Irlanda

Sistema político: República Capital: Dublin Superfície: 70 000 km² População: 4 milhões de habitantes Moeda: euro Línguas oficiais: Inglês e irlandês

A Irlanda, em irlandês Éire, é a terceira maior ilha da Europa, situada no oceano Atlântico, que está dividida pela República da Irlanda (oficialmente denominada Irlanda), um Estado que cobre cinco sextos (cerca de 85%) da ilha, e a Irlanda do Norte, parte do Reino Unido, que configura a sexta parte mais a nordeste da ilha. A população da ilha é de aproximadamente 5,8 milhões de habitantes; 4,1 milhões na República da Irlanda e 1,7 milhão na Irlanda do Norte.

História
A história da Irlanda remonta ao século IV a.C., quando tribos celtas de origem gaulesa se estabelecem na ilha e formam uma civi lização gaélica. Conseguiram controlar o país por mais de 1000 anos e deixaram seu legado na cultura e no idioma, que sobrevive até hoje, especialmente em Galway, Cork, Kerry e Waterford. O cristianismo é introduzido no século V pelo santo padroeiro, Patrick, que curiosamente não é irlandês. St. Patrick foi raptado de sua casa em Inglaterra por salteadores irlandeses e levado para a Irlanda para trabalhar como pastor. Mais tarde conseguiu fugir para Inglaterra e teve uma visão onde Deus lhe dizia para voltar para a Irlanda como missionário Desde o século VIII, invasores Vikings começaram a saquear os mosteiros irlandeses. Depois de aproximadamente 100 anos de ataques Vikings (entre

795 d.C. e 837 d.C.), 60 barcos de Guerra Viking apareceram na foz do Rio Liffey. Cinco anos mais tarde, Dublin foi tomada, mas os Vikings foram atacados pelos irlandeses e fugiram. Regressaram 17 anos mais tarde, sob o comando de Olaf, o Branco, e construíram um povoado em Dyflinn (mais tarde Dublin). O Palácio do Rei ficava no local do actual Castelo de Dublin, e parte das defesas da cidade ainda podem ser vistas no interior do Edifico Undercroft (fig. 1) no Castelo de Dublin (fig. 2). Formaram alianças com as famílias locais e os chefes mantendo-se na Ilha até ao sec. X.

fig.1 castelo de Dublin

fig. 2 Entrada para o undercroft (passagem subterrânea)

Cristianizados a partir do século V, os irlandeses jamais tiveram unidade política. Divididos em clãs rivais, chegaram no máximo a formar quatro reinos independentes mas fracos: Leinster (1), Munster (2), Connacht (3) e Ulster (4); o que facilita a ocupação dos vizinhos ingleses em 1166 ainda antes de se concretizar o desejo irlandês de ter um rei único. Assim, grande parte do território ficou sobre domínio do rei de Inglaterra durante os 400 anos seguintes.

fig. 3

O rei Henrique VIII consolida o domínio inglês sobre a ilha em 1542 e introduz o protestantismo. No reinado de Elisabeth I, os católicos começam a ser excluídos da vida pública. Nos séculos XVI e XVII, os irlandeses são despojados de suas terras, que se tornam propriedade de colonos ingleses. Ainda no século XVII, imigrantes protestantes, vindos principalmente da Escócia, colonizam grande parte do norte do país, o chamado Ulster que só em 1603 tinha sido tomado pela Coroa Inglesa. No século XVIII houve um grande desenvolvimento das indústrias do linho, lã, carne e manteiga. Em 1801, a Irlanda é integrada no Reino Unido pelo "Act of Union" (acto de união) e o seu parlamento é submisso a Westminster excluindo todos os católicos. Em meados do século XIX, a nação é assolada po r uma grande onda de fome. A destruição das plantações de batata, que durante anos a Irlanda exportou par a a Inglaterra e seu principal meio de subsistência mata mais de 1 milhão de pessoas levando 2 milhões a imigrar, a maioria para os Estados Unidos. A Irlanda passa então de uma população de 8,5 milhões em 1847 para 4 milhões em 1900. Destes, 750 proprietários protestantes controlavam mais de 50% das terras cultiváveis. Os católicos possuíam apenas 14%, geralmente na forma de pequenas propriedades.

Em 1905, os nacionalistas irlandeses fundaram o Sinn Fein (³Nós Sozinhos´), partido político que lutaria pela independência do país utilizando meios legais. Em contrapartida, os protestantes afiaram a Força de Voluntários do Ulster ± formação paramilitar destinada a apoiar as tropas britânicas na Irlanda. A essa altura, o Ulster já era uma região industrializada o nde os protestantes haviamse tornado maioria, graças à forte imigração de operários ingleses, escoceses

e galeses. Junto com o Sinn Fein nasce a semente do Exército Republicano Irlandês (IRA), a resistência armada de minoria católica contra as forças britânicas sendo o seu braço político, o Sinn Fein, que cuida da parte burocrática do grupo.

