetivos gerais. http://www.pt/dlpo/default. 2 gén. 2006. atendendo as imposições do meio social e as potencialidades desenvolvidas pelo alunado. 67) dissolver ou desfazer. expondo com precisão os objetivos educacionais e adquirindo mais segurança para a sua prática docente. (VEIGA. é imprescindível que o professor tenha conhecimento dos planejamentos da escola e conheça os objetivos correlacionados do sistema da mesma. tanto no âmbito educativo. determinando com precisão definições claras e diretas no plano escolar ou na produção e execução das aulas. que rege os programas essenciais das matérias. podemos perceber que é fundamental que o educador saiba que os objetivos educacionais são de suma importância para o trabalho em sala de aula. . Que não se pode nica e prática. Isso direciona as atividades escolares e a utilização dos meios necessários para a obtenção de resultados satisfatórios. reformulando-os de acordo com as eventuais necessidades. como na organização curricular. p. Tema 3 | Planejamento de Ensino e suas Especificidades 95 A educação como processo vivo e dinâmico. relacionados aos valores e ideias. priberam. Assim. À medida que o professor traça seus objetivos. 31 adj. cresce na qualidade do serviço que presta e à medida em que vive no dia-a-dia o íntimo e indissolúvel31 relação entre téc. Vamos estudar agora os dois níveis de objetivos educacionais: • Objetivo geral – proporciona uma visão mais ampla do âmbito escolar e de ensino. spx?pal=indissolúvel e fazendo uma autoavaliação sobre seus resultados.

os objetivos gerais devem seguir uma linha de conceitos e experiên- cias embasados nos programas oficiais. 123) Assim. p. vejamos a seguir alguns objetivos educacionais gerais que posteriormente ajudarão o professor a elaborar objetivos específicos e conteúdos de ensino. o pro- fessor deverá reformulá-lo de acordo com os aspectos socioculturais e políticos. uma vez que ex- pressam os interesses dominantes dos que controlam os órgãos públicos. PARA REFLETIR Os objetivos selecionados e desenvolvidos nas escolas da sua comunidade são transmitidos e transformados em função de alguns interesses e poderes existentes na sociedade nas quais estão inseridos? Dito isto. .96 Didática [. estaduais e municipais de ensino. mas também porque precisamos saber que concepções de homem e sociedade caracterizam os docu- mentos oficiais. para Libâneo (1994. criando uma relação com as condições locais onde a escola está inserida.] esse caminho é necessário não apenas porque o trabalho escolar está vinculado a diretrizes nacionais. Contudo. p... 2004. 120). (LIBÂNEO.

Fonte: Libâneo (2004. 3º OBJETIVO Consiste em dar a todas as crianças acompanha- mento no desenvolvimento das suas potencialidades. enfa- tizando o trabalho coletivo. p. Tema 3 | Planejamento de Ensino e suas Especificidades 97 OBJETIVOS GERAIS 1º OBJETIVO Colocar a educação escolar no conjunto das lutas pela democratização da sociedade que consiste na conquista cultural dos alunos. esperamos alcançar resultados em longo prazo. com o desenvolvimento de atividades planejadas. professores. por meio da articulação das ideias gerais que temos (nosso conceito de educação). Nesse sentido. do comprometimento profissional de todos que fazem parte da escola: diretor. 124) Outro aspecto importante sobre o Objetivo Geral é que. religião ou sexo. tendo como base a visão dos aspectos correlacionados ao trabalho escolar. funcionários. 4º OBJETIVO Desenvolver nos alunos habilidades. sem distinção de cor. fazendo com que eles se percebam como sujeitos ativos nas lutas presentes 2º OBJETIVO Funda-se em assegurar educação a todas as crianças. para que esses possam utilizar esses conhecimentos nos processos teóricos e práticos. ajudando a vencer as barreiras impostas pelas condições socioeconômicas. 6º OBJETIVO Trata da relação dos agentes envolvidos na instituição escolar. quando nos referimos a ele. alunos e pais de alunos. . coordenador pedagógico. senso crítico e criatividades através das matérias. 5º OBJETIVO Procura viabilizar as funções educativas do ensino. o professor está apto a desenvolver os objetivos educacionais especíificos que serão aplicados em sala de aula. condizentes ao programa nacional de ensino. raça.

Singulariza as especificidades em torno das relações existes entre escola e sociedade. tornando-os objetivos também seus. o professor não deverá perder a essência do objetivo geral. Como já foi ressaltado. da turma e dos conteúdos. para que o aluno construa um conhecimento embasado numa compreensão de forma organizada. a metodologia a ser utilizada e os procedimento avaliativos. para que os alunos nos agreguem ao ensino. especificando com detalhes os objetivos educacionais. Ao formular os objetivos específicos. levando em consideração os aspectos da escola. executando os conhecimentos e definições a serem assimilados pelos alunos.98 Didática • Objetivo Específico – se caracteriza pelo desmem- bramento do objetivo geral. o objetivo geral segue diretrizes de forma mais extensa. passando . • Manifestar os objetivos de forma clara e sucinta. • Estabelecer uma relação lógica entre os conceitos e habilidades. A elaboração dos objetivos específicos ajuda o professor a: • Organizar os conteúdos a serem explanados. de modo que esses possam ser aplicados de forma prática em suas vidas. • Equilibrar o grau de dificuldades. já os objetivos específicos são mais diretos obtendo resultados gradativos no ensino-aprendizagem. Tal objetivo expressa as expectativas que são cria- das por parte do professor em relação à aprendizagem do aluno e conduz o trabalho docente subsidiando a seleção de conteúdos.

• Estruturar estratégias de avaliação. Para uma melhor compreensão. bem como da aprendizagem dos alunos. de modo a fazer uma autoavaliação do seu trabalho docente. analisaremos o panorama que dinamiza as características dos objetivos educacionais vistos neste conteúdo. Tema 3 | Planejamento de Ensino e suas Especificidades 99 questões desafiadoras e situações-problemas de forma que os discentes sejam incentivados a desenvolver o raciocínio com precisão. .

17. 2007.100 Didática INDICAÇÃO DE LEITURA COMPLEMENTAR Para saber mais sobre Objetivos educacionais. Petrópolis. poderá contribuir para este processo. .a relação entre escola e cultura. Na obra destaca alguns eixos . a formação e a construção da cidadania ativa. São Paulo-SP: Ática. ed. enquanto cidadão e enquanto professor. Regina C. Relata preparações para o magistério e também para professores que já se encontram em exercício CANDAU. Rio de Janeiro: Vozes. 2006. e como esse contexto é dinâmico. Reinventar a Escola. No capítulo 4 (p. Vera Maria. O livro trata das concepções sobre a Didática. Candau expõe na sua obra o descontentamento com o papel social e a inadequação dos resultados obtidos pela escola. fragmentando o atual paradigma da es- colarização. PARA REFLETIR Diante do assunto exposto e da notoriedade da im- portância da sociedade na evolução do processo edu- cacional faça uma relação sobre como você. Curso de Didática Geral. a educação e o ensino de modo que esses fazem parte de um contexto social. 70-73) do livro de HAYDT. Cazaux. leia o texto: “Outros objetivos para o dia-a-dia”.

Com isso. A escolha dos conteúdos feita pelo professor prevê algumas capacidades que devem ser desenvolvidas pelos alunos ao término de cada etapa escolar. vamos evidenciar a organização dos conteúdos curriculares e a importância que esses desempenham no âmbito educacional. os conteúdos devem ser escolhidos no currículo em função da sua importância cultural. É através dos conteúdos e das experiências de aprendizagens que são vividas na escola e na sala de aula de forma sistemática que os alunos adquirem conhecimentos e costumes. visando uma assimilação de conhecimentos e. é fundamentado na relação didática existente entre objetivos e conteúdos. que se moldem às peculiaridades do aluno.3 A organização dos conteúdos curriculares na estrutura escolar Nesse tópico. que são colocados em prática no ambiente fora da escola. à exemplo da própria casa do aluno. você já sabe o que é conteúdo? . Tema 3 | Planejamento de Ensino e suas Especificidades 101 3. assinalamos que o ensino específico na escola. conse- quentemente. formando assim valores julgados como fundamentais na formação do indivíduo. É preciso destacar ainda que a realização da seleção e organização dos processos ligados às atividades escolares são promovidas pelo docente. Além disso. o docente deve selecionar conteúdos específicos nas mais diferentes áreas do conhecimento. Mesmo tendo uma ligação direta com o desen- volvimento das capacidades. cuja aprendizagem é o objetivo principal. Mediante essas afirmações sobre aprendizagem escolar. e sejam adquiridos com maior facilidade. a obtenção do aprendizado do aluno. visando uma aprendizagem satisfatória do seu aluno.

Por isso Libâneo (2004) afirma que. O primeiro ponto para entendermos essa visão é que os conteúdos são vistos como estáticos. em seguida o aluno descreve e repete o que foi passado. por causa dessa falta de ligação entre um conteúdo e outro. não trocam informações de forma mútua. vejamos os pontos que devem ser levados em consideração. O segundo é . mas não analisam o quão importante é o movimento de “vai e volta” entre os conteúdos. ou seja. o ensino é visto de forma mecânica: o professor passa o assunto.102 Didática Certamente alguns de vocês responderão que conteúdo é algo sistematizado. O conteúdo é visto pela maioria dos professores como um sistema sequencial e acabado. em função do ensino mecanizado. o professor e o aluno. não oferecendo ao aluno chances de conhecer seu verdadeiro significado. existem no ensino três componentes: a matéria. são os conhecimentos de cada matéria do currículo que se transmite ao aluno. sem vida. depois o ciclo volta a acontecer. prontos e acabados. Confesso que essa resposta de fato não está totalmente errada. de forma automática resolve os exercícios e. por conseguinte faz as provas. Para compreendermos melhor esse entendimento. com esquemas relacio- nados a matérias específicas. Mas na verdade. ou seja. que são informações passadas pelo livro.

