DIREITO ADMNISTRATIVO

Thiago Marrara: marrara@usp.br

www.academia.edu (artigos e materiais de aula disponíveis)

Bibliografia: Maria Silvia Zanella di Pieto (usado pelo Marrara); José dos
Santos Carvalho Filho (clareza); Odete Medavar (sucinto).

-Coletânea de Direito Administrativo para tratar de legislação.

Primeira prova: objetiva (uma errada anula uma certa – 50 questões, mais ou
menos) – Peso 4

Segunda prova: prova discursiva de caso – Peso 6

INTRODUÇÃO

Não existe um código de direito administrativo, pois este é muito
ramificado, visto que todos os entes da Federação constroem direito
administrativo. O que se estuda na matéria são as normas editadas pelo
Congresso Nacional (federais e nacionais).

Direito administrativo: No Brasil vige o princípio de unicidade de jurisdição
(direito privado e público são julgados pelos mesmos tipos de tribunal, variando
apenas em matéria de competência).

É importante diferenciar o direito administrativo de outras ramificações
do direito por motivos de:

1. Deveres e obrigações e do controle de responsabilidade com relação às
sanções (Ex: estupro em um shopping ou em uma universidade)
2. Processualmente, visto que os processos aplicados à administração são
diferenciados (Ex: licitação ou simples contratação).
3. Regras pra resolução de conflito (se o bem é particular ou público, por
exemplo).

Administração pública é. neutralidade. meritocracia e procedimentalidade. Em um critério de relação jurídica. O Direito administrativo se consolida enquanto ciência a partir do século XIX como . Fase da Fragmentação: Vai desde a chegada dos portugueses até a chegada da Família Real (1808). É um aprimoramento do modelo burocrático (em teoria). materialmente. o direito administrativo é o direito do Executivo. Subjetivamente. etc). transportes. Subjetivamente é um conjunto de entes e órgãos estatais que desempenham atividades de Administração Públicas (atentar para letras maiúsculas e minúsculas). no entanto. Há inúmeras normas relativas à gestão do Estado na máquina pública. Patrimonialismo: Modelo em que as pessoas se apossam dos cargos e instituições e os usam como uma extensão de sua vida pessoal. 1. 2. portanto. outros ramos do direito também o fazem. no entanto. por um critério híbrido. são normas esparsas. por exemplo). Gerencialismo: O interesse é se o Estado cumpre com suas funções. 3. imprimindo mais eficiência ao Estado e. educação. o Judiciário e o Legislativo também possuem funções administrativos. mas há atividades estatais de caráter restritivo (regulação. diz-se que o direito dos serviços prestados pelo Estado (saúde. no Brasil. MODELOS DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA O Direito administrativo varia de acordo com os modelos de administração. Por fim. Materialmente. Burocrático: Estruturado para combater os males do patrimonialismo através de impessoalidade. Ainda não havia direito administrativo como ciência. um conjunto de atividades de atendimento de necessidades concretas da coletividade por políticas públicas e gerenciamento da máquina pública. restringir os gastos governamentais. diz-se que é um direito que rege as relações entre cidadãos no Estado. FASES HISTÓRICAS DO DIREITO ADMNISTRATIVO BRASILEIRO 1. há uma interpretação funcional e subjetiva na qual o direito administrativo é o direito da administração pública. porém.

paradoxalmente. Tem-se a criação da disciplina de D. tendo como base as obras dos juristas franceses. no curso de Direito da USP em 1851. Fase de Transição: Não se sabe para onde o direito administrativo vai seguir. edição da primeira obra de D. A Constituição de 1988 é burocratizante através de. Tem-se a criação do Conselho de Estado para deliberar sobre questões importantes de D. onde o D. etc). concessões. Fase de Formação: Começa com a chegada da Família Real. Além disso. fortalecimento do terceiro setor (OnGs – o Estado as fortalece no intuito de se escusar de algumas obrigações). Adm. Com a Independência e a Constituição de 1824 tem-se consagrados direitos fundamentais aos cidadãos em relação ao Estado (base do D. Fase de Consolidação: Começa em 1891. OBJETOS DO DIREITO ADMINISTRATIVO 1. etc. Administrativo). além de enxugar gastos (privatizações. Fundamentos: Princípios gerais. Há uma grande codificação. entre outros. como as que tangem à proteção ao patrimônio histórico. Adm. sem necessidade justiça especializada). O Judiciário passa a ser um poder independente e ganha jurisdição para julgar conflitos do Estado e a constituição assegura unicidade de jurisdição (o juiz resolve os conflitos administrativos e cíveis. embora. Adm. às florestas. . se expande exponencialmente. Adm. 2. o Plano Diretor de Reformas do Aparelho do Estado (1995) instrumentalizou o modelo gerencialista com o objetivo de maior eficiência de na administração pública com o intuito de mais bem atender a população. reformas previdenciárias e fiscais. fontes. 3. por exemplo. 4. terceirizações. conceda diversos poderes aos órgãos estatais. um mecanismo de defesa do cidadão contra o Estado. seguindo uma linha privatizante ou de maior proteção ao Estado. valorização de concursos públicos. quando foram instituídas as primeiras instituições públicas de relevo.

