Considerações acerca da

tributação das entidades do
terceiro setor na Constituição
Federal
Arianne Castro de Araújo Miranda

Publicado em 05/2013. Elaborado em 11/2011.

A imunidade tributária corresponde a um dos incentivos fiscais conferidos às entidades do terceiro setor
para desempenho das atividades em benefício da sociedade.

Resumo: O Terceiro Setor, composto por entidades não-governamentais formadas pela sociedade civil, sem
fins lucrativos, representa uma importante alternativa encontrada pelo Estado para auxiliá-lo na prestação
de serviços sociais e assistenciais à população. Nesse prisma, a fim de promover o desenvolvimento e
crescimento do Terceiro Setor no país, há previsto no ordenamento jurídico brasileiro a concessão de
incentivos fiscais sob a forma de benefícios, in casu, a imunidade tributária, conferida às entidades de
educação e assistência social, sem fins lucrativos, e que atendam aos requisitos do art. 14 do Código
Tributário Nacional. Com efeito, o presente artigo traz à baila uma análise sobre os aspectos referentes à
tributação das entidades do Terceiro Setor na Constituição Federal, explicitando as particularidades
atinentes à imunidade tributária, notoriamente no que diz respeito ao seu conceito; às exceções para sua
concessão; aos requisitos necessários para auferi-la; e, ainda, a lei competente para regulamentá-la,
expondo, demais disso, uma visão doutrinária e jurisprudencial sobre a temática vertente.

Palavras-chave: Terceiro Setor. Assistência Social. Tributação. Imunidade. Incentivo Fiscal.

1 NOTAS INTRODUTÓRIAS
Ab initio, faz-se imprescindível apontar que há no Brasil, hodiernamente, a existência de três setores
responsáveis pela administração e aplicação dos recursos financeiros necessários para suprir as
necessidades da sociedade, quais sejam: o primeiro setor, composto pelo Estado; o segundo setor,
correspondente ao mercado, bem como o terceiro setor, operado por entidades da sociedade civil.

O primeiro setor, como dito, é o administrado pelo Governo. Diz-se, portanto, que incumbe aos
representantes do povo, eleitos mediante o voto popular, dirigi-lo com vistas aos preceitos e princípios
constitucionais. Para sua manutenção, afirma-se que é utilizado capital público, advindo de tributos e
demais rendas, empregados com fins públicos.

Já o segundo setor, tipificado pelo mercado, é composto por empresas privadas, mantido por capital
privado, e tem por escopo primordial o lucro. Integra a ordem econômica brasileira, sendo protegido pela
Carta Magna em seu artigo 170 e tem como corolário maior o princípio da livre iniciativa.

O terceiro setor, por sua vez, é formado por entidades sem fins lucrativos, que não podem ser
caracterizadas nem como públicas, nem como privadas, apesar de angariar recursos de ambos os lados.
Não objetiva o lucro e volta-se à prestação de serviços sociais devidos, em grande parte, pelo Estado.

É nesse passo que o presente artigo traz à baila os aspectos relativos à tributação das entidades do terceiro
setor na Constituição Federal de 1988 (CF/88).

É cediço que a regra, no ordenamento jurídico brasileiro, é o pagamento de tributos. No entanto, a Carta
Magna previu exceções a ela, dentre as quais destaca-se o mecanismo da imunidade tributária, que foi
conferida com o intuito de desonerar determinadas pessoas, situações, bens e serviços tendo em vista
aspectos, características ou atividades específicas que desempenham.