. conhecimentos e modos de ação. A essência dos conteúdos e a estrutura e a forma de organização através das quais eles são passados podem facilitar ou não a efetivação da aprendizagem por parte dos alunos. 1976. p. (GARCIA. Assim.] tudo aquilo que é passível de integrar um programa edu- cativo com vistas à formação das novas gerações. um pon- to fundamental para que o indivíduo possa chegar a entender aquelas aprendizagens essenciais para o seu autodesenvolvimento com plenos direitos e deveres. Diante disto. Um con- teúdo pode referir-se a conheci- mentos. Como foi enfatizado anteriormente. atitudes. compreender e defrontar as exigências teóricas e práticas da vida em sociedade. Tema 3 | Planejamento de Ensino e suas Especificidades 103 que não oferecem ferramentas suficientes para o desen- volvimento mental dos alunos. Isto posto. os conteúdos podem revelar fatos sociais.161). podemos entender que conteúdo é: [. no entanto. a função da escolaridade é de contribuir com a socialização dos alunos. passamos para outra questão funda- mental acerca do conteúdo: que tipo de conhecimento os alunos devem aprender? . a importância de alguns conteúdos para o entendimento da realidade em que os mesmos se desenvolvem é. não respeitando a individualidade do aluno. O terceiro e último ponto é que os conteúdos são vistos como dissociados das condições sociais e culturais. sem sombra de dúvida. habilidades e hábitos.. convertendo-se em ferramentas essenciais para assimilar. tirando as chances destes desenvolverem os seus conhecimentos.

embasados culturalmente.] quando refletimos o que o alu- no deve entender de fato. o docente deve levar em consideração os conhecimentos prévios que os alunos trazem dos seus costumes e habilida- des. para deixá-los mais convidativos. [.. 219) Entretanto. Assim. 2003. MARTIN. p. pois a escolha de conceitos a serem transmitidos aos alunos pode ajudá-los a desen- volver ou não as suas capacidades cognitivas. além de trabalhar conteúdos formaliza- dos. ainda dentro do contexto das definições . Entretanto. fazendo com que possam ser assimilados de forma eficaz e consciente. assim como nos encontramos. há diferentes aspec- tos que o aluno tem que descobrir nos processos de aprendizagem (MARCHESI. não basta a escolha e organização dos conteúdos para transmiti-los. cheios de vida. o professor deve ainda ter conhecimento e sensibilidade de que os conteúdos devem introduzir práticas do dia a dia do alunado. somos levados a entender que na geração do conhecimento científico.. para que se concretizem futuras aprendizagens.104 Didática Quando nós fazemos essa pergunta estamos abrindo um vasto leque de habilidades a serem desen- volvidas pelo professor.

Mas o papel dos objetivos não se encerra aí.32 O próprio homem pode transformar-se plenitude todas as em um objeto de estudo apaixonante.org/wiki/ Organização_Social as diferentes culturas e os costumes. de maneira • Em relação à vida social. seja no aspecto físico ou no social.115) sobre o que os conteúdos de ensino grupos. deve-se aprender ideal. alimentação. às regras e à cultura da comunidade. o homem não conse- guirá. Para que exista conviver com os demais. Aprender a entre seus membros. sobre organização vestimenta. organização. enfim. Fazendo uma análise prévia sobre as diretrizes dos conteúdos. visto suas potencialidades. a compar- sociedade são ne- tilhar com eles suas satisfações e problemas.wikipedia. Além disso. realizar com social. falamos sobre objetivos da educação e a impor- tância de traçá-los para se ter um direcionamento no ensino e êxito nos resultados da aprendizagem. de forma a manter uma relação en- tre as experiências escolares. devem abranger. a cooperar. 32 é o conjunto habilidades e costumes. Uma sociedade não tem condições de sobreviver se não • O universo. conceitos e informações necessárias para a vida aca- dêmica. eles devem dar também uma direção aos conteúdos. aos a formam. moradia. torna-se imprescindível ter consciência de que os conteúdos de ensino funda- mentam-se na transmissão de conhecimentos formais. conscientes entre os indivíduos que rais. Deve-se prestar atenção aos valores. conteúdos deixam de ter finalidade em si mesmos para se tornarem ferramentas para alcançar a materialização dos resultados visados pelo processo de aprendizagem. Sem costumes. Tema 3 | Planejamento de Ensino e suas Especificidades 105 dos conteúdos há mais um aspecto a ser considerado. Assim. apresentar uma certa organização e relacionamento • As relações sobre os seres humanos. conclui-se que estes se tratam de infor- mações em forma de conjunto de princípios e organizados de forma dinâmica. Com isso. a cessárias interações respeitar regras de convivência. de relações entre membros de um grupo. considerando http://pt. da perspectiva antropológica. No tema II. p. entre grupos Vejamos agora algumas sugestões apontadas por ou entre pessoas e Delval (2001. bem como para o desenvolvimento de valores. sobre as instituições. as regras mo. .

Conhecimento é o alicerce do conteúdo. etc. três vertentes as quais a abrangência dos conteúdos deve atingir para concretizar o ensino: conhecimento. tornando a formação do conteúdo um sistema automático. habilidade e capacidades. o que facilita a sequencialidade dos mesmos. na verdade. é que o bom professor terá que ter um conheci- mento sólido da matéria e das técnicas de ensino. O mais importante a ressalvar. porém. Deve ser naturalmente uma história das culturas. • A história do homem apresenta um grande interesse quando pode ser vista de uma perspectiva suficientemente ampla capaz de fazer uma integração de diferentes fatos. sua relação com a sociedade. da satisfação das necessidades. Podemos então afirmar que os objetos dos con- teúdos de ensino estão ligados intimamente. dos movi- mentos sociais. esses objetos andam sempre juntos. Contudo. Esses preceitos são funcionais e devem ser vistos como fundamentais ao bom funcionamento do ensino e da aprendizagem. habilidade é uma qualidade necessária para o desenvolvimento das intelectualidades e capacidades faz referência ao modo do aluno agir perante os trabalhos na vida social. Os processos industriais de fabricação. seus princípios. das mentalidades. de- senvolver habilidades e capacidade se torna impossível sem o conhecimento por outro lado. torna o indivíduo mais hábil e capaz. Assim.106 Didática • A tecnologia pode ser um objeto de estudo de grande valor educativo. As máquinas. o futuro educador não deve se assustar ao elaborar os conteúdos de ensino. Existem. uma boa base de conhecimentos. as propriedades das coisas. Dessa . sua história. seu funcionamento.

Dessa forma. sem ligação entre si. 142 ): Forma ordenada de critérios de seleção de conteúdos Os conteúdos devem expressar ob- jetivos sociais e pedagógicos da Correspondência entre objetivos escola pública sistematizados na gerais e conteúdos formação cultural e científica para todos. p. Trata-se de selecionar as bases das ciências. conceitos. Tema 3 | Planejamento de Ensino e suas Especificidades 107 forma. pois é a partir desta perspectiva que ele será capaz de fazer com que os conteúdos de ensino sejam ampliados para os conhecimentos das no- vas gerações. Neste sentido fica claro que é indispensável. O programa de ensino deve ser de- lineado em conhecimentos sistemati- Caráter sistemático zados e não em temas genéricos e esparsos. transformadas em objetos de ensino necessários à educação geral. Os conhecimentos que fazem par- te dos conteúdos refletem os fatos. métodos decor- Caráter científico rentes da ciência moderna. com certeza irá atingir um bom desempenho na aprendizagem do aluno. ideias. os alunos poderão assimilá-los de forma a condensar suas compreensões da realidade. por parte do professor. e a se preparar culturalmente para o exercício pleno da sua cidadania. Acompanharemos agora alguns critérios de seleção dos conteúdos no ponto de vista de Libâneo (1994. o conhecimento das esferas do mundo no contexto científico. . de forma a contribuir para a construção e transformação de uma sociedade pluralizada. Além disso. destacamos que é necessário que o docente desenvolva também uma elaboração de conteúdos buscando uma visão futurista.

sobre os professores. Faz paralelos entre os indicadores da qualidade de educação. Acessibilidade significa compatibi- lizar os conteúdos com o nível de preparo e desenvolvimento mental Acessibilidade e solidez dos alunos. autonomia. Além de traduzir. em palavras carregadas de sapiência. Para tanto é bom salientar que ao escolher os con- teúdos. leia o livro: Qualidade do ensino em tempos de mudança. Álvaro. MARTIN. a forma de organizar e definir seus conceitos de- pende muito da visão de mundo do docente de como essa escolha influenciará nas projeções de ensino para o futuro. . MARCHESI. Porto Alegre: Artmed. assim torna a assimilação mais sóli- da e duradoura.108 Didática Esse critério corresponde à ligação entre saber sistematizado e a ex- periência prática. chegando até os conceitos de equidades em educação. 2003. Organizado sem perder o caráter científico e sistematizado. Trad. Fátima Murad. devendo os con- Relevância social teúdos refletir objetivos esperados em relação à sua participação na vida social. – Qualidade do ensino em tempos de mudança. INDICAÇÃO DE LEITURA COMPLEMENTAR Para aprofundar-se mais sobre o assunto. Elena. O livro relata a qualidade de ensino fazendo um apanha- do geral sobre as mudanças econômicas e sociais nas ultimas décadas. direção e publicação.

Giuseppe Imídeo. O autor destaca a pedagogia extraclasse na escola média. 1967. Podemos dizer. por sua vez. mas também as experiências vividas pelos alunos. Diante da afirmação e posto o que estu- damos acima. 3. Assim. organização de plano e planejamento geral nas disciplinas curriculares. então. faça uma relação de quais experiências e anseios vividos pelos alunos influenciariam o educador na escolha dos conteúdos. conceituando objetivos de ensino. já que ambas estão ligadas aos métodos de ensino. o contexto educacional que vivemos hoje visa uma metodologia de ensino que atenda aos interesses dos discentes. Contudo. os principais anseios e problemas enfrentados pelos mesmos. a Didática. é de fundamental importância destacar que cada uma possui um ponto de vista distinto. o professor deve considerar não somente as manifestações de conhecimentos culturais e sociais. Neste sentido.4 Metodologia e recursos no processo de ensino/aprendizagem Em se tratando de Metodologia podemos enfatizar certa semelhança entre esta e a Didática. com agilidade e determinação . enquanto a Metodo- logia estuda os métodos de ensino. cria técnicas que vão auxiliar e dar valor ao bom de- sempenho do processo de ensino. PARA REFLETIR Ao escolher os conteúdos. Atividade Extraclasse na Escola Média. Rio de Janeiro-RJ: Fundo de cultura. Tema 3 | Planejamento de Ensino e suas Especificidades 109 NÉRICI. enquanto a Didática nos oferece juízos de valores. que a Metodologia nos dá juízos descritivos e constata- tivos.

pois o produto final da educação e as especificações são de interesses do educando e da sociedade de um modo geral. Assim. por meio do qual se materializam situações didáticas contextualizadas. seguidas da elevação de sua potencialidade e do aumento dos seus interesses. Neste sentido. Temos alguns exem- plos como: a exposição de conteúdos com o uso da oralidade e o desenvolvimento de discussões e debates que corresponde ao método trabalhado coletivamente. dispõe da utilidade de um conjunto de ações e procedimentos que chamamos de métodos de ensino. alienante da globalização. a fim de tornar o trabalho do educador e do educando mais fácil e com maior produtividade para o alcance das metas desejadas e necessárias para o desenvolvimento integral do discente. estes se utili- zam de métodos de assimilação de conhecimentos . Os alunos têm função de mentor principal desse processo. Buscando entender melhor o sentido do método de ensino. a realidade em que o processo de aprendizado está sendo concretizado são fatores fun- damentais e que determinam a busca do caminho.110 Didática do educador. orga- nizadas e críticas. A eficiência e a qualidade educacional são as razões do crescimento do educando. ao direcionar o processo em relação à aprendizagem dos alunos. sendo que esta opção só pode ser originada da análise crítica do contexto social e das características individuais e grupais daqueles que frequentam ou que virão a frequentar nossas escolas. O 33 Método: palavra aprimoramento e a qualidade dos métodos33 de ensino originária do grego méthodos. através) e do aluno e não às necessidades imediatistas da dimensão hodós (caminho). O profissional docente. de metá deverão estar diretamente ligados à formação completa (pelo. pois são sujeitos da própria aprendizagem. podemos citar o método de ensino como condicionado e condicionador dos ambientes de aprendizagem. convêm ressaltar que este pode ser entendido como promoção de ações pedagógicas conscientes.

