LOGOS

Ano 4 Nº 6 1º Semestre / 97

COMUNICAÇÃO & UNIVERSIDADE
ISSN 0104-9933

Homenagem a

ICHEL AFFESOLI

FACULDADE DE COMUNICAÇÃO SOCIAL

FACULDADE DE COMUNICAÇÃO SOCIAL
UERJ

LOGOS

LOGOS - Ano 4 Nº 6 1º Semestre / 1997

SUMÁRIO
Apresentação.............................................................................................................................. 3
O brasileiro Michel Maffesoli, sociólogo francês
Luiz Felipe Baêta Neves................................................................................................................ 4
O Brasil no espelho de Maffesoli
Lamartine P. DaCosta................................................................................................................... 7
A comunicação e a nova ordem: um pequeno ensaio sobre a triba­lização do mundo
Ricardo Ferreira Freitas .............................................................................................................. 12
Ciber-socialidade: tecnologia e vida social na cultura con­tem­po­rânea
André Lemos.............................................................................................................................. 15
Elementos de método na obra de Michel Maffesoli
Danielle Perin Rocha Pitta.......................................................................................................... 20
Conhecimento comum e saber sociológico
Patrick Watier.............................................................................................................................. 24
Estilo estético, uma maneira de estar no mundo
Héris Arnt .................................................................................................................................. 31
Uma narrativa de celebração
Nizia Villaça . ............................................................................................................................. 36
Michel Maffesoli e a construção de uma nova ética
João Maia................................................................................................................................. 41
Michel Maffesoli, o pensador da vida
Juremir Machado da Silva......................................................................................................... 45
Michel Maffesoli, estilística ... imagens... comunicação e sociedade
Maria Cristina da Silva Gioseffi................................................................................................... 48
A construção do sujeito em Maffesoli e Guattari
Heloisa G.P. Nogueira................................................................................................................. 54
O presente e a aparência: alguns aspectos centrais do pensamento de Michel Maffesoli
Roberto Motta............................................................................................................................ 58
Resenha
Charbelly Estrella........................................................................................................................ 65
Orientação Editorial.................................................................................................................. 67

Maffe- soli fez muitos amigos. Héris Arnt Ricardo Freitas . ficando. nenhum pensador estrangeiro lançou sobre o Brasil um olhar tão atento . onde detém a cátedra de Durkheim. e para isto reunimos um conjunto de artigos escritos por estudiosos da obra do sociólogo francês. Na Sorbonne. Homenagem mais do que justa. Nada mais adverso ao pensamento de Michel Maffe- soli do que os dogmatismos e os grandes projetos explicativos da sociedade. pois. O conjunto de artigos desta revista é fruto do rico diálogo estabelecido entre Maffesoli e os brasileiros. Pretendemos em outros números continuar abordando questões pertinentes ao pensamento de Maffesoli. Nesses anos todos que vem freqüentando o Brasil.sem os dogmas a que estamos acostumados de uma verdade do centro para a periferia. isto não foi possível devido a imperativos editoriais: não dispúnhamos de tempo nem de espaço para acolhermos mais artigos. LOGOS Apresentação Este número da Revista Logos é dedicado a Michel Maffe- soli. o convite para que todos que não puderam integrar este número participem das discussões que seguramente esta edição da Logos suscitará. os doutorandos brasileiros têm encontrado um apoio que ultrapassa o estrito terreno acadêmico para se tornar uma fraternal amizade. Gostaríamos que muitos outros pesquisadores tivessem também partici- pado. Mas o assunto não vai se esgotar aqui. na atualidade. então. Entretanto.

a sociologia do efêmero. o movimento que tem como der) a figura pública de Michel Maffesoli.. LOGOS O brasileiro Michel Maffesoli. rejeitando uma lógica excludente e nada parece denunciar sua (suposta) fe. constatei não produtivismo não impõem. eram fortalecidas pelo veterano e sem- pre alerta imaginário social que liga a França (e Paris em especial) às celebra- que tinham se consolidado às custas da perpetuação. pro. Seria. por exemplo. tampouco. por esta lógica. Sociologia operosa também em relação a suas maneiras de se expandir. expectativas de comportamento que ceituosa (ou pré-concei­tual) proporia. o dolce far – se deve muito a um aspecto de Michel serem exclusivas de nosso país . detratores etc... Pelo desejo deste imaginário. conhece muitos ser visto quando se observa com atenção esta rede. reativamente) recuar diante de dificuldades ou face à como tantas que Paris já produziu. portância do fluido. ao da Sorbonne! O encontro pessoal com – e a pessoa – de Maffesoli se prolonga menos em parte. estas redes. verdade. na opinião ou nas ao contrário do que a opinião precon. de impossível como a apressada ideologia moralista ser intelectualmente fecundas. do Muitas razões poderiam ser lembra. passageira e frívola vezes inconscientemente. agora. sociólogo francês Luiz Felipe Baêta Neves* P oucos cientistas sociais deste final de século despertam alianças e críticas tão apaixona- das quanto Michel Maffesoli. compreen.). aqui. No áreas da sociologia e da antropologia eventual insipiên­cia do público. percam sua marca prazerosa (o que não A coincidência de opostos. o que tem ocorrido é que as em sua índole de missionário pagão. da reprodução. seu entre­cru­za­mento. das relações tas de fios e pontos que não se imagi- Lembro de algumas das primeiras reações que se fundem fora do imaginário do nam como reflexo de um grande centro no Brasil (e que. por um professor titular fonte de referência privilegiada a obra Creio que uma forma de organizá-las. servada. mais um autor lançando mais uma chel Maffesoli têm posto a trabalhar (às que não parece temer distâncias ou moda intelectual. Sujeito empírico e sujeito “reverberação” incessante mostra que convivência na sociedade de fenômenos do conhecimento não se fundem. sucessivas propostas conceituais de Mi. A vivacidade destas redes – compos- ajudam a compor a legenda maffesoliana. reaparecimento da libertinagem. de referia à “orgia social”. do esgarçado. Quanto Maffesoli nem sempre evidente. ele é elegan. falavam de um sociólogo que se à última. de temas e procedimentos. Pode ser ob. Só por isto. o modo de atuar de Michel Maffesoli.. chama a atenção para a efetiva bricitante vida. no vestir e no falar. não se modos de aparecimento. tempos pós-modernos (o que quer que ções dos prazeres do corpo. ele já mereceria ser visto com atenção.. Penso trabalho. sem que coexistência. estas desconfianças. que a seu próprio criador. que entretece. e estabelecimento de redes de amigos e Que. claramente.. gostaria que acontecesse.) ao seu niente ou a preguiça mental. se aplicada O mesmo convívio paradoxal pode impede que se perceba. um denodado apóstolo de suas idéias te. Na das para explicar (ou melhor. as formas sociais da afetividade podem supostos. ríamos diante de um curioso caso de aspecto relacional. seria com o auxílio de Maffesoli certamente seria frustrante para e se desdobra de forma rara na história uma noção cara ao sociólogo em questão: este imaginário desejante. os caso específico do “orgiasmo”. instituições. ou melhor. sua iden­titária. Aspec- . mesmo em Se não deixa de apontar para a im- seja este adjetivo) não serão lembrados seus momentos mais desregrados. provavelmen. O a noção de “coincidência de opostos”.. de tom ético e teórico. sem opositores. não se esqueceu. temente discreto. depois. das disciplinas teóricas sobre o social. do pela vivacidade ou pelo arrebatamento. oco. estendem em um absoluto vazio político. movida.. esta.

portanto. Neste ponto. inconstan. implicaria em maneiras o trabalho de Michel Maffesoli com aten- entre os quais se deva optar. dela. portamento de Maffe­soli. forçosamente. A idéia de uma “ciência pela razão dominante que. O primeiro esquerda. “afetual”. quanto ao populismo de diferente da linguagem comum. extrovertidas. o gosta de repetir que “nada disse de novo”. de que “a ciência social nada tem a dizer irracionalismo. na versão brasileira atual da saber no magma social. deve a propriedade de tal acusação mas. vista Esta pos­tulação – ao contrário do que uma escola de pensamento válida rompe como alguma coisa que tenha uma “fa- acusa o imaginário opiniático anti-maffe­ com as fronteiras supostamente muito culdade especial de conhecimento” pelo soliano – não é. obra e autor. ao con- discursiva eminentemente racional aquilo oferece é a de que prazer e trário do que se poderia ser imaginado que tantas vezes. Ou: como nem é “expressão” ou regra ou “ditame” da povo”? não há rutura entre objetos empíricos e sociedade. sem dúvida. neste país. Ora. creio que é oportuno. de uma realidade maior lítico. triste realidade logia normativa e macroconceitual. foi determinação – ou mesmo. O primeiro seria o de imaginar Michel inútil concluir que a proposta maffeso- Neste ponto. sem com para compreendermos o povo temos é completado pela defesa que Michel esta se confundir – desejo de muitos em- que. necessariamente. defendida por Com a denúncia da saturação do po. tentasse que deve ser prioritariamente encarado nas é. Nada mais distante do com.. a possível aplicação deste conceito ao A fértil imaginação sociológica que brar que Michel Maffesoli não se pretende Brasil deve passar por um filtro crítico aqui verificamos ajuda a matizar afirma- um corifeu dessa corrente de pensamento. dizia. explique e domine. por que O ataque à arrogância cientificista um comentário da realidade. visto por algo que supostamente o litante “disputa acadêmica da verdade”. em suas tos intelectuais. é a idéia (excludente. fonte uma pluralidade de posições teóricas de forçosamente redutora da exuberância de energia e de vitalidade que é infensa análise da sociedade. petulância “científica” acima descritos.. dar conta. sim. este social inclui a diante do mundo. sentimental. elementos palavra “popular”. E não confundi. é outra fonte de equívo. contrário. e por tanto tempo. a verdadeira lição que Maffesoli como sendo pessoalmente um liana nos levaria a um hiper-relativismo Michel Maffesoli oferece é a de que prazer adepto de atitudes “populistas”. constataremos a criação de inúmeros ffesoliana valoriza o e e reage ao imperial de regras e fronteiras sociais excessivas. elementos entre apologia ao “pesquisismo”. conceitos (e a refutação de outros tantos) determinismo isolacionista do ou. e pouco visível interpretamos. seu esforço me parece de natureza históricas peculiares por que passou. é um de seus rostos – e. Esta não passa de uma tentativa ou. uma teoria ou A “ciência social” não é. não há como certo. quotidianas ou institucional e de ganho de prestígio e de “matéria amorfa” que não deseja mais do grandiosas e excepcionais sem que. exemplo. mo vulgar. especialmente de sua vi. ter em conta que desaparecer”. lem. mais exatamente. palavras. Não é da ciência social brasileira (e. dinheiro que se esmeram. a outros como.. ou mesmo distante do poder (político). sariamente. pelas poderosíssimas forças do empiris- deixado de fora ou. cos. por A exaltação do povo. o russo. ou deturpá-lo hiper. aqui também ção de que “nada há a fazer em ciência fusa que aponta o pensamento do nosso este imaginário açodado confunde pala. precise ser em se mascarar sob os disfarces da nobi. neces. não sustentar uma espécie de existên- . Michel Maffesoli. E a muitos títulos. já é uma negação da acusa- poderia ser dito de outra antinomia con. o que. apenas dela). irregular. redutoramente. A teoria social maffesoliana parece ser domina ou o representa. O que desabridas. indo para o paraíso. Se observarmos – não são. não dos mais bonitos. ao de Michel Maffesoli.. não por se falar em territórios não reconhecidos os quais se deva optar. não é uma sorte de em suas tramas reais. só deveria haver. também) de que bilidade (fonte de tantos erros analíticos.. claro. a verdadeira “atos inaugurais” que se abate sobre tan- te. politizando-o. a afirmação de Michel Ma. mesmo desconsiderado obstinação – não são. decididamente alheia aos interesses ma- a assumir uma oposição revolucionária de lo.. social” cujos conceitos podem ser apli- se está sendo irracionalista assim como não cados a uma “dada realidade” parece-me é por se falar em classe operária que se está populismo. Qualquer que seja a posição que o que “de fato acontece” (?!) é o prazer e políticos de historiadores e cientistas tenhamos quanto aos dois ataques à inconseqüente da viagem e da “munda­ “racionalistas”). tais esforços. é nidade”. obstinação atitudes. ao incluir no pensamento so. Não cabe aqui aprofundar Seria preciso. A lógica ma. tais de noções – ou mesmo à dissolução do e determinação – ou mesmo. simples fato de estar no mesmo plano do sinônimo de alienação ou imobilismo E mais: debilita os esforços – nem sempre “social”. passar pela compreensão Maffesoli faz de uma continuidade entre piricismos. a força social. bem delimitadas entre paróquias teóricas. Este pode ser visto declarados. por si. A quebra da idéia de da realidade social. que ser “conhecida” por uma teoria que a para ser compreendido. atores. Michel Maffesoli argumenta que o Elemento provocador de controvérsia do que qualquer teoria que. o que faz é incluir em uma ordem lição que Michel Maffesoli A imersão na realidade social. que permitisse considerar as vicissitudes ções do próprio Michel Maffesoli que A mim. não deve ser visto como uma – na acepção forte do termo – pela socio. na obra que objetos de conhecimento. de sofrível conhecimento ção. Ou: a vida é maior que qualquer sociedades contemporâneas é a sociedade ffesoli quanto à existência – legítima – de teoria. – de dominação política e teoria e a subordina. Na verdade. sempre. que só há. humildade. cia “supra-social” da ciência e de seus porque quase sempre o que predomina talidade e de sua inconstância e imprevisi. A teoria social não “representa” das atitudes dos “representantes do a ciência e a realidade social. bem diferente daquela imputada a ele por Creio que o que ele faz não é uma prece à seus críticos. LOGOS to determinado. deles seria a concepção. necessariamente. social porque tudo pode ser feito” ou a sociólogo como expressão acabada do vras e coisas. por ffesolianos. é um ataque à paixão pelos ciológico aquilo que é pequeno.

. nas maneiras pe. mesmo. especialista ou mesmo (à época) como * Luiz Felipe Baêta Neves é Professor salientar aspecto particularmente vulne. LOGOS O que acaba de ser dito não deve rável às investidas dos guardiões das arcas observação o encheu de alegria. das barreiras entre ciência e existência. como um do tempo da História. comparada a sua atitude pessoal em misturar a outras. à mestiçagem. de (e. para um olhar Penso. Ou seja. vindas não do que se to como um exercício de demonstração relação aos brasileiros. quanto ao papel do excesso ção discursiva. antes de conhecê-lo como às intenções desta crônica. E – outra negação – não na sociedade) não favorecem uma lógica pela positividade que a própria menção identitária. patética tentativa de se assemelhar ao seria de difícil sustentação no âmbito da Ao lado da contribuição teórica que real ou a uma ciência que se expressasse epistemologia maffesoliana. pela história.) faz com A importância teórica e política da desejo meu do que de um fait accompli. de existência de uma sociedade que e que tentaria anular sua pujança teórica proponha uma proximidade de afetos. não favoreça uma crítica fútil (que se O amor pela vida. de “indivíduo” e “sociedade”. mais próximo da literatice de tribos que se recusam a optar pelos (e/ou do nada) do que de qualquer outra pólos antitéticos e dicotô­micos rotulados coisa (“científica”). A na UERJ e na UFRJ. ocasionaria. de Michel Maffesoli na “ciência social” bra. uma verdade. pelo menos. Vale. Não – é claro – pela mera segundo lugar. por humano que tem diante de si ou a se todos. pequena se las quais a escrita maffesoliana pode se aplicação de tais objetos de conhecimen. por certo. à constituição múltipla e e reconhecimento. não somente de povos e vista notadamente na citação de passa. O anti-historicismo de Michel Maffe.. sileira seja o da escrita. mas pelo Michel Maffesoli quanto à descontinuida- efeito que elas têm na própria organiza. teorias podem ser tão úteis para a com- mulador” de tantas e tantas investigações marcando-as com fortes tons de atempo. e ela ser encarado. pela possibilidade imagina severa) feita a Michel Maffe­soli. Penso no encontro de “totalidade” (totalitária). Em primeiro este número de Logos espera oferecer. Se é certo que ele as faz viajar no tempo. ralidade. . desta geração de intelectuais e. a seu modo. de “criador” entre estas – e muitas outras noções – e ou de “essência”. Sua generosidade acabou por caracterizar como a “escrita da universalidade e de eternidade do sempre abriu as portas de sua casa e seus padrão” daquela ciência. que sejam reveladas suas diferenças. Falo mais de um das (pela cultura. também me parece certo que “revolucionária” ou “cientificista” de tantos Talvez o mais “insidioso” efeito da obra a articulação de tais formas ou noções de nós. são menções que (tão discutida) com o tempo e a história mostram que entre realidade. teoria social não o levam a se desinteressar do quadro e literatura o horror não é regra a ser. Em gens literárias. não é forçoso que interpretemos a guiado pela afetividade. por outro lado. de pensador que tivesse tão bem conhe- vação crítica mais extensa e que escapa cido o Brasil. visitante freqüente ou de longa data. Pou- repúdio ou menosprezo à “pesquisa em. Se o próprio Michel imaginário – ou mesmo de noções como tão férteis para a compreensão do Brasil Maffesoli não tem especial pendor por a de “barroco” – que faz Michel Maffesoli.. como as de Michel Maffesoli. expressa. porque as concepções de citação de “passagens literárias”.. seu modo característico de contem- empregada.. Ou atividade maffesoliana é. mas da própria teoria social. contudo. porque esta é especialmente atenta é também um gesto de companheirismo ao real. Tribal. culturas. não denota “alteração” quanto à forma sua paixão conceitual (e pessoal) pela discursiva dominante que vinha sendo vida. sempre foram um caloroso ponto de ma coisa que sequer tentou se afastar de dade que não cessa de se reproduzir sob referência ou apoio para muitos de seus um pastiche das “ciências exatas”. isto não impede de ser leitor e “esti. Não são citações “literárias” plar o mundo mostram que sua relação que “ilustram” um texto.. todos esses elementos decisivos para a como não há nenhuma noção de “obra” teoria maffesoliana tiveram um curioso e que não pague letal tributo às noções significativo destino. mar de “discurso” ou “obra” maffesoliana. Disse uma vez a Michel Maffesoli que soli e a importância que o presenteísmo ele era o primeiro caso que eu conhecia tem em seus trabalhos merecem obser. ele transparentemente.. da Identi. congressos coisa bem próxima da sensaboria – algu. penso em sua “naturalidade”. a “civilização brasileira”. Penso na utilização de formas do cas teorias contemporâneas podem ser pírica” ou “histórica”. sem mediações. alguma Mesmo. Esta mistura de registros pode ser diversificada. face lugar. revistas. daquela que a precedeu. centros de pesquisa. A desconfiança reiterada de Maffe­soli em uma especial inserção discursiva que quanto aos “projetos sociais” da Teoria.. em uma rostos apenas superficialmente distintos.. poucas ela. especialmente. Uma apologia do Mesmo. e crítica dissolvendo-a em um discurso fonte de uma estética social formadora “qualquer”. preensão da extraordinária pretensão “concretas”. a dissolução neidade absoluta” a que se pudesse cha. colegas do Brasil. seja.. obedecida. transformar em um entusiasta do Passado Espero que o que acaba de ser dito ou do Eterno. “atemporais” a circunstâncias determina. Não há uma “homoge.

Lévi-Strauss e Braudel deram ffesoli publicadas no Brasil. inusitadamente. época imperceptível como retrógrada. também se revelado um “devo­rador” significativas4. Em tese. Enquanto tal. Neste evento se consagrou por revelar uma tornou-se claro que Maffe­soli inusitada convivência entre o descobrira a poste­riori um Brasil arcaico e o moderno numa única ajustado às suas interpretações cultura5. Seríamos. Tal olhar francês teve como nha anterior à Segunda Guerra Mundial . dias presentes continuam toda- A partir daí delineou-se a for. los XVII e XVIII. Pelo mesmo motivo. O jogo de espelhos. tos literários. e de palestras abertas ao Hilaire. conhecimento do Brasil teria um sentido misturas harmônicas3. hoje já central proposta para o Brasil: existiriam “devoradores” aliení. Ainda se cogitando de originais. que deram surgimento a dois “Bra­sis”. Como Ortega y Gasset na Espa- interpretar a sociedade e a cultura do nosso nizadora. calcadas numa Europa maîtres-à-penser. na passada dé. de 1988. alcança uma identidade como se fossem nossas. ou por universais. os envolvidos então permeável a manifestações com os temas brasileiros nos hedonistas e dionisíacas. o legado deste viajante particularismos como meios de compre- um Massimo Canevacci para redefinir e estudioso francês incluíra um resgate ensão. os sociólogos Lambert e Bastide. nas dé­cadas de 50 e 60. pelos próprios brasileiros diante da ao público brasileiro para que ele reflita marche com os temas brasileiros teria falta de comparações mais amplas e sobre si mesmo. de relação dos intelectuais estran. típico de nossas peculiaridades sócio. não metabolização. populismo e desenvolvimento genas invertendo o sentido da econômico 6. Se. não se montou em torno das obras de Ma- culturais. porém. plo. LOGOS O Brasil no espelho de Maffesoli m maio de 1992. Rio DaCosta* de Janeiro com E o autor das presentes notas e com Luiz Felipe Baêta Neves . tem acontecido com Maffesoli. via a desvelar identidades unifi­ tiori a concepção de que Maffesoli cadoras em meio a contrastes incluir-se-ia numa forma renovada de índole etnocentrista. Isto. utilizando da antropofagia implicava na re. até então subestimados especular pois Maffe­soli expõe suas idéias Mas Maffesoli por sua laboriosa dé. Mi­chel Maffesoli deba- Lamartineno teu publicamente P. Por isso.sobre expoentes. no seu livro La parole et no passado.seu inter­ locutor constante no Brasil . Alain Touraine. por exem- geiros com a cultura brasileira. há quase dois séculos. um laboratório social ora mediado que supera noções válidas para por um Peter Bürke para reelaborar país em face a contrastes e significados a “humanidade inteira” e adota o significado histórico do carnaval2. a metáfora modernista la sang. mas através sobre o Brasil estaria encontrando um trans­­­­parência a uma elite nacional. o olhar francês cada de 30. até à dos jornais. especialmente nos suplemen- contraponto à tradição iniciada por Saint. comparações no tempo e no criação de idéias vindas do exterior espaço. expressão que a pós-modernidade1. esta relação quanto ao a pós-modernidade via sincretismos e da epopéia dos bandeirantes nos sécu. ao procurar que se auto­referenciava como mo­der­ público. então.

são da pós-modernidade e na conseqüente triunfa”. Maffesoli confirma suas de comunidade centra­da em “valores na. que se desdobra. bairro etc. confirmariam a brasileiro. pela “multiplicidade de manifestações ligações com o Brasil relatando sobre seu turalistas. que se dividem.. Maffesoli “prazer de se enfeitar e o prazer do sensí. Maffesoli refaz Bentes 9 e inicialmente retoma seus o trajeto histórico da vida em comuni. haveria “arquétipos das aparências. posta cautelosa mas produtiva: “Gosto sociais”. um retorno ao “estar-junto”. considero que o devir dionisíaco (JB. Maffesoli. somente publicado no ou como Jürgen Habermas na Alemanha recorrentes. a em um dado local”.interessados na ligação entre sensu. prefere nem pensar no que seu amigo questão com a tecnologia. destacadas noções de cotidiano. a relativiza a pós-modernidade tribal que palavras. que tem ao seu livro de 1988. Idéias/Ensaios ) de Maffesoli. pano de fundo teórico que legitima as ajudas de vizinhos. há ainda menções a uma publicados em jornais brasileiros entre Maffesoli. introduz o entrevistado referenciando-o às posições anteriores de Maffesoli a res- Para melhor acompanhar esse proces. Com as perguntas que se seguem. O interesse do sociólogo da Sor. uma sociedade equilibrada seria aquela derno”. Haveria.) posição defendida por Bataille. São Paulo. Fortaleza e Belém. Maffe­soli “nutre-se” do social e do cultural gestação”. “que estão em via de Entrevista de 23 de novembro de 1990 (Folha contextualização por uma interrogação de São Paulo. “existe para o melhor e para o pior” no elabora suas teorias na perspectiva do Sul não passam de modulações de uma que concerne às “tensões inconciliáveis” locus mas as discute no topos. Um país como o Brasil visão prometeica do progresso. a “realiança” e o “recentramento sobre o O diálogo final entre o entre­vistador território”. “erotização e ritualização orgiástica da O Brasil entra apropriadamente nessa território.O tempo das tribos. portanto. uma metástase”. com os outros. que obtém uma res- em particular nas ciências humanas e sociedade”. é chocante para nós. contudo. de vida. visível Terminando. Lawrence e Max Weber vel”. O conheci- dade desde a pólis grega até o “lugar mento comum. “digerindo-os” nas tessituras de O jornalista Bernardo de Carvalho8 ambivalência iden­tificada. Le temps des tribus. Ao fundo e Num artigo que leva um sobre-título Jean Baudrillard fareja como um mercado ao cabo. de relações abertas. Descredenciando Baudrillard. do Brasil. mas não posso dizer que o Maffesoli passa a apoiar suas concepções conheço. de um ponto de vista Artigo de 18 de março de 1990 citando experiências francesas. nas quais exterior. então. nestes termos. ecologia. Rio de Janeiro. Ilustrada) delimitar um novo domínio universitário. ou as próximo envolvimento com a ECO-92. uma paixão comunal tipificada pelas Outras expressões desta recorrência são relações sociais da Antiga Grécia. Conferência das Nações Unidas sobre o . cife. Re- (JB. a um ciclo de conferências ocorrido em Entrevista de 22 dezembro de 1991 so de speculum ao gosto e da iniciativa Campinas. cita textualmente. tendo Nietzsche como matriz e Bergson ções e vida cotidiana. 46. Ao final. incide na “violência como perceptor e ela­borador. no caso.para introduzir sua tese dos dias presentes. então. proliferação de “tribos” na cultura. musicais. freqüenta o Brasil. Diz. institui. A sombra de Dioní­sio doméstico” das sociedades tecnológicas e o recém lançado na França No fundo atuais. violência”. também por essências de seus livros segundo contex­ de hoje. Maffesoli interpretações cotidianas. Mas o . Maffesoli opta por uma ele categorizados como “tribalismo” ou tualizações locais.). político . Como avanço suas teorias. o mundo pós-moderno. da entrevistadora.. Fatos europeus. efêmeras Maffesoli fala agora para Ivana e emocionais”. determinando a ordem política.. “hedonismo das massas”. tem Partindo do pressuposto de que o à metáfora de Prometeu) estariam dando uma dimensão trágica e bárbara e isso hedonismo dionisíaco tomou o lugar da lugar a “valores mais corporais”. LOGOS vida em grupo .“formada a pós-moder­nidade”. Esta experiência de aglomerações esportivas”. Maffesoli7 discorre sobre a em desenvolvimento para o pensamento vitalista do tribalismo pós-moderno. remetendo o tema bonne. central dos gru­pamentos orgiásticos na dialogar com o público brasileiro usando que privilegiam a unicidade do ontem e sociedade contemporânea. as relações Norte. as culturas de empresa.. Em resumo. livros . tais como o cuidado de si Brasil em 1996 . o trabalho e a razão (retornando do mundo. as manifestações Por oportuno. Maffesoli acabou por e do outro. como o não só no Brasil (. francês”. Em outras de caridade. é algo que passa por D.estaria. do ambiente e do próximo”. Idéias/Ensaios) a ordem. Há. mas aliança entre o elo de coesão social em 1990 e 1997. que pulsa. enfim.H.para realçar exemplos franceses giástica de seu país e da Europa.. europeus. o nosso “de­vorador” francês divisão do trabalho. em que que seriam a marca do espírito pós-mo. encer- esta última concernente à rando o encontro que “uma integração instituição racional e moderna homeopática de desordem caracterizaria em oposição à primeira. Assim. um generalização: “A sensibilidade ecológica. ambos relacionados a “grupos e o entrevistado faz-se em torno de uma primários fundados na afetivi­dade (. Ou seja: nova solidariedade social e natural em deste espontâneo movimento social. Na apresentação. Maffesoli não se câncer também é vitalista. a quem cresce. que soubesse “integrar um pouco de Distinguindo “unicidade” de “unidade”. vejamos um painel de sín. e na vida cotidiana” dentro do enfoque como frase em­ble­mática: “a vida sempre Como antecedentes deste fenômeno. Maffesoli retoma o pressuposto de “Inédito”. teses produzido com entrevistas e textos menciona-se que “há dez anos Michel peito do tema. é um excesso alização da existência e o declínio do declara pessimista com a evolução or. os grandes concertos.ou “familialismo” .

é a recriação de uma comunidade abordar a crise da racionalidade. do seu livro: “Assim como a Europa foi corpo e espírito. Maffesoli volta-se para uma os valores dionisíacos estão muito presen. por exemplo. impondo a ideologia realizada como evento de lançamento tomias clássicas entre natureza e cultura. cumprindo o papel da eucaristia. sobre o país on­de se encontrariam cons. tido estaria tendendo à fragmentação e. diz Maffesoli: “A No fundo das aparências. o Brasil seria Numa longa conversação com Helena certa desconfiança desse lado um pouco o da pós-modernidade. como nas igrejas primitivas”. Explicando tento desenvolver. e heróis”. Não (O Globo. relevando tanto o aspecto dionisíacos e o realismo econô.quando o jor- tificada de superação seria interna e não de dioni­síacos os valores opostos aos ideais nalista registra uma declaração pública mais uma razão produzida externamente. Maffesoli tam. para uma pergunta objetiva dentro do racionalidade se materializava no único. público e privado etc. Maffesoli propõe o surgimento de uma tema em questão: “De onde vem seu inte. ração na pós-modernidade mostra-se isso também ocorre na França”. conforme a tese da positividade de seu tema favorito . com freqüência. A elite brasileira candomblé e a informática.pela interpretação de reencan­tamento outros esportes mostram que a paixão e o no livro ora em lançamento: “Eu considero do mundo: “A tecnologia desencantou afeto estão em primeiro plano. programas as salas de ginástica viraram uma mania. que até Maffesoli fizera adesão ao debate sobre mística. seria trágica porque convive com proble.. isto trabalho. de Prometeu. em última análise. não foram constituídos aqui”. que viria a ocorrer em A televisão serve de intermediação para Essa visão weberiana manifestada meio a vários eventos sediados no Rio as pessoas se unirem. Maffesoli perfila teses antes irracio­nal da sociedade. bém aproveita para consolidar suas teses do mundo que hoje por inversão do sen- Esta nova cultura. Segundo Caderno) da “harmonia conflitiva” que lida com a quero criar polêmica. mas acho que existe ambi­valência dos valores comunitaristas uma certa des­conexão entre os intelec. qualidade de vida. as superação dos problemas. Co­mo a tradição da foque de meio ambiente. Mas os inte- dispostas em seus livros e ora consolida. Maffesoli (O Globo. em muitas que a imagem é um vetor de comunhão. tuais brasileiros e a realidade do país. sua europeu e. nidade”. que se mais necessariamente pelo a André Luiz Barros12.). Isso não é negação por Maffe­soli surge na entrevista ao se de Janeiro. do trabalho e a dominação da economia. tes. novelas no Brasil criam movimentos infantis voltam ao arcaico com cavaleiros É o fenômeno do body building. Sei que os intelectuais brasileiros têm uma laboratório da modernidade. manifestações sociais hoje (. as particularidades e diferenças foram nova sensibilidade ecológica de acordo resse pelo Brasil?”. gerando outra modulação de mas ao passo que a sensibilidade ecoló. Brasil formando um grupo com Jean de afinidades eletivas quanto o não-ra. Acho sociais. se contenta em sistemas de pensamento modernos. gica dela decorrente aponta para uma espécie de laboratório das idéias que Embora sendo curta a entrevista. tatações em­píricas de suas especulações: portanto. .“as tribos urbanas” shows de música e os jogos de futebol e ambas as manifestações demonstradas . Segundo Caderno ) plação do mundo. Assim disposta a evento. Maffesoli volta ao do tribalismo. em 1990. realizada no Rio de Janeiro em Continuando. fundados no sentimento. Aliás.país que o entrevistado visitava há 15 mudança em andamento: a lógica iden. por outro lado. Maffesoli nidade escapa ao imagem e do imaginário na pós-moderni. Com ela. continua sendo formada pelo pensamento lectuais brasileiros continuam a aplicar os das por A contemplação do mundo. Adiantando-se. Maffesoli expõe a te­se envolvem o confronto entre os valores outubro de 1996.. finalmente é lançado o livro social. E. seu país podemos ver da pós-modernidade. que dominaram durante dois de Maffesoli durante a conferência ultrapassando como proposta as dico­ séculos as sociedades. mantém-se no fio Quanto ao Brasil. esse fenômeno positivo e chamo isso de . de acordo com um ajuste de diversas preocupadas com sua Brasil é menos hesitante e funções do corpo social. desvalorizadas. que combina o Celestino10. ta-se para constantes indagações que Francês”. pela tese da interrogação. Maffesoli toma-o na Universidade condutor do tribalis- por conta própria como exemplo ao res. É claramente assumida: “Em discorre sobre a tese da hetero­genei­zação uma outra ideologia. E do mesmo No lançamento modo que o fazia Entrevista de 22 outubro de 1994 do livro A contem. conciliada com manifestações de A parte final das declarações vol. Passa. elas estão mais Agora a postura sobre o é. Daí o “desencantamento” com a pós-modernidade dioni­síaca. zados”. “É uma velha relação de amor. favorecendo a vida comunitária. por necessário. Neste cionalismo desta forma de solidariedade da sociedade. Esta interpretação conduz a entrevista e a cultura moderna. mico que exige visões apolíneas Baudrillard e Edgar Morin. novo da pós-moder- modernidade. recentemente fundamentava o progresso a reinter­pretação das cidades por um en. Os mega­ dade. Federal do Rio de mo: “A pós-moder- ponder a uma pergunta sobre o papel da Janeiro. Aborda inicialmente a tese Freud e Althusser à realidade brasileira. cuja regene. Chamo anos até aquela ocasião . no ano seguinte. Entre estes. O país é uma encantamento. o mundo mas também o reencantou. fundamentaria na “sinestesia social”. fala a Paulo Roberto Pires 11 e aborda racio­nalismo de muitos autores. Durante a “Semana do Pensamento barbárie. quando mudança de valores promovida pelos realização das pessoas não passa seu autor concede uma entrevista grupos e pelas comunidades. Na sociedade brasileira declarações finais incidiram sobre o Brasil a distinção. do real. como uma evolução em que o tempo livre soluções para o mundo positiva da homoge­neização induzida pela e o lazer são valori. que última obra sendo traduzida à época para aplicar mecanicamente as idéias de Marx. LOGOS Meio Ambiente. Na França Acho interessantíssimo ver como as Pela televisão. Entrevista de 27 de maio de 1995 o português.

vejo o barroco como uma das formas de reprodução de idéias pelos meios de co. Daí. o nho metodológico para entender o que social no pai­nel teórico maffesoliano. outro ra. em razão de uma me. nas ciências sociais. Segundo Caderno) mentalismo científico e a particularização dependentes de escolaticismos que antes modernidade. moda constitui. (edição francesa de 1985). não rejeita em bloco as grandes É algo que enfatiza o vitalismo”. mas a Roberto Motta. Mais) tam­bém inacabada vi­da social em que se do.. A minha hipó. na com Habermas neste caso é produtiva: o lógicos maffesolianos depois de relevar as pós-modernidade. por partir de uma ótica brasileira”. que viveram efetivamente no metodológico. Bergson para fundamentar argumentos de é barroca e emocional”. a univer­salização absoluta leva ao instru­ antropólogos brasileiros. continua Maffesoli: “Eu destacam o cotidiano e o banal. disso. Eis então ao Brasil inicia-se de modo tímido e caute. por­tan­to. é a da inserção as idéias são o motor inicial dos processos barroco de Minas Gerais. Motta apenas de novas maneiras de ser.algo típico na rismo da coerência” e. progressiva do Brasil como experimento sociais. Mário de Andrade. em Maffesoli se recompõe sob forma de também digno de atenção por escrever zação do Brasil pela via da mesti­çagem. por exemplo. muitas vezes (O Globo. Para Motta16. tionando o motivo de Maffesoli ser pouco . moderno recebeu o fundamento de que “Logo. produziram um ajuste de Maffesoli ao considerando que qualquer experiência soli no Brasil. A con. Em que pese a repetição constante Ma­ffe­soli inclina-se a denunciar o “terro- corpos sociais. fenômenos arcaicos e desenvolvimento No interior desta perspectiva não Ainda no mesmo enfoque metodológi- de tecno­logias.” brasileira tornara-se fundamental. ainda de acordo com entender a importância da aparência (. versalizante. a validação universal e o relati­vismo.” de teses fundamentais . constitui um exemplo suas práticas sexuais. peu”. tornando-se explícito e consistente por exemplo. sintomático. como Sérgio de justiça social. a pós-modernida. pensando na que ele mesmo justifica como sendo um do “ser” brasileiro em suas visitas. privilegia Claro está que tais considerações são o em­­pírico e uma so­­ciolo­gia ina­ca­ba­da geradas a partir de No fundo das aparên. excludente reside a clássica disputa entre co estende-se Gilberto Kujawski. múltiplas. de Pernambuco. “sociólogo do cotidiano e da banalidade” está se passando atualmente. seqüência deste fato é que não haveria sileiros elaboradas sob sua orientação: mais uma identidade. Na mais recente entrevista de Maffe. “que merecem má- grande laboratório e. que Maffesoli assume o Brasil mais uma loso. não observada por Motta. Além ora se rejeita esta mesma tradição ao Mas o foco central da entrevista des. reforçam os interesses da profissão”17. estavam sendo reeditados. o estudo do barroco. o dernidade tem captado particularidades Freund e a Edgar Morin. há o candomblé e a informática”. ou fazendo uma metáfo. ainda ênfase sobre as duas ou três visitas Brasil. porque segundo ele xima reflexão por parte de sociólogos e o Brasil pode ser o laboratório da pós. pois há uma ligação de radical leva à barbárie15. que prevê a barroquização do mun. se sobressaindo de modo mais favorável em favor do conhecimento empírico. é a dedicatória do livro de 1988: “A Julien que Maffesoli faz anualmente ao Brasil. características que Esta simples exposição dos fragmen. de que o Brasil pode ser um laboratório seguindo os canônes da observação uni.). que comentarista acadêmico de Maffesoli Maffesoli progride na sua caracteri. é um bom cami. seus harmonia conflitual de todo conheci- apaixonado pelo país: “Meu sentimento é ante­cessores priorizaram o “dever ser”. deste ponto em diante. incluindo o A pressuposição. o A produção acadêmica também é cidentia opositorum no manejo das tema refere-se às aparências porque “há saudada auspiciosamente por Maffe­soli peculiaridades da cultura brasileira tantas aparências quanto tribos”. que se baseia nas sessenta teses de bra. tem poder cognitivo. Entrevista de 12 de outubro de 1996 ciado ao “ser” (Sein). Ou seja: “Nos filiamos a peque. E. Comentários finais Entrevista de 11 de outubro de 1996 (JB. municação de massa -. por exemplo. nas entrevistas. LOGOS corporeísmo. no caso. Entrevista de 02 de março de 1997 (Folha de (ina­che­vée) que deve refletir sobre uma cias. Betina Bernar­des14 abre a nosso país de modo distinto aos seus con. Porém. Outros autores seminais já dionisíaca como pertinente aos reclamos Paulo Roberto Pires13 volta a entrevis. de Saint-Hilaire existência desta postura de continuum livros traduzidos do autor no país. pode ser feito via analistas acadêmicos. assim sendo. Mas Maffesoli. Um esclarecimento melhor desta coin- o primeiro encontro e. narrativas da sociologia. a tese do tribalismo pós- vez como um experimento sócio-cultural: sete anos após a primeira entrevista dada. somente ou críticas aos intelectuais brasileiros agora ganhara suas primeiras traduções e franceses que não aceitam a postura para o francês. a importância da de Maffesoli em suas jornadas brasilei. a evocação de Weber e foi clássica e racional. A comparação de Maffesoli focalizou o valor dos postulados metodo- tese é que o Brasil desempenha hoje. li ensaia uma sín­te­se:“Se a modernidade nos últimos anos. o tratamento dado Motta. São Paulo. De Durkheim. da transmissão e da recepção do ideário Brasil: O conhecimento comum. tar Maffesoli cerca de um ano e meio após Buarque de Hollanda e Guimarães Rosa. um papel que a França filósofo alemão tornou-se um defensor vantagens do pluralismo metodológico desempenhou antes. de 1988 al talha o corpo social. pequenos ras. Há a Touraine. Em termos de Brasil. já que introduz um dos pri- vão formar os micro­grupos. É o que digo tos de jornais permite esboçar os sentidos meiros livros de Maffe­soli publicados no quando a importância do corpo individu. mas hoje a produção é feita dentro Caderno B) do “modelo de análise europeu. A França foi um contundente do “dever ser” (Sollen) asso. Um indício da matéria revelando a existência de dez terrâneos universalistas.. lhor divulgação de autores brasileiros. da Universidade Federal nos grupos por suas formas de vestir. mento”. Enquanto o sociólogo da pós-mo.” As freqüentes idas e vindas ao Brasil afasta-se da estruturação durkheimia­na. mas identificações antes “apenas utilizavam o caminho euro. a imagem do Brasil na França estava ultrapassar construções racionalizadoras loca-se para a emoção e no final Maffeso. nesta ocasião. nessa perspectiva. continuum quando procura interpretar o ainda na década de 8018. afirmando haver problemas de racismo Brasil: ora se concilia a tradição francesa Kujawski inicia sua apreciação ques- no país mas relevando que a experiência ao seguir autores seminais da sociologia.

p. p. ciologia. 04/02/1989.Couto: “Burke crê na * Lamartine P. eco- nomicamente. fatos e valores da pós-modernidade por 15 Ver: Lamartine P. Segundo Caderno. Caderno tualidade que busca significados nos Mais. pro- movido pela UniRio. p. São Paulo: O Estado de SP. C. citando Ilustrada. to a Nietzsche e Bataille como a Weber e v. O conhecimento comum.10. como “antí­poda do ilumi­nis­mo”. 27/05/1995. de Janeiro: JB. 1988. 1991. Folha de SP. Maffesoli é um 14 Betina Bernardes: “O laboratório da pós-mo- representante emblemático da intelec­ dernidade”. Portugal. 12/10/1996. DaCosta: “A transfigura- transitar entre opostos. p. Idéias/Ensaios. em 26/05/1992.4. In: estas conclusões. Em última análise. cabe recompor nossa Maffesoli. que incluiria hoje Maffesoli. matriz modernista e revisitar Oswald de São Paulo: Brasiliense. de um lado. ção da história pela cultura do dever-ser na Alemanha e no Brasil”. Motta e Kujawski Idéias/Ensaios. Rio de ridades nacionais. Paris: es­­tru­­tu­ras u­ni­di­­men­sio­nal­mente.2. Rio de Ja- há sugestões nestes autores neiro: O Globo. constituem indicações sobre a 10-11. São Paulo: Folha de SP. Janeiro: O Globo. p.3. 446.3. 11/10/1996. Havendo dúvidas quanto a 16 Roberto M. Rio sentido aos “insignificantes” sociais).G. no pior sentido.6. 27-49. p.10-11.Uma e Professor Convidado da Universidade exploração das hibridações culturais. recepção brasileira de Maffeso. ção para essa relativa indiferença: o nível 4 Este tipo de olhar universalista é analisado por Lamartine P. dito oswaldiano. 9-13. como exemplos obras dos iluministas 9 Ivana Bentes: Voltaire (vida social descrita como “costu. torado em Educação Física da UGF/RJ 3 Massimo Canevacci: Sincretismos . do que Odile Jacob. p. socialmente. Durkheim. 4. 57. p. francês. co­man­­da­da por man­­da­ 5 Ibidem. 13. 18 Gilberto M. de outro lado. 23/11/1991. p. Folha de SP. mento de Maffesoli”. permanente das tribos”.5. Rio de Janeiro: JB. Depois. este intelectual 8 Bernardo de Carvalho: “Maffesoli diz que o Notas pau­lista aponta o “dioni­sismo” de Maffe­soli mundo está em plena orgia”. filosoficamente”. 10 Helena Celes- li então concentrada no fazer tino: “A tensão metodológico. 02/03/1997. Rio em des­­co­brir novos aspectos fascinantes de Janeiro: JB. Caderno Filosofia. n. Toulouse: no Brasil. 1996. No mais.1. n.5-9. Memória e Cultura. Segundo Caderno. Se. 161-170. 27/07/1991. durante as p. Professor do Mestrado e Dou- Letras. 22/10/1994. para quem tais contradições na 17 Ibidem. uma vez que “só a antropofagia nos une. Kujawski: “A sociologia dio­nisíaca cultura brasileira foram sempre resolvidas de Maffesoli”. também especular. p. ainda nos reserva”. ajustando-se tan. na multi­fária vida social que tantas surpresas p. DaCosta é Doutor em reação à uniformidade da cultura”. p. um me­diador especular do 13 Paulo Roberto Pires: “A profundida- que um revelador das singula. bou por se tornar mais Caderno B. Ou relem­brar um famoso Cultura . poli­tizada Caravelle. janeiro-dezembro/1993. Andrade. n. teu por iniciativa do 12 André Luiz Barros: “Fi- losofia sob a ótica do raro “devorado”. 1988. por “digestão”. p.13-25. otimismo”. p. Michel. 2 Constatar em J. Paulo: Studio Nobel. Motta: “Apresentação”. rins mais in­­te­res­­sados em mo­­­­­di­ficar as 6 Alain Touraine: La parole et la sang. 22/12/1991. . “Nosso cotidia- mes e espírito”) e Gilberto Freyre (que deu no trágico”. de escondida na aparência”. 18/03/1990. LOGOS conhecido no Brasil: “Só há uma explica. 162. Rio de Janeiro: O Glo- passo-a-passo a bo. DaCosta: “Intelectuais fran- subdesenvolvido da sociologia praticada ceses e brasileiros: verso e reverso”. p. primeiras aborda- 11 Paulo Roberto Pires: “O reencanta- gens de sua so. São do Porto. de que nós brasileiros Segundo Cader- “devoramos” mais um no.1. p. que aca. situação se rever. 1 O evento foi “Visões do pós-moderno”. 7 Michel Maffesoli: “O amor do próximo”. sociologia acadêmica.

ao aban- torno desses dois pólos dono e à miséria de num movimento sem outras regiões. ecologia. de massa para tentar com­pre­en­der muito pequenos para os grandes pro... para ten- da na explosão de comunicações. percebemos também um certo des.. constante formação. a universidade e as a trans­na­cio­nalidade conseqüente mundiais e tribais que transcendem a ciências em geral se preocupam com à explosão de comunicações nos estrutura tradicional do Estado-nação. de comunicação e transportes locamento do poder de decisões em do: a comunicação. de tribos mundiais e locais. Após a boça uma no­va ordem mun­dial funda. a não. como podemos perceber espaços urbanos que nos obriga hoje Segundo Edgar Morin e Anne Brigitte nas áreas de Direito. considerar em primeiro lugar um pobreza. Medicina. mia. seja ele distrital. efêmera ou induz a adesão e o afastamento. e isso é uma característica mente os paradoxos se multipli- das cidades contemporâneas. que atração e a repulsa. Chegamos Dentro deste quadro. blemas inter e trans­nacionais: . cias nacionais. da in­te­ra­tividade tribos. Sendo a massa o pólo total e do mercado colossal.82-83). percebemos uma atividade. flitos de toda ordem. obvia- agora. Não fim. Comunicação a pensar a comunicação dirigida e Kern. drogas. viços de atendimento ao consumidor. se opõem à a vida social se organiza em desintegração... toda do planeta. nas redes de comunicação. conforme gostos e ocorrências o investimento pas- sional irá conduzir para tal ou qual orientação legal dos municípios têm propiciado um maior número de decisões em nível local. Tudo isso não acontecem nos espaços urbanos e ocorre sem dilace­ra­mentos e con. Segunda Guerra Mundial. As novas tecno­logias de infor. são problemas o Sistema Único de Saúde e a própria A comunicação e a nova ordem . Hoje. ao mesmo tempo que tar encontrar algumas explicações proliferação de objetos de consumo e registramos a inscrição definitiva da sobre as sociedades. qualquer relação social.. O que. esse quadro... se crê mais na espe- 176) rança de uma ordem O final do século es.. na Porém. esta­belecida... municipal ou regional. Os prazeres à presença da dialética massas. E é exatamente ligam cidades-regiões com­­pondo redes direção às cidades.” (1993.. fenômeno que envolve todo o mun- mação. os ser. planetários que excedem as competên.. da aldeia global. são hoje Social.econo.. englobante. os juizados de pequenas causas. Nesse contexto. é necessário nos paradoxos planetários de riqueza e mundialização na vida das massas. naturalmente. e a tribo o pólo da vividos em várias regiões cristalização particular. “Os Estados-nações. LOGOS A comunicação e a nova ordem: um pequeno ensaio sobre a tribalização do mundo Ricardo Ferreira Freitas* “ ­­­C onforme os interes- ses do momento.” (Maffe­­soli. p. Sociologia etc. cam a cada instante. p.. 1987.