enquadram- se tanto na definição de fundação. ou de bens. e entidades de apoio (FRANÇA. 2006). e m) vinculação ao conceito de solidariedade. que se reúnem com o fito de realizar serviços assistencialista e sociais. educação. arts. Isso porque. pode-se afirmar que o terceiro setor engloba todas as organizações não- governamentais. pode-se afirmar que o terceiro setor caracteriza-se por exercer atividades de interesse público. as entidades filantrópicas. d) entidades fora do mercado. parágrafo único. uma titulação jurídica conferida por lei. no amparo de um público específico. enumeramos exemplificativamente algumas características extraídas dos conceitos normalmente difundidos sobre o Terceiro Setor: a) finalidades não coercitivas. o legislador conferiu espécies de títulos jurídicos a tais entidades no direito brasileiro. organizações da sociedade civil de interesse púbico. c) finalidades não lucrativas.172/1966[1]. que não cabem ser abordadas no presente estudo. b) entidades não estatais. uma vez que há restrições e requisitos que devem ser observados e prontamente atendidos para a consecução da imunidade tributária. Diante de tais considerações. de um regime jurídico híbrido. primacialmente. (2004. As entidades do terceiro setor representam um conjunto de pessoas. 32).A imunidade tributária foi atribuída às entidades educacionais e assistenciais. em linhas gerais. também chamado por muitos doutrinadores de entidades paraestatais. No entanto. contudo. tais títulos jurídicos possuem a função principal de delimitar os direitos e obrigações das entidades . Assim sendo. filantropia e mecenato. previstos na Lei Maior e disciplinados pela Lei Complementar no 5. h) são organizações autogovernadas. Constituem títulos jurídicos conferidos às entidades do terceiro setor: organizações sociais. i) contam com expressivo serviço voluntário. fundações e associações de interesse social que estão direcionadas. j) são organizações da sociedade civil. visando um maior controle. 53 e 62. É nessa mesma linha que ensina Leandro Marins de Souza. centros sociais. de modo a identificar claramente seus objetivos e sua área de atuação. disciplinamento e organização jurídica. Nesse passo. não tem condições de resguardar os direitos sociais previstos e amplamente difundidos pela Constituição brasileira. enfim. sem fins lucrativos . de forma a diminuir as desigualdades e o desamparo da população. À guisa de ilustração. são desvinculadas de qualquer organização centralizada ou descentralizada da Administração Pública. atuando nas áreas da saúde. sem possuir fins lucrativos. sem qualquer interferência ou autorização estatal. tal benefício constitucional não é absoluto. e) visam atender necessidades coletivas. sem qualquer finalidade lucrativa. de modo que a ajuda do terceiro setor mostra-se fundamental para a consecução desse mister. mediante iniciativa privada. Nesse contexto. entidades de utilidade pública. as instituições religiosas. portanto. os quais podem ser suspensos ou retirados pelo poder público caso não sejam observados os requisitos para sua manutenção. sendo detentor. embora prestem serviços em áreas de relevante interesse público e social. 2 ENTIDADES DO TERCEIRO SETOR: CONSIDERAÇÕES GERAIS O terceiro setor. sozinho. p. f) visam atender necessidades públicas. meio-ambiente. Com efeito. a imunidade tributária representa um mecanismo de incentivo fiscal utilizado pelo Estado para impulsionar a sociedade a atuar em prol da realização de serviços sociais. como na ampla caracterização de associação. de modo que a população possui a faculdade de associar- se e compor uma entidade integrante do terceiro setor. serviços sociais autônomos. o Estado. no bem-estar da sociedade como um todo. g) são organizações estruturadas. l) é forma de exercício da cidadania. Incluem-se entre as paraestatais as organizações não governamentais (ONGs). haja vista as peculiaridades de cada um. descritas no Código Civilista brasileiro. não constituindo esta. k) é a expressão das práticas de caridade.as quais representam o terceiro setor – haja vista as atividades assistencialistas que desempenham perante a sociedade e o Estado. ao tratar da caracterização das entidades do terceiro setor: Em suma portanto. e não objetivam a consecução do lucro. ao atendimento da sociedade em seus projetos sociais e culturais. é composto por um conjunto de instituições que.

p. o terceiro setor compreende instituições sem fins lucrativos. uns e outras. as instituições beneficentes de assistência social. valores morais. auxiliando o Estado na prestação de atividades essenciais à população. Ressalte-se que a educação tratada na presente exposição não se limita à convencional transmissão de conhecimento. acerca das instituições de educação e assistência social. de modo que elas ficam vinculadas à observância das regras impostas a suas aquisições. situações e bens sob o manto da imunidade. que aqueles que estão constitucionalmente impedidos de serem tributados recebem a qualidade de “imunes” à incidência do tributo. portanto. Entrementes. as quais. Por seu turno. é imperioso que ela preencha dois requisitos. Com efeito. mas também pelas instituições privadas. ao tratar da imunidade tributária. todo o caminho que leve à cultura. quais sejam: não distribuição de lucros e não revertimento de seu patrimônio às pessoas que as criaram ou dirigem. que trabalham em prol da sociedade mediante a realização de serviços sociais. 8. que buscam o alcance de algum dos objetivos assistencialistas previstos no art. por conseguinte. pois.114).que deles se beneficiam. A fim de evitar destoadas compreensões e interpretações. dos Estados. sem fins lucrativos. Dessa forma.23). haja vista a relevância da educação para o aprimoramento dos indivíduos e. 3º da Lei Orgânica de Assistência Social – LOAS – (Lei nº. p. quando desprovidas de finalidade lucrativa. Diz-se. previstas na CF/88. a conceitua como: “vedações absolutas ao poder de tributar certas pessoas (subjetivas) ou certos bens (objetivas) e. para o seu desenvolvimento pessoal e intelectual pleno. albergando. Imunidades tornam inconstitucionais as leis ordinárias que as desafiam”. 6º da CF/88 ou. deve ser amplamente desenvolvida não só pelo Estado. desprovidas de finalidade lucrativa. pessoas. como instituições educacionais pode-se identificar aquelas que secundam o Estado no alcance dos preceitos elencados no art. os quais devem ser exigidos quando da ocorrência de determinadas situações e em face de determinadas pessoas. 205 a 214 da Carta Magna. o legislador constituinte acobertou determinados serviços. ao definir a competência tributária da União. Em outras palavras. bem como as que atuam na defesa e garantia de seus direitos”. sociais e científicos. deixando-os fora do alcance do poder de tributar.1 Imunidade Tributária A Carta Magna. o constituinte originário referiu-se ao terceiro setor ao tratar expressamente. para o desenvolvimento do país. faz-se mister atentar para o fato de que uma instituição sem fins lucrativos é aquela que não visa à distribuição de seus resultados. Desse modo. . às vezes. São consideradas aquelas que auxiliam a atividade estatal no alcance dos direitos sociais tipificados no art. constituem uma entidade integrante do terceiro setor. 203[2] da CF/88. posto que há aquelas que a Constituição Federal optou por não onerar com a carga tributária. em muitos dispositivos. preparando o indivíduo.742/1993): “Consideram-se entidades e organizações de assistência social aquelas que prestam. 3 O TERCEIRO SETOR NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL Consoante demonstrado. do Distrito Federal e dos Municípios. sob pena de suspensão ou perda dos mesmos. atribui a cada um desses entes a incumbência de fixar tributos. em virtude de determinada característica ou função que possui. Aires Barreto e Paulo Ayres Barreto (1999. 4 TRIBUTAÇÃO DAS ENTIDADES DO TERCEIRO SETOR NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL 4. Segundo o art. não se pode afirmar que todas as pessoas e/ou todas as situações estão sujeitas à tributação. também integram o terceiro setor. atendimento e assessoramento aos beneficiários abrangidos por esta lei. ensinam que para que uma instituição possa ser apontada como desprovida de fins lucrativos. Aliomar Baleeiro (2006. também. ainda. explicitamente consagradas na Lei Maior.