sintetizando. Cientes do que significa o método de ensino e 34 Jean Piaget de sua importância. entre outros. observando. como também as características grande parte de sua carreira profissional gerais do aluno. métodos ativos. sobre os campos Em função de sua variedade de forma e aplica. portanto. Portanto. é relevante sabermos ainda que exis. além das condições físicas e do tempo interagindo com disponível para a realização das atividades. crianças e estudan- do seu processo será a partir de critérios como os citados que o profes. comparando. Neste sentido. ordenando. solucionando problemas. professores na escolha dos métodos a serem utilizados. Seus sor decidirá os procedimentos coerentes para a evolução estudos tiveram um grande impacto de sua aula. da Psicologia e Pedagogia. conhecido por seu Para tanto é primordial fazer uma análise do objetivo trabalho pioneiro e a partir do mesmo estabelecer o método adequado. a teoria cognitiva nais. Assim. o método de ensino foi classificado por Jean Piaget desenvolveu Piaget34 (1896-1980) a partir de uma análise psicológica diversos campos de estudos científicos: e pedagógica. processos ou comportamentos planejados pelo professor para colocar o aluno em contato imediato com acontecimentos que lhe possibilite uma aprendizagem em função dos objetivos previstos. Tema 3 | Planejamento de Ensino e suas Especificidades 111 Assim sendo. Os métodos de ensino devem. lendo. classificando. (1896-1980) foi um tam alguns aspectos que podem ser analisados pelos renomado psicólogo e filósofo suíço. considerando que a aprendizagem é um processo dinâmico que acontece através do desen- volvimento de alguma atividade. no campo da inteligência infantil. de raciocínio. as metodologias do ensino são re- presentadas pelas ações. chamado de episte- mologia genética. bilidade. que se desenvolveram a partir das pes- . experimentando. que tiveram seus fundamentos confirmados pelo e o que veio a ser conjunto de estudos sobre a origem associacionista. analisando. é importante observar que os métodos de ensino devem incluir ações que materializem tal perspectiva. contribuir para a organização do pensamento e participação ativa das experiências de aprendizagem. desenvolvimento. considerando a natureza do conteúdo a ser ensinado e Piaget passou o tipo de aprendizagem. Piaget afirma que os métodos de a psicologia do ensino são classificados como: métodos verbais tradicio. propondo hipótese. escrevendo.

as unidades didáticas e as unidades de experiência. do construtivismo operacional e cognitivo. viduais e fazem a adequação do conteúdo ao http://www. b) Métodos socializados de ensino são os métodos que valorizam a interação social. eficiência. tomar como seu objeto de A partir deste entendimento.cfh. Entre estes estão o trabalho com fichas. o estudo dirigido e o ensino programado. que de ensino a ser utilizado e praticar esses métodos com se refere ao estudo do comportamento:”Behavior”.ufsc. o método de problemas. O Behaviorismo aprendizagem. alternando em suas fases os as- pectos individuais e sociais. podemos perceber que para que consiga- 35 BEHAVIORISMO. fazendo a aprendizagem efetivar-se em grupo. devemos estabelecer a escolha sobre o método de origem inglesa. nível de maturidade. e não como que Irene Carvalho (1973) faz dos métodos de ensino: indicador de alguma outra coisa. e métodos intuitivos e audiovisuais: ensino programado. que tem por alicerce a psicologia do com- portamento ou behaviorista35. a dramatização e o estudo de casos. como indício da existência de alguma outra a) Métodos individualizados de ensino são aqueles coisa que se expressasse que valorizam o atendimento às diferenças indi- pelo ou através do compor- tamento. Para tanto. para e que exigem um envolvimento social. . as unidades de trabalho. Assim. mais especificamente. c) Métodos socioindividualizados são os que com- binam as duas atividades. 112 Didática quisas e conclusões da psicologia do desenvolvimento e. à capacidade intelectual e htm ao ritmo de aprendizagem de cada aluno. mos êxito na concretização do processo de aprendiza- como vocês já devem saber. a individualizada e a socializada. Abrangem. vejamos a classificação estudo o comportamento. se surgiu no começo deste realiza mediante a combinação de atividades individuais século como uma proposta para a Psicologia. ele próprio. entre outros. é uma palavra gem. é importante sabermos que a em inglês. Incluem as técnicas de trabalho em grupo.br/~wfil/matos. apesar de ser um processo individual.

gravuras. Recursos audiovisuais. não existe um só mé- todo para o ensino. como os componentes do ambiente da aprendiza- gem concebidos por serem de fundamental importância para a realização de uma atividade.pribe- Para que sejam aplicados os métodos de ensino ram. como cinema. televisão. Com isso surgiram então os novos métodos buscando 2. Os recursos de ensino podem ser classificados por: Recursos visuais. 1. Você pode analisar que essa classificação é bas- tante arbitrária. cartazes. aspx?pal=desusado senvolvimento dos mesmos.pt/dlpo/default. Tema 3 | Planejamento de Ensino e suas Especificidades 113 Como você pode observar. Anormal. apoiar-se na estrutura psicológica do aluno. Extraordinário. No decorrer das décadas já foram experimentadas algumas metodologias que buscam um caminho concreto na realização do processo de apren- dizagem. pôde se analisar um declínio em relação ao método tradicional de ensino. Recursos auditivos. pois é perceptível o quanto as expres- sões verbais. Além dessa classificação podemos citar: . 36 adj. é necessário que existam recursos adequados para o de. No final do século passado e começo deste. sonoras e visuais se preenchem entre si. Podemos conceituar recur- sos. gravações. Isto aconteceu por se revelarem métodos inadequados às características da sociedade em transformação e obsoletos36 em relação aos estudos. http://www. como rádio. Que não se usa. como projeções. 3.

folha. – Do ambiente natural: água. cartazes. giz. lojas. pedra. Esta classificação é bastante ampla e traz consigo a junção de recursos no âmbito escolar. . etc. – Da comunidade: bibliotecas. Recursos materiais: – Do ambiente escolar: quadro. repartições públicas. indústrias. etc. Além da classificação. etc. alunos. com recursos buscados no meio social. a metodologia e a aprendizagem. por isso se um desses critérios não forem seguidos não obteremos sucesso no processo. contribuindo assim na aproxi- mação entre a escola e a vida. pois há uma necessidade de interação entre o recurso.114 Didática Recursos humanos: professor. livro didático. é importante sabermos ainda que existem alguns critérios para a utilização dos recursos de ensino. pessoas em geral que formam a comunidade escolar ou até mesmo da população como um todo.

etc. planejar para a melhor distribuição do tempo. Portanto. Usar um recurso audiovisual é estimular a audição e a visão. . O processo de aprendizagem se finaliza quando o educando partici- pa de modo ativo na reconstrução do conhecimento. Diante do exposto fica claro que a busca pelo caminho da aprendizagem tem uma relação fundamental com os recursos e com o método de ensino a serem utilizados na perspectiva de atingir os objetivos planejados pelo docente. Tema 3 | Planejamento de Ensino e suas Especificidades 115 Neste contexto. Assim. ao selecionar os recursos a serem usados. Aprender é agir e refletir. se faz necessário uma observação sobre o nível em que o discente está integrado com o meio de comunicação para que o uso do recurso de ensino seja bem escolhido. esses recursos apro- ximam a aprendizagem com fatos da realidade. Dessa forma. avaliar se o ambiente é propício à utilização do recurso. o docente deverá levar em consideração a natureza da disciplina em questão e a adaptação do recurso de acordo com as demandas da mesma. ressaltamos que deve haver uma atração entre o aluno e o recurso para que haja interação e sucesso no desempenho da atividade. principal- mente aquelas que vivem em regiões menos desenvolvidas. a aprendi- zagem presume a atividade mental. nunca se deve utilizar de um recurso se não existe o conhecimento adequado para manuseá-lo. ou se esse recurso não se adéqua ao assunto abordado. a seleção de um recurso de ensino. É importante enfatizar que não são todas as pessoas que tem acesso a certas tecnologias. Lembramos ainda que. Além disso. que permita uma visão dos objetivos os quais almejam alcançar com a utilização do mesmo é um desses critérios.

Cipriano Carlos. avaliação. Filosofia da Educação. relatando sob o prisma da filosofia os aspectos técnicos e metodológicos da prática escolar. LUCKESI. J. metodologia. INDICAÇÃO DE LEITURA COMPLEMENTAR MARTINS. PARA REFLETIR O a categoria mais dinâmica do processo O método de ensino é a categoria mais dinâmica do processo de ensino-aprendizagem.116 Didática O procedimento didático mais eficiente e adequado à aprendizagem é aquele que fará o aluno assimilar o conhecimento de forma eficaz e construtivista. planejamento. É um livro de reflexão sobre a realidade educacional. São Paulo: Atlas. Dessa maneira. automaticamente. . São Paulo: Cortez. 1994. levasse o leitor a uma reflexão. Baseado na afirmação acima faça uma analogia entre o construtivismo e os métodos de ensino. 1985. estimu- lando o seu pensamento. Didática Geral: fundamentos. P. Oferece ao leitor textos desenvolvidos através de um referencial teórico que visa oferecer condições ao leitor para analisar as posições de alguns autores sobre a Didática. procurou seguir uma linha de trabalho que.

de unidade e de aula. conteúdo e metodologia. para em seguida estudarmos os objetivos educacionais. fri- sando a necessidade de traçar metas. . bem como destacamos os diversos recursos educacionais que podem e devem ser usados em sala de aula. uma vez que os métodos de ensino dependem dos objetivos formulados pelo docente. focando aspectos na relação objetivo. Vimos ainda que para que os objetivos dos docentes sejam significativos para um bom desenvolvimento dos discentes é preciso levarmos em consideração o con- texto social. bem como a relação daqueles com os con- teúdos curriculares. Finalizamos esse tema abordando funções sobre a meto- dologia de ensino. conhecemos as definições e caracte- rísticas dos planos de curso. de acordo com as necessidades reais da sociedade. a exemplo da ligação entre eles e a realidade dos seus discentes. que devem ser selecionados pelos docentes a partir de alguns critérios estabelecidos. Tema 3 | Planejamento de Ensino e suas Especificidades 117 RESUMO No terceiro tema.

.