LOGOS mundial a explosão demo­grá­fica. obsoleta a noção liberdade humana. do marxismo e seus As redes atuais de co- p. palavras que pare. fragmentação e de globa- esta sociedade planetária.309). Passar o tempo.194) ou industrial. p. Sua inquietação pode ser de alienação. para se ele nunca foi tão determinante como tites. tornando forma curiosa de exercício da comunicação (Vatti­mo. tem razão quando diz que é neces. Talvez Moscovici exagere quando conseqüência. os códigos de todos os lados. municação (telefone. geo­políticas. se dos shop­ping centers. para outras esferas.316) capitalismo vencedor da religião e. uma mais caro da sociedade pós-moderna e glo­­­ba­lização: duas ordem trans­na­cional. loca-se do político lização. Mas. na pós. Mos­­covici ções semelhantes ressoam na organiza- (Einsteigerung des Ner­venslebens) que. Isso induz o conseqüentes anta. soli fala da “tribalização do mundo” e da especialmente na. e que. No sobre um conjunto de elementos e ser bem percebido nos agrupamentos mínimo ela é o indício de uma transfor. as extensões das zonas de grande os códigos monetários têm um papel dos meios de comunicação. museus e centros referência ao prodigioso desenvolvi. as implosões humano na moeda. p. é preciso considerar que rizado pelo impressionante incremento ções. sentimentos que estimu- aumentou consideravelmente nas melhor compreendida ao retomarmos lam a adesão às redes de todo tipo e mega­lópoles pós-modernas.” (Moscovici. 1990. muito participar das redes multi­for­ tiplicação de máquinas infor­macionais cem e­ma­nar uma mes e multi­con­­ti­das que dão aos marca o fim da moder­ni­da­de. a várias frentes. se. com o desgaste pa­ra viver em uma pólis” (Annas. É bem evi. t a n e a m e nte.13). mas é fácil perceber que aqueles que 90 uma interessante contradição: a manidade a se dar conta de que a “crise” passeiam detêm um certo domínio informação é ao mesmo tempo o bem é inteiramente planetária. p. (Maffesoli. pobreza etc. a mul. Há ameaças sem da” transparente pela mídia de massa. as grandes migra. ele deve procurar na ma­tizadas. é monetária antes de ser capitalista reagindo uns com os outros. a comunicação entrecortada por comunicações vindas O homem entrega. por exemplo. afirma que é preciso buscar o novo tipo dos dog­mas religiosos pelos objetos: “O . questão é planetária”. em uma subs­tituição há vários: as nuvens radioativas. de uma ordem “sem fronteiras”. Aristótoles notou que urbanas “o homem é por natureza um ser feito XX. pensar nessa eferves­cência ao mesmo ao mesmo tempo contudo. hoje. estruturas econômicas e políticas. Segundo Vattimo. tudo pelos investimentos nos meios O sentimento de insegurança e Não é preciso ter dinheiro para passear técnico-eletrônicos. sobre. microondas auto­ o Ocidente se compreende mal. Esta explosão de a denúncia geral da decadência do nos centros comerciais. E por isso a economia moderna acontecimentos que se atropelam. mento da tecnologia da distância na troca. na produção e na dominação. as tribos e os explosão da comunicação: “Maquinis. de qual- O período do pós-guer­ra é caracte. ter uma A era do tele e do trans aponta para entre os indivíduos. Isso pode mais do que nunca gera uma dinâmica social específica. do homem. homem urbano a um dilema perma. comunicações apresenta nos anos conceito de Estado-nação levam a hu. Os lhe corres­ponde. Ela modela as relações guém pode pretender. a este respeito. A fatos: a pós-mo­der­nidade parece ser caiu no Leste e em seu capitalismo fórmula do novo tipo humano que alguma coisa “laser”. o dinheiro tem desde muito um papel culturais. telecópia. quelas propostas espaços de es- mo a não poder mais. um ser gregário. ção imaginária dos indivíduos e fazem segundo Simmel. a discussão sobre a confusão da nova que “imediatizam” as ações no cotidiano dente que esta cadência desenfreada ordem mundial: ela repousa não só urbano. obviamente. satisfazer os ape- (telos): televisão. passa também pelo imaginário social e também nos agrupamentos efêmeros Basta. a fo­me. 1988. é pre­ciso dinheiro. No fim do século A comunicação e as tribos tenta ser feliz. Contradi- a esta ‘intensificação da vida dos nervos’ gar-se. Mundia­lização. fazer uma rápida todas suas redes de comunicação: “. multiplicam- meios de comunicação. Uma aceleração formidável de dar conta que a efer­vecência em é hoje. por bem que não há um inimigo unívoco. 1989. a “prometi. lazeres invasores pela publicidade tética efêmera e imperativos. ordenada desta massa de uma nova ordem mundial. questão do sentido sintomas do paradoxo de o que tem uma relação fortíssima com da existência des. tudo contribui para poder entre. mas virtuais proporcionados pela Internet e mação sócio-cultural de importância. Nin- 1992. rapidez de relações e e pela mo­da. simul- tempo mundial e tribal quando Maffe. tudo se tor­na objeto de la­ridade. é próprio das metró. Um caos obje­tal no qual o homem de imperialismo. a antiga Internet etc. tendência de circu­ novos espaços monetários uma mode­r­nidade. O marxismo e modos de pensar.) apresentam nente entre sentir-se nativo e forasteiro. neste espírito. quer forma. fundamental na nova ordem mundial. a AIDS. Weber acreditava em um problemas dos últimos anos mostram moeda. fronteiras. é planetária. eles apreciam o mais banal. fax. seus sentimentos visão clara... sário estudar o dinheiro nas ciências crescer os sentimentos de estranheza e poles modernas. gonismos. porém. Podemos também se superficialmente são trans­na­cionais.

Seja como for. As famílias se inquietam com o consumo de sobre- vivência. mundiais.Sorbonne e Diretor da Faculdade de A comunicação favorece a vaidade O mundo se transnacionaliza em Comunicação Social da UERJ. turismo. L’éthique protestante et l’esprit du poderosa renascença dos pensamentos ffesoli. S. Dictionaire de la pensée politique. idealismo e teoria. Paris: ria dizê-lo. O tempo das tribos. a adoração da tomação etc. argumentos. ao mesmo tempo. nas é aplicada ao cotidiano em diversos Paris: Fayard. & KERN.. redes de comunicação proliferam assim o diferente se mescla ao indiferente a como as tribos urbanas. _____. jargões freqüentes da imprensa mundial. MOSCOVICI. Seuil.. 1992. hete­ronômica e anô- nima. a escalada de inte­grismos.) Ninguém sabe ainda quem. Com Ma. La machine à faire des dieux.uma petri­ vez maior de se considerar a cidade e as ficação mecânica. vencedor não tem mais necessidade des­te tal para todos aqueles que tratam desse MORIN. La société transparente. os extremos fazem parte do cotidiano urbano. A. vários níveis (consumo. em iniciativas mer­cadológicas quanto Desclé de Brower. Seu incremento objetal re­ter­ ritorializa os espaços e as tribos e anima a construção de novos modelos de co- municação a cada avanço tecnológico. as guerras. au­ na pós-modernidade. dade convulsiva” nos inclina a conside.) e se fragmenta também imagem religiosa é substituída pela em diferentes níveis (a des­centra­lização contemplação do objeto de consumo. Sua visão sobre as tribos urba. J. Terre-patrie. urbana . * Ricardo Ferreira Freitas é Doutor se tentar esboçar qualquer pensamento em Sociologia pela Université Paris V 1964. a toxicomania aumenta no mundo . somam-se a “crise”. ocupará a gaiola. a inflação. 1964. ornamentada de um novas relações econômicas e sociais ao tipo de vaidade con­vulsiva. La transfiguration du politique. -.” (Weber.224-225) sobre a nova ordem mundial. 1989.. Bibliografia É nesse sentido que Michel Maffe­­­ ANNAS. 1990. as questões da cidade contemporânea. os paradoxos. mecânica (. as disjunções sociais etc. . WEBER. Composta de hegemonias unificadoras rar a mobilidade do imaginário social: e dissol­ventes. entre outros... da gaiola .. p.).ou multi­plicidade dos centros A efe­me­ri­dade dos signos de nossa “vai. capitalisme. à bana­lização do objeto. as guerras e os mas- sacres. B. M. Grasset. a contem­poraneidade os emblemas da sociedade passeiam invade o cotidiano com noções obscu- por caminhos simbólicos nos quais as ras de identidade. planetárias ou extremamente localizadas. E. Nas cidades. a deflação. 1993. essas tribos utilizam todos os códigos da contem­poraneidade transitando pelas opções de consumo e de comunicação. Quando analisa Janeiro: Forense Universitária. 1987. Via consumo cada instante. no futuro. G. A cidade transnacional é. nos espaços urbanos ou via lazer virtual. M.de­finitivamente? Quem sabe. ou uma em tratamentos acadêmicos. Moscovici. nem se. no níveis como podemos perceber tanto VATTIMO. aparece. e dos ideais antigos. mas. Paris: Plon. Paris: fim deste processo gigantesco. reunindo a simbologia da ordem do plural. 1988. . rão profetas inteiramente novos. LOGOS convulsiva da qual Weber fala. efê­meras. ou ainda no caso podemos destacar a importância cada em que nada disso se realize . o capitalismo fornece um suporte teórico fundamen. Paris: apoio desde que ele repouse em uma base assunto. soli se destaca entre os autores Paris: Hatier. Morin. Sua atenção permanente MAFFESOLI. as tribos urbanas proliferam-se de forma coerente à nova (des)­ordem mundial.as culpas são imputadas à “crise” . a mi- séria.títulos. Conclusão As contradições. Rio de es­pírito do asce­tis­mo religioso escapou sobre a comunicação.

ci­ber­ apparaît à la cons­cience. como diria melhor essa cibercultura pla. e não aquilo que “deve ser” no ambiente imaginário. nos momentos a “socia­lidade” pós-moderna. A socia- partir da perspectiva formis­ta lidade “daria o tom” aos agrupamentos simme­liana. donné” (Lyotard. 1959. conceitos maffe­solinianos. podem que compõem a socialidade maffeso. “vitalismo” e o “formismo”. 7). de forma inusi. LOGOS Ciber-socialidade: tecnologia e vida social na cultura contemporânea P ara compreendermos os impactos das novas tec­ nologias na cultura e na co- municação contemporâneas devemos dirigir nosso olhar para a sociedade ções sociais: “. a multiplicidade sentido que a sociologia maffe­soliniana de experiências coletivas baseadas não tos cotidianos. o “pre­senteísmo”. nalização e racionalização da vida. “ob. vai marcar enquanto um processo (que se cria) a atmosfera das sociedades ocidentais entre as formas e os conteúdos (Sim. realidade virtual. eletrônicos. esportiva. que “faz sociedade”. liniana nos ajudará a compreender os ao controle social e que constituem o lação entre as novas tec­nologias e fenômenos recentes da cultura eletrônica substrato de toda vida em sociedade. Partindo dessa visão fenome­ nológica do social. p. nas rela- tada.. desde as sociedades cultura (comunidades virtuais. Esses global (Inter­net. não só da sociedade contemporânea. espaço). tel qu’il se donne” (Lyotard. de mostrar a di. pre­sen­teísmo) que escapam ser aplicáveis para descrever a re. Maffesoli tenta des- crever o que. tais como ca da so­ciedade con­tem­porânea ocidental. Trata-se. racionais ou finalistas formando a cibercultura1. A obra de Maffesoli é decisiva para Nelson Rodrigues (aliás. ambos investem netária. segundo ele. jogos A fenome­nologia dedica-se aos “étu­des primitivas (momentos efervescentes.7). 1959. todas as formas de é uma feno­me­nologia do social. contemporâneas: a “so­cia­lidade”. assim. o conjunto de conceitos junto de práticas cotidianas (hedo­nismo. no fundamental. por objetivo olhar aquilo que é “dado”. de ‘phénomènes. festiva. E é nesse A socia­lidade é. mas todos os acontecimen. mos- mel). p. sem qualidade” (Musil). a oposição ao de “sociabilidade”. É a socialidade os cam­pos da cultura. a sociedade contemporânea. da vida de todo dia.. Ela tem na homogeneização ou na institu­cio­ agregação (banal. A socialidade é para Maffesoli um con- o “tri­balismo”. multimídia de massa. É isso. tribalismo. Maffe­soli aponta . projeções futuristas ou morais. mas midiática) que marcam atualmente aquilo que “é”. urbanos. uma sociedade. não só a ciber­ jetos que pensam”. eró- as sociedades. as tec­nologias digitais e ções banais do cotidiano. Maffesoli procura Para compreendermos olhar “a vida como ela é”. insistindo na descrição tico e violento do cotidiano dos “homens A sociedade contemporânea das formas presentes (atuais) das rela. MIT. no instante vivido além de misturando. mas de toda sociedade. o que trando como este conceito é definido em nos propõe Maffesoli. de cela qui est ciedades tec­nologicamente avançadas. c’est à dire de cela qui ritualísticos ou mesmo festivos) até as so- ci­ber­sexo. imaginário ciber­punk. diferenciando-se da sociabili- nâmica sócio-técnica que se dade por colocar a ênfase na “tragédia instaura neste final de século do presente”. tama­gotchi. cyborgs2 etc. o Co­mo veremos. pas­sional. “mini­con­ceitos” vão pontuar todos wearables computers. não insti­tucionais. vamos tentar mostrar como se fazer uma a­bor­dagem feno­meno­ló­gi­ numa perspectiva erótica do social).).

E a técnica vai desempe. influ. Podemos ver exemplos principalmente o ciberespaço. instrumentais. é a so­cialidade não insti­tucional. que se sobressai. ne peut entrer dans le phénomène. assim. formas a se reconstituírem num proces- (Goffman. caótico e politeísta. então. locus ções” (tidas como escórias sensoriais) so contínuo. a “organização” unidade do social (na passagem do mo. do presente. esguio e efê­mero. Segundo Maffesoli. versos “triba­lismos” (1987). side o nascimento e a morte de diversos da sociedade cede lugar. por exemplo. nem tão pouco o isolamento patológico. por conseguinte. duas funções contraditórias: ser ao mesmo nos diversos papéis que en­carnamos nas a violência e o imaginário simbólico. que se formas da cultura se estabelece. e aí está a idéia de vitalismo sempenhando papéis. 1985). Ela buscava soli. das mais diversas “tribos” contemporâneas o sistema. Se. que as novas tendem a se desenvolver de maneira implacável. acabada. delo ocidental de árvore ao rizoma). sem sucumbir aos imperativos Podemos propor. mas instituídas e cristalizadas. simbólicas. Como afirma Maffesoli. A erosão e o determinante para a ci­ber­­cultura. Este. nós estamos ignorando-o”. vai ser marcada por de uma tekhnè. Sobre esta agir como vetores potencializadores vitalismo (a socia­li­da­de) e reestruturá-la. (um fenômeno mundial). 1980). produzindo numa assepsia social mar­ca­da por uma social presente nos trabalhos de Maffe­ máscaras de nós mesmos. vida). moda. de uma determinada sociedade vão demos “ex-ister” (ser. en- tido dos engajamentos políticos fixos disso nas diversas situações que mar. A cultura moderno. a forma análise da vida cotidiana nos permite (Simmel. a laquelle elle ne peut pas être vie spirituelle” cultura. que nós po. agora não significa uma desagregação radical. por co. que são as comunidades imediata. portanto. sans vai exprimir melhor uma determinada objetiva e instrumental) do social. 1973). Como deve estar para além das formas. a forma teria da prática dessa “teatra­lidade” exer­cida da vida. co­mo a moder­ni­dade insistiu Simmel. lúdicas. ao mesmo tempo. A evolução das insti­tucionalizada da mo­dernidade. Isto mesmo tempo. da socialidade contemporânea. como as emoções desmedidas. intersti­ cas) de uma cultura visam enquadrar a vida. tec­nici­zada que se rebela contra as for- (Baudrillard. segundo Simmel. agindo numa racionalidade instrumental. realiza-se. nessa tra- A socialidade pós-moderna. um processo em que elementos os mais que quer superar suas formas (que é a tribal. . a contem­poraneidade. isso elementos da vida em sociedade. tem origem na sociologia de Simmel. são o invólucro “dont cette vie s’habille. Para valores”. MUDs e outras agregações exemplo dessa socialidade nas suas processo. Em um mundo saturado análises sobre a sociedade contempo. será nessa forma rânea (agrupamentos urbanos. em todos os objetos téc- A vida cotidiana vai insistir na dimensão nicos. subversiva. Essas formas de uma moral ou de uma racio­nalidade tese de trabalho. A vida necessita da forma hoje a passagem (ou a desintegração) do Guattari. uma mesma forma “formante”. como na sociedade contempo. ou dos pertencimentos a classes sociais cam a cadência das ações minúsculas limite e potência dessa estrutura social de definidas e estanques. traduz como uma união holística. não investe desse comunitarismo tribal típico do sujeito e de subjetivação dos objetos. Desse modo. p. Em ver uma certa unicidade (u­nicité). estaríamos assistindo comportamento rizomático (Deleuze & limites da forma. ao do presente. tecno­logia etc. no qual nós “atuamos” de. e estas últimas. vai se es. a ênfase no presente em detrimento de um imaginário dionisíaco (sensual. Ao invés de inibir as situações eletrônicas)5. dentro de possibilidade mesma de “ex-istência” da Esta socialidade.). na modernidade. como num processo paradoxal entre a vida. vai ser para “ex-istir”. seria então “formante”. Podemos explorar essa metodo­lo­gia perspectivas futuristas. técni. diversos agem em sinergia. outras.229). marcada por uma As formas (insti­tucionais. As formas sociais tribal e não mais racional ou contratual. Ela seria efê­mera. tri. conexões tácteis. A forma à “organicidade” da “socialidade”. como hipó. A so­cia­lidade bal). e aí está mais um cial. no sen. É no cotidiano. com. se não existe mais uma A forma seria uma “matriz” que pre. sob a forma chave da socialidade: o “pre­senteísmo”. Maffe­so­li dá vários nhar um papel muito importante nesse virtuais (chats. Por exemplo. Para o “formismo” de conceito importante para compreender- frontal de cunho revolucionário. quanto forma técnica é. Esse Simmel. que revestem a tabelecer como um “politeísmo de Maffesoli indica. mas naquilo “que é”. insiste Maffe­soli. espécie de passividade ativa. a fecundidade da vida obriga as verdadeira “teatralidade cotidiana” domesticar (ou aniquilar) as “imperfei. Através dos di- Entretanto. além de prerrogativas puramente formista para analisar a cibercultura e não seria. como processo de obje­tivação locar a ênfase no presente. e não por um ataque regulá-la. 1988). limite e possibilidade de vai caracterizar um primeiro conceito Entretanto. instituições e no imaginário. As formas situações plurais do dia a dia. en. tempo suporte e prisão da vida4. questão. como expressão cotidiana dessa vida contra sua força na astúcia das massas ência decisiva da sociologia maffesoliniana. nas de si”). festas e vida social. a vida se impõe sempre contra os mos a socialidade. manifestação da vida social. Essa sociologia da forma (“for­mante”) neas da ciber­cultura podem ser vistas A socialidade. empática. Assim foi. trabalho. As diversas manifestações contemporâ- é obra de referência. contratual. A conquista do presente (1984) dessas situações. podemos ver como esses são. afirma Maffe­soli. comunitárias e imaginárias da de objetos técnicos. controlá-la. rânea. no sentido de “sair cristalizar-se em objetos técnicos. mais no “dever ser”. se não podemos me la manière né­cessaire sans laquelle la vie minada sociedade em que uma forma mais falar de unidade (fechada. É nesse esgotamento da perspectiva individualista afirma um zippie3. pouco a pouco. um dos expoentes embate entre formas e conteúdos que se da moder­nidade são correlatos à formação dessa ci­ber­cultura: “antes de lutar contra enraíza o trágico da sociedade (Simmel. as novas tecnologias vão técnica que a vida social vai impor o seu rituais. típicos do individualismo tecnologias de comunicação autônoma e independente. 1990. da mesma maneira que ela indivíduo clássico à (na) tribo. LOGOS que existem momentos de uma deter. no conjunto de seu vida e que tendem a cristalizá-la. atuem como fatores de difração gédia.

100).1).286). a tec­nologia “não chega a erradicar a moderna. presen­teísmo). esporti. ou seja. efetivamente. identifica como “cultura do sentimento”. de base. munidades de interesse são como “une moins ‘non ra­tionnel’ dans nos sociétés A explosão da comunicação contem. por isso que tem necessidade da ver nas comunidades do ci­berespaço dans l’âge esthé­tique” (1990. ner de la perdurance de l’aspect par au seu conjunto. esta­mos assistin­do da revista francesa Sociétés sobre a sentimento não se inscreve mais em a u­ma forma crescen­te de agregações tecno-socialidade (techno­so­cia­lité). e primordial. por formas tempo real (imediato. p. Mais la postmo­dernité” (1992. p. tribo. (o emocional. típico da socialidade contemporânea. ração mesmo da raciona­lidade técnica afirma Maffesoli. O estranhamento atual em relação não a partir de uma moral universal. que as novas tecnologias sans ob­jet spé­cifique: la commu­ni­cation orgânicas” (Dur­kheim). A cibercultura. musicais. ffesoliniana. pela tecnologia microeletrônica. C’est pour­tant Maffesoli propõe analisar esta nova baseadas no que a Escola de Palo Alto ce paradoxe que ce numéro de Sociétés “ambiance” comunitária pós-moderna a (ver: Watzlawick) chamou de “proxemia” entend poser” (1996. Como poten­cializam uma “comunicação-co- queux que j’ai proposé d’appeler tribus” mostra Maffe­soli. vidéo­tex­te. p. as tecnologias magiquement à ces petits ensembles vis. (télématique. mas um território simbólico (em. p.. ou de comunidades orgânicas techni­que et la socia­lité. mulada pela tecnologia. Podemos re la fusion groupale que prend le dessus outro. como Ge­samtkunstwerk.).. LOGOS o indivíduo tinha uma função. mos­tran­do a permanência afirma: “il peut sembler paradoxal de preocupação o presente vivido coleti. na affectueuse que le fait adhérer. o subjetivo. Maffesoli vem constatar “que Talvez estejamos vivendo uma re- . vão potencializar essa pulsão gregária. esta reliance social poten­cializada cultura contemporânea. assim. lidade.45). mergulha nessa “poussé par une pulsion gré­gaire. reli- comunicação. Ele nenhuma finalidade. As comunidades virtuais afirma Maffesoli: “les divers procès ambiente social e contaminar o político. p.. la vamente. Essas co. um modo de existência Essas comunidades virtuais do ci. politiques. “. le protagoniste d’une ambiance todas as suas expressões é. sobre o indivíduo. nos BBSs6 etc. Essa cultura do Com o ciberespaço. A às vezes.. he­donista ou reliance comunitária. nos fala Maffesoli. da austeridade. p. Para Maffesoli.12). (senão o renas­ci­men­­to) de comunidades penser. que recusa a posi­tividade “où ce qui est éprouvé avec d’autres sera berespaço encaixam-se bem no que utópica e a racionalidade industrial. a toda e qualquer forma de socia­lidade emoções. a agregam-se em torno de interesses co. Para Maffesoli. par le développement technologique cínico. em dimensão da socialidade sobre a qual lui aussi. instituindo não um território contemporânea mostra que é no co- tique”. dont l’imaginaire n’est pas sans contemporâneos (religiosos.. de l’évi­dence tactile passe actuellement. effet dans le quotidien.17). a lógica individu. Isso mostra que de formação dessa socia­lidade pós- des (as máscaras do teatro cotidiano).) c’est au contrai- que a persona só existe em relação ao desenvolvimento tecnológico. Esta seja exclusividade das comunidades e ganha contornos definidos.1990. tendo como única eletrônicas. tecnológicos Podemos propor. a tecnologia contemporânea bal contemporânea. muns. Como “ética da estética” vai impregnar todo o eletrônicas). sportifs. Hammerz chama de “communauté sans as novas tecnologias. por meio dos diversos tribalismos ou mesmo ser apoiada por ele (veja-se o certes. para a qual sociedade de comunicação estruturada tividade. está presente nas redes tele­má­ticas recer. quelque peu mythique hoje.rede de redes) em Maffesoli aponta isso muito claramente baseada em relações tácteis. p. age a partir de uma “ética da estética” e potência da ligação (da re-ligação) e. a pessoa agindo como vetores de comunhão.).61) biose bizarra entre a socialidade ma- maneira de ser. a publicidade. de comunicação atuem como fatores pour la commu­nication” (1990. une (Maffesoli 1987. p. serve-lhe até de coadjuvante” à técnica advém justamente dessa sim- sociedade elabora. sont ici pour témoig- as empresas. micro ou o Minitel)” (1987. O tribalismo refere-se. participer te. pelo a aplicabilidade do conceito de socia­ A sociedade contemporânea. Isso vai formar o que Maffesoli utilizando redes planetárias de comuni. Minitel. compartilhamento de sentimentos e de outre les innombrables rassem­ble­ments mesmo que efêmero. definido por ligações orgânicas. nos videotextos como o é um dos fatores mais importantes que se apóia sobre as multi-personalida. das “comunida. micro-électro- alista apoiou-se sobre uma identidade teísmo e o paradigma estético podem nique) où se joue une interdépendance fechada. (persona) pós-moderna tem um papel. Estética aqui deve ser compreendida.. C’est cela même que je désig. assim. gregária e em­pática. il est. efêmeras e simbólicas. (. Certains y voient même la marque de porânea deve-se às novas mídias que mystique” (Maffe­soli. como hipótese parce qu’il accentue la commu­ni­cation etc. da “reliance” de difração desse comunitarismo tribal É interessante notarmos também (Bolle de Bal). no prefácio de um número especial coletivas de empatia.110). uma vez. A cibercultura nerai par l’expression: éthique de l’esthé­ proximité”. independentes de fronteiras ou gieux. como Inter­net. o consumo. hedonistas. sendo oposta o que importa é o compar­tilhamento de sobre uma co­nectividade generalizada. em que “l’indi­vidu ici s’abolit (1992.. que a tecnologia moderna foi as­so­ciada conseqüentemente. enquanto poten­cializar e ser potencializados pelo sociétaire indéniable. a vida cotidiana no demarcações territoriais fixas. des emocionais” (Weber). une sorte de matérialité (. O indivíduo é. físico. d’affolement. cação (ciberespaço .215). a socia­lidade pode munhão”. Podemos dizer que. precisamen. en particulier vos. o presen. esti- outro e no outro. para se construir com o outro. o surgimento das “solidariedades de trabalho. o dioni­sía­co). mu­sicaux. a uma vontade de Isso vai caracterizar a formação de uma ao expoente da racio­nalidade. p. estaríamos vendo com o desenvolvimento tecnológico. um ethos. partir do que ele chama de “paradigma (proxémie).. caminhar lado a lado en tant que tel pour participer à une Segundo Maffesoli. Isso mostra que a (. da obje- “estar-junto” (être-ensemble).). a socia­lidade tri. communauté. bora o pertencimento simbólico não que a socialidade aparece com força como obra de arte total (1990. dans un même mouvement. tendência comunitária (tribal). cosa mentale. No entanto. Esse comunitarismo tribal por mais paradoxal que possa pa- estético”.

as comunidades virtuais Não se trata obviamente de nenhum (Uso o termo “tecnocultura” para identi- das redes informáticas (Minitel. As tribos rir seus contornos mais nítidos. do desencanta- aussi paradoxal que cela puisse paraître. pelas punks. que foi o instrumento magni­fi­camente o sociólogo francês. uma estética social através dos mass media. annihi­ a apropriação tecnológica. enquanto que o espetáculo da cularidades. zapping de signos.10 soli e as novas tecnologias.. sentido dado a essa pelo situacionista lent le futur. profundas transformações. da “socialidade” na técnica. de dans son con­traire. francês Guy Debord. em sentido jogos eletrônicos. dos modos de vida e da dominação mento do mundo e do individualismo. ber” em tudo: cyberpunk. “. fica. prazer cor. sociedade de simulação e joga (sam­ mágico em relação aos objetos técnicos.). cibermoda. a cibercultura é uma “tecnocultura”. do desencantamento do é a socialidade na técnica e a técnica na letrônicas. exprimin. e ficar a cultura técnica moderna baseada Internet). Essa ambiance barroca está nhão e de partilha de sentimentos. que foi o ins. o espetáculo. . ela vai adqui. le vidéotex. Nesse sentido. no tous raccourcissent les temps. Da mesma forma que a lato.. p. BBS. com inclusão do real. como nos explica todos os gêneros) está na base de uma partir de uma perspectiva lúdica. é o produto social e cultural cultura desligante (déliante) da moder­ sociabilidade moderna à socialidade da sinergia entre a socialidade estética nidade. os fanáticos por nenhuma das partes determina impiedo. e político-anarquista dos militantes socialidade pós-moderna distingui-se da Essa tipologia. hedo. o hedonismo e o presenteísmo sim de uma processo sim­biótico. logias eletromecânicas (analógicas). Fruto da “geração X”. os tecno-anarquistas e os cypherpunks8 plings. p. erótica. tribal “forma” social contemporânea. enquanto que a da vida social contemporânea. Ela é mais do que instant éternel” (1990. cyber­sexe. com o “mundo da técnica”. de la séparation. Obviamente. ciber-raves etc. tecnologia. tecno­cultura moderna apropria o real o conjunto da cibercultura. violenta e comunitária7. A cibercultura que se forma sob pli­fication de l’esthétique. colocadas A socialidade caótica e fractal vai ser trumento principal da aliena. de tactilité. presen­teísta. as re- Hoje em dia vemos o prefixo “cy. o multimídia interativo.255) A tecnologia. forma-se pela convergência do social e a simulação como a via de apropriação Cada expressão forma. por Todo o desafio sócio-técnico da cultura esse “estilo” da cultura técnica contem. do ciberespaço (redes informáticas. ção. determinismo social ou tecno­ló­gico. A ciber­cultura toma ciberespaço. tecnologias são efetivamente ferramen- réifi­cation. efêmera e planetária). Baudrillard. A tecnologia. em se tratando princi- (1992. num espaço-tempo em multi­forme que constitui as sociedades ravers mostram bem esse vetor de comu. mesmo que insuficiente. como apropriação do aqui o bouillon (caldo) de cultura as comunidades virtuais. crackers. do tecnológico. des informáticas. zappings) com os símbolos da “que soit la télévision. o ativismo rizomático samente a outra. A cibercultura aceita o desafio da presente de forma radical no culto quase nista e tribal. a partir da análise da socialidade contem.. A cibercultura a realidade virtual. cyberpunks. A vê-se inves­tida pelas potências multimídia. sendo que. A cibercultura alimentada pelas tecnologias microe. semelhanças e diferenças. une expérience commune” perspectivas essas. palmente do reino da técnica. configurando-se como a Times Square. ou seja. O Circus mostram bem essa “pregnâ­ncia” a cibercultura constitui-se como uma espetáculo é a representação do mundo das imagens e a barro­quização estética “ciber-socialidade”9. à parte pela modernidade. Beaubourg ou Picca­dilly porânea proposta por Michel Maffesoli. o desvio e não é mais a sociedade do espetáculo. buscando. por meio da representação do mundo. pode ser entendida aqui a individual e racional. essa profusão de imagens (de contemporânea aceita a tecnologia a mulacro” dela mesma. multimídia). on peut établir une étroite liaison entre da Natureza. causa principal da racionalização principal da alienação. la demonstram. A cibercultura A ciber-socialidade nós poderíamos chamar de tecnologias surge com os postmedia. e de tecnologias da socialidade. numa espécie de harmonie socialidade. entre outros. Para e estética. Tokyo. mas simultânea. conflictuelle. des telemáticas. Ela se compõe como um baro­quisation do mundo. e “si- Maffe­soli. as tecnologias dividualista moderno. lidade virtual. do seu modo. com suas parti. lidade. LOGOS versão do processo de isolamento in. A contracultura das anos 70. Como mostra maior do totalitarismo da razão cientí. mostram como o micro­ele­trônicas (digitais) diferenciam- tecnologias (o que é estranho). como afirma Maffesoli. sociedade do espetáculo. ocidentais. vê-se investida pelas potências da socia- le déve­loppe­ment technologique et l’am­ dustrialização das cidades ocidentais. mas ela não recusa a tec. A cibercultura. A geração 90 já está habituada ao de valores e pelo excesso de imagens. cypher­ sociabilidade moderna. Esta contracultura refutava a pós-moderna e na substituição das tecno­ contemporânea de que nos fala Maffe. uma nova “mundo da vida” parte em simbiose ativa se (em forma e conteúdo) das tecno- forma de agregação social (eletrônica. a contesta. eletrônicos (hackers. ciber­cultura é a simulação do mundo pe- poral e sensorial) alimentada pelo que las tecnologias do virtual. ajudada pelo politeísmo mundo e do individualismo. (aproximação comunitária. os zippies e os de bits e bytes. et sont promoteurs d’un Aqui. “manipulação” digital do espetáculo. et favorise une sorte convivialidade e de retorno comunitário.. enquanto que os hackers. “com a urbanização e in. moder­nidade. rea. Ela não é mais literária. à realidade virtual e às re- profusão de imagens. partir da análise do barroco enquanto como diria McLuhan. exemplo. podemos compreender como. pois ela encarnava o símbolo logias analógicas pelas numéricas. no qual na eletro-mecânica e nas ideologias da das raves (festas “tecno”). s’inverse nologia.160). a sociedade tas de compartilhamento de emoções. A ciber­cultura micro-informatique et autre télécopie. da imagem. foi um movimento contra a contemporânea está na passagem da porânea. La technique A cibercultura toma por herança esta os nossos olhos mostra como as novas qu’avait été l’élément essentiel de la contracultura. ção do sistema tecnocrático.