a não-incidência refere-se às situações em que um fato não é alcançado pela regra da tributação. ao Distrito Federal e aos Municípios: . Destarte. Realmente. também são capazes de excepcionar a regra. impostos. 175 do CTN. Distrito Federal e Municípios. não incidência e alíquota zero. 4. Nesse sentido. o fenômeno da incidência está relacionado à hipótese abstratamente prevista na lei de uma situação fática. p. a imunidade tributária não pode ser confundida com outros institutos como a isenção. o Distrito Federal e os Municípios. que é a tributação. inciso VI. 32) afirma que há no instituto da imunidade “interesse nacional superior a retirar do campo da tributação. se há imunidade. a qual recai sobre os serviços desempenhados. fatos considerados de relevo”. em seu artigo 150. a isenção possui por fonte a lei ordinária e pode ser revogada ou modificada por lei a qualquer tempo. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte. (grifos acrescidos). aos Estados. 150. sendo objeto da não- incidência todos os fatos que não estão abrangidos pela própria definição legal de hipótese de incidência. É possível dizer que imunidade é uma forma qualificada de não incidência.. in casu. e explica que é a única forma desonerativa da tributação que não é alcançada pelo poder tributante. Além disso. ou bens ou situações. 178 do CTN.. Dessa forma. nos casos da alíquota zero. na isenção nasce a obrigação tributária.Pode-se afirmar. a instituição de tributos. Assim. É nessa trilha. que é beneficiada com a imunidade subjetiva a própria pessoa jurídica. com ela. os Estados. alínea “c”. não havendo.. É limitação de competência”. estabelece as hipóteses em que é vedada à União. inciso VI. De forma diversa ocorre com a imunidade objetiva. diferentemente de como ocorre na imunidade. nascimento da obrigação ou do crédito tributário. situações. Sob o aspecto jurídico. estabelecida pela Carta Magna. A imunidade é o obstáculo criado por uma norma constitucional que impede a incidência de lei ordinária de tributação sobre determinado fato. Por seu turno. embora alguns prefiram defender que há o surgimento do crédito tributário. que a imunidade tributária consiste na proibição absoluta.2 Imunidade tributária das entidades integrantes do Terceiro Setor. ou em detrimento de determinada pessoa. p. sendo exemplos a União. A imunidade impede que a lei defina como hipótese de incidência tributária aquilo que é imune. e o fato gerador ocorre. Nessa mesma linha. No entanto. Estados. por uma questão de cálculo. ou seja. ou categoria de pessoas. A Constituição Federal. (2008. consiste na dispensa legal do pagamento do tributo. 228/230). o artigo 150. uma vez que impediu a cobrança de impostos sobre elas. [. No conceito de Hugo de Brito Machado (2008.] Não incidência configura-se em face da própria norma de tributação. [. desde que atendidos os requisitos estabelecidos em lei.. este logo é anulado no todo ou em parte por determinação legislativa posterior. porque é impedida de fazê-lo pela norma superior. que tem como fonte a Constituição. pela norma da Constituição. assim. p. em linhas gerais. é nula. vale dizer. conforme aduz o art. os quais. uma vez que é ela quem goza de tal benefício. pessoas. Dispõe. 282): “imunidade é o obstáculo decorrente de regra da Constituição à incidência de regra jurídica de tributação. mas a “obrigação tributária” dele decorrente. afirma-se. o ente tributante tem competência para criar o tributo – tanto que o faz -. segundo o art. assim. é vedado à União. o referido tributarista expõe as seguintes lições: A imunidade impede que a lei defina como hipótese de incidência tributária aquilo que é imune.]. assim como ela. mas não nasce o crédito tributário. O que é imune não pode ser tributado. diferenciando os institutos supra referidos. da Carta Magna brasileira: Art. que o legislador constituinte promoveu uma espécie de incentivo às entidades componentes do terceiro setor. tendo em vista determinação constitucional. Ives Gandra da Silva Martins (2001. necessária e suficiente para originar a obrigação tributária. à incidência da norma tributária. A isenção é exceção feita por lei à regras jurídica de tributação. diferentemente da imunidade. a lei tributária não incide. Esta.

