A CONSTRUÇÃO HISTÓRICA DA NOÇÃO DE INTENSIDADE DO TRABALHO

A sociedade contemporânea caminha para cada vez mais uma pressão por trabalho
e resultados. A revolução industrial e tecnológica, ao mesmo tempo em que contribui
de diversas formas para trabalho, também vem abrindo brechas para uma exigência
de maior intensidade do trabalho.

Desde as revoluções industriais, inglesa clássica e americana, pensadores como
Carl Marx já analisavam essas mudanças na relação de trabalho, principalmente
com relação as mudanças sob o ponto de vista da intensidade do trabalho. Marx
observa que as mudanças tecnológicas criam uma mais-valia relativa, aumentando a
intensidade de trabalho com mudanças nas técnicas de trabalho, devido ao advento
das máquinas. Marx também cria o conceito de porosidade de trabalho, que
metaforiza a intensidade do trabalho em uma mesma jornada de trabalho, a fim de
avaliar justamente sua intensidade. Nessa linha de pensamento, também surgem os
conceitos de intensidade, que está relacionada ao aumento da mais-valia, e de
produtividade, que está relacionada a melhoria dos meios de produção, justamente
em cenário de substituição da manufatura pela grande indústria. Ou seja, Marx
elucida que com o caminhar da Revolução Industrial houve a substituição do
alongamento das jornadas de trabalho pela intensificação do trabalho.

Já em meados do século XX, pensadores como Frederick Taylor analisaram o
aumento da intensidade de trabalho decorrente de processos de reorganização e
não de revolução industrial com evoluções tecnológicas, criando um modelo de
“administração científica”. Tal modelo visa, nas mesmas horas de jornada de
trabalho e nas mesmas condições técnicas aumentar o grau de intensidade do
trabalho do trabalhador, porém as custas de uma superestrutura burocrática.

A evolução do modelo taylorista veio com o Henry Ford, introduzindo a esteira de
produção e criando o modelo de produção denominado Fordismo. Dessa forma, a
intensidade de produção que antes era controlada por vários homens, agora passa a
ser controlada pela velocidade da esteira.

A crise do petróleo em 1973 forçou a criação de um novo modelo de produção, uma
vez que a produção não funcionada em um mundo de recessão. Surge então o
Toyotismo, evitando desperdícios de produção e indo contra a produção para formar
e gastar com a manutenção de estoque, base do Fordismo. A despeito de uma
produção acelerada, tal modelo pode reduzir contingente de trabalhadores e abrir
espaço para a criatividade e a qualidade da produção. Além, disso também surge o
conceito de autonomação, que permitiu intensificar a eficácia da produção.

Por fim, percebemos como ocorreu a intensificação do trabalho de acordo com as
mudanças nos modelos de produção e nas mudanças tecnológicas. Hoje, vivemos a
era da informática, mas com herança de uma jornada de trabalho reduzida e uma
intensidade de trabalho cada dia mais alta.