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TEMA IV Funções Reais de Variável Real
SÍNTESE
1. Revisões
Dados dois conjuntos A e B, uma função de A em B é uma corresp
ondência que a cada elemento de
A faz corresponder um e um só elemento de B.
Duas funções f e g são iguais se e somente se:
• D = D ;
f g
• têm o mesmo conjunto de chegada;
• ∀ x ∈Df, f(x) = g(x).
2. Generalidades acerca de funções
Produto cartesiano de A por B: A ¥ B = {(a, b): a ∈A ∧ b ∈B}
Um conjunto G ⊂ A ¥ B é o gráfico de uma função de A em B quando e
penas quando para todo o
a ∈A existir um e somente um elemento b ∈B tal que (a, b) ∈G.
Sejam A e B conjuntos, f: A " B uma função e C um conjunto qu
alquer.
Chama-se restrição de f a C à função f | : C ∩ A " B tal que ∀ x ∈C
| (x) = f(x).
C
C
A função f : A " B diz-se injetiva se, para todos os x
e x pertencentes a A, x ≠ x ⇒ f(x ) ≠ f(x ).
1 2 1 2 1 2
A função f : A " B diz-se sobrejetiva se e só se para todo o y
pertencente a B existir um elemento x
pertencente a A tal que y = f (x).
A função f é sobrejetiva se e somente se o conjunto de chegada
de f coincidir com o contradomínio
de f.
Quando uma função é simultaneamente injetiva e sobrejetiva, diz-s
e bijetiva.
Sejam f : D " A e g: D " B duas funções. A função composta de g
com f é a função g o f : D o " B
f g
g f
tal que D o = {x ∈D : f(x) ∈D } e ∀x ∈D o , g o f(x
) = g(f(x)).

verifica-se que os gráficos cartesianos das funções f e f –1 são simétricos em relação à reta de equação y = x. isto é. Dado um plano munido de um referencial cartesiano e uma função bijetiva f : A " B (onde A ⊂ R e B ⊂ R). Uma função real de variável real f é diz-se: • par se para todo o x ∈D se tem –x ∈D e f (–x) = f (x). g f f g g f Sejam A e B conjuntos e f : A " B uma função bijetiva. 1 ----------------------. deve ter-se sempre em atenção as seguintes situações: • se a variável independente x se encontrar em denominador. f f • ímpar se para todo o x ∈D se tem –x ∈D e f (–x) = –f (x). • negativa em a ∈Df se f (a) < 0. Designa-se por função inversa de f a função f –1 : B " A tal que ∀ ∈B. . Chama-se zero de uma função f a todo o objeto cuja imagem é zero. No caso de se ter as duas situações em simultâneo. é preciso garantir q ue o denominador é diferente de zero. f –1(y ) = x . Generalidades acerca de funções reais de variável real Uma função real de variável real é uma função cujo domínio e o conjunto de chegada es ontidos em R. garantir que o radicando é maior ou igual a zero. terá de se considerar a conjunção as duas condições. são a imagem um do outro pela reflexão axial de eixo de equação y = x .Page 2----------------------- Síntese 3. • se a variável independente x se encontrar no radicando de um radical com índic e par. sendo que x é o y y único elemento pertencente a A tal que f (xy ) = y . Na determinação de domínios de funções reais de variável real definidas pela respetiv expressão analítica. Uma função real de variável real f diz-se: • positiva em a ∈Df se f (a) > 0.

f(x) + d. + Seja k ∈R . Para se estudar a paridade de uma função. f f Dado um plano munido de um referencial cartesiano e dada uma função f: • f é par se e somente se o eixo das ordenadas for eixo da simetria do respeti vo gráfico. Para provar que f não é ímpar basta mostrar que existe um a ∈Df tal que f (–a) ≠ – a). –x ∈D ). 3.º passo: Averiguar se o domínio obedece à seguinte condição: se um elemento per tence ao do- mínio. • f é ímpar se e somente se o respetivo gráfico for simétrico relativamente à origem do referencial. –f(x) e f(–x) Na tabela seguinte encontra-se um resumo dos efeito s que determinadas transformações têm na re- presentação gráfica de uma dada função f.Page 3----------------------- TEMA IV Funções Reais de Variável Real SÍNTESE Relação entre o gráfico de uma função f e os gráficos das funções ). devem seguir-se os seguintes pass os: 1. f f 2.º passo: Determinar f (–x) para x ∈Df. então o seu simétrico também pertence (∀x ∈D . 2 ----------------------. f(x + c). f(bx). Gráfico s Descrição do efeito sobre o gráfico de f .º passo: Comparar a expressão obtida com a de f (x) e a de –f (x) e conclui r de acordo com o es- quema: f (x) f é par Se f (–x) = –f (x) f é ímpar Para provar que f não é par basta mostrar que existe um a ∈Df tal que f (a) ≠ f (–a).

