SÉRJE CRESCER: PROGRAMA DE CAPACITAÇÃO BÍBUCA-TEOLÓGICA-PRÃTICA

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José Roberto de Oliveira Chagas

CHAGAS, José Roberto de Oliveira Noções de História da Igreja Cristã - Análise Histórica,
Bíblica e Teológica da Eklesia - Primitiva e Pré-Medieval (Série CRESCER: Programa de
Capacitação Bíblica-Teológica-Prática - Vol. 9)/José Roberto de Oliveira Chagas. Campo _
Grande (MS): Gênesis, 2009 índices para catálogo sistemático: 1. Cristianismo 2. Igreja. 3.
Teologia - CDD 262

SÉRJE CRESCER: PROGRAMA DE CAPACITAÇÃO BÍBUCA-TEOLÓGICA-PRÃTICA

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fantástica. E manda o povo pensar! O livro caindo nalma E gérmen . oportuna.B. a.3881: IBAC ..1788/9982. sim. Bairro: Amambaí -Campo Grande .que faz a palma.008-281 E-mail: chagas. SÉRJE CRESCER: PROGRAMA DE CAPACITAÇÃO BÍBUCA-TEOLÓGICA-PRÃTICA DEDICATÓRIA: A cada profissional/consultor de venda da Mundial Editora e Gênesis Editora.A.Programa de Capacitação Bíblica e Teológica .. Associação Beneficente Kenosis) Rua: Praça Cuiabá. prazer e dedicação. espalha saber. que faz seu trabalho com empenho. mas. ajuda o povo brasileiro a realizar sonhos: "Oh! Bendito o que semeia Livros.é brilhante. que está ciente de que não apenas vende livro. órgão vinculado a Associação Beneficente Kenosis . exemplar! Esta proposta relevante e inovadora trará entre outros benefícios a quem tiver a oportunidade de conhecê-la: .Instituto Bíblico-Teológico Aliança Cristã (A.está de parabéns.111. .ibac@gmail. louvável. livros a mão-cheia.Mato Grosso do Sul .B.com PREFÁCIO À SÉRIE CRESCER O IBAC-Instituto Bíblico-Teológico Aliança Cristã.K. fomenta a educação.K..CEP: 79. A iniciativa de oferecer aos interessados em conhecer melhor a Teologia Cristã através da Serie CRESCER . Ê chuva - que faz o mar" (Castro Alves) Contato com o IBAC: Fone: (67) 3028..

a Bíblia proporciona a seus leitores e praticantes uma consciência iluminada e crítica. não sabia como atingir tais objetivos . 2. ampliar a capacidade de entender/expor/praticar a Bíblia. não dispunha de tempo e recursos. SÉRJE CRESCER: PROGRAMA DE CAPACITAÇÃO BÍBUCA-TEOLÓGICA-PRÃTICA 1 . religiosos profissionais que tentam ludibriar as pessoas para lograr lucros pessoais. 3. Provisão .outras vezes. apesar de interesse em crescer no conhecimento. conhecer mais a ciência teológica e.o embasamento bíblico-teológico capacita o cristão a identificar e a refutar com veemência as "doutrinas" pseudo- cristãs propagadas por hereges. Proteção . desenvolver o espírito de servir a Deus e ao próximo. porém. a Bíblia é o mapa que mostra o caminho de Deus para conduzir o seu povo na rota certa. embusteiros. alimenta sua alma. Este programa foi elaborado com a finalidade de reciclar quem já teve a oportunidade de cursar Teologia como auxiliar quem procura desenvolver o espírito auto-investigativo.quem estuda a Bíblia com motivação correta jamais perderá o senso de direção e de propósito. como também supre a sua fome espiritual. . Direção . cristaliza saudavelmente sua fé.

ampliação enfim. informativo. íngremes. sim. porém. provenientes de classes mais simples. Esta observação deve evitar críticas injustas quanto à validade deste curso. mas. 0 IBAC não aprova a nociva índole atual que preconiza a graça barata. A Série CRESCER não foi projetada para fornecer muitas informações e detalhes. academicista. Quanto a Teologia erudita. rápida. levou em consideração o fato de que a maioria das pessoas a ser contemplada pelo projeto seria. inacessível. o êxito sem preço. deve preencher vários requisitos. Logo. objetivos. o mesmo. SÉRIE CRESCER: PROGRAMA DE CAPACITAÇÃO BÍBUCA-TEOLÓGICA-PRÃTICA A Série CRESCER não pretende fazer apologia a uma Teologia meramente intelectual. Pelo contrário.E. Sua proposta é. aliás. afinal. O autor procurou comentar cada disciplina deste programa com clareza.C. que uma pessoa mais dotada de acuidade intelectual ou recursos econômicos está proibida de ter acesso à série. discussão. José Roberto de Oliveira Chagas . a vitória sem batalha. Desde que o M. em tais caos. mas também diretos. técnica. árduas. reconheceu Teologia como curso de nível superior as exigências se intensificaram. O que o IBAC pode oferecer é um curso livre com ênfase em aperfeiçoamento. Informe-se. da dedicação. no sentido positivo do termo. sobretudo. A ideia de simplificação considerou o fato: a Igreja Evangélica no Brasil carece de estudos bíblicos-teológicos contextuais.E.C. fácil e instantaneamente! As leis do crescimento são radicais. Todos são bem-vindos. com todo respeito. Alguns termos teológicos não podem ser simplificados facilmente. simplicidade. da exaustão. ficou para outros compêndios teológicos e autores mais capacitados e está a disposição dos interessados em editoras especializadas no segmento ou nas ótimas instituições de capacitação teológica credenciadas pelo M. concisos. para ser aceito. não há formativo. o professor empenhou-se em esclarecê-los em seguida. objetividade. complexa. não há vitória expressiva que valha a pena a preço de pechincha! Pr. ásperas! Não há como mudá-las! Para CRESCER na graça e no SABER deve-se pagar o preço do zelo. Isso não significa. relevantes. seus temas precisam de comentários. uma Teologia popular. exigentes. práticos. Esta iniciativa. coerentes. Não há expansão significativa em área alguma da vida que se adquira imediata. reflexão. mas. da autodisciplina.

•Conclusão e Certificação (Regras Gerais). assim.Teológica- Prática -.Instituto Bíblico-Teológico Aliança Cristã . Desde que a Teologia tornou-se curso superior o M. que o nosso programa não oferece vantagem acadêmicas. então. ter carga curricular e horária de acordo com a portaria definida. cristã e idônea. Pr. . solicitar seu certificado.E.recomenda ao corpo discente que estude cada disciplina regular e sistematicamente. Caráter (Objetivo e Reconhecimento do Curso). O corpo discente terá até 12 (doze) meses após a aquisição do curso para finalizá-lo e. a cada aluno/a comprometer-se rigorosamente com o próprio crescimento e esmerar-se nos estudos das disciplinas. 3.C. Ratificamos. exigir escolaridade mínima dos interessados (ensino médio completo). doravante. A metodologia didática empregada neste programa está fundamentada no modelo de ensino à distância. não tem a intenção de ludibriar o povo de Deus. •Avaliação (Critérios Teóricos e Avaliativos). não formativo. Cabe. José Roberto de Oliveira Chagas Í ll INFORMAÇÕES GERAIS: Diretrizes do IBAC . Nossa instituição. Matriz Disciplinar (Durabilidade do Curso). cada um com disciplina específica. entidade vinculada a Associação Beneficente Kenosis. Nosso alvo é auxiliar a Igreja Brasileira a se aperfeiçoar para servir a Deus e ao próximo. A entidade que oferece o curso Bacharel em Teologia deve ser credenciada pelo M. tendo em vista que a sua capacitação bíblica-teológica-prática dependerá única e exclusivamente do seu próprio esforço. Metodologia (Ensino à Distância). Também não há mais Curso Básico ou Médio em Teologia. oferecida em parceria com instituições sérias que interessam pela construção e socialização da Teologia.C. que visa aprimorar a comunidade de fé no âmbito bíblico-teológico-prático.Instituto Bíblico-Teológico Aliança Cristã. formulou regras para reconhecê-lo.Programa de Capacitação Bíblica. •Matriz Disciplinar (Durabilidade do Curso). A Série CRESCER . é composta de 10 (dez) opúsculos. • Metodologia (Ensino à Distância).Instituto Bíblico-Teológico Aliança Cristã -. concernente a Série CRESCER ..E. a Diretoria do IBAC . Tão-somente. A matriz disciplinar da Série CRESCER. 0/a aluno/a deverá estudar sistematicamente as disciplinas conforme a proposta pedagógica da Direção do IBAC . 1 . é de caráter informativo. cumprir periodização e créditos. corpo docente especializado. com zelo e dedicação. se quiser.Programa de Capacitação Bíblica-Teológica-Prática: • Caráter (Objetivo e Reconhecimento do Curso). *Veja no final das diretrizes a matriz disciplinar. 2. etc.

