Poder Judiciário

Justiça do Trabalho
Tribunal Superior do Trabalho

PROCESSO Nº TST-AIRR-1583-55.2012.5.01.0322

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A C Ó R D Ã O
(3ª Turma)
GMMGD/acl/fmp/ef

AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO DE
REVISTA. TERCEIRIZAÇÃO TRABALHISTA.
ENTIDADES ESTATAIS. ENTENDIMENTO
FIXADO PELO STF NA ADC Nº 16-DF. SÚMULA
331, V, DO TST. RESPONSABILIDADE
SUBSIDIÁRIA. NECESSIDADE DE
COMPROVAÇÃO DE CONDUTA CULPOSA NO
CUMPRIMENTO DAS OBRIGAÇÕES DA LEI
8.666/93 EXPLICITADA NO ACÓRDÃO
REGIONAL. Em observância ao
entendimento fixado pelo STF na ADC nº
16-DF, passou a prevalecer a tese de que
a responsabilidade subsidiária dos
entes integrantes da Administração
Pública direta e indireta não decorre de
mero inadimplemento das obrigações
trabalhistas assumidas pela empresa
regularmente contratada, mas apenas
quando explicitada no acórdão regional
a sua conduta culposa no cumprimento das
obrigações da Lei 8.666, de 21.6.1993,
especialmente na fiscalização do
cumprimento das obrigações contratuais
e legais da prestadora de serviço como
empregadora. No caso concreto, o TRT
reformou a sentença, para condenar, de
forma subsidiária, o ente público,
reconhecendo a sua culpa in vigilando.
Ainda que a Instância Ordinária
mencione fundamentos não acolhidos pela
decisão do STF na ADC nº 16-DF, o fato
é que, manifestamente, afirmou que
houve culpa in vigilando da entidade
estatal quanto ao cumprimento das
obrigações trabalhistas pela empresa
prestadora de serviços terceirizados. A
configuração da culpa in vigilando,
caso afirmada pela Instância Ordinária
(como ocorreu nos presentes autos),
autoriza a incidência da
responsabilidade subsidiária da
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2.200-2/2001, que instituiu a Infra-Estrutura de Chaves Públicas Brasileira.

II da LC 75/93. PROCESSO ELETRÔNICO.01. sustentando que o seu apelo reunia condições de admissibilidade. SÚMULA 331.0322 Este documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www. Agravo de instrumento desprovido. V. que instituiu a Infra-Estrutura de Chaves Públicas Brasileira. ENTENDIMENTO FIXADO PELO STF NA ADC Nº 16-DF.666/93. O Ministério Público do Trabalho deixou de emitir parecer circunstanciado. RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA. e MUNICÍPIO DE SÃO JOÃO DO MERITI.5. Inconformada. Vistos. Lei 8. entidade tomadora de serviços (arts. conforme MP 2.br/validador sob código 10015BD373A18885EA.200-2/2001. II) MÉRITO TERCEIRIZAÇÃO TRABALHISTA. 83.5. O Tribunal Regional do Trabalho de origem denegou seguimento ao recurso de revista da Parte Recorrente. 58 e 67. CONHEÇO do apelo.2012. Poder Judiciário Justiça do Trabalho Tribunal Superior do Trabalho fls.0322. DO TST. BIOEXATA TECNOLOGIA EM DIAGNÓSTICOS LTDA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE CONDUTA Firmado por assinatura digital em 16/02/2017 pelo sistema AssineJus da Justiça do Trabalho. É o relatório.01. a Parte interpõe o presente agravo de instrumento. relatados e discutidos estes autos de Agravo de Instrumento em Recurso de Revista n° TST-AIRR-1583-55. 186 e 927 do Código Civil). por não entrever o interesse público inserto no art.jus. em que é Agravante MUNICÍPIO DE DUQUE DE CAXIAS e são Agravados MICHELLE DA COSTA AZEVEDO.2 PROCESSO Nº TST-AIRR-1583-55.tst. V O T O I) CONHECIMENTO Atendidos todos os pressupostos recursais. ENTIDADES ESTATAIS.2012. .

