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Psicologia: Teoria e Pesquisa

Jan-Mar 2012, Vol. 28 n. 1, pp. 101-108

Contribuições das Teorias do Desenvolvimento Humano para a Concepção
Contemporânea da Adolescência1

Sylvia Regina Carmo Magalhães Senna2
Maria Auxiliadora Dessen
Universidade de Brasília

RESUMO - O interesse pelo estudo da adolescência vem aumentando, sobretudo por seu impacto no desenvolvimento do
indivíduo, da família e da sociedade. Tratar a adolescência simplesmente como um período de grandes mudanças não condiz
com as atuais perspectivas teóricas da ciência do desenvolvimento. Portanto, este artigo visa contribuir para uma compreensão
mais atualizada deste período do curso de vida, caracterizado por intensa exploração e múltiplas oportunidades, que variam
em função dos diferentes contextos sociais e culturais. Ênfase é dada à importância de se adotar um paradigma sistêmico
para a compreensão da adolescência, priorizando as inter-relações dos recursos individuais e contextuais que promovem as
trajetórias de desenvolvimento positivo.

Palavras-chave: desenvolvimento humano, teorias, adolescência, psicologia positiva.

Contributions of Human Development Theories to a Contemporary
Concept of Adolescence
ABSTRACT - The interest in studying adolescence is increasing, especially because of its impact on the development
of individuals, families and society. To treat adolescence simply as a period of great changes does not correspond to the
current theoretical perspectives of human development sciences. Therefore, this article aims to contribute to a more updated
understanding of this period in life, characterized by intense exploration and multiple opportunities that vary according to the
different social and cultural contexts. Emphasis is given to the importance of adopting a systemic paradigm for the comprehension
of adolescence, prioritizing individual and contextual resources that promote positive development.

Key words: human development, theories, adolescence, positive psychology

As primeiras tentativas de descrever a adolescência Recentemente, sobretudo nas três últimas décadas, as
datam do início do século XV, embora esta fase tenha sido rápidas mudanças no mundo, nas sociedades ocidentais e nas
reconhecida como crucial ao desenvolvimento humano famílias vêm gerando novas preocupações e questionamentos
somente nos anos de 1890 (Ariès, 1978/1986). Porém, foi entre estudiosos e leigos. Por exemplo, como compreender
particularmente no século XX que a adolescência se tornou as influências mútuas entre os fatores individuais e as forças
um tema de crescente interesse na história da psicologia. contextuais no curso do desenvolvimento individual e vice-
Naquele século, marcado por grandes avanços teóricos nas -versa (Brown, 2005)? Como promover relações entre o
ciências em geral, advindos da adoção de modelos sistêmi- indivíduo e seu contexto que sejam mutuamente benéficas
cos para a compreensão de fenômenos do desenvolvimento, à saúde do jovem, de sua família e de sua nação (Lerner &
este período passou a ser visto como um conjunto de fatores Overton, 2008)?
inter-relacionados, de ordem individual, histórica e cultural. Estudiosos da área se preocupam com as diversas pos-
Ao adotar uma visão relacional e contextual, as pesquisas sibilidades de trocas dinâmicas entre o adolescente e seus
na área do desenvolvimento do adolescente começaram a es- diferentes contextos, de modo que ele possa seguir caminhos
tabelecer relações específicas entre os aspectos do indivíduo marcados por oportunidades de saúde e desenvolvimento
e de seus contextos de desenvolvimento, e a identificar de- positivo (Lerner & Overton, 2008). Os estudos atuais buscam
safios, potencialidades e possibilidades de desenvolvimento apresentar dados que sirvam de base para programas dirigidos
das reais competências do adolescente (Lerner & Steinberg, aos adolescentes, já que é nesta fase que um grande poten-
2004). A ênfase maior na adolescência, enquanto período cial pode ser desenvolvido, preparando-os para enfrentar
decisivo do curso de vida, passou a ser, então, deslocada melhor os desafios e atuar no mundo adulto (Larson, Wilson
para os fatores de mudança e plasticidade, bem como para & Mortimer, 2002; Roth & Brooks-Guhn, 2003; Smetana,
a diversidade social e cultural, que podem ser mais pronun- Campione-Barr & Metzer, 2006).
ciados neste período. Reconhecendo a adolescência como um período do curso
de vida essencial ao desenvolvimento do indivíduo, este
1 As autoras agradecem ao grupo de estudos do Laboratório de Desen-
volvimento Familiar, UnB. artigo apresenta o percurso do estudo científico da adoles-
2 Endereço para: SQS 209, bloco E, apto. 205 – Asa Sul; Brasília-DF;
cência, com base em duas fases sobrepostas da história das
CEP: 70272-050; Fone: (61) 32420031; teorias do desenvolvimento humano, propostas por Lerner
E-mail: sylviasenna@hotmail.com e Steinberg (2004; 2009) e reiteradas por Goosens (2006).

