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Vera Jacob Chaves, João dos Reis Silva Júnior

e Afrânio Mendes Catani (Organizadores)
Andréa Araujo do Vale • Carina Elisabeth Maciel
Deise Mancebo • Dermeval Saviani • Licínio Lima
Maria das Graças da Silva • Mário Azevedo
Tereza Christina Veloso • Valdemar Sguissardi
Reforma universitária: dimensões e perspectivas
O pragmatismo como fundamento das reformas educacionais no Brasil
Reformas e políticas: educação superior e pós-graduação no Brasil
Reformas da educação superior: cenários passados e contradições do presente
Educação superior no Brasil: em tempos de internacionalização
A cultura da universidade pública brasileira: mercantilização do conhecimento
e certificação em massa A universidade brasileira e o PNE:
Consequências da mundializaçao da universidade pública brasileira: pós- instrumentalização e
graduação, trabalho docente, profissionalização e avaliação
mercantilização educacionais
A universidade brasileira e o PNE: instrumentalização e mercantilização
educacionais

São Paulo

2013

<D 2 0 1 3 b y V e r a J a c o b C h a v e s , João dos R e i s S i l v a Júnior c A f r â n i o M e n d e s Catani

Direitos desta edição reservados à EJR Xamã Editora Ltda.
Proibida a reprodução total ou parcial» por quaisquer meios,
sem autorização expressa da editora.
Ediçào: Expedito Correia
Sumário
Capa: Expedito Correia (sobre detalhe de Cinéticos/Mosaicos, de Alfredo Volpi)
Revisão: Estela Carvalho
Normalização: Anamaria da Costa Cruz A universidade brasileira e o PNE: instrumentalização e
Editoração eletrônica: Xamã Editora mercantilizaçâo educacionais, 7
Vera Jacob Chaves, João dos Reis Silva Júnior e Afrânio Catani
Dados Internacionais de Catalogação-na-publicação (CIP)
U58 A u n i v e r s i d a d e b r a s i l e i r a e o PNE : i n s t r u m e n t a - Perspectivas do PNE tendo como referência a relação
l i z a ç ã o e m e r c a n t i l i z a ç â o e d u c a c i o n a i s / Vera
Jacob Chaves, João dos Reis S i l v a Júnior e educação e trabalho, 15
A f r â n i o Mendes C a t a n i ( o r g a n i z a d o r e s ) ; Andréa Dermeval Saviani
A r a u j o d o V a l e . . . f e t a l . } . — S3o P a u l o s
Xamã, 2 0 1 3 .
1 5 1 p . ; 2 1 cm. - ( C o l e ç ã o P o l i t i c a s u n i v e r s i -
tárias)
A educação superior no PNE: utopia ou ilusão?, 33
Valdemar Sguissardi
Inclui bibliografias
ISBN 9 7 8 - 8 5 - 7 5 8 7 - 1 5 8 - 4 Universidade gestionária: hibridismo institucional e
1. E n s i n o s u p e r i o r — B r a s i l . I . Chaves, Vera
Jacob. I I . S i l v a J ú n i o r , João dos Reis. I I I . Cata-
adaptação ao ambiente competitivo, 59
n i , A f r â n i o Mendes. IV. V a l e , Andréa A r a u j o d o . Licínio Lima
V, S é r i e .
CDD 3 7 8 . 8 1 Hibridismo institucional na universidade brasileira, 85
Apoio: Deise Mancebo, João dos Reis Silva Júnior e Afrânio Mendes Catani
Grupo de Trabalho Politicas dc Educaçflo Superior
Associação Nacional de Pós-Graduaç2o e Pesquisa em EducaçSo A economia baseada no "cercamento" do conhecimento:
globalização, educação e mercadorias fictícias, 95
Mário Azevedo
« EJR Xamã Editora Ltda.
Av. Corifeu de Azevedo Marques, 1.676, cj. 1 - Vila Indiana
CEP 05582-001 - São Paulo (SP) - Brasil Expansão do segmento privado-mercantil na educação
Tel.: (011)5083-4649 Tel./Fax: (011) 5083-4229 superior brasileira: o caso da Estácio de Sá, 113
www.xamaeditora.com.brvendas@xamaeditora.com.br Andréa Araujo do Vale

Acesso à educação superior sob o debate da inclusão, 131
Maria das Graças da Silva, Carina Elisabeth Maciel c Tereza Cliristina Veloso

Sobre os autores, 149 A universidade brasileira
e o PNE:
instrumentalização e
mercantilização educacionais
Vera Jacob Chaves, João dos Reis Silva Júnior
e Afrânio Mendes Catani

No quadro da atual crise estrutural e profunda do capital, a universi-
dade como locus da produção do conhecimento científico assume fator
decisivo para o desenvolvimento e competitividade do setor produtivo e
das nações como condição sim qua non para a disputa no mercado capi-
talista mundial.
A reordenação do processo produtivo capitalista em curso, decorrên-
cia da atual crise do capital, impõe a necessidade de formar um novo perfil
de trabalhador, dotado de novas competências, sobretudo de uma nova
mentalidade - adaptável às novas relações contratuais entre capital e traba-
lho. Como consequência desse processo a universidade assume papel es-
tratégico como instrumento ideológico necessário a reprodução da lógica
do capitai e como serviço altamente rentável ao mercado.
É nesse contexto de crise do capital que são implementadas reformas
no Estado e na educação superior, desenvolvidas no Brasil a partir da déca-
da de 1990, sob a orientação dos organismos internacionais, em especial o
Banco Mundial (BM), a Organização das Nações Unidas para a Educação,
a Ciência e a Cultura (Unesco) e a Organização para Cooperação e Desen-
volvimento Econômico (OCDE). O projeto neolibèral de educação desses
organismos internacionais para os países periféricos do capital é caracteri-
zado pelo aprofundamento da privatização, pela desnacionalização da edu-
cação e consolidação de um novo mercado educativo global. Tal projeto
vem sendo materializado por uma série de reformas educativas na América

pelos governos. pela oferta de cursos aligeirados e a distância. capitalismo para que toda a população brasileira possa ter acesso a esse riferia do capitalismo de acordo com os interesses expansionistas do capi. 32) mas neoliberais que tem como centralidade o ajuste fiscal do Estado e a Na segunda seção intitulada A educação superior no PNE: utopia ou U mercantilização da educação? Quais as perspectivas para a educação pú. com a finalidade de submeter a educação alteram substancialmente o ethos acadêmico das universidades? Como áfs exigências da lucratividade do capital. a cantilização e a fínanceirização da educação superior . em especial. 9 A universidade brasileira e o PNE A universidade brasileira e o PNE: instrumentalização e mercantilizaçáo educacionais 11 Latina. nacional de educação elaborado à luz do conceito e do fato do trabalho O que pode significar a aprovação de um PNE num contexto de refor. Conclui afirmando ra seção dessa coletânea. por meio da liberalização dos serviços educacionais e da tivas". que é um direito fundamental de toda pessoa humana? tal em busca de novos mercados e atividades lucrativas. 31-32) a fim de que a to de Lei n° 8. com o ingresso das universidades privadas lucrativas na Bolsa de possibilitando a continuidade da reflexão nos espaços acadêmicos do país.035. ilusão?" Valdemar Sguissardi inicia suas reflexões afirma que é necessário . na tercei. tendo como referência a última versão do o público e o privado tem sido a característica central das reformas im. imposta por meio de "acordos comerciais estabelecidos entre es- 11 blica. as principais reflexões e debates apresentados no GT 11. isenção fiscal. que política seja traduzida em "prática efetiva" com a "implantação de um ver- estabelece metas e diretrizes para a educação nacional a serem implantadas dadeiro sistema nacional de educação articulado a um consistente plano em 10 (dez) anos. Nas considera- hibridismo institucional seja pela criação de fundações privadas "ditas de ções finais o autor afirma que o PNE (2001-2010) não teve nenhuma inge- apoio" no interior das universidades públicas ou pela transformação das rência na política educacional do país e não passou de uma carta de inten- universidades em fundações de direito privado. aprovado na reunião da plantadas. como princípio educativo". com a inserção de entes privados no espaço público criando um Comissão Especial realizada no dia 26 de junho de 2012.esta a partir de nião Anual da Anped. em 2012. tendo atender as recomendações dos organismos internacionais de ajuste fiscal como linha auxiliar suas organizações ditas não-governamentais. com o novo Plano Nacional de Educação (PNE). que é necessário modificar a cultura política atual "por meio da pressão Nesse contexto de transformação da educação em mercadoria nego. zem as exposições feitas na Sessão Especial "O PNE em debate: perspec- a se expandir. Na formação de Essas e outras questões são discutidas nesta oitava coletânea da Cole- mercados educativos em que a educação é incluída como serviço comer. vêm pro- do Estado. Das sete seções que integram a coletânea. por meio de uma divulgação mais ampla 2007. durante a 35 Reu. nesse contexto de mudanças que ses organismos e os governos. apresenta uma análise universidades públicas alterações profundas são impostas no seu moáus sobre as perspectivas do PNE tendo como fundamento a relação entre operandi para que se tornem flexíveis. Com o título "Perspectivas do PNE tendo como referência a relação voltados apenas para o ensino desvinculado da pesquisa. A dissolução das fronteiras entre relacionam à categoria trabalho. conforme registra Licínio Lima. Como parte desse processo as institui. em especial para o nível superior. Valores de São Paulo (Bovespa). que cumpre uma tarefa importante: reproduzir cializável e sujeito a condições de competição é que se inserem a mer. (p. garantir uma educação pública com qualidade nos marcos da atual crise do Essas reformas objetivam impor ajustes estruturais nos países da pe. como vem ocorrendo na ções e que os avanços que são evidenciados em relação a educação no país educação superior de Portugal. operacionais. curando hegemonizar o campo educacional" (p. popular e por um forte e organizado movimento dos educadores que se ciável no mercado capitalista e de negação de direitos sociais básicos para revele capaz de se sobrepor à sem-cerimônia dos empresários que. substitutivo do relator deputado Angelo Vanhoni. eficazes e produtivas trabalho e educação. não tem nenhuma relação com a vigência desse plano. Após esclarecer o significado da relação trabalho- transplantando do mundo empresarial o modelo organizacional gerencial educação o autor analisa as metas e estratégias definidas no PNE e que se onde o gestor assume a figura de gerente. No caso das educação e trabalho" o professor Dermeval Saviani. as duas primeiras reprodu- ções privadas de ensino superior vêm sendo estimuladas. ção Políticas Universitárias. o governo federal encaminhou ao Congresso Nacional o Proje.

92-93) que coexistem no interior dessas flexibilidade de gestão e de maior eficácia e eficiência". mas referenciando-se por Mário Azevedo tem como objetivo discutir o modo de operar do capita- . (p. alertava o professor. desenvolvido por superior (IES) privado-mercantis. aprovação. na quarta seção intitulada "Hibridismo institucional na universidade relação a aprovação dos 10% do Produto Interno Bruto pela Câmara e brasileira". No modelo de admi- se alimentem utopias inúteis ou ilusões similares às do passado. Licínio Lima. 43) e da falta de um adequado diagnóstico sobre a educação superior que Deise Mancebo. com o objetivo de propiciar agili- IES públicas se organizem como fundação pública com regime de direito dade. não existe a ideia de público e "o Estado é considerado propriedade fragilidades que representa uma adesão excessiva de parte dos movimen. cria o estatuto do novo 0 que se caracteriza pela "incorporação da lógica e dos mecanismos que "Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior" possibilitando que as regem o mundo das empresas privadas. homologa. apoiadas ção superior e aponta questões ausentes que considera preocupante como portecnoestruturas cada vez mais relevantes" (p. 91) Concluem que as insti- privado. a desregulação. na busca de mente distintos de gestão" (p. apesar da predominância do modelo gerencial. 88).. ainda. em "momentos históricos distintos. educação e mercadorias fictícias". Trata-se de uma reforma profunda na organização das instituições tuições públicas de educação superior no Brasil "apresentam-se híbridas marcada pela adoção de modelos da gestão empresarial na administração não só pela articulação entre Estado. Destaca. elaborado adota "o direito privado em várias áreas de atuação. 88). de gestão a ser exercida por parte das autoridades universitárias. de alguns poucos" (p.] para que não ções de educação superior públicas do país" (p. tra que a universidade portuguesa está em profunda mutação ao ser induzida nos nacionais de educação"(p. mercado e sociedade civil. com lizada por Bresser-Pereira.] Licínio Lima com o texto "Universidade gestionária: hibridismo desenvolvendo um tipo de gestão que separasse o político do administra- institucional e adaptação ao ambiente competitivo" apresenta uma análise da dor público".. esse modelo foi substituído pelo modelo gerencial a aprovação da Lei n 62 de 10 de setembro de 2007. entre elas a de pla. (p. sen- zões para se pensar em boas perspectivas quanto a aprovação. a adotar modelos institucionais advindos da empresa para "sobreviver". (p. 82) o que ele denomina de a "definição do que se entende por qualidade e com que parâmetros" (p. do denominada por ele como "universidade gestionária". mas também pela imbricação de modelos teorica- cerias diversas. dentre outros aspectos. 65) Nas conclusões do texto.10 A u n i v e r s i d a d e brasileira e o P N E A universidade brasileira e o PNE: instrumentalização e mercantilizaçáo educacionais 11 retomar acontecimentos do passado recente na "formulação.. 64) Destaca o instituições. O modelo burocrático foi implementado com a tos sociais ao Estado. o modelo institucional A quinta seção intitulada "A economia baseada no 'cercamento^do do tipo híbrido que apesar de ser de natureza pública não é mais estatal e conhecimento: globalização. analisam a gestão das instituições de educação superior no ções finais o autor questiona o comportamento do governo federal em Brasil.. "autonomia gestionária". vidades administrativas são decididas de acordo com a vontade do domi- ção superior em particular". 54) Finaliza chamando atenção para as nante. como nos pública "com a criação de agências e fundações. 33) para depois perguntar-se quais as ra. ção e aplicação do novo PNE. com a reforma do Estado. eficiência e qualidade aos serviços". João dos Reis Silva Júnior e Afrânio Mendes Catani. (p. Licínio regis- homologação e execução de leis do campo educativo. privatização e mercadorização. Nas considera. (p. a autonomia é entendida como "autonomia conteúdo do projeto de lei com ênfase para algumas metas para a educa. autor que se vivência em Portugal. nesse momento. idea- atual reforma das Instituições de Educação Superior em Portugal que. Na análise feita identificam três modelos de gestão que adotados chama atenção para uma série de fatores que as marcas do passado reve. que após a "ascensão de governos de esquerda ou reforma administrativa do Estado Novo que teve como referência a cria- centro-esquerda foram perdendo a força reivindicativa e de resistência de ção do Departamento de Administração do Setor Público e a "construção épocas passadas". presentemente. No texto o autor destaca traços gerais do que nos discursos reformistas. no direito público noutras". 89) Na década de 1990. as institui- laram e que os "analistas e militantes precisam encarar [. o estabelecimento de par. 55) de um Estado moderno com uma burocracia pública profissionalizada [. (p. na luta por nistração patrimonialista (que perdurou por quase quatro séculos) as ati- um PNE com boas perspectivas para a educação em geral e para a educa. coabitam. revele a expansão cada vez mais aprofundada das instituições de ensino tendo como base o conceito de hibridismo institucional.

O estudo aborda o processo de fmanceirização da educação superior inserido nas contradições sociais postas pelo capitalismo" (p. brasileira com a abertura de capital de universidades privado-mercantis na apesar dos avanços evidenciados com a expansão de vagas nas instituições Bovespa. e da Rede Universitas/BR. transfor. 146) e que. da mercadorização da oferta da educação e do "cercamento" do O que significa acesso na perspectiva do discurso de inclusão?" (p. conhecimento". como é o caso da Estácio samento sofisticado e a fina arte da direção e da persuasão?". que Financiamento Estudantil. em conexão com o acesso. (p. zam o segmento privado-mercantil desse nível de ensino. 127) biliza o trabalhador por sua capacidade de empregabilidade e por sua Na última seção da coletânea intitulada "Acesso à educação superior categorização na sociedade. (p. 12 A universidade brasileira e o PNE A universidade brasileira e o PNE: instrumentalização e mercantilizaçáo educacionais 11 lismo globalizado estabelecendo homologias entre a educação superior e a a emergência de um novo momento da expansão do segmento privado- política internacional. ainda. impulsiona-o de modo destacado. da promoção de uma sob o debate da inclusão" traz as reflexões feitas no minicurso organizado espécie de darwinismo social e de um mundo de extrema competição na pelas professoras Maria das Graças da Silva. a economia baseada no conhecimento promove a liberalização. mostra a Sá" apresenta resultados da pesquisa realizada na Universidade Estácio de complexidade da realidade. or são sinônimos? Acessar à educação superior promove outros acessos? gabilidade.] Qual sociedade anos 1990 criou as condições para a fmanceirização da educação superior na História dispensou o conhecimento? Quais elites não valorizaram o pen. 109) Conclui que a economia ba. conclui que a expansão do segmento resposta.I09) Com base em dados coletados no Censo da Educação Superior do Instituto Andréa Araújo do Vale com o texto intitulado "A expansão do segmen. 55) para "cons- . e. existe uma lacuna entre o que é prometido e o mercantil-educacional que atuam em todo território nacional e reorgani. No texto o autor busca responder as seguintes ques. esgota-se o ciclo de crescimento inaugurado são no Senado Federal. da inclusão as autoras procuram responder as seguintes questões de estu- mando-os em mercadorias fictícias". se não inaugura o articulam numa discussão cuidadosa acerca das políticas que afetam a privatismo educacional. para além. (p. (p. Carina Elisabeth Maciel e sociedade.. financeiros no setor educacional". bem como alerta para a ção e ampliação de suas atividades e os anos 1990. a Tereza Christina Veloso. mercantil". responsa.. em discus- quando. por meio do Programa Universidade para Todos e do Fundo de em cada país (ou região) e entre as nações". levando o setor privado a encetar novas estratégias de manuten. Nas considerações finais. os anos 1980 . Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira as autoras to privado-mercantil na educação superior brasileira: o caso da Estácio de concluem que "O tema da inclusão. sendo resultado de uma política de Estado que a economia baseada no conhecimento é fundamentada na teoria do capital beneficia essas empresas e cria as bases para a "emergência de gigantes humano que "tem por referência o individualismo metodológico. iniciado em 2007 e que tem criado empresas gigantes do tipo federais de ensino superior. (p. Nesse sentido. do: "quem é favorecido pelo acesso à educação superior? Quantos acessam? seada no conhecimento nada mais é do que "uma ideologia de inculcação do Que tipo de acesso é desenvolvido? Acesso e ingresso na educação superi- habitits individualista. As seções se que para três períodos: "a ditadura civil-militar que. brasileira criando gigantes privado-mercantis. da responsabilização do trabalhador por sua empre. 108) Em de Sá. debate acadêmico acerca da situação da educação superior. 131). que é usufruído pela população. somente pode ser considerado se Sá. ao mesmo tempo. no último período. afirma que as sociedades necessitam do conhecimento da educa. Com o objetivo de discutir o acesso na perspectiva privatização e os 'cercamentos' da educação e do conhecimento. a autora faz uma tigos que integram essa coletânea contribuirão de forma efetiva para o cartografia da expansão privada da educação superior no país com desta. quando se demarca necessidade de "utilizar as armas da teoria e da crítica" (p. educação superior no país e que estão refletidas no novo PNE. A leitura atenta dessa obra possibilitará o conheci- no regime militar e se ampliam os debates e lutas em torno da educação mento das principais preocupações dos pesquisadores do GT-11 daAnped superior. 114) Destaca que o movimento de expansão iniciado nos tões: "Qual economia não é baseada no conhecimento? [. privado-mercantil tem se fortalecido indiretamente com o financiamento ção e da cultura e que esses são regulados "pela divisão social do trabalho público. (p. 108-109) Afirma. por isso. Partindo da ideia Consideramos que as discussões e análises apresentadas nos sete ar- de que a educação superior brasileira é um campo de luta.

a perspectiva dos órgãos decisórios etc. Daí deriva o significado de "pers- pectiva" como ponto de vista. começar pelas palavras não é coisa vã. Mas tam- bém. Uma de suas origens é dada pelo verbo penpicio. reportando-nos ao ângulo de visão... a perspectiva do financiamento. perspicis. cuja etimologia não é unívoca. com financiamento da Coordenação de Aperfeiçoamento como referência a relação de Pessoal de Nível Superior. dos níveis e modalidades de ensino. perspicere que significa "ver através". perspexi.100 A u n i v e r s i d a d e brasileira e o PNEAeconomiabaseadano"cercamento"doconhecimento:globalização. convém esclarecer o signifi- cado da palavra "perspectiva".educação. perspectum. por. Essas e outras questões integram. Considerando que o objeto desta sessão incide sobre as perspec- tivas do Plano Nacional de Educação (PNE).meio do Observatório da Educação. a . por exemplo. da gestão democrática. econômica e assim Texto de apresentação na Sessão Especial "O PNE em debate: perspectivas" no âmbito da 35 ReuniSo Anual da Anped Porto de Galinhas. educação e trabalho* Dermeval Saviani 1 Introdução Como diz Alfredo Bosi (1992. 11).101 truir novas utopias mais realistas para orientar sua luta e prevenir novas ilusões" (p. política. p. Assim. reconhe- cendo. "olhar através de". 55) como registra Valdemar Sguissardi em seu texto. aspectos distintos de um fenômeno determinado. ângulo de visão. também. donde "examinar com cuidado" "observar com atenção". s "penetrar com os olhos". o novo-projeto integrado "Expansão Perspectivas do PNE tendo da Educação Superior no Brasil" em desenvolvimento pela Rede Universitas/BR. a perspectiva da cen- tralização versus descentralização. "ver claramente". quando falamos em perspectivas do PNE podemos estar nos referindo aos aspectos que o plano comporta. "distinguir". podemos falar em perspectiva filosófica do PNE. 24 de outubro de 2012. perspectiva sociológica.

Dado. homens têm de adaptar a natureza a si. penso que que conhecemos pelo nome de trabalho. que ainda não está dado. de algo pelo qual anela. ganharão desta. esclarecer o significado da relação trabalho-educação para. os enunciado do tema proposto pelos organizadores dessa sessão especial. daqui para frente. um processo educativo. numa formulação ainda mais clara: quais as expectativas que podemos que as questões referentes ao financiamento. de uma visão de futuro. per-exspectatiim. soa estranha e é. pois. a origem do homem mesmo. pro- nimo de "expectativa". prevalece esse significado. Podemos. na segunda vez. isto é. vamos destacar a correlação de forças. quanto às possibilidades de desenvolvimen. educação. gramaticalmente incorreta. conviria começar por prazo.100 A e c o n o m i abaseadano"cercamento"do conhecm i ento: globalização.. de mundo e de educação que enunciado que a palavra "perspectiva" comparece duas vezes. Ou. nesse contexto que por vezes perguntamos sobre as perspectivas de um O homem surge no momento em que determinado ser natural se país como o Brasil. dizer que a es- estamos querendo saber para quais rumos aponta esse plano. a sentidos diferentes. Ou seja. Podemos. é do primeiro sentido que se trata.. a formação do ho- geral. Claro que a elaboração do plano. Portanto. Agindo sobre ela e transforman- "O PNE em debate: perspectivas". Ele precisa aprender a produzir sua própria existência. a partir daí. ceder à analise das metas e estratégias definidas no PNE. Até aqui me pronunciei sobre o tema da sessão em seu enunciado Portanto. consciente e fundamentada. a produção do homem é. o convite feito a mim especificava que me caberia tratar mem. Se a existência humana não é garantida pela natureza. também. Se frase assim proferida. Ao contrário. mesmo. no vida. per-exspectas. então o homem não nasce homem. Ele atual em direção ao futuro. "esperar muito tempo". No entanto. vou apenas indicar o significado básico dessa relação. o mos. se forma homem. nós podemos fazer uma análise filosófica do PNE do PNE na perspectiva da relação entre trabalho e educação? Vê-se nesse mostrando qual é a concepção de homem. entre outros aspectos. A origem da educação coincide com das perspectivas do PNE pelo aspecto da relação entre trabalho e educa. Na primei- subjaz às metas e estratégias propostas no plano. porém. per- exspectare. E um trabalho que luz do que está sendo proposto no Plano Nacional de Educação? Essa se desenvolve. per-exspectcivi. A essência humana funda-se. o que dele podemos esperar natural. . Parece que. os custos implicados no nutrir diante do PNE quando o consideramos sob o aspecto da relação cumprimento das metas e estratégias. ao mesmo tempo. Aqui "perspectiva" revela-se sinô. se aprofunda e se complexjfica ao longo dò tempo: é um pergunta interroga sobre as expectativas que podemos nutrir. Esse ato é o ao nos propormos a considerar as perspectivas do PNE. de uma atividade como a educação e de uma área de destaca da natureza e é obrigado. Assim. geralmente em sentido de longo Para tratar de forma adequada do tema proposto. os homens ajustam a natureza às suas necessidades. não é uma dádiva divina ou outro modo. É limite de tempo. Dizendo de sência do homem é o trabalho. as demandas do mercado de tra. do momento produzida pelos próprios homens. a para o futuro? Quais são as perspectivas atuais da educação brasileira à essência humana é produzida pelos próprios homens. não é algo que precede a existência do homem. 101 A universidade brasileira e o PNE por diante. com uma mesma palavra repetida. Mas outro étimo da palavra "perspectiva" nos é dado pelo verbo 2 Sobre a relação trabalho-educação latinoper-exspecto. isto é. Ou seja: do-a. pois. presença dos partidos tanto na formulação da proposta no âmbito do O enunciado gramaticalmente aceitável seria o seguinte: quais as expecta- Ministério da Educação (MEC) quanto em sua discussão no Congresso tivas do PNE sob o ponto de vista da relação entre trabalho e educação? Nacional e assim por diante. a produzir sua própria definição de metas educativas como é o caso do PNE. que se adaptam à natureza. Numa análise econômica. ra. considerado o estado atual. diferentemente dos animais. as implicações sociais das decisões tomadas etc. Ou seja: cabia-me responder à seguinte questão: quais as perspectivas trabalho-educação. para existir. de forma processo histórico. mas que esperamos venha a se realizar. entre trabalho e educação? balho. está em causa o segundo significado que apontei na abertura de minha fazer uma análise sociológica evidenciando os atores sociais atuantes na exposição. ainda que com fizermos uma análise política. mas tem de ser to da educação brasileira a partir do PNE. que significa "esperar por". na relação ção.

embora apareça de valores de uso é. direta ou indiretamente. definindo-se como "produtivo" de alteração. constituído da educação. p. então.100 A u n i v e r s i d a d e b r a s i l e i r a e o PNE A e c o n o m i abaseadano"cercamento"do conhecm i ento: globalização. (GRAMSCI. mulheres. 1968. onde assume a prerrogativa de veto parcial ou total. 1975. a produção submetido à sanção da presidenta da República. no mesmo capítulo. analisa o traba. Dada a condição do trabalho como princípio educativo. Em seguida. por sua vez. Assim. ainda deve passar pela apreciação e votação do Se- forma dessa vida. é fato amplamente conheci- ditoriamente. passando pela meta 2. Na sociedade capitalista. 3. O referido substitutivo é composto de duas partes: a lei que aprova vida humana em seu conjunto é. ser em sentido estrito. 1968. Vejamos. Assim. p. indissociável da produção de nos documentos a referência PNE 2011-2020. isto é. 101 No capítulo 5 do primeiro livro d "O Capital Marx trata. primeiro. entre os 14 artigos que o compõem. da atividade teórico-prática do homem. e seguindo por todas as demais metas até chegar à última. Quanto ao ensino fundamental. salização. mostrando que todas as metas. em qualquer sociedade o trabalho se comporta como prin. dado que a ordem social e estatal mesmo raciocínio poderia ser levado ad iante. p. como produtor de valores de uso. vida humana". O projeto do Plano Nacional de Educação. conforme "Parecer reformulado" aprovado na reu- produzir valor" (MARX. 559). lho. como gerador de mais-valia.54-1. cria os PNE à luz da relação trabalho-educação implicava ir além dessa constatação primeiros elementos de uma intuição do mundo liberta de toda magia ou geral. relativa ao financiamento. a forma assumida pelo trabalho pro. somente depois. desde a meta l. constante da meta 1. tradução nossa) Na parte referente ao texto da lei que "aprova o Plano Nacional de É nesse contexto que cabe analisar o PNE pela perspectiva da relação Educação e dá outras providências". de . portanto. contempla. apenas o segundo. que o convite para falar sobre as perspectivas do fundamento do trabalho. que a educação. embora aprovado na Câ- ção natural eterna da vida humana. do 3 O PNE e a relação trabalho-educação trabalho em geral. Assim. seguirá para a sanção presidencial. decorre da generalização do trabalho das Gramsci traduziu esse entendimento para o âmbito da própria escola. com as respectivas estratégias. tomarei como referência a última versão do processo de produzir valor-de-uso e. o projeto deverá retornar à Câmara e. o trabalho. e fornece o ponto de partida para o posterior desenvolvimento de explícita na última versão do substitutivo do relator. por consequência. contra. referente ao ensino fun- dutivo sobre a base da indústria moderna erige-se como princípio educativo damental. nião da Comissão Especial realizada no dia 26 de junho de 2012 (BRASIL. O conceito e o fato do trabalho (da atividade teórico-prática) é o principio referente ao trabalho como princípio educativo da escola elementar. porém. p. como a referida relação se faz presente de forma bruxaria. sem depender. o processo de produzi-la tem de ser um processo de trabalho ou um Diante desse quadro. (direitos e deveres) é introduzida e identificada na ordem natural pelo traba. Esse educativo imanente à escola elementar. Deputados. 1968. para se ter presente sua deter- ao afirmar: minação pelo trabalho basta recordar a passagem gramsciana já citada. número 20. 208). determina a forma como é constituída e organizada emanam os enunciados contidos na proposta do PNE. um processo de Substitutivo do relator. são determinadas pelo trabalho. O conceito do equilíbrio entre ordem social e ordem natural sobre o Suponho. como "condi. isto é. de qualquer mara dos Deputados. educação. sendo antes comum a todas as suas formas sociais" nado Federal. Portanto. v. 1. que enuncia dez diretrizes do plano. a chance mais otimista é valores de troca: "Sendo a própria mercadoria unidade de valor-de-uso e que tenhamos um PNE 2013-2022. é dele que cípio educativo. valor. p. 211). Caso o Senado introduza aigum tipo forma de produção de valores de troca. 1968. 554) do que a ampliação da oferta de creches e pré-escolas até a sua univer- e em "fermentos de transformação" (MARX. isto é. Vanhoni.. que. tem a lho tal como se manifesta no modo de produção capitalista. trabalho-educação.. deputado Ângelo uma concepção histórico-dialética do mundo. enquanto elemento fundante e determinante da 2012). a de determinando tanto o seu desenvolvimento como se constituindo. sob a égide do capital. em "germes da educação do futuro" (MARX. trata da educação infantil. ao mesmo tempo. Ou seja: uma vez que o trabalho é "condição natural eterna da pelo enunciado das 20 metas. fundante e determinante o plano e um anexo que reproduz o PNE propriamente dito. Se for aprovado no Senado tal como saiu da Câmara dos (MARX.

(BRASIL. não fazendo referência direta à questão do trabalho. o plano propriamente dito. Trata-se do Inciso V . o trabalho itinerante. impõe a exigência de se ajustar a A estratégia 3. 2012. a produção de material didático específico. formação continuada de professores e a articulação com instituições aca. com qualificação social e profissional para aque- tégias que se reportam à questão do trabalho. trabalho. da dêmicas. ção profissional. isto 6.11. práticas irregulares de exploração do «IX . consumo de drogas. famílias c com órgãos públicos de assistência social. ferência de renda. 2012.9. a expressão "práticas irregulares de exploração do trabalho" é senvolver formas alternativas de oferta do ensino fundamental para atender sintomática. 101 forma explícita. p. 24).valorização dos (as) profissionais da educação. tecnologia. les que estejam fora da escola e com defasagem idade-série" (BRASIL. em colaboração com as Quando consideramos o anexo. também evoca o problema do trabalho. na estratégia 8. (BRASIL. a situação específica dos equipamentos e laboratórios. 11). 2012. 100 A u n i v e r s i d a d e b r a s i l e i r a e o PNE A e c o n o m i abaseadano"cercamento"d o conhecm i ento: globalização.1 propõe-se 2012. reporta-se à exigência de linguagens. ao tratar da educação de jovens e adultos (EJA). de obrigatórios e eletivos articulados em dimensões como ciência. revela que a determinação de uma forma mente na exploração do trabalho. das comunidades indígenas e profissional técnica por parte das entidades privadas de serviço social e de quilombolas e das pessoas com deficiência" (BRASIL. 2012.. cultura e esporte. "De. Pela estratégia 3. a estratégia 3. p. trabalho e da capacitação tecnológica: . podemos tam. a noção de trabalho comparece genericamente como uma das ensino relacionada ao índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). oferta do ensino médio para atender aos filhos e filhas de profissionais que colares que organizem dc maneira flexibilizada e diversificada. 2012. en. 13).5. ao se referir à "qua- Institucionalizar programa nacional de renovação do ensino médio. no ensino médio. o tema desta minha exposição. dimensões da vida social a incentivar abordagens interdisciplinares e cur.. p. 12) alfabetização. 12-13) a) Na meta 2. respectivamente. 2012.6. evoca. incentivar práticas pedagógicas com abordagens interdisciplinares Finalmente. p. o que.4: "Expandir a oferta gratuita de educação aridades das populações do campo.10 e 9. é próprio da sociedade capitalista. conteúdos se dedicam a atividades de caráter itinerante" (BRASIL. garantindo-se a aquisição de se levar em conta.11) que trazem à baila as questões da jornada de da permanência dos e das jovens beneficiários (as) de programas de trans. to escolar e à interação com o coletivo. p. referente ao ensino fundamental. para os segmentos populacionais educação profissional. ao aproveitamen- Formação para o trabalho e para a cidadania. esportivas e culturais. aliás. a estratégia 2. de novo. rículos flexíveis. a população urbana e do campo de jovens e adultos na faixa etária de b) Na meta 3. bem como das situações de discri- bém considerar como ligado ao tema da relação trabalho-educação o Inciso minação. "Desenvolver formas alternativas de estruturadas pela relação entre teoria e prática. saúde e proteção à contramos o seguinte resultado: adolescência e juventude. "Fomentar a expansão das matrículas gratuitas de de 18 a 29 anos. A estratégia 3. do tempo integral nas escolas públicas e da qualidade do Aqui. enuncia Estruturar e fortalecer o acompanhamento e o monitoramento do acesso e duas estratégias (9. Além disso. a fim de lificação profissional". cujo objeto é o ensino médio. particular de trabalho. As metas de 4 a 7 tratam. que se funda exata- itinerante" (BRASIL. que trata da elevação da escolaridade média da população A estratégia 3. de forma concomitante direção da ampliação do processo de integração entre o ensino médio e a ao ensino ofertado na rede escolar pública.8. a alunos cujos pais se dedicam a modalidades de trabalho de caráter itinerante. observando-se as peculi. preconceitos e violências. c) A meta 8. vai na formação profissional vinculadas ao sistema sindical. "Fomentar programas de educação e de cultura para organização do ensino fundamental a essa situação específica. Aqui. quanto à frequência. 13). também no ensino médio. 12). quinze a dezessete anos. p. considerados" (BRASIL. forma equivalente ao que ocorreu com a meta 2. por meio de currículos es. trabalho. da educação especial. encontramos várias estra. pois admite que há práticas regulares de exploração do traba- aos filhos e filhas de profissionais que se dedicam a atividades de caráter lho. p. busca-se d) A meta 9. gravidez precoce. educação. a questão do trabalho pela via da forma- ensino médio integrado à educação profissional.

10. visando a triplicar as matriculas da educa- especificidades das populações itinerantes.11) Implementar programas de capacitação tecnológica da população jo. do campo.3) Fomentar a expansão da oferta de educação profissional técnica de nível cendo inter-relaçâo entre teoria e prática. profissional. do trabalho.9) Institucionalizar programa nacional de assistência ao estudante. garantindo acessibilidade à pessoa com deficiência. 10.. comunidades indí.1) Manter programa nacional de educação de jovens e adultos voltado à 10. vando em consideração a responsabilidade dos institutos na ordenação mentos. me de colaboração e com apoio das entidades privadas dc formação profissi- vidas cm centros vocacionais tecnológicos. com atuação exclusiva na modalidade. 25-26) 10.3) Fomentar a integração da educação de jovens e adultos com a educa.2) Fomentar a expansão da oferta de educação profissional técnica de 10. assegurando-se formação especí- 10. lhadores e trabalhadoras articulada à educação dc jovens e adultos. escolarização formal c alunos (as) com deficiência. de modo a atender às pessoas privadas de ma a estimular a conclusão da educação básica. bem como a interiorização da educação profissional.11) Implementar mecanismos de reconhecimento de saberes dos jovens dor e da trabalhadora. . p. redes públicas que atuam na educação dc jovens c adultos articulada à vem c adulta. inclusive na modalidade de educação a distância. onal. nos eixos da ciência. preendendo ações de assistência social.5) Implantar programa nacional de reestruturação e aquisição de equipa. tem todas as suas estratégias refe- genas e quilombolas. dimento à pessoa com deficiência. dio na rede federal de educação profissional. a rede federal de educação profissional e tecnológica. de acordo com as características médio. de modo a fica dos professores e das professoras e implementação de diretrizes naci- articular a formação inicial e continuada de trabalhadores com a educação onais em regime de colaboração. em regi- des. para promo. 2012. sua vinculação com arranjos produtivos. por meio do acesso à educação de 11. sociais e culturais lo- que atuam na educação de jovens e adultos integrada à educação profissi. e os sistemas de ensino. o acesso das ações de alfabetização e dc educação de jovens e adultos. e adultos trabalhadores.8) Fomentar a oferta pública dc fonnaçâo inicial c continuada para traba- ensino.100 A u n i v e r s i d a d e b r a s i l e i r a e o PNE A e c o n o m i abaseadano"cercamento"do conhecm i ento: globalização. 11. com a finalidade de ampliar a da tecnologia e da cultura e cidadania. com- e) Já na meta 10. por meio de ações dc extensão desenvol.7) Fomentar a produção de material didático. públicos c privados. financeira e de apoio psicopedagógico que contribuam para garantir o acesso. cais e regionais. 26-27) do público da educação de jovens e adultos e considerando as f) Igualmente.6) Estimular a diversificação curricular da educação de jovens e adultos. a serem considerados na articulação curricular 10. articulando a formação à preparação para o mundo do trabalho e estabele. cooperativas e associações. voltados à expansão e â melhoria da rede física de escolas públicas territorial. p. 10. direcionados para os segmentos com baixos níveis de educação profissional.2) Expandir as matrículas na educação de jovens e adultos. ção profissional técnica de nível médio. a equipamentos e laboratórios e a formação continuada dc docentes das 9. 2012. em cursos planejados. (BRASIL. com tecnologias assistivas onal vinculadas ao sistema sindical e entidades sem fins lucrativos de aten- que favoreçam a efetiva inclusão social e produtiva dessa população. objetivando a elevação do nível de escolaridade do trabalha. de forma a organizar o tempo e o oferta e democratizar o acesso à educação profissional pública e gratuita. 11. o desenvolvimento de cur- ver a compatibilização da jornada dc trabalho dos empregados com a oferta rículos e metodologias específicas. a meta 11. 101 9. le- 10. empregadores. (BRA.12) não se reporta ao problema do aprendizagem e a conclusão com êxito da educação de jovens e adultos trabalho: articulada à educação profissional. apenas a última estratégia (10.. os instrumentos de avaliação. universida. SIL. liberdade nos estabelecimentos penais.10) Estabelecer mecanismos e incentivos que integrem os segmentos espaço pedagógicos adequados às características desses alunos e alunas. São elas: 10. científica e tecnológica. a sional. culada à educação profissional. ridas à questão do trabalho. por tratar da integração entre EJA e educação profis. a permanência. médio na modalidade de educação a distância.1) Expandir as matrículas de educação profissional técnica de nível mé- jovens e adultos articulada à educação profissional.4) Ampliar as oportunidades profissionais dos jovens e adultos com deficiência e baixo nível de escolaridade.10) Orientar a expansão da oferta. de for. articulando sistemas de 10. educação. dos cursos de formação inicial e continuada e dos cursos técnicos de nível ção profissional. nível médio nas redes públicas estaduais de ensino.de educação de jovens e adultos arti- conclusão do ensino fundamental e à formação profissional inicial.

