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A moral não é a doutrina que nos ensina como podemos ser felizes, mas

sim a que nos ensina como podemos tornar-nos dignos da felicidade.

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A. Explodir o barco com reféns inocentes.
Alguma das alternativas é justa?

B. Explodir o barco com criminosos condenados.

É possível responder em termos de
maximização da felicidade?

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Não

E se em vez de ir comprar bolachas, o Asdrúbal estivesse a assaltar o supermercado?

Neste caso, a ação não só não é meritória, como é condenável.

Os exemplos sugerem a importância das intenções
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Quando as regras se impõem absoluta
e determinantemente sobre o agente.

Quando há exceções nos deveres
morais que orientam a ação do agente.

A ética kantiana é deontológica… mas será absoluta ou moderada?

Para Kant, os deveres são restrições absolutas.

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Desenvolve a sua filosofia moral em três
obras:

• Fundamentação da Metafísica dos
Costumes.

• Crítica da Razão Prática.

• Crítica da Faculdade do Juízo.

Igualdade: Considera que cada indivíduo é único e inestimável.
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É impossível pensar em alguma coisa no mundo, ou na verdade até além dele, que se
possa considerar boa sem limitação alguma, a não ser uma vontade boa. Uma
vontade boa parece constituir a condição indispensável até para se ser digno da
felicidade. Uma vontade boa é um bem não devido aos seus efeitos, nem devido ao
que ela consegue obter, nem devido à sua adequação para atingir uma qualquer
finalidade visada; é um bem exclusivamente pela sua vontade, ou seja, em si mesma.
Kant, Fundamentação da Metafísica dos Costumes

Tudo pode ser usado para o mal exceto uma vontade boa.

Se a vontade boa é o bem último, então

uma ação moral correta é a que tem boas intenções.
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O Asdrúbal é comerciante. Está com problemas de liquidez financeira. Equaciona
aumentar os preços dos produtos que vende, no entanto, dizem-lhe que a Floriana foi
detida por ter feito o mesmo e que a ASAE está a vigiar com rigor os mercados.
Decide, por isso, não aumentar os preços.
• A sua ação é moralmente correta?

Se agirmos com boa intenção e, por acaso, a nossa ação tiver
más consequências, não deixamos de ser boas pessoas
(merecedores da felicidade).

Apesar de terem boas consequências, não, porque as suas
intenções são más (logo, tem uma má vontade).

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A ação do comerciante é boa?
Pág. 136

Se for motivada Se for motivada
pelo dever, sim. por interesse, não.

Ambas têm o
mesmo resultado

O valor moral de uma ação depende da motivação/intenção
Ação imparcial Ação interessada
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Ter intenção de cumprir o dever. O vendedor não sobe os preços
porque pratica já os preços justos.

Ação moralmente correta.

Ação moralmente incorreta.

Ocorre quando a ação está O vendedor não sobe os preços
conforme o dever. porque receia as consequências.

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Ocorre quando a ação está conforme
o dever.

A ação em mera conformidade com o dever é moralmente incorreta.

• Porque não tem intenção de cumprir com o dever.
• O sujeito não age pelo sentido de dever.

As ações por dever ou em conformidade com o dever não se distinguem pelas consequências que têm,

mas pela intenção (motivação) dos agentes.

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O dever (moral) de um agente é aquilo
que ele tem a obrigação de fazer.

Kant distingue entre deveres perfeitos e deveres imperfeitos.

Devem ser sempre Não constituem
respeitados. obrigação permanente.

A intenção geral de uma pessoa de boa vontade é cumprir o seu dever.

Ter a intenção de cumprir o seu dever é agir por dever. 12
A intenção geral de uma pessoa de boa vontade é cumprir o seu dever.

A ação em conformidade com o dever não é [tende a não ser] moralmente correta.

• Uma vez que não resulta da intenção de cumprir o dever.

• Não são moralmente corretas quando são motivadas pelo interesse pessoal.

• Mas podem ser moralmente corretas!
Ação por compaixão
• Quando resultam de sentimentos louváveis.

Ex: comerciante que não aumenta os preços por gostar dos clientes.
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Exercício 6 – pág. 137

Contrárias ao dever De acordo com o dever

(maltratar uma pessoa) (ajudar uma pessoa)

[Meramente] conforme o dever Realizadas por dever

(ajudar alguém por compaixão ou (ajudar alguém com intenção de cumprir
interesse) o dever)

14 MORALIDADE
1. Não roubar porque é errado. 1. PD
2. CD
2. Matar um indivíduo por não gostarmos dele.
3. Não roubar com medo de sermos castigados. 3. CFD