Avaliação e Práticas de Docentes Começaremos esse tema fazendo diversas indagações sobre alguns problemas enfrentados por muitos professores. .4 Formação Docente. Além disso. estudaremos elementos básicos no processo da avaliação desde as estratégias até o produto final que é a aprendizagem do aluno. Abordaremos vários aspectos da relação professor/aluno e como essa relação está envolvida no processo de ensino- aprendizagem no ambiente escolar. tais como: o que fazer para ajudar o aluno a resolver problemas matemáticos envolvendo as quatro operações? Quais os critérios que devem ser usados para que os estudantes a leiam e interpretem de forma correta? O que propor aos alunos que têm dificuldades em entender uma fórmula de Física? Perguntas como essas são feitas rotineiramente por professores do mundo inteiro. Trata-se de uma série de processos que envolvem as práticas pedagógicas e vão até a relação que o professor tem com o aluno.

utilizando estratégias adaptadas aos objetivos e às exigências e escolhendo técnicas e recursos adequados para a promoção de experiências significativas. como instrumentos apropriados. Passando-se alguns anos. existe uma diferença clara na concepção e no modo de formar profissionais. O que um professor profissional é capaz de fazer? A diversificação deve ser o ponto culminante em um profissional docente. uma vez que o aprimoramento do currículo é de suma importância para o seu desenvolvimento profissional.120 Didática 4. De acordo com o tempo.1 A Formação do profissional docente Pode-se constatar que no decorrer dos anos percebemos mudanças nos aspectos educacionais em prol da produção acadêmica e do debate no campo da formação profissional do docente. Esse deve ser capaz de analisar fatos vivenciados pelo educando e agir de acordo com situações complexas. E essa ação deve ter resultados eficientes não só na aprendizagem dos educandos. mas também na atuação do professor. então. Portanto. . o profissional docente deve necessariamente evoluir e aperfeiçoar-se através de sua formação. tornou-se uma forma eficaz de comprovar a competência de grande parte do docente. Pode- se. o surgimento de currículos. afirmar que houve décadas em que a formação docente estava objetivamente ligada à relação entre o processo de ensino e as formas de aprendizagem. com isso. fazendo da formação peça funda- mental na ação profissional. para responder as expectativas e os desafios do sistema educacional. há uma corrente de desprestígio da profissão docente. que o considera como simples reprodutor de conhecimentos e manipulador de programas já elaborados. Ao contrário. a modernização e a concorrência foram crescendo e.

sabemos o quão necessária é a formação para a construção de análises que derrubem as barreiras. A profissionalização do docente é ou não necessária? A profissionalização segue diversos caminhos que não são garantidos somente pelo processo de formação. demonstram falta de compromisso em relação aos filhos na escola. das más instalações de trabalho. Tema 4 | Formação Docente. De maneira progressiva. Avaliação e Práticas de Docentes 121 É comum encontrar no cotidiano escolar reclamações a respeito dos baixos salários dos professores. fica comprovado. e muitos pais. dando importância ao aperfei- çoamento docente. que todas as melhorias introduzidas no processo de formação dos educadores a fim de favorecer o bom desempenho profissional são causadoras de impactos significativos no reconhecimento da condição profissional dos docentes. uma vez que este está diretamente relacionado à melhoria das condições de trabalho como também está baseado no desenvolvimento das aptidões necessárias ao desenvolvimento da atividade do educador. por sua vez. . tendo então como resultado a superação do fracasso e das desigualdades escolares. de fato. pois esta não se resume somente a isso. a função do professor foi se modificando. Contudo. As variações que aconteceram na so- ciedade e na mente dos jovens. coligadas ao aumento da população escolar e globalização do ensino. Em virtude de tais considerações podemos afirmar a importância de enfrentar os acontecimentos do ambiente educacional. agiram de forma atuante nas tarefas principais que o professor deve exercer. tornando o professor um profissional mediador nos processos constitutivos da cidadania dos discentes. das grandes jornadas em sala de aula e da falta de interesse dos alunos. Dando ênfase a essa percepção.

px?pal=investigação . Contudo. Inquirição de testemunhas. experiência.122 Didática É de suma importância que haja uma formação inicial e continuada que desencadeie a construção dos saberes necessários à atividade profissional. examinando e a construção de conhecimentos baseada na análise da interrogando. http://www. pois ela é considerada a estratégia principal da formação. É fundamental considerar os saberes das experiências já existentes para que facilite na construção e na recepção de outros vindouros. A formação do educador deve objetivamente resultar da vivência do licenciado. Indagação ou procura instituir um movimento de ideias que podem pesquisa que se ser dialogadas entre a teoria e a prática.pt/dlpo/default. Entre esses se destacam a banalização das competên- cias diretamente ligada à tarefa de ensinar e a falta de compromisso pessoal mais do que de domínio técnico no exercício da atividade. f. priberam. Isso faz com que no futuro o professor tenha uma maior perspectiva de investigação e viva sempre numa busca constante do saber. podemos afirmar que a formação de professores pela investigação 37 s. da pesquisa como processo. 1. viabilizando faz buscando. Existem traços que apontam na direção inversa. Com base nessa afirmação compreende-se como mais interessante identificar características principais do trabalho do professor no quadro das novas metodologias educacionais do que discutir se uma maior profissionalização é ou não necessária. Outro ponto importante no processo de formação do professor é a investigação37. 2.

Avaliação e Práticas de Docentes 123 O curso de formação para professor tem uma 38 É um conceito administrativo finalidade de formar a identidade do mesmo ao exercício amplamente usado. num processo contínuo de construção de suas identidades como pro- fessores. incluindo a do professor requerem reconhecimento. p. (PIMENTA. neles a capacidade de investigar http://pt. caracterizado prin- cipalmente por um vam de forma coerente suas atividades de educador. existe a neces- sidade de variar de acordo com os acontecimentos históricos e sociais. dade burocrática38 para a qual se adquire conhecimen. e que desenvolva do sistema. fazendo com que estas profissões adquiram estatutos. cação e da didática necessários à regras e procedi- mentos redundan- compreensão do ensino como re. com alta divisão de responsabilidade.94). e esse é dado de acordo com as necessidades que estão sendo expostas pela sociedade.org/wiki/ a própria atividade para.wikipedia. que valorizem a classe. Espera-se. Tema 4 | Formação Docente. uma máquina. desnecessários ao funcionamento alidade social. Dessa forma. É também usado com sentido pejorativo. muitas divisões. construírem e transformarem os seus saberes-fazeres docentes. percebemos que as profissões devem seguir uma prática formalizada e com significado burocrático. profissional da docência e colaborar para que desenvol. 1994. pois. atitudes e valores que os possibilitem na e procedimentos padrões. vez que desenvolver a docência não é uma ativi. tes. como construção do saber docente a partir das necessidades engrenagens de e desafios lançados no cotidiano. . que mobilize os significando uma administração com conhecimentos da teoria da edu. onde seus membros executam invaria- tos e habilidades técnico-mecânicas e sim desenvolver velmente regras habilidades. Paralelo a isso. uma sistema hierárquico. Todas as profissões. Essas são considerações que apontam para o caráter dinâmico da profissão docente como prática social. a partir Burocracia dela.

Isso acontece por existir uma constante mudança de acontecimentos e fatos que obrigam um acompanhamento intelectual e formal por parte do docente.124 Didática No processo de ensino. O processo de formação profissional do docente é uma expressão que ganhou evidência no cotidiano edu- cacional e vem se constituindo em um conceito comum no discurso de orientação das ações de sistemas formais do ensino ao docente. identificada nas ações situacionais e de caráter ativista. a partir do processo formativo. Isto porque foi reconhecido como base fundamental para a organização significativa dos processos educacionais no campo da docência. Entende-se a partir dessa compreensão que a formação docente visa à questão do desenvolvimento da qualidade de ensino. demandam uma orientação global. Essa dinâmica tornará o professor habilitado e capaz de enfrentar com êxito essas ocorrências no processo de ensino. . descontextualizadas e imedia- tista. A formação permanente dos professores é a resposta necessária a essas devidas mudanças. abrangente e interativa. em decorrência da sua com- plexidade e. destacando a mobilização das pessoas voltadas para o desenvolvimento e melhoria da qualidade profissional. seguindo exigências do cotidiano e da sociedade como um todo. esteja preocupada com a formação social de modo consciente e reflexivo. necessitamos obter clareza sobre nossas ações e que as mesmas reflitam decisões cada vez mais coerentes sobre o nosso fazer pedagógico. Pois. pela multiplicidade de fatores e processos nelas intercorrentes. Precisamos fazer com que nossa prática educacional. em superação às localizadas. com visão de longo prazo. exige-se uma busca permanente de conhecimentos.

moral e intelectual. existe também a construção da personalidade de cada professor ao longo de sua carreira profissional. acionado no próprio processo de aquisição de diferentes tipos de conhecimentos. Em meio a todo esse processo de formação docente mais sistemático. deverá ter como objetivo desenvolver a autonomia do professor que é indissociavelmente social. Vários aspectos influem em como o professor se enxerga perante o ensino. em virtude de uma não consideração aos aspectos singulares das ações dos docentes. a valorização do seu trabalho. É fundamental entender que a experiência exerce o papel de filtrar. Assim sendo. O processo de formação do professor é amplo e deve partir das próprias inquietações do educador. pois esse desenvolvimento está intimamente ligado com os objetivos pessoais e com suas experiências no caminho docente. concepções e representações. É importante seguir uma busca constante das regularidades em seus comportamentos. favorecendo o cresci- mento da sua capacidade de se organizar. E esse é utilizado durante o exercício profissional. como já foi dito. . que precisa se situar no âmbito educacional como modelo de competência. de forma ativa. um deles seria. em especial a formação docente. estaremos contribuindo para o pleno desenvolvimento do professor enquanto cidadão e profissional. Tema 4 | Formação Docente. Avaliação e Práticas de Docentes 125 Uma proposta pedagógica. baseado na reflexão e na criação de suas habilidades técnicas.

