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BEDIN, Eliana; RIBEIRO, Luciana Barcelos Miranda; BARRETO, Regiane Ap.

Santos Soares Barreto - Humanização da assistência de 400
enfermagem em centro cirúrgico. Revista Eletrônica de Enfermagem, v. 06, n. 03, p. 400-409, 2004. Disponível em www.fen.ufg.br

HUMANIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM EM CENTRO CIRÚRGICO
HUMANIZATION OF THE NURSING ASSISTANCE IN THE SURGICAL UNIT
HUMANIZACIÓN DE LA ASISTENCIA DE ENFERMERIA EN UN CENTRO QUIRÚRGICO

Eliana Bedin1
Luciana Barcelos Miranda Ribeiro2
Regiane Ap. Santos Soares Barreto3

RESUMO: O estudo teve como objetivo levantar as principais literaturas nacionais que abordem a humanização
em centro cirúrgico, identificando sua necessidade e importância na atividade da enfermagem. Ao buscar os
artigos selecionou-se palavras-chaves e delimitou-se período de 1985-2002, resultando 31 artigos. Após analise,
descreveu-se aspectos da formação acadêmica voltada para humanização, considerações éticas à assistência e a
necessidade de humanizar o cuidado frente aos avanços tecnológicos. Concluiu-se que humanizar a assistência
de enfermagem em centro cirúrgico é um desafio, entretanto, possível e essencial na prática da enfermagem,
essencialmente nesta área.

PALAVRAS-CHAVES: Enfermagem de Centro Cirúrgico; Assistência; Ética.

ABSTRACT: This study consisted in a bibliographic review, which goal was a survey of the main national literature
that approaches the humanization in the surgical unit, identifying and demonstrating the needs and the importance
of the nursing staff daily activities. The search was made selecting the key words and the period between 1985 and
2002, where 31 articles were selected. Analyzing them we discussed about the theme, classifying it in four stages
that made sense to the humanization for the nursing assistance in the surgical unit, describing aspects of the
nursing graduation releasing for humanization, making ethics considerations to the assistance and demonstrating
the needs of the humanized care in the presence of the technological development. We concluded that the
humanization of the nursing assistance in the surgical units is a challenge, however, the humanized care is
possible and essential to the nursing practice, mainly in a technological environment like the surgical unit.

KEYWORDS: Operating Room Nursing; Assistance; Ethics.

RESUMEN: El estudio tuvo como objetivo levantar las principales literaturas nacionales que aborden la
humanización en un centro quirúrgico, identificando su necesidad e importancia en la actividad de la enfermería. Al
buscar los artículos se seleccionó palabras-claves y se delimitó el periodo de 1985-2002, resultando 31 artículos.
Despues del análisis, se describió aspectos de la formación académica orientada para la humanización,
consideraciones éticas a la asistencia y la necesidad de humanizar el cuidado frente a los avances tecnológicos.
Se concluye que humanizar la asistencia de enfermería en un centro quirúrgico es un desafio, mas, posible y
esencial en la práctica de la enfermería.

PALABRAS CLAVES: Enfermería en Sala Quirúrgica; Etica.

INTRODUÇÃO profissão que busca promover o bem estar do ser
humano, considerando sua liberdade, unicidade e
A enfermagem é uma profissão que se dignidade, atuando na promoção da saúde, prevenção
desenvolveu através dos séculos, mantendo uma de enfermidades, no transcurso de doenças e agravos,
estreita relação com a história da civilização. Neste nas incapacidades e no processo de morrer.
contexto, tem um papel preponderante por ser uma

1
Acadêmica de Enfermagem da Universidade Católica de Goiás – UCG. E-mail: bebedin@bol.com.br End.: Rua Nossa Senhora D’Abadia
Qd.:05, Lt.:16, C-01, Jd. Primavera, Trindade-GO, CEP 75380-000 Fone: (62) 96033602
2
Acadêmica de Enfermagem da Universidade Católica de Goiás – UCG. E-mail: luanjim@ig.com.br End.: Rua oito, nº 215 Bairro Santuario,
Trindade-GO, CEP.: 75380-000 Fone: (62) 5051394
3
Professora assistente da Faculdade de Enfermagem da Universidade Federal de Goiás – UFG. E-mail: rjmarina@uol.com.br.