Análise Bíblica e Teológica da Pessoa e Obra de Jesus Cristo. 8. Noções de Gestão Ministerial .0) poderá. Noções de Cristologia . no final.Análise Bíblica e Teológica dos Princípios da Contribuição Cristã (1).Análise Histórica.Como Fazer Projeto Eficiente e Eficaz Para Gerar Receita. se desejar. A Gênesis Editora. Noções de Teologia . fará contato com os/as alunos/ as para averiguar o interesse pelo certificado e as normas para recebê-lo.00 (taxa única). Bíblica e Teológica da Eklesia (Primitiva e Medieval). Noções de Hermenêutica . estando de acordo com as normas da entidade. O/a aluno/a deverá estudar o livro. Natureza e Tarefa da Teologia. O mesmo não é obrigatório. Pr. se julgar necessário. Noções de História da Igreja Cristã . tal valor será aplicado para sanar gastos com assessoria de contato. 1. alterar a grade curricular em kits futuros. Noções de Paracletologia . Mas.Análise Introdutória à Relevância. Noções de Homilética . corpo docente (acompanhamento e revisão de provas). parceira exclusiva neste projeto.Análise Bíblica e Teológica da Pessoa e Obra do Espírito Santo. para correção. se desejar receber o certificado. 4.Avaliação (Critérios Teóricos e Avaliativos). Conclusão e Certificação (Regras Gerais). é mister efetuar o pagamento de R$ 50. atribuição de notas e. 7. Noções de Liderança Cristã . Histórica e Teológica da Interpretação Bíblica. O prazo para solicitá-lo é de até 12 (doze) meses após a compra do kit.Teológico Aliança Cristã -. . 2. *Matriz Disciplinar do Programa de Capacitação Bíblica-Teológica- Prática 1. receber seu certificado de conclusão. tirar xerox ou fazer download no site da Gênesis Editora). responder as questões teóricas e avaliativas impressas no final de cada opúsculo (ou.Análise Bíblica da Filosofia Ministerial de Liderança Cristã. Noções de Teologia Econômica: Mordomia Cristã . confecção e postagem do certificado e despesas afins. enviá-las ao IBAC -Instituto Bíblico. 5. 5. conforme o conteúdo programático.Análise Bíblica e Teológica da Pessoa e Obra do Deus Único e Verdadeiro. A liberação em tempo menor ocorrerá se o/a aluno/a tiver quitado o produto junto à editora e enviado as provas ao IBAC. Noções de Prolegômenos . 3. 10. caso queira-o. *A Diretoria do IBAC pode. autorizar sua confecção e postagem.Análise Crítica. O/a aluno/a que concluir as 10 disciplinas do módulo e atingir pelo menos a nota média (6. Histórica e Teológica da Pregação Cristã. se preferir.Análise Crítica. 6. José Roberto de Oliveira Chagas Í ll 4. guardá-las em local seguro e.

a História da Igreja Cristã. Mas. vou concentrar- me apenas na fase Igreja Cristã Primitiva e Pré-Medieval. e a Igreja hodierna não caminha na mesma direção. tendo em vista o limite de espaço. ou pode ser uma viagem prazerosa e enriquecedora. DEFINIÇÃO E CONCEITUAÇÃO DE "HISTÓRIA" . entrou em decadência. é imprescindível estudar. é o estudo do passado fornece parâmetros para o entendimento do presente e conjecturas sobre o futuro1. todavia. com esmero. caiu em desgraça. os principais fatores responsáveis pelo seu crescimento integral. quando aliou-se ao Estado e passou a receber dele auxílio para manter e expandir sua causa. etc. mostrarei também como a mesma. a mesma história não se repetindo mais uma vez? Outrossim. ironicamente. enquanto esteve sob intensa perseguição revolucionou o mundo de sua época. José Roberto de Oliveira Chagas Í ll PRIMEIRA PARTE: PREFÁCIO À HISTÓRIA DA IGREJA CRISTÃ Pesquisar analítica e sistematicamente a trajetória da Igreja Cristã pode se constituir uma tarefa laboriosa e enfadonha. vitórias tão significativas. Após analisar sucintamente o período de glória da Igreja Cristã. independente do trabalho árduo e da possível satisfação oriunda das descobertas durante a pesquisa. como o Evangelho foi levado ao mundo ainda nos primeiros séculos. a Igreja. Pretendo extrair de tais períodos informações como a provável origem da Igreja Primitiva. apesar de ter conquistado tamanhas vitórias. como viviam os primeiros súditos de Jesus Cristo. quais eram as características primordiais da liderança apostólica. Neste opúsculo. como os primeiros cristãos reagiram diante das perseguições. Pr.

Idade Moderna e Idade Contemporânea. econômicos e culturais notáveis na vida dos povos e da humanidade em geral. 4.C. José Roberto de Oliveira Chagas Í ll História é a narração metódica dos fatos políticos.2 E a ciência que estuda a vida humana através do tempo.4 Já os historiadores Carlos G. Idade Contemporânea: iniciando-se em 1789 e estendendo-se até nossos dias.6 A História usualmente é dividida em períodos para facilitar o trabalho do historiador/estudante. a uma necessidade didática. 2. A divisão clássica é: Idade Antiga. Mota e Adriana Lopes sintetizam que a História é a disciplina que nos informa sobre a vasta aventura da experiência humana. para Gabriel Monod significa o conjunto das manifestações da atividade e do pensamento humanos. considerando em sua sucessão. assim. DEFINIÇÃO DE TEOLOGIA HISTÓRICA . Para Silveira Bueno é a narração crítica dos fatos da humanidade. Idade Média. quando termina a Guerra dos Cem Anos e a cidade de Constantinopla cai em mãos dos turcos otomanos. Afirma-se que a História Geral é imprescindível à sociedade. Idade Média: iniciando-se em 476 e estendo-se até 1453.5 Henri Marrou disse que a história é o conhecimento do passado humano. 3 define Gilberto Cotrim. Idade Moderna: iniciando-se em 1453 e estendendo-se até 1789. seu desenvolvimento e suas relações de conexão ou dependência. com o advento da escrita. sociais. Pr. 3. e estendendo-se até a queda de Roma em 476 d. pois para acelerar as mudanças essenciais em direção a um mundo melhor e mais justo é preciso conhecer o passado. quando teve início a Revolução Francesa.7 Atinente a História da Igreja Cristã ressalto que não há dúvida quanto à sua relevância atualmente: ela pode ser estudada com outra divisão.8 não com menos interesse. Idade Antiga: iniciando-se aproximadamente em 4000 a. atendendo.C. usando-o como farol esclarecedor do presente. as raízes do mundo atual. 1.

Cientificamente pode ser definida como a narração metódica dos principais fatos ocorridos na vida dos povos. explica que a palavra história. embora exista quem diga que pesquisar a história do Cristianismo é coisa de crente que não tem coisa mais importante para fazer. de origem grega. Assim sendo. Grenz. destarte. conhecedor da lei. então. vem de histor . procurasse seguir seus exemplos positivos e benéficos e se distanciasse das crenças e práticas que em determinados momentos afastaram-na da presença de Jesus Cristo.aquele que sabe. e na vida da humanidade. o certo é que cristãos maduros deveriam apreciar grandemente a História!9 O que é. E evidente que erros bíblicos/teológicos preconizados em algumas denominações evangélicas atualmente seriam dirimidos caso sua liderança conhecesse melhor a história da Igreja Cristã. José Roberto de Oliveira Chagas Í ll Presume-se que é praticamente impossível entender corretamente as condições da cristandade hodierna a não ser à luz da História.10 Claudionor Corrêa de Andrade. que conhece. Ajuda os pensadores de hoje a identificar os erros teológicos do passado e evitá-los atualmente. Mostra a origem e desenvolvimento das crenças sustentadas com afinco. juiz. em particular. em geral. nosso Senhor e Salvador. Pr. seus êxitos e fracassos. o espírito no pretérito e o coração no presente. professor de Teologia e Filosofia. no presente.11 . Teologia Histórica? Em síntese. ressaltam que a função da Teologia Histórica é dupla: 1. os olhos estarão no futuro. Ainda esclarece que com a História. 2. Os teólogos Stanley J. desde o tempo dos apóstolos até o presente. aprendemos a olhar o mundo de forma retrospectiva e perspectiva. é uma divisão do estudo da Teologia que procura entender e delinear como a igreja interpretou as Escrituras e desenvolveu as suas doutrinas ao longo da história. David Guretzki e Cherith Fee Nordiling.