2008. NETO. O livro traz uma reflexão sobre o compromisso do professor com as novas gerações. . Álvaro. MARCHESI. PARA REFLETIR Vimos que a formação continuada do profissional do- cente é a resposta para grandes mudanças no aspecto educacional e social. Porto Alegre: Artmed. Alexandre Shigunov. o quanto ele tem papel ativo na felicidade dos alunos e o quanto precisa estar otimista enquanto mediador de conhecimentos. Campinas- SP: Papirus. Reflita sobre isso e compactue com os seus colegas em sala de aula e no fórum do AVA. MACIEL. 2002.126 Didática INDICAÇÃO DE LEITURA COMPLEMENTAR Para saber mais sobre o assunto. O livro retrata pensamento teórico e crítico sobre a formação do educador e sobre seu trabalho mediante tomada de decisões de um profissional mediador e sujeito de práticas. leia o livro: Reflexões sobre a Formação de professores. Lizete Shizue B. o que permite evidenciar a dimensão do fazer. Reflexões sobre a formação de professores. O Bem-Estar dos Professores.

percepção. só assim des. conhecimentos. podemos destacar a interação professor-aluno e a relação aluno-aluno. desenvolvendo atitudes. Trataremos nesse primeiro momento sobre o aspecto memória. tende a facilitar o aprendizado do aluno. Existem diversas formas que constituem um grupo social. que Da cognição ou a ela relativo. os professores são peças fundamentais no desenvolvimento intelectual e social dos seus discentes. pelos professores. raciocínio. wiki/i%C3%A7%C3%A3o pertará no seu discente interesse pelas suas aulas. define as relações entre docente e discente e os critérios Cognição é o ato ou disciplinares que são indispensáveis ao trabalho do processo de conhe- cer. relacionados à transmissão e assimilação dos linguagem.org/ seus alunos e trazê-los para perto dele. o trabalho do educador. Destacaremos dois aspectos fundamentais na interação professor-aluno no trabalho docente: o aspecto 39 (latim medieval cognitivo39. fazendo com que o aluno aja de forma integral. Com a junção dessas duas esferas em sala de aula. Dentre esses grupos. Isso ocorre porque. Gradativamente diversos valores vão se tornando hábitos. que constituem a sala de aula. cognitivo. Tema 4 | Formação Docente. . O professor deve se colocar numa posição de que priberam.2 O valor pedagógico da relação professor-aluno Começaremos esse tópico com uma reflexão: Será que as escolas dão o devido suporte para desenvolver nos alunos as potencialidades individuais quem possuem no seu interior? Além de as escolas darem o devido suporte aos alunos. e o aspecto socioemocional. Esse é dado através do ato de ensinar e de juízo. aspx?pal=cognitivo não é o conhecedor de tudo. que envolve professor. Avaliação e Práticas de Docentes 127 4. pensamento e aprender. http://www. durante este convívio.pt/dlpo/default. imaginação. atenção. É no âmbito escolar que o aluno interage com professores e com amigos. surge uma união entre as esferas cognitivas e emocionais. agregados de conhecimentos. passar segurança para os http://pt. A interação professor-aluno é um aspecto fundamental do processo de ensino-aprendizagem.que se refere às formas de comunicação dos cognitivus) conteúdos e as diversas atividades escolares passadas adj.wikipedia.

mas também com a construção da cidadania dos seus alunos. poderíamos ir bem mais além. tal a evidên- cia com que isto se manifesta. fazendo com que os mesmos aprendam a se expressar. fundamentalmente. do clima estabelecido pelo professor. O professor não deve se preocupar somente com o processo de conhecimento embasado nas informações... é fenômeno que só ocorre em função de um processo básico de interação entre pessoas. é preciso levar em conta: o manejo dos recursos da linguagem . uma corrente de elos de conhecimentos se formam e o cumprimento de atividades passa a fazer sentido para todos. a manifestar suas respostas. seja ela escolar ou ‘ do mundo’.] Que a educação é processo eminentemente social julgamos desnecessário insistir.128 Didática De acordo com o que foi estudado até agora. ao dizer que a educação existe exata- mente porque o homem é um ser gregário e que só se realiza como tal a partir do momento em que en- tra em relação com seu semelhante. [. O trabalho docente não tem somente esse sentido. podendo assim argumentar. para atingir satisfatoria- mente uma boa interação no aspecto cognitivo. p. Segundo Libâneo (1994). Quando o professor se propõe a ensinar e os alunos a aprender.63): a educação. da relação empática com seus alunos? De acordo com Garcia (1974. a boa relação entre professor e aluno depende. direcionar perguntas para os seus alunos. Aliás.

Tema 4 | Formação Docente. busca transformar a curiosidade do discente em esforço cognitivo. dando possibilidades e caminhos para que esse aluno construa seu próprio conhecimento. pois ele como educador deve aproveitar a curiosidade do educando e transformá-la em incentivo para o processo de aprendi- zagem. durante sua vivência e aproximação com alunado em sala de aula. passando de conheci- mento confuso para um aprendizado preciso e valioso. E o papel fundamental do . falar com simplicidade sobre temas complexos). . social e cultural. entre elas podemos destacar a função incentivadora. ter um bom plano de aula e objetivos claros e explicar aos alunos o que se espera deles em relação à assimilação da matéria. Dentro da relação professor-aluno existe a troca de transmissão de conhecimentos de ambas as partes. Outra função trata-se do professor orientador. De forma mais concreta. Avaliação e Práticas de Docentes 129 (variar o tom de voz. conhecer bem o nível de conhecimento de seus alunos. pois deve orientar o interesse do aluno em aprender. Esse é resultado do conhecimento humano. O professor em contato com o seu aluno desem- penha fundamentalmente diversas funções. não devemos pensar que o desenvolvimento do conhecimento é dado de forma individual e restrita. O educador.

Assim. Para Haidt (2006) esse encontro do professor com o aluno poderá representar uma situação de intercâmbio bastante proveitosa para ambos. e essa troca de valores. http://www. 2 gén. é construída basicamente por meio do processo interativo. nesse contexto. essa construção de conheci- 40 adj. Para haver um processo de intercâmbio que propicia a construção coletiva do conhecimento. crenças. priberam. ao contrário. poderá se transformar num verdadeiro duelo. embasado nessas Que implica uma relação entre duas informações deduzimos que a relação docente-discente ou mais pessoas. que é o saber. Como já sabemos. costumes e hábitos estreita laços entre professor e aluno. é preciso que a relação professor-aluno tenha como base o diálogo.130 Didática professor. de modo que tome como base informações sobre experiências vividas pelos seus alunos. Partindo desse diálogo o professor poderá manifestar o seu conhecimento. é intermediar os conteúdos que serão passados e as formas dinâmicas e constru- tivas de aprendizagem. O educando. Uma vez que essa interação se manifesta em sala de aula. O professor por sua vez aprende muito com o seu aluno. mas não é somente o aluno que aprende. px?pal=interpessoal mediante o processo interativo. e do convívio com amigos. num defrontar de posições pouco ou nada proveitosas para ambos. em que o conhecimento será construído em conjunto ou. costumes e passa a se manifestar de forma mais aprimorada e desenvolve sua capacidade intelectual. . adquire valores. chegará ao objetivo tão almejado. mento é dada de forma interpessoal40.pt/dlpo/default. assimila os conheci- mentos. tornando um diálogo muito próximo da realidade de cada um deles. tornando o ambiente educativo mais atrativo para o alunado e mais favorável ao professor. o educador absorve dos seus alunos conheci- mentos que os mesmos trazem da vida familiar.

É Quando falamos dos aspectos sócioemocionais considerado um dos na interação professor-aluno estamos nos referindo aos pensadores mais notáveis na história laços afetivos que são construídos entre educador e da pedagogia educando e a construção de personalidade dos alunos mundial tendo influenciado o mo- em sala de aula (disciplina). Destacou-se por seu trabalho na área da Como os aspectos socioemocionais podem ajudar educação popular.wikipedia. Deve-se evitar acima de tudo que o aluno tenha correntes do pen- no professor a imagem fraternal e paternal. É bom frisar que não esta. O que precisa samento filosófico de sua época. dessa forma. filósofo brasileiro.org/wiki/ de mares” entre “o que ensinar” (conteúdos) e “como Paulo_Freire ensinar” (metodologia). a fenomenologia. o aluno se sinta mais cristão. vimento chamado pedagogia crítica. constituindo a 2 de maio de 1997) foi um educador e base das relações entre as pessoas por toda a vida. Percebe-se nessa passagem de Paulo Freire que o diálogo entre professor e aluno é peça fundamental para resolver problemas ligados à prática educativa. estabelecendo um novo ligados a partidos de esquerda. No âmbito educacional o pressuposto valor so. 19 de setembro de professor são de suma importância na base educacional. teólogos e militantes políticos. ele traçado e dos conteúdos. esperança. p. a a vontade com a figura do educador e exprima suas dialética hegeliana dificuldades e capacidades mais espontaneamente. fazendo com que os laços afetivos cresçam. olhar para as práticas educacionais. voltada tanto para a no bom relacionamento entre professor e aluno? escolarização como para a formação da consciência. Avaliação e Práticas de Docentes 131 Paulo Freire41 (1976. um amplo público de pedagogos. abrangendo todos os alunos em torno dos objetivos por cientistas sociais. nutre-se de amor. humildade. Essa visão Por mais que o docente tenha que atender alguns foi aliada ao talento como escritor que o casos de modo individual. mos nos referindo a um vínculo de amizade criada por O educador um determinado aluno. fé e confiança. Tema 4 | Formação Docente. havendo um “divisor http://pt. ou um sentimento de amor por procurou fazer uma síntese de algumas criança. 1921 — São Paulo. e o materialismo histórico. como de fato existir é uma relação de confiança entre o professor o existencialismo e o aluno para que. . 66) salienta que o diálogo é uma relação horizontal. os aspec- 41 Paulo Reglus tos emocionais que os alunos desenvolvem com colegas e Neves Freire (Recife. quase sempre cial dá possibilidade de mudança. deve-se ter consciência que ajudou a conquistar o trabalho de interação deve ser feito de forma coletiva.

Sendo assim. O professor se apresenta como mediador entre a sociedade e o aluno. pois essa relação não está isenta de desar- monia e desfiguração. Algo muito importante que merece ser colocado 2. representando o objeto máximo de interesse). pela motivação. assim torna-se favorável a boa aprendizagem do alunado. diante dessa questão é que essa afetividade não deve http://www. o processo de aprendizagem é composto por duas vertentes do processo pedagógico: autoridade e auto- nomia. Trabalhar a afetividade significa transformar os impulsos de base intelectual em estratégias cada vez mais perso- nalistas. gasto. traz dentro de si a sua individualidade e liberdade. O professor deve conciliar aspx?pal=interpessoal rigorosidade com respeito. a afetividade manifesta-se pelos interesses. fazendo com que a “emocionalização” possa contribuir para a construção de conhecimento. Exemplo disso é o ponto de vista de Jean Piaget a respeito da “educação” da afetividade. O educador autoritário não usa essa autoridade para o de- senvolvimento intelectual e autonomia dos seus alunos.132 Didática Muitos estudiosos da educação afirmam que a relação ensino aprendizagem é mediada pela paixão. No entanto. Este. mo e pelo dispêndio42 de energia. m. fixando critérios e esclarecendo o que espera do seu aluno. que consiste em garantir o interesse pelas pessoas ou pelas atividades (o objeto amado é aquele que mais satisfaz aos desejos ou às carências do indivíduo. Fig. . por sua vez. De acordo com o que estuda- mos. priberam. 1. O professor deve ter discernimento para examinar esse processo. ser confundida com liberdade. Despesa. Fazendo uso da autoridade o pro- fessor não deve se impor para os seus alunos como ser superior.pt/dlpo/default. se faz necessário um equilíbrio na relação professor-aluno no tocante à autoridade e à autonomia. fazendo imposições e humilhando-os. pelo grau de dinamis- 42 s. Prejuízo.

a aprendizagem significativa não ocorre. Tema 4 | Formação Docente. Fonte: Nova Escola: A revista do professor. mas fazer circular ideias a respeito do ofício de ensinar e das razões pelas quais alguns professores. O bom professor e sua prática. definitivas. Avaliação e Práticas de Docentes 133 TEXTO COMPLEMENTAR Elos de afetividade Sem abandonar a responsabilidade de ensinar. ela consegue recobrir de “maravilhamento” os momentos de aprendizagem. Ano XVI. Sem vínculos afetivos. é de fundamental impor- tância uma conversa franca sobre situações-problemas. p. Campinas. outubro de 2001. SP: Papirus. con- siderando a sala de aula como lugar privilegiado onde se realiza o ato pedagógico escolar. em determinados momentos da carreira. Quando o professor se propõe a ensinar e o aluno a aprender uma corrente de elos de afetividade vai se formando e o comprimento das atividades passa a fazer sentido para todos. Ao contrário. ed. se completam. provando que conhecimento e afeto não se excluem. abril. O importante não é buscar respostas únicas. 1989. O livro fundamenta-se em educação de professores.34. Maria Isabel. se transformam em modelo para jovens e crianças – e serão lembrados por eles o resto da vida. Indicação de Leitura Complementar CUNHA. Além dos conteúdos pragmáticos. .