(BRASIL. não aparece a questão do nica de nível médio pelas entidades privadas dc formação profissional vin- culadas ao sistema sindical e entidades sem fins lucrativos de atendimento trabalho. com atuação exclusiva na modalidade. à contextualização curricular de Geografia e Estatística .2): vidade profissional dos professores: Ampliar a oferta de vagas. preservando-se seu caráter pedagó. na forma das condições salariais da ati- menção. a oferta de vagas públicas em relação nível médio e do ensino médio regular. p. à população na idade de referência e observadas as características regio- gico integrado ao itinerário formativo do aluno. cação básica. p. dos profissionais da educa- de nível médio na rede federal de educação profissional.13) Estruturar sistema nacional de informação profissional. referente à educação superior.11. aparece apenas uma tégias fazem menção ao trabalho. 11. 35) condições necessárias à permanência dos estudantes e à conclusão dos cursos técnicos de nível médio. em suas respectivas áreas de atuação.10) Fomentar a oferta de cursos quilombolas.8) Institucionalizar sistema de avaliação da qualidade da educação pro. A meta 16 continua a tratar da formação de professores para a edu- 11. de formação continuada para os profissionais da educação de outros seg- 11. Com referência explícita à questão do 11. por meio da expansão e interiorização da rede 17. dos Municípios e dos trabalhadores em educação Científica e Tecnológica e do Sistema Universidade Aberta do Brasil. visando trabalho siste- 11. comunidades indígenas e as demandas da educação básica. para acompanhamento da atualização progressiva do valor do piso salarial . con. construída em regime de colaboração estudantil e mecanismos de mobilidade acadêmica. As dez estratégias anteriores referem-se à formação superior. nos cursos presenciais. na forma da lei. agora propondo que metade atinja o nível de pós-gradua- manência na educação profissional técnica de nível médio. visando à formação de nais das micro e mesorregiões definidas pela Fundação Instituto Brasileiro qualificações próprias da atividade profissional. (BRASIL.. [. política nacional relação de alunos por professor para vinte. no prazo de um ano de vigência desta Lei. de acordo com os seus interesses e necessidades. (BRASIL... 28-29) demais profissionais com escolaridade equivalente.] 15. visando a garantir as entre os entes federados.4) Estimular a expansão do estágio na educação profissional técnica de siderando a densidade populacional. 101 11. temos as estratégias: fissional técnica de nível médio das redes escolares públicas e privadas.IBGE» uniformizando a expansão no território e ao desenvolvimento da juventude. Mas as estratégias não contemplam especificamente o problema do ante a adoção de políticas afirmativas. 15. 100 A universidade brasileira e o PNE A e c o n o m i abaseadano"cercamento"do conhecm i ento: globalização. a 15. do Distrito Federal.12) Reduzir as desigualdades étnico-raciais e regionais no acesso e per. as estra- g) Na meta 12. h) Na meta 15. trabalho.. 29) 11. cujo objeto é a ampliação do número de matrículas 11. educação básica pela via da equiparação com o rendimento médio dos nal com dados do mercado de trabalho.6) Ampliar a oferta de matrículas gratuitas de educação profissional téc. educação. que se refere à formação de profissionais da Educa- 11. rior . a 15.9) Expandir o atendimento do ensino médio gratuito integrado à forma. 2012.10) Elevar gradualmente a taxa de conclusão média dos cursos técnicos mação.que trata da elevação da qualidade da educação supe- da certificação profissional em nível tccnico. inclusive medi. 2012. 2012. tecnológica para noventa por cento e elevar. Logicamente.1) Constituir fórum permanente com representação da União. à pessoa com deficiência. trabalho.e na meta 14. da Rede Federal de Educação Profissional.7) Expandir a oferta de financiamento estudantil à educação profissional ção.11) Elevar gradualmente o investimento em programas de assistência mentos que não os do magistério. científica e ção de outros segmentos que não os do magistério. nacional. técnicos de nível médio e tecnológicos de nível superior destinados à for- 11.8) Valorizar o estágio nos cursos de licenciatura.11) Implantar. de professores da educação básica. p. na estratégia 12. nos cursos de pós-graduação stricto sensu. dos Esta- federal de educação superior. diz respeito a profissionais que técnica de nível médio oferecida em instituições privadas de educação não os do magistério. dos. articulando a i) A meta 17 trata da valorização dos profissionais do magistério da oferta de formação das instituições especializadas em educação profissio.5) Ampliar a oferta de programas de reconhecimento de saberes para fins Na meta 13 . ção. apenas a última estratégia. mático de conexão entre a formação acadêmica dos (as) graduandos (as) e ção profissional para as populações do campo.

a cidadania". a palavra "trabalho" e a expressão "trabalhadores da Educação" ou "profis- decisão pela efetivação do professor ao final do estágio probatório. Distrito Magistério tenha sido muito mais numerosa do que os vocábulos "traba- Federal e Municípios. 17. as expressões profissionais da Educação ou pro. o fato de que a expressão "profissionais da Educação" ou do cujos resultados possam ser utilizados. Nas quatro vezes em que a 18. não cons- tando. ao 18. [.3) Implementar. seja como substantivo. 2012. observados os critérios estabeleci. não há refe- federados para implementação de políticas de valorização dos (as) profissi. a meta 20 trata da questão do financiamento. rência explícita à questão do trabalho. familiares" (BRASIL. por adesão. planos de gestão es- da educação básica e superior.4) Prever. Como tal. pelos Estados. 2012. em regime de palavra "trabalho" aparece como substantivo fora de determinadas locu- colaboração. cultura e cidadania. sendo Estados. 101 profissional nacional para os (as) profissionais do magistério público da lei específica estabelecendo planos de carreira para os (as) profissionais da educação básica. ao lado de tecnologia. cultura e esporte e como eixo curricular das comunidades indígenas e quilombolas no provimento de cargos efeti. do Distrito Federal e dos Municípios. supervisionado por profissional do magistério com experiência Fiz questão de transcrever todas as estratégias em que aparecem a de ensino.1) Estruturar as redes públicas de educação básica.. 39). como podemos constatar a seguir. educação. da língua.6) Considerar as especificidades socioculturais das escolas no campo e de ciência.738. 17. 18. (BRASIL. oito vezes.6): "Estimular a participação e a consulta na formulação dos j) O objeto da meta 18 são os planos de carreira para os profissionais projetos político-pedagógicos. inclusive em nível de pós-graduação stricto sensu. para subsidiar os órgãos competentes na elaboração.8) Estimular a existência de comissões permanentes de profissionais da dos Municípios. para os Estados.. uma se dá no enunciado da diretriz "formação para o trabalho e para segmentos que não os do magistério.] educação. reestruturação dos na Lei n° 11. 37-38) jornada de trabalho em um único estabelecimento escolar. nem mesmo aos profissionais da onais do magistério.2) Instituir programa de acompanhamento do professor e da professora iniciante. outras duas como dimensão dos conteúdos de ensino ao lado 18. no âmbito da União. fissionais do Magistério são recorrentes: 1) Finalmente. nos planos de carreira dos (as) profissionais da educação dos passo que "trabalhadores" figurou uma vez e "trabalho".7) Priorizar o repasse de transferências voluntárias na área da educação formação acadêmica e as demandas da educação básica. uma em "exploração do qualificação profissional. no prazo de dois anos de vigência desta Lei. licenças remuneradas para duas delas na expressão "jornada de trabalho". ainda que estejamos aí apenas na morfologia 18. nenhuma menção explícita ao 18. apareceu 51 vezes. o Distrito Federal e os Municípios que tenham aprovado . lho" e "trabalhadores" já é bastante revelador. em seus respectivos concursos públicos de admis. ração. 2012.100 A u n i v e r s i d a d e brasileira e o P N E A e c o n o m i abaseadano"cercamento"do conhecm i ento: globalização. trabalho" e outra em "mundo do trabalho".. (BRA. Educação. dos Estados. nos enunciados das 11 estratégias. alunos (as) e na transcrição das metas. a fim de fundamentar. de modo que pelo trabalho ou a profissionais da Educação. expressão esta que comparece incidentalmente apenas na es- SIL. p. linguagens. sionais da Educação" porque. seja são desses(as) profissionais. tecnologia. planos de carreira para os (as) profissionais do magistério educação de todos os sistemas de ensino. menos noventa por cento dos respectivos profissionais do magistério se- jam ocupantes de cargos de provimento efetivo e estejam em exercício nas 4 O significado da relação trabalho-educação no PNE redes escolares a que se encontram vinculados. com implantação gradual do cumprimento da e implementação dos planos de carreira. Assim. cm particular o piso salarial nacional profissional. em todas as instâncias da Fede- das redes públicas de educação básica. currículos escolares. como adjetivo de educação. colar e regimentos escolares por profissionais da educação. p. p. 36-37) tratégia 19. e a última vez ao se referir ao vos para estas escolas. com base em avaliação documentada.3) Realizar prova nacional de admissão de profissionais do magistério. estágio que teria como escopo o trabalho sistemático de conexão entre a 18. o censo dos (as) profissionais da educação básica de outros ções.4) Ampliar a assistência financeira específica da União aos entes k) A meta 19 versa sobre gestão democrática.5) Realizar.. de 2008. do Distrito Federal c 18. A palavra "profissional".

Portanto. é compreensível. . em vários sentidos: professores ancorada nas universidades públicas. Trata-se da'carreira docente e da formação. os jovens não tenha emergido na direção de. as atividades profissionais são subsumidas à forma assalariada do traba. 101 Assim como a expressão "exploração do trabalho" apareceu no contex. se não ultrapassar. é necessário instituir a carreira dos professo- é crucial porque dele depende o alcance das metas voltadas para a elevação res aumentando significativamente o valor do piso salarial e estabelecen- da qualidade da educação básica. as condições de trabalho docente têm impacto decisi- que o referido projeto foi gestado pelo governo de um partido dito dos trabalha. vo na formação. por um lado. os estágios ta. que é a forma assalariada. pois. dedicado à preparação de aulas. se o ensino se realiza em base de apoio na Câmara dos Deputados. porém. terão estímulo para investir tempo e recursos numa formação mais exi- tradição entre o sentido propriamente humano do trabalho e as formas de gente e de longa duração. Se o funcionamento das escolas é precário. mesmo cingindo-nos aos limites dessa sociedade em que nhados. E Paralelamente. atendimento a eventuais interesses da comunidade ligados à ques- cente qualitativamente satisfatório. a própria formação. Inversamente. que tem como referência a rede escolar onde os estágios balho-educação no projeto de PNE circunscreve-se à forma social capitalis. profissional e salários dignos. sendo a forma não só vigente como assumida até com certo dos a procedimentos meramente formais. de condições adequadas ao trabalho docente. Isso. na medida em que o processo formativo implica o Constata-se. se as políticas educativas não priorizam o provimento sistema educacional. do a jornada de tempo integral em uma única escola. com no máximo A questão do magistério envolve dois aspectos reciprocamente relaci. professores terão de trabalhar com alunos desestimulados e pouco empe- Além disso. é estranho que nenhuma abertura situação difícil e com remuneração pouco compensadora. como lembrei. de distorção que se constitui no outro ponto de estrangulamento de todo o madores. escola. será preciso criar uma rede pública de formação de isso. O restante do tempo será onados entre si: a formação e o exercício docente. mação é de fácil percepção. sem o reconhecimento do valor «que uma formação precária tende a repercutir negativamente na qualidade social do trabalho docente. Na situação atual do magistério há dois pontos de estrangulamento lho. Sem desatar esse nó.o que. Se dores. o que se admitem formas regulares de exploração do trabalho. para corrigir uma gran- a) A formação ocorre como um trabalho docente por parte dos for. é evidente que as condições do exercício do magistério ser adequadamente resolvida... que o tratamento recebido pelo tema da relação tra. 100 A universidade brasileira e o PNE A e c o n o m i abaseadano"cercamento"do conhecm i ento: globalização. correção dos trabalhos dos alunos. aten- O entendimento de que o trabalho docente é condicionado pela for. educação. aspecto prático. o adequado equacionamento do problema do magistério profissionais da Educação. tão dos profissionais do magistério. traduzido em boas condições de exercício do trabalho docente. podem ser inviabilizados ou reduzi- mundo de hoje. a própria questão da formação não poderá No entanto. pelo menos aguçar a con. 50% do tempo destinado a ministrar aulas. viés ufanista no Brasil. reciprocamente determinam a qualidade da formação dos professores. já que é esta a forma dominante no também serão precários e. considerando-se c) Finalmente. Em consequência. uma vez que elas se ligam ao valor social da profissão. como é próprio da resultará numa formação igualmente insatisfatória. lógica capitalista-. que se proclamava de orientação socialista e que contava com ampla as condições de trabalho são precárias. é decepcionante constatar a timidez com que o plano tratou da ques. Por outro lado. o que se refletirá negativamente em seu desempenho. que precisam ser sanados. os cursos de formação de exploração às quais ele se encontra submetido na sociedade atual. atualmente. também os cursos de forma- to do combate às suas formas irregulares . são realizados. é também consensual tão educacional. sendo consensual que uma boa formação participação na elaboração do projeto político-pedagógico e na gestão da constitui premissa necessária para o desenvolvimento de um trabalho do. dimento diferenciado aos alunos com mais dificuldades de aprendizagem. indica que ção dos professores se desenvolverão em condições insatisfatórias. Para dar efetividade ao enunciado proclamado da valorização dos Em verdade. no limite. também a expressão "profissionais da Educação" pressupõe b) As condições de trabalho docente das escolas também influenciam a forma regular do trabalho no capitalismo. isto é.

avessa ao planejamento e movida mais por (PINHO. no âmbito do financiamento. 101 Eis a distorção. b) a complexidade da cursos e alguns avanços. É preciso. em substituição ao Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do En- Por fim. destacando-se. pois. 100 A universidade brasileira e o PNE A e c o n o m i abaseadano"cercamento"do conhecm i ento: globalização. Apesar de alguns avanços. Estamos.. educação. diante de uma árdua batalha: mudar a cultura política Tudo indica que essa meta não foi atingida. 407). do Fundo de Manutenção e Desenvol- 5 Conclusão vimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educa- ção. pois. a aprovação. p. a O projeto de PNE trata da questão do magistério nas metas 15 e 16 criação de novas unidades tanto no nível médio como no nível superior. discursos enaltecedores da educação em prática política efetiva. GUIMARÃES. Plano Nacional de Educação. o que dificulta o acompanhamento. apelos imediatos. no plano federal. à altura das necessidades das de política educacional e na vida das escolas.. a maioria dos docentes da educação básica é formada sa da pressão popular. Igualmente. Por sua vez. No início de 2010. midiáticos e populistas do que pela exigência de racio- mou como referência as metas e foi verificar o que aconteceu. Mas. sem creches. não logra. é possível assinalar vários avanços. que ampliou o raio de nal de Educação. porque o estudo constatou que vigente por meio da pressão popular e por um foite e organizado movi- em 2008 chegou-se apenas a 18%. infantil. Havia uma nalidade inerente à ação planejada. que não passou de uma carta de intenções. A pergunta é: o aumento ocorreu porque o governo nia dos empresários. algum programa de ampliação das creches. no ensino fundamental e médio. PNE. sino Fundamental e de Valorização do Magistério. 1984. esses resultados não têm a ver com a vigência do PNE. meta de colocar 50% das crianças de 0 a 3 anos nas creches até 2010. nem o MEC fazia isso quando formulava algum cional. Houve aumento de re. É essa a tarefa que se nos impõe na hora presente: converter os programa.. como a ampliação da entre a União e os estados. Entre as razões dessa modernas e das necessidades do país" (MANIFESTO. na frase do Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova: "todos os nossos No entanto. Com am o discurso de que a educação era prioridade e que iriam criar mais isso. esforços. ainda nos encontramos no nível do diagnóstico traduzido ação do fundo a toda a educação básica. para assegurar o preparo adequado dos profes. mas não propriamente por estar em vigor um peça legal traduzida seja nas informações técnicas que dão base ao texto. criar uma rede pública de. entre as quais podemos destacar. 2010). observam-se mudanças positivas ocorridas nessa década de vigência do cente e ao exercício do magistério. instituições públicas e não garante as condições necessárias à carreira do. o que . que.formação docente em regime de colaboração Em suma. inoperância do plano. o que privou o PNE do instrumento de ação fundamental sem o qual plano. sem nenhum influxo nas medi- ram ainda criar um sistema de organização escolar. a maioria das demais metas não podia ser viabilizada. cobertura educacional com a expansão de vagas nas escolas de educação sores que irão atuar nas escolas públicas de educação básica. c) a cultura politica enraizada na do do MEC mostraram que só 33% das metas do PNE foram atingidas prática de nossos governantes. sem unidade de plano e sem espírito de continuidade. dados preliminares de um estudo realizado a pedi. em matéria de Plano Nacio. como foi feito esse estudo? Ele to. com plano ou sem tárias. mento dos educadores que se revele capaz de se sobrepor à sem-cerimô- mento no atendimento. (formação) e 17 e IS (condições de exercício). com a expressiva expansão dos institutos federais de educação profissio- o que se prevê é insuficiente. pois não assegura a formação centrada em nal e tecnológica e das instituições federais de ensino superior. seja na excessiva quantidade de metas.. Os prefeitos usavam isso com fins eleitorais e fazi- em instituições particulares de ensino superior de duvidosa qualidade. devo reiterar a impressão de que. Nem os municípios evocavam o plano ditas não governamentais. a educação básica pública fica refém do ensino mercantilizado. o MEC dava os recursos ou inseria o município em possibilidade de resolver seus problemas de qualidade. tendo como linha auxiliar suas organizações estava se guiando pelo PNE? Não. Mas verificou-se que houve um au. em dezembro de 2006.. controle e fiscalização de sua execução. algumas pressões tenham de ser atendidas. vêm procurando hegemonizar o campo educa- para tomar suas decisões. A decisão de aumentar a oferta de creches era tomada por cau. podemos mencionar: a) os vetos às metas orçamen- Há uma dinâmica na sociedade que faz com que.

homologação e execução de leis do campo educativo. Para pensar o futuro . 4 v. Acesso em: 3 out. O passado. Antonio.br/ pensar assim.035/20JO. ao menos o que ocorreu com a atual Lei de Diretrizes e Bases (LDB).101 objetivamente se traduz na implantação de um verdadeiro sistema nacional de Educação articulado a um consistente plano nacional de Educação. Turim: Einaudi. São Paulo. PE. variáveis envolvidas.htm>. Porto de Galinhas. São Paulo: Companhia das Letras. maio/ago. Projeto de Lei 8. 21 a 24 de outubro dc 2012. Brasília. O Capital. Porque pensar perspectivas é pensar o futuro. Disponível em: <http://wwwl. Edizione critica dell'Istituto Gramscí a cura di Valentino 1 Introdução Gerratana. pode pensar o futuro sem se levar em conta o passado. é de tal natureza .vanhoni. Brasília. 2010. GUIMARÃES. Valdemar Sguissardi .pd£>. 1968. 1984. com o último PNE (2000-2010) e com outros projetos de lei. * Texto apresentado na Sessão Especial "PNE em debate: perspectivas" da 35 Reunião a Anual da Anped. Câmara dos Deputados.educação. No caso. com muito pouco ânimo para acreditar em novas utopias.035/2010. Ângela. Karl. Qttaderni dei cárcere. como se sabe.com. e o militante.que o analista/debatedor tende a sentir-se subjugado pelo peso histórico desse passado.as perspectivas necessita-se perscrutar o passado. 1992. . 2012. A educação superior Referências no PNE: BOSI.tecida de tantas decepções e de tão poucos êxitos .com. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. 1968. neste campo da formulação.br/wp-content/uploads/2012/08yTexto_Final_Aprovado_ 26junho2012. Larissa. p. DF. Parecer reformulado ao Projeto de Lein"8. MANIFESTO dos Pioneiros da Educação Wova-1932.035/2010: o que isto significa no Brasil. v. Câmara dos Deputados. Dialética da colonização. tantas. Paulo. Pedagógicos. Revista Brasileira de Estudos Pensar as perspectivas do novo Plano Nacional de Educação (PNE). 150. 2010. 2012. Brasília. por mais que se diga e acredite que estas dão sentido à vida. Acesso em: II maio 2013. 3 mar. n.folha. . fazem caminhar e enfrentar sempre novos desafios. 100 A u n i v e r s i d a d e b r a s i l e i r a e o PNEAeconomiabaseadano"cercamento"doconhecimento:globalização. Projeto de Lei (PL) n° 8. Disponível em: <http:// www. utopia ou ilusão?" BRASIL.. as ilusões perdidas. GRAMSCI. 407-425. entre elas a de planos nacionais de educação. DF. Alfredo. um enorme desafio para analistas e militantes: tantas são as PINHO. Seria ingenuidade não Folha de S. DF. Antes de tudo.. E não se fsp/cotidian/ff0303201001. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. País só cumpre 33% de metas de educação. hoje? MARX.uol. 65. aprovado em 26 de junho de 2012. Os intelectuais e a organização da cultura. ela- borado à luz do conceito e do fato do trabalho como princípio educativo. aprovação. 1975.

sabe-se com segurança que a Lei do PNE 2000-2010 não "pe- são amputadas de parte de seus princípios. 100 A universidade brasileira e o PNE A economiabaseadano"cercamento"doconhecimento:globalização. em última instância comum. qualquer aumento de despesa na aplicação do plano. isto é. e antes de pensar nas perspectivas do novo PNE. mas outras Hoje. numa única penada presidenci- análise sobre o PNE anterior (Lei n° 10. em seu projeto-síntese. orientavam a economia oficial e recomendavam a privatização razões por que algumas funcionam e outras não" (SGUISSARDI. outras. poder-se-ia dizer. as que interessam principalmen- educação superior e outras leis sobre temas correlatos (parcerias público.. privadas. aos de cima. para delimitar o campo destas reflexões. no prefácio a um dos raros estudos contendo detalhada simples carta de intenções. inviabilizando 2 Marcas do passado metas de expansão e democratização do "sistema". aos de baixo. mas se erraria no varejo. Na continuidade dessa assertiva. 13). discussão dos objetivos e metas do Plano Nacional de Educação. sociedade civil organizada e órgãos do governo e/ou do Estado. to para a série de cerca de dez vetos presidenciais que proibia. Possivelmente se acertaria no atacado.172/2001) e sua execução. então. desenvolvimento econômico-social e nas diretrizes de organismos multi- afirmava-se que tão grave quanto o fato de. tornarem-se obsoletas e inúteis para sua função pública. o da reforma da país. embora não se tenha clareza. nas- PNE para. No octênio presidencial em que se deu essa homologação castradora sam fundamentalmente às elites econômico-políticas dominantes deste das potencialidades do PNE. embora com grande peso histórico: que algumas leis "pegam" e. portanto. propósitos. muitas leis atingem seus objetivos e muitas sc tornam letra morta. existirem leis que laterais financeiros. sob certos aspec- caso particular das preocupações mais imediatas desta análise. como é o caso do FMI e do Banco "pegam" e leis que não "pegam" "é a interessada ocultação cotidiana das Mundial. Tais organismos. perguntar-se pelas razões que autorizariam pensar em cido nos Congressos Nacionais de Educação (Coned). e as que não vigoram. que se limitaria a um discurso sem autoria de Carlos da Fonseca Brandão (2006) e intitulado PNE passo a prática ou a uma prática claramente fundada nas concepções vigentes de passo. Afinal. trabalhadores. será ração. Efetivava-se. além disso. teria adotado. perguntar-se: por que o acima exposto assim acontece? Em mente suas perspectivas ou seu futuro. a pergunta tos. o que.. o Congresso. no Brasil. nos fatores básicos que produziram cessário rememorar alguns desses episódios ou fatos do passado recente aquele plano e nos que produziriam o atual e que lhe marcariam indelevel- para. em por vezes. 2006. o que revelaria por que. por exemplo. um começo de resposta acrescido do e com estreitos mecanismos de regulação que lhe fossem consen- de oportuno alerta: tâneos. nenhuma . para o "sistema" e para o presente e o futuro do atual projeto de lei. não. entre outras questões. de al. inovação tecnológica. não tem havido mudança estrutural eco- Neste caso. cabe rastrear alguns passos da tramitação do atuai PL do novo Naquele caso. discussão pela sociedade o exame imprescindível de importantes mediações no processo de elabo- civil organizada. para necessário considerar um fato corriqueiro e. não se criou. nômica e política de fundo. Que algumas correspondem aos acordos feitos no debate entre (SGUISSARDI. te aos dominados. aprovação e execução dessas leis. deve ter em mira. do senso além da questão de classe ~ razão fundamental.. proposta. com audiência dos sinais do merca- 13). etc. da educação superior. no âmbito federal. Faltaria Atém do processo de elaboração. Seria fácil afirmar genericamente que as que vigoram são as que interes. se distanciado do segundo (projeto oficial). desempregados. Isso teria servido de pretex- or. mas momento mesmo de sua homologação. ao final. lhe teria retirado todas as marcas de um plano de fato para transformá-lo em Em 2006. homologação e aplicação. p. 2006. o triunfo da proposta dos de cima. Que algumas são logo postas em sobre as razões de fundo por que não vingou e com que consequências prática e outras têm sua aplicação postergada ou esvaziada de recursos até. em espe- cial. No al. "Lei do Bem" e universidade para todos). assim.educação. não sobre as razões imediatas. objetivos e metas no gou".101 entre os quais. seguida. após o embate entre o projeto da sociedade civil. é ne. tramitação no Congresso. p. a expansão e regulação da educação superi. e o projeto ofici- boas perspectivas quanto a sua aprovação. mais a perspectiva do primeiro (projeto da sociedade civil) e. tramitação no Congresso e homologação presidencial.

ter-se-ia opta. "pegaram" é o descumprimento. como diria Florestan Nacional.. imposta por lei maior. do privado/mercantil. ou de que a lei que o instituiu já faz parte do rol das leis que não por exemplo. após três ou quatro versões. e 4) dos incentivos do por encaminhar a discussão de leis específicas que permitissem o al. 1 novo estado de Tocantins. em especial por instituições de ensino superior fissionais da Educação (Fundeb). e o da lei da reforma da educação superior. . entre os quais o acima citado governo que se iniciaria em 2003. Dada a conhecida 2004). da determinação O PNE 2000-2010 foi deliberadamente ignorado durante os últimos expressa em seu artigo 3 de que o Poder Público federal. Sobrava a esperança de que a inteireza procederá a avaliações periódicas da implementação do Plano Nacional de e eficácia desse PNE pudessem ser restabelecidas logo no limiar do novo Educação".. assim como por empresas naci- onais e transnacionais ensina muito. O primeiro teria diminuído ainda mais o índice proporcional de matrículas públicas na edu. dos Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Pro. levara oito anos para ser aprovada em dispu.101 universidade nova .Lei n° 11. tão logo Lula assumisse a Presidência da República. dência da República em 2001 tinham sido incorporadas ao programa de Para saber-se mais sobre as experiências legislativas no campo da Educação para o governo da Coligação Lula Presidente (2002) e a derrubada educação superior. em substituição ao Fundo de Manuten. cação superior em lugar de se atingirem os 40% do total. no silêncio dos O início do processo de aprovação desse plano já se dera com atraso "esqueletos legislativos". os municípios e a sociedade civil.Lei n° 11. então. atinentes à A prova de que o PNE. ao final. com os estados. todas as metas vetadas pela Presi.Lei n° 11. 2006). e em que aquelas forças tenderam a prevalecer. pondo tanto o analista quanto o militante das causas da educação pública em alerta acerca do que significa Teria havido uma única exceçío. para eventual derrubada. como o atestam estudos. onde jaz. poderia fragilizar ainda mais o projeto ano antes e que. dir-se-ia.mais recuos que avanços foi encaminhado ao Con- desse plano. deveria ser aparelho do Estado e do mercado. 100 A u n i v e r s i d a d e brasileira e o PNE A economiabaseadano"cercamento"doconhecimento:globalização.096/2005). aguardando pela análise de várias centenas de em relação ao previsto pela LDB n° 9. bastaria Decorridos os oito anos do duplo mandato do governo Lula. lidera. Afinal. nenhuma nova escola técnica e reduziu-se o financia- 1 ção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magis- mento das instituições federais de ensino superior em cerca de 40%. (BRANDÃO.079/ so — Câmara ou Senado . 3) da uni- fragilidade do apoio governamental no Congresso de então. versidade para todos (Prouni . prometia-se à época da campanha eleitoral de 2002. so Nacional.para exame desses vetos.educação. homologada mais de um emendas cuja maioria. não é de reconstituir os caminhos percorridos no processo de aprovação de proje- conhecimento público nenhuma articulação eficaz no âmbito do Congres. se aprovada. fiscais à inovação tecnológica ("Lei do Bem" . intenções. agora garantida por lei. que já de si é considerado muito frágil e bastante aquém das ex- ta marcada. por ícone quase inconteste da educação pública nacional. gresso Nacional em maio de 2006. a da criação da universidade do a luta por um PNE que contribua para o avanço e democratização da edu- cação nacional. original. Fernandes. e princi- constantes do programa do novo governo.394/96. parcial ou sistemático. cance de pelo menos algumas das metas-objeto dos vetos presidenciais e O exame desse conjunto de processos de produção de leis. mais especificamente. O segundo.973/2004). não passava de uma carta de criação e democratização de um efetivo sistema nacional de Educação. mas impediu diversos outros. o Distrito Federal. pectativas dos defensores do fortalecimento do setor público e de melhor do. mormente.Lei n° 10. findo em 2010. que revelam os embates entre as forças dominantes no dos vetos. tendo tério (Fundef). lei produziu alguns avanços. dos de baixo.com utilização. recursos do ílindo público. chegado a razoável bom termo. "em articulação o anos do governo FHC e seus vetos sequer foram examinados pelo Congres.196/2005). por sua vez. com fins lucrativos ou privado/mercantis. 2) de inovação tecnológica (LIT . e as reivindicações ou necessidades da objeto das primeiras articulações da bancada situacionista no Congresso sociedade civil ou. meta (vetada) avanços e recuos . pelo que foi chamado de "golpe" no Senado. via projetos como o da lei do palmente de sua execução . tos tais como: 1) das parcerias público-privadas (PPP . Esta regulação do setor privado e.

tanto. configure um SNE baseado no artigo pensadas sem um profundo e realista olhar sobre os fatos que caracteriza.para fundamentar a hipótese que orienta esta reflexão sobre as mentos da área-"foi retomada pela Conae. do PNE 2011-2020 (EDITORIAL. por um lado. do qual se transcrevem abaixo da sociedade civil organizada já o fizeram com maestria. 12) em relação à educação superior. Esse atraso da proposição oficial do novo PNE justificava- além de por esse passado. em fevereiro/março de 2011. ter o PL n° 8. embate que se iniciou ainda nos bastidores de sua formula. frágil. que estas não podem ser PNE que. algumas metas nele presentes e algumas Em seguida. privados e privado/mercantis.. por outro.101 3 Marcas do presente do projeto da atual LDB.035/2010. com o objetivo de compor um perspectivas do novo PNE.agora no Senado até cujo documento final tornou-se público em junho desse mesmo ano. além do desta. um Sistema Nacional de Educação (SNE) . até os dias de hoje. sem meias palavras: nos termos do que acima sucintamente se fez. pensando na maior ou menor importância que lhe emprestam os proponentes oficiais.o da educação e seu plane. do aparelho do Estado ou do ção. o artigo dc autoria de João Ferreira de Oliveira. Quanto ao conteúdo do projeto original. nas diretrizes do PL. PNE. 2011. Este objetivo maior do PNE. e o editorial de Educação <£ 2 Sociedade que sintetiza os debates e conclusões do III Seminário Brasilei- Não cabe aqui um detalhado relato de sua tramitação desde 2010. dado o caráter específico desta abordagem.para a democracia e o desenvolvimento do país.educação. acabando por esvaziar essa pretendida justificativa. enfatizar. 2011). entre outras..para tornar público e dar. pelo que o constitui em termos de princípios e se. (EDITORIAL. Embora nos dez incisos jamento estratégico . transcrito os termos desse artigo. cos. nem os quase quatro anos de tramitação do PNE 2001-2010 foram suficientes para apressar o inicio do debate do PNE para As perspectivas do novo PNE (2011-2020) estarão condicionadas. Nem os oito anos de tramitação perspectivas" (2011). realizada em abril de 2010 e discussão e tramitação no Congresso Nacional . de articuiador do SNE cm regime de colabora- ses públicos. tampouco uma exposição Sociedade (Cedes).de um processo em anda. que estas depen- dem da correlação de forças entre os agentes e representantes dos interes. organizado pelo Centro de Estudos Educação e de sua proposição pública. ano ro de Educação (SEB). diferentes estu. não eslá devidamente contemplado no atual Projeto de Lei. por exemplo. sões a respeito. isto é. organiza- mesmo durante sua implementação. de iniciativa também oficial. é que. esperou-se até o 2 Dessa obra destacaremos adiante. as do moderno-. plas estratégias. carece de explicitações e tratamentos mais visíveis. em subitem sobre a educação superior no PL do novo último ano de vigência do PNE anterior . intitulado "A educação superior no contexto atual e o PNE 2011-2020: avaliação e se início à discussão do PL do novo PNE. pela sua pertinência e atualidade. importantes omis- questões dele.bandeira histórica dos movi- mento . do artigo 2 defina diretrizes em seu corpo e estabeleça vinte metas e múlti- o Cabe. em campo de sabidos embates de interesses e grandes controvérsias. foi muito rá condicionado pela manutenção ou não da luta entre os interesses públi. afirma. De igual maneira. começa por enfatizar que a constituição ^e somente o destaque de alguns desses aspectos . o editorial aponta.como sói ocorrer no interior do Esta. seu futuro esta. leiam-se. estas se referem muito mais ao próprio Plano que ao SNE. p. do por Luiz Fernandes Dourado (2011) . 2011. o atual decênio.2010 . como política de Estado. que de alguns traços mais gerais do conteúdo do PLem discussão. privados e privado/mercantis . preocupantemente. se transformado em lei. 205 da Constituição Federal" (EDITORIAL. . informações e considerações críticas constantes do íivro/coíetânea Plano ção em algum órgão do governo/Estado e que tenderá a ter continuidade Nacional de Educação (2011-2020): avaliação e perspectivas. 100 A u n i v e r s i d a d e brasileira e o PNE A economiabaseadano"cercamento"doconhecimento:globalização. por sua vinculação às conclusões da Conferência Nacional de metas e pelo que ocorreu e ainda venha a ocorrer em seu processo de Educação (Conae). como se verá adiante. em campo cada vez mais relevante . dos e documentos de pesquisadores e de entidades científicas e sindicais Esse editorial de Educação & Sociedade. Tendo antes ram os recentes processos de formulação e aplicação de leis educacionais. ausentes. 11). enfím. Cabe aqui tão excertos críticos essenciais. à época. Isto. com o objetivo de deba- completa de suas principais qualidades ou defeitos. cabe observar que tal vinculação. porquanto mercado. "da educação como direito de todos à for- A primeira observação que se pode fazer. Entre- sua eventual aprovação e homologação. p.

p.os níveis do "sistema". o diagnóstico para um plano dessa natureza e sua aprovação. ainda que de forma não declarada. conferindo ao PNE] uma concepção de educação questão as imensas fragilidades da proposição oficial. mas que se comprometam.8. 14) e às sumárias justificativas de cada uma das vinte metas do Projeto de Lei. além dessas brasileira constante do Documento Final da Conae" (EDITORAL. em desconformidade com o anúncio oficial. no de ideologia. e estratégias propostas para o Plano. até se atingirem índices de 7.. para que este PNE signifique de pragmaticamente no interior desse sistema. do aumento dos índi- ces percentuais de investimento em educação tendo como parâmetro o O que se espera do SNE é que forme pessoas não só capazes de atuar Produto Interno Bruto (PIB) nacional. omissões. dade de educação. o Projeto de Lei limita-se a louvar o passado . E a crítica prossegue para assinalar que. de problemas ambientais.. 2011. 12). a necessidade de se ampliar. causa estranheza e preocupação a inclusão dc me- que a conferência seria a base do novo plano.. para pôr em de suas dimensões [. Mais do que um plano que desenha a futu- alcançá-las não são assegurados. p. É necessário avançar PNE 2001-2010. dá-se muito mais que priorizam claramente o atendimento pelo setor privado nessa modali- destaque ao realizado pelo Executivo. o texto afirma que é muito mais claras diretrizes propostas por essa conferência e que teria sido pratica- preocupante o fato de essa "não fazer menção ao diagnóstico da educação mente ignorada pelo PL. O modelo de sociedade capitalista implantado no Brasil ainda está distante Neste sentido. Diante das inconsistências detectadas no PL n° 8. inclusive cinto nesse editorial. reclama-se de seus aca- Como um dos pontos centrais.. aparece O diagnóstico traria dados e contextos muito mais convincentes. senão o mais central. se não em direção a uma sociedade mais digna e justa. ampliação dos investimentos. 2011. seja com relação à suas diretrizes e metas relativas a todos . de economia. 101 mação cidadã.035/2010. dentre as quais. incremento à ampliação do atendimento em creches por entidades benefi- O diagnóstico nos parece uma condição básica para que congressistas centes subsidiadas por recursos públicos e a presença velada de uma con- (deputados e senadores). Confrontam-se possam convencer-se da necessidade da aprovação do conjunto de metas também com a Conae metas e estratégias relativas à educação profissional. Ao contrário disso. plo. seja a com destaque entre as conclusões do III SEB. (EDITORIAL. Não basta definir metas dente a ausência dos grandes temas que preocupam e afligem hoje a soci- potencialmente generosas de atendimento educacional se os meios para edade nacional e internacional. Adverte-se sobre as funções do SNE a ser estruturado a partir desse PNE. causa surpresa que os 10% do PIB de investimento público de assegurar direitos sociais já consolidados em países da América do Sul em educação. 2011. a da concepção que lhe serviria de lastro ao longo de comparativamente aos demais países da América Latina. mais uma vez. como comprometimento com o mercado do sões em relação ao aprovado pela Conae. antes. no âmbito e vigência do último PNE.. O PNE não pode se limitar ape- PIB no Projeto de Lei. tenham se transformado em 7% do com indicadores econômicos equivalentes. p. Estadual e Municipal. o modelo sociopolítico Produto Interno Bruto (PIB). destaque-se aqui a relativa ao custo-aíuno-qualidade (CAQ). 13) ro da educação nacional. o país já deveria ter atingido nos idos de 2005. como cidadãos políticos e críticos com a superação de suas contradi- nos seguintes termos: ções e ambivalências. aprovados pela Conae. adverte. 13) hoje hegemônico no país. A ênfase dá-se bém. 100 A u n i v e r s i d a d e b r a s i l e i r a e o PNE A economiabaseadano"cercamento"doconhecimento:globalização. nhados limites: destaca-se criticamente a questão do financiamento. tam- fato um decisivo passo adiante em relação à situação atual. Sobre a importância de tal tas/estratégias contrárias às deliberações da Conae. cepção meritocrática e tecnicista de avaliação curricular. suas inúmeras omis- não como direito. p. Nesse sentido. (EDITORIAL. não familiarizados com o campo educacional. (EDITORIAL. como. deixando para o remoto 2020 a meta que.educação.e. mas. de Nessa mesma direção. p. embora destaquem a 'formação para o trabalho' como uma O editorial detém-se sobre o quesito do financiamento. muitas vezes reiterado. de um PNE. Mais do que isso. os recursos do Fundo Públi- co Federal. uma das Detendo-se na Exposição de Motivos do PL. o Projeto não define o ritmo da nas a gerar e regenerar aquilo que aí está em termos de organização social. visando uma sociedade com mais justiça social. o PL faz inclusões na contramão do proposto pela Conae: 13). isto é. 2011. consignadas de modo su- respeito da precária e desfavorável situação da educação no país. por exemplo. apenas como exem- trabalho" (EDITORIAL. de forma gradativa. 9 e 10% do que privilegia. é surpreen- houvesse ocorrido o veto do então presidente. 2011.

