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Klaus Berger

Ás Formas Literárias do
Novo Testamento

TRADUÇÃO
Fredericus Antonius Stein
SUPERVISÃO
Johan Konings

~
Edl~ões I.oyola

Título original:
Formgeschichte des Neuen Testaments
© Quelle & Meyer, Heildelberg 1984
ISBN: 3-494-01128-1

Edição
Marcos Marcionilo

Revisão
Milton Camargo Mota
Maurício Balthazar Leal

Diagramação
Maurélio Barbosa

Edições Loyola
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ISBN: 85-15-01672-9
© EDIÇÕES LOYOLA, São Paulo, Brasil, 1998

'I

Sumário

Ap res enfação . 9
Prefácio . 11
A. Introdução . 13
§ 1. Definição de conceitos gerais . 13
§ 2. Importância do estudo das formas literárias para a exegese . 14
§ 3. Diferenças entre este "estudo das formas" e as obras de R.
Bultmann e M. Dibelius . 15
§ 4. Sobre a relação entre escritura e oralidade .. 17
§ 5. Critérios para gêneros literários .. 19
§ 6. Gêneros literários e a história do cristianismo primitivo .. 25

B. Gêneros abrangentes 27 .
I. Textos analógicos e figurativos .••••••••••••••••••••••••••••••••••••• 27
§ 7. Comparação . 29
§ 8. Exemplo . 29
§ 9. Admonição exemplificada .. 32
§ 1O. Metáforas . 33
§ 11. Admonição metafórica . 37
§ 12. Metáforas como predicações pessoais .. 39
§ 13. Parábolas (observações gerais) .. 40
§ 14. Parábolas em sentido mais estrito .. 45
§ 15. Parábolas e sentenças .. 50
§ 16. Narrativas parabólicas .. 51
§ 17. Discursos parabólicos . 56
§ 18. Alegoria e alegorese . 58
II Sentenças •••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• 60
§ 19. Características gerais das sentenças .. 60
§ 20. Função das sentenças .. 63
§ 21. Sobre a forma das sentenças .. 64
§ 22. A relevância histórica das sentenças .. 65

111. Discursos •...••••••.............••••.........•••.•••.............•.....•••.... 65
§ 23. Nos Evangelhos e nos Atos 65
§ 24. Discursos testamentários 71
IV. Créias e apotegmas •••••••••••••••••••••••••••.•••••.•••.••••••••••••••• 76
§ 25. Fundamentos do gênero "créia" 78
§ 26. Problemas relativos à classificação das créias 80
§ 27. As créias na história do cristianismo primitivo 81
§ 28. Sobre a forma das créias 84
§ 29. Grupos de créias 86

V. Argumentação ••••••.••••••••••••••••••••••••••••••••••.••••.•••••••••.••••• 88
§ 30. Argumentação simbulêutica. 88
§ 31. Argumentação epidíctica 96
§ 32. Argumentação apologética 100
§33. Argumentação e diatribe 104
VI. O uso da Escritura no Novo Testamento do ponto de
vista do estudo das formas literárias 1OS
§34. Gêneros literários e técnicas no uso dos textos bíblicos........ 105
§ 35. As maneiras de citar os textos do AT e a situação dessas
citações no NT e no judaísmo 106

c. Gêneros simhulêuticos 111
§ 36. A simples exortação 111
§ 37. Características gerais da parênese 114
§ 38. A relação entre Torah, parênese e direito 115
§ 39. Gêneros parenéticos menores............................................ 118
§ 40. Admonição pós-conversõo 122
§ 41. Catálogos de virtudes domésticas e listas de deveres........... 127
§ 42. Parênese no final das cartas 132
§ 43. O final parenético (nas cartas) contra os hereges 133
§ 44. O aviso contra os falsos mestres 135
§ 45. Parênese sobre o martírio 136
§ 46. Parênese na Carta de Tiago 137
§ 47. Catálogos de virtudes e de vícios 138
§ 48 Observações finais sobre a importância da gnomologia grega
para a parênese neotestamentária 144
§ 49. Admonição fundamentada 146
§ 50. Admonições para situações especiais 153
§ 51. Admonições no esquema "ato-efeito" 155
§ 52. Bem-aventuranças. 173
§ 53. Admonição e repreensão 178
§ 54. O anúncio de desgraça como admonição 183
§ 55. Os textos com "ai" 185

§ 56. Sobre o significado do gênero da admonição profética no
Novo Testamento............................... 189
§ 57. Paideutikon..................................................................... 192
§ 58. Discurso normativo 193
§ 59. Admonição pessoal.......................................................... 195
§ 60. Normas para as comunidades........................................... 196
§ 61. As cartas do NT como gênero simbulêutico 197
§ 62. Admonição protréptica 199

D. Gêneros epidícticos 203
§ 63. Descrição de aspectos e figuras 203
§ 64. Descrições mais abstratas e comparações de duas figuras
[synkrisis] 204
§ 65. listas e catálogos............................................................. 205
§ 66. Os catálogos de perístases 207
§ 67. Proclamação 210
§ 68. Aclamação, predicação e doxologia 212
§ 69. Hinos e orações : 219
§ 70. Comentários e comentações 226
§ 71. Diálogo 228
§ 72. Enunciados com "eu " 234
§ 73. Epistolaria (assuntos pessoais, em cartas) 252
§ 74. Descrição do estado da comunidade 253
§ 75. Relatos de visões e audições 255
§ 76. Vaticínios 262
§ 77. Gêneros apocalípticos 268
§ 78. A problemática das "narrativas de milagres" como gênero
literário 276
§ 79. O gênero narrativo da epidéixis/demonstratio 281
§ 80. Déesis/Petitio 283
§ 81. O gênero narrativo da mandatio 285
§ 82. Narrativas em gêneros visionários e apocalípticos 287
§ 83. Cerimonial descrito (liturgia) 289
§ 84. Ações simbólicas..................................................... 290
§ 85. Relatos de exemplos do círculo dos discípulos 291
§ 86. Narrativas sobre as ações de uma coletividade 292
§ 87. Relatos sobre conflitos 292
§ 88. Narrativas para demonstrar concretamente o poder e a
natureza de uma entidade 293
§ 89. Relatos sobre como alguém foi conhecido ou reconhecido 293
§ 90. Relatos sobre viagens e ambulações (itinerarium)................. 294
§ 91. Relatos sobre as atividades e o destino de determinadas
pessoas.......................................................................... 295
§ 92. Relato (sumário) sobre a origem de um livro, como cabeçalho 296

298 § 95.. 312 § 10 1... Os Atos dos Apóstolos como historiografia 324 E.................... 329 § 108... Encômio..... 330 F.. Relatos sobre o agir de Deus 296 § 94............................. Textos do NT 356 'I I I .................................................. Formas literárias evangélicas e AT 322 §102...... 347 .......................................................................... Relato básico (sumário)............... Epílogo 331 § 109............................... Monólogo. 344 Siglas de edições de literatura clássica 345 Transliterações ...... Anúncios fundamentados de desgraça 328 § 106..... Situações e funções típicas dos gêneros literários do NT (índice sociológico-histórico) 349 2........ 343 Publicações mencionadas no texto 344 Outras 344 literatura da época bíblica................... Gêneros e formas literários do NT 352 3........... Gêneros dicânicos 325 § 103.. Evangelho e biografia.. 341 Obras do Autor citadas de forma abreviada.. Etiologia 298 § 96............. Apologias e textos apologéticos 325 § 104.. Indices 349 1.... Observações sociológicas e teológicas sobre os gêneros abrangentes Carta e Evangelho..... 307 § 99.. Relatos sobre testemunhas e nomeação de testemunhas..... 342 Abreviaturas / Transliterações 343 livros bíblicos.............. 299 § 97.......... Combinação de apologia e acusação (repreensão) 327 § 105............................ Anúncios fundamentados de salvação 329 § 107.............. 337 Bibliografia 341 Sobre o estudo das formas literárias. 331 § 110................. Um exemplo do estudo das formas literárias: a exegese das narrativas parabólicas................... 311 § 100..... § 93.............. Julgamento e pareceres........ Relatos sobre mártires '301 § 98................................. Narrativas e resumos esquemáticos sobre o sofrimento e a salvação do justo............

DR. traduzida com esmero por Fredericus A. É o que faz o presente livro de Klaus Berger. antes um manual universitário que um livro de leitura fluente. porém superadas. MG . JOHAN KONINGS Professor de Exegese do Novo Testamento Belo Horizonte. de Rudolf Bultmann e Martin Dibelius. Apresentação Com o crescente interesse pela abordagem da Bíblia como literatura toma-se necessário situá-la no universo da literatura de seu tempo. que nunca chegaram a ser traduzidas para nosso idioma. apresentando uma nova e exaustiva síntese do estudo histórico das formas literárias usadas no Novo Testamento (a Formgeschichte). porém com o valor de uma biblioteca inteira referente ao assunto em pauta. Felicitamos Edições Loyola por abrir aos estudiosos da Bíblia no âmbito luso e ibérico o acesso a esta obra. meio século depois das obras fundadoras. Stein e apre- sentada em conformidade com o original alemão.

I . Para C.

Dibelius não podiam fazer. deverá na presente obra concretizar-se no que diz respeito às formas literárias de todos os textos do Novo Testamento. não contestada: "Necessitamos é de uma nova Formgeschichte (estudo das formas literárias)". Dr. numa de suas visitas a Gaiberg. Esse artigo. O presente livro deve. 1031-1432 + Reg). pelas quais o ambiente de língua grega influenciou diretamente a tradição bíblica ("Hellenistische Gattungen und Neues Testament". KLAUS BERGER. neste meio tempo alguma coisa também já se modificou. Berlim 1984. Prefácio O programa metódico que expus em meu livro Exegese des Neuen Testaments. pude de modo geral dispensar uma análise detalhada de cada texto. O incentivo para tentar um novo "estudo das formas literárias" do Novo Testamento partiu do prof. Heidelberg 1981. Bd 2: Neues Testament (UTB 972). No livro Bibelkunde des Alten und Neuen Testaments. principalmente quanto a suas amplas bibliografias. Neue Wege vom Text zur Auslegung (UTB 658). antes de tudo. que. Otto Michel (Tübingen). Heidelberg. formu- lou a exigência. por tratar-se de um livro mais conciso. expliquei como. Bultmann e M. para estudantes. ajudar cada um a fazer perguntas signi- ficativas em seu próprio trabalho. é aqui freqüen- temente pressuposto ou resumido. coisa que R. em minha opinião. 11 . O leitor há de constatar que devo uma quantidade de informações menores à literatura secundária e que a exposição dos gêneros literários supõe numerosos jul- gamentos históricos e teológicos que não recebem aqui uma fundamentação com- pleta. O mais importante trabalho de preparação especial para o presente livro foi um artigo bastante longo sobre a relação com o Novo Testamento das "formas literárias helenistas".21984. Nele. Já que existe uma série de bons comentários sobre vários escritos do Novo Testamento. em: Aufstieg und Niedergang der rõmischen Welt. 10 de novembro de 1983.2. muitos pontos são mais detalhadamente fundamentados. foram compostos os diversos livros do NT. II 23. Heidelberg 1977. Como tal estudo foi terminado em 1981. 21984.

U. in ZThK 77 (1980) 149-185. quais são os elementos formais característicos de um texto (cf.. 1975. parcial ou integralmente. 1973. Exegese. Definição de conceitos gerais 1. a única pre- tensão normativa foi a de criar um esquema que permitisse um trabalho de análise da história das formas literárias de todos os textos do NT. sua configuração lingüística. mais detalhadamente Berger. Analyse und Kritik der formgeschichrlichen Arbeiten von AAartin Dibelius und Rudolf Bultmann (Theologische Dissertationen. A expressão "estudo das formas literárias" foi mantida porque a análise da forma literária sempre é o primeiro passo do trabalho exegético.A. HIRSCH. de maneira essencialmente indutiva. de uma análise da história das formas literárias de todos os textos do NT. Características estrutu- rais são aquelas que resultam da relação das partes de um texto entre si (p. 132. já orde- namos essa forma de acordo com determinados princípios. do Oriente Próximo e da Europa. BLANK. Prophetie und Predigt im Neuen Testament. § 1. sintaxe e estrutura. Gaffungstheorie (UTB. A forma de um texto é a soma de suas características de estilo. A história dos gêneros é a história de seu uso no quadro da história do Oriente Médio. Além disso: R. Cada texto tem uma forma. Opiniões prévias sobre o que é "história das formas" (Formgeschichte) foram revisadas e ampliadas com base nos próprios textos do NT. E. 13 . então. K. toma-se visível. podendo tê-la em comum com outros textos. de sorte que sobressaem as características dominantes. W. isto é. 16). 1034-1048. 1981. O estudo das formas literárias combina a crítica dos gêneros literários com a investigação de sua história.: BERGER. 128. Querendo definir uma soma. 133). 2. SCHMITHALS. HEMPFER. Gütersloh. Nisso. 33-85). München. A crítica dos gêneros literários investiga-os com base em determinados critérios. D. Basiléia. a construção a-b-a). 1967. "Kritik der Formkritik". B. ANRW. As presentes observações de naturezaprincipalmente sistemática surgiram. MüLLER.ex. NewHaven. Sobretudo em comparação com as formas de outros textos. Introdução Bibl. Validify in Interpretation. W. Exegese.

Hirsch). além do nível puramente literário. isto é. ajuda a descobrir os pontos em que um texto. infra § 5. 2.ex. A partir da distinção entre o que é convencional e o que disso diverge circuns- tancialmente. o trecho sobre o irmão mais velho (Lc 15. O elemento decisivo é que um gênero literário não apenas possui características literárias de diversos níveis. 3. Isso nos livra de uma supervalorização de passagens fortemente convencionais. Em Mt 21. afim no gênero literário e que apresenta semelhança na estrutura geral e na situação real a que alude (cf. "evangelho" (?). apotegmas) ou na exegese moderna (p. Para constituir um gênero.25-32) não perturba absolutamente a composição. podemos discernir em que consiste o aspecto particular de um texto.28-31 temos outra parábola sobre dois filhos. A discussão sobre se gêneros literários existem "em si" ou se são apenas induzi- dos é tão antiga quanto a discussão entre realismo e nominalismo. geralmente muito numerosas. impressio- ná-los ou movê-los a uma decisão. D. § 2. Importância do estudo das formas literárias para a exegese 3. dentro da história do cristianismo primiti- vo. Exemplo: a parábola do filho pródigo (Lc 15.. cf. Um gênero literário é um agrupamento de textos de acordo com diversas características comuns. tendendo a modificá-los.. 4. Exegese. "relato de reconhecimento"). Para a definição de um gênero é decisivo concluir que elemento causa a mais forte impressão no leitor (dedução retórica dos gêneros. Berger. sobre isso. distinguem- -se entre si por determinadas relações recíprocas. pois se trata de convenções sociais. numa situação tí- pica ou num complexo típico de problemas.11-32) pode muito bem ter sido concebida como uma unidade. Em todo caso. devem ser avaliadas e comparadas entre si. créias. E para verificar de que função se trata importa descobrir. os elementos essenciais que possibilitaram tal função: são sempre os elementos que predominam na comunicação. pois. cons- tatamos que os gêneros literários do Nl' receberam nomes e características já no pró- prio N'I' (p. obedecendo a determinada hierarquia. 11-27). antes se relacionam entre si. Os gêneros podem ser chamados também de "sistemas de convenções" (E. Como a questão sobre a função na história é parte necessária de um gênero. isto é.ex. epístola).. parábola. Importância do estudo das formas literárias para a exegese 1. a reta avaliação e combinação das características é. 14 I . dentro do gênero literário. aponta para o interesse especial de seus destinatários.ex. essas características não se acumulam simplesmente. às vezes aparecem no estudo das formas argumentos positivos em favor da unidade de um texto. mas se deixa também encaixar historicamente. por exemplo. De modo geral.1). naturalmente. não apenas as de natureza formal. que cumprem determinadas funções na história. Para a avaliação de observações lingüísticas (cf. o principal proveito que podemos tirar do estudo da forma literária para a compreensão de um texto. As características. Assim também fica nítido como as diversas características de um texto. na retórica da época (p. o estudo da forma literária de um texto (comparando-o também com textos seme- lhantes) ajuda a conhecer sua relação com a ação e com a realidade. § 16).

3. características da história do cristianismo primitivo em geral ou em determina- das fases. novamente utilizável. abrange também situações típicas. apesar de todo esforço. um texto pode interessar aos ouvintes. Diferenças entre "estudo das formas" e as obras de R. Dibelius 02) 5. que muitas vezes. Ou seja. As formas literárias podem ser estudadas a) como história das relações entre os gêneros literários e os eventos históricos. Tübingen 1980. sempre repetidas. isto é. Exegese. ou melhor: a nova concepção foi a conseqüência. Para R. Dibelius o presente estudo das formas literárias do NT é o primeiro a empreeender uma definição da forma literária de todos os textos do NT e de suas partes. diferente da "clássica". que vai "da matéria para o agente da tradi- ção". como fortemente relacionadas com a história real das comunidades. Já que o estudo das formas literárias pergunta também pela determinação de cada situação de comunicação (sendo nisso que o texto tem relação com a realidade). para um texto já não é apenas a situação de sua origem que importa. particularmente com sua pré-história no AT e no judaísmo e/ou no mundo do 15 . desde o círculo pré-pascal dos discípulos. Diferenças entre este "estudo das formas" e as obras de R. Schürmann (1968. 373-400). de uma passagem parenética é um tema a ser tratado. com exceção de alguns "fragmentos de cânticos". Contra isso. mas também os interesses dos discípulos e da comunidade. K. sobre a maneira de descobrir "adversários" em textos do NT. § 3. Berger: "os adversários implícitos". catálogos e "fórmulas de profissão de fé". também a obrigatoriedade. Berger. Bultmann e M. Paulo se apresenta em lTs como quem exorta "no Senhor". no entanto. As principais diferenças são: 1. Isso se tomou possível pressupondo uma nova concepção de tal estudo. Além disso. é inalcançável) sempre podia (não: devia) e pode haver (no mínimo) um tertium comparationis entre o texto e a situação. ficando estéril. sua "necessidade". Bultmann e M. H. Bultmann e M. 113-127). e b) no quadro de história literária dos diversos gê- neros. pois inicialmente o ponto de partida foi a observação de que o método clássico serve para alguns textos sinóticos. digamos. Bornkamm. Creio antes que nas situações posteriores (depois da situa- ção original. que evidentemente ultrapassaram a situação inicial e fizeram do texto uma resposta típica. A noção de "situação real" (Sitz im Leben) não se restringe a comemorações ins- titucionalizadas. G. portanto. mas pode também contrariá-los (cf. primeira publicação em 1960) já contava com uma continuidade da tradição. estabelecemos que a dimensão histórica de um texto deve ser menos procurada em sua pré-história oral do que em sua relação com "situações típicas" na história do cristianismo primitivo (cf. da vida das comunidades. Contra a concepção de Bultmann. Em seguida surgiu também a questão da perspec- tiva de possíveis receptores de um texto. Introduzir a perspectiva da recepção de um texto significou abrir mão de sua ligação direta com alguma instituição. em: Fs. para o restante do NT (a começar pelo Evangelho de João). Dibelius estava no primeiro plano a atividade criativa da comunidade e. por exemplo. 2.

Bultmann e M. quan- do se trata da continuidade ou da inovação dentro da história dos gêneros. quando se trata da relação dos gêneros entre si. O que se anotou criticamente sobre isso em Exegese (112-116) não precisa ser repetido aqui. estabelecidas por BuItmann. 6. levando em consideração especialmente o judaísmo intertestamentário. também a redação segue certas leis formais. com base nos critérios mencionados acima. Dibelius (cf. 1364-1366. A história posterior dos gêneros literários do NT na história da Igreja não me é menos cara. E para tanto não há necessidade de postular a atividade especial de uma "escola". sem ver este ou aquele gênero como mais especificamente cristão.CID Diferenças entre "estudo das formas" e as obras de R. Nosso trabalho tenta levar à frente o que E. Os antigos estudos das formas. por sua amplitude. O presente livro é sincrônico no que tange à concepção de sua estrutura geral. É preciso separar radicalmente a questão da pré-história oral de uma matéria ou de um texto (p. como tradição) da questão do gênero literário e de sua história. ou sincro- nicamente. mesmo quando a forma escrita de um texto não é idêntica à sua pré-his- tória oral. Numa análise final daremos um esquema dos gêneros mais importantes para as diferentes situações da história do cristianismo primitivo. B. 7. 16 . Porque a assimilação dos gêneros efetua-se muitas vezes pela leitura ou audição de algo já escrito. É necessário estabe- lecer um catálogo claro de critérios (infra. não pecisamos de um esquema previamente elaborado de toda a história do cristianismo primitivo. e R. As formas literárias podem ser estruturadas diacronicamente. 4. Dibelius helenismo pagão. desde Gunkel. mostra- -se antes em minha disposição a tomar a sério a extraordinária variedade dos gêneros literários exatamente em sua diversitas e considerá-Ia como revelação do Deus único (unitas in diversitate). § 5). dentro do quadro de um sistema aberto. Blank. para além das formas e gêneros da língua. A rigidez do esboço dessa história.Às aporias típicas do estudo das formas levam também as elucubrações de U. nosso estudo parte da forma literária do texto. § 1.. Bultmann. p. Aliás. suas "palavras legais" (Gesetzesworte). mostra-se também em minha pretensão de estabelecer certa ligação entre o AT e o NT. insistiam na importância das instituições para os gêneros literários. . como. a elaboração de formas fixas e muitas vezes semelhantes entre si pode ser explicada.2 (embora não seja esse nem de longe o único critério para determinar um gênero literário).ex. De resto. feito por Overbeck. 77s). para entender as formas literárias do NT. Norden iniciou em Agnostos Theos (sobre a história das formas de textos re- ligiosos).. ela não é um acréscimo individual. sustento (com R. Que eu me dedique à história das formas como teólogo não se expressa no fato de eu contar com uma desescatologização progressiva da mensagem de Jesus. mas. 5. 201-203) sobre o culto como "situação". ANRW. Muito mais que a "pesquisa clássica". Dibelius. GST. Contra M. desacreditou inúmeras vezes as hipóteses de M. 5s) que. mas na composição de cada parágrafo ele é essencialmente diacrônico. por demais imprecisas. não poderia ser empreendida aqui.ex. Müller (Prophetie. Com isso evita- mos uma série de definições de "gênero". desde então não retomado por outros autores.

pré-eclesiástica. Não se contesta que a substância de acontecimentos e palavras características da vida de Jesus possa ter sido transmitida oralmente antes da fixação no Evangelho. Pois as demais hipóteses sobre fontes não são apenas inseguras. Nossa história das formas geralmente não envolve critica literária nem sepa- ração das fontes além da aceitação de Q e de casos incontroversos (como 1Cor 15. Representam uma oralidade não "livre". lTm 3. Além disso.16ss. d) fórmulas de cerimonial que podem ser oralmente comprovadas como fórmulas de saudação. Schmithals seguiu a dogmática de R. Mas tal análise segue outro método. cuja "situação real" é a propaganda sabática cristã nas sinagogas judaicas (Lc 4. em alto grau. como também deslocam os problemas do estudo das formas. Sobre a relação entre escritura e oralidade § 4. e sobre sua forma ou seu gênero nada poderá ser concluído com certeza. 147s). as do AT).ex. lCor 11. E exatamente At 4. orações) e a etiologia cultuaI de lCor 11. então. 3. como se não se pudesse saber mais nada sobre Jesus. especialmente no que diz respeito às implicações históricas e teológicas das teorias sobre o "querigma". Isso. que uma camada de tradições orais anterior ao evangelho escrito mais antigo não pode ser verificada. Não tem sentido distinguir (como faz Schmithals) entre a tradição sinótica de Marcos como o "produto poético do querigma" e "a tradição sobre Jesus não-querigmática e não-cristológica da transmissão primitiva. sem solucioná-los. 2. consistindo principalmente na análise de campos semân- ticos (cf. contida. em At 4.25-27. em muitas 17 . 137-159). O que observei acima não significa. nunca pode ser provado concretamente.25-27 mostra que o gênero oral pode.16). Pelo contrário. de [agia".5. que se deva renunciar a uma análise das tradições às quais determinados textos podem dever sua origem. devemos contar. com uma tradição relativamente fidedigna. sendo possível apontar as "situações reais" (situações na vida. a saber.1 etc. Para cortar logo pela raiz. mas não são textos fixos. refletir-se literariamente num texto de oração.). para outro nível muito mais dificil de trabalhar. O que Schmithals (1980) afirmou a respeito das narrativas sinóticas. c) fórmulas litúrgicas (doxologias. Seja mencionada apenas a prova cristológica pela Escritura. Sitz-im-Leben) a que se referem. Nessa distinção. Sobre a relação entre escritura e oralidade 1. b) muito semelhantes a a são os logia errantia fixados. Exegese. mas orientada. porém. para os seguintes casos: a) sentenças costumam ocorrer em forma fixa.3. que pode também dever sua formação à leitura e à assimilação de fontes escritas (p. ibid.23b-25. Estes poderiam estar formalmente estruturados (cf. um provável mal-entendido: não se trata aqui de um ceticismo generalizado.25-29. eulogias. vale igualmente para a tradição dos logia. Contudo.. At 17. os critérios que este livro gostaria de fornecer deverão valer aí também. decididamente. nem sobre o tempo anterior à fixação da tradição sobre ele. Que tenha havido no cristianismo primitivo analogias orais de muitos gêneros literários é indiscutível. Berger. Bultmann. por exemplo. admito uma tradição oral anterior de textos escritos do NT (no qual podem ter existido tais quais). passíveis de "utilização" como fontes. entretanto.

julgo impossível a) restaurar estados orais anteriores por meio de operações de crítica literária.161) pergun- ta como poderiam ter sido reproduzidas numa tradição livre as criações artisticamente elaboradas de narrativas teologicamente refletidas. Berger. que numa trans- missão oral teriam sido danificadas. tudo indica que Jesus e a comunidade primitiva não apenas viveram no mesmo ambiente religioso. entre outras coisas.e é o que faremos aqui . Opiniões sobre o que "não pode ser atribuído" a Jesus parecem-me extrema- mente problemáticas. o único critério . Tal autenticidade não pode ser provada nem positiva nem negati- vamente. 222 630s). Portanto. Ao passo que Jesus pre- gava escatologia e ethos escatológico. Nada disso. mas isso é algo diferente de uma prova para textos específicos. no sentido de ser ele proveniente do Jesus pré-pascal. Na "fonte dos logia" (Q) encontra-se também uma série de argumentações simbulêuticas bem elaboradas. 102) 18 . é a "plausibilidade na perspectiva da história dos efeitos". B. Em Lc 10. pode ser provado pelos textos. as palavras atribuídas a Jesus por Paulo ou no evan- gelho de Tomé sugerem a mesma precaução. A diferença entre ethos incondicional e ética utilitária pode ser. de pala- vras faladas são: o uso da fórmula do mensageiro em Ap 2-3 (U. Dibelius são um aviso. a comunidade assimila-se progressivamente ao mundo e prega uma ética de utilidade e adaptação. própria da história das formas. Os critérios duvidosos para concluir uma reprodução direta. Com o material disponível pode-se fundamentar a tese de que foi provavelmente por causa de suas ameaças proféticas contra a cidade e o templo que Jesus teve de ser morto (cf. De resto. Essa aceitação global é sugerida também pelo que sabemos do ambiente sapiencial. Auferstehung.1-16 ameaças semelhantes concluem as palavras de missão dirigidas contra cidades aonde os discípulos chegarão em sua missão apostólica. partilharam em grande parte o mesmo tipo de vida etc. Sobre a relação entre escritura e oralidade formas de transmissão. Schmithals (1980. Também aí as falácias de M. Declarações sobre a possibilidade de reconstruir a pré-história oral de um texto não dizem nada sobre sua "autenticidade". mas foram "da mesma cepa". a mesma dificuldade vale para as argumentações simbulêuticas. Exatamente quando. infra § 30). rabínico e apocalíptico em que nasceram os escritos do Nf (cf.ainda bastante vago . Ora. geralmente não é fácil. como já se encontram em Q (cf. para o estudo das formas. A meu ver. porém. b) fornecer a prova positiva de que determinado texto (além dos acima mencionados) tenha circulado da mesma forma também oralmente. nem sempre importante. então a pré-históría oral da "matéria" deve ser abordada com um método diferente daquele com que abordamos a configuração literária que temos diante dos olhos. Um exemplo da suposta continuidade de gênero entre os períodos pré-pascal e pós-pascal são as palavras de ameaça contra cidades.. com- provada como diferença. uma ruptura radical separa Jesus da comunidade cristã.que ajuda a responder à pergunta: "O que vem do próprio Jesus?". Segundo ele. Isto é: a história posterior do cristianismo (a história dos efeitos de Jesus) toma-se como um todo in- compreensível (ou ganha compreensibilidade). Por causa da conhecida diferença entre o escrito e o oral. Riesner). é o resultado de uma teoria preconcebida: a da decadência. por escrito. o livro de W. Müller. se Jesus deve ter dito ou feito isso ou aquilo? 5. entre exortação protréptica e exortação orientada para a comunidade. 1975. procurar a ipsissima vox. se toma a configuração lingüística ("forma") como o ponto de partida decisivo (porque passível de comprovação) . W. 4. isto é.

§ 5. está no background. contamos com a possibilidade de vários degraus na unicidade das situações. 6. entre teorias antropológicas (em que se conta com uma existência a priori do gênero). Pode-se conjeturar que textos com alta atualidade momentânea (no tempo de sua redação) devem estar muito perto da fala oral daquela situação. foi formada por grupos de pessoas com determinadosinteresses. com K. Mas em cada caso deve ter existido também algum interesse de algum grupo. A distância entre oral e escrito também não é a mesma que entre tradição e redação. favorecendo a entrada da tradição na forma escrita. Contudo. nem tampouco sobre sua possível configuração. Mussies: The Morphology of Koine Greek as used in the Apocalypse ofSt. Leiden 1971]. deve-se contar em toda a parte com wna tradição pressuposta. Tomando Lucas como exemplo. Mas aí não se trata de tradição oral. É preciso observar a ligação por palavras-chave. A Study in Bilingualism. toma-se novamente tradição oral. mas não como fonte. John. mas limitada ao emissário/autor 19 . E aí pode haver motivos para preswnir ou continuidade ou mudanças de interesses. isso já foi demonstrado muitas vezes. Por certo. 7. a oralidade seria então alme- jada como estágio secundário. bem como a semelhança de estrutura usada como ligação entre unidades breves. a qual. uma composição feita para ser decorada. Critérios para gêneros liter6rios e os anacolutos (quando não são um meio estilístico para produzir uma linguagem mântica [cf. Toda composição em seqüências deve ter sido desti- nada à oralidade pós-escrita. então. facilitando a memorização. O texto escrito. mas sim de uma imbricação da linguagem falada com a linguagem escrita. Responderemos à questão da historicidade em relação com o estudo das formas. como no caso de breves catecismos. Um fenômeno especial e importante ocorre quando textos já escritos se tornam novamente orais. Tanto a brevidade dos logia ou das unida- des de texto como a facilidade em decorá-los. Nos logia do Evangelho de Tomé isso se observa constantemente. 8. O texto que possuímos teria sido. Critérios gerais Quanto às teorias sobre os gêneros literários. não é possível discernir se aí a oralidade foi o estádio que precedeu a fixação do todo por escrito ou se foi o fim almejado. em primeira instância. Critérios para gêneros literários 1. então. não sendo nenhwn indício de um exercício oral de profecia). Hempfer. estéticas de produção (uma interpretação histórica. com ajuda de nwnerosos macetes de ligação. não procuraremos. relacionando os textos com situações históricas ou típi- cas no quadro da história do cristianismoprimitivo. são critérios para orientação na oralidade. resolver a questão da historicidade por meio da pré-história oral da redação escrita. Pois o uso lingüístico redacional não diz nada sobre a não-existência de uma tradição antecedente. o livro de G. no quadro da história das formas do NT. também ela. em regra. trata-se de fatores de compo- sição de textos (colecionados) que estão perto da oralidade. Diss. podemos distinguir. não passam então de wn resultado do ditar. Nisso. Por isso.

Exemplos: para o gênero da "propaganda" é característico o estilo "eu". Assim. Mt 11. § 62). tanto para a discussão com o judaísmo como para problemas internos da comunidade. sem admitir gêneros universais. Critérios poro gêneros literários que produziu o texto) e comunicativas (essas.28-29). Um texto podia. O esboço seguinte baseia-se numa teoria "comunica- 'tiva" dos gêneros que se reconhece devedora especialmente da teoria e da prática da retórica antiga.N. permitindo uma comparação esclarecedora entre textos semelhantes e uma visão das situações históricas? Trata-se da convenção que. por exemplo. àquilo que para os ouvintes tem mais força de inovação. Isso não significa que os gêneros literários não tenham sido. para a questão do gênero. ser interessante sob diversos aspectos. 2. Orientação pela retórica significa concretamente. muitas vezes silenciados pelo exegeta com demasiada presteza. para a comunidade dos destinatários. nos três casos se pretende uma mudança no ouvinte. tem mais força para mudar o ouvinte. o esqueleto essencial deste livro é formado pela divisão antiga entre textos simbulêuticos. que não podem sem mais nem menos ser preteridas. há pouca coisa na história que se possa classificar de maneira totalmente unívoca e 20 . Textos complexos e afiliação a mais de um gênero A qualidade desse empreendimento de esquematização depende inteiramente da capacidade de prestar atenção aos delicados sinais.é cativado de maneira tal que daí resulta uma possibilidade de classificação. epidícticos e dicânicos. Em contrapartida. isto é. Embora de maneiras diferentes. Ele deverá sobretudo resistir à tentação de uma categorização demasiadamente simples. que se opõem à classificação inicialmente alme- jada. Significa apenas: qual entre as muitas convenções acumuladas num texto domina tanto que fornece um critério para catalogá-lo? Ou então: em que ponto o interesse dos ouvintes de então . e talvez para os dois aspectos juntos ou combinados. textos que querem impressioná-lo (epidícticos) e textos que querem lhe esclarecer uma decisão (dicânicos). algo conhecido e familiar. Pode-se dizer também: o gênero é constituído pela relação existente entre conteúdo. que entre os muitos elementos de um texto são considerados determinantes do gênero aqueles que em cada caso são o fator que domina os efeitos. por via de regra. Aliás. critérios antigos de divisão (a fim de diminuir o perigo de cobrir os textos com elementos alheios) se coaduna com visões atuais da ciência literária. visam à relação entre autor e leitor).). que se dirige a um grupo de pessoas ("vós") e chama sua atenção para o discurso por meio dos verbos do vir ("vinde!") e do ouvir ("escutai!"). entre textos que querem levar o leitor a uma ação ou adverti-lo (simbulêuticos). verbos pouco característicos articulados com discurso exortativo e argumentação sim- bulêutica são marca do protréptico (cf. maior potencial de mudança. na medida do possível. O estudo dos gêneros visa. Pois é nesse ponto que o esforço do historiador para usar.segundo tudo o que sabemos sobre a retórica antiga . forma e conseqüência de um texto (C. Decisivo para a designação do gênero é aqui o aspecto semântico dos verbos de exortação (p. por causa de seu peso no texto. Em semelhantes sinais encontra-se freqüentemente o núcleo para divisões e agrupamentos totalmente diferentes daqueles que o exegeta inicialmente imaginava. num texto.ex. com que o autor reatava por força da convenção.

O nome vem do gr.textos dicãnicos: a finalidade é levar o leitor. b) Um único texto pode pertencer a mais de um gênero. mas sem exortação. copiam um quadro. é preciso separar logo a pergunta pelo gênero da questão da origem e idade de um texto. por sua tríplice oração. A respeito dos gêneros Evangelho. daí a estrutura da argumentação na base do "não isto. . Cumpre. Critérios para gêneros literários que seja interessante apenas sob um único aspecto.textos epidícticos: tencionam impressionar o leitor. contar com alguma complexidade. sem predomínio de nenhuma parte do texto.textos simbulêuticos: pretendem mover o ouvinte a agir ou a omitir uma ação. este pode ser uma combinação de gêneros diferentes. Epi- dícticos são aqueles textos que pintam e representam coisas. a uma decisão numa causa disputada. e. aparece como um modelo e tira disso. é fortalecido e capacitado para a sua excepcional tarefa (Lc 22. o episódio narra o encontro de Jesus com o mundo celeste. uma lição geral. com isso é relatado algo que só em Jesus se verifica. em que ele. porque os critérios para a classificação são inventados pelo exegeta e podem se situar em diversos níveis. c) Quando. pessoas ou aconteci- mentos. em virtude do v. De acordo com o tipo de tal relacionamento distinguimos: . Assim. Me 14. Um texto pode também pertencer a vários gêneros. narrativos. o que já era suficiente para não haver objeção contra a admissão de várias "si- tuações reais" possíveis na origem de um texto. por causa da diversidade de horizontes em que um texto podia ser contemplado. 21 . dicânicos e epidícticos Esta classificação de gêneros segundo as perspectivas da comunicação conside- ra os textos como um acontecimento entre o autor e o leitor. para fazê-lo sentir admira- ção ou repulsa.43 o confirma). O nome vem do grego symbouléuomai = aconselhar. Trata-se do "sim" ou "não" num assunto polêmico. Carta e Testamento isso já se sabia. diversos elementos se encontram em pé de igualdade. Jesus. pois. no quadro do gênero biográfico "evangelho". a mais complexa. de repreensão com exortação ou de apologia com denún- cia. mas por si mesmo. 38. 38: ao contrário dos discípulos que adormecem. criam uma imagem.gêne- ro incorporado). . sua sensibilidade para valores é abordada na esfera pré-moral. por exemplo. mas aquilo". em sua oração. dikanikós = o que faz parte de um processo. do ponto de vista do gênero. no v. São descritivos. Por isso existem também gêneros limítrofes entre o simbulêutico e o epidíctico ou entre o simbulêutico e o dicânico. a argumen- tação simbulêutica. Aí não é razoável adotar uma classificação unívoca.De outro lado. . não apenas por estar junto com outro texto. Dicânico é um texto que tenta levar o leitor a tomar partido e decidir-se em favor de uma coisa ou contra ela. A forma mais simples é a admoestação. por argumentação ou sugestão.32-42 é um exemplum. Disso resultam alguns fenômenos em parte novos em comparação com o estudo das formas clássico: a) Um texto mais longo pode abranger vários gêneros (gênero moldura . Critérios específicos a) Textos simbulêuticos. apontar. O nome vem do grego epidéiknymi = indicar. trata-se de divisão e decisão. Freqüentemente dirige-se à se- gunda pessoa.

na terceira pessoa. pois aí as divisões de gênero estabelecidas são muito mais amplas. cf. de modo que se ado- taram não apenas gêneros retóricos (p. do gênero "vaticínio" (predição) (sobre os tempos. Hempfer. foi preciso decidir. O imperativo pode ser indício do gênero "exor- tação".ex. o transmitido na 19" carta de Apolônio de Tiana (Hercher. é dificil que a exegese possa aproveitar alguma coisa. de uma autobiografia ou de uma prestação de contas. Hempfer. Um gênero não é definido por um só critério. concretamente. mostraram- -se. no decurso da análise de todo o NT. também outras antigas designações de gêneros foram adotadas. diálogo.Para uma forma especial de exortação é determinante a primeira pessoa do plural ("plural comunicativo"). Tais critérios não foram estabelecidos a priori. Lista dos critérios I. como se fez no trabalho crítico e seletivo da atual exegese do NT. o futuro. mas pela relação de critérios entre si. Critérios para gêneros literários b) Gêneros antigos Na medida do possível. Isso vale também para sistemas antigos de gêneros como. pois o elemento de efeito predominante também podia ser reconhecido sem teoria sobre os gêneros.O discurso na primeira pessoa costuma indicar que se trata de uma apologia. Via de regra. sentença). Os gêneros antigos variam. 11. Fazendo abstração dessa convicção de K. c) Classificações modernas. no caso das repreen- sões. na história dos gêneros.. Visto que entre os estudiosos do AT não existe unanimidade quanto às características dos gêneros. O modo e o tempo do verbo.ex. Qual pessoa gramatical é o sujeito? O sujeito dirige-se constantemente a outra pessoa gramatical? . . K.. com o AT (p. 22 I . mas também outras denominações de eventos verbais (p.ex. por exemplo. da discussão sobre gêneros literários nas filologias modernas. De acordo com esses critérios foram formuladas também as denominações antigas e modernas. Nas narrativas de conflitos (que perten- cem ao gênero abrangente das narrativas) trata-se de uma confrontação de dois partidos. geralmente são combinados (assunto. na esteira do trabalho de Markert). Para certos trechos de cartas é decisiva a relação constantemente repetida entre o "eu" que fala e o "vós" dos destinatários.. informativo). Mas o "nós" é também caracteristico do relato de viagem. 113s) (gênero filosófico. de acordo com critérios bem estabelecidos. suplementares Algumas distinções usadas na exegese anterior puderam ser adotadas. epistolar. construção e tamanho desempenham papéis importantes). Isso foi necessário também por causa das conexões. o conteúdo e os critérios de tais classificações tiveram de ser descritos novamente e com mais precisão. histórico. . Isso pressupõe o reconhecimento de critérios antigos.Importância relativamente grande para a determinação dos gêneros compete aos verbos. akoepara interrogatório). porém. jurídico. como os mais promissores e os relativa- mente mais simples.

ex. Uma série de elementos da mesma natureza é chamada catálogo ou lista. IV O tipo da frase: características para o gênero "argumentação" e para certas parábolas são as perguntas retóricas (p. comparações e exemplos só são reconhecíveis como tais por estar situados num nível de tempo e de pessoas diferente do nível do contexto. "estar junto a alguém" (tipo helenista)... bem como as conjunções usadas." é empregada apologeticamente. no quadro da composição Mt 11. VIII.. a referência à "situação real" também se altera. Exegese.8). VII. ou então. § 39. Parábolas.. Coisa semelhante vale também para sentenças. com a respectiva palavra. de acordo com os resultados da lingüística (cf. ela ficava metodologicamente indefinida. como revelam estes dois fenômenos: indicativos às vezes devem ser entendidos como imperativos particu- larmente incisivos.4.Exemplos: o gesto. fazendo abstração do formulário. . Esses critérios nem sempre devem ser mantidos com rigor. cujo conteúdo pode ser uma deductio ad absurdum. freqüentemente bem curtas. Um texto que termina com "portanto" no começo da última frase costuma ser uma argumentação. O papel da semântica para o es- tudo das formas tem sido subestimado. pois aí o imperativo tem caráter simbólico (cf. mas. Ao contrário do que dizem Dibelius e Bultmann. ligados por "e") proporciona uma narrativa. A estrutura sintática e a relação das partes entre si.25 é uma ação de graças. vale sobretudo o seguinte: cada texto encaixado literariamente num conjunto maior participa das características do gênero. Lc 4.25-30. a sentença epidíctica "Profeta nenhum. um texto que apresenta uma sucessão de acontecimentos (na forma mais simples. A mesma coisa vale para zombaria e ações zombeteiras (no NT: ironia em contraste com um contexto martirológico). Freqüen- temente existe uma notável diferença entre o gênero que compete a um texto consi- derado em si mesmo e o gênero ao qual o texto deve ser atribuído com base em sua função no contexto: Mt 11. mui vagamente indicada como "conteúdo".24. Isso deve ser concebido num sentido de horizontes cada vez mais abrangentes. A relativa brevidade é o único critério seguro para o gênero "carta". 11-32). cuja característica comum é iniciar a frase com "felíz/bem-aven- turado . A relação de um texto com o contexto literário.. III. Certa extensão verbal caracteriza o discurso (oratio). e Ap 6. Um exemplo simples da im- portância da semântica para nossa história das formas são os macarismos (votos de bem-aventurança).16 (e textos semelhantes) não pode ser interpretado como exortação.. os quais conferem ao texto individual aspectos que vão se modificando. A relação entre introdução e conclusão é muitas vezes deci- siva. de Jesus a respeito 23 . ?"). O tamanho. é parte integrante da auto-recomendação de Jesus. A semântica (significado das palavras). Relatos de visões são reconhecíveis pelo uso de verbos típicos como "ver". "aparecer".". Na medida em que se estabelecem gêneros literários específicos.. "quem entre vós. V A estrutura interna de um texto. VI. No gênero da exortação condicional existe uma relação bem definida entre a prótase (formulação da condição ou do pressuposto) e a apódose (conseqüência do cumprimento da condição). Critérios para gêneros literários 169). Também para os gêneros admonição (admoestação) e sentença o tamanho é de grande importância. Berger. Em Mc 6.

Conseqüentemente. sobre Me 3. saindo do texto. o que tem um significado especial para o leitor e. merece o nome de parênese. ou quando quem fala acompanha a ação descrita. pertencendo por isso ao gênero do discurso protréptico de admonição. . deve despertar-lhe uma atenção especial. em si. após chamar os Doze.20-49). porém. contra R. Jo 20. Metaníveis no texto têm. expor as condições do discipulado. Bultmann. Pelo envolvimento dos leitores. 27s. Também uma saudação ou lembranças estabelecem uma relação especial entre quem fala e o leitor. esse discurso. com isso condiz o tema "criança" do referido trecho. Frases como Mt 10. Encontra-se numa série de admonições semelhantes (vv. O v. e.24). forma apenas uma parte do "sermão da planície" de Lucas (6. é uma admonição. acrescentadas nos vv.27. - Mas o autor dirige-se também de modo especial ao leitor quando um "aqui". tem a função de.14. mas também da situação dos leitores. O autor pode também dirigir-se diretamente ao leitor (Me 13. a argumentação simbulêutica é um gênero bastante difundido. em Mc 10. o gênero resulta não apenas do texto.27-36 ganha o caráter de uma argu- mentação simbulêutica.31).22-30). Pois a per- gunta pelo gênero é independente da idade relativa da configuração em que encon- tramos o texto. Todo esse trecho (vv. para responder a essa pergunta.14a. X. 31 (regra áurea) encerra essa série. A essa parênese pertencem também as admonições para casos especiais. IX. também com frases na primeira pessoa do plural (Jo 1.ex. Dibelius de fazê-lo foi o fato de eles. por causa da constante preocupação com a anterior fase oral. 32-36 constituem uma motivação argumentativa. A inconseqüência desses autores nessa área chama a atenção de todo leitor de suas obras. no quadro da nossa definição retórica dos gêneros. De toda unidade textual delimitável podemos perguntar a que gênero pertence.ex. Critérios para gêneros literários das condições para entrar no Reino. por sua vez. O que impediu R. O mais importante desses gêneros é o comentário do autor sobre o que está relatando.lOb). não precisamos reconstruir primeiro o texto pela critica literária (p. lOs. A pergunta não respondida de Me 8. Ap 13. entretanto. que é um discurso segundo o esquema dos dois caminhos. Na estrutura do Evangelho de Lucas. A nossa tese é que cada unidade literária reconhecível como tal deve pertencer a algum gênero (também quando se trata de um texto compósito) e tem determinada relevância histórica ou está ligado a determinados interesses de um grupo de pessoas. Ora. 27-36). com caracteristicas fixas. Pelo fato.Lc 6. como série.21 "ainda não compreendeis?" visa principalmente ao leitor. 27-28) que. um significado especial. em que os vv. com trechos na primeira pessoa gramatical. sempre pergunta- rem apenas pelo gênero literário das unidades mais elementares. Bultmann e M. de 6. é inserido pelo contexto nos pro- blemas da comunidade referentes a casamento e propriedade. Especialmente para a literatura epistolar. em todo caso.14s são para os apóstolos 24 I . aponta diretamente a situação (p.. a pergunta mais ampla pelos gêneros mostrou-se bem adequada. 29-30 (outra forma). estendemos a pergunta pelos gêneros ao âmbito de todas as for- mas literárias. provendo-a de uma con- clusão generalizante e de uma chave para aplicações. o conjunto 6. GST.32-36 ser uma argumentação que usa verbos dos vv.. mas também para as falas nos evangelhos sinóticos e de um modo geral para toda a pesquisa do sentido de textos compósitos. 21.13-16. Pois aí o nível geral do texto é abandonado.

um texto poderia dar uma resposta. Tais textos ganham seu verdadeiro sentido na tradição da comunidade cristã (cf. ninguém. só podemos avisar que se deve tomar cuidado para não tirar dos textos certas conclusões históricas ou sociológicas que seriam ingênuas. ao pé da letra. c) O autor que transmite uma tradição mais antiga provavelmente terá um interesse atual ligado a isso (mesmo quando tal interesse não segue diretamente do teor verbal). 25 . a obra citada. isso significa que perguntamos pelas instituições de formação e pela educação no mundo em que surgiram os escritos do Novo Testamento. uma exor- tação para cuidar dos que se encontrarem naquelas condições.19s é para os apóstolos uma admoestação negativa. apresentando-se como profeta. L. Mt 10. e um só gênero pode ser uma reação a várias situações. 218. Por isso foi sem dúvida importante apresentar também os gêneros costumei- ros do Antigo Testamento. 1296-1299). mas quais modelos e convenções ele aprendeu e era capaz de repro- duzir. dá importantes informações.2). cf. Os gêneros têm sua história. Para Alexandria. ANRW. cf. pois. os que "não entendem" provavel- mente não são os que realmente estão fora (quando alguém. para os leitores. sem critério. Nas escolas da Antiguidade. e mesmo pela ligação de elementos opostos. b) Vários gêneros podem reagir à mesma situação. também D. então. Hempfer. XI. porém. § 6. § 71. com uma evo- lução contínua dentro da história dos gêneros. 3. Clark (31963). como as regras gramaticais. para a novela). uma série de gêneros tipicamente veterotesta- mentários ingressou no NT. Do ponto de vista histórico. Gêneros literários e a história do cristianismo primitivo 1. a aprendizagem de deter- minados gêneros literários era de tal maneira central que o aluno os dominava não ape- nas receptiva mas também ativamente (sobre os progymnasmata. São antes assimilados juntamente com a língua materna. segundo a qual novos gêneros nascem da combinação de diversos princí- pios de organização de gêneros já existentes (cf. pelo que já sabemos do cristia- nismo primitivo. Em virtude dessas observações. Partimos da convicção de que os gêneros literários não são algo próprio de toda a humanidade nem podem ser deduzidos da estrutura da psique humana. Não se deve contar. 2. pois eram esses os mo- delos que se aprendiam. Com base nas citações do AT. por audição e abstração. W Smith. Critérios de acordo com os quais pode ser estabelecida uma relação entre um texto e uma situação: a) Reconstrução de questões concretas às quais. to- maria isso ao pé da letra). fala sobre "água da vida". do judaísmo e do helenismo pagão. interpretando tudo. mas para os leitores de todos os tempos uma séria advertência. num ambiente de tradição bíblica. No Evangelho de João. não se trata de saber se o autor agia consciente ou in- conscientemente. o estudo de R. Gêneros literários e a história do cristianismo primitivo promessas de sucesso. The Art ofRhetoric in Alexandria (1974). Como hipótese de trabalho adotamos a tese de K. No uso de um gênero.

.Quanto a (1): Trata-se amiúde da apresentação de autoridades (Jesus. Mas é relativamente dificilligar com segurança determinados interesses a datas ou lugares da história do cristianismo primitivo (exemplo: houve discussões com a elite judaica a partir de Jesus durante todo o século I. Que a função interna da narratio deve ser distinguida daquela orientada aos destinatários é mostrado por um exemplo: narrativas de missão não precisam. porque essa freqüentemente só pôde ser respondida com uma referência à liturgia (culto [U. nas cartas. pois. cf.As reivindicações de tais autoridades são estabelecidas ou. o mesmo significado que as narrativas de missão nos Evangelhos e nos Atos). doxologias e textos narrativos) muitas vezes correspondem. o Diálogo de Justino). refutadas. subs- tituir aquela mais antiga pela "situação real" (Sitz im Leben). Afinal. pois. ceia. 112-116). portanto. a cujo interesse a formulação do texto corres- ponde ou se opõe. Berger. Paulo).em investiduras e doxologias. cf. estar a serviço da missão. trata-se ainda de afirmar a tradição comum ou de dar esclarecimento sobre conexões mais amplas e. Mesmo a multiplicação dos pães e a cura do cego antes da profissão do Messias (Me 8. ou trata-se. como o suposto por M. também: Berger. ao mesmo tipo de situação (1). projetada numa imagem. no entanto. B. Portanto. elas mesmas. trata-se geralmente de um "elogio". da recordação de algo pessoal ou. neste nível. finalmente. de sua incorporação. B. para consolação. Nesse nível. 4. às vezes. e até além. quando já se tornou tradição. Mas o que os textos representam não é símbolo. Pedro. Sobre outros critérios. A pergunta pela situação típica na história do cristianismo primitivo vem. não se pode ligar "ingenuamente" determinadas tradições a determinados "círculos de interessados" de maneira simplista e apenas por caracteristicas exteriores. Para mim. e) Alguns gêneros predominam em determinadas fases e regiões da história do cris- tianismo primitivo. Os gêneros epidicticos (p. 218-241. Müller. às vezes sobremaneira engrandecida. não se pode aceitar um esquema rígido de evolução. que. e sim membros concretos de uma realidade orgânica mais abrangente. pelos quais o homem procura controlar sua situação social. cit. batismo) ou à pregação (Dibelius) (cf. os gêneros epidicticos visam essencialmente ao objetivo da afirmação. 171) pergunta ainda co- mo a paraclese profética dos primeiros decênios de intensas esperanças escatoló- gicas se transformou na parênese costumeira "praticada pela comunidade consoli- dada aqui nesta terra". Observações gerais: Sem interesse atual não há tradição. 5. nos quais o grupo possa reconhecer sua própria realidade. Tanto a demonstração de sua importância como o encaixe em contextos maiores (1) servem. textos não são "ações simbólicas" ou "sinais". que explica a impor- tância das referidas pessoas (no caso de Deus. - Quanto a (2): também no outro nível (o segundo. Exegese. estáveis. especialmente em relatos na l' pessoa do singular. U.22-26) não são sinais a indicar algo totalmente diferente (isso vale também para os milagres joaninos). sua confiabilidade). É verdade que são uma parte "aberta" e reveladora. o gênero deve ser pelo menos descrito como fato lingüístico. ainda que ela se tome figurativa. 201-203]. e sim pars pro toto. Gêneros literários e a história do cristianismo primitivo d) Reconstrução do grupo social. no caso de falsos mestres. em outro nível.ex. fica simul- taneamente em dois níveis diferentes (2). Quando uma conclusão a respeito de determinados círculos de interessados não é mais possível. na história do cristianísmo primitivo. Müller (op. que corresponde ao interesse dos destinatários ou vem ao seu encontro) a finalidade é relativamente constante: ajuda o grupo a encontrar sua identidade e reforça seu sentimento de identidade pela integração e pela apresentação de exemplos ou "tipos". preservação e unificação. Contudo. . Dibelius. podem ser lembranças dos começos (a admonição pós-conversão teria então.. 26 . por isso mesmo. Exegese. mas fazem parte de uma realidade de muitas dimensões (abran- gendo também a social).

1976. FIEBIG. in E. E. I. Piltsburg. R. 27-51. lur Methodik der G/eichnisinferpretation. Die G/eichnisse Jesu. PESCH. "Zur Exegese Goltes durch Jesus von Nazareth. PAnE (org. "Stellung und Funktion der Metapher in derbiblischen Sproche". "Allegorie und Gleichnis. HENGEl. 76-86. in ZThK. Gêneros abrangentes A seguir teremos de falar primeiramente sobre os chamados "gêneros abrangentes". P. SCHomoFF. in Hermes 43 (1908). Textos analógicos e figurativos Bibl. 71-122. in NT 15 (1973)1-37. B.JEREMIAS. epidícticas ou dícânicas e apresentam antes indícios próprios de todos estes três grupos de gêneros.üdisehe G/eiehnisse und die G/eichnisse Jesu. 1974. Erwiigungen zur theologischen Relevanz der Metapher ais Beitrag zur Hermeneutik einer narrativen Theoloqie". in 5tTh 28 (1974).. id.P.!eichnisse der Rcbbinen". R. Jesu Kunst der Rede vom Goft Isme/s. FlUSSER. Allegory and Paradoxo. Berna.-J. EvTh Sonderheft. 281- 27 . KlAUCK.. 1969.: J. As carac- terísticas comuns estão tão claramente expressas que convém tratá-los em conjunto. Geschiehte. Zur These vom 'argumentativen Charakter' derGleichnisse Jesu". KlEMM. lINNEMANN. G. JÜNGEl . 1910. "Paulus und Jesus". Alt. G/eiehnisse Jesu. I-li. Die G/eichnisreden Jesu im Liehte der rabbinischen G/eiehnisse des neutestamenflichen leitalters. Allegorie und Allegorese in synoptisehen G/eiehnistexten (NTA NF. RICcrUR. 2. 75 (1978). "Zu Quintilians grossen Declamationen".4 (1971) 297- 307. Metapher. J. 1-39. in P. Hamburg. Welte. 153- 174. K. W.1-12 im lichte der Zenonpapyri und der rabbinischen Gleichnisse". E. "ZurFrage des traditionsgeschichtlichen Wertes apokrypher Gleichnisse". reed. DITHMAR. A. 1). JÜlICHER. 1978. 1976. Gõltingen. "Das Gleiehnis von den Weingiirtnern Me 12. datil. in D.. Die G/eichnisse Jesu. I. Didaktik (UTB 13). Zur Formenlehre der synoplischen Gleichnisse". B. 104-119. id.. ed. Habil. REITZENSTEIN. 119. in ThpG. Freiburg. HARNISCH. P. Jülichers im Bannkreis der Fabeltheorie lessings". D. Metapher. J. in lNW 60 (1969). JÜNGEl . in NT 17 (1975)58-76. "Die Gleichnisauslegung Ad. Münster. "Das Gleichnis vom verlorenen Sohn". 8. 1981. "DieSprochkroh derAnalogie. "Parable. 45-70.P. Eine Auslegung des Gleichnisses vom Vater und den beiden Sõhnen".B. 1970. "Metaphorische Warheit. 1978. 1-20. pp. R. "Materialien zur Form und Uberlieferungsgeschichte neutestamentlicher Gleichnisse". L. que não podem ser reduzidos a características simbulêuticas. RICCEUR. 5. 5truktur. H. 5emiology and Parab/e. 1904. 13). las Vegas. Piltsburgh Theological Monograph Series 9. BERGER. in lNW 59 (1968). CROSSAN. D. M.. ed. 1912. in ZThK 68 (1971).. Die rabbinischen G/eiehnisse und der G/eichniserzõhler Jesus. in HUTh 2 (1962). íd. Das Wesen der Gleichnisse [ludolco et Christiana. ed. "Gleichnisse Jesu und G. Einführung und Auslegung . EvTh Sonderheft. H. JÜNGEl. E.. G. 1974. BAUER. 1974. RICCEUR. RAU. 247-281. 1969. in Fs. Die Fabe/. Frankfurt.). SElllN.

as experiências da história anterior de Israel são insuficientes (com exceção da catástrofe universal do dilúvio. Würzburg.ex.De acordo com a relação entre o contexto e o nível projetado distinguem-se vários tipos de textos analógicos e figurativos. )ÜUCHER bis zur Formgeschichte (WdF. o futuro é totalmente inímaginável e não pode ser comprovado. 1971. STEINHAUSER. Já que as parábolas costumam apelar para a emoção. 2. G. como fonte de metáforas. não pode mais ser descrita lingüisticamente com sentimentos humanos. As experiências e os pressentimentos a respeito de um Deus de julgamento radical e de radical bondade exigem igualmente uma luta pelo centro do ho- mem sensível ao radical: seu coração.. Obrascoletivas: W. Stultgart.undtraditionskritische Studie. no pensamento apocalíptico. não esperada por ele. Mt 3. G/eichnisse Jesu. a exclusão do meio-termo. Gõltingen. Doppelbildworte in den Evangelien. Trata-se de todos os textos em que pelo menos dois níveis diferentes de tempo ou de realidade são colocados um ao lado do outro. e já so- mente com acontecimentos em tomo de "coisas" (p. 366). Sprache in Texten. beleuchtet durch die rõmische Kaiserzeit. até atingir a situação histórica. a joeira do trigo. Disso resulta em cada caso uma tensão entre o contexto em que o leitor estava sendo conduzido e uma projeção. 4. E é só a partir dessas coisas que também o fim da história toda pode ser esclarecido. Paradoxalmente. não serão de forma alguma uma repetição das antigas. 120). Por "contexto" enten- demos o encaixe concêntrico da respectiva unidade literária em formas literárias mais abrangentes. e que este a partir daí possa ser decifrado. par. 1903. 575). 1982..) ou com procedimentos objetivos da esfera de jurisdição e admi- nistração (parábolas sobre prestação de contas etc. 1978. Positionem derAuslegung von Ad. Somente o cotidiano. pois contradiz toda aparência. a partir de seu interior. HARNISCH [orq. Comparação 335. só resta paradoxalmente a possibilidade de compa- rar o escatológico com as coisas do dia-a-dia. 28 . Entre as imagens ricas e muitas vezes belas dos textos apocalípticos contempo- râneos e as falas figurativas de Jesus (e do Apocalipse de João) existem as seguintes relações: 1. WEISER. descrita de maneira totalmente impessoal). 5. Darmstadt. B. Como as coisas novas.7ss. Da vida cotidiana são conhecidas certas coisas que têm começo e fim. Die Knechtsgleichnisse der synoptischen Evangelien (StANT. O novo. Die Kõnigsgleichnisse des Midrasch.). Traditions-und redaktionsgeschichtliche Analysen und Interpretationem (FRLANT. I. 1976. H. Die neutestamentliche G/eichnisForschung im Horizont von Hermeneutik und LiteraturwissenschaFt (WdF. id. Eine Form. Para descrever o novo. . 29).]. M. WEINRICH. 1981. WEDER. futuras. 3. A. sua retórica (no melhor sentido da palavra) é meio e caminho para a necessária mudança do homem. para o as- pecto negativo). A.H. a melhor e a única maneira de apreendê-lo ainda é pelo que há de mais evidente e visível no dia-a-dia. de tal maneira que nas realida- des de cada dia se descubra o novo. O que transcende a compreensão humana somente pode ser descrito pela imagem de um acontecimento material (assim também em Paulo: a "trans- formação" pelo pneuma. atinge o mundo do éschaton. Darmstadt. o futuro. Die G/eichnisse Jesu ais Metaphern. 1982. mais ou menos sem transição. ZIEGlER. proveniente de outro nível.

Quanto ao destino. portanto. 155-174. não precisa "des- cobrir" esse aspecto de semelhança: ele lhe é diretamente apresentado. Exemplo § 7. ricos. 1145-1148.") num contexto narrativo. Diferentemente da parábola.25 par. em Tg 2. o estado deles é tão ruim quanto o de demônios recaídos. depois. Jesus é situado acima de Jonas e Salomão.26 isso é bem claro: "Assim como o corpo sem respiração é morto.10-11 (as palavras-chave da comparação são "perecer" e "murchar").. Srowas. que é mais do que Jonas e Salomão. na última comparação. desempenha seu papel mais importante nas falas argumentativas e simbulêuticas. O leitor é orientado com toda a clareza: a alusão às serpentes ilustra a exortação à prudência. aqui não se trata de um único ponto de comparação. Freqüentemente a comparação tem função de argumento (Lc 7. SBl Diss. aqui § 85. S. A palavra-chave.8 mostra que a partícula de com- paração não é necessária ("pois também eu.17/18 (também Satanás tem um reino). The Diatribe and Pau/'s Letter to lhe Iromans. assim também a fé sem obras é morta". Toda a rede dessas comparações argumentativas serve para caracterizar a maldade dos ouvintes: embora Jesus. (o "entrar" é comparado com o "passar por". Jonas e Salomão são comparados com Jesus quanto às pessoas que neles acreditaram. Uma comparação amplamente elaborada encontra-se em GI4. dentro da estrutura do "discurso parabólico". constata-se semelhança entre Jonas e Jesus.").16 valeu para um texto simbulêutico.1-2j3-5. A compa- ração.. O que em Mt 10. que deve ligar os ouvintes ao âmbito de realidade das serpentes é aqui a palavra "prudentes". conclusão a maiore ad minus). 168-173. 1981.: ANRW.16 "Sede prudentes como as serpentes". a comparação tipológica é tratada da mesma maneira que as parábolas (ver infra § 17).. porém. A tese principal de uma argumentação reflete às vezes uma experiência que funciona como comparação na base de uma metáfora teológica que o autor supõe conhecida entre os ouvintes: Lc 11.. mas da vinculaçãoentre menoridade e escravidão. esteja presente. Em seguida. A comparação é aqui a conclusão drástica de uma admoestação (drástico é sobretudo o uso da palavra ''morto(a)''). A comparação tem um papel muito importante na argumentação quando apre- senta não apenas semelhança. Exemplo: Mt 10.1-5). Me 10. Igualmente drástica é a comparação da sorte do rico com a da flor em Tg 1. Cf. Em Mt 24. a sorte final daquela geração má é comparada com a desgraça causada por demônios numa segunda fase de possessão (recaída).8. Exemplo Bib/. o exemplo refere-se à igual natureza da ação. Lc 7. Gl 4. esp. mas superação.39-45 Jonas é com- parado com Jesus no que lhe aconteceu. K. encontra-se em Mc 9. Essa qualidade da comparação fornece o esquema fundamental da assim chamada tipologia: Em Mt 12. O leitor. § 8.3 ("brancas como. portanto. Comparação Comparar é um processo lingüístico em que já é dada no contexto corrente a palavra-chave à qual se refere a analogia projetada. vale o seguinte: a) O exemplo diz respeito à 29 .37-39. Series 57. Quanto à distinção entre exemplo e comparação. Seu papel historicamente mais significativo está nas discussões com os adversários (geração incrédula. judaizantes).

isso vale também para o reino de Satanás. Tam- bém aí se encontra a argumentação a minore ad maius: Deus cuida dos lírios e do capim. os exempla valem como probatio (prova) e confirmação. por isso "reforça" mais (como motivação.5 por um simples exemplo (animal no poço). isso deve motivá-los a não se preocupar.7) em relação aos discípulos.15: jumento). pois não é 30 . b) A isso corresponde o fato de que. É preciso distinguir entre exempla que o texto relata como tendo acontecido antes do tempo em que o texto foi escrito ou diz ter sido escrito. c) Em contextos simbulêuticos.24 (reino). mas é algo que se dá no quadro de uma relação (entre parceiros). Os versículos Mt 6. como caso de comparação na apologia.26. por isso. b) Função apologética de exempla: nas primeiras discussões com o judaísmo. os exemplos freqüentemente se encontram em séries. o que se mostra também no gênero das créias. então.11: ovelha. c) De acordo com isso. Aos exempla maiorum da tradição romana correspondem os antepassados de Israel como modelos. e também dos pássaros (corvos). pois aí ele estaria contribuindo para a ruína desse reino. na argumenta- ção a minore ad maius). De modelos morais não se trata. Lc 13. Mt 6. em primeiro lugar.28). e exempla cuja testemu- nha é o próprio autor (fictício).25 (casa): para ambos vale que não pode subsistir o que está dividido contra si mesmo. Marta como advertência. orientação verbal. Quanto à praxe sabática. Me 2. Daí a categoria da repetição ser central. Um texto do primeiro tipo é Tg 5. exemplos desempenham um papel importante para legitimar o ponto de vista cristão e a práxis a ele correspondente. muito mais então cuidará dos discípulos (Lc 12. da qual é deduzida diretamente uma motivação para o presente. A comparação pode ser um exemplo abreviado. em Lc 14.6. espe- cialmente nos textos sobre testamentos e no "Elogio dos antepassados" de Sr 44-50. se trata de um processo estritamente igual.17s. Exemplo intenção central de uma unidade textual e tem. mostra-se nos exemplos uma tendência à formação de séries: o mesmo tipo de ação pode ser repetido mais vezes. nem se refere a um só ponto (como a comparação). Na tradição "cínica".24. que arrancam espigas no sábado.25s defende os discípulos. que cita Elias como modelo de oração bem-sucedida. o que deve provar que Jesus não pode estar atuando em nome de Belzebu. o segundo tipo está em Lc 10. o próprio agir de Deus (no passado) tem função paradigmática.27.28 (pássaros e lírios) ajudam a esclarecer a diferença entre exemplo. apesar da diversidade de tempo e pessoas (afetadas). para assimilação e advertência. Isso é feito com relação a duas questões: a da práxis sabática e a da legitimidade do pneuma de Jesus. modelo moral e comparação.39-42: Maria é apresentada ao leitor como exemplo. Sobre a função e a pré-história dos exempla do NT podemos dizer o seguinte: a) Na retórica. o uso do exemplo é fortemente desenvolvido. d) O exemplo não é apenas ilustração. com o exemplo de Davi (por fome pode-se ferir o sagrado). A práxis das curas milagrosas no sábado (aqui estava presente o público apropriado) é justificada em dois lugares por um exemplo com argumento a minore ad maius (Mt 12. Coisa semelhante vale para os pardais e os cabelos da cabeça (Lc 12. Ao passo que no NT as comparações costumam aparecer em pares. Uma seqüência de dois exemplos oferece Me 3.26.

Mt 26. anjos (ou Miguel) são exemplos de omissão. que se andardes pelos caminhos de vosso Deus. Enquanto em Jd 5-7 a série tem caráter exclusivamente intimidador. é assim que deve ser entendido o "pela segunda vez" em Jd 5). De uma comparação também não se trata. com repetição da palavra-chave inicial no começo de cada exemplo.14-3.38 é a aplicação ao caso em questão. Outro paradigma intimidante aparece em Hb 3-4 (a sorte da geração do deserto e a da geração de "agora"): "Vede.15ss (falso profeta. um título faz conhecer o objetivo e o assunto central da série.36-46. d) Exemplos morais do passado são Jó (Tg 5.5-9 fala também do exemplo que se tor- nou a salvação da minoria justa que resistiu à tentação. em contraste com os discípulos. porém. que pode ser definida claramente.21-24 (cf. o galileu).ls dá primeiro uma definição de "fé". Jesus é citado como exemplo: ele é o modelo do orante. vossos caminhos serão retos. Trata-se. Exemplos intimidantes do passado são Caim. Antid.O discurso de Gamaliel argumenta com base em dois exemplos: At 5. pois o texto fala da atitude de Deus para com outros seres que não se preocupam. E agora. Dt 26. Praem.40-46. deixou-vos um exemplo. §§ 45-49. Por isso trata-se em Sb 10 e Hb 11 de um gênero helenista (Discurso XIX de Lísias sobre Aristófanes. Hb 11.5-9). em seguida. abuso do poder profético.3. Assun- tos comuns a essas séries são: a punição de Sodoma e a dos anjos caídos. 5. e isso serve de advertência para os que vivem agora: 2Pd 2. o mesmo ponto de referência (aqui: "Sabedoria") é repetido mais adiante.11. guias do povo. Vale notar que exemplos desse tipo se encontram sobretudo em escritos pronunciadamente judeu-cristãos. a fim de que sigais suas pegadas"). segundo Nm 14. ainda em maior medida.3-7 e TestNeft 2. Exemplo citado nenhum ato cuja imitação seja recomendada. com os discípulos. ex. o castigo do dilúvio (contra os gigantes ou contra o mundo antigo) e a punição de Israel por causa da murmuração em Qadesh (a segunda rebelião. como lá. Balaão e Core segundo Jd 11 (negação do futuro Juízo.37 (Judas. Isso não aconteceu nas séries do AT (com as quais muitas vezes são comparadas) que refletem a concepção historiográfica deuteronomista (p. por causa de dinheiro).. pois há uma ação no mesmo nível. isto sim.. 2Pd 2. Deus se comporta aqui como se comportaria. §§ 231-235).36 (Teudas) e 5. Hb 11 tem a forma de uma série de exemplos (catálogo de paradigmas).11: perseverança) e Elias (Tg 5.O próprio Jesus é o modelo em lPd 2. Na história do passado.32-42 par. Lc 22. Do judaísmo pode ser citado sobretudo Sb 10: como em Hb 11.12. em ordem cronológica. ..4-7.8-4. mas não em ordem cronológica e sim com exemplos tirados da vida). Jd 5-7 citam uma série de exemplos que têm suas analogias mais próximas em Sr 16. 13 (com a palavra-chave "esperança".17s: oração atendida). numa série anafórica (isto é. a primeira geração morreu no deserto porque contradisse seu Deus. de um exemplo. não escutardes 31 . portadores dessa atitude são mencionados. Se.) Quanto à forma. sabei hoje. CD 2. Em Jd 9 e 2Pd 2. Também em Me 14.5-15. pode ser comparado a Fílon. revolta contra mensageiros de Deus) ou Balaão em 2Pd 2. . Deus já puniu. Ao mesmo tempo seu papel de salvador encontra sua base no fato de ser o único que não falha. Isócrates. o que pressupõe (pelo menos basicamente) a igualdade entre a situação cristã da comunidade e a história precedente. 3Mc 2. a introdução ".

39s (bofetada. O caráter "exem- plar" consiste no fato de o caso extremo ser formulado numa série pensada de com- portamentos semelhantes.-Fílon. Hb.).3s. seriam totalmente impensáveis. vosso nome há de desaparecer da terra" (Ps. 2Cr 15. e em Lc 12.2-7. Lc. antes que seja tarde). mes- mo quando não explicitado. p. no seguinte sentido: trata-se de um caso especial. aliás. citado logo antes. . sempre desempenha papel decisivo. torna-se mais do que claro. que dá Maria como exemplo). - Também em lCor 10.24 (em sua pátria profeta nenhum é bem acolhido) e apontam ao mesmo tempo a alternativa positiva (missão entre os gentios). Admonição exemplificada sua voz. Embora o fenômeno exemplum seja também e antes de tudo helenista (cf. numa situação semelhante. 37: "Vai. sempre exigido. Justificam com exemplos a frase de 4. Admonição exemplificado Do exemplum distinguimos a admonição exemplar. porém.13s.41 (= Mt 10. Da mesma maneira existem também situações-exemplos. onde "olho por olho" e "dente por dente" também exemplificam o princípio). Jub 7. § 9. .25-27 (Elias e Eliseu em sua atitude para com os gentios). ou então. e se vos tornardes iguais a vossos pais.. f) Outros gêneros também apresentam clara afinidade com o exemplo moral. Bibl. fácil de lembrar e drasticamente formulado. . 2Pd e Jd) e que no todo refletem a discussão com o judaísmo em pé de igualdade. Nestes textos o caráter de "exemplo" resulta do contexto. 20. Temos admonições desse tipo em Mt 5. Tiro e Sídon..11 ("quem tem duas túnicas". Lc 3.29-37. g) Apologéticos no quadro da biografia de Jesus são os dois exemplos de Lc 4. É digno de nota que exemplos de todo tipo são encontrados sobretudo em escritos do NT de cunho fortemente judeu-cristão (Q.21- 25). que chamamos de episódios.1-12 a geração do deserto é exemplo intimidante. podemos citar as narrações de parábolas (sobretudo Lc 10.O que mais chama a atenção é a comum ligação do SI 95.24s. Isso significa que esse gênero ou é intermediado pelo judaísmo helenista. Conforme Lc 10. Ant. discurso de Josué).ex. 14 conclui com uma comparação). ele se encontra quase exclusivamente nos escritos marcadamente judeu-cristãos do N'I.58-59 (pronta reconci- liação. falta. mas não a hora de Jesus (perguntas e repreensões retóricas). A isso corresponde o fato de que também em escritos mais fortemente gentio-cristãos do NT faltam exempla da história pagã.39-42. os ouvintes são lembrados de seu próprio comportamento em outros setores da vida no sentido dos exemplos: as nu- vens e o vento eles sabem avaliar. 32 I . e tu também faze o mesmo") e créias (Lc 10.Esse "hoje" é freqüentemente citado na tradição.. em que determi- nado comportamento. e) No quadro da argumentação simbulêutica.7-9 com o exemplo negativo dos antepassados no deserto e com Josué. teriam agido de outra maneira (o v.. mil passos) (há semelhança com Ex 21.. Tg. com a conclusão do v. O juízo vindouro. em Me 9.42) (copo de água como exemplo do mínimo).

Isso significa: contexto e metáfora interpretam-se mutuamente. o emissor.H. metáforas não se afastam do uso literal da palavra. ela não é apenas mimêsis.. RAU.de acordo com abordagens lingüístico-textuais . sobretudo. A metáfora. 2. mas apenas de seu uso dominante (G. RlcauR . Sprache in Texten.E. Essa distinção chama a atenção principal- mente para a relação "perturbadora" e tensa entre a metáfora e seu contexto (incon- gruência semântica). Na frase metafórica "Eu sou. não é algo impróprio. Metáforas Na discussão sobre o gênero "parábola". G. Kurz dá um exemplo: "Pedro é uma criança" é uma predicação metafórica se Pedro tem 30 anos de idade. para cada coisa um significado verbal ou urna etiqueta. 1. Resultados da discussão sobre as "metáforas" Da discussão. o mundo dos astros. portanto. Symbol. a teoria da substituição dizia que no caso da metáfora uma palavra "própria" era substituída por uma "estranha".. para poder identi- ficar alguma coisa como metáfora" (G. Na metáfora algo de novo é descoberto ("analogia descoberta"). trocou-se a teoria aristo- télica da "substituição" pela "teoria da interação". "em si". Allegorie. mas não é uma metáfora se Pedro tem 6 anos).G. 1976. "Allegorie und 'Gleichnis'.se define basicamente pelo contexto. 1974. O substantivo (estrela da manhã) usado em sentido figurado continua a transmitir seu sentido original. com a metáfora. e depende do contexto se uma palavra deve ser entendi- da em sentido literal ou em sentido metafórico (G. mas também com base na tese da intraduzibilidade da metáfora. não era a palavra "certa". Bibl. WEINRICH. Isso fica claro não apenas pela teoria da interação. Por isso. Gõttingen. A teoria da interação. München. contudo. 17). lur Methodik der G/eichnisinterpretation. Kurz. WEDER.: G. G/eichnisse ais Metaphern. parte da constatação de que não existe. as seguintes teses me parecem merecer atenção. 1978. o "receptor da imagem" recebe um acréscimo de sentido que não se poderia alcançar de outra maneira. tese doril. Distinguem-se (desde Weinrich)o emissor da imagem e o receptor da imagem. se parábolas são realmente metáforas elaboradas ou combina- ções significativas de uma metáfora com. Jesu Kunst der Rede vom Golt Israels. Metáforas § 1O. ela é poiêsis. deve ser mencionada. fundação de um mundo novo. 1978. in nhK 75 (1978) 281-335. O uso dominante não é o mesmo para todos: "É preciso colocar-se no ponto de vista de quem fala. Gõttingen. JÜNGEl. Jesus é o receptor. em que cada coisa recebia a palavra que lhe com- petia. Stultlgart.16). lur Hermeneutik religioser Sprache (EvTh Sonderheft]. KURZ. por exemplo. ela é o estar 33 . Zur Formenlehre der synoptischen Gleichnisse".. Metapher. Metapher. P. a brilhante estrela da manhã" (Ap 22. 276-341. a questão da natureza peculiar das "metáforas" freqüentemente foi superestimada. Essa tese implica que. H. Já que. Per- gunta-se. Kurz. esp. SElllN. a semântica das metáforas . então. 1982. supunha-se uma relação harmo- niosa entre o ser e a linguagem. o gênero das "sentenças de admonição". 3. porém. mas uma forma especial de fala própria. 18). A metáfora. Em vez dessa interpretação mútua de contexto e metáfora (interação). Hamburg. portanto.

já que ocasionam associações de conotações e de sentimentos: aborda-se claramente ou a vivência do leitor/ouvinte. as expressões metafóricas. Na comparação. uma "adivinhação do espírito".16. 4. descobrir isso é antes a tarefa do ouvinte/leitor. Mas a diferença não consiste na falta da partícula de comparação "como" (ou algo semelhante). quero obervar o seguinte: a) A diferença entre comparação e metáfora consiste no fato de não se indicar. No cristianismo isso significa que a ontologização de metáforas passa pela sistema- tização eclesiástica. As metáforas passam por uma história. b) Já que a formação de metáforas é um fenômeno lingüístico normal (especial- mente no domínio da realidade impalpável das relações inter-humanas e religiosas). men- cionada acima. ela "ajuda a realidade a se tornar verdade". o que resulta numa série de problemas de natureza nova (p. Intraduzíveis. Elas são uma nova aquisição da realidade. no caso desta última. Quando Deus é chamado de "Pai". esse ponto de comparação seria o prenúncio do dia por uma grandeza que já possui algo do esplendor dele). o fator tempo é realmente decisivo.ex. na qual primeiramente são redescobertas e vivas. Metóforas na frente de si mesmo do espírito humano em suas imagens. especialmente do exegeta. Pois a tarefa desse último consiste precisamente em achar palavras com as quais possa captar as conotações das metáforas e perifrasear. 6. Como crítica e complementação desses resultados e teses. reduz-se a contradeterminação semântica à ilustração. 5. "quando foi gerado esse filho?"). são acontecimento lin- güístico. a eficiência das metáforas depende de sua (rela- tiva) novidade. por assim dizer. que qualidade do "receptor da imagem" deve ser esclarecida pelo emissor da imagem. Quem declara intraduzíveis as metáforas cria um vácuo incontrolável. e a criatividade que nisso se deve investir torna a metáfora emocionalmente inte- ressante. Na metáfora. numa palavra: ela é "criação de sentido e nova descrição do mundo". perdendo nesse processo seu efeito metafórico a olhos vistos: a metáfora tornou-se terminus technicus. Um tertium comparationis está ausente (na metáfora de Ap 22. a fim de 34 I . as metáforas visam à experiência e pretendem ser aplicadas na práxis da vida. Isso pode ser demonstrado claramente no exemplo da metáfora "Filho de Deus". Com isso (o que é importante para a teoria das parábolas) renuncia-se à distinção entre a "metade real" e a "metade-imagem" da metáfora. depois se tornam clichês e finalmente são lexicalizadas. Além de supor o processo de tradução como uma noção bastante rudimentar e orientada para o "vocabulário".. Com isso modifica-se a idéia da "origem da imagem". Metáforas têm uma história (de efeitos) toda particular. isso repercute sobre tudo que é paternidade (a realidade de onde vem a imagem). Na "ontologização". a metáfora é entendida como afirmação estrita- mente ontológica. essa tese favoreceu um irracionalismo semântico. desarma o pregador e dribla habilmente o que seria exatamente a tarefa do teólogo. c) Metáforas não são "intraduziveis". e por isso somente a ação do homem lhes corresponde adequadamente.

consiste pois. mudam. Metáforas são "focos" em que se concentram experiências. de fazer novas associações. um novo texto). um agir (como o são também a lembrança reflexiva e a esperança antecipadora). o acontecimento lingüístico não é um acontecimento factual". o falante é "criador"). e exclusivamente nelas. realidade para os homens). ao descobrir algo. assim. não nos permitem interpretar uma imagem a nosso bel-prazer. por conseguinte. As linhas de ligação entre o texto e sua situação. A linguagem pode redundar em efeitos pragmáticos. a causação e o efeito são profundamente condicionados e coloridos pelo contexto histórico real e. sem dúvida. de maneira consciente e descritível. Metáforas formular o que os antigos quiseram dizer como aquilo que hoje é necessário. já que a imagem é polivalente. podem se tomar compreensíveis. não crio uma nova realidade. mas. sobre as experiências de quem fala. além de outras coisas. canalizando-as para o ouvinte. 35 . informar o leitor. é certo também que isso nunca é um efeito ab ovo. A linguagem é. As associações hoje são outras. mas é impossível provar que em tais efeitos consista o Reino de Deus. e) A metáfora não projeta "conexões que transcendem a realidade". além do mais. um sentido que se pode reconstruir pelo estudo da história das religiões (o que vale também para as eventuais conotações). elas selecionam experiências. mas será igualmente possível verbalizá-Ias. É evidente que se trata aí (como em outros con- textos) de uma superestimação do acontecimento lingüístico. exerço influência sobre uma corrente contínua que vinha desde sempre me carregando a mim mesmo. e nem é "a força do possível em contraste com o real". e isso de um modo que empregue a criatividade do leitor. que o Reino de Deus se tomou linguagem e. Palavras devem ser consideradas cata- Iisadores de experiências. antes. e isso numa linguagem cuidadosa e adequada (para isso não basta a linguagem do dicioná- rio teológico). A isso se deve responder: "Sobre o Reino de Deus pode-se falar em toda espécie de textos. Em tudo isso pressupomos que também naquele tempo estava ligado à metáfora um sentido inequívoco e não difuso. numa descrição/reinterpretação em linguagem adequada. então. A tarefa. ela deve. Aqui 'o desejo é pai do pensamento. mas não cabe concluir daí que ela também tenha sido polivalente na intenção de seu autor. coordenam-nas. tanto outrora como agora. Como falante. tanto quem fala como quem ouve. concentram- -nas (uma multiplicidade é resumida) e dão-lhes uma finalidade (orientada para quem as receberá). Se é certo que a linguagem exerce influência (e nas metáforas ela pode até se potenciar). e metáforas não são intraduzíveis (embora o traduzido seja. g) Tampouco pode ser provado o efeito retroativo da metáfora sobre sua origem. mas a imagem da "criação" me parece inadequada. na liberdade que lhe foi deixada. f) Com a tese da intraduzibilidade das metáforas combina-se muitas vezes a do acontecimento lingüístico (tese que significa que é na metáfora e na parábola. Verdade é que as metáforas deixam aberto um espaço para a atividade do ouvinte e a possibilidade de ele não entender o jogo ou. mais tarde. sem ser previsíveis. d) A tese do papel da metáfora como criadora de realidade e estabelecedora de sentido é uma contribuição tardia da filosofia do Idealismo Alemão ("a linguagem cria realidade".

comuns ao "emissor da imagem" e ao "receptor". embora lingüisticamente infeliz. o "real" não deve ser entendido como "a verdade de uma frase" (contra Jülicher). . Cada um desses modelos é expressão de determinada cosmovisão (que pode ser reconstruída historicamente). . Quando o jogo dá certo. pelo menos em princípio.: "Eu sou a ressurreição"). 2. É exatamente a renúncia a uma descrição explícita (como ocorre nas comparações) que faz experimentar como dádiva o entendimento comum. Afinal. mas de linguagem metafórica ou de algum tipo de linguagem analógica (e de sua versão posterior. quanto a seu conteúdo. p. pode se tratar também de abstrações (p. O que caracteriza a metáfora é a feliz unificação e combinação do que era difuso. pois nas metáforas já há freqüentemente várias características semânticas.ex. Weder. em todo caso com outro valor de imagem. como imagem da totalidade (daí. lexicalizadas. Metáforas trazem nova informação. pode ser mantida. o reino etc. também não se trata da oposição entre imagem e realidade. 2) Metáforas muitas vezes estão em relação com modelos mais abrangentes. Metáforas compõem um jogo verbal de êxito indefinido. a audiência. as me- táforas pai/filho. Modelos importantes são: . Para entender as parábolas é preciso elaborar.a organização da casa e da família. o trono. É precisamente a presença de diversos níveis que constitui o encanto de uma metáfora.a relação entre fazer e acontecer (os atos se amontoam como uma "massa").).Sobretudo. basiléia é metá- fora lexicalizada. Experiência e linguagem estão em função uma da outra. mas qual é essa informação depende da intenção dos autores. 4. Porque não se trata de metades. Metáforas De tudo isso segue: 1. para o aproveitamento atual é preciso conhecer as metáforas hoje possíveis.ex. Por essa coordenação num só ponto. Metáfora e parábola não são esclarecimentos de alguma frase. no sentido pretendido pelo falante.a organização da corte e do trono dos reis (de onde as metáforas para os mensagei- ros.). mas de u~a experiência de várias camadas. 72). A distinção entre a "metade real" e a "metade-imagem" da metáfora.. que salva- guarda a liberdade imaginativa e associativa do ouvinte. 36 . pelo estudo das religiões antigas. mas freqüentemente da diferença entre metáforas mais ousadas e outras. as metáforas nem sempre são imagens. Cumpre observar ainda: I) Ao se formar uma metáfora. Nas parábolas do Reino de Deus. parcialmente num texto novo. estabelece-se uma comunhão. senhor/escravo etc. uma multiplicidade de experiências é concen- trada numa unidade. e não experiência e intraduzibilidade (contra H. os quais tentam interpretar vastos domínios da realidade invisível e visível. . A tese da unicidade do tertium comparationis merece ser abandonada (embora se possa manter a do único "ponto culminante"). na criação de uma só figura. o conjunto das metáforas possíveis na época. a semelhança com a "emissora" (esfera produtora) da metáfora pode se tornar visível. para um público novo). 5. sendo o corpus da parábola a sua fala nova e ousada. que pode ser reconstruída. 3.

as da escravidão) são segmentos de tais modelos. Antes de tudo. enquanto o acontecimento como um todo se passa em outro nível de realidade.). ." ou Mt 8. pela própria sintaxe.ex. As orientações são formuladas de modo radical e unívoco.22: "Deixa os mortos enterrarem seus mortos. Certos conjuntos de imagens (p. ou até mesmo a frase inteira deve ser entendida metaforicamente). ao senhor da messe.ex. ambos.. mas. a admonição metafórica mantém em sua sintaxe a referência direta ao ouvinte: dirige-se à segunda pessoa gramatical (ou à terceira). a imagem ainda tem importância para as conotações. mostra-se. dois gêneros importantes são resultado do estilo metafórico aqui esboçado: a admonição metafórica e a metáfora como predicação pessoal. pelo menos um largo segmento como se fosse a imagem da qual a metáfora em questão constitui um detalhe. substituição. Tudo isso deixa claro que não se trata de parábolas. O visionário contempla. Cada metáfora capta de- terminado ponto (veja 1). Nisso é fácil perceber que a maneira metafórica de falar tem os seguintes objetivos: a) O conteúdo toma-se emocionalmente marcante. para o pensamento bíblico fica clara pelo fato de que em visões e viagens celestes esses modelos são contempla- dos como imagens coerentes (o visionário "vê" como as "obras" seguem o pecador. l3a não se trata da técnica de passar por uma porta de casa) ou a própria ex-travagância da imagem o exclui Gá que mortos não podem enterrar. luz. pois. b) A formulação drástica e muitas vezes hiperbólica não é apenas breve.2: "Pedi. "normalidade semântica". como nas parábolas. E exata- 37 . expe- rimentam da mesma maneira a "duplicidade" da realidade a fim de captar sua unidade (o invisível toma-se dizível ao se lançar mão do visível). as culpas transferidas para o bode expiatório). a organização do culto (em parte misturando-se às metáforas da realeza. para algum contraste em relações de sinonímia e para determinar o gênero literário em que se encontra. além disso."). p.ex.. etc. iluminar. ainda é conhecível como admonição (como p. Isso vale particularmente para contrastes (o cisco no olho/a trave no olho). ela também não deve deixar ao leitor/ouvinte qualquer brecha para ressalvas. A fala dirige- -se diretamente a seus verdadeiros destinatários. de maneira esteticamente descritível.).22 deve falar de mortos metafóricos. Admonição metafórica . Lc 10. A importância dos modelos mais abrangentes. ele vê Jesus como reflexo do Pai no quadro do trono etc. Mt 8. As metáforas não podem ser tomadas ao pé da letra: o contexto não o permite (em Mt 7. além disso: puro/impuro. trevas.. freqüentemente. o simbolismo da luz (reflexo. § 11. Pela história do efeito dessas palavras de Jesus pode-se demonstrar quão intensivamente a formulação metafórica favoreceu a eficácia e contribuiu imensamente para uma oralização secundária do discurso consignado por escrito. ideológicos. mas na visão aparece um continuum. Apenas alguns elementos são metaforizados. por meio de um imperativo ou de uma frase condicional. Se nas parábolas o sentido teológico da metáfora (mais usual) muitas vezes "transparece" semanticamente. 3) Mesmo quando a metáfora perdeu seu frescor como imagem. porém.. Admonição metafórica Trata-se de uma admonição que é mais ou menos fortemente impregnada de metaforismo.

49-50). Importante é tam- bém. Lc 11. BK. reconhecida como tal: Lc 9.45 par. c) Como palavras desse tipo quase nunca se referem à situação na comunidade e não se encontram nos escritos posteriores do NT.35-36.24. De especial interesse são os textos construídos sobre uma tese metaforicamente formulada ou sobre uma proposição-base em forma de sentença à qual se segue então a admonição. Mt 8. A isso corresponde o fato de que também a decisão de seguir Jesus foi uma situação típica.41-42 (cisco e trave: irmão).50. também as metáforas da messe (Mt 9.)". e abrir-se-vos-á") forma a tocante conclusão da unidade.referência real é a missão). Jo 12. uma transposição metafórica das admonições precedentes ("batei. ou seja. Lc 8. Lc 10. uma fixação bastante precisa.6 (dar o sagrado aos cães) sem dúvida deve ser associado igualmente à situação da missão..") par. os operários.. mas Lc 11. o estilo metafórico permite certa liberdade na execução. 293)..19-21) e do sal (Mt 5. não se pode excluir uma alusão à situação missionária (efeito sobre os de fora). a imagem do caminho (Mt 7.. 11. ao mesmo tempo.. por causa da semelhança com Mt 5. finalmente.35s.35. a formulação em imagens drásticas favorece exatamente esse aspecto. Mt 12.62. Mc 9. d) Apenas dois destes enunciados estão formulados como palavras de Jesus fa- lando de si mesmo ("eu ."). b) Referem-se em grande parte ao trabalho missionário dos cristãos. Mt 6.. Também Mt 11.Lc 11.. em Lc 9. também aí. dizer o seguinte: a) Em grande parte elas provêm da fonte dos logia (Q). em admonições desse tipo. Mt 9. . Uma forma especial. Quanto ao contexto histórico das admonições metafóricas podemos.49-50 ("Bom é o sal. à conversão a Jesus na missão. Quanto a Me 9.49-50. 38 I I .60a.37s par. apenas a prótase.2 . Admonição metafórica mente as imagens surreais (trave no olho) são bem compreensíveis. amplamente desenvolvida.37s. da admonição metafórica é a admonição protréptica (regras fundamentais). Esses textos apre- sentam de modo eminente as virtudes retóricas da brevitas (são curtos) e da perspi- cuitas (impressionam)..22 e Lc 9.13s.2 ("A messe é grande. Lc 6. Mencionamos alguns: Me 9.34-36 e Mt 7.. Mt 10.27. também Jo 1. Lc 6.": Mt 10. à decisão de seguir Jesus.34a/34b-36 ("A luz do corpo é teu olho.. porém.45 não é fortemente metaforizado.62. Lc 13.35 ("Por pouco tempo a luz está entre vós. num determinado grupo e para determinadas situações.49-50 (paz entre si). Importantes são. O caráter cristão das admonições metafóricas está antes numa peculiar liberdade diante de quaisquer laços familiares ou materiais.14-16. Em Mt 7. Me 9. As admonições metafóricas que se referem à situação dentro da comunidade são relativamenteraras: Mt 7.").27).21). do coração (Lc 6.6 o são em alto grau.33-36 é uma exortação para "ouvir" (ver a análise em Berger.29s).22s..13.29s (tomar o jugo sobre si) refere-se claramente à situação protréptica.. Mt 5. somente a apódose é metafórica (Me 3. sobretudo quando usa as imagens da luz e das trevas (Lc 11. Lc 10. pois.3-5. cf. poucos. Mt 6."). Mt 7.7b. toma-se possível. Jo 12. Em alguns textos. Esses textos ganham assim uma espécie de estrutura argumentativa..23. depois de uma proposição-base com "eu sou.

compare-se 2. a missionários peregrinos. 16.16 com 2.16 e 2. também nesses casos as metáforas correspondem às visões (cf.5 com 2.12.14 (eu: bom pastor).11.20). uma origem veterotestamentária 39 . e essa proveniência pode ser demons- trada por meio de testemunhos do judaísmo egípcio. O esquema.12 (os discípulos ou Jesus como "a luz do mundo") deixa claro que em Jo todas as frases deste tipo se referem a Jesus: para a comunidadejoanina. 36a: "já"). f) Nas maldições condicionadas do Ap. por exemplo. brilhante estrela da manhã). todas elas. vós sois) + imagem.) + imagem". Dentro do discurso simbólico os ouvintes são diretamente indicados.21 (nós: justiça de Deus). "Eu sou a luz do mundo".13 é antijudaico no contexto atual. Portanto. cf. antes do § 7). A função dessas frases é atribuir à pessoa umpapel único.12.25 (eu: a ressur- reição e a vida).35 (eu: pão da vida). encontram-se depois novamente no Ap.1. sublime e insubstituível. 5. Na combinação de repreensão e admonição.45 refere-se à relação entre os de dentro e os de fora. supra. 15.13 e 2. em Mt 7. Realmente.6 (eu: o caminho. na situação de total desorientação em conseqüência de seu afasta- mento do judaísmo.13 (vós: sal). 3. de sorte que todo o seu agir tinha caráter missionário. é: Eu sou (ou: tu és. também 2Cor 5. e especialmente Pedro.23 (eu: voz de quem clama).18 (tu: rocha). Jo 6. Também as chamadas "sentenças do vencedor" do Ap (2. em parte. Jo 1.7 (vós: uma massa nova).5 (eu: a videira). Metáforas como predicações pessoais Por isso não é possível atribuir tudo. Proposições desse tipo são: Mt 5. no ambiente das comunidades judaicas. Ap 22. 1. ex. Em Mt. A origem (segundo o estudo das formas) dessas frases com "eu sou" encontra- -se em sentenças atribuídas a deuses egípcios. Só Mt 15. 10. § 12.9 (eu: porta). o grupo dos discí- pulos. 1.17.16 (eu: raiz e estirpe de Davi. v.21) têm.26s. formulação "imaginosa" na apódose.7.5. Metáforas como predicações pessoais Trata-se de enunciados em que o pronome pessoal (primeira ou segunda pessoa gramatical) está ligado a um predicado que é uma metáfora. Mas tudo indica que.1. Todas essas metáforas estão preparadas sistematicamente no contexto (cf..35-38.12 (eu: luz do mundo).22 com 2. Lc 6. O evidente contraste entre Mt 5. a verdade e a vida). e) Não há nestas frases nenhuma oposição ao judaísmo. são importantes para a orientação. se nos orientamos estritamente pela forma "eu sou (etc. a qual sem dúvida deve ser entendida como dependência mútua. digamos. pois conservam para a ckklãsie de Jesus tudo o que o Mestre único ofereceu. dentro da comunidade. 14.14 e Jo 8. Já que essas imagens.14 (vós: a luz do mundo). Discurso metafórico semelhante aparece em Jo 4.7. 8. quem é chamado de hipócrita é o irmão. 10. Jesus é a figura central de integração. 41-42. não temos aí uma parábola. lCor 5. 11. muitas vezes a predição do Juízo tem formulação metafórica. portanto. mas antes uma fala epidíctica com o fim de demonstrar a relação "eu-vós".3-5 e Lc 6. todo cristão ainda era também um missionário. São importantes indícios da engrenagem interna da imagem visionária com a metá- fora. e também não faltam alusões à ação de quem fala e à situação (p.

. Embora sem imagens.Em Sr 24. Os textos judaicos sempre se encontram na boca de uma figura intermediária. elaborada numa série de atributos. A predicação: "Tu és. infra). Pois os textos judaicos mostram (o que já era claro também pelo contexto de Jo) que a predicação: "eu sou. da parte de Deus. entre a parábola. uma auto-recomendação parecida encon- tra-se em 1Ts 2. . em alto grau. O fato de os textos mais importantes se encontrarem em Jo e Mt mostra algo do caráter das respectivas comunidades: embora cada uma a seu modo. antes do § 7 A relação da parábola com outros gêneros de analogias e imagens Desde A. Apesar da diferença na forma. 11) encontra-se a auto-identificação de Jesus com o bom pastor. o efeito resulta igual para o leitor. de um lado.6. A posição literária destas sentenças costuma ser o início de uma unidade de discurso. Não é preciso dividir este trecho em versículos e procurar criti- camente a origem literária de cada um. para a admonição. uma predicação metafórica de caráter epidíctico significa um ponto firme de parti- da e de referência..1-5. encontramos na parte explicativa (7-18) uma autopredicação metafórica ("eu sou" + imagem). No fim (v. sobretudo." compete a quem intermedeia entre Deus e os homens. A metáfora. "eu sou a fidelidade". § 68. Jülicher aproxi- mou. 197s). a comparação e a metáfora. "eu sou o touro da montanha do Oriente" (Exegese.7-18 (construído segundo o es- quema da interpretação alegórica das parábolas. o contexto. algo que se lhes torna acessível. é simbulêutico.3ss. pois. 197s). é preciso observar que aqui (como no "Sermão do Pão" de Jo 6) um conjunto de imagens é explorado de diversos lados: o autor "brinca" com o conjunto de material do âmbito produtor da metáfora (a criação de ovelhas). Pois.18. Jülicher parte da tese de que numa alegoria 40 . de outro. cf.. a Sabedoria diz de si mesma: "Eu sou a mãe do belo amor". elas devem ter sido. praticada pela dogmática eclesiástica. os estudiosos têm discutido calorosamente sobre a relação.". O que ele tencionava especialmente era libertar as parábolas de uma utilização alegorizante. Parábolas (observações gerais) Bib/: ANRW. § 13. por este intermediário.. Jillicher. Quando alguém diz de si mesmo: "Eu sou. 1110-1124 e infra. Parábolas (observações gerais) está excluída.. em TestAbr A XVI o anjo diz: "Eu sou o cálice amargo da morte" (Berger. o fato de todos os testemunhos pré-mandaicos apontarem para o Egito apoia a hipótese de uma única origem. Em textos egípcios lemos (com relação a deuses antigos): "Eu sou a serva do mundo". trata-se de alguma forma de auto- -representação e auto-recomendação. Exegese. Jo 10." é uma recomendação do orador confiando o referido papel a um outro (Cf. mais das vezes.. exprime uma função em favor dos homens. Embora as ocorrências judaicas sejam tardias. a alegoria. a comparação e a parábola. carentes de integração e orientadas para a autoridade.1). a metáfora e a alegoria. No chamado "Sermão do Pastor". apre- sentando a segunda de cada par como a forma mais desenvolvida da primeira.

averigua-se apenas um ápice (ou pointe) e por conseguinte também um só ponto de comparação (o chamado tertium comparationis). pois para chegar a uma verdade geral é preciso fazer primeiro bastante abstração. P. pois. Schottroff. Parábolas (observações gerais) cada traço do texto é entendido metaforicamente (processo. depois de Jülicher. infra). 80). extrema- mente artificial e impróprio à naturalidade de Jesus). esclarecer um pensamento. b) A aproximação entre a metáfora e a alegoria empreendida por Jülicher hoje está quase completamente abandonada. novamente aproximadas (sobretudo quando se abandona a tese de uma pointe única para as parábolas) (cf. entrou na discussão como novidade no estudo das formas foi sobretudo a pergunta pela situação e pelo contexto das parábolas. a própria parábola é um texto a ser avaliado por si mesmo. Mesmo alegorizado. não convence. ao passo que na parábola. com base no material rabínico. porém. e) O que. Essa distinção. Fiebig já provou. A parábola é transmissão concreta de uma verdade abstrata. 41 . Jillicher defme-a assim: "A parábola é aquela forma de discurso em que se procura garantir o efeito de uma frase (um pensamento) pela justaposição de outra frase a ela semelhante. mas que pertence a outro domínio. Em todo caso. segundo Jillicher. Rau (1978) propôs a distinção entre parábolas que contam e parábolas que comentam. ele continua existindo em seu papel próprio. como na comparação. que para Jülicher a com- paração apresenta muitas das caracteristicas hoje atribuídas à metáfora. em parte. Esse ponto de compa- ração sempre é. quando muito. porém. A fim de realçar o caráter próprio das parábolas narrativas. que parábolas podem ter vários ápices. e com ele a pergunta pelos analogata. e cujo efeito é certo" (p. segundo Jülicher. insustentável (v. portanto. c) A divisão entre uma metade real e uma metade-imagem é. De outro lado. o mesmo deve ser dito da forçada redução a um único tertium compa- rationis. En- tretanto. Cumpre anotar. E. o fenô- meno da analogia existe também. uma verdade geral. a parábola foi depois adaptada à situação da comunidade. d) Jülicher não compreendeu o fenômeno da narração. sendo isso o que constitui seu sentido original. o fenômeno do "ápice" subsiste. as parábolas são hoje consi- deradas metáforas desenvolvidas. Das críticas posteriores feitas a Jülicher resultou sobretudo o seguinte: a) A tese da concretização de uma verdade abstrata pela própria parábola é insustentável. Uma narração não é apenas a expressão de uma verdade. supra). só se pode falar de um predomínio deste ou daquele aspecto. a alegoria e a parábola foram. Em vez disso.embora resulte então algo não muito diferente da alegoria combatida por Jülicher. e observações sobre o entrelaçamento de imagem e realidade já na própria parábola (L. Jeremias: Cada parábola foi pronunciada numa situação concreta da vida de Jesus. Pretende-se. especialmente o da nar- ração nas parábolas. por algo semelhante. 1972) mostraram o absurdo da tese de Jülicher. um julgamento expresso numa frase. Contudo. Houve diversas contribuições: 1. De acordo com de- terminadas leis da reformulação. pois.

não se segue naturalmente) é a explicação alegórica da imagem. Linnemann: Trata-se de umjulgamento do narrador sobre a situação. como tais. no sentido amplo da palavra. combateu radicalmente o condicionamento da parábola pela situação. A meu ver. independentes. Na base do próprio conceito não há. que consiste até. que não exclui o elemento doutrinaI. uma experiência complexa. Via. D. e não "doutrina que dispõe de um assunto". I . nenhum motivo para negar a Jesus esse gênero apo- calíptico. Com base na literatura apocalíptica. Jüngel: A situação é a "metade real" da parábola. 2. pois. b) Não se trata do plano da realidade. A parábola apresenta-se como uma imagem relativa ao primeiro plano. ao princípio contextual: uma parábola é um texto em relação com seu contexto. em todo caso. 3. c) Parábolas são acessíveis ao historiador como ex- pressiva transmissão da experiência humana. Nem todas as parábolas falam do "Reino". No lugar dos termos "metade real/metade-imagem". Essa revelação especial é outorgada a eleitos. e não apenas das parábolas. a referida discussão carece das seguintes complementações: 1. c) Isso obedece. b) A alternativa "ou doutrina ou existência/pragma" é falsa. a não ser que. Weder) de que parábolas são acontecimentos em imagens. tampouco se referem ao mesmo aspecto. Berger e H. são doutrina descritiva e narrativa. livre de imagens: apenas representa a maneira mais usual e não-e1ucidada de falar sobre um tema. ne- cessariamente "secundárias". E. com perfeição. Parábolas (observações gerais) . K. por algum parti pris. de forma alguma. eu gostaria de propor: plano de partida/plano da imagem: a) Não se trata nem de metades que é preciso ajuntar para formarem um todo.De modo semelhan- te G. nem de textos acabados. Isso significa que neste plano é usada uma linguagem mais comum. em metáforas usuais e lexicalizadas. E. É exatamente o fenômeno das concordâncias semânticas que mostra tratar-se de níveis ou "planos" de linguagem que se confrontam ou se penetram. d) O entrelaçamento. f) Se parábolas têm função argumentativa é algo discutível (w. que consiste em duas etapas: a primeira fase da revelação é a manifestação da imagem (como parábola ou como visão). E. Sellin: O contexto é a "metade real" da parábola. Tal explicação sempre se refere à situação especial de quem recebe a revelação. que Jesus nada podia ter a ver com es- pécie alguma de apocalíptica. mas do plano de partida. O. por isso as referências à comunidade nas alegorias dos sinóticos não são. J. . de imagem e realidade que envolve o leitor é uma característica peculiar de todos os gêneros do NT (o pre- sente livro pretende exatamente mostrar isso). Harnisch nega-o). Jüngel. Fuchs lançou a idéia (cf. a segunda fase (que geralmente tem de ser solicitada como complementação e que. E. 42 . com sua tese da autonomia estética das parábolas. elas reproduzem. Porém: a) O acontecer lingüístico não é um acontecer real. H. Como tais. em grande parte. É preciso renunciar à depreciação da alegoria e desistir das repetidas tenta- tivas de provar que as explicações alegóricas das parábolas evangélicas não podem ser de Jesus. não sendo. não é suficiente em si. Tal julgamento se entrelaça com o do ouvinte. Klauck mostra- ram que se trata aí de um conceito especial de revelação. pois.

No estudo das parábolas. em Mt 6.". já no plano de partida. no plano de partida. Os elementos mais afastados são "bater na porta" e "abrir" (v. 36-38). 36b). A proximidade. Outras expressões já ocorrem em ambos os planos. usada também na parábola. como. de tal maneira que resulta. tertium é cada analogia na semântica e na estrutura. então a distância fica tanto maior quanto mais incomuns e especiais forem essas metáforas (cf. nem mesmo metafó- rica. teológica e figurativa (as núpcias como imagem da parusia).24ab. exatamente nes- se mesmo sentido. pos- suem caráter isagógico. e supondo conhecimentos especiais dos ouvintes. Muitas vezes a curiosa influência semântica mútua caracteriza a pará- bola como tal e fornece a chave para sua interpretação. neste caso. com o plano de partida. Parábolas (observações gerais) 4. que somente em determinadas condições. tanto mais for- temente o ouvinte é conduzido do plano da linguagem costumeira para dentro do mundo da parábola. por exemplo. Quanto ao "servir": na parábola. As parábolas.36-38: A maior proximidade do plano de partida está no verbo "esperar" (v.. crescente ou decrescente. imediatamente compreensível. que condiciona entre os dois planos uma proximidade menor ou maior. no domínio da semântica. Os "dois senhores" também podem ser comparados com Deus metaforicamente (Deus como "senhor" é metáfora usual). Exemplo I: Lc 12. mais longe ainda está a imagem das núpcias (v.24: de grãos de trigo não se costuma dizer que "morram". pois no plano de partida isso significa (como pars pro toto) o abandono das posses e de todos os laços com 43 . o "servir" tem sentido metafórico com relação a Deus (metáfora usual) e com relação às riquezas (metáfora nova).. Aí não existe mais nenhuma comunicação semântica. Exemplo II: Entre os dois planos existe uma evidente engrenagem semântica. 36). e quanto mais inusitadas forem elas. em Jo 12. tem em ambos os planos o mesmo conteúdo semântico. Exemplo III: Mt 13. por exemplo. portanto. já mais afastado é o discurso sobre a chegada do Senhor (vv. em grau maior ou menor. é reconhecida como linguagem comum. um caráter comum entre os dois planos. Essa proximidade é tanto maior quanto mais claramente a palavra do plano de partida é linguagem comum. a questão da semântica merece bem mais atenção do que tem recebido. uma novidade é outra vez o mâmon como "senhor". entre o plano de partida e o plano da imagem é muito grande quando uma palavra. a construção do mundo da parábola é reco- nhecível como sendo o processo em que isso acontece. O "ápice" é um só. O "felizes daqueles. como. Quanto mais a ponte entre os dois planos for feita só de metáforas. 36). Pois com muita freqüência existem entre o plano da imagem e o plano de partida relações semânticas. Ela vai minguando à medida que há menos correspondências diretas com a linguagem usual. ou até uma espécie de imbricação. portanto. figurativo desde o plano de partida. é uma evidente projeção da linguagem teológica do plano de partida para dentro da parábola. afinal.44 (o tesouro no campo): O que está mais perto do plano de partida é a ação: "Em sua alegria. No exemplo citado. também § 110). o verbo "esperar". escravos servem seu senhor (linguagem costumeira). O "não poder" tem nos dois planos o mesmo sentido. Quando uma analogia entre os dois planos só pode ser estabelecida por meio de metáforas (usuais). o que mostra ao mesmo tempo onde está o ápice. vende tudo o que tem".

"Todo o que ouve estas minhas palavras e as põe em prática".. de condicionamento e ação etc.). Parábolas (observações gerais) o mundo. A parábola e a metáfora têm sem dúvida em comum o fato de que no plano de partida falta a predicação. O "campo".. Esse objeto de partida pode ter diversas formas lingüísticas: uma pessoa (p. É dado apenas um objeto não-explicitado. Jüngel. citado no contexto (p.ex.ex.Contra essa tese. tornado compreensível ou pelo menos visível e esclarecido. Em ambos os casos. é típico da alegoria: alegorias não apresentam o elemento isagógico das parábolas. a distância é em toda parte igual. supra.ex. supra. bem como o final (a aplicação). iniciado por R. Parábola e metáfora.A tese de que as parábolas podem ser reduzidas a metáforas revela um conside- rável desconhecimento da categoria "narrativa". por ser uma "história". porém. O ''tesouro'' já está mais longe. O estudo das relações entre a parábola e a metáfora. e o "esconder o tesouro de novo no campo" já estão fora da possibilidade de comparação. ou uma situa- ção a respeito da qual não se sabe. Concluiu-se que as duas têm. a composição. falta a diferenciação temporal. quando muito. Weder. sig- nificando a aceitação. Uma metáfora mais ousada já é o "comprar". é chamada de objeto de partida. Tal vazio. a mesma forma. o ''tesouro'' pode repre- sentar metaforicamente a basiléia.ex. intermediando entre o plano de partida e o da ima- gem. colocado numa nova luz. c) Metáforas podem ser uma espécie de pedra para a constru- ção das parábolas (cf.?"). dentro do plano de partida. 6. a da parábola. o "é como" ou o "semelhante a" entre o plano de partida e o plano da imagem. continuado por E. no fundo. . a "basiléia") um dado caso (p. Também no plano de partida isso deve ser tomado ao pé da letra e. Com esse termo indicamos aquilo que pela parábola (ou pela metáfora) será elucidado. "vós") uma dimensão real (p. ou apenas um ponto. Fuchs e E. A maior ou menor proximidade no domínio da semântica impede a formação de um vazio entre o plano de partida e o plano da imagem. um tema da situação. 4).: o ato e seu efeito. seqüência de duas fases. a tensão entre os dois planos seria de caráter semântico. nas parábolas. W Funk. mas o princípio de organização da parábola é algo novo.ex. À metáfora..24).ex. 4).. Ao "é" ou ao "não é" das metáforas corresponderia. foi amplamente fundamentado por G. Essa coisa. nem há nelas uma proximidade semântica maior ou menor. Sellin e H. "com que hei de comparar x.1-2: a murmuração dos fariseus e escribas) 44 I I . Mt 7. ela reflete. como a basiléia. já constitui uma parte considerável do todo. embora seja um conceito de valores. d) À metáfora falta a introdução (p. Lc 15. . b) Característica para o plano da imagem. que deduz a parábola da metáfora.. justaposição de dois procedimentos. enten- dido assim. há várias objeções: a) À metáfora falta a engrenagem semân- tica entre os dois planos (cf. que está precisando de uma predicação. porém. entretanto. nas parábolas. "como é que é". uma fase.. é a diferenciação temporal (p. A forma adequada para a metáfora seria a frase. 5. teria vida mais longa do que a metáfora). de sorte que a parábola seria uma metáfora desenvolvida (essa forma desenvolvida.

as parábolas tradicionais sobre o ladrão se encontram no mesmo contexto (Mt 24. A interpretação alegórica usa os elementos do plano da imagem no sentido de "metáforas ousadas" ou no sentido de símbolos. Ora. trabalhando (Mt 24. sendo. Resposta: "Ninguém"). 15. indefinidas. 7. As parábolas sinóticas sobre a vinda do Senhor dizem que ele "acha" os servos vigian- do. Lc 14. 2). Parábolas em sentido mais estrito . em conexão com o ladrão. Lc 12. sobretudo porque a diferença entre parábola e narração parabó- lica não foi levada em devida conta.. parabolê).8.39.43. Parábolas em sentido mais estrito A. e aí são menciona- das também as obras (v. trata-se de processos iguais. Metáforas usadas em parábolas podem se tornar independentes e ficar lexicalizadas. parábolas e narrações de exemplos.46.46.7 (3x). como em 2Pd 3. só pode ser entendido no plano de fundo ofere- cido por este material. A divisão seguinte orienta-se por classificações da retórica antiga.10. embora já isolado do material das parábolas. Me 13. de acordo com o público. no sentido acima indicado. a distância é primeiramente temporal (prescindindo de que as pessoas são geralmente distintas). como muitas vezes acontece. Isso significa: no âmbito da tradição das parábolas sobre a parusia.37-38). epi- dícticas.. na forma da descriptio. Do chegar e "achar". É somente em relação com o contexto que vêm a ser parábolas. Trataremos primeiro das parábolas no sentido mais estrito (gr. 14. por ocasião da parusia. usa geralmente metáforas mais ou menos usuais como material de construção. No exemplo. Ambas as coisas supõem um conhecimento especial e variam muito.29: "e quem é meu próximo?"). essas diversas figuras do objeto de partida não podem absolutamente ser resumidas como "situação ". Assim 2Pd 3. Lc 12. uma interrogação (p. Variações especiais: 45 . É preciso diferenciar. Essa divisão foi objeto de veementes críticas. pois. As transições entre o plano de partida e o da imagem podem ser. Delimitação entre a parábola e outros gêneros A parábola está entre o exemplo e a alegoria. a distância entre os dois planos é constantemente igual. a) Parábolas que falam de algo absurdo ou impossível As parábolas desta categoria têm forma fixa.10 ("a terra e suas obras serão achadas").10.. Temos tal caso em 2Pd 3.ex. Lc 10.43).8.? (pergunta retórica. Jülicher dividira os diversos tipos de parábolas dos sinóticos em imagens (no sentido mais estrito).ex. "achar" tomou-se uma expressão técnica ao se falar sobre a matéria para o julgamento. Essas parábolas são descrições de coisas que costumam acontecer. A parábola. p.31s.38. Na alegoria. porém.36. de acordo com o grupo a que o texto se dirige. § 14. Cor 9.3. e versões paralelas mostram que as pessoas tinham consciência de poder trocar essas formas umas pelas outras: Quem. fala-se também em Ap 3.

de argumentação. porém. como ameaça (tudo o que está escondido será tomado público). Deve ser muito antigo. cava e gradeia o seu solo?) (profissão!). Mt 5. em Me 4. . Em Q trata-se de um importante gênero simbulêutico. a) AT e Q: cf.11.22 par. em Lc 8. por conseguinte. Mt 18.7.12-13.. Todas essas parábolas pretendem mostrar o caráter absurdo de algo análogo ao "objeto de partida". Tg 3. 6. ? (pergunta retórica. em sua origem (cf. 2Tm 2.ex.33. fazer/acontecer (demonstração de uma impossibilidade). 17.25. p.16b par. Lc 11..ex.. então. . Em contextos simbulêuticos. Mt 12. a parábola. assim está em Mt 6.. se não. A parábola dos cegos que querem conduzir cegos dirigiu-se. .? p.Ou: Não se faz. inspirando-se de preferência nas "profissões".11-13 e em Lc 11.Também: Porventura pode.14. .24.29. Quem dentre vós. e que sobreviveu especialmente na fonte dos logia (Q).11. 46 . Lc 11.Ou: Se alguém.. . o outro. Resposta: "Ninguém").. proveniente da filosofia popular helenista.Também a palavra sobre a lâmpada e a luminária é usada de várias maneiras: fora de Q. por exemplo em Mt 6. aquela que preserva a vida): p.25 (já que ninguém consegue nada com suas preocupações..13 (contra as riquezas).ex.4-6 (série). . assim. Me 2. inteligente de agir.. dirige-se contra os fariseus.. frases desse gênero têm função de motivação e..27. Tg 3.. Lc 15. ou de quem chega perto de uma fera? Assim é quem vive na companhia do pecador. parábolas desse tipo reforçam a confiança na eficácia da oração.44.. p.4.28.27 par... .25). 7... queriam julgar os demais judeus. em Lc 11.14b.15.9s.39. Lc 6. contra a falsa auto-estima daqueles que. refere-se aos discípulos (suas obras devem brilhar). . por exemplo. . . Lc 6.24. Cartas pastorais).E ainda: O que for assim.. porém.ex. Sr 12.8 (animais). Lc 16. como consolação diante da obscuridade atual da basiléia. Mc 3. Lc 11.Semelhante a isso é: Como pode . Não pode. p. Lc 6. p. Também a tradição profética conhece este tipo de pará- bolas: Am 3.. a fina- lidade é simbulêutica ou dicânica (apologética).27 par..16-18. Mt 7..5. Is 28.. Com base na história anterior deste gênero literário no Oriente antigo... não.Em Mt 7.21.Ou então: Não pode.21.33 ela é aplicada ao próprio Jesus (ele é a luz. me ou metI).. como mostra o fato de que os materiais freqüentemente já são colocados a serviço de finalidades muito diversas. e que se constata nos escritos mais fortemente greco-helenistas do NT (Lc. Mt 6..18. se não. em Mt 5.11 (série). destinada a ser vista.. (Mt 12. 11. distinguimos no NT dois ramos principais: um proveniente da literatura sapiencial judaica.ex.. lavra. por isso é a ele que é preciso escutar).13s ("Quem tem dó do encantador mordido por uma serpente.9s. não tem sentido preocupar-se) e em Mt 6.ex.ex. não fará.. 14..12 (Acaso cavalos galopam sobre rochedos? Ou lavra-se o mar com o boi?).21. Paulo. Me 4.24 (É acaso todo dia que o lavrador. como judeu-cristãos. Mt 7. em Mt 15. Ninguém . Mt 5. Me 3. p.5.39)."). tendo.. Mt 12.. Porventura (alguém fez)? (gr... p.12.ex. Lc 12. ..3--6..?. faz tal coisa (o critério é aqui a maneira corriqueira.5-8.24.15. Parábolas em sentido mais estrito . 2Tm 2. está a serviço da deductio ad absurdum...