y f Translação associada ao vetor (0. 0). g(x) = f (x – k) O x O gráfico desloca-se k unidades para a direita. y f g Translação associada ao vetor (k. k). O x g g y Translação associada ao vetor (0. O x g y f g(x) = f (–x) Reflexão em relação ao eixo Oy . . y g f Translação associada ao vetor (–k. 0). g(x) = f (x) + k f O x O gráfico desloca-se k unidades para cima. y f g(x) = –f (x) Reflexão em relação ao eixo Ox . –k). g(x) = f (x + k) O x O gráfico desloca-se k unidades para a esquerda. O x g(x) = f (x) – k g O gráfico desloca-se k unidades para baixo.

0 < k < 1 O g f y g(x) = f (kx) f 1 Contração horizontal de coeficiente . em sentido lato. k > 1 O x k g y g(x) = f (kx) f g 1 x Dilatação horizontal de coeficiente . extremos e concavidades Uma função real de variável real é uma função cujo domínio e o conjunto de chegada e contidos em R. em I . 0 < k < 1 O k 3 ----------------------. Função estritamente crescente em I Fu nção crescente. Monotonia. y g(x) = k ¥ f (x) g Dilatação vertical de coeficiente k. k > 1 O x f y g(x) = k ¥ f (x) x Contração vertical de coeficiente k.Page 4----------------------- Síntese 4.

a < b ⇒ f (a) > f (b) ∀ a. em sentido lato. • f(a) é um mínimo absoluto de f se ∀x ∈Df. a < b ⇒ f (a) < f (b) ∀ a. diz-se que: • um número real M é um majorante de f quando ∀x ∈Df. f (a) ≤ f (x). d iz-se que: • f (a) é um máximo absoluto de f se ∀x ∈Df. Uma função simultaneamente majorada e minorada diz-se limitada. diz-se que: • f atinge um máximo relativo em a ∈D quando existe uma vizinhança r de a tal qu e ∀x ∈V (a) ∩ D . f (x) ≥ m . . b ∈I. em I y y f(b) f(a) O a b x I O I x ∀ a. • um número real m é um minorante de f quando ∀x ∈Df. a < b ⇒ f (a) ≤ f (b) Função estritamente decrescente em I Função d ecrescente. b ∈I. diz-se que f é majo a quando existir um majorante de f. a < b ⇒ f (a) ≥ f (b) Dada uma função real de variável real f de domínio Df. b ∈I. b ∈I. diz-se que f é min da quando existir um minorante de f. f r f f (a) ≥ f (x). f (a) ≥ f (x). f (x) ≤ M. Dada uma função real de variável real f. Dada uma função real de variável real f e um valor f (a) do contradomínio de f. y y f(b) f(a) O a b x I O I x ∀ a.

com a > 0 f(x) = ax + b. com a < 0 f(x) = b Domínio R . • f atinge um mínimo relativo em a ∈D quando existe uma v izinhança r de a tal que ∀x ∈V (a) ∩ D . Q e R do gráfico.Page 5----------------------- TEMA IV Funções Reais de Variável Real SÍNTESE Dada uma função real de variável real f e um intervalo Concavidade voltada Concavidade voltada para cima para baixo I ⊂ Df. o declive da reta P Q R PQ é superior ao da reta QR. diz-se que o gráfico de f tem: • a concavidade (estritamente) voltada para cima em I Q P se dados quaisquer três pontos P. 5. f r f f (a) ≤ f (x). 4 ----------------------. P Q • a concavidade (estritamente) voltada para baixo em I se dados quaisquer três pontos P. o declive da reta P Q R R PQ é inferior ao da reta QR. Estudo elementar de algumas funções Funções afins f(x) = ax + b. Q e R do gráfico. de mPQ < mQR mPQ > mQR abcissas em I tais que x < x < x . de R abcissas em I tais que x < x < x .

