FARMÁCIA CLÍNICA

FARMÁCIA CLÍNICA

SECRETARIA DOS COLABORADORES
COMISSÃO ASSESSORA DE PESQUISA CLÍNICA
SÃO PAULO
2015

EXPEDIENTE
Publicação do Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo - Setembro/2015

DIRETORIA COMISSÃO TÉCNICA REVISÃO
Danielle Bachiega Lessa ORTOGRÁFICA
Pedro Eduardo Menegasso
presidente Fabíola C. Yugar Mauro Celso Destácio
Fernanda dos S. Zenaide
Raquel C. D. Rizzi Lívia Maria Gonçalves Barbosa
vice-presidente Maria Gabriela Borracha DIAGRAMAÇÃO
Marcos Machado Ferreira Mariana D. Garcia Guilherme Mortale
diretor-tesoureiro Paulo E. U. Buononato
Antonio Geraldo Ribeiro Silvia C. de Oliveira
dos Santos Jr. Solange Ap. P. C. Brícola IMPRESSÃO
secretário-geral Thiago Braz GL Editora Gráfica Ltda
Vanessa de A. Conceição

ORGANIZAÇÃO FOTOS DA CAPA TIRAGEM
Comissão Assessora de Farmácia Ingimage 1.000 exemplares
Clínica do CRF-SP

Lívia Maria Gonçalves Barbosa
Coordenadora
Vanessa de A. Conceição
Silvia C. de Oliveira
Vice-coordenadores

Brasil. Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo.
Farmácia Clínica. / Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo. – São Paulo:
Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo, 2015. 1ª edição-1ª reimpressão.
44 p.; 22,5 cm - -
ISBN 978-85-63931-66-5.
1. Educação Continuada em Farmácia 2. Legislação Sanitária. 3. Problemas relacionados a medicamentos. 4. Análise de
prescrição. 5. Farmácia Clínica. 6. Farmacovigilância. 7. Anamnese farmacêutica. 8. Interações medicamentosas
I. Secretaria dos Colaboradores. II. Comissão Assessora de Farmácia Clínica. III. Título.
CDD-615

In- dústria. Farmácia. Se as Cartilhas forem colocadas juntas. Aqui lhes apresentamos a Cartilha da área de Farmácia Clínica. Farmácia Hospitalar. Educação Farmacêutica. • O histórico da respectiva Comissão Assessora. em linguagem acessível e com diagramação moderna. podemos dizer que temos um roteiro geral e detalhado de praticamente todo o âmbito farmacêutico. Cada exemplar traz relações das principais normas que regulamentam o segmento abor- dado e de sites úteis para o exercício profissional. • As atividades que podem ser desenvolvidas. Resíduos e Gestão Ambiental e Saúde Pública. Análises Clínicas e Toxicológicas. Plantas Medicinais e Fitoterápicos. Farmácia Clínica. • As Boas Práticas. As Cartilhas são desenvolvidas por profissionais que atuam nas respectivas áreas abrangi- das pelas Comissões Assessoras do Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo (CRF-SP). Pesquisa Clínica. Por conta disso. • O papel e as atribuições dos profissionais farmacêuticos que nelas atuam. como para quem decide mudar de área.PALAVRA DA DIRETORIA A elaboração deste material representa a concretização de um projeto idealizado pela Di- retoria do CRF-SP com o intuito de oferecer informações sobre as várias áreas de atuação do profissional farmacêutico. tanto para aqueles que estão iniciando sua vida profissional. Distribuição e Transporte. Homeopatia. tais publicações são ferramentas de orientação indispensáveis para toda a categoria farmacêutica. Nessas Cartilhas são apresentadas: • As áreas de atuação. Boa leitura! COMISSÃO ASSESSORA DE FARMÁCIA CLÍNICA 5 . Regulação e Mercado. a saber: Acupuntura.

Es- peramos que a Cartilha de Farmácia Clínica contribua para o fortalecimento da categoria nesse segmento. a atuação do farmacêutico é essencial no cuidado direto ao paciente. familiares. apresentar um pouco das pos- sibilidades nesta área. a partir das necessidades dos pacientes. país e editora. O ISBN é um sistema internacional que identifica numericamente os livros segundo título. O objetivo é esclarecer aos colegas que. para promover o uso racional de medicamentos. o que faz dele uma publicação única no universo literário. autor. APRESENTAÇÃO A Comissão Assessora de Farmácia Clínica e o Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo (CRF-SP) buscam. por meio desta cartilha. 6 COMISSÃO ASSESSORA DE FARMÁCIA CLÍNICA . O CRF-SP tomou a iniciativa de inscrever este rico material técnico na Agência Brasileira do ISBN – International Standard Book Number. cuidadores e sociedade. vinculada à Fundação Biblioteca Nacio- nal.

............................................ ATIVIDADES .................FARMÁCIA CLÍNICA .............................................................. 9 II.............................................. 31 SITES INTERESSANTES ......... LEGISLAÇÃO ..... INDICADORES EM FARMÁCIA CLÍNICA .............................................................................................. A COMISSÃO ASSESSORA DE FARMÁCIA CLÍNICA ................................................... 33 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................................................................................................MODELO DE FICHA DE ENTREVISTA CLÍNICA .......................................... 37 ANEXO II – ORIENTAÇÃO FARMACÊUTICA ...... 10 III................................................... 8 I............................................................ 31 V................................. 39 ANEXO III – MODELOS DE DECLARAÇÃO DE SERVIÇOS FARMACÊUTICOS ..........................................................SUMÁRIO INTRODUÇÃO ................................................................................ 34 ANEXO I .......................................... 43 COMISSÃO ASSESSORA DE FARMÁCIA CLÍNICA 7 ..................... 30 IV............................................................... O PROFISSIONAL (PERFIL E ATRIBUIÇÕES) ...................... 40 ENDEREÇOS E TELEFONES ...........................................................................................................

compreen- de o julgamento e a interpretação na coleta de dados necessários para individualização da farmacoterapia. entre outros locais. a Resolução n° 585. home care. 8 COMISSÃO ASSESSORA DE FARMÁCIA CLÍNICA . de forma a otimizar a farmacoterapia. Sendo assim. com a industrialização. com ação integrada à equipe de saúde. farmácias comunitárias. públicos ou privados. a prática da farmácia clínica em hospitais. na qual os farmacêuticos prestam cuidado ao paciente. ambulatórios. na década de 1960. contribuindo com seus conhecimentos para otimizar a farmacoterapia. do Conselho Federal de Farmácia define a farmácia clínica como área da farmácia voltada à ciência e prática do uso racional de me- dicamentos. Esta cartilha apresentará um breve panorama da atuação do farmacêutico clínico. Pode ser desenvolvida por meio da prestação de serviços farmacêuticos direcionados aos pacientes (provedor do cuidado) e também serviços voltados à equipe de saúde (consultor). Por esta razão. os farmacêuticos que atuavam na área assistencial perderam sua identidade e se distanciaram tanto da equipe de saúde quanto do paciente. nos Estados Unidos. INTRODUÇÃO A partir da Segunda Guerra Mundial. a fim de contribuir na potencialização da terapia e na redução de erros. que permitia aos farmacêuticos participarem novamente das equipes de saúde. promover saúde e bem-estar e prevenir doenças. Esta prática pode ser de- senvolvida em hospitais. de 2013. unidades básicas de saúde. expondo as principais atividades que podem ser desempenhadas nessa área. surgiu o termo “farmácia clínica”. de custos e de eventos adversos. Nesse sentido. Cabe a cada profissional atualizar-se continuamente.

