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Ravallion, Martin.

“Pobreza versus crescimento” Rio de Janeiro: Valor Econômico, 23 de maio
de 2001. Jel: O

Pobreza versus crescimento
Martin Ravallion

O debate entre governos, economistas e ONGs sobre em que
medida os pobres do mundo se beneficiaram do crescimento
econômico parece não ter fim.

No ano passado, a "The Economist" sustentou que "o
crescimento efetivamente ajuda os pobres: com efeito, ele
aumenta suas rendas aproximadamente na mesma medida em
que eleva as rendas de todas as outras pessoas". No entanto, em
carta publicada logo depois pela mesma revista, Justin Forsyth
da Oxfam afirmou que "os padrões atuais de crescimento e globalização estão ampliando as
disparidades de renda, funcionando como um freio à redução da pobreza".

Posições irreconciliáveis? Não necessariamente, pois ambas as partes nesse debate estão, em muitos
aspectos, falando sobre coisas distintas. Uma parte pode estar falando de pobreza absoluta, e a
outra, de pobreza relativa. Além disso, médias mascaram grandes diferenças: em alguns países os
pobres podem se beneficiar do crescimento econômico; em outros, eles podem estar em privação
tão grande, que não têm como tirar proveito do crescimento. Há um pouco de verdade em ambos os
lados. O cenário completo é mais complicado do que cada um dos pontos de vista.

Novos dados da década de 1990 confirmam conclusões de estudos anteriores, de que há pouca ou
nenhuma evidência de que o crescimento econômico esteja relacionado a aumentos na desigualdade
de renda. Essa descoberta é importante, pois se a parcela da renda nacional auferida pelos pobres
não cai com o crescimento econômico, os pobres ganharão em termos absolutos; o crescimento
reduzirá a pobreza e a contração a aumentará.

Os dados disponíveis confirmam que quanto mais alta a taxa de crescimento, maior a taxa média de
redução de pobreza. Esse é o tipo de argumento que a "The Economist" estava sustentando.

Apesar disso, é enganoso concluir, a partir disso, que o crescimento aumenta a renda dos pobres
"...aproximadamente tanto quanto aumenta a renda de todas as outras pessoas". Dada a desigualdade
existente, o aumento absoluto de renda para os ricos será muito maior do que o aumento para os
pobres. Para os 10% de pessoas mais ricas da Índia, o aumento de renda resultante do crescimento
econômico agregado tende a ser quatro vezes maior do que o aumento para os 20% mais pobres.
Isso confirma que o crescimento não tem nenhuma conseqüência generalizada sobre a desigualdade,
conforme ela é medida convencionalmente.

O enfoque na média também ignora o fato de que as experiências das pessoas pobres em períodos
de crescimento econômico são distintas. A mesma taxa de crescimento pode causar desde uma

mantendo baixa a desigualdade. Muitas pessoas escapam à pobreza. mas em direções opostas nos dois grupos de países. por sua vez. Em casos nos quais pesquisas domiciliares investigaram as mesmas famílias ao longo do tempo. e aqueles cujas políticas anteriores tinham o efeito contrário. Um lado tende a ignorar a diversidade de experiências nos diferentes países. Essas diferenças estão.pequena redução na pobreza até um declínio acentuado. existem aqueles que lucram e aqueles que perdem em todos os níveis da sociedade. em média. associadas a antigas diferenças nos sistemas políticos. Ambos os lados nesse debate possuem argumentos válidos. Mesmo quando a desigualdade não se altera com o crescimento. Digamos que fosse possível dividir os países reformistas em duas categorias: aqueles cujas políticas anteriores privilegiavam os ricos. o crescimento reduz a físicos e humanos dos pobres. Na verdade. Existem muitos exemplos de desigualdade crescente em períodos de crescimento. Martin Ravallion é diretor de desenvolvimento econômico do do Banco Mundial. são convincentes as evidências de que. os melhores dados disponíveis sugerem que a desigualdade aumenta em cerca de metade dos casos. Em países nos quais o nível de desigualdade de renda é alto. mantendo a desigualdade elevada. Abrir a economia e liberalizar os mercados pode produzir uma redistribuição significativa entre ricos e pobres. o outro freqüentemente ignora as médias e concentra-se nos casos em que a desigualdade crescente ou em alta impede que os pobres tirem proveito dos benefícios do crescimento. As diferenças mais importantes parecem estar nos ativos alto. para que possamos entender melhor o que mais tem a ser feito para assegurar que o crescimento beneficie todos. Esse é o rumo que o debate deve tomar logo. elas têm menor probabilidade de compartilhar dos benefícios do crescimento do que numa economia onde essas debilidades são menos intensas. enquanto outras caem nela. mesmo quando a taxa geral de pobreza varia muito pouco. . Em economias nas quais as pessoas desigualdade em menor pobres costumam ser analfabetas. as vantagens do crescimento para os pobres superam as perdas. e diminui na outra metade. o crescimento reduz a desigualdade em menor escala do que em países onde a desigualdade é mais baixa. Ainda assim. Mas é igualmente importante compreender a diversidade de resultados. é comum encontrar um movimento considerável sob a superfície. doentes e socialmente escala marginalizadas. Um fator importante nas experiências dos países em desenvolvimento na década de 90 é que as condições iniciais Em países nos quais o nível variaram muito entre os países que passaram por reformas de desigualdade de renda é econômicas.