São Paulo. pela fragmentação da cultura e pela mais completa instrumentalização do eu dentro de uma lógica de mercado. 2003. HYPOLITO. vamos parar para refletir sobre a seguinte pergunta: Será que um professor pode ser competente no ofício de ensinar e.134 Didática GANDIN. PARA REFLETIR Diante do texto. 2. Luiz Armando. Estes são tempos desse tipo. Educação em tempos de incertezas. e não são capazes de prover respostas ou de fazer frente às forças da crise e do desmantelamento social. Alguns tempos são mais incertos do que outros . caracterizados pelo colapso das comunidades. Os autores que integram esta coletânea apresentam ao leitor ensaios fundamentais para se discutir a “educação em tempos de incertezas”. Álvaro Luiz Moreira. SP: Autentica. se tornar admirado e querido por seus alunos? . ed.tempos em que os modos estabelecidos de ver as ques- tões sociais e educacionais começam a se desgastar. ao mesmo tempo.

Considera-se a avaliação como um processo diag- nóstico. o professor possa agir determinando modificações no processo de ensino para melhor cumprir as exigências dos objetivos. identificando o aluno que necessita de uma orientação especial de forma individualizada e com isso modificando o método utilizado para uma tentativa de êxito no processo. que analisa a qualificação dos resultados obtidos no decorrer de uma determinada atividade didática. verificar o conhecimento que o aluno já possui e particularidades dele. Ela nos permite verificar se os objetivos estão ou não sendo alcançados. Este processo permite identificar dificuldades dos alunos e. Este tipo de avaliação é aplicado no início das atividades. e com a distinção dos objetivos. ou seja. a partir do resultado deste. sejam elas anuais. . São elas: A avaliação diagnóstica: esta busca diagnosticar. deixando de lado o medo de ser avaliado e fazendo com que o processo flua naturalmente. estabelecemos aí uma concepção de que não é algo que termine em um determinado dia ou período. O aluno deve enxergar a avaliação como um meio de pesquisa junto ao processo de aprendizagem. bimestrais ou mensais. Avaliação e Práticas de Docentes 135 4. semestrais. Como dizemos ser algo que tem uma continuação constante. embora possa ser estabelecido um tempo para a realização da mesma. É um processo contínuo de pesquisas que nos permite a verificação de até que ponto os objetivos estão sendo alcançados. Para que esse procedimento seja realizado com sucesso é necessário que o aluno fique ciente da importância da avaliação e qual o objetivo da mesma. Tema 4 | Formação Docente.3 Avaliação no processo de ensino e aprendizagem A avaliação poderá ser definida como um componente do processo de ensino. As funções da avaliação variam de acordo com os diferentes momentos do processo de ensino-aprendizagem.

sendo que a natureza desse determina em grande parte a seleção de condições. e as condições são as situações em que o processo de avaliação é realizado. tratando esses como uma hipótese e não como uma conclusão estabelecida. • Selecionar as técnicas e instrumentos de avaliação. • Estabelecer os critérios e as condições para a avaliação. para que não ocorra o uso de técnicas ou instrumentos inadequados para cada tipo de avaliação. critérios. técnicas e de instrumentos avaliativos. pois saber o que será avaliado é essencial para que haja um desencadeamento das etapas posteriores. sabendo que os critérios são estabelecidos como os indicadores que nos mostram o êxito alcançado na operação. curso ou unidade. De acordo com os princípios básicos estudados em relação às funções da avaliação. decorrem as etapas da mesma da seguinte forma: • Determinar o que vai ser avaliado.136 Didática A avaliação formativa: esta tem a função controladora e informa ao professor e ao aluno sobre o rendimento da aprendizagem. de acordo com níveis de aproveitamento. qualifica os alunos no fim de um semestre. . Ela localiza as deficiências na organiza- ção do ensino. ano. • Realizar a aferição dos resultados. isto é. A avaliação somativa: tem a função classificatória.

repetir ou passar de ano. pode-se dizer que a avaliação http://www. as dimensões e o grau ou capacidade de alguma coisa. antigo. há uma associação frequente entre o termo avaliar. A educação nesse sentido é baseada na transmissão 2. Geol. com o termo compreender. Tomando por anteriores à Era Primária. Tema 4 | Formação Docente. para tanto ocorre uma distinção entre estes comprovando algumas diferenças existentes entre eles. a extensão. tido por sentido de fazer prova. priberam. atribuir nota. velho. 1. . assume um caráter seletivo e competitivo.pt/dlpo/default. Vejamos: Testar significa verificar um desempenho de acordo com situações previamente organizadas. Esta associação é consequência de uma concepção pedagógica arcaica43. aspx?pal=arcaico Os termos avaliar. Diz-se dos e memorização de informações pinceladas e o aluno é tempos geológicos considerado um ser passivo e receptivo. que se caracteriza em saber de fato as necessidades de cada aluno. porém tradicionalmente dominante. 43 adj. fazer exames. medir e testar são frequentemente mencionados como sinônimos. Antiquado. chamadas testes. tendo como referência um sistema de unidades convencionais. Medir significa determinar a quantidade. Avaliação e Práticas de Docentes 137 Todavia. base no que foi exposto.

. tendo em vista o desenvolvimento do aluno. podendo partir deste ponto a procura da solução da dificuldade diagnosticada. avaliar é um processo interpre- tativo que exige um julgamento embasado em padrões de critérios. Com a modernização do processo pedagógico ficou claro que a educação é concebida com a vivência de experiências múltiplas e variadas. Com o decorrer das experiências vivenciais podemos considerar os conteúdos como instrumentos utilizados para ativar e mobilizar os processos mentais de assimilação. mas também o processo avaliativo. tornando-os ativos. Enfatizando o que foi dito. No entanto. participativo na construção do seu próprio conhecimento e facilitador de sua aprendizagem. Analisando este aspecto. observa-se que a avaliação permite que o aluno tenha noção de seus avanços e de suas dificuldades. que é descritivo. Com base nessas definições concluímos que testar e medir fazem parte do processo de mensuração. Para tanto. A educação renovada.138 Didática Avaliar é interpretar dados quantitativos e qualitativos a fim de obter um parecer ou julgamento de valor. que veio com o advento do Movimento Escola Nova. afirma-se que antes ela tinha um caráter seletivo. tendo por base padrões ou conceitos. pode-se afirmar que essa asso- ciação faz com que o aluno seja um ser ativo e dinâmico. uma vez que se submetia apenas a classificar ou promover um aluno para uma etapa seguinte. Hoje o processo avaliativo possui novas características e busca analisar se os objetivos propostos para o processo de ensino-aprendizagem estão tendo o êxito esperado. surgiu não apenas mudando os métodos de ensino.

tornando aí um elo existente entre a aprendi- zagem do aluno e o trabalho do professor. Tema 4 | Formação Docente. Avaliação e Práticas de Docentes 139 A avaliação está direcionada não somente ao aluno. automaticamente dizemos que o professor desempenhou seu papel com eficácia. Sendo que se o aluno conseguiu aprender. . na medida em que trabalha sempre com boas expectativas em relação ao desenvolvimento das capacidades intelectuais dos alunos seguindo as exigências do cotidiano social. pois o profissional docente está sempre sendo avaliado a partir do desenvolvimento de suas atividades como educador. onde o professor desenvolve suas qualidades profissionais. Com isso podemos dizer que a avaliação contribui para a melhoria da qualidade da aprendizagem e do ensino. Considera-se avaliação como um ato pedagó- gico.

Há uma exigência de ligação entre todos os integrantes do grupo que resulta na aprendizagem.140 Didática O fato de que os objetivos de ensino são consi- derados como referência no processo de avaliação. Para tanto. É inerente descrever objetivos. para que este fosse concebido com uma experiência adequada ao iniciar sua carreira de trabalho. percebe-se que a relação entre os dois tipos de avaliação é predominantemente da social sobre a pedagógica. notamos uma contradição. conteúdos e métodos como características da avaliação escolar. Em se tratando de função social. podemos citar que a função pedagógica da avaliação exige uma compreensão do processo ensino- aprendizagem. A escolarização e os processos nela distintos. Ao contrário. têm a função de colaborar para o desenvolvimento pessoal e social dos alunos. estes devem expressar também as reais possibilidades de modo que estejam em condições de cumprir as exigências da escola. Contudo. a função social-certificadora da avaliação propõe valorizar o resultado da aprendizagem e não o seu processo. na maioria das vezes isso não ocorre. pois esta supõe valorizar o resultado da aprendizagem e expressar o resultado da avaliação. Seu critério é a comparação de todos os alunos em comum. o que impede o desenvolvimento . não implica dizer que os alunos deverão estar aptos a desen- volver as mecânicas relacionadas ao processo da escola. sendo que todos almejam um só propósito. promovendo e adquirindo capacidades que não estariam ao alcance sem a intervenção intencional que caracteriza o ensino. pois um está dire- cionado ao outro buscando êxito na realização de suas etapas. Esse tipo de avaliação deveria ser feito no final do processo formativo do aluno. Assim. assim como o processo de avaliação. pois a organização do sistema educa- cional em vias formativas e diferenciadas obriga a emitir certificações em momentos anteriores da escolaridade.

aos seus conhecimentos prévios e à sua forma de aprender. em decorrência da aprendizagem. Aspectos como: • Os objetivos visados para o ensino aprendi- zagem. Tendo a noção de que a avaliação deve servir para tomar decisões de caráter pedagógico. • As condições de tempo do professor. O professor necessita considerar alguns aspectos ao selecionar as técnicas e os instrumentos de avaliação da aprendizagem. . A primeira técnica é a observação que serve para verificar o desenvolvimento cognitivo. A terceira é a aplicação de provas. em decorrência das experiências vivenciadas. que permitam antes de tudo planejar o ensino de maneira adaptada às caracte- rísticas especiais dos alunos. afetivo e psicossocial do educando. dissertação e testagem. Tema 4 | Formação Docente. A segunda é a auto-avaliação que tem a mesma função da técnica de observação. estas poderão ser através de arguição. • O número de alunos da classe. Existem três técnicas básicas e uma grande variedade de instrumentos da avaliação que servem para analisar o rendimento do aluno. e servem para determinar o aproveitamento cognitivo do aluno. Avaliação e Práticas de Docentes 141 de práticas de avaliação que contribuíam para a obtenção do êxito no processo de ensino e aprendizagem. • A metodologia e os procedimentos usados no ensino e no processo de aprendizagem. • De onde vem o componente curricular ou área de estudo.