34). O QUE É IGREJA? Para alguns líderes cristãos hodiernos igrejas são apenas meras empresas. locais de captação de dinheiro. Embora tal definição esteja próxima da seguinte. nesse sentido. o organismo espiritual composto de todos os regenerados através da fé em Jesus Cristo. sendo usada 23 vezes em Atos. Tanto no uso clássico como na Septuaginta significa "reunião". De vez em quando. seu uso abrange todas as igrejas locais de uma região. 62 vezes nas cartas de Paulo. "assembleia oficial". descreve um culto ou conjunto de cristãos: (1 Co 11. "congregação". Horrel ainda aponta pelo menos quatro usos de ecclesia relacionado à igreja cristã nos escritos neotestamentários:  Reunião. nessa acepção o termo igreja não pensa em distinções doutrinárias ou organizacionais. J.19). o Corpo de Cristo.  Cristãos de uma região. os chamados para fora. ecclesia. 26. mas a um agrupamento de pessoas com o propósito de cultuar e ter comunhão.  O Corpo de Cristo. A ênfase não recai sobre um lugar ou prédio. Contrasta com a idéia anterior. Diz Horrel que ecclesia ocasionalmente envolve a totalidade de cristãos numa área geográfica - ex. juntos. 19. exilados. 28. o uso mais numeroso desta palavra é para uma congregação ou comunidade local de cristãos (At 8.12 . Mas a visão bíblica-teológica é outra.  Igreja local. Scott Horrel explica que o termo igreja é proveniente do grego.1. o foco está no povo e não na reunião. 20 vezes no Apocalipse. etc.1).18. Apenas isso. mas em proximidade geográfica. Das 115 ocorrências da palavra referida nas páginas do Novo Testamento pelo menos 111 referem-se à igreja cristã. balcões de faturamento. Pr. etc. quando a reunião termina a ecclesia não existe mais. "a igreja da Ásia" (At 1 Co 16. Aqui está o significado mais profundo. Rm 16. 11. literalmente. a expressão mais marcante e extraordinária de ecclesia: a Igreja universal.4. religiosos ou anjos". José Roberto de Oliveira Chagas Í ll ANÁLISE CONCEITUAL ECLESIOLÓGICA. ou "grupo de soldados.22. 14.

incluindo os do Antigo Testamento" ou "todo o povo de Deus no mundo em determinada época na história". não raro. já a segunda "é uma comunidade de pessoas que pela fé e obediência estão unidas a Cristo. Entre os gregos ela se referia a uma assembleia do povo convocada regularmente para algum lugar público. era conhecida desde o século V a. Ne 13. mostrando que o povo de Deus sempre se apresentava solenemente diante do Senhor. com o objetivo de deliberar sobre algum assunto. . que significa chamar. com marcas peculiares ao alvo da convocação.1. e possui ênfase religiosa. democrática. originária do verbo kalein.14 O Dr. Michael L. Por mais que se estuda é impossível negar que a Igreja fundada por Jesus Cristo traz certas marcas indeléveis. promovem o Seu Reino". organizadas. traduziu a palavra kahal por ekklesia. e. pois Deus mesmo fazia a convocação. José Roberto de Oliveira Chagas Í ll Jaziel G. diz que ekklesia originalmente denotava "um grupo de cidadãos chamados e reunidos. etc. mediante a obra de Cristo na sua redenção. foram reunidos como uma comunidade de fé que compartilha das bênçãos e responsabilidades de servir ao Senhor. o total dos eleitos. Mas exorta que não importa se os termos usados são os hebraicos comuns qahal/'edah ou os gregos sunagõgê/ekklêsia. o significado essencial é o mesmo: a Igreja consiste naqueles que foram chamados para fora do mundo. Martins justifica que a palavra Igreja vem de ekklesia.15 Está claro que a Igreja não é uma organização mercantilista.13 Algumas características interessantes de ekklesia: era a assembléia local. Martins também diferencia a Igreja universal da Igreja local. nem mero balcão de faturamento.1-3. sem sentido religioso. Pr. Já no Antigo Testamento o termo usado no hebraico para as assembleias dos hebreus é kahal (Dt 23. Dusing.10). A Septuaginta. a primeira "é o conjunto de todo o povo de Deus em todos os séculos.C. os quais. haja vista que aparece algumas vezes nos escritos de Heródoto e Platão. do pecado e da vida alienada de Deus. autônoma e soberana em relação às cidades. ela é um organismo vivo do qual Jesus Cristo é o cabeça! Qualquer análise bíblica-teológica séria caminhará nesta direção. Lm 1. visando um propósito específico".

J. a Igreja sempre existiu na mente e no coração de Deus. após a ascensão de Jesus. para a inauguração da Igreja. a Igreja surge quando o Ressurreto e Glorificado envia seus discípulos para fazerem discípulos de todas as nações. D. Pr. a maioria dos estudiosos crê que as evidências bíblicas são favoráveis ao dia de Pentecostes.17-19 o nascimento da Igreja é vaticinado por Jesus Cristo como um evento futuro. 20 O Dr. parece que é a rejeição do chamado ao arrependimento por parte de Israel que leva ao surgimento da Igreja. escreve. com poder. pelo Espírito. políticos ou econômicos. se divergem. seu surgimento e sua sustentação através da história não se devem a fatores psicosociais. com vistas à atividade histórica de Jesus. já em Mt 16.Merril F.17 Para alguns. no Pentecostes. a Igreja apareceu pela primeira vez em Jerusalém. depois formada através do ministério de Cristo e. ela não será reunida já durante o tempo terreno de Jesus. Nichols explica que em certo sentido. assim seu estado preexistente é irrefutável.22 No sentido cristão. entre outras coisas. as mesmas.21 O Dr. Douglas. a Igreja nasceu especificamente quando Jesus Cristo chamou seus primeiros discípulos.24 . Gerhard Hörster afirma que. finalmente. José Roberto de Oliveira Chagas Í ll A ORIGEM DA IGREJA CRISTÃ -QUANDO ELA REALMENTE NASCEU? A Igreja é um fenômeno sobrenatural. a origem exata ou a organização da Igreja Cristã é tema que ainda hoje divide a opinião de pesquisadores. Apesar das opiniões opostas. questiona se ele realmente queria uma igreja. em At. e de acordo com a comissão (Mt 28. que seguiu-se à ressurreição. Unger concorda que o Pentecoste sinalizou o nascimento da Igreja.18 Leonhard Goppelt. quando teve começo a vida ativa da Igreja. culturais. quem assim pensa preconiza a seguinte ordem: a Igreja foi projetada no coração de Deus. não raro.16 Todavia. embora se diga que a sua história iniciou no dia de Pentecostes. 19 Robert H.19). ou seja. confirmada. a primeira parte do livro de Atos dos Apóstolos realça como nasceu a Igreja e como ela vivia. renomado teólogo alemão.23 diz o Dr.

compromisso com a ação social: cuidado dos órfãos. Estava circunscrita à cidade de Jerusalém. Fisher destaca três fases na vida da Igreja: pré-natal . Outros preconizam a origem neotestamentária. a propagação ousada do Evangelho seguida de uma conduta retilínea. para outros. possui oficiais e se mostra apta para dirigir-se. econômicas. Pr. infância . abolição de distinções: sociais. mas preparando-se para ter vida independente. outros não creem que ela tenha começado de fato antes das abrangentes viagens missionárias do célebre apóstolo Paulo. dos doentes. para outros. maturidade . no dia de Pentecostes.20). Alguns creem no seu estado preexistente. expressivo zelo e pureza moral.26 Entre as suas principais marcas estavam a adoração fervorosa a Deus. culturais. alguns acreditam que a Igreja foi fundada quando Cristo começou publicamente seu ministério e chamou os 12 discípulos. outros defendem o início veterotestamentário. 1 Pe 1.4.está vivendo como que sob a tutela dEle. ou seja. não há dúvida de que há consenso quanto as suas principais características no período primitivo. bem diferente do movimento mundial que se tornou posteriormente.25 Independente das discussões atinentes à origem exata da Igreja.neste. . abrangendo os relacionamentos pactuais (período patriarcal e mosaico). tem a presença corporal de Cristo.15). Strong afirma sua existência em germes antes do Pentecostes. das viúvas. etc. dos desemparados.tem o seu corpo de doutrinas. em Atos 2. a edificação das vidas transformadas por Jesus mediante a operação do Espírito Santo. ela já estava concebida na mente e no coração de Deus (Ef 1. José Roberto de Oliveira Chagas Í ll CARACTERÍSTICAS ESSÊNCIAS E EXEMPLARES DA COMUNIDADE DE FÉ PRIMITIVA O exato nascimento da Igreja é tema de altercação calorosa entre os estudiosos. mas divergem em alguns pontos. existe desde o início da raça humana (Gn 3. Nas primeiras décadas após a ascensão de Cristo era ainda pequena. era comumente um pequeno grupo de crentes vivendo numa grande comunidade pagã.

