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Interpretação do Processo de Desenvolvimento

Econômico (*)
RAUL PREBISCH

CAPÍTULO I - PROPAGAÇÃO DO PROGRESSO TÉCNICÓ Á AMÉRICA LA-
TINA E PROBLEMAS DECORRENTES.

1. Considerada do ponto de vista de cada nova geração,
tem sido relativamente lenta e irregular a expansão universal
do progresso técnico, cuj o impulso, partindo dos países em que
teve origem, se estendeu, pouco a pouco, a todo o mundo. No
longo período que vai da revolução industrial à primeira guerra
mundial, os novos métodos de produção, em que se vinha mani-
festando incessantemente a técnica, atingiram, apenas, uma pe-
quena parte da população mundial.
Irrompe o movimento na Grã-Bretanha, espalha-se para o
continente europeu, onde se manifesta com graus diversos de
intensidade, e, alcançando os Estados Unidos, registra um ím-
peto excepcional. Finalmente, manifesta-se no Japão, ao em-
penhar-se êsse país em assimilar, ràpidamente, os métodos de
produção do Ocidente. Criaram-se, dessa maneira, os grandes
centros industriais ao redor dos quais a periferia do novo sis-
tema - extensa e heterogênea - pouco proveito tirava dos
melhoramentos verificados na produtividade.
O progre~so técnico afeta, apenas, pequenos setores da
vasta população da periferia, pois se implanta, como regra ge-
ral, tão somente onde se torna essencial a produção de gêneros

(*) Êste trabalho foi apresentado pelo Secretariado Executivo da Comissão
Econômica para a América Latina (CEPAL) das Nações Unidas à Conferência
realizada em Montevidéu (maio de 1950). O Autor dirige o Centro de Pes-
quisas daquela Comissão.

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alimentícios e matérias primas a baixo custo, sendo estas mer-
cadorias destinadas aos ditos grandes centros industriais.
Se acreditarmos que a constelação econômica que se havia
formado no mundo antes da primeira guerra representa a di-
visão ideal do trabalho, torna-se evidente que qualquer diver-
gência dos preceitos nela implícitos constituirá um desvio no
funcionamento normal da economia. Não existe, porém, qual-
quer fundamento científico na tese de permanência daquela
constelação. No decurso de tempo a que aludimos, apenas pre-
encheu-se uma etapa de grande importância para o crescimento
da economia mundial. Esta etapa, não obstante sua larga re-
percussão, jamais poderia ser considerada uma situação defi-
nitiva, já que não incluía todo o extenso campo da periferia,
com sua enorme capacidade para assimilar o progresso técnico,
o que lhe permitiria elevar o baixo padrão de vida das grandes
massas que constituem sua população.
Examinado de perto, verifica-se que o desenvolvimento eco-
nômico dos países que formam a periferia constitui uma nova
fase na propagação universal dos novos métodos da técnica pro-
dutiva, ou melhor, no processo de desenvolvimento orgânico da
economia mundial. Nos países de produção primária encontra-
vam-se, já antes da primeira guerra, algumas indicações prenun-
ciando essa nova fase. Todavia, só com a deflagração do primeiro
conflito mundial e as dificuldades que surgiram nas importações,
decorrentes dêsse mesmo conflito, foi que se perceberam as possi-
bilidades industriais dêsses países da periferia. Da mesma forma,
somente depois da grande depressão econômica ocorrida nos anos
30 é que se começou a reconhecer a necessidade premente de
aproveitar essas possibilidades a fim de poder contrabalançar,
por meio do desenvol\'imento do mercado interno, a indisfarçá-
vel insuficiência do impulso proveniente do exterior, que até
então vinha estimulando a economia latino-americana. Essa ten-
dência seria finalmente ratificada por ocasião da segunda guerra
mundial, quando a indústria latino-americana, apesar de tôdas
as dificuldades e improvisações, apresentou-se como importante
fonte de emprêgo e de consumo para grande e crescente parte
da população.
Não resta dúvida, por conseguinte, de que a América La-
tina entrou numa nova fase de propagação universal da técni-

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ca, se bem que a assimilação desta à produção primaria esteja
longe de se haver completado. Conforme vem de ser exposto, os
novos métodos de produção atingem, em primeiro lugar, àquelas
atividades que estão ligadas, por um meio ou outro, à exportação
de gêneros alimentícios e matérias primas. Desde o início, tem-se
notado uma cuidadosa seleção de aptidões no exercício desta
função primária que, efetivamente, coube à América Latina.
Extensas regiões se articulam ao sistema econômico mundial,
enquanto outras, igualmente extensas e acusando, como regra
geral, maior densidade de população, continuam, até hoje, à
margem do âmbito dêsse sistema. E' evidente a desigualdade
do desenvolvimento dêste fenômeno. A evolução dos transpor-
tes, durante a segunda metade do século passado, abriu cami-
nho às terras férteis até então inacessíveis, para as quais ILfluí-
ram tanto mão de obra como capital e técnica, permitindo, assim,
empreender a produção agrícola e mineral cada vez mais pro-
curada pelo crescente mercado europeu, ao passo que outras
regiões, que vêm sendo cultivadas secularmente, para o sustento
das suas populações, seja em virtude de sua reduzida produtivi-
dade ou de sua inacessibilidade, desconhecem os efeitos dêste
processo impressionante de expansão da técnica e da economia
capitalista. Restam, por conseguinte, na América Latina, vas-
tos territórios de considerável importância demográfica, onde
as formas de exploração da terra e, em conseqüência, o nível
de vida das massas são essencialmente pré-capitalistas. Eis, en-
tão, que nessas regiões o problema do desenvolvimento econô-
mico se traduz, sobremodo, por uma necessidade fundamental
no tocante ao progresso técnico aplicado à agricultura e às ou-
tras atividades a ela ligadas, entre as quais figuram os trans-
portes.
A expenencia do passado nos tem demonstrado, contudo,
que à medida em que a técnica moderna vai aumentando a pro-
dutividade, vai-se criando uma sobra de potencial humano des-
necessário à agricultura. Cabe, então, à indústria e a outras
atividades absorver e tornar econômicamente produtivo êste ex-
cedente de mão de obra. Assim é que o aperfeiçoamento agrícola
e o desenvolvimento industrial constituem dois aspectos do mesmo
problema de desenvolvimento econômico. Basta observar a ele-
vada percentagem da população que, na América Latina, trabalha

10 REVISTA BRASILEIRA DE ECONOMIA na lavoura. in- vestidos vultosos capitais. para outros métodos de produção que im- plicam alto nível de capitalização por trabalhador e elevada pro- duLividade. atrai grandes cor- rentes migratórias ao mesmo tempo em que vão sendo. apenas. em cujo território. de per si. Nada tem isso de surpreendente. Em primeiro lugar. a evolução de determinados métodos pré-capitalistas ou semicapitalistas (empregados por grande parte da população). Êste último é um país de periferia. Com o propósito de melhor esclarecer êste aspecto do problema. uma dessas diferenças se encontra no próprio modo de penetração do progresso técnico. um setor crescente da po- pulação econômicamente ativa da América Latina. casos extremos de con- traste. limitar a questão a êsses têrmos seria desconhecer outros aspectos fundamentais do problema do desenvolvimento econômico da América Latina. como já foi assinalado. deslocar-se-á automàticamente da agri- cultura para a indústria e outras atividades urbanas. represen- tando parte da periferia. No entanto. desde meados do século XIX. São êles o México e a Argentina. de organização recente. Ainda que não deixe êste fator de ter grande im- portància. paralelamente. Sua população aumenta em estreita dependência com o desenvolvimento da técnica e da economia. bem como do incalculável esforço necessário à sua solução. apresen- tam-se. recém-aberto à lavoura. ali. Dois exemplos distintos de desenvolvimento econômico 2. aliás. pois. para formar-se uma idéia do vulto dêste problema. vem-se verificando intensa infil- tração da técnica produtiva capitalista. vamos examinar a situação em dois países diferentes que constituem. não abrange êste problema. diferenças específicas que exigem exame a fim de evitar generalizações infundadas. A zona rural. an- tigamente deserta ou de escassa população. na república platina as explorações agrícolas são. Por fôrça das circunstâncias. conquanto existam certos denominadores comuns no to- cante à incidência do problema nos diversos países. Com exceção de alguns pequenos centros. exceção feita de uns poucos países. à medida em que avance o progresso técnico. e tudo isso resulta da ação de um forte e constante estímulo . em sua maioria.

a mineração e as atividades que dependem dela. sobretudo a primeira que. qualquer incentivo à introdução de novos métodos. 65 por cento da população econômicamente ativa do México se des- tina à lavoura. sem exercer qualquer interferência imediata no mercado mundial. PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO ECONôMICO 11 vindo do exterior. pois. já o México tinha uma população comparativamente numerosa. de redu- . consiste na substituição de sua agricultura secular. por conseguinte. apenas. Na época em que se iniciava êste crescimento econômico e demográfico na Argentina. se venha acrescentando à atividade econômica do México outros estímulos internos de considerável amplitude. esta contribui tão somente com cêrca de 30 por cento para as exportações dês se país. que o México com tanto afã está procurando solucio- nar. o que impossibilitava qualquer concorrência com as regiões de recente exploração. Entretanto. absorvem. ultrapassou em im- portância a mineração dos metais preciosos de tão lendária repu- tação. e sem ser grandemente afetada pelo estímulo de desen- volvimento oriundo do exterior. que o problema de desenvolvimento econômico. seus característicos traços pré-capitalistas e seu ínfimo coeficiente de produtividade por trabalhador. Com efeito. trazidos do exterior. a sua indústria de mineração e a exportação do henequém de Iucatão. Não foi. seu vetusto regime de agricultura de subsistência que facultou ao México o ingresso no sistema econômico mundial. assim. com o decorrer do tempo. sofria a pressão de uma população em crescimento contínuo. cuja fertilidade já há muito estava debilitada. em absoluto. uma pe- quena fração da população mexicana. Apesar de que. quase ex- clusivamente. O solo. enquanto que a grande maioria desta se detém no marasmo das antigas práticas e ocupa- ções. mas. à agricultura. na Argentina. Compreende-se. A êsse estímulo exterior se deve. ultimamente. esta atividade absorve apenas 36 por cento da população econô- micamente ativa. sim. aquêles grupos de população continuam emprestando à economia dês se país os tra- ços típicos das economias pouco desenvolvidas. ao passo que. Faltava. para a agricultura mexicana. quer direta ou indiretamente. que se dedicava. onde a produção agropecuária encabeça a lista de exportações. com métodos an- tiquados. que mantém. o crescimento da economia argentina até o início da crise econômica mundial.

àquêle minguado estímulo exterior. a complexidade do problema. N este país. ao qual. Se se tem. destarte. em conta que a taxa de aumento da população é. O amplo e ininterrupto aumento da procura mundial dos produtos argentinos de exportação. por outro. uma das mais elevadas que se conhecem.12 REVISTA BRASILEIRA DE ECONOMIA zido nível de produtividade. grande margem para novos me- lhoramentos. vinha registrando. Não resta dúvida de que é. Se são insuficientes as exportações para absorver o incremento demográfico. uma grande massa humana vivendo num estado pré- -capitalista. A partir dos anos 30. compreende-se. que constitui fator marcante da fase inicial do desenvolvimento dêsse país. predispondo a grande massa de europeus a se radicarem no território argen- tino. mesmo no que se refere à agricultura. existindo. no México. insufi- ciente o progresso técnico da Argentina. ademais. a sobra de mão-de-obra acima assinalada. e para a qual é ne- cessário encontrar aplicação dentro da esfera da técnica capita- lista. até então. o volume físico das expor- tações argentinas sofreu importante modificação. nem. Constituem as condições impostas pela dita industrialização aquêle denominador comum. anteriormente. deve-se isto ao fato de que. nos referimos. com facilidade. o aspecto principal do pro- blema de desenvolvimento econômico reside no apreciável declí- nio do estímulo exterior de crescimento. pôde a economia ar- gentina continuar a absorver o referido incremento demográ- fico e elevar o nível da sua produtividade. tam- bém servia como poderoso elemento de atração. Criar-se-á. O caso argentino é inteiramente diverso: não abrange. ao mesmo tempo em que facilitava a absorção do in- cremento vegetativo da população. ponderável nessa época. dando sinais de substancial contração ao invés da expansão contínua que. todavia. se. o ritmo de incremento da sua popu- lação permite qualquer comparação com o que as estatísticas mexicanas acusam. de mais elevado rendimento por trabalhador. a partir dessa época. porém. por uma agricultura moderna. por um lado. sobretudo. assim. veio sobrepor-se o estímulo deliberado da industrialização. ainda mais o são para absorver o excedente real . tendo-se em vista a intensidade da atuação dêste estímulo no período ante- rior à grande depres:-1ão. ainda. Persistiu esta tendência com tamanha intensidade que.

dos quais citaremos. Estas diferenças. Sendo seu objetivo o incremento da produ- tividade. a necessidade de ca- pital. principalmente. Quase todos os países latino-americanos têm enfrentado graves obstáculos. Constata-se a re- petida incidência dêste fato. além de contar com recursos naturais e uma população capaz de assimilar o progresso técnico. que se dedica à agricultura e a outras ocupações congêneres. na Argentina ou em outros países latino-americanos. PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO ECONôMICO 13 ou virtual da população econômicamente ativa. compro- vado ser êle aspecto comum característico do problema do de- senvolvimento econômico nesta região. em conseqüência. que lhes vêm dificultando a formação. quer nos transpor- tes. procurando mesmo não tocar na matéria contida na segunda . também. contribuem. para a variação dos têrmos do problema de desenvolvimento eco- nômico. tanto maior será. quanto maior fôr a propor- ção da população subordinada a um sistema pré-capitalista ou semicapitalista. E' evidente que os têrmos do problema do desenvolvi- mento econômico variam com os diversos países. por meio de poupança interna. dos grandes centros industriais. Deduz-se. Com o único propósito de salientar algumas destas diferen- ças. deve o país em aprêço dispor dos meios necessários para efetuar o imprescindível au- mento no montante do capital aplicado por trabalhador empre- gado. não obstante o marcado cresci- mento de suas exportações. outro elemento limitativo de igual importância: consiste êle no montante das exportações de que se disponha para transfor- mar a poupança em importações de bens de capital. aqui. dos capitais de que necessita. quer na indústria. configurando-se de acôrdo com a relativa importância de determinados fatôres. desde já. quer na agricultura. em relação a êste aspecto. ficando. apenas. também. quer seja no México. conjuntamente com outros fatôres. notam-se apreciáveis contrastes de um país para outro. unidas à ca- rência de capital. tam- bém. conforme teremos oportunidade de ver mais adiante. oriundos. assim. Nem a própria Vene- zuela escapa a esta regra geral. Diga-se. e quanto mais acelerado fôr o ritmo do aumento dessa população. que. aquêles que estão diretamente ligados ao assunto. que. Tênnos variáveis no problema de desenvolvimento econômico 3. Surge.

..8 Chile .. ' ....3 São Salvador .7 41 41.. 1941.3 67 I I I 70...4 65 67. em dólares...... 14 REVISTA BRASILEIRA DE ECONOMIA seção dêste estudo...7 Haiti....3 Rep....5 79..3 10..9 18.. 23.3 7. possIvelmente.micas . Panamá. 25..... ..7 155... Brasil...4 TOTAL ..0 74 75. 1938..7 Colômbia ...que nos mostra: o valor. .. .6 11..5 México .3 Uruguai .. 18..6 10.. examinemos o Quadro 1 .... em cada pa1s forneceram os respecti...8 14.a fim de formarmos uma noção bem clara da parte da população que. publicação do ü. 15... . permanece em estado pré.4 19.. per capita... . Chile. corrE"spondem a08 anos seguintes para os palses assinalados: Colômbia.... . 20.....Comissão Econômica para a América Latina... . 23......... ........ ll..7 16..1 21... . 31.. .. Economic SUTvey of Latin America... 10.9 2...........4 36 38. Tariff Commission.6 Peru .. 1940.R. ......0 ll. 25.2 5.7 36 41..2 8.1 Bolívia .2 13. e Argentina.7 16.8 47.6 9... a taxa média de aumento anual da população e a percentagem desta que se dedica à agricultura .. The Foreign Trade of Latin America. 1947.... ~léxico Nicarágua e Peru... bem como na produção primária..... 21.5 118.4 Paraguai ..1 69..4 6...9 66.....3 Costa Rica ...... 36..5 15.. .. S....6 Nicarágua .. 30. 25.... ...2 32.......ou semi capitalista... .... 1937 -1949 Proporção I Proporção InaempITgad.. . "enezuela...... ' 27........ E EXPORTAÇÕES E~! DÓLARES "PER CAPITA" K... Dominicana.... Department of Coruruerce..8 26..1 Guatemala ... ambos publicados pe]u Nações Unidas: Foreign Ccmruerce "eekly. 21.2 73 74...7 7.4 11...3 Honduras .. ....2 9.. 24.......4 62 64. publicação do C. 18. S.9 72 52.....6 14.. NOTAS: Fontes oficiais. 30..1 Cuba .6 7.2 15...9 34. .. Brasil.·os dados fundamentais.. Cuba.6 6.0 Equador . .8 34.. 22.{- I PAíSES I Frco.. .4 Venezuela .9 FOXTE: Centro de Pesquisas ECODc.4 51 53.. QUADRO 1 CRERCDfEXTO DA POPULAÇAO • PoprLAçÃO ATIVA POR OC"PAÇÕES. I % \XrAL empregada 1935.8 25... .. 1945- I na produção -1939 -1948 II agricultura primária I I Argentina .. 1945. das exportações..2 10..1 10...\ A~IÍlRICA LATI:'\A I PERCE:'\T\GE~I DO TOT\L DA PoprLAç'ÃO ECOXÔ"I- I EXPORTAÇ:i:O "PER CAPITA" Ar~IE:'\TO ~IEXTE ATIYA E~! DóLARES I I DE~IO(..8 n.0 29. As estatfsticas relati-v8s à Jercentagem da população empregada na agricultura.... 1943...5 20. ...1 Panamá .. da CEPAL: Stati>tical Yearbook e Demographic Yearbook.5 4....

referimo- -nos à Argentina. Mas. encontram-se nestes dois países as maiores populações de tôda a América Latina. em Cuba elas estiveram sujeitas aos fatôres depressivos comuns à maioria dos países latino- -americanos. são muito grandes as necessi- dades potenciais de capital. Ademais. também. não basta con- siderar o valor e o volume das exportações num dado momento.considerada em dólares de poder aquisitivo constante . uma elevada cifra per capita. suas exportações. To- davia. Já em Cuba vamos encontrar uma situação mais favorável. mas.como. De outra parte. . todavia. A pro- porção da população argentina. Indica-nos esta ocorrência que. dada a propensão à queda que apresenta esta cifra . se bem que esta não al- cance o nível atingido pela Venezuela e por Cuba. Deparamos as mesmas condições no Brasil. é igual à do Chile e inferior às per- centagens apuradas para os outros países. cujo crescimento demográfico é menor. segundo os dados per capita ali divulgados. dêsse país. e é muito alta a proporção dessa população que se dedica à agricultura. Finalmente. que apresentam desde a crise mundial as exportações argentinas . conseqüentemente. A despeito da ten- dência ao declínio. as exportações per capita. . é fá- cil perceber em que forma tão aguda se apresentam. juntamente com as da Venezuela. para não entrar em muitos detalhes. PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO ECONôMICO 15 Reportando-nos ao exemplo que nos oferece o México.não deveria causar admi- ração o fato do desenvolvimento econômico argentino achar-se seriamente embaraçado pela deficiência dessas exportações. enquanto na Venezuela as exporta- ções cresceram marcadamente. são as mais elevadas da América Latina. que deveriam suprir estas necessidades. é menor a percentagem da população ocupada na agricultura. nesse país. entre os dois países. De uma parte. aliás. razão pela qual tais fatos adquirem gran- de importância. para compreender os têr- mos do problema de desenvolvimento econômico. Há alguma semelhança.acusam. a êsse respeito. já assinalamos . como. os têrmos do problema do desenvolvimento econômico.. é elevado o ritmo de crescimento da popula- ção. na realidade figuram en- tre as mais exíguas do continente. pois o ritmo de crescimento da sua população é comparativamente menor. que figura como sendo econômi- camente ativa na lavoura.

igualmente. Torna-se necessário. Se as exportações não aumentarem paralelamente. um desequilíbrio no (I) Atendendo ao J'ropósito de simplificação. a aumentar mais inten- samente que a população. incrementar a renda total. também. de analisar êsse fenômeno. a deficiência dessas exportações em relação à sua capacidade de suprir a procura emergente do de- senvolvimento econômico. Aumento da Renda e desequilíbrio 4. outro fenômeno da máxima relevância: a persistente tendência ao desequilíbrio do balanço de pagamentos. à consideração dêsse fato. De acórdo com os argu- mentos já expostos.16 REVISTA BRASILEIRA DE ECONOMIA devendo. limitar-se-á esta análise à consideração das exportações e das importações. decorrente do progresso técnico. aqui. vamos encontrar aqui o segundo denominador comum. o primeiro dêsses denominadores é a de- ficiência das exportações. mais tarde. parece ser insuficiente para suprir as necessidades de importa- ção provocadas pelo processo de desenvolvimento econômico (1). para se poder efe- tuar o aumento da renda per capita. a observar que. uma vez que a elevação do nível de vida das massas mediante uma redistribuição de rendas tem alcance muito limitado. fenômeno em geral inerente ao processo de desenvolvimento econômico. ao qual já foi feita alusão. caso o ritmo de crescimento interno seja intensüicado. O problema econômico fundamental da América Latina consiste em aumentar a renda real per capita. ser levada em conta a intensidade da sua ex- pansão. necessàriamente. por meio de um incremento da produtividade. Limitar-nos-emos. Abstraindo-se o exemplo acima referido. sobrevirá. dentro de pouco tempo podem se tornar deficientes. em geral. então. pondo de parte o caso da Venezuela. agora. Trataremos. com relação à sua capacidade para absorver tanto o incremento da população como o excedente desta. isto é. Exportações que são ostensivamente adequadas. Em tal ocorrên- cia as importações tenderão. o aumento do volume físico das exportações. . Agora. Revela-se. não compreendendo qualquer rde- rtncia aos outros itens do Balanço de Pagamentos que poderiam fàcilmente ser incluídos aqui. sendo que esta expansão deveria se processar com maior inten- sidade que o ritmo do crescimento demográfico. Voltaremos. temos o segundo denominador comum.

quer na forma de lucros maiores para os produtores. com suas conhecidas manifestações na economia interna. o qual. por outras atividades. e. como. aumento da produtividade por traba- lhador e. traduz-se o equilíbrio dinâmico num nível invariável de produtividade. proveniente da agricultura. quer em benefício direto para os consumidores. Vejamos quais os efeitos dêste movimento. a renda. Os aludidos melhoramentos técnicos permitem aumentar a produção enquanto diminui o número de trabalhadores ali ocupa- dos. Neste caso. Para isso não é imprescindível que varie o coefi- • ciente de importação. quer na população. agora. num dado momento. suponhamos um caso hipotético de equilíbrio dinâmico. assim. Vej amos. Ao mesmo tempo. no qual se verifica o mesmo ritmo de expansão. pois o incremento à pro- dutividade se manifesta. quer nas exportações e na renda. assim. que sejam introduzidos melhoramentos técnicos na produção agrícola destinada ao mercado interno. PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO ECONôMICO 17 balanço de pagamentos. Outrossim. levando-as a superar as exportações. em segundo lugar. sua produtividade e. entretanto. No intuito de esclarecer o fenômeno. devido a cer- tas reações características dos países da periferia. Admi- tamos. a fim de possibilitar a expansão da produtividade. o coeficiente de impor- tação é muito baixo nos setores de limitada produtividade e renda J. a absorção. seus dois resultados imediatos: de uma parte. Ensina-nos a experiência que. não auferindo. constituirá o aumento total da renda dessa coletividade. em seguida. qualquer incremento a renda per capita. pela necessidade de se aumentar o volume das importações de bens de capital. é bem possível que o referido coeficiente aumente. que aproveitarão da baixa nos preços.2 . elevando-se. excedente de mão de obra na agricultura. cujo total ultrapassará os limites que seriam atingidos pelo seu crescimento normal. por conseguinte. conseqüentemente. aparece o desequilíbrio. agora. apura-se um acréscimo à renda real da cole- tividade. da mão-de-obra excedente refletir-se-á em novo incremento à renda real. adicionado ao acréscimo anterior. ato contínuo. Transparecem. Do aumento da renda da coletividade uma fração será aplicada em importações. sendo sua elevação determinada por dois fatôres: em primeiro lugar. de outra. seguindo as importações cadência idêntica no que diz respeito ao seu incremento.

Assim sendo. Mas qual seria o resultado da sua aplicação às atividades da exportação ? Neste caso. 18 REVISTA BRASILEIRA DE ECONOMIA individual reduzida. seria contrabalançada pelo aumento normal da renda proveniente das atividades de exportação e da procura interna estimulada por êsse aumento. tendo em mira manter a se- qüência desta exposição. quer dos pro- dutores primários. destinada ao mercado interno. Ademais. em todo processo cres- cente de produção. reduzir-se-á na mesma medida a procura interna. não se teriam manifestado os desequilíbrios acima assi- nalados. Os objetivos que aqui se têm em vista não justificam. em face do ritmo uniforme de expansão que o caracteriza. à medida em que aumentam os grupos de maiores rendas. entrementes. complicar o têxto com êsse refinamento teórico. dando origem. motivada pela expansão das importações. No exemplo hipotético acima delineado. para incrementar o coeficiente total. Examinar-se-á essa conjectura com a devida atenção. destarte. progressivamente. verifica-se que o aumento da renda individual. a renda Iíquida é sempre superior ao valor da produção ter- minada. como aliás no precedente. fôsse utilizada na produção para a exportação. a um desequilíbrio no que diz respeito à maior oferta agora disponível. aumentando. assim. porém. a contração da procura interna. O desequilíbrio da procura interna acha-se estreitamente relacionado ao anteriormente referido. ao da expor- tação. o caso de • introdução do progresso técnico nas atividades agrícolas desti- nadas ao mercado interno. apenas. elevando-se. quer dos consumidores. no fim dêste capítulo. se a mão-de-obra deslocada da pro- dução agrícola. Não resta dúvida de que o aumento é contrabalançado pelo valor dos bens e serviços que lhe deram origem (1). provoca uma expan- são no coeficiente de importação do grupo assim favorecido. não poderia sobre- vir êste desequilíbrio. Poder-se-ia admitir que. pois. pressupõe-se que a procura externa das exportações (I) Esta afirmação n lO é teoricamente exata. consideramos. isto é. . de modo que. se parte dêste incremento é aplicado em importações. contribuindo. Até o presente momento. o acréscimo das importações correspon- deria ao incremento da renda total e o de ambas. o volume desta última. Desta forma. o desequilíbrio entre a importação e a exportação seria ainda maior. assim. analisaremos outros aspectos dêste pro- blema.

fôr incentivado o estabeleci- mento de indústrias e outras atividades. estará presente a tendência ao desequi- líbrio. como. teremos que separar o fenômeno orgânico de desenvolvimento econômico do fenômeno circunstan- cial da inflação. Não é isso. no tocante ao ritmo de incre- mento das ditas exportações. não haverá desequilíbrio. e enquanto não houver inversões de capitais estrangeiros. mas. Entretanto. essa análise para facilitar a percepção da origem de certas tendências ao de- sequilíbrio crônico do balanço de pagamentos. que pretendem elevar o nível de sua produtividade e o padrão de vida de seu povo. Contribui. não encontraria emprêgo nas atividades ligadas à exportação. criado pelo progresso técnico. sendo idêntica. verificar-se-á corres- pondente acréscimo na renda real. conforme observamos no exem- plo anterior. a fim de dar tem- • po a êsse reajustamento. quando a renda total aumente mais intensamente que as exportações. a inflação tem sua parte de responsabilidade nesse de- sequilíbrio. não admitindo essa procura maior intensidade. Assim sendo. que. se é a rea- lidade que procuramos apurar. haja ou não haj a inflação. E' evidente. também. o coeficiente de importação. Incontestà- velmente. o que se tem passado na maioria dos paí- ses latino-americanos no último quarto de século. Se. poderia parecer que. de uma ma- neira ou de outra. caso estas fôssem pagas com fundos provenientes de pou- pança real. que se manifes- tam em alguns dêsses países. entretanto. a inflação dá margem a um considerá- vel acréscimo nas importações de bens de capital. Todavia. em geral. Na medida em que não se reajuste. sua repercussão no Balanço de Pagamentos e nas atividades internas. muitas vêzes parte principal. uma fração da renda. ao mesmo tempo. PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO ECONôMICO 19 do país em aprêço aumenta na mesma medida constante e uni- forme que caracteriza sua expansão demográfica. e não mediante recursos inflacionários. se o aumento da renda nacional de um país fôr mais intenso que o crescimento de sua população. provocando inevitáveis repercussões monetárias. que outrora se consumia e que atualmente é poupada. apenas. então. era aplicada . com o intuito de ocupar econômicamente essa mão-de-obra. Pôsto que. as exportações crescerem com a mesma inten- sidade que a renda nacional. não haveria desequilíbrio. conforme ficará demonstrado no capítulo seguinte. assim. o excedente da mão- -de-obra.

outras possibilidades. que. Encontram-se. ter mantido o ritmo de crescimento das suas exportações. deveriam atuar reciprocamente. nas atividades de exportação. 20 REVISTA BRASILEIRA DE ECONOMIA nas importações. Ficou igual- mente demonstrado que. Resta. Está fora dos obj etivos dêste trabalho discutir problemas de política econômica ou apontar vantagens e inconvenientes de • soluções alternativas. provocado pelo progresso técnico da produção primária. à anúlise em- preendida aqui: na hipótese dos países típicos de produção pri- mária. de acôrdo com o coeficiente. por sua vez. co- mo era outrora o caso. tais como aqueles do continente latino-americano. que permitiriam uma expansão conside- rável das atuais exportações da América Latina. suficientemente grande. seria. fazendo crescer a rE·nda mais intensamente que a população. empre- garem. uma pergunta objetiva. em pagamento destas. quer o incremento vege- tativo de sua população. diretamente. os quais se devem ao fato de que as exportaçõe5 são insuficientes para fazer frente às exi- gências de importação derivadas do próprio desenvolvimento. importações provenientes dos centros indus- triais. estivessem dispostos a aceitar.portações 5. contudo. como também do excedente desta. Julga-se. quer o excedente de mão- -de-obra criado pelo progresso técnico. as exportações se revelam deficientes no que diz respeito à absorção. mesmo no caso da capitalização se efetuar sem inflação. que pode ser feita e que se refere. para permitir a lJIBUOTECA MARIO HENRIQuE SIMONSEN FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS . adviria o desequilíbrio da mesma forma. Em outras palavras. no campo da economia internacional. tôda ela será assim aplicada. E. ainda. da mesma forma. não somente do incremento da população. que os países de produção primária pudessem. se. talvez. e tendo em vista que. acarreta fenômenos de desequilíbrio. Acabamos de ver como o desenvolvimento econômico. na nova situação. O excedente de mâo-de-obra na pToduçâo pl'l~mári(/ e as eJ. não haveria motivo para o aparecimento do fenô- meno de desequilíbrio. a que já nos referimos. se assim fôsse. porém. às vêzes. a capacidade de importação não cresce na mesma medida que as necessidades de importação. a capacidade de importação dos centros industriais.

no tocante à distribuição do traba- lho entre a população. Já tivemos ensejo de assinalar que. PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO ECONôMICO 21 absorção de tão vultoso aumento das exportações latino-ameri- canas? Para poder responder a esta pergunta. do ponto de vista histórico. devemos. depende êle do nível da técnica produtiva e da quantidade. grande proporção da população econômica- mente ativa e dedica-se à produção de gêneros alimentícios. diminui o número de trabalhadores rurais. e. dos recursos de tôda espécie aos quais essa técnica poderá vir a ser aplicada. essa proporção se acerca de 70 por cento. sendo reduzido o grau • da produtividade. encontramos. se fôr baixo o nível técnico. na Argentina. pelo menos 50 por cento da população econômicamente ativa na lavoura. no comércio. 27 por cento. apenas 36 por cento da população econômica mente ativa conti- nuam nestas atividades. Onde é baixo o nível de progresso técnico. primeiro. sendo êste movimento demográfico conseqüência natural da expansão . a proporção da população em- pregada na indústria. se bem que representem elas a principal fonte de exportação daquele país. E' incontestável que. Nada tem de arbitrário o modo como se distribui a popu- lação econômicamente ativa. será ele- vada a proporção da população que se dedica à agricultura e outros ramos da produção primária. os resultados da intro- dução do progresso técnico. em geral. apenas. examinar. nos transportes e em outros serviços. À medida em que se desenvolve a técnica. ma- térias primas e à sua elaboração elementar. à medida em que se expande a técnica. 67 por cento da população norte- -americana. Do mesmo modo. atualmente. bem como da qualidade. econômicamente ativa. Por outro lado. e pelo comércio. porém. e menor quantidade de mão-de- -obra é exigida na produção de maior volume de produtos pri- mários. Segundo o país e a época. em de- terminados casos. pelos transportes. incontestàvelmente ocorre que. um regime agrícola quase que exclusiva- mente pré-capitalista. enquanto que. Há cêrca de um século. em países onde impera. aí se concentram. aumentando-se. ao invés. o excesso da população econômicamente ativa e o seu incremento vegetativo normal vão sendo absorvidos pelas ati- vidades industriais. ainda. concentrava-se na produção primária.

ex- cesso de mão de obra na produção primária e carência da mes~ ma na produção secundária. pois. determinas~em continuar a empregar nessa atividade a mesma proporção de sua população.22 REVISTA BRASILEIRA DE ECONOMIA dos mercados e da especialização e diversificação da produção. seu transporte e sua distribuição devido à falta de mão-de-obra econômicamente ativa para completar essas operações. . quer de um ponto de vista lógico. demonstram tendência a se des- dobrarem. à medida em que se elevasse a produtividade de sua produção primária. por sua vez. Logicamente. estabelece elos de interdependência entre os diversos ramos da atividade econômica que não podem ser alterados por capricho. também. por conseguinte. à medida em que o progresso técnico se es- tende aos países da periferia e mormente quando penetra nos setores pré-capitalistás e semicapitalistas de sua economia. o Estado. tornando-se impossível sua elaboração. cujas funções. o progresso • da técnica. do comércio e de outros serviços depende da mão-de- -obra que se torna supérflua na produção primária. que os países da periferia. Haverá qualquer motivo de maior importância que nos faça crer que as conseqüéncias da extensão da técnica à periferia não coincidiriam com os resultados observados nos países onde outrora desenvolveu-se êste processo? Suponhamos. dos trans- portes. assim como da própria população econômica- mente ativa. à medida em que aumenta a produtividade e a renda real per capita. oca- siona transformações radicais na distribuição das populações econômicamente ativas ali localizadas. E' evidente que nada disso é admissível. verifica-se uma expansão proporcio- nal na procura de determinados serviços pessoais e. quer em face da experiência. Da mesma maneira. por um instante. de acôrdo com o grau de progresso técnico já atingido. não poderá prosseguir no seu impulso de expan- são se naquela outra não se verificar um desenvolvimento cor- respondente. começa a absorver crescente fração do incremento dessa renda real. ademais. Assim como o desenvolvimento da indústria. Haveria. esta última. Conduziria tal decisão à saturação do mercado mundial com produtos de produção pri- mária.

os centros in- dustriais deveriam estar prontos a receber essas grandes massas de imigrantes que. isto é. Destarte. isto é. exclu- . teria necessàriamente que se operar nos grandes centros. vencen- do sua natural resistência.segundo a qual os países periféricos continuariam a desenvolver. se ficasse determinado que os centros in- dustriais já estabelecidos continuassem a desenvolver sua indús- tria enquanto que a periferia se limitasse à produção primária. da população que não pôde ser absorvida pela sua própria produção primária. teriam grandes vantagens na concorrência com a mão de obra dos referidos centros. habituados a salários relativamente baixos. mas. o excesso da população econômica- mente ativa da periferia teria que se dispor a emigrar. parecem já haver decidido da conveniência de inclusão do desenvolvimento industrial no seu programa econômico. Já tivemos ensejo de indicar que a aplicação do progresso técnico à produção primária cria um excesso de população eco- nômicamente ativa que poderá vir a ser absorvido pela indústria e por outras atividades. compreende-se que não se trata de saber se devem a indústria e outras atividades similares ser desenvolvidas em face do crescimento da produtividade das atividades primárias. entre os quais figuram os da América Latina. se é nos centros industriais já estabelecidos ou se é nos novos centros industriais que se vão desenvolvendo. assim. A premissa da mobilidade dos fatôres produtivos 6. não deixa de ter interêsse o exame das condições que se tornariam necessárias caso fôsse tomada a de- cisão contrária. PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO ECONôMICO 23 Daí. Fica. Ao mesmo tempo. também. não somente o referido excesso de mão-de-obra. em conseqüência. os quais ver-se-iam obrigados a absorver. Embora muitos dos países periféricos. o incremento natural. tornar- -se-ia essencial. vegetativo. comprovado que a tese propalada . se o subseqüente desenvolvi- mento de tôdas essas atividades não se efetuasse na periferia. consiste o problema em apurar onde se deve efetuar o incremen- to da indústria decorrente da expansão do progresso técnico. ou melhor. A plena mobilidade da população.

tal qual se apresenta desde que teve início o referido processo. as im- portações tendem igualmente a aumentar mais que esta. sido bastante diversas. durante os últimos 25 anos (1). na íntegra. sem dú- vida. São amplas as conseqüências lógicas da premissa de mobilidade dos fatôres produtivos. pretendemos examinar a forma pela qual se apresentou êste fenômeno. O volume físico das exportações latino-americanas e seus preços relativos 1. Verificamos que.ba- seia-se em premissas que são inconciliáveis com a realidade eco- nômica e social do mundo. Na segunda parte dêste trabalho. e de acôr- do com os preceitos da divisão internacional do trabalho . sua produção primária. teria sido necessário que a capacidade de impor- tação de um país. O ENFRAQUECIMENTO DA CAPACIDADE DE IMPOR- TAÇÃO DA AMÉRICA LATINA NOS ÚLTIMOS 25 ANOS. as repercussões econômicas e sociais do progresso técnico e a sua forma de expansão universal teriam. alternativamente.) . conforme o fizeram durante determinada fase do processo de expansão da técnica.' aos estudos especiais por países. que o coeficiente destas diminuísse na medida • necessária. se desenvolvesse com a mesma intensidade que a tendência das importações ou. e não devem elas ser perdidas de vista quando se recorre à teoria para interpretar a significação daquela realidade. nos diversos paí- ses latino-americanos.24 REVISTA BRASILEIRA DE ECONOMIA sivamente. (Nota da Redação. (I) o autor se refer. essa premissa de mobilidade. Antes. CAPÍTULO II . Se houvesse sido cumprida. A fim de que não houvesse desequilíbrio constante no balanço de pagamentos. na qual se fundamenta o conceito teórico de divisão internacional do tra- balho. em plena fase de crescimento. pelo fato mesmo de que a renda total cresce mais que a população. publicados conjunta- mente com o presente pela Comissão Econômica para a América Latina. Teremos ocasião de voltar ao assunto nos capítulos seguintes. à medida em que a renda per capita aumenta em virtude do incremento da produtividade.