Em 1916, essas organizações tentaram a primeira rebelião, duramente reprimida. Dois anos mais tarde estourava a Guerra Anglo-Irlandesa, que duraria três anos, terminando com a divisão da Ilha. O Ireland Act, documento que selou o fim da guerra (1922), estabelecia a formação de um Estado Livre da Irlanda associado ao império britânico e, posteriormente, a Commonwealth nas províncias do sul, de maioria católica (95%). A província do norte (Ulstler), de maioria protestante (65%), continuava directamente ligada à Coroa britânica.

Em 1937, o governo do Estado Livre da Irlanda, na Irlanda do Sul, declarava unilateralmente a independência completa do país e rompia os vínculos com a Grã-Bretanha. Após a II Guerra, em 1949, Londres aceitou a independência da Irlanda do Sul através do segundo Ireland Act, que mantinha a vinculação do Ulstler (Irlanda do Norte) à Coroa e estabelecia que apenas o parlamento de Belfast (Irlanda do Norte), controlado pela maioria protestante, poderia separar a Irlanda do Norte da Grã-Bretanha. Já a Irlanda do Sul, transformava-se em República da Irlanda.

Em 1956 surge oficialmente o IRA com o objectivo de promover a anexação da Irlanda do Norte a Republica da Irlanda. Desde então, essa entidade vem promovendo atentados contra autoridades britânicas e membros da comunidade protestante na Irlanda do Norte. Além dos actos terroristas do IRA, também a comunidade católica tem sofrido inúmeras vítimas pelos cidadãos protestantes e pelas forças de segurança britânicas. Por esse lado, o episódio mais célebre é o ³Domingo Sangrento´ (relembrado em canção da banda irlandesa U-2) de 1972, quando soldados ingleses mataram 14 civis católicos em Belfast. Em 1994, aliás, morreram mais católicos do que protestantes nos atentados praticados pelos dois lados.

Em 1998 foi assinado o acordo de Belfast (também conhecido como o acordo de Sexta-feira Santa) que tinha por finalidade acabar com os conflitos na Irlanda do Norte. Foi acordado o desarmamento por parte do IRA para o ano de 2000 mas só começou no final de 2001 interrompendo -o em 2003. Já em 2007,

por via do Sinn Fein, o IRA ordenou a todos os seus membros que entregassem todas as suas armas reinando assim a paz até aos dias de hoje.

Economia
Depois de várias décadas sobre o domínio de Inglaterra, a economia Irlandesa era muito fraca e virada essencialmente para o sector primário. Entre 1958 e 1963 foi lançado o primeiro programa para a expansão económica encorajando o investimento externo. Várias empresas estrangeiras instalam-se no território irlandês e a taxa de crescimento prevista de 2% atingiu os 4%. A emigração declinou e mudou de alguma forma aquele que tinha sido um dos países mais pobres e atrasados da Europa. Em 1973, juntamente com a Inglaterra, a Irlanda junta-se á Comunidade Europeia entrando assim no mercado comum. No final dos anos 70 a conjuntura económica era marcada pela queda do preço dos produtos agrícolas de exportação, pelo aumento do preço dos imp ortados (especialmente o petróleo), baixo crescimento económico, aumento da divida externa, desemprego e inflação. Em meados da década de 80 a Irlanda viu o seu défice baixar e o nível de inflação estava no mais baixo de há vinte anos. No inicio dos 90 o governo empreendeu um programa de cortes nos gastos públicos, e o crescimento económico alcançava 5%, restando o desemprego como principal factor negativo. Em 1991, a Irlanda é ao lado de Portugal e Grécia um dos países em mais atraso na EU. Sendo um dos principais beneficiados com as ajudas estruturais europeias, vê o seu PIB crescer em 40% nos próximos 20 anos. A especialização da indústria em sectores de elevada tecnologia e o fluxo dos investimentos estrangeiros, juntamente com uma fiscalidade vantajosa, foi determinante. Hoje em dia a mão-de-obra está distribuída em 6% no sector primário, 27% no secundário e 67% no terciário.

Organização do estado
A Republica da Irlanda é uma democracia parlamentar governada pela constituição de 1937, que só pode ser mudada por referendo . As duas ³casas´ conhecidas por Oireachtas (parlamento) são Dáil Éirann (a casa dos representantes) e Seanad Éirann (o senado). O chefe de estado é o Uachtaránna hÉireann (Presidente), elegido por sufrágio com um mandato de sete anos renovável por uma vez. Como não existe vice-presidente, se por alguma razão o presidente não puder continuar a exercer as suas funções,

esse cargo será liderado por uma Comissão Presidencial, constituída pelo Presidente o Supremo Tribunal, pelo porta -voz da Casa dos representantes e pelo representante do Senado. O governo é liderado pelo Taoiseacht (Primeiro Ministro) e pelo Tánaiste (Vice Primeiro Ministro) e outros 30 ministros no máximo.

