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PROBLEMA

Dornelles (2003) analisa uma das questões mais dramáticas e polemicas das
sociedades contemporâneas. Segundo o autor (2003 p. XI). A violência na forma do
crime e as respostas que, a partir de um Estado que se pretende democrático,
implementam-se como políticas de segurança pública.
Atualmente uma das questões que tem sido objeto de preocupação e análise, na
SEAP- Sistema Estado e Administração Penitenciária, são questões relativas a
precariedade do espaço profissional das assistentes sociais nas Unidades
Prisionais. Tal preocupação se justifica, em primeiro lugar, pelo fato de que, existe
um contingente de, aproximadamente 33 mil presos no Sistema Penal do Rio de
janeiro e Municípios.
O quadro de miséria e violência que caracteriza o cotidiano dos brasileiros.
No entanto, o recrudescimento da crise social que vem passando o país, já há
alguns anos, agravou ainda mais a difícil situação do povo brasileiro. As autoridades
na busca de políticas, legislações e alternativas concretas de ação que visam à
proteção e atendimento a esse segmento da sociedade os presos no cumprimento
da sua pena, os com mais vulnerabilidade, que:

“... suportam o ônus da violência. Mais uma conta que pagam, além de todas as
outras decorrentes da iniqüidade da distribuição da riqueza e da educação. Os
excluídos da cidadania são mais vulneráveis aos efeitos mais cruéis da
criminalidade.” (SOARES, 1996, p.257)

Foi também dentro desse contexto que surgiu a SEAP, com a missão de promover
no âmbito do Rio de Janeiro e de alguns Municípios, as ações destinadas à garantia
e à defesa. Mediante a formulação de normas gerais e a implementação e
coordenação da política de atendimento ao apenado.
A fim de implementar sua política social de assistência e defesa jurídico-
social.
A SEAP mantém............... Unidades Prisionais e hospitalares, com diversos regimes
para o cumprimento da pena.
O presente estudo se voltará especificamente para saber quanto à questão
do exercício profissional do assistente social frente ao Projeto Ético Político no
cárcere
Analisaremos, conjuntamente, os aspectos implicados nas propostas de
intervenção da instituição e as reflexões dos diretores sobre estes trabalhos que
visam o acesso a cidadania dos internos.

“É notório que a ordem pública termina justamente onde acaba o campo de ação e
das forças de segurança pública, e não é afetada, a não ser indiretamente, pela
desordem social e internacional como a que se desenvolve hoje, cada vez mais,
com o neoliberalismo e a globalização da economia”. (BARATTA,1986P.59)

Assim espera-se que o presente estudo, ao retratar o atual quadro destas relações
sociais entre assistentes sociais e Diretores e as alterações sofridas durante os
últimos anos, possa não só contribuir para a definição interna de uma linha de ação
adequada.

È um conceito problemático. o não cumprimento das Leis e da Constituição Cidadã. urbanístico. “O direito penal da Constituição. em sua aparente inutilidade e ineficácia. enquanto uma política pública e outras públicas de caráter social. P. Nas quais as assistentes sociais executam suas atividades e suas mediações. (DORNELLES. com Unidades com características e especificidades diferenciadas. semi-dirigida para melhor conteúdo qualitativo. Faremos contacto com outras Unidades diversificadas na sua operacionalização. O conceito de política criminal é problemático e complexo. O sistema de controle social revela o seu caráter seletivo e classista. concentradora da riqueza. SOE. pois não se distingue com exatidão as fronteiras entre política criminal. também tem. principalmente. faz um discurso de “combate à delinqüência que desumaniza os delinqüentes”. que são categorias instrumentais pelas . Secretaria do Estado e Administração Penitenciária do Rio de Janeiro. para uma visão ampliada da pesquisa. com seu modelo ultraconservador de controle social. como parte de um amplo sistema de controle social das sociedades contemporâneas. injusta. mas sim objetivando. político. “A realidade social brasileira é tradicionalmente excludente. Militares do Exército e Inspetores Penitenciários. tornando-se parte efetiva da política integral de proteção dos direitos humanos”. etc. em sua essência. Em sua grande maioria oriunda da Polícia Civil. na verdade. onde há Unidades Prisionais. optamos por trabalhar com os Diretores das Unidades de Gericinó.Visto a não efetividade e a deficiência das políticas públicas em nosso país. cumprir o papel de controle rígido dos segmentos e classes sociais considerados ameaçadores à ordem social. não para cumprir o dever de proteção a sujeitos em casos de carência e vulnerabilidade. o controle social e domínio. E é através do reconhecimento de sua dimensão política e da noção de” sujeito coletivo” que o direito penal e a Constituição pode se afastar da abstração que marcou o direito penal liberal. (DORNELLES. com o modelo adotado pelas políticas neoliberais de ajuste estrutural – tem apresentado dado extremamente perverso quanto às classes e grupos mais vulneráveis”. econômico. Isto se deve pelo grande número de Unidades neste Complexo em Bangu. “O sistema penal. do SEAP.32) As Políticas públicas compensatórias do modelo neoliberal atuam como prevenção social. pois depende do fundamento teórico de onde partimos. elaborada. 2003. ou do Estado social democrático de direito. tem uma personalidade exorcizadora que é tão ineficaz quanto inútil ou. 2003. hoje a tarefa “iluminista” de delimitar e regular a pena. P. e também é devido a uma relativa distância em relação aos outros bairros. Pensar a estruturação de um estado com direitos sociais para as camadas dos apenados nos Presídios é um grande desafio para total efetivação das Leis do nosso ordenamento jurídico. no Complexo de Bangu. (DORNELLES. P52) Os profissionais alvos ora apresentados são Diretores. através de uma entrevista. plenamente compromete o processo de retorno a liberdade e o exercício da cidadania do egresso do Sistema Penal. e não ações preventivas não penais. tem a utilidade de. 2003.24) A Política criminal neoliberal. Num primeiro momento.

2° As contratações de que trata o art.” . com o atual governador Sérgio Cabral. E das Considerações dos Diretores nesta intervenção profissional. portanto. ao projeto ético político da profissão. 2006. e. Parágrafo único. Em um Sistema que não prioriza garantia de Direitos. totalizando 98 (noventa e oito).490 de 25/06/09 (que altera a lei 4.180) A Pesquisa é concebida como mediação constitutiva do AS.quais se processam a operacionalização da ação profissional. pode enfrentar ou assimilar tais relações”. inerente. tais como as prisões. 1º desta Lei serão feitas por tempo determinado. por sua histórica vinculação ao conservadorismo moral. no caso da SEAP/RJ. (BARROCO. Neste momento do SEAP. etc. desde que o prazo total seja de 05(cinco) anos. pode estar vulnerável à sua reatualização. por sua inserção em campos institucionais propícios ao estabelecimento de relações hierarquizadas. 5. o sistema judiciário. o contrato de trabalho precário vigente data de 2007. por várias razões. P. os quais as profissionais sejam estatutárias ou contratadas. São instâncias de passagem da teoria para a pratica. é uma das profissões vulneráveis à incorporação e/ou enfrentamento de relações conservadoras. “Art.599/05) tem vigência com a seguinte redação. Desta forma a Lei n. Por exemplo. Já que no ano de 2009. até o prazo de 03 (três) anos. “O Serviço Social. É admitida a prorrogação dos contratos pelo prazo máximo de 02 (dois) anos. Elas se apóiam em uma visão de mundo como totalidade como real concreto em movimento. sendo que a validade foi prorrogada a atingirá 5(cinco) anos.. Contratos estes flexibilizado. de homem como ser histórico- social. o prazo de validade foi estendido para até cinco anos.