Lc 16. assim Lc 9.11-13: três exemplos de irreconciliabilidade. absurda).7-9 (escravos) (Mt 6.24. b) A tradição greco-helenista. expresso na própria forma (alguma coisa é mostrada como sem sentido.21. Um exemplo do judaísmo helenista é Fílon. Lc 14.27: vitória. Nos textos mais tardios da tradição sinótica.?" se encontra também na filosofia popular (Epicteto. a atitude dos discípulos em relação ao jejum (Me 2. elas têm estrutura claramente argumentativa. Se um médico. Assim defende-se que Jesus não é nenhum aliado de Satanás (Me 3. vinhateiro.18-22. Já que a forma "Quem dentre vós .5). 1.lss. cf.. Parábolas em sentido mais estrito caráter de motivação. ou então. 15-21 "Quem dentre vós já foi ao moinho quando queria ir ao banho?"). só atacando o mais forte).9) de exortações fundamentais.24.12-13. O comportamento dos que dominam a técnica de seu oficio/profissão costuma ser citado como modelo.13s talvez já devam ser relacionados também com essa tradição). atleta. Isso vale também para Mc 4. ApElias copta [ed. de Timóteo como soldado de Cristo (mercenário.31-32. 11 7: "Qual é o mestre que.7.7: mercenário.16.62 (agricultor. coisa semelhante é dita do apóstolo (1Cor 9. I. em Paulo. em vez de queimar ou de operar o pai doente. Quando o gênero tem caráter simbulêutico. agricultor) e como exemplo para todos..11 cf. .4-6. a alusão às profissões são importantes. e a tendência para aplicação a problemas internos da comunidade vai aumentando (inclusive à separa- ção entre os de dentro e os de fora: Mt 5. Rosenstiehl. Os textos têm em comum uma clara tendência à formação de séries.28-30. Esses textos visam ao cristão "plenamente profissional". 14.13: servir a dois senhores. ele não seria consi- derado demente ou autor de um crime horrivel? E quanto mais absurdo não é acreditar que os deuses façam o que nem aos homens pode ser atribuído?" Exemplos semelhantes foram colecionados em NovTest 17 (1975) 58-76. admoestação metafórica). Tg 3.12-13.8-10. . pastor). ao fato mais original da conversão de pecadores ao cristianismo. Cf. Lc 16. Lc 6. trata-se antes (com exceção de 1Cor 14. começasse a fazê-lo com o filho sadio.. Em Lc. 27. cumpre frisar o 47 . nos textos mais fortemente gregos. Me 2. a influência da tradição grega é em todo caso considerável. De modo geral. Mt 6. 15. sem dúvida. seus parentes? Não há nenhum. o tema da ovelha perdida é aplicado a membros da comunidade que se perderam.Em termos gerais.Quando parábolas dessa natureza são uma resposta em forma de créia. e em Lc 15.14. em vez deles mesmos. O radicalismo do conteúdo. parábolas dessa natureza em Q são destinadas aos que já são cristãos. em 2Tm 2. 17. teria coragem de castigar. mas o texto refere- se também à reação daqueles que já são cristãos. leva essas parábolas a versar principalmente sobre o caráter irreconciliável de certas atitudes (Mt 7.22-26]). o caráter simbulêutico vai se apagan- do e o apologético ganha força. ser discí- pulo de Jesus é visto em analogia com as profissões da Antiguidade.19-22: tudo na hora certa) e o comportamento dos cristãos no sábado (Mt 12. Lc 16. Sobre a Providência.13s) (textos antifarisaicos). 18.33 (construtor de torre e rei). Diss. Lc 15.15. já que pre- cisam resolver um problema inicialmente proposto. tanto o caráter intracomunitário das admoestações como. Quanto à situação sociológica.4-6.44: cardos não dão uvas etc. indignado pela lerdeza dos alunos. Em Mt 18.

8ss (cf o final em 3.47-49. em Jo 3.Material exclusivo de Lc: 13. apelo ao julgamento de valor dos ouvintes (Mt 13. Mt 18.6-9).47-50 no caso negativo). Parábolas em sentido mais estrito caráter subordinado e argumentativo das parábolas deste tipo (encontram-se principal- mente em composições maiores . ainda mais para as coisas celestes. b) Acontecimentos ou atos típicos da vida humana em geral Trata-se de fenômenos e de formas de comportamento que ocorrem regularmente.24-27 no caso negativo.16-17. . viva ou morta. (alegoria).1-9). . Mc 4.12-14 tem no grupo a) um correspondente em Lc 15. Me 13. o medo (Lc 6. Mt 7. uma parábola com função epidíctica descreve a relação entre João Batista e Jesus. 13. bSanh 39a) há referências semelhantes a fenômenos meteorológicos e fisicos.Jo: 16.21 (mulher que dá a luz). Lc 7.8 é que.16-17jLc 7.4-6. Mas isso vale também para os que nasceram do Espírito. Lc 13. Lc 13.4-6.28s par. a própria relação com a natureza.21s correspondem Me 3. como repreensão agressiva (comportamento infantil: Mt 11. A estrutura é narrativa (em contraste com a estrutura em forma de sentenças que caracteriza as parábolas do próximo grupo). Mt 7. Mt 13. a necessidade de um revelador. .Material exclusivo de Me: Me 4. por exemplo a alegria (Mt 13. Mt 1l. 13. Mt 13.34 (ordem do senhor ao porteiro para vigiar).45s pérola.29). 13. numa conclusão a minore ad maius. qualquer dia podem acontecer. para a inteligência humana normal.32). Me 4. Mt 13. o "de onde" e o "para onde" do vento são enigmas. já o garante.12-14 (cf Lc 15.45s (pérola). A este grupo pertencem as seguintes parábolas: de Q: Lc 6.6-9 (cortar a figueira).4-6).47-50 (separação no Juízo). Também o pastor que ama a única ovelha mais que as noventa e nove toma uma decisão e mostra uma predileção. pelo menos.44 tesouro.32 (crianças brincando). Em outros textos trata-se de uma decisão no tempo presente (Mt 13.47-49.daí também sua multiplicidade de funções). Lc 11. falta todavia ao que acontece o caráter individual.20s/GI 5. Jo 16.47-50 (rede dos pescadores). pois várias vezes encontram-se versões paralelas na forma daquelas parábolas (Mt 18.Em Mt 12.21-22 (parábola do mais forte) veio de Mc 3.20 (até fermentar a massa toda).1-9 par.33 e Lc 13.33. que são costumeiros. 13.12a) tem a função de mostrar.47-49 (a casa desmorona ou fica em pé.52 (pai de família). b) Relação com o Juízo no futuro e com a separação e decisão agora: Mt 7. (a hora do Juízo). . As seguintes características distinguem este grupo: a) Pronunciada relação com a emoção dos ouvintes (em contraste com o primeiro grupo.21).44 (tesouro no campo).44. . Na literatura judaica (4Esd 4.20: fermento.28s/Mt 24.6-9 (figueira estéril). disso fala também Me 4.10. ou. O ponto de comparação é a alegria.29a.6-9: último prazo).33jLc 13. ameaça (Lc 13. a parábola de Jo 3. .43-45 as palavras sobre o espírito impuro e sua volta têm a função de uma parábola deste tipo: ilustram a tese da deterioração apesar dos beneficios rece- bidos.26-29 (a colheita virá.24- 27/Lc 6. a Lc 11. O "ápice" da parábola do vento em Jo 3.44: tesouro.Material exclusivo de Mt: Mt 13. Mt 13.27 e Mt 12. Mesmo quando são descritos fatos isolados (como em Lc 13.26-29 (a semente que nasce sozinha). sozinha). 13. Lc 15. único. suscitando consolação e paciência nos ouvintes (Mt 13.1-9 (perecer ou frutificar). como elas. TestJó 37.29-31 (figueira) (característica especial: segunda pessoa do plural).45s: pérola). 48 I .24-27. . que se dirigia à inteligência). quando vem a tempestade). 4.9 (fermento). Me 13. 13.De Me: Me 4.26-29: a semente que nasce sozinha).32s/Lc 21.27 (outra forma).Existe uma relação com as parábolas mencionadas acima em a).

32.). Que se trata aqui de uma tradição de fundo judaico fica evidente pelo texto correspondente em Abot r.30).26-29: semeadura e colheita). 49 .47-50. por isso temos nesses casos uma narração resumida.1-9: semeadura e colheita. Outras vezes.47-49). 34 (31).-Filon. Nathan A 24 (ed. observou.17 (um coração. Schechter. 13.47-49 com exatamente o mesmo gênero literário: ". em Me: 4. a exclamação ficou sem parábola. a estrutura fala às vezes do princípio e do fim de alguma coisa (o fermento. Parábolas em sentido mais estrito A repreensão em Lc 7.. Em Sr 25.27 (uma mulher que. 21..23 (se alguém escuta a palavra e não a realiza assemelha-se a um homem que. De lona § 52: "Podes crer também que um agricultor . Lc 11..11 a pergunta exprime que tal pessoa é incomparável. mas.1. Quem usa parábolas pretende estar falando de algo que no plano de partida é relativamente incomparável (o que não é a mesma coisa que chamar as metáforas de intraduzíveis). que não tem atos e aprendeu a Lei.. No NT.31. em 10. retirou-se e logo esqueceu o aspecto que tinha". Me 4.. Em Sr 25. Quando as parábolas não são contrastantes nesse sentido. a quem é ele semelhante? A um homem que construiu primeiro com pedras e depois com tijolos. Tg 1. assim é quem confia em sonhos").16-17 tem caráter de julgamento agora ("esta geração"). se alguém escuta a palavra e não a realiza.. Esta evolução assinala a impor- tância e a função das parábolas neotestamentárias. mas se der frutos.. Mt 11. Lc 13.e com este exemplo. ao ver botões prestes a desabrochar... a estrutura é a do menor e do maior (falando-se de valores: parábolas do tesouro e da pérola.... o contraste pode estar no duplo final (Mt 13.). Me 10. (parece com. há analogias também em Tg. 2: ("como quem agarra a sombra e corre atrás do vento.24-27 e Lc 6. Um homem.). A dificuldade demasiado grande (cf Sr 25. do Ps.23-25 esclarece isso.)" tem uma longa pré-história na literatura sapiencial judaica: Sr 22. porém. análogo a Lc 13.6 (quem duvida assemelha-se ao ondeio do mar que o vento provoca). 22. ovelha perdida).23s combina o mesmo tema de Mt 7.10: "como é grande quem encontrou a sabedoria!") provoca até a parábola do camelo e do buraco da agulha. ou do velho e do novo (Mt 13.25. se retirou.8 ("quem cons- trói para si uma casa com bens alheios parece com quem ajunta pedras para seu próprio túmulo").. Mt 7.que não espera mais produção de uma árvore já pode querer arrancar o que plantou. elas não se soltam de seu lugar. responde-se sempre a semelhante pergunta com uma parábola (em Q: Mt 11. parece com.. e) A pergunta retórica: "com quem hei de comparar x?" é um claro exemplo da evolução de uma forma literária. 1. Também os ninivitas ficaram primeiro sem frutos de piedade. Do judaísmo helenísta chegou até nós um texto sugestivo.. logo há de derrubar tudo".. f) As parábolas do tipo "Quem faz x é como...21-22: o mais forte) ou da pequena parte e do todo (fermento. é como. Mt 7.16 par. creio.. Mesmo caindo pouca água.. cf. Com toda razão! Pois uma árvore inútil é cortada.10. ele deixará a árvore intacta. e a pergunta fica sem resposta.... porém. assemelha- -se a uma pessoa que observa no espelho o rosto que tem de nascença: observou-o.". será deixada em paz.52).2 (o preguiçoso parece.20. d) Tg 1. Mesmo caindo muita chuva e a água ficando parada ao lado das pedras. hei de te convencer .24-27 par. Me 4. por causa dos frutos. porém. Lc 7.: o início é escutar as palavras de Jesus no Sermão da Montanha. 26.18.6-9. a quem é ele semelhante? A um homem que construiu primeiro com tijolos e depois com pedras. 77): "Elisha ben Abuya disse: um homem que tem atos e estudou muito a Lei.24-27/Lc 6. c) Como em b..

Parábolas e sentenças esqueceu). a torto e a direito. por isso. tomar a sentença ao pé da letra. Mt 25.14.. assim também Lc 17." Lc 19."). 25: "pois a quem tem será dado. de que a sua certeza de salvação poderá se revelar como auto-engano). da sentença mais geral e.Em Lc 6. geralmen- te como breve aplicação de uma narração mais comprida ("a quem tem será dado .8-10 uma ilustração.1-9/lOs um tertium comparationis entre uma parábola e uma citação da Escritura.29.40 a frase sobre o discípulo e o mestre tem.31: árvore verde/árvore seca (se isto acontece a umino- cente. que será dos culpados. significaria apenas: "ser o primeiro ou o último é irrelevante". como dizíamos.7 (embora essa palavra não signifique necessariamente parábola) indique ser todo o ensinamento de Lc 14..26.. função de parábola: esclarece.. Parábolas e sentenças Como as parábolas. Não se deve.. Lc 17. 50 . pois. É curioso que sentenças dos primeiros dois grupos freqüentemente se orientem pelo esquema "ato-efeito".33. Realmente. Por isso não poderia deixar de surgir uma estreita relação entre as duas formas: .28: cadáver/abutres (a certeza abso- luta do Juízo para quem está ''morto''?)..37 par.16 é um bom exemplo para mostrar que pode haver certa tensão entre uma sentença e uma parábola.23s como em Mt 7..24 segue.Outras ainda funcionam em seu contexto como parábolas e são particularmente enigmáticas para o exegeta: Lc 23.16. É isso o que a sentença fortalece.24-29 par.. Tanto em Tg 1. Seria simplista e ingênuo admitir uma ruptura entre parábola e sentença. o v. Parece-me possível que o título perebolê em Lc 14. teologica- mente relevante de Lc 14. poucos.34s temos algo semelhante. pois todo o teor e o ápice da parábola ficariam liquidados. também em Lc 14. assim também as sentenças resumem experiências humanas universais em formulações breves.14). no mesmo contexto.. especial afinidade com Mt 7. . como esclarecimento num outro plano de linguagem (depois da parábola da árvore e dos frutos Mt 12.Outras estão na proximidade de parábolas mais curtas. . em outro plano. Devemos antes perguntar pelo tertium comparationis entre a parábola e a sentença. "muitos são chamados. . 22 reza: "nada há de secreto. De maneira semelhante há em Me 12.. Os termos "apologética. que um irmão não tem di- reito sobre seu irmão.. ligada autenticamente à parábola. o v. em forma de parábola. depois da parábola da lâmpada debaixo do alqueire de Me 4. Decisiva é a abolição dos critérios usuais concernentes do que é o primeiro ou o último. protréptica e paraclese" (consolação) caracterizam bem a vasta influência histórica destas parábolas.37. como se o sentido da parábola "original" tivesse sido deturpado pela sentença (agora seria uma admoestação à comunidade.11. § 15." Mt 20.21. que não deva ser posto a descoberto". depois da frase metafórica de 4.24-29 já existe uma base para uma narrativa ampla. Aí existe. "quem se rebaixa será elevado. " Lc 18. sem que isso nos obrigue a supor fontes diferentes.?).Algumas sentenças formulam a conclusão de parábolas narrativas. Mt 24. 34b reza: "o que a boca fala é o que transborda do coração".." Mt 22. o v. "os primeiros serão os últimos . no contexto. eleitos. Mt 20. eu julgaria insuportável semelhante tensão. Então a sentença.

VI. X. IX. Como na parábola de Natã." Um bom exemplo é a parábola dupla do projeto de guerra em 4Esd 4. VIII. ou é Jesus quem o profere. Mt 18. Também a extensão do texto é um dos critérios de diferenciação. VII. Narrativas parabólicas § 16. 4. IV. Trata-se de alguma espécie de julgamento. Mc 14.41-43 (dois devedores). aos componentes do tribunal (cf.1-7: a parábola de Natã (em 12. Lc 18. Lc 16. No judaísmo: Apocryphon Ezequiel (JSHRZ V.64). xv.20: "Disseste bem". Lc 16. Outras características: 1.33-43. é dirigida também.5s Davi.19-31 (Lázaro). como comentário (I. nestaseção.21 faz uma comparação: como/assim. como citações abreviadas.1-13 (dez virgens). de um julgamento formal. com a pergunta do anjo a Esdras em 4...9-19 (vinha). XVII. Também o elogio (VII) é uma espécie de julgamento. em VIII a instância superior é Abraão (em VI e XVII: figuras paternas). XIII) ou um julgamento é anunciado por Jesus (ll). XlI. XVIII. Relação de autoridade. no julgamento real de Mt 26. neste grupo um acon- tecimento de caráter único e não costumeiro é narrado pormenorizadamente. Apenas em III falta este elemento. 7: "Tu és esse homem").1-12. Mt21. "Que vos parece?". XVI. IX). Lc 12. em 5. no seu reino.24-30 (joio no meio do trigo). Lc 15.1-16 (trabalhadores na vinha).1-14 (banquete).30-37 (bom samaritano).16-24 (grande banquete). que pode acontecer também dentro da parábola (IV). Mt 13. profere o julgamento sobre o conflito entre dois homens. 52): "Um homem tinha. ou direito e poder/subalterno). m.4-6 o próprio dono pronuncia o julgamento. porém. I.. Em 51 . Mt 25.14-30 (talentos). 1. em que. como ouvinte.. No Novo Testamento: a pergunta introdutória de XVII. aqueles a quem se dirige a pergunta de XII (Mc 12. no plano da imagem. Em contraste com as formas de parábolas tratadas até aqui.1-13 (gerente astuto). Em quase todas as narrações desse tipo constata-se a tendência de apresentar os personagens em determinada relação social (estrutura: superior/inferior.11-27 (moedas). A forma já se encontra em 2Sm 12.1-12 (narração sobre a vinha que deu uvas más). Lc 7. Lc 14. é apenas anunciado). 11.1-8 (viúva e juiz ímpio). Lc 18. 2. X. a quem darias razão e a quem condenarias?" Com a resposta em 4.12) devem reconhecer que a decisão judicial se refere a eles mesmos. Osnúmeros romanos serãousados.3 solicita o ouvinte a julgar entre o dono e a vinha.9-14 (fariseu e publicano ).66. XIII. judicial (a não ser em 11. V. Mt 22.18: "Se tu fosses o juiz dele. Lc 10.11-32 (filho pródigo). Mc12. Natã no v. Lc20. XI. Narrativas parabólicas São os seguintes textos: XI. Um caso especial são as decisões judiciais paradigmáticas: ao ouvinte é proposta a pergunta retórica (às vezes ela é respondida realmente) sobre como se deveria decidir ou julgar no caso apresentado (cf.28-32 (filhos desiguais). Este gênero encontra-se também em Is 5. 5.23-35 (o devedor implacável). Lc 19. Mt 25.16-21 (rico tolo). NovTest 15 [1973] 20-25 § 3 e 17 [1975] 72). (15) Que faz então o justo juiz?. Geralmente não se trata. XiV. todos os homens em serviço militar. ou as duas coisas estão interligadas (V. Ou um julgamento é proferido na própria narração (X-XVI). p. Mt 21. Mt 20.13-21 (fábula).

Freqüentemente são comparadas. trata-se com grande freqüência. XVII. IX. um agricultor. München.11 a passagem introduzida com "quem dentre vós. então. Assim também Lc 7. III (3 grupos). Também III tem esta forma: em Lc 1O. inclusive no acima citado Apocryphon Ezechiel. ANRW.).33-43. No NT a mesma forma sempre é usada quando se trata do falhar da elite judaica. além disso.36-38 tem estrutura de julgamento (Jesus comenta). ANRW. em forma de narração.?". Em casos duvidosos. 24 trata-se do imposto do templo) e." 1116-1123)." 1114s e sobretudo: E. com "havia um homem (uma mulher. certos raciocínios baseados em analogias." 1120-1123). especialmente as fábulas de Esopo editadas por H. também precede como pergunta retórica a Mt 18. De outro lado encontram-se no NT.24-27 o raciocínio final nos vv. . Por causa de seu caráter social (autoridades) e jurídico as referidas parábolas narrativas têm semelhança com a declamatio helenista. num diálogo curto. É uma unidade bem composta 52 . como as parábolas em Lc. O fundo literário geral sobre o qual se destaca o gênero das parábolas nar- rativas é sem dúvida o gênero das fábulas antigas. também em Mt 17. Essas parábolas são contadas para justificar este fato dentro da história do cristianismo primitivo. Narrativas parabólicas Mt 21... XlV. nas parábolas narra- tivas. é um caso a ser resolvido pela analogia. Schnur em grego e em alemão. XVIII e em numerosas parábolas narrativas rabínicas.. 1978. duas figuras antagônicas. ou: "esta história toma claro. 4.Para estes textos de ficção. cf. A pergunta "que vos parece".". etc. como os há nas parábolas. no estilo das parábolas. 3. de dois grupos. 1978) (para o assunto todo. ". Muitas dessas fábulas começam.25s determinada questão jurídica é decidida de modo paradigmático.. um dos quais é preciso escolher.). 5. § 8). na medida em que elas se referem a seres humanos (cf. numa questão jurídica..29. ainda que muita coisa continue incerta (cf. inventada mas verossímil. 87s).41-43 (breve diálogo). é o que ocorre em I.36s temos. X (3 grupos). Xl (3 grupos).. in ZThK 68 [1971]. Em Lc 10. só este elemento). 40s. É mais um indício da dimensão jurídica das parábolas. ANRW. I .. com o resultado de que pecadores e não- judeus são incluídos no Reino. A mais conhecida é a comparação entre a quinta Declamação de Quintiliano e a parábola do filho pródigo (L.".. 25-26 tem um caráter de parábola.36s os ouvintes decidem sobre o caso. mas sem narração de uma parábola. 25s tem caráter paradigmático (no v. Também o semelhante discurso parabólico de Lc 12. e outros textos mais curtos.12. VI. 27-51). uma decisão juridica paradig- mática sobre determinada questão (quem é meu "próximo"?). Em Mt 17. em textos tipicamente jurídicos. VIII. valem as declarações feitas na retórica sobre a narratio: a narratio retórica é uma história curta. Schottroff. costumeira em decisões jurídicas (porém. XII está formulado expressamente como decisão judicial paradigmática (v. Em Mt 12. C. com a finalidade de convencer o ouvinte (cf. sendo fornecida uma aplicação com "portanto . a estrutura do julgamento distingue parábolas narrativas de simples exempla (cf. Aí são excogitados casos jurí- dicos exemplares que tratam de uma matéria sujeita a processos jurídicos com o maior realismo possível. No entanto. toda a discussão dos vv. Rau. é forte- mente argumentativa. De modo correspondente.

XVII (Mt 21. como no acima citado Ps. Como comentário de quem fala. elas se apresentam com três funções: .. também não se trata de um evento entre pessoas dentro de uma estrutura de autoridade e (pelo menos latentemente) jurídica. na qual. Mt 18. No judaísmo helenista constatam-se formas já mais evoluídas. meio e fim) e apresenta acontecimentos cotidianos. também Lc 15.A.24). ou que só ele pode saber. às vezes o comentário de Jesus dá conti- nuidade. que levam a um reforço desse ele- mento "comentário".") são típicas das parábolas nar- rativas (porém.8). Uma diferença importante entre as histórias pagãs e os textos do NT é que nesses últimos o ápice não tem uma estrutura de: "Assim é a vida". De lona § 52. Aí o comentário reza: "Com muita razão! Pois uma árvore. caracterizados pelo que todo mundo entende. 7... Um comentário com julgamento ("eu vos digo.. especialmente quando se acrescenta a fórmula dejuramen- to "amém" ("Amém.. conduzir ao plano de partida: em VII (Lc 16.8. hóutõs) em VI. e o "eu vos digo" introduz sentenças que precisam de sua autoridade.. eu vos digo").12 (Amém. . por conhecer os critérios de Deus e ter certeza de suas reações. como "aplicação" (um texto judaico com narração de exemplo!). v. cf. Por isso.. em revelações e admonições (cf. ZNW63 [1972] 56-63). Finalizando.".. À luz do que foi exposto sobre parábolas narrativas... cf. I (Lc 18.") há também.. Nessas parábolas.Este traço não se encontra em textos análogos pagãos. pelo "sapiencial" e.4. Basicamente. Nas parábolas dos evangelhos.31) e XII (Mt 21. 62. capaz de apontar a conseqüência da ação narrada: em II (Lc 18. 99.B. iniciar ojulgamento da autoridade: em Mt 25.6. . Assim também os ninivitas. por isso.14). então. Para a discussão em tomo das parábolas é importante que todas essas narrações sejam encaradas como parte de uma estratégia argumentativa.. a conclusão da história de Susana LXX. A conclusão com "assim . ao julgamento da figura de autoridade na parábola. Nas parábolas narrativas.13) há conclusões com "eu vos digo". ZNW 63 [1972] 71s). Dentro da parábola narrativa.Também em parábolas de outro tipo (como em Lc 11. Tal parte "comentadora" merece atenção especial. sem transição. As parábolas supõem a autoridade de Jesus. IX e XVI corresponde à das "fábulas" pagãs. Aí é a autoridade de Henoc que está atrás do "eu vos digo". em Hen et. eu vos digo. que.. independentes de qualquer autoridade. deve estar claro por que um texto como Me 4.26). Isso se deve verificar pelo exame do con- texto em que as parábolas narrativas do NT estão encaixadas.C.1-9 não pertence a este grupo.9.. não tereis paz"). é formulado em 53 . cf.". foi preparada pelo trecho conclusivo das fábulas pagãs terminando com "assim . . muitas vezes o "plano de partida" aparece duas vezes: no cabeçalho e na chamada "aplicação". Começar com "eu vos digo" é o que caracteriza o discurso religioso com autoridade.-Fílon. X (Lc 19. Narrativas parabólicas (tem início.. as narrativas parabólicas elevam-se acima dos gêneros da declamatio e da narratio." (gr. cf.43). Lc 12. eu vos digo. V (Lc 14.. ao comentário do juiz que julga. ao mesmo tempo introduzindo a admonição). mas antes de: "Admirai-vos! Até isto pode acontecer". 6.37. .13 ("ai de vós. por exemplo. não somente delas). As conclusões com comentário (t'eu vos digo.. Não apenas falta o caráter de acontecimento único.44. quanto ao "por isso" de Mt 24..

hóutõs). desde Lc 10. XVIII. Qual é. desde Mt 19. O estudo deste assunto mostra: A. E.). A maior parte das narrativas parabólicas formam o final de um sermão de exortação. por serem o elemento mais impressionante. § 17) ela se toma independente.16. 54 .18b e a relação das duas figuras de I com Lc 17. XVII). III está em função de uma pergunta e da definição de um conceito..20." (gr. 8. F.". XIV e XVI a conclusão da parábola já é uma admonição (em XVI como admonição condicional. só há uma citação bíblica explícita em XII (Me 12. na peroratio (final intensivo do discurso). " (I. que também pertencem. o gênero do contexto mais amplo das parábolas. VI. em X ainda dentro da narrativa. pelo comentário de Jesus. com: "Eu vos digo .25).1 (a fim de que. Com base nesta visão de conjunto podemos dizer: as narrativas parabólicas raramente são autônomas com relação ao contexto e têm amiúde função retórica. Semelhantes textos encontram-se em séries de parábolas. 11. Narrativas parabólicas linguagem costumeira o que a narrativa trouxe para o tema anunciado no cabeça- lho. X e Xv C. Cabeçalhos indicam a finalidade: em Lc 18." (indicando a admonição). é no fim. Em XIII a conclusão é introduzida por "pois. Há uma clara tendência à formação de séries nas parábolas (como nos exempla). como tema de uma série de parábolas).. afinal. às admonições condicionais) . III (depois da pergunta acerca do caminho para a vida eterna.10). Isso se verifica em: I e 11 (o final da admonição apocalíptica que se inicia em Lc 17... em VII. XVII. VII. sobretudo para esclarecer a sentença final de Mt 19. em contraste com as narrativas parabólicas rabínicas. IV (depois da créia sobre a avareza). nos demais textos. cf. E..) e nas parábolas da basi1éia em Mt. pois se trata da discussão em tomo dos privilégios de Israel.... 18.9 (a alguns.. VI (participar da alegoria alheia.. VI. -As parábolas finais de XII e XIII (fundamentação da rejeição) tem antes caráter dicânico. VIII (conclusão das expli- cações sobre a lei e as posses). em I. Ensinamento independente. supra § 15). XI (depois de um sermão simbulêutico com parábolas). existe somente nas pará- bolas narrativas de V. .30). . segundo as quais o lugar das imagens. D. a conclusão e a aplicação são bem mais acentuadas do que nos textos análogos fora do NT.. XVI. Em IV. Em conjunto.34-36). dirigida a "Vós". XVI (depois da admonição sobre o perdão). nos chamados "dis- cursos parabólicos" (v. X. Xv. em XVI por "agora . e qual a fun- ção delas? O que decide é a maneira como a parábola está encaixada em seu con- texto. com fraca ligação biográfica (apenas por pergun- tas ou outras manifestações anteriores de outras pessoas). freqüentemente. IX (final do diálogo simbulêutico com os discípulos. o que certamente não é casual. em contraste com as sentenças. Uma parênese final mais elaborada encontra-se em VII.. IX e XVI tal conclusão é introduzida por "assim .O final muitas vezes é formado por uma sentença (cf. mais drástico. 18. e isso corresponde às regras da retórica antiga. B.

trata-se da justificação (daí: "dicânicos") de decisões que haviam sido tomadas nos primeiros tempos do movimento de Jesus: o distanciamento entre os discípulos e a elite religiosa judaica e a abertura para os pecadores e outros excluídos. XII deve ser entendido no sentido da intervenção paradoxal (cf. sobre a atitude da humildade em geral fala I (protréptico). a diferença entre essas parábolas e os exempla está na estrutura jurídica (cf. IX. . VI. e especialmente da vigilância (XI diz respeito. e finalmente para os pagãos. § 110). Para a apreciação sistemática das parábolas. especialmente em VI e IX. As seguintes narrativas parabólicas têm caráter dicânico: Quem foi chamado mas recusou foi rejeitado e será rejeitado: V. em IV. XVIII. trata-se. trata-se da atitude diante das posses. Não se justifica a oposição daqueles que já estão dentro há mais tempo contra a admissão ou equiparação de novatos menos privilegiados: I. da atitude para com o próximo. XIII. supra. E sempre está em jogo também a unidade da comunidade (em I. Narrativas parabólicas argumentativa. Perda das prerrogativas ao rejeitar e ao matar Jesus. especialmente em V. em XVI trata-se da atitude para com os demais cristãos (perdoar ao irmão). parece. IX. Todas essas possibilidades narrativas têm em comum a exortação à compaixão. 11. Xv. VII e VIII. em 1-3). 10. Da preservação no tempo intermediário trata-se em 11. XV (não julgar agora. da doutrina). isso acarreta a necessi- dade de se prevenir contra a tendência de isolá-las de seu contexto. em I1I. de problemas pouco numerosos. XVII. a fidelidade até o julgamento e a justificação da abertura para pecadores e pagãos. 55 . I1I. X. ao uso do dom do entendimento. VI e XIII. XI. IV e VIII aproximam-se do gênero exemplum. Nestes dois grupos de narrativas parabólicas do NT que se podem distinguir. a com- paixão com os irmãos e com o próximo em geral. I1I. Nas parábolas narrativas simbulêuticas são freqüentes as histórias sobre servos/escravos e seus senhores. A diferença está no caráter fictício dessas narrativas parabólicas. pois falam de uma ação da mesma natureza que aquela do plano de partida. XVI). também § 110). VI. da oração trata-se em I e 11 (I está perto do exemplum). XlV. As seguintes parábolas narrativas têm caráter simbulêutico: . mas fundamentais: a riqueza. VII. A seguir examinaremos quais parábolas narrativas pertencem aos gêneros sim- bulêutico e dicânico: 9. Tal isolamento teria por conseqüência a superestimação do peso teológico desta forma lingüística como tal (cf. Que também elementos simbulêuticos tive- ram peso fica claro. agora suportar o mal). Em todos esses textos. . pois.

Com esse material um grande complexo de temas costuma ser elaborado: o comportamento no tempo interme- diário. que muitas vezes contêm também parábolas normais e. . Ao gênero literário dos discursos parabólicos pertencem os seguintes textos: I. porém. ladrão. até a vinda do Senhor. 6b) é seguida pela admonição metafórica do v. mas o material é trabalhado intensiva e refletidamente. Esses "discursos parabólicos" pertencem quase todos ao grupo dos textos simbulêuticos.. VIII.33 (34-35). Lc 12.7-11). e que por sua forma se distinguem das parábolas costumeiras. Típica é a comparação e avaliação de dois casos alternativos contrapostos (esquema: quando.14. Discursos parabólicos § 17.. Lc 6. não se relatam casos ou acontecimentos. IV. 8 há outra vez uma admonição metafórica. Me 13. 7a e pela fundamentação por meio de uma interpretação metafórica da morte de Jesus. Discursos parabólicos Com este nome novo (discurso = exposição metódica) designamos certas com- posições um pouco mais complicadas. em VI (Mt 12.. bem construída.24-27 (discurso cominatório). (XI Lc 14. 3. escravo.. Mt 15...30 (composição grande..? Quando alguém destrói ou administra mal um bem que um outro lhe confiou. Mas também temos um discurso para- bólico em ICor 5. em clímax. pão ázimo. lI.32-37. (1-8)9-13. pois.24 (VIII). quando.35 conta-se com "ou. I-V e XII se baseiam em material parabólico comum: casa.31 (árvore verde/árvore seca).57-59. V.11. A origem da imagem está no grupo de termos: "fermento. Lc 6. 2.Os textos pertencem.31. então (em I: Mt 24. Lc 12. VI. Mt 24.35. Justapostos.6b-8.13. Em IX trata-se apenas do caso "se. VII..A argumentação a minore ad maius encontra-se em XII (Lc 16. Parábolas fechadas são aproveitadas em I (Mt 25.1-12. mas trata-se evidentemente de um material sempre disponível. .33.28.39..39). Em Me 13.. Mt 12. principalmente a Lc e à fonte dos logia (Q).. não saber (a hora). Lc 6. algo parecido em IV (Lc 12. ele é considerado reprovável e infiel.33. em 11 (Mc 13. 25. Lc 13.21/22). sobretudo. Lc 16. Lc 6.. senhor da casa. Portanto. Nenhum desses elementos se encontra em todos os textos.35-37/38 "e quando"). As possibilidades são justapostas em VI (Mt 12..42-46 par.35-40. esperar-dormir. Mt 24. tira do próprio corpo um bem 56 ! I . cf.34). Lc 11. a volta do senhor. em IV: Lc 12.43) e em XII (Lc 16. e fora do discurso parabólico) em Lc 18.372) como argumento (!) contra o suicídio: "Ou não achais que Deus deve se irar quando o homem peca contra a sua dádiva. com parábola no fim)..14-30).). também Lc 12.". quando porém " tem a parábola que Flávio Josefo traz em seu discurso de Jotapata (b 3. Trata-se de trechos geralmente mais volumosos. A isso perten- ce também a frase: "Se o dono da casa soubesse.. ou então. As seguintes características são típicas do gênero: 1.45-51. são os dois casos em Lc 12. Lc 23.24.43. ou.. igualmente em Jo 12.".21-22.. bater à porta. Jo 12.47/45-46. IlI.24. em VII (Lc 11. A argumentação a maiore ad minus também é usada (na relação entre o plano da imagem e o plano de partida..45-47/48-51) e em V (Lc 12. No v. material de parábolas aproveitado em outras formas. bodas.48). assim em I (Mt 24.6s. XIII. Estrutura semelhante a "quando . Lc 12. Lc 11. possíveis de descrever segundo estudo das formas. Quando alguém.35-37. A parábola do fermento (v.42-44.43-44 (45).45). páscoa". XII. hora.12s: mâmon traiçoeiro/bens verdadeiros e: bens alheios/bens próprios) e em Lc 23.38. X.1-8).36- 25. abrir a porta.43. portanto. IX.

35. mostram quão cara essa tradição era à comunidade. Típico é também o uso de imagens que não são parábolas.33-35.13. será que ele pode pensar. Mt 12. Mt 24. como a exortação metafórica exemplar em Lc 12. Em Mt 12.42ss de uma fundamentação das "funções" na Igreja? Talvez exista algum nexo entre o "dar alimento" do v. tão espalhadas e tão diferenciadas. Trata-se em Lc 12. Trata-se particularmente de dar conteúdo concreto às exortações à vigilância (p. Lc 12.36 acrescenta ainda a ameaça do Juízo. 5.". Em Q já há um número razoável de exemplos de semelhante formação literária. Típicas são as perguntas retóricas.14-30. . ex. Lc 6. a comunidade dá conta de problemas resultantes da relação entre a escatologia e a ética.45. 13.39-40.37. Em cada um deles. Mas isso.43.42. 23.35 tal imperativo vem na frente.43-44 e 24. 12. 45 lembra o mestre).45). Em Lc 12. Lc 12. Lc 19. 42 e o "conhecer a vontade do Senhor" (v.35-37). O tipo I apresenta uma estrutura engenhosa. Discursos porabólicos que Deus lhe confiou. 16. como peroratio). 57 . que representam as diversas possibilidades... Estas for- mas de expressão. o terceiro degrau.14-30. 4. Mt 25. Os discursos parabólicos talvez representem fases tardias na história da tradição do material parabólico. hoti).Uma parábola está na conclusão do discurso em Lc 16. 25. Cada frase da fundamentação é relacionada com a incerteza da hora (24.57.44b. Também as parábolas das moedas (ou talentos) confiadas aos servos (Mt 25.36. 47).14-30 (insistência nas de- clarações sobre o Juízo. Mc 13.35.24-27. a comunidade procurava dar de sua relação para com o Senhor no tempo até sua volta uma descrição muito peculiar (os paralelos extrabíblicos são muito raros).34. Me 13.42b. 8.46). Mt 23. O complexo citado em I é o mais fácil de situar historicamente: com o material que se encontra também em outras parábolas sobre servos. mas não há como prová-lo. 6. a comparação tipológica de Mt 24.31. Apenas Mt 12. então. só poderia lembrar a responsabilidade mais acentuada de quem possui maior conhecimento e doutrina (também o "bater" do v. Lc 6. mas também na do noivo e das virgens.12 formam três blocos semelhantes. Lc 6.57-59.39. Típicas são as interrupções com imperativos contendo admoestações para a vigilância.37-39 e a ligação dos destinatários com o conteúdo da parábola (identificação com os personagens da parábola em Lc 12. há outros textos em que o alimentar e o ensinar são relacionados. quando muito. as exortações metafóricas de Mt 12.45. 23.35-37.12-27).45- 25.34 é parte de uma parábola. No fim está a parábola Mt 25.43-45 pode-se constatar a seqüência parábola-repreensão-sentença. 7. o segundo degrau é uma con- clusão com "portanto/por isso" + imperativo. em vez da frase mais usual: "eu vos digo.Mt 13. que isso fica escondido de quem ele assim ofendeu?" Entre os dois casos considerados há algo como uma con- clusão a minore ad maius..37-42. podem ser vistas como argumentação gradual que compõe o discurso. como em Mt 24. . uma fundamentação com "pois" (gr. É somente neste gênero parabólico que se encontram bem-aventuranças dentro das parábolas (Lc 12. o primeiro degrau é uma "parábola" ou comparação (no terceiro bloco há duas).13). Nas imagens do senhor dos escravos. 12.l1s.

é essencial a seqüência destes textos. Na frente está um texto que depois é interpretado como constituindo o "plano da imagem". uma parábola.. em 5.14.12ss/20 (o mistério que tu viste. inclusive as parábolas narrativas..7 [diá- logo].16.13s três espíritos em forma de rãs) ou de coisas apenas relatadas (em Ap 11. Tal alegoria. 8-16: imagem da prostituta e da besta.1-9). e as parábolas. por causa de sua função de imagem a ser interpretada. No NT distinguimos três tipos de alegorias. Alegoria e alegorese Bibl. nos vv. 8b. O interessante é agora que este tipo de alegoria vale com relação a vários tipos de textos imaginosos: uma visão.ex. Me 4. Decisivo é. porém. na alegoria.8 a cidade grande é chamada "pneumaticamente" de Sodoma. mostrou. em 1. Mas sempre há uma coerência significativa entre a imagem e sua interpretação. ANRW.).ls/3 (e eu vi . Segue um texto explicativo que no "plano de partida". Alegoria e alegorese § 18. e ouvi.1-6. então. Em quase todos esses casos a alegoria tem um só ápice. c) Entre a imagem e a interpretação há um diálogo entre o revelador e o recep- tor. de uma relação entre a imagem e a interpretação acessível somente aos peritos. rigorosamente. No NT. Assim em Ap 21. o conceito de alegoria usado na ciência da literatura. antes. não. pelos quais ela mostra ser também realmente uma "re- velação") como também em duas parábolas (Me 4.5-15] e Mt 13. antes. preparam a segunda parte da revelação que então segue: a tradução da imagem. Em primeiro lugar. [par.8 o perfume. podem ter vários ápices teologicamente relevantes.24-30. 14-20 [in- terpretação]. Por isso.10-13 [diálogo]. em 19. um sonho e a Escritura do Antigo Testamento. Aí pode se tratar de coisas contempladas numa visão (em Ap 5. Todas essas formas são designadas como pará- bola. em 16. Pois na alegoria todas as metáforas são coerentemente inusitadas. em 13. à tradução com comentário de palavras de outra língua. Não é necessário que a explicação ocorra ponto por ponto. O 58 . 1113s.36 [diálogo] 37-43).. descreve o significado da imagem. Este tipo de comentário alegórico assemelha-se. de acordo com a forma: a) O próprio autor dá o significado alegórico de um objeto anteriormente mencio- nado por ele.3-23.18 o número 666. em comparação com as parábolas.1Ob. costuma ter vários ápices. na explicação há também vaticínios. é a oscilação da proxi- midade às metáforas comuns.. Ambos.).17.11. que no caso da alegoria se trata sempre de metáforas "ousadas" e.. por isso. por isso.18bo linho)..1-9. O que falta. esse tipo de alegoria encontra-se tanto numa visão (Ap 17. significa determinado modus de dois textos se relacionarem entre si. 11235. formalmente. da lingua- gem normal. Mt 13. A audição interpreta o que foi visto na visão. em segmentos (p. na parábola pode faltar a "aplicação". as parábolas a ser assim interpretadas são muitas vezes estruturadas.6 os sete olhos do Cordeiro. Lc 8. A origem dessa forma de alegoria está na antiqüíssima seqüência de visão e audição. Esse diálogo pode ter por conteúdo o pedido da decifração ou a censura da igno- rância humana. Alegoria implica em tradução de um plano lingüístico para outro.. pois há também alegorias com um só ápice (pointe). b) O revelador (não o autor!) interpreta espontaneamente a imagem que ele.

o mesmo esquema. a partir do v. § 6. Não basta escutar. 10) não é entendida. Também Jo 13. fica de fora. 76). 525.10-12 é este: Quem entende a doutrina de Jesus apenas superficialmente. e igualmente em Ap 1. Berger. 56-74) segundo o esquema: "e aquilo que tu viste é. . ao que o vidente res- ponde: "Não. sugerida nos vv.10-13. Ao "sinal" realizado segue-se a pergunta costumeira no trecho intermediária: "entendeis o que vos fiz?". no sentido de uma bela "história". . 11 (cf. cf. o vidente responde com um hino de louvor aos mistérios revelados.. Pedro pede uma explicação da "parábola". a correspondente exortação à compreensão no v. se a alta estima de que gozam as parábolas de Jesus têm algo a ver com a rigorosa recusa de atribuir a Jesus qualquer alegoria. desempenha o papel da revelação a ser decifrada. A forma mais antiga desse gênero encontrada até hoje é a visão com diálogo de Zc 4-6. Temos um detalhado exemplo judaico temos no apocalipse siríaco de Baruc (caps. o qual terá um eco bem claro em Rm 11.1- 11/12/13-20 é construído segundo o mesmo esquema.6.. formulação do chamado "mistério das parábolas" e censura da ignorância.. Alegoria e alegorese diálogo de ligação contém em Me 13.Na explicação das Escrituras em Lc 24. ser entendido à luz destes textos. Depois há a explicação. A frase enigmática do v. na introdução da interpretação.6 está a observação decisiva sobre a falta de compreensão por parte dos ouvintes. alegando a cada vez vaticínios ulteriores.5) e pode em seguida fazer perguntas como: "Tu não sabes o que isso significa?". NT 17 (1975) 74-76. como faz a interpretação de Ap 17.7-18 segue. O sentido da palavra sobre a obstinação e do chamado mistério das parábolas em Me 4.11 deve. pois.1-5. que é uma promessa de salvação (cap.25): 59 . e o fato de a parábola em si ser harmoniosa o engana. o "mistério" seja tema. Depois aparece o anjo e dá detalhada explicação alegórica (caps. e Jesus repreende os discípulos (v. em Ap 17.575 notas 272.1l/15-17a/17b-20.ex. O anjo incentiva a contemplar a visão (p. Aí surge a explicação por meio da identificação (.7. Em seguida. essas belas narrativas..) O chamado "Sermão do Pastor" em Jo 10. A decisiva fase intermediária tem forma de oração (cap. Quem. 53). As parábolas. em Mc 4. porquanto apresentam a mesma forma.).. 7 Jesus começa a relacionar consigo mesmo diversas metáforas (o que é novo).427). ". 16-17a). 53-76).25b): também a interpretação cristológica da Escritura é inter- pretação "alegórica" e. é . no mesmo lugar do diálogo.17s a repreensão introduz a interpretação alegórica dos milagres contados.36 apenas o pedido.7 uma reação.20a. o sinal é explicado: portanto. Em 10. revelam o sentido eclesiológico da pregação de Jesus. (Pode-se perguntar aqui. meu senhor" (4. O mistério de Mc 4.. 19-21 (o número dos pedaços que sobraram deve ser a chave). De fato. 54).13). por isso. típica também de todos os textos posteriores. como crítica da pesquisa. tomando-se seu discípulo.. O mesmo esquema encontra-se na base de Mt 15. 5.quer compreendero sentido mais profundo não pode deixar de mais uma vez ouvir Jesus. só acessível pela revelação do ressuscitado (cf. sem compromisso. A própria visão é rela- tivamente curta (cap. em sua construção. Quanto ao "mistério das parábolas" é digno de nota que também em Ap 17. Antes da conclusão.Em Me 8. a censura da reação e o anúncio da interpretação. no entanto.34s (aí também tratava-se de um mistério: 11.26s o esquema inteiro está reduzido ao tamanho da repreensão da ignorância (Lc 24. todos os elemen- tos possíveis: pedido. Auferstehung. exatamente na sua qualidade de alegorias.

Em Lc vemos dois anjos nesta função de angelus interpres (de acordo com o princípio: "no mínimo duas testemunhas").: ANRW.22 se refere.7s. 8. da parte de Deus (H. Wolff. Jr 1. as alegorias pertencem ao grupo dos textos epidícticos. a multiplicidade dos gêneros não tem limites). que a interpretação é acrescentada ao texto posteriormente (coisa que realmente não pode ser provada a respeito dos textos citados em c).4-7 dois anjos interpretam o sinal do sepulcro vazio: é a mensagem da ressurreição.21..1- 2. à diferença das sentenças. podemos (com H. um anjo ("o anjo que estava comigo" . onde se trata igual- mente de dois textos: como imagem é considerado o texto bíblico de Gn 16. Diferentemente das parábolas. têm tendência estritamente simbulêutica. As gnomes. geralmente em forma descritiva e em frases curtas. Ou quem pode perscrutar tua graça. como ele. Uma fase mais antiga ainda é o tipo de visão que se encontra em Am 7.lls.10-11 dois anjos interpretam o desaparecimento de Jesus como promessa de sua volta nas nuvens do céu.A Escritura é vista como o mistério a ser explicado. Deus pergunta ao vidente o que ele está vendo. sabem completar a re- velação da "Escritura" com a "metade" que lhe faltava e que lhe decifra o mistério. que é sem limites? Ou quem pode entender tua sabedoria? Ou quem pode encerrar os pensamentos de teu intelecto? . faz- -se abstração da distância cronológica entre outrora e hoje. 11 Sentenças § 19. ó Senhor. Quanto à situação histórica suposta por c e d. Características gerais das sentenças "Quem pode ter idéia. distingue ainda entre visão simbólica e visão com jogo de palavras. são o material com que se 60 i I . "Sentenças" são ditados ou provérbios em que se expressa uma expenencia universal. A resposta é certa. Na explicação alegórica do AT. podemos estabelecer o seguinte: pela própria escolha deste gênero a comunidade se separou rigorosamente dos de fora (o que não pode significar que também Jesus não tenha tencionado delimitar seus discípulos e pôde até ter falado na obstinação dos outros). W. em At 1. Aí segue uma explicação. que em Mt 13 foi determinado pelo mistério apocalíptico da separação entre os bons e os maus. ao qual Gl 4. como neste caso. 1049-1074. Em Ap 17 trata-se de declarações centrais sobre o poder inimigo. . de tua bondade? Pois ela é inalcançável. Em Me 4 o problema de ser minoria determinou até o conteúdo da alegoria. Além do "eu vi" aparece então o "e o anjo mostrou-me". d) Temos também uma alegoria elaborada em Gl 4. 1. Em Lc 24. finalmente é escolhida uma imagem da Escritura concentrada no medianeiro escatológico e no grupo carismático daqueles que. Klauck) falar em alegorese. Amos. 367. " Onde a visão é configurada como viagem celeste. Roma.21-31."que me conduzia") é o acompanhante que explica a topografia celeste. Neste tipo de visão é contemplado algum objeto. Características gerais das sentenças Bibl. Quando é evidente.

Hypothetica. popular. São claramente afins a adágios populares e refrões. Nathan A e B Coleções dos Santos Padres Coleções talmúdicas Ps. Quanto ao conteúdo. 84-86). original" não existe.l74). o fim corriqueiro das coisas. Küchler.-Focílides Sentenças de Sexto Ps. Como acontece também com as gnomes. é o que sói acontecer.1-9 Hillel Jesus Q e semelhantes PapOx 1. "simples" e o igualmente discutível interesse comuni- tário que vai complicando as coisas.c. aparecesse sempre no início de uma evolução. quando se trata de uma experiência bastante comum que não revele uma compreensão especial de contextos apocalípticos.655 Tg FI. trata-se de experiência universalmente comprovada. Precisaria dela quem quisesse construir uma oposição artificial entre a suposta forma original. por não possuírem ca- ráter literário autônomo. Tb 4 e 14 (séc. construção simples e evidente proximidade da linguagem falada. Antologia de textos clássicos falsificados "Apologeticum" Fílon. infra § 38-48). Essa hipotética "forma pura. Frühjüdische Weisheitstraditionen. e paralelos Tratados Derek Eres (Pirqê R. As características das sentenças são: brevidade. p.ex. de um só membro (o provérbio geral. o que lhes dá (em claro contraste com as gnomes) a ca- pacidade de assumir a função de parábolas.. A multifuncionalidade faz que elas fiquem às vezes um pouco alheias ao eventual contexto. Discordando de R. Mc 2. p. Bultmann (GST. que não precisa de legitimação especial de algum sábio eminente. Eliezer) 61 . erráticos). Josefo EvTomé (copta) Abot R. sendo posterior- mente cada vez mais ampliada e elaborada. As sentenças não estão limitadas a determinados gêneros. V a. sapiencial. as analogias mais próximas das sentenças do NT encontram-se na literatura sapiencial judaica.17a: "os que têm saúde não precisam do médico"). como.) Sr hebr. pelo que são muito difundidas e funcionam como logia errantia (itinerantes. não vejo possibilidade de recons- truir uma história da forma mashal comprovando que uma forma simples. Características gerais das sentenças constroem as admoestações e parêneses (cf. Sentenças se entrelaçam com admoestações condicionais.-Menander Ensinamentos de Silvano Aicar sir.654. 7. e gr. elas estão antes sempre disponíveis (mas aparecem em lugares de destaque). Lista das mais importantes coleções judaicas e cristãs de gnomes e sentenças (segundo M. Bíblia hebraica: Pr Ecl Aicar aram.

.10 (a minore ad maius). Mt 26.. a quem o logion depois é aplicado.30 (judeus rejeitados e pagãos no Reino: últimos serão primei- ros). Frases sobre determinadas ocupações: sobre profetas (Lc 4.35.2 a frase descreve o julgamento que necessariamente virá sobre a hipocrisia (o "oculto") dos fariseus.. a mesma frase é usada em três sentidos bem diferentes (logia errantia). .16 (fundamentação do julgamento na parábola dos operários na vinha: os últimos serão primeiros.11: não . Mt 8.) é uma fundamentação conclusiva de um julgamento (numa admoestação em forma de parábola). uma exortação para professar a fé com sinceridade.15. sendo. ..... Mt 20. 62 .24: Lc 6.).22 como consolação para a comunidade. Note-se o que Sr 19.2 (nada há de oculto que não seja revelado.58: em contraste com raposas e pássaros.27: o sábado foi feito para o homem.36: os homens). 3.24.Jo 3.25: que proveito terá o homem.31).. Jo 2. Mt 10.Estas frases sobre "o homem" em geral sempre têm.).. v. portanto. Em Mt 10.14 (todo o homem que se exalta . a mesma frase é vista em Mt 4. Hb 8. cf. Nos últimos três casos trata-se de que o subalterno não é maior do que seu superior e pode esperar.39s.).52 (talião). o homem não tem onde recostar a cabeça. 5.29s (26s) diz sobre o "varão". Conseqüências ou sanções são formuladas por meio de sentenças: Lc 18. Frases sobre o ser humano: Me 8. já que a basiléia. Lc 13.24) e discípulos (Mt 10. Lc 9. Lc 12. 15. Mt 12. Mt 12. pois. Lc 13. 2. Nos três lugares.. esse paradoxo entre os direitos e a situação vale de maneira especial. v. enviados (Jo 13.27: um homem não pode atribuir-se nada que . 4. (cf.29 (na parábola das moedas/talentos: pois a quem tem será dado. Ao passo que em Lc 12. Mt 16.20. É digno de nota que é sobretudo em parábolas que as sentenças têm esta função e se apresentam muitas vezes em forma de contraste....lOa: todo homem.12 (sacerdote). 7. escravos (Jo 13.21).) . igualmente Mt 4.40: discípulos e mestre). (em Me isso é chamado uma parabole). Em Q. o mais alto em dignidade (cf. Lc 6.. a lógica das parábolas é inculcada drastica- mente.21.22 (depois da parábola de 4...26. será aberta- mente conhecida. 6. Lc 23.. Me 8. Assim é fundamentada também a recompensa celeste dos que aqui abandonaram tudo (Me 10.31 (a minore ad maius).Cf. a frase já é relacionada com o "seguir Jesus"! .22 (sobre o traidor: melhor seria para este homem não ter nascido). Mt 25. infra.37: que daria o homem. Dn 7: animais/[filho do] homem) é quem menos tem. Lc 19.).).45: o homem bom o homem mau . toma o homem impuro.16: o enviado e quem envia)..36.Também Lc 14..26 a mesma frase fala sobre o que "deve" ser tomado público (cf. por exemplo.I I . Mt 15. supra § 15. pelo menos a mesma carga de con- trariedades. o valor de um argumento bem forte.. mas .. 27).11 (quem se exalta. Uma sentença pode conter uma argumentação completa: Lc 16.33: o profeta e Jerusalém). Mt 26. (Sobre Lc 6.26.16.. Mt 22. Mt 2.24 e Jo 4. portanto. então.3 (sumo sacerdote).20. (a regra sobre o vinho). Me 14..14 (parábola do banquete: pois muitos são chamados. no seu contexto.. Lc 9. Características gerais das sentenças Características do conteúdo 1... Me 7... Sobre a sentença em conexão com as parábolas. Para o "Filho do Homem"..44: o profeta na sua própria cidade. Por essas frases universalmente aceitas. agora escondida. Certas sentenças abrem uma perspectiva para o futuro. Lc 22.

Regras gerais: Para saber quem está com quem (Me 9.50: quem não é contra nós.52.Assim também Lc 16. Lc 11.16: Onde há testamento. . bBer 9b: cada mal tem sua hora) fun- damenta a admoestação para não se preocupar com o amanhã.26.52 (todos os que tomam). é preciso que se verifique a morte do testador.40 e Lc 9. por comparação (pelo menos lógica).24. Mt 12. Sr 40. fácil de recordar. 8. Mt 12. Lc 9... Jo 2.26/Mt 21. Me 9.7 (palavra divina. Frases com "eu.40.21 (o que teria sido melhor). por exem- plo. Mt 26. Jo 13.29 (28): dificilmente um comerciante evitará as faltas.. Mt 10. . a uma con- clusão prática.43-47. An Historical and Structural Study. em SBL Proc (1972) 2.25 (o que é mais fácil). Bryce.16. também: G.. Pr 25.19.19 (sê pois fervoroso.25 sobre v. Me 10. Mc 14.23 (médico.Semelhante regra geral é a sentença usada na créia crítica de Me 7.. Mt 12.43.15. As sentenças epidícticas Lc 4. Mc 4. elas têm função importante em Lc 16. Mt 6. em Lc 11.. Sr 26.36s par.29 (todo o que tem).343-354. 11. Ap 3. com base na experiência: At 20..50. Lc 12. Função das sentenças Sentenças estão muitas vezes no fim de uma unidade ou como comentário na conclusão. Mt 6.25 tem função simbulêutica.Cf. 12. Frases com "todos" e "tudo": Lc 18. "Better "-Proverbs.6: "é o amor que me agrada. Mc 8. não o sacrificio").47 (o que é melhor). No meio da argumentação.13. 9.).A regra sobre o vinho: Jo 2. Palavra de escárnio: Lc 4. Cf. Lc 17. 10.34b. I s (o que seria mais útil).". 9. que se tornaram independentes: Ap 3.30 a "regra geral" (ver 8) é aplicada para a necessidade de tomar partido no ato com demônios.. cf. § 20. Lc 9.35. 9.14b (todo o que se exalta). Função das sentenças 7.23.19 (repreendo e corrijo aqueles a quem amo).30: quem não está comigo. E.7 têm função apologética (justificação da práxis sabática da comunidade). . Julgamentos sobre algum valor. Em cada uma dessas formulações chega-se.1Oa. Ap 3.45.23.23. cura-te a ti mesmo).28 (29). Mt 9. Lc 19. 24.7.58 (sentença sobre "o homem") tem aqui função simbulêutica (seguir Jesus).38 par.2.20.34b.9-10. Cf. Mt 10.10.35 (em que há mais felicidade). At 20. 63 ..11 (todo o que se exalta). Me 10.27 (a Deus tudo é possível). proveniente de Os 6.24s (os discípulos não poderão ter outra sorte que Jesus) (argu- mentatio a maiore ad minus). 12. 2Pd 2. Lc 14.3: Todo sumo sacerdote é constituído para oferecer dons e sacrificios (daí a necessidade de ter algo para oferecer). Mt 12.34b (a cada dia basta seu mal.. Mc 9.24.33.). Certas regras parecidas com sentenças desempenham importante papel na argu- mentação apologética de Hb: 8.22: Sem efusão de sangue não há remissão. Mt 26. Me 10. Mc 9. Queixas sobre como é dificil uma coisa: Mc 10.lOa (todo homem). A integração em determinados gêneros literários: Mt 8. . muitas vezes também como fundamentação de uma admonição. .

Lc 19. 3. acima mencionados (§ 20). Mt 12..3s. Sentenças sobre retribuição nesta forma de talião são mais freqüentes na literatura sapiencial: Pr 13. No judaísmo.16 e 15." deve ser entendido assim. Exclamação: Como (quão) . Frases sobre o que caracteriza alguém como pertencente a determinado grupo: Mc 9.12 é uma imitação destes ditados numéricos (três tipos de eunucos: o acento está no último)..27). Somente quando o contexto fala do futuro no sentido de esca- tologia apocalíptica. Logia tipicamente ''itinerantes'' são as frases: '~ quem tem será dado. Lc 18. também Mt 26. em Lc 13.50.23. "nada é oculto que não será revelado". na apôdose.Freqüentemente se encontram sentenças em créias (em Lc 10.13 LXX.28.30.. ou Pr 22.27.".. embriaguez.. 6. Deus terá piedade de ti. Jesus. . assim regularmente nos logia errantia. ! Me 10. 5.57s.26. Lc 23. Mc 4. mulher .12. frases semelhantes encontram-se. 1049-1051]: "Mar. Sobre a forma das sentenças 1.12: Uma mudança de sacerdócio acarreta forçosamente a mudança da lei. GNP [quanto às abreviações cf. Jo 3. Lc 11. .52.8. Mt 13.7. escravos e discípulos (que não são "mais" do que os respectivos superiores). no laço ficará preso".. "Quem desprezou uma coisa. têm como propriedade (menos a primeira) a possibilidade de ser invertidas. § 21.. O freqüente "A quem tem será. Os principios gerais baseados na experiência funcionam em seu contexto como axio- mas indiscutíveis. Situação: justificação do celibato dos primeiros (e posteriores) missionários itinerantes (João Batista. as frases deste tipo explicitam. Sr e a gnomologia profana (p. Mc 7. em Hen esl.. por exemplo. A estrutura x (não) é mais do que y está na base dos julgamentos sobre valores..Aí fica aberto de que futuro se trata. 9. Admonições condicionais: por exemplo. Me 2.23. o futuro Juízo. mencionados em § 19. Jo 13.20. Mt 12. 4. Mt 1O.7.10 (13): "Quão grande é quem encontrou a sabedoria .. Estas frases podem facilmente ser relacionadas com o Juízo (escla- recem sua natureza pela experiência humana).52).42 antes como ditado popular: "Pouca coisa é necessária.os três males" e DP 11 148: "Três uvas a videira produz: prazer.15 par...Como anúncio do Juízo e como ameaça (cominação) usam-se sentenças em Mt 24...24 e Sr 25. Sobre a forma das sentenças 7. 60.50.29. soberba") gostam deste tipo de cadeias. "quem se exalta será humilhado..13. Paulo. .31. será por ela desprezado". "Quem amarra alguém com um laço. mas não tem o costumeiro início ou fim que explícita o número. o ruim colherá". 9.ex.. esquema de inversão ou paralelismo antitético (também como talião: ações provocam efeitos Mt 26.24s. será humilhado.14b: Quem se exaltar. fogo.". "Quem semeia o mal. Lc 9.Nos vaticínios. Estrutura antitética.33. De especial importância é o esquema: na medida em que tiveres piedade dos outros. basta uma só". Mt 19. em que o acento sempre está no último membro. Lc 9. 2. 64 . Mt 25. ANRfV. Como outros ditados desta categoria. Ditados numéricos: Pr.".).23: As realidades celestes devem ser purificadas por sacrifícios melhores do que suas imagens terrestres. "os primeiros serão os últimos". bem como das palavras sobre enviados.25. . também esse tem caráter de enigma.

de Estêvão e de outros perseguidos reforçou essa experiên- cia social.7-14. Nos Evangelhos e nos Atos Bibl. portanto. se tornam sem objeto. que. Mt 10. 1956. não deve ser interpretada como refe- rindo-se primeiramente a um contexto histórico-social. Um critério para discernir o que no domínio do mundo da literatura do cristianismo primitivo era considerado como "discursos". c) Essa atitude crítica e as conseqüentes tentativas de fundar uma outra ordem criam alheamento e distância com relação à sociedade em redor. Mt 10. Neukirchen. (Essa sentença. Lc 9. na questão do sim ou do não da decisão.. ele os marca sistematicamente. Os "discursos" do Evangelho joanino. A frase: "A quem tem. ed.. nesse sentido. U. e na lite- ratura "mais simples".. transmitido. podia ser considerado discurso. Os estudos mais antigos sobre as formas literárias estavam sobretudo interessa- dos nas unidades menores. que pudessem ter sido transmitidas oralmente. 1974. será dado. O destino de Jesus. Tal Juízo desconhece nuances. com a fórmula: "quando Jesus terminou estas palavras. e que se esperava tudo dessa inversão. b) Isso significa uma atitude critica diante de tudo o que tem pres- tígio e preeminência e. dentro da comunidade. eles também são composições literárias que merecem ser descritas e exami- nadas com o escopo de conhecermos as situações das quais extraem o seu sentido. A relevância histórica das sentenças O valor histórico especial das sentenças reside no fato de constituírem uma das poucas possibilidades de regressar com relativa segurança a estados orais anteriores da tradição evangélica. de quem não tem. são na maior parte diálogos. se houver.) 11I. por isso os "discursos" não têm recebido muita atenção. no fim. d) Do Juízo vindouro a comunidade esperava uma dureza que chegava até a injustiça. em Me 6. Die Missionsreden der Aposfe/geschichfe. tanto anterior como posterior- mente. em formas diferentes.".1-16. A partir daí ganhamos também critérios para o que. Gõttingen. Form- und fradifionskrifische Unfersuchungen IWMANT 5). nós o achamos basicamente em Mateus. como injusto: o que decide é o sim ou o não. A mais antiga composição sinótica deste gênero é o discurso com instruções para a missão. Os logia errantia e com eles as relativamente freqüentes frases antitéticas relacionadas com a inversão de grandezas e valores sugerem a existência de uma comunidade cuja situação pode ser descrita da seguinte maneira: a) A estrutura comum a esses ditados bastante usados indica que se contava com uma inversão radical de grandezas e valores corriqueiros. (8s) lOs.: H. BECKER.3.7-16). WllCKENS. Die Reden des Johannesevangeliums und der Sfil der gnosfischen Offenbarungsrede IFRLANT 68 NF 50). 1. As orientações sobre os objetos que se podem levar têm seus paralelos mais próximos nas listas a respeito do traje e dos objetos de uso dos filósofos cínicos 65 . Discursos § 23. Os textos que ele considera "discursos" de Jesus (sermões ou instruções). será tirado o que tem". um comportamento de acordo com tal atitude (Me 10. porém.42-45). caracteriza o Juízo.3-5 e em Q (Lc 10. En- tretanto. Trata-se de instruções na segunda pessoa do plural. Nos Evangelhos e nos Atos § 22.

40-42. relacionadas nos VV.. 11-12: superioridade do conhecimento de Jesus). desses discursos.ex.1 apresentam a composição mais elaborada: 10. Tais listas nos foram transmitidas em grande número (a descrição dos hábitos de viagem dos essênios em Josefo. 30 (ibid. em Mt 24. a finalidade é a abrangente admoestação à vigilância. mas também para todos os que entrarão em contato com eles. que têm como prelúdio duas parábolas. 34-36 decisão e separação. Diógenes 7. Nos Evangelhos e nos Atos itinerantes. 34. a men- sagem (vv. 16-33: comportamento nas perse- guições. amaldiçoando e ameaçando com o Juízo: Lc 10. o nexo entre a destruição de Jerusalém e a expec- tativa da vinda do Filho do Homem (Jesus. Crates 16 (ibid. 18-21). Formas análogas são as séries de exempla nos tratados de moral da literatura pagã (p. As instruções de Mt 10. o Filho do Homem. 46.12-16. Daí resulta. Mt 10. p. Me 13. O sermão apocalíptico de Lc 17. Em Mt.14 tem uma estrutura mais simples. porém.58s). especialmente pela atenção amorosa ao próximo. supra § 8). dirigidas aos discípulos.1-26.. 85s). Anacársis 5 (ibid. 65 § 5 (ibid. 211). Lc 21.).De acordo com isso. porém. Nos apocalipses sinóticos.. Semelhante estrutura simples encontra-se também nas palavras de Jesus no diálogo de Jo 3. 12-15: paz e maldição. 23. cf. § 17. Cartas dos Socráticos 6 (ibid.5-21: Introdução (vv. abençoar as casas hospitaleiras. Juliano 37 (ibid.7s par. aos leitores (também naturalmente. que em 17. 37-42: admoestações em forma condicional. O que aí falta são as regras. .1. Em Mt a exortação à vigilância é fortemente desenvolvida (num discurso parabólico.. de uma exortação à oração.103). 2.5-11: instru- ções sobre as viagens missionárias. Epistolographi Graeci. sobretudo..6.5-11.. 4Esd 5 já apresenta uma forma mais largamente elaborada (cf. No fim de toda a composição há uma descrição do Juízo. Plutarco. 4) e na literatura cristã primitiva (cf.é preciso entender os sinais e vigiar .15). O mesmo fenômeno pode ser observado em Mt 10.20-18. já temos um grandioso esquema de composição: acontecimentos futuros .1-36. 360). Um "discurso" de Jesus é também o conjunto de parábolas em Me 4. Elencos de horrores apocalípticos preparam os apocalipses sinóticos (Me 13.7).1. sacudir a poeira dos pés. admonição dupla sobre a aceitação da mensagem (vv.exortação à vigilância. 40-42 ao comportamento para com os discípulos. claramente. durante a guerra judaica. 79s). também § 77.37 termina num tom extremamente ameaçador. 15 (ibid. trata-se de desfazer.. a respeito de gestos de maldição e bênção (não saudar ninguém no caminho. uma composição peculiar: A vinda do Filho do Homem é preparada por acontecimentos cuja descrição já inspira admoestações detalhadas . . 3. Mt 24.descrição do Juízo. 26. 13-17). esse último item tomou a forma.1-14).proximidade da vinda . cf. 100. Em Lucas. sem recursos). e nas cartas dos cínicos: Alcifron III 40 § 3 (Hercher. Apolônio de Tiana 8. 244s). o falso testemunho em Me 14.124-127. An. válidas sobretudo para os carismáticos. Nasceram de textos como Mq 7. não tem nada a ver com a destruição de Jerusalém. As instruções valem não só para os discípulos "profissionais". Em Me. De Tranquil. a importância que o texto tem para a comunidade já é outra. b 2. é seguida por admonições (18. 613). dirigida principalmente ao leitor. 239).5-38). O resultado é. a tendência de passar das instruções sobre a missão.. A descrição.Cf. e isso diz respeito. quando sugerem que as comunidades tinham de cuidar de discípulos errantes. bem 66 . para a ameaça com o Juízo.

chamamento à verdadeira justiça .26-32 refere-se à dominação do presente.ex..") . Para a interpretação. Nos Evangelhos e nos AIos como as séries de sentenças metafóricas sapienciais (p.." versus "ai dos. Nisso. Em Mt. demonstração dos verdadeiros valores diante de Deus: Mt 6. Discursos antigos. 7. o que determina o gênero da composição inteira. no Juízo vindouro.1-34. que consiste em concluir um discurso mais longo com uma referência ao Juízo.ls. 13) fez uma composição diferente e insiste muito mais no Juízo vindouro (parábola sobre o ouvir . é importante observar que nos dois casos a introdução e a conclusão são de natureza claramente protréptica..34. Mateus segue um es- quema bem tradicional. congruência entre palavras e ações). Como em alguns textos sapien- ciais (p.antíteses) forma. As promessas de recompensa formuladas nos dois "sermões" (bem-aventuranças. e conclusão).1-4). assim também o "Sermão da Pla- nície" (Lc 6) e o "Sermão da Montanha" (Mt 5-7) são compostos de material variado.2-48 (bem-aventuranças . compostos de unidades relativamente uniformes são as duas "filipicas antifarisaicas". Lucas mostra os dois caminhos opostos ("bem-aventurados os. Toda a perícope 5.49-51) 67 .ex. Lc 11..20-26. Lc 15) e no Evangelho de Tomé (p. Pr 5. Deve conquistar fundamental e definitivamente o ouvinte para o caminho pelo qual terá de enveredar.24-27.três parábolas sobre a necessidade de suportar o presente .três parábolas sobre os critérios do Juízo e sobre a separação .34s: as parábolas revelam coisas escondidas desde o princípio .37-54 (em Lc há uma divisão entre "ais" contra legisperitos e "ais" contra fariseus). ensinamentos sobre a medida em 7.Séries mais curtas de parábolas há também em outros pontos dos evangelhos (p.1-3). o oposto das bem-aventuranças não são outros tantos "ais. Em 6. No corpus. os dois "sermões" representam o primeiro discurso de Jesus nos respectivos evange- lhos. portanto. 14. As antíteses do sermão falam da velha e da nova maneira de entender a vontade de Deus. § 62) está no início do ensinamento (de fato.. que no fim (Mt 23.em Did 1-4 encontra-se o mesmo material.. ".. Não precisamos expor aqui novamente a tese do "catecismo dos dois caminhos". As impres- sionantes parábolas da semente e do grão de mostarda reanimam a comunidade. também nas suas perspectivas para o futuro (em Lc: amar. Lc 6. 5. e 4. ambos os discursos são sobretudo anúncios fundamentados de desgraça.parábola sobre o falar em parábolas.14- 20). Um protreptikós (cf. logion 96-98 sobre o Reino de Deus). 4. e a remuneração) devem pôr diante dos olhos as vantagens deste caminho.. explicitamente designado como "os dois caminhos". Há duas possibilidades de decisão: a do Evangelho e a dos fariseus que se lhe opõem.mas o certo é que o protreptikós é uma visão abrangente em que são discutidas duas possibilidades do caminho da vida. segue-se um trecho sobre a revelação.47-49). não julgar.ex.1-12. Também no fim dos dois "sermões" encontra-se novamente uma referência a duas possibilidades opostas (a parábola da construção de uma casa: Mt 7. 36-50: ensinamento apocalíp- tico sobre o Juízo .8s. Pr 13.ex. Mateus (cap.1-13. uma única e coerente delimitação. Como os "discursos" analisados até aqui. o exórdio fala sobre o ouvir e o perseverar (Me 4.vv.. Mt e Lc).1-36 e Lc 11. .. e mostra-lhe também o que com isso há de ganhar. daquilo que agora está escondido (vv. num tempo em que a grande notícia se tornou invisível e era preciso tornar compreensível a necessidade de atravessar um tempo de sofrimentos.13. Em Me 4 essa tradição levou a uma ponderada composição. 21-32). em Mt 23.

No estudo das formas essas repetidas exclamações do "ai de vós.18-22. ou para deixar claro qual é a relação entre o Juízo e a Guerra Judaica. p. de origem deuteronomista. ou são do mesmo gênero (coleções de parábolas). 3.38). Seguindo o exemplo de historiógrafos antigos. Tb 13..8-11. 10. o Apocalipse está no fim. 111 Exortação à conversão. § 55.6). por mais perguntas intermediárias e por parábolas (Mt 18.2-3). pelos motivos já mencionados (como introdução fundamental). em Jr 3. 13. EmAt 2.23-25). cf.3-6. do perdão dos pecados (5. Is 46. fala-se. salvou Jesus (contraste entre Deus e os judeus). Como em toda a historiografia antiga. também nos Atos os discursos têm a função de esclarecer. Mt 18. ou as duas coisas (os discursos contra os fariseus). motivar ou preparar coisas decisivas. cf.28. Discursos relativamente mais recentes (de acordo com seu tipo) são feitos por uma ampliação de créias (cf. 4.2). portanto.1-20). 6. podemos dizer: com maior ou menor evidência. Em termos gerais. mas também para mostrar que não há nexo entre a morte de Jesus e a destruição de Jerusalém.21-22. especialmente pela combinação com repre- ensões (Me 7. 4. O esquema completo dos discursos de At dirigidos aos judeus encontra-se em MI 3. ao discurso.8 LXX. São um excelente instrumento para o autor expressar suas reflexões." tiveram um exemplo em Hen et. §§ 25-29). A posição dos dis- cursos no esquema dos evangelhos está claramente orientada para conduzir o leitor: O Sermão da Montanha e o Sermão da Planície estão no início. em todas as suas partes. 68 . Quanto a Lc 12. portanto. vós que pecastes".1-15 (23) par. não apenas como vaticínio testamentário.12).31. At 3.43.1-20.exortação à conversão - promessa da salvação. Mt 15. a) Distinguem-se: falas missionárias (analogias pagãs: ANRW 1363-71). .Cf. Deus. 98-100. Na perspectiva do estudo das formas. Essas composições ou são cole- ções de material sobre o mesmo tema (apocalipses). porém. todos os "dis- cursos" dos evangelhos sinóticos apresentam-se compostos segundo o modelo dafor- mação de séries de elementos da mesma natureza. 7.21s.. nota-se que uma créia foi inserida no meio de um discurso.37bj38s uma créia foi acrescentada.ex. As dirigidas aos judeus têm a seguinte estrutura: I Introdução: Referência à situação.49-68. Com essa exortação pode estar ligada a promessa da salvação (At 2. no mínimo. O esquema é. Lucas intercalou uma série de discursos nos Atos dos Apóstolos. 11 Querigma sobre Jesus: A culpa dos judeus na sua ação contra Jesus. temos nesse esquema de prega- ção a seqüência: demonstração da culpa (repreensão) . convertei-vos a mim (= exortação à conversão) e eu me voltarei para vós (= promessa da salvação)".20s. Os 14.. Os primeiros dois elementos encontram-se às vezes também em fórmulas curtas (segundo o esquema: "convertei-vos.7: "Desde os dias de vossos pais vos afastastes dos meus preceitos (= repreensão.14. aos judeus e aos pagãos.38b . 16. 39. O exemplo mais próximo do judaísmo é 1Mc (dis- cursos em 2.13-21. também Br 4. 13. Nos Evangelhos e nos Atos se transformam em vaticínios. demonstra- ção da culpa).

por exemplo.46s o discurso apresenta apenas narratio e peroratio.20). particularmente clara em Atos. segundo o esquema da retórica antiga.Res- surreição de Jesus.7-11 (discurso de Pedro: narratio desde os tempos antigos) e 15. e Me 12 ainda acrescenta o castigo à demonstração da culpa. 22: é preciso. a saber: narratio (relatando os acontecimentos relevantes) . com a proposta do decreto apostólico. 17.16-41. pois a insistência na continui- dade com o AT certamente não é uma teologia em função de si mesma.22-31: depois da captatio em 17.16-22 (descrição da situação como realização da Escritura.9s. uma mistura de narratio (vv. c) Na análise dos discursos de Atos por U.argumentatio (raciocinando) e peroratio (tirando conclusões importantes).) em 15.14-36 (vv.25-28.15s). em At 1.. .16-41 (narratio: 16-31. 27-29).30s) e argumentatio (vv. VIII. VII. At 1. Hb 6.Juízo universal . na verdade.ls. e deviam mesmo se seguir assim uma à outra. 15-35: esclarecimento da situação como realização da Escritura. Essas referências à Escritura devem ter algo a ver com a atitude positiva de Lucas para com os fariseus. e em Mc 12. 3.46-47. em textos dirigidos aosjudeus. mas.22-26). Const. Contudo.19-21. Nos Evangelhos e nos AIos Também em outroslugares do NT a tradição deuteronomista foi relacionada com a morte de Jesus. nos vv.14-18 (discurso de Tiago: argumentatio com a Escritura). At 2. argumentatio e narratio coincidem. lTs 1.15-17. 13. peroratio: 40-41. perora tio no v. já terminara no v.Há outros elementos de discursos antigos em At 17. 32. Verdade é que a pregação de Estêvão se limita à repreen- são. . 36 e. 69 . depois de interrupções. Os discursos missionários aos pagãos têm a seguinte estrutura: A conversão é um afastar-se dos ídolos e um voltar-se para o Criador .14-40 [em v. Em outros discursos. supra b]. também At 26. ambos os textos ainda podem ser considerados pregação de conversão. cf. At 15.12-16. At 7. também lTs 2. quando está na primeira. são de fato. 26. Nós distinguimos os discursos em que a primeira metade é uma prova argumentativa pela Escritura (At 28.52s. tem caráter mais argumentativo (isso é particularmente claro em 13...16-22.Quando a prova pela Escritura está na última parte.2s) segue em 23b a indicação do tema (propositio) e. 38s e 40b).12-36 com a prova bíblica em 3.22-23 (cf. 15.1-9 (cf. 2. Aparentemente o discurso é interrompido pela zombaria no v. afinal. em sentido mais amplo. história de Israel até a ressurreição de Jesus. in- clusive. 34. ameaça como conclusão drástica). com a referência ao Juízo. pois. textos bíblicos sobre a vinda e a ressurreição de Jesus. perora tio nos vv. Em At 13. Elas preparam a peroratio (Por isso julgo eu. A esse grupo pertencem: At 13. 12. Apost. o caráter é antes narrativo.7-21 [a serem consideradas como um só discurso. 15-36]) da- queles em que tal prova está na segunda parte (At 13.16-41). 31. Esse esquema encontra-se em At 14. Wilckens a prova pela Escritura é subestimada. duas partes da mesma fala que se completam.ls. por exemplo na pregação de Estêvão.30s (cf. b) Nos discursos de Atos. encontra-se às vezes uma estrutura (totalmente dife- rente daquela dos sinóticos) que segue o esquema da retórica antiga. argumentatio: 32-39.6- 8..).

51-58b. acu- sação. como ainda dentro do discurso parabólico de Mt 24. 40: "não sejamos acusados de sedição"). Este final é bipartido em Lc 6.Na conclusão do sermão apocalíptico de Lc 17. 52.31-46. .19-47 (19-37a: apologia. 37.lss em 7.").1ss: a partir do v. 17.14-30 (parábola como conclusão). 18-21.1-19.20ss no v.17-22 Lucas completa os dados que faltam em At 7. 30: vós matastes) reage à denúncia feita contra os apóstolos em 5. At 13. 19.9-14.22ss no v. Lc 1O. . 35 (assim vos tratará. c) Finais com parábolas: Lc 17.12-36 (no início).35ss no v. dirige-se à segunda pessoa do plural. para que não vos aconteça.47-49 (construção de uma casa). 41. Mt 5. 12).5ss em 10. Mt 1O. 1348-1350). ou no início ou no fim. Em dois discursos de At. nos seguintes discursos: At 14. especialmente v. como repreensão (Me 7.peroratio. O todo tem claramente teor dicânico.16ss no v. As conclusões com parábola correspondem à exigência da retórica anti- ga. acusando. At 5.1-26.37-42. 10.2-50 (53) (o final. para ele decidir abertamente. 16. Jo 3. caracterizada por crítica ao culto e ao templo. 10-11 . Mt 15. 27 (apontando um perigo ameaçador). 34-37. o exemplo seguido é o panorama deuteronomista da história. a) de Lc 6.15-17.25ss (discurso de Demétrio)no v. Me 4. igualmente com ten- dência crítica).22-31 (v. Lc 6.1ss nos vv. 13-16. At 3.2ss nos vv. Parabólicas são também as conclusões em Mt 7. 8. segundo a qual o final de um discurso tinha de ser marcante e patente. At 5. At 21.. Também já no final bipartido (cf. 39 ("não contendam com Deus"). em At 13. 17. 23-25 (o devedor implacável).1-20 é tanto uma apologia e discípulos que não lavaram as mãos.21-26. 36 (ensinamento sobre o Juízo e seus critérios).11ss no v. b) Final com descrição ou ameaça do Juízo: Lc 10.8b.9-13). 2.. 51). na descrição do Juízo em Mt 25. 30-32 (grão de mostarda). 29: justificação da ação.35ss (a fala do secretário da cidade de Éfeso.). ou em 18. .29-32 (apologia v. acusação.2ss é.1ss em 25. 47-49.9-12 (dis- curso de Pedro: apologia. e ao mesmo tempo (explicitamente a partir do v.14-36 (40). v. Lucas oferece detalhados panoramas históricos: 7.Mt 18. Mt 7 e Jo 3.1-23... Em 5. 9.24-29.lss nos vv. . 40s ("Tornai cuidado.Nas instruções à comunidade de Mt 18.nos vv. próprio da peroratio antiga.1. Um gênero de discurso muito difundido no cristianismo primitivo e eviden- temente de tradição antiga é a combinação de apologia e repreensão: At 4.44-47b.32 os apóstolos se dizem também explicitamente "teste- munhas".1-8. Jo 6. .O discurso de Estêvão em At 7.28. Estes discursos têm sempre caráter simbulêutico (cf também as conclusões típicas das cartas: ANRW. Terminar assim um discurso longo correspondeao caráter drástico.20ss no v. no v..No sermão das parábolas de Mt 13. 30).24-27.15-17. a partir do v.Função: apelo ao ouvinte. a partir do v. Mt 24. Mt 7 e Jo 3. 31 (Juízo). 37b-47: acusação). Lc 6.1.2ss no v. Nos Evangelhos e nos AIos d) Discursos que terrninarncom exortação à mudança e à conversão: At 14. v. At 19.Censura ou acusação encontram-se também. Também a créia ampliada de Me 7. em 18. acusação.23-35. uma justificação da atitude dos "helenistas". . Conclusões típicas de discursos no NT a) Final com admonição formulada condicionalmente: At 13. vv. e nas duas parábolas sobre a oração em 18.20ss. Em vários lugares a ligação de apologia com acusação é característica também dos diálogos joaninos: Jo 5. 70 .39 antes da pero- ratio.

Os discursos dos evangelhos distinguem-se claramente dos de Atos.4. da relação entre o judaísmo. v. 19. 1-5: palavras/obras.15-23 com o tema dos falsos profetas. Sobre a síncrise como princípio para a estrutura de discursos. via de regra.22-31 (ambas dirigidas aos pagãos). 52. Leiden. O Sermão da Montanha termina em 7. também o Evangelho joanino (apenas aparentemente mais alheio a situações específicas) traz determinados aspectos da mensagem (3. Mas isso não constitui nenhuma ab-rogação nem do judaísmo nem do Estado romano. Na tradição sinótica os discursos são composições temáticas de assuntos referentes a relevantes problemas das comunidades (p. então atual. e que é ao mesmo tempo teológica e política. 21. postas por Lucas na boca de Paulo. logo no início. Mas também isso está inteiramente a serviço da única finalidade que tudo abrange. HOllANDER. porém. Aí fica clara a afinidade com os gêneros profanos "hino" e "encô- mio ". Joseph as an Elhical Model in the Testaments of the Twelve Patriarchs (SVTP 6). de ordem eclesiástica e política. 17.24-29 Jesus é apresentado como o verdadeiro mestre. em Mt 13. por isso.. Tudo mais está enquadrado nesta fi- nalidade e subordinado a ela. DE JONGE. § 24. Em At. semelhantes entre si. 1975. em vez disso. embora tenham muitos pontos em comum provenientes da tradição retórica. E.2-23. Leiden. parábola sobre o mestre. lss. o ensina- mento protréptico). § 72.15-17. o Reino de Deus. 17: Jesus como medianeiro da unidade etc. vv. o cristianismo e o paganismo. vv. tendo outrossim a função de recapitular e de inculcar as verdades centrais e os dados principais da história da salvação segundo o Antigo Testamento. os fariseus. Studies on lhe Testaments of the Twelve Patriarchs (SVTP 3).M. Em toda parte está em jogo a solução do problema. do Evangelho (igualmente falando aos pagãos).24b. § 69). nos quais a enumeração dos feitos constitui importante elemento (cf.ex.25-26. já exigida também pela Lei e pelos Profetas. achamos em At 24. Leiden. então na alternância de concordância com correção (l7. no fim: v. W. 1981. em função de uma única finalidade redacional. 25a). Verdadeiras apologias.11-21: iniciação básica. 71 . - Trata-se do mestre ou dos mestres. Die Lehre der Alten I: Das Testament ais Literaturgattung im Judentum der hellenistisch- romischen leit (ALGHJ 13). um resumo dos feitos de Jesus. 26. NORDHEIM.1-12 (falso mestre/agir direito. isto é. e em 7. 1980. os discursos estão. em Mt 23. Discursos e testamentários 11.20-21. precisavam apenas aceitar a pobreza cristã. At 10.36-42 dá. As melhores forças do judaísmo. no início ou no fim de um discurso. inicialmente em 22-23a.). a atividade diante do Juízo vindouro. cf.22ss. Discursos testamentários Bibl: H. não significando para o Império Romano nenhuma perturbação. Discursos que na sua parte principal enumeram os jeitos de Deus encontram- -se em At 14.20 (referindo-se ao que todos sabem). 12. A situação para a qual At foi redigido como resposta exigia a prova de que o cristianismo fosse o próprio judaísmo messianicamente realizado e universalizado e. 17.35. Outras propriedades importantes dos discursos são: a explicitação. de algo comum entre quem fala e quem ouve (algo com que todos concordam): At 19. 6-12 orgulhojhumildade).

com base na coerência entre a ação e seus efeitos. Ambos são ao mesmo tempo biográficos e simbulêuticos. há elementos do gênero veterotestamentário-ju- daico dos testamentos literários (publicados. a importante parte central consiste nas palavras do moribundo aos reunidos em tomo dele. lioN-DuFouR. 33·55.). que ultrapassem o tempo do leitor. e sim pregação.17-38)". por exemplo. Sobre o gênero literário ultima verba: cf. A moldura final consiste nas instruções sobre o sepultamento e as notícias sobre a morte. como as séries de confis- sões negativas... lAMBRECHT. 2. "Poul's Farewell-Address at Miletus [Acts 20. outros gêneros. E tudo o que é dito sobre "o futuro" não é profecia. Los discursos de Adios de Gen 49 a ln 13-17. Os demais elementos do "testamento" orientam-se para essa mesma finalidade ética. admoestações e C. e eles podem também se repetir. predições do futuro (referentes ao futuro da tribo e de todo Israel). Os "testamentos" têm estrutura fixa.Os vaticínios sobre o futuro. "Das letzte Mahl Jesu und die testamenta- rische Tradition nach lk 22". 3. sonhos. Também a situação da hora da morte ganha nisso sua função: é a última e mais madura oportunidade para alegar as experiências da vida inteira. Les Aetes.(1-14)15-17. aconselhador desse gênero. 1976. Barcelona. convencer. Essa fala é composta de: A. Pelo caráter pseudepigráfico. E o leitor deveria viver me- lhor do que seus antepassados no tempo entre a morte do patriarca e a atualidade. A novamente como confissão final do moribundo. com- pare-se 2 Tm 4. hinos e diálogos. além disso. Um testamento. ANRW. ele está com os dois pés no aquém (Von Nordheim). in J. argumentativo. 1979. L.5/6-8 aJo 21. 1257·1259. esclarecer. Die abschiedsrede des Paulus an dieKirche Apg 20. visões. Motivgeschichte und theologische Bedeutung IStANl 35). lH. "Poul's Abschiedsrede in lhe Acts of the Apostles". que relata virtudes e vícios. Por isso não há também nenhum esclarecimento sobre o além. mas não há tais gê- neros no NT. em resumo.O ato testamentário é a indicação do sucessor no fim da vida. o enterro e o luto.·J. CORTÉS. 72 ! I . Assim. in HThR 69 (1976) 9-30.17·38. De div. dão a entender que as conseqüências dos atos humanos se estendem até o futuro. que até então puderam ser corrigidas e comprovadas. por E. . pois. pela proximidade do mundo celeste. Von Nordheim insiste muito no caráter sapiencial. Em Jo 13 e 16. uma autobiografia moralizante. J. O "moribun- do" conta acontecimentos de sua vida. München. demonstrando os erros e os acertos de sua conduta. a) O gênero "testamento" tem sidoestudadointensivamente com os seguintes resultados: 1. Trata-se antes de aproveitar a sabedoria dos antigos como ajuda para as gerações futuras. O gênero ''testamento'' abrange. 1973. A hora da morte não é por si mesma. toma-se possível desdobrar o tempo entre a morte do patriarca e o presente como vaticinium ex eventu. Os "testamentos" querem persuadir. À moldura inicial pertence sobretudo a referência à morte iminente. in ZKTh 103 (1981). a hora de fazer profecias (contra Cícero.A ordem dos elementos A e C pode ser trocada. 130. v. viagens celestes. elementos da antiga "consolação" desempenham papel importante. é "o resumo de toda uma vida. Nordheim) e do gê- nero profano ultima verba. O moribundo não está com um pé no além. B. de uma vida muito famosa". E. BUDESCHEIM. . Nas falas testamentárias do NT. KREMER (org.. 307·337. o passado transforma-se em exemplo didático negativo. . 64 divinare morientes). revezando exemplos animadores e intimidadores. X. Discursos testamentários NT: H. MICHEl.

De um modo geral. convencer e esclarecer. há no ''testamento'' um nexo bem estreito entre a vida do mestre e a doutrina que ele pretende representar. pois. . Diógenes Laércio. 73 . Os testamentos são um gênero de textos escritos. . Plutarco. b) Dentro do gênero dos ultima verba (cf. as quais têm tudo a ver com a autoridade paterna. uma forma judaica (eo ipso rejeitável) de ver a tradição. e explicitam isso pela freqüente referência às "escrituras" dos antepassados. a qual coincide cronologicamente com a mais forte helenização do judaísmo. etc. No estudo da maneira como este gênero foi recebido entre os cristãos. orientando-se pelos exempla maiorum. desempenha papel tão relevante.-Fílon. há textos que se aproximam muito dos "testamentos". definida como "amor". mas da conser- vação ou do abandono de determinada orientação. 2. Licurgo 29 (exortando e ensinando uma grande assembléia): " deviam permanecer (emménein) nas leis existentes. fundamentada na autoridade dos antepassados. da congruência entre a doutrina e a vida. fala-se por demais em visões. Esta é a minha última palavra: Não te esqueças: tiveste um tio imperador". Ps. 1257-1259). Nesse gênero não se trata exclusivamente de persuadir. não se trata do nexo sapiencial entre os atos e seus efeitos. foi decisivo o fato de Jesus ter reunido discípulos em tomo de si. Isso é formulado.. Pois é só com essa condição que a tribo. os "testamentos" estão orientados especialmente para a situação na diáspora. Plutarco. Portanto. em TestSim 7. não ter medo. exorta seu sobrinho Coceio para "não perder a coragem. contra a intenção de Jesus. e isso se verifica não apenas nos escritos que têm o título de "testamento". Os testamentos. ANRW.depois de ter recomenda- do a seus amigos que continuassem a se lembrar de seus ensinamentos ''.Os exemplos do AT (as formas mais antigas são Gn 49: Jacó e seus doze filhos. ao morrer. Contra Von Nordheim. Como no caso da créia (cf. poderá sobreviver. estão intimamente ligados ao tmdicionalismo judaico. Ant. É sobretudo esse aspecto que toma compreensível por que o gênero "testamento" chegou a ter no judaísmo helenista uma importância comparável à das creias nos evangelhos (que têm um teor biográfico exemplar bem semelhante). julgamos também que o gênero "testamento" não evitou com rigor todo pensamento no "além". §§ 25-29).3: "Por isso vos ordeno essas coisas. das quais o próprio pai (ou a mãe agonizante) recebeu o transmitido.. 3. Trata-se do ideal pedagógico. e Dt 33: a bênção de Moisés) são muito insuficientes para explicar a enorme florescência do gênero. especificamente helenista. Bibl. a fim de que também vós as ordeneisa vossosfilhos e eles as observem nas suas gerações". Em concordância com o peso muito especial atribuído à tradição. tal idéia é "moderna" demais. O imperador 010. a falsa idéia de que por seu uso se tivesse infiltrado. e não mudar nada nem abolir". É por esse motivo que sobretudo a idéia da solidariedade social. dever-se-á superar. Também a sal- vação prometida para o futuro não pode ser compreendida simplesmente como conse- qüência do agir humano. antes de mais nada. mas também em textos como Jub.. Oto 16. desenvolveu- -se na literatura dos testamentos uma grande sensibilidade em tomo da convicção de que toda desgraça é causada por desvios na doutrina e pela atividade ée falsos mestres. Trata-se da transmissão intacta (e por isso escrita) de uma herança. por exemplo. . Pelo con- trário. Vida dos filósofos X 16 (sobre Epicuro): " . Discursos testamentários A isso cumpre acrescentar sobretudo o seguinte: 1. e todo Israel.

pelo menos nos contextos sobre escravose donos de casa.depoisda partida do senhorda casa. É. §§ 39. monet) Díon Crisóstomo. Eles tomam seu lugar. (44) Deus.7.. pela vigilância. 22-24: previsão de seu próprio sofrimento iminente (prisão. Juntamente com a exortação à vigilância. Anais 16. a fim de gozar de todos os bens. é sempre uma atitude do tempo intermédio. mas também as predições a respeito dos "lobos ferozes" e dos falsos mestres. eaceito conformado meu destino. Falsos mestres virão. Elementos típicos do gênero são: vv.. - vv. não vos entregueis à tristeza. como nada relatam sobre a morte de Paulo. (Segue-se uma longa explicação sobre os homens e o mundo e sobre suarelação comosDeuses. o Espírito garante a sobrevivência do rebanho. . c) No Novo Testamento. morte). então. sobre os quais os Atos depois não relatam mais nada. 25-3 I.. A exortação à vigilância no v.22-29. 74 I I . quando diz queos homens não podem de forma alguma recusar as dádivas dos deuses.nemreclamar doqueacontece segundo suavontade. ele o convida para ficar e fàz dele seucomensal e amigo. já que o estar vigilante.. At 20. é particulannente Homero. que observou atentamente como cada um secomportou à mesa . mas agora quemeudestino já secumpriu e já vejo diante de meus olhos a morte. Especialmente surpreendentes são as numerosas auto-recomendações (compare- -se 2Cor 11. 31 pode nos lembrar que também na tradição sinótica as exortações à vigilância devem ser entendidas em sentido testamentário. pois. dos textos judaicos. para que cuidem do rebanho. exortação aos "seguidores"..vv. para ver o contraste).8-44 (Discurso de Timarco): "Meu destino cumpriu-se da maneira como a Deus agradou. Quem recomenda isso. É ele quem garante a continuidade. provavelmente por sera bebida da divina e verdadeira sobriedade". do banquete:) (29) Os seres humanos entram neste mundo como pata umafesta. No lugar das profecias sobre o destino de Israel entrou sem esforço a predição do futuro da comunidade. O manter-se fiel. não faltando (v. com admoestação sobre as posses. o Espírito entrou no lugar da conservação das tradições paternas. aflição. Discursos testamentários Tácito. mas é muito mais clara e pura.pois tudo acontece na suaprópria casa-. no tempo intermédio. O discurso termina coma parábola. convidados pelo Reidos Deuses pata um banquete pomposo. (43) Quando chega a hora da despedida.17-38: testamento de Paulo à comunidade de Éfeso. no testamento de Paulo que Lucas se refere de maneira mais clara a seu próprio tempo (depois da morte de Paulo). O último descreve primeiro a situação do ''testamento''. 28b) a descrição da Igreja como "propriedade de Deus" (como outrora Israel).. como numa refeição. (9)Essa é a minha convicção.28a. desenvolve em seguida. Não podemos achar duro.34 (hortatur. ar. . Nos primeiros quatro textos. Estou falando estas palavras nãonum momento qualquer. pois todas elas são boas e servem pata o nosso bem. Conclusão da fala com uma sentença ("Há mais felicidade em dar do que em receber"). e é com muita razão queelechama de dádivas as obras dos Deuses. amplamente elaborada. 18-21: retrospectiva e prestação de contas (auto-recomendação). queé semelhante à bebida da sobriedade. largamente. . o gênero "testamento" desempenha grande papel nos seguintes textos: 1.vv. Recomenda-se a vigilância. chama osmelho- res pata perto de si.Enquanto puderdes. 42). Doravante será servido o néctar.e quando se compraz sobremaneira com alguém. Em 20. além de outros sábios. 30.. predomina o elemento da exortação. eis a "situação real" das exortações à vigilância (cf. uma dou- trina filosófica e termina com uma parábola que interpreta a morte e ajuda a entender a fala testamentária de Jesus em Lc 22. 32-35: auto-recomendação como exemplo.

2Tm alega o exemplo pessoal.23s. fmalmente. 13.18) e o dos discípulos (v. 4.17 (predição de falsos mestres). 13s. Em At 20. 14. A diferença consiste no fato de essas coisas não valerem de um modo geral para todo e qualquer homem bom. interpretação da morte (v. 13. 13. 24-27a. o esquema do gênero judaico manteve-se em estado mais puro.18-30 Narrativa: predição e realização.1-3. 2. que Lucas com- bina com elementos do gênero "testamento".25. determinação da liderança na comunidade depois de Jesus (vv. 3. Díon Crisóstomo coloca isso no tempo presente. Os elementos testamentários estão muito disseminados. e pela exortação pessoal. "a última ceia de Jesus como testamento". 3. 28). 13. Jesus repre- senta seu próprio futuro (vv.1 (vigilância! cf. Há elementos testamentários em 1.21 para quem observa os manda- mentos de Jesus.2.14) . só chega ao banquete celeste quem perseverou na terra (v. porém. Fica claro.2) . e compara o serviço na comunidade com o servir à mesa (v.predição sobre falsos mestres (3. auto-recomendação de Jesus como exemplo (vv. 1.13: alerta!) e 3.Exortações à fidelidade (1. 35-38). 5. 21-23). nos Test XII. Em Díon Crisóstomo trata-se de uma interpretação da morte.3). Elemen- tos de consolatio: a partida de Jesus tem sentido positivo (pergunta de Pedro 13.26. Como em Díon. O texto como um todo é antes caracterizado pelo gênero "carta" (fictício).36-14. Trata-se de cartas. Alusão à despedida. 2Pd pode ser avaliado de maneira semelhante.2 (apelo à tradição). 75 . predição da traição = apostasia (vv. 4. discussão sobre o primeiro lugar (vv. Tomé. Igualmente 14.4. não.Anúncio da morte iminente (4. 3. Felipe e Judas. 2Pd. Discursos testamentários 2. Não é em todas as partes que se trata de temas testamentários. judaicos. 15-18). 26s). bem como em 3. contém os seguintes elementos testamentários: anúncio da morte (vv.12-15 (anúncio da morte para breve) e em 2.1-17 Ação simbólica e interpretação do sinal não-compreendido. tal discussão é resolvida pela constituição de Levi e Judá como líderes).1--4. Elementos testamentários em 2Tm: Paulo dirige-se à Timóteo como seu "fi- lho" (1. algo semelhante: 14. previsão das aflições iminentes (vv. assim. Predição do futuro: 14. 28-34: entrega do Reino aos discípulos e oração por Pedro apesar de sua negação e.9s. que de tudo dispõe. 16. que Lc 22 (no quadro de um simpósio!) está evidentemente sob influência do gênero literário pagão "discurso de despedida". 30) na imagem do ban- quete.7-38. . Nem em 2Pd nem em 2Tm encontra- se a composição rigorosa dos testamentos judaicos.encorajamento para transmitir a mensagem também a outros (2. supra a)].28s) Elementos testamentários: ato e efeito: 14.1- 9. Os sermões de despedida do Evangelho joanino foram compostos com mate- rial formalmente muito diversificado.13 e 4. Lc 22.31-35 Discurso testamentário I (Elementos testamentários: o anúncio da morte iminente e o mandamento do amor mútuo [cf.31 Diálogo doutrinário com os discípulos Pedro. mas dependerem do poder de Jesus. 27b).7s) . em Lc toda a ceia tem esse sentido. 19s).6). Como na parábola do discurso de despedida em Díon Crisóstomo.36--14.

também § 100.. Nisso. tem também seu lado bom..1-8 Admoestação metafórica (videira)." . são um sintoma da orientação cristã para "o come- ço". Assim. ex. fenomenologicamente. também At 9. mas o último ato testamen- tário.: ANRW. respondendo ao v. 15. Sobre traços comparáveis em "consolações" antigas. Sêneca.. como substituindo o testamento escrito). 16. Canso/ação a Márcia 19. os numerais romanos serão usados como referência). cf. 18-23 [cf. como em muitos outros textos. Me 9. a installatio (vv.4: "lembra-te como é bom morrer na hora certa . E a tristeza há de se converter em alegria. e os traços autobio- gráficos de autolegitimação no capo 17. .. especialmente os vv.o Pai .22. teu filho abandonou os limites dentro dos quais o homem é escravo. foi admitido na grande paz eterna.32 Predição testamentária de infidelidade.4 Discurso testamentário 11 15. além disso.1-26 Oração de intercessão. orientação que depois se tomou também uma função do cânon inteiro.20. O bem mais importante é que agora o Paráclito pode vir. um bem. ANRW 1198-1201 e.12. IV. 17. onde nada o pode espantar.. Discursos testamentários 15.4 Predição da perseguição (vaticínio testamentário). na primeira pessoa do singular (eu .9-17 O mandamento do amor (testamentário) 15..1-16. de onde nada o pode expulsar. a marca de outro gênero antigo: a conso/atio. 4.6. anúncio da despedida." A importância histórica dos discursos testamentários consiste no fato de se refe- rirem explicitamente ao tempo posterior ao falecimento de quem os profere. Uma das carac- terísticas particulares desse gênero é que a morte não é exclusivamente negativa. e depois aparecem. ele está lá... 76 . de quem está destinado à morte. p. . predição de perseguição e apostasia. encontra-se também em Jo 21.7. apre- sentado como autoridade.A indicação do sucessor. 16.18-16. Elementos testamentários: "permanecer". na verdade.vós)..8. 1092-1110.5-33 Consolação: O ir-se emboraé.26.12s]). no sentido de guardara continuidade para além da despedida. 15-17) e um vaticínio pessoal (vv. Créias e apotegmas BibJ.4: "Pensa bem: nada de ruim atinge aos falecidos . Os seguintes textos do N'I' são designados como créias e/ou apotegmas (na aná- lise seguinte. cf. Em grande parte concebida como relato de prestação de contas (e por isso também como autolegitimação implicita).29-33 Diálogo final 16. os elementos testamentários mais importantes são: exortação ao amor mútuo.15s e talvez de modo análogo. 31. expressa nestes discursos (que pode ser imaginada também. que não é um capítulo posteriormente acrescentado.Importante é que em Jo grandes partes do texto têm. executado agora pelo Kyrios glorificado: seu poder e sua identidade são prova- dos pelo milagre (ao mesmo tempo "sinal").

Mt 8.34-40. Lc 10. Mt 24.1-8. Lc 21.6-13 (a unção de Jesus) De Q: XXVII.19-21 (a verdadeira parentela) VI A.1 (o fermento) X.1-5 (arrancar espigas) V.53-58 (o profeta na sua pátria) VII.1-13 (a tentação no deserto) XXVIII. Mt 19.1-6.24-27 (o imposto do templo) XXXIV.46-48 (quem é o maior?) XI.31-35. Mt 22. Mc 8. Mc 9. Lc 10.41-44. 16. Mc 11.46-50.18-22.12s.41-44 (pergunta do filho de Davi) XXII. Lc 9. Mt 13. Lc 9.14s (perguntas ao Batista) XXXVII. Mc 3.1-2.25s.28-30 (a pergunta de Pedro) XVII. Mt 20. Lc 3.35-37a.33-37. Mt 19. Mc 2.lOs.13-16.23-28. Mt 15. Mc 10.23-30. Mt 4.3-36.18-23 (a pergunta do Batista) Exclusivo de Mt: XXX. Mc 10. agente de Belzebu?) XLI.14-15.49-50 (o exorcista estranho) XII.1-2. Lc 12. Mt 19. Lc 21. Mt 9. Mc 10.18-22.26s. Mc 12. Lc 20.15-17 (bênção das crianças) XlV. Me 2. Mc 12. Lc 20. Mt 12.30-32 (comer com os publicanos) III. Mc 8.61s. Mc 10. Mt 19.26s (quem pode ser salvo?) XVI. Mc 14. Lc 4.1-4 (a moedinha da viúva) XXIV. Mt 18. Mc 13.1-19 (20) (pureza) VIII.16-22. Lc 9. Lc 18. Mt 12. Mt 15. Discursos testamentários De Mc: I. Mt 21. Mt 24.12-15 (pergunta sobre os fariseus) XXXIII.33-39 (questão do jejum) IV. Mt 11.23-33.20-23 (o pedido dos filhos de Zebedeu) XVIII.29-37 (continuação de XXI) (parábola do samaritano) XXXIX. Mt 9. Lc 18.27-28 (bem-aventurada a mãe de Jesus) 77 .5-6.27-40 (a pergunta dos saduceus) XXI.15-16 (aclamação das crianças) Exclusivo de Lc: XXXVI.38-42 (40-42) (Maria e Marta) XL.41-46.1-5. Mt 12.3-9. Lc 11. (seguir Jesus) XXIX. Mc 1O.23-27.13-17. Lc 5.7-36 (apocalipse) XXVI. Lc 8. Mt 19. Lc 21.10-12 (cura no sábado) (dentro de um relato de milagre) XXXII. Me 10. Mc 9. Me 1.1-8 (a autoridade de Jesus) XIX.2-6.1-12. Lc 20. Mc 2.25-97 (Jesus e Belzebu) VI. Mc 3.57s.36-38 (a colheita é grande) XXXI.18-27.28-31.38-41.18-23 (o jovem rico) Xv. Mt 22.1-11. Lc 6. Me 12. Mc 6. Lc 5. Mt 16.35-38 (saída de Cafarnaum) II. Lc 7. Mc 7.20-26 (o imposto devido a César) XX.1-12 (divórcio) XIII. Lc 10.28-34.27-30. Lc 18.5-6 (a destruição do templo) XXv.14-23 (Jesus. Mt 12.14-17.1-4 (recusa de um sinal) IX. Lc 18. Mc 12.1-13 (23). Mt 21.21-35 (o perdão) xxxv. Mc 13.11-13. Mt 22. Lc 10. Mt 18.13-15. Mc 12.16s. Mt 22. Lc 11.27-33.11-13.35-40.25-28 (o primeiro mandamento) XXIII.17-20 (a volta dos setenta) XXXVIII.17-22. Mt 9. MT 26.3-37. Mt 17. Lc 20. Mt 12.15-22.38-39.

Usaremos no que segue o termo "créia".X.31-35 (profecias sobre si mesmo e sobre Jerusalém) XLVII.1-9 (a urgência da conversão) XIV Lc 13. Lc 13.25-26 (João/Jesus) Ll.30-31 (que devo fazer?) § 25. Lc 13. é um subgênero da créia. Jo 11. Lc 11. Fundamentos do gênero " cré ia" I. no apo- tegma ou na créia ele é atribuído a determinada autoridade. O apotegma. 78 I I . é chamada apotegma.22-30 (Israel e o Reino) XLVI. Jo 4. Na créia. portanto. Jo 1.37-39 (que devemos fazer?) LXVII. a créia tem a ten- dência natural de se tomar material de construção para o gênero ''biografia'' (cf.24-27 (por que batizas?) LVII.1-9 (manifesta-te ao mundo) LXIII. E. Lc 14. Decisiva. Lc 19. no apotegma e na créia. At 2. a ligação à situação e ao caso concreto é mais pronunciada e a resposta pode também ser mais longa.8-10 (por que voltas para Jerusalém?) LXV.1-6 (o hidrópico) (créia: vv. Causa e reação andam sem- pre juntas. At 16. Na créia clássica.24-27 (quem é o maior?) Jo: LVI. Lc 15.37-40 (a alegria dos discípulos) LV. a Lei) LI. A forma mais curta.30ss (pedem um sinal) LXII. 3-6) XLVIII. muitas vezes apenas uma gnome ou uma sentença. Fundamentos do gênero "créio" XLII. .14-31 (o dinheiro enganador. Jo 8. Jo 6.1-11 (a mulher adúltera) LXIV.1-10 (Zaqueu) Ll'V Lc 19. nele costuma haver somente uma pessoa que pergunta e uma que responde. § 100). aí usa-se o termo "créia verbal". Lc 12.37-44.1-8 (a unção de Jesus) At: LXVI. Mesmo quando antes se tratava de um material sem dono.15-24 (parábola do banquete) XLIX. Lc 22.1-32 (comer com os pecadores) L.28-29 (que devemos fazer?) LXI. Jo 3.45-54 (contra fariseus e escribas) XLIII. já que a causa e a situação resultam da vida da pessoa. é a atribuição de um pronunciamento a uma pessoa histórica.13-21 (parábola do rico insensato) XLIV. Lc 14. Lc 17. Jo 12. a fala ocasionada é breve. que obedece ao esquema "x (nome) foi perguntado sobre y (assunto) e disse z (sentença ou gnome)".5-10 (fé e fidelidade) UI. Lc 17.20-21 (o Reino de Deus está entre vós) UII. mas às vezes o termo apotegma seria igualmente apropriado. Jo 7.13-22 (purificação do templo) LVIII. Jo 6. Jo 2. Lc 16. mas transcendendo-a.O que resulta da situação pode ser umafala. Definição: O termo "créia" designa uma fala ou ação ocasionada na vida de uma pessa importante pela situação.31-34 (o alimento de Jesus) LX.