após a análise do título e resumo o paciente. visto bancos de dados: Lilacs. os recursos “o cuidado humanístico não é rejeição aos materiais e tecnológicos não são mais aspectos técnicos. RIBEIRO.. sendo tratado como um objeto e não como um individualidades. Eliana. entre respectiva unidade.” humano. buscando entender e Este distanciamento aliado ao fato de que há considerar as condições do cliente que escassez de literatura que envolva a humanização em normalmente já se encontra sob efeito dos centro cirúrgico. culturais e tecnológicas dos tempos relacionamento e o contato direto fazem atuais o que vem implicar não só na crescer.)”. Regiane Ap. grande nossa decepção no primeiro contato com a Segundo FIGUEIREDO (2002.ufg. O científicas.Humanização da assistência de 401 enfermagem em centro cirúrgico. Disponível em www. 1997). O ambiente físico. e é neste momento de troca. p. uma vez que possui função específica na eficácia da terapêutica de seus O presente trata-se de um estudo qualitativo. ouví-lo. e a possibilidade de humanizar o cuidado no centro A importância e a responsabilidade da cirúrgico. humanizar o cuidado frente aos avanços tecnológicos confortá-lo e posicioná-lo na mesa cirúrgica. respeitando sempre suas todos.BEDIN. espaço físico.br Com o avanço científico. É dever de todos acompanhar o leal ao outro e saber ouvir com ciência e desenvolvimento das ciências humanas. porque assim posso me reconhecer conhecimentos como também na atualização e me identificar como gente. p. p.. enfermeiro.256).fen. com o distanciamento “os profissionais de enfermagem que atuam no entre teoria e prática. Scielo.” WALDOW (1998. como ser dos mesmos. corpo vivo. pacientes. pois dependendo de sua atitude pode realizado através de revisões bibliográficas. foi enfermagem em centro cirúrgico. a necessidade de a mão do paciente na indução anestésica. nos facilitar ou impedir um programa de recuperação. de resgatar os valores humanísticos da assistência de “humanizar. 2004. o profissional deve ser cortês. principalmente do interativo e de fruição de energia criativa. 03. tornando-o capaz de criticar e emocional e intuitiva. centro cirúrgico. o que se pretende ao revelar o sim irá conduzir o pensamento e as ações da cuidado é enfatizar a característica do processo equipe de enfermagem. nossa atenção à humanização da assistência de Em meio a tantas afirmações positivas.06): cabeça e o coração na tarefa a ser “não se pode ficar atrás ou as margens desse desenvolvida. as considerações éticas envolvidas na cirúrgico. BDENF. n. (que deve ser) outras rotinas e o paciente permanecia invisível a personalizada. se ações e comportamento dos profissionais frente ao subdividem em várias áreas. educado e compreensivo. neste momento. Para ZEN & BRUTSHER (1986. 400-409. afastando-se gradualmente do ROTHROCK.104). sistematização da assistência. que necessidade da aquisição de novos humanizo. entregar-se de maneira sincera e processo. BARRETO. tratamento humanizado. cuidados na admissão Até alguns anos atrás a função do enfermeiro na em centro cirúrgico e cuidar em enfermagem. a enfermagem. enfermeira quanto à observação e atendimento das necessidades psicossomáticas do paciente cirúrgico MATERIAL E MÉTODOS deve ser detectada. assistência BRUTSHER. paciência as palavras e os silêncios. onde o enfermeiro era visto centro cirúrgico são geralmente os como “o administrador”.” Não é apenas uma questão de mudança do Na amplitude de sua assistência. mas com algumas modificações na dos mesmos quanto à adequação ao tema proposto. ocupando-se da manutenção responsáveis pela recepção do cliente na sua de equipamentos. salienta a importância Ainda VILA & ROSSI (2002. Revista Eletrônica de Enfermagem. unidade de centro cirúrgico. voltamos paciente e seus familiares. tão pouco aos aspectos significativos do que a essência humana. 06.17) referem que a de conciliar e harmonizar as diversas funções do “humanização deve fazer parte da filosofia de enfermeiro. artístico além do aspecto moral. papéis. o enfermeiro para o sucesso do tratamento e o pronto passou a assumir cada vez mais encargos restabelecimento do paciente (MEE KER & administrativos. 1986). p. mas principalmente uma mudança nas assim como as demais profissões de saúde. podem ser limitadas a segurar assistência (des)humanizada. surgindo com isso a necessidade Para OLIVEIRA (2001. caracteriza-se em colocar a enfermagem. no período que este paciente é invadido por medo do de 1985 a 2002. Durante unidade de centro cirúrgico era dirigida para os a pesquisa foram encontrados 1100 artigos. muitas vezes.” que contemplasse a formação acadêmica relacionada As atividades de enfermagem no centro à humanização. vinculados à processo cirúrgico.62). cuidado ao paciente. que compõe o lado construir uma realidade mais humana (. quando afirma: enfermagem. destacando a importância desta necessidade de se estabelecer controle. o que o afastava do contato com quais. Luciana Barcelos Miranda. tecnológico e a mais direta ao paciente em todas as etapas do modernização de procedimentos. levou-nos à realização de um estudo medicamentos pré-anestésicos. o enfermeiro de centro cirúrgico sentiu a necessidade de prestar assistência . bandejas. v. p. dentre os aspectos gerenciais. Santos Soares Barreto . Esta científicos. humanizada. utilizados 31. por meio das palavras-chave: cliente desconhecido num ambiente estranho (ZEN & cirúrgico. mesas. p.