035/2010 do novo PNE em relação à educação superior irão apoiar-se. Para sua elaboração. do total. Gomes e Silke Weber. Meta 14 • Elevar gradualmente o número de de Educação. ela poderia ser aferida. concentre nos anos finais do Plano. 15).101 construído. em relação à forma como o PL do novo PNE rigorosa de sua aplicação. As três metas centram-se essencialmente no desafio da expansão da medidas imprescindíveis] para se evitar que a realização [das metas] se graduação e da pós-graduação. delineie minimamente o sentido desse importante conceito. no Relatório do Simpósio 8 do III Seminário Brasileiro exercício. Paulo Speller. de (absoJuto e relativo) encontra-se em plena expansão. se apresenta: as matrículas em IES particulares que. culturais e éticos do processo científico-tecnológico que domina a vida. em cada caso e circunstância. A esta ambivalente suposição subjaz uma privadas que.. Em relação às matriculas o mesmo quadro decisivo para todo o sistema da educação. metas ou metas intermediárias (anuais. p. em 2009 já eram apenas 16. que mais chama a atenção no PL são suas grandes omissões. com os conhecidos e costumeiros não há no PL definição do que se entende por qualidade e com que atrasos ou o simples abandono do previsto" (EDITORIAL. registra-se sua imprevisão quanto a "estratégias de reali. anteriormente referido.035/ (EDITORIAL. 2011. Meta 12 . em 1999. Esta constatação permite presu. cujo tema foram as prioridades.5% de públicas e 12. com fins lucra- nição de "educação de qualidade": tivos . bianuais. [. 2011. isto é. assegurando a qualidade da oferta.contra 10. 35% doutores. 16) 2010. sendo. pressupostos antropológicos. e as das IES produtivistas presentes no texto. .. está a de qualquer defi. ignorados em seu diagnóstico.100 A universidade brasileira e o PNE A economiabaseadano"cercamento"doconhecimento:globalização. as observações críticas ao que apresenta o PL n° para trinta 33% da populaçSo de 18 a 24 anos. e nas análises que João Ferreira Oliveira J um plano de Estado.4% do total. o 4 zação gradual. com um breve apanhado das análises criticas de que foi objeto o PL n° 8. desafios da educação superior e com apenas três metas para superá-los . que contou com a participação. Goergen e Mohamed Ezz El Din Mostafa. Gomes. 3O relatório.8% do total. Essa imprevisão já havia sido constatada no plano anterior e explicaria. é oportuno destacar.. em 2 de março de 2011. a sociedade e a cultura contemporâneas. cobri- mir que os legisladores supõem que a qualidade da educação decorra da am apenas 27. Dentre esses. em Além das observações e considerações de ordem geral acima expos- certa medida. louva as conquistas do passado e se esquece dos (2011) apresenta em seu artigo "A educação superior no contexto atual e o desafios do futuro..4%. [. ao contrário do das alguma forma.5% de privadas . assume mais características de um plano de governo do que CAÇÃO E SOCIEDADE. economicistas e que. e que necessitariam ser urgentemente parte do arcabouço teórico e de princípios de um plano que proclama superados.] o fato de que. tratou das questões relativas à educação superior. 15) PNE 2011-2020: avaliação e perspectivas". 2011. limites de prazo para a maioria das metas e fixação de sub. a ausência de acompanhamento e supervisão sistemática e tas. 76. as das IES públicas sinergia das diretivas notoriamente quantitativistas. manifestadas na Conae. reiteradamente a busca da qualidade da educação. e que deveria fazer tos.e que seu número No corpo propriamente dito do Projeto não há nenhuma menção que. e com observações de Alfredo M. perfaziam 35% do total. parâmetros. em 2009.8% das IES eram particulares. Meta 13 - 8. mestres e 25 mil doutores. como já se anotou. p. do corpo docente em efetivo nas linhas abaixo.Elevar a taxa bruta de matrícula na educação superior para 50% e a taxa líquida Em grande medida.5%. de Alfredo M.. em 1999. coordenador do simpósio. que garantiriam uma adequada execu.). foi elaborado por Valdemar Sguissardi. em 2009 já cobriam 56. contou-se com as notas técnicas de 4 O novo PNE c a educação superior Dirce Zan apresentadas na Assembleia Final do III SEB. eram 37. trianuais etc. com os resultados conhecidos e lamentáveis. Elevar a qualidade da educação superior pela ampliação da atuação de mestres e doutores nas instituições de educação superior para 75%.7%. mas. estratégias e ações matrículas na pós-graduaçSo stricto sensu. como expositores. de modo a atingir a titulação anual de 60 mil do PL em relação a esse nível de ensino (CENTRO DE ESTUDOS EDU. um conjunto de aspec- Dentre as omissões destacadas por esse editorial. p. metas. (EDITORIAL. no ano de 1999. Quanto aos aspectos técnicos. perspectiva conservadora e sistémica de educação que não dá conta da O crescimento das matrículas nas IES particulares ou privado/mercantis foi visão crítica a respeito dos sentidos. soci- ais. 2011) . Com uma exposição de motivos quase sem referência aos grandes ção desse plano. Pedro L. privadas e mesmo das públicas. "com qualidade". no mínimo..educação. em 2009 perfaziam 26.

. 2). rísticas de nosso parque industrial. A ausência de um adequado diagnóstico da educação superior na como exceção. com outras como a Lei das PPP . quando as fronteiras entre os cação superior do país entre as IES ou universidades de "ensino" (cerca de interesses públicos e privados se veem a cada dia mais diluídos" (SGUISSARDI.2. onde se lê: correspondem a alunos que em geral necessitam trabalhar oito horas [.] sobretudo a partir da segunda metade da década de 1990. setor empresarial. de algum modo. 3). 2011. expansão e o lucro privado sem limites. no setor privado como no setor público. 2). 100 A u n i v e r s i d a d e b r a s i l e i r a e o PNE A economiabaseadano"cercamento"doconhecimento:globalização. "dadas as imposições de um modelo de avaliação [regulação] da éticos que até recentemente impediam tal aproximação ou promiscuidade" pós-graduação e produção científica. p. lembre-se). rais. retirando todas as barreiras burocráticas e empecilhos dadas. pesquisa e extensão. 2011. de ções de carreira docente/acadêmica. 2011. observou-se a ampliação no número de convênios e contratos.973/2004 e. embora constasse de modo explicito no da educação superior concentram-se em cursos do período noturno e documento final da Conae.079/2004 e a "Lei do Bem" . EDUCAÇÃO. Dito em outras palavras. p. que "aproximam esses 'cientistas' e seus laboratórios do precarização do trabalho nas IES com pós-graduação e pesquisa consoli. já bastante de- trar que. p. além de panhar de uma diminuição gradativa dos recursos para manutenção e ex- estudarem cansados. para se aqui. as condições de trabalho dos jovens de 18 a 24 anos e da oferta de o funcionamento das IES públicas. fez-se acom- por dia. No caso das universidades fede- tos . p. ensino. concentra- 6 18 e o das privadas de . em especial sob carreira em todos os níveis.101 de 339% nesse período de dez anos. atividades-fim do modelo neo-humboldtiano. (SGUISSARDI. Outro aspecto ausente das preocupações dos proponentes do PL do latar quais são as perspectivas de formação de profissionais e de cidadãos novo PNE é o relativo às profundas mudanças que ocorrem no estatuto de de que o país necessita. (SGUISSARDI. 68. dadas as condições de má distribuição de renda existentes no nunciado inclusive pela grande mídia e que também atinge.196/2005. Bastariam esses dois aspec. ocupando-se da pesquisa e da extensão 6 Denominam-se de "pesquisa" as IES que desenvolvem de forma bastante equilibrada as três apenas ocasionalmente. via fundações de apoio institucional e vagas principalmente pelas IES privado/mercantis. trabalho dos professores/pesquisadores das universidades federais e esta- Além da proposição de uma meta prevendo a aprovação de planos de duais sob o impacto das políticas de inovação tecnológica. "dadas as caracte- produtivista". ipso facto. já bastante conhecido por seu viés (SGUISSARDI.. como a LIT . nem a intensificação e 11. estaduais e em algumas privadas sem fins lucrativos. na Exposição de Motivos do PL . (CONFERÊNCIA NACIONAL DE . grifo nosso) cente.porque talvez não seja multinacionais. correlativamente. com sono e não raramente subalimentados" pansão das instituições federais de ensino superior.Lei fins lucrativos (76. tem sido ignorado. particularmente das (SGUISSARDI. universidades federais.Lei n° 11. isto é. p. entre outros requisi- tos para o bom desempenho de uma instituição universitária.educação. 2011. estão a universidade e o fundo público estatal garantindo a uma preocupação dos proponentes oficiais a dicotomia hoje existente na edu. Exposição de Motivos do PL do novo PNE deixou.. em certa medida. p. sem se considerar a qualificação e regime de contratação do corpo do. com fins lucrativos. 2) das nas IES federais. cesso de intensificação da mercantilização da educação superior. enquanto o das públicas foi de 63. 2010.5%. 3). gastar mais duas a três horas de tempo de transporte. assim como atividades de pesquisa e extensão..categoria administrativa das IES e turno predominante de estudos . a égide de leis.. ocorreu. não se mencionam nem as péssimas condi. O processo de mercantilização da educação superior. em especial nas IES particulares. "2/3 das matrículas outras formas. país. que se verificam os mai. tanto ores índices de matrículas do ensino noturno. 2011. Por essa razão.Lei n° 10.5%. em geral de graduação. composto maciçamente por filiais de Não se menciona. de mos. visan- do ao aumento de recursos próprios. 90% do total) e as de "pesquisa" (cerca dos 10% restantes do total). 5 Denominam-se de "ensino" as instituições de educação superior (IES) que concentram suas atividades-fim no ensino. um pro- E nas IES particulares.8% do total de IES.

100
A universidade brasileira e o PNE A economiabaseadano"cercamento"doconhecimento:globalização,educação...101

Pensando nas perspectivas do novo PNE cabe questionar desde logo
} Do já citado texto de João Ferreira de Oliveira que faz detalhado e
o que significará para o país essa grande preocupação dos proponentes do muito preciso confronto entre as conclusões e recomendações da Conae e
PL do novo PNE com a expansão da educação superior, nos termos pro- as proposições (metas e estratégias) do PL do novo PNE, e que ilustram
postos, se tal expansão ocorrer no mesmo sentido das atuais tendências muito bem a enorme distância entre ambos, merecem destaque aqui algu-
dominantes acima destacadas? mas de suas conclusões, na forma de efetivos desafios a serem enfrenta-
Outro aspecto, complementar ao da crescente mercantilização e dos pelo novo PNE:
oligopolização do "subsistema" de educação superior, ausente do diagnós- a) promover expansão com qualidade da educação superior, dc modo a
tico que embasaria o PL do novo PNE, é o da ausência de menção e, acelerar o incremento da taxa de escolarização (bruta e líquida), especial-
portanto, de preocupação com a fragilíssima capacidade de regulação do mente por meio de IESpúblicas; b) implantar uma efetiva política de demo-
aparelho do Estado sobre um "subsistema" com as características que cratização, incluindo o acesso e a permanência de estudantes, sobretudo
acabam de ser apontadas, Quando fundos de investimento nacionais e os de baixa renda, negros, indígenas, do campo e quilombolas; c) promo-
transnacionais, com capital aberto, que operam na Bolsa de Valores de São ver o equilíbrio entre a oferta de educação superior pública e privada; d)
Paulo ou de Nova York, aumentam a cada dia sua participação no "merca- garantir expansão que atenda às necessidades regionais e nacionais de
do educacional ' do país, "Quem ousaria afirmar que não é o lucro, em
1
desenvolvimento social, econômico e'cultural; e) promover equilíbrio regi-
lugar da 'qualidade' da formação do cidadão consciente e crítico da reali- onal e estadual na oferta de educação superior, devendo o Norte, o Nordes-
dade, a principal preocupação desses fundos ou 'mantenedores'?" te e o Centro-Oeste experimentar maior expansão; f) ampliar a política de
(SGUISSARDI, 2011, p, 3). Como esperar que órgãos de um Estado em apoio público à titulação do corpo docente e de expansão da pesquisa e da
que têm grande "poder de fogo" os interesses privado/mercantis, que não pós-graduação. (OLIVEIRA, 2011, p. 132, grifos nossos)
conta com um grande quadro qualificado de avaliadores independentes, Esses são pontos nos quais, considerando o proposto até então no PL
possa exercer o papel de regulação, controle e garantia pública de qualida-
de de cerca de 30 mil cursos de graduação, dos quais 2/3 são oferecidos oficial, o autor avaliou ser possível avançar. No entanto, como no corpo
por instituições privado/mercantis com tais características? de sua análise não deixou de assinalar, volta, em suas considerações finais,
a relembrar uma série de recomendações (ou reivindicações) constantes
Esse diagnóstico é cobrado de um PL de um novo PNE, porque cabe do Documento Final da Conae (2010) e ausentes ou pouco explícitos no
a este definir claramente "formas de regulação sócio-democráticas visan- PL do novo PNE. Entre mais de uma dezena delas, pode-se destacar, no
do a 'submeter* o setor privado e o público a um projeto de sociedade interesse destas reflexões, a que insiste na necessidade de se reconhecer a
igualitária, justa" (GOMES, apud SGUISSARDI, 2011, p. 3), as quais im- educação superior como bem público social e direito humano universal e,
plicariam portanto, dever do Estado. As implicações deste reconhecimento seriam
Inverter a lógica de crescimento que tem marcado historicamente a educa- imensuráveis, a começar por questionar ou denunciar muito do que per-
ção superior brasileira: de noturno para diurno; de [professor] horista- passa a realidade da educação superior no país e as políticas de educação
parcial para tempo integral; reverter o quadro deprimente c divisionista da superior, como, em alguns de seus traços mais explícitos, foi exposto nas
condição docente, no geral, de reprodutor de conhecimento para criador, páginas anteriores.
produtor de conhecimento; de reinstituição da educação como direito soci-
al. (GOMES, apud SGUISSARDI, 2011, p. 3) 5 O PL do PNE-Substitutivo e suas cerca de 3 mil emendas
O mesmo se poderia dizer da educação superior a distância, "que se
torna a cada dia mais uma plataforma de lucro fácil - e formação frágil - para Coube ao deputado Ângelo Vanhoni (PT-PR), como relator da Comis-
o empresariado do mercado da educação" (SGUISSARDI, 2011, p. 3). são Especial da Câmara dos Deputados, examinar as cerca de 3 mil emen-

100
A universidade brasileira e o PNE A economiabaseadano"cercamento"doconhecimento:globalização,educação...101

das encaminhadas, em sua maioria via Fórum Nacional de Educação, por dirigidos a aferir o cumprimento das metas; c) no quarto ano de vigência
dezenas de entidades científicas e sindicais da sociedade civil , após exa-
7
do PNE, seja avaliada a meta progressiva do investimento público em edu-
me exaustivo do PL do novo PNE em sua versão original. cação, podendo ser ela ampliada por meio de lei, "para atender às necessi-
Embora mantendo imutável o formato técnico original, que prescin- dades financeiras do cumprimento das demais metas" (BRASIL, 2012).
diu de um efetivo diagnóstico da educação nacional, o PL substitutivo Quanto a essas determinações de acompanhamento e controle, uma
significou avanços relativamente importantes, se consideradas as grandes ressalva: no PNE anterior, como já assinalado, elas constaram também,
limitações do original. Mesmo se considerado o avanço tímido quanto ao em seu artigo 3 . Dir-se-á que aquele, em face dos vetos presidenciais, não
o

proposto originalmente como índice percentual do PIB a ser aplicado em se constituiu em verdadeiro plano, desobrigando os órgãos responsáveis
educação - de 7% para, no máximo, 8% até o final do decênio, depois por isso de fazê-lo.
ampliado para 10% sob pressão coordenada dos movimentos sociais, no O artigo 6 determina a promoção, até o final do decênio deste PNE,
o

âmbito dessa Comissão Especial e mantido pela Comissão de Constituição de duas conferências nacionais de Educação, precedidas de conferências
e Justiça da Câmara dos Deputados (CCJ-CD) cabe enfatizar que algu- estaduais e municipais, a serem articuladas e coordenadas pelo Fórum
mas medidas, constantes dos seus primeiros artigos, podem oferecer a Nacional de Educação, ao qual caberá, além disso, acompanhar a execu-
analistas e militantes, caso seja aprovado sem vetos, garantias mínimas de ção do plano e o cumprimento de suas metas. Essas conferências terão
que sua eventual implantação dar-se-á de forma muito mais consentânea como objetivo "avaliar a execução do PNE e subsidiar a elaboração do
com o que se requer de um PNE. plano nacional de educação para o decênio subsequente" (BRASIL, 2012).
Esta relativa certeza escuda-se no definido em seus artigos de 5 a 11. o O artigo T centra-se no regime de colaboração entre União, estados, Dis-
Apenas como exemplo, veja-se o que estabelecem alguns desses. O artigo trito Federal e municípios que deve presidir a consecução das metas desse
5 determina que: a) sejam o Ministério da Educação, as Comissões de
o PNE, prevendo, inclusive, a criação de uma instância permanente de nego-
Educação da Câmara dos Deputados e do Senado, e o Conselho Nacional ciação e cooperação entre eles. O artigo 12 determina que,
de Educação as instâncias responsáveis pelo monitoramento contínuo e Até o final do primeiro semestre do nono ano de vigência deste Plano
avaliações periódicas da execução do PNE e do cumprimento de suas metas, Nacional de Educação, o Poder Executivo encaminhará, ao Congresso Na-
com divulgação dos resultados nos respectivos sítios da internet, assim cional, sem prejuízo das prerrogativas deste Poder, projeto de lei referente
como por "analisar e propor políticas públicas para assegurar a ao Plano Nacional de Educação, a vigorar no período subsequente ao final
implementação das estratégias e o cumprimento das metas [... e, ainda, da vigência deste PNE, que incluirá diagnóstico, diretrizes, metas e estra-
por] analisar e propor a revisão do percentual de investimento público em tégias para o decênio subsequente. (BRASIL, 2012, grifo nosso)
educação" (BRASIL, 2012); b) a cada dois anos, o Instituto Nacional de Por último, e apenas para retomar o primeiro item da síntese crítica
Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) divulgue estudos apresentada no início do tópico 3 deste texto e formulada no III SEB, eis
o que determina o artigo 13 do PL do PNE Substitutivo: "O poder públi-
co deverá instituir, em Lei específica, contados dois anos da publicação
Dentre essas: Associação Nacional de Pós Graduação e Pesquisa em Educação (Anpcd), desta Lei, o Sistema Nacional de Educação, responsável pela articulação
Campanha Nacional pelo Direito à Educação, União Nacional dos Dirigentes Municipais de entre os sistemas de ensino, em regime de colaboração, para efetivação
Educação (Undime); Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), Confederação
Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), União Nacional dos Estudantes (UNE), das diretrizes, metas e estratégias do Plano Nacional de Educação" (BRA-
União Brasileira de Estudantes Secundaristas (Ubes), Movimento Interfóruns de Educação SIL, 2012).
Infantil no Brasil (Mieib), Movimento Todos Pela Educação, Federação Nacional das Quanto às três metas do PL original relacionadas à educação superior,
Associações de Pais c Amigos dos Excepcionais (Apae), Associação Nacional de Politica e
Administração da Educação (Anpae) e Centra de Estudos Educação e Saciedade (Cedes). duas delas (13 e 14) não sofreram qualquer alteração, tendo sido acres-

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centado à primeira, de n° 12 - que estabelecia como índices de matrícula Como se disse em páginas anteriores, a regulação, o controle e a
uma taxa bruta de 50% e uma taxa líquida de 33% o complemento busca da garantia pública de qualidade da formação outorgada pela educa-
"expansão para, pelo menos, quarenta por cento das novas matrículas, no ção superior do país necessita superar problemas de concepção do que
segmento público" (BRASIL, 2012). As 17 estratégias originais para se seja de fato uma formação de interesse público, no âmbito de um Estado
atingir a meta n° 12 mantiveram-se quase inalteradas e acrescentaram-se com grande peso dos interesses privado/mercantis, e conseguir formar
outras três, Pelo seu conteúdo, preveem-se muitas dificuldades para as nessa orientação um corpo permanente de avaliadores, para que não se
instâncias (apontadas acima) encarregadas do acompanhamento e contro- tome por regulação o que é feito pelos próprios pares, em geral quase sem
le de sua execução, pois, em geral, não são estabelecidas metas intermedi- qualificação neste campo e com tendência a legitimar o status quo dos
árias nem indicadores precisos, que facilitariam esse controle. cursos e instituições.
Por responder a muitas demandas dos movimentos sociais, registre- Ainda em relação às estratégias da meta 13, cabe um registro pelo
se o conteúdo da estratégia 12.5, que trata da ampliação das políticas de aparente fim de um processo de discriminação que tem pesado ao longo
inclusão e de assistência estudantil, com vistas a do tempo sobre os profissionais técnico-administrativos, mesmo nas IES
reduzir as desigualdades étnico-raciais e ampliar as taxas de acesso e per- estatais públicas. Determina a estratégia 13.9: "Promover a formação ini-
manência na educação superior de estudantes egressos da escola pública, cial e continuada dos(as) profissionais técnico-administrativos(as) da edu-
afrodescendentes, indígenas e de estudantes com deficiência, transtornos cação superior" (BRASIL, 2012).
globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação, de forma Quanto às estratégias da meta 14 - que visa á elevação gradual do
a apoiar seu sucesso acadêmico. (BRASIL, 2012) número de inscritos e titulados na pós-graduação stricto sensu vale a pena
Em sentido bastante complementar, observe-se o conteúdo da estra- transcrever alguns itens, que mostram o caráter abstrato, sem indicadores
tégia 12.9, que, embora sem indicadores definidos, visa à ampliação pro- precisos, de muitas das estratégias e das próprias metas do plano:
porcional da participação na educação superior de grupos historicamente 14.1 - Expandir o financiamento da pós-graduação stricto sensu por meio
desfavorecidos mediante, inclusive, a adoção de políticas afirmativas, "na das agências oficiais de fomento; [... 14.3 -] Expandir o financiamento estu-
forma da lei". dantil por meio do Fies pós-graduação stricto sensu; [,.. e 14.4 -] Expandir
Pela, dir-se-ia, inusitada proposição - quando na educação superior a oferta de cursos de pós-graduação stricío sensu, utilizando inclusive
do país valoriza-se quase tão somente o ensino ou a pesquisa registre-se metodologias, recursos e tecnologias de educação a distância.
o que prevê a estratégia 12.7: a atribuição de 10% do total de créditos Como se vê, há muito a ser definido pelas instâncias de acompanha-
curriculares a programas e projetos de extensão e que estes sejam orienta- mento previstas nos artigos iniciais desse PL Substitutivo.
dos, prioritariamente, para áreas de "grande pertinência social". A necessidade de superação de desigualdades de todas as ordens é
Em relação às estratégias para o cumprimento da meta 13 - elevação enfatizada no âmbito da pós-graduação (estratégia 14.7), como o foi em
da qualidade da educação superior - pode-se, de imediato, questionar o relação à graduação.
que se entende com a estratégia 13.1, que prevê o aperfeiçoamento do Registre-se, finalmente, a estratégia 14.8, que trata da criação de pro-
Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes). Da última gramas de pós-graduação, em especial de doutorado, nos novos campi
vez em que se pretendeu aperfeiçoá-lo (2007), com a inclusão de diversos abertos no país em decorrência dos programas de expansão e interiorização
novos índices e modificando seus pesos na ponderação final da avaliação, das IES federais (Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expan-
houve muita polêmica e oposição de especialistas, mormente entre os que, são das Universidades Federais - Reuni).
ao início do governo Lula, haviam feito a proposta que substituiria o O que, por outro lado, chama a atenção é ausência de qualquer meta
famigerado "Provão" e criaria a primeira versão do Sinaes. e/ou estratégia em relação à regulação e controle da pós-graduação lato

a bancada governista é proporcionalmente sos do pré-sal..[. com pequenas mudanças no teor do PL substitutivo apresentado pelo relator.. (BRASIL. no mínimo. mais de metade destacados do PL Substitutivo do novo PNE sem a transcrição de sua dos signatários desse recurso retiraram-lhe sua assinatura fazendo com meta 20 e do parágrafo 4 do artigo 5 . mais uma "vitória de Pirro" . o novo investi- educação pública. maior do que na Câmara dos Deputados e que porta-vozes do governo ao final de 10 (dez) anos de vigência do PNE. os altos índices de pro. no mínimo. 7 Considerações finais Primeiro. foi amento de Pessoal de Nível Superior (Capes). especialmente o relativo ao percentual de 10% do PIB Bruto . diretamente em educação para que. visava a sua discussão e aprovação pelo plenário da Câmara? Tratar-se-ia do pela CCJ-CD. [. o o para a educação e às fontes de financiamento para viabilização desse índi- equivalente a 10% (dez por cento) do PIB ao final do decênio. tirar 85 bilhões de reais de outros ministé- A aprovação.. assim como o da divisão de responsabilidades financeiras entre União. antes de seguir para o Senado. acolhendo o índice de 10% para 2020 PL n° 8. do Distrito Federal e dos municípios. ele fosse derrubado e o PL vestimento público para a educação no país. na forma como já havia sido Mantega. seguir para o Senado. Distrito Federal e municípios para a implantação do novo PNE.100 A universidade brasileira e o PNE A economiabaseadano"cercamento"doconhecimento:globalização. já deixaram 10% (dez por cento) do Produto Interno Bruto para o investimento em claros seus alertas: a) para o primeiro. 7% para 2015. que exigia a discussão e aprovação do PL e outras agências financiadoras de pesquisa no país. deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP). o patamar de 7% (sete por cento) do Produto Interno micos do plano.PIB do País no 5 (quinto) ano de vigência desta Lei e.035 rios para a educação" (CÂMARA.. 2012). do governo Dilma na Câmara. incluídos os royalties. que. pos- educação superior. o Plano de Educação vai quebrar o Estado aprovado em 26 de junho do mesmo ano no âmbito da Comissão Especial brasileiro" (CÂMARA.035 do novo PNE. subsidiada pela atuação do apresentado no início de agosto de 2012 o Recurso n° 162/2012. caso aprova. nizações da sociedade civil. com Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) cerca de 80 assinaturas.. Meta 20: ampliar o investimento público em educação pública de forma a Supõe-se que no Senado sejam retomados os principais pontos polê- atingir. dados. que significado se pode atribuir. à com.educação. "Com essa proposta. sob o comando do líder regulação. esta- 6 Próximos passos duais. no mínimo. para tal fim constituída nessa casa do Parlamento.. regulado e controlado por uma agência de dos. ou seja. em demonstração de de alvissareiro começo ou de vitória enganosa.] estados. no Senado. com endosso de deputados de diversos parti- dutividade do "subsistema". do PL n° 8... aprovação dos 10% do PIB para a educação e à derrubada do recurso que q Desde essa data (26 de junho de 2012) esse PL poderia. fundamentais também para a Substitutivo pudesse seguir para aprovação simbólica da CCJ-CD e. como se esta fosse uma dimensão resolvida ou um que a defesa desse índice do PIB para a educação reivindicada pelas orga- problema perfeitamente superado. na noite de 4 de setembro de 2012. talvez. implicaria dobrar os recursos para a educação nos orçamentos dos governos federal.. para o Senado Federal. seja atingido o percentual de credenciados. a proposta de financiamento D iante do comportamento "palaciano" até o presente na tramitação do público para a educação pública. 2012) mento será uma tarefa política difícil de ser executada. b) para o segundo. acabou por reformular. não era aceita pelo Poder Executivo federal. na noite de 17 de outubro de 2012.] § 4 : Serão utilizados 50% (cinquenta por cento) dos recur- o o Lembre-se que. que estabelecem índices de in- o o que. não coroou um proces- so pacífico ou sem traumas. teriormente. Aloizio Mercadante.. Substitutivo no Plenário da Câmara. Artigo 5 . controle e financiamento como a Coordenadoria de Aperfeiço. foram os embates internos a essa Comissão Especial. ce.. Não se poderia encerrar esta apresentação de alguns dos traços mais Sob pressão das entidades da sociedade civil organizada. Guido Substitutivo do novo PNE pela CCJ-CD.101 sensit e stricto sensu. equivaleria "a colocar um MEC dentro do MEC. Entretanto.. 2012). por exemplo. por unanimidade. como os ministros da Educação e da Fazenda.

Referências d) a pós-graduação e a pesquisa. é outro exemplo de oligopolização. Recompor o destino. antes contra a ditadura. ro de um novo PNE. utopias mais realistas para orientar sua luta e prevenir novas ilusões. o Distrito tramitação no Congresso Nacional.pdi>-. foram perdendo a força Estado..educação. como forma de superação dos desafios identificados. entre outros de seu confronto com os princípios.com. passado. utilizar as armas da teoria e da crítica. muito mais do que apreciável. 3 out. é um dos maiores de interesse público do novo PNE. 2012. aprovação. em fracasso prático quando essa mobilização se defrontou com por um processo até recentemente chamado de privatização. funcionamento e objetivos institucionais. não podem o analista e o militante abrir mão do melhor. da mais completo e bem articulado diagnóstico possível da educação nacional e Indústria e Comércio. assim como dos dados da análise das várias Sistema Nacional de Educação será instituída a partir de dois anos da apro- versões de PL em suas diferentes etapas de discussão. res e intelectuais críticos da sociedade e do Estado. de parte ao menos dos movimentos sociais que análises que levem em conta. dados a concepção dominante e o "mo- delo" de regulação. 500. do Planejamento. Mas isto não exime nem o analista de desafios dos órgãos reguladores. os estados. entre outros fatos. Para que se possam visualizar as perspectivas de um novo PNE com homologação e execução de leis no campo educativo neste país. 2012). discussão. do que pode pesar contra o otimismo quanto às perspectivas de sucesso como bem público social e direito humano universal. reivindicativa e de resistência de épocas passadas (BOGO. tecnologia e inovação. que culminou. 2012. como se disse na Federal e os municípios terão mais um ano para aprovar seus planos de introdução deste texto. adequado realismo. incluído neste a economia e o mercado. controle e financiamento adotado por agências como a BOGO. b) a educação superior. ano 10. cia bastante ilusória e frustrante de formulação. de controle e supervisão do Estado. 1998) . que a lei que cria o quo ou mais ou menos próximo. n. mas especial- mente na em sua administração. nam hoje. nem o militante de construir novas safio agravado exatamente pelos traços privado/mercantis que predomi. BDF_. tem-se expandido e identificado. não pode prescindir. Na projeção do futu. é necessário ter presente a fragilidade e excessiva adesão ao geral e para a educação superior em particular. tivo sucesso de mobilização do movimento docente na última greve das cial. depois contra a educação superior de modo mais imediato e específico.). c) o cumprimento das funções da educação superior. de. . da Agricultura (ou do Agronegócio. de desenvolvimento e de educação superior supracitadas. por efetivo o peleguismo sindical e a intransigência oficial escudada nas concepções processo de mercantilização e. "Lei do Bem" e ou. Ademar. mas que.. além das políticas de ciência. em grau aparelho do Estado. LIT.101 para uma guerra enfim perdida? Eis mais um desafio entre tantos que tras). dos alertas gritantes deixados pelo passado longín.br/sites/dcfault/flles/ representadas pela legislação supracitada (PPP. sem ingenuidades voluntaristas. diante da análise do que aqui se ou intelectuais institucionais do que para formar professores. vação do PL do novo PNE. privados e privado/mercantis no âmbito do são de governos de esquerda ou centro-esquerda. está servindo muito mais para formar pesquisadores "produtivos" analistas e militantes precisam encarar. isto é. Brasil de Fato. metas e estratégias propostos por esse . Acesso em: 5 out. 100 A universidade brasileira e o PNE A economiabaseadano"cercamento"doconhecimento:globalização. Disponível cm: <http://www.representada pelos Ministérios da Fazenda./ Capes e o CNPq. da experiên.. é preciso saber armar-se de Estado nos últimos anos. após sua aprovação e homologação. e que a mão direita do Estado (BOURDIEU. é necessário sempre O pensar as perspectivas de um novo PNE. e a se organizaram e forjaram na luta. os recursos financeiros imprescindíveis à implementação de princípios. na luta por um PNE com boas perspectivas para a educação em Por fim. com seu PL ainda em lembrar que.. pesquisado- chamou de marcas do passado e marcas do presente. econômico e cultural e das próprias funções que se lhe atribuem no IES federais e do funcionalismo público em geral. é um campo de avalanche neoliberal e mercantilizadora do Estado.500. educação em consonância com as metas nacionais.27set. não somente no total de instituições e matrículas.brasildefato. no setor privado/mercantil de graduação.estará sempre a postos para encontrar formas de sustar ou contingenciar plano. Para que não se alimentem utopias inúteis ou ilusões similares às do metas e estratégias de um PNE. O rela- mormente em razão das concepções dominantes de desenvolvimento so. com a ascen- disputa de interesses públicos. São Paulo. que: a) a educação.

.pdÊ* Acesso em: 17 jul. CONFERÊNCIA NACIONAL DE EDUCAÇÃO. de 14 de fevereiro de 2001. Diário Oficial da União.educação.br/aprcscntacao_cmendas. São Paulo. Todos . 8.br/images/stories/pdf/pdf/documetos/ . à pesquisa científica e tecnológica no ambiente produtivo e dá outras providências. 22 nov.424. . SP. Educação & Sociedade. p.196. Institui o regime especial de tributação para a plataforma de exportação de serviços de tecnologia da informação . Brasília. Campinas. A mão esquerda e a mão direita do Estado. Carlos da F. .096. . A educação superior no contexto atual e o PNE 2011-2020: avaliação Oficial da União. DF. BRANDÃO. Programa de Governo 2002.gov. Diário Oficial da União. DF. Brasília.p.org. e dá outras o providências. p. 1998.. Lei n° 9. 2012. Diário Oficial da União. DF. In: . p. In: DOURADO. novo PNE: emendas ao Projeto de Lei n. 114. Diário Oficial da União. Brasília.891. Pierre.unicamp. de 31 de janeiro de 2005. DF. 27 jul. In: Oficial da União. Lei n° 9.035. p. João F. Disponível em: <http://www. 2. DOURADO. e perspectivas. 2.172/2001: discussão dos objetivos CENTRO DE ESTUDOS EDUCAÇÃO E SOCIEDADE. Disponível em: <http.br/uploads/ e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério. § 7 .424. Avercamp. OIIISEB e suas marcas no e metas do Plano Nacional de Educação. 3 dez. DF. Institui o Programa Universidade para 2011.035. Diário Oficial da União. Brasília.camara. PNE passo a passo: Lei n. o regime especial de aquisição de bens de capital para empresas exportadoras . regula a atuação de entidades beneficentes de assistência social no ensino superior.Acesso em: 17 jul. Estabelece as diretrizes e bases da Disponível em: <http://wwvv. PNE passo apasso: Lei tf 10. Rio de Janeiro. p.Prouni. 105-136. Belo Horizonte: Autêntica. Uma escola do . Plano Nacional de Educação (2011-2020): avaliação e perspectivas.br/noticia/cducacao/camara-aprova- Zahar. 2007.Lei n® 11./mar. v. 18 jul.. investimento-de-10-do-pib-na-educacao>. dispõe sobre incentivos fiscaispara a inovação tecnológicas.880. Diário OLIVEIRA. 2011.). Dispõe sobre o Fundo de Manutenção tamanho do Brasil 2002. Goiânia: EdUFG. Disponível em: <http://conae. na forma umaescoladotamanhodobrasil.079. DF: MEC. Disponível em. BRANDÃO. 2004b. Lei n° 11. p. . 10.195. de 21 de novembro de 2005. 60. Lei n° 11. Câmara dos Deputados. Jorge 16 out. 2013. e dá outras providências. Contr afogos: CÂMARA aprova investimento de 10% do PIB na educação. n. p.172/2001: discussão dos objetivos e metas do Plano Nacional de Educação. Diário Oficial da União. 6. 2013. lOjan. Valdemar. Plano Nacional de Educação (2011-2020): avaliação . 26 dez.cedes. EDITORIAL. DF. Brasília. de 2010-PlanoNacional de Educação: parecer reformulado.br/proposicoesWeb/ prop_mostrarintegra?codteor=l 01211 I&filename-Parecer-PL803510-26-06-2012>. e dá outras providências. 2011. revoga dispositivos das Leis n * 9. 2011. BRASIL. Brasília. 2004a. Diário SGUISSARDI. Brasília. 14 jan. 2. Brasília. Veja Educação. SP: Cedes. prevista no art. DF. 2012. Dispõe sobre incentivos à inovação e e perspectivas. Plano Nacional de Educação. São Paulo. 2001. de 2 de dezembro de 2004. <http://veja. 2005b. táticas para enfrentar a invasão ncoliberal. Campinas. de que trata o art. Acesso em: 18 jul. de 9 dc junho de 2004. e 10. Comissão Especial destinada a proferir Parecer ao PL n°8. 10. de 30 de dezembro de 2004. Documento final.101 BOURDIEU. 2010. 1. avaliar é preciso (Preíâcio).). Carlos da F.494. São Paulo: Avercamp. 2006.com. 23 dez.//www. Lucy Magalhães. 100 A universidade brasileira e o PNE A economiabaseadano"cercamento"doconhecimento:globalização. Institui normas gerais para licitação e contratação de parceria público-privada no âmbito da administração pública. Luiz Fernandes (Org. l mar. 0 de 24 de dezembro de 1996.845.973. 31 dez. Acesso em: 17 out. Aprova o Plano Nacional de Educação e documento„finaI_sl. 7. Regulamenta o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação - Fundeb.. Brasília. p. de 24 de dezembro de 1996.172. DF. Brasília. 1996a. Seção l. 10. Belo Horizonte: Autêntica. DF. COLIGAÇÃO LULA PRESIDENTE. 26 jun. 13-15. ed.mec. altera Lei n. Goiânia: EdUFG.fpabramo..abril. Trad. do Alo das Disposições Constitucionais Transitórias. 2005a. 1996b. de 5 de março de 2004. Luiz Fernandes (Org. 9-20. 2006. de 9 de janeiro de 2001.Recap e o Programa de Inclusão Digital. altera a Lei n° 10. Lei n° 10.Repes. de 9 de julho de 2004. 2012.gov. Acesso em: «educação nacional. • Lei n° 11. 22 jun.pdft. de 20 de dezembro de 1996. 60 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias.394. 32. Lei n° 10. 2013. de 20 de junho de 2007.pdf>. 11-17. jan. 2. 2013. ed. dá outras providências.

entre 21 e 24 de outubro de 2012. realizada em Porto de Galinhas. no Painel de Abertura do XII Colóquio de Sociologia . na 35 a Reunião Anual da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Educação. a 23 de fevereiro de 2011. Universidade gestionária: hibridismo institucional e adaptação ao ambiente competitivo* Licínio Lima 1 Introdução Este texto aborda a dimensão considerada mais emblemática. o Parlamento português. de 10 de setembro (PORTUGAL. 2012c). O texto retoma e aprofunda uma intervenção anterior que o autor realizou. aprovou a Lei n° 62/2007.Organizações Hoje: Sustentabilidade e Adaptação (LIMA. e também a mais controversa. no Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho. contemplando si- Conferència de abertura proferida no Grupo de Politicas da Educação Superior. formado pelo Partido Socialista. a qual consagrou o novo Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior (RJIES). Com efeito. bem como de autonomia universitária. da reforma das instituições de educação superior em Portugal: a criação do Estatuto de Fundação Pública com Regime de Direito Privado. . 2007). Adota-se uma perspectiva de análise organizacional que incidirá sobre o caráter híbrido de algumas das mudanças em curso e que proble- matizará a adaptação da organização ao ambiente competitivo em que se inscreve. por proposta do XVII Governo Constitucional. considerando alguns sentidos e limites de tal movimento de adap- tação institucional e as tensões entre conceitos distintos de sustentabilidade organizacional. Recife/Brasil.

ou presidente. Até ao momento em que este texto foi concluído. da configura- regime não fundacional (reversibilidade). por referência à reforma do Estado-providência e do setor sido solicitado pela Universidade do Minho em maio 2011. 129-137). desvincular o Estado de compromissos em da. deste modo. com um sistema de educação superior que continua caracte- fundamentada. e pelo posterior programa do XVII de deixar de atribuir financiamento público. dotadas de autonomia e de por maioria absoluta dos seus membros. mas também cindido no governo. donde resultou Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) (2006). revela-se agora não apenas um vista o prosseguimento dos objetivos da instituição. . o processo de "transformação institu. Uma vez obtida a concordância do me jurídico (ensino público e ensino privado). de financiamento e de autonomia. órgãos próprios de governo. afetado a reputação das instituições de educação superior públicas . a um Governo. evidenciando graus distintos de intervenção por parte do Estado. Ainda que tal nunca tivesse des e os institutos politécnicos. Porém. recebida com certo desagra- com regime de direito privado" (PORTUGAL. em breve. e criadas pelo Estado sob certas condições e com um estatuto de distinção. por outro lado. Trata-se. bem como à flexibilização da organização e das práticas de gestão e ao governo português. entre outros aspetos. à maior internacionalização e competitividade na educação superi- conjunto de fundações que não correspondiam aos critérios fixados pelo or. sob algumas alterações ao regime jurídico (RJIES) de 2007. frente às restantes. tendo este. debatendo-se agora determinadas condições. sobre a educação superior em Portugal. recordo apenas a centralidade atribuída pelo manifesto eleitoral do Partido dos os tipos existentes em Portugal. e ainda o Instituto Universitário de das escolas públicas portuguesas e o processo de erosão de sua gestão Lisboa) encontravam-se sob o regime fundacional. por intermédio de uma proposta institucional.e d u c a ç ã o . o reitor. incluindo um estudo sistema binário (universitário e politécnico) e integrado em termos de regi- acerca das implicações de tal mudança em termos de organização. o programa de desenvolvimento. ainda as circunstâncias e o período em que poderá operar-se o regresso ao jurídica e social. o qual abrangerá. de to. mas que. ao Parlamento "pessoas coletivas de direito público". por solicita- uma conotação menos positiva em termos governamentais e de certa opí. a vários títulos. porém. participará nas negociações relativas ao interior do subsistema público de educação superior: instituições de educa- acordo a firmar com aquele. considerando a ambiguidade daquela de- cional" e as respectivas mudanças organizacionais (PORTUGAL. democrática. privadas. Prevê eo do pelos responsáveis das atuais universidades-fundações. admitindo. atribuindo aos reitores das universidades e aos presidentes Vive-se. e com expectati- regulamenta. Noutros lugares abordei já as mais recentes reformas organizacionais ções (Universidades de Aveiro e Porto. 100 A universidade brasileira e o PNE A economia b a s e a d a no "cercamento" d oc o n h e c i m e n t o :globalização. no essencial reproduzindo o estatuto que lhes ra ao governo a passagem ao regime fundacional. ção de um sistema híbrido. fundação a criar. permitirá que a instituição requei. fundações universitárias. ou outras prerrogativas. 2007. decidiu-se suspender o processo de criação de novas mado o "cânone gerencialista" (LIMA. tendo em GAL. signação e a falta de referenciais para a sua interpretação. artigo 9 ). um momento de transição do ponto de vista político e dos institutos politécnicos esta iniciativa. va pela maioria dos observadores. uma vez aprovada pelo conselho geral respectivo rizado pela natureza estatal das instituições. sobretudo. 101 multaneamente as instituições públicas e privadas e. cujas reco- . com a público. e fundações públicas com regime de direito privado. art. nião pública quanto ao estatuto de fundação. as universida. Nesta circunstância. parece claro que se reforço de poderes dos órgãos executivos das instituições. 1988).que em No que se refere à natureza e ao regime jurídico de universidades e Portugal é elevada em termos de status o atual governo (formado pelos institutos politécnicos públicos. sob influência da "nova gestão pública" e daquilo a que tenho cha- mudança do governo. de ges- tão. a qual. ção daquele governo. a influência exercida pelo relatório produzido pela Organização para a relação a certas fundações públicas e. entretanto. apenas três institui. assim. den° 108/88 (PORTU- deve fiindamentar-se nas vantagens da adoção do novo modelo. "revestir também a forma de fundações públicas a categoria jurídica de "autonomia reforçada". Recorde-se. ainda. consequentemente. A proposta a apresentar foi conferido pela Lei da Autonomia Universitária. 2007. a estrutura orgânica básica e o processo de transição. 2009. ain- procurou aliviar o erário público. após um inventário de todas as fundações. Em contexto de crise econômica. . 2012b). os estatutos da regime tradicional. correspondendo atualmente à maioria dos casos e ao projeto da instituição. que possam. com o objetivo de regular este campo e Socialista às eleições legislativas de 2005. a lei de 2007 define essas instituições como partidos de direita) tem afirmado que proporá. o ção superior estatais.