2 Sobre os cyborgs. Sobre os MUDs e chats enquanto WATZLAWICK. In: Congrès Interna­ mas uma sinergia entre a socialidade tional de Sociologie. nuatés virtuelles. Bibliografia Notas BAUDRILLARD. do ciberespaço e socialidade -. música tecno-eletrônica.45. désinformation. como inimiga de uma lidade contemporânea. sociedade racional. A. E. vie religieuse. Já os ravers são os participantes das raves MAFFESOLI. F. LÉVY. Ci. ver: RHEINGOLD. ver: BENEDIKT. Paris: Grasset. Paris: . M. _____. _____. Paris: PUF. da la culture. e LEMOS. Paris: ção” técnica do social. La galaxie Gutenberg. (ed).. 1967. 1978. 1996. J-F. a vida tende a superar ela ethique de l’esthétique. São Paulo: Brasiliense. Gallimard.paquera. La tragédie 1996. La 5 Chats são fóruns (muitas vezes temáticos genèse de l’homme typographique.Sorbonne. e 9 Neologismo a partir de “ciber” . Salvador: schizophrénie. Salvador: FACOM/UFBA. G. McLUHAN. vai caracterizar a cibercultura nascente 8 LEMOS. A. A. Economie et société. In: Sociétés. R. Paris: . São Paulo: Cia. La convivialité. fusion. I. Paris: Professor Adjunto da Faculdade de criam mundos e personagens imaginários Rivages. 1991. Paris: PUF. 1988. Virtual communities. Capitalisme et cas do ciberespaço. Paris: Plon. Paris: Seuil. Paris: não é uma “cibernetização” da sociedade. P. se tornando mais do que a vida. La transfiguration du politique. 1985. Rio parties. enquanto vida (Mehr Leben). BOLLE DE BAL. em tempo real. La cyberculture. em que a In: Textos. Paris: Minuit. 1990. Pour une anthro­ DEBORD. Ver: NEGRO­ socialidade na técnica. 6 Sobre as comunidades virtuais. A ciber­cultura PONTE. N. Paris: Sorbonne. In: <http://www. Les nouvelles ciosas. A página DURKHEIM. e tribalisation du monde. 1995. La méthode I. La tragédie da la culture. BR. G. First steps. Ver: LEMOS. supera-se a “natureza” A sociedade contemporânea se auto. Les formes elémentaires de la dos cyborgs. In: Textos. Paris: Minuit. Paris: Rivages. festas tribais. mesma. se trata mais de excluir a socialidade. a cibercultura não é o resultado GOLD. a socia­ erótico. Dossier Techno­ ver: JANKÉLÉVITCH. sophe de la vie. linear e determinista de uma “programa. H. Não 1993. Pour une 4 Para Simmel. A. La tentation commu­ Tese de Doutorado. Bruxelas: De Cyberspace. L’iIntelligence collective. In: Sociétés. CGP. nautaire. 1977. La société du spectacle. Paris: Robert Laffont. 1994. La phenomenologie. E. J. 1996. 1992. bate-papo on-line. superando. n. técnica e objetiva. V. 1991.29. Paris: Seuil. 1973. 1985. ver: LEMOS. Paris: pologie du cyberspace. tecnologias como fonte de reapro­ximação LYOTARD. sexo etc. Addison-Wesley. ao Dunod. Ver também: LEMOS. 1993. 1988. 1995. Georg Simmel. In: SIMMEL. LOGOS pode nos ajudar a discernir as diferenças escrita (alguns são gráficos). tagem. A vida digital.facom. La realité de la realité. ufba. In: Guia da Internet.) de Gallimard. G. n. ção simbólica e social da técnica. Kubernetes) signifique controle e pilo. Les commu­ 1971. Paris: Seuil. Au creux des apparences. brasil. A. Op. cadenciadas pela de Janeiro: Rocco. 51. contrário. Philosophie de la modernité. e LEMOS. primeira não rejeita mais a segunda. p. 10 Nesse processo. quotidienne. DELEUZE. br/pesq/cyber/lemos>. A. A sombra das maiorias silen- 1 Ver: LEMOS. desenvolvendo-se no plano dos _____. n. _____. 1993. Milles Plateaux. A cultura cyberpunk contemporânea e a técnica. mas a “tribalização” da cibernética.tecno­logias tudo o que ela tem de trágico (violento. G. O que Géneration X. hacker. technologies et la société contemporaine. lúdico). Les paradoxes de la reliance Sobre ciberespaço. entre as duas. Rio de Janeiro: ber-rebeldes. em que os participantes SIMMEL. das Letras. 1987. a (Mehr-Als-Leben). E. La nature de la * André Lemos é Doutor em Sociologia (Multi User Dungeons) são jogos on-line (tipo nature. e MANZINI. M. As estruturas antropológi. Ela parece ser. M. La mise en scène de la vie 3 Os zippies (Zen Inspired Pagan Professio. La culture cyberpunk. 7 Ver o interessante livro de COUPLAND. 1978. A conquista do presente. Paris: La Découverte. também em Payot. 1992. Paris: Gauthier-Villars. Os MUDs MORIN. Artefacts. La valores vitais.253-261. 1992. & GUATTARI. D. Paris: Plon. communi­cation. Rio de Forense. A. Comunicação da UFBA por meio de uma ficção construída pela _____. Con- Mesmo que a cibernética (do grego comunidades virtuais. MIT. philo­ socialité. P. 1995. nal) são neo-hippies que utilizam as novas ILLICH. 1980. n. Sobre a obra de Simmel. 1990. mar de la modernité. GOFFMAN. O tempo das tribos. 1973.) tempo real. ver: RHEIN­ WEBER. cit. FACOM/UFBA. E. pela Université Paris V . comunitária e de busca da espiritualidade. Janeiro: Ediouro. et de la contre-culture. 1984. M. le cauche­ não é um deter­minismo tecnocrático.35. M. o resultado de uma apropria. naquilo que Negroponte chama de substi- organiza a partir da introdução da tuição dos “átomos” pelos “bits”.Sor­bonne e role play games). 1959. Préface. l’Université de Bruxelles. Paris V .

plexidade do mundo pós. dimensão mítica a ela subjacente. baseado em criação de novos conceitos. sem perder de vista a dado aos diversos rituais. Bachelard e Gilbert Durand. história. diversas maneiras. Trata-se de propor uma sociologia atenta então. não mais análise do pelo autor . em método: ele propõe um método teórico vai estar presente em toda a sua obra. Trata-se de fazer surgir o que banal. tais co­mo: o mé. de quem foi aluno. resumo. nológica e a consciência da importância está presente nesta vivência e que nem na atualidade pós-moderna. Tendo por objeto de estudo a socie- fenomenológica. Michel Maffesoli comum. 1987). em quantidade de aná. neste dos múltiplos gestos do cotidiano. Vida corrente. conceitos e méto- “àquilo que funda em profundidade. maquinal de todos todo de convergência. Aqui. ao longo de sua obra. a gran- de contribuição de Michel Maffe­soli não vem tanto do método em si.). trajeto antropológico e as desses elementos que estruturas do imaginário fazem com que cada (Durand. herdou a sen- conta corrente: aquela usada a todo Além da ênfase dada ao cotidiano e ao sibilidade para uma abordagem fenome- instante. ou tribos. rísticas pós-modernas. LOGOS Elementos de método na obra de Michel Maffesoli M ichel Maffesoli. ou melhor. É este coti. poderia ser apreendido não só elementos teóricos. se fazer uma da dimensão dinâmica e conflitante da sempre é fácil de discernir: “O destaque ciência inscrita na tradição compreensiva vivência social. que. mas dos que dessem conta da complexidade vida corrente de nossas sociedades. de grupos diano que vai ser trabalha. das paixões. ao destino. na sua vivência do dia a dia. dentro de uma perspectiva lises contemporâneas”(Maffesoli. de pós-moderna. uma lógica outra. de fato. Pode-se dizer que. à No entanto. o os dias. noções. de que vai induzir o método. dos desse objeto. não deixa de ser utilizado. (situação geográfica. O “trajeto antropológico”. pos (artística ou outra). como vida em sociedade (Maffesoli. mas à redundân. 1989). foi elaborando. se ele pôde é o objeto de estudo moderno exige do cientista social a fazer sorrir. te dos trabalhos de Gilbert mas análise do gesto Du­rand. . o autor não sistematiza um é que a noção de “trajeto antropológico” sensibilidade coletiva. 1996). que proceda por verdades aproximativas. cia do mito. aos jogos da aparência. à vida banal. com suas caracte- dade e especificidade da vida do homem linearidade da história. baseado na obra de Gil­bert Du­rand. indivíduo se levante Para Maffesoli.numa linha da produção desses gru- feno­meno­lógica decorren. na medida em que mas do terreno que ele propõe: elege por campo de estudo não não mais mo­nografias clássicas mais a mitologia ou a literatura. Maffesoli afirma a importância de. dêem conta da diversi. 1987). cria uma obra original e de grande contribuição para a compreensão de uma atualida- que deve ser percebido nas entrelinhas de seus escritos. Assim à dubiedade. a cada manhã. mas o cotidiano. à temática dionisíaca. Nossa época não corresponderia mais à dade contemporânea. momento em que finda a era moderna” movimentos de ida e volta contínuos da De sua formação. a com. na linha de Gaston (Maffesoli. a através do mito propriamente dito. economia etc.

Apreender esta senso­rialidade. o que posições e pontos de vista. da vida das sociedades. o minúsculo. 1996. pós-modernidade. pois. a potência por sua vez é De fato. a que nos reenviam a área. que vai se constituir em uma Gilbert Durand. relacionada partidos. Na modernidade. da complexidade.84). LOGOS assim como a atenção à redundância Motivo pelo qual deve-se estar atento Hipótese central: “há (e haverá) cada dos temas. sem de razões. na sua contra­ditoriedade. preender. vai ao âmago das aparências. “o que chamamos razão tende fre- do conceito equivale ao estado intelec. percorre o corpo social. ou seja. amorosamente as intimidades”. qüentemente a justificar e a reduzir uma tual do indivíduo que o formula. não corresponde a uma razão específica. de uma uma “sociologia por dentro”. diz o intelectual” (p. Donde a teatralidade da socialidade completa (achevée) da criatividade das lidade. p. deve ser posto com o holismo proposto por Dur­kheim. tanto as microcriações como as grandes ceber a vida no lugar de reduzi-la. rio”. Dentro da perspectiva feno­me­ e sim a que integra a contradição na com- É o cotidiano na sua dinâmica. contemporâneos é a expressão a mais subterrânea como constituinte da socia- p. “a partir das aparências expressas no coti- atividade profissional como no seio das constituição em rede dos microgrupos diano. fosse “O dinamismo societal que. p. das razões e da necessidade.esse cimento pois é composto pela sões de paixão. a proposta de Maffesoli é no sentido de por ele utilizados. nem dar sentido. Daí a Existiria. sensibilidade do poeta para “penetrar para. utilizar os conceitos como tantas metáforas não se trata de explicar.182) Gilbert Durand. projetos. “invertendo-se o olhar” (1987. a vivência da A lógica em pauta será aquela que que subtende a vida (Maffesoli. uma matriz definida se cristaliza uma conceitos novos como o de tribalismo. o cotidiano é “menos mine o que “deve ser”. associações ou grupos estáveis. como diz de convivialidade afetiva e sensorial. imagem e a multi­plicidade. fosse nos maneira mais ou menos subterrânea. ambígua e monstruosa proximidade e o afetual (ou emocional). Em uma socialidade. da a necessidade de se levar em consideração constante no fazer social. que o não acabamento estrutural da gestão da vida. tanto no interior de sua os microgrupos de se criar”. o que caracterizava (1988. tribo e a massa. àqueles pequenos fatos aparentemente . jam em adequação com a base popular leva a tomar conhecimento do pluralismo “trata-se simplesmente de delinear uma que lhes serviu de suporte” (1987. com suas dimen. Nessa perspectiva. A pretensão é perspectiva”. o cepti. ultrapassa e garante a vida. de emoção. p. vivência. centralidade sub. além de componentes do social possibilidade de se introduzir a realidade agregação . Ela diz respeito à clandestinidade. Constata. ou contém. pois o próprio conceito não é A vivência do mundo pós-moderno estável na medida em que depende de equivale à vivência do relativismo. a razão se apresenta como socialidade implica um não acabamento responsável pela sobrevida” (p. uma apreensão do social que não deter- Para o autor. va. “Trata-se de Segundo a perspectiva fenomenológica.98).80). massas” (1987. Por extremamente variável. composto desta multiplicidade maneira de pensar por chréode.11).198). é preciso levar em Tendo em vista a estreita relação exis.123). em que este. experiência. então. nas suas re. Maffesoli levanta algumas hipóteses de efervescência social. 195): trata-se de re. Assim é que Maffesoli propõe “leis” conta a existência de uma lógica outra. Na pós-moder­nidade. baseada em valores criador. da im. como diz ser considerado como local determinante o cotidiano”(1987. o cimento da terrânea. esconde. sensível. a profundidade. nológica e com as propostas já citadas. cessário aceitar a existência da hete­ multitude de pólos de atração. da intuição poética. os gestos. conceitos. na sua plu­ralidade. tente entre teoria e método na obra de sociológicas: 1) “Os diversos modos de que Gilbert Durand chamou de alogia. É o imaginário necessidade de se desenvolver uma nova da sociedade atual. p. Para o autor. o hedo­nismo. Existe um hedonismo do cotidiano (as tribos. trabalho. rogeneidade. nesta abor- teoria do conhecimento que admita 2) “O poder pode e deve se ocupar da dagem. 1988. p. seguida os principais conceitos teóricos na medida. Nessa perspecti. em relação com a capacidade que têm O objetivo é apreender o sub­jacente a senta papéis. A ênfase será dada à centralidade diversas tribos das quais participa” (1987. aquela que na sociedade como um todo. aos componentes desta socialidade: as vez mais um vaivém constante entre a Mas. o autor a presença de dundâncias. a valorização da vivência” sociologia específica. Michel Maffesoli. proxemia. p. holista (conforme Durkheim). cismo. ou pressupostos. em todas as suas concretudes” dinâmica das contradições’ que constitui (Maffesoli. tomando raízes nas paixões da na sua polissemia. centralidade implica desenvolver uma pesquisador. como “caminhar necessá. e se aí ficarem. ou seja. p. p.77). É preciso a massa disforme. definindo uma socialidade nova lógica própria. p. a elaboração sobrevida o autor entende: aquilo que autor.59). ou seja. plural e. Esta perspectiva deve ser participar da “polifonia” do discurso social. nem que pretenda um conteúdo do que uma colocação em orientar. por exemplo).o que poderemos chamar pós-moderno como o poli­culturalismo em bocais etiquetados. funda. o povo (como mito) não é mais uma . preensão. “a persona repre. uma vitalidade própria paixão em ato” (1988. Ou ainda: no interior de de estudo citado implicaria trabalhar Para se abordar a socialidade é ne. que deve ser apreendido O primeiro pressuposto de base expõe uma centralidade subterrânea em ação por meio da sensibilidade. da compaixão do “a vida quotidiana. ou outra destas imagens. Trata-se de perceber “‘a lógica os fatos. Neste qua- tanto não se deve manter fidelidade a dro não se pode descartar a contradição. os discursos. Para obras da cultura” (1987. serão apresentados em estruturações sociais são válidos somente Em oposição à perspectiva posi­tivista.76). mas de com- que permitem sentir (éprouver) a vida. a preocupação com o objeto paixões.165). O tipo de sociologia aqui proposto é o indivíduo era a sua função social.

Método considerado aqui. LOGOS sem importância.98). Procurar as correspondências que permi- em que justapõe contradições e possui mente. o que há de invariante e de movente “A simplicidade da existência tem por co. necessário igualmente levar em conta os morte dos diversos elementos que ca. p. são racional e a do imaginário. nas sociedades” (Maffesoli.101). uma abordagem do social sem julgamen. esta apreensão são: a duplicidade. Trata-se de espaço. Per- mológica. correspondência que remete à valorização do mente na sabedoria popular.131). rolário a dificuldade de ser expressa. o procedimento vai ser paradoxalmente. p. p..118). pois no espaço existe um investimen- . p. graças às E esse caminho deve permitir a utilização contribuições da história. sem projeção daquilo que é em uma linha significativa preestabeleci- observado para um futuro ideal: “Assim. tentar de­monstrável. O formismo. permite Decorre da proposta teórica o cuidado “As coisas existem porque se inscre. pois. dinâmico. a apreensão da A forma se diferencia do conceito na é criada uma “ambigüidade fecunda”. lações da forma correspondem ás ca. mas que dizem”(1988. ou formismo. diz o autor (1988. de ligação entre estas múltiplas facetas sentados até agora. as figuras da realidade na medida em que é na forma. “Não se que constituem o for­mismo. o arquétipo informa sobre a como para Gilbert Durand a estrutura duplicidade. A presente popular (que reencontramos na e da dinâmica que a subtende é que vai analogia é “a modulação da compreensão redundância e na teatralidade) através de dar conta do tipo de vitalidade que está daquilo que é móvel. por sua vez. 1988. econômicas. aproximando-se do que Pareto tem estabelecer comparações. desta maneira. grandes configurações. e que para percebê-los deve-se polípodo que tem implicações estéticas. um “en-caminhamento” (mise en chemin). Pode-se induzir o método adotado por Michel mesmo precisar que o liame analógico Maffesoli. políticas e claro minho: o procedimento ana­lógico. mista o modo de conhecimento que pri. o trágico e o ritual. da. ou da antropologia. Trata-se de elementos “monstruosos”. organizador. arquétipos. formismo seria a maneira de se colocar como nova” (Maffesoli. o núsculas criações que pontuam a vida de quadro significativo. como ser estabelecidas con­tem­poraneamente. trágico. p. uma ciência positiva. em que as diversas ima- respeitosa da banalidade da existência. mas que têm valor em si p. das representações populares e das mi. Três etapas estão presentes neste ca- estar atento ao instante. p. correspondências” de Levi-Strauss. que vão de uma representação global.173) O autor chama a atenção para “o No que diz respeito à correspondência aspecto on­dulatório dos elementos que física e social. a atitude formista é o da “co­lagem”. ma. é ao nascimento. nem de distan­cia­mento crítico. o problema do singular e do universal Tendo em vista a componente do vilegia as formas.21). Por outro lado. A percepção da forma da vivência social. Trata-se de um autor a se referir à monstração. só no final. mas Estas propostas se aproximam da deter- é em parte esta mesma dificuldade que minação do “trajeto antropológico” de serve de cimento ao estar-junto” (1988. é antes um dinamismo A atitude formista. assim tegorias poder. tos de valor. que se rações tanto individuais quanto sociais. tea­tralidade. os elementos teóricos apre. numa forma formante e não formal. participação simbólica. a fina- teatralidade. as modu.. este método que por comparatismo serve São. perceber mais o como do que o porquê. O formismo tuações ou de experiências que lhes são tram.a forma é uma matriz que preside pensamento da globalidade. Sendo Nesse sentido. “mecanismo de ‘pseudo-morfose’ que A noção de forma. a pes- As grandes categorias que permitem gnoseológicas”(p. conteúdo não vai ser “lógico” na medida enquanto a forma aglomera progressiva. ele pode com efeito permitir. ao desenvolvimento e à encontram.136). potência.127). O jogo social é quisa estilística e as correspondências. p. segundo Maffesoli. éticas. Gilbert Durand. O matriz para uma coisa que se apresenta Maffesoli entende por procedimento for. não se limita às comparações que podem segundo a etimologia da palavra. ao presente. o que leva o chamou de “resíduo”. Pode-se falar na forma de um proble. próprios. 1988.. com a ajuda de si- variações intelectuais que não demos. em obra em dado momento. onde se encontram a dimen- racterizam uma sociedade” (1996. relembrando a “procura das estru­turam a existência” e para a neces. o aspecto polis­sêmico mas bem mais de uma compreensão do formas múltiplas. o autor sidade de se levar em conta a estática e expressa importância de se levar em conta a a dinâmica que se encontram conjunta. polarização que caracteriza o espaço é estruturante. entre outros. gens vão ser justapostas para. tornar perceptível neidades. Quando ele- Contrariamente ao produto de pólos da sociologia compreensiva. p. em não colocar o produto da observação vem em uma forma”. a composto pela multiplicidade das formas No procedimento analógico. faz com que uma forma arcaica sirva de virá para a apreensão desta centralidade. a forma é formadora. Implica comparação. formalista. na forma como caminho necessário. (1988. lidade é valorizar as representações e trata mais de corte ou de ruptura episte.. Nes- centra­lidade subterrânea não vai ser medida em que o conceito “fecha” o sig.191). “A analogia é assim todos os dias” (1988. mentos heterogêneos estão em presença. como imaginário sempre presente nas estrutu- social: “. o seu nificado excluindo outras possibilidades.102). ao contrário da cotidiano. O que é chamado de forma é “um apreender o “pluralismo coerente”. ser. te caso deve-se proceder “como se”. de paradoxos e antagonismos”. somado ao vitalismo vão constituir os comparáveis” (1988. vai ser responsável pelas mostrar o formismo da vida social. As aparências têm ceber a labilidade. da etnologia de uma aproximação “feita de heteroge. formarem pela suas dinâmicas próprias. Como novo paradigma.

_____. é a sua confusão (em- . Pe­trópolis: que move a socialidade de base”(Maffesoli. Existiria uma lógica tribal que é componente da Bibliografia rede da massa. de uma sociedade um exercício. G. O cotidiano é o responsável Explicitando mais a noção de estilo e ROCHA PITTA. ou de um grupo. O tempo das tribos. O “reencantamento do criam senão a condição de possibilidade mundo” se daria por correspondência. é graças a sua diversidade que se poderá pondência é o ponto nodal que assegura situar tal ‘local social’ em relação aos outros a junção dessas três dimensões que e em relação ao meio ambiente que é o seu” estruturam toda sociedade: a relação à (Maffesoli. Trata-se de uma vem assentado no tripé experiência. As categorias operatórias pela aparência e pela forma. p. ao do meio ambiente. p. de uma multi­ de análise pertinente porque se encontra plicidade de sinais indicadores permitindo em ressonância com o vaivém entre paixão uma ‘colocação em situação’ tão completa e meio ambiente (Maffe­soli. _____. que se atinge o conhe. então o paradigma tribal para o qual Donde a importância. letivo. mento de ações e de palavras que têm ne- A correspondência é um instrumento cessidade.caracterizado pela formas (1987. Métodos do imaginário. LOGOS to do social. do o grupo somente é compreensível no método biográfico (Ferrarotti). p. de são: o tipo (ao qual se é agregado). O conhecimento comum. Maffesoli toda abordagem intelectual Em resumo. Estes valores dizem res. tora em Antropologia e Professora _____. presente. exige vida de uma época. 1988. 1988. 1988. p. 1985. por exemplo. contra­ditorial” (Maffesoli. “De fato não são tais ou quais estilos MAFFESOLI. Com efeito. Nesta sociedade. só pode ser compreendido relacionado afirmar que esta será estruturalmente _____. visando É por meio da determinação do estilo de à compreensão em ato do societal. por parte do pesquisador. Rio de Janeiro: Forense Universitária. plural.Lévi-Strauss). Rio de Janeiro: Revista do atualmente pelos movimentos regio­nalistas impossível dizer o que vai emanar para Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. respeito à proposta compreensiva abrindo notações que não têm forçosamente li. A sombra de Dionísio.152 quanto possível. a certa forma. mas “É neste sentido que a noção de corres. Michel. gações lógicas.Durand. No fundo das aparências. se é como arte”. a relação à alteridade permitem. das como “a alma da coletividade”. 1988. O estilo é feito de “diálogos. 1989). Gilbert. que formam o aspecto com estado de espírito e se expressa comunitário.175). 1996. Ou ainda: senso comum. A saturação (conforme Sorokin) de escreve: “Assim como o mito é uma ‘encru- valores como o progressismo e o individu. “Ela reinveste a carga mítica toda animação não imposta do exterior” _____. vivência. pode-se todavia 1986. Corbin. o e solidariedade.125). estilo cotidiano é igualmente um cruza- peito a uma vivência simbólica. o autor 1994 (no prelo).178). posta metodológica de Maffesoli. segundo a proposta inicial do social e o conhecimento que se pode ter autor. Naturalmente estes não e Durand.seria fundante. Maffesoli propõe comunidade de afetos . e ecológicos. de uma abordagem mais exaustiva. As estruturas antropológicas estilo de vida mais geral. D. O problema da alteridade formar uma nova cultura. Certos que induz o método. dá espaço aos de correspondência (H.148). pelas modulações da correspondência. 1988. “Trata-se. P. Paris: Bernard considerando a dimensão sensível da exis. de Paulo: Brasiliense. p. (ou não-consciente) que serve de matriz Perspectiva na qual a socialidade é vista à multiplicidade das experiências. A valorização do espaço se traduz brouillamini) que o é. n. do imaginário.127). La contemplation du monde: figures espaço para a intuição e a comparação. momentos culturais vêem surgir novas o “grupo primário” . pode-se dizer que a pro- representa uma “estilização da existência”. Estas observações alteridade natural. empatia. (Maffesoli. para elementos que es­truturam a existência. Lisboa: Presença. de um inconsciente coletivo subjetividade e a intersubjetividade.155). 1987. C. Vozes. variâncias” e do aspecto ondulatório dos Quanto à pesquisa estilística. situações. para ser descrito. consciência do pluralismo característico A procura do estilo de vida corresponde do mesmo. 1993 tência social. São A abordagem pela correspondência diz p. suas decorrências meto­dológicas. odores e esses sons que são próprios de Grasset. “O paradigma estético: a sociologia da Pós-Graduação em Antropologia como proféticos. de empatia com o objeto de estudo e a cimento dos mesmos em profundidade. das ações ou deambulações grupais” (Maffesoli. O estilo tem a ver com ambiente. 1987. 1988. zilhada’ metalingüística ou metahistórica alismo.122). A efervescência própria de cada grupo é que acaba determinando o DURAND. 1987. p. dar conta a um só tempo das “in- destes” (Maffesoli. Rio * Danielle Perin Rocha Pitta é Dou- de vida que podem ser considerados de Janeiro: Graal.1989. O tipo atual da sociedade é à mudança atual de paradigma. co- perspectiva relacionista. nele se reencontram esses du style communantaire. p.21. O método interior de um conjunto.

mas tampouco escapamos em nos. particularmente é pois o seguinte: quais são as fontes que é objeto da interpretação dos outros a das Luzes. . a seu modo.. é claro. porque o corte entre ciência Simmel. assimilando todo se sobrepondo ao seu objeto. de Bachelard. conseqüências que e a recepção desse sentido sejam unívo- seus semelhantes. sociológica de uma luta entre ideologia cional. fez da luta contra ele eixo de que o sociólogo lança mão para atores sociais. taminado ou. sem dúvida. a intersubjetividade mana. assimilado a uma soma de preconceitos gas: “ele não faz sociologia”. e que uma e a legitimidade do saber. é preciso notar a pre- necessária. por exemplo. simplesmente. na medida em que não Neste quadro. sença de uma capacidade que consiste o saber social a uma forma de precon. centrais do pensamento de Maffesoli foi ou. alguns de seus fun- dadores acentuam os cui- dados a tomar quanto ao senso comum se que a ideologia foi um nome cômodo para designar as idéias do adversário ou de uma escola concorrente. A presença da pré-compreensão hipótese. compreensão sociológica. intitula. en scène). ba. uma pré-compreensão da atividade hu- comum? Quando tomamos a primeira a subjetividade. Entretanto. uma indivíduos socializados. parece-me. de uma cien­tificidade forte da disciplina propostos. e o sociólogo se dos fundadores. ela se articulará à idéia época que Durkheim. ele se propõe a utilizar “o tipo. nos pronunciado do que se imaginara relações entre compreensão comum e seando-se em preconceitos. imitar a ação de indivíduos. Um interpretar. Um. o outro. em Durkheim e em significando para mim. tentarei mostrar a relação entre recursos literários e interpretação sociológica. a pré-noções. O conhecimento maneira de figurar a ação que supõe sas interpretações ao uso de um saber comum. ele é con. um acervo de conhecimento com as idéias de corte epis­temológico as condições de uma socio­logie du de. a filosofia. não nos deixamos cegar por preconcei. Quanto a isto. penso. observarei à minha maneira comum. em apresentar acontecimentos típicos. cos e muito menos que haja congruên- Quando digo alguns sociólogos ção.” (p. Depois de ter descrito as grandes linhas destes temas. metido a modos de raciocínio comum. LOGOS Conhecimento comum e saber sociológico Patrick Watier* Q uando a sociologia se ins- taura. uma psicologia conven. certa distância face às idéias da tribo é menos poderosa. em poder representar. gia compreensiva. qualquer pessoa honesta e saber profano aparece a partir daí me. reempregar. por exemplo. e propõem se guiar. a como categorias operatórias. é quecemos das formas de argumentação É preciso sublinhar que um dos eixos mesmo nela que se apóia a arte do ator tomadas de empréstimo a um saber co. dois meios foram atribuídas características típicas que vão. Por se apresentarem a nós. No seu livro que se Há. Simmel. da cupidez à generosidade. permite uma relação significativa entre uma des­qua­lificação da experiência dos p. cujo “interesse não é estranho a Qualquer ação é simbólica no sentido este tema.” (1986.. do egoísmo e ciência. nomológico sociologia como conhecimento não se ta questões. em seus trabalhos sobre a instauraria. dans.19) Meu problema em que nela se dá a ler uma significação é clássica. É claro que a por outra tradição. ainda. disponível no corpo social uma tos. A apresentação de si dá a central de seu combate pela razão. Ser fiel a uma corrente teórica não cia entre intenção do autor e recepção. ou um livro. um saber nomológico. mascara a si mesmo quanto ao uso que conseqüências daí decorrentes para a Tal posição não implica que o sentido faz de um saber comum partilhado com prática sociológica. compreensão. pois. constata. o que também susci. encenar (mettre ceito. mais Os recursos da interpretação pare- cem-me ter sido melhor compreendidos Psicologia convencional e saber pelos fatos concretos do que pelas idéias já feitas a seu propósito. se quisermos nos basear em mum do qual o sociológo se serve? Que o de insistir no conhecimento comum. ou um saber nomológico divididos. sub. precisamente. Ela indica a existência de um registro sociólogos mais atuais que puderam. e na mesma ver personagens aos quais podem ser pouco mais tarde.220) Retomando algumas proposições um leitor e um escritor. gostaria de salientar as obra dita de ficção. em sublinhar a importância da sociolo. ela nos conduz. Maffesoli repôs no centro da interpreta. Este termo sintetizava as amabilidades entre cole- de Simmel e de Weber. e às duas formas pode-se ligar o nome ao altruísmo. mais simplesmente. Aristóteles. a arte do poeta que consiste pessoa honesta não estaria de acordo. duplicá-la. da arrogância à modéstia. se interroga quanto às ou qualquer sociólogo o admitirá. A temática do preconceito Weber. será que não nos es. Recuando um pouco.

1983 o governo seja odiado” não há nada mais certa plausibilidade. na descrição acesso à compreensão dos processos forma de sua relação.”. A ender o futuro”. Weber consagra um trecho de que as conexões estabelecidas pelo constatáveis. O historiador tenta atribuir motivos imediatas. Comment on particulares em função de um modelo textos que se desenrolam sob nossos écrit l’histoire. mundo não correspondem a percepções O historiador tenta atribuir mo. e não permite ganhar uma forma de objetividade os motivos da ação. Esses motivos e essas razões. no espírito dos atores. pois. Esses mo- ainda das tematas (a oposição motiva. não não exige de nós quando interpretamos Acreditando que a história repousa em age e não agirá assim. a interpretação se beneficia de uma como um texto a decifrar.)” a esta palavra (1992). em de uma psicologia convencional graças to. do T. atividade). Ler e decifrar o (1985. confrontamo. mostra como tal sublimada de uma psicologia que prati- são indispensáveis para fazer dessas interpretação funciona. no sentido que Goffman dá que se passa na cabeça dos atores (. de uma psicologia convencional.. o real é interpretado ou Modelos de raciocínio ou de atribuição atribuição de tal motivo a tal ator.). maioria dos humanos. produzem no espírito dos atores. ao contrário. se acreditarmos outrem ou suas atividades. dade de construir conexões psicológicas Da mesma maneira. a vida de todos os dias dois acontecimentos” (1985. permitirá ilustrar o uso construído e plausível de comportamen- olhos e é desenvolvendo tal analogia. 71-72). lemos nas formas tores de tal fato. elevação das contribuições fiscais . psicologia. ou conhecidas. do T. intitulado “As tamos as ações de nossos semelhantes. certos atos econômicos podem ser de seus sentimentos do momento. quando interpre- ações conjuntos inteligíveis.a neurológicos são fabricados ou se inter- mente porque elas provaram sua valida. Um exemplo. esta é convencional e não seriam conscientes. hipóteses psicológicas. é na “(. deciframos as ações ao acontecimento e um comportamento. no origi. Qualquer grupo ou indivíduo que vê nência”.. para na medida em que o historiador não se cologia convencional e o acontecimento interpretar situações e ações.o descontentamento. o uso de uma psi. voluntário/involun. Para Simmel.) uma forma clarificada e objetivos e sentimentos invisíveis que préstimo a Weber. quer seja uma moti. têm do/não motivado. Se não de Economia e sociedade. ou dos grupos que estuda. têm uma característi. O historiador ações observáveis dos homens sob Outro exemplo. uma psicologia deste tipo apoia. dos quadros.. Weber falará de e 1988. por exemplo. 92-93). tal es. tirado Trata-se.) possibili- cadas ou encenadas (mises en scène). A segunda diz respeito à aqui. Se Weber prefere falar to que se baseia em puro interesse inte­lectual primeira é concernente à relação entre do uso de um saber nomológico. Uma psicologia convencional tivos e por quais processos psíquicos ou não voltamos. Dispomos de de situações. enquadrado (mis en forme. se observador histórico são independentes em compreender um desenvolvimen. No capítulo II camos todos os dias. dos paradigmas ou indivíduos ou dos grupos que es..uma e fre­qüen­temente usamos. Ricoeur em contentamento. tivéssemos a possibilidade de ir além categorias sociológicas fundamentais da A diferença metódica provém do fato dos fatos que podem ser diretamente economia”. LOGOS as ações dos outros são decifráveis como do livro de Paul Veyne... Uma relação de distância quan­­to ao obje- nos com dois tipos de dificuldade. A psicologia convencional constrói que as minhas precedentes se inspiram. uma característica psicológica porque se tário. implique pessoalmente no processo que a analisar. tuda. quema poderá ser reutilizado em situações têm uma certa plau­sibilidade e coerên- Simmel indica que: “Subsumimos as comparáveis. digamos que. que evocam um sentimento imediato de ligação em que se manifestam duas rosos exemplos de situações deste tipo de coerência” que repousa “(. de interpretar situações essen­cialista. “é claro que. ele usa. tivos e essas razões.) por categorias ou hipóteses interpretar acontecimentos que pareciam produzem as representações ou os mo- que parecem tão evidentes que a elas comparáveis.segurando as mãos . para Simmel. sentimento de que as coisas puderam vação meramente teleológica ou uma em uma analogia com situações vividas se passar assim e o conjunto de dados motivação afetiva (affectuelle. tomado de em. E não voltamos simples.e um relacionam. cia capaz de explicá-la(s). teríamos muita dificuldade à economia socialista e afirma que. A história oferece nume. Para resumir resultado . à qual se compreenderá as raízes de um um modelo de ator que é dotado de que. e Schütz empregará a noção de “perti­ mesmo tempo em que essas são evo. o to histórico ou uma seqüência entre orientados de maneira altruísta. “(.. A coerência corresponde ao caráter motivado. Para a segunda. registra a relação entre uma situação . nas experiências passadas para compre. (Ricoeur. ele descreve. seus trabalhos sobre récit (a narrativa) vezes que em enunciados do tipo “todo Em todos os casos que apresenta- proporá que se compreenda a ação sistema fiscal muito pesado faz com que mos. trução de tipo psicológico de estados em geral. atribuímos à conduta um mentais. utiliza. especialmente) do que uma hipótese psicológica e uma uma “evidência específica” em direção Quando penetramos no mundo de relação de causalidade suposta entre um à qual tende qualquer interpretação um romance. p. os fatos e . no que concerne à para Simmel. Já se assinalou muitas motivos plausíveis em situações dadas. no original de motivos ou de causas serviram para Não se trata de explicar como se – N. modelos fundamentados históricos porque estes resultam do quadros. E mais. pois.. ca psicológica porque se produzem que tal atribuição supõe uma recons- Para voltar a Simmel. trata-se de relacio­nar uma de na e pela vida corrente. ação ou uma inação com motivos que o conjunto desses desenvolvimentos. O mundo só se dá através dos tivos e razões plausíveis à ação dos e razões plausíveis à ação dos indivíduos filtros. que a massa. de que dispomos não torna absconsa a nal – N. Se o historiador utiliza uma possibilidade de motivações que não da em um saber vindo da experiência. seus recursos diminuir não felicita os au.) a via de pessoas . p. con­tem­poraneamente.

apelamos para uma acontecimentos que. portanto. do altruísmo. uma questão que varia a cada caso. tas condições. experimental ou nas estatísticas – é siste em atribuir um mo­­tivo típico a um bituais de acontecimentos em casos deixada para a resolução de cada caso ator típico. ao menos em parte. Tanto mais Se modifico a intenção de Bis­marck. reside na experiência individual e social. 1965) ilustra.. A decomposição leva a tentar. Os julgamentos de pos- nhecido ou atingido. tendo se represen- fazer expectativas quanto às conseqü. componhamos o ‘dado’ em elementos sentido. Para em uma ou outra situação tanto quanto se pode deixar de pensar na psicologia resumir. que sei quanto ao motivo típico do ator que se segue. é este sentido visado que me até que cada um deles se deixe inserir permite identificar as intenções ou mo- observa que não passam de sis. especiais que facilitam seu trabalho. como regularidade familiar na vida cotidiana e. que Schütz cotidiana e. sendo carac. A . na maior parte do tempo. que é possível. tenta medir o peso causal de um acon. as- ser irreal. sociológica ou histórica. (se baseiam) nos encadeamentos ha. da observação perar’ de cada um deles.a in­ten­ generalização e implicam em que “de- cionalidade . a psicologia con­ven­cio­­nal con. tâncias se baseiam em meu conheci. fará advir de tal ou tal decisão. cimentos se encadeassem irremedia. fundamentais e mas implica que tenhamos uma idéia dos velmente para conduzir à abertura das necessá­rios. “Études critiques de logique des scien. o tipo de questão que Quando o historiador. imaginará as da estrutura de sua per­so­na­lida­de en. Ele se perguntará o que teria se passado. podido se passar se Bismarck não tivesse possibilidade. da mesma maneira que O parágrafo sobre a possibilidade número de conseqüências passíveis de avalia as conseqüências que poderiam objetiva e a causalidade adequada dos decorrer de uma ou outra decisão. é segundo Durkheim. nalmente. em uma ‘regra de experiência’ e que tivos.. é um significativamente diferente? Se. é uma competência social particular. tributário da ajuda de certas ciências de sentimentos mentais. Em suma. compreende-se. não pode conhecer tudo – um certo les dos outros. a mais certa. elementos são dados como ‘condições’”. O altruísmo que. saber a propósito da conduta provável supõe. uma escolha que incluirá o que acredita Uma psicologia convencional pres.. caracteriza o soldado transposto. é. sibilidade procedem por isolamento e terizado por uma propriedade . mais próximos de tecimento. tanto pérfida por Weber por suas finas conseqüências possíveis usando o que quanto que a primeira to­ma como fio descrições psicológicas. assim. ou teria devido dele decorrer esta ou “até que ponto o historiador (no sentido um desejo de realização pessoal. pelo exemplo de outrem em tal circunstância. à parte. condição de desdobramento das ações. segundo uma tenha podido tentar fundar a sociologia de uma conexão causal entre acon. tematização da cons­tatação de sejamos capazes de determinar a con- Por esta formulação. emite um julgamento de Husserl. da observação de uma conexão causal Se Simmel fala de psicologia con. ela não implica. não passam que. algum. uma regularidade familiar na vida seqüência que ‘teria’ sido necessário ‘es- indiquemo-lo rapidamente. processos de abstração. como veremos adiante. com certeza essa imputação com a ajuda sentimentos de abatimento ou desespero. somente. questionava se distinguir. Weber e Husserl. o resultado teria sido o mesmo ou teria de sua imaginação. Quando Weber fala de leis. dado o Paris: Plon. eliminando no quadro do que Simmel chama de psi. ela teria acontecido? Há um limite que. sim. de modo comparáveis. do desdobramento mento das maneiras habituais de agir A utilização de outras ciências – e não de uma ação ou de uma atividade. o psi­quismo não pode ser co. não parece tão diferente da tado de maneira limitada – porque ele ências possíveis de seus atos ou daque. proposição de Simmel. seria surpre. sopesará as conseqüências entre acontecimentos na vida corrente. um aquela conseqüência. tais como o interesse do ator. em uma a­ná­lise da estrutura da ou um saber oriundo da experiência. se modifico tal mais amplo da palavra) pode efetuar sentido da solidariedade.. podemos supor. Cada vez sido diferente? Havia uma lógica dos experiência pessoal da vida e educada que is­so acontece. LOGOS gestos dos indivíduos seriam resultado vencional e é saudado de maneira um desta ou daquela decisão. ele o objeto de análise. então B. mesmo. de Simmel. alimentada por sua e mesmo ressentimento etc. sabe das maneiras de agir habituais do con­dutor o fato de que o indivíduo pode põe uma outra fonte que. em função do endente que não encontrássemos. terminologia inimigo. o historiador pode se propor quando certos elementos ou modificando cer- cologia intemporal (ou convencional). uma vontade de imitação. é a conseqüência mais um momento qualquer. um despacho diplomático). a partir dos quais a imputa- sentimentos de lealdade e de sacrifício hostilidades? O estabelecimento desta ção causal é construída. mas. o recurso a de 1866 (se ele não tivesse adulterado provável e. regra da experiência. tecimentos na vida corrente. o indivíduo age racio. uma imaginação dos possíveis cuja fonte considerará que este motivo dará conta.”2 Os relativamente a seus companheiros de ar. que. observa personalidade individual. o ator típico o curso dos acontecimentos pareceria de sistematização da cons­tatação de uma é uma construção do historiador. em tomado a decisão de declarar a guerra que sabemos. faria com que os aconte. uma preocupação em elemento é importante. mesmo que os metodicamente e até que ponto ele é representação que é uma reco­nstrução protagonistas não quisessem a guerra. a respeito Se pensarmos em qualquer obra de qualquer elemento. quando os outros compreensiva nas teorias. este último pro. motivos.a capacidade de visar um Quando Weber fala de leis. e se relação e o encadeamento das circuns. Weber. uma ambição de Uso um raciocínio da forma: se este o processo de imputação causal próprio ascensão social. se pergunta o que teria Em outros termos. dependem de que podem experimentar entre si. ces” (In: Essais sur la théorie de la science. se A. ao discutir o papel das leis e uma sede de poder. então. então deveria ao conhecimento histórico. conjugadas. a fórmula: se.

em antecipações. se tivesse acontecido em outro com­­portará dessa ou daquela maneira. as regras gerais da expe- tra formulação de Weber. observações empíricas que o homem do account. aquele que lhe serve. não é saber disciplinar e. Para apreender uma forma de vida. no mesmo caminho. dá lugar quadro de pensamento não adquira. a revolu. Posso. ço certas particularidades. um ou mais significação que tinha para os atores O recurso à experiência. pois. comportar dos indivíduos em situações não tivesse declarado guerra naquele nação procure uma porta de saída para a dadas. de saber ontológico – e me nossa própria experiência individual e decisiva dentre elas (abstrações) consiste apoian­do nas maneiras habituais de agir do conhecimento do comportamento justamente em modificar no pensamento. segundo ou. saber comum social. de vamente. por experiência. É ponentes: a experiência individual e momento.”5 em um sentido determinado. É preciso notar que tais regras são abstração que procede por isolamento língua comum e pelo homem comum. também. A resposta é simples: um processo de pensamentos que contêm de uma situação histórica – Weber fala. mostra. objeti. Os tipos ideais e o saber nomo­lógico relações profissionais. em média e em geral se saber nomológico com seus dois com- de César. que é ga- componentes causais incontestáveis do implicados.. existência de outros seres humanos indivíduos compreendem acontecimen. das maneiras neira significativa esses conjuntos. ao mesmo tempo. central da vida social. quais são Schütz precisará que ela não se resu- riência individual e social do sociólogo. momento. “sob a forma de conhecendo certos fatos a propósito riência. o consiste em comparar a situação na qual mas sua exploração implica na utilização sociólogo deve utilizar um saber comum se encontram os indivíduos com aquilo de um saber comum que articula de ma. pertencendo a um grupo de que conhe. emitir um julgamento de possibilidade tre práticas. crenças e condições sociais. su- O raciocínio do tipo “se. no original – N. em certas situações. maior parte desse saber “se origina no a uma sistematização de raciocínios. a primeira e a mais original das como a corrente etno­me­todológica faz de crenças. o saber “no­mo­ló­gico” é “o­riun­do de uma série de abstrações. A capacidade de mesmo. posso. pois “a experiência da mas é próximo da maneira pela qual os indivíduo colocado em tal circunstância. mais exatamente. de esperas que sabemos à realidade ‘dada’ todo o tesouro de nosso experiências vividas pessoalmente e que intervêm na vida cotidiana de modo saber em­pírico de ordem nomológica” (dass originariamente por meus semelhantes reflexivo mas. então. do fato de compreender Compreendo o que. construções de sistemas de relações en. A expe. dos signos tangíveis Schütz. e a significação de suas ações é.. um tivesse havido tiros. para ele. novamente. portanto. ção de 1848 teria começado? desde aqui de baixo. o que se pode convincente.6 As observações das vezes. mas. blinhará as relações entre experiência caracteriza o conhecimento histórico. Graças a essa demonstração. a guerra aconteceria? Se não condição angustiante em que se encontra e saber social ou. suas crenças. que não quer dizer que seja preciso pontos ‘essenciais’) ou outro. interpretações que os sociólogos fazem O saber utilizado é fundado naquilo preendemos que qualquer conexão das interpretações comuns) devem ser que Weber chama de regras da experi. as conseqüências a considerar para me ao que o intérprete pôde viver ou experiência da maneira pela qual as o conjunto observado. ções de segundo grau dos sociólogos (as bilidade de efe­tivação das ações. mas que a coisas se passam habitualmente. Resta precisar de onde ciativas.) acontecimentos uma característica que têm. A primeira e a mais neste caso. ‘teríamos generalizações de atitudes que provêm comparável segundo as ciências. também. se conduz de certa maneira. amorosas.”3 camente fun­dada pela com­paração. LOGOS imputação causal se faz. tipificações de atividade que permitem – subtraio pelo pensamento um fato ao Qualquer interpretação se baseia em reconstituir os modos de fazer. com tos ou atividades correntes. Verei. um caminho que lhe permita se assegurar. sem ser tematizados.77). in fine. componentes. O historiador é do seguinte tipo: a morte circunstância. T. ponto a questão dos métodos não é ficação das condições do devir. Um constituí-los sob dois registros episte­ A questão a que pode se propor o sacerdote.” de sua eleição. ou pressupõe. provêm. na situação do ator. pode fazer” (In: Le chercheur et le quo- (rendre compte. compreendo o sentido tidien. en­volvido nessa ou naquela mológicos totalmente diferentes. p. O podido esperar’ o mesmo resultado (nos da experiência ou da constatação histori. que um saber que repousa em tipificações. precisamente. em Berlim. Conhecendo as condições esse saber “nomológico” e um de seus chamar de saber comum co­mo atitude . rantia da construção da possibilidade curso dos acontecimentos para perguntar. validade “senão porque somamos social: ela consiste. sombra. tendo tal tipo certeza. asso- e a adequação de uma às outras deve ser se reclamam. histórica causal não somente é uma compreensíveis nos próprios termos da ência. Então. Por meio da noção de “perti­nência”. posso perceber a de outrem.)4 socialidade desse saber e de seus modos por um conjunto de “raciocínios” que Os quadros de pensamento são de transmissão e que Weber deixa na permitem que seja conduzida. na maior parte wir zur “gege­benen”Wirklichkeit den que as comunicaram”. e qual. sim. teria mudado as condições imaginável que um fiel que se defronta o conhecimento das maneiras de se da história do mundo? Se Bismarck com os paradoxos da teoria da predesti. se depois desse tipo de modi. até que em seguida. – esse fato estando isolado. ganzen Schatz unseres nomo­lo­gischen de Schütz permitem compreender a A vida cotidiana é caracterizada “Erfahrungswissens” hin­zubringen. considerar as conseqüências de Schütz desenvolverá esse tema weberia- descrição e de interpretação das ações uma dada conduta para o conjunto da no insistindo no fato de que as constru- dos atores é. imaginar que um e observação.. em suas habituais de agir (o saber no­mo­ló­gi­co). de agir desdobramento – e por generalização uma “reserva” de conhecimentos e de certos indivíduos ou grupos. àquele que ele possui como indivíduo e que sei. em geral. a possi. do é possível ou não. Ainda que este experimentar pessoalmente. com. Esse saber nomológico nada mais é objetiva.. em que se desenrolou um fenômeno. sociedade.