C. que gosta de questionar valores e dignidades socialmente aceitos. eventualmente acompanha- da de palavras. IV a.ex.9. O gênero. os quais constituíam a formação básica.4.Já que as créias eram praticadas especialmente na tradição cínica (cf. então. A fábula e a créia pertenciam aos graus mais elementares (depois vinha a ékphrasis [descri- ção] etc. na bênção das crianças (XIII). Vida de Dêmonax). Isso pode ser provado desde as Memorabilia de Xenofonte sobre Sócrates (a créia é um subgênero do apomnemoneuma).1-3 (X). de uma créia de ação ou (quando há ação e palavras) de uma "créia mista". mas na tradição tanaítica ainda não há quase nenhum paralelismo com o uso do gênero nos evangelhos. mas ainda não penetrara na tradição religiosa do judaísmo. e as créias de Me 12 (XIX-XXII) mostram. e é nisso que também em Josefo a origem não-bíblica se manifesta. que significa aplicação (de uma gnome a determinado caso). Em Josefo nenhuma créia se situa antes da época dos persas. Fundamentos do gênero "créío" . 1.O que é ocasionado pode ser também uma ação. o gênero é conhecido e empregado entre judeus de primorosa formação helenista. o tipo 11 em Mt 18. Pode-se demonstrar que o fato de várias créias sobre uma pessoa serem cole- cionadas por escrito teve grande importância para a origem das antigas biografias. a pessoa que reage mostra espirituosidade e esperteza. esperteza e inteligência. Inst. 1296-1299). como toda essa tradição. Mesmo na literatura intermediária ainda são extremamente raras. já está presente em Xenofonte. . O tipo I teríamos em XXX.).e. um processo bem radical de helenização (cf. porque nas antigas escolas de retórica elas pertenciam aos progymnásmata. originariamente impregnado de rigor escatológico.. B. ter- -se-ia tornado algo deste mundo. 1105-1110). Fílon deve quase todas suas créias à história e à mitologia gregas (somente em De Abrahamo. Fala-se. até Luciano (p. É neste gênero. 5. precisamente. As créias eram muito difundidas. sobre filósofos e políticos. O uso extensivo desse gênero nos evangelhos mostra. Mas tal esquema de evolução é preconcebido. 3. Podemos. ele usa o gênero para uma figura bíblica). As créias não são nenhum gênero veterotestamentário-judaico. divide as créias de acordo com a maneira como são introduzidas: I (ele falou). elas. Dibelius quis negar tal coisa a Jesus e atribuiu a penetração paulatina das créias ao processo pelo qual o evangelho. 11 (ele foi perguntado) e III (quando alguém havia falado ou feito alguma coisa). são de origem helenista-grega. o tipo III em XLIV. A palavra créia é transcrição da palavra grega chreia. .Quintiliano. 2. em comparação com o judaísmo "palestinense". de maneira insofismável. As créias têm determinadas características de conteúdo: . Schaller) e na tradição de Aicar.Na créia clássica. por exemplo. ANRW. M.É verdade que os rabinos posteriores adotaram com bastante freqüência este gênero. pois. portanto. existiram coleções de créias. para oradores e literatos (cf. gregas. e desde o séc. 4. que o potencial crítico 79 . porém. costumeira a partir do século 11 a. a maior parte encontra-se no Testamento de Jó (trad. afirmar: os textos que correspondem mais de perto às créias dos evangelhos encontram-se em c0- leções pagãs. passando pelas Vitae parallelae de Plutarco. também ANRW. No século I d. caracterizam-se por um laço fortemente crítico.C. . 260s. ambos de origem não-palestina. a tradição sobre Diógenes nas Vidas dos filósofos de Diógenes Laércio).

mas tam- bém na do Batista (XXXVI. "utópico": a dependência mútua entre sabedoria e auto- ridade. R. que nem sequer corresponde ao caráter diferenciado da fala oral (aliás. Por causa da história desse gênero em geral. Na boca de filósofos. sem nada de milagroso ou sobrenatural. é dado quando se faz uma coleção de créias de determinada autoridade. . . § 26. Creio carecer de fundamento a tese de R. Para Bultrnan. Bultrnann. Nisso supõe-se um esquema ingênuo de evolução. Neste gênero. Mas isso não significa absolutamente nenhuma "mun- danização" ou falsificação da mensagem de Jesus. Bultrnann formula a seguinte "lei da evolução": "Nos detalhes rege a fantasia". as créias têm importante status social. LXVI). Em Die Erforschung der synoptischen Evangelien (Giessen 1925. Esse traço dominante de racionalidade crítica conservou-se. Os "discípulos" teriam sido originalmente um grupo indeterminado de sequazes. embora cite a mesma palavra).Em todo caso. a responsabilidade pela grande maioria das créias do cristianismo primitivo cabe sem dúvida às comunidades de ca- ráter mais fortemente grego (e menos genuinamente palestino. a sabedoria formulada costuma ser "útil" para o grupo que a transmite. apenas tomou-se impossível demonstrar sua inserção situacional. segundo a qual no início da evolução das créias neotestamentárias teria havido só a palavra isolada. Problemas relativos à classificação das créias da mensagem se traduz de maneira que possa surtir efeito na prática. e os próprios apotegmas ainda teriam se avolumado pelo acréscimo de logia independentes. original é para Bultrnann sempre aquilo que tem um aspecto arredondado e conciso. não é disso que se trata). de sorte que se poderia falar na "força geradora" dessa forma literária. XXX é formulado como créia. Por isso. portanto. mesmo quando as créias penetraram em narrativas de milagres (XXXI. em Q encontram-se apenas três textos do gênero). 49). pois aí é elas cuidam da parte argumentativa. R. 6. políticos ou reis. 22). e tudo o que não corresponde a essa forma seria "evolução". pelo menos em parte. no Apophtegmata Patrum. mas de utilidade crítica. em Lc não. Uma autoridade é respeitada como tal quando tem algo de útil a dizer. E como. XLVII). Bultrnann (GST 8-73) dividiu os apophthegmata em "diálogos" (de discus- são e ensinamento) e "apotegmas biográficos". não se trata de "cultura grega". É exatamente com relação às créias que aparece um elemento "ideal". Problemas relativos à classificação das créias 1. a introdução desse gênero acontece em nível redacional e diferentemente dos outros sinóticos (em Mt. LV. Em consonância com isso. LVII) e dos apóstolos (LXV. na boca dos monges antigos (também aí como coleção de materiais que se devem a diversas autoridades). somente mais tarde teriam aparecido o número de doze e os nomes individuais de alguns. portanto. Os critérios para essa distinção são 80 I I . tudo isso não diz nada sobre a "inautenticidade" das respectivas palavras de Jesus. têm caráter de norma para grande número de pessoas.Na tradição pagã as créias são totalmente racionais. O passo decisivo em direção à biografia. que se sentem obrigadas a acatar a autoridade mencionada. que teria "gerado" a situação ou a cena (GTS 20. no NT encontram-se créias não somente na boca de Jesus. Isso supõe também que o não-nomeado posteriormente receba nome.

1-6 e At 3. ANRW. As créias dos evangelhos abordam principalmente problemas internos das comunidades. Lc 13. os ouvintes se escandalizam com a ação de Jesus (Me 2. Tem ela a função. O que mantém unido o grupo dos discípulos é seu ensinamento. se refere à fala do próprio Jesus. seu exemplo. É preciso verificar também se todas as narrativas em que a palavra de Jesus traz a solução do problema (p. Pois o fato de que a palavra da resposta causa uma cura não modifica o gênero literário. devendo ser designadas como uma espécie de créias dramáticas. então. Sobre a classificação de R. figura revestida de autoridade. Há créias.10-17. Mt 9. O exegeta encontra-se então diante de uma escolha: ou ele cria para essas formas mais longas. e sobre um sistema nosso. talvez. Jesus é apresentado como o Mestre. C. infra §§ 78. de uma medida de proteção contra um mecanismo muito rígido de classificação (cf.1-21: autotestemunho e cura). Bultmann. de evidenciar e de não deixar esquecer a relação entre as créias tradicionais e os relatos de milagres e de vocações. pois tem a vanta- gem de. não apenas opera jun- 81 . 3. Decidi-me por essa última opção. porém. portanto.17-26): perdão dos pecados e cura. Uma série de "relatos de milagre" (cuja identifi- cação como gênero literário aqui nos parece inapropriada. Isso condiz com o papel da importância política e social das créias em geral. nos casos evidentes de transição. A brevidade original tinha sua razão de ser no fato de que se reelaboraram gnomes e sentenças. mas são claramente "ocasionados". 3. na primeira pessoa. Lc 5. 2. Para elas valem. Como em outras créias. com uma evolução con- siderável dentro do gênero. Uma novidade. aberto. mas também. Lc 5.1-8. Existe naturalmente a desvantagem de que se deve contar. o qual. cf. cuja resposta. Finalmente (como acontece com créias e pa- rábolas). de palavra e ação. são formadas séries de relatos de milagre com palavras decisivas de Jesus ou com sua ação transformando o destino de alguém.81). um nome novo. 4. a fala é um diálogo. é a da "créia dramática". Mt 9. pois toda créia já é altamente biográfica. § 27. não precisar de separações forçadas. um caso clássico é Me 2. pode ser enten- dida como "créias dramáticas e mistas" (que consistem numa palavra e numa ação).21.1-6. § 78). 1096-1110. portanto.1-12 (par.ex.27-31) não são. por estar ancorada numa situação. que precisa de explicação. que completa as categorias de R. As créias na história do cristianismo primitivo muito imprecisos. como ações mediante palavras. biográfica e situacionalmente. Tannehill e outros. Para uma parte dos textos. na base da estrutura biográfica da créia.20-22. cf. ou mantém a designação "créia" e conta com certas evoluções dentro da história dos gêneros literários. por uma pergunta ou uma objeção. e sobretudo.6-7. também Mc 1. sobretudo. também aqui. As créias na história do cristianismo primitivo I. 14.29-31. estruturalmente do mesmo tipo que as créias. certos princípios que se encontram também nos casos de palavras transmitidas. conto com créias ampliadas. pela própria natureza da coisa. Trata-se. e isso seria então um critério para a classificação. semelhantes às créias. Mas esse preço me pareceu menos alto que a mera justaposição de gêneros.. No NT há muitos textos que ultrapassam a brevidade na resposta exigida para a créia clássica.

LXIV). do papel das crianças na comunidade (XIV). não).. escutando-o enquanto ainda está presente. por ser um gênero biográfico (v.14ss). a profissão de fé. XXXIX.ex. XXVI e Lxv. como um todo. pela oração (XXX). uma delimitação que exclui outros grupos cristãos é rejeitada como sendo um erro. Maria. por conseguinte. Havia lá um cris- tianismo não ou apenas tardiamente coordenado com o de Jerusalém. renunciam propositadamente a uma adaptação com base em sua própria situação. VI e XLI (superação do parentesco. unge-o (os pobres sempre estão aí. da escolha de missionários. XI em Me 9. serviço. depois. bem como em XLVIII (simpósios). ao distinguir o tempo em que o esposo está presente e o tempo em que está longe. O importante é que a pergunta sobre a força carismática da fé é assumida e interpretada pelo conceito do serviço abnegado dos escravos que fazem apenas o seu dever. pelo contrário. por exemplo.. como alhures. responde-se a problemas típicos da comunidade com uma parábola sobre escravos. Problemas das comunidades eram também as questões em tomo do discipulado e do "seguir Jesus" com radicalismo.33). essas frases participam disso: estabelecem padrões exemplares e. conforme narrado também em At (p. sobre a síncrise. Essas créias contêm sem dúvida reminiscências da práxis de Jesus e dos primeiros missionários itinerantes. Que sentido tiveram para os evangelistas? Já que o gênero "evangelho". possui caráter de exemplo.. foi feito a mim (e ao meu Pai)" (X. Jesus. Marta faz sempre aquilo que compete também à comunidade (posterior): obras.17ss). chora quando Jesus chora (Jo 11.Que reflexões desta natureza não eram desconhecidas às comunidades mostra-o II (igualmente numa créia). radicais. Se nos lembramos disso. respeitam a singularidade da práxis de Jesus e de seus primeiros discípulos. § 85. entendemos que o bom exemplo de Marta em Jo 11 não "abafa" Maria. representa o que foi exclusivo da vida terrestre de Jesus: escuta-o. Em X e LIV. Também é um problema saber saber se é preciso pagar impostos. assim também no caso dos "irmãos de Jesus" em LXII). XVII.35. A casa como lugar de pregação e práxis comunitária aparece nas créias LlII. 11. está em evidência quan- 82 'I I . pelo princípio: "o que fez a. XVI. mas é também explicitamente realçado em seu ensinamento. A afinidade entre as créias e as narrativas de exemplos fica clara por Lc 10. Nas figuras de Maria e Marta (XXVI. mais tarde. aí. aos quais pertence também Paulo. As créias na história do cristianismo primitivo tamente com sua palavra. a própria comunidade reflete sobre a diferença entre a situação antes e depois da Páscoa (cf também Jo 11. Maria expressa a estrita unicidade da vida de Jesus. aceitando o mesmo destino que o "Filho do Homem" (o martírio: XVII). Em primeiro lugar. Em XI (o exorcista estranho). O fato de serem mencionados Pedro e João aponta provavelmente para a Samaria (cf. em favor da comunidade. . Maria e Marta correspondem à oposição que sempre há entre duas mulheres na protréptica grega. 13. e o divórcio é discutido (XII).41). A importância da relação dos de fora para com os discípulos é realçada. infra). e quais (XIX e XXXIII). XIII (crianças). . como são tratadas em XXVIII. § 64).. a expectativa de ficar sem pátria. XIV-XVI). a renúncia às riquezas e.Além disso. trata-se da ordem na comunidade ("quem é o maior?"). XlV. terá de ser desfeita. At 8. está o abandono dos laços familiares.1-3). Também na créia LI trata-se de problemas comunitários. Mas a missão também não pode ficar limitada a um só lugar (I). Também é abordado o problema da riqueza (XLIII. do perdão dentro da comunidade (XXXIV).38-42 (cf.

Estreitamente ligadas ao pedido de acabar com o caráter escondido da atividade de Jesus (LXI) estão créias em que se pede a Jesus um sinal que o legitime (VIII. à sua morte e ressurreição. infra § 100). LVII. As créias sobre o contato de Jesus com publicanos e pecadores têm para os evangelistas. que não é o Filho do Homem quem causará essa destruição (contra Me 14. a profecia da salvação para os gentios está ligada a uma profecia de desgraça para Israel. Essa pergunta. XII). Aí. o sentido de fundamentar na vida do próprio Mestre. sobretudo LlV (as pedras gritarão: quem rejeitar a proclamação messiânica será atingido pelo Juízo).14). mas com menos clareza. Quanto a isso. porém.58. XXVI. pois esta. 83 . e de sua missão. Finalmente. mas também em XXXVIII (samaritanos). É óbvio que esse gênero é apropriado para isso: a combinação de ação e palavra e a brevidade do sinal indicativo são características tradicionais da créia. É de admirar quão raras são as créias que falam especificamente da pregação em Israel: LXVI não pertence à tradição sinótica.A relação com o Batista está desde o começo estreitamente ligada à pergunta pela própria legitimação de Jesus (XVIII. que é exatamente o lugar onde os nomes dos discípulos estão inscritos (também em 10. Em XLV. que é preciso relacionar esse texto com outro tema importante das créias: o destino de Jerusalém no ano 70. Jesus. . II e XLIX. XXIX. de uma legitimação. é a seguinte: exatamente porque Jesus se dirige a todo o Israel. V e XL). 18s é muito positivo). por si só. Em XXIV trata-se da profecia da destruição de Jerusalém.Da questão da descendência davídica trata-se em XXI e XXXV. 2. XLIV contém um va- ticínio sobre Jesus e outro sobre o Juízo que virá sobre Jerusalém (mas profetiza também uma reconciliação escatológica de Israel com seu Messias: Lc 13. em LlX. corrigindo. a descendência davídica de Jesus. toma-se particularmente aguda diante da atividade carismática de Jesus. LVII. os sinais de Jesus. pelo menos nos primeiros três textos citados. por sua vez. trata-se de acabar com a ambivalência (o Céu ou Satanás como origem deste poder). ainda não aponta univocamente para Deus (questão de Beelzebu. evidentemente. traz uma alusão à destruição do templo como palavra de Jesus. Os fenômenos carismáticos em si não são postos em dúvida (o relato nos vv. a missão entre os pagãos. Trata-se. o pedido de sinais de legitimação. numa casa (VII. aplicada. Outro conjunto de temas importantes abordado com créias é o de algumas questões cristológicas fundamentais e evidentemente muito antigas: a relação entre Jesus e o Batista. XXV esclarece. LXI). LVII). LV). são narrados em forma de créia (XIII. e finalmente. Não a expulsão dos demônios em si é Boa Nova. além da créia XLIV que fala do assunto. 3.21s trata-se novamente da origem do poder de Jesus: o Pai). Assim nas créias LlII (Zaqueu). Faz parte desse grupo. a formação das créias começa a entrar num contexto importante para a formação dos próprios evangelhos (cf. . Satanás caiu do céu. muitas vezes. sobretudo a créia XXXVII (Lc 10. portanto. 4. intimamente ligado a isso. depois. mas o fato de que isso acontece pela união de Jesus com o Céu. e XLIV já alude com tanta clareza ao iminente castigo de Israel. At 6. As créias na história do cristianismo primitivo do Jesus ensina os discípulos em particular.35). A idéia.17-20) é interessante. a questão da origem e da autoridade de Jesus e.

VII e XLIX.Argumentação com textos 84 I I .De igual freqüência e além disso semelhantes às sentenças são as respostas em forma de parábola.1-11 (LXIII). XLIV. (cf. a comunidade cristã não está somente na defensiva. XXVIII. da práxis do jejum: III). 5. porém. seu tom é agressivo. XXv. O fato de ter sido relatada indica que houve um debate acalorado. Problemas extemos da comunidade: as discussões de Jesus com grupos judaicos. A créia ampliada L esclarece isso: o sentido de toda a perícope é mostrar que a oposição religiosa contra os fariseus é igual a zero. por exemplo em VII. pelo menos. Em parte têm elas caráter defensivo. ainda não totalmente sem esperança. V. XLIII etc. aos pecadores em geral. posteriormente acrescentada ao Evangelho joanino. assim em lI.- Assim. naquilo que no judaísmo da época era concebível. e que o im- portante é uma oposição na vida prática: a renúncia às riquezas. não apenas significa- do histórico. das idéias sobre pureza: lI.15b). apologético (defesa da práxis cristã no sábado: IV. XI. XVI. XXXII. mas aqui se trata antes de estabelecer um diálogo com este grupo (também dentro do cristianismo?) com base num comportamento fiel à Lei.30). XLIII. XL. nas créias em: III (série). na diáspora. Ambas as coisas têm grande importância (ainda não suficientemente explorada) para a história da comunidade primitiva. VIII em Mt 16. O dirigir-se a todo O Israel implica o dirigir-se a pecadores. mas o conteúdo da Lei e dos Profetas visa ao desapego às riquezas. mas devem refletir a discussão central com os fariseus da diáspora (cf. o principal obstáculo estará vencido. infra § 53). XLVIII. A este contexto pertence também a perícope de Jo 8. a comunidade luta aqui com o grupo que tinha mais autoridade no judaísmo religioso fora da Palestina. XXXIX. inclu- sive aos pagãos. a resposta (ou uma parte dela) muitas vezes é formulada como gnome ou sentença. X. alcança também os publicanos e pecadores. De acordo com a forma da créia clássica. sobretudo com os fariseus.18). . XLVII. Aí também se trata de questões de comportamento em geral. Uma coisa é a conseqüência radical da outra. em que o problema da ressurreição. As chamadas disputas não passam de créias em que se responde às objeções criticas da parte dos adversários. LIV e LVIII. Sobre a forma das créias 1. Essas créias são exclusivamente apologéticas. se os fariseus praticarem isso de modo conseqüente. que do ponto de vista religioso é totalmente sem problema.17. A mesma coisa vale para XLII. o que se manifesta na combinação de créia e repre- ensão (uma novidade na história das formas). XL. IV. XLV.A discussão com os saduceus (XX) talvez tenha igualmente os fariseus como destinatários. pois esse não deixará de reagir às críticas. no tempo da formação dos evangelhos. as créias são testemunhas de delimitação e de discussões.1-4. isto é. XXXVIII. em todo caso. e de tentativas para ainda conquistar as melhores forças do judaísmo daquela época. LI. Ora.5g). infra § n. ela é até in- culcada com mais rigor: 16. A Lei vale para os cristãos (Lc 16. XXXI. e os tons polêmicos apenas têm sentido quando deles se espera algum resultado do grupo abordado. XLIX (série). têm nos evangelhos. pois a discussão trava-se inteiramente com base na Escritura ou. . L. indubitavelmente. L (Lc 16. LXIV . em outra parte. está apenas encaixado. os fariseus não são conhecidos historicamente como muito ricos. como em L (alusão à ressurreição em Lc 16. Sobre a forma das créias não excluindo ninguém. isto é. VII. § 28.

Reprimenda aos discípulos: LI. antiga. XXIII..ex.. Dentro da história dos gêneros literários existe uma estreita relação.Desde Platão. em lI-IV e em XXVII. ameaças de calamidades ou vaticínios em geral) também em créias que apresentam uma série de parábolas (V e XLIX). XLIV. em VIII. julgamentos. 5. dentro de XXVII e XXVIII. propriamente falando. . por exemplo. em XLV e XLVI. Condenações e críticas aos adversários judeus: IV. LXV. encontramos ampliação (via de regra por repreensões.18-23 e 29-37. XXVI. em 11. . também a avaliação da moedinha da viúva (XXIII). 4. em V. como em XXXII. XXIX. XX. XXXII e XLVII. O que condiz melhor com o estilo pagão é quando créias estão na conclusão de uma fala. em XXXIV e XXXV. XLV. Em XXXIII (imposto do templo). em VIII e IX. mas que está na mesma linha dos elementos proféticos. Pela argumentação baseada na Escri- tura. por exemplo.13). XII. 1101). Séries de créias correspondem às coleções pagãs de créias. mencionados em 2. A mesma coisa é indicada pelo "(amém). Aí o horizonte judaico das créias se manifesta. Trata-se sempre da unidade entre a doutrina e a vida. p. como tal. cf. Uma novidade em comparação com a créia pagã clássica é a combinação de créias com repreensões e anúncios de calamidades. acrescenta-se à créia. XLIV. podemos admitir que nesses casos formas de pregação profética se combinaram com o gênero créia. em V e VI. uma créia está inserida num relato de milagre. a série e a concate- nação das créias formam de fato um diálogo. XLII. 85 . uma créia segue o milagre.. ANRW. XlV. XXII. .coisa impensável para o gênero pagão. XLVI) e sobre outros (XXVI. em VII). em que os parceiros se revezam. como característica da fala de uma pessoa com autoridade (o que. O conjunto de créias XIV-XVI é um diálogo mais longo. Uma ligação com a pregação profética é sugerida também pelos julgamentos e avaliações nas créias (como não se encontram iguais em outros lugares) e especial- mente pelos vaticínios da pessoa que fala sobre si mesma (XXVI. entre a créia e o diálogo. a créia converte-se em diálogo em XII. XLVIII). XXIV.Anúncio de calamidade: XXIV. ou quando a créia alude à missão concentrada em alguma "casa" (LlII). cf. p. um milagre. XXVII. carismáticos. de outro lado.. Em Lc 18.Anúncio condicional de desgraça: XXXIV. .ex. em X e XI. 2. para a confirmação da autoridade . Ill. Além dos casos mencionados em 2. Nas créias pagãs estão nesse lugar sobretudo citações de Homero (cf. XLII em comparação com Mt 23).Aí trata-se realmente de material de constru- ção do gênero evangelho. não condiz com o caráter das créias). XLVI. IV. XLV. L e XII (dureza do coração). XXV). A série chama ainda mais a atenção quando as diversas créias têm a mesma estrutura. bem como em XIX-XXII. E é perfeitamente conforme à tradição grega quando uma créia se encontra no quadro de um simpósio (XXVI. 3. também diálo- gos escritos podem ser um gênero biográfico. . Todos esses elementos costumam contribuir para a ampliação da créia (cf. XXV. XLVI e também VIII (recusa de um sinal). a formação de uma créia. por exemplo. Também em XXXI e XLVII. em XII até XIV. XXXVI e LXVI. eu vos digo". XXI. VII. Sobre a forma das créios bíblicos encontram-se em II (Mt 9. singularmente. XXXv. em XIX até XXII. IV. poderia ser parcialmente secundária (cf. Como não existem exemplos análogos na história das formas literárias e.

XII (divórcio). Trata-se da pergunta. XX. XVI. porém. Defende-se. XLV. uma demonstratio (§ 79) com final negativo transforma-se. Ele. LVII. a novidade cristã (a práxis da comunidade ou a legitimidade de Jesus). XI. e argumentação dicâ- nica em XXXI e XLVII. créias apresentam estrutura argumentativa. ganhando função de parábola. 3. XLVII (curar no sábado). . XIII. XIII. As seguintes créias relacionam-se com a pregação da conversão: VI. Temos créias epidícticas em XX (a possibilidade da ressurreição). 1098s) são aquelas créias em que a pergunta é "que devemos nós (que devo eu) fazer?": em XlV. UI. LI. encontra-se argumentação epidíctica em XX. § 29.De "lei" trata- -se em GNV 417. ANRW. LXIV. Um grupo especial são aquelas créias que discutem se alguma coisa é permitida pela Lei (gr. L. por exemplo GNV (= Gnomologium Vaticanum. éxestin) em créias pagãs. XXI (o "Senhor" de Davi é seu filho?). XXIX.Um grupo à parte são aquelas créias em que a resposta é uma admoes- tação condicional (V. que per- mite alguma pertença dupla. Um artificio predileto. LXVI. Um grupo de especial interesse são asjustificações do fato de Jesus ser venerado (UV. 4. Sternbach) 376: um dia. . a concepção de limpeza da comunidade em VII. 86 I I . XXVI e LXV). então. XXX. e alguém lhe disse: "É-te permitido usá-la. é a correção da pergunta pelo mestre: IV. XXXV com argumento bíblico. A maior parte das créias relacionadas com problemas internos das comuni- dades são de natureza simbulêutica: IX (referência direta aos falsos mestres). XXXIII. UV. XI.Em VI A. do sábado em IV. XII. 1. já que és rei". LV. Grupos de créias 6. XII e LV. XXXI (curar no sábado). numa créia apologética. éxestin): XIX (imposto). 2. pela sentença sobre o profeta e sua pátria. XLIX e UV. Além de argumentos baseados na estrutura. a messianidade em XXIX. XI. que realça a competência e a autoridade do mestre. disse: "Mas não é permitido ao rei ser imprudente". VIII. LVI (síncrise Jesus/Batista). a legitimidade carismática de Jesus em V. XLIX. XXVII. a práxis do jejum da comunidade em I1I. LXIII. Em XXXIII. XVIII. deixando transparecer a seriedade de uma discussão teológica. XL. XXXII. Grupos de créias Em vez de um sistema fechado é preferível uma classificação aberta. XXXVI. . XXXIV. dirigida ao mestre. XLIV). Trata-se também de liceidade (gr. Créias de natureza dicânica são particularmente interessantes (além da já mencionada combinação com repreensões e sentenças de julgamento) quando têm função apologética. XXII (o maior mandamento). XXXI e XLVII. VI. sobre qual é o caminho da vida. em que sem dúvida se refletem experiências missionárias mais comuns (proximidade biográfica e sucesso da missão). a legitimidade dos discípulos em XXXVII. um caso análogo é citado como argumento. Um grupo com analogias claras no mundo pagão (cf. Não raro. ed. XXXVII. Ciro viu uma mulher bonita. VI (os verdadeiros parentes). XlV. A con- vivência de Jesus com publicanos e pecadores é justificada em 11. XLIII. X. XVI. LX. XXII (em Lc). XXVIII.

LlV. também VI A). mas aqui se trata mais de outros aspectos: Explicação da missão (auto-apresentação do mensageiro) em I. evitamos isso. XII. XI (relato como pergunta). XXVIII. XX.. LXII (diferença). Grupos de créias XXVI. Todas as créias são ''biográficas''. LlV e. XXXI. (XX).449. Créias comparáveis. LVIII. há vários exemplos de créias que de alguma maneira se referem aos dis- cípulos. XIV-XVI. porém. LV (Jesus como exemplo . . Aí a função crítica da créia fica bem patente. XXXv. por causa dos pronomes usados. 7. XXXII. Palavras sobre o Filho do Homem. precedente. Numa série de créias o "eu" de quem fala domina sua resposta. analisando a relação entre o mestre e os discípulos. Perguntas de adversários ocorrem nas seguintes créias: lI-V. O Filho do Homem como representante dos discípulos: XXVIII. XLI (bem-aventurados. 6. Também neste caso. XIX. XXVII. cremos.vós. LlII.Expulsa os demônios: XL.elemento típico das créias). XXVI. XXII (Lc). LXIII. LlI. LI.35-45 par. pregação. p. em XXXI). XX. Perguntas de discípulos são.alegrai-vos antes). LI (pedido a Jesus. XXVI. LXV. VII. XXXVII-XXXIX. Isso poderia ser um motivo para falar em "apotegmas biográficos". homenagem a Jesus. pois verdadeirosadversários podem fazer perguntas objetivas (xxxv. XXII. Vaticínios sobre si mesmo: XLIV. XXXIX." sobre a relação entre Jesus e os discípulos ou a pessoa à qual ele se dirige: XXXVII (transmissão de poderes). UX (cf. Não encontrei. XLVI (na volta de Jesus). VIII. A diferença fica defini- tivamente clara pela repreensão (cf. porém. . Em contraste com as idéias costumeiras sobre o que é uma "alteração". diálogo.O poder do Filho do Homem: IV. XII. LXI. a créia ampliada) e pela anotação "para tentá-lo". XLII com Lc 11. No contexto dos evangelhos apenas um número relativamente pequeno de créias é independente. LVI. . sem dúvida. XL. XXXv..).45. XXXIV. estão ligadas e conectadas ao contexto precedente. sim. XXXVII (não vos alegreis . também XV). Função semelhante têm as respostas críticas do mestre em forma de outra per- gunta. XXIX.ex. XXXv. cf. XXIV (estás vendo?). LXlV- LXVII.27. XVIII. que pode ser discurso. sobretudo LlI) e discípulos podem fazer perguntas críticas (Jo 4. bem-aventurados). O lugar típico das créias é a reação (e a resposta a ela) depois de um relato mais longo.Jesus não condena: LXIII.27. LVIII (discípulos de João). XXXVIII. também Jo 4. com a mesma função: UII. LX. Na maior parte..ex. segundo o es- quema eu/vós. relato de viagem. XLVIII. nunca poderiam ter sido transmi- tidas isoladamente (p. Entretanto. XXXVI (discípulos de João). muitas vezes não é fácil distinguir entre perguntas de discípulos e perguntas de adversários (p.. com a resposta na primeira pessoa do singular. Isso chama a atenção sobretudo nos casos de créias dependentes que foram ajuntadas a um texto e que. instru- 87 . relatado com pergunta não pronunciada. XXXIV. GNV 365. 11. XXXIII. XII. XXVI. XXIX. são bem freqüentes na literatura da Antiguidade. Lxv. as seguintes créias: I (relato como pergunta). não encontrei.ex. créias. Palavras com "eu. LXII. assim em XIX. XLV (no julgamento vindou- ro). talvez também Me 10. LXIV)..

37-42.Os textos podem ser mais ou menos fortemente im- pregnados de elementos argumentativos. 1148. CI 2.7-13.35~9.25-33 par. O grupo mais importante trata de problemas internos das comunidades. uma instrução aos discípulos. 233).Também a formação de séries.25-30. KLEIN [orq. epidíctico ou dicânico toma-se argumentativo quando.1-18. mi- lagre. Mt 6.7b-13. "Argumentation (= Heh 38/39)". Além disso. Le 11.9-13. in Sprache der Gegenwart 54 (= Dialogsforschung) (1980). portanto. já sugere uma dependência relativamente grande no quadro da biografia. Mt 7.7-21. G1 5. 14.1-12. 1104.7-11 par.12-19. Lc 6. 1291-1294.5-11) ou quando se trata da paz na comunidade e da conservação da unidade (Mc 9. Ora. Num argumento.8-23 contra os adversários).6.41-45). Quem usa argumentação não conta com a existência de um consenso. Argumentação simbulêutica na história do cristianismo primitivo Textos típicos: Mt 18. 1980b. como tal. . espe- cialmente quando há faltas cometidas por um irmão (Mt 18.11-7. para detectar conflitos.50. Me 10. lCor 3.2-16.15-20.9-13.1.]. Contra a desordem nas reuniões da comunidade dirige-se lCor 14. que devem ser localizados antes do início da divisão. Rm 6. id. pois sua própria existência é uma varinha mágica para detectar controvérsias nas quais havia a esperança de conquistar e con- vencer os ouvintes e não havia ainda antagonismo definitivo de grupos. v. 10. 11. 2Cor 2. Uma argumentação visa à modificação dos pressupostos com base nos quais os ouvintes julgam e decidem. Le 16.16-23. como em 88 . § 30. no contexto das divergências em Corinto.1-25.3-8. chamamento etc. lTs 4. 226-264. Ele quer antes . então.1-5 par. é fácil reconhecer uma argumentação: um texto dos gêneros simbulêutico. 11. e tenta fazê-lo com uma investida mais longa. "Logik in der Argumentation". "Numa argumentação tenta-se converter algo coletivamente duvidoso em algo coletivamente válido. por isso. com o auxílio de algo coletivamente válido" (W Klein. tudo o que é dito tem de ser justificado. LiLi 10 (1980). além das características costumeiras dos gêneros. FI2.unilateralmente . lCor 8.conquistar o ou- vinte.7-21.1-22.1-13. Me 8. argumentações são também historicamente interessantes. lCor 8.: ANRW. 10. inter-relacionado e coordenado.1-22) e sobre a hierarquia dentro da comunidade (Lc 22. .. 1047. nem o julga fácil de estabelecer. lPd 4. Mt 7. Argumentação simbulêutica ção ao povo (à qual se segue. mas também em formas que parcialmente são racionais e parcialmente apelam para as emoções. numa casa). Isso é feito principalmente em formas racionais. Argumentação BibJ.1-6. 14. há nele certa riqueza de formas acessórias que não podem ser definidas com base no próprio gênero.1-11. Nesse último texto.1-25. Le 12. Argumentação simbulêutica 1.22- 31. Ef 4.25-35. 1104.1-14. Importantes são os textos sobre o escândalo causado a um irmão (Mt 18.15-20. W. 5.

e Mt 10.9-13 refere-se igual- mente às riquezas. Também trata-se da justiça em 1102. Ap 14. Mt 3.ex.1-18. Em lTm 2. § 62). Lc 12.25-35. Fazer-lhes este ser- mão seria uma ofensa. Lc 11. Argumentação simbulêutica vários outros.1 par. Rm 8. Quanto ao lema da eficácia da oração. marcada por fé. Sobre a discrição ao orar.25-33. da questão de saber se depois de batizado o homem ainda deve ser circuncidado.44-48.1-11.22s.12-17 fala da opção protréptica entre a carne e o espírito. essa argumentações podem ser chamadas de "protrépticas" (cf. com os argumentos em favor do véu a ser usado pelas mulheres. É difícil imaginar esse texto como uma fala dirigida a carismáticos itinerantes: esses nem teriam oportunidade para tomar muitas precauções. também já sugerem a mesma coisa).7-10) também tem forma de argumen- tação. sem dúvida porque aí existiam ressalvas. p.3-8 trata-se da exortação à santidade.. que é admoestada para que não perca de vista o mais importan- te.1-13 e Me 11. em lPd e Ap eram certamente pagãos. Mt 21.7-9. Do tema difícil da confiança na eficácia da oração falam as argu- mentações de Mt 7. da vigilância na vida concreta. Outro item que. parece dirigir-se a uma comunidade sedentária e rela- tivamente abastada. em Mt 5.3.1-15 Paulo.1-12.21-25 par.6. 89 . Por se tratar de uma opção fundamental. O terceiro assunto sobre o qual era preciso argumentar foi (como igualmente é fácil de entender) a exortação para sofrer por causa da fé. a qual.Em 2Cor 9. perseguidores etc. mas carregados de dificuldades. trata-se da prova de que os cristãos foram libertados para que servissem à justiça. Lc 6. Lc 16. Gl 5. Havia vários tipos de perseguidores: nos evangelhos e em Hb é de presumir que fossem judeus.2-16.28-3. Em Rm 6. amor e esperança. em seus pedidos para a coleta. A pregação da conversão em Q (Lc 3. é o único que apresenta uma argumentação bem fraca. mas que então fica realmente atrativa. o discipulado é apresentado como uma decisão sobre a qual a pessoa tem d~ refletir bastante. também lPd 4. O discurso sobre as preocupações (Mt 6.6-13. jejuar e dar esmolas fala Mt 6.26. ganhou importância e devia ser argumentado é a relação com as posses. Hb 12.27-36) que fala em inimigos. com claras argumentações. se converte num problema fundamental (protréptico). Em Lc 14. ou seja. com esperança de viver. sem dúvida por causa da contradição entre o ser cristão e o enriquecer. em 5.11-7. .7-11 par. Em 1Ts 4. O quarto tema sobre o qual se argumenta refere-se à conversão radical à justiça ou ao "ser cristão". por ser cristão: Mc 8. exorta profusamente à generosidade. então. o que não significa outra coisa senão que aí estava o problema mais difícil da época (as introduções. porque a admissão dos gentios está na perspectiva do texto. Aos assuntos relacionados ao culto pertence também 1Cor 11. "chover no molhado". ou então à perseverança neste estado. trata-se do procedimento da comunidade quanto ao culto.10-12 e Lc 6. O trecho do Sermão da Mon- tanha/da Planície (Mt 5. mas também a oração por todos (inclusive pelas autoridades civis) precisava de especial insistência. isso é fácil de entender. trata-se da oração por todos.24-33.1-12.22-31) fornece um arsenal bastante rico em argumentos. A relativa freqüência das argumentações sobre esses temas mostra que eram considerados importantes.20-22. ou.12-19.35-9.1-7. pela aprimorada argumentação de Paulo.

Cristo não vos servirá para nada. .Excluímos certos textos que não merecem o nome de "argumentação". para quem está em Jesus Cristo. - é obrigado: ato-efeito.estaria sendo perseguido?: pergunta retórica. - v. (9) Um pouco de fermento leveda toda a massa.. não há argumentação coerente. fmnes e não vos deixeis sujeitar de novo aojugo da escravidão. Antiguidade não-cristã: Sexta carta dos pitagóricos (de Teano para Nicóstrata): "Soube da insensatez de teu marido. . Texto cristão: GI5.Cristo: argumento cristológico. . é pelo Espírito.ex. em virtude da fé. 1 (cf. 5: nós: plural comunicativo. (5) Quanto a nós. Argumentação simbulêutica De problemas com outras comunidades trata-se em Me 9. e tu andas cabisbaixa dia e noite. decaístes da graça.de novo: esquema "outrora-agora". abatida e planejando fazer 90 . 10: confio a vosso respeito: relacionamento comunicativo "eu-vós". irmãos. (7) Corríeis bem. 2.v.8). como em Me 10.v. 8: chama: apelo à decisão pessoal. sobretudo aqueles textos simbulêuticos cujos diversos segmentos parecem simplesmente justapostos. (4) Vós rompestes com Cristo. (3) Eu atesto mais uma vez a todo homem que se faz circuncidar que ele é obrigado a praticar a Lei integralmente.v.se mutilem totalmente: conseqüência (drástica. mas podia ser decisivo e fundamental. (2) Eu. (6) Pois. . .v.. Mt 16. sem coordenação proba- tória (p. . deductio ad absurdum. Paulo. . seja ele quem for.v. Textos (exemplos) A. em Ap. 11: quanto a mim: argumento eficiente ad personam do autor. por causa da admoestação fundamental no v.quem?: pergunta retórica. .se mostra o efeito do ato.v. B.sofrerá a sanção: ato-efeito. 9: parábola (cf. .v.v.sujeitar ao jugo da escravidão: metáfora explicativa. 6: Cristo: argumento cristológico. 3: atesto: testemunho como argumento. aludindo ao Juízo. Quem vos barrou o caminho para não obedecerdes à verdade? (8) Tal influência não vem daquele que vos chama.6-9 (divórcio). o escândalo da cruz ficaria abolido. . que esperamos fmnemente se realize o que a justificação nos faz esperar. . Essa relação resulta de estudo indutivo. .38-41 par. estaria sendo perseguido? Nesse caso. Fica claro que a argumentação simbulêutica se restringe a alguns poucos temas de importância vital. 2: eu. 7: corríeis bem: capta tio dos leitores pelo elogio. nem a circuncisão nem a incircuncisão são eficazes. (12) Melhor que se mutilem totalmente aqueles que semeiam a desordem no vosso meio! Comentário: Trata-se de um texto simbulêutico. Tomar consciência desses problemas era penoso e desagradá- vel. . mas a fé que age pelo amor.v.pois: imperativo como conseqüência. -ficaria abolido: contra-senso. . . se ainda pregasse a circuncisão. pois. nas cartas às Igrejas. .1-12: (1) É para ser livres que Cristo nos libertou. I: libertou: a experiência da salvação.ex. Paulo: usa sua autoridade para reforçar a admoestação.não vos servirá: mostra o que seria útil. . se fazeis consistir vossa justiça na Lei. Ele tem tido relações com a hetera. vo-lo digo: se vos fízerdes circuncidar. Isso vale também quando a argumentação simbulêutica se baseia na Escritura. Permanecei. (11) Quanto a mim. Mas aquele que lança a perturbação no vosso meio sofrerá a sanção. apenas ele- mentos desconexos). (10) Eu tenho confiança no Senhor a vosso respeito: não tornareis outra orientação. . irônica). o imperativo) que ajudam a constatar uma argumentação simbulêutica.. Os recursos empregados na argumentação simbulêutica Elencamos em seguida as características (além dos elementos puramente sim- bulêuticos como. . também os verbos nos vv. no passado. . p.. 7 elO).

Cf.Aliás.5-7. "por conseguinte" e exortações com "tenta" (típicos da exortação em cartas helenistas) encontram-se com gran- de freqüência nas cartas 1.. R.acrescentar à loucura: a conseqüência seria absurda. porém. Ora. Mt 7. . quanto mais o será se ficar pobre. 172-174). Mas. Lc 11. também a conseqüência será mais provável ou mais forte. quanto menos. como o fogo. A própria conclusão é de natureza epidíctica.. 91 . Pois de curta duração é o amor por uma hetera de um homem que não seja totalmente perverso. . é não retribuir um mau comportamento com mau comportamento.26 (pássaros)..9-11 par. 2Pd 1. 7.. - como. Mt 6.aquela tragédia: exemplo tirado da História.29-31. - Caso. Mt 6.30 par. Esquemas e formas maiores I. CI 3.26 par.5-6..a excelência. Pois a excelência de uma esposa não consiste na vigilância sobre o marido. A seqüência: parte exortativa seguida por parte argumentativa: Lc 22. dizem..11-13 (dar os filhos). a hetera ele procura por causa do prazer. que tinha por conteúdo uma seqüência de atos em que Medéia pecava. . se tu aguardares pacientemente... Hercher.25- 27/28-30.como o fogo: comparação (imagem). a esposa.§ 3: pois de curta duração: experiênciaresumida.§ 1: ele. Argumentação simbulêutica alguma coisa contra ele. . Argumentação simbulêutica com formas tais como "por isso". e não acrescentar à loucura outra loucura. Mas não faças isso. então. 3.17s. O esquema outrora-agora: Rm 6. (5) Caso seu comportamento for assim suportado por ti. 11. pShebiit 9. . longe de olhos doentes: comparação (imagem).: contrastepor oposição. Exemplo no judaísmo: Sr 10.. mas quem é desprezado na riqueza. Séries e cadeias: Rm 8. .queres agir contra ele?: pergunta retórica.. querida.20 (o irmão que vemos/Deus que não vemos).7. . querida. o ho- mem). mas encon- tra-se freqüentemente em contextos simbulêuticos: Mt 10. semelhante..17.. .2-10/11-14. como as mãos devem manter-se longe de olhos doentes. Em todos esses casos. . Comentário: O texto é simbulêutico por causada admoestação fundamental no § 1: não faças isso. § 2: reforçados. Epistolographi. IV. . GI 5. trata-se da providência divina.20-23.. querida. lTm 2. Pois.que há de mais caduco?: pergunta retórica. assim tu deves manter longe de sua paixão doentia tudo o que possa exacerbá-la. Lc 12. Que há de mais caduco do que um prazer que goza o que não está certo? .: pólló mállon): do que costuma acontecer pode-se deduzir que.3 e 5 de Aristóteles (ed. Lc 12. ele há de se envergonhar e de se reconciliar mais depressa. ter compreensão significa suportar um comportamentoirrefletido.1-2/3-7.§ 7: pois então?: elemento da diatribe. são reforçados quando revelados..31: Quem já é honrado na pobreza. A conclusão a minore ad maius (gr. ..1. Tt 2. se.. numa ocorrência nova. m. tu. consiste em: experiência universal. (7) Pois então? Queres agir contra ele? Não o faças. Os recursos da argumentação em particular A. a paixão apagar-se-á mais rapidamente". útil. resumida. por causa da utilidade. Lc 12. se tirares de tua paixão o véu protetor.. (3) . (2) Muitos erros. .38d: um pássaro não perece sem o céu. ele cometerá suas faltas até publicamente.24. sugerem pelo seu caráter fechado a necessidade da conseqüência. quando: ato-efeito.. apelo à experiência. "daí"..1-2a/2b-7. lJo 4. mas na sua compreensão com ele..28 (capim do campo). .6-7 (pardais) (cf.utilidade: o argumento do útil.2. mas cedem quando se passa por cima.: ato-efeito. ele há de: ato-efeito. apaga quando é deixado em paz.pois. quanto mais o será se ficar rico. em silêncio. querida! Dominar o ciúme até aquela tragédia já nos ensinou. Pois.

Lc 6. V "(Amém) eu vos digo": acentua um trecho importante.44-48. Mt 7. 11.12.1.1. 92 . VI.8. Mc 11. Mt 7.37-38a.8 par.13. 10.7.29.6.I I .12s.27-30.36s (que adianta?). 11.21.28-31. Gl 4."..19.37-42. 1Cor 8.l1s. Igualmente o nexo ele-ela: 1Cor 11.26- 31.12. GI 5. 7. 1Cor 14.20s.9. CI 2.13.22. Lc 16. c. 3.31.25. Mt 5.27s par.50. Determinada seqüência de admonição condicional e parábolas. Lc 22.8s. GI 5. com "daí": 1Cor 3.37-42. .22..22-23.21. Rm 6.11-12.31. IV O exemplo pessoal é mencionado na conclusão: Me 10. 10.48. 1Cor 14.41s (por que olhas?). VII.45. cf..9-13.16.25-34.1-5.24.Em Lc 14. VI.admonição condicional . todas as parábolas com "quem? .8.24-33) ou impe- rativo + promessa (Mt 7. Lc 11.15. 2Cor 9. Lc 14.11.13.16. O que é absurdo: Me 8. ITs 5. 10. também Lc 14.21. . 1Cor 10. 6.16. 1Ts 5. Lc 22. 14. isso costuma ser um indício de que se trata do gênero "argumentação": Lc 3. cf. Mt 6.11.33. B.16.23. Mc 8. Lc 12.7. Lc 6. uma admonição condicional tem função de imperativo. Rm 6.11.34.12. 11. A seqüência imperativo .31. Importante é sobretudo o uso da pergunta retórica: Me 9. Mt 3.3. O que é irreconciliável: Mc 9. 1O. Lc 3. insistindo: Lc 6.10. .16.33-37. 5.1.25-30 no v.26. 1Cor 11. 27.29 par. no fim de um texto.11s. Lc 12.36.22-24 (25).5. Argumentando pela lógica I.1. Imperativos que começam com "portanto" tiram conclusões do que precede. 1Pd 3.conclusão (= impe- rativo) encontra-se em Mt 5.Da atitude do adversário é tirada uma conseqüência absurda: 1Cor Il. Clímax dos recursos retóricos: anúncio do Juízo (Mt 10.13.10. Ao imperativo inicial dos textos sinóticos (cf. ninguém. Mc Il.1-5). Argumentação simbulêutica V. GI 5. m.6 (o preço dos pardais). após um imperativo inicial: imperativo . Mt 7. As cartas simbulêuticas de Ap terminam com frases na 1a pessoa do singular.parábola/comparação: Mt 7.argumento fundamental .6. Mt 3.3s par.11. 11.7-8. Lc 11. Ill. Formação de séries. 6. Esquemas e formas menores I. Lc 12.25-33 (discurso condicional).39. Começando com "por isso": 1Cor 14. Ou: imperativo .18. Nexos sistemáticos têm efeito retórico: 1Cor 3. Lc 16.7 par.9s par. Mt 6. Mt 10.7b.1-5 par.41-45 no v. A: VVI) correspondem nas cartas outras frases iniciais: Rm 6.. Ap 3.1. 6.Tam- bém em Me 9.27..7-11.parábola: Lc 6.2-3.38-41 a admonição condicional está em segundo lugar. Mt 10.15.

13.8. IV. "Ter uma dívida": Rm 8.12 (gnome) .4. 6. Mc 3.6. lTs 4.50 (o sal).32 par. 5.30s.4-6. C12. Rm 8. lTs 1.8. Do 3.37.2s. 4.17s. Fundamentação num agir especial de Deus: Lc 6. Mt 6.15. VII.30.15. Esperando algo para breve: Lc 3. 1Ts 5. Mostrando o nexo entre o ato e seus efeitos I. Mt 18. Mt 5. F12.5.14. 2Cor 9. Mt 7. 5. X.9. Mistérios celestes: Mt 18. Mt 3.16. 111. Referência à "natureza": 1Cor 11. Me 9. 8.35 - 9.11. Hb 6. V.8.": lCor 11. 7. Do 4. VII.1O.40 par. O futuro Juízo divino eomo argumento: Lc 3.48.7-9.17. Asserções sobre Deus: Lc 6. lCor 3. Práxis litúrgica: Rm 8.1. lCor 10. 5.10. Hb 6.5. lTs 5. Referência à "criação": lCor 11.19. 2Cor 9.3. G15.17-20.15.19.21. História e lembrança dos destinatários: Rm 6.2s. Baseando-se em experiências do passado I.34 (a cada dia seu mal). F. Descrição do status dos destinatários: Rm 6. IV. G14.5s.12. 3. 10. Hb 12. lPd 3.3. VIII. 10.8.6-11 em 1-18..9.9.7-10. 6.32s. Citando um mandamento: Do 4.31 (regra áurea).5-7.50 (quem não está contra. Ap 3. é a favor) .13.33. Lc 6.19.11.26 (o escondido descoberto).1.23. Sentenças: Mc 9.6. 4. lTs 4. Hb 10. lTs 4.4.10.8s.Frases breves. - Incerteza da parusia: Mc 13. Fundamentação cristológica: Lc 22. 4.1. 6. 4. 6.1-6/7-16. Gl 4.27. lTs 4.2s.45. VI.17b.28.10.36. "É conveniente": lCor 11.14 (carne sacrificada aos deuses = idolatria). 6.18. Lc 12.24 (mestre/aluno).14.1. Admonição condicional: .2Cor 9.13. Lc 9. lCor 3.15. 11.- 93 . Práxis universal humana: Hb 6.17s. lPd 3.13.40 (aluno/mestre).9- 15. Me 9. Ef 4.6-9.4. VI.13s.44s. Mt 10. Fundamentações mais gerais I.16.14.14.11. 12. Mt 10. Lc 12.30s.13s em 12-19. -é a mesma coisa que. E. Me 10.35s..18-22 em 8-22.28s.7.5.2s.ls. Mt 3. Hb 10. lPd 3. lTs 4.8.32-34.14s. Cl 3.10.Orações subordinadas condicionais: Me 8.10 (todo o que pede recebe). baseadas na experiência: Rm 6.9. 8.13. lCor 10. 10.9 par. Hb 10. lCor 8. FI 2.7. Testemunho (dar): Do 4.12- 20.4.1. Chamamento: Gl 5. 5.6.20.4. IX. Xl.12. Hb 2. Argumentação simbulêutica D.12.4.1. Ef. V.1-4/5- 18.8. 8. III.20 em 9-20. Lc 11.9s. Hb 2.16. Lc 12. VIII.18.4. Mt 10. 11. lTm 2.6.

19. lCor 8. Pergunta pela utilidade de um ato: Me 8.8. Mt 3.Hb 10. Hb 6.41s par. GI 4.16-18 (os hipócritas. VII. 2Cor 9.28.16. 4. lPd 3. Hb 1O. lJo 2.46s (publicanos. Cl 3.18 (ceia e sacrificio comparados com a carne oferecida aos ídolos).12-14.1-11.7 par. Mt 6.5. 11. lCbr 14. Argumentação simbulêutica Mc 11.12-14 (ovelha perdida).27.12.Nas cartas do Ap: relação eu/tu.45-48. Gl 5. G. Mt 5.33. Lc 6.32-35. Mt 6.3. 14. 40: sentença com fun- ção de parábola). 11.17 (talião).6. Lc 16. .lJo 4.Promessa condicional de sucesso: Me 9. Indicando a finalidade. Ap 3.24s: Mt 18.9. flores). Imitação de um exemplo pessoal: Mc 8. VII.6 (pardais).13-16 (Abraão). Insistência numa obrigação por meio de metáforas: Lc 6.10. 14.41.6. Lc 6. Lc 14. Mostrando a conseqüência: lCor 8.2.1-11 (-22) (travessia do deserto).11-12.36.32s. Rm 7.8s.14.34.ls. lJo 2.9.11. 14.16-18.7s. Lc 22.44s. II.Relação eu/ele: Lc 12.29.20. Relação eu/vós: Lc 22. alegando a autoridade apostólica: ITm 2. .18s.13.3.26s.16.30 94 . lCor 10.6. Mt 7.32- 34 (pecadores). Mc 10.38.11.2s. . .28-32.12. os pagãos). Me 13.16 comparado com 6.19. com "para que não": Mc 13.20. GI 5. v. H.3.4.19. lCor 14.32-37.2b. Lc 12. Lc 14. 2Cor 2.1-5.13. Mt 6.25-30.29 par.26. Analogias (simples): lCor 1O. lTs 5. Lc 14.12. lJo 2.46.26. Ap 14. Rm 8.23. 2Cor 9.4s. Mt 6.25.10s. Delimitação. 23 conseqüên- cias negativas.23-25 (v. V Resultados alternativos: Mt 1O.36. Mt 7. VIII. 11. Deus como exemplo: Lc 6.9.28.8-9 a incitação a mutilar apenas ilustra o radicalismo exigido para com aqueles que "escandalizam".27 (trevas/luz). Recompensa e promessa de recompensa: Mc 9. Mt 10.Mt 5. Lc 6. III.39 (v. . Lc 12.16s. .3- 5.Fundamentação.7s.18- 20. VI.2-3. 7.7-8 (parábolas com "quem?").2.8-11.32s.5s.17s.13.34s. 111.21-23. Hb 6. Mt 7. GI5. 6.Discursos parabólicos: Lc 16.2-3. GI4.2-4. Lc 14. ITs 4.8s. excluindo os de fora: Mt 5. cf.28-3. lCor 14. IV Comparação: Mt 10. Argumentação com analogias I. sobre- tudo 3.12. ITm 2.10.1.48.45. Mc 11.43s.4. Hb 6. 24-25: positivas). pagãos).20. lCor 3. Rm 6.8s/Mt 10.8s par. Parábola: Mt 18. Mostrando características: lCor 8. Lc 22.35s.Anúncio condicional de desgraça: Lc 3. Mc 10.41: 11.12- 20.17. IV Mostrando as conseqüências de uma ação: lCor 14. V Ilustração: em Mt 18. Lc 11.2s com Mt 5. Lc 6.7.4.36 par. com "para que": Mt 5. Exemplo: lCor 10.14.26.5s. GI 5.12. FI 2.2. lCor 14. lJo 4.28 (pássaros.9-13.23 par.14s.15s. lCor 14.19s.10.37s. III. Lc 11. Hb 2. Lc 14. Elementos comunicativos I. .13.32 par. VI. Rm 8. Mt 6. . ITs 5. lPd 3.18 .1.12 (-16). Mt 10.11. Gl4. Rm 6.27.9-11/12-13. O eu epistolar como exemplo: lCor 8.14.

43s. . 2Cor 9. Prova pela Escritura no v. Conclusão lógica: conforme o olho for bom ou ruim. Ao passo que os vv.2s. 5s.34-36: raciocínio com admonição metafórica.21. vv.15. I.28. 11 pela sentença dupla do v. . Repreensão implícita: Lc 6. Lc 22. g)Hb 12.Justificação da ação divina com citação bíblica.. vv.22 e Ecl 7. Mt 6. III. 4s.Conclusão em forma de sentença.7 par.26. FI 2. 31. 15.37-38a. Cl 2.É curioso que esse recurso seja usado sobretudo em Q.25s (reis. 9.28-3.8-12: delimitação."pois já o fazeis": lTs 5. vv. 8 e v.23 ("tudo é permitido"). por exemplo. delimitação de adversários: G1 5.17. é disso que depende o estado do homem).15. Finalizando.7-11. VI.4-5.Frases que mostram características: cf. Uso do chamado plural comunicativo (la pessoa do plural).30 par.5 (um só Se- nhor. vv. t) Hb 10. 12. Argumentação simbulêutica (pagãos).23.. li exorta positivamente e o v.21. Mc 1O. Elementos que apelam para as emoções dos ouvintes I. 1eor 14.. Conclusão das primeiras duas frases: o corpo estará iluminado enquanto receber luz do olho (o "olho" significa aqui a percepção da mensagem.19-31: fundamentações cristológicas. Linguagem metafórica: cf. v.22..Argumentação a minore ad maius. Captatio (elogio dos ouvintes. o v. l l).18.5 (os pagãos). v. . c) Rm 11. 110 2.31 (já na literatura sapiencial do AT: Pr 20.O núcleo da argumentação nos vv. vv. 11. fundamentações cristológicas em v. pressupondo a oposição entre a carne e o espírito. e) ICor 6.7. teológica em v. Ap 3. Hb 12.8. G VII. .). 1Cor 10.15.8 par.16. .2s). . 12. Refutação antecipada da objeção. 8- 10 exigem negativamente.Anúncio condi- cionai de desgraça: v.10 . 10. IV. 22s.. 30. Uso de ditados populares: 1Tm 2. .15 (geração má e perversa). Séries pleonásticas: Lc 6. "não digais a vós mesmos": Lc 3. 1Cor 10. 5.Conclusão a minore ad maius nos vv. 19s.12. b) Lc 11.ex. Oração: Rm 6.5 (um só Senhor. fundamentação da admonição em v. Mt 3.1-13: Jesus como exemplo (12. Mt 6. 16s (templo/des- truição do templo).11.Repreensão. F VII.3-6 (os demais). queremos ainda resumir algumas célebres argumentações simbu- lêuticas do NT: a)Mt 23. 16s é uma conclusão por analogia. vv. Mt 6. V.. Mt 7.17-24: elementos fortes da diatribe/dialéxis (p. l2 é uma espécie de peroratio pelo anúncio condicional de felicidade ou desgraça. VII. 1Cor 14. 26s . IV.Conclusão por analogia.41-45 (os soberanos). 28s. 1Cor 10.16-23. vv.6.2.5. pressuposto: o olho pode iluminar o corpo. . a fim de conquistá-los): GI 5. C III).16. Me 10. 16.7. em Gl 5. Hb 6.Argumentação.22. . soberanos). Lc 3. 18. vv. d) lCor 3. 4.24 . o corpo está na luz ou na escuridão.3.19). Prova pela Escritura.12-20: os principais argumentos são introduzidos por "não sabeis . v. . 3.'l" (vv. 2Cor 9..10. supra.42 par.28 par Lc 12.Anúncio condicional de desgraça. Mt 3. encaixados em passagens apologéticas. .20s (os que tem parte com os demônios). Con- clusão em forma de admonição: é preciso tomar cuidado para que o olho não esteja no escuro.10).Evocação do Juízo por meio de citações bíblicas fáceis de guardar. .Argumentação dialética pela estrutura geral (cf. que se excluem mutuamente. Lc 12.5.). 7s (todos os filhos são corrigidos- 95 . Ef 4. lTs 4.

eles tinham de "tê-lo" como seu Deus. 1.5-18. Hb 1. e na LXX). Gl 3. avaliando as provas (cone/usio). h)Tg 5. Para essa autodefinição de Deus ter sentido. esclarecimento geral (écfrase: correção). a argumentação corre da seguinte maneira. o v. 1984.9.1-21. 2Cor 3.Possibilidade A: Se o versículo for considerado conclu- são. 7.12: perora/ia: exortação conclusiva.fundamentação com a proximidade da vinda do Senhor. I. lCor 15. Gõttingen. Diante de Moisés. cf. v. 58. Berger. 7) .Sobre a argumentação em lCor 15. Argumentação epidíctico se estivésseis privados da correção. aqui mencionaremos apenas aqueles aspectos que valem indepen- dentemente do uso da Escritura. mas aquilo". . vv. tem díreitos mais sublimes e maior valor. Exemplo de Jó: v. mencionados em Ex 3. Ora. § 31.5-14. 3. 9s. e a frase: "Não é Deus (um Deus) dos mortos.1-18. . mas dos vivos". a comparação de duas realidades e a apresentação do valor superior ou supremo é um empreendimento fundamental da epidíctica. por que uma coisa. com argumentos. é preciso estar vivo.Conclusão a minore ad maius.12s). 6. 11. cf. Argumentação epidíctica Com grande freqüência. Há aí um aspecto de legitimação e apologética. 11. De outro lado (isso nos levou a fazer nossa opção). vv. Explica-se. Aqui o elemento comprobatório está na diferença temporal entre Moisés e os patriarcas. . 27 for considerado não conclusão. 7. 4. 4 tem a função de uma tese (propositio). Deus declarou 96 I I .V.4-18. Em Me 12.Possibilidade B: Se o v.1-17.18. pois em quase todas as argu- mentações epidícticas trata-se de excluir alguma coisa. pois insinua-se uma decisão. Declarar-se o Deus de alguém morto há muito tempo seria um contra- senso.7-8. Korintherbrief. Deus se designa como o Deus dos patriarcas. em comparação com outra. Bünker: Briefformular und rhetorische Disposition im 1. .5-13 desempenha o papel das provas por exempla. Ora. É decisivo indagar se o v. § 35). teríamos um silogismo com a seguinte estrutura: Deus não é um Deus de mortos mas de vivos.9-20. não seríeis filhos). os argumentos epidícticos do NT se baseiam em textos bíblicos (cf.6 (deixando fora o "de teu pai". 2. Pode-se duvidar também se os textos aqui chamados epidícticos não pertencem todos ao gênero dícânico. 1. M. Portanto.6.21-31.11-58. Isaac e Jacó. Textos típicos com argumentação epidictica: Rm 3. Já que os patriarcas haviam morrido. Ex 3. . 27 deve ser considerado premissa ou já conclusão.14 é um resumo.1-6. 10 cita o exemplo dos profetas. 12.7-10:Exemplo do agricultor(v. lCor 15.26s trata-se da prova epidíctica da possibilidade de uma ressurreição: A argumentação é composta de duas proposições: a citação de Ex 3. A palavra "vivos" refere-se díretamente a Abraão. que viveu quando os patriarcas tinham morrido havia muito tempo. principalmente quando (como no NT) é a Lei (neste caso: o AT) que fornece os argumentos.11-10. o que ainda se percebe na argu- mentação epidíctica.39. .1-11. Esse problema de classificação tem também uma razão histórica: o discurso diante do tribunal fora a matriz de toda a arte de argumentar. 8. que consta no hebr.6 pressupõe ressurreição. 18-24. 4. pelo menos nesses três casos (quanto à argumentação a particulare ad universale. 5. eles devem ter voltado à vida. ele devia também naquele momen- to ser o Deus deles. Exegese. no quadro de uma estrutura de "não isso.No esquema da argumentação epidictica com provas bíblicas em Hb 1. mas premissa. para ''ter'' um Deus. O v.

Como texto paralelo poderia ser citado SI 115.14a. como todas as dores. então.18).3s).1 I. houve y (lCor 15.17.ex.15. Característica é também aqui a con- clusão do maior para o menor (e vice-versa). C. uma nova função. e no judaísmo: 4Esd 4. Basta mencionar aqui os mais importan- tes: comparação (GI 3.29s) e perguntas retóricas (Rm 7.21) seriam sem sentido ou em vão. eu mesmo e/ou outros seríamos mentirosos ou pecadores (lCor 15. 12. mais precisamente em três formas diferentes: A. GI 2. Rm 5. Portanto.29. pode ser descrita da seguinte maneira: A.33-44 e em Rm 8. à analogia na criação. A maneira de argumentar é a mesma da argumentação simbulêutica. Do anterior segue necessariamente o posterior. . típica do helenismo. .26. Se x fosse o caso. como sinal de dores (de parto). aqui.se agora inúmeras espigas do bem forem semeadas. ganha em Paulo.27. mas os recursos são usados com maior parcimônia. para algo de belo que vem depois (Rm 8. ou resultaria uma negação de tudo o que sabemos de alguém (GI 2. quão grande colheita darão!" B.7s. séries (Rm 5.22s.10. "parábola" (lCor 12.8s. em duas formas diferentes: A. morte/vida. O elemento comprobatório. lCor 15. Somente pela combinação com Ex 3.24. simples- mente como relação entre mais e menos. para começar com Paulo. o argumento da utilidade (lCor 12. também 2Cor 5. Abraão. Mais importante.7. formulada em 12. mas a "sentença" antitética. Se x fosse o caso. 2.19-23.27 seria antes uma prova do contrário. Trata-se de "lógica argumentativa histórica" que. A referência argumen- tativa à criação. Logo. O gemer. é que tanto Paulo como Hb apresentam uma axiomática argumentativa que sem dúvida se aproxima dos fundamentos teológicos. existe ressurreição.3). B. 8. Dos procedimentos lógicos da argumentação é sobretudo a deductio ad absurdum (a demonstração do absurdo da posição contrária pelas conseqüências que teria) que desempenha um papel importante. Argumentação epidíctica a Moisés que é o Deus de Abraão. a conseqüência seria o niilismo moral (ICor 15.32b).17-19). por exemplo em lCor 15. antropológicas ou da história das religiões. 3. e poderíamos até imaginá-lo como um chavão na boca dos que negavam a ressurreição. em contextos apocalípticos.3-4.17s. Considerado em si mesmo. Rm 7. A seqüência de acontecimentos constitui uma ordem tão inquebrantável que pode servir de ponto de partida axiomático. largamente elaborada.15).31.15b. Rm 5. felizmen- te.6 ele ganha outro sentido.9. p. sentença (Rm 8. maior e menor (2Cor 3. mas não deve ser confundida com idéias cristológicas.13. GI 2.16. estamos convencidos de que. o v.42).17: Cristo servidor do pecado).3 I s: "Calcula tu mesmo: se um grãozinho da semente ruim produ- ziu como fruto tamanho pecado.15).31-36). o meu próprio esforço e sofrimentos (lCor 15. como correspondência antitética (morrer/graça. o basear-se na experiência e no que é óbvio (LCor 1.15. cf.14ss). Isaac e Jacó estão vivos.De especial importância toma-se para Paulo tam- bém a referência.22-24).30) ou os dos outros (ICor 15. não existiria y. não é a diferença cronológica entre Moisés e os patriarcas. 13. Se x fosse o caso. 8. ora. E o 97 . ICor 1. Isaac e Jacó. aponta necessariamente. delimitação (Gl 2.17).14b. e no anterior uma parte do posterior já está incluída.

42-45).). B.23). e esse contraste caracteriza tanto a história da aproximação entre Deus e o mundo como também. "pertence" ao domínio em que se encontra (imagem do escravo que é propriedade de seu senhor). dada a oposição entre X e Y. C. e Paulo pressupõe que elas vigorem em toda a Escritura (Rm 4.12-15. alguma coisa (gr. em oposição ao novo tempo escatológico). Essa chamada "dialética" paulina. têm uma existência necessariamente pessoal. antiteticamente descritos. . Esse "ou preto ou branco" deve ser visto também.46).1-8: a oposição entre fé e obras pode ser pressuposta em toda a parte).23-28. . consiste em pertencer a este ou àquele domínio. os critérios de valor. D. o que.toda a argumentação paulina sobre a Lei que veio "depois". Os domínios antagônicos não são entidades abstratas.1-18). porém. seria mais realista).17). trata-se antes de algo temporal (o tempo de fraqueza e do não-cumprimento da vontade de Deus antes do tempo da confirmação. como o psíquico precede o pneumático (lCor 15. a realidade X tem de ser excluída. E o perecível precede neces- sariamente o imperecível (lCor 15. 98 . isso significa uma liberta- ção. uma ordem da qual também a ressurreição dos mortos pode ser deduzida. zen + dativo). Realidades incompreensíveis c duvidosas são reduzidas às antíteses em que se baseiam (GI3.5). e a possibilidade de se fechar.a categoria da representação é. A relação do ser humano com os poderes cósmicos. segundo lCor 15. historicamente. do que dependerá a qualidade de seus efeitos (Rm 6). com todas as suas (neste caso. no sentido de que podem ser representados por uma pessoa (como o "Estado" antigo por seu soberano) . ou um existir para. axioma C) é tanto um pressuposto como um modo de pensar caracteristicamente analógico. com tudo o que tem e tudo o que é. mas exprime-se sobretudo pela catego- ria de propriedade: o homem. Aí a categoria jurídica do "pertencer" (cf.14: afastada a maldição. O pertencer a tal domínio re- sulta em que todo o agir acontece em obediência ao respectivo senhor. então ele é um dom pelo qual Deus se obriga a dar os bens futuros (2Cor 5. etc. em abstrato. A relação entre Deus e o mundo é de um forte contraste. não é um princípio ontológico. certamente será partícipe da segunda (Rm 6. uma categoria messiânico-política.O argumentar em antíteses significa ainda que o pertencer a X ou a Y sempre é visto. e de ambas as partes. vale automaticamente Y (GI 3. como participação ou como um viver de. em alto grau. no NT.5.11s). como mutuamente exclusivo (sem os matizes intermédios. a bênção pode se realizar). melhores) conseqüências (lCor 6. e o posterior só pode reforçá-lo (Rm 4. especialmente. determinado por antíteses. Assim também a seqüência de morte e ressurreição é indubitável para todos os que são como Jesus. como seqüela da tradição sapiencial e da protréptica. em todo caso mais tarde que a fé e a promessa. E. mas tem como conseqüência um novo pertencer. O pertencer realiza-se como ima- nência (estar "em Cristo".10- 13) -. Argumentação epidíctica desenrolar dos acontecimentos finais é. para os nosso modo de entender.A um pensamento assim organizado pertence também a con- vicção fundamental de que aquilo que vem depois não pode desvirtuar o anterior (GI 3. Quem participa da primeira realidade. E quando. Rm 8. baseia-se neste axioma. O anterior é de um direito superior. Rm 6. Quando se soltam esses laços (no caso do cristianismo). -~ O modo paulino de argumentar é. se o Espírito é interpretado como "adiantamento".

contra tendências judaizantes. Cf. salvando. pois. Quem age como o representante toma-se igual a ele: é seu "filho" (Gl 3. juntamente com a axiomática antitética descrita em B: como todos são pecadores e como a Lei e o pecado de um lado. Rm 3.7) e participa dos bens do pai. nunca se pode saber "abstratamente".exatamente por visualizar uma ordem não expressamente orientada pela Torá . Cf. nós sabemos que tudo o que diz a Lei.20. se vai acontecer ou isso ou aquilo. Argumentação epidíctica Isso significa: o que a Escritura diz sobre um "representante social" não vale apenas para ele mesmo. 356s). "todos".11).essa substituição seja alcançada apenas no decurso do tempo (Rm 8.19. perten- cendo. os "Poderes") não operam automaticamente salvação ou desgraça.22b-23. uma argumen- tação teológica alcança seu objetivo. com suas declarações universalizantes. vale sem maiores dificuldades que Dt 27. assim formam-se as expressões paulinas com "tudo". as idéias helenistas sobre o soberano etc. descritas em A . a Lei. A axiomática C significa para a comunidade: pertencer a Deus é a base da ética e nivela a posição social dos indivíduos que pertencem à comunidade como membros.10). Relacionalidade na conexão ação-conseqüência. sendo-lhe semelhantes (Rm 4. num contexto maior. somente a graça.. Paulo se sabe habilitado a coordenar dados e realidades de tal maneira que possa reconhecer em sua existência e seqüência um objetivo. mas para todos os que a ele pertencem. E. quando a finalidade e a função podem ser esclarecidas.26 se aplica a todos os que estão sob a Lei (Gl 3. umafinali- dade. As convicções a res- peito da ordem das coisas.). em Rm 3. O que aconteceu com Cristo vale para todos os que a ele pertencem. Tudo se decide pela questão: a que domínio pertence o homem que entra em contato com essas rea- lidades (papel da Lei em Rm 7.O argumentar antitético descrito em B costuma ter a função de constituir a identidade da comunidade por meio de delimitação.. por meio do "a fim de que". na visão de Paulo.22-24). BK. as expressões com "todos". Esses axiomas da argumentação paulina não apenas nasceram em determinado contexto histórico (a sociedade patriarcal. Como teólogo.23s: ser filho de Abraão). do papel da Lei no tempo de sua limitação judaico-nacional. Berger.13: a fim de que uma realidade seja conhecida como tal (aqui: o pecado como pecado). GI 3. Portanto. a um estudo histórico das formas literárias do NT. Realidades sobre-humanas (Deus. também textos como Rm 7. Rm 5. ainda que . e a graça e a justiça de outro formam uma antítese absoluta. tiveram também determinadas funções na história do cristianismo primitivo. Isso vale tanto para as esperanças voltadas para o futuro como para a avaliação. ela precisa de seu oposto (aqui: a Lei) como de um catalisador.de acordo com a axiomática A . F. . ela o diz aos que estão sob a Lei.20s. por exemplo. generalízados e univer- salizados. A repre- sentação mencionada em D significa para a comunidade: integração em tomo do 99 . está (não sem fundamento) no fim de uma longa argumentação: "Ora. G. etc. depois. é o que nos mostram especialmente seus "comentários" que estabelecem um "a fim de que": as coisas anteriores aconteceram "a fim de que" a salvação posterior pudesse se realizar (p. Na argumentação os dados disponíveis são totalizados. Para Paulo.ex. a fim de que toda boca seja fechada e o mundo inteiro seja reconhecido culpado diante de Deus".puderam dar importantes contribuições para a estabilidade das comunidades. pode libertar do destino do pecador. cf.

ex. Deus faz o que lhe "convém". a purificação da consciência é melhor que a purificação apenas externa. teléíõsís). Jesus faz apenas uma pergunta retórica ("é permitido no dia de sábado fazer o bem ou fazer o mal. isto é.4 (no relato da cura do homem que tinha a mão paralisadaj/Lc 6. da forma mais simples até a mais desenvolvida: a) Em Me 3. Pois. G. Argumentação apologético único Mediador e aceitação de todos os demais membros.Os axiomas menciona- dos em F são. Jesus faz uma pergunta semelhante. A). o eterno. Para a argumentação apologética um ponto de partida antigo e importante é a justificação das curas em dia de sábado. C. De outro lado.9.. a falta de uma dialética é compensada pelo fato de que a ordem posterior aboliu a anterior (contra Paulo. reconciliando-as num esquema abrangente (tornando compreensível. o sentido relativo. 1. o. e além disso: os textos com ''tudo''!'todos'' são importantes para a fé na realização das prerrogativas do Deus único no tempo escatológico. .1-6). numa discussão. § 32. O celeste. Argumentação apologética Bib/: ANRW.Daí também o axioma: O que é suficiente e traz a perfeição não carece de repetição. pode ter sucesso. F.. nenhuma dialética entre a ordem antiga e a nova (contra Paulo.. não se precisaria de uma nova. Existe uma relação fundamental de superioridade entre dois domínios do ser: o único é melhor que o múltiplo. A abolição de uma ordem se efetua quando a posterior é evidentemente mais eficiente.?" Um filho ou um bezerro. a "perfeição" (gr. 100 i I . 1287-1291. a verdade do original é melhor que sua sombra. . importantes no contexto da abertura para a missão uni- versal entre os pagãos. vale o que é mais. Não existe. A situação histórica desses axiomas é a apresentação da cristologia contra as vantagens aparentemente evidentes daqueles que continuavam a ser judeus ou volta- ram ao judaísmo. provisório da Lei). A qualidade de uma ordem depende da superioridade do medianeiro/re- presentante que para ela é decisivo. A própria existência da nova ordem torna claro que a antiga precisava ser abolida. o escatológico e o interno são "me- lhores" que o terrestre. b) Na cura do hidró- pico (Lc 14. a exposição de uma alternativa positiva. sobretudo. mas acrescenta ainda uma pergunta retórica. É possível esboçar uma "evolução". . p. R Cada tempo é determinado pela ordem (de um sacerdócio) vigente..?"). mas apenas a comparação entre o que é grande e eficiente e o que é fraco. se a antiga tivesse sido suficiente. o celeste é melhor que o terrestre. Nesse contexto o argumento da utilidade tem seu peso.Importante para a comunidade é também a axiomática mencionada em E: pelo fato de a comunidade conseguir admitir posições contrastantes. pois.. E. A axiomática de Hb é parcialmente diferente da paulina: A. que contém um exemplo:"quem de vós. naturalmente. o perecível. o visível. B).

Jesus argumenta (Mt 12. aproveitado em Mt 12. Na retomada do diálogo. também isso devia valer como testemunho em seu favor. outro.um ser humano vale mais do que uma ovelha).1-6 (ver supra a).lls) igualmente com um raciocínio a minore ad maius (uma ovelha tirada do buraco no sábado . não precisamos imaginar uma evolução tão retilínea. com repetição do "não pode . Depois da cura em Jo 5.e uma filha de Abraão.17. pois o Pai ressuscita mortos. a objeção contra Jesus é pela primeira vez verbalizada explicitamente. antes.Poder-se-ia reconstruir a história dessa tradição da seguinte maneira: à pergunta retórica acres- centou-se o exemplo.9-14. a situação histórica desses textos pode ser reconstruída da seguinte maneira: na Lei judaica não existem determinações contra curas no sábado.23 o problema do sábado: na opinião dos judeus a circuncisão não viola o sábado. com três parábolas (em série. por que uma cura violaria? Como em Mt e Lc o que decide é o caso análogo. uma questão totalmente aberta. não menos importante para uma argumentação apologética..15-16 com um raciocínio a minore ad maius (o boi e o jumento são desatados no sábado e levados a beber . 23b) e antes do anúncio condicional de desgraça (vv. não podia ser libertada no dia de sábado?).No Evangelho de João.10-17. que ele. com grande probabilidade. era a acusação de ter parte com Beelzebu. Outro tema. Mesmo assim. mas pretendiam atingir as atividades cristãs dentro e em redor do culto sabático. c) Na cura da mulher curvada. Tanto Mt 12 como Lc 14 pressupõem ambos. é permitido praticar o bem no dia de sábado". que estava ligada havia dezoito anos. Em todo caso. Jesus argumenta primeiro dizendo que imita o Pai. a) Me 3. muito antiga e localizada no centro da vida religiosa. Se foi analisada aqui toda a argumentação em tomo das curas no sábado é porque. E Jesus não procura sua própria honra. levou os judeu-cristãos à referida argumen- tação apologética: o alegado pretexto de ilicitude tinha de ser cabalmente refutado. e o próprio Jesus tira agora expressis verbis a conclusão: "logo. Jesus aprofunda em 7. a pergunta retórica sobre a liceidade. pois não obedecem à Lei. Jesus respon- de em 13. no capo 7. a questão transfor- mou-se no problema da legitimação do próprio Jesus. em Lc 13. que Satanás não pode empreender nada contra si mesmo. Depois do tema introdutório (v. arrom- 101 . Tal situação. O exemplo e a argumentação podem ter formado um ponto de partida.22). os judeus não fazem isso (7. Argumentação apologética cada um tiraria do poço no sábado. O contexto oferece ainda dois argumentos mais abrangentes: a legitimidade pode ser reconhecida no fato de alguém agir segundo a vontade de Deus.1-15. proibindo as curas no sábado. e em Mt acha-se tudo junto. . Contudo. Aí estava realmente o escândalo que os judeus não-cristãos esperavam impedir pela objeção de que as curas eram "trabalho". d) Em Me 3. 2. 28s) é provado."). os judeus que não se tomaram cristãos tentaram atacar..19. pois a mais antiga atuação missionária cristã consistia principalmente em "sinais" carismáticos e na exegese carismática da Bíblia aos sábados. e isso tem para ele a função de um testemunho melhor que o do Batista. o exemplo tomou-se uma argumentação a minore ad maius.23-30 reage a isso com a combinação típica de apologia com ameaça (condicional) de desgraça. precisa ser amarrado quando demônios são expulsos (sua casa. . Os argumentos teológicos eram fracos. em Jo 5 e 7 temos a fase mais desenvolvida. portanto. era.

33-37: parábola.24-26: O pior de tudo é a recaída: curado e novamente possesso.24-39 é uma argumentação apologética cristológica.O v. pois.". Que significa aqui essa sentença? Está claro que não se refere a Jesus. então aconteceu a melhor coisa que se podia esperar: o Reino de Deus chegou. o qual está agora na advertência contra a fala negativa (sobre o cristianismo).Na primeira parte a questão sobre Jesus ser o Cristo é antes esclarecida do que provada. c) Bem sutil é a argumentação em Lc 11. subsistir?" II. 19 supõe que a acusação tem fundamento: Jesus expulsa demônios com Beelzebu. e quem julga assim sobre Jesus deve forçosamente opor-se ao mesmo resultado de outros exorcistas judeus. . e sobretudo: não deve. porém. pois quem julga assim um carismático. parte da suposição contrária: se Jesus não expulsa os demô- nios com Beelzebu. 20. portanto. a qual o legitima. tenta-se prejudicá-lo.17s: parábola do reino dividido.23: "Quem não está comigo. trata-se de uma argumen- tatio... Argumentação apologética bada). da seqüência de narratio e argumentatio (cf. O "eu" da sentença não é Jesus. A sentença não se refere ao apoio que se deve dar a Jesus. V 11. pois quem faz isso mostra estar ele próprio novamente possesso. Isso é bem claro no caso de Jesus: ele prejudica Satanás. Com isso a estrutura da perícope corresponde ao esquema. quando se é contra alguém.14-28: L 11. também os filhos dos interpelados expulsam demônios. com a pergunta retórica: "como pode. O sentido da sentença é este: quem está com alguém apóia-o em tudo.. Jo 10. mas pelo dedo de Deus. Os vv. Ora.Argumentação diferenciada prova que se trata de um tema central da cristologia. Mas com isso ele dá ao conjunto um outro centro de gravidade. III. Na primeira parte da fala (25-30) trata-se antes de uma narratio. . IV 11. por uma descrição da unidade da ação entre o Pai e o Filho. 102 I I .19s: uma alternativa que é um dilema. O v. com argumentos bíblicos e outros. § 23). b) Mateus aumenta a perícope com Mt 12. 31-33 for- mam uma interrupção. costumeiro nos Atos. A vinda do Reino. na segunda parte.21s: parábola da vitória do mais forte: pela práxis de Jesus fica claro quem é o mais forte: é Deus. Mas isso é perigoso. 26 uma primeira conclusio: Satanás estaria perdido se se comportasse de uma maneira tão contraria a seu próprio interesse. Por- tanto: quem ouve a palavra de Deus deve guardá-Ia.. vv. na primeira pessoa do singular. anún- cio do Juízo. levado muito a sério pela comunidade. Depois das primeiras duas parábolas (reino e casa). 11. mas. 34-38. 3. Daí a última palavra ser "juízes". Isso sem dúvida é uma declaração sobre os ouvintes ingratos de Jesus. não está com ele (é esse o sentido apologético da frase no contexto). é Satanás! A essa conclusão leva a constatação de que se trata de um argumento apologético logicamente estruturado. corre o risco de ser julgado por ele. é uma regra geral que ilustra o que precede. tira-se no v. está em contraste com o ser julgado. duas sentenças. acusá-lo. em vez de agradecer a Jesus por seus exorcismos. 11. .

mas também a divergência é acentuada em 2. A palavra "Cristo" não é usada. Raciocínio a menore ad maius: Jesus não é apenas um homem qualquer.20s. O título "filho de Deus" para Jesus é.17 (distributio) 3.24-29) aplica um texto aos pagãos. a partir do v.12-2. depois outro aos judeus. em NTS 21 [1975]. Missoula. que qualifica todo esse texto como uma "carta apo!ogética" (The Literary Composition and Function of Pauis Letter to the Galatians. 1982).6ss prova pela autoridade da Escritura. ao qual a palavra de Deus foi dirigida. Em 10. 34. Apologética é a explicação de Jesus consistente e lógica. o Pai santificou-o o enviou-o para o mundo.6: os que aceitam a palavra de Deus são chamados de "Deuses". sobre a constelação de Pai. A "prova" consiste apenas no fato de que nessa imagem diferenciada toda a verdade poder ser contemplada numa só unidade de visão. se não nele. Ou então ele as Lu. c todos têm de acreditar. -. Epistolographi.11. nos vv. Filho (= Pastor) e ovelhas. uma argumentação apolo- gética (exclusão de uma grandeza: dinheiro e virtude são contrapostos) termina com uma apologia. No centro da argumentação está uma concatenação (10. porém. referia-se não apenas ao Messias. Conclusio: não é nenhuma blasfêmia chamá-lo de Filho de Deus. como enumeratio e expositio. 34-36: base da prova: citação bíblica. com o auxílio da Escritura.1--4.14 narratia (o desenrolar dos acontecimentos) como causae expositio. D. b) Argumentos que terão de ser discutidos na probatio. aparen- temente arbitrário ao escolher uns e rejeitar outros. mas também (e isso é aqui o mais importante) às ovelhas que seguem Jesus e que.15s). defendido apologeticamente.A argumentatio. e assim hão de chegar a reconhecer a unidade operativa entre o Pai c o Filho. 4.1l.14-33. Tirando argumentos da Bíblia. e ninguém precisa acreditar nele. Eis a estrutura retórico-argumentativa da carta: 1. tem de ser defendido contra uma possível acusação de ser injusto. A argumentação de 10. Hays: The Faith ofJesus Christ: An Investigation ofthe Narrative Substructure ofGaI3. a Escritura não pode ficar sem valor. também: R. vv. Ela toma plausível o que foi dito em 1. b) 3. A criatura não tem direito de discutir com o Criador sobre as decisões divinas. c) são enumeradas coisas sobre as quais podia haver unanímidade (2.1-5: o factum foi legal. e seu comentário de Gl na série Hermeneia. Ora.31 Probatio: a) 3. 19s.6-11 Exordium (sumário dos fatos) aqui combinando uma insinuatio (os leitores foram conquistados pelos adversários) com o principium (início da carta) 1. 2.353-379. Paulo primeiro (9. SI 82. Betz.1-21 pretende provar que Israel não tem desculpa. Argumentação apologética há também em Rm 9. A importância da argumentação retórica em GI foi examinada por H. Na 35"carta de Apolônio de Tiana (Hercher. A argumentação apela para () que é visível. mas a imagem do pastor. com isso se distinguem das ovelhas que não lhe pertencem. Abraão como exemplum. Deus. -.1-5 Prefácio (superscriptia-adscriptia-salutatio) 1. Argumentação apologético ao mesmo tempo que é aplicada a incredulidade dos ouvintes.n. VV.1-21. 10. B. 115s). 103 .I-4. é diferente: I. argumenta com um único texto. 37s: duas possibilidades: ou Jesus não faz as obras de Deus.15-21 Propositio: a) indicação sumária do conteúdo da narratia.11-18). como todos sabiam. para o testemunho que as obras de Jesus dão sobre ele. pelo menos nas obras.

antes de alunos... 17.11-18 Pós-escrito como peroratio a) 6. cf. dirigem-se- -lhe perguntas (p. mas não lhe é idêntica..1-6.") e admoestações retóricas (p.ex. Além disso. miserável").. que fala e escreve.10 Parênese 6. sem uma distinção clara. § 33. O uso de exemplos e parábolas é típico e o vocabulário é rico. lur griechischen Paronese (Programm des Staatsgymnasiums zu Smichow).. A relação entre diatribe e argumentação. e conclusões e objeções inventadas marcam o mo- mento em que uma tese importante é formulada. pressupõe a identidade entre o autor e quem dirige a conversa. Prefiro definir o gênero diatribe/dialéxis pelos critérios mencio- nados acima em 1. que não tem nome.. A essa forte acentuação do "eu" do autor. 1047. Exegese. 1912. "eu acho. e do qual o autor já conhece de antemão as objeções.ex.. Argumentação e diatribe c) 4. "tu.ex. 2. no sentido de uma direção espiritual dada por um mestre autorizado. Nisso."). VETSCHERA.. porém. O mestre. trata-se de um gênero independente. 1131s).. especialmente no v. ANRW.ex.. o estilo 104 i I ."). 4. "agora dirás. O gênero diatribe/dialéxis verifica-se literária e historicamente pela predominância dos seguintes elementos: 1. Sua situação é a resposta a problemas da vida. "lembra-te de .. acentua seu próprio "eu" (p. A chamada diatribefdialéxis (cf.")..12-17 recapitulatio b) 6. Os recursos do gênero "argumentação" têm sido parcialmente identificados como da "diatribe" (assim ainda ANRW. O ouvinte é diretamente apostrofado (geralmente no singular) e adjetivado (p. pois a evidência desses topoi parece fora de dúvida.12-18 indignatio (indignação contra os oponentes) e conquestio (compaixão).ex. 3. corresponde o caráter indefinido do "outro".12-20: uma cadeia de topoi sobre o tema da amizade é usada aqui (como se fazia fre- qüentemente) dentro da probatio. 5. Também outras cartas poderiam ser analisadas dessa maneim (cf. Argumentação e diatribe Bibl: Cf. "não vês que . R. pelos chamados "elementos dialógicos". Que tenha nascido do diálogo é totalmente inverossímil.1148. Isso supõe que o autor se vê como um guia espiritual: na sua superioridade de guia espiritual ele já sabe de antemão como "o outro" há de reagir. A diatribe/dialéxis. para as "massas". isto é. A diferença entre diatribe e diálogo consiste no fato de o diálogo pertencer aos gêneros epidícticos: relata-se. Pesquisas recentes evidenciaram que a origem dessa arte não está na "pregação nas ruas". sua opinião é presumida (p. o mestre tem uma posição destacada: sua auto-apresentação ocupa muito lugar ("eu.. Como o outro nem precisa estar realmente presente.. Não se trata propriamente de adversários.1124-1132. este gênero se presta particularmente bem para ser usado em forma de carta. Berger.. ainda § 103. 42- 58). e sim na conferência escolar.") e diante dos discípulos ele pode se "permitir" críticas e acusações.1291-94. ao falar. 1124-1132) está muitas vezes ligada com a argumentação. ANRW.

5-7 em Hb 2.6.1-5.5. O USO da Escritura no Novo Testamento do ponto de vista do estudo das formas literárias § 34.6-10. progredindo por meio de perguntas e respostas. Certas palavras são transformadas em perguntas. respondidas por outras palavras da passagem citada. 4. typos pode ter outro sentido. . in- troduzida por uma instrução haláquica. . porque a palavra "diatribe" indica ape- nas a situação ("aula de escola superior").16-19. Vestígios em Hb 1. Gn 14. Midrash homilético ou de pregação: com base apenas em alguns versículos escolhidos (Hb 3.21 (antítypos). Gertner.13. Midrash de pergunta e resposta: explicação da Escritura. 3. typos é usado em Rm 5.11). JSS 7 [1962] 267-292): interpretação atualizada da Escritura. encaixando-as no novo contexto sintático. Tipologia: O termo é recente. Outros trechos da Bíblia ajudam a descobrir o sentido. 9. VI. com mais um versículo que o esclarece. de outro lado. Gêneros literários e técnicas no uso dos textos bíblicos da diatribe é bem mais solto que o da bem estruturada argumentação (ninguém veria "diatribe" nas argumentações de Hb 7. 12. Gêneros literários I.C. e é isso o que faremos. . também M. Ant.16-19 (característica de qualquer midrash: a Escritura é citada em pequenos trechos. oráculos e parábolas. aplicando-a ao tempo presente.-Fílon.5. Temos em Ef 4.8-12 um típico midrash. ex- pressões e partes de frases do texto citado.7--4. e sim o primeiro dos dois pólos que a exegese relaciona entre si. Lib. mantendo sempre a referência ao versículo bíblico a ser interpre- tado (já na própria Escritura: reinterpretação de textos em escritos posteriores). "Midrashim in the New Testament". No NT.17-20 + SI 110. cf. ponto por ponto. Midrash (para a bibliografia.Patishá: um versículo fundamental da pericope do dia. Midrash pésher: uma citação maior seguida pela explicação: repetição de palavras. sem distância temporal: a própria Escritura é vista como um enigma/oráculo a ser explicado (compreensão esotérica). . no judaísmo: Ps. 5. SI 8. Essa diferenciação entre argumentação e diatribe é sobretudo uma conseqüência da constatação de formas argumentativas nos evangelhos que não pertencem à diatríbe/dialéxis. 1Pd 3. No sentido recente de "tipologia".17-24. embora não indique o processo de interpretação. que logo são interpretados).4-28.Midrash explicativo: o texto bíblico é interpretado.7-11.Yelammedenu: explicação do versículo da pericope. visões. por exemplo.17-24. . O conceito de "dialexis" pode ser empre- gado de tal forma que se distinga do diálogo.Sêder: interpretação com base na pericope do dia (sábado) (suposto em Lc 4. Midrash histórico: material bíblico é narrado em forma livre. 8: as palavras mais importantes da citação são retomadas e comen- tadas. Proponho o nome "diatribe/dialéxis". 1Cor 10.10 ainda fala em typos e typikós. - Assim em Hb 1. versículo por versículo. pessoal: At 7.17-22). 14. Alegorese: o texto é identificado com a interpretação. 3. . 5. 3. textos como Rm 2. Tem 105 .14. O conceito ocorre desde o sé- culo I a. sobre o texto citado no v.4 devem ser considerados diatribe/dialéxis).A origem da alegorese está na interpretação de sonhos. Gêneros literários e técnicas no uso dos textos bíblicos A.19-21."Na Sagrada Escritura não há anterior ou posterior". 11. 2. Introdu- ção de palavras semelhantes ou novos sujeitos e objetos no texto bíblico (substituição).4 em Hb 7.

III 79 Melquísedec = Rei pacífico. katápausis em Hb 3s. I. 278: Gn 12. é o rabínico qal wa homer: a conclusão do leve para o pesado.1.Enunciados sobre "o justo": Rm 1.IX. -. A Lei é citada como autoridade atual.20). análogos: Mt 18.. se não quisesse separá-lo totalmente do povo antigo"). 2. A Lei é aplicada a casos novos. Etimologia (p. 7. Hb 7. Interpretação alegórica na base de detalhes curiosos: p.Sobre atitudes em geral: esperança (Rm 5. Simbolismo numérico (Barn 9.ex. próbaton e probáinein [Fílon]). Modificação de textos bíblicos(Mt 2. ou não.7-4.ex.19.17. ICor 14. ITm 5.Ela é ampliada e tomada mais rigorosa: Mt 5.ex. é o rabínico gezera shewad = a conclusão por analogia.X.3ab e Fílon. 4. .2. nem desconsidera a distância temporal: a Escritura é entendida em seu sentido literal e respeitando a distância histórica. -. Em certos textos do AT distingue-se o que vale para a comunidade cristã e o que vale para Israel: Rm 10..6 inseriu "de modo nenhum ").8.11.13 -. e o que.IV Uma ação nova de Deus abole uma anterior (p. Fílon. Enunciados sobre Deus (como ele é e o que ele faz).2b.Sobre o justo e o ímpio: IPd 4. o uso de sinônimos. Leg. Hb 3.XI.5). "O que não está na Torá.48.Sobre a gcena: Me 9. 60s: Sara é amêtor por causa de Gn 20.ex. como faz a alegoria. B. A. .. Não se deve falar sobre assuntos de trabalho . 6.6. uma descendência nova. o uso. Hillel lI). ICor 11. em sua opinião. IPd 2.").17ss ("E ninguém pode no dia de sábado dizer uma palavra tola ou fútil.ex.14 em Hb 1. amor (lPd 4.. É proibido emprestar qualquer coisa ao próximo. expresso por cada autor. § 35. expressões que sobram ou outras que faltam.17. Enunciados gerais sobre o homem e a criação: a ordem da criação tem valor de lei: Me 10. A Lei é interpretada alegoricamente e aplicada a casos novos: ICor 9.16 -.7 e 2Sm 7. I . . --- lI.ex. entre o terrestre e o celeste. já constava no AT.21-30. mudanças nas expressões. sobretudo ao falar sobre "obstinação".. números e tempos curiosos.21s.5-7. um advérbio ou uma preposição. .20s. p. -. Fílon). 8. . um povo novo. Textos do AT podem falar diretamente sobre a comunidade escatológica. 2Cor 13. Heres. Trocadilhos (por exemplo. 106 . -. no judaísmo: Jub 50 e CD 10. . Também: agora é o "hoje" de textos do AT: 2Cor 6.9.6-8. Bam 2. Hb 8. A tipologia vê relações entre o antigo e o novo..ls: "Deus não lhe teria dado um outro povo. Artificios exegéticos: I.Analogiapor causa de palavras iguais (p. não está no mundo" (p. expressões. Hb 7.1.5). Combinaçãode dois textos bíblicos (p. Mt 19.No judaísmo: CD 4.Fílon. Ali. 5. V Conclusão a minore ad maius (p.7-8.VIII. a ligação de dois versículos desrespeitando a sintaxe. . do pequeno para o maior = Regra de HilIel I.m.12). . de acordo com a distância entre o "novo" conteúdo da Revelação. Tg 5.um As maneiras de citar os textos do ATe a situação dessas citações no NT e no judaísmo semelhança com a alegoria.ex.2.28s. -. o "exemplo" parenético. 3. Lc 4. repetição de coisas já ditas.18. Hb 1O. VII. 3. Enunciados sobre a relação salvífica entre Deus e o homem: Rm 1.8.18.No judaísmo: Carta de Aristeas. Esgotar todos os sentidos de umapalavra. 9.21 (contra a prostituição): "Mas o fundamento da criação é este: criou-os homem e mulher".Outra coisa é o paradigma.9. rei justo)..ex.20. SI 2. Fílon). Identidade (os textos do AI valem diretamente no tempo presente e para ele). Ebr.7.1. mas não identifica ponto por ponto. . Nos livros proféticos já há alguma tipologia: o tempo do fim é descrito com traços do tempo da origem. de um artigo. As maneiras de citar os textos do AT e a situação dessas citações no NT e no judaísmo Distinguimos no NT dois modos fundamentais de encarar a Escritura (do AT): pela identidade ou pela diferença. Textos negativos são aplicados ao restante não convertido de Israel.

5.13. Pois a tua criação servirá de testemunho daquilo que o Senhor fará com seu povo". Leg. Idéias centrais cristãs interpretam a história do AT: Hb 11.30. 11.9. (semelhante a 17:) Constância de conteúdos visionários: Me 14.37ss.15. 22. a "abominação" de Mc 13. Tem-se consciência da distância temporal entre o AT e o tempo presente. com função escatológica: o descanso (Hb 4.5-10 (a geração do deserto) (v. Figuras do AT representam situações/poderes: GI4.Juízo: lCor 10. .30-32 (luz).18.52 (Abraão). segundo CD 3.9-12. Textos sobre Deus são aplicados à comunidade: lTs 5. 12. 2Pd 2.31 (Sara: ser livre da Lei.11.7 (chave de Davi). Esaú: Roma).9-24 (Abraão). Hagar: ser escrava da Lei).27. Rm 10.17.. .3ss. . 17.21. 18.15-19 (a geração do deserto). 11. 11.19.4-6. 20. Os "povos" de outrora são os gentios de hoje: Rm 15.10.2s.47. Hb 13. 1. 4. b) Jesus: é a ele que se dirigem salmos do AT ou é ele o orante dos salmos. Jub.25. 4.27 (Jerusalém como mulher).1. especialmente 11. B.14. textos "se referem" a ele.8. 6: typos).Al!. ICor 10.24. 18.13.3 (Eva/Serpente). Rm 4.3Is.21. 15.26. 5.As maneiras de citar os textos do AT e a situação dessas citações no NTe no judaísmo ~ 10. O agir de Deus no passado foi um paradigma: Rm 9. Gl3. 15. 10.14-17. 4. 13.21-31 (Hagar/Sara).6s (Abraão).4s).6. Ef 5. Abraão. Coisas da Criação. Rm 8. 21.20ss.36.10. 20.17s.1. 26. Rocha").62.8.13. Me 11. Jo 1. Hb 3. 20. às vezes com relação à comunidade (p. (Jacó: Israel.3. Ant. 15.De modo semelhante. 2. Novo conteúdo simbólico para textos que já eram simbólicos: Mt 4. Lc 3. aplicando os respectivos textos a alguma figura escatológica. a árvore do paraíso (Ap 2. segundo 2Cor 11. Melquisedec. Rm 1O.9. Interpretação cristã. 14.6 (Sara). O cristão é "o homem segundo a imagem de Deus": CI 3. 16.17.1-8.-Fílon.21-23 (Abraão).8s. No judaísmo: katápausis.3. pois ele sabia que dessa costela nasceria Israel. Mc 1. Lc 23. 10. Ef 6.21. 23 (Hagar: educação. 11. Ap 1. 107 .7-11. IMc 2. de um modo geral.8- 11. 25 (Raab). cf. Rm 9. Rm 2.No judaísmo: por exemplo.29 .17. 19. . Congr. At 4. Diferença.18. mesmo sem descendência física: Rm 4 (Abraão).18s. lPd 3. At 13. 13.40 (Jonas).15. Identificação de figuras mencionadas no AT com figuras escatológicas (assim também nos argumentos cristológicos com textos do AT).4. Mt 24.ex.15: "Não é sem motivo que Deus tirou de ti (terra) a costela do primeiro homem criado. Interpretação de determinadas figuras como "sendo" a comunidade cristã: Eva.15s. "Pedra.5-10.18.No judaísmo: Ps. Ap 3. .32. Sara. Mt 12.6 (Sara) (talvez pertença a B). sobretudo equiparação entre os profetas an- tigos e os apóstolos: Lc 2.2. 14.23. Tg 2. Lib.19. o presente nem sempre é entendido em sentido estritamente escatológico. Mt 12.15-19.13-15 (Abraão). Hb 6. Qumran: doxa de Adão. Grupos da atualidade são relacionados com as figuras de patriarcas ou suas mulheres. Interpretação alegórica escatológica de objetos mencionados no AT.7). .7-23. 2 Cor 11. lPd 3.ex. Jacó e Esaú).2s. Nisso. Identificação por causa de vocação análoga. No judaísmo: Fílon.11 (Jó). 32.2s. Hb 2. Exempla. 7. Hb 3.47. G14. 3. virtude). a) João Batista: Mt 3. Gll. 13. As palavras do AT descrevem os fatos da atualidade: Mt 2. Ef 2.3. 17. indicando o mundo celeste (Fílon).14.13-16.4-40 (lista de "testemunhas" do AT).15.No judaísmo: Sb IOss (Sabedoria). Lc 2. e o texto a exprime. III 77-88 (lista de homens que Deus escolheu sem que tivessem realizado alguma obra: Noé.Cf.31 s (a mulher de Lot). No judaísmo: Fílon. GI 4. Figuras e modelos do AT são uma advertência para a comunidade: Lc 17.15s (luz). 14. Ap 5. A comunidade é quem ora no salmo: 2Cor 4. Comparação de realidades presentes com as do AT.Dilúvio: Mt 24. ou. Gl3.5. 23. Isaac. escatológica de textos sobre o futuro. p.

Daí também Jo 1. . 2Cor 3. parte a Israel. 56.34-36.17 (Moisés/Jesus). .21-31. O midrash como gênero cristão. 13. Noé ou Moisés.-Fílon. . 2.Cf. inclusive o próprio Jesus: A Lei como instância ainda válida (A 4). . 108 . Cristo/sacerdócio do AT. no cap. além da história de Israel: At 2. 14. Sacerdócio de Melquísedec/Aarão-Levi. Rm 5.6. . nos caps.Novo conteúdo simbólico para textos simbólicos (A 17).Obstinação.C@ As maneiras de citar os textos do AT e a situação dessas citações no NT e no judaísmo 5. Narração do passado como passado: At 7.Constância de visões antigas (A 18).) 11.13-16. 10. . Aplicação de textos bíblicos à comunidade como tal (A 7) (apenas uma vez em Mt).2-47. . Primeiro período pós-pascal: Interpretaçãocristológicade SI 110e SI 8. Palavras não realizadas no AT apontam para o tempo escatológico. 9.12ss. Aspectos comuns a grande parte dos textos do NT. . Bibl.34s. Realização dentro do AT: Tg 2. D. Uma concorrência entre duas realidades. B. 8.Com- paração com figuras do AT (B 2).16 (a expressão "semente de Abraão" exclusivamente aplicada a Cristo). As camadas mais antigas. 3s.12ss. . 11. interpretação cristológica do SI 8. em item 8. nos caps. . . Cristo/Moisés. já existente no AT.31s.1.Interpretação escatológica de predições do futuro (B 4). Hb 11.Interpretação alegórica da Lei (A 5).2ss. 6.No judaísmo: Ps. desde tempos relativamente primitivos: citações sobre Deus (A 1). Hb (Cristo/anjos.7.12). parte à Igreja. .Textos escatológicos do AI (B 5). C.Conceitos centrais sobre a interpretação (A 16). (No judaísmo.Superação da nova Revelação pela antiga (B 11.-Filon.O antigo ao lado do novo no AT (B 10).Analogia entre a voca- ção dos profetas e a de Jesus e dos apóstolos (A 15). . 13. Pontos comuns fora das cartas paulinas.Exempla (B 1).10-11. Hb 7. além do dilúvio).A ação de Deus tinha caráter de paradigma (B 3. e sem ser nos sinóticos: Palavras do AT ainda não realizadas (B 9).23. . a acontecimentos atuais (A 11).21-23. O novo é o antitipo do antigo: Rm 5.Aplicação de textos sobre os "povos" (éthntJ) aos gentios (A 10). . E.Interpretação cristo lógica da metáfora da pedra (A 22).22 (um profeta como Moisés). no cap. indica a oposição entre o antigo e o novo: GI 4. Sião/Sinai.No judaísmo: textos sobre o segundo Adão. Pontos comuns das cartas (exclusivamente): Regras gerais sobre a relação salvífica entre Deus e o homem. . A seguir relacionaremos o material acima apresentado com a história do cristianismo pri- mitivo e com os grupos de escritos que nele se formaram. 1103 (Cristo/Caim). Hb 4. Interpretação escatológica de uma figura prometida: Mt 1. . Ps. Jo 6. sobre a espe- rança e o amor (A 2).SI 2. Textos escatológicos são entendidos como tais. . 8-10.Aplicação de textos. contradição suscita alegoria. Técnica da alegoria. 12. Gl 3.Revelação antiga/nova: Mt 5. sobre o justo. .7: Jesus é o justo perseguido(A 21b). B 12). . 7. F. Predição e cumprimento: citações comentadas. Repetição de alguma narração do passado (B 13). . 58. .Patriarcas do AT como patriarcas da comunidade (A 19). .5-7 (antiqüíssimo).Typos c antítypos (B 11 e B 12).Textos sobre o Kyrios aplicados a Jesus (A 21b). oposição entre as "eras" em 4Esd.Tipologia do dilúvio. .ls. nos caps. At 3.11). 13.1-28 (especialmente 7.Realização dentro do AT (B 14). ou à comunidade como orante dos salmos (A 13). .O esquema da predição e cumprimento (B 8).Identidade com Elias. A. mas também em lPd e Hb: a técnica do midrash pésher.Palavras sobre a obstinação (A 8).6.7-18.17-22. Textos sobre o futuro "filho de Davi".21-48. . Elementos que se encontram principalmente em Paulo. . Usaremos os números do resumo que acabamos de dar.1. 19. referindo-nos apenas àquelas maneiras de usar o AT que devem ser qualifi- cadas como características para determinadas épocas e determinados grupos de escritos. . Ant. (3-)6. Superação do antigo pelo novo: Mt 11. .

Os inimigos agora são os demônios. Toda tentativa de deduzir do AT a essência das tradições e dos gêneros literários do NT é um erro. No entanto.3). também no que diz respeito aos gêneros literários.20s). autorizados.44-47. Nem a literatura intertestamentária. (Fílon. e como tal ele se confirma sobretudo por sua atividade como exorcista. É sintomático o emprego freqüente dos salmos no NT: Jesus é o "Filho de Davi" (e Davi era o autor dos salmos). não se deve pressupor uma espécie de biblicismo moderno no século 1 d. o uso apologético do AT dirigiu-se para fora. já que subestimaria antes de tudo a importãncia própria do judaísmo. Também onde as próprias citações são secundárias. . a etiologia da práxis comunitária da interpretação cristológica do AT. e principal- mente a partir do século I d. em Lc 24. Somente nos Evangelhos e nos Atos: A ordem da Criação como lei (A 3).Textos sobre o "filho de Davi" que era esperado. .C. em 4Mc 18. . uma espécie de midrash pode estar na base do texto (o que se pode observar diversas vezes na relação entre Me e Mt). .Salmos dirigidos a Jesus ou rezados por ele (A 21b. pode-se definir o que foi feito com a Escritura do AT como uma escolha de textos que condensa a tradição em torno do me- dianeiro carismático do fim dos tempos e em tomo da minoria carismática. ao passo que o pneumático ficou cada vez mais nas mãos de mestres re- vestidos de autoridade (cf. além de Rm 15. As citações do AT têm no NT função tríplice: argumentativo-apologética (justificação do novo pelo antigo). Ao lado de muitas formas novas de evolução.10-19. As maneiras de citar os textos do AT e a situação dessas citações no NT e no judaísmo ~ Coisas da Criação como éschata (A 20).Prova bíblica sobre João Batista como figura escatológica (A 21a).Maior rigor na Lei (A 5) .27.C. e § 101 sobre a forma dos evangelhos). sobre o "núcleo essencial" das tradições nacionais (cf. G. NT) surgiu o costume de citar a Escritura. A importãncia do AT para o estudo das formas literárias não se limita às citações explícitas (cf.Adversários (A 21).No todo. Qurnran. p. e também em 2Pd 1. doxológica (apresentação do significado da nova realidade) e pneumá- tico-escatológica (a Revelação até então enigmática é desvelada pelo fim do mundo). Aplicação alegórica à comu- nidade (A 22). Como tal assunto foi assimilado é explicado por extenso. houve no judaísmo uma viva transmissão de determinadas tradições da Escritura (particularmente do Pentateuco). especialmente § 56 sobre as admoestações. 109 . Jub). . Socio- logicamente falando. o doxológico para o inte- rior da comunidade. condicionada sobretudo pela reflexão nos século 11 e I a.ex. Essas citações supõem que já estava sendo encerrada uma lista de livros "canônicos". nem o NT são simplesmente um extrato ou uma cópia de textos das escrituras antigas.c.

2. sob 5).4-6 par.15 ("não chames impuro o que Deus declarou puro"). Por simples exortação designamos uma ordem sem fundamentação explícita. 1075-1077. Gêneros simbulêuticos § 36. em que. como subdivisão das "exortações"..6 ("não separe o homem o que Deus uniu").: D. essa última frase se parece com At 10. A simples exortação Bibl. ZELLER. pois"). a simples exortação encontra-se em créias e tem. e Mt 11.12: "sobretudo. Würzburg.C. costumam figurar em parêneses (§§ 37ss) e em composições simbulêuticas como as cartas às comunidades de Ap. é a advertência moral.. por exemplo. 3. caráter de gnome. Mt 19.". Mt 10. Rara- mente tais exortações se encontram isoladas. arrepende-te e faze as obras de outrora")... b) Como era de esperar. Tg 5. Em vez de usar logo o termo "sentença admonitória" (o Mahnspruch de D. aliás.". ("dai a César o que é de César")...33: "procurai primeiro. de caráter sapiencial ou gnômico. encontra-se freqüentemente uma ordem de guardar silêncio sobre ela ou uma ordem geral de falar sobre ela e de levar uma men- sagem (cf.16 ("arrepende-te. estão também relativamente isoladas. julgamos que a amplidão do assunto nos obriga a usar o tenno mais abrangente "exortação" (cf. 2. 1977.. cf. Fora de seu uso nas parêneses anotamos as seguintes ocorrências: a) Uso protréptico: como exortação fundamental para a conversão encontra-se a admoestação simples em At 2. A sentença admonitória.7: "Proclamai .5b ("lembra-te. por exemplo. não jureis..40 ("salvai-vos desta geração transviada") e em Ap 2. 3.3b. Me 10. ~ Protréptico é também o emprego em frases que encorajam a fazer o que é mais importante (Mt 6. Em estrutura e conteúdo."). Cf.22-23) (sobre ambos os 111 . I. Lc 3.7 par. também ANRW. No contexto de uma revelação.19b: semelhante é também 2. então. segurai-o até que eu venha"). Die weisheitlichen Mahnsprüche bei den Synoptikern. em Me 12.9.25 ("o que ten- des. Sobre a importância das gnomes. Zeller). como.13: "Não exijais nada além do que vos foi fixado". § 48. Lc 7.

485. Daí sempre o mesmo convite imperativo. Parábolas (Me 4. em Mt 13.26.2-5). por exem- plo em Mt 9.22a é mais uma vez uma admoestação para escutar.5g. etc. Os caps. 10.. é essa sua situação real. também § 72. nota 198: Apocalipse etíope de Pedro: "sê testemunha do que viste").56.3. e não a admoestação protréptica ou moral. 2. cf. palavras bíblicas (Mt 9.13 é uma só exortação sobre a urgência de escutar já. são outras tantas formas de linguagem metafórica e analógica que precisam ser assimiladas. enviando os Doze em missão (Mt 1O. No mesmo nível que as ordens citadas (em 2) de falar (incumbência ao men- sageiro) ou de ficar calado estão as instruções de Jesus.48: "Vai e anuncia a meu povo quais e quão grandes feitos maravilhosos de Deus tu viste".8 par. Berger. 5.8) e seguidos (12.43 está no fim da explicação alegórica. Lc 10.5.27.34a deveria ser entendido assim). Podemos até dizer que pro- vavelmente se consideravam revelação em sentido estrito apenas as formas acima mencionadas de linguagem figurada (Escritura. As exortações para escutar ou para assimilar um conhecimento tampouco pertencem à tradição das "sentenças admonitórias".191s). Por tudo isso fica claro que. cf. Semelhante à ordem de falar é a indicação de testemunhas (Lc 24.18). nota 190.27. I 499).30.. 3. não por algum testemunho humano (cf.18) são equi- valentes. Ordens de ficar calado encontram-se depois da narração de milagres. Me 1. sentenças (7. Na literatura epistolar há passagens mais longas com a função de incitar os leito- res a escutar. Podemos. o critério não é uma possível autonomia original da sentença de admonitória. 7ss são precedidos (5. Entretanto.6-8: "vai. mesmo quando tais exortações se encontram em séries e têm semelhança formal com as sentenças admonitórias. Em Hb esse fenômeno recebe um extraordinário realce. Jesus quer ser legitimado apenas pela ação divina na ressurreição..13). Há também os convites das parábolas ("quem tiver ouvido para ouvir. Lc 8. A simples exortação casos. são todas formas de exortação que man- dam observar as analogias e assimilar o sentido das imagens.").9. Mt 6.43 par. o convite às vezes é seguido pela explicação. como Pr 6.44. Do judaísmo contemporâneo deve ser mencionado 5Esd 2. parábolas. que ouça"). no fim da carta. como no caso das sentenças admonitórias.48 e: Berger. de sorte que o convite imperativo seria um sinal de que se trata realmente de uma revelação num sentido muito especial. Lc 12. Mc 6. afirmar que tal convite é um sinal de uma revelação especial (por isso também Ap 13. A função de tal ordem é: enquanto depende dele.. 13. Depois da parábola do semeador.16) e enigmas (Ap 13.-Bill. 4. Quando a revelação consiste numa imagem ou num mistério.11-6. que o ouvinte tem de entender e aplicar a si mesmo. Hb 3.8-11 e Lc 9.9). também Me 4. Existem exortações diante de exemplos.5s. 488.1-5. 112 i I .7--4. e imperativos que mandam observar algo.) introduz a explicação alegórica. elas não devem ser classificadas como pertencentes à tradição sapiencial ou gnômica. pois. como Hen et. Auferstehung.24. Lc 8.3 (sobre a fórmula rabínica: Str..24. nota 116).28b ("olhai.8. a qual deve ajudar na aplicação (textos que ilustram isso: ZNW 65 [1974] 214. § 100).25-29) por exortações para escutar e. Auferstehung. Trata-se de incum- bências dadas a mensageiros. semelhante imperativo (Me 4. e vê".

Há uma certa relação com as exortações à vigilância em geral. de Lc 4. deve ser entendido como expressão de medo diante do Juízo (as montanhas devem proteger do Juízo). No quadro de uma admonição pessoal.5.6. (imperativo)". 8.9: os convites do demô- nio. . ó servos do Senhor! Eis uma palavra do Senhor. . Lc 4. na história da tentação no deserto. par.8). serve.5).3a. e para não ter medo. explicitam na prótase uma condição: "Se tu és o filho de Deus.37).No AT: Jr 17.8 ("mos- tra-nos o Pai.16. cura-te a ti mesmo!".23.33. escutai-a! Não duvideis sobre o que diz o Senhor.4-7 (antes de igual advertência). escondei-nos" (Lc 23.30.40-43. - Semelhantes pedidos são pressupostos também em Lc 23.8 dirige-se a Timóteo exortando-o a se lem- brar de Jesus Cristo. Os textos dão a entender que se- melhantes intimações provêm da maldade dos outros. então. .Todo esse grupo de textos aponta claramente para o problema de que no cristianismo primitivo provas carismáticas não podiam ser produzidas a bel-prazer. Significado especial tem também a exortação para lembrar. convida a escutar e legitima sua fala ("palavra do Senhor").35-36. como anúncio do Juízo. Ap 6. Lc 23. Essas intimações geralmente são feitas com intenções descrentes e irônicas.35.O impe- 113 .Sem dúvida esse grupo de palavras de intimação está na base da frase. em Lc 12. geralmente já é certo.A ordem de medir em Ap 11.36 ("escutai isto e entendei.11-13. 3. 2Tm 2.. A simples exortação 6Esd 16. em Mt 26. Hb 13. 2Jo 8. 9ss). são as intimações dirigidas a carismáticos para que se legitimem por sinais. Lc 22.3. portanto. "caí sobre nós. no AT: Os 10. bem como provavelmente em Me 15.1-2a é uma ameaça de desgraça. . olhai. seja para que a comunidade se lembre de sua própria história (Ap 2. têm caráter não apenas exortativo. no fim das cartas de Ap 2-3. Uma tradição à parte são as breves admonições breves para cuidar de si (de sua própria vida) (p. mas também animador e consoladoro 7.7: "lembrai-vos de vossos dirigentes que vos anunciaram a palavra de Deus" . o pedido semelhante de Jo 14.8-10). assim também as intimações dirigidas ao crucificado (Mc 15. Para quem assim intima. Lc 17. Textos: Me 14.O pedido de Jo 7. este "ficar de sobreaviso" está ligado com a observância da Lei.3. e isto nos basta") é igualmente respondido com uma repreensão. Mt 27.7. conforme mostra 11. em 12. 5.3. no NT refe- re-se antes à própria apostasia.65: "Profetiza-nos! Quem é que te bateu?". iniciando sua instrução.ex.11s (depois da severa advertên- cia dupla de 12.68 com o acréscimo: "ó Cristo". . Inseridas em contextos narrativos..No judaísmo: lQ 22).9 e Me 8.a isso se seguem palavras admonitórias). que o carismático não pode ou não quer atender ao pedido. que querem ''tentar''. seja quando se evoca um exemplo da história da salvação (Lc 17. e logo se acrescenta também o exemplo do próprio Paulo (vv. .. Imperativos simbólicos são exortações que não devem ser tomadas ao pé da letra.32). nem devem em grande parte ser entendidas como verdadeiras exortações.2b (medidas e mensurabilidades celestes têm função "astrológica").21a.64. mas reconhecíveis como grupo especial. ouça". Me 13.23: "Médico. Também a fórmula "quem tiver ouvidos. pelo menos no contexto do cristianismo primitivo.4b é explicitamente atribuído à incredulidade (7.. . de antemão. O imperativo dirigido às montanhas e colinas. já formulada como sentença. .30-32.") é urna fórmula extensa em que o mestre. No AT. funciona claramente como chamamento para escutar..Mt 4. 6. As exortações para não se preocupar.9.

já que o "sem armas" foi executado como um "sem lei". Essa palavra.60 não é uma violação da "Lei". em sua origem.9.5. 16s) define a parênese como "uma série de admonições de conteúdo ético".31 e semelhantes devem ser antes ilustra- ções do caráter repentino do Juízo. aparece também logo em Ap 19. Num imperativo simbólico (cf. apesar da tendência dos imperativos verbais. Is 48. Em Mt 18. porque impiedosa. Acrescentaríamos que elas são sempre relativamente breves. O mundo com suas medidas tais como são suspeita dos que parecem bons demais. 52. pois os elementos reunidos geralmente têm a mesma forma e abrangem um determinado conjunto de temas que vão esgotando sistematicamente. mas isso não pode ser provado. I.6. em Me 9.35-37. por demasiada ingenuidade. 1049-1077. Ap 19. entre outras (cf. é preciso "disfarçar-se" como justo o suficiente para não eo ipso ser sacrificado. correspondendo a 19.ex.22. Características gerais da parênese Bibl. Agora. mas não arbitrariamente.. Instruções imperativas como Lc 17.45) significa o distanciamento. este imperativo exprime a proximidade do fim.") é típica dos salmos (SI 22. escandalosa para a época. mas a exortação para a vingança (18. § 9) culmina também o diálogo de Lc 22. Quando diversos grupos de temas têm de ser demarcados. A exortação ao louvor foi sem dúvida. Lc 9. 135.8. Jesus foi contado entre os "sem lei".. indica a intensidade com que os escândalos devem ser evitados: mesmo com grandes sacrificios. reflete a diferença entre o tempo de Jesus e o tempo dos discípulos.1. Dibelius (Der Brief des Jacobus. pois não é para ser entendida ao pé da letra.24. um momento litúrgico.20.4s: a ordem de "sair" (cf. no início: SI 134. § 37. M.4. mas como intensidade na busca do perdido. Jr 50. (p. 9.1-3). que exige separação radical. do que instruções reais.6b.6) deve antes ser entendida como anúncio do Juízo. A exortação de Mt 8.: ANRW. Verdadeiro caráter de exortação têm os imperativos simbólicos em Ap 18. muitas vezes sem alegar motivos. Essa mudança de tática é para evitar mais martírios. A exortação para louvar a Deus na segunda pessoa do plural. A própria exigência. Entretanto. na continua- ção do texto esse radicalismo.. Compare-se também o hallelu-ya (que tem o mesmo sentido) no começo de SI 111 e 112. isso é 114 I I . devem ser absoluta- mente excluídos. 51. § 27). não é entendido como procedimento judicial.6) é tomada como aspecto da nova justiça. é preciso tomar cuidado para não se expor. a série é composta sem li- gações sintáticas.43-47.10 só pode ser entendido por "conhecedores": diferentemente de Dn 12.8s o contexto faz supor que se trata em primeiro lugar do radicalismo com que deve ser tratado aquele que escandaliza.5: "louvai nosso Deus . 1964. Características gerais da parênese rativo de Ap 22. é mesmo para chamar a atenção e sugerir o caráter radical da separação. ~ A ordem de cortar os membros. Trata-se antes (o que explica a escolha das imagens) de um exemplo: a pureza radical do nazireado (Nm 6. porém. e não dar na vista.

