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A razão e a não-violência como resposta a violência

Participei recentemente de debate com o tema da violência, e vieram vários assuntos à tona.
Principalmente pelos atuais acontecimentos, acabamos tratando de temas como Sociologia, Direito,
Filosofia, Psicologia e tantos enfoques. Assim neste ponto, comecei a falar em Cesare Beccaria,
com uma obra de 1700 e pouco, de modo que lá ele já era contra excessos em penas, punições
severas e mesmo pena de morte, temas que sempre voltam após algum fato envolvendo a
criminalidade. Também tratamos de se valorar mais o policial, bem como no aspecto preventivo.
Para tanto, se desenrolou a conversa filosófica que está no You Tube. Mas resultou que diversas
reflexões foram traçadas, superando a mera opinião pessoal.

De início a questão de se o homem é naturalmente bom ou mal, em se lembrando filosofias
de Rousseau e de Hobbes. Fato é que de qualquer forma deixamos o nosso direito de vingança, para
a aplicação do Estado através de seus meios jurídicos, democráticos. Assim devemos levar em conta
a dignidade humana, e nisso vem o ensinamento de Kant, de que o humano tem um valor diferente
do objeto, não é um valor monetário. Nem se pode assim descartar ou maltratar o humano com
violência. A questão é de autoridade e alteridade. Destarte, o outro é parte de nós, é um outro-em-
nós, e de algum modo somos todos um só. A ideia comum é de um outro-fora-de-nós, o que é
contraditório em um organismo social. O crime é em muito uma anomia, em se lembrando
Durkheim, pois é um fato social. Mas a polícia se mostrou necessária, uma vez nossa sociedade
brasileira está em estado embrionário.

Um tema central é como combater a violência, mas em se respeitando nossas conquistas
constitucionais, sem caminhar para um retrocesso, na proibição de direito de retrocesso. Um autor
que veio foi também Boaventura de Souza Santos, de modo que não percamos a experiência, e num
caso em que ele fez estudo em favela carioca, onde se resolvia as coisas pela própria comunidade,
em casos de vizinhança. Vivemos uma semente de ditaduras e tiranias, e isso nos lembra Platão,
bem como outros pensadores, que comparavam isso a uma doutrina irascível, que se leva pelo mero
ódio, sem levar em conta a razão. Superior a questão de política partidária, o fim de de ser o melhor
para a sociedade. Mesmo porque nossa Constituição é soma de diversos pontos de vista e doutrinas,
pluralista e sem preconceitos.

Também a mídia e mesmo o cinema faz um condicionamento da violência. Devemos sim
valorar a ética e a moral, por outro lado, admirar os profissionais de segurança, apoiar policiais e
mesmo entender no sentido da recuperação de quem desrespeita a lei. Temas como a
desmilitarização da polícia, unificação e outros assuntos, deve ser levado em conta, e policiais
ouvidos. Exemplos de melhores polícias do mundo, como Scotland Yard, polícia de Los Angeles
(LADP), Interpol, etc, com uso maior de meios não letais e mais investigação. Por outro lado, uma
polícia especializada para crimes mais graves, e uso de meios tecnológicos, como câmeras. A
necessidade de um plano de estudo sobre homicídios, a fim de se reduzir esse número. E usar de
meios não-violentos de revolução, como lição de Gandhi, Mandela e outros. E policial não pode ser
culpado, mas é sim o Estado que tem alguma culpa, haja vista falta de liderança política, em um
aspecto mais técnico e racional. Valorar a liberdade, pois somos condenados a ser livres, como
lembrou Sartre. Por fim, na lição cristã, temos de ter esperança em melhora e que o Reino seja de
paz e pluralista, em amor ao próximo.