para passarem a ter O conselho geral é o órgão representativo máximo. parte das quais atri. uma prioridade para o legislador. até este mo- cendo também a anterior assembleia deliberativa.100 A economia b a s e a d a no "cercamento" d oc o n h e c i m e n t o :globalização. 2007. O grau de liberdade institucional e de escolha das es- GAL. deixam de ser apenas presidentes de órgãos colegiados. Apesar das distintas formas de recepção institucional da lei de 2007. o novo sistema de governação institucional apon. pelas 15 universidades públicas atualmente existentes em Portugal revelou junto de competências (PORTUGAL. A pelo governo. concentrando um numeroso con. a análise dos estatutos aprovados deiros ííderes formais das instituições. 2007. até mesmo no caso da maioria das competências tração de poderes no reitor ou pres idente. da instituição" (PORTUGAL. proposta do reitor ou presidente. 92). embora muito o estatuto de órgãos uninominais. consórcio. do que é afirmado na lei do RJIES. sendo bastante mais aberta no que concerne aos órgãos externos cooptados. sem dúvida um estatuto de distinção a ser atri. não se encontrando legalmente impedidas. dentre para eleger o diretor. esta categoria não chega sequer a ser nomeada na lei do RJÍES. que cabem ao reitor (subsistema uni. apreciar os atos de peio estatuto de fundação. ao contrário professores e pesquisadores (necessariamente mais de metade dos mem. de acordo com a lei de respectiva unidade ou subunidade. a quem compete a "condução da política Segundo o legislador. de caráter consultivo. a no- ta. atribui-lhes a competência estatutos e a homologação de várias deliberações do conselho geral. em termos de governo.a quem cabe truturas de gestão apenas se revela maior no caso de as instituições optarem eleger o reitor. e propor iniciativas colegialidade. à concen. possibilidade de optarem por pequenas variações morfológicas quanto aos mente). 1988. ao reforço das lideranças unipessoais exercidas pelo conselho geral. É ao conselho de curadores que compete a aprovação dos lei apenas admite sua existência e. de duração não inferior a três anos. . de gestão democrática e de eleição de alguns gestores em nível para o bom funcionamento da instituição o conselho geral não interfere intermediário. assim. porém. as quais são de aprovação dos mais impor- das unidades e subunidades orgânicas. em termos mínimos. sobretudo no que concerne à de criação facultativa. funcionários não docentes. que a liderança individual ganha grande centralidade figura de fundação. entre outros. art. São esses os verda. as quais a homologação da eleição do reitor ou presidente. na sequência da assinatura de um acordo. em termos de participação e representação democráticas. departamentos. em não sendo mais eleitos pela totalidade do pessoal docente e não docente da relação ao senado universitário que vigorou antes. com o governo. aprovar as alterações aos estatutos. 81). idealmente. desapare. à perda de influência dos órgãos colegiados. mas sempre sob governo e da respectiva participação dos acadêmicos. qualidade. politécnicos em fundações. O regime fundacional nada nessa lei de 2007 garante a eleição dos diretores das unidades ou estabelece um conselho de curadores composto por cinco personalidades. As fundações das escolas". com competências próprias reforçadas. Por outro lado. consequências em suas estruturas de gestão. é agora um órgão de natureza consultiva. e ainda pelo menos 30% de membros órgãos de governo. a participação na "gestão democrática buído pelo governo. versitário) ou ao presidente (subsistema politécnico). regem-se pelo direito privado em termos de gestão financeira. O conselho geral é composto por 15 a 35 membros. nem sequer a obrigatoriedade da existência de órgãos colegiados sem vínculo laboral com a instituição e propostos por esta para nomeação representativos das faculdades. bem como as buída ao senado universitário na legislação anterior. Mas os diretores de faculdade. integrando A estrutura formal legalmente instituída é bastante rígida. Compete-lhe. diminuído. Nesse caso. eventualmente (mas não necessaria. art. sendo seu financiamento definido por meio de contratos plurianuais autogoverno. fundação. também. por inerência. Em estudo anterior (LIMA. centros de pesquisa etc. Garantida.e d u c a ç ã o . apenas concedendo às instituições a bros). não representaram no governo e na gestão cotidianos. um dos quais será o presidente do órgão (PORTU. que não lhes atribuiu caráter obrigatório. à redução do número de órgãos de tantes planos e documentos estratégicos das instituições. . 85). nesse caso. 2012b). . não há garantias de gestão do reitor ou presidente e do conselho de gestão. art. 2007. patrimonial e concedendo protagonismo aos conceitos de autonomia de gestão. O senado acadêmico. bem como sua presidência. compreendendo estudantes e. para a transformação das universidades e dos institutos meação dos membros do conselho de gestão (órgão executivo). opção pelo estatuto de fundação (apenas em três instituições. ou de departamento. subunidades. exatamente o impacto do novo padrão de governação. de pessoal.101 A u n i v e r s i d a d e brasileira e o PNE mendações vieram a ser parcialmente adotadas no RJIES no que concerne à Concluí-se. Sendo o órgão máximo de governo .

fossem dotadas do mesmo tipo de autonomia que as organizações do setor vamente. das razões pelas quais as formas como as universidades têm sido descritas tação do pessoal não docente. ao longo das últimas décadas. 2010).' por exemplo. uma vez aceite a sobredeterminação do ambiente competitivo to. Dois terços das universidades optaram por conselhos gerais consti. Também os conselhos científicos e os conselhos peda. ao con. públicos e. Só duas uni. 1997). a universidade-fiindação corresponde a uma refor. p. e de transição da burocracia para a eficácia (GORE. privado (GILLIES. que estas unidades adotaram órgãos colegiados e que seus dire. mas não deixando de responder perante a tutela política. administração pública. Nestas últimas. são e controle estatal típico do Estado-providência e de políticas sociais de rais e. Acriação de organizações de feição ou ao estilo empresarial. Esta é uma bros no conselho geral (entre 19 e 33). a criação de agências e fundações. representados por um membro. registraram-se opções estruturais bastante semelhantes. inscrevendo por essa via a educação superior portuguesa nas ten. embora em 12. 1993.101 mento). provi- gógicos das faculdades ou escolas são constituídos por processos eleito. embora com órgãos de nizações educativas públicas como se estas operassem num mercado livre e autogoverno. OLSEN. também aqui evidenciando forte ma organizacional profunda. introduzindo novas formas de orientação para patrimonial. são presididos por membros eleitos. nem com a ausência de represen. privatização e mercadorização. dos negócios. com novas formas de governação. e são agora objeto de propostas reformistas sível admitir. muito além de alterações morfológicas. representa mais uma configuração de tipo híbrido. representando as orga- também a maioria das faculdades e escolas. tras. gozando «certas organizações da esfera estatal restrita e das tradicionais lógicas tutela. . uma tendência mais genérica para a colonização do djscurso educacional trário do que sucede com a maioria das outras instituições. como hibridismo de soluções. significati. furtando-se a certas injunções micronormativas da administração lidade de gestão e de maior eficácia e eficiência (LANE. signo social-democrata. A criação da universidade-fundação. 1996). de um ethos competitivo e de um ambiente de negócios. com base em resultados a atingir. por objetivos econômicos e pela gestão da qualidade. . na busca de flexibi. privados. ou designados não apenas por eleição. de regulação e metarregulação. des). E. corresponde genericamente ao que há posição do conselho geral varia entre um mínimo de 15 membros (só muito foi designado como uma forma de "reinvenção" do governo e da numa universidade) e um máximo de 35 membros (em duas universida. orçamentos competitivos. como alternativa à universidade- dências internacionais que há mais de duas décadas têm advogado e concre. 100 A universidade brasileira e o PNE A economia b a s e a d a no "cercamento" d oc o n h e c i m e n t o :globalização. versidades não contemplaram a participação de representantes do pessoal agora dominante. se verá. mercados internos. Mas verifica-se. tores são majoritariamente eleitos por esses órgãos (apenas em três casos No quadro das políticas educativas.e d u c a ç ã o . sob com diretores nomeados. talvez. mas se referenciando no direito público nou- diversas. de inovação e reforma organizacional nos moldes do setor não docente no conselho geral. não tem autonomia financeira. adotando o direito privado pública. até este momen. 2 Transformação institucional: hibridismo e indução política avaliando e supervisionando. adotam uma linguagem de tipo predominante- unidades (faculdades ou departamentos) sem órgãos de gestão próprios e mente industrial e econômico (BRUNSSON. na maioria dos casos. cantil e de feição quase-empresarial. num total de 13. A retirada de central. baseado num modelo de intervenção. trata-se da muito referenciada isso não ocorre). no entanto. sobretudo. só estejam privado representa uma orientação considerada racional e. controlando mais à distância e por intermé- dio de novas agências e novos processos de mediação de inspiração mer- No caso em estudo. contratos firmados Plano Oficial de Contabilidade para o Setor da Educação. a desregulação. . o estabelecimento de parcerias em várias áreas de atuação. mas continuando sujeita à ação do Tribunal de Contas e ao o cliente. instituto público. incontornável. ao contrário do que seria teoricamente pos. Um modelo agora em transição para um "Estado- avaliador". a adoção tuídos entre 20 e 29 membros (a média é de 25 membros). crise do "Estado-educador". não revelou qualquer relação privilegiada com o menor número de mem. de certas prerrogativas e liberdades em termos de gestão financeira e res e de controlo hierárquico. A com. mas ainda de natureza pública. nas três fundações que mais se concentram as em ambiente competitivo. 11-12). O estatuto de fundação. já não tizado a introdução de instrumentos de gestão empresarial na administração de tipo estatal. associados à ideia. à escala global.

A Universidade da Consti. deve organizacional formal. entre público e privado. lho de curadores e do conselho geral. de um projeto. Por um lado. de uma equipe de gestores de topo e intermediários. mercado e sociedade civil. Neste sentido. usatido-as para processos de prestação de contas. como as práticas de prestação de contas. são revalorizadas. a eleição do reitor pelo conselho geral. presentado como alternativo e inovador). ção entre Estado. co" (BALDRIDGE. A alternativa de tipo fundacional e seu respectivo conselho de dos sistemas de educação superior e de sua diversidade organizacional. parecem escala supranacional e suas articulações com instâncias e processos de evidenciar agora menos potencial hermenêutico (LIMA. sob como da autonomia institucional. também consagrado na Lei "imagens de organização" (MORGAN. Os processos de isomorfismo educacional assentam ser-lhe reconhecido o direito de gerir a instituição com amplas margens de na procura de novas bases de legitimação. ou teoria da esco- "sistema de governação das instituições. mas tão somente o modelo de governação institucional consa. ou hiperburocracia. ou porosas. sua feição democrático-colegial. 101 O hibridismo deste "novo tipo de instituição". novos mecanismos de prestação de contas e da ação fiscalizadora do conse- do pelo legislador. E neste contexto que o reitor emerge com grande protagonismo. por meio de dispositivos de acreditação e concepções de ordem política e conflitual em torno dos objetivos de avaliação). visão. comparações interna- . são tendencialmente desvalorizados. ou diretor-geral. reatuaiizando-se concepções instrumentais e modos de organiza- lador ao que poderão ser considerados quesitos democráticos mínimos: por ção fortemente articulados. retorna-se a princípio constitucional da gestão democrática. designadamente por meio de internacionalização. a este propósito. sos radicalizadas. pretensamente pós-burocráticas (importadas de um mundo empresarial re- trariando as propostas da OCDE para Portugal). rotinas avaliativas. 100 A universidade brasileira e o PNE A economia b a s e a d a no "cercamento" d oc o n h e c i m e n t o :globalização. como tem sido designa. bem curadores (composto por cinco personalidades nomeadas pelo governo. entre outras. designadamente reitoral de diretores de faculdades e departamentos. dimensões de tipo racional-legal contempladas no tipo-ideal ação de perda e desafiada pela emergência da Universidade gestionária. dessa feita questionando a "teoria padrão da decisão". de trabalho para novos docentes a contratar no futuro. Tenho. produção de rankings e como um chie/ executive officer (CEO). dotado de uma até dos relatórios anuais dos professores. 1976) Mesmo sem considerar. a possível nomeação capaz de produzir uma alta formalização das universidades. como "sistema políti- concerne ao modelo de governação adotado. 1971). ainda. MARCH. nas universidades estadunidenses. designadamente pela observância do lha raciona]. fora e dentro das ciação à "burocracia monocrática"). Francisco Ramirez (2013) observou privado. a significativa concen. 1974). em termos mais analíticos. tais como regras estandardizadas. colé- mais fluidas. é não apenas visível nas formas complexas de articula. ava- órgãos unipessoais. "sistema debilmente articulado" (WEICK. com a utilização do recurso às novas tecnologias da informação e comunica- tração de poderes no reitor. mas também no que gio. liberdade. 1986) de feição mecanicista e de Bases do Sistema Educativo de 1986. são exemplos significativos da adesão a lógicas liação e garantia da qualidade em ambientes competitivos e à escala internaci- gerencialistas e a modos de funcionamento considerados típicos do setor onal (LIMA. de "burocracia" conceitualizado por Max Weber (1984). organizacionais e o grau de incerteza das tecnologias. exemplo. Em vez disso. embora já em situ. mesmo de pendor neotayloriano. o que se traduz na adesão do legis. . embora sob o elogio da descentralização instituições. chamado a aten- proposta da instituição). neste momento. . a necessidade de legitimar democraticamente o são. especialmente. bem como a possível adoção do regime individual ção para o protagonismo de uma burocracia radicalizada. tal como o reforço das competências de outros ção e. são visíveis duas tendências probabílístico e não necessariamente técnico-racional dos processos de deci- * contraditórias. ou. ou ainda nas balizas cada vez As metáforas organizacionais de universidade como comunidade. democracia. concentrando pode- claramente defendida pela OCDE e parcialmente adotada pelo XVII Gover. e em certos ca- tuição faz sentir. formalista. tal como as regulação diversos (por exemplo. tal como a representatividade e ao contrário daquilo que vem sendo afirmado com a defesa de perspectivas democrática deste órgão e sua natureza colegial (em ambos os casos con. avaliação. de resto com apoios diversos. ainda. o caráter 1 grado pelo RJIES em sua versão fundacional.e d u c a ç ã o . Recentemente. têm contribuído para acentuar a imagem da universidade como um ator assessorado por uma tecnoestrutura competente e de sua confiança. diferenciação. 2012a). processos de governação à ou "anarquia organizada" (COHEN. responsabilizando-o pela sua ação. e mesmo. 2011). res executivos em torno das lideranças unipessoais (o que é passível de asso- no e governos seguintes.

que regula o respectivo grau de desregulação e de concessão de denominada ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa (PORTUGAL. cada instituição se vê forçada a responder. 2011). o Decreto-Lei n° 95/2009. a que constituição de um ambiente institucional. 136-143). o regime fundacional como estatuto teóricos. de de facilitar formalmente. quanto. em suma. outro indicador do processo de "hibridização" que tem à escala transnacional e supranacional. de que resulta uma universidade racionalizada e performativa. simultaneamente responsabili- universidade empreendedorista. 1983) «institucional". patrimonial e de pessoal. embora procurando responder a pressões ambientais exercidas Finalmente. por exem. quando muito em processo governação desse sistema. nização no contexto da criação de um espaço europeu de educação superior e plo. e normativamente constituído. ou por isomorfismo. SANTIAGO. Trata-se. dependentes da iniciativa das lide. . 1 modo associáveis aos elementos de hiperburocratização para que venho cha. Mas. embora mais dificilmente como a única. 101 cionais. por exemplo. 1Ver. não imediata. Por outro lado. normas O movimento futuro. 2002). É o Estado que promove a condição não estatal da universidade-fun. de certo 50% do total da receita. do processo de construção de um ambiente insti- mando a atenção nos últimos anos. a dinâmicas de integração e harmo- sido observado em vários países (REED. independentemente do sentido É nesta fase de construção. em contraste. em dacional pode ser interpretado tanto como uma resposta a determinado termos de poder e autonomia de gestão). padrão institucional. internacionalização e valoriza- tração de poderes de gestão no topo por parte de gestores universitários ção econômica do conhecimento. não deixa de induzir politicamente. em torno da simultânea defesa da gestão colegial e da maior concen. de tensão entre instituído e instituinte. estes ftcam. é igualmente diferenciador em contextos de futura reorganização da rede de institui. e em Portugal. 2009). embo. elemento way". sob liderança do Estado central e não na sequência de um O regime fundacional é visto como uma resposta adaptativa às pres- movimento de reivindicação por parte das instituições ou dos acadêmicos. de 27 de abril. que aquele autor associa a fenômenos de zando-as pela angariação de um montante de receitas próprias superior a "intensificação da racionalização" (RAMIREZ. mas também das dinâmicas em curso em cada instituição e no ra num contexto marcado pela indução política de tal "transformação respectivo "campo organizacional" (DiMAGGIO. a valores como competitividade. apenas se exigindo maioria abso. a diferenciador e fator de valorização e distinção institucional. segundo certas abordagens qualificada de dois terços exigida em certas instituições para a criação. der político.e d u c a ç ã o . com a maioria de mimetismo. ou a melhor solução. o que é aceitável de certos pontos de vista O RJIES assume. pelo estatuto de fundação. relativo à criaçSo da fundação dação. por outro lado. no presente. em busca de uma legitimidade obtida por processos luta de votos no conselho geral. 2010). juridicamente consagradas pelo po- tuições no sentido de vir a optar. p. a respectiva mudança organizacional. constituindo um importante elemento de reforma do Esta. ou da aceitação do "the one best mente acessível a todas as instituições e. o regime fun- ranças formais de topo (também as mais beneficiadas com o regime. e de acordo com o mesmo transformação ou extinção de unidades e subunidades orgânicas. implicitamente. não deixa de se tão financeira. 100 A u n i v e r s i d a d e b r a s i l e i r a e o PNE A economia b a s e a d a no "cercamento" d oc o n h e c i m e n t o :globalização. embora politicamente induzido e juridica- meio da concessão de maiores margens de autonomia nos planos da ges. nesse sentido. cuja reprodução é indispensável à universidades em fundações ficará marcado pela iniciativa estatal. sões do ambiente institucional. (neo)institucionais (SÁ. encontra-se. mediação entre estrutura e ação. 2013. ou outros. sobretudo. E. tos para alcançar sua institucionalização. com implicações profundas na enquanto realidade organizacional emergente. mente consagrado no plano das orientações para a ação. ou institucionalizado na longa duração. de pesquisa. pendente das reformas organizacionais. e não de a priori já ções. de forma diferenciada e sob regras agora distin- tas. . em sua organização e na administração das unidades nele integradas. referencial teórico. ou não. seja quanto aos quesitos formais revelar refém do plano da ação organizacional e de seus contextos concre- do processo. de transformação de e crenças (SCOTT. reside na iniciativa conferida às insti. seja por um ambiente organizacional que. uma certos tipos de autonomia às instituições. 1995. mesmo que de natureza situacional. p. em construção. tucional que. não apenas de- (CARVALHO. que a universidade-fiindação se encontra do no que se refere à educação superior. incontornável o caráter de processo. por exemplo. 52-55). como estrutura social que transporta valores. POWELL. eventualmente. partir de um determinismo contingencial. . de de tal resposta. mais ou menos intenso.

a natureza teoricamente complementar daqueles de relacionamento com o Estado. estudos. necessariamente. por esta via. à semelhança do que ocorre com outras organizações comple- blica e das contingências políticas e governamentais. ao Para o segundo . patrimonial e de gestão de pessoal. tendem a distribuir-se. remetendo para teorias da administração de tipo predominan- os. constituído por relatórios. e desde logo no que toca às suas relações com emanação. ção corresponde a uma reforma política da educação superior. o polo técnico-instrumental tende der positivamente. 100 A u n i v e r s i d a d e brasileira e o P N E A economia b a s e a d a no "cercamento" d oc o n h e c i m e n t o :globalização. como um novo modelo de governação e Acentua-se. con- o Estado. Por exemplo. representando o admitindo situações híbridas. sua condição puramente antagônica. Trata-se. da angariação de temente funcionalista. dois termos e não. de distin- ter público. ou de transição. sistema de governação? 2006. dos documentos analisados. introduzindo um novo padrão de política dos objetivos organizacionais e respectivas lutas e conflitos em . seja no que respeita aos traços mais marcantes da cultura ções analíticas de caráter mais insular ou. 2008. permitindo o recurso ao direito privado e a uma maior autono. que centra a dis. quanto ao regime fundacional. como foi observado na quase totalidade instrumentos de gestão mais eficientes e flexíveis. em muito. uma visão cluir que as principais posições e respectivos argumentos nucleares em puramente antinômica. ou ao estilo do setor privado (ORGANIZA- 3 Um instrumento eficiente de gestão ou um novo ÇÃO PARA A COOPERAÇÃO E O DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO. institucionais. 47. posições mais próximas. protagonismo à racionalidade técnica. de que o conselho de curadores é uma estabilizado. da a ser dominante no quadro de concepções organizacionais mecanicistas e crescente competitividade interinstitucional. da participação em consórci. com um sistema de valores. ou mais distantes. as quais são passíveis de conceituações diversas. integrador e consensual. antes entendendo os dois poios propostos como possíveis momento. de cada um dos referenciais. . extremos. integrada. contemplam dimensões técnico-instrumentais e dimensões político- tancialmente a natureza da organização. e concedendo especial maiores volumes de receitas próprias. que necessariamente interferirá na missão e nos fins da universidade. embora não necessariamente ho- cussão nos meios e associa o regime fundacional à emergência de um mogêneos. aos desafios da internacionalização. única forma de respon. ou partilhado. não alterando subs. porém ainda longe de constituir. Diminui a influência dos acadêmicos e de sua colegial idade. stricto sensu. e o polo político-mstitucional. de uma tentativa preliminar de interpretação e artigos na imprensa. mes- mia de gestão financeira. e com agilidade. de feição mais acadêmica. ceiros. de miscigenação de elementos. predominante. uma relações com o Estado e concedendo mais centralidade ao mercado. Para o primeiro . alcance da eficiência. o polo político-institucional tende a destacar a natureza sistema e as regras de sua governação. p. dotando-os de mais liberdade e autonomia de gestão em termos finan- dades poderá vir ser esclarecida. crenças e regras minimamente de civil e aos respectivos stakeholders. simultanea- ação política. xas. Por essa razão se recusa uma abordagem ancorada presença.o polo político-institucional . internamente mais congruentes. matéria em que quase tudo se encontra por definir em termos de centrando poderes na liderança de executivos mais eficazes e. e que só por meio da ação concreta de governos e universi. . neste momento.a universidade-funda. enquanto mo que apenas de forma implícita.554). à identificação do "menor meio". testemunhos e outras posições públicas.o polo técnico-instrumental .101 de institucionalização. capaz de compreender novo modelo de gestão.e d u c a ç ã o . foi possível con. por aproximação a um modelo de gestão de inspiração empresarial. pelo contrário.o regime fundacional Os discursos e as representações sobre as organizações de educação liberta a universidade dos constrangimentos típicos da administração pú. presença. seja no que se refere ao seu cará. à socieda- instituição. formalistas. dependendo das distintas perspectivas teóricas adotadas. da abertura à sociedade e da prestação de serviços. mente. superior. Da análise de um vasto corpus. como se verá. alterando o Por sua vez. entre dois poios: o polo têcnico-instrumental. documentos mapeamento crítico da grande diversidade de posições e argumentos em resultantes de debates promovidos nas universidades. sobretudo. até este em antinomias. mente constituído em torno da discussão sobre os fins. patrimoniais e de gestão de pessoal. cuja riqueza e complexidade transcendem. regime fundacional. CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO. de um continuum teórico. p. 101.

aos dagem eficientista atomiza as mudanças técnico-racionais a introduzir e de- fenômenos de poder. estamos perante uma concepção mais insular das do. por outro lado. à distribuição assimétrica de recursos. do de forma descontextualizada ou insular. nestes ter- teórica é possível. o regime fun- tas regras de contratação de pessoal. pela estabilidade e sustentabilidade da organização em face das altamente competitivo em que se integra. o estabelecimento de pontes e mos. Explorar ao máximo as prerrogativas por referência a determinado momento. por um lado. ou pelo menos a menosprezar. mesmo. 1979). por exemplo. e no quadro de uma maior autonomia de gestão. 101 seu torno. . ou cruzamentos. exigidos pelo ambiente racional. corresponde quase a uma decisão política sem verdadeira alternativa diálogos. ainda por referência genérica ao polo técnico-instrumental. ou seja. Tal integração. superior em racionalidade técnica e em liberdade e e da ação proativa das lideranças. ciona como elemento nuclear a missão diferenciada da instituição e o pla- cipação. objetivos. nejamento estratégico correspondente. tanto mais que esta abor. e cada vez mais comum. onal seria a rejeição daquele modelo. Mas também. mesmo no plano da elaboração versos. os possíveis impac. superiormente modernizar a universidade e dotá-la dos meios não apenas indispensáveis à orientados pela racionalidade econômica. co-estratégicas. A abordagem eficientista argumenta numa lógica de mo. co. cas.e d u c a ç ã o . considerado um comportamento racional. por intermédio da qual se poderão construir consensos sustentados dernização dos métodos e das técnicas de gestão. a abor. entre distintos modelos de análise. talvez. Se. e competitiva de universidade. Mais autonomia de gestão. em bases mais sólidas e. sem o recurso aos quais se entende ser impossível atores organizacionais na busca diligente de consensos. distin. não pode. considerados mais típicos da universidade pública. assim. foi possível identificar argumentos ancorados em diferentes indiferente. entendidos como vanta. geralmente. prioridades claras. envolvendo as diversas categorias de flexibilidade institucional. O estatuto fundacional. ser avalia- e de alienação de patrimônio em condições consideradas mais satisfatórias. ou efeitos per- micropolítica. mada por processos complexos de planejamento estratégico. Ou seja. devem e podem ser contidos. valorizado como um instrumento mais eficaz e eficiente tudo. para possível organização e inter. vantagens comparativas. metas e resultados passíveis de mensuração. mas. exigindo uma dupla legitimação: de caráter políti- dagem tende a recusar. instrumentos mais flexíveis de gestão dacional valoriza as dimensões estratégicas. A abordagem estratégica. de feição mais gestionária e. con- consequentemente. uma legitimação de base estratégica que sele- de ensino e investigação. ou mesmo o em termos técnicos e instrumentais (decisão ótima). mesmo a construção de uma cultura gens incontornáveis do regime fundacional. ameaças e oportunidades de seu ambiente. relações de poder e grau de democracia e de parti. não é fundacional. Sua eventual adoção ocorrerá são alguns dos principais argumentos. Admitin- No primeiro caso. mas simultaneamente e rigorosamente informada por critérios e dados tos de tais mudanças na natureza. missão. as financeira e de captação de receitas próprias. organizacional de natureza relativamente integradora. pois o que seria irraci- ensaio de tentativas de superação das fronteiras estabelecidas entre distin. mas que deve subordinar-se a uma política institucional legiti- abordagens. admitindo que o recurso a métodos e a técnicas de gestão pretação dos distintos racionais em presença nos discursos sobre o regime mais flexíveis. embora partilhe de uma visão modernizadora MORGAN. as vantagens competitivas. sobretudo. procura legitimidade técnico-raciona! para as grandes decisões políti- ou procedimental. definindo que designarei por abordagem eficientista e abordagem estratégica. processos de trabalho de natureza técnica. tos "paradigmas sociológicos de análise organizacional" (BURRELL. concedendo primazia ao estudo dos processos de decisão. revela-se mais centrada numa concepção bilidade paradigmática. Este regime é. possibilidade de endividamento lideranças e o saber técnico-racional. da organiza- mudanças organizacionais. admitindo que os eventuais inconvenientes. . 100 A universidade brasileira e o PNE A economia b a s e a d a no "cercamento" d oc o n h e c i m e n t o :globalização. operacional ção. . resulta do trabalho político-estratégico. da concertação institucional de gestão universitária. ou mesmo conflitual. dessa feita rompendo com a respectiva incomensura. a contingências várias e a relações conferidas pelo direito privado e a liberdade gestionária do estatuto fundacional interorganizacionais que devem ser ponderadas em termos de riscos e de é. de racionalidade organizacional que atribui centralidade às decisões políti- Voltando aos dois poios propostos. mobilizando fende a posição de que o recurso ao direito privado se deva fixar nas vanta- preferencialmente concepções organizacionais de análise política e gens de gestão. por métodos e processos de gestão sua sustentabilidade organizacional. uma visão mais plural.

e onde corresponde a um possível estádio. ções. . em designação de abordagem soclocrítica. localizam. que se entende muito difícil de reformar e que jamais será capaz reforma político-organizacional a operar. ponderação dos Contudo. uma vez que a dos de grande autonomia e que. culação com a reformado Estado. Nesse quadro de racionali- possível. libertando-a de um abriras universidades ao seu ambiente externo competitivo e. terreno onde são menos capazes e estão menos preparados. a reforma do Estado é operada por intermédio de e eficientes. um reduto da resistência corporativa às necessárias inovações a intro- do. da competência da liderança e da eficácia da gestão. ou seja. representa. en. desen- decisão estrategicamente certa só o é. organizações não estatais de em que facilitam a mudança de paradigma das organizações públicas. em ambiente de . por definição. mais do que como modelo político-insti. nais. ou seja. internamente. Para esse efeito. Daí a centralidade do CEO. isto é. diretor-geral. ou fase de transição. do setor público e das políticas sociais. insistindo-se na criação de novos figurinos organizacionais. ambiente competitivo. relativa independência frente ao Estado. tanto quanto mente pelo Estado em conselhos de curadores. igualmente com. que é caracterizado como um mercado ou "quase mercado ' 1 do aturado. Decidir a favor nos e materiais. 100 A u n i v e r s i d a d e b r a s i l e i r a e o PNE A economia b a s e a d a no "cercamento" d oc o n h e c i m e n t o :globalização. mas.101 A gestão estratégica. garantindo a natureza pública e o posição considerada exagerada e pouco ágil. na medida dações ou as organizações sociais. por referência ao setor privado. inibindo a tecnoestrutura e reforçando o "centro operacional" onde se trução de duas abordagens relativamente diferenciadas. cedeu prerrogativas e capacidade de participar na governação das institui- No que concerne ao polo poíítico-institucional. dota- mesmo chegar a admitir-se certo determinismo situacional. do mundo empresarial. Os órgãos democráticos de tipo colegiado. mesmo que sob regras distintas. uma vez ponderados tais elemen. quer financiamento estatal. para isso é necessário mudar radicalmente a tradição univer- elementos de ordem contingencial. representam vetores da pública. como as fun- vos processos da gestão privada são instrumentos relevantes. não deixam de ser interpretadas em termos políticos. associada mia institucional e de gestão. Tais prerrogativas são agora consideradas exageradas e irracio- mindo uma orientação genérica comum quanto ao racional político adota. gerir melhor os recursos huma- dade. é indispensável de reconhecer as especificidades da educação superior. com sua equipe de gestão e as tecnoestruturas profissionais. em arti. sitária e alguns dos traços da cultura acadêmica. zes e eficientes. ção corresponde a uma nova organização dotada de maior autonomia e petitivas. com vistas ao reforço de sua autono- A centralidade das lideranças unipessoais e de suas equipes. pesquisa ou extensão. a reforma das universidades. construção de um consenso político-tccnico. ou estratégica. cuja interesse público. deverão ser substituídos. agora vistos como disfun- tos e correspondendo eles positivamente aos quesitos estratégicos. dade. em sua dupla dimensão politica e técnica. à inovação e às boas práticas modelos de provisão e de controle das universidades de tipo mais flexível. concorrer num contexto ou contra o regime fundacional é uma questão estratégica que exige estu. e exigindo maior e pelo correspondente a conselhos de administração representativos dos mais sistemático esforço de financiamento extraestatal. volveram uma "burocracia profissional" (MINTZBERQ 1995) que lhes con- cunstância e no momento certos. e não sua intervenção nas questões de governo e de A abordagem da governança entende que o regime fundacional gestão. quer por líderes executivos eficazes. capazes de remeter os acadêmicos para aquilo que se entende dever ser sua A primeira será denominada abordagem da governança e a segunda terá a vocação. as organizações privadas. Maior autonomia de gestão e a introdução de no. não é possível no contexto da administração ao saber técnico e à profissionalização da gestão. controle político-administrativo asfixiante. em aliança histórica com o Estado. nas quais a defesa do interesse público é delegada parcial- organização e modo de funcionamento deverão reproduzir. a eficientista e a duzir na governança da educação superior. típicos de profissionais de tipo quase liberal. no quadro do qual mesmo as abordagens anteriores. geralmente de com. stakehoiders. pode cionais e conservadores. rentabilizar os ativos patrimoniais. competentes Simultaneamente.e d u c a ç ã o . se tomada na cir. aumentar a produtividade. . flexibilidade de gestão. a garantia da legitimi. em direção a um desperdiçam sua criatividade e seu valioso tempo. a produção de trabalho de ensino. foi possível a cons. a universidade-funda- dotá-las de estruturas organizacionais isomórficas. de modo a conseguir impor padrões de gestão efica- tucional ou arranjo morfológico. com grande autonomia e quanto processo organizacional. assim. ainda que expri. modelo de governação e a padrões de gestão mais racionais. Assim.

interesses privados que hoje elegem a universidade como instituição cen- cado. aos valores do vocacionalismo. a abordagem sociocritica interpreta o regime fundacional são algumas das críticas apresentadas. podendo sair reforçada em relação ao econômica e gerencial que ocorre nas universidades europeias (CHARLE. porém. tal como crítica e sua natureza mais resiliente à modernização liberalizadora de feição a autonomia das instituições. iniciativa e a gestão privadas. ao contrário do que. 76 A universidade brasileira e o PNE Universidade gestionária. uma aproximação às regras ção e à sua retirada parcial. da colegialidade referenciais tecnocráticos e gerencialistas. desde logo potencialmente representados no empreendedorismo e da empregabilidade. dotada de novas estruturas de governação exigirão novas formas de organização e governação que se afastem de e gestão que recusam os princípios da gestão democrática. â luz da crítica à reforma neoliberal do Estado-providência. dos negócios e dos de novas alianças. cuja ação tende a secundarizar o papel dos órgãos colegiados como bem público. ou pre. embora apresentada do-as à participação social de outros setores não exclusivamente. antes corresponde a uma empresarialização da institui- conselhos de curadores. exigirão. hibridismo institucional e adaptação ao ambiente. da prestação e comercialização de serviços. a opção pelo regime fundacional. de cultura acadêmica e até de conhecimento e assessoria. a abertura ao ambiente competitivo. do novas lógicas emergentes. portanto. o produtivismo e a "ditadura" dos resultados. ou predo- liberdade das instituições e sua capacidade de intervenção por intermédio minantemente. como garantia de maior auto- dominantemente. adotando princípios mais típicos de uma pós-democracia mais públicas. Estado. a concentração de poderes em líderes unipessoais. cliente e para as necessidades do mercado. mimeticamente. e terá impactos especialmente negativos nas Humanida- e a participação dos representantes. como opção técnico-racíonal incontornável. por meio da A democratização da universidade e o reforço de sua missão pública criação de uma nova organização. segundo padrões restritos de utilidade. lato sensu e stricto sensu. exigirão. internos e externos. as dora e competitiva dos acadêmicos. aumentando a interesses plurais e em conflito que a caracterizam e não apenas. a abertura à sociedade e aos Libertar o Estado de parte de suas responsabilidades. Recusam. Finalmente. seja por intermédio do mer. a qual. à luz desta abordagem. enfraquecida relativamente aos novos interesses e às SOULIÉ. parcerias e dependências. que consideram um órgão máximo de legitimidade de elementos típicos do que alguns autores já consideraram o "pesadelo de democrática mínima. modo altamente diferenciado em face de distintas áreas do conhecimento. segundo as regras deste. autonomia institucional frente ao Estado e à administração pública corres- Como alternativa à aceitação das contingências do mercado e das lógicas ponderá uma maior dependência e subordinação em face de interesses de privatização. ainda. e são ao estatuto de universidade gestionária. e a uma maior reais por diplomado. que. paradoxalmente. sai. A precariedade dos vínculos e formas de contratação Humboldt" (SCHULTHEIS. que. 2007) e. COUSIN. a orientação para o para se tornar mais pública e socialmente responsável. ou os subordinam à condição de mínimos de legitimação "reinvenção" da vocação pública das universidades. entre outros. representa a orientação dominante que é criticada. cultura acadêmica à cultura empresarial. a universidade de. da atividade empreende. abrin. a liberdade acadêmica encontra-se em risco. bem como à subordinação da particulares e poderes que carecem de legitimidade democrática. e como oferecendo instrumentos e facilidades de ral. Do contrário. não poderão adotar. em lugar disso. morfológicas e até em termos instrumentais acabarão alunos e das famílias em termos de uma maior aproximação aos custos por destruir a missão e a natureza pública da universidade. e de veria adotar um padrão institucional de tipo privado. Neste sentido. a e da participação. econômica. em ge. que hoje integram a constelação conselho de curadores. em direção do setor privado. Tal estatuto afetará profundamente a críticos do crescente protagonismo assumido pelas tecnoestruturas de gestão ideia de universidade pública. ROCA i ESCODA. empresariais e financeiros. a abordagem sociocritica defen- de uma concepção sociocomunitária do autogoverno das instituições. sob risco da sua alienação. entendem que tem sucedido na composição de conselhos gerais e de gestão irrecusáveis. nos processos de des. para se tornarem democrática. como paradigma a gestionária. 2008). 77 mercado concorrencial e de comercialização de certas atividades. mas progressiva. dada sua tradição mais Neste quadro. ou do aumento das contribuições dos mudanças políticas. nomia para a universidade. como da sua mensuração e avaliação competitivas. da esfera pública. bem forma poderíamos concluir. De certa e gestão de pessoal. tral da economia do conhecimento no novo capitalismo. «9 . nas Ciências Sociais e noutras áreas menos passíveis de valorização decisão.

quer para se se. em tindo uma primeira codificação e interpretação dos quadros de racionalidade. de uma contribuição que exigirá.100 A universidade brasileira e o PNE A economia b a s e a d a no "cercamento" d oc o n h e c i m e n t o :globalização. des diferenciadas de agir sobre eles e de os influenciar. p. agendas e interesses em conflito. por exemplo. e também dos seus referenciais político-institucionais. frequente. em busca da "melhor solução".e d u c a ç ã o . teórica e possível revisão. quer para caracterizar seu ambiente. do interpretações teóricas muito distintas. de construções históricas e culturais. vezes. interesses. tências de gestão. Conclu. e também apre. ou de "liquefação". Clegg (1990. apenas esboçando a complexidade que a por exemplo pelos conceitos de "isomorfismo institucional". contingência e suas propostas de isomorfismo estrutural. não despolitizada. mente. nos termos propostos por Brunsson (2006). Trata. objetivo. to de adaptação ao ambiente. criticamente. a partir de critérios de produção de trabalho e de eficiência. sobretudo. 101 4 Adaptação ao ambiente: sustentabilidade e autonomia de gestão tomando o ambiente como algo que é externo. "mecanis- teoria das organizações sobre ele foi construindo. designadamente por meio de metáforas organicistas. Isto quando não deixa. adota uma concepção menos naturalizada e. de se socorrer de metáforas de tipo antropomórfico. As organizações. . de adaptação. contraditória. no futuro. E. de tipo situacional. de se- embora resultantes da análise de extenso material empírico. . Assim. a qual merece muito mos isomórficos" e "agentes de institucionalização" (SA. arrastando uma linha de argumentação particularmente presente no estudo da escola e consigo a discussão em torno da sustentabilidade organizacional. das relações entre organização e ambiente. de resto. Já o polo politico-institucional vistos como propostas algo estilizadas. o regime Em geral. ou homogêneo. como tal. dominação e de perpetuação de certos poderes. nunca indiferentes discursos e argumentos em presença. ambos os casos. teórico. mais recente- ímos este texto exatamente por meio de breve problematização do concei. devem ser leção e de sobrevivência. imperativo sem escolha. estas. ainda que (1977). relações de poder e processos de legitimação. por mente. revelam maior complexidade e. solução. para indagação futura. a questão da adaptação da univer. a "tendência Tina" (there is rial. por exemplo. as interpretações no interior das abordagens (neo)institucionais. os critérios de eficiência. maior atenção na discussão sobre o regime fundacional. Trata-se. de compe. de liberdade de escolha e dos recursos necessários a Mas as estruturas organizacionais também não são apenas desenhadas uma espécie de processo de moldagem. Os dois poios atrás propostos e as respectivas quatro abordagens. a fenômenos de analisados unidade a unidade. imporia sempre eficazmente as normas. 57-58) chamou. no quadro mais genérico daquilo a que Stewart indicadores de inovação organizacional de extração econômica e empresa. em termos racionais. com frequência. e melhor. 2011). no quadro da abor- sidade a um ambiente institucional altamente complexo. porém. mantendo um mínimo de coerên. as boas práticas e os uma única. defende-se um processo de adaptação ambiental. refira-se o protagonismo concedido à adaptação das estruturas conceitualizado de formas consideravelmente distintas do ponto de vista organizacionais aos quesitos das tecnologias (determinismo tecnológico). a partir dos estudos de Joan Woodward mudança permanente representa um tópico recorrente. bem conhecida no plano político. Estes. Recorde-se que as relações entre organização e ambiente têm mereci- com identificação sistemática de categorias e unidades de registro. da organiza. possíveis tensões entre a "or- . assumindo que se trata. por exemplo. a partir de análises empíricas mais detalhadas. e adotando concepções de inspiração biológica. congruente e inte- grado. já para além dos objetivos deste texto. em função de circunstâncias contextuais precisas. por isso. sobre as relações dependência em relação aos respectivos ambientes. evidenciando capacida- entre competitividade. pode-se afirmar que o polo têcnico-instrumental tende a fundacional corresponde a uma alternativa político-instítucional e não a um naturalizar a adaptação da organização ao ambiente recorrendo a modelos. reproduzindo ambiental a que seria impossível escapar e que. uma natureza compósita e. não se encontram em situação de total e unívoca sentando algumas considerações. porém. mas Em qualquer dos casos tipificados. maior elaboração referir à universidade. ou seja. competitivo e em dagem sociotécnica. com a teoria da porém. sobretudo quando a correlações de força. ambiente. cia interna em termos das dimensões que lhes foram associadas e permi. não raras vezes. embora já não em termos universais. no alternative). por referência ao chamado "ensino em classe". incluindo ainda ção aos imperativos de sustentabilidade que lhe são colocados pelo seu agendas. sustentabilidade e autonomia na universidade. Ou ainda. de uma questão de cálculo racional. resultante de um determinismo técnicas e outros instrumentos técnico-racionais de gestão.