para que haja uma adequação nos recursos de avaliação. suscitando rearranjos no seu papel. 2000. As atividades avaliativas concorrem a um desen- volvimento intelectual social e moral dos discentes. As transformações atingem em cheio as escolas e o trabalho dos pedagogos e pro- fessores. seu pensamento próprio e criativo. Emergem no âmbito da produção e das instituições novas formas de trabalho. Adeus professora. estabelecendo uma base para as atividades de ensino e aprendizagem. adeus professor?: novas exigências educacionais e profissionais docente. procura pensar proposições assertivas sobre a escola e os professores dentro de um projeto emancipatório de educação. A avaliação é o processo que deverá ajudar a todos os alunos a crescerem. o trabalho interativo. identifica novas exigências educacionais e. São Paulo. e visam analisar como a escola e os professores estão contribuindo para esse processo. principalmente. possibilitando então o conhecimento da sua posição em relação à classe. tendo em vistas as tarefas teóricas e práticas de modo que se preparem de forma positiva para a vida social. . SP: Cortez. ed.142 Didática É importante que a seleção de técnicas e dos instrumentos de avaliação se realize durante o processo de planejamento. 4. José Carlos. Nas sociedades pós-industriais ocupam lugar central a informação e o conhecimento. entre elas o trabalho intelectual. O sistema educacional tem o propósito de que todos os alunos desenvolvam suas capacidades físicas e intelectuais. Este livro discute os dilemas emergentes dessas novas realidades. INDICAÇÃO DE LEITURA COMPLEMENTAR LIBÂNEO. o trabalho comunicacional.

Avaliação e Práticas de Docentes 143 LUCKESI. enraizar) v. de radico. O tema da avaliação da aprendizagem escolar encontra. foi 2. São Paulo: Cortez. Prática Docente deixaram de ser paradigmas passando -are. Tornar durável. nestes textos. onde o professor era apenas um facilitador e divulgador de informações. E hoje. numa tentativa interdisciplinar de compreender a sua fenomenologia e de propor caminhos. aspx?pal=arraigados . deixado para trás e. tr. Nesse livro são encontrados estudos críticos sobre avaliação da aprendizagem escolar. v. C. Lançar raízes. muitos valores que andavam arraigados44 na 44 (latim *arradi- care. 2003. PARA REFLETIR Podemos citar a função social e a função pedagógica da avaliação como uma relação de aliados ou de inimigos? 4. ganhar raízes. por um processo de renovação. Inveterar. veio ocupar um 3. método muito mais renovado e reflexivo. é necessário ter total interação no processo. não é suficiente apenas ter domínio pelo assunto que será aplicado. onde o professor http://www. Aquele método de ensino tecnicista. políticas e pedagógicas.pt/dlpo/default. C.4 A prática da regência de classe Atualmente o professor deixou de ser apenas aquela figura que se colocava à frente dos alunos e ministrava suas aulas de uma maneira tradicional. em seu lugar. assim como proposições no sentido de torná-la mais viável e construtiva. deixa de apresentar dados e informações inquestionáveis. intr. Há tempos. para ser Mestre. priberam. abordagens sociológicas. Avaliação da aprendizagem escolar: estudos e proposições. Tema 4 | Formação Docente. 1.

gem. Hoje o professor é visto como um profissional reflexivo. Uma vez que é notório que o êxito dos alunos está intimamente ligado ao comportamento do professor. a sua maneira de trabalho. Existem ainda três enfoques dos saberes . “ensinar não é transferir conhecimento. pois ambas as partes fazem troca de docente. Segundo Freire (1996. É fundamental um plano estratégico para as técnicas de ensino.rtf de ensino. exercitando dar sentido a seu trabalho. de modo que o assunto explanado seja assimilado da melhor forma pelos alunos. e isto não se dá simplesmente pela capacidade de repassar o conteúdo.org. a categoria mais prazeroso. truir e reconstruir De acordo com Garrido (1999). um como possibilidade construir. mas criar as possibilidades para a sua produção ou a sua construção. diariamente técnicas inovadoras aliadas à ética profissional. Esse processo também uma determinada chamado de ensino-aprendizagem torna-o cada vez categoria ou grupo social. ainda.” Ou seja. mas que está ligada nesse processo seria a reciprocidade de aprendiza- ao vínculo e senti. propiciando. É importante que o aluno veja seu professor como alguém que está ali para lhe propiciar a aprendizagem. o professor vai criando a chamada Identi- reunioes/28/textos/gt20/ dade Profissional45.144 Didática preocupando-se em elaborar provas com respostas automáticas e passa a contextualizar suas aulas e interagir diretamente com os alunos. e é aí que começa a relação professor-aluno. p. a mais importante delas é gostar de ensinar e gostar do relacionamento professor-aluno. ou seja. e sim pela forma como o professor o domina. “onde quem ensina aprende e quem aprende mento de pertença de um indivíduo a ensina”. o interpreta e o trabalha.26). compete ao professor propiciar aos discentes.anped. Outro ponto importante profissional. e tendo experiências e conhecimentos. descons- estreitamento de laços entre professor e aluno. ou seja. o educador deve algo que permita contextualizar seus métodos de ensino.br/ Dessa forma. Dentre algumas características do professor. gt201132int. a sua interação com o aluno não pode se distanciar do seu papel de instrutor. caminhos para que estes 45 Identidade expandam seus conhecimentos. www. trazer o aluno para si. se torna necessário interagir. ainda ressaltando Freire.

foi “Os corpos docentes são chamados a definir sua prática o primeiro ganhador em relação aos saberes que possuem e transmitem. Genebra (Suíça) e Córdoba (Espanha).. o do prêmio Felix Klein do Comitê Interna- professor é antes de tudo alguém que sabe alguma coisa cional do Ensino da e cuja função consiste em transmitir esse saber aos outros”. seguindo um plano de ensino e as professor emérito.studiu- Discorra brevemente sobre o seu entendimento do texto mensinofundamental. experiências seriam exatamente essa troca de conhecimen. humanização e regras para formação de Laboratório de bons cidadãos. costumes. Recebeu o título de doutor a prática. Normal Superior mos resumir esse saber como o encontro da teoria com local. 46 Guy Brousseau nasceu em 04 tos específicos. dor. Saberes pedagógicos seria a matéria Didática das Ciências e das Tecnologias e propriamente dita. pedagógicos e das experiências. de fevereiro de oria foi criada por Brousseau46. LESSARD e LAHAYE. 1991. em Taza. são eles: conhecimen. depois de se formar em Matemática. no Marrocos. Avaliação e Práticas de Docentes 145 fundamentais à prática educativa. que se tornou sua par- ceira de trabalho. honoris causa das universidades de Montreal (Canadá). Em 2003. Em 1991. Seus estudos têm grande influência PARA REFLETIR nos parâmetros do ensino público francês.215) Fonte: http://www. onde hoje é diretor do lições de vida. Brousseau lecionava para crianças de 5 a 14 anos.asp?id=32 . casou-se com Nadine Labeque. (TARDIF. Em 1953.com. Matemática. No fim dos anos 1960. Tema 4 | Formação Docente. Triângulo do conhecimento. Pode. Na única classe da escola local. começou a dar aulas no Ensino Fundamental numa aldeia da região de Lot et Garonne. de Bordeaux. No mesmo ano. Essa te. filho de Didática da Matemática Francesa e essa tríade é chamada um soldado francês. tornou-se docente do Instituto tos adquiridos pelo professor ao longo da vida. conhecido como o pai da 1933. ele passou a lecionar Conhecimento seria o aprendizado que é repassado na Universidade diariamente ao aluno através do professor. p.. br/studium/palavra_educa- acima.

cabendo a ele alicerçar essa ensinar o que já está pronto. que consiste em fazer repetir. o professor deverá agir de força de sua ação modo dinâmico. A famosa “boa” aula. em vez relação pedagógica. podemos afirmar onde o professor desempenha um papel desencadeador que antes da ação dos estímulos dos alunos. a maneira como e se constitui por cada um aprende. e sim. onde escrever no quadro não é o mais bagagem hereditária importante. aprender. como algo terminado. tenha compromisso e torne a aula bem mais agradável. com um sistema educacional que teima (ideologia) É necessário que o professor perceba não somente o que em continuar essa forma particular de ele deverá ensinar. construir a meiam esse contexto. dutor no processo educativo. Tendências que têm em comum Discuta com seus colegas no fórum do AVA quais as carac- a insatisfação terísticas básicas de uma boa aula. a aula precisa ter um novo espaço para ativida- ou no meio. fazendo com que o aluno participe e e. criador da técnica do ensino construtivista47. está pronto. na um novo tipo de aula. para isso. será necessária a formulação de e não por qualquer dotação prévia. com do conteúdo. é reconhecer e entender a maneira como cada aluno no. a forma como ela será explorada é que de- a rigor. tidões. mas também Escola. de que aprendemos aquilo que praticamos. desenvolve o que lhe foi passado. constitui-se pela Existem alunos com diferentes formas de comportamen- interação do indi. A linguagem precisa ser clara e não há psiquismo nem consciência as ideias organizadas. to e diferentes formas de assimilação e entendimento víduo com o meio físico e social. . nomina se esta irá desenvolver-se ou não. concretos nesse processo. de tal modo que des que a deixe longe de ser cansativa. PARA REFLETIR mento educacional.146 Didática 47 “Construtivismo É sabido que cada ser humano nasce com determinadas ap- significa isto: a ideia de que nada. ou seja. “Entendemos que construtivismo na Educação poderá ser a forma teórica ampla que reúna as várias tendências atuais do pensa. daí a ideia acabado. tese do filósofo especificamente. com direitos e deveres que per- criar. muito menos. pensamento”. O professor é o con- recitar. por sua vez. e de que. são elementos de fazer agir. Ele vivenciar o conhecimento adquirido junto à sua realidade. em nenhuma o professor deve exercitar a mente do aluno fazendo-o instância. A principal função do educador reflexivo o simbolismo huma. Os alunos. Dessa forma. com o mundo das relações sociais. operar. um cidadão de bem na sociedade. o conhecimento não é Jean Piaget. o que o aluno precisa aprender transmissão que é a para se tornar mais do que um bom profissional. onde dado.