lia e explicava as Escrituras do Antigo Testamento (e. tudo era feito com simplicidade. José Roberto de Oliveira Chagas Í ll A COMUNIDADE DE FÉ PRIMITIVA E SUA CONTAGIANTE PRÁTICA CÚLTICA Estudiosos deduzem. De um lado os apóstolos faziam milagres e maravilhas. decência. unida.35). impactando a população. ordem! Que diferença do ofertório pós-moderno! Nada parecia deter a Igreja. já repleta de multidões de fiéis. havia pelo menos duas formas de culto: um público e outro restrito. cantava Salmos (mais tarde surgiram os hinos cristãos). a comunidade cristã. comumente. vendendo-as. Lucas diz que em certa época nenhum carente havia na Igreja. se distribuía a quem tinha necessidade (At 4. vendia propriedades e bens para dividir o dinheiro conforme a necessidade de cada um. ministrava ensinos. logo era integrado à comunidade cristã. No segundo. repartia suas posses. citava atos e ensinos do Mestre. era permitido a participação apenas dos súditos de Cristo. coesa. especialmente as destinadas à igreja de Corinto. Outra prática comum nos cultos primitivos era o levantamento de ofertas para o sustento da obra missionária e beneficência (1 Co 16. No primeiro. o grupo convertido a Cristo. então. pois os que possuíam terras ou casas. que no primeiro século. a partir de análises das cartas de Paulo.34. o entusiasmo tinha livre expressão (até resultava em certa desordem). confessavam os pecados e entregavam a vida a Jesus Cristo. na mesma ocasião ainda celebrava-se a Ceia do Senhor.27 Porém. repleta de júbilo e amor. Do outro. fazia orações. incluíram as cartas dos apóstolos). isto é. . posteriormente. trazia a sua parte da alimentação que era generosa e alegremente repartida entre todos igualmente. segundo os recursos de que dispunha. segundo a direção do Espírito Santo. que ainda não haviam se tornado cristãs. ela estava cheia de temor. Cada um. Pr. Nessas reuniões era admitido pessoas estranhas. quanto tocadas pelo Espírito Santo. elas.2). traziam os valores correspondentes e depositavam aos pés dos apóstolos. acontecia uma refeição comum.

etc. etc.28 Estas marcas faziam da Igreja Primitiva e.24.3. o crescimento numérico foi somente consequência natural do desenvolvimento de outras áreas. O Dr. etc. Não refiro-me a cifras e números apenas. liderança. Pr. estrutura financeira. como prova irrefutável do amor redentor de Deus: grau de participação na vida.  Conceptual (está relacionado à fé e à identidade da Igreja: grau de consciência que a comunidade eclesial tem a respeito da sua existência e razão de ser. 6. quando não é bem administrado. Jorge H.41. influenciavam sua expansão.47.25. 4.42.45. de At 1. etc). o crescimento da Igreja Primitiva em quatro dimensões imprescindíveis:  Orgânica (desenvolvimento interno da comunidade de fé: forma de governo. sido marcas notórias dos primeiros cristãos.) . Barro afirma que Orlando Costas. etc. a espiritualidade é elemento imprescindível para fomentar tal crescimento .1-7.14. chamando homens e mulheres ao arrependimento de seus pecados e à fé em Cristo como Senhor e Salvador de suas vidas e também incorporando numa comunidade local de crentes aqueles que respondem afirmativamente.At 1. identifica. inserindo-os na luta do reino de Deus contra o exército do mal) . etc.At 2.32-35. traz consigo grandes riscos. ajudando a aliviar a dor humana e a transformar as condições sociais. 47. Todavia o progresso. 4. 3. 46. 5.  Diaconal ou encarnacional (intensidade do serviço que a igreja presta ao mundo.1.6. pensador singular.26. 3. 4. também. temores e esperanças da sociedade. etc.14. de certa forma.At 2. conquanto os mesmos tenham. conflitos. Na verdade. José Roberto de Oliveira Chagas Í ll O FANTÁSTICO CRESCIMENTO INTEGRAL DA IGREJA PRIMITIVA EM ATOS DOS APÓSTOLOS Não é possível falar da Igreja Primitiva e não mencionar seu crescimento.44.) . .At 1.4. sua compreensão da fé cristã.12 a 8. 2.  Numérica (relacionada com a incorporação de novos crentes à comunidade como resultado da pregação e da ação da Igreja: reprodução que o povo de Deus experimenta ao proclamar o Evangelho. 2. 47.

José Roberto de Oliveira Chagas Í ll ESTAGNAÇÃO. Enquanto Elias teve uma visão. fugiu de Jezabel. Enquanto Noé teve uma visão. É o sonho que nos mantêm jovens. não pôde vencer sua batalha com Dalila. pôde vencer muitas batalhas. não pôde controlar suas próprias paixões por mulheres estrangeiras. perderam sua visão. A história está repleta de pessoas que embora tenham conquistado grandes coisas. PERSEGUIÇÃO E EXPANSÃO DA IGREJA CRISTÃ PRIMITIVA Apesar do crescimento integral. "Nunca se contente em ter atingido o seu alvo. afinal. pôde orar para que fogo descesse do céu e cortou a cabeça dos falsos profetas. não pôde conquistar seu próprio ciúme. Quando Alexandre o Grande tinha uma visão conquistou países. quando perdeu sua visão. Enquanto Sansão tinha uma visão. pôde conquistar reis. Enquanto Salomão tinha uma visão. também cometeu alguns equívocos. quando perdeu sua visão ficou bêbado. veio a derrota. Pr. foi o homem mais sábio do mundo. depois. Talvez tenha esbarrado exatamente na própria eficiência e eficácia. quando perdeu seu sonho. quando perdeu sua visão. Foi assim com vários líderes bíblicos. John Maxwell escreveu sobre tal perigo. quando a perdeu.29 . é a visão que nos mantêm caminhando". em certo momento. quando perdeu sua visão. Enquanto Davi tinha uma visão. quando perdeu o sonho que Deus lhe havia dado. não pôde sobrepujar sua própria luxúria. conquistou Golias. Enquanto Saul teve uma visão. ele pôde construir uma arca e ajudar a preservar a raça humana nos trilhos. por descuido. a Igreja Primitiva. não repouse em seus louros. não pôde conquistar sequer uma garrafa de licor. quando o sucesso não é bem administrado converte-se em sutil armadilha. A visão de Deus os conduziu à grandeza.

32 Benjamin Scott assevera que o Cristianismo tinha-se estabelecido em Roma no reinado de Cláudio .33 .25 depois da morte de Jesus. conforme ordenou Jesus (At 1. Egito. em Jerusalém ela germina e se arraiga. cuja animosidade e ostracismo ao Cristianismo eram evidentes: entrava de casa em casa. a todo o mundo conhecido na época. escreveu a Trajano. e até na capital do Império Romano. se apequena e fica como que curtindo as maravilhas de ser abençoada e se esquece do mundo pagão perdido.  Fortaleceu esses crentes no seu testemunho do Evangelho. o perseguidor.31 Conta-se que o crescimento da Igreja foi de tamanho impacto nas décadas iniciais que numa carta que Plínio. Cresceu orgânica. McNair cita as conseqüências da perseguição:  Espalhou os crentes e resultou em propagação do Evangelho. sair da sua zona de conforto e levar o Evangelho à Judéia. declarou que os templos dos deuses estavam praticamente abandonados. em apenas alguns anos. Paulo ao lhe escrever.35). à Samaria e aos confins da terra. governador da Bitínia. se fecha.  Separou os genuínos dos meramente interessados. Pr.  Despertou os corações dos verdadeiros crentes. enquanto os cristãos em toda parte formavam enormes multidões. arrastava homens e mulheres e os jogava na cadeia. atrapalhada.30 Finalmente explode uma onda de perseguição. perde o caminho. dos outros campos (Jo 4. sem precedentes. Diante de tal sitação poderia se desencavernar. S. José Roberto de Oliveira Chagas Í ll Com a Igreja também foi assim.8). não sabe mais onde o mundo está.1) a tomar uma posição. lançados às moscas. E. forçando a Igreja que "estava em Jerusalém" (At 8. O Dr. John Drane diz que o pequeno grupo de Jesus levou sua mensagem. estabelecendo igrejas nos grandes centros da Grécia. momentaneamente. conceituai e numericamente em Jerusalém. embebedada com a graça de Deus. A Igreja enviada a pregar ao mundo inteiro se contém sublimada. manda saudações a muitas pessoas e famílias. diaconal. mas também se comunitariza. perplexa. provando seu êxito ali e que não era obra recente. Ásia Menor. mas parece que se esqueceu. ou seria assolada por Saulo.