ao ser lotada no PAM do Município de São João de Meriti. 27/44 e pelo depoimento pessoal da preposta da primeira ré. in contrahendo e in eligendo. afirma que o preposto da empregadora confirma que não quitou os haveres trabalhistas. que instituiu a Infra-Estrutura de Chaves Públicas Brasileira. cumpre esclarecer que a leitura dos fatos narrados na inicial informa que a autora foi contratada pela primeira ré Bioexata Tecnologia Diagnóstico Ltda.666/93.. A seu turno. em razão de os Municípios não terem repassado as verbas decorrentes da execução do contrato.jus. no tocante ao tema.0322 Este documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www. o Município de São João de Meriti não nega que manteve contrato de prestação de serviços com a Bioexata e que se beneficiou da mão de obra da autora. Inicialmente. para prestar serviços desde a admissão em fevereiro de 2009 e até julho de 2010 ao segundo réu. verbis: ‘. Assiste-lhe razão. ao fundamento de que os entes municipais não negam que firmaram contrato de prestação de serviços com a primeira ré. passando a partir de agosto de 2010 e até a demissão sem justa causa em agosto de 2012 a prestar serviços para a terceira ré. .3 PROCESSO Nº TST-AIRR-1583-55.666/93 EXPLICITADA NO ACÓRDÃO REGIONAL O Tribunal Regional. onde informa que manteve com a primeira demandada contrato de serviços especializados em técnica de laboratório.5. TST. previstas no inciso IV da Súmula nº 331 do C. evidenciando a ausência de fiscalização efetiva do cumprimento das obrigações trabalhistas impostas à empresa prestadora de serviços.tst.01. o que torna este fato incontroverso nos autos. assim decidiu: “DA RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA DOS MUNICÍPIOS DE DUQUE DE CAXIAS E SÃO JOÃO DE MERITI Sustenta a autora recorrente que deve ser reconhecida a responsabilidade subsidiária dos Municípios de Duque de Caxias e São João de Meriti. declarou a preposta da primeira ré que o atraso no pagamento dos valores devidos à autora foi decorrente do inadimplemento das obrigações dos demais réus para com a mencionada primeira listisconsorte passiva. Município de Duque de Caxias.br/validador sob código 10015BD373A18885EA. incorrendo as segunda e terceiras rés nas culpas in vigilando. que a primeira ré moveu ação pelo inadimplemento contra o segundo réu. o Município de Duque de Caxias nega a inexistência de contrato de prestação de serviços firmado com a primeira demandada ou que tenha se beneficiado da mão de obra da autora (fl.200-2/2001. conforme se depreende da leitura da peça de defesa de fl. Finalmente. 126.. CULPOSA NO CUMPRIMENTO DAS OBRIGAÇÕES DA LEI 8. 154).. a qual declarou à fl. conforme MP 2. na forma prevista no artigo 71 da Lei nº 8. Por sua vez.2012. Poder Judiciário Justiça do Trabalho Tribunal Superior do Trabalho fls. que a Firmado por assinatura digital em 16/02/2017 pelo sistema AssineJus da Justiça do Trabalho. 167. tese esta que restou infirmada pelos documentos de fls.