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2004. na forma ças sistemáticas do comportamento. foco deste artigo. pp. explicações teóricas que orientam suas concepções ao longo Ele reconhece a influência da cultura ao mesmo tempo em do tempo. Tais senvolvimento (oral. Tais questões organiza. apropriados para sua exploração pessoal tendem a emergir ram as teorias da adolescência sob princípios organísmicos desse estágio com um sentido mais forte de si mesmo e um ou contextualistas. intitulada Adolescência. teóricos dessa área se preocuparam com as mudan. suas propriedades e metas (Goosens. na adolescência. diferenciando-as em teorias biológicas. com base em duas questões que depende das experiências e informações adquiridas nas principais: a adolescência como uma fase distinta no desen. senvolvimento elaboradas até os anos 70 para a compreen- são e concepções atuais da adolescência. processos. Com ênfase na teoria biológica. que valoriza as diferenças individuais do adolescente e sua zada. no século XXI. Esse período se destacou ência dos ambientes e o impacto da experiência social durante pelo interesse crescente por modelos sistêmicos e estudos todo o curso de vida. baseada apontando as tendências da ciência e a emergência de uma no desenvolvimento das espécies (filogênese) e na recapitu- nova fase caracterizada pela aplicação das teorias e por uma lação do desenvolvimento do indivíduo (ontogênese). no Século XX apesar de considerá-la crucial. 1. berdade são considerados normais e até necessários ao seu sível identificar duas fases teóricas sobrepostas (Goosens. Sob esta perspectiva. Na sua maioria O terceiro grupo de teorias de desenvolvimento é reconhe- organísmicas. SRCM Senna & MA Dessen Na primeira seção. mas que considere as inter-relações dos recursos considerado inovador e provocativo para sua época.. que não se restrinja às fronteiras e características do característica de plasticidade (maleabilidade). a ciência passa a ter seu foco na avaliação intelectual. Vol. também. 1999). a pessoa se depara com um conflito central. socioculturais e cognitivas. na busca por um novo sentido 2006. considerando-a como um segundo nascimento. enfocando a descrição madura e genital.: Teor. Considerando a importância das teorias do de. ços nos estudos empíricos da adolescência. 101-108 . define a adolescência como um período de transição universal Ao buscar compreender a adolescência com base nas e inevitável. 2003. essa crise se caracteriza pelo desen- teorias do desenvolvimento foram responsáveis por explicar volvimento da identidade. a princípio isolados. Na segunda fase. que começa por volta pologia cultural. Erik de 1970 e é caracterizada pela realização de estudos descri. enfatizando a interação entre as dimensões dos anos de 1970. interesses das questões concretas do corpo para as questões quentes (Dubas. A primeira delas ocorreu do início do século XX até os anos Com a teoria do desenvolvimento psicossocial. destaca-se a obra de G. cido por priorizar aspectos socioculturais da adolescência e 102 Psic. isto é. Em se No decorrer da história. e o fenômeno da adolescência. uma crise normal e saudável a ser ultrapassada. emoção). ocorre a reativação. isentas de emoção. e Pesq. pela plasticidade e diversidade dos desenvolvimento. a cada estágio do longitudinais. de personalidade e papel social. mais abstratas. 2006). fica evidenciado que as principais tratando da adolescência. nett. Jan-Mar 2012. os conflitos da pu- Na história do estudo científico da adolescência. vital. estas teorias tinham como fundamento o mun. 2006). sociocultural. sentimento de independência e controle. Logo. destacando a abordagem do curso de vida e o modelo bioecológico do Na primeira fase do estudo científico da adolescência. identificando a emergência de determinado importante na história da psicologia do adolescente. Erikson (1968/1976) integra a psicanálise ao campo da antro- tivos e não-teóricos. Miller & Petersen. Ao afirmar que o desenvolvimento é descrito processos de desenvolvimento humano influenciados por por uma série de estágios previsíveis. Stanley Hall. experimentados pela criança nas fases iniciais do seu de- cognição. Goosens. Ao longo aspecto da sexualidade humana a cada fase distinta do ciclo do tempo. Brasília. sendo o resultado de século XX. psicanalíticas. um individuais e contextuais que promovem as trajetórias de precursor das teorias contextualistas contemporâneas (Ar- desenvolvimento positivo. Assim. desenvolvimento humano. anal e edípica). espera-se contribuir para uma discussão atuali. Erikson destaca a influ- contextos amplos e diversificados. será apresentada uma visão mais in. podendo ser adolescente. 2006). Um segundo grupo. Lerner & Steinberg. no curso de vida. Steinberg & Lerner. A intelectualização é teorias organizaram e deram significado e coerência aos fatos o mecanismo de defesa adotado pelo adolescente para lidar relativos à adolescência. e permitiram com a sua revolta emocional. Como conse- volvimento e como um período caracterizado por crescentes quência. adolescentes que recebem encorajamento e reforço e inevitáveis níveis de turbulência. com vistas a justificar os Oliveira. Desenvolvimento na Adolescência tegradora e contextualista do desenvolvimento. interações diárias do adolescente com outros. Em seguida. Esta perspectiva preconizou a pessoa como dotada de um reservatório de impulsos bio- As teorias do desenvolvimento têm um papel bastante lógicos básicos. 2004). não identi- O Percurso do Estudo Científico da Adolescência ficou a adolescência como fase distinta no desenvolvimento. serão apresentadas as fases históricas do como um organismo vivo e o indivíduo como um agente que caracterizaram o estudo científico da adolescência no ativo em seu próprio desenvolvimento. que está em constante mudança. Hall visão de adolescência saudável. funcionamento ‘adaptativo’. conduzindo-o a mudar seus a dedução e testagem efetiva em trabalhos empíricos subse. A segunda seção trata dos avan. ou nas relações entre esses aspectos. histórica e biológica (Lopes de de modelos teóricos e hipóteses. publicada em 1904. breve menção será feita às contribuições das diversas teorias Primeira Fase: A Descrição dos Processos de clássicas. e. de vários impulsos sexuais e agressivos dessas mudanças em um ou outro aspecto particular (ex. é pos. 28 n. o das teorias baseadas nos pressupos- tos da psicanálise de Sigmund Freud (1856-1939).

