CORROSÃO EM SOLOS

AVALIAÇÃO DA INTEGRIDADE E
REABILITAÇÃO DE DUTOS

Denise Souza de Freitas
Engª de Corrosão, Ph.D.

Corrosão em Estruturas Enterradas
- Abordagem -

¤ Fatores influentes na corrosão em solos
¤ Descolamento catódico
¤ Ambiente favorável a ocorrência de
fratura

SOLOS

Fatores influentes na corrosão em solos ¨  Tipo de solo – textura e estrutura ¨  Teor de água e posição do lençol freático ¨  Aeração e difusão de oxigênio ¨  Resistividade do solo ¨  pH ¨  Sais solúveis presentes no solo ¨  Presença de microrganismos .

silica. inerte n  Carbonatos → tampona o solo em pH neutro a alcalino . Tipo de solos ¨  Distribuição do tamanho das partículas do solo n  Permeabilidade → movimento de fluidos ou gases na matriz n  Composição n  Argila→ distribuição de partículas pequenas → restritivo n  Areia → grande fluxo de fluidos e gases.

Tipos de solo n Argila n Lodo n Areia .

Aeração n  A aeração determina o acesso de oxigênio e umidade às estruturas enterradas. n  É dependente das características físicas do solo. n  continuidade e porosidade no solo Exemplo: n  Solo argiloso encolhe em volume quando seca. produzindo fendas que são canais para o oxigênio. .

Corrosão por aeração diferencial Vicente Gentil. 2000 Corrosão localizada cerca de 15 cm abaixo da superfície do solo . Corrosão.

Mg2+. .Eletrólito n  A principal função do eletrólito é transportar corrente e promover as reações eletroquímicas no processo de corrosão n  O solo contém uma variedade de cátions e ânions n  Na+. SO42-. Cl-. K+. CO32- n  A presença de íons promove a condutividade elétrica e determina as propriedades químicas do solo. Ca2+.

Heterogeneidade dos solos n  Este fator está associado a diferentes secções de solo no mesmo duto devido à mudanças de meio ambiente: n  Estas variações podem ser causadas por: n  condições climáticas n  emprego de fertilizantes n  despejos industriais n  movimentação do solo n  Conseqüências: n  variação de potencial. aeração. reações químicas .

2000 . Vicente Gentil. Os solos com baixos teores de sais solúveis atuam como cátodo.Solos com quantidades grandes de sais solúveis. tem resistividade baixa. Corrosão. atuando como ânodo.

000 - Cl 0.000 Humidity Content (%) 27.029 ppm 0. Variação da composição dos solos SOIL PARAMETERS SAMPLES Kilometer 39.97 ppm 14.316 Kilometer 55.34 Resistivity (Ω.04 ppm 5.16 5.316 Kilometer 55.26 ppm 23.1 mS/cm 0.353 Kilometer 48.23 ppm trecho do Ca++ 120 ppm 1020 ppm 280 ppm Mg++ 72 ppm 84 ppm 132 ppm Olapa /PR Al+++ 144 ppm 0.067 ppm 0.81 28.2 mS/cm % Sand 72 62 79 %Clay 6 22 18 %Silt 22 16 3 SOIL SAMPLES – AS RECEIVED Kilometer 39.26 mS/cm 0.0 90 ppm P 1 ppm 9 ppm 51 ppm K 25 ppm 156 ppm 62 ppm Conductivity 0.78 29.07 ppm 9.40 7.353 Kilometer 48.71 .012 ppm do solo no Na 8.cm) 87000 4950 31500 pH 6.92 ppm Composição SO4 0.

2864 138.5 45.8343 21.7333 13.9184 13.1716 138.3200 25.Correlação entre as Variáveis Físico-Químicas Resistividade vs.7284 152.4934 24.2201 149.36 59.7672 KM-57C 0 0 0.0000 #DIV/0! KM-54A 90.1900 23.4233 133.9867 146.OLAPA Funil+papel Funil+papel Agua Porcentagem AMOSTRA Funil+papel +amostra seca Amostra seca +amostra úmida Amostra Úmida Retenida de retenção MÉDIA KM-60A 90.41 42.09 56.2799 135.2897 21.8754 KM-54B 95.16 55. Teor de Umidade OLAPA 1200 Km 54 Resistividade (kohm.9934 59.5393 154.5276 KM-60B 94.7500 22.9 43.0000 #DIV/0! .31 60.6810 KM-60C 0 0 0.1735 23.6674 139.99 45.2716 KM-57B 94.7135 14.5393 13.4436 152.0000 #DIV/0! KM-57A 90.3226 155.0245 KM-54C 0 0 0.36 46.6426 15.0197 61.0000 21.7367 12.73 48.cm) 1000 Km 57 Km 60 800 600 400 200 0 0% 5% 10% 15% 20% 25% 30% 35% 40% Teor de Umidade Retenção de água .2628 24.8207 141.