são aquelas que se dedicam não apenas à instrução formal e científica. desfalcariam o patrimônio. afirma que: Temos. p. a investir em seu aprimoramento. inclusive suas fundações. sendo estas consideradas aquelas que secundam a atividade estatal no alcance dos direitos sociais trazidos pelo ordenamento jurídico pátrio. portanto. as quais representam o terceiro setor no dispositivo citado. existente nas áreas de saúde. este setor representa uma espécie de alternativa encontrada pelo Estado para amparar e desempenhar atividades ligadas à área social. fornecido com o intuito de impulsionar o desenvolvimento e crescimento do terceiro setor no país. Tendo em vista a importância econômica. das instituições de educação e de assistência social. as instituições educacionais. conforme relatado. máxime o da ausência de fins lucrativos. que a CF/88 proíbe que sejam cobrados impostos às instituições de educação e de assistência social. 14 do CTN. na verdade. 197. acabam suprindo e.VI . substituindo – na prática – seu dever assistencial. ademais. com a política da intervenção mínima estatal. caso o produto de tal arrecadação destine-se a remunerar seus empregados e professores. portanto. Isso porque. educação etc. mediante incentivos aos investimentos privados na área social. embora não tenham objetivos estritamente didáticos. artes e ciência e outras entidades congêneres. . em Curso de Direito Constitucional Tributário. confere imunidade tributária. Observa-se. auxiliando o Estado na consecução desse dever social. Faz-se mister destacar. Diante dos fundamentos expostos. é ampla e. Ensina Aliomar Baleeiro que a imunidade disposta no inciso VI.instituir impostos sobre: c) patrimônio. (1998. O benefício também alcança – se. atendidos os requisitos da lei. 150. O art. conforme será melhor abordado adiante. social e política que ele representa. até. às instituições de assistência social desprovidas de intenção lucrativa. que são alcançadas pela imunidade da alínea “c” as entidades que visam à formação ou à instrução das pessoas em geral e preenchem os requisitos do art. mas também à formação cultural. 313). proteção e estímulo. Roque Carrazza. por sua própria natureza. convém esclarecer que a imunidade tributária das entidades alhures referidas reflete um estímulo econômico ao terceiro setor. o Estado busca. fomentar iniciativas da sociedade que visem a eliminar ou reduzir sua deficiência assistencial. caso fossem cobrados às entidades imunes. ou. preencherem os mesmos requisitos – o museu. trata-se. em seu art. sem fins lucrativos. senão vejamos: “São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei”. ainda. confere imunidade às entidades assistenciais no tocante ao pagamento das contribuições sociais destinadas ao custeio da seguridade social. (grifos acrescidos). Entrementes. interesses e deveres do Estado. moral e pessoal do indivíduo. deve abranger todos os impostos que. que. Consoante demonstrado. renda ou serviços dos partidos políticos. § 7º. para alcançar os efeitos da preservação. p. as academias de letras. sem fins lucrativos. de imunidade tributária. dissertando acerca das instituições em comento. que a Carta Magna. das entidades sindicais dos trabalhadores. também. que. o centro de pesquisas. Em outras palavras. do artigo 150. a melhor doutrina e jurisprudência reconhecem que. em que pese constar a expressão “isenção” no dispositivo retro transcrito. IV. diminuiriam a eficácia dos serviços ou a integral aplicação das rendas aos objetivos específicos daquelas entidades presumidamente desinteressadas. tal benefício tributário representa um verdadeiro incentivo fiscal. (2006. evidentemente. “c”. 748) Atente-se que o fato dessas entidades cobrarem mensalidades de seus alunos não lhes retira o direito à imunidade conferido constitucionalmente. também contribuem para a educação. inspiradores do constituinte. referidas no artigo sub examine. tendo em vista que os fins das instituições beneficiadas também consistem em atribuições. por seus efeitos econômicos. uma vez que estabelecida pela própria Lex Legum como uma limitação ao poder de tributar e direito fundamental.