o contexto nesta etapa do curso de vida (Goosens. que servisse destaque ao privilegiar os processos cognitivos do desen. então.. grupos sociais e ambientes. Dentre as desenvolvimento humano. éticos e políticos como tentativa de se adaptar e mudar o Elder & Costello. para orientar as pesquisas em diversos níveis da organi- volvimento e afirmar que os comportamentos adolescentes zação humana. 2003). Tais O desenvolvimento passou. que variam de acordo com o tempo. danças durante a adolescência. Dessen rias se limitavam a apresentar dicotomias entre os aspectos & Lopes de Oliveira. As interações pessoa-contexto orientações teóricas que representam essa perspectiva do passam a ser vistas como um fenômeno do desenvolvi. on Human Development (CCHD. novos mo. em mudanças na sua forma de pensar. Ao perceber que compreender o funcionamento deste sistema. 101-108 103 . van Geert. sibilidades são geradas para a próxima (Sifuentes. a ser visto como modelos reconheciam o caráter fundamental e integrador das epigenético e probabilístico. 1996) e a abordagem bioecológica de Bronfenbrenner constante desenvolvimento. em minar a universalidade da i déia de turbulência atribuída à qualquer ponto no curso de vida. Com o desenvolvimento do pensamento for. estas teo. 1996). tado. mútua entre sistemas e entre os componentes de um siste- direcionais. Brasília. composto pelo conjunto de processos de mudanças mal. até certo ponto. continuidade versus denominadas de co-ação. o adolescente revela uma maneira própria de interações entre pessoas e sistemas biológicos. cognições e interações). dentro de compreender a sua realidade e constrói sistemas filosóficos. que atuam de modo complementar descontinuidade. Magnusson & Cairns. e como eles interagem inserção na sociedade. culminando. Na medida em que as harmonia do sistema diante de situações novas ou adversas evidências empíricas foram sendo produzidas. desde os processos genéticos até os eventos culturais. Jan-Mar 2012. e Pesq. ocorridos nas estruturas. a fim de desvelar Esta fase dos estudos científicos sobre a adolescência os complexos processos que levam os seres humanos a se teve início na década de 1970. 1999). mudanças nas relações que ela estabelece com o ambiente. na medida em que os fatores influências dos diferentes níveis de organização da ecologia biológicos e contextuais foram considerados reciproca- do desenvolvimento humano. 2006. desenvolvimento. Desenvolvimento Humano e Adolescência preconizar que o comportamento do adolescente é moldado. com o intuito de Ainda nesta primeira fase. Em outras palavras. as propriedades estruturais e possíveis. (Gottlieb. faz-se neces- as soluções baseadas apenas no raciocínio lógico não são sário investigar os contextos. o adolescente adentra a idade adulta por meio da funcionais da pessoa e do ambiente. 1958/1976). De acordo com estes autores. 2007). gerando a necessidade de mente interativos. e (c) o significado do adolescência. o desenvolvimento individual. com destaque desenvolvimento humano inserido no contexto socio- para Margaret Mead. 1996). Seus participantes propuseram um modelo que geram preocupações aos adultos têm sua origem nas abrangente denominado ciência do desenvolvimento. merece sociais. potencial para mudança sistemática (plasticidade). 1996. cada indivíduo tem seu desen- aspectos do indivíduo (sentimentos. e que. pp. volvimento delineado por inúmeros fatores reciprocamente elas não foram suficientes para explicar o desenvolvimento interativos. característica do início que desenvolvimento refere-se a um fenômeno multiface- desta fase. devido ao fluxo de contínuas (1979/1996. Lerner & e o processo. à medida que as pesqui. Na busca por exa.: Teor. tendo como foco diferentes De acordo com esta visão. que tem como precursor Jean Piaget. a cada etapa desse processo. antropólogos sociais e culturais. assim. o desen- maturacionais e genéticos e os aspectos exclusivamente volvimento ocorre por meio de forças internas e externas. para produzir ou não saúde e funcionamento adap- Desenvolvimento do Adolescente tativo? Tais questionamentos exigiram o entrelaçamento e a integração de disciplinas de diversas áreas. um quarto grupo de teorias da organizar uma síntese das diferentes disciplinas e teorias adolescência. 1928/1979). Para mundo (Inhelder & Piaget. que repre. relacionam a rebeldia da puberdade -histórico em que ele acontece (Goosens. delos relacionais do desenvolvimento foram surgindo. destacamos a teoria do curso de vida (El- mento psicológico que implica considerar: (a) a pessoa em der. 2009). e bidirecional no sentido de adaptar e manter o equilíbrio e a sentavam o conhecimento da época. um grupo de estudiosos do desenvol- do jovem. 2006). dependendo do estilo de vida e da cultura na qual vimento se reuniu com o apoio do Carolina Consortium ele está inserido (Mead. no decorrer do tempo (Cairns. 2005). como a sua evolução em padrões no tempo. novas pos- Steinberg. desde os eventos fisiológicos até as interações sociais? Como estes sistemas se integram ao longo Segunda Fase: A Visão Contextualista do do tempo. pelo ambiente social imediato (pais e pares) (b) o desenvolvimento humano caracterizado pelo grande e pelo ambiente social amplo (cultura). psicológicas e biocomportamentais. estabilidade versus mudança. Vol. 1. (fase universal) contra a autoridade dos pais ao idealismo Naquela época. contextuais: herdado versus adquirido. 1996. que enfatiza desenvolvimento humano. tanto no que tange a relação o indivíduo e o ambiente na sua dinâmica de relações bi. novos aportes integradores. Estes para a compreensão das questões de investigação sobre o modelos refletiam uma visão contextualista. na segunda Como compreender os múltiplos sistemas que influenciam fase dos estudos científicos. 28 n. indivíduo (Dessen & Costa Junior. Psic. desenvolverem dentro de uma dinâmica de forças existentes sas empíricas se tornavam desvinculadas dos modelos no mundo em constante transformação. gerando um grande desafio para a área. estruturais e organizacionais. por meio da assimilação e da acomodação de novas progressivas. e produzem constâncias e mudanças no desenvolvimento do Apesar de as teorias clássicas descreverem as várias mu. bem como o papel do tempo e do espaço no ma. a perspectiva sistêmica foi fundamental desenvolvimento humano no curso de vida surgiam. teóricos clássicos e que novos modelos e questões sobre Neste sentido.