População
A Irlanda é pouco povoada sendo a seu total de habitantes pouco mais de 4 milhões, ou seja uma densidade média de 60 habitantes por km². Mas existe um forte desequilíbrio na distribuição populacional, mais de um terço concentra-se em Dublin (capital) e em certas zonas costeiras, como mostrado na figura.

Densidade populacional (1992-1996)

A forte taxa de natalidade (14,3%) e a baixa taxa de mortalidade (7,8%), tornam a Irlanda com um crescimento populacional de 11%. A liado a isso está o facto de a Irlanda se ter tornado um país de imigração ao contrário do que até então tinha sido, especialmente na época da ³grande fome´ onde emigrou quase metade da sua população. Graças ao repentino crescimento económico

da Irlanda, nos anos 90, é hoje em dia, um país vibrante, culturalmente rico e de uma grande diversidade étnica . Os irlandeses são um povo acolhedor, que gosta de rir e amam a tradição estando o país repleto delas. A culinária, a música e dança tradicional, o dia de S. Patrício, o desporto e a bebida caracterizam bem o povo e as suas tradições. A batata foi durante décadas a base de subsistência dos irlandeses, por isso será lógico que a maioria dos seus pratos tradicionais são á base de batata. O ³colcannon´, o ³champ´ e o ³irish stew´ entre outros, são pratos que não se devem de deixar de experimentar (muito deliciosos devo acrescentar). A música tradicional irlandesa pode ser escutada nos pubs mais tradicionais onde predominam o bohran (tambor irlandês), o violino, a flauta, a guitarra, bandolins, acordeões, concertinas e embora menos utilizados, a ulliean pipe (gaita irlandesa) e a harpa . Estes são a base da maioria dos grandes ícones da música irlandesa (U2, Cranberries, Sinead O¶connor, Pogues, Van morrison e mais recentemente os Corrs). Mas na sua maioria, a musica tradicional é feita para dançar. Jigs, reels e slip são tipos de música que, pelo seu ritmo se prestam a um pezinho de dança. Os slow airs e laments têm um ritmo mais calmo e as canções, que variam de ritmo, pretendem quase sempre contar alguma história perdida na Irlanda rural. A dança tradicional é muito diversificada, podendo -se encontrar jigs, reels, hornpipes, sets, half sets, polkas e uma espécie de sapateado. Foi o espectáculo de sapateado ³Riveredance´, originalmente elaborado para um intervalo de 7 minutos no festival da Eurovisão em 1994, que projectou a dança tradicional irlandesa no mundo. As roupas usadas pelos dançarinos de hoje são uma homenagem ao passado, adornadas com símbolos celta s.

Dançarinos do espectáculo Riverdance

Sapateado irlandês

O dia de S. Patrício (17 março) é o dia de celebração do seu santo padroeiro. Devido a grande massa de emigração de irlandeses para os EUA e seus

descendentes, o dia também aí é comemorado tendo uma projecção mundial. Nesse dia o verde predomina tal como a boa disposição e a cerveja.

Marcha do dia de S. Patricio

O desporto nacional irlandês é o futebol gaélico, (uma espécie de futebol e rugby) e o hurling (um jogo rápido onde se usa um bastão em forma de machado e não se pode usar as mãos ou os pés).

Futebol gaélico

Hurling

Apesar de não ser tradicional o golf, o Futebol, o rugby e o hipismo são desportos muito amados na Irlanda. ³Em Roma sê romano´, é uma expressão que pode ser usada para qualquer parte do mundo. O povo irlandês é conhecido pelo seu elevado consumo de álcool, mas com a qualidade das suas bebidas, não os podemos criticar. Junto a essa qualidade, o conforto e o bom ambiente vivido nos pubs irlandeses torna impossível não beber qualquer coisa. Das mais conhecidas podemos destacar a Guiness, uma cerveja preta com um sabor único, a qual amamos ou odiamos. Murphy¶s Stout, kilkenny e Smithwik¶s são outras cervejas irlandesas muito apreciadas O whiskey irlandês, sabe-se que foi destilado pela primeira vez por monges há cerca de mil anos. Tem um sabor mais suave que os escoceses ou americanos e uma cor mais pálida. O Old Bushmills, Tullamore

Dew ou o Jameson¶s, são talvez os melhores. Dos licores destaco o Bailey¶s Irish Cream que tem por alvo o mercado feminino. O Irish Coffee, inventado depois da 2ª guerra mundial, é outra bebida muito apreciada dentro e fora da Irlanda. O Mead deixou de ser consumido na atura dos ataques Viking mas voltou a ser consumido nos últimos anos. É a combinação do doce do mel com um pouco de álcool é uma bebida popular para depois das refeições. O Poitín é a mais irlandesa de todas as bebidas e pode ser descrita como uma bebida espirituosa destilada da batata.