promoção e recuperação da saúde. foco no desfecho clínico. COMISSÃO ASSESSORA DE FARMÁCIA CLÍNICA 9 . curiosidade. dos cuidadores e da comunidade. • Fisiologia. dinamismo e facilidade para trabalhar em equipe. Nesse sentido. visando sempre a proteção. além de prevenir doenças e outros problemas de saúde. Além disso. da família. liderança. Para o desenvolvimento da farmácia clínica. nexo casual. é importante também possuir características tais como visão sistêmica. Estes pré-requisitos podem contribuir para que o farmacêutico exerça suas atividades com autonomia e baseado em princípios éticos. • Farmacocinética e Farmacodinâmica.I. e têm como objetivo atender às necessidades de saúde do pacien- te. • Farmacotécnica. de 29 de agosto de 2013. As atribuições clínicas do farmacêutico no Brasil estão definidas na Resolução do CFF n° 585. é essencial que o farmacêutico possua os se- guintes conhecimentos técnicos: • Farmacologia/Farmacoterapia. o farmacêutico tem a respon- sabilidade de aplicar conhecimentos que promovam saúde e bem-estar a todos os envolvidos. • Interpretação de Exames Laboratoriais. O PROFISSIONAL (PERFIL E ATRIBUIÇÕES) Perfil do Farmacêutico Clínico O farmacêutico clínico é o profissional que participa ativamente na assistência ao paciente e está inserido na equipe multiprofissional.

1) ATENÇÃO FARMACÊUTICA De acordo com a proposta do Consenso de Atenção Farmacêutica publicada em 2002. valores éticos. realizada pelo farmacêutico clínico. visando uma farmacoterapia racional e a obtenção de resultados definidos e mensuráveis. Sendo assim. 10 COMISSÃO ASSESSORA DE FARMÁCIA CLÍNICA . por um período adequado e ao menor custo para si e para a comunidade”. Cabe a cada profissional adaptar essas atividades às exigências das respectivas instituições. 2) USO RACIONAL DE MEDICAMENTOS (URM) De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS). 3) ANAMNESE FARMACÊUTICA Consiste em uma entrevista clínica. promover o URM. bem como o tempo de tratamento e os riscos de danos aos pacientes. promoção e recuperação da saúde. comportamentos. “há uso racional de medicamentos quando pacientes recebem medicamentos apropriados para suas condições clínicas. É a interação direta do farmacêutico com o usuário. voltados para a melhoria da qualidade de vida”. habilidades. compromissos e correspon- sabilidades na prevenção de doenças. o uso irracional pode elevar custos. de forma integrada à equipe de saúde. o farmacêutico clínico necessita de sólidos conhecimentos para auxiliar a equipe multiprofissional na tomada de decisão da terapêutica mais adequada e. II. e tem como foco três pontos: perfil do paciente. Neste momento. es- pecialmente pelos que atuam em hospitais públicos ou privados. em doses adequadas às suas necessidades individuais. Portanto. ATIVIDADES As atividades descritas a seguir podem ser desempenhadas pelos farmacêuticos clínicos. Compreende atitudes. com o paciente. o farmacêutico clínico obtém dados subjetivos e objetivos que orientarão a sua conduta na elaboração do plano terapêutico. história clínica e história farmacoterapêutica. assim. Atenção Far- macêutica é: “um modelo de prática farmacêutica desenvolvida no contexto da assistência farmacêuti- ca.

2011 As etapas ilustradas na figura 1 poderão variar de acordo com o ambiente no qual está inserido o serviço farmacêutico. a seguir. o farmacêutico clínico atenderá os pacientes um a um. por exemplo: hospitais públicos ou privados. A figura 1. bem como identificar problemas relacionados à medicação. por meio da detecção. drogarias. Etapas da Consulta Farmacêutica • Resultados e progresso • Motivo da consulta do paciente • Dados específicos • Alcance das metas Realizar o Coletar e do paciente terapêuticas seguimento organizar • História clínica • Novos problemas individual do dados do • História de medicação paciente paciente Elaborar um Identificar plano de problemas • Análise Situacional • Definir Metas terapêuticas cuidado em relacionados à • Revisão da • Intervenções conjunto com farmacoterapia farmacoterapia • Agendamento de retorno o paciente • Identificação dos problemas e seguimento presentes e potenciais Fonte: Correr e Otuki. Com isso. realizando intervenções farmacêuticas. Se- guimento Farmacoterapêutico é: “um componente da Atenção Farmacêutica e configura um processo no qual o farmacêutico se responsabiliza pelas necessidades do usuário relacionadas ao medicamento. em consultas individualizadas. farmácias comunitárias e home care. Estes dados são registrados e arquivados no prontuário do paciente. 5) SEGUIMENTO FARMACOTERAPÊUTICO De acordo com a proposta do Consenso de Atenção Farmacêutica publicada em 2002. prevenção e resolução de Problemas Relacionados COMISSÃO ASSESSORA DE FARMÁCIA CLÍNICA 11 . o farmacêutico clínico poderá revisar a farmacoterapia. mostra cada etapa detalhada: Figura 1. a fim de coletar e organizar dados do paciente.4) CONSULTA FARMACÊUTICA Na prática diária.

7) ANÁLISE DA PRESCRIÇÃO A prescrição consiste no conjunto de ações documentadas relativas ao cuidado da saúde. Vale ressaltar que é importante realizar uma análise crítica para evitar danos ao paciente. de forma sistemática. pois. registro de internação. aos Medicamentos (PRM). em conjunto com a equipe multiprofissional. o farmacêutico clínico é responsável pela análise da prescrição do paciente e deve considerar sempre: • Identificação do paciente: nome. buscando a melhoria da qualidade de vida do usuário”. • Aspectos da administração dos medicamentos: reconstituição. exclusão de medicamentos. peso e altura. que tem como objetivo identificar PRM. tempo de infusão. Desta forma. sexo. Os problemas mais comuns podem incluir duplicidades terapêuticas. Por meio deste processo. • Frequência: o intervalo correto entre as doses e o aprazamento adequado. é possível identificar a automedicação e também o uso inade- quado dos medicamentos. idade. ajuste de dose renal/hepática. • Dose: dose adequada para a indicação terapêutica. em formas farmacêuticas ou em posolo- gias. que podem resultar no aumento dos riscos de eventos adversos. • Aspectos do paciente: o registro de alergias e uso de medicamento prévio. dose máxima diária. 6) CONCILIAÇÃO MEDICAMENTOSA Trata-se de um processo de revisão da farmacoterapia. 12 COMISSÃO ASSESSORA DE FARMÁCIA CLÍNICA . a fim de proporcionar ao paciente os benefícios dos efeitos terapêuticos desejados. O farmacêutico clínico tem papel fundamental nesta atividade. poderá garantir a continuidade do tratamento de pacientes inter- nados que fazem uso prévio de medicamentos. estabilidade e incompatibilidade. diluição. omissão de medicamentos e diferenças em doses. contínua e documentada. com o objetivo de alcançar resultados definidos. ajuste de dose para pacientes idosos/crianças/gestantes/lactantes.