Em consonância com a perspectiva Entretanto. essa teoria prescreve o desenvolvimento entre ganhos e Na adolescência. como uma das formas de para compreender o desenvolvimento humano. 1979/1996). 28 n. como por exemplo.. a as interações e os padrões relacionais que se estabelecem em forma e o processo do desenvolvimento do indivíduo. Bronfenbrenner familiar. as interações no cotidiano Esta visão contemporânea do desenvolvimento. sociais e políticas. entre níveis. postula que. e. com outras suas perspectivas. nas análises. trabalho e família. isto é. 2006). unidimensionais. psicológicas geração pode tomar decisões e promover eventos no curso e biológicas . Assim. Durante a adolescência. bem-estar e clima (1979/1996) apresentou um modelo para orientar as pesquisas emocional. mas também. e do momento em que elas acontecem. as trajetórias significativas para a pessoa. sobretudo no engajamento em cência. torna-se (Bronfenbrenner. Reconhecida na sua complexi- observadas na mudança intraindividual variam no tempo e dade. em que os familiares vivem e crescem. dentes . que afetam volve em processos (P) de interações recíprocas. papéis e relações interpessoais presentes. vidas. Essas interações podem variar (Elder. à medida que o co. fase do curso de vida. fazendo escolhas baseadas nessas experi. por exemplo.individuais. 1998). mas envolvida na dinâmica (Bronfenbrenner & Evans. das estruturas intermediárias ou indiretos. a família é responsável por conduzir o adolescente à no espaço. nos seus aspectos tem. o adolescente. texto é definido por uma hierarquia de sistemas interdepen- Nesta direção. expectativas e adaptações subsequentes pessoas. portanto. influenciam seu próprio o contexto (C) e o tempo (T) (Bronfenbrenner & Morris. os processos proximais. na diferentes contextos. 1999. em diversos níveis: macro (da sar as influências múltiplas dos diferentes ambientes. uma in. em decisões tomadas em contex- 104 Psic.e é composto culação de conceitos do desenvolvimento. recebe influências também de outros contextos em desenvolvimento humano denominado modelo ecológi. como qualquer pessoa. exo e macrossistemas . cada apresenta características próprias . conhecimentos e crenças -. e Pesq. na unidirecionais e unifuncionais de crescimento e maturação vizinhança. tais concepção de adolescência. particularmente importantes. é preciso compreender as mudanças que ocorrem no desenvolvimento incorporar. isto é. presente da vida familiar. ultrapassando pelas atividades. E. havendo uma interdependência entre experiências de vida. do grau de acontecem as interações mais diretas e as experiências mais maleabilidade presente nos indivíduos. com o compreensão de conceitos e valores básicos. pp. formando uma Neste modelo. como consequência dessa plasticidade.disposições. ativo. de caminhos múltiplos e inter-relacionados. 1996). objetos ou símbolos. negociações e trocas de argumentos e de metodologias mais apropriadas para responder questões desta opiniões. motoras ou cognitivas. ner em 1979. para a adoção de como diálogos. continuam a partir da segunda fase dos estudos científicos da adoles. (comunidades e vizinhança) e do mundo proximal (escola Compreender o desenvolvimento humano com base e família). matriz de relações sociais ao longo do tempo. Além disso. nos grupos de amigos. e também. Ao adotar uma visão holística. ou seja. em seu livro “A ecologia do desenvolvimento adolescência. como agentes ativos de mudança. casamento e parentalidade.: Teor. 2000). podendo produzir terdependência de trajetórias. 1998). modelos mais tradicionais. Vol. textos de interações proximais (mesossistema). humano”. meso. e nas instituições educacionais biológica do indivíduo. as mudanças históricas. neste modelo implica identificar quatro elementos básicos. e de saúde. ao longo do tempo. Brasília.micro. Isto é. de acordo com as características das pessoas. na comunidade. desenvolvimento. a família continua a ser considerada perdas. contextuais e temporais na promoção dos processos mesmo quando o adolescente não tem um papel diretamente de desenvolvimento humano. revisado e complementado em 1999. ainda na década de 1970. as diretrizes para o planejamento de dependentes entre a família. entre produto e produtor do seu desenvolvimento (Bronfenbrenner. Nesta visão. como por exemplo. a pessoa (P) se en- ências . dos contextos O conceito de curso de vida estabelece. os indivíduos adquirem significados pró. nas suas famílias. a pessoa (P). ainda. SRCM Senna & MA Dessen A Teoria do Curso de Vida O Modelo (Bio)Ecológico de Urie Bronfenbrenner A perspectiva do curso de vida é uma orientação teórica O modelo ecológico. sendo que as potencialidades são expressas por o principal microssistema do desenvolvimento. que tanto na realização de tarefas e papéis sociais cada vez mais diversi- facilita como impede oportunidades de mudança (Elder & ficados e complexos. trabalho e 1999). sociais. porais. ao engajamento desenvolvimento exercendo um papel regulador. o funcionamento interno do microssistema do curso de vida. Isto significa anali- história e no mundo social. fase adulta e velhice). a teoria do curso de vida postula a arti. Bronfenbrenner & Morris. não somente o indivíduo e as suas ca- humano. ao ser humano (Bronfenbrenner. e ambientais nos padrões de vida modelam o conteúdo. diretos sociedade e da ordem social). geográficas pacidades perceptuais. passando a ser denominado modelo bioecológico formar e ampliar sua rede de relações interpessoais. lineares. duais. pois nela meio da plasticidade intraindividual. o seu desenvolvimento. contextuais e processuais. 101-108 . O con- lazer (Elder. Este modelo foi revisado pelo próprio autor no final do adolescente passa a participar de outros microssistemas e a século XX. que ocorre na interação com o contexto (C). contribuiu não somente para a compreensão da atual práticas educativas e nos processos de comunicação.além de uma forma própria de lidar com suas de vida das outras. Ele é visto como um sujeito ativo. 1996). onde cada trajetória não está tanto competências como disfunções no desenvolvimento restrita a histórias individuais. evidente a formação de novas relações e influências inter- Ele traçou. 1. o adolescente e os demais con- pesquisas que consideram a inter-relação dos fatores indivi. Jan-Mar 2012. apresentado por Urie Bronfenbren- que propõe a identificação dos estágios de vida (infância. e ao desenvolvimento de competências Shanahan. mas também. prios do seu contexto histórico e das experiências de outros inter-relacionados e dinâmicos: o processo (P). Ao longo do desenvolvimento. Assim.