a questão a ser analisada reside em determinar se cabe a condenação subsidiária do segundo e terceiro recorridos. TST. que instituiu a Infra-Estrutura de Chaves Públicas Brasileira. CONTRAÇÃO DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. nas mesmas condições do item IV. alterando-lhe a redação do inciso IV e acrescentando os novos incisos V e VI.. de aproximadamente R$7. Destarte.jus. verbis: ‘331. impõe-se inicialmente serem trazidas a cotejo as modificações levadas a efeito pelo C..5. também conhecida como Lei das Licitações.01. desde que haja participado da relação processual e conste também do título executivo judicial. especialmente na fiscalização do cumprimento das obrigações contratuais e legais da prestadora de serviço como empregadora.VI . devendo ser evidenciada a conduta culposa do ente público no atendimento às determinações contidas na Lei nº 8. quando do julgamento da ADC nº 16.666/93.4 PROCESSO Nº TST-AIRR-1583-55.) Cristalizado o novo posicionamento jurisprudencial da Excelsa Corte Constitucional.0322 Este documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www. LEGALIDADE. caso evidenciada a sua conduta culposa no cumprimento das obrigações da Lei nº 8. que se pronunciou nos seguintes termos. Ministro Cezar Peluzo.. para fixar que esta não mais decorre do mero inadimplemento das obrigações trabalhistas assumidas pela empresa regular e terceirizadamente contratada. sendo em relação ao segundo réu.000.’ Impende lembrar que tal modificação veio a lume após o Excelso STF declarar. verbis: (.000.666/93. por parte do empregador. no que concerne à responsabilidade subsidiária da Administração Pública. induvidoso que a Colenda Corte Trabalhista também viria a se ajustar àquele modelo.br/validador sob código 10015BD373A18885EA.200-2/2001. implica a responsabilidade subsidiária do tomador de serviços quanto àquelas obrigações.tst. .2012.’ Assim.IV – O inadimplemento das obrigações trabalhistas.Os entes da administração pública direta e indireta respondem subsidiariamente. TST na redação da Súmula nº 331. A aludida responsabilidade não decorre de mero inadimplemento das obrigações trabalhistas assumidas pela empresa regularmente contratada.. que trata da legalidade da contratação terceirizada de serviços. Firmado por assinatura digital em 16/02/2017 pelo sistema AssineJus da Justiça do Trabalho.V . especialmente na fiscalização do cumprimento das obrigações contratuais e legais da prestadora de serviço como empregadora. Ação Constitucional aquela que teve por Relator o Exmo.A responsabilidade subsidiária do tomador de serviços abrange todas as verbas decorrentes da condenação. de que trata o entendimento jurisprudencial cristalizado na Súmula nº 331 do C.. conforme MP 2.00 e em valor que a depoente desconhece. primeira ré ainda detém créditos em relação aos demais réus. os quais deixam assentado. em relação ao terceiro réu.666/93. Poder Judiciário Justiça do Trabalho Tribunal Superior do Trabalho fls. a constitucionalidade do §1º do artigo 71 da Lei nº 8. considerando que os tomadores de serviço se beneficiaram da mão-de-obra da laborista.

durante toda a execução do contrato. Poder Judiciário Justiça do Trabalho Tribunal Superior do Trabalho fls.. Assim e em primeiro lugar.2012. A execução do contrato deverá ser acompanhada e fiscalizada por um representante da Administração especialmente designado. que instituiu a Infra-Estrutura de Chaves Públicas Brasileira. os quais determinam que: ‘Art. que disciplinam a matéria de interesse ao deslinde da controvérsia.212.01.§ 2º A Administração Pública responde solidariamente com o contratado pelos encargos previdenciários resultantes da execução do contrato.5 PROCESSO Nº TST-AIRR-1583-55.. . devem ser cotejados os diversos dispositivos da Lei nº 8. Nesse passo e em atenção ao que prescreveram o Excelso STF e o Colendo TST.br/validador sob código 10015BD373A18885EA. sendo que em relação a esta (artigo 29) estabelece seu inciso IV que a mesma consistirá em ‘prova de regularidade relativa à Seguridade Social e ao Fundo de Garantia por Tempo de Firmado por assinatura digital em 16/02/2017 pelo sistema AssineJus da Justiça do Trabalho. vêm a exame o caput e os §§ 1º e 2º do artigo 71 da Lei nº 8. previdenciários. em relação aos contratos administrativos ‘Art... quando do julgamento da referida ADC nº 16 ou à Súmula Vinculante nº 10. enquanto para a habilitação nas licitações prescreve o caput do artigo 27 que se exigirá dos interessados a documentação exclusivamente. nos termos do art. de modo a se fixar a responsabilidade subsidiária da Administração Pública. em compatibilidade com as obrigações por ele assumidas. que desde longa data era afastada pela antiga redação do inciso IV da Súmula nº 331 do C. inclusive perante o Registro de Imóveis.666/93. TST. também desde sua edição fixa que: ‘Art. fiscais e comerciais. estabelece o artigo 55 do mesmo diploma legal: ‘Art. com referência aos encargos trabalhistas..III – fiscalizar-lhes a execução.200-2/2001. São cláusulas necessárias em todo contrato as que estabeleçam:.0322 Este documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www. de 24 de julho de 1991.. 71.666/93. 67.VII – os direitos e as responsabilidades das partes. todas as condições de habilitação e qualificação exigidas na licitação’ (idem).XIII – a obrigação do contratado de manter. permitida a contratação de terceiros para substituí-lo ou subsidiá-lo de informações pertinentes a essa atribuição. . 58.’ (idem) ao passo que o artigo 58 impõe à Administração Pública. 312 da Lei nº 8. 55. as penalidades cabíveis e os valores das multas. conforme MP 2.jus. relativa à qualificação econômica-financeira e regularidade fiscal. sem que se afronte ou entre em rota de colisão com o que restou fixado pelo E. fiscais e comerciais resultantes da execução do contrato. não transfere à Administração Pública a responsabilidade por seu pagamento. O contratado é responsável pelos encargos trabalhistas.§ 1º A inadimplência do contratado.’ Em que pese a isenção de responsabilidade do ente público ditada pelo referido dispositivo legal..’ (idem) Por sua vez. nem poderá onerar o objeto do contrato ou restringir a regularização e o uso das obras e edificações. STF. certo que o artigo 67 da Lei de Licitações.tst.5.