como também sua ligação a proteínas plasmáticas e o transporte de metabóli- tos. pode causar edema. hepatopatas. pois a administração de grandes volumes de líquido. gestantes. idosos. o comprometimento renal afeta não apenas a excreção dos fármacos. pois assim é possível estipular doses mais precisas e seguras a serem administradas nos pacientes. Devem- -se considerar características específicas em pacientes pediátricos. COMISSÃO ASSESSORA DE FARMÁCIA CLÍNICA 13 . o farmacêutico clínico deve consultar as literaturas e ser capaz de avaliar a melhor dose ou intervalo de administração dos medicamentos. Desta forma. padronização da instituição. Portanto. Nesse sentido. • Via de administração: via correta e se há necessidade de ajustes de formas farmacêuticas. críticos. No caso de pacientes nefropatas. 8) AJUSTE DE DOSE A individualização da dose é um dos fatores importantes para o sucesso terapêutico. entre outros. a falta do ajuste de dose pode ocasionar acúmulo dos medicamentos. diminuindo a sua disponibilidade no organismo. é essencial que o farmacêutico clínico tenha conhecimento tanto da farmacociné- tica quanto da farmacodinâmica dos medicamentos. nefropa- tas. o aparecimento de efeitos tóxicos. imunossuprimidos. permitindo. pró-fármacos que precisam da etapa de me- tabolização para garantir sua ação). é im- portante que o farmacêutico clínico conheça as características físico-químicas dos medicamen- tos e também a característica do método dialítico. assim. para identificar oportunidades de ajuste. contraindicações e interações medicamentosas. bem como ineficácia terapêutica (por exemplo. No caso de pacientes com comprometimento hepático. Outro ponto a ser observado nestes pa- cientes é a propensão à retenção hídrica. • Medicamento: disponibilidade no mercado. Portanto. juntamente com a diminuição da excreção renal. uma vez que há medicamentos que podem ficar retidos no filtro durante o processo de diálise. o acúmu- lo de líquido fora do leito vascular pode ocasionar um a maior distribuição de medicamentos. indicações terapêuticas. Vale ressaltar ainda que pode ser necessário o ajuste de dose em pacientes com disfunção renal grave que iniciam a terapia renal substitutiva (diálise). principalmente quando há disfunção renal grave.

Na ausência destas soluções. a grande maioria das interações é indesejável. alimento. intramuscular. 2002). 2011). Deve-se dar preferência por soluções que foram desenvolvidas para administração pela via enteral. a fim de facilitar a sua utilização e obter o efeito terapêutico desejado. biotransformação ou excreção de uma droga (RUIZ. A IM pode ser classificada. É essencial que o farmacêutico clínico considere a condição clínica do paciente. distribuição. Além disso. podendo causar toxicidade inesperada ou perda do efeito desejado (BORGES et al. transdérmica e sublingual. de acordo com sua natureza. alteração da forma farmacêutica ou sugestão de alternativas terapêuticas. abertura de cápsulas e dissolução de conteúdo em água. o farmacêutico clínico deve participar da elaboração de guias e manuais contendo informações relacionadas à trituração de comprimidos. em farmacocinética ou farmacodi- nâmica. bem como a via de administração disponível. 1993). com características apropria- das a uma determinada via de administração (ANVISA.. Embora em alguns casos os efeitos destas interações sejam benéficos. a fim de evitar falhas terapêuticas. A interação farmacocinética é aquela em que um medicamento. deve-se considerar a utilização de medicamentos por vias alternativas. tais como: endovenosa. bebida ou substâncias fisiológicas no organismo. 10) INTERAÇÃO MEDICAMENTOSA (IM) Interação Medicamentosa (IM) é a alteração dos efeitos de um medicamento pela presença simultânea de outro medicamento. tendo em vista as diversas formas farmacêuticas dos medica- mentos. A seguir serão apresentadas as possíveis interações farmacocinéticas: 14 COMISSÃO ASSESSORA DE FARMÁCIA CLÍNICA . Deve ainda realizar uma análise do ponto de vista farmacológico e farmacotécnico. alimento ou bebida altera a velocidade ou a extensão de absorção. 9) ADEQUAÇÃO DE FORMAS FARMACÊUTICAS Forma farmacêutica é o estado final de apresentação dos princípios ativos após uma ou mais operações farmacêuticas executadas com ou sem a adição de excipientes apropriados. riscos biológicos para profissionais de saúde e possíveis danos ao paciente.

cetoconazol. tabaco. quando ingeridos ao mesmo tempo ou em curto intervalo de tempo. ferro. verapamil. entre outras substâncias) d. • Adsorção. Possível intervenção farmacêutica: intervalo de 2 horas entre as administrações/ingestões. ciprofloxacino. cimetidina. Interações que interferem na excreção • Alteração no pH urinário. Interações que interferem na absorção • Alteração no pH gastrointestinal. entre outras substâncias). carbamazepina. b. dextropropoxifeno. eritromicina. fenitoína. Interações que interferem na distribuição • Competição na ligação a proteínas plasmáticas. será apresentado alguns exemplos de IM prejudiciais ao paciente: • Quelação de tetraciclinas e quinolonas com íons metálicos como cálcio. glutetimida. metronidazol. A seguir. idrocilamida. isoniazida. • Hemodiluição com diminuição de proteínas plasmáticas. fenilbutazona. a. • Inibição enzimática (por exemplo: alopurinol. • Alteração na excreção biliar e ciclo entero-hepático. magnésio e alumínio. com redução da absorção e da ação dos antimicrobianos. • Alteração na motilidade gastrointestinal. cloranfenicol. quelação e outros mecanismos de complexação. COMISSÃO ASSESSORA DE FARMÁCIA CLÍNICA 15 . • Alteração na excreção ativa tubular renal. fluconazol. Interações que interferem na biotransformação • Indução enzimática (por exemplo: barbituratos. c. primidona. dissulfiram. • Alteração no fluxo sanguíneo renal. fluoxetina. rifampicina.