por dirigentes da escola 1970. resultaram em efeitos desastrosos em todo recursos pessoais . primeiramente. cuidado. aspectos saudável desses jovens (Benson. e compaixão (Lerner. vos – e. porém. não se pode negligenciar os recursos provenien- permitido avanços no sentido de ultrapassar a visão inicial de tes de diferentes ambientes. interferem em sua vida e na vida de sua família. 1979/1996). Forman & Powers. atuar em parceria com sua família e com a comunidade. liderança. Wertlieb & e. eles propõem ações efetivas com no discurso coletivo orientado para a “falta” começou a base. ao promoverem contextos mais ou menos favoráveis ao seu tem-se buscado ultrapassar uma visão negativa e deficitária desenvolvimento (Bronfenbrenner. em ativida- des que reforçam valores associados à saúde e ao bem-estar Tendências Atuais: a Visão do Desenvolvimento comum. das intervenções feitas nas comunidades. Por outro lado. (guerras mundiais.devem ser consideradas ao longo tes aos jovens. entrada em novo ciclo de programas dirigidos aos jovens com comportamentos de escolar). Consequentemente. Brasília.. Esta nova perspectiva originou-se não só dos modelos que ocorrem não somente nas características individuais. sobretudo. por meio são esperadas ou normativas (namoro. terapeutas e Torres Gêmeas). 2005). so. à saúde e aos cuidados ao próximo. e (c) a participação do jovem em todas as decisões e vertentes Foi somente na última década. como os adolescentes influenciam esses Jacobs.. vimento econômico e tecnológico. com a finalidade À parte as dificuldades na operacionalização integral do de fortalecer conexões entre eles. Conforme Lerner et al. queda do muro de Berlim. além dos recursos e das mudanças pertinen- recursos e oportunidades . da centes estão situados em seus contextos específicos. atentado às Embasada na concordância de cientistas. dos resultados em direção ao progresso da sociedade. associada ao desenvolvimento de recursos do in.: Teor. Algumas dessas transições também. Estes conhecimentos têm Logo. sistemas governamentais e políticas públicas. alinhados. Entretanto. sucesso desses programas depende de três fatores preponde- dores. Fisher & como leis que regulam o sistema educacional e de saúde Weinberg. e garantem o Positivo desenvolvimento de valores e comportamentos relativos à consciência social. à qualidade ambiental. conexão positiva. torna-se jardins e bibliotecas).. podem promover o ‘florescimento’ lores. 2009). atribuídas à época em que ela entre indivíduos e contextos ecológicos do mundo real. 2003. Roth & Brooks-Guhn. 2006). ao mesmo tempo. 2003. 1999). divíduo e do ecossistema (Theokas et al. ao sexo inseguro e ao do jovem vai exigir. também. afirmou Bronfenbrenner (1979/1996). Phelps. (T). (b) voltadas para questões sociais e para a aplicação e utilização atividades dirigidas ao desenvolvimento de suas habilidades. Assim. dominou os campos da ciência do desen- Na adolescência. depois. a identificação de seus fracasso escolar. mas o tempo que o jovem despende com adultos cuidadores e com pares. Wertlieb & Jacobs. crescente e decisiva no período da adolescência (Theokas para incorporar uma visão mais positiva do desenvolvimento & Lerner.sistemas ideológicos de crenças e va. mas é vivida (Bronfenbrenner.. Lerner et al. ambas devem ser vistas nos níveis educadores. entre indiretos gerados pelas mudanças e estabilidades sucessivas. sua adoção parcial de um compromisso mútuo. em um único projeto de pesquisa. 2009). da sociologia. meso e macrotempo que compõem o cronossistema fontes de recursos e forças internas a serem desenvolvidos. pode-se reconhecer os efeitos diretos e volvimento. instituições e comunidades. suas famílias. indiretamente. Tais conexões dependem modelo. 2003. às drogas. que o foco científico do programa. nas transformações histórico-culturais. escolas e comunidades têm ‘nu- pessoa e os contextos . a elaboração de programas específicos de gada do século XXI foi marcada por um contexto de rápidas estimulação desses talentos. no desenvolvimento de características tais ser paulatinamente substituído por uma mentalidade mais como os cinco “Cs” . da compreensão da plasticidade e da importância das relações ciais.. no século XX. que asseguram seu sucesso escolar. 2005). pública. Almerigi. no qual o jovem tanto pode em estudos sobre a adolescência tem sido especialmente útil. 28 n. confiança. Theokas et al. ao crime e Assim sendo. contextos direta ou indiretamente. 1. 2005). Jan-Mar 2012. pp. energias e interesses construti- o mundo (Lerner. enquanto outras são imprevistas ou não-normativas risco (Lerner. à pobreza. estabelecidas pelos contextos.caráter. Do ponto de vista do desenvolvimento positivo do jovem. por exemplo. a colaboração mútua entre produtores e consumidores ou por agentes responsáveis pelo lazer e cultura (parques. não são apenas as condições do adolescente. trientes’ que. é preciso. e para o fortalecimento decisões que são tomadas nas esferas macrossistêmicas. mas. dinâmicos do comportamento e desenvolvimento humanos. entre teoria e prática. da psicologia. que. 2000). ainda na década de Psic. e Pesq. outros. Theokas & Lerner. identificar os recursos de do tempo (Bronfenbrenner. étnicos e religiosos. 2005). família de origem e disponibilidade de Neste contexto. a visão positiva preconiza que tanto os jovens são do micro. como mesma maneira que a sociedade pode oferecer suporte ao esses contextos influenciam o curso do seu desenvolvimento desenvolvimento dos seus cidadãos (Lerner. da educação. aos abusos. o mudanças que estimularam o interesse conjunto de pesquisa. políticos e profissionais para a condução de pesquisas rantes: (a) uma relação positiva e sustentável com adultos. recebe influências essencial para a legitimação da visão otimista do potencial provenientes destes ambientes (exosistema). 2006. ele. Em geral. para intervenções no curso de vida. 1979/1996). as influências bidirecionais entre a como todas as famílias.talentos. do conhecimento científico. 101-108 105 . já que eles exercem influência adolescência como um período de turbulência e instabilidade.e em ideologias de compromisso moral. da diversidade (Benson. solidariedade e valorização Problemas inter-relacionados. 2000) . Vol. a che. De acordo com Lerner (2004). políticas e econômicas. tais da ideia do desenvolvimento positivo (Lerner. Desenvolvimento Humano e Adolescência tos sociais do trabalho dos pais. a promoção do desenvolvimento positivo à violência. referentes ao desenvol. exercer um papel pró-ativo no seu desenvolvimento como O modelo auxilia a investigação da forma como os adoles.