18. São Paulo: Vida Nova.D. p. p.. p. 2005. São Paulo: Teológica. De Cidade em Cidade.. 3. E. 2002. O Novo Dicionário da Bíblia. 2002. 2002. David e NORDILING. História Geral.12. Op.175. Mayre B. São Paulo: Hagnos. Evang. »DOUGLAS. 105-110. 2006. p. Op. "A Essência da Igreja".. Stanley J. p. 393. São Paulo: Saraiva. História da Igreja.22.458. José Roberto de Oliveira Chagas Í ll NOTAS 'VIGNA. 3" ed. O Cristianismo Através dos Séculos.. Rio de Janeiro: CPAD. '"GRENZ.. p. 12 HORREL. "FERREIRA. Curitiba: Ed. Claudionor C Dicionário Teológico.15. 3 MOTA. 1999. Op. "FALCÃO SOBRINHO. "MAXWELL. ps. 2 RODRIGUES. 3» ed. C. Merril F. São Paulo: Ática. Ebenézer Soares. 'ANDRADE. Adriana. p. História ScReüexão.31. São Paulo: Rideel. e LOPEZ. p.com). 6 VIGNA e MASUKO..20. 537. 77. ''MARTINS. p. ps.130. 15 DUSING. John. p. 9« ed. 1991. Rio de Janeiro: JUERP. 1992. 32DRANE. 2« ed. p.11. rev. ps. Manual do Pastor e da Igreja. Rio de Janeiro: CPAD.InHORTON. Izabel Cristina de Melo (coord. C. 67.Manual de Ensino e Técnicas Avançadas. Niterói: Vinde. "CAIRNS. e org. A Bíblia: Fato ou Fantasiai'São Paulo: Bom Pastor. 1994. Gilberto. José. 2 'UNGER. p. Esperança. (ed. 27FALCÃO SOBRINHO. 20. "MARTINS. 400.15.(ed. 2001. 461. 1994.. "FALCÃO SOBRINHO. (www. 1996. História da Igreja Cristã. 63. Jorge H.MichaelL. Bíblia Explicada. J.). Curitiba: A. . p. p. p. 3 »D'ÁRAÚJO FILHO.2. Dicionário de Teologia. 11» ed. Cláudio. São Paulo: Vida Nova. 4 BUENO. p.. John (ed. Carlos Guilherme. '"FERRAZ.181. Op. META .5. 2002. E. Ultrapassando Barreiras. E. In MACARTHUR. Cit. Cit. 2006. Scott (org). 2006. Benjamin. 28 BARRO. Op.. Marcos Hideishi (coord. Minidicionário Escolar da Língua Portuguesa. Leonhard. Dicionário da Língua Portuguesa.. Robert H. 'GREER JR. Cit. 20 NICHOLS. 1995.21. Rio de Janeiro: CPAD. Teologia Sistemática. 1985. e MASUKO.538. p. 459.8. Cit. 76. geral). 1995. Teologia do Novo Testamento.). Londrina: Descoberta.22.536. 24DUSING.608. Introdução e Síntese do Novo Testamento. 3a ed. 1984. p. J. pp. ps. 'VICENTINO. Jaziel G.66. São Paulo: Scipione. São Paulo: Didática Paulista. p. ps. História Sc Civilização.). 2002. "GOPPELT.6.. "Refletindo Honestamente Sobre a História". Op..).481. Seja Tudo O Que Você Pode S e r / S i o Paulo: Sepal. 8a ed. GURETZKI. Rio de Janeiro: JUERP. p. A Túnica Inconsútil. Pr. Pense Biblicamente. Cherith Fee.'AIgrejanoNovoTestamento". ps. João. "NICHOLS. S. Cit.19.10.. Cit.458. "HÖRSTER. p. Gerhard. 6* ed. J. <3SCOTT. 2002. São Paulo: Vida Nova. São Paulo: Vida Nova. Manual Bíblico Unger. As Catacumbas de Roma. 1994.) & (SHEDD. 22. Russel P. Santos Editora.176. 14. p. D. São Paulo: Didática Paulista. 1996. "MACNAIR. 1998. p. p.StanleyM. 'COTRIM..32.. ps.. São Paulo: Casa Editora Presbiteriana. Silveira.adoracao. Caio Fábio. O Sopro do Espírito. Manual da Igreja e do Obreiro. São Paulo: Vida. Rio de Janeiro: CPAD. Clyde P. 123. ps. 3a ed.

José Roberto de Oliveira Chagas Í ll SEGUNDA PARTE: SUCESSO E DECADÊNCIA DA IGREJA CRISTÃ .Pr.

por isso. ainda continuam infectando muitas comunidades. em determinado momento de sua trajetória. Finalizando esta introdução à História da Igreja Cristã enfocarei exatamente como a mesma. assim. o potencial da religião para gerar receita e transformaram a Noiva do Cordeiro em mero balcão de faturamento. desde então. um nicho lucrativo. se tornou um negócio rentável. A mesma. Essa realidade. Nas primeiras décadas. não é obra de nenhum homem. conceituai e numericamente. O PRELÚDIO DA TERRÍVEL DEGRADAÇÃO ESPIRITUAL DA IGREJA CRISTÃ . pastores não eram gestores. embora o recolhimento de ofertas liberais e voluntárias para suprir carências específicas fosse uma prática cúltica comum. perdeu o sendo de destino e de propósito e se afastou da presença de Jesus Cristo. Vamos. ela não se organizou . então.nasceu. sacerdócio não era negócio. analisar rapidamente como isto aconteceu. vocação não era profissão. igrejas não eram empresas. séculos depois. A Igreja caminhava em direção à institucionalização. tanto em Israel como em outras nações. diaconal. Esse é um dos motivos de hostilidade à fé cristã atual. SÉRIE CRESCER: PROGRAMA DE CAPACITAÇÃO BÍBLICA-TEOLÓGICA-PRÃTICA Igreja não é um clube ou um ajuntamento social. 1 A Igreja nasce de Deus e. Mesmo na pós-modernidade há muitos ensinos e práticas que deixam claro a exploração econômica através da religião. crentes não eram clientes! Por isso ela cresceu orgânica. Descobriram. ela é uma realidade espiritual. Essa mentalidade doentia. foi mudando aos poucos. isso em igrejas ditas evangélicas. todavia.2 A Igreja também não era um balcão de faturamento.

bastava alguém oferecer- lhe uma peça ou toda a casa e ali o nome de Jesus era glorificado. em 70 d. Cl 4. isto é. Pr. rica ou pobre. evangelizar. edificar e atenuar as mazelas sociais. 18.12).1. Foi assim que ela cresceu e se consolidou. O lugar. não parou com a devastação da suntuosa edificação. era a igreja do povo e não uma igreja para o povo. Sua ruína foi progressiva. não importava se era grande ou pequena. naquela época. edificação dos salvos e ação social para dirimir a dor. PAZ RELATIVA ENTRE A IGREJA E O ESTADO .12. realizava suas fervorosas reuniões em cada casa que gentilmente se abria para recebê-la. sua missão era adorar a Deus. a marcha prosseguiu. auditórios públicos de escolas (At 19. Mas como e quando a Igreja saiu dos trilhos e comprometeu sua fidelidade a Jesus Cristo? A deterioração espiritual de qualquer igreja não acontece subitamente. não era tão importante como o propósito de encontro para comunhão uns com os outros e para culto a Deus. tanto é que após a sua destruição. 17. às vezes. esplêndida ou modesta.9) e nas sinagogas até quando foram permitidos (At 14. José Roberto de Oliveira Chagas 19 II A princípio as igrejas eram domésticas e lideradas por gente comum . 23. É um processo. no templo (At 5. A Igreja Cristã não foi exceção. sua degradação paulatina.1. moroso. era uma comunidade cristã carismática e não uma instituição religiosa com profissionais altamente qualificados.hoje algumas são particulares e governadas por gente gabaritada.15. usando o VERBO para ganhar verba.4).C. antes se reuniam em casas (At 12.3. Os cristãos primitivos não concebiam a igreja como um lugar de culto como se faz hoje. E hoje? Talvez seja simplesmente gerar receita para sedimentar negócios miliardários. Não estava circunscrita ao templo judaico. dos religiosos profissionais que comercializam o sagrado.5. atenuar ou erradicar o sofrimento que fustigava as pessoas. ostentar o soberbo padrão de vida do ministério(?) sacerdotal hierárquico. Rm 16. Fm 1-4). evangelização dos perdidos.3 Sua preocupação inicial era com a adoração autêntica a Deus.