produzidas por outros atores institucionais. não são. em si mesmos. recorde-se Adorno sário investigar. substituída por outras organizações regras da União Europeia. sobretudo. como forma de inscrição dos seres humanos no mundo. pro- ções financeiras. até que ponto tal estatuto pode proteger me. certamente. 39) é peremptório ao afir- poderosos. socialmente e normativamente imersa . de acordo com 1997).. cognitivo) propostos por Scott de fundos e doações de origem duvidosa ou. maior será a proximidade em rela. ao meio. ao procurar escapar às contingências estatais. estes custos de frequência são já dos mais da ao paradigma gestionário poderão corroer as bases institucionais da elevados no contexto europeu). 101 ganização ação" e a "organização política". da formação e da inovação. mas que a educação dade. e por isso sem indiferença ao gure uma renovada fonte de legitimidade para a universidade. É. universidade e precipitar uma crise sem precedentes. talvez ultrapassadas por agên- outras escolhas estratégicas é matéria de pesquisa relevante. Por isso o determinismo econômico. recluso Esfcado e de maior dependência no que concerne ao mercado e ao ambiente em uma posição específica. participa. Neste contexto. Em termos de missão educativa. ou por empresas do conhecimento. neste sentido. sendo neces. da pesqui. 143). serviços e artefatos que competem em de outras implicações nos planos. tomando por referência o campo universitário internacional. nal. legítimas novas contingências. tes ético-políticos. resguardando-a de novas crises de legitimidade e até de não poderá limitar-se à adaptação. acarreta conse- universitária. segundo as servirá para nada e será. chamar-se uma competitividade insustentável e corrosiva. pro- tem visto já com instituições acadêmicas de reputação mundial. adaptar-se é morrer. por exemplo. cooperativa sem ser meramente funcio- organizada". culturais e educacionais que não podem ser ignorados Ora. . a adaptação a um ambiente competitivo. como se (1995). do ensino. uma vez que. p. Estar adaptado cidos de sustentabilidade. revela-se indispensável a uma abertura contida. situação em que os Apesar do discurso dominante. circunscrito a uma determinada situação. crítica e ativa na defesa do bem comum. em relação ao Estado e ao setor público. produtivas e obedientes. Por outro lado.mais do rar o quesito contratual de um orçamento composto por mais de 50% de que politicamente e axiologicamente inscrita a universidade já não nos receitas próprias. futuramente. xidade e extensão. a mo. designadamente cias do capitalismo acadêmico e de produção de competências sofistica- em termos de marketing e imagem. Até que ponto tais exigências interferirão em mais eficazes e eficientes. normativo ou mímético. p. ambiente competitivo. alienada ao mercado e subjugada ao cliente (LIMA. A busca de sustentabilidade em ambiente competitivo apresenta limi- ção ao mercado e ao setor privado. não voluntarista ou espontaneísta. (2000. certa- mente mais fiáveis. num contexto de maior distância relativamente ao significa estar acomodado. das. . mar: "Para nós. ou daquilo a que poderia. isomórfica. bens. a universidade-fundação passará a aceitar como a um "princípio no fundo contrário a uma educação humana" (ADORNO. mais substantivos. virtuosos para a universidade. nem um modelo de financiamento assente no mecenato. para além dutoras de conteúdos. mesmo. alienação de patrimônio. a pura adapta- sa e dos custos financeiros a serem suportados pelos estudantes e por ção ao ambiente competitivo e a busca de uma sustentabilidade subordina- suas famílias (em Portugal. na angariação os distintos pilares (regulador. verdadeiramente mercantis e funcionais. 161-162).e d u c a ç ã o . A autonomia cessos de convergência supranacional e sistemas nacionais. contratos. da universidade ao entorno soci. se cada vez mais funcional e melhor pelo mercado e por outros agentes competitivos. adaptar-se é. curiosamente. . 2000. governamentais e ou naturalizados. ideias. Também Cortella (2000. questionável que o regime fundacional asse. destino da comunidade. uma abertura crítica e vigilante. não é de desprezar a existência de riscos acres. princípios da sustentabilidade competitiva revelariam os verdadeiros limi- o ajustamento ante os anunciados imperativos de sustentabilidade. seja de tipo coercivo. conformar-se (acatar a competitivo. A alternativa então. ou seja. comercialização. lhor cada instituição perante ameaças quanto à sua sustentabilidade e pereni. em última instância. quências que estão ainda longe de ser compreendidas em toda sua comple- refletida. seguramente. a abertura tes das lógicas da rivalidade e da emulação. embaraçosa. gestão de pessoal etc. 100 A u n i v e r s i d a d e brasileira e o PNE A economia b a s e a d a no "cercamento" d oc o n h e c i m e n t o :globalização. adaptada ao ambiente. caso em que se revelaria um projeto ideo- eventuais fusões ou incorporações por outras instituições e "players" mais lógico e de alienação. normativo. quanto maior for o distanciamento forma). desde logo para assegu. típico das chamadas "entidades mercantis". submeter-se". A crescente adoção de mecanismos institucionais de adaptação derna "estação de serviços". ao aceitar que algum grau de adaptação é sempre necessário. p. em princípio. necessária à universidade como "torre de marfim" não é. até porque a competição no sistema educativo corresponde da administração pública. de que pode resultar a "hipocrisia al.

é a autonomia institucional que ocupa o lugar cen- a 47. mas que. trends and problems. Guilford. Public sector reform: rationale. p. subordinando o coração da autono. v. tecnoestruturas cada vez mais relevantes. SILVA JÚNIOR. J. 2012a. American Sociological Review. "racional". tral nos discursos reformistas. São Paulo: Xamã. 23. POWELL. certamente dotada de especificidades. v. sobretudo entendida como autonomia de CORTELLA. no final. 2 lnov. Nils. 200S. In: como a única alternativa técnico-racional à liberdade acadêmica e à LIMA. p. James G. 397-411. 227-253. Jan-Erik. Stewart R. por outro.100 A u n i v e r s i d a d e brasileira e o PNE A economia b a s e a d a no "cercamento" d oc o n h e c i m e n t o :globalização. organização. 2006. adaptável ao ambiente e Washington. Walter. Teresa. agora. 4. a universidade é representada como apenas mais uma Policy.substantivas numa educação universitária para a liberdade . a autonomia pedagógica e a autono. mia universitária à autonomia gestionária. 1983.. Nils. (Coord. Gibson. de inova. BRUNSSON. "formal". Educação e emancipação. mas também de perderem o status social que lhes resta. Power and conflict in the university. Paris. 103-118» 2010. 1971. 1974. Congruentemente. . SOULIÈ. p. (Org. world. A organização da hipocrisia. Al. CARVALHO. Londres: Routledge.). Parecer sobre as alterações introduzidas no ensino superior. Paris: Syllepse. Theodor W. college president. mas. Education.. cada vez mais. n. Higher Education Neste sentido. 2011. SANTIAGO. Sociological paradigms and organisational mas mesmo um imperativo racional e um elemento incontornável de analysis. Gaia: colegialidade democrática. até há pouco eram consideradas instrumentais. 1996. Sons. ADORNO.552-47. MORGAN. a que as universidades não poderiam escapar. Charles (Org. Perspectivas de análise organizacional das escolas.. MARCH. . DiMAGGIO. Leadership and ambiguity: the American ção e de competitividade. parece mais ágil. de eficácia e eficiência. sob risco não apenas de não "sobreviverem". contextos políticos e sociais cujos valores e normas se encontram em CLEGG. gestionária é um referencial não só cada vez mais considerado legítimo. sentadas como modelos institucionais. a autonomia científica. 147-100. Les ravages de la "modernisation" organização como todas as outras. 2010. 2. João dos Reis (Org. 4. gue fins e objetivos por meios eficientes. Diário da República. OLSEN. 1997. p. 2. JohanP. LANE. In: LUCENA. Modern organizations: organization studies in the postmodern profunda mutação. simul.). 19. n. pretensamente "pós-burocrática" por um lado. estas consideradas um obstáculo. Londres: . Licínio C.101 A universidade é. apoiadas por políticos.). 1990. n. 2007. 227. surgem LIMA. Sociologia. Nova York: John Wiley & gerencialistas no ensino superior em Portugal. Porto. As organizações econômicas e empresariais são apre. Londres: Sage.558. Concepções de escola: para uma hermenêutica organizacional. São Paulo.). p. p. (Org. Gareth. Paul. DC. The iron cage revisited: institutional isomorphism ção em curso é congruente com uma universidade gestionária que. pa. resistência ao projeto de uma universidade gestionária. Parecer 7/2008. education. quality discourse and the narrowing ofEuropean state dronizada e hiperburocrática. 43-59. um instrumento (organon) que perse. buscando sua institucionalização em universitaire en Europe. Victor.e d u c a ç ã o . p. BURRELL. CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO. Rui. à autonomia da gestão e à maior liberdade dos gestores institucionais. COHEN. 2009. 48. legitimação institucional. A escola e o conhecimento: fundamentos epistemológicos e gestão a ser exercida por parte das autoridades universitárias. Rio de Janeiro: Paz e Terra. Da burocracia à eficácia: reinventar a administração pública. Economic goals. knowledge & economy Southampton. A democratização do governo das escolas públicas em Portugal. n. Gower. 2000. p. isto é. 1979. Carlos. 2 série. V. mia cultural . and collective rationality in organizational fields. Lisboa: dêmica. . Mário Sérgio. "complexa". Referências _ . Licínio C. 2000. Christophe. n. Elementos de hiperburocratização da administração educacional. Também aqui a alta racionaliza. 129-158. e mais formalizada. Trabalho e educação no Século XXI: experiências internacionais. 1997. n. Quetzal. uma CHARLE. São Paulo: Cortez. uma fonte de Fundação Manuel Leão. A racionalidade econômica e 1993. Michael D. Still academics after all. Revista Brasileira de Educação. tânea e contraditoriamente. Subordina-se a autonomia aca. que Sage. .). N. GILLIES. 15-75. Nova York: McGraw-Hill. The reforming organization. apresentada como uma organização BRUNSSON. GORE. Donald. . O paradigma da educação contábil: políticas educativas e perspectivas B ALDRIDGE. Porto: Asa..

). . México. T série.447. Lisboa. 1988. Paul-Frantz (Org. a review and assessment.).914-3. national perspectives on institutional governance. n. têm defendido e posto em prática "[.. Lisboa. Lisboa. COUSIN.101 LIMA. institutions and organizations.] ins- WOODWARD. 1986. V. W. KARSETH. ambiente competitivo". Virgínio. Alberto. 81. A abordagem (neo)institucional: ambientes(s). Diário da República. p. estruturas e poder. o estabelecimento de parcerias diversas. n. p. bem como estabelecer paralelos com a história e o presente da univer- in UK universities. 2012b. Localiza a nova WEBER. a possibilidade de se organizarem Raisonsd'Agir. Lisboa: Dom Quixote. Instituição pelo Estado da Fundação Pública com Regime de Direito Privado denominada ISCTE . Decreto-Lei n° 95/2009. 10 set. como fundação pública com regime de direito privado. 1. JONES. Licínio C. 153-193. AMARAL.). em 2012.pdí>. Dordrecht: Springer. Berit (Org. p. professor Licínio Lima na 35 Reunião Anual da Anped. Diário da República. tugal. (Org. n. trumentos de gestão empresarial na administração pública. SCOTT. O professor Licínio apresentou. S5o Paulo: Atlas. 13 dez. In: AMARAL. Fondo de Cultura Económica. Disponível em: <http://www. p. n. 222. 21. Le (RJIES). p. 6. 2009. autonomy and the managerialist canon. Organizações. há apro- Science Quarterly. 2012c. . 1 Introdução o PORTUGAL. 2007. que Gaia: Fundação Manuel Leão. Univcrsidade-fundação: mudança organizacional e adaptação ao ambiente.. 2013. Lei n° 108/88. 19. N.Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE- IUL).educação. Reviews ofnational policiesfor education: tertiary education in Portugal. Examiners' report. contemplando simultaneamente as instituições públicas e priva- cauchemar de Humboldt. 2002. World society and the university as formal organization.).mctes.442-2. DF: legislação no âmbito de um conjunto de reformas do Estado-providência. em sua exposição. 3. uma densa análise SÃ. Economiay sociedad: esbozo de sociologia comprensiva. 1. V. e Afrânio Mendes Catani Acesso em: 30 abr. transcrita e ora publicada nesta coletânea (p. Dordrecht: Kluwer Academic Publishers. n. 2006. ROCA i ESCODA..1976. Organização industrial: teoria e prática. v.dges. processos. In: Hibridismo institucional DOMINGUES. Francisco O. 163-211. Glen A. Marta. Lei da Autonomia Universitária (LAU).389. controlo e sustentabilidade. v. Famalicão: Húmus. Michael I. 174. sob o a RAMIREZ.pt/ Deise Mancebo. NY. I série. Educational organizations as loosely coupled systems. no sentido do que ele denominou de "cânone gerencialista". Administrative educação superior portuguesa em tendências internacionais que. Governing higher education. Lei n° 62/2007. O presente texto tem por objetivo debater a apresentação feita pelo Lisboa. consagra o novo Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior SCHULTHEIS. 2006. 287-306. 1. Alberto (Org. para as IES públicas. p. Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior (RJIES). Guy. p. (Org. Lisboa. 2011. Franz.358-6. Londres: Sage. Gareth.919. a criação de agências e fundações. inscrevendo a WEICK. na universidade brasileira MORGAN. professional power and organizational governance 84). Estrutura e dinâmica das organizações. PORTUGAL. 2008. Max. 83-101.27 abr. Ivo (Org. a desregu- . Higher education in Portugal 1974-2009: a nation.). ximadamente duas décadas. agencration. 24 set. MINTZBERQ Henry. Karl E. ORGANIZAÇÃO PARA A COOPERAÇÃO E O DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO. Ithaca. 59- REED. Patterns of institutional management: democratization. com a aprovação da Lei n° 62. P série. New managerial ism. da mais recente reforma das instituições de ensino superior (IES) em Por- In: LIMA. 125-153. de 10 de setembro de 2007. título "Universidade gestionária: hibridismo institucional e adaptação ao Sisyphus. 1995. Images of organization. les reformes de 1'enseignemcnt supérieur européen. Joan. 1977. 2013. Perspectivas de análise organizacional das escolas. Diário da República. N. 2. In: NEAVE. Richard. p. 1984. Licínio C.. 1995.100 A u n i v e r s i d a d e b r a s i l e i r a e o PNEAeconomiabaseadano"cercamento"doconhecimento:globalização. João dos Reis Silva Júnior NR/rdonlyres/8B016D34-DAAB-4B50-ADBB"25AE105AEE88/2565/ReIatório.). Thousand Oaks: Sage. p.. Paris: das e que prevê. sidade brasileira.

ou ainda nas balizas cada vez mais fluidas. entre os poios público e privado. como denominou. põe-se como matriz para a universidade pública a sua transformação em nacional e supranacional. grandes porções de fundo público porosas. especialmen- a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico fOCDE). o Estado abre grandes espaços guração de tipo misto. representa mais uma confi. mínimo. ou ações de recuo realizadas pelo Estado. Em síntese. do. desenha-se o Estado civil-autoritário e ente institucional que deve responder às pressões exercidas em escala trans. Trata-se. foi adotada em te da seguridade social e da educação. pois. ainda. Assim. cujo objetivo é a imposição do amálgama entre o capital mílias em termos de uma maior aproximação aos custos reais por industrial e o financeiro. critica a autonomia mitigada a em- associa o regime fundacional à emergência de um novo modelo de ges. governança" e a "abordagem sociocrítica". "[. que centra a discussão nos meios e tica. sidade-fundação. que advoga a aproximação das IES à lógica e mecanismos do talismo mundializado. c o polo político-institucional. tes nos documentos analisados tendem a distribuir-se em dois grandes A "abordagem sociocrítica" apresenta especial interesse para este tex- tipos. a crítica à orientação resultado político do novo papel da República neste novo estágio do capi. político-institucional". ou do aumento das sobretudo. advoga os princípios da gestão democrá- [. dominante. cabe restringir-se e retirar-se da esfera pública: o Estado estatais. No polo técnico-instrumental. de resto com alianças e apoios diversos. o papel que cabe à República de países emergen. (p. Por meio de diversas opções de modelos de cresci. discur- estudos. 101 lação. sos e propostas. dação às dinâmicas em curso nas instituições portuguesas. da ativi- torno da discussão sobre os fms. designou uma "abordagem cumentos resultantes de debates promovidos nas instituições quanto ao eficientista" e uma "abordagem estratégica" e. Ao se retirar da esfera pública.] seja por tão. Disso decorre que os "meios" te- parte pelo governo português. ainda que destaque uma natureza teoricamente complementar destes to. da abertura de mais uma possibilidade para a construção de um ambi. parcerias e compromissos. a todas as mercado e sociedade civil. . a partir da qual o professor Licínio Lima construiu localizou duas abordagens relativamente diferenciadas. como alternativa à universidade e institutos públicos e Ao Estado.. (p. em diversos aspectos sinalizados em sua exposição. purrar as IES para novas alianças. Destaca-se. 76) O "modelo de governação" definido de forma precisa por Lima é o A "abordagem sociocrítica" representa. que..] o polo técnico-instrumental. ainda. predominantemente constituído em intermédio do mercado. na busca de flexibilidade de gestão e tes ou que se encontrem na periferia de economias centrais é o de se de maior eficácia e eficiência". mesmo que exiba certa apropriação ou acomo. politicamente gerencial".. regime fundacional. até então predominantes em Portugal. 64) conformarem como plataforma de produção de valor para o capital fictí- A tese central exposta por Licínio Lima é a dc que a criação da univer. para ele. modelos fundacionais. claramente defendida pela Organização para escolhido por poucos. como um novo modelo de governação e de relacionamento contribuições dos alunos e das famílias em termos de uma maior aproxima- com o Estado. Na análise dos documentos. nas seguem este mesmo movimento. Lima identificou. artigos na imprensa. importantes di- A base empírica para a construção da exposição foram relatórios. ao mesmo tempo em que os "fins" sejam de natureza relacionada ao "polo ção. por seu turno. da colegialidade e da participação. setor privado. a "abordagem da grandes categorias de análise.100 A u n i v e r s i d a d e brasileira e o P N E A economia baseada no "cercamento" do conhecimento: globalização. bem como o aumento das contribuições dos alunos e fa- mento econômico. fora e dentro das instituições educacionais. A emergência da "universidade são sequestradas pelo capital financeiro. pois interpreta o regime fundacional criticamente à luz da reforma neoliberal dois poios e não. para o capital privado em sua forma financeira. da prestação e comercialização de serviços. ferenciações ancoradas. cio no mercado mundial de títulos. os argumentos presen. privatização e mercadorização. diplomado. dade empreendedora e competitiva dos acadêmicos.70) ção aos custos reais por diplomado". (p. educação. conforme a exposi. impõe a mercadorização da cidadania. enfim.. representando o regime fundacional. testemunhos e outras defesas públicas. Este movimento.. nham natureza organicamente relacionada ao "polo técnico-instrumental". no polo político-institucional. necessariamente. sua condição antagônica: do Estado-providência português. As instituições republica- mas especialmente no que tange ao hibridismo da articulação entre Estado. em distintas abordagens..

Pretendia-se. fortemente marcada.. quando se compara à administração racional-legal (WEBER. a primeira reforma administrativa brasileira) e a e que. A influência weberiana é bem evidente. 115). principal órgão responsável pela implementação alternativa político-institucional e não a um imperativo sem escolha. dentre os muitos conceitos aludidos pelo professor. remuneração fixa e de acordo com a função. composta por Muitos paralelos poderiam ser traçados entre as análises do professor funcionários: Licínio Lima e as reformas instituídas nas instituições brasileiras. as IES públicas do país. dos quadros do funcionalismo público (RIBEIRO. 101 Licínio Lima concluiu sua exposição discutindo a questão da adap. evidenciando. 79) cracia pública profissionalizada. Buscava-se. mesmo que limites estejam postos. favoritismo. comparece como uma alternativa muito superior à administração guns poucos e a ideia de público simplesmente inexiste. a capacidade dos atores institu. ocorrendo o trato da coisa pública pela autoridade como se muitas iniciativas ocorreram na direção da racionalização e burocratização privada fosse" (RIBEIRO. mandante. esse tipo de gestão favorece práticas de corrupção. à época. além de empreguismo e favoreci- competitivo e em mudança permanente.. por aspectos como No que se refere à gestão administrativa propriamente dita. forma administrativa promovida por Maurício Nabuco e Luiz Simões Lopes. 2011. Todavia. nepotismo e coronelismo como critério para a composição monialismo não há separação clara entre o cargo e a pessoa que o exerce. tomando por fio a História. com a resultante de um determinismo ambiental a que seria impossível escapar reforma (na realidade. Herdeira direta do tipo de tempo de serviço ou eficiência. sentido de uma administração pública burocrática clássica» a partir da re- cionais de agirem no âmbito das instituições e nos contextos que as cir. educação. solução.. Assim. 116-117) colonização a que o país esteve submetido por quase quatro séculos. aproximadamente. 2011). para ele. de resto. "o aparato administrativo é considerado parte do patrimônio pessoal do Até as duas últimas décadas do século passado. em decorrência. patrimonialista do Estado. o regime fundacional. 4) detentores de qualificação Cremos ser possível identificar. aqui do seu cargo. 2000). que de modo algum é natural.. Assim. no quadro organização do Dasp. Em decorrência. Somente no período de 15 anos do governo do presidente Getúlio contram em situação de total e unívoca dependência em face dos res. 2) nomeados em uma hierarquia rigorosa de cargos. pelo menos. tação da universidade a um ambiente institucional altamente complexo. toda- buídas pelo arbítrio e vontade do dominante (AZEVEDO. coabitam. LOUREIRO. em 1938 foi criado o Departamento de Administração institucionalizado pela Lei portuguesa n° 62/2007. efetivar a transição de uma administração patrimonialista para uma administração 2 Hibridismo institucional na universidade brasileira burocrática.. Esta foi a primeira matriz administrativa brasileira! mas historicamente datado. 3) com apresentado por meio de um suporte à História. p. desenvolvendo um tipo de gestão que separasse o político do administrador público. e melhor. cundam. marcados pelos princípios da impessoalidade e do profissionalismo. ço. os ideais weberianos nunca alcançaram plenamente seus objetivos no . 2011. assim. presen. 6) trabalhando em separação absoluta dos meios administrativos e sem Primeiramente. Vargas (1930 a 1945) é que mudanças começaram a ser visualizadas no pectivos ambientes. Neste movimento. (p. (RIBEIRO. apropriação privada da coisa pública. as organizações não se en. na Pode-se afirmar que essa primeira reforma administrativa brasileira administração patrimonialista. [. o Estado é considerado propriedade de al. 5) subme- que. vamos tomar neste 1) pessoalmente livres que obedecessem somente às obrigações objetivas texto um único: o hibridismo presente na gestão das IES brasileiras. longe de serem definidas do aparelho estatal e do desenvolvimento de um corpo de funcionários por critérios de competência e mérito.. as funções administrativas são distri. p. no patri. via.100 A u n i v e r s i d a d e brasileira e o PNE A economia baseada no "cercamento" do conhecimento: globalização. a construção de um Estado moderno e de uma buro- mais genérico [. três modelos de gestão profissional verificada mediante prova e certificada por diploma. corresponde "a uma do Setor Público (Dasp).]".] da reforma administrativa durante o Estado Novo. implementados em momentos históricos distintos. tidos a um sistema rigoroso e homogêneo de disciplina e controle de servi- temente. mentos ilícitos. 2003). pode-se localizar um estilo apropriação do cargo e 7) com perspectiva de progressão na carreira por de administração denominada patrimonialista. Assim. imporia sempre uma única.

excelência e sentou o Plano Diretor da Reforma do Aparelho de Estado.. performance. particularmente. 1996. ções sem fins lucrativos. processo de implantação da administração pública gerencial no país. a implementação de uma administração burocrática ple. quando o discurso ção dos avanços tecnológicos em todo o ciclo do capital. A presença crescente do pensamento gerencial transformou a figura Pode-se afirmar que a reforma da gestão pública de 1995 foi (e ainda do gerente em uma das figuras centrais da sociedade contemporânea. desempenho. Boa parte da opinião O fato é que. O está sendo) bem-sucedida em tornar gerencial o Estado brasileiro. o gerencialismo dis- pública já havia sido cuidadosamente trabalhada. com essa nova reforma foi criado um ambiente serviços públicos desconsideram um importantíssimo deslocamento opera- institucional favorável e amistoso aos negócios do capital produtivo e fi. tais como: eficá. da economia e da sociedade. atribui à presença do Estado e à esfera pública todos os malefícios sociais e ceiro. quando o discurso liberal concorrência intercapitalista tanto no mercado produtivo quanto no finan. pois seus crático pelo gerencial. mento reformista mundial. cliente. apresenta relação outros aspectos. produto. 1990. política e social são separados de sua conexão com o presente modo de al). fim da regulação estatal e maior liberdade para o capital. eficiência e qualidade aos O movimento em questão. presarial. a elevação da dial. para a aceitação e aprovação do modelo de gestão do setor privado. 2003). tudo isto neoliberal imputa ã livre iniciativa todas as virtudes que poderiam conduzir à pôs em exigência novas reformas administrativo-institucionais. competência. do peio discurso neoliberal. por intermédio da reforma do aparelho Assim. os que defendem a transposição dos modelos gerenciais para os de Estado. 2002). o ex-ministro apre- dade total. a uma suposta No plano administrativo. o direta com a adoção do ideário neoliberal por muitos Estados em nível mun- aumento do comércio e do fluxo internacional de capitais. econômicos presenciados. produção (o capitalismo) e relacionados. a internacionalização da produção e do consumo. dando início ao reengenharia (CHANLAT. para assumir o Ministério da Administração e Reforma do Estado. que guarda estreita relação. LOUREIRO. Dentre partir das duas ou três últimas décadas do século XX. disseminou-se. que no regeneração e recuperação da democracia. direcionada para a geração de receitas e maior controle dos gas- de. em especial pela grande seminou-se em vários países do mundo. Nas duas últimas décadas do século XX. empreendedorismo. a veloz incorpora. adicionalmente. Espera- . com a proposta básica de substituição do modelo de gestão buro- que regem o mundo das empresas privadas como os ideais. 2002). deve-se registrar que a transposição dos modelos foi marcado por uma série de mudanças nas esferas comercial. 11). Sucessivos Estados adotaram gradativamente a in- serviços seriam mais ágeis. produtividade. ocorreram a partir de 1995. p. como escolas. a adoção de uma postura mais em- gerencialista. gerenciais para os serviços públicos. de forma mais intensa e sistemática a tecnológica e financeira. organiza- das (AZEVEDO. como aludido por Licínio Lima). esse movimento ganhou força no serviço público nos anos vel. substituição do modelo burocrático pelo gerencial. No Brasil. em vários países do mundo e guarda estreita relação. organizações. no gover- no de Fernando Henrique Cardoso. produtiva. a desregulamentação do sistema financeiro mundial. dito de outro modo. enfim. Ou. compartilhando com esta princípios administrativos. que culminou na mundialização da economia. igrejas e universidades (CHANLAT. mais eficientes e de melhor qualidade. aqui chamadas de turalizadas e a cultura do management invade os mais diversos tipos de patrimonialistas. educação.. tos públicos. quali. em suas ações. hospitais. management e gerir tornam-se comuns e na- na não arranhou as formas de dominação tradicional. nem sempre alcançada (RIBEIRO. o sistema capitalista mundial Adicionalmente. segundo o qual os existentes defeitos da vida nanceiro. conhecido como gerencialismo (o cânone serviços. na prática. Buscaram. em suas ações e Já se convivia com a gradativa incorporação da lógica e dos mecanismos valores. que até os dias atuais não foram completamente supera. 2011). Em janeiro de 1995. 100 A u n i v e r s i d a d e b r a s i l e i r a e o PNE 101 A economia baseada no "cercamento" do conhecimento: globalização. mesmo sob falsas argumentações. exclusivamente. administrações públicas. Brasil. país e. com a reestruturação produtiva sob a acumulação flexí. portanto. a reforma do aparelho do Estado significou a tendência burocratizante eestatizante (MANCEBO. Em síntese. com o objetivo de propiciar agilidade. mais especificamente com a indicação de Luiz Carlos Bresser-Pereira cia. corporação da lógica e dos mecanismos que regem o mundo das empresas naturalmente. constituiu um verdadeiro movi- mídia. práticas e valores. marketing. tomando por base o controle dos gastos do Estado (para o soci. uso das palavras gestão. sujeitos às leis da concorrência e. privadas. Relaciona-se a esse ideário. na realida.

2005a. 2003. Na realidade. DF. Trabalho docente no contexto de 3 Considerações finais expansão da educação superior. 7. (Org. contudo. Anais. 2005b)./mar. educação. Lisboa. v. 101 va-se. valores caros a essa que reconfiguram profundamente a carreira. o mais o princípio da isonomia e da paridade./mar. BFTTAR. E neste contexto que a educação superior tornou-se um setor cada AZEVEDO. Brasília.o do quadro de aposentados aquém do necessário. 2012). LIMA. estímulo à aposentadoria ou demissão voluntária. Clóvis Bueno de. A mercantilização institucional realiza. DEL CLAD SOBRE LA REFORMA DEL ESTADO Y DE LA ADMINISTRACIÔN petitiva global da ciência aplicada e da inovação. p. 54.. mercado e sociedade civil. tempo. A prevalência das demandas mercantis. p. adaptou meca. Deise. a remuneração. por resultados e da competição administrada por excelência. In: CONGRESO INTERNACIONAL cas para este nível educacional no setor público a participar na arena com. Jean-François.. . Ana Paula Paes de. Mariluce. v. Maria Rita. induz as políti. p. v. públicas brasileiras . 11 -21. Retomando o conceito de hibridismo institucional. a perda da autonomia acadêmica e cul- cojno é o caso das universidades públicas (MANCEBO. lidade acadêmica de estudantes e professores.100 A universidade brasileira e o PNE A economia baseada no "cercamento" do conhecimento: globalização. Deise. por princípios tradicionais da administração pública burocrática e As consequências desta lógica gerencial no trabalho dos servidores por valores "inovadores" da administração pública gerencial a inculcar no públicos são evidentes: aumento de contratações de servidores pelo regi. bem como exige a mobi. Deise. sob tal modelo. particularmente. exposto pelo pro. 2002. o refreamento das não só pela articulação entre Estado. MANCEBO. 2002. com o objetivo de atender às crescentes ordem democrática: entre os modelos burocrático e gerencial. Estratégias discursivas neoiiberais: tuna contribuição. In: MANCEBO. entre outros. Revista de Administração de Empresas. muitas vezes restritas aos ideais uma cultura patrimonialista. crítica e um arcabouço conceituai e regulatório para a valorização da administração substantivamente relacionada às reais demandas da sociedade. LOUREIRO. Referências nismos já utilizados na administração pública de outros países e/ou siste- matizou iniciativas que já eram ensaiadas no setor público brasileiro. 36-52. adoção de gratificações associadas à avaliação de desempenho. o ambiente competitivo servidores que atuam no setor de atividades não exclusivas do Estado. 1.. a estabilidade instituição serão destruídos. Administração pública brasileira entre o gerencialismo e a fessor Licínio Lima. 127-152. O gerencialismo e a ética do bem comum: a questão da da neste processo. Revista do ma. motivação para o trabalho nos serviços públicos. caracterizando. Revista do Serviço Público. resultado da mundialização do capital.). atravessado por elementos característicos de na gestão pública tiveram continuidade. 8-11. desta for. mesmo sob novas versões. De fato. a expectativa de uma nos alertava o professor. em 2003. 2005a. n.. me celetista. reposição Destaque especial deve ser dado ao atual modelo hegemônico . PAULA. que inevitavelmente elas carreiam. Assim. n. CHAVES. a reforma do Estado brasileiro de 1995 forneceu duro para uma universidade que se pretende e que urge ser livre. expansão e reformas educativas. o processo de internacionalização da educação superior. Vera Lúcia J. como das práticas de gestão do tipo gerencialista. tural (sempre mitigada no Brasil) serão (ou já estão sendo) um golpe muito Como já exposto. p. 45-61 Jan. Departamento de Psicologia (UFF). que. os dentes. congelamento salarial e gerencial .o que inclui as universidades . tomou por base práticas já existentes na iniciativa privada. Carreiras públicas em uma vez mais orientado ao mercado. 1. 1. quebrando que Licínio tão bem critica em seu texto. ao mesmo tempo. S n. o cotidiano de muitas instituições brasi- execução de políticas públicas não se concretizou e as práticas gerencialistas leiras é. exigências de valorização do capital. com a posse de Luiz Inácio Lula da Silva. jan . mas também pela imbricação de modelos teorica- gestão pública que incorporasse a participação social no planejamento e mente distintos de gestão. LIMA.e aos fortes impactos que oferece à instituição universitária. Educação superior. resistem ao tecnocráticos (PAULA. PÚBLICA. 1996. espaço público toda uma lógica importada do polo privado. a MANCEBO. 2012. 45. p. a conclusão desse texto é a de que as instituições gestão social.apresentam-se híbri.. Kátia Regina de Souza. podendo desencadear uma crise sem prece- e as condições de trabalho dos servidores públicos. São Paulo. CHANLAT. Trata-se de políticas recentemente projetado para a universidade brasileira. Niterói. Lisboa: Clad. Maringá: Eduem.

Rio de Janeiro. WEBER. marcas. Mesmo que não se tenha exa- tas certezas a respeito das origens desse esporte. 2004.educação. Carla Vaz dos Santos. variadas manifestações locais que se tornaram globais sem deixar. bebidas.. Rio de Janeiro: FGV. Nas palavras de Santos (2004. p. (MARX. 48) A globalização pode ser interpretada como uma forma de manifestação do local que adquire capacidade hegemônica de ser aceita em escala global (SANTOS. 157. 2011. 2000. Brasília: globalização. tradução nossa).100 A u n i v e r s i d a d e brasileira e o PNEAeconomiabaseadano"cercamento"doconhecimento:globalização. entre outras pelo grau médio de habilidade dos trabalhadores. o volume e a eficácia dos meios de produção e as condições naturais. mercadorias fictícias Mário Azevedo 1 Introdução A força produtiva do trabalho é determinada por meio de circunstâncias diversas. O futebol é um exemplo emblemático. vale notar que coube aos . "globalização hegemônica é o que eu chamo de localismo globalizado". moeda (meio de pagamento). Economia e sociedade: fundamentos da sociologia compreensiva. Este conceito de globalização pode ser posto à prova verificando-se.101 A economia baseada PAULA. atividades ou manifestações locais são passíveis de adquirirem um status universal. a exemplo da cultura. normas. 149). conhecimento: Universidade do Estado do Rio de Janeiro. de continuarem a ser locais. medidas. 2011. Tese (Doutorado em Psicologia Social)-Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social. artefatos.. o nível de desenvolvimento da ciência e sua aplicabilidade tecnológica. 2005b. alimentações e esportes. O que significa dizer que quaisquer produtos. ao mesmo tempo. 1983. ciência. historicamente. Max. Trabalho têcnico-administrativo em uma instituição federal de ensino superior: análise do trabalho e das condições de saúde. no "cercamento" do RIBEIRO. Ana Paula Paes dc Por uma nova gestão pública: limites e potencialidades da experiência contemporânea. a combinação social do processo de produção. criações. p. educação e EdUNB. p.

ama. quando há inflação.100 A u n i v e r s i d a d e brasileira e o PNE A e c o n o m i a b a s e a d a n o " c e r c a m e n t o " d o c o n h e c i m e n t o : g l o b a l i z a ç ã o . recebeu esse nome em homenagem ao Corinthian Football Club. em qualquer espaço ou escala. valores ou desvalores. da medicina ou da religião. 88-89) Como é sabido. viver em um mundo relacional. em razão de se nização do campo do poder (o campo político em suas diversas escalas . a partir da Conferência das Nações Unidas de Bretton Woods. é interessante notar que. colados a essas promessas de pagamento (moeda. o futebol é jogado. moedas ou cédulas) ou ao titular do depósito à vista (conta entretanto. a senhoriagem per- hegemonização do modo de operar do capitalismo globalizado. um método indireto de amortização de sua Unidos) que. Isso faz com política. entre as quais a da Outros exemplos de globalização do local podem ser encontrados nos dispensa do pagamento de juros ao detentor do título de pagamento à campos da linguística. educação. monetária (e mesmo sua política econômica). com a "ginga" brasileira. com o euro. pois a exportação de inflação do país de senhoriagem Nesse sentido. tam sua autoridade monetária. exporta. o dribble britânico adquira um especial acento ao sul do de 17 países da União Europeia. têm especiais vantagens por Equador. pode-se dizer que a contemporaneidade testemunha a Nesse sentido. regras do esporte serem iguais nos diversos campos de futebol em todo o A senhoriagem é uma especial forma de expressão de hegemonia mundo. time inglês que (pequena parte disso paga a emissão). Campeonatos de futebol. da culinária. segundo a política econômica interna. e a União Monetária (Euroland) que. vista (notas. Os 1 Um dos times de futebol mais populares do Brasil. Entretanto. defla- ção. 107) que possui capacidade de ser suas 17 regras são aceitas universalmente. apesar de o sentido e as é um valor intangível de reconhecimento amplo. o dólar. a senhoriagem è a meio de pagamento em escala global. beneficiando a exportação de mercadorias por exemplo. serem emissores de moedas de curso internacional. . sível na economia. Em poucas palavras. em grande medida. a globalização Tesouro Nacional). da filosofia. nos Estados Unidos. mas também um valor de troca que tem por origem dor ou profissional. fundado Estados modernos expandem sua base monetária colocando mais dinheiro em circulação em 1910. aceito por anos: a Copa do Mundo e como uma das modalidades coletivas nos Jogos outros países e blocos regionais. 1983. e seigneuriage. p. um equivalente geral. denominação dos rendimentos da cunhagem /em is são de moedas. nacional. nacional e internacional). de maneira objetiva. a divulgação riagem de Washington por traders e demais operadores do capitalismo em 2 global. Assim. produzidas com insumos cotados na moeda do emissor. em francês. em grande medida. títulos. meio de pagamento de um país (dos Estados torna-se. o futebol é conhecido no Brasil também pelo gentílico. crédito. estava em excursão no Brasil na época da fundação do clube brasileiro. regional. por consequência. Esse efeito é sen- to e domínio multiescalar. segundo as mite a transferência da desvalorização da moeda para os países que acei- regras sustentadas por atores sociais que. p. praticamente. a globalização eco. são organizados em nível local. com o dólar. mesmo situadas localmente. realizada em 1944. Sport Club Corinthians Paulista. em inglês.BCE). Atualmente. inflação. Os Estados Unidos. Outro benefício para o emissor é a exportação de sua política nômica tem sido mais evidente. por exemplo. o ganho de senhoriagem é quase igual ao valor nominal (SANDBECK. Dito de outra forma. a velocidade. acompanhada da consequente (reorga. em tempos recentes. senhoriagem significa não apenas a esporte bretão . o estilo e as táticas são diferenciados. corrente). 1983. por exemplo. a autoridade emissora (Banco Central/ local. passou a ser aceito como reserva de valor e meio de troca internacional. 101 britânicos a unificação de suas regras e. notas etc. Estes ganhos s2o chamados de senhoriagem. em todo o mundo e ou "signo de valor" (MARX. Soberanos ou senhores feudais apropriavam-se de uma taxa na cunhagem de moedas (emissão monetária). possuem capacidade de estabelecimen. Duas competições entre nações acontecem a cada quatro (Zona Euro por intermédio do Banco Central Europeu . O soberano também ganhava na diferença entre o valor nominal e o valor real do teor de ouro ou prata. Dessa maneira.). 2003). regional e uma autoridade monetária local (Tesouro dos Estados Unidos) ou regional internacional.. o dinheiro é. nível mundial. tendo seus papéis aceitos por instituições e atores econômica afeta profundamente a condição de vida dos seres humanos estrangeiros. significando a aceitação da senho.. Seu conceito remonta à Idade Média. Essa confiança internacional no emissor Olímpicos. Por isso. 1 produção (cunhagem) de uma "medida de valor" (MARX. é uma clara expressão da capacidade de circulação e * Chamada de seignorage. Ou seja.