constituindo motivo. .200-2/2001. eis que a autora não almejou cargo público. não o fazendo.6 PROCESSO Nº TST-AIRR-1583-55. mas a responsabilidade subsidiária do Município de mesquita alicerçada na responsabilidade subjetiva.01. previdenciários.666/93. decorrente da culpa in vigilando.TST ao caso em tela. . é de que não se exclui a responsabilidade do tomador dos serviços. fiscais e comerciais resultantes do contrato (artigo 71). mas a Administração Pública responde solidariamente com o contratado pelos encargos previdenciários (artigo 71.5.2012. contratada pelo ente de direito público. não retrata a hipótese sub examen. sendo certo que em relação aos órgãos da Administração Pública direta. forçoso frisar. . quando impede a transferência dos encargos trabalhistas à Administração Pública em face da inadimplência do contratado. § 2º). Nem há que se falar em aplicabilidade da Súmula nº 363 do C.deve ser observado que a inexecução total ou parcial do contrato enseja a sua rescisão (artigo 77).tst. o § 1º do artigo 71 da Lei nº 8. Por seu turno. Firmado por assinatura digital em 16/02/2017 pelo sistema AssineJus da Justiça do Trabalho.a Administração Pública exige para a habilitação na licitação pública prova de regularidade relativa à Seguridade Social e ao Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).0322 Este documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www. conforme MP 2.br/validador sob código 10015BD373A18885EA. não está a excluir a sua responsabilidade subsidiária. Serviço (FGTS). o entendimento extraído da Súmula nº 331 do C. é excluída apenas a possibilidade de reconhecimento do vínculo empregatício com tais entes ou de reconhecimento da responsabilidade objetiva. Assim. o que. para a prestação de serviços terceirizados. . com os que resultam da hipótese dos autos. Poder Judiciário Justiça do Trabalho Tribunal Superior do Trabalho fls. caso observasse o fiel cumprimento às normas trabalhistas pela empresa contratada (artigo 67 da Lei nº 8. inciso IV).666/93) e. o não cumprimento de cláusulas contratuais (artigo 78. inciso I) e razões de interesse público (inciso XII). a despeito da reforma parcial de seu texto.o contratado é responsável pelos encargos trabalhistas. demonstrando situação regular no cumprimento dos encargos sociais instituídos por lei.jus. eis que a autora não está pretendendo o reconhecimento de vínculo de emprego com a Administração Pública Federal e sim a declaração judicial de sua responsabilidade subsidiária.a execução do contrato deve ser acompanhada e fiscalizada pela Administração Pública (artigo 67).’ Assim. até porque estaria isenta de qualquer responsabilidade. em razão dos créditos inadimplidos pela primeira ré. devendo o contratado demonstrar situação regular no cumprimento dos encargos sociais instituídos por lei (artigo 29. entre outros. indireta ou fundacional. que instituiu a Infra-Estrutura de Chaves Públicas Brasileira. TST. ante a proibição contida no inciso II do artigo 37 da Constituição Federal e da redação contida no §6º do artigo 37 da Constituição Federal. assume a responsabilidade subsidiária por sua culpa in vigilando. do cotejo dos diversos dispositivos transcritos constata-se que: .

