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Celular: apêndice do homem

Filósofos da Escola de Frankfurt, Alemanha, como Theodor Adorno, Max Horkheimer,
Walter Benjamin e outros, falavam de uma indústria cultural, da perda da aura na arte, ou mesmo da
coisificação do ser humano, entre outros temas. Isso tudo se refere ao sistema, a sociedade
tecnológica atual, apesar do trabalho desses pensadores ser mais dos anos 30, 40, 60. Entra o
celular, que se tornou verdadeiro apêndice do homem, ou o homem se tornou apêndice do celular,
não mais vivendo sem esse. Assim famílias estão em algum lugar, e cada integrante tem um
aparelho na mão, ignorando o vínculo humano em prol de vínculos virtuais, com pessoas muitas
vezes desconhecidas, a não ser pelo avatar que cada uma cria, se é que são pessoas.
Celular vem de célula, e os antigos eram grandes e pesados, e aparecem em filmes ou clipes
dos anos 80, muitas vezes como acessórios de carrões. Também muitos desses celulares não
funcionavam, e tivemos a experiência nos anos 90, com os chamados “tijolões”. Mérito fica com a
tecnologia japonesa, e assim ficaram minúsculos. Crianças dos anos 80 e 90, porém brincavam de
esconder, de bola, de mil coisas, junto a natureza ou em atividades físicas. Já hoje têm as crianças
nas mãos o celular, se não algo semelhante, como tablet. Parece uma teoria de Olavo de Carvalho,
intelectual brasileiro, que fala em idiotização, em que passamos no Brasil. Isso passou pela política
também, mas rende tema a um outro artigo.
O celular tomou lugar de muitas mídias. A antiga TV já perde para seu reinado, bem como o
computador, que muitas vezes é mais usado para trabalho. Mesmo com a formação universitária em
larga escala, e nunca se vendeu tanto curso, mesmo assim resta uma sociedade alienada com esse
produto, com seu fetiche. Até casais não conversam mais, cada um empunhando seu
microcomputador de mão. Falando nisso, em ficção científica antiga, já se usavam, como em filmes
“Jornadas nas Estrelas” e em livros sobre robôs, de Isaac Asymov, que já profetizavam tal aparelho
muito antes de existir. Mas nem eles imaginavam verdadeiros zumbis afastados da realidade.
Antigamente adolescentes procuravam namorar, baladas para conversar, hoje levam seu celular e
fica cada um em seu canto, conversando com uma pessoa que pode estar ao lado. Virou um show de
realidade, um matrix, onde todos são atores. E possível é que se converse com um computador, do
outro lado, e não uma pessoa, e tal “realidade” já existe.
Voltando a filosofia, o celular se tornou uma nova caverna de Platão. As pessoas apenas
veem correntes e sombras. Estão acorrentadas. Assim, por outro lado, tem de se promover encontros
reais, conversas. Tem de se levar as crianças para brincarem ao ar livre, jogar bola, conversar com
os avós, ouvir histórias do tempo que o mundo tinha mais encanto, e era mais real que virtual. E
restaurantes, escolas, e locais pedirem o seu desligamento. Antes que viremos robôs programados e
manipulados, ainda mais do que já somos. Se é que já tais tecnologia não mapeiem nossos gostos,
escolhas e vida. Deixar esse apêndice artificial, e em vez de coisificar o homem, devemos buscar
torná-lo mais humano, sociável e fraterno. E de vez em quando, quando necessário, e somente
quando, usar o tal aparelho.