entrevista

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Texto: Alessandro Padin

Logística volta ao centro das atenções
Para o presidente da ASLOG, Rodrigo Vilaça, a recuperação do mercado vai se consolidar este ano e os novos investimentos programados, principalmente por parte do Governo Federal, vão alavancar o setor

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Foto: Divulgação

ano de 2010 consolidará a recuperação do mercado e a volta do tema logística como solução para muitos problemas enfrentados pelas empresas. Esse é o pensamento do presidente da ASLOG - Associação Brasileira de Logística, Rodrigo Vilaça, que aponta o modal ferroviário como um dos grandes vetores do desenvolvimento deste segmento no País. “O PAC 2 prevê 11 mil quilômetros de ferrovia até 2020. Com esses projetos sairíamos de 29 mil para 40 mil quilômetros, o que se aproxima do ideal para um país continental como o Brasil, que é de 42 mil. Existe um clima de forte otimismo no setor para que estes projetos se concretizem”, afirmou. Para Vilaça, que também é diretor-executivo da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF), as perspectivas são positivas porém há um grande gargalo atravancando um maior crescimento: a falta de maior mão-de-obra qualificada. Nesta questão, ele acredita que as empresas devem investir na formação intelectual do funcionário, tornando-o mais capacitado: “Ignorar e não utilizar o conhecimento instalado dentro da organização é um grande erro estratégico”. Nesta entrevista exclusiva a SANTOS MODAL, o presidente da ASLOG trata destas questões e fala das metas da entidade tais como a criação de câmaras temáticas para debate de temas específicos do setor e a concretização do dia 6 de junho como o “Dia Nacional do Profissional de Logística”. Quanto aos desafios, Vilaça é taxativo: é preciso encontrar soluções para a falta de um planejamento de médio e longo prazo e eventual descontinuidade dos planos dos

governos em obras de infra-estrutura, transporte e Logística. Santos Modal - Quais as principais conquistas e desafios enfrentados pela ASLOG desde que o senhor assumiu a presidência da entidade? Rodrigo Vilaça - Estamos planejando, traçando metas. Temos grandes ações a serem realizadas, por exemplo: Aumentar o número de associados e estimular a participação ativa dos mesmos; tornar-se referência em logística no País; elaborar e difundir cursos e pesquisas produzidos pela ASLOG; participar de Feiras, Congressos, Eventos e Palestras para consolidação da ASLOG e de seus profissionais de Logística. Queremos, ainda, traçar um plano de ação para melhorar o relacionamento com a imprensa provocando entrevistas e produzindo pautas, artigos e releases, além de participar de redes de relacionamento como o Twitter e Facebook . Um das nossas metas é concretizar o dia 6 de junho como “Dia Nacional do Profissional de Logística”, cujo o PL já está em tramitação na Câmara dos Deputados. No âmbito educacional, vamos intensificar parcerias para comercialização do MBA de Logística, na modalidade ensino a distância), desenvolvido em conjunto com IESDE/Curitiba e UNICID (Universidade Cidade de São Paulo). Criaremos, também, câmaras temáticas para debate de temas específicos;. Como desafios que a ASLOG terá que enfrentar posso apontar a falta de um planejamento de médio e longo prazo e eventual descontinuidade dos planos dos governos em obras de infra-estrutura, transporte e Logística.

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Santos Modal

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abril | maio 2010

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SM - O senhor é defensor do crescimento do modal ferroviário. A participação das ferrovias na matriz de transportes do Brasil passou de 19%, em 1999, para 30%, em 2009. Como fazer para atingirmos a referência internacional para o sistema, que é de 42%? RV - A expectativa do Governo Federal é que o sistema brasileiro aumente sua participação de 25% para 35%, em 15 anos. Um dos objetivos do PNLT (Plano Nacional de Logística e Transporte), plano do Governo Federal, é promover a efetiva mudança da matriz de transporte. Estão previstos investimentos na ordem de R$ 74 bilhões para os próximos cinco anos, sendo R$ 25 bi para o transporte de carga. O PAC 2 prevê 11 mil quilômetros de ferrovia até 2020. Com esses projetos sairíamos de 29 mil para 40 mil quilômetros, o que se aproxima do ideal para um país continental como o Brasil, que é de 42 mil. Existe um clima de forte otimismo no setor para que estes projetos se concretizem. SM - Quais os caminhos que devem ser seguidos para a formação de uma mãode-obra qualificada para o setor logístico? RV - Todos sabemos que o setor de logística está em crescimento e para que não sofra interrupção é preciso que alguns entraves, ameaçadores ao seu desenvolvimento, sejam solucionados. Um exemplo é o desafio dos profissionais de apoio às atividades principais das empresas, ligando os pontos fornecedores aos clientes finais. As empresas tendem a trabalhar de uma forma bastante enxuta no que se refere a estoques e movimentações, zelando sempre pela redução de custos e pela obtenção de excelência no atendimento aos clientes. Estamos falando da ausência de qualificação da mão-de-obra, um gargalo do setor que, urgentemente, deve ser solucionado. A grande lição é que investir em pessoas, no seu desenvolvimento e na retenção do conhecimento, é um diferencial competitivo valioso e que jamais deve ser desconsiderado. Ignorar e não utilizar o conhecimento instalado dentro da organização é um grande erro estratégico. A organização deve, contudo, proporcionar formação intelectual para o funcionário, deve torná-lo capacitado a exercer a função com competência. Deve valorizá-lo, sendo deferente com seus direitos e incentivando a sua capacitação. Desta forma, o colaborador interno trabalhará feliz, motivado, com comprometimento, com competência e o melhor: será fiel à empresa, ao seu produto e à sua movimentação. A ASLOG tem se preocupado fortemente com esta questão! Além de oferecermos cursos e trabalharmos em parceria com várias organizações que visam à capacitação, também estamos com um Projeto de Lei (PL) tramitando na Câmara Federal, para designarmos todo dia 6 de junho o “Dia Nacional do Profissional de Logística”. Uma forma justa de homenagearmos os profissionais deste setor. SM - Quais as perspectivas para o segmento de logística nos próximos anos? RV - A logística hoje é tratada como um assunto de vital importância pelas empresas. Depois das dificuldades enfrentadas, em decorrência da crise econômica, o tema logística voltou à pauta como solução para muitos problemas. O ano de 2010 marca a retomada das negociações, onde a recuperação do mercado, que começou no segundo semestre de 2009, irá de fato se confirmar.::

junho | julho 2010

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Santos Modal

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