•••••••••..... ... 4 •....... / ''V' \ I I" --.: I. EXPORTAÇõES E CAPACIDADE DE IMPORTAÇÃO DA AMÉRICA LATINA 1 População 2 Volume físico das exportações 3 Capacidade de importação da América Latina 4 Relação das trocas da América Latina 5 Preços de importação da América Latina 6 Preços de exportação da América Latina Escala logarítmica .... ..'. 'v..... .•••••. ' .. GRÁPICO 1 POPULAÇÃO. ! 1"-\ ..e .\~':. - e.. .../ 0:.. ../ \ .\.'" ""..':. I . .. : • {."\ 2....... .-... / .. 50 Centro de Pesquisas da Comissão Econômica para a América Latina .... _......I " 31 . • \ 1\ V'\i i "... " /' • e....-. \ ( ' /' \ \ !...' .. j • r:: •• í ...... ../ . .. ....... ••••••••\ \. .

Com êste objetivo. em seguida. igualmente. em que medida o aumento da capacidade de importação corresponde ao cresci- mento da população. dentro dos limites da América Latina. do total das exportações e dos seus preços relativos.3% as ci- . apenas. que o nível destas ultrapassou o observado an- tes da crise. no intuito de facilitar o estudo comparativo. comparado êsse índice com o crescimen- to da população. respectivamente. mais tarde. Vejamos. depende. da mesma forma. no gráfico 1. em nível muito baixo. Foi somente quan- do se verificou o notável aumento das exportações. outras estatísticas a que nos referimos nesta seção. em primeiro lugar. Fundamentalmente. porém. não será estudado nesta oportunidade. devemos observar. conforme as curvas 2 e 1. a partir do princípio dos anos 30. tste aspecto. tendo-se. de maneira a facilitar a comparação da intensidade de variação dos fenômenos assinalados. assim como tôdas as outras nos gráficos per- tinentes a êste capítulo. a capacidade de importação depende da quantidade de produtos exportados por determinado país. por exemplo. as expor- tações latino-americanas ultrapassavam. e. durante todo êsse decênio. Não resta dúvida quanto à influência exercida pelas inversões de ca- pitais estrangeiros sôbre a capacidade de importação. a evolução das exportações latino-americanas. durante o período 1945-49. Os dados correspondentes são apresentados no quadro 2A. Estas curvas. que representam 95 rr' da exportação total latino-americana. mantém-se. uma parte do terreno perdido. foi calculado um índice das variações do volume físico dessas exportações.26 REVISTA BRASILEIRA DE ECONOMIA porém. de 16. Estas duas curvas foram juxtapostas durante o qüinqüênio 1925-29. Observaremos que o índice demonstra forte queda. computadas a preços constantes para os produtos exportados pelos países. e da relação entre o preço dêsses produtos e o das importações. estão apresentadas em escala semiloga- rítmica. não obstante recuperar. toda- via. ocorrido du- rante os anos 40. que contém. em comparação com os correspondentes dados referentes à população. E' impressionante a exten- são da repercussão adversa da crise econômica mundial sôbre as exportações. a possibilidade de pagamento dos juros e da amortização corres- pondentes a êsses capitais. e com o propósito de prosseguir nesta análise.

0 100.~ 13.2 63. l:l".7 169.6 16.8 72.D I -19.0 95.0 79.1 77.8 7-1.8 63.7 105.0 106.3 1926 98.0 92.3 1927 100.4 101.5.6 93.0 229.1 108.1 133.4 85. e ao !ndice de preços de exportação dos artigos manufaturados dos EE.5 91.9 134. 2 1941 129. . 7 1943 134.5 191.8 76.8 12-1.9 88.0 84.6 90.0 89.0 78.3 79.3 81.7 80.3 61.1 81.0 96. O 1939 124. O 1948 148.6 111.6 122.4 76.0 84.31 49.5 122.1 113. QUADRO 2-A POPULAÇÃO.1 67.8 97.9 90.3 77.9 104.7 124.0 64. 9 1947 145.9 93.7 154.2 84.0 105.8 105.4 98.8 57. 4 1940 126.0 80.0 72.6 90.9 99.:ü.3 85.5 77.0 100. 5 1937 119.9 133.7 87.1 83.9 78.7 75. 9 1935 114.3 120.7 108.5 99.4 67. 7 1949 150. 5 1942 131.9 93.0 82.2 88.2 90.0 117.4 118.6 103.6 70.5 96.0 103. O 1945 139.9 131.7 120.3 79. 8 Percentagem da variação sôbre a média anual 1925-29 1945-49 [ 1949 44.6/ 12. 6 1934 112.4 99.1 81.0 1931 107. do índice de preços de exportação do Reino Unido em dólares EE.2/ 57.4 I 106.3 57. 9 1936 117. 7 1933 111.8 217. das suas exportações em 1937.8 130.-.0 100. 2 1946 142.9 FONTE: Centro de Pesquisas.3 53.9 111.6 92.0 84.8 85. NOTAS: População calculada com os dados oficiais de cada pais.7 218. O índice de preços de exportação obte\"e-se di\'idindo o índice do valor das exportações lati- no-americanas em dólares pelo índice do volume físico das exportações.4 68.2 171.3 91.0 113. Índice dos preços dade de impor- Popu.7 80.0 80. e do Boletim Mensal de Estat!stica das Nações Unidas. 1.0 101.4 123.4 124.1 89.8/ 76.0 80.0 22.7 99. - Índice da capaci- físico das expor.4 110.2 65.3 49. Comissão Econômica para a América Latina das Nações ünidas.2 101.8 i 80.2 113.2 84.9 119.2 115.2 93.7 90.2 56.') 97.8 86.9 63.0 II 119.3 163.4 100.3 82.1 83. O 1938 121. EXPORTAÇÕES E CAPACIDADE DE IMPORTAÇÃO DA AMERICA LATINA .0 84.7 I 131.8 97.7 109.0 93.2 76. Índice do volume --.7 56.6 70. O índice de preços de importação corresponde à média aritmética direta. 7 1928 102.8 86. 4 1932 109.6 94.1 117.3 97.6 103.1925-1949 BASE DOS íNDICES: 1937 = 100 ~ -.2 85.6 -14.3 108.2 117.7 71.6 95. 7 1944 136.0 89.1 27.4 117.0 101.5 111.5 85.8 167.2 113.1 195. Per Tota! Total capita tação tação capita ! 192.0 77. taçóes tação ANOS lação Relação de (milhões) trocas Per Expor.9 81.6 91.6 94. Obteve-se o índice do \"olume físico das exportações ponderando os índices nacionais do yo- lume físico pelo valor em dólares EE.1 120.3 97.5 208.9 71. 4 1929 104. Ul:.6 8.0 100.6 76.3 106.8 62.7 4.0 79.0 1930 105.2 -15. O índice da capacidade de importação obte\"e-se multiplicando a relação de trocas pelo índice do volume físico das exportações.41 -24.0 100.0 100.5 88.8 135.0 121. Impor.0 70.6 62.0 100.5 109.6 61.

não existem. como base aproximada do preço pago pelos países latino-americanos para as suas importações. porém. então. mantendo-se nesse nível inferior até princípios dos anos 40. Com êsse fito.28 REVISTA BRASILEIRA DE ECONOMIA fras referentes ao período 1925-29. Enquanto se pro- cedia a uma investigação mais pormenorizada do assunto. pois. multiplicou-se o índice do volume físico das exportações pelo índice das relações de troca. ao passo que a população total latino-americana registrava um crescimento de 44. a elevar-se novamente até que. isto é. pois caem nova- mente. conseguem ultrapassar o nível obtido no início do referido quarto de século. as relações de troca registraram sensível enfraquecimento du- rante a aludida crise. durante o período 1925-29. Começam. há em seguida uma recuperação consi- derável. as variações das relações de troca. foi calculado um índice dos preços das exportações latino-americanas. dados adequados a todos os países. para agravá-lo. Infelizmente.370 durante o referido quarto de século. O volume físico das exportações per capita ha- via. O índice resultante indica as variações do volume físico de produtos que a América Latina poderia importar em função do volume físico exportado e dos . permite-nos estabelecer as relações de troca para a América Latina. ao terminar o decênio. Esta análise permite-nos fazer o cálculo do índice das va- riações da capacidade de importação latino-americana. mas a melhoria é apenas transitória. A relação entre OE respectivos preços de exportação e de im- portação. cujas flutuações são apresen- tadas na curva 6 do aludido gráfico. Com o propósito de medir essas variações. O índice dessa mé- dia encontra-se traçado na curva 5 do referido gráfico. longe de demonstrarem qualquer tendência no sentido de compensar êsse fenômeno. Desta maneira. serviram. assim calculados.3% nesse mesmo período. fo- ram utilizados os preços médios da exportação norte-americana e britânica. a média do qüinqüênio 1945-49 ultrapassa a do período 1925-29 em 4. conforme a curva 4 do gráfico. diminuído em 19. em seguida ao alto nível que alcança- ram antes da crise mundial. apenas. Teria sido interessante comparar êsses preços com os das importações. E' de interêsse notar que.6%.

22.4 11.5 -:30.3 -36. em seguida.8 -1.3 -31.1 I 30.1 -15. diminuiu 15. a capacidade de importação.'.3 -2ii.58. O índice. aumentou 44.4 .0 27. . um quadro (2B) em que se encontram resumidas as médias qüinqüenais correspondentes aos dados anuais con- tidos no quadro 2A. Reb(.3 lf). tação Popu.) VARIAÇÕES SÔBRE A }lLDL\ .5 -22. 'I .7 -44. PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO ECONôMICO 29 preços relativos dessa exportação. a capacidade de importação tende a aproximar-se do nível que teria alcan- çado. 8.7 -2·1.8 49.6 22. ~q /" ! -2!).1 % en- quanto que a população.4 12. apresentaremos. ultrapassava o nível que havia registrado em 1925-29 em.a NOTA: Veja-se o Quadro 2 para fontes e anotações.~o .I--~-· I de lação I trocel I Total Pt'r ('apta I Expor- ta~'el() Impor- tação I i Total 'I Per capita Pc:>rC'e!l t agl'I11 da Yar. conforme já indicamos.2 76.3 -26.DW) 2-D POPULAÇAO.: -26. se tivesse aumentado na mesma medida que a população.3 I -1\1. EXPORTAÇÕf:S E C\l)\CID.6 % nesse período. apesar das suas flutuações.5 -11. 2. 1930-34 ! 8.8 -44.8 .. apenas.9 1945-49 : 44.3 1940-4. QLA.?l-:2~.nIERICA L\TL'\ .6 1949 4U.8 -12.3% nesse ínterim. A capacidade de importação per capita. em 1945-49. verifican- do-se que. A fim de facilitar o estudo comparativo.1 -10.5 -24.0 4. mantém-se abaixo do nível da população..6 1935-391 18. devido ao fato de se terem agravado as relações de troca.\.~. As flutuações do novo índice são traçadas pela curva 3 do referido gráfico.4 -17. N o decorrer do período em aprêço a redução da capacidade de importação latino-americana foi mais intensa do que a veri- ficada no volume físico das exportações.1 -l4.: dade ele impor- I taçm'. l\J25-l\l!.1 -20. somente nos últimos anos do período.B .3 57. Todavia._ expor. por con- seguinte..~i\'üO ~ôbrl' a média anual 1 ~!:.) .\:\L\L 1!J25-1()2U i Índice do YOIUlllC i Indice da capaci- físico da. ..\DE DE L\IPORT\çAO DA .O 13..

cuja repercussão poderá vir a ser enorme. dur&nte êste último quarto de século. enquanto não di. Devemos atribuir. o Chile recebe uma percen- tagem do preço internacional do cobre maior do que a que lhe era proporcionada no início do quarto de século a que nos re- ferimos. UU.spomos dos l'esultaclos de lnvestigações mais extensas. atualmente. foi in- ferior ao do crescimEnto da população e não devemos esquecer que o movimento relativo dos preços não demonstrou tendência a corrigir essa diferpnça. apenas. não levam em conta melhoramentos introduzi- do. teríamos interêsse. ademais. Fatos dessa natureza. apenas. porém. durante os últimos 25 anos. merecendo. não havia ocorrido spmelhante fenômeno.UU. UI!1 valor provisório às conclusões a que chegamos. na qualidade dos produtos. é da maior importância. para a qual não dispomos atualmente do tempo e dos meios necessá- rios. e para a Grã-Bretanha. apesar de cer- tos casos excepcionai8. é que. Desde que a América Latina se co- locou no mercado internacional. não se refletem imediatamente nas va- riações de preços que tivemos ocasião de analisar. em relação ao problema do desenvolvimento econômico. isso exigiria uma análise pormenorizada. em meados do século passado. Não seria.30 REVISTA BRASILEIRA DE ECONOMIA As cifras utilizadas não permitem a mensuração exata dêsses fenômenos. examinaremos o curso das exportações da América Latina. Ademais. para os EE. cuja ~ignificação. dá-se o mesmo fenômeno com o preço de exportação do petróleo. As importações de produtos latino-americanos no EE. por conseguinte. foram mais sensíveis no caso de produtos industriais do que no caso de produtos primários. Na Venezuela. Tendo em mira êsse objetivo.. dados contidos num outro es- tudo mostram-nos que. sem dú- vida. o caso de examinar e comparar os pre- ços da exportação e da importação. utilizados no cálculo dessas variações. melhoramentos êsses que. . detalhada análise. países êstes que absorvem a maior parte da exportação total latino-americana. em calcular a proporção do valor da exportação que permanece no país exportador. Por exemplo. o ritmo de aumento do quantum das ex- portações latino-americanas. O que não podemos negar. os índices dos preços da exportação industrial. 2..

7 53. O.7 1.3 79.94 119.8 0.94 170. .9 ! 1.3 111.4 95 I. preços de exportBç1Io dos produtos manufaturados n08 EE.3 1940 84. UU.038.09 229.7 180 127.Coeficiente dos das trocas dade de EE.71 I 81.4 1933 1934 55.8 106 I I 73.8 1948 112. Robert ~lartin. Comissão Econômica para a América Latina.0 109 7[1.945 1.1 400.690 1.827 65.4 188 120.389. p8l'& preços de importBç1!o.0 1928 6(1.25 215.1 0.3 78.149 901.6 1944 142.5 1. .7 54.961 371.5 1942 113.9 1931 64.891 60.!l 130 129.'.3 2..6 1. utilizando-se. 1921 56.874 II 67.7 0.5 0.637 .0 100.56 151.046 1.9 81.6 180 115.3 0.30 II 154.0 298.7 131.53 79.!! 172.581 1.9 .5 0.9 1. AS IMPORTAÇOES PRO- VENIENTES DA AMÉRICA LATINA E A CAPACIDADE DE IMPORTAÇÃO DESTA.5 65.71 0.504 509. comO base. 620 662.0 90 96.1 0.964 541. das Nações l'nidas (CEPAL)' NOTA: Os dados fundamentais para o cálculo da renda real.4 0.5 0. .j()4.6 0.4 135 80. EM FUNÇÃO DAS SUAS EXPORTAÇOES E DOS PREÇOS RELA- TIVOS DESTAS VARIAÇÕES ANUAIS Renda Impor.446 544.28 153.94 I 11(). Slalistical Abstract Df the Fnited Stat.2 .3 103.83 91.388 1.9 68.25 167.5 1932 56.7 0..2 14-1 14. 1919 1920 58. 13. Latina I Milhões de dólares.1 I 129 ]]8.361 69 779 673.44 IGO.4 1937 69.8 186 74.8 1. I 1.8 i 1.7 17.926 646.4 0.989 1.215 i 655.030.1 1947 109.'nidas.'.0 1946 120.659 387. e His/orieal Statisti"" Df the United States. preços da Amé.8 103.3 72..362 I 613. Nações {. 1918 58.5 2.419 672.77 92.) 111.681 796.22 159. 1917 53..6 91.7 58.54 1..2 1922 .168.5 FONTE: Centro de Pesquisas.12 142.08 Latina América Expor-! Impor- Latina tação tação com os EE.0 77.8 97 84. os 14 principais produto.0 73.6 0.0 1949 117.3 G04. 359..7 174 68.09 2.8 1..7 158. das importações e do coeficiente das importações correspondem ao Xational lncome in lhe United Stale8.0 1938 68..1 108.6 55.!l !!8.3 592.202 632. fndice Relação Capaci- real dos tações pro.003.8 123 94.69 87.79 94. UU.8 1930 I 69.22 138.8 147 103.0· 100 I 100. Stalis/ieal Yearbook.8 139.580. lndices de preços de exportBç1!o foram calculados pela CEPAL. UU.4 . UU.0 1.92 114.5.128 I 498.8 1.3 161.2 108. QUADRO 3-A RELAÇÃO ENTRE A RENDA REAL DOS EE.42 1.8 137.75 81.5 192!J 71..158.2 106.086 tl!5.80 77.2 1926 1927 ! I 69. exPOrtBdoB pela América Latina aos EE.3 I 2..0 1923 tl!.4 98 96. 97..') .3 107.2 106.2 94 97.10 226.97 100.792 1.1 0.2 I 1.0 I I 1.9 152 lO!.6 146 132 106.8 190.04 154.j li.613 . % de 1937 Ano base -1937=100 1916 53.83 112. o lndice do..067 576.199 1.051 66.0 .7 1935 62.118 650.0 120.734 506.7 116.')2. UU.8 1924 I 92.0 1.6 1943 133.4 S6. Empregou-se.76 108.importação da América tações da rica Latina da América A:-.!) 1941 97.5 1936 67.12 208.9 17i. 136.73 83.4 186.5.2 98 84. venientes de impor.3 1945 140.02 87..8 86 93 94.8 149 75.5 120.7 624..8 1939 77..

I . I'" f... 2 Importações proven'entes da América Latina. ' i" \JI \ .UU. E:VI FUNÇÃO DAS EXPORTAÇÕES PARA OS EE.UU . . . GRÁFICO 2 RELAÇÃO ENTRE A RENDA REAL DOS EE. para a América Latina.' I ~ I .. .' \.' . 5 Capacidade de impc·rtação de artigos proveniêntes dos EE. \'---. 20 I I 2S I I I I 35 I I I ib' I 45 I I 50 C EPA.' . \\ . ". . -t Relação das Trocas da América Latina com os EE. AS IMPORTAÇÕES PROVENIENTES DA Al\1ÉRICA LATINA E A CAPACIDADE DE IM- PORTAÇÃO DESTA.. \ ~ i \ !.UU.. E D:JS PREÇOS RELATIVOS DESTAS População da América Latina..UU. Escala logarítmica 2 fI. " i .\ •l . .~./to". . -...L ..UU. • " • I ~ "... 3 Renda Nacional dos EE. . 'fi 4: .. \ ~ i I 1916 I I ...i \\ f ..~ \..

pretendemos estudar o caso da impor- tação norte-americana de produtos latino-americanos. aci- ma referidas. Com êste intuito. es- pecialmente durante os anos 40. A fim de calcular as relações de troca. constituí- ram o fator dominante nas variações do volume físico das im- portações de produtos latino-americanos. Estas curvas foram juxtapostas para o pe- ríodo 1925-29. as importações flu- tuaram mais intensamente do que a renda e. tendo- -se relacionado. PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO ECON6MICO 38 Em primeiro lugar. êste índice com o correspondente aos (I) Seria interessante poder traçar o desenvolvimento de cada produto. Se multiplicarmos o índice do quantum das importações. em primeiro lugar. em função dos produtos que dela importam os EE. naturalmente. teremos o índice da capacidade de importação da América Latina. tenha neutralizado as conseqüências das re!trições aplicadas antuiormente a outros produtOli. foi elaborado o gráfico 2. e de seus preços relativos. elaborou-se. Todavia. no que diz respeito à sua repercussão sôbre as importações (1). a relação geral entre êstes fenômenos é evidente e parece indicar que as variações da renda predominam sôbre outros fatôres.UU. no decurso de todo o período. mostram flutuações menos sensíveis. O contraste dessas curvas mostra-nos que.3 . isto é. conforme a curva 3. durante os últi- mos 25 anos. as variações da renda real nos EE. como sabemos. as cifras correspondentes são apresentadas no quadro 3A. e de outras restrições. em seguida. pelo índice das relações de troca. que não eviden- ciam qualquer relação com o movimento geral da renda. em que prevalecia a procura intensificada dos períodos de guerra e de após-guerra. que. É possível que o acréscimo verificado na importação de determinados artigos.J. . estando estas repre- sentadas na curva 2. A correlação não é absoluta. as quais foram comparadas com as referidas importações (igualmente computadas a preços constantes). durante os anos 30. tiveram forte repercussão em determinados casos. UU.. um índice especial dos preços dos 14 principais produtos exportados pela América Latina para os EE. a fim de poder estudar o efeito do aumento dos impostos alfandegários. no qual se encontram indica- das as variações da renda real nesse país (calculada a preços constantes).UU. :É'::ste novo índice poderá ser visto na curva 5 do aludido gráfico. segundo o seu quantum.

4. E A CAPACIDADE DE DIPORTAÇÃO DESTA. porém.0 -20.8.34 REVISTA BRASILEIRA DE ECONOMIA preços de exportação de produtos manufaturados norte-ameri- canos..: Veja-se o quadro 3-A para fontes e anotações.4 -39. ainda.5 1949 70.6 59.2 -18. chegando a ultrapassar o aumento da população.3 .2 -36. QUADRO 3-B RELAÇÃO EXTRE A ]tEXDA RE. a capacidade de importação atinge. a importação norte-americana. AS DIPORTAÇÕES PRO- VEXIEI\TES DA A:\IERICA LATIXA.3 60.1.EfDOS PREÇOS RELA- TIVOS DESTAS VARIAÇ68S SÔBRE A MÉDIA A~TAL 1925-1929 Relação Capaci- Impor. devido ao enfraquecimento das relações de troca. As cifras encontram-se tôdas no referido quadro.1 75. tação tação PERCEXTAGE~\ D\S VARIAÇOES SÓBRE A ~\ÉDIA AXUAL 1925-1929 1930-34 -11. A ca- pacidade de importação demonstra. com relação a êste último qüin- qüênio. devemos notar que.8.0 -35.C.2 -28.0.4 32.3 -42.8 1935-39 .08 rica Latina EE.2 .1 28. preços da Amé- real dos venientes tações da importação A:-.3 1940-44 65. de produtos latino-ame- ricanos.6 NOTA.9 -20. anterior à grande crise mundial. Quais as conclusões que podemos tirar dêsses índices? Em primeiro lugar. demonstra forte declínio em comparação ao período 1925-29. e o da população 130.7. durante todo o decênio dos anos 30. UU. conforme se vê no quadro 3B. EM FCXÇAO DAS SCAS EXPORTAÇÕES.1 .-\L DOS EE.0 73. da América América da América com os Latina Latina Latina Expor-I Impor. o índice das importações alcança 173 em relação a 1925-29.6 -43. não se desenvolveu da mesma forma.2 -17.5 -40.7 44. não obstante a população ter continuado a crescer em ritmo constante.6 -29. no período 1940-44.9 18.EE. devido . Durante os anos 40.j{. maior declínio.Coeficiente Índice dos das trocas dade de Renda tações pro. verifica-se sensível melhoria nas impor- tações.3 77. enquanto que.1 -37.0 9. que voltam ao seu nível anterior. apenas. A capacidade de importação.1 10.8 -26. UU.das impor. 110.7 -28.8 -40.4 1945-49 73. isto é.

GRÁFICO 3 RELAÇÃO ENTRE A RENDA REAL DO REINO UNIDO. 3 Importações provenientes da América Latina. 2 Renda real do Reino Unido. Escala logarítmica 1916 20 40 4S 50 . AS IMPOR- TACÕES PROVENIENTES DA AMÉRICA LATINA E A CAPACIDADE DE IMPORTAÇÃO DESTA EM FUNÇÃO DAS EXPORTAÇÕES DO REIi\'O UNIDO E DOS SEUS PREÇOS RELATIVOS 1 População da América Latina. 5 Capacidade de importação da América Latina de artigos do Reino Unido. 4 Relação das trocas do Reino Unido.

246 80.0 1.8 75.72 99.0 FO~TE: CEPAL.para os cálculos da renda e das importações correspondem a: Eco- nomic Journal.4 2. enllliacMn Aussenhandel•• on 1700 bis ZUT Gegenwarl".28 103.7 2.61 92.1 3.086 72.6 89.0 1.7 1.7 1930 3.843 96. QUADRO 4-A RELAÇÃO ENTRE A RENDA REAL DO REINO UNIDO. Statistical Yearbook.0 92.7 2.21 91.214 93.4 1U27 3. de Shlote.0 1\133 4.4 69. referelltes lO "êllero8 alimenUcio.28 91.2 101.9 106.8 3. Os índices de preços que serviram para a determinação das relações de trocas correspondem aos dados do C.9 77.428 92.3 3.958 99.85 98.157 53.9 62.883 94.4 78.Reino Unido ção da Amé- Latina ções prove.1 109.447 91.022 79.88 U2. rica Latina ANOS nientes da América :\Iilhões de libras ester.80 94.3 2. .237 103.cUDomic Society.76 116.402 85.0 2.2 1921 3.91 94.097 90.0 1920 3.26 93.9 3.4 94.2 UH8 3.7 1945 5.504 U2.840 77.9 1.4 72. Bo~rd of TTOOe e "Entwicklung und Struh.RICA LATINA E A CAPACIDADE DE IMPOR- TAÇÃO DESTA EM FLNÇÃO DAS SUAS EXPORTAÇOES E DOS PREÇOS RELATIVOS DESTAS V ARlAÇÕES ANUAIS Importações Relação das Capacidade Renda do provenientes Coeficiente trocas do de im porta- Reino Gnido da América das importa.6 89.9 1947 5.5 115.746 105.22 111.20 100.824 101.6 1929 3.302 113.2 2.600 95.5 2.9 2.7 2.7 1U34 4.0 1943 5.051 68.450 98.3 1926 3.6 1.8 87.2 83.518 109.7 121.6 2.4 1.4 1949 58.16 141.54 109.6 3.9 1924 3. K.27 159.5 HI31 3.1 1944 5.9 2.10 00.1 HI37 4. Nações Unidas.9 58.4 1919 3.56 86.2 2.0 100.9 1942 5.7 1940 4.8 1922 3.6 2.9 1936 4.95 104.6 1935 4.212 72. Royal 1.4 86.oados o.6 HJl7 3. Yearbook e Accounts relating to Trade and Navigation aJ the United Kingdom.0 lU32 3.2 52.8 114.6 1.lU 111.943 110.845 97.381 57.892 66.006 96.468 71.97 110.8 lU28 3.2 1948 4.57 101.317 62.9 95. Latina Base 1937=100 linas de 1937 1916 3.nd lungen de.12 111.7 64.tun"".9 1941 4.5 3.6 88.6 92.e.6 2.7 HI39 5.82 108. No tocante às exportações empregaram-se os fndices de artigos manufaturados enquanio que para as importações foram os Úldices u.9 1U25 3.6 87.74 169.1 78.58 91.8 106. AS IMPORTAÇOES PROVENIENTES DA AM. e matériao prim&a.504 86.3 1923 3. The Stateman'.0 1938 5. NOTAS: Os dados fundamentais .3 1946 5.86 88.853 105.616 101.

cujo conteúdo é semelhante ao gráfico e quadro correspondentes das importações norte-ame- ricanas de produtos latino-americanos. As importações de produtos latino-americanos na Grã-Bretanha 3.7 -12. fontes e anotações.7 -28.4.8 .7 -25.1 -18. foi ela- borado o gráfico 3 e o quadro 4A. o movimento das importações britânicas de produtos latino-americanos.5. o índice da capacidade de importação registrado é 159. 1945-49.3 b -27.U. o índice das relações de troca eleva-se para 91. todavia. à medida em que as exportações alcançam 177.9 c -40.7 NOTA: Veja-se o quadro 4-A par. não existe no . notar-se-á que a estreita correlação demonstrada entre a renda real e as importações. nos EE. pela primeira vez. Para êste fim.6 b 9. PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO ECONôMICO 37 ao fato das relações de troca acusarem o seu nível mais baixo.6 a -37.2.9.2 -33.3.5 1935-39 28. Capacidade Renda Real Importações çõesdoRei. AS IMPORTAÇÕES PROVENIENTES DA AM1!:RICA LATINA E A CAPACIDADE DE IMPOR TAÇÃO DESTA EM FUNÇÃO DAS SUAS EXPORTAÇÕES E DOS PREÇOS RELATIVOS DESTAS VARIAÇÕES SÓBRE A MÉDIA 1925-29 Coeficiente de importa.Relação de de importa- AKos do Reino provenientes trocas do no Unido ção da Amé- da América Unido provenientes Reino Unido rica Latina Latina da América Latina PERCENTAGEM DAS VARIAÇÕES SÓBRE A MÉDIA 1925-29 1930-34 6. QUADRO 4-B RELAÇÃO ENTRE A RENDA REAL DO REINO UNIDO. nesses 25 anos.9 a -10. a) Média 193. Consideremos.>-38 b) Média 1945-48 c) Ano 1948 De início.5 c .2 -33. isto é. o índice de crescimento da população.2 a 1940-44 38. durante aquêle período.. No qüinqüênio seguinte.8 1949 29.3 -42. ultrapassando.7 -25.9. isto é. em seguida.1 -16.8 -20..9 1945-49 36. 63. Des- tarte.

apenas. registrando. a fim de poder desenvolver-se depois da grande depressão econômica. Enquanto que. a diferença entre as duas curvas é bastante marcada. é evidente que a Grã-Bretanha figura como um dos principais. as exportações totais latino-americanas tenham aumentado menos do que a população. N o quadro a que nos referimos. não foi suficiente para compensar o decréscimo registrado nessas exportações para o resto do mundo. e. estranhar que. sôbre as importações provenientes quer da Amé- rica Latina. Naturalmente. Durante o decênio seguinte. vê-se. Não devemos. êste novo índice não altera as conclusões refe- rentes à relação entre as importações britânicas de produtos latino-americanos. oriundas da América Latina.3. em virtude da crise econômica mundial. entre êsses outros países. durante os anos 30. desde já. tenham. diminuiu. a renda real cresceu entre 1925-29 e 1945-48 de 100 para 136. E' bem provável que as restrições à importação. muito ao contrário. durante êste último quarto de século. que estas restrições repercutiram da mesma forma. 76. Como nos exemplos anteriores. O incremento das exportações para os EE. constituído a principal causa da dispa- ridade evidenciada entre a renda e as importações. na Grã-Bre- tanha. também. o índice correspondente resultou da combinação do índice do volume físico das importações com o das relações de troca do Reino Unido. conforme foi salientado no início dêste capítulo. o índice das importações. no caso em aprêço. ao con- trário. a curva da capacidade de importação da América Latina. e a população desta última região. foi obrigada a baixar o seu coeficiente de importa- ções.2 no último dêsses dois perío- dos. serve para destacar as diferenças a que já aludimos. dado que a fôrça expansiva de suas exportações se havia seriamente en- fraquecido. A bem dizer. quer dos demais países. a Grã-Bre- nha.UU.38 REVISTA BRASILEIRA DE ECONOMIA caso da Grã-Bretanha. já que se tornou evidente que não poderia manter seme- lhante nível de importações. . pois. conforme foi assinalado. com relação à sua renda. aplicadas pela Grã-Bretanha. sua ação foi agravada pelas restrições impostas pela guerra e pelo desequilíbrio do período de após guerra. Devemos notar.

isto é. de qual- quer maneira. Seria lícito atribuir certa influência. Não pretendemos.UU. Realmente. na realidade. evidentemente. O coeficiente de correlação. Nesse sentido. onde vemos a relação entre êstes dois fatôres. menos sensível do que os efeitos do movimento da renda real. no que diz respeito às flutuações da importação. é demasiado baixo para ter qualquer importância decisiva. Êste coeficiente é dado como 0.UU. O fato dêsse coeficiente não atingir a unidade implica a intervenção de outros fatôres na variação das importações. conforme veremos nos seguintes quadros: . que as rela- ções de trocas careçam de qualquer influência relativa às im- portações. basta observar as disparidades registradas no gráfico 6. em que se comparam êstes fatôres. afirmou-se que as va- riações da renda real nos EE.42 que. aliás. nesse sentido. parecem constituir o fator pre- ponderante. todavia. tendo sido calculado o res- pectivo coeficiente de correlação. foi elaborado outro gráfico (n. se aumentassem as importações de produtos latino- -americanos. O que transparece é que sua repercussão é. A fim de comprovar a existência dêsse fenômeno com maior rigor do que nos per- mite o mero exame do gráfico 2. exportados pelos EE. 5). se as relações de trocas melhorassem para os EE. têm influên- cia na determinação da proporção da renda monetária que os EE.UU. PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO ECON6MICO 39 As relações de trocas e o coeficiente de importações 4. com isso.. paralelamente ao aumento dos preços dos artigos manufaturados. às relações de trocas. afirmar. teríamos motivo fun- damentado para esperar que êsse fato produzisse um aumento nas aludidas importações. A análise das estatísticas. não demonstra uma correlação satisfatória entre as variações das importações e das relações de trocas. atinge apenas 0. na- quele país.. e a relação pode ser considerada aceitável.UU. Na segunda parte dêste capítulo. de produtos latino-americanos. reservam para as importações provenientes da América Latina. todavia.94. As relações de troca.