da UFMG e da PUC/MG) e Hélder Santos Amorim (Procurador do MPT/MG e professor da PUC/RJ).2009. por seu Órgão Especial. quando fundada na Súmula nº 331 do C. 5ª edição. sob o título ‘O padrão de fiscalização dos direitos dos trabalhadores terceirizados’ (páginas 282/295). impeditivo ou extintivo do direito – ou o interesse em prová-lo.666/93 (ArgInc-0149500-79. .tst. ao passo que na responsabilidade objetiva não há sequer averiguação de culpa.’ (in ‘Curso de Direito Processual Civil’. porquanto são formalizados. como demonstrado no prefácio da presente decisão. que este Egrégio Tribunal. escrevem os ilustres Márcio Túlio Viana (ex-Desembargador aposentado e professor da UFMG e PUC/MG). ademais.. Saliente-se..666/93. TST. quando do julgamento da Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 16. quem tem mais possibilidade de fazê-lo.01. 71 da Lei nº 8. Órgão Especial deste 1º Regional. Resulta manifesta. acerca da constitucionalidade ou não do § 1º do art. mas tão-somente das Firmado por assinatura digital em 16/02/2017 pelo sistema AssineJus da Justiça do Trabalho. na hipótese dos autos não se aplica a Teoria Estática das Provas.666/93 impõe à Administração Pública realizar sobre a empresa contratada. Isso porque. o ônus da prova (encargo subjetivo) deve recair sobre a tomadora dos serviços. Todavia. Isso porque. diante do exposto. ‘. sem prejuízo de que em sessão realizada em 24/11/2010.5.é irrelevante a natureza do fato probando – se constitutivo. concluiu o Egrégio Órgão Especial. firmou o entendimento de que a condenação subsidiária de ente da Administração Pública. a desnecessidade de remessa dos presentes autos para deliberação plenária. com fulcro na Teoria da Dinâmica das Provas e. verbis: (. que esta deve ser promovida em relação..0000). no âmbito da mais alta Corte Trabalhista e pela sua composição plenária. A respeito da fiscalização que o artigo 67 da Lei 8. Gabriela Neves Delgado (professora da UnB. segundo o escólio de Fredie Didier Jr. STF. que instituiu a Infra-Estrutura de Chaves Públicas Brasileira.5. eis que se trata de fato que precisa ser provado. mas àquele que tem aptidão de produzir a prova e que não é afastada. é induvidoso que lhe incumbia.br/validador sob código 10015BD373A18885EA. página 96). por se tratar de responsabilidade subjetiva.7 PROCESSO Nº TST-AIRR-1583-55. Naquela oportunidade. não implica em negativa de vigência àquele dispositivo da Lei de Licitações. que a condenação subsidiária do ente da Administração Pública.. desse modo. regra geral que faz recair sobre o empregado o ônus de provar o fato que alega.666/93.) Na hipótese vertente. volume 2. quanto à cláusula de reserva de plenário. Poder Judiciário Justiça do Trabalho Tribunal Superior do Trabalho fls. quando fundada em entendimento contido nas Súmulas e Orientações Jurisprudenciais do C.2012. resta configurada a prova da culpa dos Municípios de Duque de Caxias e de São João de Meriti.0322 Este documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www. TST. conforme MP 2. por já apreciada a matéria pelo E. modificativo. o Excelso STF declarou a constitucionalidade do § 1º do artigo 71 da Lei nº 8.01. atende à exigência prevista no artigo 97 da Constituição Federal e na Súmula Vinculante nº 10 do E. em julgamento à Arguição de Inconstitucionalidade do § 1º do artigo 71 da Lei nº 8.jus.200-2/2001. o ônus da prova da culpa in vigilando da ora recorrente.. mas sim.