O NT não fornece nenhuma definição do que se deve entender por "Direito". andam sempre juntos. nas créias com "é permitido. 3. a forma solta das numerosas séries da literatura sapiencial judaica. Primeiro. bem como aquela (já diferente da paulina) dos inícios da Reforma. sua relação com a Torá é cheia de tensões. Sem isso não será possível ava- liar adequadamente nem o judaísmo. a relação entre parênese e o Direito. 25-27). ainda uma observação sobre a forma. não como objeção contra as instituições como tais.22-27(32-37) a adúltera era conduzida à ekklêsia. Com isso exclui-se. Quanto às coleções de leis do AT pode ser demonstrado que no tempo de Jesus suas normas eram obrigatórias para a comunidade. Em ambos os pontos a parênese é diferente. costuma tratar-se de normas forte- mente tradicionais. mas não era ape- drejada. 1068ss). convencionais. ANRW. parênese e direito feito por simples sucessão. Pois para a relação dos textos cristãos com a sociedade é relevante saber o que porventura pertence ao domínio extrajurídico. Pois aí é costume enfileirar materiais formalmente diversos. ou seja. A forma de catálogo como forma ideal da parênese costuma ter também por conseqüência a brevidade de todos os membros. De outro lado. A função das séries parenéticas é. A relação entre Torá. como na pergunta sobre o imposto de César). versando sobre assuntos tematicamente bem definidos (cf. pois. mas não valiam suas sanções. "O Direito" é antes uma categoria criada pelo historiador. Seu uso. éxestin]. parênese e direito 1. ~ As créias apresentam também freqüentemente gnomes. Conforme Sr 23. iteráveis." [gr. espera-se do rabi judeu ~ é o que relatam as créias ~ que ele tome decisões em questões jurídicas importantes (p. do ponto de vista "hermenêutica". ~ Evidentemente seria um erro admitir uma ordem juridica apenas quando existem sanções penais pela desobediência a uma determinação. Tendo a parênese essas propriedades. As formas mais antigas de parênese indicam claramente que no início da evolução esteve o catálogo de elementos de forma igual. O fato de certas ações serem concebidas como relevantespara o Direito pressupõe também que tais ações sejam consideradas como típicas. visível e por isso demonstravelmente. Vejo o formalismo legalista como forma de abuso. lembrar as normas gerais de comportamento. pois. 2. que formam a resposta a per- 115 . É preciso estudar também. § 38.. enorme influência. entretanto. Direito e visibilidade. Entretanto também há no NT textos parenéticos que apresentam uma forma mais frouxa de serialidade. tem. por isso também a continuidade e a estabilidade são essenciais à noção de direito. as coleções de leis não valiam como código de direito penal. Apesar da relevância social do delito. Quanto ao conteúdo.. no cristianismo primitivo. e o campo dos temas possíveis é ilimitado. apenas amaldiçoada (vv. A coleção de opiniões de rabinos sobre uma questão equivalia a uma coleção de decisões jurídicas.ex. como exem- plo formal da parênese. Ao domínio do Direito pertence tudo o que. nem a moral cristã em sua relação com a rea- lidade social e pública. A relação entre Torá. Se quisermos avaliar teologicamente a doutrina de Paulo sobre a "Lei". atinge a liber- dade das pessoas. será preciso fazer uma distinção fundamental entre tal "Lei" e "o Direito". e por isso o direito é a conseqüência necessária da concretização de uma relação.

9s. a ficção de Moisés como legislador [cf.8e]. bem como um exemplo pagão (a comunidade cultual de Filadélfia. relevância social e política. delimita-semais estreitamente o âmbito da sanção do delito.. Em outras palavras: é uma característica das gnomes parenéticas delimitar e conceituar o âmbito das nor- mas sociais. ocorre um recrudescimento do que é considerado importante para a comunidade.c. Em todo caso percebemos. mas também "direito sancionado". o que amplia o domínio do juridicamente relevante. etc. mas também do que é visto como perturbação dela. leis não-escritas tomam-se escritas. listas de virtudes para súditos.27s) seja apresentado como uma reforma pura- mente interna. que aí. têm a forma de uma série parenética. primeiro.. Isso significa: o domínio do pré-jurídico é coartado. Na minha resenha da história das formas gnômicas (ANRW 1068-1073) tentei demons- trar que especialmente as séries de infinitivos e as de fórmulas negativas . em nome da religião e no seu âmbito. Em grupos religiosos. 1070-1073. também § 51. as costumeiras séries parenéticas são providasde sanções: estas coisas não podem ser toleradas na comunidade do Reino de Deus. antíteses que. No tempo do NI. estava mais ligado a alguma personalidade do que a um código (daí também.ex. 116 I I . de uma comunidade de caráterreligioso. que envolvem o homem inteiramente são normas religiosas. além das primitivas comunidades cristãs. constitui o direito. o Direito orientava-se geralmente pelas grandes autoridades. ANRW.possuíam. do século II a. Num primeiro momento. e por isso social e juridicamente relevante (Mt 5. de repente. também textos judaicos (Jub. e precisamente normas jurídicas. cf. também neste nível pode-se constatar uma relação íntima entre o direito e a gnomologia. Qumran e os essênios). por 1Cor 6. No âmbito. Em comunidades religiosas. é sabido que havia certas tensões entre a sabedoria gnômica e o direito em vigor. na qual séries parenéticas foram promovidas a leis comunitárias. A religião é "radical" no sentido de não haver nenhum domínio em que a pessoa possa subtrair-se às obrigações diante de Deus e do próximo. estas normas têm algo a ver com a comunidade.1086-1088). no ju- daísmo helenista.9s) ou se são executadas pela comunidade (lCor 5). tende até a ser reduzido a nada. Pela demonstração do caráter jurídico de semelhantes normas evita-se que o Sermão da Montanha (p. Licurgo). Portanto. e é isso que. Mt 5. como normas para associações. É nessa tensão que se situa evidentemente o papel da comunidade religiosa. 4. nas condições formuladas em 2. Não se trata somente de interioridade. De outro lado. Isso acontece principalmente nas primeiras quatro antíteses do Sermão da Montanha. em seu conjunto. parênese e direito guntas juridicamente relevantes. Por isso havia uma íntima relação recíproca entre a sabedoria gnômica e as decisões jurídicas. Normas.bem como as séries de imperativos contendo "ética social antiga" . em grupos religiosos. 5. portanto. A relação entre Torá.27s). Além disso. não faz diferença se essas sanções significam a exclusão do Reino de Deus (lCor 6. no mun- do pagão: Sólon. A sabedoria gnômica era transmitida sob o título de "lei não- -escrita" (na Antígona de Sófoc1es as exigências dos sábios ocasionam o conflito). O exemplo de Sólon mostra que exatamente os grandes legisladores antigos eram venerados como sábios e como autores de gnomes. Da época do NT temos sobre isso. o limite do socialmente relevante é expandido: olhar cobiçosamente para uma mulher já é adultério. pois.a parênese gnômica tomou-se não apenas "direito". na época do helenismo.

o judaísmo helenista posterior reconheceu esse parentesco. Conseqüências desta primeira abordagem: a) Em nenhum caso é tão desprovido de sentido supor uma separação entre o domínio jurídico e o carismático-espiritual quanto no cristianismo primitivo. De qualquer maneira. Está claro que temos amiúde idéias errôneas sobre o grau de biblicismo no tempo do NT. Gesetzauslegung. 117 . situadas no Oriente Próximo (cf. como também em cole- ções judaicas de sentenças.comunidades nas casas. A relação entre Torá. decisivo era se a autoridade de quem determinava qual parênese prevalecia era comparável à de Moisés. sem sanções. parênese e direito 6. até a formação de regulamentos eclesiásticos abrangentes (quanto às últimas duas etapas. tanto na forma como no con- teúdo. como Ps. c) Sob o aspecto do crescimento da comunidade até a formação das primeiras estruturas de uma Igreja do povo. a afinidade com as séries gnômicas pagãs é tão significativa que devemos contar com origens comuns.14 pode ser considerado resumo da Torá e. a parênese das cartas do NT não se dintingue de frases da Torá. a relação entre as cartas pastorais e a didascália siríaca). b) O direito parenético é o "precursor" do direito san- cionado. 9. van der Horst). Além disso.-Focilides (edição e comentário de P. Em conseqüência disso podemos "descobrir" em textos da Torá do tempo de Jesus a mesma concepção de direito que está também na base da gnomologia pagã: orientações importantes para a comunidade. 8. podem muito bem ser comparados com a gnomologia pagã. ao mesmo tempo. Dentro do NT podemos assimilar as seguintes linhas de evolução do pensa- mento jurídico: a) Sob o aspecto da relação com o judaísmo: partindo da segurança dentro da união da comunidade judaica passou-se (depois de abandonar a sinagoga)pela imitação das instituiçõesjudaicas (os anciãos). Berger. mas não é idêntico a ele. Por isso também o mandamento do amor em G15. visto como imagem do único Senhor Jesus Cristo. cf. o entrelaçamento de Torá e parênese aparece não somente na já mencionada decalogização de séries parenéticas. 1070s). Para Jesus e para Paulo. semelhantes às associa- ções cultuais helenistas . Quanto a seu grau de obrigatoriedade e sua relevância jurídica. uma penetração ou mesmo parcial substituição de mandamentos bíblicos pela parênese não era considerada infidelidade ao nomos. inicialmente com liderançade um grupo . 392). b) Sob O aspecto da relação entre moral e direito: partindo da radicalização da parênese judeu-helenista. de diversos catálogos parenéticos. Nas séries de proibi- ções.episcopado monárquico. isso estava suficientemente garantido por todo o conjunto de suas parêneses (um dos motivos para o caráter pseudepigráfico de cartas parenéticas no tempo do judeu-cristianismo: a questão da competência para a orientação). distinguimos as seguintes fases: o círculo dos apóstolos.imitação da pólis. 7. aliás. passou-se por catálogos parenéticos referentes às funções (normas para os encarregados). As antigas séries de proibições da Torá do AT (às quais pertencem também os decálogos) e a "pregação" do Dt apresentam materiais que. provenientes do mundo pagão (cf. como discípulos de um profeta . até chegar ao episkopos.comunidade de discípulos semelhante às escolasdos profetas. o que levou a uma decalogização de listas gnômicas e catálogos de vícios. Em todo caso. ANRW.

que tinham de encontrar sua identidade exclusivamente nas reuniões que faziam. passou-se pela formação de uma estru- tura interna. a terceira pessoa do imperativo é muito usada.. outros. nasceu o problema da coexis- tência dos mais diversos dons num espaço muito limitado.este. solidamente definido como comunidade étnica e religiosa.. as sentenças dos Sete Sábios e as coleções de gnomes transmitidas sob o nome de Isócrates (cf. da palavra do episkopos. Gêneros parenéticos menores 1..9-12 (amor fraterno.1-7 (amor fraterno.23-25 (velar uns pelos outros. Quanto às formas verbais..: koinõneiní. ANRW. não se tornar dependente de ninguém.. inevitavelmente. importante aqui é a típica ligação Deus-rei). Tt 3. para toda decisão juridica. isso foi. a atuação individual de carismáticos privilegiados não era problema. não se esquecer dos presos e maltrata- dos. ter em comun (gr. . c) Teologicamente foi necessário apresentar a união na convi- vência como expressão da nova justiça. Gêneros parenéticos menores Nisso prevaleceu freqüentemente a regra de que. Parênese comunitária: Diferentemente de 2.outrem (gr.. Quanto à situação e ao resultado deste gênero literário na história do cristianis- mo primitivo: a) No quadro do judaísmo. 1342. o adultério. animar uns aos outros). Testemunhos no NT: lPd 2.Cf. § 39. ter o mesmo pen- samento. (hos men . Assim. 12. a ética social pertence aos temas mais importantes da parênese. se alguém. Deveres sociais em geral: Desde os Praecepta Delphica..17 (honrar-amar-temer-honrar. trata-se de textos em sua maioria caracterizados por determinado grupo de palavras: uns aos outros . especial- mente: 13. O objetivo das parêneses comunitárias é apresentar uma lista das diversas possibilidades que existem para os diversos grupos da comunidade. Obrigações sociais dentro da comunidade: 1Ts 4.). Paulo e lPd desenvolvem na forma desta parênese sua doutrina sobre os carismas.. 118 . toda atividade que manifestava algo da dimensão vertical da revelação (não toda e qualquer vocação) foi declarada "carisma".12-16 (paz. Para descrever a união: unânimes.lOb (com todo o mundo). tis). velar para que ninguém se torne desregrado). hospitalidade. b) Já que não existia ainda uma estrutura hierárquica.. Hb 10. estar unidos. o caráter carismático e revelador de sua profissão de fé. santificação. em 4). também ANRW.. aquele (gr.o outro (gr. Na falta do quadro amplo de uma comunidade étnica. uns. diferente para as comunidades predominantemente gentio-cristãs da diáspora..: tis. para fora e para dentro. todos. não faltar às reuniões. hos de. quanto maior o crescimento das comunidades.. 1067ss).: héteros) . evitar a fornicação. mas é justamente assim que se pode chegar a uma vida em que todos se ajudem uns aos outros. cf. o irmão.. "cada um" (expressão típica dessas parêneses) dos cristãos era obrigado (e também não tinha outra saída) a elaborar pessoalmente.: alIas) . 3.1 (ser submisso e gentil). 2. a avareza) (sobre a justificação de delitos contra a propriedade e contra o matrimônio. ter conduta decorosa aos olhos de estranhos). cada um. até chegarà dependência. tanto menor o círculo dos dirigentes (evidentemente também em imita- ção das estruturas políticas).. d) Sob o aspecto da deslocação do peso da periferia para o centro Partindo da insistência nascondições paraa filiação. A pressuposição constante: cada um recebeu de Deus seus dons e possibi- lidades. Gl 5..

lPd 2. a fim de que em todos.21.1-5 ("o mesmo pensamento ~ um só coração ~ uns aos outros ~ cada um não olhe só por si mesmo.1-9 e Hb 13.3ss.IPd 4. em 1Cor 3 ele é metafórico.".12s ("exortai-vos uns aos outros"). também lCor 3.1. os mais novos aos mais velhos (lPd 5. é surpreendente como o discurso sobre o "ser súdito" se avolumou no NT. 4.22.. ~ Hb 3. típico do gênero: 12. As condições sociológicas geralmente são as mesmas das associações com perfil religioso da época. e) para os cristãos: devem se submeter uns aos outros: Ef 5. amplificação em lCor 16.. É aí que aparece claramente a base mais geral para o aumento das exortações 119 . Parênese sobre a submissão no NT: a) para as mulheres: elas devem se submeter a seus maridos: Ef 5.". de deveres para os estados de vida. lPd 3.Os motivos ale- gados são de três tipos: referências à ordem ("conforme convém". Rm 13. Parênese sobre as propriedades e a ética sexual encontram-se juntas em 1Ts 4.12s. 1Clem 61. igualmente parenéticos.. cf. -. para as mulheres.5. ~ FI 2.. 7b ("cada um recebe de Deus um dom particular").5. o mesmo Espírito. entre outras coisas.. lPd 2.1-31. Cl 3.1.. especialmente ANRW. 17 ("cada um se- gundo a condição que o Senhor lhe atribuiu").7-16 ("a cada um ~ dons diferentes ~ unidade ~ todos juntos ~ segundoa medida de cada um"). essa combinação foi preparada.quando alguém tiver fome.1.4s.1.4-15 ("um diz ~ o outro --. v.5)... Exortações análogas com relação aos dirigentes da Igreja aumen- tam só depois do NT. lClem 1. se alguém.18 "no Senhor". ~ lCor 11.9. ~ Tg 5.graça multiforme ~ se alguém. 5.8-11 ("amar uns aos outros ~ hospita- lidade mútua ~ cada um conforme o carisma que recebeu . cf.1. concedendo a cada um .rezar uns pelos outros"..fundamentação na estrutura ontológica da realidade como graduação de imagens de Deus.16.7-11: "a este. 12. pela posição do sexto e do sétimo mandamentos no decálogo (cf.1.").cada um conforme o Senhor lhe deu ~ cada um sua própria recompensa . Diante desse fato. Berger. mas também pelos outros"). as admoestações neotestamentárias são conservadoras. inclusive para marido e mulher).. Especifica- mente religiosa é somente a terceira motivação..1-16: Orientações para diversos casos e grupos (afinidade com os catálogos.7- 12 ("amai-vos uns aos outros") -.. comparadas com as idéias da época. d) para os cristãos: eles devem se submeter aos dirigentes da comunidade. em pri- meiro lugar.11. Predominam as exortações à submissão. os vv.13. as palavras sobre a união em 12.motivação missionária (a reação dos de fora) .3. 57. Tt 3. Did 4. Nesses últimos dois textos o gênero não é claro. ~ Ef 4. b) para os cristãos: eles devem se submeter às autoridades (civis): Rm 13. típico do gênero é o v. "conforme a lei manda") .conforme a graça que me foi dada ~ um outro ~ cada um ~ quando alguém ~ cada obra etc.11..ls). c) para os escravos: eles devem se submeter a seus senhores: Tt 2. Tt 2. 1070-1073.5.Cf. nem tampouco no judaísmo. 13-19 contam com os problemas de cada um). lClem 38.. Gesetzesauslegung. CI 3.17ss("cada um o seu -..").1104. -. os escravos e os súditos do Estado. 2. Típica é aí a combinaçãode "todos" e "um". 331).1. segundo a qual o "ser súdito" se relaciona indiretamente com Deus (l Cor 11.18. . a outro. Esse tipo de exortação não é muito freqüente nos tratados pagãos sobre moral. Did 4.1086-1088.confessaros pecadosuns aos outros. .9-20 ("não vos queixeisuns contraos outros.18. Gêneros parenéticos menores Textos: 1Cor 7..

como em Rm 12s). pois. Mas quem pertence a Deus (e será partícipe da era posterior à reviravolta) agora é humilde e renuncia ao poder. lPd 3.27-31.. porém. essas exortações pertencem à literatura das senten- ças. Rm 12. 96. que bebeis a força da raiz da fonte e pisais no humilde com vossa força".14-21 esclarece. Ef 5. Coerentemente 1Pd 3. Ser submisso é um valor diante de Deus porque existe entre Deus e o mundo uma oposição para a qual haverá somente uma solução escatológica.39-48 par. 103. O objetivo da parênese é consolar os pobres e fazer um apelo aos ricos. 6. pobreza e opressão.1-18. A importante semelhança com as expectativas de reviravolta em Q (cf.agora já visto em perspectiva cro- nológica e não mais relacionado exclusivamente com o tempo presente.!" e "ai de vós. pois. por motivos teológicos.14-21..5: "Ai de vós que devorais a medula do trigo. Mt 6.ls ligadas a esses assuntos. a Israel como a um "grupo misto". a carta de Aristeas 257 (Deus ajuda os que se humilham.1. As exortações à submissão ficam na esfera dos chamados catálogos de virtudes domésticas (cf. e nisso há uma íntima ligação com a humildade. Gêneros parenéticos menores à submissão no cristianismo: ser submisso é um valor diante de Deus. § 40). Cf. Gl 5.8. no contexto da realização conseqüente do direito divino ao poder absoluto . Como nas exortações à submissão (em lPd 3. o conhecimento e a oração estão de seu lado. Parênese sobre a renúncia à vingança. Hen et.1-12. No lado opos- to estão os blasfemadores. Semelhantes quanto à concepção são alguns trechos da literatura sobre Henoc. quando se inverterão as relações de poder.3. em comparação com os textos das cartas. A renúncia ao uso bem-sucedido do poder e ao elogio aqui (Mt 6) é até mesmo a condição para a remuneração e o sucesso escatológicos.1-8 e Tt 3. A parênese da renúncia ao poder encontra-se. por exemplo. mereciam ser tratadas à parte. ela se dirige. De acordo com o estudo das formas. por seus fim- damentos especificamente teológicos.14: eles detêm a autoridade). 99. uma troca fimdamental das atuais relações de poder e força é prometida e funciona como motivação. Fílon (Juízes 233): "Submeter-se aos melhores (os mais fortes) é útil". "reacionário" também para as idéias da Antiguidade. toda atividade jurídica é uma ofensa contra o monopólio divino de ser juiz e vingador. Fragm.8s. Rm 12. os violentos e os ricos (cf. pois ele derrubará vossa glória".. Mt 5-7 e Lc 6 apresentam. FI 2.21.1Pd 3.15s: "Ai daqueles que cometem injustiça. que apóiam a violência e matam o próximo.24s e também Tt 3. mas a sabedoria. CI3.8s com palavras sobre a renúncia do cristão ao poder. o contexto dos lugares citados .12s. à remuneração. A característica comum das chamadas parêneses de Henoc (Hen et. 5. a perspectiva sempre é (e em 1Pd isso transparece claramente) que o sofrimento inocente será seguido pela glória. até o dia do grande Juízo. 92-105) é que os 'justos" se encontram em sofrimentos. os homens amam os que se submetem).5. por que a maior parte dessas parêneses se encontra precisamente dentro desse tipo de admoestações: no quadro de uma orientação escatológicapara o Deus que vem.lss termina em 3. 1Clem 38. § 41).ls. portanto. à resistência e às ações judiciais nesta era Textos: Mt 5. as exclamações "bem-aventurados. 2Tm 2.!") encontra continuação nas parêneses 120 I ill . Mesmo onde os textos das cartas não explicitam essa motivação. mediante uma admonição pós-conver- são (cf.. cf. Espera-se uma súbita transformação deste mundo.13. Lc 6. Esse posicionamento cristão. motivação claramente escatológica. explica-se. 7.

apresentadas aqui sucintamente: A. são um sinal vivo da grande reviravolta. Compare-se também a frase de Fílon. A justiça divina reage bem adequadamente. Decisivo para a determinação da situação real é o seguinte: os "justos". os justos.. nem de quem longe estiver. não vos vingueis. assim como nestes textos se fala de oração e jejum como intercessão (cf. com paciência e mansidão vivei. comparável com a idéia de que Israel era causa de salvação para os demais povos. quando alguém tomar o que é teu. Assim criamos para nós mesmos a possibilidade de participar da grande mudança que vem. Por sua atitude. igual por igual. nem de quem estiver perto. o que não se deveria esquecer. de verdadeiros dons salvíficos para os outros. Did 1). salvação para os outros. porém. fazer volunta- riamente o dobro do exigido. E mesmo podendo vingar-vos cem vezes. a fim de herdar a era sem fim.Estas palavras dirigem-se a 121 . dai e dar-se-vos-á).. perdoai e sereis perdoados. orai pelos que vos oprimem. já seria desfrutada pelo prestígio dentro do mundo atual. sem nada poder esperar em troca. e toda palavra má. Concepção: No Juízo.13-16 (Luz do mundo). a ética da mansidão: "Agora meus filhos. deve se orientar por aquilo que gostaríamos de receber: é a versão escatológica da regra áurea. D. Os justos têm a força para tamanha liberdade. orar e jejuar são aqui atos de culto.. Trata-se de fato do que os justos como tais são capazes de fazer (só eles podem. . para que não. A concepção é esta: os justos. portanto. de que o sábio é o resgate para o mau. 50. não se trata de uma aceitação. não exijas a devolução. Todo golpe e toda ferida. Esses "outros" são aqui os que perseguem os justos. de dar. semelhante à de Mt 5. No plano de fundo está a referida oposição entre Deus e o mundo. juntas num pequeno espaço. trata-se.. Esquema: "Se alguém te esbofeteia na face direita. pois. a derradeira. empresta sem esperar nada de volta). fazei bem aos que vos odeiam. o número de vossos dias. No âmbito das parêneses do Sermão da Montanha encontram-se. A cadeia de violência e contra-violência. pura e simplesmente. sem a culpa deles.. Gêneros parenéticos menores de Hen esl. anda com ele dois mil).. mas de urna atividade. e não sereis vingados aqui pelos homens e sim lá pelo Senhor" (Hen esl. várias concepções diferentes. rezar também pelos outros). como justos. A idéia é produzir o fim da violência. devem virar para fora o que se costumava exigir apenas internamente para o relacionamento mútuo.. . Esquema: "Não julgueis. aqui se trata realmente de atender ao outro. e por serem justos. pois o Senhor é quem retribui. toda ação de agora receberá sua resposta. quem te forçar a andar mil passos. adequadamente. oferecendo a Deus um culto também em nome da humanidade. Semelhante é também a concepção teológica das orientações sobre o ser piedoso em segredo (Mt 6): assim a recompensa fica guardada. A estrutura do conteúdo é: sendo vitima de imposição e prepotência. Portanto. orai pelos que vos perseguem). que não cessaria mais. e ele há de vingar-vos no dia do grande Juízo.). O esquema "Abençoai os que vos amaldiçoarem" (também: amai vossos inimigos. segundo esta concepção. fraternal. portanto. A estrutura do conteúdo é: responder com o contrário do que se recebeu. a resposta é feita do oposto do que foi recebido. primeiro vitimas. A ação. No plano de fundo há uma visão concêntrica. o lado positivo. para que não sejais julgados" (também: não condeneis. vira-lhe também a outra" (também: quem tomar tua túnica. mas agora o esquema é outro: à imposição responde-se com um ato voluntário da mesma natureza. Esquema: "Dá a quem te exigir" (também: não te recuses a emprestar. etc. Convém notar que abençoar. dá-lhe também o manto. a quem essas palavras se dirigem. em que já se exprime também. quando vier sobre vós agressão e ferida por causa do Senhor. De modo semelhante a A. tornam-se.De fato. dentro da comunidade (amar. rezar por.2-4 LR). é interrompida radicalmente por uma antecipação voluntária. B. A função da minoria perseguida é aqui. suportai tudo isso por causa do Senhor. do contrário. só que quem retribuirá não são os humanos. C.

Lc 12. hora) indicam que se trata de uma parênese tipicamente escatológica. Os textos: lPd 4. metáforas de tempo (dia. Did 16.6s. Tanto as antíteses como as bem- aventuranças podem ser consideradas séries parenéticas: em forma diferente. uma perspectiva para um futuro superior ao de qualquer outro caminho. apesar das aparências de agora. Admonição pós-conversão pessoas que podem julgar..7: este versículo introduz a parênese comunitária que vem depois. condenar. portanto.1-11 e Lc 6. Mt 25. Admonição pós-conversão Bibl.10. No caso de 1Ts 4. Supondo-se a expectativa da grande mudança no Juízo. Porém. Quem formula esta parênese. mas ainda claramente reconhecíveis como tais.35-48. É comum a tendência para preencher concretamente essa exorta- ção geral (cf. libertar e dar.ex. o critério para a formulação das exigências já não é a convivência na pólis. como na antiga parênese grega (cf. nas cartas do NT (com vestígios também em Lc). Assim denominamos trechos pareneticamente estruturados. que "preenche" com fé.35-40: em todo caso..45. Pois quem dá sem receber orienta-se para um futuro que não poderá mais pertencer a todos os que agora tomam e recebem. agrupa-se em tomo de noções eomo sobriedade . A nova justiça abre.pron- tidão . Parênese metafórica sobre a vigilância e a sobriedade Uma parênese de caráter metafórico. são pessoas que não estão "lá embaixo" socialmente. § 39. as bem-aventuranças imitam simplesmente o exemplo das séries de orientações parenéticas. no fim se mostrará o melhor. p.7s.1). orientada pelo prin- cípio do maior lucro no fim. o critério é a orientação exclusiva para a grande mudança e para a definição decisiva da divisão entre justos e injustos (como em Ap 22. trata-se do comportamento social.14 (-18). 1340-42. às vezes combinadas com lâmpadas e núpcias ou com armadura e resistência. Nestas exigências. geralmente também em forma de senes.cingir os rins.2 tem igualmente uma posição fundamental. amor e esperança. nos quais os leitores são exortados a se comportar de acordo com a conversão já realizada.8.vigilância --.1344.13. na qual a orientação para o fim se torna uma expectativa que fundamenta toda a moral. Ef6.oração . uma parênese sapiencial. 7. por si mesma.: ANRW. A exortação à vigilância em Ap 3. 1.ebriedade -. . é o caminho que. temos aqui. Tomé 58 transmite-se uma pregação comparável.Lc 12. lTs 5. conforme 12. e com que finalidade? O contexto do Sermão da Montanha e do Sermão da Planície permite concluir que se trata de uma parênese protréptica. § 40.11). 5. Em quase todos eles.21-23. Esse material encontra-se também com freqüência em parábolas e discursos parabólicos. maltratar os demais servos seria o contrário).1. Em sua estrutura. lTs 5. O mesmo princípio está na base das bem-aventuranças em Mt 5. Do gênero protreptikós (§ 62) temos aqui os seguintes elementos: o melhor de dois caminhos é o que tem maior utilidade para o futuro. A moda- lidade dessa fundamentação fica clara em Pd 4.2 é expressamente lem- brado que o apóstolo certa vez já ensinara isso para a comunidade (possivelmente logo depois da conversão). Em At. 122 I Ili . a conservação de uma comunidade de seres humanos.

14s. Cl 3.14. Gl 5.] 1. 5. e quando há possivelmente apenas reminiscências. g) Renovação. Rm 13. Admonição pós-conversão no contexto de um relato sobre missão e conversão. Grandes partes de 1Pd e 110 só podem ser entendidas como pertencendo a este gênero.9-11.6-9. § 47). e como fundamentação de um novo status. poderemos concluir.1.13. já acontecera na hora da conversão ao cristianismo.5--4.24. semelhantes ao de GI 5. amor e esperança. Diferentemente das exortações mais tardias sobre conversão.14-7. Ef 4.12. 5. 14.11-12.22s.4-6. 1340s.17-19. IPd 1.17.6. Ef 4.1344. -.12. Ef 5.5.5.11. h) Concupiscência (como vício cardinal pagão): 11s 4. 2. Ef 4. 5.12.14. IPd 4.22-25.7s. CI3.17-6.8 uma série de substantivos. 4.18-20.4s. IPd 1. com base num arsenal comum. e nem sempre completos: a) Catálogos de vícios: 1154. Rm 13. Por meio de uma comparação dos textos.13-3.14.14. ~ Diajnoite: Rm 13. Ef 5.15. 2Cor 6. lPd 2.1. 1Pd 2. propriamente falan- do. ~ Não conformar-se (àquilo que ficou para trás): Rm 12.8. d) Oposição luz/trevas: 11s 5. e em 1Ts 5. 4.6. i) Delimitação (não ser como os pagãos): lTs 4.1. com variações na ordem.20.2. 2-3). Cl 3. Ef 4.7-11.13-6. mas em alguns pontos há clara semelhança.7.8s.17. cf. 1Pd 2. encontram-se apenas em Fílon. CI 3.8-10. A existência cristã terá de realizar em plenitude o que aconteceu naquele momento. que textos pertencem a este gênero. ~ Luta: IPd 2.2Cor 6.5-7.6.14. 1Pd 1.2.15. t) Ídolos (referência direta à conversão dos que foram pagãos): 2Cor 6. -.13. GI 5. Rm 13. ANRW.12. 5. À admonição pós- -conversão pertence também o "não mais" (gr.3-12 (13-18).8. 2.5. portanto.13.8. Cl 3. Cl 3.13. Não da maneira como hoje entendemos.24. Cf. Rm 13. lo 5. 1Pd 1. lTs 5. Cl 3. 5.12s.9. e) Luta e armadura: 11s 5. cf.16. ~ Um outro tipo está na base de GI5.14. 123 . um ver- dadeiro reditus ad baptismum.1-13. Ef 6.16s.22s.8 há algumas combinações bem generalizadas. 2Cor 5. 2Cor 7.1.1O.10.17s.13-14. Com isso já se menciona o problema teológico dessas exortações: mais tarde continua necessário realizar aquilo que. ~ Cf.Textos pagãos: ANRW. 1. Os textos: 11s 4.7s.12. GI 5. Rm 12.11.22.11. Resquícios há em 1Cor 6.28. é.9s. Cristo): Rm 13.5.17-21. e especialmente pelo método dos campos vocabulísticos.7-8. novidade: Rm 12.: mêkéti).20. ~ Nos catálogos de vícios são enumerados os vícios tipicamente pagãos do "pas- sado" dos cristãos (cf. 2.13. 8. por exemplo.1-13. Rm 6. Em Ef 4.14. Ef 6.11-17. ~ Outras formas de dualismo: 2Cor 6. Catálogos de virtudes. A mudança era considerada o momento radicalmente decisivo. 1Cor 5. com fé. c) Despir (o antigo)/vestir (o novo. aquela exortação ainda está totalmente voltada para o momento da mudança. 2Cor 6. Os elementos comuns: Esses textos apresentam os seguintes elementos. Ef 4.5. Rm 6.11. 1Pd 2.3-5. Ef 4. b) Esquema outrora/agora: lPd 1.14s. nas cartas do Ap (caps.85.2. Ef 4.19-21. 5.

12s).8.15s. cf.: lPd 2.13-18. CI 4.7.17. 3.22--6.22s. 5.13.8.12. espécie de "encartes".5-6. também GI 5. acima citado (re- núncia à vingança). m)Vontade de Deus: Ef 5.Cf.18-3. 13. 5.29-31.15.9.21. CI3.10.22.5. um bloco de instruções sobre os deveres mútuos de marido e mulher (linhas 25-41 [cf. § 39. 6.16.14). Admonição pós-conversão k) Vocação: lTs 4. 3. 5. lPd 4.19-20.8s. Como ensinamento apocalíptico. lPd 1.Cf.1-2.5.13. v) Renunciara vingança e poder: lPd 3.17.2. . § 39.14 (cf.3-8.10. .3s. Ef4.3. 5.10.10.12. cf. o) O novo caminho é um "andar" (gr. 2t). Avaliação: Esses elementos podem ser divididos em dois grupos: um que des- creve sobretudo o contraste (a-i) e um que descreve positivamente o novo status (k-u).15.6. n) Exemplo de Deus: Ef 4.8.1-7. lPd 1. 4. 4.7. com outras exortações típicas de ética social). de fato. 5.13. Ef 4. completamente alheio ao contexto. 6. Ef 5.ex. u) Como falar: lPd 3. "conforto mútuo".24. p) A proximidade da vinda do Senhor: ITs 4.16. 5.9-11).14. CI 3.11.13-17.26s.6.12. assim possivelmente também o elemento 2v.10. cf. Assim o ensinamento ficou estreitamente relacionado com o auxílio verbal mútuo que os convertidos devem prestar uns aos outros.32.8. Também a inscrição cultuai de Filadélfia (séc. sobriedade. lTs 4.2.15. Rm 12. w)Amor fraterno: lTs 4.13. Rm 13. É desde muito cedo 124 I li . 13 (delimitação.6. lPd 4.6-9 (com "humildade". I) Santificação como objetivo da nova ética: ITs 4. II a. Cf.13-18. lPd 2. 5. -Amor: lTs 5. acima o elemento 2i) e v. 4. CI 3.1.8. 4. assim também Rm 12. Rm 12. Cf.3. ANRW. 1086s]). mas esta ordem é dada. Ef 5.15.18. Como esses.13s. CI3. 13.2. Rm 12.16.16. principalmente: a exortação à submissão às autoridades (Rm 13. . Rm 12.11. ora no sentido bélico (Ef 6.26. CI 3.10. Rm 13.7. CI 3. CI 3.35).18-4.7. 18 ("mutuamente".18 (19). também GI 5. Rm 13.11.32. CI 3. q) Parênese escatológica (especialmente: vigilância. Rm 12.17. correspondentes.7. lPd 1. t) "Confortai-vos uns aos outros": lTs 4.) apresenta. 2Cor 7.7. Lc 12.15.2. lPd 4. 2s. lPd 1. cf. p. foi associado por meio ou em lugar das palavras-chave "amor" e "mutuamente".9.Cf. a "oração" livra da "preocupação").25. s) Os convertidos devem se ajudar uns aos outros (gr. § 39.25. . GI 5.13. os chamados "catálogos de virtudes domésticas" (cf.9.12. no quadro de uma parênese de iniciação. este trecho é.13. Rm 12.Cf. Ef 5.5.6- 8.3.2. r) A nova conduta conta com a reação dos de fora: lPd 2.peripatein): Ef5. 3.1. Ef 5.9. tipi- camente uma parênese para comunidades (cf.9.11-13. CI 3.4. GI 5. Interessante é também uma antiga relação entre os elementos 2e e 2q: tanto nos textos sobre a vigilância como naqueles sobre a armadura pode-se encontrar a ex- pressão "cingir os rins".C.21 introduz). § 41. allélois): lTs 4. Ef 5. CI 3. ora no sentido do vestir-se na hora de acordar (1Pd 1. lPd 1. ITs 4. GI 5.22s .Cf. De especial interesse é neste contexto a inserção de 1Ts 4.8.22. lTs 4. oração): lTs 5.15s.1.14-21.18. 5. CI 4. Uma característicadesta parênese é que determinadositens atraem trechos maiores.13. mas pôde ser encaixado dentro destes gêneros por causa dos itens do v.8.9 (5.12s.

Quem não ama perma- nece na morte". nesse contexto da literatura paulina (e também somente nele) pôde ser citado o mandamento do amor (Rm 13.16s. d) A delimitação (cf.14 (cf. Pois esse poderia realmente ser o momento para uma introdução à Lei e a seu sentido. De especial importância é que grandes partes de IPd foram formadas desse material .14. mas também esses temas têm certamente algo a ver com "perseverar nos princípios". cf. supra 2d). que aqui se referem ao problema dos falsos mestres e dos desvios do credo (2.17 mostra a novidade: "honrai vossos irmãos". 125 . b) Tínhamos averiguado que o centro parenético da exortação pós-conversional é a exortação ao amor.1. É a partir daí que toda a Do pode ser entendida. 4.24: "o que recebestes desde o princípio. Também a Primeira Carta de João. está na exortação ao "uns pelos outros" e ao amor. lPd 2. promessa de salvação: 2Cor 6.6-8 (assim se explica aí que a metáfora do dormir e vigiar se encontre junto com a da armadura. Paulo talvez seja o único autor do NT (mas cf. Por isso. morte/vida 3. particular- mente em textos como 3.14). quanto ao conteúdo. isso deve permenecer em vós". G16.27). pedido de oração: Ef 6.1-6). em 5. guarda alguma reminiscência à forma judaica deste gênero (v. já foi considerada "homilia" a ser pronunciada por ocasião do batismo. Assim a nova comunidade é posta no centro da aten- ção .15s. supra em 2i): do outro lado está o "mundo": 2. cf. 4. Essas passagens de lPd são "interrompidas" por uma parênese sobre o martírio. há nesta carta alguns encartes. que se relaciona igualmente com a conversão (as provações.9. que por via de regra tratava de todos os homens. e) Catálogo de vícios (cf. GI 5.6. que largas passa- gens pertencem ao gênero da exortação pós-conversão. Rm 13. É com acerto. sendo já pressupostas em 1Ts 5.11: "Pois tal é a mensagem que ouvistes desde o princí- pio: que nos amemos uns aos outros". 5. infra § 45). a) O próprio autor de 110 recorre explicitamente à instrução inicial. 2. também Do 2. referindo-se à Lei nestes lugares da exortação pós-conversão. supra em 2d). infra). sem que seja explicitado o elemento que as une).16 (oposição mundo/Deus). pode em grande parte ser interpretada como pertencendo ao gênero da exortação pós-conversão. a saber: lPd 3. supra 2a): Do 2.13. 19s). O maior peso. 3. Verdade é.14: "Quanto a nós.9s. pois.9b fez-se uma fusão com a parênese pós-conversão.10 indica a equiparação (todos os homens/os próximos na fé). Como em IPd. 4. os sofrimentos que podem ser esperados depois da conversão: cf. sabemos que passa- mos da morte para a vida porque amamos nossos irmãos. Esta parênese evidentemente não tinha um final fixo. Aí o amor fraterno é ligado diretamente ao "dualismo" típico da admonição pós-conversão (cf. c) A oposição luz/trevas é típica deste gênero: Do 1.12-19. 3.18-23. erroneamente.5-8. que 110 insiste na conexão entre o amor fraterno e a profissão de fé.7s!) que.13--4. Admonição pós-conversão que essas duas linhas se encontram juntas. encontram-se formas varia- das (conclusão cristológica: lTs 5. cujo repetidor ele quer ser (2.motivo pelo qual esta carta. cujo gênero literário sempre foi conside- rado duvidoso. no entanto.inovação notável em comparação com a tradição parenética geral. cf.

3. AtTomé 58: "Crede. o anúncio da retribuição em 6. e 110 2. e ele há de curar-vos das transgressões que vos acompanham.7).19. Sobretudo o tratado de Fílon sobre 126 I Ili . Vários indícios sugerem que este gênero teve sua pré- história no judaísmo helenista. E os adúlteros não forniquem mais. 4. com os textos sobre a "vontade" de Deus. 1) Exemplo de Deus (cf. pois a maior parte dos trechos correspondentes encontra- se em textos que falam da metánoia (conversão/penitência). cf. Quanto à história posterior deste gênero. da mentira. deve despir-se do velho homem e vestir-se do novo.9. só se encontra aí. 4. A referência à Lei corresponde a Rm 13. com os catálogos de vicias. Admoniçõo pós-eonversõo i) A proximidade do fim (cf.7 essa noção é combinada com as metáforas da luz e das trevas. supra em 2n): 1103. Este texto não depende de nenhum texto do NT em particular. E os ladrões não roubem mais. Semelhante a lPd 2. 6. a fim de poder viver de seu tra- balho. mansidão. elementos da parênese pós-conversão penetraram também na tradição sinótica e ajuntaram-se à parêncse escatológica que. h) Relacionamento do status anterior com a "concupiscência" (Cf. apresenta os elementos mais importantes: isso mostra que o gênero estava vivo e era usado com mestria.2s. na medida em que esperais dele os dons que a poucos são dados". a repreensão de 5. k) Novidade (cf. supra em 2h): 110 2. Semelhança com Deus: 110 3. oposições.16s. mas. da embriaguez e da calúnia. Cada um de vós. importância do amor e do "uns pelos outros").35 há um contato com os textos sobre a armadura.15.7s. supra em 2g): aqui como "mandamento novo" (2. Cf. supra 2w) é largamente elaborado em 110. supra em 21): 110 3. No discurso parabólico de Lc 12.O elemento da luta (cf. santidade e esperança. Andai antes em fé. g) Santificação (cf.6. Mas livrai-vos também da avareza. 8.10 assemelha-se em alguns pontos com a tratada aqui (catálogo de vícios. e sereis seus comensais. com relação à conversão. A pré-história do gênero. supra 2p): 1102. 110 fala. 45. bem como os elementos. não se exponham ao castigo eterno! Pois o adulté- rio é muito pior diante de Deus do que qualquer outro malfeito.29.Faltam sobretudo (como no evangelho joanino) os elementos da parênese escatológica (supra em 2q). em Test Gad 5. e não pagueis o mal com o mal. pelo v. -. pois é disso que Deus se alegra.17. que se esforcem. e ele perdoará os vossos pecados cometidos anteriormente e há de vos purificar de todos os vossos desejos carnais que ficam sobre a terra.16. 9. O catálogo de virtudes de 5.8).35.47.2. 2e): Gl 5. supra em 2i): 110 5. juntamente com outros exemplares deste gênero. 47. no "ter nascido" (de novo) (2. também o freqüente "um ao outro" em 110.13-6. 3. a eles ligados.45.25--6. pois. Pois tudo isso é alheio e contrário ao Deus que vos anuncio.18.21. m) O amor fraterno (cf. mas divergente da tradição mais comum.7-10 e as diversas admoestações de 5. -.11. A parênese de Gl 5. vocação e conduta. mas há também claras diferenças: o que não se encontra alhures é a oposição entre sarx e pneuma. Pela palavra sobre o "cingir rins" em 12. i) Ídolos (cf. portanto. 7.22s sem dúvida pode ser relacionado ao elemento 2v da lista acima. de armadura e luta. pelo v. em Jesus Cristo. quanto ao resto.

72s.7. desde M. assim as demais virtudes devem estar initimamente ligadas à veneração do Deus verdadeiro". que encontramos na parênese do NT. Diss. 175-186) é importante para a conversão cristã em geral e especialmente para a exortação de que estamos falando.9. The Origin and Intention of the Co/ossian Haustafel (FRLANT 109). O grego metánoia significa a cura de uma doença (176. Inácio. e a isso correspondem exortações ao amor mútuo.8-15. e como. Segundo 179 devemos considerar "bons amigos e parentes a todos os que estão decididos a prestar culto ao Criador e Pai do universo".1-5. de detestar o que é obscuro. LÜHRMANN. Ph. KRÁMER. Favorin Peri paidon trophes und die antike Erziehungs/ehre.. Em 179. de "praticar a veraci- dade.I. VERNER.): a regra dessa agremiação estava voltada para a iniciação.. desde M. Catálogos de virtudes domésticas e listas de deveres a metanóia (De virtutibus. um catálogo de virtudes e vícios e uma explicação de Dt 30. Além disso: INW 69 (1978) 196-200.(13-17)18-3. partia-se. F.ls. Os convertidos são chamados de "vencedores" (175) como nas cartas do Apocalipse. Diss. Dibe1ius e K. Catálogos de virtudes domésticas e listas de deveres Bibl: ANRW.C. Leipzig.Citamos um exemplo de pregação pitagórica de conversão em ANRW.1-10 ou 2. W. a pregação da metanóia abrange as exortações. .". de procurar ser autêntico e modesto". in RhMus 70 (1915) 161-223. "Wo man nicht mehr Sklave oder Freier ist". 1Pd 2. Segundo 181. id. ANRW. supra o elemento 2q). De Aristotelis qui fertur Oeconomico libra primo. Gêittingen. Malherbe. também Elon dá uma interpre- tação alegórica). a oração sem dúvida desempenha um papel importante porque a adora- ção exprime visivelmente que o homem pertence a Deus para quem se voltou pela conversão. também ANRW. Kallikratidas. in WuD 13 (1975) 53·83. salvação dos perigos da navegação (176. Lutero: Haustafelni se baseavam na doutrina estóica sobre os de- 127 . O estado da pesquisa: Na literatura mais antiga. "Neutestamentliche Haustafeln und antike Ókonornie". a sombra segue o corpo. segundo a qual os pagãos que estavam dispostos a dialogar já se haviam "despido" da rudeza e dureza de seus sentimentos. no sol. da tese de que os chamados catálogos de virtudes domésticas (em alemão. Há. 1910. E. Periktione. Nas festas. Giessen. ainda a carta de Aristeas 122. 1. C. CROUCH. The Household of God and the Social World of the Postoral Epistles. lTm 2. SCHICK. 6. 1078·1086. D. Em especial (como complemento): J. cf. ---. Ef5. 4s. Il a. 5.. particularmente no grupo religioso de Filadélfia (séc. WllHELM. Quanto ao "despir-se de. os milagres no mar e o naufrágio de Paulo segundo At 27). Leipzig. 1981.185 menciona a oração (cf.21-6. Também a lembrança do inicio. Fílon usa as metáforas de luz e trevas. cf.11-14 (comentado em Rm 10. 1922. W. § 41. elementos muito importantes do gênero cristão acima analisado já pertenciam no judaismo ao âmbito do que se associava à idéia de conversão como teologicamente importante. 1972. C. 1086-1088). cf. cf. in NTS 27(1980) 83-97. PaI. Me 2. 1344). Freiburg. Phintys". tem analo- gias no mundo pagão. em seguida.. com sinceridade. Textos: CI3. Weidinger. Emory University. os iniciados punham a mão sobre uma inscrição do texto da regra: somente quem tinha a cons- ciência limpa podia tocá-la (cf.18-4. Mas à admonição pós-conversão eorresponde melhor a carta 23 de Crates (ed. . típicas da parênese.7-9. "é preciso livrar-se do domínio traiçoeiro do vicio. "Die Oeconomica der Neupythagoreer Bryson. 1C1em 21.17 e os relatos de milagres).Portanto.9s. 1368-1370. voltando-se para a virtude. Na admonição pós-conversão. Tt 2.6-9. D.

1253b. não podem abso- lutamente ser comparados com as formas indubitavelmente parenéticas dos catálogos neotes- tamentários de virtudes domésticas. Thraede) falta nos tratados antigos certa reciprocidade das obrigações (K.KL 75: A mulher que gosta de se enfeitar não é fiel. PM I 36: É precisocriar filhos. para que. cf. c) Apesardo que foi afrnnado por alguns. AN 2 p. Thraede alegaram o gênero antigo do oikonomikós. o matrimônio precisa de concordia. em Bryson principalmente de como ganhar dinheiro. o relacionamento do senhor da casa com mulheres ou escravos desem- penha apenas um papel insignificante nos tratados. mas te reverenciem como seu benfeitor.15 p.-Aristóteles sobre a oikonomia. pois isso é horroroso. no gênero oikonomikôs. 363: no Livro 3 do Ps. não castigar escravos embriagados. se lhes alimentasomenteo corpo.280 (educação dos filhos).l21: Cuida de teus escravos. a vida em comum deve ser uma societas honorabilis et fidelis. .e sim como companheira de vida. b) A não ser num único caso (muito realçado por K. 99 (= DP fi 43): teus filhos serão semprecrianças. 7E): submeter-se aos soberanos. porém.277. a fim de que não somente te temam como seu senhor. No fragmento de Bryson. com relação a sua esposa. d) Freqüentemente. 122:que tua mulherte honre e não te tema.pois não a tomastecomo serva. DM 110:A mulher não deve querer falar muito. a mulher é chamada socia vitae de seu marido. PG 172: É preciso gerar filhos. D. não pertenceao gênero oikonomikos nem ao dos "catálogosde virtudes domésticas". 11: Controlateu filho enquanto é pequeno. e no Bryson árabe até esses faltam. filhos. . modestia et timor. Olhando. Material (abreviações segundo ANRW. DM 222.Os demais tratados exigem lealdade entre os cônjuges. A forma e o tamanho desses tratados. prestar verecundia et pudor. Isso vale desde o famoso "domina tua mulher" dos Praecepta Delphica até as sentenças segundo as quais o silêncio é o adorno mais lindo da mulher (sobre a importância da gnomologia. e não a alma.PS 62: O marido não possui nada que não seja também de sua 128 I III . quando crescer e tu não tiveres mais poder sobre ele. em Stóbaios IV 28. Educ. SW Sosíades: ama a quem educas. escravos) freqüente no NT. O texto da Política I. Quem reconhece a importância da forma literária esbarra aí numa "lacuna" que pelo menos precisaria bastante de explicação. No âmbito da gnomologia tradicional. e unanimidade). SW Cleóbulo: educar os filhos. pois devemos legarquem venerea Deus. parece razoável a seguinte hipótese de evolução: I. Catálogos de virtudes domésticas e listas de deveres veres.275. 680. Thraede. não maltratar os escravos. 2. de Aris- tóteles. uma série de sentenças de admonição parenética referentes à esfera doméstica. Contra isso foi feita a objeção de que não se trata das mesmas pessoas e de que nos catálogos bíblicos não se encontra a mesma reciprocidade de deveres.SX 481: O melhor modo de cuidar da pátria é cuidar primeiro do que é teu. SW Quílon: sê o chefe em tua própriacasa. MF 10:Não deixes de bater no teu filho: isso é como o adubo para a terra. unanimitas e dilectio.ser prudentepara com as mulheres. fi 3: Dominatua mulher. 274: Falar pouco enfeitaa mulher. D (Kyz) I 25: Educaos filhos. § 48). desde tempos antigos. 1049-1051): UG (plutarco. mas também essa referência pouco adiantou: a) Sob o título oikonomikôs foram-nos transmitidos uma série de tratados e um número considerável de fragmentos. . não se encontra. porém. nada do es- quema triplice (cônjuges. - Recentemente. ter amor aos filhos.. a evolução global das tradições parenéticas (cf. não te faça enrubescer de seus atos errados. 94. amar os amigos. No oikonomikôs de Xenofonte trata-se da administração de uma fazenda. bonita é também a simplicidade do adorno. O marido deve. particular- mente ANRW 1058-1074).1. PS 63: o marido não deve ser o tirano mas o senhorde sua mulher.7ss trata-se exclusivamente de escravos. epist. Lib.como nem tampouco o texto muito citado de Sêneca. encontra-se. Lührmann e K. dá-lhes uma parte do que possuis.

a não ser de seu próprio marido". nem com um menino. . desonrosas. o marido deve ter condições para ditar leis à sua esposa. Do judaísmo helenista deve ser mencionada ainda a passagem da Hipothetica 7. 11. como lhe sendo superior.MESp. os pais devem reinar sobre os filhos. . 195) têm caráter compósito (abrangem cônjuges.503: O homemhonresua esposa. . . Muitas 129 . No âmbito das gnomologias aumenta a formação dos chamados ''ninhos''. nem com uma virgem. 11 a. SX 5/9-523. o homem não deve ter relações sexuais. 235: Para a mulher fiel a prudente castidade é um enfeite.. o poema didático do Ps-Focílides é um bom exemplo: as diversas regras (a partir do v. E se souber de alguém que pratique tal coisa deve denunciá-lo. mas de uma série parenética arcaizante (que ameaça com a expulsão da agremiação). ..SX 490: Como queres que sejamteus filhos. . e especialmente a partir do v. como acontece nos referidos tratados.. No ambiente do judaísmo. o pai aos filhos. . 171. como sendo seu protetor.).ME 7: Comoé agradável para os pais a convivência amorosados filhos! . No NT.SX 231:Todo homemleviano é adúltero de sua mulher..ex. o senhor aos escravos"). 508: O homem sensato tem capacidade para dominar sua mulher. 504: Nenhuma propriedade deve o homem possuir que não seja também de sua mulher. Catálogos de virtudes domésticas e listas de deveres esposa. das conjunções de gnomas de temas semelhantes. e não co- nhecer o leito nem a convivência de ninguém. .14. . para ter bem-estar e vida longa. em parte já numa combinação. . - Há nisso certa reciprocidade de obrigações. como mostra o primeiro exemplo das "leis não-escritas". Aí não há dúvida quanto à es- treita ligação desse gênero com a gnomologia. a parênese sobre a relação entre marido e mulher é resumida da seguinte maneira: "Além de sua própria esposa. 31: Para todasas mulheres calaré um adorno. assim será tua casa. nem com uma livre nem com uma escrava que tem marido.. Ill. idosos e escravos) ejá falam também de reciprocidade dos relacionamentos (p. pois também aí se trata de um "ninho" no meio de uma extensa gnomologia ("as mulheres devem servir aos homens.500: Considera tua mulhercomo parte de ti mesmo.50I: Tendo respeito guardarás teu cônjuge. Pode-se reconhecer que quase todos os temas do assim chamado catálogo de virtudes domésticas se encontram na gnomologia. 196s). assim tu devesser para teus pais. os catálogos de virtudes domésticas também não se encontram iso- ladas do restante do material parenético.DE 61: A prudência do pai é para os filhos o melhorcomando. sem arrogância. PM I 53: A justa divisãodentro das casas é o início de todo o bem-estar das cidades. . Não se trata de um tratado oikonomikós.9: Comoé aprazível a harmonia entre pais e filhos!. e não deve aconselhar tal coisa a ninguém. Cf. a mulher honre seu marido. No material acima fornecido. filhos.-Focílidea como as de Fílon ainda são relativamente mais curtas que os "catálogos" do NT.515: O marido deve levar sua mulher a obe- decer. - 237: Uma mulher inteligente é a glória de seu marido.500-504 etc.503: Homeme mulhersão as partes de um só ser vivoperfeito. parentes. cada um tem de ser o senhor de seus próprios bens .514: O marido é lei para a mulher. . Na inscrição de uma agremiação religiosa em Filadélfia (séc. SX 235-237. ou seja. e obedecendo em tudo.521: Como é tua mulher.C.236: O homem que manda sua mulheremborareconhece que não soubedominarsua própria mulher. isso se percebe não só no VG. . Uma mulher livre tem de ser santa.Tanto as orientações do Ps. pois é com base nas casas que as cidades subsistem. Mas é igualmente claro que esses textos incluem ainda outros assuntos que não se encontram mais nos catálogos do NT (especialmente a efeminação de meninos: 210-214). como também em DM 275-280. com outra mulher..

-Focilides. agora são acrescentados (pri- meiro ainda em conexão com outra parênese) a fim de abranger tudo o que pertencia à casa.8-15 sobre marido e mulher não pode ser separado das normas gerais para a Igreja que começam no capo 3. o que adianta é perguntar desde quando eles. diversas relações sociais estruturalmente semelhantes. Essa fase em que os deveres dentro da casa se tomaram um conjunto autônomo coincide naturalmente com a fase em que os textos ficaram exaustivos: filhos e escravos primeiro não haviam sido lembrados. Em De Decálogo. Caini.9-10 (ou 2. as admoestações a respeito dos meninos no Ps. 17. são tratadas. de separar "catálogos de virtudes domésticas" (Haustaftln) como gênero literário independente. nessa fase a reciprocidade também se tomou atual. o conteúdo mais rico do Ps. eliminou-se o que não pertencia estritamente à casa. Estamos. portanto. Em suma: é pelo menos discutível afirmar que temos o direito. o que é dito em 1Tm 2. IV. sem que apareça aí um motivo especial para separar um gênero próprio. e o que aconteceu no comple- mento desse agrupamento. o que inevitavelmente devia levar a decepções.-Focílides é realmente um estádio anterior que preparou a elaboração de uma parênese rigorosamente concentrada na casa.. o trecho sobre as virtudes domésticas está um pouco alheio ao contexto. e só eles. A coerência dentro dessa temática foi ficando mais forte. Portanto. . Em lTm 6.19 e emPost.2). sob o quarto mandamento do decálogo. Em Tt costuma-se chamar 2. De outro lado. se encontram juntos na parênese. entretanto. Não se pode negar.9 e no "texto base" CI 3.1-10) de "catálogo de virtudes domésticas". 181.8) e as viúvas. nesse sentido. e o NT apresenta vários estádios dessa evolução. na verdade. Em lPd e Tt essa delimitação de material ainda é menos avançada. Em 1Pd 2. como p.13-17. embora um material mais abrangente de origem igualmente parenética esteja colocado sobretudo antes do "catálogo". de que as exortações sobre "a casa" já eram vistas e trabalhadas como uma unidade. Em Immut. o conjunto de temas sobre "a casa" destacou-se apenas paulatinamente.18-3. embora também aí se tenha acrescentado algu- ma coisa sobre as autoridades (3. diante de umafase de transição.22-6. um material mais abrangente sobre o "ser súdito" com relação às auto- ridades e uma breve coleção de assuntos de ética social formam a introdução a uma lista de virtudes domésticas em 2. procurando sempre para tal gênero textos diretamente correspondentes.1) e sobre o relacionamento com todo o mundo (3. Catálogos de virtudes domésticas e listas de deveres vezes é até quase impossível separar esses catálogos como gênero literário à parte. historicamente falando. e as aporias da pesquisa anterior nasceram do fato de que se contou com um conceito estático de "gênero literário". que no NT tais exorta- ções sempre se encontram juntas.7. não adianta procurar em que parte da literatura antiga (dos tratados) se encontra o esquema pais-filhos-escravos (todos entendem logo que numa casa havia esses três grupos). limitado à vida dentro de casa. 130 . 165-167.1. progrediu bem mais em CI e sobretudo em Ef. 39-40.ex. está claro que do grande conjunto da ética em geral ele já destacou todos os setores das obrigações sociais. nom. Por isso. De maneira semelhante. Evidentemente ainda antes dessa evolução neotestamentária encontra-se Fílon de Alexandria (fora dos já mencionados Hypothetica). como sintoma. A fase de transição consiste no fato de o NT mostrar que os "ninhos" da tradição parenética começaram paulatinamente a se tomar independentes.1-2 o "catálogo" encontra-se depois de exposições mais longas do capo 5 sobre as casas (5.18-4. Todavia. sem que se atribua um papel especial à casa. Na parênese geral.Apenas em Ef 5. talvez. assim também em De mut.

24s. IV 25. em ANRW. como em Hierócleo. Stãdele.10 1. 28.17. 1. VIII.19) e o tratado de Phintys "Sobre a prudência da mulher" (Stob. o estóico.É especialmente nesses tratados que se encontra largamente desenvolvido o que nos "catálogos" do NT é brevemente indicado. o texto dirige-se exclusivamente aos homens (mais textos em ANRW. 2. c) Tratados que se dirigem somente às mulheres: são principalmente as cartas das pitagóricas (ed. Flor. Motivos para o processo de independência desse gênero. 28.. Mas. epískopos: ITm 3. ibid. IV 23. diferentes.ex. também o tratado de Perictione"Sobre a mulher bem ordenada" (Stob.13 (publicanos). Denominam uma série de qualidades que o portador ideal do cargo apresenta. 1202s). No início da história do gênero "espelhos do encargo" está sem dúvida a enumeração elogiosa das qualidades de um soberano histórico. Surgiram os seguintes tipos de tratados: a) Tratados parciais de ética social no gênero oikonomikós. 1081-1086) e outras cartas a mulheres (ANRW.50. b) Tratados com a doutrina ética sobre os deveres para com os deuses. viúva: ITm 5.2: homens idosos. Na época do helenismo a enumeração descritiva de uma plenitude de qualidades perfeitas tomou-se prescritiva. hypotássesthai) ganhou no cristianismo primitivo (ver infra § 39. A origem do gênero está sobretudo nos "espelhos" helenistas para soberanos e chefes de guerra (cf. Católogos de virtudes domésticas e listas de deveres porém. 2. foram I. Tt 1. cf.4-6.5). ANRW. o significado especial que a submissão (gr.). . o de Hierócleo. Textos com deveres de posi- ção social têm no NT a forma de breves séries parenéticas: Lc 3.Em Hb 5. p.5b-6: anciãos. por exemplo.3s: mulheres idosas.7-9: epískopoi. VII. a saber.16. os pais.8-13. por exemplo. de Onosander. no quadro da filosofia helenista. Essa independência cada vez maior do gênero verifica-se também sobretudo nas cartas paulinas. A forma nominal é prova de que a origem não se encontra no campo da parênese. amigos. das orientações parenéticas.-Aristóteles. 28. os deveres domésticos já estão mais claramente separados dos demais deveres sociais e formam um grupo (disposição em círculos concêntricos). e das reuniões da comunidade) e 2.61s).17-18. 22. isto é. VI. e sim na ékphrasis. anciãos: ITm 5. 2. Cf. o terceiro livro do Oikonomikós do Ps. em que é retratado o relacionamento do homem para com parentes.18). no "louvor ao soberano" (enkómion). 3. o papel especial da casa na história da Igreja no cristianismo primitivo (como centro da missão. 2. na literatura dos tratados. O referido processo de independência de um detalhe da parênese tradicional da ética social verifica-se também. a esposa e os filhos. V. os amigos. são antes nominais. A. a linha da evolução dentro do cristianismo primitivo 131 .1-4 encontra-se uma lista de deveres e qualidades de um sumo sacerdote. em sua estrutura.14 (soldados). A este gênero pertence também o escrito de Calicrátidas (Stóbaios IV 28. no caso do gênero dos chamados deveres de estado (speculum muneris). desde a época pré-cristã.6 homens jovens..11b-16: "servo do Senhor": 2Tm 2.9s: escravos.. 1079-1081). por exemplo. Ao passo que nos ambientes de cultura superior e em círculos de mulheres ricas com formação filosófica a sabedoria das gnomes era elaborada em tratados sobre determinados assuntos. particularmente no "NT. . a pátria etc. na descrição elogiosa.1-7.8-1O. diácono: lTm 3. Esses "espelhos". o espelho para um chefe de guerra.

isto é: coleções de gnomes ------------- sobre determinados temas Os "ninhos" tornam-se independentes Formulação no judaísmo helenista. Fílon. Tt 3. alegrai-vos. Hb 13.4-9. sobre as quais o epískopos havia de velar.7-10.11.o "uns aos outros"). CI4. Essas parêneses têm nas cartas a função de uma peroratio.11.14. acima citado. Ap 22.: ANRW. Muitas cartas do NT oferecem uma breve série de exortações.18: oração com vigilância. vigiando. Cl 4.2-6. Hypothetica daí se formam: Reciprocidade dos deveres tratados de doutrina estóica sobre os deveres Partes do gênero oikonomikós Também no NT: catálogos independentes cartas a mulheres (especialmente entre as pitagóricas) Combinação com "espelhos de deveres" (originalmente não-parenéticos) Essa combinação formanormas eclesiais por exemplo. anciãos. 2Ts 3. Trechos parenéticos semelhantes encontram-se em: lCor 15.-Focílides.11: "De resto. da seguinte maneira: Coleções de gnomes contendo"ética socialantiga" I Elaboração de "ninhos". FI 4. 1105. exortai-vos mutuamente. Hb 13. sede unânimes..1-7 (interrompido por uma passagem mais especial. Parênese no final das cartas moveu-se para a formação de normas eclesiais.11. Ps. a parênese lembra com espe- cial insistência . nos vv. irmãos. as parêneses para os específicos grupos da vida doméstica acabaram fazendo parte de normas eclesiais. em ambientes sociais mais altos. e o caráter particular de cada carta transparece claramente (no exemplo. cf. desde as cartas pastorais. FI 4. rapidamente apon- tam mais uma vez o principal.. viúvas e diáconos.2: oração . IX. Ef 6.12-22. 1348-1350. esquematicamente. Essas parêneses têm os seguintes pontos importantes em comum : 1. lTs 5. logo antes da saudação final ou de orações e orientações finais.6: não se preocupar.em comparação com outras cartas . Ef 6.13: vigiai.58. tornai-vos perfeitos. a Didascália siríaca § 42. 2Cor 13. Como exemplo temos 2Cor 13. sede pacíficos.21.10-20.13s.13. e o Deus de amor e de paz estará convosco". A evolução acima pode ser representada. mas orar. 10-16). de 2Cor 13. Pela combinação com "espelhos" de deveres para epískopoi. Exortam à vigilância e/ou à oração (lCor 16. Gl 6.18. Parênese no final das cartas Bibl. 132 . 16.

o fim das cartas do NT muitas vezes é marcado por orientações para a conduta com relação a dissidentes.20s. . o que é indicado também pela consideração das pessoas de fora.13s).13).4. Trata-se. 133 . Tt 3. lTs 5.9. Agora é digno de nota que também os evangelhos sinóticos apresentem no fim da parte doutrinária uma exortação à vigilância. Importante é a exortação à alegria (2Cor 13.9: colheita.33-37.19s.1-11: vigilância). 1349.ex.13). de um esquema bem antigo.ex. O final parenético (nas cartas) contra os hereges Bibl. O assunto não são "pecados" no sentido "moral". igualmente em 1Ts 5. mas também na paz interna (2Cor 13. 2Ts 3. § 43. GI 6. Mencionam freqüentemente as obras/o fazer o bem (lCor 15.9-16. G1 6. A importância desses trechos para a pesquisa da história do cristianismo primi- tivo está no fato de que são muito úteis para descobrir certas particularidades reda- cionais das cartas (p.) e noções muito abrangentes como "o que é justo".11 isso deve valer até para os malfeitores ("o injusto continue a praticar a injustiça e o impuro continue na impureza".17. Mc 13. em Hb 13.34-36. Tt 3. cf. 4. que em Lucas é expressamente uma exortação à oração (cf.9: Deus convosco.19s é singular. . CI 4. como ponto importante. no v.10. Lc 21.7. pois a separação há de se consumar. 3. FI 4. 5.). "o bem/o mal" ou "paz e amor".20 uma oração de bênção. o final porenético (nas cortas) contra os hereges oração [o "velar" ficou reservado para os dirigentes.21s como frase final) pode ser formulada também no sentido de que o mal não deve ser pago pelo mal (lTs 5. 2Ts 3. a concordância com padrões éticos universalmente difundidos é muito alta. quando o Mestre não está mais presente. Por isso damos a esses trechos o nome de "final anti-herético". 5. .5. também §§ 24. Também o que citaremos aqui em 3 e 5 tem caráter testamentário.6. FI 4.. encontram-se nelas muitas vezes expressões que englo- bam tudo (o que sempre deve ser feito etc. mas desvios da doutrina. Mt 25.. 2Pd 3.15). aí se percebe também a ligação entre o não se preocupar e a oração.1O..17s. 2Cor 13.23s. recomendada. A admonição global para evitar o mal (p.9. 2. lTs 5. comum a todo o cristianismo. em lJo 5. lTm 6. Tg 5. Hb 13.21 a admonição dirige-se contra o culto aos ídolos.11.7: paz de Deus. FI 4.Muitas vezes é o autor da carta quem pede que rezem por ele. Tt 3. 1Ts 5.10-20. Como era de esperar.14.Em Ef 6. Exortam a não parar de fazer o que já se está fazendo (G1 6. Segundo Ap 22.14s.58: o esforço não é em vão.. a lista dos detalhes da armadura dos soldados serve de esquema para a série parenética.: ANRW.11.14: não em vão). como em FI 4. 2Ts 3. portanto. lJo 5.58. Textos: Rm 16. 39.16s (-19).17: oração. antes do fim.5). nas parêneses. Jd 22s.11: Deus convosco. 17]. Freqüentemente se acrescenta a elas uma promessa (lCor 15. Essas exortações referem-se clara- mente ao "ínterim".13) ou insistem na importância do efeito sobre os de fora (GI6. lTs 5. 4. o que também é singular). 1Ts 5.9-11.Fazendo abstração dos elementos mencionados em 1.16).

2Pd 3.: plane: 2Pd 3. As instruções. porém.14. contradizendo o ensinamento que recebestes".16s).20s). lTm 6. especialmente nos versículos 6 e 22.17s. lCor 5. o gênero literário do "final anti -herético" refere- -se sempre a aberrações na doutrina.9 fala em "fazer vagar a esmo"). cf.17s). caracteri- zam-se pelo erro (gr. b) O genuíno final anti-herético. Nesses julgamentos já há uma boa parte de polêmica tradicional contra dissidentes (o arsenal vem da discussão entre socráticos e sofistas.11). Porém. Há passagens nas cartas paulinas que podem ser comparadas com estes "finais anti-heréticos". na parênese final das cartas paulinas. Uma analogia bem clara é finalmente o aviso contra os falsos mestres. ao passo que em lCor 5s e Mt 18 se trata de faltas morais. sua túnica está enxovalhada pela carne (Jd 23) e representam "doutrinas reluzentes e estranhas" que levam de volta às prescrições judaicas a respeito dos alimentos (Hb 13. na verdade. por exemplo.20). "afastam-se da verdade" (Tg 5.1345s). nas cartas do NT acima mencionadas. e não desgosto pela tolice dele"). Jd 22s diferencia as normas de acordo com os diversos grupos (corrigirjsalvarjcompadecer-sejafastar-se da túnica enxovalhada). Mt 18.9-16. e "cometem um pecado que conduz à morte" (1105. são os que "provocam divisões e escândalos.14 e 2Cor 13. todos esses textos encontram-se fora das cartas paulinas.15-17). Como em Me 13. Com exceção de Rrn 16. fala-se freqüentemente em plane (erro).14.19). ou mesmo deixar de orar por eles (110 5. é preciso lembrar também lCor 5s e Mt 18. Com isso podemos supor que essa forma tem estreita relação histórica com a predição de (= aviso contra) falsos mestres no fim de testamentos (cf. 2Cor 13. De um lado há orientações que mandam romper o contato social (2Ts 3. isso só deve ser feito depois da segunda tentativa de correção (Tt 3. Sr 22.13 [14] ("não fales muito com um tolo e não faças amizade com nenhum porco! Toma cuidado.17 avisa apenas para que ninguém se deixe arrastar. Fi- nalmente.2s). para o relacionamento com os "hereges" são admiravelmente diferenciadas. discussões em torno da Lei) (Tt 3. Entre as sanções há certa semelhança.19) (gr. evita aborrecimentos. 1282-1287. cf. São as instruções de Paulo sobre as "correções" (lTs 5. Julgados são os hereges como tais.17). Historicamente houve um amplo leque dessas "falsas doutrinas". Análogas são as admoestações. representam falsas doutrinas (genealogias.11) e fugir desses hereges (Rrn 16. Segundo outras. afastan- do-se da fé" (1Tm 6. Contudo. contém sempre dois elementos: ojulgamento e a instrução. ANRW. ele pode sujar-te ao sacudir-se! Foge dele e terás sossego.17.9-11). cf. para corrigir os desordeiros (lTs 5.15-17). o final parenético (nas cartas) contra os hereges a) Fases anteriores facilmente reconhecíveis: a advertência contra o contato com os tolos. são vacilantes. interpreto isso. no fim da pregação de Jesus em Mc 13. Tg exorta simplesmente a "reconduzi-los" (5. como a recusa de professar a fé cristã.10.16. § 24). o que não deixa de alimentar as dúvidas a respeito da autoria paulina de Rrn 16. 4. praticam "falatórios ímpios e as objeções de uma pseudociência.: exapatan) por belas palavras e discursos bajuladores" (Rrn 16. São os que "servem ao próprio ventre e seduzem (gr.11. porém. não "obedecem ao que é dito na carta" (2Ts 3.14). 13. é possível também que este final 134 . É sobre- tudo isso que torna compreensível por que o mestre no fim de uma carta se dirige contra os que ensinam (ou ensinarão) de maneira diferente dele mesmo. por analogia com o "pecado contra o Espírito Santo".: planan). cf. contrastam com eles.

Afinal. fala-se muitas vezes das vítimas..Embora seja bem clara a situação típica. 110 2.28.. a posição dessa avertência no fim da epís- tola explica-se pelo gênero literário da carta.: ANRW. adotaram ainda muitos outros elementos da literatura dos testamentos (cf. Nos demais textos do NT os falsos mestres são caracterizados como um fenô- meno inevitável dos últimos dias (2Tm 3. Sr 21.1-9.Numa acentua- da posição final encontra-se tal aviso em Mt 7.15 (fim do Sermão da Montanha) e Me 12. a origem. 135 .. Jd 17-23. . já consumado.28. entre cristianismo e judaísmo.1354. está na literatura dos testamentos (a predição da apostasia é relacionada com falsos mestres em TestLevi 14. 1102. não aparecem nuanças. 2Pd 3. Em todo o caso. no final anti-herético. 2Ts 2. As cartas às comuni- dades. Me 13). ZNW 65 [1974] 208-219). sem ação de graças em Jd 4). mostrou ser um mestre sábio).". a tendência é delimitar. foi preciso criar outro tipo de limites e de critérios de filiação. a procura de novas formas de identidade social devia forçosamente começar. tudo ainda se movia debaixo do manto protetor da tradição doutrinária comum a todos os judeus. Quanto a isso. deverão existir semelhantes critérios.9. que o problema está antes ligado ao afastamento.13s. à qual atribuímos esses textos contra os hereges. Quanto à história desta forma literária. porém. .5i). ao apostolikon (cf.38-40 par. o aviso contra os falsos mestres corresponde.6- 23.18-27. acrescentou-se a orientação (desde o início não descartada) pela estrutura da "escola" (dos filósofos). mas de todo um conjunto de doutrinas a defender contra judeus e pagãos. Sempre de novo. e com o conseqüente nascimento da Igreja. numa série de créias. depois da ação de graças no começo: FI 1.1-3. e para qualquer comunidade. Sobre a freqüente conclusão "seu fim será. . 2Jo 7. Como a unidade sociológica não era mais garantida pelo fato de pertencer ao mesmo povo. no início da fala de Jesus aos discípulos. no quadro do cristianismo primitivo. no entanto. quando. negativamente. Anteriormente a isso.. CI 2. precavei-vos. § 44. 13405. cf.45-47 (fim da atuação de Jesus no templo. agora trata-se dos responsáveis. O aviso contra os falsos mestres Bibl. mas também por indicativos (FI 1.1-3. A partir desse momento. o aviso contra os falsos mestres anti-herético tenha sido condicionado pelo grande gênero das cartas doutrinárias a que Rm pertence. do Nr. Geralmente é por meio de um imperativo que os leitores são afastados dos falsos mestres (ficai longe deles. Lc 20. Parece-me. não se tratava mais unicamente da cristologia. no início do discurso contra os fariseus.4). Mt 23. § n.Também para 110. cf.). Há freqüentes avisos contra falsos mestres no início de uma fala (Lc 12.Ao final anti-herético corres- ponde o aviso (a ser examinado agora) contra os mestres falsos ou estranhos.3-7. pelo menos das passagens sobre o caráter escatológico dos falsos mestres.2-18. . na literatura epistolar.22). é natural a tentação de pensar aqui num conceito de verdade que carac- terizasse um catolicismo primitivo e que eo ipso criasse também hereges. A concentração na "casa" não bastava.

sentença mostrando o que é melhor. Is 8. Parênese sobre o martírio 1. Assim o estudo destas formas mostra citações literais de textos veterotestamen- tários e judaicos.6 a parênese (no sentido acima definido) ocupa apenas os versículos 3. uma for- mulação negativa. no entanto. c) No próprio contexto da história de um martírio.28b e Lc 12. Sobretudo nos últimos dois textos a semelhança com 4Mc 13. Em lPd 3. (15) Pois hão de pesar sobre a alma a labuta e o perigo guardados no eterno tormento para os que prevaricam contra o mandamento de Deus". delimitação entre cristãos e pagãos. semântica e formalmente bem limitada.1: "Esperai. citado em a): ''Não temais os que matam o corpo. Is 8.. foi relacionado com o martírio e cristologizado. depois disso. pois o Senhor os há de entregar mais uma vez em vossas mãos (cf. como Pr 7.12s. Exortações em tomo do verdadeiro e do falso temor. combinadas com trechos de conteúdo novo em estruturas aná- logas às antigas.3: "Não tenhais medo dos pecadores.14. Is 8.13-15: "De todo o coração queremos nos dedicar ao Deus que criou as almas e entregaremos os nossos corpos como guardiães da Lei. Lc 12. isso vós não deveis temer.. de parênese sobre o martírio: a) Na base estão sem dúvida orientações sapienciais sobre o verdadeiro e o falso temor. mas não podem matar a alma . ao passo que a segunda parte. ó justos. a Cristo que é o Senhor". lPd 3.5 foram transformados no sentido do ''temor do Senhor". a positiva. portanto.. [13] O Senhor dos exércitos.12s. ele vos seja santo! É a ele que deveis temer. pelo menos na primeira parte. Existe uma tradição típica.").12s ("O que ele [o povo] teme.4: "Não temais aqueles que matam o corpo e. por exemplo Hen et. 95. dentro do esquema das frases duplas citadas em a. por um 136 . a ele tereis por santo"). cf. vós que sois justos. os sete irmãos dizem uns aos outros em 4Mc 13. tem parcialmente outro conteúdo (''tendo por santo.) No contexto trata-se do medo diante de outros povos. por exemplo. De modo seme- lhante. 96.". d) No NT essas admoestações costumam ter.12.. Cristo como exemplo. Parênese sobre o martírio § 45. b) Importante é nas parêneses de Henoc a exortação para não ter medo dos peca- dores. embora igual na estrutura. Isso fica particularmente claro em lPd 3.13-4.la LXX ("Honra o Senhor. fora dele não temas mais nin- guém").. em vossos corações.10: "Não receies o que deverás padecer".14 (alusão a Is 8.13: "O Senhor dos exércitos. pois de repente os pecadores hão de perecer diante de vós"). No contexto os pecadores são apresentados como violentos. em que a primeira parte é proveniente de Is 8. fundamen- tação cristológica. o que corresponde à tradição judaica citada em b e c. os textos do NT vão além do modelo judaico. e) Na formulação positiva da segunda metade (''temei antes. (14) Não queremos ter medo daqueles que pensam que podem matar. Ap 2.. depois há uma argumentação simbulêutica (seus elementos prin- cipais são: definição da finalidade. nem vos assusteis diante disso. é dele que deveis ter medo". as partes positivas das exortações de Mt 1O.14 é evidente.14-16. 2. continuando. não podem fazer mais nada".

Antes de mais nada.14-26).22b.22s). Recebem argu- mentação tão extensa porque. 1 e 2).14-26. ao lado da pergunta retórica. pela conclusão a minore ad maius. erroneamente supunha. sem dúvida. há um tema comum: tudo o que se relaciona com a palavra e o falar de Deus e do homem. mas somente se todos os gatos são pardos é que "parenético" é a mesma coisa que "simbulêutico".ex. formam a parte mais importante do corpus da carta. Conforme nossa análise (BK. e serás ressuscitado na ressurreição". Começa por aprofundar a situação dos ouvintes. Pois nem as invectivas contra a comunidade desunida (4. nem tampouco uma argumentação simbulêutica. perseverares. Uma analogia judaica é TestJó 4. Mt 10. juntamente com a admonição pós-conversão (aqui também com motivação mais freqüentemente cristológica. pois haverá um Juízo.21-24). em 4. em seguida. Tg não é tão desconexo como Dibelius. Parênese na Carta de Tiago catálogo de vícios e pelo anúncio do Juízo para os pagãos).. Parênese na Carta de Tiago M. argumento ex absurdo: "Não seria lógico alguém ser entendido em piedade e não ser capaz de resistir ao sofrimento"). segundo o esquema: "Quem perseverar até o fim será salvo". em 2. Um exemplo de argumentação simbulêutica na parênese do martírio é 4Mc 16.10- 12 e Lc 6.13-27). farei teu nome célebre entre todas as gerações da Terra e hei de restituir-te tuas posses. § 46.Somente depois dessa parte fundamental é que a carta se 137 . Fica clara a importância das "bem-aventuranças" para a parênese sobre o sofrimento: em 3. 17s). Parênese do martírio condicionalmente formulada encontra-se em frases como Mc 13. Dibe1ius (Der Brief des Jakobus 111964. é preciso que a fé se tome reali- dade na obra (2.12-19 é ainda mais a de uma argumentação (p. seguindo Lutero. podem ser comparadas simplesmente com "sentenças sapienciais" (cf. Além disso. insiste em que o falar de Deus deve ser seguido pela ação do homem (1.13. em Mt 5. sobretudo por causa de certas conclusões do estudo das formas literárias do AI. típica da argumentação). Dibe1ius. Daniel e seus três companheiros. 458-461). e e tudo o que conceme à relação entre palavra e ação..19. A primeira parte da carta é de teor mais fortemente fundamental (cap. Lc 21.2-12). porém.14 o "felizes de vós" está em primeiro lugar. Mt 24.16-23 (argumento a minore ad maius. cuja fé terá de se comprovar na tentação (1. enriquecida com diatribe/dialéxis. já que a Lei não pode ser driblada.13b. 17s. no v. 3. exemplo de Abraão. . no contexto de uma predição de sofrimento): "Se.. Hoje essa opinião não seria mais possivel. O fato de TestJó 4 ter sido formulado assim no contexto sobre a conversão de Jó para o Deus judaico sugere uma conexão entre a admoestação pós-conversão e a parênese do martírio em lPd: a isolação social..1-4) e contra os ricos (5. Esses dois trechos. já foi uma experiência do judaísmo helenista. p. como a de 2.ex.14 está igualmente num lugar central (cf.6-9 (como os textos aqui cita- dos. igualmente bem realçadas. 16s) lançou a tese de que a carta de Tiago "poderia em todas as suas partes ser qualificada como parenética".1-6). foi principalmente pela isolação social (difamação) que a comunidade foi exposta ao sofrimento. Sem dúvida Tg é um texto totalmente sim- bulêutico. como conseqüência da conversão. as bem-aventuranças. A estrutura de 4.

). "Gottesgerechtigkeit und lasterkataloge bei Paulus". exegetisch.und Lasterkataloge im Neuen Testament.8. ao se converter. Diversos tipos de catálogos no Novo Testamento a) Vícios pagãos.31. 3. 461-478. pouco sobra da tese de Dibelius.15. "réus". Às vezes o culto aos ídolos encontra-se também entre os vícios: Rm 1.8. ou apenas as qualidades correspondentes. quando muito.13.19 par.4s. 1. c) Renúncia do cristão ao poder: GI 5. I 14a). 6.21. SCHWEIZER. ICor 5. GI 5. Gôltingen. Ef 5. que.1.5-7. Ap 2. Kàsemonn. . ITm 1. Catálogos de virtudes e de vícios Bibl. 1340s). Como parênese no sentido acima definido só poderia ser considerado. 22. com- provadamente. Catálogos de virtudes e de vícios toma mais semelhante a uma parênese. Me 4. desta forma. não pretendem caracteri- zar determinadas pessoas. . Tübingen. e) Propriedades de uma virtude: Tg 3. 2Pd 1. Tg é uma composição simbulêutica.1-8.: ANRW. 2Tm 2. b) Virtudes principais do cristão (como: fé.17 f) Filiação de virtudes entre si: 2Pd 1. 2Tm 3.9s.19 (cf. i) Conclusão parenética de uma carta: FI 4.9s. que forma certa unidade por causa do tema do relacionamento lingüístico dos fiéis entre si e no âmbito da religião. Ap 9.22s.20s (forma de luta). a pericope 5. por exemplo. lPd 3. CI 3. 5.13. § 47. ITs 1. Ef 4. Cf.7-20. 1088-1 092. Rm 13. 1936. IPd 2.22.Ati- tudes importantes: FI 4. Ef 4.10.Também o chamado decreto apostólico (At 15.21.2s. no fim. VÓGTlE.8. dos quais os cristãos. Denominamos catálogos de virtudes ou de vícios séries de caráter nominal em que são enumerados comportamentos positiva ou negativamente avaliados ou seus portadores. amor): ICor 13. desde Platão (Fédon 113c.und formgeschichtlich untersucht.20 par. Importância histórica e teológica Os catálogos descrevem atos. cobiças). E. Sua enumeração tem como função a delimitação (cf.12-14.9s. tem função de delimitação (entre cristãos e gentios). (preocupações. 2. in Rechtfertigung Fs.19- 21. Mas é exatamente nisso que se revela seu sentido parenético: querem prevenir que o ato mau seja cometido. 22. que em sua forma corresponde às listas de pecados capitais existentes. É somente nesta parte da carta que os trechos são mais curtos e o ponto de vista varia com maior freqüência. 6.3-5. esperança.2). 21. Já que cada lista forçosamente é incompleta. ITm 4. g) Catálogos especiais de perigos a que os valores cristãos estão expostos: 2Cor 12. Mesmo assim há outros trechos relativamente grandes. Visam sobretudo à definição de tipos. mas não uma parênese.12. a ékphrasis da língua em 3. 2.3. também: A. 1976. Sendo assim. E. fechados em si mesmos. Das duas invectivas já falamos acima.8s. 21.15.IOs. se afastaram por princípio. não pessoas inteiras.5-8. ITm 1. como estamos acostumados a ver nas parêneses. ANRW.2-4.1202s.8. não seria pensável numa parênese. CI 3. Münster. ITm 6. Die Tugend.9s.4s.29-31. os catálogos 138 . h) Pecados pela palavra: lPd 3.8. d) Delitos capitais (semelhança com o decálogo): Ap 9. religions.5-17.

A intenção que está por trás dos catálogos é evidentemente que o novo status e a separação se verifiquem e se consolidem no dia-a-dia. b) Não se deve exagerar (como o faz A. o que em nosso contexto mais carece de explicação é o uso "dualista" das séries na descrição dos pagãos e do estado pré-cristão da comunidade. Gl 5. As séries de filiações. Schweizer). Mas o certo é que a gnomologia grega já apresenta um uso bastante difundido de semelhante reflexão ética. Daí também as alusões ao Decálogo e a liga- ção com a Lei.5-9.9s. como Juízo no futuro. como contraste entre a comunidade e o mundo no presente. C. dos catálogos gregos: não se completara ainda a abstração que conduz à definição de uma virtude ou qualidade. e na definição de limites obrigatórios. E a qualidade retórica dos catálogos faz com que. Séries como Ez 18.25s. limitada a um nome.7. o pecado. S. No entanto. Pois esses catálogos eram ouvidos por cristãos. mas cada membro nomeia um aspecto da decadência universal. então um grande Juízo de punição descerá do céu . como em Hen. como rompimento da convivência dentro da comunidade (I Cor 5) e como luta entre o espírito e a carne. Tal dualismo está presente não apenas quando um catálogo de vícios e um de virtudes se encontram lado a lado (o que é o caso somente em GI 5. Assim cada pecado concreto traz consigo a ameaça da situação extrema da rejeição. Os membros dessa série não indicam delitos capitais separada- mente definíveis. são usadas em formulações condicionais ("quando aumentarem a injustiça.12). uma sublime perfeição. Origem histórica desta forma literária a) Este gênero não é veterotestamentário. A origem dessas séries está estreitamente ligada à história dos próprios gêneros apocalípticos (cf. A delimitação de que os catálogos falam era o problema dos crístãos. e crescerem a apostasia. em coisas concretas (E.para caracterizar os pagãos . § 77). SI 15 enumeram atitudes do "justo". mas também as séries mencionadas em 1c expres- sam particularmente o nexo intrínseco entre as diversas formas de comportamento.Todavia. sugerindo uma corrupção total ou. mas em todos 139 . o crime e a impureza. 91.em Sb 14. . em diversos sentidos: como conversão no passado. O objetivo principal é perseverar e não recair no estado anterior à conversão ("paganismo").. pela descrição de um só vício. em contraste. Na literatura apocalíptica encontram-se freqüentemente séries semelhantes aos catálogos de vícios: descrevem a decadência que precederá o fim. Os catálogos fazem isso por meio de sinais e exemplos. conforme a própria semântica evi- dencia. Algo comparável encontra-se pela primeira vez . essas séries. mesmo quando. mas não da maneira sucinta.19-23. . que em dois lugares é lembrada como "cerca" (1 Tm 1. CI 3.. também todos os demais venham à mente dos ouvintes."). 5-8. Mott ("Greek Ethics and Christian Conversion: The Philonic Background ofTitus 11 10-14 and III 3-7". Catálogos de virtudes e de vícios têm a função de demarcar limites. O grande efeito pastoral dessas séries consistia numa confronta- ção da mediocridade opaca do comportamento do dia-a-dia com uma clara alternativa. Võgtle) o papel das virtudes cardeais de Platão na pré-história dos catálogos do NT. 3. têm uma origem diferente dos costumeiros catálogos de vícios. em NovTest 20 [1978] 22-48) insiste em que os termos abstratos das séries neotestamentárias se baseiam na terminologia da conversão usada no judaísmo helenista. a blasfêmia e a violência em todas as ações.23).

da maneira como se concebe a origem da apocalíptica judaica e do dualismo apocalíptico em geral. mas sem ligação com catálogos. 1317s e nota 318). Catálogos de virtudes e de vícios os casos citados acima. . De particular importância é sem dúvida a interpretação (em Díon Crisóstomo) das duas mulheres como representando a tirania e a realeza. Trata-se do ideal deformação e educação erguido para o jovem (para a jovem. julgo mais óbvia a influência do helenismo grego: I. Memorabilia 11 1.No AT fala-se também em "dois caminhos".8.). 140 . Immut. e vejo uma variada série de escritos em redor que adotaram a mesma ampla tradição (ANRW. encontrei-as pela primeira vez esboçadas em Isócrates (Ad Demon.21-97).- Será que foi essa tradição que influenciou a idéia dos dois espíritos e dos VÍcios e virtudes que em 1QS 3-4 lhes são atribuídos? A resposta depende. 1-3). como em FI 4. ANRW. e seus respectivos séquitos (= as virtudes e os VÍcios. Essa tradição torna também compreensível por que em Barn 18 e Did 1 semelhantes catálogos estão combinados com os dois cami- nhos. Quanto às duas mulheres da tradição grega. Na fábula de Pródico trata- -se de 'Hércules na encruzilhada" entre as duas figuras femininas da ruindade e da virtude. ou (compare em GI 5) em "espírito" e "carne" como duas "esferas" (cf. 1090-1092. O que justifica essa suposição é o fato de o séquito das duas figuras ser formado ou por virtudes ou por vícios.Além dessa tradição. Sobretudo esse esquema das duas mulheres foi largamente difundi- do. . Em suma: a citação de algumas séries de nomes ainda não explica nada. então isso não se explica por nenhuma das duas vertentes aqui mencionadas. cada uma com sua evolução independente. pois o tema dos dois caminhos (= da encruzilhada) pertence a esta tradição. cf ANRW. c) Quanto às séries de concepção "dualista". e dentro do rico material com caracteristicas desta forma literária convém contar com diversas tradições. entre outras coisas. existem séries totalmente diferentes . esse pneuma com os pnéumata de outros textos e com a opo- sição entre os anjos e os servos das trevas em Fílon.por exemplo a combinação "fé. Pessoalmente. e do modo como se atribui tudo isso à "cosmologia persa" como a sua única origem (nos catálogos do NT e em Fílon não se trata de cosmologia). enumerados como num catálogo). também no que diz respeito à qualidade do poder exercido. 15d e 30c-31). somente os tratados das pitagóricas chegaram a fazer coisa semelhante). nas versões paralelas e nas citações da fábula de Pródico (Xenofonte. Puno XV 20-21: sobre virtus e voluptas afirma-se que são ''per auras allapsae". Um elo entre a forma pagã e a forma judaica e cristã da tradição é a analogia em Sílio Itálico. ibid. Vejo nisso uma analo- gia direta com as duas figuras femininas de Ap (como sendo a prostituta Babilônia e a Esposa do Cordeiro = Jerusalém celeste). em la.E quando semelhante série se encontra como breve parênese no final de uma carta. que não apresentam nenhum traço de dualismo. também na forma de dois caminhos. encontro-as no mundo judaico e cristão transformadas em dois anjos. e relaciono com isso também a ética da renúncia ao poder nos catálogos do NT (supra em lc. Na coleção de gnomes de Isócrates trata-se das qualidades que o interessado deve abraçar e de outras que deve evitar. já bem elaboradas. esperança e amor"-. 1202-1204). em muitas variações (cf. ou em duas forças inatas. ou em duas espé- cies diferentes de espíritos. . 11.

Essa separação filosófica. Para os círculos que cultivavam os catálogos de virtudes e vícios cons- tatamos. pois. É lá que a Lei de Deus começou a ser transgredida (Mt 5. Nas primeiras duas antíteses do Sermão da Montanha vejo exatamente essa intenção: matar e adulterar são. portanto. por exemplo GI 5. na tradição de Pródico e em Isócrates. Católogos de virtudes e de vícios Ill.5-7. diferente. cf. Os catálogos de virtudes expressam que essa radica- lidade devia atingir os mais diversos setores da vida de cada dia. A "filiação" mais estimada é aquela em que a fé está no começo e o amor.19-23 tem pelo menos semelhança com este esquema: de determinada atitude fundamental nascem obras ou frutos. e cada vez mais invisíveis. apenas os últimos elos de uma cadeia de comportamentos que têm uma origem muito mais profunda e anterior. nós a encontramos no acima citado ideal de educação. Ao conceito das séries de filiação. radicalízou-se a separação grega entre os sequazes da verdadeira filosofia de um lado e os insensatos e os insensatamente ricos de outro. em relação aos catálogos. no fim: 141 . Essas genealogias são documentos de teorização que merecem toda a nossa atenção. explicam comportamentos visíveis por outros. ou (como sinônimo) "fruto". A passagem de um grupo para o outro era sempre entendida como conversio. 1065). E. A. conforme se encontra não apenas em 1QS. Com isso. A separação entre cristãos e não-cristãos remonta à separação judaica entre justos e injustos. na ira e na concupiscência do homem. d) Uma concepção própria. lTm 6. Võgtle já chamou a atenção para esse dualismo. A última parte das séries apresenta clara tendência à visibilidade e a resultados. portanto. já que a visibilização de uma atitude está estreitamente ligada à idéia de "obra". Foi especial- mente no movimento dos cínicos que o abismo entre os filósofos e os de fora se tomou muito grande. Também o primeiro cristianismo entendeu-se como um grupo de renovadores radicais. já que estava condicionado por uma critica contra o sistema burguês de valores e poderes em sua totalidade. . resultando daí uma verdadeira genealogia de mães e filhas (exemplos da gnomologia grega: ANRW. que podem ser descritos. correspondem à tendência da parênese de privar o comportamento errado de seu espaço.21s. porém. Também o pertencer ou ao espírito ou à carne em GI 5. porém. encontra-se com freqüência nessas séries a noção de "obra" ou o termo "eficácia". A história do efeito dessa idéia (mudança por uma troca radical de paradigmas) foi e ainda é considerável.27s). está ligada. um crescente isolamento e uma evolução rumo à formação de uma seita. sempre no contexto dos catálogos de vicioso Nisso.4): uma virtude (um vício) provém de outra (de outro).As séries de filiação.6: fé que "opera" pelo amor. como sua obra mais visível. está por trás das chamadas séries de filiação (2Pd 1. anteriores. Em Qumran e no "resto radical" do cristianismo primitivo vemos a fase final de uma evolução em que o totalitarismo retórico dos catálogos toma-se sempre novamente a expressão da autoconsciência de um grupo. patenteando-o até a raiz. afinal. Nessa tentativa de solução aparece claramente a continuidade da base socioló- gica. bem claramente. mas também em outros textos da literatura judaica da época. a tendência de responsabilizar o homem até nos mais profundos impulsos de sua vida psíquica. O radicalismo de tal grupo era tanto maior quanto mais se via motivado por obrigação religiosa.

o amor. Gl 5.10 (12).6 (o amor como testemunha em favor das obras de justiça). 6. lTs 1.24. depois.8. IPd 1. Efes.6. cf. 11. lPd 1. Sb 3. 4Mc 17. A combinação fé-amor. em amor.19). fé. Barn 1. como caracteristicas de grupos. 23. Policarpo. Barn 1. Plutarco.24.4. 9. Também é dificil admitir influência paulina para Inácio.18. como forma literária: 1. do conhecimento. 10. ANRW.2.6-13. Inácio..Nestes casos. Sr 24.69.22.4. amor).10. ou existe uma forte sinonímia entre fé e esperança (em paralelismo).. o começo é a fé.3.6.21. assim em Gl 5.. Ef 14. supra 5!] do amor. lTs 3. lPd 1. O lugar dafé.9. 1202s). 5. Uma combinação pagã de amor e fidelidade (Plutarco) foi adotada no cristianismo primitivo.8. Hb 10. para o amor de Deus como desdobramento da fé nele: Jub 17.. Strom.2. sem ligação especial com asistemá- tica cristã ("amor" em primeiro lugar: Ap 2.1.59. Ant.18 diz que a sabedoria é a mãe [cf. Hom.2. Sim. .5.5-8 (nos dois textos trata-se da comprovação da fé). e até em textos muito an- tigos. Inácio Ef 1.10. o amor e a esperança seguem).9. como gerada pela fé que a precedia: Gl5.Sobre a idéia da "origem".12 (com grande probabilidade sem influência paulina). conservaram a propriedade de ser caracteris- ticas de pessoas ou grupos "típicos". Hom. pode ser ocupado também pela sabedoria ou pelo conhe- cimento (Sr 24. o fim é o amor). Hb 6. Ef 14. e da fé). Ap 2. nesse sentido. O que domina é a idéia de que a fé é a mãe da qual nascem gerações de filhas: 2Pd 1.22 LXX. 9.18 (crendo no Senhor e amando-o). ou então. fidelidade e amor. Jub 17. a esperança é vista (como o amor nos textos citados nos itens 3 até 7). não apenas teo- lógica mas também sociologicamente. ser interpretadas. Cf.4. 3. 10.61. cf. Devem. 7. Makarios. afé está na frente: Barn 2. A forma da série costumava ser elaborada com extremo esmero. mas em parte já com a acepção técnica de "fé" e colocando-se. do temor. 2F13. da esperança) (Clemente de Alexandria.5. . Isso vale sobretudo quando o próximo bem é a esperança: lMc 2. vale também. 2. 4. Tg 1.6 (a fé que opera pelo amor). Também como catálogos independentes.5 (pela fé aguardando [os bens de] a esperança). segundo o qual a fé e a esperança geraram juntos. 8. a fé sempre em primeiro lugar ("condição fundamen- tal"): em Sb ainda claramente como fidelidade: os fiéis/crentes permanecem junto com ele.. pois já se encontra em Josefo. Sr 49.5 (o amor vem do coração.2: justiça. Na seqüência fé-amor o amor sempre é entendido como a realização da fé.1 (a fidelidade e o amor.10. Catálogos de virtudes e de vícios e) A história da tríade paulina "fé.18 (certamente pré-paulino). Séries desse tipo nasceram de descrições de pessoas (ékphrasis. Muito semelhantes são os textos que reúnem o amor e as obras.1.4. Vis.7 (amor mútuo e fidelidade). Sinonímia está também na base do agraphon de Jesus (Macario.5ss: Hermas. pois. como sua manifestação concreta. .1-2. um filho o amor.Em Barn 1. Barn. SI 77. Amat. 11. esperança e amor".6.15. Inácio.6 a esperança é entendida como o principal conteúdo da fé. parcialmente ainda em sua forma pagã. 3. 11. Particularmente instrutivas são as cadeias em que a fé forma o primeiro elo.8.6: fé e amor. Também a ocorrência do "amor" nestas séries não é de origem paulina. 1. apresentada em 3-5.186. Hb 6.3 (mãe: fé. o último. 142 . Também em séries que não mencionam o amor.3 tem a seqüên- cia: conhecimento. 14. Sb 3. 37). Sr 2.. lTm 1. lTm 1. 37 (da fé e da esperança nasce o amor). 3.

neste campo.42:justiça e o amor de Deus.23: jus- tiça. a esperança e o amor têm cada um sua forma específica de realização (obras. da vida (Bam 1. Isso se dá em Gl 5.24). Dial. A esperança. porém.8. o que é confirmado por 5. ou tem por objeto esses bens típicos. em termos gerais. 10.6-13.17s. o que importa nesta carta é a perspectiva dada pela paciência e pela esperança. Jub 17. seu horizonte temporal.13. na ordem de sua importância na comunidade. ao fazer do amor. o sacrificio do amor é a paciência.3 fé. paciência. a esperança e o amor exatamente nesta ordem. o aspecto da perse- verança lhe é particularmente próprio (contra as aparências: cf. da fé recém-adquirida exige paciência. Rm 4. 2FI3. Portanto. Também a esperança e a paciência são inseparáveis. fidelidade/fé. Se Paulo agrupou a fé. e indica a perspectivado futuro e da recompensa. lCor 13 é uma tentativa totalmente surpreendente e inova- dora. Sr 24. Krísis tem aí o sentido do mishpat hebraico = fazer o que é certo. ela está muitas vezes ou no princípio ou no fim. Vulgata Jt 8. Quando se encontm a esperança.6). Em 1Ts 1. da justiça (Gl 5.13. em que se trata da relação entre 143 . (assim em 1Cor 13. Trata-se da conquista de bens. 5. portanto. Cl 1. a relação entre eles é a tradicional: a obra da fé é o amor.l1s). nem por serem dons do Pneuma.) 11.22. A combinação da paciência com a fé tem sua origem na tradição de Abraão (a comprovação. pois. A esperança.10. 11. e Bam 1. é entendido como o mais importante delas. .3 Paulo quer apenas dizer: a fé. o amor é colocado no início de uma série. Quando. de acordo com as regras da retórica antiga. 110. Porém.23. Justino. paciência).13: sinonímia não significa total identidade).22. 12. 1Pd 1. SI 77. com paciência: lTs 1.6: justiça. misericórdia. simplesmente a virtude básica. 13. A fé e o amor estão juntos no sentido da tradição citada em 3- 7. - Esperança no fim: 1Ts 1. princípio e fim da retidão. .3. conforme acontece em Lc 11. depois de um periodo de privação: trata-se da salvação (ITs 5. o amor sua realização concreta. o elemento pareneticamente de- cisivo está sempre no fim.8). mas também. Aqui. Mt 23. da imortalidade (Sb 3. Catálogos de virtudes e de vícios 10.4. a esperança o é por ser sua continuação no tempo.2. enquanto a fé é fundamental por ser inicial. O fato de a esperança estar aqui no fim dá à carta toda não apenas o aspecto parenético que o contéudo exige (perse- guição). sem dúvida não sem motivação vinda da comunidade de Corinto. cf. a fé é novamente o início. A seqüência de fé e amor é dada pela palavra-chave "obra". 15. sem se levar em conta seu enraizamento na profissão monoteísta. lPd 1. o elemento básico está no início. 15.4. como forma de comportamento própria do "ínterim". (Coisa semelhante pode ser dita de combinações do amor com a palavra krisis. Está.5).3. não foi por causa de sua relação com a Lei. a esperança é sua figura concreta. Ap 2. Sem dúvida. Isso vale também quando é a esperança que está no inicio como a perspectiva que fundamenta tudo (Barn 1. Em 13.8. ou é vista como a força que faz perseverar. nos leva a uma extensa discussão sobre os fatores decisivos para a existência cristã. nos contextos em questão. da herança prometida (Hb 6. ao lado da fé (e depois da fé). sacrificios.8). 19. portanto (como a fé) é fundamentalmente diferente do amor.3.2-5 (concatenação: tribulação. Quando o amor está diretamente ao lado de obras (Hb 6. A ordem dos substantivos. Em lTs 1.A essas tradições deve-se o grupo de termos que domina em Rm 5. visto como soma da vida real. 14.12.3).4. trata-se de listas que enu- meram "obras" ou "frutos". portanto. Rm 12. porém. comprovação. Policarpo. 4Mc 17. Isso se baseia na tradição judaica de mártires e prosélitos. a combinação de paciência e esperança vem da tradição do martírio (4Mc 17.6).8.19.18.18. esperança e amor estão ligados à paciência.22). esperança). Ela é uma virtude "básica". Bam 1.Diante disso tudo.4.4). na tribulação.

De especial importância é a posição-chave ocupada por pístis e elpís.. apresenta uma afinidade bem evidente com a concepção paulina em geral.). mas "eros" e "verdade" não se encontram em nenhuma série judaica ou cristã. A relação entre condição e conseqüência: O ato e seu efeito: Toda vida bem ordenada é cheia de alegria. Caracterizações: Inimigo não é quem comete injustiça...Dos que crêem devem ser poucas as palavras e muitas as obras (SX 383).. mas . de pístis (= fidelidade). III d. quando se trata de Deus: fidelidade (pistis). podemos dizer: esses textos discutem num estilo especial a doutrina da justificação: sem o contexto da "Lei" ou de uma "morte expiatória".Cf.. . helenista. . I 8).C. mas curá-los com provas (Moscos 13)..§ 36. Virtudes domésticas: Honra os mestres (KL 77). amor (erõs) e esperança (elpis).Cf.. É dever do sábio combater o bom combate (MF 6). técnico. Admoestação fundamentada: Que tua inteligência examine primeiro tudo o que queiras falar. § 51.Cf. já que pístis sozinha não era mais suficiente (cf.1." Não procures esconder teus pecados debaixo de palavras. § 41. Fundamentação da exortação com "a fim de": Dá valor a tuas posses. mas antes (como sempre em lTs e sobretudo em lCor) no sentido dos fatores que determinam a existência. verdade (alêtheiay. mas quem deseja fazê-lo (DM 89). § 49. e novamente dos pressupostos e do fim. esperança ficou com boa parte do sentido original. Observações finais sobre a importância da gnomologia grega para a parênese neotestamentária 1.De toda educação as raízes são amargas. O trecho que precede a este versa sobre obras boas e obras más: "Quatro elementos têm de ser mencionados em primeiro lugar. Em conseqüência do uso especial. Sugestões para um caso concreto: Quem recebe um beneficio não deve ficar com maus sentimentos e sim com bons (DM 93). 17.~ Observações finais sabre a importância da gnomolagia grega p/a parênese neoteslamenlária condições e perspectivas.. . doces (DE 54).3 as palavras sobre a paciência estão num contexto que usa a linguagem dos convertidos (confirmação após conversão). 16.. Estrutura: "não . A importância do amor corresponde à citada em 7. .". ." É preciso preocupar-se antes com a filosofia do que com os próprios pais (PM I 54). toda vida feia é cheia de tristeza (DE 128). do que . Já que és a.Cf. § 51.§ 49. Ad Marcellam. Proibição: Não uses o juramento (ibid. Estrutura "antes .. os frutos. Exemplos de textos que correspondem às diversas formas literárias Exortações: Admoestação: Converte-te dos pecados (Praecepta Delphica II 8) . do termo pístis. faze x. capo 24 (fim do séc.Domina tua mulher (Praecepta Delphica III 3). .2. Em lTs 1. 144 . a fim de poder ajudar o amigo necessitado (IS 28b).2). . . também ApBar sir 57. Porfirio.. Pois é preciso acreditar (pistéusai) que a única salvação é a conversão para Deus . 18. § 48. pois em muitos a língua corre na frente da ponderação (IS 41a). . Daí freqüentemente os termos são usados juntos.Não castigues escravos embriagados (SW Cleóbulo).

ninguém poderá tirar (KL 15).Observações finais sabre a importância da gnomologia grega pia parênese neoleslamenlária ~ Demonstração da utilidade: O maior bem é aquele que. seguindo os deuses (PM 11 15). o dinheiro (DP III 44). três: mar. compartilhado com outros. Lc 16. Coisas irreconciliáveis: Duas coisas ao mesmo tempo é impossível: o mesmo homem não pode amar a Deus e amar os prazeres. Visam à utilidade prática. Fazer x é a mesma coisa que fazer y: Xingar um sábio é pecado tão grande quanto xingar a Deus (SX 194).49). depois o atrevimento. depois a petulância. b) Do campo da gnomologia grega faltam no NT os seguintes temas: exortação à edu- cação. Fazer x é bom: louvar as boas ações é bom (DM 63). Anúncio do Juízo: O tempo é que revelará a verdade (MES). mas também estar no meio dos malfeitores (PS 48). Deus/homem: Somente são caros a Deus os que odeiam a injustiça (DM 217). - Quem não comete injustiça não precisa de lei (AN 2.9). regras sobre a amizade (a não ser. te é de maior utilidade (PS 32). soberba (DP 11 148).Três uvas a videira produz: prazer. Negativamente: É impossível um homem livre ser dominado por paixões (KL 86). talvez. O que é menos ruim: Antes escorregar com o pé do que com a língua (DP 11 78). à sabedoria e ao bom senso. . 145 . 2. frases sobre a natureza humana e principalmente conselhos a políticos e exor- tações para evitar a mediocridade. Ser e parecer: De tuas opiniões as tuas obras devem ser a prova (KL 49). . O que atrapalha: Toda paixão da alma é hostil à sua salvação (PS 116). depois a perdição (pM 1. Exortação à avaliação: De tudo que é bom julga que Deus é a causa (KL 18). Falta o decisivo: Fama e riqueza sem sabedoria não são posses seguras (DM 77).Procura o que permanece depois da libertação desta vida (PS 28). fogo. Provérbios numéricos: Um. Ai!: Aristóteles disse: Ai do rico quando os outros não lhe dão valor (MF). mulher (GNP). Julgamentos de valor: O mais importante: Antes de mais nada.Primeiramente cumpre teus deveres para com os deuses (IS 13a). O que é bom é y. dois. não x: Diante de Deus o que mais vale não é a língua do sábio e sim suas obras (PS 14). imita seus atos (DE 87). . .124 Menandro). Descrição sem avaliação: Positivamente: A abstinência é a base do culto divino (KL 13). Bem-aventuranças: Feliz do homem cujo protetor é Deus (KL 135). Quem quer ser a deve fazer x: Se queres ser honrado como fulano. Classificação: Fica sabendo: ruim não é apenas ser um malfeitor. controla a tua língua. Filiação: Pitágoras dizia: nas cidades entra primeiro a bebedeira. o corpo. Bens indestrutíveis (Priamel): O que a educação te dá. Alma/corpo: Deus prova a alma do sábio por meio de seu corpo (SX 425).Quem comete injustiça é mais infeliz do que quem sofre injustiça (DM 45). Avaliação a) As gnomes geralmente são transmitidas sem o nome do autor e sem "ação". embriaguez.

a frase tem importância central e é uma síntese da mensagem de Jesus. dá a entender que o Batista não 146 I lil . Der Weisheitliche Mahnspruch bei den Synoptikern. pois chegou a hora de seu julgamento". Rm 13. 197. portanto não apenas grega mas. No que segue não questionaremos se estes textos foram transmitidos primeiro.17. formando parte importante dos escritos neotestamentários.8. Compare-se a gnome de Aicar aram. a Hypothetica de Fílon. larga-o na sua mão! Depois aproxima-te de Shamash: ele tomará de cada um o que é dele e te dará". Não houve. Inácio. Exegese. Würzburg. Mateus. IPd 4. É esse exatamente o conteúdo do "Evangelho eterno" (v. 1296-1298) elas já são assimiladas. ANRW. nem no judaísmo nem no cristianismo qualquer necessidade de modificar substancialmente esta gnomologia. por exemplo numa tradição oral.10-12. e o Reinado de Deus aproximou-se: convertei-vos e crede no Evangelho".7. Ela foi antes adotada.15. Tg 5. 14. Com isso já está estabelecida a ligação com Me 1. ANRW.2 e 4. O exemplo clássico é Ap 14..28: "Se um inimigo te enfrentar com más intenções.: D. segue-se a partir do estudo da gnomologia uma nova perspectiva para a avaliação do lugar do NT na história das religiões. 57 I 13s: "Quando um malfeitor pega a ponta de teu vestido. d) Já que as gnomes freqüentemente são material de construção tanto para as créias como para os gêneros parenéticos. com Mt 5. 22.11. Mt 3. como sendo de origem profética. Admonição fundamentada Bibl. neste caso. Ap 3. e Aicar 3. Interessante é também a maneira como a coleção de gnomes de Sexto (SX) foi cristianizada (cf. Berger. Até no quadro dos progymnásmata (cf.7: "Temei a Deus e rendei- -lhe glória. As admonições fundamentadas pela proximidade da vinda esperada têm geral- mente um teor muito global.9. 1.17. bem como Josefo e o Ps-Focílides já são exemplos de uma adoção não-apologética da moral popular do helenismo.1 (São tempos do fim. entre a forma oral e a forma escrita.32-39. ICor 7. dando duas versões iguais desta palavra.2. cabe-lhes a função de ser elementos de ligação entre os evangelhos e as cartas do NT. e) Por causa da ampla divulgação das gnomes e da proximidade. Hb 10. por isso queremos envergonhar- nos. tu deves respon- der com boas intenções". na boca do Batista e na boca de Jesus. no Evangelho de Marcos.38-47. Também aí fica claro que neste campo da moral cotidiana não havia problemas de simbiose entre o cristianismo e o "paganismo". § 49. Trata-se da última exortação à conversão. em Mt 3.15: "Cumpriu-se o tempo. Sobre analogias com a literatura sapien- cial. Ef 11. Admonição fundamentada c) Já que as gnomes não estão ligadas a determinada situação.40.29-31. elas são "errantes" e podem ser "citadas" para reforçar qualquer opinião. Por ser a primeira palavra de Jesus. universal. para que não se transforme em juízo para nós"). ZEllER. no Oriente Próximo. No judaísmo. 1977. temer a paciência de Deus. no quadro do helenismo. f) A gnomologia era internacional. pois. 6). Fundamentação pela proximidade da parusia Textos: Mc 1. 4. Também a admonição fundamentada será estudada aqui em contextos literários mais abrangentes. com Mt 5. 1057).7.11-14. cf.

