Seminário Teológico Água da Vida

Decretos Divinos

Escola de Liderança do Projeto Água da Vida

“Desde a eternidade, Deus tem tido um plano infalível com referência às suas criaturas; e o Plano de Deus compreende e determina todas as coisas e eventos, de toda a espécie que acontecem... Os decretos de Deus são incondicionais, soberanos, eficazes e perfeitamente consistentes; e tudo foi determinado por ele antes da fundação do mundo”. (Martyn Lloyd-Jones)

A Criação
Antes de Deus criar o mundo, o homem e todas as coisas, ele ponderou, intentou, e determinou todas as coisas. Ou seja, todas as coisas foram decididas na mente e no conselho de Deus, antes mesmo que ele fizesse qualquer coisa na esfera da criação. Apesar das diversas questões acerca da criação, tais como: Como Deus criou o mundo? Será que cada espécie de planta ou animal foi criada diretamente ou Deus se utilizou de processos evolutivos? Quanto tempo Deus levou para produzir a criação, 6 dias de 24 horas ou milhares ou talvez milhões de anos? Podemos definir a doutrina da criação da seguinte maneira: Deus criou o universo inteiro do nada; ele era originariamente muito bom; e ele o criou para glorificar a si próprio. Todas as coisas têm um início no tempo e no espaço. Estamos cercados por coisas e pessoas que obviamente tiveram um início e por isso somos tentados a pular para conclusão de que tudo teve um início. Porém tal conclusão seria um salto fatal no abismo do absurdo. Seria fatal para religião assim como para ciência e para razão. Por quê? Se tudo teve um início, houve um tempo em que nada existiu. Como poderia o nada criar alguma coisa? Uma lei absoluta da ciência e da lógica diz que ex nihilo nihil fit, quer dizer, “a partir do nada, nada procede”. O nada não pode fazer algo porque ele não existe, não tem nenhum poder porque não tem existência. Para que alguma coisa criasse ou produzisse a si própria teria de ser antes de existir. Entretanto, se algo já existe, não tem necessidade de ser criado. Logo, para criar a si próprio algo teria que ser e não ser, existir e não existir no mesmo tempo e no mesmo contexto. Isto seria uma contradição. Pensar em um início é pensar em algo. Quê ou quem é o início de todas as coisas? Alguns estudiosos brilhantes como Carl Sagan, defendem que dentro do próprio universo há algo que é o início de todas as coisas. Essa idéia nega a fé cristã no que diz respeito à transcendência1 de Deus. A resposta das Escrituras é clara: No princípio criou Deus o céu e a terra. (Gen 1:1). A declaração de João no capítulo 1, vs. 3 também é contundente: “Todas as coisas foram feitas por intermédio dele; sem ele nada do que existe teria sido feito”. Deus é um ser supremo que existe além do universo e este existe porque foi criado por ele. Ele é chamado de supremo porque difere de gênero dos outros seres comuns. Deus é supremo porque todos os seres lhe devem a existência, consequentemente, Deus não deve sua existência a nada ou ninguém a não ser a si próprio. Deus está muito envolvido com a criação, pois ela é continuamente dependente dele para existir e funcionar. O termo técnico usado para falar do envolvimento de Deus com a criação é o termo imanente, que significa “permanecer em” a criação. Deus é tanto transcendente como imanente. Alguns problemas: Materialismo: Negação da existência de Deus. O universo material é tudo o que há. Panteísmo: É a idéia de que tudo é Deus ou parte de Deus. Se o universo inteiro é Deus, este não possui distinção de sua criação. Dualismo: Deus e o universo existem eternamente lado a lado. Há, portanto, duas forças supremas no universo, Deus e a matéria. Deísmo: Deus criou o universo e é transcendente, porém não é imanente.

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O termo transcendência significa que Deus é muito maior que a sua criação. De uma maneira muito simples, Deus está acima da criação e, portanto independente dela. Teologia Sistemática – 01 – Aulas 07 e 08_________________________________________________________________________________Pg1

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A Providência

Escola de Liderança do Projeto Água da Vida

“Pela sábia providência, segundo a sua infalível presciência e o livre e imutável conselho de sua própria vontade, Deus, o grande criador de todas as coisas, para o louvor da Glória da sua sabedoria, poder, justiça, bondade e misericórdia, sustenta, dirige, dispõe, governa todas as criaturas, todas as suas ações e todas as coisas, desde a maior até a menor” (Confissão de Fé de Westminster – Cap. VI) O ponto central da doutrina da providência é a ênfase no governo de Deus sobre o universo. Ele governa sua criação com absoluta soberania e autoridade. Aquilo que Deus cria, ele também sustenta. O universo não só depende de Deus para sua origem, mas depende dele também para continuar existindo, pois não tem poder para existir autonomamente. Existe uma diferença fundamental entre a providência de Deus entre fortuna, destino ou sorte. A chave para esta diferença está no caráter pessoal de Deus. A fortuna é cega, enquanto Deus vê todas as coisas. O destino é impessoal enquanto Deus é nosso Pai. A sorte é muda enquanto Deus pode falar. Não existem forças cegas e impessoais operando na história humana. Tudo se passa por meio da mão invisível da providência de Deus. Num universo controlado por Deus não existem eventos casuais. De fato não existe algo como acaso. O acaso não existe. Não passa de uma palavra que utilizamos para descrever possibilidades matemáticas, mas que não tem nenhum poder em si, porque não tem existência. O acaso não é uma entidade capaz de influenciar a realidade. O acaso não é nada. Outro aspecto da providência chama-se concorrência. Concorrência refere-se às ações conjuntas de Deus e seres humanos. Somos criaturas com vontade própria, fazemos as coisas acontecerem. Mesmo assim, o poder causal que exercemos é secundário. A soberana providência de Deus está acima e além das nossas ações. Ele opera a sua vontade por meio das ações da vontade humana. Um exemplo bem claro de concorrência nas Escrituras é o exemplo de José e seus irmãos. Apesar dos irmãos de José serem verdadeiramente culpados pela traição que fizeram contra ele, a providência de Deus estava operando até mesmo através do pecado deles. José disse aos irmãos: “Vós, na verdade, intentastes o mal contra mim; porém Deus o tornou em bem, para fazer como vedes agora, que se conserve muita gente em vida” Gen 50:20. A providência redentora de Deus pode operar através das ações mais diabólicas. A pior ofensa que já foi cometida por um ser humano foi a traição de Judas Iscariotes. Mesmo assim, a morte de Cristo não foi um acidente na história. Aconteceu de acordo com o conselho determinado por Deus. O ato de perversidade de Judas ajudou a promover a melhor coisa que já aconteceu na História, a Expiação.

Algumas perguntas: Qual o grau de controle de Deus sobre a criação? Se Deus controla todas as coisas, como podem nossas ações ter significado real? Onde está o nosso livre-arbítrio? ...

Até o próximo semestre.

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