enfermeiros a dificuldade no relacionamento “a educação em saúde precisa ser melhor enfermeiro/paciente é uma realidade enfrentada estudada para que o enfermeiro possa recriar o diariamente”. sentindo–se. lembram que.57). CONSIDERAÇÕES ÉTICAS NA ASSISTÊNCIA (DES) “os enfermeiros cirúrgicos brasileiros valorizam HUMANIZADA NO CENTRO CIRÚRGICO e desenvolvem atividades educativas com o paciente. n. como concluiu (AZEVEDO.19). assegura ao cliente uma assistência . enfermagem. processo educativo. para que estabelecer e/ou manter uma comunicação efetiva a não seja uma simples transferência de clientes com nível de consciência alterado ou aqueles informações aos indivíduos. não sendo necessário ações equipe de enfermagem humanizada é que poderá individualizadas. são debatidas adiar suas escolhas e ideais profissionais...54).35. seremos capazes de lutar e agir para que colocados em situações onde se torna necessário o essa mudança aconteça. mas a dessa atividade ainda são incompatíveis com atenção às pessoas doentes da melhor maneira os pressupostos de educação e ensino de possível respeitando sua individualidade (GUIDO. al apud ZAGO & CASAGRANDE (1996. entre constantemente com os graduandos. mais especificamente nas vem pesando sobre si como uma grande e atividades práticas. devem agir uns para com os outros em SANTOS et al (2002.BEDIN.44) CUIDADO HUMANIZADO coloca que.Humanização da assistência de 402 enfermagem em centro cirúrgico. Por outro lado. p. 400-409. Entretanto.” um de nós entender e aceitar quem somos e o que Durante o processo de formação os alunos são fazemos.fen. p. por meio da Resolução n.” As bases da humanização processo de comunicação entre eles e o paciente. a visão desses Levando em conta a ética profissional da profissionais quanto à atividade. o tema “comunicação”. p.03) quando ressaltam que. p. p. a sociais e éticos. AZEVEDO (2002.” antes mesmo de ser implantada no trabalho”. mas consciência. v. como um instrumento de controle. ZAGO & CASAGRANDE (1996. afirma que. a “comunicação é uma parte do cuidar adquirido pelos O Código de Ética dos profissionais de profissionais em forma de competência interpessoal”. mas sim. Já para AZEVEDO (2002. pacientes e de auto cuidado. p. RIBEIRO. avanço das ciências tem contribuído para as 1º “todos os seres humanos nascem livres e iguais em especializações que.19). Dotados de razão e de entendemos como assistência ao ser humano. 03.103). estabelece que. a esses profissionais não compete cultural em que ocorrem e os padrões culturais apenas as ações técnicas e especializadas. e mesmo com o as decisões tecnocratas. Ainda. porém transformado. Mas. Para AZEVEDO (2002. afastando os profissionais de suas atividades é o “o profissional da enfermagem respeita a vida a avanço tecnológico desta unidade. No centro cirúrgico. Disponível em www. Assim em seu dia–a–dia. Regiane Ap. esclarecedor com o cliente. de acordo com a DECLARAÇÃO Ao analisarmos vários artigos observamos que o UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS (2003). Almeida et desempenhando tal atividade. Santos Soares Barreto . vê– comunicação terapêutica e sua aplicabilidade no se constantemente impulsionado a transferir e cotidiano das ações de enfermagem. o que de ensino-apendizagem. um dos fatores que vem p. p. conscientizados da necessidade de prestarem As atividades educativas dos profissionais de assistência humanizada aos pacientes se não forem enfermagem vêm sendo discutidas em vários preparados na graduação para estarem momentos pelas entidades representativas. um ensino mais “reinvidicadores”.br A FORMAÇÃO DO ENFERMEIRO PARA O realizados. Eliana. a discriminação de qualquer natureza.” 1995. o que tem dignidade e os direitos da pessoa humana. p. suas funções e formas. quanto não-verbal. p. “a comunicação franca e atingindo a satisfação do cliente. p. p. a extensão. BARRETO. cada vez empenho de docentes e discentes. afirmam que “só uma espírito de fraternidade”. são as ações do enfermeiro frente ao paciente. Art. Concordamos com aberta auxilia alunos e clientes a enfrentarem OLIVEIRA et al (2002. mas. 2002. ainda concordamos com VILA modo como eles cuidam de sua saúde. Revista Eletrônica de Enfermagem. 2000).” processo de comunicação com o cliente parece Amparados nestas afirmações asseguramos ineficaz e/ou não oferece subsídios para o que não é possível termos profissionais planejamento da assistência (AZEVEDO. contendo conhecimentos A que se considerar comum certa dificuldade em de pedagogia.) o enfermeiro de centro cirúrgico enfrenta Com relação à formação do aluno de uma crise compreendida pelo desafio entre a graduação. Avelar apud JOUCLAS et al (1998. p.147) quando revelam que “se cada se fundamenta uma necessidade imediata. deparam com situações em que o constante ameaça. 06. priorizando atitudes de respeito e privacidade. sua importância racionalidade cientifica do modelo biológico de para o estabelecimento de um diálogo franco e assistência à saúde e seus valores culturais. utilizando-se tanto da forma verbal. em favorecido a complexibilidade dos procedimentos ali todo seu ciclo vital. durante o processo mais. ações coletivas que tenham humanizar o paciente”.ufg.º240/2000. que busca um resultado mais imediato sobre o 2002. capítulo I (COFEN. Luciana Barcelos Miranda. porque & ROSSI (2002. em certos momentos foge ao que dignidade e em direitos. p. “(. 2004.23).23) como objetivo promover o bem estar do outro.28). “tanto para os alunos quanto para os salientam que. momentos de incerteza e ansiedade durante a “esta humanização deve ser implantada no coração realização de cuidados.21). o contexto enfermagem.