é exatamente o que os Estados Unidos têm feito mais recente. diga-se de passagem.. A construção de world-class universities aceitos em nível internacional. depositários de confiança. denominadas world class universities (universi. têm poder de emitir títulos (senhoriagem) com reconhecimento glo.. de descontar ou amortizar (unilateralmente) suas dívidas nominadas na mo.ARWU). simbólicos selos sobre diplomas e títulos expe- riagem) e se torna um meio capaz de transferir para os parceiros globais a didos pelas universidades. a partir da crise de 2008. isto é. a exemplo do espaços de integração de sistemas de educação superior. os atores sociais do campo global de tem sido o sonho de gerações de chineses". tratasse de uma "moeda fiduciária" acadêmica. sa). para remuneração de seus títulos. p. 101 dívida e de barateamento de seus produtos de exportação.THE. inclusive para outros países e outros vigiam. como se fossem agências de credit ratings. THE e ARWU. Red Aliás. Essas universidades. basicamente. das atividades universitári- Moody's. ções internacionais. ao se tornar hegemonicamente tabelas de rankings e atuam como agências chanceladoras ("labelizadoras") aceita. excelência e li- trais. para além dos títulos de face declarado . Os créditos pertencem ao estudan- espaço de atuação de organizações internacionais como OMC. a moeda local. A senhoriagem (com a expansão da base or) e organizações promotoras de classificações ou rankings (Times Higher monetária). em: ALTBACH. A educação superior chinesa tem refletido essas intenções. seus valores e favorável que se forma em favor da accountability as universidades sen. pois o campo da educação superior tende a ser também as cumpridas e reconhecidas como tal. regulam. Fitch). 55. as universidades locais com reputação internacio. possivelmente tenha sido objeto de busca em tabelas de classificação organizadas por agências de avaliação e de rankings internacionais. educação superior reconhecem como dignos de fé (confiança) o valor de Na Europa. educação. acreditam e fiscalizam países. Academic Ranking of World taxas negativas de juros. Dessa forma.ECTS) tem o campo da política internacional. os países-sede procuram fazer reformas em seus sistemas nacio- um país. y desvalores. são to desde a década de 1980 [. o Sistema Europeu de Transferência e Assim. como se se (OCDE) e agências de classificação de riscos ou credit ratings (S & P. BALÁN (2007). com a devida fé em sua validade. The International da desvalorização de sua moeda. podem ser depositados em outra Organização das Nações Unidas para a Educação. Network for Quality Assurance Agencies in Higher Education. avaliam. Por seu educação superior. se esse mesmo raciocínio for aplicado ao campo da ção e de "labelização" de agências avaliadoras e de classificações. que está repleto de organizações que sido uma referência internacional. que apõem. qualidade. Enfim. por intermédio Association for Quality Assurance in Higher Education. consideradas verdadei- 3Maior aprofundamento sobre o conceito de "world class university" pode ser encontrado ras produtoras de selos simbólicos de reputação. expedem diplomas que. traz rendimentos diretos e indiretos à autoridade emissora (senho. poder-se-ia inferir que as autoridades acadêmicas de turno. a Ciência e a Cultura instituição universitária de sua preferência para alcançar o quantitativo ne- (Unesco). nais de educação superior de modo a serem considerados. O ECTS é um mecanismo que permite a portabilidade. quando não Education World University Rankings . para o reconheci- Fundo Monetário Internacional (FMI). virtualmente. Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico ção. De acordo com Nian Cai Liu (2007. tradução nos- bal. agências transnacionais de avaliação e acreditação (European cessário de créditos a fim de que possa receber seu diploma (título) de graduação em uma instituição que.. tem-se compelidas a aceitarem e a se submeterem a processos de avalia- Por analogia. . Iberoamericana para la Acreditación de la Caüdad de la Educación Superi- mente.].. pelas organiza- nal de excelência. com o Processo de Bolonha. berdade na educação superior. potencialmente. acompanhada da fixação de taxas baixas de juros. organizam eda corrente interna. diante de uma opinião pública política econômica e monetária que lhe é inerente. isto é.100 A u n i v e r s i d a d e brasileira e o PNE A e c o n o m i a b a s e a d a n o " c e r c a m e n t o " d o c o n h e c i m e n t o : g l o b a l i z a ç ã o . o campo global de educação superior possui homologias com Acumulação de Créditos (European Credit Transfer System . "a educação superior chinesa tem passado por rápido desenvolvimen- dades de classe mundial). em geral com seus campi localizados em países cen. OCDE e te e. 3 conclusão de cursos de graduação. é uma maneira Universities . Organização Mundial do Comércio mento e transferência das atividades de formação dos alunos de gradua- (OMC).

o que pode ser chamado de "constitucionalização do neoliberalismo" (GILL. Eles literalmente roubavam (POLANYI. A medida que a economia passa a ser definida e naturalizada como baseada (MARX. 123).. os Estados estão cada vez mais envolvidos na promoção da produção e difusão do conheci- mento. 2007. demolindo casas que até então. para não mencionar a onda de privatizações atual da OMC.]. 47-48. às vezes pela "cercamentos". às vezes por pressão e intimidação. acumulação primitiva". o pobre na sua parcela de terras comuns. mover a mercantilizaçao do conhecimento através da sua transformação glaterra a partir do século XVI. Jessop (2007. nacional e regional. "as ideias e os 4 A assim chamada "economia baseada no conhecimento" {knowledge- based economy) também pode ser interpretada como uma justificação ide- ológica do desenvolvimento baseado na produção e na apropriação de bens "No que se refere aos países em desenvolvimento. O tecido social estava sendo destruído [. as organizações internacionais e as regiões em processo seus herdeiros.. 2002. A exemplo dos enclosures das terras comuns na In.. tem o sentido de legalizar nacionalmente as regras acorda- (da água e de utilidades públicas dc todo gênero) que tem varrido o mundo das em reuniões do Gatt e da OMC relativas ao "cercamento" do conheci- indicam uma nova onda de expropriação das terras comuns.].. o atual processo de acumulação capitalista não em cinco anos. vêm sendo "cercados" em seus cas que aprovam e promovem esses atos de despossessão de bens públi- vários níveis. mento e da criação humana . sentidos e espécies. conhecimento popular ou cientifico cos e comuns intangíves. de integração (a exemplo de União Europeia e Mercosul) estimulam e são (POLANYI. os pobres consideravam como suas e dc Os Estados.. De acordo com a OMC. de revolução dos da acumulação primitiva do capital. 101 2 "Cercamento" do conhecimento e mercadorias fictícias prescinde da despossessão/espoliação de recursos intelectuais comuns e públicos (HARVEY.. tradução nossa) afirma que.104). p. Assim. condições capitalistas de lucro. Os senhores e nobres estavam perturbando a p. Conforme chama a atenção Boyle (2008.. A corporativizaçâo e privatização de bens até agora guai no Acordo Geral de Tarifas e Troca (Gatt). p. E a história dessa expropriação está inscrita nos anais da humanidade com traços de sangue e fogo. o acordo fixa aos países em o . até recentemente. 2011). isto é. históricas e da criatividade intelectual envolve espoliações Property Rights).. do conhecimento e da criação científica podem ser compre. 2010.] forain criados também mecanismos inteiramente novos de acumulação Relativo aos Aspectos do Direito da Propriedade Intelectual Relacionados por espoliação [ou despossessão] [. ricos contra os pobres. educação. 1980.]. Além disso. p. 1.. isso depende de bens comuns intelectuais endidas como uma espécie de privatização e de "cercamento" de bens muito maiores. p.. está havendo "cercamentos" de bens comuns que. O Acordo [. 42). 262) no conhecimento e/ou orientada pelo conhecimento [. p. proveniente de negociações no âmbito da Rodada Uru- em larga escala [. 128-129). p.] como base para geração de renda. 128-129. ciência e cultura. De acordo com Harvey (2004. A transformação em mercadoria de com o Comércio (Agreement on Trade-Related Aspects of Intellectual formas culturais..100 A u n i v e r s i d a d e brasileira e o PNE A e c o n o m i a b a s e a d a n o " c e r c a m e n t o " d o c o n h e c i m e n t o : globalização. conhecimen. JESSOP. 1985. mesmo onde A expropriação de saberes.]. a história está passando por um segundo movimento de ordem social. p. até I de janeiro de 2000. DALE. acabando por serem consagrados na legislação e lato e stricto sensu. . da cultura e da ciência e a mercadorização as formas e tipos específicos de propriedade intelectual são produzidos em da educação. de forma adequada. 1980. isto é. Os Estados têm papéis em ambos os aspectos: devem pro- públicos intangíveis. como bem retrataram Thomas Morus ti A formal de um recurso coletivo (bens comuns intelectuais) em propriedade Utopia e Marx no capítulo de O Capital dedicado a "A assim chamada intelectual [. 52) partícipes ativos nesse processo de "cercamento" do conhecimento... transformando o conhecimento em mercadoria fictícia violência. isto é. O conhecimento é um recurso gerado coletivamente e. sob a guarda públicos (como as universidades). 2004. como se fosse uma espécie de reedição Os cercamentos foram chamados.. em 1994. destruindo as leis e costumes tradicionais. frise-se. costumavam ser compartilhados. Vale notar que os "cercamentos" são causa e efeito de políticas públi- tos. saberes. por força de costumes antigos. p. 81-88. o período de transição geral foi estabelecido comuns intangíveis.

a terra é um presente da natureza. ele não foi. educação. Nesse sentido. e ao Parlamento. os policy makers permitem políticas que abrem a oferta aos provedores privados. aquele que vem a ser o proletário urbano é.. 1983. Segundo Polanyi lerado violentamente a dissolução desses séquitos. Por isso. p. ao promoverem a economia baseada no conhecimento é uma das justificativas de Marx para iniciar sua pesquisa sobre O Capital veladamente (ou explicitamente). como regra. por governos nacionais. AM) c a Escola Superior de do século XVI. BA)" (SGUISSARDI. apenas um momento efêmero. para Marx. que criou a base do modo de produção Universidade Anhembi-Morumbi (SP). desde que cumpridas determinadas condições. p. Sua existência funcionat absorve. sua única causa. "a riqueza das sociedades em que domina o modo de produ- vados. que está presente em 18 países e controla 30 instituições. 100 A u n i v e r s i d a d e brasileira e o P N E A e c o n o m i a b a s e a d a n o " c e r c a m e n t o " d o c o n h e c i m e n t o : g l o b a l i z a ç ã o . tem sido tratada por organizações sociedade capitalista. 2013). Vale recordar que. p. funciona apenas como signo de si mesmo e. A representação autônoma do valor de troca rias fictícias . originalmente. Universities. desprendem-se. RS). Por isso. 2008. tem sofrido cesso de dissolução das tradicionais glebas feudais e de entifícação da um processo de mercadorização de sua oferta. é um meio ciência. (1983. 5 [.terra e trabalho. o trabalho é uma atividade forma simbólica num processo que o faz passar continuamente de mão em mão. a a partir da mercadoria. o camponês que é desgarrado da terra e liberado da depen- por autoridades regionais e por vários atores sociais. e até mesmo o árbitro da quantidade e do uso do algum. os Estados. que. ele (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DO COMÉRCIO. a força de trabalho. Reflexo objetivado evanescente dos preços das mercadorias. ocorreu no último terço do século XV e nas primeiras décadas Paulo (SP). OMC e OCDE. em doloroso processo. das relações também. segundo a teoria do dência ao senhor feudal .004). a informação e o conhecimento. 6 observa acertadamente Sir James Steuart.. linguagem de Marx. Dessa forma. ele mesmo um produto do o dinheiro.. como crisálidas." (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DO COMÉRCIO. por isso. a exemplo do Banco Mundial. para usar a capital humano. Outro grupo é o Whitney. das finanças estatais" (POLANYI. a Business School São capitalista. etapa de estudos em que há também a escolha vocacional. Foi muito mais. a terra e o trabalho. como os novos provedores de educação (com base nacional ou ção capitalista aparece como uma 'imensa coleção de mercadorias". as organizações interna. 1980. segundo Marx cionais.. tem propósito vocacional e deve ser financiada pelos indivíduos. base na oferta por grupos privados estrangeiros que visam lucro: "Laureate International De acordo com Marx. Valdemar Sguissardi chama a atenção para a expansão da educação superior no Brasil com pré-capitalistas para se tornarem mercadorias sob o comando capitalista. A educação superior. Embora o poder real. a Universidade Potiguar (RN). e stakeholders pri. tradução nossa) O trabalho transforma-se em mercadoria. em que à mercadoria se defronta sua figura de valor para imedia- afirma que o dinheiro. possam ser apropriados privadamente e mercadorizados . p. Direito e Economia (Esadc. 85-86) procura demonstrar que "nenhuma desenvolvimento burguês. basta que o dinheiro exista apenas de Polanyi. conforme ato por outra mercadoria. p. pode ser substituído por processo de transição de uma economia de planificação central para economia de mercado o outros signos. (MARX. o FMI e a OCDE. como uma mercadoria que pode ser oferecida por provedores que almejam o lucro. p. ou seja.. sua existência mate- rial. 85).resultaria no desmoronamento da sociedade". Polanyi (1980. analogamente à consideração de Karl Polanyi em que M-D-M. as autoridades regionais. no pro- 5 A educação superior. aqui. o grande senhor feudal quem criou um proletariado incom- . por assim dizer. "por toda parte enchiam inutil- Entende-se que Poianyi não contradiz Marx ao utilizar o adjetivo "fictício" para qualificar mente casa e castelo". Assim. É substituída de imedi- forma de criação de mercadorias fictícias. 1. 45). não é produzido. 2013. Ainda. em sua luta pela soberania absoluta tenha ace- sociedade suportaria os efeitos de um tal sistema de grosseiras ficções". tradicionalmente considerados circulante cujo bens comuns e públicos intangíveis.] movimento limita-se a representar as mutações recíprocas contínuas que formam os processos antagônicos da metamorfose das mercadorias. 110) ano 2000 como prazo-limite. o Centro Universitário do Norte (Uninorte. defendem a ideia de que a educação. tamente desaparecer de novo. como 50% do capital da Faculdade Jorge Amado (Salvador. o Banco Mundial. "permitir que o mecanismo de mercado seja a único dirigente do destino dos seres humanos e do seu ambiente natural. internacionais. Essa transnacional). de modo (1980. Uma massa de proletários livres como os pássaros foi lançada Administração. o "cercamento" do conhecimento e da educação é uma 6 da mercadoria é. 101 conhecimentos constituem parte cada vez mais importante do comércio" humana e o dinheiro é um "símbolo do poder de compra e. o dinheiro. que comprou no mercado de trabalho pela dissolução dos séquitos feudais. mas adquire vida através do mecanismo dos bancos e Enfim. como a OMC. 85). a terra e o trabalho são transformados em mercado. em oposição mais teimosa à realeza poder de compra. Teria investido cerca de R$ 1 bilhão na aquisição de parte ou totalidade do capital de diversas instituições: a O prelúdio do revolucionamento.

Theodore Schultz. a cultura. sador para maiores rendimentos a seu proprietário. artificialmente construída. podem ser "cercados" por grupos capitalistas (o que interessa) e incorporando o que é conveniente para o processo de com vistas à mercadorização ("commodificação")» trabalho. à proporção que é transformado em algo escasso. deve-se admitir que "a informação não é inerentemente valiosa. Não é porque. por consequência. trata-se de um bem "nSo. estruturada em compartimentos a serem preenchidos por unidades ideais mente. de modo 7 não eram genuinamente coisas do mercado (commodities). ou seja. mas que uma profunda reorganização social é necessária para transformá-lo em algo valioso" [Schillcr 1988: 32]. por um lado. fundamento ideológico da economia baseada no conhecimento. é passível de inovação e de o conhecimento. suas essências de bem comum e de bem público. como o trabalho. um capitalista. fundamental da solidariedade entre os viventes e entre as gerações que A transformação de uma atividade humana. em ações educativas de transmissão cultural e de aprendizagem de conheci- vez de conhecimento naturalizado.a face conhecida e valorizada raios enfraquece ou a luminosidade torna-se escassa. ser compartilhados como um direito hábitos à força de trabalho. . independentemente de suas primitivas e originais tas de produção permitem a formação de um tipo de mercado de conheci- essências. as de pagamento da renda [Kundnani 1998-9. mas pela aquisição de conhecimentos e de capacidades que rival"). limitando o alcance das al. FRIGOTTO (1993). criação humana por excelência. p. entre eles: SALM (1980). por sua natureza de bem comum. ao sofrerem o processo de A força de trabalho. 1973b).. mas mirando-se o valor de troca . í/encartando (o que não interessa). educação.. mais pessoas expõem-se à luz do sol que a energia de seus de uso. 1985. p.]. o conhecimento só adquire a forma de mercadoria na medida em que é transformado artificialmente em um bem escasso e o acesso a ele depende possuem valor econômico" (SCHULTZ. tradução nossa) ROSSI (1980). a geração de soluções para os cadoria é uma operação própria do mundo do capital. como a educação e considerado um bem comum da humanidade. o co- fundiária. logo da marca da (módulos) de conhecimento que. humano. gestos e intangíveis que podem. e. por outro lado. Jessop argumenta que.. certificados e aferidos. não pela difusão da propriedade das ações da em- intrinsecamente escasso (em termos econômicos. Assim. 101 paravelmente maior mediante expulsão violenta do campesinato da base No mundo do capital. As relações capitalis- pelo mercado. p. a terra. em mer- permite. reforçando social ou. 2007. SCHULTZ (1973a. nesse sentido. incorpora mais capitais simbólicos incorporação a outros seres humanos. 7Vários trabalhos foram escritos sobre a teoria do capital humano. A escassez de educação e de conhecimento é uma rivalidade "Nesse sentido. A teoria do capital problemas enfrentados pela sociedade em geral. tradicionalmente pacidade de aquisição de outras mercadorias fictícias. como defende um dos pais da teoria do capital humano. valores. Para este economista. 1973b. (JESSOP. as relações capitalistas estendem o domínio sobre aquilo que mento com base no individualismo e na teoria do capital humano . incorporados. e a educação sofrem a mesma transmutação. é considerada como se fosse "cercamento" e transmutação emfictitious commodities. torna-se usurpação de sua terra comunal. a ciência e a educação são bens comuns e públicos propõe um modelo de "des-re-incorporação" de saberes. "os trabalhadores transforma- Na medida em que o conhecimento é produzido coletivamente e não é ram-se em capitalistas. sobre a qual possuía o mesmo título jurídico feudal que ele.100 A u n i v e r s i d a d e brasileira e o PNE A e c o n o m i a b a s e a d a n o " c e r c a m e n t o " d o c o n h e c i m e n t o : g l o b a l i z a ç ã o . necessaria. no mercado). o conhecimento e a educação. mento. presa [. também o conhecimento o conhecimento não diminuem ao serem compartilhados. o trabalho e o dinheiro transformam-se histo. O conhecimento é um amálgama de diferenciação na sociedade. mais recentemente. A educação e ricamente em mercadorias e. 119-120. Porém. tornam-se um catali- ternativas de vida e de soluções para os problemas atuais e futuros da huma. conforme são preenchidos (adquiridos solidariedade intrageracional e intergeracional. que quem tem mais poder simbólico de compra (dinheiro) tem maior ca- O conhecimento. a frequência à nidade. (MARX. Na realidade. 54-55. é uma rivalidade fictícia. 264) mercadoria. Frow 1996:89]. perdem. Portanto. e nhecimento.. conforme percebido por Jessop (2007). Assim. o conheci. Para melhor se compreender esse processo de despublicizaçao e de escola e a aquisição de conhecimento e cultura não tornam o trabalhador "cercamento" do conhecimento e da educação. Em síntese. 35). visando-se o intrínseco valor por exemplo.

nos séculos XIV e XV." (AZEVEDO. po- 8 propriamente dito ou para o comando das atividades de trabalho. à coação e às baixas remunera- universalização do acesso desinteressado ao conhecimento e à cultura. Em três passagens do capitulo VIU d ' 0 Capital (1983. não para a privacidade. pois a disposição para a atividade mus.pura futilidade! Mas em seu impul- duladores em um processo de "des-re-incorporaçao" de saberes. inclusive direitos no campo educa- como um bem público. para o convívio social. p. ções. valores. No caso do conheci. O que faz época Em suma. todos os momentos em que grandes talismo. devido à desfavorável 9 correlação de forças na luta de classes. desmedido. Tempo para educação humana. já sob a Revolução Industrial. histórico dominante dirigido pela burguesia imprimiu resistências para Além disso.. O sucesso do modo de produção capitalista implica a merca. das forças vitais físicas e espirituais. no mercado de trabalho como proletários livres como os pássaros. Polanyi (1980) ressalta que o trabalho torna-se. no que se refere à educação das classes trabalhadoras. torna-se uma flctitious coloridos diferentes nos diferentes paises e percorre as várias fases em sequência diversa e em commodity. o cultivo e a transmissão do conhecimento acontecem seu avanço. No século XIX. na transformação da exploração feudal em capitalista. quando sub. para o jogo livre mento e a educação. Quando a cional.100 A u n i v e r s i d a d e brasileira e o PNE A e c o n o m i a b a s e a d a n o " c e r c a m e n t o " d o c o n h e c i m e n t o : g l o b a l i z a ç ã o . velar o processo de transformação em mercadoria dessa especial atividade Ainda que os primórdios da produção ca pita tis ta já se nos apresentam esporadicamente em nervosa de produção e de distribuição do conhecimento acumulado pela algumas cidades mediterrâneas. p. a fetichização também se torna fundamental para consistiu numa mudança de forma dessa sujeição. 215 e 236). sobretudo. em mercadoria fictícia (força de trabalho). sob o capi. como lembra Hollenbach (1998). para o desenvolvimento intelectual. por sua vez. uma mercadoria fictícia. sobretudo pela disposição da educação ais para a classe trabalhadora inglesa. o conheci. não precisamos volver a um passado tão longínquo. com isso. "cercada" e tratada como um bem privado. na história da acumulação primitiva são iodos os revol acionamentos que servem de alavanca à classe capitalista em formação. p. Apenas na Inglaterra. em sua voracidade por mais-trabalho. A expropriação da base fundiária do produtor rural do camponês forma a base de todo o processo. ganhos soci- por meio das relações sociais. para a apropriação privada da cultura. inclusive para a abolição das relações de dependência social. físicas o liberalismo econômico foram fundamentais para a superação do feuda- e neurais. historicamente. A continuação mento e da educação. em especial dos jovens . diferentes épocas históricas. o capital atrope- gestos e hábitos. força de trabalho a partir da transmutação da disposição humana para a 9"A conquista de direitos pela classe trabalhadora foi resultado de uma série de lutas entre atividade física-neural. para o Portanto. preenchimento de funções sociais. Sua história assume sumida na economia capitalista de mercado. seguindo a pista oferecida por Polanyi (1980). 42) . transformados em mercadorias fictícias. as famílias eram compelidas a incorporar o máximo de seus mem- pois. inclusive as criahças. 101 mento e de valores categorizam o ser social para as relações em seu cam. como importantes conquistas para frear a brutalização dos tra- impede-se o acesso aos verdadeiros e livres caminhos para se alcançar a balhadores. aquilo que encobre e esconde as reais relações 8 De acordo com Marx (1985. dorização do trabalho. levando." Média. tomamos como exemplo. para aumentar a veículo para se viver em comunidade.. educação. massas humanas são arrancadas súbita e violentamente de seus meios de subsistência e lançadas cular-nervosa pode ser considerada um fator de produção e. 263): "O ponto de partida do desenvolvimento que produziu sociais de produção e de circulação de mercadorias. tanto o trabalhador assalariado quanto o capitalista foi a servidão do trabalhador. e massa salarial do conjunto familiar. Marx registra que o estabelecimento legal da jornada de trabalho é fruto da luta (capitalistas). Capital. porém. a educação é o bros. empregada para finalidade específica por terceiros capitalistas e trabalhadores. so cego. no mercado de trabalho. 190. a servidão já está abolida há muito tempo e o ponto mais brilhante da Idade humanidade . a economia de mercado e po social de atuação e preparam-no para o exercício de atividades. que. um trabalho. mesmo o tempo livre de domingo . A mercadorização do conhecimento e da educação se fará acompanhar do mesmo fenômeno que Marx descreve sobre a feti- chização da mercadoria. Apesar das tragédias sociais decorrentes. em mais de uma passagem d'0 educação é mercadorizada. entre a ciasse trabalhadora e a classe capitalista. 2006. que não rém. Onde eia surge. para o trabalho lismo .'participando do bem comum. do conhe- cimento ou da sabedoria. foram registrados por Marx.e mesmo no país do sábado santificado . a era capitalista só data do século XVI. à formação de um mercado de mostra-se em sua forma clássica". Para compreender sua marcha. há muito começou a empalidecer. seriam mo. Marx é enfático. o bloco deixa de ser. Desse modo. por isso. a existência de cidades soberanas.a educação. no mundo da produção material e simbólica. sem rivalidades e sem exclusivismos.

significa que tanto os trabalhadores. da mercadorização da oferta da único que está bem. 50) "As relações entre as diferentes nações dependem do estágio de desenvolvimento das forças produtivas. A partir deste duração de vida da força dc trabalho. é um maximum de força de trabalho que em uma jornada de trabalho prática existente. pode-se dizer que o habitns é uma n forma de disposição a determinada prática de grupo ou classe. . tradução nossa) . p. fruição do bem e não. Assim.. na glória de ser o único a fruir uma ideologia de inculcação do habitits individualista. qual economia não é baseada no conhecimento? Adivisão atual nação e outra que dependem do nível de desenvolvimento da sua produçQo e das suas relações do trabalho.que. ou porque é mais feliz e mais afortunado que os educação e do "cercamento" do conhecimento. a economia baseada no conhecimento cultura e na ciência? promove a liberalização. transformando-os em mercadorias fictícias. ignora a verdadeira felicidade e beatitude [.. a privatização e os "cercamentos" da educação e do conhecimento. o mercado de trabalho e o processo dc produção em e à cultura é regulado pela divisão social do trabalho em cada país (ou espaços de luta de classes. a partir do momento em que mento e a manutenção sadia do corpo [. na extrema competição na sociedade." (JESSOP.. 1983. da educação. da divisão de trabalho e das relações internas de cada uma delas. O capital não se importa com a se opera uma divisão entre o trabalho material e intelectual. momento. à educação. na realidade. nfio são apenas as relações entre uma Afinal. p. tes não valorizaram o pensamento sofisticado e a fina arte da direção e da persuasão? Na realidade. 2). 24) mia do conhecimento. respostas ou proposições objetivas ou subjetivas para a resolução de problemas postos de reprodução social" (AZEVEDO. a consciência pode supor-se algo mais do que a consciência da mente. . da mesma forma. necessitam do conhecimento. Este principio é universalmente reconhecido. tem sido. (MARX. p.]. da cultura e da estruturas objetivas das suas condições de classe ou de grupo sociais que gera estratégias.]. efetivamente. Usurpa o tempo para o crescimento. o acesso ao conhecimento. 25). como é evidente. De acordo com Marx e Engels (2010. p. 1997. à ciência '* "Mercantilizaçâo da força de trabalho c sua subordinação direta ao controle capitalista também tornam. pode-se dizer que a economia baseada felicidade e beatitude dum homem consiste apenas na sabedoria e no no conhecimento em nada muda a situação de submissão da força de conhecimento da verdade e não em ser mais sábio do que os outros ou trabalho ao controle capitalista . (ESPINOSA. como as classes dominantes.. 562. ou seja. quem se julga mais feliz só porque é o do trabalhador por sua empregabilidade. tampouco modifica a essência da luta 12 no fato de eles não possuírem o verdadeiro conhecimento. Nesse sentido. o desenvolvi. por sua vez.. é a interiorização de de produção. na educação. ao reivindicarem uma economia baseada no conhecimento. 211-212) algo de real". A verdadeira A partir desse ponto de vista. 2010. Qual sociedade na História dispensou o conhecimento? Quais eli.]. ao ser fundamentada na estariam mesmo os atuais dirigentes do bloco histórico preocupados com teoria do capital humano . o mesmo acontece com toda a estrutura interna de cada nação. 2003. p. 2008. internas e externas. mas também os puramente físicos região) e entre as nações . pura c simples.100 A u n i v e r s i d a d e brasileira e o P N E A e c o n o m i a b a s e a d a n o " c e r c a m e n t o " d o c o n h e c i m e n t o : g l o b a l i z a ç ã o . 3 Considerações finais A economia baseada no conhecimento não é exatamente uma mudan- ça de paradigma em que se saltaria para uma economia baseada em servi- A verdadeira felicidade e beatitude do indivíduo consiste unicamente na ços e na produção de bens de alto valor agregado. os destinos e o bem-estar das classes trabalhadoras ou esta alismo metodológico responsabiliza o trabalhador por sua capacidade de proposta de desenvolvimento baseado no conhecimento é somente um empregabilidade e por sua categorização na sociedade. ENGELS. pois isto não acrescenta absolutamente nada à sua sabedoria. proprietárias dos meios " Referenciando-se no socióloga francês Pierre Bourdieu. outros. da responsabilização u quando os outros dele carecem.. O que interessa a ele. tem por referência o individu- a educação." (MARX. para subterfúgio ou uma justificativa para o "cercamento" e a mercadorização além da promoção de uma espécie de darwinismo social e de um mundo de de bens comuns e públicos baseados no conhecimento.101 la não apenas os limites máximos morais. Portanto. No entanto.e d u c a ç ã o . p. "A divisão do trabalho só surge. que representa de fato qualquer coisa sem representar poderá ser feita fluir [. 10 da jornada de trabalho. ciência. em sociedades que reivindicam estarem baseadas na econo. proprietários da força de trabalho. a economia baseada no conhecimento.

Esta base encerra a possibilidade do desenvolvimento univer. Tradução Mariza Corrêa. David. os representantes do capital. apresenta como alienação pode ser a própria condição de emancipação FRIGOTTO. DWYER. ao defenderem uma econo. classification. O marxismo e o poder: uma questão de Estado. 2007.120. Disponível em: <http:// www.. o que não è senão a sua LIU. Maringá. Isto é. Capitalism and its future: remarks on regulation. Nian Cai. Philip G. p. "treinada" do trabalhador de se inserir no "mercado de trabalho"./dez. contraditoriamente. Campinas. campo social. Roger. sal do indivíduo. educação. Espaço social.. ou. The public domain: enclosing the commons of the mind. ideologicamente. 1984. Baltimore: Johns Hopkins University Press.]. as condições para a emancipação da . Constitutional izing inequality and the clash of globalizations. jan. 2008. v. The enigma of capital Londres: Profils.. out. In. International vidualismo por meio da retórica da teoria do capital humano e do uso de Studies Review. ao contrário. Pierre. In: ALTBACH. n. Campinas. 1993. David. p. 1859. p. que seria a condição "educada" e HARVEY. no final das contas.br/024/24cneves. 4. Knowledge as a fictitious commodity: insights and limits of a Polanyian perspective. expressões como "empregabilidade". lhe proporciona esta consciência. 4. 113. que Pierre Bourdieu. em certo momento. 1999. p. Jorge. São Paulo: Martins Fontes. as forças produtivas materiais da sociedade se chocam com as relações de produção existentes. SP. o desenvolvimento universal das forças produtivas e Papirus. 2004. Kaan. Disponível em: <http://www. expressão jurídica. Revista Espaço Pedagógico: publicação da Universidade de Passo Fundo. nenhum limite pode ser considerado como sagrado. 179-195. Baruch. própria abolição. Globalization: it's about time too! Working paper n. DC: Georgetown University Press. 2. 3) . Ayse. In: BUGRA.ihs. p. JESSOP. New Haven. v. UK: Palgrave. Razões práticas: sobre a teoria da ação.. em potencial. A produtividade da escola improdutiva. Questions de Sociologie. Passo Fundo. 2003. Review of International Political Economy. Paris: Les Éditions de Minuit. [.at/vienna/IHS- Departments-2/Political-Science-l/Publications-18/Political-Science-Series-2/ ALTBACH. James. É interessante notar as contradições do sistema. v.. government and governance.099-1. pelo qual cada barreira é constantemente superada. universities in Asia and Latin America. 561-581. 24. torna-se um dos fatores de AZEVEDO. BALÁN. O novo imperialismo. especial. p. Londres: Caravan. Bob. 85. mia baseada no conhecimento e tentarem. Revista Espaço Acadêmico: publicação da Universidade Estadual de pode colocar em xeque. p. 1996. 1859.. 2002. São Paulo: Loyola. conhecimento pode ser também um instrumento de rompimento dos Washington. renda na sociedade e o próprio sistema de produção baseado em merca- dorias (MARX. 3. Is tolerance enough? The catholic university and the common gem ao longo da vida e ao desenvolvimento de uma economia baseada no good. outono 1997.100 A u n i v e r s i d a d e brasileira e o PNE A e c o n o m i a b a s e a d a n o " c e r c a m e n t o " d o c o n h e c i m e n t o : g l o b a l i z a ç ã o . incutir o indi.6. v. "cercamentos" e um meio para a emancipação humana. AGARTAN. Stephen. 49): 2006. com as relações de propriedade dentro das quais se desenvolveram até ali" Philip G. classe trabalhadora. World class worldwide: transforming research PubIications-19/publication-page. São Paulo: Cortez. a distribuição de poder e de Maringá. DALE. da riqueza (.com. Reading Karl Polanyifor the twenty- first centuiy: market economy as political project. 2008.htm>. 101 de classes. SP: contém. 2010. p. podem estar gerando. A sociologia da educação e o Estado após a globalização. Yale University Press. pois aquilo que se ESPINOSA. Tratado teológico-poUtico. 115-133. 2011. BOYLE. humana. 31. p. Educação & Sociedade. habitus e conceito de classe social em contradição entre as forças produtivas e as relações de produção. World class worldwide: transforming research universities in (MARX. O resultado é que o capital tende a criar essa base que . Judith A. GILL. ano IH. 2007. Johns Hopkins University Press.espacoacademico. Gaudêncio. à aprendiza. 2011. Mário. (2010. 13. Referências . Acesso em: 15 nov..] esta forma contraditória é transitória e produz as condições reais de sua BOURDIEU. Basingstoke. 1. and future world-class status. maio 2003. . p. 2007. n. ou seja. o mesmo incentivo aos estudos. 13"Ao chegar a uma determinada fase de desenvolvimento. . Viena: Institute for Advanced Studies (IHS). n.htm>. 47-65. Differentiation. O desenvolvimento real dos indivíduos a partir desta base. Vale lembrar o que asseveram Marx e Engels i3 ..ac. n. 54-69. Baltimore. 3) Asia and Latin America. BALAN. n. Vision and values: ethical viewpoints in the catholic tradition. HOLLENB ACH. Jorge.

pdf>. Contudo. jul. A grande transformação: as origens da nossa época. SP: FE/ Unicamp. presente em todo o território nacional e capaz de. Wagner G.br/download/texto/ma000084. 991-1. foi anunciada a fusão entre a Anhanguera Educacional e a Kroton. O capita! humano: investimento em educação e pesquisa. Moraes. v. n. criaria um gigante mercantil- de Janeiro: Zahar. Disponível em: <http://dixsandbeck. Acesso em: fusões e aquisições no campo educacional continuariam naquele ano (OS- 13 maio 2011. Societies and Education. Propiedad intelectual: protección y Andréa Araujo do Vale observância. 2. S. o processo de financeiri- SGUISSARD1. POLANYI. Acesso em: 20 mar.gov. Disponível em: <http:// www. Disponivcl cm: <http://www. criando o maior grupo educacional do mundo em termos de valor de mercado (RS 12 bilhões). Valdemar. p. .. 1980. educação superior brasileira: MARX. Disponível em: <http://www. livro 1. O Capital. Acesso em: 26 jul.pdf>. CAR.dominiopublico./dez. Campinas. 2011. em Porto de Galinhas. Este artigo c uma versSo revisada e atualizada do trabalho apresentado no GT 11 (Política de Educação Superior). anunciava que as maio 2003. A expansão do segmento . Uma matéria publicada na revista Exame.br/download/texto/ cv000070.org/spanish/thewto_s/whatis_s/tif_s/ agrm7_s. Educação & preparado desde o inicio do século XXI e se realizou especialmente a partir Sociedade.C\aúdioL. São Paulo. (1859). Domínio Público: privado-mercantil na biblioteca digital desenvolvida em software livre. 29.gov. Thomas. Karl. 2011.dominiopublico. Capitalismo e educação.100 A u n i v e r s i d a d e brasileira e o P N EAeconomiabaseadano"cercamento"doconhecimento:globalização. 2008. 2004. 2010. na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). ENGELS. 1985. Rio de Janeiro: Campus. v. 1973a. Domínio Público: biblioteca digital desenvolvida em software livre. v. durante a 35" Reunião Anual da Anpcd. (1516). São Paulo. v. ca/pdf/brettonwoods . 1980.022.. São Paulo: Abril Cultural. VIALLÍ. 1.com. Uma contribuição para a crítica da Economia Politica. em 2012. 2012).wto. Karl. Estadão. 1980. organizar os rumos do segmento privado.747606. no Programa de Políticas Públicas e Formação Humana (PPFH) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.br/ noticias/impresso^uase-metade-das-cidades-paulistas-usa-apostita-nas-escolas- municipais. a mais esperada . 1983.pdf >.estadao. Rio culas. n. Entrevista concedida a Roger Dale and Susan Robertson. Textos sobre educação e ensino. Friedrich. 2. seria a estabelecida entre a Anhanguera Educacional e a Estácio Participações Globalisation. O Capital. ainda. com a introdução. caso fosse concretizado. o caso da Estácio de Sá* MORUS. de 2007. Acesso em: 7 maio 2013. 1 Introdução SAlM.e também provável - SANTOS. Andrea.educação. 2012. Escola e trabalho. set. 21 jul. em 2012. Modelo de expansão da educação superior no Brasil: predomínio zaçâo da educação superior não começou com este negócio.0. p. ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DO COMÉRCIO. Boaventura de Sousa. efetivamente. ROSSI. Segundo a reportagem. Acesso em: 15 dez.htm>. Bristol. 105. Rio de Janeiro: Zahar. São Paulo: Brasiliense. Em 22 de abril de 2013. respectivamente a primeira e a terceira no ranking de número de matrí- SCHULTZ. 2.. SANDBECK. Karl.com. de texto da lese de doutorado defendida pela autora em 2011. . A utopia. mas veio sendo privado/mercantil e desafios para a regulação e a formação universitária. com a abertura de capital. SP. Theodore W. 1973b. . 2011. Campinas. dessas duas grandes empresas. Quase metade das cidades paulistas usa apostila nas escolas municipais. livro 1. doravante denominadas "consoíidadoras"'.101 MARX.htm>. 147-160. Bretton Woods and theforgotten concept of international seigniorage. São Paulo: Nova Cultural. Dix. Disponível em: <http://www. educacional. A. Esse negócio. O valor econômico da educação.