o parágrafo citado veda a cobrança. sob pena de se conceder um benefício a quem não o possui. p. constituindo a lei ordinária a fonte das isenções. que pode se dá através de doações e também como resultado da prestação de qualquer atividade. em Direito Tributário Brasileiro. Pouco importa a origem ou a natureza da renda – desde que lícita – para se auferir a imunidade. que a imunidade conferida pela Carta Magna restringe-se ao patrimônio. também não há de recair a tributação.não obstante referir-se impropriamente à isenção de contribuição para a Seguridade Social . compreende o patrimônio: “Todas as coisas vinculadas à propriedade pública e integrantes do serviço público. Destarte.]. constitui o patrimônio” (2006. é a destinação da mesma. por sua vez. serviços e patrimônio. §7º. respectivamente. relacionados com as finalidades essenciais das entidades nelas mencionadas”. que deve ser sempre em benefício da entidade e de acordo com seu escopo central. Observa-se. posto que esta atividade será desenvolvida como um meio a viabilizar a prática de sua atividade fim. de impostos como o Imposto de Renda. 195. de cunho econômico. para que a renda das entidades assistenciais e educacionais seja imune à tributação. Noutro passo. o patrimônio da entidade. desde que preenchidos os requisitos fixados em lei.. Segundo Aliomar Baleeiro. podem ser entendidos como uma atividade desempenhada pela entidade ou por seus integrantes. móveis ou imóveis. pode-se entender por patrimônio tudo o que for material ou imaterial.restando impossível de qualquer modificação ou revogação. imunidade tributária. apenas por encontrar na legislação brechas para angariá-lo. assim. relacionados com os objetivos principais das mesmas. deve ser disciplinada de forma clara e interpretada nos estritos limites legais. desde que estejam condizentes com a finalidade essencial da instituição. já que o . haja vista que a regra predominante é o pagamento do tributo. da Constituição da República. senão vejamos: “as vedações expressas no inciso VI. Os serviços. Nada impede. devendo estes estar.. Com efeito. ainda. a renda deve ser compreendida como o recebimento de capital. da Carta Política . portanto. O que deve ser levado em consideração. por exemplo. que uma instituição beneficente produza produtos artesanais e os exporte sem que esteja obrigada a pagar o Imposto de Exportação ao poder público pela prática de tal atividade. §7º. estando livres da cobrança de impostos realizada pelo poder público. apenas as hipóteses de imunidades são elencadas pela Constituição.. artigo 150 da CF/88. corpóreas ou não. como forma de evitar interpretações avultosas e extensivas acerca do benefício tributário. tais como: o comércio ou a fabricação de objetos. [. Nesse sentido. 4. a renda e os serviços. inclusive direitos subjetivos.] 2. inclusive complexo de coisas. na cláusula inscrita no art. desenvolva a prática do comércio. o Imposto de Exportação e o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). A totalidade de bens. são estabelecidas no § 4º do artigo 150 da Constituição Federal restrições à imunidade tributária conferidas nas alíneas “b” e “c”. Em linhas gerais.3 Restrições constitucionais à imunidade: § 4º. a renda e aos serviços das entidades educacionais e assistenciais. alíneas b e c.. Conforme explicitado em tópico anterior. 130). já que estes incidem naturalmente sobre a renda. As entidades integrantes do terceiro setor recebem. portanto. 195. Assim sendo.contemplou com o favor constitucional da imunidade tributária. A imunidade tributária representa verdadeira exceção no ordenamento jurídico tributário brasileiro. Por mais que uma entidade assistencial. compreendem somente o patrimônio. oportuno mencionar o seguinte julgado do colendo Tribunal Regional Federal da 4ª Região: [. Sobre eles. para que não sofra a incidência da tributação. Assim. [3]. como uma empresa ou um estabelecimento. deve estar voltado à finalidade da instituição. a existência de uma típica garantia de imunidade (e não de simples isenção) estabelecida em favor das entidades beneficentes de assistência social. ela será livre do pagamento de impostos ao Estado. A jurisprudência constitucional do Supremo Tribunal Federal já identificou. (grifos acrescidos). por exemplo. A cláusula inscrita no art.