4. Fazer a cama de manhã. 4. PD

5. Fazer a cama para ter recompensa por parte da mãe. 5. CFD
6. Dar os bons-dias ao professor. 6. PD
7. Estudar para entrar na faculdade. 7. PD
8. Estudar para entrar na faculdade e obter uma profissão bem remunerada. 8. CFD
9. Roubar chupa-chupas a crianças indefesas. 9. CD
10. Tirar um chupa-chupa a uma criança para preservar a sua dentição. 10. PD
11. Usar o polo do colégio. 11. PD
12. Usar o polo do colégio quando vemos o professor a aproximar-se.
12. CFD
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a) F

a) A ética kantiana pode ser descrita como consequencialista. b) F
b) Uma ação moralmente correta é uma ação praticada conforme o dever.
c) F
c) Todas as ações de acordo com o dever são más.
d) Só a vontade pode ser encarada como intrinsecamente boa. d) F

e) Na avaliação de uma ação, o que conta são as intenções que as originam. e) V
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Uma ação realizada por dever é motivada por uma boa vontade, tendo na sua origem uma boa intenção. [Ex: cumprimentar os
professores].
Uma ação realizada em conformidade com o dever não é bem intencionada, pois há sempre interesses obscuros na sua origem. [Ex:
cumprimentar os professores para ter melhor nota].

Para Kant, o bem último é aquilo que impede que algo possa ser usado para o mal, ou seja, a boa vontade. Só a ação orientada por
uma vontade boa poderá ser considerada racional. [Ex: não copiar no teste, pois, no futuro, quando for necessário dar prova de valor,
contará apenas a boa formação e não os “atalhos” usados.

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• Como se posiciona a ética kantiana perante este caso?

Assassinar os pastores é ilegítimo. A morte de qualquer ser humano é indevida, pois estamos a sacrificar
o dever fundamental de cada ser. Além disso, neste caso estaríamos a instrumentalizar seres humanos
para outros fins, ou seja, estaríamos a tornar os camponeses num mero meio para obter um fim.
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indicam o que nos leva a fazer qualquer coisa.

Devemos ser honestos; não devemos Há máximas presentes
mentir; devemos ser justos… em todas as nossas ações.

As máximas revelam-se nos motivos dos agentes

Valor moral de um ato depende primariamente, não daquilo que se faz,

mas da máxima que está subjacente àquilo que se faz.
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Kant propõe uma ética do dever Valor de uma ação está na intenção que lhe dá origem.

Mas como podemos saber qual o nosso dever
Para agir corretamente, temos de cumprir o imperativo categórico.
(em cada situação da vida)?

Um imperativo é uma ordem. Não mintas; não roubes; não mates; paga os impostos; respeita o professor.

Hipotético – É condicional; vale em algumas circunstâncias.

Imperativo Categórico
Absoluto - Vale em todas as circunstâncias.
kantiano
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São acessíveis a todo o ser humano

- desde que usemos a razão. -

O imperativo categórico é uma imposição da própria razão

Agir racionalmente é agir corretamente.
Uma ação é incorreta quando não é racional.
Agir corretamente é agir de acordo com a razão.

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Para compreender o manual de instruções do seu novo
Aiofone, o Asdrúbal inscreveu-se em aulas de Mandarim.
Que razão impede este ato de Contudo, falhou na aprovação na disciplina por ter faltado ao
ser moralmente correto? teste final. Justificou-se perante o professor Ming dizendo que
esteve doente. Embora fosse mentira, conseguiu uma nova
oportunidade.

Imaginemos que o Asdrúbal está a mentir. Qual é a máxima da sua ação?

Mente sempre que for vantajoso para ti.

Será que o Asdrúbal quer que todos sigam o seu exemplo? Será uma ação racional?

Age apenas segundo uma máxima tal que possas ao mesmo tempo 1ª formulação do imperativo
categórico
querer que ela se torne lei universal.
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1. Articule a ideia de intenção com a de ação por dever.

R: Uma ação é moralmente correta quando tem na sua origem uma boa vontade.
Uma vontade boa é bem intencionada.
Uma ação bem intencionada cumpre, escrupulosamente, o dever.
Uma ação que cumpre o dever é racional e as ações racionais são moralmente corretas.
É moralmente correta a ação praticada por dever.

R: Não.
A universalização desta máxima (de acordo com o imperativo categórico), levar-nos-ia a ter de aceitar que também nos
roubassem. Além disso, esta máxima não é enquadrável nos requisitos da boa vontade (logo, não é moralmente correta).

3. Por que motivo recorre a ética do dever ao imperativo categórico e não a um imperativo hipotético?

R: Se recorresse a um imperativo hipotético, o seu horizonte de aplicabilidade ficaria limitado. Um imperativo hipotético está
sempre dependente de condicionalismos.

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2ª formulação imperativo categórico:

A fórmula do fim em si (fórmula da humanidade)

O Asdrúbal, uma vez mais com problemas de liquidez financeira,
encontra o Floriano e, ameaçando-o com uma arma, despoja-o de todo A ação é moralmente

o dinheiro. Justifica-se dizendo que, se algum dia o Floriano estivesse correta?

numa situação semelhante, não se importaria que lhe fizesse o mesmo.

A ação não é moralmente correta porque o Asdrúbal
está a usar o Floriano como meio para obter dinheiro.

A fórmula da universalidade do imperativo
categórico é insuficiente / permite injustiças.

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2ª formulação imperativo categórico:

A fórmula do fim em si (fórmula da humanidade)

Age de tal modo que uses a tua humanidade, tanto na tua pessoa como na pessoa de qualquer
outro, sempre e simultaneamente como um fim e nunca simplesmente como um meio.