A constitucionalidade do parágrafo primeiro do artigo 71 da Lei 8.666/93.br/validador sob código 10015BD373A18885EA.666/93. PROVA DA CULPA.. VII. decorrente da inadimplência do Contrato de Prestação de Serviços. Em relação ao Município de São João de Meriti. reconhecendo o STF a responsabilização da Administração Pública em caso de eventual omissão na fiscalização do contrato de prestação de serviços. Firme nesse passo.RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA DO ENTE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. o que afastaria a culpa in eligendo. 58. 139/143). 67 e 78.0322 Este documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www. RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. conquanto a Bioexata relate na contestação e demonstre através da petição de fl. quando esta decorre da falta de fiscalização’.) Corolário do que foi examinado. não afasta a responsabilidade subsidiária da Administração Pública. Poder Judiciário Justiça do Trabalho Tribunal Superior do Trabalho fls.2012.º 16/DF. inexistindo nos autos prova de mínima fiscalização e acompanhamento dos contratos de trabalho dos empregados admitidos pela primeira acionada.tst. este colacionou aos autos o Contrato de Prestação de Serviços de exame laboratoriais (fls. excludentes do nexo de causalidade: culpa exclusiva da vítima/terceiro ou de caso fortuito/força maior. (Data de publicação: 2013-10-30)’ ‘43 . restando confessado pela primeira ré que não quitou os haveres trabalhistas devidos à autora em decorrência de inadimplemento contratual e inexistindo comprovação nos autos. mas persiste a culpa in vigilando. (Data de publicação: 2013-10-30)’. além de não ter juntado aos autos aquele contrato nem o edital de licitação. conforme MP 2.200-2/2001. circunstâncias estas que autorizam a imputação da culpa in eligendo àquele recorrido. que instituiu a Infra-Estrutura de Chaves Públicas Brasileira. VII. . por si só. de que os Municípios de Duque de Caxias e São João de Firmado por assinatura digital em 16/02/2017 pelo sistema AssineJus da Justiça do Trabalho. (ARTIGOS 29..º 610. Recai sobre o ente da Administração Pública que se beneficiou da mão de obra terceirizada a prova da efetiva fiscalização do contrato de prestação de serviços.). DA LEI 8. tendo em vista que inexiste nos autos elementos que evidenciem a fiscalização do cumprimento pela primeira ré das obrigações trabalhistas referentes à autora. para contratação da primeira ré. não tendo aquela municipalidade impugnado os argumentos da primeira ré. manifestando-se nesse sentido no informativo n. que moveu ação de cobrança extrajudicial em face do Município de Duque de Caxias.5.8 PROCESSO Nº TST-AIRR-1583-55. Assim.jus. em relação ao cumprimento das obrigações trabalhistas ou previdenciárias. Nesse sentido encontra-se consolidada a jurisprudência do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região nas Súmulas 41 e 43 a seguir transcritas: ‘41 . onde há referência a prévio procedimento licitatório. Essa diretriz foi seguida no julgamento da ADC n.01. verbis: (. 25/44. resta cristalino que os Municípios de Duque de Caxias e de São João de Meriti negligenciaram em seu dever de fiscalizar e acompanhar o cumprimento dos contratos. declarada pelo STF no julgamento da ADC nº 16.

ao decidir a ADC nº 16-DF. à saúde (art. 1º (dignidade da pessoa humana. § 8º. . 194). Essa proteção constitui-se de um conjunto de direitos e deveres laborais de larga envergadura que têm implicações sociais. sentença recorrida. valor social do trabalho e da livre iniciativa). como no art. que instituiu a Infra-Estrutura de Chaves Públicas Brasileira. conforme MP 2. à cultura (art. para o terceiro réu Município de São João de Meriti pelo período de 1º de agosto de 2010 até 30 de agosto de 2012. reverteu a interpretação sedimentada há duas décadas na jurisprudência trabalhista no sentido de que as entidades estatais – a exemplo das demais Firmado por assinatura digital em 16/02/2017 pelo sistema AssineJus da Justiça do Trabalho. incidiram em culpa in vigilando.200-2/2001. do C. 203). e a presunção de legalidade de que se revestem os atos administrativos . 215). como guardiã do cumprimento de direitos garantidos pelo Texto Constitucional .que são.5. na condição de último contratante. ou não. incluída a defesa do trabalhador. Registre-se que a proteção da sociedade.br/validador sob código 10015BD373A18885EA.01. aspectos elementares na atuação da Administração Pública. TST e 13 do E. TRT da 1ª Região). Sem razão.9 PROCESSO Nº TST-AIRR-1583-55. à seguridade social (art. que lhes tornam subsidiariamente responsável pelo pagamento de todas as verbas oriundas da condenação imposta à contratada. à ordem econômica (art. impõe-se ser fixada a responsabilidade subsidiária do segundo réu Município de Duque de Caxias pelo período de 2 de fevereiro de 2009 a 31 de julho de 2010 e. Meriti tenham efetivamente fiscalizado o cumprimento do Contrato de Prestação de Serviços terceirizados celebrados com a primeira ré. entre outros dispositivos constitucionais. respondendo cada um deles em relação àqueles períodos. Poder Judiciário Justiça do Trabalho Tribunal Superior do Trabalho fls.0322 Este documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www. pelas multas previstas nos artigos 467 e 477. à assistência social (art. 6º e 7º).tst. em regra. pela solvabilidade dos créditos trabalhistas reconhecidos na r. incisos V e VI. a exemplo dos princípios constitucionais fundamentais listados na Constituição da República de 1988. políticas e econômicas.2012. respondendo ainda o Município de São João de Meriti.) A Parte pugna pela reforma do acórdão recorrido. inclusive. a responsabilidade subsidiária da entidade estatal por eventuais débitos trabalhistas inadimplidos pela empresa prestadora dos serviços. Dou provimento. 196). Em conclusão. bem como os direitos fundamentais que se consolidam por meio de princípios ligados aos direitos sociais (arts. 170). O Supremo Tribunal Federal.n.exigem rigor ao se interpretar e adequar a hipótese de incidência à previsão legislativa e jurisprudencial no caso de se reconhecer. da CLT (Súmulas nºs 331.” (g.jus.