” mostrar compromisso em cumpri-las. ou seja. Despertar. um novo modo de ver o lidades do aluno. aula e observação sobre os reflexos da aula. isto é. Desenvolvimentos sociais atuais e o de atividades de aprendizagem inovadores e reinventados conhecimento já construído (‘acervo despertam as competências dos alunos tornando a rotina cultural da Humani- dade’). qual ocorrem. Provocar. “Construtivismo. acompanhando http://www. consequência. isso implica dizer que a busca do educador por novas A Educação deve ser um processo ideias precisa ser constante. 4.gov.pt/dlpo/default. Desafiar. aspx?pal=arraigados . É imprescindível que exista uma elaboração conhecimento: sua gênese e seu desen- das avaliações de uma forma que permita ao professor volvimento – e. e até a sua.br/dea_a. as distantes. 1.php?t=011 os objetivos foram de fato alcançados. o objetivo de ensi. a utilização de recursos de ensi. 48 v. 5. cos. tr. por Citando a forma mais direta da aula. universo. condição de com- plementaridade. um lado. Açular. segundo pensamos. o professor precisa mundo das relações sociais. Tema 4 | Formação Docente. o educador pre. por analisar amplamente quais as maiores dificuldades ou faci. e professores e. 2.crmariocovas. incitar48 reflexões. enquanto educador.” de aulas menos entediantes. de construção de conhecimento ao cimento e aceitação pelos alunos. 3. em cisa estar de fato envolvido no processo. passo a passo as reações de cada apresentação e se sp. é esta forma no provocam a curiosidade dos alunos e evita o desgaste de conceber o do professor. Excitar (alguém) mais ainda. os problemas se. É necessário que haja conhe. os alunos no precisa estar coerente com as necessidades da sua clas. bem como a seleção dos conteúdos. Avaliação e Práticas de Docentes 147 Existem três regras primordiais para se preparar uma boa partir da realidade vivida por alunos e aula: preparação do professor para a aula. vel. por outro. tirar dúvidas e. O professor pela sociedade – a próxima e. Deve estar agora preparado para ouvir questionamentos. a (outrem) levar a efeito alguma coisa. aos pou- precisa se munir do maior número de informações possí. priberam. Como já vimos no tema III. preparação da professores. aguilhoar. a vida e o Após toda essa preparação de aula. http://www.

Não podemos nos esquecer de que a escola é um estabele- cimento que educa.br/critico. das novas técnicas de ensino e experiências. ensinar exige priberam. PARA REFLETIR Qual a visão que você tem sobre os métodos de ensino de hoje? Você acha que professores que acabaram de se for- mar realmente sabem o que é ser um professor reflexivo? Você acredita que de fato surge na educação um novo método de ensino? Debata sobre essas questões. liberda- com. para que determinadas falhas que por ventura sejam identifica- das.pt/dlpo/default. dos educadores saber escutar. pes- de valor para obras artísticas. generosidade e compreensão que a http://www.html de de autoridade. tolerância. segurança do que se fala. educação é uma forma de intervenção no mundo. Relativo ram construir uma escola bem estruturada. científicas quisa. ficarmos presos a ela. Dessa forma. aspx?pal=criticidade . é um ambiente formador de opiniões. que estabelece juízo Segundo Freire (1996). e assim. querer bem aos educando e disponi- http://www. competência profissional. bilidade para o diálogo.: estudo crítico. O ato de ensinar requer dos professores um olhar crítico e constantemente atento às mudanças cotidianas. pois ele precisa se aprimorar com no- vos mecanismos e estratégias.dicionarioweb. ficarmos impedidos de exercer o dom da instrução. Qualidade do que metidos com o processo de formação dos discentes e quei- é crítico. minimizando o processo de execução das demais aulas. humildade.148 Didática É de suma importância ressaltar que o processo de auto- avaliação do professor deverá ser constante e diário. que se funda em critério. possam ser corrigidas o quanto antes. f. ao invés de iniciar- mos uma nova realidade do aluno. etc. É importante que os profissionais de hoje sejam compro- 49 s. É necessária a total inserção do professor no processo de aprendizagem. precisamos ficar atentos para não exagerar no tocante à espontaneidade nas aulas e. Mas. ensinar exige criticidade49 e ética. fazendo uso à crítica. antes de tudo.

São Paulo: Phorte. Marcos Garcia. os próprios conhecimentos.br/historia/pratica-pedagogica/ john-dewey-428136. Isso não significa reduzir a importância do currículo ou dos saberes do educador. têm inspiração nas ideias do educador. Por dentro da Sala de aula: conversando sobre a prática. Convidando o leitor ao sentido histórico e social de tudo o que acontece na sala de aula. Tema 4 | Formação Docente.shtml INDICAÇÃO DE LEITURA COMPLEMENTAR NEIRA. 2004. o professor deve apresentar os conteúdos escolares na forma de questões ou problemas e jamais dar de antemão respostas ou soluções prontas. Ele elucida no livro a relação numa “nova sala de aula” de professor e aluno. Neira faz uma análise do cotidiano pedagógico.abril. como o construtivismo e as bases teóricas dos Parâmetros Curriculares Nacionais. Para Dewey. Avaliação e Práticas de Docentes 149 LEITURA COMPLEMENTAR Liberdade intelectual para os alunos A filosofia deweyana remete a uma prática docente baseada na liberdade do aluno para elaborar as próprias certezas.com. Em lugar de começar com defini- ções ou conceitos já elaborados. Fonte: http://revistaescola. deve usar procedimentos que façam o aluno raciocinar e elaborar os próprios conceitos para depois confrontar com o conhecimento sistematizado. as próprias regras morais. Pode-se afirmar que as teorias mais modernas da Didática. traduzindo aspectos rudes do intrincado enredo escolar. .

no ensino funda- mental e médio. e depois do que vimos nesse tema. RESUMO Nesse último tema. Didática e Prática de Ensino. pesquisadores e alunos. 2003 Esse livro apresenta reflexões sobre Didática e Práticas de Ensino de História desenvolvidas. pela autora e por diversos professores. precariedade no ambiente de trabalho. Finalizamos. com a regência de classe. como também. os baixos salários. falta de compromisso dos pais em relação aos alunos na escola. estudamos a formação do professor. 4. formadores. de como a afetividade se torna uma qualidade inerente à condição do profis- sional professor dentro da sala de aula. Campinas. Repense sobre os atos e mudanças que deverão ocorrer no seu comportamento e o que você poderá fazer para não se tornar um professor tecnicista ou inflexivo. citando vários pontos estratégicos para a falta de estímulo do mesmo para trabalhar em sala de aula. ed. os tipos de avaliações e suas funções pedagógicas. SP: Papirus. reflita sobre a postura que você vai assumir daqui pra frente enquanto profissional da edu- cação. a forma como é vista a avaliação pela sociedade e como essa contribui para o fracasso ou sucesso das entidades escolares.150 Didática FONSECA. as formas como os professores trabalham em sala de aula e as características que um bom professor deverá ter. Selva Guimarães. pois. . em diferentes espaços e épocas. PARA REFLETIR Após a leitura do texto complementar. Ao mesmo tempo foi explanado sobre a relação e interação entre professor e aluno.

Aprender na vida e aprender na escola. 2000. Fernando. Fernando. 7. RJ: Vozes. ed. 2006. Jussara Haubert Rodrigues. Porto Alegre: Artmed. ed. ed. Trad. Portugal: Porto Codex. Ed. 1994. Portugal: Porto Codex. Elaboração de projetos de ação e planificação. VENTURA. 11. Montserrat. FREIRE. Porto Alegre: Artmed. Trad. Jean-Marie. . SP: Autores associados. 25. 1972. Educar pela pesquisa. CANDAU. O processo didático. Petrópolis: Vozes. Regina Célia Cazaux. A Didática em questão. 5. CARVALHO. Campinas. 1998. Por um projeto educativo de rede. Curso de didática. DEMO. DALMAS. Pedagogia da autonomia. Vera Maria (org). Rio de Janeiro: Getúlio Vargas. 29. 2001. Ângelo. ed. Planejamento participativo na escola: elaboração. Juan. DELVAL. São Paulo: Edições Loyola. Danilo. acompanhamento e avaliação. São Paulo: Paz e Terra. 7. ed. 2006. Paulo. 1994 BARBIER. Didática 151 Referências DIEGO. 2009. Pedro. Planejamento como prática educativa. São Paulo: Ática . HERNANDEZ. A organização do currículo por projetos de trabalho. Isabel Mota. GANDIN. 2005. HANDT. 1993. Irene M. Petrópolis.

NETO. C. 1997 LIBÂNEO. 2000. Trad. 4. NEIRA. Caxambu. Selma G. A reconstrução da didática: elementos teóricos. R. Fátima Murad. LIMA. M. São Paulo: Atlas. MARCHESI. Álvaro. . ed. São Paulo: Cortez. 1998. Lizete Shizue B. São Paulo. ed.metodológicos. 2004. SP: Ática 2007. Guiomar. S. 23. São Paulo: Cortez. Educação: pedagogia e didática. MACIEL. Louro de Oliveira. Elena. São Paulo: Phorte. Campinas. RJ: Vozes. 2006. 2002. J. Porto Alegre: Artmed. Por dentro da sala de aula: conversando sobre a prática. 1985. PIMENTA. MELLO. planejamento. Marcos Garcia. metodologia. Adeus professora. PILETTI. Didática geral. Didática geral: fundamentos. P. São Paulo: Fundação Carlos Chagas. MARTINS. adeus professor?: novas exigências educacionais e profissionais docente. Piaget: Sugestões aos educadores. José Carlos. Claudino. Alexandre Shigunov. 1992. SP: Papirus. Reflexões sobre a formação de professores. 2003. Campinas. Petrópolis. avaliação. 1999. J. Qualidade do ensino em termos de mudança. MARTIN. Normas de ensino de 1º grau: direção ou espontaneísmo? Cadernos de Pesquisa (36):81-91. SP: Papirus. OLIVEIRA. Relatório do GT didática: XXII Reunião Anual da ANPED.152 Didática LIBÂNEO.

Revista Nova Escola. Otimismo Exarcebado e lucidez pedagógica. Campinas. SILVEIRA. 2006. Suely Galli. Campinas. Educação brasileira: estrutura e sistema. 4.ed. A Filosofia vai à escola? Campinas. Educação e comunicação: O ideal de inclusão pelas tecnologias de informação. GANDIN. Luiz Armando. 2. 21. 2006. Campinas. . Planejamento. SP: Autores Associados.SP: Autores Associados. 2003. Álvaro Moreira. 2009. São Paulo. Didática e prática de ensino. 2000. SP: Cortez. Repensando a didática. 2003 FONSECA. VEIGA. Dermeval. Selva Guimarães. Educação em tempos de incertezas. Nº 228. SOARES. ed. SP: Papirus. SP: Papirus. Didática 153 SAVIANI. ed. Ilma Passos Alencastro. Ano XXIV. HIPÓLITO. Dezembro. 2001. Renê José Tretin. São Paulo: Autentica.

154 Didática Anotações .

Didática 155 Anotações .

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