é fornecido pelos demais textos: a alusão à proximidade do fim esperado tem aí a função de exortar à constância e à perseve- rança: Ap 3. As palavras sobre a noite e o dia em Rm 13. De forma distinta dos textos citados acima.11: "Segura firme o que tens".37s) (quanto às analogias veterotestamentárias. para agüentar mais um pouco. cai o adversário. A fundamentação aparece na narração sobre Jesus. infra. em Rm 13.9-11 essa primeira abordagem é mais desenvolvida.".8. § 56). referidos por um indicativo. assim como as exortações para despir-se disto ou revestir-se daquilo. ApBar sir.12 pertencem a esse material. ou admoestam com insistência para continuar . por causa da proximidade do fim.) Também em Inácio Ef 11 há uma frase comparável.36- 45 há uma clara analogia.7). a Babilônia caiu! (Nas narrações sinóticas.36 trata-se da paciência diante da atual perseguição: "pois ainda tão pouco tempo . Cf. Em Hb 10. já não se mudará mais nada: tanto os justos como os ímpios devem continuar com o que estão fazendo. 147 . Aqui cabe citar também lCor 7. como era de esperar. Tradicionalmente os dois temas estão intimamente ligados (cf. § 39. Tg 5. que parte de sofrimentos ainda futuros.29-31: as exortações exemplares estão emolduradas pelas duas "expectativas da proximidade da vinda". a revelar-se". Porque a juventude do prazo do mundo passou. 85. Em Rm 14s e lPd 4. pois a separação já vem aí. E é por isso que também em 10. o indicativo está em primeiro lugar.1: "Observai o direito e praticai a justiça. Almejada é a liberdade do cristão com relação a esta era. Em Me e Mt (diferentemente de Ap 14). encontram-se analogias. § 39. supra. 29a e 31b. . Portanto. há em Rm 13 e 1Pd 4 admoestações deste mesmo tipo..9s: "Queremos preparar-nos. o que dá à palavra o caráter de uma proclamação. Formas e conteúdos que preparavam tudo isso são encontrados já em Is 56. cf. nos vv.3). na forma de uma parênese à comunidade (cf. Também em 6Esd 16. de levantar-se do sono.de acordo com o caráter do texto. Nos dois casos trata-se de um material de exortação pós-conversão (§ 40): em 1Pd 4. Um terceiro aspecto. Admonição fundamentada ensinava outra coisa senão o próprio Jesus e com isso reforçava o que pretendia.8. a fim de que possamos vencer e não sejamos vencidos. que aí começa.75ss. finalmente.8: "Conservai o coração firme".Em Ap 22.10-12 trata-se de que. Também na literatura apocalíptica. aqui já se dá mais um passo em direção às conseqüências concretas para o comportamento. Claramente ligadas ao material relacionado à conversão para o cristianismo. O "queixar-se" (v. pois não é fundamentada por nada anterior. de ser prudente e sóbrio. as admoestações desse tipo tem duas funções contrastantes: ou exor- tam a uma mudança radical. podemos dizer. Mas também em Ap 14 a fundamentação surge logo: segundo 14. também 6Esd 16. com sentido muito abrangente.39 a fé é qualificada como perseverança e fidelidade. e a plenitude da força da criação há muito chegou ao fim". A grande colheita é o indicativo que motiva a exortação para pedir operários (Mt 9. pois a minha salvação está prestes a chegar e a minha justiça. que pode ser missionário (dirigindo uma exortação a não-cristãos) ou dirigir-se a uma comunidade existente que deve ser reforçada nas suas tribulações. 9) era evidentemente considerado conseqüência do contrário..

Aquilo que todos os sábios e toda a parênese sempre haviam ensinado devia agora ser possível por esse novo caminho: é isso que esses textos pretendem dizer. 1138-1145. em lPd 1. em Mt 5. diante dos homens. foram libertados (da escravidão da Lei).13 igual- mente a sobriedade. cf.Em GI 5.4 os cristãos "são de Deus".45).9). Será que para os ouvintes o nexo entre religião e moral era tão obscuro? Era tão necessário mostrar que o cristianismo.13-16). Segundo Rm 8.12-14 e Cl 3. "chamados". O esquema é sempre igual: o dom maior (em comparação com a ordem antiga) exige também uma responsabilidade mais alta. em lPd 2 trata-se novamente de largar uma série de vícios. Segundo 110 4. mas também no fato de que ele se solidarizou com os mais humildes (Mt 25. em Rm 6.1. (embora seja esse um imperativo.40. se ela não obedecer. Além disso.9-11/8.13-16. .12-14: não deixar reinar o pecado e as concupiscências. no modo indicativo a) Fundamentação por aquilo que os ouvintes já são: Neste tipo de admoestação.1/2. .11. Esse caráter tão abrangente das conseqüências chama a atenção. Em cada uma das seguintes oposições duas realidades se correspondem tipologicamente: 148 i u . Admonição fundamentada A história das formas literárias pode mostrar que a relação entre indicativos e imperativos é antes um problema moderno.12s: viver segundo o Espírito.14-16.4s) ou a luz do mundo e o sal da terra (Mt 5. em Rm 8. Em CI 3. lembrada pelos "indicativos".9-12. em 1104.6 a conclusão é: vigiar e ser sóbrio.I-ll/6.O que em todos esses textos é conseqüência do novo ser tem caráter muito abrangente. em termos gerais.2. em Gl 5. se o Juízo executado sobre os antigos foi severo.25.13. dentro de uma narrativa). revelou-se não apenas com relação a nós. Em lTs 5. e o princípio fundamental comum ao "indicativo" e ao "imperativo" é a semelhança com Deus e com Cristo. dirigido ao indivíduo Paulo. e em parte trata-se de textos que catalogamos como admonição pós-conversão. que não devem recair na escravidão da Lei. segundo GI 5.8 inclui tudo isso num catálogo de vícios que agora devem ser abandonados.12 o corpo dos cristãos está "morto por causa do pecado" pelo fato de Cristo habitar neles. visivelmente. não significava um caos moral? . são como crianças recém-nascidas e como um sacerdócio régio (1Pd 2. do "andar sob o impulso do Espírito". Cl 3.Na argumentação.9-11 a conseqüência é que já não deve haver discriminações. quão severo não será o Juízo sobre a comunidade salvífica. não nas conseqüências. que devem mostrar as boas obras. Fundamentação por meio de palavras sobre a salvação. 2. ANRW. fundamen- tada pelo Pneuma ou. a ação divina. segundo Gl 5. libertado das limitações do judaísmo.13 fala-se do amor. b) Típica da Carta aos Hebreus é a repetição da admoestação fundamentada nos acontecimentos escatológicos relacionados com a morte e glorificação do Sumo Sacerdote (o novo "indicativo"). eles "morreram" no batismo. O indicativo da promessa de eleição é a base do imperativo também em At 22. em 5. aqui § 62). No NT a admoestação muitas vezes é feita como lembrança (hypomnêsisi do status. o que os batizados vieram a ser pelo batismo geralmente é formulado por meio de metáforas: eles são filhos da luz (1Ts 5.5. que devem preservar a fé.3-4/3. Por isso têm caráter claramente protréptico (sobre este gênero. pela proximidade de Deus. o acento está claramente na fundamentação. Segundo Rm 6. e.5.

13 depois de 1. Dessa maneira a separação do judaísmo é aproveitado para uma parênese. Admonição fundamentada 2.1-22. A. em forma de admonição pelo mestre. § 10 parte prática. a geração do fim do mundo é que sabe ler a Escritura tipologicamente. é o caminho. alegando que há um só mestre) e Hb 10. d) Caracteristica da admoestação nas cartas é também a chamada "admonição-apên- dice". exemplo e anún- cio de desgraça. o novo indicativo.. depois: imperativo com "agora deixa de. 11 diz que o exemplo que inspira medo foi escrito "para instruir a nós a quem coube o fim dos tempos".. Ef 3. 149 . Hb 10."). Como em Hb vale aqui: "Quem rejeita a salvação mais sublime receberá punição mais pesada".lss. Malherbe.22- 25 ("Já que temos um Sumo Sacerdote. trata-se aqui possivelmente de um dos pontos de ligação entre Hb e a tradição dos evangelhos. Hahn: "Die christologische Begriindung urchristlicher Parânese". in ZNW 72 [1981].11-13 Moisés/Jesus (entrar no repouso) 10.26-31 Sumo Sacerdote da ordem antiga/Jesus Sumo Sacerdote (desprezo da Lei/do sangue da Aliança). em vez disso é afir- mada a identidade do Cristo que se toma presente (lCor 10. pois aí o v. 103): descrição do vinho. ainda F.).1-57. c) Fundamentação cristológica: As argumentações baseadas numa referência a Je- sus Cristo podiam ser muito diferentes entre si.8-10 (recusa de títulos. Estrutura semelhante possuem palavras atribuídas a Jesus sobre "esta geração". Carta 3 (ed. Dahl (BZNW 21. Mostra-o uma comparação entre Mt 23. Uma longa explicação subjetiva é seguida por uma espécie de "aplicação". Semelhante (especialmente a Hb 3--4) é lCor 10.18-21. Hb 12. em contraste com Hb. lCor 15. palavras segundo as quais no Juízo pecadores do passado passarão menos mal do que aqueles que rejeitaram Jesus (Mt 12.". lPd 1. 8): "Aquilo que preocupa o autor é sublinhado ainda pelo fato de estar de acordo com a salvação em Cristo". como Sumo Sacerdote sacrificado. sobre o valor da filosofia: § 2-9 explicação do valor. Aqui porém (em lCor) falta.38- 42.1-4 Anjo/Filho (escapar do Juízo) 3. Mt 11. dió).13 depois de 3.18. e contra as cidades onde Jesus atuava.20-24 par.lss depois de 3.19-21/10. Nos dois casos trata-se das conseqüências da reivindicação de exclusividade para Jesus.1-12. por exemplo. Freqüentemente a fundamentação cristológica é dada simplesmente pelo "no Senhor" (cf.7-19.9s é válida a observação de N. De um lado (Mt 23) temos o caminho mostrado pelo único mestre profético da tradição evangélica.. aproximemo-nos.1-11 depois de 11.1-10.. . Como em Hb.." (Gr. Já que também Hb argumenta com exem- plos da história do AT. o próprio Jesus. do outro (Hb). em forma de admonição.Quanto à motivação cristológica em 1Ts 5. 1954. FI 4.3-12. E fica claro que em Hb a doutrina do Sumo Sacerdote é apenas um entre quatro elemen- tos do mesmo teor.4).58 depois de 15. Analogia pagã: Musônio..18-29 Sinai/Sião celeste (estar diante de Deus). Semelhante é Anacársis. Caracteristica é muitas vezes a ligação por meio de "portanto . 88-89). 4. apontando a realidade superior. 12.19-39 depois de Hb 7.

.19-21. que também visa.21s). pois em muitos aspectos todos tropeçamos . sabe das fases estabelecidas até chegar o fim e. Zeller. Estes avisos são destinados ao tempo presente dos leitores ou a um futuro próximo. Fundamentação no saber a respeito do fim das coisas a) Admonição sobre acontecimentos logo antes do fim: O mensageiro de Deus.31) pode avisar: "Portanto sede vigilantes.1. portanto. b) Admonições motivadas pelo saber a respeito do Juízo e de sua execução: Encon- tram-se alusões ao Juízo no contexto de admonições. que homens deveis ser! Que santidade de vida! Que respeito para com Deus!" (3.".Também a exortação de Lc 23. Sabeis com que severidade seremos julgados.9s.. Outras admonições no apocalipse sinótico são fundamen- tadas de maneira semelhante (Me 13.16 (sempre se fala em "o dia de Cristo"). também o "com efeito" de Me 13.11-18). Para todos esses textos encontram-se paralelos em discursos escatológicos do gênero "testamento"." (Me 13.2.).20) é motivado com: "Pois naqueles dias haverá tribulação .16 refere-se não apenas ao que acon- tecerá à comunidade.ls adverte: "Meus irmãos. Hb 13. Mt 24.. Assim Lucas atualiza as exortações dos evangelhos à vigilância. 2.". E o aviso para orar "a fim de que isso não aconteça no inverno" (Me 13. . Aí se trata do perigo que se corre falando. Já que virão falsos mestres. não vos ponhais todos a ensinar.8 deve ser entendido como motivação da proibição em Me 13. pois.O papel do "saber" com relação ao Juízo revela quão importante era para a admoestação no cristianismo primitivo o saber sobre as perspectivas do ato humano para o futuro.. enquanto ainda é tempo e antes de morrer. o v.Esta tese funciona igualmente na admoes- tação de Mt 6. ao que-é útil: a verdadeira uti- lidade encontra-se no ponto em que a dimensão do coração está envolvida (o v. não é secundário.". indiretamente.. como opina D. igualmente Me 13.18. 21.28-31 é motivada pelo saber a respeito das coisas vindouras. "Paulo" (At 20. 29-30) também a deliberação divina a respeito da história da salvação está em jogo. Em 2Pd 3. 150 . portanto. 2. 35b o justifica. o autor tira a conclusão: "Se.7. tudo isso deverá ser dissolvido. Em Lc 13. Gl 5.. pode avisar seus ouvintes sobre o que deve acontecer (como no gênero literário dos testamentos). Esses textos são particularmente interes- santes porque a relação entre a admonição e o Juízo é muito mais diferenciada do que uma aplicação ingênua do esquema "ato-efeito" daria a conhecer.1-10 os acontecimentos derra- deiros são descritos. sem que o esquema "ato- -efeito" seja claramente reconhecível.9...5: "Tomai cuidado para que ninguém vos induza em erro..Tg 3. ao entrelaça- mento comunitário diante do Juízo. Em FI 1. Mahnspruch 77). mas também à "glória" de Paulo e. .24/25-30 (conforme revelam os vv. Mt 24. c) Argumentações em torno de "utilidade" ou "vantagem" encontramos no cristia- nismo primitivo quando se trata de avaliar a execução apenas externa de algum rito: Rm 3.6. Admonição fundamentada 3.21-23 par. Pois muitos virão. .19s. chamado por ele. Aí já aparece a tese fundamental de que inútil é o que permanece apenas externamente. trata-se nos primeiros dois textos de uma oração com finalidade simbulêutica. também isso não pode ser reduzido ao esquema "ato-efeito". ao passo que o coração está voltado para o que continua válido diante de Deus.

123.Bjerkelund observou também que numa carta. pois. no v. . lTs 4. Sócrates é o modelo (cf. 28-30)..3. C. encontra-se em Rm 15.20).7. porém. Ap 2. Bjerkelund (1967) mostrou que exatamente quando um emissário procura conseguir alguma coisa (ou quando a carta diplomática de um rei deve sugerir alguma coisa diplomaticamente) encontram-se as analo- gias mais próximas do uso paulino desta expressão. e mesmo a renúncia explícita à formulação de uma ordem (At 15.1 ("Pois eu vos exorto. como em lCor 11.. cf. cf. Mas sua conclusão a respeito da fala oral do profeta não convence (ibid..6.18s) como fórmula semelhante de legitimação no início da fala.. b) Exortação para imitar o autor. para ele mesmo. ainda. Neste caso. parakalôi. também total- mente caracterizado pelo uso da primeira pessoa do singular.16 tem a mesma estrutura: "Eis que vos envio. Hen et. Müller."). 3 há o imperativo: "Preparai. 5. sobre o uso de fórmulas de autorização exata- mente em revelações escritas. ou quando ele des- creve mais detalhadarnente sua vida exemplar (2Ts 3." (vv. e vos digo.. § 72.5 ("e quanto à questão das imagens dos ídolos. B. Fundamentação pela autoridade de quem fala a) Com base numa missão: Quem envia ou é enviado fundamenta sua admoestação ao(s) subordinado(s). a primeira frase a usar o parakalô exprime o objetivo principal do apóstolo.". prudentes . e a compara também com a fórmula do mensageiro. No texto paralelo de Mcl. em que estudaremos também o contexto literário e a situação histórica desta forma. toma-se a base da admoestação: "Eu sou a voz daquele que clama no deserto: Aplanai..16s)..28 a expressão "pelo Espírito" não faz parte da fala oral. Quanto ao uso paulino do "eu vos exorto" (gr. 1134-1137.2s quem fala é o próprio Deus: "Eis que envio" (com palavras de Ex 23. Pois em At 11. porém. eu vos ordeno e vos exorto que .10.. cita com certa razão a expressão veterotestarnentária "em meu nome" (Dt 18. Como também alhures (cf.30. sede. Fundamentação com dizeres sobre Deus Tais fundamentações são relativamente raras no NT. não oferece praticamente nenhum paralelo..").23. A parênese clássica. apresentando-se primeiro. como eu o sou de Cristo" (cf. As mais conhecidas são aquelas que 151 .Reencontraremos o mesmo fenômeno no contexto das admonições com o esquema "ato-efeito". Prophetie. lTs 1. transposta para a primeira pessoa do singular.9).18a ("eu te aconselho.1: "Sede meus imi- tadores..25-27/28-30: numa ação de graças. baseiam-se em ampla tradição.". . o uso da fórmula do mensageiro nas cartas de Ap). Daí segue o imperativo: "Vinde a mim. 1. a palavra de ls 40.. 128s).". Mas o judaísmo também já usava o "eu vos exorto" no início de falas solenes e dotadas de autoridade: Jub 36..19s. Cf..1. há admonição fundamentada quando o próprio autor aponta para o seu exemplo."). ANRW. Analogias encontram-se nas cartas de filósofos pagãos: Sêneca exorta Lucílio a imitá-lo. As exortações para imitar a Deus. Admonição fundamentada 4.24). 93.. E é preciso citar também Mt 11.1342-1344). quanto à terceira pessoa em declarações solenes e nas palavras sobre o Filho do Homem. as minhas explicações em ZNW 63 (1972) 53-66. A ligação com "no Senhor" e "pelo Senhor" não se encontra nas cartas helenistas.. Em Jo 1.5b). é comentário de Lucas. lCor 1.. a carta associa-se ao "emissário". . U. Jesus se apresenta como aquele que recebeu exclusivamente do Pai tudo o que tem a dizer (isso corresponde às declarações sobre a missão.Semelhantes ao "eu vos exorto" são também expressões como Ap 3. § 51 IV. queridos: Amai... lCor 4. Mt 10.

7. . nos vv. em Lc 6.15a fundamentação é uma frase da experi- ência universal: "pois sua vida não depende de seus bens".2: "Sede santos. especialmente também na relação entre o apóstolo e a comunidade.48 ("sede. a comparação com o agricultor serve de motivo para a exortação à paciência.32-34/35 (a comu- nidade já agüentou muitos sofrimentos). Targum Ver I sobre Lv 22.A referência à Lei em admoestações (cf.9s uma sentença serve de fundamentação da admonição ("pois o operário tem direito a seu alimento".lls o princípio da substituição (ver infra § 51. a terra e o mar. sobretudo Lv 19. perfeitos como é perfeito vosso Pai celeste". que fundamenta também a admoestação em lPd 1. A fundamentação é feita pela lembrança do contraste entre homem e Deus (semelhante é Tg 3. que não se baseiam em normas e regras universais mas na história particular da comunidade.15s (admoestação pós-conversão).12 a Regra Áurea é sancionada pela palavra: "pois essa é a Lei e os Profetas". porque também Deus é misericordioso). (praticar a misericórdia.11 é dito. mais universalmente disseminado no helenismo. . porém. Os exemplos formais são conhecidos. isso.18 contém toda a Lei. Admonição fundamentada fundamentam o amor ao inimigo em Mt 5. cf. Quanto ao judaísmo. pois. antes que.8-10) costuma servir para apresentar a relação para com o irmão (em Rm 13.12 ilustra a regra da "mesma medida"). para com o próximo em geral) como cumprimento ou violação das normas da Lei. mas também com o fato de Deus ter criado o céu. 208.2 a admo- 152 . provavelmente fundamenta todo o conjunto das antíteses) e a misericórdia. Carta de Aristeas.Em Mt 5.7 a admonição do "Evangelho eterno" para a conversão é fundamen- tada não apenas com a hora do Juízo. . alegando-se a relação de diversos objetos com Deus.". Admonição epistolar Chamamos "epistolares" àquelas perícopes (admonitórias). nas cartas. numa parte da fundamentação..Também em Gl 5. Em Mt 1O. Em Tg. seja acrescentada uma fundamentação mais abrangente pela proximidade do fim.13s o "estar a serviço uns dos outros" é fundamentado pela tese de que Lv 19. 36-38. Em Ap 3. Pressupõe um conceito de Lei claramente orientado para o relacio- namento com os outros.44. . Admonições particulares são fundamentadas assim em Hb 10. assim deveis.9: o homem é imagem de Deus). pois eu sou santo". o que é uma exortação dirigida à comunidade que recebe o missionário).Em Tg 4. É preciso distinguir esses paralelos for- malmente verificáveis do tema da imitatio Dei.. Em Ap 14. Em Tg 4. Em Mt 7. 6. Em Lc 12.10a) faz com que a calúnia seja considerada uma afronta que afeta o Legislador e Juiz. que quem calunia o irmão calunia a Lei e se coloca acima dela (a 'julga"). também Rm 13. Fundamentação lembrando normas e experiências universais Em Mt 7.2-5 trata-se igualmente da relação para com o irmão (o trecho até 7.36 ("como também vosso Pai é misericor- dioso").35s é proibido jurar.28: "Como nosso Pai é misericordioso.

1. deveis rezar por ele.. § 50.14-21 (com a exortação à imitação.. supra em 4b) e em 2Cor 2. perdoa-lhe.2: "Quando alguém quiser causar-vos algum mal.6).8). renunciar ao reconhecimento exter- no pensando no Juízo vindouro). Exemplo: As instruções sobre a ajuda aos animais do irmão. "). 2. cada um seu irmão . Admonições para situações especiais nição à vigilância é motivada pela lembrança da imperfeição das obras até então (semelhantes são: 2. Aos sacrijicios refere-se Mt 5. porém. TestJosé 18.1-10 combina uma admoni- ção com um anúncio de desgraça (cf. típica das cartas. Mt 7... cf.1 ("ao fazeres o bem.47 supõe que é costume saudar os irmãos.. Quanto às esmo- las. de acordo com as linhas básicas da mensagem de Jesus (humildade agora. Tendência igual têm também as instruções para os casos descritos em Mt 5. Algumas frases nesse estilo já se encontram nas leis do AT.1: "Se te escolheram para presidir. Se ele. 2."..29. sobre a situação de dar esmolas falam Mt 5..30a e Lc 3. igualmente Lc 11.24b por parte dos ouvintes. Uma ocasião importante é a refeição (lCor 11.2 ("quando orardes. "Quando deres um almoço ou um jantar.25 fala sobre a oração ("quando estiverdes de pé orando. cf.3b-ll (com o pedido de fazer prevalecer o perdão e o amor para os que erraram.25: "com o vinho . onde é ensinado o Pai-nosso) é de orientar o comportamento.12-14 relata uma fala formalmente igual: ("Quando fores convidado ". com o escopo de exortar à humildade ou para convidar os humildes.. TestGad 6.11..39s.24a menciona o pressu- posto de 2.. 3. dize-lho em paz . Untersuchungen zum Heiligkeitsgesetz. Lc 14. nelas. Mt 5. 31.")."). . e quando ele pecar contra ti. cf. supra. A tendência presente em todas essas instruções (como também.. Admonições para situações especiais O NT contém uma quantia de instruções para situações típicas. especialmente o v. perdoar ao irmão. No mesmo estilo. Lc 6. não tomes ares emproados. e C.Temos uma admonição mais longa em lCor 4.3-5 153 .. "o próximo" e "o irmão" são os humildes que é preciso proteger (cf.5. (3) Amai-vos uns aos outros de coração.1: "Amai-vos.8-11. No judaísmo cf. em Dt 22. Berlim 1964).16 dá instruções para as instituições cultuais da oração. do jejum e da esmola. § 39. No NT há toda uma série de frases sobre o irmão com tendência bastante semelhante: Mt 5..23s exorta à reconciliação com o irmão antes do sacrificio..14s/16. não brigues com ele". Frases com "quando tu.2b/3).2.1-4.. Instruções para ocasiões institucionais. também Ap 2. e se ele confessar e se converter. É nessas ocasiões do dia-a-dia social e religioso que a mensagem se concretiza. 8).30b (cf.33: "Quando vos reunirdes para comer.23s. Podem ser agrupadas em grupos bem definidos e permitem conclusões sobre questões concretas das primeiras comunidades cristãs.. De maneira semelhante Me 11.. Gesetzesauslegung. às vezes formu- ladas como "casos" ("Quando. e sereis libertados de todo o mal pelo Senhor". Mt 6. Berger.31: "num banquete regado a vinho .4/5.")."). infra § 51. nessas ocasiões. pelo conteúdo."..42.2ss. Feucht. pensando no Reino que vem. 31.. sobre a relação para com o irmão. se negar e recusar. Há admonições análogas com relação às refeições sobretudo no Sirácida (32."). ao passo que 2Cor 13. é preciso lembrar também Sr 12.. Quanto à promessa de recompensa. esperai uns pelos outros. fazendo o bem. 82-91.. etc. Lc 6. em Lc 11. 34 Quem tiver fome ").

5. que alguém seja expulso da comunidade.14b-16.21: a exortação para fugir. Ela serve. Caso os cristãos tenham de se defender diante de um tribunal. TRE XII. nos respectivos contextos. Essa ordem faz parte dos grupos dos imperativos simbólicos.14s não é formulado como um casus. sobretudo para "não comprometer" Jesus. Alguns dos textos acima citados referem-se a casos de "escândalo". salva-te nas montanhas para não ser arrastado também)... não sejais presunçosos. desde Lv 19.33 (salvar a vida).7 ("não vos alarmeis") está também. para não mais entrar nas casas nem se virar para trás segundo o triste exemplo da mulher de Lot). em que Sodoma novamente é citada). Assim também Me 9. com a vinda de Cristo. Comparem-se as pa- lavras de Paulo sobre "meu irmão" num contexto semelhante: 1Cor 8. Também aí se trata de um adiamento do fim.17 (a ordem a Lot: salva tua vida. não olhes para trás. para ilus- trar o radicalismo com que um mal deve ser evitado.14 (na rivalidade. A fuga para as montanhas é recomendada e entrar nas casas é desaconselhado. A mesma exor- tação de Me 13. como orien- tação geral (cf." citadas até aqui referem- -se a questões em tomo de faltas cometidas por cristãos.2. No fundo há sempre o modelo ideal da família unida. Mt 24. E volta em 2Jo 10. Mt 1O. ele quer evitar.43-47. Mt 18. ou por Jesus. Mc 13.2). Admonições para situações especiais par.21-23. Mt 24. 21.19s. anthistêmii. Por causa da combinação dos temas é muito improvável que isso se refira à fuga da comunidade para Pela (contra R. Lc 17. Orientações para a seriedade da situação escatológica são formuladas na ter- ceira pessoa quando se trata de instruções concretas para salvar a vida (Me 13. em 2Ts 2. Mt 18. o irmão como tal é alguém que em qualquer hipótese deve ser protegido. Os apocalipses sinóticos esforçam-se por distinguir claramente os fenô- menos (ver supra § 23. porque o Juízo recairá sobre as cidades (cf.) A tradição que formula isso com o termo "sabedoria" deve ser a mais antiga (trata-se da sabedoria com a qual alguém resiste e à qual ninguém pode resistir.23-28). que mandam cortar fora algum membro do corpo em caso de escândalo. Lc 21. avisando contra o contato com falsos mestres. no mesmo estilo. daí a referência a Lot (em Lc 17). Lc 6.15.Todas as frases com "se tu.19s. 3. a tendência antiga a "perdoar" é nuançada por Mateus. e apenas aí é Jesus quem inspira a defesa. 4.). Instruções para a situação da perseguição.12-15.16-18.9.13 (escândalo).. Mc 13.15 ("se to- mando tal alimento entristeces teu irmão") é formulado.14s afirmam que sua defesa lhes será inspirada pelo Espírito. gr. também Tg 3. bem como em Lc 17. a dar plausibilidade suficiente a essas exortações. (Ape- nas Lc 21. Mt 24. o papel do título "irmão" em todo o contexto).. Como nas leis do AT. Lc 21. 154 I III .31. É antes uma clara alusão a Gn 19. Cf.l1s.. Pesch).15-35 par. . num contexto de admonição apocalíptica. Lc 17. Lc 12.7. 182.15-18)..3s determina o que deve ser feito quando o irmão peca. O próprio título já basta como motivação. Aí se trata de saber se a destruição de Jerusalém é o fim e se se deve contar. 12-41. pelo repetido perdão. Lc 10. Também Rm 14.11.41s trata do caso de alguém querer corrigir seu irmão (a correção do irmão é um tema muito freqüente na literatura judaica. De outra natureza são os avisos para não se deixar alarmar nem seduzir em determinados casos (Mc 13. Mt 10.8s (ligado também ao grupo 2) e Mt 5.29s. - Cf. então.

trata-se agora de instruções sobre o uso do poder carismático. é a apódose. a proposição principal. Pela forma e pelo conteúdo a instrução de Mt 5. KÃSEMANN. O início é formado por três assim chamadas frases distintivas (isto é: quem não é digno de Jesus pode ser conhecido por tal comportamento. Frases desse tipo têm extraordinária importância nos sinóticos. teológico. em todos os demais textos a instrução vale para determinado caso.ex. Como se trata geralmente de frases dentro do esquema "ato-efeito" (menos Lc 10. uma instrução mais abrangente aos discípulos foi composta de diversos elementos deste tipo. E.: K. elas devem ser estudadas no § 51. quanto à história desta forma. que indica a conseqüência. Trata-se agora de admoestações dentro do esquema: "se fizerdes x. 37s). 7.. 7.12). 40 . Admonições no esquema "ato-efeito" 6. de modo particular.38) e. Lc 6. ao lado disso há também frases com apódose no presente (e no aoristo). vv. como reação e conseqüência). as conseqüências. ainda estão ocultas e se tomarão claras a partir do momento da grande reviravolta . No v. no quadro de sua parênese para a comunidade de Corinto. BERGER. e quem faz algo para b.. 69-82.40.. Como reagir no caso de ser obrigado ou forçado a determinada coisa: Mt 5. já que a apódose.segue uma frase segundo o esquema da "substituição" (quem faz algo para a.ex. composta de um anúncio de desgraça e outro de salvação (v. Mt 10.42.39. porém. Nelas fala-se raramente do Juízo (p. esse tipo de expressões (originalmente sapienciais). sentido que.37-42. "Sõtze heilige. sua origem não está ligada com a escatologia.) está perto de lCor 7 (p. que revelam as conseqüências que o ato já tem no presente. É preciso agir no tempo presente.. § 51. deve dar.30 (cf. Depois há três frases com promessas condicionais sobre o receber e hospedar discípulos. em si mesmo.eis o significado fundamental.31 (quem repudiar. facilmente se relacionava. "lu den sogenannten S6tzen heiligen Rechts im Neuen Testament". já constitui uma das muitas fusões entre o pensamento sapiencial e o apocalíptico.l1s. Mc 8. Portanto.fundamentando o que vem depois . id. 305-220. "Die sogenannten 'Sôtze heiligen Rechts' im Neuen Testament".n Rechtes im Neuen Testament". nos escritos joaninos e no Apocalipse. Admonições no esquema " ato-efeito" Bibl. o faz para c.5: saudação de paz. Aparece em seguida uma ligação bipartida. Em Mt 10. No entanto. no contexto da pregação de Jesus.6). 10-40. para Deus). A frase com se é chamada de prótase.. 39). amiúde no futuro.29. Paulo usa formulações da mesma natureza das que em Mt são consideradas tipicamente judaicas. com o tempo vindouro do fim desta era e do Juízo. isto é. o faz propriamente para b. Instruções para a missão. Ao passo que as instruções a respeito do que se pode levar na missão são dadas como uma lista de breves exortações. mas também em alguns lugares das cartas paulinas. 8. in NT5 17 (1970/71). acontecerá y (como resposta). Por isso é preciso admitir que foi a orientação escatológica da mensagem de Jesus que acabou por absorver. in EVB 11. das frases com apódose no futuro. 155 . par. in ThZ 28 (1972). supra § 39.

e ele vos exaltará.7-10: Resisti ao diabo . Frases deste tipo.9s: Pedi .. como. As exortações de Mt 6 a respeito da oração. paradisíaca mesmo.. em estilo de "talião". encontram-se mais freqüentemente em séries. fazer o bem e emprestar sem esperar nada em compensação. A este grupo pertence também Me 10. dá . Sem as promessas de salvação. e toda carne verá a salvação de Deus"... e ainda em Me 10.. e terás um tesouro no céu". Por isso a maior parte delas encontra-se nos textos protrépticos do Sermão da Montanha e do Sermão da Planície. embora não transmitidas em séries. na segurança por assim dizer indubitável com que essas formulações tão sugestivas.18: "Teu Pai.4. Com essas séries é preciso comparar ainda a estrutura geral de Lc 6.7s.6. Admonições no esquema "ato-efeito" 1. (Em seguida. No quadro da primeira pregação cristã. o peso dessas frases está.. trata-se nestas frases realmente de promessas de salvação. seu caráter peculiar consiste exatamente no fato de ser apenas pela promessa de recompensa que elas ganham seu sentido. Lc 11. e te darei a coroa da vida".". assimcomo a citação em Lc 3. essas exortações seriam deveras inimagináveis. e encontrareis") tem caráter próprio.10 apresenta a forma clássica: "Sê fiel.21: "Vende. a relação homem/Deus é de uma integridade inquebrantável. prometendo sucesso a ações que abso- lutamente não costumam ter êxito.e não sereis condenados absolvei . Como. Tratava- -se de amar o inimigo.. condicionais. na segunda parte argumenta-se com a pergunta: "Se fizerdes só isso. Mt 11. Pelas freqüentes seriações fica evidente que se trata de uma forma de parênese. com frases relativas.4-6: ''Preparai. as séries de exortações curtas são típicas da parênese (§ 37). e eu vos darei descanso".. Ap 2. do jejum e das esmolas são comen- tadas em 6. quando designam algo concreto. ''tornai.35 as exortações são repetidas e providas de um comentário: "Será grande a vossa recompensa e sereis filhos do Altíssimo. que gratidão mereceis?" Em 6. que vê no segredo.37: Não julgueis .e ele se aproximará de vós Humilhai-vos . Promessas condicionais de salvação I: A seqüência de um imperativo e uma promessa de salvação no futuro.28s (''vinde.27-31/32-34: a primeira parte dá as admoestações imperativas. portanto. há a fundamentação.e dar-se-vos-á buscai ..e sereis absolvidos dai .e vos será dado.e ele fugirá de vós Aproximai-vos de Deus . são transmitidas aos ouvintes. ou Mt 7.e não sereis julgados não condeneis . Essasobservações são conftrmadas por outrostextos destegênero.) ou Tg 4. com as condições indicadas. Também em 156 .21...e achareis batei . é relativamente pouco o que se exige. diante do que se promete. Quem fala assim sabe em todo caso que. embora condicionais... retribuir-te-á".. por exemplo: Lc 6.e abrir-se-vos-á. Assim fica também evidente que as exortações que seguem esse esquema são todas de natu- reza fundamental e consideradas equivalentes à adesão a Deus.

De resto. TestBenj 10. assim também em Mt 10.35-38 ("nãopercais a vossa segurança. trata- -se de atos em si bem modestos. . venceres.1 ("Se.11.26- 28.6 ("Se obedecerdes ao que vos foi dito. A promessa da recompensa está muitas vezes na primeira pessoa gramatical.1. Lc 11.44.41. Com base em Mc 16. No judaísmo.16a. as palavras dirigem-se a comunidades sedentárias. 3.7: ''Nunca desvies o rosto de um pobre. isso é confmnado por Mc 11.ex. quando orares.". ainda Hb 10.7.ex. são as chamadas "sentenças dos vencedores" do Apocalipse (2.13).5: "o vencedor será vestido com vestes brancas"). ''justos'') devem ser bem recebidos ou pelo menos providos do mais necessário (água para beber).5. como também a perseverança mencionada em a) (contra a tentação da apostasia). O que importa é a quem são prestados (sobre a "vicariedade". pode-se demonstrar que frases condicionais com promessa de salvação possivelmente faziam parte da catequese inicial.31 ("se nos examinássemos a nós mesmos. Promete-se uma recompensa celeste (Me 9. tornarei célebre o teu nome.9 ("e quem ensinar e fazer o bem participará do trono dos reis"). porém.22 com relação ao "ser odiado por todos".24 ("crede que o recebestes e vos seráconcedido").").16a: "Quem crer. b) Sentença sobre o discipulado: Cristãos itinerantes (também: profetas. segundo At 15. Também há promessas que seguem uma exortação em At 2. compare-se a doutrina dos que.21).26 ("Se alguém me servir.. Promessas condicionais de salvação 11: Formulações condicionais e promessas de salvação para o futuro a) Admonições apocalípticas: Nos apocalipses sinóticos encontra-se a frase: "Quem perseverar até o fim será salvo" (Me 13.37).Cf. 3. cf Th 4.. será salvo".. o que já é sugerido também pelo latente universalismo (cf. Sobre a constância fala também a sentença dirigida aos discípulos em Jo 12. At 13. teus pecados serão absolvidos". vide infra). mas não em sentido escatológico. cf a mesmapalavra "absolver" também em Lc 6.24). o Pai o honrará".13)..12. elarecebe uma grande recompensa''). p.17b ("quem faz a vontade do Pai permanece para sempre") e 1Cor 11. Mt 10. c) Ao futuro destino referem-se 110 2..5. A recepção de cristãos itinerantes era uma das necessidades mais elementares da comunidade primitiva. 2. e o rosto de Deus não se desviará de ti". 15. mas não sempre (p. Este gêneroé bastantecomumna apocalíptica judaica:ApBarsir.II ("Se andardes. receberá o que eu te disse". 84.7. Com Me 16. os tempos hão de se mudar para vós em salvação. cf. seguidas pela promessa: "pois o pecado não terá domínio sobre vós"..7 ("Poisse perseverardes pacientemente no seu culto e não esquecerdes sua Lei. Mc 13. porém. 32.7.12-14 trata-se de exortações fundamentais.1 se empenhavam pela circuncisão também dos gentio-cristãos: "Se não fordes circuncidados segundo a norma de Moisés. 157 .. juntamente com uma promessa de salvação.. TestLevi 13.. não podereis ser salvos" (cf.6) e 4Esd 7.semeandonele os frutos da Lei. na forma e no conteúdo..127s: " .Acimajá constatamos a freqüência dos textos sobre a oração (Mt 7. Mt 24. Compare-se também Sr 28. recebereis doTodo-poderoso tudo o que ficou depositado e guardadopara vós"). Análogos são textos como: "Se te mantiveres firme. o "será salvo" como apódose também em outras palavras. Em cada texto a condição é indicada pelas palavras "quem vence.se.9s) comoadesão fundamental a Deus. e contemplareis a consolação de Sião").41s).39." (Testló 4.2("Perdoa a injustiça. então.38s e Mt 7. ThZ 28 [1972] 314-330). o contexto a partir de 12.preparar- des vossoscorações.13. Ap 3. . Como em I. ela vos protegeráno tempo em que o Todo- -poderoso há de sacudira criaçãointeira").17.4a/4b relata uma boa ação. Semelhantes. Admonições no esquema "oto-efeito" Rm 6. não seríamos julgados").

IIs 5. 41-42. "aos sedentos darei .27-36 (declarações com "eu" e com "ele").Lc 21. de "entrar por ele". d) No Ap.6-7.25s. depois vv." são..") é um bem salvífico que no Evangelho de João é identificado à própria pessoa que fala.6. b) Em Mt a frase com "eu. este gênero literário é a base de uma composição maior e seu princípio de construção é continuamente repetido.6-8 com 22. na boca de Jesus..A exortação ao amoraosinimigos em Mt5.19s . que é ampliado com outras promessas de salvação.25-27/28-30.:'.6b. ou usa também a predicação metafórica ("eu sou o Alfa e o Ômega". Em Lc 21.20b (nos dois casos depois do imperativo): pro- messa de proteção e ajuda. Mt 6. da oração.9.11.14s). Ap 21. apenas em Mt 10.. de guardar seu mandamento. 28. do jejum e das esmolas. Jo usa quase sempre uma predicação simbólica (p. Também Mc 11.10) 3. 11.12. Quase todos os demais textos.15.51.7.19. 8.ls. de permanecer nele.14s . como legitimação de uma admonição condicional Na literatura epistolar a autoridade da fala geralmente é garantida pelo apostolikon. 1l.. lembrando a autoridade da admonição seguinte e tornando-a urgente ou fundamentando sua legitimidade. .). .10. c) Em Jo 15... quem envia mensageiros. de vigiar mantendo-se vestido. Mc 14.5-7. cujo conteúdo (Ap 21. a) Muitas vezes não é só a palavra com "eu" que envolve a pessoa que fala.18..9s). em textos simbulêuticos de Jo.19s. em Mt 28..12.. F12. Admonições no esquema "ato-efeito" 3. . 22. de guardar as palavras do livro. e) Quanto ao conteúdo: muitas vezes se trata de escutar Jesus. bem como dos textos em Mt.16. portanto. 21. Um lugar à parte ocupa a ordem de pregar o evangelho. A isso corresponde.". "eu vim"). 22.Cf.. 10.. Deus e Cristo fazem declarações de igual teor (compare Ap 21.4..ex. Ap ou descreve uma ação no presente ("eu venho .9. de segui-lo." é narrativa ("a mim foi entregue"." Vigiar e orar são decisivos para o fiel semanter na hora do Juízo (Lc 21.25). 22.20. deste fato. uma declaração do autor que começa ou termina com "eu. que imita a fala venerável de Deus.Em Lc 21.6-8. às vezes com tendência a diminuir (Mt 10.l4 . "Eu sou a luz do mundo").38. de "vencer". às vezes apenas na prótase (Jo 8. leva a toda uma "cristologia do Cristo m~nsageiro". podemos concluir que as declarações com "eu . .1-14.44-48 é fundamentada com: "a fim de serdes filhos.Esta forma literária.36. de voltar-se para ele. 1l.14s a primeira pessoa tem na fundamentação um papel semelhante ao que tem em Mt 28.18.8)..5. "eu estou diante da porta" etc.25-30.. de crer nele. 15. A caracterização como "auto-apresentação de mensageiro" nos lembra também o inicialmente mencionado apostolikon das cartas.". por sua vez.12.14s é Jesus. mas toda a admonição seguinte está sob a influência desse "eu". também Jo 3. 10.13-14 .34-36/37-42.Ap (2. Promessas condicionais de salvação N: Frases com "eu".. 4. 16.37-42 a admoestação fica um pouco mais concreta. 158 i I. cf.34-41. a auto-apresentação de um mensa- geiro. O comportamento da comunidade deve mostrar que suapresença é salutarno meio dos homens (Mt 5.13).13s). Ap e alguns poucos exemplos de Mt e Lc.Jo 6. Um exemplo de um texto que continua se referindo ao "eu" é Mt 11. Ap 21.25 fala da oração. Textos: Mt 10. a auto-apresentação do apóstolo. Promessas condicionais de salvação III: Imperativos seguidos por "afim de que.

56.18).23 as palavras dos discípulos certamente terão efeito (cf.19). eu darei . Àqueles a quem dirige essas promessas.12. em determinada supo- sição. 12 assegura que no dia do Juízo Sodorna serátratada com menos rigor do que a cidade amaldiçoada pelos apóstolos). Lc 11. Somente para os que indubitavelmente pertencem a Deus. O resultado é garantido para os seguintes casos: dizer à montanha: levanta-te e joga-te no mar. .23). propriamente. com: "eu .Também segundo Jo 20. e dizem à montanha: some daí! (EvTomé 48). - Permanecer em Jesus e deixar suas palavras permanecerem dentro de si (Jo 15. ou então voltará para quem a implorou). sem nenhuma condição.7. Admonições no esquema "ato-efeito" porém..7).7. nessas promessas.20).21). esse resultado é possível. Frases condicionais sobre o êxito certo de palavras litúrgicas. vale com relação a Jesus Cristo. a orações. 3. Em Lc 10. ele dará "em meu nome" (isto é. Somente quem ouvir a ele pode..17.Pedir. pretendem ligar com o "eu" de Jesus admoestações muito abrangentes e fun- damentais. por exemplo a promessa a Abraão em TestAbr A8: "E te darei tudo o que me pedires". procurar. formulada como frase condicional ("quem vencer..24).200. numa casa. uma vez proferidas. Também as analogias judaicas são formuladas como frases condicionais. e dizer à montanha: some daí! (EvTomé 106). .11s (também a maldição tem eficácia garantida: o v. A bênção e a maldição.. e acreditar que já recebeu (Mc 11. . eu farei .Tudo o que pedirdes ao Pai.6-26).10). e não duvidar no coração. Por isso.5. Pois somente as palavras dos que são "justos" e aptos ao culto pedem aquilo que também indubitavelmente efetuam. condicional ou incondicional. elas sempre terminam numa promessa de salvação. com exceção de 2. . Aqui cumpre mencionar novamente as "sentenças do vencedor" doApocalipse (Ap 2.13s: pedir em nome de Jesus. .". Nesta ligação e mútua penetração de quem fala com a própria admoestação resolve-se. As analogias judaicas evidenciam que sem- pre se trata. No judaísmo. Jo 16. têm um efeito que não depende mais de quem as proferiu. resolve-se pela orientação para a pessoa do mediador Jesus. das formulações nas quais. o problema indicado pela fórmula "indicativo e imperativo". 5. .Jo 14.. dos atos verbais litúrgicos que empreenderem. esperar salvação.. igual- mente em Lc 1O.Dois se põem de acordo para pedir algo (Mt 18. presente nos quatro evangelhos.. estas palavras pertencem aos anúncios de salvação. raramente se encontra expressa a tradição 159 .5-6 a mesma forma de falar refere-se a bênçãos e maldições (a bênção im- plorada repousa sobre o filho da paz. é assegurado êxito. bater na porta (Mt 7.").19b. . bênçãos e mal- dições pronunciadas em atos litúrgicos.21)..Ter fé como um grão de mostarda e dizer ao sicômoro: arranca tuas raízes daí e planta-te no mar (Le 17. . ou ". semelhante a Mt 21.Ter fé como um grão de mostarda e dizer a "esta montanha": sai daqui e passa para acolá (Mt 17. . A conseqüência entre ato e feito não vale em termos gerais. Mc 16.". de uma distinção especial da pessoa à qual se diri- gem. ApEsd 7 e TRE XII p. cf.23. Pois. Jesus garante a integridade e a perfeição. para os escritos mencionados.Orar e pedir. mas acreditar (Mc 11. Na história do cristianismo primitivo.6). 18.. . é assim que tal pessoa é declarada amiga e comensal de Deus.Dois fazem as pazes. condicional ou incondicional.17b).11.. em conseqüência disso.Ligar e desligar (Mt 16. Unir duas pessoas. Com base em critérios firmes teremos de descrever agora o gênero literário. essas frases assinalam particularmente a exclusividade que a comunidade reivindica para seu Mestre da Vida.

Também em Me 8. toma cuidado para não te aproximares das mulheres".Sr 3. A condição sempre é: ser servo/escravo. Quem quiser. 160 .44. e encon- trarás graça diante do Senhor". ou para a perfeição: Mt 19.Ptahhotep. Parolelos sapienciais com o grupoa:Aicarsir. introdução aos ensinamentos 18e 19:"Se quiseres ser grande. Em Jo 13.que humilhao grandee exalta o humilde".abstémtua língua da mentirae tua mãodo roubo.67:"Meu filho. a consciência de um incrivel aumento de poder.24. b) Condições para alguém se tomar discípulo: Jo 12. garantida pela palavra de Jesus. O caráter salvífico dessas frases está no fato de que é mostrado um caminho pelo qual a meta desejada pode ser alcançada. a realização concreta de tais orações não é um problema. Lc 9. Paralelos com c: Ptahhotep 18: "Se quiseres fazer durar a amizade na tua casa.26s. Mt 16.17. As comunidades avaliaram sua direção segundo as regras citadas em a e foram transferindo os conteúdos da teologia do Filho do Homem (o humilde sofredor como detentor do poder) para a práxis comunitária. Por esse caminho a teologia do Filho do Homem tomou-se fecunda para o relacionamento mútuo.18: "Quanto mais fores grande. 23.se quiseres ser sábio. cabe aqui a pergunta: qual foi na história do cristianismo a função dessas declarações tão freqüentes? Estas frases esclarecem um aspecto muitas vezes mal entendido do caráter carismático do cristianismo primitivo. 2.26 supõe que se trata de "servos do Kyrios Jesus". em si fraco e marginalizado.23 trata-se do discipulado ("ir atrás de"). A experiência.35. Por isso. decisivo é unicamente o fato de estas palavras serem sinais e garantia de uma intimidade com Deus nunca antes sonhada. O exemplo de Jesus desempenha papel decisivo. seguir Jesus". pois ela é um sofrimento doentio".26. da maior intimidade possível com Deus significa para as palavras e os gestos deste grupo. 10. Lc 22. O caráter inacreditável dessas palavras não difere da atitude do pai na parábola do filho pródigo: nessas frases.e te tornarás sábio".meu filho. tanto mais é preciso que te humilhes. terá de segui- lo e estar onde ele está. mas também a comunidade apresenta por sua atuação uma alterna- tiva real para o uso costumeiro do poder (Me 10. Jesus demonstra o "ser servo" por uma ação simbólica. . mas substituindo pelo servíço a humil- dade e o sofrimento do Filho do Homem. nem tampouco o perigo de uma relação mágica com Deus. 19: "Queres que tua alma seja boa e que fiques livre de todo mal? Então afasta-te da cobiça. ser servo de Jesus. . Assim. "paradisíaca". E a diakonia dos helenistas segundo At 6 poderia ser uma concretização dessa idéia. A condição é "abnegar-se.34 par. humilha-te diantede Deus.43. uma realidade "totalmente impossível". não apenas o Filho do Homem como figura de Deus no mundo se diferencia totalmente de qualquer soberano humano. 6. nesse sentido. c) O caminho para a vida eterna. Admitindo isso. embora uma tradição sapiencial mais ampla seja aproveitada.21: guardar os mandamentos e vender as posses. Palavras segundo o esquema: quem quiser ser x deve fazer y Tais formulações prometem êxito. a) Regras sobre quando alguém quer ser grande ou ser o primeiro: Me 9.11. e a promessa de uma justiça que deixa na sombra tudo o que antecedeu. tomar sua cruz. .42-43a). Mt 20. Todos os textos deste grupo são sentenças dirigidas a discípulos. é prometida aos discípulos. contanto que se cumpra determinada condição. Admonições no esquema "etc-efeito" correspondente.

36 ab (Quemcrê tem a vida. os homens e os anjos o hão de amaldiçoar").6). Mt 12.. c) professar e guardar.24.ex. quem me negar: eu a ele).25.). quem não crer. Lc 9. de quem não tiver será tirado o que tem).12-13. Jo 3. basta lembrar o sofrimento pela Lei 161 . Mt 7. É significativo que a referência à Lei ainda continue viva quando este esquema é usado no cristianismo primitivo (p.). toma-se.9-13 (Se alguém adorara fera.29(A quemtiver serádado. bênção e maldição. Mt 5.39. Mt 10. quem ouvir e não fizer é como. Semelhante é também: Jo 3. Mt 5.12-17. Tg 2.24-27.46. Lc 13. Berger. pela introdução em Mt 5.. os covardes [+ catálogo de vicios]. diferentemente das expressões mencio- nadas em a..16 (Quem crer será salvo.. Jo 12. vosso Pai vos perdoará.7s (Quem vencerherdará. Admonições no esquema "atCHlfeito" De maneira semelhante. Ap 21. 8. bem-aventurados os que morrem no Senhor).6.48-51 (Bem-aventurança com frase condicional em discurso parabólico). Promessas condicionais de salvação ao lado de anúncios condicionais de desgraça: as assim chamadas conclusões bipartidas.4/5..19 e pela conclusão em Mt 7. segundo as palavras: justificado). os ho- mens e os anjos vos hão de abençoar.6..10. porta estreita para a vida: poucos). b) ouvir e fazer. nota 194.36s (Segundo as palavras: condenado. 7.20s(Quem faz o mal.. - A este caso pertence também a exposição das normas segundo as quais o julgamento se proces- sará: lCor 3.. o primeiro a seguir este caminho.24-27 par... Jo 12. seu quinhão é.7s.14s (Se perdoardes. Auferstehung.1. Mt 7.. Um ensinamento deste tipo muitas vezes forma a conclusão de uma fala mais longa de caráter simbulêutico...4-6 ("Se fizerdes o bem. Dt 30. quem observar e ensinar será chamado grande). quem faz a verdade. 17... Mt 24.16/17s. Mt 1O.Mt 25. quem a perde encontra-a).)..19 (Quem violar e ensinar será chamado o mínimo.6. Textos dos apócrifos: cf. Hermas. Mt 12. A origem desta forma literária está na predição de morte e vida. mas quem fizer o mal. O catálogo de vícios de Ap 21. de fato.8.47-49 (Quem ouvir e fizer é como. (36) 37. assim em Jr 22. também as condições formuladas em b fazem da cristo- logia o critério do comportamento.. aparece aí uma herança especial da luta pela Lei no judaísmo helenista. Mc 8. aí.19. fora os cães [+ catálogo de vícios]. se não perdoardes.14/15 (Felizes os que lavam suas vestes. Assim podemos constatar que na maior parte dos textos acima mencio- nados são importantes os seguintes elementos (análogos à observância da Lei): a) crer.13s. Lc 19. quem não crê não verá a vida).7s indica que tam- bém vale o que se disse acima sobre a relação entre a parênese e a Lei.32s (Quem me confessar: eu a ele. mesmo com perigo de vida. 486s. conforme se ensinava a respeito da doutrina (a Torá). se morrer: muitos frutos). Ap 22. fica ele só. Textos: Mc 16. ensinar e fazer..34 (referindo-se ao ouvir: Olho sadio: o corpo na luz. Mt 6. 8.. Como as duas coisas podem ser combinadas mostra Hermas.. Assim a substituição do conceito de "Lei" por outros conteúdos é um dos problemas teológicos interessantes nos textos neotestamentários deste gênero. como se fazia com a Lei (o Sermão da Montanha.24 (porta larga para a perdição: muitos.. Sim. professar. No judaísmo: TestNeft 8.24 (Se o grão de trigo não morrer. Sem que se fale na Lei. Sim.13. Ap 14. Os 14.35. vosso Pai não vos perdoará).26 par. 16. Lc 11. que vem evidente- mente de uma tradição judeu-cristã: o assunto é: a metanóia com relação aos man- damentos. ouvir. Ap 21. porém. condenado). Rm 2.. a pregação de um "mandamento" a ser cumprido). olhodoente: corpo nas trevas)..25 (Quem salva ou acha sua vida perde-a. trata-se menos da comunidade dó que da sorte do indivíduo que per- tence a Jesus (assim como na doutrina do proselitismo Abraão é sempre o exemplo do indivíduo que se converte). As tentações que sofre o convertido são vistas como cópia das que sofreu Âbiaão. Lc 6.33. Bam 21.

12b. quanto à terceira pessoa. Jo 3.13. v. pela forma. a coragem para professá-la até no martírio e a prática do mandamento (cf. mas mostra que no evangelho joanino a forma da conclusão bipartida. Com isso está resgatado também o v. 11-l2a) e no v. no mais alto grau.21. 11s: na reação de Deus aí descrita pode-se confiar. a solução está na análise da forma literária. a predição de salvação destina-se aos pagãos. 13 não pode referir-se a uma fidelidade de Deus para com homens que lhe são infiéis. Admonições no esquema "ato-efeito" descrito em 2Mc e 4Mc.l1s. lIa: "Digna de confiança é esta palavra". ele se deixa encontrar por vós. agora tem como base o indicativo cristológico. em contextos maiores. garante mais uma vez que as conseqüências des- critas em 2. portanto. refere-se à estabilidade de Deus. parece interrompida em 2Tm 2. que tem igual estrutura) estão em primeiro lugar. Se vós o buscais.11-21 (con- clusão bipartida nos vv. São. Jo 12. tradicionalmente um argumento para aceitar o mandamento. . uma ao lado da outra. O aspecto cristológico exprime-se nas frases sobre "professar o Filho do Homem" e nos textos joaninos. (Em Lc 13. também no v. em estilo de talião. À primeira vista a reação de Deus. 2Tm 2. e serve.. O sentido é: os homens vacilam. Portanto. 13).13.3. mas Deus continua o mesmo e é exatamente isso o que garante a certeza e o caráter inquebrantável das declarações em estilo de talião dos vv. infra § n. § 64) entre Jesus e si mesmo (vv. 20s). Na sua fala. 27-30) sobre isso ele constrói seu testemunho (cf. fiel a si mesmo (daí também a última parte de 13b: "não pode renegar-se a si mesmo").11 s e 2. em que se exprime o que distinguia os cristãos dos demais. como Hb 10. ao passo que 2. 32.35 par. Mt 7. Não devemos procurar uma solução teológica para a aparente contradição entre 2. Quanto ao evangelho joanino.2b (o espírito de Deus faz Azariáhu profetizar: "O Senhor está convosco quando vós estais com ele. Entre os problemas internos das comunidades.) Sem dúvida é neste gênero que a divisão e a decisão se formulam na linguagem mais clara possível. Semelhantes predições condicionais de perdição e de salvação encontram-se também.11s ou Rm 3. porém. A fé. o Batista dá primeiro uma synkrisis (cf. 12b um anúncio condicional de perdição.24 e os textos do Ap estão na mesma linha.13: "Se lhe formos infiéis. Depois do v.Não adianta citar 1QS 11. tais textos testemunham o ponto essencial em que se decidia quem pertencia sociologicamente à comunidade cristã.11s realmente acontecerão. para agravar a predição condicional de perdição. 36 com uma "conclusão bipartida". pois não pode renegar-se a si mesmo".32-39. A série condicionalmente formulada de 2Tm 2.12b (renegar e ser fiel são opostos. Anúncios condicionais de perdição a) Retribuição em forma de "talião" 162 .13 e 2. mas se vós o abandonais. Com isso.24- 29. pelo menos do ponto de vista dos ouvintes. formulações da autoconsciência das comunidades.27-36 é particu- larmente instrutivo. como 2.13 é uma confirmação. o v. Há um aparente contraste com 2er 15. Assim sua fala não apenas corresponde. aJo 3. ele permanece fiel.11-13 contém promessas condi- cionais de salvação (vv. cf. pois levariam a uma contradição entre 2Tm 2. 8.19-31 e 10. as predições de salvação e perdição estão apenas em 2.11a. Me 8. ele vos abandona".5b) e termina no v. portanto. o perdão ocupa o lugar de um cumprimento fundamental do mandamento.

apenas Tg 4. 13. TestZab 6. Pois.6 isso é afirmado. 7.52 e Ap 13. Temos aqui um exemplo da importância da semântica para a avaliação do sentido de urna forma literária: nessas frases trata-se de alguém que arruma para si vantagens ilegítimas.14s (perdoar). Nos primeiros tempos do cristianismo questionou-se se a destruição de Jerusalém foi um revide à morte de Jesus. 44. Ih 13. Uma linha particularmente importante dessa tradição.35 par. Mt 1O.10 indicam .2s. 2. se alguém recebe de volta exatamente o que fez. 22.2 (Juízo). Não há dúvida: no momento da história de Israel em que surgiu.12(pecador/l. a respeito do derramamento de sangue. Bibl. A única finalidade é "proclamar" a justiça divina.16 e Ps. eles somente devem esperar até aquele momento. No AT esta tradição consta tanto nos escritos sapienciais (Pr 13. em At 23. a unidade da comunidade paulina. Ant.6: voltar a Deus) como nos proféticos (lSm 15.18s (Acrescentar ou tirar algo). no sentido de uma ordem universal que restabelece o equilíbrio. é aplicada ao uso da espada.32 esta tradição é aplicada a Caim e Abel ("com o mesmo objeto com que um homem matou seu próximo. não foi perturbada e permanece intacta. então isso significa uma justiça perfeita na ordem do mundo. cf. de fato. At 23. Mt 18. b) Em Ap 22.13(terpiedade).em código . pelo menos em uma das metades).24 (medida). cf.10. 8. piedade para com o irmão.33. que naturalmente. e de uma ordem deste mundo que.38 (nãoconhecer) 2Cor9.ex. .1.6: recusar). positiva. ele deve ser morto").32s (professar e rene- gar). ele pode esperar uma resposta à altura.8: semear injustiça.o fim dos perseguidores. deve ser realçada: "quem pratica violência será violentamente punido".6 (semear/colher com parcimônia ou largamente).10: ser um pai.8 (aproximar-se de Deus). com profunda influência histórica.4. Tg 4. p. Mt 26. 344.lOb. Os 4. diante da justiça que reina. o NT é uma intensa tentativa de afirmar e comprovar o conceito de justiça divina. As duas frases de Ap 13. 18. Por isso é a "hora da perseverança e da fé dos santos". qual lei de talião. Lc 14. o escrito de Lactâncio: De mortibus persecutorum). Mas é uma aparência que engana. . Quem fizer qualquer acréscimo (ao livro assim encerrado e cano- 163 .17(discutir). 1Cor3. Admonições no esquema "ato-efeito" Textos: Mt 7. .24 tem formulação neutra. - Nestas frases não é exercida nenhuma escatologia concreta. cf. diversamente de seu uso comum. Em Jub 4. não são de origem apocalíptica nem escatológica.6.8.2 (bater).13: desprezar.11.O mais importante efeito dessa convicção básica é a concepção da "morte dos perseguidores": quem persegue violentamente os justos terá um fim idêntico (textos: Berger.52 (tomar a espada). É digno de nota que no NT este gênero literário.3).). Desde Gn 9. A maior parte desses textos contém predições condicionais de perdição (quando são de formulação dupla. a coleta de Paulo. Ap 12.12.À primeira vista discrepam do restante os textos em que o autor de um ato recebe o contrário do que fez (esquema: quem se exalta será humilhado.Esses textos partem de um princípio: por tudo O que o homem faz. 23. 17. Também: salvar a vida e perdê- -Ia: Me 8. devem se tomar legítimas desvantagens (e vice-versa). Me 4. como também diante do destino de Jesus. em Mt 26.ei).Rm 2.20: sábios.23 [Samuel]: rejeitar. é aplicado claramente a problemas da comunidade (perdoar. ao bater em inocente.1: fazer o mal.14.lOb (matar com a espada). Sr 4. apenas Mc 4. lCor 14.18s temos a chamadafórmula de canonização.-Fílon. Ap 22. o que pode ser comparado com as formulações bem semelhantes de Sb 11. que segue o esque- ma acima citado. Auferstehung. Mt 6. apesar de toda aparência em contrário. nota 361.

11 (firmeza). Lc 12. Mas todos esses textos são predições condicionais de perdição (contra U.. As tentações são ligadas tradicionalmente à figura de Abraão. c) Admoniçãopara evitar desgraça ("para que não . Aí trata-se novamente apenas do conteúdo literário (cf. em TestJó). também Mt 5.". Como se formulavam naquele tempo as maldições é mostrado. 48. Em Dt 4. 104.2 a admoestação para não acrescentar nem tirar nada é sinônima da admoestação para observar os mandamentos. Se a Carta de Aristeas usa a expressão "maldição". é preciso evitar que se caia em tentação (Me 14. já reconhecido tam- bém pelo judaísmo helenista.38 par.7s interpreta no sentido de simplesmente aceitar ou rejeitar o livro. A analogia mais próxima de Ap 22. de o recém-convertido apostatar novamente e voltar ao que era antes. .41. segundo a letra e o espírito" (igualmente Dt 13. considerado o protótipo do convertido (de maneira semelhante: Jó. especial- mente a formulação condicional de 5. Hen et. o esquema "ato/efeito" fica em segundo plano. Contra Ap. É importante comparar com Hen et. Prophetie. trocas ou omissões.58s (reconciliação com o adversário. pois. B.agora já em formulação condicional .18s. Hen esl. por exemplo em AscIs 3.em Hen et.. Deus lhe retirará sua parte da árvore da vida (bibl. Aliás.19. ele ainda tem de ser comprovado pelos sofrimentos que se seguem à conversão. O fato de a Carta de Aristeas 311 falar em "maldição" não é motivo para dizer que a "predição condicional de perdi- ção" de Ap 22. I 42)..25s par. como em 2Pd 2. nota 30). Admonições no esquema "ato-efeito" nizado). Mt 26.18s é. Nisso eles fizeram muito bem. Quando uma admonição é formulada deste modo. ANRW. amaldiçoar aquele que modificasse (a tradução) por acréscimos.lls. A oração.. supra. Müller. O modelo é Mt 7.2 ("não julgueis para que não sejais julgados"). portanto. Lc 22. segundo é o costume deles. quem tirar qualquer coisa. a fórmula da canonização é atestada também fora da Bíblia e representa um elemen- to da tradição das formas literárias em todo o Oriente Próximo (cf. não é somente o caminho do carismático para o mundo celeste. não se refere apenas ao caráter literário do documento. deve ser interpretado no sentido da conser- vação da integridade do livro da Lei (aqui novamente incluindo também o fazer).: Chr. antes que seja tarde). Mt 5. "Tentação" é o perigo. mas implica o "cumprimento. 180. é porque em textos comparáveis (como os citados em NTS 17. também Josefo.lls ("se copiarem corretamente todas as minhas palavras.1). sem nada modificar nem omitir. igualmente relacionados com o futuro Juízo são Ap 3. alegria. em 3). eles deixaram. 104.9: "Expulso e maldito sejas tu com todos os teus poderes e toda a tua casa"..") (sobre o positivo "para que. 36s) é predito que sobrevirão maldições no caso de transgressão. ela é também muito importante para cada convertido no seu ambiente pagão (também porque não se dis- 164 .34s).6: cachorros e porcos. Com exclusiva referência ao conteúdo literário (copiar e traduzir) encontra- se a fórmula . portanto.. 104.lls a nota sobre a tradução da Septuaginta na Carta de Aristeas 310s: " . como ela. Sua influência sobre o NT não se limita a Ap 22. O "ficar de sobreaviso" está relacionado à oração e. em: Mus Helv 31 [1974] 144-149). Deus lhe acrescentará (aplicará) as pragas escritas no livro.46: pela oração).18s.. cf. apontando conseqüências negativas. É preciso evitar também que a mensagem seja dada a indignos (Mt 7.22).Quanto à vida ainda neste mundo. serve para prevenir desgraça (Lc 21.18s possa ser chamada também de "maldição". 1377). a fim de que ela permanecesse sempre inalterada para todo o futuro". justiça e sabedoria"). Schãublin: "Mete prostheinai met'aphelein"..

. a ser evitado. não se deve continuar a desperdiçá-los com ele. a comunidade dá a entender que vê em sua certeza da legitimidade carismática de Jesus o princípio fundamental.13 (toda planta.63. será arrancada) e a frase sobre o pecado imperdoável de Mc 3. do "ser cristão".".. já não questionável. sendo demoníaco.10. especialmente Mt 10. como opina E. aí está realmente a chave não apenas para a compreensão dos evangelhos.13s: se alguém recusar a Palavra e os dons carismáticos.. portanto. mas tomar cuidado.Com a classificação de "pecado imperdoável".42s ("Todo homem que .. 9). dois acontecimentos desastrosos (vv. . Lc 19. por princípio. relacionar-se com os falsos significa não apenas um fracasso. 3 e 5) figu- ram como exemplum para uma predição condicional de perdição. A tendência dessa palavra lembra outras sobre o "ser digno de. 165 . Numa créia ane- xada a uma narrativa.9 (toda árvore.17s. Schweizer em seu comentário de Mt. a vocação de Paulo tem consistência (por isso ele a chama de "revelação do Filho de Deus"). Para Mt.. mas afirma que se mostrará bem depressa quem é um "filho da paz" e quem não o é. porém.39s ("se eles se calarem.. Mt 12. isto é.1-9. as pedras gritarão") é relacio- nado à destruição de Jerusalém. .28s par. quem considera os anjos demônios maus que dominam o mundo blasfema contra os anjos). de combater a missão entre os pagãos. Lc 3. 2Pd 2. mas um perigo pessoal. esclarecidas com imagens judaicas de impureza.10 par. É disso que se trata tanto em Mt 7..31s. mas tirar a conseqüência disso. Mt 10. No quadro da créia de Lc 13. aos "dignos".16: sede cuidadosos como as cobras (pois cobras não se arriscam).A frase de Mt 7.Segundo Jd 8. . Em Me 3. já que a separação é radical e fundamental. portanto. Mt 21.6 ("pérolas aos porcos") teste- munha experiências missionárias. e também só dessa maneira as conseqüências com relação à Lei se legitimam. mas também para a avaliação de Paulo: somente se o Espírito de Deus operava em Jesus. pressupõe-se que a categoria de santidade/pureza ainda vale.16s. é quando alguém tem idéias erradas sobre a sublimidade ou a humildade do Filho do Homem. Ou será que para E. Historicamente falando.").Aí não se trata. não ensina a limitar a mensagem. Perdoável. a intenção é também preservar os discípulos de ser "estraçalhados".28s par. perseguidos. Schweizer só num judeu-cristianismo sectário havia algo de sagrado para guardar? d) Formulações condicionais Além dos textos com conclusão bipartida e certo número de textos sobre o entrar no Reino (cf. Em todos esses textos trata-se de admonições fundamentais sobre salvação ou perdição. Uma predição condicional de perdição é formada também pela citação bíblica no fim da parábola dos vinhateiros em Lc 20. Admonições no esquema "ato-efeito" punha de outro rito estabelecido). a conseqüência de a comunidade viver como ovelhas no meio dos lobos não é entregar-se à faca. o posicionamento diante da questão da legitimidade de Jesus é considerado decisivo: blasfemar contra o Espírito é cha- mar de demoníaco o carisma de Jesus (na opinião dos judeus: quem se diz filho de Deus... sobre ser incluído ou ser excluído. cf.10. A experiência missionária. Mt 15. tendo por isso dúvidas a respeito do tamanho de seu poder. portanto. Lc 12. blasfema contra Deus: Me 14.6 como em Mt 1O. será lançada ao fogo). devem ser mencionadas aqui: as parábolas Mt 3..

Análogos. Ps.. conforme admoesta o v."). virei como um ladrão"). I. 22. Rm 6. Também Mt 6. Ill. também tu serás cortado").").15s.14 (descrição do Alexandre. 3. por causa de palavras duras.. e são também. A admonição é comentada com uma descrição do Juízo vindouro: À predição condicional de salvação.. em Ap 2.22s. Argumentos segundo esse esquema sustentam a argumentação em Rm 11. Se- melhante é também 2Tm 4. Frases condicionais comparáveis. Bibl..5 (após um imperativo).- Fílon. são conhecidas por inscrições gregas e por autores judeu-helenistas (cf. 764-766. Servi ao Vivo (= Deus).22s uma 166 ." (FI 3. Cria tua própria prole e não a mates".. . Na descrição de falsos mestres ou adversários.. ao lado da Lei.9 (predição condicional de perdição para o caso de alguém querer prejudicar seu irmão) (cf. ICor 11. B. caso contrário. uma prova de que a autoridade de Moisés e a admoestação formulada livremente. a saber. 36s). para o caso de não atendimento da admoestação. ela vos protegerá naquele tempo em que o Todo-poderoso há de sacudir a criação inteira". Ant.. é culpado diante de y).. como peroratio.21s (culpado diante do tribunal.. afastai-vos do adultério e da ímpia fornicação com rapazes.De outro lado. Mt 12... Segue. Jr 17. mas de um comentário no sentido do esque- ma "ato-efeito". Esses paralelos mostram claramente que nos encontramos aí no domínio do direito cultuai. o Imortal há de irar-se". uma predição condicional de perdição: "Se alguém pecar nessas coisas. e) Há anúncios condicionais de perdição.12-24. mas um relato da ação. Primeiro vem uma série tipicamente parenética: "Mas incitai o vosso coração no peito a não hesitar. semeando neles os frutos da Lei. por exemplo. Uma fórmula condicional semelhante encontra-se ainda em Hen et. Rm 3.8). em linguagem metafórica: ".2s (após um imperativo.").21 ("seu fim será. No AT há textos proféticos que neste ponto podem ser comparados. se preparardes vossos corações. como em ApBar sir. porém. cf. 32. Uma ação do passado e sua punição são justapostos como exemplum em lTs 2. A descrição que precede não é propriamente uma "denúncia".18s.1 ameaça com a perda da recompensa. . são típicas do livro Jub.). 11).. formuladas com énochos. v. 22 ("contanto que permaneças nessa bondade. de caráter pessoal. Müller. énochos: quem fez x. e fugi do culto iniquo aos ídolos.. são Hb 6. caso a justiça não seja praticada no segredo.19b: "Pois todos os que não andam nos caminhos da justiça hão de perecer para sempre". Um exemplo instrutivo para a história das formas literárias é também Sib Ill. f) Justaposição do ato e da punição I. já não apenas diante de seres humanos."). 18 ("não te faças de orgulhoso.8 ("seu fim será . mas diante da comunidade como corpo de Cristo).27s (quem perturba a comunidade é culpado. depois: "O Senhor lhe retribuirá. não escutardes sua voz e vos tornardes iguais a vossos pais. mas sem referência a adversários.5 ("se não escutardes estas palavras. 764ss.. Também não se trata necessariamente de uma "forma profética" (contra U.7 (maior mandamento).. não se excluíam mutuamente. 191s). cf. as vossas obras serão perversas.9..8 (que cada um ame seu irmão . 20. se te orgulhares") e no v. NTS 17." ou "seu julgamento será . e vosso nome desaparecerá da terra")... Sr 21.13-15. no v. o comentário costuma ser: "seu fim será .. Adrnoniçôes no esquema "ato-efeito" Outro grupo de textos é formado com a palavra "culpado" (gr.. la."). 11.1 (frase segundo o esquema "ato-efeito"): "Mas.. sobre quem entrará no reino. mas. 2Cor 11. 91. a Lei é personificada. Prophetie.. 2. segue-se em Mt 7. A este grupo pertencem Mt 5. Composições como Jub 36. como Sib Ill.36s).27 ("Se não me escutardes.4 ("Se.

com defesa e. Cf. At 5. Wmdisch. 145-154. in Papyrus Upsa/iensis.. B.8 e 1. formulada pelo apóstolo referido. Betz. 1952. como portador do Pneuma. Bib/: H. g) Maldição Bib/: J. G. Der a/tisrae/itische F/uchspruch (WMANl 30). verbete "Fluchtofel".4. depois da admoestação de 13. in ThWNT. 18.. sobretudo as séries de Dt 27 e 1QS 2. K. afinal condenação definitiva. verbete "Anothemo". em At 8. Automaldição para o caso. 342.. é um só.2 (anathema Jesus).3. in Essays on lhe Nag Hammadi Texts (NHSt 6). Jo 3. Admonições no esquema "oto-eleito" descrição narrativa da cena do Juízo. SCHOTIROff.22 trata-se de um fenômeno semelhante à parênese final das cartas. Mc 10. Frases com apódose semelhante encontram-se nos séculos I e 11 d. 1160-1288. R. ao mesmo tempo amaldiçoar Jesus e aclamá-lo como Kyrios. a fórmula final do juramento hipocrático (cf.3 fica compreensível. At 23. 7. toda declaração. e em lCor 16. "Das Anothemo in derurchristlichen Abendmohlsliturgie". verbete "Anothemo". Galatians. in RAC VIII. não explicitado. "Die Sprüche vom Eingehen in das Reich Goltes". I. . e é só nesta hipótese que lCor 12. Em 1Cor 16. BRUN. Também a comunidade de Corinto (ICor 5. 5.14 (com prazo marcado.15 par. Palavras sobre o "entrar" no Reino de Deus e sobre "herdar" e "ver" o Reino de Deus. em oração indireta).9b?. W. BORNKAMM. 1-29. in INW 2 (1901). 3565. vol. in INW 27 (1928) 163·192. também: H. uma maldição somente se dintingue de um simples anún- cio de desgraça pelo fato de que pela maldição a desgraça se efetua logo (At 13.21 (não basta dizer "Senhor". 1931. München. SPEYER. Segen und F/uch im Urchristentum.6). PREISENDANZ. PEARSON. "Anti-hereticol Wornings in Codex IX Irom Nog Hommodi".22) não precisa ser o culto. encontramos em Mt 27. verbete "Fluch". Betz. quanto ao conteúdo. de alguém fazer determinada coisa ou errar. cf. 50-52 (Excurso: lhe Curse in 1. isto é. no grego..25-30. 1969.5) deve agir como portadora coletiva do Pneuma. in RAC VII. Em contraste com os critérios muito amplos do estudo deste material em H. A.8-9). seja amaldiçoado. Incondicionalmente alguém é amaldiçoado. Numa série de casos.8s. ele será anátema).20 ela é esperada).28. L. Ga/atians. K. 2. "Anothemo".11.5-17.3 (converter-se e tomar-se como as crianças)." Os exemplos paulinos mostram que a maldição condicional dos outros só competia à autoridade do portador do Pneuma. 1975. Leiden.e. é preciso fazer a vontade do Pai). nas tábuas de maldição de Megara (cf.9.17 (aceitar a basiléia como uma criança).22 (se alguém. "Der Fluch des Christen Sobinus". como mostra Gl 1. 8.25 (para o caso de os judeus condenarem Jesus injustamente. Neukirchen.. A. in RAC 1. A mesma tradição é utilizada em Lc 13. in Das Ende des Gesetzes. 9. BJÓRCK. nota 87). . 123·132. DElssMANN. Cf. 1. cf. Ninguém pode no Espírito. 51 nota 74): "Quem não fizer. W. Brrz. a maldição tem a forma de um anúncio condicional de desgraça. HOfMANN.20 (uma justiça que ultrapasse a dos escribas e fariseus). como em lCor 13.4-31) é esclarecido drasticamente que o Espírito não admite contradi- ções. D. Nos versículos seguintes (12. G. pode ter esse caráter. Lc 18.. Frases condicionais: Mt 5.24. I.3 (nascer de 167 . 53. mas com o vocabulário típico da maldição. - O contexto de semelhantes frases (como 1Cor 16. WINDISCH. BEHM.Quanto às fórmulas de maldição condicionada. . também e particularmente a escrita. Galatians.427-430. 1938... Em Gll. 18. trataremos aqui apenas dos textos que têm a estrutura "condição-conseqüência".

e cita o diálogo Hermótimos de Luciano. M. que tem pelo menos raízes cultuais. ICor 15.17s. os "injustos" em ICor 6. é duvidoso neste ponto. para entrarna "cidade"). Lc 9.9."A impureza.. a abominação..47.Outras condições morais: Catálogos de vícios em ICor 6. que ao mesmo tempo é "a vida" (cf.") é a genuína (também Mt 7. Entretanto. a) H.9 e pelo que se diz sobre a ''justiça'' em Mt 5.25par. ou no âmbito da cidade de Jerusalém (Is 26.) são de uma forma diferente.10. A não ser em Lc 9.1. . cf. todos os textos citados permitem esclarecer as palavras acima mencionadas pelo prisma de seus pressupostos histórico-religiosos gerais. J. afinal. Também "carne e sangue". o que sugere o caráter fundamental das condições formuladas.14(lavar suas vestes. Textos semelhantes: Um rico dificilmente entra (Me 1O.Apenas frases como Mt 7. Ap 22. 3. que também já apresentam formas diferentes (e aí é preciso citar também Me 9. Em vez de "Reino de Deus".23s.Temos aí um bom exemplo para esclarecer a relação entre a história das formas literárias e a história das reli- giões. GI 5.23). Examiná-la não é supérfluo. Ao passo que os sinóticos e Jo 3. Fitzgerald.5 falam em "entrar no Reino". em ICor 15. e o "dificilmen- 168 . humilde. . L. em que são mencionadas as condições para entrar na Terra (01 4. Reconhecemos aí o fenômeno de uma coordenação entre a moral e um espaço jisico. Mt 5. referem-se aos prazos maiores do tempo da provação.47).20 cf.27 (não entrarão na "cidadesanta"). 16.20.21 começa com "não . Mt 5. Tanto no AT como no mundo helenista em redor. Sempre se trata de uma delimitação fundamental entre os que pertencem e os que não pertencem ao Reino.45. o oposto do Pneuma. Ele lembra também a Tabula Cebes helenística (ed. ou no templo (Lm 1.21. mas ainda se encontram no contexto da história de uma conversão. indicam o outro lado. pelos textos que se referem ao início da existência cristã como sendo um "tornar-se criança". ".5).62.14).23s.62 (quempõe a mão no aradoe olhapara trás não é apto para o Reino). Admonições no esquema "ato-efeito" novo/de cima).5 (nascer da água e do Espírito). Nos evangelhos trata-se freqüentemente de palavras introduzidas por "amém" ou "eu vos digo".2s: "que entre o povo que pratica ajustiça". o que é indicado também pela quali- ficação dos "injustos" em lCor 6. numa concepção "dualista") e. que fala igualmente das con- dições para alguém ser admitido numa cidade ideal. 6. trata-se em Jo 3..10 e as liturgias da entrada no templo). Isso surpreende. White [1983]).50 (carne e sangue). At 14.50. mas obriga a ir além do quadro geral: b) Podemos partir da tese de que para os textos do NT a formação negativa ("não poderá entrar. ou um "nascer". a relação com a basiléia é projetada para o futuro.62. bem como pelos catálogos de vícios (os quais exatamente pelo agrupamento dos fenômenos caracterizam o lado oposto como um todo. isto é.19.. 22. Mt 19.34). Lc 9. .43.22). Ap diz "Cidade". e nos textos paulinos de "herdar" o Reino (nos sinóticos somente Mt 25. certas regras morais estavam ligadas à possibilidade de acesso a um território especial. Também as palavras sobre o rico (Me 1O.21. cheio de promessas. . Uma análise do conteúdo dessas palavras o confirma. isso ainda não explica a configuração lingüística das frases. T. a mentira" emAp 21. Windisch chamou a atenção para uma série de textos correspondentes. na qual são mencionadas as instruções para a admissão numa cidade.3 de "ver". mas um olhar para textos correspondentes na história dessa forma literária tornam mais compreensível essa particularidade. a relação entre a basiléia e a "vida eterna" em Me 9.

Admonições no esquema "ato-efeito" te" de Mc 1O. o aspecto religioso cultual. supra § 5l.: ekklêsias. fazendo abstração dessas diferenças.23s par. no entanto. e particularmente o fato de que em João (Ev. por causa de todo esse conjunto peculiar de esperança e de futuro. . O valor a que estas frases se referem não é mais o pertencer ao Israel presente ou à sua comunidade cultuaI.Mas o único texto correspondente na literatura anterior ao NT é aquele que fala sobre as condições para entrar na qahal (gr. em Dt 23. segundo essas frases.203). Em lQSa 1. Se a dimensão à qual uma pessoa pertence é projetada para o futuro e ao mesmo tempo se toma o próprio Reino de Deus (não apenas a ekklêsiai. tanto mais forte será a motivação para a "justiça superior" desde já (sobre a relação entre ekklêsia e basiléia. Assim. o efeito da escatologia de Jesus se toma palpável num ponto concreto: a conseqüência foi a perda de valor do pertencer à comunidade cultuaI de Israel.1-3 e Lm 1. da exclusão de amonitas e moabitas." é formulada dessa maneira.. e também o entrar na ekklêsia cristã interessa apenas porque se trata dos aspirantes à futura basiléia.2-9 é citado com muita freqüência e já vinculado ao convite dirigido aos prosélitos.62). cria- ram-se pressupostos decisivos para as palavras do NT sobre o "entrar no Reino". Mas. por meio da noção de "criança". foi preparado por uma evolução paulatina: em Dt 23 trata-se ainda. subentendido desde o começo. e do povo que já lhe pertence. Onde o ambiente ainda tinha uma caráter mais judaico. arcM) de Deus e da participação na imortalidade. Quanto mais clara ficar a formulação deste valor. bem como a formulação de Lc 9. é repetido a cada passo: trata-se das condições para pertencer a Israel como povo (cf. Onde o ambiente era pagão. A ocorrência de frases comparáveis tanto em Paulo como nos Evangelhos e no Apocalipse. é importante pertencer. foi se reforçan- do.) apenas a condição para o "pertencer a. pelo menos. ZThK 73 [1976] 20lss). que normalmente se encontram na teologia do Filho do Homem (cf. na história da forma literária destas frases. Portanto.Joram aplicados às condições para a admissão. então este "pertencer a" ganha mais valor ainda.8). entre outras coisas. Ap) ("delimitação").10. Com isso já apareceu uma qualificação. Quem não pertence a esta ekklêsia é quem não tem pístis ("fé"). .. em conseqüência deles. segregando um grupo que no cristianismo primitivo se encontra freqüentemente relacionada ao termo ekklêsia. essa tendên- ciajá fica clara na explicação em Ne 13. dentro da história da interpretação judaica. trata-se do domínio (gr. Em Fílon. Nesse texto o "x não entrará na ekklêsia do Kyrios ". ZThK 73 [1976] l88s.2-9. - O que ainda faltava marca também e faz reconhecer a peculiaridade cristã: no NT trata-se. Isso. o "nascer de novo"). é uma negação. sugerem a alta importância de tais frases no cristianismo primitivo. O que interessava doravante era pertencer à futura basiléia. em 4Qflor já não lhe pertencem todos os que não são "santos". Deve ser por isso que também em Paulo e João as apódoses (até certo ponto figurando como elementos 169 . de uma relação futura com uma realidade à qual. há uma boa parte de idéias comuns nos escritos mencionados. em primeiro lugar. Dt 23. e segundo 4Qflor são admitidos apenas aqueles que merecem "o nome de santos".Podemos concluir: Dentro da tradição que interpretava as condições para pertencer ao povo de Deus segundo Dt 23. essas frases afastavam os cristãos dos vícios pagãos (Paulo.25ss o texto ficou mais atualizado e mais severo (o catálogo de defeitos é mais completo). a aplicação a Israel como povo foi desa- parecendo. os conceitos de humildade/sublimidade (ou.

há indícios de que é principalmente com relação à Lei que valem semelhantes regras: Tg 4. Mc 9. nessa relação de identificação. foi jeito propriamente para b (e o que foi jeito para b. Quem recusa os ensinamentos de Paulo e peca contra seu irmão não peca contra um ser humano.9) dão a entender que. como se diz desde os targumim dos profetas). pelo poder carismático a ele concedido (que lTs 4. Assim a unidade ecumênica de diversos tipos de comuni- dades cristãs se manifesta pela delimitação comum em relação ao mundo lá fora. 13.1: "Quem abomina o rosto de um ser humano abomina o rosto do Senhor". Na história do cristianismo primitivo. 170 .11 (quem calunia um irmão calunia a Lei).8). trata-se de uma missão. quanto à sua forma literária) são formuladas neste estilo tradicionalmente cristão. Admonições no esquema "oto-ejeito" estranhos em seu contexto.1: "Quem não recebe o Cristo será considerado como alguém que rejeita o Pai").44s. por mais variado que tenha sido tal mundo. São identificados: Jesus e aquele que o enviou (também: "o Pai"). Jesus e quem foi enviado por ele. .40). Josefo. lesa o próprio Deus. "crer em" e "ver" (os últimos dois termos somente em 10). porque esse deu seu Espírito à comuni- dade (I Ts 4. Ant. . Com base nesse inventário surgem formulações como estas: "Quem vos recebe é a mim que recebe. pois. Jo 12.Tanto a expressão "aquele que me enviou" como os contextos em que Jesus se dirige assim aos discípulos (Lc 10. ela (a Lei) "contém algo de Deus". ou uma mensagem. Também em apócrifos do cristianismo primitivo há formulações semelhantes (Hom. foi jeito para c = para Deus)". do Espírito como "representante" de Deus no mundo. 4. recebe aquele que me enviou" (Mt 10. com apódose no presente a) Afetação vicária. os textos citados indicam as conseqüências que resultam da aceitação da missão.16. significa a maneira como o próprio Deus se toma visível no mundo. Vale notar que a relação entre Deus e Jesus.40s. portanto. pois. Clem. TestAser 2. Nos quatro evangelhos apresenta- -se um quadro bastante homogêneo: trata-se de receber (alguém como hóspede. como também no judaísmo da época. .. Mesmo por um gesto insignificante para com alguém enviado por Jesus. rejeitar (gr. No NT há frases desse tipo sobretudo nos quatro evangelhos.8 chama de "Espírito Santo"). rejeita o autor da Lei do Senhor e irrita-o). decide-se a relação com o próprio Deus. Aí se trata. Frases no esquema "ato-efeito ". tanto mais forte é também a expressão da unidade "ecumênica" que se revela exatamente em tal elemento tradicional. 14.é "santo". Clem. A Lei. Mt 1O.20. 44.Também alhures vale no cristianismo primitivo seguinte: quanto mais um texto ou uma tradição está ligado à delimitação do mundo lá fora. É assim que chamamos o seguinte conceito: "O que foi jeito para a. é considerada representante de Deus como o mensageiro o é em outros textos.de ouvir. Epist.37. porém.10 mostra que esta expressão de Josefo. Fora desses textos.216s (quem lesa a Lei/a justiça. Uma comparação com At 8. Quem faz alguma coisa ao enviado o faz propriamente àquele que o enviou. porque a justiça é o poder de Deus).. e quem me recebe. mas também em Paulo e Tg.6 (quem prejudica o próximo. athetein). o enviado está intimamente ligado a Deus . O que de Deus é ofendido por um pecado neste mundo é a imagem e semelhança de Deus. mas contra o próprio Deus. Jesus e os discípulos aos quais ele se dirige ("vós"). Jesus e uma criança. I 17. "o poder de Deus". 10..De maneira semelhante deve ser entendido Hen esI.

Frases que caracterizam quem é pecador ou transgride uma norma: Mt 5. nessas frases muitas vezes é feito um julgamento. Encontram-se sobretudo em 1Jo.28. tanto o contéudo como a forma dessas frases podem ser tradicionais. por sua vez. É de esperar.Aí as frases caracterizantes estão a serviço de uma interpretação mais exigente da norma (cf.De modo semelhante. todas essas frases têm caráter simbulêutico. Já que "algo de Deus" está neles. e a verdade nele não está" (cf.no esquema "ato-efeito" que fundamenta a cristologia. mas o é também da eclesiologia.36 Paulo decide para determi- nados casos se alguém pecou ou não (casamento). Podemos dinstinguir dois tipos claramente diferentes: I. que estas frases se encontrem freqüentemente nos pontos em que não havia ainda outros critérios para os limites da comunidade.4: "Aquele que diz: 'eu o conheço'.3s 2Jo 9 Se alguém ensinar uma doutrina Quem se adianta demais diferente e não se apegar às sãs palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo e à doutrina conforme com a piedade. um problema exclusivo da cristologia. um texto só pode ser dicânico se se refere a um ato que já foi consumado. Conforme Tg 4. é um mentiroso.17 é pecado quando alguém sabe fazer o bem e não o faz (compare Rm 14. mas não guarda seus manda- mentos. Assim. Mt 5.32.3-5. Por isso estão no limite entre o gênero simbulêutico e o gênero dicânico. nada entendendo. É digno de nota outrossim que essas frases argumentem visando ao tempo presente.2s: "Todo espírito que confessa Jesus Cristo vindo na carne é de Deus.18-21). . Mc 10.9-11. em lCor 7. supra § 38).6-8. de outro lado. e essas frases. Referindo-se aos falsos mestres.10. b) Frases caracterizantes Assim chamamos as frases que seguem o esquema "Quem faz x é a".18. e todo espírito que não confessa Jesus não é de Deus.4-10. trata-se de um encontro com o próprio Deus. Já que essa qualidade. Admonições . Lc 16. A intenção é tomar urgente a recepção dos mensageiros e da mensagem. e isso é ca- racterístico do anticristo".l1s: adultério ou perigo de adultério. São estu- dadas aqui porque de um lado se trata das conseqüências de ações ("Quem manda sua mulher embora. . e não permanece na doutrina de Cristo é por estar obcecado. Nestes seres humanos Deus se deixa encontrar. 3. portanto. então..23.. não possui a Deus. rompe o casamento"). conforme mostra a seguinte comparação: lTm 6. Os atos do ser humano caracterizam o que ele é. há semelhança entre esses 171 .15-17. Tais frases são freqüentes. interpretam determinadas ações como expressão de uma qualidade fundamental do agente. 2. A ligação direta entre a santidade de Deus e seres humanos não é. também 1. ficaria escondida e o ato não ficaria classi- ficado. ou 4. é idêntica à relação entre Jesus e os discípulos por ele enviados. por exemplo 2. e a finalidade dessas frases é proclamar o caráter obrigatório e decisivo desse encontro com os mensageiros de Deus. A atenção concentrada no poder carismático escamoteia a dimensão do futuro (como acontece mais vezes).28. sem tal caracterização. cabe a estas frases uma ação esclarecedora e classificadora.

"Seguir Jesus" sem dúvida foi entendido..1. especialmente 110 2.2b LXX e Musônio Rufo (Slob. Lc 9. Jo 15.2b. comete injustiça mostra ser mau e infame. mesmo se não fez mal ao próximo.48 ("pois o menor.35. Vit.37s com a apódose: "aquele não é digno de mim". não é apto para o Reino de Deus"). no tempo presente.22s. 3..23 Hense III 287): "Cada um que peca e. Em minha opinião. Também quem antes de Cristo se convertia do paganismo para o judaísmo (como Asenet segundo JosAs.Cf também Tg 2. Também Jo 8. 20.27s. 4. quando um limite foi ou é transgredido.Frases sobre o pertencer a Jesus há também em Me 9. aquele não pode ser meu discípulo" (v. flor. Textos análogos: Pr 14. l Cor 7. . pois em todos esses textos trata-se de uma grandeza atual na 172 . Lc 22. exemplos de um "iluminismo" sapiencial (proléptico.17 (pecado).llb. do ponto de vista de uma escatologia projetada para o futuro).1-12 uma longa admoestação foi construída com frases caracterizantes. Mt 12.62 (a alguém que ainda quer se despedir: "quem.15-17. 26: não renunciar à parentela e à própria vida. foi somente na suposição desse sentido mais amplo (metafórico) de seguir/imitar (Cf. Admonições no esquemo "ato-efeito" textos e o gênero da "definição"). acima menciona- da): Me 3. 27: não carregar sua cruz e seguir Jesus. por determinadas formas de comportamento.Não consta que tenham sido carismáticos ambulantes: o texto não fala nem de ambulação nem de carisma. VII 186: "quem comunica os mistérios aos não- -iniciados peca". como em Tg 2.O trecho de Tg 2.14s.40 (quem não está contra nós é em favor de nós). Bornkamm. renun- ciava aos parentes (antes da conversão ou depois) e às posses (igualmente ou antes ou depois). 11.21s. III 6.4-10. elas são. Pois quem peca.. Sr 27. é tornar-se culpado do todo) . Outro grupo de frases fala sobre quem é amigo de Jesus (Jo 15.10 (observar toda a Lei.. Há também frases caracterizantes na segunda pessoa do plural. por conseguinte.11. G. Lc 8. 9. é mau e infa- me". Em 110 5. v. nestes casos. portanto.13.50. "o que é" verdadeiro pode ser discemido desde já. em: Fs.6.4. Frases bem semelhantes encontram-se em Mt 1O.IgualmenteMt 5. Philos. 23. H.llb (com: "Lei"). Aí se revela também a função histórica dessas frases no cristianismo primitivo. Às vezes a frase caracterizante está formulada no aoristo (Mt 5.- Cf.21. 4. Diógenes Laércio. 120-132) que estas frases puderam ser trans- mitidas também por comunidades que não seguiram Jesus em sentido literal. .28. mas tropeçar num só ponto. Comparável é também Lc 9. pois se trata eviden- temente da profissão de fé no Cristo: Não é somente no Juízo que o ser é separado das aparências.. 3.21 (quem despreza o indi- gente peca). no sentido de "guardar seus ensinamentos" (como o "seguir a Deus" ou o "seguir a Moisés" do AT). 3. e Jó segundo TestJó). que terminam todas com: " . 33: não renunciar às suas posses)..16). . Mora esses últimos dois textos. Frases desse tipo marcam os limites. Ill.14: aquele que faz o que Jesus manda) ou quem é seu verdadeiro parente (o reverso da renúncia à parentela. W Kuhn.26. v. O aoristo mostra. .28.31b deve ser mencionado.8s (bipartido). pois se trata de quando é que a Lei é transgredida. este é que é o maior") pode ser comparado com Mt 18. Frases que caracterizam os discípulos de Jesus e os que pertencem a ele e à comunidade: Lc 14 dá uma série de frases condicionais. desde cedo. todos os demais referem-se a um grupo de pessoas que sacrificam seus laços econômicos e familiares por causa de Jesus.8-11 é até um exemplo típico de um texto caracterizante.39 (ninguém pode fazer milagres em nome de Jesus e depois desprezá-lo). na medida em que peca.31s.

. SI 112. Chr. e isso explica outrossim a tendência de mostrar também a forma oposta. 11. nem de uma oposição entre uma ação ou atitude e seus efeitos ou conseqüên- cias. felizes sereis vós. mas também a inclui. 1973. é mais abrangente que aquela entre o ato e seus efeitos. "Zur Form.. KAHlER. Theol.und Traditionsgeschichte der biblischen Makarismen.16 é um agir humano com conseqüências que podem ser mensuradas de acordo com o esquema da relação entre os atos e seus efeitos? O "não se escandalizar por Jesus" (Lc 7. mas descrevem um único tipo. uma forma de vida. De Veterum Macarismis (RW 14.23. A relação entre o ato e seus efeitos não se refere aqui apenas a uma grandeza no futuro (depois do Juízo).10. 1958. Será que a aflição de que fala Th 13. CHR. nas palavras sobre as suas obras nesta terra . mas - como já no caso do Filho do Homem. Giessen.4). Diss. no macarismo.. Bem-aventura nços comunidade. Quando não há semelhantes formações de séries. Não se trata do efeito de algum ato. 1974.: G.ls. Um indício de que as bem-aventuranças 173 . J. I. in NTS 23 (1977). É insus- tentável a distinção entre a atitude pessoal do homem ("condição subjetiva") e outras influências ("condições objetivas". Pois aí surge logo a insolúvel questão acerca da proporção entre o agir divino e o agir humano. do qual se diz na primeira linha: "Feliz daquele que. mas propõe um modelo de vida. Jena. 36-58. E sim: bem-aventurado é aquele que se encontra numa situação feliz.20s não diz que se trata de pobres e de tristes que sejam justos).lss. Mas não é verdade que na maioria dos macarismos se trate unicamente de um comportamento humano adequado e de suas conseqüências.14: "Se vos ultrajarem por causa do nome de Cristo. 1969. SISaI1O. Studien zur Forro. A comunidade certamente estava interessada também em ter agora autoridades que realmente pudessem obrigar. Em seu estudo sobre as bem-aventuranças. Podemos concordar com Kãhler que os macarismos geralmente pertencem a algum gênero sirnbulêutico. e isso explica também a forma" ção de séries das mais diversas sentenças sobre o homem. id. na qual tudo sucede para seu bem e da qual fazem parte também suas boas ações. SI 1. DIRlcHlET. nessa totalidade. XVI 17- 19". o agir de Deus etc.). porque o Espírito de Glória. 1914. § 52. Les Béotitudes. Bem-aventuranças Bibl. é muitas vezes mencionado. mas de uma "totalidade abençoada" em que se encontra o ser humano que pertence a Deus. Muitos exemplos indicam que a bem-aventurança não se orienta propriamente por determinada ação e suas con- seqüências. Também as bem-aventuranças do Sermão da Montanha não indicam diversas categorias de pessoas.und Traditionsgeschichte von Monh. então quem age. aquele elemento pelo qual alguém se tomou um justo ou pode ser conhecido como tal. Mt 11. L. que só pode ser alcançada pela humildade.6) pode ser avaliado dessa maneira? E quando lemos em lPd 4.à combinação entre poder e humildade agora. o homem ou o Espírito? Particularmente todos os textos em que são chamados de felizes os que vivem em sofrimento e pobreza ficariam incompreensíveis (pois Lc 6. Kãhler considera os macarismos que prometem felicidade a determinado comportamento humano uma das possibilidades de formular a relação entre o que o homem faz e o que lhe sucede (o esquema ato- -efeito)." (cf. repousa sobre vós". DUPONT. 111. Portanto não se trata nem de atos isolados. Sr 14. A coerência entre o presente e o futuro.2s). o Espírito de Deus. Pois a um ser humano que deve ser chamado "feliz" pertencem todas as possibilidades. por exemplo.

Mt 5. é a regra geral.14 (poder sobre a árvore da vida.16 BA). e no judaísmo. entrar na cidade). no NT. neste lugar. Com exceção de lPd 4.9. 14. explicita ainda num segundo membro o caráter da felicidade prometida.43 (estabelecer sobre todos os seus bens).7. par. Tb 13. Hen et.13s. em que muitas vezes se insiste. Estando na segunda pessoa do plural. Tg 1. 42. pois aí se trata do "ouvir e observar" o escrito inteiro. JosAs 16. 6.8. no Novo Testamento: Mt 16.25. 106. Hen. por fim. SISal 6.2 (destino glorioso: luz do sol e vida eterna).3. SI 1.14 (sobre o presente). No judaísmo essa tendência já era bem clara. Especial atenção merece a posição de um livro no final. Mt 13. SI 127. Sib IV 24ss (início da mensagem da Sibila). 112.10 (salvação). entre o ouvir e o fazer (Lc 11.1. Ap 22. Lc 6. por exemplo. No judaísmo mais raros.28s [30].1.17: o Pai revelou.28: ouvir a palavra de Deus e observá-Ia. além da bem-aventurança é mencionado apenas seu portador (implicando muitas vezes a con- dição para ser portador. Lc 1O. em alguma "salvação".13: as obras seguem).A palavra "bem-aventurado" costuma estar no início.12 par.20. Dn 12. 58. 137. esl.7 (julgamento imparcial). Uma série de textos.20 G. SI 41. 99. Mt 16. reinarão).10 (vida sem fimj.2 (início do terceiro discurso em imagens).1: saber e pôr em prática.1. a bem-aventurança sempre se refere ao competente portador atual da Revelação (p.7. . mas no NT assaz freqüentes são. 58.23 (alegria. de teor implicitamente universal.1 (salvação).2 (salvação). . às vezes também no fim (SI 2.16s: profetas e reis não viram. frutos).ex.13 (descansar de seus trabalhos).3.Sobre a forma literária dos macarismos é preciso anotar ainda: 1.23 (salvação). TestNeft 10. todos os textos do NT que explicitam em que consistirá a "bem-aventurança" referem-se ao futuro escatológico.l l (colher). no AT ela falta.3). SI 84. Sr 14.13 (vale mais do que a prata).15. Mt 5.1. 144. 10. 44.12 (coroa da vida).12.7). como Tb 13.23s. SISal 4. Pr 3. 174 . Quanto àforma das bem-aventuranças:Não há automacarismos na primeira pessoa gramatical no NT. 22.3.1.1. Tg 1. Jo 13.3. Lc 6. Quando a segunda pessoa do singular é apostrofada.32). assim em Ap 22. A maioria das bem-aventuranças é de um só membro. Pr 8. SI 127.10. sacerdotes de Deus e do Cristo.13. 14.6 (brilho sétuplo).5. 82. 66. SI 94. . mas a ordem pode também se inverter.Em textos posteriores é nesse lugar que a bem-aventurança pode ser relacionada explicitamente com bens escatológicos.1. Ap 14. II . falava-se muitas vezes. 119.1. Ap 1.5 (não sucumbirá).12. Sb 3. Ap 1. 20. as bem-aventuranças dirigem-se a um determinado grupo (de eleitos). SI 112. 41. Por causa da função de seu conteúdo (apresentação de uma totalidade escato- lógica).2 (linhagem e descendência poderosas). por exemplo "os justos" em Hen et. 4Q 185: cwnprir a sabedoria.12a (repouso nos dias maus).1. porém. Test.4 (receber sua medida no dia do grande Juízo) e.14..6 (a segunda morte não tem poder. isto é. 4Q 185 (herdar sabedoria). Ap 1. . os macarismos encontram-se freqüentemente no início de um conjunto de textos (SI 1. 22. No AT. Lc 1.37 (cingir-se e servir).4a).10 (lugar no céu).45.3 (árvore. Bem-ovenrurcnçcs descrevem a totalidade de uma situação é o elo. O macarismo na terceira pessoa. em Lc 12.Isaac 10.17). 32. os macarismos que não descrevem o conteúdo da felicidade mas o motivo pelo qual alguém é chamado feliz (no judaísmo: Sr 50.15s (alegria).Os seguintes textos têm certamente sentido escatológico: Hen et. 99. pois a palavra "bem-aventurado" por si só ainda não expressa isso.

Felizes os que às suas exigências se conformam. E enquanto nas séries mais antigas predominam os sinônimos.9. .8. porém. quadrúpedes sacrificados.13.Será difici1 achar textos antigos que chamem de "bem-aventurado" a quem tivesse recebido uma revelação especial.Indi- 175 .32. Contemplam a grande glória do Deus único não cometendo crime de homicídio.. de todo o coração o procuram. Séries como a do SI 119 encontram-se ainda.5ss. confiando na piedade. Sr 14. . andam em seus caminhos. no Antigo Testamento.Para um total de cinco frases é explicitado apenas duas vezes o "felizes os. de conteúdo basica- mente social. Já que a sabedoria era considerada um bem. Não cometem crime.Depoisde uma explicitação do mandamento principal é dado um catálogo parenético de vícios.ls. Bem-aventuranças 2.Exemplos: SI 119.ls. as frases são sinônimas..Pelo contexto também Hen 82. SI 32.34). pois isso é o pior de tudo. . . 8. SI 137. Desde cedo os macarismos foram transmitidos em séries.15-16 S (três macarismos).1-3 Felizes aqueles cuja conduta é íntegra e que andam na Lei do Senhor.. TestNeft hebr. nem fazendo lucro desonesto. cada "bem-aventurado. os que a possuíam eram elogia- dos como "felizes". Sb 3. 144. e depois em 4Q 185. acima de muitos. Pr 3. Asenat. Aí se pode constatar uma clara fusão com a série parenética pagã.23s par. 3. .8s.15. ou talvez uma forma preparatória da bem-aventurança daqueles a quem segredos divi- nos foram revelados ou a quem foi permitido comtemplá-los: JosAs 16. Sib IV 24-34 Felizes nesta terra são os homens que amam o grande Deus. estruturas vãs de pedras surdas.3. pois os inenarráveis mistérios de Deus foram revelados a ti".. desviam seu olhar de templos e altares. pois aos justos é revelada a astronomia..".57: "Tu és bem-aventurado . . sem limites.4a se assemelha a isso.20-27 G.. nas mais recentes (inclusive Mt 5. Mt 16.14: "Bem- aventurado és tu. TestIsaac 2.". SI 106.17.5s. em SI 84.1-11) verdadeiras séries parenéticas são elaboradas na forma de séries de macarismos.13s. Nos textos mais antigos. mas suponho que chamar de "feliz" a quem recebeu sabedoria foi uma espécie de analogia.16s." refere-se a vários aspectos a ser elogiados.. o termo "bem-aventurado" não é repetido para cada membro da série. Mt 13. Lc 10.. 10. desde textos bem antigos da literatura bíblica (IRs 10.8s (11s). . Sr 25. e o louvam antes de comer e de beber. manchadas com o sangue de seres vivos. nem desejam vergonhosamente o leito alheio nem a violação medonha e detestável de meninos. Tb 13. 4Esd 10. Quanto ao conteúdo.

13: os que morrem no Senhor (mártires?). 52.12: suportar a tentação. 146.). no luto e na penúria dos que pertencem a Deus os macarismos vêem um sinal dessa pertença (Dn 12.9. Sib IV. Ap 22. pelo que aconteceu (não de uma remuneração da pa- ciência): quem pertence a Deus sofre da rebeldia do mundo contra Deus.18. insiste também no comportamento social (5.5.29: as estéreis. Pr 14. 42. e não pecam como os pecadores).j/l l (bem-aventurado/ai de.6-14 (com tendência a acentuar compor- tamentos sociais) (o v.4-7.15.1-9/10. mas terá sua parte também na futura vitória de Deus sobre o mundo. Mt 5. SI 112. Esses macarismos dirigem-se aos eleitos. golpes. Lc 6.14 (abençoado-maldito). 103. Já que o homem para o qual vale a bem-aventurança é sobretudo um "tipo".5.13: a esterilidade.1 (bem- -aventurados/malditos). 40. 6..3s). os que choram. encontram-se em Is 56. Mt 5. 24). 42. mas algo que acontece.16: tristeza por causa do castigo divino.9). julgar com justiça em favor de viúvas. Is 30.1.12: perseverar.. Por isso há um nexo fundamental 176 . Rm 14.22b/23.. não é uma "atitude".20s: os pobres.14: ser ultrajado por causa do nome de Cristo. O catálogo de Sib IV 24ss.20-23/24-26.18. 84. No castigo. Lc 23.Conside- remos agora a história da forma lucana: 4. Essa interpretação é confirmada pelos numerosos textos em que um macarismo se refere a quem pertence a Deus.10 (bem-aventurados). superabundante.21 (peca/bem-aventurado). Hen esI. 11-15 (série anafórica de ais)....5ss (bem-aventurados/ai de. Ao passo que Mt desenvolve no decurso do Sermão da Montanha a antítese à Lei. vestir os nus. 16 desenvolve o mandamento principal. Bem-aventuranças cações igualmente ainda muito gerais. 99. Do NT deve ser mencionada aqui a série de Mt 5. no v. depois há: julgar com justiça. 34. conse- qüentemente. Sb 3.34/35/36.6.1-3/4-5/6. SISal 10.12 par. órfãos e doentes. 52. os famintos.": SI 1. Hen et. e para ele valerá o "ai de. TestIsaac 2. mas ressaltando o sábado.1: prova- ção. 89. porém. Pr 16. SISal 6.23: ser perseguido por ser cristão. que pelo conteúdo forma uma unidade com as antíteses do Sermão da Montanha e. Tb 13. 28..12.5 (ai/bem-avenrurados.. Pr 8.). cf. Sib IV 24-34. A finalidade da compo- sição dupla em Lucas (de forma totalmente diferente de Mt) é a delimitação entre as pessoas às quais se dirige (daí também a segunda pessoa do plural) e os que não pertencem a este grupo. 3. Ap 14.13. 5. nele confia e invoca seu nome (SI 32.). ironicamente trocados).o que fazem os "abençoados" e os "bem- -aventurados" é idêntico). Lucas visa com muito mais clareza aquilo que é tratado também em Mt 6-7 (mas com polêmica antifarisaica): a divisão entre os que têm um futuro e os que não têm nada a esperar. no sofrimento. Numa parte dos textos trata-se da constância no sofrimento (perseverança) e do sofrimento por causa da justiça e por ser cristão.35 (nunca imitar os demais). Ren esI. citado acima.14/15 (fora os cães .. outro exemplo deste gênero é Hen esI.20.. Nos macarismos. 4.1. segue o modelo da parênese grega.10 (conj.14 (bem-aventurado/desgraça). Tg 1. Lc 6. O sofrimento em si. então. açoite. lPd 3. Tb 13. 13: misericórdia). .14: sofrer por causa da justiça. esta série corresponde ao que foi anotado em I.16. Lc 6.14: ser eunuco. também o "tipo contrário" muitas vezes é mencionado.4a (bem-aventurados. Is 3. 29. trata-se da compen- sação plena. 82.15s (bem-aventurado . Por estar no início da pregação de Jesus.1-11.

29.28).20ss.7. nota 16).16 corresponde a dos que j á não podem ser testemunhas oculares mas crêem por causa do seu testemunho (Jo 20. fácil de distinguir. cf.6). sempre que for preciso". pois isso lhe traz grande vantagem". também o NT valoriza os macarismos e usa-os em lugares de destaque (Mt 5. formula- dos por pessoas que não pretendem ter nenhuma autoridade especial. A maior parte dos macarismos gregos são votos pessoais de felicidade.l1s. Ao lado desses encontram-se macarismos sobre pessoas falecidas. de Hipócrates (ed. 76).ex.3.22.ex. A palavra makários foi substituindo cada vez mais os termos mais antigos ólbios e eudáimõn. At 20.No mundo profano o caráter normativo foi desaparecendo.13s.28s. a bem-aventurança do leitor no final de escritos de revelação [Berger.18. É especialmente neste lugar que se pode constatar uma proximidade entre a bem-aventurança e o enkómion (ver § 99). é o da bem-aventurança da mãe do projeta: Lc 1..ex. Kãhler. Bem-oventuranças entre as bem-aventuranças dos convertidos e as dos receptores de revelações (sobre essas duas formas. Ap 20.7s. Lc 6. quanto a Ap 1. Rm 4. 22. Hereher.lss. mas contém um elemento extático-carismático que é a alegria já presente. b) encorajamento para manter os mais importantes princí- pios de conduta. cf. 11. Ela vale para o próprio profeta. Dn 12. À bem-aventurança das testemunhas oculares em Mt 13. DM 82: "Feliz de quem tem propriedades e inteligência. de uma felicidade presente" (Chr. são os povos que encaram os homens bons como suas armas. § 3. 1Pd 4. e sim as opiniões de homens sábios". 54. depois da descrição dos feitos de Deus: bem-aventurado é quem nele confia) e depois de exortações (p. que têm a finalidade de destacar a infelicidade própria (com certa freqüência esses penetraram também na literatura apocalíptica). nos textos judai- cos e cristãos isso é diferente (mas também frases como Lc 14. Tg 1. mas há também formas mistas.45. Is 30. 7. 1974. Auferstehung. 14. Um grupo à parte. 11. De origem claramente grega é sempre também o uso do comparativo (cf. 61. igualmente Hen esl.10 e em numerosos apócrifos (ThZ 28 [1972] 308. kakodaimo- nésteros). 291): "Felizes (gr. e não as torres nem os muros. 177 . pois usará bem suas posses. Sr 50. Lc 11. cf. 9. . ApBar sir. 460 nota 113]). ThZ 28 [1972] 308-330). Fragm. c) proclamação da adesão ao cristianismo como valor efelicidade. KL 135: "Bem-aventurado o homem cujo protetor é Deus". encomiástica.2/12 mostram que o macarismo não se refere exclusivamente à remuneração futura. Por causa de sua forma retórica. Mt 5. aí a bem-aventurança tem caráter de comentário.3. Nos cantos de vitória (epinícios) e de núpcias (epitalâmios) "predomina a constatação elogiosa.15 não se distinguem dos votos de felicidade. Situações típicas em que são empregados: a) superação de sofrimento e pobreza. porém. sobretudo na gnomologia.27. Particularmente bela é a carta XI.. Não faltam analogias gregas.35s) e de crescendos (em três gradações.: feliz de quem assim agir).48. 256 (Nauck): "Feliz do homem que tem entendimento e honra a Deus. Sib VIII 163s). DM 45: "aquele que pratica injustiça é mais infeliz do que aquele que sofre injustiças" (gr. cf. makárioi).42. que é retida facilmente na memória (a pa- lavra "feliz" está sempre no início e tem amplo significado semântico). p. 10. As que mais se aproximam do NT são as gnomes formuladas como macarismos: Eurípides.12 LXX. Com certa preferência formula-se uma bem-aventurança depois de uma des- crição (p. 8.

Os mesmos recursos. Diatribe. Berlim.?") e as invectivas.17s (porque dizes . a repreensão.6. os macarismos tornaram-se instrumentos importantes para a formulação da esperança cristã.. de desejos.. hipócrita!". ANRW. Praem.12). e nos textos que falam do "ouvir e guardar" e do "suportar a provação" (Tg 1. L. mas também pela citação do SI 32 em Rm 4. 12.1-6.23 (não se escandalizar de Jesus)...7-10. Em GI4. submetei-vos a Deus".. Não se trata. 152: "O prosélito. que são as mais belas: porque passou para o lado de Deus e porque recebeu.11-12 ("Tu.?". "Tu. R. na vida cotidiana. § 53.3-5 pergunta: "Por que olhas o cisco . pois.40s a repreensão tem função de reforço: a crítica dirigida a Pedro ("Simão. que as repreensões desse tipo não se situam no domínio forense.26. como introdução à exortação de 4.20ss (que tem caráter protréptico).8-12 a repreensão. como aviso para não recair. Poen....?" e dirige-se ao ouvinte. porém. No judaísmo: Fílon.14 (lavar as vestes). aconselho-te.A ordem inversa: primeiro a exortação e depois. Bultmann. A repreen- são não contém necessariamente um anúncio de desgraça. ordens ou intenções.7s (Abraão como protótipo dos que pela fé se voltam para Deus). . do erro de suas ações.Finalmente. e sim de constatações. a repreensão é também um elemento da diatribe/dialéxis (cf.lss e Lc 6. quem és tu para julgar teu próximo?"). porém.. Com L. d) A feli- cidade dos recém-convertidos é proclamada em Mt 5. 1283-1285. Ap 22. Markert. a) A repreensão intensifica a admonição: Os recursos mais comuns da repreensão são as perguntas oratórias de censura ("Que estás fazendo. . e os ouvin- tes são chamados de "gente de pouca fé".) é uma seqüência de repreensão e de admoestação para a conversão. Já aparecem com bastante freqüência quando a admoestação fica mais insistente. com toda razão. cujos autores foram os apostrofados). na peroratio. Sfruktur und Bezeichnung des Scheltworts. De modo semelhante a con- clusão de Lc 12. O caráter de censura costuma manifestar-se também na semântica.. Admonição e repreensão Diante do caráter em alto grau indemonstrável da salvação adquirida. Quanto à forma. a repreensão consiste na apóstrofe dirigida à segunda pessoa do plural (geralmen- te o sujeito da ação) e na censura (apresentação negativa da ação. estás dormindo? Não pudeste vigiar 178 I II . que começa com: "Por- tanto. Markert observou. 1977. . é o que nos mostram alguns textos do NT em que a repreensão é combinada com exortações. embora essas possam também ser formuladas como perguntas retóricas ou enfáticas.37s e de Mt 26. um lugar firmemente estabelecido no céu". Mt 7. é empregada em Tg 4. tornan- do-se uma repreensão.. serve de preparação para a admonição que começa com o v.? Ou como dizes a teu irmão. Ap 3.28 pergunta. Da pertença fundamental ao cristianismo trata- -se em Mt 11. Lc 7. bem como uma sentença. fine gattungskritische Studie anhand des Amosbuches (BZAW 140). '" é admirado e proclamado feliz (makarizómenos) por causa de duas coisas. uma citação bíblica e uma demonstração da inutilidade da ação errada são usados em Tg 4. como presente sumamente adequado. Admonição e repreensão Bibl: L MARKERT. censurando: "Por que vos preocupais. entendo por "repreensão" a critica de ações passadas. 52). Também na narrativa de Me 14. trata-se antes de convencer alguém..