1 3.E.5 3.0 3.77 1948 115.21 1910 ·.47 1907 ·.6 2.40 1917 ·.91 1922 104.12 101.B 3.P.03 1901 ·. 5. 5.44 1913 125. 4.5 2.4 5.22 1930 106.87 1904 ·..3 2.93 1929 116. 5.43 1946 106.96 1934 92.32 1924 113. 4. 5. MÉDIAS QÜINQÜENAIS Relação Coeficiente Relação Coeficiente ANOS das troca~ das ANOS das trocas das 1937=100 importações 1937=100 importaçõeli 1900 ·.0 2.7 6.41 1916 ·.39 1921 100.17 1941 101.3 4.2 3. 5.7 4.43 1936 95.66 1903 ·.8 6.64 1911 ·.4 5.88 1932 98. du Nações Unidas.Comiaaão Econômica para a América Latina. 4."WAL DE 1925-29 Relação Coeficiente ANOS de das trocas im portações 1930-B4 -19.53 1935 89. posição latino-americana.99 1923 114. 6.23 1928 121.0 FONTE: Centro de Pesquisas .9 5.7 -54.79 1926 129.15 1914 ·.12 1918 5.A. . I 5.8 5. QUADRO 5-B PERCE~AGEM DAS VARIAÇÕES SÔBRE A MÉDIA A.3 1949 .73 1945 90.09 1933 93.5 5. QUADBO 5-A RELAÇÃO DAS TROCAS E O COEFICIENTE DAS IMPORTAÇOES TOTAIS DOS EE.0 3.03 1902 ·.1 1940-44 -22.3 1945-4!l -13.14 FONTE: C.0 4.L. 6.2 3.37 1942 94.0 1919 6.62 1937 100. 5.89 1927 128. como um quociente entre o Indice doa preçO<! de mportação e de exportaçAo.7 3.6 -41. UU. 5.2 -49.07 1939 101. NOTAS: A relação das trocas foi calculada em relação !l.6 1935-B9 -22. 6.08 1947 107.5.2 3.71 1912 ·.5 2.5 6. 4. 5.4 3.29 1931 107.24 1909 ·.6 2.20 1944 87.53 1905 ·.39 1949 117. NOTA: Veja-se o quadro 5-A para fontes e anotações.37 1915 ·.6 2.23 1906 ·.27 1920 115.76 1938 Q6.26 1925 122. 5.15 1940 101.0 3.0 -37.4 6.32 1943 94. 5.6 .83 1908 ·.2 -46.

UU. UU . 3 Relação das trocas do Reino Unido.ÁFICO ~ COMPARAÇÃO DA RELAÇÃO DAS TROCAS ENTRE A AMÉRIC./ • 1870 90 00 10 20 30 40 50 CEPA. " j\ \r' • V-l \ 2 r ./' i ! i. E DO REINO UNIDO 1 Relação das trocas rntre a América Latina e os EE.. 2 Coeficirnte das importações norte-americana.(1 GR. .'t LATINA E O REINO UNIDO E DOS COEFICIENTES DE IMPORTAÇÃO DOS EE..L. 4 Coeficiente das importações britânicas provenientes da América Latina. Esc/J//J logarítmica ~\' . provenientes da América Latina. PROCESSO DE DESENVOLVIJlENTO ECONôMICO ..

Relação das Coeficiente das trocas I importações i trocas importações 1870 157.6 28.62 1905 140.18 1886 156.67 1921 86.9 ONTE: C.66 1949 106.0 31.65 1934 90.9 32.72 1889 161.1 30.12 1881 172.59 I 1\119 116.4 30.4 31.7 15.78 1872 147. .3 33.12 1927 110.7 29.8 26.4 30.37 1908 135.08 1929 111.27 1898 146.9 24.2 32.6 19.85 1895 142.4 19.72 1887 155.E.50 1902 142.8 34.33 1924 109.33 187.8 30.63 1944 91.5 29.46 1874 150.4 26.39 1938 92.07 1912 143.79 1948 103.11 1894 144.~ 151.6 29.2 18.82 1926 108.4 30.A.2 34.78 1880 156.68 1899 142.2 29.4 31.4 30.2 33.11 1928 111.39 1888 159.5 28.0 32.4 35.8 34.23 1906 140.64 1910 149.3 31.08 1945 93.40 1942 93.43 1933 88.4 35.1 36.3 32.10 187V 162.7 31.27 1901 136.54 1911 141.90 1935 92.0 13.43 1$Jl8 141.58 1900 137.4 21.6 18.49 1892 149.5 29.8 31.07 1930 101.0 22.48 1916 159.88 1876 159.1 34.73 1922 94.96 1877 170.35 1946 98.0 32.06 1936 94.85 1907 139.9 16.01 1883 167.69 1937 100.8 23.60 1885 159.2 34.79 1940 105.7 17.0 31.9 32.1 29.1 15.L.2 13.6 26.5 29.1 31.9 19.22 1890 148.31 1878 161.8 32.88 1871 150.40 1896 142.4 29.28 1941 99.66 1914 142.9 30.1 18.0 38.46 1915 154.66 1943 91.66 1893 150.14 1932 91.6 31.7 36.52 1884 164.42 REVISTA BRASILEIRA DE ECONOMIA Q1:ADRO 6-A RELAÇ.7 30.9 29.9 20.38 1891 150.77 1913 141.34 1882 170.0() 1917 169.83 1873 145.8 34.06 1923 104.P.74 1947 99.2 33.2 31.6 19.27 1909 142.18 1925 111.42 1931 91.4 15.32 1920 109.80 1904 140.9 30.~O DAS TROCAS E COEFICIEXTE DAS DIPORTAÇOES TOTAIS DO RnXO CXIDO A:\"os Relação das I Coeficiente das : A:\" o'.32 1897 144.01 1939 113.2 35.5 32.6 28.8 31.00 1903 142.0 32.0 31.

durante o primeiro qüinqüênio dos anos 40.. que crescem num ritmo mais intenso do que a renda real. não aparecem com a mesma intensidade certos fatôres que repercutem sôbre o reduzido nú- mero dos produtos constantes da exportação latino-americana. para os Estados Uni- dos. durante todo êsse período. de fato.UU. N este caso. nota-se novo aumento nas importações. as relações de trocas eram desfavoráveis à América Latina. a verdade é que em ambos êstes qüinqüênios. o enfraquecimento das relações de trocas para a América Latina é agravada pela presença de outros fatôres que reduzem ainda mais o coeficiente de importações latino-americanas. o decrés- cimo registrado nas importações de produtos latino-americanos. encontramo-lo em forma muito mais aguda no conjunto das importações dos EE. os preços exercessem qualquer influência. A análise do quadro estatístico com relação à Grã Bretanha conduz às mesmas conclusões. e não obstante as importações continuarem a aumentar na mesma medida que a renda real. para comprovar esta afirmação.UU.. PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO ECONôMICO 43 E' interessante observar que. que. apresentamos as re- . onde. Servem o gráfico 4 e o correspondente quadro 5A. Não se limita êste fenômeno às importações de produtos latino-americanos. de- vido ao maior número de artigos. adquirissem suas importa- ções de produtos latino-americanos com um proporção muito me- nor de sua renda monetária de que outrora. conforme fica assi- nalado pela sensível redução do coeficiente de importações.U. exer- cendo forte pressão sôbre o coeficiente de importações dos pro- dutos latino-americanos nos EE. consideràvelmente. o principal efeito dessa queda consistiu em permitir que os EE. fato que se poderia então atribuir ao novo fortalecimento das relações de trocas. Se. durante os anos 30.UU.UU. Em troca. que se manteve num nível muito reduzido. quando as relações de trocas enfraqueceram bastante para os EE. alcançaram o ponto mais alto registrado durante todo o quarto de século. pelos EE. as relações de troca. Seja como fôr. Na curva 1. comparativamente ao período 1925-29.. esta não teria ocorrido durante o qüinqüênio seguin- te. A bem dizer. Ao contrário. foi muito mais intenso do que o declínio da renda real naquele país. O resumo das cifras qüinqüe- nais está apresentado no Quadro 6B. não obstante se terem fortalecido para êle.

100 150 .a.9' . E SUAS IMPORTAÇÕES PROVE- NIENTES DA AMÉRICA LATINA y = Volume físico das importações provenientes da América Latina. I'l.UU. .. y 3 fi..77 l . t. x = Volume físico da renda nacional dos Estados Unidos. GRÁ'FICO 5 RELAÇÃO ENTRE O VOLUME FÍSICO DA RENDA NACIONAL DOS EE.. 0.<:4 Y.. OC9 • 1 t ~ 50~--~--~~1--~~~1=-~ _33 -32 .

O .~31 .UU.UU.UU.69 100 elO -28 8}(\ e31 e3S J' e21 50 x . com a América Latina. .. y 300. 275:'1. x = Relação das trocas dos EE.---------------------------------------------------. 07~':' I zoo • .e:t. COM A AMÉRICA LATINA E O VOLUME FÍSICO DAS SUAS IMPORTAÇõES PROVENIENTES DA AMÉRICA LATINA y = Volume físico das importações dos EE. f1 • 3B. GRÁFICO 6 COMPARAÇÃO ENTRE A RELAÇÁO DAS TROCAS DOS EE.8 Y. provenientes da América Latina.

3 16.15 27.1..01 10..1 1935-39 -108 -36.41 3.90 6.05 Períodos circulatórios 0.(2.53 13.43 58.44 REVISTA BRASILEIRA DE ECONOMIA QDA. SEGLTXDO OS DISTe.46 8.Nações Unidas .50 1.\ÇÕES.43 18.11 i 4.16 21.9 21.20 I 0.02 0.02 1945-49 100.7 21. e anotações. a) Média 1945-49 b) Ano 1948 Qt'ADRO 7 NÚMERO DE PERÍODOS CIRCULATÓRIOS NECESSÁRIOS PARA QUE AS IMPORTAÇÕES ALC \XCEM DETERMINADA PERCENTAGEM DO AUMENTO DAS EXPORT.40 10.( 1945-49 .67 a 1949 106.82 6.21 8.DRO 6-B RELAÇÕES DE TROCA E COEFICIEXTE DE IMPORTAÇÕES TOTAIS DO REIXO lJXIDO MÉDIAS QÜI:-.51 0.42 13.95 8.5 30.89 4.32 ! 14.') 0.85 44.43 1940-44 96.1 -30.30 I 0.(7. da ."<UAL 1925-29 1930-34 -16.-ee o Quadro 6-A para fonte.57 13.2 1940-44 -12'9 -.10 I 0..5 19.25 0.39 FONTJ:: Centro de PeeQUÍBaB Comissão Econômica para " América Latina.42 28.QÜENAIS Relações de Coeficiente AN0s de trocas importaçõcs 1925-29 110.4 17.9'2 -.2 b NOTA: Vej.21 b PERCENTAGEM DAS VARIAÇÔES SÓBRE A MÉDIA A.0 (J 1949 -ú -30.88 0..TOS VALORES DO COEFICIENTE DE I:\IPORTAÇÕES Percentagem Coeficiente de~ importaçõe~ do aumento das exportações 0.94 2.46 1930-34 92.29 1935-39 98.26 6.75 3.

que. con- tudo. antes da crise mundial. . Como regra geral. Ao contrário. A evolução das re- lações de trocas. Encontramos tôdas essas flutuações refletidas no coeficiente de importações. du- rante o período 1945-49. e na curva 2. e finalmente outra queda. enquanto que o coeficiente de importações totais. a queda violenta das relações de trocas. diminui 9. um fenômeno semelhan- te. visi- velmente. e serve para salientar a vulnerabi- lidade da economia britânica às flutuações do novo centro cíclico.UU.2% para o resto do mundo e a proporção de renda monetária. o coeficiente do conjunto das importações dêsse país. Vejamos a articulação entre essas curvas. Deve-se assinalar. nessa ocasião. no caso da Grã-Bretanha. que perdura até o fim dos anos 30. e o coeficiente das importações diminui suavemente. depois da primeira guerra. as relações de trocas acusam uma queda de 10. bem como pelas suas flutuações posteriores. du- rante o mesmo período. ocasião em que a Grã-Bretanha deixara de ocupar a posição de principal centro cíclico. através suas contínuas flutuações. Na primeira. as relações de troca tenderem a retornar à posição que ocupavam. em fins dos anos 40. ocorre um melhoramento transitório. Observamos. no referido gráfico. o coeficiente de importações assinala constante tendên- cia à queda. mostra-se desfavorável ao resto do mundo. Não é difícil distinguir as duas fases que consti- tuem êsse período: a primeira termina com a conflagração mundial de 1914-18. em seguida.. quando advém nova recupe- ração. são mais expressiva~ as flutuações do coeficiente de importaçõei. A segunda data dessa época até o presente. O contraste entre as duas fases é grande.3%. afeta.2 por cento em comparação com o qüinqüenio 1925-29. terminando em 1937. du- rante a crise econômica. mas durante um período mais prolongado. as flu- tuações de ambas as curvas tornam-se muito mais intensas. que se mostra igual- mente influenciado pela subseqüente alta dessas relações. as rela- ções de trocas vão se enfraquecendo num ritmo relativamente lento. que a Grã-Bre- tanha emprega na importação dos produtos do resto do mundo. o coeficiente de importações. as relações de troca acusam uma baixa de apenas 13. durante os anos 40. PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO ECON6MICO 45 lações de trocas do resto do mundo com os EE. apesar de.07"0. Destarte. Entre os anos 70 do século passado e o primeiro decênio dêste. evidencia um decréscimo de 49.

pois os outros países. atualmente. os países latino· -americanos.. para o qual. seus efeitos indiretos foram igualmente sérios. grandemente. Isto não indica que tenha sido menos desfavorável a posição da América Latina no comércio internacional durante os últimos 25 anos. também. em contraste com a média de 31. foi de 17. O reafustamento do coeficiente de importações na A mérica Latina 5. enquanto que. os países latino-americanos foram obrigados a proceder ao reajustamento do seu coeficiente de importações. haviam. conseguido corrigir o desequilíbrio dos seus balanços de . não resta dúvida. a fim de amenizar a repercussão. no tocante às importações de produtos latino-americanos.7%. Estas foram im· postas após a crise econômica mundial.UU. motivou. de modo geral.5. não obstante a violenta queda ocorrida em sua capacidade de importação. viam-se na contingência de reduzirem suas importações de artigos latino-americanos. contribuiu. Em face dêsses acontecimentos. ter registrado um decréscimo de 46. estavam cada vez mais limitadas. durante êste último qüin- qüênio. o coeficiente acusa uma queda de 18. dos efeitos da redução de suas exportações e de seus preços durante a grande depressão. I"so significa um decréscimo de 43 %. A média do coeficiente de importações da Grã-Bretanha em 1945-48. Se bem que os efeitos diretos da redução do coeficiente de importações norte-americanas foram menos inten· sos na América Latina do que no resto do mundo. Ao irromper o segundo conflito mundial. representa cêrca da metade do seu nível ante- rior à crise mundial./c nas relações de troca.7%./0.46 REVISTA BRASILEIRA DE ECONOMIA no qual intervém a ação de outros fatôres. entre os quais fi· guram as sanções reguladoras da importação. em virtude dêsse reajustamento. o enfraque- cimento de 29. o que quer dizer que. sôbre a renda real. sendo seu efeito inten· sificado pelas restrições advindas com a segunda guerra mun· dia!.0% no período 1900-09. Foi êsse o caso que acabamos de constatar em relação à atitude da Grã-Bretanha.UU. ao ve- rificarem que suas exportações para os EE. êste reajusta· mento o propósito dos países da região de continuar desenvol- vendo-se após a crisE'. Referimo-nos há pouco ao fato do coeficiente do con- junto das importações nos EE.

o resultante desequilí- brio constitui mera manifestação caracteristica de crescimento. Ressaltam desta análise duas conclusões fundamentais. se encontrassem diante de novos problemas de desequilíbrio. devemos reconhecer que esta também costuma se associar aos fenômenos de crescimento. verificar-se-á. nem desconhecer as fôrças fundamentais que dão origem ao desequilíbrio. porém. e êsse incremento servir para ampliar as importações.UU. à inflação o desequilíbrio do balanço de pagamentos nas países latino-americanos. apesar de sua freqüente ocorrência nessa regiio. verifica-se que o enfraquecimento das rela- ções de trocas constitui um dos principais fatôres que contri- buem para o decréscimo do coeficiente de importações dos EE. em prejuízo do comércio internacional. mesmo quando não exístir inflaçio. Em primeiro lugar. tôda vez que se efetuar um reaj ustamente com o intuito de corrigir a tendência ao desequi- líbrio. provocando graves repercussões no desen- volvimento econômico dos países latino-americanos. tão embaraçosos quanto os que enfrentaram du- rante os anos 30. Todavia.devido às dificuldades de importação durante as hostilidades . Êsses problemas deverão surgir cada vez que a capacidade de importação não aumentar na medida em que se elevar a renda real.UU. na realidade. desta forma. se a capacidade de importação não crescer na mesma proporção da renda real (1). em aditamento ao extraordinário incre- mento das reservas monetárias latino-americanas . e da Grã-Bretanha. mas constituirá. como ficou demonstrado no primeiro capítulo. é conseqüência do desenvolvimento econômico. se dimi- nuírem as importações dos EE. ao contrário. ~ste fato. . o resultante desequilíbrio não será um fenômeno de crescimento. assim como do resto do mundo. não é de estra- nhar que a maioria dos países. exclusivamente. Não obstante. devido a (I) É evidente que em muitos casos a inflação concorreu para agravar êsse desequilíbrio. tendo desembolsado grande parte dessas reservas. não podemos atribuir. se se tem em mente que a tendência ao desequi- líbrio. Em segundo lugar. que esta tendên- cia reaparecerá. Enquanto se fizer uso da inflação com o pro- pósito de obter recursos essenciais à capitalização.talvez cau- sasse a impressão de que o problema de desequilíbrio havia sido resolvido definitivamente. repercussões estas que obrigaram todos êstes países a reduzirem seu próprio coeficiente de importações. PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO ECONôMICO 47 pagamentos. Mas na medida em que a inflação implicar em incremento da renda dos grupos sociais a que favorec~. Conclusões 6. uma ma- nifestação tipicamente inflacionária. e enquanto uma parte dêsses recursos fôr empregada na importação de bens de capital. com o decorrer do tempo. e da Grã-Bretanha.

senSIvelmente. poder-se-ia conceber que a baixa no preço de um produto deslocaria as im- portações de outros produtores latino-americanos. torna-se difícil compreender como poderiam elas atingir a volume significativo. no conjunto do intercâmbio. pode advir de transtornos inflacionários na distribuição da renda. ou em virtude de qualquer outra espécie de limitações. ao contrário. Considerando o problema do ponto de vista do conjunto dos países latino-americanos. independentemente da renda real. e não no seu aspecto de conjunto. por in- termédio da expansão das suas exportações para os grandes cen- tros. resultante do acréscimo ~ produtividade do país. porque o aumenw do consumo interno foi feito à custa da exportaç:io. a bem dizer. Mas. com exceção de ocasiões em que houvessem sensíveis transformações na procura.irtude da debilitação da capacidade de exportação. não é de nossa alçada. a queda relativa dos preços dos produtos importados por êsses países não parece provocar novo aumento das importações. possível que. naquele país. função da renda real. além dos limites estabelecido!'! pelo aumento da renda real dêstes. em virtude das excep- cionais condições favoráveis do mercado. não parece ser possível a essa região aumentar.. . seja conseguido um aumento das exporta- ções latino-americanas para os EE. sua capacidade de importação. ou por não ter sido aproveitado suficientemente todo o potencial produtivo do país. ~ste proble- ma. Todavia.48 REVISTA BRASILEIRA DE ECONOMIA uma redução de sua renda nacional. ou então. e pelas restrições que se antepõem à entrada de pro- dutos latino-americanos. contudo. isto é. ou. como as impor- tações norte-americanas são. para forçar as ex- portações em prejuízo das relações de trocas sem. Qualquer tentativa no sentido de ultra- passar êsses limites concorreria. os casos em que ai exportaçõe~ não se desenvolvem de maneira adequada em . essa baixa nos preços permite que os centros destinem menor proporção de sua renda monetária à aquisição das aludidas importaçõe!'!. porém. também. analisando o problema do ponto de vista de um determinado país. então. Até que ponto po- deriam êstes exemplo.UU. em grande parte. no caso de determinados produtos. ou quando fôssem reduzidas ou removidas as limitações que atualmente di- ficultam sua expansão (1). (I) Existem. Por sua vez. É. obter qualquer aumento sensível na capacidade de importação. também. a exemplo do que a experiência já nos demonstrou. nos levar a crer que a redução da capacidade de importação latino-americana ~ja também conseqüência da redução efetuada na sua capacidade de exportação! Não podemos oferecer uma resposta satisfatória a esta pergunta. êste incremento do consumo pode ser devido ao aumento da renda real "per capita".

o meio pelo qual êstes são devolvidos.UU.14 '10. a considerar os efeitos exercidos pelos impulsos externos sôbre o centro principal. êstes coeficientes mantiveram-se num nível relati- vamente baixo.40%. no mesmo período. J. Verifica-se que o coeficiente de importações di- minuiu de 5. nem. PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO ECON6MICO 49 Sensibilidade do centro principal aos estímulos vindos do exterior 7. foi acompanhada de uma correspondente baixa no seu coeficiente de exportações. quer no tocante à capacidade do referido centro para transmitir aos outros centros e à periferia os seus impulsos de expansão. enquanto que o coeficiente de exportações. Não nos compete tratar dêsse primeiro aspecto aqui. sem antes ter examinado o ocorrido aos principais produtos da exportação. o que constitui impressionante contraste com os altos coeficientes da Grã-Bretanha.9%. analisando. ao resto do mundo. e nas suas relações com os demais países. no qüinqüênio 1945-49. sem prejuízo das relações de troca. em 1925-29. bem como o seu comércio recíproco. Não obstante. Durante o período 1870-1914. a média do coeficiente de im- portações dêsse país foi de 32. apenas. em 1930-34.69 % para 4.1 % e o de exportações de 18. A notável redução efetuada no coeficiente de importa- ção dos EE. durante a grande depressão. Limitar-nos-emos. Apesar das modificações ocasionadas pela guerra. ou retransmitidos. a saber. quer no que se refere às reper- cussões que experimenta em virtude dos estímulos que lhe forem transmitidos pelo resto do mundo. o fato de se ter podido aumentar a capacidade de exportação não implica que os mercados dos grandes centros industriais aumentassem sua capacidade de importação.95% e 5.4 . para 3. pois influi consideràvelmente no fun- cionamento do principal centro cíclico.27% respectivamente. que houvesse sido possívd levar a cabo essa expansão. antes dêste país perder a sua função de principal centro cíclico. diga-se de passagem. igual- mente. diminuiu de 6. 2..UU. Por conseguinte. ~stes viram-se compelidos a contrair. ou de contração. pois o assunto é alheio a êste trabalho.82%. as suas importações de artigos norte-americanos. na mesma medida. a baixa do coeficiente de importações nos EE. tornou ainda mais intensos os efeitos desta sôbre os demais países. tampouco. Essa diferença entre os coeficientes é da máxima importância para a economia mundial.

quer tenha um coefi- ciente de importação limitado ou elevado.UU. exercem uma influência decisiva na atividade econômica. Todo país. a expansão destas exportações não tardaria a estimular o desenvolvimento das atividades internas. um elemento dinâmico. comparável às inversões de capital. era maior sua capacidade para devolver os im- pulsos recebidos. quando a Grã-Bretanha atua- va como principal centro cíclico. sobremodo. em qual- quer outro centro.50 REVISTA BRASILEIRA DE ECONOMIA E' evidente que. o desenvolvimento de semelhante movimento fôsse mais intenso do que nesse país. as quais. e. Por sua vez. Eis por que. em seguida. visto que nos EE. a demora veri- . Destarte. tenderá sempre a de- volver os estímulos recebidos do exterior. aE exportações representam uma proporção muito menor da renda nacional. destinadas. naquele centro. por conseguinte. o aumento da renda total da Grã-Bretanha. Mas. De outra parte. semelhante à de- sempenhada pelas inversões de capitais. quer deviào aos seus efeitos sôbre as inversões de ca- pital. também.UU. se. à dife- rença existente entre a magnitude dos respectivos coeficientes de importação. seja grande ou pequeno. quanto maior fôr o coeficiente de expor- tações. nesse país. não constituem. pelo menos de modo a compensar adequadamente essa deficiência. não somente demonstrou possuir maior sensibilidade aos impulsos externos do que os EE. Se as in"ersões forem deficientes. porém. desempenhavam uma função dinâmica. ou se. O centro britânico. mas. em primeiro lugar. será pouco pro- vável que o aumento das exportações possa agir como fator dinâ- mico na atividade interna. tivesse início um movimento cíclico crescente antes do mesmo surgir na Grã-Bretanha. quer em virtude de sua repercussão no consumo. conforme é sabido. às indústrias de exporta- ção e. fenômeno êste que se deve. Tempo e intensidade com que o centro l"etransmite os impulsos externos 8. às demais indústrias. o aumento da renda no aludido centro e a extensão do fenômeno aos outros países repercutiriam favorà- velmente nas exportações britânicas. maior será a influência da variação das exportações sô- bre a renda nacional. em virtude da elevada proporção que representavam em relação à renda total.. suas exportações.

e o grau de intensidade da mesma.41 períodos circulatórios. então. em virtude da estabilidade que. as importações atingem a 50 % do incremento periódico das exportações. apresentaremos um exemplo hipotético dos mais simples: suponhamos dois países. sendo o restante des- tinado à circulação nas atividades internas. na medida de cujo crescimento vão também sendo aumentadas as importações. Êste processo. foi atribuída ao coefi- ciente. PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO ECONôMICO 51 fica da antes de se efetuar essa devolução. No primeiro período. Torna-se claro que. porém. se registre um incremento de 100. Com o propósito de ava- liar essa importância. verifi- camos que no fim de 2. em relação aos incrementos em aprêço. calculados especialmente para êste fim. ainda não se atribuiu ao fator tempo tôda a importância que merece. são necessários 13. na dinâmica da economia. Aliás. se efetuar nas importações. o período circulatório dura seis meses. Chega. e o restante volta a constituir saldo de entrada para o terceiro período. Em ambos. suponhamos que. em sucessivos períodos circulatórios das suas respectivas rendas. No país B. Êsse pro- cesso repete-se sucessivamente. Seguem alguns dados ilustrativos do problema. em pou- co mais de um ano. em nenhum dos quais está sendo empregada a totalidade dos fatôres de pro- dução. por hipótese. apenas. cujo coeficiente de importação é de 25%. e que êste aumento se repita constante- mente.5 . No caso do país A. constituem fatôres de grande importância prática. enquanto que no país B. verifica-se um coeficiente de apenas 5%. onde o coeficiente de importações registrado é. assim. permitindo. é sobejamente conhecido de maneira que pretendemos apenas resumi-lo. uma parte do primeiro incremento é empregado nas importações. nas exportações. o momento em que a renda assim acumu- lada atinge a uma quantia tão elevada que a parte desembolsada para importações corresponde ao incremento de 100 verificado. nas exportações de ambos. uma parte vai novamente ser empregada nas importações. o coeficiente de importações regis- trado cifra-se em 25%. constante e sucessivamente. quanto menor fôr o coeficiente de importações. com o decorrer do tempo. A e B. No país A. Acrescenta-se o se- gundo incremento a êsse restante. tanto maior será a demora para se conseguir a paridade do incremento periódico das exportações e do incremento que. ou seja. e dêsse total. que haja um aumento gradual e acumulativo da renda. de 5%.

Em igualdade de condições. à intensidade do impulso exterior. é de máxima importância nos fenômenos concretos da economia. Mas. ao resto do mundo. no país A. Todayia. dentro de um prazo determinado. para fazer corres- ponder o aumento das importações a 95% do aumento perió- dico das exportações.-lados nos permitem formar uma idéia de como intervém nesse fenômeno o fator tempo. isto é. devido aos efeitos de certas reações que dão ao processo de crescimento sua característica configuração ondulatória. entre êstes. todos os impulsos que lhe são comu- nicados. . em proporção direta. quanto menor fôr o coeficiente de importação. no tocante aos demais fa- tôres. menor será a capacidade do centro para retransmitir. porém. na íntegra. para que chegassem a registrar incremento total quase idêntico. um período de cêrca de cinco anos. que o obrigará a ceder parte de suas reservas em ouro. A bem dizer. enquanto que nos país B. Tempo de retransmissão e desequilíbrio 9. o resto do mundo sofrerá um desequilíbrio constante. à rapidez com que o centro retransmite os efeitos dêsse impulso. E' evidente que. Ademais. os impulsos recebidos. destaca-se a renda oriunda da expansão da produ- ção. em proporção inversa. dificilmente se efetuará um equilíbrio entre estas e as exportações. seja qual fôr o coeficiente. para se obter o mesmo resultado. seria exigido. o centro poderá retransmitir. ou através um período mais prolongado. Repercutem sôbre o aumento acumulativo da renda outros fatôres. isto é. como análise inicial do problema. cêrca de 13 anos e meio.52 REVISTA BRASILEIRA DE ECONOMIA períodos circulatórios. Na realidade. os fenômenos não se apresentam na forma mecânica prevista nessa hipótese. de onde o mesmo partira. além da renda proveniente da repetição periódica do aumento das exportações. êsse prazo seria superior a um quarto de século. Da mesma forma. o fato dês se processo se completar dentro de um prazo limitado. êstes . recebido pelo centro. estimulada pelo aumento geral da procura. e. original. correspondendo o vulto dessa remissão. enquanto as importações do centro não igual- lem suas exportações. com o decorrer do tempo. se bem que as importações tendam a crescer segundo a forma acima delineada.

porém. Teve a teoria clássica do equilíbrio das balanças de paga- mento e dos movimentos internacionais do ouro. à medida em que entram vagarosamente em ação certa fôrças que tendem a deter o desequilíbrio inicial. PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO ECONôMICO 53 A análise precedente nos proporciona elementos suficientes para esclarecer se a tendência ao desequilíbrio.. em vista do efeito que o referido incremento produziria nos EE. o desequilíbrio teria provocado graves conseqüências monetárias na América Latina. oriunda do de- senvolvimento econômico latino-americano.UU. a virtude de haver reconhecido os fatôres que atuam na realidade. no caso de que se pretenda continuar com o desenvolvimento. sem atribuir qualquer importância ao tempo exigido para que se efetue êsse deslocamento. Todavia. E assim por diante. em que se parte de uma posição de equilíbrio para ocupar outra. poderia gerar. Se a América Latina durante um certo número de anos comprasse mais do que vendesse aos EE. era im- possível a aplicação desta teoria aos problemas do desenvolvi- mento econômico. limitando-se a observar que qual- quer perturbação pressupõe um deslocamento. Nesse ínterim. cuja duração constitui fator de relevante importância. o coeficiente de im- portações. haverá ne- cessidade de se baixar. (não considerados os outros itens do balanço de pagamentos). de forma que. após longo período. surge outro. essa teoria se pro- jetou sempre sôbre o estático. progressivamente. a que nos referiremos sucessivamente. enquanto perdura o processo. é concebível que. quer apresen- tada com as suas mais recentes modificações. Sendo êste o sentido da sua orientação. uma corrente capaz de deter essa mesma tendência e restabelecer o equilíbrio. que se junta ao primeiro. não engendra um só desequilíbrio e sim uma sucessão dêstes. até que a perda de reservas se eleva a tal magnitude que o ritmo do desenvolvimento econômico terá que ser reduzido.UU. O desenvolvi- mento econômico. quer enunciada na sua primitiva e antiga forma. ou. Mas não se resume apenas nisso o problema. . O pro- blema tem dois aspectos. dentro do âmbito do sistema econômico mundial. novo. se não sustado. uma vez que o curso dêste processo é mar- cado por sucessivas perturbações. conforme se explicou anteriormente. as exportações para êsse país se nivelassem com as importações.

dado o seu alto coeficiente de importações.54 REVISTA BRASILEIRA DE ECONOMIA Compreende-se. livre de qual- quer forma de restrições. sem dúvida. contribuíram para que êle demons- trasse uma viva sensibilidade aos impulsos externos. que esta deficiência da teo- ria. O mercado britânico. Esta pos- sibilidade de exportar devia-se à influência favorável que as im- portações dos referidos países exerciam sôbre a renda do centro britânico e por encontrar-se êste em condições de transmitir. no subseqüente desenvolvimento de outros gran- des países industriais. não fôsse claramente per- cebida na época em que a Grã-Bretanha constituía o principal centro cíclico. Real- mente. aumentando assim o poder de compra dêstes últimos nos centros industriais. tiveram ensejo de aumentar suas expor- tações progressivamente. no tocante ao elemento dinâmico. Quando um país pode exportar o que necessita para obter. que os países em plena fase de desenvolvimento adqui- riam matérias primas nos países periféricos. São diversos os fatôres que concorre- ram para êsse fenômeno. em êrro se não reconhecêssemos a natureza complexa dêsses elementos. quer fôssem oriundas de outros países estritamente periféricos. naturalmente. em troca. ademais. e quando as referidas exportações podem ser aumentadas constantemente. é bastante simples deter a tendência ao desequilíbrio. quer fôssem mercadorias provenientes de paí- ses em plena fase de desenvolvimento industrial. não encontramos qualquer forte tendência ao desequilíbrio crônico. a função das exportações na vida econômica dêsse país. e o elevado coe- ficiente de suas importações. Por conseguinte. os países cujo desenvolvimento econômico foi posterior ao processo britânico. encontrava-se apto a importar tudo quanto lhe fôsse ofprecido do exterior. em condições favoráveis de concorrência. as importações exigidas pelo seu desenvolvimento eco- nômico. Foi o que se deu outrora. correspondendo êsse incremento ao ritmo do de- senvolvimento econômico. Deve-se notar. Incidiríamos. Como já tivemos ocasião de verificar. Sem . é indiscutível que a forma como funcionou o centro cíclico britànico exerceu uma influência preponderante nessa fase. rà- pidamente. à medida em que o incremento de suas respectivas rendas exigia o aumento das importações. qualquer estímulo externo que recebesse. devolvendo os mesmos ao resto do mundo num prazo relativamente curto. To- dayia. inerente ao próprio processo de desenvolvimento.