aplicarem integralmente. Destarte. a qualquer título. permanece imune ao IPTU o imóvel pertencente a qualquer das entidades referidas pelo art. para evitar interpretações extensivas acerca das imunidades. conforme se pode observar. de forma estrita. c. com isso. além de garantir-se a segurança jurídica. seguindo-se. 150. Imunidade Tributária reconhecida ao Serviço Social do Comércio – SESC. no País. Assim. seguindo a linha estabelecida na de 1967. condicionando-a a observância dos requisitos estabelecidos em lei. 150.– imposto Sobre Serviços. editada em 2003 pela Suprema Corte. III .4 Requisitos para gozo da imunidade: art. ao passo que confere a imunidade tratada no art. todo e qualquer lucro obtido com o desempenho das atividades da entidade. conforme explicado alhures. IMUNIDADE.532.. Isso ocorre. que esta reverta em proveito da própria prestação de serviços. ART.. nesse ponto. gerentes e quaisquer outros. O que não se admite é a repartição de seus excedentes entre os sócios. senão vejamos os seguintes arestos: EMENTA: CINEMA DO SESC. visando o seu desenvolvimento. mediante cobrança de ingresso a seus filiados e aos freqüentadores em geral. deve objetivar a superação de suas receitas. que não há a proibição do lucro da entidade. a lei não quis dizer que o fizesse gratuitamente. in verbis: “Ainda quando alugado a terceiros. “c” impõe limites a esta.] - . INSTITUIÇÃO DE ENSINO. e sim que lhe era vedado discriminar o acesso a eles e. as principais regras a serem observadas pelas instituições que pretendem ser angariadas com tal benefício. sendo este permitido desde que utilizado em benefício dela mesma. A jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal dispõe nesse mesmo sentido. c. [. toda entidade que pretenda desenvolver-se e. Dessa forma. [4] TRIBUTÁRIO. os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais. VI. mesmo em se tratando de serviço de diversão pública (cinema). Outra interpretação seria inconstitucional. objetivando. [. DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. ABERTO AO PÚBLICO.manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. VI.. C. A Carta Magna brasileira de 1988. na manutenção de seus objetivos institucionais. Atente-se. visto que o art.. 4. por conseguinte.lucro obtido será aplicado na própria instituição. em seu artigo 14. como aliás já determinava o art. sendo acertado o pagamento de remuneração (por quem pode ser assim onerado).. 14 do CTN. crescer em seu ramo de atividade. a lei que veio regular e disciplinar as condições para a aquisição da imunidade é o Código Tributário Nacional. da Constituição. II . ART. sob pena de caracterização de finalidade lucrativa. deve ser empregado no desenvolvimento e aprimoramento dela própria.] [. Vejamos: I – não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas. diretores. 14 CTN com a redação da LC 104/2001. conforme aduz a Súmula 724. IMPOSTO DE RENDA SOBRE RENDIMENTOS OU GANHO DE CAPITAL EM INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. que traz. os fins almejados pelo constituinte originário. Isto porque. não impõe o requisito da gratuidade (e sequer faz alusão a filantropia ou beneficência). 150. VI.. Da mesma forma. IMUNIDADE. desde que o valor dos aluguéis seja aplicado nas atividades essenciais de tais entidades”. que eventual acréscimo patrimonial seja revertido em prol da própria instituição. o inciso I proíbe que a entidade distribua seu lucro ou parte de seu resultado. o imóvel pertencente à entidade assistencial será imune ao pagamento do IPTU. 150.] Ao dispor que a instituição de ensino deve colocar seus serviços à disposição da população em geral. VI.12 DA LEI Nº 9.