do T. entendu parler d’amour. e todo encontro impli- sentidos e de ações significativas orien. Sem dúvida. utilizam uma assim. no quadro interpretativo das caracterizam. mas do saber jamais été amoureux s’ils n’avaient vai. ções correntes e a vida social. tam- tipi­ficações e de ações possíveis entre estado nascente. nosso comportamento compreensível quadro. pessoa comum de nosso século. de maneira típica ou em sua tipi­calidade apresentasse uma situação típica e vai servir de guia nas relações de inter- de modo paralelo ao meu. O que se passa nos livros psicologia clarificada ou intemporal. intenções. ainda mais verdadeiro por a do soció­logo: a observação das ações individual. na vida corrente. penetração humana. É a porção de saber comum que acontecimento só tem sentido depois pode-se dizer que a literatura serve para considera o mundo do outro organizado de uma lembrança de leitura que estabilizar um código que.).”10 Que não se devem levar em conta o espírito de Um exemplo desta capacidade. o que po- da família. que o tocava de perto. e a própria amante. a A literatura nos oferece não apenas de nossos pensamentos e de nossas heroína. tos os signos de nossos sentimentos. que existe uma o primeiro olhar de uma mulher foi su. certamente. O saber comum cristali. tido pela rememoração de uma cena do apresentam. uma mulher que não mais te ama. as interpreta. modelos de comportamento o que personagens. sua capacidade de ler mo que ela não seja empregada. perceber. os efeitos as invenções dos poetas e fiz. dotam os indivíduos da capa. do T. a possibilidade de persuadido de que estava apaixonado a realidade social e de agir nessa compreendê-la. ela nos “fami. no imediatamente posterior uma apresentação tipificada. também. Eis o que limita. diz que não pôde trocar com tos ou de estados mentais.271) daquela ordem(. muitas vezes. olhando um amigo na rua.” fra­ternidade militar. de observar me é familiar porque a en. de Nerval são leitores vítimas de ciências da cultura. ou seja. de maneira fictícia e com. a situação só faz sen. da nária. o que outrem. as palavras adequadas a cada situação. e só faz O mundo social organiza encontros A literatura constitui “reservatórios” de totalmente sentido por sua encenação com os outros. Lily Bart. última instância. Wharton. o empregar um vocabulário sistêmico. desse primeiro devaneio (trans­port. sentimentos de lealdade que no original – N. recria. visto.)”. também. sem dúvida. em seu princípio. Em seu Diário. por exemplo. uma Estas passagens propiciam tipifi­ bem melhor. ou por ter lido. mas eis. seu pai “algumas das palavras tocantes liariza” com observações. sua correspondência com uma cena recíprocas e a forma narrativa utilizam cidade de ligar atos a situações.. Chez les hereux du monde. preensiva. ou Jean-Jacques e. “Muito perturbado. indicou. e de que esta paixão nascia em meu realidade. confunda o livro com a realidade. tal maneira preender que as observações correntes lização ao mesmo tempo re­al e imagi. Ela diz o que se passou e. demos dizer e fazer. Nossos atos social corrente. bém.). um doce amante. Proust ou Balzac descreveriam A literatura é.”11 observação sociológica e são confronta- pode-se lançar mão de um outro tipo O saber das condutas e das ações das às mesmas questões insolúveis. voltava para casa síveis que permitem compreender concomitantemente. em de exemplo: quando um sentimento ex. as grandes e G. em suas articulações flui- boa ilustração de um território de cações de uma relação amorosa em das. romancista do século XVIII: “voltando mim mesmo. Se se quiser é mais um desígnio regulador da inte- social evidente. situações sociais porque são. ração que um ato realizado pelos dois . “Em si. mes. possíveis cristalizado na cultura obje. levei a sério um soldado pode sentir por seus com. no caso. como a experiência novamente. como Schütz seu sentido. podemos ler em um suas leituras: “Que loucura. de usar lida. Bo­vary. dito em outros e pertinente levando-se em considera- que acontece não em função do saber termos: “se y a des gens qui n’auraient ção acontecimentos tal como o outro sociológico acadêmico. o sociólogo compreenderá o mento a uma situação ou. a razão de que com­preendê-lo quando ainda não tem uma legibilidade um modo de usar a vida. quais poderemos decifrar ou agir em serve para compreender o que se passa no sentido de Simmel. mento de conhecimento sociológico tomada por um ânimo vencedor. confrontada à ruína financeira modelos de compreensão de sentimen.”9 se afirma. 7 observava de uma janela alguma coisa Admitir esta posição permite com- Os romances asseguram uma socia. em seguida. por experiência prodigiosos de um encontro imprevisto.) narrativa. Sabemos. compreendemos ficiente para cativar os sentimentos de O romance não é apenas um instru- intuitivamente de que se trata. O inesperado irrompe intem­poral tem as mesmas fontes que A literatura. p. (dans l‘après coup – N. Esta psicologia outras situações. Quando Durkheim aventuras. aí está tações. contrei em Sherlock Holmes.. Vale lembrar que heróis za conhecimentos úteis na vida corrente coração por uma dessas surpresas que como Mme. nota ao mundo quantas o outro pode com- ensinara a ligar a circunstâncias que. Situado em dado O romance permite ligar um senti. Isto acontece com o narrador de A literatura é um “reservatório” Esta consideração permite e autoriza Les égarements du coeur et de l’esprit: de condutas típicas e de ações pos- a penetração em uma forma de vida e. do T. então. não são diferentes. caráter fictício ou não de todas as impu- instalado em uma semântica comum. (Goffman. lembro-me de ter Erro de minhas leituras. LOGOS natural. nos romances. amar plato­nicamente bate. uma pessoal. de uma panheiros. Para mostrar o segundo aspecto. de altruísmo no com. portanto. ca em uma “obrigação crucial: tornar tadas para os outros. apesar de ser pela primeira vez que preender”. fora para o sociólogo como fre­qüen­temente Saber comum e literatura irresistivelmente arrebatada. dizia a fala. Questões que tocam ao perimentado não está verdadeiramente tiva alimenta. nos oferece quadros a partir dos mesmo tipo. o que nos permite fazer tantas alusões que a leitura de nu­merosos ro­man­­­ces lhe Kafka. (mise en scène – N. se dá é que ele nos proporciona “chaves” em nossas palavras e em nossos ges- encontra-se no romance de E. para decifrar atividades correntes. Laure ou uma Béatrix. 1988. em muitos romances.”8 Ou.

temos que há uma espécie de relação compreensiva. sabendo possíveis. o adversário sociedade real são produzidas pela quando se trata de resolver enigmas. este apontará o culpado. assim. então. isto é. da mesma esconder uma carta senão aquele que ência consiste. nos oferece quadros a partir é o nome. e em situações comparáveis ou por sociedade e a troca inter-humana são que está diante dos olhos. Seu adversário sociedade real para seus membros Para ilustrar es­te tema. sua constituição. bem como. parece fácil predizer as expressão de intenções. as experiências Parece-me que o saber nomo­lógico situação.”12 de qualquer observador profano ou es- perder um objeto – e ele apontará a si Sem a vontade de manipular quem pecializado. a literatura se encontra em uma peça vizinha. o da interpretação que é imprescindível Quando a luz se restabelece inopi. o culpado não um saber nomológico associado a uma mundo pelos que vivem.. as características da de gran­­de ajuda. não há nada e. cômodo e grite ‘Fogo!’. nossos parceiros e de nós mesmos. domínio no qual me parece poder falaram de “psicologia popular”. crença e Estamos em um processo circular e. é uma “tecnologia social comum” por é tomado de empréstimo por C.”13 a seguinte: indivíduos estão reunidos A partir deste ponto. imaginação dos possíveis. a deixa evidente? Suponho que quem os indivíduos agiram “como seria de La redécouverte de l’esprit. quaisquer que sejam os possível manipular as atividades dos eu não agiria assim. a ciência social . mas. a psicologia convencional de encontrara indício algum. à maneira de uma profecia – e especialmente a literatu­ra po­licial – é Holmes espreita. O account pelo culpado no momento de seu de. Paris: Galli- procura a carta pensará em “esconderi. Para tanto. está escondido ali. basta conduzir as fazem. com certeza. ou outra maneira. assim. privilegiado pela etnome- lito – mas não sabe quem é o culpado. movimento mesmo da análise. segundo a versão apresentada um adversário mas. reciprocamente. proposições atinentes à epistemologia de E. assim. e mas. reconstruir os mo. tento objetos de pensamento à qual recorre no quatro debaixo da mesa onde. vai. e. haverá um indivíduo de e conhecidas as circunstâncias.) – N. isto é. deduzir que não poderiam fazer o que Em tal situação. Holmes escondeu uma fotografia muito dimentos e de um conhecimento de É um código graças ao qual deciframos importante em um cômodo e Holmes senso comum mas é preciso notar as ações e. esperar”. ou boa ilustração de um território de prestar contas (no original: “(. uma gar a dizer que os indivíduos só fazem são os únicos a saber que um indício aquilo de que sabem dar conta. para “piorar” a tivos que levaram a agir. Elas atuam diante da possibilidade de suprimir ou recursos de um saber comum ou de em dois níveis: o da organização do de recuperar um indício. o “pano-de-fundo de Searle” (cf. dos quais poderemos decifrar ou agir todologia. do exame dos nadamente. Bom exemplo de manipu. em outras situações. ções descritas. psicologia convencional? É o que indica. parece-me claro. explicamos a Co­nan Doyle e ele resume o enredo da crição de uma situação é. cúmulo encontrar. o historiador ou o soció­ levar a sério as elaborações produzidas ve aposta em uma predição.) ils sa- faz saber que ele sabe. esforços empreendidos. A. Holmes pede a Watson que: “O conhecimento de senso nos tratamos. da ironia. levando em conta mard. o adversário de Sher­lock os indivíduos lançam mão de proce- consiste em atribuir crenças e desejos. O deteti.). cidade de ler nas palavras e nos gestos a pelo detetive. não prestará atenção a um um saber de experiência adquirido ‘fundo’ a partir do qual. e. co­mo que jogue uma bomba de fumaça no comum não descreve somente uma sistemas intencionais. são As construções romanescas supõem que homens puderam agir assim. que lação do comportamento do adversário intervir. ao mesmo e predizemos o comportamento de seguinte maneira: “em Um escândalo tempo. LOGOS observadores. para manipular o comportamento de normais na vida social está ligada à capa- dício que. U­ma situação corrente. se não pudessem dar as razões circunstâncias – como um corte de ele. pode-se che- em um cômodo. vam Simmel e Weber: estando descritas a sua análise dos atores. Outra ilustra. quer que seja. outros porque as intenções podem ser fortalece o que acredito quanto ao A este respeito. tricidade artificialmente produzido – de É difícil inventar plano tão engenhoso A definição dos acontecimentos modo que o culpado tente recuperar o in. já. colocado logo não fazem o mesmo. também. “ce qui va de soi” de Schütz. ela na boêmia. Cherniak A etnometodologia diz que a des- meio da qual interpretamos. Poe: qual o melhor lugar para Basear-se nas regras da experi. em supor que forma. É a capacidade É preciso que o culpado creia que pôde ações do adversário. assim agindo. por um lado. Daí decorre a necessidade de mesmo ao tentar re­cuperá-lo. pode-se dizer que quer encontrá-la. apontá-lo. não utilizam pelo pensamento comum.. que descreve as razões que Trata-se de fazer crer que. No. duzirá este ou aquele indivíduo a agir circular entre pensamento. 1995) tentam compreender este jo” e. O detetive sabe. sistemas intencionais se portam de uma Simmel. aquiescência motivada das pessoas apresentada nos romances policiais é que têm. o detetive assegurará que não mentais que dão as razões pelas quais de Weber. a papel colocado de maneira anódina. para tanto. “Como seria de esperar. se precipita e tira a foto do esconderijo. factíveis sua análise interpretativa ou que a interpretação de indícios con.. ou melhor. Torna-se ação: se não acreditasse em tal idéia. do cotidiano de Maffe­soli e. hesitará. desta ou daquela maneira. uma vez as condi. certos cogni­tivistas imaginadas. de outro. as ção pode ser dada por La lettre volée. expectativas. Ela diz o que se passou les comptes (. se o indício for os indivíduos dão do que fazem e para descoberto. sem dúvida. o culpado e o detetive A literatura é. do T. que se realiza. qual é o indício tipi­ficações e de ações possíveis entre vent rendre compte c`est-à-dire rendre – um objeto pertencente ou roubado personagens..

p.220. 1983. 1986. In: op.300. MAFFESOLI. Façons de parler. 9 Louvet de Couvray. . _____. SIMMEL.55.) do saber sociológico ao objeto. p.92. ele exprime os limites em Cambridge: Polity Press. Réflexions ou sentences et maximes morales. Paris: Pléiade. p.. 1996. cit. Du texte à l’action. Este artigo foi traduzido por 8 Cl. cujo interior agimos. A. por sua origem. Paris: Méridiens/Kliensieck. Munich: R. 1988. como assinalava Ricoeur em Biblio. 1967. F. p.305-306. Paris: Le livre de poche. interpretamos e 14 Para desenvolvimento mais amplo. Temps et récit. 1964. 3 Max Weber. p. n. a ser consultado quanto ao tema *Patrick Watier é Professor Titular em questão. l’histoire. 316.II. GAW. também. Cf. “Tirésias ou notre connaissance des événements futurs”.420. LOGOS não pode sair desse fundo “porque ela chevalier de Faublas. compreendido de maneira 13 Garfinkel.202. p. Gesammelte Aufsatze zur Wissenschaf. 1992. 1 In: Essais sur la théorie de la science.161. que também assina La connaissance ordinaire.303. pejorativa. p. 1985. nem aceder à totalidade que a subtrairia 10 La Rochefoucauld. 1988. Paris: Folio. id. p. (1992).271. membros do grupo social estão sub. Paris: Seuil. 1984. no caso. Notas RICOEUR.273. O termo “ideologia” não deve ser. Paris: Méridiens Kliensieck. In: Essais sur la théorie de la science. Estrasburgo. In: Le chercheur et le quotidien. M. (Vorle­sungen über Encyclopädie und Metho­Adologie der Geschichte. p. A “existência societal” (de Maffesoli) vê Paris: Minuit. Hübner. Crébillon. 305. 1965. França. p. Este livro tem prefácio de Michel Ma- ffesoli. p. E. p. tiramos da experiência e do conhecimento que tivemos de situações análogas. La connaissance ordinaire. Bibliografia doT. In: Ro­manciers du XVIII não pode nem efetivar a reflexão total ème siècle. 1982. Journal. em que este insistia no papel da analogia em história: “O que se supõe estar dado na natureza das coisas. E. Paris: Flammarion. p. 11 Kafka. 6 Schütz. Professor l’esprit. Chez les heureux du monde. do mesmo modo que o escultor que restaura um fragmento de escultura antiga é conduzido pela analogia que en- contra na arquitetura do corpo humano em geral”. GAW.71-72. referida a seguir como GAW. permito- compreendemos as interpretações. Les problèmes de la philosophie de tlehre. p. p. ib. 1987.277. confirmada sua primazia. a volta (rentrée no original francês – N. Tubingen: Mohr. metidos”. 276.179.. GAW. Talvez Weber se lembrasse da seguinte pas- sagem da Historik de Droysen. Paris: Minuit. 1982. GOFFMAN.275. 1981. répresentations de l’activité sociale? Paris: Méridiens/Kliensieck/Masson.207. Cf. In: Oeuvres com- à mediação ideológica a que os outros plètes. Cf. Mind.164-165. p. 12 Cherniak. asseguram.421. Les égarements du coeur et de Luiz Felipe Baêta Neves. _____. Paris: PUF. t. p. de Sociologia da Universidade de 7 Wharton. “L’objectivité de la connaissance dans les sciences et la politique sociales” (1904). Studies in ethno­methodology. me remeter a meu livro La sociologie et les Saber nomológico e psicologia con. 2 Max Weber. p. Les cadres de l’expérience. p.. 1951. vencional demarcam a interpretação socio­lógica ao mesmo tempo em que lhe propiciam os recursos que. Science et idéologie. C. 4 Weber. Minimal rationality.72-73.14 p. P. 90. 1985. ibid. “Études critiques de logique des sciences”. Paris: Seuil. p. Une année de la vie du da UERJ e da UFRJ.35) 5 Id. Paris: La Pléiade..H. Cf.

mas todas as da vida que são comu­mente conside. uma maneira de estar no mundo Héris Arnt* A época contemporânea. o lúdico.26). um modo de que remete à beleza e às obras de arte. que o estilo de um indivíduo é a mate- que o termo estética tomou a partir de A vida social. O autor baseia-se nos estudiosos termo muito apropriado de “estetização inclui necessariamente o outro e é um da arte que consideram as mudanças de galopante”. LOGOS Estilo estético. Para Baumgarten. Cada época pode ser compreendida manifestações da vida cotidiana. conceito de comunicação. A culo barroco e a modernidade pelo estilo universo empresarial. em implícita a idéia de comunicação. p. mais do concepções do design . Gilbert Durand. etimologia da palavra. que ele chama de estilo estético. Esses aspectos como a Idade Média foi marcada pelo estética. des. Para o autor. religio­sas são exemplos dessa tendência. o cuidado com que “há um hedonismo do cotidiano que a contempo­ra­neidade é definida pelo o corpo. O império poderia ser reduzida unicamente à produ- ção artística. quer dizer. (1996.11).até a invenção a imagem. Nossa época estilo ligadas à sensibilidade e à maneira de os objetos mais usuais . em características idênticas . da emoção ou Evidentemente há épocas menos ou estilo de uma época o resultado da visão da vibração comum”(1995. é que ordena a sociedade . Esta suscita o sentimento de agregação. Esta é a questão colocada por Guyau.11). como a expressão de uma experiência em todos os domínios. p. p. Para se entender a contempo­ sociedade. em última concepção de estilo implica em uma Em A contemplação do mundo. como a frivolidade. pela valorização de tudo o que aproxima sobre a questão atribui ao estilo uma fun- que significa o mundo das sensações. Eugenio D’Ors. a partir de um estilo dominante: assim sociedade atual. tido dado por Maffesoli ao termo remete raneidade distingue-se pelo he­donismo. Maffesoli propõe uma “hiper. será uma das caracte. mas torna-se um fato existencial”. ao contrário da idade moderna. e das emoções. A presença da Guyau. Michel Maffe­soli considera da existência que a moda. tudo pode ser compreendido de século assiste à explosão da imagem Wölfflin. deste ponto de vista. os bailes de rock. no momento em que aflora. Tudo torna-se obra o espírito comunal se forma. p. seu duplo significado: de sentimento e de emoções compartilhadas. Nós encon- da vida cotidiana. O termo estética assume. independente da conjuntura rialização da época em que viveu. do desejo comunitário. assume conhecimento que integra pensamento um sentido pleno que engloba não e sensibilidade e não exclui aspectos Estilo estético somente as obras de arte. a arte não imagem. mente da concepção de que o estilo é o rísticas da nossa época. Há uma estetização hipótese da qual parte Maffesoli é a de econômico. Maffesoli. o consumo. que Maffesoli chama de “estilo estético”.a adesão ção social. Ma. estética. na rados secundários. são as conse­qüências mais imediatas e de e sustenta toda vida em sociedade” É indispensável deixar claro que a evidentes. de esporte. política e das contingências econômicas. uma verdadeira estrutura antropológica. “A partir de então. “o estilo é o caráter essencial de A arte sendo um dos aspectos que organiza-se em torno dos sentimentos e um sentimento coletivo” (1995. e o sentido lato levam à este­tização da existência. o conceito de maneira explícita ou discreta . o dão um sentido estético à existência. a emoção. afastan. o século XVII foi um sé- até a vida econômica. Neste sentido está aos espetáculos de música. entendida aqui como a dos artistas. sugerido pela do imaginário. que se organiza sob a égide da razão. determina um estilo de vida. Este hedonismo. as seitas princípios deste século.através das tem dois aspectos dominantes: o estilo e de ser e pensar de uma época. É em torno das imagens que que a realizações individuais. mostram a “sólida vitalidade social” e estilo teológico. desde as instituições políticas. Tudo. O estilo é resultado ffesoli define. aithesis.sendo o tia. Este final tramos suporte para esta afirmação em de criação. demonstrando do-se do significado de ciência do belo. logo de início. está contaminado pela a aparência. a con­tem­po­ de mundo da sociedade como um todo. para não nos alongarmos dema- estética. no século XVIII. impregnando todos os níveis da siadamente na lista. pop ou funks. o as pessoas na vida cotidiana .formando de um conjunto de formas que resultam estética. totalmente emocionais. funda-se no que Maffesoli cha- ma de cultura do sentimento. muito mais do que individual. Maffe­soli usa o A concepção de estética em Maffe­soli homem. o hedonismo raneidade. a partir daí.12). tornando os laços sociais concepção de estilo afasta-se diametral- provoca emoção. que adquire o sentido de “empa. o não utili­tarismo do consumo irre­primível e poderoso que subenten. que se opõe à lógica. (1996.de tomada de posição. A racionalidade”. . A arte impregna tudo. Uma tal visão à etimo­logia grega da palavra. mais sensíveis. O sen. instância.

” (1996. dentro do cultura durante um determinado período. valores. com força. Não estamos muito longe da se o modelo da modernidade chegara ao que se baseia sobre “o prazer e o desejo definição dos “eons” de Eugenio D’Ors. que acabam por criar um Wölfflin. de criativas à alteridade obsessiva e repetiti. brincos pingentes. As conseqüências. das obras de arte nela produzidas.139). soli. o seu uma sociedade fragmentada.27). A diversidade dentro da igualdade. o estilo de uma por uma estética da irracionalidade. no Brasil o centro da discussão era em sem objetivo específico. a partir da convivência. veis e anônimas. podemos deixar de colocar a questão da viver com o outro. âmbito político. mas por atribuir a de estilos. mas as marcas no próprio corpo. que domina todas as instâncias Isto ocorreu com o franciscanismo na comunicar no mundo. como foi o caso do espírito então uma ethica. O Brasil está particularmente inserido totalidade da existência. com a abstenção tropológicas. arte específico a cada época. que não passava de uma ma. estética fragmentada. que isto implica. que impregna a número de artistas muito diferentes. Ao países. mesma área geográfica e num mesmo contemporaneidade é fragmentado. a pós-mo­dernidade. É por essas particu. aparece com todo o mais do que de indivíduos isolados. dizendo que a “comunidade conviver com duas tendências opostas. minância dos grupos. tribo) que estrutura enquanto tais. p. romântico. Deste cais por que estava passando a sociedade. A obra de arte é agente e mitologia do progresso ou de uma mito. de bassin sémantique. Esta recem numa época dada. O estilo é portanto a manifes. a volta. neira de afastar a verdadeira discussão cor e corte do cabelo. com a noção de “comunida. arte isolada. tética é um conceito de comunicação. quer dizer. O prazer de estar junto é determinado as formas compartilhadas por todas as a desmobilização do cidadão que reco. reconhece a existência de moderno. a comunicação. mundo. p. afetivos comunais e. são nem virtuosos nem nefastos. fundamentado torno de se. artísticas época. (1995. vestir. A momento cultural” (Durand. Para Maffe. agrupa as pessoas em torno dos mesmos por estilos dominante. que não é só a maneira de visível do pensamento e do sentimento polêmica. podemos dizer que é homem medieval. não só por defender entrelaçamento de uma infinidade combinação de estilos contraditórios. indecifrá- época a partir de suas criações. fim. havíamos sido Para Maffesoli. falar de uma governos e instituições. No final dos anos da vida social. O que de filosofia e arte. 1982). é o que gere a vida em so- go período. de estilo” nasce do fato de que todos muito fortes: por um lado. ponto de vista. por uma infinidade de grupos. a respeito da modernidade. Pode-se. com. e permite o bem-viver social. na tatuagem. uma ética. por outro. no ou não. Maffesoli esteve no centro época é resultante da interação e predominância de formas irregulares e a desta discussão. desenvolvimento tecnico-econômico. A esses períodos. e por lon. artiste et société. logia do fazer”(Maffesoli. pelo gosto comum e pela teatra­lização manifestações artísticas de uma mesma nhece os limites à participação política.22). Na coletivos. que podem pletamente dependente do grupo (ou Mais do que isto. O estilo é a forma exterior bem-estar social à maioria dos cidadãos. 1989. composta terísticas. p. não uma maneira de viver em sociedade. com modernos. “que obrigam as individualidades por que está passando a sociedade. p. marcados baixo” (1996. LOGOS Seguindo caminhos propostos por se pode falar do homem clássico ou do que aprofunda a questão da desmobiliza- Gilbert Durand. com laços A sociedade estética pós-moderna é e acabam por exprimir as mesmas carac. Para o autor. as características dominantes de uma contrário da mo­dernidade. Certos períodos pensar da mo­dernidade que Maffesoli Esses sentimentos vividos juntos não da história da cultura são tão fortemen. muito sobre as mudanças absolutamente radi. seguindo pistas de M. determinando um gênero 80. que penetrou no estilo no Brasil. a moda. nos tação da cultura como totalidade. estilo global: “é esta unidade global que de de estilo”. Enquanto europeus discutiam cultura de grupo “perfeitamente amoral”. inaugura-se uma nova maneira de se estética. considera nossa época pós-moderna. uma manifestação vital. procura o máximo de originalida- e não o estilo de um indivíduo ou de uma que não conseguiu assegurar igualdade e de dentro da uniformidade. O sentimento estético é o que barroco. em um grande tempo. O estilo da tendências específicas de estilo que apa. vitalismo a estetização da nossoa época. são a ilegitimidade dos obsessivas. Idade Média. é uma ética do viver junto. ações e os sentimentos que determinam zar o sensível. verdadeiras estruturas an. mesmo os que acreditam ser to. 25). da comunicação estética. Esses . Este é o va de um estilo que marca tal área ou tal noção de pós-moder­nidade. de uma unidade. países periféricos os ingredientes do pós. no âmbito social. eles te marcados por valores. universal. de estar junto sem finalidade particular e que vê no barroco um estilo que corres. o en­raizamento Corpo fragmentado participam de uma realidade específica numa sociedade tradicional. e estaríamos numa era pós-moderna. A adesão ao grupo inclui a teatra- Gallimard. 1992. a discussão criada em torno do fim da de aceitação da vida tal como ela é. com o espírito bucólico Idade Moderna teve grande repercussão Maffesoli chama “ética da estética” é uma do século XVIII. em que Maffesoli. Para Durand. ponde ao espírito geral. É neste sentido que globalização em nível macro­e­­co­nômico. a fragmentação. o Brasil é um laboratório da cada um cria seus micro-sistemas de Saphiro (Stile. para Maffesoli a estética cobrir imensas áreas do globo. a emoção É nesta linha que o conceito de es- as relações sociais geram um gênero de coletiva. numa merece atenção”. p. a todos os excessos podem ser cometidos. mais polêmico conceito de Maffesoli. uma vez que as instâncias de poder possível compreender o sentido de uma “Nada escapa à atmosfera de uma são cada vez mais longínquas. ção. algum dia. e será então mais relativa. será é uma ética. um ethos que vem de ciedade. Cada um. vê o estilo como a forma O próprio Maffesoli afastou-se desta lidade. Paris: pós-moder­nidade. pela visão de Ao analisarmos as modificações radicais são o que são. Cada época traz em si idéias talmente independentes. por Wölfflin. A partir daí. é a característica Maffesoli apro­funda a questão colocada neste mesmo momento. o que é importante são tais como: o fim do político.56). assim. de relações sociais muito diversas. eleitoral da ordem de 75% em alguns resultante dessas idéias. a contem­poraneidade “vai valori. justamente por global do estilo contemporâneo. As lógica. Durand chama laridades opostas à maneira de ser e de interesses. o esgotamento do modelo democrático grupo. que toma a o retorno dos laços comunais e da predo- época podem ser desvendadas através forma de uma categoria rígida.

Seja um pequeno exemplo desses ritos co. LOGOS são os fundamentos de uma estética. à repetição do ciclo. estética. essas singularidades da existência. forte como nas sociedades tribais primi. ção. e dos fundamentos do das pessoas. favorece a emoção. levado às últimas conseqüências: do-se do Rio de Janeiro. próprio da sociabilidade Os elementos arcaicos. A estetização e a teatralidade te de vitalidade . o mente ritualísticas e estão aí para mostrar alguns casos as diferenças são fatores de ressurgimento comunitário não deixa de que a existência é a expressão de uma coesão. grupo permite. segundo o gosto Ideal comunitário racional da vida social. Os indivíduos valem pelo grupo em que muitos sociólogos será uma dominante da sas são diferentes maneiras de viver o “ideal estão inseridos: “De fato. com o predomínio de o retorno de elementos arcaicos que vêm tidade a um grupo elimina qualquer outra uma estética fragmentada . Es. dos bailes funks estilo de solidariedade emocional e afetiva “A importância da aparência na vida quo. como renovador comunitários. ou a ma. os clubes de leitores de um gênero (1995.o sentimento comunitário pode ser recusar sua existência e amplitude. cidades um ar de mercado permanente. As diversas contemporânea é inteiramente ritualiza. de defesa dos direitos de que estamos tendo os indícios. o corpo exibe-se É em torno das imagens que o laços comunitários. tão João Maia. não conseguiu eliminar o sensitivo. está falando do que há de solidariedade e de generosidade têm aflo- os mesmos gostos. humanos. Não só a vestimenta. Quando Maffesoli refere-se ao ideal Para o “melhor”.22) Estas tivas. E nada serve negá-lo. Nossa época tem dois aspectos um sentido estético. mas nidade baseia-se nesta nova solidariedade o próprio corpo leva irremediavelmente de moradores. tratan. nesta revista). formando verdadeiras comunidades dos que constitui um estilo de vida e é fon. ou seja. a multiplicidade da. fonte de criação e agregação surgem com força total. como por suas manifestações fazem-nos lembrar dele. correspondem ao ressurgimento do que ver na emoção e/ou violência experimentada guindo-se o pensamento de Maffesoli. em relação a ele mesmo e aos pa.como as associações que essas ações não apresentem resulta- são fatores primordiais de comunhão dos objetivos de eficácia. de fazer xuais e esportivos estão aí para prová-lo. mas é uma criação social totalmente diferente os pingentes perfurando o rosto. A este respeito podemos citar comunidades. das torcidas nos estádios de futebol. Só que Maffesoli con. p. da ecologia. bem aí. A sociedade A contemporaneidade substitui a cultura ter consciência desse problema. A estetização galopante E esta forma de solidariedade assume resume tudo ao jogo das aparências. Tudo isto é da ordem com sensualidade e teatralidade. solidariedades cotidianas. Mesmo iguais. parte das comunidades. que não elimina o outro. em muitos aspectos. de do elã social.composta substituir os valores que foram a marca da possibilidade. de viver junto as Maffesoli inclui necessariamente o do próximo. e reúne pessoas que comungam comunitário. os espetáculos esportivos. exacerbação contagiante. se. pontualmente. em outros. no progresso e nas utopias. no entanto. a noção de estilo nos contemporaneidade. étnicos ou lingüísticos. expres. é uma ética (sobre a ética. Essas manifestações da época. os mesmos códigos. quando. o novo estar- a “fúria con­sumista” que dá às grandes digos. modernidade. neutras em si. do dos agrupamentos amigáveis. A hipótese de uma pós-moder- lação ao outro. mento do efêmero. que começam a se delinear na sociedade o “melhor ou para o pior”. culturais. res- tomada no sentido estrito do termo. opostos ou não uns aos ça no futuro. A iden- é fragmentada. a música cando o ressurgimento dos laços grupais. os fã-clubes ou os “inter­nautas”. Dentro desta dinâmica. mais ou no seu interior. A atualidade está aí. No interior desses grupos. para nos lembrar neste sentido é uma expressão do trágico a marca é a violência que se observa em dos perigos inerentes aos comunitarismos que vem do fato da existência ser sempre eventos. não uma maneira de encarar a existência pre- ideológica. tais como os laços enraizado em um substrato que lhe dá . mais prosaico na vida quotidiana. procura do belo. Cada grupo cria seu padrão es. neste final de século. mas rado na sociedade. que reconhece a é uma forma de comportamento em re.75) A sociedade do espetáculo ante­vista por literário. A formação dessas como for. também dos espetáculos de música que das formas que prevaleceram durante a greza anoréxica marcam um es­teticismo agregam adeptos de um cantor e. Deve-se remetida a ela própria”(p. com otimismo. a cren. sem a crença numa sociedade emoções fortes que a participação em outro e é um conceito de co­mu­ni­ca­ futura. o desenvolvimento Para Maffesoli. em que tudo dominantes: o estilo e a imagem. se- e a dança a que os jovens se lançam são desejo de pertencer a um grupo. ou de repulsa entre diferentes grupos. menos disseminada em diversos países. exemplo. Isto talvez explique a violência por grupos absolutamente homogêneos moder­nidade: o ideal de igualdade. no horror ou na suavidade. da razão pela cultura do sentimento . longínqua e perfeita. ensina que o homem só o é enquanto está sidera este aspecto. nas favelas. alteridade. fortalece o sentimento coletivo e cria os se reduz à aparência.26). p. tidianos. sem que. elas representam .de uma comunicação não verbal. existe um código implícito agregador. venham sendo objeto de reflexão. Maffesoli leva em consideração os riscos ao trágico do destino” (1992a. estabelecendo relações de adesão do renascimento do espírito comunitário: manifestações em grupo são verdadeira. o não drões por ele criados. religiosos. comprovando que a racionalidade moderna belo.provo. das baleias. com vontade de viver fundamental: “O ritual possibilidade de convivência pacífica . não inclui necessariamente a presença junto está aí. que se baseia exclusivamente A concepção de estética em sente. como podemos A sociedade contemporânea. As tatuagens. de adeptos dos mesmos có. muitas formas de tético. espírito comunal se forma. sob pena e que às vésperas de Natal mostra uma compartilhado por pessoas que comungam de sobressaltos. o modismo. mesmo festivos. comunitário” na nossa época. que sando uma maneira de ser e de sentir. de um novo estilo de comunicação. Para Maffe­soli. a cultura do sentimento. este novo radical. Em “É verdade que. ver o artigo de tidiana está diretamente ligada ao senti.” ostentatórios sem precedentes. nas platéias de certos espetáculos. com gastos os mesmos gostos e prazeres. ele qualifica de “ideal comunitário”. física . é eliminada qualquer ser inquietante. outros. e que às marcas de uma estética. podem ser para técnico que o permitiram. numa tentativa de melhorar a vida no prazer de estar junto. paradoxística ou cotidianamente.e seus gritos e seus furores.

da a entender um fenômeno a que estamos marca-se pela intradu­zibilidade. uma ordem que. A identificação é comunicação não seja direta. da felicidade são lançados em escala mundial ao mesmo individual. nova sociabilidade e é uma nova forma segmentos estanques da sociedade. tem caráter excluden. o mercado é totalmente especia- a comunicação dos sentimentos e que No século XIX. pois. de mensagens. E essas O conceito de estética em Maffe­soli aju. de Internet. Não se trata mais da comunicação de te. O estilo estético estabelece seu sentido estrito. pois a literatura res de pequenas editoras. mas ela será segmento determinado . tem nas figuras emblemáticas das não obedece aos critérios do bom gosto. de acordo com a especifi­ se constituir microcomunidades. destinada aos que comungam fragmentam em uma infinidade de sub-gêne- desde que se entenda a comunicação dos mesmos códigos. neste final de século. favorece tão a dizer que você não é se não pertencer assistindo. O particular. que ele não tem valor senão in. como todos os outros pro- sociedades tradicionais ou primitivas. dedique-se a sociais. formando uma linha de frente. onde eles estiverem. A apreciação de Bau. a literatura represen. A tentando antever os rumos que o gosto do de comunicação. baseada em através dos jornais. revistas literá­rias e produto. Trata-se de uma co. e Laços de sociabilidade se estabelecem entre emergência. explicar a saturação do ideal democrático e a cultural atingindo um público amplo. ela “se afirma essencialmente como um códigos particulares acessíveis a um grande televisão ou guru intelectual ou religioso vetor de socialidade. interposta se identificam. clássicos. . sob muitos aspectos ambígua.os segmentos se drillard estaria correta. “simbólica em potencial de comunicação criado pelas redes seu sentido mais forte. 84). que é a crise os adeptos do mesmo código.destinada aos iguais. seja indiretamente. segundo Maffesoli. p. . que perdurou até recentemente.37) A con­tem­po­raneidade. A indústria cultural produtos culturais da contemporaneidade restrito de transmissão e recebimento vem se adaptando aos novos tempos e é diferem do fenômeno de cultura de massa. dirigida para mundo. espalhadas pelo O estilo estético está na base de uma tornou-se fragmentária. era engajada numa comunicação fragmentária. reencontra o principium relationis das A literatura.39) vertical. E isto era possível porque existia A área editorial é o exemplo típico de tocar o outro. mundial. ideologia da educação. mas público vai seguir. Essa literatura. mas da transmissão de estrelas de música. um projeto civili. (1995. bastante uniformizado pelos padrões esté. A identificação não se de comunicação. Ela era um meio de comuni. esporte. a favorecer o contato com um universo simbólico. quais os pertencentes às diversas tribos não desaparece na contem­poraneidade. para assegurar sensações compartilhadas. LOGOS seu valor. mesmo que a do que se poderia chamar de ideal comuni. que contemporânea.” dutos culturais. valoriza o sensível. cria laços a uma tribo: “Através dessa cristalização. a produção e o consumo absolutamente portanto. A pós. Nunca se publicou tanto específicas. leitores do mesmo gênero. p. da cultura de massa. p. de todas as partir de múltiplos códigos. no sentido a uma nova realidade social. línguas para todas as línguas. de ufologia. para perceber a fragmentação rizomática fundada no principium individuationis. com os O caráter de universalidade da literatura serido no seu meio social e natural. adaptação de um setor da indústria cultural o outro. mas a emoção coletiva. não racional. pessoas em todo o mundo. 1995. ticos da cultura de massa. O particular figuras emblemáticas da nossa época es. no sentido todos os outros grupos. fascículos. que vão da exacerbação. vão.78) E isto não quer dizer que os grandes temas Maffesoli coloca em questão a crítica universais não têm mais lugar na literatura à comunicação feita por Bau­drillard. de pertencer a um grupo é mesmo muito A comunicação na pós-moder­nidade. mas que eles têm o seu afirma que a profusão de comunicação público cativo delimitado. O que pode faz mais horizontalmente. Ela pode horror. com um produto cidade que Michel Maffesoli dá ao termo. Traduz-se muito. zatório comum.” (1995.53) número de pessoas. A globalização e internacionalização dos no seu aspecto de conteúdo. Mas estaria totalmente interessante analisar um de seus produtos. em títulos publicados. a te. especializada . especializada. A tendência da sociedade estética é a cultura forte entre leitores dos livros de série de antevista por Maffesoli. que é uma tava uma cultura de massa.títulos novos. Basta examinar a lista dos “sites” depois do parêntesis da modernidade. O sentimento tário. progresso pessoal e coletivo. em nossos dias”. A indústria cultural procura o tipo está para além do conteúdo. existe um dinâmico setor de milha- Cultura de massa Nada disto existe hoje. O sentido da estética que mas a questão não tem mais nenhum sen- por uma mídia absolutamente impregnan­ começa a se delinear a partir dos anos 80 tido.” (Maffesoli. todos os sentidos do termo. a especialização.” (1995. cinema. tura é. da cultura. que em cação muito forte que favorecia os laços gigantescos do mercado cultural. Mesmo errada se levarmos em conta o sentido O que vem acontecendo com o livro pode que se trate de um consumo em macroescala muito mais amplo do termo. ficando eliminados ros. do dução centralizada de alguns títulos (que p. estabelecendo uma também nos clubes de leitores de Proust comunicação estética. literatura não representa o mundo. lizado. “uma comunicação. p. (1995. ou Eça de Queirós. que se passa o fragmento do mundo. exige iniciação e tende à repetição e traduções. Tudo isto passa a ser modernidade funda-se sob uma outra multiplicado infinitamente com o novo ordem comuni­cacional. que engloba ser exemplar. títulos esquecidos. seja direta. quer dizer. segmenta a comunicação. de ficção científica. Ao lado da pro- que predomina. tempo). dos grupos de discussão. A conseqüência desta municação fragmentária. os fragmentação é o aumento considerável de no interior dos grupos com afinidades diversos particularismos. entre adeptos dos mesmos códigos. marcada pela Parece que esse é o tipo de comunicação mais amplo do termo. A tendência da litera- a cristalização do gênio coletivo. maneira de vestir ao estilo de vida. transmitida de consumidor e o tipo de produtor de seu comunicação emocional. valores universais. A vocação da na atualidade é um sintoma da ausência ser global e atingir um grande número de literatura é cada vez mais produzir para um de comunicação. Pode existir. as correspondências de identificação.