é preciso perceber. . direta ou indireta.jus. no caso concreto. do agente público em detrimento do contrato administrativo para a prestação de serviços terceirizados. A propósito. tendo sido seguido o procedimento licitatório sequer se pode falar em culpa in eligendo. se o ente público agiu com culpa para a ocorrência do inadimplemento dos débitos trabalhistas. 71. Também não há que se falar. Se não resultar claramente evidenciada a ação ou omissão. caso houvesse inadimplemento por parte do empregador terceirizante (Súmula 331.tst. Porém.666/93) – novo item V da Súmula 331 do TST. em responsabilidade objetiva. ADC nº 16-DF). o TST alinhou-se à tese de que a responsabilidade subsidiária dos entes integrantes da Administração Pública direta e indireta não decorre de mero inadimplemento das obrigações trabalhistas assumidas pela empresa regularmente contratada. à luz do art.01. Essa é a direção interpretativa apontada pelo STF ao julgar a ADC nº 16-DF. segundo a Corte Máxima. Nesse quadro. Repita-se: essa é a linha do entendimento atual do Supremo Tribunal Federal. não há como identificar a responsabilidade da Administração Pública em relação às obrigações trabalhistas da prestadora de serviços.10 PROCESSO Nº TST-AIRR-1583-55. da Lei 8. Em observância a esse entendimento.br/validador sob código 10015BD373A18885EA. conforme MP 2. a mera culpa in eligendo não autoriza. que instituiu a Infra-Estrutura de Chaves Públicas Brasileira. a teor da jurisprudência advinda da Corte Máxima. em vista do decidido na ADC nº 16-DF. inquestionável culpa da entidade estatal tomadora de serviços quanto à fiscalização da Firmado por assinatura digital em 16/02/2017 pelo sistema AssineJus da Justiça do Trabalho. pessoas físicas e jurídicas – eram firmemente responsáveis por verbas contratuais e legais trabalhistas dos trabalhadores terceirizados na área estatal.6. de 21. Lei 8. § 1º.666. em tais casos de terceirização.1993. Para o STF.2012. antigo item IV. TST). é necessária a efetiva presença de culpa in vigilando da entidade estatal ao longo da prestação de serviços (STF. por si só.5. Observados tais parâmetros.200-2/2001. deduzir a responsabilidade do Poder Público pelos débitos inadimplidos pela empregadora. Poder Judiciário Justiça do Trabalho Tribunal Superior do Trabalho fls. na modalidade culposa. se houver clara.666/1993. naturalmente. segundo o STF.0322 Este documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www. mas apenas quando explicitada no acórdão regional a sua conduta culposa no cumprimento das obrigações da Lei 8. especialmente na fiscalização do cumprimento das obrigações contratuais e legais da prestadora de serviço como empregadora (artigos 58 e 67.