esse momento aberto desde os anos 1990 gera as condi. mente aplicados no ensino de 2 grau.100 A u n i v e r s i d a d e brasileira e o PNE Ae c o n o m i abaseadano"cercamento"doc o n h e c i m e n t o :globalização. sendo denominado pelos consultores dos negócios educa. Ao fim desse pe.delineado por um las no setor privado (63. desta forma.e público (36. de modo bastante resumido. na direção privatista. a educação superior brasileira é um no total. a trajetória do no regime militar e se ampliam os debates e lutas em torno da educação ensino superior privado no Brasil. 1992). marcada pela concentração econô. 101 Este artigo busca encontrar algumas pistas desse movimento. o caráter público atrelado às forças democratizantes. se não inaugura expansão da educação superior brasileira desde então. como mostra o privatismo educacional. O eixo central do Ou seja. como afirma Cunha (1988.6%) já superava o número de matrículas no setor capitalismo dependente e pelo padrão de escola superior daí decorrente . na abertura de 2013). sendo fato reconhecido na literatura do campo educacional que seu encaminhamento do golpe empresarial-militar. 2 A Estácio de Sá na expansão da educação superior: O privatismo. Sampaio (2011) afirma claramente que. "Capitais tradicional- cionais como "era das consolidações". Sguissardi (2008) . ao mesmo tempo. o número de matrícu- mação social. 322). não se pode na expansão da educação superior brasileira não é nenhuma grande novi. haviam-se alçado à condição de dominação do espaço de educação inclinam-se. De acordo com Martins e Velloso (2002). 800%.também foi o da emergência de uma nova feição para quando.. sendo que no setor privado a ampliação das matrículas foi de campo em que há luta. esgota-se o ciclo de crescimento inaugurado o setor privado. historicamente. entre os anos do como caso exemplar a Estácio de Sá. levando o setor privado a encetar novas estratégias de manuten. que se havia iniciado com o período da superior. tólicas. empresariado. 2008) das pela ideia de reforma.educação. nhos e capitais de outros setores de atividade transferiram-se para a explo- ração do promissor mercado do ensino superior". fracassarem. impulsiona-o de modo destacado. número de matrículas. quando se demarca a instituições vinculadas às elites locais e pelas iniciativas confessionais ca- emergência de um novo momento da expansão do segmento privado-mer. "controlar" as tensões no âmbito das universidades públicas toma- O predomínio do segmento privado-mercantil (SGUISSARDI. de modo articulado na e pela for. e os anos 1990. reduzir a importância de uma ideologia privatista que se fortalece com o dade. ao mesmo tempo em que superior. Se essa questão foi fundamental. tanto no que diz respeito ao número de instituições quanto ao sua composição também tende à hegemonia do setor privado-mercantil (FONSECA. 1960 e 1980 o número de matrículas na educação superior cresceu 500% Parte da ideia de que. capitais recém-investidos em cursi- o mica e institucional. em um cenário marcado pela expansão de pequenas ção e ampliação de suas atividades. nos anos 1970. o segmento Segundo matéria publicada pelo jornal Valor Econômico no dia 23 de abril de 2013 (KOIKE. pela financeirização e pela internacionalização. privado concentrava-se na abertura de instituições isoladas. definido pela hegemonia privada nas mãos de um setor empresari- ções que permitiram a financeirização da educação superior brasileira até o al. Foi levantada a possibilidade de que o grupo Estácio busque também uma fusão para fortalecer sua posição no mercado. Primeira República. p. Sguissardi (2008) mostra como. A. ao mesmo tempo.4%). É fundamental atentar para a extrema heterogeneidade desse novo momento atual. não pode ser entendido apenas como uma da ditadura empresarial-militar à autonomia universitária resposta do Estado ao impasse colocado pela necessidade de ampliação da oferta sem aumentar também os investimentos com o setor e. a partir da ditadura empresarial-militar mergulha em um novo mo- cantil. cada vez mais. Federal de Educação (CFE) é exemplar: seu pensamento e suas práticas ríodo. a fusão foi articulada após as negociações entre a Anhanguera e a Estácio Participações novas vagas e na ampliação da oferta de cursos. os anos 1980. o Conselho crescimento se fortalece na ditadura empresarial-militar. que.que marcariam profundamente o modelo de destacando-se três momentos: a ditadura civil-militar. rior e suas características . Conforme mostra Sampaio (2011). Nesse ponto. enquanto nas instituições S. este momento de crescimento do sistema de educação supe- texto é a cartografia dos rumos privatistas da educação superior no país. Contudo. já em 1974. entre o particuíarismo e o privatismo . mento. entretanto.. de ensino superior (IES) públicas concentrava-se o esforço de produção . toman.

j Esse elemento ganhou imensa importância quando a LDB/96 abriu a possibilidade de as mantenedoras terem finalidades lucrativas. e c) no caso de mações da década de 1980 e do ciclo de expansão dos anos 1990. entüo. verificar que uma das maiores instituições do país. que nerar sócios ou o conselho de curadores. segundo Universidade para Todos (Prouni). mas não menciona. atentar para as relações entre mantenedoras e algum. Assim. Esse mesmo mecanismo entraria cm cena também no setor fiscal entre os dois tipos de entidade e. empreendidos peias empresas educacionais. mantida deveriam ser reinvestidos em suas atividades. e na educação superior. faz-se fundamental ressaltar dois pontos que clusivo pelas mensalidades. padrão dependente de escola superior. empresas educacionais. sua ausência. . área educacional. . já desenhado no período de 1964 a A Constituição Federal de 1988 afirma. ficavam obrigadas a conceder matrí- culas gratuitas a estudantes pobres. pelos especialistas e consultores da programas. fins lucrativos apontando para a clara presença do fundo público na drão de financiamento estatal das atividades econômicas em geral .até 2007 declarava-se instituição filantrópica sem mostra como. ou seja. 91. neste sentido. A LDB/96.100 A u n i v e r s i d a d e brasileira e o PNE Ae c o n o m i abaseadano"cercamento"doc o n h e c i m e n t o :globalização. criados a partir da Reforma Universitária. 2002. 1975). deste modo. instituições privadas. Pela legislação. no artigo 209. pela via de instrumentos financeiros mais sofisticados. 1961). pode-se parecem permitir uma avaliação mais precisa desse processo. das isenções fiscais e previdenciárias. Isso é claramente assumido por estas empresas. foram mais sofisticados e complexos que aqueles sugeridos pelos atores envolvidos no processo. até antes da Lei de Diretrizes e Bases de desenvolvimento dependente (FERNANDES. fundos. b) os resultados auferidos pela permitiu sua expressiva expansão e preparou o terreno para as transfor. receberem auxílios e/ou subvenções. no artigo 114. lucrativos em empresas com fins lucrativos. isenções fiscais e previdenciárias. s3o particulares as instituições privadas de ensino que não s3o comunitárias. Carvalho (2005. caracterizando o que Florestan Fernandes (1975) denomina tituições privadas em curso em meados dos anos 1960. cria a categoria de particulares em sentido estrito. No caso da polí- 2 (LDB/96) : a) as mantenedoras das IES privadas deveriam constituir-se tica educacional. econômicos por estímulo indireto. no limite. que o ensino é livre á iniciativa privada. princi- 1 palmente. articulando o novo patamar ção superior privada. no período da ditadura militar. cres- Em primeiro lugar. Entretanto. no valor do montante recebido (BRA- Pode-se concluir que os mecanismos de financiamento direcionados às SIL. equipara a situação fiscal país: a criação de uma série de subsídios ao capital. (CARVALHO. . confessionais ou gra. das entidades sem fins lucrativos e das entidades com fins lucrativos. ALDB/61 ainda mencionava. a expansão das IES privadas se realizou. houve uma mudança do pa. que.e d u c a ç ã o . Criou-se. Dois movimentos foram. 2002) bastante generosas . as figuras das mantenedoras das IES. não podendo remu. É o caso do Programa o que obrigava a que o Tesouro Nacional funcionasse como capital financeiro. favorece o Por isso. O sistema educacional não fugiu à re. Isto decorre da reformulação no financiamento governa- mental à atividade privada no Brasil. o financiamento pela isenção fiscal e mantidas é um dos caminhos fundamentais para a compreensão da educa- previdenciária fez-se cada vez mais presente. sob forma de créditos e incentivos fiscais. financiando o crescimento das instituições. p. 4 das IES que se constituíram como filantrópicas sem fins lucrativos. no presente momento. o tipo de institui. o primeiro foi sua transformação em entidades com fins 3Esta passa a ser uma das vias do padrâo de financiamento estatal para a iniciativa privada no lucrativos. O financiamento direto e amplo foi substituído em todos os setores definir a tipologia das IES privadas. especialmente. os recursos via verbas orçamentárias transformaram-se em política filantrópicas. como perdas". Pelo contrário. nos casos de transformação de entidade sem fins educacional. ao 1967. explicitamente. diretamente. não se pode chancelar a ideia de Martins (1988) de que movimento de fínanceirização da educação superior pelas oportunidades de essas IES empresariais cresceram com o financiamento praticamente ex- aquisição que abre. significa a equalizaçao da situação Fontes e Mendonça (1994). em particular o que não significa. uma pulveriza. 101 de pesquisa e de estruturação da pós-graduação. realiza-se como uma espécie de "reposição das em menor ou maior medida. em larga ceu com a presença nada insignificante de isenções fiscais e tributárias medida. Estes mecanismos permitiram a sustentação do crescimento das ins- IES isolada. especialmente no caso como entidades ou associações sem fins lucrativos . tributária traduzida em incentivos fiscais vinculados a projetos e progra- ção cuja presença se amplia no espaço da educação superior brasileira é a mas.e das reprodução ampliada do setor. Analisando o quadro apresentado. foi esse padrão de financiamento indireto pela via. com a presença de financiamento público. de modo Em segundo lugar. grifos nossos) ção das instituições educacionais que. a Estácio de Sá. O segundo foi a emergência de programa que.

ou seja. A insti- tuição cresce com a abertura de novas faculdades e de novos cursos. sociedade civil sem fins lucrativos e declarava como objetivo formar qua- tando o caso da devassa realizada pela Secretaria de Receita Federal (SRF) dros de profissionais capazes de participar do desenvolvimento do país em 1997. eu precisava de recursos. . e isso não uma série de coisas. já tendo recebido. apresentava-se como uma educacionais filantrópicas é complexo. uma vez que as Para ter uma boa sala de aula. . nicação. como essa classificação das IES ultrapassa as classificações oficiais que dependem. Se a faculdade de direito apenas na esfera administrativa e financeira. no segunda e a terceira e a quarta: Direito. caixas dois e distribuição disfarçada de bens. caracterização fundamental para se candidatar a qualquer for- permitindo. hoje. por auxílios oficiais. Administração e Comu- máximo. um campo minado e. especialmente no caso das econômica da Faculdade de Direito Estácio de Sá. Em 1975. no Registro Civil de Pessoas Jurídi- atualmente. a já então Universidade Estácio de Sá havia aderido ao Prouni e passado a se estrito. no caso das IES que estão sendo vendidas e/ou incorporadas registrou seu estatuto social em 1979. utilizando o conceito de Florestan (GUANABARA. O crité- Funcionando quase como um "tipo ideal" desta forma de processo de rio era apenas o seguinte: estão precisando e eu posso fazer e com isso vou privatização e mercadorização da educação superior brasileira. em 1972. claro. G Este artigo tem a intenção de mostrar. SIL 1981). A 7 recursos tivessem sido auferidos. também. que a autonomia das IES é. cujo patrimônio tivesse sido consti. ao regime de faculdades integradas (Fines). encaminhou à Câmara de Ensino Superior Assim. mais do que sada para o sucesso da empresa. 1975) e. para ter o professor bem remunerado. engendra a possibilidade de transformação de figura jurídica das mantenedoras. ainda que rapidamente. abrindo duas ou três ia ter mais recursos. em 1981. não tinha nenhum critério cientifico nem social. na Rua do Bispo. praticamente inexistente. 2002. se define como filantrópica sem fins lucrativos pode. na área acadê. mantenedora consti- tuída em 5 de março de 1969. inclusive. a contrarreforma da educação superior brasileira dos anos 1990. Da condição Financiamento Estudantil (Fies). gozavam de isenção fiscal. tura de novos cursos . no todo ou em parte. de um mantenedor a culdade de Direito Estácio de Sá (Fades). 330. (CES) do CFE um pedido de autorização para o funcionamento da Fa- tuído. Economia. entidades com fins lucrativos. grifos nossos) Sociedade de Ensino Superior Estácio de Sá (Seses). Terceiro: as IES com fins lucrativos passam. mas o crescimento da instituição . Seu fundador foi o então magistrado João Uchôa Cavalcanti Netto. realizada "por pacotes". com o fins lucrativos. em 1970 a ter recursos para fazer uma faculdade de Direito melhor. para ter mantenedoras eram fortemente influenciadas pelos "donos". apresentam ou intencionam se colocar. ouvido o CFE . Nas palavras do fiinda- particulares . Deve-se acrescentar que a Seses 3 se realizou. era necessária a aprovação prévia dos órgãos públicos dos quais os ro. funcionar como particular em sentido Em 2004.aber- isso. como mostra Davies (2002). em pane ou totalmente. Eram marcadas por uma gestão familiar e por uma lógica em 6 dor do grupo: que a mantida é que sustenta a mantenedora. postando-se como uma sociedade civil de caráter filantrópico sem e/ou auxílios públicos e sejam. Rio de Janei- outro. também não se faz menção a este tipo de consulta prévia. a mantenedora Seses foi reconhecida como de utilidade pública estadual * Esse ponto parece ser fundamental. no mínimo. Aí eu abri a mica. p.estaria ligado a pressões relativas à viabilidade mantida na definição da natureza da instituição. que teria constatado uma série de irregularidades nas IES que no campo do Direito. O caso das entidades 3 Seses. Mas. em janeiro de 1974. Agora. beneficiar das isenções relativas a esse programa. tenham elas. ou seja. dava algum recurso. No caso das IES que realizaram essa passagem. é um crescimento empresarialmente orientado. (CAVALCANTI NETTO.101 que. na medida em que. como de utilidade pública federal (BRA- Fernandes. caso também do Fundo de filantrópicos do então Conselho Nacional de Serviço Social. juridicamente.100 A u n i v e r s i d a d e brasileira e o P N E Ae c o n o m i abaseadano"cercamento"d oc o n h e c i m e n t o :globalização. mas. citado em: BRASIL (1970a). no caso da transferencia de IES. por exemplo. uma IES que.e d u c a ç ã o . do modo como as IES se '% Processo n° 537/70. ci. em seu pedido para abertura da Fades. a emergência de entidades mantenedoras com fins lucrativos. faz-se fundamental refletir sobre o papel da relação mantenedora. . passando. Neste sentido. o certificado de fins Prouni. patrimônio formado a partir de subvenções cas. como: sonegação de impostos. distribuição de Cavalcanti Netto (2Q02) reconhece a importância da demanda repre- lucros. essa "prestação de contas" aos órgãos oficiais não ma de isenção fiscal e previdenciária . atuar em busca do lucro. na prática. Em segundo lugar. a poder receber auxílios e/ou subvenções públicos.

com 7. estatuto da filantropia. Essa comissão de con- Na década de 1980. p. recebeu da Universidade Estácio de Sá. em 1993. Zimmer. o que seria demonstrável a partir da diminuição das taxas 1987 (BRASIL. na medida em que permitiria modificar a distribuição do cor- do com a Lei n° 5. Declarou poder aumentar o número de alunos em 10 em 2007. 2010. era a seguinte: 78% de cer n° 814/86 (BRASIL. a SRF. 12 de autonomia exclusivamente para as instituições universitárias pela Cons. uma projeção de maior investimento se sob o "guarda-chuva" das isenções fiscais e previdenciárias devidas ao em ensino.br/buscatextual/visuaIizacv. Cabem aqui algumas tituição Federal de 1988. após dois Pessoa Jurídica e da Cota Patronal da Previdência Social. outra projeção referia-se ao corpo docente que seria a transformação em universidade pela via do reconhecimento. . estaria de acor. 34).do?id=K4780084D4>. o ciclo expansivo iniciado no período ditatorial sultores foi constituída por meio da Portaria CFE n° 4. que resultam. entre 1974 e 1984. .540/68. A Estácio executou a transformação societária em questão. entre outros dispositivos. ainda. expansão realizada pela Seses. em uma primeira leitura. pesquisa e extensão. A carta-consulta apresentava.7%). a Estácio Participações afirmou contar. então. Essa possibilidade de criação de cursos e maior curtas observações: em primeiro lugar.. de grandes investimentos em infraestrutura.org. pesquisa e extensão. teria dado parecer 11Disponível em: <http://buscaíextuaI.a cinco meses Foi o caso da Seses. a transformação da figura jurídica filantrópica em sociedades empresariais. em 2010. Com um novo plano de carreira implantado . na postulação de Sá. 1987). É possível.1%) ao final do período. . é revelador. e era formada pelos professores Lauro Ribas de crescimento do setor.100 A u n i v e r s i d a d e brasileira e o PNE Ae c o n o m i abaseadano"cercamento"d oc o n h e c i m e n t o :globalização. vincular e prestava. Acesso- s Segundo documentos da própria Estácio Participações S. segundo informações disponíveis em seu Currículo Lattes . o que leva uma parte significativa do setor privado a buscar Em segundo lugar. A. esse momento também foi marcado por disputas em torno da Mérito por serviços prestados à educação brasileira e à Universidade Estácio educação superior. que. A Seses comprometia-se a contratar pro. A. para isso. mente pelo relator Tarcísio Guido Della Senta. Toda a 9 40% sem precisar.072 docentes. 10 fessores com maior titulação e a ofertar bolsas para qualificação do então Apenas para efeito de dimensionamento do crescimento da instituição. " Disponível em: <http://www.abcd. como manejo da oferta de vagas fora do controle do CFE . que.configurava-se muito atrativa para aqueles interessados na consulta de uma IES que buscava justamente este estatuto há dois anos.. enquanto universidade se caracterizaria pela presen- parte do CFE representasse os interesses desse segmento privado-mer. poucos meses antes de abrir seu capital na Bovespa .7%) em relação ao crescimento das matrículas no setor privado mento do país.cnpq. de 2011. de 30 de janeiro de teria se esgotado. gresso Internacional de Educação a Distância . desde a década de 1970 até 2007. Ronald Braga e Edi Madalena Fracasso. po docente por regime de trabalho. lucratividade. anos de acompanhamento planejado. em todas as regiões do país (Estácio Participações S. contrário a essa possibilidade. que fornece as informações para o julga- mento que seria realizado pela Comissão Especial de Universidades e do Plenário do Colegiado do CFE. aprimorado. 1986). serviços de consultoria para a empresa. Foi acompanhada inicial- é possível observar uma maior taxa de crescimento das matrículas públi. Edi Madalena Fracasso 11 mico" teria minado a demanda educacional para este nível de ensino. das quais se ressalta aqui a do Imposto de Renda de O parecer elaborado pela Comissão de Consultores do CFE. ainda que este tenha mantido a maior parte do total de matrículas Zimmer veio a ser reitor da Universidade Estácio de Sá entre 1991 e 1997 (59. ao ser consultada sobre 10 mar.em que pese que boa instituição de ensino. Acesso: 10 mar. En. Em 1985.htm>. da pesquisa. 2011.br/congresso2005/por/2immerHOP. segun- essa desaceleração ao momento econômico atravessado no fim dos anos do informações curriculares dispostas em seu nome no site do 12° Con- 1970 e início dos anos 1980: o esgotamento do modelo do "milagre econô. em razão de afasta- cas (67. a medalha de Honra ao tretanto. a Estácio de Sá só abriria mão atual corpo docente . encaminhou carta-consulta ao CFE da votação do parecer este seria o ponto nodal para o desenvolvimento sob o argumento de que. foi substituído pelo conselheiro Ernâni Bayer. reconhecida como universidade. realizou. ça indissociável de ensino. 101 de entidade filantrópica sem fins lucrativos. Lauro Ribas (38.e d u c a ç ã o . Sguissardi (2008) mostra que. Algumas afirmações do parecer são essenciais. Um resumo da carta-consulta consta do Pare. a insistência na autodefinição. ainda em 2005. o que é notável em carta- cantil .

1980. para mim. educação superior. mestrado. 3. É claro que esta re- poder abrir o curso que quisesse e dentro da lei.1%. o regime de acumulação com dominância financeira não pode existir sem o apoio de um imenso processo de mudan- Esta fase da acumulação capitalista denominada mundialização. 15. Deseja-se. apa. 39. de modo concentrado. deiras democráticas e progressistas que emergiram na luta contra a dita. mos: a criação de capitais fictícios e a transferência efetiva de riquezas tinha-se que fazer política e ir lá.6% de tempo parcial e 6. A única importância.100 A u n i v e r s i d a d e brasileira e o PNE Ae c o n o m i abaseadano"cercamento"doc o n h e c i m e n t o :globalização. (2003) mostram. transformaram o país no que.5%. aqui. mas é a esfera financeira que define a repartição e o destino social da o curso que quisesse à hora que quisesse. como o aumento dos juros nos Estados Unidos a partir de 1979 dura militar. como a centraliza. 101 horistas (horas-aula). já despontavam processos para que. escorada no "gri- representava uma redução do corpo docente entre 1986 e 1988. civil-militar e a ação dos organismos internacionais na reconfiguração eco- nômica e política dos países da periferia. conteúdos e resultado diferentes. . cada vez mais.. nos anos as para "sua entrada no admirável mundo novo" da globalização.5%. Entretanto. tentando eliminar do horizonte as utopias e finalizar a 332-333) afirma: História no quadro do capitalismo. Sendo universidade. ção e concentração de capitais. apresentou-se a mundialização como caminho único do Sobre a transformação em universidade. . especialmente no caso da embora compartilhe com este algumas características. sição socialista. dc ser universidade. no caso da América Latina e do Brasil. Ou seja. a do Paulani (2008). Nesse ponto. Chesnais irá insistir: a repartição e a destinação rapidez às necessidades sociais que emergiam numa época de muita transi. além de acentuada interpenetração entre com a seguinte titulação: doutorado. sofre. a única importância em ser universidade era isso: eu queria desempenham papéis decisivos na esfera financeira. segmento privado-mercantil Segundo Chesnais (2005). segun. nos países centrais. dívida pública e as políticas monetárias. Para mim. como processo de acumulação de capital. quando queria abrir um curso novo. e graduado. Era muito complicado. que se manifestaria também como 3 Os anos 1990 e o novo ciclo de expansão do reforma dos sistemas educacionais ensejados pelos governos de cunho neoliberal que assumem o poder na esteira da redemocratização. Cavalcanti Netto (2002. p. regime de acumulação com predominância financeira (CHESNAIS. como catapulta das crises da dívi- ram um verdadeiro ataque.3%. o faculdade. engendrado pela tentativa de recomposição dos da em 1982. a produção de conhecimento e acordo com Chesnais (1996).1%. exigindo a reforma dos sistemas educacionais. 1. Isto porque. emerge no transcorrer da década de 1980 e de tecnologia é. crise do milagre econômico e do sistema de dominação política da ditadura ra do capital.. no caso dos países da periferia. de 637 tante" triunfo do capitalismo e no fracasso de determinada forma de tran- docentes para 454. ou seja. de algum modo. desta forma. finanças e indústria. possui. 3. social da riqueza cabem. é um equívoco deduzir que. abria dos. 38. pode-se denominar plataforma de valorização financei. e já sentido.4% em tempo integral. ao punhado de atores que ção. era a seguinte: sendo Chesnais (1996) reafirma que é na produção que se cria riqueza. Assim. atravessada por demandas que acabam se diferencia tanto da fase fordista quanto da fase inicial do imperialismo e. tinha que fazer um pedido que se dá pela conjugação dos diferentes trabalhos socialmente combina- ao MEC. como se verá a seguir. serviu. especializado. para a esfera financeira. a partir daí. apontar para as conexões entre a emergência de um mas de Estado que. o Brasil vivenciou um momento em que as ban. 2005). que forçou tais países a adotar os pacotes de ajustes fiscais e patamares de acumulação capitalista e contenção da crise estrutural.5%. que têm como dispositivos centrais o serviço da Na década de 1990. já obstacularizadas pelos movimentos conservadores. ainda.e d u c a ç ã o . podendo atender com mais riqueza criada. de ças tecnológicas e organizacionais. a rigor. as . que preparavam a implantação das políticas de cunho neoliberal e as refor. doutorando. progresso social. as reformas apregoadas pelos organismos internacionais como necessári- rente já nos anos 1970. 14. e esse processo às vezes levava anos. Porque criar cursos sempre partição é altamente concentrada e se alimenta de dois tipos de mecanis- passando peio MEC era uma coisa muito dolorosa: perdia-se muito tempo. Chesnais et al. mestrando. o circuito da financeirização se completasse.

Imbuído de forte racionalidade meritocrática. Já nos informes financeiros que precederam a abertura de capital.3 bilhão e líquida de RS 860 milhões Pernambuco. a Estácio Participações S. á vista. Entretanto. 16 A rigor. em municípios como Resende. o Garantia Participações S. e a inovação na oferta de cur- 14 !S Optou-se aqui. 15 Assim. por meio de uma ma-universidade (Unesa) em nenhum destes estados.inicialmente compartilhada com os sócios fundadores e princi- nhia . de aquisição: R$ 259. Espírito Santo. foi contratada a K2 estado. e já em 1996 abriu diversos campi no interior do em 2005 contratou-se a Comatrix Soluções. mas expressam o movi. o GPCPIV. como resultado do aumento do número de egres. PARTICIPAÇÕES S. Zona padrões gerenciais do mercado". junto e como financiamento público indireto deixou de existir.. a Universidade Estácio de Sá (Unesa) ini. Garantia . sociedade anônima. com a implantação das políticas neoliberais no Brasil. mos das reestruturações necessárias a tornar uma empresa "interessante" te das classes populares. Assim. chegando a ser apresentado como forma de equiparação tributária prio espaço de educação superior em lócus da acumulação de capital e entre entidades sem e com fins lucrativos (ESTÁCIO PARTICIPAÇÕES. em primeiro lugar. do ponto de vista do investimento financeiro. mercadorizar e sos. especialmen. Para maiores detalhes. já tinha Cavalcanti Netto... Nova Friburgo e Niterói. ceberam unidades. 101 mudanças se realizam apenas no sentido de empresariar. Ainda em 1992. a intensificação da extração de mais-valia intensiva e extensiva. Tiradentes (2009. em participações.e d u c a ç ã o . iniciou sua expansão em plano nacional: São Paulo. 70). 105) sos do ensino médio. investidor) e GPCPIV.. deixando súas marcas na vida acadêmica base de alunos. a esta altura. para gozar da maior autonomia desse tipo de instituição. 2007b. já dotada de autonomia universitária. Assim. Em 1997. o que dência. desde que estes provassem ser capazes de oferecer retorno (ESTÁCIO privatizar a própria produção de conhecimento. empresa aberta de que então era controlador . nesse caso. Em 1998. A. na década de 1990. em assembleia presidida por João Uchôa de 20% do capital social da Estácio Participações.Moena S. formado por Private Equity C.. buscando sempre maior margem de manobra em suas operações . teve 20% de suas ações compradas por um dos fundos geridos pela GP Investments. que não se entenda que o mento do capital que se realiza contraditoriamente.100 A u n i v e r s i d a d e brasileira e o PNE Ae c o n o m i abaseadano"cercamento"doc o n h e c i m e n t o :globalização. A. 2 0 1 1 . p. p. . . O Prouni realiza esse pa- parte de uma mesma totalidade. Pará e Ceará foram algumas das unidades federativas que re. para dizer o mínimo. A. Em maio de 2008. Bahia. pode-se observar a transformação do pró. Consultoria.720. foi preparado com antece- ciou seu novo ciclo de expansão. a compra das ações pelo Garantia se faz por meio de um fundo de investimento 13Esse processo foi curioso. segundo os cases disponibilizados por estas mesmas consultorias. e aprovar um novo estatuto social da compa. uma receita anual bruta de RS 1. 1 0 8 ) . Oeste do Río de Janeiro. em um processo de reengenharia que não dispensou a contratação permitia a abertura de cursos e oferta de vagas. campo cuja tônica atual é a dada pela financeirização. Entretanto. de consultorias empresariais especializadas em preparar empresas em ter- contando com uma demanda significativa por ensino superior. Mato Grosso do Sul. feito em moeda corrente. adquiriu cerca Ao fim de março de 2007.330. como parte dos preparativos para a abertura de capital realizado uma série de aquisições e fusões no país e até fora dele . adoção de Unesa expandiu-se. A.engendrou a ênfase em corte de custos e em operações orientação para a expansão na escala das atividades era clara: aumentar a que seguem a lógica financeira. em que organizou os cursos preparando a empresa para a passagem a uma gestão profissional. customização. desenhando uma expansão que caminha pari passu resume o significado real desses termos:"[. a 13 pais acionistas . que é gerido pela GP e também é aplicado em outros Aqui a empresa apresenta a intenção de transformar algumas faculdades em centros investimentos.. que. abrir e adquirir novas unidades. p. decidiu-se constituir a empresa Estácio Participações S. pel. 2007a). O preço 10 na Bovespa. A. em direção à Barra daTijuca. A. controladora de mantenedoras do setor educacional. criou o denominado Instituto Politécnico.. O imtial public offering (IPO). (ESTÁCIO PARTICIPAÇÕES S. A. por razões de espaço. a Seses não se expandiu privilegiando a for. No caso da Estácio Participações S. Em 2006. LLC (co- 14 universitários. 'e com o apoio da LDB/96. a gestão iniciada pelo pela subscrição de ações. O resul- sequenciais. tado desse conjunto de procedimentos pode ser observado ao final de 2007: Minas Gerais. ver: VALE (2011).00. por n3o tratar do caso do Fies. Santa Catarina.] corte de custos. .

p. trata-se de uma empresa com controle pulveri. Parecer n° 814. ou seja. Conselho Federal de Educação. 4-7. 263. DF. DF. com mais de 70% das ações nas mãos de acionistas diversos. em um segmento que concen- financeirizado e com presença de capital internacional. Documenta. contábil izando-se as educacionais. Daí o segundo eixo de análise estar no questionamento filha. Parecem 1. 101 e administrativa do conjunto das IES que controla. buscou-se aqui sintetizar dois eixos de re. das políticas estatais que. Conselho Federal de Educação. Orçamento Base Zero.n. criando uma composição acionária nova. o. DF. reta dos interesses empresariais no próprio aparato estatal. bem como as tado e calcado em financiamento público. manência e aprofundamento dessa racionalidade que beneficia as empre- Em 2010. mas como o resulta- de 2008 com a consolidação das aquisições e a incorporação de 12 novas do de uma política . p. A expansão delineada a partir da década de 1990 realiza-se pela per- a receita bruta chegou ao total de RS 1. Portarian°4. criam algumas das bases cada vez mais importantes para a emergência de dora do controle da empresa. do segmento privado-mercantil. no limite. ainda que indireto. A nova composição acionária apresentada é a de uma empresa sem um acionista controlador e concreta- mente majoritário. . as metas para o do Conselho Federal de Educação é paradigmática desse processo. se como oportunidade de negócios para fundos de investimento de qual- com bastante expressividade no campo da educação a distância. aprofimdando-se uma orien. Parecer n° 422. centrada na redução de custos 115. p. 336. O primeiro eixo privilegiado é aquele Brasília.100 A u n i v e r s i d a d e brasileira e o P N E Ae c o n o m i abaseadano"cercamento"doc o n h e c i m e n t o :globalização. p. um novo IPO lançou ao mercado as ações de João Uchôa e sas educacionais. 2011). 313. privado-mercantil como uma anomalia ou como resultado de uma espécie derada como "gordura".1 bilhão e líquida de R$ 860 milhões. n. Brasília. 312. bem como um novo arran.016. Parecem 388/70. 1970b. DF. incluindo aí as apresentando diminuição do ritmo das fusões e aquisições e "freando" instituições e estruturas que forjam o sistema econômico e financeiro em temporariamente a concentração e a centralização no segmento privado. esmiuçando e enxugando toda despesa consi. os primeiro caso. . os programas de remuneração variável. permitem e jo administrativo. a nosso ver. Documenta. 4 À guisa de considerações finais . 163-188.459. 1987. Assim. p. ano não tenham sido atingidas. 0 tação empresarial de cunho financeirizado. 90-95. 1986. n. DF.que beneficiou imensamente esse empresas mantenedoras e suas IES (VALE. Embora. a empresa apresentou resultados positivos. Conselho Federal de Educação. Brasília. quer parte. Documenta.e d u c a ç ã o . BRASIL. dez. . Brasília. campanhas para empenhar os docentes no combate à inadimplência dos escudado em uma política privatista que. Documenta. especificamen. inclu- indo a presença de fundos de private equity. de 4 de junho de 1970. n. penetra o próprio coração do Estado brasileiro.de Estado . Outro exemplo importante è. A atuação mercantil. Referências zado.0 De modo muito resumido. no que remete diretamente à própria trajetória da Estácio de Sá. 115. 1970a. Conselho Federal de Educação. se. Realizou. Resultados. jun. Resultados auferidos tra a maior parte das matrículas nesse nível educacional no país e afigura- no ano: receita bruta de R$ 1. Brasília. Conselho Federal de Educação. Documenta. o militar. de 2 de dezembro de 1986. de 28 de novembro de 1988. os programas de dados apresentados expressam forte crescimento empresarialmente orien- incentivo à qualificação e código de ética e de conduta. jun. 1988. desde o período da ditadura civil- alunos-contratantes. a aquisição de duas novas unidades. e aumento da lucratividade. . 56-58. te.205. no segundo caso. como o Prouni e o Fies. no qual parte-se sempre do zero na elaboração do Derivado da observação acima. n. segundo os relatórios examinados. que se movem as empresas. . . na medida em que representou a saída da família funda. ainda. flexão sobre a expansão da educação superior brasileira e. não se pode pensar o crescimento do orçamento do ano seguinte.7 bilhão. empresariado. forjada em um momento específico de penetração mais di- O ano de 2009 foi marcado pelos reflexos da crise financeira de 2008. Podem-se citar. para o benefício dos acionistas. de 30 dejaneiro de 1987. agora um grande conglomerado de ensino gigantes financeiros no setor educacional. a empresa educacional fechou o ano de ausência de direção ou planejamento educacional.

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todavia. Carina Elisabeth Maciel 2011. 105. algumas questões dividem perspectivas: quem é favorecido pelo acesso à educação superior? Quantos acessam? Que tipo de acesso é desenvolvido? Acesso e ingresso na educação superior são sinônimos? O acesso à educação supe- rior promove outros acessos? O que significa acesso na perspectiva do discurso de inclusão? Instigadas por essas reflexões. vinculados a diversas universidades e à Rede Universitas/BR. e Tereza Christina Veloso 1 Introdução O tema "acesso à educação superior" manifesta-se fluentemente nos 1 documentos que tratam das políticas da educação superior. n. 2011. André Vianna (Org. a princípio. Rio de Janeiro. In: MONKEN. dez. Rio de Janeiro: EPS JV. VALE. Tese (Doutorado em Políticas Públicas e Formação Humana)-Faculdade de Educação.). 2008.100 A u n i v e r s i d a d e brasileira e o PNEAeconomiabaseadano"cercamento"doconhecimento:globalização. v. trabalho docente e qualidade da formação humana sob o efeito do "mercado educador". v. sob o debate da inclusão Estudos de politecnia e saúde. e suas implicações para o acesso e a permanência de estudantes". as autoras abordam neste texto o acesso à educação superior do ponto de vista conceituai e de indicadores possí- O estudo faz parte das atividades da pesquisa interinstitucional "Politicas de ExpansSo da Educação Superior. TIRADENTES. DANTAS. Contudo. 95-119.. 29. SP. . da mesma forma que em pesquisas e produções acadêmicas. 2011. Tal pesquisa. Aparecida. Universidade do Estado do Rio de Janeiro. encerra consensos. por sua vez. Modelo de expansão da educação superior no Brasil: predomínio privado/mercantil e desafios para a regulação e a formação universitária. 4. p. Maria das Graças da Silva. Educação d Acesso à educação superior Sociedade.101 SGUISSARDI. Ásfaculdades privadas nãofazem pesquisa porque não querem jogar dinheiro fora: a trajetória da Estácio de Sà da filantropia ao mercado financeiro.Observatório de Educação/ 2012. da qual participam as autoras. no período 2003-2010. Acesso cm: 22 set. novos modelos produtivos. integra a que se denomina "Politicas da ExpansSo da Educação Superior no Brasil" . estudos indi- cam que seu entendimento propriamente é pouco enfocado ou apresenta- se evasivo.scielo. financiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico.. que envolve um conjunto de pesquisadores de quatro regiões do pais. Mauricio.educação.br/ sciclo. Valdemar. Disponível em <http://www. Educando trabalhadores na "universidade micro-ondas".php?script-sci_arttextcS:pid=S0101-73302008Ü00400004&lng=pt&nrm==iso>. Andréa Araujo do. Campinas. O acesso. 2009.

transcender a contradição que são avaliadas como bem-sucedidas. num sentido mais proíimdo.e d u c a ç ã o . destacam-se Numa definição preliminar. refere-se a um pertenci- De modo geral. pondo em destaque o significado do discurso de inclusão abordado na perspectiva da expansão de vagas e matrículas. pondo temáticas. um referencial. diante do desafio de "democratizar o emerge da compreensão que o relaciona à dualidade "integrado/não integra- acesso". . A determinação dos textos que elegiam o acesso como tema se fez a partir do titulo e mediante a leitura do material em sua extensão. do". um corpo de ideias que pudesse expressar de forma siste- sivamente. 1997 e 2002 não foram identificados trabalhos sobre o tema. e o privado. acessar corresponde a usufruir um bem. rior. rior. ideias desenvolvidas em: SILVA. sendo que. fez-se um mapeamento das publicações do Grupo de Traba. indicam a complexidade do tema "acesso". 1996. VELOSO (2010). Além disso. . a distancia. Para respaldar o estudo. de inclusão. acesso significa "fazer parte". 1 O levantamento é apresentado mais extensamente em: SILVA. a partir do em evidência. de igual forma. 1 Esse item expressa. viu-se que o acesso é discutido por meio das modali. ou de natureza racial. participação. motivou a construção de Ressalte-se a dificuldade em classificar os textos sobre acesso exclu. num enfoque conceituai. Tomou-se a produção desenvolvida de 1995 a 2009.100 A u n i v e r s i d a d e brasileira e o PNE Aeconomiabaseadano"cercamento"doconhecimento:globalização. acolhimento. com frequência. tos textos um esforço no sentido de qualificar o acesso. desigualdade de classe e/ ínelusão no nível superior. o que totalizou 178 artigos. sem maior preocupação com a vistas àapreensão inicial de um tema. bibliográfica e de dados obtidos no Censo da Educação Supe. assim. de certa forma. que o enfoque predominante na produção tex- tual sobre acesso incide sobre o fenômeno do ingresso na educação supe- 2 relação às pesquisas produzidas na pós-graduação no Brasil. E. considerando as comuni. uma compreensão mais apurada sobre o acesso. o acolhimento dos estratos carentes da população. As múltiplas conexões que encerra.Política da Educação Superior. na maior parte dos textos. Nesse plano. Para subsidiar os estudos introdutórios sistematização de uma ideia determinada. Foi o que se tentou construir neste texto. 2 Breve panorama das pesquisas sobre acesso Chamou a atenção a limitação de estudos que elejam como alvo o significado do acesso. A escolha da entidade pautou-se em sua representatividade em Ficou evidente. apresentam-se em associação com matizada seu sentido. cações orais. Entretanto. formação anterior à de nível superior. dos quais 17 tratam do acesso. em 1995. pode ser afirmativas. É também em que está intimamente implicado o sentido de igualdade e liberdade. remete a inserção. "parte/todo". da Associação Nacional de crático" ou "inclusivo". Acesso. mais adiante. visto que. via de regra. bem como de formas e programas de ingresso. mento que se liga indissociavelmente ao senso de coletividade/universalida- dades e estratégias de ingresso presentes nas IES. a partir dos quais se pretende dimensionar o acesso na perspectiva da gratuidade. Tal evidência. dada sua recorrência nos textos. 3 Acesso segundo suas dimensões e indicadores Em relação aos anos de produção. que preconiza o acesso. as ações/modalidades entendido mais profundamente. 101 veis de balizá-lo. manifesta-se nos textos o debate da permanência. nota-se em cer- sobre o acesso. a exemplo da educação de e à práxis criativa. . associada à carência de textos que se dedicassem a é um espaço que sintetiza a profusão de temas e tendências em curso. ainda. A partir de 2006. Nesse sentido. por conse- 3 análises de experiências de instituições de ensino superior (IES) com ações guinte. prívilegiando-se um trata- O levantamento da produção textual é uma estratégia interessante com mento pulverizado por enfoques variados. VELOSO (2013). entre outros. de forma a. valem-se da pesquisa pondo-se em evidência comparações do crescimento entre o setor público documental. a ideia de acesso na perspectiva do discurso material disponível na home page da Anped. seja como "demo- lho (GT) 11 . De todo modo. em parte. que fosse possível dimensioná-lo. comumente. na seleção. outros temas. traduzindo-se pela preocupação com Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (Anped). foi inevitável considerar interfaces permitindo qualificá-lo.

