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DECISÃO

RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL.
OFICIAL DA POLÍCIA MILITAR DO PIAUÍ.
EXCLUSÃO DA LISTA DE PROMOÇÃO. OFENSA AO
PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA PRESUNÇÃO DE
NÃO CULPABILIDADE PENAL: NÃO OCORRÊNCIA.
REPERCUSSÃO GERAL DA QUESTÃO
CONSTITUCIONAL. DESNECESSIDADE DE EXAME.
ART. 323, § 1º, DO REGIMENTO INTERNO DO
SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. ACÓRDÃO
RECORRIDO DIVERGENTE DA JURISPRUDÊNCIA DO
SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. PRESUNÇÃO DE
EXISTÊNCIA DA REPERCUSSÃO GERAL.
PRECEDENTES. RECURSO EXTRAORDINÁRIO
PROVIDO.

Relatório

1. Recurso extraordinário interposto com base no art. 102, inc. III,
alínea a, da Constituição da República contra o seguinte julgado do
Tribunal de Justiça do Piauí:

“ADMINISTRATIVO. MANDADO DE SEGURANÇA. POLICIAL MILITAR.
PARTICIPAÇÃO EM CURSO DE FORMAÇÃO DE CABOS. LEIS ESTADUAIS.
VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA.
1. Policial militar preencheu todos os requisitos para inclusão
no quadro de acesso ao Curso de Formação de Cabos. Assunção
preterida. Impetrante que responde a ação penal. 2. Vedação
legal: art. 3º, § 2º, LC Estadual n. 17 e Decreto 10.571/2001
viola art. 5º, inc. LVII, da CF/88. 3. Violação à presunção de
legitimidade, pois pessoa que esteja respondendo a um processo
não pode sofrer qualquer restrição aos seus direitos. 4.
Concedo a segurança” (fl. 52).

. Razão jurídica assiste ao Recorrente. O Recorrente alega que o Tribunal a quo teria contrariado os arts. Consta no voto condutor do acórdão: “A negativa de inscrição no Curso de Formação de Cabos fundamentou-se exclusivamente sob a justificativa de haver processo criminal em andamento contra o impetrante. 17 em seu artigo 3º. Além disso. da Constituição da República. conforme documentação juntada aos autos. configurando-se clara lesão a direito líquido e certo. 2.2001 que regulamenta a LC Estadual n. haja vista ter o mesmo preenchido todos os requisitos necessários à promoção.) O Decreto n. 5º. DECIDO.06.. (. e 37. § 2º. o Impetrante sempre apresentou bom comportamento e desempenhou corretamente suas funções e preenche todos os requisitos necessários à participação do Curso de Formação de Cabos” (fls. não impedindo que leis imponham restrições à promoção de militares que estejam sub judice em processos criminais” (fl. 54-55).571 de 25. 84). 3. 10. e a própria LC em seu artigo 5º violam expressamente o princípio constitucional da presunção de inocência ao disporem que os policiais militares somente poderão ser promovidos se não estiverem respondendo a processo judicial. Analisada a matéria posta à apreciação. Argumenta que o princípio da presunção de não culpabilidade “circunscreve-se à esfera penal. caput.. inc. LVII.

E. no âmbito da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal. apesar de ter sido o Recorrente intimado depois de 3. Rel. “AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. ABSOLVIÇÃO. desde que previsto o ressarcimento em caso de absolvição. do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal – na forma determinada pela Emenda Regimental n. 4. Precedentes.5. . PROMOÇÃO DE OFICIAL DA POLÍCIA MILITAR. que a legislação ordinária não admita a inclusão do militar no quadro de acesso a promoção por ter sido denunciado em processo crime. esta se presume “quando o recurso (. Recurso extraordinário conhecido e provido” (RE 356.1999. Moreira Alves. da Constituição) “por se circunscrever essa norma ao âmbito penal. O Supremo Tribunal Federal firmou jurisprudência no sentido de inexistir ofensa ao princípio da presunção de não culpabilidade (art.2001. 5º.. 16.) impugnar decisão contrária a súmula ou a jurisprudência dominante”. OFICIAL DA POLÍCIA MILITAR. RE 210. LVII..2007 e constar no recurso extraordinário capítulo destacado para a defesa da repercussão geral da questão constitucional. EXCLUSÃO DA LISTA DE PROMOÇÃO. não é o caso de se iniciar o procedimento para a aferição da sua existência. 3. art. ainda. Primeira Turma. enquanto a sentença final não transitar em julgado” (RE 141. 2.363. Em preliminar. DJ 7. respectivamente). INEXISTÊNCIA. 1.2003). Ellen Gracie. 5º. Min. § 1º.6. nos termos do art. EXCLUSÃO.787. Pacificou-se. 5. em igual sentido: “RECURSO EXTRAORDINÁRIO. é de se realçar que. inc. Primeira Turma. portanto.119. 323. 21/2007 -. LVII DA CONSTITUIÇÃO. o entendimento segundo o qual inexiste violação ao princípio da presunção de inocência (CF/88. 5º.1998. Rel.2.11. Min. OFENSA AO ART.787. não impedindo.6. DJ 25. 30. RE 141. pois. LVII) no fato de a legislação ordinária não permitir a inclusão de oficial militar no quadro de acesso à promoção em face de denúncia em processo criminal.

Pelo exposto. 557.2008). 21. PRECEDENTE. 5. Min. 2.830. Recurso extraordinário conhecido e provido” (RE 368. Publique-se. Brasília. Impossibilidade de promoção entre o oferecimento da denúncia e o trânsito em julgado da decisão. 1. 4. 6. deixo de condenar ao pagamento de honorários advocatícios de sucumbência. da Constituição Federal. RESSARCIMENTO. do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal).320. Gilmar Mendes. 2.5. § 2º. 3. § 1º-A. LVII. Min. Precedentes da 1ª Turma. Precedentes. “Recurso Extraordinário. Policial Militar. DJe 23. Ministra CÁRMEN LÚCIA Relatora . Dessa orientação divergiu o acórdão recorrido. Rel. Agravo regimental a que se nega provimento” (RE 459. artigo 5º. A jurisprudência do Supremo é no sentido da inexistência de violação do princípio da presunção de inocência [CB/88. Inexistência de ofensa ao artigo 5º. do Código de Processo Civil e art. 3 de setembro de 2009. Considerando a Súmula 512 do Supremo Tribunal Federal. Rel. É necessária a previsão legal do ressarcimento em caso de absolvição. Segunda Turma. Segunda Turma.2003). DJ 17. 7.9. dou provimento ao recurso extraordinário (art. LVII] no fato de a lei não permitir a inclusão de oficial militar no quadro de acesso à promoção em razão de denúncia em processo criminal. Eros Grau.