Fontes Legisladas: Leis dos três entes da Federação a. d. Bens: O patrimônio público é regido por regras diferentes da dos privados. Relações Jurídico-Administrativas: 1. 61º § Iº). 68º). visto que ambas são USP). sérvios públicos. Leis Delegadas: O Presidente exerce função co-legislativa por meio de autorização prévia do Congresso (Art. Emendas Constitucionais c. Organização Administrativa: Como a adm. Relações Funcionais: entre agentes públicos 3. Relações extroversas: entre o Estado e o cidadão. 2. 5. b. e. Medidas Provisórias: Deve tratar-se de assunto urgente e relevante (há assuntos que não são objeto de medida provisória) . Meios: Como o Estado se utiliza de atos e contrato (direito administrativo contratual) 7. Atividades administrativas: polícia. intervenções. empresas estatais. Leis Complementares: Do ponto de vista do processo legislativo tem-se que elas devem ser aprovadas por maioria absoluta. Leis Ordinárias: Não precisam de maioria absoluta. Procedimentos: Controle de responsabilidade. etc) e operacionaliza suas funções. Fontes do Direito Administrativo 1. Relações intradministrativas: entre órgãos (Ex: FDRP – Sanfran. 2. ainda que exista um rol grande de matérias que não podem ser delegadas). f. pública se estrutura (fundações. 3. Em matéria de administrativo é muito comum que diversas leis que tangem à administração pública devem ser propostas pelo Chefe do Executivo (reserva de iniciativa) – Ex: criação de uma nova agência reguladora deve ser proposta pelo Presidente da República (Art. Agentes públicos 4. Relações interadiministativos: entre entidades públicas 4. autarquias. etc 6. Processos: Leis de processos para direito administrativo 8. Constitucionais: Constituições federal e estaduais e as leis orgânicas dos municípios.

Cabe ao chefe do executivo pode editar o regulamento para dar fiel . ao passo que a jurisprudência é um coletivo de julgados. Assim. Em caso de descumprimento. a legislação. Fontes de jurisprudência administrativa: Ex: DETRAN quando responde a recursos de multas. ADIs. 3. 2. não é vinculante. i. Fontes de jurisprudência dos tribunais: Por conta da unicidade de jurisdição (o Judiciário pode julgar a administração pública) e das súmulas vinculantes. As agências reguladoras tendem a formar uma jurisprudência administrativa. b) Lei em sentido material: Contém normas gerais (se relaciona ao caso concreto) e abstratas – não se relaciona ao caso concreto (determina a criação de cargos. ela deve justificar-se”. porém de caráter administrativo. em regra. no entanto. Fontes Administrativas: São fontes como veículos introdutores de norma. Essa jurisprudência. VII da LPA – “se a administração pública muda um posicionamento consolidado. por exemplo). CF). pois são produzidas dentro da administração pública. usa-se como remédio uma ação chamada reclamação que vai direto ao Supremo obrigando a administração pública a respeitar a súmula. Fontes Jurisprudenciais: Uma decisão judicial é chamada julgado. 50. Regulamento Executivo: O decreto é um ato praticado exclusivamente pelo chefe do poder executivo cujo conteúdo se chama regulamento (Art. regulamentar é detalhar regras do ordenamento. a. 84. ***Lei: a) Lei em sentido formal: Passa pelo processo legislativo. tem-se que as súmulas vinculantes do STF se aplicam também à toda administração pública. O regulamento detalha. ADPFs e Mandatos de Injunção também vinculam (pode ser impetrado pelo cidadão para suprir a falta de uma norma regulamentadora que engesse direitos fundamentais). é necessária alguma segurança jurídica (Art. ADCs. no entanto. Podem gerar normas gerais ou abstratas ou concretas. IV. b. criando jurisprudência administrativa.

ii. mediante decreto. interesse público e segurança jurídica: a administração se sujeita à esses preceitos. iv. execução à lei. Legalidade: Deve-se prezar pela lei. Regulamento Autônomo: Não é necessária uma lei. pode-se fazer um regulamento acerca de uma norma concreta. Eventualmente.): Legalidade. Convencionalidade: Deve-se prezar pelos acordos internacionais dos quais o Brasil é signatário. Ela pode ser dividida em duas coisas: a. ii. 1. Princípios do Direito Administrativo LIMPE (Art. 37. São características:  Prerrogativas: Marcado por poderes (Ex: poder de polícia)  Sujeições: Marcado por limites (Ex: licitação. iii. Extinção de funções ou órgãos públicos quando vagos. Caput. o legislador não pode entrar nas matérias de decreto autônomo. Organização e funcionamento da adm pública quando não implicar aumento de despesa nem criação e extinção de órgãos públicos. Reserva de lei: A administração pública só faz algo quando o ordenamento assim determina (mas nem tudo precisa estar escrito no ordenamento) – Art. 5º. v. Legalidade: Garante que a vontade do povo será respeitada pelo aparato estatal. moralidade. II (a administração . Regime Jurídico Administrativo: O Conjunto de normas que regem o direito administrativo e que varia em função do tempo e espaço. concurso público). de: 1. Supremacia da lei: “Nada contra a lei” – a administração pública não pode fazer nada contra a lei. ou melhor. Constitucionalidade: Deve-se prezar pela constituição. impessoalidade. i. Juridicidade: Deve-se prezar pelos direitos políticos. publicidade e eficiência. O presidente pode dispor. 2.

pública não pode restringir direitos fundamentais sem que o legislador tenha autorizado). .