oportuno mencionar o seguinte julgado da Suprema Corte. atendidos os requisitos da lei": delimitação dos . e 146. diferente da prevista no citado parágrafo. com base no art. havia forte discussão. 12. c. hoje ainda remota e quase totalmente superada. em seu § 4º. a verificação pela Fiscalização do cumprimento dos requisitos contidos nos incisos I e II do art. Assim. assegura o liame constitucional exigido entre o patrimônio e as finalidades da entidade. VI. O inciso III. 150. segundo a boa técnica contábil. Nesse diapasão. 14 do CTN. sendo aceita desde que comprove a observância dos requisitos estabelecidos nos incisos I e II do art. II. bem como o auxílio ou financiamento de instituições estrangeiras pelas entidades imunes. o qual aduz expressamente que deve a lei complementar regular as limitações ao poder de tributar. consoante dispõe o § 1º do artigo 14 do CTN. 736) salienta que tal escrituração não necessita observar as regras da boa técnica contábil. Tais rendimentos destinam-se a viabilizar e custear a consecução de suas finalidades precípuas[5]. e com observância das normas constantes da legislação tributária. art. Senão vejamos: EMENTA: II. No entanto. supracitado. da CF). com base no lucro real ou presumido. conforme se verá adiante. Roque Carrazza (2006. A escrituração exigida objetiva. que traça distinções de papéis para lei ordinária e complementar. que afirma não ser preciso: A adoção de escrituração comercial. a lei infraconstitucional esmiúça o que a Carta Magna prevê em linhas gerais. visando melhorar os serviços de amparo à população brasileira. Além disso. caso a entidade não cumpra qualquer desses requisitos explicitados. por seu turno. esclarecendo o campo de atuação específico de cada uma das espécies normativas. 150. 150. de 1966. da CF/88. Com efeito. o inciso II. criar novos requisitos e sim regulamentá-los. § 1º. revela a forma encontrada pelo legislador para que o Poder Público fiscalize o cumprimento dos demais requisitos pelas entidades beneficiárias da imunidade.532.172. 14 da Lei n. o reinvestimento dos recursos advindos da exploração de outra atividade. exige que a entidade aplique seus recursos no país. as correntes que defendiam a possibilidade de lei ordinária realizar tal disciplinamento perderam força. como se vê. que limita a destinação da renda da entidade imune às suas finalidades essenciais. nos moldes em que é exigida das demais empresas submetidas ao regime de tributação. p. tal requisito impede que haja remessa de divisas ao exterior. salutar citar o posicionamento do 1º Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda.Impossibilidade de ser exigido da autora o recolhimento de imposto de renda sobre rendimentos ou ganho de capital em aplicações financeiras. poderá ter o benefício da imunidade tributária suspenso pela autoridade competente. Frise-se que o escopo de tal inciso está inserido na própria CF/88. não seria razoável que as entidades angariadas com o benefício da imunidade tributária empregassem seus recursos em outros países. Tendo em vista o disposto no artigo 146. 4. Ressalte-se que outras condutas ou infrações das entidades imunes não possui legitimidade jurídica para ocasionar a suspensão da imunidade. art.5 Exigência de Lei Complementar para limitação constitucional ao poder de tributar No que diz respeito aos aspectos de regulação infraconstitucional da limitação constitucional ao poder de tributar. os quais poderiam ser facilmente burlados caso não houvesse a obrigatoriedade da contabilidade das receitas e despesas em livros autenticados. Desse modo. por ser assente na jurisprudência que a renda obtida em aplicações financeiras não configura desvio de finalidade (art. porquanto não dissociada da atividade fim da instituição. não cabendo a ela. sem fins lucrativos. Ora. II): "instituições de educação e de assistência social. Imunidade tributária (CF. Destarte. podendo justificar outro tipo de sanção. 5. § 4º. (grifos acrescidos). da Lei nº 9. se o intuito do constituinte ao prevê a imunidade foi o de incentivar o desenvolvimento das atividades ligadas à área social e educacional. explicado no tópico anterior. acerca da obrigatoriedade de lei complementar para disciplinar as imunidades previstas na Lex Legum. tão-somente. Noutro passo.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS O Terceiro Setor representa um importante aliado do Estado na prestação dos serviços sociais e assistenciais determinados na Constituição Federal de 1988. de modo que a realização das políticas sociais torna-se gradativamente um papel secundário a ser desempenhado. dos preceitos impugnados (L. RTJ 102/304) e na linha da melhor doutrina. Muñoz. Consoante demonstrado. Esta. . Observa-se. existe no ordenamento jurídico brasileiro uma série de medidas que facilitam a atuação das instituições prestadoras de atividades sociais. no tocante à imunidade tributária considerada. tendo função meramente regulamentadora. Nessa trilha. Conforme precedente no STF (RE 93. mediante as atividades de fomento. a imunidade tributária corresponde a um dos incentivos fiscais conferidos às entidades do terceiro setor para a realização e desempenho das atividades retro citadas. contratos de gestão e. Lei Complementar incumbida das descrições do benefício da imunidade tributária. o Estado vem assumindo cada vez mais um papel de administrador do país e intermediador de conflitos. o Terceiro Setor ganha relevante destaque não apenas na área social do país. VI. ficou reservado à lei complementar[6].. A fim de estimular a sociedade civil a se organizar em entidades assistencialistas e. mas complementa. a partir daí. arts. já traçados pela Lei Maior. à intermediação da lei complementar e da lei ordinária: análise. na medida em que dispunham acerca das condições para o gozo do benefício tributário do art. No entanto. 55) afirma que ela “não inova. condiciona-se inteiramente às parcerias e estímulos advindos não só do Estado. 1. quando susceptíveis de disciplina infraconstitucional. [.. ficando a lei complementar com a incumbência de regulamentar e dispor sobre os requisitos para o gozo da imunidade constitucionalmente conferida. como de toda a sociedade civil. no ponto. p. devidas pelo Estado à população. já que termina por realizar atividades assistenciais. que. “c” da CF. insta ressaltar que os artigos 12 a 14 da Lei ordinária nº 9. desonerar o encargo estatal no atendimento das necessidades sociais da população. Nesse desiderato.532. Por derradeiro. culturais.532/97. restaram considerados inconstitucionais pela Suprema Corte. tendo em vista constituir exceção à regra da tributação no sistema jurídico pátrio. como também na esfera econômica e política. Ives Gandra (2008. que à Lei Complementar incumbe apenas delinear o aspecto formal da norma. sem qualquer intuito lucrativo. esclarecendo. dessa forma. aquele. o que a Constituição remete à lei ordinária. 12 a 14): cautelar parcialmente deferida. principalmente. o que diga respeito aos lindes da imunidade. (grifos acrescidos). educacionais. Diz-se. 150. que cabe a lei ordinária apenas regular as questões referentes à instituição e funcionamento da entidade imune. uma vez que tais instituições não podem ser oneradas com uma carga tributária por desempenhar atividades unicamente em benefício da sociedade.âmbitos da matéria reservada. pode-se afirmar que o terceiro setor. deste modo. as entidades devem observar requisitos constitucionais detalhados pelo Código Tributário Nacional. portanto. bem como traziam as hipóteses de sua suspensão. por ser ainda frágil na sua estrutura financeira. com a concessão dos benefícios tributários previstos pela Lex Legum. integrando-o e incentivando-o através de doações e de contribuições. criada em 1997.]. de modo que não pode alterar substancialmente a materialidade da mesma. Haja vista o contexto econômico hodierno. porque senão seria inconstitucional. Os aspectos substanciais já estão esgotados na própria Constituição. Acerca da Lei Complementar.770. 9. tornando mais clara a intenção do constituinte”. é a fixação de normas sobre a constituição e o funcionamento da entidade educacional ou assistencial imune. visto que invadiam o campo de atuação reservado à Lei Complementar. não.