sem maiores pela enfermagem no centro cirúrgico. Ao “fiquei desiludido com a maneira impessoal de realizar um estudo sobre a humanização da se comunicar com os pacientes. competência. indisposição. ou seja. verificação da segurança dos equipamentos. adaptadas à sua mobilização e transporte de pacientes.Humanização da assistência de 403 enfermagem em centro cirúrgico. nome e sobrenome para número e patologia.46). p. quando coloca a visão do Castellanos et al. assim o mesa de operação é um longo caminho. Não me aconselhando a respeito do que tinha “quando me chamaram pelo meu nome. corredores.ufg. Santos Soares Barreto . Luto controle de material. 06. e neste momento.” dispensando atenção aos equipamentos e seu Ao descrevermos as atividades desenvolvidas funcionamento adequado.fen. 2004. preocupado. há momentos em que o paciente é transferido da sala de cirurgia para a sala de esquecido em detrimento de questões burocráticas. encaminhamento à sala de acordo com o documento acima citado. Regiane Ap. temos: recepção esclarecimentos ou respostas às suas angustias.18). paciente cirúrgico: p. p. sem se estabelecer um diálogo ou mesmo e faz cumprir os preceitos éticos e legais da uma relação de confiança profissional-paciente. cirurgia. depois profissão. 400-409. para o enfrentamento das isso me deixou mais tranqüila”. como Rabin & Rabin apud mecânica junto a uma identificação que passa de CAPRARA & FRANCO (1999. porém o frio paciente do centro cirúrgico e. independente de seu estado Brandão apud JOUCLAS et al (1998. Eliana. qual o instrumental Consideramos que a humanização deve a ser utilizado e quais órgãos do corpo serão permear cada uma destas atividades. prejudicando-o desrespeitosas ou preconceituosas” (SÃO PAULO. pré-anestésica. o mesmo nu sobre a mesa cirúrgica aguardando o efeito paciente acaba por não receber a atenção que a ele dos anestésicos. psicologicamente. Não deve ser chamado pelo nome desencadeado por problemas administrativos. sendo que cada paciente tem sua . responsabilidade da enfermeira a recepção do Relato de médicos que passaram para a situação de paciente que na maioria das vezes é feita de forma paciente demonstram essa. recuperação pós-anestésica. interesse cirúrgico. deveria ser dedicada. equipamentos e pessoal contra cada instante. “a caminho do centro cirúrgico. somente no momento ruim. n. tenho que chegar intacto voltado para a cirurgia. teste e “o paciente tem direito a informações claras. e desrespeitando-o. a fim de me adaptar e “fui recebida com bom dia. preparação e montagem da sala. mesmo que afetados pelo procedimento. cumpre forma fria. diagnosticadas e terapêutica. Durante a fase conforme a condição hemodinâmica. RIBEIRO..652) colocam . minhas reações. honestidade. pois geralmente só é informado no 1999. o paciente “pode ficar” exposto e até dependendo do sucesso do ato anestésico-cirúrgico. Revista Eletrônica de Enfermagem. exercendo a enfermagem com de colocado na mesa operatória é esquecido. se existir (GUIDO.br de enfermagem livre de danos decorrentes de O paciente é levado até a sala de cirurgia de imperícia. expressões como: “está tudo bem”. irá atender à cirurgia temperatura do dia. apud GUEDES et al (2001.BEDIN. Preciso vencer alguns metros de objeto de trabalho. Ele como deixaram sozinha em uma sala e eu só ouvia médico experiente da área. mostrou-se conversas no corredor. necessidade de anestesia. promovendo. p. tive a que fazer ou do que considerava importante certeza que sabiam o que estavam fazendo. v. foi muito atencioso. que já causou angústia e genérica ou quaisquer outras formas impróprias. fica restrita a simples poderia ter caminhado. recepção e condição cultural. muitas vezes. “respira fundo” ou No trabalho diário de um centro cirúrgico é de “calma” sem ao menos olhar diretamente para ele. batendo um papo (.22) ressaltam que.” equipamentos estejam presentes no procedimento. a duração do tratamento.. eu estava angustiada e as moças ficaram em que me apresentou a curva de mortalidade discutindo preço de celular”. decorrer delas. mas não o ser principal. mas depois me responder a doença degenerativa. tornando o paciente um à mesa. eu A atenção.)”. RODRIGUES (2000. simples e compreensivas. sobre as ações avaliação em sala de recuperação anestésica. 03. ambientais. p. negligência ou imprudência. a maca “o enfermeiro é o responsável pelo cuidado do atravessa corredores gelados. senti medo. e até por falta de respeito. centro cirúrgico. Conto a possibilidade de vida por sujeito desencadeante do processo. se ele não o dentro de mim não tem a ver com a coloca em primeiro plano. náuseas. BARRETO. insegurança considerável ao paciente. Não há dor. é o da doença ou do agravo à saúde. Disponível em www.” metros. a encaminhamento e alta com segurança e respeito localização de sua patologia.” “O paciente tem direito a ser identificado pelo Fato que merece destaque e muitas vezes é nome e sobrenome. demonstra claramente. da esclerose amiotrófica. o que pode assistência individualizada e humanizada. 1995). Não assistência de enfermagem prestada no centro demonstrou em momento nenhum. é dispensado aos pacientes sob a ótica dos mesmos. Luciana Barcelos Miranda. e a justiça. responsabilidade e enfermagem passa a assumir função tecnicista. No Quando se encerra o ato cirúrgico o paciente é centro cirúrgico. html). traz fragmentos por mim como pessoa que está sofrendo. ou ainda de forma cancelamento de cirurgias. Não de entrevistas que demonstram o tratamento ético que me fez nenhuma pergunta sobre meu trabalho. De e identificação do paciente. geral. Entre o apartamento e a e não ao paciente.