as influências colhas negativas e destrutivas acaba por comprometer seu genéticas. à metodologia longitudinal e à aplicação das teo. ou mesmo. necessários preparado ou engajado com seu próprio desenvolvimento e ao desenvolvimento.. proximidade e aceitação. Overton (2008) reforçam a necessidade de compreendê-los denominada a ciência aplicada do desenvolvimento. esta ciência norteia intervenções no sentido de prevenir riscos e otimi- zar sucessos. nos tempos Nesses estudos. sobretudo. 2000). de al. e a possibilidade de oferta de contextos o desenvolvimento da sociedade (Benson. Porém.. vem se expandindo gradualmente. e Pesq. SRCM Senna & MA Dessen dever de cidadão e saúde do jovem e da sociedade (Lerner biológicos e neuropsicológicos do desenvolvimento cerebral & Steinberg. visando melhor. néticos e ambientais. Considerar o adolescente com envolvam contextos naturais. e (b) adotar seus conceitos em programas (Steinberg & Morris. e manter e trazer progressos à 2005). na ideia do modelo médico de diagnóstico e tratamento de reção (Lerner. contextos. que te- a biologia e o ambiente (Plomin. diversidade. na segunda metade do século XX. futuros adultos. É preciso que ele seja acompanhado e estimulado. Grande parte dos estudos na área enfatiza situações Como a pesquisa em processos relacionais básicos de conflituosas. atualmente. Ademais. nas suas história. 2005). 2005). normativos e da ênfase nos aspectos saudáveis. tipicamente associadas a esta fase. presente ainda hoje. No âmbito internacional. Steinberg & Morris. 2005). 2004. tem ampliado a visão do desenvolvimento e múltiplas oportunidades para muitos jovens. 2001). Muitas caso. o desenvolvimento do cérebro. Brasília. Afinal. puberdade. e entre os fatores nha um início e um fim bem definidos. ou mesmo isolar aspectos ge- avaliação de intervenções e programas. Nesse continuum entre a geração e a aplicação típica. 252). Não se pode negar. limitada e ultrapassada ner (1979/1996). Já não se pode mais admitir que de educação e intervenção. e em políticas públicas dirigidas a ideia tradicional de rebeldia (tempestade e estresse) seja aos cidadãos. são propostas pesquisas que de vida (Larson et al. tanto da ciência como da sociedade. à plasticidade e à mudança e transitoriedade no desenvolvimento. de modo integrativo. 1. da atualidade devem: (a) estudar o indivíduo e seus múltiplos e não na visão do adolescente saudável (Theokas et al 2005). repleto da puberdade). a adesão a es. Lerner e Neste movimento. diante dos desafios contemporâneos. Jan-Mar 2012. universal ou mesmo inevitável nesta etapa do curso do conhecimento. A delimitação deste 106 Psic. desenvolvimento saudável. Apesar dos avanços na compreensão da adolescência. a prevenção de fase. pode impedir um diálogo amplo entre trução e do uso de delineamentos e instrumentos sensíveis as diferentes áreas de pesquisa. saúde física. 2005). ecologicamente válidos. o adolescente). que foram cristalizados e integrados teóricas da ciência do desenvolvimento humano (Brown.. a promoção do desen. conflitos.. 2002). emerge uma nova proposta de estudo. prescreve as teorias contextualistas e o próprio Bronfenbren. Vol. 2003. não condiz com os avanços nas perspectivas rias do desenvolvimento. Por meio da descrição e explicação dos processos vida humana” (p. o desafio se traduz na integração de atuais. fornecendo-lhes suporte e mais oportunidades de compartilhar conhecimentos científicos com a comunidade maximizarem suas chances de desenvolvimento saudável e propondo aprimoramentos nas chances de vida de crian. apenas. do desenvolvimento. pautando-se desenvolvimento e suas aplicações caminham na mesma di. o quanto. 2006).: Teor. na segunda fase dos estudos científicos do desenvolvimento 2005). para o futuro. os estudos atuais (Lopes de Oliveira. sobre as mudanças biológicas na vezes. Essas concepções distorcem a ideia de processo con- do adolescente. classe social e gênero) ainda se pode identificar uma tendência a caracterizar este e intraindividuais (como aquelas esperadas pelas transições período apenas como um momento no curso de vida. e mudanças sistemáticas. Ultrapassar esse desafio conduzirá a uma compreen- comportamentos de risco. na adolescência (Dahl & Hariri. que tem foco na conduta do adolescente doente. que dão a tônica da adolescência além de reconhecido nas suas peculiaridades. 2000). 2005). 101-108 . adolescentes. estabilidades saudável (Theokas et al. os adolescentes se deparam com mais chances e com diversos conhecimentos a respeito de uma só pessoa (no mais desafios do que os das gerações precedentes. e a base em fatores particulares. isto é. contribuído para a compreensão da influência conjunta entre Além disso. entretanto. tanto tínuo do desenvolvimento humano. deficiências Considerações Finais ou fraquezas dos indivíduos e dos contextos (Lerner et al. em qualquer ponto da ças. Wertlieb & Jacobs. tal qual apontado pelos profissionais e os políticos (Brown. famílias e comunidades.. Buscar os ante- 2009). e positivo. alterações constantes de humor e relações bidirecionais entre os diferentes níveis ecológicos comportamentos de risco (Lerner. Theokas et al. trajetórias no curso de vida (Lerner. em muito. e dos pesquisadores com os ao desenvolvimento e aos contextos. parece inapropriada e. Theokas et de relações mais positivas. sustentadoras e contínuas. etnia. comunidades e sociedades. típicas desta volvimento positivo não significa. aqueles que vão assumir a liderança nas famílias. 2005). por meio da cons. tampouco significa que manter o são melhor dos ajustamentos positivos na adolescência. um estado em si. como A visão de uma adolescência única. pp. pode-se observar um grande cedentes geradores das mudanças na adolescência significa avanço nos trabalhos sobre a genética do comportamento tratá-la como um período de intensa exploração e de grandes e que. educacionais e culturais. 2004. viduais (diversidade de raça. que ocorrem concomitantes às Considerando os jovens como empreendedores vitais transições dos seus contextos.. 2001). ritmos de sono. bem como a centralidade do contexto e das de dificuldades. abordar a adolescência como um período de A ênfase dada aos aspectos relacionais. transições sociais. relacional e temporal. conforme preconizam qualitativa como quantitativamente (Lerner & Steinberg. as teorias científicas problemas. ao adolescente livre de problemas é certificar-se que ele esteja reconhecimento dos aspectos ditos normativos. a adolescência não é algo acabado. ao invés de remediar problemas. “eles representam. Wertlieb & Jacobs. As ações propostas reforçam as diferenças interindi. 28 n. influências religiosas. teóricos.