05 4.73 5.69 6.17 5.11 6.51 4. cátions e anions (especialmente fosfatos) tamponando o pH do solo pH Teor de Umidade Amostras Km 54 Km 57 Km 60 Como recebida 6. .45 25% 4.60 4. - 5% 4.34 4. Na+2 e K+) e do CO2 n  Algumas argilas adsorvem e trocam ambos.94 5.29 .10 20% 4. pH n  pH do solo varia ± de 3.81 0% .82 5.5 a 10 n  Solos contendo matéria orgânica úmida tendem a ser ácidos n  Solos minerais tendem a ser ácidos devido a lixiviação dos cátions básicos (Ca+.24 4.36 6.Teor de Umidade vs.13 5.55 10% 5.26 15% 5.63 5. Mg+2.42 30% 4.35 35% 4.54 5.46 4.

capacidade de tamponamento e teor de cloreto e sulfato) . matéria orgânica. sais solúveis. pH.Avaliação da corrosividade dos solos ALGUNS CRITÉRIOS PROPOSTOS: n Índice de Steinrath (resistividade. pH. potencial redox. umidade. cloreto. acidez total e coeficiente de despolarização) n Norma DIN 50929 (conteúdo de argila. sulfato e sulfeto) n Índice de Steinrath modificado (tudo acima mais contagem de bactérias) n Critério de Robinson (resistividade) n Critério da Acidez (resistividade e pH) n Critério de Starkey e Wight (potencial redox) n Critério de Booth (resistividade. condutividade elétrica. resistividade do extrato aquoso e acidez total) n Critério de Gotlieb e Vieira (resistividade. potencial redox e umidade) n Critério de Girard (umidade de saturação.

As diferenças de potencial são influenciados pela resistividade do eletrólito e pela polarização da superfície do metal .Fatores elétricos n  São determinantes do tamanho. n  Fatores determinantes: (1) Variação local do suprimento de oxigênio. número e locação de áreas anódicas como também da quantidade de corrente que flui do duto para o solo. (2) Diferenças de potencial causadas por: -Contato entre diferentes metais -Inclusões nos metais -Presença de correntes de fuga -Relação entre áreas anódicas e catódicas.

Contato entre metais diferentes Trecho de tubulação evidenciando o contato com a malha de aterramento .

n  A principal complicação é que a corrosão pode ser desenvolver a longas distancias. n  É dependente de praticamente todos os parâmetros do solo . n  Podem ter um efeito devastador em estruturas enterradas. em particular em dutos.Correntes de Fuga São correntes elétricas de interferência que abandonam seu circuito normal para fluir por uma região de menor resistência.

Corrosão por Corrente de Fuga n Cabo aéreo n solo .

Corrosão por Corrente de Fuga .

Potencial de Oxi-redução do Solo ¨  Indica a capacidade de oxidação e redução do solo através da determinação da concentração de oxigênio Uligh´s Corrosion Handbook.341.W.. 2000 Corrosão Microbiológica n  As bactérias aceleram a velocidade das reações anódicas e catódicas n  Promovem a formação de meio corrosivo.Revie. p. Ed. n  Degradam o filme protetor devido ao produto do metabolismo microbiano. R. .

Biocorrosão Kang et al. No 9. Vol 57. Corrosion. 2001 Estudo realizado em linhas de transmissão de gás na Korea Decolamento de uma Manta Termocontrátil Filme de FeS dentro da região descolada Corrosão encontrada .

Descolamento catódico Perda da adesão de revestimentos orgânicos sob a influência de potencial ou corrente catódica (Proteção Catódica) Água. Cátion . Potencial Catódico. Oxigênio.

+ H2ñ .Pourbaix e a proteção catódica Superproteção 2H2O + 2e-è2OH.

Teorias sugeridas para o Descolamento Catódico Natureza mecânica n  Descolamento do revestimento devido a evolução de hidrogênio. n  Falha mecânica devido à pressão interna do gás Natureza Química n  Separação interfacial do revestimento n  Devido à água ou solução alcalina na interface do metal/revestimento. . n  Descolamento causado pelos produtos intermediários da redução do oxigênio. n  Dissolução de óxido n  Atribuído à alcalinidade da solução interfacial que leva a dissolução anódica do ferro. n  Falha coesiva e de degradação n  Causado pela saponificação do revestimento devido ao aumento do pH.