UU. devemos frisar que o fenô- meno analisado. no período circulatório inicial. em saber se a alta dos preços seria suficientemente intensa para provocar um rá- pido aumento das importações. o resultante incremento da renda e da procura faria aumentar os preços (1). pois. seja de 100. O centro cíclico principal na hipótese de pleno emprêgo 10. PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO ECON6MICO 56 pretender opinar sôbre êste sistema. absorvendo em sua totalidade o aumento dos (1) Mesmo que não ocorresse a circunstância de emprégo total dos fatôres produtivos. devolvendo. O problema resume-se por conseguinte. Agora. a solução dêste problema. uma vez que estivessem totalmente empre- gados os fatôres produtivos. que correspondem assim umas como as outras. os quais devolvia sem tardança.000 para 6. ocorreria sem qualquer dificuldade. não haveria possibilidade de aumen- tar a produção destinada ao consumo interno. provenientes do exterior. os preços seriam majorados. No período seguinte. coeficientes que pouco diferem daqueles constatados recentemente nos EE. Um exemplo simplificado nos permitirá encontrar.a qual o aumento da renda no centro. ao resto do mundo o impulso dali proveniente. no caso de emprêgo total dêsses fatôres. seria de interêsse examinar se. proporcionou ao centro cíclico principal notável capacidade. se em tal caso aumentassem as exportações. não somente para transmitir ao resto do mundo os impulsos internos da sua própria economia. no seu conjunto. . para êste fim. resultante do acréscimo das exportações. com maior facilidade. aumentaria sensIvelmente a capacidade do centro cíclico para desenvolver êsses impulsos.000. estando equilibradas as suas exporta- ções e importações. como também para receber os estímulos que lhe chegavam de fora. e contra- balançar o incremento das exportações. Pretendemos em- pregar.000. em medida adequada. se bem que em proporção relativamente inferior. Suponhamos um país em fase de emprêgo total e cuja renda. Na análise precedente se partiu da hipótese segundo . É evidente que. assim. em virtude de existirem fatôres produtivos ainda desocupados. a 4 % dessa renda. com o fito de abas- tecer o aludido incremento da procura. as exportações se elevam de 4.

o desequilíbrio provocado pelo excesso de compras no resto do mundo obrigará os países afetados a utilizarem as suas re- . como não será possível aumentar a produção. e na transformação de uma parte dêstes lucros em salários maiores. todos os complexos elementos que existem na realidade.000 para 6.000) nas im- portações. não levando em conta. Neste. não resta dúvida que a alta dos preços e seus efeitos sôbre as importações constituem fenômenos que demoram a se fazer sentir. sendo o atraso da sua repercussão tanto maior quanto menor fôr a relação entre as exportações e a renda. salvo se in- tervierem fatôres adversos. por êste meio. mas.56 REVISTA BRASILEIRA DE ECONOMIA fatôres produtivos. Nesse ínte- rim. com o de- correr do tempo. um incremento de 2. conceber que. poder-se-á manter a paridade da oferta e da pro- cura. Na realidade. De uma parte. Desta forma.000 na renda que se refletirá em aumento da procura interna. alcançada no segundo período. isto é. ocorrida durantE' o segundo período. resultando na sua segunda alta. de 4. a alta produz outros efeitos que modi- ficam a intensidade e a forma do fenômeno. Os preços. Pode-se. Todavia. a corrigir o desnível entre estas e as exportações. a majoração dos preços depende da proporção em que o incre- mento da renda é absorvido pelo consumo e pelas inversões. a alta interna dos preços seja causadora do in- cremento das importações. seja como fôr. tornar-se-á necessário um au- mento correspondente (quer dizer. a majoração dos pre- ços. além de repercutir. Teremos. o exce- dente da primeira formará novo fator de pressão sôbre os pre- ços. e se êste incremento de remunerações fôr totalmente gasto durante o terceiro período. nesse caso. também. pois.10. A fim de manter a paridade entre as importações e as exportações. registrar-se-á um aumento de 2% nos preços. se haverá traduzido em aumento dos lucros dos empresários. no decorrer dêsse segundo período. sôbre os preços de ex- portação e de importação. por conseguinte. tenderão a subir nos períodos subseqüentes. supondo que as exportações ultrapassem mais uma vez as importações. De outra parte. tendendo. contudo. repetindo-se o processo su- cessivamente. como em outros casos. um incremento de 50 <. visto estarem to- talmente empregados todos os seus fatôres. foi apresentado o problema na sua forma mais simples. Não seria de esperar que uma alta de 270 nos preços viesse a aumentar as importações 25 vêzes mais.

ademais. cujo funcionamento foi eficiente no mundo inteiro quando a capacidade do centro cíclico principal para receber e devol- ver os estímulos oriundos do exterior permitia-lhe restituir o ouro que atraía. torna-se evidente que é bastante limi- tada a capacidade de um país para corrigir o desequilíbrio. ou não. mas. forçosamente . devido à persistente tendência do centro cíclico no sentido de atrair para si o ouro e as reservas monetárias daque- les países. Serve esta análise para nos mostrar que. PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO ECONôMICO 57 servas de ouro. já não pôde funcionar da mesma forma quando o centro cíclico. A necessidade de impedir que se esgotem estas reservas obriga a tomar medidas que de uma forma ou outra tendem a reduzir o coeficiente de impor- tações. fôsse em razão do aumento de suas importações. e assim sucessivamente. e. que o padrão ouro. ao contrário. havia perdido em grande parte essa capacidade. E. bastante moroso em devolver êsses impulsos. em situação de emprêgo total. Circunstâncias em que funciona o padrão ouro 11. Em vista dessa tendência para absorver as reservas de ouro e da carência de qualquer fator que tenda a expulsar as reservas acumuladas no centro. Um centro como era a Grã-Bretanha. de uma série de incremen- tos. dado que êsse desequilíbrio não resulta de um incre- mento único das exportações do referido país. em relação às suas importações. Tudo isso provoca conseqüências que logo transparecem na política monetária. desta maneira. quando o centro cíclico principal é pouco sensível aos impulsos advindos do ex- terior. o dese- quilíbrio resultante do desenvolvimento econômico conspira con- tra a estabilidade monetária dos países em plena fase de desen- volvimento. fôsse em ra- zão do aumento de suas inversões no estrangeiro. conforme também ficou patenteado no caso anterior. surge a necessidade de novos reajustamentos. Explica-se. por meio das suas reservas monetárias. a fim de devolvê-las e redistri- buí-Ias ao resto do mundo. em virtude de sua própria estrutura econômica. quer se encontre. à medida que tende a se efetuar o reajustamento resultante de cada um dêsses incrementos. que as crescentes cí- clicas expelia boa parte do ouro atraído durante a minguante.

gradualmente. para que êsse metal seja ali retido. Em outras palavras. mas para que êle de fato seja expelido isso não basta. foram a expressão dela. Organização das Nações Unidas. a ação constante de um fator dinâmico que o obrigue a deixar o centro. é necessária. foram sendo deduzidos da experiência britânica e do aperfeiçoamento da técnica monetária e financeira nesse país. por intermédio do incremento das suas importações. bem como devido à ação de outros fatôres que já foram exami- nados (1). que as necessidades da reconstrução euro- péia e a inflação.58 REVISTA BRASILEIRA DE ECONOMIA teria que proporcionar importante auxílio ao funcionamento do sistema monetário dos demais países. todavia. ~ mesma capa- cidade de expelir o ouro que atrai. cons- titui condição essencial que o ouro tenha saída fácil. Sendo êsse centro menos sensível do que o velho centro britânico aos impulsos externos. (I) Veja-se "Estujio Económico de América Latina". Não de- vemos estranhar. resulta que o sistema mo- netário internacional funciona em condições muito diversas das que vigoravam antes da primeira guerra mundial. Os princípios que. resultando em conseqüência o problema da escassez de dólares. e mais lento no devolvê-los ao resto do mundo. êsses princípios revelaram-se insufi- cientes para desempenhar a função que antes haviam exercido com tanta eficácia. A debilitação do impulso transmissor do ouro contribui. que o centro. ao contrário. não criaram a realidade. Verifica-se. Não basta permitir a fácil entrada e saída do ouro. impedindo. onde se acumula o metal em virtude da gravitação natural. ainda. porém. quando essa realidade foi profundamente modificada. de maneira sistemática. torne a expeli-lo no devido tempo. Devemos assinalar. atualmente. assim. Desta forma.UU. é indispensável. por conse- guinte. que as reservas monetárias do resto do mundo possam reconstituir-se. o acréscimo dêstes fatôres circunstanciais aos elementos permanentes que atraem o ouro aos EE. ademais. exercem ponderável influência na atual escassez de dólares. pois. em seguida. Em vista disso. o ouro tende a acumular-se nos EE. o recrudescimento de medidas de con- trôle tendentes a limitar a extensão do fenômeno. segundo as conhecidas regras do jôgo. capítulo 8 . O novo centro cíclico não possui. cc'mo é de todos sabido.UU.

que possIvelmente desaparecerão sem muita demora .. assim como aquelas outras conducentes a resultados semelhantes. capaz de corrigir o referido desequilíbrio. N (devido à índole do seu co- mércio recíproco). Em verdade. Apesar do vultoso saldo favorável que apresenta o balanço de pagamentos dos EE. Verificam-se. à forma como funciona o centro cíclico principal. A paralisação do sistema multilateral 12. Entretanto. importando dêste último mais do que expor~ tava para êle. na realidade. sua magni- tude relativa. A análise anterior teve como único objetivo comprovar a presença de fatôres persistentes de desequilíbrio. Uma das principais manifestações dêstes acontecimentos é a paralisação do sistema multilateral. pois. com respeito à renda nacional. não constituem meros resultados de determinada política monetária. apesar de esta- rem freqüentemente associadas a fatôres circunstanciais aces- sórios . e os fatôres que poderiam tender a corrigi-los exercem sua in- fluência com demasiada lentidão.UU.UU. pudesse provocar um aumento nas importações e nos outros itens do passivo do ba- lanço de pagamentos.não resultam. tende a acarretar desequilíbrios persistentes. dessas circunstâncias adventícias. um determinado país. como vemos. resultante do aludido saldo. no caso de ser N um centro cí- . M. Isso se tornava possível em vista de N empregar o ouro recebido de M para importar do resto do mundo mais do que lhe vendia. devido. re- velam ter raízes profundas. sobretudo. poderia manter um desequilíbrio perma- nente em relação a outro país. nestes últimos tempos. sem considerar a existência de outros fatôres circunstanciais que pudessem agravar êsse processo. na época em que o padrão ouro funcionava com grande fluidez. durante os anos 30. Nesta investigação. A parte dêstes últimos. Seria necessário um longo prazo para que o incremento dessa renda. o de- senvolvimento econômico dos países latino-americanos e de outros países da periferia. PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO ECONôMICO 59 tsses acontecimentos. foram relegadas a segundo plano as circunstâncias excepcionais que contribuíram para a vasta acumu- lação de ouro nos EE. transformações que. mas provêm das modificações fundamentais que acabamos de es- tudar. é na realidade pe- quena. Antes de se efetuarem essas grandes transformações a que já fizemos referência.

À luz da expe- riência. a uma ordem estática. um país latino-americano importasse de um seu vizinho crescentes quantidades de diversos produtos e o se- gundo agisse da mesma forma em relação ao primeiro. diminuindo. mas também em todo o co- mércio mundial. isso não poderia ser atribuído ao fato do primeiro estimular o poder aquisitivo do segundo. AI não terá razão de limitar suas importações provenientes de outros países. graças aos impulsos gerados nos centros cí- clicos. exclusivamente. para devolver o im- . sem se preocupar com o equilíbrio do intercâmbio. se M procurar manter o antigo volume do seu intercâmbio com os demais países. Se. ver-se-á obrigado a estabelecer um complexo sistema de acordos bilaterais de compensação. no país N. em virtude de sua estrutura econômica não o capacitar para tanto. Não seria estranho. de fato. Não correspondia o multilateralismo. é evidente que o ouro não será retransmitido a M. Mas. da sua parte. que o empregaria. de maneira alguma. todavia. de acôrdo com a magnitude de suas reservas mone- tárias. no decorrer do tempo. Se. Não resta dúvida que o poderá substituir no conjunto do inter- câmbio de M com os demais países do mundo. com cada um dos demais países que desempe- nhem um papel de alguma importância no seu comércio exterior. ao contrário. nestas condições. que lU fôsse levado a limitar suas importações de N. assim. a origem do desequilíbrio se encontra. nesta hipótese. correlativamente as clássicas vantagens do comércio múltiplo. Em tal caso. verifica-se que semelhante sistema não poderá surgir de maneira espontânea. Faremos agora um breve exame da influência do multilateralismo nas relações de intercâmbio recíproco entre êsses países. sobejamente. o desequilíbrio crônico entre M e N repercutiria não somente no intercâmbio entre êsses dois países. procurasse limitar estas importações. o sistema multilateral estará seriamente com- prometido. o desequilíbrio. Pertence. a um mundo em pleno crescimento. a fim de corrigir. e de não empregar êsse país o ouro pela maneira exposta.60 REVISTA BRASILEIRA DE ECONOMIA clico predominante. ou atenuar. Conhecemos. uma vez quebrado o sistema multi- lateral de compensações. a fim de poder continuar a gozar das referidas vantagens. sua significação na fase de desenvolvimento primário dos países latino-americanos. e de sua produção de ouro. Dado que. que era típico do antigo padrão ouro.

não obstante. como ocorreu nos anos 30. os últimos e. como êsse intercâmbio vinha sendo saldado em ouro. que o reduzisse na me- dida prevista pela imposição das restrições. Mas. por intermédio dêstes. o consumo dos artigos compreen- didos nesse intercâmbio. espontâneamente. surgiram sérias dificul- dades no intercâmbio recíproco dos países latino-americanos. A bem dizer. em razão da insuficiência rela- tiva das exportações latino-americanas para as fontes de recursos monetários conversíveis. o intercâmbio entre os paí- ses latino-americanos tem sido relativamente pequeno e fraco demais para poder gerar tais repercussões. especialmente dos países limítrofes. Em regra geral. PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO ECONôMICO 61 pulso ao primeiro. ou então. Também nestes casos foi necessário recorrer a acordos bilaterais. um caso particular das conseqüências gerais a que nos referimos. em numerosas publicações. A explicação para o caso é outra. em geral. Êste sistema pôde desenvolver-se. A verdade é que os primeiros convergiam panl. se desenvolviam as correntes de intercâmbio interno na América Latina. as restrições afetaram igualmente o in- tercâmbio recíproco dos países da América Latina. enquanto os países latino-americanos conseguiram ir au- mentando suas exportações. Êsse incremento das importações recíprocas re- sultava do incremento das exportações dos países latino-ameri- canos para os grandes centros industriais. Ocorreu isso sem que se registrasse nesses países nenhum fenômeno que pu- desse reduzir. já que êste constitui. que. ou. Já se demonstrou amplamente. a fim de man- ter ou tentar desenvolver o intercâmbio recíproco. com vistas a adaptá-lo às novas condições reinantes na eco- . por vêzes mui sérias. uma verdadeira orien- tação. pelo menos. sem encontrar grandes obs- táculos. estabelecidos com um sentido transitó- rio ou para atender a dadas circunstâncias e nos quais não trans- parece a intenção de dar ao intercâmbio dos países latino-ame- ricanos. que todos êsses recursos acarretam desvantagens. ou em moedas conversíveis fornecidas pelos países industriais. quando tais moedas escassearam. êsses acôrdos são meros convênios de pagamento. quando as exportações não aumentaram na medida requerida pelas neces- sidades do desenvolvimento econômico. ao se verificar uma grande baixa nestas. afinal. em contraste com o regime multilateral de outrora. De- vemos frisar.

Basta dizer.62 REVISTA BRASILEIRA DE ECONOMIA nomia internacional. O desequilíbrio origina exportações de ouro. Em vista do que ficou exposto neste capítulo. até que as importações pos:. O desequilíbrio e a teoria clássica 13. A teoria monetária clássica oferecia-nos uma solução sim- ples para o problema do desequilíbrio. por outro lado a mesma análise confirma que não se encontra um corretivo rápido e efi- ciente para a tendência ao desequilíbrio crônico. sobretudo ao irromper a crise econômica mundial. enquanto não forem . A análise dos acontecimentos permitiu-nos comprovar. assim. para encerrar êste capítulo. sem maiores contestações. não obstante o desenvolvimento eco- nômico exigir um crescimento maior. segundo a mesma teoria.am novamente ser compensadas pelas exportações. as quais acarretam a baixa dos preços e a redução da atividade econômica interna. conforme se comprovou anteriormente. de alguma forma.. De outra parte. até a primeira guerra mundial. E' possível que a confusão que ainda persiste nesta matéria. acarretando. desta maneira. por um lado. Atingimos. o aumento das importações e a con- tração das exportações na medida necessária para corrigir o desequilíbrio. pareceria incompa- tível com as exigências do desenvolvimento econômico. Não resta dúvida de que a necesc:idade de restringir a atividade econômica. com o propósito de corrigir o desequilíbrio. não é de es- tranhar que a fé nessas reações automáticas houvesse prevalecido. visto que a entrada dêsse metal provoca alta dos preços. do fato de não se ter destacado claramente a influência que tem o elemento tempo nas ações e reações do centro cíclico. nos países recebedores de ouro ocorrem cel'ta~ reações que tendem a restabelecer o equi- líbrio. Nem nos deve surpreender que as dúvidas relativas a sua validade hajam surgido quando se evidenciam a contradição entre a rea- lidade e as conclusõef' emanadas da referida teoria. devido ao próprio modo de funcionamento do centro cíclico principal. provenha. o objetivo dêste capítulo. que a capacidade de importação dos países latino-americanos cresceu menos que sua população. que. porém. Constitui a análise dêste aspecto do pro- blema matéria do capítulo seguinte. resultante da- quela situação.

frisou-se que não era possível compreender os problemas do desenvolvimento econômico da América Latina. o reco- nhecimento de um fato. N o capítulo precedente. A EXPANSÃO DO PROGRESSO TÉCNICO E A RELAÇÃO DE TROCAS. não poderemos esclarecer inteiramente os problemas ati- nentes ao desequilíbrio. exercida por êsse fenômeno. essencialmente. sem antes examinar êste processo e as suas conseqüências. Sentido dinâmico da piora nas relações de trocas 1. sem dúvida. com o objetivo de melhor compreender sua natureza e dissipar certas dúvidas e confusões que costumam surgir a êsse respeito. na economia interna- cional. Salientamos. justamente numa fase do de- senvolvimento econômico desta em que as importações tendem a aumentar constantemente. apenas. Trata-se de um fenômeno essencialmente dinâmico. sôbre a capacidade de importação da América Latina. Essa relação entre o coeficiente de importação dos aludidos países industriais e a relação de trocas constitui. entretanto. da máxima importância para a América Latina. dado que estamos diante de um fenômeno estreitamente ligado à forma de expan- são universal do progresso técnico. o que justifica que se dedique o pre- sente capítulo a sua investigação teórica. igualmente. necessário fazê-lo. ainda mais. Uma dessas conseqüências. Pretendemos demonstrar que. nesse sentido. E' um fato. nem tampouco suas repercussões mone- tárias. CAPITULO 111 . qualquer que seja a significação que se lhe atribua. Torna-se. a in- fluência adversa. êsse fe- nômeno se explica pela relativa lentidão do desenvolvimento in- dustrial mundial em absorver o excedente real ou potencial da . PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO ECONôMICO 63 adequadamente interpretadas a significação e as conseqüências das modificações efetuadas. Desde o início dêste tra- balho. e sua conseqüente piora para a periferia. constituiu um dos principais fatôres da diminuição do coeficiente de importações dos referidos países industriais. é a persistente tendência à alteração das relações de trocas. procuramos explicar como a me- lhoria nas relações de trocas para os grandes países industriais.

por exemplo. A significação da relação entre preços de produtos primários e industriais 2. dêste modo. mais 50% de artigos industriais. antes de penetrar mais profun- damente na matéria. Mais do que isso. Entretanto. Como se sabe. Se os preços refletissem fielmente a redu- ção de custos oriunda do progresso técnico. Desde já. que tende a exercer uma pressão constante sôbre os salários bem como sôbre os pre- ços dos produtos primários. há. e o índice desta relação. Desta forma. agora. dar uma rápida explicação. impede que a periferia retenha uma parte dos frutos de seu próprio progresso técnico. os preços industriais teriam acusado uma baixa mais sensível do que os preços dos produtos primários. indicando-nos que. no que diz respeito à possibilidade de usufruir dos benefícios do progresso técnico.64 REVISTA BRASILEIRA DE ECONOMIA população econômicamente ativa que se entrega a atividades primárias. devido a que o incremento da produtividade na indústria foi maior do que nas atividades primárias.:a vez exigem novos reajustamentoi3 na distribuição da população econômica- mente ativa. deyemos ter o cuidado de não atribuir a essa afirmação derivações que somente à luz da análise que se fará posteriormente poderão ser delucidadas. sobrevêm outras inovações na técnica produtiva. por êsse mo- tivo. que a periferia compartilhe. con- forme é do consenso geral. enquanto isso. subiria. em igualdade de condições com os industriais. pois poderiam adquirir maior quantidade de artigos e produtos de melhor qualidade. esta redução tem-se processado historicamente com grande lentidão. geralmente. com os centros industriais dos benefícios resultantes do progresso técnico alcançados por êsses últimos. embora sendo mais intensa a baixa registrada no custo . assim. Mas. como conseqüên- cia. com a mesma quantidade de produtos primários que antes. ou seja o índice de relações de trocas. A relação de preços. Os produtores primários estariam. por conseguinte. o progresso técnico tende a reduzir a proporção da população econômicamente ativa que se dedica à produção primária. poder-se-ia adquirir. teria favorecido à produção primária. dE' 100 para 150. impedindo. Convém. que por st. uma relativa abundância de potencial humano nas atividades primárias.

J. podem então adquirir mais 60% de artigos indus- triais por hora de trabalho. e qual a proporção dêles aprovei- tada pelos países de produção primária. de tão grande impor- tância para o desenvolvimento econômico da América Latina. 1949) foi apresentada urna explicação mais pormenorizada dêsse fenômeno. se o índice da relação de preços se man- tivesse em 100. se empregam apenas metade das horas de trabalho de antes. Os índices apresentados no capítulo anterior parecem in- dicar que. como também. significaria que os produtores primários. os produtores primários obtêm 20% menos de artigos industriais. durante os últimos 75 anos. Por enquanto. as vantagens da maior quantidade e da melhor qualidade dos artigos manufatu- rados. todo o proveito do seu próprio progresso técnico. em seu poder. além disso. a fim de obter a mesma quantidade de produtos. PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO ECONôMICO 65 dos artigos industriais. procuraremos explicar a razão de ser dêste fenômeno. por exemplo. Se êsse índice descesse abaixo de 100. o progresso técnico na pro- dução primária da periferia houvesse sido inferior ao da ativi- dade industrial no centro. de ser êste último maior que o logrado no setor primário (1). tudo depende da magni- tude do incremento conseguido na produtividade e da parte trans- ferida aos produtores industriais. não teriam podido conservar. Se. como é provável. Mas. ou ainda mais se lhes fôsse facultado compartilhar os frutos do progresso técnico alcançado no setor industrial. então a periferia teria transferido para o centro parte dos benefícios do seu próprio progresso téc- nico. (1) No trabalho sôbre "O desenvolvimento econômico da América Latina e ~eus principais problemas" (ReVIsta Brasileira de Economia. em troca da mesma quantidade de produtos primá- rios que outrora. não somente teriam deixado de rece- ber uma parte dos benefícios da maior produtividade industrial. em vez dos 100 % a mais que teriam se houvessem retido todo o fruto do próprio progresso técnico. Isto não quer dizer que os produtores primários se encontrem em pior situação que antes. o índice cair para 80. setembro. Infelizmente.5 . Mais adiante volvere- mos a êste aspecto do problema. a falta de dados sôbre o incremento da pro- dutividade na produção primária não nos permite conhecer a magnitude dêsses benefícios. se. isto é. ocorreu um fenômeno desta natureza. em vista de terem sido obrigados a ceder uma parte dêle aos produtores industriais. no caso. isto significaria que os produtores industriais teriam conservado para seu próprio proveito.

pudesse absorver.encon- traríamos uma forte tendência ao nivelamento dos salários primá- rios e industriais. Esta procura.se. O referido excedente pode ser real ou virtual. o referido excedente. para obter a mesma quantidade de produtos. causa a alta dos salários e exige o melhoramento da técnica produtiva.UU. da indústria e das ati- vidades a esta ligadas. Am- bas as partes tirariam igual proveito do incremento geral da produtividade se.66 REVISTA BRASILEIRA DE ECONOMIA O excedente real ou virtual da população econômicamente ativa e as relações de trocas 3. na realidade. Essa tendência provém. freqüentemente. anteriormente. Sugerimos. não estando qualquer das duas em con- dições de absorver a mão de obra excedente. de outra parte. também. geralmente. à medida . ou simultâneo. que exerce uma pressão desfavorável sô- bre os salários e os preços primários. pelo fato de absorver trabalhadores da produção primária. à medida em que esta fôsse aparecendo. fôsse absoluta a mobilidade da população econômi- camente ativa. de uma parte. Poderia. real ou potencial. onde os setores industriais atraem a população das zonas periféricas de produção primária existentes no país. na realidade. do progresso técnico. nos EE. em vez de oferecer resis- tência espontânea ou deliberada à migração que. em vez dos salários serem majorados. surgir um excedente real na população econômicamente ativa. espontâneamente ou em virtude da procura de mão de obra pelas indústrias. Êste último caso parece ter ocorrido. tendo em conta as diferenças de aptidão. devido à introdução de novos métodos técnicos na pro- dução primária. do crescimento relativamente intenso da popu- lação nas regiões de produção primária. de forma que o rápido desenvolvimento da in- dústria. Em qualquer dêHses casos . e. isto é. que exige menor quantidade de mão de obra.. dessa população . se o pro- gresso técnico da produção primária não fôsse acompanhado pelo desenvolvimento anterior. compete. prontamente. À indústria e às atividades que dependam direta ou indiretamente de seu desen- volvimento. tende a surgir um excedente de população econômicamente ativa. ou poderá manifestar-se no caso dêsses métodos serem empregados. e das demais atividades. constatamos. a função de absorver êsse ex- cedente. pode já existir. que na produção primá- ria.

Se esta última aumenta mais do que a primeira. não se efetua com intensidade uniforme. só se manifestou com certo grau de intensidade. pensando bem. Por conseguinte. Pelo contrário. A periferia não somente deixou de compartilhar. os grandes países limitam êste processo à sua própria população. observa-se que. a relativa lentidão do progresso técnico em se estender pelo mundo afora. a intensidade do movimento varia segundo o poder de duas fôrças opostas. da periferia para o centro. pois a distri- buição da população ativa não é arbitrária. Em vista da atual estrutura da economia internacional. Todavia. Suas indústrias e demais atividades não se desenvolvem para absorver a população da periferia. se não desenvolvem sua própria atividade industrial. mas depende do nível da técnica produtiva. estando. na sua fase inicial na América Latina e no resto da pe- riferia. de parte das vantagens provenientes do progresso técnico na produção pri- mária. Esta transferência. Alcance da transferência dos benefícios do progresso técnico 4. na produção primária dos grandes países industriais. como também se viu obri- gada a ceder-lhes uma parte dos benefícios de seu próprio pro- gresso. Nestas circunstâncias os paí- ses periféricos não têm outro recurso para absorver o excedente de sua população econômicamente ativa. PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO ECONôMICO 67 em que fôsse aumentando a produtividade. Não poderiam empregar êsse exce- dente no desenvolvimento da produção primária. de outra parte. de uma parte. de modo geral. tanto a indústria como as atividades a ela ligadas cresceram em forma relativamente lenta. sob a pressão constante do excedente real ou virtual de sua população econômicamente ativa. considerado o mun- do em seu conjunto. os preços baixassem em proporção à baixa dos custos. de maneira que a absorção do excedente real ou virtual da população econômi- camente ativa. a procura de bens primários nos centros in- dustriais. porém. com os centros industriais dos benefícios provenientes da intensificação do progresso técnico nestes últimos. prevaleceu sôbre os fatôres que tendem a difundir os benefícios dêsse progresso. que são. diminui . conforme ficou esclarecido no pri- meiro capítulo. o crescimento da produção primá- ria e.

estimulados pelas fôrças comuns da economia ou por fatôres extraordinários que surgem em épocas de guerra. Suponhamos que. ou se demora muito a recuperar sua fôrça depois de uma depressãü aguda. na produção prima na. como aliás indica o seu nome. enquanto que a indústria abrange as fases subseqüentes. a qual se fará com uma intensidade tanto maior quanto mais se haja debilitado. mesmo. en- quanto que a produção primária assinala um aumento de 10'70. Quando os empresários industriais. Suponhamos. Mas. o aumento da ati- vidade industrial fomenta a atividade primária. como se verá. com a mesma intensidade. as proporções foram exageradas. a procura dos centros aumenta relativamente menos do que a pro- dução primária. relativa ou absolutamente. Esta última. e o restante ao valor acrescen- tado durante as diversas fases do processo produ'tivo. verifica-se uma piora para a periferia na relação de preços. fácilmente. com- preende as fases iniciais do processo produtivo. Se. encontra-se na indústria um elemento dinâ- mico que não se observa. e esta efetua a referida transferência para o centro. Torna-se evidente que a procura de tais artigos aumentará apenas 5 %. esta. com o propósito de simplificar ainda mais êste exemplo. 500 correspondam à periferia. pelo seguinte exemplo. Devido justamente à posição relativa de ambas estas atividades. entretanto. pagando mais 50 de remuneração a seus fatôres produtores. cresce a procura de proàutos primários. o fa- tor dinâmico industrial. carece de fôrça para estimular a atividade industrial. E. podendo. agora. suponhamos que êsse incremento sej a totalmente dispendido no centro. a cargo do setor industrial. procuram aumentar a produção. pela compra de artigos manufaturados. que a periferia deter- mine um aumento de 10'70 na sua produção. A bem dizer. em que. . todavia. chegar ao ponto em que os centros transfiram à periferia uma parte dos benefícios de seu progresso técnico. num valor total de procura de 1 000 para produção manufaturada. manifestando-se êste fenômeno na me- lhoria para a periferia das relações de trocas.68 REVISTA BRASILEIRA DE ECONOMIA a intensidade da transferência. para maior clareza. e os maiores lucros resultantes servem para estimular os empresários na periferia a aumentar a produção primária. na melhor das hipóteses. n aumento desta não acarreta um incremento da procura industrial suficiente para absorver êsse aumento.

PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO ECONôMICO 69 Não existiria. Trataremos agora dêsse último aspecto. mas não o da periferia. Pelo que se disse até agora. através da absor- ção do excedente da população econômicamente ativa da pro- dução primária. torna-se evidente que êste age de duas maneiras sôbre a produção manufatureira: primei- ro. nesse caso. é me- nor do que a proporção citada neste exemplo e o incremento das remunerações não é dispendido total e imediatamente em pro- dutos manufaturados. . exercer uma influência indireta sôbre a população econômicamente ativa da periferia. um incremento da procura industrial suficiente para absorver essa produção primária majorada. Na realidade. J á demonstramos que os centros absorvem seu próprio ex- cedente. Desta maneira. segundo. os centros teriam que importar da periferia uma proporção maior de produtos pri- mários. e pioraria para esta a relação de trocas. Se a indústria e as outras atividades do centro se desenvolverem de tal maneira que absorvam não somente o excedente de mão de obra de sua própria produção primária. Poderão. a fim de fazer face a suas próprias necessidades. na realidade. em virtude do cres- cimento da população ou do progresso técnico e não advir um aumento correspondente na procura de artigos primários no centro .se debilita a posição da periferia para resistir à pressão das fôrças que tendem a subtrair-lhe uma parte dos benefícios de sua própria produtividade. Importância dinâmica do crescimento industrial 5. A periferia exerceria sôbre o centro. e que compreende tanto as matérias primas para a indústria como os alimentos necessários ao centro. mas também a mão de obra que essa produção exige para poder continuar a desenvolver-se na medida correspondente à procura industrial. a parte da produção primária no valor dos produtos manufaturados. acêrca da significação di- nâmica do desenvolvimento industrial. todavia. através da procura do próprio centro. através do que denominamos de procura do centro. uma ação menos forte e a extensão do resultante dese- quilíbrio seria proporcionalmente maior. a periferia aliviaria a pressão do excedente de sua população e deteria a tendência à piora na relação dos preços. Esta exposição nos permite compreender melhor porque - no caso de aumentar a produção da periferia.

a partir dos anos 70 do século passado até a primeira guerra. E' possível que o resultante in- cremento da produção. Ocorrem. assim. porém. enquanto aumenta a empregada na indústria e em outras atividades ligadas a esta. Não obstante. não terá tido fôrça suficiente para impedir o mo- vimento das relações de trocas em prejuízo da periferia. as quais começavam a se industrializar. no de- senvolvimento daqueles que são hoje grandes países industriais. não sómente nos centros. outras manifestações. O decréscimo porém. absorvendo a população exce- dente na produção primária. a proporção de pessoas empregadas na produção primária diminui. mas também nas novas terras. na Europa. porém. talvez mais importantes e mais evidentes. Há. por outro lado o progresso dos transportes permi- tiu que os produtos das ditas regiões chegassem fácil e econômi- camente aos mercados europeus. sem dúvida. não foi suficiente para evitar a queda relativa dos preços primários. especialmente durante a segunda me- tade do referido século. que talvez ultrapassasse a procura do cen- tro. se se observa o fe- nômeno no seu conj unto. Não resta dúvida quanto ao fato das novas regiões acusa- rem maior produtividade por unidade de mão de obra que ve- lhas terras. além-mar. e o restante dessa popula- ção dedicou-se à produção primária. registrou-se forte incremento na população da Eu- ropa. e as novas regiões que as complementam. por conseguinte.70 REVISTA BRASILEIRA DE ECONOMIA Fenômenos desta natureza ocorreram. em sua função de produtores primários. Se a absorção da população primária pela indústria e demais atividades nos centros houvesse sido mais intensa. teria . ou substituem. durante o século XIX. como pelo demais na subseqüente. É fato conhecido que à medida em que a revolução industrial adquiriu grande impulso. que iam sen- do abertas à economia internacional em virtude do progresso técnico dos transportes. Uma parte cada vez maior dêsse incremento foi absorvida peln indústria e atividades conexas. que re\elam a maneira pela qual o crescimento indus- trial agiu como fator dinâmico. a emigração de população para as novas regiões teria sido menOl' e. O desenvolvimento industrial. nessa época. importantes desloca- mentos de população entre as velhas regiões de produção pri- mária. tenha exercido forte pressão no sentido de debilitar as re- lações de trocas.