Estritamente decrescente. positiva em todo o Negativa em –∞. – e Posit iva em –∞. Constante. Í Í Í Í a a seu domínio. todos os números reais são zeros. +∞ . Monotonia Estritamente crescente. Contradomínio R {b} b b ≠ 0. Sinal È b È È b È b < 0. – e Í Í Í Í a a seu domínio. – Zeros a b = 0. È b È È b È b > 0. +∞ . negativa em todo o positiva em – . não tem zeros. neg ativa em – . y y y b b b O x b O x O b x – – a a y Representação O x gráfica y y y .

f (x) = ax2 + bx + c. a ≠ 0 a > 0 h > 0 y h > 0 y y h < 0 y h < 0 k > 0 k < 0 k < 0 k > 0 k k h h O h x O x O x h O x k k Representação gráfica a < 0 y h > 0 y h > 0 y h < 0 y h < 0 k > 0 k < 0 k < 0 k > 0 k k h h O h x O x O x h O x . com a. O b x b O x O x – – a a b b b 5 ----------------------. f(x) = a(x – h)2 + k. b. c ∈R e a ≠ 0.Page 6----------------------- Síntese Funções quadráticas Uma função quadrática é uma função real de variável real definida por um polinómio do 2.

º processo: Utilizar a fórmula V – . f é estritamente crescente em ]–∞. f – . a função f tem um mínimo absoluto k em h. a função f tem um máximo absoluto k em h. +∞[.º processo: Transformar a expressão analítica ax2 + bx + c na forma a(x – h)2 + k. Contradomínio Se a < 0. o gráfico tem a concavidade voltada para cima. a função tem dois zeros: h + √∫– a e h – √∫– a . Se a e k têm o mesmo sinal. k) Eixo de simetria x = h Domínio R Se a > 0. +∞[. Extremos Se a < 0. D’ = [h. o gráfico tem a concavidade voltada para baixo. a ≠ 0. Se a > 0. Sentido da Se a > 0. h] e estritamente crescente em [h. j 2a j 2ajj . f é estritamente decrescente em ]–∞. +∞[. Zeros k k Se a e k têm sinais diferentes. h b h b hh i i ii 2. Monotonia Se a < 0. concavidade Se a < 0. em R. do gráfico 6 ----------------------. h] e estritamente d ecrescente em [h. a função não tem zeros. h].Page 7----------------------- TEMA IV Funções Reais de Variável Real SÍNTESE Métodos para determinar as coordenadas do vértice da parábol a 1. D’ = ]–∞. k k Vértice (h. em R. Se a > 0.

2 3.º passo: Transformar a inequação numa do tipo ax2 + bx + c < 0. grau Dois zeros: x . 4. 2 2. o Sinal de uma função quadrática – inequações do 2.º passo: Determinar os zeros de x | " ax + bx + c.º passo: Apresentar o conjunto-solução. ax2 + bx + c ≤ 0 ou ax2 + bx + c ≥ 0. x Um zero: x Não tem zeros 1 2 1 + + + + a > 0 + x x x x – x x 1 2 1 + a < 0 x 1 x2 x x – x – – – x – 1 Na resolução de uma inequação de 2. apresentar a condição que corres- ponde aos valores de x que são solução da inequação. ax2 + bx + c > 0. devem seguir-se os s eguintes passos: 1. 5.º grau. 3.º processo: Obter a abcissa do vértice como ponto médio de quaisquer dois objetos com a mesma imagem e calcular a respetiva im agem.º passo: Fazer um esboço da parábola (gráfico de x | " ax + bx + c). Funções definidas por ramos .º passo: De acordo com o gráfico obtido no passo anterio r.