todos os elementos da vida social interagem-se.” (1995. Eagleton. tornando Bibliografia impossível a separação de um ou de ou- tro elemento: “Neste caso o estilo pode BAUDRILLARD. 1995. Pe­trópolis: coerência interior. defendido por Maffesoli. o estilo é o elemento que liga os diversos Paris: PUF. mas tem uma grande _____. O autor observa o fenômeno de es- Apesar de a indústria cultural produzir para tetização da sociedade de forma negativa. confinado ao norteou a moder­nidade. para explicar a unidade das manifesta. vê o estilo estético como uma economia e lazer.” (1995. a preo- cupação com o inútil. Maffesoli usa o termo unicité Cahiers de l’imaginaire. de.1990. Gilbert. Para Baudrillard. baseada nos sentimentos e emo- como a nossa é praticamente impossível ções. ser compreendido como o princípio de São Paulo: Papirus. A transparência do mal. caracterizada como uma época que assume GUYAU. p. 1992b. Du baroque. em conseqüência da estilização geral Conclusão da época contemporânea. In: Na verdade. LOGOS É neste aspecto que a análise da produ. uma nova dade uma organização social relativamente maneira de comunicação.p. com a prolifera- ção editorial é interessante para a compreen.21). 33) A predominância estética da socie­dade contemporânea é também anunciada por autores como Bau­drillard e Eagleton. L’Harmattan. onde tudo se transforma “em pura Professora da Faculdade de Comu- e simples produção de valores estéticos” nicação Social da UERJ. determina uma comunicação que só isolar um aspecto do outro . Paris: Idées/ diversidade das coisas. Les problèmes de l’esthétique uma unidade interior e cria um estilo próprio. forma de ordenamento social. . (Baudrillard. ponto de vista. A contemplação do mundo. lazer. 1990. 1992a. 1993. os receptores dizendo que a estética “se materializou dos produtos culturais são grupos especí. Não se _____. legitimada como re- ração nítida das diversas áreas da sociedade tórica da verdade e da moral. entre comunicação. A ideologia da estética. economia pois. estético da pós-modernidade. Vozes. o que confere à moderni. em que o “sentido do supérfluo. Paris: Alcan. aponta para o fim da arte. 1935. mas de Grasset. ções da época contemporânea. uma coisa à parte. um conjunto de formas dinâmico. Paris: Monfort.23). aficionados.a divisão entre vida privada e vida pública.1990. 1929. formados por verdadeiras tribos de cional” (Bau­drillard.1. ao . tornada autônoma. próprios princípios. unidade. em profundidade. a D’ORS. M. Maffe­soli. Na sociedade complexa estética. 1996. o que une. H. Paris: trata de uma unidade de valores. de sentir. DURAND. * Héris Arnt é Doutora em Sociologia mina a possibilidade mesmo da existência pela Université Paris V . de um certo estético afasta o individualismo que modo. No fundo das aparências. n. 1920. p. A pulsão estilística enquanto maneira de pensar. da estética A idade moderna promoveu uma sepa. é seu mais nítido indicador. Rio Para Maffesoli a contem­po­ra­neidade é de Janeiro: Zahar. Jean. J. Porto em mutação.” (1995. La transfiguration du politique. arte. a sociedade transestética eli. p. sociedades holísticas. abrindo-se para o ideal comunitário e Na sociedade pós-moderna. Ludisme e socialité. A comunicação domínio da arte.30) Deste Gallimard. Principes fondamentaux de raneidade inaugura uma nova cultura.os limites pode ser vivida em conjunto. p. que não é fechado em seus Alegre: Artes e Ofícios. o individualismo como possibilida- são inexistentes. eliminando. _____L’Art du point de vue sociologique. A força deste estilo “exprime o paradigma Paris: Alcan. EAGLETON. ção infinita dos signos e a reciclagem das são de todo o sistema cultural da atualidade. O estilo estético da contem­po­ WÖLFFLIN. 1989. Michel. contemporaine. 33). a busca do qualita- tivo assumem o primeiro lugar. 1992. componentes da realidade social.8. l’histoire de l’art. sempre _____. Beaux arts et archépypes. MAFFESOLI. formas. O paradigma simples. O estilo podia ser. um macro mercado mundial. de agir. contrário. por toda a parte em uma forma opera- ficos.Sorbonne e da arte. por sua vez.Terry. como nas novas formas de sociabilidade. Eugenio.

discursos sobre a desterritorialização e a teriam esta arte de acoplar o moderno formar comunidade. Contra de Ulisses e os mapas que Penélope bor. É cem as visões do mundo que marcaram a Maffesoli parece ocupar espaço singular em torno de um estilo que a pluralidade cultura de uma época. e As viagens seus rituais. Michel Serres pergunta-se Sua fala. criando momentos. a política. por ocasião das apenas desenraizados mas em processo xo constituído pelo estilo. de Júlio Verne. empresta à ocidental. procura noções capazes de integrar a dos rios. LOGOS Uma narrativa de celebração T udo muda hoje: as ciências. seus mé- todos. o obstáculos naturais ou históricos. nossa comunidade. do centro. o do a fisionomia do presente campo e a cidade. considerações sobre o contemporâneo e o desencantamento do mundo. sempre mais espaço e as Na análise do social. nos. a crise dos refe­ . vai descrevendo ção. prolongam-se em redes que fazem pouco muito pela terra e seu meio planetário. da história unitária. dos É desnecessário dizer que. uns autores mais que outros lúdico. na sua dispersão. o comple- bra oportunamente que. existe. ais orientados por um projeto. realizaram autor. as relações nas tilhados irregulares. sabe puxar fios que. Seu pensar a violência. Não diverso daquele que o ante. o imaginário. O que Homero fez neste reen­can­tamento do mundo pela toma forma. os espetáculos. Dissolvendo antigas ordem a ser descoberta. pelo jogo das aparências. vão dan- famílias. surgem os narradores que te. das barreiras alfandegárias. por perda das referências. não numa lógica identitária. Afirma que. Nos dias atuais. o devaneio. fazendo-nos poder sentir não paradoxal que possa parecer. apurado.. o páginas do antigo atlas de geografia extraordinárias. pelo Mediterrâneo. nos diversos emoção.. na linha do que ele mesmo coloca como sendo um paradigma estético. de escuta e olhar sobre nossa futura habita. o mundo virtual fragmentos a serem desdo- da comunicação conquista brados indefinidamente. não se dá em blocos conceitu- Em seu livro Atlas (1994). em pon- ou destrói. mais que os conceitos. Quando a palavra de ordem é racionalidade foi tão bem descrita por a crise da representação. os pontos de A questão é como habitar fugas que dinamizam cada um mundo globalizado. empresas. escolas. Michel Serres lem. pela forma. suas inven- ções e a maneira de transformar as coisas. ao antigo. cantando a navegação delicadeza com que vai tecendo suas mas de identificações sucessivas. mas fronteiras. com coreografia barroca os so sustento. de forma por a organização que ele cria vezes contraditórias. grandes transformações de nossa história de identificação. cuja dou a partir de seus sonhos. uma ma­cro­ cedeu. capazes de. tão cena contemporânea. o professor Michel pós-modernidade uma força singular. o mundo da tecno-ciência e ren­ciais estáveis. portanto. a obra de Maffesoli. em que vivemos. as dobras. O que fazer? elementos que propiciam os Como nos comportar? nós.

a obra de Maffesoli. do estar-junto de corpos mais conteúdos. timadoras ocupava o pólo negativo da liberados. mais próximos que. a cristalização de uma moral ou com empobrece-o. na pregnância do se em determinar os limites ao analisar experimentação e busca de expressão. à formação de comunidades. com sua obra. Na mitos. que aliás não cansa do mundo. um investimento no O corpo em mutação depreciativo que marcou nossa história. Como assinala Michel presente e à vida que não desloca para estabilidade para tornar-se fluxo. enquanto campo propício zações e ordens que se constituem como antiga teoria mimética. a hipertrofia do intelecto em detrimento do nariz e das orelhas entre as tribos Transforma-se em modo de propiciar da capacidade sensorial. Estas transformações hoje atingem seu deslocamentos geradores de desvios nossa percepção. de forma tornar-se. a arte. a produtividade com o quotidiano retira do pensamento sivamente privado dos grandes relatos. sublinhar a importância de repensar com inconsciente. Michel Maffesoli oferece o reen. não se atribuem qualquer tipo de busca incessante de interpretação tem e inventa em discussões. Nada é sem importância ou e a perda da possibilidade de imputação pensamento barroco que se dá por atos frívolo. e o puritanismo numa lógica do dever. e tantas outras for- que confundem a dinâmica ética com ao contrário. a criação de quelóides faciais o eu e o outro. do texto’. não esvazia o mundo ou mas de interferência (alteração) corporal. sob a égide do amor ao ápice e o corpo cada vez mais perde a comportamentais. Aqui é importante subjetividade (o para-si. instrumento ritual. seus interesses como o caminho do ser e do na superficialidade e na efervescência sabe puxar fios que. via Se os anos oitenta se caracterizaram categoria dominante. Neste processo ético a arte é experi. um sentir junto num mais sutis e complexos. à relação com o padrão estético vigente cessário à formação da comunidade. à agressiva de imposição de sentido. atribuindo importância estruturas artísticas e tentando revelar O corpo que à época das narrativas legi- ao sentido. acima mencionados ele não cai na armadilha de simplesmente mentada como nos primórdios: encan. cotidiano e ethos que vem de dentro. pelo irracionalismo. do mito. de confessar suas ligações com os autores Delineando um paradigma estético. pode contribuir Numa cultura cujo dilema já clássico é XX. agora se libera tribos. ser. destrói. medida que escava. a sociedade). preocupando. tamento e magia. e perfis do alegórico e sua função agregativa. tal dicotomia classi­fi­catória. Isto que já acontecera na virada espetacular. a ética vista não como amanhãs utópicos ou catastróficos. para encontrar um subtexto que exemplares a redução dos pés das mu- gente. antiga ética do dever se vai substituindo antigo estilo de interpretação era insis. Na linha nietzschiana. Nesta linha. mas como valorização do sensível. rígida. o alongamento do uma negociação entre valores e verda. modos de vida significado em cima do literal. objetos artísticos. lheres chinesas até o princípio do século livre jogo das faculdades. universal. Perguntamo-nos o que se faz quando Correndo o risco de ser olhado com es. na linha quando julgamos todos os conceitos sim- que considera que tanto a vida política ples racionalizações? Maffesoli nos mostra quanto a quotidiana vivem e se cons- do que ele mesmo coloca como a importância de auscultarmos o corpo e troem paradoxalmente na teatralidade. por exemplo. criava outro um hábito comum a várias culturas. ele por vezes contraditória. como assinala o autor a noção de forma sem o viés Cas­toriadis (1992). entre a pólis e os cidadãos. o autor razões pontuais: uma “razão sensível” nifica apenas uma outra harmo­nização descobre a importância das identificações capaz de elaborar sobre os dados de uma das diversas instâncias que compõem a provisórias que vai afirmar contra as fun- sensibilidade intuitiva. como seja verdadeiro” (Sontag. reduções perversas. de ambiência afetual e pulsão A ética que se inspira no estético não do dia a dia recebem ênfase e são razões tátil. Segundo Susan Sontag. Maffesoli (1987). deslocando-o para desenhos. o aumento dos lábios e a perfuração para a recuperação do processo ético. num viés kantiano. É a estética propiciando hoje sua fonte não na piedade para com que recon­figuram os estatutos de real identificação e abertura para as dife. cantamento através da imagem. campo de pontilhado orgânico. Na trilha de um mecânico. O estilo maior parte das vezes. fessor Michel Maffe­soli. nos quais aspec- Um estilo mágico. afirma a profundidade na superfície das dando a fisionomia do presente Nietzsche ou Simmel. num eterno projeto de in. natureza e renças. São casos Quando se quebra o paradigma vi. Sig. e contra o mundo. moderno de interpretação escava e. mas numa atitude e irreal. sentir. Sua especial atenção pela discussão da crise do sujeito progres- privilegiando o projeto. cava ‘debaixo em determinado grupo social. Maffesoli não pertence à linha daqueles ção e a importância que atribui ao corpo e porém oferece pistas para pensar organi. a interpretação indígenas brasileiras. do universalismo. evitando redu­cionismos Michel Maffesoli. a razão está em crise? O que se faz quando tranheza e se colocar na contramão das julgamos a mente incapaz de guiar os atos análises predominantes. A obra de Maffesoli se cria e vive em inverter a antiga ordem de cunho iluminis. o autor se dedica individuais e o processo social? O que se faz a observar o jogo das formas sociais. “O cultura. sendo um paradigma estético. esta prática tem que propiciem o crescimento social ne. formando terpretação. autores que permanecem ligados à suas imagens. tempo presente. É preciso buscar o sensível e suas de responsabilidade ao indivíduo. 1987). ou pela anarquia.. o vício da abstração. e não por encadeamentos causais. O formismo sociológico neste do milênio que abriga a fabulação do pro- sentido se afastaria de uma visão estática em que vivemos. é uma vingança do intelecto sobre a arte pescoço com anéis de metal entre tribos des plurais. Transformar ou alterar o corpo é uma comunhão em torno dos mesmos tente porém respeitoso. enriquece nossos sentidos. as­so­cia­ti­va­mente. ocorre agora no fim coisas. de emoção coletiva. visionário. . já . sintonia com o contemporâneo em muta- ta. LOGOS Weber.. em contraposição ao ordenamento implica um relativismo qualquer da moral de reencantamento. muito entre tribos africanas. tos antes desapercebidos ou desprezados fantástico. o ções de identidades fixas e estáveis. asiáticas. privado e público. em produções universalidade. o consciente. vão do século XIX que produziu. o texto problemático.

o estado daquilo que é perde por vezes o viés de negatividade . complementarmente. que consi- dere os múltiplos mitos que atravessam a contemporaneidade. definitivo e constituin- platônico-cartesiana. infinita. a morte. em seguida. ocupa. vergonha da nudez. sublimá-la. suas possibilidades de significar. É neste cenário aparentemente caó­ tico que se estabelece uma nova ordem corporal da qual já não se pode falar de forma setorizada. a des­conformidade narrativas legitimadoras ocupava o pólo ção como o estado do que é ina­cabado com relação a uma matriz modelar. mas dentro de uma visão antropológica global. O corpo. que à época das numa terceira. hoje sua importância é dinâmica perfeição e imperfeição. paradoxalmente. ora atuam sobre o próprio pensamos esta imperfeição. econômicos. samento de Michel Maffesoli é pensar versão de imperfeito. jurídico. por exemplo. sendo que a segunda se desdobra Quanto ao terceiro sentido da imperfei- padrões éticos. O Aurélio é sugestivos pelas alusões às metamorfoses corpo por meio de toda sorte de artifícios. aparece. natureza e cultura. pelo processo de estetização geral e o seqüen- cial abalo do estatuto da criação artística. No mito de Adão e Eva. ção. Também os mitos corporal. ou seja. insiste contra os filósofos de linhagem sões. ultrapassá-la. Apesar de ter sofrido através dos tem- pos. enquanto inacaba- poral. pelas turbulências e revoluções da nova física e da nova biologia e. A discussão pitude. finalmente. culturais. então. pela dissolução da União Soviética. funcionalização e insigni­ficação. operações atravessadas por mecanismos de abstração. preferindo. tentando positivar a falta primordial do saber. em meio a desconstrução de toda ordem. la. privado e te do corpo é. Primeiramente. en­foques no sentido do corpo remetendo-nos à do. pelo questionamento dos padrões éticos. hoje. desta limitação e das formas de expressá- Depois do período em que a própria O que buscamos com apoio no pen. indiscutível nos mais diversos campos Giovanni Pico della Mirandola afirma. mas. do corpo que se disfarça constantemente ora produzem virtualizações por meio da no Robert. O corpo. como também insiste os estatutos de real e irreal. poder aperfeiçoar-se sempre. sua decre- contra todos os discursos de normatização público. mergulham na destruição ou indistinção dos parâmetros. limitado na explicação do verbete. aprendendo que ordem/desordem não são excludentes e podem dar lugar ao novo. dá ensejo a pensar os limites do corpo e necessariamente pela problematização religioso e econômico. o acidental. para salvar-se da destruição. da criação. encontramos duas versões bá. o multiplicação e à mutação do corpo em gem sobre os anjos (que são perfeitos): corpo propicia o pecado e é punido com paradoxais metáforas identitárias que. em sua representação. exempli- ficada pela queda do Muro de Berlim. de expressão. éticos que se esboçam. enquanto prótese mente. A sociologia não privilegiou a análise cor. tecno­ciência. e. em produções que reconfiguram Como o essencial. imperfeito por essência ou por acidente. precisamente por ser “imperfeito”. que gregos que retratam genealogias são uma imagem. exigindo um repensar dos sicas. o corpo agora se libera e se inventa em discus. as invenções que revolucionam o conhecimento. ela negativo da dicotomia clas­sificatória. lugar nodal para a percepção dos novos caminhos políticos. de metamorfose. LOGOS o final da referida década e o início dos anos noventa. imperfei. a necessidade do trabalho e a ora levam a moda. É no prisma de busca de mais sen. Assiste-se a uma exacer- bação dos processos de construção corpo- ral que chegam a desafiar a natureza. e a biologia torna-se a ciência va que. Assistimos à o ser humano tinha uma grande vanta. sobretudo se observar- mos o tratamento que lhe é dispensado nos mais diversos campos do saber. minorá-la. pela multiplicação de vozes que se con- figuram em reivindicações e radicalismos de caráter fundamentalista. aos limites da desconstrução de tido. na pluralidade e unidade que lhe são peculiares. a instalação de sentido passará provenientes dos campos médico. como a própria des­tinação do homem. relatada por uma infinidade de relatos decisiva para o século XXI.

a valorização da imagem de uma de uma identidade social num momento de de sentido excessivo e indizível. privilegiando a intuição campanhas promo­cionais. sentada pela estética da primeiros decênios do vimento da moda enquanto estratégia. de Ber­ classe. concentração/exclusão roupa não se reduz a uma função de proteção. comunicação global. que buscam a nini. o saber e a ética deixam de se dinâmicas nas configurações inter­sub­jetivas multiplicação em abismo das aparências comunicar. uma vestimenta crística ou a iconodulia gótica. simbolista. O saber torna-se. provoca discussões sividade como movimento de aperfeiço. véu lançado sobre o jogo do poder destituindo de valor os campos da poesia. passagem de um processo de “expres. Cyrano época (iconodulia) para outra (iconoclas. o autor. de Bergerac também poderia suscitar tia). temente houve sempre efetua um máximo de pudor ou adereço. na busca de um capitalismo organizado condenado a se cobrir devido ao frio. a pouco a austeridade dos mosteiros iso. Além imagem. Na época do uma ponte entre a fragilidade deste homem dente. no século XIX. na a sensibilidade corpo/imagem/sentido ao racio­nalismo estaria o movimento aposta de um tempo em que esta cosmeto- mais que nunca ficará subordinada ao co. com o projeto de mo- na esteira da máscara teatral. Nesta mesma linha de resistência versos campos é criticado por Eagle­ton. dernização. . Eviden. econômico mínima histórica e culturalmente determina. além seus tentáculos via tecnociência sobre os detrimento de sua en­car­nação. O Corcunda de Notre Dame. de certa corpo e seu modo de se apresentar na busca Hugo o discurso do sublime com sua carta forma. foi diferença na dissolução dos modelos armados levada a seus limites. chineses. ou da différence. movimentos de resistência diferenciação funcional se constitui um ato de significar. que privilegiaram os senti. lados da cidade. Soror Jua­na Ines de neste contexto que se configurou o movi- sobre pares dicotômicos. que trabalham no sen. viés tecnológico. teríamos em relevo o des. segundo Gilbert nação. tem sua fonte ainda nos gregos. saber social. pela valoriza. semelhantes. ti­bilização. patibilizar. O que se assiste hoje. trata-se de uma apropriação. la Cruz e Dom Qui­xote têm percursos mento de estetização geral que caracteriza classes. Polinésia). na mundo marcadas pelas sejo de extrema compa­ linha de Derrida. de no cumprimento de compasso entre significante/significado um absoluto sem ros. pré-colombiana. vai assumir numerosas tualidade barrocas também buscaram na autonomiza. classicamente. seu coroamento: o sur­realismo. seria uma terceira retórica. por exemplo. nidade. etnias etc. busca da verdade. segundo Barthes. propicia a Victor através dos tempos acompanha. deixando de da. que lança a mente. enquanto repre. quan. do (final do século XIX e acréscimo de sentidos representado pelo mo. Seguindo pistas deixadas pelo professor ísmo de valores (egíp. Collor e não Lula. Santa Teresa de Ávila. A moda. do indivíduo se aniquilaria. África o mercado e a comu- tores de comunicação. desaguou tido-imperfeição. figurados. códigos rígidos. e político. A sensualidade e a espiri. O posi­tivismo. até as mais sutis. reduzindo tudo à razão. Daí a dos cinco que. a arte perde sua aura e estatuto e enquanto verdade conceitual.. a pós-modernidade. e o anular a ameaça repre. O sexto sentido. proxemia e aparência dos corpos como fa. referendando sexos. como a en­carnação nos diversos campos do no interior de cada grupo. é um exemplo da figuração corporal Segundo Terry Eagleton (1993). este de- cia. imagens e pelo polite. o Estado se separa dos cidadãos desde as mais óbvias. XX). uma de uma visão es­quizo­frênica que privilegiava dos em pleno Século das Luzes triunfantes. suas promessas. procurou ou monopolista de Esta- corpo desprotegido e óbvio em sua nudez. sem a qual a existência social. a percepção. uma estratégia de da lógica do valor de uso da indumentária. consumo no contemporâneo. ponte que via de conhecimento ao la­do da razão e da a ética torna-se sobretudo participação de o sujetio lança sobre o objeto. com a vidência do sentido e logia será desmascarada. diferentemente de primeiro período (capi- ou talvez. quando sintaxe. deste sentido único. O Oci. e que vem sendo A paradoxal dinâmica biopsicológica que Lembramos ainda o pré-Romantismo e interpretado das mais diversas formas. o sujeito como res cogitans em Es­ta estética nomeia o sexto sentido. endê­mica que acome. tentamos estabelecer negra. Ato de diferenciação. LOGOS que lhe empresta o senso comum para Imagens do corpo e sociedade de A velocidade da circulação das imagens. ser emblemática desta busca de expres. e a explosão das imagens. a ção do corpo. é um cruzamento paradoxal para manter a distinção das classes através da infância. constituíam campos tornados autônomos do saber. fracassou no desejo de Maffesoli em seus livros quando fala sobre cios. e atinge pela imagem e não a demonstração pela Este processo de desfiguração dos di- seu ápice na época das Luzes. perda dos amento. A arte se sentação simbólica. Existe sempre. vestir. melhor dizendo. da ética e da arte. do as catedrais e sua figuração de vitrais. representaria para ele um processo de alie- não fará senão acentuar este caminho. então. Para é o homem foi ciclica­mente esquecida em prol o Romantismo. do jogo do divertimento. e mesmo estátuas e iluminuras suplantaram pouco lado o não compatível biológica. Traduzindo em termos teu o Ocidente em sua em excessos e déficits lingüísticos. e de duas linguagens: a racionalista. outras civilizações do talismo liberal). na O processo de valorização do corpo fundamentos e se valorizam novamente o sua momice grotesca. enquanto fa. com seu das aparências de imagens superficiais. América harmonizar o Estado. Tal redução percepção usuais. são” a um processo de “representação” culdade de atingir o belo. estratégia do campo econômico. Durand (1994). atingir pelos sentidos a profundidade da e a sociedade se organiza em política de tido de estabelecer distinções asseguradas por iluminação. à ciência. da significân. Num constituivo do processo de significação to. O projeto moderno. A estetização geral nhecimento. esta utopia. O sentido que ele vê como um efeito perverso da corporal seria cativo das classificações e ciência. sobre a crise da representação. Maffesoli fala de uma iconoclastia depois de tudo querer abarcar e com- questões em torno da tríade corpo-sen.

mais prazer. uma solda social. o fora de Bibliografia moda. ou rebaixado. sedução. seja na exibição e 1995. numa visão individu. O hábito da alteração do corpo. Rio de Lipovetsky (1991). o corpo. enquanto estética. 1987. ele tem sacrifício ascético em prol da manutenção um lado trágico. Lucien. tido/imperfeição adquire contornos radicais 9/04/1995. atingem limites sciences et la philosophie de l’image. que permanece questão não é finalizado. O tempo das tribos. na sua proximidade dos corpos. 1987. uma transdisciplinari- ou se somando às classes já constituídas. O império do efêmero: Paradoxos do Pós-Moderno. essai sur les rias. de Janeiro: Achiamê. Professora da Escola de Belas Artes mo incentivado pelo sistema de produção de Dijon. mais como estratégia de afetar e ser afe. É o indivíduo que vai se apropriando artista Orlan frente às câmeras de televi- de todas as perfomances a partir do hedonis. e interferindo. Mais informação. Terry. não é apenas veículo de aparência en- Os discursos da moda enquanto prótese ganosa. A moda e suas de Janeiro: Paz e Terra. São Paulo: Companhia das Mitos: uma leitura Dalton Trevisan. 1984. Letras. Michel. Rio de Janeiro. desestabilizando categorias tra- comuns. estilizantes do corpo. Caderno Ela. o tudo na moda. Rio o fim da ditadura na moda. como pratica a cultural. uma dinâmica estática: o sentido em apenas o corpo disciplinado. 1 O GLOBO. ção da UFRJ. com suas inspirações ecu­mênicas. Não se trata de ver social. 1996. Se. Paris: Seuil. que acaba de ser proibido modernas. mais saber. poles contemporâneas. Porto técnica e o consumo acelerado propiciam formação de quelóides e deformidades Alegre: LPM. desenvolvido ou na obediência cega às regras do “look”. uma subjetividade verdadeiramente trans­ por meio de cirurgias. recriar o Adão anterior à queda. O mundo fragmentado. são1. . A articulação corpo/sen. um corpo enquanto prazer do belo. ela vem do capitalismo tardio. da juventude. também coloca o professor Maffesoli. estratégias cosmetológicas e vestimentá. 1993. organizando a globalidade do dado na. LOGOS representações epidérmicas. via pactos estéticos com seu ritmo frenético. na França. o para­digma contemporâ. tornan- uma verdadeira estrutura antropológica do o homem um ser mutante. desde 1990. a aparência constituiriam dicionais como homem/mulher. Paris: Champs/Flamma- e da moda. elemento de numa busca de perfeição (body-building rion. vê a aparência. Gilbert. trata-se de uma se colocar a favor ou contra a sociedade de miríade de imagens que atravessam o corpo consumo e suas simulações. Rio Literária e Professora de Comunica- exemplar a apropriação do erotismo perverso de Janeiro: Zahar. SFEZ. corporal se aceleram na cidade pós-moderna criação de alianças. Como se o recurso da moda não bastasse MAFFESOLI. estrutura química. Contra a interpretação. É Hatier. dade. epifania da forma. Janeiro: Forense Universitária. * Nizia Villaça é Doutora em Teoria EAGLETON. o império do efêmero tado. Autora. como diversas tribos que formigam nas megaló. A imagem serve de pólo de agregação às O corpo. portanto. até mesmo. Gilles. e da bela forma. Antes de ser subli. 3. A multiplicidade de cenários e modelos oferece sempre mais Nota elementos para construção-interpretação de um eterno jogo. alista. mum a várias culturas. mas lugar de fascínio. 1992. La sainté parfaite. Paris: extremos na intensificação das sensações. SONTAG. A forma. que parecem ultrapassar questões de ordem econômica ou cultural. exige uma das novas tribos que vão se substituindo maior complexidade. A anti-moda. Atlas. entre outros. É a coesão propiciada por A releitura dos possíveis sentidos deste esta espécie de materialismo espiritual que significante mais fluido. DURAND. Rio de presentes na obra de vários estilistas ou o esti. p. L’imaginaire. propostas existenciais. a criatividade e de inúmeros espaços e sugerindo diversas o humor. tural e social através da vivência de emoções seu ápice. Michel. com suas estratégias. oferece como lugar de debate público Esta mesma estética de superfície é vista sobre o status do corpo para a sociedade por Maffesoli com convivialidade e constitui contemporânea. linha de pensamento neoliberal em que a criação da imperfeição via escarificações. a moda e seu destino nas sociedades Janeiro: UFRJ. C. Ele se cria no presente. Susan. o nada na moda. no dramatizado. virtual. de com sugestões de violência sadomasoquista LIPOVETSKY. atinge. 1991. mente mais presente (convém não esquecer moder­nidade como o cimento de coesão seus desdobramentos virtuais). A ideologia da estética. 1994. É preciso evitar a postura unívoca de gundo as palavras do autor. a beleza eram Sfez (1995) referindo-se à nova utopia de valorizados enquanto elementos da criação. sentir junto. determinam CASTORIADIS. co- neo.6. mutante e paradoxal- o autor diz que vai ser retomada na pós. 1994. e Cemitério de lo heroin-chic. como lembra Lucien mado. ele se esgota no aparecer. reforço do processo de personalização numa e cirurgia estética). o corpo entra diretamente em cena SERRES. apropriando-se que celebram o prazer. Rio por Bill Clinton nas fotografias de moda. mais se submetendo a inúmeras cirurgias e se poder.

para o fundo à estética e sua função ética. Vamos. esta mistura de espí- trução da realidade” que se esboçam na vitalismo que pode servir de pano de rito e matéria. fusão e o seu caráter de criatividade que própria. Esta proposta é prospectiva em um “dever-ser” moral. que me liga ao grupo. homem contemporâneo e o modo como e desta maneira marca uma nova epis. uma nova forma Com Michel Maffesoli vamos tentar se mostra em todas as criações sociais. Se. um ele se relaciona com o social fervilhante. esta postura é a marca do O sensível. cluído se cessar o interesse (inter-esse) informações sobre a sociedade. O creux des appa­rences. . mum. em um jogo que se agregar. para falar do momento em que os atos cor­porações rígidas. escutamos o atitude do homem co- discurso pedindo a mo. da aparência formando um conjunto de protagonistas mais ou menos conscientes. 1990) linear e racional do mundo não são mais com uma atitude operacional ou racional. Este social. Mais do que um simples espetáculo. por Maffesoli para olhar tro. Surgem diversas Maffesoli faz uma investigação minuciosa banais da vida cotidiana se mostram de maneiras de interpretar a atitude do sobre o vitalismo presente no cotidiano maneira ostensiva diante do nosso olhar. criadas em grandes obras de arte um valor estético. da experi- autor. é “o lugar teatral onde se exprimem. onde os atores sociais são os coletivo. por junto qualquer coi­sa é fator de socialização. a existência social é devolvida a ela julgamentos ou hierarquia de valores. p.” (Maffesoli. se conjugam. a ordem ção cotidiana não terá nenhuma relação (Maffesoli. p. arte para o conjunto da mas para nortear a sua conduta. por ou. apoiadas É impossível delegar somente às vida social. mas nunca totalmente mestres. a estética maneira que não respeita da ética no dia a dia. Assim. sem outra obrigação de A explosão de imagens contemporâ- toda uma série de fatos. “. O nenhuma ordem oriunda autor propôs. E diz: necessidade de aparência. nos fornece a idéia da contemporaneidade. homem comum parece a utilização da noção de que não respeita mais nor. se- ralização de ins­ti­tuições guir as pistas for­necidas de várias ordens. considerados como imperativos categó- Trata-se aqui de um olhar estilístico sem neira de encarar o social que privilegia a ricos. sem outra sanção da de ser ex. ência como mise en scène. A partir do O ato de olhar este homem na sua intera.168) estética: o fato de ex­pe­rimentar em con­ sobre a forma. contemplar as novas formas da “cons.” (Maffesoli. em Aux de instituições severas. se opõem. assistimos à vida no o social que se mostra cotidiano ser formada de sob a forma. Aí está a ética da mostra-se necessário fazer uma reflexão 1979..” momento em que o progresso. se afrontam ção. Para o autor. Antes de tudo vemos uma nova ma. LOGOS Michel Maffesoli e a construção de uma nova ética João Maia* H oje em todos os cantos es- cuta-se em voz alta o pedido de um “retorno da ética”. temologia: “É toda a vida cotidiana que show explode diante de nós. nem sanção.. de ser membro do corpo neas nos oferece as diversas modulações sem fim. de viver o cotidiano vai se formando.34) Acredito ser este vi- talismo que pontua a um lado. pode ser considerada como obra de arte. eu chamo ética uma moral sem obriga. 1990. assim. Desta maneira.

21) a formação de representações coletivas e a sensibilidade do superficial são constru. diversos estilos em um mesmo espaço. Este é o momento A concepção “vitalista” é a possibilida. os sonhos mais escon- símbolos. sobretudo para se sentir que es­te conjunto assume quan­to à sua uma parte a gente percebe que existe a vida cotidiana e banal do tempo que se continuidade. a violência do conceito. mostra que o ambiente social geral é Neste momento. Maffesoli. Pode ser que uma certa assepsia racio. superficial e sem nenhuma importância expressão do que­rer viver global e irre­ Utilizando o autor de Gaya Scienza.” (Maffe­­­soli. fofocas. Consideramos esta parte ponto nós achamos em alguns fatos banais Sua hipótese de “forma formante” de mentira que se integra à aparência. criar toda uma soli. tudo esmiuçar. ela traduz a respon. formas didos. a sentimento tribal. aparência e respeitamos o véu que nos determinado de evolução. outra valor ao conteúdo em relação ao contido. vescente e que de outra parte a gente vê O gozo de compartilhar um sentimento 1982. Todas as tecno­logias cessário procurar alguma colaboram com a cons- coisa além do nosso mundo. mas também de imagens. Suspeitas à são de estar atuando num filme. o conceito de arte para o todo social. é ela dificilmente inventar. pri­mível. apresenta diante de nós. um espaço determinado e que valoriza o tudo que um dia foi rejeitado como “A ética é. este gênero de separa. mas co­mo contra- forma exterior e a força interior. Para trabalhar com estas senta ao lado da ética. não muito recen- saturação do pensamento dia­lético que trinas assépticas. ela traduz a responsabilidade Maffesoli (1990. inventa uma outra idade. bom e mal. importância para a compre. Aqui está de um instrumento e se podia ver não falar dos desregramentos da imaginação.” história de vida completamente diferente fragmento é em si mesmo significante daquela que vivemos. O momento é do efêmero sabilidade que es­te conjunto as. que tudo quer desvendar e tudo saber indivíduo ou da sociedade. é ela uma nebulosa existencial vivaz e efer. . pois não é mais ne. o nosso único dever é o de sonhos que mostram que a vida é plural formado a partir de imagens particula. deixou marcas xão entre o conteúdo e o contido. Luzes. imaginação. Com a pluralidade de te. mundo. mesmo o Este conjunto constituído mais remoto. O caminho onde a imagem é mais que simples poder. p. que marca sustentado. perda de sentido. servirá de resistência à moral que quis Vivemos com uma certa dose ne. Não podemos para acessar esta possibilidade pode ser A imagem aí podia ser captada através mais aplicar a noção de folle du logis para a sugestão. gens. conecte-se na rede da Inter­net. de tudo olhar. inverter. não existe mais. E. a leveza do “belo”. mais procurar o significante num passado e irre­pri­mível. LOGOS Michel Maffesoli usou diversas vezes a cessária de ilusão que acompanha a que quis clarificar tudo com um modelo noção de “formismo” para mostrar a cone. a uma ética que sugere um certo equilí- vai prevalecer é o sensível. E. trocar. enfim. Podemos A lição essencial. como parte integrante da vida e que por vezes ela nos demanda deriva e res cons­ti­tutivas da vida cotidiana. ainda segundo Maffe. é que podemos imaginar que cada for­malizável. O que está trução do nosso mundo plural. do dia a dia a presença mar­cante da ilusão. encontra-se numa comunidade de ultrapassar esta postura que valoriza de de visão inteira do mundo. os objetos ganham autonomia para aparência pode simplesmente mostrar A lógica do “dever-ser” que determi- representar sua própria expressão. cria um nick (apelido). hoje. a vida social criando um Usei este filme para “mundo imaginal”. As social. neste sentido. que cons­tituem um conjunto dado. sume quan­to à sua continuidade. a­poiada numa mentos parmaneçam unidos? Na con.34) constata que de ensão do social. As idéias de bonito e mo­­ral nor­mativa. entre a protege de tudo saber. que acentua a existência de mo”. valores diversos e plurais dará sentido ao “estar-junto”. Ligue um computador. premissas demonstradas denunciam a sável da imagem que vai contra as dou. origem e esperanças imaginárias. começa a falar com onde o que se mostra não libera mais alguém. p. montam eram resguardadas. a partir desta citação de Michel que exprimem as grandes tendências ções do mundo real. ganha. Todas as imagens diversificadas. Aqui. Você terá a impres- e contém o mundo inteiro. antes de mais nada. Esta somente todo o nosso passado. A estética se apre. domesticar a “teatralidade” do conjunto. de na nossa vida cotidiana. sons. nal que existiu durante a moder­nidade. antes de mais nada. no qual o personagem prin- natureza e espírito separados por uma de veracidade do real. a insustentável leveza da aparência. nossas vidas parecem que foram criadas um vitalismo poderoso. Sem esquecer que devemos ampliar e da moral. Lembro de um filme. o que é comunicação estilos freqüentam a nossa cidade. imagens surgem diversas possibilidades do mundo. intitulado Até o fim estava em vigor durante a mo­dernidade. É exatamente esta parte indispen. você ou no futuro. dificilmente for­malizável. Não podemos a expressão do que­rer viver global por um cineasta. As mostram-se na aparência da forma de “A ética é. uma vez que o pensamento nou as diretivas de comportamento do Mas o que faz com que esses frag. pois a aparência que esta ética que valoriza “o conjunto duas perspectivas. ele propõe o “formis. Aí. depois de uma viagem ao redor do rigidez intrans­ponível. piadas. Vários ao nosso alcance. em nossas vidas banais cente da vida cotidiana do dia a dia. é uma do­xa para a construção do social orgânico”. da ilusão. fragmentos. parte. podemos ir mais longe e dizer desta nebulosa. de Wim Wenders. Vivemos uma remete-nos ao “aqui e explosão fantástica de ima- agora”. cipal. Este sensível ção dialética. é muito pesado para ser brio na diferença. ilustrar o que já acontece A aparência eferves. encontra-se em o­posição temporaneidade é evidente que o que feio. neste sentido.

a mentos específicos. conferências e gru­ (Maffesoli. O rio ao da ordem da medida. com te o chama de Ser Para Michel Maffesoli. entrou no signo de peixes. deixa lugar mudanças radicais.160 anos aproxima- lúdico. São elas: mutação.” (Sim. dia do nascimento e da razão. da economia cação estável e única aos fatos. tismo religioso como um modo de vida concretos com o mundo. 1975. os membros dessas tribos Pretendemos assim. Com esta citação gente quer comuni- amos dizer de permissividade. do social. O projeto do produtivismo natureza humana. e sem nos ne­ra­lizantes e nor­ no ano 2000. que procura a finalidade esquematismo. car diretamente com a força do presente. em regra geral. uma reação pos de encontros em pro­­fusão no mundo a A improdutividade e a falta de ob. “A proliferação Alargar o seu “campo de consciência pulares. troca. A gen- e clarificada pela moral. no dessas sociedades exprime uma parte Era”1 mostrou-nos uma receita do sincre­ diano.. desta de Cristo.38) policiais. impossível objetivar e dar uma signifi. finalizadas. no seu livro intitu­lado Os filhos de virgem. metamorfose.uma nova era de paz e har- passa. a novas “doxas”que que muita gente já viveu esta mudança de par com uma transformam nosso “trans­pessoal”. o autor nos e se apresenta como É toda a natureza. possuem sua lógica interna. do aqui e agora sem mos constatar que a “Deus”. deriva e desta de­nominado new age. social. monia. O artigo “Os dez mandamentos da Nova aparência que se delineia no nosso coti. Nós vemos. esta doutrinas. da ausência tão fácil. Não reconhecemos leiros e se mistura. Cada grupo. mais ou de sociedades secre. Somos mutantes. p. de cultos afro-brasi- nem beira. ráveis práticas po. de uma relação ao corpo não-finalizado. o ritual regulamentar inter. Por sinal. que esta mudança acontecerá voca. parece que não se registra em mel. entrever imagens concretas. mos: uma pitada de ética que valoriza todos os estilos. os diversos lançou a onda new age e mostrou a pre. amor. com suas regras ge­ cálculos. daí “Frente ao modelo produtivista. de gente não o chama sistência passiva à organização austera pertencer a uma so. do imaginário. surgir. acrescentando que. O batendo à nos­sa porta. ressonância. livros. a gen- dos atos. 40% dos americanos dizem ter vivi- produtiva.” da não produção. e esperar a vibração interior” não é assim menos marcadas. digamos que.88) te não quer mais! A nossos dias. conchas de misticis- nós começamos a olhar as inumeráveis nessa constelação. seus luxos. vemos de Simmel pode. a objeti­vações. Mais do que necessária. jetividade são marcantes no jogo de . sem eira por vezes escondidos. transformação. Os movimentos da moda. A partir de uma ou quais as novas tri. que poderí. maneira de estar. mas que ano um da nossa era. cenarização da paixão. do mostram visões de mundo que tornam que diz que a cada 2. com o tempo em retorno. atra­vés de fruição não é uní. ciedade secreta. Um aprendizado é necessário. a Era de Aquário está maneiras de ‘ser/estar no mundo’ e vi. mo oriental (sobre- ligações como vetor de comunhão e como possui seus manda. LOGOS A ética da aparência torna possível a estilos de vida que se expandem hoje nos dição da lei de pre­cessão dos e­qui­nócios. desde fruição normal e olhar sobre o mun. Nós não Nós somos panteís- não usa a coin­cidentia oppo­­si­to­ri­um se sabemos mais quem tas. do uma destas experiências. mais de Deus. do. uma reivindicação mais. adverte para o fato de que a sociedade que uma ética. no seu livro sua procura de auto. Para exem­pli­ficar essa maneira de estar Este artigo nos forneceu ainda algumas zado e organizado de forma austera está em sociedade. Surge.. ainda provoca Energia. Este corpo menospre. 1982. ho­je. e da moral no qual o tempo é linear. fazer uma ligação generalizada. Estudamos as expõe a uma explosão catastrófica do pertence a tal grupo crenças onde quere- elemento que ela negou. esperando estendermos mui. Marilyn Fergu­son. cada demanda o fim dos objetivos e a presença grandes cidades. de opressão política. consciência. dão suficiente conta tas é a prova. harmonia. na- . um mundo sem significações a obscuridade e a violência que nós atra- importante assinalarmos que há outras globais onde nós não conseguimos mais vessamos. p.. Alguns autores dizem. inume. várias a exte­riorização torna-se exposição plural. tudo hin­duísmo e exemplo disso temos a passividade. Na verdade. Universal. Esta ética possui um papel contrá. Uma promessa de ver o tempo que social visto por Maffe­ amor e luz . Neste espaço. três gotas preguiça.” de liberdades públicas.. falaremos de um movimento palavras fetiches utilizadas pela Nova Era. a “perversidade nomia. Ele absolutamente necessária à existência da nossa sociedade não tem mais rosto. Porém. de confusões Existem seminários. o viver sem objetivos. como uma espécie de re. criatividade. por vezes. budismo). em que bos urbanas que irão cristianismo. 1991.. um coloca sua própria religião. Ferguson afirmou to. é maneira. provocada pela necessidade de liberdade fim de desenvolver todos os poderes. damente o sol muda de signo zodiacal. a Grande A sombra de Dionísio. os cleros. êxtase. contra-norma que é o suas inqui­sições e progressista. cansado e pede descanso. maneira ele se transforma. Existe uma relação sem objetivos de liberdade e de autonomia que exige. a Consci- polimorfa improdutiva” é vista como ecos em vários grupos ência Cósmica. ma­tivas. para preservar o equilíbrio da contemporâneo: “As i­gre­­jas com as su­as que passa. cura. A própria soli como moderno.ao contrário. de um corpo que que estão presentes no cotidiano das entre todas as tradições.

ao outra maneira de expressar o politeísmo de lado disso. a crítica e a realização do Jean Duvignaud). bip.Essasobri. As diversas situações sociais. ele trabalha mente o aqui e agora e ao mesmo tempo e é liberado dia a dia com ou na apa- reconhecer que quebramos papéis morais rência múltipla dos atores sociais. a sociedade tradicional. SIMMEL. “A criação.” (Maffe­soli. mas é certo que a cer ao proletariado razão que tentou dar e. na verdade. p. trans­formando o conceito é a realidade. fotos. tempo onde em to- sões poderosas com seus programas trans. conjugadas com alguns to e atual. um sentimento de querer mais. Segundo Maffesoli. em oposição ao “novo fundidade são questões esquecidas e um olhar espírito do tempo”.6. É importante frisar que o _____. rede. Perspectiva e pro. Partindo de uma tentativa de 1 Mais quel age a donc le new age? In: Dos- recuperação do verdadeiro estatuto do siers du Cannard. um valores. Paris: Méridiens. sob suas diversas formas. (Études réunies par certa maneira. dynamique collective ao que seria meto­dológico e também et sociologie de la connaissance. de gie de la connaissance. telefone terizou a modernidade. um “vitalismo” poderoso. sentimos a possibilidade de viver intensa. Realmente ainda temos a pretensão de guesia não tem mais explicar o mundo. podemos sentir. segundo a terminologia atento surge sobre a glo­ba­lidade no cotidiano. Porém. dão sentido a um modo de vida imaginário não é reduzido. celular. ne e Professor da Faculdade de época onde o efêmero é valorizado. fax. 1991. São palavras que. oculta o que não é cotidiano. tribo. o “politeísmo de valores” existente na Desta maneira se mostra pros­pectivo sociedade contemporânea é uma ética. que se queriam. este tempo carac- publicidade. que valoriza a “atração orgânica” das Este olhar torna possível vivermos uma nova imagens compartilhadas hoje. mais flutuante e Tudo isto me leva a considerar que sem direção. 1982. Au creux des apparences. LOGOS tureza. baseado na comunhão. mas que pra- tica uma certa decalagem. rígidos sem ganhar nenhum prêmio. Conflit. Secret et sociétés secrètes. nossos sentidos que Não vale mais a ganha cada dia mais pena reivindicar um espaço hoje. ética. Não vamos ne­gar que vivemos no dia a dia brotará de uma dinâmica sempre renovada situações que nos exigem posturas em termos e sempre plural. Michel. A bur. cionais. . 1989) querer sem sentido objetivo. o autor remarca o pensamen- to instaurado por este. Televi. Uma família e o Estado. _____. as instituições estáveis. deobrigaçõesaoníveldo“dever-ser”. n. exprime um tempo fragmentado e une sociologie de l’orgie. imedia. ra- entre o real e o imaginário. Pour une gia pela Université Paris V – Sorbon- O imaginário mostra-se em uma éthique de l’ésthétique. pois a observação é este­ti­za­da. 1990. Um pensamento Bibliografia que não é separado do real. In: Sociolo- sistemático.36. sentidos. Paris: Plon. achatado CIEC. imaginário. É crito no cotidiano de a hiper-realidade dos forma liberada. tele-interação. campo potencial. dos os domínios predominava a unificação de mitidos via cabo. Escola de Comunicação da UFRJ. vídeos. Este tempo privilegiou a realidade. Esta hi­per-realida­de que­­­bra o limite a “unidade fechada”. secretária eletrônica. ondas. No cotidiano da contem­po­ra­neidade imaginário não está mais escondido. nem sentido a tudo não é nos localizamos mais mais o instrumento em classes sociais ou adequado de inves- econômicas. Georg. Paralelamente MAFFESOLI. prêmios para ofere. L’ombre de Dionysos. visto que o A realidade não imaginário está ins- é mais nua e crua. O 1989. Strasbourg: Circé. o imaginário permite. Rio de Janeiro: adjetivos. perguntarmos como é possível vivermos um ethos que vem de dentro. as múltiplas ex- gaçõessãocompromissosparacomumamoral periências poderão ser consideradas como com regras oriundas das instituições. Paris: 1979. computador e Internet estão se com uma perspectiva linear da história na qual instalando de forma acelerada. os diferentes modos de vida. como a expressão de um vitalismo poderoso. o imaginário ao lado dos mecanismos do “dever-ser”? Michel Maffesoli no seu livro A lógica da Nota dominação nos oferece pistas para uma resposta. A ética da estética. cedendo espaço à razão. _____. Contribution à Comunicação Social da UERJ. pelo momento atual do “hiper-real”. do autor. tigação. * João Maia é Doutor em Sociolo- possível.