E' possível que o período de abertura de vastas regiões na América Latina tenha findado entre a primeira guerra e a gran- de depressão. pelo menos. E' êste um terreno onde as conjeturas só serão superadas quando se façam sôbre a matéria amplas pesquisas. então. evidentemente. os diferentes tipos de produção e a intensidade do progresso técnico. Não se deveria ignorar êste fato numa investigação que tenha por fim estudar o curso das va- riações nas relações de trocas de diversos produtos primários. pelo menos no que respeita a certos pro- dutos primários. melhor colocada em relação à procura dos centros. a piora nas relações de trocas tornou-se muito mais intensa que antes. ao serem abertas as novas terras à atividade econômica. tenha sido superior ao registrado nos setores industriais. ou. que dei- xá-lo de lado nesta simplificação esquemática cujo único fito. não a atraem na mesma medida que outros países. Teremos. exerce uma pressão constante sôbre os salários e os preços. na produção primária. Isto porque. por intermédio do progresso realizado nos meios de transpor- tes. é esclarecer certos conceitos fundamentais. Notam-se grandes contrastes entre essa fase e a que se seguiu. para aumentar a produção primária que estaria. E' per- feitamente possível que. Por esta e outras razões. a fim de facilitar a compreensão do problema das relações de trocas. existia um potencial humano mais que suficiente para trabalhar o solo. ali. fato que. tanto na agricultura como na mineração. Nem tôdas as regiões. Nesta última. no momento. porém. êstes países não atraem a imigração européia. provàvelmente. o fato deve-se. abertas naquela época à economia internacional. se parte dos benefícios do progresso téc- nico na produção primária da periferia. PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO ECONôMICO 71 também sido menor a quantidade de mão-de-obra disponível. é transferida para os centros industriais quando a produtividade nas atividades pri- márias aumenta em menor ou maior grau do que nas indús- trias. segundo as respectivas índoles. a que o excedente real ou virtual da população. o aumento da produtividade obtido indireta- mente. são preferentemente exploradas pela mão de obra deslocada das velhas terras européias. anteriores ou pos- teriores à Conquista. Nos países latino-ameri- canos em que j á existiam antigas populações. visto que se acrescen- . não invalidaria a análise contida neste capítulo.

que na América Latina. afetaJas pelas referidas relações. se caracterizam. que permitia apro- veitar a maior produtividade daquelas terras. mesmo quando se registraram sensíveis incrementos da produtividade. longe de aumentar. Começa a fazer-se sentir a imperiosa necessidade de suplementar a deficiência dêsse tradicional fator dinâmico por outro novo proveniente do próprio desenvolvimento industrial. as atividades de exportação. N esta primeira análise das relações de trocas. Já não se transmitia para os centros apenas uma parte dos benefícios do progresso técnico efetuado nos transportes. uma nova fase na expansão do progresso técnico à América Latina. foram obtidos aumentos. de um modo geral. Não devemos esquecer. manifesta-se notõriamente o excedente de população. pode-se admitir. em conjunto com as modificações adversas nas relações de trocas. provocou as mais graves consequencias. como possivelmente aconteceu em certos casos. quando não algo mais. e se terá um quadro das características diferen- ciais que concorrem para que o problema do desenvolvimento tenha atualmente na América Latina um sentido muito diverso daquele que apresentaram anteriormente outros países. e que de tempos para cá. que na fase anterior haviam aumentado. destarte. conforme assinalamos no capítulo precedente. diminuiu em têrmos de moeda de valor constante. mais do que a população. que sempre existiram diferenças radicais entre os paí- ses. acusam em seguida um ritmo de incremento inferior ao desta. ~sse fenômeno. em princípio. Transferia-se ademais parte do incremento de produtividade oriundo direta- mente dos melhoramentos técnicos das explorações. todavia. onde a organização sindical e outras condições favoráveis contribuíram . A renda do solo e os salários no desenvolvimento periférico 6. O elemento dinâmico dos grandes centros age de um modo muito diferente do característico do decênio anterior à grande depressão e. na produção primária. em confronto com o nível dos centros. de modo geral. Inicia-se. Agregue-se a isso o fato de que a renda do solo. por um nível de salários relativamente baixo. As exportCições.72 REVISTA BRASILEIRA DE ECONOMIA tou à forte queda ocorrida no primeiro após-guerra.

O nível relativamente baixo dos salários na produção pri- mária pôde ser. compatível com o sensível acrés- cimo da renda do solo em proveito de determinados grupos sociais. A renda das terras recentemente abertas à atividade econômica constitui na realidade. Mas. a expressão do aumento de sua produti- vidade. que anteriormente valiam pouco ou quase nada. mais tarde. Dêste modo. importantes fontes de renda. o fato dos salários se terem mantido num nível rela- tivamente baixo durante a fase de desenvolvimento primário da periferia latino-americana. O progresso técnico dos transportes explica êste fenômeno do incremento da renda. uma parte dos benefícios dês se progresso técnico. nas regiões que vão sendo abertas à lavoura ou à mineração. As repercussões econômicas e sociais dêste fenômeno são. se poderão fundar modalidades mais avançadas de desenvolvi- mento econômico. verificamos um notável aumento na renda do solo. em que. conforme mostraremos noutro capítulo. em comparação com as terras que vêm sendo exploradas há muito tempo. Os proprietários da terra conservam. Ao que parece. o qual tendeu a provocar uma rela- tiva majoração dos salários quando a isso foram favoráveis as condições da concorrência internacional. se desenvolvem. mais extensas. o incremento da ren- da dessas terras empresta um feitio muito especial à forma de penetração da técnica capitalista nas atividades de exportação dos países periféricos. entre os quais cumpre citar o ritmo de absorção do excedente da população pelo rlesenvolvimento industrial. São responsáveis por essas diferenças vários fatôres. no crescimento primário de cer- tos países. por conseguinte. certamente. Justamente. não significa que o progresso técnico não tenha podido elevar consideràvelmente a remuneração de outros fatôres. o que é particularmente evidente no caso de determinadas explorações mineiras. . através da baixa relativa dos preços. apesar de ser considerável o incremento da renda. resultando num impressionante acréscimo ao va- lor dessas terras. grande parte dêste se trans- fere para os centros industriais. transferindo-se para os centros industriais o restante. destarte. PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO ECONôMICO 73 para tal resultado. enquanto que em outros países.

amplas possibilidades para melhoramentos técnicos nessas atividades. de forma permanente. Êste poderia ser o caso de regiões que estão atualmente em- penhadas num processo de desenvolvimento primário.74 REVIST. No primeiro capítulo salientamos que o progresso téc- nico penetrou. De maneira que. não fôr absorvido simultàneamente pela indústria e pelas atividades a esta vinculadas. sendo considerável a população que sua indústria e outras ativi- dades terão que absorver à medida que se expanda a técnica moderna. pois nesta. Êste constitui um dos problemas mais sérios da América Latina. Existem. de preferência. resl1lbnte da introdução dos melhoramentos técnicos. é até admissível que os referidos melhoramentos possam mesmo chegar a provocar ~l baixa dêsse nível. se o excedente da população econômicamente ati\"a. se um país resolve aumentar o nível dos salários por intermédio do aumento da produtividade nas atividades de exportação. de um modo geral. poderia ver seus planos seriamente comprometidos pela ação de outros países. Não ocorre o mesmo fenômeno no caso da produção pri- mária destinada ao próprio mercado interno. o nível dos salários. Pelo contrário. perdendo-se grande parte dos seus benefícios. ainaa. qualquer desenvolvimento industrial capaz de absorver o excedente da população. o progresso técnico tem penetrado muito pouco em . absorvendo ao mesmo tempo na sua indústria o resultante excesso da população econômicamente ati- va. podendo esta condição contribuir para paralisar os salários nesse nível inferior. que a periferia é muito vasta.4 DE ECONOMIA As relações de trocas nesta nova fase da expansão do progresso técnico 7. se bem que em forma muito desi- gual. Não existe. E' preciso ter em conta. nas atividades primárias de ex- portação da América Latina. porém. nesses países. semelhan- te ao iniciado em meados do século passado na periferia latino- -americana. Mas. se as condições atuais conti- nuarem a prevalecer na economia internacional é possível que a introdução dos referidos melhoramentos não permita elevar. sobretudo no que diz respeito à sua influência sôbre as relações de trocas de certos produtos importantes.4 BRASILEIR. que também procuram melhorar sua técnica mas que não se preocupem de elevar o nível de seus exíguos salários.

Não obstante. favorecendo outros grupos sociais. mesmo que sejam transferidos para o exterior os benefícios do progresso técnico introduzido nas atividades de exportação. Assim sendo. frisamos que. Mas. Começaremos pelas que nos parecem inaceitáveis. Outra modalidade de transmissão dos benefícios do progresso técnico 8. bem como do progresso técnico industrial aplicado ao excedente da população econômicamente ativa. PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO ECONôMICO 75 comparação com sua expansão nas atividades de exportação. Mas não é êste o aspecto que nos interessa neste trabalho. não se deveria atri- buir à piora na relação de trocas nenhum significado especial. antes de se proceder a um exame meticuloso do assunto. Do ponto de vista ético. Mas. assegurando aos produtores primá- rios para o mercado interno os benefícios que possam colhêr de seu progresso técnico. uma vez que se empregue na indústria e nas atividades a esta liga- das. os possíveis aspectos éticos do problema. Todavia. Evidentemente. No princIpIO dêste capítulo. em primeiro lugar. é claro que o aumento líquido da renda nacional cresceria na proporção em que êsses países possam deter as fôrças tendentes a prejudicar as relações de trocas. sempre será possível obter um ganho líquido. apesar da possível piora nas relações de trocas. a análise que vimos de fazer já nos permite examinar algumas das derivações dêsse fenômeno. poder-se-ia adiantar mais de uma justificativa para essa reali- dade. os preços acusarão uma queda correspondente ao incremento da produtividade. sem sofrerem a interferência de outros países concorrentes. O fato dos centros mostrarem tendência a reter os benefícios do seu próprio progresso técnico não quer dizer que guardem algo que não lhes pertença. se o excedente de população não fôr absorvido em tal caso. Consideremos. o desenvolvimento da indústria e das demais ati- vidades poderá evitar isso. os países periféricos poderão ir colhendo todos os benefícios do progresso técnico introduzido na produção primária destinada ao mercado in- terno. o excedente de população criado pela introdução de melho- ramentos técnicos na produção primária. Nosso propósito é salientar que essa forma de reter os referidos .

porém. onde foram conservados os benefícios do seu próprio progresso técnico. determinado país periférico. ou. de outra parte. Esta mesma diferença radical entre o mundo abstrato. Realmente. em dadas circunstâncias. por meio da baixa dos preços. se sua técnica fôsse . historicamente. nenhum país. Se a divisão internacional do trabalho tivesse sido efetuada de acôrdo com êsses postulados é bem provável que a distribuição de ativida- des econômicas entre os diversos países e regiões do mundo fôsse bastante diferente do que é atualmente. as atividades de exportação proporcionam entradas inferio- res às dos centros. nos impede de fazer comparações fáceis entre os resultados que. Mas. Os problemas seriam de outra natureza e. e o complexo mundo econômico atual. região ou empreendimento industrial poderia se manter num regime de plena mobilidade dos fatôres. deve-se isso ao fato de sua produtividade tam- bém ser menor. Conviria. de uma parte. apenas nos centros industriais. e que o nível de sua renda tenderia a se aproximar do dos cen- tros. a ocorrência dêste último. talvez. e que hoje em dia não se apresentassem com tanta intensidade os problemas oriundos das diferenças entre os ritmos de incremento da produtividade e das rendas nacionais. tem-se verificado. pois. que se revisasse cuida- dosamente essa teoria. então. equitativamente. A. se os centros não detivessem os benefícios do progresso técnico. também se poderia afirmar que se nesse mesmo país. De acôrdo com êsses postulados. antes de utilizá-la no estudo dos proble- mas do desenvolvimento econômico da periferia. diferenças de tanta importância na rea- lidade econômica internacional. Pode-se afirmar que.76 REVISTA BRASILEIRA DE ECONOMIA benefícios está em contradição com postulados teóricos de gran- de influência em certas correntes do pensamento econômico. A ou B. o mundo abstrato que assim se constrói distan- cia-se muito da realidade. com maior freqüência. Seria possível argumentar que. obteria uma relação de trocas muito superior à atual. os benefícios do progresso téc- nico são transferidos. Isto. ainda mais graves que os presentes. onde reinam a mobilidade absoluta e as tendências niveladoras. Os citados postulados implicam em admitir a absoluta mobilidade dos fatôres de produção e dos produtos. Mas. a tôda a coletividade. pelo incremento dos salários. corresponder iam à referida teoria e os que ocorrem na realidade. segundo essa teoria.

Se. Existe. que assim se desenvolve. na produção primária latino- -americana. Em vista das transformações dinâmicas que se efetuam constantemente no campo econômico universal. Conclusões que podem ser tiradas da análise precedente 9. Não devemos. e a fim de obter da realidade um conhecimento mais completo. Quanto mais a periferia se esforçar para incrementar sua produtividade. Neste sentido a exposição supra permite-nos chegar a tlma primeira conclusão: as aludidas premissas teóricas pres- supõem a reciprocidade da transferência. com absoluto rigor lógico. regiões ou empreendimentos indus- triais. em igualdade dos demais fatôres. da escassa mobilidade dos fatôres da produção e do desenvolvimento lento das atividades que deveriam absorver o excedente da população econômicamente ativa. aplicar essa teoria de um modo par- cial. A teoria anteriormente referida de- monstra. que é suficiente incrementar a produtividade. a periferia tende a transferir uma parte dos benefícios do seu progresso técnico aos centros. de acôrdo com a referida teoria. as vantagens econômicas da . assim. os benefícios do pro- gresso técnico de determinados setores são transmitidos aos de- mais. esta reciprocidade não parece existir. na realidade. se não com o propósito de indagar como a realidade se afasta das premissas teóricas. um problema de absorção do ex- cedente da população econômicamente ativa. por meio do desen- volvimento industrial e de atividades semelhantes. por conseguinte. os benefícios provenientes do acréscimo à produtividade dêstes teriam igualmente que ser transmitidos àqueles setores. Não se poderia afirmar. au- mentando. ademais. o excedente de sua população econômicamente ativa. tanto mais intensa será essa transferência. regiões ou outras indústrias no mesmo país. pois forçosamente teria que suspender suas exportações. enquanto que êstes últimos conservam os benefícios provenientes do seu próprio progresso técnico. a fim de se elevar o nível das remunerações reais. Mas. Êste movimento é recíproco e a transferência não poderia vir a beneficiar a ineficiência produtiva. A segunda conclusão refere-se à economicidade da indústria. PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO ECONOMICO 77 inferior a de outros países. pois. deslocando seus fatôres produtivos para outros países.

em seguida. por meio de recursos protecionistas. Por conseguinte. outro lucro líquido menos problemático: ao empregar o ex- cedente da população eeonômicamente ativa. Mas. se um país colhe tôdas as vantagens do progresso técnico conse- guidas pelos demais países. Êsse incremento repre- senta. que o progresso téc- nico deslocou da produção primária. A terceira se refere à maneira como se expande o progresso técnico. mesmo que a referida produtividade seja inferior. ?lias. beneficiar as demais atividades. criando nelas uma margem adi- cional de renda. na hipótese de absoluta mobilidade dos fatôres produtivos. Segundo a aludida teoria. Mas.78 REVISTA BRASILEIRA DE ECONOMIA espontânea divisão internacional do trabalho. oferecendo-lhes aquelas provenien- tes de sua própria produtividade. pressupõe que a resultante baixa dos preços virá. se não houver plena mobilidade de fatô- res entre os diversos países. Pelo contrário. Existe. E' evidente que. pois. que difere do que se poderia estabelecer em confor- midade com as premissas teóricas mencionadas. toda- via. não logra qualquer vanta- gem adicional se. suscetível de incrementar o consumo ou a pou- pança. meta seja alcançada. que êsse país sofrerá uma perda econômica. Esta. a carência de mo- bilidade internacional nos fatôres produtivos obriga-nos a esta- belecer um critério de economicidade para o desenvolvimento da periferia. procura produzir o que outros já produzem. por meio de salários mais baixos. o desenvolvimento da indústria po- derá concorrer para nivelar as rendas reais dos países de pro- dução primária e de produção industrial. de maneira indiscutível. Na medida em que essa. Esta é justamente a grande dificuldade que encontra a periferia. é a segunda conclusão a ser extraída de nossa análise. se- ria indispensável que oltros produtores primários não forçassem a concorrência a seu próprio favor. o fato de se registrar um incremento na produtividade de determinado grupo de atividades. é bastante fácil mostrar. E êste incremento crescerá na medida em que a produ- tividade das novas indústrias se aproximar da produtividade dos países tecnicamente desenvolvidos. a indústria e demais ativi- dades acrescentam um incremento líquido à renda anteriormente obtida. se não houver uma baixa nos preços dos grandes . conforme já indicamos neste capítulo. para que êsse nivelamento possa se efetuar. haverá lucro líquido para o produtor primário. de todos modos. um lucro líquido.

porém. de- vemos frisar que estas disparidades tomam corpo justamente du- rante o movimento cíclico. na realidade. o processo de crescimento da eco- nomia capitalista. a divergência entre a teoria referida. de uma parte. fundamentada na plena mobilidade dos fatôres produtivos. que se impõe um decidido esfôrço de revisão dessa teoria. Deve-se à repetição. as linhas gerais de uma política de desenvolvimento econômico. Verifica-se. à medida em que aumentar a produtividade e crescer a renda. e a realidade dos fenômenos econômicos. dado que. () ciclo econômico e as variações nas relações de trocas 9. Êste assunto. durante a fase descendente. que os países da periferia. se a escassa mobilidade dos fatôres produtivos. de tôda a peri- feria. a relação de preços modifica-se de maneira a favorecer os preços dos produtos pri- mários durante a fase ascendente. basta para explicar-nos como ocorrem os grandes desníveis entre a renda dos centros e a da periferia. mas. durante o período cíclico. E' sabido que. Cumpre estabelecer premissas. PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO ECONôMICO 79 centros. digamos que o ciclo constitui. os produtos primários perdem mais do que haviam ganho anteriormente. é de tal siginificação no que diz respeito à teoria do desenvolvimento econômico da Amé- rica Latina em particular e. motivo pelo qual terminaremos êste capítulo tecendo algumas considerações a êste respeito. que nos ajudem a formular. não gozaram destas vantagens e. o incremento do consumo e da poupança ocorrerá ape- nas nos ditos centros. mais em acôrdo com a realidade. desta baixa na relação de preços (que diminuem mais nas sucessivas depressões do que aumentam durante as fases de . à medida em que se estende o progresso técnico. sôbre bases firmes. que exige alto grau de desenvolvi- mento do consumo e da poupança. em geral. Quando se proceder à revisão dessa teoria. servirá de base a outro capítulo. encontram-se diante da necessidade de assimilar uma técnica industrial avançada. por conseguinte. de um modo geral. Resumindo o exposto. de outra parte. do ponto de vista do desenvolvimento da periferia. Em outras palavras. através de uma série de ciclos. Êstes fenômenos apresentam-se sob aspectos de grande interêsse para os países latino-americanos. deve-se atri- buir grande importância ao estudo do ciclo econômico.

de maneira que se conservam nas mãos dos empresários os benefícios do progresso técnico. o que lhe vem permi- tindo ampliar o campo de suas atividades.80 REVISTA BRASILEIRA DE ECONOMIA prosperidade). após um período de depressão. êstes tenderiam a acusar uma alta maior do que a dos preços. durante a depressão os salários per- dem apenas uma parte do que haviam conseguido na prosperi- dade. averiguar que proporção do total dos seus respectivos incrementos de produtividade permanece nos centros e que proporção fica na periferia. apenas. os lucros dos ditos empresários. Isso. as vantagens oriundas do incremento da produtividade. que. durante as depressões cíclicas. ime- diatamente. em maior ou menor importância e. importa-nos. Em outras palavras. tirando-se cada vez mais proveito desta relação à medida em que uma nova fase de prosperidade vai absorvendo o desemprêgo caracterís- tico da depressão cíclica. além disso. não costuma ocorrer durante as crescentes cíclicas. E' na baixa cíclica que êsses benefícios são transferidos para os salários. Mas. O Estado retém. Desta maneira. uma proporção cres- cente dos benefícios do progresso técnico. e assim vão colhendo os benefícios do progresso técnico. es- tabelece-se uma relação mais favorável aos salários. o fenômeno da limitação da concorrência entre os empresários proporciona a êstes uma parte maior do que ob- teriam sob outras condições. porém. a origem da tendência crônica à piora nas rela- ções de trocas. a forma pela qual se dis- tribuem êsses benefícios nos centros não nos interessa aqui. assim. iguale o incremento da produção resultante da expansão da produti- vidade. na realidade. Outros grupos sociais também recebem sua parte. Estas quedas periódicas da relação de preços são conseqüên- cia da forma como. Não obstante o incremento da produtividade. que analisávamos há pouco. Se fôssem estendidas. os preços tendem a subir durante a fase ascendente aumentando. se transferem dos empresários para os demais grupos sociais os benefícios do progresso técnico. acusam uma queda menos intensa do que a dos preços. Não resta dúvida de que. Suponhamos que o aumento líquido da renda nos centro. pois nessa fase é fre- qüente os preços subirem mais do que os salários. E' evidente que êstes não recebem a totalidade dos referidos be- nefícios. ao permanecer assim todos os . historicamente. aos salários e outras remunerações.

Êstes.6 . gradualmente. Convém agora indagar: quais são as fôrças que permitem aos centros industriais exercer esta espécie de pressão sôbre a periferia. o início da depressão cíclica. grandes estoques de produtos manufaturados que. dar saída aos referidos estoques. durante a prosperidade cíclica. trans- formam o excesso de procura em deficiência. como já tivemos ocasião de mostrar. ainda. durante algum tempo. N os centros. êsse valor foi aumentado pelo acréscimo dos benefícios mas. cria-se. absorvendo uma parte dos benefícios do progresso técnico da periferia? N o intuito de responder a esta pergunta. aumentando os benefícios dos empresários. Visto que êsse valor de oferta. ulteriormente. a procura de artigos manufaturados é superior à oferta. a periferia não poderá dêles participar. Neste caso. então. J. nos quais a periferia exerce grande influência. não pode ser reduzido com facilidade por meio de uma baixa de preços. que o aumento líquido da renda seja supe- rior ao referido incremento da produção nos centros. recordemos certas observações feitas em trabalho anterior que versa sôbre determi- nadas manifestações dos fenômenos cíclicos nos centros e na pe- rif eria (1). reações que tendem a comprimir o valor de oferta. não encon- tram saída no mercado. conservando para si os benefícios do seu próprio pro- gresso técnico ou. nessas várias etapas. assim. assim. uma parte (I) Veja-se"O dcscm'olvimcnto econômico na América Latina". Ocorrem. agora. a periferia teria que transferir para os centros parte do incre- mento de sua própria produtividade. Suponhamos. na qual a procura se torna infe- rior ao valor de oferta da produção terminada. PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO ECONôMICO 81 benefícios nos centros. citado. acumulam-se. aumentado pelo incremento anterio~· dos bene- fícios obtidos nas diferentes fases do processo produtivo. Esta forma de diminuir o valor de oferta da produção ter- minada constitui elemento de grande importância para a peri- feria. Na realidade. até que a procura volte novamente a absorver a pro- dução corrente e se pode. acarretando. ou mesmo ceder parte da renda real que antes desfrutava. ao mesmo tempo que surgem outros fenômenos. um excesso de procura.

A acumulação de estoques exceden- tes. e enquanto êstes impedirem que o referido valor se aproxime. através das quais se trans- mite o impulso da contração cíclica. do valor de procura. tanto os centros como a peri- feria participariam. Os salários pagos nos centros industriais constituem a maior parte do custo de produção correspondente às etapas produti- . nos centros existe uma resistên- cia muito grande à redução dos salários. por conseguinte. que. voltar-se-ia a uma posição análoga à do ponto de partida. numa diminuição dos benefícios. neste caso. até alcançar os empresários da produção primária. Em cada uma destas fases. Se a referida contração fôsse proporcio- nal aos aumentos dos benefícios e dos salários.82 REVISTA. forçosamente. ocorre uma diminuição de emprêgo e de benefícios. que os acontecimentos se desenrolem desta maneira. su- ficientemente. porém. porém. e em alguns setore~. dos benefícios do progresso téc- nico. apesar do desemprêgo. lima redução dos preços dos produtos primá- rios importa. então que. e. apenas. reduz a procura dirigida. sucessiva- mente. na periferia. Acontece. Na periferia. O mecanismo de contração cíclica e a natureza das fôrças que nela intervêm impedem. num ambiente em que a1' organizações de trabalhadores. em conseqüência. como sabemos. em virtude de ser êste o fenômeno de maior importância e para não nos envolvermos em compli- cações desnecessárias.:os primários. assim como contrai a procura dêstes em relação aos que lhes precedem. quanto maior fôr a acumulação de estclques. igualmente. à diminuição dos benefícios. de limitar-se a procura de produ. ao passo que se agravará cada vez mais a correspondente queda dos preços dêstes últimos. nos referiremos. sérios obstáculos. exercendo-se uma influência prejudicial sôbre os salários. A redução do valor de oferta encontra. mais premente se tornará a necessi- dade de limitar-se a produção e. Para sermos breves. pelos empresários vendedores dos produtos manufaturados. ao aumento dos salários. Todos sabem. qualquer que fôsse o montante dêstes num ou noutro local. são muito menos eficientes do que nos centros cíclicos. assim. aos empresários que os precedem no processo econômico. BRASILEIRA DE ECONOMIA dêstes converteu-se em aumentos de salários. e de outros tipos de remuneração. continuarão a acumular-se estoques excedentes. que antes haviam ampliado o valor de oferta. quando exis- tem.

pode a periferia resistir a essa pressão? Houve casos em que se acumu- laram na periferia grandes estoques de produtos primários. visto que em períodos de depressão os benefícios constituem a fonte mais importante de entesouramento. Feita esta ressalva. PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO ECONôMICO 83 vas ali realizadas. transfere-se inevitàvelmente. Por exemplo. que possa contrabalançar adequadamente a diferença entre êste valor e a procura. para a periferia. segundo os ensinamentos da experiência. e a intensificação da pressão exercida pelo centro sôbre a periferia. o fato de se tornarem rígidos os be- nefícios durante a fase descendente provocará conseqüências ainda mais graves do que a in elasticidade dos salários. não se deve estranhar que . Se existe essa relação entre o incremento líquido dos salários no centro e sua resistência à baixa. voltemos à nossa análise. visto não se desejar negociá-los a preços considerados demasiadamente baixos. Até que ponto. a tarefa de reduzir o valor de oferta.na eventualidade dêsse incremento líquido ser maior do que o incremento da produtividade. que a baixa dos preços imponha a absorção de uma parte cada vez maior dos benefícios do progresso técnico da própria periferia. se.se torne tão intensa a pressão sôbre a pe- riferia. Desta forma. quanto mais sensível fôr a alta dos salários durante a ascensão cíclica e quanto mais rígidos se apresentem na de- pressão. uma redução no valor total de oferta dos artigos terminados. segundo uma suposição anterior . Mas. em prejuízo da procura. não ocorre. Continuam a acumular-se os estoques tanto de artigos completos quanto de outros que se acham em qualquer uma das . em vista da baixa dos sa- lários ser relativamente pequena. durante a fase ascendente. desta ma- neira. tanto mais intensa será a pressão exercida pelos cen- tros sôbre a periferia. a contrair seu valor de oferta. quando a própria periferia se recusa. Por conseguinte. Isto sucede na hipótese de igualdade de todos os demais fatôres que repercutem sôbre a intensidade e a duração da de- pressão cíclica. apenas uma parte relativamente pequena dos benefícios fôr transformada em salários. no centro. por outro lado. por meio da redução da procura de pro- dutos primários e da resultante baixa nos preços dêstes pro- dutos. por um lado. ou mesmo mais ainda.

84 REVISTA BRASILEIRA DE ECONOMIA

diversas etapas manufatureiras. Torna-se, então, mais crítico,
ainda, o declínio registrado pela procura de produtos primários.
Apesar da necessidade de se examinar cada caso individual,
em separado, dada a grande generalidade da explicação que vimos
de dar, a grande depressão dos anos 30 demonstrou claramente
que a pressão sôbre a periferia pode atingir intensidade suficiente
para obrigar os países de produção primária a desvalorizarem
sua moeda, a fim de se adaptarem à baixa dos preços provocada
pela contração da procura nos centros cíclicos. Repercutem, dêste
modo, sôbre tôda a população, as conseqüências de um reaj us-
tamento que, de outro modo, viria a constituir uma verdadeira
catástrofe para todos quantos retiram sua renda da produção
primária.
Não seria justo, ademais, generalizar essa conclusão para
argumentar no sentido de que a tendência crônica à desvalori-
zação monetária -- que se tem evidenciado em determinados paí-
ses da periferia latino-americana - se deva a essa modalidade
especial de contração do valor de oferta durante as depressões
cíclicas. Mas, tampouco seria lícito afirmar que os transtornos
financeiros e a resultante inflação decorram exclusivamente da-
quele fenômeno, sem atribuir a devida importância à pressão
exercida sistemàticamente sôbre a periferia durante as depres-
sões cíclicas. A bem dizer, todo o problema nos oferece um in-
teressante campo para a pesquisa.
Não resta dúvida de que se se tivessem registrado na peri-
feria grandes aumentos de produtividade, estaria ela melhor apa-
relhada para suportar essa pressão, mediante a transferência para
os centros das vantagens recém-logradas. Mas, se tal não ocorrer,
a periferia ver-se-á obrigada a ceder parte dos benefícios colhidos
em etapas anteriores de seu desenvolvimento econômico. Êste,
justamente, é um dos motivos pelos quais a grande depressão teve
tão graves conseqüências para a América Latina e a peri-
feria em geral. As depressões anteriores à primeira guerra
se haviam mostrado muito menos intensas e sua duração havia
sido muito menos prolongada. Teríamos que retroceder até os
anos 70 do século passado, para encontrar outra depressão de
tão longa duração, mas, ainda assim, de menor intensidade. A
depressão dos anos 70, entretanto, ocorreu precisamente numa
época em que a economia latino-americana, em geral, estava rà-

PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO ECONôMICO 85

pidamente aumentando sua produtividade indireta, por meio da
incorporação à atividade produtiva internacional, de novas ter-
ras, conforme assinalamos. Existia, pois, na periferia, margem
mais ampla de benefícios do progresso técnico para comparti-
lhar com os centros.
Temos aqui mais um exemplo em que a comparação entre
os acontecimentos decorridos desde a crise mundial e os que a
precederam, nos oferecem melhor perspectiva para julgar os
têrmos em que se apresenta o problema do desenvolvimento eco-
nômico na América Latina. Êste, porém, não é o único contraste
de importância, conforme se comprovou no capítulo anterior.

CAPÍTULO IV - CONTRASTES E DISPARIDADES NO PROCESSO DE DE-
SENVOLVIMENTO ECONÔMICO.

A elevada capitalização e o baixo ní'z:el da renda

1. Já tivemos ocasião de afirmar, ao fazermos referência
ao desenvolvimento econômico latino-americano, que êste cons-
titui uma nova etapa na expansão universal da técnica capita-
lista de produção. Sob certos aspectos, verifica-se agora a re-
petição de um processo semelhante ao do século XIX, quando
os países que hoje são grandes centros se desenvolveram in-
dustrialmente. O fenômeno, porém, não é idêntico, pois as con-
dições atuais da economia internacional são muito diferentes das
que prevaleceram no século passado. Apresentam essas condi-
ções características peculiares que não se manifestaram, pelo
menos com tanta intensidade, no desenvolvimento daqueles países.
Neste capítulo, trataremos dêste aspecto do problema.
Essas características peculiares são, na realidade, a expres-
são do contraste entre a fase muito adiantada do desenvolvimento
capitalista dos grandes centros e o estado pré- ou semicapitalista
em que se encontra a maior parte da América Latina (1).

(I) Existe. também. na América Latina. tôda uma \'ariada gama de situações
intermediárias. e se poderiam assinalar no setor industrial situações onde o nível de
ptodutividade se aproxima mais do registrado nos grandes centros do que de outros
setores latino-americanos. onde a produção é primária e a produtividade muito baixa.
Por conseguinte. ao examinarmos os fatos concretos. devemos considerar. também.
as diferenças no grau de evolução atingido pelas diferentes regiões da América Latin~.