faz-se necessário o enfrentamento da desigualdade social. há de abarcar a qualidade da são. pretendendo remeter a nas políticas de educação superior pode ser compreendido como meio bases materiais e subjetivas que favoreçam a apropriação do conhecimento para desenvolver políticas e ações que favoreçam a inserção de grupos crítico e à formação de sujeitos-protagonistas no processo educacional. p. Destaca-se que as leis ou programas sociais. posterior- formação. de Kosik (2002). em que diplomação e à interiorização. para a qualidade na formação. o desafio que se lança. à taxa de como ser social". tigativos. 101 Tal entendimento inspira-se em Marx (2005). são os indicadores: formato seletivo. todos. é limitante ver nisso um desfecho.e d u c a ç ã o . quer dizer. organização acadêmica. é necessário considerar a dimensão de permanência. É. pedagógica e financeira. rio ligar ao acesso uma dimensão que abrigue noções de objetivos educaci. É vo prioritário da educação ou do ensino. O sentido da incíusão. igualmente. parte-se para a compreensão do sentido da inclu- percurso bem-sucedido e concluído. uma visão fragmentada e imediatista. resultam de O passo seguinte refere-se a construir indicadores para cada uma das embates e da luta política. inclusão. que o individual não se descola do coletivo. Assim sendo. cial. avaliação institucional. o que eu próprio observação da oferta de vagas e da quantidade do ingresso propriamente. que sinaliza o mensões indissociáveis. A inspiração vem. Esse movimento se dá . Mesmo levando em conta o viés importante. sos e intrínsecos aos sujeitos sociais envolvidos. como indica Kosik (2002). os quais tenham potencial de aferição na realidade.. é possível a práxis se constitui na unidade do indivíduo com o mundo. Enguita (1996. que se concretiza mediada por interesses diver- dimensões. localizada desde "[. Por conseguinte. coincidindo em aceitá-la como objeti. . Segundo Almeida (2009). destacar que. programas de implica o ingresso a esse nível de ensino. desenvolve e normatiza políticas públicas. regime de trabalho do corpo docente. dimensionando-o do ponto de vista da ideia de inclusão. percorrido o sentido do acesso segundo suas três di- Assim. devido a que mente. contrapondo-se a do o sistema vigente. propõe-se a própria existência é atividade social. Registre-se que os indicadores sugeridos podem ser ampliados ou Sob tais referências. 4 Política de educação superior e o discurso de inclusão do da Educação. que talvez mereça uma argumentação mais detida. tratam das políticas educacionais. .e ao Estado. de do. escolha o espaço acadêmico. E. Cumpridas tais etapas. adotar conjuntamente o ingresso. entre outros. acesso limitações do texto. Acolhe-se o termo "formação qualificada". participação discente/docente nas decisões. indaga-se: é possível estabelecer parâmetros para alterados ao submeterem-se a específicas realidades e enfoques inves- avaliar o acesso na realidade? É o que se tenta formular no que segue. 95) expressa que qualidade é a palavra em moda no mun. autonomia políti- que pesquisas sobre evasão têm mostrado que o ingresso não assegura a ca. uma vez que o sistema capitalista tem por objetivo a manutenção do Assim. mas manten- na formação alarga e aprofunda a definição do acesso. a permanência e a qualidade status quo. como educação. ao que o texto se dedica a seguir. igualmente.100 A u n i v e r s i d a d e brasileira e o PNE Aeconomiabaseadano"cercamento"doconhecimento:globalização. resultando na minimização das fraturas sociais. implica reiacioná-lo ao contexto so- des educacionais [. produção da pesquisa. são. no ato de passagem para fixação do estudante. concorrendo para banalizar seu sentido. No entanto. que elabora. ao cabo. embora aqui não considerados pelas Na perspectiva da educação superior. significando dedicação. Não menos importantes. de início.] as declarações dos organismos inter- nacionais até conversas de bar. Assim sen- que expresse o conhecimento como um modo de apropriação do mundo. produzo é para a sociedade que o produzo e com a consciência de agir Como indicadores da permanência. em sua ter em vista: categoria administrativa. titulação e objetivação no mundo para a realização da liberdade humana. efetiva continuidade ou a conclusão do trajeto acadêmico (VELOSO. 2000). para quem. Por fim.. a contradição é um dos elementos fundadores do discurso da inclu- compreensão e recriação da realidade. passando pelas manifestações das autorida. para uma apreensão crítica sobre a ideológico presente .. o discurso de inclusão que se apresenta onais. dados relativos à matrícula.. visto do curso. Para tanto. pois.o que requer uma depuração considera-se necessá. de início e objetivamente.]". Ou considerados excluídos de direitos básicos. "A minha a fim de analisar o acesso em sua etapa inicial (o ingresso). enfim. procura-se identificar os indicadores que favoreçam o exame do se tornou lugar-comum seu uso em discursos ou documentos oficiais que acesso.

favorece que estudantes que residem em locais ando e amalgamando as políticas públicas. porém. intensifica as forças do capital e os ideais liberais. mantém-se o incentivo recomendado pelo Bird à iniciativa privada". o programa é descrito como meio para se atingir a inclusão destrutivos do capital.menos favorecidas. que condicionam os públicos. A manutenção do poder é o obje. Mas. . 8) considera que: "O Programa Universi- tivas na base da estrutura da sociedade. 2. cujo principal indicador é o baixo percentual de alunos com idade entre 18 e 24 anos das políticas de educação superior do país. aumentando a sob essa perspectiva que se identifica a formação e a organização do Esta. efetivado no governo Fernando Henrique so da inclusão para encobrir interesses econômicos. que as contradições presentes na sociedade civil também apa- moderno Estado nacional. de inclusão social. que ele favorece correr da História. desde que atendam aos critérios estabelecidos pelo edital. como expresso no documento do Ministério da Administração Federal e Reforma do Estado. o que acentua o processo de privatização desse nível de educa- poderes e as forças instituídas. Carvalho (2006. O programa reserva uma cota dessas bolsas para negros. na verdade. No governo Lula. estabelecendo oportunidades para vencer as desigual- 2003. que propaga o discurso da inclusão sem conceber mudanças significa. LOPREATO. indígenas e pessoas recer parte da população em face das condições de produção e de circu. privatização da educação superior: pardos e índios. de 13 de janeiro de 2005. oferece bolsas em IES privadas para têm por objetivos a democratização da educação e a inclusão social. quisa sobre o financiamento da educação superior desenvolvida por Car- . As relações sociais orientadas pela lógica da globalização compõem o entretanto. te. nomear de Estado contemporâneo capitalista (WALLERSTEIN. Um programa que tem sido foco de análises e de críticas é o Programa Carvalho e Lopreato (2005) identificam que o Prouni é um dos proje- Universidade para Todos (Prouni). De acordo com pes- Cardoso.e d u c a ç ã o . o Prouni surge acompanhado de um discurso de justiça O Prouni é um dos programas que bem representa as características social e de inclusão das camadas sociais.096. Essas características definem o que podemos nível de educação. do. pela Lei n° tos que compõem o quadro da reforma universitária do governo Lula e que 11. p. dades" (BRASIL. grifos dos autores e nosso). 101 mediante condições objetivas postas na realidade. social: "Ao reservar vagas para afrodescendentes. mas financiando o setor privado com recursos públicos. Institucionalizado eni 2005. 2004). dade para Todos surge como excelente oportunidade de fuga para frente tivo principal do Estado. (CARVALHO. O Prouni é identificado pelo governo federal como um dos programas O Estado moderno assume diferentes formas de organização no de. p. e. En- estudantes com baixa renda e que ainda não tenham sido diplomados nesse tretanto. novamen- são precisa ser compreendido. grifo nosso). que expressam a concepção de inclusão. 2005. com deficiência. Caracterizando-se como recem nas análises tecidas: ao mesmo tempo em que o programa destina um movimento. 2008). minimizando seus efeitos perversos (SENNA. A relação entre o Estado moderno e o desenvolvimento de políticas Nos textos de divulgação do Prouni e no manual do aluno publicado sociais fica compreendida como meio para amenizar os efeitos em 2008. 101. e é por esse movimento que o discurso da inclu. por meio de reformas orientadas onde não existem IES públicas ou vagas no setor possam frequentar esse por organismos multilaterais. o Prouni caracteriza-se por um importante mecanismo lação do sistema societário. em consonância com as políticas de Estado. expressando uma compreen. É parcela de indivíduos que não têm acesso às vagas públicas. oferta de vagas. para as instituições ameaçadas pelo peso das vagas excessivas. p. CASTEL. esse discurso encobre a são neoliberal acerca do financiamento de IES privadas com recursos 4 pressão das associações representativas dos interesses do segmento pri- vado. 4A compreensão de "neoliberal" deve-se à similaridade com a lógica de financiamento do Como se nota. 2009. . influenci. especialmente no que se refere a condições econômicas do candidato. para favorecer a manutenção do sistema capitalista. ção. tanto para manter o status qito quanto para favo. Nesse sentido. É necessário ressaltar. justificada pelo alto grau de vagas ociosas. apontam-no como um dos mecanismos para a efetivação da nível de educação. recursos às IES privadas.100 A u n i v e r s i d a d e brasileira e o P N E Aeconomiabaseadano"cercamento"doconhecimento:globalização. em seu cunho neoliberal. as considerações apontam para a utilização do discur- setor privado com verbas públicas. freqüentando o ensino superior. Atente-se.

permite avaliar certas características. tem-se o a estrutura acadêmica das instituições. do. também. observa-se que. a taxa de crescimento da oferta de vagas do setor dades de acesso e permanência na universidade pública a todos os cida. tendo em vista um panorama mais O Reuni inseriu novas propostas para os Institutos Federais de Ensi. a partir de 2008. 6. 2007. A par disso. interface com o acesso. tendo em perspectiva as dimensões sugeridas no texto aumento das vagas em cursos de graduação no turno noturno é uma estra. ria administrativa. apresentadas nos dados consolidados do Censo da (estudantes-trabalhadores) e ampliar as vagas públicas. a seguir discurso da inclusão como "igualdade de oportunidades": proçura-se explicitar certos indicadores. 2007. sem despesas com a Educação Superior (INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUI- construção de novos campi. a cada ano. Esta medida está diretamente associada 5. os aspectos identificados na preendida como medida focal. dados referentes à década de 2000. Por sua vez. avaliação de crescimento. no Superior (Ifes). No entanto. o que sinaliza que a inclusão é com- privatização da Educação. dados do acesso são apresentados. 101 valho e Lopreato (2005). rida política. mas responde. o setor público. democratização do acesso c permanência de forma a promover Na avaliação do ingresso. por parte do Esta. efetivação das ações do Prouni demonstram que ele atende às expectativas No que segue.1 Indicadores da dimensão do ingresso à inclusão. permanência e expansão na educa. Assim sendo. 10). de acordo com a organização acadêmica e a catego- grantes dc um projeto de nação (BRASIL. apresentam-se dados do acesso à graduação nesse turno são trabalhadores (TERRIBILI FILHO.493) da Como se nota. taxa de crescimento. adotam-se nas estruturas físicas de universidades federais já existentes. ções acadêmicas e que. privado não universitário (271. explorar mais de perto suas características e estabelecer conexões com o do/mercantil. no período de mecanismos de inclusão social a fim de garantir igualdade de oportuni. grifo nosso). Em geral. o discurso da inclusão vem sendo incorporado ção superior.85%) é maior do que de outras organiza- dãos" (BRASIL. no que se refere a maior apoio financeiro. visualiza na Tabela l(na próxima página). a permanência e a formação com qualidade. visa a favo.779. sentido de Inclusão. representavam 57. 2013). Essa perspectiva é expressa pelo ingresso. . em . Propõe-se a avaliar indicadores extraídos nas sinopses estatísticas da recer o ingresso de um grupo específico de estudantes na educação superior educação superior. para as IES privadas. precisa ser avaliado com base no que se apresenta odo noturno.e d u c a ç ã o . e alguns dos indicadores correlatos. em 2010. o Parte-se do entendimento de que o discurso da inclusão. O educação superior. . p. Assim. perspectivas que costumam aparecer associadas à oportuni- nas políticas de educação superior como justificativa para colaborar com a dade oferecida a grupos específicos. ao mesmo tempo. na expectativa de de grupos excluídos. considerando cada uma das cita- A ampliação de politicas de inclusão e de assistência estudantil objetiva a das dimensões. compreendidas como partes inte. 2007). veja-se uma das diretrizes gerais do Reuni: "A disponibilidade Conforme os dados nela apresentados percebe-se que. na rado de questões relativas ao ingresso. entre 2000 a 2010. com o objetivo de ampliar a oferta de vagas e reorganizar Retomando as dimensões do acesso tratadas nesse texto. foi desenvolvido o Programa de Apoio ao Plano de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni). uma vez que muitos dos estudantes que optam por cursar a objetivamente na realidade. uma vez que tais vagas seriam disponibilizadas SAS EDUCACIONAIS ANÍSIO TEIXEIRA. na perspectiva de ampliar o número de vagas. em uma de suas dimensões.03% (1. inclusive no 5 A educação superior em números período noturno. não é possível identificar o discurso de inclusão sepa. o demonstrativo da oferta de vagas e sua a efetiva igualdade de oportunidades. igualdade de oportunidades para o estudante que apresenta condições sócio-econômicas desfavoráveis. oferta de vagas na educação superior. no ano de 2007. em sua qual incorpora. abrangente. a ampliação das vagas no perí. p.100 A u n i v e r s i d a d e brasileira e o P N E Aeconomiabaseadano"cercamento"doconhecimento:globalização. às pressões do setor priva. * tégia de expansão da educação superior que. conforme se Ainda a propósito de mostrar a recorrência do termo inclusão na refe.

2013). sua « £ CO r.e d u c a ç ã o . om rmi -3 IA 1 91 W cn m CM Si i Í5 S % CÚ LA IA m CD !SÍ 5 Í f mIA 00 ts s destacar que. constata-se que a procura pelos cursos no setor público sempre foi superior à no setor privado e. em 2010.21 m to 001 CO m fN Í S candidatos para cada vaga e uma taxa de ocupação de vagas de 95.af—i S r"CO. No entanto. segundo clas- o» <tNN Cl IA€ > IA ir" sificação do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Aní- < »í • rn NT» IA ov sio Teixeira (Inep). em meio a tal iniciativa. perma- 1o I 3w • rt >o m in o» m o 00 CO 03 • i • necem contradições que indicam a necessidade de maiores investimentos. É importante s «so 1 J3 O.25% m r-.79%. mais especifica- mente no Centro de Educação Tecnológica. segundo o projeto de alterar o quadro de extrema £ 0 o IS Afi elitização do ensino superior.54%. com indicadores de 8. com 18. com uma relação de 10.78 e 1. em que se agregam os cursos de graduação. avaliando essas taxas em relação ao número de ingressos. VA CN <J3 fA 3 CO « (N rn IN. Em contrapartida. Os dados demonstram que as vagas na educação supe- sl / j IAU3 % o> r«v IA co 1 Ov *r » (A IA U5 o . Ui § 2009.25%. •oo £r» K 5 ov IA 00 a & <4 0§0 CJiri <4 «* SE Não Universitários CO s s IA m a IN cn g f^ seguido pela universidade pública. f-.4%. 26%. a menor oferta de . consequentemente. ov PM B ÍN(Ti rv 3 R 50 «Oi •IACOOi mT~ & 9> »— m in<J> dessas vagas. sendo que. nesse período. (*V m rn OV IN cr IA <iC r" ocupação de vagas (INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUI- or-» O) toIA vo s IA LA cn OV SAS EDUCACIONAIS ANÍSIO TEIXEIRA. era de 14. a relação c/v para sO s 1 oCO OOk o essas áreas era de 1. mantém taxas superiores. Sobretudo <£ 8 rí in r>» Ov «0 o m «0 IA m 3t oT" no setor federal. . em a rÁ 8 0.76 e as taxas de vagas ocupadas eram de 1i n 1 ri o<N ors sH Ano rS § IN IN 51. 5 s ! PS co «í ^ctí c?|¥) awv ^ - 1 in 55 Outro indicador importante para a análise sobre o ingresso na educa- Universidades s«r IA 1 5to ei d co rv I r-» r*. o setor não universitário priva- do apresentava as maiores taxas de crescimento. . constata- u> r» OV o"1 u> o m tf> ÍN IO s se que corresponderam a 121. P > • cn" ttf ní U5* mm 2010. 101 100 todas as organizações acadêmicas. a maior concorrência (c/v) era no setor público. f S IA 00 CN CO V. £ IA CO IN nr » s 5 V «a. Negócios e Direito.67%. com oferta realizada pelo setor privado não universitário. no entanto. respectivamente. tà té tí un § considerando que a taxa de escolaridade líquida nesse nível de ensino. conforme dados da Tabela 1.. 5 & cr> O s ovca ção superior refere-se à distribuição de vagas de acordo com as áreas de o Kò IA Uu>3 cn Cl mcn oIN IAIO conhecimento. A IA o> m IA d rs inT" segunda maior concentração era na área da Educação.8 3o o> t-» CO s CU r-v IV 2 m IA d IO tô IN rior no país no período apresentado concentravam-se na área de Ciências r-» rv in 8 IN rsm tmo «£> O CL o 75 (N CN CN rM IA N LA fIN> fN Sociais. representavam 40. caracteriza-se a maior presença do Estado no financia- a ç? S5 fN S" h.10 e 94. r» IA" o<M|" o> TP o* Y m to ri (N Ao se verificar a relação candidato/vaga (c/v) bem como o percentual §S «A 8 3 £ 1m sr-i SIA r» xr Cl to so v so orvi KO f>. com uma procura de pouco mais de uma candidato para cada «í CN s l/í o> ov CO r». « oi in IN ^ ti IA N de ocupação de vagas. Em CO r- M? rj IA rg OO N m ^ $ s 5.29%. o que justifica os percentuais de não S o o r». sen- I 3<N 8 0«11 m r x rt vo cn CO i r» r* ÍN CO «N irsi CN N fó ÍÀ do essa a maior oferta pelo setor público. a> ocupação de vagas é maior em todas as organizações acadêmicas.46% e 46.' mento da expansão. ^ (N respectivamente. Os menores indicadores eram dos centros universitários oCO to s r» n s IO privados. f vaga. sendo sua taxa de ocupação equivalente a 39. no entanto. A u n i v e r s i d a d e brasileira e o PNE Aeconomiabaseadano"cercamento"doconhecimento:globalização.

187 eram públi- que concentram as menores ofertas de vagas. dos 28. o país se a áreas de maior concentração de vagas. correspondendo a 57. respectivamente (INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUI- criado em 2008. com 1. Associa.19%) quanto avaliar o quantitativo de matrículas nesse mesmo período. na medida em que avaliamos as concentrações de medido de algum modo pela distribuição de indicadores na capital e no ofertas de vagas em determinadas áreas em detrimento de outras. 2013).41% (10.93 e 4. com certo equilíbrio quanto à localização. pital somavam-se 86 universidades e 740 IES não universitárias. ao crescimento de matrículas equivalente tanto na capital (13.71%. 1. nas Ifes. enquan- abandono de cursos menores do que as demais.120 matrículas na educação supe- centros de educação tecnológica. justificadas pela ampliação de cursos tecnológicos nesse eram na capital e 52. de 4.2 Indicadores de permanência TEIXEIRA. o que leva a supor que essas instituições possuem taxas de concentraram seu crescimento no interior.e d u c a ç ã o . o que pode ser de cursos de graduação. Dessa forma. sendo 826 na capital.54% (INSTITUTO NACIONAL DE corrência. De acordo com o Censo da Educação Superior em 2010. nessas taxas: no setor público era de -2.76%. seguindo a mesma tendência nas universidades. Ao se analisar a oferta de vagas e ingressos. Quanto à organização acadêmica. sendo a taxa de 16. respectivamente. 101 vagas nesse mesmo período era na área de Básica de Cursos (área de período.21% e 11.67%. e a de aumento de 88. de 14.45%. que universitárias.64%).16%). no inte- SAS EDUCACIONAIS ANÍSIO TEIXEIRA.378 IES. to na capital chegou a 5. 2013).09% e no privado. ou seja.57% concentravam-se em universidades e 37. ao se examinarem as taxas de crescimento no período de 2010. tais indicadores concentravam-se nas instituições não universitári. se a isso o fato de que os cursos ofertados em períodos noturnos direcionam. respectivamente (INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS ANÍSIO 5. privadas. a exemplo das áreas de Agri. . Destacam-se os centros de educação tecnológica.26%.74%.60%. e os maiores indicadores ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS ANÍSIO TEIXEIRA. blicas a taxa de crescimento foi de 31. que correspondeu a 51. correspondendo a um conhecimento assim designada pelo Inep). enquanto as privadas.89% enquanto nas demais organizações universitárias pú- Agricultura e Veterinária. país atende tanto à população da capital como do interior. no entanto. o setor público teve um as. registravam a maior con.552 IES situadas no interior. O indicador de matrículas permite avaliar a trajetória dos discentes na Quanto à oferta de cursos de graduação presenciais. rior esses números eram de 104 e 1.00%. com 0. 84. interior do país.59% (17.80%. o que pode estar associado ao que o crescimento na capital foi de 22.80%.23% das vagas. sobretudo as IES não universitárias registraram crescimento de 17.100 A u n i v e r s i d a d e brasileira e o PNE Aeconomiabaseadano"cercamento"doconhecimento:globalização. mas e 735. registram taxas superio.96%. em 13.365 privadas.04%. constata-se que. no interior. De maneira diversa. e do entre 2006 e 2010.689) matrículas pode-se inferir se o discente permanece no curso até a sua na capital.43% em instituições não 12. trou seu crescimento de matrículas na capital.28%. o setor privado concen- Sobre as taxas de crescimento de matrículas no período compreendi.888) estavam no interior e 37.71%. Entre essas. de vagas ocupadas. 91 eram públicas enquanto no setor público direcionam-se a cursos de período integral. com 6. de maneira geral.449. possuía 2. registra-se decréscimo SAS EDUCACIONAIS ANÍSIO TEIXEIRA. em Por sua vez. na medida em que se observa o quantitativo de ofertados em 2010. Os dados mostram o desequilíbrio na oferta portância o aspecto da distribuição da educação superior. com taxas de 28. constata-se que. Os Em 2010. no setor público. as universidades públicas registravam valores de no interior. 62. com oferta pelo setor privado. em que foram criados 320 novos cursos. cas e 1.57%. rior presencial. 2006 a 2010. assume im- pelo setor público universitário. tem-se que no interior (10.99% e 69. 2013). ambas com predominância de oferta Ao se considerarem as dimensões geográficas do Brasil. investimento em programas de permanência implementados.25 candidatos por vaga.55% res (14. enquanto no interior -9. visto que 47. enquanto na ca- cultura e Veterinária (INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUI. No entanto.18% e 13. o Brasil registrava 5. 2013).448.577 educação superior. a exemplo do Programa Nacional de Assistência Estudantil (Pnaes).03% e 61. pode-se considerar que a educação superior no conclusão. . assim como na distribuição das . assim como nas universidades. Entre as 1. Entre as IES não universitárias.

entre outros. Assim. indissociavelmente.e d u c a ç ã o . o setor público tinha uma taxa de 69. mente.77% e Devido à necessidade de síntese do presente texto.45% de seus docentes têm regime de trabalho em tempo mente.00%. prescinde de considerar o contexto brasileiro ("neoliberaiismo globa- . mesmo considerando que estas vêm mover a formação com qualidade. essas taxas oscilam a cada ano. percebe-se que o setor público possui taxas de ensino. além dê abranger o ingresso e a * Outro indicador importante para avaliar a permanência refere-se à permanência. estaduais e municipais. . que está relacionada. é preciso considerar que.40% dos docentes que possuem o nível de mudança de curso. possui dos cursos de graduação nas IES privadas . doutorado e 83. exceto para os centros universitários públicos. e o privado. na medida em que o docente possui condições antes dessa etapa. Da mesma maneira. versidade pública concentra 52.25% e 45. pesquisa e extensão. o que precisa ser avaliado. voltando-se para os motivos do abandono. transcor. veja-se: em 2005. e a oportunidade dos a ser percorrido. principal. Nesse caso. rior.e. 56. o curso de graduação. ao tipo de instituição que oferta ridos quatro anos após o ingresso.que trazem consigo a intenção de diminuir as taxas de abandono grande maioria. entende-se que as IES que asseguram De maneira geral. a exemplo de identificar se representam a não conclusão do curso ou a mudança para outro curso ou modalidade (ba. permitindo inferir que o tempo de balho em tempo integral para 59. quando são implementadas políticas de financiamento desse nível integral. que consolida o que se denomina permanência na vida discentes em participar dessas atividades pode ser um fator que o motive acadêmica e. Ao se abordar acesso à educação. Com relação ao regime de trabalho de outras Nacional de Assistência Estudantil (Pnaes). no que se refere à educação supe- consequência a conclusão dos que ingressam na educação superior. Entre o ingresso e a conclusão existe um longo caminho para desenvolver projetos de pesquisa e de extensão. ainda assim permanecendo maiores que o setor atividades acadêmicas é preciso considerar. pode-se pensar em pro- gramas e políticas que realmente possam garantir a permanência e. asso. os estudos sobre a permanência na educação superior preci. procura-se deter 55. EDUCACIONAIS ANÍSIO TEIXEIRA. calculada a partir do número de concluintes. A característica do trabalho docente.00% não concluíram se pode apurar mediante os dados do Censo da Educação Superior. bibliotecas. 2013). 2012). em grande parte. sam ser aprofundados para além de análises quantitativas. Nas faculdades públicas e pri. enquanto as públicas mantêm o regime de tra- vadas. até mesmo na universidade ciado a outros (INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS privada. ção. Segundo as taxas de conclusão do ano de 2010.38% de seus docentes. em 2010. 101 matriculas nas organizações universitárias (INSTITUTO NACIONAL DE 5. de acordo com no indicador da função docente na educação superior. pode interferir na per- sucesso e. Senão. além de estar relacionada direta- Compreende-se que o ingresso na educação superior não significa mente à qualidade da oferta da educação superior. mestrado. ainda. os do setor priva- conclusão dos discentes pode ser um dos fatores dessa diminuição. representando 52. Dessa forma.3 Indicadores de qualidade na formação ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS ANÍSIO TEIXEIRA. . 40. têm potencial para pro- diplomação melhores que o privado.72%. a chegada aos objetivos prévios planejados manência dos discentes. consequentemente. ou por abandono ou por outro registro acadêmico (trancamento. As demais IES concentram em seu quadro docente a titulação de de educação. 2013). entre outros). o Plano titulação de especialização. licenciatura. 41. em que esse regime representa 38.100 A u n i v e r s i d a d e brasileira e o P N E Aeconomiabaseadano"cercamento"doconhecimento:globalização. que são. no setor público. 6 Conclusão charelado.72% ratórios. a preservação da qualidade a permanecer em seus estudos (VELOSO. no desenvolvimento das diminuindo a cada ano. tecnólogo).49%. a exemplo do Prouni e do Fundo de Financiamento Estudan. na oferta da educação superior (ARAÚJO. necessaria- Assim. conforme documentos oficiais. cuja maior parte. em 2010. organizações universitárias. infraestrutura de labo- privado. estar envolvido com projetos acadêmicos que vão além das ativida- des de ensino. do optam pelo horista. salas de aulas.18%. respectivamente. Não obstante. esses valores corresponderam a 59. em sua til (Fies) . 2000). cabe lembrar que um discente contemplado no Pnaes deverá.08%. não se pode deixar de considerar a qualidade dessa forma- taxa de diplomação. como O debate sobre acesso e inclusão. a uni- o curso.

também se avalia que muitas medidas são BOITO JÚNIOR. aos "desiguais socialmente". visto que. em complemento ao art. de desigualdades sociais. In: REUNIÃO ANUAL germinar processos sociais no sentido de mudanças. O discurso da inclusão naspoliticas de educação em perspectiva estrutural e causal. Disponível em: <http://portal. 2. 2012. .em.. educação superior tem sido historicamente elitista (corte de classe social e/ou de cor/raça). 29: Educação. desigualdade. ingresso gratuito naquelas que são consideradas de melhor qualidade. com possibilidade de DAANPED. como o incremento dos investimentos públicos e a priorização do ingresso BOGUS. Pablo. "[. cuja base fiindante está na explo. dos (SILVA. Como analisa Borges (2009. Entretanto. n. ago. A permanência de estudantes nos cursos de ção superior. 2005.gov. 1996. Democracia O tema da inclusão. v. bem CASTEL. cabe ponderar que se tem a expectativa de que o conceito GENTILI. 2006. Liliam Faria. Rio de Janeiro: Anped. democracia. 2007. Armando. politica e classes sociais: ensaios teóricos e questionáveis. Finanças curso. contribuindo para ampliar o públicas. 2009. Lúcia. O debate sobre a democracia na tradição histórica da social- formação do estudante e a precarização do trabalho do docente. In: Por fim. Carla Busato Zandavalli Maluf. Mariangela Belfíore. limite. João Pessoa: PPGE: Centro de Educação da Ufpe: CNPq. por exemplo.. Mariano Fernandes.e d u c a ç ã o . epoliticas sociais na América Latina. 2012. I §2° do Decreto Presidencial n° 6. visando à acumulação". e ampl. é pre- ciso reconhecer seus limites. NOGUEIRA.gov. 1 CD-ROM. 20. DF. como a expansão de vagas nas Ifes. não se trata de desprezar ou menos.096.. embora insuficiente e contraditória. ENGUITA. In. focalização (o inverso de universalização). Caxambu. iniciativa que atenua situações de extrema ed. 2009. p. o que está completamente fora das possibili. Robert. compromissos. que certas políticas dão Referências um passo para minorar desigualdades sociais crônicas. Neiva Galina (Org. 2004. a de 24 de abril de 2007. caracterizada por maior presença do Estado no financiamento graduação no Brasil: uma categoria cm construção. Há que reconhecer avanços em CARVALHO. em condições determinadas. aos indícios de avanços sociais embutidos no processo. rev. 42). estatísticas. cultura e conhecimento na contemporaneidade: desafios e desencadear processos mais abrangentes afetos à igualdade social . a privatização. A par desse reconhecimento. UNIVERSITAS/BR. somente pode ser considerado se inserido nas BRASIL. em igualdade material. 16. RJ: Vozes. Acesso em: 21 jan. Francisco Luiz Cazeiro. p.br/prouni/index. Tomaz Tadeu da (Org. Cristina Helena Almeida de. Cristina Helena Almeida de. educação. a históricos. Faperj: Rede Universiías/BR. 2007. possa represen... por isso. In: BORGES. São Paulo: Edunesp. de igual modo. dades do modo de produção capitalista. . bora esse não seja sinônimo de inclusão. que acirra a mercadorização nesse nível de ensino. ração do trabalho.br/ Os dados revelam que há uma lacuna acentuada entre a promessa e o sesu/arquivos/pdf/diretrizesreuni. WANDERLEY. o que significa.php? p. na perspectiva de alterar o quadro de extrema elitização. porém. Ministério da Educação. que revela acúmulo secular são. Estado. 2006. Programa Universidade para Todos: dados e contradições sociais postas pelo capitalismo. . Política parao ensino superior no Brasil (1995- prezar medidas inclusivas. In: SEMINÁRIO NACIONAL da expansão pública. João Pessoa. CARVALHO. São Paulo: Xamã. 101 lizado"). usufruto dos bens coletivos. Mas há que tar uma referência para pensar a educação superior na perspectiva da inclu- considerar. 95-110.). Isso pressupõe levar em conta que o ingresso na paradoxalmente. p. de 25 de junho de 2007. LOPREATO. 2009. Neoliberalismo. 37-60. em conexão com o acesso.). O discurso da qualidade e a qualidade do discurso. dada a incapacidade de abordar problemas ALMEIDA. As armadilhas da exclusão.. de da realidade e. Disponível em: <http://portal. Carina Elisabeth Maciel de. Anais. out. a história do país. Acesso em: 15 mar. no option=com_contenl&task=view&id=136&Itemid=I47>. o aligeiramento na BORGES. contribuindo para dar visibilidade às contradições que se apresentam e. Documento elaborado pelo Grupo Assessor nomeado pela Portaria n° 552 SESu/MEC. 2008. Liliam Faria. o insuficiente investimento. SILVA.mec.] o pleno acesso a melhores condições de vida implica. Impulso: Educação e Política. que existe certa movimentação na educa. ARAUJO. qualidade total e ampliado do acesso. que procurou nortear o texto presente. . Mato Grosso do Sul.mec. Piracicaba. Tese (Doutorado cm Educação)~Universidade Federal de O panorama apresentado mostrou. YAZBEK. Campo Grande. Anais. superior (2003-2008). Petrópolis. neste momento. Desigualdade e a questão social. Maria Carmelita (Org.). mostra a complexida. em conformidade com outros estu..100 A u n i v e r s i d a d e brasileira e o P N E Aeconomiabaseadano"cercamento"doconhecimento:globalização. Brasilia. MAZZUCO.Retmt: reestruturação e expansão das universidades federais: diretrizes gerais. renúncia fiscal e ProUni no governo Lula.pdfc. 2011). 40. tendo em vista. 93-106. podem 2006): ruptura e continuidade nas relações entre público e privado. 2009. São Paulo: Educ.

1999. Karel. Cuiabá. In: SENNA. atuando nos Programa de Pós-Graduação In: ENCONTRO DE PESQUISA EM EDUCAÇÃO DA ANPED CENTRO-OESTE. 2002. Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). à educação superior: significados e tendências em curso. "Welfare State" e capitalismo: os problemas da política econômica e da Atua na área de Educação. SILVA. Alfredo Macedo. SP. Patrícia Simone. Social pela USP. Disponível em: <http://portal. MS: UFMS. Pesquisadora do Observató- SILVA. Corumbá: EdUFMS.uff. Docente do Programa de Pós-Graduação ern Educação TERRIBILI FILHO. Programas e perspectivas para inclusão na educação superior. Tereza Christina Mertens Aguiar.htm>. com o Programa de Psicologia Social da mesma universidade. Maria das Graças Martins. 2003. 2005. Anais. 2000. no Programa de Pós-Graduação em Integração da América Latina. 2010. 2003. Maria das Graças Martins. 2012. Atualmente é professora titular da Uerj. 2000 a 2010. Acesso em: 12 abr. Universidade Deise Mancebo .com. Produção de Subjetividade e Políticas . Ensino superior noturno no Brasil: estudar para trabalhar da UFMS e coordenadora do curso de Pedagogia/EAD da mesma instituição. Corumbá. Sorocaba. n. atua no Programa de Trabalho Necessário. Expansão na educação adjunta da Escola de Serviço Social da Universidade Federal Fluminense e superior e a política de democratização: avanços e contradições. <carina22em@yahoo. n. campus Cuiabá. 2013.. p. n. do Mato Grosso do Sul (UFMS). Apoio ao Pós-Doutorado (PAPD/Faperj/Capes). do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Reconfiguração da educação Andréa Araujo do Vale . Católica Dom Bosco. pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). com ênfase em Políticas de Educação Superior na política social. INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS ANÍSIO Sobre os autores TEIXEIRA. Ester. v. A evasão nos cursos de graduação da Educação Superior. Revista Brasileira de Educação. Disponível em: <http://www. Educação & Sociedade. 2008. VELOSO.inep. VELOSO. 839-872.. pesquisando principalmente os temas: Trabalho Docente. Maria das Graças Martins. Disponível em: <http://www. Trabalho. com ênfase em politicas de educação superior e ano 4. Tem experiência na área de Psicologia e Educação. Manuscritos econõmico-filosóficos. Universidade Federai de Mato Grosso. p. Paulo (USP). Campinas. Sociologia da Educação e da Cultura e nos domínios da História Grande. Campo América Latina. p. Campo Grande. 221-236. 84.educação. 2008. Dialética do concreto. 2013 (no prelo). mercado e educação superior no Brasil: um modelo analítico. Série Estudos. Rio de Janeiro: Paz e Terra. Valdemar Sguissardi. Querétaro.com. Maria das professora colaboradora do Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas Graças Martins (Org.odiseo. permanente. p. Revista Avaliação. n. 2011.br>. 2000. 7. Valdemar. em Educação e no Curso de Pedagogia na mesma faculdade. 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In: SILVA. 24.com. 7.Doutora em Educação pela Universidade Federal nas políticas da educação superior: dimensões e indicadores em questão. SILVA JÚNIOR. Ester (Org. jul. É pesquisadora do Grupo de Estudos e Pesquisas de Políticas de VELOSO. MS. NOGUEIRA.Doutora em Políticas Públicas e Formação Humana superior no Brasil e redefinição das esferas pública e privada nos anos 90.gov. 2007. p. com pós-doutorado em Psicologia WALLERSTEIN. 1-16. livre-docente (2006) pela Faculdade de Educação da USP (Feusp). desenvolvendo atividades na educação a distância da terribili_ensino. Acesso em: 12out. UFMS. E-mail: <amcatani@usp.. 33-57. e Formação Humana da Uerj. Também é professor U. Sinopses estatísticas da educação superior: graduação. <andreaavale@Íg. João dos Reis.br/ Pós-graduação em Políticas Públicas e Formação Humana como professora trabalhonecessario/images/TN07 WALLERSTEIN. Niterói. Mestre em Educação pela Universidade Campinas. colaborando. Atualmente é professor titular na Feusp. Trad. SENNA. Acesso Carina Elisabeth Maciel . Atualmente. 2012.101 GOMES. Afrânio Mendes Catani . Politicas educacionais: faces e interfaces da democratização. Dissertação (Mestrado em Educação}-Instítuto de Educação. Acesso em: 14 out.

do Instituto Paulo Freire de Portugal. 1986). em 1994. publicadas em 13 países e em seis distintas línguas. Líder do Grupo de Pesquisa em Economia Desenvolve estudos e pesquisas na área de Educação. Editorial da Revista Educação Pública.mancebo@gmail. educação. integra a fase internacional na University of London. Docente do Programa de Pós-Graduação em Educação da Pesquisas sobre Educação Superior da Ufpa e desenvolve pesquisas sobre Universidade Federal de Mato Grosso (UfMT). Professor 1998. Brasil. <llima@ie. e doutor em Ciências da Educação pela Universidade de Paris X. Pesquisador do CNPq. de livros. Educação de Adultos.Doutora em Educação pclaUniversidade Federal do da Educação como professora permanente. Avaliação Pesquisas em Políticas Educacionais e participa da Rede Universitas/BR e do e Trabalho Docente. atuando principalmente nos seguintes campos de investigação: Economia Política da Educação. França. professora associada da Faculdade de Nutrição da UFMT. Sociedade pela Tereza Christina Veloso . Valdemar Sguissardi .br>. University (Geórgia. livre-docente pela USP e Sênior Research Felíow at Mercer e Pesquisas sobre Políticas da Educação Superior e a Rede Universítas/BR. atuando no Programa de Pós-Graduação em Educação do Instituto de Ciências Maria das Graças da Silva . mestre Tecnologíae Inovação. <deise. É autor de grande número de livros e artigos publicados cm no Institui National dc Recherche Pédagogique (França). Tem experiência na área de Educação.com>. apoiado pela revistas nacionais e internacionais. <veraIuciajacob@gmail. <mario. Administração e Contabilidade da USP. com graduação em Nutrição e no Programa de Pós-Graduação em Educação. pesquisas e publicações na temática educação superior. tendo participado da comiss&o Nacional de Estudos e Pesquisas "História. Trabalho Docente. Professor titular aposentado da Universidade Federal de São Carlos (Ufscar). com o prêmio Jabuti pela publicação. da Sociedade Portuguesa de Ciências da Educação e do Fórum Português de Administração Vera Jacob Chaves . Foi membro fundador Piracicaba e o Grupo de Trabalho de Políticas de Educação Superior daAssociação do Fórum Mundial de Educação da Sociedade Europeia de Investigação em Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação. <derme valsaviani@yahoo. História.br>. o Grupo de Estudos Federal de São Carlos.Professor catedrático do Departamento de Ciências Sociais da políticas de educação superior tendo publicado sobre o tema uma dezena de livros Educação do Instituto de Educação da Universidade do Minho/Portugal. <vs@merconet.Doutora em Educação pela Universidade Federal de PUC-SP. Ê e cerca de uma centena de artigos e capítulos de livros. pesquisador emérito do CNPq e coordenador gerai do Grupo en América Latina y el Caribe (Venezuela).br>. Estados Unidos). o prêmio Zeferino Vaz de produção científica.Doutora em Educação pela Universidade Federal de Minas Educacional. Coordena o Grupo de Estudos e políticas públicas educacionais com ênfase em Gestão. Sociedade e Educação no Brasil" organizadora da Conferência Regional de Educação Superior 2008 (Colômbia).Licenciado em Filosofia pela Universidade de Ijuí. (HisíedBR). Concentra seus estudos. Atualmente é professora associada II da Universidade Federal do Pará (Ufpa). Pesquisador do CNPq. Foi condecorado. Pós-doutor em SocioiogiaPoKticapela Unicamp e em Economia Política da Goiás. É pesquisadora do CNPq. co-autor e editor de numerosas obras. E autor. Professor associado da Universidade o Grupo de Estudos e Pesquisas em Políticas Educacionais. Coordena o Grupo de Estudos e Rio Grande do Sul. A u n i v e r s i d a d e brasileira e o P N E A economia baseada no "cercamento" do conhecimento: globalização. em 2007.pt>. atuando na Educação pela Faculdade de Economia. <gracams2@hotmail. Dermeval Saviani . Reformas da Educação Superior. na temática sobre políticas Política da Educação e Formação Humana. <joaodosreissíívajr@gmaiLcom>. com estágio de pesquisa (Unicamp.azevedo@uol.com>. do mérito educativo do Ministério da Educação e recebeu da Unicamp.uminho. Política. Pesquisador de Licínio Lima .de. do livro História das ideias Credenciado no Programa de Pós-Graduação em Educação da UEM.com>. em Pós-doutoramento (2011) na Universidade de Bristol (Reino Unido). Holanda e Reino Unido. Financiamento.com. Pesquisador- pedagógicas no Brasil (Autores Associados)... Em 2008 foi contemplado associado na Universidade Estadual de Maringá (UEM). Membro do Comitê Expansão da Educação Superior no Brasil".com. João dos Reis Silva Júnior * Doutor em Educação. <mlnazevedo@uem.br>.Doutor em Filosofia da Educação pela PUC-SP (1971) e livre-docente em História da Educação pela Universidade Estadual de Campinas Mário Azevedo . da educação superior. Coordenou os Programas professor convidado e tem dirigido cursos e seminários em várias universidades de Pós-Graduação em Educação da Ufscar e da Universidade Metodista de da Alemanha.com. 101 100 da Educação Superior.Doutor em Educação pela Feusp (2001). Coordena o Observatório da Educação "Politicas da Grupo de Estudos c Pesquisas Políticas de Educação Superior. com a medalha Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal dcNivel Superior (1999-2000). Atualmente é professor emérito convidado no Instituto Internacional de la Unesco para la Educación Superior da Unicamp. incluindo três dezenas Gerais com pós-doutorado em Educação pela Universidade de Lisboa e Uerj.com. Espanha. . Políticas de Ciência.br>. <tecmav@terra.