71).-Fílon. o caráter simbulêutico ainda é bem claro. O mesmo material (repreensão. ela se encontra depois de uma manifestação do poder de Jesus (v..encontra-se um elemento de repreensão antes de um novo ensinamento de Jesus: o mandamento antigo sobre o certificado de repúdio foi dado por causa "da dureza de vossos corações" (Me 10. como podereis escapar do castigo da geena?" Pergunta semelhante é formulada também pelo Batista em sua 179 . Essa admoestação se toma penetrante pelo exemplo negativo de Pedro. Lc 3. Para o leitor isso significa que a norma de Jesus é realçada por delimitação e contraste.38-40.34. trata-se de um texto simbulêu- tico." Conclu- são dupla: anúncios condicionais de salvação e de desgraça). encontra-se em Mc 8.8).28s par. At 1. b) Repreensão. 18: admoníção: aconselho-te..). há em seguida.. não". Em Mc 4. c) Repreensão e anúncio de desgraça: Quando os próprios agentes são apostro- fados (segunda pessoa gramatical) ou quando se trata de um comportamento em geral. Há certas analogias no Ps. v.4-8 . aí cada "ai de vós" é um anúncio de desgraça.33-37. Em Tg 5. Quanto ao discurso contra os fariseus.. 17: repreensão.. Em Mt 12. Em Me 10.7-9). 15). . funda- mentado com repreensões e invectivas (p. 2-4) e uma repreensão (vv. na carta VII (3. guias de cegos"). "cegos. v. 4-6). não de um que já pertence ao passado. V e VII). trata-se de um anúncio condicional de salvação ou de desgraça.como na créia de Me 7.5. um exemplo. com a seqüência de humildade e elevação que caracteriza o Filho do Homem e a comu- nidade por ele representada. v.28).11 etc.ex. antes de Jesus dar o novo mandamento (v. aponta para um fato. Lc 9. 40): aponta para o milagre e exige a fé.33 que toma claro que não se trata de um discurso de condenação e sim de um discurso de conversão: "Serpentes. pela fé e pela vida. admonição e anúncio condicional de desgraça) encontra-se também na pregação do Batista segundo Q (Mt 3. § 18. Lc 23. Mt 19. Ant. Bibl.1-11 par. mas dirige-se também ao leitor (cf. Admonição e repreensão comigo nem uma hora?".6-13. para que. vejamos primeiro a pericope Mt 23.. Pedro é para a comunidade um sugestivo exemplo negativo. admoestação e anúncio condicional de desgraça (principalmente nas cartas I. 13-33 (cf. III. v.39-48). na exortação aos fiéis para se familiarizarem. embora haja certos pontos em comum com os textos dicânicos (anúncio fundamentado de desgraça). crias de víboras. igual à repreensão do ouvinte.41. assim também Lc 22.5-6 (Repreen- são: "Por que . 20: anúncio condicional de salvação). pois. 16: repreensão e anúncio de desgraça.lss . ao mesmo tempo.19.7-10. Como forma intensiva de ensinamento. Lc 11. Mt 19. v. admoestação e anúncio de desgraça: Nestes casos. 22. Me 5. Mas é exata- mente 23. Também essa última forma.").39. ao que se seguem um anúncio de desgraça (vv. a admoestação recebe uma fundamentação ainda mais intensa.46: "Quê? Estais dormindo?" prepara a exortação de Me 14. 19: fundamentação e admoestação.15: repreensão. critica o comportamento dos ouvintes: Me 9. ~ Elemento constante nos diálogos de revelação e em outros eventos de revelação é a repreensão does) ouvinte(s) (cf.33 par. da mesma maneira os adversários são repreendidos em Me 7.22s a combi- nação de uma invectiva (Satanás) e uma exortação (seguir Jesus). por exemplo. apesar da re- preensão inequívoca em 12. Admonição: "Ide agora.38 ("vigiai e orai.1-6 ela até consiste exclusiva- mente na exortação aos ricos para que chorem sobre si mesmos (cf. Dessa forma de repreensão deve se distinguir aquela que precede um ensinamento particularmente importante e.Sobretudo nas cartas de Ap encontram-se freqüentemente a seqüência repreensão. Mt 16.

Jr 26. os vv. 23 retoma novamente a repreensão). Quanto às cartas do Apocalipse. 1-6 precede a admoestação (vv.11. No capo 3. e Lc 17. um chamamento para a conversão faz-se ouvir no presente. Não pode haver dúvida: a desgraça anunciada sobrevirá (cf. 6.15-17 começa com uma crítica da divinização de pessoas humanas (Que estais fazendo?) e continua com a exortação à conversão. Numa palavra: Mt 23 é um discurso de conversão. nota 587s.7. a desgraça anunciada é a destruição. Mas a palavra pode ser entendida também como frase dicânica. A seqüência repreensão-admonição encontra-se também na pregação da conver- são: At 14.37-39 combinam uma repreensão com um anúncio de desgraça em forma de vaticínio. (Cf. a fim de que pelo menos alguns indivíduos se afastem da massa perditionis e depois. 17-21 são uma admoestação. em Lc 23. Lc 11.. então. 630.14 (não para vos envergo- nhar).28-31. 5.I-lI (nos vv.1-10. Isso acontece principalmente em cartas: 3Jo 10 (quando eu for aí. pois a combinação de repreensões com anúncios de perdição encontra-se também no NT como predição fundamentada de alguma desgraça (cf. entendido como um abuso do poder profético para abençoar ou amaldiçoar.6s.49-51. Ap 18. de mostrar o nexo entre a desobediência e a ruína. a argumentação a minore ad maius sobre a árvore verde e a árvore seca em Lc 23. Berger. 17). cf. ou pelo menos vejam então o sofrimento na perspectiva cristã.31). Paulo usa a expressão em 4. cf. quem vos ensinou a fugir da ira que está por vir?" Um problema especial é sem dúvida o subseqüente vaticínio em Mt 23.27). laO I li . A combinação de repreensão com anúncio de desgraça tem caráter simbulêutico. Tal "profetizar" era então. farei x.7: "Crias de víboras.41-44 e Mt 23. Aí teremos de argumentar com base nos vaticínios de Me 14. b. ou sejam salvos (Lc 17. Trata-se. porque ele faz y).34s.34-39 par. supra. Essa palavra pode ter tido uma intenção simbulêutica.34-36 pensa evidentemente num acontecimen- to semelhante à salvação de Ló. 13.1 e na combinação de exortação para a conversão com vaticínio. Lc 3. os vv. Me 13. semelhantes são 2Cor 10. Em cada um desses textos trata-se de uma repreensão. cf. quando um anjo o buscou e possibilitou sua fuga. De igual estrutura são as palavras dirigidas a Simão Mago em At 8. É sobretudo em ICor que se encontra a combinação da repreensão com a admo- nição epistolar.20-24 e AscIs 3. Pois tanto no AT como na opinião do judaísmo (segundo o texto judaico Martírio de Isaías) o "profetizar contra Jerusalém" mais de uma vez foi a causa da morte de profetas malquistos. No capo 5 a repreensão (vv.20-21/22 (e o v. supra. Admonição e repreensão pregação da conversão (cf. cf. parcialmente como anúncio condicional de desgraça (v. 12-18 uma sistase segue a ameaça) e 13. em b) em Mt 3.10.) Tg é apenas um exemplo do uso intenso da repreensão nas cartas do NT (sobre o arsenal de formas de repreensão nas cartas helenistas. 1-4. A repreensão censura a cidade porque muitas vezes não quis escutar.5 e 15. 7-13). 1345- 1347). Auferstehung. com a finalidade de levar o ouvinte ainda a escutar.34. A ambivalência dessa forma pode ser um indício decisivo dos motivos pelos quais as autoridades quiseram liquidar Jesus. Quando quem fala relaciona a desgraça anunciada com uma possível ação pessoal. Apesar dessa inevitabilidade.16 são elementos de repreensão.21 par. o elenco em ANRW. podemos falar de uma ameaça. quando vier a desgraça. Lc 19. Aí ficamos conhecendo também o termo técnico: entropê.1. separando-o dos demais..21b-23a/23b-24).

Lc 11.46. que o homem terá de reconhecer como prova" (W Zimmerli. 1963.5-9.Todos esses elementos podem se encontrar em contextos em que predomina a repreensão. é a frase condicional no v. esse gênero literário encontra-se em Ap 2. mas também podem ocorrer isoladamente. Diferente: Lc 12. . Mt 6.15.2-3. (t) Invectiva + anúncio do Juízo: Mt 12. contra Paulo: 16.10 etc.13s.20.7b. . (h) Invectiva + pergunta: Mt 23. At 23. que se dirige ao outro a fim de incitá-lo a refletir.20b-21 é a repreensão. com a contra-acusação em 5. Observe-se que a exclamação "até quando? . a pergunta retórica. é uma fórmula com esta estrutura: "a fim de que conheçam que eu sou. Tg 2. 120-124). 21.47-51 (com "ai"). . com ironia: 2Cor 1I.9. a predição do Juízo: anúncio incondicional do evento futuro. Mt 12. 22.28. Evidentemente. por meio do anúncio.23b a fórmula do "reconhecimento".27. 181 . 12. Mc 9.33.20-23b: 2.10. Por fim o "ai".30 e declarações de testemunhas em 5. Nova.32.15s.15. ela aponta para a autodemonstração histórica de Javé (em sua ação). Rm 2.10 (filho do diabo . Mt 23.. (d) Perguntas retóricas com caráter de repreensão (AT: Pr 6. recusa de dar um sinal..2. menos 23. em comparação com o uso desse gênero no Antigo Testamento.4. Mt 3. 24. Gl 3. etc.. desqualificação moral: "adultério".1-5. Lc 6. que qualifica o acontecido de acordo com normas socialmente reconhecidas.5. novamente como processo jurídico.1Ob).19. e) As repreensões do NT são formadas com uma série de elementos que podem ser combinados de diversas maneiras. § 51. "Do anúncio profético fundamentado.. Lc 3.20b-23 (o Juízo será contra terceiros).28.13. O NT apresenta o seguinte quadro geral: (a) Repreensão pura: uma acusação: At 5.?). com declarações de testemunhas: At 2.13-15 (com "ai"). (b) Citações de terceiros (anunciando o Juízo sobre eles ou julgando): 1Cor 15. não vais parar. 22. que pretendem desmascarar o outro e atingir sua segurança.25.7. Tg 2.19).29-36 ("geração adúltera". Citemos como exemplo IRs 20. 2.15b já há uma "alegação de prova" refererente ao mensa- geiro de Deus). também Jo 8.21. 2.4. (c) Uma pergunta ou avaliação que patenteiam um comportamento contraditório: Lc 6.22-23a é o anúncio da desgraça. Ap 3.3.11.13b. Juízo).41.25.28 (também em Zc 2. que é tripartida.. Admonição e repreensão d) Alegação de prova.Cf..5. mas a repreensão e a pergunta retórica ocorrem também isoladamente.?"). no fundo.13.. nes- tes casos.32.23.. usado de forma condicional ou incondicional. Os princi- pais são: a repreensão como denúncia de um comportamento negativo no passado ou no presente..20s.24. os dois gêneros têm algo em comum.32s ~ Como censura do desconhecimento da Escritura: Mc 2.29. A única novidade.) como na repreensão (Mc 9.28.26.No judaísmo: Sib III 556s. 23. ~ Como revide crítico em créias: Mc 12. a admoestação: junto com a repreensão aparece muitas vezes a indicação de como fazer melhor.23-32 par.21-23 e Mt 23.9: "Até quando .34 (+ sentença).22s. que toma condicional o anúncio de desgraça. "Como quereis escapar ao Juízo?": Rm 2.38-42. como base de argumentação. (e) Repreensão + anúncio do Juízo: Lc 11. que é bipartido." se encontra tanto na queixa (Ap 6.29-31. uma frase caracterizante (cf. At 13.". das mãos dos adversários.3. . anúncio de desgraça.34b (apenas julgando). nasceu a alegação de prova. efeito seme- lhante tem o julgamento qualificante. Gl4.7b.23.31.46. ThB 19. Jd 5-11 (com "ai!" e anúncio do Juízo). a finalidade é arrancar a Escritura. ~ Apresentação narrntiva da falha: Mt 21. 10.).19s.No NT.15-16. Ap 2. outras declarações de testemunhas: At 6. Mt 12.. invectivas (nomes de animais: "cria de víboras". Essa já não pretende propriamente anun- ciar apenas um acontecimento.19.. (g) Invectiva + repreensão: Mt 23.42.

16-22. Lc 16.26. Ap e a parte dos Atos relativa aos judeus com a fonte Q. Da mesma maneira há nos "vasos da ira" (9.7-8 (conversão). 2.?".22) uma ligação entre desobediência e obstinação. 4.18-32 é uma apresentação narrativa de como a ira de Deus se revelou e se revela. Mt 3.. A repreensão está combinada com uma argumentação em Mt 23.18-2. Hb 5. k. .28-34 (gente de pouca fé!).6s). 2.7-8 (conversão) (ambos com anúncio do Juízo). 3.16. Admonição e repreensão (i) Invectiva + pergunta + admonição: Lc 12. Mt 6. 3. a conversão.24 o Juízo é afastado pela oração.12-19. (j) Invectiva + admonição: Mt 23. 8).9. (k) Pergunta + invectiva + admonição: Mt 7. o gênero literário deste trecho deve ser definido como uma repreensão visando à conversão.13-15.6s.Na maneira como os homens estavam envolvidos nos vícios pagãos (1.1Os.19).1.28) ao pecado pela ação punitiva de Deus. 8.10. Mt 21. (I) Pergunta + repreensão: lCor 4.30s).2.11-14.17-21. Este quadro mostra que grande parte provém da fonte dos logia (Q). j.6. Os homens mantiveram cativo o conhecimento da verdade sobre Deus e por isso foram "entregues" (1.1-5. A admonição visa à conversão nos seguintes casos: Ap 2.. ela visa. esta noite"). e especialmente em lCor 3.2. q).20 (" . Freqüente é a expressão: "Não sabeis que .. À primeira vista.2- 7. Aí percebe-se claramente como Paulo está preocupado em construir algo de positivo na comunidade. ou em alguma aberração (Gl 1.1-3. 6.29 temos uma combinação particularmente interessante de um relato sobre a intervenção de Deus como Juiz com uma repreensão/pregação de conversão: .13.14s.7s (com ironia em v.56-58 (reconciliação). (m) Pergunta + anúncio do Juízo: At 5. A combinação com admoestações é relativamente rara (i. 5. Em Rm 1.1-29. At 3. Das repreensões do NT os seguintes pontos ainda merecem ser destacados: 1. Trata-se em primeiro lugar de um sinal para o leitor.20-22. 4. Muitas vezes a repreensão tem caráter simbulêutico.51-53.15.1-16 para todos os homens e a 182 . (P) Invectiva + pergunta + anúncio do Juízo: At 13. Um tópico constante é a referência à recaída na fase de principiantes.. Tg 2. o Juízo vem imediatamente após a repreensão. 4. 5. a ira de Deus se toma reconhecível. lCor 3. Lc 3.13s (brevidade da vida). então. (r) Repreensão + pergunta + censura: lCor 11. em 2. ou no paganismo (LCor 3.3. (o) Invectiva + pergunta + repreensão: At 7. emAt 13.14-16. Importante é também a repreensão que se baseia na oposição entre Deus e homem: Mc 11. semelhante é Tg 4.9.1-3. com que Paulo interpreta o aspecto criticado como falta de uma instrução que ele agora oferece (cf. Lc 12.16. mostra também a linguagem excepcional de Gl 3-4.9-11). .4s. (n) Repreensão + admonição: Tg 4. em At 8. 3. 5. bem como a semelhança de Tg.26. 6.17. porém.2- 4 (com frase caracterizante).1- 3/4-15. Gll.24.37-41. (q) Repreensão + invectiva + pergunta + admonição: Lc 11.9. n.3-5 (o cisco e a trave). comparável com o desconhecimento da Escritura mencionado acima em a.

o indicativo deve ser tomado ao pé da letra.12-16.3 e Mt 3.Mas o que uma pregação de conversão está fazendo neste trecho de Rm? De qualquer maneira.8c).7 par. .1/2-6. A causa dessa inevitabilidade é a reve- 1ação da Ira. que tal pre- gação seja precedida por uma descrição do Juízo e da obstinação.17 tem função de aviso ("cuidado para que não estejais grávidas naqueles dias. Lc 3. Já que as declarações sobre o endure- cimento do coração humano precederam... em Lc 23. cf.17 de modo especial para os judeus. mas ai do homem pelo quaL") são estruturalmente bem análogos a Mc 14.' Mt 18. a qual só podia funcionar com a condição de membros ricos da comunidade colocarem suas posses à disposição. § 54. mas ai do homem pelo qual. não há mais pos- sibilidade de conversão. 1... e que Lucas evidentemente considerava a imagem ideal também para o seu tempo. em forma indicativa. Os "ais" de Lc 17. Daí também as de- clarações.21 ("o Filho do Homem vai-se..". Isso deve valer também quando se trata de exortações para chorar por causa da desgraça que sobrevirá.7 ("é inevitável que venham escândalos. 183 .. apresentação das normas do Juízo) encontram-se também alhures na prega- ção de conversão. Pudemos igualmente observar certa independência de descrições de des- graças com relação às admonições a elas vinculadas (Lc 13.7. particularmente Rm 2. A exclamação "ai de. O anúncio de desgraça como admonição Já falamos do caráter simbulêutico dos anúncios condicionais de desgraça (ver supra § 51. As repetidas exortações para renunciar às posses seriam um cinismo se a comunidade fosse composta exclusivamente de pessoas muito pobres.São anúncios de desgraça que por si já têm caráter simbulêuüco. o anúncio de desgraça como admonição partir de 2. Ambos são expressões do estar longe de Deus. Pois essa sem dúvida significa: já que Deus causou a obstinação.)."). Tg 5. duas formas da mesma tradição. mas também pela descrição da comunidade de Jerusalém nos Atos. e pode-se presumir que se trata de duas versões paralelas.8) e das admoestações para evitar a desgraça ("a fim de que não. isso se evidencia não apenas pelo fato de se dirigirem à segunda pessoa (do plural). supra § 51.". Já chamamos a atenção para o caráter simbulêutico do "ai" em Mt 23 e Lc 11.18-32. é uma repreensão. A contradição de que uma desgraça há de vir e assim mesmo as pessoas são advertidas existe somente para nós.4s devem ser entendidos em sentido literal. Mas isso significa: os indicativos de 2.. Para o NT.21). que opera na obstinação (1.": Os "ais" de Lc 6. . Mt 11.18).").Dos abaixo tratados anúncios de desgraça sobre cidades. modernos. conforme está escrito.24a/24b-30 par.. Os diversos elementos (perguntas retóricas. não se trata de uma reflexão sobre a liberdade do indivíduo.21 e Lc 10.13 são formulados com "ai .24-26 não são uma condenação de pessoas de fora. como é 1.28/29-31. . do ponto de vista da história das formas. exortando para à conversão.. Também um "ai" como o de Me 13. mas do nexo entre a maldade humana e o destino escato- lógico. de 2. diferentemente do sentido que costuma ter neste gênero literário. Não há como escapar. A forma indicativa. Somente pela revelação da justiça essa situação é superada (3.1. que descreve a conduta errada. é singular.

Anúncios de desgraça sobre cidades."). Mt 11..15).13. quando é claro que são tidos como pecadores. o anúncio de desgraça como admonição 2.37-39 (que falam da cidade de Jerusalém) pertencem a este gênero (cf. conhecidos pecadores.15 lembram Is 14. e portanto de Babel. Mq 1.62 ("Vereis o Filho do Homem sentado à direita do Poder e vindo com as nuvens do céu") e Ap 1.7 ("Ei-Io que vem com as nuvens e todo olho o verá. sobretudo o v. Essa suposição baseia-se na estrutura antitética da frase (uns. . em que do rei de Babel. também Berger. pode também anunciar desgraça..Para a situação desses textos na história do cris- tianismo primitivo é decisiva aqui a relação entre as atividades carismáticas (Mt 11. Mt 26.13 em forma de "ai".3. Mt 11. 1. Todos esses textos possuem intensa função simbulêutica. nós os deduzimos da suposição de que se intencionou determinado efeito sobre o leitor.").23 e Lc 10. Em Lc 10.2..").31-46. A comparação como forma simbulêutica de aviso contra a desgraça. Lc 11.21 e Lc 10. porque os critérios do julgamento são expos- tos detalhadamente. .. diante da separação entre justos e injustos.. Exegese. terão sorte melhor no Juízo do que os ouvintes de Jesus: Mt 21. os outros) e em seu caráter "retórico". Este "oh" volta em Mt 11. pois eles se converteram. § 53c). 4.. como carismático.Também Lc 19.29-32:os ninivitas hão de condenar essa geração. outros há muito teriam reagido positivamente/eu. confrontá-los com a sua condenação no Juízo.. O canto fúnebre político transformou-se num anúncio de desgraça.7s ("Ei-l0 que vem . para fazer julgamento. Sempre se trata de que outros.2. bem como Jd 14s ("Eis que vem o Senhor com os seus santos exércitos.25-29 tem semelhante efeito retórico. numa comparação com Tiro. mas se precipitou no abismo.38-45 par.34-36 par. A apresentação do próprio evento do Juízo é uma admonição motivante. Mt 24. Lc 22.21. vos digo/nome dos que no Juízo receberão uma condenação mais pesada. É assim que entendo Me 14.69. cf. o "oh" de Is 14.. Comparem-se os anúncios do Juízo em Mc 14. cf. neste lugar.. supra).20-24 (cf.31s: Pecadores e prostitutas vos precederão no Reino de Deus. já desligado do ritual de luto. Na 1. 9. pelo menos nas condições daquele tempo. Descrições curtas e isoladas do Juízo pretendem avisar os ouvintes contra uma possível desgraça no futuro. Hen et.15. também os que o traspassaram. é dito que queria se exaltar até o céu.13-15.41-44 e Mt 23. porém. e uma desgraça ainda maior lhes é anunciada. Mt 10. por sua função no contexto (Filho do Homem).Mt 12.. Também a viva descrição do processo judicial em Lc 13. A sucinta descrição da seqüência de sossegado descuido e repentina perdição em lTs 5. Lc 17.23) e o anúncio da desgraça: quem opera sinais e prodígios.62 par. Com certeza deve ser interpretado assim Ap 1. as localidades onde Jesus atuou são julgadas. e provar a culpa. apresentada como rigorosa. igualmente a rainha 184 . Essas frases pertencem à tradição das "palavras contra as cidades" (cf.2-7.. .2b-3 avisa a comunidade para se afastar do mal (sobre o fundo veterotestamentário.64. e lamentá-Io-ão . Repete-se a mesma estrutura das frases: nome da cidade/diante das graças oferecidas. 29). 56). ao início de livros proféticos (Aro 1. ou então. Isso vale para a descrição do Juízo em Mt 25. 3. Quanto ao gênero. Sídon e Sodoma.12 mostra que se trata de um canto fúnebre político. Os critérios para deftnir o gênero. e a frase corresponde. Sf 1.40 exortam para decidir agora.3b-9.

Na falta do dativo.18-20 o "ai" introduz uma "disputa".38ss: a superioridade da salvação recusada A comparação (synkrisis) é um recurso destinado a chamar a atenção dos ou- vintes para a qualidade única do momento presente.29-36. 1978. Somente quando há realmente o dativo. 185 . Quantomais. exclamado pelo profeta.". Em todo caso.. O caráter simbulêutico de semelhantes anúncios de desgraça é testemunhado particularmente por Lc 11.18. Os textos com "ai" Bibl. Hardmeier)." é a exclamação usada no Ar para lamentar os mortos (IRs 13. para ser vista. pois. o "ai" é apenas expressão de tristeza em sentido geral. graças à redação de Lucas. lur rhetorischen Funktion der Trauermetaphorik in der Prophetie. a tradução "ai de . o metaforismo da morte já chegou à última conseqüência. Os textos com "ai" pagã de Sabá. E. esta forma tem uma história bem dife- rente da dos gêneros introduzidos por "ai" (de modo geral. 35 é a exortação: "examina. da certeza da desgraça que vem" (C.12: as cidades de Tiro. pois. como se encontra em Lc 6. Quando assim entoado. Lc 10. 29-32: anúncios de perdição para esta geração perversa.Lc 10.".. se olhar e escutar o que Jesus faz.." é inadequada em primeira abordagem. A função do "ai" como introdução é "deixar todos participar. e sim expressivo. é decisivo possuir um órgão para receber esta luz).. HARDMEIER. um lamento fúnebre (p. portanto.16s) tem por objeto alguma desgraça iminente ou merecida. 34 parábola do olho como luz do corpo (ambas apontam para a necessidade de escutar[!]: Jesus é a luz.. "Ai. 34. "Die Stellung der Weheworte in der Verkündigung des Propheten Habakuk".13- 15.ex. deveriam os ouvintes de Jesusse converter (analogia com a conclusão a minore ad maius em Hb).5). . § 55. Com isso.15. A partir do séc. Am 5. o anúncio de perdição transformou-se em possibilidade de ganhar a salvação. importa também lembrar que esse "ai. Mt 10. não pertence exclusivamente a determinado gênero. VII. em Am 6. Pois aí. em diversos gêneros literários. isto é. 20-26. que finalmente termina até com um anúncio de salvação: vv.: C.30. profetas adotaram essa exclamação fúnebre como início de certas falas. v. E tratava-se apenasde um Jonas e de um Salomão. contanto que seja exposto à luz. Para o N'l.. em Am 5.3-7. o anúncio de perdição é ampliado com uma parte exortativa. in ZAW 85 (1973) 156-167.Sídone Sodomaterão um destinomenos pesado do que aquelas que repeliram Jesus e rejeitaram seus mensageiros. 35: teu corpo será todo iluminado. Orro.20-24. O motivo para essa comparação sem dúvida é o mesmo de Mt 12.. além disso insinua-se que existe ou é iminente algum motivo para luto.9ss (IM) (justos/criminosos). emocional e afetivamente. v.. Jr 22. 33: parábola da lâmpada. a justaposição de ais e bem-aventuranças. segundo Hardmeier. Texttheorie undbiblische Exegese. o "ai" distingue-se do termo "bem- aventurado". se.Por meio desse imperativo. Observe-se ainda que o "ai" não é essencialmente apelativo nem ameaçador. v. sempre usado como predicado. o termo "bem-aventurado" é propriedade de um só gênero).. Com essa exclamação desperta-se pelo menos a atenção.. O v. Ela se verifica no texto corrigido de Is 3. Mt 11. um "anúncio fundamen- tado de desgraça". não é muito comum.1. pois então o "ai" é dito de quem já pode ser considerado como morto. Por causa da ausência de caráter ameaçador.

14 (vós que devorais as casas das viúvas): Hen et.1: ''Ai dos que desprezam Sião e confiam no monte de Samaria".12ss." visam aos ricos e poderosos que combinam o exercício do poder com injustiças.13.. 96. uma tendência para a generalização mantém-se também em textos posteriores. Ez 13..". as séries de "ai de.4. 3. 41.8s). pois fiastes-vos em vossa riqueza .5 D. 98... A LXX reforça essa tendência (Am 6.1.14-16 e Hen eslav.13 (ai de vós que vos alegrais da aflição dos justos). 98..6.24 (LXX: Ai dos que detêm o poder.. A seqüência de bem-aventurança e maldição encontra-se também na "bem-aventurança do homem que trabalhava no sábado"." em Mt 23. para as admonições ameaçadoras de Hen et.. 94.Decisivo. . pecadores". no capo 42.8s [lOs]).. Teremos de apresentar esse gênero a seguir.7 (ai dos que constróem suas casas com pecados.. partindo dos textos do NT. Os textos com "ai" Encontra-se ainda em Hen et. Num conjunto de textos com a mesma forma desta- cam-se ainda certos grupos que constituem outros tantos gêneros. na história das formas e das tradições. Is 3. portanto.4 (ai de vós.).19 LXX). é descrito um tipo (como nas bem-aventuranças). 24.24s (ricos."). mas que antes disso já foi elaborado em Hen et.ls). e tendo como material de construção apenas os tijolos e as pedras do pecado). os pecadores. O motivo principal dessa combinação em Lc é o próprio con- teúdo: tanto o ''bem-aventurados'' como o "ai de.porém.. a) Lc 6." descrevem "tipos".8s.10-15: precede uma bem-aventurança. Is 5. TM: "Ai dos despreocupados em Sião") e.. onde ''bem-aventurado'' e "amaldiçoado" se encontram regularmente como opostos.23. mas vosso coração vos acusa de pecadores) e todos os textos com "ai" sobre os que estimam a mentira (Hen et.. como também alhures. 10. e sobretudo cidades (ver em 2).25 (vós que rides): Hen et.. Semelhante gênero temos aqui: "Admonições com 'ai' dirigidas a injustos detentores do poder". e na base de todos esses textos devem ser entendidas. e Lc 6. 99. a tendência moral (Is 24. No AT isso vale particularmente para as séries de Hab 2. Hab 2.11. em Lc 6. O "ai. vale a regra de que uma determinada forma ("ai . Sr 41. Hen et. e só em segundo lugar aqueles que de qualquer maneira estavam fora (Jt 16.3.8.6 (acumula o que não lhe pertence).13 (ai de vós que edificais vossas casas pela labuta de outros. 5.12ss par. Jr 26. Is 1.64: "Ai dos pecadores e dos que querem esconder seus pecados". 6Esd 16..18. 5." é acrescentado o oposto.1. a LXX já acrescentou o elemento daperseguição dos justos (ai das almas deles . 99. por exemplo.). depois há cinco frases com "ai". c) A tendência geral de Mt 23. pois prendem o justo).19.3. que se tomará importante para Mt 23. 97.78: "Ai daqueles que estão amarrados por seus pecados e amarrados por suas injustiças..4. especialmente a referência ao pecador e ao injusto (Jó 31. 100. d) Mt 23. 96.12ss par. A evolução em direção a Lc 6 talvez tenha sido favorecidapelo fato de que "abençoado/amaldi- çoado" tornou-se quase sinônimo de ''bem-aventurado/ai de. cf. por sua vez.. Sr 2.). Aí. cf Tb 13..9-11. 10.12 [14].. 94.9s. 99.17 [20]. é o fato de que ao "bem-aven- turados.12. desde o princípio os "ai de. (verdade/aparência): Hen et. com base numa visão dualista.24-26.4: "ai de vós." no início de uma frase) ainda não constitui um gênero literário. Onde os delitos são indicados mais concretamente." e a admonição simbulêutica Desde o princípio. Hab 2. 96. de um modo geral.16: "abolir a Lei". saturados): Hen et. 1. b) Lc 6. por conseguinte.8 (ai dos 186 . 16.. 16. pois a vossa riqueza apresenta-vos como justos. . os ricos. 94-100.18.. mas também para Is 1.5. o "ai" indicou os que apostataram de YHWH (Os 7..8-22.7.16 LXX.15.9. Sr 41.. e repetidamente. Em Is 3.8 (ai de vós.. Como...São principalmente essas séries que constituem o pano de fundo.

99. como regularmente em Hen et. fraude e calúnia). Is 10. 96. para Lc 6.12. Em Lc 6. que segundo Jd 11 merece um "ai". Hen et. por isso a relação entre a perseguição e a destruição forma o ponto crucial do discurso. de repente hão de perecer no Juízo"). 187 .8). portanto. as palavras sobre a traição do Filho do Homem). e) Mt 23.24. 98.15 (falas mentirosas e criminosas). Onde o "ai" se encontra junto com uma admonição.13. tratava-se realmente de um anúncio condicional de desgraça. f) Mt 23. Os textos com "ai" que juntam casa a casa. 99. trata-se. É esse nexo teológico. O caminho de Caim. 95. Hen et.10 (porque nesta terra condenais o justo judicialmente). cf.25 (impureza): Jr 13. de mos- trar o nexo entre o ato e a desgraça. porém.. também as bem-aventuranças de Lc 6. Mc 14.16 LXX (abolir a Lei). que corriam perigo de se afastar um do outro.. Com isso condiz o fato de que o "ai" figura em Is 3 e 5.12 (amar obras de injustiça). Na série de Mt 23 e Lc 11 o "ai" falta apenas no último membro. Lc 11 perseguir é a conseqüência intrínseca de toda uma atitude errada. bem como em Lc 6. os poderosos que violentamente derrubais o justo). cf. A função das admonições com "ai" em Hen et.3).. no contexto: a falsa doutrina dos adversários.29-37 (matar profetas e mensageiros de Deus): Hen et. mas também depois de 70 essas palavras continuaram a ter uma possível função: a destruição já acontecida exorta a uma conversão fundamental da elite judaica. quando não anuncia a mensagem (lCor 9. g) Mt 23. e continuamente em Lc 6.1 (es- crever decretos iníquos). que só ajuntam ouro e prata. h) Mt 23. Mt 5.9s (LXX: ai.7. 98. 94. os "ai" contra quem entregaria o Filho do Homem: Mt 26. a mesma coisa vale. 24. sem dúvida. campo a campo até ocupar todo o lugar e ser os únicos a morar na terra). . . aos quais a fala se dirige. dos que prendem o justo). A isso pertencem também os "ais" sobre a sedução (por falsas doutrinas/por falsos exemplos): Mt 18. que em semelhantes contextos encontramos até frases típicas de admonição condi- cional (p. com finalidade simbulêutica (especialmente em Hen et. peca- dores. a destruição atingiu todos os judeu- -cristãos.14 (frustrar as pala- vras dos justos).10- 12) é esse o tema do último e mais acentuado membro (cf.5. Hen et. mas também e principalmente os adversários. nem que se acentua o julgamento de acordo com as obras (Is 3.16 (cegos..7. Em Hen et. Hab 2. 100.29-37 par. é restaurar a unidade entre o grupo dos piedosos e o dos ricos.7b: "aqueles. em Mt 23 par. (injustiça.47- 52. guias de cegos) (= falsos mestres): Hen et.23 (descuidar de justiça. que é almejado nessas séries de "ais". isso é bem claro. um "ai" vale também para o mensageiro encarregado por Deus. que torturais os justos no dia da grande tribulação e os queimais no fogo). mas vale igualmente para o falso profeta (Ez 13. 100.ex.27.9). a perse- guição dos justos já é um assunto muito importante. De outro lado. não é o fratricídio mas a descrença a respeito do julgamento divino e da retribuição.7 (ai de vós. 98.8 (ai de vós. pois.12 (ai de quem constrói uma cidade com sangue).22s. o "vós" em Hen et. também historicamente fundamentado. no qual a destruição da cidade ou a "punição desta geração" (Lc) encerra por assim dizer todas as demais punições.7.26 trata-se de avisar contra a adaptação que procura evitar a perseguição (supondo-se que tal adaptação e a riqueza se condicionam mutuamente). misericórdia e fidelidade).Antes do ano 70.16).1 (palavras mentirosas).22.11 LXX. cf.21. em Mt 23. com relação à comunidade cristã. Não surpreende. A esta tradição a respeito da perseguição do justo pertencem também. matar o próximo). também Hab 2.26 (cf. A perseguição atingiu duramente a comunidade.Is 3. Lc 22. Lc 11.15 (apoiara violência.

(sobre Ur.9 (ai de ti. Em Is 15 temos (sem "ai") um canto fúnebre mais elaborada.. mas também outros materiais simbulêuticos (sobretudo catálogos de vícios). 26. Merecem ser citados também Ez 24. Lc 10.4).: ayh) e o esquema outrora/agora (p. Em Is 47. Claramente simbulêutico é. trata-se possivel- mente de anúncios indiretos de salvação para Israel.512). por exemplo. 27. infra). 3. Na base há um outro gênero ainda.317) e em 5Esd (15. Esses textos costumam elaborar detalhadas descrições das punições. cf. Cf. Quanto a Is 15s devemos contar com a possibilidade de se tratar da descrição de uma calamidade já existente. que também em apocalipses posteriores desempenha notável papel.16s. Is 3. Mesmo antes da referida época o "ai" contra cidades já era um gênero tão difundido que até Ecl o cita (10.29 (Moab). Jr 48. V (168ss. contém elementos de lamentação como o "ai!" (hebr. depois foi usado com sentido político.C.1-15. Ez 27.13 (não Ap 18. que tinha muitas possibilidades de aplicação. Os textos com "ai" 2. Em Is 1. as frases com "ai" dirigem-se apenas ao grupo dos fariseus. 23.ex. pois.25--4.18.. precisamos de um conheci- mento exato da situação política da época.. contra cidades Embora em Mt 23 seja anunciada a destruição de Jerusalém. porém. . Sf 2. Mq 2.2 (Babilônia). Jr 13. a um gênero antigo. Esta aplicação do lamento ("ai . As analogias cronologicamente mais próximas são listas inteiras de "ais" contra cidades e regiões em Sib III (303. O "ai" como anúncio de desgraça. Isso será confirmado pelo que segue. introduzidas por um "ai".27 (Jerusalém). Lm 1-2 já transformou esse gênero em preces fúnebres (transformação cultual do luto pela destruição). 28. O "ai" como expressão de lamento por uma cidade Gênero literário lamento da decadência: Ez 26. Is 3. OS textos desta fonte com "ais" contra cidades pertencem.") e do canto fúnebre a cidades não aconteceu por acaso. Para discernir se em determina- do caso se trata de um anúncio simbulêutico de desgraça. Nm 21.46ss já se encontra o importante termo "Babilônia". Jr 9.1.1 (Nebo). como aliás todo o gênero dos cânticos fúne- bres (Am 5. 188 .1-16. 508.21-23 o lamento da decadência é parodiado. IV (143s).29-31.16: Ai de ti. Em Sib III 303 e em 5Esd 15. 50. que originariamente não tem nada a ver com admonição simbulêutica (como tampouco o lamento ou o canto fúnebre): são os lamentos da decadência conhecidos no Orien- te Antigo. metaforizado. também Ez 26. Tais lamentos são documentados desde 2006 a.13-15.492s. conseqüentemente.27: "Ai de ti Jerusalém! Quando. Quanto à origem desses textos vale o seguinte: o "ai" nasceu do lamento. cidade sanguinária).21.27 (Babilônia). Não é assim numa tradição largamente desenvolvida em que o "ai" vale para cidades inteiras: na fonte dos logia (Q) ela é representada por Mt 11. sobre a Acádia.1. Nu 21. purificar-te-ás?" A esta tradição atribuo também os textos da fonte Q.Podemos concluir: o "ai" sobre cidades ocorre numa combinação das elegias sobre cidades destruídas com o canto fúnebre politicamente empregado e.46ss [Ásia]). os cânticos de Emesa e a epopéia de Era).504. Aí trata-se claramente de uma forma de admoestação.1.25--4.17s. ó cidade).17. finalmente. nos dois casos com "ai"). Jr 13.

tanto no contexto deste capítulo como no livro inteiro.12s.20 (cf. o "ai" não tem nenhuma função simbulêutica. nem é um anúncio de desgraça. . Ap 18. na lamentação sobre a destruição de Babilônia (= Roma).4-8).9-19. Igualmente: gestos de luto.. em ZPE 2 [1968] 195-209).12: alegrai-vos. mas um lamento diante da cidade já destruída. lOs. Quem formula este lamento está. o lamento das testemunhas oculares acontece dentro do contexto da descrição da cidade destruída. que apresenta especíal semelhança com Ez 26. ai de vós. Observe- -se o contraste entre 18. a exortação à alegria.13.. de acordo com a respectiva deusa: virgem. mas ai de vós. precedem o lamento: uma proclamação fimdamentada de desgraça (''Ela caiu. Ap 18.38s. Ap 18.l1ss. em Ez 26.19. . Ap 12.. ó céus. Sobre o significado do gênero da admonição profética no Novo Testamento Nos livros proféticos do AT encontra-se grande número de textos que corres- pondem aos gêneros neotestamentários de admoestação. Lc 6.8-19 como um todo. os ricos.No AT é assim desde os textos mais antigos.31s..10.Os que lamentam são comerciantes e marinheiros: Ez 27. Esse contraste entre o "ai" e a alegria é. Koenen. Ap 18. pelo que eu saiba.16s. Em Ap 8.3 (a riqueza de outrora). A cidade sempre é simbolizada por uma figura feminina.5. Como o texto a partir de 18. o contraste entre outrora e agora desempenha um papel em Ez 27. E está ausente qualquer ressaibo moral.16. Nos textos apocalípticos. o mesmo se verifica em Ez 26.. aterrorizado pelo contraste entre a grande cidade e o repentino Juízo. 27. que segurança". Esse texto apresenta elementos que lembram sobretudo Ez 26s. ser um anúncio fundamentado (também moralmente: 18.12 e em Me 13.4-8) de desgraça como os apocalipses freqüentemente apresentam.Neste gênero. 12. portanto. a de ser mera expressão de lamento. uma novidade do NT. Ap 18).). a cidade fadada à destruição muitas vezes é identificada com Babilônia.17 par. imitando Jr. O contrário da lamentação é aqui. O ponto de partida para este gênero é uma sensação de contraste entre a grandeza e beleza da cidade de outrora e as atuais ruínas. Is 23. . Em Ap 18. Lc 21. L. Sobre o significado do gênero da admonição profética no Novo Testamento Ap 18. EmAp 18. por exemplo os vv. em Ez 27. . 189 . rainha. viúva ou mãe. .. antes. como alhures.Catálogos de mercadorias.9 é pura descrição do que um dia será reali- dade. a saber.19 e 18. a mais antiga função do "ai ". um soberano domínio do gênero e de quase todo o material da tradição dos lamentos da decadência.15) e um anúncio fundamentado de desgraça.23 o "ai" tem a função de um mero anúncio de desgraça.17. e sempre nos lamentos metafóricos dos profetas. Mt 24. Essas constatações são válidas independentemen- te do fato de a descrição de Ap 18.15s.23s: alegrai-vos nesse dia. sem fundamentação. a ruína há de se precipitar sobre eles. na forma de uma exortação para executar o Juízo (18. Ap 18 demonstra.19.9ss pertence ao gênero dos chamados lamentos da decadência." 18. Ilustremos isso com dois exemplos: a) lTs 5.3: Quando os homens disserem: "Que paz.32 e no "Oráculo do oleiro" (ed. terra e mar. meretriz (Is 23. Is 23. 27.19 conservou-se. § 56. Em Ap 18.

o injusto rico). e mais ninguém". que dizia a si mesma: "Eu. Em seguida citaremos rapidamente os textos proféticos que correspondem a cada um dos gêneros de caráter simbulêutico."Eis o que farei: vou demolir meus celeiros. outros maiores construirei. o do anúncio de uma desgraça que virá sobre o injusto (na tradição de b. Sr 11. árida como o deserto." Hen et. não sabem.16-18. Os textos do judaísmo garantiram a continuidade e a vitalidade desse gênero literário. aqueles que dizem: "Não se aproximará.São bem muitos os que almejam riqueza .O comerciante. Séries parenéticas de exortações simples (cf. possuímos tesouros e tudo o que desejamos. adquiri um tesouro para mim! Em todos os meus lucros não há. sendo reavivado somente no NT... e dizeis: "Ficamosricos. E Efraim diz: "só fiz enriquecer. não nos alcançará a desgraça!". A situação social dos justos que continuavam fiéis à Lei deve ter contribuído para isso. 58. . Sobre o significado do gênero da admanição profética no Novo Testamento Am 9. e à minha alma direi: alma. As duas tradições citadas em a e b pertencem ao mesmo gênero.. A função é provocar a delimitação dos que pensam assim e serão atingidos. vossa riqueza não ficará. chega uma hora que dizem: "Encontrei a paz.8-10.10: Pela espada irão morrer todos os culpados de meu povo. A função é a luta contra a aliança da injustiça e da riqueza. §§ 36ss): Zc 7. anotaremos os casos em que houve larga difusão no judaísmo. 190 . supra. É essa. tens quantidade de bens em reserva para longos anos. Em seguida vem a palavra divina: "Insensato! Esta noite mesmo. e numerosos são os traba- lhadores em nossas casas". Mas também em Os 12 trata-se da posse injusta da riqueza (como expressamente em Hen et. 97).8s. gosta de extorquir. Pois ajuntamos prata e enchemos celeiros como se fosse com água.5-7.Analogia do catálogo de deveres domésticos: Jr 29. agora desfrutarei minhas posses".Ai de vós que adquiris ouro e prata injustamente.16s.. Mas se terão tempo. come. Se para algum gênero não foram (ou não serão) encon- trados textos judaicos. para mim. 1. 97.Como água a vossa mentira há de escorrer.18s (solilóquio do ricaço) . Aos elementos costumeiros desse gênero per- tence o solilóquio do homem cuja sorte se inverte. amontoando aí todo o meu trigo e meus estoques. Is 1. Ml 3. Em Lc 12 e Os 12 segue a palavra divina.7s. Sr 7.5 (catálogo de nomes). Como no gênero tradição mencionado em a. Em todos esses casos trata-se do anúncio de uma desgraça particularmente ter- rível (por isso também repentina) para aqueles cuja aparente segurança é documen- tada por uma citação do que diziam. deve-se admitir que tal gênero foi transmitido pela leitura e pela audição da própria Escritura. Os 12. nenhum delito pecaminoso". Nos três textos mais recentes o conteúdo do solilóquio é parecido....18-28. . trata-se do contraste entre o soli- lóquio e o que realmente acontece.. Agora vamos executar nossos projetos. bebe e te ban- queteia".13-15: fará uma terra devastada. "Mas eu sou o Senhor teu Deus". . b) Lc 12.. 8f2. O contraste entre o discurso e os fatos é um elemento estrutural comum. o qual é tão arrogante quanto ingênuo. . a cidade alegre que tão segura vivia. Os três textos mais recentes têm em comum também o caráter repentino da desgraça.. repentinamente de vós fugirá.9-10.18s. portanto. 8.

lub 21.Antigo Testamento: Hab 2. supra § 51. TestJudá 14.No AT: Ml 2.3.8.33.4 (gritar para ser ouvido).5). raras no N'l.7..4. supra § 51.) (cf. semear/colher).8-22. 40.6.9. . b) Anúncios condicionais de salvação (cf.14.3.12. 191 . Is 13.Anteriormente: Sf 1. 58. Hab 2. supra. uma correspondência do tipo "talião" (p. supra. Jr 3. Jr 10.ex.7.1-6/7.13 (quem se refugiar em mim receberá como pátria a Terra e como posse a minha Montanha Santa). 53 e.12.3s. 55. supra § 51.8): No judaísmo: Jub 36.31.22. supra § 51.).Cf.1 (v. e) Fundamentação pela citação de normas válidas: TestJudá 13.13s. 22.128. § 36.. Jr 4. 18.4. LXX: quem crer não se envergonhará.9.17..3: "esta geração"). . 56.2s.. Hab 2. 57. supra. § 51. Jub 7. Hab 2. no judaísmo..27 (cf. ~ Cf. § 49. No judaísmo: TestSim 3....8e) ("se.3). supra § 54.20s. Sobre o significado do gênero da admonição profética no Novo Testamento 2. Is 2. .22.13. No AT: Aro 5.12. 22. Is 45.2. 7. .5-6. TestLevi 13.1.16 TM: quem crer não fugirá. Jr 21. Difundido no judaísmo: Jub e TestXII. 46.ex.1). c) Conclusões bipartidas (cf..7. 94. e) Exortações para impedir desgraça (cf. não . discursos missionários § 23. 94. também supra.23s. Cf. porém. Admonições fundamentadas a) Fundamentação pela proximidade da vinda (cf.9. lr 17.6. p. 31.8c) ("para que não"): muito freqüentes no judaísmo (p. Jub 7. g) Anúncio de desgraça para o caso de ser rejeitada a admoestação (cf.12s. b) Fundamentação pela autoridade de quem fala (Esquema: Fazei.6s."). supra. 25. h) Séries de "ais": No judaísmo. 20. No AT: Mq 2.15s. 10. II 2.Antigo Testamento: Mq 3.3.14.6. d) Anúncios condicionais de desgraça (cf.4. Zc 1.9.3-5.3 (de coração firme).2). voltar-se/voltar-se. .23. 28. c) Fundamentação com declarações sobre Deus (cf. compare-se sobre- tudo Jr 13.4.4 (o justo viverá por sua fidelidade). no judaís- mo: TestLevi 13.7 ("pois o dia do Senhor está próximo").5): 11 2.16 com Jo 11. a série em Is 5. em c). 21.. 33. TestNeft 8.7.ex. Jr 3. Is 2.12 (agora ainda é tempo. 6. No judaísmo: ApBar sir. 45.7): Os 14..11. Zc 3. Hen 94-100. § 49. Exortações no esquema "ato-efeito" a) Imperativo e anúncio de salvação (cf.4): Aro 5.1. Is 35.3): Hen et.5. 3. supra § 51.5. 66.14. Ml 3./22. 55. f) Exortações para fazer que haja salvação ("para que") (cf.14. Is 26.6-9.Característica peculiar: desde o começo. lr 22. .5-7.5.. ouvi . .) etc. TestSim 4.19.6. supra.Jr 4. 55. Ml 3. TestLevi 13.4. 85.28-30 (vinde todos a mim) com Is 55.1 (vinde. pois eu. § 49. no AT: Aro 5. 36.11.10..14s.15.1.ex.10. Os 10..3-5.5. Os 10.32).9 (cada um que .4. Hen 94. f) Exortação à conversão.3. no AT: Aro 5.).4-6.n): Os 12..20. d) Fundamentação pelo saber dos acontecimentos escatológicos (cf.3 (cada um). g) Exortação para ouvir/discurso de proselitismo: Compare Mt 11.. Jr 17.24. com fundamentação (cf.3-5 (bipartido). Is 57.3. 58. § 49. supra § 51. no judaísmo muito freqüentes (p. 6. § 49. 7.6s. Hen et.15s.1). 42.2 (pois isso é errado diante de Deus).16..12s.9s.6. Jub 7.

10-16.17-22.4. .lPd 5. Tt 1.1-5.16 (repudiar por ódio. 28.3b-15.7.Cf. Isso continua a valer. § 51.-Focilides 51: quem comete injustiça por querer é um homem perverso. no sentido de uma admoestação. no quadro de uma missão prepon- derantemente gentio-cristã. 26). 2Tm 2.. para o cativeiro será levado.17-21. Ps. supra.28. Tornou-se uma retribuição condicional. Verdade é que nos profetas e no judaísmo há uma série de anúncios condi- cionais de salvação (3b). NTS 17. de acordo com a lei do talião. e sim no quadro do gênero apocalíptico. O aumento brusco de admoestações dos tipos 3b-d explica-se teológica e sociologicamente: o latente universalismo dessas frases tornou-as apropriadas. Textos: Jo 21. pela espada morrerá.: ANRW. 5. é cobrir a própria veste com um crimej. de um anúncio condicional de desgraça: se alguém levou para o cativeiro. § 104). 68s). Ele é mais freqüente apenas em Ap..11-14. ex- pressamente. lTm 1.11)..17. Scherer. o importante é que seu número é pequeno em comparação com os do NT.1Oa.2. Ap 22. supra. mas não com finalidade simbulêutica. E. § 51. 4.15-17 (narrativa).12 "Quem toca em vós toca na pupila do meu olho". e seu caráter normativo apresenta como livre de qualquer problema a relação entre os atos e suas conseqüências.1-11. todavia. At 20. 3. O próprio Ap fomece disso um exemplo: em Ap 13. Ao passo que em Jr se trata de um mero anúncio do Juízo. nenhuma admoestação para a conversão (cf.10. mesmo quando se incluem os paralelos na literatura sapiencial (cf. Repreensões e anúncios de desgraça (cf.2.2. j) Afetação vicária: Zc 2.No judaísmo: TestSim 3. os autores do NT geralmente mostram bastante aversão ao simples anúncio de desgraça. Não vale nenhuma outra con- dição além das mostradas nessas frases.1-3. § 53c) encontram-se com finali- dade simbulêutica em quase todos os escritos proféticos. . trata-se em Ap 13.I? (dizeis: "quem quer que faça o mal é bem visto aos olhos do Senhor"). O gênero que prepondera nos profetas (o anúncio fundamen- tado de desgraça) encontra-se raramente no NT com caráter simbulêutico (cf. § 57. 2. Conseqüências: I. como vaticínio.12-20. 6.IOb. neste ponto.1-3a. Em todo caso. a mesma demonstração do esquema "ato-efeito" serve como vaticínio inevitável sobre a destruição de Roma. TestGad 7.3-11. 2. 1350-1354.11. à formulação das condições elementares para alguém pertencer à comunidade (!) e participar da salvação. 4.32. . Em Ap. Paideutikon i) Frases caracterizantes: Também no AT num contexto sobre o divórcio: MI 2.6 TestBenj3.Cf.1-3. 43. No entanto.26. .10b. CI4. embora aí as frases deste tipo já sejam incomparavelmente mais numerosas do que nos Profetas. 6. 192 .10 o anúncio de desgraça de Ir 15. Lc 22.5. 4. supra. dentro do grande gênero dos "apocalipses" não é intencionada. - O texto torna claro que nestas frases se trata das posses e/ou da integridade fisica. Isso significa: nos profetas a com- binação do anúncio de desgraça com a fundamentação ("repreensão") serve para apontar a relação entre os atos e seus efeitos.1-15. conforme mostra v. quem matou pela espada. que visa à aniquilação total dos destinatários (daí a série! cf.11 é evidentemente transposto para outro gênero. Paideutikon Bibl.

por conseguinte. Alguma analogia encontra-se ainda nos "espelhos dos soberanos": o filósofo admoesta o sobe- rano. para os ouvintes.18. sobre a circuncisão do coração. pecado e morte.14.10 (a ganância como raiz de todos os males). esclarecimento sobre o que seja virtude/vício.6-10. e sobre seus efeitos. 1.15. 3. 3. Paulo . 3.20. assim. . exatamente aquilo que pudesse promover sua estabilização.Genealogia de virtudes/vícios: 1.16. Essas elucubrações não são "desinteressadas".13. Mc 12.Na carta de Tiago: descrição de uma virtude. . esclarecimen- to sobre as conseqüências: 2.Instrução sobre a virtude e o vício. Os conselhos para a educação têm algo a ver também com os tratados sobre o oikónomos. . O maior problema não era criar novos conteúdos.15 fala da relação entre concupiscência.1-6. sobre a pureza. lTm 6.25-29. .27.Timóteo .20. e típica é a constelação tripartida (p. determinados comportamentos. são em parte sin- táticas (imperativos). cf. em parte estruturais (constelação tripartida). . Tg 3. sobre a sabedoria do alto.37b. embora sem imperativos.15. é simbulêutico.16.Rm 2. de um gênero simbulêutico. Trata-se. definição de virtudes: 1. Tg 1. A pré-história helenística deste gênero encontra-se no mundo da gnomologia. A maioria desses textos pertence à literatura epistolar.6-10.17-20. sobre a piedade. portanto. deve ensinar e ser um exemplo.27.grupos na comunidade). nascido da gnomologia. 1. 1.13-18. Mt 15. Mt 5. 2.2Jo 6. 4.1-6. lTm 6. Com base nas cartas dos pitagóricos pode-se mostrar como (também neste caso em forma de tratados. Trata-se. 3. Instrutivas como são e apresentando.14-26 (a fé e as obras). Lohfink: chama esta forma de "orientação por meio do intermediário".1-8.1. de instruir o instrutor.15. 1. Discurso normativo Neste gênero literário o destinatário é exortado (muitas vezes por carta) a trans- mitir pessoalmente uma doutrina a seus discípulos ou ouvintes. 1.18. 5.2-12. de determinada manei- ra ou com determinado conteúdo. As características do gênero. pois trata-se de normas que são discutidas e. Sobre conhecimento e amor ensina lCor 8. Tt 1. mas dizer às comunidades. aquilo que era "válido".33. Uma característica especial é. Tg 2.25-29. 1.3. baseada na autoridade. l Cor 8.18-23. Mt 7. Instruções sobre diversas formas de comportamento e sua mútua relação. de quem fala ou daquele a quem ele fala. . ou mesmo capítulos inteiros da ética. mostrando como ele. Mc 7. 13. ainda que não sejam mencionados os imperativos nem a relação entre condições e conseqüências.15-18. coube-lhes importância especial para as comunidades do cristianismo primitivo.8-12. Pois. Lc 16. Incluímos neste gênero também aqueles textos que encarregam o destinatário da direção ou liderança de algum grupo. § 58.12.18. ou recomendadas ou rejeitadas.16-17 par. mor- mente no processo de distanciamento do judaísmo. . por isso. portanto.ex. supra § 41) se desenvolveu um gênero à parte.1-3.Sobre a relação das vir- tudes entre si tratam lTm 6.Introdução a um capítulo da ética: 3.20.27.3s. de sua parte. cf.15-18. Tt 1. são descritos com suas vantagens e desvantagens e avaliados. Rm 2. "Discurso normativo" é o nome que damos a um gênero que se situa entre o sim- bulêutico e o epidictico. Nisso o gênero é epidíctico. De outro lado. G.3s 193 . . 1. a combinação de uma admoestação com o exemplo. socialmente situadas num vácuo. que é a verdadeira. Discurso normativo Textos: Mc 7.17.23.Tg 1.20-26. de um lado.

paro além do NT. em Gl 5. Mas não há como comprovar a questão se a situação de Mt 5.13. As origens.35-40. No ápice. longamente descrita em Tg 3.9s.16 afirma que da inveja e da rivalidade resultam desordem e atos deploráveis.: ANRW..). estão no mundo da gnomologia. nos quais se encontra bom número de descrições de virtudes e vícios.. também aqui.4-8a. 1204-1208) é um nome dado a uma instrução sobre determinado valor.16s supõe determinados "adversários".. é dada uma écfrase do amor segundo o modelo das des- 194 . prazeres perversos e veementes concupiscências.18. A evolução foi semelhante à dos catálogos de virtudes domésticas e do Paideutikon (§ 57): a descrição das virtudes e comportamentos amplia-se a olhos vistos e o fim da história desta forma será o tratado (cf. com argumentos bíblicos.25-28) é um discurso normativo. Da devassidão provêm: uniões ilegítimas.13-18. cla- ramente protréptico. também supra § 47. qual outro pode lhe ser equiparado e qual observância de um mandamento vale mais do que outra (Me 12.3d-e). A validade da Lei é confirmada em Mt 5. que incitam suas vítimas até cair nos mais profundos abis- mos.1) (sobre essa filiação. Também o ensinamento sobre qual é o mandamento maior.. por uma descrição do "amor").18. pois as concupiscências já levamm muitos a não respeitar nem suas mães nem suas filhas . por estar encaixadas dentro do gênero "testamento". 2. sedução. e empregam-se palavras dícticas ou o superlativo. a mesma função que a frase caracterizante de Lc 16.18 ensina que a paz gera justiça. a provação e a paciência.. Mt 22. embriaguez.. Trata-se de uma tomada de posição contra entusiásticos anomistas? Ou deve-se insistir que os primeiros grupos cristãos. mudam-se a pessoa. § 62) ou sobre a natureza da língua.. como série parenética. ambas são ricas em filhas. também. como Tg 2).. Lc 10. mais completas que as do NT. XVII 78: "Primeiro quero descobrir as mães destas trevas e chamá-las pelo nome: são a devassidão e a ganância. 3.. o amor é contrastado com outros carismas e com a fé e a esperança. Dependeria sem dúvida de como se entende a história do cristianismo primitivo como um todo.. Lc 16. na discussão com os fariseus." "Discurso normativo" são também os ensinamentos antropológico-éticos sobre o tema de que as tentações provêm dos próprios desejos do homem (Tg 1. a co- biça. Mt 7. As antíteses de Mt 5 têm. Vita Pythag. a sintaxe.14 e Rm 13. - Em lCor 13. a fundamentação. cf. Contudo.. entendiam-se como tentativa nova. e de tudo o que lhe é irmanado.1-3.16-17. Cf.2-12. decidida. gera conflitos e rixas (4. então.. também: Jâmblico.12. Discurso normativo sobre a relação entre a fé. Lc 16. De Virtutibus. é dado pelos Test-XlI.ex. Tg 3.18 (mais rigor). Verdadeiros tratados sobre esses temas encontram-se nos Moralia de Plutarco. não . Priâmelo (contraste) (Bibl.. que gostava de bre- ves descrições das virtudes. construída segundo o esquema de "fundo" e "ápice" (p.. mas . de cumprir a vontade de Deus (''justiça superior")? 3.. O fundo é formado pelos assuntos que são avaliados pela comparação com o "ápice".. esta é a Lei e os Profetas" (cf. Um passo mais adiante em direção ao tratado. Em 13.12 também cabe aqui: "00. não .28-33 par. porém. como parte de uma admoestação.8. não chegam a ser excessivas (exemplo: TestDã 4 sobre a ira). as subdivisões do escrito de Fílon. cf. Essas apresentações de um resumo da Lei têm sem dúvida um caráter particularmente orientador. Outros males nascem da ganância. o assunto e o modo..: não .

23-25 e FI 4.15-18. bem diferentes das admoestações totalmente pessoais de 1Tm 5. 11. . em que é constitutiva a relação "prag- mática" (isto é..17. 2.6s. também aos problemas interpessoais do prestígio social (glória. 2. também fora do texto) entre o "eu" que fala e admoesta e. em fórmulas como "diante da face de Cristo" ou "em Cristo". por exemplo.Quanto à forma.6-16. prevalece o concreto. Um papel especial cabe às emoções ("coração". 8. no entanto. lTs 1. 2Ts 3. exorta- ção à unidade e que não se cansem. não se trata de regras gerais ou frases de teor geral. vós. Essas normas gerais ficam no segundo plano. 2Tm 1. a apresentação da aretê segundo Tirtaios (Anthologia Lyrica Graeca.17: "Doravante ninguém me atormente.23-25. eles têm seu interesse. confiança. Exortações à imitação: FI 3. Os elementos pessoais podem ser muito ou pouco destacados.6-14 em contraste com 1. pois eu trago em meu corpo as marcas do Senhor Jesus".. 7. Tais textos têm seu sentido particular.14 (chamados/eleitos). 9. a esperança de que continuem o que foi começado. o autor que fala procura. Temos um exemplo típico no acréscimo.. antes.1-26. vergonha.17. 15. como con- cretização do que significa ser cristão. o parceiro admoestado (apostrofado pessoalmente por "tu" ou "vós"). Gl 6.6-15. alegria. humilha- ção) e finalmente elementos apologéticos (p.. FI 1. Aí. 2. A relação pessoal tem base pragmática e determina a sintaxe (eu/vós ou tu). 3. . como ponto alto do cumprimento da Lei (cf. 6.24. elogio dos destinatários.Nos demais textos.19-21. . .10-12 (testamental.8s.14. pois. tribulações e sofrimento dos apóstolos). 2Ts 3. porém.) e em Mt 22. Admonição pessoal Com o nome de "admoestação pessoal" pretendemos indicar aqueles textos simbulêuticos. Quanto à sin- taxe. Por isso esta perícope ocupa uma posição chave entre o cap 12 e 14. as cartas de Sócrates: ANRW. porém.1-3. Admonição pessoal crições das virtudes.7. 3Jo 6b-8.ex. 195 .24 (muitos não. os papéis de pai/fIlhos são substituídos). 12. ..1-15. Quanto mais pessoal é um texto.ll. sobretudo na literatura epistolar.Pedindo orações: lTs 5. os trechos deste gênero em 2Tm (1. o plural comunicativo é freqüente (o "nós" inclui o autor da carta e os destina- tários). do próprio punho de Paulo. regular uma situação cujos elementos não estavam previstos nas normas gerais. lCor 4. § 59.O significado mais abrangente do priâmelo sobre o amor reside em atribuir ao amor. mencionadas em 1. 2Cor 12. ela transparece. Fm 10-21.Analogias com os chamados priámelos sumários temos em Mt 13. É essa a função especial de lCor 13. Sobretudo o exemplo do apóstolo desempenha sempre um papel importante (cf.2-4. Os cola- boradores de Paulo são mencionados com certa freqüência.17 par. os seguintes elementos são caracterís- ticos: comunicações (a chegada do apóstolo ou dos colaboradores por ele enviados). FI 4. lTm 5.1. 6. 2.12-18.3b- 11. alegria compartilhada.10-17. à Carta aos Gálatas.6-14. . Nas cartas pastorais há a admoestação para se afastarem dos apóstatas.16s. 3.1-15.2Cor 2.2s..25. 4. Textos: Jo 13.10-17) são bastante genéricos.1-16. e de uma maneira claramente circunstancial.12-17. mais a relação com Jesus Cristo fica em segundo plano.1-10) é a mais semelhante." 1134-1137). Lc 10. em 2) um princípio de classificação e avaliação dos carismas.19) e biográficos. por motivos pessoais. I 9.27-30.

20. Esse último texto é de um testamento.. o que é preciso largar e o que é preciso comprar. por trás das quais está sempre o "organizador experiente". 7212 § 7: "Todo escravo desta associação que se tomar livre deve pagar uma ânfora de vinho bom". H..11. e ficará excluído da associação até pagar a multa". 22... Normas para as comunidades § 60. deverá ele pagar à asso- ciação multa de 100 dracmas. mas as fundamentações. Dessau IL. inscrição em S. 11.21 (2x). 10. pura e simplesmente. A frase não é do AT. Lc 3. e não é por acaso que também em Lc 22.. deixam perceber que também para Paulo às vezes não era fácil achar argumentos (cf.36. SARTSCH.31 ("se alguém repudiar. 1OS6-1 OSS. 1Cor 7.30.17.11. Lc 3. 7215: "Mas se faltar aquele que segundo o regulamento devia prestar o serviço sacrificaI.". especialmente 1Cor 11.. W.1-40.3. Rahmani).15. É preciso distinguir estas normas da parênese comunitária. mas corresponde a frases como Paulo.12.. 14. Pelo conteúdo.35. Daí que nas normas clássicas desse tipo falta toda e qualquer argumentação. Concernem ao papel da mulher e à relação entre os sexos.13.28. 22.35.]...23-11. é essa a pretensão implícita de tais textos. Por isso falta a esses "casos" também o radicalismo que muitas vezes é próprio da parênese. 1965.. entre outras coisas.30.9. Todos esses textos não deixam nada a desejar quanto à concretude. Isso traz problemas para o hermeneuta de hoje. pelo menos. provêm do judaísmo helenista.13) já estabeleceu como critérios formais deste gênero: o imperativo na terceira pessoa e o emprego de verbos como "quero. ed. Textos: Frases em lCor 7.As analogias mais próximas. singular ou plural. ..1-2. Normas para as comunidades Bibl: ANRW.16.. referentes igualmente. ele(s) deve(m) fazer y". 2. independentemente de Mt. Hamburg. esse não peca").. H.26. quanto a forma e conteúdo.") refere-se à relação entre homem e mulher. séries de casos parecidos.. referentes à vida posterior da comunidade (mais tarde: Testamento do Senhor [sir. estão nos estatutos de associações helenistas. à questão sobre o que se pode comer e como se deve lidar concretamente com as manifestações carismáticas.36. 16. usa para a mesma matéria.6 (2x)... 1. Os paralelos decisivos. deve lhe dar. Trata-se de intervenções de grande alcance na estru- tura interna da comunidade.24 (2x) (semelhante é 27s). homens e mulheres devem jurar que não farão . porquanto não visam à descrição de "tipos" nem tratam das condições para alguém pertencer à comunidade.26. as normas 196 . W Bartsch (1965. Era de esperar que este estilo con- tinuasse nas normas eclesiásticas dos primeiros séculos cristãos. não deve entrar nesta casa".36 se encontrem normas semelhantes.13. § 39.. a homem e mulher (estatuto de Filadélfia 14ss: "se . estas normas diferem da parênese. de fato. A forma típica é: "Se o caso é x. trata-se de simples determinações. . Onero em Piceno.3.26. Como para Paulo a frase de Mt 5. para a coleta.36. e sempre com relação a questões concretas. e finalmente a questões financeiras: deve-se separar alguma coisa.18.". Dessau IL.6s ilustra isso. pela forma e pelo conteú- do. estatuto da associação dos veneradores de Diana e Antínoo. muitas vezes dificeis. todo domingo. 14. geralmente com o imperativo da terceira pessoa.11. 31s: "mulher ou homem que fizer tal coisa.. frases caracterizantes ("..28. pp. Nos textos acima citados (em 1) encontram-se outros casos formulados.2-16)."/or- deno. Características: Sobretudo a solução de "casos". Die Anfange urchristlicher Rechtsbildungen Studien zu den Pastoralbriefen (TheolForschg 34). Ela se encontra em 1Cor 7.

96. Cl 3.16. por exemplo. assim como. Hom. É possível que Paulo. ICor 14. 3. Diante do conjunto das cartas helenísticas. as de Sêneca a Lucílio são apenas a ponta de um iceberg).14s). ZNW 65 [1974] 213-219) têm mais semelhança com as do NT.13. confrontado com as comunida- des por ele mesmo fundadas. As fundamentações freqüen- temente profanas (lCor 11. ep. As cartas filo- sóficas dirigem-se a discípulos em particular a comunidades de discípulos ou também a cidades (ANRfV. Num contexto semelhante (l Cor 7. isso não é evidente por si mesmo. As corlos do NT como gênero simbulêulico eclesiásticas de Hipólito o confirmam. em termos gerais. A saudação epistolar apostólica caracteriza as respectivas cartas como textos de revelação. G. o conceito familiar e fraternal. As normas para a vida do cristianismo primitivo como "associação" eram decretadas pela autoridade (nem sempre com fundamentação satisfatória. a diferença para outras associações deixa transparecer o seguinte: a liberdade escatológica não relativiza o direito. em que a casa era o centro da comunidade cultuaI.11) é um dos pontos que as comunidades do cristianismo primitivo tinham em comum com associações cultuais pagãs (cf. Os fecundos resultados especialmente da recente pesquisa norte-americana sobre o gênero literário das cartas do NT não podem ser repetidos aqui. § 61. as cartas proféticas do AT e do judaísmo (cf. 1338s).40).15. pois nelas as regras para a Ceia do Senhor estão em primeiro plano. Gl 3. 1087). Em todo caso. ANRW. indiscutivelmente.. Bornkamm.: ANRW. 2.como o apocalipse siriaco de Baruc 197 .28.393). Todas as cartas do NT.) mostram que não se trata aí de proclamações proféticas.57-59. 1132·1138 e 1325·1363. Malherbe]. mas é a última possibilidade de unir as divergências e. 6. Vamos referir apenas algumas teses: 1. 389. 1087). Havia também o juramento na admissão (para os cristãos. têm caráter simbulêutico. 14.25s. (bem como as cartas dos Cínicos [ed. e por isso era preciso cumprir a frase: "Tudo se faça conveniente e ordenadamente" (lCor 14. 9.29-31). testamentos e apocalipses afirmam isso também sobre si mesmos (e também eles são chamados de "cartas" ou . e ao mesmo tempo também pela misericórdia (1Cor 7). assim como os estatutos das associações helenistas freqüen- temente se referem à refeição em comum. trata-se aí de direito (a isso correspondem as recomendações para não procurar o tribunal civil: Mt 5. Fs. Plínio. inclusive Hb e Ap (formulado como carta). à vitória dos mais fortes. realizar a intenção do direito. 1Cor 6. ICor 12. O caos descrito em 1Cor 14 teria levado.7).23s. a validade das regras comunitárias a partir do momento da adesão e a colocação dos oficios da associação a serviço da refeição comunitária (textos: ANRW.ex. em primeira instância determi- nadas pela inteligência do organizador. Lc 12. tenha se transformado de carismático livre em organi- zador eclesiástico (cf. cf. assim. Clem. mas de leis organizatórias. de deveres domésticos. A abolição da distinção entre as classes (cf.35b).35bAO etc.34b. p. uma parênese em forma de catálogos. As cartas do NT como gênero simbulêutico Bibl. Nesse aspecto.

198 . e es- pecialmente em suas perístases. Em seu destino como em seu comportamento. Quanto mais forte a orientação parenética universal de uma carta e seu caráter argumentativo. syn). Com certeza também o Ap foi redigido em forma de carta a fim de ser admitido dentro do culto. 3. d) Sobre analogias na história das formas. está no lugar do chefe local das comunidades). somente as cartas dos pitagóricos (ed. que nas cartas particulares da Antiguidade dificilmente achará analogias. nas cartas do NT. diante da situação. manteve-se também nas cartas do NT (cf. Com isso as tradições sistemáticas. As observações pessoais nas cartas paulinas não podem ser alçadas em norma. do discurso oral. que se encontra com bastante freqüência nas cartas helenistas e que. por meio de palavras como "nós"!'vós". § 62. 6. com base nisso. já estão mais perto das cartas do NT. A ação de graças no início da carta é a forma religiosa da captatio benevolentiae. As cartas apostólicas . ou "com" (gr. ANRW. A. sua bênção é eficaz. A isso corresponde a leitura pública das primeiras cartas cristãs nas reuniões das comunidades. espécie de tratados. Sobre o gênero literário protreptikós. ser consideradas cartas pessoais. mas quer também mostrar o melhor caminho. § 42). 7. Uma base mais ampla (segundo a história das formas) para o desenvolvimento de uma segunda parte.como também o Ap .por escrito. b) Mesmo nos trechos sistemáticos. c) A escolha dos assuntos sistemáticos é seletiva. 1138-1142. isto é: não visa unicamente à exposição de idéias. nem podem elas. da seqüência de uma parte sistemática e outra parenética. um caráter peculiar de imagem. Já que ° autor recebeu a vocação apostólica. 5. que unem o apóstolo e a comunidade. Ef e CI é de natureza protréptica. OI. 4. Que as cartas são admoestações por escrito é indicado também por sua extensão. supra. Sobre a relação entre textos sistemáticos e textos simbulêuticos nas cartas do NT: a) O sentido simbulêutico dos complexos sistemáticos. Paulo consegue apresentar o futuro e o passado comuns. o apóstolo é um modelo para os seus leitores. por exemplo. culminam numa carta). cujas analogias mais próximas se encontrassem em cartas helenísticas particulares. As cartas do NT têm forte afinidade com as missivas oficiais do ambiente contemporâneo. pelo que se explica também a função do "exorto-vos" (Gr. básicas. tanto maior seu valor público. aqui. Quanto ao ta- manho. As cartas do NT como gênero simbulêutico . ZThK 73 [1976] 169. Na Antiguidade também as cartas entre amigos já substituíam a presença fisica. de Rm. além da parênese mais elaborada. cf. parenética. Stãdele). como apóstolo. parakalô) em Paulo. particularmente com as cartas de reis a ekklêsiai (cf. em cartas helenísticas. está evidentemente no fenômeno da parênese de final de carta.183). cf. o que explica o grande número de orações nas cartas. de acordo com a situação. Deve- -se antes partir das demais cartas do NT e considerar Paulo como caso à parte (ele. ANRW. O autotestemunho biográfico tem função de exemplo.são uma substituição. Em grande parte as referências pessoais das cartas paulinas explicam-se também pela carta filosófica.1348. 1340. ganham.

De acordo com isso chamamos de admonição protréptica todo texto que adota como tema a escolha fundamental do caminho cristão. a exigência de "nascer de novo" e a conclusão bipartida sobre a fé). por exemplo. Mt 3.Exemplos de breves admonições desse tipo encontram-se nos profetas. Com exceção do corpo da Carta aos Romanos. ser chamados de protrépticos (cf. Tg 4. § 109. trata-se da decisão fundamental em favor do Revelador ou contra ele (cf. ANRW.14-18 (''não formeis parelha com os incrédulos". Como protreptikós lagos designa-se um escrito propagandístico que pretende. Lc 13. em sua totalidade.13 (em 13.4-6: "Procurai-me. segue a oposição entre Cristo e Beliar. Formulações sugestivas dessa idéia são os seguintes textos. com promessas de êxito). Ap 18.Claramente protréptico é o (di-)egertikon em Ef 5. especialmente para a filosofia. o motivo para aderir a Jesus e escutá-lo é a promessa do descanso. lTm 4. Em Rm 1-11 trata-se do caminho cristão da fé em Jesus Cristo.ex. 1138-1145. em quem.17 ("convertei-vos e crede"). Jo 12. Jo 3.15: "Odiai o mal. per- tencem a ele apenas trechos mais curtos.1-21. 1102. Isso se faz mostrando as vantagens de tal caminho e comparando- -o com outros. Sobre a sociologia das cartas do NT em geral. . para que não torneis parte .6-9 ("submetei-vos a Deus . § 23. com a motivação de que "por pouco tempo ainda a luz estará em vós").15-17 ("não ameis o mundo". apesar da posição privilegiada do judaísmo. Mt 7 compara os dois caminhos e seu fim. . com fundamentação). .ls.. Em Mt 11. que insiro como um todo neste gênero literário.24a ("esforçai-vos por entrar pela porta estreita"). 1344). com promessa de felicidade). cf. por exemplo Me 1. para que. Sobre Rm 1. Hahn (Fs.25-29 ("não deixar de escutar quem fala..). servir a Deus com submissão e temor").11. 4.resisti ao Diabo".25-30. 1.". Hb 12. conquistar adeptos para determinada disciplina.22) têm analogias nas cartas de filósofos helenistas (ANRW.4-7 ("saí desta cidade.14 (textos em ANRW. 2. Considero também protrépticas as admonições de caráter fundamental com "função de limiar". 1375-1377) (exortação abrangente... amai o bem".1344.7b-1O. 7. Kuhn. o caminho judaico foi "abolido/sublimado". 2Tm 2. e a ordem: "saí do meio desta gente e apartai-vos.9-15)("sair para fora do acampamento"). 199 . Exortações para fugir disso e procurar aquilo (1Tm 6.28-30. cf. Tg 4.3 ("convertei-vos". e vivereis". § 62. K. Am 5. uma promessa). Caráter protréptico tem igualmente a exortação para se afastar e para ser diferente dos outros.. e não toqueis em nada de impuro". lCor 13. Admonição protréptico Sobre a estrutura e a função das cartas no Ap. F. Algumas dessas admonições encontram-se em séries pare- néticas (p. ó meu povo.14: "Procurai o bem. cf. afinal. não o mal.15. 5. Em Jo 3. Admonição protréptica Bibl. 2Cor 5. lCor 13 sobre o "caminho mais sublime".. em primeiro lugar..17-11. pois isso não deixa de ser o reverso da opção por um determinado caminho e não pelo oposto.") e 2Cor 6.4).13-27. 5.20 ("deixai-vos reconciliar com Deus") e Ap 3.35s ("crede na luz". 1Tm 4 fala sobre a ''utilidade da piedade".: ANRW.36. Mt 11. 3.6-9). semelhantes entre si: Hb 13. G. . 1138-1145.O Sermão da Montanha e o Sermão da Planície podem. 357-394). porém sempre em posição central.

5. tu. cf.11. pois vós haveis de ser partícipes dos exércitos celestes". Hb 10. Mt 23.).5-7.1- 13. CI3. volta .Cf.. 4. não ter coração mau. Neste gênero literário. .1. 4.48 (ser perfeito). A exortação de lJo 4. firmar as mãos desfalecidas e os joelhos vacilantes. anúncio condicional do Juízo. na confissão da fé. mantende-vos longe das violências deles.. deveremos incluir também as exortações muito gerais a respeito do comportamento. 2Ts 2. 4. porém" (2.. Lc 22.5-17. A exortação à separação pode se referir também a um mau exemplo explicita- mente nomeado (lJo 3. 2Cor 6. v. somos homens de fé para a salvação da alma".2s.. sujeitar-se a Deus (v.16 (cf. na forma de apostasias e falsas doutrinas (1.18-3.. Mt 5.12-17)..ls: considerar Jesus. Na situação dos que já se decidiram pelo bom caminho. 4."). aproximar-se com segurança do trono da graça. Outros textos: Jo 15.3) "santificar- se"...3 (cf..l1s: não como Caim. 3. porém ..60 ("deixa os mortos.3-4/5 "tu..6: ''Não desanimeis.47 par. cf. tanto na doutrina como no sofrimento. perseverar na provação.15. 1Ts 5. não durmamos como os ou- tros .14-16 (guardar).. Separação dos pagãos: Mt 5. para a nossa perda.1-17.17-19/20ss (não como os pagãos..31- 33 (não preocupar-se como fazem os pagãos).5-8). FI 2...15.90s) temos em 2Tm um esquema três vezes repetido. Admonição protréptica Outras exortações à separação: Lc 9.18-3. quando virdes os pecadores se fortalecendo e tendo sorte em seu caminho.3-4). porém.1-11: rejeitar qualquer fardo. endireitar os caminhos para os pés. Crise...16s: oração. por exemplo em Ap 3. realçado por "tu.. Segundo G. apressar-se para entrar no repouso.12.1-9. 4. 4s). vós.".3: 2. sem esmo- recer.10-17. Hb 3. para que ninguém seja arrastado na queda. lJo 3. permanecer firme. Anúncio do Juízo (para os infiéis) e da recompensa (para quem for fiel).". Não vos torneis iguais a eles.. Ap 3. 4.")."vós. Ef4).5) deve lutar contra o erro (2."). 2.14-16.1-6 está estruturada na base da oposição vós/eles (cf.16s).. "não como os hipócritas e os pagãos". porém. 6..39 apresenta caráter claramente protréptico e é um indicativo como sentido de exortação: "Nós não somos de voltar atrás. 4.. vós. 2. 2. Jd 21 ("permanecei no amor de Deus"). lJo 2..1-2 (não receber a graça de Deus em vão). jejum e esmolas.B. como Mt 3.. Também na admonição pós-conver- são a separação tem um papel importante (cf. cada passo é introduzido por uma exortação ao co- nhecimento e um verbo correspondente na primeira pessoa. No judaísmo: Hen et.9-20: o mesmo ardor. 89.. Mt 6. 200 ... 1340-1341.7-8: caracterização dos fariseus [1-11] . .8-9a par. ó justos. a admoestação pro- tréptica significa a exortação para segurar o que se tem e permanecer no que ini- cialmente foi posto como fundamento. Mt 7. 104. porém"). e Ef 4.12-7.24: permanecer). 2Cor 6. Muitas vezes essas admoestações encontram- -se no contexto de outros elementos protrépticos. . Esse tipo de admoestação é freqüente em Hb: 3.3-9 ("quando disserem.- C. incrédulo. 12. 3. 3. 9).. ANRW. Paulo é seu exemplo.. não ser negligente..21 (não dizer.24-27) ou a falsos mestres dos quais é preciso manter-se longe (2Tm 3. mas imitar aqueles que . porém.10. mas fazer a vontade.42s. com a seguinte estrutura: A.1-9/10-17 "tu.. (fruto que dê testemunho da conver- são). de olhos fitos em Jesus.. Lohfink (em Quaest. a determinado grupo social (os poderosos em Me 10...1 (depois das exortações à separação: purificar-se de toda mácula da carne e do espírito). porém.3 (guarda... A resposta à crise: o destinatário. 6. Disp.

por isso sua função na história do cristianismo primitivo não é transmitir normas concretas.3. Textos em que elementos protrépticos se encontram com mais freqüência: Hb 3. Pois o "conservar" ainda não se havia transformado em algo absoluto. no quadro desses textos. FI 2.16).7) e as exortações para sofrer como justo (cf. Este gênero literário tem sempre um conteúdo global. Importante é também a transformação da exortação à conversão em exortação para guardar o que se tem. Admonição protréptica 6. principalmente.13-18.1-11. 12.13. Podemos também designar como protépticas as parêneses de vigilância (cf. 201 . de caráter alter- nativo. lJo 2. e sim. o que já diz FI 2. § 45). Por isso as exortações à separação são.18-3. continuava a ser uma referência à iniciação e era precisamente a maneira como ela. supra. Nisso não consigo descobrir nada que se possa considerar "protocatolicismo" (cf. o fator historicamente mais importante.7-4. a iniciação. § 39. Ap 3. continuava sempre presente.12-18. .Existem estreitas relações com o gênero da admoestação pós- conversão (§ 40) (particularmente por causa de 5 e 6).3. lembrar que com a conversão para o cristianismo enveredou-se por um novo caminho. lJo 4.

1-5 (Dragão) (Cordeiro e cor- tejo).2-11 (trono de Deus e entourage). por exemplo na tranfiguração de Jesus. Ez 1 e 4). 1976.8a (cavaleiros). . Cf. No NT são sobretudo os gêneros visionários que se interessam por esse tipo de descrições (chamadas ékphrasis).1-13. dos grandes gêneros narrativos e da historiografia.18b (Filho de Deus). Afora esses relatos de visões. Mt 17. branca como a neve"). 17. 14. lO.. também aqui § 77.ls (rio e árvore da vida).29: "O aspecto de seu rosto mudou. Berger.2-5 se encontra uma descrição de coisas (o aspecto da tenda e de seus objetos).17 (cavaleiros). Lc 9.l4 (seus exércitos). tão brancas que nenhum lavandeiro do mundo poderia alvejá-las assim" (cf.1 (livro).6 (Cordeiro). contudo. em seguida. 5.2 (mar de vidro). 22. 7. 9. 13. 6. § 63. de textos narrativosbreves e. só mesmo em Hb 9.l6a. de soberanos [cf. 7. 4.9 (multidão diante do trono).Descrições detalhadas são dadas no Apocalipse: 1. K.D. 21.14 (Filho do Homem).12b-16 (Filho do Homem).4a. e sua roupa se tomou de uma brancura fulgurante".1 (os anjos dos ventos). Foi esse ponto de vista que agrupou os diversos 203 . l5a-16 (o Logos como cavaleiro). Die griechische Daniel-Diegese.lb-2a (Besta do mar).1: "Seu rosto resplandeceu como o sol e suas vestes tomaram-se brancas como a luz").: ANRW. Gêneros epidícticos Trataremos primeiro de descrições em que não há sucessão de fatos. 19 (cavalos).1201-1204.1-2a (anjo). l2. lembrando sobretudo Ez (p. 9. não existe nenhum texto comparável com descrições tão numerosas de coisas contempladas em visão. e também nas demais partes baseiam-se em gêneros literários já desenvolvidos (descrição do aspecto dos anjos.ex. finalmente.l4. infra. Descrição de aspectos e figuras Bibl.2a.1(Mulher no céu).7-11 (gafanhotos).2-6 (meretriz Babilônia). lO. 2. § 77.4]). 1089-1091. Semelhante é a descri- ção do anjo em Mt 28. Me 9. 5.4. 3.3: "Suas vestes tomaram-se resplandecentes. 19. 115-117] e da Jerusalém celeste [cf.18-23 (Jerusalém celeste). 14.3 ("Seu aspecto era o do relâmpago e sua vestimenta.2 (Jerusalém ce- leste). 15. As descrições do Ap já eram em grande parte tradicionais.5b.

12-22. Aí o Lagos não é entendido em sentido cristológico como em Jo e Ap.1-3). 1175-1177.43-45. sobre o espírito impuro em Lc 11. § 96).46b-47. Estas descrições referem-se geralmente a adversários da comunidade. At 18.30s. mais ANRW.28-29) ou o que ele fez (At 17. quando é afirmado sobre Deus como ele "é" (At 17. em 3. Temos também uma ékphrasis.2 descreve assim o centurião Comélio. entre eles especifi- camente os mestres: por exemplo. Hb 1. Somente a mística judaica poste- rior. 3. apresentou de novo algo semelhante.3-1 Oa é descrito o poder da língua.8-10. aqui § 72. Descrições mais abstratas e comparações de duas figuras (sYnkrisisl gêneros e tradições dentro de uma nova unidade.A descrição das funções do Sumo Sacerdote em Hb 5. Sempre "se descreve" o que é disputável: Uma ampla ékphrasis da ordem estabelecida por Deus na comunidade é lCor 12. as cenas da liturgia celeste são representadas em formas impressionantes.19-25) é caracterizada ou a "ressurreição" (l Cor 15. 2Tm 3.17-18.1-9. acompanhando Ezequiel. com traços de fábula. Sobre falsos mestres: 1Tm 4. como na ékphrasis de alguma figura.24- 25.1-3a. . .Há proximidade também com o gênero "hino".1-31. § 64. Nesse caso. Descrições mais abstratas e comparações de duas figuras [synkrísís] Bibl.3s. a dos falsos mestres.17. Mt 12.22-8. Quanto ao Ap. Lc 20. para que sejam desmasca- rados. enquanto ao mesmo tempo.1-4 liga este gênero ao dos "deveres de estado social". por exemplo. Compa- ráveis são também a enumeração dos atributos do amor em lCor 13. de tal maneira que todos esses aconte- cimentos se revelam por meio de figuras que vêm do céu (cavaleiros. 2Pd 2. Mc 12. No limite do encômio (cf. quando se conta uma "história" sobre algo que costuma acontecer. Descrições sobre assuntos da moral fornece Tg: em 3.38b-40. Ambas servem para avisar e para separar.35-36) e com ela os ressuscitados.12s ("viva é a Palavra de Deus. Às vezes não se descrevem pessoas e sim entidades mais abstratas . Devem ser mencionadas também as descrições do que determinados grupos costumam fazer (não do que em determinada época fizeram.: camo no § 63. não se trata de narrativas básicas. é comum o uso de uma série de características. § 99) estão descrições de caráter elogioso sobre o que alguém habitualmente faz e que o distingue: At 10. . as condições em que nasceu devem ter contribuído para sua tão intensa elaboração: o esplendor do culto ao imperador e as tribulações de uma comunidade de mártires provocaram essa vigorosa alternativa e levaram à combinação da visão do Trono com uma sucessão de acontecimentos apocalípticos. e repetidamente. a descrição da viúva em 1Tm 5 e a dos anciãos e do episkopos em Tt 1.22s. Um exemplo clássico deste gênero é a descrição da "Palavra de Deus" em Hb 4.A descrição dos fariseus vale sobretudo como exemplo negativo. Quanto ao gênero literário compare-se sobretudo a descrição da Sabedoria em Sb 7. por exemplo. serve particularmente para apresentar e converter em norma a honra que Deus confere aos membros menos honrados.predominando aqui também o estilo nominal.24-26 par. Temos ékphrasis também quando "a Lei" (GI 3. anjos).).1-7. sobre as quais cf. Apolo. especialmente o catálogo de 7. A imagem do corpo.4-7.1.13 (já como synkrisis) e a descrição do amor em 1104. 204 . uma virtude fundamental.4. eficaz e mais incisiva do que qualquer espada de dois gumes" etc. os fariseus são descritos em Mt 23.

12. entre.5. um dos quais con- siste na perfeição total. cf.38-42 (MariajMarta). demonstram poder. Em 2Cor 3. compara os dois santuários (8. de outro. Lc 7.1202-1204. .66-72 par. o sacerdócio de Jesus e o levítico (7.: ANRW. .14b. - Uma síncrise costuma aparecer pela combinação de informações sobre figuras opostas. Exegese 27s).31-35).16). outra.. a força do sacrifício antigo e a do novo (10. cf. está em Jo 1. como: Herodes/Pedro em At 12: um é salvo. também os catálogos epidícticos pretendem muitas vezes. nas narrativas sobre a Paixão. § 72. e os gentios são descritos (ékphrasis).9s (p. entre Jesus e Moisés.12-21.5. A série causa a impressão de plenitude.45. há também a síncrise entre o Batista e os dis- cípulos de Jesus (At 1. 15. e a conclusão a minore ad maius é nisso um valioso instrumento. Semelhante síncrise entre Jesus e o Batista dão também a parábola das crianças a brincar (Mt 11. Isso é particularmente claro nos seguintes casos: a) As doxologias do Ap trazem séries plerofóricas de substantivos de conteúdo soteriológico (Ap 5. 12.1-8. . Die urchristliche Kollegia/mission (AThANT 48). de um lado. Pedro e Judas. como lCor 12. o outro.31-35) e Jo 1.13. é punido (sobre Herodes: At 12.16-19. em Rm 2. assim Ap 18. 7.Os gentios são comparados com os judeus (síncrise). por sua própria forma.ex.11-22).29-30. por uma síncrise biográfica. Jo 3.1-5). honra e salvação). Mt 27. mas também depois entre Pedro e Judas (Me 14.1-18). no fim.Assim há também um contraste. mas de maneira abrangente e argumentativa em Rm 5.4-18 a antiga e a nova Aliança são comparadas.4).54. mas na forma de uma compa- ração de duas realidades.12. Listas e catálogos 8ibl. Uma síncrise entre duas mulheres (como na tradição sobre Hércules na encru- zilhada) apresenta Lc 10.12. Especialmente na discussão com o judaísmo não-cristão. a comparação entre a antiga e a nova instituição desempenha importante papel. G. As mulheres são exemplos típicos..7. a Aliança sob Moisés e a nova Aliança. 205 ." (sobre o Batista. Esses catálogos apresentam os dois caminhos. em Hb 2.14-18 (para uma análise destes textos: Berger. c) Catálogos de mercadorias sugerem riqueza. ele... mostrando as qualidades de ambas e a superioridade de uma (Cristo/os anjos.. Cristo/Moisés em Hb 3. Além das palavras de Jesus sobre si mesmo. 1147. § 65. 2Cor 3).11-28 compara.6-13. Judas se suicida.5-18. Hb 9.10). Pedro se arrepende.A síncrise Adão/Cristo é elaborada rapidamente em lCor 15. como entre Jesus e João Batista (cf. glória.18-23). séries de proibições etc. apresentar certa totalidade. Jesus e. SCHlllE. com a síncrise "eu . 3. b) As séries de títulos em Ap 1.21s. § 66) demonstram a plenitude dos sofrimentos suportados.23-28).8-10. isso é feito por meio de uma ékphrasis.. Das séries parenéticas (catálogos de virtudes e de vícios. Essa tendência das listas aparece também claramente em Rm 2.11 (os presentes dos magos). Listas e catálogos A synkrisis é também uma maneira de descrever. A Carta aos Hebreus compara a pessoa de Jesus e os levitas (Hb 7. em forma de narração. Quando se comparam pessoas. 1967. depois de repetidas injustiças.12-16.12.13 (segundo o exemplo de Ez 27) e Mt 2.) já tratamos.3-10).28-30. d) Catálogos de peristases (cf. 11.1-3. 3. e) Catálogos de carismas.1-6) ou então.47s. as duas alianças (8.9 valem para o Cristo e para o adversário.

Os dois aspectos estão resumidos no conceito lucano de testemunha: At 1. Pois listas de doze testemunhas são conhecidas também de alhures (Berger. Auferstehung. 36-38 (Zenão). Mt 28.1. nota 590.40s. Outro papel coube. 267 (Pitágoras). em At 20.25). como tais.15). 164-170).47) e o sepulcro vazio (Me 16. VII. e a dos companheiros de Paulo em suas viagens. particularmente.Significado semelhante têm as listas de mulheres: elas acompanham Jesus (Lc 8.5. podem muito bem ter pertencido a um material oralmente transmitido. Pelo mesmo motivo. seu sepultamento (Me 15. Com a citação dos nomes dos homens e mulheres mais importantes. sua ressurreição. a função dessas listas de nomes parecia ir além da garantia do teste- munho ocular. a unidade só consta no cabeçalho.2-4.-Fílon. 85s (Aristipo). Vida de Aristóteles.1. por exemplo em Diógenes Laércio 11.10). Mt 27.34s documenta à sua maneira quão importante foi o testemunho por ocasião da morte e do sepultamento (somente se Jesus realmente morreu terá sentido falar de sua ressurreição).21s. Auferstehung.13).55s.4.3ss. listas de discípulos pertencem ao conteúdo das "biografias" dos filósofos antigos.1. f) O catálogo das doze tribos de Israel em Ap 7.).em contraste com a simples promessa "estarei convosco" (Mt 28. nota 132). em At 6. . é óbvio que os nomes das testemunhas tinham de ser mencionados na medida do possível. Lc 6. Jo 19. a dos profetas e mestres em Antioquia ou At 13. p. mesmo assim.5-7)correspondem à tese fundamental da multiplicidade das testemunhas (cf.16-19.ex. g) A lista dos sinais que seguirão os crentes (Me 16. colocavam-se pontos de orientação que ajuda- vam a lembrar os grupos. 635s.20) . servem para descrever a perfeição escatológica. que Abraão alegava serem os únicos que reconheciam a Deus. há até uma lista de doze homens.Bibl. I1I. Essas listas fornecem antes uma orientação elementar sobre a história da Igreja nos primeiros tempos e. ibid.17s) ilustra . Contudo.Sobre o valor do testemunho das mulheres. Lc 24.14-16. à primeira vista. 6. na história do cristianismo primitivo. Berger. 47 (lat. tanto na conclusão de pactos como em textos religiosos. Isso é sugerido sobretudo por outras listas em que o testemunho não está em primeiro plano. porém. por exemplo.4-8. Mt 10. . VIII. Em Ps. At 1.14: "para estarem com ele") como também. relacionamentos e evoluções. Para isso servem principalmente as listas dos Doze (Me 3. Pois a restaura- ção das doze tribos é uma expectativa escatológica. Sua principal função é apontar e guardar os nomes de testemunhas do que aconteceu. Já que a primeira pregação de- pendia inteiramente do testemunho. testemunham sua morte (Me 15. às listas de nomes de mulheres e homens. pelo menos duas ou três são necessárias (Dt 19. . Também as séries literárias posteriores de relatos de visões (como. 465. a lista dos sete helenistas.2-3).Em todos esses casos a tese fundamental é esta: a multiplicidade das testemunhas confirma a veracidade de um fato. 1Cor 15.46s (Platão).. cf. Ant. .que sucesso e que proteção hão de experimentar os cristãos quando estiverem atuando como missionários itinerantes. e que. Jo 19.Os doze discípulos testemunham tanto os atos de Jesus antes da Páscoa (Me 3. Esta tese é confirmada por mais outra categoria de listas: além dos catálogos dos homens e mulheres mais importantes aparecem os de localidades e regiões de 206 . também a lista de doze portas etc. anterior à atividade de Lucas. listas e catálogos afirmam uma expressiva multiplicidade. se encontram ao lado das listas dos Doze.

4-10 (autobiográfico. 1355-1359. Hen esl.31 par. flagelação.Listas de calamidades dessa natureza sem- pre são de esperar quando se trata da descrição intensiva de uma calamidade abrangente. 66. J. 9. em que as torturas são narradas e descritas. isto é. Sem dúvida. 231. - Analogias pagãs e judaicas: ANRW. amarrar as mãos e as costas. Provavelmente. 207 . A palavra grega perístasis significa: as circuntâncias exteriores. 103.7-8.2Cor4.4. Textos: At 20.6. marcando o âmbito do mundo cristão. as listas de lugares ser- viam para indicar as missões. 1355-1359. Os calálogos de períslases missão. calamidade. e certa- mente a lista de At 2. sucedendo-se no quadro de uma composição que é uma espécie de catálogo (assim já em 4Mc 6: despir.2Cor 6. a forma curta (catálogo) e a longa (narração) se encontram uma ao lado da outra (a relação entre as duas é importante também para a avaliação de todos os assim chamados "sumários" nos evangelhos).10 (autobiográfico). sempre com o papel de dar orientação sobre de lugares onde se podia contar com a presença de cristãos. a ligação com os primórdios era duvidosa. 10. também U. "Paul lhe Apostle and Firsl Cenlury Tribulalion lists". Em Rm. Porém.ICor4. chute no momento de desmaiar. incluindo textos de Rm (ANRW..7-12 (autobiográfico). tortura com instrumentos em brasa. in INW 74 (1983) 59-80..9-11.307.Rm 8. . com catálogo de virtudes).. Rm 8.17) já servia a essa finalidade.35-37. Ambas as coisas pressu- põem a necessidade de sintetizar uma situação já complexa. Os catálogos de perístases Bibl. Der Slil der paulinischen "Narrenrede" (BBB 52). . Cf. ZMUEWSKI.. § 66. HODGSON. pertencem aos catálogos de perístases (Mc 8. mas especial- mente infortúnio. 1978.2Cor 12.: ANRW. Hen et. sangue. idealizada como tendo Antioquia (da Síria) por centro e que apresenta uma espécie de "atlas das missões" (cf. listas de nomes foram importantes para. p. mostrar a riqueza e os limites de tudo o que já era cristão: quando alguém alegasse nomes que não figuravam nas listas.). perigo. . Daí resulta também uma rela- ção com relatos sobre mártires.33 par.Carta de Diogneto 7. Assim. as duas coisas interessavam em primeiro lugar aos cristãos itinerantes ou que viajavam como comerciantes. 135). Os no- mes serviam de código. a lista de lugares onde as pessoas se- guiam Jesus (em Me 3. feridas. gostaria de falar de um "catálogo de peristases" em sentido estrito apenas quando se trata dos sofrimentos e tribulações de uma pessoa só. um caldo fedo- rento nas narinas. Lc 6.ex.9).7-9. . ..25. na base de autoridades significan- tes. TRE XII. . em JAC 26 (1983) 38-53. R. uma por uma. mas especialmente aos justos (assim. 183s). TestJudá 25.31 par." ("e até às extremidades da terra": a expansão do cristianismo segundo as listas de países e seu uso na Antiguidade e no cristianismo). Maiburg: "Und bis an die Grenzen der Erde. nos evangelhos. queimaduras até nos ossos).19 (testamento de Paulo). Nesse aspecto também as extensas predições dos sofrimentos de Jesus.35-37 (a existência cristã no fim dos tempos). . Mt 4.9-13 (autobiográfico). em contexto biográfico ou autobiográfico. desde o relato sobre um doente até o elenco das necessidades e sofri- mentos escatológicos que atingirão a todos.

na Índia recebi outras feridas e enfrentei as feras.22ss (esboço biográfico. quando quebrou a escada encostada no muro. a dureza da própria marcha: tempestades. Alexandre esforçava-se por imitar Hércules.. Sobre a sorte de Alexandre. contudo não no sentido de toda a figura do Hércules ter sido adotada... em 3). Nos Assacavos furaram-me o ombro. alturas inacessíveis até para as aves.Imagine-se também a situação de Alexandre antes de sua campanha militar: a Grécia arrepiou-se . ele é o paradigma do caminho humano per aspera ad astra.Sem dúvida essa maneira de falar sobre as obras de alguém é particularmente apropriada para deixar transparecer que é Deus quem dá força ao sofredor (ver abaixo. um golpe de clava acertou minha nuca. uma vida austera. pónoi). 89). também § 76. uma pedra me feriu na cabeça. Até que ponto também os sofrimentos de Hércules foram um exemplo para o soberano. Meu corpo. nas Gandaridas a coxa. 4. cuja primeira parte está redigida no estilo autobiográfico ("eu. Herscher. é preciso observar que se trata de uma forma passiva de encômio (tendo como conteúdo os atos louváveis. práxeis).. oportunamente.7. a tradição sobre Hércules confirma isso (ver 2). A literatura apocalíptica apresenta a mesma concepção fundamental. carrega muitos sinais da hostilidade da sorte. nenhum. nas Malotas uma seta entrou em meu peito e o ferro ficou cravado. logo depois que nasceram. gloria-te em reis que não conheceram sangue nem feridas: foram felizes. no Granico. que mostra como superá-los. e com uma clava me bateram na nuca. Segundo Arriano 3.. a felicidade e a desgraça en- tram em cena.. mas apenas. Hércules 394ss. 2s): "Exalta-te. Listas com obras/sofrimentos de Hércules: Eurípedes. No entanto. . Diodoro Sic. um Artaxerxes que tu colocaste no trono de Ciro. Além disso. cf. esclarece o seguinte texto de Plutarco."). Quanto à série de verbos na voz passiva em 1Tm 3. uma soma de condições comuns.12) mostra que agüentar perístases é uma forma paradoxal de obras (gr.4. discutindo. falsidade e até a traição de principes". destronquei o ombro e passei um mau pedaço. que também no NT predomina neste tipo de catálogos e apresenta na estrutura analogias com os catálogos paulinos (Plutarco. a qual manifesta que tipo de ser a pessoa é.4ss. Com isso.16. Em Maracatarda uma seta rachou-me a canela. 2. eu admitiria influência. (como em "Hércules na encruzilhada"." capo 3 (498s). e na figura do Filho do Homem sofredor essa idéia é transferida também para o destino de cada um (cf. cf. No texto de Plutarco "Se o vício basta. "influência" não é o caminho certo para esclarecer a relação entre essas duas concep- ções. Para Alexandre Magno. o terrivel aspecto de feras selvagens. 208 . o punhal de um bárbaro me acertou a testa e perto de Issos uma espada na anca Perto de Gaza fui ferido no tornozelo por uma flecha. Quanto à forma literária dos catálogos de esforços e sofrimentos do indivíduo. apresenta-se uma lista de exemplos. além disso. Hércules foi o modelo do rei. A felicidade não se al- cança sem sofrimentos. . culturais e religiosas. infra. na Ilíria. É especialmente a tradição sobre Hércules que deixa perceber claramente a afinidade intrínseca entre obras e sofrimentos (gr.2. levou a esse paralelismo.. 4. Cartas de Alcifron III 61 (ed. Primeiro. como para outros soberanos helenistas.I Os catálogos de perístases A história desta forma literária ensina o seguinte: 1. águas fundas. um Oco.3.28. o caminho para sua divinização e sua vitória sobre a morte. de sua amizade. § 72.7). E é antes na suposição dessa base comum que alguma influência foi possível. a forma literária dos catálogos.4).. § 99. Depois. 2Cor 11. porém. seca. Seus "trabalhos" são.

e é exatamente isso que se pode ver. A finalidade desses catálogos é sempre apresentar o herói não como vítima. 397 ss. Características formais (segundo 1. 3. sempre. O fato de o tema da superação do sofrimento ser a intenção deste gênero literário explica também sua forma muitas vezes antitética. 4. mas como vencedor das labutas e calamidades. Ambas essas idéias encontram-se tanto em textos cristãos como em textos pagãos. fazendo dele um paradigma da supe- ração do sofrimento. in RHR 158 (1960). Agora.. outra alternativa falsa e apologética seria apresentar os textos pa- gãos como a serviço da autoglorificação e os do NT como a serviço da glorificação de Deus. Kõln. Analogias de 2Cor 4. veneram-no mais do que qualquer outro. Bib/: F. 1356-1359). The Herak/es Thema. estimam-no como um deus e dizem que mora junto com Hebe. séries assin- déticas. 1972. generalizantes (como: cada um. preferên- cia pelo uso de substantivos e pelas preposições "em" e "por" (gr. porém. NewJersey. Herakles. diá). Mas nenhum dos miseráveis homens me dá valor.57. até agora). PFISTER. Diss. M.7). Como em 2Cor 11.. cf. Arriano II 18. 5. Eles também não querem ver como Hércules lutava e labutava.7-12 encontram-se no cântico de ação de graças do in- divíduo. in R/L 83 (1950). 7. em 2.. 19ss. Tinham dó dos esforços e lutas de Hércules e julgavam-no o mais atormentado dos homens.13 (relacionando a Diógenes). esquemas de três ou 209 . TestJosé 1. pela força e pelo amor e por uma ação invisível que vêm de Deus. eles adulam atletas que pulam e correm e dançam.1-2. Não tem cabimento a tentativa de W Schrage de considerar a capacitação por Deus como o modelo cristão e a da própria força interna do homem como o modelo pagão. antíteses (mas.26-27: "Esta é a minha luta que enfrento e na qual arrisco a minha vida.45. Diss. K.2. in ARW 34 (1937). GAlINSKY. para verificar se este homem possui uma fonte secreta de força capaz de carregá-lo para além daquilo tudo. Vorbi/d des Herrschers in der Anfike. TONDRIAU.. O triunfo sobre os sofrimentos é conseguido pelos seguintes fatores: pela força de Deus dentro do homem. II 16. Os catálogos de perístases É importante mencionar Díon Crisóstomo 8. 2Cor 6. Suas labutas e seus trabalhos eles chamavam de 'lutas dolorosas' .. como uma deificatio. III 24. assim também no mundo pagão catálogos de perístases são usados na condenação da vanglória (cf. pela intervenção divina. contra os prazeres e contra as abnegações. então. que suportou os maiores tormentos". J. pela força sobre-humana da filosofia e pela inteligência (textos: ANRW. Todos lhe pedem em oração que sua vida não seja atormentada como a dele. DETlENNE. A afinidade entre o sofrimento e os atos humanos transparece pelo fato de que as perístases muitas vezes vêm combinadas com catálogos de virtudes (ICor 4. Zmyewski. 319s): estilo conciso. Totowa. Os sofrimentos tomam-se uma provação. também Epicteto. o dia inteiro. "Herakles und Christus". 1951.4. § 72. W. III 22. Sobre o sentido dos trabalhos de Hércules.9-13. G. AT (cf. continuamente. lQH 9).). não.4-10.7-9). DERlcHs. 16. a esse respeito. supra. depois que morreu. Carta de Diogneto 7.26-36. e eis. o uso de "nós". porém. Porém. 42-60. o exemplo de Alexandre Magno). Graças a essa intercessão de gêneses trata-se da salvação em cada membro (cf. pedem isso a ele. 6. III 3.

2-3 ("caiu. Além da brevidade. árti). o todo-poderoso (continua numa exortação ao júbilo como em 12. nyn. Ap 11. está marcado por um acontecimento novo. tendo então uma forma típica. no Ap. e que ele transmite a seus ouvintes numa comunicação urgente e. Lc 21.. o dia está bem próximo". e eles o venceram" (continua numa exortação ao júbilo e ao lamento).10. Mc 1. Jo 12.31: "Agora é o julgamento deste mundo.. e o Reino de Deus aproximou-se" (conseqüência: "convertei- vos e crede. agora o príncipe desse mundo será lançado fora". "acontecer" (no perfeito).23 (servo de Cristo). Proclamação A proclamação é um gênero epidíctico.. por isso. Também ela é anunciada por proclamação. nosso Deus. pois trata-se de uma descrição qualifi- cada do presente.por isso também os falsos profetas lançam mão de proclamações (Lc 21.. caiu Babilônia. Proclamação quatro elementos. assim em 2Cor 4. O pressuposto para a fundação da basiléia é. pois desde já ele é nova realidade que deslumbra tudo. Rm 13.."). "dia".8). A noite vai adiantada..11-12a: ". per- guntas retóricas. e nenhum anterior. 2Cor 11. Ap 12. breve (muitas vezes com conseqüências sim- bulêuticas). O momento presente. hoje. sabeis em que tempo estamos. Ap 19.15a: "cumpriu-se o tempo. artificios retóricos (repetição. depois.."). muitas vezes esfundamentações cristologicas são decisivas. antíteses)."). 8. Rm 8.". segundo a maneira apocalíptica de entender o tempo. 210 . ter caráter antecipatório: formulações como Lc 10. Inúmeras frases desse tipo referem-se à chegada ou à proximidade do Reino de Deus. advérbios de tempo como "agora" (gr. § 67. a queda da Babilônia..". kairós).35b. nos dois casos com fundamentação. Na vitória sobre os contratempos. O conteúdo freqüentemente é de natureza escatológica. com fundamentação): "pois chegaram as núpcias do Cordeiro..10-12 (depois que Satanás foi precipitado à terra): "Agora aconteceu a salvação e a força e o reino de nosso Deus e o poder de seu Cristo.9.10. clímax e a lei do "crescendo". As proclamações escatológicas podem. portanto.8 ("caiu. Exatamente porque o Cristo como sofredor e crucificado é o eleito de Deus.39.. 11. com efeito. eis a hora de sairdes de vosso sono. e depois outra vez em 18. caiu Babilônia. lcor 4. conhecido por quem fala.. da Salvação ou do Juízo. Quem faz a comunicação é um mensageiro de Deus . Lc 10..8: "chegou o momento".6b-7: "Aleluia! Tomou-se rei o Senhor....20 chamam nossa atenção para o fato de que. as perístases podem provar que alguém pertence a Cristo. sua esposa se preparou: foi-lhe dado. palavras dícticas como "eis".10-12. outra proclamação. não importa para a proclamação se o tempo anunciado já está totalmente presente ou se ainda está vindo. e ele reinará.. "proximida- de". com antecipação em 14.15 (depois de um terremoto e vozes no céu): "o reino do mundo agora é de nosso Senhor e do seu Cristo. "momento" (gr.9: "chegou até vós o Reino de Deus" (proclamação por ocasião das curas). os seguintes elementos são típicos da proclamação: substantivos como "hora". porque. verbos como "aproximar-se".. a salvação está mais próxima do que quando abraçamos a fé.

211 . Lc 24. Sobre a reação dupla em Ap 12.. é maravilhoso aos nossos olhos! Eis o dia (gr. O centro argumentativo é formado pela declaração sobre o "agora" em 12.7a.. Quanto aos textos judaicos." (Ap 16.31/32. A oração em diálogo do V.6b. os santos estão preparados. como TestJó 43.14. Lc 22. bem seme- lhante àquele que o Ap."). 85. Também a hora do início de sua paixão.22-24: "A pedra rejeitada pelos pedreiros tomou-se a pedra angular. hêmerai que o Senhor fez: que ele seja nossa felicidade e nossa alegria". Alegrem-se os santos. com cânticos de louvor. Em conseqüência do que precede. . a caravana avista a cidade e a vida pressente seu fim".12 (júbilo e lamento)..31 (cf. Como nos exemplos acima citados de SI 118 e Ap 12.7s. regozijem-se em seu coração.35s forma a conclusão. com sua "sala do trono" celestial.3. 28 caracteriza a hora como o ponto de intersecção entre a glória anterior e a futura. pois receberam a glória que esperavam.34: "Foi ressuscitado o Senhor. . Proclamação Proclamações são também os anúncios de que "Está feito.. e apareceu a Simão".Mas também alguns textos não-apocalípticos devem ser mencionados.9 ("hoje a salvação. e a chegada dos tempos já está quase aí e é por um triz que ainda não passou. vede. Trata-se de um cântico diante do altar.")..41 "Chegou a hora ..12. purificada nossa iniqüidade". Uma proclamação de vitória aparece em Ap 12. depois de uma doxologia em tomo do Juízo: "Vede.13.6: "Ele foi ressuscitado".7. em que lemos. § 55. o navio está perto do porto. especialmente SI 118. em 12.11 ("nasceu-vos hoje o Salvador") e 4. também a seqüência 12. cf. o Senhor já chegou. diante do trono de Deus.21. mas também ApBar sir.23 indica o tema.21 ("hoje cumpriu-se a Escritura") podem ser reconhecidos como proclamações. 4.. Pois a bilha chegou à cisterna. supõe para a escatologia (a vinda escatológica de Deus como analogia de uma presença cultuaI). o que explica as subseqüentes exortações ao júbilo comum. A insistência na hora presente significa que é preciso escutar a mensagem agora (Lc 4.15.Pois aí se encontra o aspecto do tempo (o dia) e é digno de atenção também o papel de destaque que o SI 118 desempenha na interpretação messiânica do judaísmo e do cristianismo primitivo. na frente vêm as coroas.").64: "Ele foi ressuscitado dentre os mortos". 1374). Essa combinação de proclamação (do que "é") com exortação ao júbilo foi preparada pelos salmos de ação de graças. Mt 27. igualmente lembrando o "tempo" (que será curto). merecem atenção os dizeres apocalípticos sobre a proximidade do que se esperava (cf... Todo o capo 12 é uma espécie de peroratio da atividade pública de Jesus.Cf. Lc 2.1). a proclamação acompanha a exortação ao júbilo. .20 ("Eis que estou à porta e bato . também Lc 19. Isso vem do Senhor.6a). Hb 3. a chamada para a conversão em 12. Nos VV.2). também a mensagem da res- surreição deve ser chamada de "proclamação": Me 16. também V. Assim deve ser entendido também Ap 3. 27a)."). A chegada do Senhor é um acontecimento cultuaI. § 49.Finalmente. .11 (analogias em ANRW. Jesus a anuncia dessa maneira (Me 14.30-36 está totalmente dedicado ao tema da proclamação da "hora".53 ("Agora é a vossa hora e o poder das trevas . Jo 12. 19. Foi afastado nosso pecado. 2Cor 6.17. Todas as proclamações do Ap acontecem no quadro da liturgia celeste. 21.. no contexto do sacrificio oferecido. A introdução em 12.10: "Pois a juventude do mundo passou e o pleno vigor da criação há muito se aproximou do fim. 24-26 a "hora" é ensejo para uma parênese sobre o martírio. cf.12.

71. Aclamação.9) e servem para chamar a atenção do leitor.12. O. Leslau 83 ("perfeito em seus atos. mais tarde: Gorgório.5-7 e todas as palavras de Jesus introduzidas por "Amém. Chamamos de "aclamação" todo grito dirigido a alguém (muitas vezes uma pessoa de posição mais alta) com sentido positivo. primeiro em Is 6. Del1ing. 129-152) é um atributo divino. a aclamação pode conter também uma deprecatio (pedido). "Santo" (Cf. 1374 e G.3. porém.12.6. 1963. que é e que vem").6a/b aponta para o sinal que acompanha o fato. ou pelo menos algum nome).6 (cf.3 talvez já tenha sido o culto em Jerusalém. A origem de Is 6. O "vede" de Me 16.. 17. também Hb 6. 14. Sempre significa o reconhecimento da pessoa e/ou dos atos do aclamado. Aclamação a) Aclamações puramente atributivas: "Digno" (áxion): Ap 4.42 par. em JLW 3 [1923] 18-32..216- 233.31s) ou pretendem referir-se a ele (Me 13.. o Nf apresenta também frases locais que a elas correspondem. A. 5. Além disso.. tem uma forma mais rígida e pode ser mais facilmente desligada da situação (por isso se encontra também em cartas). in RAC 1 (19501. 212 . predicação e doxologia Ao lado das frases dícticas temporais aqui tratadas. 1372-1375. O "aqui". trata-se de um termo usado na votação das assembléias do povo no mundo helenista. especialmente: lH.72.: ANRW. predicação e doxologia Bibl.12 ("Ele enche a terra de espíritos"). Em ambos os gêneros trata-se do grito afirmativo quase sempre nominal. em forma modificada em Hen et. a aclamação faz parte do gênero literário da demonstratiojepi- deixis (freqüente em histórias de milagres). eu vos digo".Com a doxologia a aclamação tem em comum a caracte- rística situação básica.14.74.11. Às vezes devem ser entendidas em sentido temporal (Ap 13. logo introduz o leitor/ouvinte na situação. dirigido a outra pessoa.". Além dessa afirmatio (um título. ou sobre eleições). Trata-se de frases que começam com "Aqui. Baumstark: Trishagion und Qedusha. Não é possível separar rigorosamente entre os aspectos temporal e local. em Ap 4. depois modificado também.".18. 16.9s. Aclamação.21 par. Lc 11. O Ap imagina a comunidade cultuaI celeste como uma ekklêsia reunida para louvar seu soberano. refe- rem-se a Jesus (Mt 12. ANRW. Michel. Ap 10. D. a doxologia é dirigida exclusiva- mente a Deus e ao Cristo glorioso. KlAUSER. Flusser: Sanctus und Gloria. 1..et. em Fs. Ap.8 ("aquele que era. . "Akklamation". A doxologia. art. 85 "Santo é o rei"). como Me 14. § 68. geralmente superior. Desse modo. como o "eis".41. usado para aclamar a Deus. Caráter de proclamação têm ainda os juramentos de que fala o NT.10. Conforme mostraram inscrições (de decretos honoríficos. em: NT3 [1959] 108ss).). 39. em que o assim reconhecido se destacou em poder ou benefícios. Mt 26. afirmativo.