80 Conference.60 old pipeline coating efficiency ⊕ ⊕ ⊕ ⊕ 70% ⇓ ⇓ ⇓ ⇓ 80% 346 26. Rio Oil and Gas -0. IBP 1026_06.008 m length unit = meters ⊕ Pipe repairing localization Influência de revestimentos antigos (pipe repairing extension) nos trechos novos em solo com resistividade de 4. Rio de Janeiro..40 0 ↓ ↓ 94.215 60.851 (224) (101) -1.000 54.000 90% Pipe Characteristics -1.20 (356) ↑ Pipeline B -1. 2006 -1.941 -1.9%efficiency) Deep of pipe = 2.000 90.000 63.80 Pipe diameter = 12” 52000 54000 56000 58000 60000 62000 Aging coating (80%efficiency) Pipeline coordinate (m) Distance anode/pipeline = 100 m New coating segments (99. Sistema de proteção catódico dimensionado para revestimentos de baixa eficiência PIPELINE B Freitas et al.00 Potential (Vsce) 56.000 Ωm Representação esquemática de tubulação com substituição de trechos de dutos .

Aspecto dos revestimentos após 30 dias de ensaio utilizando-se solo retirado dos trechos substituídos Montagem dos ensaio de Manta Termocontrátil descolamento catódico utilizando potenciais da simulação numérica .

Corrosão sob Tensão em dutos(CST) ou Stress Corrosion Cracking (SCC) Ambiente favorável • Descolamento do revestimento • Umidade e CO2 • Nível da proteção catódica • Condições do solo • Temperatura Tensionamento • Tensão de fabricação • Tensão de serviço: • Pressão de operação Susceptibilidade do material • Carregamento cíclico •  Condições de superfície • Taxa de deformação •  Microestrutura do aço • Carregamento secundário .

SCE ¨  Temperatura é importante .Corrosão sob Tensão em Dutos Principais condições para ocorrência: ¨  Tubulação enterrada sob proteção catódica ¨  Meio aquoso de carbonato/bicarbonato (SCC clássico) ¨  Alta tensão de tração ¨  Descolamento do revestimento ¨  Potenciais entre –600 mv a –700 mv vs.

Ambiente Favorável ao Trincamento CO2 H2O O2 Revestimento isolantes Ex: Polietileno tripla camada (PE3L) Manta Termocontrátil Deterioração dos revestimentos .

Ruptura de tubulação de gás devido à CST .

Aspecto visual da falha por SCC em tubulação de óleo 14 polegadas Propagação irregular na origem da falha Falhas secundárias próximas a fratura próxima a estação de compressor .

Aparência do CST Inspeção por Fluorescência.Partícula magnética Trincas paralelas ao plano de fratura .

amostra polida n Tipo de trinca: Intergranular Orientação: Longitudinal Caminho de propagação da trincas intergranular Circuferencial . pH 9 a 12 CST clássica: pH elevado Trincas Intergranulares Trinca típica de CST.

CST em pH próximo neutro pH 5.8 ¤  Tipo de trinca: Transgranular Potencial de corrosão: ¤  -760mV a -790mV (Cu/CuSO4) ¤ Solução no interior da fenda: -solução de bicarbonato diluído .5 a 8.

Principais áreas de ocorrência de SCC .

Relatório: “Stress Corrosion Cracking on Canadian Oil and Gas Pipelines”. 1996 . MH-2-95.

na Argentina o solo é refratário fazendo que o calor seja dissipado lentamente.Falabella et al. •  A proximidade dos retificadores é uma das variáveis mais importantes para a ocorrência de SCC devido á excessiva produção de H2 e a blindagem da corrente de PC. 2006 Observações interessantes: • 80% dos casos de SCC são encontrados nos primeiros 20Km das plantas de compressão de gás. Amsterdan. • A temperatura é a principal variável e. . World Gas Conference (WGC).. TGS.

. Calgary 2004 Observações interessantes: Ocorrência em regiões do revestimento descolado. NRTC.King et al. International Pipeline Conference (IPC). • High Density Polyethilene (HDPE) e efeito de blindagem • Em poucos dias o pH na interface do revestimento/ metal caiu de 9 para 5.