Michel Maffesoli suscita amores e mistura. Desmitificador implacável da miscigenação desenfreada. barro­quização do mundo esbalda-se na “angústia do cânone”.com a licença de Fernando Pessoa o seu livro . jornalistas ou empresários transitório.” (1996a.. dribla o cinismo da produção com o cinismo de pensamento em obrigação de pensar conhece os sorrisos irônicos das elites dos des­possuídos. Na contramão do truturação do imaginário moderno. alimenta tura contemporânea. Os baluartes dente da figura paterna.com uma epígrafe de ção teológica. da efer­ves­cência social. dos. Enquanto muitos fascinam o mundo do mundo (1995) e de O elogio da razão Na arte. ideal de uma época dividida entre a sentidos contra o puritanismo universal do tato. sa­piens) para esconder. pelo pluralismo. Choram as carpideiras de Apolo. Não se opera o nascimento do novo. Sociólogo do presente. história. O francês agarradas como sanguessugas às suas o paraíso (apenas a sua promessa). das inocência e arrogância do racionalismo. futurista. Não há ingenuidade contradições e do profundo imoralismo que transformou o projeto da liberdade radical nisso. legítimo “pérola irregular”. nova tradi- discursando contra a decadência dos sensível (1996b) . conforme sentidos transbordantes. O teórico pós-moderno não des.1 Maffesoli atre. sejam uni. continua a confeccionar (e a doras. demens) que não se encaixa nos paradigmas pro­dutivistas do capitalismo e do marxismo (1979). da demonstração) a força criativa dos “homens sem qualidades”. autor de várias obras velhas verdades. Maffe- obsessão pelo futuro radioso.a unidade. antes do extraordinário A contemplação e de cadáveres. LOGOS Michel Maffesoli. A pós- Michel Maffe­soli. reclamação contun. desvairada neces. a atividade prazerosa e agre­gativa do eli­tismo que não abre mão da pureza. Vende-se o homem mutilado à saturação imagética. vêem a marca fatal do pós-moderno. O barroco funciona como uma me- poder econômico. com seu sabe . do tribalismo. da empatia. persiste na consagração do valores seguros e o avanço da barbárie. Adeus às identidade calcifica- bilizadora.que demonstrar não é preciso. ódios. A modernidade não é o dever-ser da humanidade. culturais. o pensador da vida Juremir Machado da Silva* P ensar. tem en. mes. Bakunin: “A paixão destruidora é uma ininteligível (confundido com não-linear). a modernidade. adultera a vida para validar a teoria. O teórico sen. Apenas os que não têm medo do presente se pretende sem brechas. continua a mostrar (negando a lógica. cujas máscaras arrancou da modernidade . valoriza a explosão dos soli remete à experiência sensível do corpo. dos esportes. do coti. do hedonismo e do presenteísmo. pode-se enxergar tranqüilamente do vitalismo e da compreensão. A que se funda sobre a ética da estética e. Contra a armadura do conceito. a racionali- ve-se a enfrentar esse dever-ser calcado sem piedade. O inconformismo virou modernidade tampouco faz a publicida- fundamentais para o entendimento deste conformismo e se reproduz impulsionado de do céu na terra. em opo- sição ao conformismo intelec- tual instalado no coração do poder simbólico é uma tarefa para poucos.27). não teme afirmar que dade e a linearidade .são desconstruídos na idéia da identidade irrefutável. na orgia da sidade de referência. “a maioria dos intelectuais. da produtividade. pela diversidade.lançado na França em 1990. Michel Maffesoli descreve com de- talhes essa barroquização do mundo não cansa de indicar Edgar Morin. o ser complexo (ludens. modernidade. que varre as certezas iluministas. a na verdade. uma espécie de nostálgica instante vivido.2 Maffesoli condimentos econômico-políticos” aberto às aparências. tão caras aos intelectuais destituídos de vender) uma sopa à base de moralismo. p. In- máxima de integrar diferenças. de essências. Maffe­soli Não é por acaso que Maffesoli abre o estertor da mo­dernidade.. pelo Na esteira da pós-modernidade desesta. Maffesoli foi . à potência dos (faber. Michel Maffesoli. ao não-racional. sem esquecer alguns táfora da sensibilidade de um tempo esse tipo de distinção social. que (1995). versitários. sofisticado Mallarmé poluem a litera- nos lamentos tonitruantes contra a de­ses­ mo incapaz de forjar o paraíso. mas aparências (1996a) mostra a capacidade sível às aventuras dos seres “banais” não a ritualização enfadonha do clássico. progresso. de ilusões . cortejo de luzes. dizimando os bons valores estabeleci- diano. que podem compreender o aqui e agora. na erótica do social. cujo livro No fundo das paixão cria­do­ra”(1996a). Há. dissecou o cadáver do mito pelos impropérios dos pensadores que encon. traram bons sucedâneos para Deus: “Estado. se contenta com as promessas de uma suportáveis herdeiros do extraordinário veredado por um caminho muito mais sociedade perfeita e busca no universo James Joyce e esotéricos discípulos do árido: denunciar a chantagem contida fantástico do dia a dia a poética que. elegantemente. mas enriquecidos por de racionalismo. Onde os apo­calípticos final de século.

do novo. mesmo um treinador adepto das Michel Maffesoli ajuda a compreender Todos os dilemas da utopia brasileira estratégias ofensivas como Luxemburgo os mais diversos fenômenos desprezados passam pela oposição vis­ceral entre o condenava a “humilhação dos adversá- pelos intelectuais demasiado acadêmicos. O estrategista. 1962 que. muros. em Brasil politicamente correto detesta ver-se artilheiro do seu time em 1995. como a maioria dos gênios. Onde 1996. Através de Ro­mário recaíram sobre o Graças ao título defrontam-se dois Brasis. deve servir de Dionisíaco. indivíduo de forte personalidade. o atacante. rios”. nas óticas ideo­logizadas seu passado. Flamengo na era à saturação imagética. o criador dos antagonismos vê-se confrontado participou das conquistas de 1958.. O que. duas éticas. de aprovação geral. do planeta. . graças ao seu talento es­sa atitude que. em ex-jo. a ética do trabalho ao entregar-se às mário e Edmundo) nar etc. cionalismo e atenta contra os imperativos O discurso modernizante tratou de Impõe-se como constatação. escolhido. de vontade de trei. Vitalista. também adoçar os corações com seu ar ponsabilidade da imprensa nesse jogo cia. a colocar o bárbaro dentro dos seus entretanto. sil que muitos desejam negar em nome da “Ordem e Progresso”) para instaurar marca da coincidência de opostos apta a da mo­dernidade apolínea. a sua Faz o melhor gênero malandro da cultura do “ataque dos so. teria firmou a presença do Brasil nos Estados de que Bebeto concilia os seus gols com se convertido. 1. a vencer a pretende a humilhação da razão e ca. Romário representa o ouro olímpico sem se tornar outra vez palco para lições de moral e cívica. do hedonismo. tarde. Romário é um anjo barroco combater essa doença tropical. Nada mais difícil na cultura brasileira Copa do Mundo realizada nos Estados racteriza-se pe­lo gozo pas­sional do aqui do que dizer “não”. Por quê? Não será pelo fato nador Mário Jorge Lobo Zagalo. Zagalo ramental que nunca encantou o trei. brasileiros de dever-ser ao afirmar que é Felipe. tricampeão mundial de Fórmula que o craque. Pode-se fazer. a co n ce nt ra ç ã o vulgaríssimo e libidinoso “tchan”. santo. foi o de Romário. Por redenção terrestre.dantes. passou a dividir. da luta. o uma nação. tebol. obtido com os gols dois projetos para uma mesma nação. Zagalo pôde dispensar. como Amaral mais O genial Senna. brasileira a sua ma­ rio ama a noite. Poder que lhe permitiu sonhar com o de direita ou de esquerda. Romário.com a sua compe. diria hoje das molecagens de Garrincha? pensar que o esporte é uma questão de tem enfrentado a ira dos vendedores O exemplo do técnico sério seria Luís falta de cultura. à po. talvez de imagens trun­cadas? da responsabilidade e da seriedade. técnicos. de bom menino. Romário. sabia Jogos O­límpicos de Atlanta? Qual a res. Romário encarna o Bra. pela Já nas eliminatórias da Copa do Mun. Assim. LOGOS buscar no espanhol Engenio D’Ors3 o sen. a partir dos mais inusitados de um “amanhã que canta” (1984. c e n­ t r o a v a n t e . e per­deu a oportunidade de disputar os resultados. na esteira da reflexão aberta e de entender o vivido como sintoma lúdico acabava por superar os temores do de Maffesoli. levou para mário decepcionava Zagalo dançando o gador. vitorioso Brasil do futebol não cessa de resultados sufocavam a beleza e faziam Exemplo. através dos lances espetaculares É o caso da “estrela” esportiva. O que se país do futebol. No Palmeiras de Luxemburgo. O craque Bebeto. impren­sa internacional como o melhor do de 1994. os intelectuais adoram Michel Maffe­soli.tência dos sentidos transbor. Romário amassou o Uruguai. Junto paternais (embalar o filho recém-nasci- sa temporada na uma metáfora da sensibili. Contra o mito moderno da pelo futebol e pela idoneidade. O esporte.dade de um tempo aberto às tência. de Djalminha e de Rivaldo. adorava-o. o homem que lidade disseminada por Ro­má­rio. dois anos Parreira e de Zagalo pendeu mais uma tinha o hábito da irreverência. o filho do caos. do trabalho. o anjo mestiço buscar a negação de seu bar­roquismo. apesar da falta de títulos. De certa maneira. os pontos de partida. herói nas pistas. Romário é o herdeiro de Baco Mas o futebol é antes de tudo jogo. p. conspurca nhos” (Sávio. A derrota contra a Romário. No fu- A imensa riqueza do pensamento de de Aleijadinho. que rompe a monotonia (o positivismo tido do barroco enquanto estilo cultural. as mulheres e as festas. da miséria pré-moderno. foi erigido em símbolo da resistên. o no universo do futebol o carnaval per- reen­cantar universos desencantados. o baixinho tempe. O barroco funciona como de 24 anos. o líder do Grêmio bicampeão da a leitura das contradições e das utopias de fundamental parar de odiar o presente América. Barroco. Nélson quase “maldito” no seu próprio reino. Ro. No chamado mo futurista da mo­der­nidade almejada. Romá- mos resultados do aparências. Desfrutava. nunca foi amado como Ayrton Senna. o homem escravo refém de Romário e de seu barroquismo Pelé é duplamente superior a Maradona. atrações do lúdico. do que deveria ser um jogo a simples que levou o Brasil. obrigação de vencer. Dunga. A competência precisa Unidos. leitura não implica um elogio do que é. em 1994. criador indisciplinado. No Grêmio de Luís Felipe. ao não-racional. nas palavras de D’Ors.7). Tal barroco transgride a linearidade do ra­ manente. as opiniões de seus compatriotas vez para o culto da objetividade e dos rada até a grosseria. da persistência. presenteísmo barroco e o abstracionis. e da transparência. tornou-se por algum tempo e agora em oposição às promessas da vir acompanhada pela simpatia. Fortalecido pela vitória no espelho deformado da complexa socia- começa de fato o problema? O Brasil e com a saída de Parreira. Ro- Europa. da produção. e da inexplicável capacidade de invenção unidade. foi um simples coadjuvante do questão ocupa-se apenas dos aspectos frágil Bolívia obrigou a comissão técnica baixinho nos Estados Unidos. o Brasil de Carlos Alberto pois. do) para comemorar os seus gols. Os péssi. Piquet. empur- depois.le­mo­lência. E. não é com a necessidade de romper com o e 1970 transformou-se em unanimidade. entretanto.preguiça. a sua falta brasileira. apaixonado pelo Brasil. con. extraordinário de goleador. ao Unidos e ajudou a um jeito de “moço direito”? retornar ao Brasil. quebrar um jejum Enquanto Bebeto inventava gestos depois de vitorio. Ro­ um pouquinho menos talentoso do que A resposta mais simples a essa mário não interessava.

Trata-se. O artista justifica-se pela sua ge­nia­lidade. D’Ors carac­teriza o barroco repetir que ves­tir a “a­ma­re­li­nha” exige como la grosse perle irrégulière (p. o que não a­bordagem polis- o trans­forma em país sêmica do mun- de preguiçosos ou do que emana da de­sor­deiros. se deve exigir exemplos de moralidade. Edgar. pa­ciente. A conquista do presente. uma vez por todas na mo­der­nidade. Ser­ve. lidade. 1995. 1979. a 3 D’ORS. o futebol brasileiro seria enfadonho. No império das contradições. Notas quebrar a lógica da im­portação de mo- delos. Edmundo e que os melhores nunca devem sobrar. tura em todas as suas páginas. A contemplação do mundo. Decidiu brilhar. RS e Doutor em Sociologia pela re­solveu pagar para ver: trazer o ouro Bibliografia Uni­versité René Des­cartes. d’abandon et de vénération devant la force * Juremir Machado da Silva é Professor da Faculdade dos Meios para ludibriar o militarismo de Zagalo. MORIN. de pretexto. bar­roca. deste final de século. Na desordem. marcar muitos ciliação de antagonismos. Eugenio. ou negativos a respeito de cordialidade ou de pre­guiça. entrar na época da globalização 1 Ver: BLOOM. 1995. malandragem da boa.Para uma nova antropologia. ao con­trário. educado. Rio de Janeiro: perado. Eis um O Brasil tira a sua exemplo. resolveu fa. Petrópolis: Vozes. em apa­ maior riqueza do bar. canismos simbólicos foi desen­volvido com O futebol sur­ge como a ana­logia imensa repercussão por: BOURDIEU. par dé- peonato Carioca de 1996) e mos­trar-se finition. o Brasil Janeiro: Rocco. Coloca. R o m á r i o d u p l i- lações calcificadas ca a bra­silidade pela rotina. o barroco valoriza a con- zer o jogo. sem a jus­ta reflexão so­bre de uma visão. Oposto do famoso jeitinho brasileiro. Paris: uma guerra de para­dig­mas. obra de Michel o como núcleo de Maffesoli.100-1)”. Do artista não bem e do mal e mergulhar o Brasil de MAFFESOLI. da razão totalitária. festeja parte da sua pré-modernidade. Rio de Janeiro: Objetiva. Zahar. rência absurdo. A gar­ra vale mais do por uma modalidade. reside a possibilidade da redescobriu Romário. Romário não é brasileiro. Lê-se a cul- beber na fonte brasileira de socia­lidade. sil en­quanto alma barroca não implica por ter-se voltado para a alma do homem endossar antigos preconceitos positivos em todas as ma­ni­fes­tações. Renato Gaúcho. Éloge de la raison sensible. Em 1997. Michel. mesmo inconsciente pa­ra os atores do dra­ma. abriga-se o ines. ao Gallimard. 1984. Michel individualismo que es­preita ou domina Maffe­soli é um dos maiores sociólogos o Primeiro Mundo.Critique sociale du jugement. 1996b. escapar ao provincianis. Tout baroquisme gentil. par la loi. Paris: Sem Romário. arte. O enigma do homem . et traduit un état Pura ar­timanha. Harold. I­g­norava _____. e da fuga à frieza do marca a cadência da reflexão. escolado em esperteza alheia. O (p. Ro­mário. no melhor estilo esprit et style de la dispersion (p. da roquismo. 1996a. re­velaria par­te de do que um estilo artístico ou a designa- ção de um período histórico dominado sua visão de mun­­do. No fundo das aparências. est. 1979. compreensivo. Grasset. que revitaliza as re. entre outras razões. autoritaire. . o barroco seria o que a ousadia. fonte de Maffesoli crê que vida. Pierre. intellectualiste. 1983. est libertin. Za­galo. Paris V sem Ro­mário para colocar-se acima do . outros. bra­sileiro. permeia os já é tempo dos europeus começarem a sub­terrâneos da existência. Mais uma ma­nei­­ra de ser. Rio de No imprevisto. Inexistem esta fábrica do estar-junto. O cânone ocidental. deve-se menos ainda tentar submetê-lo Contra a ética laxista do catolicismo _____. Sig­nifica. A socia- um estilo de vida. Du baroque (1935).Sorbonne. oposta ao olhar generoso. LOGOS sem ranços intelectuais. verdade. vor do ex­terno. dade in­ter­na. o elemento Com Ro­nal­dinho. Paris: Minuit. Porto ao que Nietzsche chamava de moralina. de Comunicação Social da PUC/ trei­nador. a figura que ex­pli­cita a qua­li­ La distinction . embora não destituída de o seu va­lor. de Maffesoli. tan­­tas vezes ne­gada em fa. apesar dos temas nobres. mo que cultua a modernidade em plena 2 O tema da “distinção social” através de me- decomposição. possível. evidentemente.23). étant vi­taliste. Za­galo _____. A explosão dos sentidos imensos problemas.74). Compreender o Bra. como par­ceiro. virtudes do cal­vinismo tardio. “Tout clas­sicisme gols (26 nas 15 primeiras partidas do Cam­ étant. mas Os cria­­­dores são sem­pre pla­ne­tários. o velho Lobo preconizava as Alegre: Artes & Ofícios. lúcido. fruição. no entanto. normal.

ção. per­tencimento e comunidade. “epidemia” de imagens que perpassam os uma época. de que permeiam a vida social. Ela com o mundo. rápido o entendimento e a experiência expõe o “estar-junto-com” como um misto A noção de socialidade ressalta al- dos códigos sociais. comunicação e sociedade Maria Cristina da Silva Gioseffi* O pensamento do sociólogo Michel Maffesoli e suas aná- lises teóricas fundaram uma certa tradição relativa aos estudos sobre o cotidiano. imaginários sociais. A estética mo e. de per- práticas sociais. que determina as . viver social que revigora o sentido comu- das experiências. forma. diferentes campos da vida social. ao estilo de um tempo. gesto que se refere a um fazer. Essa moldura de solidariedade. ffesoli (1993). dos modos de vida e das em-comum aliado a um sentir-em-co. os contornos da socialidade que maffesoliana. condições de estruturação de base de toda ação social. das idéias de Maffesoli. ferentes formas do viver social. a possibilidade de uma do cotidiano valoriza “a maneira de sentir Socialidade percepção social capaz de inter­penetrar e de experimentar em comum”. o termo so­cialidade afirmação da existência no aqui-e-agora. No entanto. São estas as noções que expressam a vontade de ligação como esta deve ser. tem ocupado espaço reduzido contem­poraneidade. pela imagem. “conhecimento vin. societal em ato. tema que. no tempo-presente. tencer aos grupos.102) mum. se caracteriza pela vontade de tocar o Para Maffesoli. uma estética da existência social na os. aos grupos. estilística. para Maffesolli. segundo Ma. expõe uma que agregam ou desagregam os indivídu. a um das idéias. irrom­pem nas mais variadas formas e. aponta para pela dinâmica da vida social. tornando-se como veremos.. são dotadas de significado do pensamento ocidental.. O autor ressalta. na medida em que são apreendidas pelas dentro das “grandes construções sistemáticas” A vontade de tocar o outro. às tribos urbanas. permitindo um certo de simbolismos e de razões que preenchem gumas questões: 1) um sentimento de conhecimento direto. do da partilha. a “solidariedade orgânica” do viver-co- mento de algumas noções que se aglutinam mum maffe­soliano. Neste nam-se e se auto-referem para compor sentido. 1995). mesmo pertencimento. procuraremos ressaltar o entrelaça. Essas noções relacio- que sumário. a exposição breve. afirmando a idéia de além de um ma­pea­mento teórico. rebelião aponta para a propagação de uma estética porque se liga pragmaticamente a A noção de imagem. ao mundo racterizado por uma profusão de imagens social. A socialidade é o “societal 2) a referência. Essas imagens. Anunciam-se. desse para configurar o sentido da “co­tidianidade” modo. que um mundo ima­ginal em uma estilística da existência denominada símbolos culturais. LOGOS Michel Maffesoli. Socialidade. além disso. evidentemente. A conjun. mas também em ato”1. imagens. nitário como expressão do imaginário maneiras de ser”. o viver social com características tão banais solidariedade experimentado em comum. a idéia de cotidiano deve outro. soli- dariedade de base. de dinamis. não nos permite ir entre os homens. Maffesoli explica a solidariedade social. A imagem fala de muitas formas sobre os de base como aquilo “que me impele A socialidade de que se trata cor­responde em direção ao outro”. às tribos. da colocação em comum quanto tangíveis. (p.. de viver o cotidiano. às di- denota idéia de movimento. de pertencer ser destacada como estilo de um tempo ca. entre ratio e mito designa a expressão da força social em sua Existência social efetivada pelo contato possibilita aos homens tornarem mais capacidade de aglutinar os indivíduos. Para Maffesoli. modo de ratio e mito (Maffe­soli..

imagens coletivas. do “que A partir desta imagem de religare fundamento natural da correspondência ronda sempre a vida cotidiana” (Maffe­ social permeando todas as práticas. p. uma relação de correspon. aos grupos. que se revestem social. identificações a vida. ou so­cialidade O “presenteísmo”. ele favorece a percepção social que se configura a partir dos jogos existência pela preeminência do corpo das coisas em massa.. transcendente. do agora. ritua­lizadas. Relação no presente. favorecem o dos homens constituindo comunicação no dos sentimentos.1995. polissê. espaço territorial onde se passam as A cotidianidade é vivida no espa. tacada e estão na base do reconhecimento cias. vivido no mundo. no “que permite a todos exprimir e viver shoppings. assim. as encontro com o outro. Essa “correspondência”. religiosas. lidade contemporânea. característica aos grupos que o sentido do aqui-e. ressalta-se cotidiano pode ser entendido como ex- que Maffesoli sinaliza para o ambiente. praças etc. se gera um sentimento de todo. É esse o tensidade do imediato. étnicas. marcada na relação com o outro.83). ção social dos olhares. Essa socia­lidade deve ser consi. tem­poralida­de experimentar sentimentos. O tempo do presente anuncia vi- religiosa. É neste de forma imediata. o vínculo religioso não comunicação social. essa vezes (sempre?). Enfim. em a importância dos símbolos. topo. o ódio entre torcidas. ao tuídas no presente fundamentam os even- estabelece justamente na profanidade do espaço-tempo. necessário que coletivo sobre o individual. pois. que nem sempre são “sentir-com” maffesoliano. locais de “culto” são os mais variados: social e participação no aqui-e-agora.128). A comunicação está alocado no mundo terreno e se re- cialidade: lugares. centros presente. os ataques às igrejas. que se expressa no tempo.1995. Assim. a partir da relação de perten. monumentos. de forma coletiva.” Desse modo. É através do viver-comum. e permite.1988. plural. é a marca dessa socialidade porque pres- presenta pelas práticas sócio-culturais. composto por significados que do qual nascem significados culturais. através de imagens produzidas coletiva- sentir comum como possibilidade da es. No supõe a troca e a complementaridade que não se reporta a nenhum tempo-espaço entanto.. possui também um gênio. religiosos etc. sexuais. A emoção. multiplicidade e diferenças. do mesmo modo valores.37-38).. da imagem. “De fato. marcado pelo vetor de comunhão porque faz comparti- envolve com seu “gênio”. que A socialidade de base é o que nos im. dando lugar compreender as massas e também os se possa trocar/complementar para existir. está.181). maffesoliano é marcado pela comunica. Essa comunidade é marcada em sua mico. e apontam para o futuro ao valorizar a in- a complexidade das formas sociais. esportivos. a marca dessa que seriam reservados a ele” (p. dos gestos. numa troca desigual. dos sentidos pressão de uma religiosidade que não sua forma mais simples. dinamiza a relação entre que se atribua uma conotação moral a esta representa a comunidade de base. cimento ao meio-ambiente. clubes de amizades. “o contexto é mentos estruturais da co­ti­dia­nidade des- presente. cujo ritmo estilo estético-religioso as condições de estruturação de toda ação se­qüencial expressa as paixões e os afetos A socialidade. mas também como produto de de uma certa repetição da qual se compõe deve ser apreendido como uma prática identificações múltiplas. sensações e de base. Há.116). mas que se dar sentido aos indivíduos. das agremiações “reversibilidade”. como uma ma­te­ mediáticos. p.“o espaço vivido ço-tempo-presente. portanto. (Maffesoli.79). o entre homens/natureza. Desse modo. con­tex­tualmente. A socialidade maffesoliana: um pele em direção ao outro determinando lecidas. ao “societal em ato”: um fazer comum. experimentados em comum nas situações produz um sentimento de reli­gação derada não só através dos imaginários minúsculas. p. toque e das conversas informais. neste caso. de sua época. da rua. mente. Ela é acima de tudo objeto. um diversos movimentos que as animam” E. p. essencialmente pluri­causalista. que estes significados compõem o gênio reversibilidade reside. O sentir-em-comum maffesoliano sociais. ecologia. estética do cotidiano: “aquilo que me faz A estruturação de base. vinculada ao do cotidiano emoções com os outros” (Maffe­soli. que lhes dão sentido” como expressão do relacionamento entre Através da imagem. dimen­sionando a existência dos homens Troca e complementaridade são ele- tencimento. pela dinâmica de representação temporal ffesoli. É essa a truturação “de base” de toda ação social. os aten- Maffe­soli. viver em comum. os indivíduos passam (p. é vivida. LOGOS a um certo querer-viver social. Estética religiosa produzida pela cenas da vida cotidiana. o ambiente tempo. tempo do agora. as mais está limitado a instituições e lugares O presenteísmo marca a idéia de guerras religiosas. que o cotidiano lhar emoções. o genius loci. políticas: a rivalidade das da pós-mo­der­nidade para qual aponta agora demonstra toda a potência da gangues. É nesse sentido soli. aglutinados em tor- simbólico que expressam. nem a nenhum tipo de zeitgeist. pelo poder acontecimentos. o divino O ambiente é composto de espa­ transmitindo significados. com a idéia de que nos “religa” concretas que se dimensionam. fenômenos e ações por vivências comuns. os indivíduos agregam-se. musicais. pode ter ou não finalidades preestabe. desigualdade” (Maffe­soli. Os completude no eu-outro: reconhecimento socialidade é o estilo comuni­cacional. Ressalta-se o deve ser reduzida à esfera individual. “A nem de paraísos. espaço. de re­versibilidade. Imagem e espaço. p. em que ambiente e representações coletivas. Presenteísmo que se caracteriza muitas potencialidades do seu ser” (Ma- culturais. da dóceis ou afetivos.1995. ruas. na maior parte das O “estilo-estético-afetivo” nos convida . Dessa forma. do A imagem é percebida e compreendida dência com o outro: “indivíduo. segundo vências que se estabelecem pelas práticas ao outro ressaltando-se a importância e Maffesoli. sem dariedade do bairro. Pode-se dizer e culturas. assim representada. ocupa nenhum local sagrado e não está rialidade que pré-existe e que acaba por Podemos dizer que as relações consti- apartado das coisas profanas. de per. cada vez mais. tos e criam sentidos tomados em comum. no qual a soli.117). e que se encontram mar- que esse “sentir com” é o que constitui vontade de tocar o outro e de pertencer cados por fanatismos e por intran­sigências a religiosidade ambiente. também. estabelecendo correspondên. p. “A ma­terialidade de um pode ser compreendido. social. idéia etc.1984. pois lugar é atravessada por um conjunto de caráter do presente. não relações sociais.118). tados terroristas.1995. um se distendem num jogo de rever­si­bilidade. Ele grafias.. vida após a morte e não trata de infernos nutrem a vida social. É. O presenteísmo relevância da imagem nas formas de socia- simbolicamente” (Maffe­soli.

Ao destacar a possível de pesso- mente. É nesse aponta para a expressão das formas ima. não pode. cultural. de iden. sem preocupa. he­morrágicos. tornando sacrossantos detas. realizando projetos. do cotidiano. a humanas. solidariedade de ressaltar a pós-mo- ções esportivas. Socialidade e ideologia de outra forma. a partir dos sen- Idéias atuando na comunicação da vida códigos culturais elementares. so­cie­dades. tando no corpo social mudanças efe. formas e ambiências . de compreender o Religião que sacraliza o mundano e que do o poder de fun. sentidos sociais. sentido que deve ser exaltada. O próprio das relações sociais. tec­no­lógica. responde a muitas questões. posto que é parte envolvida no labilidade do social. esse estilo estético-religioso e articulação dos sentidos que atualizam social que. Por isso. Assim sentidos que emergem de um mundo co­mo o mito. A pós-modernidade deve ser Os atos em sociedade utilizam-se de que devam ser dia­le­ti­ca­mente revelados. formas únicas. falam da vida e revelam pados em analisar a simultaneidade de os diversos rituais da sociedade. jogos. A transcedência-imanente de certa maneira. É a existência social efetivada feridas às práticas comunicação mul- pelo contato com o mundo. cons­ mesma proporção de sofis­ticação. dernidade consti- políticas. pos. dimensão mitológica que perpassa a so. relaciona muitos expresso por apreensões tem­porais que não é”). A participação como fator Pode-se expressar o cotidiano em agregativo do viver-em-comum revela a ciedade. nos estudos maffe­solianos. na plu­ralidade das causas e das no espaço-tempo-presente. fundam povos. interativos no espaço-tempo da socialida- giosidade que age em torno dos indivídu. a nova configu. tivas. tencimento. de repetições2 e que. musicais. ven­­ observados por alguns teóricos preocu- mas mais banais. A pós. confundindo-se nos diferentes âmbitos Os mitos falam de suas sociedades. comum. o maior número no outro. práticas para dar” a esse conjunto de fenômenos de aglomerações múltiplas. culturais. dação. idéia de origem. ração religiosa adere a shopping-centers. movimento dinâ- não possui templos específicos. também. de de base. de múltiplos capazes de estabelecer comuni- de estar junto”. tituindo valores. Mundo que não deixa de incluir. aglomerações urbanas. que dilui campos. Maffesoli chama esta emergência O presente na cotidianidade pós-moder. sobretudo. em Maffe­soli. na não se configuraria por imagens monolí- to que é na contradição que se constrói a te”. dando-lhe existência. dos propósitos gorar as noções de Para Maffesoli. em suas for. na ideológicas tornadas forças sociais. compõe o viver se ressaltar a importância das grandes procuramos revi. uma seus sin­cretismos. essa religa. ginárias como potências produtoras de como força capaz de informar sobre a Transcendência-imanente e vita- vida social. de um certo modo. fronteiras nacionais e aloja em qualquer apreende na efer­vescência de sua épo- modernidade. histórias que não se devem perder no pós-modernidade é o mais interessante. São estes os aspectos dessa dade. as imagens. Esse sentido. que sacraliza e reves. LOGOS a perceber a florescência dessa nova reli. exal. compreendida.. econômica. de significados de “transcedência-imanen- possibilidade de se viver a diferença. no tocar o outro. sociais. ainda. em ato” expressan. que não postula nenhuma verdade de ticas. tencimento social. A estética do cotidiano. processo de sua constituição. valoriza “a maneira de tificação. como apre- O tempo da pós-­modernidade po­de ser das virtualidades (do “parece que é mas sentada por Maffe­soli. con­tem­po­ra­neidade. incon­troláveis. como um mundo de tecnologias sofisti- A sociedade é atravessada pe­la vi- talidade de múltiplas representações O pensamento maffesoliano e a cadas. simples. te de afetos os objetos. tem sua própria poesia.. narram Maffesoli destaca que o uso do termo determinado para o culto. dan­ças. nos quais a tidos vividos em comum no aqui-e-agora. representa para o autor uma certa expres- seus acessórios.). lismo e explode numa profusão de imagens e ções com falsas consciências ou sentidos percepções. Há tam- que caracterizam cada época e se referem. eventos esportivos. Seu ambiente é abrangente sociedade do seu tempo.inte. gerando muitos sentidos. reminiscências etc. parte do planeta o capital das grandes ca a dinâmica da socia­lidade. se apresenta. fundação. É o “societal tui possibilidade religião que divi­nizou as práticas sociais. as. um e per­tencimentos se efetiva em per- modo de afirmação da existência no aqui. er­ráticos da deam­bulação. A tônica do sentir-comum. como os fanatismos e são do holismo vivenciado na socialidade A ideologia possui. pode se expressar. empresas multinacionais. Não possuindo local guardam valores e informações. transcendente-imanente das representações lectual. a vida (indivíduo/sociedade) pleno de tradições. Origens re. reli­giões. religiosas e/ou base e de sociali. e a toda sorte gem. ordenação mico de um viver Assim. ser totalmente entendido. É o aspecto materialidade exaltada. deve.. ao espaço-tempo no que são tanto os objetos supérfluos e presente. do tempo globalizado. os vírus pós-modernidade mutantes. em sua potência e em sua afirma-se como pertencendo ao mundo. se misturam. exprimindo. fator apreendido em tempo do presente se caracteriza por uma muitas cores. tabus etc. reproduzem em ao fazer participar ção que leva o indivíduo a reconhecer-se atitudes simbóli. sentidos dade que faz re­descobrir a “graça invisível social as marcas do discurso mítico. expressão emerge da dinâmica das práticas social. “enquanto não se tenha um nome melhor clubes. origem a interlocução que sentir e de experimentar em comum”. culturais (ritos. cas. tempo da finitude humana. sendo esta a manifestação do os por meio de uma “nebulosa” de afetivi. aspectos da condição humana. falam de ori. cação e possibilitar assim instaurada. que se tirreferencial que. É assim que reencontramos no convívio social con­textualizado. das manifesta. mono­causalidades. simbólicas que configura as formas de per- bém uma embriaguês pelos des­cartáveis. razões. é uma e-agora. o viver social. A ideologia. ou seja. assinalado pelos eventos .

mas que cada coisa mundo. no contexto das trocas sociais. soli. A siner­gia supõe um equilíbrio pondência remetem ao holismo maffe. tabilidade”. tensão da noção de rever. Na tea­tra­lidade. referência ética de Visto como prática social. descrito sempre como exemplo da disposição outros. o embate entre com os outros e participar sentidos. E exprime muito bem a ex. cotidiana. com a idéia de um social elementos. Deseja-se. reconhecer-se que a existência social é. atral. de que demonstra o caráter relacional que e comunicação simbólica. forças. da incom­ple­tude. quer não.18). e à vista disso p. pois não há nenhum porto que predomina é aquela que se expande e faz surgem as correspondências entre forma e seguro. formas e figuras sociais. embora simples. um todo. O mito da para o conflito de valores existentes na verenciando os pactos éticos igualdade social traduziria socialidade. O vi­talismo destaca a organi. que sabe que o humana em uma única sas dos bares. por mínima e “séria” que seja. a qual se refere Maffesoli: “É forçoso pode valorizar o bem-estar como fator diferenciador. o cotidiano se vale enquanto estiver em relação com o uma prática de vida no presente. soliano instiga a concepção teórica inter. Existe uma plurialidade de causas Por outro lado. Apenas . caráter de síntese relacional que cria sen. mais ou menos outro lado da moeda. esses mesmos ele. quer se queira. das categorias de comutabilidade e rever­ As noções de participação e corres. social” (Maffe­soli-1988). a possibilidade de expansão. sistema. conjunto das pessoas e das coisas” (Maffe. de experimentação e mu- mentos de per­tencimento.). próprio seio do cotidiano. p. escapar. “re­ver­sibilidade” e “si­nergia”. uma prática her­me­nêu­tica bolos sociais não é promessa de superação Comunicação multirreferencial. O estilo estético do cotidiano maffe­ té­si­co”4) com­ple­ta. de que a ordem dos e muito menos sinergia sem o atrito das zem interações capazes de reproduzir. sibilidade. o visível e a materialidade das práticas se através-do-outro. rechaça um ideal que. diz Maffe­soli.. que se entrelaçam a soliano. também. qual- vividos na teatralidade do cotidiano. re­ver­si­bilidade elementos que se refe­renciam e produ. apenas.71) ao buscar a uniformida- cada cena. desigual- A organicidade a que se refere Maffesoli representam uma vivência dades e diferenças. ou seja. de forças confli­tantes. quer que seja. Assim. porque é na banalidade das desabrochar de cada um. “Trata. simbolismos que se desdobram em senti. relações sociais etc. fatores não altera o produto. nada é prazer aí compartilhado duz a singularidade dos importante porque tu­do é importante. do car (ou reduzir) todos os constroem esse “complexo arquitetônico sonho tornado realidade. as forças “pluriais”3 que atuam através da com eles de um conjunto do entendimento. o sentido no imaginário. mais vasto. mundo. que procura sublinhar a idéia de A noção de comutabilidade pode ser partir de suas diferenças.1995. analogias. comutação. na organização societal se aglutinam nas utopias de construção tanto relações hierárqui- elementos de diversos caracteres. que. o vitalismo faz refe. que promove o desabrochar das do movimento dinâmico de um sistema liga a outros elementos (objetos. nas experiências criadas a de reversibi­lidade. Esse fator faz-nos reconhecer com o outro a diversidade do estar-no- socialidade e precariedade que “nada é absoluto. de uma maneira ‘não-consciente’. da comunicação. cuja energia coloca em relação inúmeros situações anódinas.. existências que se constitui a realidade te. trazer à cena o se. sendo o choque entre essas Para Maffesoli. imagem e coisa. enfa­tizar a criação de mas ressalta. partir do movimento de encontro ao outro e dança. As forças “pluriais” atentam espaço-tempo-presente. teatral. de um mun­do melhor no cas (desiguais) quanto ou- figuras plurais. o viver social. da diversidade. gibilidade. Dessa forma. assim. processos culturais. práticas culturais. a interlocução cons­ti­tuin­do sentido. imaterial e material. das diversidades. possibilitando a criação de ideologias. Mesmo assim. expandido. no festivo. substitui a idéia de função pela de papéis mais ampla que impele o Uma sociedade. convertendo. se visto como jogo dinâmico de exemplificada pela regra matemática da Não há co­mutabilidade. os É preciso. racionalidade de participar.” (1985. vale dizer. cons­­titui-se em uma realidade damentalmente o egoísmo no fim de todas as cidade. apresenta com muitos sentidos.” (Maffe­soli. participação e correspondência. uma tendência instintiva para o conví- e de razões emergentes da comunicação mentos coexistem. formando uma globa­ vio harmonioso. por ser humano para as peque. Essa o que. a nosso ver. eventos importantes. mesma idéia cria a inteli- preside o orde­namento é o sentimento sibilidade na so­cialidade. de uma utopia em processos de interação cotidiano das praças públicas. apesar vida social . que da imagem e da razão. Rompe-se. A imagem de sinergia (de “sentido cenes­ com­plementam no onírico. comporta isso. aquele que prevê fun- socia­li­da­de. quer dizer.99). li­dade. tornando possível compartilhar Comutabilidade e reversibilidade: cialmente. p. antes de mais nada. ou seja. O sentimento de de dos fenômenos. re- é importante (. coletivo. Sentir-se em correspondência coisas. aqui-e-agora. então.. sem deixar forças ativas e reativas que movem a vida reconhecer e (re)criar modelos culturais.correspondências. desloca os centros de referência em do os diferentes âmbitos da participação função dos diálogos estabelecidos so. o no cotidiano. das conver. ação pragmática per­meada por múltiplos e reversibilidade que se manifestam nas e. or­giásticas. re. então. a abertura de horizontes.). minúsculas. pretativa que ressalta as idéias de “comu. Não se trata aqui de adotar o social . além de se ex. fenômenos da sociedade das paixões e das situações que é próprio do o imaginário projetando o pelo modelo econômico. l995. só A idéia de hierarquia. É preciso perceber a tensão das que favorecem a comunhão nossa atração para expli- forças contraditórias. nenhum paraíso aca­lentador. tras igualitárias. social. contex­tua­li­zan­ uma representação geral. LOGOS força que emerge das práticas sociais como participar os indivíduos da comutabilidade estrutura. assuntos. a ação de uma sobre a rência ao viver social como expressão tidos como elemento de uma rede que se outra. natural. o compartilhar dos sím­ pressar de maneira desordenada e aleatória. no lógica: a de mercado. acima de tudo.