23. ele dá luz às suas criaturas". e não de um homem". art.1-9." ou "Este é. é saudado com: "Aí vem o destribuidor da luz. cf.Ao passo que o lugar do "santo. Devemos distinguir. Encontra-se isso também.10 "Hosana" é traduzido por "salvação" (gr. Lc 7. 12. como em At 19.30s. No quadro de uma demonstra tio (em que já transparece também o problema teológico 213 . também Lc 7. 9. Em Mc 11. B. 14. A aclamação está perto da interpretação por "Tu és . § 79). não se precisava do S1118.Da tradição judaica: Lc 16. 331ss. Em Lc 19. a aclamação "grande é. 41 ("Grande és tu. d) As aclamações costumam fazer parte do gênero literário da demonstratiolepi- déixis (cf. ARW 1907. NTS 20. portanto. Lc 18. sobre outras cenas de entrada triunfal.". 31. cf. Eccl.398). 1913.. Especial atenção merecem as aclamações que chamam de "deus" o autor de algum feito admirável (At 12. A narrativa da entrada de Jesus em Jerusalém (Mc 11. em forma de homens.16: "Um grande profeta foi suscitado entre nós e Deus visitou o seu povo". e) Aclamações que identificam. pelo menos literariamente. Aclamação.Cf. socorro".11: "os deuses.. Em Mt 8. que é um sinal de júbilo e de alegria em geral. o convite ao júbilo estende-se até o céu. No NT a predicação "Tu és. reza: "Hosana ao Deus de Davi".28-38) po- deria ser chamada de "narrativa de aclamação". .30. E. Lohse.. analogias encontram-se em LXX Bel et Draco 18 ("Grande és tu. sõtêriai. cf. em que o sol. entre um grito isolado de "Hosana". como mestre.. Filho de Davi"). 17. E. em 2). b) Aclamações com sentido de "salve!" temos nos gritos de "hosana". 19. No judaísmo os gritos "salva-nos!" e "misericórdia!" podem ser dirigidos a seres humanos (cf.. Senhor. cf.6. que lembram o SI 118. glória). no fim.9s. nota 118).10."..22: "É a voz de um deus.." tem claramente um caráter de propaganda ou de reconhecimento público. Deus de Daniel") e em Aélio Aristides 24 (p. Apenas em Mt 21.38 o "Ho- sana" falta por completo. sendo muito importante para o estudo do gênero "evangelho". 1926.9s o "Hosana!" está no início e no fim. tomou-se um elemento do gênero literário "biografia". para alguém que estava chegan- do ser saudado com aclamações (a retórica dava a esse gênero o nome de epibatêrios logos).28. traduzido por "Senhor. em Lc 17. 2. Mt 21.9 o "Hosana" é diretamente aplicado ao "Filho de Davi" ("Salve.30. I.27. Peterson.13s) dirige-o novamente ao "Filho de Davi". 14.13. Eis Theos.10. tem compaixão de mim) (cf.. 15.16.. .9. predicação e doxologia "Grande" é outro atributo que figura em aclamações.34 "grande é a Artemis dos Efésios". um texto litúrgico. . Porém. Peterson.47s par.O "hosana" (nos evangelhos no início da frase) desde cedo fora transformado de pedido de socorro em grito de júbilo.. Mt 8. c) Aclamações com títulos. At 8. por exemplo. 14. no seu lugar aquele que chega é recebido com atributos doxológicos (paz." é o culto.. 20. na entrada de Jesus em Jerusalém (Me 11.25 en- contra-se o sentido original de "Hosana". Müller. e o "Hosana" dirigido a determinada pessoa (no dativo) (como doxologia. em: ZSystTheol7 (1930) 682-702 e NTS 20. Mt 21. Em Ap 7.25s." ou "Este é. nascendo. nota 111.2.. em Hen es1. II 399 Keil): "Grande é o Asclépio" (cf. como cerne de narrações visando a uma identificação.1-10. E.).13. 71 Dind. como gritos de socorro: Jesus é aclamado como Filho de Davi e como Kyrios em Mc 10. no tempo do NT..10.15. ó Bel"). como também em 21. Jo 12.6. desceram até nós"). Megas Theos.25. em ThW IX 682-684). At 28. Mas Eusébio (Hist. Did 10. 196ss.38s. Lc 19. "hosanna".22.15.24 ("Pai Abraão. .

o gênero das aclamações (muitas vezes em narrações identificatórias).10: "Este homem é o Poder de Deus. por assim dizer.43.um homem trajando roupas finas . então.13- 20. mas também seus sequazes (vv. Como. pois. Em Jo 12..36. ANRW.49). pelo milagre de Paulo.18-21) encontrar uma resposta semelhante. profeta). a última. e as diferentes interpretações do que alguém é ou do que está acontecendo com ele continuam uma ao lado do outra. 40: pro- feta.23 (Filho de Davi)/24 (Belzebu). 46) e do autotestemunho de Jesus (vv. Não apenas Jesus é avaliado.4) ou na perplexidade (At 2.7-9/10 par. As diversas objeções (v.20s (possesso/não-possesso). porém melhor. 4Mc 17. Sobre isso. No Evange- lho de Tomé 13 a resposta certa é dada por Tomé.19-23 respostas falsas são recusadas (Elias. em At 28. Aclamação. 52: da Galiléia não pode sair nenhum profeta) são colocadas ao lado das opiniões favoráveis (v. Admitimos. cf. Jesus dá a solução. mostram-no os seguintes exemplos: a reação do centurião debaixo da cruz é. À pergunta "Quem é este?". que pode ser um ato isolado ou o resumo depois de toda uma perícope. 11: "Verdadeiramente.7). Em Mc 6. Lc 9. para depois. 47-49). mas mesmo assim já refletem o caráter extraordinário e espantoso do fato (para Plutarco: § 100. I0. v. v.depois das alternativas "João..7-13 ("estes não são galileus. 214 . 31: milagres.35-51 contém diversas respostas à pergunta: "Quem é Jesus?" (1. "Este homem era filho de Deus" (Le 23.45. o grande". Outros textos apresentam primeiro uma série de dizeres provisórios ou falsos. que a justapo- sição de várias respostas e a série em clímax de várias reações são formas narrativas de utilizar a aclamação/predicação. "Quem é Jesus?" .41.. 1262).7). A aclamação em Mc 15. At 17.4. 28s: chamamento.39 ("Verdadeiramente. Mt 12. E muitas vezes fica-se então na divergência (Jo 7. Jo 7.14-16 toma impulso.1-2 e Lc 9. efinalmente a resposta certa ou melhor (sobre esta forma de créia. a certa é dada numa synkrisis "eu/ele".. e do próprio Jesus.".29-32 o povo está dividido. Pedro e Mateus respondem menos bem.um profeta . em toda a parte.38. dizem em At 8. Mt 14. algum profeta". professando que Jesus é o Messias. os sequazes de Simão.10-11: "Este é o profeta. At 2. 27: a origem do Messias devia ser desconhecida.25-53 tem por tema a pergunta "quem é Jesus?". um preâmbulo narrativo fala das reações divergentes a respeito de um procedimento ou atividade. os sequazes de Jesus dizem em Mt 21. um profeta ou João ressuscitado.14-16. o mago. v. vv.7-9 continua incerto quem é Jesus: Elias..mais que um profeta: "Este é.18 (tagarela/pregador de divindades estrangeiras). Que aí é utilizado.27-30 (Mt 16. 37s.47: "Este homem era justo"). predicação e doxologia de que aí se trata). vv. Elias (Jeremias)..). é a que vai mais longe. Um clímax semelhante percebe-se na estrutura das propostas alternativas (Mt 11. cf Lc 11.39.?" "Que é isso?" "cheios de vinho doce"). a avaliação muda de "um assassino" para"um deus" (28. sendo depois desenvolvida no evangelho.12). O Batista tem a preferência.". foi uma luta divina que eles [os mártires] travaram" = epílogos). At 14. Em Jo 1. sobre quem é Jesus.12 ("ele é um homem de bem't'ele seduz a multidão''). A grande perícope Jo 7. Pedro dá a resposta certa.) sobre quem é o Batista: um caniço . este homem era filho de Deus") tem ao mesmo tempo o caráter de um in memoriam (cf.. Me 6.. Toda a perícope de Jo 1. segundo Me 15. 41s: o Messias devia ser proveniente de Belém.15s (admiração/por Belzebu). em Me 8.

15 a denúncia: "vós. 11. pelo contrário... então se trata de um procedimento que pressupõe alguma forma de revelação: ou a auto- -revelação anterior por um milagre. a pessoa superior se dirige a alguém abaixo dele.. tal manifestação não resulta de uma auto-apresentação. também não poderiam se submeter a ele). da pessoa que pronuncia tal revelação (cf. não se trata de uma aclamação de baixo para cima e. Ap 11...22. a explicação em Mt 16. quem sois?")... predicação e doxologia o "Este é.o cálice: Mc 14. dizendo: "tu és.28 etc.10.17: "Não carne e sangue.. Lc 4. Lc 22.25)..".. mas da descoberta feita por intervenção de outrem.1-3. 8.Em todo caso vale o seguinte: quando títulos sublimes." e em At 19.. ou a qualidade pneumática. Aí afórmula da predicação já se tomou o título de toda a "profissão de fi"..19.11. numa narração (às vezes depois de um clímax). por conseguinte. Não apenas pessoas e visões de objetos são assim interpretadas em sua relevância soteriológica. Essa hipótese é confirmada pelo fato de o "este é. 3. o que chama a atenção para outro aspecto: o "este é..22b)." não passa de aclamações formuladas na segunda pessoa gramatical." (cf. Resultado: O "este é..." se encontra relacionado com a Escritura (At 17. d) na interpretação do pão e do vinho.28. também At 16. 1Cor 11. Mt 26.24.4: "Estas (testemunhas) são as duas oliveiras. Diferentemente das palavras "eu sou. as palavras interpretativas nos relatos da ceia explicam o sentido ''mais profundo" do pão partido por Jesus e do cálice por ele oferecido (o pão: Me 14. interpreta para os homens o verdadeiro sentido da primeira. Em contexto religioso tal interpretação (agora já sempre com base numa autoridade) toma acessível a dimensão de uma validade para a relação entre Deus e o homem..33: que Jesus era "aquele que batiza no Espírito Santo" tinha de ser dito primeiro ao Batista. da parte de Deus).20. Lc 7." pode indicar também o conteúdo de uma pregação qualificada. o sentido que vale diante de Deus. Mas há também lugares em que o "Este é. bem como as palavras sobre o pão e o vinho têm uma raiz comum num fenômeno corriqueiro: a interpretação de uma realidade ainda desconhecida. por meio de uma palavra "comentadora" que mostra o sentido dessa realidade.17: "Estes homens são servos do Deus Altíssimo. c) na aplicação da Escritura a uma pessoa. que a predicação/interpretação "este é". inspirada. ainda não profunda- mente compreendida.. percebemos.. então.. como no reconhecimento de Jesus pelos demônios em Mc 1.27. b) como resumo de uma profissão de fé." significa às vezes a revelação da verdadeira natureza de uma figura por meio de outra.): a) como profissão de fé por aclamação ou predicação. a qual. Aclamação. . (se não soubessem de sua superioridade.. ou então. § 72...20."). Quanto ao "tu és." ser fórmula fixa na interpretação reveladora de visões e de textos bíblicos.": a maior parte das predicações com ''tu és.. Quando. É assim que antes de Pedro os demônios já foram capacitados para interpretar a verdadeira natureza de Jesus (cf..24b. 1Cor 11.26...41. então chamamos isso uma 215 . que com isso se toma um "revelador" (cf. Mt 11.. uma autoridade religiosa. também Jo 1..24 . Mt 26..") e. textos bíblicos ou declarações de funções são "aplicados" a alguém por meio do "este é." interpreta uma realidade (antes não conhecida como tal) com base numa autorização especial (revelação etc. + título". a pregação de Paulo é resumida assim: ele provou que este é o Filho de Deus/o Cristo (At 9. porém. Lc 22.3). Assim.

. trata-se de um ato lingüístico mágico-sacramental que deseja para alguém alguma coisa a que ele tem direito.14: "Tu (Henoc) és o homem que nasce para a justiça.9 216 .14 é interpretada pelo anjo: "Ele te deseja paz em nome do mundo futuro. ela intensifica. Por causa desse papel de Henoc como o justo paradigmático. A promessa que em Mt 16. sua doutrina é normativa para todos os homens que seguem seu caminho (71. Berger. também ApAbr 14: "Reconhece a partir de agora que o Eterno te escolheu. do contrário. 137-183. explicitamente nomeado. entronização). Essa "expressão do desejo" não é apenas descritiva. isto sim. Em Mt 3.5-6). 11.13. Ausferstehung.. (ZThK 80 [1983]).. apresentação. todo pedido que me fizeres te é garantido".. 74. 2. mas também não é constitutiva (a glória de Deus não depende do homem dizer "glorificado seja").ex. Na origem.2). 71. freqüentemente citados como textos cristológicos. darei a cada um". A justiça permanece sobre ti. ApDan persa (ed. Hen et.22. Friedrich recentemente.14 (embora Henoc ai não seja constituído como "Filho do Homem"). in Is. na supo- sição de que no Egito teria existido um esquema tripartido (exaltação. a voz que soa na hora do batismo é entendida nesse sentido como instalação/confirmação da filiação divina (assim também. Em Me 1.11. 15. inter- pretação que esclarece o que foi descrito em 3. Norden.16. lemos..."). Quem é "digno" tem direito ao bem que lhe é desejado.Saudações semelhantes conhece também o judaísmo contemporâneo. Zotenberg. Doxologia De "doxologia" chamamos aqueles textos em que alguém se dirige a outrem. sem razão. Cf. comumente aceita desde E. como em SI 2. mas em combina- ção com a redação de Mt. porque te amou".18-20. Comm.489-491 e. mais uma vez.17. conforme G.".4s. Aclamação. é também com um "tu és + título" que Jesus instala Pedro (Mt 16. . Com isso já temos uma ponte entre o "digno é(s). No judaísmo.5). Mt 10.15 a predicação "tu és.16). A tese.7 ("Tu és meu filho") e SI 110. porém.4 ("Tu és sacerdote. provou num estudo sobre a estrutura formal de Mt 28. O superior coloca ou confirma alguém numa determinada posição. com esse ela há de permanecer. predicação e doxologia installatio. Hen hebr.18). 392s): Ó Daniel. e a justiça da Cabeça Idosa não te abandona".. a relação de quem fala e a pessoa a quem se dirige. A installatio com "tu és + título" tem uma dimensão inequivocamente jurídica. baseava-se. meu amigo. Quem for digno dessa palavra salutar. "Este é. . Na concepção do cristianismo primi- tivo a respeitoda saudaçãoda paz pronunciada pelo carismático("a paz esteja convosco") há elementos importantes para entender a doxologia. em Hen 71. O paralelo mais próximo da palavra dirigida a Jesus por ocasião do batismo é Hen et. Por isso basta que seja realizada uma só vez. pois é de lá que sai a paz desde a criação do mundo".. o horizonte mais amplo é formado pela imcumbência e instalação (sempre visionárias) no quadro de uma cena diante do trono de Deus (cf." de 71. p. 176. Lc 10. ApEsd gr:: "Tudo o que pedires. Esta installatio não tem nada a ver com a cerimônia egípcia da entronização.19 seguea installatio tem analogias em textos em que pessoas eleitas recebem uma promessa especial: TestAbr A8: "Eu te darei tudo o que me pedires".Semelhante é TestDã 5." do Apocalipse e as doxologias.. o Evangelho dos Ebionitas e o Evangelho dos Hebreus. segundo Jerônimo. dese- jando-lhe algum bem. Afinal. Lc 3. TestLevi 2. voltará a quem a pronunciou (cf.

20) ou no fim da parte argumentativa (Rm 11. O céu é o foro decisivo diante do qual é válido desejar a paz para alguém. Doxologia do Juízo é o reconhecimento (pelos interessados) de que o Juízo divino é justo. respeito. formulam o que o aparecimento do Salvador significa para Deus e para os eleitos.A formulação dessa doxologia manteve-se relativamente inalterada: 217 . foi originariamente uma resposta litúrgica.5b-6. Lc 19..14a. a salvação lhes compete. § 72. as primei- ras vezes que aparece.36 ("pois tudo é dele e por ele. Compare- se Mt 21. no fim de uma introdução (GI 1. paz. que sai da boca dos anjos. porém. cháris (agradecimento/consideração)..Colocamos aqui a doxologia ao lado da saudação para poder entender Lc 2. desejando aos eleitos a salvação no mesmo sentido em que a Deus compete a glória. como em Js 7. Esse reconhecimento é parafraseado com "dar a honra a Deus".38b traz apenas os substantivos soteriológicos (paz. O "para a eternidade" pode ser aumentado com "das eternida- des". 7. No fim de todas as demais orações só acabou aparecendo um "amém" porque as orações costumavam terminar com uma doxologia.Em vez de um substantivo só.''. 1156. .14. no fim da parte principal das cartas (FI 4." (Jd 25).". desejam para os eleitos a felicidade ("paz"): uma saudação qualificada. Os mais usados são: glória (doxa). pois o sentido é: o rei aqui abençoado significa e possui diante de Deus ("no céu". ou transformado em: "e agora e para o dia da eternidade". Em 2Tm 4. Os anjos. 3. Nos dois casos a palavra "paz para vós" significa a confmnação formal da justiça que vem de Deus e a ratificação de uma relação já existente. e no Ap ela se dirige muitas vezes a Deus e ao Cordeiro juntos.25. fortitude.9. Jo 9.11).13d. Rm 11.8). Lc 2. O dativo da pessoa aplica-se às vezes "Àquele que tem poder para .27).33-36). Aclamação.. Por causa do campo de significado complexo do gr. a saber: 1. Já que são eleitos..10. gratidão. 7.5). A forma usual da doxologia é: substantivo (de conteúdo soteriológico) + dativo da pessoa à qual isso é desejado + (às vezes) "eternamente" (+ "amém"). não há diferença entre esse texto e a doxologia Mt 21. . sem dativo. como Rm 11. Neste ponto os evangelistas têm a mesma representação que o Ap de João. pois. as frases com cháris se assemelham às doxologias. "nas alturas'') paz e glória. ou "como era no princípio. 7. 2. "visto que" ou "devido a") (a fundamentação pode também faltar) (cf Rm 6.1160s). Os anjos desejam para Deus "nas alturas" a glória que lhe compete: uma doxologia comum. quanto ao conteúdo. podem ser vários juntos. 1158.. quando a doxologia é fundamentada com um "pois.9 também com o "Hosana nas alturas". clamando: 'A paz esteja convosco"'. A função literária da doxologia nas cartas está sobretudo em seu uso como fórmula de conclusão. força. bênção.12. . enumerando as obras de Deus.19. poder. em formulações com "tudo".24 e Ap 11. Sua estrutura obedece ao esquema: cháris + Deus (dativo) + fundamentação (particípio."e ele vos conduzirá a seu santuário.13.18 a doxologia é totalmente aplicada ao Cristo. Freqüente é também o uso da fórmula: "por Jesus Cristo" (Rm 16. 5.A pessoa (no dativo) pode estar no fim.36b. Depois. sabedoria.1 e as doxologias anteriores do Ap: agora que o Juízo se cumpriu. por exemplo. O "amém".'').17. Nisso está a diferença entre Ap 19.. no fim. de fato. também os chamados hinos do Ap exprimem exatamente esta inter- pretação. Em vários lugares encontram-se elementos de hinos incorporados a doxologias. porém. honra. . é como respostas a doxologias. . predicação e doxologia (conversão de Israel) . também as obras de Deus podem ser alegadas como fundamentação.Textos: Ap 1. glória). Ap 19.1s (cf ANRW. cf ANRW.. . no fim de perícopes (IPd 4.

10.7 (resposta a 16.10 ("Fiel é o Senhor em todos os julgamentos que ele faz sobre a terra".. ele julgou a grande meretriz".3.18 (igualmente num cenário celeste): "Justo és tu.2 BA: "Justo és. in: ZNW 68 (1977) 176-199 (cf. . O capo 14 corresponde em grande parte a TestJó 43: "Justo és tu.1Ob: "As decisões do Senhor são a verdade. Ap 16. Tu nos infligiste tudo isso segundo a verdade e o direito. ao passo que todos os textos posteriores são louvores que reconhecem a justiça de atos de julgamento.P. verdadeiros são seus julgamentos. Em toda a parte procura-se insistir na inabalável fide- lidade de Deus a seus próprios atos e palavras. krímata). também Dt 32. ApPaulo 16.1): "Seus julgamentos são plenos de verdade e de justiça. e tu julgas decisões sinceras". Expressões semelhantes apresentam-se sobretudo em SISaI14. também Fílon. A fórmula "Deus justo" encontra-se em ICorl.12: "Justo é o Senhor. ApMos 27: "Justo és. é 2Ts 3. von den Osten-Sacken: Gottes Treue bis zur Parusie. e Juízo verdadeiro e justo tu julgas eternamente". e justos são teus julgamentos. tam- 218 . todos os teus julgamentos são confiáveis.ls).2 (como fundamentação da doxologia de 19.18.. Juízos inabaláveis executaste. e justos são teus julgamentos". como Juiz que retribui. e mais na estabilidade da relação de fidelidade de Deus para com os seus eleitos. O fato de a expressão se tornar em Paulo uma fórmula fixa tem relação com o interesse especial do judaísmo helenista na estabilidade de Deus (sobre 2Tm 2. é fiel pelo próprio fato de falar". no Martyrium Carpi 5 ("um julgamento horrível e ordens injustas!"). Form- geschichtliche Beobachtungen zu lKor 1. lTs 5. 17. supra. Ap 16. Senhor.9. só Deus é fiel. Dn 3.27s: "És justo em tudo o que nos fizestes. porém. mas a cada um retribuís segundo o teu julgamento". a fidelidade de Deus em Is 25. Tb 3. Aclamação. Segundo Fílon. Senhor. Deus. se trata do louvor ao julgamen- to sobre os outros).23. verdadeiros e justos são teus julgamentos".O Sitz im Leben oral deste gênero literário é o comentário da multidão reunida diante do tribunal como é atestado. predicação e doxologia SI 19. Alleg. Em Is 49 e SISal trata-se da confiabilidade e constância do agir de Deus. Ap 19. vindo do altar): "Sim. Senhor.1 ("Fiel é o Senhor para os que o amam de verdade"). O mais antigo texto é sem dúvida SI 19. por exemplo. Tb 3. contra nós e contra Jerusalém. por causa de nossos pecados". Is 49.7b-9. Heres.4). Assim. porém. tam- bém Leg. todas elas são justas" (LXX gr. § 51. Por aí se explicam os textos rabínicos. a qual se manifesta particularmente na concordância entre a palavra divina e seus atos (cf.13.7). Nos textos do NT não se insiste tanto na idéia do julgamento. Em Dn 3. 2er 12. todas as tuas obras são verdadeiras e teus caminhos. TestJó 43 é evidente a tendência para incorporar a doxologia do Juízo a uma oração exomologé- tica maior.13. Hb 10. TestJó 43.6: 'justo é o Senhor" (depois de merecida punição de Israel). . o contexto permite concluir que aí se trata antes de uma decisão normativa.5: "Tu és justo.5. ó Santo. Senhor. 4. retos. Sacro 93: "Os homens precisam de juramento. 93. 111 204).24. tu és e tu eras. Senhor todo-poderoso. de sorte que podemos "crer" nele (= ser fiéis a ele).7 ("Fiel é o Santo de Israel") (cf. cf. a história dessa forma preparou a inserção de tal doxologia no texto litúrgico mais longo de Ap 19 (em que. e não há acepção de pessoas diante de ti. Nele não há acepção de pessoas. cf. que assim julgaste" (v. e todas as tuas obras e teus caminhos são fidelidade e verdade. Julgará a nós todos de maneira igual". cf. 6: "eles o mereceram") (comentário do anjo depois da terceira taça). 2Cor 1.

104-106). Leeds. H.22. O hino grego tem a seguinte estrutura: a) O nome da divindade (gr. Ant. afinal. g) O final do hino costuma ser um pedido. Analogias com o hino do AT há nos elementos b e d. salvífica. R.20.. HOLMNElSEN. 265-285. posteriormentemais particípios e orações adjetivas. corresponde ao hino pagão (no judaísmo já havia Josefo.22. "Gebet I1 (AT)".13365.". Psalmodic Tradition". O pedido para que venha domina também a primeira parte do Pai-nosso.) e finais (para que.. que. o Pai-nosso (Mt 6. mas sobretudo urna série de atributos que ampliam seu nome.1371 s. EASON. Pedidos para que "venha" encontramos. depois. causais (por- que.1169-1171. 1966. Ap 22.18-20). tomou-se a base de muitas epicleses da Igreja antiga. em ICor 16. T. Did 10.").15.fe. como em alguns salmos do AT. Prayers and Creeds.29 é digno de nota sobretudo o início do pedido "e agora. Que não se peça a vinda de Deus. 219 .). o Senhor de teu trabalho.9-10 o "venha" é elaborado em três pedidos diferentes. CHARlESWORTH. 34-42. Die Pastoralbrie. in TRE XII. No NT correspondem a essa estrutura apenas At 4. § 69. em parte. 4. cita como analogia rabínica Abot II 16: "E fiel é ele.. pp. 3Mc 6. pistós). Existe relação também com as frases que começam com "amém" (cf. Dibelius -H. S. in 115 33 (1982).. C. caracterizando Deus. BZNW 39. em forma abreviada. 47-60 (quadro literário detalhado.24b e.43. em anáforas. há. os fatos do deus. . Lc 11. Hinos e orações bém M. Hinos e orações 8. 1. Em Mt 6. o hino enumera. pois. c) A physis do deus é descrita. art. J.Para von den Osten-Sacken existe alguma relação entre essas frases e aquelas que começam com "Fiel é a pala- vra". 1149-1169.bl. expressando a esperança escatológica. eventualmente sua genealogia..9).".. in TRE XII. E." mencionadas em e. AlBERTZ. e) Nesta chamada aretologia encontram-se frases subordinadas: adjetivas.6 (maranathá) e (de modo semelhante) em Ap 22. ele te pagará a remuneração pelo teu esforço".. K... introduzido por "agora. "A Prolegomenon to a New Study of the Jewish Background of the Hymns and Prayers in the New Testament". de Deus. Traces of Liturgicof Worship in the Epistles with 5peciaf Reference to Hymns.13485.. eptklêsisi. 595. ou então descreve-lhe a atuação no presente..: ANRW. in 5tTh 14 (19601 255. juntamente com o pe- dido do pão. b) A introdução pode ser também uma auto-exortação ao canto ("quero cantar").Todos estes textos começam com a fórmula "fiel é. como também nas frases com "porque. Em At 4. um verbo no futuro... Diss. Conzelmann. f) Como introdução pode funcionar também um pedido à divindade para que venha (os chamados hymnoi klêtikói). .)." (gr. A diferença consiste no fato de que as frases sobre a fidelidade divina se referem exclusivamente à própria ação futura. verbete "Gebet IV (Neues Testament)". atestados desde Marcião). Não se pode provar que esta exclamação tenha tido alguma relação com a liturgia da Ceia. nesta forma. d) Dirigindo-se ao deus ("Tu. "Ihe Importance of Late Jewish Psalmody for the Understanding of O. pp. excurso junto a lTm 1. Esse pedido (transmitido também em muitos manuscritos de Lc 11.9-13.. visto tratar-se de uma invocação no contexto de anúncios condicionais de desgraça (lCor 16. BERGER.2-4).2.. uma oração adjetiva e.

9. Norden. dar. vêm a prece e a submissão à vontade de Deus). Quanto à aceitação da vontade de Deus. ANRW.27.10.15b-17.28-31! d) Formulações como "(pois) de ti procede": l Cor 8.4. j) Aretologia na primeira pessoa gramatical: Ap 1. Hinos e orações como nas idéias e fórmulas pagãs. coincidem em parte a pré-história veterotestamentária e a helenístico- -pagã dos textos do NT.7. 19.6.6. em seguida.36 ("Abba.17-18.4 referem-se ao perdão já dado a quem ofendeu o orante. cf. também em Lc 22. entraram sobretudo em certas doxologias e alguns encômios do Cristo. Primeiro: Jo 1.ls.17a. Hb 1. Ant. Ap 15. fora disso.ex. At 14. O louvor e a ação de graças corres- 220 ..15 indica idéias genealógicas. Pai. uma prece ou uma intercessão.3. 3. cf.8s).15s. São os seguintes: a) Uma série de atributos de Deus em Ap 11. e) Predicações com "só tu " ou "só ele.. c) Enumeração das obras (p. Rm 11. -Até o grito: "Até quando. Todos esses elementos têm claras analogias em hinos pagãos. Hb 1. ANRW. Alguns elementos hínicos. Comuns a ambas são a preferência pelos substantivos e o uso de perguntas retóricas (p.3). cf. ANRW. Guia. luz.11. cf.": Jo 1.2s. 1163-1166. ICor 8. 17. cf. i) Semântica: salvar e salvador. Ap 15.10. lTm 1.15 (imagem de Deus).18. Mt 6.Bibl. 21. Isso corresponde à descrição da genealogia de algum deus nos hinos. CII.. ANRW. CI 1.39 isso se reduziu a uma simples oração. Lc 11. porém.12.ex. É uma "prestação de contas" dentro de uma "oração".17s. Também o termo "primogênito" de Cl 1. No Pai-nosso o sentido deve ser de ordem pedagógica: ninguém deve começar a rezar se não puder dizer isso de si mesmo.4. em Mt 26. 2. FI2. do outro. Ap 4. Me 11.3.6. expressão de seu ser). 1171-1173.. f) Predicações com "tudo ": Jo 1. Outros textos do NT comumente chamados de hinos não merecem propria- mente esse nome. Rm 1. e sim a vinda de seu Reino acentua o caráter esca- tológico e o alcance universal dessa vinda. sobretudo em Jo 17 (cf.lOs.36 e "(pois) não sem ti. Hb 1. Isso não é típico apenas dos hinos! Cf. 1169s). g) O louvado é Início. no início de cartas do NT. ANRW.24b. A estrutura dos hinos é imitada também: a) em orações mais breves.?" deAp 6.12 e. Mt 6. como se encontra também (em forma pervertida?) em Lc 18. No começo de vários escritos do NT manteve-se também a antiga relação entre hino e proêmio. Cl 1.-Filon. Uma série importante de elementos de ligação entre a hinologia pagã e a judaica fornecem Sib III e VIII. At 4. 1167)..24. Mas também a semântica da segunda parte do Pai-nosso apresenta semelhanças com orações pagãs: o "dai-nos" e o pedido de "libertação" têm seus paralelismos em hinos pagãos (cf.3s. cf. b) na seqüência de louvor ou ação de graças de um lado e. em doxologias: Rm 16. Hb 1. por exemplo Mc 14.24b. Aqui..15."..25. 5.9.10. b) A descrição da origem divina de quem é louvado: Cl 1. 1155- 1163. porém.17.3 (resplendor de sua glória.15-17. Quanto à discussão com E. tudo te é possí- vel" é a predicação hínica. h) Poder de Criador e domínio universal: At 4. redimir e libertar.26.42 predomina o "seja feita a tua vontade". cf. Jo 1.10 contém um elemento hínico ("Soberano santo e verdadeiro").3..19s. a analogia em Ps.

uma proclamação (ver supra.1-2. FI 1. 2Ts 1. Já que K. Ressoai. é possí- vel explicar a composição de certos exórdios de cartas do NT pela estrutura desse gê- nero literário." (cf. 221 . Koch declarou que "um número fixo de elementos em determinada ordem é indispensável para o hino israelita" (ordem à qualcorresponde aqui apenas um elemento). floresta.4 mostra que também Rm 11.17-18. ajoelhados. de um completo hino veterotestamentário. para o "graças te damos. que introduz Ap 11. K. a fundamentação está no início. Ef 1.20 comenta 18.6b. 1933. O paralelo estamentário encontra-se em SI 89 (v. Em 19. Fm 4s/6.(5)6b-8 temos.3-4. porém. à prece. Desse modo. Ao esquema do chamado hino veterotestamentário (cf. portanto.4-19. A pergunta retórica de Ap 15. 15. pode ser chamado também de "proclamação". Parte de um hino aparece também em Ap 15. b) Em Ap 19. 7: pois quem. e tu. por- que é claro que o autor entende o Aleluia de 19.. § 2..4 o dragão e a besta são adorados.4 pode então corresponder ao final do canto (aliás. Is 44. 195-208) correspondem diversos textos no NT: a) Em Ap 12. a auto-exortação do v. quem é como tu?).3-15 (20-23)/17-19.9 essas exortações são duplamente fundamen- tadas. de sorte que a exortação ao júbilo deve começar com "por isso". com todas as tuas árvores! O SENHOR resgatou Jacó e em Israel mostrou seu esplendor". Entretanto Ap 19.20..". portanto. exultai! O SENHOR agiu.. Tanto a exclamação hínica como o "ai" comentam a proclamação. o louvor dos feitos de Deus na história.12. Senhor". por exemplo. Da mesma maneira a exortação hínica imperativa de Ap 18. Bibl. em si. e quem pode combater contra ela?" (cf. depois de um "ai"). 5. o cântico entra logo na parte principal. Gunkel: Einleitung in die Psalmen. que no AT houvesse cânticos coletivos de ação de graças.34s). também as per- guntas em Rm 11. com razão. visto fundamentá- -lo com "pois. e os devotos. CRÜSEMANN.1-3).3-6/9-11. Neukirchen.6b-8. Mas nem por isso este gênero toma-se um "hino" no sentido de Gunkel e Crüsemann.3ss/11s. trata-se de um hino parcial. Ap 18.23: "Céus. profundezas da terra. cla- mam: Quem é comparável à besta. 4. Koch: Was ist Formgeschichte?. explodi em aclama- ções. montanhas. no NT. Hinos e orações pondem à predicação hínica. é o equivalente hebraico do "louvai nosso Deus" de 19.5 temos novamente uma exortação hínica como no início de al- guns salmos (134. e ainda depois aparece um "ai . H.5.34 é um elemento hínico veterotestamentário..6b como exortação. Essa exclamação agora é retomada em 19. Cf.: F. Falta a introdução com que no AT começam os hinos.7 e 19. § 67) é seguida por uma exclama- ção como as que se encontram em hinos imperativos. a subseqüente intercessão. 135. De fato. Um elemento de um hino (veterotestamentário) encontra-se também num ato litúrgico do lado oposto: segundo Ap 13. Em Ap 19. então. 7. Crüsemann negou.. Este Aleluia. é igual ao Senhor? Senhor. 1969. Studien zur Formgeschichte von Hymnus und Danklied in Israel (WMANT 32). A essa exortação na segunda pessoa do plural corresponde. O gênero veterotestamentário do cântico de ação de graças encontra-se nos seguintes textos do NT: a) F. o único exemplo. Em Ap 12. de formulação relativamente livre).

Hinos e orações

não há exemplos no AT. O judaísmo, no entanto, indo além do AT, já desenvolveu
formas curtas de ação de graças que preparam as do Nl, por exemplo Jt 8,25: ("Por
tudo isso agradecemos ao Senhor, que nos faz passar por esta provação, como fez com
os nossos pais"; gr. eucharistein, num discurso), e 2Mc 1,11 ("De grandes perigos
fomos salvos por Deus. Agradecemos a ele com fervor, nós que lutamos contra O rei,
pois ele subjugou aqueles que..."; gr. eucharistoumen, numa ação de graças no início
de uma carta). É significativo que isso ocorra dentro de um discurso ou de uma carta,
portanto não em contexto cultuai no sentido estrito.
Para os "hinos" do Ap resulta, pois, o seguinte quadro geral, de acordo com os gêneros
literários a que pertencem:
aclamação: 4,8;
aclamação com áxios: 4,11; 5,9s.12.
doxologia: 5,13; 7,10.12;
doxologia do juízo: 16,5s.7; 19,1s.
proclamação: 11,15; 14,8;
proclamação com comentário: 12,lOs/12 (cf. 18,20).
hino (veterotest.) 19,5.6-8;
hino parcial: 15,3s; (19,5).
cântico de ação de graças (coletivo!): 11,17-18.

b) Cântico individual de ação de graças: Lc 1,46-55. F. Crüsemannjá constatou
que o cântico individual de ação de graças se dirige tanto a Deus como à comuni-
dade cultuaI. Isso aparece também no Magnificat, pelo fato de que Maria não apenas
explicita seus próprios louvores, mas menciona também o louvor de todas as gera-
ções (cf. SI 30,2.5; 34,2.4; 89,2.6; 103,1.20; 138,1.4; 145,1.4). Dessa maneira, o
modelo de 1Sm 2,3 é retomado e corrigido. Na fase intermediária, em Ps-Filon, Ant.
Bibl. 51,4s, o "não digais..." já fora completado pelo imperativo: "mas louvai com
alegria". - Desde H. Gunkel costuma-se chamar o Magnificat de "hino escatológico",
como se louvasse atos futuros de Deus como já pertencente ao passado. Eu, porém,
não vejo nada disso; o louvor da mão do profeta sempre vale indiretamente para seu
filho (cf. Lc 11,27), e com a vinda do Messias, que se iniciou no seu corpo, os reis
estão destronados e os pobres, enaltecidos. Pois em Lc a missão do Messias está
ratificada "desde o seio matemo" (cf. Gl 1,15; Is 49,1).
O salmo de ação de graças de Lc 1,68-75 começa com uma eulogia. No início
ou no meio de cânticos encontram-se eulogias nos mais diversos gêneros literários,
p.ex., em Tb 13,2 como introdução a um hino, em Si 143,1-3 como introdução a uma
ação de graças, combinada com uma prece. Em Lc 1,75 temos uma expressão conclu-
siva, típica dos salmos (16,11; 18,51; 28,9; 19,10; 30,13). No mais, pelo que enten-
demos das formas literárias, é irrelevante se 1,76-79 pertenceu "originariamente" a
este cântico de ação de graças, ou não. Em todo o caso, o autor de Lc ajuntou os dois
textos, para o que deve ter havido motivos próprios da história das formas. Em primeiro
lugar,tanto o cântico em ação de graças como o vaticínio(genetlíaco) eram considerados
fala inspirada, pneumática. Além disso, também ao genetlíaco de 2,34 precede uma
ação de graças (2,29-32) e, finalmente, a mesma combinação encontra-se no que é
relatado sobre Ana em 2,38 (ela louvou a Deus/e falou sobre o menino). Pelo menos
nesses três textos, o louvor a Deus precede o vaticínio sobre a criança. Aí transparece

222

Hinos e orações

talvez uma práxis de toda a fala religiosa, para a qual uma ação de graças (como em
cartas e como em Mt 11,25-30) deve preceder todas as demais falas dotadas de au-
toridades. E essa observação vale não somente para "cânticos", mas também para cartas:
em Lc 1,76; Ef 1,13; IPd 1,4b o autor dirige-se aos seus destinatários (''tu'' e "vós")
depois de uma eulogia (falando de "nossa" salvação).
Uma sólida tradição está na base da ação de graças por revelações e conheci-
mentos recebidos (cf. ZNW 65 [1974] 220, nota 142; cf. 221, nota 147s), como em
Mt 11,25s; Lc 10,21, em que tal oração introduz uma auto-apresentação e auto-
recomendação do mensageiro de Deus (cf. Hen et. 36,4: "Quando vi isso, louvei-o,
e em todo o tempo o louvarei...".) Há também uma ação de graças com auto-reco-
mendação (diante de Deus) em Lc 18,11.
Os chamados "hinos" de Qumran (ações de graças dos essênios) costumam começar com
"louvo-te, Senhor, porque...", e referem-se freqüentemente a um conhecimento especial rece-
bido, mas também à salvação das mãos dos inimigos. - Sobre 2Cor 4, como "imitação" da
oração de ação de graças, cf § 72.7. Sobre a súplica de lRs 18,36, transformada em ação de
graças em Jo 1I,41, e sobre as fases intermediárias: TRE XII, 49,50-55.
A ação de graças no inicio de cartas do NT tem as seguintes funções: a) toda faia religiosa
costuma começar com louvor e gratidão diante de Deus (cf também ZNW 65 [1974] 219-224);
b) a gratidão para com Deus é um elogio implícito aos destinatários da carta e substitui por isso
a capta tio benevolentiae da carta profana (cf ibid., 222, especialmente nota 154); c) da ação de
graças pode-se passar a uma súplica, completando o esquemados salmos de ação de graças do
AT (p.ex. SI 143),bem como o do hino helenista. A intercessão, por sua vez, completa o elogio,
implicando uma exortação para continuar o que foi começado; d) o agradecimento põe em
relevo, com especial eficácia, a relação eu/vós como um relacionamento que existe diante de
Deus; e) a ação de graças e a súplicajá contêm, por antecipação, algum tema decisivoda carta.

6. Um elemento freqüente nos lamentos do AT, o "até quando...?", encontra-se
também em Ap 6,10 (quanto ao cenário, cf. Hen et. 9s; 47,1-4; 2Mc 8,2-4). O lugar
dessa pergunta está "nos lamentos e geralmente na transição da queixa para a súpli-
ca" (cf. SI 79,5; 6,4; 13,2; 80,13; 89,47; 44,24ss) (H.J. Kraus, Psalmen 1, 551s)
(sobre as relações com a repreensão, cf. supra § 53 e, d). - Ao gênero de lamento
com súplica pertence também a curta oração de Lc 18,13.
7. Orações na hora da morte são Lc 23;46 (de SI 31,6); At 7,59 (também em
"Atos" apócrifos). - Uma forma especial de oração, de alguém prestes a morrer, é
Lc 2,29-32; cf. K. Berger, em NovTest 1984-85.
Uma intercessão junto a Deus, de quem prevê sua morte, em favor dos que
ficam ainda no mundo (filhos, discípulos), encontra-se em Jo 17,9-19; pelos discípu-
los deles: 17,20-24. Comparável é sobretudo Ps.-Filon, Ant.Bibl. 19,8s:
"Eis que contemplei o tempo de minha vida; cento e vinte anos completei, e agora te peço
que tenhas compaixão de teu povo, piedade de tua herança. Para sempre esteja firme tua
longanimidade para com teu lugar e para com esta geração de eleitos que tu amaste acima
de todos. Tu sabes, eu era um pastor. E quando apascentava meu rebanho, lá no deserto,
conduzi-o até o teu monteHoreb... E tu me enviaste para eles e libertaste-os do Egito.E deste-
lhes a Lei e os mandamentos, nos quais deverão viver e andar, como os filhos dos homens.
Pois qual é o homemque contra ti não pecou?E, se não permanecer tua longanimidade, como
é que tua herança se firmará, se tu não fores misericordioso? Ou quem nascerájamais sem
pecado?Tu, porém, no tempo certo hás de endireitá-los, e não em tua ira".

223

Hinos e orações

Esta combinação de prestação de contas e intercessão corresponde a Jo 17. - A com-
binação de lei, pecado de todos, longanimidade de Deus e afastamentode sua ira corresponde
à temática de Rm 3,19-26.
8. A oração em diálogo é um gênero narrativo em que uma oração literalmente
citada recebe do céu uma resposta, também literalmente relatada: 10 12,28; Ap
22,17/20 (resposta com "Sim", como o ''Amém'', em resposta a uma oração, por uma
voz celeste, em Atos de Tomé 121.158). O mesmo gênero devemos supor em 2Cor
12,8s (oração e resposta). - Exemplos judaicos: Paralipomena Jererniae 1,5s/7;
3,6s/8; 3,9/10; Jub 12,19-24; 10,3-8/9: ler. Apocr. copta 4 (Oração/Deus responde).
A função deste gênero é destacar a importância do orante pelo relato de um contato
direto com o mundo celeste.
u. B. Müller, Prophetie, 229, entende Rm 10,1/11,25b.26a como partes de uma unidade
pertencente a esse gênero literário. Pode-se objetar, porém, que em nenhum outro lugar a
resposta se encontra tão longe da oração.

9. A eulogia (gr.), berakhá (hebr.), benedictio (lat.) ou "bênção" (Bibl.: P. Schãfer,
art. "Benediktionen" I (Judentum), em: TRV V 560-562) encontra-se, no NT, nos
seguintes contextos:
a) como saudação de seres humanos entre si (o nome do gênero, em grego, é
epibatêrios logos, cf. Spengel, Rhetores Graeci III 368ss): Lc 1,42; Me 11,9s par.
Lc 19,39; 10 12,13; Mt 21,9.
Quanto à pré-história desta forma, o "bendito és tu, meu senhor" é uma fórmula
típica dos textos de Qumran (lQH e lQM).
b) como louvor de Deus na introdução de cartas (2Cor 1,3; Ef 1,3; IPd 1,3), em
vez da costumeira ação de graças. A diferença entre 2Cor e ICor explica-se sem
dúvida pelo fato de em 2Cor Paulo não dar graças pela situação da comunidade,
mas, imitando os cânticos individuais de ação de graças (l,3-4a.5), tratar da relação
eu/vós, para a qual agora a "consolação" de Paulo se tornou um acontecimento novo
e decisivo (cf. § 72,7). - Também Ef I ,3(-12) aborda em primeiro lugar a gratidão
pessoal, e somente 1,13 começa a falar dos destinatários. Finalmente, também em
IPd 1,3-4 trata-se de "nós". Portanto, no início de cartas usam-se eulogias, quando
não se trata de dar graças (somente) pelos destinatários, mas de uma gratidão indivi-
dual do autor, ou pelo menos de uma gratidão que se estende a um "nós". A contra-
prova confirma isso: quando o autor começa com uma ação de graças, essa sempre
se refere exclusivamente aos destinatários.
c) Há eulogias curtas no meio de algumas cartas, depois do uso do nome divino: Rm
1,25; 9,5; 2Cor 1I,31. Básica é a palavra eulogêtos, no fim está o ''para sempre", e no
meio o "é" ou "aquele que é". Nos textos citados, as eulogias formam um contraste, pois
Deus está sempre em oposição à fragilidade, à fraqueza, à insuficiência e efemeridade do
homem: em contraste com o homem, sua palavra não desfalece (2Cor 11; Rm 9), e, em
contraste com os que o desonram, seu louvor é permanente (Rm I).
d) De "bênçãos" podemos chamar também as saudações, nas cartas, construídas
na base do esquema "graça e paz". Tanto o conteúdo semântico dessa combinação
como o fato de que esses bens, desejados para os leitores, vêm de "Deus nosso Pai

224

Hinos e orações

e de Nosso Senhor Jesus Cristo" mostram tratar-se de uma bênção, outorgada com
autoridade, que caracteriza toda a carta seguinte como uma fala de bênção. Assim
se forma a parádosis da revelação: Deus - Cristo - apóstolo - comunidade. A
partir daí sobretudo as introduções a 110 (1,1-4) e Ap (1,1-3) tornam-se com-
preensíveis. Por isso "graça" (gr. cháris) não substitui apenas o termo grego cháirein,
mas com esta palavra a carta do apóstolo coloca-se ao lado de discursos da bênção
como os testamentos e as bênçãos sacerdotais (cf. 1QSb e ZNW 65 [1974] 190-219).
- Semelhante significado tem também a frase "A graça esteja convosco" no final
das cartas (cf. ibid., 204-207). A expressão "confiar à graça de Deus" em At 14,26;
15,40; 20,32 (cf. os exemplos citados na nota 71, ibid., 206) indica que se trata de
uma fórmula de missão, a qual, conforme é próprio de semelhantes fórmulas, assi-
nala agora também, no fim da carta, a despedida, a incumbência e a entrega à
"própria responsabilidade". Sobre Gl 6,16, cf. ibid., 193s, 204.
10. As orações formuladas nas cartas (sobre a ação de graças, cf. supra, em 5)
exprimem igualmente o caráter especial, carismático, das cartas do NT. Já que o
apóstolo foi enviado por Deus, não pode haver dúvida: sua oração será atendida; sua
oração faz participar da salvação verbalmente e transmite a força necessária à conduta
exigida pelo apóstolo. As diversas formas têm analogias em cartas helenísticas (cf.
ANRW, 1336s, 348s, 1359-1361). A oração epistolar pode ser formulada como uma
promessa no indicativo ("Deus há de..."; assim em Rm 16,20a; 1Pd 5,10-11; 1Cor 1,8)
ou como desejo explícito em forma de oração ("Deus dê..."; assim em lTs 3,12s; 2Ts
3,5; 2Pd 1,2; Jd 2; cf. também FI 4,7. É essa também a forma da intercessão na carta
de Aristeas 185 [Deus + verbo no conjuntivo]); tal desejo às vezes é especialmente
acentuado pela combinação "Deus + atributo no genitivo" ("o Deus da paz, porém...",
como em lTs 5,23; 2Ts 3,16; Rm 15,33; Hb 13,20) ou aparece como desejo pessoaI
mesmo ("eis a minha prece...", como em FI 1,9-11; C1 1,9-11; Ef 1,16b-23; Fm 4b-
6; 2Ts 1,l1s), ou então, falando apenas de sua oração, sem expressar um desejo
determinado (Cl 1,3). Uma acentuação especial da oração (por um entremeio, comu-
nicando algo sobre a oração e citando em seguida a própria oração) corresponde a
faIas particularmente frisadas (cf. § 70,5) e tem analogias na linguagem cultuaI ("Que-
ro te louvar..."). - Temos também uma oração transmitida diretamente pela carta em
Ap 22,20 ("Vem, Senhor Jesus"). Mas, em contraste com as demais orações epistolares,
não se trata de uma intercessão em favor dos destinatários.
Há analogias (como entre outros pontos de cartas e testamentos) entre a oração
(pelos outros) nas cartas paulinas e a testamentária (cf. supra). Nas cartas, porém,
a referência à pessoa do autor não é tão explícita. Finalmente, as orações nas cartas
têm algo a ver com a freqüência com que também se encontam orações em outras
falas e cartas da época (cf. 2Mc 1,11; Jt 8,25). - Especialmente no início de uma
carta a oração tinha, para Paulo e seu ambiente, uma função simbulêutica: pede-se
a Deus que conceda aquilo que. o apóstolo, com sua carta, pretende realizar na
comunidade. Ao procurar o tema de uma carta, é preciso dar especial atenção a essa
orações. Sobre a parênese em forma de oração, cf. ANRW, 1059 e TRE XII, 57s.
Foi o conteúdo simbulêutico que determinou a forma da oração ou da bênção em 1Ts
3,11-13; 5,23s; 2Ts 1,11s; 2,13-17; 3,4s; Ef3,14-21; CI 1,9-11. Nesses textos exprime-se com
muita clareza a convicção da unidade entre a bênção concedida e a conduta, entre a salvação

225

Comentários e comentações

e o agir correto. Um grupo especial é formado por textos em que semelhante oração vemapós
a ação de graças do início da carta: Rm 1,8/10; FI 1,3-6/9-11; Fm 4s/6; 2Ts 1,3s/lls. Aí
insiste-se ainda mais na continuidade entre o dom da salvação já outorgado e a conduta
esperada. Cf. § 74.

§ 70. Comentários e comentações
Bibl.: vejatambém 1. WANKE: Kommentarworte. Ãlteste Kommentierungen von Herrenworten
(Erf. Monogr. 44), 1981, e BZ 24 (1980) 208-233.
Quando o autor de um texto introduz um segundo nível lingüístico, fala ao lado
do primeiro, usado desde o começo, então chamamos a isso um comentário. No segundo
nível ele se volta mais diretamente para seus leitores, por exemplo, ao esclarecer-lhes
o que disse no primeiro nível. No segundo nível, que é o do comentário, ele manífesta
muitas vezes um conhecimento maior sobre o nexo das coisas, os motivos ou mesmo
o íntimo das pessoas agentes, mas também uma exigência maior dos ouvintes; o nível
do comentário é ao mesmo tempo o nível "autoritativo".
1. Interpretação por identificação com alguma tradição religiosa, com a Escri-
tura ou com expectativas quanto ao futuro. Um acontecimento é "comentado" quan-
do é identificado como cumprimento de uma profecia, conforme acontece nas "ci-
tações com comentário" (cf. supra, § 35 B8), às quais pertencem também Jo 12,38-
41 e At 1,20. Também Jesus pode, em sua própria fala, comentar assim os aconte-
cimentos (Mc 14,49b; Jo 13,18). Alguma coisa é identificada como o que tradicio-
nalmente se esperava, quando se diz, no início ou no fim de um relato: "Isto será
o princípio das dores de parto" (Me 13,8), ou "Esta é a primeira ressurreição" (Ap
20,5b), ou "Eis a segunda morte" (Ap 20,14). Assim também Lc 21,22: "São os dias
da vingança, nos quais se deve cumprir tudo o que está escrito". Aí a relação com
a Escritura e o enquadramento no desenrolar dos acontecimentos estão juntos. -
Também a afirmação de que alguma coisa deve acontecer é um enquadramento que
comenta (Me 13,7; Ap 20,3b). - Finalmente, os atos das pessoas às vezes são
identificados como "cumprimento da Lei", como em Lc 2,23s.
2. O autor comenta para os leitores algum evento, chamando a atenção para seu
significado. No Ap isso é feito nos textos com "Aqui..." (13,10: Aqui está a perseve-
rança e a fé dos santos; 13,18; 14,12; 17,9), em que se mostra aos destinatários da
carta o que determinados acontecimentos exigem deles; para reforçar isso, são exor-
tados a escutar bem (p.ex., Ap 13,9).
3. Comentação por esclarecimentos etnográficos ou pela história, religiosa ou
profana, por exemplo, traduzindo palavras hebraicas (Me 15,34), explicando costu-
mes judaicos (Me 7,3-4; Jo 2,6), informando sobre grupos judaicos (At 23,8), sobre
os atenienses (At 17,21), sobre o lugar da crucificação de Jesus (Ap 11,8).
Comentação por retrospectiva: Mc 15,7b; Lc 23,19; Ap 21,lb; Jo 4,44.
4. O autor sabe do íntimo das pessoas e do motivo, normalmente escondido, de
atos e acontecimentos: Me 15,10 ("pois percebera"); Mt 26,18; Jo 2,24; 11,13 (a in-
tenção, o pensamento dos outros); Jo 12,41; 13,11 (por que tal coisa foi dita); Jo 12,42
(por que alguém deixou de fazer aquilo); Ap 9,19 (por que tal coisa aconteceu assim).

226

Comentários e comentações

É sobretudo no Evangelho de João que se vê claramente a tendência para fazer
comentários, o que sem dúvida resulta da maneira como o autor se entende a si mesmo,
teologicamente (Jo 16,13). - O texto mais claro é Jo 21,18s (o v. 19 dá uma exegese
correta da palavra de Jesus: ''Assim ele falou para indicar..."). 23 ("Jesus não lhe dissera...
mas..."). O autor não apenas conhece as intenções escondidas das pessoas (p.ex., no caso
surpreendente dos vaticínios, como 12,33), mas ele as compreende melhor do que elas
mesmas e analisa suas respostas (12,5s). Por já saber o que aconteceu depois, ele pode
caracterizar a palavra de Caifás como uma profecia (11,51s). - Também as informações
numéricas (1,11; 4,54; 21,14) são uma forma de comentários.
João é também o único evangelista que observa o que os discípulos entenderam
apenas depois da Páscoa (2,22; 12,16). Nisso manifesta-se a grande importância do
tempo pós-pascal (isto é, o presente do evangelista ao escrever) para a teologia do
evangelho joanino (cf. 14,12).
5. Quem fala ou escreve indica a finalidade de suas próprias palavras ou se
autocomenta: Jo 13,19 ("eu vo-lo digo agora, para que..."); também o fazem os reda-
tores literários: Jo 20,30s ("para que creais"); 21,25 (comentário sobre os limites do
livro: o mundo inteiro não poderia conter os livros que se escreveriam ...; cf. finais
semelhantes, do ponto de vista da história das formas, em Fílon, De Vita Mos. 1213 e
Posto Caini 144); Gl 1,20; 110 2,7s; 2Pd 3,1 (indicando a finalidade); 1102,1 (escrevo
para que...) - Ap 19,1Ob ("o testemunho de Jesus é o espírito da profecia"). - Cf. o
comentário sobre a finalidade do livro em 2 Me 6,12 (não se deixem desencorajar).
6. Confirmação da própria fala: GI 1,20 ("o que vos escrevo, digo-o diante de
Deus, não é mentira"); Jo 19,35 (o testemunho é verdadeiro); Ap 19,9, "Estas são
palavras do próprio Deus"; cf. 21,5; 22,6. - A mesma função tem, sem dúvida, o
que Jesus afirma sobre a perenidade de suas próprias palavras em Mc 13,31; Mt 24,35;
Lc 21,33. Já que, pelo sentido hebraico da palavra, perenidade é sinônimo de verdade,
Jesus confirma aí a verdade de seus vaticínios, como Deus o faz no Ap. - Como
"amém" é fórmula de juramento, o "amém, eu vos digo" introduzindo palavras de
Jesus significa uma confirmação da própria fala.
7. Temos uma narrativa comentada quando, além de haver a seqüência dos fatos,
são eles ao mesmo tempo, e sobretudo, avaliados e julgados; assim os relatos sobre
"vós..." em Ef 2,1-22 (cf. V. 8: "pela graça ... não pelas obras"; V. 14: "pois...") e 1Pd
1,22-24, também em Tg 2,21-23 (Abraão) e em lPd 1,10-22 (profetas); 3,18-20
(Jesus). - Em Me 13,20; Mt 24,22 a descrição é comentada pelo que o autor sabe
das intenções de Deus com a abreviação do tempo.
8. Quem fala ou escreve sabe do nexo entre os atos e seus efeitos e, portanto,
conhece particularmente as conseqüências futuras do agir humano, ainda ocultas para os
demais. Esse saber ele expõe em comentações que geralmente destaca do enredo até
então relatado por uma introdução reforçadora: ("eu vos digo", "amém, eu vos digo",
''bem-aventurado...''). Isso ocorre muitas vezes nas parábolas, por exemplo, Lc 12,44
("em verdade, eu vos digo: ele o colocará..."); Mt 24,46 (macarismo). 47 ("amém ...");
Lc 18,8.14; 19,26 (parábola das moedas). - Sem parábola: Lc 12,59 (depois da admo-
estação do v. 58: "eu vos digo"); Lc 1l,51b (repetição reforçadora do anúncio do Juízo,
na citação da "Sabedoria" a partir do v.49); 2Pd 2,21 (melhor seria para eles...). - O

227

Diálogo

nexo entre o ato e seus efeitos é formulado num macarismo em Ap 1,3;20,6, cada vez como
comentário sobre outros assuntos. Cf. também o comentário sobre a retribuição divina em
2Mc 4,38 ("assim ele recebeu do Senhor o justo castigo"). - Cf. também § 82g.
9. Comentário pelo relato, inserido, de um testemunho: Jo 1,14; 19,35; 21,24.
10. Comentação por meio de outra tradição, alheia ao contexto: Jo 13,20 foi
inserido aqui no contexto de traição de Judas a fim de realçar seu significado
universal. Em cada atitude para com Jesus (ou para com um de seus mensageiros),
o próprio Deus é atingido.
11. Um comentário do autor é também a expressão: "Eis o que é bom e agradá-
vel aos olhos de Deus" (lTm 2,3; 5,4), que tem sua raiz no AT (Dt 12,25.28; 13,18;
21,9); cf. também 1Clem. 7,3; 21,1; 35,5; 60,2. Esta fórmula, usada primeiro com
relação a normas cultuais, implicou mais tarde uma avaliação de toda a conduta; na
Igreja antiga, porém, podia referir-se novamente ao culto (cf. também § 58).

§ 71. Diálogo
Bibl.: ANRW, 1301-1316. Cf. também: E. lEIDIG Jesu GesprCiche mil der Samarilerin und weilere
GesprCiche im Johannesevangelium (Theol. Diss. 15), 1980.

A história da forma literária do diálogo no cristianismo primitivo quase não foi
estudado ainda, embora seja de grande importância para compreender os métodos de
ensinamento daquela época, bem como o "caráter revelador' daquele cristianismo. Os dois
gêneros mais importantes são o diálogo de ensinamento e o diálogo reveladoro A diferen-
ça consiste em que o "diálogo revelador' se refere a uma revelação que precedeu mas não
foi compreendida, precisando de um esclarecimento, que é dado no diálogo.
Quanto à história das formas, há muita semelhança entre diálogo e créia (sobre
a créia, cf. §§ 25-29). Distinguimos as duas formas na base dos seguintes critérios:
1. Os diálogos de ensinamento e de revelação diferenciam-se da créia por seu caráter
puramente instrutivo. 2. Não poucas vezes o diálogo é uma créia mais elaborada, por
exemplo, por meio de uma contrapergunta ou do elogio à resposta do parceiro, mas
especialmente por uma seqüência de créias como em Lc 10,25-28 (primeira créia). 29-
37 (segunda créia); além disso, a segunda créia termina da mesma maneira que a
primeira (exortação à ação nos VV. 28 e 37). Também aqui o instrumento de ligação
é a contrapergunta. 3. Não é por acaso que exatamente em Lc 10,25-37 se encontra
uma combinação de diálogo e créia, pois por seu conteúdo a pergunta "que devo fazer"
está orientada para a instrução, mas ela se encontra também muitas vezes em créias
(cf. ANRW, 1098s). - 4. A créia é mais curta e concentra-se num único ponto. Isso,
porém, só vale como regra geral, pois, embora haja essa diferença entre créia e diálogo
desde sua origem na tradição filosófica, no NT também os diálogos são bastante
curtos, e é apenas nos escritos apologéticos e gnósticos (Justino e os textos de Nag
Hammadi) que eles alcançam novamente a amplidão dos diálogos platônicos. Contu-
do, encontra-se no NT uma série de diálogos de instrução e de revelação que não
podem mesmo ser catalogados como créias e que, quanto à forma literária, têm sua
própria genealogia.

228

.102 e o Diálogo do Redentor ("Senhor. como em Me 9. cf.lOb-13 par.11. Livro de Tomé. por um estudo das fontes. E especial- mente na parte inicial ambos estão muito concentrados na pessoa de Jesus. em ambos um exemplo negativo (cf.11s. § 85) precede um ensinamento geral para os discípulos. ensina-nos a rezar.. Senhor. seu papel até se reduz.21. além dos diálogos platônicos. 229 . de instrução limitam-se rigorosamente aos próprios dis- cípulos de Jesus: às vezes somente os discípulos prediletos Pedro.20-25 (Judas). o pedido de At 17. Contudo.19s ("Poderíamos saber qual é essa nova doutrina que expões?"). At 8. 91. não limitada ao jovem rico. Além disso os dois diálogos formam uma seqüência. é agora que vais estabelecer o Reino para Israel?").3-4/5ss ("quando é que isso acontecerá e qual será o sinal.?") lembra o estilo do diálogo platônico. !". O questionamento fundamental sobre quem é o "mestre bom" (10. . de Maria.28-29). 7.30-38. No centro está um persona- gem superior em ciência e sabedoria.?"). Mt 17. de sorte que entre esses exemplares mais antigos do gênero e os diálogos fictícios dos "cínicos" au- toritativos não há lá muita diferença. Um conjunto especial de diálogos é formado por aqueles que se ocupam com o tema do próprio discipulado.31-34 (Pedro). Me 10. separados apenas por uma profecia da Paixão.44. que lhe acontecerá?"). é o título "Mestre. entretanto. Em contexto missionário. Ambos os diálogos reelaboram elementos de créias. Me 7. Todos os demais diálogos..20. Por quê. ou fazem perguntas enquanto discípulos (Lc 11.10-12. Nos últimos tempos do diálogo helenista. num contexto mais amplo Mt 19. ou de poder ver alguma coisa: Jo 14. ou estão reunidos em tomo do res- suscitado como o grupo exclusivo dos discípulos (At 1. Me 10. .24-29 Paulo com Agripa e Festo. Ev. no diálogo mis- sionário (At 8. Vida de Pitágoras V 21-24 (relação entre discipulado e manutenção financeira). o começo. quero ver o lugar da vida").Aos antecedentes pertence. que chama a atenção.Analogia: Jâmblico. Os parceiros da conversa às vezes têm apenas a função de tocar a informação para a frente.43. que sem dúvida faz parte da mesma temática (cf. 4Esd 4. sem que esses.24.18. de Bartolomeu e entre os escritos de Nag-Hammadi: Sophia Jesu Christi.1-4). A pergunta "ingênua" de Lc 17.. Diálogo 1.17-21.20-23 somente Pedro pergunta ("e a ele.. Quanto a esses últimos.28s). Quanto à evolução do diálogo de instrução depois do NT. 9.17-31. Me 14. ainda é mais um pedido de informação do que uma parte de um diálogo. EvTomé 12.6s: "Senhor.Diálogo do Redentor. Mt 26. como Me 10. Um grupo especial é formado também pelos pedidos de mostrar alguma coisa.8s.45).17/18- 23. pois quem ensina começa com uma pergunta sobre aquilo que o outro não sabe (cf. Ev. Em outros diálogos deste tipo os discípulos estão claramente separados da multidão: estão dentro de uma casa (Me 1O. cf. como João o ensinou a seus discípulos!"). Sophia Jesu Christi ("mostra-nos o Pai. com o subseqüente discurso de Paulo. At 26. é preciso dis- tinguir diálogo e diatribe/dialéxis (cf. § 33).17-31 lança mão também de uma tradição de relatos de vocações (cf.37 ("onde.1-12: "Senhor. também a Carta de Aristeas.53.35-40. também At 19.?") e em Me 13..Do relacionamento pessoal com o mestre trata-se em Lc 22. em Jo 21. Mt 9. revela-nos os que vivem nos séculos").10-13 ("que é isso.17s) já indica que se trata de uma composição mais ampla.. Em ambos os diálogos. § 81). 6. Tiago e João (e André) fazem a pergunta. . Mas isso acontece também nos diálogos de Platão. cf.37.51. possam ser separados do resto.. também o catálogo de perguntas e a lista de respostas na Carta de Pedro a Filipe. Diálogo de instrução O diálogo de instrução serve para informar o leitor. fala-se sempre positivamente sobre a fé do parceiro do diálogo..30-38 apresenta até semelhança com o "diálogo de revelação"..

que no começo é um adversário.c. como poderá então tua inteligência perscrutar o caminho do Altíssimo? 4. Bonn.27 (o profeta não entende). 38. acusações. 1983 (cf. BETZ. típica é.U:ROY.25. dependendo para as coisas celestes ainda muito mais do ensinamento do reveladoro Em todo caso o não-entender é motivo para uma revelação ulterior. A forma com muita freqüência é tripartida: A: a "primeira" revelação. não convém casar-se"). Neciomantéia. A "situação" desses textos é. quem as explorou? 230 . precisa de esclarecimento. também de que o outro está delirando). censura. criticaos argumentos e censura pontos obscurosdas teses.). e as celestes.: H. Além de perguntas práticas (casamento. . 6. 4Esd 4. se tu és o servo de Deus. B: a não-compreensão humana se manifesta (pergunta.3: Como é que o líquido e o sólido se separam dentro do homem. Diálogo Ao se comparar ICor 7. está a serviço tanto de quem ensina com autoridade (o mensageiro de Deus) como impli- citamente da escola ou da comunidade.Para Jo 3. pureza.23 (justificação: não quero te perguntar sobre coisas que nos são sublimes demais. e a repreensão é um sinal para o leitor.10. Justino. . do ponto de vista sociológico.12. 2. é central também para a relação ATjNT e.18-21. Luciano. De genio Socrafis.Esse esquema estava largamente divul- gado. textos de orações). De Providência Il.28 (confuso). Diálogo de revelação Bib/.6. a constatação de que o discípulo não entendeu (cf. pedido).10 ("se é tal a condição do homem em relação à mulher. embora ambos sejam tomados pela mesma boca? Eu não sei. C: segue-se então a "segunda" revelação. a instrução de autoridade da comunidade. . sobretudo aquelas sobre o futuro esperado estão em evidência (cf. enigmática..2. p. Um dos dois parceiros convence paulatinamente o outro. lTs 4s. e queres saber o que se passa no céu? TestJó37. Exemplos: Fílon (arm. D.Tríjàn (com repreensões e imperativos). lCor 15). Começa com uma revelação enigmática. esclarecedora. cf. É claro que pertence ao gênero dicânico (apologética. H.7. Sanh.8. e mesmo assim. O diálogo de instrução mais elaborado sobreviveu na apologética superior: a tradição clássica transformou-se ai numa persuasão argumentativa do parceiro.).10: Já não entendes o que é teu e uma só coisa contigo.8.Na NeciomantéiajMenippus 6 de Luciano semelhantepergunta (Qual é a melhor vida? Que é que um homem inteligente escolheria?) aparece até em forma de visão. vê-se logo que a pergunta dirigida por carta ao apóstolo pela comunidade de Corinto é a mesma que no evangelho os discípulos dirigem a Jesus. Dn 8. § 18).que a cada passo concordacom uma parte. 5: Se não compreendes o que acontece no teu corpo. . fin Beitrag zur Formgeschichte desJohannesevange/iums (BBB 30). pois. Jo 13. 21·22.Lc 24.4Esd 4. quando nos levantamos de manhã. num "diálogo de instrução". em seguida. 39a: Tu não sabes o que se passa nessa terra. § 77) 580. 12.9 etc. o achamos de novo nascendo no oriente? Ensina-me sobre isso. mas apresentatambém novasobjeções. mas sobre aquelas que dizem respeito a nós mesmos). às vezes até no sentido de ele já ter pouca compreensão para as coisas deste mundo. Rãlzel und MiBverstãndnis. Me 8.8: Se fores lúcído e perspicaz. Cf. Dial.1 ("quanto ao que me escrevestes: que é bom o homem não tocar em mulher") com Mt 19. como então poderás compreender as coisas celestes? Sb 9. 7. 196B (cf. A relação da pergunta"que devo fazer?" (que se encontratambém em créias) com os diálogos fica bem clara no Livrode Tomé(de Nag Hammadi): são instruções para os principiantes que ainda não chegaram à perfeição. bibl. remetendo a Plutarco.. explica para mim: por que é que vemos o sol nascer no oriente e se pôr no ocidente. .2: Teu coração se espanta tanto pelas coisas deste mundo. e tu desejas compreender o caminho do Altíssimo? 4. especialmente a sinopse 46s. 9.16: Já temos dificuldade com as realidades terrestres.

vv. Conforme TestJó.. 9s: a fase intermediária antes da segunda revelação recebeu aqui uma formulação particularmente drástica: "Vai. para que vieram?" . D. aqui por meio de uma palavra da Bíblia. depois é esclarecida). Cf. a revelação não entendida vem na frente. t) Esclarecimento sobre palavras reveladoras.30: "En- tendes o que estás lendo?").51-52 com a seqüência.ex. é cha- mado 'julgar". Cf. cf. em seguida. Diálogo Além disso. c) Exegese cristológica da Escritura: At 8. o "ainda um pouco".ex.580]). e) Sinais proféticos mediante ações (cf.1).5-12 (a palavra sobre o fermento.Jo 13. b) Interpretação alegórica de parábolas: § 18. cf. § 18 (p. a conduta de Deus e a de seu servo são incompreensíveis para os de fora (cf. 27). Ap 7.. O primeiro texto é o diálogo de revelação em Dn 12.12a. Como nos demais textos desse gênero.. 37.O vidente pergunta. Exemplo: Ez 17. Mas sobretudo o Evangelho de João caracteriza-se por este tipo de diálogo de revelação.18: ''Não nos explicarás o que isso significa?" No NT: Me (6. tu o sabes"). Zc e Dn. nos vv. alimento.. depois interpretados: Ez 24.6-10 (lava-pés). 52. d) Ações enigmáticas de Deus: Discute-se a pergunta se Deus agiu de maneira injusta. vv. De genio Socratis 21-22 (cf. 231 .30-35. cf. 7: o homem vestido de linho fala dos três períodos e meio. e Deus ou seu mensageiro responde (esse processo. e que significa este enigma?".11-13: "vós. 11s aparece a explicação.. explicação no v. água.13s: "Quem são estes . e muitas vezes trata-se das metáforas fundamentais j oaninas: nascer. ela faz parte do conceito deste gênero literário. especialmente Me 4. gr. Jo 10. .Lc 24. § 77... Esd gr. Distinguimos as seguintes formas de diálogos de revelação: a) Diálogo visionário.) 8. Mt 16. v.15-23 (o v. No NT: Lc 1. em 37 também a passagem sobre o conhecimento das coisas celestes). 15 é a palavra enigmá- tica.7-9 (v..41-52. como um todo. dormir. 17. H. especialmente TestJó 37ss. os de fora . pergunta-se: Por quê? Até quando? Para que isso? Onde estão? . 9-11: finalmente entendem. a repreensão da incapacidade humana é um importante critério para distinguir esse diálogo do diálogo didático comum. a conhecida "incom- preensão do discípulo" não deve ser tratada como um ''tema'' isolado. (p. os vv.17-21 (não entenderam a mul- tiplicação dos pães). 8b LXX: Daniel pergunta: "Qual é a solução desta palavra.. Uma resposta típica é por meio de uma parábola. § 84). os discí- pulos não entendem e são censurados.. 37.1-5/6 [espanto]/7- 18) com exemplos em Am 8. 24."Meu Senhor. Textos: 4Esd. Daniel. 25. Me 7..17-27 (repre- ensão no v. mas os que têm discernimento compreenderão".15-24.19: "Não nos explicarás o que o significa para nós o que estás fazendo?. Betz [bibl. ApBar sir.4-17: incompreensão em 13. Analogias pagãs: Plutarco. ele mesmo dá a explicação. dikázesthai). pão/carne. à primeira vista incompreensíveis.15-28.6.3-8. No judaísmo: Hen et."). 19-23 dão a solução).. . nenhum ímpio compreenderá. O mestre pergunta primeiro a respeito do que não foi entendido (8.1-12/13/14-17.14-21 é diferente!). Me 8. Ap 7. Portanto.2: Deus pergun- ta: "Que estás vendo?". levantar-se (?). como muitas vezes nesse gênero (Am 8. pois estas palavras são mantidas em segredo e seladas .2. 2.29/35ss (a saudação do anjo não é entendida.

21-23 (num caso é em virtude da repreensão que os discípulos entendem: Mt 16. Os discípulos.. Um conjunto particularmente importante é Jo 13. Felipe e Judas fazem suas perguntas (semelhantes listas de inter- rogadores há nos textos de Nag Hammadi. A última frase da revelação dada a Pedro é agora. Jo 8.. Na pergunta do v. também em Me: o fermento (8. João. A revelação enigmática que precede e à qual Pedro se refere é 13.17-21). Já que se trata de como expulsar demônios.25-59 (pão/carne). 4 é retomado. no qual Jesus declara quem ele é. a palavra "mestre" nos vv.".34 em 12. para o evangelista.31: um após outro. Diálogo Textos: Jo 3." com o "ainda não . o v... por sua vez. 11.14-29 está caracterizado como um diálogo de revelação. Mas não é somente em Jo que metáforas fundamentais são mal entendidas.. soube inserir a negação de Pedro em sua falta de compreensão da revelação em geral.31s (o crer como oposto do negar).16-22 (ainda um pouco). não entendem que Jesus terá de sofrer.31-33. A simples incompreensão dos discípulos depois de uma revelação enigmática é 232 .4ls.22).21-27 (levantar-se) (?). Agora a pergunta não começa mais com "aonde . não precisa mais ser interro- gado... Não se pode provar que tenha havido uma falta de compreensão. Jesus responde provisoriamente no v. observe-se o contraste com o diálogo de instrução. depois.4.2-4.15) e a alimentação com pão (6.21-59).Jo 4.5-7. o glorificado. 48/49: Pai).. 14.5.31-38 (alimento).27.33-36. . "o Pai". Tomé. 21 (a "revelação não entendida"). 14.21). Mt 16.32- 36).21 com 14. a exortação de 14. diferentemente de Me 8.22-31." de Me 8. o ponto de partida para Tomé. Quanto a Jo 11.41-52 (nos vv. como revelação enigmática. Os diversos segmentos deste diálogo de revelação estão assim ligados entre si por palavras-chave (também 14. Além disso.?").18-21.8. até quando.21-27 cumpre anotar ainda: de um lado. o "tornar visível". o "quanto tempo já . 8.12.36-14. 7.19 (ó geração incrédula. Por isso este diálogo pertence a um outro grupo (ver infra 3). mas ele está também a serviço do esclarecimento do conceito enigmá- tico de anástasis.. Me dedica a esse assunto sério um "diálogo de revelação". 5. portanto. Tomé: 14. Judas: 14. Filipe: 14. Retoma o "manifestar-se" do v.?".. e finalmente o diálogo termina num primoroso texto cristológico.. por causa da discrepância das expectativas judaicas (Jo 7. nesta categoria cabem também as objeções não-resolvidas contra a messianidade de Jesus.7 faz a costu- meira censura e fornece logo a palavra-chave. Jesus. o acento está antes no clima cristológico. 6. Revela sua fraqueza humana.30-44.36 e 14. 36.. Depois de 16.8-21. e o diálogo às vezes termina com a característica repreensão: Me 8. 2 e 10 tem sentido irônico). O conteúdo das perguntas de Filipe e Judas é o "mostrar". depois em 14. 4. I corresponde a Lc 22. os discí- pulos Pedro.9 dá a costumeira repreensão (cf. Cf. A resposta provisória de Jesus revela todo o alcance da não compreensão de Pedro. assim também Lc 2.33 "onde eu vou. 16.1-13 (nascer. por isso ele pergunta "aonde . 8.11-16 (dormir). para 14. Para o evangelista esta interrogação de Jesus pelos discípulos tem também a função de uma espécie de controle. também Me 9. g) Diálogos interrompidos são aqueles em que a palavra enigmática fica sem escla- recimento e os ouvintes continuam a não entender. que o levará à negação. 12.?" como 13.23).17. Diálogo do Redentor e Sophia Jesu Christi): Pedro: 13. 11.33-14. Quando os de fora têm a última palavra.30.. o texto é um diálogo diante do milagre (ver infra 9).31ss: "liberdade" e "paternidade" são mal-entendidas. no espaço reservado de uma casa (9.28s).21). o resultado será que acabarão por matar Jesus (Jo 2.1-10) deviam ser entendidas simbolicamente (Mc 8. Pela censura explícita de Me 9. Marta retoma esta palavra e a confirma em sua profissão de fé. A isso corresponde o ensinamento.5..7-15 (água). Pela glorificação ele mostra ser o revelador (cf também 16.

7-10. mas tomando ele mesmo a iniciativa. Jo 11. ~ Em Me 9. é uma espécie de limiar.21-27 (cf.41-51 (cf.16s. 9.16. Jo 7.66-71(72) par.27s.2. Jo 9. num diálogo: a chamada fase de iden- tificação.2. diálogos podem ter função comunicativa e dramatizante. para Jo 12. Sobre a oração com diálogo.7).1-9 Jesus negocia com os soldados sobre a libertação dos discípulos.3s. e compreensível apenas para aqueles aos quais fora dada.Incompreensão é cons- tatada também em Lc 2.15 gritos do lado dos judeus). é a palavra enigmática..24s.4.47-50.6-9. no sentido de um contrafeitiço). 3. também At 8.jvós. 6. Jo 4. responde com um afastamento. de Mt 19. . 4. 4.26.8.5.24-34. ANRW.44s. 19. 161-172) como fora delas (p. Função de distanciamento tem o diálogo em Mc 1. Ant. . semelhantes.32 (receavam interrogá-lo!). guardou o assunto em seu coração).5-12. Mt 13. imitando 2Rs 4. Lc 5. 15. Mas em nenhum outro contexto sobre demônios o "tu vieste" e o ''tu és" encontram-se como elementos de diálogo (o que refuta a tese do diálogo como luta exorcizante. por exemplo.12. . Auferstehung. sobretudo Sr 46. Mt 9. a instalação/incumbência ou a promessa. 26.. as perguntas começando com me). imperativo). que vem buscar água. Berger.Apenas em Jo 11. Tal pergunta precede a ação milagrosa. 9. Jo 11.25 Jesus.10 (eu. .8 e 24.. 21. O reconhecimento da identidade do revelador.37 e Hermas.27). a mulher estabelece o contato com a comunidade da aldeia). 9. Jo 2. especialmente v.14-17. 18.8-13.ex. Josefo. "Diálogo oficial" como interrogatório (cf.Sem solução.5s o mal-entendido de Pedrotambém já se relacionava à Paixão (cf. No gênero literário da mandatio.Em Jo 18.47-51.Em todos esses textos nenhum mal- -entendido desempenha um papel. . .32-34. nota 159).Em interrogações isso é diferente: Me 14. Lc 9. Lc 9.3-4.15.depois Jesus o faz assim mesmo.28: o profeta. tanto em aparições (cf.18-23. Me 14. Jo 6. cf. 8. a solução aparece somente em Lc 24. O reconhecimento cristológico é o auge do diálogo.3s. 6.40-41.35-39. Vis. Lc 12. exemplos: Dn 10.61s.31-33/34. "Tu me amas?" (Jo 21. cf. em relatos de vocações como Lc 9.29-32. . já dirigida exclusivamente aos discípulos.22.16.13-14. Discussão com desprezo recíproco: Jo 7.18-24. depois há uma declaração sobre a vinda de Jesus e uma aclamação.21-27.51. A resposta. segun- do o modelo "Tu crês?".6-9.2). A seguirdevemos mencionar maisalguns tiposde diálogo do cristianismo primitivo: 3.42s (imperativo. 5. Diálogo constatada em Mc 8. § 97. Às vezesos discípulos haviam de entender mais tarde (10 2.16-26 (exemplo para esta figura: Gn 24.23b. nos vv. parece pressupor que os leitores entenderão. 15. Os textos de Jo têm o seguinte esquema: pedido ou proposta de parentes ou amigos . Dn 7.5-10.8- 11. Jo 11.45-53 (cf.38b-40 (os judeus com Pi1atos sobre a libertação de Barrabás). cf. 9.1-11. por exemplo. objeção.1-9. Em narrativas sobre milagres. 11. porém.26-29. Um significado especial tem. po- rém). são as perguntas dirigidas a Pedro. Mc 1.125. a objeção e sua refutação são elementos de diálogo. O diálogo cria suspense e realça a grandeza do ato de Jesus.17. Lc 24. sempre afirmativa. interrogação de testemunhas: Jo 9. o que foi dito em 2f) o reconhecimento é anterior à obra. § 69.15- 18. Deles. 1184ss. 5.59-60 e em narrativas sobre milagres como Mt 14.11-33. mas tam- bém Me 7.5. mas menos oficiais.12-15 (Pilatos e os judeus sobre a libertação de Jesus.13-21. ou o reconhecimento do revelador com base em suas palavras e obras: Jo 1.54. Ex 2.24 começa com um distanciamento.11-16. Jo 9.11s. Diálogo como elemento de repreensão: At 8. 6.Jesus se recusa .Como negociação: Jo 18. dentro do diálogo.2-5.- Função dramática compete ao diálogo também em atos simbólicos como Jo 13. confuso. 7. a chamada pergunta controladora.39-40.14-21. Sim.15-21: o estran- geiro procura contato com uma mulher do lugar.4-7. 8. de sua parte. 233 .8. EvTomé 61: "Quem és tu?"). Jesus não quer ouvir aclamações. Em 1.

mas pode-se per- ceber também a característica típica dos vários "pratos" de assuntos. At 21.: R. o trecho Lc 8. da casa da servidão").13-15. 1977. o estudo dessa forma literária há de evidenciar uma íntima relação entre cristologia e apostolado. Lc 7. no Apocalipse. seguindo exemplos judaicos em Jub. Um gênero desde sempre com muitos diálogos ou pelo menos com muito discurrso. Ao tema "mu- lheres" é acrescentado. ANRW.3-9. Der Gesondte undsein Weg im 4. 183s). Jo 19. 161-179.. Exegese. 207-210. "Das absolute Egoeimi ais die neutestamentliche Olfenbarungsformel". Lc 16. no judaísmo. 3Esd 4.4. H.28-32).ex. isso corresponde à primeira frase do decálogo em Dt 5. GST. Agnostos Theos. sobretudo em textos religiosos. portanto. 1956.42.8 Deus se apresenta como aquele de quem sairá toda a revelação seguinte (cf. que te fiz sair da terra do Egito. Textos no NT: Lc 22. . Dos Evangelium desJohonnes (OTKNT 4/1 I. n De distanciamento/afastamento trata-se também em Mt 27. Deus fala: Teologicamente é sobremaneira notável que. Mt 17. Berger.1l-14.36-50 encontram- -se não apenas os requisitos formais do simpósio (7. a auto-apresentação do após- tolo e de sua mensagem. Norden todos reconhecem a importância desta forma e que ela.24-31. 118-180.20-25 e Mc 14.14-38 (quetem ao mesmotempoa forma de uma refeição testamentá- ria. no início das cartas do NT.47) e "mulheres" (Lc 7. lA BÜHNER. 1979. Em Lc 7. 21. o simpósio de Platão e. fora do Apocalipse. Mt 26. Jo 13. 1. o próprio Deus fala em 21. ZIMMERMANN. Darmstodt. J.17-21.6 ("Eu sou o Senhor teu Deus. 11. Gütersloh e Würzburg..13-40). 1.25-26. Diálogo entre quem conta a parábola e seus ouvintes há em todas as pará- bolas construídas segundo o conceito da decisão jurídica paradigmática (p.14. NORDEN.5-6: "Eis que eu faço novas todas as coisas". At 19.266-276. certa- mente 7. Na visão do trono.Também há diálogos em Mc 14.21-22.40. O relato da instituição da eucaristia nãopertence ao gênerodos simpósios. deveserqualificado comoetiologia. Já que tanto Jesus como os apóstolos são "enviados". Desde E.. Trataremos agora de textos em que a primeira pessoa gramatical (geralmente no singular) é o sujeito da frase. Formen der Anaklese und Priidikation: Syei.43. nossa proposta de um "estudo da forma literária" já pode ser testada por uma longa tradição de pesquisas. Enunciados com "eu . com bibliografia). Deus só fale na primeira pessoa do singular em citações do AT. o relato de conversações à mesa.36-50. Quanto à história das formas. Mas há também semelhança com o chamado apostolikon. Enunciados com "eu.. in BI4 (1960) 54-69. em seguida.1). palavras 234 . Evongelium. egC? eimi.1-3 (cf. § 72.. é o simpósio.1-30 (com o lava-pés).36-50. Tübingen.3-9)..cf. 177-201. 2. 1310- 1315. está intimamente relacionada com o conteúdo. BECKER. Aos simpósios sempre pertenceram os temas "amor" (talvez Jo 13. BUlTMANN.44-46). E. A maior parte dos textos neotestamentários com esta forma é importante para a história do cristianismo primitivo porque neles se trata dos temas de quem "envia" e de quem "é enviado" e do papel típico e exemplar do "eu" que fala. ed. nas refeições (cf. Em Ap 1. houtos estin/Ein soteriologischer Redetypus. Exkurs 5: Die Ich-Bin-Worte. Nesse caso. " Bibl. Mc 14. 10. 11: Judaico 1.

18. Dial.Quanto aos relatos sobreo batismo. faz declarações como só Deus pode fazer sobre si mesmo ("Eu venho" . A tradição mencionada em 7 é importante. .3 (depois de falar sobre Deus na terceira pessoa em 11.6b). 15.V.1 e 2 (Deus e seu ungido) são aplicados a Deus e Jesus. quem diz: "concederei" é a mesma ''voz'' de 10. .5. . Lc 3. Contudo. 5.III.7a. Dial. o repetido "e Deus viu que era bom" em Gn 1). . "Eu sou o Alfa e o Ômega". assim também 22." confirmadas por uma ordem de escrevê-las.Como fala divina pela boca de seu mensageiro deve ser entendido. Enunciados com "eu .122. . juntos. 235 .8. e aí aparece sempre o texto maís completo.la é citado). com o "hojete gerei". EvEbion e lC1em 36. Mt 11.Nos demais textos Deus é novamente aquele que envia: com relação ao Batista: Mc 1.16-18.10. A maior parte das citações de enunciados divinos com "Eu. A tese de que Is 42 está na base da tradição sobre o batismo é reforçada também pelo fato de que nos textos antigos do NT a filiação divina e o Espírito já são men- cionados juntos. Também em Justino.49s.27. 12s o anjo de 22.26s.8. Outros elementos do S12(sobre o "herdar". I. e sim do enviado. que poderia ter sido o modelo que inspirou diretamente a formulação da voz ouvida no batismo. Ap 11. com relação ao Servo/Filho: Mt 12.7 um ao ladodo outro. no batismo. é claro queestão muito próximos de Is 42." encontra-se em Atos.2.33. Somente em Justino também a tradição sobre o batismo é combinada comSI2. Mt 12citauma versão grega.Iv.25s. É exatamente essa combinação que já se podia encontrar em Is 42. O "apascentar com varade ferro" é uma tradição à parte. como isolável da do Pai.22. o SI2 erausado para descrever a missão de Jesus (At 13. etc.5.7. .1. 5. Is 42. 12.28). Devemos agora tratar sucintamente do modocomoo SI2 foiutilizado no cristianismo primitivo: 1.11. introduz uma admoestação bipartida.2e Justino. É só por aí. pelo menos 8. 13. 88.8s (que não aceita a proskynêsis exatamente porque não quer ser confundido com Deus.17-19.33. a mudança de pais (servo/menino) para hyios (filho) explica-se pela semântica judaica (Sb2.34. 4QFlor.. no estilo dos textos sobre os vencedores. igual à de 1.1 tornou-se "Tués" por causa do gênero literário (''Tués" = "Eute constituo''). em At 4. 19. Diogneto.33 (seu Filho). Lc 1. não de SI 2.fora da tradição sobreo batismo. 21.em2.103.. também.. 122.18).7.23/33. Lc 7. No início da tradição sobrea voz ouvidano batismo de Jesus esteveuma versão de ls 42.5. A combinação com 2Sm 7 acha-se somente em Hb 1. . 6. é aplicado mui raramente e 5. Nos profetas do AT Deus às vezes fala na primeira pessoa gramatical pela boca de seus mensageiros. .. Hb 1. em que isso é mais claro. Somente no EvEbion e em Justino a tradição sobre o batismo é combinada com o SI 2.7. A linha principal estáem2 e 3. .. O acréscimo: "Eu hojete gerei" encontra- se apenas em At 13.5. no Evange- lho de João. Assim se explica também a aplicação da fórmula "Eu sou" a Jesus (8. Mas também nos demais textos com "Eu" no Evangelho de João não se trata da divindade de Jesus.41. apenas tardia e isolada- mente. .32s/3.Uma repreensão divina é citada em At 7.13. O "eis"de Is 42. .Conclusões: I.. nas cartas deuteropaulinas ou nas cartas joaninas. que é tão integralmente o enviado de Deus que o "Eu" de Deus fala nele. .6b). . cf At 13. cf. O "Tu és meu fIlho" encontra-se em Mc 1.6.18-21.) encontram-se em Hb 1. SI 2. 1.1 e S12. .8. lClem 36.15 (cf v.1).47.58.11.Por aí se vê que 4 e 7 são tradições à parte.15 (depois emApPaulo coptae SibVIII).33 e nos textos de Hb (mas semrelação com o batismo de Jesus) e nas citações posteriores. afinal.Deus é aquele que envia em At 13.. porque somente assim um sofrimento do Cristo podia ser deduzido da Escritura.22. que se explica a ligação com o "Espírito". Hb I). Depois o próprio Deus constata que tudo se renovou (cf. At 13. Nenhuma aplicação aparece em Paulo. mas mostrar que é seu mensageiro). em anúncios de salvação: At 2. O EvEbion aínda apresenta.3. que se encontra apenas emAt 2. Em Ap 22.2. uma auto-apre- sentação (21. . fechadas. Assim também em Ap 11.4.5a. .18também Is 42.

20. por isso. cf. na história do cristianismo primitivo. Jesus envia seus discípulos exatamente como ele foi enviado pelo Pai ("afetação vicária".24.16 Jesus se apresenta. de acordo com o princípio da representação e da incumbência vicárias. J.. contestada. essa questão é resolvida pela oração de Jesus. ou: o Espírito divino)". Em Ap 22. em que Paulo diz que "enviará" ou "enviou" seus colaboradores (especialmente Timóteo).4). Em Jo 19. VII 8s): "Eu sou Deus (ou: o Filho de Deus." do Evangelho joanino. BÜHNER (cf. encontramos uma palavra com "Eu .". a Sabedoria (que segundo Lc 11.49-51 (vaticínio como anúncio de desgraça). os judeus propõem como inscrição da cruz: "Este disse: Eu sou o rei dos judeus" (porque não querem ser ridicularizados também). 153-166.." 2. o instituto jurídico da missão (= "envio") é..). Segundo Mt 24.10a). sou eu" (gr.. o enviado participa em virtude da missão.5 os falsos Cristos dizem: "Eu sou o Cristo". apresentando-se a si mesmos. Mas tanto em Me 13. Algunsautoresassocia- 236 . 3. Quando aquele que envia usa o estilo do "Eu. Mc 1.6 como em Lc 21.23). e é por isso que também em Mt 28.34-36/37-42 estabelece. O "Eu" de quem envia Quem envia não é somente Deus (At 13.12ss. com a sua pretensão.49 é quem envia) é substituída pela pessoa de Jesus. antes da palavra da missão ou da entrega de poderes. § 51. . trata-se daquela autoridade de que. Como em Ap 1. cada vez que se trata da execução vicária de incumbências e tarefas.Em Mt 23. § 73).: Para a aulo-apresenlaçõo do mensageiro "Eu sou. uma ligação entre a própria missão de Jesus e a missão dos discípulos. a declaração dos que pretendem agir em nome de Jesus é formulada somentecom ".. . Em Lc 21.3 como para a "Sabedoria" de Lc 11. no mesmo sentido. § 72). supra. enviando.35). Cumpre lembrar também os lugares nos "epistolários" das cartas paulinas (sobre este gênero literário. cf. já que "for- ma" os profetas (Sb 7. bibl..18s. Enunciados com "eu.21. a auto-apresen- tação com "eu sou" ou é o início de um discurso.18-20 e em Lc 10. Observe-se que também para eles é usado o título de "apóstolos"...".2 par. ou a apresentação de uma pretensão autoritativa e..47. e entre o homem e seu semelhante... como aquele que enviou o anjo para acompanhar João. logo antes).. às vezes sinô- nimo dela: At 13.A noção de " envio" une a cristologia e a eclesiologia.8. de modo semelhante ao pseudoprofeta em Celso (Orígenes. ela é concebível também como uma pessoa que envia (como o Espírito. então.Segundo Jo 13. e. pois a Sabedoria é a representante personificada de Deus. op. cf. de fato. cil. no fim do livro. Declarações segundo o esquema "Eu sou x" ou ". Isso vale tanto para a "Voz" de Ap 11. acrescenta-se logo um elemen- to central da mensagem ("a hora chegou". egô eimii. sou eu" Bibl. Algo semelhante é evidentemente o instituto dos "apóstolos da comunidades" (2Cor 8. o princípio organizacional das relações entre Deus e o homem.5). Adv.. Também Mt 10. também seus repre- sentantes dão incumbências ou subdelegam...8 e nas predicações metafóricas com "eu sou.27) e se pode falar em "filhos da Sabedoria" (Lc 7. cf.Cels. Mt 24..8.." que garante o poder do próprio Jesus (em Lc 6.

Nisso é importante o fato de o batismo pela água ser colocado antes do batismo com fogo (cf. daquele que havia de vir (originalmente. Também a parábola de Mt 11. e opinaram que. 8.7s. n ram esses textos a alguns de Jo: 4. A relação entre Jesus e o Batista sempre é esclarecida por meio de declarações com "eu.26s. 8. não tenhaismedo". pois aí Jesus já estava falando de si mesmo e de outros que se apresentam como se fossem ele. 7-15: quem é João?. portanto.28 ("então conhecereis que sou eu"). vv. O testemunho do Batista sobre si mesmo teve grande peso para a problemática da atividade simultânea de João e Jesus. Alega-se sobretudo Me 6. mas de umfenômeno lingüístico que em cada caso deve ser interpretado a partir do contexto. vv. 16-24: repreensão simbulêutica e anúncio de desgraça).26 ("sou eu. Enunciados com "eu . Jo 1..62 responde a 14. este "vindouro" talvez tenha sido Deus ou o Filho do Homem). 4. cf. que se encontra em Is 43. eu que estou falando a ti"). 2-6: quem é Jesus?. 10ss trata-se da possibilidade de testar novamente uma palavra anterior e um ato que a comprovou. do ponto de vista da forma. Jesus fala para que os discípulos o conheçam por sua voz (como quando nos encontramos no escuro com alguém. Mas é preciso diferençar as expressões.. 11. igualmente em Me 13. Lc 3. Das JohEv. apenas o contexto é mais amplo. Com isso teria sido atribuída a Jesus "uma dignidade inaudita para ouvidos judeus" (ibid.4.10s. vv.") em Ap 2. Comparação entre "eu" e "ele" (sjínkrisis.15.6 e Lc 21. trata-se.8. 28-30: synkrisis. maior e mais importante. Em nenhum dos textos acima citados trata-se de uma fórmula específica de revelação. mas de uma prova que confirma uma pretensão anterior (textos apócrifos em Berger.1Oss (hebr. ou "Eu sou aquele que sou". At 13.30 apresentam uma estrutura que serviu também como princípio para composições maiores como Jo 3. Auferstehung.15-17. 59-70 Exkurs 8: ''Herkunft und Sinn der FormeI ego eimt'). 18. e ainda.. se trata da fórmula veterotestamentária da teofania(cf. c) Uma combinação fixa é a expressão "reconhecer (crer) que sou eu".23 como "alegação de prova" (cf.23 ("saberão que sou eu quem sonda os rins"). também HomClem 2. ani hu).24 ("se não crerdes que sou eu"). de algo semelhante a a. vv.28 e (com o acréscimo "que sonda os rins. Mas também aí não se trata de um "eu sou" isolado. 1173-1191). Me 14. Os logia Mc 1.25/26). Maria Madalena também o conheceu pela voz.24.". Schnackenburg. 31-35: testemunho em favor de Jesus. em Jo 8. ANRW.16s. Mt 3. no dilúvio. Me 14.. outros o conheceram na hora de partir o pão.24) ou como identificação com a pessoa de que se estava falando (Jo. nem nos textos do NT trata-se das frases "Eu sou YHWH". 36: conclusão dupla em forma de admoes- tação condicional) e Mt 11 (vv. que então nos tranqüiliza. Não se pode provar que tenha havido 237 . Nos dois textos de Jo 8 trata-se da pretensão cristológica de Jesus. o Juízo pela água. com sua solução no v. está estruturada segundo o princípio da synkrisis. 27: norma geral como introdução.61. em que o Batista subordina seu próprio papel e função ao papel futuro. § 53d).11s. no fim). dizendo "sou eu"). sou eu. por exemplo como resposta a uma pergunta (assim.62 ("sou eu") e Ap 2. também: R. e pelo fato de ele saber seu nome.25.50: "Tende confiança.. 462 nota 120). e o Juízo pelo fogo. v. b) Em Mc 6. 69). de acordo com as seguintes possibilidades: a) O respectivo título já foi mencionado no texto e o "sou eu" refere-se a esse título. Em Is 43. com muito cuidado: nem em Is 43.50..27-36 (v.

17-21." Além dos casos mencionados em a. Nas cartas do NT.56.não questionando se Jesus falou. Mc 13. também Lc 1 e Jo 3." aparece também em 4Esd. Gll. de Estêvão em At 7.. O "eu" do enviado a) Autotestemunhos visionários. Mas ao que tudo indica houve entre os próprios cristãos um problema acerca da maneira certa de ministrar o batismo.15s. Uma série de livros proféticos começam com formulações tais como "eu vi. porém. a questão em torno do batismo não podia ser resolvida com palavras dele. 1. . de precisar. sendo portanto.. o Batista era citado para homologar Jesus (cf. por meio de um nome.30-33. Também o início das cartas às comunidades no Ap ("isto diz o. inicialmente.. logo no início do livro. nasceu da necessidade. segundo o esquema "eu vi"!'eu ouvi".4).22b.5-12. 5.ls/9ss).lss.ex.1-2 e passim nas frases iniciadas com "e eu vi".45) . 11. 5. At 22. 2. Me 10. b) O uso da terceira pessoa no lugar da primeira em declarações de caráter religioso com "eu.1-11.1. característico do resto do livro neste gênero literário. E. Também At 19.. Hen et.2. ele mesmo destinatário e intermediário.16s. depois de palavras com "eu".12-18. 10.." + particípio ou ima- gem) dá o nome do remetente na terceira pessoa. no começo de um documento escrito. ApBar sir.12. a respeito de Paulo em lCor 15. De resto. no sentido de que o autor.Característica no início desses livros é uma troca da primeira pessoa pela terceira (assim também em Ap 1. ajuda a compreender a auto-apresentação de Deus no início do Ap (1. e ainda num grupo de textos sobre "o Filho" e "o Pai" (Mt 11. esse uso encontra-se nas palavras de Jesus sobre o "Filho do Homem" (p. . é o destinatário de uma mensagem divina. n "concorrência" ou conflito entre Jesus (ou seus discípulos) e João (ou seus discípu- los). Tal troca não é motivo para uma crítica literária. Jo 3.2ss. Zc 1. daí os poderes dados aos discípulos no v. At 11." (p. 19). 2Cor 12. houve nisso certa semelhança com a literatura epistolar. e o estilo visionário com "eu..De Pedro em 2Pd 1. do apocalíptico João emAp 1..1-10.1-2c/2dss.9-19. houve uma síntese entre livro profético e carta. 8. também o início das cartas se caracteriza pela indicação do nome do autor na terceira pessoa. Rau já observou que ela é tópica (Hen 1. Palavras do Batista sobre o assunto eram lembradas.8-11. sobre o Filho do Homem como se fosse outra pessoa . 14. Também essa função literária do nome. para a indicação do autor de um livro.32. Na Antiguidade.19-26.ex. só que aqui falta o destinatário.27b par. mas ao mesmo tempo profere a saudação como enviado "da parte de Deus". 3. mas de cristãos que foram batizados segundo a maneira de João. 26.8): Deus se apresenta como o verdadeiro autor do texto que segue. Lc 10. e o modus e o caráter da cristianização do batismo foi para a oikoumenê cristã do século I um problema de peso. talvez.2ss)..28-30). em vez disso. Só assim se podia estabelecer quem era o autor.. Enunciados com "eu .. Desde o começo. (1. são trans- mitidos a respeito do próprio Jesus em Lc 10. Foi esse o primeiro passo. aquele "eu" visionário.1-7/8).2-3/4. citado na terceira pessoa.. Ez 1.16-18. e o autor. Como o próprio Jesus não havia batizado. em certo sentido. na história das formas literárias. não apenas tem destinatários.35 [escra- 238 .17 não fala de discípulos de João. Ez 1..18 (derrocada de Satanás e início da luta sobre a terra. Além disso.6-11. a titulação dos livros é uma invenção posterior.. de Comélio em At 10.

Em At 9. usam uma fórmula desse tipo dizendo para que foram 239 . Freiburg.22. infra. J.. 154-158.50 Jesus. Gabriel se apresenta de maneira análoga ("Eu sou GabrieL"). 26. 534-538).5.. cf. Lc 10.56). BERGER. paralelamente ao helenismo pagão contemporâneo. At 7. ele será um mensageiro de Deus na Terra). bem como 2Cor 12. ~ Nas auto-apresentações veterotestamentárias de quem aparece. Auferstehung. "lch bin gekommen". c) A auto-apresentação nas aparições. em lugares de destaque. Na visão de Lc 1.32. A importância deste gênero é evidente pelo fato de que tanto Jesus como Paulo.2 e Berger. à qual a auto-apresentação costuma ser a resposta.35 deixam perceber o sentido desse modo de falar: Jesus não diz "Deus" e "eu" e sim.. 1362. cit. Foi só na época do NT que a auto-apresentação com o nome.1-10. K. 77. se tomou costumeiro no judaísmo (aliás. assim para Paulo "este homem" é ele mesmo. ARENS. Auferstehung.15. há considerações provenientes da história das religiões: o lugar do Filho do Homem é o trono de Deus no céu (Dn 7. que há de aparecer desvendado para o Juízo como ser celeste. supra. A.40. J. . d) Os textos com "Eu vim. 22. Jo 6. op. Em Mc 6. "o Pai" e "o Filho" a fim de. 1976.. ao aparecer.35 e 21. ANRW.ex. Quem está diante do trono de Deus não é um homem terrestre. 14. 17. Mais ampla é a auto-apresentação em Ap 1. BÜHNER. Por isso tanto Jesus como Paulo falam sobre si mesmos na terceira pessoa.. O Filho do Homem é para Jesus o modo de ser de sua identidade celeste. De outra natureza são os textos sobre o Filho do Homem.19. cf. e particularmente o esque- ma "quem és tu?" ~ "Eu sou. Já é um passo decisivo relacioná-los entre si por causa de sua forma literária."). pela própria metáfora..24a: em todos esses casos trata-se de um "eu"!) e em Ap 1 (cf. A Historico-Criticallnvestigation (OBO 10). metaforicamente. foi reprimida. A ligação explícita com o "eu" em Mt 11. "Eu sou o Deus de teu pai") e também em Josefo se encontra esta forma." Bibl. Jo 21. in ZThK 22 (1912) 1·30. 19. quem aparece se apre- senta: "Eu sou Jesus. "Die alteste Schicht der Menschensohnlogien".1). §§ 75. diz que é ele. A roupagem metafórica toma tudo mais aceitável.17-18 ("Não temas. 527·529.. é alguém transformado num ser celestial (cf.. HARNACK. Lá. Jesus o faz constantemente quando se autodenomina o único enviado e representante de Deus (e por isso com plenos poderes). in lNW 58 (1967) 159-172. nota 285. Além disso. também At 12." vojfilho].15. JEREMIAS.. tomar mais plausível o discurso: já que entre pais e filhos costuma existir semelhante relação." e com "Eu fui enviado. eu sou o Primeiro e o Último... na medida em que esteve diante de Deus. a fim de que possa ser invocado cultualmente.A respeito de um dublê celestial.2) é igual- mente o lugar diante do trono de Deus.8. O uso da terceira pessoa no lugar da primeira tem também o caráter de estrita objetividade e encontra-se por isso em textos juridicamente relevantes. Auferstehung. reduz tudo a dimensões simples e diminui o aspecto chocante ao escondê-lo na "imagem". por exemplo relatos de testemunhas (Jo 3.13 e especialmente as palavras sobre "o Filho" em Jo 8.". ~ Em textos judaicos pede-se a quem aparece que diga seu nome. Berger.4. 138·166.: E. o homem não é mais ele mesmo (e se voltar.27.12 anota que a pergunta "Quem és tu?". é a mim que tu persegues". o "terceiro céu" (2Cor 12. isso pode acontecer também entre Deus e mim. 14.436-448). The Elthon-Sayings in the Synoptic Tradition. figura a comunicação das funções e dos atos (p.13b. 5a). Enunciados com "eu.

É o momento da tomada de partido. em 4. que pertence a este gênero ("Ele me ungiu . aí a independência do mensageiro é mais acentuada. Em 1Cor 1.De outro lado.24: "Fui enviado às ovelhas perdidas da casa de Israel". como tal. Semelhante é a auto-apresentação no início da fala em Hen et. Onde se fala do "ter vindo" em vez de "ter sido enviado". op. . Ao "não antecipar o fim" pertence também a noção de que a Lei não é abolida."). como resumo da pregação. Jesus insiste no valor específico do tempo de sua missão. Jesus. faz aparecer entre os ho- mens separação e afastamento. "Pois Cristo não me enviou para batizar. chamando para a decisão e para a justiça. dissimulado) pela citação bíblica. Enunciados com "eu .. Pois a Lei só pode desaparecer depois de essa Criação perecer..cit..47. para nós. Também em Lc o próprio uso do gênero talvez seja o mais importante. esclarece com perfeição o papel programático que as frases desse tipo sempre têm. só que é intensificado (ou. não opera nem o fim da Criação nem a abolição da Lei. com a qual ela é "simultânea" e "consubstancial". na fórmula "Eu vim para.1. Pois o Messias age como pregador da conversão e. e Berger. o bem messiânico da Paz ainda não é viável. 12. indicado pela própria forma.17. Ao mesmo tempo é dado um resumo da mensagem.. mas quer servir. a linguagem do Ap)... 140-145. porém.") e. op.. pode ser verificado um objetivo teológico constante. as diversas frases sobre o "ter vindo" e o "ter sido enviado" iluminam vários aspectos de uma concepção messiânica. Esse texto difere do de Lucas porquanto falta a referência à Escritura.." (com infinitivo) (às vezes no esquema "não para.. não do apaziguamento geral. como tantas vezes acontece no NT (cf.... 91.cit. 240 .16ss.. trata-se antes de uma continuação do mesmo gênero presente em Is 61. e quem enviou fica mais no segundo plano (Bühner.1. 12. op. as coleções deste material em Bühner. e o põe em contraste com o Juízo vindouro e com o tempo do fim em geral. O valor específico do tempo do enviado é este: agora é o tempo da conversão e da salvação. mas somente o prepara misericordiosamente.1: "O Verbo me chama e o Espírito foi derramado sobre mim.39.. Paulo resume a finalidade principal de sua tarefa. Jesus limita a Israel sua missão para o tempo de sua existência terrestre. para que eu vos indique tudo o que vos atingirá até na eternidade". por causa do Evangelho.. Lucas começa a estréia da atividade pública de Jesus. Segundo Mt 15.46). Textos análogos a estas palavras do NT encontram-se na boca de mensageiros terrestres e celestes (cf. não simplesmente condenado o que encontra. como geralmente nos sinóticos. Nos referidos textos do Evangelho de João a indicação do conteúdo da mensagem muitas vezes é omitida (nem sempre: Jo 9.cit. mas obedecida e cumprida. com o texto de Is 61. e em vários textos posteriores que deles dependem. porém. segundo a qual o Messias não pro- clama o definitivo. Assim. " enviados. Agora ficou claro que nos textos sinóticos sobre o "ter vindo" e o "ter sido enviado". e sim para . em que o Juiz também não julga ainda. o tempo da aceitação dos pecadores. "ele me enviou. e em vez disso é acentuada a origem do mensageiro. mas para anunciar o Evangelho".. 145s).". 527-529).

Jo 12. As conseqüências para a imagem de Deus aparecem claramente na Carta de Diogneto 7. Que o servir implica também uma renúncia ao julgamento é claro. Mt 18.. Aquele que não acarreta o fim do mundo também não pode acabar com a Lei. .45a.9 (justos/pecadores).": cf. acrescentando ''para a conversão"). também a admoestação e o anúncio da salvação estão fortemente coloridos pelo estilo de "eu.17 a existência da Lei. o qual se caracteriza pela oposição contra Deus.. Lc 5.28. mas insistem na origem: ele veio de Deus.4. .Finalmente.32 (como Mc 2. Lc 12. foi mudada . de acordo com a interpretação judaica da época.3. supra. do Pai. Desse ponto de vista. também Mt 15. no contexto.1-18. Lc 22.Jo 9. supra. Por isso.Nas palavras joaninas sobre o ''ter vindo" trata- -se em primeiro lugar da questão fundamental da legitimidade da missão de Jesus. Jr 23. aproveitar ou não essa salvação).11 (salvar o que se perdeu). . No tempo antes da reviravolta.. em 12.. a ordem. tira "). em Mt 5. auto-apresentação. como na tradição acima citada sobre a salvação do que está perdido. De especial importância é Jo 10.5 (salvar os pecadores). não "de mim mesmo" (10 7.10 trata-se da imagem das ovelhas. Lc 9. § 12. Às vezes. Mt 9. com toda uma série de predicados desse tipo. Apenas 12. e toda essa imagem tão complexa do "servo de Deus" toma-se em 2Tm 2.10 (pro- curar e salvar o que se perdeu).. A este gênero pertencem também os seguintes textos: 1.. porém. Ap 1. do céu. .24 deve ser colocado no rol dessas palavras.39 supõe esta tradição.37 (para dar testemunho da verdade) são formas novas que ultrapassam o material sinótico. cabe aos ouvintes de Jesus. Ainda não chegou o fim: essa situação.julgar) (segundo 12. O modelo veterotestamentário é fácil de reconhecer em At 7. Outra 241 . Quando se indica a finalidade é fácil reconhecer a semelhança com declarações dos sinóticos: em 10.32s ("eu sou o Deus. Em Mt 10. As palavras sobre o Filho do Homem que veio para servir (Mc 10. De especial importância são as declarações que o legitimam: "em nome do Pai". mas modifica-a polemicamente.34-36." (Ap 3. Jesus não pode trazê-Ia como um bem já definitivo..47 (salvar/. a comunidade primitiva partilhava-a com Jesus.17b (justos/pecadores). já que significam uma aber- tura para todo Israel.55 (destruir/salvar). Como no decálogo.2. lTm 1. frases como essas ou outras semelhan- tes frases podem ter desempenhado importante papel. em contrastecom o Juízo e com o chamamento exclusivo dos justos. incluindo a parte "pecadora". Nas discus- sões de Jesus com o movimento dos fariseus.. e é precisamente como Filho do Homem que ele veio para servir. o "eu sou.em Ex 3.18s. Lc 19.4. as frases citadas eram um auxílio para suportar essa situação com obediência e humildade e sobretudo dar uma chance aos pecadores. não "em nome próprio".46 (veio como "a luz") e 18.13. frases condicionais no Evangelho de João).17s (eu sou)/19s (escreve ). Zc 9. A divisão é própria do tempo da conversão. a alteza se manifesta somente no serviço.24 o modelo da existência cristã. Mas o Filho do Homem toma muito a sério esse tempo. Enunciados com "eu . 8. As palavras joaninas sobre o "ter vindo" geralmente não indicam a finalidade da vinda. Barn 5.48. .27 D) supõem o contraste entre alteza e serviço. está ligada à duração do mundo.17b.11): Mc 2. e) As predicações metafóricas com "Eu sou.20s).." introduz um texto simbulêutico (imperativos: Mt 28. 51. porém.. § 49.47 trata-se da renúncia ao julgamento (em 9. No pano de fundo está claramente a imagem do pastor que salva o que se perdeu (Ez 34.39 essa idéia é modificada). de cima.42).5s: imperativo e depois. f) Auto-apresentação seguida por uma admoestação: cf. " A essa concepção pertencem em primeiro lugar as palavras sobre os pecadores que são chamados e sobre o perdido que é salvo. (49s) 51-53 a inevitável divisão opõe-se ao bem messiânico da "paz".4-6.