1 x se x ≥ 0 Tem-se que |x | = 2 . a. c]. Uma função f diz-se definida por ramos quando é definida por ex pressões analíticas diferentes em partes diferentes do seu domínio. Contradomínio Se a < 0. b. c c fica a < 0 y y y y c c b b O O b x O x b O x x c c Domínio R Se a > 0. D’ = ]–∞. D’ = [c. c ∈R e a ≠ 0 b > 0 b > 0 b < 0 b < 0 c > 0 c < 0 c > 0 c < 0 a > 0 y y y y c b c b O O b x O x b O x x Representação grá.Page 8----------------------- Síntese Função módulo A função módulo é uma função de R em R que a cada número real faz corresponder o seu va absoluto. 3 –x se x < 0 f (x) = a |x – b | + c. . +∞[. 7 ----------------------.

Condição impossível em R. tem-se que: |x | = a ⇔ x = a ∨ x = –a |x | < a ⇔ x < a ∧ x > –a |x | > a ⇔ x > a ∨ x < –a a > 0 ⇔ x ∈{–a. +∞[.Page 9----------------------- TEMA IV Funções Reais de Variável Real SÍNTESE Estudo de algumas funções que envolvem radicais (quadráticos e cúbicos) • Função y = √∫x Se f: R+ " R+. +∞[. a função não tem zeros. Se a > 0. a} ⇔ – a < x < a ⇔ x ∈]–∞. f é estritamente decrescente em ]–∞. f é estritamente crescente em ]–∞. a função tem dois zeros. Se a > 0. b. c ∈R. f tem um máximo absoluto c em b. Monotonia Se a < 0. 8 ----------------------. e aplicando as transformaç geométricas do gráfico de uma função. Zeros Se a e c têm sinais diferentes. a ≠ 0). então f –1 : R+ " R+ . – a [ ∪ ]a. b] e estrita mente crescente em [b. Condição universal em R. a [ |x | = 0 ⇔ x = 0 |x | < 0 |x | > 0 ⇔ x > 0 ∨ x < 0 a = 0 ⇔ x ∈{0} Condição impossível em R. ⇔ x ∈R\{0} |x | = a |x | < a |x | > a a < 0 Condição impossível em R. pode obter-se o gráfico de qualquer função do tipo y = a√∫∫ a. Extremos Se a < 0. f tem um mínimo absoluto c em b. Se a e c têm o mesmo sinal. b] e estritame nte decrescente em [b. . +∞[ ⇔ x ∈]–a. No geral. 0 0 0 0 x | 2 | " x x " √∫x A partir do gráfico da função y = √∫x.

a ≠ 0). x | 3 | 3 " x x " √∫x A partir do gráfico da função y = √∫x. e aplicando as transformaç geométricas do gráfico de uma 3 função. Operações algébricas com funções Dadas duas funções f : Df " R e g : Dg " R: • f + g : D = D ∩ D e (f + g)(x) = f(x) + g(x) f + g f g • f – g : D = D ∩ D e (f – g)(x) = f(x) – g(x) f – g f g • f ¥ g : D = D ∩ D e (f ¥ g)(x) = f(x) ¥ g(x) f ¥ g f g f f f(x) • : D f = D ∩ {x ∈D : g(x) ≠ 0} e (x) = f g g g g g(x) . ver ificar se as soluções obtidas são também soluções da equação inicial. repetir os passos anteriores.º passo: No caso de envolver radicais quadrados. ou ao cubo. então g–1 : R " R. pode obter-se o gráfico de qualquer função do tipo y = a √∫ (a.º passo: Se a equação assim obtida ainda envolver radica is. ambos os me mbros da equação consoante se trate de uma equação que envolva radicais quadrados ou cúbicos. para resolver uma equação que envolva radicai s quadrados ou cúbicos. No geral. 4. 3 • Função y = √∫x Se g : R " R. 3. c ∈R. b.º passo: Isolar um radical num dos membros da equação. 6.º passo: Elevar ao quadrado. Funções polinomiais Uma função polinomial é uma função que pode ser definida analitic amente por um polinómio com uma só variável. 2. podem seguir-se os seguintes passos: 1.

• αf : D = D e (αf )(x) = αf (x). sendo α ∈R αf f r • f : D r = {x ∈D : f(x) ≥ 0} se r > 0 ou D r = {x ∈D : f(x) ≠ 0} se r ≠ 0 ou D r = {x ∈D : f(x) > 0} se r < 0 f f f f f f e f r(x) = (f(x))r 9 .