86 REVISTA BRASILEIRA DE ECONOMIA

Tais contrastes devem ser atribuídos ao longo período de-
corrido desde que se iniciou a revolução industrial. Não pode-
riam ter surgido no comêço do processo, dado que as condições
reinantes nos países que seguiram a Grã-Bretanha no seu desen-
volvimento industrial, não distavam muito das reinantes nesse
último país. Naquela época, a técnica capitalista começava a
desenvolver-se e a renda nacional da Grã-Bretanha havia ape-
nas principiado a crescer. Ademais, todos êsses países fundaram
sua novas indústrias sôbre a sólida base histórica da experiência
artesanal.
Desde então, () progresso industrial tem sido enorme e au-
mentou, em conseqüência, a disparidade entre os centros (que
ha\-iam atingido um alto grau de desenvolvimento) e os países
periféricos, onde, como frisamos, a técnica moderna, de um modo
geral, apenas penEtrou nas atividades de exportação. Nos paí-
ses de grande desenvolvimento, a técnica de produção exige vul-
tosa quantidade de capital por operário; em compensação, o cres-
cimento gradual da produtividade, devido justamente à intro-
dução dessa técnica, proporcionou a êsses países uma renda ele-
vada per capita, mediante a qual puderam realizar a poupança
necessária à formação dês se capital. Na grande maioria dos
países latino-americanos, porém, é escassa a poupança, em vir-
tude elo baixo nívE'l da renda. Na época em que os países que
hoje são grandes centros industriais se encontravam numa fase
semelhante àquela em que atualmente estão os países periféricos,
e a sua renda per capita era relativamente pequena, a técnica
produtiva exigia, apenas, pequena quantidade de capital por ope-
rário. Analisando bem, verifica-se que o nível de poupança não
é alto ou baixo em si mesmo, e sim em relação à densidade de
capital resultante do progresso técnico. Nesse sentido o nível de
poupança na América Latina é, geralmente, muito baixo, em re-
lação às necessidades da técnica moderna. Não resta dúvida que,
no princípio da evolução industrial dos grandes países, a pou-
pança espontânea tampouco foi vultosa, mas em compensação,
a técnica não exigia o grande coeficiente de capital, por operá-
rio, que atualmente requer. Os melhoramentos técnicos só po-
diam ser introduzidos à medida em que o aumento da produti-
vidade, da renda e da poupança tornava sua aplicação econômica-
mente possível e conveniente. Em outras palavras, teríamos que

Esta es- (1) Talvez se encontre assinalada na história econômica do Japão. PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO ECONôMICO 87 voltar atrás alguns decênios. apesar de sua mag- nitude numérica. a técnica capitalista estava. mas também a procura limit~da impede que se obtenham as vantagens da produção em grande escala. coincidiu com uma escala de produção proporcionalmente reduzida. nos grandes centros. Naquela época. talvez mesmo um século. da vanta- gem de encontrarem uma técnica que. nos países latino-americanos. como em outros aspectos. enquanto que. para en- eontrar um nível de renda per capita igual ao que predomina. Não somente a falta de capital ou de habilidade para dirigi-lo dificultam o emprêgo de elementos da técnica mo- derna. atual- mente. se manifesta nas elevadas formas de capitalização. que. que dificilmente estão ao alcance da escassa poupança facultada pelo baixo nível de renda que prevalece na América Latina. a ocor- rência de situações que neste. por conseguinte. de um modo geral. êsses terão sido menos fortes do que os observados na atualidade (1). numa fase primitiva de seu desenvolvimento. os países que empreenderam. se pareçam com o caso em aprêço. Nesses centros. a renda inicialmente bastante reduzida. Seria deveras interessante compará-Ias com as condições reinantes na América Latina. foi obtida à custa de muito tempo e sacrifício. Por conseguinte. E' pouco provável que o desenvolvimento industrial dos grandes centros tenha sido seriamente embaraçado por restrições desta natureza. Mas. gozam. De maneira que. Compreende-se. Renda limitada e insuficiência da procura 2. o seu desenvolvimento industrial. de outra parte. mais violento será o contraste entre a limitada quantia de sua renda per capita € o vulto do capital necessário para poder aumentar essa renda ràpidamente. ainda. . caracteriza grande parte da população latino-americana. Outra conseqüência da disparidade entre os graus de evolução da renda e da técnica produtiva consiste na reduzida intensidade da procura que. de uma parte. porém. há pouco. quanto mais tarde se introduzir a técnica moderna num país periférico. agora. se se apresentaram semelhantes contrastes no desenvolvimento dos grandes países. encontram tôdas as desvantagens inerentes ao fato de que se- guem com atraso a evolução dos acontecimentos.

a capacidade de aumentar a procura desenvolve-se não sômente no aludido setor industrial. outra das conseqüências resultantes do modo em que se distribuíram os benefícios do progresso técnico. todos os benefícios do progresso técnico. por conse- guinte. pois traz à baila.UU. com o decorrer do tempo. Nos grandes países industriais. não de- vemos estranhar que a indústria não se tenha limitado ao seu setor original e sim que se haja estendido progressivamente em vários sentidos. à medida que vai aumentando a produti- vidade. por sua vez. Quando ocorre um aumento de produtividade no setor industrial. existem também regiões que principiaram tardiamente o movimento de industrialização. e a produtividade é baixa porque a procura é um dos fatôres que vedam o emprêgo de ele- mentos de técnica avançada. co- mo. e como ambas estas capacidades são elementos essenciais ao desenvolvimento industrial. A situação dos países que agora começam a empregar a moderna técnica industrial é muito diferente.. mas em todo o campo econômico. ou mesmo onde êle não se tenha verificado.88 REVISTA BRASILEIRA DE ECONOMIA cala foi aumentando com o decorrer do tempo. a resultante majoração dos salários atinge outros setores e. . Não deixa de conter interêsse a resposta. os salários aumentam tanto quanto nas outras onde êsse progresso é muito limitado. à medida que o incremento da produtividade aumentava a renda e. Poderíamos perguntar se essas regiões enfrentaram os mesmos obstáculos criados pela procura reduzida. O mesmo se poderia dizer com res- peito à capacidade de poupança. como aconteceu na periferia latino-americana. por conseguinte. em forma parecida à preconizada pela doutrina clássica. nas atividades onde o progresso técnico é ponderável. em conseqüência. e os correspondentes fatôres na periferia dos EE. A procura é limi- tada porque a produtividade é baixa. em quantidade. um fenômeno de caráter geral que se estende a tôdas as regiões do país. qualidade e variedade. nova- mente. a procura. Todos sabem que a grande mobilidade da mão de obra naquele país tende a fazer subir o salário. por exemplo. para si. por exemplo. Se o setor industrial original houvesse podido deter. de maneira que.UU. acontece nos EE. que.. O aumento dos salários é. absorvia o incremento da produção. ter-se-ia criado uma crescente diferença entre os salários e as capacidades de consumo e de poupança no citado setor.

estaríamos diante de um fenômeno que tampouco se apresentou na evolução dos grandes países industriais. por motivos que não voltaremos a explicar em virtude das considerações feitas no capítulo lI. Mas êsse mesmo progresso. PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO ECONôMICO 89 nesta última. tem sido o aumento dos salários. teriam provàvelmente surgido problemas semelhan- tes aos que se apresentam atualmente na periferia internacional. por conseguinte. O progresso técnico da agricultura. também. provocado pelo progresso técnico.UU. nos EE. enquanto que neste caso. Essas influências desfavoráveis ao emprêgo e aos salários acarretaram freqüentemente reações contrárias ao progresso técnico durante o desenvolvimento dos grandes países industriais. dito impulso ema- naria da própria agricultura. em grande parte. a conseqüência do desenvol- vimento industrial. Entretanto. a indústria e outras atividades não absorvessem a população que já não encontra emprêgo na lavoura. vai criando nesses países um poderoso elemento de absor- ção do desemprêgo. para que se possa elevar o nível de vida das massas. Sabe-se. foi absor- vendo uma parte crescente do incremento da população e for- çando a produção primária a realizar constantes melhoramen- tos na sua técnica. O desenvolvimento das atividades manufatureiras e outras. que um dos principais estímulos ao progresso técnico na agricultura e nas outras formas de pro- dução primária. onde a indústria proporcionou o estímulo que levou o progresso técnico à agricultura. O progresso técnico. se prescindisse da indústria. O desem- prêgo.. foi. resultante do referido incremento contínuo da produtividade in- dustrial. se. impediria a alta dos salários e possivelmente chegaria a reduzi-los desaparecendo os benefícios dêsse progresso diante da deterioração da relação de preços. ao exigir crescentes inversões de capital. por conseguinte. conforme acabamos de dizer. na con- secução dêsse objetivo. Não é difícil conceber as conse- qüências dêste fato. A agricultura latino-americana também re- quer a aplicação de considerável progresso técnico. Progresso técnico e desemprêgo 3. qual seja o desenvolvimento das indús- trias de bens de capital. se ao contrário do que ocorre nos países do centro. provoca o desemprêgo mas ao mesmo tempo tende a reabsorver . constante ao que já tivemos ocasião de repetir.

O progresso técnico acarreta o desemprêgo na periferia. chega a provocar uma oposição obstinada à introdução de moderno equipamento de capital. O problema é mais profundo do que parece à primeira vista e merece uma análise mais pormenorizada. cujos efeitos se estendem a tôda a atividade econômica dos grandes centros. persistirá o desemprêgo provocado pelo progresso técnico. cuja conseqüência imediata se- ria a diminuição da procura de mão de obra na produção primá- ria e industrial. A referida procura. de maneira que se as exportações dêstes últimos forem insuficientes para proporcionar emprêgo ao excedente da popu- lação econômicamente ativa criado pela aplicação dos melhora- mentos técnicos. não se manifesta da mesma forma nos dois setores. Se êsses centros não ccmpensarem a procura. onele são produzidos êsses bens de capital. por meio de um aumento correspondente das suas importações de produtos dos países latino-americanos. falta aos países pe- riféricos. Em quase to- dos os países da América Latina encontramos freqüentes exem- plos de atividades em que se utiliza maquinaria antiquada. inerente ao referido processo. Tal foi a função que estas desempenharam espontâneamente no desen- volvimento dos centros industriais. a não ser que para impedir essa tendência seja adotada. como nos centros. não é para estranhar que o temor ao desem- prêgo esteja sempre latente na periferia. Esta é outra das dife- renças essenciais entre o problema de desenvolvimento econômico nos centros e na periferia. Se fôsse possível introduzir esta maquinaria moderna em importantes setores latino-america- . A falta dêsse elemento espontâneo que estimula o desenvolvimento resulta em situações singulares. repercute nos cen- tros industriais. Êste elemento de expansão. já abandonada pelos demais países onde foi substituída por equi- pamento de maior produtividade. Quantidade de capital disponível e forma de seu emprégo 4. pür conseguinte. às vê- zes. Esta apreensão. que lhes é assim en- caminhada. mas a procura de b€'ns de capital. uma política de desenvolvimento econômico. em virtude do aumento das inversões.90 REVISTA BRASILEIRA DE ECONOMIA essa mão de obra. no lugar de se refletir na economia do país que se está desenvolvendo. uma vez que na periferia não existem indústrias de bens de capital. pelo menos até a crise mundial. deliberadamente.

não se pode conceber que. Eis. a natureza diferente das atividades. devido à própria continuidade do seu desenvolvimento. Haveria capital disponível para equipar todos os setores in- tensivamente'? E caso o capital existente fôsse apenas suficiente para aplicar uma proporção per capita muito inferior. não resultaria econômico para nenhuma emprêsa nova empregar dotações me- nores. Esta mesma exi- gência se aprese!1taria no caso de se pretender estender o pro- gresso técnico por êste meio a todos os setores da economia. A elevação progressiva dos salários. correspondentes a um nível de salários inferior. certas indús- trias aumentem consideràvelmente sua inversão de capital per capita. çue surge um problema da máxima importância. resultante do aumento da produtividade. Para empregar êste excedente. e que outras continuem a funcionar com dotações de capital relativamente menores. o resultante acréscimo de produtividade provocaria um ex- cedente na população econômicamente ativa. devido ao novo nível dos salários. isto é. então. vamos apenas considerar a redução da mão de obra. em têr- mos idênticos. apesar de talvez ser esta a 80- . à medida que a mobilidade dos fatôres pro- dutivos vai estendendo a majoração de salários às demais ativi- dades. nos grandes países industriais. por meio do emprêgo de maquinaria cada vez mais mo- derna. Para fins de brevidade. foi talvez o fator de maior importância entre aquêles que determinaram a conveniência de se continuar a au- mentar a inversão de capital per capita por meio de sucessivos melhoramentos técnicos. qual seria a forma de empregar êsse capital. tendo em vista. corno tentaremos explicar em seguida. De outra parte. Pois. seria necessário um capital per capita igual àquêle invertido nos setores modernizados. de renda real co- letiva? Um problema desta espécie não poderia ter surgido. uma vez generalizada a nova do- tação de capital. PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO ECONôMICO 91 nos da produção primária e industrial bem como nos transpor- tes. natural- mente. Sabemos que o equipamento moderno exigindo maior inver- são de capital per capita. só é econômico quando o total dos ju- ros e da amortização correspondentes é inferior à redução pro- porcionada pela nova dotação nos outros custos. historicamente. a fim de se conseguir o má- ximo incremento líquido de produção.

não quer dizer que também seja mais econômico num país periférico de salários inferiores. Verifica-se. porque a econo- mia adicional de mã(: de obra compensa sobejamente as corres- pondentes despesas de amortização e juros. o total economizado será propor- cionalmente menor.92 REVISTA BRASILEIRA DE ECONOMIA lução mais econômica. porquanto o progresso técnico tende a estender-se. que a combinação ótima entre mão de obra e dotação de capital. ao passo que num país onde os salários são inferiores aos de centro. à medida que a densidade de capital per capita ~ incrementada. nos países menos desenvolvidos. Não encontramos a mesma situação ao examinarmos as relações entre o desenvolvimento de um centro industrial e o de um país periférico. imposta à coleti. Destarte.·idade. e quanto mais (1) No caso de inflação. o país periférico estaria im- portando equipamento de capital fabricado com salários eleva- dos para obter uma redução de custo computado em salários baixos. enquanto que a redução do custo da mão de obra é menor dado o nível inferior dos sala- rios (1). num centro. que teria que importar o referido equipamento daquele centro. Além disso. nos países periféricos o custo do capi- tal aumenta mais do que nos centros. Ou melhor. ao passo que nos países onde a poupança é relativamente escassa o aumento da densidade de capital provocaria uma alta sensível na referida taxa de juros. o custo da máquina é determinado por salários de nível semelhante ao daqueles recebidos. o custo social cresce na proporção do aumento no montante da poupança ·orçada. pela mão de obra que se economiza. do ponto de vista da inversão de capital por operário empregado. . a relativa abundância da poupança nos centros permite que nestes se possam obter os necessários recursos para alcançar uma elevada densidade de capital per capita. Neste últime. assim. sem exer- cer demasiada pressão sôbre a taxa de juros. exigirá um grau de densidade de capital por operário menor que nos países de intenso desenvolvimento industrial. O fato de determinado equipamento novo ser mais econômico do que outro. A aplicação ótima de capital na pe1'iferia 5. Quanto maior fôr a mobilidade dos fatôres produ- tivos maior será a correlação entre o desenvolvimento dos di- versos setores da atividade econômica.

Esta média repre- senta a combinação das densidades ótimas nas diversas indús- trias e atividades. A análise precedente nos permite responder às perguntas antes formuladas. PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO ECON6MICO 93 marcante o desnível entre os respectivos níveis de salários e juros. o último incremento de ca- pital. algumas das diferenças caracterís- ticas entre o desenvolvimento econômico na periferia e nos cen- tros. Suponhamos o caso de uma in- dústria que precise de efetuar novas inversões de capital. de passar o grau ótimo em determinada indústria periférica. Se a densidade de capital fôr au· mentada por intermédio de novas inversões. Suponhamos um país onde a mé- dia da densidade ótima de capital corresponda à metade dessa densidade num centro industrial avançado. em maior ou menor grau. seria inconveniente para o interêsse geral da economia. Disto)'sões nas combinações ótimas 6. ainda não foram estudadas como deveriam ser. resultando numa produção total inferior à que se poderia obter por meio da dis- tribuição ótima. segundo sua índole. e. Em cada densidade ótima. e igual às despesas de amortização e juros corres- pondentes ao referido incremento de capital. na igualdade de outros fatôres a que não aludimos. por motivos de simplificação. Êste esquema teórico simplificado não basta certamen- te para esclarecer suficientemente os problemas da realidade la- tino-americana. em qualquer aplicação. menor deve ser o aludido grau de densidade de capital. as quais. apesar de sua grande importância. com o propósito de se aproximar do correspondente grau no centro. Assim. deverá resultar num aumento mar- ginal de produção igual ao incremento produzido pelas demais aplicações. para . pois. Estas constituem. seria útil estu- dar um exemplo muito simples. das correspondentes no centro. estas densidades de- vem variar. conforme demons- tram conhecidos raciocínios. entre os quais a inflação é possivelmente o principal. onde os elementos da combinação ótima estão encobertos ou deformados pela presença de outros fatôres. A fim de melhor compreender êste aspecto. ao passo que em outras atividades haveria deficiência de capital. pois ha- veria um excesso de capital nessa indústria. o custo destas não seria coberto pelos novos aumentos de produção.

A segunda solução implica num maior custo de capi- tal de 1. preferirá certamente a primeira alternativa. visto que.000. os juros e a amortização que. situação seria muito diferente se.se conseguido grandes lucros graças à in- flação 011 du"ido ao fato de e"tarem limitadas as importações dos artigos em questão. se houver outras indústrias. e não hesitará em escolher a segunda alternativa. do capital necessário para efetuar a inversão pre- vista pela segunda solução. o mes- mo empresário hoU\"e.000. e que estejam proporcionando maiores lucros. Uma requer o emprêgo de 3. Um determinado empresário tem a possibilidade de escolher entre duas alterna- tivas para produzir a mesma quantidade adicional de produtos. reter para si. Mas. em virtude da escassez de divisas ou por qualquer outro motivo. realizando operações de em- préstimo com êsse excedente de capital.000 e a taxa de juros e amortização de 10%. o qual é compensado exatamente pelo menor custo da mão de obra. Se o referido empresário dispusesse. O salário anual de cada operário será de 2. em razão disso. podendo. igualmente aces- síveis.200. por conseguinte.400 operários. anteriormente. o aludido empresário po- deria combinar as duas alternativas. mesmo na hipótese favorável de que consiga levantar a quantia maior com a mesma taxa de ju- ros. Ambas as alternativas.000. em lucros idênticos. a segunda lhe auferiria um emprêgo remunerador para um excedente de capital. não lhe interessará certamente a posição de credor. em outras circunstâncias. em plena inflação. Naturalmente. pois com uma dívida três vêzes menor poderá obter a mesma produção e o D'lE:'-mo lucro.94 REVISTA BRASILEIRA DE ECONOMIA poder atender a uma procura em crescimento. o empre- sário resolverá colocar o seu capital nestas. portanto. a outra pede apenas 2.000. implicam num mesmo custo de produção e. Não resta dúvida que neste caso. Nos dois casos terá que recorrer ao mercado para levantar o capital. como o empresário é obrigado a recorrer ao mercado para obter o capital. !1. teria que pagar a terceiros. Mas. Mas o mais pro- . assim.000. além dos benefícios igualarem aquê- les obtidos com a primeira.. mas depende de uma inversão de capital de 18. não seria de estranhar que êle optasse por esta última.000 operários e um capital de 6.

e. . Seria possível a sobre inversão de capital se êste fenômeno não se limitasse a determinadas indústrias. Enquanto isso. por não participarem na elevação inflacionária dos lucros. jus- tamente. em vez de atrair novos capi- tais tendem a descapitalizar-se. desta maneira. Os lucros. significa uma de- formação considerável na série de combinações ótimas adequa- das a um país em desenvolvimento. não correspondem ao incre- mento real de produtividade obtido por intermédio das novas inversões. ao contrário. por conseguinte. semelhante àquele dos grandes países industriais. o que parece mais difIcilmente se concebe que possa ocorrer na realidade latino-americana. havendo setores. não obstante um aumento do seu capital pudesse realmente oferecer a possibili- dade <le uma maior produtividade. por êste meio. tais como os transportes. o incentivo e os recursos dis- poníveis para a inversão nestas atividades são relativamente muito mais reduzidos. mas. casos em que seria induzido à sobreinversão. os efeitos da inflação ou das restrições à importação não repercutem da mesma forma nas diversas ati- vidades. por conseguinte. o que é indispensável para que haja uma distribuição ótima do capital disponível. assim. pelo fato de não terem sido beneficiadas pelas restrições às importações ou por distorsões inflacionárias da pro- cura. de modo que as inversões não atendam a um rigoroso critério de produtividade. Ao contrário. Verifica-se. necessàriamente. justificando. o que nos aproximaria da densi- dade ótima dos grandes países. uma intensidade de capital maior por trabalhador? E' isto. para onde aflui maior volume de capital. Vejamos as razões. obter um incremento geral da produtivi- dade. que per- mitiria elevar o nível dos salários. Explica-se. PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO ECONôMICO 95 vável é que encontre situações semelhantes à que descrevemos. Em primeiro lugar. mas. um aumento geral em tôdas elas. Existem atividades da máxima impor- tância. que o aumento da densidade de capital em certas atividades não significa. à incidência particular dêsse e de outros fatôres sôbre cada atividade. inversões que proporcionam maiores lucros. se estendesse a tôdas as atividades econômicas? Não seria pos- sível. desta maneira. proporcionam lucros muito inferiores. por conseguinte. a sobreinversão e a densidade de capital artificialmente elevada. Efetuam- -se. que. existem outras atividades que.

que se en- contra num estado pré. Mormente. a maior parte dos bens de capital teria que ser importada e por mais que se comprima o consumo interno da população. dois obstáculos se ante- põem à formação de capital: limitação da capacidade interna de poupança e limitação das exportações que fazem possível transformar essa poupança em bens de capital. que nos leva a perguntar se. não tardariam a ser insuficientes para cobrir a PL'O- cura dêsses bens de capital e de outras importações indispensá- veis.96 REVISTA BRASILEIRA DE ECONOMIA Sobrecapitalização e relação de trocas 7. mesmo na hipótese de ser possível e socialmente viável criar-se o ne- cessário fundo de poupança por intermédio da inflação. dada a enorme quantidade de capital que seria necessária nesses países para poder aumentar l'àpidamente a densidade de equipamento por trabalhador. conforme já frisamos diversas vêzes neste trabalho. lutam contra a dificuldade de proporcionar uma densidade ade- quada de capital à grande massa da sua população. as quais nos induzem a não encarar êsses problemas como se fôssem idên- ticos aos que surgem em outras modalidades de desenvolvimentos.ou semicapitalista. Não devemos esquecer que a maioria dos países latino- -americanos. Limitar-nos-emos a assinalar outras das características que a êste respeito apre- senta o desenvolvimento dos países latino-americanos. Êste constitui um dos principais aspectos do problema. as divisas oriundas das . . Não pretendemos abordar êste aspecto monetário do pro- blema de crescimento e formação de capital. havendo uma distribuição racional do capital entre os seto- res onde a produti"idade pudesse ser consideràvelmente aumen- tada. Conforme acabamos de indicar.ex- portações. a relação de trocas seria indiscutivelmente pre- judicada. obrigando-a a poupar. surgiriam problemas insolú- veis de transferências ao exterior. sob outro aspecto. o incremento ú produtividade não seria maior do que aquêle obtido por intermédio do exagero da densidade do capital em determinadas indústrias que já estão demasiadamente estimula- das pela inflação e pelas restrições do intercâmbio. Caso fôsse ten- tada a eliminação desta última limitação e se pretendesse forçar as exportações por meio da desvalorização da moeda ou por qual- quer outro meio. com o propósito de aumentar a importação de bens de capital. Na realidade. em virtude das razões expostas no capítulo 11.

por- tanto. retinham mais fà- cilmente. à falta de inversões estrangeiras. De maneira que. nos coloca. quando o seu verdadeiro objetivo era aumentá-la. Por outra parte. pode-se chegar a um aumento anti econômico da den- J. diante do problema da sobrecapitalização parcial ou de aumento ràpido da densidade de capital. uma grande proporção de seus bens de capital era pro- duzida dentro da própria economia. possivelmente se tornará menos produtiva do que seria se fôsse empregada em atividades para o consumo interno com uma densidade de capi- tal inferior à que se deseja conseguir a todo custo. Estavam. mesmo for- çando o processo por meio da inflação. a mão de obra adicional empregada no esfôrço para aumentar as exportações. crescia também a procura recíproca dêsses produtos. Outrossim. êste fato não repercutia desfavoràvelmente sôbre a sua própria posição na relação de trocas.7 . quando os países do centro tinham que aumentar as suas exportações. não parece haver tropeçado com obstáculos desta natureza. Realmente. quando um país do centro efetuava exportações. PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO ECON6MICO 97 A formação de capital nos países hoje industrializados. os benefícios do progresso técnico. a preço menor. que tinham como objetivo ulterior importações de bens de ca- pital. ao efe- tuar tais exportações os países do centro. de um modo geral. se deparavam com uma procura muito elástica. A posição em que se encontram os países latino-america- nos como exportadores de produtos primários. com o propósito de efetuar uma capitalização extraordinária. numa posição muito mais favorável do que os países de produção primária. à medida que aumentava a renda real dos diferentes países industriais. assim. conforme se verifica pelos dados referentes ao crescente intercâmbio in- dustrial dêsses países antes da primeira guerra mundial. não surgiriam as mesmas conseqüências exteriores que se evidenciam no caso dos países latino-americanos. se fôr exagerado êsse processo. Forçar as exportações. apresentando-se a ques- tão em têrmos que merecem um meticuloso estudo prático e teó- rico. visto que exportando artigos industrializados. Em outras palavras. a fim de suplementar a escassez da sua produção interna de bens de capital. de maneira que. visto que. exporta- yam produtos manufaturados. De uma parte. poderia levar um país a sacrificar sua renda real.

que. são fatôres igualmente de grande im- portância. Outros aspectos do progresso técnico e da p}'odutividade 8. a produtividade poderia ser consideràvelmente aumentada sem o emprêgo de novo E'quipamento. apresentava baixos índices de produtividade. A capacidade de organi- zar. dirigir e administrar. mas. Também se comprova- ram casos de existência de maquinaria comparável àquela em- pregada nos países mais adiantados na indústria têxtil. Tôdas essas diferenças que caracterizam o problema do de- senvolvimento econômico na América Latina. o aumento que poderia assim ser efetuado seria maior do que aquéle proveniente da modernização do equipa- mento. não é de importância menor. trata justamente dêste aspecto. e o aproveitamento mais racional do potencial humano. mais significativas conclusões do estudo sô- bre a indústria têxtil latino-americana. no conjunto dessa in- dústria. e da outra. dificilmente.98 REVIST A BRASILEIRA DE ECONOMIA sidade de capital. Mas. de um momento para outro. saber tirar dêle o máximo proveito. se encontra principalmente equipamento antiquado. Aumentar a dotação de capital por trabalhador é condição essencial. em virtude da deterioração da relação de tro- cas resultante das exportações adicionais. Em países importantes onde. para o aumento da produtividade. apenas por intermédio de uma organização e administração mais adequada. têm em última ins- tância.. mas não a única. sua origem. Em grande número dos ca- sos observados. realizado por peritos da Comissão Econômica para a América Latina. na forma como se distribuem os frutos do progresso técnico e nas disparidades do grau de evolução desses países. Não resta dúvida que o fato de possuir equipamento ade- quado é da maior importância. Até agora. em relação aos grandes centros industriais. exatamen- te porque eram deficientes a organização e a administração das emprêsas. de uma parte. colocar nas mãos do empresário o meio de adquirir equipamento moderno. poderia lhe emprestar a capacidade corres- . não obstante. Uma da. nos limitamos a analisar essas característi- cas diferenciais no que concerne à capitalização. A inflação poderá. a destreza técnica dos trabalhadores.

Trata-se . vinha se preparando através dos longos séculos de trabalho artesanal e do crescente desenvolvimento da experiência mercantil. porém. dos escassos fundos disponíveis. DispaTidades na capacidade de consumo 9. à medida que se expande a técnica produtiva. Um dos pontos que exigem mais atenção no desenvolvimento dos países latino- -americanos é a divisão judiciosa. portanto. que naturalmente provém de um desenvolvimento gradual. N os países periféricos. também na capacidade de consumo se apresentam as mesmas. destreza e técnica constituem na verdade. assim como a destreza dos trabalha- dores. de uma parte. O constante aumento dos salários proporcionado pelo pro- gresso técnico. a fim de se obter incremento má- ximo de produtividade. Nos grandes países in- dustriais. apenas su- perficialmente. que facilitam a existência cotidiana ou despertam novos gostos que se sobrepõem aos anteriormente satisfeitos. rfWCESSO DE DESENVOLVIMENTO ECONôMICO 99 pondente. ape- sar de surgir com a revolução industrial. dois aspectos Intimamente ligados no proble- ma da produtividade. a manifestação de um mesmo fenômeno geral que. essa capacidade. utilizando constantemente novos artigos e artigos cada vez mais aperfei- çoados. o repentino despertar de populações em estado pré-capitalista ou de capitalismo rudimentar. teria indiscutivelmente que provocar reações e criar situações que não se haviam manifestado no desenvolvimento in- dustrial dos grandes países. e da outra a inversão da poupança na ha- bilitação de homens que saibam aproveitar eficientemente êsses bens nas diversas fases do processo produtivo. onde a técnica e a organiza- ção dos grandes centros penetraram. A inversão da poupança em bens de ca- pital. Há. perante os com- plexos processos compreendidos pelo desenvolvimento econômico moderno. Não é somente na esfera da produção que se verificam semelhantes disparidades. desenvolve-se progressivamente. com sérias repercussões sôbre aquela es- fera. de modo geral. Aptidão. entre ambos êsses setores. permitiu que a população dos grandes centros industriais variasse notàvelmente o seu consumo. Encontramos aqui outros dos contrastes oriundos das dis- paridades no grau de desenvolvimento.

da vantagem de aproveitar a experiência dos grandes países. à sugestão das novas TIlOdalidades de gastos criadas pelos países de renda elevada. Não é de estranhar que se procure. A expansão do progresso técnico na América Latina apresenta. relativamente baixo o ní- "el ela renda neEses países. certas manifestações particulares cuja ra- zão de ser procuramos analisar com brevidade neste capítulo. N a realidade se. produti- vidade e capitalização superiores. Corno também procuram adotar a sua técnica produtiva. entretanto. trazem em si mesmas uma fôrça de difusão considerável e tendem a estender-se às populações de paí~es que. evitando-se assim os seus erros e fracassos. de uma parte. vez ou outra. tendem a imitar as formas atuais de consumo dêstes últimos. Em outras pdavras. na consecução do objetivo primordial de elevar a produtividade. por outra parte se encontra tôda uma série de obstáculc. se desfruta. países onde o nível da renda se apro- xima ao nÍ\'el vig~'nte há muitos anos passados nos grandes cen- tros industriais. quando não seja a assimilar as formas mais modernas de de- fesa. devido ao fato de se encontrarem em etapas menos adiantadas. Também êste está exposto. como é.s provenientes do simples fato de que os paí- ses que primeiro se desenvolveram apresentam renda. Jlallifestações paí'liculares e elementos comuns no p1'oblema de desenvolvimento econômico 10. ainda bem que pareça paradoxal. aliviar essas tensões com medidas inflacionárias. entradas menores para adquirir êsses artigos. por fôrça das circunstâncias. sejam êles submetidos a fortes ten- sões entre a grande propensão a consumir e a imperiosa ne- cessidade de capitalizar. o crescimento dos serviços do Estado. o que faz. Podemos então afirmar. não se deve estranhar que sendo. portanto. por conseguinte. têm um nível de produtividade infe- rior e.100 REVISTA BRASILEIRA DE ECONOMIA de formas de consumo correspondentes a fases adiantadas do desenvolvimento econômico que. que a elevada produtividade dos gran- des países industriais constitui um dos maiores empecilhos que os . ainda mais imperiosa a necessidade de aumentar a produtividade nestes países. sf)bretudo quando se acrescenta a estas formas adiantadas de consumo. que ex:ge um alto nível de poupança per capita.

Não obstante o limitado dessas dificuldades. eram menos intensas naquela época do que as que atual- mente se verificam entre o centro e a periferia. acumular os necessários capitais e tirar de ambos o máximo proveito. E' que a assi- milação da técnica produtiva moderna. um elemento comum entre o problema do desenvolvimento econômico da América Latina e o processo ini- cial e sucessivo do desenvolvimento dos países que hoje consti- tuem centros. Apesar dos contrastes e das disparidades encontramos. O desenvolvimento dessa capacidade. em virtude de não dependerem as diferenças no nível de vida entre os países já desenvolvidos e os que estão em plena fase de desenvolvimento. outrossim. dessa capacidade efetiva para assimi- lar a técnica. essas disparidades provêm. nesta última circunstância. também encontraram obstáculos desta natureza. não foi um fenômeno espontâneo. foi uma operação deliberada. que exigiu grandes esforços e grande persistência de propósitos. PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO ECONôMICO 101 países periféricos têm de superar. por con- seguinte. a tal ponto que. que se torna cada vez mais complexa. no seu esfôrço para alcançar um nível de produtividade semelhante. o país que primeiro alcançou ~ técnica moderna se situou em evidente vantagem em relação aos que procuraram incorporá-la depois. De todos modos as diferenças recíprocas de pro- dutividade entre os mais adiantados e os mais atrasados dêstes países. . Existe. em grande parte. porém em medida certamente muito inferior à que cor- responde aos grandes contrastes contemporâneos. exercerá na evolução econômica dos países atualmente em fase de desenvolvimento uma influência cuja importância dificilmente se poderia exagerar. Quando outros países seguiram o exemplo de desenvolvi- mento industrial britânico. apenas da dife- rença dos seus respectivos recursos naturais. Tudo isso é da maior importância para o desenvol- vimento da América Latina. todos cs países que se desenvolveram depois da Grã- -Bretanha foram obrigados a adotar várias medidas que tinham como finalidade o estímulo e a proteção das indústrias que pre- tendiam desenvolver. sem qual- quer exceção. mais um elemento comum.

102 REVISTA BRASILEIRA DE ECONOMIA

CAPÍTULO V - CONSEQÜÊNCIAS DAS DESIGUALDADES INTERNACIO-
NAIS DAS RENDAS NACIONAIS E DA PRODUTIVIDADE.

Reações provocadas pela desigualdade das rendas nacionais
"per capita"

1. O ritmo relativamente lento da propagação universal da
técnica moderna e a forma pela qual são distribuídos seus be-
nefícios concorrem para que haja sensíveis diferenças na renda
nacional per capifa e na produtividade, nas diferentes regiões
econômicas do mundo.
Há, sem dúvida, fôrças naturais cuja ação tende gradual-
mente a fazer desaparecer estas diferenças, se bem que, con-
siderando o problema do ponto de vista histórico, é possível
que atuem tais fõrças com demasiada lentidão. Existe, por ou-
tro lado, a tese que pressupõe, num mundo abstrato, a ação livre
dessas fôrças, e no qual a fluidez dos fatôres de produção, e o
seu livre e fácil deslocamento, desempenham uma função de re-
levante importância. Mas, como já se frisou anteriormente,
não coincidem as premissas destas abstrações com as condições
reinantes na realidade econômica, conforme esta se nos apre-
senta. A verdade é que a tendência ao relativo nivelamento das
rendas, a qual criaria oportunidades semelhantes para o melho-
ramento da produtividade nos diversos setores do campo inter-
nacional, não se tem revelado, nem sequer em forma aproxi-
mada, conforme estava implícito na referida tese.
Não resta dúvida que essas desigualdades verificadas na
renda pe1' capita, e na produtividade deram lugar à adoção, em
diferentes países, de certas medidas que, intencionalmente ou
não, e apesar da sua manifesta heterogeneidade, visam um dos
dois seguintes obj etivos, segundo as necessidades de cada caso.
Nos países onde c nível da renda é relativamente alto, é natu-
ral que se procure evitar certa pressão exercida pelas baixas
remunerações de outros países, pressão esta que viria prejudi-
car o alto nível da renda naqueles países. Por outro lado, os
países de baixos níveis de renda procuram elevar êsses níveis,
superando certas reações prejudiciais que resultam das medidas
adotadas pelos países de altas rendas, ou que emanam do pró-
prio funcionamento do sistema econômico dêsses últimos países.

PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO ECONôMICO 103

Defesa do alto nível da 1'enda
2. O método empregado pelos EE.UU. a fim de proteger
Q alto nível da sua renda per capita, nível êste que foi atingido

por meio de um esfôrço intensivo e sistemático no sentido de
aumentar a produtividade pela introdução do progresso técnico,
deveras nos oferece um bom exemplo, permitindo-nos, ao mesmo
tempo, tirar certas conclusões que se referem diretamente ao
objetivo dêste trabalho.
Já foi êsse método explicado noutro trabalho. Devemos ape-
nas salientar aqui que, apesar do progresso técnico não se desen-
volver com igual intensidade em todos os setores da produção, é
geral a tendência ao aumento das remunerações. Assim sendo,
se, num setor importante da indústria, os salários forem aumen-
tados devido a um sensível incremento da produtividade, êste
aumento tenderá a se estender a tôdas as demais atividades,
mesmo quando nestas últimas fôr menor ou não existir incre-
mento de produtividade. Verifica-se que, enquanto naquele setor
os custos não sobem, e mesmo se revele uma baixa nos preços,
nessas outras atividades a elevação dos salários, sendo superior
ao aumento da produtividade, causará uma majoração dos custos
e dos preços das mercadorias ou dos respectivos serviços.
Observam-se pois indústrias que antes podiam concorrer
favoràvelmente com o produto estrangeiro importado, ou seja
em vista da sua maior eficiência, ou da proteção alfandegária
de que gozam, e que agora se vêem obrigadas a exigir ou uma
tarifa protetora, ou, então, a majoração dessa tabela, a fim
de se defenderem contra a referida concurrência. E' bem pos-
sível que a produtividade da indústria estrangeira seja inferior
à da norte-americana; aliás deve ser essa a verdade em boa parte
dos casos. Mas, sendo os salários também inferiores, êstes com-
pensam favoràvelmente a diferença de produtividade, permitindo
que a referida indústria estrangeira coloque seus produtos nos
Estados Unidos por um preço inferior àquele do similar ame-
ricano.
E' do conhecimento geral a base do argumento em prol da
proteção aduaneira nesse caso; se não existissem essas barreiras,
a concurrencia do produto estrangeiro eliminaria as atividades
de maior custo monetário, a despeito de sua maior produtividade,
dando lugar, assim, ao desemprêgo, o que provocaria reações

104 REVIST A BRASILEIRA DE ECONOMIA

prejudiciais ao alto nível dos salários nas outras indústrias do
país.