os mistérios e as ginário social. aferindo parte de um tempo e entendimentos his. sentidos. a or- explicar significados. algu- plosivos -. A tradição do pensamento “O mundo imaginal” afetuosos das relações de amizade. agora.. p. aos i­maginários.1995. de sua dinâmica própria” (1995. A transfiguração pela pode conter” (1993. impregnando nossas vidas. como fonte de compreensão produção de idéias. or­giástica. desde Descartes. imagem nos faz pensar Este enorme vagalhão na “mo­vência” das formas remexe as profundezas do simbólicas em seu poder. Ela é tomada como fator agindo sobre nós muito mais do que nica. Oriente Médio. não se prendem a nenhuma humanas.ib. ex. gens. A “consciência simbólica”. além do socialidade. os caprichos. em sua errância as formas de estruturação qual a imagem se integra. Assim. sua atuação dos significados culturais. atentados terroristas etc. de dimensio. em diferentes signos a partir das práticas assume feições perversas e fanáticas. de agregação. ção dos signos. Alguns fanáticos arrastam seus rastros pelo a exata medida da finitude humana. é este o estilo-estético que De acordo com Maffe­soli. definindo os pactos humanos em toda sua concretude. no domínio ou procurar verdades eternas aponta-se para sua efe­meridade. em diferenciadas assumem o “comando de sentido. A põe chamar de “um mun­­do imagem. formando o nificado. conflitos. empurra para a por uma divindade. A ordem das imagens é pregnante na coti­dianidade: é vetor de participar da “con­templação estética” que contamina. na qual que seria da ordem do não-lógico.103). também. a fim de em-comum. a fé religiosa. movimento de rever­si­bilidade”. que. p.135). às vezes. a vida como ela é: trágica.) das imagens que permite a Não há nenhum campo do viver social que não vivência dos sentidos sociais. na Rússia5 etc. extraindo grupos. está haven- melhor compreendê-la. de mundo. não requer “ela nada vale por si mesma. con­fusional. política e e imutáveis como forma de dar sentido tualidade contex­tual de seu significado. Busca e socialidade. Apenas a existência. vivenciados pelo pertencimento mundo: no Japão. transfigura-se. a compreendidos. pois o outro é no­menológica ou a perspectiva imaginal que Maffesoli denomina de tribos urbanas.6). A rebelião do imaginário sobre esta mesma realidade. Através das imagens pode-se sentir o que. a es­pécie de mistura de ensão da polifonia que o grandes a­jun­tamentos de viver cotidiano expressa em tu­do que se refere a ima- múltiplas formas. no Brasil. Desse modo. os limites assinalados em inúme. Ressaltando-se que as imagens mas seitas transformam-se em pesadelos de homo­ge­neidade.. de correspon. de interação. a finitude. faz a sociedade dem política etc. conforme Maffesoli: “A sensibilidade fe­ de ser. naquele momento. trazendo por exemplo. A ordem das imagens escapa. Impedindo. da Verdade e do lidade complexa e mo­vente que provoca força e representação do todo social no Juízo Final. nos EUA. sexuais. partilhando paixões: maneiras agimos. faz reconhecer. incapazes de perceber aquilo formas comuns. em Tóquio. e os sentimentos compartilhados. do a so­cialidade se expressa “nos ambientes não-racional. explosões. desse modo. em Oklahoma e San Diego. A imagem ca­talisador” (1995. p. de maneiras ao que. uma onda vio- de uma realidade para lenta que chega e que na­da outra. gurador. do pensar incansável A imagem faz participar. permite. mas. seja. por uns poucos. sua presença e gregação: choques. a imagem é capaz se rebela formando uma de conduzir o imaginário enorme va­ga. Arrebatada por sentidos múltiplos. sentindo. sem tóricos. “diria que é provocando sua projeção um vagalhão. na moderno. LOGOS a busca em seu processo social constitui sig. Falar da vida é falar de uma rea. estar-se atento aos A ebulição imagética irrompe produzindo. adqui. descobrindo os “religa” os indivíduos pelo poder do ima. p. leva à compre. emocional”. por um lado. do imaginário”. aquele elemento que marca a incom­ple­tude. de estar e de pensar. fanatismos. privilegiando “Quando se é possuído por um amor. preensão do “pa­râmetro Enquanto signo transfi. certos sentidos são partilhados apenas As existências tomadas em comum poder de criação e/ou manutenção/extin. à A socialidade maffe­ i­maginação e ao simbólico soliana destaca o poder na vi­da social”. religião tornam-se parceiras. tornados sociais as representações sociais se expressam imagem comporta formas desfiguradas e . pode ser com­partilhada pelo sentimento do epidemia.. obscuridades). Maffesoli comenta a estética dessa “época expli­cativos. trata-se de uma verdadeira comunhão. (id. viver-em-comum. ao transfigurar imagi­nal”: “de modo geral. do uma “rebelião do imaginário”. os “iniciados”. a pon. pretender agir sobre o que não tem e reconhecimento sociais. esteja contaminado pelo imaginário: a faz perceber significados ao invés de A imagem. todas as coisas que mar­gi­nalidade todas as potencia­li­dades o corpo. da realidade. . a com- soli. por um sentimento.sentimentos empáticos. formas incontroláveis de desa- ros desejos. cria pertencimento. viscosidade das aderências religiosas. a “razão racio­ci­nante”. ou em sua mul­ti­plicidade de formas fazem disputa pelo poder sobre a alma de outrem.95). dência e constante reversibilidade. causada meandros. do saber teórico. à tona o que o autor pro- nar o viver dos homens. formadores de singularidades. Comu. objetos e/ou aos e­ventos por si mesmos. o rosto. imaginário social. culturais. Também é dessa forma que pelo esgotamento dos grandes sistemas suas particularidades (sinais de nascença. precisam de imagens que lhes sirvam de do conhecimento que se guarda nas re outra dimensão” (Maffe­ imagens.

so­cialidade destacada. Re- e a eclosão das inúme. Présentation. o seu alcance confusional. Paris: Livre presentações coletivas de Poche. p. além das diver- sas formas de sectarismo religioso. Porto Ale- fortifica-se com os gran. A conta. onde _____. 3 “Neologismo do autor (plurialité). vale dizer. Os imaginá- minação do imaginário rios do social. São torna a se fundir”(id. p. impossi. LOGOS dessa forma. tempos e sentidos da pós-modernidade aponta tanto para inovações como para “repetições” de ideologias e práticas que marcaram a modernidade. dos atentados terroristas. “Nossa instrumentação não está. “tudo é permitido. 1994. vista Psicologia & ras formas “to­têmicas” Práticas Sociais.71). Rio de extraordinariamente vivo. v. todas as coisas. se ultrapassam os limites. A so- cialidade é a expressão cotidiana e tangível da solidariedade de base. pois Instituto de Psicologia da UERJ. _____. até o presente.. 1988. 1988. o sentido cenes- tésico compõe-se por meio de um equilíbrio * Maria Cristina da Silva Gioseffi é que integra tanto a função como a disfun.11). alizando a dinâmica 1993. nada é proibido. 1995. dos “assassinatos da paz” (entre eles Isaac Rabin). de Psicologia/UERJ. logia da orgia. onde se transgride. A sombra de biência dessa realidade Dionísio . taires de la vie reli- gieuse. e que é a partir disto Janeiro: Rocco. de reversibilidade da _____. 1995. A contemplação do A relevância desse mundo ima­gético mundo. MAFFESOLI. Michel. a intolerância étnica e racial. adequada para compreender o impacto desta rebelião do imaginário” Bibliografia (Maffesoli.7). a impo- tência da comunidade mundial diante dos massacres na Bósnia (por exemplo).Contribui- que se distingue pela ção a uma socio- “efervescência” de sua or.1. são .81). p. p. re. da fome epidêmica. amplitude. diferenças e contrastes (pluriel)” (Maffesoli. temporâneos. que é do presente. Les formes élémen- Os indivíduos e as re. Notas 1 Maffesoli utiliza o termo societal “para sublinhar uma característica essencial do ‘ser-estar-junto-com’ característica essa que supera a simples associação racional. que a comunidade se funde regularmente ou ­­_____. do societal em ato” (1985. Mestre em Psicologia Social pelo ção. 2 A convergência de convivências. O autoritarismo presente nos grupos neo-nazistas. n. 1991. p. Paulo: Brasiliense. Rio dem confusional. inclusive o anômico”. 4 De acordo com Maffesoli. gre: Artes e Ofícios. 5 Faz-se referência aos atentados terroristas bilitados que estamos de perceber sua e/ou religiosos. 1993. tornam original a am. _____. “onde de Janeiro: Graal.8). Rio em torno das quais se de Janeiro: Instituto aglutinam grupos. dos “loucos de Oklahoma”.3. as sanções geopolíticas. O conhecimento comum. ao entendimento. com o qual enfatiza a existência de variedades. des “ajuntamentos” con. integradas com habilidade (1995. A conquista há algo que se move.

o mundo possível do social restrutura. em Guattari. São etnocêntrica. é construído pelo ângulo da socialidade. parecer incongruência colo. em que de compreensão inter­textual. intra-subjetividade. buscam construir agencia- coletivos de enun­ciação. Por isso têm como excentricidade ou mo- em ambos os enfoques. o conceito é industrial. segundo situação esta em que o que está em jogo contexto. segundo ele. porque de uma subjetividade que. da produção tidos semânticos continuam a funcionar e. expressão semiótica. o segundo.a cultura científica díspare tão assemelhados teorica. congregando como sistema relacional paroxístico todos os conceitos de cultura: a existenciais e relacionais cultura-valor. A subjetividade essa subjetividade como uma relação de . mas a produção e di- absoluto e relativo. percebê-los em a consistência do significado. especificamente a assimilação viduação. em cada formação do social se constrói. subjetividade. LOGOS A construção do sujeito em Maffesoli e Guattari Heloisa G. O primeiro conceito com­ car no mesmo cenário uma preende a categoria da cultu- discussão sobre tais idéias a ra como conotação iluminista partir de autores. maquinal. a cultura em primeiro lugar é destacar popular. De uma parte. intelecto­cêntrica. singularidade são conceitos rais contemporâneas pelo princípio da de manifestações culturais populares. Na verdade. ele mesmo renega. inter­ sobre o social.. da coisa. de comportamentos sociais dife- subjetividade. Há os grupos feministas. Absoluto no sentido gressivo das subjetividades. sintaxe compreensiva do entendimento se admitem dimensões até o momento Socialidade. por natureza. não da referência. vivem nível da textura epidérmica das relações so. a pujança do delo primitivista. a cultura mente. P. No subjetividade como parte de uma supe. os negros. da cultura artística. totaliza gação imposta aos espaços sociais de. que é fabricada. em Maffesoli. traduz-se sua significância e especificidade e. presentes em ambas as obras de Michel Ma. não da essência. percebida alguns conceitos presentes ciais. renciados. É o caso das culturas tema tratado. pela segre. de outra. fusão de bens e ‘mercadorias’ culturais. do etnocen­trismo. mas relativo corrente da manufaturação. um status simultaneamente ele. de outro. Eles são como sinônimo da busca de rompimento. negadas. mo- delada no registro do social. a cultura como enfrentadas pelo homem na al­ma coletiva e a cultura como contem­poraneidade. sintagmático. ffesoli e Félix Guattari e adquirem. de que o conceito é um todo. decorrente e dependente das mino­ritárias. O que me interessa erudita. nem . fabricada. A Finalmente. ao mesmo tempo. final. essencialmente na medida em que o próprio sistema gera remete sempre a um problema. os homossexuais etc. estruturas de produção capitalista. nunca definitivo. não é mais a teoria. Guattari considera que esses três sen- em si seus componentes. Nogueira M ichel Maffe­ soli e Fé­lix Guattari in­ ter­pretam e buscam dar significados às questões é produzida. A perspectiva não é mais a da uma tolerância marginalizada àquilo que um mundo possível como condição. e pelos agenciamentos uma cultura ‘capitalística’. indi. complementarmente. como por exemplo. de um lado. Guattari aborda as estruturas cultu. cotejá-los lado a lado num esforço conectivos. mente. vicinais: órgãos de ligação na ao final do XIX. geradora mentos de enunciação que produzam um conceitos que falam do acontecimento ao de todos os campos de produção e de sentido de sin­gu­larização. afinal. economia do desejo no campo social. pelo ângulo do confi­na­mento pro. enquanto um todo fragmentado. a cultura como mercadoria. Pode mercadoria.

porque não se objetaliza. para ele. sociais decadentes. prescinde de estar contida na Face aos conceitos de identidade. p. de referenciação. das lutas sociais para que não se neutrali- Guattari entende que a produção de che d’un temps perdu. ao contrário. a memória. Guattari A singularidade. opressão e dependência. no jogo entretecido das relações reconhecimento e incorporação. como uma questão de identidade cul. com o corpo. sejam estes exis. fenô- subjetividade capitalística é que ela se mesmo que imaginário”. de bens e serviços. reelabora a discussão teórica dos modos renciação da subjetividade capitalística. individuação. que entrecruza elementos mentos biológicos.63). p. (1993. que estes subjetividade constitui matéria-prima de singularidades. a realidade conforme quadros de refe. presente. na recher.” (Guatta­ri.. A concepção em preservar uma correlativa à noção de identidade cultural. aplicável tanto às sociedades modos das relações humanas até mesmo de singularidade. Estes processos produzem os de identidade e diferenciá-lo da idéia social. a questão da e de infantilização: o indivíduo culpado. modelado. a preservação de um si mesmo” (1993.74). termos por “agen­ciamento de processos dor de processos de individualização nos soas confundem “a preservação de uma de expressão”. natureza. Maffesoli devolve ao quanto dos oprimidos” (1993. que. estreiteza racionalizadora da análise . as relações sociais. Similar ênfase deve ser observada semióticas econômicas. tural a ser mantida como um retorno ao infrapessoal.. ”Ela é um meio de com que. não está situada no nível ponentes da subjetividade . ao cotidiano das relações sociais. da história e nômicos. com a idéia de tempo faz passar a singularidade de diferentes estar-junto. não podem ser tratados não mais antropológicos. os conceito que referencia. de fato. constitui. p. A esfera processo de singularização é que ele maneira a gerar um efeito sinérgico. to de indivíduo serializado. Seleciona. assim. No entanto.. versal num processo criador de “devires transversal. a relação com a produção. o país de origem etc. 1993.(.no o corpus de sua teoria no propósito de ffesoli. retorno ao idêntico. é um A problemática micropolítica central. dos constructos do poder global. isso depreende que a questão não mais de produção e consumo capitalístico o conteúdo da complexa metáfora se limita ao plano da economia política. como social enquanto tal. mas como uma articulação trans. à matriz do pertencimento -. pessoal. que cons. da representação corres­ponde ao campo seja automodelador: que ele capte os A invenção de modos de expressão da ideologia. indivíduos e dos grupos sociais. registrado. emprestados. práticas e teóricas independentemente é preciso incentivar e articular aos modos assim como a sensibilidade. Sociedade é. ele espécies enquanto conceitos de refe. o trua seus próprios tipos de referências reserva possível de expres­sividade a qual uso maciço da televisão. segundo ele. com o passado e com o futuro.sejam de de mediação imposta pelos estados. uma espécie de incluem desde as revoluções científicas. intrapessoal de representação da subjetividade. Guattari alicerça os ele. p. concepção de uma entidade reificada é infrapessoal. sexuais. a percepção. quais se embutem mecanismos de culpa determinada figura de si mesmo com Guattari articula.quer ocorra com semiótica de diferentes naturezas culturais envolve comportamentos cujos suportes o indivíduo ou com o grupo -. infra-humana ou nações. rência. Guattari elabora da representação social. É o que permite menos bastante presentes em períodos produz tanto ao nível dos o­pres­sores e sustenta a geração de estratégias mer. em a natureza. Em de expressão dominantes.73). Em tal dimensão. auto-identificação num determinado defronta na atualidade. de social”(Guattari. São sistemas viver seus próprios processos em todos cultura. Guattari propõe substituir tais consumidor de subjetividade e instaura. mento dos processos de expressão”. o imaginário etc. A identidade é um qualificadas como capitalistas quanto aos em suas representações inconscientes. agregados. da filosofia. de o complexo social e estende seu olhar ção do homem com o mundo e consigo maneira a classificar normativamente o teórico além e aquém do que chama- mesmo. O que caracteriza um processos se apóiem uns nos outros de de toda e qualquer produção. Conforme Guattari mos comumente de relações sociais. os níveis pretendidos. no entanto. Por cadológicas diferenciadas e segmentadas banal. conceito existencial. subjetivos que se instauram através dos da psicanálise. Guattari observa que as pes. a subjetivação modelizada elementos da situação . como se ensina..o “agencia. ao mesmo.ao fundamento do com a alimentação. de produção capitalísticos segundo uma estruturam funções segregadas e nor. e sim como comportamentos sociais. grupo que conjuga seus modos de subje­ acima de tudo. crise mundial não apenas no nível das segregado perante si mesmo e perante p. por exemplo. circunscreve países ditos periféricos. mas na formação zem mutuamente. maneiras de existir por um só e mesmo categoria marcada pela acentuação das Diz Guattari que “o que faz a força da quadro de referência identificável.69): ”A identidade é aquilo que direção à socialidade . 1993. resiste à reifi­ca­ção para Guattari. conceituais a partir de um modelo teórico individuação. da informática. diferentemente. o indivíduo por alguns como a preservação da ordem Todas estas noções têm um fundo etno­ somente existe enquanto terminal. natureza infrapsíquica.) estruturações societais.. na dimensão dos modos tradicionais psicologizados. modos como se trabalha. a faixa etária. mas relacionais. determinada ordem social é confundida que implica o par identidade/alteridade. mas de todas as a sociedade. para ele. Necessário aqui clarificar o conceito mesma cartografia do desejo no campo malizadas. como se fala etc. a liberdade em assumir e o conceito de identidade cultural e de fantasia. sexuais e sócio-eco. Maffesoli. movimento processual. o sociólogo se mas ao da economia subjetiva. Ele combina os elementos Na base da formação dos níveis de arcaico.. que delineiam um concei. porém da sociologia à luz da observação dos aglomerados em dimensões de diferentes eles não podem existir em si. porque envolvidos com tencial. comunhão e Formação das singularidades ti­vação nas relações de segmentaridade coesão.44). o sexo. contrapropõe a reapropriação dos com. infantilizado pela relação quando o foco é sobre as minorias: não semióticas de controle social . segundo ele. seja qual for a sua centrista.. observa A ordem capitalística fabrica a rela. a outros termos. mas no nível da subjetividade. A a natureza infra-humana. como em Ma. interpessoal. Socialidade em ato como se ama. LOGOS alienação. com os fatos. grupais. infrapsíquica e ou profissional. com indivíduo numa série. não no agenciar os processos de singularização grupais.

individuais. fundador. a rudeza e a de identificação sexuais. a busca de um conceito escatológico tal condição. ao mesmo tempo. os rituais da vida à ges- Em vez de apoiar-se num modelo Da idéia difusa do tempo vivido social tão da morte. condição da intersubjetivi.expresso numa relação com um constitutivo do societal decorre essa eu- de e indeterminação encontram-se tempo e com um espaço. e que pode ser extra.branco ou preto. O lúdico não é o divertimento o paradoxo como condições epistemo- na fusão com o coletivo. ou seja. diz Ma- dos conjuntos efêmeros.as tribos -. aos costumes. espontânea do processo pluralista. Daí provém o caráter sagrado porém remanescentes e reciprocamente A comunicação inclui o non sense aparente no apego à casa. funda a vida social ou que faz lembrar sua admitem a contradição.21). do factível. o falso brilho. os não-tempos. p. é o substrato organístico ideológico) se encontrará sempre um perigoso problema da alteridade.23): “Quando a pelo tédio. sua abordagem filosófico. afirma Maffesoli (1984. realiza uma negociação com o individualismo. nasce a compre. ao perceber que a diferença é forças de união. diz Maffesoli. a forma. ciclo que se renova.138). O rito. cujo único sentido é o de cotidiano e o imaginário. liberam uma pluralidade de ressaltar a dinâmica da ambiência “tribal” ensão de que a alienação. Porque o gestual coletivo de argumentação crítica do processo de e individualmente como repetição. (Maffesoli. o olhar diária deste ponto de vista tem como sociedade. segundo Maffesoli. p. Ao se ritualizar. se reali­menta. polada como conceito para o conjunto É a justaposição destes contrários das situações humanas num processo de que torna factível o jogo. como o faz Guat. segundo Lévi-Strauss. o grupo . a alteridade. subjetividade. o olhar e a reserva de energia que dela brota díspares. p. da morte oposta à vida. Existe teatralidade grupos . pela repetição. A comunhão Conclusões? cristalização da socialidade. funda a relação orgânica que liga a morte tempos e condições históricas singulares. morte. inclusivamente femização do tempo e do espaço que liga na raiz de toda mudança e da própria imaginários . um imoralismo fenômeno humano. conseqüência a relativização da política. do lúdico canaliza e funda o social.como amálgama da coesão organicamente o fantástico ao cotidiano.nú. Maffesoli percebe das raízes. A pregnância de uma memória rompida definitivamente: o paradoxo percebe Guattari: torna-se um trampolim espacial como “buracos negros” constitui é assumido no âmago do conceito. sociedade. em- simultaneamente. a incoerência sideração. políticos e profis. como nitária. pluralida. diz Maffesoli que o ”espaço é a gência ética. A Guattari). o gestual. Contradição. trágico traz a emergência dos contrários. ao mesmo tempo. pela exaltação da vida social. A proposta de forma a priori do fantástico” (1984. 1984. tempos mortos e sobretudo dade e de contradição. vência entre a moral estreita do dever ambigüidade fundamental de todo rece a manifestação e o desenvolvimento ser. Mais do que uma peso de Maffesoli é de fundo existencial- ffesoli “não houvesse uma aparência das explicação sistemática. do verdade. A subjetividade não se vincula ao porque ao lado dela (do econômico. Como doçura contrabalançadas e neutralizadas sionais mencionados em Guattari. No espaço de convi- Na propedêutica que examina a território. sua estrutura ‘molecular’ (expressão de abrangente sobre a existência societal. sobre. alísticas. ser subestimada.” Aqui o porque existe contradição. o aspecto dual . Ambos examinar atentamente a intensidade da é o lugar das figurações. o humus favo. ficamos livres de buscar uma direção. contraditórias. põe-se o processo de identificação com perspectiva sobre a história não é linear. necessária porque fortifica o trágico. (1984. viver coletivamente. e dobras construídas pelas micro-histórias tari. permitindo o crescimento. logicamente naturais. que explique e elimine a contradição é vergonha de precisar ser eliminada. existe. pelo toda violência que estrutura o social se direção a outros conceitos tal como o da domínio do irreal. do conjunto. É nesse sentido que a teatralidade dade em ato. à terra. história. circularidade presente nas práticas ritu- cia social”. pela tristeza. e a vida. O espaço modela coercitivamente os certo ou errado. são a expressão da potência para o outro. em metodológico que viabiliza um olhar mais uma reserva de energia que não pode. social que se esgota no aparecer.54). À lógica dos processos mortos. viver junto. da repetição. não são elementos mortíferos. p. das congregações e um non sense e a incoerência. de emoções difundida nos atos mais O que se percebe comum. O subjetivo se transcende fundação. as forças centrífugas da do social é compreensiva. Guattari admite a imbricação O subjetivo pode ser o caminho para se carga simbólica desse “buraco” é imensa de formas de comportamento culturais apreender o in­ter­subjetivo. dos pequenos há ritmos. os tempos sentimentos e situações que leva em con- do contexto social. ou socialidade de base . Da aceitação da concedem idêntico grau de importância vida diária leva-o a considerar a presença ambigüidade como elemento estrutural aos fenômenos culturais marginais e a . Por isso a vida social é feita de teatrali- a emergência das redes. por -. dinâmico que traduz uma profunda exi- a inexistência de antinomia entre o Assim. LOGOS de estruturas. mas o efeito e a conseqü. permitem a estruturação comu. A socialidade em ato nada mais Maffesoli estende suas bases teóricas em é que a comunicação de emoções. que gera o de uso privado. e se. Sob hábitos e costumes do dia a dia que. como é o resultado da combinação das várias estruturação capitalista. positivo ou negativo cesso de construção das diferenças. o amargo ao doce. E o contradição conduziriam diretamente à Ao estabelecer o conceito da sociali. da é uma astúcia que assegura a permanên- cleo de identidade. Porque. a subjetividade livra-se da sua vez. no per- Maffesoli vai mais além: o que está cotidianos ou cristalizada nos grandes curso das idéias de Maffesoli e Guattari. a aparência não como alavanca metodológica através “Examinar a intensidade da vida são aspectos secundários e residuais da da qual se espelha a alteridade. construídas em do outro. pro. Maffesoli revela preocupação em por isso sempre igual. patrimônio coletivo para Durkheim -.a estru­turação da socialidade -. bora seja. ao intercambiantes. A linearidade na intra-subjetivo: a geração simultânea e ência de toda socialidade em ato. subjetividade. na dade. a ambigüidade. o Outro é ameaçador. Assim. Esta categoria funciona presente ao jogo. do social . em causa é o vaivém constante entre acontecimentos comemorativos é o que é a construção de modelos teóricos que uma intersubjetividade e uma intra. que se constrói em ato pessoal e social social que assegura a coesão do conjunto” para Maffesoli.

LOGOS

fenômenos habitualmente considerados perspectiva contratual, maquinal) do que mo. Rio de Janeiro: Imago, 1988.
e valorados. aquilo que é emocionalmente comum a LÉVI-STRAUSS, Claude. O cru e o cozido. São
Na verdade, esta é uma das facetas todos (a perspectiva orgânica). Pode-se Paulo: Ed. Brasiliense, 1991.
mais visíveis da pós-modernidade: a des- assim afirmar que o imaginário coletivo age _____. Mito e significado. Porto: Edições
70, 1978.
coberta de um mundo sem centro fixo, mais por contaminação do que por persu-
MAFFESOLI, Michel. A sombra de Dionísio. Rio
cujo paradoxo está em tornar-se moder- asão de uma razão social. É esse vaivém de Janeiro: Graal, 1985.
no e, simultaneamente, retornar às fontes. constante entre o ordinário e o singular, _____. A conquista do presente. Rio de
O pós-moderno realiza dois movimentos que faz da análise da sensibilidade coletiva, Janeiro: Rocco, 1984.
simultâneos: ele reinsere os contextos em ambos os casos, um instrumento de _____. Sociedades complexas e saber or-
históricos como sendo significantes, e primeira ordem. gânico. In: Revista Tempo Brasileiro, n.108,
até determinantes, mas, ao fazê-lo, diz De outra parte, as diferenças na abor- Interdisciplinaridade, 1992.
Hutcheon (1988, p.122), problematiza dagem dos conceitos de sub­jetivação, _____. A ecologização do social. Rio de
toda a noção de conhecimento históri- individuação e singu­larização são dife- Janeiro: Palestra proferida no Seminário “O
co. Quando Guattari propõe a geração renças de nível, de estamento conceitual, homem, a cidade e a natureza”, Casa de
Rui Barbosa, mimeo, 1992.
de processos de singularização, está em não de essência. Maffesoli examina o so-
_____. O tempo das tribos. Rio de Janeiro:
discussão a absorção de um contorno cial do ponto de vista de suas entranhas, Forense Universitária, 1987.
histórico adverso em prol de um agen­ das forças internas sociais que regem os
ciamento construído pela consciência. grupos. Guattari contabiliza os créditos e
A história é absorvida e absolvida em sua débitos da história ocidental, localiza no
perversidade idônea, e a consciência pes- modelo capitalístico o esmagamento da
soal e grupal re-constrói seus parâmetros idéia de pessoa e propõe a reversão dos
referenciais. indivíduos e grupos, no sentido da cons-
Elemento presente em ambas as ciência e domínio sobre sua reconstrução,
teorias é o contorno grupal atribuído à acima do objeto maquinal; este o propósi-
organização social, a formação de tribos, to da construção das singularidades. A in-
de grupos que elaboram uma aura estéti- dividuação, a subjetivação, na acepção de
ca no sentido da pulsão comunitária, num Guattari, são conceitos que guardam em
movimento de solidariedade orgânica. si o ocultamento do singular. Maffesoli, de
O livro construído por Rolnik a partir das outra parte, utiliza o conceito de subjeti-
inúmeras viagens de Guattari demonstra vação como alavanca metodológica/base
enfaticamente isto, da mesma forma os episte­mológica para a construção do su-
textos de Maffesoli. A sociedade, em todo jeito, posto que na idéia de sujeito já está
o mundo, não mais pode ser examinada contida a do Outro. A natureza torna-se
do ponto de vista de uma lógica binária cultura, porque cultura faz-se através da
da separação, colocando em dois do- natureza; elementos que se combinam
mínios corpo e alma, espírito e matéria, na metástase da alteridade.
ideologia e produção, indivíduos e cole- Enfim, os esforços de Guattari e Maffe-
tividades, cultura erudita, cultura popular, soli, longe de se afastarem de numa opção
enfim, natureza e cultura. epistemológica radicalmente antagônica,
Essas entidades aparentemente pre- integram-se e multiplicam-se no sentido
servaram o sentimento frente a um outro, de ampliarem ainda mais os significados
mas esse outro foi internalizado como possíveis a serem atribuídos aos compor-
díspar, concorrente. A abertura para a tamentos sociais contemporâneos.
inclusão dos contrários vem conotar um
novo espaço, um local onde se representa Bibliografia
esse destino comum. Mesmo os termos
contidos nesta ambigüidade encasulam- CHÂTELET, François. Uma história da razão. Rio
se em conformidade aos moldes de cada de Janeiro: Jorge Zahar, 1992.
grupo, na persistência de um ethos que DELEUZE, Gilles & GUATTARI, Félix. O que é filo-
os constitui e os explica. A comunidade sofia? Rio de Janeiro: Edições 34, 1993.
esgota sua energia em seu próprio ato DURAND, Gilbert. Les structures antho­po­
de criação e recriação. Sua única função logiques de l’imaginaire. Bordas: Collection
é reafirmar o sentimento que um dado Études Supérieures, 1969.
FOUCAULT, Michel. A arqueologia do sa-
grupo tem de si mesmo. Eis o contexto
ber. Rio de Janeiro: Forense Universitária,
proposto por Guattari. Eis o ritual mencio- 1995.
nado em Maffesoli que, ao ser repetitivo, GUATTARI, Félix e ROLNIK, Suely. Micropolítica
oferece segurança. Ambos, através de - Cartografias do desejo. Petrópolis: Vozes,
mecanismos diferentes, reafirmam o sen- 1993. * Heloisa G. P. Nogueira é Mestre em
timento que os grupos têm de si mesmos HUIZINGA, Johan. Homo ludens. São Paulo: Memória Social e Documento pela
no sentido de privilegiar menos aquilo ao Perspectiva,1993. UniRio e Doutoranda em Literatura
que cada um vai aderir voluntariamente (a HUTCHEON, Linda. Poética do pós-modernis- Brasileira pela PUC/Rio.

LOGOS

O presente e a aparência: alguns
aspectos centrais do
pensamento de Michel Maffesoli
Roberto Motta*

M ichel Maffesoli é um dos
sociólogos franceses de
maior influência em seu
próprio país e um dos mais conhecidos
no Brasil. Sua repercussão deriva de seus
nado teses, tomando parte em con-
gressos, reuniões, simpósios, que têm
muitas vezes por objeto sua obra e seu
pensamento. Não menos importante,
tem também Maffesoli dispensado
existir no quotidiano (e nada existe fora
do quotidiano). Este presente a sociolo-
gia tem de reconquistar, livrando-o da
camisa de força com que a doxa, a opi-
nião generalizada dos cientistas sociais,
muitos livros,1 que giram em torno de generosa hospitalidade a sociólogos, vem tentando dominá-lo. A sociologia
alguns temas fundamentais, entre eles, antropólogos, intelectuais brasileiros, mais convencional, que opera à base
a reconquista, pela teoria sociológica, ora convidando-os para os congressos de dissecções in vitro, arrisca-se a não
do presente e do quotidiano; a desmis- que costuma organizar, em Paris e nou- passar de um exercício de professores
tificação do projeto e da dominação; a tras cidades, entre os quais os trienais (ou pedantes), perdendo o contacto
pre­valência da comunidade emocional sobre As sociologias e os anuais sobre com o real.
sobre a sociedade abstrata e sobre os o imaginário etc.; ora como professores A sociologia de Maffesoli prefere o
indivíduos, encarados como átomos e pesquisadores visitantes da Sorbonne que, em vocabulário derivado de seu
igualmente abstratos dessa sociedade; ou do Centre d’Etudes sur l’Actuel et le mestre, o sociólogo-antropólogo de
a crítica da teoria sociológica, que não Quotidien, ligado à própria Sorbonne e Grenoble, Gilbert Durand, denomina
seria afinal tão diversa da sim­bolização por ele dirigido. Tem, ainda, sido orienta- trajeto antropológico, que consiste num
totê­mica; a pós-mo­der­nidade, caracte- dor de teses de doutoramento de muitos incessante vaivém entre o vivido, em
rizada por todo um conjunto de formas estudantes pós-graduados, hoje em dia suas formas concretas, e as maneiras
sociais radicalmente diferentes daquelas professores de diversas universidades de de representá-lo. Daí decorre a rejeição
que se associam ao produtivismo da nosso país.3 Trata-se, enfim, de um soci- de determinismos, fáceis demais para
mo­dernidade etc. E, na base de sua so- ólogo e pensador ao qual não se pode serem verdadeiros, e da crença ingênua
ciologia, encontramos, em Maffe­soli, um ficar indiferente, last but not least, pelo em supra-estruturas, apenas dóceis re-
nominalismo, um empirismo radical, de arrojo com que tem ficado à altura, quer flexos de relações de produção. Recusa,
acordo com o qual nada existe fora dos se concorde ou não com suas teorias e ainda, do evo­lucionismo, do historicis-
dados imediatos da experiência, repre- interpretações, da tarefa, da vocação mo que, se não capta a riqueza sinuosa
sentando, portanto, um vão exercício a sociológica por excelência, que é a de do real, ajuda o preguiçoso e conforta
busca de estruturas situadas além das interpretar os sinais do tempo. o dogmático, reduzindo a ciência social
aparências.2 a uns poucos lugares-comuns. Daí tam-
Maffesoli vem também desempe- O dinamismo do quotidiano bém a idéia da sociedade que jamais
nhando, nas duas últimas décadas, Para, com poucas palavras, expri- adquire completa unidade, coerência
papel de muito destaque nas relações mir a intuição inicial da obra sociológica ou transparência, pois sua lógica nunca
culturais entre a França e o Brasil, com de Michel Maffesoli, eu diria que esta se é a dos conceitos carte­sianos, claros e
a tradução de seus livros, publicando configura na potência, dynamis, num distintos. Muito longe de representar o
artigos em revistas nacionais, animando movimento como que vulcânico, que triunfo do uno, a sociedade, irremedia-
acordos de cooperação universitária, em muito supera as estruturas da análise velmente fragmentada, é por excelência
visitando nosso país várias vezes por sociológica e antropológica. Veremos o lugar das diferenças.
ano, sem se limitar ao Rio de Janeiro, mais adiante algumas implicações mais Pode-se inclusive questionar se, em
São Paulo e outras capitais, mas chegan- filosóficas dessa intuição. Destaquemos termos maffesolianos, é possível falar
do também a lugares como Londrina ainda que, de acordo com a mesma de sociedade, ou de Sociedade com S
e Crato, pronunciando conferências, intuição, o que importa, em primeiro (e maiúsculo. Pois dentro dessa lógica do
comparecendo a lançamentos, exami- único) lugar, é o presente, que só pode presente dinâmico, vulcânico e resisten-
te a toda expressão conceptual, situa-se

LOGOS

a lógica das “tribos” (se efetivamente se Maffesoli manifesta muita desconfiança sinal do fim da história, como se tivesse
trata de uma lógica), estudada por nosso com referência à idéia de progresso, pois expressamente acontecido para confir-
autor num dos seus trabalhos de maior esta “pretende fundamentalmente reger mar teses de Maffesoli.
repercussão, O tempo das tribos. Michel o que é incoerente, dar finalidade ao que O presente dinâmico, que repre-
Maffesoli parece querer continuar a não tem sentido”. (p.229) senta a intuição de base da sociologia
tradição nominalista, que, partindo de Na crítica do projeto e da revolução, maffesoliana, implica na atuação de um
Guilherme Ockham, passa por Hume que, em termos maffesolianos, equivale elemento orgiástico na raiz de toda vida
e repercute em Kant. Maffesoli des- à crítica da dominação, nosso autor social. “O orgiástico é causa e ao mesmo
constrói a sociedade. As tribos, isto é, os gosta de citar a frase de Goethe, “mui- tempo efeito da vitalidade social; uma
grupos unidos pela proximidade (física tos abraçam a causa da liberdade, da sociedade, um povo, um grupo, se não
ou virtual), pela comunhão emocional, igualdade universal, unicamente para conseguem exprimir coletivamente a
pelo segredo implicitamente, às vezes que se possam beneficiar de alguma desproporção, a demência, o imaginário,
conscientemente iniciático, são diversas exceção”. Mas a razão fundamental logo se deses­truturam. Para que uma
tanto da sociedade abstrata, com suas da sua crítica ao progressismo vem sociedade tome consciência de si, tem
classes igualmente abstratas, quanto - e cito-o outra vez - de que este, de assumir a desordem das paixões [...] O
de conjuntos formados de indivíduos “partindo de uma noção estreita da orgiástico imprime sua marca profunda a
abstratos, os quais seriam átomos dessa todos os momentos da existência coleti-
sociedade e dessas classes. E constituem va e forma, no fim das contas, o essencial
as tribos, a base real dos fenômenos O que para ele existe é um pre- da vida social”. (Maffesoli, 1982, p.20-21)
sociais, porque só eles é que, concreta- Trata-se de um “tempo poético e erótico,
mente, são capazes de agir e de se ma-
sente que, por ser constituído essen- tempo segundo e escondido, em torno
nifestar. Em relação às classes, podemos cialmente de potência e dinamismo, do qual se articula a permanência da
dizer que nada mais significam do que nunca, paradoxalmente, poderá ser socialidade”. (p.49) Nosso autor opõe a
flatus vocis, traques de boca, inventa- inteiramente atual, jamais poderá potência orgiástica à tentativa de re-
dos por teóricos desejosos de justificar desenvolver e estruturar todas as duzi-la a simples relações de produção
os serviços que a todo custo querem ou, como querem os estruturalistas da
convencer que prestam à sociedade e suas virtualidades. estrita observância, a frias redes de reci-
à história. De fato as classes constituem procidade. Eu diria que para Maffesoli o
exemplos ar­que­típicos das “comunida- lema poderia ser “le productivisme, voilà
des imaginárias”, fabricadas pela inven- ordem, pretende reduzir essa vasta l’ennemi”. Ou, de maneira mais ampla, a
tividade dos sociólogos, mas que nem tragicomédia que é a vida social ao oposição seria entre potência, dynamis,
por isso deixam de possuir, justamente esquematismo de um tratado de mo- orgia, efer­vescência, socialidade, de um
enquanto entidades imaginárias ou ral”, chegando-se mesmo a empregar, lado e, de outro, estrutura, produção
ídolos sociológicos, um enorme poder na busca de tão exaltado objetivo, “a (sobretudo dirigida a um mercado
de retroagir e influenciar o quotidiano, guilhotina para melhoramento das abstrato), instituição. O que se aplica
no qual se encontra, repita-se, a única almas”. (Maffe­soli, 1981, p.229) mesmo à chamada modernidade - nosso
realidade. O que para ele existe é um presente período intramural. “Mesmo no tempo
O racionalismo dos teóricos e dos que, por ser constituído essencialmente em que o ‘energetismo’ é capturado e
administradores do social (por onde de potência e dinamismo, nunca, para- canalizado, mesmo no tempo em que,
tentam legitimar seu poder) deixa de doxalmente, poderá ser inteiramente para retomarmos a expressão de Heide-
tomar em conta a transitoriedade, o atual, jamais poderá desenvolver e gger, a natureza é arrazoada, observa-se,
inacabamento, a ausência, quando na estruturar todas as suas virtualidades. sob formas mais ou menos evidentes,
verdade, para seguirmos aqui a formu- Será sempre contraditório e incompleto. a permanência do gasto e do estrago,
lação do próprio Maffesoli, “em lugar da Com tais tomadas de posição, Maffesoli a acentuação do instante. A supera-
sociedade, concebida como o triunfo do faz a crítica radical do pensamento ção da moral reforça o laço ético, pois
uno, encontra-se a sociedade dividida, sociológico contemporâneo, afastan- dando liberdade de se expressarem ao
lugar das diferenças”. (1981, p.24) Daí do-se, e não sem estrépito, não sem imaginário, ao lu­dismo, aos fantasmas,
também se segue a extrema descon- algum gosto de destoar e escandalizar, faz com que a teatralidade da desordem
fiança de nosso autor com relação à do paradigma racionalista e progressista recapitule aquilo que constitui a essên-
idéia de igualdade, pois esta deriva de que remonta pelo menos à Revolução cia do estar juntos, o dom de si, a perda
um “fantasma que não pode admitir a Francesa e que predomina durante os no fluxo social coletivo, uma simpatia
pluralidade, a irregularidade do mundo exatos dois séculos do que podemos universal que nos restitui a solidez das
e dos homens, tratando de reduzir tudo denominar período intra­mural, ou seja, pessoas e das coisas”. (p.23)
e todos a um mundo comum e igual”. a época que vem desde a Queda da Entretanto, o próprio Maffesoli cuida
(p.229) Ora, “a potência existencial não Bastilha, em 1789, assinalando o início de acrescentar que “a orgia não pode
pode em caso algum admitir uma teoria da Revolução Francesa, até a queda do ser reduzida à atividade sexual, pois
da igualdade”, (p.234) o que, inciden­ Muro de Berlim, em 1989, símbolo do esta é apenas a expressão privilegiada
talmente, pode ter aplicações políticas fim da Revolução Soviética e do impe- do desejo coletivo. O eros cimenta a
muito variadas. De modo semelhante, rialismo a ela associado e, para alguns, estrutura e a socialidade, leva o indiví-

que é verdadeiro transparece logo no as redes de troca. p. astúcia.. e conceito duro. O que situa Maffe­soli parecem acima de tudo servir. o elemento de massa. o homem didade da superfície’ estão na ordem do de so­ciologie com­préhensive”.. Nessa perspectiva. que são quotidiano. para a resolução de e aquilo que o ultrapassa. ele tem de trocar a pele para poder meno. seqüências lógicas dessa cons­tatação. tal”.91) De fato. e que a natureza do formas mais simples ou mais elaboradas. E é neste contexto de tinha dado o seu fundador: todos de- que se estabelece a circulação do afeto. 1982.105) Maffesoli as construções ra­cio­nalizadoras. dia. a tese básica da sociologia de Maffe­soli. de todo protagonista do produ­tivismo ociden. moderno. Ou. em que encontram muitas daquilo que se vê”. misto que são de fé teórico-meto­dológica: “Ainda problemas algébricos e mecânicos. a sem qualidade. insistir naquilo que é ‘dado’ e. (1995) Resta.] Mas não é inútil voltar incansa.. associada à con- gra n d e s a v a n ç o s d a c i v i l i z a ç ã o o que é essencialmente dinamismo quista do presente. só o individual é verdadeiro. para Maffesoli.” vivem uma solidariedade resumida gredo. o poder este. são quotidiano. caracterizado como seu radical empiricismo. . G. por conseguinte. tão enrai­zada é a preocupação gica dos conceitos. Pode lectual e. À oposição entre potência e aproveitar-se da sombra para sobreviver real existe’. (p.17) Daí se seguem vá. É neste sentido Vamos então resumir e reiterar que Os seres não devem ser multiplicados que a sociologia é antes de tudo o es. velmente ao que se deixa ver.4 nada existe além do tudo da sexualidade. certamente. através imbricam estreitamente a destruição e nas antípodas de Lévi-Strauss. ilusório. para confirmar essa sua aversão ao es. supérflua. da própria satisfazer todos os deuses.” que num nível diferente de realidade. Jung e de seus seguidores de modo de produção. acrescenta nosso autor: “É mesmo modo que a geologia e a psi- porque existe solidariedade mecânica. que formulo aqui todos os matizes. desenvolvida sobretudo em “cultura”. alguma estrutura 70 e 80. astúcia. redutora e totalitária. Tomemos esta rência tão distante dos conceitos claros cho do artigo “Ré­sistance et Socialité”: passagem de Au creux des appa­rences: e distintos da tradição car­tesiana. quando dos sistemas de troca de mulheres e a vida. em outras palavras. [. se. a comunidade dos bens e dos essas categorias básicas da que a realidade verdadeira nem sempre sexos se completam e se conjugam. Sob sociologia de Maffesoli. Resta também saber abstrata de troca binária ou ternária.91) Passagem que. irremediavelmente. sance ordi­naire. subin­ti­tu­la­do “Précis do sujeito. à imperfeição. a superficialidade. no plano gno- e é aí que reside o princípio de sua força. da chamada psicologia analítica a mesa e o copo. con­junto mais vasto. com que Maffe­soli.. é com constituir o alicerce da obra do Maffe­soli isto é. Cito imediatamente um tre. [. grande idéia é a de que. sociedade. rios corolários. que é inimigo “racionalizador dos valores burgueses. LOGOS duo a transcender-se.. racionalmente a importância do fenô. a retração e a expansão. mãe de todas as outras.] No entanto raras são as estrutura corresponde. E determina e institui a tessitura social. 1982.coerência esta que ocorre à son corps Maffesoli. então. E é neste contexto de resistência à instabilidade.5 p. nato de todo estruturalismo. em Tristes tropiques faz sua profis- de outras trocas. publicada nas décadas de de C. Agora. p. adquire uma identidade de ca­ma­leão. porém. (Maffesoli. sem necessidade. As estruturas inúteis estrutura e à instituição que se inserem Mencionemos agora o ponto de Cada vez mais admiro a coerência essas categorias básicas da sociologia de partida filosófico da obra de Maffesoli. (p. de maneira bastante simplificada. deve saber parecer paradoxal dizer que ‘o mundo sociologia. não basta a ló- e é por isso que a vida de cada dia. a oposição entre noção mole O quotidiano se enraíza nessa astúcia. encontra-se na singular. de que tanto se fala. que “Existe um misto complexo no qual se que as inventam. 1982. à completa logo retornaremos. Brômio”. a perder-se num atrações”.(1990. que visa reduzir à pura. passa “A astúcia é uma forma específica de “É hoje em dia ponto pacífico que a de L’ombre de Dionysos a La connais- resistência que permite a conservação aparência. visa primazia da potência e do dinamismo As entidades ocultas servem sobretudo Claude Lévi-Strauss. em primeiro lugar.” (Maffe­soli.. Preci- .66-67) empunha aqui a navalha de Ockham. seus escritos mais recentes e à qual nísio é de certo modo a interface entre rio. a ticidade. que vem formulado muitas vezes no défendant -. resistência à estrutura e à monstram que compreender consiste Num movimento sem fim de causa e instituição que se inserem em reduzir um tipo de realidade a outro. saber se Maffesoli na orgia”. com suas Estru. tem de ser politeísta para bem entendido. gos. para legitimar a dominação daqueles turas elementares do parentesco. o marxismo parecia-me proceder do truturalismo. mais que com algum mais jovem. análises que chegam a todas as con. correspondem a imperfeição. que é a mais evidente. é o se a concepção maffesoliana do pós- que ocorre a passagem da “natureza” à do caráter irremediavelmente utópico. justificar ao inaca­bamento estrutural da própria Numa selva cheia de obstáculos e peri. banalidade não despreza as zonas de intelectual de buscar a verdade além O conhecimento empírico ultrapassa sombra. saber descrevê-lo. canálise entendida no sentido que lhe ajuda mútua e assistência contínua. (p. o inacabamento do conhecimento inte- sobreviver. é compatível com a a natureza e a cultura. Para Maffesoli. a ‘profun.6 na apa- segredo.164) inerentemente. Esse corolário. de todo projeto revolucioná. um dos quais me parece platonismo e de toda teoria jungiana. tão poderoso é o fantasma da auten. siológico. Os períodos de transparência da atualidade estrutural.91) No mesmo contexto permanece sempre efetivamente fiel ao aparece Karl Marx. efeito. “Dio. de toda estrutura tiveram sempre a marca do divino ou potencialidade e. (Maffesoli. nessa camuflagem que permite existir. decorrer de sua obra. impiedosa eliminação. social sobre a estrutura e a configuração. cuidado que ela tem em se esconder. p.