sempre tenha um que tratam dos deveres do profissional enfermeiro. v. no entanto. p. no entanto. como a invasão de sua privacidade e o forma mecânica. p. querem seus nada adianta ser um humanista e observar o homem direitos. lado dando prioridade aos aparelhos. Salientam O avanço tecnológico na área da saúde é uma grande conquista. a ética profissional que tanto desrespeito dentro da sala operatória.61) afirma que. 2002). analisando LOPES et al agir com ética. é um ser Ao longo da história a enfermagem vem se humano com personalidade. p. sendo. 1999. 2002). a ciência obteve um grande avanço a corrigidas para que se alcance a humanização e o partir do momento em que se aliou à tecnologia. n. de promover estes direitos. Luciana Barcelos Miranda. a atenção individualizada é praticada de cirurgia. O direitos do paciente. Regiane Ap. p. nem ser rico em liberdade da equipe multiprofissional pode tecnologia apenas para observar os homens que tolher a do cliente. Assim. A que morre por falta de tecnologia. além de comentários (RIBEIRO et al. ameaçando sua estrutura vivem e morrem indignamente”.Humanização da assistência de 404 enfermagem em centro cirúrgico. técnicas e GUIDO (1995. e discussões inoportunas e de falta de registro A tecnologia não consiste exclusivamente na de situações e ocasiões importantes para o aplicação pura do conhecimento. mesmo que enfermeiro: sejam esclarecidos ou que estes tentem racionalizar e “(. Com isso é possível observar que.. através de enfermagem livre de danos decorrentes de de suas ações.34). 400-409. 2000). conforme “(. Enfermagem citamos os artigos 27 e 28 do capítulo IV ainda que se admita que o cientista. Disponível em www. preconceito e desenvolvendo. RIBEIRO.106) ainda nos mostra claramente novos conceitos que conquistou perante a sociedade. o melhor é associá-lo à . terá sucesso em seu trabalho.ufg. 27-Respeitar e reconhecer o direito do É claro que a tecnologia é essencial. 2002). Entretanto. 2000. buscando solucionar ou (1998.56) comprovamos que. o “Art. os enfermeiros tem freqüentemente Baseados no Código de Ética dos profissionais tempo. são demonstrados.br reação e resposta particular. tornando o ambiente (des) humano.) todas as pessoas que convivem em busca descreve RIBEIRO et al (1999. verificamos no para demonstrar seu conhecimento pelo direito capitulo III. oportunidade e acima de tudo preparo de enfermagem (COFEN.19) ao dizer que. desejável e cliente de decidir sobre sua pessoa. p. pois o paciente deixa de ser uma Ao se respeitar e atender as necessidades e pessoa para ser um caso interessante. interesse por aquilo que esteja pesquisando”. e a partir da Revolução Industrial teve pudor (PUPULIM & SAWADA. artigo 16º que é de responsabilidade da do paciente. esses dilemas quando cita algumas situações a serem por outro lado. p. saúde. 03. os deveres. a pacientes no centro cirúrgico. cliente daquele ato ou conduta. dignidade. esquecendo.” RODRIGUES (1999. minimizar o sofrimento da maneira menos “na equipe de saúde este fenômeno não agressiva possível. porém o paciente pouco A HUMANIZAÇÃO FRENTE AO AVANÇO questiona acreditando ser imprescindível a invasão TECNOLÓGICO para sua recuperação. p. vergonha e embaraço. não se pode deve ser conservada acaba sendo substituída por ignorar que a enfermagem no cuidado diário.. com seus problemas. p. porém. já que é de temores e necessidades não é sempre levado responsabilidade principalmente do enfermeiro fazer em conta”. um impulso considerável.28-Respeitar o natural pudor. GUIDO pessoas. ser assistido com dignidade e nossa profissão “assegurar ao cliente uma assistência ainda mais. o sujeito do processo de trabalho da enfermagem. Sentimentos de constrangimento. Revista Eletrônica de Enfermagem.fen. respeito que é de direito do paciente: beneficiando-se dos princípios científicos e dos “falta de atenção para com o cliente no que se equipamentos mais simples aos mais sofisticados refere a sua privacidade. em pesquisas.) mais do que qualquer outro profissional de compreender a situação (ANTÔNIO et al. (ANTONIO et al.” está presente. “de de uma melhor condição de vida. o Associado ao cancelamento de cirurgias outros atendimento dedicado ao paciente se distancia “dilemas éticos” podem ser relatados no atendimento demasiadamente da teoria já que na prática em várias ao cliente na eminência de uma situações.15). emocional. 06. p. com que esses direitos sejam cumpridos. a equipe que com ele se relaciona paciente individualizado. negligência ou imprudência”. toca e práticas adotadas devido à escassez de tempo ou expõe o paciente muitas vezes sem autorização. às vezes. Eliana. BARRETO.217) a respeito do profissional para alguns pode ter efeitos desastrosos. com a finalidade de autorização ou mesmo justificativa para o encontrar a solução para uma anormalidade. prolongar a vida e diminuir o sofrimento de muitas Ao discorrer sobre direitos e deveres... adotando posturas de poder sobre o mesmo. não podemos esquecer Deve-se buscar o uso da tecnologia humanizada que os profissionais de saúde também tem por parte dos profissionais que assistem o paciente no sentimentos e muitas vezes preocupam-se em cento cirúrgico entretanto. mesmo por comodidade de certos profissionais. “a descoberta Lembrando novamente o Código de Ética da científica resulta da busca do saber pelo saber em si.BEDIN. no entanto sem conhecimentos reunidos. Santos Soares Barreto . não se deve deixar o paciente de (1995. mas de vários ensino e a pesquisa. seu tratamento e necessária à modernização do atendimento aos seu bem estar” e o “Art. 2004. Por outro lado.106) lembra que. e MENDES et al (2000.” imperícia. tornando-se útil para privacidade e a intimidade do cliente” (COFEN.

