Seminário Teológico Água da Vida

A Trindade

Escola de Liderança do Projeto Água da Vida

A doutrina da Trindade é difícil e complexa para nós. Segundo o Dr. Martyn Lloyd-Jones, é, além de qualquer dúvida, a mais misteriosa e a mais difícil de todas as doutrinas bíblicas. No entanto, a doutrina da Trindade é uma das mais importantes, pois nos traz grande luz sobre a questão que é o centro de tudo o que procuramos na teologia: O que é Deus em si mesmo? Nesta doutrina, aprendemos que em si mesmo, em seu verdadeiro ser, Deus existe nas pessoas do Pai, do Filho e do Espírito Santo, sendo, no entanto, um só Deus. Às vezes pensamos que o Cristianismo ensina a noção absurda de que 1+1+1=1. Esta equação é claramente falsa. O termo Trindade não descreve a relação de três deuses, mas de um único Deus que é três pessoas. Trindade não significa triteísmo, ou seja, que existe três seres que juntos são Deus. A palavra Trindade é usada num esforço para definir a plenitude da Deidade, tanto em termos da sua unidade como da sua diversidade. A formulação histórica da Trindade é que Deus é um em essência e três em pessoas. Embora tal fórmula seja misteriosa e mesmo paradoxal, de maneira nenhuma é contraditória. A unidade da Deidade é afirmada em termos de essência ou ser, enquanto que sua diversidade é expressa em termos de pessoas. Base Bíblica • No AT - Embora a doutrina da Trindade não seja explicitamente encontrada no AT, diversas passagens sugerem ou dão a entender que Deus existe como mais de uma pessoa. Por exemplo, Gênesis 1:26, “ Então disse Deus: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança”. Temos um indício: Mais de uma pessoa, porém não podemos ainda deduzir quantas são. Gen. 3.22 “Agora o homem se tornou como um de nós, conhecendo o bem e o mal”. Isaías 6:8 “Quem enviarei? Quem irá por nós?” De modo semelhante, em Salmos 110.1, Davi diz: “O Senhor disse ao meu Senhor: Senta-te à minha direita até que eu faça dos teus inimigos um estrado para os teus pés”. Jesus entende que Davi está se referindo a duas pessoas separadas chamando-as de Senhor (Mt:22.41-46). Quem é o Senhor de Davi senão o próprio Deus? No NT – Quando o NT começa, entramos na história da vinda do filho de Deus à terra. Esse grande evento foi acompanhado pelo ensino mais específico a respeito da natureza trinitariana de Deus. Quando Jesus foi batizado, “o céu se abriu, e ele viu o Espírito de Deus descendo como pomba, pousando sobre ele. Então uma voz dos céus disse: Este é o meu filho amado em quem me agrado”. (Mt 3:16, 17). Ao mesmo tempo vemos os três membros da Trindade executando três atividades distintas. Deus Pai fala do céu; e Deus Espírito Santo desce do céu para pousar sobre Jesus e capacitá-lo para o ministério. Outra passagem de extrema relevância para construção de uma doutrina da Trindade é o texto de Mt:28:19.

Três afirmações resumem o ensino bíblico: 1. Deus é: três pessoas 2. Cada pessoa é plenamente Deus 3. Há um só Deus. 1. Deus é três pessoas O termo pessoa não significa uma distinção em essência, mas uma diferente subsistência na Deidade. A subsistência na Deidade é uma diferença real, mas não essencial, no sentido de diferença no ser. Cada pessoa subsiste ou existe “sob” a pura essência divina. Subsistência é uma diferença dentro daquilo que o ser é, não um ser ou uma substância separada. Neste sentido, existir e ser são coisas diferentes. A palavra existir deriva-se de termos latinos e literalmente significa "pôr-se de pé fora de" (ex-, "fora de", mais sistere, "pôr-se de pé"). O que é que as coisas que existem "porem-se de pé fora de"? Originalmente, o conceito era este: Existir é pôr-se de pé fora de". Isso não significa que existir é pôr-se de pé fora do ser por inteiro. Se essa fosse a nossa condição, então não existiríamos. A única coisa que está fora do ser é o não-ser ou o nada. "Pôr-se de pé fora do ser" é como ter um pé no ser, e o outro no não-ser. O ponto inteiro dessa sutil distinção é abrir espaço para seres criados que são finitos e mutáveis. Nosso ser não consiste em puro ser. Nosso ser é misturado com a idéia de ir-se tornando. Somos tanto reais quanto potenciais. Estamos sempre mudando.
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Mas Deus não muda. Ele não tem potencialidade. Ele é pura realidade. Ele é eternamente o que ele é. É conforme ele disse a Moisés: "EU SOU O QUE SOU". Todas as pessoas da Deidade possuem todos os atributos divinos. O Pai, o Filho e o Espírito Santo pois são pessoas distintas. Podemos ver isso claramente em várias passagens, como por exemplo: Jo 1:1-12; Jo 17:24; 1 Jo 2:1; Hb 7:25, Jo 14:26; Rm 8:27; 1 Cor 12:4-6; 2 Cor 13:13; Ef 4:4-6; 1 Pe 1:2.