Medidas para corrigir o desnível de certas rendas
3. Com a proteção, procura-se evitar que a concurrência
estrangeira prejudique o alto nível da renda alcançado graças
ao progresso técnico. Consideraremos agora outro caso no qual
as medidas tomada;; não visavam a defesa do nível da renda, e
sim soerguê-lo em certos ramos da atividade econômica, onde
parece ser deficiente a fôrça espontânea da economia para igua-
lá-lo com o das demais atividades: encontramos um exemplo tí-
pico nos problema E enfrentados pela agricultura estadunidense
durante os anos 30.
A pressão cíclL:a, durante a grande depressão mundial, afe-
tou adversamente a agricultura na periferia dêsse país, como,
aliás, em todo o mundo, determinando uma baixa nas remune-
rações provenienteE do trabalho agrícola que provou ser mais
intensa do que a verificada nas remunerações provenientes da
indústria. E posteriormente, na fase de recuperação, a remu-
neração do agricult,w se manteve nessa posição de relativa infe-
rioridade, em virtude da indústria e das outras atividades não
terem crescido suficientemente para absorver o excedente da
população que o progresso técnico, e o próprio aumento da po-
pulação, expulsaram da lavoura. Verificou-se, então, pela pri-
meira vez, uma interrupção no decréscimo da população empre-
gada em atividades agrícolas em relação ao total da população
econômicamente ativa no decorrer dos anos 30. O fato de que
êsse excedente de mão de obra não fôsse absorvido pela indús-
tria constituiu um dos fatôres que impediram que as remune-
rações agrícolas aumentassem paralelamente às industriais (1).
Se a indústria e as outras atividades houvessem podido absorver
êsse excedente, as remunerações da agricultura teriam registrado
maior incremento e os seus têrmos de intercâmbio ou relação de
trocas teriam melhorado. Como, porém, assim não aconteceu, e

(I) Êne [cnômenc é muito ilustrativo para os países btino-amcricanos pois
confirma o que I:C disse anteriormente com respeito às ~onseqüências prejudiciais
que poderiam advir da introdução do progresso técnico na produção primária. se
o emprêgo na indústria r nas atividades conexas não se estender em medida sufi-
ciente pau abl:orver o excedente de mão-de-obra que fôr deslocado da agricultura.

facilita a concurrência de certos produtos no mercado internacional sem qualquer prejuízo para a referida remuneração. por parte de países cujo nível de renda é inferior. enquanto que no outro. além de receher o preço internacional para determinadas mercadorias. enquanto que no outro caso êsses efeitos atuam sôbre as expor- tações. em virtude de tal pro- pósito. por intermédio da adoção de medidas deliberadas. tornou-se possí- vel manter essa conc"rrencia pois o agricultor. levou a tomar medidas cujo objetivo era alcançar aquilo que espontâneamente não produziu o sistema econômico. PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO ECONôMICO 106 os aludidos têrmos tornaram-se seriamente desfavoráveis para o agricultor. assim. Verifica-se. a partir do período anterior. remunerações correspondentes àquelas que teria auferido se fôsse equitativa a distribuição dos be- nefícios do progresso técnico entre a agricultura e a indústria. o subsídio apresenta-se sob a forma de impostos alfandegários. ao mesmo tempo que proporciona um incremento à remuneração do agricultor. cujas condições se procurava res- tabelecer. E' evidente. assim. deliberadamente. recebia tam- bém a subvenção oficial. que o fato de que as remu- nerações agrícolas não se hajam elevado paralelamente às in- dústrias. de poder concorrer no mercado internacional. foi introduzido um sistema de subvenções destinado a compensar os baixos preços agrícolas. assim. se as remunerações agrícolas tivessem aumentado paralelamente com as industriais. que. A semelhança entre os dois está em que num e noutro se apela para o emprêgo de subvenções a fim de manter. se procura proteger o alto nível da renda nacional contra os efeitos da concurrência estrangeira. manifesta-se no consumo interno. implicou em proporcionar à agri- cultura. mais uma vez. nas respectivas atividades. Em virtude da introdução do sistema de paridade de preços. que a subvenção. chamado. remunerações superiores àquelas logradas nos países concorrentes. os preços agrícolas teriam sido majorados igualmente. a concurência. Num caso. de paridade de preços. Todavia. e estabelecer entre êstes e os preços industriais uma relação parecida àquela que existia anteriormente. por conseguinte. não restando dúvida que numerosos artigos deixariam. Comprova-se. Êste sistema. No primeiro exemplo citado. con- siste no pagamento de uma compensação cujo objetivo é equipa- rar os preços. .

os preços não se reduziram aos baixos ní- veis registrados nos mercados de exportação" (1). uma das razões que explicam o êxito da concurrência do Japão nos mercados mundiais. o qual. assim como a influência do forte aumento demográfico. a se- rem transferidos para o resto do mundo com maior intensidade do que no caso dos outros países industriais. e sim. a êste propósito. resultados semelhantes são alcançados. A concurrénc:a dos países de baixo nível de renda 4. O Japão assimilou ràpidamente à técnica mo- derna. onde era vendida a maior parte da produção americana. o que nos permitirá melhor compreender certas manifestações do problema do desenvolvimento econômico da América Latina. nesse caso. seguia nos mercados estrangeiros "os preços de exportação eu- ropeus. Nações Unidas. mas igualmente sig- nificativos. porém não aumentou os salários em proporção aos au- mentos registrados nos grandes países industrializados. Por exemplo: o caso do aço norte-americano. Convém. sem relação com os preços do mercado interno norte- -americano. levando as rendas a nivelarem-se para baixo em vez de para cima. interpretar o seu significado. Talvez a pressão exercida pela grande massa da população empregada na produção primária. apenas. mesmo sem intervenção governamental. como na realidade ocorre. Seja como fôr. à medida que se estendem o progresso técnico e a industrialização. . A mobilidade dos fatôres produtivos e a livre circulação das mercadorias teriam ocasionado conseqüências bas- tante diferentes.106 REVISTA BRASILEIRA DE ECONOMIA Há outros casos de menor importância. principalmente com a Grã-Bretanha. A renda japonêsa (I) Relatório sôbre o Aço. Neste mercado. contribuíram pal·a freiar a alta dos salários. analisar o problema da concurrência japonêsa. antes da segunda guerra mundial. em vir- tude da sua importância em relação ao desenvolvimento econô- mico da periferia. nos quais. Não se pretende julgar a política que estas medidas pressupõem. onde a produtividade era baixa. pp. no que diz respeito à ::ealidacle econômica. Êsses fatos são mencionados em forma estritamente objetiva. Na verdade a teoria clássica preconiza outra solução para êstes casos. consiste no fato de os benefícios do progresso técnico tenderem. 44-45 (publicado em es- panhol e inglês).

Êsse desemprêgo. como é sabido.UU. PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO ECONôMICO 107 se manteve em nível mais baixo do que a de tais países. nada puderam fazer além de certos acordos bilaterais de compensação. o qual talvez não houvesse obtido sem o desenvolvi- mento das suas exportações. Ademais. Mas. por . muito instrutiva no que diz res- peito ao desenvolvimento econômico da periferia. O desemprêgo crônico na Grã-Bretanha. um indisfarçável aumento líquido na sua renda. quer devido ao maior progresso tÉ:cnico desses. igualmente. provocando. apesar da produtividade quer das novas indústrias. no que diz respeito à concurrência no mercado internacional. sérias per- turbações econômicas e sociais. êsses países se viram obrigados a defender o nível da sua renda pela imposição de barreiras alfandegárias que proteges- sem as indústrias visadas tôda vez que a concurrência se mani- festava nos seus próprios mercados internos. Êste não é o único aspecto interessante apresentado pelos problemas resultantes das desigualdades entre as rendas per ca- pita e da produtividade. mas não resta dúvida que o Japão pôde conseguir por intermédio da sua industrialização. um aumento sensível de produtividade per capita e. agravado pela crise mun- dial. Medidas para evitar a queda da renda e para fomentar seu incremento 5. obrigando-o a apelar para a proteção alfandegária e outras medidas de caráter res- tritivo. estabe- lecidos durante o intervalo entre as duas guerras mundiais. Dessa maneira. verificou-se principal- mente naqueles setores da indústria que não puderam manter a concurrência com outros países. Para concorrer favoràvelmente com o Japão em determi- nados setores do campo industrial. por conseguinte. quer devido ao menor nível dos salários dos mes- mos. os outros países industriais teriam que diminuir seus salários. A experiência britânica entre as duas guerras mundiais é. ou da Argentina. assim. Com o intuito de evitar tais trans- tornos. causou ao país enorme perda de renda. cujo desenvolvimento ulterior permitiu à Grã-Bretanha recuperar aquelas perdas num período relativamente curto. tropeçaram as indústria britânicas de exporta- ção com crescentes obstáculos criados pelo desenvolvimento in- dustrial da periferia. com o propósito de estimular atividades industriais e pri- márias. quer da agricultura ser inferior à dos EE.

apesar do níyel (los salários latino-americanos ser inferior àquele atingido nos EE.)mitante de todos os preços de exportação britânicos a fim de estimular algumas dessas atividades..êste fato teria impli- cado a redução conc. .tino-amei'Ícano. um incremento sensível na renda real. no caso em aprêço. obteve-se. e na Europa Ocidental. A América Latina. se tem visto igual- mente obrigada a ('.o que é bastante duvidoso. incluindo-se nesta 2 organização e a administração das emprêsas. porém.. Poder-se-ia aprpsentar pormenorizada dissertação teórica para provar que se os salários britânicos tivessem sofrido uma queda devido ao desemprêgo. Contudo. Poder-se-ia também argumentar. que a ação livre das fôrças econômicas bastaria para resolver o problema do desemprêgo ou do emprêgo com baixa produtividade. o qual poderia ser senSIvelmente maior se fôsse me- lhorada a técnica produtiva. êtS : ndústl'Ías que se desenyolyem por êste meio são econômicas enquanto produzem um incremento líquido na renda real. referimo-nos à ação dessas fôrças dentro do campo interno da economia. Não teríamos ahordado esta discussão se ela não servisse para esclarecer certos aspectos do problema do desenvolvimento ecoI'hnico l8. Natu- ralmente. pois não se pode conceber o deslocamento de grandes massas humanas da periferia para os centros. Êste. id~Hle d(~ per lferia e do centro é de tal importância que. não obstante.U"C.. sem necessidade de se reduzir intencional- mente o coeficiente de importação. como no caso ela Grã-Bretanha. não permitem à América Latina resistir à con- (.t mul:lr as suas indústrias para poder absor- H'l' n ineremento da"ua população econômicamente ativa. êste incremento teria sido maior se a pro- dutividade também houvesse aumentado. com um raciocínio abstra- . os custos de pro- dução. mesmo na eventualidade da queda de salários ter aumentado o emprêgo. acarre- tando assim sensível perda de renda real para o país.108 REVISTA BRA.SILEIRA DE ECONOMIA. à pro- cura de emprêgo na indústria. A diferença entre a pruduti . exemplo. em geral. o qual não deixa de ter grande significação. Mas. . a correspondente baixa no custo da produção teria permitido a introdução de novas indústrias e ga- rantido as existentes.:_uTência estrangeira E' eyidente que neste caso. é outro aspecto do problema.. Evidentemente. na forma em que vimos. assim corno seu excedente que o progresso técnico vai deslocando da produção primária e ele outras atividades.

Ade- mais. destarte. como conseqüência. causando evidente prejuízo à relação de trocas. justamente em virtude dessa renda inferior ou da produtividade superior. PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO ECONôMICO 109 to se poderia provar que a baixa dos salários ocasionada pelo incremento e pelo excedente de mão de obra acima referidos. aumentaria não somente o custo rela- tivo das importações para consumo como também o desembôlso exigido pelas importações de bens de capital. ou então de uma conjun- ção favorável de renda e produtividade. além de todos os transtornos que provocaria. cujo fito é a redução do coeficiente respectivo. isto é. no caso em que a renda líquida produzida pela população recém-empregada na idústria não bastasse para com- pensar a perda causada pela piora na relação de trocas. porém. as limitações às importações. podendo mesmo atingir o ponto onde constituiria perda real na renda total. o nível da renda total. os países . As conseqüências dessas medidas seriam. elevan- do-se. reduziria sensivelmente a crescente renda líquida proveniente da industrialização. como quando se aplicam restrições expressas. acarretan- do. ao mesmo tempo. Chegamos assim à segunda categoria de medidas a que aludimos no princípio do presente capítulo. muito des- favoràveis para a periferia. O coeficiente de im- portação seria reduzido espontâneamente. Os países de elevada renda adotam cer- tas medidas a fim de evitar que outros de renda inferior lhes prejudiquem no que diz respeito à concurrência em determi- nados setores da produção. não somente a queda do custo monetário da produção para consumo interno como também a do custo das exportações. diminuiriam ainda mais. seriam re- forçadas as dificuldades levantadas contra a industrialização. e a proporção entre o capital fixo e os salários afastar-se-ia cada vez mais do nível ótimo registrado nos centros. esta forma de reajustamento natural. Por conseguinte. Em resumo. Seus salários. Enquanto isso. já muito inferiores àqueles dos países industriais. equivalem na realidade à concessão de uma subvenção interna a fim de que as indústrias que se trata de criar ou estimular possam pagar salários pelo menos iguais àqueles obtidos no país de que se trata. à medida que se acentuasse o desnível dos salários em rela- ção aos centros industriais. e não de ma- neira deliberada. permitiria reduzir os custos a um nível que comportasse a con- currência com as mercadorias importadas. Assim.

nem sempre se tem presente que a teoria oriunda daquele esquema tem um sentido universal. Devemos mencionar mais um tipo de concurrência: a exer- cida pelos países que. razão pela qual se encontram capa- citados para provocar desemprêgo tanto no centro como nos demais países em desenvolvimento. ao criarem problemas que não podem ser resolvidos espontânea e satisfatoriamente pela livre ação das fôrças econômicas no setor interno. inerentes ao desenvolvimento desigual da técnica produtiva e da forma de distribuição dos SEUS frutos. aumentando o desnível entre a periferia e o centro. A atualidade econômica mundial. pois. ao irem assimilando a técnica produtiva do centro. conseqüentemente. Mas. em vista da sua maior pro- dutividade e apesar da sua renda elevada. a produzir um relativo nivelamento das rendas. ao fazer referência à livre ação das fôrças econômicas. O desnível das 1'l lidas e a ação das fôrças econômicas 6. Não obstante. em abstrato. a proteger o nível de renda atingido pelo país e a elevá-lo. com o propósito de impedir que os grandes países industriais. exigiram a adoção de medidas tendentes tôdas. Parece bastante clara a conclusão a ser tirada. repercutindo isso desfavorà- velmente nos respecti-. prejudiquem o desen- volvimento das indústrias nos primeiros. apesar da sua heterogeneidade. pode conceber-se. em sua apli- . seria difícil. e nos acontecimentos con- cretos a premissa da mobilidade dos fatôres produtivos não é puramente econômica pois compreende também valores de outra índole. considerados de igualou maior importância que os valores puramente econômicos. um estado de coisas em que a plena mobilidade dos fatôres produtivos e a livre circulação de mercadorias tendam. e reduzam assim a ren- da dêsses. As di- ferenças ou desníveis das rendas e da produtividade. mantêm um nível de salários inferior ao de outros países em desenvolvimento.110 REVISTA BRASILEIRA DE ECONOMIA cuja renda é menor também estabelecem certas medidas refe- rentes a outros setores da produção. se a livre ação das fôrças econômicas não se limitar ao setor interno e se estende ao âmbito internacional. difere radicalmente dêsse quadro abstrato.'os níveis de renda. o :empo empregado na análise das conse- qüências dêsse esquema mental não o é inutilmente. todavia. com o decorrer do tempo.

Mas. dividi-la arbitràriamente a fim de aplicar o que diz res- peito ao setor interno. Eis. Apresentam-se neste sentido. além do problema geral comum a todos os países latino-americanos e que impeliu todos à adoção de medidas de proteção em uma ou outra forma. Cuba e Venezuela. Falta-nos uma análise teórica mais profunda e uma cuidadosa pesquisa dos dados. onde as moedas foram desvalorizadas. quando feito o câmbio para moedas depreciadas. e que mantêm altos salários em dólares nas suas indústrias de exportação. Tira-se dêste fato a seguinte conclusão: sendo iguais os níveis de renda. além de oferecerem grande inte- rêsse por si mesmos. permitem discernir. Cuba. acontece que é relativamente baixa. Explica-se. assim. os quais. Êsses salários. a produtividade das indústrias que procuram desen- volver. a justificação do esfôrço feito nestas páginas no sentido de esclarecer as complexidades particulares do desen- volvimento econômico e suas inerentes diferenças e disparidades. mediante sua inter- pretação teórica. certos casos particulares. Conforme se procurará demonstrar em outro estudo. pois. nesses dois países. a presença de elementos de grande significação em relação às nossas análises anteriores. Casos particulares de altos salários em atividades de exportação latino-americanas 7. E essa maior proteção é indis- cutIvelmente uma das causas dos preços serem relativamente mais altos nesses dois países que no resto da América Latina. alertada pela repercussão catastrófica das depressões cíclicas na . a fim de absorver o excedente de mão de obra. enquanto que se descura das transcen- dentais conseqüências que acarreta no setor internacional. que Cuba e Venezuela precisem recorrer a tarifas al- fandegárias mais elevadas que as requeridas por outros países de equivalente produtiv. Existem dois países da América Latina. mostram-se sensIvelmente mais eleva- dos do que aquêles existentes na maioria dos outros países la- tino-americanos. São evidentemente insuficientes essas considerações que não passam de generalizações esquemáticas. PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO ECON6MICO 111 cação. que não desvalorizaram a sua moeda.oade. a subvenção compreendida por medidas de pro- teção aduaneira deve ser tanto mais alta quanto mais elevado fôr o nível dos salários.

Encontramo-nos aqui diante de mais um dos numerosos casos em que um país peri- férico enfrenta obstáculos que não pode superar. que o incremento total da renda real obtido mediante o emprêgo de maior quantidade de fatôres em emprêsas de alta produtividade seria maior que aquêle registrado atualmente com o emprêgo de apenas uma parte dêsses fatôres em atividades que. que não está ao arbítrio de Cuba seguir tal política. Sabemos. Natu- ralmente. facilitando a absorção. mas é possível. julgarem necessário para proteger seu ele- vado nível de salários. desde 1927. o referido país teria que reduzir seus salários. cujo nível de salários é inferior ao seu.UU. Cuba obtém para o seu açúcar têrmos de intercâmbio mais favoráveis do que conseguiria num mercado livre. nessa eventualidade. se bem que não seja seguro. vem recorrendo. à proteção alfandegária para a sua agricultura e a soo indústria. ou empregar a que hoje nela trabalha com intensidade muito maior.112 REVISTA BRASILEIRA DE ECONOMIA sua economia monoprodutora. Evidentemente. quanto mais elevado fôr . a proteção assume a forma de uma quota que facilita ao produto cubano a obtenção de um preço mais alto do que aquêle do mercado mundih~. tão alto. Dadas as suas condições naturais e o alto nível de produtividade. sem dúvida. por estas atividades. quanto os EE.e ocupar muito mais gente nessa ati- vidade.. à custa da pro- dução norte-americana e de outros países competidores. além dos impostos aduaneiros. Neste caso. Todavia. tendo. Pode-se conceber uma queda do preço do açúcar nos EE. contudo. da mão de obra que a produção açucareira não pôde empregar. êsse país se vê obrigado a procurar outras atiyidades em que possa empregar o excedente de sua mão de obra. se não a totalidade daquele mercado.UU. que al1aptar a sua política à situação existente. devido à sua produtividade menor. que passaria então a suprir a maior parte. Temos aqui. um caso de medidas protetoras adotadas devido à maior produtividade e não a salários inferiores do país concurrente. a bem dizer. por con- seguinte. não resta dúvida que Cuba poderia produzir muito mais açúcar - para bem ou para mal . causada por Cuba. em virtude das limitações impostas pelos EE.UU. exigem a adoção de medidas de natu- reza protetora. à importação de açúcar. onde interviriam outros países produtores. Nesta situação.

ra. para compensar as diferenças na paridade de preços. quer do pon- to de vista teórico. A analogia é apenas parcial. o efeito indireto que o desembôlso dêsses salários pressupõe. 2 que toma a for- ma de uma taxa cambial mais favorável. Lastal1te inferior ao efeito produzido pelos salários da indús- tria açucare ira cubana). em con- (t:ções de concurrência inferiores às de outros países exporta- (L)1'es. quanto menos o excedente que poderia surgir da introdução do progresso técnico na produção primária. J. traduzidos em dólares. O efeito di- reto dos altos salários pagos na indústria petroleira sôbre as outras atividades talvez não seja muito sensível (em todo caso. concedida pelo govêrno Y?l1E'ZUE'lal:o. sendo que ambos êsses resultados n:percutem em todos os setores da atividade econômica do país. fato que induziu o Es- tado Venezuelano a estabelecer impostos aduaneiros bastante altos a fim de proteger a indústria local. paga. suscitam grande procura de mão de ob.UU. a indústria petrolífera permite pagar salários que. que o nível de salários (expressos em dólares) na Venezuela..S . em comparação com os de outros países latino-americanos. Ademais. o Estado percebe importante renda dessa atividade a qual ascende a cêrca de 507c do lucro líquido das emprêsas produtoras. Eis. maior será o incre- mento da renda real. assim como em Cuba. então. assim como o dispêndio da considerável renda que do petróleo au- fe'e o Estado. Esta s 1bvenção pode- 1 ria. o progresso técnico na agricultura tem sido notável. em virtude daquela atividade empre- . enquanto que nos EE.UU. empregam-se métodos primitivos na cultura do café e do cacau na Venezuela. =\Ia~. ser comparada com aquel2. os salários. pois. PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO ECON6MICO 113 o nível de produtividade nessas atividades. como por exemplo o café e o cacau. nos EE.gar apenas 3% da população econômicamente ativa na Venezuela. já que. Na verdade. é mais elevado do que nos outros países latino-americanos. Verifica-se. elevando. durante os anos 30. Nesse país. em conseqühlcia. aos exportadores dêsses produtos. o motivo da subvenção. Êste parece ser um dos fatôres que contribuíram para colocar certas exportações. a indústria petroleira está longe de poder absorver todo o incremento da população da Venezuela. são sumamente altos. quer no seu aspecto de política econômica. todavia. até certo ponto. ao que parece. O caso venezuelano apresenta igual interêsse.

como já tivemos diversas oportunidades de assinalar neste trabalho. Apre- sentam-se. de pouca importância. que este- jam desenvolvendo sua produção primária. Por exem- plo. êsses problemas constituem algo novo para a periferia latino-americana. No caso dos EE. Por outro lado. qualquer tentativa no sentido de se aumentar a renda dos países latino-americanos por intermédio das suas exporta- ções poderá encontrar sérios obstáculos oriundos da concurrên- cia de outros países. as importações constituem uma proporção pe- quena da renda nacional.pequena. Sob certos pontos de vista.114 REVIST. poderão surgir ou- tras complicações. des- níveis que com o decorrer do tempo vão se corrigindo. como eram antigamente Cuba e Venezuela. no campo da economia interna. uma reconhecida autoridade em assuntos refe- . as importações encarecerem digamos de 50%. enquanto que aquêles já iniciaram a fase de desenvolvimento industrial. Torna-se evidente o motivo da preo- cupação dos países que se encontram nessas circunstâncias quan- do se verifica qualquer melhoramento sensível na relação de tro- cas dos países da periferia. em vir- tude da mobilidade dos fatôres produtivos. dentro do âmbito dêste capítulo. as- sinalar as conseqüências que. mes- mo nos casos excepcionais acima mencionados.5% da renda nacional norte-americana. em países de baixos salários. onde. isto absorverá tão somente 1.. Ademais. Por conseguinte. a conseqüência seria absorver 10% da renda nacional. dado um cOE'ficiente de 3 %. com a exceção dos casos individuais acima referidos. em cujas atividades de exportação prevalece um nível de salários relativamente baixo. Obstáculos qUt dificultam o aumento dos salários nas atividades da exportação 8. o aumento das remunerações nas ati- vidades de exportação dos países fornecedores apresenta impor- tância relativamentE. se. determinam a introdução de uma indústria de exportação que paga elevados salários. ou de outras regiões da periferia. Eis porque convém fazer resumida referência às conseqüências dê3ses problemas ncs países industrializados. e que acarretam a necessidade de se tomar medidas tendentes a proteger o novo nível de salários. nos países cujo coefi- ciente é maior.4 BRASILEIRA DE ECONOMIA Apenas nos interessava. por conseguinte. UU. digamos de 20%.

assim. chama a atenção sôbre as possíveis conseqüências prejudiciais que poderão ocasionar àquele país os baixos salários e impostos pa- gos em outras regiões exportadoras de alta produtividade. PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO ECONôMICO 115 rentes ao petróleo. quer em relação à renda. Natu- ralmente. as diferenças de salários poderiam se acentuar com a desvaloriza- ção da moeda em determinado país. todavia. constituem um dos principais obstáculos ao en- tendimento econômico recíproco. A conseqüência da desigualdade das rendas e da pro- dutividade manifesta-se não somente na forma assinalada. às vêzes muito salien- tes. ou. no país em aprêço. em conjunto com outros fatôres. Todavia. se êste último empregar seu poder aquisitivo. um país que. e entre êsses últimos entre si. Concebe-se. em geral. (Ve- ja-se JOSEPH POQUE. en- tre a periferia e os grandes países industriais. o nível da renda é relativamente baixo. então. E essas disparidades. Há. com vários níveis de desvalorização nos diversos países. acarretar situações desfavoráveis na concurrência. Mas os desníveis das rendas e da produtividade podem. certas diferenças. por motivos permanentes ou temporários. pelas razões expostas num outro . se- melhantes àquelas já analisadas neste capítulo. e o pre- juízo causado pelo deslocamento dos fatôres de produção seria amplamente compensado pelas vantagens auferidas pelo inter- câmbio adicional. mormente no caso de países limítrofes. esteja enfrentando condições desfavoráveis de concurrência. as exportações dêste aumen- tariam em proporção com o aumento das importações. mas também entre os próprios países da pe- riferia. Pensou-se muitas vêzes na reunião aduaneira como meio de ampliar mercados restritos. em conseqüência do aumento de importações de outro país. E' evidente que êsses últimos poderão ser considerados como países onde. Ademais. contribuindo assim ao aumento da produtividade que em geral provém da produção em grande escala. seja prejudicado na sua produção interna.) Conseqüências das desigualdades de rendas e da produtividade no intercâmbio recíproco da América Latina 9. agora incrementado. justamente ao se referir ao caso da Venezuela. quer no to- cante à produtividade. entre os mesmos. contudo.

no sentido de estimular aquêle intercâmbio recíproco. ta l corno. não se ~hegou a tais extremos por várias causas.UU. conforme já ficou assinalado. no tocante ao processo de industriali- zação. não raramente se têm elaborado acordo:-l bilaterais com o fito de evitar êsses resul- tados. com o propósito de compensar o incremento ininterrupto das suas importações. Quando. subtraindo f-ssim essa sorna em excesso do intercâmbio recíproco. . ve- rifica-se. o elevado alcance das insistentes iniciativas auspi- ciadas pelos EE. em relação à renda nacional. porém. que.116 REVISTA BRASILEIRA DE ECONOMIA capítulo. Torna-se fácil compreender. a ação livre das fôrças econômicas não leva necessària- mente a êsse resultado. Ao contrário. surgiu o problema da escassez de divisas. por conseguinte. Pelo contrário. cada país procura desenvolver de um lado da fronteira produções industriais e agrícolas análogas àquelas que o país vizinho está estimulando no outro lado. em troca de concessões equivalentes. Durante o processo de industrialização na Europa. assegl. empregar a quantia proveniente de um ex- cesso de vendas a outro para importar bens de capital do cen- tro. mas corno regra geral seu caráter é mais bem transi- tório. Os países em fase de desenvolvimento podiam. o intercâmbio entre os países industriais viu-se seriamente afe- tado. Pouco se tem realizado neste sentido. aumentar suas exportações constantemente. salvo no caso de um intercâmbio cujo volume. por exemplo. é grande. diante do exposto. qualquer um dentre êles po- deria. Corno já tivE'mos ocaSlao de indicar. durante os anos 30. De todos modos não visaram êsses convenios fins de mais largo alcance. entre as mais impor- tantes das quais figura o fato de não ter existido nessa ocasião escassez de divis~ls.rando em determinado país um mercado para certos produtos industriais do outro. o que geral- mente não é o caso nos países latino-americanos. estimular o intercâmbio industrial. em geral. em prejuízo da espe- cialização e da extensão dos mercados. tendo as conseqüências dêste golpe repercutido gravemente em tôda a Europa Ocidental. por exemplo. dados os problemas de desequilíbrio e a escassez de divisas que afetam quase toc:os êsses países.

ao contrário do que se almeja. in varying degrees of intensity. senão observar que. de maneira alguma implica em recomendar de- terminada política. . diminuiria em "ez de aumentar. foram mencionadas as de proteção. cujas condições reais são muito diferentes daquelas implícitas nas premissas dos teoristas clássicos. um acréscimo da renda total. número 3. PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO ECONôMICO 117 Visava êste capítulo frisar os problemas que. Spreading outu'ards from Great Britain. appeared an extensive (I) Publicado na Ret. ultrapassados tais limites.ista Brasileira de Economia. ano. não havendo outra forma de se absorver a população econômicamente ativa e de se melhorar sua produtividade. a renda real. têm um elemento característico em comum: a experiên- cia ensina que tôdas elas provêm do fato de não terem surgido automàticamente outras soluções no campo econômico mundial. deve10ped extraordinarily in the United States and finally reached Japan. apesar da sua evidente diver- sidade. Enun- ciar êsses fatos. Procuramos apenas indicar que. são criados pelo desnível das rendas e da produtividade. From the centres whence it spmng. SUMMARY INTERPRETATION OF THE PROCESS OF ECONOMIC DEVELOPMEN r Chapter I . clustering around them. The Extension of Technical Progress in Latin America and the Problems lnvolved. agora. quer naqueles de limitado desen- volvimento. Thus were estab1ished the great industrial centres and. technical progress has been disseminated to the rest of the world at a comparative1y slow and irregular rate. Êsses problemas têm dado motivo à adoção de certas medidas deliberadas que. it encompassed the European Continent. o que ultrapassaria os limites dêste trabalho. as atividades desenvolvidas em virtude da adoção de medidas protecionistas possibilitam. quer nos paí- ses altamente desenvolvidos. Entre essas medidas. foram assinalados êsses limites e não nos cabe. dentro de certos limites. No trabalho apresentado o ano passado (1). às quais sempre recorreram os países em desenvolvimento. incluindo-se entre êsses extremos tôda a gama de condições intermediãrias. 3.

rhausted by the preSSllre of the uninterrupted e. viz. by virtue of its mineral wealth and of its henneque/l pl'odllt'tioil. 1chereas though agl'icllltuml produce constitutes the bulk of Al'gentina's expods. increase its productivity. Its 1:ast and fe/'tile lands 1cere ol/ly lightly populated II'hen the del'elopment of trollspol't facilitated their absorption il/to capitolist economy. The main Cllrrents of colonization in the lattei' countrlj cO/'J'esponded directly to fo/'eign trade requi- relllents. lchich.' fields. only 36% of its gainfully employed popu- lation Ico1'k in th. The .118 REVISTA BRASILEIRA DE ECONOMIA pel'iphery lchich drew but little benefit from the newly improved productivity lev. by tradition. The alllhor uses two diametTically opposed e:camples toillust/'ate his thesis. sllpplying m' insignificant fraction of the country's exports. the large majority is deprived of anij in/pulse te. Its soil had been ('. This inevitably leads to the formation of a laboul' sUl'plus which must find employment in other sectors of capitalist pl'oduction. Indeed. Xevel'theless. it became possible to absorb Mexico into lcorld economy. . Within that periphery. lVhilst Argentine development was in its initial stages.'ls. Population grolcs simultaneously 1cith the (le'celo}Jmellt oT ecollomy. respectirely. as a result of a strong and constant exte/'nal impetus. however. 65% of the gainflllly employ( d population in M exico is engaged in agricul- ture. could never reach a position in which it could compete Oil the internatiollal market lcith sllch countries as Ar- gentina. This fonn of economic structllre. The intense rate of growth of the Mexi- can population adds to the seriousness of the problem."l1exico l1'a8 al/'eady. thel'efol'e. and in each country the pToblems that emeTge as a result of tMs de1. an agricultural count1'y.:elopment are largely influenced by past e:rperience and ])/'illcipally by the manner in which technical }J/'og/'ess has pl'eri()llsly penetrated into the primary sectors linked lcith fo/'eigll frade. Hence. thel'e /Cas no incentive for the lllt/'oductioll of model'lI technique ii/to Mexican agriculture. could hardly be con- side/'ed pennan€ /lt. Since oi/ly a small proportion of the country's population is empioyed in the mines.rPQlIsiol/ of the jJopulation. Economic development in the peripheral cOlllltries illtrodllces a nelC phase in the w01'ld-wide extension of teclwlcal progress. the positions of Mexico and A/'[!Clztino. technical progress penetrated only into such sectoTs as were caUed upon to sllpply low-priced foodstuffs and mu) materials to the industrial centres.

for the most part. with the ex- ception of Venezuela. PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO ECON6MICO 119 dilliculties encountered in the Argentine are 01 a dillerent order: there. and therefore. in Table 1 the author compares per capita dollar eX}Jorts u:ith both the average annual growth 01 production and the percentage of the gainlully employed population engaged in primal'Y occupations in Latin America. the quantum 01 Argentine exports has shown a persistent tendency to drop. so that the larger the population living under pre-capitalist conditions. are exports sufficient to absorb the increasing population. 101' that matter.in addition to relying on natural resources and the poplllation's ability to assimilate modem technique. The general tenns 01 the problem may be set 10Tth in the follolcing manner: . a deficit in the Balance of Payments must inevitably lollow. Neither in Argentina nor in Me- xico. we find another limi- tation of undoubted irnportance: ha$ of loreign exchange availabi- lities. a trend to persistent disequilibrium in the Balance 01 Payments. In order to illllstrate the degree to which the problem varies from one country to another. must be irnported. Indeed. Therefore. then it is also necessary to increase the capital investment per gainfully em- ployed labourer. Hence the advent of industrialization becomes the common denominator 01 the problem in both countries. created by the introduction of technical methods in pre-CalJitalist occupations. to point out that in all the Latin American countries. imports will naturally tend to rise and if ex- ports do not show a corresponding increase. if it is desired to iilCJ'ease the level of productivity. lcith the help 01 lchich internal savings may be transformed into capital goods that. Economic develop- ment of necessity calls 101' the raising 01 the per capita income level. Allied to the considemble difticulty encountered in the eftort to 101'm sllch capital from dornestic sources. It will thus be . a deliberate internal impetus must be created in order to replace the deteriorating external stimulus. and the gTeater the rate of growth 01 that population. in any other Latin American country. nor. the greater lcill be the capital outlay required. since the world crisis. exports are insullicient to meet the demand fostered by economic development. He then goes 011. This gives rise to an outstand- ingly important phenomenon: namely. the critical issue is the weakening 01 the powerlul external impulse 01 growth. 01' the sUTplus thereol.