A interação farmacodinâmica. junto à equipe multiprofissional. Portanto. Possível intervenção farmacêutica: administração da levotiroxina em jejum. para possível ajuste de dose da varfarina. é ne- cessário avaliar o risco/benefício da continuidade do tratamento. para auxiliar na eliminação de salicilatos em casos de intoxicação. quando esta for benéfica para o paciente. ou após 1 hora da interrupção da administração da dieta enteral. • Redução no metabolismo da varfarina e aumento da sua concentração sérica quando administrada concomitantemente com fluconazol. considerando a sua relevância no tratamento proposto. o farmacêutico clínico. • Alcalinização da urina com bicarbonato de sódio. 1993). por sua vez. reduzindo sua biodisponi- bilidade. Possível intervenção farmacêutica: acom- panhamento cuidadoso da evolução do valor de INR (Índice Normalizado Internacional). conforme a seguir: • Aumento na absorção de ferro se administrado concomitantemente com vitamina C. deve analisar as possíveis IM desfavoráveis. por meio da inibição ou estímulo à interação fármaco-receptor (RUIZ. Da mesma forma. • Inibição da absorção de levotiroxina se administrada concomitantemente ou em curto intervalo de tempo com dieta enteral ou alimentos ricos em fibra. o farmacêutico clínico pode e deve intervir junto à equipe multiprofissio- nal. 16 COMISSÃO ASSESSORA DE FARMÁCIA CLÍNICA . bem como as alternativas te- rapêuticas disponíveis e a necessidade de monitoramento de sinais e/ou sintomas do paciente com relação à possibilidade de algum desfecho desfavorável. é aquela que ocorre nos sítios de ação dos fárma- cos. • Uso do antagonista naloxona em casos de intoxicação por opioides. Além disso. sugerindo associação medicamentosa sinérgica.

bolsas. As reações físico-químicas entre fármacos ou entre fármacos e solventes ocorrem quando há a mistura de dois ou mais compostos em frascos. administração e armazenamento de medicamentos. como é o caso do diazepam e o propofol sendo infundidos em mesma via. As incompatibilidades podem ser observadas por alteração de cor. 12) MONITORAMENTO DE FÁRMACOS O monitoramento sérico de fármacos. como.11) INCOMPATIBILIDADE MEDICAMENTOSA A incompatibilidade medicamentosa. orientando a equipe multiprofissional. por exemplo. a claritromicina sendo reconstituída em solução contendo sódio. pode ocorrer adsorção de fármacos a superfícies plásticas ou de vidro das embalagens e materiais utilizados no preparo. Este procedimento é utilizado para otimizar a farmacoterapia. Ou ainda durante infusão ve- nosa. por exemplo. é diferen- te da IM. ou formação de precipitado. aspecto. Além disso. também chamada de interação farmacêutica. permitindo o ajuste de dose de medicamentos de acordo com as características individuais do paciente. a diluição de amioda- rona em bolsas contendo policloreto de vinila (PVC). como. do inglês Therapeutic Drug Monitoring (TDM). Este fenômeno deve-se a reações físico-químicas entre fármacos. bem como à ocorrência de reações adversas. COMISSÃO ASSESSORA DE FARMÁCIA CLÍNICA 17 . porque ocorre fora do organismo. fármacos e solventes ou entre fármacos e recipientes. Vale ressaltar que este fenômeno pode estar relacionado à perda de eficácia do medicamen- to. no momento do preparo ou da adminis- tração. con- siste na análise dos resultados de dosagem de nível sérico de medicamento no sangue. ou seja. um embolismo venoso por infusão de solução contendo precipitado visível ou não a olho nu. como. Cabe ao farmacêutico clínico estar atento e prevenir estas incompatibilidades. Já as reações físico-químicas entre fármacos e recipientes ocorrem quando são diluídos ou colocados em contato com materiais como cateteres e equipos. por exemplo. seringas.

• Casos de alteração da dose. • Medicamentos potencialmente tóxicos. Apesar de haver variações de acordo com cada instituição. • Pacientes com resposta terapêutica inadequada. De modo geral. Ressalta-se que as principais classes que apresentam necessidade de serem monitoradas sericamente são: antimicrobianos. • Pacientes com suspeita de toxicidade. Principais exemplos de medicamentos utilizados na prática clínica Antimicrobianos Vale Pico Vancomicina 10 a 20 mcg/ml 20 a 40 mcg/ml Gentamicina 0. • Medicamentos que possuem alta taxa de ligação às proteínas. os critérios utilizados para determinar se um medicamento deve ser moni- torado ou apenas avaliado por meio da resposta clínica podem ser: • Medicamentos com estreita margem terapêutica. • Viabilidade técnica de detecção do fármaco no sangue. a tabela 1 demonstra os principais exemplos de medicamentos utilizados na prática clínica: Tabela 1. • Mudança no estado clínico do paciente ou introdução de outros medicamentos.5 a 2 mcg/ml 4 a 10 mcg/ml 18 COMISSÃO ASSESSORA DE FARMÁCIA CLÍNICA .5 a 2 mcg/ml 4 a 10 mcg/ml Amicacina 4 a 8 mcg/ml 25 a 35 mcg/ml Tobramicina 0. anticonvulsivantes e imunossupressores. • Medicamentos em que há dificuldade de estabelecer a eficácia clínica.

função renal/hepá- tica e alterações hemodinâmicas. coagulograma. peso. Além disso. Dentre os principais exames bioquímicos analisados estão: hemograma. é essencial conhecer os principais exames laboratoriais: bioquímicos e microbiológicos. fun- ção renal. hormônios. função hepática. COMISSÃO ASSESSORA DE FARMÁCIA CLÍNICA 19 .8 a 2 ng/ml Teofilina 10 a 20 mcg/ml Fonte: GlobalRPh. Anticonvulsivantes Fenitoína 10 a 20 mcg/ml 20 a 40 mcg/ml Carbamazepina 4 a 12 mcg/ml 4 a 10 mcg/ml Fenobarbital 10 a 40 mcg/ml 25 a 35 mcg/ml Ácido Valproico 40 a 100 mcg/ml 4 a 10 mcg/ml Imunossupressores Ciclosporina 150 a 400 mcg/ml Tacrolimus 10 a 20 mcg/ml (indução) 10 a 20 mcg/ml (manutenção) Sirolimo 5 a 15 mcg/ml Digoxina 0. O farmacêutico clínico deve estar atento ao monitoramento. gênero. Para o exercício da farmácia clínica. para garantir segurança e eficácia no uso dos medicamentos. marcadores inflamatórios e infecciosos. A individualização da terapia considera fatores como idade. 13) ANÁLISE DE EXAMES LABORATORIAIS O exame laboratorial é uma tentativa de representação numérica de uma função orgânica. eletrólitos. além de propor as alterações necessárias para esta adequação. 2015. é fundamental entender as expectativas quanto aos resultados e possibilidades de interferências tanto de medicamentos quanto da própria condição clínica do paciente.

