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Ficção científica e realidade

Sugestão coletiva

Assistia a um filme de ficção científica de dos anos 70 onde era retratado o ano de 2018, de
tal modo que uma corporação governava o mundo e um jogo iludia a população, apesar de não mais
existirem guerras. Fato é que a sociedade estava alucinada nesse filme com a TV, mas podemos
pensar em nossa atualidade em relação a redes sociais de computador e celulares. Banalização de
violência, sensualidade desenfreada, desrespeito com direitos humanos, bizarrices e toda a sorte de
desgraças circulam na rede. Além das pessoas viverem hipnotizadas por tudo isso, esquecendo de
sua família, dos relacionamentos humanos e mesmo de sua saúde. Assim a nossa sociedade é
manipulada por propaganda, esquecendo de sua essência, e mesmo dos direitos básicos, se iludindo
com a fantasia que circula na rede e que vive vinte e quatro horas na palma da mão, em celular. Essa
hipnose coletiva já foi usada mundialmente e governos fascistas e socialistas empregaram com
grande resultado, sobrando por fim a desgraça para as pessoas. As duas guerras e tantas outras se
fizeram nessas ilusões, em defesa mortal de alguma “pátria” e por algum ideal, seja de liberdade,
seja de luta de classes.

Informações adulteradas

Uma ideia que veio também da ficção científica é de não mais existência no futuro de livros, sendo
tudo transformado em arquivos. O problema é que esses arquivos seriam adulterados e as
informações trocadas. Isso me lembra algo muito presente numa disciplina: a história. O que temos
de história é uma história da mentira e de vencedores, e mesmo as religiões usaram isso, para
demonizar os deuses de outros povos. Mas preocupa todos os livros não mais existirem, e termos
um material adulterado em bibliotecas virtuais. Esse futuro não está longe, e mesmo livros do
passado são raros de se encontrar, em especial de história de inquisição. Em nações totalitárias os
livros foram queimados, e se tentou forçar a leitura de determinados livros. Quantos livros nos são
desconhecidos? Quanta informação nos é escondida? A ficção não erra tanto quando coloca uma
sociedade adulterada em sua memória histórica, por computadores.

Jogo da vida e da morte

Mas o jogo sem regras parece que é central em alguma produção. Gladiadores modernos e
ilusões de entretenimento. Esportes violentos e mortes desnecessárias. Vemos ainda hoje os esportes
violentos tomarem a audiência da TV. Nos é mostrado certo lado da fama, do esporte e da saúde.
Mas de alguém que ficou aleijado, pouco é falado.A própria vida se torna um jogo, e muitas vezes
acaba mal pela própria competição. O reino animal ensina isso na figura dos predadores e dos
machos-alfa. Sendo o humano de certo modo ainda próximo disso tudo, ele inventa jogos e
maneiras de tornar a vida um jogo de alto risco. Numa sociedade competitiva e que exclui pessoas,
privilegia a falta de ética e mesmo engana os ingênuos, resta saber alguma coisa desse jogo. Um
amigo intelectual disse que sua família não ensinou nada sobre a malandragem da vida. Acho que
também não aprendi essa regra, mas resta ir levando, mesmo sem a fama ou destaque que recebem
muitos que ganham o jogo. Os ganhadores desse jogo são os conquistadores, em diversos setores.
Por fim, nossas redes sociais banalizam a violência e coisificam o humano, em detrimento de
consumo e de uma ilusão que mantém as pessoas sedadas da realidade. A TV foi substituída por
computadores e celulares, e se multiplica zumbis da desinformação. Os corporadores enquanto isso
contam muito dinheiro e governam, e também a sociedade paga caro por coisas duvidosas,
colocando em risco sua saúde e mesmo sua vida. Produtos cancerígenos e industrializados mostram
essa tônica de nosso tempo, e as relações humanas destruídas, trocadas por celulares, num jogo sem
regras.