Usar as pessoas para atingir um fim.

Temos a obrigação moral de tratar as pessoas como seres autónomos.

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Imperativo Categórico

Tem duas vertentes:

Fórmula da lei universal Fórmula da humanidade

Age de tal modo que uses a tua humanidade,
Age apenas segundo uma máxima tal que possas ao tanto na tua pessoa como na pessoa de qualquer
mesmo tempo querer que ela se torne lei universal. outro, sempre e simultaneamente como um fim e
nunca simplesmente como um meio.
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Será a ação da Henriqueta moralmente correta?

Não! A sua intenção não é ajudar o pobre, mas parecer generosa.
O pobre é apenas um meio para obter prestígio social.

O Floriano, melhor amigo e confidente de longa data do Asdrúbal, pergunta, desconfiado, se este copiara no teste de
Mandarim. O Asdrúbal sempre cultivara uma imagem de honestidade, mas a vergonha vence-o e acaba por dizer que
não (quando, na verdade, copiara o teste todo!).

Será a ação do Asdrúbal moralmente correta?

Não! A amizade do Floriano exige a verdade do Asdrúbal. O
respeito que lhe deve obriga-o a dizer a verdade.
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A Poliana, investigadora conceituada, convida três indivíduos para participarem nos testes médicos para uma nova
vacina contra a gripe. Antes, porém, de proceder ao teste, informa cada um dos indivíduos, recebendo deles o
consentimento. Ela reforça, claramente, a ideia de que eles serão um meio para um fim específico: curar a gripe!

Será a ação da Poliana moralmente correta?

Sim.
A Poliana tratou os indivíduos como fins em si mesmos quando os
informou (obtendo deles o consentimento).
Embora sejam um meio para um fim, os indivíduos são-no por opção livre.

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Devemos querer os meios necessários para alcançar os nossos fins.

Representa um fim objetivo. Pág. 147 Ao representar condições, são subjetivos.

Representa um imperativo categórico. Ex: 2 Representa um imperativo hipotético.

Recomendam uma ação, mas não a propõem
Impõem uma ação como um bem em si.
como um bem em si.
São fins em si mesmos.
São meios para fins.
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Não é uma ordem externa ao sujeito.

Por isso, a vontade é autónoma:

a vontade dá a si mesma a lei para cumprir.

A vontade é puramente racional! E está vontade é boa!

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Quando agimos racionalmente, afirmamo-nos como dignos.
Heterónoma

Incapaz de autocontrolo.
É determinada por inclinações (desejos).
Não é racional (não dá a si mesma
razões para a ação).

Autodetermina-se.
Ação segundo princípios universais.
Racionalidade.

Dominada pelas inclinações, a vontade perde
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autonomia e torna-se refém (dos nossos desejos)
a) F

b) V

c) F

d) F

e) F

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1. Objeção das regras absolutas e o dever de não mentir

Batem à porta de minha casa. É um homem, armado, que está à procura de um
amigo meu e parece ter intenção de o assassinar. Pergunta se ele está em casa.

Eu sei onde ele está.

A ética kantiana impede-me de mentir. Devo dizer a verdade?

Neste caso, a mentira não parece moralmente errada!
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2. Objeção dos deveres incompatíveis.

O Asdrúbal promete emprestar dinheiro à Miquelina (que tem graves problemas financeiros). O Asdrúbal vai
para casa e lembra-se que se emprestar o dinheiro à amiga não poderá pagar a prestação da casa.

O que deve ele fazer?

O Asdrúbal tem a obrigação de cumprir a promessa à amiga.

Mas também tem a obrigação de pagar as dívidas que tem.

Conflito de deveres insolúvel. Os dois deveres são absolutos!
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3. Objeção respeito e humanidade partilhada

O Aurélio está em coma vegetativo após um grave acidente de culinária. O seu melhor amigo, o Asdrúbal, kantiano
convicto, decide solicitar a eutanásia do amigo. Afinal, as pessoas em coma vegetativo não são capazes de
raciocínio e, como tal, não são autónomas. Se não são autónomas, então não têm direitos.

A ação do Asdrúbal é moralmente correta?

Para Kant, só merecemos respeito quando temos capacidade de autonomia [racionalidade].

Mas não é somente a racionalidade que nos define como humanos. Inteligência
Há uma humanidade partilhada que nos leva a crer, querer, apreciar e valorizar os outros. emocional

A ética de Kant torna-nos insensíveis.
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Razões morais e consequências

O dever moral é independente dos contextos e das consequências que revela.

YOU CAN RUN

O que devemos fazer está determinado e não tem atenuantes.

Não há subjetividade, interpretações difusas ou ambíguas.

BUT YOU KANT
HIDE
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A ética Kantiana é uma garantia de tratamento racional a todos os seres humanos.

Grande mérito:

Não permite a instrumentalização do ser humano.

Cada homem é um fim em si mesmo.

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a) V

b) V

c) V

d) V

e) V

f) V

g) V
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1. Articule os conceitos de máxima, vontade, imperativo categórico e dever.

3. Considera a ética deontológica de Kant bem sucedida? Fundamente a sua resposta.

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