a princípio a relação entre cristãos e a população não era necessariamente hostil. porém. Jamais se rebelavam contra os governantes por interesses pessoais. não recuou. para surpresa de todos! Rostoutzeff enfatizou que os cristãos sofreram imensuráveis perdas. chegou às raias da loucura. produziu uma nova aparência para os de fora . aliás. A comunidade de fé. Não houve dúvida. um fator que ameaça a suposta tranquilidade: o culto ao imperador. Quando a diferença entre os dois segmentos religiosos tornou-se evidente. em seus primódios. então.7 Os cristãos não eram anarquistas. com a simpatia do povo (At 2. Essa postura favorecia a relação amistosa entre Igreja e Estado. 8 Existia. Ela. SÉRIE CRESCER: PROGRAMA DE CAPACITAÇÃO BÍBLICA-TEOLÓGICA-PRÃTICA O conflito entre Igreja e Estado é tema presente na história do Cristianismo. O sangue dos fiéis mártires a fertilizou. exteriorizou sua fé.4 A influência e respeito nos quais os discípulos são vistos lhes dão a oportunidade de testemunhar. Pérsia e Egito.9 CONSTANTINO. Embora houvesse desacordo com alguns grupos religiosos.5 afinal uma igreja cristã saudável atrai as pessoas para Cristo. não havia. mostrava-se mais forte do que o adversário. a irrigou. aos olhos do povo e das autoridades. Por outro lado.47). afinal a Igreja. até nas perseguições.eles contavam. O GRANDE . A fé cristã. Seu estilo de vida. como faziam certos grupos revolucionários. a era da hostilidade aflorou. a fez germinar. ainda se mantendo no primeiro amor a Jesus. porém. A referida "liturgia". A Igreja. não foi adversa à autoridade. assim. E a resposta imperial veio a seguir: severas perseguições.6 Havia também certa harmonia entre cristãos e as autoridades legalmente constituídas. é evidente que a paz relativa que a Igreja Cristã tinha desfrutado naqueles primeiros anos era resultado (também) da percepção das autoridades romanas de que os cristãos eram uma seita do judaísmo. mas o Estado perdeu a batalha. uma religião reconhecida por lei romana. Até então os cristãos não eram obrigados a tal prática cúltica porque viviam à sombra dos judeus. a fez crescer ainda mais. precisou escolher entre ser leal a Cristo ou a César. diferença entre Cristianismo e Judaísmo. oriunda da Babilônia.

segundo comenta-se. José Roberto de Oliveira Chagas 19 II A Igreja. Isto ocorreu em 380 d.13 Sua conversão do paganismo à religião cristã ainda é tema de altercação. desejoso de cultivar a educação e as belas artes. impressionado pela força de uma profecia (Mt 24.14 . Alguns estudiosos dizem que ele era filho de Constantino Cloro (membro da tetrarquia criada pelo imperador Diocleciano) com uma princesa britânica (outros alegam que foi com a concubina Elena). portanto. quando.30). G. como a Igreja Cristã se comportou quando a intensidade do conflito com o império dirimiu. O problema é que ela não aprendeu a se sair bem em tempos de prosperidade. desleais. provavelmente após o ano 280 d. Todavia se ele se converteu pode-se afirmar que não foi antes de marchar contra Maxêncio. Assim. 11 Knight e Anglin certificam que ele nasceu na Grã-Bretanha. marginais. logrou significativas vitórias. e dize-se que a sua mãe era uma princesa britânica e seu pai muito estimado pela sua justiça e moderação. ateus. Sua trajetória marcou uma nova era na história da Igreja. quando acusados de serem anti-sociais. escrevia ou estudava.C. viu ou pensou te visto um fenômeno extraordinário no céu.C. Pr.10 Os cristãos diante das acentuadas perseguições imperiais. morriam por suas crenças. sempre lia. Pretendia ser o único governante do vasto império e sabia que jamais alcançaria tal propósito sem a Igreja. contudo. com o batismo do imperador Teodósio I. filha do rei Coilo. sendo sua mãe Elena. a princípio. mesmo perseguida. Nas épocas de bonança. foi indiscutivelmente de caráter político. as suas legiões aclamaram-no imperador. Os escritores sagrados nem sempre defendem a mesma ideia sobre tal assunto. suspeita-se que sua opção pelo Cristianismo. e nasceu na Inglaterra. anárquicos. eram fiéis a seu Senhor. se corrompiam com enorme facilidade! Que ironia! Veja. tendo em vista que na sua gestão preparou-se o caminho para que a fé cristã se tornasse a religião oficial. Fox afirma que Constantino era bom e virtuoso filho de um pai igualmente cheio de virtudes.12 Em 25 de julho de 306 d. O príncipe generoso e gentil. com a morte do pai. antropófagos e incendiários. embora precisou lutar vários anos para ser reconhecido como Augusto. Flávio Valério Cláudio Constantino nasceu em 27 de fevereiro.

Nesse lugar. seu rival. Não é demais presumir que alguém deva ter visto no incidente uma intervenção divina. Naquela mesma noite Cristo lhe apareceu em sonhos. pouco ao norte de Roma. que parecia uma cruz. Em certo sentido combateu na qualidade de cristão e ganhou a batalha. T. Ela perdeu parte . ao olhar para o céu viu nas bandas do sul. às pressas. seria vitorioso sempre. Diante de tais fatos ele ficou consternado. quando o sol se punha. com a inscrição: 'Por este sinal vencerás'. "No decorrer de duas guerras contra os rivais para se firmar no trono e dominar todo o Ocidente. um grande resplendor no firmamento. Constantino passou a crer que o Deus dos cristãos lhe havia dado a vitória . Maston justifica que a atitude inicial da Igreja Primitiva foi de renunciar ao mundo e não de reformá-lo. com o sinal da mesma cruz que dantes vira. A suposta visão o atordoou. morreu afogado no rio Tibre quando uma ponte provisória ruiu. Quanto ao seu inimigo. isto é: vence por meio disto. A seguir reuniu seus homens para discutir o significado do fenômeno. AÇÕES DE CONSTANTINO VISIVELMENTE BENÉFICAS À "IGREJA" CRISTÃ O Dr. no dia28 de outubro de 312 d. parece que usava feitiçaria e encantamentos. na noite anterior à batalha. entre seus inimigos e a cidade estava a ponte Múlvia. durante um sonho. mandou pintar este sinal. sobre o seu elmo e nos escudos dos seus soldados. B. sobre o rio Tibre. Ao amanhecer o dia. Não sabia que ajuda teria contra a feitiçaria de seu astuto êmulo. Com esta vitória.C. pareceu-lhe ver uma cruz. logo sua mensagem era mais de juízo do que de redenção. SÉRIE CRESCER: PROGRAMA DE CAPACITAÇÃO BÍBLICA-TEOLÓGICA-PRÃTICA Para acentuar ainda mais o medo de Constantino. assim. Essa atitude mudou. além de sagaz. Sob juramento repetiu várias vezes que era coisa certa e verdadeira o que vira. e convidou-o a tomá-lo como signo. e a levá-la em suas guerras. Já nas contiguidades da cidade. com esta inscrição: In hoc vince.

Mudanças mais significativas ocorreram especialmente com a ascensão de Constantino ao trono. a pacificação se tornou relativamente completa e o poder do Estado foi usado para protegê-la e realizar o seu programa. O imperador. Nos editos publicados constavam a destruição de todas as igrejas e dos escritos sagrados (possivelmente instigado pelos filósofos). José Roberto de Oliveira Chagas 19 II da sua esperança escatológica. reivindicação de que todos os cristãos em qualquer condição em toda parte do império oferecessem sacrifício e voltassem a adorar os deuses. Galério. erigiu um . fortaleceu-se a tendência do movimento cristão para chegar às altas camadas. odiava os cristãos. as relações harmônicas entre a Igreja e o mundo se estabeleceram. Pr. soberbo e selvagem. sob pena de morte em caso de recusa.sacerdotes pagãos e mestres de filosofia - incentivou o ímpio imperador a persegui-los furiosamente. um homem tirano. não suportava vê- los crescer em quantidade e em riquezas. Através dele. inclusive. detenção de todos os que pertencessem às ordens clericais. uma fanática e seus comparsas . ao fazer a paz com o mundo. e a influência das novas gerações de cristãos ganhou terreno. As intermitentes perseguições cessaram quase que em caráter definitivo. primeiro como uma religião oficial e depois. etc. apoiado por sua mãe.17 foram por ele suplantadas. Acredita-se que uma das mais intensas perseguições de toda a história do povo de Jesus Cristo foi desencadeada pelo imperador Diocleciano. A perseguição. O Cristianismo. outras sentenciadas à morte por não adorar aos deuses pagãos. que durante quase 300 anos testou a unidade da Igreja e a fé dos seus membros. pessoas pertencentes às ordens clericais eram presas e sem chance de liberdade se não negassem o Cristianismo.16 Os feitos benéficos durante a gestão de Constantino foram vários. Durante essa perseguição implacável exemplares da Bíblia foram queimados. filho adotivo/genro do referido monarca. templos construídos em todo o império durante meio século. por exemplo. destruídos. a religião oficial. alterando o posicionamento inamistoso da Igreja com relação ao mundo. cristãos exilados dentro dos templos e depois ateavam fogo. foi reconhecido pelo Estado. logo.