por força de outros preceitos legais. a compreensão que se extraiu da matéria foi no sentido de que. A decisão regional encontra-se. 71. delineando a sua culpa in vigilando. DJE 23/10/2012. em nenhum momento. Rcl 13272 / MG.666/93 e os artigos 186 e 927 do Código Civil. Relator Ministros Cezar Peluso. Confiram-se. manifestamente. a propósito. DJE 31/08/2012. conforme MP 2. as seguintes decisões: Rcl 13941 MC / MG.jus. Inclusive.tst. da Lei 8. incidem preceitos responsabilizatórios concorrentes.0322 Este documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www. portanto. § 1º. o fato é que. Rcl 14801 MC / SP. Esse entendimento Firmado por assinatura digital em 16/02/2017 pelo sistema AssineJus da Justiça do Trabalho. caput e § 1º da Lei de Licitações. além do art.5. 58 e 67 da Lei 8. caput e §1º da Lei 8. Relator Ministro Joaquim Barbosa. se demonstrada a ocorrência de conduta culposa na fiscalização da execução dos contratos celebrados. III. No caso concreto. 71. Rcl 14672 MC / SP. Relatora Ministra Rosa Weber. A configuração da culpa in vigilando. . 67. em consonância com o fundamento acolhido pelo STF no julgamento da ADC da entidade pública: a demonstração de omissão no dever de fiscalizar. nos termos do item V da Súmula 331 do TST. autoriza a incidência da responsabilidade subsidiária da entidade tomadora de serviços (arts. tais como os artigos 58. em diversas oportunidades em que o tema foi levado a debate naquela Corte. o TRT reformou a sentença. o ente público. posteriormente ao julgamento da citada ação declaratória de constitucionalidade.01. caso afirmada pela Instância Ordinária (como ocorreu nos presentes autos).br/validador sob código 10015BD373A18885EA. reitere-se. Poder Judiciário Justiça do Trabalho Tribunal Superior do Trabalho fls. para condenar. afasta-se a aplicação do art. Havendo manifesta ou demonstrada culpa in vigilando. mas apenas interpreta-se o dispositivo legal à luz da jurisprudência sumulada desta Corte. Relator Ministro Ricardo Lewandowski.2012.666/93. Relator Ministro Luiz Fux. DJE 05/11/2012.666/93 e 186 e 927 do Código Civil). DJE 03/09/2012. que instituiu a Infra-Estrutura de Chaves Públicas Brasileira. incidirá a responsabilidade subsidiária. conduta da empresa terceirizante relativamente ao cumprimento de suas obrigações trabalhistas.200-2/2001. Rcl 14683 MC / SP. Ainda que a Instância Ordinária mencione fundamentos não acolhidos pela decisão do STF na ADC nº 16-DF. a Administração Pública se sujeitará ao reconhecimento de sua responsabilidade subsidiária pela Justiça do Trabalho. Frise-se que. DJE 17/10/2012. afirmou que houve culpa in vigilando da entidade estatal quanto ao cumprimento das obrigações trabalhistas pela empresa prestadora de serviços terceirizados. de forma subsidiária.11 PROCESSO Nº TST-AIRR-1583-55.

br/validador sob código 10015BD373A18885EA. STJ.5.jus. Poder Judiciário Justiça do Trabalho Tribunal Superior do Trabalho fls. Pelo exposto. ISTO POSTO ACORDAM os Ministros da Terceira Turma do Tribunal Superior do Trabalho. Assim. por unanimidade. NEGO PROVIMENTO ao agravo de instrumento. não contraria o disposto na Súmula Vinculante 10 do STF. tampouco viola o art. não permitindo cognição ampla.01.12 PROCESSO Nº TST-AIRR-1583-55. a decisão apresenta-se em conformidade com a jurisprudência consolidada do TST. da CLT). o processamento do recurso de revista fica obstado. 896. visando à uniformização jurisprudencial na Federação.0322 Este documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www.200-2/2001.tst. . 15 de fevereiro de 2017.200-2/2001) MAURICIO GODINHO DELGADO Ministro Relator Firmado por assinatura digital em 16/02/2017 pelo sistema AssineJus da Justiça do Trabalho. Por isso seu acesso é notoriamente restrito. que instituiu a Infra-Estrutura de Chaves Públicas Brasileira. o que torna inviável o exame das indicadas violações de dispositivo legal e/ou constitucional. 97 da CF. conforme MP 2. existem para assegurar a imperatividade da ordem jurídica constitucional e federal. bem como superada a eventual divergência jurisprudencial (Súmula 333 do TST e art. Ressalte-se que as vias recursais extraordinárias para os tribunais superiores (STF. por depender do reexame de fatos e provas (Súmula 126/TST). De outra face. negar provimento ao agravo de instrumento. Firmado por assinatura digital (MP 2. decidida a matéria com base no conjunto probatório produzido nos autos.2012. Brasília. TST) não traduzem terceiro grau de jurisdição. §7º.