UNIVERSIDADE DO ESTADO DE MINAS GERAIS

A INFLUENCIA DAS MÍDIAS DIGITAIS NA INFÂNCIA

BELO HORIZONTE
2017
UNIVERSIDADE DO ESTADO DE MINAS GERAIS
FACULDADE DE EDUCAÇÃO
LICENCIATURA EM PEDAGOGIA

ADRIANA MARINHO
MICHELLE FAYFER NATO ALVES FERREIRA
THAIS EFIGENIA DINIZ

A INFLUENCIA DAS MÍDIAS DIGITAIS NA INFÂNCIA

BELO HORIZONTE
2017
INTRODUÇÃO

Esse trabalho vem abordar a influência das mídias digitais na infância.
Iremos refletir sobre especialmente, nas influências que a criança sofre das
mídias que afetam sua vida como: incentivo ao consumo, violência e educação.

A mídia age de forma diferente em cada um desses aspectos, mas
sendo um fator importante em todos eles. A forma como essas influências
ocorrem é que são diferentes mas o texto nos mostra que a criança é sempre
um ser vulnerável e a propaganda se apropria dessa ideia para vender seus
produtos.

Na violência ocorre uma confusão na mente da criança onde ela não
sabe distinguir o real do fictício, acarretando problemas em sua vida futura. E
na educação as mídias vêm para unir e segregar ao mesmo tempo, em um
mundo onde se respira a globalização ainda há escolas sem nenhum recurso
tecnológico.
A MÍDIA INSTIGANDO O CONSUMISMO

Desde o advento da imprensa que as diversas formas midiáticas
exploram a questão do consumismo. Se os adultos já ficam hipnotizados e se
deixam influenciar com as propagandas, as crianças ficam muito mais
instigadas e se tornam alvos fáceis para a indústria da propaganda.

É impossível assistir um desenho nos canais infantis sem se deparar
com dezenas de propagandas, que usam de artifícios psicológicos para que
aquele produto se torne algo de imensa importância para a criança. Os objetos
de desejos que são apresentados ao público infantil fazem com que os próprios
pais também acreditem que é necessário comprar aquele item.

O produto que está sendo vendido faz com que os pais sintam certa
pressão da sociedade para que os compre para os filhos. Há uma
competitividade entre os pais para que seu filho sempre tenha os itens da
moda. Essa competição faz com que se crie uma ansiedade nas crianças e se
elas não tiverem o “tão sonhado” item da propaganda, elas começam a se
sentirem inferiores aos colegas que os possuem.

Esse consumismo faz com que os objetos se tornem coisas banais, as
crianças começam a não dar valor, pois a cada dia, aquilo se torna obsoleto e
elas desejam algo novo. E os pais instigam esse hábito nos pequeninos
membros da família.
VIOLÊNCIA NA MÍDIA E A INFÂNCIA

Quando se liga a televisão ou se acessa a internet nos deparamos com
diversas cenas de violência, seja implícita ou explícita. Já para o público
infantil há desenhos animados bastante violentos e geralmente não se percebe
isso ou não se dá a importância necessária. Como consequência dessa
infância assistindo à violência, o autor David Buckingham nos mostra que a
violência na mídia está, muitas vezes, relacionada à criminalidade juvenil.

Em seu texto “Crianças assistindo à violência”, de 2007, Buckingham diz
que “as crianças são “naturais” não em um sentido positivo, mas em um
sentido negativo: elas possuem ímpetos de violência, sexualidade e
comportamento antissocial que são difíceis de controlar e que influências
“irracionais” como as da mídia, teriam o poder de liberar”.

Ou seja, as crianças agem muito por instinto, seja para coisas boas ou
ruins. No filme “O Senhor das Moscas” isso fica bem claro.

No filme é retratado um grupo de adolescentes que sofrem um acidente
de avião e com isso ficam isolados em uma ilha deserta e tem que se organizar
como sociedade para sobreviver. Só que com isso surgem vários ímpetos de
violência, na maioria dos casos, decorrente do medo.

José de Souza Miguel Lopes em seu texto “O Senhor das Moscas: os
labirintos do poder e da violência numa antropologia da cultura” nos dá uma
visão ampla acerca da abordagem antropológica do filme, quando nos diz que:
“Na sociedade moderna, a violência está disseminada em todas as instâncias.
Na família pela ação coercitiva dos pais, no Estado pelo regime autoritário, na
sociedade pelas leis, na igreja pelos limites que impõe no trabalho pela
submissão a que o trabalhador está exposto, na escola pelo autoritarismo do
professor, nos meios de comunicação com sua propaganda ideológica, entre
outras. Não há apenas a violência manifesta, que se revela nas brutalidades
que ocorrem diariamente; existem também as formas de violência ocultas. Nas
escolas, além da violência simbólica, os alunos estão expostos às violências
manifestas por atos de brutalidade por parte dos diferentes autores”.
Não podemos dizer que existe violência juvenil somente devido ao
acesso irrestrito às mídias eletrônicas, mas o acesso a esses materiais que
ocorrem cada vez mais cedo e em idades cada vez menores agravam a
questão. Não sabemos, também, como o público interpreta essas mídias
violentas, mas sabe-se que se uma criança cresce obcecada com essas
imagens, as chances de reproduzirem os atos na adolescência e vida adulta
são enormes.

As crianças não conseguem distinguir a realidade da ficção e com isso
elas imitam aquilo que veem. Elas enxergam aquilo como algo fiel ao mundo
real. Mas devemos tomar o cuidado para não afirmarmos que a mídia violenta
é a única causa para as crianças violentas, pois há outros fatores como:
criação e ambiente familiar.
A MÍDIA NA EDUCAÇÃO

Na sociedade em que vivemos, a mídia se tornou um meio indispensável
do processo educativo. Vale destacar que o emprego da mídia, seja ela
revistas, jornais, cinema, rádio, televisão e etc, pode contribuir nos processos
pedagógicos, complementando a educação formal e não-formal. O papel da
mídia é fundamental para que sejam incorporadas as nossas atitudes
cotidianas, os novos valores de cidadania e a participação comunitária.