deu-lhes os principais cargos. decidiu favorecer de todos os modos os cristãos. nos íngremes cumes dos montes. apesar dos atos bárbaros que praticou já sendo reconhecido como cristão. A época de bonança finalmente chegou! A religião de Cristo saindo como do deserto e das prisões. o imperador romano presidia os concílios eclesiásticos e ainda tomava parte nos debates. é a fase da Igreja Imperial. baniu o suplício da cruz. logo. tais como isenção de impostos. o culto e o nome de Jesus se exaltaram acima dos deuses vencidos do paganismo. finalmente tomou posse do mundo. é . era festejado em toda parte como o salvador. 21 A Igreja outrora perseguida conquistou o império. Apesar da bonança. o adultério e o concubinato. nos fundos barrancos e nos vales distantes. etc. foi aquele um período trágico. então. talvez num surto de liberalidade.22 Constantino. A Igreja Cristã. Como recebiam privilégios do imperador. das numerosas conquistas materiais.C. até à queda de Roma em 476 d. a adoração e o testemunho. em 313 d. documento que conferia liberdade de culto. se tornou também o principal da igreja. Os imperadores Constantino e Licínio divulgaram o Edito de Milão. bem diferente da comunidade cristã primitiva.18 Finalmente aqueles dias sombrios cessaram. encomendou Bíblias para as igrejas de Constantinopla.C. já era. Era possível ver a cruz nas estradas principais. nos tetos das casas e nos mosaicos dos sobrados. isentou ministros cristãos de impostos e do serviço militar. SÉRIE CRESCER: PROGRAMA DE CAPACITAÇÃO BÍBLICA-TEOLÓGICA-PRÃTICA monumento com esta inscrição: "Em honra ao extermínio da superstição cristã". Até os teólogos da corte o veneravam. 20 NASCE A OPULENTA IGREJA IMPERIAL Especialistas em história da Igreja dizem que do edito de Cons- tantino. proibiu que os senhores matassem os escravos.19 Também. sob a direção de Eusébio. ajudou na construção de igrejas. alterou o culto. a administração do estado e dos negócios civis foi reunida com o governo da igreja. julgamentos especiais e. naquela época. O lábaro com o monograma de Cristo "levantando-se acima do dragão vencido" aparecia nas moedas de Constantino.

também. ocorrendo assim muitas conversões falsas. desde então o templo passou a ser sinônimo de igreja. suas relíquias eram vendidas como se tivessem poder de realizar milagres. sob a liderança de cristãos comuns. sustento financeiro. estas governadas pelo bispo autoritário. logo. O favor imperial favoreceu a conversão em massa. vestes. passaram a se concentrar nos templos e aos poucos foi se consolidando a mentalidade de um lugar santo. Mathias ainda acrescenta que ao mesmo tempo a realização da eucaristia nos lares foi proibida na reunião de sínodo acontecida em Laodicéia entre 360 e 370 d. bispos e anciãos foram proibidos de oferecer os sacrifícios nos lares. além dos templos pagãos restaurados. Os próprios mártires do passado foram transformados em meio de geração de receita. as reuniões que antes aconteciam nas casas. Gente mundana e ambiciosa desejava postos na Igreja para. por igrejas particulares.23 Iniciou-se ainda as perseguições aos pagãos. o clero logo percebeu que tinha nas mãos um grande nicho. Com a demanda frenética para aderir a fé estatal. destaca-se a Igreja dos Doze Apóstolos. era amado porque. em Constantinopla.C. obter influência social e política. no interior do qual ele mandou preparar o seu túmulo. Mathias Quintela de Souza explica que a generosidade do imperador e de sua família favoreceu a construção de outros edifícios: em Jerusalém. O Cristianismo. além de sancionar o episcopado monárquico. O Pr. deu-lhes regalias. José Roberto de Oliveira Chagas 19 II claro. por outro lado. morada de Deus como acontecia no Antigo Testamento. A CONSTRUÇÃO DE TEMPLOS MEGALOMANÍACOS A partir de Constantino multiplicaram-se em pouco tempo também os lugares dedicados especialmente ao culto.25 . sagrado.24 Todos queriam ser membros da Igreja e quase todos eram aceitos. ou templos novos. gotas de sangue e até restos de esqueletos se tornaram artigos rentáveis. o magnífico conjunto do Santo Sepulcro. Pr. viam-no apenas como "um anjo do Senhor vindo do céu". se tornou a religião do status quo. prevalecendo a tendência inicial de substituir as igrejas domésticas. assim.

26 Pelo menos dois fatores impossibilitaram a Igreja de edificar templos no primeiro século: a pobreza e a perseguição. o Cristianismo passou a receber auxílio financeiro do Estado para a construção de suntuosos templos.C. Mas não modelou qualquer plano de governo. Porém. A Igreja. foram construídos catedrais e centros cristãos de porte nunca imaginados. suas reuniões cúlticas eram realizadas em casas particulares. ao Império. a partir daí a beneficiá-la".29 A ORGANIZAÇÃO LOCAL DA IGREJA CRISTÃ Cristo fez mais do que dar organização à Igreja. e o próprio clero passou a ser remunerados pelos cofres públicos. Horrel reitera que a partir de 312 d.. contra o qual deixou também de exercer a função profética de denúncia e de reivindicação.28 O Dr. Jorge H. com a conversão de Constantino. que tinha sido o símbolo de comunidade e espiritualidade. então. Apenas recomendou a ela ritos religiosos simples: o batismo e a Ceia do Senhor (uma comemoração/lembrança da Sua morte para a redenção dos homens). não indicou oficiais para exercerem a autoridade sobre os adeptos. aliou-se. Assim. logo. financiados pelos impostos do império.. porém foi capaz de abalar as estruturas do Império Romano com sua mensagem e testemunho de vida. desapareceu da corrente principal da vida e estrutura da igreja. e enfatizou a necessidade dela propagar ao mundo o Evangelho e ministrar . Barro e o Dr. A igreja nas casas.27 "Quando Constantino se tornou cristão. com o sucesso e a suposta conversão de Constantino.) parte do movimento monástico e alguns grupos sectários continuaram com a igreja nas casas como uma tradição paralela". não impôs algum código de regras. pois o Estado começou. Wander ratificam que a Igreja primitiva não tinha posses nem mesmo templo para celebrar seus cultos. ele a criou e lhe deu vida. SÉRIE CRESCER: PROGRAMA DE CAPACITAÇÃO BÍBLICA-TEOLÓGICA-PRÃTICA John S. (. nem lhes prescreveu credo algum. a religião oficial do Império Romano tornou-se cristã. houve uma grande mudança da adoração subterrânea nas catacumbas e das igrejas nas casas para as catedrais.

regimes internos. convenções. responsabilidade mútua pelo cumprimento da missão dada por Jesus. confiança.C. Clemente. Vítor (190-202 d. sem êxito. etc). fazer com que Policarpo. mudasse a data da celebração da Páscoa. Mas. de fato.33 As altercações pelo poder logo ganharam terreno. mas foi censurado por Irineu. a escolha de Matias para preencher a vaga no ministério e apostolado. ratifica que é evidente a liderança de Pedro nesta fase da igreja (At 1. chamada e capacitada pelo próprio Espírito Santo. o declínio espiritual e o sacramentalismo os verdadeiros motivos para essa mudança.C. envolveu-se num problema particular da igreja em Corinto.C. Era liderada por gente simples. etc.32 O SURGIMENTO DO CLERO A Igreja Primitiva não tinha um governo episcopal-sacerdotal monárquico. ordens de pastores. Pr. Assim iniciou a construção de uma forma de governo que desembocaria no episcopado monárquico. vendo a base ameaçada a estabilidade doutrinária da fé cristã. auditoria e tudo o mais que hoje conhecemos.15).) foi mais além: achou-se no direito de ameaçar de excomunhão às igrejas orientais devido o mesmo problema(?).30 Isso não significa que a Igreja não deveria ter liderança. décadas depois. bispo de Éfeso. que também ratificou a independência de sua autoridade. Jorge H.1-7). do qual Judas se transviou (At 1. de . tornou-se necessário que o bispo defendesse e arraigasse suas igrejas com mais vigor. bispo de Lião. tentou. Tertuliano. e Polícrates. mas havia amor. O Dr. bispo de Esmirna. ainda citando o crescimento orgânico (que envolve seus líderes. José Roberto de Oliveira Chagas 19 II os Seus ensinos. 154-168 d. Para Emil Brunner foram. formas de governo.26). a criteriosa escolha dos sete (At 6. Não havia uma elite de profissionais especializados para prestar assistência à comunidade de fé. estatutos. bispo de 91-100 d. Barro esclarece que um organismo precisa de organização e que a Igreja em Jerusalém descobriu isso logo em seu estágio inicial.31 A cooperação entre as igrejas no período apostólico não era institucionalizada: não havia associações formais. juntas. normas de procedimento. Aniceto. depois a cooperação foi sendo institucionalizada em vários formatos.