porém a mais utilizada é Cockroft-Gault (conforme consta no quadro 2). avalia a velocidade e a eficiência da filtra- ção glomerular. o farmacêutico clínico pode identificar injúria renal causada por medicamentos e realizar ajustes de doses. Desta forma. os quais são detalhados a seguir: Hemograma A análise do hemograma permite ao farmacêutico clínico avaliar os seguintes parâmetros: Hematócrito e Hemoglobina: mostram se o paciente teve sangramento. Coagulograma A análise do coagulograma permite ao farmacêutico clínico avaliar os seguintes parâmetros: Razão Normalizada Internacional (RNI): por meio do valor do RNI. que podem ser consequência do uso de determinados medicamentos. glicemia e enzimas cardíacas. necessida- de de transfusão sanguínea. há dis- poníveis programas de cálculo da função renal que podem ser acessado gratuitamente. Função Renal A creatinina é um marcador de função renal e por meio de sua determinação é possível calcular o clearance de Creatinina. Destaca-se que há inúmeras fórmulas para calcular o clearance. imunossupressão. Tempo de trombloplastina parcial ativado (TTPA): por meio do valor de TTPA. Vale ressaltar ainda que. 20 COMISSÃO ASSESSORA DE FARMÁCIA CLÍNICA . anemia. por sua vez. atualmente. Plaquetas: a contagem de plaquetas possibilita a identificação de alterações hemodinâmica. é possível avaliar o risco de sangramento para pacientes em uso de heparinas. é possível verificar se a dose do anticoagulante oral está adequada. Leucograma: a contagem dos leucócitos pode mostrar processos inflamatórios e infecciosos. Este.

antigamente chamado de transaminase glutâmico-oxalacética (TGO). Fórmula de Cockroft-Gault Cockroft-Gault para pacientes adultos (140 – idade) X peso ClCr ml/mim =__________________________ X (0. interferindo na função do fígado.85. se mulher) 72 X creatinina sérica (mg/dl) Fonte: Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) Função Hepática É importante que a função hepatocelular seja avaliada pelo farmacêutico clínico. por meio de exames laboratoriais. tendo em vista que os medicamentos são metabolizados no fígado e. e aspartato aminotransferase (AST). Por esta razão. antigamente chamado de transaminase glutâmico-pirúvica (TGP). é essencial que o farmacêutico clínico avalie os seguintes exames: bilirrubina. alanina aminotransferase (ALT). dependendo do histórico do paciente. Quadro 2. COMISSÃO ASSESSORA DE FARMÁCIA CLÍNICA 21 . pode haver lesões hepáticas (destruição de hepató- citos).

tendo em vista que podem impactar na condição clínica do paciente. O farmacêutico clínico pode avaliar e intervir para reposição ou suspensão de eletrólitos ou ainda no ajuste de diluição dos medicamentos. Marcadores Inflamatórios e Infecciosos A análise de marcadores inflamatórios e infecciosos permite ao farmacêutico clínico avaliar os seguintes parâmetros: Proteína C Reativa (PCR): uma proteína de fase aguda capaz de indicar processos inflamató- rios e infecciosos. Hormônios A dosagem de hormônios tireoidianos mostra tanto as alterações metabólicas quanto a ne- cessidade de reposição. cloreto de cál- cio e gluconato de cálcio. Vale ressaltar que é importante conhecer as soluções de reposição disponíveis no mercado: cloreto de sódio. Eletrólitos O farmacêutico clínico deve também avaliar alterações dos eletrólitos. cloro (Cl). Procalcitonina (PCT): proteína que apresenta maior vantagem em termos de sensibilidade e especificidade quando comparada a outras de fase aguda. Marcadores cardíacos A análise de marcadores cardíacos permite ao farmacêutico clínico avaliar os seguintes parâmetros: 22 COMISSÃO ASSESSORA DE FARMÁCIA CLÍNICA . sulfato de magnésio. fosfato de potássio e glicerofosfato de sódio. Glicemia A monitorização da glicemia permite avaliar a efetividade ou a necessidade de ajuste de in- sulinoterapia nos pacientes. bicarbonato (HCO3) e fosfato (PO4). bicarbonato de sódio. cloreto de potássio e fosfato de potássio. cálcio (Ca). potássio (K). magnésio (Mg). Os principais eletrólitos a serem monitora- dos são: sódio (Na).

COMISSÃO ASSESSORA DE FARMÁCIA CLÍNICA 23 . vesícula ou do trato gastrintestinal. e duas delas são adequadas para dosagem como marcadores cardíacos específicos: a troponina I e a troponina T. É fundamental que o farmacêutico clínico saiba que o resultado de apenas um exame altera- do não é capaz de ilustrar toda uma situação clínica. a fim de evitar resistência. embolia pulmonar.Creatinofosfoquinase (CPK): os níveis aumentados podem indicar infarto do miocárdio. O pico de elevação está em torno de 24 horas e declina dentro de muitos dias. esta enzima pode ser aumentada em pacientes que apresentam rabdomiólise (lesão muscular) por uso de estatinas. é necessário que seja realizada uma correlação da condição clínica do paciente com exames anteriores. Há um intervalo de horas entre o infarto do miocárdio e a detecção de troponina na circulação. lesão da musculatura cardíaca ou esquelética. Além disso. sua aplicação clínica é semelhante. hipertermia maligna. 14) VISITA MULTIPROFISSIONAL A visita multiprofissional é o momento em que a equipe de saúde se reúne para discutir os casos clínicos. injeções intramusculares. hipotireoidismo. Embora essas duas proteínas tenham diferentes propriedades. Para a identificação de oportunidades de intervenção. neoplasias de próstata. podendo ser à beira do leito ou em formato de reunião clínica. doença muscular cardíaca congênita. Destaque-se que é importante considerar a Concentração Inibitória Mínima (CIM) na escolha do melhor agente anti-infeccioso. ou em dias e horários preestabelecidos. Troponina I: a troponina é um complexo de três proteínas. Pode ocorrer diariamente. Creatinofosfoquinase fração MB (CKMB): é uma isoenzima da creatinofosfoquinase (CPK) que é liberada pelo músculo cardíaco. fungos e vírus permite ao farmacêutico clínico avaliar se o antimicrobiano administrado ao paciente está sendo efe- tivo. a presença de bactérias. convulsões generalizadas. a qual se eleva quando ocorre isquemia em uma de- terminada região do músculo cardíaco. Com relação aos exames microbiológicos. doenças infecciosas. acidente vascular cerebral.

o farmacêutico deve realizar a evolução farmacêutica e registrar no prontuário do paciente as ações tomadas diante de cada caso. consti- tuído de um conjunto de informações. o farmacêutico clínico tem o direito e o dever de registrar no prontuário do pacien- te todas as informações necessárias para a melhoria da farmacoterapia. acontecimentos e situações sobre a saúde do paciente e assistência a ele prestada. Segundo a Portaria do Ministério da Saúde (MS) nº 4283/2010. do CFF. a guarda e o manuseio de informações resultantes da prática da assistência farmacêutica nos serviços de saúde. Além disso. os profissionais envolvidos no cuidado do paciente identificam os pontos específi- cos de cada área de atuação e avaliam as necessidades dele. de caráter legal. de 2013. Na visita. cabe ao farmacêutico clínico identificar a conduta de cada profissional e assim detectar oportunidades de ações de melhoria da terapêutica. o farmacêutico deve registrar as informações relevantes para a tomada de decisão da equipe multiprofissional. contribuindo para a construção de um plano terapêutico singular e mais humanizado. conforme a Resolução n° 585. Neste contexto. de acordo com a Resolução n° 555. A participação efetiva é o que garante a integração real na equipe multidisciplinar. do Conselho Federal de Farmácia. que aprova as diretrizes e estratégias para organização. fortalecimento e aprimoramento das ações e serviços de farmá- cia no âmbito dos hospitais. gerados a partir de fatos. que possibilita a comunicação entre membros da equipe multipro- fissional e a continuidade da assistência prestada ao indivíduo”. que regulamenta o registro. 24 COMISSÃO ASSESSORA DE FARMÁCIA CLÍNICA . 15) EVOLUÇÃO EM PRONTUÁRIO O Conselho Federal de Medicina (CFM) define prontuário como “documento único. sinais e imagens registrados. Portanto. o prontuário é o conjunto de documentos relativos à assistência prestada a um paciente. cabe ao farmacêutico o registro formal de suas ações no prontuário do paciente. Desta forma. Mais recentemente. de 2011. sigiloso e científico.