Benson (Eds. (1996). desenvolvimento pode ser alcançado por diferentes meios e em contextos relativamente diferentes.). (1998). Yunes. Norwell. fundamentais à saúde e ao desenvolvimento do Some reflections on the state of JRA and the state of the field. Environments in developmental resiliência nas famílias. Trad. empírica futura deve incluir estudos que respondam a uma Developmental science. Press. qualitativos. G. A. 375-397. Moving forward with research on adolescence: conjuntos. A. 15. L. B.Theoretical models of tuais das ciências biológicas e sociais. reconsidered. adolescente e seu contexto. é preciso que. desenvolvimento humano: tendências atuais e perspectivas Espera-se. ela precisa ser compreendida a percorrer. Miller. a esperança e a coragem. Rio de O movimento da psicologia positiva traz uma contribui.). Measuring environment ser mais estimuladas. 3-28). Elder Jr. Developmental assets and Percebido também no Brasil (Dell’Aglio. interdisciplinar esperado na área. familiares ou geracionais? Cairns.). tema que reflete a Bronfenbrenner. K. 101-108 107 . M. pesquisas empíricas para a elaboração de modelos de inter. American Psychologist. formam um campo fértil nas linhas de perspective: Theoretical and operational models.. São Paulo: Casa do Psicólogo. M.. do conhecimento. Dessen. Veríssimo. (2003).. D. no curso do desenvolvimento. 2006). ao adotar como missão central a investigação Arnett. planejamento de intervenções que facilitem sua construção. do bem-estar e da satisfação na vida de todos (Paludo & Porto Alegre: Artes Médicas. promover o desenvolvimento positivo do jovem possam se research and empirical findings. M. relação à quais condições ecológicas? E. In W.). & Morris. S. & Evans.. New York: Cambridge University Press. explicar e in the 21st century: Emerging questions. New York: Wiley. J. e Pesq. A.. Desenvolvimento Humano e Adolescência período ultrapassa aspectos cronológicos e biológicos e para a sociedade civil (Lerner et al. DC: American Psychological Association... A. The study of especialistas e da própria comunidade. Janeiro: Zahar. & E. L. J. Yunes (2003) sugere que em 1979). recente pelos estudos sobre a resiliência. ção valiosa. Developmental A complexidade exigida pelas ciências. Lerner. (Trabalho original publicado em 1978). Para sedimentar as atuais concepções teóricas do de. In R. & Petersen.. Costello (Eds. Handbook of child psychology. 115- debruçar sobre o adolescer e sobre as mudanças que estão 125. que deveriam Friedman & T. & P. R.). 2000). MA: Kluwer Academic. In S. pesquisadores devem dirigir os resultados de suas proteção. U. Porto Alegre: Artmed. promovendo processos Brown. Elder. 367-382. A ciência do venção preventiva. J. Vol.. Stanley Hall: construção de projetos de pesquisa mais aprofundados e o Connecting new research in biological sciences to the study of uso de delineamentos que combinem dados quantitativos e adolescent development. A. P.. A este respeito. across the life span: Emerging methods and concepts (pp. de potencialidades e qualidades humanas . B. Adolescent storm and stress. siliência. 317-326. G. Koller & Yunes. 28 n. pp. na atualidade. confirmar o diálogo human development (5a. U. P. Journal of Research on Adolescence. (1996). entre outras Benson. S. (2005). The History of the Family. (1999). U. & Costello. Developmental science no futuro. Damon. J. Lessons from G. J. B. a pesquisa Cairns. P. Jan-Mar 2012. -relacionados: Quais atributos? De quais indivíduos? Em Carolina Consortium on Human Development [CCHD] (1996). Koller. enquanto a ciência se coloca como instrumento Psic. 9. senvolvimento humano e da adolescência. para a qual devemos aplicar os princípios do tendo como base a noção de que um mesmo resultado em “desenvolvimento positivo do jovem”. asset-building communities: Implications for research. A ecologia do desenvolvimento humano: tendência à valorização das forças pessoais e à promoção experimentos naturais e planejados (M. Vol. (2005). policy. como a Bronfenbrenner. 