certo grau de importância. A Igreja ficou cada vez mais institucionalizada e menos dependente do poder e orientação do Espírito. bispo de Cartago. além de negar-lhe submissão. a religião oficial do Império Romano. Cipriano. ficou horrorizado quando Calixto. Nascia.) fez acerca de algumas práticas batismais da Igreja situada ao norte da Africa.18.C. quando Constantino declarou que o Cristianismo seria. era apenas um cidadão. tinha a autoridade divina que o capacitava a ensinar a verdade cristã sem cometer erros. Roma ainda era a egrégia sede do governo do Império. enquanto o povo. na época. a Igreja Católica Romana. A idéia. E assim repetiu-se a história. No século III. isto é. para o povo.35 Quanto ao crescente prestígio e poder do bispo de Roma.34 O bispo. aprendiz e submisso à igreja. falou como se fosse o Bispo dos bispos. bispo romano (218-223 d. dava ao bispo. quando deixou de ser o centro do poder político. bispo de Roma (253-257 d. asseverou que cada bispo era supremo em sua própria diocese. Os bispos receberam poder judicial civil e exclusivas autoridades eclesiásticas. por tal insanidade foi nomenclaturado de usurpador. depois o único cabeça da igreja local. o leigo.36 se tornou uma potência religiosa singular! . também respondeu à altura as objeções que Estevão I. uma classe diferente e inferior de membro. baseado em Mt 16. poder divino para declarar os pecados perdoados. virtualmente. a Igreja se tornou uma instituição de prestígio irrefutável e o ofício do bispo foi engrandecido ainda mais. lhe pareceu absurda. logo. assim. ofertante. SÉRIE CRESCER: PROGRAMA DE CAPACITAÇÃO BÍBLICA-TEOLÓGICA-PRÃTICA Cartago. por isso seus ensinos e práticas jamais eram questionadas.C).

27 NICHOLS.. História da Igreja Cristã São Paulo: Casa Ed. Cit. p. T. Cit. "Uma Igreja Com o Propósito de Ser Perseverante". p. 1985. e BARRO. p. "JOHNSON. O Livro dos Mártires. 25 BARRO. 2005. p. META . SÉRIE CRESCER: PROGRAMA DE CAPACITAÇÃO BÍBUCA-TEOLÓGICA-PRÁTICA NOTAS 'CALDAS. ed. 2006. São Paulo: Vida Nova. 18. ps. História da Igreja. Cit. 2002. p. p. 105. 'VIGNA. In ARRINGTON e STRONSTAD. 1). Earle E. 33 BRUNNER. Macalão.50. VASCONCELOS. 3« ed. p. Uma Igreja Sem Propósitos.16. Fundamentos da Teologia da Igreja . Londrina: Descoberta. p. (org.Sinodal. 103-105. Roger (orgs. Teologia Sistemática. «LYRA.34. São Paulo: Abril. 3« ed. "NICHOLS.. 2006.62. Op. 35 DUSING. 1999. Rio de Janeiro: CPAD.108.. 2007. "FOX. . 4« ed. Rio de Janeiro: JUERP. H. p. "Romanos". 3 CAIRNS. p.. "Atos dos Apóstolos". São Paulo: Novo Século. São Paulo: Didática Paulista. Manfred W.Manual de Ensino e Técnicas Avançados. 'BÍBLIA DE ESTUDO DE APLICAÇÃO PESSOAL. 25 SOUZA. Scott (org). João. ps. Robert H.94-99. Michael L. p. p. "MASTON. 16. idem. 9' ed. Carlos. Coração de Pastor. Martin N. s ARRINGTON.641. Artigo: "A Vitória do Cristianismo . Op. Brasília (DF). ps. 540.. p. 36.61. 2003. pp.. 157.adoracao. "REVISTA SUPERINTERESSANTE/A VENTURAS NA HISTÓRIA.. De Cidade em Cidade. Op.41. Yuri.. p. "APOSTILA DE HISTÓRIA DA IGREJA. 18 FERRAZ.). Comentário Bíblico Pentecostal.. 23 DREHER. "MIRANDA. São Leopoldo/RS . Cit. "KNIGHT. 19. A Igreja e o Mundo.67. 2004. Campinas (SP): ICI.164. Op.. 1996. W. dezembro. C. O Cristianismo Através dos Séculos.). A. Teol. p. 2004. Sem. 1994. 11-19. 20 KNIGHT e ANGLIN. O Equívoco Sobre a Igreja. "DOMINONI. p. Cortina Rasgada. 9. p. 2000. 54. Igreja Cristã em Ação. ■ 2S MANUAL DO AUXILIAR DE CÉLULA. 22. José. Marcos Hideishi (coord. De Cidade em Cidade. Op. Rio de Janeiro: CPAD. p. Jorge H. Presbiteriana. Mayre B. p. "MIRANDA.com). M LYRA. e MASUKO. Van. 31 BARRO. Jorge H. Ministério Pastoral Transformador. 57. J.). p. In HORTON. p. Op.15. Londrina: Ministério Multiplicação da Palavra.. "A Essência da Igreja". "A Igreja no Novo Testamento".51. Rio de Janeiro: CPAD.. (www. John. Surpreendente Cruz. 1993. Rio de Janeiro: JUERP. "O Ministério Leigo: Uma Perspectiva Histórico-Missiológica". (ed. 2002.75. 53. Rio de Janeiro: CPAD. 1998.Coleção: Teologia Brasileira.165.p. 1997.42. "BETTENSON. p. Documentos da Igreja Cristã São Paulo: Aste/Simpósio.49. Coleção História da Igreja . 'DREHER.79.A Igreja no Império Romano (Vol. 1999. p. ps. Op. ^LYRA. 4" ed. p. B. 1984. 26 HORREL. idem. "BARRO. e STRONSTAD.O Triunfo da Cruz". História do Cristianismo. FrenchL. 6» ed. Emil. 1998. 3« ed. John... Cit. Mathias Quintela de.1482. Antônio. In Ultrapassando Barreiras. FrenchL. Paulo L. '"SITTEMA. 2 MIRANDA. e PROENÇA. Cit. 2004.35. Stanley M. São Paulo: Mundo Cristão. Jorge H.17-19. 1998. p. São Paulo: Mundo Cristão.117. Londrina (PR): Descoberta.ll.899.). 2004. Londrina: Descoberta. Gessé.81. A Túnica Inconsútil. In KOHL. Sérgio Paulo Ribeiro. pp. In BARRO. Antônio Carlos. Cit. 3ÍMASTON. São Paulo: Cultura Cristã. pp. Rio de Janeiro: CPAD..66. São Paulo: Vida Nova. Curitiba: Ministério Igreja em Células. e org. Wander de Lara. e ANGLIN. 32 FALCÃO SOBRINHO. In ARRINGTON. ps.

I._______________________________________________________ . conforme constará no certificado.________________________ 3._______________________ 2. citado pelo Dr. Bairro:_______________________________ Cidade:________________________________________UF._______________________________. Quais são as 4 dimensões do crescimento da Igreja de acordo com Orlando Costas. McNair. sem rasuras. QUESTÕES TEÓRICAS: 1. SÉRIE CRESCER: PROGRAMA DE CAPACITAÇÃO BÍBUCA-TEOLÓGICA-PRÁTICA QUESTIONÁRIO AVALIAÇÃO DE HISTÓRIA DA IGREJA *Nome:_________________________________________ Sexo:( )DataNasc. CEP:________________________Fone: (____)_____________ Nome completo. E.:____________________________ nfl____________. Jorge Barro? Resp. Resp._______________________________________________________ 4. / / Natural: *End. Endereço correto para o qual será enviado o certificado. Quais são. na opinião de Horrel. O que é Teologia Histórica? Resp. Cite algumas das consequências da perseguição à Igreja em At 8 segundo S. os 04 usos de elesia relacionados à Igreja Cristã nos escritos neotestamentários? Resp.

QUESTÕES AVALIATIVAS: 1. II. atividade que exerce. há quanto tempo congrega nela.tempo dedicado ao estudo da disciplina. Fale a respeito de sua comunidade de fé: nome. Qual sua opinião sobre o conteúdo desta disciplina? Resp._______________________________________________________ ._____________________________________________________ 4. De que maneira você pretende aplicar em sua vida e ministério o que aprendeu nesta disciplina? Resp._______________________________________________________ 2. quais são virtudes e fracassos. comentários importantes suscitados. Como você avalia o seu aproveitamento deste módulo . Resp.._____________________________________________ 3. possíveis descobertas? Resp..

_______________________________________________________ .5. Como você avalia a forma como as informações foram transmitidas pelo professor-escritor: você conseguiu compreender o que ele quis lhe passar ou teve dificuldades? O que poderia ser melhorado? Resp.