eso. à sociologia do conhecimento e mesmo à são as semelhanças. sem excetuar os “tipos ideais” de Max do totemismo surpreendem tanto mais de Emile Durkheim (que seria o ponto Weber. eu suspeito. que se parecem”. simbolizados. gênero das que. do que o ceticismo trivial. da socie. superando todo passa imediatamente à análise do tote. necessariamente inaca. passa à análise do mesmo pensar” . à normatividade reivin­ totêmico. na bada (inachevée). do imaginário desse divino social. em maffesoliana do saber sociológico quer e pela cobra-coral. nosso país e noutras terras. pelo qual a teoria científica A força dos conceitos confunde-se com normativo da ciência e da pesquisa. a via negativa. o postulado durkheimiano de que a vida funcionalismo de Radcliffe-Brown. ideários e ideologias. sem a menor “bons para comer” (Ma­linowski). dos poncifs. repita-se. Diante mismo entre os aborígenes da Austrália seqüelas. Do mesmo modo que Monsieur ólogo-antropólogo francês. A que se associa de expressá-las) e passo a exemplo inclusive dos et­nólogos. assumisse essa idéia por conta própria. o personagem de Le Bourgeois Lévi-Strauss.inclusive. é prosa). lévi-straussiano e na eliminação de suas condicionamento estrutural. platônica (Pseudo-Dionísio. ligando a concepção do sagrado. sempre e necessariamen. Predomínio da quotidiano. leva às últimas conseqüências a teoria do camente. Nenhum processo que se assenta boa parte da especu- se afastar da ciência segundo o modelo puramente lógico autoriza passar da lação antropológica e sociológica. do pre- pírico para terreno igualmente banal e em Le totémisme aujourd’hui e outros sente sobre o projeto. E. humana e da vida social. connaissance ordinaire. para Maffesoli (uma de suas ambições ciência social. levando à primazia da do quotidiano transporta o teste em. cer. em terreno próximo ao do contra na “invariablidade do homem em . em última análise. que o essencial se en- sance ordi­naire. das aproximações mais ousadas de sua sistemas sociológicos e antropológicos. como o próprio Lévi-Strauss chega todos os ff e rr. Daí o autor de Les não declaradas con­sis­te. sem ser nem social. os que vincula grupos e comunidades. a quintessência. enquanto Michel Maffe­soli. solidariedade expressar. dicadas por idéias. a douta ignorância. é rejeitado por nosso autor. Seu ponto de partida é a admitir. (e. tudo é método. adequadamente decodificada. Tanto uns infiltrado em universidades. pelo timbu. no Recife. se posso assim me teorias não científicas (me­tafísicas. do totem. em positivista. O que. à pôr em evidência o caráter meramente demarcação”. a sociologia dos Trópicos. numa do critério de demarcação pe­lo teste (mas não necessariamente de seu modo banal sociologia. também ele muito ver. por este último são do que o que deixam de ser. LOGOS samente aí se encontram a grandeza e. muitas vezes recuando tote­mis­mo entre as tribos (pois é o que que é or­denamento e estrutu­ração . E acredito que Maffesoli se mante­ conhecimento de Emile Durkheim e que Mas na verdade parece-me que o que nha mais fiel à inspiração de Durkheim certamente ultrapassa o que eu quis dizer ele mais faz é ampliar e banalizar esse do que esse outro ilus­trís­si­mo soci. E poder cognitivo. propriamente funcionais. em artigos anteriores. mas as diferenças Assim é que. avan. dizendo. que de hipótese a serem testadas empiri­ interesses às vezes muito práticos. O próprio Maffesoli gosta ensaios bem conhecidos. da douta ignorância. de comunhão emocional. que (considerados como as populações mais tico). Maffesoli faz uma das as ideologias . “sociologiza” o noção. que de repente descobre sado nas sutilezas do totemismo e da Recordemos algumas teses básicas sua qualidade de prosador (pois tudo mentalidade de selvagens e habitantes de Maffesoli. portanto. téricas etc. equivale a permane. negativas. o autor destas considerações. Eckhart e representações to­têmicas do mesmo aparentemente antes que Maffe­soli outros).por que não dizer?. no entendimento são) de professores e pesquisadores. porque de efervescência da comunidade). Refiro-me apesar do genial achado de que “não caráter ilusório da história. Esses desenvolvimentos da questão obra. 7 havia declarado. com os conceitos de “ética pro. critério.comunhão de na afirmação desse pan-totemismo. dade como da divindade. para muitos também a a dos símbolos to­têmicos. a maior limitação da social consiste essencialmente numa “co.). por permitir a formulação e . do Popper em A lógica da pesquisa cientí. To­ passando do glutinum. já que a própria vida formes elémentaires de la vie religieuse completa refutação do estruturalismo social é inacabada. sobre Maffesoli. munidade de idéias”. Claude Jourdain. Já ao mesmo tempo. implicando em crítica radical E por aí se vê o quanto a concepção respectivamente. pelo leão dos lugares-comuns. Maffesoli. em certo trecho de La sociologia do conhecimento sociológico. Enquanto Maffesoli “to­ o representado. fundações teoria sociológica) se distinguiria das como outros derivam de experiências e museus. menos o que pulação em torcedores do Náutico. Se entendido de maneira experiência. banalmente totêmico. puxa o tapete sob meus pés. socia­li­da­de sobre a instituição. Lévi-Strauss. Esporte e do Santa Cruz. ou seja. à abstração. defendido. ele afirma com desenvolvida sobretudo em La connais. com rejeição (ou bana­lização) Falo da nitidez das teses de Maffe­soli altamente racionalizado. acarretando o eu diria. “capitalismo”.Maffe­soli desconfia de tudo segredo a outro. servia para convencional. através do sobre o conceito refutor e totalitário. “ra­cio­na­lismo” e ele próprio. nas duas margens do Atlân- desse elemento como que divino.não para melhor saltar. idéias e tótens não chegam a ser é a centralidade subterrânea da vida primitivas à disposição do etnólogo). em outros de seus artigos teologia apofântica de inspiração neo­ tudo mais . mesmo o “critério da te singular e concreta. ao alcance de todos. à testante”. de seu pensamento. passando de um de Durkheim. de assinalar que toda experiência tem totemismo. divide a po. o qual consistiria. Mais valia do vivido sobre que não é poesia. nem do iniciático. temiza” as ciências sociais. tal como o entende Karl universalidade. em­pírico de hipóteses. desde que a afirmação das in­variantes da condição central em sua obra.seriam. tudo serve à sociologia. num processo cognitivo cia social. tudo é especioso mecanismo das ho­mologias ainda pluralismo meto­dológico da ciên- caminho. impõe-se a adoção de um méto. dúvida dentro da lógica das premissas sequer (e paradoxalmente) “bons para çando pelas margens. que tenta impor-se como paradigma fica (1955). História e pós-modernidade Gen­ti­lhomme.

. expulsam períodos e povos inteiros do espírito absoluto ou do desenvol. “as pequenas mortes os Comte e até os Durkheim. da passagem de esquemas complicados. que lhe parece inútil situações e épo. dos senta a marca essencial da dinâmica do First and foremost. antes ou como. sendo todos gottun.g r a n d e p a r t e . história. em seu zelo de ênfase com relação a trabalhos mais em grande parte. no retorno do idêntico. a parte da potência que vem. ou. Reen­can­ com Michel Maffe­ ram esses países. essas pe. identificação estética etc. fim do pro­dutivismo. é alguma soli. de Ocidente. mesmo quando não as cita. durante certas igual a si mesmo. uma rece-me.166) É este o ceticismo trivial.] Só o presente. da Gesells- do suposto desenvolvimento or­to­­­ge­nético vimento de uma matéria não menos chaft à Gemeinschaft. por que serve para dizer que. junta-se à sentença de a se confundir com o ato puro de formas “sempre igual a si mesmo”. talvez muito simples. penso que pode e que deve ção e melhor distribuição da renda. E na mesma linha da morte e da mortificação. o presente Leopold von Ranke. gentes da obra de Maffesoli: “Será que o quotidiano do homem europeu só pode fenômenos esses que caracterizariam a progresso científico permitiu reformar a ser compreendido se reconhecermos a pós-modernidade.. Pois esses Golias são Méditerranée e noutros escritos. uma alternativa entre outras alternativas haver uma posição intermediária. mas sem que. É o projeto banal e vulgar. isto é. projetos Não há novidade nas histórias humanas. ressalvarem a pretensa lógica do con. Outros nhas divergências c o n c o r d a r . com alguma tema mereceria um ensaio. dispensam a inserção em situa minha relutância em concordar com de um ciclo histórico. paradoxo é só verbal) à longue durée. para as quais orgiástico de Dionísio. nem a alteridade. Pode-se aqui pensar em opor o . im- triunfalismo progressista. que cada vez mais morte? Não parece. presente trágico de Thánatos. Como tenho Ou. em to revolucionário na França ou na recente.57) Max Weber. dos Comte e até. ciência social contemporânea. “eterno” e e da contradição. Nem a morte. que na própria linha e que. do orgiástico. por exemplo. Acredito que projeto histórico. O ou redundante.. Outro é o projeto sem o qual as palavras de Tönnies (retomadas por forme destaquei. dos temas é inclusive o ca­so da autor ao historicismo dos He­gel. historicismo dos Hegel. no longo prazo histórico. entre o his­toricismo radical do nominalismo de Maffesoli estaria não como uma seqüência necessária ou dos hegelianos e marxistas e o presen. a contradição. da sociedade à comunidade. mas.14 tismo não menos radical de Maffesoli. a resistência do ser entendido . da cantamento do mundo.. antes.a do. notemos uma mudança seu querido Durkheim. de seu querido Rússia. tratados por Maffesoli em sua obra mais crítica radical que dirige ao conceito de dos Marx. pensava nesse reencan­tamento como trabalhos.10 Sus. tamento do mundo?13 Certo. a volta triunfante E justamente aí Durkheim. Tenho em mente. em certas regiões. que primeiros artigos que escrevi sobre seus nordestino.8 dos Marx. 11 simplesmente incapazes de responder tento que. o qual só pode temas como barroquização do mun- a morte. [.. nunca o imaginou “via média”. ao do projeto e do progresso. é que merece atenção”. querer aplicar a navalha o próprio quotidiano torna-se incompre.. para Norbert Elias. Agora. cultura do sen- esta seja uma das passagens mais pun.] que parece inspirado por Maquiavel e a admissão de várias histórias. que transforma. n ã o s e p o d e . em certos aspectos. e dos próprios conteúdos do do mundo. Por si só. da conquista do presente. importante. com certeza. o proje. repre. como. logia de Georg Simmel. que em mente. tri­balização banalidades que desacreditam todo potência. Para darmos exemplos portância da ecologia. do vem representando o leit motiv dos contradição. con­ absoluta. que para trabalhos de nosso autor.. a negação pura e simples da história. só enxergue. (p. LOGOS sociedade. certos [. que Maffe­soli com certeza tem de Ockham aos cha­­vões. digamos que o timento. antigos do mesmo autor. Pareto. Em seus livros mais recentes. que é também o da História dependem imediatamente nosso autor reivindica origem na socio. reen­ outro.9 não se pode. exemplo. somente umas poucas observações. esperanças loucas. para a negação pura e simples do projeto. pobres de nós!. para dizer com da his­tória. de modo coisa que se encontra na ordem dos salientado desde os prosaicamente possíveis. etc.. caracteriza a existência das pessoas em “As coisas da cova de Mon­tesinos são minar todo conceito determinadas em parte falsas e em parte verdadeiras”. Merton. me deixam um tanto cético. Farei aqui Com a crítica que faz nosso autor ao modificação. bem como. assim concebida. Acredito que Maffesoli. parafraseando e progressos. uns parecem efetivamente caracterizar o período em que vivemos. deixar de concordar. certos aspectos. processo de racionalização. “todos os períodos trans-históricas imutáveis. dentro de seu sistema. primeiro e mais Comte e até. nem a atuação. a história Maffesoli vem insistindo muito em à interrogação (última e única. com suas de que trata Fernand Braudel em La vividas a cada dia”. com médio alcance que cor­responderia (o nada disso supere nem a morte. escreve Cer­vantes em Dom Quixote. antiestruturalista.continua minha tese . Pois há projeto e projeto. o presente de Deus”. Mi­chel Maffe­soli parece-me. as mortificações de cada dia. em suma. rando-a. e m durante as gran. este quenas mortes vividas a cada dia”. d e i x a r d e des revoluções dura à identificação mole12 etc. range theories (1957). (p. a passagem (ou retorno) junto. nem que Maffesoli-David derruba os Marx. aos poncifs da ensível. se trata da crítica do historicismo ou lembrando a permanência da alte­ridade paradoxalmente. como assinalava Weber. Pa. mu­nicipalização do político. os projetos de moderniza. já não A argumentação trivial de Maffesoli. que falava em middle campos de atividade. exage. tentando eli. uma história de épocas.) sobre penetra o quotidiano. Este Com a crítica que faz nosso cas. as mortificações. sempre e novamente Robert K. automática da mo­­dernidade. Weber). as partir da compenetração da dynamis. os quais. a passagem da identidade se situa uma de mi. Um é o projeto se preferirmos. mas sim mittelbar. uma sociedade a outra sociedade.

com o título “As estruturas inúteis: 13 Esse suposto reencantamento representa (como dizia Marx.mundo. 11-12). com Maffe­soli. além do mais. para dizer em em temas como barroquização do a filosofia da história trabalhos. os estados. denomi. dos chel Maffesoli e com sua obra. Qui vivra. na que se pode dispor ao pensamento do aceitá-lo parece implicar que também França e no Brasil. são alguns parâ­metros temos de constatar que não há nada de nal. da infor­ma­tização e de pretação do pensa. as conseqüências história no plano da longa duração vai afetar. são to. como Goethe lendo alemão” (p. mais novo sob o sol. abstrato da teoria sociológica convencio. protesta contra “o do de si. entretanto. do termo chamaría- de responsabilidade mos antropológica. “eu nunca brigo por Notas necessária do pensamento sociológico e. que seus argumentos nesse sentido pareçam Berger). de uma história) da qual. dizerem qual o sentido que lhe dão”. do azul escuro da civilização as opiniões e interpretações que o próprio Hyppolite. em plano internacional. próprio Maffesoli. em La connaissance ordinaire.da ecologia. cuida- mática prevalece e. bem como co. como condição preliminar. Tenho que Hegel vai tentar integrar ao idealismo apogeu do capitalismo. pós-moderno. que além ponto de vista interno do sistema maffe- sentido que lhe atribui. escrevi uma como cauda de cometa da própria moder- campos do conhecimento e da atividade crítica ao estruturalismo de Lévi-Strauss. “as economias. movimentos de liberação sexual não como racterize pela racionalização de quase 4 Muito antes de qualquer contato com Mi. Não pretendo opor-me no lugar da pós-modernologia. ga-se pela racio­nalidade e pelo. la vie religieuse. parece mais forte do . Jacob de apresentar as idéias de Durkheim. inclusive por força da cátedra que 1969. que a 2 Este e outros sumá. ção do pensamento sociológico. Recife: UFPE. 213). Essa exercido por Maffesoli. Braudel. ffesoli. presente e mesmo de A sombra de Dio- que daí resultam para o desenvolvimento continua Braudel. alimentação já foi derrubado. “é a experiência fundamental carbonífera” (1961. tema abstrato de mercado e produção publicada . Mas estrategicamente decisivas das ciências há também autores que consideram os que admitamos que o moderno se ca- sociais e humanas. 1983). por pouco então que n. ou. macrobiótica. p. nefando pro­du­tivismo. o ponto de partida da obra de Lévi-Strauss”. de Emile Durkheim (Paris: 3 Eu diria. continua do pardo. que Maffesoli. tem representado um con. da metafísica do es- tal como resulta dos chamados “trinta toda e qualquer inter.16 Por pouco. o que não empregar um de seus termos preferidos) de como “uma história de ritmo lento. e o esgotamento das grandes narrativas ticos Tomás de Aquino e Durkheim -. con- soliano haja um certo risco na adoção Burckhardt em seu ensaio “A Civilização do tém uma das melhores apresentações de do paradigma pós-moderno. nísio pudesse fazer sem inconsistência. o fascínio sentido completo. foram catedrá. tanto mais considera a totemização uma propriedade que. porém. enquanto Maffesoli. com a (les grands récits). tribalização.o que quase equivale a dizer. nosso autor se refere a “deslumbramento. de todo pensamento conceptual. e com ela terrorismo da coerência”. 63-85. identificação estética etc. 1 Ver bibliografia. Eu não pensaria. que desde o ainda melhor pela leitura de meu texto. dispersa se esta expressão não tivesse perdido seu A lógica da dominção. p. também um dos leit-motive de Maffesoli. quer dizer. convivência. Paris: Seuil. Wall Street. municipalização do políti. digamos que infinito é o número autor e não inclui à la philosophiue de seus muitos artigos. por exemplo. do futuro eu que pretenda colocar a futurologia referia ao que considerava uma deforma- que já chegou. bem perguntar se tais fenômenos. Maffesoli está situado numa das posições valorização do andrógino ou bis­sexual. que. mas sem de teoria em ciências sociais. um tanto utópico. entretanto. dos pós-modernistas. que no sentido atual na América do Sul). p. neste contexto. Mas eu me Maffe­soli. A ciência avança. a sociedade “pós-industrial”. fenômeno da pós-modernidade. mão menos a partir preferirmos. 8 Poderíamos. o Fausto na tradução francesa de Gérard 9 Michel Maffesoli é também autor de uma nar pós-modernos. das ciências sociais contemporâneas estão a as sociedades. com a condição de me rigor. se rios das teses de Ma. Paris: Flammarion. o dottiere. porém todos. o onírico. p. mente os livros do Hyppolite (Introduction ção. uma história social”. admitamos que a mo­dernidade distin. estilos de pensar e de sen- exclusiva de Roberto da “experiência das tir. A liderança. persuasivos. e que podemos a esperança de que. ecologia” (p. 1991. 5-36). se o Muro de Berlim um de seus trabalhos. em mais de adiante.1. em negar. que contém exclusiva. à frente de uma grande tribo (para 10 Braudel descreve essa longa duração paradigma da mo­dernidade. entre muitos outros. me Maffe­soli. p. o problema de como merecer um ensaio especial. pu. Em La contemplation du monde. se quisermos. reen­cantamento. entrevistas e outros Maffesoli vem insistindo muito l’histoire d’Hegel. exatamente diferenciar o moderno do mos que. B-5. Pode-se 7 Inclusive no artigo “Orgia e sociedade”. do que gloriosos” 15. mas nanja de novembro de 1983. nidade. dos a partir de 1990.esta mesma Sor­bonne 11 Refiro-me sobretudo a seus livros publica- o fim da história (isto é.311) durante o Maffesoli possa fazer de sua obra. Ecrits sur l’Histoire. cultura do sentimen. discípulos. as civilizações” (Fernand Há. empregando este termo no nobre Livre de Poche. dir-se-ia. evidentemente diferentes “do preto. perfeitamente. Ensaios críticos bretudo em sua obra mais recente. ou pelo menos de muitos. se aceite. ele fala em “culto do corpo. medicinas alternativas. Maffe­soli possa compreender-se apresentação a Les formes élémentaires de Parece-me. Aceitemos. LOGOS Maffesoli da conquista do pre­sente ao que nunca. se preferirmos. estão longe de se confundir com o indivíduo reen­cantamento: o imaginário. ocupa na Sor­bonne . 5 O singular e o individual.de uma apreensão. com seu culto da igualdade abstrata (como queria Max Weber) e por um sis. o simbólico. me parece evidente que o Maffesoli de colegas. interpretar por exemplo. de Nerval. A conquista do pelo mundo inteiro. 204) e.fim do produtivismo. exprimindo um tal processo” (p. blicada . termos um tanto simplificados. Motta e de nenhum modo comprometem totalidades históricas” a qual. E não esqueça. 16). seguindo Jean Parafraseando não sei que outra cita. a infor­ 6 Ele é também o autor que. não e generalizada. so- de acordo com Tal­cott Parsons e Pe­ter nas Comunicações do Pimes. todo o chamado sistema de produção publicado no Diário de Pernam­buco. como Pascal. verra. de 11 de mercadorias17. importância pírito absoluto. possui modos de ída neste artigo.do grande filósofo ale- sociedade de consumo de massa. a causa do nome. ou. à no­ção do pós-moderno. confor. outras mutações (com efeitos inclusive mento do autor inclu. alunos e amigos. o festivo. Mi­chel 12 Sobretudo no domínio sexual. É que Renascimento na Itália”.

1988. Paris: O destino transformou essa estrutura numa Grasset. _____. L’ombre de Dionysos. não se verificando nenhum desses casos. Claude.] A idéia do dever MERTON. Paris: Méridiens- zado [. (Ed. [. La condition post­moderne. Paris: Méridens-Kliencksieck.] Ainda ninguém sabe quem habitará essa estrutura vazia no futuro e se. que “o energetismo é capturado e canali. New York: The Free Press. coroada por uma espécie de auto-afirma- ção convulsiva” (Max Weber. 16 A alusão aqui é evidentemente a Jean- François Lyotard. Kliencksieck. Paris: Méri- diens-Kliencksieck. pesada jaula de aço.) MAFFESOLI. Karl. 139-140). épocas. tudo de- sembocará numa pe­trificação mecânica. a preocupação dos Grasset. 1982. Sociais da Universidade Federal de Pernambuco. Paris: Plon. s. 1984. Éloge de la raison sensible. Lisboa: Portugália Editora. [. do. que vão mais ou menos do fim da II Guerra Mundial até a chamada crise do petróleo. Paris: Les Éditions de Minuit. A ética pro- testante e o espírito do capitalismo. a passagem do moderno ao pós-moderno. haverá novas profecias ou um renascimento vigoroso de antigos pensamentos e ideais.. Paris: Mé- não desaparecem mesmo nos períodos em ridiens-Kliencksieck. Paris: sobre os ombros como ‘um casaco leve que Grasset. Rio de Janeiro: Titular do Departamento de Ciências Zahar. Paris: Méridiens- sempre igual a si mesmo.d. Sobrados e mo­cambos. La violence totalitaire. que representaram um período de progresso sem precedentes na economia e no nível de vida dos países industrializados do Ocidente e do Japão.. Michel. não indicariam antes a decadência que o 1990. conforme vimos acima... 1961. A lógica da pesquisa científica.] em que a natureza é arrazoada”. LOGOS numa forma ou noutra. Social theory and social profissional ronda pela nossa vida como um structure. Robert K. Podemos ainda perguntar se tais fenômenos _____. Le temps des tribus. LÉVI-STRAUSS. Au creux des apparences. 1996. podem justificar Kliencksieck. Rio de Janeiro: José Olym­pio. Tristes trópicos. POPPER. _____.. 17 Penso aqui no livro de Robert Kurz. Logique de la domina- tion.] Nos casos em que a realização do São Paulo: Cultrix. fantasma dos condicionamentos do passa. 1979. [..] o indivíduo de hoje acaba por renunciar a qualquer tentativa de justificá- la... _____. 15 Os “trinta gloriosos” são as três décadas. Paris: PUF. 1993. Lisboa: Editorial Presença. pertencem ao presente _____. La connaissance ordinaire. La contemplation du monde. 1966. Paris: Plon.. 1955. Paris: PUF. são de todas as 1979a. La transfiguration du politique. dever profissional não pode ser diretamente ligada aos valores espirituais e culturais mais elevados [. _____. 1981. se pode deitar fora em qualquer momento’.. 1957. 1992. ou se. Essais sur la violence banale et fonda- sendo inclusive. segundo o próprio Maffesoli. p. Gilberto. que _____. São Paulo: Paz e Terra. La conquête du présent. trice. _____. 1979. 1955. 1985. eleitos pelos bens terrenos devia pesar-lhes _____. ressurgimento do religioso aponta. Bibliografia FREYRE. _____. ao cabo desse desenvolvimento brutal. fran- cesa original: Tristes tropiques. 1976. manifestações. isto é. A violência totalitária. O co- lapso da modernização. Paris: 14 “Segundo Baxter. 1993. .. * Roberto Motta é PhD e Professor _____.

lação social que podemos pos­sibilitar a sível” Escola de Palo Alto. os indi­víduos. que reúnem Durkheim vai buscar na biologia. Chicago. ruptura desses laços que causam anomia e sob o princípio de seme­lhan­ça que une que desen­volve o estudo sobre o que ele exclusão dos indivíduos. Para o autor. fundando logia. É com base nessas formas de re- formam o li­vro de Martine lação social que Durkheim Xiber­ras em uma obra de êxito. Para tanto. LOGOS Resenha As teorias da exclusão Para uma construção do imaginário do desvio* Charbelly Estrella** P ensar e ma­pear os estu­do dos la­ços sociais e suas natu- rezas diversas desen­volvidas pelo homem oci­dental trans- em que cada elemento sabe da impor­tância de sua par- te para o todo. (sociedades modernas) laboratório privi- de uma infinidade de variáveis: “Para definir Dentre os três “pais fundadores” da so. e como e porque esse mesmo Simmel encontra na vida metropolitana cessos e agen­tes. da densidade populacional é a origem rejeição e as múltiplas maneiras pelas quais va sobre a natureza do laço horizontal – o do de­créscimo da densidade moral. firmando os primeiros aceitação ou exclusão do estrangeiro por Nos comentários introdutórios. o esta exclusão se produz. Max Weber e geiro. que remete ao chamou de laços sociais verticais – a rela- É exatamente com base nessa lógica fun­cio­namento de um organismo vivo. liberdade e singularidade e força de coesão social. classificar grupos de excluídos. seja possível traçar o so­li­da­riedade em me­câ­ni­ca . pela Escola de Tem-se por objeto a coesão social: das assim a microssociologia. e inte­ressante que passa por com o outro. em franco desenvolvi­men­to no século indiferença ou atitude insensível. conferido à sociedade moderna. A autora não se inti­mi­da ligavam seus agentes a seus frente à gran­dio­sidade do grupos sociais. inserir. é neces­sário ciologia. Classifica da seguinte forma essas fundamentam os laços sociais. Enfoca a relação de Georg Simmel. Para Simmel. vai estudar a natureza do de indis­pen­sável leitura nos suicídio. o aumento precisar o espaço de referência que provoca Durkheim e sua visão da influência coleti. os seus pro. com o estran- Émile Durkheim. relações sociais (natureza do laço social) e é por intermédio dessa “unidade” de re- e pelo enfoque na comuni­cação da “invi. relação nhecida a complexidade em se delimitar ou natureza e densidade do laço que liga os positiva e relação negativa. estrangeiro ali está. respectivamente.” (p. pelo interacionismo sim­bólico.própria das hostilidade e ex­clusão. Por fim. de­nominados que o primeiro capítulo é apresentado na indivíduo para indivíduo ou por ela como “pais funda­dores” da socio. forma de Teorias da Sociologia Clássica. pensamento sociológico e Georg Simmel parte da traça uma linha pro­gres­siva relação com a alteridade. por Michel Maffesoli. legiado para o estudo dessa relação face a a exclusão de forma autônoma. a termino­logia para cate­go­rizar essa e abstração. e orgânica. ciência relações cosmopolitas com a alteri­dade: os homens em so­ciedades ou comunidades. é reco. por meio da observação de uma XIX. pelaclassificação da pri­meiros passos aca­dê­mi­ den­sidade moral e social que cos. o que nos deixa à mercê laço por vezes se rompe. Xiberras inicia seu estudo por Émile face do indivíduo. tem-se a caminho inverso – descobrir o processo de sociedades tra­dicionais que funcionam sociologia com­preensiva de Max Weber. que liga os homens em conjunto e permi. a coerência das relações coletivas (nature. ção do indivíduo ou do grupo com a auto- . passos em direção ao entendimento da parte do grupo. do in­divíduo com o grupo.28) Entretanto. za do laço moral). mas não con­segue se urge o entendimento dos elementos que te estabelecer relações de solidariedade. indivíduos. cálculo para que.

A cidade riedade mecânica para a orgânica fra- consolida-se como laboratório in­conteste cassou. a autora nos a sociedade global. de frag­mentação social a origem da nova força de coesão/exclusão que rege as que nos fala Barel. e desvio. a orgânica.aquele dade moral. e assim sucessivamente. finito de criação de comunidades afetivas. apresenta o painel das teorias do desvio. encontrou nos processos de exclusão e çar a perscrutar qual a na­tureza dessa ma atividade desviante ou mar­ginal. pois apesar de exigir por meios ilícitos. por sua vez. os te- peso das estru­turas sociais. rão tratadas questões diretas de exclusão antes inconcebíveis. reagru­pamento dos indivíduos de mes. Coesão social e densidade moral para a obser­vação do desenvolvimento não se sustentaram frente ao crescimento das rela­ções entre os indivíduos. mas sim na inovadora pos- o desvio in situ. Xiberras atende vando a civilização ocidental e seu sistema ao chamado pós-moderno. um grupo representa o reagrupamento **Pós-Graduanda em Comu­ mada da discussão sobre anomia iniciada de outro. e desses para aos sociólogos contem­porâneos talvez com suas comunidades. não ob­tendo sucesso. comu­nitários ou tribais. os sociólogos da Escola de Chicago vão densidade moral e densidade social. de repre­sen­tação. na busca de uma conceituação a força de coesão social. implica também Entretanto. ou seja. que geram indi­víduos marginais. os indivíduos se inserem e se excluem de comunitária. função-espelho e função-tabu. sobre a crimina­lidade de Foucault. reescrevendo a soli­da­riedade que transgride uma norma e se torna me­cânica durkhei­mini­ana. relações sociais na moder­nidade e como dão origem à coesão social de natureza em um movimento in­ces­sante. projeto moderno de evolução da solida- hetero­geneidade e anomia. a pós-mo­der­nidade vertentes da sociologia. A exclusão de Interessante nesse capítulo é a reto. mal de divisão do trabalho. gem da solidariedade me­cânica para não trataria mais de detectar somente o quando Robert Merton declara a ano. ou ainda. estudo sobre os suicidas. ob­ser­ Como conclusão. Uma nova laço social global. Instituto Piaget. Assim sendo. originando o que empatia com o objeto e vínculos duráveis. ótica surge em meados do século XX. na anomia dominação legítima. contudo sem laços com No segundo capítulo. Michel Maffesoli denomina de neo-triba- evitando assim movimentos e conclusões lismo. É nesse momento que se. procurar entender as forças de exclusão consciência co­letiva e proce­dimentos de social. positiva e na perda de referência nas obediência e dis­ciplina. estranho ao grupo ou ainda aquele que No quarto capítulo. a autora resume é estranho ao grupo de transgressores. nicação e Espaço Urbano pela por Durkheim para abordar a dissolução Enquanto as teorias modernas Faculdade de Comunicação do laço social. as ecologia humana pela Escola de Chicago. criando laços afetivos efêmeros. níveis de representação coletiva se dão Martine Xiberras traz à tona o estudo (mode­lização). a anomia não se caracteriza representações coleti­vas um processo in- na adesão dos indivíduos. pode-se come. carismática e legal. 1993. na qual são retomadas as questões de com o reconhecimento de que o grande densidade moral e social e suas antíteses. quando os de norma­tização social. Esses agrupa­mentos ordem solidária que liga os in­divíduos. baseada nas mesmas formas processos sociais. que classifica de duas formas maneira original de como esse fenômeno Martine. econômica e pedagógica). A autora passa movimentos de exclusão não são mais o (*) As teorias da exclusão – Para uma cons- ainda pelo estudo da marginalidade de enfoque dos debates socio­lógicos. mas como os mia como resul­tante do conflito entre o óricos pós-modernos inverteram a lente agentes as vivem e animam. ou ainda da passa­ Detendo-se no estudo da atividade social. uma forma anor. de fragmentação dos por procedimentos estranhos a um grupo. É esta relação reconhe­cimento dos valores materiais de do observatório urbano: encon­traram com a autoridade que Weber classifica de nossa sociedade e a busca dos mes­mos no desgaste dos laços sociais. somente pela dissolução do laço social. O que mais importa como as de vizinhança. que reúne estes a­tualizada e de uma síntese de como as mesmos indivíduos em comunidades relações sociais se estabelecem e em que para­lelas. XIBERRAS. Che­gando à sociologia fran­cesa. laços sociais e do afrouxamento da densi- dando origem à idéia de out­sider . O terceiro capítulo apresenta as Te- abordando a importância da teoria da orias da Sociologia Con­tem­po­rânea. . debatiam-se sobre a regeneração do Social da UERJ. Yves Barel. É todas as vertentes teóricas em torno pela observação da prática do desvio que dos temas centrais do livro: laço social. mas a trução do imaginário do desvio. teríamos três categorias de dominação como havia proposto Durkheim em seu Enquanto a modernidade debruçou suas legítima: tradicional. Lisboa: Série Epistemologia e Socie- as relações dos excluídos na sociedade: pode gerar formas inusi­tadas de laços dade. sibilidade de coexistência de di­ferentes meno no espaço onde ele se dá. vai buscar estudar social global. para as normas vigentes. mas também preo­cu­pações na re­cu­pe­ração da so­cie­ Abrangendo essas três primei­ras pode aparecer em sua forma positiva de dade frag­mentada. vertentes pós-modernas de pensa­mento. na con­tem­poraneidade abre-nos espaços. tais populacional urbano. O Interacionismo não resida mais na dissolução do laço Sim­bólico. A poli­morfia das relações urbanas etnocên­tricas. analisar o fenô. LOGOS ridade (política.

As ilustrações.Rio de Janeiro . Vice-Diretor: PAULO SÉRGIO MAGALHÃES MACHADO térias desta revista.). Prof. Auxiliar de Editoração: sentados em folha separada. MARIA THEREZINHA NÓBREGA DA SILVA nas correções ou cortes em função das necessidades Diretor do Centro de Educação e Humanidades editoriais. Ricardo Ferreira Freitas e Ricardo Silva Hollanda o autor. gravados no Mirela Andrade dos Santos Preparação de Originais e Revisão: mesmo disquete. Os trabalhos devem ser apresentados impressos Chefe do Departamento de Teoria de Comunicação em duas vias. LOGOS UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO CENTRO DE EDUCAÇÃO E HUMANIDADES Orientação editorial FACULDADE DE COMUNICAÇÃO SOCIAL 1. A cada número há uma temática central.5.: SOBRENOME DO AUTOR. Dr. Considerações Iniciais Reitor Logos: Comunicação e Universidade é uma pu­ ANTONIO CELSO ALVES PEREIRA blicação semestral do Programa de Memória em Vice-Reitora Comunicação da Faculdade de Comunicação Social NILCÉA FREIRE da UERJ.0 (ou compatível para conversão).: SOBRENO- Rua São Francisco Xavier. organizada na folha final. mês.3. É permitida a reprodução total ou parcial das ma. ano.6.Maracanã ME DO AUTOR. Wânia de Almeida Moita 3.2. na primeira página. O nome do autor deve constar abaixo do título Conselho Editorial: do trabalho.0 ou 7. no original. Título da obra.3. Paulo Pinheiro e Paulo Sérgio Magalhães Machado ser organizadas em seguida à conclusão do trabalho Projeto Gráfico e Diagramação: e antes da bibliografia. gravados MARIA CLAUDIA PEREIRA COELHO em editor de texto Word for Windows 6. Carlos Alexandre Moreno. Fer- É desejável que sejam em número reduzido. RICARDO VIEIRALVES DE CASTRO zados por seções. Manoel Marcondes do de um asterisco que remeterá à referência sobre Machado Neto. Cidade: Editora. Dr.X. acompanhados do disquete. Nome. Uma breve referência profissional do autor com Editores Executivos: até cinco linhas deve acompanhar o texto. Devem nando Gonçalves. obedecendo às normas Gráfica UERJ da ABNT (Ex. gráficos e tabelas devem ser apre. Nome. Ismar de Olivei- tamente acompanhadas das referências: sobrenome ra Soares (USP). Ronaldo Helal (UERJ) e Prof.7. Procedimentos Metodológicos JORGE HÉLIO SANTOS 3.1. As notas devem ser numeradas no corpo do texto. JOSÉ RICARDO DA SILVA ROSA 2. não Fotolitos e Impressão: deverá exceder a dez obras. Colaboradores desta edição: 3. Os artigos assinados são de exclusiva res­ Faculdade de Comunicação Social ponsabilidade dos autores. A bibliografia./Bloco A .) Os títulos de artigos de Endereço para correspondência: revistas devem seguir o mesmo padrão. Os textos serão revisados e poderão sofrer peque. 524/10º and.: (021) 587-7312/Fax: (021) 587-7458 E-mail: fcs@uerj. Chefe do Departamento de Jornalismo JOÃO PEDRO DIAS VIEIRA Chefe do Departamento de Relações Públicas 3. José Henrique de Carvalho. entre Gilberto Gomes (UNISINOS) parênteses. ano. respeitado o conteúdo. Artigo.1. como um apêndice ao artigo. desde que citada a fonte. Lilian Nabuco e Lao Martins 3. com Carmen da Matta as respectivas legendas e indicação de localização Ilustrações: apropriada no texto. Fátima Régis. Angela de Faria Vieira. Consultores Científicos: 3.4. Denise da Costa Oliveira. Prof. Orientação Editorial Sub-Reitora de Extensão e Cultura 2. sendo que o Programa de Memória em Comunicação/Revista Logos/FCS/UERJ nome da publicação deve vir em itálico (Ex. vindo acompanha. Pedro do autor.RJ n. Tel. Sub-Reitor de Pós-Graduação e Pesquisa REINALDO FELIPPE NERY GUIMARÃES 2. organi. Diretor: RICARDO FERREIRA FREITAS 2. fonte LOGOS tamanho 12. Cidade: Revista/Periódico. não excedendo a 15 laudas (incluindo a Editores: folha de referências bibliográficas e notas). Sub-Reitor de Graduação focalizada para servir de escopo aos artigos.br . ano da obra e página correspondente. Ricardo Ferreira Freiras e Angela de Farias Vieira 3. As citações devem vir entre aspas e ime­dia­ Profª Drª Nelly de Camargo (UNICAMP).2. Dr. em espaço duplo. 20550-013 . Héris Arnt e Luiz Felipe Baêta Neves 3.