2. Cada pessoa é plenamente Deus a. Deus Pai é plenamente Deus. Isso fica evidente a partir do primeiro versículo da Bíblia que evidencia a criação a partir de si. Está evidente no AT e no NT que Deus Pai é claramente visto como Senhor soberano sobre tudo e Jesus ora ao seu Pai que está no céu. b. O Filho é plenamente Deus. João 1:1-4 afirma claramente a plena deidade de Cristo. Estava com Deus e era Deus. Estava com Deus no princípio e todas as coisas foram feitas por intermédio deles. Outra passagem que menciona Jesus como plenamente divino é Hebreus 1, onde diz que Cristo é a “expressão exata” (v.3 gr., character, “duplicata exata”) da natureza ou do ser (hypostasis) de Deus – querendo dizer que Deus Filho duplica de forma exata o ser ou a natureza de Deus Pai de todos os modos; quaisquer que sejam os atributos ou o poder que Deus Pai tenha, Deus Filho semelhantemente os tem. c. O Espírito Santo também é plenamente Deus. Mateus 28:19 assume grande importância para a doutrina do Espírito Santo, porque mostram que este é classificado no mesmo nível que o Pai e Filho. Em Atos 5:3-4, Pedro pergunta a Ananias “...como você permitiu que Satanás enchesse o seu coração ao ponto de você mentir ao Espírito Santo e guardar para si uma parte do dinheiro que recebeu pela propriedade?[...] Você não mentiu aos homens, mas sim a Deus”. 3. Há um Deus Tudo estaria facilmente compreendido se a Bíblia somente mencionasse as duas afirmações acima. Não haveria problema lógico em colocá-los juntos, pois a solução óbvia seria a de que há três Deuses. Nosso sistema seria conhecido como triteísmo, mas não é o que a Bíblia ensina. A Escritura é clara quando afirma que há um Deus somente. As três diferentes pessoas da trindade são uma em essência. Em outras palavras, Deus é somente um ser. Deut. 6:4-5: “Ouça ó Israel, O Senhor, o nosso Deus, é o único Senhor. Ame o Senhor, o seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todas as suas forças”. No NT, Paulo afirma em Rm 3:30 “existe um só Deus” e também em 1 Tim 2:5 “Pois há um só Deus e um só mediador entre Deus e os os homens: o homem Cristo Jesus”. O que a Trindade não é: Modalismo: As pessoas seriam modos pelos quais Deus se revela. Tal solução negaria o fato de que as três pessoas são distintas. Combatido no passado como heresia. 2. Arianismo: Nega a plena divindade do Filho e do Espírito Santo. Ário, condenado pelo concílio de Nicéia em 325, ensinava que Cristo fora criado pelo Pai e que não existia desde a eternidade, bem como o Espírito Santo. 3. Triteísmo: Nega que há somente um Deus, mas três deuses. 1. Segundo R.C. Sproul, A doutrina da Trindade não explica plenamente o mistério do caráter de Deus. Pelo contrário, simplesmente estabelece o limite do qual não devemos passar. Define os limites da nossa reflexão finita. Exige que sejamos fiéis à revelação Bíblica de que em um sentido Deus é um e em outro sentido diferente ele é três.

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