Turismo

Diz-se que uma vez que se visita a Irlanda, nunca mais se esquece. É um país que tem uma história rica cuja evidência está espalhada por todos os lugares, inclusive nas ruínas de antigos monumentos e castelos, alguns dos quais são mais antigos que as pirâmides. O passado do país permanece fazendo parte da consciência do dia-a-dia e da criatividade do povo. As paisagens por toda a ilha são de cortar a respiração. Impossível será visitar a Irlanda sem passar por Dublin. A arquitectura georgiana pode ser desfrutada nas caminhadas pela cidade.

Portas de estilo georgiano

O zoo de Dublin, a galeria nacional, a fábrica da guiness (no topo tem um bar com uma vista magnifica) e a catedral de St Patrick são pontos de muita atracção turística.

Vista do bar no topo da fábrica da Guinness Catedral de S. Patrício

O Phoenix park é o maior parque da Europa com uma área de 712 hectares. Dentro dele encontra -se a residência do presidente, o zoo, a embaixada dos EUA, uma super-esquadra e vários campos de pólo, futebol, rugby, cricket, etc., e veados em estado selvagem.

Renas no parque

Vista aérea do parque

Outros castelos, e locais históricos, uns passeios pela cidade e pelo belo rio Liffey sem esquecer a zona do Temple bar onde há uma variedade de lojas e grande diversão noturna.

Passeio junto ao rio

zona do temple bar

vista do Liffey á noite

O condado de wicklow fica a sul de Dublin e é conhecido como o jardim da Irlanda. As paisagens lindíssimas fazem jus ao título mas os monumentos também são uma grande atracção. O mais visitado é o mosteiro do século VI Glendalouch situado no coração do parque nacional de Wiclow Mountains . Lagos, Powerscout e os jardins Japoneses são outros sítios a não perder.

Glendalough

powerscourt

jardins japoneses

O sudoeste tem vastas praias arenosas ao passo que Kilkenny é uma cidade medieval com lindos edifícios a não perder. Waterford tem uma fábrica de cristal que merece uma visita. No condado de Claire, para que gosta da natureza, destaco o Burren way onde há fauna única, um caminho com mais de 60 monumentos fúnebres da idade da pedra e mais de 400 fortes de pedra da idade do ferro. Destaque ainda para os penhascos de moher ou uma réplica á escala de uma aldeia megalítica no condado de Claire.

Penhascos de Moher

Aldeia megalitica

Cork é a segunda maior cidade da Irlanda, (dá o nome ao condado) é basicamente uma ilha com 16 pontes pois o rio Lee circunda -a com os seus canais. A norte desse rio está a Shand on bells, na igreja de St. Anne onde se pode subir e tocar o sino. Rock of Cashel foi a fortaleza de Brian Boru, grande rei da Irlanda no século X. A ruína consiste numa grande catedral, uma torre redonda e a capela de

Cormac. Perto da área, existe um centro de geologia, teatro tradiconal e venda de artesanato local. Em Boyne, no condado de Meath encontramos uma tumba pré -histórica de Newgrange construída originalmente entre 3300 e 2900 a.C., sendo construída de maneira que, ao nascer do sol do dia mais curto do ano, um fino raio de sol ilumina por pouco tempo o piso da câmara no final de um longo corredor.

Newgrange vista aérea e seu interior

Em suma a Irlanda é um país magnífico com muito para oferecer e que demora muito tempo a conhecer. Não podia de deixar de falar no Giant¶s causeways (calçada do gigante) que, apesar de ser na Irlanda do Norte, faz parte desta maravilhosa ilha cheia de riqueza natural. Conta a lenda que um gigante irlandês chamado Finn McCool fez um caminho em pedra para chegar á Escócia e combater com um gigante rival de seu nome Benandonner. Quando chegou reparou que o gigante escocês estava a dormir e que era muito maior que ele. Ao chegar a casa disfarçou-se de bebé e pediu à sua mulher que alinha-se na história. Quando o gigante escocês chega á Irlanda para lutar a mulher diz que Finn tinha saído e só se encontrava e la e o bebé de ambos. Então o gigante escocês pensou que se o bebé era daquele tamanho o seu pai devia ser seis vezes maior e fugiu de volta para a Escócia. Na verdade as cerca de 40 mil pedras de forma hexagonal, são formações vulcânicas de há milhares de anos que ninguém sabe bem explicar porque.

Calçada do gigante