diagnóstico. os assuntos a seguir também são importantes para a farmacovigilância: • Desvios da qualidade de produtos farmacêuticos. • Interações medicamentosas. Portanto. 17) FARMACOVIGILÂNCIA “Farmacovigilância é a ciência das atividades relativas à identificação. compreensão e prevenção de efeitos adversos ou qualquer problema possível relacionado com fármacos” (WHO. • Erros de administração de medicamentos. auxiliar na resolução. O farmacêutico clínico tem papel relevante em direcionar os problemas relacionados à COMISSÃO ASSESSORA DE FARMÁCIA CLÍNICA 25 . • Abuso e uso inadequado de produtos. não intencional. por estar integrado à equipe multiprofissional e próximo ao paciente. • Notificação de casos de intoxicação aguda ou crônica por produtos farmacêuticos. é um dos responsáveis por prevenir. 2011). bem como monitorar a evolução de reações adversas a medicamentos.16) REAÇÃO ADVERSA A MEDICAMENTOS (RAM) Reação Adversa a Medicamentos (RAM) é qualquer resposta prejudicial ou indesejável. • Notificações de perda de eficácia. terapia da doença ou para a modificação de funções fisiológicas (ANVISA. identificar. avaliação. Além disso. O farmacêutico clínico. além das reações adversas a medicamentos. • Uso de fármacos para indicações não aprovadas (off label). é fundamental avaliar as relações de causalidade. que ocorre nas doses usualmente empregadas no homem para profilaxia. a um medicamento. devendo notificá-las para as autoridades sanitárias. 2002).

“erro de medicação é qualquer evento evitável que. administração. 26 COMISSÃO ASSESSORA DE FARMÁCIA CLÍNICA . quando da administração de fármacos em horários adequados. isto é. Esse conceito implica que o uso inadequado pode ou não lesar o paciente. embalagens. de acordo com as variações circadianas. dimensionar e registrar as ocorrências de erros de medi- cação. desta forma. monitoramento e uso de medicamentos”. dispensação. rótulos. segurança no uso dos medicamentos às áreas pertinentes da assistência farmacêutica. pode levar ao uso inadequado de medicamento. educação. deste modo é recomendada a administração de estatinas (agentes bloqueadores da enzima responsável pela produção do colesterol) no período noturno. O erro pode estar relacionado à prática profissional. procedimentos. nomes. esses conhecimentos podem auxiliar tanto a equipe multiprofissional quanto o paciente. e não importa se o medicamento se encontra sob o controle de profissio- nais de saúde. para a otimização da terapia e redução de eventos adversos. distribuição. preparação. do paciente ou do consumidor. Além disso. é essencial trabalhar em conjunto com os gestores para definir ações preventi- vas e corretivas a fim de aumentar a segurança no uso de medicamentos. problemas de comunicação. ga- rantindo ações de melhoria de qualidade dos produtos e processos. fisiolo- gicamente o pico de produção de colesterol ocorre à noite. 18) ERROS DE MEDICAÇÃO De acordo com o National Coordinating Council for Medication Error Reporting and Prevention (NCCMERP). incluindo prescri- ção. Cabe ao farmacêutico clínico identificar. Por exemplo. garantindo. de fato ou potencialmente. 19) CRONOFARMACOLOGIA A cronofarmacologia é a ciência que estuda os efeitos dos medicamentos no organismo em virtude das alterações diurnas e noturnas. O farmacêutico clínico deve estar atento às influências dos medicamentos nos ciclos circa- dianos. Portanto. produtos usados na área de saúde. uma farmacoterapêutica com maior eficácia e comodidade ao paciente e proporcio- nando melhor adesão ao tratamento.

pois faz a ligação entre a gestão dos medicamentos e a gestão da clínica. 21) PARTICIPAÇÃO EM COMISSÕES HOSPITALARES O farmacêutico clínico exerce papel importante nas comissões. destacam-se: • Equipe Multidisciplinar de Terapia Nutricional (EMTN): o farmacêutico clínico poderá acom- panhar pacientes em terapia nutricional. • Equipe Multidisciplinar de Terapia Antineoplásica (EMTA): nesta equipe. o farmacêutico clínico possui papel fundamental na elaboração de protocolos clínicos junto à equipe multiprofissional. Envolve quatro situações: o diagnóstico. Além disso. o tratamento. saúde baseada em evidências. principalmente em uso de nutrição parenteral. Desta forma.20) PROTOCOLOS CLÍNICOS Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas são documentos elaborados pela equipe multi- disciplinar com o objetivo de estabelecer as melhores condutas diante de uma situação clínica. por possuir sólidos conhecimentos sobre medica- mentos. O suporte para os protocolos clínicos pode ser encontrado no portal do Ministério da Saúde. • Comissão de Controle de Infecção Hospitalar: o farmacêutico clínico tem papel importante na promoção do uso racional de antimicrobianos. auxiliará na administração correta de medicamentos por sondas. o prognóstico e a prevenção. o farmacêutico clí- nico tem papel importante no acompanhamento dos pacientes oncológicos e seus regimes terapêuticos. farmacoepidemiologia e farmacoeconomia. Há comissões em que o farmacêutico clínico será um consultor e outras em que poderá agir ativamente. sem desconsiderar a segurança das intervenções. • Comissão de Farmácia e Terapêutica: o farmacêutico clínico poderá atuar fornecendo infor- COMISSÃO ASSESSORA DE FARMÁCIA CLÍNICA 27 . Dentre as principais comissões. cuja abordagem integra a experiência clínica às melhores evi- dências científicas. farmacoterapia.