Whereas we have seen that the population rose 44. thus indicatirlg that the per capita quantum of exports hac! decreased by 19 . There follows an analysis of Latin America's trade with the United States during the past 25 years.oith the gr01cth of the region's population.the author has established indices for the capacity to import. . during this period. The terms of trade wL'Ínced an extrernely adverse trend. % during the aforesaid quater-century. SlzOICS thatwhereas in the five-year period 1945-49. of 15.of the above-mentioned Chart. The Weakening of Latin America's Capacity to Import During the Past 25 Years.120 REVISTA BRASILEIRA DE ECONOMIA seen that diseqllilibriurn is inherent to the process of economic developrnent. Chile and Venezuela nowadays receive a larger percentage of the in- ternational price of copper and petroleum.1 %.. Latin America's popll'ation had increased by 44. thus causing a reduction. but it is necessary to separate th~ organic phenornenon of de- veloprnent from the circunstantial phenornenon of inflation. This capacity to import has diminished even more than the capacity to export.370 highel' than during the five-year period 1925-29. respectively. The fluctuations of real . the terms of trade increased by a mere 22..6% in the capacity to importo It is the author's opinion that there are other factors which should also be taken into consideration in certaln exceptional cases. Chapter II .TjJorts is contrasted '.:e prices.3% between 1925-211 and 1945-49. as may be seen from curve 4. There ('an be no doubt that occasionally inflation may also serve as a contributory factor to such disequilibriurn. The l'olu me (·f foreign capital invested likewise 'exerts pressure on the capaáty to import. as a result of the deterioration of the terrns of trade. exports were on 7y 16.'. For instance. From a comparison of these t/co indices.that of the quantum of ex- ports and that of the t('rms of trade. as shown by curve 3 of that Chart.3% during the interim. but facilities for servicing sllch investments also depend on the volume of exports and their relatil. The allthor emphasizes that in the present tl'eat ise he does 1l0t últend to touch llpon this latter aspect of the questiono Chart 1. Úl u'hich the quantum of Latin American e. The capacity to ímport depends basically on the volume of a country's e:rports a 'ld on the ratio of export prices to import prices. .

as will be seen in Chart 2. that there is a prevailing tendency toward reduction in that country's import coefficient. the average british export coefficient was 18. as may be seen [tom curve 2 on Chart 4. it becomes evident that the correlation which exists between these factors in the UlIited States is utterly lacking here. dropped 46%. is that the United States applies a smaller proportion of its national income to impol'ts 01 Latin Amel'ican goods. from observation 01 curves 2 (real income in Great Britain) and 3 (British imports Irom Latin America) on Chart 3. the greater the influence of export fluctuations on the national income of the cyclical centre. the country's import coefficient remained fairly stable. it is pointed out that there is no connection be- tlOeen the terms of trade and Latin American exports to the United States. it lolOers its import coeffi- cient. United States' impo1'ts of Latin Ameri- can goods do not illcl'ease as a result of a fall in price of the laUer. between 1925-29 and 1945-49. Subsequent- ly. The greater the coef- ficient. In short. that is to say. The level of the principal cyclical centre's export coefficient is a vital factor in world economic activity. the 1'eal upshot of an improvement in the tenns of trade. British trade with Latin America is considered lorlh. it fell Irom 6. causing Latin American to make an adjustment in its import coefficients. Investigation 01 this phenomenon over a longer period in Great Britain reveals that during the period prior to 1914. when the principal cyclical centre was located there. Thus. on the other hand. in Great Britain exports we1'e able to exert a dynamic inlluence similar to that 01 investments. The author notes. whereas in the United States it is hardly likely that an increase in exports would . from the American point of vielO. as compared ldth 1Jrices of United States' eJ-'ports to Latin America. In the United States. Renee. remarkably sharp fluctuations occurred and after the 1929 crisis a stronger downward trend was observed.7% in 1925-29 to 5. which.9%. M oreover.3% in 1945-49. 1cith reference to the general picture of United States' lL'orld trade. During the years 1870-1914.- with. from a study of curves 2 (United States' imports from Latin America) and 3 (real income in the United States). PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO ECONôMICO 121 income in the United States are the main conditioning lactors 01 the quantum 01 Latin American exports to that country. and.

it is a cOl1lparatively easiJ task to stem the tendency to disequilibrium in the Balance of Paionents. luithin a given jJeriod. the lower the import coefficieut.122 REVISTA BRASILEIRA DE ECONOMIA lead to any decisive speeding up of domestic activity. The setting aside of IIlllltilateralisln th aefore accounts largely for the manner in u:hich the principal cyclical centre operates n01vadays. stressing its connections with the ten- dency to disequilibriwn provoked by economic development in the peripheral countries. and this accounts for the constant flo/c of gold tOlcard the United States and the chronic tendellcy to a deficit ill the Balance of Payments in such countries as a I'e at }Jresent in a phase of development. therefore. precisely beca use there is a corresponding increase in the surplus of gainfully occupied persons. the greater the effort made by the periphlry to increase its productivity. be said that the raising of the leveZ of in- come derived from primary production in Latin America can be . The author proceeds to deal 1cith the importance of the principal cyclical centre's import coefticient. This is more 01' less 10hat took place in those cOUlltries II'hichlCere developing 10hilst Great Britain 1cas still the principal cyclical centre. the external impetus originating in the e:rpansion of e:L'JJOrts frorn other countries to the aforesaid centre. Chapter III . This 1'elative abundance of labour in such occupations hinders the periphery from sharing the benefits of technical progresso Hence. Whell a gh'l3í1 country is in a position to maintain its expol'ts at a level lchich will enable it to meet the demand for Í1nports arising froTlI the development of its own economy. the greater will be the transfe1' of the benefits of such an increase of pro- ductivity to the centres. the lou'er the centre's capacity to 1'etrans- mit. The Extension of Technical Progress and the Terms of Trade The pel'sistent (Ieterioration of the terms of trade between the peripheral countries and the industrial centres is ascribed by the author to the compara tive dilatoriness with 10hich indus- trial development absorbs the real 01' potential surplus of the gainfully employed ]lopulation engaged in primary occupations. Nevertheless. All other factors remaining equal. provided aU other factors remain equal. It cannot. the perma- nellt reduction oi tll" United States' import coefficient makes a repetition of this pattern impossible.

PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO ECONôMICO 123

achieved by a mere increase 01 productivity. Furthermore, it is
essential to absorb the surplus 01 gainlully employed labour by
developing industry and its associated occupations, since only
in this lcay can wages be raised by an increment to productivity.
Should one of the peripheral countries decide to adopt such a
policy, it /nust be recognised, fully and at once, that others in
a less advanced stage, and ready accept a lou,oel' wage standard
despite the intl'oduction 01 technical impl'ovements, will be in a
position to foist the former 01 the lI.:orld market. However, there
is still anotha, though less problematical net advantage to be
gained fl'om engaging the surplus of the gainfully employed po-
pulation in industl'Y and its associated occupations. As the levei 01
pl'oductivity in the neu:ly established industries in the peripheral
countries I'ises to meet its countel'part in the more highly develop-
ed al'eas, so the net advantage Icill increase pToportionately; but
even Ichen the levei of p1'odllctivity is lower, a net prolit will
still aCi'ue. A different concept 01 what is economic must, the-
refore, be fOl'lnlllated fol' the periphery. The author goes on to
sholC that though in the large centres technical progress has
not implied a }Jl'ice l'eduction but rather an increase in lcages
and othel' tonns of income, the c01Tesponding increase of de-
manel and of the capacity to sa've is limited to these centres.
The peripheral countries which have not enjoyed these advan-
tages are at ]Jresent faceel Icith the need to assimilate such
modenl industrial technique as requires a substantial expansion
of demand anel of the capacity to save.
The treatise goes on to eleal with the question of the trans-
feTence of the benefits of technical progress from the periphery
to the centres, cOllsidering this topic f Tom the point of view 01
cyclical Iluctuations. The strong opposition raised by the centres
to any lcage reduction dUl'ing pel'iods 01 depression is responsible
for the increased preSSUl'e which such fluctuations exert on the
pel'iphery. The wages ]Jaid constitute the larger portion of the
cost of pl'oduction corresponding to the stages of the productive
process completed in the industrial centres. Therefore, the lact
that only a small drop is recorded in the wage level inevitably
means that it is incumbent on the periphery to reduce the aggre-
gate supply price so that the higher the levei to which wages
have risen during the cyclical upswing, and the more inelastic

124 REVISTA BRASILEIRA DE ECONOMIA

they appear during tlw d01Onswing, the greater 10ill be the
preSSU1'e which the centres exert on the periphery by means of
a Teduction in demané for primary products and a corresponding
fall in pTice of the lntter, This pressure may be strong enough
to cause the periphery to lose not only all it gained during the
previous cyclical upsIl'ing but also to compel it to transfer to the
centre a part of the bimefits acquired as a result of the technical
}Jl'ogress achieved,

Chapter IV - Contrasts and Differences in the Process of
Economic Development
The eco1/olllic dculopmellt of those coulltl'ies lchich at ]Jl'e-
sent constitute the ]Hl'é"phel'y pl'esents a saies of remarkable
tl'aits 1('1Iich arc, intrif,<cally, a reflection of the contrast between
the highly acZ,'ailced plia5"e of the gl'eat centres and the pre- 01'
semi- ca]Jitaii"~t 1)lwsc thu:=; fal' reached by the majority of the
Latin Americail staf,'s, Thel'e is an outstanding difference
betlceen the limited c([pacity to fonn ca1Jital in the Latin Ame-
1'ican cowzfries and the zvrodigiolls capital demands entaiied by
the introducti01' of nu dei'íl tcchniqlle. These differences did not
arise in the [Jl'olcth o/ the }J1'esent-day industrial centres, owing
to the [aet that Il'hell fl/Cil' per eapita ineome 1['as still relatively
lou', produetive teehnÍl{lIe, too, Tequired only a reiatively low per
capita investment, YI t anotheT eonsequence of this difference
in the degree of expaJlsion of both income and technique is the
weakness of demand 1,'hieh distinguishes the Latin American
states, Where the couutl'y itself developed in a measure parallel
1vith the evolutioll of lJl'oductive technique, the stage of low per
capitaincome naturaliy eoincided with proportionately small-
scale forms of produetion, The current position of the peripheral
countries is quite the fJpposite. Here, we find weak demand as
the outeome of lme pJ'oductivity levels, these being low due to
the fact that such dem'lnd is one of the factors that hamper the
use of more advanced technical methods. The author regards
technical progress as source of unemployment everywhere, adding,
however, that in the mdustrial centres such progress tends to
absorb the laboul' surplus by provoking an increase of invest-
ment in those industries which turn out capital goods. In the
peripheral countries, u"here the volume of production of capital

PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO ECONôMICO 125

goods is low, demand for such goods is transferred abroad and
technical progress may merely give rise to unemplo1lment, since
larger capital availabilities will be required to employ the labour
sllrplus. This leads to the problem of making the best use possible
of the small volume of capital available. It is generally recog-
nized that more advanced equipment, requiring a higher capital
outlay per labourer, is only economic provided that the total cost~
of serrices and amortization incurred thereby is lowe1' than the
amount im;olved by the reduction of other costs, among which
figures the cost of labour. The ideal investment of capital i~
measured by the 1.cage level and the rate of interest levied. In
the industrial eountries the cost of equipment is also measured
by the 1cuge level. The periphery impol'ts equipment manufactured
in countries lchere a high wage level obtains, in order to reduee
costs assessed in loU' wages. The author goes on to state that
the real relationship between the component factors of the ideal
combinatian of labour and capital in Latin America is blurred by
the pressure of othel' factors, among 1chieh inflation stands out.
Its effeets, like those of import restrictions, are not disl1'ibuted
lcith uniform intensity throughout evel'y seetor, nor do profits
eorl'espond to the increase of pí'oduetivit!!. Investments, there-
[ore, do not adhere to a strict Cl"iterioll of pl'oduetivity such as
is essential to the optimum distl'ibution of the available sapital.
Thus u:e encounter the phenomeila of ove/'-investment, while such
1.:ital oceupations as t1'anspo1't, - to lchich the profits of infla-
tion do not aeel'lW, - instead of dralcÍJlg nelC capital, show evi-
dC!ice of an outjlo/c of fhe cl1.pital olread!! in-vested therein.
}o;olchere in the l1'ol'ld has the assimilation of modern tech-
nical methods, zcith their g/'olcing comple,Tit!!, given signs of being
a spontaileollS occu},1'ence; in fact, it has called for great effort
and a dete1'millcd COilstallcy of purpose. This fact is of the utmost
impol'talice to the eCOilOlllÍf development of Latin America since
there are ineqzwlities in the rarious standards of living of coun-
tries Ichich are al1'ead!! developed, as compared with those now
wldergoing a ]JI'OCCSS of de'/,'elopment, ai/d thesp inequalities arise
noÍ anlu f1'oll1 the diffel'ences of natural 1'esources, but also, by
anel large, f;'om differences in their real eapacity to assimilate
this teehnique, set up the necessary savings funds, and acquire
fhe knozdedge essential for obtaining the maximum benefit from

provoking unemployment and creating an adverse illfluence on the high 10age levels obtaining in other industries. b) the lo1O in come coun- tries attempt to raise their incomes by overcoming certain diffi. Great Britain adopted a proteetive tarift policy 10hich enabled her to develo]J certain occupations in which . when compared with industrial prices. the higher lcage level nullifies the beneficial effects of increased producti- vity. . there was a tendency for the benefds of technical progress to be transferred to the rest of the world. despite their extraordinary diversity. and these. foreign competition 100uld eliminate those aetivities in lchieh monetary costs are high. l('hel'( modern technique had been l'apidly assi- milated.:ention. The differences between the income and productivity levels in various countries have led to the adoption of numerous me a- sures which. for the first time in history. J. anti. The authol' then proceeds to analyse the course of events in J apall. hOlcever.126 REVISTA BRASILEIRA DE ECONOMIA both technique and sauings. in this case.lf oreover. It !tas been said that in the high income countries. was short by government in- ten.ing objectives: a) Countries with the relatively high per capita income level seek to avoid the pressure exerted by certain fonns of competition employed in the loli' i/lcome countries. after a period of chronic unemployment. In the early 'thirties. the success of Japanese competition in u:orld trade lies in the fact that. industry was unable to absorb fhe labollr surplus that appeared in the agricultural sector. if certain protectionist measures were not adopted. Basically. Because of fhe ~'ery iimited degree of its expansion. Chapter V .4 typical example of sueh measures was the subsidy granted to UI/ited States' farmers during the 'thirties. Pressure /L'as thus exerted on agricultural prices. The importance of the development of this capacity in Latin America cannot be oVeT-estimated. there 10as no relative decl'case of fhe population gainfully employed in these ocupations. Consequences of the Difficulties in Income and Produdivity. culties arising both f1'(·m the policies adopted by the high income countries and from the operation of the economic system itself. though no cOTi'esponding raising of the industrial wage level was effected. showed a dOlcnward trendlchich. aim either deliberately 01' invol1l1ltarily at one of the follou.

but rather purports to prove that in the absence of any other means of absorbing the gainfully employed popu- latiou. are. However. there might have been no need for a reduction of the import coefficient. at all events. It might be propounded that if the British wage level had been lowered sufficiently. In a similar manner. which are deliberately intended to effect a reduction of the import coef- ficient. even if the lolOering of the 'loage level had provided adequate stimu1us for an increase in employment. . occupations that Olce their development to a protective tariff policy. Import restrictions. make it impossible for Latin America to meet foreign competition. are a means of incrementing the national income. despite the fact lOages a1"e pro- pOl'tionately lOlCe]' in the former than in the United States and Wester1l Europe. The recog- nition of this fact does not imply the recommendation of any given policy. Here. and that such an increase could be augmented by improvements in productive technique.t"ption of unemployed labour led to an increase of the national income. taken as a whole. and raising the level of its productivity. a fonn of internal subsidy created for the dual purpose of a) enabling certain industries to pay wages that are at [east as high as those prevailing in the country. PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO ECONôMICO 127 the productivity level was lower than that attained by former supplies. the Latin American countries u:ere spurred to expand their industries in order to absorb the increment to the gainfuUy employed population. the abso. as in the example dJ'awn from Great Britain. in- volving a corresponding and quite substantial 10ss of real in- come in that country. But.:een the productivity levels of the periphery and the cyclical centre are such that. and b) of simultaneous1y increasing the national income. tkere lOould still have been a general contraction of British exports. ultimately. industrial enter- prise is only economic provided it gives rise to a net increase of real income. within certain limitations. Tlte differences betll. production costs.

Tfel'lle.. pOi/1' atteilldre finalement le Ja- V!i ' . c'est par ses l'ichesses minérales que le Me:âque s'est trol!'é inclus dans l'économie mondiale./ de:. m{thoc!€ s mOde1'l1eS de ])l'oduction. une populatioll en croissance 1'pg/lliere avaH é]Jui:~(.daires ali. Gette situation était tempo- 1'('I.< uil!si ql"aP!Wi'Ui'ellt les premiers centres industriels ct.ficia guere de ['(/" ~'!i())'C':~'. pénét1'é dans lcs secteuí'S pi'imail'es 'iés à l'e.d doit tenir compte de l'expérience acqui- sc <:t de la mal/iel e dont le ])1'og1'(. comme il lI'Y a'vait Cjll'une faible fraction de la population em- ployée dans les minEs. était peu peuplé a'l!ant que le développement des tl'ans}Jol'ts penn it son intég1'ation dans l' économie capitaliste. (l1/frl'. le M exique était tra- ditiomwllement IIiI pays ag1'icole. Parti de la G/'ande-Bretcgne il a tO/lché le continent eU'i'opéen a'1)ec ]Jlil3 011 liIO!. Dans cette zone.!' cuztr:s industriels. •4 partir des c.I'.'. .'.lItres Otl il est né.. la jJfl}Ju!atwll s'est aNTI/e en mêmc temps que l'économie se déve- lO]JfJait SOll8 l'impulsion e. Mais.r e.' . II y a 6.-e.128 REVISTA BRASILEIRA DE ECONOMIA RESUMÉ Ui'\E !NTERPRÉTATIOr\ DU DÉVELOPMENT ECONOMIQUE Chapitre I .~.>S d'{lItclIsdé: il S'fst développée avec une force ex- trc~oi'â!iU::i.'. la grande majorité des travailleurs ne put accroítre sa producti1:ité. L'introduction du progres technique en Amérique du Sud et les problemes qu'elle souleve . le ]J/'()gi'i.remples diamétralement opposés: celui dll "flrfl:::âqlle et celui de l'Al'[Jentinr. Le dÓi'elo])p! menf écollomiquc des 1Jays de la zone péri- phériqlle ))'(!I'q/lc une lIo/{velle étape dans l'e:rtensioll géeogra- phi'jue dr. 1-1'e::!mE' rtf'í.r (lrs matiei'('s pi'ernie/'cs ou des prodllits ali- me .dur qui ne bé1u. Ce dérelo]J])emO." ]Jl'em iel'8 sfade. le 801. fediZe ef vast. C". POUl' illustre1' sa these. 8011 sol.. l'a1lteu1' cite deu.'.s tr::chiliql'e ilC toucha que les secteurs susccptibles de foul'ili/' à !ws pri.r]Jol'tation.S a déjã.:thodes de ]Ji'odudiol1.< de SOl1 dérel01Jpement. ". les étapcs de la colonisatiol1 fU1'ent li{>es au développement du commerce extél'ieu1'. Eil Argentine..5% de la population mexicaine ./'e. le progres technique s'est TI':jJcUldu dans le monde lentement et de façon ir1'éguliere. l'agriculture me:dcaine ne pouvait entl'er eu concw'/'enn' S1l1' le marché mondial et le progres techni- que ile la tOl/cha ])<18. Tandis que l' Argentine en était au. (.' Eiats-Ulli. .

La situation mexicaine favorise la formation d'un important exces de main-d'oeuvre auquel il faut trouver de l'emploi. alors qu'en Argentine. Partout. l'important accroissement de la population complique encore le probleme.9 . de l'aptitude de la population à assimiler la technique moderne et de la formation de capital par tête de travailleur actif. les exportations ne peu- vent fournir de l'emploi au supplément de main-d'oeuvre crée par l'accroissement de la population ou rendu disponible par l'in- troduction des méthodes modernes de production dans les secteurs pré-capitalistes. b) ces ex- portations et le pourcentage de la population active employé dans le secteur primaire en A mérique Latine. les exportations argentines ont une tendance per- sistante à diminue r et il est nécessaire de créer une impulsion interne pour remplacer ce stimulant qui venait auparavant de l'étmnger. d' ou une tendance au déséquilibre per- manent des balances des paiements. depuis la crise mondiale. et que son taux d'accroissement est plus élevé. ni même dans aucun pays de l' Amérique Latine. il n'y a que 36 % de la population active à travailler aux ckamps. Ni en Argentine ni au Mexique. L'industrialisation est ainsi devenu le probleme com- mun des deux pays. les difficultés sont d'un autre ordre: elles résultent de l'affaiblissement du stimulant extérieur. sauf au V éné- zuela. PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO ECONôMICO 129 employée dans l'agriculture et ne contribuant que pour une part infime aux exportations du pays. La formation de capital devra être d'autant plus consi- démble que la population vivant dans des conditions pré-capi- talistes est plus nombreuse. ou les produits agricoles représentent le gros des exportations. Pour l' A rgentine. Ce déséquilibre est inhérent au processus de développement économique. Les données du probleme s'expriment ainsi: l'accroissement de la productivité dépend de l'importance des ressources natu- /'elles. L'auteur compare: a) les exportations en dollars par tête et l' augmentation moyenne annuelle de la production. En effet. les exportations sont insuffisantes pour satisfaire au déve- loppement de l' économie. Deux difficultés s'opposent à la formation de ce ca- pital: la faiblesse des ressources locales et la faiblesse des dis- ponibilités en devises qui empeche l'épargne interne de s'investir en équipements provenant de l' étranger. J.

Les possibilités d'importation dépendent essentiellement du volume des exportations et du rapport des prix à l'importation et à l'exportation. pendant la pé- ro riode 1945-194:1 les e:rportations n' on dépassé que de 16. celles-ci ont di- minué de 15. D'auttre part. ['uutelli' obtien f un índice rep1'ésentatif des possibilités d'impor- tation (coUJ"be 3). Autrement dit. des marchandises provenant des Etats-Unis est sensible aux variations des prix. Diffé1'ents autres facteurs doivent être pris en considération: ainsi actuellement.130 REVISTA BRASILEIRA DE ECONOMIA Chapitre II . Les investissements étrangers permettent éga- lement d'accroitre les importations mais le service des intérêts et dividendes est limité par le volume des exportations et leurs prix relatifs. le Chili et le V énézuela re- çoivent une plilS grande part du prix de vente du cuivre et du pétrole su1' lema1'ché international. L' auteur s' attache ensuite au COmme1"Ce de l' A mérique La- tine avec les Etats-Unis. au cours des 25 dernieres années. Le graphique I compare les exportations de l'Amé- rique Latine à l'accl'oissement de sa population.6~ó.3 celles de la période 1925-29. L'affaiblissement des possibilités d'importation en Amérique Latine. Lorsque les termes de l'échange s'améliorent aux Etats-Unis. la part du revenu national de ce pays qui est consacrée à l'im- portation de marchandises en provenance de l'Amérique Latine diminue sensiblement. les exportations per capita ont donc diminué de 19. il constate que ces deux éléments varient simultané- ment dans le même senso Cette corrélation ne se retrouve pas dans le comme1'ce de l'Amérique Latine avec la Grande-Bretagne.'1 % au cours du quart de siecle. En rap- prochallt l'indi(Õe des exportations et celui des termes de l' échange. les Etats-Unis voient se .. en Amérique Latine. pendant la période considérée. L'auteur n'a pas l'intention d'aborder ici cet aspect du ]JI'obleme. tandis que l'entrée. En rapprochant (dans le graphique 2) la courbe du 1'evenu réel aux Etats-Unis (courbe 3) des im- portations faites par ce pays en provenance de l'Amérique Latine (courbe 2).. les variations des termes de l'échange n'exercent aucune influence sur le mouvement des exportations de l'Améri- que Latine vers les Etats-Unis. La courbe 4 mon- tre la tendaua des termes de l'échange à se dégrader. tandis que la population de l'Amérique La- tine s' est aCCl'ue de 44.3 %.

L'aban- don du multilatéralisme s'explique en grande partie par la maniere dont agit à notre époque le principal centre cyclique. le coefficient d'importatioll est resté stabZe. il est peu probable qu'aux Etats-Unis UiZe augmentation des e:t}Jol'tations puisse stimuler de façon d écisive l' activité nationale. en Grande-Bretagne. c'est-à-dire avant 1914. le coefficient moyen d'e:cportatioíl a été de 18. Lorsqu'un pays a la possibilité de maintenit· ses eX]Jortations au niveau correspondant aux importations qui lui sont nécessaires. Chapitre IH . Pendant la période 1870-1914.7% à 5. Lorsque ce coefficient est faible les pays de la périphérie ne profitent que tres partiel- lement de l'accroissement de la demande qui se manifeste dans Ze centre cyclique pendant la période de pí'ospérité. PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO ECONôMICO 131 réduire le coefficient de Zeurs exportations (courbe 2 du graphi- que 4). L'auteur étudie ellsuite le rôle joué par le coefficient d'im- portation du principal cent1'e cyclique.9%. Zorsque ce pays était Ze centre cyclique le plus important du monde. les eX}Jol'tatiolls avaiént donc uneinfluence dynamique semblable à celle des investissements. il lui est facile d' équilibl'er sa balance des paiements. cet- te situation n' existe plus en raison de la diminution constante du coefficient d'impol'tation des Etats-Unis. Par contre. 1'01' afflue dans ce pays et les nations actuellement en voie de développement sont das l'impossibilité d'équilibrer leur balance de paiements. il a baissé de 467c. c' était le cas des pays qui se sont déve10ppés pendallt que la Grande-Bre- tagne constituait le principal centl'e cyclique. Par contre. L'influence exercée par 1es variations du chiffre des e:tportations sur le revenu national du centre cyclique est d'autant plus importante que son coeficient d'exportation est plus élevé. Le progres technique et les termes de l'échange L'auteur attribue la détérioration des termes de l'échange dans les zones périphériques à la lenteur avec laquelle le dévelop- pement industriel absorbe le surplus réel ou potentiel de la po- . En Grande-Bretagne. Un autre facteur important est constitué par le coefficient d' e:rportation qui indique la part des exportations dans Ze revenu natioilUZ d'unc w!tion. il est tombé de 6.3% entre 1925-29 et 1945-49. Actuellement. Le coefticient des importations totaZes des Etats-Unis a constaiiunent diminué: entre 1925-29 et 1945-49. Aux Etats-Unis.

il se trouvera d'autres pays moins avancés qui continueront d'accepter de bas salaires malgré les améliorations techniques et se trouveront en mesure d'exclure du marché mon- dial le pays qui tente d'élever les salaires par l'industrialisation. Pendant la dép1'es- sion.ent de la zone périphérique est compliqué par l'extreme contrast~ qui existe entre les grands centres industriels et l' économie pré ou semi-capitaliste des pays de l' A mérique La- tine. Comme ces salaires constituent la majeure partie du coút de p1'oduction. Il y a un éca1't absolu entre le capital tres limité que l' A mé- . Pour absor- ber ce surplus de main-d'oeuvre. Dans les grands centres industriels. le progres technique ne s' est pas traduit par une réduction des prix mais au contraire par une augmentafion des salaires et des autres formes du re- venu. Les pays de la périphérie qui n'ont pas part à ces avantages doivent adopter la technique in- dustrielle moderne poIo' obtenir une extension effective de la demande et de l'épargne. les prix des prodwts industriels achetés par les pays de la péri- phérie baissent peito Les pays doivent 1'éduire considérablement leul's achats pour rester dans la limite des moyens de paiements qu'ils obtiennent S7'1' le ma1'ché mondial par la vente des produits alimentaires et de8 matieres premieres dont la demande a con- sidérablemellt dim/:lIué et les prix fortement baissé. Chapitre IV . les salaires di( centre cyclique résistent à la baisse. il est nécessaire de développer l'industrie et les activités connexes puisque l'industrie constitue le seul moyen d' accroítre la productivité et d' élever le niveau des salaires. L'accroissen1ent de la demande et de l'épargne qui en ré- sulte est limité à ces centres.132 REVISTA BRASILEIRA DE ECONOMIA pulation active employée dans le secteur primaire. Les problemes économiques à résoudre dans les pays de la péri- phérie sont donc taut à fait particuliers. si l'un des pays de la périphérie décide d'adopter cette politique. Le phéno- mene peut être assez important pour faire perdre aux pays de la périphérie tout le gain de la montée cyclique précédente et les obliger à transférer au centre industriel une partie des bénéfices acquis par les progres techniques réalisés. Les différences dans le développement économique Le développe11l. L'auteur étudie ensuite les transferts de bénéfices qui s'ef- fectuent au cours des fluctuations cycliques. Mais.

Toutefois. la situation est presque l'inverse: le revenu par téte est maintenu bas par l'insuffisance du développement technique et cette faiblesse du revenu met obstacle à l'amélioration de la technique. Il a toujours été le fruit d'un effort consi- . Dans les pays périphériques. L'auteur ajoute que le jeu des fa- cteurs réels dans les décisions d'investissement est généralement brouillé par l'inflation. le revenu par téte était relativement faible. dans les centres industriels en formation. PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO ECONôMICO 133 rique Latine peut former et le prodigieux investissement néces- saire à l'introduction de la technique moderne. dans les grands centres industriels. Le calcul d'investisse- ment dépend du niveau des salaires et du taux d'intérét. la marge de l'investissement rentable est ré- duite parce que ces pays doivent importer des machines produites dans des régions de salaires élevés. Quelque soit la structure le progres technique peut étre cause de chômage. L'auteur souleve ensuite le probleme de l'utilisation la plus rationnelle possible du petit volume de capital disponible. Autrefois. alors le bénéfice se mesure à l'économie de sa- laires particulierement bas. un tel écart n' existait pas. On admet généralement qu'un équipement plus moderne. dans les pays périphériques. Ailleurs. Nulle part dans le monde le progres technique ne s'est réa- lisé spontanément. n' est ren- table que si le service des intéréts et de l'amortissement est in- férieur à l'économie 1'éalisée. le progres résorbe lui-méme le surplus de main-d'oeuvre en provo- quant un accroissement de l'investissement dans les industries de biens de capitaux. la de- mande de biens capitaux s'adresse à l'étranger et le progres techni- que ne peut qu'accroítre le chômage sans développer un méca- nisme compensateur à l'intérieur de la nation. Mais au- jour-d'hui. mais la techni- que de production n'exigeait qu'un investissement par téte éga- lement faible. essentiellement constituée par la 1'éduction du cout imputable au travail. Lorsque les cen- 1·es industriels actuels étaient en formation. ce qui majore le cout de l'investissement. Il existe encore une autre différence. dans les pays de la périphérie. qui exige une dépense plus élévée de capitaux par travailleurs. la faiblesse du revenu par téte correspondait à la technique alors connue et le revenu par téte se développait parallelement aux progres de la technique.

dan. Les conséquences des écarts dans le revenu et la productivité. Le succés de la concurnnce japanaise dans le monde tient essentiel- lement à ce que ce pays transférait au reste du monde les béné- fices tirés du progrcs technique. pays. Pendant les premieres années de la décade 1930-40.r différences dan. L'industrie ne pouvait absorbeT le surplus de main-d'oeuvre du secteur agricole. apres une période de chómage chronique. visent à atteindre 1'un des deux objectifs suivants: a) les pays à revenu pa?' tête élevé cherchent à se garantir contre certaines formeB de con- cnrrence employées par les pays à revenus faible. cOlls~itucr lcs Jonds d'épargne nécessaires et acqllérir lcs cOllllaist:o.~ revenus en surmontant certaines difficultés qui résultent de la p'Jlitique des pays à revenus forts et du fan- ctionnement du systeme économique. la technique moderne a été assimilée rapidement sans qu'il en résulte une élévation des salaires industriels. autrement le chómage serait à craindre et menacerait le niveau des salai- res dans les autres activités. dúaúle ct d'une grunde ténacité. entre Te.s la capacité des peuples à assimiler le pro- gd:3 teclmique. en dépit de leur diversité. b) ces derniers essaient d'élever leur. Chapitre V . le niveau dll.nces indispensables pour tirer le bénéfice ma:t'imum dt' la techrlique et de l'épargne. Le développement de a<ó qualités est. Les subventions accordées aux agl'1. Dans les pays de hauts salaires des mesures de protection sant prises cantre la concurrence étrangere lorsque celle-ci risque de tuer les activités dant le prix de revient est élevé. Les inégalités des standards de vie dans le monde sant dues à différentes causes et parmi elles aU. d'une importance qu'on lIe peut sous-estime1. pOUl l'Amériqlle Latine.134 REFISTA BRASILEIRA DE ECONOMIA. Le bénéfice résulta de l'ab- .c. Au Japon.ulteurs des Etats-Unis apres 1930 constituent un exemple de telles mesures. ret:enu et de la praductivité ant canduit à l'adaption de nam- breuses mesures qui. la Grande-Bretagne a adopté une politique protectionniste afin de développer certaines activi- tés dans lesquelles lf niveau de la productivité était inférieur à celui de ses fournisseurs antérieurs. Les différences existant. Cette constatation est d'im~ purtal/ce pou}" l'Amuique Latine.

De la même maniere. b) accroitre en même temps le revenu national. une politique protectionniste prudente et li- mitée à certains secteurs. Les resb'ictions d'importation qui ont pour but de réduirf- le coefficient d'importation sont. du revenu national. . les pays de l'Amérique Latine fúrent poussés à dévelGpper leurs industries afin d'absorber l'accroisse- mellt de la main-d'oeuvre disponible. en définitive. présente l'avantage de favoriser I' augmentatior. Les bas salaires ne permettent pus de combler cette diffé- rence. En l'absence de tout autre moyen d'absorber la population active excédentaire. PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO ECONôMICO 135 sorption des chómeurs qui permit l'accroissement du revenu national. une forme de sub- vention interne crée dans la double intention de: a) permett1'e à certaines industries le paiement de salaires plus élevés. La différence est trop grande entre la productivité de la péi'iphérie et celle des pays hautement industrialisés pour qu'il soit possible de faire face sans protection à la concurrence dtran- gere.