/ out. Curso de Direito Tributário. III . São Paulo: Revista dos Tribunais. Direito Tributário Brasileiro. passou a denominar-se Código Tributário Nacional (CTN) através [1] do Ato Complementar 36. The Third Sector is integrated by civil society non-profit. the tax immunity conferred to entities education and welfare. Taxation. too.br/doutrina/ver. explaining the particular relating to tax immunity. 2006. 14 of the tax code. FRANÇA. 2008. Limitações Constitucionais ao Poder de Tributar. O princípio da subsidiariedade no Direito Público contemporâneo.172.a garantia de um salário mínimo de benefício mensal à pessoa portadora de deficiência e ao idoso que comprovem não possuir meios de prover à própria manutenção ou de tê-la provida por sua família. 2001. BARRETO. Art. Terceiro Setor. Disponível na Internet: www. TORRES. independentemente de contribuição à [2] seguridade social.1967.mainly with regard to his concept. ______. A assistência social será prestada a quem dela necessitar. Social Assistance.asp? art_id=&categoria=Terceiro Setor> Acesso em :1 de novembro 2011. V . 7ª edição. São Paulo: Malheiros. São Paulo: Saraiva. São Paulo: Saraiva. Reflexões sobre a Prestação de Serviços Públicos por Entidades do Terceiro Setor. Abstract: The Third Sector is an important alternative found by the Government to help him in the achievement of social services and assistance to the population. Silvia Faber.com. to promote the development and growth of the Third Sector in the country. Leandro Marins. in this case. Imunidades tributárias. IV . Tributação do Terceiro Setor no Brasil. Roque Antônio. n.a proteção à família. de 25 de outubro de 1966. Curso de Direito Constitucional Tributário. showing. II . Rio de Janeiro: Renovar. Luciano. Reflexões sobre o sistema tributário aplicado ao terceiro setor. 2005. n 6. 2005. Pesquisas Tributárias. 7º. art. 10 ed. nonprofit that meet the requirements of Art. e tem por objetivos: I .a habilitação e reabilitação das pessoas portadoras de deficiência e a promoção de sua integração à vida comunitária. 9-38. BALEEIRO. São Paulo: Malheiros.Imunidade e o Terceiro Setor. 2007. ano 3. Nova Série . Vladimir da Rocha. CARRAZA. à maternidade. Keywords: Third Sector. à adolescência e à velhice. Salvador. São Paulo: Dialética. Paulo Ayres. ROCHA.03. Fiscal Incentives. Forense. 2001.o amparo às crianças e adolescentes carentes. there is under Brazilian law the objective to grant tax incentives in the form of benefits.REFERÊNCIAS AMARO. Ives Gandra da Silva. Notas A Lei 5. Sílvio Luís. 1998.com. ______. 23 ed.a promoção da integração ao mercado de trabalho. SOUZA. Disponível em <http://www. .abdir. Direito Tributário Brasileiro. Coordenador Ives Gandra da Silva Martins. Aires. junho/julho/agosto. the requirements for obtaining it. Indeed. Imunidades Tributárias: Limitações Constitucionais ao Poder de Tributar. 1999. Rio de Janeiro: Forense. BARRETO. this article shows an analysis of aspects related to the taxation of entities of Third Sector in the Federal Constitution. Rio de Janeiro.direitoestado. Revista Eletrônica sobre a Reforma do Estado. Revista Fórum de Direito Tributário .4.br. São Paulo: Dialética. 17. Aliomar. In this light. Immunity. Belo Horizonte. conforme dispuser a lei. Acesso em 20 de novembro de 2011. 11 ed. à infância. p. MARTINS. 11ª ed. set. 2006. DELGADO. de 13. 203. and also the applicable law to regulate it. José Augusto. 2006. a view of doctrine and jurisprudence about it subject.RFDT. 2004.

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