.36 (fundamentação: eu sou considerado um homem semlei. Lc 12.38..15.. embora o sentido seja o de um anúncio de perdição ou de salvação.4-6: "Há alguém inexperiente? Que venha aqui! Ao carente de juízo eu direi: vinde. vós deveis agirde outramaneira).33 exclama: "Voltai-vos para as minhas advertências.6-13. declarando o que se é "capaz de fazer" (Mt 26.16.. como vemos em Mt 7. em OdSal 33. Em algumas admonições (todas com "eu .11.61: "eu posso derrubar. desde Is 55.. tomai o vinho e o leite .12). 22.8s. Freqüente é a alusão ao "saturar-se". como exemplo positivo ou negativo.. O cenário é público (rua..43s. e vivereis. sobre Mt 24. freqüentes são o convite para se aproximar. praça). O mesmo teor já deve ter também Mc 14.22s. e ao "matar a sede". A maneira mais simples é fazê-lo diretamente.(24) 26-27 e Mt 10.32s. são gratuitos é frisado em Is e Ap. ainda Mt 26. venha a mim e beba ... e comereis o que é bom . logicamente. e quem quiser receba gratuitamente da água da vida"). Me 10.5) de falsos mestres. Mt 11. É imitado assim o grito do vendedor de águas nas ruas ou no convite de quem chama os amigos para uma refeição.25-27.".21-22).5. comei do meu pão.. ó todos os que estais com sede! Vinde.. eu vos farei compreender minha mensagem. que em Pr 1. 9. pela via da inteligência!" Assim também Sr 51. 3. Que aquele que fala agora é o próprio Juiz só é dito em Mt 25.34-36 (a Sabedoria).17 (referindo-se ao livro do Apocalipse: "Que venha o que tem sede. No Novo Testamento: Jo 6.21-23. sem temer desgraça".20.6s) a vinda de quem fala é anunciada para breve. pois. 7. e construir". supra. Aquele que vem a mim não terá mais fome. Isso é feito igualmente de maneira direta: "Só eu recebi toda a revelação divina" (Mt 11. comprai e comei. merecem as admoestações aos discípulos seguidas por umapalavra de Jesus sobre si mesmo: Lc 22. H.53). e das palavras de Deus em 21. aquele que crê em mim não terá mais sede").o.. excepcionalmente. Em quase todas essas frases (com exceção de Ap 3.26.21-23] em ZThK 78 [1981] 1-30). aí quem fala é o próprio Deus. 21.. Enunciados com "eu . Lc 10. chamando todos para perto dela. Lc 13. propaganda Sobretudo diante da eventual concorrência (cf. sem dinheiro e sem pagar. a saber. completada por uma cor- respondente propaganda sobre as vantagens oferecidas para o futuro aos que quise- rem aprender com este mestre.58. cf.26-27a. Lc 22. o carismático deve apresentar também seus próprios poderes e recomendar- -se como exemplo.").45 depois de 1O... tranqüilo.23-29. Ap 22. Semelhante é Pr 8. Jo 7. Que esses dons. cf. Deixai a insensatez. Escutai-me. São comuns a esses textos o estilo imperativo e a promessa de achar aqui algo de bom..37s ("Se alguém tem sede.31-46 e no Ap. Lc 9. Além do ficar 242 . 16.28-30 liga isso. Betz: Eine Episode im Jüngsten Gericht [Mt. com a conclamação "Vinde a mim .. aquele que fala é também ele mesmo o futuro Juiz (Ap 2. g) Auto-recomendação e autodefinição. bebei do vinho que preparei.. quem me ouve viverá seguro. todos vós que não tendes dinheiro.6s sobre Deus. Em outras admonições deste tipo.")... Semelhante propaganda ouvimos também da boca da Sabedoria. Mc 8. aquele que fala será também o futuro advogado de seus discípulos (sobre essa antiga cristologia. Andai.3.23.") que mostram o nexo entre os atos e seus efeitos.35 ("Eu sou. também o que fala sobre si mesma a "graça". " avaliação. que propriamente não fala do Juízo.. a alusão ao comer e sobretudo ao beber.1-5 ("vinde para as águas. [20]. Cf.

eles devem seu material à pregação missionária. Enunciados com "eu . que se empenha para que alguém opte por este caminho e não por outro. . Lucas fica no âmbito do mesmo gênero literário.1-3 (inserção dogmática: 3. As vantagens deste mestre e os resultados certos para quem o segue são pintados como uma vigorosa propaganda.4-18). particularmente no que diz respeito a sofrimentos e tribulações (perístases). Em Lc 10 essa auto-recomendação indireta forma a continuação de um trecho paralelo a Mt 11.1-7. em contraste com a tradição sapiencial acima apresentada. Textos: lTs 2.12-18. por exemplo. Com essa continuação. Por isso ele lembra seus fiéis como esse relacionamento era sereno quando eles se tomavam cristãos (anámnésis).21-22). Deus lhe outorgou esses plenos poderes (10. Paulo a vê em seu relacionamento pessoal com as comunidades. eu vos digo: quem ouve a palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna .. O relato da visão em 10. enquanto o Jesus dos 243 .16s. 4. na boca do próprio Jesus.. mas Paulo argumenta sempre com base num relacionamento já existente e em seu próprio serviço já prestado (uma apologia retros- pectiva ou pelo menos. 4. duas situações diferentes no cristianismo primitivo. 2. também o repouso depois da labuta é uma dádiva prometida. São elas de ordem cristológica ou escatológica. Características de FI 3 e 2Cor são certas "inserções" sistemáticas mais tradicionais.FI 3. ele pode até sobrepujá-la. e a bem-aventurança dos que recebem a revelação é igualmente uma auto-recomendação indireta. Lc 10. se necessário. Por causa de adversários que lhe fazem concorrência. porém. De um lado. pelas quais o apóstolo manifesta como ele vê a si mesmo e das quais ele espera que hão de convencer os ouvintes. " satisfeito com comida e bebida. falando de si mesmo).4 (em 6. amém. . Aí..33). menos ligadas à situação.23s). ." deixa a frase igual aos demais exemplos de "propaganda". Novo é em Paulo o elemento biográfico. A recomendação mais decisiva a seu favor.2Cor 2. Paulo recusa a auto-recomendação do carismático.".1-2. Por ser ele o Filho. assim.3-21. de outro lado. A diferença fundamental entre a auto-recomendação de Paulo e a dos Evangelhos e do Ap permite reconhecer.24: "Amém.. Finalmente. têm caráter protréptico.12-18.(12-)17. atrás disso.6. Jo 5. por- tanto.11-18 breve resumo da mensagem). Para os leitores essas declarações cristológicas.4. Pode-se dizer também que no início ou no fim de uma fala as frases condi- cionais que apresentam o esquema "ato-efeito" têm caráter de propaganda quando se referem ao ouvir. em contraste com 3.25-27 (exclamação de júbilo). pintando deles uma imagem polêmica. Paulo se distancia de seus adversários. - Autodefinição: 2Cor 3. 5.3-13. Até pode ser que para os evangelhos os adversários sejam os mesmos que para Paulo (o farisaísmo em suas diversas formas).. 3.18 legitima Jesus como a fonte de poder eficaz. 3. O estilo do "eu . autobiográfica. Paulo é obrigado a auto-reco- mendações. 10. Em Mt 11 o "comer e beber" é substituído pelo descanso (como em Pr 1. Novos são em seu caso os elemen- tos moral e apologético.. Embora os evangelhos se dirijam a comunidades locais que no todo não devem ter sido muito diferentes das paulinas. 10. citando seus milagres e visões e sua descendência judaica. os seguintes elementos são importantes: 1. A auto-recomendação é indireta quando alguém chama suas testemunhas ocu- lares e auriculares de bem-aventuradas por causa de sua sorte singular (Mt 13.

Auto-apresentação do mensageiro.5." (cf. para a comunidade. . e o enfático "Eu. pois.1-5. . fundamentação da posição do autor da carta como testemunha. o que domina os primeiros quatro capítulos é a vontade do apóstolo de apresentar à comunidade sua auto-imagem e sua mensagem.7. Auto-apresentação terminando numa admonição (cf.1-10 (exatamente aí se encontra uma estrutura que mostra claramente os dois elementos mais impor- tantes do apostolikon: vv.1). sistemáticas." de Is 62.4. 1-4. Nas auto-apresentações mais detalhadas do mensageiro de Deus em Jo 10. lTm 1. Também no corpo de uma carta podem ocorrer semelhantes passagens. no estilo do "Eu. dizer: em Paulo o autotestemunho se torna auto-recomendação.1-3.. Já que se trata do evangelho do apóstolo. cf. sobre a ressurreição. resume sua mensagem e repro- duz sua auto-imagem. combinada com elementos de "propaganda".5. em GI esses trechos autobiográficos são bastante exten- sos.. .4-6.1-11 como autorizaçãopara as explicações posteriores.6.. explica sua função.3.1).21.12. por exemplo em lCor 15. Em Paulo simplesmente se visualiza o que já resultou: a comunidade existente. mas também como conversão.. mas ambas evidenciam o que Deus nelas opera. em g) . Freqüentemente o chamado "esquema da revelação" faz parte do apostolikon.1-2. ICor 15. O apostolado é descrito como vocação. Enunciados com "eu.15 e especialmente Is 61. supra." "eu vim." (§ 24). cf. As duas modalidades são muito desiguais.37 (cf.2.9-19 (visão do Cristo como autorizaçãopara as cartas seguintes às comunidades).6-10 no início da carta). Alegação de provas (§ 53 d). em j).17. no passado. com "eu fui enviado.1-2.1-5 (vv 3-5 como apresentação do evangelho). Am 7. O apóstolo pode também apresentar resumidamente a importância de sua tarefa. 5-10. "Eu sou" + metáfora (cf § 12) .16-21 (a autoridade de Pedro é fundamentada pelo fato de ele ter sido testemunha ocular da transfiguração de Jesus).. seja numa visão (Ap I. h) Simples auto-apresentação de um mensageiro: A fala com "eu . Propaganda.1-13 (introdução à parte parenética da carta).".13-2. GI 1. como em Jo 7.1-11). sobre conteúdos importantes da mensagem.. 1. Gil.15 (por ocasião de objeções contra sua legitimidade). é uma breve auto-apresentação do autor da carta. nos evangelhos e no apocalipse o mestre recomenda seus dons e a felicidade de seu caminho. não descrevem uma história individual mas concentram-se numa relação entre o que estava faltando e os bens prometidos. Característica é a combinação de dados pessoais com informações tradicionais. Testamento com "eu..9-12. i) Apostolikon (cf. . Tt 1. portanto..Quanto à história da forma: a origem da sistase paulina está na apologética helenista. 2Pd 1..Quanto à auto-apre- sentação de profetas do AT. lTs 1. na sua qualidade de apóstolo. em d). 1353s) é o nome que damos à introdução de uma carta em que o apóstolo dá seu nome. Jesus explicita sua relação com o Pai. Podemos.. 244 . "Esta é a mensagem. Textos: Rm 1. Nas falas de Jesus neste evangelho distinguimos os seguintes gêneros literários com a primeira pessoa do singular: 1.7-15 (18) e 12.8 (Deus se apresenta como o verdadeiro autor da carta. vv.1. em 5. seja em contato real (lJo 1. " Evangelhos e do Ap se apóiam muito mais numa ampla tradição sapiencial. . Em lCor. .1-4). ele pode também desde o começo da carta entrar no assunto dos falsos mestres e dos que se afastam do evangelho (assim fica compreensível a função de GI 1.. Apologias (ver § 103) ."). 2Tm 1. Jr 26.. Temos também uma auto-apresentação do mensageiro. A vocação pode também ser fundamentada pelo fato de o autor ter sido testemunha ocular.9-10.1-3. e Ef3.3-20. .19-30... O apostolikon." do mensageiro é mais explícita em Jo.. Ap 1. Prestação de contas (ver § 72..8. como em Jo 17. CI 1. lIo 1. lPd 1.44-50.Há outra auto-apresentação de um mensageiro em At 9. ANRW.

7. 4. pois ele é o guardião da sorte dos justos. Isso significa que Henoc está no mesmo lugar ocupado por Paulocom seu evangelho. do esquema de revelação fica clara por seu lugar dentro do apostolikon: não se trata da revelação de um segredo a todo o mun- do.1-3. uma analogia do Esquema de revelação se refere aos ouvintes das parábolas de Jesus (Mt 13. série de deveres sociais). k) A auto-imagem do apóstolo e o caráter de sua mensagem são descritos em textos que se parecem com o apostolikon. Novidade são aí a repulsa e a advertência contra os falsos mestres. comentando e resumindo o vai fazer em seguida) ou como caracteristica abrangente da atividade do próprio apóstolo (Lc 13. " Dentro dessas passagens o esquema da revelação encontra-se em C\ 1..). 62. Tt 1..18. já estava presente na Escritura.23b: indicação do tema. Quíon 16.1. A sabedoria do Senhordos espíritos revelou o santo. como cabeçalho (assim At l7. em primeiro lugar aos apóstolos.7: ''Pois antes disso o Filho do Homem estava escondido. escondido desdea eternidade. Nesses dois textos trata-se da revelação exclusiva do Filhodo Homem/Messias.9-11. lPd 1..".8. - d) esse segredo foi revelado agora a portadores eleitos. à comunidade dos eleitos. E quando o NT fala da "Revelação de Jesus Cristo". Adotando essa tradição.1. mas têm conteúdo menos claramente defi- nível. também o apóstolo apresenta tanto seu "evangelho" como sua relação para com os leitores.. Rm 11. . Neste sentido.20) abrange os seguintes elementos: . que se consideram os ministros do mistério e o transmitem à comunidade. .a) um segredo ou um objeto escondido ou uma pessoa escondida. isso se refereou à revelação feita agoraaos eleitos (GIl. que trazem uma forma cristianizada desse costume.b) isso já durava uma eternidade: desde sempre ou desde o princípio da criação.13). Esse esquema talvez tenha sido aplicado também à compreensão do sentido do Antigo Testamento: tal sentido. e o Altíssimo guardava-o no seu poder e revelou-o aos eleitos".12. Enunciados com "eu . lPd 1. Em algumas cartas antigas com conteúdo filosófico já se encontra logo no início uma breve exposição da doutrina (p.6s diz sobre o Filho do Homem/Messias: ''Para isso ele foi eleitoe estava escondido diante dele (Deus).ex. como se pode constatar em cartas antigas (cf. ANRW. ibid. j) O chamado esquema de revelação (que fora do apostolikon ainda se encontra em Rm l6.c) é chegada a hora da revelação desse segredo.5.13s) ou de uma nova fase dela mesma (At l8. 2Tm 1. os quais. o justo. têm com relação ao fim que se aproxima uma salutar superioridade de conhecimento. A origem da forma do apostolikon está na auto-apresentação do autor no início de sua carta. A função.3ls. e diante dele estaráeternamente. à revelação futura (ICor 1.7. na maioria doscasos..) e nas cartas do Ap (2. Semelhante é Hen et. . em conseqüência disso. encontram-se no corpo das cartas e às vezes no início da fala de um apóstolo. a partir do § 4: Honrar Deus e a justiça.25s). Rrn 16. mas da eleição de determinados portadores. 3.7.35).12)ou então. antes da criação do mundo. Aos outros ele será revelado somente na hora do Juízo.6b: "de 245 .25s. revelado aos profetas.em todo caso.26.13. 48.14).9-12. mas somente agora ele se tomou patente (cf. A origem desse esquema está na literatura apocalíptica: Hen et. às vezes é descrito também o relacionamento já existente entre o autor e os destinatários (cf. dentro da tradição sinótica. na história das formas. revelação essaque se efetuapelo próprio livrode Henoc. Ef 3. ANRW 1353 s. pressupõe-se que ele (Jesus Cristo) está escondido para os outros ou continuará escondido até aquele momento.

1-6 (o apóstolo como mediador da glória que se tomou visível no rosto de Jesus).Da mesma maneira devem ser ava- liadas as narrativas. 25.22.12-17 (prisão e pregação).10 como cabeçalho: Paulo tem por obrigação agradar a Deus e convencer os homens.18-21. com o fmal no v.29-31. para a vida ou para a morte). sua relação com Mt 20.33-35.Lc 13. Jo 17 (pelo menos em algumas partes da oração) é a única prestação de contas no NT dada diretamente a quem enviou o men- sageiro (17. 15.30-32 (argumenta com base em sua própria vida: perigos e feras). Cf.15-18 (adversários) e lCor 15. e a graça de Deus. Mas não é a quem o enviou. se a perícope for entendida nesse sentido. o qual os enviou. na versão de Me.l8-19. sofrer e ser perseguido por causa da Lei já era uma demonstração de fide- lidade comprovada. também FI 1. sofrimentos e tribulações.l4a. o destinatário é pelo menos uma pessoa do mesmo nível.19.10-14 (prestação de contas autobiográfica.8.lOs. 16.28 (Lc 10.1.27 a pergunta a respeito da remuneração pelo serviço dos mensageiros já é feita juntamente com a prestação de contas (cf.10 (trabalhou mais do que os outros. 9. "diante dele".12. Características: o estilo do "eu.6-8. Além de Me 10. 260s) já designou elementos importantes de Jo 17 como "prestação de contas do mensageiro ao voltar" (nos textos paralelos judaicos só se fala da devolução dos poderes e não há exemplos formais de relatos de prestação de contas).28 deve ser entendido como pres- tação de contas de mensageiros. pois foi a serviço de Jesus. o próprio Jesus é o primeiro a tocar no assunto (10. m) Emfragmentos autobiográficos (cf.11-21 (serviço da reconciliação). advindos de fora.Uma prestação de contas por carta éAt 23. 4.l2.26: indicando a finalidade). Jo 20. os servos prestam contas a seu senhor: Mt 25. 15. 10. Notícias breves sobre pessoas prestando con- tas há nos Atos dos Apóstolos: 15. relato das próprias ações no passado. Bühner (op. ficará mais clara do que era até agora). o acento está no caráter inevitável do fim: a consumação em Jerusalém (vaticínio). Lc 18. . 2. 21.14-17 (batizou poucas pessoas em Corinto). 5. Cf.".31ss. também ICor 7. que "deixaram tudo".. depois de visões. Outra prestação de contas temos no testamento de Paulo: At 20.40b. 1. mas. o aspecto da remuneração do mensageiro também em Jo 17.3-5 (as armas do combate).Também Me 10.4/5).18 etc. No judaísmo helenista.20.1-16.24-25. não é uma prestação de contas. . 11) o tema é sobretudo o sofrimento do apóstolo: além dos catálogos de perístases (§ 66). Lc 24.30-32 (perigos).. quando não é o comitente do mensageiro. 246 .28 par. - Na parábola dos talentos. e a de Zaqueu diante de Jesus emLc 19. Gl 1. Os textos mais importantes sobre a visão do apóstolo de sua própria vocação encontram-se em 2Cor: 2. já terminadas.26-27. Função apologética têm a prestação de contas emAt 23. . nele). de como foi relatado o que se viu. . n consciência tranqüila irei doravante aos pagãos").26-30. e não vice-versa).18-23 (renunciou a seus direitos e fez tudo por causa do evangelho). Nas cartas paulinas podemos esperar até a priori algumas analogias.22.13-21. I) Relato de prestação de contas. Para Paulo.3. eram um importante testemunho de sua legitimidade apostólica. No texto paralelo de Mt 19.O apóstolo é a "continuação" de Jesus Cristo ao lado dos homens.1-5 (como se comportou e pregou por ocasião da fundação da comunidade de Corinto).4.. porém.4.. 2Tm 1. o que fica bem claro ao tomar 1.14-16 (dois peno samentos fundamentais: Deus opera pelo apóstolo.17 é antes o relato de um sucesso). às suas comunidades que Paulo presta contas sobre tudo o que fez: ICor 1. geralmente com tendência apologética.. cit. Enunciados com "eu .

1: idem. Lc 22. tem também caráter escatológico. p) Vaticínios do mensageiro sobre si mesmo (cf.3/4-7. ou então é o ensejo para profundas reflexões teológi- cas (transição: CI2. mas a vida está na comunidade. isto é.. Assim chamamos textos em que o autor apresenta suas esperanças e aspirações muito pessoais (Rm 9.35. o anúncio da vinda iminente de Deus.. A relação "eu-vós" é abordada também. da seqüência necessária e indispensável de sofrimento e glória (cf.18 (sair de Jerusalém).12-18.31 par. GI 4. No judaísmo há textos 247 . 6. o anúncio da partida tem a função de uma insistente admoestação para usar bem o curto prazo que resta (cf.5-16).20ss). todas as palavras sobre a necessidade. trata-se ainda de uma correspondência entre mensagem e comunidade: do lado do apóstolo está a "loucura" da mensagem. At 14. e a comunidade é geralmente pobre e desprezível.33-36. Simone 5 (Roma). Autotestemunhos religiosos. ou seus relatos sobre sua conversão (FI 3. contra a vontade de perseverar junto com a comunidade). refere- -se à regulamentação prática do relacionamento entre o apóstolo e a comunidade (1Ts 2. supra. § 76. Eles têm em comum o espírito da fé.3s.5-6/7-14. 27. " n) A apresentação da relação "eu-vós" ou tem caráter epistolar. FI 1. Em 1Cor 1.7 (sair de Roma). Me 8. também At 22.18-25/26-31. . Assim. na base disso está antes a concepção.11-21 a estrutura da doação "pela comunidade" é transferida da vida de Jesus ao apostolado.12-15. HomClem 14.11 (Roma). Vila 208s (romanos). no Apocalipse. 3.45. Josefo.11 (Jerusalém). 2Cor 7. muitas vezes. além dos textos paulinos acima citados (cf.). concentrada num representante.23s (Roma).8). É indubitável que não se trata aí de textos bíbli- cos isolados.31-33 (Jerusalém). Mt 23. como uma carta. (Cf. 26. Em 2Cor 5. também At 22. verdadeiro autor das cartas (1.22b e pala- vras como de 1Cor 15. Actus Petri c.Um grupo especial é formado por vaticí- nios segundo os quais o destino do mensageiro vincula-se a determinada cidade: Lc 13.4-9. Cf. 5f). Tt 3. mas no apóstolo tem ele o efeito particular de fundamentar sua função de pregador. a conexão entre a vida e a morte verifica-se de tal maneira na relação apóstolo-comunidade que o apóstolo está do lado da morte. At 21. na chamada anamnese das cartas do NT.1-5: Paulo e seus irmãos judeus. 23.A esta categoria pertencem também alguns textos nos quais quem fala se apresenta como mestre exemplar de seus ouvintes. comum a todos é também a esperança na ressurreição. com palavras de "propaganda".13. também Me 10.1-5).35 a ligação com a destruição de Jerusalém e com a volta do Messias). ou fazem parte do saber acerca do inevitável desenrolar dos acontecimentos finais. Em textos como Jo 7. . em que os leitores são lembrados da história em comum no passado.lOs com 1. 10. Enunciados com "eu .7a) ou têm caráter de testamento (anúncio da morte próxima: 2Tm 4. por exemplo lTs 1. em Jo 7 a continuação.29.20-26: desejo de estar com Cristo.13-16.26-27a. cf.37. segun- do as Escrituras. de o Messias sofrer e morrer participam do saber acerca dos acon- tecimentos escatológicos em geral. segundo as quais o próprio relacionamento entre o apóstolo e a comunidade tem caráter soteriológico: de acordo com 2Cor 4. Lc 13.5-11. o) O anúncio da vida ou da despedida do mensageiro de Deus: o anúncio da espe- rada vinda ocorre regularmente nos epistolaria (§ 73). Para ambos o contraste com os crité- rios mundanos é sinal de eleição. e em Lc 13. em que o destino do mensageiro possui predeterminada função.6-8).17-3. a partir de 7.

4 o autotestemunho da salvação do perigo mortal tem extraordinário peso teológico. àquele que nos deu a vida como parte de sua graça". pois. von Soden. De lona 39: "No que dependia de nós. -A este gênero pertence também 2Tm 4. e eis que estou vivo. especialmente 4. .. de experiências pessoais que têm 248 .. citadas do AT (At 2. a incumbência de andar pelo mundo como filósofo ambulante (9: "até as extremidades da terra")..16-18 (no futuro).) Não é somente no NT que encontramos relatos pessoais de vocações (visioná- rias). em TestJó 1-5. ó Pai. sempre de novo pequei em tudo. " paralelos.. 7. Paulo retoma este gênero em 2Cor 1.. 48ss). pp.18. pois só Deus é capaz de fazer isso. e eis que estamos vivos pela bondade do Senhor! Nessas condições é justo e digno que agradeçamos. ainda. Aí Paulo fala.1: "Quero render-te graças. o Cristo. e louvar-te. por exemplo. SI 38. No judaísmo: TestJosé 1. como em Lc 23. ou eu fiz .18.. em estilo autobiográfico. Quanto à sua importância. como relato SI 32. ó Rei.". Para Paulo e para a comunidade trata-se do testemunho de uma ação divina que demonstrou ser Paulo um justo e um eleito. Enunciados com "eu .7-11 pode ser chamado uma imitação da "ação de graças individual".2) ou formuladas em analogia com formas veterotestamentárias de oração. Sr 31(34). Cf. Nickelsburg.portanto. Hollander: "The Ethical Character of the Patriarch Joseph" em G. a confissão dirigida a Deus. mas Deus nos consolou). por um oráculo.") (cf. 7.". cf.. SI 51. mas o Senhor. 4..8s (pre- midos mas não esmagados etc. Autotestemunho do justo sobre perigos dos quais foi salvo: O justo correu perigo de morte. Berger.19 e o texto paralelo de um salmo acádico em A. (6) 33- 37.41.5/6 (tribulações.: Studies on the Testament ofJoseph.4-7 ("eu fui. As orações (§ 69) estão muitas vezes na primeira pessoa do singular.25: "Graças te dou. 116(114). com Sr 51. reco- nhecendo os pecados: no NT apenas em curtas exclamações..." ...7-11. apresenta-se assim: "Estive morto.6.. ó Deus meu Salvador. 4.4. mas foi salvo por Deus e reconhece isso. tal fato pode pelo menos ser comparado com a expe- riência de Damasco. como Lc 15.13 ("Em perigo de morte muitas vezes fiquei e fui salvo).25-28 e a oração de Jesus na cruz Me 15. porque. H. Missoula 1975. mentiras sempre de novo proferi. compare-se Mt 11.5.10. 40.No AT há exomologeses mais amplas: Ne 9.. Bastante semelhante é Fílon arm. 33 combinada com um testemunho elogioso. Já que em 2Cor 4. 5.13.Em Ap 1. Sumerische und Akkadische Hymnen und Gebete.15 ocorre também o tema da ação de graças. por exemplo SI 118(117)..4.5-7... ó Senhor.34.19).13 (pedindo misericórdia). Deus está com ele. já estávamos mortos. Em 2Cor 1. 8. tudo isso tu deves saber".18(17. Neste grupo incluo também a exomologese. 1953. Auferstehung. e como desempenhou essa incumbência.8.. 47-104. do mesmo gênero. aparecendo. . caros amigos. O "eu" como tipo da existência cristã encontra-se numa série de textos paulinos e em Tt. Forma e conteúdo deste gênero estão representados na chamada "ação de graças individual". de SI 22.ls.. Senhor do céu e da terra. 549-559. W.). Já tínhamos pronunciado o veredicto sobre nós mesmos.21. pela nossa vida. sempre de novo disse o que era pernicioso. ed. Falkenstein. levianamente passei por cima dos meus pecados.9ss) como recebeu.W. teu servo. ApAbr 1-12. 18. no v.8s. 18. 272: "Eu. rendo graças a teu nome. Díon Crisóstomo narra (13..

descendente do primeiro. U. No ventre de uma mãe fui formado como carne..1-5.". Mas não se pode interpretar toda a perícope assim.. (2) durante dez meses tomei consistência no sangue. nota 87.16-5.15. . observa a respeito do uso desse "eu" em Paulo que. pus fim ao que é próprio da criança.25a a ação de graças é uma ação de graças epistolar para o caso em que se encontra uma solução mental. como também já em GI4. Wilckens. Rm 7.. Essa auto- biografia típica possui relevância antropológica pelo fato de a igualdade com todos os demais seres humanos ser realçada a cada passo.. e em 7.24. "Rõmer 7 und die Bekehrung des Paulus".15-21. no NT. porém. também em 2Cor 4. H. por apresen- tar um material que mostra um uso do estilo do "eu" limitado a algumas poucas frases curtas. 11). Betz.l1s: "Quando eu era criança. .25a pode talvez ser interpretada assim. 77) lembra o "eu" daqueles salmos em que. Em Tt 3. Wilckens (Der Brief an die Rõmer 11... mas não necessariamente. É uma só a maneirade entrarnessavida. De outro lado. Quanto à história anterior desta forma literária: na Antíguidade o mestre.25. D. Galatians. a semelhan- ça com Adão é explicitada: (1) "Tambémeu sou homemmortal.1-5. Kümmel. As analogias mais próximas estão. em suas cartas.e discemirnento 249 . Em GI 2. 123. segundo Rm 8. 1974.Todos esses textos tiveram grande influência na história do cristianismo. na capacidade de apresentar o tipico. . igual ao de todos. já que temos então uma ligação peculiar entre autobiografia. .7-11. o modelo se transformou em protótipo (material em W G. (3) e desde que nasci aspirei o ar que é comum a todos e caí sobre a terra. mas no que é típico. agradece a Deus pela intervenção salvadora. e sobretudo Rm 7.131s). autobiograficamente ("nós") sobre judeus e gentios. comotambémde sair.12. "por incrível que pareça. (6). Paulo fala como o representante típico do judaísmo libertado da Lei. eU. Enunciadas com "eu .. o autor de uma carta mostrava ser um mestre pelo fato de verbalizar uma experiência antropológica e de achar uma resposta para os problemas suscitados. Além disso.8 com Rm 7. em GI 4.. Como em Rm 7. a formulação é pessoal). Chorei o primeiro vagido. ou melhor. entretanto. . falava como uma criança. (7).igual a todos.1-11..D. 26.Porissoorei. TB 53. Rõm.23- 29. apresentava-se também como modelo.10 trata-se de experiências e esperanças típicas de todo cristão (compare-se 2Cor 5. Em futuras pesquisas deve-se dar atenção ao fato de que o uso puramente retórico do "eu" nas cartas se distingue facilmente do uso a ser discutido aqui (ver em 9). em FI 1. ao meu ver. especialmente v.1-10 (base para a parênese a partir do v. no fim. o salmista.24 corresponde claramente a Epicteto 1. " caráter universal e típico. Quando me tomei homem. também dentro do biográfico. nos dois textos seguintes: a) Sb 7. depois do relato de sua própria história.5.A seqüência de Rm 7. 126-128. paradigma e reflexão antropológica. o relato sobre o batismo em Rm 6. Um bom exemplo é lCor 13. raciocinava como uma criança.Como em Rm 8.qne foi plasmado de terra.423) comenta assim este capítulo: "As quali- dades superiores do mestre não se demonstram em algo individualmente excepcional. ainda não existe nenhuma pesquisa satisfatória sobre essa noção em Paulo".18-26.. Da mesma maneira devem ser enten- didos o estílo do "nós" em Rm 5. Georgi (JSHRZ III 4. critica Kümmel.3/4-7 trata-se de uma descrição da situa- ção antes e depois da conversão.3.7-25 (a relação entre o eu "carnal" e a Lei). Aliás. já que a generalização da expe- riência biográfica passou a valer como a imagem ideal da existência cristã. in: Rõmer 7 und das Bild des Menschen im Nr. II 77. onde todos sofrem igualmente.Assim também as experiências relativas ao "nós". de maneira especialmente impressionante e convincente".

11. supra. a importância abrangente da sabedoria para todos os homens é mais uma vez realçada numa frase generalizante. nisso há também um aspecto autobiográfico. R. Exegese." me foi dado. ANRW. 341-360. Sobre o "eu" em Paulo: E.16-18). O mestre que fala. então eu vos juro por todos os deuses que fizemos progresso. Quando éramos crianças ainda. O grande mestre da Sabedoria pode generalizar suas experiências.29: eu vos deixo [por testamento].7. 53ss)... a não ser nosso próprio modo de ver as coisas.2. os filósofos são os únicos que podem trilhar uma vereda alternativa. O "eu" retórico em argumentações distingue-se facilmente do eu paradigmático acima tratado. Mas acontece que desde o começo andamos por outro caminho. também o apostolikon. e o espírito da Sabedoria veio a mim. implorei.. 182.12). segundo o esquema "Eis que eu faço (agora)".. . H. Declarações com "eu" acompanhando ações ("coindidência" de ação e palavra. ZNW63 [1972]. § 103). 000Dessa maneira. STAUFFER. Ga/atians. mas batia na pedra.. ZNW 63 (1092] 53-59). como em 8. in Exegetica. desde a infância.6)..11). cf. é o protótipo do sábio (como em Sb 4. também a imagem da infância em lCor 13. às vezes. em 5a. em 7) e os auto-relatos sobre visões e audições (cf. b) Epicteto.1-3. seja como continuação do estilo de um ditado (lCor 6. Jo 13. Enunciados com "eu. De outro lado. Também em Sb 7.' 1271-1274) como gênero literário perten- cem também os autotestemunhos sobre os perigos e a salvação do justo (cf.15.23 o "eu" tem função retórica."): "Se. 123s.: Sobre o "eu" do mestre como exemplo: ANRW 1134-1137. . não se trata do "eu" de Jesus. apesar dessa educação comum a todos.. 1O.GI 2. tendemos a nos culpar a nós mesmos quando as coisas vão mal. § 103) geralmente são redigidas no estilo do "eu. Ao explicar a diferença entre o homem comum e o filósofo. 14. Sobre o significado de Adõo como "tipo" nos salmos mais tardios: BERGER. e se nos lembramos de que nada tem culpa na nossa perturbação e confusão. e por bobeira nos machucávamos numa pedra.". Enchiridion III 19.34) e em ações acompanhadas de uma palavra que as acentua (Lc 22.14s.19. Apologias (cf. e contém elementos autobiográficos. BUlTMANN.11. "Rõmer 7 und die Anthropologie des Poulus". No fundo há um esquema sociológico que corresponde claramente ao de Sb 7 (cf. pois aí o "eu" representa apenas um caso hipotético.18 fica no limite. "Ego". 9. além do universal.. é lamentada. portanto.49. Bibl.29s. a babá não xingava a nós.27. portanto.32b). 15. 11. e elas apresentam afinidade com a prestação de contas (cf.19: "eu vo-lo digo antes que aconteça"). supra. Lc 7. assim em Mc 1. A educação errada. como em 2Pd 1. lCor 6.14. 10. O mais 250 .. Às autobiografias (bibl. em 6).10. Salomão. (14) pois ela é para os homens um inesgotável tesouro. 14. os que o conquistaram conseguiram a amizade de Deus. pois encontra-se seja em perguntas retóricas (Rm 3. sem "eis" em Mt 10. Bm. de um significado exemplar da biografia. 198-209. 23. D.: cf.16. seja em casos hipotéticos apenas citados (lCor 13. daí também todas as frases que começam com "(amém) eu vos digo" (cf. 24. supra.. 12. Em nenhum desses casos trata-se. encontram-se regularmente no envio de mensageiros ("eis que eu envio x" [como mensageiro]).Também em Lc 11. Epicteto relata o seguinte sobre os filósofos ("no estilo de nós . os catálogos de perístases (§ 66) e a apologia (cf. art.10 Henoc é o protótipo do justo). in TWNT 11.". depois de adultos nos mostrávamos crianças".

pois eles costumam começar com um trecho autobiográfico. a composição em ANRW. Nas cartas helenistas são freqüentes as informações autobiográficas "desde a juventude". F13. Os relatórios de viagens no estilo do "eu. Alcifron III 61 (Hercher.: práxeis. de acordo com as estações).2Cor 11. cf. Leipzig 1853.. mas é uma designação comum. A origem do gênero literário da autobiografia está sem dúvida. Enunciados com "eu. Cartas dos Socráticos 27 (Fedro e Platão). epitedêumata. por exemplo." tiveram uma longa história literária." conhecido trecho autobiográfico (com tendência apologética) é Gll. no judaísmo helenista). 1347s). D.12 . textos autobiográficos tiveram as seguintes funções: a) Relatos individuais no estilo do "eu.: patris.3). Mais perto da autobiografia estão aqueles textos em que a pessoa que fala começa "desde a juventude" (At 22. Ãgypten und die griechischen Isis-Aretologien. também ANRW.. significativamente em forma de catálogo de peristases). por- tanto. o livro de Neernias foi redigido no estilo do "eu. depois os antepassados (descendentes de Abraão). b) As autobiografias apologéticas e a insistência relativamente freqüente na fidelidade à Lei. a fim de afastar o estereótipo de imoralidade e de re- beldia então aplicado ao novo movimento.. aqui: servo de Cristo 11. 1347s. são autotestemunhos dirigidos ao público em geral.2.") (cf. também nas cartas dos filósofos helenistas os elementos autobiográficos tive- ram grande importância (cf.37ss). e OGIS 383: Antíoco I)... Em dois lugares do NT este gênero está presente de forma particularmente expressiva: a) 251 .23) e finalmente os atos que mostram o caráter (gr. 41s). desde a juventude..". tiveram importân- cia geral para o cristianismo. Carta 12 (Hercher. Mas costuma tratar-se de episódios parciais ou de resumos.. para o mundo grego. 409s). e pertence sem dúvida ao gênero das autobiografias de soberanos. cf.ex. c) Além de "exemplares". ASGW Ph 53. em seguida a unidade política em que a pessoa nasceu (gr. por exemplo Ésquines. indicando diversas maneiras de um autor falar do passado de sua própria vida na primeira pessoa do singular. O esquema da biografia grega aqui adotado encontra-se. em 11.. A autobiografia. 2Cor 11 menciona em primeiro lugar o povo (hebreu). na qual a adesão pessoal de cada um era fundamental. no NT. como esqueleto do gênero. L. Em Xenofonte ainda é possível reconhecer. 103). em Aftônio (Rhetores Graeci.". um gênero que caracterize algum livro por inteiro.. não é. Seme- lhante autobiografia "aretológica" era aplicada também a deuses. nas quais os sucessores orientais de Alexandre Magno enumeram suas obras (OGIS 54: Ptolomeu Euergetes I. 00. 11. A esse gênero perten- cem tanto os amiúde citados "hinos de Ísis" (no estilo do "eu. Apolônio de Tiana 6 (Hercher. nas inscrições régias orientais. 13. os autotes- temunhos biográficos foram "integrativos": a vida do mestre foi a mais forte orien- tação para comunidades sociologicamente ainda não bem estabelecidas. Dentro da história do cristianismo primitivo. como uma religião de convertidos.23-29.No Antigo Testamento. 203-205). Quíon 16 (Hercher. sobre a própria conver- são e vocação (como p. .20!). aqui.4s. aqui: israelita?). Falaris 4 (Hercher.5s .22-33 é o texto que de todos está mais perto da "biografia": assim como este gênero literário helenista. algo como um "itinerário" (lista de lugares visitados.Entre- tanto. Há elementos autobiográficos muito importantes sobretudo no gênero dos testamentos. . desde a Anábasis de Xenofonte. 36.3.. Spengel. 89). Test Jó e ApAbr.sempre sobre a juventude de Paulo como ''fiel à Lei". 26. também Me 1O. Berlin 1961) como o hino de Serápis (Diodoro I 27. e a profissão (gr. . Müller. das distâncias entre as localidades e dos principais acontecimentos.14.

encontrei.1-3. deseja-a e explica apologeticamente por que a visita 252 . especialmente entre particulares. 16.3b-13.13-15.21s. Talbert. O chamado tema da parusia (= presença): o autor da carta fala de sua futura visita ao destinatário.7-17. 21.. 4. CI2.6 (hipotético). cf. não pelos motivos que me imputaram.5s. a todos os trechos que se referem a aspectos reais da relação entre o autor e o(s) destinatário(s) da carta. que não apenas combina reflexão e descrição de viagem. lCor4.12.27- 44) não precisam ser provenientes de uma ''fonte'' à parte. G. 9.3.17-20.1-9. 21. Textos: Rm 1. 5.1978.17-3. 1970. McDoNAlD.1-16. lTs 2. em cartas) Bibl. portanto.13 a descrição de uma viagemé interrompida.26s. Epistolaria (assuntos pessoais. 2.23. H.1-13. não como reflexão. O relato do destino do Batista entre Me 6. Plümacher: "Wirklichkeitserfahrung und Geschichtsschreibung bei Lukas. era vista como peça de ligação nas relações reais entre parceiros.6.A parte intermediária contémreflexões sobrea vocação apostólica: a viagem está a serviço dessa vocação! Na literatura antiga e também no NT há mais dessasdescrições interrompidas de viagens (cf.1-15. § 73. 2Tm 1. Epistolaria é o nome que damos a elementos pessoal-pragmáticos nas cartas.10.. o longo prazo da viagem e tomaram-se o lugar adequado para dizer coisas fundamentais sobre a vocação do viajante e o objetivo da viagem.12s. Thraede. para ser retomada em 7. Epistolaria (assuntos pessoais. com a chegada: "Che- gando.22s. isto é. no momento da carta.12 (missão) e Me 6. 12. em ZNW 68 [1977] 2-22). V. 16. Grundzüge griechisch-romischer Brieftopik (Zetemata 48). 3Jo 9s.21. ITm 3.1O. 2Ts. 1970).13. 13. mas como informação inserida (João como paradigma para o destino dos discípulos). Robbins: "The We-Passages in Acts and Ancient Sea Voyages". decidido a me arriscar. ANRW 1048 e 1350."). mas o faz da mesma maneira como Paulo em 2Cor (cf. Schneider. e o relatoda viagemé continuado em 329b. Perspectives on Luke-Acts. que foram imitadas na historiografia e em Plauto. referem-se a todas as circunstâncias reais que resultam da separação espacial de parceiros. Ef 6. 1. K.17-21. Die Apostelgeschichte I.3-12.22-24. München. em: Biblical Research 20 [1975] 5-18. Erwãgungen zu den Wirstücken der Apostelgeschichte".. E.. A carta. especialmente: K THRAEDE. 1l.30 (volta dos discípulos) tem função semelhante. 1274s).14-18.5.9- 21.15-17. Escolhi o termo "epistolaria" porque na Antiguidade a carta (gr. eles correspondem às narrações de viagens marítimas da Antiguidade (cf. 14.13s. pois. 89-95 "Wir-Berichte und Itinerarhypothese". "Was Romans XVI a Separate Lelter?". No uso deste estilo. 20." seguem-se reflexões. b) A chamada descrição interrompida: em 2Cor 2.19. para as narrativas em primei- ra pessoa na Odisséia. Merece especial menção a carta 7 de Platão.10-17. 8. 2Jo 12s. Os epistolaria. como em outros pontos.26. As reflexões ou relatos intermediários preenchem para o leitor. pois.5.9-15. Hb 13.15-18. também: J. particularmente. regulava em primeiro lugar esses relacionamentos.16-24. Ch. 27.4." (16. Plümacher (1977) em compensação chamaa atenção.14-15a. 2Cor 2...19-30. Fm 22. epistolê]. ANRW.34b. os relatos com "nós.5-16. in NTS 16 11969/70) 369-372. 4. em cartas) Nos Atos. portanto. J. 215-242. E. 328c: ''Nesta convicção.15. FI 1. versando sobre tudo o que resultava da ausência do autor da carta (K. 1. 4. sai de minha casa e viajei. 7. Tt 3. sugestivamente. anuncia-a. ao contato fora da carta e a toda a situação "pragmática" imediata.

lTs 2). 7. 6.17-20). 1048. para que alguém venha. Aí já cabe um papel importante aos nomes. São de particular importância. C1 4. Pedidos para saudar determinadas pessoas e uma relação de pessoas que também mandam saudações. O autor dá notícias sobre as pessoas que estão com ele no momento e. 2Tm 1. Ch. 3Jo é até. às vezes em forma de ameaça (lCor 4. suas decepções.9-12). As partes mais importantes de uma recomendação são: anúncio ou apresentação (introdução). A correspondência anterior é mencionada. 9.16. 1972. 22. (Cf.8).20s. descrição das qualidades do recomendado. O autor conta sobre viagens passadas e futuras.27. Uma alusão ao assunto encontra- -se em 2Cor 3.5). 5.) § 74. também sobre os de outras pessoas.1-15). lTs 5. Uma futura ação. Rm 16.22). em seu conjunto. e quais emissários da comunidade ele recebeu. Comunicações sobre ações práticas (2Cor 8. porém. 3. ANRW 1328). 8. 16. ou então quem o informou sobre ela. Kim: The familiar Letter ofRecommendation (SBL Diss Ser 4). também a carta é uma emissária.34b. para que a carta seja lida na comunidade ou alhures (Cl 4. é anunciada (3Jo 10.17). Aí são muito importantes os nomes de colaboradores e as notícias sobre ajudantes. 4. sobre seus adversários.29). e outros projetos.Muitas vezes trata-se de um relacionamento em triângulo: eu-tu-ele ou eu-vós-ele.16-24. cf.14-18. a presença espiritual do autor na comunidade dos destinatários é documentada na carta (Cl 2. H. para que sejam bem recebidas certas pessoas expressamente nomeadas (FI 2. incluindo às vezes o próprio autor (que fala. os nomes de colaboradores de Paulo. Antes de mais nada. pedido de aceitação (cf. As finalidades são epidícticas (relatando). para que se mantenha pronta uma hospedagem para o autor (Fm 22). 9. uma carta . É com uma bela fórmula que 2Jo 12 e 3Jo 13s passam do "es- crever" para o "ver".1. ANRW. O autor comunica quem ele está mandando (à comunidade) (como portador da carta?).16-18). FI 2. 253 .27). . Descrição do estado da comunidade ainda não se deu.2. cf.13. bem como (apo1ogeticamente) a atividade anterior do apóstolo na comunidade (lTs 2. 1Cor 11.10). o consolam da ausência do restante da comunidade (l Cor 16. Pedidos do autor: para que a carta seja bem recebida (Hb 13. Descrição do estado da comunidade É principalmente no início das cartas do NT que amiúde se encontram amplos dados sobre o estado dos destinatários. o autor faz relatos sobre o que lhe está acontecendo no momento. Além disso. de recomendação. afinal de contas. para lidar de determinada maneira com certas pessoas (2Cor 2. simbu- lêuticas (2Cor 8s) ou apologéticas (2Cor 12.1 (também At 18. bem como seus contatos por intermédio de mensageiros. com finalidade simbu1êutica. Sobre o gênero da carta de reco- mendação na Antiguidade. Esses trechos servem para recomendar colaboradores ou irmãos na fé (lCor 16.11.20-22. 2.5). 9. também 2Cor 8s. por ocasião da visita. con- forme o caso. 1-3. nesses trechos. 2Cor 13.6.

5b-6a. (p. em vez de em "vós"). ANRW.!3 ("fostes escolhidos") (eulogia).3-4 (as dádivas de Deus. O caráter simbulêutico desse desejo de estabilidade e continuidade. reza assim: "Por isso ponde toda a vossa esperança. como em Jd 3s e 2Jo 4-5 (daí também .3-12 (eulogia: renascidos. 1341s) tem seu lugar no início das cartas.5. parenética)."). 1.5. V.12-14 (recebestes). logo no início da carta. Esse voltar-se para o passado tornou-se por isso nas cartas cristãs um reditus ad baptismum. é mais claro ainda quando formulado sem ação de graças.26-31 ("vocação". Muitas vezes a descrição do bom estado da comunidade é seguida por uma parênese.13 (ação de graças). Ef 2. a captatio muitas vezes é formulada como ação de graças aos deuses por terem deixado chegar ao poder exatamente este rei.13 (recebestes . 5-12: parênese) (v. 3.2Pd 1. 2.11. em que a ação de graças logo é seguida por uma oração correspondente (1. cf.9 (oração. a serviço de objetivos simbulêuticos.2-9 (ação de graças. especialmente 222. pois na correspondência oficial. cujo conteúdo nos vv. 1.1-12 (a atividade anterior de Paulo).Tg 1. 1967).. Isso é particularmente claro em Cl 1.18-23 é o tema da carta).13s (ação de graças pela eleição e vocação). §72i .5-7).3-12 ("escolheu-nos"). contemplamos.4s. Jd 3s (lembrando que os falsos mestres ensinam o contrário). muitas vezes.como às vezes também no apostolikon.3-5 (ação de graças. recordação). 2.. em "nós". lTs 1.5b-6 apresenta uma doxologia. Ap 1.13s (a ação de Deus por "nós"). 2.17s (gerou-nos pela palavra da verdade). mas não são as únicas formas de se referir ao estado dos destinatários (cf.GII. 1.12. cf. 4.15 (parênese). 12: "lembrar").4: eleição).De "recordação" fala-se explicitamente..3-6 (ação de graças e oração). amamos porque ele nos amou). Nos textos análogos do helenismo trata-se apenas de uma recordação do que se viveu em comum. . . Bjerkelund. Quanto à ação de graças. 2Tm 1. 5.Ap 1.17 (oração pedin- do conhecimento. parenética).3 (recordai-vos!). Deus escolheu).13 a exortação. 1. o estudo de C. 3.ex. portanto. 1.5-10.16s (oração). 2Ts 1. ICor 1. a partir de v. Tal descrição muitas vezes é feita em forma de ação de graças. as analogias mais próximas das cartas do NT. nós conhecemos. uma maneira adequada de captar sua benevolência. vv. 2Pd 1.1-22 (outrora/agora. 5. FI 1.l1s (oração. 13: parênese). ela pode ser deduzida da captatio benevolentiae. . 10-12: tamanho da salvação.).. 1. 2.6.9-12: oração "para que leveis uma vida digna "). 3-12).a rejei- ção de falsos mestres e falsas doutrinas) (cf.3-8: ação de graças como louvor.. Ef 1.3. Descrição do estado da comunidade então. também uma oração neste lugar pode ter função parenética. encorajando-a ao mesmo tempo para continuar o que já realizou. cf.29s (cadeia de pensamentos). 2Pd 1). Rm 8.3-4 (ação de graças). como em outros pontos. vv. A ação de graças pelos bens espirituais outorgados à comunidade é. Textos: Rm 1.18-20 (nascemos de Deus).6 (exortação). sobretudo em cartas dirigidas aos reis helenistas (as quais fornecem aqui. v. ZNW [1974] 219-224. 2. a 254 . depois da eulogia (vv.9. também o tema da koinônia (cf. 1. em 2Pd 1.8 (ação de graças: vossa fé). no NT. nota 154).2Tm 1. Ap 2. ou então de anámnésis (recordação). Ação de graças e eulogia são freqüentes. 1. Assim a captatio já está. e do relacionamento..3-8 (ação de graças).l1: "lembrai-vos.2 e 4. Parakalõ. § 69. em lPd 1. 2. Muitas vezes este bom estado é relacionado com a própria conversão ao cris- tianismo.13-16 lembram como se tomaram cristãos e como o evangelho foi pregado entre eles.13-19 (ele nos deu. lTs 2. 3. . Em concordância com isso.10).".4-9 (ação de graças: riqueza da palavra e do conhecimento). IPd 1.15s (ação de graças).. 3. dando-lhe sabedoria (cf. 1102. 8. CI 1. 110 1.29s. .

em ambos encontramos um grande número de gêneros corriqueiros. BERGER.6-8. alegria e a execução de uma ordem dada na visão.e. Relatos de visões e audições mesma idéia está implícita em toda a perícope lTs 2. dois gêneros literários . a situação tem algo de especial: pelo menos nas visões. pelo fato de alguns serem "visionários" e outros não. A descrição da felicidade dos destinatários tem. 1316-1323. 5.tomando viável algo de seus poderes carismáticos . com Jo 21. o que já significa uma ponte para a formulação mais universal em Hb 1. A solução de uma revelação enigmática. à ordem de Jesus de ir pescar. ele é pré.1361 s. com isso. a narrativa inicial geralmente é reto- mada .1-11 par. 4. nem a narração intravisional propriamente dita são específicos para a visão e a audição. por Jesus). B. Nos dois casos trata-se da incumbência (a determi- nado discípulo) de uma missão ou da direção de uma comunidade. O caráter de captatio fica bem claro na carta pessoal 2Tm 1.26-29.425-650. 4. a narrativa inicial é abandonada num ponto de "ligações".sua autoridade para enviaralguém em missão. O próprio Paulo chama essas perícopes de (representação) vocação e eleição. Nos dois casos. por exemplo. Num sentido mais universal e já "típico".bl: ANRW. Erwõqunqen zur prophetischen Struktur der Verkündigung Iesu". "Vlsion und Botschaft. porque assim podemos comparar textos até hoje considerados distintos. mas para manifestar . in ZThK 74 (19771 416-448. também em Cl I um encômio segue-se ao texto citado. função retórica: ela representa o fundamento.1-23.". pode ser dada dentro (Ap 17. Isso fica bem claroquando se comparaLc 5.. MÜLLER. 151-235.1-12.são postos em contraste um com o outro. Em CI 1. Ao nível da narrativa inicial pertencem também todas as reações da parte do vidente: medo e susto. Auferstehung.mas muitas vezes não apenas naquele momento. em Mc I. K. é apenas prelúdio e analogia da incumbência "eclesial".1-3 (gênero literário: encômio).4s (ação de graças). Pedro. A pesca milagrosa não serve para demonstrar o poder milagroso de Jesus. § 75. baseia-se no que a comunidade já é e de que ela pode se orgulhar. U. § 78). Contudo.14-20) de visões. II e Mt 16. Nem o quadro narrativo. antes de mais nada.. também o choro de Ap 5. intra e/ou pós-visional. Isso é importante. e os respectivos verbos são freqüentes. 6.13s o autor narra simplesmente o que Deus fez para a comunidade. e à primeiravista sem sentido.7-18) ou fora (Me 4. Nem a visãonem o milagreconstituem gênero literário à parte.4. Terminada a visão.3-8. assim também no das visões e audições não se trata de um gênero literário à parte. muitas vezes acontece que dois níveis do texto . igualmente ficam comparáveis entre si as investiduras com "Tu és. e a partir daquele momento narra-se algo que se passa dentro da visão.1-6..17a: 255 . O fato de no Evangelho de João Jesus fazer isso apenasao aparecerem visão pertence à concepção peculiarde João.18 (Jesus é empossado pela voz. Como no caso dos relatos sobre milagres (cf. pois. O esquema outrora/agora tem aí o seu papel.a obediência incondicional. trata-se do feliz estado dos destina- tários em Gl 3. O nível da narração inicial chamamos de "quadro narrativo". formulada em 20. Relatos de visões e audições 8.

.. em Lc 24.". acha-se não apenas na visão de At 9. Jo 5. sobretudo os do NT depois da Páscoa. e incluo nesta categoria os se- guintes detalhes: censura do comportamento anterior. quando.. Lc 22.. se pode concluir alguma coisa sobre a natureza celeste de quem apareceu (cf.7 o princípio de mencionar primeiro.43.11. quid me vis facere?"). ephistêmiy.".6. Auferstehung. e afinal especialmente a chamada fase da identificação ("eu sou. Chamei esses elementos de "interespecíficos".4. "eis que eu" ou "que é isso?" (a versão latina de At 9. Todos esses elementos encontram-se freqüentemente em visões. Relatos de visões e audições enquanto o Cristo aindanão subiu ao Pai. Berger. "falar" com alguém. As interrupções mais freqüentes do quadro narrativo dão-se nos seguintes casos: a) quando há uma série de relatos sobre visões. no NT especialmente At 1.. surtindo o mesmo efeito. Lande..50-53). isoladamente. muitas vezes é um relato com "eu . "apareceu-me".4s).ao freqüente "não tenhas medo" segue-se às vezes o ".9. Como em lCor 15. importante também para a distinção de espíri- tos/demônios (sobre tudo isso cf. Leiden 1949). a testemunha mais importante 256 . Auferstehung. 24. geralmente triste ou assustado ("não tenhas medo". introduzindo o novo nível. Há também relatos que apenas contam que "houve" uma visão. Berger. o "ponto de ligação" às vezes é muito acentuado. completando o testemu- nho inicial das mulheres e aumentando o número e a qualidade das testemunhas de tal maneira que culminem no grupo dos Doze. "apareceu e disse".5.19 (mulher de Pilatos). que ajuda a pessoa a se levantar. por exemplo "eu vi".: Berger. a repetição do nome ao começar a falar. no fim a fórmula: "eu estou contigo". por via de regra. Auferstehung. sou eu". Ap 1.31s.como resposta: "vai e dize". Me 9.".ou é um anjo (espírito) ou é "ele mesmo". portanto.. "eles viram".". "tu és. "veio".5s. por exemplo "colocou- -se ao meu lado e disse" (gr. pela maneira de desaparecer. "ser enviado a alguém". "por que choras?". em que não há um "segundo nível".. . no mesmo estilo: "domine.14. .10-11 e 12. e sim... e o fortalecimento competente. "caiu em êxtase". derivados da vida cotidiana (cf. ou com "ele . 153-170). especialmente na fase introdutória da própria narrativa da visão. "de noite (houve) uma visão". também: "voltou-se e viu" (lo 20. 498 nota 227)..". a saudação da paz..53.12).ex.10s.. com a típica alternativa . mas igualmente como ordem. Há uma série de elementos que com certa freqüência se encontram em todos os gêneros ligados a visões.8) e na história de Ap 11. p. mas em sua origem não são especificamente visionários. com a finalidade de citar um número maior de testemunhas. de outro lado. ou "sê corajoso" e depois a exortação: "levanta-te" ou "põe-te nos teus pés" (o fortalecimento competente do ser humano abatido por fraqueza e humildade).6 ainda acrescentou. "quem és tu"!'eu sou.". especialmente: I. em narrativas de milagres (Me 2. depois do que o nome ou os atos são citados). são textos. No fim da visão. também Lc 24.1-8. 457-478.13-16. encontrando-se também no NT fora de visões: a chamada fase de identificação figura também em At 12. A visão ou audição começa depois do "ponto de ligação". Formelhafte Wendungen der Umgangssprache im Alten Testament. "no sono aconteceu . ele aindanão entrou na categoria abrangente de seus plenos poderes como Kyrios (cf. Ap 5. Mt 27. Mt 27. o qual fica ainda no nível do quadro narrativo. encontramos em 1Cor 15..

14-17.". uma cena diante do trono de Deus.Cerimonial: levantar por palavra poderosa (também em narrativas de milagres).36s. Geralmente a audição esclarece e interpreta a visão.16- 257 . Sua própria visão ain- da ocasionava objeções. 22. Ap 1.10.17s). "Visão do Trono" (Descrição do Trono. 18. 11. as visões de diferentes pessoas estão em função uma da outra e se confirmam e esclarecem mutuamente.10s. a audição (At 9.l1s/13.3. nota 371). Lc 1. 26. c) Uma visão inicial às vezes é ampliada e superada por uma segunda. 559. Mc 16.6a. Lc 24. dada por uma segunda testemunha. 9.7a/7b. (5.".1ss.12-9.". cf. Descrição de um acontecimento: Algo desce do céu: Me 1. I. sinal do encontro com Deus.19s... Mt 3. As "rupturas". 1. Em At 9.11-13.10/13...10.15. Oração em diálogo: Lc 1. em Lc 2. ou por "e eis. à visão com a pergunta dos dois anjos segue-se.Depois de Jo 20. Somente depois de ter recebido a notícia sobre a visão de Comélio.12 e 2.1. aqui §§ 100.5b): Lc 1. d) Em duas fases decisivas da história primordial da Igreja (como nas visões do ressuscitado). Ação simbólica: Jo 20. como Paulo.18. 553. Auferstehung. do cerimonial = "Liturgia"): At 7.6. Ap 4. 10. por exemplo pelo anúncio: ". Auferstehung.13-17. .5. é indicado um sinal que será reconhecido fora da visão.. At 5..29 . Pode acontecer também que uma só pessoa receba a visão. Em At 9 e 10 tanto Pedro como Paulo compreendem o sentido de sua visão somente por meio de outra pessoa.56. e isto vos será um sinal. O sepulcro é o sinal que confirma.. cf.7.9/10-11.9-11.11..22s. Lc 24. vê sua cura em visão (9.16/17. Nos dois casos trata-se de uma garantia.7a.cf. mas também pelo fato de que na visão.8-11. da águia e do Filho do Homem. nota 388).3.20. Isso é de particular importância para Me 16. portanto.em conflito com a resistência dos homens). Ap 19.4. nos capítulos seguintes.". Mc 16.. At 10. Quanto a essa divisão. nos vv. para provar sua veracidade.5. recusa da proskynêsis (adoração) (10 20.13-14: depois da proclamação por um único anjo há a aclamação de Deus por toda uma multidão de anjos. Berger. independente deles (Comélio. 164-170). At 2. 554s). At 10.10s/12-20 (ibid. Outros exemplos: Lc 1. Relatos de visões e audições (cf.. Ap 5. nessa segunda visão. Ap 10. At 9.11-13. 13.30. Lc 10. Proclamação: Lc 2.19s. Incumbência de anunciar a mensagem: Mt 28.. a aparição do próprio Jesus. 69. numa visão.17a. cf. 5. devem-se a intuitos de composição.32. cf. Os principais gêneros literários dentro das visões do NT: Genetlíaco (sobre este gênero. sem dúvida se pressupõe. Ananias recebe a incumbência. Pedro pode dizer: "Agora compreendo verdadeiramente que. ANRW. De maneira seme- lhante a visão angélica de 4Esd 3-9 é sobrepujada pela visão de Sião. Ananias).8s.9s. 12. por exemplo em Me 1. . também Ap 1. Auferstehung. Ap 6. 1197s. A ligação entre os dois níveis de narração pode ser constituída pela relação entre uma incumbência e sua execução. cf. mas foi então confirmada por uma segunda revelação plena- mente válida. Berger.33.2s (Espírito). e todos os que estão presentes.4. por exemplo.12: "voltei-me para olhar a voz. o que liga as duas fases é o típico "voltar-se".". Jo 1. Aclamação: Lc 2. sem ser numa visão: Me 1O. depois da proclamação da ressurreição é dito: "vede o lugar.18-20 (tomar-se mudo). da corte. b) quando a visão e a audição estão uma em função da outra. mas são mencionadas separadamente. Berger. além disso Paulo.6a par. cego.14.46-48 (indicação das testemunhas). sem dúvida o centro dos capo 4 e 5: a ordem de testemunhar .35.11 (como a mudez de Zacarias.1-3.12).

ll84.26-29.32/33a/33b. nota 406.16. . 22. tem "método" e corresponde a Me 8.55s.Outras incumbências: dirigir a comunidade. . A qual dos dois grupos pertence Gl 1. Jo 20. portanto.7b. . A narrativa da transfiguração tem.le) para a relação entre as formas literárias da aclamação e da inter- pretação..21-23 (como fundamentação). nota 415).28-33. Podemos distinguir dois tipos de revelação da identidade cristológica: ou Jesus é visto como homem interpretado por uma revelação (Mt 3.Ordem de escrever e remeter a mensagem: Ap 1. ao lado da primeira (Me 9 par. a fim de confirmar a identidade. Esclarecimento mais detalhado da identidade da figura principal: num diálogo. 2. v. 17. supra § 18. Jo 1. apontada em ANRW. 565.9s/11.20aj20b. é o acontecimento revelador enigmático.lss.Em Jo 6. São textos em que se esclarece a identidade de um ser antes desconhecido. por sinais: 21.33.19s. em Me 9.15 e paralelos descrevem como o rosto ou o corpo inteiro de um mensageiro 258 .19-23.16 não fica claro. . também Me 4.TambémAt 10." (auto-apresentação do mensageiro) ou "a tarefa que Deus me deu. nota 159.30-33. daquele que dá esse alimento. At 1.18.17-20.13. Relatos de visões e audições 18.1- 6/7-18.2. Jo 6. 71. Auferstehung.17.24.6/8 com 10. como em Jo 1. 10.4-6/7ss e 22.1-4.11.2c-4 par. Já chamamos a atenção (§ 68.10-13 é um não-entender. segunda a qual quem recebe de Deus uma tarefa não quer mais descer do lugar da revelação (aqui: o monte) para os homens. Berger.32s e também em Mt 3. Jo 20.9-16 é resolvido pela narração da visão em 10. At 9. At 7. Jo 20. portanto. Ora.15-17.19.7 par. 21.).17.7.12. humana demais e carente de correção (Me 9. Interessantes são especialmenteas motivações de certas incumbências: Mt 1. ainda At 9. mais exatamente no contexto de visões.3-11/11. .11. De modo semelhante devemos entender o processo de revelação indicado em Mt 16.Ordem de viajar (Mt 2.169. Cumprimento ou transmissão da tarefa daquele que aparece: segundo o esquema "eu vim para.19s. At 7.4. 568.12-16.15. Lc 1. a interpretação autêntica dos acontecimentos enig- máticos de 9. Berger. Ap 1. Descrição de pessoas (onde e como estão. ancorada em Deus. At 7.34. A voz. 26..11.20-24.5. 8. eu a transmito a vós": Lc 1.12). 7.16s e GIl.20-23.20-23. 11-22).13-18." (tal expressão: "este é" ou "eles são" encontra-se também na explicação alegórica daquilo que antes era enigmático). Lc 1.15-21 o andar sobre o lago foi colocado antes da multiplicação dos pães. nota 167.At 10. Mt 17.19 (nos v.2c-4. Me 9.35.12.10. pois. 18. corresponde a uma tradição religiosa.. Lc 9. Cf. e por fim segue-se.3. Mc 9.2- 3/4. pois lá esperam-no a contradição e um destino humano que inclui a morte.Me 16. Ap 1O.10. a seguinte estrutura: Me 9.32s. . Houve simples revelações sobre a essência de Cristo.10- 19.1-12 e 20.5. cf. cf 22. É por esse meio que a identidade de Jesus é "esclarecida" num acontecimen- to revelador. por exem- plo At 6.32s). Esse último grupo é um caso especial de interpretação do que era enigmá- tico.21. Vaticínio: Mt 1.Ordem de escrever: Ap 1.. A insen- satez de Pedro. . cf. entre revelação e solução). - At I.13-16.30-33.10. 23. em pé ou sentados): Lc 1. Auferstehung. A incompreensão de Pedro. Ap 1. 8. 479s.26/27a. 20. Jo 21.5-6 é o costumeiro mal-entendido (cf. Interpretação do que em enigmático: Jo 1. Créia: Jo 21.20. .29/30a.5s). 27. 12. é disso mesmo que aqui se trata. sem transfiguração. Jo 21. 21. por meio da referência "este é. mas há também textos sobre transfiguração sem interpretações (cf.ll. apenas interpreta. ou ele é "transfigurado" e interpretado por uma segunda revelação. 34.23.

essa tese talvez tenha razão de ser num sentido mais amplo: uma tradiçãojá existente (?) recebe uma dimensão teológica pelo esboço de um fundo celeste que a acompanha (visão. A mesma coisa se observa em l Cor 15.dirigido exclusiva- mente a determinada pessoa por alguém superior. não é a vozque explica a visão. fora disso há um número indeterminado de pessoas a serem convencidas ou instruídas. o público varia: na forma mais qualificada de revelação apenas as três autoridades presenciam o fato.29 (cf. A visão do trono em Ap 4 é igualmente precedida por uma visão do Filho do Homem (como ressuscitado)." (cf. Hen esl. gênero literário: acla- mação como profissão de fé. Semelhante é também a palavra de Jacó a Levi em TestLevi 2.). Relatos de visões e audições de Deus irradia beleza e esplendor celeste. fragmento 58. em contraste com o batismode Jesus. Literaturkritische und gattungsgeschichtliche Untersuchungen.10sreforçaa voz.. Distinguimos. anjo Mastema". mencionado acima. § 68. . infra). Interpretação por um "Tu és. pois: Transfiguração sem interpretação complementar: At 6. Aí. com os respectivos acontecimentos (cerimonial) como ékphrasis da corte de Deus..14. O relatodo batismode Jesus. portanto.Como no gêneroliterário da identificação. sem revelação: Me 8. Hen 71. revelando o sentido de um acontecimento terrestre).Contudo.15.. Mc 9. e é-lhe dito: "Em verdade tu és meu filho. porquanto a visão é esclarecida por uma voz. com uma tradiçãodos targu- mim citada por F. Interpretação da identidade por revelação: Mt 16. porém. Conversão ou eleição são da mesma espécie. Me 1.14 ele ouviu a voz dirigida somentea ele.71.e vice-versa. nos relatos varia apenas o número das pessoas.acrescentaa ex- plicaçãoda voz para Henoc.2-7. No NT pertence a essa categoria também (sem visão): Mt 16.4 (Tu és sacerdote. Assim a pessoa é eleita para uma função especial. 3. § 68) .14 (Tu és o homem nascido para a justiça) e o Livro dos Anjos etíope (Leslau 55): o anjo das trevas é colocado diante de Bernael. quando ele se apresenta diante dos homens..porém. João e Tiago) e aquela diante de pessoas a serem convertidas pertencem ao mesmo gênero e têm estrutura análoga. as autoridades da comunidade. Investidura (installatio): De uma categoria totalmente diferente é o "Tu és. 14s.16s. De uma "visão do trono" trata-se também na visão do Filho do Homem por Estêvão. mas trata-sede proclamações e recomendações celestesque não se dirigema nenhumser humano. originou-se em exemplos veterotestamentários (IRs 22. 71. a revelação da identidade do mensageiro de Deus diante das três autoridades da comunidade (Pedro. A chamada "visão do trono ". não tem nada a ver.le). Segundo 71.18s (Tu és Pedro) e Hb 5-7 citando SI 110.19-22.tambéma visãoem Me 1.creio. .em Me 1. NessesTargumim anjos se exortam uns aos outrosa prestaratençãona vida dos patriarcas. Ez 1-3) e judaicos (Hen et. e ele é adornado com vestes douradas e na cabeça recebe um diadema de ouro. depois o anjo lhe explica a voz. Transfigurnção com interpretação complementar: por revelação. o Senhor dos espíritos. 22s) e forma o quadro do Apocalipse de João (cf. Esses dois textos fornecem pontos de apoio para a tese de R.lOs também no contexto de uma visão .. às vezes com a reação da proskynêsis. Is 6. 4. Lentzen-Deis (Die Taufe Jesu Nach den Synoptikem. De qualquer maneira.masa palavra do anjo explicaa voz.15 par. é análoga à aparição diante dos 500 irmãos. Pesch de que as visões do ressuscitado são em primeiro lugar 259 . Frankfurt 1970). que naquela recebe hora ou na qual ela é confir- mada (gênero literário: investidura por aclamação).".lOs pode ser comparado com os textos citados em 2.5s: a visão pascal diante de Pedro e dos Doze. Também: Hen et.

com a mesma função (de ser a "última estação" antes do trono de Deus). que des- creve a aparição escatológica da arca (no templo celeste. Berger.Isso é válido. 5.) . 1965). tambémfatores de caráter teofânico servem. a descrição da teo- fania no Sinai. Na literatura sobre Henoc. Os sinais teofânicos são critérios infalíveis para provar tanto a legitimidade das duas testemunhas de Ap 11.8b.Hb 12.25-30 a terra treme (v. da fundação do Reino de Deus. Mt 25. Auferstehung. mas apenas indiretamente. Exegese. Auferstehung.16. . 534-537). Auferstehung. é contrastada argumentativamente com a comunidade no Sião (12.71 já almeja aqueles que hão de imitar Henoc: serão como elee estarão comele.18-21. pois poder caminhar sobre as águas é especificamente um signum de Deus. Quanto a esses dois textos. cf. na fundamentação da esperança paulinaacercada ressurreição. morto na cruz.11-13 como a de Jesus. Jó 9. voI.44ss. 25). 407. Henet. esperadas para o futuro. no livro dos Atos. Freiburg 1979.Jesus prova por este sinal que ele é mensageiro de Deus. O inventário clássico deste gênero aparece em Ap 11. 38.26 há um grande terremoto depois da oração noturna de Paulo e Silas (v. em l Cor 15. mas também como Senhor dos fenômenos cósmicos. W Berg: Die Rezeption alttestamentlicher Motive im Neuen Testament. Die Geschichte einer alttestamentlichen Gattung. um corpo novo.31-46 mostra que a apresentação de acontecimentos diante do trono de Deus não é necessariamente visionária.13 (terremoto depois da ressurreição das testemunhas). pois só ele pode ressuscitar mortos"). ele recebe vestes novas. dargestellt an den Seewan- delgeschichten. .19. em que ele mesmo fala como Deus.. cf. Pesch é válida. Berger.Já que a ressurreição de um morto só pode realizar-se por intervenção divina. rochedos fendem-se e mortos saem dos sepulcros (cf. Além dos relatos de visões ao longo do caminho dos missionários.5 etc. Bem distintos da "visão do trono" são os relatos neotestamentários sobre teofanias (sobre a história deste gênero literário no AI. terremotos e granizo). 1. Eles demonstram Deus não apenas na sua identidade. . Um relato de teofania é em Me 6. 14s (repreensão dos anjos caídos) é dada uma incumbência (cf Ap21.51-53 a morte de Jesus já provo- cou reações teofânicas (a terra treme.). . (Sobre a origem veterotestamentária desse tema. § 72. Somente em textos cristãos posteriores a visão do trono como lugar onde os mensageiros recebem sua tarefa desempenha novamente um papel (cf. ainda que o "não tenhais medo . nota 252). Jo 15-21 o caminhar de Jesus sobre o lago. cf. a tese de R. nota 570: "Uma intervenção teofânica de Deus.22-33. tal ato divino pode ser caracterizado por fenômenos de teofania: Ap 11. Relatos de visões e audições visões do Filho do Homem (FZPT 30 [1983] 73-98). para provar que a história do cristianismo primitivo foi conduzida por Deus: após a oração de 4.. nota 214. Mt 14. o vidente diante do trono de Deus é fortalecido para poder ficar em pé. não-escatológica. 494. § 72. isto é.45-52. à sua aparição seguem-se logo relâmpagos e trovão. sou eu" não seja uma fórmula de teofania. No NT esse aspectotem alguma importância. . 260 . e em outros textos (Berger.Para o cristianismo primitivo os sinais teofânicos foram em primeiro lugar fases.Cf. a obra de Jõrg Jeremias. e é transformado. voltada para a história do motivo: Theophanie. 511.3. O Filho do Homem como advogado dos cristãos diante do trono de Deus (cf.5f) ocupa aqui o lugar de seres angélicos em visões mais antigas. Em Mt 27. 31) e em 16.22- 24). Na visão do trono de Hen et.

e finalmente pelo uso de um gênero semelhante [o vaticínio] no processo de Jesus: Me 14. as visões. Sobre o significado dos relatos de visões na história do cristianismo primitivo a) Os primeiros leitores e ouvintes desses textos não precisam ter tido.62 par. nesses contextos. o eleito é um visionário e vice-versa (cf. d) Já que para o judeu-cristianismo a justiça se encontra onde está Deus. cf. muitos detalhes indicam antes que se atribuíam visões .A ressur- reição valia como prova de legitimidade. também na teoria do caráter inspirado das respostas dos cristãos diante dos tribunais: Lc 21. c) Por isso o visionário relaciona sua experiência à soberania de Deus. ibid. mas principalmente . 261 . concatenação e enfileiramento das visões. as autoridades judaicas para os apóstolos e para Estêvão). essa parcial perda de poder já é pressuposta para Jesus conferir a seus discípulos plenos poderes sobre ele (Lc 10. Auferstehung.). então. de tal maneira que para ele e para a comunidade a visão se toma a instância válida contra poderes e soberanias provisórias ou puramente terrestres (a morte. como realidade válida. da parte de Deus. Relatos de visões e audições 6. isso significa sua expulsão do domínio de Deus e o começo de suas atividades intensificadas na terra (cf. e em especial aos apóstolos e outras testemunhas de primeira hora. importância decisiva para as comunidades oprimidas. 549-561). contudo. Isso vale prin- cipalmente para os pontos centrais: o ressuscitamento de Jesus. em At. Me 14. o início da missão entre os gentios sem circuncisão (Pedro/Cornélio) e a vocação de Paulo. então as testemunhas tinham de ser os chefes das comunidades (e vice-versa).55s. Com isso. e pela confirmação recíproca dos relatos. Ap 12. eles mesmos. com isso. Pois. sentidas como provocações (At 7. cf. a aplicação a todos os cristãos em 3Jo 11: "Quem faz o mal não viu a Deus". 615s). Berger. pois só Deus pode res- suscitar os mortos.8ss). b) A extraordinária abundância de relatos de visão prova que o cristianismo primordial se entendeu como continuamente carismático. uma experiência central e uma legitimação fundamental. par. Visões e notícias sobre visões tiveram enorme influência na organização das primeiras comunidades. procura- va-se a maior garantia possível desse testemunho pela acumulação. tinham relevância juridica: são testemunhos de um direito de ordem superior (o que em processos judiciais ou em procedimentos semelhantes se exprime até diretamente: At 7. Mas a importância juridica das visões não se limita às relações com o mundo de fora. Ef 5. experiências visionárias.14s. o visionário a experimenta também como pro- ximidade no espaço e.57. como encontros com Deus. se para as comunidades o testemunho visionário era questão de tudo ou nada..14 comprova que a visão inicial continuava a ser considerada o modelo da conversão (sobre o gênero literário da "visão da conversão". pois. Já que as visões tinham. a instância mais poderosa. como a ordem mais obri- gatória.18s: "Sa- tanás caiu do céu". As visões se tomam. Berger. o Império romano no Ap. Essa concepção do caráter "jurídico" das visões é confirmada também por Lc 1O. os relatos significavam para os leitores a representação de seu próprio cristianismo em proporções aumentadas e a explicação do que o contato com o mundo celestial podia significar.não exclusivamente. A proximi- dade de Deus anunciada por Jesus.63s).19).à "primeira geração". Por isso visões e coisas afins foram. por certo.. . Isso pressupõe um deter- minado tipo de vida (sobretudo orações de longa duração e jejum).

12). Possivelmente essas experiências coletivas e as notícias sobre ela sejam até as mais antigas. fora do esquema ato-efeito. t) As aparições do ressuscitado quase sempre são entendidas. Isso corresponde ao estilo e ao gênero literário dos relatos de testemunhas (p.32-34. Ap. Lc 24. sobre a maneira como ambulação e visão estão inter- ligadas. 13. Vaticínios Bibl. B. At 1. Ez).ex. 1319·1321.1-3.6-11. elas tiveram importância central para a articulação da auto-imagem da comunidade.Também de Paulo podemos afirmar que recebeu o evangelho na visão de sua vocação (GI 1. 27.9-11 e Mt 2. 21.2. Jo 20. 179s. Hen et. mas ao mesmo tempo como transferência de sua tarefa. i) U. 20. nos testemunhos posteriores. é dirigida por visões e por palavras do Pneuma. em sua totalidade. cf. 27.25-27. felizes ou infelizes. Ez 2. cumpre citar também.18.19. GI 1.23s.14-19.18 com 4.1-3). 26. art. quase sempre curtos. Jo 1. ANRW.1-11/12ss. Mt 27. com a mesma função (envio para a missão). 1cor 9.23. 110 1. . No que diz respeito a este princípio da relação entre prioridade e chefia.12. At 22. § 76. o visionário entendia sua experiência como experiência "para os demais". 9. não somente para ele.14. Já que a conversão e a vocação eclesial costumavam coincidir.9s e Sr 44. depois de seu martírio. o artigo "Geist" III em: TRE XlI. Em todo caso. g) Segundo At. Geralmente chamamos "vaticínios" textos. Jo 20. e esl. 2. cf. mas também na própria natureza da visão. e outras experiências comparáveis. "Orokel".15s. 323-328. Em todo o caso.23s.Em 2Pd 1.56.1-4).1-9). Origina-se da literatura apocalíptica (p. .30-33. De toda a forma.3-17. também At 18.16).12s. não apenas como provas da legitimidade de Jesus (para isso a mensagem dos anjos no sepulcro vazio já teria sido suficiente).. a estrutura de lCor 15. às vezes estilizado como "visão de vocação" de Jesus.29-30a.: W.ex. 15. 4Esd) e mesmo da profética (Is. Müller (1977) analisa a estreita ligação entre visão e mensagem em Lc 10. a interpretação das visões insiste sobretudo em que Jesus é experimentado como o enviado de Deus e que de sua confirmação.3-12. com seu caráter peculiar.36-53.18. Vaticínios cf. o que se exprime particularmente na ligação entre os relatos das viagens e os das visões (At 8.15s. como missão dos discípulos. baseando-se não apenas no nexo entre visão e audição. 7.12. 2Cor 12. Me 16.3. in Der Kleine Pauly 4. Jr 1. citando Am 8. o relato na primeira pessoa do singular tem primordial importância (cf.13.1.14). a aparição do ressuscitado é substituída pela manifestação do Espírito (At 13.17-21. Já que uma missão pode ser delegada. além de Pedro e os Doze. 1Cor 16. Jr.1-4. ou seja. compare-se lTm 1. a história da Igreja. Lc 10. FAUTH. e) Importância especial para a garantia do testemunho por um grande número de testemunhas cabe às experiências coletivas (Mt 28.13-33. 26.3ss.12-18. h) Em visões.18. Jo 1.lss. Portanto não incluímos 262 .34.8-11. trata-se da categoria jurídica "missão".16-20. depende também inteiramente a missão dos discípulos.17s (transfi- guração de Jesus) apenas o relato da audição tem esta forma. que se referem a eventos futuros. 10. a prioridade cronológica era decisiva.12ss.

com certeza pelo menos os leitores já sabiam. que se cumpriram sobretudo na história de Jesus (§ 35). sua vali- dade está ligada. Um grupo à parte é formado por palavras em que a comunidade. como o do destino de Pedro em Jo 21. mas raramente e muito por alto. desde a perseguição da comunidade (provavelmente também já atual).13-15. . mas também a confirmação do predito tinha às vezes uma função apologética: se Jesus sabia de antemão das falhas de Judas e Pedro. muitas vezes. Dentro dos apocalipses sinóticos. o tempo verbal às vezes varia). de modo muito especial.18.Como na literaturaprofética. por exemplo na vinculação de ta- refa e vaticínio: o da procura da jumenta (Me 11. não vacilem. em suma. pelo futuro do verbo (no Ap. Pois. no Juízo. é indicado para que servem esses vaticínios: é para que os fiéis sejam prudentes e vigilantes.19. então esse sofrimento está acima do dorninio do acaso e da contingência e podia ser inserido teologicamente no querigma sobre Jesus. . porém. é exortada com o "não temais". Vaticínios neste grupo os anúncios condicionais ou fundamentados de felicidade ou desgraça.Muitos vaticínios já se haviam realizado. Jo 13. a negação de Pedro e a fuga de todos os discípulos.29.7 par. Um primei- ro grupo de vaticínios.ex.16). Antes da realização. E. não se podia tirar daí nenhum argumento contra Deus e a mensagem. No primeiro plano estão. Quanto à forma. e tudo isso só podia ser o caminho para o Reino.ainda predominamas predições de calamidades. pois.) e do homem que preparou a sela para a última refeição (Me 14. . e a substituição do sofrimento pela felicidade. já tratado acima. ou com algum juramento.23. os vaticínios freqüentemente são formulados com o "Amém. o que 263 . diz respeito aos "oráculos" das escrituras vete- rotestamentárias. com profecia. Se Deus e seus profetas sabiam do lado negativo. 16. o que foi feito pela noção do "Filho do Homem" e pelo esquema dos três dias em Lc. os vaticínios são reconhecíveis. sobre o geral Deus também é o Senhor. estas duas idéias: é necessário que os justos sejam se- parados dos injustos.51)." (p. Mas também nos primeiros tempos dos discípulos e da comunidade de Jesus houve numerosos vaticínios que se cumpriram. sobre o destino de Paulo em At 21. na superação do sofrimento. o vaticínio de Ágabo em At 11. os de Jesus sobre Judas e Pedro). Se também o sofrimento do próprio Messias foi anunciado por ele de antemão. Mt 24. mas sobretudo as predições da Paixão e a promessa do Espírito do Pentecostes.4). a traição de Judas... à autoridade de quem os anuncia. Já que não podem ser provados por nenhum argumento desse mundo. 14. § 49. diante de seus sofrimentos e na perspectiva da futura salvação. às vezes.2. É nesses contextos que Jesus às vezes insiste: "Eu vo-lo predisse" (Mc 13. passando pelas tribulações escatológicas.28 e a ação simbólica.25. se os mensageiros de Deus sabiam das tentações e horrores. até a separação. portanto. Sobre a realização de outros vaticínios. especialmente dos profetas. A importância dos vaticínios para as comunidades da época consistiu. os vaticínios baseiam-se exclusivamente na autoridade de quem os profere e só se tomam evidentes ao se realizar. isso não só aumentava a credibilidade de seus anunciadores no que ainda não acontecera.11. e o sofrimento será seguido pela glória. do mesmo Ágabo. então a soberania de Deus e a salvação dos justos não foram abolidas pelas ameaças contemporâneas. há o grande grupo dos vaticínios que se referem ao futuro escatológico.Ao lado destes. tenham paciên- cia e não se deixem seduzir. não podia ser criticado por se ter enganado ao escolher seus amigos. ao passo que a experiência permite estabelecer certas regras para avaliar as conseqüências de um ato (cf.

9. no quadro do relato de um diálogo. cf. isto é.") e. Ap 20. ou de textos do AT. At 11. ibid.27. Em Me 14...Mt 24.. não qualificado como anúnciode desgraça nem de felicidade (como também em Me 13.conformemostrao contextoimediato..de uma profeciade desgraça. também palavras da Escritura (Rm 11." de Javé.13s). conforme o leitor sabe.26 (Simeão não morreria. Ap 14. prometendo fidelidade. Mt 26. de conteúdo semelhante a Me 9. Para os pregadores trata-seantes..32 (atrairei todos a mim). "enquanto não . já que o vaticínio há de se cumprir. Mas nenhuma dessas duas propostas de solução convence. até certo ponto.3b-4. A palavra "primeiro" mostra que se trata de um elemento da estrutura apocalíptica dos acontecimentos.25. Lc 13.. sobre- tudo em citações do AT (At 2..". Mt 16..13: sobre a fama da mulher que ungiu Jesus (com "amém. Mc 13. At 15. pois.43 (frase com "amém. 20.. Jesus não tem a última palavra.")." de Jesus: Jo 12. mais claramente que em qualquer outro.1).28. Vaticínios dá no mesmo (cf. 31-34.28s LXX. há analogias com os profetas do AT.11: "Eis o que diz o Espírito Santo: o homem. da maneira como Heródoto e as tragédias gregas encaravam a história: o que acontece necessariamente corresponde à vontade dos deuses e encontra aí sua origem. dirigida ao ladrão na cruz).. .10.1. encontrar textos semelhantes à 'fórmula do mensageiro ". Mt 26.17s). Distinguimos no NT os seguintes grupos de vaticínios: 1. b) para determi- nados grupos: o povo judeu (Rm 11..24.7b).19. cf. 126- 128).". Não se trata aí de uma citação de Dn 2. §77.28) e Me 14.ex. Pois..26-31.25) são meios para confirmar e garantir a autoridade dos vaticí- nios. o vaticínio de Jesus (Me 14. At 7.16 (promessa do Espírito).43)..5.") (p.lls.13). Além de "juramentos". cf.3b). Jo 13. Sobre a relação entre frases citando o "Pneuma" e frases com "Amém".16-18: Am 9.. Lc 2.27. "palavras de mensageiro".33.Neste gênero literário. por exemplo Rm 12. os que crêem (Me 16. Lc 9. Especial atençãomerecem também os vaticíniosformulados com o termo grego dei ("é preciso que.17-21: Jl 3. Me 14. p. por intermédio dos escritos apocalípticos do judaísmo.5s como declarações sobre um futuro próximo por meio de frases com "amém". 2. 117 ss. Em Me 14..1-5. Promessas gerais de salvação: a) formuladas com o "Eu. emboraos leitores do evangelho o devamter entendido assim.. ou em textos muito próximos do AT (Ap 21. também nas citações do que "o Pneuma diz" (1Tm 4. os justos (Mt 13. de sofrimen- to.25-32). Esse protesto tem uma função semelhante à da objeção. nas predições do profeta Ágabo (At 21.8b e a fundamentação em 13. a objeção humana acentua a fraqueza dos homens e sua distância do mestre profético.18) e o termo "mistério" (Rm 11. BZNW39.. a expressão origina-se antes.27. em textos judaicos (cf. At 27.1.23. já que tal ato faz parte da história da morte e ressurreição 264 . Esse vaticínio de que será conhecido o mérito da mulher que ungiu Jesus deve ser entendido como indireto.31-33/34. Lc 22.ex. do "amém" e de "necessida- de". Ap 1O. c) textos formulados com o "Eu. também em seu sentido original. as sentenças com "amém" em Me 9. cf. d) referindo-se aos discípulos: At 1.13-17/18 e 1.6s: Gn 15.14 ("primeiro o evangelho deve ser proclamado'') seria inusitado como pro- messa de salvação. 11.1.30-35. A "fórmula do men- sageiro" ainda estava bem viva naquele tempo. porém. 6s). Anúncio de salvação pessoal: Lc 23. não surpreende. - Outras combinações de vaticínios com objeções encontram-se em Lc 1.30) é confrontado com o protesto dos dis- cípulos.

96.O esquema do gênero é o seguinte: exortação à confiança + fundamentação por uma promessa de salvação. par. lTs 5. e a promessa de salvação em 2. Mt 26. Ap 2. Que a ressurreição do Filho do Homem é um acontecimento soteriológico corresponde também ao esquema temário ("três dias" entre a morte e a ressurreição). Lc 13.4).3 ("e não tenhais medo.. 217ss. Jo 2. 10..9.. 2Cor 1..Também Jo 12. Vaticínios de Jesus.).46s ("confia.Aos discípulos (antes e depois da Páscoa) referem-se Mc 14. . . pois estais sendo lembrados diante do Altíssimo . 4. Seqüência de anúncios de desgraça e de felicidade: Mc 14. Plutarco. vv.1). 5. 1O." (cf."). Jacó. Hb 10.3.. não sejas triste. lOs).16s. cf. As demais predições de Jesus sobre seu destino pertencem a outro grupo de vaticínios: aos meros anúncios de desgraça. e à seqüência de humilhação e exaltação de Israel em Dn 7. § 45.1Ob depende do cumprimento do imperativo "sê fiel" (sobre esta forma.... preceder-vos-á na Galiléia: também neste vaticínio sobre a Galiléia Jesus deve ser visto como pastor). porque. 51.. portanto. 93-96. são do mesmo gênero (Me 8. não te assustes. larva Israel. casa de Jacó.. . 30-32 (o príncipe deste mundo/eu.. Jr 30.. a qual de antemão já chorou seu fim). MÜLLER...61.. 265 . Mt 26. BibJ. porém.A palavra sobre o sofrimento. Pois o que ela fez sublinha a importância de Jesus (cf.31. Aos simples anúncios de salvação pertencem também frases (comparáveis àquelas dos evangelhos com "amém. 54....27/28 par.37-39 (destruição de Jerusalém/acolhi- mento do Messias com o grito: "Bendito aquele que vem. cf. vós que envelhecestes em sofrimentos e tribulações. já que em Rm 9 precederam anúncios de perdição.31..32 (".23.33s par. Mt 23.24. 4Esd 12..": Lc 12.19 (destruir/construir). que trata do mesmo tema (Israel). B. Israel. que nos textos sobre Henoc aparece neste lugar (cf. § 68. J.).58 par. pois sereis curados e uma luz brilhante há de vos iluminar.Pelo menos nas redações posteriores (deuteronomistas?) dos profetas antigos.13. 103. ThB 21 (1964). Gesammelte Studien zum Alten Testament. no AT: Is 41.") .9-10 ("não receies o que deverás padecer").10 pertence apenas condicionalmente a este gênero literário. "Das priesterliche Heilsorakel"... Mc 13. pertence a este grupo. vós que sofreis.4): lCor 1. a freqüente seqüência de predições de desgraça e de salvação foi introduzida esquematicamente. cf. 2Ts 3. foi do agrado de vosso Pai dar-vos o Reino").. Prophetie. .25-32. desempenha o seu papel também em Ap 2. Hen 104.4s. aquele que te resgata é.:.") que mostram confiança exclusiva na ação divina e começam com "Deus é fiel.. 21. cf. 9. com seu teor teológico. U.").10) e as predições de sofrimentos e da consolação que se seguirá (promessa de proteção) em Lc 21. 3.10.18s (perseguição/nem um cabelo da cabeça. Pompeu 78: Pompeu despediu-se de Comélia. . sou eu que venho em teu socorro.34s.12s (perseguição/podereis testemunhar). Como luminares celestes haveis de brilhar e resplandecer.2 ("Tornai coragem. mas em seguida ressurgirá. vermezinho. BEGRICH. oráculo do Senhor. in id..").. também Hen gr. mas aí aparece pri- meiramente uma predição de sofrimento. Promessas de salvação segundo o esquema "Não temas.18.14-16 (não tenhas medo.. também Rm 11. Os textos sobre o Filho do Homem que deve sofrer. (30)31s (ferirei o pastor.

1-10 (unção de Jesus). Édipo em Colono.16s). O profeta Jesus apresenta sua obra como uma caminhada que tem por fim a consumação revelada como um "perecer em Jerusalém". Lc 9. amanhã. ao que ele disse a Ésquines: "No terceiro dia devo morrer".1-4 (tendência: "a vós como a mim".41.41 par. O anúncio da morte em testamentos têm uma analogia em Sófocles. porém.32s temos um vaticínio dividido em duas partes. tradicional no AT. predição a Pedro pessoalmente: João 21.44 (saltou no ventre da mãe). Jo 12. diversas origens: verdadeiros anúncios de calamidades estão por trás de Me 14. são predições de apostasia. da profecia de uma luta de todos contra todos (p.3ss.philos. "Deixa passar três dias. no quadro do genet1íaco. § 24). Me 14. a) Predição do sofrimento próprio: Me 14. 140).44. deve estar (por causa do caráter "representativo" do Filho do Homem) nas "predições de desgraça". Vit. da morte: Lc 22. Auferstehung. Lc 22. Até essa revelação. Lc 21. adotadas por Mt no discurso da missão: Mt 1O. Mt 24. profecias testamentárias de apostasia. Mt 26. 7. O que resumimos aqui como predições de sofrimento têm.27).25. Mt 10). tem caráter "testamentário".6 (repreensão) (textos e história de sua influência em Berger. Acontecimentos simbólicos e atos simbólicos têm caráter de vaticínios: Lc 1.Também Jo 15. A isso corresponde que a situação da refeição em Mc 14.45.24s . por causa do significado supra-individual da figura do Filho do Homem. o texto. nos apocalipses sinóticos (Me 13. com seu esquema de três dias.13 par. a origem dos textos sobre o Filho do Homem.9-10. Os vaticínios de Policarpo sobre seu martírio não dependem dos neotestamentá- rios. no terceiro dia". cf.25. cf. Ap 11. predições de luta de todos contra todos. Berger.9. 243-251). 21-23). Os textos sobre Judas. Gesetzesauslegung. Mt 26. Sobre a relação com a tradição 266 . Lc 22. . quanto à forma literária.35 (espada/coração de Maria. .29. Diógenes Laércio.Me 14.Em parte posso reconhecer a origem (na história das formas) desses anúncios da própria morte no gênero literário dos testamentos. mas são a eles semelhantes quanto à forma (Mart. refere-se indiretamente a Jesus. . 11 35 (sobre Sócrates). é um enigma (sobre o esquema dos três dias com relação a Elias. Vaticínios 6.1-8 par. Quanto à origem deste tipo de vaticínios pessoais.ex. já foi interpretado como "o Testamento de Jesus" (cf. predições de calamidades (Filho do Homem). Jo 13. Contudo. c) Em Lc 13. A tradição da luta de todos contra todos inspira-se em Is 19. Vaticínios de sofrimento: A forma desses vaticínios costuma ter vários tipos de origem: testamentos.21. - Profecias sobre as perseguições que a comunidade sofrerá. Ap 2. ambas construídas segundo o esquema "hoje. 16.37c. Lc 21.18 (com discussão vv.Polic.2 (oráculo de guerra) e Mq 7.12s. b) Predições de sofrimentos para outrem: Lc 2. Me 13. 1518-1555. e estarás nas glebas de Ftia".1-2a (medição do santuário)j2b. 26-30 (o bocado entregue a Judas). como conjunto. cf.Paulo anuncia sua própria morte em At 20. no qual quem está prestes a morrer prediz sua própria morte para breve.2). como forma literária.12s). Lc 11. Podemos reconhecer também a forma.15s.10.20s. cf. 5.25 par. Me 14.17s.

d) como predição de falsos mestres (Mc 13. Israel und das gewaltsame Geschick der Propheten. 13. Algo semelhante (na base do gênero veterotestamentário dos oráculos de guerra) são os vaticínios sobre a guerra escatológica em Ap 17. Como processo de separação efetuado pelos anjos em Me 13. somente em IPd 4. .Em Lc 21. Vaticínios sobre o momento do fim Na história do cristianismo primitivo esses vaticínios foram objeto de controvér- sia.. c) como predição da apostasia de todos (Mc 14..3b. Mt 16.10. Mt 26.16. Sobre Sócrates. .34.c) Decadência do cosmo: Me 13. Vaticínios deuteronomista do destino violento dos profetas.28.16.8." em Ap 1O.25-28/30s. com base no que os sinais sugeriam ("quando acontecer isso. 2Ts 1.Como narrativa.24-27/28s. At 20.36s.g) Uma profecia de calami- dade universal é a de Ágabo sobre a fome em At 11.f) O relato sobre profetas e mártires em Ap 11. Mt 10. § 24).34s.20!).Fazem parte desse grupo também os vaticínios sobre a natureza do Juízo vindouro: Mt 12.3a). supra em 6b): Lc 12. 20s par..lOb (11).17 não há formulação especial... cf. ICor 3. Assim explica-se também a seqüência de Me 13. .14.2. .24s par.. segundo Ap 20. .7a.10. par. assim Me 13.8. Vaticínios sobre o Juízo vindouro.1.7.6 e At 6.19s.11.34.8.29-31. cf.4. Na tradição apocalíptica esse "uns contra os outros" generalizado é o efeito de uma decadência das normas. Mt 24.27. também 11. cf. Lc 21. Mt 24. Lc 21.6b-7. mas aqui se trata da necessidade de cada um se decidir contra ou a favor do evangelho.2 e 13.12s. I Pd 4. Mt 24.3.11.": Mc 14.Disso faz parte também que. Me 13.5. cf.9ss mostram como outros gêneros literários podem se transformar em vaticínios."). Lc 9.3- 13 e a lamentação sobre a cidade destruída em Ap 18.12. Mt 24.12 (sobre os termos abstratos.6-10. Lc 21. em contraste com os textos acima mencionados. Mt 24. para a sedução dos povos.d) Anarquia geral: Mt 2.30.38). no estilo do "eu.25-28 e também Lc 17.. . Mt 24.51/52s merece especial atenção: o próprio Jesus se apresenta como o que dá início à separação definitiva e à luta de todos contra todos.23b (cidades de Israel). l l .6."). 10.b) Luta de todos contra todos (cf.31-46.14a (a cidade ou o templo). Mt 1O. 29-31/32s..": Me 14. 10.17 (o templo).2Is. 1967.31).21.7-9 (lO). H. Lc 22.e) Tribulações: Me 13.A passagem Lc 12. Sobre o anúncio do julgamento em Ap 1. Anúncios de calamidades de caráter universal ou escatológico Vaticínio sobre a destruição de Jerusalém: Mc 13. ..3s.7.. Jo 13. cf. 40-47.9b-IO. 7a). já mostra isso sua formulação como juramento ou palavra com "amém.24.18.".52-53 ("eu .18.Como aniquilação do adversá- rio: Ap 20. O. Satanás será solto por pouco tempo (cf. § 47. Predições de apostasia O anúncio testamentário de apostasias e da atividade de falsos mestres aparece no NT nas seguintes formas: a) como predição da negação de Pedro (com "amém. em seguida expla- nações sobre a pergunta acerca do "quando?".10. - Como separação pelo próprio juiz: Mt 25. .7.22. .28. b) como predição da traição de Judas (com "amém. 9. . Mc 13. . 8. ..27.24-27. Mc 9. Jo 13. sabei.. 267 .. é chamado de falso mestre quem disser: "Chegou o momento".2. acerca de acusação e defesa: Mt 7.29s) (cf. § 54. Mt 26. Lc 21. Steck. Uma composição evidentemente usual era: descrição dos acontecimentos. Em todos esses textos uma divisão dos homens em dois grupos é sugerida ou enunciada.21). Lc 21.22-23.

The Problem of Apocalyptie Genre in Greek andHel/enistie Literature: The Case of lhe Oraele of Trophonius. pois. é uma opção moderna e não lhe falta um quê de arbitrariedade. "The Apocalyptic Vision of the Book of Daniel". Os autores dos vaticínios. devemos distinguir as narrações apocalípticas. com quadro narrntivo em que uma revelação é transmitida por um ser celeste a um ser humano. o Apocalipse de João e os diversos produtos da apocalíptica do judaísmo e do cristianismo primitivo foram todos subsumidos neste título. § 77. ido (org.C. COLlINS. mas pela configurnção literária. Todos esses elementos implicariam ''transcendência'': a nature- za da revelação exige um medianeiro transcendente.cf. nem tampouco que cada um deva ter sido concebido como um texto de um só gênero. MÜLLER. The Morphology of a Genre (Semeia 14).1). Seguiremos aqui o caminho oposto. e o autor sabe ser um entre um grupo maior de profetas (cf.20- 37. não tentaremos acom- panhar nem corrigir as classificações feitas a partir de meados do século 11 d. Procederemos. ANRW. 1983. . quando o Cânon Muratori (7Iss) designou tanto o Apocalipse de João como o de Pedro com a palavrn apocalypsis.28-31. in INW 51 (1960) 268- 278.7). Missoula.). aqui esse final já se tomou um vaticínio: "Deus há de.". sobrenatuml". em Rm 16. Só a partir de meados ou fins do século 11 d.16.6. Com base nesse quadro muito abrangente 1. D. apesar de sua (aparente) abrangência.. A influência da oração eficaz de quem tem autoridade toma-se clara. o Apocalipse chama seus vaticínios de "palavras da profecia" (1. Apocalypticism in the Mediterranean World and the Near East. bem como objetos transcendentes. Gêneros apocalípticos Bibl.3. como espacial. na medida em que visa à salvação escatológica. a palavrn "apocalipse" se tomou o nome de um gênero literário. cf. Ainda: J. que são curtos. os "apocalipses sinóticos" Me 13.20ss e o Apocalipse de João devam pertencer a um só e mesmo gênero. a bem dizer. "Die Plagen derApokalypse". por conseguinte. B. Per- guntaremos quais são os gêneros literários que se escondem de fato atrás dos textos denominados apocalípticos. J. não pressupondo que Me 13 par. HarvSemMonogr 16 (1977). 1979 (nesta obra: "Towards Morphology of a Genre". MÜLLER. Não pergun- taremos o que seria "o" gênero apocalíptico e. 22.10. 577-597. porquanto inclui outro mundo.·P. Lc 21. Lc 17. 1316-1326 e 1361 s. como complemento. Mt 24s. indutivamente. Gêneros apocalípticos 12. Enquanto no fim das cartas encontramos gernlmente votos de bênção. Literarisehe und formgesehiehtliehe Bestimmung der Apokalypse des Johannes aIs einem leugnis frühehristlieher Apokalyptik. e nos primeiros estudos sobre as formas literárias textos tão heterogêneos como Lc 17. O nosso caminho não se orienta por estruturas muito abrangentes (Collins). 1.). Tübingen. BETZ. revelando uma realidade transcendente.. especialmente: U. 10. mas por 268 . § 77. Vaticínios são falas baseadas em autoridade espi- ritual e por isso não é qualquer um que os profere.20. sem trnduzi-Ia. Dos vaticínios. H. 599-619. 22. 9) chegou à seguinte definição: "Apocalipse é um gênero da literatum de revelação.C. H. tanto tempornl.18s). não foi usada com parcimônia.: D. HEllHOLM (org. Lc 23. por exemplo. 13.7. 1-20). mais longas (cf. A conclusão é que o Apocalipse de João é uma síntese de diversos gêneros literários (ajuntados não como pecinhas de brinquedo.. Desde então a denominação "apocalipse ".Essa definição. Apoealypse. Collins (1979.

elaboradas segundo o modelo das pragas do êxodo (Ex 7. por exemplo. a maioria dos quais costumava ser usado dentro da corrente teológica deno- minada apocalíptica. Pois. Assim podemos nos permitir a renúncia à definição do que seja o conteúdo da apocalíptica. juntamente com os que ainda vivem na terra.26. pois. Collins. 13. mostrou a existência de um esquema regular de construção: 1.: 1. Gêneros apocalípticos inclusão). 16. em ZNW 51 (1960) 268-278. perseguição (pelos pa- gãos).27. nas estrelas. Assim torna-se possível falar de gênerosapocalípticos. como em Ex).13-18: Voz do arcanjo . nenhumtexto da comparação. Ap 6. abreviação dos dias. que falta. Futuro próximo. o elemento decisivo para a determinação do gênero. das taças. Autorização aos anjos para produzir as pragas. P. lTs 4. "em seguida". 13. pela comparação das formas literárias. nas passagens de caráter apocalíptico das cartas do Nr). 3..1-19. Müller: "Die Plagen der Apokalypse". em que Deus lhe põe todos os inimigos debaixo dos pés . Que em Me 13 se trata deste gênero (tagma) fica claro por uma série de observações que seguem os diversos vaticínios e admonições: 13.24.encontro com o Senhor .1-21: Visões dos selos. mas se tal texto.vitória sobre o último inimigo. "é preciso que antes. 2. o Senhor desce do céu . a priori. então. efeito da ação dos anjos ("e aconteceu". afinal de contas.Os seguintes gêneros literários desempenham algum papel nos textos do NT chama- dos de apocalípticos: 1. H. . falsos Cristos.29). resolver aqui se a combinação de uma exortação à conversão ("chorai. profanação do templo.seja pregado aos pagãos". portanto.estar com o Senhor (na terra). Futuro próximo: a) o mistério da impiedade já está operando. "depois".8 "início das dores".5-27 par. A seqüência apocalíptica dos acontecimentos (tagma). envio dos anjos. o esqueleto e. 13. para não excluir.. o Apocalipse de João não é o critério para definir o que possa ser um gênero literário apocalíptico. tribulações. Dentro de cada série os fenômenos se sucedem em crescendo.10.") comum anúncio de desgraça (Lc 23.Jesus entrega seu Reino a Deus. ocupam um lugar especial quanto a seu conteúdo e estrutura. reação dos homens. O Dia do Senhor: a) aniquilação do ímpio. 2.ressurreição dos cristãos . . são arrebatados no ar . 11. Uma seqüência relativamente fixa forma. b) Juízo sobre todos os que não creram na verdade. na lua. vinda do Filho do Homem. mes- mo quando não correspondem à definição de Collins (o que diz respeito especialmente à figura do medianeiro transcendente. com isso. conseqüências do efeito. Nisso.8-10.1-9. 2Ts 2.os ressuscitados.3-12: 1. das trombetas. b) manifestação do filho da perdição e de suas obras. 1. Me 13.23-28: Ressuscitamento de Jesus . contribui para esclarecer textosdo Nf cujo sentido tem ficado obscuro ou inacessível.Reinado de Jesus. A vantagem desse caminho é que assim. b) aquele que o "retém". Não precisamos.2. torna-se possível relacionar com o Apocalipse também outros textos do N'l' considerados "apocalípticos". o critérioé antes um conjuntode gênerosque se podem encontrar no quadro da apocalíptica. tomamos esse conceito antes num sentido o mais amplo possível. 4. também em Mc 13 par.21.. dos "ais". 5. 269 . mas ainda não o fim: guerras.7b.Ressurreição .. Dentro dessa ordem de aconteci- mentos as "pragas". 3.trombeta de Deus.. em contraste com um procedimento de acordo com a definição de 1. Textos: lCor 15. 13. Futuro médio: a) afastamento "daquele que retém". O fim verdadeiro: sinais no sol.28-31) é ou não apocalipse. . "ainda não é o fim". a morte. o que decidenão é se um texto se enquadra numa definiçãoque nós elucubramos a respeito do que seja a "essênciada apocalíptica". Execução da ordem.

cf. AscIs 7-11.3-8. evidentemente. Is 6.2-4. . Textos: IRs 22. como já se observa nos textos mais antigos: lRs 22 (Miquéias vê como um espírito diante do trono de Deus 270 . pp. in BZ 16 (1972]. 93 + 9 I.4. em termos gerais. em At 7. Deus geralmente não está sozinho (2Cor 12 é apenas um relato abreviado).56 somente o Filho do Homem "está em pé". Em 2Ts. STECK. A visão do trono Bibl. Paulo quer. O nome "apocalipse das semanas" lembra claramente a origem calendar deste tipo de escatologia.: O. a visão do trono está ligada a uma missão e uma incumbência. Hen esl. 531-538 (citando também textos do cristianismo primitivo sobre a influência histórica desta visão).5-16.Das fases admitidas no apocalipse de João. H. fosse em períodos escatológicos.I 7 e na visão da nuvem que sobe do mar. 21.1-10. a saber.1. 20. até tarde na história da Igreja antiga.1l-15. 71. 19.9-11. 2. Ez 1-3. o princípio calendar é aplicado pela primeira vez a um esquema que abrange não apenas a história mas também a escatologia. A origem deste gênero literário está nos chamados prognóstika. Procedia-se. - Fosse em períodos do calendário. Em todos os casos aqui citados trata-se de relatos visionários no estilo do "Eu. Hen et. não como sentado à direita.. em que se trata. 188-206. a que a Lei concretizava (já em Dn 9. I2. por isso essa pericope abrange um espaço de tempo muito mais amplo do que 1Ts. pelos menos as séries de "ai" encontram-se também como gênero de conteúdo simbulêutico (cf. Berger. mas circun- dado de anjos em pé (só Deus está sentado) ou dos quatro seres. nota 48).4. Gêneros apocalípticos Na literatura apocalíptica encontram-se analogias no apocalipse das dez semanas de Hen et. séries astrológico- -meteorológicas de fenômenos para determinados períodos. 2Cor 12.19-22.55s. 15. minuciosamente. nas partes astronômicas de Hen et.". No apocalipse das dez semanas do Hen et. o problema da demora está em primeiro plano. 1l.15-19. nenhuma das séries mencio- nadas coincide com outra. com águas escuras e claras. § 82). portanto. 9. A estruturação em fases será mantida (quanto à sua sobrevivência na questão das fases da ressurreição.2-6. . A própria literatura sobre Henoc fornece elementos de ligação entre séries de calendário e séries escatológicas. No fundo. 14. com o relâmpago que brilha e com os doze rios que se lhe tornam submissos (ApBar sir.. 53. K. porém. enfileirados de tal maneira que se forma uma seqüência de fases com determinadas características (cf. Freqüentemente.13s. de acordo com a necessidade do momento: em 1Cor 15. BERGER. em todo caso o sábio transmitia uma experiência de ordem que talvez até superasse. Auferstehung.1-17. do desenrolar dos fatos por ocasião da própria vinda do Senhor. § 55). At 7.1-11/56-74). Auferstehung.3. imaginado como um ser angélico.25-27).5.8-16. e Hen esI. também § 75. Ap 4.7. 7.9-8. Cf. não se trata aqui de um relato de vocação: há muito o visionário já está em sua função religiosa.. Em todo caso. em fascinação.1. fundamentar a esperança na ressurreição. Nos textos acima citados do cristianismo primitivo. há algum teor de ciência de calendário. 251-253. de sorte que se menciona uma série de fenômenos intermediários ainda desconhecidos.Em Jub o princípio calendar é aplicado à história passada de Israel (cálculos cronológicos em jubileus e ligação dos dias de festa a acontecimentos históricos). mas a divisão em períodos de calendário desapareceu posteriormente. iOss. "Bemerkungen zu Jes 6".5.

em seguida o elemento da mensagem recebida é mais elaborado. 1.5). Hen esl. Antes da visão do trono o vidente lega aos que continuam na terra uma parênese de despedida (Hen. em At 7 trata-se do auge da controvérsia com as autoridades judaicas e do momento decisivo no destino de Estêvão. A usual incumbência encontra-se em Ap 21. pois. Que na visão do trono se recebe uma mensagem é ilustrado em Ez 1-3 pelo livro a ser comido (esse elemento.. comum no Oriente Antigo. ser sugerido por meio de uma "visão do trono". 4. exaltei-o"). prostração e adoração. tão essencial para os textos mais antigos. a visão do trono. com o espírito de força. esl. o Ap desenvolve o elemento do servi- ço celestial diante do trono de Deus. ética). 1. Darmstadt.9: "E dize a teus filhos e a todas as crianças da tua casa tudo quanto deverão fazer sem ti. tornado independente. já observada em 1. para que ele os copie. e Paulo nem julga comunicáveis suas intuições. O mesmo fenômeno constatamos em 2Cor 12 e At 7: falta até por completo qualquer incumbência..l1: "Clamei em voz alta. louvei-o.10: depõem suas coroas diante do tro- no. e abençoei-o. É a tarefa de escrever. voltará em Ap 10). E como em Is 6 (cf. p. testemunham isso.. em homenagem). é a definitiva legi- timação de sua mensagem (para Paulo esse elemento situou-se na visão de sua voca- ção) pois ele a contemplou junto ao trono. pois aquele que está no trono manda expressamente mostrar a Henoc os livros. porém mais extensamente. do conhecimento da ciência da natureza para o da teologia da história). e ninguém deverá te procurar. segundo Hen esl. diante do trono. Aí aparece. à sua "visão do trono": o contato mais sublime que um homem pode ter com Deus. Os numerosos textos "hínicos". como sem dúvida também para Estêvão. corresponde o livro com os sete selos. Die Himmelsreise der Seele. o mensageiro hostilizado de Deus recorre. foi decisivo ter tido semelhante visão. Que o império universal romano seria subjugado pelo Deus que estava por trás dessa minoria perseguida só podia.19). só que esse livro fala do desenrolar dos acontecimentos derradeiros (portanto. Afimção dos relatos sobre "visões do trono" no cristianismo primitivo (como em AscIs) é sempre a mesma: no ponto mais alto de uma controvérsia com os adversários. 71/72ss). 71 (v. e AscIs a visão do trono é combinada com o esquema (que antes não pertencia a esta forma literária) dos diversos céus que é preciso percorrer até chegar ao céu mais alto. do Apocalipse de João. em Hen.. como tal. a ligação entre a visão do trono e a mensagem é ainda mais conseqüente. é seguida por todo o livro astronômico (caps. também aqui houve a passagem. no Ap trata-se da controvérsia com as pretensões do imperador romano. na tua casa. naquele momento. como a seu último e decisivo argumento. Neste ponto o Ap é diferente: como nos textos judaicos e na AscIs a visão do trono.Aos livros que Henoc podia copiar.. - Em 2Cor 12 trata-se da conclusão da controvérsia com os adversários (o fato de Paulo fazer isso num estilo "como se fosse de louco" é apenas uma maneira indireta de falar).. Gêneros apocalípticos recebe uma tarefa) e Is 6. e ele recebe mistérios que ainda não foram revelados nem aos anjos (cosmologia. que aqui no entanto ficas relativamente em segundo plano e em 21. a influência do gênero literário. 1963). tanto quanto as ações "litúrgicas" de homena- gem (cerimonial.. o "Santo" em 6. da viagem celeste (cf. meteorologia.3) e em Hen et. W Bousset. na terra.ex.5 (cf. aos quais pertence o "Santo" de Ap 4.8.5 parece referir-se apenas a "estas palavras" (de 21. "E chamei meus 271 . Em Is 6 e Ez 1-3 trata-se da tarefa de pregar (ou de provocar obstinação) entre os homens. Em 2Cor 12. esl. por Henoc. Para ele. uma vez que já havia mártires cristãos. como em Hen esl. Em Hen et.".

20-28. 1974). Ez 38s . e comuniquei-lhes tudo o que haviam dito aqueles homens maravilhosos"). Ele está no papel do angelus interpres. 3. como a oposição entre dois sistemas de soberania: a tirania e a verdadeira realeza.323ss.26 (os Targumim segundo S. 66-82 (cf.b) Em 17. 19. ANRW. também em 17. lQ 32.663-674. The Messiah: An Aramaic /nterpretation. que influenciou S1Sa117.31-35. ANRW. .1. Ap 17-20 segue em grande parte 272 . mas da luta contra Jerusalém. Altjüd. 1090s). mas. para a qual todos os povos se unem.107-109.16. De mais a mais. . 4. Tal oposição não apenas reflete claramente a tradição sobre Hércules na encruzilhada. 22. o anjo fica em segundo plano. apoc. também § 63) a) Representação da Jerusalém escatológica: Ap 21. b) O que domina em Ap 18-21 é o contraste entre as duas cidades: Babilônia (Roma) e a Jerusalém celeste.11-13. no mesmo sentido político. hebr. que luta contra os povos e os derrota.. 5. o estudo em DJD III 184-186.11. Targum F sobre Nm 11.8s. do ponto de vista da história das formas. Não queremos falar agora da luta de todos contra todos no fim dos tempos (cf. 3.27. Entre os autores do Nl' é Lucas quem privilegia a instituição do angelus interpres: é só em Lc que as mulheres descobrem primeiro que o sepulcro está vazio. De resto. compare com Ap 20.1-13. 17. de Elias (segundoRiessler. depois das palavras de 22. o diálogo com Deus sobre o que foi contemplado na visão (Am 8.7-15..Do Ap devem ser mencionados os caps.6s) é o anjo que acom- panha o autor nas revelações que recebe. as pedras preciosas simbolizam um futuro glorioso. Hen et.11-21.13-17: o ancião pergunta primeiro e depois es- clarece. ambas representadas por uma figura feminina (meretriz e casta esposa).2). Sobretudo em 4Esd este papel do anjo ficou ainda mais desenvolvido. H. supra § 76.15-18. Em 19. Lewey. incluindo. 56.9-27 pertence a um gênero que foi prestigiado desde Ez 48.1. cf. O "companheiro de serviço" que o autor de joelhos quer adorar (19. escolhendoentre a meretriz e a mulher virtuosa (cf. foi substituída pelo diálogo com o anjo (Zc. 5Q 15.Nu 24. Schrifttum).lOs). 1.9). Dn) que interpreta os detalhes da visão. Targum Jon sobre Is 10. mas agora já alegoricamente como de costume.6 e em 22.Ap 16.3-6). 22. 7 e 17: a) 7. Gog. Essa luta é decidida pelo Juízo divino com o fogo ou pela vinda do Messias. também a ascensão de Jesus é interpretada por dois homens.Lc 21.22-25. os metais. aqui como sempre. Textos intermediários: Tb 13. . . 1317s).6s). Nas duas vezes tudo acontece num breve diálogo. Zc 14. antes do Ap. relacionando-a com sua volta (At 1. Descrição da guerra apocalíptica Textos: Mg 4.J14.9s. SI 2. Targum PslF sobre Gn 49. podem ser interpretadas como uma extensa parênese de despedida.14. As medidas. 2Q 24.9.7 o anjo interpreta o que mostrara a partir do v. 5. O diálogo com o anjo revelador A forma mais antiga. O ponto de partida é Ez 40-48. essas duas sobe- ranias opostas também já haviam sido contempladas em visão: Dion Crisóstomo I. embora seja sempre ele quem "mostra" (Ap 1. Descrição sem sucessão de fatos (cf. às vezes. Gêneros apocalípticos filhos. é só depois os dois "homens" dão uma interpretação deste sinal (Lc 24. 20. esta tradição já fora interpretada.7 LXX .6s ele formula bem-aventuranças e confirma a verdade das palavras. Em Ap 1-3 Jesus está no lugar desses anjos e dita às comunidadesas palavras que.Sib 3.

No século I. Especialmente com o Apocalipse de Elias hebr. descendo do céu.19. aquelas ousadas esperanças não são in- compreensíveis como consolação e teodicéia.4). Apocalipse de João 2: fim de Roma 17.4: ordem de sair de Babilônia saída de Babilônia 4.1: Gog e Magog marcham contra Jerusalém 20.10 vê-se uma oposição entre o dragão e as duas bestas de um lado. eles hão de reinar também fisicamente. inclusive o tempo messiânico.13) no cristianismo primitivo é esta: no próprio plano da história concreta. Em Ap 20 a era messiânica. (10. Também nos discursos metafóricos de Hen et. Auferstehung.5. já elaborada no quadro deste gênero. Berger. Nm 11. 11." (cf.9 a besta e os reis 5.14s: Juízo 10. Aí.1: o Messias vem 19. A função dessas descrições de guerras e vitórias (cf.2.5: aves devoram a carne dos adversários a Ap 19.9: o fogo aniquila os inimigos 8. o Co