19-43). In R. Isto possibilitará 3. 5. New York: Cambridge University questão desmembrada em cinco questionamentos inter. Investigar os me- canismos subjacentes à competência do adolescente pode Referências gerar uma compreensão mais acurada das características que emergem nesta fase (Smetana et al. É Bronfenbrenner. e que adotem instrumentos e técnicas de ava. pesquisa em desenvolvimento humano no país... aumentar cada vez mais a disseminação futuras. Wachs (Eds. 2006). 15. (2003). este movimento demonstra o interesse relativamente and practice (pp. (Eds. ao buscar uma integração de modelos concei. L. U. Bronfenbrenner.). História social da criança e da família. (1986).). culturais.. ed. science (p. Portanto. (Trabalho original publicado Koller. & Costa Junior. M. liação mais sensíveis para capturar as inter-relações entre o Dell’Aglio.. ocorrendo nos contextos sociais nos quais o jovem vive. e o communities: Conceptual and empirical foundations. L. Developmental assets and asset building habilidades interpessoais indicativas da vida saudável -. conexão maior entre a ciência e a sociedade. 2007. (2005). Lerner (Eds. nós. theoretical models. aspectos de saúde que justificam a condição humana. (1999). assim. históricas e psico. & R. 1-6).1 . adolescente. 993-1028). D. Em parceria com profissionais e Resiliência e psicologia positiva: interfaces do risco à políticos. ontogenéticos. Social Development.). 657-673. R. 2006). esbarra em condições sociais. 2003. todos os interessados em descrever. (Eds. (2000). 2009). H. D. temos uma longa trajetória lógicas específicas. de Dubas. H. que políticos e profissionais colaborem para o crescimento da ciência no curso de desenvolvimento (Lerner & Stein- berg. & Yunes. G. Journal of Research on Adolescence. (2006). 1. R. pesquisadores brasileiros. A. H. A. E. Ariès. B. The ecology of imprescindível um esforço para ultrapassar a fragmentação developmental process. & Hariri. Conforme propõem Lerner e Overton (2008). refletida nesta ampla questão. o otimismo. Brasília. e estabelecer uma adolescence during the 20th century.tais como a re. Washington. por meio da comunicação de massa.. em que aspectos Developmental science: A collaborative statement. disciplinar e. (Eds. demonstra a necessidade da Dahl.: Teor. pp.

& Piaget. pp.). 23. juventude e crise. Psicologia positiva e resiliência: o foco no 558).).. R. Human lives in changing societies: Life Lopes de Oliveira. R. São Paulo: Pioneira. New York: Wiley.7-30). 25.. schools. Almerigi. F. Valsiner. Handbook of developmental psychology (pp. modeling individual and ecological asset components of Journal of Early Adolescence. E.06. Smetana. & D. Costello (Eds. R. The scientific study of adolescent development: Historical and contemporary perspectives. C. The life course and Toward a unified framework... J. Journal of Research Steinberg. M. narrativa e course and developmental insights. 640-672). Dell’Aglio. R. H. 159-166. Dessen.) & W. H. 113-143. J.. New York: Norton. M.: Teor. Goosens (Eds. Applied Developmental Science.). R. (2009). N. Brasília. S. Developmental science (pp. Psicologia: Teoria e Pesquisa. J. E. J. Adolescent development. 1-12). & Mortimer.). (2007). 23. S. 109-142).  Magnusson. 12. Wertlieb (Eds.)... 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