D i á r i o d e N o t í c i as

Sexta, 19 de Julho de 2013 Espaço Opinião

Vantagens da formação no Ensino Superior
houve um grande incremento no número de diplomados com formação superior

Numa altura em que muitos jovens vivem a
expectativa de entrarem no ensino superior e
outros se encontram já em fase final dos seus
cursos, torna-se recorrente a reflexão sobre
as vantagens ou não da aposta neste tipo de
formação.
Comecemos por notar que houve um grande
incremento no número de diplomados com
formação superior. Estudo recente, apoiado
pela Agência de Avaliação e Acreditação do
Ensino Superior (A3ES), sobre
empregabilidade e ensino superior em
Portugal, mostra que a sua percentagem,
quando entram pela primeira vez no mercado de trabalho, sofreu uma evolução positiva entre
2002 (14,4%) e 2009 (23,9%). Se nos restringirmos a mestres e doutores, a evolução é de 3,6%
para 7,5%. Discute-se na comunidade académica se há vantagens ou não em intercalar esta
longa formação superior com passagens pelo mercado de trabalho. As instituições necessitam,
nesta matéria, de promover uma estreita ligação ao tecido empresarial e de aproveitar as
oportunidades disponibilizadas nos financiamentos para projetos de empreendedorismo e de
investigação científica.
De todo o conjunto de dados, análises, reflexões e propostas que o estudo apresenta, devem
isolar-se, neste contraponto com a identificação de aspetos menos bons da evolução do
Processo Bolonha, os dados sobre o primeiro emprego e respectiva remuneração dos
diplomados do ensino superior.
Em primeiro lugar, o estudo demonstra que existe maior probabilidade de associação entre
habilitações escolares mais elevadas e remuneração. A título de exemplo, verifica-se que os
indivíduos com formação de ensino superior auferiram, em 2002, uma remuneração média de
1149€, contra 570€ das restantes formações, e, em 2009, respetivamente, 1128€ e 678€.
Quando discriminada por graus académicos, a remuneração média, considerando apenas o
ano de 2009, foi de 978€ para os bacharéis, de 1120€ para os licenciados, de 1226€ para os
mestres e de 1789€ para os doutorados. Estamos, portanto, em presença de um cenário de
evidente vantagem da formação de ensino superior, para aqueles que, durante o referido
período, acederam ao mercado de trabalho. A redução salarial generalizada que entretanto
afetou a população em geral teve também repercussões nos diplomados, sem, contudo, pôr
em causa a tendência reportada.
Por outro lado, se pensarmos em termos de empregabilidade, embora o número de
diplomados desempregados tenha subido em consequência da crise, continua a ser, em
percentagem, muito inferior aos outros. O relatório anual do Observatório de Emprego e

Formação Profissional (OE-UMa) refere que. Artigo de opinião do Vice-Reitor da UMa. apresentam taxas de desemprego inferiores às restantes formações. fixando-se numa variação entre 7.1% e 8% do total de desempregados. os diplomados na RAM. entre os anos letivos de 2006/07 e 2011/12. Professor Doutor Sílvio Fernandes. com licenciatura. A generalidade da investigação realizada sobre este assunto tende a demonstrar que a aposta na formação de ensino superior vale a pena. publicado no Diário de Notícias do Funchal a 19 de julho de 2013 .