Atualmente as crianças estão se deparando com uma realidade que
antes era restrita ao universo adulto, a infância não se depara mais apenas
com filmes e personagens infantis. A identidade e a construção do
conhecimento dessa geração se dá independentemente do controle dos pais e
das instituições, como a escola. As crianças adquirem maior autonomia, uma
vez que dominam o mundo digital de uma forma tão natural que causa espanto
e estranhamento entre os mais velhos.

Como foi dito no texto “Sociedade da informação, do conhecimento e da
aprendizagem: desafios para educação no século xxi” é preciso se pensar
criticamente quando falamos de educação e lembrar que não centramos a
nossa atenção apenas nos contextos formais. Pelo contrário, acreditamos que
nessa nova forma de organização social, devem merecer destaque também os
contextos não formais e informais de aprendizagem. Dizemos isto porque a
Internet e as tecnologias digitais promoveram a criação de novos espaços de
interação e comunicação entre as pessoas, aumentando o leque de
possibilidades de se construir o conhecimento para si e também para uma
comunidade inteira numa perspectiva de construtivismo comunal (Holmes et
al), beneficiando assim pessoas com hábitos diferenciados e estilos de
aprendizagem próprios.

É importante reconhecer a capacidade educativa e cultural de utilizar a
Internet, afinal ela é quem transforma a informação disponível na rede em
conhecimento para determinado fim específico. Nesse sentido, o processo de
aprender a aprender e saber fazer com o que se aprende deve ser estimulado
para que não se acentuem as desigualdades entre a infância digital. Aliado a
isso, está a interatividade proporcionada pelas tecnologias, já que as crianças
conquistam um espaço para escrever, falar e se ver, mesmo que não seja
totalmente reconhecido pelos demais membros da sociedade.

No texto “Diante do abismo digital: mídia-educação e mediações
culturais” das autoras Monica Fantin e Gilka Girardello elas dizem que as
mídias não só asseguram formas de socialização e transmissão simbólica,
como também são uma arena central na construção da inteligibilidade do
mundo, o que mostra a importância das mediações culturais e pedagógicas ao
processo. Nesse sentido, faz-se necessário conceber e apoiar novas formas de
apropriação das práticas sociais de leitura e escrita, promovidas sobretudo com
o acesso à cultura digital.

Portanto percebemos que os meios de comunicação de hoje,
principalmente a internet vão possibilitar à criança e ao jovem um amplo
acesso ao conhecimento e esse se alinhado nas escolas pode ser de grande
valia para o processo de ensino-aprendizagem. Se considerarmos que apenas
o acesso as informações não garante um aprendizado efetivo para as crianças.
É necessário que se desenvolvam novos mecanismos para se valorizar o
potencial das tecnologias, especialmente a Internet, no processo comunicativo
e educativo.
CONSIDERAÇÕES FINAIS

É possível enxergar a questão da violência na mídia como um código
para representar ansiedades muito diversas, embora fundamentais sobre o
ritmo da mudança tecnológica. Essas são ansiedades difíceis de enfrentar,
quanto mais de superar. Se pode haver algum benefício em tentarmos abordar
as relações das crianças com a violência midiática em si, essas ansiedades
mais gerais, em última análise, serão impossíveis de ignorar.

É necessário a avaliação dos conteúdos direcionados as crianças, afinal
pode influenciar positiva ou negativamente no desenvolvimento e na
construção do eu. Se faz necessário um maior rigor e controle dos pais, porque
a mídia e a violência juntas sempre irão existir, não a como fechar os olhos e
aguardar que aconteça uma revolução e o mundo mude do dia para noite.
Então se existe mesmo a preocupação com relação a isso, o que pode ser feito
é agir com maior vigilância e rigor.

Percebemos que a mídia tem seus méritos e também seus deméritos,
mas cabe aos pais e professores, saber utilizá-la para meios didáticos e
benéficos em nossas vidas.

Nota-se que a mídia na educação se bem utilizada pode trazer grandes
resultados, e até ajudar na formação de um indivíduo. A aprendizagem, por
exemplo, fica mais fácil para os alunos quando o professor utiliza filmes,
cartazes, livros ou qualquer outro tipo de mídia. É mais fácil a absorção de
conteúdos na escola com uso de recursos que estão no dia-a-dia dos
estudantes.
A mídia tem o poder de criar, formar e transformar um indivíduo, dependendo
de como for utilizada.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BUCKINGHAM, David. Crianças assistindo à violência. In: _______________
Crescer na era das mídias eletrônicas. São Paulo: Edições Loyola, 2007 (177-208).

BUCKINGHAM, David. Crianças como consumidores. In: _______________
Crescer na era das mídias eletrônicas. São Paulo: Edições Loyola, 2007 (209-241).

LOPES. José de Sousa Miguel & TEIXEIRA, Inês Assunção de Castro (orgs.)
A diversidade cultural vai ao cinema. Belo Horizonte: Autêntica, 2006, v.1, p.65-87.

FANTIN, Monica, GIRARDELLO, Gilka. Diante do abismo digital: mídia-educação e
mediações culturais. Florianópolis: Perspectiva, 2009, v.27, n.1, p.69-96.

COUTINHO, Clara, LISBÔA, Eliana. Sociedade da informação, do conhecimento
e da aprendizagem: desafios para educação no século xxi . Revista de Educação, 2011,
v.23, n.1, p.5-22.