WALDOW (1992. RODRIGUES com diferentes concepções. além de promover maior grau de que o resultado do atendimento seja satisfatório por conhecimento e esclarecimento. onde o enfermeiro priorize principal característica e seu marco referencial. “o tema tecnologia não se afirma que o “cuidado pode ser considerado como a refere a algo que está a influenciar a nossa vida. antigas e corriqueiras na enfermagem.19). p. p. Analisando a tecnologia e a humanização. “. não se pode para que o progresso da tecnologia e da ciência não aplicar a tecnologia nas ações da enfermagem sem acabe por esvaziar a profissão de seu conteúdo que a humanização esteja presente (CARRARO.ufg. 2004.60). lembrando que muitas vezes HUMANIZAR O CUIDADO NO CENTRO CIRÚRGICO estão à nossa disposição e não as valorizamos É POSSÍVEL? em detrimento da sofisticação. n. que exigem um grande esforço físico e psíquico “não há evidências de que menor atenção à dos profissionais.19) lembra que. Não desconsidero estas idéias. então. entre outros. Esta sim. podendo ser adaptadas e ajustadas realidade mais humana. “tecnologia do calor humano” nas relações enfermeiro- apenas quero chamar a atenção para paciente. Santos Soares Barreto . se faz necessário um em um centro cirúrgico. equilíbrio entre a atenção dispensada.” É importante salientar que o avanço tecnológico Fazendo uma retrospectiva sobre a na área da saúde é uma grande conquista. como bem estar dos clientes e da ciência. preocupação para. v. é imprescindível em diferentes situações da vida do tornando-o capaz de criticar e construir uma ser humano. os recursos criatividade na promoção da fé e da esperança. a tecnologia e o conhecimento da Para CARRARO (2000. conseqüências de uma rotina integral. Enfim. a impressão de que esses sintomas tem interferido negativamente. evidenciam LOPES et al (1998. p. tanto na vida do funcionário. . não restam dúvidas que o cuidar é sua voltada para o paciente. 400-409. conotação de atenção. Em geral.” com que os membros da equipe de enfermagem.30) (1999. mas se faz necessário o uso de ambas para pois. como a valorização da humanização. BARRETO. a enfermagem. Regiane Ap.06). tecnologias simples. idéia de fazer. 06. conversar e que o avanço tecnológico não afasta o enfermeiro do ouvir o ser humano que está a sua frente (VILLA & seu objetivo primordial. RIBEIRO. Ainda VILLA & ROSSI (2002. “a importância da comunicação é a explicação observa-se que estas possuem características mais eficaz sobre os variados procedimentos. amor ou simpatia.802). as muitas queixas tecnologia e a humanização do cuidado ao que caracterizam sintomas físicos de estresse. principalmente do enfermeiro. é indispensável a geração. personalidade do paciente. e não humanização e tecnologia compreendem a um amontoado de sinais. conduzirá o sentimentos negativos e positivos.. distintas. suas origens e evolução até o presente melhor associar esta tecnologia à uma assistência momento. deve-se incorporar mais de um fator em sua “a humanização deve fazer parte da filosofia de estrutura. a prestação de cuidados. sintomas e reações (ZEN & apenas ações atuais e equipamentos de ultima BRUTSCHER. Disponível em www.Humanização da assistência de 405 enfermagem em centro cirúrgico. com totalmente inseridos e que. de assistir os clientes de forma ROSSI 2002. preservando-o de representando as crenças e valores predominantes da infortúnios e singularizando a assistência humanizada. sendo imprescindível associar ao exercício p. Revista Eletrônica de Enfermagem.. dando paciente”. Para Folta apud RIBEIRO et al (1999. o termo implica a ignorar”.). Eliana. 1986.31) chamam a atenção para. p. 2000.43). ao realizar um estudo para avaliar os tecnologia implique em maior cuidado direto e sintomas físicos de estresse na equipe de enfermagem humanizado. quanto no seu trabalho. p. Luciana Barcelos Miranda. profissional. diária. de ação”.. CARVALHO & LIMA (2001. prática da enfermagem. p.”. portanto. p. mas seria enfermagem. mantendo a assistência “precisamos despir-nos da idéia que digna a quem tem sentimentos e racionalidade. a expressão de essência humana. p. 03. p.. com intuito Para isso pode-se utilizar meios que favoreçam de obter resultados mais satisfatórios em relação ao a interligação. percebe-se que a humanização na enfermagem não é Nesta perspectiva. promoção do ensino-aprendizagem entre os porém não mais significativos do que a profissionais. dignifica e possibilidades de humanizar a aplicação de eleva os ideais da profissão de enfermagem. esqueçam de tocar. característica esta que enobrece.br humanização e a comunicação terapêutica. favorece parte dos pacientes. “estar com” o ser humano. p. onde um deles é a comunicação. refere-se antes a própria realidade na qual estamos responsabilidade por. humano.BEDIN. TANJI pensamento e as ações da equipe de & NOVAKOSKI (2000. hostil para os pacientes que diariamente A rotina e a complexidade do ambiente fazem necessitam de atendimento (.fen. afirmam que “o cuidado enfermagem. a p. muito empenho é necessário possível sem a tecnologia e vice-versa. menos agressiva e conforme a necessidade”. Baseados nestas afirmações sentimentos de segurança e cooperação”. O ambiente físico. observar com atenção.143).139) ressaltam Para que o cuidado humano tenha efeito que. Com o passar dos tempos têm com vistas a obter resultados mais satisfatórios em surgido várias definições de cuidar/cuidado de acordo relação ao bem estar dos pacientes.42)... não podemos afeto. positivo. na A partir dessas reflexões nos é possível afirmar maioria das vezes. materiais e tecnológicos são importantes.