bem como à melhor forma de administrar os medicamentos. é importante a atualização sobre medi- camentos. e deste modo a educação continuada tem papel fundamental. reduzindo. analisa. Para isso. A base de dados deve ser atualizada. realizando estudos de farmacoeconomia. avalia e fornece informação sobre medicamentos. im- parcial e em tempo hábil. precisa. • Comissão de Gerenciamento de Risco (segurança do paciente): o farmacêutico clínico po- derá auxiliar nas ações de prevenção. a ocorrência de problemas relaciona- dos ao tratamento e contribuindo com a melhoria da adesão e a eficácia terapêutica. tendo o profissional desse local a função de avaliar criticamente as fontes antes de transmiti-las às pessoas solicitantes.” (VIDOTTI et al. 22) ORIENTAÇÃO AO PACIENTE A orientação é o momento em que o farmacêutico clínico instrui o paciente quanto à finali- dade do tratamento. estudos de utilização de medica- mentos. além dos riscos e efeitos que podem ocorrer. promovendo uma farmacoterapêutica racional. confiável e pertinente. tratamentos e informações relevantes à sua prática. mações seguras. pacientes e cuidadores.. visando o seu uso racional. o farmacêutico clínico possui papel fundamental na educação da equipe multiprofissional. assim. Ressalta-se que é possível escolher grupos específicos de cuidados. caso haja dificuldade de realizar a orientação para todos os pacientes avaliados. 24) CENTRO DE INFORMAÇÃO SOBRE MEDICAMENTOS (CIM) “Centro de Informações sobre Medicamentos (CIM) é o local que reúne. contribuindo na seleção e padronização de medicamentos. Além disso. Algumas das atribuições de um CIM são: 28 COMISSÃO ASSESSORA DE FARMÁCIA CLÍNICA . 23) EDUCAÇÃO CONTINUADA O farmacêutico clínico deve manter-se atualizado no exercício da sua atividade. bem como no monitoramento de eventos adversos. 2000) Caracteriza-se por fornecer informações sobre medicamentos de forma clara.

consistem de serviços de indexação e resumo da literatura primária. • Treinamentos sobre temas da farmacoterapia. es- tudos de caso-controle. • Atividades de pesquisa sobre o uso de medicamentos. servem como orientadoras na busca de fontes primárias. principalmente. visando sempre o paciente como objetivo principal. Já as fontes terciárias COMISSÃO ASSESSORA DE FARMÁCIA CLÍNICA 29 . ensaios clínicos randomizados. idioma e custo. por sua vez. • Coordenação de programas de farmacovigilância (como notificação de reações adversas e erros de medicação). secundárias e terciárias. atualização. como por exemplo. Além disso. e a desvantagem de possuir custo de assinatura e qualidade variável de conteúdo. tanto de profissionais da saúde quanto do público em geral. • Participação efetiva junto às comissões hospitalares. evidência científica. • Publicação de materiais educativos e informativos. • Educação. As fontes secundárias. existem também as fontes chamadas de alternativas. Os aspectos mais importantes na escolha de uma fonte de infor- mação sobre medicamentos são: imparcialidade. Além destas. As fontes primárias (ou literatura primária) são constituídas por publicações científicas em revistas especializadas que relatam. como boletins e alertas. oferta de estágio. estudos de coorte. • Responder às perguntas relacionadas ao uso de medicamentos. 25) FONTES DE INFORMAÇÃO O acesso e o uso de informação apropriada e independente sobre medicamentos é um desafio para os profissionais de saúde. As fontes costumam estar divididas em primárias. principalmente da Comissão de Far- mácia e Terapêutica (CFT). O CIM oferece aos profissionais de saúde subsídios para melhorar o desempenho de suas atividades. Possuem a vantagem de fornecer informações recentes.

A escolha de indicadores deve ser embasada em uma série de atributos. simplicidade. organizações profis- sionais. por conseguinte. sem uma adequada seleção de indicadores. os artigos de revisão e meta-análise também são considerados literatura terciária. agências regulatórias e boletins independentes sobre medicamentos. 1996). INDICADORES EM FARMÁCIA CLÍNICA “Indicadores são marcadores da situação da saúde. ou em confecção de documentos técnicos. alvos e performances” (WHO. objetividade e baixo custo. seja no apoio em capacitações. para mostrar um eficiente panorama dos resultados da atuação do farmacêutico clínico e. levando em consideração os tipos de fontes utilizadas e os conteúdos dos textos analisados. o trabalho do farmacêutico clíni- co dificilmente será mensurado. podem-se citar: internet. sensibilidade. especificidade. Por outro lado. que não contribuirão para as tomadas de decisão. monografias e bases de dados computadorizadas. 30 COMISSÃO ASSESSORA DE FARMÁCIA CLÍNICA . a contínua conquista de espaço profissional. Caso contrário. quando comparadas com a literatura primária. em revisão de protocolos e processos. compêndios. reconhecido e aprimorado. Os indicadores podem fornecer material muito relevante para a ação adicional do farma- cêutico clínico junto à equipe multiprofissional. Já com relação às fontes consideradas alternativas. desempenho de serviços ou disponibili- dade de recursos definidos para permitir a monitorização de objetivos. Saliente-se que estas ações devem ser monitoradas. os indicadores serão apenas dados numéricos sem valor. tais como: valida- de. III. consistem em livros. A maioria das informações necessárias pelos profissionais pode ser encontrada nessas fontes. Além destas. ainda que deva ser considerado o aspecto da desatualização da informação. É necessário que o farmacêutico clínico desenvolva a avaliação crítica e o discernimento na leitura de informações sobre medicamentos.

além da proposição de normas e procedimentos. PORTARIA MS/SNVS n° 272. • Sugerir cursos a serem oferecidos pelo CRF-SP. são: • Assessorar a Diretoria do CRF-SP. RESOLUÇÃO CFF n° 308. • Propor temas para a divulgação na Revista do Farmacêutico ou no portal do CRF-SP. de acordo com o Regulamento Interno das Comissões Assessoras. • Atuar como fórum de discussão de temas específicos. clínicas e casas de saúde de natureza pública ou privada. • Desenvolver e propor a divulgação de novos trabalhos científicos de interesse da categoria em sua área de atuação.IV. • Escrever artigos de interesse da área para divulgação nos mesmos meios. • Sugerir eventos a serem oferecidos pelo CRF-SP e coordenados pelas Comis sões Assessoras. A COMISSÃO ASSESSORA DE FARMÁCIA CLÍNICA A Comissão Assessora de Farmácia Clínica foi criada em 2009 e promove reuniões a fim de desenvolver discussões sobre o âmbito profissional. de 30 de janeiro de 1997 . COMISSÃO ASSESSORA DE FARMÁCIA CLÍNICA 31 . Os principais objetivos da comissão. V.Regulamenta o exercício profissional em Farmácia e uni- dade hospitalar.FARMÁCIA CLÍNICA A seguir relacionam-se as principais legislações que podem ser consultadas pelos farmacêuticos clínicos: RESOLUÇÃO CFF n° 300. LEGISLAÇÃO . a pesquisa.Dispõe sobre a Assistência Farmacêutica em farmácias e drogarias. de 02 de maio de 1997 . de 8 de abril de 1998 .Aprova o Regulamento Técnico para fixar os requisitos mínimos para Terapia de Nutrição Parenteral constante do texto anexo desta portaria. • Propor normatizações relacionadas à sua área de atuação. o aperfeiçoamento.