24).52) sobre operatório efetuado pelas enfermeiras do centro “o abandono do paciente para cumprimentos cirúrgico trazendo-lhes. 03. pela preocupação e desvelo pelo outro. aprendeu os meios de ajudar o para o cliente informações que lhe permitam outro nas suas necessidades de saúde e de enfrentar a situação em que se encontra com doença. caracteriza a despersonalização a que é submetido o Apoiados em nossas experiências acadêmicas paciente ao ser internado. Ao estudarem a humana. o paciente freqüentemente é atendimento de enfermagem é preciso que a equipe assistido de forma mecânica. o que leva a inferir que os cuidados de (2001.47). 1998. preocupando-se em a falta de sensibilidade da instituição para com o detectar sinais de ansiedade.. cientificamente e contribuir para avaliar a tensão. insegurança e desenvolvimento da cirurgia ou do pós-operatório medo menores do que aquele sem acesso a qualquer (ANTONIO et al. VARELA (2002.. ou está faltando oxigênio “ao me levarem para a sala de cirurgia. desrespeitam o ser humano. se alguém que eu já conheça. na maioria das planejamento. encontramos variados comportamentos e atitudes Segundo VALLE et al. ou ainda o anestesista não informação sobre o que irá acontecer (. Ainda SANTOS et al (2002. 2004. orientações acerca do efusivos e demorados com companheiros(as) procedimento cirúrgico e transmitindo-lhes segurança”. v. “no centro cirúrgico.fen. Luciana Barcelos Miranda. “a importância da qualidade da assistência de considerando este momento de comunhão que enfermagem nesse momento é capaz de se dá entre aquele que. cuidados aos seus seres cuidados. (1997. n.26).37). recebido pelo enfermeiro e ter as suas necessidades . (JOUCLAS et al. no dia. um simples número”.. sendo mais comuns as que orientações pré-operatórias sob a ótica dos pacientes. em por parte dos pacientes. estas situações se fácil enfrentar tudo aquilo que virá em seguida. Eliana. para esses. p. Santos Soares Barreto . como afirmam GUEDES et al cirúrgico. não esquecendo p. entre estas se encontra uma que adequado para realizar o seu trabalho. estresse. Disponível em www. (2002. naquele Ainda D’Assumpção apud CRUZ & VARELA local e naquele momento. BARRETO. no entanto é necessário que os profissionais maneira constata-se que mais uma vez o cotidiano se tenham consciência de que o objetivo de seu trabalho afasta do contexto teórico. p. para chegou. às orientações recebidas desde a instrumento da equipe cirúrgica. ocupando-se de recepção até a sala operatória e durante o ato tarefas administrativas. impessoal e seus seja conscientizada e preparada para fazer a diferença problemas de natureza psicológica ou mesmo social no cuidado. orientação.”. enfermagem no trans-operatório. estiver comuns e naturais entre os profissionais. uma maior tranqüilidade e segurança. “percebe-se que a função burocrática. p. a incerteza e a dirigindo-se à enfermeira próxima ao paciente. diário”. não restando tempo do seu expediente para p. p. não estão incorporados ao cotidiano das elementos firmemente incorporados ao seu trabalho atividades desenvolvidas. onde o cliente deve ser encaminhando-o à sala de cirurgia. no entanto.BEDIN.. 400-409. tudo é novidade.” A boa qualidade da assistência de enfermagem Na atividade diária de um centro cirúrgico ao paciente cirúrgico inicia-se no pré-operatório. cuidados. por nesta sala. mediados p. como para a equipe como identificação. Revista Eletrônica de Enfermagem. p.ufg. ao transmitir humanamente.52) descrevem sobre o medo.” mim.br Amparados nestas afirmações.26) descrevem Desta forma. ao relatar que. o surgimento inoportuno. estresse e/ou outros paciente.35) analisando as entre os profissionais. dedicar-se aos cuidados com o paciente. ao apoio. tanto para o paciente. quanto à prontidão ao atender determinados momentos constitui-se como um chamados. 06.Humanização da assistência de 406 enfermagem em centro cirúrgico.). “as próprias temos observado que a cirurgia em si é um fator de vestes são substituídas por roupas personalizadas e. recuperação pós-anestésica.” colocam como ameaçadoras. ou o ar condicionado não está favor não me deixem sozinho e sem qualquer funcionando. p.587) relatam a fatores que possam interferir no bom andamento do “importância do enfermeiro pensar ao dispensar ato cirúrgico. trazem fragmentos de entrevistas realizadas de que ele também necessita de um ambiente com pacientes. Essas situações podem até ser consideradas Porém.651). estarei seguro e me será mais são para os pacientes. angústia demonstrada pelo paciente ao transcreverem para informar que: o aspirador desta sala não trechos de entrevistas. Desta cirúrgica. organização e o controle sejam vezes. RIBEIRO. e o outro que necessita receber tais menos temor”. como este: está funcionando. de trabalho. Regiane Ap. para que consigamos humanizar o que. assustadoras e O paciente orientado quanto aos procedimentos geradoras de conflitos e ansiedades. p. relação entre pacientes e profissionais quanto à prática sanar dúvidas pertinentes ao procedimento trazendo da humanização. podendo ser referida como é a recuperação do paciente. desencadeando a que será submetido no centro cirúrgico é um diferentes sentimentos que podem vir a complicar o paciente com níveis de ansiedade. Como afirmam SANTOS et al (2002. o enfermeiro é responsável por orientar. tudo é assustador. CAPRARA & FRANCO (1999. SILVA et al (2001. p. 2002. constatamos que a-dia das atividades cirúrgicas. passando a entender o paciente de forma muitas vezes são ignorados. como lembram CRUZ & os mesmos “exaltam a importância do preparo pré. de funcionários. há uma insatisfação o trabalho do enfermeiro de centro cirúrgico. mas não o junto de mim. Ao sair da sala de cirurgia a maioria dos Ao chegar no centro cirúrgico é necessário que pacientes são encaminhados para a sala de o enfermeiro acolha calorosamente o paciente.

imprescindível que os graduandos recebam uma “prestar informações específicas ao paciente sobre as formação mais humanista. Neste sentido. p. contudo. p. pois encontramos resistência REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS . Surge a necessidade de se repensar e reavaliar No entanto. tornando mais ameno e período transoperatório e os vários fatores que menos doloroso este momento. enfermagem em centro cirúrgico tem sido um desafio constante. obteve-se alto grau de satisfação por parte não for preparada para tal em sua formação.fen.48) “a utilização de um Desta forma. tem afastado consideravelmente a prática Após estas reflexões.. podemos afirmar que não teremos de enfermagem na sala de recuperação pós. 2004. valores e ética moral e profissional. p. “livrar-se de seu papel puramente técnico e Sendo o centro cirúrgico uma unidade de alta integrar-se no cuidado total daquele cliente que complexidade. Disponível em www. se anestésica. tecnologia e procedimentos que está a sua frente. 400-409. encontramos os avanços hospitalar. acreditamos que o enfermeiro e paciente reduz o impacto da cirurgia e as cuidado humanizado é essencial para a prática possibilidades de complicação. serem presentes.254) ao afirmarem que. BARRETO. devem ser praticadas pelos enfermeiros ao assistirem ouvir o paciente. sendo TEIXEIRA et al (1994. tocar e quanto no período pré.20) lembra que. Como podemos falar em humanização paciente e apoio.br sanadas. a segurança e a tranqüilidade ocasião em que precisa integrar-se ao favorecem o tratamento e a recuperação. como coloca encaminhados para o campo de trabalho. Santos Soares Barreto .26) o enfermeiro de centro favorecendo a preservação do calor humano nas cirúrgico deve relações enfermeiro-paciente. 03.” adaptação mais rápida. olhar. p.255). pois. a repetição diária das que o mesmo fique sem saber o porque dos sintomas atividades. em suas atividades diárias. Com dos pacientes nos itens: segurança demonstrada pelo isso. mas toda a equipe. 06. v. entretanto. deixando com isso indícios de insatisfação desde o momento em que o paciente é admitido para a dos clientes com relação aos cuidados recebidos. Ao avaliar os cuidados interferem nesta.. realização de procedimento cirúrgico até a alta Aliado a estes fatores.Humanização da assistência de 407 enfermagem em centro cirúrgico. Trabalhos desconhecido (ambiente e pessoas). uma equipe humana. desde a chegada até ser do paciente. 1998. p.”.”. a sobrecarga de trabalho e até mesmo o neste estado desconfortante. as orientações recebidas pelo os conteúdos que estão sendo ministrados durante a paciente na sala de recuperação pós-anestésica graduação. é necessário que o enfermeiro esteja favorecer a sensibilização para iniciar um processo de atento a todas as reações apresentadas pelo paciente humanização interna que tenha conseqüências no nestes períodos. evitando seus pacientes. por isso. além de promover da enfermagem. n. CONSIDERAÇÕES FINAIS desenvolvendo uma relação de ajuda e compartilhando este momento tão angustiante. problemas burocráticos.ufg. as mudanças indispensáveis na obtenção de um deixando de buscar as características relacionadas a ambiente mais humanizado no centro cirúrgico.. este não é mais o único responsável pelo tecnológicos interferindo e afastando a enfermagem que acontece consigo. pode ser útil. porém. é As ações éticas contempladas na graduação importante antes de fornecer qualquer informação. estruturais e técnicos. sim a uma questão que envolva atitudes. p. Soares apud TEIXEIRA et al (1994.BEDIN. lhe Diante do exposto sobre humanização no trará conforto e segurança. Luciana Barcelos Miranda. promovendo o espírito de levantar questionamentos a respeito da necessidade humanização dos cuidados”. é de inovação dos conceitos sobre assistência cirúrgica inevitável motivar e conscientizar os profissionais para e implantar uma assistência cirúrgica humanizada. passando a responder por tudo o que está como mestre da criatividade deve utilizar meios que ou possa acontecer com o mesmo. sendo imprescindível. Regiane Ap. O enfermeiro enfermeiro. Durante sua da assistência adequada. mas RODRIGUES (2000. p. “humanizar o atendimento de comportamentos. “um bom relacionamento entre de outras áreas. trans e pós-operatório. desde a recepção dos permanência no centro cirúrgico.47). Eliana.” multidisciplinares com a equipe de enfermagem podem Assim. a responsabilidade pacientes no centro cirúrgico até serem encaminhados recai sobre a equipe cirúrgica e mais diretamente no a unidade de internação ou para casa. sensações esperadas. Em tão poucas ocasiões o invadem a privacidade dos pacientes se faz necessário indivíduo está tão dependente de outra pessoa que os enfermeiros que ali trabalham estejam com relação a sua segurança e bem estar conscientizados da importância de ouvir. comodismo. Revista Eletrônica de Enfermagem. fazendo o profissional agir de forma que está apresentando e até quando permanecerá mecânica. segundo promovam a interligação tecnologia-humanização. seus temores e dúvidas . SANTOS et al (2002. se antes não podemos constatar a encaminhado a unidade de internação (JOUCLAS et presença de equipes humanizadas? al. JOUCLAS et al (1998. de alguns funcionários e de vários profissionais afirmam que.. pode-se afirmar que da teoria. acolhimento do incomodado. que muito tem nos pessoal de enfermagem nos cuidados. RIBEIRO. quanto à qualidade do ensino e dos muitas vezes não estão de acordo com o que é profissionais que estão sendo formados e preconizado pelos referenciais teóricos. por fazer mecânico. o presente estudo ressalta a processo de interação interpessoal que ultrapasse o importância de mudanças frente aos profissionais. segundo atendimento. fica um questionamento. A presença do enfermeiro ao lado do paciente.

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