RESOLUÇÃO CFF n° 416. RESOLUÇÃO CFF n° 505. de 20 de janeiro de 2000 . V. na forma dos anexos I. RESOLUÇÃO RDC Anvisa/MS n° 220.Revoga os artigos 2º e 34 e dá nova redação aos artigos 1º. de 12 de novembro de 2002 . de natureza pública ou privada. constante do Anexo desta Resolução. de 20 de abril de 2001 . 11. de 12 de maio de 1998 . Citomegalovirose.Dispõe sobre as especialidades de farmácia reconhecidas pelo Conselho Federal de Farmácia. de 17 de dezembro de 2008 .Expede. de 27 de agosto de 2004 . em farmácias e drogarias. pp. RESOLUÇÃO CFF n° 366. 32 COMISSÃO ASSESSORA DE FARMÁCIA CLÍNICA . RESOLUÇÃO CFF n° 492. PORTARIA MS/GM n° 3. RESOLUÇÃO CFF n° 349. estabelecida com base nos princípios no anexo desta Resolução.Aprova o Regulamento Técnico para fixar os requisitos mínimos exigidos para a Terapia de Nutrição Enteral. Rubé- ola. RESOLUÇÃO CFF n° 499. Seção 1. II. de 26 de novembro de 2008 . RESOLUÇÃO CFF n° 357. de 21 de setembro de 2004 . cuja íntegra consta no anexo desta portaria.Revoga o § 2º do artigo 34 da Resolução nº 357.Aprova o Regulamento Técnico de funcio- namento dos serviços de Terapia Antineoplásica. de 23 de julho de 2009 . publicada no DOU de 27/04/01.Estabelece a competência do farmacêutico em proceder a intercambialidade ou substituição genérica de medicamentos. RESOLUÇÃO RDC Anvisa/MS n° 63. RESOLUÇÃO CFF n° 386. Aids. de 06 de maio 2004 . 24 a 31. III.Dispõe sobre as atribuições do farmacêutico no âmbito da assistência domiciliar em equipes multidisciplinares. na farmácia hospitalar e em outros serviços de saúde. de 20 de setembro de 2000 .Dispõe sobre a prestação de serviços farmacêuticos.616. de 30 de outubro de 1998 . de 07 de outubro de 2001 . diretrizes e normas para prevenção e o controle das infecções hospitalares.Regulamenta o exercício profissional nos serviços de atendimento pré-hospitalar. de 20 de abril de 2001.Aprova o regulamento técnico das Boas Práticas de Farmácia. de 6 de julho de 2000 . 10.Aprova a Política Nacional de Medicamentos. tais como: Herpes Simples. Toxoplasmose. e dá outras providências. RESOLUÇÃO Anvisa/MS n° 338. RESOLUÇÃO CFF n° 354.Aprova a Política Nacional de Assistência Farmacêutica. Sífilis.Dispõe sobre Assistência Farmacêutica em atendimento pré-hospitalar às urgências/emergências. PORTARIA MS/GM n° 2. bem como ao Capítulo III e aos Anexos I e II da Resolução nº 499/08 do Conselho Federal de Farmácia.916. parágrafo único. IV.

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MODELO DE FICHA DE ENTREVISTA CLÍNICA COMISSÃO ASSESSORA DE FARMÁCIA CLÍNICA 37 .ANEXO I .

38 COMISSÃO ASSESSORA DE FARMÁCIA CLÍNICA .

ANEXO II – ORIENTAÇÃO FARMACÊUTICA HORÁRIOS PARA A UTILIZAÇÃO DOS MEDICAMENTOS Medicamento Ao acordar Café da manhã Lanche da manhã Almoço Lanche da tarde Jantar Antes de dormir COMISSÃO ASSESSORA DE FARMÁCIA CLÍNICA 39 .

ANEXO III – MODELOS DE DECLARAÇÃO DE SERVIÇOS FARMACÊUTICOS 40 COMISSÃO ASSESSORA DE FARMÁCIA CLÍNICA .

COMISSÃO ASSESSORA DE FARMÁCIA CLÍNICA 41 .

42 COMISSÃO ASSESSORA DE FARMÁCIA CLÍNICA .

br SEDE SUBSEDE CENTRO Rua Capote Valente.6º Andar .2792 / Fax: (12) 3921.1991 (19) 3252.: (17) 3234.8541 Santo André: Tel.: (12) 3882.4644 Fax: (17) 3462.7944 São José do Rio Preto: Tel.8608 Santos: Tel.8542 COMISSÃO ASSESSORA DE FARMÁCIA CLÍNICA 43 .São Paulo .: (16) 3911.2850 / Fax: (11) 3685. América Rua Santa Isabel.4043 / Franca: Tel.2079 Registro: Tel.: (18) 3223.6918 (18) 3916.0441 (12) 3882.8130 Jundiaí: Tel.2735 / Osasco: Tel.org.5893 / Fax: (17) 3323.Tatuapé São Paulo – SP – CEP 02036-021 CEP 03072-000 .: (14) 3422.: (18) 3522-2714 Marília: Tel. SUBSEDE LESTE sional Center – Santana Rua Honório Maia.6929 Piracicaba: Tel.: (19) 3434.9016/ (16) 3911.: 2283-0300 / Fax: 2978-4990 Telefone (11) 2092-4187 . 1490 .1855 São José dos Campos: Tel.1450 www.4971 / Fax: (17) 3234. 254 .7093 / Fax: Avaré: Tel.6781 Caraguatatuba: Tel.: (14) 3224.: (13) 3822.CEP 04715-005 .: (11) 2468.5054 Campinas: Tel.5856 3942.SP Vila Buarque – São Paulo-SP CEP 05409-001 Telefone:(11)3337-0107 Tel.: (19) 3631.crfsp.4644 / Fernandópolis: Tel. 160 – 6º andar – São Paulo .Jd.1192 Bauru: Tel.: (18) 3624. 487 .: (14) 3733.9063 (16) 3336.: (16) 3336.Fax (11) 5181-2374 Rua Duarte de Azevedo.1312 Sorocaba: Tel.: (11) 3067.: (11) 4726.7992 Barretos: Tel. 64 – Santo Amaro .4398 Araçatuba: Tel.1979 Bragança Paulista: Tel.crfsp.9152 /Fax: (11) 2361.SP Tel.5027 Guarulhos: Tel.3583 / Fax: (14) 3733.5566 Fax: (13) 3221.: (11) 4586.SP SUBSEDE NORTE Telefone (11) 5181-2770 .: (19) 3251.1501 / Fax: (11) 2229.: (17) 3322.Cj.5484 Araraquara: Tel.8617 Ribeirão Preto: Tel.Fax (11) 2093-384 SECCIONAIS Adamantina: Tel.: (11) 3682.ENDEREÇOS E TELEFONES www.: (12) 3921.9591/ 3435.4490 / Fax: (19) 3255.8143 Mogi das Cruzes: Tel.br SUBSEDE SUL Rua Américo Brasiliense.: (15) 3233.org.São Paulo .6065 Zona Leste: (11) 2361.: (17) 3462.: (11) 4032.7989 3234.: (13) 3233.6826 / Fax: Presidente Prudente: Tel.: (11) 4437. 448 – 1º andar – cj 12 – Edifício Brasília Profes.3617 (19) 3402.1884 / Fax: (14) 3234./Fax: (16) 3721.2454/ Fax: São João da Boa Vista: Tel.

1450 – www.br . Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo Sede: Rua Capote Valente.São Paulo-SP .CEP 05409-001 Fone (11) 3067.Jardim América .org. 487 .crfsp.